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I'" 111I1I1 I11I
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ERRATA
Na página 41, na última linha, incluir, após a palavra "condições", "de busca".
Na página 41, faltou a nota de rodapé n" 32: HOBSBAWM, Eric J. A Era das Revoluções.
Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: paz e Terra, 1991. p. 256.
Na página 196, no 2° parágrafo, substituir a palavra "empreende" pela palavra "vivenciamos".
Na página 199, introduzir a chamada "(ANEXO 1)" no segundo parágrafo, após a palavra
"Habermas" .
Na página 200, introduzir a chamada "(ANEXO 2)" no segundo parágrafo, após "Teoria
Social Crítica".
.
Na página 204, introduzir a chamada "(ANEXO 3)" no terceiro parágrafo, após a palavra
"Habermas".
Na página 206, introduzir a chamada "(ANEXO 4)" no primeiro parágrafo, após "teoria dos
interesses" .
Na página 240, na última linha, onde se lê "cuIa", leia-se "cultura".
Na página 248, na nota de rodapé n" 33, a data correta é "1990", ao invés de "1997".
\
......••
--
----""
,
ETICA DO DISCURSO
A Emancipação do Homem no Trabalho e a
Teoria Social Crítica de Jürgen Habermas
Banca Examinadora
Prof. Orientador: Djair Pieehiai
Prof. Carlos José Malferrari
--
Fundação Getulio Vargas
Escola de Administração
de Empresas de Silo Paulo
Biblioteca
,';
.
1199600358
-
-
- -
--
-~-
---
-~~~_./
Prof.
Prof.
Prof.
Prof.
Esdras Borges Costa
Fernando C. Prestes Motta
Roberto Coda
Walter Meueei Nique
Para meus fílhos, Michele e Vinicius.
E para aqueles, que como liirgen Habennas,
acreditam em um mundo melhor e trabalham
para isso.
Porque sempre existirão seres humanos
"dotados de claro entendimento e espírito
clarividente;que não se limitam (...) a olhar só
para o que têm diante dos pés, olham também
para trás e para a frente e, estudando bem as
coisaspassadas,conhecem melhor o futuro eo-;
presente. Além de terem um espírito bem
formado, tudo fazem para o aperfeiçoar pelo
estudo e pelo saber".
EtJenne de La Boétie - séc. XVI
Discurso sobre a Servidão Voluntária
,
"
'
ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DE SÃO PAUW
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS
GENI DORNELES VALENTI
,
ETICA DO DISCURSO
A Emancipação do Homem no Trabalho e a
Teoria Social Crítica de Jürgen Habermas
Tese apresentada ao Curso de Pós-Graduação
da EAESPIFGV como requisito para a
obtenção do título de Doutor em
Administração.
Área de Concentraçio:
Organização,
Recursos Humanos e Planejamento.
Orientador: Prof. Dr. Djair Picchiai
'\
\
SÃO PAULO -1995
VALENTI,
Geni Dorneles. Ética do Discurso. A Emancipação do
Homem no Trabalho e a Teoria Social Crítica de Jürgen
Habermas. São Paulo:EAESP/FGV, 1995. 252 p. (Tese de
Doutorado apresentada ao Curso de Pós-Graduação da EAESP/FGV,
Área de Concentração: Organização, Recursos Humanos e
Planejamento) .
RESUMO: Versa sobre a atualidade
e a importância de
fortalecer o vínculo entre a Teoria das Organizações e a
Filosofia, para revisar a compreensão da totalidade do
indivíduo no mundo do trabalho.
Aborda questões como a
moralidade e a racionalidade vigentes e coloca como
estratégia para o desenvolvimento do potencial humano a
prática da reflexão.
Analisa a nova caracterização que
Habermas dá ã realidade, entendendo-a como racionalidade
ético-comunicativa,
uma nova forma de mostrar que na
multiplicidade
dos subsistemas e na pluralidade dos jogos de
linguagem, o homem pode unificar princípios últimos e
universalmente válidos, visando ã sua emancipação.
ABSTRACT:
Present time and the importance of strenghtening
the link between the Organizations Theory and Philosophy, to
review the comprehension of the individual as a whole in the
world of work, is dealt with. Questions such as the
established morality and rationality are approached and the
practice of thought as a way to achieve the development of
the human potential is appointed. The new characterization
given to reality by Habermas, understood as an ethicalcommunicative rationality, a new way of demonstrating that in
the multiplicity of sub-systems and in the plurality of the
language plays man can unify the utmost and universaly valid
principles aiming at his emancipation, is analyzed.
PALAVRAS-CHAVE:
Discurso,
consenso,
KEY-WORDS:
Modernidade, homem, trabalho,
razão comunicativa, novo paradigma,
liberdade de convívio, emancipação.
Ética do
diálogo,
Modernity, man, work, Díscours ethics,
communicative reason, new paradigm, dialogue, consensus,
conviviality freedom, emancipation.
iv
sUMÁRIO
INmODUÇÃO
7
Capítulo I - DO VALOR MORAL À ÉTICA.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
1.1. A Questão da Moralidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
1.1.1. AnÚgona . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
1.1.2. O Discurso Filosófico.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
1.2. Modernidade e Ética. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
Capítulo
n- ORIGENS
mSTÓRICAS
2.1. A Escola de Frankfurt.
DO PENSAMENTO
CRÍTICO
. . . . . . 54
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
2.2. Jiirgen Habermas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
.2.3. Base Inicial da Teoria Critica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
2.4. O Pensamento Critico de Marx . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
2.5. O Jovem Marx e a Economia Política . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82
2.6. O Pessimismo na Teoria Critica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
2.7. O Eixo da Teoria Critica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92
2.8. O Projeto Frankfurtiano e o lluminismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
Capítulo
m - TEORIA
CRíTICA
E RACIONALIDADE
EM HABERMAS
. . . . 99
-ior
3.1. Habennas e a Herança de Frankfurt
3.2. Emancipação e Interesse. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . \112
3.3. A Racionalidade Comunicativa
~
131,
3.3.1. A guinada lingüística. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133.
v
.........
3.3.2. A guinada teórico-comunicativa ..
.
136
3.3.3. O novo conceito de racionalidade
....
141
3.3.4. Sistema e mundo da vida .
. ...
150
Capítulo IV - ÉTICA COMO DIMENSÃO
ESSENCIAL
. . . . . . . . . . . . . . 158
4.1. Pressupostos da Ética do Discurso
160
4.2. Comunidade Comunicativa: Consenso e Discurso
165
4.3. Justificação e Validação da Norma.
. 169
4.4. A Racionalidade Comunicativa
. 173
. .
4.5. O Interesse e a Ação Comunicativa
.
.178
4.6. Razão Comunicativa e Emancipação.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192
CONCLUSÃO.
DEFINIÇÃO
. 183
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 226
DE TERMOS.
237
ANEXOS
BIBLIOGRAFIA.
. . . . . . . . . . .
.................
.. 243
1) Obras de Jürgen Habermas . .
.244
2) Obras sobre Jürgen Habermas .
.245
3) Bibliografia Complementar
.246
..
AGRADECIMENTOS
Este trabalho, com certeza, não teria sido concluído sem a
contribuição de várias pessoas. Entre elas, agradeço o apoio constante de meu
marido e de minha mãe. Aos amigos, alunos e colegas de trabalho, procurando
ser justa, meu reconhecimento será dirigido no sentido geográfico, para atingir
a todos, simultaneamente. Obrigada pois a Porto Alegre, pela energia e confiança
ao grupo da Elizabeth e as equipes da Faculdade de Ciências Econômicas e do
CEP AlUFRGS; a Santiago e a Bento Gonçalves pelo carinho de amizades
sinceras, desde o ensino fundamental; a São Paulo (a partir de 1991) tanto pela
aprendizagem constante, como pela convivência fraterna que tantos me
proporcionaram - da Escola ao Bar da Haydée ..
Sou grata aos professores da Faculdade de Filosofia da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Dr. Joaquim Clotet e Dr. Carlos
Roberto Velho Cirne Lima, pela descoberta dos caminhos da Ética e pela
orientação filosófica recebida. Ao Dr. Alain Chanlat, da École des Hautes Études
Commerciales de Montréal, pela gentileza de ter lido o trabalho e por seu voto de
confiança no tema abordado.
Agradeço ao caro Professor Carlos José Malferrari pela
capacidade de transmitir segurança ao orientando e, sobretudo, pelo exemplo que
professa, na união de humildade e saber. Dirijo, ainda, agradecimentos ao
Professor Djair Picchiai pela orientação, e aos professores, que gentilmente me
honraram, participando das bancas examinadoras da Proposta e da Tese.
Uma menção ao amigo e Professor Ramón M. Garcia (in
memoriam), por suas sugestões e importância que conferiu ao tema em seus
cursos, durante a fase crítica de elaboração do projeto de Tese.
Por fim, obrigada aos que me proporcionaram apoio técnico,
como os acadêmicos da UFRGS: Manfredo Lilienthal Rotermund e Tatiana
Ramos, bem como à funcionária Roseti Pires, da PROPESPIUFRGS, responsável
pelos bolsistas da CAPES, entidade gestora de recursos públicos.
INTRODUÇÃO
A Ética para a Filosofia é a ciência
em sua definição mais simples representa
o
novo
paradigma
da conduta
a busca do bem moral1•
tema objeto desta tese é a Ética do Discurso:
que
surge
pensamento
de
JUrgen
emancipação
do homem
neste
final
de
que
traz
Habermas,
pelo resgate
e,
século,
em
através
seu
de sua dignidade,
um
do
núcleo
a
enquanto
cidadão.
A integração
tem sido apontada
finalidade,
como uma condição
ou seja, a formação
possa ser alcançada.
essas
disciplinas,
sobretudo
I
da Filosofia
no
que
com outras
fundamental
da consciência
A Ciência Administrativa
porque
tange
carece
às
de
relações
disciplinas
para que esta
de cidadania,
destaca-se
novos
humanas
entre
conhecimentos,
no
mundo
MAURI.Margarida. La Búsqueda dei Bien. Barcelona: Casals. 1987. p. 14.
do
8
trabalho, haja vista a concepção de sociedade
tal
circunstância,
tecnológicos
imagem
não
que ocorreram,
de uma sociedade
acentuadas
obstante
os
crises econômicas
avanços
se reflete,
perturbada
científicos
e instável,
trabalho frente aos progressos
termos
morais
visando
racionalização
da
O avanço da
resultando
Quanto
administração
à
acompanhamento
segunda,
significou,
é
em
na maioria
e da autodeterminação
criticar as ilusões do Iluminismo,
principalmente
a
das
do homem.
O
para
a capacidade
do ser humano contra o mundo histórico
visão kantiana, tinha por base valores de liberdade,
fraternidade
em
que
autor acredita que este é um motivo mais do que suficiente
de resistência
de
A primeira é que a par de tanto
políticos.
vezes, o final da liberdade
por
às relações
do mundo moderno.
não houve o correspondente
e
assolada
a
seguir na obra do
ciência e da técnica foi analisado por McCarthy3,
desenvolvimento,
e
e sociais.
mais humanística,
duas importantes observações.
Em
de um modo geral,
No plano geral, o estudo procura
autor uma abordagem
administrada2•
que, na
igualdade,
e autonomia.
2 A Sociedade Administrada "produz uma massa crítica e manipulável. Nela ocorre
a extinção do sujeito cognoscente. do sujeito histórico. do sujeito responsável. MATTOS.
Olgária F. c.. Os AIcanos do Inteiramente Outro: a Escola de Frankfurt. a Melancolia e a
Revolução. São Paulo: Brasiliense. 19a9. p. 15.
p.9.
3McCARTI-IY.
Thorrrrs.Lo TooziaOitica de Jürgen Haberrnas. Madrid: Tecnos, 1992.
9
Em uma época marcada
que
se reconhece
autônoma
em resolver\a
problemas sociais, pode parecer
proposta
de
estudo
propósitos
Todavia,
contribuir
para
administrativo-gerencial,
maior
paradoxal
privilegiando
morais.
pretendemos
pelo esplendor
o
ser
deste
do
sendo
válidos
os acordos
que
universais auto-selecionados
se apóiam
enquanto
Nessa
moralidade
precisam
encontrar,
linha
tratadas
teórico que viabilize
de
Habermas,
de
tal,
Jürgen
elementos
de funcionamento
o
sobre
Distinguimos
como
éticos
à igualdade
digam respeito
a sua
trabalho
parte
propõe
a
como
natureza
da
são fins em si mesmas
formulamos
Habermas,
a
hipótese
um
e
de
referencial
sociais, bem como faça uma
do contexto
em que se inserem
que apresentam.
do estudo
Eran kfur t;" e aborda
que
conhecimento
em principios
reconhece
esses acordos
critica dos principais
Escola
que
como
no pensamento
e a dinâmica
seus
ser individual.
o fato de que as pessoas
ser
em
trabalho,
que não só se refiram
dos direitos do homem mas, principalmente,
dignidade,
esta
o esclarecimento
acordos sociais válidos entre os individuos.
e
dos seus
humano
avanço
enfatizando
parte
que formulemos
através
o
cientifico
Ética
da Teoria
em particular
do
Discurso
Critica
da
o pensamento
de
como
uma
nova
4 Procurando
facilitar a leitura do texto. julgamos conveniente incluir. após as
conclusões. a definição dos principais termos filosóficosutilizados.
10
racionalidade em cuja base está a ação comunicativa e que tem
como
meio
a
linguagem,
ou
fundamental do ser humano.
seja,
o
traço
característico
Com tal proposta, Habermas visa,
sobretudo, a transformar a Filosofia em intérprete hermenêutico
da realidade e o sujeito moral em sujeito comunicativo.
A
evolução
forma como o filósofo concebe o processo de
social e os questionamentos
que formula
sobre
o
sentido da evolução desse processo fizeram com que aumentasse
de modo
considerável a discussão
de problemas teóricos
e
práticos nas diferentes culturas e áreas em que a sociedade se
faz presente.
Por parte da Filosofia, sempre houve uma certa
abertura
para a discussão de questões morais e éticas. No
entanto, na visão de Habermas, essa não é uma garantia para
chegar à solução de muitos problemas da atualidade. Por is~o,
em seu projeto teórico esclarecedor, o autor vai penetrar em
(
uma esfera onde há tensão dialética entre conteúdos utópico~ e
conteúdos
enfrenta
conservadores.
hoje
racionalidade
verdade
a
um
Para
dilema,
ele,
pois,
ao
a
Filosofia
ser
Ocidental
sustentada
pela
"dura" das Ciências empírico-formais, reduz a
um
"saber
individual
e
monológico".
Conseqüentemente, ela não consegue mais vincular à unidade a
pluralidade dos contextos e por isso, fica presa à "natureza
cega
das
forças
espirituais",
tornando-se
teoricamente
11
abstrata.
Esse
conhecimento
pensamento
empírico
ocorrendo
nos
Habermas,
transforma
dispensa
terefa
meios
mundo,
filosóficos
e
da exigência
uma atividade
experts os quais desenvolvem,
ser verdadeiro
Além
pessimismo
que
apenas para o
tradicionalmente
que
recebe
vem
críticas
especializada
I
I
e reservada
de si mesmos,
e
última
de haver se tornado
a partir
de
instrumental
de uma fundamentação
Por isso, ela é acusada
de poucos;
que pretende
orientado
o saber em racionalidade
a Filosofia
e abrangente.
do
abstrato
uma
a
um saber
e definitivo.
do que, o pensador
não são as categorias
diz que o otimismo
apropriadas
e o
a este contexto,
e afirma:
"Os filósofos não são capazes de transformar o
mundo.
O que necessitamos é de um pouco mais de
práticas
solidárias; sem
inteligente
permanece
conseqüências.
No
isso, o próprio
agir
consistência
sem
sem
entanto,
tais
e
práticas
necessitam de instituições racionais, de regras e
formas
de
comunicação,
que
não
sobrecarreguem
moralmente os cidadãos e, sim, elevem em pequenas
doses a virtude de se orientar pelo bem comum."
"O
resto
de
utopia
que
consegui
manter
é
simplesmente a idéia de que a democracia - e a
disputa livre por suas melhores formas - é capaz
12
o nó górdio
de cortar
insolúveis.
ser
bem
devemos
o
Crítica
dos problemas
Eu não pretendo
sucedidos
ao menos
nesse
simplesmente
afirmar
que iremos
empreendimento
( ... )
tentar."s
estudo tem início, portanto, no âmbito da Teoria
da Escola
de
Frankfurt
uma escola
do marxismo
ocidental de vocação dialética, cuja ênfase é a ciência como
fonte de mistificação e agente de dominação, hermeneuticamente
inadequada ao mundo humano.
A
frankfurtiano
linha
é
de
ação
considerada
da
aberta
Escola
do
porque
pensamento
incorpora
o
pensamento de filósofos tradicionais e o coloca em tensão com
o mundo presente.
O seu
princípio norteador é
a negação do
conhecimento vigente e seu objeto de análise é a totalidade
social.
O grande propósito da Teoria Crítica é anular a
falsa consciência dos
fatos
sociais, em
uma
tentativa de
superar as contradições e inconsistências do marxismo ortodoxo.
Foi através dela que Habermas viu a possibilidade de atualizar
a problemática do contexto em que vive, elegendo como alvo a
análise interdisciplinar e a crítica da sociedade.
A obra de Habermas é extensa, possui um estilo
.../
5
HABERMAS. I..Pass::.rdo como Futuro. Rio de Icmeiro: Tempo Brasileiro.
1993. p. 94 .
.
"
13
bastante
denso
e sua
simultaneamente,
é ampla,
abordagem
de múltiplos
problemas,
Na segunda fases de sua produção
o
filósofo
faz
Esclarecimento
conceitos
uma
essenciais:
razão,
aos
da
permite
na
abandonar
história;
mesmo
tempo
a crença
diz que
- vinculando-a
Habermas
integral de razão hegeliana
como
a
pensar
prática
a questão
de
inspiração
Mormente,
razão
centrada
marxista
de verdade
da ciência
sugestão,
a
não
satisfaz
cuja
base
científica,
o paradigma
democrática
ao
que abrange a dimensão
o contexto
qual a verdade demanda
não
ao conceito
expressi va;
da democracia,
retomada
que
nem remete
e a estética
no
porque
da tradição
em
sua
sujeito.
alcançar
!
i
J
de
por
uma perspectiva
de massas.
da
filosofia
Passando
do paradigma
de um processo
admite
maneira
afirma que seus mestres,
Habermas propôs, a partir desse impasse,
definitivamente
a três
em uma razão capaz de objetivar-se
desconfiança e temor, não conseguiram
que ultrapassasse
do
à condição
é guindado
ambígua das idéias
o conceito
os requisitos
Dialética
verdade e democracia.
o autor focaliza uma elaboração
razão
trata,
após os anos 70,
de crítico radical da sociedade contemporânea.
vê uma
que
dados e disciplinas.
autores
e Adorno
A partir de então,
frankfurtiana:
vez
intelectual,
crítica
- Horkheimer
uma
todas
a
da
abandonar
consciência,
apresentar,
da razão comunicativa,
a
como
no
consensual
estabelecido,
as
de
formas
interação.
14
Esse processo surge desde o nível do cotidiano, até atingir o
discurso
teórico e prático.
estabelece
é
permitindo,
entendida
em
vista
A situação que a partir daí se
como
disso,
dialógica
e
sem
questionamentos
repressão,
de
todas
as
verdades aceitas bem ,como de todas as normas vigentes, visando
a
atingir
um consenso geral.
fundamentado
Esse
argumentativamente
é
consenso, além de
motivador
dos
ser
sujeitos
interativos.
A condição de liberdade de convívio é o
fundamento
do
novo paradigma teórico habermasiano: a Teoria Comunicativa.
Ela
questiona fatos e valores sem restrições, acontece no
"mundo
vivido"
Lebenswelt
e
tem
sua
"concepção dialógica da razão" ( via diálogo
sustentação
e no
na
"caráter
processual da verdade" ( via consenso ).
Razão e verdade, antes conceitos fundamentais e
valores
absolutos,
simplesmente
regras
agora
do
passam
jogo,
a
ser
procedimentos
estabelecidas
em
função
ou
do
consenso. Essa inversão ocorre porque seu idealizador segue a
teoria
da descentração de Piaget, segundo a qual, razão e
verdade só podem resultar da organização social dos indivíduos,
com interação da vida interior e entre as pessoas.
A
razão deixa, portanto, de estar centrada no,
sujeito epistêmico de Kant para se fixar na linguagem, na
15
organização intersubjetiva da fala.
Dessa maneira,
a
temporariamente
verdade
passam
a
ser
valores
a razão e
válidos.
Entretanto, para que isso efetivamente ocorra, ambos os valores
precisam ser
originários de um determinado contexto social
que, por sua vez, satisfaça alguns requisitos do tipo: vivência
compartilhada,
indivíduos
lingüisticamente
competentes
e
identidade de interesses e fins.
A
preocupação
reconciliado
e
positivo
Habermas,
de
feliz tem
em
alcançar
um
se evidenciado
extensivo
estado
humano
como um objetivo
inclusive
ao
seu projeto
teórico, pois ele pressupõe uma liberdade de convívio e diálogo
que identifica um traço de união com o pensamento frakfurtiano
original, fundado em ideais iluministas.
A nova concepção de sociedade requer um nível de
contingência
que
depende em
grande parte,
consciência moral do indivíduo.
potencial
de
parcialmente
da formação da
No entanto, Habermas crê no
racionalidade próprio
institucionalizada na
da
razão
comunicativa,
linguagem,
cujas raízes
encontram-se no Iluminismo.
Suas
idéias
não
são
consideradas
utópicas,
porquanto já existem de fato em algumas realidades sociais.
;'
Pelo contrário: elas são consideradas precursoras de um tipo de
pensamento
pós-moderno.
Contudo,
há,
de
fato,
uma
certa
~.
f~
,
16
insegurança
em
prognosticar
formações
desses
nichos
de
racionalidade,haja vista que as críticas feitas à modernidade,
em
sua maioria, baseiam-se em opiniões poucos
entre
si.
Afirmam,
por
exemplo,
que
realmente impregnado do seu contrário.
tudo
divergentes
parece
estar
De um lado, aparece a
monumental investida do progresso, do avanço da ciência e da
técnica;
de outro, uma evidente tendência de destruição e
autofagia.
Esse movimento sem limites traz em seu núcleo um
componente negativo, calcado no egoísmo que o sistema parece
provocar nos indivíduos e que se revela, sobretudo, na falta de
consideração
com
o
ser
humano
e
com
a
natureza.
moralidade vigente, a mesma aspiração que representa
Nesta
unir a
humanidade também ameaça destruir aquilo que foi construído, o
conhecimento e o próprio homem.
o ser humano é colocado sem muita consideração
neste
processo, que traz em seu bojo um conflito moral de
grandes
dimensões
parecendo
e
uma
marcante
crise
de
ser esta uma situação tipicamente
valores,
mais
causadora das
chamadas "irracionalidades"que se sobrepuseram à própria razão
iluminista.
) t~
Nesta perspectiva, um conhecimento mais específico
sobre
a
essência
da mudança
de paradigma
proposta por
17
Habermas
poderá
ser de grande
valia,
aborda a estrutura das sociedades
de
atuação
política
indispensáveis para
em vista
tardocapitalistas
nelas
facilitar
tendo
previstas.
e orientar
que ele
e as formas
Conteúdos
estes,
uma discussão
ética
na atualidade.
Em sua Ética do Discurso,
conteúdos
epistemológicos
reintroduzindo
dinâmica
proposta
de
discussão
organização
é inovadora
filosófica,
Habermas
a
com
através
da
não propõe mudar
que se apóia no paradigma
o
prática
os
da
expressão
que
mais
vivemos
coloca
da
qual
a
completa.
comporta
uma
horizontes
do
este novo tipo de racionalidade
linguagem
razão
restando
comunicativa
sob a forma de pretensão
na
Sua
discussão
mas apenas
Agir
aquela
unicamente
Comunicativo
é
a
histórico
participati va,
o autor
que diz estar presente
apenas fazê-la
simbólicas
aflorar.
do mundo
da vida
por meio do agir
comunicativo, ou seja, de uma forma de interação
A
da
centrado
são reproduzidas normalmente e sem obstáculos,
linguagem.
ciência
que o momento
convivência
Para Habermas, as estruturas
da
uma saída, via filosofia
Acreditando
nas relações entre os homens,
políticos,
interdisciplinaridade.
da consciência,
Teoria
fundir
contemporânea.
toda a Filosofia,
no indivíduo. Ele apresenta na mudança
lingüística,
estatuto
sociedade
e distende
consegue
conteúdos
sobre
da
Habermas
coordenada
da
encontra-se
embutida
na
de validade.
Nesta
razão,
... '
18
está
a capacidade
consenso
que
comunicação
partir
de
seja
do
preceitos
representa,
emancipação
concluir
esta
primeiro
homem,
a
uma
conforme
os
apresentamos
o
tem como propósito
polêmica
questionamentos
na
Históricas do Pensamento
o conflito
antiga,
conflitos
capitulo,
Crítico",
como
também
nas
O terceiro
Racionalidade
frankfurtiana
dinâmica
em
capítulo
Habermas",
sua Ética
do
confronto
com
alguns
que nada
morais.
descrevemos
as
desta,
"Origens
de conhecer
na trajetória
o
da Escola
de
considerando
a
dos ideais do Iluminismo.
versa sobre "Teoria Critica
partindo
até chegar aos principais
de
moral e o surgimento
da modernidade,
influências
ao Jovem Marx e a revisão
de ordem moral
uma tentativa
pensamento de Habermas e de situá-lo
Frankfurt
em
à
"Do Valor Moral
conteúdos
à crítica
vinculados
segundo
intitulado
contrapor
Grécia
mais são do que autênticos
No
temática:
capitulo,
com a conduta ética, colocando
a
do
A
e dedutivel
para o autor,
introdução,
com a seguinte estrutura
o
crítica
um
argumentativamente.
livre de coações
do diálogo
na
produzirem
do Iluminismo.
trabalho
dessa
interativos
fundamentado
interesse
Para
Ética",
sujeitos
que se estabelece
do exercicio
questão
os
Discurso:
de
conceitos
e\
herança
sua
que integram
emancipação
do
homem,
'.
\.
19
interesse,
razão
comunicativa,
teórico-comunicativa,
No
guinada
lingüística,
sistema e mundo da vida.
quarto
capítulo,
abordamos
a
"Ética
Dimensão Essencial", discorrendo sobre os pressupostos
do Discurso,
além de seus principais
A título
pressupostos
em
trabalho
base
filosóficos.
que é possível
promover
porque,
possibilidades
reiteramos
no tratamento
uma
Ética,
na
o autor,
a proposta
qual
mantemos
a emancipação
de um entendimento
da Ética
de
da Ação Administrativa,
Sobretudo,
tal como
como
momentos.
de conclusão,
multidisciplinariedade
fundamentando-a
guinada
encontrem-se
a convicção
do homem
acreditamos
verdadeiro
no mundo
de
do
que existam
entre
sujeitos
emancipados - fator que transparece ao longo da leitura da obra
de Habermas
e que é algo imanente
comunicativa
dos homens.
à linguagem,
Desde 1967, Jürgen Habermas
"Ainda
à competência
afirma:
não se descobriu
que a linguagem
teia em cujas nElhas os sujeitos
e das quais
eles
necessitam
é a
estão presos
para
se formar
como sujeitos."6
'\
11)
6
SIEBENEICHLER.
F1ávio B. Jürgen Habermas:
Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 1989. p. 10.
Emancipaçao.
Razão
Comunicativa
e
Capítulo I
DO VALOR MORAL À ÉTICA NA ATUALIDADE
•
,~
, r,
"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes -que
precisarás passar, para atravessar o rio da vida=
ninguém, exceto tu, só tu. "
"Nosso século, que tanto fala de economia» é um
esbanjador: esbanja o mais precioso, ,o espírito. "
Friedrich Wilhelm Nietz5che
1.1. A QUESTÃO DA MORALIDADE
1;
II
Debate
proveniente
da Grécia
moral tem sua melhor interpretação
antiga,
em Antígona,
o coJflito
l'
li
uma das muitas
tragédias escritas por Sófocles1 e que, além de ser considerada
uma das mais perfeitas
com os sentimentos
Os
expressão
do mundo moderno2•
gregos
artística
mundo em que viviam.
peças de sua obra, é a que mais condiz
usavam
a tragédia
que relacionava
como
uma
forma
de
a vida humana e a cena do
Com o passar do tempo, a linha mitológica
inicial, que vinculava os fatos à vontade dos deuses, foi sendo
substituída por um papel mais destacado
dos atores e nem tanto,
I
do coro.
Essa transformação
é marcante
na obra de Sófo~les;
S6focles nasceu em Atenas e desde muito jovem foi corifeu. privou da amizade de
Pérícles e no ano 440 AC .. foi nomeado guarda dos tesouros da Acrópole. cargo para cujo
desempenho se exigia uma honorabilidade adma de qualquer suspeita. Atingiu a ídcde de
noventa anos e seus biógrafos dizem que manteve-se lúcido e sempre escrevendo. Dizem
tanbém. que ele foiadmirado por seus contemporâneos por ter sido um belo homem. I?ofísico
enomoral.
'
I
I
Em 1944. uma versão moderna de Antígona foi apresentada ao público de Paris.
A obra clássica trazia à lembrança o sofrimento dos ddadãos franceses durante a ocupação
nozísto; O conflito se estabelece nas decisões difíceis que um povo leal. privado de direitos.
enfrenta. arriscando a vida. para expressar o seu descontentamento. SNODGRASS. Mary
Ellen. Clássicos Gregos. Lisboa: Europa-América. 1988. p. 133.
2
23
nela, a tragédia
não
é
tão
torna-se mais humana
cruelmente
reabilita-se,
ferido
comprovada
Essa
pela
e mais moral;
fatalidade,
e reconhecida
mudança
motivou
o herói já
mas
significou
para
educação
do público.
baseia-se
quase
a arte,
controvérsias
o
sempre
"uma
como
ponto
ganhos
de partida
na definição
imitação de
aos
ação
sobre
de
em
dessas
aristotélica
e
e
sua inocência.
contribuição para a cultura grega, tanto no referente
que
reage
sua
às perdas
termos
de
discussões
de tragégia:
vida que
exprime
pensamento e caráter, provoca piedade e terror e
dá inicio à purificação dessas emoções."l
Na
inclusão
do conceito
três funções
através
linha
básicas:
do domínio
dá quando
aristotélica,
tragédia
de catarsis, foi analisada
a expressão
da linguagem,
a tragédia
a
é encenada
artística
a educação
ou sociais
experimentados
em pelo menos
do público
sob a forma
este identifica-se
pela
que se manifesta
com conflitos
pelas personagens.
aARISTÓTElES. Poética. Porto Alegre: Globo. 1966. p. 57.
que se
de diálogo
função catártica, o alívio de uma tensão pulsional
espectador quando
grega,
e a
que surge no
individuais
24
Quando
Freitag4 analisa
através de "Antigona",
entre
os gregos
Grécia
de
civilização
a
pontos
clássica.
Péricles
ocidental"
questão moral,
da moralidade,
ela busca o fio condutor
da Antigüidade
Homero
a questão
em
vista
lançou
do
fundamentais
Diz a autora:
"A
fundamentos
da
emaranhado
da
os
que,
para seu livro
no
encontram-se
que vão do mito e da tragédia à filosofia,
nos aspectos
no sentido de manter
coerência e unidade.
o
pensamento
grego
é
"retomado,
refletido
e
debatido por quase todas as correntes subseqüentes da filosofia
moral"5. Desde Homero até os dias atuais, porém, a questão da
moralidade foi sendo fracionada
e desmembrada,
chegando
a ser:
" (...)uma divisão do trabalho segundo a qual os
teóricos
e
criticos
literários,
filósofos
e
historiadores,psicólogos e sociólogos, cientistas
políticos e outros escolhiam um ou outro aspecto
do
seu interesse, desenvolvendo-os em todos os
detalhes, sem ocupar-se dos demais, deixados ao
encargo
de
unilaterais,
outros
especialistas
interessados
em
outros
igualmente
aspectos
igualmente parciais. "6
4 rnEITAG. Barl:::x:lra.
Iünerários de Antlgona: A Questão da Moralidade. Campinas:
Papirus. 1992. p. 17.
5
F'REITAG. Barbara. Iünerários
p. 18.
6
F'REITAG, Barbara. Itinerários.
p. 18.
25
Afora
a
ilusão
de
que
na
Grécia
existia
situação ideal e que lá só havia sábios e filósofos,
uma
discutindo
aprazivelmente em um jardim, os gregos eram homens, movidos por
todos
os apetites
que movem
o ser humano,
como
a glória,
a
honra, a conquista e a vontade de poder, com todas as mentiras
e crueldades
ser
lidos
recordações
que inspiram.
hoje
com
princípios
textos daquela época podem
extraordinário
efeito
de
ocidental
disso
tudo,
está
que dão à vida
é por
fundada
herança
grega
em um pequeno
humana seu sentido
Estes princípios foram formulados
e
pela primeira
definitiva pelos gregos. O primeiro princípio,
de nobreza que parece estar faltando
O homem inserido em situações
número de
vez e de forma
nas relações
caracterizam
"a
do qual resultam
últimos tempos. Os dilemas e as contradições,
seres humanos em suas relações,
que
seu valor"'.
todos os outros é o da "dignidade do homem como tal".
vigente.
provocar
de fatos da atualidade.
Apesar
civilização
o
Alguns
Um toque
humanas nos
que envolvem
os
o conflito moral
conflitantes
é impelido
a agir porque, mesmo em condições de risco, é preciso agir, uma
vez que, em sua essência,
a ação é a vida. E essa expressão
dramática da questão da moralidade
98.
7 FES'lUGIERE.
A-I. La Esencia
é encontrada
em "Antígona".
de la Tragedia Griega. Barcelona:
Ariel. 1986. p. 97-
26
1.1.1.
Após
a
ANTÍGONA
tragédia
de
Édipo,
seus
dois
filhos,
Polinice e Etéocles, mataram um ao outro na guerra pelo trono
de Tebas. Creonte, irmão de Jocasta, impondo-se como tirano de
Tebas,
resolve que Etéocles, seu aliado,
receberá honras
fúnebres, o que ao outro sobrinho fica proibido sob pena de
morte. As irmãs dos príncipes ao saberem do édito de Creonte,
reagem
diferentemente: Ismena obedece com medo da morte e
Antígona não, pois teme a ira dos deuses sobre os familiares
que não sepultam seus mortos. Antígona, noiva de Hemon,
filho
de Creonte, sabendo que o irmão insepulto não encontraria o
descanso
eterno
nos Campos
Elíseos,
resolve desobedecer
o
tirano e trata de sepultar Polinice8•
Antígona e Ismena resolvem de maneira diversa o
confli to gerado por Creonte, entre a lei do óikos,
deuses
(da casa) e a lei da pólis,
ou dos
ou lei dos homens.
Por seguir a lei da família, Antígona é condenada
por Creonte, em nome da lei da pólis,
Hemon,
não conseguindo mudar
8
a ser enterrada viva.
a pena que a noiva recebeu,
SNODGRASS. Mary Ellen. Clássicos ... p. 136-38.
27
suicida-se
em
frente
ao túmulo
dela.
Ao
Eurídice a esposa de Creonte, desesperada
também comete suicidio.
Creonte.
perante
saber
que
Os únicos que sobrevivem
também
anciãos de Tebas), pelo corifeu
Tirésias.
perdoando
O
tirano
é
pelo
(seu porta-voz)
tenta
a moça mas já era muito
coro
(dos
e pelo filósofo
revogar
tarde.
são Ismena e
defende Antígona
interpelado
orgulhoso
notícia,
com a perda do filho,
Ismena, depois do ato de condenação,
Creonte,
da
sua
decisão,
Para seu desespero,
os três estavam mortos.
A tragédia de Sófocles permite uma profunda
do conflito
artística,
drama
moral
a obra literalmente
universal.
competência
Mas
é
da Filosofia
catártica, Sófocles
em sua necessidade
mesmo,
vivido por Antígona
colocar
maneira grega.
nas
transforma
outras
Na função
grego em um
funções
Para cumprir
que
tradicionais
em uma condição
É uma visão tradicional
a
a função
velada da sociedade
de revisar valores
e mulher
o mito
duas
se estabelece.
faz uma crítica
homem
e Creonte9•
análise
grega,
e quem sabe
democrática
se contrapondo
à
à visão
moderna.
O
dialético,
9
dramaturgo
pontos
expõe,
num
de vista contraditórios
FREITAG. Barbara.
Itinerários. .. p.20-23.
autêntico
movimento
a fim de cumprir
a
28
função pedagógica
de ensinar
ao público
é passível de erro. Ele mostra,
conciliação
possível
peça,
entre
hierarquia
percebe-se
precipi tados
sobrinha
ela,
que
o castigo
tanto
feriram
Antígona
a lei
para
tendo
da
como
dos deuses
dois
Creonte,
certo
é alertado
e
mas, mesmo
assim, recebe
a reconhecer
a existência
que representa o princípio da vida é superior
à lei criada
que fica é a de que é preciso
princípios de ação em conflito,
a
inocentes.
afinal,
A lição
da
foram
simultânea das duas leis. O tirano constata,
homem.
a
ele matando
de sua decisão,
e é obrigado
vista
Creonte
6ikos,
a morte
sua intransigência,
em
de uma
No desenrolar
a ambas as leis vigentes.
e da legitimidade
corrigir
possibilidade
conflitantes,
arrastando
desobedece
da legalidade
ainda, a
entre as leis vigentes.
e ambos
e
Antígona
procura
valores
que toda a ação humana
ser ponderado,
que a lei
pelo
identificar
prudente
os
e agir
com temperança.
O diálogo permite que o desfecho
mais uma lição; Antígona
provoca
a
usurpador,
morte
tirano
ação moralmente
de
não pode conservar
dois
inocentes,
(imoral), castigado
condenável,
da tragédia
sua nobreza
enquanto
ético.
o
de sua
no homem tolerante,
sofrido e capaz de praticar o bem, futuramente,
soberano
porque
Creonte,
em conseqüência
transforma-se
traga
capaz de ser um
29
o
público
aprende
também a respeitar
personagens
menos nobres e mais fracos, como Ismena que, embora consciente
da lei da pólis,
transforma-se
com o conflito,
mais humana e aberta para as experiências
No
discurso
temperança se confirma
e Creonte.
óikos
e
Ambos
dramático,
da vida.
a lei
moral
sistemas
contudo,
sabem
de leis
da
um
súdi ta
soberano
indecisa,
sábio
e prudente;
covarde
e
direitos e deveres decorrentes
temperança
através das experiências
e
da
Creonte passa a
Ismena
deixa
de ser uma
para
fazer
valer
submissa
de ambas as leis.
deve evitar extremos
e radicalidades
seus
A virtude da
e é adquirida
que a vida proporciona.
1.1.2. O DISCURSO
Através
da
diferentes
existência
interpenetração dos dois sistemas de valores.
ser
grega
na vivência do conflito moral de Ismena
representam
pólis
uma vez que é
FILOSÓFICO
de seus diálogos,
apresenta as idéias morais de Sócrates.
Platão
(428-347 a.C.)
Vinculando-se
ao plano
dramatúrgico anterior a sua época, ele consegue expressar
seu idealismo, tornando esses diálogos
Na obra "O Banquete",
todo
sedutores e espontâneos.
Platão discute tais idéias,
30
mostrando que Sócrates "defendia a tese do amor à verdade"lo.
Sócrates identifica a virtude com a sabedoria e o vício aparece
como
decorrente da falta de conhecimento, da ignorância. A
prática do bem ele vê na constante busca do conhecimento e da
verdade,
por parte do homem,
porque
ambos,
são elementos
indispensáveis da justiça. Platão não se afasta dessa linha de
do mestre, na alegoria
pensamento
ilumina
seu interior representa
da ceverne+,
a luz que
a idéia do bem, causa da
ciência e da existência.
A
busca
teoria moral, segundo Platão, coincide com a
do bem. As virtudes, que movem a ação humana neste
sentido
e compreendem todo o sistema social ou Estado
(o
governo, a defesa e a reprodução), estão hierarquizadas em sua
teoria psicológica.
Nela, o autor classifica as virtudes da
alma em três níveis:
instinto, coragem e razão12•
é
a
base;
a
coragem
expressa
desejos
O instinto
superiores
de
uma
existência
livre e autônoma; enquanto a razão é o topo da
estrutura,
porque manifesta
sabedoria
e
temperança.
O
a
capacidade
homem
de
consegue
contemplação,
governar
seus
instintos e sua coragem e atingir o equilíbrio, com base na
Itinerários. .. p.23-24.
10
FREITAG, Barbara.
11
PLATÃO. A Repíblica. Porto Alegre: Globo, 1964. p. 203-07.
12
PLATÃO. A Repíblica ... p. 125.
31
autoridade da razão.
No diálogo socrático, aparece uma analogia feita
entre alma e corpo.
Entre os três níveis de virtude e seus
correspondentes centros: cabeça, tórax e membros superiores,
abdômem e membros inferiores.
em
níveis,
Essa mesma divisão das virtudes
vai se refletir na organização do trabalho: os
filósofos são a cabeça do corpo social, porque detêm o poder de
comando,
equilíbrio e justiça; os guerreiros representam a
coragem em defesa da pólis; já os trabalhadores e artesãos são
a força necessária à produção e reprodução material para manter
o corpo social.
Em
instrumento
que
cada
estamento
permite
social,
atingir
o
nível
a
educação
é
o
satisfatório das
respectivas funções, Platão assim é interpretado: "A música e
a
e
ginástica
porão em harmonia a razão e o princípio
ambos combinados
social
controlarão
os
epetzities"?",
irascível,
Essa ordem
e ética é válida para cada cidade grega autônoma,
porquanto:
"A educação inclui
virtudes
da alma, destinando-se
homens e mulheres,
13
o aprimoramento
PLATÃO. A República ... p. 127.
e dela
de todas
simultaneamente
fazem parte,
as
a
além do
32
ensinamento de habilidades manuais
ensino da música
o
e
e intelectuais,
da ginástica.
Uma outra divisão importante,
da filosofia moral, que Platão introduz
"14
para o entendimento
no livro
é a distinção entre virtudes da alma e virtudes
séculos
depois,
será retomado
A moralidade
as condições
na ação
condições
objetivas
da pólis,
por Kant e Hegel,
entre moralidade e ética.
subjetivas
"A República",
na ação
reflete
do
na distinção
filosoficamente
do indivíduo
da pólis,
o que
e a ética,
Estado,
do
as
todo
soc.í.a l '".
A moralidade,
assim
como agir de forma correta.
que age,
para
a
éticos,
outros
do
bem
refere-se
indivíduos
Algumas
os
gregos
sociedades
não
à
moral correta
segunda,
o poder
saber
ao sujeito
em
termos
decisório
a for.ma po~itica correta
e procuram
busca do bem coletivo,
quanto
que detêm
procura
dá destaque
isolado quer a fo~
pessoal;
àqueles
a ética,
A primeira
pois o indivíduo
busca
como
sobre
para a
social.
'.
das relações
correspondem,
contemporâneas.
no
sociais
entanto,
No pensamento
14
F'REITAG. Barbara.
Itinerários
p. 25.
15
F'REITAG. Barbara.
Itinerários
p, 25.
identificadas
à
grego,
entre;
realidade
a questão
das\
da
\
(
T
J
33
\
estética não se dissocia da questão ética.
Aristóteles (384-322aC) é o herdeiro do pensament?
de
Platão,
que
sistematiza
e
aprofunda
em
sua
"Ética
a
Nicômaco", os temas tratados em "A República", reorganizando-os
I
e inserindo-os em um sistema filosófico
16•
abandona
definitivamente
o
plano
Em sua filosofia ele
dramatúrgico
mantido
por
Platão e cria um discurso próprio, mais rígido e coerente,
;
porém
sem
a
e
o
prazer
estético
dos
I
diálog9s
• r
l' o
Aristóteles substitui o idealismo platônl.co;pe
socráticos.
empirismo.
elegância
i
\
.I
Em
sua
teoria
moral,
sobretudo
na
! ,J
I
J
"Ética
a
V
Nicômaco", apresenta uma concepção de felicidade, possível de
ser alcançada pela ação, reflexão e experiência, tendo por
base, também, o conceito de j ust í.ça!".
A ética nicomaquéia é entendida como um tratado das
virtudes
do
homem. A
virtude18
se opõe ao
vício.
Em seu
conjunto, elas assim se classificam: virtudes morais (com base
na vontade) e virtudes intelectuais
(com base na razão). A
razão, por sua vez, estabelece a boa medida da ação, o seu
I'
16
17
F'REITAG.Barbara.
Itinerários ... p. 27.
,
"j
ARISTÓTELES. A Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova Cultural. 1987. Col. Os
Pensadores./'
,
-,
18 "V'utudeéa perfeição do ato propriamente
humano (...) toda a virlude aperfeiç~
a boa conduta, daquele ser de quem é virtude, e torna-lhe valiosa a obra." ARISTÓTELES.')
A Ética. p. 68.
(
'.
i
i
\
34
ponto
de
equilíbrio.
virtudes
morais;
virtudes
intelectuais.
Em
sendo
a
Uma
ação
justa
a ação verdadeira
porém
em
atingirá
a virtude
Aristóteles,
temperança,
terá
ela
equilíbrio
o equilíbrio
moral máxima
pode
as
continua
adquirida
ser
das
pela
experiência e orientada pela razão, uma vez que é resultante
ação refletida
e corrigida
o
justiça.
na
valor
à luz de uma vivência
moral supremo é,
experiência)
e
justiça
da
lei
outro.
A
sua
reciprocidade
idéia
de
e o respeito
justiça
chamado
ação
Século
das Luzes,
da moralidade
fora
da
dos
consistia
religião.
(adquirida
(o direito),
estabelece
pressupõe
a
por
isso,
porque
contém
a relação
com
a igualdade,
a
às leis.
Muito tempo se passou,
essência
Aristóteles,
das virtudes
as demais, mas, a mais completa porque
o
anterior.
Contudo, faz distinção entre justiça moral
considera-a não só a mais importante
o
para
da
E
nesta
até chegar o século XVIII,
grandes
pensadores,
em buscar
busca,
alternativas apresentadas vem do filósofo
nele
a
os princípios
uma
das
alemão
da
pr í.nc.í.pa í,s
Karit;.,
Immanuel
\
)
Kant
subjetividade,
razão
prática.
apresenta
desenvolvendo
A
questão
sua
filosofia
uma linha
da
I
moderna
da
de raciocíniosobre~
moralidade
é
, r
a
",
(
posta' 'por ',Ka,nt
;
,
\
'
1
)1
\
)
,T
\ I
lI'
.d
)1
(
~
35
através do "imperativo categórico"19, baseia-se
na autonoada
do
individuo e da razão.
Ele acreditava
do sujeito epistêmico
livre, cuja ação se orienta no princípio
moral da justiça, era generalizável
o homem
organiza
e legisla
que a vontade legisladora
a todos os seres racionais:
o mundo
dos
costumes,
o Sollen
.(dever-ser), que é a eoc í.edadeê",
Entre os sucessores
alemão,
seu admirador
de Kant surge Hegel, filósofo
e crítico,
que reclamou
do formalismo
e
idealismo excessivos presentes em sua obra. Mas Hegel vai além,
dialetizando
individual
a
polaridade
e realidade
Sobretudo,
o conflito
homens
ao
moral,
longo
existente
entre
consciência
social21, entre a moral e a ética.
porque a história
comprova
que, tanto
quanto o ideal ético, permaneceram
do
tempo,
acompanhando
as
entre os
transformações
sociais.
19KANT,lmmanuel. Fundamentação
70, 1986, p. 59.
2D
da Metafísica dos Costumes.
Usboa: Edições
KANT,lmmanuel. La Metafisica de las Costumbres. Madrid:Tecnos, 1989. p.24.
Cf. Barbara FREITAG: lGeorg Hegel
é o filósofo
da dialética, da
mediaç~o entre contrários, da passagem de um extremo de uma polaridade'
ao outro,
na busca da reconc ili.eção e síntese dos contrários em um
plano mais elevado. A polaridade
entre indivíduo
e sociedade,
consciência moral subjetiva e consciência moral objetiva é retomada por'
Hegel na perspectiva da dialética de lfor&l1.tãt e SJ.ttl:Lc:hkeJ.t.Ambas
são figuras do espírito e uma é a condição de existência da outra, uma
o complemento da outra."(1992. p.57-61).
21
36
E neste século, após 1920, a Teoria Crítica da
Sociedade,
criada
pela
Escola
de
Frankfurt22,
também, um avanço na análise da questão
representou
ética.
A Escola
propõe uma reflexão teórica sobre contribuições empíricas e
históricas, desenvolvendo-sea partir de uma teorização freudomarxista flexível, dinamizada por uma metodologia dialética23•
Na atualidade, seguindo esta linha crítica, dois
outros filósofos alemães, Karl-Otto Apel e Jürgen Habermas,
propõem construir uma ética dial6qica,
numa tradição socrática.
Ambos acreditam no poder da razão comunicativa, ou seja, no
caráter dialógico da razão humana. Seria esta uma ética da
responsabilidade que, buscando o verdadeiro e o correto, visa
a resgatar a dignidade humana no convívio social, no livre
empreendimento,
principalmente
individual
a
obra
de
e
no
grupo.
Habermas,
privilegia a liberdade e a emancipação
é
Neste
processo,
positiva,
porque
do homem.
22 Escola de Frankfurt: este nome refere-se. simultaneamente, a um grupo de
intelectuaise a UIl'Xl teoria social. O movimento iniciou na Alemanha durante as décadas de
1920e 1930, buscou a análise interdisciplinar e a crítica da sociedade. critica da dialética e
o nexo entre Teoria e Práxis; anteriormente, seus principais membros foram: Max
Horkheirnar,Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamin. Erich Fromm. Atualmente.
o filósofo contemporâneo Jürgén Haberrnas tem mantido a linha original franldurtiana.
Integram essa teoria. inclusive, o pensamento de Marx e o de Freud Cf. BOTTOMORE.T..
Dicionário do Pen.s:unento Marxista. Rio de Janeiro: Zahar, 1993, p. 127.
ZlFREITAG.
Barbora. A Teoria Crítica: Ontem e Hoje. São Paulo: Brasiliense, 1990.,
p.15.
>'1"
37
A
pressupõe
para
os
solução
o diálogo
julgamentos
de
um
e este,
dilema
por
morais
sua vez,
pós+convenc
porém, a tendência à dominação presente
como
a cultura
e a personalidade
esta dominação - Habermas
da
"comunicabilidade"
afirmando
moral,
o
competência
í.ona í.sê".
A~alisando,
na sociedade
e
civil,
bem
- que permitem
dialeticamente
diálogo
Habermas,
,i
requer
do indivíduo
contrapõe
para
para
a tendência
para
ii
consenso,
o
II
que:
i
I
I
"na modernidade ou pós-modernidade, os pot~nciais
de
racionalidade
não
se
encontram
reakizados
,
I
integralmente, dai a oportunidade em avançar para
!
uma razão comunicativa, mediante a qual os {nichos
da
razão'
poderiam
ser
melhor
explorJdos
e
ampliados. 1125
Em
sua
linha
de
raciocínio,
aspirar
convivência social a estes níveis de entendimento
é imanente
à própria
característica
humanidade,
essencial:
porque
a
uma
I
e liberdade,
.
J
nela se l.nscreve
sua
I
a linguagem.
,
Além do que, a Bt:i.ca do Discurso
fundamentaJia,
em
:1
I
um
nível
mais
humano,
econômicos e ecológicos
24
os
problemas
hodiernos,
políticos,
resultando
jur~dicos,
especialmente
REVISTA TEMPO BRASILEIRO. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.
n098. Jul./set.
1989. p. 19.
2S
em
REVISTA TEMPO BRASILEIRO ... p. 14.
~'.
r-
. \
! "
38
benefícios para a construção de uma democracia política.
1.2. MODERNIDADE E ÉTICA
A
incompleto.
ruptura
modernidade
é,
para
Habermas,
um
projeto
Salienta Rouanet26 que efetivamente não houve uma
para
significativa
o
"pós-moderno",
porque
se
alguma
mudança
aconteceu, ela foi tecnológica e não social.
Entretanto, admite ele, deve haver um novo ponto de partida ou
um reencontro com a modernidade, através do que ele chama de
"neomoderno",
para
que
haja
continuidade
no
processo
de
transformação e quem sabe, uma ruptura no mundo dos homens.
Pois de acordo com
deve
muito à
Rouanet, a modernidade ainda
sociedade, haja vista a diversidade social e
econômica existente entre os países do mundo.
Mas, sobretudo,
ele afirma que há uma certeza: com relação a uma necessidade
geral, um desejo de mudança expresso por uma sociedade que está
cansada de propostas e modismos.
Escrevendo
sobre
imagens
da
sociedade,
também"
26 CARVAUlO, Maria Cecília M. de (Org.). Paradigmas Filosóficos da Atualidade.
Campinas: Papirus, 1989. p. 218-19.
39
Touraine
diz que a modernidade
é limitada
e explica:
"Se a modernidade é a representação
como produto
de
sua
atividade,
da sociedade
periodo
o
denominou a si mesmo 'moderno' realmente
em parte.
Ele não rompeu inteiramente
reatava
a
vida
acreditou
mal
para
libertada
Deus,
a
da submissão
afirma,
século XX, a modernidade
agentes,
reduzindo-se
transforma
em
ainda,
um
liberdade
à lógica
do homem,
de
uma
humanidade,
ou de
à "lei da história,
que
próximo
vitima
da
via subjetivação
do
de seus próprios
desorientada.
da razão instrumental
ao final
acelerado
moderna segundo ele, se encontra hoje diante
submete-se
a
... ) .
do bem e
do universo
vanguardismo
pós-modernidade
(
Ele
"27
desapareceu,
a
Assim
à lei
permaneceu submissa
autor
outros,
nocividade
na
sociedade.
razão ou da sociedade.
o
ordem do mundo.
como
ou
só o foi
o liame que
ele buscou o fundamento
utilidade
na
conduta
à
história
na
Paralelamente,
do
social
que
A
que
se
sociedade
de uma escolha,
ou volta-se
ou
para a
e eficácia.
No plano intelectual, há uma lacuna a ser explicada
teoricamente nesta modernidade
uma
sensação
faltando
'ZJ
de desconforto
e isso provoca
(pós ou neo), pois nela persiste
e inquietude.
atitudes
diversas,
Alguma
coisa está
correspondendo
TOURAINE.Alain. Crítica da Modernidade. Petrópolis: Vozes. 1994. p. 385-86.
a
40
formas
teóricas
das
mais
conservadoras
às mais
exóticas
ou
revolucionárias.
Na
transformar
algo.
identificado
objeto
realidade,
apresentaram
Mesmo
apenas
de outras
no
âmbito
à
da
extinguir,
este
não
é
Filosofia,
criar
um
ele
Em vista disso, muitos
suas propostas
referência
querem
porque,
ciências.
elas fundadas em pesadas
fazendo
todos
de transformação
críticas
barbárie
à sociedade
totalitária
problema
também
é
pensadores
e mudança,
atual,
que
ou
todas
inclusive
este
século
conheceu.
Embora se reconheça
responsável
pela
emergência
do
que a sociedade
homem
das
moderna
ordens
foi a
divinas,
guerreiras e familiares, ela tornou-o mais livre, mas não o fez
mais integrado ao social; o individualismo
surge e se reafirma,
ao
central
longo
social,
o
do
tempo,
corno urna categoria
ao contrário
indivíduo
Paradoxalmente,
é
da visão holística
tornado
da mesma
em
maneira
urna
que
do
processo
de sociedade,
totalidade
coerente28•
ela proporcionou
liberdade ao indivíduo, provocou esse processo
na qual
maior
de evol ução29 que
28 DESCAMPS, Christian.
As Idéias Filoroficas Contemporâneas na França.
Rio de Janeiro: Zchor, 1986. p.79-80.
29 Cf. Habermas: "Entendemos por evolução, os processos acumulativos que
permitem que se perceba uma direção.· Sobre Nieiz&:he y Otros Ensaios. Madrid:
Tecnos, 1994. p. 95.
41
o aprisiona.
Neste sentido os homens seguem transformando o
mundo de qualquer modo, sem saber o que fazem exatamente:
"Motivados
prazer,
pelo
eles
poder,
pelo
dinheiro
erguem um estranho
ou pelo
mundo novo."30
Explica o sociólogo francês Alain Touraine31 que,
"se
o
como
nosso século
o
aparece
aos tecnólogos
modernidade
da
intelectualmente
triunfante,
pelo discurso
aos economistas
e
foi
ele
dominado
antimodernista".
Houve uma inversão de valores no mundo do trabalho,
em conseqüência do individualismo moderno, com sua respectiva
ânsia
de poder e o conseqüente fascínio pelo dinheiro.
surgimento desse tipo de atitude entre os
relata HobsbawmJ2,
O
homens, conforme
tem suas raizes no liberalismo clássico dos
séculos XVII e XVIII. Pois, sob esta ótica, que o mundo humano
passou
a constituir-se de elementos individuais com certas
paixões
e necessidades,
aumentar
ao
máximo
cada
suas
um procurando
satisfações
.1.,~
desprazeres, com igualdade de condiç6esve
e
31
TOURAINE. Alain. CrItica ... p. 13.
J..M
tt~
tudo
seus
naturalmente não
CARVAlHO. Maria Cecília (Or9.). Paradigmas .... p. 219.
J .. A ~
de
diminuir
:J)
'12. Ha~,)OOTIVtJ I trl(
acima
. .b~TQf ~1~1~ ~'&1+<6. !(;..
<tt
J(Lw..-'-.o : ~;2.
-e,T41-(2.
/CJí{
1" 2.f"6
",-- 'I
42
reconhecendo
limites ou
direito
de
interferência em
suas
pretensões.
A
economia
expansionista
e
Inglaterra
França;
e
dessa
época
conspiratório
mais
que
das
uma
servia
ao
potências,
teoria
mercantilismo representou uma situação de fato.
interesse
sobretudo,
econômica,
o
O comércio se
transforma em guerra, vence quem tiver uma balança comercial
positiva e perde o país comercialmente "inimigo".
Este foi o
contexto social que Adam Smith33 procurou analisar.
Em uma leitura atual de a Riqueza das Nações,
se
confirma a idéia de que, houve não apenas a transmissão de tal
legado
liberal, mas, também, uma espécie de conservação e
desenvolvimento contínuos.
moral
Em contrapartida, parece que
"a
smithiana não seguiu o mesmo curso, foi descartada por
ser idealista demais, muito filosófica e além disso, ficou
sujeita às pressões de uma natureza avara e diante de um homem
insaciável"34. Assim sendo, o homem atual seria tão insaciável
33 Cf. introdução à obra. foi nesse meio beligerante, povoado de "industriais' com
pouca educação e trabalhadores, desonestos e de mó vontade, que Smith viveu. porém. já
no século XVIIWillian Petty denunciara a ilusão do mercantilismo de que a posse da moeda
é a riqueza. e não o trabalho. Esta argumentação foi retomada por Adam Smith que era
professor de HlosofiaMoral na Escócia e escreveu 'Teoria dos Sentimentos Moreis", além do
clássico do pensamento econômico a "Riqueza das Noçôes'. em 1776, também com certo
conteúdo ético. In: SMITH,Adarn Riqueza das Nações. São Paulo: Hemus. 1981.p, 8.
34 CORDEIRO, Renato C. Da Riqueza das Nações à Qência
das Riquezas.
São Paulo: Loyo1a.1995.p. 111.
43
quanto aquele que Mandeville35 conheceu.
Karl-Otto ApeP6
reafirma, de certa maneira, as
conseqüências desse modo de agir aético, quando ao se referir
à atual
humano
situação de crise da humanidade e à situação do ser
como problema ético, diz que pela primeira vez na
história mundial existem perigos comuns para os homens e faz
referência
à
crise
ecológica.
Para
ele,
os
homens
"são
desafiados a assumir coletivamente a responsabilidade moral".
E esse desafio implica transformação, porque:
"Como problema central da situação ética do ser
humano, desde o seu surgimento até nossos dias,
surge a questão sobre a relação do lu:ao
sap.:i.eDB
com o lJaao faber: a questão, portanto, se o homem,
com
sua
razão
ética
é
capaz
de
conpensar
a
carência do instinto, para ele constitutiva, e de
responder ao desafio da situação que ele mesmo
causou como ham.o raber.
"37
Nem tanto filosófica, porém, em uma linha mais
sociológica, surge a proposta de transformação de Touraine.
3S Mandeville
foi quem escreveu a Fábula das Abelhas, crítica que provocou
profundo desconcerto entre os moralistas do Século das Luzes. Há quem sustente que ·05
assuntos econômicos foram pela primeira vez trazidos de modo proeminente à controvérsícr-;
ética por Mandeville". Depois dela. Smith escreveu sua Teoria dos Sentimentos Morais.
CORDEIRO, Renato C. Da Riqueza ... ps, 96 e 195.
:JI
APEL.Karl-Otto. Estudos de Moral Moderna. Petrópolis,R]: Vozes. 1994. p. 193-96.
:ri APEL. Kar1-Otto. Estudos.
.. p.206-07.
\
44
Ele
acredita
tradição
"possível
é
que
histórica,
que
e sujeito, adotando
do "sujeito
uma
saída
proposição,
progresso,
mundo,
vigente,
a
liberdade.
afirma
nem acreditar
e
através
a
houve grandes mudanças.
social
fundamenta
na
em
esta
ideologia
do
traga consigo a
sua
concepção
de
mais a uma sociedade,
ou a uma nação,
a uma
na medida em que
nossa vida é, por um lado,
determinada pela marcha
mundial,
lado,
universo
e,
Em
ambas
por
de
in terpessoais
outro
vida
vida, entretanto,
e de tradições
as abordagens,
não estão
o contexto
torna-se
hierarquizados
38
TOURAINE, Alain. Crítica
p. 392.
39
TOURAINE, Alain. Crítica
p. 133.
encerrada
pessoal,
de
cuLt urais.
em um
relações
,,39
é o cerne dessa
o homem
realidade em crise e nela precisa encontrar
o poder
na busca
Ele explica:
"Nós não pertencemos
classe
confiar
porque
entre razão
e isso representaria
que o enriquecimento
felicidade,
e
possibilidade
que consiste
Touraine
não
a
do diálogo
e da "subjetivação"
quando
democratização
autor vislumbra
O
dessa
racionalização
à
uma linha freudiana,
pessoal"
para
a modernidade
reduziu
a
transformou o ind iv iduo"?",
de reverter a situação
desligar
um sentido para sua
crítico,
ou unidos,
pois o saber e
em vez disso,
se
,
I
/
45
enfrentam
a cada momento,
criando a necessidade
da escolha, a
qual está sujeita à própria crise de valores.
,
Em atendimento a uma questão assim, intrincada,
o pensamento de Kurz40,
análise
deste
um sociólogo alemão, contemporâneo.
problema
na atualidade,
segundo
ele,
vem
Uma
depende
,.."',
\
sobremaneira, do reconhecimento do chamado "colapso histórico"~
Isto se entende como algo que está fora do dualismo:
fracasso
do comunismo do trabalho, com a queda do bloco socialista
aparente
sucesso
do capitalismo,
ou do
com sua lógica do mercado.
Em sua crítica, Kurz afirma que o enfrentamento
problema
e seus respectivos
questionamentos,
devem partir
uma revisão de sua base, que vai além do paradigma
industrial
sua própria
desta
finalidade.
forma,
faz parte
especificamente
fundamentais
distinção
aparecem
ontológicos.
todas
que
Este
se encontra
Ele
foi
posto
considerado
é um fenômeno
além
em
O que deve
que traz em si
o trabalho
da modernidade.
histórico
por ambos
Inclusive,
Mesmo porque,
de
da sociedade
e além da relação de mercado e Estado.
ser enfocado é o trabalho abstrato como máquina
do
dos
estados
prática,
sem
os sistemas
conflitantes
do pós-guerra.
categorias
fundamentais
do
as
no socialismo
capitalismo
real: salário, preço e lucro
(ganho da
40 KURZ. Robert. O Colapro da Modernização. Da derrocada do socialismo de
caserna à crise da economia mundial. São Paulo: Paz e Terra. 1993.p. 20.
46
empresa) e quanto ao trabalho
abstrato,
este então, foi levado
ao extremo.
Tal
argumentos
como Kurz41,
que procura
a partir de um paralelo
ética protestante, assim procede
consubstanciar
seus
com idéias de Weber
e sMa
Claus Offe42,
declínio da ética do trabalho".
quando aborda
As colocações
de Offe
"o
vêm
corroborar com a análise proposta por Kurz, porque alertam para
um outro aspecto:
"Se as atitudes em relaç~o ao trabalho podem ser
'remoralizadas' é
também
porque
àltamente
um
duvidoso, (...),
compromisso
e
ético-social
obrigatório recíproco por parte dos investidores
n~o pode ser realisticamente suposto dentro da
estrutura da ordem econômica vigente."43
No entanto,
poder convincente
os dois
sociólogos
da idéia de trabalho
em
condições
está perdendo
a sua
Sobretudo, porque a ética só pode funcionar
que permitam
ao trabalhador
trabalho como pessoa moralmente reconhecida.
41
que o
como um dever ético do
homem, provavelmente está se desintegrando,
força obrigatória.
reafirmam,
participar
de seu
Em contrapartida,
ICURZ, Robert. O Colapso ... p. 22-9.
42 OF'F'E, Claus.
Capitalismo Derorganizado. Transformações contemporâneas
trabalho e da política. São Paulo: Brasiliense, 1989. p. 181.
43
OF'F'E,
Claus.Capitalismo ... p.191.
do
47
há no mundo do trabalho uma ideologia paternalista,
que busca,
na sociedade, um cidadão, e dentro da organização, o transforma
em um individuo relativamente capaz, num perfeito adolescente.
o
adulto,
o
para
trabalho,
pode
assumir
responsabilidades por sua execução, mas é impedido de decidir
sobre
o
seu
próprio
trabalho,
suficiente para pensar.
porque
não
tem maturidade
Sobre esse aspecto, ao abordarem a
crise nos significados e valores, enquanto patogenia do mundo
moderno, Harman e Horman" vêem como solução universalmente
válida a educação, mas não é esta a condição suficiente, para
que
haja
necessário,
uma
transformação
sobretudo, mudar
social
lOS
ampla
e
profunda,
é
significados e valores do
sistema vigente.
Uma
apontada,
até
outra
mesmo
questão
como
uma
que
Offe
possivel
levanta
via
de
e
que
acesso
é
ao
tratamento do problema de valores, é:
"o trabalho
força
está perdendo seu papel subjetivo
estimulante
trabalhadores.
central
na
atividade
de
dos
"45
Assim sendo, se de fato o capital está perdendo a
44HARMAN. Willis. & HORMAN. John, O Trabalho Criativo. O papel construtivo dos
negócios numa sociedade em transformação. 12° ed. São Paulo: Cultríx, 1990. p. 65.
450ITE.
Claus. Capitalismo ... p. 194.
48
sua faculdade
de explorar
o trabalho,
conforme
este não representa mais uma força estimulante
palavra
crise
ai terada
por
caracteriza
elementos
sejam eles
e
para o homem, a
tal vez uma condição
novos,
diz Kurz46,
clássica,
mas
"pós-modernos"
ou
fundamentais
ao
"neomodernos" , são no mínimo preocupantes.
Ao
tratar
destas
transformações
capitalismo e ao trabalho, que segundo Bravermarr'"
a
revolução
técnico-científica,
considerações
importantes,
este
coincidem
autor
para a argumentação
faz
com
algumas
que sutenta a
questão da moralidade.
Ao fazer referência
ao processo
de transformação
ocupacional, Braverman dirige sua crítica à divisão do trabalho
na
sociedade
administrada,
ou seja,
ele questiona
conseqüências dessa divisão, tais como: separar
concepção
e execução.
indivíduo a sua capacidade
como pela retirada
Ele também,
46
papéis
mão e cérebro,
por
retirar
do
de pensar o seu próprio ofício, bem
do controle autônomo.
Enfim, as abordagens
diferentes
a culpa
algumas
desempenhados
sobre o trabalho
pelo
homem
humano e os
neste
final
de
KURZ, Robert. O Colapso ... p. 11.
4'1BRAVERMAN,Harry. Trabalho e Capital Monopolista. A degradação do trabalho
no século XX. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.
49
século, fazem uma
negativas.
história
rica em
tradições
positivas e
Independente do tipo de tradição, a sempre esteve
acometida de um pathos,
ou seja, um mal que se impôs como
nitidamente moderno: as pessoas estão no caminho.
Como
ser moderno
representa fazer parte de um
universo, onde existe a possibilidade de transformação de si e
do mundo. Ser moderno,
significa poder buscar o novo, sem
limites para essa busca.
Assim, em sua trajetória, os homens
são classificados e descartados
como se fossem obsoletos,
originando um desequilíbrio de virtudes, um desnível entre
mo.ra.l.í.dade'"
e "etí.c.í.dade":";
entre ambas e LeqaLí.dade!".
Fausto de Goethe51 criado por volta do ano de 1770,
face ao exposto, continua atual. Porque ele parece ser, ainda,
a
melhor
forma
de
apresentar
essa
contradição.
Fausto
representa o indivíduo que deseja para si mesmo um processo
dinâmico e interminável de crescimento interior, incluindo todo
tipo de experiências humanas, da alegria à desgraça, chegando
48
Conforme às normas morais.
49 É o conceito de liberdade proveniente da realidade e da natureza da
autoconsciência. HEGEL G. W. F. Principios de ia Filosaiia dei Derecho. Trad. [uon Luis
Vermal. Barcelona: Edhasa. 1988.p. 227.
50
Conformidade de uma ação à lei.
51 BERMAN.Marshall. Tudo o que é Sólido Desmancha
no Ar. A aventura
da modernidade. São Paulo: Companhia das Letras. 1990.p. 37-84.
50
ao ponto de considerar a destruição do próprio eu, como parte
integrante
energias
deste
humanas
sociedade
sua
à
desenvolvimento.
nele
Tanto
reprimidas
volta,
provém
a
da
como
liberação
de
eventualmente
da
heroicidade
do
Fausto
goethiano.
Em um primeiro momento, Fausto conecta seus rumos
pessoais
com as forças econômicas, politicas e sociais que
dirigem
o
destruir",
mundo.
Depois,
ele
aprende
para, então, expandir
Desloca-se da
a
"construir
o horizonte de
seu
e
a
ser.
vida privada para a vida pública, da intimidade
para o ativismo e da comunhão para a organização.
o
herói lança seus poderes contra a natureza e a
sociedade: luta para mudar não apenas sua vida, mas a vida de
outros.
Um processo assim desencadeado, representa um aIto
custo para o ser humano e, de alguma forma, isso terá um preço.
Por isso, se nos dias atuais, o herói cultural de
Goethe é apontado como um simbolo da modernidade, porque reúne
irresponsabilidade politica e indiferença à vida, também é
neste momento histórico, que surge a oportunidade de confirmar
a previsão
de tantos pensadores,
sobre a possibilidade de
ruptura desse sistema, embasada em nova atitude do homem frente
ao mundo moderno.
51
Nietzsche, Mill, Toqueville e Kierkegaard, entre
outros grandes críticos do século XIX, quer seja pela visão
dialética,
quer
seja pela
profundidade
de
suas análises,
compreenderam como a tecnologia moderna e a organização social
condicionam
o destino do homem e nem por isso, perderam o
otimismo, a esperança no futuro. Mas, mesmo assim, é preciso
que se confirme que o ser humano tem realmente essa capacidade
para romper com o sistema e agir sobre o mundo, através de um
encontro
consigo mesmo e visando a construção de um futuro
melhor.
Tendo em vista que, para Haberma~, a reconstrução,
ou seja, a responsabilidade pela análise teórico-filosófica é
algo viável, resta ao livre arbítrio do homem a práxis.
O que
de certa maneira, remete à questão da escolha que se impõe ao
ser
humano.
história, por
social,
Nesta, uma das aLternativas é esperar que a
si só, realize
o processo
de
transformação
incluindo as questões de moral e ética. Caberia à
história promover a conciliação entre interesses
privados e
SZCategoria "reconstruçõo' indica o novo papel da filosofia em seu diálogo com as
ciências. Para Habermas. quando a filosofia começa a trabalhar junto com as ciências, ela
trcnsforrrrr sua própria estrutura. In: Dialética hoje. p.87. Significa. ainda. •...que uma teoria
é desmontada e recomposta de novo, a fim de melhor atingir a meta a que ela própria se
fbtou: 9SSl3 é o modo normal (quero dizer,normal também para os marxistas) de se compoxtax
diante de uma teoria que, sob diversos aspectos, carece de revisão, mas cujo p:Jtendal de
estímulo não chegou ainda a se esgotar.· In: ARAGÃO, Lucia M. de C. Razão ... p. 73.
52
interesses
públicos.
público
e
privado,
social.
Enquanto
como
uma
do
ser
humano
prudência
e
justiça.
quer
para
Tal
seja
trata
divisão
que a outra opção,
capacidade
comportamento,
DaMatta53
Porque
consiste
ser bem
esfera
categorias,
existente
no
sistema
em acreditar
sucedido
atitude
na
estas
e agir
implicará
privada,
o
quer
na
com
mesmo
seja
na
surge, corno se entrasse
em
pública.
Neste final de milênio
cena, talvez, um pouco tardiamente,
transformação
do
Concomitantemente,
cul tural
que,
libertação
mundo".
mesmo
de
ser
humano,
também
acordo
Em sua maneira
da
começa
a circular
possível
de abordar
que esta libertação
da esperança
comunidade,
Berrnan54,
com
e reconciliação
o principio
os
o assunto,
não seja total,
sociedade.
toda uma produção
"sugere
para
da
na
esse
seres
tipo
de
humanos
no
ele afirma
ela poderá
que
ser real
e conquistada.
Denominariamos esta nova tendência antes iluminista
que
propriamente
revolucionária,
ingênua,
porque
não o é também
melhorar a convivência
humana:
sem
reacionária,
é a virtude
se
pretender
apenas
pressupõe
de pensar
o bem e o
Rua. 4a ed. Rio de Janeiro: Guanabara,
53
DaMATTA Roberto. A Casa&a
54
BERMAN.Marshall. Tudo que é...p.21-4.
33-70.
1991. p.
53
belo. Na vida prática, seria a união da ética e da política
a
estética55
e,
nesta
perspectiva,
descobrir
o
com
ser
humano
Determinar seu próprio destino e compreender
melhor
enquanto potência ativa56•
o mundo
em que vive, para o homem significa
conquistar
a
"liberdade
"fundamentação da moral":
da
vontade"
a emancipação,
e
construir
os dois grandes problemas
55
Atualmente dissociadas,
56
Cf. classificação aristotélica.
é
a
da Ética57•
conforme críticas hegueliana e frank:furtiana.
Ver SCHOPENHAUER, Arthur. Los Dos Problemas Fundamentales de la
Eiica. Trad. Pilar López de Santa María. Madrid: Sig10XXI, 1993.
S7
Capítulo 11
ORIGENS HISTÓRICAS DO PENSAMENTO CRÍTICO
"Para o bem ou para o mal, somos os herdeiros do
progresso técnico e do pensamento esclarecedor.
Ambos desencadearam uma crise permanente, que não
pode ser mitigada através de uma oposição a eles ou
através de uma regressão a niveis mais primitivos. "
Mal: Horkheimer
56
2.1. A ESCOLA DE FRANKFURT
A Escola de Frankfurt é considerada um fenômeno
ideológico, pois representa, além de uma teoria social, um
movimento intelectual.
Ela constitui objeto de apreciações de
ordem filosófica, sociológica e politica1•
A formação da Escola ocorreu em torno do Instituto
de Pesquisa Social de Frankfurt, criado no ano de 1923, através
de recursos provenientes de uma doação de caráter particular.
A
idéia
inicial
da
criação
do
Instituto
foi
a
de
institucionalizar um grupo de trabalho para a documentação e
teorização
dos
organizadores,
movimentos
operários
liderados por Felix Weil,
na
Europa.
Seus
foram Karl Korsch,
George Lukács, Friedrich Pollock, Karl Wittfogel e outros2•
A
decisão
de
criar
o
Instituto
surgiu
com
a
proposta de preencher uma lacuna de pesquisas na universidade
alemã, com relação à história do movimento trabalhista e do
socialismo,
tendo
como
permanentes sobre um
idéia
inicial,
desenvolver
estudos
marxismo "verdadeiro" ou "puro". Seus
idealizadores procuraram, desde o inicio, assegurar um vinculo
p.lO.
1
ASSOUN. Paul-Laurent. A Escola de Frankfurt. Lísboce Dom Quixote. 1989. p. 10.
2
FREITAG. Barbara. A Teoria Critica: Ontem e Hoje. São Paulo: Brasiliense. 1990.
57
com
a
universidade,
e
a
escolhida
foi
a
Universidade
de
Frankfurt.
Talvez,
devido
pluridisciplinaridade
Instituto
origens
tenha
no
condições
e
de trabalho
tratamento
conseguido
intelectuais
oferecendo
à linha
critico
congregar
para que se tornassem responsáveis
da
tantos
influências
de trabalho
e sua famosa
história,
o
pensadores
teóricas
a esse grupo,
de
distintas,
ele contribuiu
pela crítica
radical
daquele
tempo.
Esse posicionamento
crítico
denotava
a identidade
de interesses do grupo de pesquisadores,
em levar adiante
estudos, assim como traduzia a desilusão
de muitos
às transformações do mundo contemporâneo.
suas origens
filosóficas
manifestavam
enigma
uma
"servidão
consciência
da missão
nestas
condições,
Independentemente
comum,
voluntária",
histórica,
o homem
queriam
ou
par
disso,
pensadores do Instituto
3
de
pelo homem.
se submete
mesmo
a formas
que
fosse o trabalho
FREITAG, Barbara. A Teoria ... p. 14.
o
compreender
seja,
exploração totalmente contrárias a seu interesse
A
deles quanto
serem distintas, .estes intelectuais
preocupação
da
esses
a
o
perda
de
Já que vivendo
de dominação
e
emancipatório3•
objetivo
comum
a ser feito,
dos
este não
58
foi
um motivo
filosófica
suficiente
existente.
uma dispersão natural
que participaram
do chamado
esperanças
disso,
esperanças
dos anos,
de ordem
foi ocorrendo
do grupo, conseqüentemente,
nem todos os
vieram a fazer parte
frankfurtian04•
teórico,
compreender
históricas5•
e decepções
alguns
inconformados,
integrantes
procuravam
a vitória
do
Em vista
deste
através
nazismo
por
movimento
de
suas
e a derrota
das
revolucionárias.
A
misturavam
a diversidade
período de constituição da escola foi marcado
no plano
análises,
E com o passar
revolucionárias
intelectual,
superar
da criação do Instituto,
círculo
o
para
literatura
a sociologia,
história,
alimentadas
kantiana
ou a filosofia
alemã
da época
a reflexão
pelas
dos
idéias
era imensa,
sobre
a civilização
sociais,
valores.
a
A maior
herdadas de Max Weber, Max Scheler,
Wiese,
Reinach,
Wilhelm
Sombart,
Georg
ética
parte
questões foram
Adolph
nela
e a
neo-
dessas
Leopold
Simmel
se
von
e Karl
Jaspers6•
4 MATOS.01gária C. F..A Exola de Frankfurt: Luzes e Sombras do Iluminismo. São
Paulo: Ed. Moderna. 1993. p. 5.
5
MATOS. 01gária C. F. A Escola ... p. 13.
6
ASSOUN. Paul-Laurent. A Escola ... p. 13.
59
Quando, em 1931, Max Horkheimer assume a direção
do Instituto, em seu discurso de posse esclarece a linha de
investigação da Instituição e opta por designá-la: "filosofia
social". Com essa atitude, consegue dissipar a ambigüidade
metodológica
do período anterior e a partir de então, fica
caracterizado o cerne teórico da Escola, bem como a denominada
"primeira
geração
de
pensadores
frankfurtianos"
ou
seja,
aqueles que mantiveram-se nesta linha de investigação.
I
A
Escola
de
Frankfurt assume o seu lugar
em
\.
oposição à teoria dita "tradicional" e passa a ser um "conjunto
de
proposições
referentes
a
um
dORÚnio
deteIrrÚnado", como "o aspecto intelectual
de
emancipaç/lo"
7
•
de
conhecimento
do processo
histórico
A partir de então, o Instituto adquiriu
feições de um autêntico órgão de pesquisas "preocupado
análise
cri tica
privilegiava
dos
claramente
Durante
apresentar
problemas
do
capitalismo
com uma
moderno
que
1933,
por
a superestrutura"8.
o
governo
de
"tendências
hostis"
ao
Hitler,
Estado,
em
o
Instituto de
Pesquisa Social foi exilado da Alemanha e teve seu prédio
confiscado, junto com uma biblioteca, em cujo acervo constavam
7
8
ASSOUN, Paul-Laurent. A Escola ... p. 15.
FREITAG, Barbara. A Teoria ... p. 11.
60
60 mil volumes.
Antes
tivera
de esse fato ser oficializado,
o cuidado de criar extensões
do Instituto
Paris, Londres e nos Estados Unidos da América,
Horkheimer
em Genebra,
onde ele veio
a ser reinstalado.
Uma vez no exílio, suas funções foram desenvolvidas
normalmente
e os trabalhos
produzidos
a ser divulgados através da mesma
1932,
a Zeitschrift
No
restabelecido
revista, que circulava
desde
fuer Sozialforschung.
início
em
pela equipe continuaram
da
década
Frankfurt
de
sob
1950,
a
o
Instituto
responsabilidade
Horkheimer e Theodor W. Adorno, os legítimos representantes
primeira geração de frankfurtianos
seus trabalhos na Alemanha,
que se dispuseram
foi
de
da
a retomar
após uma ausência superior
a vinte
anos.
Foi a partir dessa década
passou a ser reconhecida como tal.
parte,
devido
trabalhos
mais
geração", como
divulgação,
à
significativos
que a expressão "Escola"
Esse fato se deu, em grande
em
internacional,
pensadores
dos
da
"primeira
Horkheimer, Adorno, Marcuse, Benjamin
e também,
de JUrgen Habermas
de
nível
que surge como sendo da "segunda geração"
61
que optaram pela linha frankfurtiana9•
de pensadores
Mesmo
denominada,
de
que a Escola
de Frankfurt
isso não significou
concepção
entre
todos
os
tenha sido assim
que tenha existido
seus
componentes,
identidade
ou
seja,
a
"teoria critica" não significava a mesma coisa para todos eles.
Por
isso,
em
fundamentais
um
segundo
no
momento,
movimento
surgiram
intelectual.
representada por Tiedemann e Schmidt,
duas
A
primeira
se propôs
um minucioso trabalho de reconstituição
tendências
a preservar,
e revisão,
comentários
constituída
e
publicações.
por Habermas,
prosseguiram
de
modo
A
segunda
Wellmer,
original
e
Berger
criativo
mestres, não hesitando em criticá-los
Especialmente
iniciada
durante
ser
nas
de crítica
portanto,
daqueles membros
9
de
e após o período
objeto
surge
décadas
a
1920
desta
segunda
FREITAG.Barbara. A Teoria
p. 27.
os quais
dos
superá-Ios10•
da
teve
Sociedade,
continuidade
de 1950 passa a
tendência.
da primeira
p. 9.
que
ficou
o pensamento
e a partir
o grupo que vai manter
considerados
e outros,
Crítica
1930,
do exílio
FREITAG. Barbara. A Teoria
10
e
com vistas
tendência
e até mesmo
Teoria
em
o pensamento
de Adorno, Horkheimer, Benjamin e em parte, Marcuse,
a
delas,
o traço
geração
Desse
comum
fato,
à obra
da Escola
de
62
Frankfurt,
ou seja,
Horkheimer,
Adorno,
Marcuse,
Benjamin
e
mais tarde, Fromm.
Em
se
tratando
de
produção
cultural,
face
à
diversidade característica do grupo, durante as décadas de 1930
e 1940, o Instituto
estudos
em
desenvolveu
diferentes
áreas,
suas linhas de investigação
e
encontrando-se
a
formação da identidade individual, relações
burocracia,
economia
entre
familiares,
elas
Estado,
e cultura.
Entretanto, desde os anos 20 até os anos 70, dentre
os
principais
fatores,
Sociedade desenvolvida
nazismo,
a Segunda
pós-guerra
que
marcaram
a
Teoria
pela Escola, destacam-se:
Guerra Mundial,
Crítica
da
a ascensão do
o "milagre
econômico"
no
e o stalinismo.
As origens da Escola de Frankfurt foram historiadas
por
vários
autores,
até mesmo por alguns
"terceira geração" de frankfurtianos.
parece conciliar
"A
as principais
gênese
inseparável
da
Destacamos
informações,
Escola
do debate
de
concebida
sendo ela:
o que
e o
e a
subversão
formas.
Para compreender
(... ),
é
constituiu
o
significado
como uma intenção
crítica
a uma
uma versão que
Frankfurt,
sobre
marx.ismo ou sobre o alcance
teoria
pertencentes
de uma
prática:
a
da dominação em todas as
os eix.os
em torno
dos
63
quais se
desenvolveu o pensamento da Escola, é
essencial apreciarmos os turbulentos fatos que
constituiram
movimentos
seu
contexto:
proletários
Ocidental
colapso
o
após
a
de
derrota
esquerda
Primeira
dos partidos
a
de massa
li
Europa
na
Guerra
dos
o
Mundial,
de
esquerda na
Alemanha, que se transfor.maram em movimentos ou
reformistas ou dominados por Moscou, a degeneração
da Revolução Russa com o stalinismo e a asc~nsão
do
fascismo e do nazismo. Esses acontecimentos
suscitaram questões fundamentais para aqueleS que
se inspiravam no marxismo mas estavam dispostOs a
"
':
como eram enganosas e perigosas
reconhecer
as
1:
concepções dos que sustentavam que o socieEi smo
era
da
uma tendência inevitável do desenvolv~ento
história
resultaria
ou
que
a
ação
social
'correta'
automaticamente da promulgação
da
linha partidária 'correta'."11
Verificamos que os principais
buscaram,
sobretudo,
análise
de
todas
desenvolver
as
principalmente,
elementos
da
que
realidade
desequilibradas
de poder.
uma perspectiva
práticas
ideológicos:
procuram
pensadores
ocultar
da Escola
critica: na
sociais,
cr~ t ~canfld o,
explicações
distorcidas
e
í
legitimar
í
11
relações
Além disso, eles tinham por objeto
11 BOITOMORE. Tom. Dicionário do Perumnento Marxista. Rio de Janeiro: Zehor,
1993. p. 127-128.
64
de análise
a consciência
conflitos
e contradições
contribuir
para
fenômeno
Nessa
também
aos
12
Lukács
e
fundadores
- e,
social
linha
Korsch,
do Instituto
de
de
que
às
e na ação.
o objetivo
de ordem metafísica
a imposição
ciências
investigação,
pensadores
foram,
como propósito,
formularam
bem como para
não
- interesses,
na consciência
uma explicação
objetivos
elegeram
os frakfurtianos
do totalitarismo
de um procedimento
da dominação
transformações
isso,
de desenvolver
raízes
sociais
forçar
E para
maior
das
da
inclusive,
de Pesquisa
Social
para
positivista
o
I
sociais.
deram
linha
continuidade
marxista,
pioneiros
entre
de Frankfurt13•
como
os
Por
12 "Noque concerne a Haberrnas, a recepção de Weber pelo marxismo ocidental
em nenhum lugar foi documentada mais claramente do que em Geschichte und
KIassenbewusstein. de Georg Lukács (1922). Lukács postulo uma conexão l6gica entre
racionalidade formal, compreendida como 'forma de objetividade' global. que penetra a
consciência e a realidade social, e a reificação das relações humanas - o que Marx
denominou de 'fetichismoda mercadorid . ( ... ) Nas sociedades tradicionais, o trabalho é
coordenado PJr normas costumeiras que regulam os padrões de produção. os papéis dos
traI:x:Ilhadores
(habitualm:mteherdados), das condições de troca. etc.( ... ) Com o advento do
capitalismo ( ... ) o trabalho deixa de se destinar à preservação do bem-estar social e
rrrrterialdo trab:tlhadorpara transformar-se em mercadoria ( ... ) regulado pela lei funcional
e impessoal da oferta e da demanda. A emancipação do trabalho com respeito ao vínculo
anterior com a ação comunicativa abre maiores oportunídodes para seu uso estratégico.
Mas a liberdade de vender nosso trabalho em troca do melhor salário tem como preço a
perda da nossa individualidade e humanidade." Na compreensão dessa patologia social
contemporânea Lukács ultrapassou Weber, porque reconhece que "a reificação associada
à forma de mercadoria nasce de uma contradição mais profunda entre as exigências
Í1..1rx:ionais
da economia de mercado e as necessidades práticas da vida diária. ( ... ) Lukács
estava suficientemente familiarizado com as obras de Hegel e apenas com as de Marx
nnduro poro reconhecera importânciado trabalho corno um processo de autotransformação
e de aguçamento da consciência". Cf. INGRAM.D. Habermas e a Dialética da Razão.
Brasília:Editora Universidade. 1993. p. 88-89.
13
MATOS.Olgária C. F.A Escola ... p. 15.
65
coincidência,
época
Lukács havia mostrado que a dialética de sua
não passava de um método positivista, que se julgava
capaz de controlar os acontecimentos históricos, postulando a
homologia entre a natureza e a sociedade.
Enquanto Korsc~, um
seguidor do pensamento de Rosa Luxemburgo (líder do movimento
operário
Lenin),
alemão do início do
criticara
trabalhadores.
a
século e forte opositora de
fetichização
das
organizações
dos
De acordo com as idéias de Rosa, ele também
defendia uma forma de organização autônoma e espontânea, que
pudesse contribuir para a autodeterminação do homem.
Tanto por trabalharem nesse sentido como por sua
heterodoxia em incluir, nas análises em andamento, outras áreas
de
conhecimento,
os
esforços
do
movimento
intelectual
frankfurtiano são interpretados, atualmente, da seguinte fo+ma:
nA
Escola
de
diretamente,
Frankfurt
pode
a um radicalismo
um marxismo
aberto
e crítico.
Essa
para a evolução
Escola
é
a
fonte
associada
antibolchevique
e a
(...) seus escritos
procuram nEnter viva a personalidade
alternativo
ser
de um caminho
da sociedade."14
intelectual
de
Jürgen
Habermas, que passou a integrá-la em 1954; em vista disso,ele
é identificado como sendo da segunda geração de frankfurtianos.
14
BOTTOMORE. Tom Dicionário •.. p. 127.
66
o
filósofo teve cornomestres Horkheimer
expoentes
da Escola de Frankfurt,
e Adorno,
os principais
sendo que o último foi seu
orientador.
Naquela
oportunidade,
exilio, assumiam suas cátedras e
fossem
haviam
retomavam
retornado
do
a
análise critica
Habitualmente, Adorno e Horkheimer
são vistos como
da sociedade
se
ambos
do pós-guerra.
dois
pensadores
que
constituem
uma
Rouanet procura desfazer essa simplificação,
foi na fase anterior
os Estados
Unidos
que acreditava
verdade
e
dela
justa. Sob a influência
a
degradação
do
fascismo
operária
(...)."15
marxista
organizar
clássico,
uma
sociedade
de três fatos históricos:
do marxismo
ascensão
à imigração para
da razão de chegar à
na capacidade
através
Mas
quando esclarece:
"Horkheimer
um fi16sofo
unidade.
e a
na
União
Sov Létz i.ce ,
assimilação
da
a
!
classe
Horkheimer passou a duvidar da capacidade da teoria
de
enfrentar
contemporânea
Adorno
as
e foi
na elaboração
tendências
nessa
fase,
regressivas
também,
do livro Dialética
que
da
sociedade
colaborou
do Esclarecimento,
com
um
trabalho de conotação pessimista, para o qual a razão foi posta
15
ROUANET. Sergio Paulo. As Razões do Iluminismo. São Paulo: Companhia das
Letras. 1992. p •.332.
67
a serviço da dominação,
o
sobre a natureza
Horkheimer
vincula
processo
reificação,
afirmando
No entanto,
seu pensamento
de
e sobre os homens.
racionalização
que ambos se desenvolvem
de
paralelamente.
não é o mesmo de Adorno,
refere ao possível movimento
ao
no que se
i,
do vetor emancipatório
da razão,
,
!
para ele o Iluminismo permite um duplo sentido: o da domina~ão,
;1
através de uma razão que calcula e manipula,
é a única perspectiva
Para
i
e simultaneamente
de romper com o mundo reificado.
Horkheimer,
a dialética
da modernização; se
baseia na seguinte antítese:
"Ela é o processo pelo qual a razão obj.~vafoi
sendo
gradualmente
destronada
pela
8Ubjetiva, até seu triunfo completo na sociedade
atual, que, tendo perdido a capacidade de pen~ar
f1ns e valor •• , ficou entregue à mera empiria dos
!
fatos
brutos,
transformados
em
sua
própria
norma. "16
Horkheimer
objetiva
e
razão
traçou
subjetiva,
essa
distinção
porque,
segundo
entre
ele,
,I
razão
objetiva permitiria
escolher
subjetiva designaria
os meios mais adequados para alcançá-los,
situando porém, seus próprios
16
fins em si razoáveis,
a
razão
enquanto a
fins em uma esfera de valores e
ROUANET, Sergio Paulo. As Razões ... p. 333.
68
preferências
pessoais,
avaliação racional.
subjetiva
designa
adequados
a
racional,
foge
vez,
sem que
Esse processo
a faculdade
valores
eles
do espírito
Iluminismo, para ele, sempre apresentou
Adorno
o fim da dialética,
comprova
dialeticamente.
tenha
um
Seu pensamento
afirmado
Diferentemente
crítica
que
a
subjetiva,
mas consiste
sem
que
prossegue
feita na perspectiva
embora
não está na
de uma razão
de uma filosofia
baseada
que
conforme
a
razão
não
afirmou
mais
se
Adorno,
baseia
mas,
cCIDI1DÍcativa.
E
na
que
esta
modernidade,
razão
só
se
este
tornou
com a viabilidade
relação
sim, na relação
modelo
comunicativa tem sua dimensão histórica,
de
em
já teria
de existir.
Na visão de Habermas, há um conceito
ampla
ele
impossível.
uma razao dialética que, segundo essa mesma filosofia,
deixado
de
pensando
crítico,
tornou
O
Mesmo
intelectual
continua
se
sua
como Horkheimer.
para ele, o impasse
no impasse
por
um lado negativo.
ele
meios
avaliação
Adorno,
a produção
crítica
de Horkheimer,
da razão
objetiva,
paradoxo,
no qual a razão
pessoais,
tão ortodoxo
a uma
de mobilizar
de toda teoria.
não foi um racionalista
tendo decretado
submetidos
de inversão,
e preferências
à jurisdição
sejam
de razão mais
sujeito-objeto,
entre
de
racionalidade
na afirmativa
possível
com
da participação.
sujeitos:
do autor
o advento
da
69
2.2. JÜRGEN HABERMAS
Jürgen
Habermas
nasceu
em
1929
na
cidade
de
Düsseldorf, onde permaneceu até completar 20 anos. Habermas
viveu sua juventude na
Alemanha nazista e só veio a se tornar
um pensador crítico nos anos 50. Estudou Filosofia, Psicologia,
História,
Economia
e
Literatura
Alemã.
Durante
sua
vida
acadêmica, entre 1949 e 1954, freqüentou as Universidades de
Gõttingen, Zurich e Bonn.
Depois da breve permanência de um ano na Suíça,
Habermas retorna a Bonn, onde retoma seus estudos filosóficos
e inicia a amizade com Karl Otto Apel, mantendo desde então
estreito vínculo intelectual com este pensador; essa identidade
de interesses resultou em profícuo intercâmbio de temas de
pesquisas e reflexões, mormente no campo da Ética.
Doutorou-se em 1954, ao defender uma tese spbre
Schelling,
intitulada "O Absoluto
na História". Era, nessa
época, um jovem intelectual brilhante com presença marcante nos
círculos
Alemanha,
assistente
acadêmicos
da
quando então
capital
foi
de pesquisa em
Pesquisa Social.
da
convidado
Frankfurt,
República
para
no
Federal
trabalhar
da
como
Instituto para
a
70
Inicialmente
das
quais
foi
sociológico
à pesquisa
"Estudante
sobre
empírica,
Politica.
e
Um
uma
estudo
sobre a consciência politica dos estudantes de
Frankfurt".
Horkheimer,
dedicou-se
Mais
tarde,
Habermas
mesmo
trabalhando
não obteve o patrocínio
com
Adorno
e
de nenhum deles,
"Mudança Estrutural
para desenvolver sua tese de livre-docência
na Esfera Pública", sob a alegação de que faltava fundamentação
ao projeto.
Após essa rejeição, ele deixou
o Instituto
para a Universidade de Marburgo, onde realizou
a orientação
do professor
seus
antigos
mestres
e dali
destacou-se pela originalidade,
de vínculo sutil com o
originando,
acadêmicos
assim,
Habermas
projeto
referido
pretende
original
ambos
teriam
tanto
da Segunda
em
a polêmica
vínculo
preservar,
e o programa
sido desvirtuados
Guerra,
como
diante,
mantendo,
em torno da existência
o
o rompimento
projeto inicial
toda
com
do filósofo
sua
trajetória
contudo,
uma espécie
da Escola de Frankfurt,
que
se formou
nos meios
ou não desta relação.
se
ou
seu trabalho
Abendroth17•
Wolfgang
Esse acontecimento marcou
com
e mudou
faz
presente
sej a,
da Escola.
nada
das crises
mais
Segundo
e abandonados,
naquilo
do
que
que
o
ele, porque
em decorrência
posteriores
a ela,
Lucia M. de C. Razão Comunicativa e Teoria Social Crítica em JÜIgen
Habermas. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1992, p. 11.
17 AAAGÃo.
71
resultando
pessimismo
na
à
ênfase
crítí.ca
da
razão
instrumental
e no
radical.
Para Habermas, ainda é possível retomar os caminhos
perdidos
via mudança
Crítica,
na qual
de paradigma,
vou argumentar
a
para
teoria
que
da
comunicação
a crítica
da razão
n eg ligenciadas
sociedade.
com a Escola
um quadro
torna
negativo
representantes
Horkheimer
Marcuse,
e,
quando
e
da
apesar
uma
interrompido
e isso
nos
crítica
da
pessimista,
identidade
de
analisa
o conceito
francesa
como
se
da
Mesmo
Ele
não
revelaram
Escola:
assim,
de negação
o
os
próprio
a
de Althusser
entre a dialética
de Marx, faz uma afirmação
se
Adorno,
na dialética
sobre a tentativa
ARAGÃO. Lucia M. de C. Razão ... p. 12.
de Habermas
diferentes.
geração
Marcuse.
certa
as idéias
de determinar de uma nova forma a relação
18
foi
teoria
de manter
de perspectivas
sobretudo,
Hegel e a dialética
que
possível
as tarefas desde então
de Frankfurt,
primeira
partir da controvérsia
torna
"18
Entretanto,
em
de
de paradigma
instrumental;
pernútirá assumir novamente
surgem
em sua Teoria
uma mudança
ao empreendimento
retornar
interesses
expõe
afirma:
"Eu
com
como
de
de valor atual:
72
"Creio que a dialética
tarefa
de
elaborar
essencialmente
aos
simplesmente
... )
sociedade
a
diferença
deveria
ser
vista
de satisfação
de
na
novas
necessidades,
natural
Esse
como a proposta
em
entre
latente
de reconciliar
realmente,
constituir
Teoria Critica, em cuja base
normativa
reconstrução
novas
relação
com
da
encontrariam
e em um meio
social
e
distinto.n19
de emancipação
do homem,
bem
as contradições
do todo social
os fundamentos
filosóficos
Habermas,
Filosofia
é necessário
reavaliar a inseparabilidade de verdade
grega
e prática.
da
habermasiano
para construir
para esta teoria,
filosófica
sociedade
radicalmente
se insere o projeto
Mas, de acordo
fundamentação
uma
os homens
radicalmente
ideal
reprimidas
Tais necessidades
expressão
modificada
a
(
situação
além do fundamental, no aparecimento
sua
de estudos.
reduzi-la
herdados.
da nova
antagônica.
parecem,
sem
diante da
est:e
teoricamente
nova,
conceitos
qualitativa
hoje se encontra
e
da
uma
fazer
alemã,
Ele sustenta
que:
" ( ...
qaa uma
prática
Kant.
Zahar,
da ação cOJIl1ZZÚcati
va é mais açl.a
) a 'teoria
baor.ia moral. Ela é diferente
como
Ela
a
não
conhecemos
fundamenta
de
da filosofia
Aristóteles
simplesmente
19 MARCUSE. Herbert. Idéias IDbre uma Teoria Crítica da Sociedade.
1989, p. 164-165.
e
de
normas
Rio de Janeiro:
73
morais
ou
ideais
adicionalmente,
políticos.
um
Ela
sentido
tem,
descritivo,
identificando na própria prática cotidiana a voz
persistente
da
razão
comunicativa,
mesmo
em
situações em que essa está subjugada, distorcida
e desfigurada.n20
o
qual
esteja
seu propósito
inserido
aparentemente
incluídas
análise
maior
um
grande
competitivas
nelas
a crítica
dos sistemas
Essa
das
e a teoria
é uma visão
bom
faz dele um filósofo
no passado,
manter
para
Tal
existência
do
mais
com
sociais,
(das décadas
melhorar
intenções
resgatar
20
9.
A sua
de sua
o que há de
o presente,
portanto,
além
a
herdado
Escola,
de
procurando
evidenciar
dos
anos
a
30,
com Adorno
de 1950 e 1960) continuam
práticas.
a
futuro.
através de seu projeto de desenvolver
com
da ação,
de mundo.
garante que alguns pontos de vista compartilhados
Horkheimer
estando
social.
positiva
que consegue
no
abordagens
a teoria
da evolução
de alcance
concepção,
vínculo
ciências
de
de acordo com estudiosos
tentar
uma perspectiva
número
da ideologia,
crença no futuro da sociedade,
obra,
é criar um quadro geral,
em
e
vigor,
uma teoria social crítica
Dentre
essas
remanescentes
REVISTA TEMPO BRASILEIRO. Rio de Janeiro. n" 98. julho-setembro
de 1989. p,
74
identificações com os mestres, merece destaque
investigação
filosofia
interdisciplinar,
cujo
seu programa de
sentido
em seu lugar devido e estabelecer
é
manter
a
uma nova relação
entre ela e as ciências humanas.
Uma intenção que pode ser constatada pelo confronto
com a análise marxiana,
na forma que segue:
"(...) articulada através de um longo caminho de
discussão
da
teoria crítica
com
as propostas
metodológicas contemporâneas, é a sistematização
de
um
'novo
instrumental
conceitual',
possibilita não só uma compreensão
que
mais adequada
da sociedade contemporânea e de suas patologias,
nas também pretende mediar um caminho possível de
sua transfor.meção,
ou seja, abrir o espaço para um
futuro
alternativo,
comunicativa possa
colonização
por
instrumental."21
o
onde
a
resistir
parte
racionalidade
às
da
racionalidade
imperativo de reformular a teoria crítica,
Habermas, nasce dos rumos seguidos pela história
haja
vista
História
a
é
sua
sinal
permanentemente
21 OliVEIRA
tentativas de
em
afirmativa:
de
"para
os
descontinuidade,
para
no século XX,
frankfurtianos,
seu
aberto. Ela não garante
processo
a
a
está
identidade da
Manfredo. "Dialética e Hermenêutica em Jürgen Habermas". Dialética
Hoje. Petrópolis: Vozes, 1990. p. 115.
75
razão e da realidade.
e
objeto,
Desenvolve-se
homem e natureza,
transformações
hist6ricas,,22.
frankfurtiana,
a
História
nos espaços entre
cuja não-identidade
De
é
acordo
com
linha
da
a
sujeito
garante
essa
as
concepção
demarcação
da
identidade.
Na atualidade,
Habermas é considerado
importantes pensadores alemães do pós-guerra.
sua obra em intenso
um dos mais
Continua mantendo
rítmo e, como sempre, segue propondo
reflexão sobre as condições
de convivência
livre de dominação,
através de uma comunicação isenta de coação e violência23,
seja possível prevalecer
JUrgen
consenso
através
afirma
argumentação,
ser possível
na
forma
de
filosófico que inclui crítica, réplica e tréplica.
pensar
representa
um toque
especial
porque ao questionar, Habermas questiona
sua crítica torna-se
onde
a força do melhor argumento.
Habermas
de
uma
na dimensão
chegar
um
diálogo
Tal modo de
dialética,
a si próprio,
reflexão e autocrítica
a um
ou seja,
consciente.
Neste sentido, ele procurou ir além de seus mestres
22 MATOS. Olgária C. F.. Os AIcanos do Inteiramente Outro: a Escola de Frankfurt,
a Melancolia e a Revolução. São Paulo: Brasiliense. 1989. p. 13.
O papel da violência na história é um legado da contenda de Rosa Luxemburgo
com Lenin. Para ela o que deveria ser combatido eram as coisas e as instituições. não os
homens, porque as desilusões e decepções com o terror não compensavam.
23
76
frankfurtianos na busca da concretização
do
conhecimento
comunicação
apaixonado
das
ideal
defensor
e
condições
por
isso
da esperança,
de
foi
através
possibilidade
de
apontado
o
como
uma
mais
da razão emancipatória.
2.3. BASE INICIAL DA TEORIA CRÍTICA
Os membros
entre
teorias
acordo
com
propósitos,
e quanto
conf
í
da Escola
cientificas
três
de Frankfurt
e teorias
dimensões
criticas;
importantes:
em razão de sua estrutura
ao tipo de evidência
fazem distinção
elas diferem
quanto
aos
fins
de
ou
"lógica" ou "cognitiva"
que determina
sua aceitação
ou
rmação-'",
Em 1970, foi publicado
denominado "A Teoria Critica
o autor procurou
transformação
explicar
o ensaio de Max Horkheimer
ontem e hoje";
as relações
da sociedade.
,)
dessa obra
da Teoria Critica
Horkheimer
de sociedade que deixa transparecer
através
com a
é autor de uma teoria
sua concepção
da filosofia
\
como instrumento
:de reflexão
teórica que mediatiza
a prática.
24 GEUSS. Raym:md. Teoria Critica: Habermas e a Escola de Frankfurt. Campinas:
Popírus, 1988. p. 91-92.
77
Na oportunidade ele procurou fazer um balanço do
que sobreviveu e do que deveria ser abandonado pela reflexão
teórica,
no
tempo
transcorrido
entre
a
"primeira
Teoria
Crítica", iniciada na década de 30, e a última, elaborada nos
anos 60 e 70.
Em
sentido
lato,
as
raízes
do
pensamento
frankfurtiano encontram-se em Kant, Hegel, Marx, Nietzsche,
Freud, na tradição judaico-cristã e mais tarde, em Heidegger e
Spengler25•
Escola de Frankfurt, procurando questionar as
A
tendências
análise,
da modernidade, transformou-se em objeto de sua
a crise do iluminismo, da arte, da cultura, e da
psicologia humana, bem como a crise da história.
De
resultado
acordo
com
o
pensamento
de
Horkheimer,
o
da crítica da sociedade era assustador, tendo em
vista o fascismo e o comunismo então vigentes, razão pela qual
os
pensadores,
no
início,
colocaram
suas
esperanças
na
revolução.
o
identificação
fato de acreditarem na revolução, levou a uma
com
o
pensamento
de
Karl
Marx
e,
2S SIEBENEICHLER. F1ávio
B. ]ürgen Habermas: Razão Comunicativa e
Emancipação. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 1989. p.19.
78
conseqüentemente,
com o
marxismo
da
época.
Surgiu
daí a
necessidade de confrontar seus conceitos fundamentais e visão
de mundo com a realidade social que vivenciavam.
Assim,
na primeira fase da
Teoria Crítica, o
centro das reflexões ficou concentrado nas questões teóricas do
marxismo,
ciência.
possível
na dialética da razão iluminista e na crítica da
Procuravam
responder:
uma teoria materialista
"em
que
condições
torna-se
do conhecimento?"26.
Dessa forma, o núcleo inicial da Teoria Crítica
formou-se através do trabalho do jovem Marx, mais precisamente,
da análise de seus Manuscritos Econômico-filosóficos de 1844.
No período posterior a esse, para os principais
autores críticos: "o século XX tomou o sentido literal do texto
como um convite ao ativismo revolucionário,
que
significam
pensamento
interpretação,
mundo
e
sem se perguntar
transformação
o
no
de Marx"27.
A Teoria Crítica caiu em ideologia, convertendo-se
em estratégia
crítica.
Por
política,
esse
o oposto
motivo,
do
comentando
26
MATOS. Olgária C. F.. A Escola
p. 24.
27
MATOS. Olgária C. F.. A Escola
p. 22.
trabalho da reflexão
Marx,
Adorno
fez
a
79
observação
que segue:
"Posto
que a filosofia
o mundo, cabe continuar
não conseguiu
transformar
a interpretá-lo."28
2.4. O PENSAMENTO CRÍTICO DE MARX
Nos
"Manuscritos
econômicos
e filosóficos"
que
Marx redigiu por volta de 1844, época de triunfo da burguesia
francesa
sob uma população
em decadência,
o homem não aparece
separado da natureza.
Marx
passou
a observar
que a população
obrigada a trabalhar entre quatorze e dezesseis
Afora isso, os pais se viam obrigados
desapiedada
filhas.
de seus filhos,
Uma situação
também revoltava
a presenciar
de suas
como
esses indivíduos.
a adotar
começaram
a exploração
que não só exasperava,
Como conseqüência, as associações
passaram
horas diárias29•
bem como a prostituição
degradante
pobre era
a sofrer
uma postura
conspirativa,
perseguições
e a assumir
de trabalhadores
motivo
pelo qual
um aspecto
mais
28
MATOS. 01gária C. F.. A Escola ... p. 22.
29
MARX.Karl. Manus:ritos: Economia e Fiiosoiia. Madrid: Alianza. 1993. p. 8.
80
voltado
para o terror
que para
a eficiência.
Ocasionalmente,
surgiam rebeliões entre eles que eram mais resultantes
que sentiam do que, propriamente,
muito
grande,
operavam,
destruíam
enquanto
um
Simultaneamente,
luta
aí,
nos
mantinha
absolutamente
essa
as
máquinas
que
situação
demais
pôde
na
presenciar
França,
surgia
sindicalista
países
europeus,
na
razoável.
travava-se
da tradição e do progresso.
seus privilégios
que,
uma
A nobreza,
tradicionais,
dominando
o campesinato31•
Na
Rússia,
debilitar o império;
e,
transformações
até mesmo
- onde as forças progressistas
de Napoleão
Marx
movimento
entre as forças
também
freqüência
circunstâncias
predominava
Inglaterra
com
E com uma revolta
de seus patrões30•
o patrimônio
Nessas
da razão.
da raiva
- começou
idênticas
na Renânia,
ficaram
a
sua terra natal
conhecidas
a surgir uma moderna
começavam
sob o regime
indústria.
Tal situação, generalizada, provocou duras críticas
de Marx à sociedade
miséria
humana
injusto
e
de sua época, pois nela se multiplicava
proveniente
desordenado.
de
um
Segundo
30
MARX. Karl. Manus::ritos
p. 8.
31
MARX. Karl. Manus::ritos
p. 8.
desenvolvimento
ele,
o
pensamento
a
social
alemão
81
naquele momento se ocupava mais dos problemas
daquilo
que
almejavam,
correspondentes
do
à realidade
que,
a
ideais, ou seja,
rigor,
dos
problemas
vivenciada32•
Sem partilhar desta aceitação
conformista
e devido
aos posicionamentos críticos manifestados,
o filósofo
começou
a
enfrentar
problemas
perseguição ideológica
em
sua
vida
e enfrentando
privada.
Vítima
dificuldades
emprego, Marx percebe que existem realidades
de
em conseguir
contra as quais a
crítica torna-se impotente.
Mesmo
assim,
divulga
sua opinião
com relação
Alemanha; para o filósofo, este país só poderia libertar-se
males que o afligiam, sobretudo, o subdesenvolvimento
e
político,
se rompesse
com
maneira, sufocado pelo idealismo
pela política prussiana,
tais
supostos
hegeliano
à
dos
econômico
teóricos.
Dessa
ou hegelianizante
Marx revisa completamente
e
suas idéias
e corta as relações com seu país.
Esta revisão se faz, sobretudo, à luz do pensamento
de Feuerbach,
"de quem extrai
naturalista"33.
nunca
foi
aceita
A passividade
por Marx.
32
MARX. Karl. Manus::ritos .•. p. 11.
33
MARX. Karl. Manus::ritos ... p. 11.
a crítica positiva,
do pensamento
Porém,
ele
realista
desse
julgou
e
ideólogo
acertada
a
82
atitude
de
Espírito
Feuerbach,
hegeliano
necessidades.
do homem
feuerbachiano
homem
no
sensível,
lugar
do
sujeito
real
e
que
do
possui
é a essência
que, segundo Marx, não existe mais do
histórica;
o homem real é o que a sociedade
faz dele, afirmou.
Marx não foi um adepto da ação
pela ação, ao contrário,
teoria e práxis34•
da sociedade,
foi um autêntico
enquanto o humanismo
era necessário
foi
entender
ativo seria a revolução.
que, para poder conhecer o homem,
a sociedade
em que ele vivia e para
para Paris, onde existia uma indústria moderna.
lá o principal
ponto de reunião dos ativistas
cuja consciência,
a sociedade
artífice da fusão de
Para ele, a ciência do homem seria a ciência
Marx acreditava
isso
colocar
No entanto, o ponto de divergência
que como potência
concreta
o
em
ainda um tanto obscura,
proletários,
se propunha
Era
em
destruir
existente.
2.5. O JOVEM MARX E A ECONOMIA POLÍTICA
Na visão clássica e consagrada
de Marx "a história
de toda sociedade, até nossos dias, é a história da luta de
34
MARX Karl. Manus::ritos ... p. 23.
83
classes
(...) "35.
Em
ciência
Paris,
Karl Marx descobre,
dessa sociedade:
a Economia
Foi do impacto
da produção
como,
no
sentido
capacidade
de
de
medida
verdadeira
extensão.
percepção
trabalho
se
e da miséria,
que se originaram
as dificuldades
e
manter
acentuava
se revelava
agudez
dimensão
Contudo,
do
dessa
entre
foi constatar
só de suas facetas
a
e mais
a análise
assim
os seus
de Marx,
família,
ele
sua
produzia.
da realidade
pensador
fez
ciência,
tantas
seu
com
observações,
que o homem aparece
- homo economicus
inteligência e não pela razão.
que
que a
o
que
na Economia
- empenhado
Cálculo
captasse
materialismo
riquezas e movido exclusivamente por um cálculo,
35
sobre a ciência
interpreta.
A
afligiu
que aumentavam
conseguir
Também mais profunda
Economia
da
de 184436•
famosos Manuscritos
A
da riqueza
que ela provoca,
o núcleo
Política.
dessa descoberta,
e da distribuição,
doescãndalo
então,
e
a
sua
mais
o
com uma
na criação
realizado
de
pela
este, por sua vez, sem
MATOS, Olgária C. F.. A Escola ... p. 28.
36 A introdução aos Manuscritos, de autoria de Francisco Uorente (Caracas),
descreve o contexto em que Marxviveu.
84
profundidade
restrito
nem
amplitude,
incapaz
de
transcender
interesse individual.
Na
visão
do filósofo,
a Economia
não
propriamente em erro, porém, seu alcance é parcial.
a de ter miopia, porque consegue ver com exatidão
está
que de fato não o é.
captar
o infinito
A Economia,
mundo
incorre,
Ele acusa-
somente o que
diante dela e o aceita como sendo natural,
pode
o mais
sem perceber
vista sob tal ótica,
humano
que tal natureza
não
social
(presente) deixa de realizar e nem percebe aquilo que esta não
realização
autor,
implica,
ou seja, o sofrimento
isso ocorre em conseqüência
ciência "positiva", que
(do dado), tolhendo-lhe
de
humano.
sua constituição
o obriga a partir do elemento
a possibilidade
Segundo
de especular
o
como
concreto
sobre o
que poderia ou deveria ser.
Há, para ele, uma ilusão sobre o poder da Economia,
que supõe governar
que,
a realidade
em sendo o mundo
humano,
através de suas leis.
uma obra do homem,
estudado e compreendido, requer sempre uma determinada
Implica
para
ser
idéia de
homem; requer uma Filosofia.
Marx se rebela, então, contra a Economia,
um erro existente
não por
em sua época mas, em nome de uma realidade
que ela ignora e da qual abstrai, a noção de homem.
85
E a consolidação
em
seus
anos
Manuscritos
-, caracteriza
do pensamento
- textos
esquecidos
do autor,
por mais
a união da Filosofia
moderna
estudada
representar
epistemológico,
espírito
configurou,
norteador
o
conteúdos;
valor
foram
humana
de ~rx
só
pode
diante,
em
sua riqueza
este
tempo,
o
como o mecanicismo:
pois prescindem
da liberdade
da dialética.
de uma idéia de natureza
Essa Filosofia
dela
brote
o segredo
através
do
de
pelo
se constitui
conhecer
buscar-se
em
que
não porque
porque pretende
a ser
um avanço
reconhecido
homem, uma Filosofia.
mudança,
todo
que nisso é justamente
e, com ela, necessariamente
pensamento
momento
está
durante
são idênticas,
Ficou
de
dos Manuscritos
ignorados
as atitudes
daquele
começou
Foi
de toda a obra de Marx.
próprio economismo,
ambas
o que além de
de oitenta
com a Economia.
nessa perspectiva, então, que a sociedade
com seriedade,
expressa
o
"fundamento
de
todo
o
e de
é que imp~e a necessidade
um imperativo
da felicidade
desenvolvimento
ético,
mas
do homem,
que
pleno
de
suas
potencialidades"3? .
A Filosofia
ter
ficado
37
pouco
clara,
proposta
uma
vez
MARX. Karl. Manuocritos ... p. 26-27.
por Marx, no entanto,
que deu margem
a uma
parece
certa
86
ambigüidade
de
interpretação.
Para
alguns
críticos,
a
racionalização de mundo, postulada por Hegel, é traduzida para
a prática por Marx e sofre assim uma redução.
Para outros,
Marx tem limites mais amplos do que aqueles da tecnologia, ele
pretende
ir
mais
além
e
realizar
uma
Filosofia pessoal.
Principalmente,porque nesta proposta a racionalização de mundo
deixa
de
ter
valor, se não
estiver
acompanhada de
outra
realização: a humanização do indivíduo.
A Escola de Frankfurt dos anos 30, cuja proposta
de
estudo
era
psicológica,
porquê
esboçar
uma
teoria
endossa portanto
materialista
e
social-
urna tentativa de explicar o
de a classe operária não ter assumido seu destino
histórico de revolucionar a ordem estabelecida
(burguesia X
proletariado), conforme Marx previra, previsão, entretanto, que
de fato.não se efetivou. Na visão de Horkheimer, tal como em
Hegel, Marx faz a reconciliação da violência com a história, do
sofrimento
com
sua redenção.
Da mesma
forma é visto por
Benjamin que observa:
"~rx
diz que as revoluções
história;
talvez
freio de emergência
seja
contrário.
da humanidade
trem. "38
39
o
s~o as locomotivas
MATOS. Olgária C. F.. A Escola ... p. 29.
Elas
da
s ão o
que viaja nesse
87
De fato, muitas das previsões de Marx, sobre o
futuro do movimento revolucionário "não se confirmaram até
agora. ~s
a
ênfase que este autor atribuiu ao fator econômico
na sociedade, bem como as
tiveram
ambas,
enorme
suas análises das classes sociais,
influência
sobre
a
história
e
a
sociologia"39.
Essa linha de investigação do marxismo ocidental
permitiu aos frankfurtianos não apenas conhecerem o papel do
indivíduo no contexto social, como também a causa objetiva
através da qual o movimento foi subestimado.
A "primordial"
luta de massas derivou em uma concentração de forças escassas
na oposição poderosa.
refere-se
à
Um outro motivo de caráter subjetivo
tendência de muitos dirigentes do movimento a
esquecerem os verdadeiros objetivos da luta de classes e os
métodos e meios que conduziam a este fim.
diz
respeito
filosofia
do
ao
retorno
dos
marxistas
homem. O que é explicado
Outra justificativa
aos
em
problemas
da
três níveis de
necessidade: objetiva, teórica e ideológica; a primeira trata
da felicidade do homem com a chegada do movimento ao poder, a
segunda trata da dinâmica intrínseca da teoria, que a leva a
completar-se,
enquanto
a
terceira
nasce
do
enfrentamento
ideológico - reduzido à luta entre socialismo e capitalismo -
39
BOTIOMORE. Tom. Dicionário ... p. 240.
88
pela
ausência
da luta
armada,
face
aos avanços
tecnológicos
desiguais.
Na
humanista
uma
de Marx
situação
passado
concepção
muitos
não é apenas
objetiva
exerce
que - posterior
uma
autores,
um estado
à influência
- submetido
materialista,
de
visão
de consciência,
ao marxismo
de um ambiente
pressão
essa
generalizada
mas
do século
positivista
por
e
uma maior
atenção ao homem individual.
Tal visão ultrapassa o interesse
manobras para "salvar a propriedade
simplesmente, o conflito
para conquistar
maniqueísta
em definitivo
sobre a ordem ou desordem
privada",
costumeiro
deixando
entre capital
natureza,
história,
natureza
para
ele
Assim, referindo-se
e debates
social vigentes.
e
só
de ser,
e trabalho,
um espaço de reflexão
Como não há na teoria de Marx dualismo
e
e suas
cultura,
existe
uma
ao materialismo
ciências
da
ciência:
a
entre homem
natureza
da
e
história.
na Teoria Crítica
de ontem
Matos diz:
"O
conceito
de
materialismo
significa
que
a
matéria não é objeto inerte, mas sim o movimento
da história das transformações do trabalho social;
nesse conceito se inscreve a história social da
produção
dos
objetos
e, ao mesmo
tempo,
das
89
e
carências
necessidades
em cada época
humanas
histórica. "40
2.6. O PESSIMISMO NA TEORIA CRÍTICA
A
inicial
partir
1934
da Teoria Crítica,
de matéria não poderia
ambos
de
são próximos,
Horkheimer
quando
abolir
afasta
diz que o conceito
o conceito
mas não estão
se
da
marxista
de metafísica,
reconciliados,
base
porque
conservando
entre eles certa tensão41•
Ao
Horkheimer
poderia
abordar
procura
o
terna
explicar
melhor
ser abolida,
já
noção de matéria.
através
do trabalhoalienado42,
embora
tenha priorizado
por
que representa
própria
circundante,
"Materialismo
em sua maneira
apenas o primeiro
40
MATOS. Olgária C. F.. A Escola
p. 25.
41
MATOS. Olgária C. F.. A Escola
p. 25.
moral",
que a.metafísica
não
um dos fundamentos
Para ele, o "sofrimento
existe
e
da
do homem",
também para a natureza
de colocar
o assunto
Marx
aspecto.
42 Alienus: aquilo que nos é alheio. estranho. O trabalho alienado não possibilita
ao homem a realização de urn trabalho livre: no trabalho ele sente-se fora de si: não há
afirmação do homem. que martiriza seu corpo e arruina seu espírito. "Aexperiência da
alienação é considerada alucinatória". MATOS. Olgária C. F.. A Escola ... p. 26.
90
Horkheimer vai mais além em suas observações
quando
afirma que:
"Uma
sociedade
resolvendo
justa
é impossível,
os problemas
da miséria
sociedade não se reconciliaria
e a
natureza.
porque
mesmo
vigente,
essa
jamais com o homem
"43
Seguindo essa linha de raciocínio, ele complementou
dizendo que, enquanto
o homem viver da natureza,
e, que transformando-a pelo trabalho,
sofrimento
da natureza
haverá
irá agredi-la
sofrimento;
e este
é, para ele, trans-histórico.
Nessa primeira fase da Teoria Crítica, a influência
da concepção
hegeliana
e marxista
de dialética
importa em ambos é o movimento da contradição;
os acontecimentos
são necessários
Da mesma
relegar
a natureza
Segundo ele, Hegel
ao princípio
à
a um segundo plano,
tinha um pensamento
Já para Marcuse
para Hegel todos
vida do espírit044•
forma que Horkheimer
de identidade
é clara. O que
criticou
criticou
Marx
por
também Hegel.
de "pura fé" em relação
e absolutizou
a história45•
a idéia de razão de Hegel implica
43
MATOS. Olgárla C. F.. A Escola
p. 26.
44
MATOS. Olgárla C. F.. A Escola
p. 27.
45
MATOS. OlgárlaC. F.. A Escola
p. 27.
91
o sacrifício do indivíduo.
idealista
Ele explica que tal filosofia
tentou apreender sob o nome de razão, o conceito
universal que deveria realizar-se nos indivíduos. E, referindose ao pensamento de Hegel, diz:
"Hegel
viu
a
história
universal
presa
dessa
infelicidade inelutável: é preciso sacrificar os
indivíduos em nome da universalidade, pois não há
harmonia preestabelecida entre o interesse geral
e
o
interesse particular,
entre
a
razão
e
a
felicidade. O progresso da razão se faz contra a
felicidade dos indivíduos (...) ."46
Adorno vê na alienação a 'banalização do mal', uma
espécie
de
indiferença
'volatização da
na
condição
de
culpa',
sinônimo
que
de
diz
colocar
a
totalitarismo47•
Igualmente, nos trabalhos de Horkheimer, seguidos por Marcuse
e Benjamin, existe a marca da crítica à "ditadura da produção"
pela introdução do conceito de pessimismo.
Para
dialética
relação
Horkheimer, na atitude pessimista "há uma
implícita,
às massas;
o
na
desconfiança
schopenhaueriana
com
autor estabelece uma diferença entre
Teoria Crítica e ceticismo, (...), e, inclusive em constatações
46
MATOS. 01gária C. F.. A Esaota
p. 105.
47
MATOS. 01gária C. F.. A Escola
p. 31.
92
pessimistas
r
deixa-se
guiar pelo
firme
interesse
em um futuro
melhor"48.
o
como
momento histórico
a revolução,
para os frankfurtianos,
é um risco,
fracasso ou uma esperança
assim
ou seja, uma possibilidade
de
de êxito.
2.7. O EIXO DA TEORIA CRÍTICA
Com
progresso
base
em dois
e à de violência
tipos
de crítica,
na história,
à
noção
os frankfurtianos
de
da
primeira geração, entre 1933 e 1950, criaram a Teoria Crítica49•
Com a reativação
do Instituto
na Alemanha,
as décadas de 50 e 70, os membros da Escola procuraram
o fascismo de esquerda
autoritário
e/ou democrático
aprofundaram as explicações
que
para
eles
racionalidade
é
de
combater
através do debate crítico e do diálogo
com estudantes. Os frankfurtianos pesquisaram
o potencial
entre
no meio acadêmico
dessa nova geração e
sobre o fenômeno do totalitarismo,
origem
metafísica,
aloja o irracional.
48
MATOS. Olgária C. F.. A Escola
p. 60.
49
MATOS. Olgária C. F.. A Escola
p. 30.
porque
a
própria
93
Enquanto
significava
isso,
a perda
de
Marcuse
escrúpulos
- para
da
quem
sociedade
o fascismo
liberal
aliado a Fromm e outros membros da Escola, que permaneceram
Estados Unidos da América, procuravam
Crítica,
divulgando-a
em outros países,
Marcuse permaneceu
(
... )
',
'raaio~dade'
não
de dominação
Foi nessa fase, também,
de Adorno
exercida através da racionalidade
lucrativos,
de
implantava
onde ciência
política
que Habermas
e Horkheimer,
afins, porque para eles, a primeira
fins
chamou
Weber
se
que:
a
como tal, mas, em nome desta,
forme determinada
aos projetos
no Brasil.
onde ganhou fama e
Max.
que
nos
a Teoria
Este filósofo acreditava
naquilo
,r&c:iODaJ.ização
inclusive
na América,
atuou como ativista político.
"
tornar conhecida
atraído
da dominação
uma
oculta."50
se vinculou
por pensamentos
forma de ditadura
e técnica
-,
é aquela
da natureza
estão
para
a serviço
do
capita151•
Apesar da evolução
paralela,
a Teoria Crítica
Escola de Frankfurt são fenômenos a serem explicados
sob formas
e pontos de vista diferentes. Não há, entre os seus membros,
p.46.
50 HABERMAS.
51
e a
um
Jürgen. Técnica e Qência como "Ideologia". Usboa: Edições 70. 1987.
HABERMAS. Jürgen. Técnica ... p. 72.
94
consenso teórico e político a nível epistemológico, nem mesmo
um único eixo temático; suas abordagens vão da dupla face da
cultura
e da discussão da indústria cultural, à questão do
Estado e suas formas de legitimação.
Esta
exatamente
estabelecer
margem
de
flexibilidade
de abordagem
o que permite o avanço individual e ainda
diferenças
entre
uma
geração
e
é
leva a
outra
de
frankfurtianos.
Em vista disso, o distanciamento de Habermas em
relação a seus mestres não poderia deixar de acontecer e o
ponto que marca esta cisão
é o questionamento que ele faz
sobre o conceito de razão.
Ao introduzir esta nova abordagem, Habermas propõe
uma mudança de paradigma.
consciência
Propõe a passagem do paradigma da
para o paradigma da linguagem. Fato esse, que
provoca um avanço na reflexão teórica mais recente, no campo
das ciências humanas, ratificando de certa forma, a importância
e a atualidade do pensamento crítico dos frankfurtianos.
95
2.8. O PROJETO FRANKFURTIANO E O ILUMINISMO
Em sua essência,
dar destaque
o projeto
proporcionou
contestações
desencadearam
uma crise
pensamento
critico
do
esclarecedor e tentativas de fragmentação
isso
resultou
no
retorno
de interpretação
tipos de dominação.
Situação esta que,
descrédito,
expõe ao
da razão.
a mitologias
pseudo-cientificas
ao
procura
a certos aspectos escuros do Iluminismo.
As ciências e a filosofia
que
frankfurtiano
risco
a
Por vezes,
arcaicas,
do mundo
a
formas
e a diferentes
além de "levar a razão
liberdade
do sujeito
e
da
sociedade"S2.
A sociedade,
conceitos
ação,
práticos
razão,
no entanto,
do esclarecimento
sujeito,
emancipação,. humanidade
pessoa,
libertada,
já consagrou
o uso dos
iluminista,
tais como:
linguagem,
igualdade,
totalidade
e liberdade,
e
outros mais; mas nem por isso, deixa de se impor uma critica do
esclarecimento:
limites,
"é preciso
esclarecer
seu alcance"s3.
52
SIEBENEICHLER, F1ávio B. ]ürgen
p.
11.
53
SIEBENEICHLER. F1ávio B. Jürgen
p.
12.
sobre
si
mesmo, seus
96
A revisão do Ilurninismo54, todavia, vem sendo feita
desde
Kant,
Hegel
e
Marx
mais
no
sentido
de
que
o
esclarecimento veio acompanhado de uma fé ingênua
no progresso
infinito
das
entre
esses
autores
concordância
de um nexo
entre
ciências
e dos
sobre
costumes.
a existência
Havia
liberdade, emancipação e história. E a história era considerada
como uma obra essencialmente humana. Em tal crítica transparece
a fidelidade
à tradição
a utilização
da razão~
processo
de emancipação
inacabada
da liberdade
do esclarecimento
uma maneira
história
segundo Horkheimer,
se paga com coisas
entre
o desaparecimento
totalitarismo
à
sempre
humana55•
que o progresso
está
de tocar para a frente o
que dá continuidade
Os frankfurtianos,
elas
que ensina ao homem
"negativas
do sujeito
concordam
e aterradoras,
autônomo
em um
uniformizanten56•
54
ILUMINISMO: movimento intelectual europeu do século VIII. com os
encidopadistas franceses Voltaire. Diderot. Helvétius. Rousseau e outros. Na Inglaterra. seu
representante mais expressivo é Locke. Na Alemanha. é Kant. O iluminismo surgiu e se
desenvolveu a partir da valorização da "luznatural" ou "razão". A razão iluminista prometeu
conhecimento da natureza através da ciência. aperfeiçoamento moral e emancipação
política.A consciência de umr época se conhece na metáfora da luz. Aufldarung - iluminação
- Enlightment, Ilus1raci6n, Iluminismo e Esclarecimento remetem a um mundo visível. nada
deve permanecer velado ou coberto. A razão esclarecida é uma razão ernancipadora. O
lema do Iluminismo kantiano é: "ouscr saber". MATOS.OlgOOa C. F.. A Escola ... p. 33.
55
SIEBENEICHLER.
Flávio B.JÜrgen ... p. 13-14.
56
MATOS.Olgária C. F.. A Escola ... p. 32.
97
Nesse
Schopenhauer,
procuraram
sentido,
Nietzsche,
mostrar
são
referências
Heidegger
os aspectos
e Freud,
sombrios
Popper, o grande opositorde
torno
do
pos t í.v í.smof ",
também
í
inglesas, para demonstrar
e em seu racionalismo
em
favor
elementos
da
crítico.
emancipação
bastante
comuns
entanto,
não
explica
sociedade
de se tornarem
A
que
situação
os
iluministas
e
da
sociedade
frankfurtianos
o
- ele
indivíduo
e as
culturas
na tradição
em geral.
admite
européia,
A explicação
história da liberdade não mais admitem
ordem
os
social, econômica
conceitos-chave
indeterminados,
mais
as
consenso
sobre
ou política.
os
limita
critérios
a
concepções
pois abrange
Isso contribui
tornem-se
as possibilidades
deste
57
FREITAG. Bcrboro, A Teoria ... p. 163.
58
SIEBENEICHillR. F1ávio B. Jürgen ... p. 18.
ela já
os povos
ou a reconstrução
uma única causa,
do esclarecimento
o que
e
no
racionalmente58•
anteriores, porque a história não segue uma única linha,
não está centrada
em
do apelo justo que faz
impedem
emancipados
não
na disputa
uma base ética na ciência
forças
atual
eles
da razão iluminista.
indivíduo
entre
todos
tradições
Apesar
do
pois
Adorno,
retoma
que existe
essenciais,
processo
cada
de
da
seja de
para que
vez mais
obter
moderno
um
de
98
liberdade,
ciências
mesmo
que ele parta
da ação: psicologia,
econômicas
sua
crise, no entanto,
continue
convicção
emancipação
pedagogia,
dos métodos
sociologia,
das
ciências
e históricas59•
Esta
recimento
diretamente
não impede que
tendo seu lado positivo.
sobre
o
valor
da
o escla-
Porque ele mantém
justiça,
da
liberdade,
da
e do uso da razão.
Manifestando,
dessa
forma,
sua contribuição
para
o inacabado processo da história da liberdade,
o esclarecimento
deve
deve
vir
aliado
circunstâncias
a
argumentos
atuais
e levar
racionais,
em
conta
fatores
partir
de
transmitidos
culturalmente.
o
mais importante,
reflexão crítica
de
outro
lado,
porém,
sobre o nexo entre tradição
uma
reflexão
sobre
"história" no espaço das sociedades
teorias
é que haja, de um lado,
cientificas.
o
atuais,
e emancipação;
complexo
"homem"
das ciências
Assim como de igual importância
'
- crl, t 1ca
.
da razao
a con t lnua
re fI exao
so b re Sl. mesma
59
SIEBENEICHLER. Flávio B. Jürgen
p. 14.
60
SIEBENEICHI.ER. Flávio B.Jürgen
p. 14-15.
60
e,
e
e das
deve ser
.
Capítulo IH
TEORIA CRÍTICA E RACIONALIDADE EM HABERMAS
nA teoria se degrada em estratégia política, em
ideologia,' uma separação absoluta de sujeito e objeto
é ilusão. O pragmatismo, inimigo da reflexão livre, é
anuteonoo, o que abala e debilita a práxis. "
Theodor Adorno
101
3.1. HABERMAS E A HERANÇA DE FRANKFURT
A Teoria Critica é "ama teoria reflexiva que dá aos
agentes
um
tipo
esclarecimento
de
conhecimento
inerentemente
produtor
de
e emancipaçãon1•
Essa teoria foi concebida a partir de um conceito
de
método
diferenciado
tanto
das
acepções
filosóficas
tradicionais como do método da lógica das ciências.
Ela é uma
das três escolas do marxismo ocidental de vocação dialética que
assim é descrita:
"(...) sua ênfase passa sucessivamente
como
agente
fonte
de mistificação
de
dominação
hermeneuticamente
e
para
para
inadequada
a
a
da ciência
ciência
ciência
como
como
ao mundo humano.,,2
Contrária aos sistemas filosóficos fechados, a
Teoria
Crítica realiza
uma
incorporação
do
pensamento
de
1 GEUSS, Raymond. Teoria Critica: Haberrnas e a Escola de Frankfurt. Campinas:
Papirus. 1988. p. 9.
2 As outras duas escolas do marxismo ocidental de vocação dialética, além da
Teoria Critica, são: o hístorícísmo hegeliano de Lukács. Korsch e Gramsci, e o humanismo
de lafeb.rre, Sartre, Kosik.e Petrovit.BOTTOMORE.Tom Dicionário
do Pensamento Marxista.
Rio de Janeiro: Zahar, 1993. p.58-59.
'- •...•••
'~ _
•.A
102
filósofos
"tradicionais",
presente.
Ela
conhecimento
vigente
sendo
a própria
colocando-os
se orienta
pelo
e seu objeto
totalidade
em tensão
princípio
fatos
historicamente
é definido
Tem o propósito
anular a falsa consciência dos fatos sociais,
de
da negação
de análise
social.
com o mundo
constituídos
em
do
como
maior
de
que transforma-os
meros
objetos
da
observação.
Originária
surgiu
em um período
da
década
histórico
de
1920,
de muitas
melhor.
Por isso,
particular.
fase
Observa-se
inicial
do
frankfurtianos
plena
e o conceito
como
consciência
determinar antecipadamente a sociedade
críticos,
precisar
embora
não podendo
dizer
na
de
de indivíduo
porém,
atual,
que
justa.
o que
que tanto
há
não
entre
em
na
os
conseguem
No entanto,
será
à
tanto
o bem,
seus
podem
o mal que a afeta.
Por mais
seus representantes,
explícita, representou
inconsistências
um
dirigiu-se
na sua dinâmica,
movimento
motivo
seria a idéia de uma
sua crítica
sociedade de então como à ciência
Crítica
atribulações,
pelo qual definiu que seu ponto de partida
sociedade
a Teoria
retorno
diversificada
a Teoria
a Hegel
Crítica,
uma tentativa
do marxismo
que tenha
ortodoxo.
sido a obra
de
de forma implícita
ou
de superar contradições
e
Isso se deu por meio de
e do fortalecimento
de algumas
posições
103
marxistas,
e o
tais como a dialética,
objetivo
revolucionário
classe burguesa,
a interpretação
de
subverter
entre outras denúncias
o capitalismo
Teoria Crítica,
- cujo método
ordenar
os
fatos
Ademais,
ela
opção
interesse
e
é a exatidão
justamente
nem
tema a ser abordado
porque para os frankfurtianos
ciência
sequer
por
em
tenta
certos
- desconhece
uma
e a
formuladas.
A ciência tornou-se o primeiro
pela
totalizante
direção
justificar
objetos
a própria
o porquê
e não
em outra.
os motivos
de
estudo
de
e
de
sua
não
por
outros.
Na
associada
a
tradição
uma
razão
entendidos, pelo menos
ou
menos
da Escola de Frankfurt,
ou
interesse
instrumental,
na esfera social,
diretamente
contrapõe-se a razão ou o interesse
que
são
como uma agªncia mais
à
repressiva;
é
"a ciªncia
razão
emancipatório,
instrumental
estimulante
da vida, ou desrepressor"3.
Quando
Crítica,
Matos
discorre
evidencia
o ratifica:
"falta
conhecimento
dos
3 BOTTOMORE. Tom
esse
um posicionamento
à ciªncia
móveis
sobre
é uma reflexão
sociais
Dicionário ... p. 59.
que
a
aspecto
da
Teoria
de Horkheimer
que
sobre si mesma,
impulsionam
em
o
certa
104
direção,,4.
Ao
longo
desse
debate
os
frankfurtianos
acrescentaram, ainda, o conceito de pessimismo. Eles não são
acríticos ao iluminismo marxista que, da mesma forma que Kant,
acreditava que as luzes da razão poderiam combater as trevas do
obscurantismo
no conhecimento da natureza, da moral e da
política. Os principais expoentes da Escola começam a pensar
diferente
de Marx
que
via
a
natureza humana inscrita
no
conjunto das relações sociais.
Se
sociedade
de
justa
dominados
fato,
fosse
conforme a
explicam
Adorno
resultante
concepção
de
e
uma
Horkheimer,
de Marx
revolução
deveria, da mesma forma, tornar-se mais justo.
a
dos
o pensamento
Mas tal não
ocorre, como se vê pela luta consciente ou inconsciente das
classes entre si.
E
Horkheimer vai mais além, quando constata que
Marx estava equivocado em algumas afirmações que fizera, tais
como:
•
o fenômeno esperado via revolução não ocorreu
e a situação da classe operária apresentou melhoras sensíveis
4 MATOS. 01gária C. F..A Escokx de Frankfurt: Luzes e Sombras do Iluminismo. São
Paulo: Ed.Moderna. 1993. p.88.
105
desde aquele
tempo;
•
as crises econômicas são politicamente
contor-
náveis;
• o que Marx esperava
porque
a
liberdade
e a
justa é falso,
da sociedade
justiça
tanto
estão
ligadas
quanto
opoat as ".
Em sua crítica, Horkheimer procura explicar por que
existe oposição entre tais afirmações.
justiça existir,
menos liberdade
haverá,
Essa constatação torna-se
Crítica,
Segundo
uma vez que em qualquer
e vice-versa.
importante
tendência
muitas coisas devem ser proibidas aos homens,
a proibição
uma
redução
justiça
de espezinharem
uns aos outros6•
Assim, a margem
de liberdade
diretamente
social.
automaticamente
quando
os
proporcional
Em circunstâncias
produzirá
frankfurtianos
analisam
5
MATOS. Olgária C. F.. A Escola
p. 89.
6
MATOS. Olgária C. F.. A Escola
p. 90.
a
para a Teoria
à eqüidade
social
e entre elas está
dos indivíduos
ao aumento
tais,
sofrimento
ele, quanto mais
do nível
a felicidade
outros.
aspectos
sofre
Por
de
de uns
isso,
sombrios
do
106
7
iluminismo ,
citam como exemplo
que tantos resultados
de
liberdade
indivíduos
e,
por
possível
isso,
Habermas
e sócio-política
essa
advertiu
abordagens
muitos
de
pensamento,
o bem
Adorno,
que
mas
de natureza
e suas preocupações
não
de
ao longo
intelectual.
Embora
dos
certos
de sua extensa
tenha
pensadores
preocupado,
deixado
da
tão complexa
ser
é que
marcante
do pensamento
frankfurtianos
e considerável
de acompanhar
Escola,
sobretudo,
compreensão das transformações
preferência
de
de ordem epistemológica
ideais
Horkheimer, Adorno e Marcuse, Habermas
crítico
deixará
não
à Teoria Crítica.
transparecem
dialético
no entanto
o mal existente.
Habermas conseguiu se desvincular
Adorno,
em termos
e a dor.
linha
para minimizar
Essas
vinculam
com
Francesa,
para
de se obter ou atingir,
como
trabalhar
significou
o sofrimento
é ímpossível
absoluto
será
simultaneamente,
acordo
a Revolução
trouxe à humanidade
positivos
a desgraça,
De
concreto
com
mais
de
por ser um
analítico
sociais da atualidade
por formulações
produção
precisamente
rigor
que
o movimento
notabiliza-se
o
de
na
e por sua
críticas.
7 Cf. Adorno e Horkheimer (Os Pensadores, vol, XLVIII):o Iluminismo era visto em
seu sentido rrrrís abrangente de um pensar que faz progressos. que perseguiu o objetivo de'
livrar os homens do medo e de fazer deles senhores.
107
Não
obstante,
foi
inspirado
em
Marcuse
que
trabalhara o processo de industrialização e o capitalismo na
obra de Max Weber, que Habermas definiu seu projeto próprio8•
Este
trabalho resultou
no
livro:
e
"Técnica
Ciência
como
,Ideologia'".
Referindo-se ao momento presente, Habermas insere
nele a Teoria Crítica, e sua hermenêutica se inscreve numa
certa
legitimidade
teórica
e
histórica
frankfurtiana,
permitindo-lhe atualizar a problemática do contexto.
Habermas
pensador
aberto,
que
tornou-se,
vai
às
também por
ciências
este
e
às
fato,
teorias
um
sem
preconceitos. Esse posicionamento lhe permite diversificar suas
fontes
de inspiração, bem como manter a orientação de sua
teoria sempre atualizada.
Adotando essa linha crítica, o filósofo procurou
superar a base iluminista, esclarecedora, e
seu
interesse
fascínio
pela
voltado para
teoria.
a prática,
conseguiu manter
sem
esconder
seu
Na constituição de sua teoria,
encontramos pensamentos e contribuições importantes que denotam
a proficiência com que o autor vai decantando Kant, Hegel,
8 Este fato aconteceu após Habermas ter estreado na grande "polêmica alemã das
ciências socíoís". AUSSON, Paul-Laurent. A Escola de Frankfurt. Lisboa: Dom Quixote, 1989.
p.22.
108
Marx, Freud, Nietzsche, Piaget, Wittgenstein, Weber, Heidegger,
Popper e outros.
Dessa
forma,
Habermas
impôs-se
como
pensador
receptivo por natureza, porque demonstrou que sabe valorizar
toda
a teoria apta a criar
novos nexos. Seus críticos o
elogiam por esta postura e, dentre eles, Zimmerli registra esse
tipo de comentário:
"( ...)
sua
teorias
estupenda
alheias
capacidade
superada
é
de
por
assimilar
sua
imensa
capacidade de produção própria." 9
Além disso, seu trabalho tem sido marcado pelo
construtivismo. Habermas consegue se movimentar da observação
ao
arranjo,
ramalhete",
"como quem vai colhendo flores e formando um
tal como descreve
o autor, quando fala de si
próprio. Pois, segundo ele, a estratégia de pensamento a ser
adotada
resume-se
em
partir
do
elemento
e
pensar
nas
modalidades possíveis para se chegar a um modelo.
Plataforma da Escola de Frankfurt, a Teoria Crítica
representa também, para
teórica.
Mesmo
assim,
Habermas,
diante
sua base de
dela
tornou-se
sustentação
um
revisor
9 SIEBENEICHLER. Flóvío Beno. Jürgen Habermas - Razão Comunicativa e
Emancipação. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 1989. p. 24.
109
rigoroso,
declarou
destacado,
esta
imediatamente
idéias
inclusive,
identificação
colocou-se
que manteve
É
teórica
dela,
com outro filósofo
através
momento importante
fora
por sua autocrítica.
desse
debate
e
o confronto
de
- Luhmann.
que
Habermas
nas idéias e temas centrais
teóricos de Frankfurt
Escola
a
com
durante
Habermas
marca
que envolvem
um
os
Pois, ao "defender sua
e seus críticos.
teoria da sociedade, ele revela uma afinidade eletiva com a
Teoria
Crítica,
sofisticada
da
enquanto
teoria
Luhmann,
ao
sistêmica,
se
defender
uma versão
aproxima
do
moderno
pensamento posítívistan10•
A
atrati vo,
com
Escola
destaque
teve,
para
certamente,
para
a possibilidade
como alvo uma análise interdisciplinar
ele,
de poder
e crítica
pois na época em que Habermas
passou
para o diagnóstico
de racionalização
do processo
Habermas,
tradicional
desde
- que coloca
questiona
a sociedade
no lugar
a
voltava-se
filosofia
antes
materialista
de Horkheimer e Adorno.
sua aproximação
10
eleger
globalizante.
pelo espírito - através da filosofia
Além disso,
forte
da sociedade,
a integrá-la,
então,
um
ocupado
da história,
de Adorno
FREITAG, Barbara. A Teoria Crítica: Ontem e Hoje. São Paulo:
Brasiliense, 1990. pp. 52 e 167.
110
serviu para encorajá-lo
de
Marx
e
de
a interpretar
Lukács,
racionalização".
nos
Na ocasião,
a teoria da reificação,
moldes
de
uma
sua grande
preocupação
viabilidade de pensar uma teoria da modernidade
vista da realização
patológica
"teoria
da
era a
sob o ponto de
da razão na história.
Com Adorno assimilou, também, o cruzamento que este
fazia com as teorias de Marx e Freud. A Psicanálise
"entra na
Teoria Critica como um instrumento, como uma ferramenta
usa
para
interferem
explicar
na
conceito
o
forma
de
das
neuroses
conduta,
ao
individuais
arrepio
transcendental e comunicativo do conhecimento
que ela
do
que
quadro
e da argumentação
discursiva. A Psicologia Social, por sua vez, fornece elementos
para decifrar os mecanismos ,da consciência
o conportamento para a procura
as frustrações
deformada
de gratificações
diante do modelo
bastante
que substituam
impostas pelo poder da ideologia
Adorno - o defensor do conceito
científico-social
conhecido
por
negativa, que continuou
sua
dominante"ll.
de Teoria Crítica
de Karl Popper - tornou-se
contribuição
sobre
dialética
sendo revisada pela Teoria Crítica12•
11 PIZZI. Iovíno, Ética do Discurso: a Racionalidade
Alegre: EDIPUCRS, 1994. p.31.
12 Segundo Adorno, em
que desvia
suaNegati ve Dialektik:
Ético-Comunicativa.
"a história
Porto
regida pela lógica
da produção e do lucro é tão-romente 'história naiutai, um destino cego". MATOS, 01gária
C. F.. A Escola ... p. 95.
111
Tal expressão negativa dos pioneiros
como a própria afinidade entre algumas
motivou
Habermas
com o propósito
a procurar
de minimizar
certas
idéias deles com as suas
inconsistências
a desilusão
Essa preocupação habermasiana
objetivo
positivo
metáforas
éticas
de seu programa
positivas
de
da Escola bem
teóricas,
de seus mestres.
se revela
teórico
através
e, ainda,
"reconciliação",
do
em suas
"abnegação"
e
"felicidade".
Para
abnegado
Habermas,
o
estado
e feliz se caracteriza
convívio,
ou
seja,
pelo
teórico:
a Teoria
contexto
de um diálogo
pela condição
fundamento
Comunicativa,
o traço
humano
de
reconciliado,
de liberdade
seu
novo
que pressupõe,
de
união
entre
Habermas
constitui-se
como
estudiosos
- na idéia
de uma possível
crítica
encontra-se,
da sociedade
Hegel e desenvolvida
verificam
seus
o
ainda,
a
e da "crítica
por Marx,
análise
e
do homem
o jovem Marx.
interdisciplinar
dialética",
Lukács,
de
críticos
reconciliação
mantém sempre uma relação de independência
a teoria criticada.
sobretudo,
e a Escola
consigo mesmo e com a natureza - tal como pensava
elo
paradigma
sem repressão.
Frankfurt
Nesse
de
procedente
Bloch e Adorno,
de
a qual
e de dependência
com
112
E essa critica concentra-se "no modelo de dominação
da
sociedade
totalidade
resta
avançada
social,
que
submete
o agir
restringindo
outra saída senão aderir
à
individualidade
a
a
tal ponto
que
não
idéia
de
a esta sociedade"13.
3.2. EMANCIPAÇÃO E INTERESSE
A
emancipação,
Apel.
Ambos
consciência
autonomia
do
sujeito
o que é aprofundado
entendem
reforça
a
tanto por Habermas
a emancipação
de si e da ressurreição
como por
"como o desenvolvimento
do passado
da
perdido"14.
E no sentido de melhor entender o homem, em sua
teoria
entre
critica
do esclarecimento,
conhecimento
e interesse,
dessa busca explicar
e
criticar
decisionismo
os
comunicações
dogmatismos:
,
PIZZI. lovíno, Eiica
14 PIZZI. [ovino, Ética
15
tendo
procura
a unidade
motivo
principal
como
sistematicamente
positivismo,
distorcidas
objetivismo,
e outros15•
Desta temática
13
Habermas
surge o confronto
p.27.
p. 27.
SIEBENEICHl.ER, Flávio Seno. Jürgen Habermas ... p. 77.
de Habermas
com
113
Husserl,
sobre a fundamentação do interesse,
embora ambos
compartilhassem o objetivo maior, o de destruir o dogmatismo
objetivista,
conseqüência
de
uma
compreensão
restrita
do
conhecimento e das ciências.
Habermas compreende a teoria, à maneira de Hegel,
como
um
processo
de
aprendizagem
e
de
formação.
O
esclarecimento (Aufklarung) é um reflexo da auto-experiência no
discurso do processo de aprendizagem. A reflexão é vista por
ele como s~ndo uma força esclarecedora, capaz de revelar, no
âmbito de uma crítica da ideologia, o que está oculto.
Através
dela é possível detectar opiniões, preconceitos, distorções e
visões
de
mundo,
bem
como
outros
elementos
de
coação
e
Proceder de outro modo para ele seria: "recusar
a
dominação não entrevistos.
reflexão, isto é positivismo"16.
para
a
continuação
E a filosofia deve contribuir
do progresso
do
gênero humano rumo
à
maioridade e à emancipação17•
Na
teoria
habermasiana,
há
três
interesses
condutores do conhecimento: o interesse em ação instrumental e
p.20.
16 HABERMAS. Jürgen.
17 SIEBENEICHLER.
Ombecimento e Interesse. Rio de Janeiro: Guanabara.
F1ávio Beno.
Jürgen Habermas ... p. 78.
1987.
114
em ação comunicativa,
e o interesse
em reflexão
e auto-reflexão
em emancipação.
o
comunicativa
o interesse
interesse
refere-se
em
ao
ação
reino
instrumental
e
Economia,
é a
da
utilitária do homem com a natureza e sua necessidade
sobre ela, bem como sua eficiência em produzir
em
relação
a
fins.
invariavelmente,
atividade
de um processo
através da linguagem,
individuos
Essa
estabeleça
ação
relação
de dominio
de modo racional
instrumental
social
em
depende,
e comunicativo
relacionamentos
que,
com os demais
no sentido do sucesso.
Dessa forma unem-se dois modos básicos de ação: a
comunicativa, através da linguagem e a instrumental,
trabalho.
Ambos,
trabalho e linguagem,
diferentes interesses de conhecimento,
porém, condicionam
mudam de interesse. Satisfeito o primeiro
sobre como realizar esta reprodução material
estabeleça
18
a organização
SIEBENEICHiER.
social18•
inter-subjetivo
e social.
se vê forçado pela própria natureza, à produção
se
automaticamente
deles, passam para um
ou seja, o do entendimento
técnicas, assim como é forçado à ação
os
porque no momento em que
os homens se unem nesta apropriação da natureza
segundo interesse,
através do
e reprodução de
comunicativa,
Para
F1ávio Beno. Jürgen Habermas ... p. 78.
O homem
para
Habermas
que
esses
115
interesses
hierarquizados
valem
para
qualquer
humana e não somente para o conhecimento
científico.
no campo dos objetivos específicos das ciências
influenciada a priori por interesses
invariantes
pensamento,
na
história
é, segundo
Habermas
do
da
e abstratos,
ideologia
imperativo
ligadas
Além
e
seu
... )
são
não possuem
das
sentido
formas
ao trabalho
se
estrito~
vitais
comum em muitas decisões
Ao
Resultam
à
sócio-culturais
os interesses
que
não podem obstruir
eliminação
sua
da
determinação
facilitar a objetivação e tornar possível
"Certamente,
do
autonomia
do
objetivo,
da esfera científica.
contrário,
a científica;
a crítica
e a linguagem."19
técnico e prático
destinar
significação
ou para
do que, há outro aspecto:
ao conhecimento
nem
em
(
sujeito, tendo por fim único alcançar um conhecimento
inclusive
ele,
reitera
conhecimento
para a filosofia do conhecimento
cognição,
A formação
"quase-transcendentais"
humana.
interesses
invariantes
a
de ação
quando diz:
"Os
conduzem
tipo
a
qualquer
priori
vai
experiência,
Habermas afirma:
a expressão
'interesse'
deve indicar
19HABERMAS•Jürgen Teoríay Praxis: Esiudios de Filosaiia Social. Madrid:Tecnos,
1990. p. 20.
116
a unidade do contexto
cognição:
referem
enunciados
vital
passíveis
a uma realidade
realidade
em dois
experiência.
em que se insere
de
a
verdade
se
que é objeti vada como
contextos
diferentes
de ação-
"20
Há portanto dois campos de ação distintos: primeiro
o das
meio
e
ciências
experimentais,
da utilização
segundo,
investiga
o
que se vincula
do trabalho
das
o mundo
humano
ciências
cultural
à realidade
(técnico-instrumental);
histórico-hermenêuticas,
movimentado
por
pelo interesse
que
da ação
comunicativa.
Considerando
essa
diferenciação,
Habermas
acrescenta outros dois elementos à sua análise,
os conceitos
emancipação
tais
dependem
e
interesse.
fundamentalmente
" ( ... )
Segundo
autor,
da auto-reflexão
uma espécie
emancipação,
o
de
conceitos
que a seu ver é:
percepção
compreensão imperativa
sensível
consciência,
mais
homem
uma
vive
dependência
precisamente
existência
20 HABERMAS. Jürgen. Teoria y
21
dogmática
HABERMAS. Jürgen. Teoriay
um
para
erro.
aprisionada.
p. 20.
p. 228.
e
e libertação
da dependência dogmática numa mesma experiência.
Essa
de
,,21
ele é uma falsa
Em
função
E
disso,
vivendo
o
nessa
117
dispersão,
inevitavelmente,
dependência
do
fica
sujeito
face
"coisificação do sujeito".
o
homem
não
espontaneidade
chega
estabelecida
aos
Levando
a
ter
refletida.
uma incapacidade
objetos,
uma existência
consciência
Esse estado,
de dogmatismo, enfim, "não é menos
uma espécie
de
a
de
chamada
pouco livre
sua
própria
que Habermas
denomina
uma imperfeição
moral do que
teórica".22
E diante dessa circunstância,
o "esclarecimento"
passa a ser:
"um conhecimento
que
chega
a
conhecimento,
o
.
SLmU
entendido
coincidir,
com o fim em si mesmo
por
com o interesse
ato-de-executar
força
do
próprio
emancipatório;
da
reflexão
pois
sabe-se,
ltaneamen t e, como mov~men
.
t o d a emanc~paçao.
.
-
Quando
Habermas
define
a
auto-reflexão
como
"23
a
interiorização de um "discurso
terapêutico,,24i
de certa maneira
remete
a Marx,
de
opinião
ele provocou
muitas
pessoas
um
tema
sociedade
pela
humana,
ao
mudança
abordar
e também, porque
22 HABERMAS.
Jürgen. Teoría y
p. 229.
23 HABERMAS.
Jürgen. Teoría y
p. 219.
24 HABERMAS.
Jürgen. Teoriay
p. 37.
que
importante
o maior
como
significado
o
em
da
de sua
118
obra
desta para a epistemologia25•
está nas implicações
e os marxistas tendem a ver a liberdade
em termos de eliminação
dos obstáculos à emancipação, pelo renovado
possibilidades
humanas
digna da condição
demasiado otimista
hegeliano
desenvolvimento
de uma forma de associação
o marxismo
tenha
sido
e não temer apelar,
e nem mesmo
criticado
a um irracionalismo
26
ele postula
Habermas,
pois
no
histórica,
em normas
si tua
os
nível
de uma legislação
pontos
frankfurtianos,
dialética, da ciência
indivíduo
maneira
razão
racional
de discordância
podem
conforme
Matos,
expõe
e da fascinação
entre
razão
e
à universalidade.
pela
do
da
a mesma visão de
da
marxista
Eles não viam harmonia possível entre vontade
particular,
espontâneo
ser
prática,
passíveis
de
por uma' vontade humana livre.
Tais
que
a crítica
por
para a racionalidade
violência , quanto à emancipação,
serem seguidas
das
humana.
Embora
tipo
e a criação
Marx
qual
esta
felicidade,
A oposição
pensa
a
justificar
suspeitam
da
pela violência.
geral e interesse
nem
sacrificam
à ciência
história,
por
o
funda-se
porque
de
na
forma
25 Epistemologia é essencialmente
o estudo crítico dos princípios. das hipóteses
e dos resultados das diversas ciências. destinado a determinar a sua origem lógica (não
psioológica). o seu valor e a sua importância objetiva: introdução da Teoria do Conhecimento.
26 MATOS. Olgária C. F. A
Escola ... p. 56.
119
idêntica ao positivismo,
a vê como um encadeamento
de eventos
progressistas.
Todavia,
que
há
o
deformada
a leitura de
progresso
desvia
e
as
Adorno não deixa esquecer
vitimas
dele,
comportamento
o
para
gratificações que substituam frustrações
ideologia
dominante.
Ao contrário
frankfurtianos sacrificam
cuja
a
nem Kant nem os
a um universal,
Apesar de romper com o cientificismo
para decifrar
economia
politica
do
tanto na "demolição"
Estado
moderno,
como
emancipação do sujeit028• Idêntico entendimento
à psicanálise
de Freud,
porque
em ambos
na
filosófico
marxista,
elas não representam
mas, sim, as instâncias principais
ambas a auto-referência
essencial
conceitual
da
exigência
de
os casos
há fortes
De um ponto de
duas teorias
distintas
da Teoria Crítica29,
é demonstrável.
27
MATOS. Olgária C. F. A Escola ... p. 55.
28
PIZZI. Jovino. Ética ... p. 31.
29
GEUSS. Raymond Teoria ... p. 8.
ele
houve em relação
similaridades na estrutura epistêmica essencial.
vista
seja ele
teórico da critica à sociedade,
a história,
de
de classes27•
nação, pátria, Estado ou sociedade
se torna referencial
procura
impostas pelo poder da
de Hegel,
o individuo
consciência
pois em
120
Este contexto teórico, ao qual Habermas vincula
obra, descortina
Nessa
uma sociedade
sociedade
indivíduo,
o
reabili tados
todos
amor
os
e
contra
a
em crise, passiva
elementos
família
o totalitarismo
e sem reação.
dissonantes,
devem
ser
típico
sua
como
o
reivindicados,
de
uma
sociedade
unidimensional 30.
Nessa
competente,
isso,
consciente
ele deve
sociedade
ordem
onde
social
indivíduo
autônomo,
de seus fins, tende à extinção
ser recuperado
o ser
o
humano
antes
que desapareça.
é atomizado,
isolado
Em uma
e não
consciência
de si, a ética é meramente
formal,
calculista,
como na chamada
administrada.
sociedade
e, por
tem
instrumental
e
Habermas retoma neste enfoque o tema que foi objeto
de
uma
aquele
das mais
referente
tradicional
Husserl,
do
e no
avançando
conhecimento
significativas
à
investigações
separação
sentido
da
entre
crítica.
os
interesses
Habermas, Husserl critica o positivismo
uma idéia de conhecimento
que preserva
pura
vital.
teoria
30
teoria
Para
na tomada .de consciência
com
com a prática
do
Horkheimer,
no
tal,
sentido
recorre
a
do entretecimento
mundo
e mantém
vi tal.
Para
em sua crítica
a conexão platônica
Ao contrário,
MATOS. Olgária C. F. A Escola ... p. 55.
de
da
ele vê a base
121
para essa ligação da seguinte
forma:
é o conteúdo
"Não
formação
de
próprios
teóricos
informativo
um hábito
o
reflexivo
que
a
das teorias, mas
e ilustrado
finalmente
nos
produz
uma
críticas
das
cultura cientlfica."31
As
demais
humana,
teorias
teses
que distinguem
apresentam
através
do
propostas
esclarecimento
as teorias
que procuram
desta
capacitação
cultura científica, e inclusive, da estipulação
interesses
guiar a ação
para
a
dos verdadeiros
dos agentes que as defendem.
De acordo com Habermas,
temos:
é aquele do bem-estar
"O interesse por excelência
que
combinamos
com
a
idéia
da
existência
de
um
objeto ou uma ação. ,,32
Em Habermas, esta consciência se forma a partir
tradição
grega
aprisionamento
enredam
o
instável
e contingente.
p.130.
homem
do
nas
conexões
de
da
alma)
interesses
dos
de
afetos
uma
(na
que
práxis
É por isso que para o autor:
31 HABERMAS, Jürgen.
Técnica e Ciência como ·Ideologia". I1sboa: Setenta, 1968.
32 HABERMAS, Jürgen.
Conhecimento ... p. 219-20.
122
"Ganha também
um sentido novo a atitude da teoria
pura que promete
emoções:
a purificação
justamente
a contemplação
então, ostensivamente,
desinteressada
emancipação.
de tais
significa
,,33
Segundo Habermas, 'uma desvinculação do conhecimento
em
relação
ao
interesse
não
influências da subjetividade,
sujeito a uma purificação
Ele
subjetividade
vê
o
viria
livrar
ao contrário,
a
teoria
das
deveria submeter o
das suas paixões.
sujeito
exatamente
como
a
inter-
que o precede e da forma que segue:
"( ...)
primeiramente
fundamentações
subjetividade
de
um
admitindo
do homem
especificar
comunicação
como
potencial
verdade.
a
consiste
ou
A
na possibilidade
fundamentos
intersubjetiva,
para
na
racionais
ser
acomodar a tais fundamentos próprios
capaz
de
se
de cada um. ,,34
Em conseqüência, sugere novo estado da emancipação,
porque a individuação de cada um sofreu um avanço
de comunicação
da pólis),
a identidade
constitui através da identificação
33 HABERMAS,Jürgen. Técnica e Oênda
(desde o nexo
do "eu isolado"
com leis abstratas
só se
de ordem
... p. 135.
34 HABERMAS, Jürgen. A Crise de Legitimação no Capitalismo Tardio. Rio de
Janeiro: Tempo Brasileiro, 1980. p. 163.
123
global.
Além disso, em se tratando de uma ciência social
crítica, Habermas propõe um esforço no sentido de "examinar
quando enunciados teóricos apreendem legalidades
ação
social
em
dependência,
suscetiveis
geral
quando
e
ideologicamente
de mUdanças"35.
"Assim
é
a
invariantes
da
relações
de
apreendem
fixas
mas,
em
principio,
E complementa, explicando que:
critica
das
ideologias,
pois,
disso, a psicanálise espera que a informação
nexos
causais desencadeie
está implicado
o
autor
um processo
na consciência
sobre
de quem
de reflexão.,,36
vê a psicanálise como sendo
exenplo disponivel de uma ciência que reivindica
o exerci cio auto-reflexivo"
além
"o único
metodicamente
e por isso, de grande importância
para a filosofia37•
Desse modo, Habermas sugere que pode haver uma
modificação da consciência irrefletida, porque a auto-reflexão
se
determina
com
base
em
um
interesse
conhecimento.
35
HABERMAS. [ürqen, Técnica e Ciência
p. 139.
36
HABERMAS. Jürgen. Técnica e Ciência
p. 140.
37
HABERMAS. Jürgen. Conhecimento ... p. 233.
emancipat6rio
do
124
Em seu projeto,
então,
ele se propõe
de que forma uma teoria crítica reflexiva
poderá
esse
de
tipo
de
emancipação.
conhecimento
Apresenta
produtor
com destaque
a investigar
dar aos homens
esclarecimento
um questionamento
até que ponto a "ideologia" possibilitará
e
sobre
a concretização
desse
propósito.
Para auxiliar no esclarecimento
também
analisa
as diferentes
maneiras
dessa questão,
em que
ele
é empregado
o
"ideologian38•
termo
A sua reflexão
a fenomenologia
favor
de
rompe com a atitude
uma
conhecimento
atitude
do
objetivismo,
como ocorreu
reconciliar
a atitude
quais
"verdadeiros",
com o próprio
interesses
de
ou
uma
reais,
teórica
distinções
rigorosa
evitando,
apresenta
significado
além do ponto em que
contemplativa
contemplativa
interesse,
Habermas
mostrar
fica centrada
"objetivos"
o
teorização
entre
e
liberta
cair
no
sobre
o
Husser139•
na
a prática.
existem
em
sobretudo,
sempre
com
e
ingênua,
tentativa
de
Ele
procura
interesses
reais,
interesses
"puramente
38 Ver Ideologia nos sentidos: descritivo. pejorativo. positivo. "Ideologiekritik".
GEUSS. Raymond Teoria ... Capo 1.
39
HABERMAS.Jürgen. Técnica e Qência ... p. 135.
125
aparentes",
"puramente
fenomenais"
ou "percebidos"
importância do entendimento desses conceitos
de uma realidade
seus integrantes
todos
eles
não é possível
compartilhem
comunguem
dos
se houvesse
supor que todos
da mesma ideologia,
mesmos
interesses,
necessidades, desejos e preferências.
ocorrer,
para a compreensão
social.
Em uma sociedade,
os
e qual é a
nem que
anseios,
Essa situação só poderia
a manifestação
explícita
do grupo
e,
mesmo assim, nada assegura que não possa haver ilusão, quanto
a esses interesses.
A "autoconsciência"
específico
de agir ou seja,
é definida
"uma
mesma e se faz, concomitantemente,
ação
como sendo um modo
que retroage
translúcida
execuç ã o - um ato que se torna transparente
E tanto ela, como a "auto-reflexão"
dinâmica
social.
A auto-reflexão,
apresenta
três tipos de enunciados:
sobre
si
nesse ato de sua
·
na pr 6pr~a
- ,,40 .
açao
encontram-se
na base dessa
de acordo
com Habermas,
1. A auto-reflexão "dissolve"
a objetividade
auto-
gerada e a ilusão objetiva;
40 HABERMAS. Jürgen. Conhecimento
... p. 55.
..
"\
126
2. A auto-reflexão
própria
gênese
torna o sujeito
cônscio de sua
ou origem;
3. A auto-reflexão
os determinantes
opera
à consciência
ao trazer
da ação ou da consciência.41
inconscientes
~
\,1 "\.~
Essa dinâmica, por sua vez, integra o comportamento
em
grupo
que
em regra
geral
é contraditório,
conflitante
e
confuso.
No grupo, através do comportamento
agentes,
é
seja, a um
possível
conjunto
chegar a suas preferências
de princípios
epistêmicos
o que nem sempre ocorre ou é assumido
acontece
porque
satisfação
os envolvidos
de seus desejos,
Considerando
alguns
agentes
necessidades,
organismo
sociais
quanto
individual
racionalidade
manifesto
ao
ou
esse aspecto,
não
desses agentes,
E
isso
e
na
e anseios42•
sociedades
estar
funcionamento
social,
ou
ter ou não interesse
necessidades
podem
e desejos,
individualmente.
podem
dos
inteiras
cientes
de
satisfatório
isso
se
ou
suas
de
um
reflete
na
vigente.
Por outro lado, os agentes
41
GEUSS. Raymond. Teoria
p. 100-101.
42
GEUSS. Raymond. Teoria
p. 76.
humanos
possuem
certas
'.
127
convicções
e também
como possuem meios
a partir
de
podem
vir a adquirí-Ias,
de avaliar
de seus princípios
compartilhá-las
com
e criticar
forma
estas convicções.
epistêmicos,
outros
da mesma
E,
eles terão condições
membros,
assim
como
opiniões sobre condições boas ou ruins para desenvolver
terão
desejos
e interesses.
Objetivamente
conhecimento
útil
básicas
aderem
que
ao
Habermas
próprio
a
define
sujeito,
certas
"interesse"
qual:
condições
como um
"orientações
fundamentais
da
reprodução e da autoconstituição possíveis da espécie humana:
trabalho e interaçãon43•
O
conceito
de
interesse,
bastante amplo e diversificado.
desejos
do
e provêm
desejo".
novos
desejos.
existe
pelo
Uma
um fator
sujeito,
do
uma
a considerar,
que
realmente
o interesse
progressão
de
que é o próprio
é
"interesse".
requisito elementar para a formação da consciência
necessidades,
interesses
43
bem
como
essencial
com a satisfação
torna-se
surgem de
entre a razão e a "faculdade
reconhecido,
Forma-se
entanto,
Porque os interesses
de uma mediação
vez
no
para
demandar
eventos,
onde
entendimento
Esse
é
um
das próprias
a compatibilização
dessas necessidades.
HABERMAS. Iürgen.
Conhecimento ... p.217.
pode
de
128
Uma visão clara e adequada sobre necessidades e
interesses
reais
é
diretamente
conhecimento dos agentes humanos.
depender
do
autoconhecimento,
proporcional
ao
grau
de
Esse referencial teórico vai
do
conhecimento
empírico
fornecido pelas ciências e das circunstâncias em que estes se
encontram.
Em função de tais elementos surgirá uma variedade
de
desejos,
sistema
de
necessidades e interesses que irão refletir o
valores
do
grupo.
Entretanto,
sob
condições
adversas pode resultar a formação de necessidades e desejos
patológicos44•
o
debate em torno das "condições ótimas" tenta
inverter esta instituição, dizendo que os interesses reais dos
agentes
são os
que eles
formam
em condições consideradas
ótimas, cabendo, entretanto, explicar como se caracteriza a
"condição ótima"
se
para a formação de interesses reais.
Torna-
bem mais difícil especificar quais são estas condições
ótimas,
porém
°
autor
refere-se
aos agentes, afirmando
°
seguinte:
"São pouco propensos
'corretamente'
44 GEUSS.
a formar
em condições
Raymond.Teoria ... p.83.
seus
interesses"
de extrema privação!
129
física,
em
maltratados
ou
Os
grande
ao
humano,
eticamente,
os
que
pluralidade,
de
mas
fatores
sejam
oprimidos,
condições
em
ambas
variáveis
de
brutal
contexto
no sentido
à
e
reais"
as
em
que
formas
forma
um
combinações
positivo.
anseios
ele
há
à de
a tarefa é semelhante
de interesses,
interesses
certamente,
desaprovaríamos
nós
próprios
reais
Seria
e convicções
inicial
ou "verdadeiros"
"não
dada
de
podem
ser
de qualquer
interesses
que,
com vigor,,47. Podemos aceitar,
reais não necessariamente
adotaríamos,
porque
porém eles devem ser moralmente
Este seu posicionamento
45
coagidos,
n interesses
de um grupo
Habermas, que os interesses
ser
em
que
46.
Os
grupo
de
um conjunto
apropriado
consciência
sentidos
No primeiro momento,
a ideologia
como elaborar
ou
em
ou falsa convicção.n45
distintos,
envolvimento
resolver
mais
dois
parecem
diferenciadas.
ou indevidamente
influenciados,
ignorância
apresenta
circunstâncias
precisam
admitimos
46
Cf. nota 11. GEUSS. Raymond. Teoria ... p. 84.
47
GEUSS. Raymond. Teoria ... p. 86-87.
a
aceitáveis.
enfatiza a importância
GEUSS. Raymond. Teoria ... p. 84.
diz
das
130
condições
eleger
ótimas,
seus
"interesses
sejam moralmente
o
interesses
reais,
seus interesses
reais",
no
humano
visando
porque
Dessa
em
sentido
procura
verdadeiros,
sobre sua situação
maneira
análises
de
bem
esclarecer
libertando-os
a
como
grupo através
das experiências
Habermas
alternativas
"agir comunicativo".
de
que
dos resultados
eles
do indivíduo,
enganos
sobre
os agentes
sobre
e trabalham.
adquirir
necessária
obtidos
ao
em nível de
de viver,
de racionalidade
pelo grau de liberdade
permite
conquistadas
no cotidiano
dos
de interesses,
conciliá-los
da oposição
e
vislumbrar
a partir
ético-comunicativa
início na especificação
a despeito
pode
por ele vivenciadas.
A racionalidade
emancipação
gênero
permite
habilidade
imaginação que lhe confere. O novo paradigma
espécie
para
de erros e ilusões
propõe mudar o conceito
nova postura
do
desfazer
a Ideologiekritik
da discussão
maneiras
necessita
assegurar
no mundo em que interagem
encaminhamento
requendo
o ser
aceitáveis.
indivíduo
conhecimentos,
que
Ideologiekritik
A
auxiliar
daquelas
indivíduos
de um
vê uma
que
tem
e, além disso, permite
existente
entre egoísmo e
131
altruísmo, na questão do agir mora148•
3.3. A RACIONALIDADE COMUNICATIVA
Para Habermas, a função da Filosofia é pensar a
razão. Em sua argumentação, a Filosofia deve estar apoiada em
uma práxis que reabilite a razão.
"( ••• ) o
sobre
Pois, segundo ele:
pensar filosófico se origina na reflexão
razão
a
corporificada
no
conhecimento,
linguagem e ação; e a razão permanece
seu tema
básico. "49
Habermas
compartilha
do
objetivo
filosófico
tradicional de reunir várias escolas do pensamento em um único
sistema e acompanha a filosofia moderna na sua rejeição do
conhecimento
absoluto
do
todo, porém
dá
total
atenção: ao
impasse subjetivista da filosofia crítica kantiana.
A
linha
comunicação ainda
de
seus
permanece
primeiros
em
estudos
seu pensamento,
sdbre
porqu~
o
objetivo de defender a razão prática contra a sumarização
,
48 HABERMAS, Jfugen
p, 99-100.
1, p. 1.
49HABERMAS, Jürgen.
Pas:ado como Futuro. Rio de [oneiro:
Tempo Brasileiro,
1993.
\.,
Teoríadela Acción Comunicativa. Madrid: Taurus, 1987, v.
132
positivista
é comum.
Tanto que a principal fonte de inspiração
pesquisas,
idéia
a partir
do final
de que a teoria
comunicação.
A
reconstrução
seu
critica
ver,
filosófica
o
encontra
então,
o trabalho
existiram
maiores
mais
Após
abrangência
respondia
teoria,
Suas criticas
tais
do filósofo
criticas,
de seus temas
às
completo
explicações,
no pensamento
criticas
sido
que
falta
a
na
é
uma
que apóie essa explicaçã05o•
foi o de Thomas McCarthy.
dispensariam
tem
sua justificativa
complemento
A Teoria Critica de Habermas
e desde
de 1960,
da década
das suas
foi publicada
que surgiu
sobre
ela
às idéias de Habermas
não fossem
as mudanças
que
nesta última década.
o
filósofo
e argumentos.
provocadas
em 1978
com
Esta
ampliou
atitude
a publicação
mas sobretudo visava suprir aqueles aspectos
a
não só
da
nova
até então
negligenciados.
Na
verificar
revisão
do
programa
de
Habermas
pode-se
que:
\.
"( ...
)
crí tica
a crítica
holística
da ideologia
da reificação
\
é suplantada pela,
social,
i
mudança
~\
tilj
50 INGRAM. David. Habermas e a Dialética da Razão. Brasília: Edunb, 1993. p. 38.
133
que está relacionada
sua teoria crítica
na
filosofia
proposição
já
clara
feita
mundo
da
é
resultado
O
da
filosofia
e da estrutura
de Habermas
de sociedade,
global
e com as deficiências
original
consciência.
mais
comunicação
modelo
da
com a reavaliação
dupla
vivo-sistema,
a
da
do
que ela
implica. ,,51
3 .3 . 1. A GUINADA LINGüíSTICA
JUrgen
racionalidade
Habermas
bastante
conhecimento
e da
revela
complexa,
ação
como
pois
meios
concepção
rejeita
adequados
razão, e faz isso não só por motivos
acredita
uma
de
a análise
de
metodológicos,
que ela resulta em uma visão unilateral
do
refletir
a
mas porque
da razão.
Ele concebe como "objeto" tudo aquilo que pode ser
representado
como existente
e entende
como "sujeito"
capacidades de se relacionar com tais elementos
atitude objetivante,
e
praticamente.
e
possuir
Desse
modo,
relação sujeito-objeto.
na noção central
e para
de
da filosofia
se caracteriza
si próprio
51
do que
·há uma
O resultado
no mundo
primazia
do
dessa condição
sujeito
a subjetividade,
é a autoconsciência
conhecimento
INGRAM. D. Habermas ... p. 12.
na
encontra,s,e
epistêmica.
muito mais pelo conhecimento
pelo
em uma
dos objetos teórica
da consciência,
isso o fator decisivo
O sujeito
o controle
todas as
da realidade.
que tem
Essa
134
razão subjetiva
sujeito
pode
representação
regulamenta
duas relações
estabelecer,
com
fundamentais
possíveis
que um
objetos:
a
e a ação.
Para Habermas,
conhecimento
a razão instrumental
e na ação, tornando importante
nexo causal que os vincula, da interconexão
No âmbito
autoconhecimento
da filosofia
a avaliação
acesso
só
às
é
da linguagem,
acessível
realidades
inevitaveLmente
desse
entre ambos.
é motivo de muitas críticas,
"( ... )ele
se revela no
a ênfase no
porque:
intuitivamente,
da
e o
consciência
é
intuitivo.n52
A filosofia da linguagem renunciou ao acesso direto
aos fenômenos
intuitivo,
da consciência
a reflexão
e substituiu
ou a introspecção
o autoconhecimento
por procedimentos
que
não apelam para a intuição. Ela partiu da análise de expressões
lingüísticas para reconstruir racionalmente
base
no fato de que as sentenças
o conhecimento,
utilizadas
com
para construir
o
pensamento têm sua forma determinada segundo razões sintáticas.
Através de expressões
gramaticais
torna-se possível
inferir as
regras
que
inconscientemente
e, assim,
de linguagem
usamos
reduzir a subjetividade. E esta seria uma razão intersubjetiva,
52 ARAGÃO,Lucia Mcnia de Carvalho. Razão Comunícctivcr e Teoria Social Crítica
em Jürgen Habermas. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 1992.p. 26.
135
porque
envolve
pelo menos
dois
sujeitos,
tendo
como objetivo
único o entendimento.
Admitindo
adoção
da linguagem
porque
através
racionalidade
lingüística",
vê
a
heterogêneas
mudança
"filosofia
da
de paradigma
ele a denomina
razão
e mundo,
entre
os
referir-se
sem levar
sujeitos,
relação
para
estruturas
de
não
da
"filosofia
lingüística"S3.
considera
linguagem.
A
que se estabelece
quais
da razão de
uma
formal de frases)
em conta
os
de
a
a filosofia,
da análise
de "guinada
Habermas
através
condição limita-se,à
para
postula
à razão instrumental.
suficiente (a de uma análise
da
Habermas
possibilidade
consciência"
Entretanto,
questão
argumentação,
como um novo paradigma
dela
Esta
uma
essa
tal
posição
para elucidar
seu
ver,
esta
entre linguagem
as relações
que se estabelecem
se
da
utilizam
a
linguagem
para
ao mundo.
3.3 .2. A GUINADA TEÓRICO-COMUNICATIVA
Ao filósofo interessa ir além da questão
da linguagem.
Ele busca
o uso de sentenças
53 ARAGÃO, Lucia M. C .. Razão ... p. 25.
semântica
com uma intenção,
136
comunicativa, por
isso,
vai
sugerir uma outra
guinada,
a
"guinada teórico-comunicativa".
Nesta tese em que o modo original da linguagem é ~
o uso comunicativo, Habermas vale-se da teoria de Austin sobre
os
atos
da
identificar
fala.
ações
A
distinção
entre
comunicativas
e
estes
ações
atos
permite
teleológicas
dirigidas para um fim. É possível identificar dessa forma a
real intenção do falante, bem como suas pretensões de validade
em relação aos mundos subjetivo, objetivo e social.
Existe uma nítida distinção entre tais atos: além
dos
atos
expressa
pelos
locucionários,
um
estado-de-coisas,
quais
há
os
o
falante
atos
diz
algo,
ilocucionários,
através dos quais ele realiza uma ação enquanto diz algo, e os
atos perlocucionários,
pelos quais o falante, ao falar, causa
um efeito sobre o ouvinte ou seja, produz algo no mundo.
A conclusão de Habermas é a de que os sujeitos
falantes podem, simultaneamente, relacionar-se com mais de um
dos mundos referidos e baseiam sua comunicação nestes mundos
comumente
partilhados.
pretensão.
Ao mundo
A
cada
objetivo
um
deles
corresponde
corresponde a pretensão
uma
de
verdade; ao mundo social a pretensão de correção; e ao mundo
subjetivo, a pretensão de veracidade ou sinceridade. Quanto a_o
137
este aspecto,
Habermas
"As
explica:
pretensões
de
validade
correspondentes
de
verdade, correção e sinceridade podem servir como
linhas orientadoras na
teóricas para
escolha das perspectivas
distinguir
os modos
básicos
da
linguagem e classificar os atos-de-fala que variam
com as linguagens individuais."54
No
fundamentada
filósofo
seguindo
sentido
na
de
estratégia
admite
que
os
as normatizações
recompor
da
a
unidade
contradição
sujeitos
tanto
cotidianas
devem
ser
precisamente,
desenvolvidas
podem
da
da
linguagem,
Tal
como
filosofia
algo
situação,
objetivo
mais
dos atos ilocucionários.
da
consciência,
pois
portanto,
reúne
solidários para um consenso, não como uma exigência
mas
para a
são coordenadas
A racionalidade ético-comunicativa,
além
o
comportar-se
como podem passar
através
razão,
performati va,
argumentação discursiva. As ações comunicativas
e
da
lingUistica
não
de mundo,
e intersubjetivamente
caracteriza
o
abandono
mas de um tipo perverso
pela sociedade moderna,
transformadora
do
sujeitos
gramatical,
constituido.
conhecimento
de saber,
da ciência
vai
imposto
e da técnica
,
54 HABERMAS. Jürgen.
Teoría de la ... p.278.
,
138
em instrumentos
Seguidor
Habermas
dirige
do homem e da natureza55•
de dominação
da
linha
sua crítica
mas também às divisões
frankfurtiana,
não apenas
e contradições
à questão metodológica
existentes
Na crítica da razão instrumental,
"Ideologiekritik"
da
estamos
mais
em condições
ampla
convicções,
noção
pode
de
racionalidade",
como
sua
Segundo
ele, há nessa concepção
56
A
crítica
juizos
de
desprovidas
desta
mais
que
Esse pensamento,
Legitimação
para
Tardio
afirmou que essa falta de justificação
55
PIZZI, [ovino. ÉUca ... p. 33.
56
GEUSS. Raymond. Teoria ... p. 49.
uma
do que se
atua
orientar
reputação
no entanto,
no Capitalismo
positivista
extensa
expondo
como por
opções
em
(1968) e A Crise
(1973),
provoca
e
racional.
já transparecia
seus livros Técnica e Ciência como "Ideologia"
de
para
de cognitivas,
servem
de qualquer
se
aplicação
ideologia
mascaradas
valor
mesmo
normativas.
de "racionalidade",
não-cognitivas
preferências
bem
até
o que é a "noção
e preferências
admitir •
exemplo,
efetivamente
na sociedade.
da atual prática
questiona
atitudes
implícita
convicções
positivista,
de dizer
entretanto,
nos
quais
ele
a despolitização
139
das massas
fato
e a elitização
ocorre
através
de tecnocratas.
da
imposição
oriundas da ideologia tecnocrática
também
são desprovidas
Trata-se
sociedade
Para o autor,
autoritária
de
esse
regras,
e da razão instrumental,
que
de justificação.
de
contemporânea,
um
modelo
de
que promove
saber
imposto
a dominação
pela
através
da
ciência e da tecnologia.
Habermas procura reabilitar
crítica
da
sociedade,
tecnológico"
instituído
um
consenso
princípios
entre
válidos
o
os
a
fim
de
a razão por meio dessa
substituir
por uma racionalidade
sujeitos
este
"ethos
que possibilite
comunicativos
com
base
em
para todos57•
consenso
entre os sujeitos
é um dos fundamentos
da Ética do Discurso. Ele surge em função da "razão regenerada"
e
pressupõe
sujeitos
uma racionalidade
assumem
vai do acordo
um processo
intersubjetivo
ético-comunicativa
de comunicação
ao contexto
na qual os
lingüístico,
histórico
que
do espaço
social.
Essa proposta
57
tem seu lado original
PIZZI, Jovino. Ética ... p. 33.
no resgate
da
140
relação
não
sujeito-sujeito,
nega
negada
pela
razão
instrumental.
"coloca
a racionalidade
cientificista,
condição
básica
do saber
uma fundamentação que transcende
projeção
feita
unicamente
individuo
em
à
auto-realização
consenso representa, nessa concepção,
proposições
e
originários
de
entre
normas
um
que
modelo
emergem
de
de
acordos
argumentação
real com a comunidade
a razão,
a Filosofia
Filosofia
e o faz,
Assim,
lingüísticos
que
interliga
de razão comunicativa,
ele
propõe
a proposta
que
de mediação
Empírico-analíticas
para
minimizar
sujeitas
dos sujeitos
diagnosticar
bem como formular
não-comunicativos.
emancipação
58
sociais
a
e entre a
Humanas.
reprimidos da atualidade,
sistemas
do
ideal de comunicação.
indicando
e as Ciências
e as Ciências
instituições
à
a base das
Habermas procura apoiar a solução em uma práxis
reabilite
como
si"58.
o
comunidade
com vistas
porém,
Ela
ao
Proposta
elementos
uma nova definição
os efeitos
avanço
que
e das coletividades.
PIZZI. [ovino. Ética ... p. 34.
os
da crise das
colonizador
traz
a
idéia
dos
de
141
3.3.3. O NOVO CONCEITO
o
no
sentido
termo racionalidade
DE RACIONALIDADE
é empregado, freqüentemente,
de indicar a tendência a procurar argumentos e
justificativas.
"Por
E Habermas assim o define:
,racionalidade'
entendemos
sobretudo
a
disposição dos sujeitos capazes de linguagem e
ação
para
adquirir
utilizar
e
conhecimento
falivel. Enquanto as categorias da filosofia da
consciência
obrigam
a
entender
o
saber
exclusivamente como saber acerca de algo no mundo
objetivo, a racionalidade tem sua medida em como
se orienta o sujeito isolado pelos conteúdos de
suas representações e enunciados. ( ... ) A razão
comunicativa
encontra
seus
cânones
em
procedimentos argumentativos de desempenho ou
resolução diretos ou indiretos das pretensões de
verdade
proposicional,
justeza
normativa,
veracidade subjetiva e concordância ou adequação
estéticas."59
Assumindo
tentativa
Habermas
de
superar
transforma o
uma
postura
criticamente
sujeito moral
interdisciplinar
a
tradição
e
na
filosófica,
em sujeito da
práxis
comunicativa. E a tradição, segundo ele, deve ser vista sob a
59 HABERMAS. Jürgen. E1 Discurso Filosófico de la Modemidad.
1989. p. 373.
Madrid: Tourus,
142
inspiração
hermenêutica,
de
modo
a
"vivas
manter
intenções com potencial
para superar
certos conceitos
próprios de dogmatismos
como o positivismo,
aquelas
teóricos
o universalismo,
o
e até mesmo o mar.x.ismo"60 •
empirismo
A
Filosofia
seria
uma
espécie
de
hermenêutico que - pela competência
que ele próprio
de
de qualquer
recuperar
interesse
a comunicação
em
resgatar,
interdisciplinariedade
universalidade
livre
através
da
das ciências,
dos vários elementos
intérprete
lhe atribui
coação
- teria
cooperação
a pretensão
do mundos
e
da
de unidade
objetivo,
e
social
e estético.
o
da
plausibilidade
teóricos
da
sujeitos
de verdade
critério
e
da
experiência
com capacidade
Em
Positivismo,
sua
o
coerência
que
crítica
possível
possibilita
de pensar
saber
também muda,
o
passa a ser o
dos
consenso
no
sentido
da
e
relativo
incompleto
ou seja, que não mais pode ser orientado
60
são a exatidão,
a certeza
PIZZI, [ovino. Ética '" p. 35-36.
entre
e de agir.
superação
transformado em absoluto, um saber que vai à origem
critérios
fragmentos
deve
ser
das coisas,
por pressupostos
e a utilidade.
do
cujos
143
Nessa
tentativa
conhecimento positivista,
elementos
de
Habermas
de apoio e formula
reverter
A
prático.
reflexivo
e
razão
a
importantes
transcendental
compreende
reflexão
a
razão
é uma investigação
E
da possibilidade da experiência.
se de
comprovar
às
experiência.
objetos
daquelas
comportam
seguinte
em
condições
de
o
que
Já para Habermas
possibilidade
operações
através
de
prévias
de um sujeito
a Iternati vaso
A
dos
chama
a
trata-
possível
são
objetos
da
dos conceitos
reconstrução
explicação
juízo
Kant
da experiência
uma
o
para as condições
E isso tem início na análise
geral
o teórico e
prática,
voltada
priori
idênticas
do
questões.
dois momentos,
crítica.
se as condições
teoria
busca em Kant, Hegel e Marx
Em Kant, ele distingue
o
a
de
não-empírica
cognoscente
de Habermas
que não
aparece
na
forma:
"O
que
está
transcendental
derivação
idéia
não
a partir
base
é,
da
pois,
fundamentação
idéia
a
de princípios,
intuitivamente
de
determinadas
executadas
desde
de
mas antes
de que podemos nos certificar
insubstituível
regras.
na
uma
a
do caráter
operações
sempre
segundo
"61
61 HABERMAS. Jürgen. Consciéncia Moral e Agir Comunicativo. Rio de Janeiro:
Tempo Brasileiro. 1989. p. 17-18.
144
Kant separa, do conhecimento teórico, as faculdades
da
razão
prática
e
do
poder
de
julgar
assentando-as
fundamentos próprios. Tal decisão eleva a filosofia
de
guardiã
ou
jurídica
perante a cultura em seu todo, e Haberrnas não concorda
com essa
A Filosofia, segundo Habermas,
cooperação
com
as
demais
multidisciplinariedade,
unidade
nega
ciências,
requisito
deve atuar através
procurando
de uma reflexão
da
manter
a
que pretende
e universalidade.
Hegel
apenas
intérprete
da condição
a urna instância
condição.
do lugar
em
delineada
torna
no conceito
o pressuposto
sujeito
explícita
teoria
kantiano,
transcendental
cognoscente,
a
modernidade,
e vai mais
no caso
justificando
da
da
além.
Ele
construção
do
que este não pode ser visto
corno urnaunidade fora do movimento
da história.
Hegel acredita,
pois, que é necessário
a experiência
da consciência
em
Mas,
suas
sucessivas
para
sujeito
acompanhar
etapas,
até
Hegel
também
Habermas,
comunicativo,
identidade
absoluta,
crítica
ciência
da
porque,
ele
do conhecimento
legitimar
o caráter
fechando-se
de
Como
possível,
universal
o nível
da
não desenvolveu
deixou
empírica.
categoria
atingir
no
incluir
ele
não
a idéia
conceito
a
de
de
compreensão
admitiu
de certa forma,
do processo
crítica.
esta
deixou
de
epistemológico.
Da análise que fez do pensamento
marxista
Habermas
145
concluiu
que,
identifica
para
Marx,
o
sujeito
nem com o proposto
do
conhecimento
por Kant,
trabalha,
um
historicamente.
mecanicista
ser
de
capacidades
Tal enfoque,
para
Então, o conceito
como sendo alguém
que
Habermas,
entre forças produtivas
se
desenvolve
apresenta
e condições
de sujeito
se
nem com o de Hegel.
Ele é visto por Marx sob uma ótica material
que
não
um nexo
de produção.
que Habermas
formula
é o que segue:
como a intersubjetividade
"( ... ) exatamente
precede,
primeiramente
fundamentações
subjetividade
de
do homem
acomodar
consiste
intersubjetiva,
racionais
ao
se refutarem
o sujeito
de maneira
é alguém
a pressões
e ameaças
Assim, a razão, enquanto
prática,
62
não
pode
receber
o
os
reflexão
HABERMAS, Jürgen. A Crise ... p. 163.
de
um
de
com
comunicativas,
de qualquer
estigma
capaz
livre e plena,
possibilidade de integrar-se na rede de relações
sem se submeter
na
de cada um. ,,62
Em tal perspectiva,
participar da vida em comunidade
ver a
ou de ser capaz de se
fundamentos,
próprios
para
na possibilidade
fundamentos
a tais
fundamentos
um potencial
a verdade. A seu
admitindo
especificar
comunicação
como
que o
natureza.
pura e atividade
dogmatismo
que
146
determine previamente as intenções dos sujeitos. E é mediante
a auto-reflexão que esta autonomia do sujeito acontece, porque
ele
se compreende como centro da própria consciência e da
realidade que o envolve63. E essa constatação representa uma
concepção do processo de emancipação do homem, bem como da
formação de
uma identidade racional.
camuni.cativa
livre de
coações.
Na teoria habermasiana, a ação comunicativa é a
conexão
de
estratégias
cognitivas
gerais
com
interesses
cogni tivos que têm sua base na história natural da espécie
humana.
McCarthy64 se refere a este ponto, assim:
"Se partimos de que a espécie humana se mantém a
si
mesma
através
das
coordenadas
de
seus
coordenação
há
de
comunicação
e
em
atividades
membros,
socialmente
e
que
estabelecer-se
certas
esferas
essa
mediante
da
vida,
mediante uma comunicação endereçada a um consenso
- então a reprodução da espécie requer também o
cumprimen to
das condições de
uma racionalidade
imanente à ação comunicativa".
Habermas
começa
sua
teoria
com
uma
análise
63
PIZZI, [ovino, Ética ... p. 43.
64
McCARTHY. Thomas. La Teoría Crítica de Jürgen Habermas. Madrid: Tecnos.
1992. p. 448.
147
conceitual
da racionalidade
e de suas relações
com a ação e a
à divisão
linguagem. A teoria encontra-se vinculada
neokantiana
das reivindicações de validade, domínios,referenciais
de valor,
tipos
o que fundamenta
de ação social
normativa
a distinção
comunicativa,
dramatúrgica65•
e
weberianos para explicar
O
que ele faz entre os
teleológica,
autor
vale-se
essas categorias,
novo
conceito
de
Habermas é inerente aos procedimento
um processo
chegar
a um
cada caso,
coisas,
o
comunicativo
entendimento
a três
conduzem
protótipos
as quais
expressam
mundo social
aparecem
racionalidade
juntas.
proposto
por
pelos quais os sujeitos de
sua argumentação,
(Verstandigung).
contextos
estratégica,
de
certas características da ação que normalmente
O
e esferas
distintos:
visando a
Ele "refere-se,
em
mundo objetivo
das
das normas e o' mundo subjetivo
das
o
65 Hoberrrrrsdefinea ação teleológica como aquela realizada por uma só pessoa
em busca de um certo objetivo:ela poderá se transformar em ação estratégica quando as
decisões e o comportamento de pelo menos uma outra pessoa são incluídos no cálculo
correspondente de meios e fins. Uma ação teleológica será mais ou menos racional na
rmelidaem que o agente calcular o meio mais eficiente para alcançar o fimdesejado. Ação
normativa é caracterizada como a ação social em que a intenção primária é atender
necessidades recíprocas mediante o ajuste da conduta a normas e valores compartilhados
(esta categoria permite neutralizar a busca de metas pessoais pelos deveres sociais ou
padrões de gosto). A ação dramatúrgica tem por objetivoprincipal a auto-apresentação.
ou seja. a projeção de uma imagem pública. Faz referência à livre expressão seletiva da
personalidade. é implicitamente estratégica e busca obter determinada resposta de certa
audiência. A mais importante na apresentação de Habermas é. no entanto. a ação
cormmicativa que se dá quando duas ou mais pessoas procuram expressamente chegar a
um acordo voluntário (Verstandigung) de modo a poder cooperar. Ela envolve um esforço
explícitode alcançar acordo sobre todo o espectro das reivindicações de validade. É sempre
UIlXl espécie de possibilidadede entendimento imanente. INGRAM.David.Habermas ... p.5253.
148
e emoções".66
vivências
Dessa
processual
de
maneira
razão,
fica
através
estabelecido
do
qual
um
serão
racionais
proposições que forem validadas
pela argumentação
consenso,
e/ou violência,
livre de deformações
conceito
as
que levou ao
tanto de ordem
interna, como externa (situação ideal de fala ), resultantes
da
falsa consciência.
Um acordo alcançado comunicativamente
racional, pois se baseia
que
se
espera
obter
em convicções
um
conceito
esclarecimento das propriedades
alcançar
dos
entendimento,
valores
diferenciadas,
distorcida
quanto possa
novo
nas
ética
que
ser buscado
"pelo
de
argumentação
embora
tão
ser"67.
conceito
de
razão,
portanto,
a harmonia
entre a unidade
do mundo vivido.
simultaneamente,
a
procura
Funda uma
auto-reflexão,
66 ROUANET. Sergio P. As Razões do Iluminismo. São Paulo: Companhia
Letras. 1987. p. 13-14.
67
para
nas esferas
da vida cotidiana,
e a diversidade
reúne,
racionalidade,
formas
estabelecer como critério de verdade
e a universalidade
E é desse modo
formais da ação orientada
como na prática
Esse
de
que tanto pode
culturais,
comuns.
tem uma base
ARAGÃO. LuciaM. c.. Razão ... p.43.
o
das
149
conhecimento
e
o
interesse.
E
essa
nova
ética
não
será
estabelecida em bases dogmáticas perversas, mas em argumento
cognitivo
e instrumental, em procedimento lingüístico e na
argumentação
discursiva.
Tal
intersubjetividade e privilegia
ênfase
a
visa,
sobretudo,
a
emancipação do homem e sua
liberdade social face às patologias da modernidade.
Cabe aos sujeitos da ação comunicativa:
" (... )
a
aptos
capacidades
morais
falar
e
cognitivas,
para
agir,
utilizarem
lingüísticas
reconstruir
e
as
sócio-
racionalmente
a
intersubjetividade consensual.
E essas capacidades
são utilizadas como instrumento
do desenvolvimento
das realizações
históricas.,,68
3.3.4. SISTEMA E MUNDO DA VIDA
A
teoria da ação comunicativa, enquanto teoria
social, procura explicar a relação entre a teoria da ação e a
teoria da sociedade. Na visão de Habermas, a teoria da evolução
social
identifica-se
com
a
aplicação
de
sua
teoria
racionalidade. Isto se torna evidente, "quando se percebe
seu
conceito
68
nuclear
é o
conceito
PIZZI, [ovino. Ética ... p. 49.
de
'mundo-da-vida',
da
que
cuja
150
lógica
determinada
é
comunicativa".
pela
lógica
ciências
sociais,
própria
lógica
sujeitos
capazes
comuns.
Sua idéia é:
Habermas
social.
possam
assume
uma
um
comunicati vos,
identidade
ele
pensador
sentido
fundamentais,
de
seu
da Escola de Frankfurt.
e com
assume
essa
PIZZI, [ovino.
Ética ... p.56.
os
qual
os
da sociedade
sujeitos
a
do eu e do outro
"70
e mesmo
a
alguns
partir
da
que promove
conceitos
intrumental,
com Weber,
e o neomarxismo
69 ARAGÃO. LuciaM. G.. Razão ... p. 73.
70
na
posição,
de sociedade
O confronto
Escola, bem como a aproximação
reunindo
uma vez que, os referenciais
pensamento
o marxismo
a
simultaneamente
e a tião=Ldetitz idede
para a crítica
sobre
comum aos
preservando
definição de seu próprio projeto,
metodológicos
vai
e a teoria
'.dad e ~n
ín t ersu b"]et~va.
numa comun~
o
reflexão
estrutura,
de mundo vivido
dar
a
no contexto
e ação em torno de expectativas
elaborar
conceitos
dialética
Dialogicamente,
de linguagem
" ( ... )
outros,
racionalizaç~o
69
Ao introduzir uma exigência
das
da
Dürkheim,
dos
provêm
entre
pioneiros
de ciências
da
como a
151
Psicologia
e
a
Sociologia, também
passam
a
ser
fatores
marcantes na elaboração da teoria do agir comunicativo.
Habermas
procura
racionalidade,
visando
universalidade
do
a
revisar
uma
contexto
práxis
o
capaz
constituído
conceito
de
de
captar
a
aubje.tvamente
e
í,
fundamentado na contradição performativa. Pois, segundo ele,
Adorno
e
Horkheimer,
quando
elaboraram
a
"Dialética
do
Iluminismo", pretendiam apenas aprofundar o debate sobre a
razão instrumental, sem contudo apontarem uma saída para a
crise.
Habermas trata de superar o paradigma da produção e
reformula o conceito de mundo vivido, apresentado por Husserl.
Na
teoria
social, ele estrutura a relação entre práxis e
racionalidade, investigando "os pressupostos
da práxis comunicativa cotidiana, elevando
do agir orientado
para
a compreensão
de racionalidade
o conteúdo normativo
mútua
à conceptualidade
.
.
1"71 .
comun~cac~ona
Com esse propósito, Habermas trata de articular
a perspectiva
de mundo da vida com a perspectiva
de sistema,
para formar um conceito de sociedade em dois níveis.
De acordo com o autor, é indispensável articular
estas categorias conceituais no contexto das interações sociais
71 PIZZI, Iovíno. Ética ... p. 57.
152
e diante dos processos
realiza
de socialização
nos quais se cria e se
a 'ação.
Para
Habermas,
dois
os
termos
porque ambos representam reinos absolutamente
o
sistema
é gerado
vinculado
no
distintas,
porém,
instituições
sentido
os
normativo.
vivo
As
de uma certa forma,
sistema.
objetos
política,
do mundo
diferenciam,
distintos,
porém,
e permanece
a ele
funções
de
se sobrepõem
ambos
são
dentro das
da sociedade.
o
com
dentro
se
de
mediante
diversas atividades, de acordo
"integra
adaptação
a
à
sobrevivência
regulagem
das
econômica
conseqüências
e
não-
pretendidas da ação estratégica por mecanismos de mercado ou
burocráticos que limitam o escopo das decisões voluntárias".72
o
espontâneas
vínculos
onde afloram
estruturais:
representa
compreensão
é o espaço
as certezas
que não são postos
elementos
Ele
mundo-da-vida
pré-reflexivas,
em dúvidas.
cultura,
o horizonte,
das relações
Este mundo
sociedade
a partir
do
sociais
daqueles
tem como
e personalidade
qual
é possível
73.
a
de algo.
72 INGRAM. David Habermas ... p. 153.
73 ROUANET. Sergio P. "Ética iluminista e ética discursiva".
Brasileiro. Rio de Janeiro. n. 98. jul-set.. 1989. p. 23.
In: Revista Tempo
153
Inicialmente,
"intuição"
puramente
o conceito
filosófica
e
de mundo-da-vida
que
agora
utilizado em análises no âmbito das Ciências
um princípio
evolução
a partir
social,
modernidade,
do qual
que
fornecer
Sociais.
um
mundo-da-vida
operacionalidade,
em que permite
seria
ou seja, no momento
em
ser
Tornou-se
uma teoria da
da
Esta utilização
intuitivo.
"verdadeiro"
a
diagnóstico
ou de uma teoria da modernidade.
representa um teste indireto do conceito
de
passa
se pode construir
permitirá
era uma
O conceito
função
de
em que funciona,
sua
isto é,
aplicações.
Como a ação comunicativa depende, fundamentalmente,
de contextos
mundo
da
situacionais,
vida,
comunicativa,
os conceitos
saída,
admita
quando
para
assegurando
básicos
conceito
complementa
uma conexão
da teoria
fragmentos
o
entre a teoria
de
do
ação
da ação e
da sociedade.
A Ética do Discurso traz, em sua fundamentação,
uma
o dilema
que
relações
introduz
A
sujeito
esse
os quais representam
da definição
intersubjetivas
entre
a intersubjetividade
comunicação
solitário
não
dirigida
tematização das situações
a
reais,
de uma relação
é
um
social
"sujeitos-sujeitos",
comunicativa.
apenas
objeto.
uma
experiência
Ela
em que os sujeitos
resulta
capazes
do
da
de
154
linguagem e de ação se dispõem a um entendimento
atingir
um consenso
pretensões
sem coação
a respeito
da legitimidade
da consciência
comunicativo leva o sujeito a se articular
se
encontra
intersubjetiva
o
outro.
Os
numa
relação
E
é
nesse
ponto
num mundo no qual o
interpessoal.
faz com que o sujeito
suj ei tos
fornece os recursos
comunicativa
que
Essa
ficam
situados
para o consenso
vai
reconstruir
em
um
contexto
entre sujeitos
de falantes,
assumem
perspecti vas
dos
da
falantes
da
que
articulados
destinatários
encontram-se
sistema de perspectivas
O
mundo
comum
alternadamente
presentes, cada um com sua própria perspectiva.
compreendido
do mundo
a
e lingUisticamente.
comunicacionais
complexo
interação
fale e atue voltado para
Habermas
Quando agem, os sujeitos
papéis
das
para a do agir
separação entre a teoria do sistema e a perspectiva
vida.
para
de validez.
Passar da filosofia
ego
possível,
agir
como
vida
no
qual
o
e pessoas
Os sistemas
entrelaçados
com
de
um
do mundo74•
comunicativo,
um processo
os
entretanto,
circular
ator
pode
- o pano-de-fundo
desempenha
dois
ser
do
papéis
74 Ver "perspectívns de mundo" de maneira aprofundada e bastante completa.
HABERMAS.Jürgen. Consciência ... p. 166-167.
155
fundamentais:
situações
é
ao mesmo
o iniciador,
tempo
por meio de ações imputáveis,
das tradições nas quais se encontra,
quais
pertence
e dos processos
que
solidários
de socialização
as
é o produto
e também,
dos grupos
domina
aos
nos quais
se
cria 75.
Assim,
o mundo
da vida forma
processos de entendimento mútuo e também,
o contexto
fornece
para os
recursos
para
isso.
Habermas
estrutura
"sistema"
e
"sociedade"
sendo dois conceitos do próprio mundo da vida.
mundo
vivido,
comunicativos
o papel
de ser a referência
se movimentam
e dentro
Ele atribui,
ao
na qual os agentes
da qual
estrutura social numa relação que resguarda
como
estabelecem
uma
os mundos objetivo,
social e subjetivo.
o
focaliza
de
os conceitos
colocações
mantendo
Marx.
pensamento
critico-hermenêutico
de sistema
teóricas
Ele analisa,
principios
amplo
na sociedade
religiosos
e
Durkheim,
a retomada
ocidental,
metafisicos
secularizado de vida social de caráter
75
Habermas
e de mundo da vida, a partir
de Weber,
em um plano mais
de
HABERMAS. Jürgen. Consciência ... p. 166.
Mead
e Parsons,
de Kant,
Hegel e
a substituição
por
puramente
um
de
processo
instrumental.
156
Quando
rei tera
que
a
escreve
sobre
substituição
do
comunicativo cria um mecanismo
verdade proposicional,
e coerência
que
sujeitos
Habermas
instrumental
pelo
agir
de ação que reúne exigências
veracidade
de
subjetiva
estética.
no entanto,
cria
agir
justeza normativa,
A progressiva
vida,
modernidade 76,
separação
resulta
patologias
na colonização
sociais
competentes.
entre
E
e mundo
do mundo
que impedem
isso
sistema
da vida, o
a comunicação
acontece
em
da
entre
decorrência
do
aumento da complexidade do sistema em geral e da racionalização
instrumental
do mundo
determinados
"poder"
fins,
e do
coordenam
tecnificando-se
"dinheiro",
a própria
Os
O agir é reduzido
vivido.
os quais
as
à ação para
relações
substituem
através
a linguagem
desses
valores
são massificados
através dos meios de comunicação de massa que eliminam
A
comunicativos
tradição
intuitivo
76
desumanizando
tematização
é feita
cultural,
e
ação.
significados
responsabilidade,
do
o próprio
dos sujeitos
agir.
lingüística
fora do mundo da vida,
nem os conteúdos
dos
HABERMAS. Jürgen. El discurso ... p. 291-294.
fenômenos
não considera
da comunicação
que falem e agem.
qualquer
a
do saber
157
Para Habermas, esse processo de coisificação das
relações sociais não necessariamente se origina na esfera do
mundo
do
trabalho.
Ele
fala
da
"burocratização
como
monetarização" tanto na esfera pública como na privada.
A Ética do Discurso pretende restabelecer a unidade
entre
as
culturas,
racionalidade
transposição
entre
teórica
para
um
e
o
a
mundo
agir
e
o
pensar,
racionalidade
vivido
sem
entre
prática.
imposições,
É
a
a
sem
racionalidade instrumental e sem outros mecanismos perversos do
sistema de produção capitalista, que nega ao ser humano sua
dignidade.
Capítulo IV
ÉTICA COMO DIMENSÃO ESSENCIAL
"As utopias são suscetíveis de esquematizações
irrealistas;as condiçõespara uma livre sociedade não
o são. Trata-se de uma questão de razão. "
Herbert Marcuse
160
4.1. PRESSUPOSTOS DA ÉTICA DO DISCURSO
Para
McCarthy
principal
habermasiana - há diversos
paralelismos
Em certo sentido, a Ética do Discurso
reconstrução
da ética
kantiana,
mesmo nível do "princípio
Entretanto,
reformulação
(consciência
do imperativo
entre Habermas
teoria
e Kant.
pode ser considerada
pois
ambas
diferença
parecem
fundamental
categórico
monológicas,
solitária
da
uma
estar
no
supremo da moralidade".
a
além das pressuposições
crítico
para
a
kantiano.
propondo
"comunidade
aparece
na
Habermas
a mudança
dos
vai
de uma
sujeitos. em
diálogo".
A moral,
da vida,
para
na Lebenswelt.
Habermas,
O mundo
sendo o lugar das relações
pré-reflexivas,
cultura,
a
estruturais
sociedade
desse
e
mundo.
a
da vida,
sociais
dos vínculos
tem suas raízes no mundo
é sintetizada
definiu,
espontâneas,
que não são postos
personalidade
É através
deles
reproduzem os conteúdos do agir cotidiano.
componentes
ele
por Rouanet1,
como
das certezas
em dúvida.
são
os
que
se formam
A
componentes
Uma definição
e se
desses
na forma que segue:
ROUANET. Sergio Paulo. "Ética Iluminista e Ética Discursiva". In: Revista Tempo
Brasileiro. Rio de Janeiro. n. 98 : 23/78. jul-set., 1989. p.23-24.
I
161
nA
cultura é o estoque de saber da comunidade, que
contém os conteúdos semânticos da tradição, onde
os
indivíduos
se
abastecem
dos
modelos
de
interpretação necessários ao convívio social. A
sociedade,
.tr:i.ato
SeJ2BU, é
composta
dos
ordenamentos legitimos pelos quais os membros da
comunidade
regulam
personalidade
suas
solidariedades.
A
é um conjunto de competências que
qualificam um indivíduo para participar da vida
social."
É
fundo"
para
nesse espaço, que Habermas denomina "pano de
o
entendimento
lingüístico
entre
sujeitos
comunicativos, que as relações sociais acontecem, assumindo,
caracteristicamente, a forma da ação camunicativa.
Essa
experiência
resulta
no
"processo
de
entendimento que acaba 'sedimentando' a ação e a socialização
dos sujeitos no contexto social e no tempo históricon2•
A ação comunicativa, em sua dinâmica, é um processo
interativo, lingüisticamente mediatizado, através do qual os
indivíduos coordenam seus projetos de ação e organizam suas
ligações
reciprocas.
Durante
o
processo,
a
ação
permeia,
2 PIZZI. [ovino. toca do Diszure»: a Racionalidade
Ético-Comunicatíva. Porto Alegre:
EDIPUCRS. 1994. p. 107.
162
3
performativamente
e assistentes
comunicação
possui
lingüística
uma dupla estrutura.
estabelecer,
pessoas,
de sujeitos
falantes,
ouvintes
não-participantes.
A
porque
perspectivas
,
entre
coisas
dois
ou mais
e processos
intersubjetividade
em
pode
ser
coordenada,
Essa condição
lhe permite
atores,
e, também,
cujo
contexto
comunicações
estabelecer
se
desdobram
sobre
o tipo de
as
coisas
ditas.
A
conteúdo
linguagem
descritivo
aplicação
contém
e prescritivo,
extralingüística
compreensão
atores.
lingüísticos
dessas
e de certo modo
Em
sua
sentenças
performativa
e
a
da
no capítulo
em enunciado.
só é possível porque na estrutura
outra
que
modulam
teoria
dos
a
dos
atos
anterior.
ou ato da fala
Essa transformação
do ato lingüístico
parte
de
o comportamento
é no ato lingüístico
que a sentença se transforma
é
as condições
sentenças,
trata-se
referida
Efetivamente,
como
condicionam
essência
de Austin,
bem
com um determinado
proposicional.
performativa, mesmo que esteja de forma implícita,
uma parte
E
a
encontra-se
3PerlOrrn::mVO: é uma expressão devida a Austín e cujo uso tende a generalizar-se.
São perforrnativos, por oposição aos enunciados declarativos, "constotctívos', aqueles que
exprimem um:I ordem. um desejo, um dever, uma indignação, um lamento, e de modo geral
as formas não puramente cognitivas da atividade mental.
163
presente em qualquer
tipo de comunicação
Existe a possibilidade
simultâneo
da linguagem
transitividade
lingüística.
de um mesmo ator fazer uso
e da ação, condição
pragmática
do enunciado.
A fala torna-se
mesmo tempo ação, graças ao ato lingüístico,
a
relação
lingüística,
de
fato,
que caracteriza
se
a
ao
e é desse modo que
transforma
em
ação
comunicativa.
Na
teoria
apenas se caracteriza
orações e expressões
a ser
do agir comunicativo,
por ser um instrumento
gramaticais,
um mecü:am para
a linguagem
não
para entender as
mas também porque ela passa
o entendimento
entre
os sujeitos
que
pensam e agem comunicativamente.
o
entendimento
não é algo produzido
casualmente,
t
nem é um ato de um indivíduo que se interpreta
totalidade.
Por isso, Habermas considera
a si mesmo como
dois modos distintos
de uso da linguagem: )dizer algo ou simplesmente
pensar em algo
e, dizer algo e ser compreendido naquilo que disse.
Para
ele,
este último é o que realmente importa. Afirma, pois, que:
" ...sÓ o segundo modo de uso lingUistico
ser compreendido)
está interna
(falar e
ou conceitualmente
164
ligado
às condições
A comunicação
e realidade.
de comunicação.
"4
vai além da relação entre linguagem
O conhecimento
da realidade
e o conhecimento
linguagem dependem de uma cadeia de razões.
conhecimentos estarem interligados,
da
O fato de ambos os
sem permitir
um isolamento
nitido de um ou de outro, confirma a idéia básica que Habermas
toma
como
ponto
entendimento,
de partida,
para
a compreensão
quando diz:
" ... compreender
que
uma expressão
modo podemos
chegarmos
algo. ,,5
a
nos
significa
servir
um entendimento
dela,
comunicativo,
o qual pretende
É
a
fim
de
sobre
do ideal ético-
avançar para além da esfera da
e alcançar o dominio dos costumes,
da diversidade.
saber de
com alguém
E esse entendimento é o fundamento
natureza
do que é
o equivalente
discursivo
ou seja, a esfera
do cosmopolitismo
das Luzes.
4 HABERMAS. Jürgen. Consciência Moral e Agir Comunicativo.
Tempo Brasileiro. 1989. p. 40.
Rio de Janeiro:
SHABERMAS.JürgenPens::nnento pó~Metafísico. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.
1990. p. 82.
165
4.2. COMUNIDADE COMUNICATIVA: CONSENSO E
DISCURSO
A discussão
e
prática
sobre
consideravelmente
"Filosofia
a
passa
em torno da teoria
conhecimento
a concepção
primeira".
conferir
comunicativa
de Habermas
daqueles
Ela
interesse
e
de filosofia
abandona
Ética
básica
para
do Discurso.
relação
aquele
papel
à
de
de
juiz
e
autoridade
epistêmica
que cooperam
e falam uns com os outros.
a teoria
social
Ela se ocupa,
de um proferimento
comunidade
passa a ser uma
projetada
a partir
da
ao mesmo tempo, da tríplice
que serve como:
expressão
"a.
modifica
em seu sentido
Nesse sentido é que a hermenêutica
condição
e da
da
intenção de
um
falante;
b.
expressão para o estabelecimento de uma relação
interpessoal entre falante e ouvinte; c. expressão
sobre algo no mundo. ,,6
Uma
hermenêutica,
linguagem.
universo
6
quarta
a
Esta
lingüística
é
uma
de proferimentos
é
relação
ou
relação
considerada,
aquela
entre
possíveis
que
um
na mesma
HABERMAS. Jürgen. Consciência ... p. 40-41.
ainda,
é
pela
interna
proferimento
lingua.
e
à
o
Para ela
166
a linguagem
linguagem
é considerada
é empregada
chegar à compreensão
o
comunicativa
cada
um
pelos participantes,
reconhecimento
dos
como esta
com o objetivo
de
conjunta de algo ou a uma visão única.
centra-se
reciprocidade
"em ação", pela maneira
intersubjetivo
na participaçao
sujeitos
pode
e
deve
na
comunidade
do sujeito, pois nela,
esperar
do
outro
uma
interativa.
No ato da fala, quando de sua transformação em agir
comunicativo, ou seja, durante a operação no nível da interação
intersubjetiva,
é que a força ilocucionária
irá agir sobre as condições de entendimento
significado
dos proferimentos
De
verbos
performativos
representativos)
vínculo
acordo
com
e aceitabilidade
do
em linguagem e ação.
esta
(sejam
interpretação,
constatativos,
passa a ser estratégico,
comunicativo
dos atos da fala
e definem
o papel
dos
regulativos
ou
porque eles geram o
a sua natureza7•
A principal
característica desses verbos é que eles envolvem pretensões
de
val.idade.
1 A natureza
do vínculo comunicativo varia conforme o verbo performativo. Tais
verbos podem ser: a) consiaiaiivos, os que exprimem o conteúdo das proposições relativas
aos fatos - afirmar. descrever. narrar. explicar; b) regulativos. os que explicitam por meio de
normas o sentido da relação entre os interlocutores - comandar. ordenar. proibir; c)
representativos. aqueles pelos quais um interlocutor se auto-representa diante do outro.
m:mifestando suas intenções e vivências subjetivas - negar. admitir e confessar. ROUANET.
Sergio Paulo. Ética ... p. 25.
167
Habermas chama de "guinada filosófica", a esse
"corte analítico dos verbos performativos" ,
que ele procura
fazer para tornar possível a fundamentação de proposições que
pretendam ser verdadeiras e justas.
Em
uma comunicação normal,
três pretensões de
validade se entrelaçam: verdade, justiça e veracidade.
conseqüentemente,
o
processo
comunicativo
sempre
E,
estará
vinculado aos três "mundos" correspondentes: objetivo, social
e subjetivo.
Na dinâmica que envolve os interlocutores na ação
comunicativa, a coordenação se dará - graças à dupla estrutura
da linguagem - porque:
da expectativa
" ...através
cada
interlocutor
pretensões
argumentos.
de
de que se necessário
poderá
validade
por
justificar
meio
essas
de provas
e
"8
Dependendo da pretensão de validade, o contexto
interativo espontâneo dá lugar ao contexto argumentativo.
outras
palavras,
o sujeito abandona o mundo
Em
da vida para
adentrar na esfera do discurso9•
8
ROUANET. Sergio Paulo. Ética ... p. 25.
9 Habermas
introduz 'Dískurs' corno um termo técnico para referir-se a uma das
íorrms de corrrunicação (Kommunikation)que consiste especificamente na comunicação. fala
168
Os discursos
as
pretensões
de
podem ser teóricos,
validade
se problematizam
correspondentes
proposições, e serão práticos,
à
se corresponderem
o consenso
das
à justiça das
normas. Em ambos os casos será através do processo
discursiva que se alcançará
verdade
de discussão
sobre a validade de uma
crença.
Tanto no caso teórico como no prático,
impõem-se
princípios mediadores que permitam transitar do particular
o geral. Habermas
"O
os chama de princípios-ponte,
principio
mediador é a
para
pois:
indução, no caso do
discurso teórico, e a universalização, no caso do
discurso prático. Os fatos singulares que no marco
de
um sistema teórico geralmente aceito não são
suficientes
servem
para
para
justificar
esta passagem
validar hipóteses
não
cientificas. Do
mesmo modo, interesses não universalizáveis não
podem servir de base para
normas. "10
a
justificação
Habermas transfere as determinações
contexto
cultura,
ético mais
da
abrangente,
sociedade
e
da
que se insere
personalidade.
das
morais para um
nos planos
Para
ele
da
as
ou discursodestinado a fundamentar as pretensões de validade das opiniões e normas em
que se baseia implicitamente a outra forma de comunicação. fala ou discurso. o chamado
·agir cornunícctívo"ou "interação.·
10
ROUANET.Sergio Paulo. Ética ... p. 26.
169
representações
regras
morais
morais
coletivas
do sistema
fazem
normativo
parte
da
tradição,
e a consciência
moral
as
da
personalidade.
Todos eles são aspectos de uma mesma moral,
que por
sua vez, e" un1 versa I'1S t a 11 .
4.3. JUSTIFICAÇÃO E VALIDAÇÃO DA NORMA
Na
questão
tem por fundamento
da universalidade,
a Ética
discursiva
que:
" ...ínteresses
não
uníversalízáveís
não
podem
servír de base para a justífícação das nor.mas.n12
Como a Ética do Discurso considera
a
uma
fundamentação
formal,
ela
racionalmente
parte
viável
pragmático-lingtiistica13,
do
validáveis
pressuposto
que
e que proposições
suscetiveis de serem falsas ou verdadeiras
e
as
II
12
ROUANET. Sergio Paulo. Ética
p. 26.
13
ROUANET. Sergio Paulo. Ética
p. 35.
.
são
são tão
como as proposições
HABERMAS, Jürgen. Teoria de la Acción Comunicativa.
Madrid:
Taurus, 1988. p.132.
lógico-
normas
normativas
descritivas. É neste ponto que a ttica do Discurso
razónfuncionalista)
não
recorrer
se distingue
Tomo 11(Crítica de la
170
de outras éticas, tal como a teoria de justiça de Rawls, por
esta ser normativa e se estender ao domínio dos conteúdos.
Assim, os fatos servem para fundamentar normas, mas
a validade dessas não provém dos fatos, porém dos argumentos
sobre
esses
fatos,
tal
como
ocorre
com
as
proposições
descritivas.
Entretanto, só um consenso fundado servirá para
validação das I normas, ou seja, se ele tiver como requisito a
organização da argumentação discursiva segundo uma regra de
procedimento
correta.
O
domínio
do
moralmente
válido
é
demarcado pela Ética do Discurso, quando ela destaca a esfera
da validez deõntica das normas de ação, em face ao círculo dos
conteúdos de valor cultural.
Não
se trata
somente
da
universalização
como
critério a ser adotado e, sim, de saber se o critério é ele
próprio universal.
Para
tanto,
Habermas
supõe
um
princípio
de
validação em sua ética, que denomina "o princípio U" - uma
versão atualizada do imperativo categórico kantiano - e seu
enunciado é o seguinte:
"Toda norma válida tem que preencher
a condição
de
171
que
as
conseqüências
previsivelmente
resultem
uni versal
a
para
r
todo indivíduo
efeitos
e
de
satisfação
colaterais
sua
dos
que
observância
interesses
possam ser aceitas
de
sem coação por
todos os concernidos."14
o
princípio
U expressa
condições
serve como critério de universalização
Na comunidade
se dá a priorir
regra
só acontecerá
se o discurso
de argumentação
expressa
não
mas após a apreciação
das
validade
do
necessariamente,
princípio
pelo princípio
U,
de pressupostos
os quais a argumentação
uma
vez
dos
discursiva
pressupostos
forma de argumentação,
Na
U.
HABERMAS.
essa
Por isso,
implicitamente,
que
ele
deriva,
sem
é inviável.
portanto,
necessários
o princípio
de toda
U
e qualquer
teórica e prática.
demonstração
dessa
tese,
a
comunicativo recorre ao conceito de "contradição
14
segundo
pragmático-lingüísticos,
Para a Ética do Dlscurso,
é derivado
No entanto,
for conduzido
admitir a necessidade do discurso já é admitir,
a
e
porém, a validação
normas, quando estas forem objeto de um consenso.
isso
ideais
para o discurso prático.
do discurso,
através do princípio,
morais
Jürgen.
Consdência ... p.147.
teoria
do
agir
performativa",
172
desenvolvido
por
performativa
constatati va
por
contradição
a situação
em que um ato lingüístico
de natureza
se baseia
em pressupostos
seja, é quando
Karl-Otto
o conteúdo
Apel.
Entendendo
não
proposicional
contingentes,
contradiz
ou
a afirmação
feita.
Além do princípio da universalização,
ético
exprime-se,
discursiva Kant.
ainda,
no "princípio
herdado das éticas iluministas,
Ele serve para garantir,
U seja
D",
distinto
dos conteúdos
Habermas
apresenta
tal conteúdo
ou da validação
principalmente
de
a posteriori, que o princípio
da argumentação15•
o princípio
D,
na
forma
que
segue:
"Toda norma válida encontraria o assentimento de
todos os concernidos se eles pudessem participar
.
"16
de um D·~scurso pra't ~co.
Na
dinâmica
da
Ética
do
princípios permitem o exame da validade
hipoteticamente.
Eles
dão
ensejo
suficientemente precisa das estruturas
Discurso,
das normas
à
separação
cognitivas
ambos
os
consideradas
de
maneira
dos conteúdos
AmOOsos príncípíos possibilitam à Ética do Discurso privilegiar características
de juízos morais válidos que possam servir de pontos de referência normativos da via de
desenvolvimento da capacidade de juízo moral. Características estas concernentes aos
estudos de Kohlberg sobre estádios do juízo moral.
15
16
HABERMAS.Jürgen. Consciência ... p. 148.
173
dos juízos morais.
Uma
vez fundado o consenso sobre a validade
norma - dentro do discurso prático
de
aplicação
desta
dessa
maneira
norma
o vínculo
- pode ter início
de uma
o processo
considerada
válida,
restabelecendo
anteriormente
rompido
com o mundo
da
vida.
4.4. A RAOONALIDADE COMUNICATIVA
Encontramos,
Modern idade,
uma
racionalidade.
Habermas
"Por
'racionalidade'
entendemos
de os sujeitos
o autor,
em procedimentos
ou
objetiva,
de
ou adequação
do
das
normativa,
de
e
falível.,,17
encontra
de desempenho
pretensões
veracidade
de
e
verdade
subjetiva
e
estéticas.
Discurso
não
dá
orientação
HABERMAS. Jürgen. E1Discurso Filosófico de la Modernidad. Madrid:
1989. p. 373.
tudo a
de linguagem
comunicativa
argumentativos
indiretos,
retitude
Ética
da
antes
capazes
a razão
diretos
Filosófico
diz que:
Conforme
A
11
bastante
conhecimento
proposicional,
concordância
Discurso
ação para adquirir
cânones
resolução,
obra
definição,
disposição
seus
na
sobre
Tourus,
174
conteúdos,
ela
pressupostos,
juízo.
apresenta
permite
cuja
prooed:i.1zutnto,
um
garantir
a imparcialidade
riqueza
de
da formação
do
Pois, temos que:
"O Discurso
prático
um processo,
é
produção de normas justificadas,
da validade
mente. "18
Habermas
de
normas
concebe
não para
mas para o exame
consideradas
que
a
hipotetica-
a
toda
teoria
do
desenvolvimento da capacidade do juízo moral tem que supor como
dada,
a
corretos
possibilidade
e errados.
de
distinguir
E as questões
entre
juízos
prático-morais
morais
podem
decididas com base em razões, assim como os juízos morais
ser
podem
ser fundamentados.
É por esse motivo, que Habermas
através da ética discursiva,
determinadas
pretensão
asserções,
pretende
cuja idéia principal
mesmo
de universalidade,
individuais
o nexo
entre saber teórico e atividade
entre
e
resgatar,
é conferir
empíricas,
teoria
a
uma
e prática,
humana.
Devido à importância
"unidade da razão na multiplicidade
que ele atribui à questão
da
de suas vozes,,19 - desde a
18
HABERMAS, Jürgen. Consciência ... p. 148.
19
HABERMAS, Jürgen. Pens::nnento
... p. 151-152.
175
filosofia
evocar
mundo
grega
até o pensamento
a pluralidade
da
vida,
discursos
a
contra
contextos
das formas
aIteridade
ele apresenta
jogos
de
contra
os
passa
mundial
linguagem
da linguagem
E, priorizando
inequivocamente.
o autor
e das histórias
dos
a identidade
cambiantes
moderno,
e do
e
dos
e do diálogo,
significados
a
os
fixados
essa multiplicidade
da razão
sua reconstrução:
" ...uma racionalidade
dos proferimentos
que não se reduz à verdade
restritos
ao horizonte
objetivo
de uma ciência empírico-analítico.,,2o
Essa
processo
de
seria
agir
a chamada
comunicativo
virada
reúne,
pragmática,
o
concomitantemente,
"razões", "condições de validez" e "pretensões
o consenso sobre proposições "aceitáveis"
pois
de verdade"
para
por todos os sujeitos
do discurso.
A racionalidade ético-comunicativa,
em
que
reafirma
limita
o
conceito
a proposta
de
de reunir
razão
principalmente,
intersubjetivo
a estabelecer
as
tempo
cognitiva-instrumental,
os sujeitos
qualquer coação e capazes de consenso
ao mesmo
da ação, livres
argumentativo.
condições
para
que não inclua só o uso cognitivo
de
Ela visa,
um consenso
das regras de
a:l PIZZI, Iovíno. Ética ... p. 110.
\
176
linguagem,
porque
como
vimos,
distinção entre "compreender
para
Habermas
o significado"
existe
e "entender-se
uma
com
alguém".
A
condições
racionalidade
para
uma
comunicativa
fundamentação
última
universais referentes
aos três componentes
objetivo, o subjetivo
e o intersubjetivo.
Tal racionalidade
leva
dos
e
de
ação,
justificadas
na reconstrução
propõe
uma
conta
princípios
faz com que o discurso
da
para o exame da validade
produção
de normas
prático
que, por sua
racional das condições
passagem
as
do mundo da vida: o
sofra uma transformação21• Pois a ética discursiva,
vez, baseia-se
em
de
da fala
normas
consideradas
hipoteticamente.
Essa nova orientação pressupõe
que o sujeito venha
a assumir uma atitude crítico-hipotética
em relação à "própria
interpretação à interpretação" do outro.
Tal postura evita que
alguém detenha o monopólio
da fundamentação
exclusivo dos elementos
componentes
do agir.
21 É exatamente neste ponto de vista. que ela se distingue das outras éticas
cognitivistas.formalistas e universalistas.
.
177
A racionalidade
o "mundo externo do
ético-comunicativa
'outro' e do 'meu' mundo externo
'nosso' mundo da vida"22. Na comunicação
normal,
de validade se entrelaçam, deixando passar,
de uma pretensão
procura
de verdade
dentro do
as pretensões
às vezes,
um tanto difusa,
situar
frágil
a imagem
e sujeita
à revisão. Porém, o tipo de interação que esse agir proporciona
se propõe, sobretudo, a situar um sujeito diante
de
que
ambos
se
lingüisticamente
entendam
algo,
através
" ...amplia
desse
novo
lingüístico
a
razão
abrange
na história
salvar
que
o mundo
se
de
coordenar
as
consensualmente
os
de
da vida
e na sociedade.
unidade
configura
consensual
na
comunicativa.
portanto,
agir comunicativo.
o próprio
em sua
no
A
razão
entendimento
totalidade
É uma prática
intersubjetividade
22
relação
de açSo".23
Essa
situa
uma
conceito
as possibilidades
ações sem recorrer à coerçSo e de solucionar
conflitos
em
mediada.
Habermas,
racionalidade,
sobre
de outro a fim
e se
que procura
pluralidade
comunicativa
Mas, ele explica
da
é,
que:
PIZZI. lovíno. tUca ... p. 115.
Z3 HABERMAS. Jürgen. Teoria de la Acción OJmunicativa: Complementos
Previos. Madrid: Catedra. 1994.p. 26.
y Estudios
178
"É
só a partir desse ponto de vista estritamente
deontológico da correção normativa ou da justiça
que
se
podem
filtrar,
na
massa
práticas, as que são acessíveis a
racional."24
Assim,
o entendimento
entre
de
questões
uma decisão
sujeitos
que
agem
comunicativamente tem para Habermas
um papel fundamental
idéia
dele que se torna possível
de razão, porque é a partir
conciliar
transpassa
interesses
gerais,
as estruturas
na sua
sem perder de vista a razão que
do mundo da vida.
4.5. O INTERESSE E A AÇÃO COMUNICATIVA
Na teoria habermasiana
interesses
condutores
em ação instrumental
ele se refere
há três tipos distintos
do conhecimento.
conceito de reflexão e auto-reflexão,
sensível, compreensão
Primeiro é o interesse
e em ação comunicativa,
ao reino da Economia;
imperativa
de
em ambas as ações
segundo é o referente
ao
uma espécie de percepção
do ser humano, libertadora
de
dependências dogmáticas; terceiro é o interesse
em emancipação,
que
com
chega
até
conhecimento,
interesses
:lA
mesmo
porque
a
procura
ser
confundido
unir os mais
que motivam o homem.
HABERMAS. Jürgen.
Consciência ... p. 148.
diversos
o
próprio
tipos de
179
A
iniciando
pela
instrumental,
união
da
ação
esta integração,
comunicativa
com
a
ação
porque uma se impõe através da linguagem e a
outra, através do trabalho.
príorí
I.
Ética do Discurso propugna
facilita
a
Para Habermas essa determinação a
objetivação
e
torna
possivel
I
,qualquer
,
I
I
experiência do ser humano.
Com
i edad
ual
SOCle
a e at ua,
base
nesse
I
argumento,
em
sua
II
aná.lise da
Hb
~
a ermas destaca estas açoes,
comoII pon tos
conceituais estratégicos, tanto para entender a racionlllidade,
como avaliar a possibilidade de interação entre os slljeitos,
mesmo que seja em um consenso provisório.
o
I
autor explica as principais diferenças entre agir
,
I
instrumental e agir comunicativo. Esse último é mediado pela
I
linguagem e pode produzir o consenso racionalmente, enquanto o
agir intrumental é, simplesmente, a racionalidade técnica da
escolha de meios próprios do saber empírico.
Segundo
procedimento
orienta-se
analítico.
Habermas,
o
agir
instrumental' é
um
ou uma decisão sobre a escolha racional, que
por
estratégias
que
repousam
sobre
um
saber
Suas máximas de comportamento vêm definidas por:
interesses, na base de uma competição por maximizar ganhos e
minimizar perdas.
180
"ações
-As
instrumentais
não
são
em
geral
ações
sociais: podem apresentar-se corroelementos de ações sociais,,25.
Isto significa
que:
"Estas
estratégias
regras
de preferência
máximas
gerais
deduzidos
Em
representam
sentido
ficam
adequado
sujeitas
interesses
voltado
enunciados
as
ações
para
a organização
podem
ser
da natureza,
que ela dispõe.
do trabalho,
transformações,
às mudanças
e de
instrumentais
o domínio
para isso é o mundo
se submetem
de
ou falso."26
do uso dos recurso
a constantes
que se estabeleça
esses
amplo,
um interesse
o meio
e
a partir
deduções
(sistema de valores)
de modo correto
através da racionalização
como
implicam
onde
E
elas
também,
e são hierarquizados,
os
para
social.
Em função desses fins específicos do saber empírico
que .bu aoam,
sobretudo,
atingir
interação intersubjetiva,
condições
de racionalidade
a razão instrumental
que contemplam
Conseqüentemente,
ações
instrumentais,
uns
o conhecimento
nas
na
não preenche
as
o contexto
relações
indivíduos
objetivo,
agem
humano.
provenientes
sobre
os
de
outros,
2SHABERMAS,Iürgen. Teoría de la Acción Comuaicaiiva: CÀmplementos ... p. 28.
26
HABERMAS, Iürgen. Teoría de la Acción Comunicativa: Complementos ... p. 27.
181
ordenadamente,
atividades
em uma situação
por meio
de
não-lingüísticas.
Já
entendimento,
linguagem
de ação veiculada
a
ao
racionalidade
consenso
e a reflexão,
aos padrões
normais
comunicativa
intersubjetivo.
responsáveis
cotidianos.
prende-se
Tem
na
pela adequação
Agir comunicativo
ao
base
a
relativa
significa:
" ...interação simbolicamente mediada. Orienta-se
através de nOLmBS que valem obrigatoriamente, pois
definem expectativas reciprocas de comportamento
e que têm de ser compreendidas e aceitas por pelo
menos
dois
sujeitos.
As
normas
sociais
são
corroboradaspor sanções. O seu conteúdo semântico
se objetiva em expressões simbólicas e se tornam
acessíveis
comunicacional
ordinária.
regras
num
propiciado
pela
contexto
linguagem
Enquanto a validade de estratégias e
técnicas
analiticamente
verdadeiros,
validade das
pelo
no
depende
corretos
a
assegurada
fundado
comunicação
à
de
e
empiricamente
normas
reconhecimento
entendimento
enunciados
ou
sociais
é
intersubjetivo
num
consenso
valorativo. Em ambos os casos, a desobediência às
normas
tem
comportamento
conseqUências
distintas.
incompetente, que
vai
contra
Um
as
regras técnicas comprovadas ou contra estratégias
corretas, é condenado ao fracasso por não poder
alcançar o êxito esperado; o castigo é inscrito no
182
próprio
fracasso
diante
comportamento que fere
sanções,
as
extremas,
isto
quais
da realidade.
Porém, o
as normas vigentes
provoca
estão
ligadas
às
normas
é, por convenções. ,,27
Quando todos os elementos de uma mesma cultura,
nação,
raça
ou
classe
dispõem
de
critérios
fundamentar
uma
norma,
então,
universal.
E uma norma será legitima, sob duas condições
podemos
dizer
capazes
que
de
ela
é
excludentes:
la. Por corresponder ao direito natural e à lei do
interesse; ou
2 a.
Por ter sido obtida através do processo de
universalizaçã028•
A
"assegurada
entendimento
validade
pelo
desse
tipo
reconhecimento
de
ação
intersubjetivo,
ou num consenso valorativo,,29.
É
é,
portanto,
fundado
no
a partir dessa
idéia que Habermas procura definir sua pragmática universal, um
pensamento que "leva em conta uma racionalidade
mais fraca"3o,
"
'ZJ
HABERMAS. Jürgen. Teoría de la Acción Comunicativa: Complementos
28
ROUANET. Sergio Paulo. Éüca ... p. 53.
29
PIZZI. [ovino, Ética
p. 111.
3)
PIZZI. [ovino, Ética
p. 112.
... p. 27.
183
porém que pretende
articular
contingente
do agir humano,
fundamentam
o consenso
o
o caráter
bem como
entendimento
a unidade
entre
entre
permitir
que se chegue ao consenso
homens
discutir
empírico
;
princípios
e
que
intersubjetivo.
harmonia
aos
individual,
conciliarem
sujeitos,
proveniente
e a multiplicidade
seus
da
da razão,
vai
e, com isso, seja possível
interesses
e viverem
sem
tanta
. 1. 31 .
v~o
enc~a
4.6. RAZÃo COMUNICATIVA E EMANCIPAÇÃO
A teoria
natureza
humana
comunicativa
universal,
e
deriva
nesse
da hipótese
ponto
ela
se
de uma
à
vincula
Ilustração.
A Ética discursiva
iluminista
homem
é
abstrata
considerado
antropológica,
num
do estado
um
ser
não aceita,
porém, a concepção
de natureza
social.
na qual o ser humano
humana;
Esta
não somente pela
concepção
perfir~/\",
o mais universal dos
atríbutos da espécie, e obrigado
31
uma
tem o seguinte
ser dotado de linguagem,
necessidades
é
para ela o
a
satisfazer
suas
,
I
ação instruméIJta1 ie
1 '\
HABERMAS, Jürgen. Pens::rmento ••. p. 177.
I
tt'
r;
184
pela
açSo
estratégica,
mas
por
comunicativa
visando o entendimento
Na
opinião
de
duradouras
da
Revolução
mentalidade
nova33•
aquela
IDen tal
época
idade .
Habermas,
Francesa
é
uma
o
uma
mútuo.
das
açSo
,,3f
conqUistas
surgimento
de
uma
A consciência revolucionária que marcou
representa,
para
ele,
o
berço
nova
dessa
Habermas crê que esta é, atualmente, a força-
motriz, não revolucionária, dos processos de democratização.
Em sua maneira de ver, trata-se de:
"Uma consciência
tradicionalismo
cego
histórica
sob
o
aut:o-re~ação
discurso
uma compreensSo
signo
moralidade.
com
o
racional
politica,
da prática
da aut:odet:enn;na9~
finalmente,
e,
público
dominaçSo
rompe
das contin uidades acei tas de modo
e fatalistico,
poli tica
que
a confiança
capaz
fazem
!e
em um
de legitimar
parte
da
a
çlessa
,,34
Ele explica que tal interpretação não se trata de
otimismo. Mesmo porque, Habermas vê esta mudança através da
assimilação gradativa da sua Ética discursiva, na qual ele
propõe o resgate do eudemonismo da Ilustração, abrindo no mundo
3Z
ROUANET, Sergio Paulo. Ética ... p.62~3.
:nFREITAG,Barbara. "Jürgen Habermas fala a Tempo Brasileiro". In: Revista Tempo
Brasileiro, Rio de Janeiro, n. 98: 5/21. jul.-set.. 1989. p. 7.
34
FREITAG. Barbara. Jürgen ... p. 7~.
.-,
/
--'
\
J
"
) 185
da
vida
um
amplo
espaço
para
projetos
,
aut o-xea l e açâo
de
í
individual.
Ética
A
certos
valores,
do Discurso,
implícitos
de alguma
mane ra,' resgata
í
em suas estruturas
comunicativas. e
discursivas, que permitem recompor a unidade da razão
Ela
traça l~tes
"modelo de natureza
nas
estruturas
organiza
e não prescreve
humana
realmente
universais
suas
de
moral,
porque,
comunicati va, o diálogo
prático questionador
kantiano
sujeito
que
além
emancipatório
do existente,
insiste
na
a um
baseado
toda parte
em
com
báse
na
de
é mais amp.l a' que uma
i
enfatizar
~
e um discurso
ela desemboca
emancipação
e
razão
t!eórico e
no Iluminismo
autonomia
do
(sapere aude!).
Em seu embasamento,
características
universalismo,
principais
da
o cognitivismo
eles não haveria possibilidade
moral e melhor
3S
v~sa
lingüístican35•
da comunicação
isso
que
recíprocas
A teoria da ação comunicativa
teoria
!
pois
universal, porqu~
uma espécie
relações
intersubjetividade
conteúdos,
Kantiana.
Habermas
ética
procurou
iluminista,
e o individualismo,
de fundamentar
situar o indivíduo
em relação
,
refazer -as
",
ou
seja,
porque
o
sem
o comportà~ento
ao mundo
sodial.
ROUANET, Sergio Paulo. Ética ... p. 77.
~.
186
Isso
simplesmente
porque,
refutando
não
admitindo
essa
a ética iluminista,
reformulação
e
segundo Rouanet:
"...teríamos que sacrificar nossos projetos
de
auto-realização, sucumbiríamos ao conformismo, ou
estaríamos
condenados
ao
relativismo
das
normatividades particulares. ,,36
Procedendo dessa forma, Habermas procura esclarecer
que
o
purismo
comunicativa.
da
razão
pura
não
E, explica o porquê:
ressuscita
o paradigma
consciência encontra-se esgotado e seus sintomas
devem
dissol ver-se
na
transição
para
na
razão
da filosofia
da
de esgotamento
o
paradigma
da
compreensã037•
"d
O, unlversa Lílsmo 38 é a prlmelra
da ética iluminista
a natureza
humana
que Habermas
seja
aceita critérios universais
uma
cultura
36
ou
da forma
examina.
universal
vida
do
í
Nesta,
í
se supõe que
e, em conseqüência,
de moralidade,
de
r
t lcas
as carac t eerlS
valores
sujeito
e normas
ela
de
em particular.
ROUANET. Sergio Paulo. ttica ... p. 75,
'.riHABERMAS. Jürgen O [)js:urro Filorofico da Modernidade. Lisboa: Dom Quixote.
1990. p. 277.
:JIUniversalisrrv:"Podemoscaracterizar da seguinte maneira o universalismo ético
da ilustração: é uma perspectiva que baseada no pressuposto da natureza humana
universal e partindo do primado dos interesses do gênero humano propõe critérios
univer.soísde moralidade e'proclama a universalidade de determinados valores e norma:!.
ROUANET. Sergio Paulo. Eiica ... p. 48. e PIZZI. Jovino. ttica '" p. 144,
187
Habermas
contesta
esse
pressuposto,
ética, o homem não é considerado
Ética discursiva,
cujo
porque
em sua proposta
um ser monológico.
o homem é um ser racional,
desdobramento
da personalidade
depende
Segundo a
intersubjetivo,
da liberdade
de
todos os demais.
A racionalidade
dialógica,
porque
dessa nova concepção
ela manifesta
argumentativamente,
pretensões
a necessidade
já
contém
as
suposições
separação
suficientemente
conteúdos
do juizo moral ,,39.
de justificar,
de validez que sejam aceitas e
praticadas por todos. Pois "a determinação
moral
de sujeito é
básicas ...
precisa
do que é
processual
das
e
permite
" uma
e
dos
estruturas
Habermas reitera esse posicionamento quando procura
apontar uma "outra saida da filosofia do sujeito,,40 e expõe suas
idéias
sobre
sujeito.
a razão
comunicativa
Nesta linha, o pensador
"Aquilo
que
transcendental,
consciência
ciências
explicito
versus
faz
centrada
no
a seguinte afirmação:
antes
à
cabia
a análise
ou seja,
de si, adapta-se
reconstrutivas
o conhecimento
razão
filosofia
intuitiva
da
agora ao circulo. das
que
procuram
pré-teórico
39
Cf. HABERMAS. Jürgen. PIZZI, Iovíno. tUca ... p. 145.
40
Cf. HABERMAS. Jürgen. O Discurso ... p. 275.
I
tornar
de regras
de
188
sujeitos
falantes,
competentes,
discursos
da perspectiva
e interações
declarações
ponto
de
com esta
definição,
vista
moral
da Ética
do Discurso
analisa as teorias
desenvolvimento
moral de Kohlberg.
elas um certo paralelismo
moral,
etapas42•
comunicativo
comunicativa"
e
de
"competência
capaz
que é possível
concordam
e distinguir os juízos morais corretos
Habermas
iluminista,
de Piaget e do
entre
de Kohlberg
no indivíduo
de
em
"competência
lingüística",
Ambos
um
Habermas
identifica
que se processa
é
que o
presente
com a teoria
até atingir
caracteristica
claro
tem
cognitivo
desde a infância
esta possibilidade,
fica
O filósofo
e concorda
sobre o desenvolvimento
o sujeito
de uma análise de
E, nesta linha de pensamento,
do desenvolvimento
em
ou distorcidas.,,41
acordo
do sujeito.
desenvolvem
a partir
conseguidas
sabedores
de participantes
De
~dizadO
e
agentes
que
se
a idade adulta.
ao homem
dos errados.
está duramente
mais precisamente,
conhecer
Ao admitir
contestando
outra
os preceitos
do
coqru,. t"1va smo 43 . P'01S, con f orme e 1es:
41
HABERMAS. Jürgen.
O Discurso ... p.278.
Verest6dios:
Kohlberg
justifica
a lógicado desenvolvimento
de seusseisest6gios
do juízomoral pela correlaçãocom as perspectivas
sócio-morais
correspondentes.
ROUANET. SergioPaulo.
Ética ... p.159.
42
Cognitivismo:
•...
filosofia moral que considera possível fundamentar a norma
ética em princípios gerais e abstratos, de caráter secular, e que em tese não postula
43
""-
189
" ...em qualquer hipótese o homem estaria
ao decisionismo,
arbítrio
Em
considerar
as normas
correntes eminentemente
à ação autônoma
discursiva
Ética
estaria
o racionalismo
modernas
que manifestam-se
sacrificado
e o julgamento moral autônomo,
para
ela
iluminista,
o homem
do Discurso
é
um
conquistas,
ao bem-estar
absorvido
a
Ética
ser plural.
um
que são
da sociedade,
na moral objetiva46•
não é individualista,
qualquer diferença categorial entre o conhecimento
moral.' ROUANET. Sergio Paulo. Ética ... p. 28.
44
refratárias
do sujeito.
caminho para preservar suas duas principais
A Ética
o
E estas são
também não o aceita, mas no caso, pode oferecer
o direito à felicidade,
ao
desafiando
crítico.
Lndí.v.í.dua.Lí smo l''
ao
discursiva,
apta a validar o próprio principio
e não-tutelada
Quanto
a
como validáveis,
desafiaria
ao
éticas indecidíveis.n44
palavras,
positivismo e, ao julgar-se
de validação,
à ação moral sem fundamentos,
de orientações
outras
condenado
Nela
já que
a existência
do
dos fatos do mundo físico e os do mundo
'
ROUANET. Sergio Paulo. Ética ... p. 33.
4S Individualismo: Diz-se que •... de modo geral a Ilustração foi individualista.
Ela
partia da hipótese de homens ieokxioe; atomisücos, com seus interesses e impulsos
individuais, que se uniam JX)r razões utilitárias para formarem a rociedade civil. Teve como
conseqü ência, também, o aumento de autonomia e auto-determinação do sujeito com
relação às leis de sua rociedade". ROUANET. Sergio Paulo. Ética ... p. 38-39.
46
ROUANET. Sergio Paulo. Ética ... p. 43.
.'
I
190
indi víduo
está
interação
que
integridade
pressupõe
interação,
à
condicionada
o reconhecimento
porém
da
tipo
dignidade
mesmo
que o indivíduo
complementares aos da comunidade47,
e da
cri tica.
De
acordo
direi tos
como
com
indivíduo
tenha direitos
as normas e instituições
comunidade, por sua vez, não podem evadir-se
a
teoria
que
não
discursiva,
podem
ser
o
homem
cancelados
tem
pelos
da comunidade.
Alter aspiram a ser reconhecidos como individualidades
e insubstituíveis"48,
por isso, torna-se
o conceito construtivista de aprendizagem
e Kohlberg.
No sentido de aceitar
admissível
partilhado
a passagem
argumentação - proposto pela Ética do Discurso
lógica
que considere
construtivo,
de
uma
consenso
cada estágio
que vai tematizando
norma
ou
proposição,
dessa
assimilar
por Piaget
- através
e problematizando
para,
únicas
para o plano
de aprendizagem
forma,
Ego
da
de uma
um processo
a validade
chegar, ao
.",
geral.
Ademais,
a Ética
do Discurso
c ROUANET. Sergio Paulo. Etica
'
... p. 43.
48
da
a uma investigação
Neste contexto, "em cada processo comunicativo,
e
de
física de cada participante.
No entanto,
direitos
um
PIZZI. [ovino. Ética ... p. 107.
admite
a concepção
191
construtivista
formação
da aprendizagem
discursiva
agir comunicativo
em
um
sujeito
competente
contexto
competência em julgamentos
Ele
morais
participar de argumentações morais.
(aprender
a)
admitir
emancipado
para assumir
interacional.
que
se
necessita
pressupostos
ganha
caráter
universais
ético,
sob
ou seja,
encontra
quais
em
tal
para poder
uma
HABERMAS. Jürgen. Cons:::iência ... p. 155.
situação
argumento
para
por ele.
que remete a aqueles
a práxis
é o que pressupõe
Discurso.
49
do outro
Para isso, também, precisa
reflexiva
os
do
ser
adquirir
pós-convencionais
o outro ou se deixar convencer
Essa é uma atitude
deve
a perspectiva
comunicativa, na qual só vale a força do melhor
convencer
a
para o discurs049•
e como passagem
um
em que compreende
como uma forma de reflexao
da vontade
Assim,
suficientemente
na medida
comunicativa
a Ética
do
CONCLUSÃO
Enquanto capitalismo, a modernidade é um projeto
necessariamente incompleto.
longo
de
seu
tecnológico,
curso
sem
um
foi
O desenvolvimento que ocorreu ao
dispar,
acompanhamento
resultou
em
um
avanço
equivalente
no
âmbito
social. Efetivamente, ainda não houve uma ruptura no mundo dos
homens,
para que a era moderna deixe de ser tratada como
inacabada. Apesar da variedade de propostas e modismos que ela
proporcionou, prevalece sua incapacidade de promover certas
transformações refentes às principais carências do homem na
sociedade.
valores
Ademais, ela se caracteriza por uma inversão de
que afeta profundamente as relações entre os seres
humanos e destes com o ambiente físico. Entretanto, existe um
motivo potencial para trabalhar na conclusão desse projeto, ou
seja,
a vontade geral e manifesta de mudar, de criar umá'
realidade nova, diferente.
Consensual ou não a interpretação da modern~dade,
ou o fato de a sociedade ser neomoderna ou pós-modernd, foi
I
193
essa
mesma
vontade
que
levou
vários
momento presente. como uma ruptura
autores
radical
designação
de sociedade
pós-industrial:
desfizera
no
o capitalismo
melhor
ar
tanto
consciência
crítica,
o fim
com o passado;
ideologias,
repensar
profundamente
os atores
histórico
moderno.
industrial
bem
múltiplas
à sociedade
formas.
Pois,
lógica da ação.
e a ação
social
que
trabalhou
a
que o domina
tanto
para
aos
tornando
um criador
seus
inventos
a sociedade
realidade,
Natureza
seus desejos
do momento
e oprime,
um como
a
ilimitados;
de
de
para
em suas
outro,
na
do pensamento
dita, ou seja, a
tem em seu núcleo um homem
dominou
e destruidor
e máquinas
sua
o homem uma figura
e a moral propriamente
Assim,
a
a necessidade
visão de mundo prevalece a lógica - que é a moral
- sobre os sentimentos
como
surge na pauta das
como
As condições desiguais tornaram
engajado
daí a
"uma nova solidez que
dessa leitura,
das
ambígua,
o
o marxismo"1.
Em conseqüência
discussões
a analisarem
técnica
mas,
pleno,
atributos
e
por
submeteu
ele haver
não conseguiu
inerentes
humana, nem deu um sentido real à sua própria
a
se
dotar
à cond
í
ção
existência.
I Sobre estratégias
do capitalismo e do marximo, como forças antagônicas - em
uma narrativa sociológica - consulte SANTOS,Boaventura de Sousa. Pela Mão de Alice: O
Social e o Político na Pós-Modernidade. São Paulo:Cortez, 1995,p.24-45.
' ....:
194
Em razão de suas carências,
em
seu
curso
evolutivo,
transformando
a sociedade prossegue
o mundo
jeito, enquanto o homem permanece em conivência,
de qualquer
sem questionar
qual é, de fato, o rumo desse processo de evolução.
Pois ocorre
simultaneamente que a mesma sociedade que o afasta da Natureza
oblitera
sua consciência
política
e reduz a sua capacidade
de
trabalho.
Criam-se
humanas
mesclam-se
circunstâncias
de
autoridade
tais,
que
necessariamente
são elementos
devem
ser
relações
e autoritarismo,
quase impossível entender que integrar é diferente
que construir e destruir
as
tornando
de submeter,
contraditórios,
contrários.
mas não
Motivos
estes,
suficientes para que as condições de vida na modernidade
a ser regidas por uma razão fundada exclusivamente
e no cálculo; aquela razão que se pretende
que
em
sua
orientação
podem
acepção
filosófica
estar
inclusive
mais
individualização2•
pode
as
carentes
Ademais,
mais
de
significar
disparatadas
qualquer
e universal
contemporâneo,
que apele para a razão.
incluídas
as
genérica
na evidência
absoluta
não é, senão, uma característica do racionalismo
passem
qualquer
Nesta ordem,
filosofias,
capacidade,
quanto à sua legitimação,
de
em vez
2 Individualismo sob novo enfoque, cujo momento íníciol é o desenvolvimento dá
individualidade como personalidade crítica.
/
195
de seguir o ideal da axí.omá t í.ca",
resulta
na
racionalização
manipuladora,
procurar
ou seja,
argumentos e
o racionalismo sem crítica
enganosa
e/ou
numa
ideologia
aciona um processo cuja tendência é
justificativas para
certas
crenças,
tirando sua força não daqueles, mas de emoções, interesses,
instintos, preconceitos, hábitos e assemelhados.
A conivência do ser humano em tal realidade social
demonstra o quanto ele está engajado na tradicional cultura
fáustica,
através
sobretudo porque o seu móvel de vida é expresso
de
conflitos
de
natureza
diversa
que,
no
fundo,
submetem-no às pressões do sistema mantido por ele.
Face a essas pressões, o mundo torna-se hostil ao
homem,
porque nele o lugar da quantidade se expande sobre
aquele da qualidade;
o ser humano pensa e age por razões
quantitativas e costuma afirmar sempre que uma coisa vale mais
do que outra.
equilíbrio,
de
As suas pretensões relacionam-se às noções de
simetria, de
medida,
de
homogeneidade,
de
regularidade, de repetição e de inércia.
Guiado
por essa opção de vida, o homem age de
3Construçãode Modelos: aritmetização da análise que se presta a interpretações
ou a realizações diferentes. das quais constitui a estrutura básica comum O limite '
func::knn3ntal
para escolher axiomas é a coerência ou compatibilidade.ABBAGNANO.Nicola.
Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre [ou, 1982.p. 97-8.
I
(
196
acordo
com
valores
objetividade,
sentido,
do
eficácia,
tipo:
universalidade,
segurança
e
estabilidade.
é estimulado
o seu compor t ament o
o egoísmo, a ganância, a posse, o poder,
para
toda
a
ordem
de
vontades
e
duração,
Neste
para a voracidade,
a propriedade,
desejos
enfim,
insaciáveis
e
J
prementes.
,
-JIVl!MeA~
Para tanto, ~mpr-eerrde)uma escalada
na
qual
a técnica
fascínio,
posse
a ponto
e domínio
passa
a exercer
de tornar
tornarem-se
única via possível
sua
sobre
vida
de realizações,
o homem
dependente
uma obsessiva
valores,
procura,
privilegia
fundamental
e sua
bem como a
para obter sucesso.
é importante
ser um vencedor,
posição, a vontade geral se expressa
que
grande
dela
Uma vez que na sociedade contemporânea,
tais
i
um
a
acumulação,
encurtar
caminhos,
e
fundada
para atingir
"queimar
absurdo~ .
\/
"
torna-se
atingi-la,
etapas"
tal
L
num reducionismo
para
em
)
tI. ;:
I
em todos
os
41
1
sentidos.
Significa
superficialidade
dos
dizer
fatos
que
o
homem
e fenômenos
prefere
sociais
e,
disso, o homem hodierno - sobretudo
o decision-~ker
grande
contra
importância
sucesso,
termos
mundo,
a uma corrida
sem no entanto
de
qualidade
de
avaliar
vida.
onde a noção de indivíduo
.'
'.)
I
- conferJ
:
em busca
do
o ônus que lhe é cobrado
em
E nessa
o tempo
\):
aqa r Ira
; l (
em vista
,
linha,
seu papel
tende a desaparecer,
\
\
no
/'
vai se
• t("
. xI
\
j,
!
197
tornando,
cada vez mais, secundário.
Em face
progresso,
a liberdade
autonomia,
fato,
parece
a posição
reino
das circunstâncias,
dos
e a
igualdade,
que não podem
kantiana,
fins
quando
a racionalidade
ser plenamente
que vê o homem
autônomo,
a ciência
digno
como
e
e o
e
a
cumpridas,
de
legislador
do
livre
torna-se
questionável.
Nesse sentido,
de
interesses
prioridades,
e
a ética vigente
necessidades
é que precisa
que
- elaborada
inverte
à base
valores
e
ser reavaliada.
A falta de crítica, bem como a carência do elemento
ético
na
vida
cotidiana
relações de trabalho
dos
seres
em particular,
humanos
demandam
em geral,
e nas
uma reflexão mais
acurada.
Essa releitura, prioritariamente, teria que iniciar
pela filosofia moral de segunda ordem, aquela que trata do que
fazemos
quando
falamos
objeto não pode apenas
sobre
o que
se restringir
devemos
fazer.
ao tratamento
Pois
seu
\>..~
do que deve'
j
).1'
ser feito - a norma.
de primeira
dizendo
comumente
o
ordem,
que
é
praticado
Esse papel é desempenhado
que se limita
"bom"
ou
a pronunciar
"justo",
pelos moralistas.
\
.'-
pela fil,bSOfia\
juízos morais,
resultando
A situação
no
d.í scur so
I
.""\\ d //
con f 19uEa
a (/ /
I
.
i
\
r
I
i
\
\
/
198
exige uma reinterpretação da realidade,
a partir do referencial
teórico da Filosofia4•
1\
Como a vida cotidiana do homem moderno se eXP~lessa,
basicamente, através de contatos e interações
sociais, talrntoo
sistema politico como o ético, por serem complementares
concebido desde a antiguidade como faces distintas
de uma mesma
)
moeda - passam a ser elementos centrais em qualquer
reflexão;
análises,
assim
sendo, ambos devem se submeter
precisam
contemplar
sobre a falta de consciência
consciência
enquanto
uma nova
dos
valores
oposições
- modo
proposta de
a criticas
e contradições,
e
tanto
politica como sobre esta falta de
ou
da
própria
base para inversão do processo
orientação
ética,
gerador do embrião de
realidade.
Dessa
objetividade
maneira,
social,
torna-se
daquela postura
possivel
que permite
a
busca
da
agir sempre
sob uma visão ética, cuja abrangência vai da relação dos homens
entre si à relação com o mundo onde vivem.
I
..
4 As relações de poder foram amplamente estudadas pela Sociologia e pela
Psicologia Social: para urna análise espedfica da ideologia do poder na teoria
organizacional e administrativa. vide MOTTA Fernando C. P. Teoria das Organi7J:;ões:
Evolução e Crítica. São Paulo: Pioneira. 1986.Ver também. publicações do Groupe
Humanisme et Gestion. fundado em 1990.na École des Houtes Eiudes Commerciales de
Montréa1. Canadá. cujo propósito principal é fazer contrapeso à hegemonia de valores
exdusivarnmteeconômicosnodomínioda gestão de negócios. Para tanto. o Grupo escolheu
a Antropologia. corno bosa de sustentação. colocando em relevo o papel e o equilíbrio
psíquico das pessoas e a compreensão das particularidades do ambiente. com a
preocupação constante com questões de ética.
~r
, r
:
,I
"
t . ,
li
f
199
Independente da sociedade administrada ou de suas
conseqüências negativas para os seres no mundo, existe uma
saída que vislumbra, primeiro, tentar transformar o pensamento
do homem, para depois mudar a sociedade, quer seja ad~tando
estratégias que estimulem o surgimento de novas perspectivas de
investigação,
costumes
do
quer
seja
elemento
prioritariamente
no
reavaliando
humano
mundo
tradições,
dominante
do
trabalho,
ou
uma
crenças
e
dominado
vez
que
este
representa sua atividade natural.
Entre
as
abordagens
teóricas
atuais,
~~~\
ganha
evidência o pensamento crítico de Jürgen Habermas, pela idéia
utópica de acreditar que a democracia, através de suas várias
formas,
pode resolver problemas difíceis, e por sua visão
posi tiva de mundo, quando diz ter esperanças no futuro e
acreditar
pensamento
no
homem.
funde
Motivos
conteúdos
pelos
quais
sua
linha
de
epistemológicos
com
conteÚdos
,
políticos, e procura manter, como elemento norteador de isua
obra
o conceito de participação.
dinâmica
da
sociedade
Assim, o autor atLnqe a
contemporânea,
tendo
em
vista
a
emancipação do homem pela conquista de sua autonomia.
Sob
analisado
essa ótica, o pensamento habermasiano foi
corno uma
vertente
filosófica
preocupada
com
a
produção de uma nova imagem de mundo, em cuja base iluminista
I',
200
está o vínculo
sociedade
com a Escola
e a análise
Para
entanto,
alcançar
~rJú'l.')
da história
uma condição
Teoria
das
em
social
no século
Organizações.
seu
núcleo
dominante
funcionam
como
entendimento
devem
às Ciências
Habermas
inevitável,
Organizações, além de estar
traz
propósito
da interdisciplinariedade
questão
esta
o
além da incorporação
os rumos
da
a
fatores
de mundo.
que
foi reformulada
de acordo
XX, é preciso
porque
em conta
ele,
da
a
Filosofia Moral e Teoria das Organizações
po.p ser
Teoria
capacidade
à
das
ingênuos5,
do
um fato como
aspectos
a
sobremaneira,
instrumental
no estreitamento
que se encontra centrada no mercado
discutir
em pressupostos
e tanto
outros
por
se impõe,
racionalidade
limitantes
no
da Teoria
proposta
fundada
Dois
emancipatório,
Sociais,
Mormente
no ocidente;
ser levados
a teoria crítica
interdisciplinar.
Social Crítica, que segundo
com
de Frankfurt:
modelo
o outro,
humana
importantes
do vínculo
de
que
entre
são a lógica vigente,
e o caráter
ideológico;
procura ocultar não só o poder, mas as contradições
que
que lhe são
inerentes.
Uma revisão de tais relações
à luz da Teoria Ética
Cf. arguID:mtoencontrado na critica filosófica de Alberto Guerreiro Ramos. na obra
da Riqueza das Nações. 2° ed .. Rio
de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas. 1989. p.1-13.
5
A Nova Qêncía das Organimções: Uma Reconceituação
201
se
faz
necessária,
porque
negativas de modelos
em bases
visa
a minimizar
de desenvolvimento,
as conseqüência
geralmente
que impõem limites aos seres humanos.
concebidos
Haja vista, o
admissível sucesso prático da Teoria das Organizações,
certeza
foi unidimensional,
vida humana associada,
pois seu impacto
mas que no entanto,
Em uma situação
a condições
de trabalho
descaracteriza
parece
onde a ideologia
alienantes,
que com
ser normal.
dominante
o sujeito
a
induz
normalmente
age
conforme decisões de terceiros e por isso ele é coagido por uma
norma externa, definida
sem a sua participação;
pressupõe
a aceitação
incondicional
seja,
permitem
não
teoricamente,
liberdade
deveria
e
involuntário
ao ser humano
autonomia
de
sujeito
do homem à heteronomia
normas
agir
da
impostas,
moralmente.
ser o contrário,
do
esse contexto,
porque
ação
moral
e oito
anos
de
idade,
submetendo-se
falta
ao
de Piaget6,
que ele chamou de realismo moral, e que a criança
cinco
Quando,
essa
leva
ou
de
retorno
uma fase
vive entre os
aos
sistemas
de
~
valores referendados
referencial
do
ainda,· um-
próprio.
Essa
mundo
pelos outros, por não possuir,
condição
trabalho,
humana
submissa
e tende a se acentuar
é pr edomí nant e no
cada
vez mais,· não
6 Veja construção da consciência moraI de Piaget. em FREITAG, Barbara. Itinerários
... p. 180-83.
202
somente
pela
ausência
de
critica,
mas
pela
acomodação
imprudente, justificada por argumentos do tipo: na Teoria da
Organização
pode
não
adequações funciona".
ser
sofisticada,
mas
com
algumas
Sob tal perspectiva, as relações que
envol vem o ser humano, a Natureza e o trabalho tornaram-se
vulneráveis.
Trata-se de um
relacionamento que traz explito
o caráter apolitico e que, no aspecto ético, se coloca à margem
dos ideais da Ilustração, porque deixa de priorizar o ser
humano em suas várias formas de expressão.
medida
que
a
reflexão
sistematicamente
sobre
negada,
a
homem
o
Mesmo porque, à
teoria
veio
resultou
sendo
tolhido
no
desenvolvimento de suas potencialidades de auto-reflexão.
Afora subtrair do homem a liberdade de participar
de modo interativo, sua vulnerabilidade se reflete na Teoria
das
Organizações,
porque
ela
se mantém,
submissa
a
essa
inversão de fins e valores, e torna-se de dificil sustentação.
Por
organizações,
motivos
nos
surgimento, mas
a
dessa
ordem,
últimos anos, tem
absorção
de
o
gerenciamento
facultado
soluções mágicas
das
não
só o
para
seus
problemas, suas necessidades de mudanças e transformações" de
todo tipo e do próprio desenvolvimento.
temos
f
Aliado a este fato,
a falta de consciência politica do homem tomador de
decisões, que
aprisionado pela
racionalidade
instrumental,
203
assume
uma
postura
criteriosas
em
trabalhadores,
acrítíca,
relação
transformando
que
ao
induz
sistema
a
atitudes
produtivo
as organizações
para modismos, improvisações e experiências
em
pouco
e
aos
campo fértil
através de soluções
em geral paliativas e parciais, mas comprometedoras
para o lado
humano e para a Natureza.
Esse quadro vem ratificar a necessidade de praticar
a Teoria Crítica da Sociedade na vertente seguida por Habermas,
com a finalidade
Organizações,
desse
de auxiliar
uma vez que seu princípio
conhecimento
totalidade
na revisão da base da Teoria das
vigente,
norteador
e o seu objeto
de análise
é a
social.
As práticas de gerenciamento
iniciando
pela crftica
sobre
realidade
a
é a negação
da ideologia,
podem ser revisadas,
em busca de explicações
sistematicamente
distorcida,
estruturas procura-se ocultar e legitimar relações
•
de poder e, conseqüentemente,
Tal propriedade
uma Teoria reconhecidamente
em
cujas
assimétricas
de participação.
justifica-se,
porque
trata-se
de
aberta que amplia e desenvolve
noção de crítica, além de incorporar
o pensamento
a
de filósofos
.
tradicionais,
com
o mundo
como Kant, Hegel e Marx, colocando-os
presente.
Corrobora
com
a
linha
/
em tensão
crítica
de
204
Schopenhauer, Nietzsche, Heidegger e Freud, que procuraram
mostrar
justamente
os
mesmos
aspectos
sombrios
da
razão
iluminista, com ênfase no tratamento digno do ser humano.
o
Iluminismo ou Esclarecimento - Aufklaerung
- é
o traço comum na obra dos pioneiros da Escola de Frankfurt,
Adorno, Horkheimer e Marcuse.
A Dialética do Esclarecimento
descreve uma dinâmica da razão em sua trajetória; movimento
esse
originalmente
emancipat6rio
do
ser
concebido
como
sendo
o
processo
que conduziria à autonomia e à autodeterminação
humano,
e
que,
no
final,
transformou-se
em
seu
contrário: um crescente processo de instrumentalização para a
dominação e repressão do homem.
Presença marcante entre os pensadores da segunda
geração
da Escola,
(~31
Habermas prosseguiu de modo criativo e
original na linha de pensamento de seus mestres, não hesitando
em criticá-los e até superá-los em alguns pontos importantes
para
a afirmação de sua proposta ética, mantendo, acima de
tudo, aquele objetivo positivo do estado humano, reconciliado
e feliz, originário dos ideais iluministas.
Por
outro
lado,
o
pensador
responsabiliza
a
\
Filosofia, que por haver se tornado teoricamente abstrata,
reduziu
a
verdade
a
um
saber
individual
e
•
I
monológico,
205
desvinculado do contexto social.
Segundo
ele, foi o pensamento
abstrato orientado apenas para o conhecimento
que transformou
o saberem
Esse
racionalidade
déficit
estrutural,
colonizador,
que não permite
desse
monológico,
saber
sociedade como da personalidade,
resultará
através
em uma revisão
de conceitos
no
pelo
inclusive
âmbito
códigos
da
cultura
relevância
conceitual
bom/mau,
universal
e
da
sem o aporte da Teoria Crítica
diferentes
bem/mal,
avanço
a reprodução
falha, parcial.
é possível
se
trata
verdadeiros a questão deverá, necessariamente,
de
mundos
poder julgar,
falso/verdadeiro
quando
Pois, se
construir
distintos e, se cabe à Moral, tal como à Ciência,
nos
de mundo
instrumental.
causado
repensar
tanto
empírico
tudo
emitir
com
juízos
ser tratada pela
Ética.
Se a transformação desejável
o pensador
esclarece:
categorias
mais
inconformidade
intérprete
adequadas
Ele
com
a
insiste
sociedade,
hermenêutico
interpretação
otimismo
com a simples
iluministas.
contribuir
que
a
e pessimismo
esse
contexto,'
aceitação
que
por
será ou não possível,
a
sua
da realidade,
de todas as manifestações
por
da derrota
Filosofia
não são as
isso
sua
dos ideais
tem
possibilidade
muito
de
a
ser
ou seja, de realizar
humanas.
a
206
Habermas é solidário com a idéia de transformação,
porque
acredita. na
torna
isso
evidente
quando
(~4\
interesses",
prático
potencialidade
na
qual
apresenta
acrescenta
(que introduziram
emancipatória
aos
a dominação
sua
razão: o interesse
É através
da Natureza
contra
do interesse
seus próprios
Na
procura
escapar
envolveu
Adorno
racionalidade",
teoria
da
"teoria
do
desencanto
o
patológica da razão na história.
a crítica
a estes
autores
da
exercerem
de
e
imanente
que a razão
uma capacidade
verdade",
dialética
ponto
de
de uma
vista
"teoria
da
da
uma
realização
Após os anos setenta,
também
que
de pensar
que, para ele, nunca
afirma
Habermas
negativa
a viabilidade
crença em uma razão capaz de objetivar-se
Habermas
interesse
Nos moldes
aborda
sob
técnico
descaminhos.
e Horkheimer.
modernidade
dos
e dos homens
emancipatório
comunicativa
o filósofo
e
emancipat6rio.
possibilita ao sujeito e às sociedades
crítica
"teoria
interesses
e a reificação da subjetividade) um terceiro
à própria
da razão
divulga
abandonaram
a
na história.
que ambos
foram incapazes
"
de
formular
um
conceito
de
verdade
apto
a
requisitos da ciência e, ao mesmo tempo, remeter
razao
hegeliana:
abranger
a dimensão
satisfazer
os
ao conceito
de
científica
bem
como
a
207
prática
e
a
estética
democracia, o autor
sustenta
conseguiram entendê-la
com
desconfiança
sobrevivência
expressiva.
e
que Adorno
fora do contexto
temor,
da razão,
à
Quanto
porque
questão
e Horkheimer
de massas,
viam
nela
jamais
encarando-a
uma
à perda de competência
devido
da
à
ameaça
crítica
e reflexiva.
Essas
Habermas,
pois
"a
levaram
razão
,
dos mestres,
três deficiências
a Dialética
que
entrara
transforrrBra-se ela própria
surgimento da Dialética
do Esclarecimento
em campo para
em mito".
Negativa
na visão de
I
a um impasse,
combater
o mito
Isso ficou comprovado
e na Teoria Estética,
no
na qual
Adorno sugere que a arte é o único refúgio da razão crítica
face da crescente
instrumentalização
Entretanto,
interpretada
a
doutrinas
dialética,
do mundo.
a contemporaneidade
à luz de uma nova proposta,
partir da indignação
como
um
método
atrelada a uma concepção
inclua a democracia
pode
todavia
de
a
ser
ou pela adesão
saída
exposição,
filosófica
e deve
desde que não seja a
com certo estado de coisas
revolucionárias,
em
é
optar
pela
necessariamente
do homem na sociedade,
que
em todas as suas formas possíveis.
/
1-,
A opção
de
acordo
com
teórica ·para esse impasse
Habermas,
está
no
que se coloca,
abandono definitivo
do
I
208
paradigma
da filosofia
da consciência,
Adorno, Horkheimer e Marcuse aderiram
de Kant, Hegel, Marx, Lukács
Além
mestres
e por
homem,
quando
teórico,
humano
desse
além
da
reconciliado,
homem,
de minimizar
na potencialidade
o pensador
via,
equivocadamente,
a partir
e Weber.
do propósito
acreditar
ao qual, para o autor,
formulou
de
e feliz,
"caracterizado
de emancipação
o objetivo
possibilidade
abnegado
a desilusão
pela
do
de seu programa
alcançar
um
o caráter
condição
dos
de
estado
democrático
liberdade
de
convi vio" .
A liberdade
da
nova
proposta,
repressão
consigo
de convivi o passa a ser o fundamento
que pressupõe
e a idéia
de uma
um contexto
possi vel
de diálogo
reconciliação
alternativa
que
Habermas
apresenta,
retomar um paradigma rudimentar, pouco explorado
sociais, elaborado por Mead, DUrkheim
a
razão
processual,
comunicativa,
consensualmente
A mudança
torna-se
homem
mesmo e com a Natureza.
A
sobre
do
sem
possível
concepção
de
que versa
verdade
estabelecida.
para o paradigma
na atual
é
pelas ciências
e Wittgenstein,
numa
então,
conjuntura,
da razão comunicativa
porém
ele pressupõe
o
209
resgate e a revalorização do conceito
permeia
todas
as
formas
cotidiano até o do discurso
questionamento
de
interação,
teórico
incondicional
todas as normas
radical
de democracia
desde
e prático.
o
que
nível
do
Isso permite
de todas as verdades
aceitas
o
e de
vigentes.
,
Nessa perspectiva, a razão não se encontra centrada
no
sujeito
epistêmico
organização
ou
no
intersubjetiva
da
ser
antropológico,
fala
por
meio
da
mas
na
comunicação
,I
dial6qica.
A questão principal de Habermas, portanto,
resumei
se
na
razão
e esta,
essencialmente
segundo
filosófica.
o próprio
Tal
autor,
afirmação
Habermas não tivesse acusado a Filosofia
seria
a si mesmo
e à sociedade.
Ciências
Sociais
a
e
Filosofia,
Embora
a
normal
a compreender
dividido
tradição
da Filosofia
consegue
homem
reencontrar-se,
a
possibilidade
recuperando
durante a evolução.
de
o
a identidade
Ele confirma,
entr~ as
metafísica
Habermas falou mais alto, porque é através
mostrar
se
de não ter competência
para ajudar o homem transformado pela modernidade
o mundo,
,i
é uma questão
em
que ele
contemporâheo
e a unidade perdiaas
no entanto,
que a Filosofia
continua a manter uma relação íntima
com o senso comum, estando
especialmente
intui ti vamente
próxima
daquilo
que
sabemos
de
210
antemão,
subvertendo,
ao mesmo
tempo, o chamado
"bom senso".
Da mesma forma que admitimos a mudança de paradigma
proposta
pelo
filósofos
pensador,
assumirem
ratificamos
publicamente
compartilharem com outros
do esclarecimento
Tanto
como é preciso
e
considerando
especialistas
de nossa cultura
é necessário
que
intelectuais
o conceito
de Habermas
a
há
conceitos
unidade
e um segundo,
perdida,
normativa
aplicação.
seja explicada
Principalmente,
distintos
de
em que ela procura
os
e
razão:
aspectos
de
e razão
resgatar
verdade,
um
sua
correção
e autenticidade.
Em
aspectos
reunindo
e
de razão
primeiro, em que ela se subdivide em razão instrumental
comunicativa,
os
a tarefa da reflexão
elucidar
sua
de
sobre
sobre si mesma.
visando
dois
opinião,
o papel
que a visão teórica
esquematizada,
sua
toda
teóricos
a sua amplitude,
e práticos
presentes
a qual é o fundamento de sua proposta
essa
razão
abrange
os
na razão comunicativa,
teórica,
comprometida
com
a idéia de manter a credibilidade da razão enquanto
instrumento
de evolução e de libertação do homem.
de unificar
a razão em suas várias
unidade
da consciência
formas
moderna,
A proposição
é uma maneira
fragmentada
de restaurar
a
em interpretações
parciais, e ainda de sugerir uma nova concepção
totalizante
de
211
mundo para o homem da atualidade.
A
alternativa,
representa, afinal,
calcada
uma saída para esse homem,
de valores desintegrou-se, passando
subjetiva.
A perda de valores
das tradições
nesses
e implica
em
nível
da
processo
de socialização;
relação
às
normas
formação
organização
social
uniformidade
dos acontecimentos
Podemos
representa
da
daquelas
deturpações
identidade
ou
portanto,
concluir
seja,
de
meramente
uma perda do sentido
do
e além disso, resulta
vigentes,
e,
cuja base comum
a ser uma questão
o surgimento
ocorrem
argumentos,
na
regras
homem
e
do
na anomia
em
deficiência
que
de
asseguram
a
sociais.
que
a
importância
nova
dessa
visao-de~do está na possibilidade de o homem reencontrar
base moral comum e voltar
que
a orientar-se
por valores
uma
comumente
aceitos e refletidos.
Nessa
perspectiva,
reiteramos
que somente
interpretação global de mundo o homem conseguirá
vida.
E
é
interpretação
mundo
da
em
das
vida,
totalidade
transparecer.
torno
que
sociedades
uma
a
dela
vez
que,
realidade
que
Habermas
contemporâneas
para
do
o
autor,
mundo
da
em uma
dar sentido à
concentra
no
é
sua
conceito
só
vida
de
enquanto
se
deixa
212
Portanto, é nesse mundo
pela
linguagem
que
a
razão
comunicativa
possibilita
que um tipo .de ação
seu lugar.
Habermas
constrói
da análise das estruturas
mais
invariantes
definindo
e reproduzido
se
manifesta
social emancipatória
esse conceito
são do que as estruturas
entre seus membros,
constituído
e
encontre
de mundo
a partir
das sociedades,
que nada
da ação e do entendimento
as áreas da cultura,
mútuo
sociedade
e
personalidade.
A reestruturação da unidade da razão está
integração entre seu aspecto teórico
(razão instrumental)
aspecto prático (razão comunicativa).
de
modo
distinto,
subjetiva
e
que,
por
- vinculados
sua
vez,
a dois
operam
intersubjetivamente.
Como
distintos
objetivos
determinam
e seu
Estas duas razões
resultante, representam dois interesses
humanidade
na
dois
- próprios
sociais
princípios
da
diferentes
sociais
organização, que se estabelecem por linhas de evolução
de
e lógica
distintas.
Uma diferenciação dessa ordem acaba por refletir-se
na
ação
social
básica
e resultar
sociedade, em seus aspectos
ambos
os paradigmas
teoria da ação.
internos
da teoria
em dois
tipos
e externos,
social:
a teoria
de visão
de
representando
sistêmica
e a
213
Sob essa ótica, conciliar
com
as
estruturas
instrumental
e razão
comunicativa
técnico
de
que
da
vida
comunicativa.
dominação
reflexivamente
mundo
ambas
estabelecimento
uma práxis
do
os elementos
passam
da
das
a
relações
- mediante
reconciliar
é
sob a forma
É
ser
natureza
sistêmicos
uma
só.
o
e o interesse
sociais
seriam
o apoio da Filosofia
razão
de
razão
interesse
prático
reafirmados
- resultando
que concilia o reino das necessidades
do
em
com o reino da
liberdade.
Para incorporarmos
à Teoria das Organizações
concepção. de razão em Habermas,
da
sociedade
facultam
e da evolução
organizar
todo o
entre os diferentes
procurou
do capitalismo
pensamento,
tardio,
pois ambas
desde o elo de ligação
campos que o filósofo
sua
Teoria
do
chamada da Teoria da Racionalidade
desenvolveu
abordagens
elemento
seguir suas teorias
e o cientista
social
abranger.
Em
demonstra
é preciso
essa
a partir
que
que
Teoria
sistematizador
Comunicativo
Comunicativa
de 1981), ele parece
apresentou
a
Agir
da
até
então.
ou
(que o pensador
conciliar
O
Racionalidade
de todo o pensamento
também
seu
todas
as
procedimento
Comunicativa
é
um
habermasiano.
Nela a razão comunicativa é colocada como a síntese
214
da
razão
teórica
uni versalização
porque
de
da
funciona
centrada
estruturas
e
na
ação
razão
como
o início
questão
e
prática.
da
O
princípio
e o resumo
linguagem,
entendimento
mútuo
a
-
da
de tudo,
análise
das
encontradas
nas
diferentes situações de comunicação
- acabam por revelar certas
pretensões de validade
presentes
de
argumentação
efetivamente,
universais,
entre
os
uma mudança
homens.
de paradigma
em qualquer
Para
operador
elevados.
deõntico,
um
elemento
psíquicos
ao sistema
vigente,
de sujeição
a viabilidade
da reflexão
justifica
essa
experiência"
seja
admitida,
conhecimento
é defini ti vo, que
moti vacionais
"condições
Teoria
sobre
vale
dos homens
e violências.
de
a razão,
da Ação
a
Para
lembrar
conduta
mais
face à ação de os
da grande maioria
necessidade.
requer
efei tos
fins
não só reforça
sobre o homem e seus valores,
que
e a própria
para
sob esse aspecto,
discursiva,
política,
voltado
marcado por paradoxos
A argumentação,
também
haver na proposta
Ele seria uma espécie de garantia,
mecanismos
aconteça,
da forma como Habermas
propõe, Cirne Lima7 acredita que é necessário
um
que
forma
que
uma
como
ética
possibilidade
que
em
nenhum
sua
de
essência,
Comunicativa
humana.
tipo
da
é
apresenta
A
proposta
7 ORNE UMA Carlos R. V. Sobre a Contradição
Pragmática como Fundamentação
do Sistema. IN: REVISTASÍNTESE. n? 55. p. 595..
215
habermasiana apresenta
argumentos
para
sociais
tentar
restrinjam
acordos
a grupos
sólidos e razões
válidos,
de .indivíduos,
que
suficientes
mesmo
que
estes
se
tenham
identidade
de
propósitos.
Partindo da Teoria do Agir Comunicativo
é possível
reintroduzir entre os homens uma crítica do próprio
permitindo
superá-lo
compreensiva
racionalidade apresenta
e
racionalmente.
um amplo horizonte,
em torno da pragmática
serve
para
respaldo
comunicativos.
homem,
bem
Essa
como
a
o
ética
consenso
traz
argumentação
transformação do sistema atual.
espaços
sociais
decisões,
vitais,
o conhecimento
de consciência
suficiente
o
novo paradigma
contingenciais.
consciência
observado,
para
apontam,
visão
de
propor
a
inteligentes",
enquanto
o
lado
humano
a partir
das
da tomada
da verdade.
de Habermas
permite
de reunir
conceitos
portanto,
fundamentais
para
o da intersubjetividade
um novo
reconstruir,
a universalidade
de fala e de ação, mas respeitar
Os
sujeitos
uma base
priorizam
não só essa ética que tem condições
das proposições
nova
o que
construir
e a aprendizagem,
de si, através
os
uma
Ela permite
que
universal,
entre
consigo
sólida para a formação de "organizações
Essa
pois vai reunir as
várias racionalidades
de
pensamento,
da
as variáveis
filosofia
princípio
comunicativa.
da
a ser
216
A assimilação
do paradigma
da linguagem
na mudança
do agir humano,
e essa nova situação
Ética
Discurso,
por
do
que
racionalidade
instrumental,
entendimento
lingüístico
liberdade
de expressão
encontra-se
mais
li vre
entendida
Nela, o sujeito
suas
"revoluções"
estritamente
o
tem
a
lugar
na
prioriza
o
consenso
por "guinada
e
para
a
ao
sua condição
conhecimento
e
no exercício
de
submisso
mágicas,
do
à
e
porque
a
ultrapassa
monológica
ético-
técnico-científico
soluções
ético-comunicativa
solitária
racionalidade
pode ser incluído
e
lingüística"
de "razão comunicativa",
como
e abandonar
reduzida
racionalidade
para
no conceito
racionalidade
ondas,
não
sua fundamentação
é definida
centrada
da cooperação
vez
denomina-se
e de interação.
especificamente
comunicativa.
pois
voltado
Essa mudança
e
sua
resultará
a
mediação
sujeito,
para
ser
dialógica.
A Teoria da Racionalidade
uma importante alternativa
coloca
às organizações
Porque
ela
aptidão
avanço
para
preencher
colonizador
iluminista
vindouro:
possível,
o déficit
do pensamento
seus suportes
representa
para uma questão fundamental
do século
só se tornou
Comunicativa
básicos.
nos
a forma de gestão.
dias
estrutural,
moderno,
que se
atuais,
por
provocado
que tinha
sua
pelo
na ética
217
o
sujeito comunicativo,
no mundo capitalista
final de milênio, contará com melhores
do sistema em que vive, estruturado,
imperativos
"dinheiro"
condições
de libertar-se
basicamente,
e "poder".
deste
a-partir
Mas tais mudanças
dos
poderão
,
ocorrer
aliás,
contanto
essa
que sua base comum de valores
observação
encontra-se
em obras
seja revisada;
de autores
como
John Stuart Mill e John M. Keynes.
Adam Smith,
Somente com a mudança do conceito de verdade poderá
surgir
o
a unidade
individuo
modernidade
liberdade
da consciência
aprenderá
criou,
estará
essenciais
à
a
denunciar
avaliando
ameaçada;
niveis
sua emancipação,
Agindo
de maneira
as
tempo,
trabalho,
e formas
tais
a,
posições
no
como
diversa,
momento
desenvolvimento
Administração
8 Cf.
seus
própria
nas quais
a sua
conceitos
os de fetichismo
questionará,
inteligência
resgatar
a
e emprego,
também,
entre
uma reavaliação,
respectivos
e
valores
com
e
originais.
o
do
minimo,
que
a questionar
outras, que necessariamente estão exigindo
vistas
Por seu intermédio,
valores
ele passará
reificação8•
variáveis
moderna.
e suas
histórico
presente
comporta
técnico-cientifico
estratégias,
em
toda
INGRAM.ver explicações no capo Il, nota 12. p. 64.
que
uma revisão
sustenta
a sua
a
amplitude,
218
principalmente
se considerarmos
a Administração
para refutar
visando
as críticas
vem recebendo.
tais críticas
sobretudo
Torna-se
generalizadas
necessário
de modo restaurador
sensibilizar
dirigentes,
para
interesses
integrar
políticos
desenvolvimento,
em
suas
e sociais
que
bem como discuta
os sistemas sociais
avaliá-la
e emancipador,
empreendedores
educadores, sobre a capacidade dessa sociedade,
moderna,
que
que se intitula
categorias
definam
analíticas,
os rumos
as conseqüências
em geral e o eco-social,
e
de seu
deste sobre
a médio e a longo
prazos.
En t re t arrt o,
assumida
tomar
chegar
gradativamente,
ciência
a
da importância
ela
seja
desenvolver
a consciência
aprender
passividade
se apresenta
esta
a
parece
da verdade,
ser
a
única
só pode
"servidão
com que se aceita
imposições
ser
antes de tudo
que para
se
contradições
e
forma
válida
Desse estágio
a
para
em diante,
voluntária",
aquela
de uma "cultura"
que
como sendo legítima.
Dessa
forma,
a emancipação
viável, porque na vida cotidiana
das
que
mesmo
enfrentar
política.
refutar
atitude
o homem precisa
necessário
pois
só
é uma
porque
confli tos,
é
essa
organizações,
é possível
do
sujeito
e, conseqüentemente,
que ele desenvolva
torna-se
no mundo
sua ação, ou
mesmo o seu trabalho, através de um saber que pressupõe
mudança
219
de mentalidade
sujeitos
da
e que se volta para o consenso
ação.
No
formação
da consciência
melhorar
a qualidade
plano
geral,
manifesta
por
que se acentua
meio
de
uma
pela
promover
a
especificamente,
barbárie
de uma nova ordem
demanda
social
pois se
insatisfeita
assumida
que
e
e tratada,
a que o homem foi reduzido,
existente,
é
social
a cada dia que passa,
ser devidamente
seja pela fragmentação
seja
para,
todos os
de vida do ser humano no trabalho.
reprimida, mas que precisa
quer
significa
de cidadania,
A institucionalização
uma necessidade
entre
a
ameaçam
quer
todos
indistintamente.
o
alcance da Ética do Discurso
acreditar no homem.
um potencial
em
É acreditar que existe em cada ser humano,
a exemplo de Creonte em Antígona,
falha,
está, sobretudo,
para
estrutura de julgamento
e a despeito
aprender,
para
de uma
modificar
moral e, conseqüentemente,
educação
a própria
aprimorar
a
espécie humana.
A ÉTICA
DO DISCURSO
COMO UMA OPÇÃO ATUAL
Se alguém, algum dia, afirmou que "a sedução
tenta destruir
desejo",
a ordem,
com certeza
seja ela a da produção,
não estava
tentando
sempre
seja ela a do
explicar
o estado de
220
espírito
do
homem
brasileiro
processo
de
desenvolvimento
expectativas futuras.
que
Inseridos
"modernização", que contempla
processo
sensibilizado
mudanças,
e
instituições,
as
por
grandes
falsas
que
ignoram
deslumbrado
mesmo
de
suas
em seu aspecto
homem e
por sucessos
de origem
externa.
Embora
desafios
impostos
pelas
perdas,
como
a descrença
frustrações
e
para torná-lo mais cético
investida,
a situação
entre os que ignoram os custos de mudanças
os
ou
do
confiante.
Ao longo dessa
e
nem
e a política,
promessas,
ansiedades diversas, que corroboraram
e menos
promove
influenciados
em geral
sofreu
tempos,
na modernidade,
a economia
estimulado
esse homem
últimos
ele
foram sendo incisivamente
(heróis) e/ou interesses,
nas
dos
os
custos
e o cético,
ser classificada
da
existe
como
estagnação.
representa
a "eficiência
ela
significa,
principalmente
e impensadas
Porém,
uma terceira posição,
"alarmista",
que
rápidas
se polariza
do sistema",
em
termos
entre
que pode
que embora entenda
consegue
de
o
o
ver o que
distribuição
de
renda e de impacto ambiental.
Em alguns aspectos,
ser
humano,
estima,
perda
essas transformações
na base de suas necessidades,
eliminam
sua
de identidade.
segurança
e, muitas
destrõem
vezes,
Esse é o mal tipicamente
afetam o
sua auto-
resulta
moderno
em
e que
221
representa
um custo
que
não
nos
cabe
à
sociedade
do
uma
inversão
de
passar
futuro.
Ao
sofrer
as
conseqüências
valores, o homem muda o comportamento
e sem ela, a produtividade
perde
Um ponto decisivo
de
desenvolvimento
diria
Platão:
há
justifica
opinião (doxa) e alcançar
e deixa de ter esperança,
sua essência,
a criatividade.
e controvertido
nesse processo
a reflexão
necessidade
de
a verdade
assimilaram,
através
ampla
ultrapassar
- pois,
o
domínio
como
da
(epístéme), o conhecimento
sobre os fatos, visto que as concepções
as pessoas
de
de vida e trabalho
da convivência
que
e da tradição,
estão sendo contestadas.
As
mundo
de
capitalista,
idéias,
enfim,
que ocorreram
já não levam mais
brasileira,
sistema
mudanças
e sendo
a razão
produção
de
outros
por
isso
como
chegar
à realidade
um traço
sociedade
contextos
(muitas
do primeiro
a
do
tardo-
tecnologia,
outros),
para inovar tem caráter
imediato
resolver
acontece
conseqüentemente, sem a devida crítica.
com
vezes
comum
dos
tudo aquilo que o mercado
quantitativo,
para
instrumental
competitivas
A sensibilização
e
tempo
capitalista,
importamos
vantagens
tanto
em países
editar.
tanta
rapidez
e,
O mais grave resultado
222
é a falta de uma preocupação autêntica com a mudança, que no
fundo é social,. e cujos custos são de difícil estimativa a
médio
e
longo
prazos;
também
não
é
feita
uma
avaliação
criteriosa de ganhos ou benefícios sociais que, gradativa e
eficientemente, tornam-se descartáveis.
Um
espaço
a
ser
ocupado
pelo
priori tariamente, deve ser o do trabalho.
o
discurso,
paradigma do
trabalho mudou, hoje a relação dialética capital/trabalho cedeu
lugar para outra preocupação: a falta de trabalho.
A
inexistência
falta
do
de
vínculo
trabalho
com
uma
é
relativa,
organização,
a
porque
perda
a
de
estabilidade, a falta de oferta de emprego, a redução de postos
de
trabalho
significam
e
que
o próprio desemprego
o
mercado
de
em
altos
mão-de-obra
índices não
esgotou,
pelo
contrário, ele carece de uma reinterpretação, porque o trabalho
continua existindo, todavia, em um ideário diferente.
Em
precisam
nível de ação estratégica, muitas variáveis
ser conhecidas, debatidas e analisadas; na esfera
privada temos a considerar que:
Em primeiro lugar, se a Admdnistraçao
da Produçao
não tivesse sido tão reativa, quanto o foi nos últimos tempos,
haveria
o
entendimento
de
que,
independente
do
nível
de
223
desenvol vimento
tecnológico
requer saúde ocupacional.
a fadiga,
em
aliando-se
super-estruturas
tipo
do
Caso contrário,
à falta
e
outros
para
alguns
"novo"
dos
que
elemento
valores
organizacionais.
meta,
meta,
missão,
da
possível
que deveriam
foi
e
em
decidir
dos
resgatada
sobre
do
tudo
por
um
foi subtraída
objetivos
próprios
função
(conforme
E a motivação
cuja importância
visão
da
de modismos
Conseqüentemente,
em holocausto.
Rapidamente,
tornou-se
fáceis
se transformaram
à deriva,
estava
chamado
alvos
e reestruturação
norte-americanos)
o trabalho,
produtividade
não teria resultado
totalitários.
de desestratificação
a
a sua contrapartida,
de previsão,
apenas seguir uma tendência mundial,
acusam
negócio,
de organização,
reengenharia
processos
ou
atingimento
sem empatia
da
nem
alteridade.
o
que
envolvida,
preocupou-se
a
inclusive,
tal vez,
em
diversificações
incorporar
segundo aspecto está na ~nistração
demasia
e
pelo
motivação
valor
sobre
perder
capacidade
conseqüência pouco
obtida
e
cultura
com
retorno
técnica
a
pela
intrínseca,
de então,
do
liquidez,
aos
dinheiro,
crítica,
sinergética
sadia foi priorizar
condicionamento
inflacionária
investimentos,
a
Financeira,
do
a
em
na qual as potencialidades
de
comprometendo,
sistema.
a motivação
prêmios,
ponto
Uma
extrínseca,
detrimento
da
de cada um,
224
além de aproveitadas,
pessoas
verdadeiramente
próprias
dos
porém,
suficiente
a
motivadas
são capazes
pois só as
de
gerar
suas
sua
possui
parte
e contribuiu
morais
abordagem
as
almas
guerreira,
da riqueza
não
teve
significativamente
aos valores
sobre
possibilidade
está no Marketinq,
terceiro aspecto a considerar
é quem
três
em
valores
ter sido cultivadas,
energias.
o
que
deveriam
de mercado.
vantagens
de esperança
e da
fama,
sensibilidade
para a redução
Contudo,
competitivas
dos
recentemente,
representa
para o entendimento
kantiano
uma
sobre
o preço das coisas e o valor das pessoas.
Por último, no tocante à Adndnistração
Humanos,
parece
que
ela
foi
alijada,
seja
gerencial restrita e de fácil deslumbramento
vinculação
a
uma
Po1itica
de
trabalho,
Perdeu
ficando
ela
uma grande chance
transição
inevitável
e
própria
forte,
em situação
valer
capacidade
seja
sem críticas
de revisar práticas
fazer
pela
e/ou pela falta de
Empresaria1
assimilou modismos, e com isso vilipendiou
de Recursos
sua
mudanças
de atitudes
gerenciais
argumentação.
a criatividade
e comportamentos.
a força
co-dependente.
acreditou no capital humano e em suas potencialidades,
de fundar uma parceria para exercitar
porque
nesta
Não
deixando
e promover
225
Se, de um modo geral, ambas, Administração
profissão
e a
resistirem
Teoria
a tantas
das
Organizações
críticas
enquanto
e a inércia
for
própria divisão interna deverá ser questionada,
poderá
fundamento,
rompida,
porque
essa
só assim
haver aprendizagem.
Aprender
permanência,
é
a mudança
uma
s6 aprendem,
condição
essencial
e a continuidade
organização que ele integra.
pessoas
enquanto
Aprender
realmente,
quando
do
a
para
ser humano
e da
é um ato coletivo,
e as
se abrem,
falam entre
si, se cammi.cam e vivem em um mundo
(da vida) sem coação e sem
É quando
no
alienação.
alcançar
conseguem
seus objetivos,
necessariamente
identificação
suas metas,
serem desonestos,
por uma visão de mundo que inclui,
social,
além do econômico.
trabalho
ter lucro e sucesso,
porque,
sobretudo,
no diálogo,
e
sem
optaram
o político
e o
DEFINIÇÃO DE TERMOS
Homem
significa
UNa
indivíduo,
filosofia
Kantiana:
perspectiva
tal
como
homem
como
este
frankfurtiana,
conceito
legislador
é proposto
no reino
como finalidade sem fim, como autonomia, dignidade
MATOS,
C. F. Olgária.
Os Arcanos
homem
na
dos fins,
e liberdade".
... p. 78.
Linguagem - No sentido geral, é o uso dos sinais
intersubjetivos.
tornam possível
Filosofia.
2a
Por intersubjetivo
a comunicação.
BAGNANO,
ed., São Paulo: Mestre
Trabalho
específica
se entende
de
Hegel
satisfação
das
Nicola.
das forças
chama
de
determinado
fim:
o trabalho
trabalho
necessidades,
e faculdades
de
ao
que
a
forma
distingue
da
J. Técnica ... p. 25.
humanas
permite
Dicionário
que
Jou, 1982. p. 587.
natureza e o espírito existente. HABERMAS,
Aplicação
os sinais
para
homem
alcançar
certo
um
domínio
sobre a natureza.
Para Marx: "De um lado, é um dispêndio
trabalho
de
humano,
trabalho
no sentido fisiológico,
humano
igual,
ou
abstrato,
de força de
e é nessa qualidade,
que
ele
constitui
o
227
valor
das
mercadorias.
Por
outro
dispêndio de força de trabalho
e com
um objetivo
concreto
A
ex.í.s t ênc.í.a
valores
atividade
humana
do
qualidade
trabalho
forma
trabalho
de qual
condição
seja
a forma
de
de
natural entre o homem e natureza,
T . Dicionário
...
primeiramente,
um
383.
Para
processo
entre
mediatiza,
natural
homem e natureza,
e controla,
da natureza.
na condição
pertencentes
Uo trabalho
Habermas:
regula
assimilação
Ele próprio
de um poder
é
um processo
através
a seu corpo, braços
as põe em movimento
no qual o homem
de sua própria
se contrapõe
natural.
As
e pernas,
ação a
ao tecido
forças
cabeça
com o fim de se apropriar
natureza numa forma 6til à sua própria
..•
de
uma
ué
e portanto, a própria vida humana", BOTTOMORE,
p.
é um
trabalho
de usou.
independentemente
sociedade; é uma necessidade
todo
humano de uma determinada
e é nessa
definido
6til que produz
lado,
naturais
e mãos,
do material
vidau. Cf.:
ele
da
Conhecimento
p , 46.
Práxis - Em geral, a expressão
à atividade.
livre,
universal,
homem
cria
humano
e
homem,
uNo
sentido
que lhe atribui
criativa
(faz, produz)
histórico
que torna
e
e transforma
a
Marx,
e autocriativa,
si
o ser humano
mesmo;
é a atividade
por meio da qual o
(conforma)
atividade
basicamente
à ação,
refere-se
seu mundo
específica
diferente
do
de todos
os outros seres.
Kant apresenta
aplicação de uma teoria,
dois conceitos:
1) a práxis
como a
a aplicação aos casos encontrados
u
na
228
experiência,
"e 2) a práxis
relevante
do
homem.
distinção
entre
correspondente
O
a
Habermas
uma nova maneira,
ou
segundo
razão
divisão
como
conceito
pura
e
a
da filosofia
tentou
voltada
para
segunda
estratégias
é
interação
consensuais
práxis
com
social,
'trabalho'
baseadas
no
tal
de
simplesmente
que
como
e
de
atividade
humana
introduzem
T. Dicionário
as
noções
história,
acordo
ou
(...)
empírico
analítico;
por
com
a
normas
Habermas
a
tanto
o
incluia
de reduzir
a
ou seja o trabalho".
vão desde
através
o seu enfoque
da
qual
o homem
até outras mais desenvolvidas,
de
futuro,
liberdade,
revolução,
criati vidade,
etc. BOTTOMORE,
... p. 292-5.
Teoria
submetida
ao
- "É a hipótese
controle
experimental ... LALANDE,
da Filosofia.
'trabalho'
'interação'
governada
Marx,
de práxis
o mundo e a si mesmo,
universalidade,
sido
de práxis
no conhecimento
De
"práxis social a um de seus momentos,
modifica
da
ou sua combinação
(...)
entendia
definições
sua
e
como a 'intenção' mas com a tendência
As
de
prática
conhecimento
lei
como
base
entre
um objetivo'
simbólica
força
razão
uma distinção
governada por regras técnicas baseadas
por
a
o conceito
'ação instrumental ou escolha racional,
ou
é
eticamente
em teórica e prática.
formular
estabelecendo
'ação racional
o comportamento
André.
do
verificada
raciocínio
Vocabulário
depois
e
da
de ter
crítica
Técnico e Crítico
p. 1128.
'~ Teoria deverá criticar-se,
que não produza
uma resignação
incansavelmente
diante da realidade
para
- para que
229
na época do 'eclipseda razão' a teoria não seja 'derrotismo da
razão' (...)" MATOS,
c.
F. Olgária. Os Arcanos
Teorias
...
p , 322.
Os frankfurtianos fazem uma nitida
distinção entre teorias cientificas e teorias criticas, diferem
em
três
dimensões:
conseguinte, na
(i) em
seu
propósito
maneira pela qual os
las ou a elas recorrer;
ou
agentes
fim,
e,
por
possam utilizá-
(ii) em sua estrutura "lógica" ou
"cognitiva", as teorias cientificas são "objetivantes" -
pode-
se distinguir a teoria e os "objetos" a que se refere - e as
teorias criticas são "reflexivas" ou "auto-referentes"; (iii)
quanto ao tipo de evidência que seria relevante para determinar
se elas
são cognitivamente, aceitáveis ou não, isto é, se
admitem e requerem tipos diferentes de confirmação.
"As
teorias
cientificas
requerem
confirmação
empirica por meio da observação ou do experimento; as teorias
criticas
são
cognitivamente
aceitáveis
apenas
se
elas
sobreviverem a um processo mais complicado de avaliação, cuja
parte
central
é
uma
demonstração
de
que
"reflexivamente aceitáveis". GEUSS, Raymond. Teoria
elas
•.
0
são
po 91-
930
A
extensão
das
teoria social é, para os frankfurtianos, uma
convicções
"ingênuas"
que
os
agentes
têm
a
respeito de sua sociedade.
"A teoria marxista da sociedade é uma teoria social
completa, pois se propõe a considerar tanto as instituições
sociais
e
principais
econômicas
"objetivas"
da
sociedade
como
os
tipos de convicções que os agentes da sociedade
230
conservam.
Ela tem estrutura cognitiva
reflexiva,
sua própria gênese e antecipa seu próprio
membros da sociedade.
uso e aplicação pelos
Ciência - É o conjunto organizado
relativos
mediante
a
um
determinado
à observação,
objeto,
natureza,
visando à dominação dela em seu próprio benefício.
aspectos:
homem
se relaciona
se
e um método
Processo
ciência
o
dos fatos
obtidos
próprio.
A
qual
de conhecimentos
especialmente
à experiência
pelo
pois, aborda
relaciona
com o marxismo,
(a) é um valor ou norma;
Em (a) é algo que o marxismo
(b),
ele
transformar.
que
procura
BOTTOMORE,
disposição
"Cremos
cientificamente
objetivados; referimo-nos,
e a técnica
explicar
T. Dicionário
Técnica
a
em dois
(b) um tópico de pesquisa
e investigação.
algo
com
e
pretende
talvez,
ser em
até
mesmo
... p. 58.
entender
por
racionalizada
'técnica'
sobre
a
processos
assim ao sistema que a investigação
se encontram com a economia e administração
por elas retroalimentadas".
HABERMAS,
JÜrgen.
Técnica
e são
... p ,
101.
"Com a palavra 'técnica' nos referimos, com efeito,
em
primeiro
eficaz
lugar
realização
a um conjunto
de
fins,
ou seja, a instrumentos,
como
máquinas
de meios
instrumento
que determinam
trabalho,
também a um sistema de
a ação racionalmente
aludimos pois, a estratégias
de
sua
e autômatos.
Com essa palavra aludimos,
regras
que permitem
e tecnologias,
adequada
a fins;
ação instrumental.
231
As tecnologias são, pois, proposições
que estabelecem
de proceder, no entanto, não são elas os mesmos
Meio
técnico
contexto
de
pode
ser
ação
qualquer
instrumental.
coisa
meios técnicos.
que
HABERMAS,
as formas
se
inclua
JÜrgen.
em
um
Teoria
p , 315.
Estratégia
ciências
morais
decisões
propõe
levado
a
um
em
agente
face
encarar,
exteriores,
tanto
de
uma
suscetíveis de serem retidas;
resultados
LALANDE,
previstos
André.
Ideo1ogia
sentidos
diferentes,
pejorativo
podendo
das
mundo',
que estabiliza
(Herrschaft).
falsa
Uma
convicção
história" .
falsa
sobre
será
sobre o
em tais decisões.
exige:
por
um
lado,
a
das eventualidades
que permita
de uma regra
classificar
de estratégias
Geuss,
este
ser: descritivo
os
diferentes".
termo
ou legitima
consciência
própria
possui
(antropológico),
(visão de mundo).
"Para Habermas
sua
que
se
p. 1.259.
e positivo
coletivos.
coerente
que incidem
definido como toda crença usada para exercer
comportamentos
neste
circunstâncias
por outro, a adoção
Segundo
(dominação)
causa
de realização
..•
nas
responsabilidades
interessados
pela atuação
Vocabulário
politica,
um conjunto
de hipóteses
de preferência
anos
eventualidades
estratégia
de probabilidades
ou de um indicador
assume
por
agentes
alguns
em economia
diversas
como em virtude
estabelecimento
estimativa
que
das
comportamento de outros
O
há
por René Roy "...designa
que
tomar,
usado
e particularmente
sentido definido
de
Termo
controle
é uma
a dominação
Pode ser
e dirigir
'figuração
de
ou hegemonia
'requer'
ignorância
ou
origem,
ou
ou
gênese
232
"Herrschaft" ~ É o exercício de poder dentro de uma
ordem
política
e está
ligado
a um tipo
GEUSS, R. Teoria
legitimidade.
Idaolog.iakzitik
de rei vindicação
de
... p. 28-30.
- É defendida pela Escola, através
de três teses:
1. A crítica
radical
(Ideologiekritik)
da sociedade
são inseparáveis.
ser meta de toda a pesquisa
e crítica
de sua ideologia
A sua incorporação
social.
2. Não é apenas uma forma de "crítica moralizante".
ideológica
de
desagradável,
A
consciência
não
é
mas por ser falsa,
Ideologiekritik
deveria
é em si mesma
criticada
por
Uma forma
ser
imoral,
por se tratar de uma ilusão.
um empreendimento
cognitivo,
uma forma de conhecimento.
3.
Difere
significativamente
cognitiva,
básicas
e
nas
empirismo
para
a
sua
perspectivas
tradicional.
de
produção.
crédi to
compra
da
necessários
à produção,
em
estrito),
sentido
adequada
R. Teoria
requer
que
mudanças
herdamos
do
... p. 44-45.
pode
formas, é o principal
tomar
forma
de
trabalho
força
de
dinheiro
e
a forma de maquinaria
ou, finalmente,
é a propriedade
em estrutura
- IIDenominação do modo de produção
privada
classe, a classe dos capitalistas
do
dos
capital
nas
com a exclusão
meio
ou
de
(capital
de estoques
Qualquer
em
materiais
física
a forma
bens acabados ou de trabalho em processo.
forma,
natural
epistemológicas
sob suas diferentes
O capital
para
análise
GEUSS,
Capitalismo
que o capital,
da ciência
de
que seja sua
mãos
de
do restante
uma
da
233
população, que constitui a característica básica do capitalismo
como modo de produção.· A palavra
'capitalismo' raramente é
usada pelas escolas de teoria econômica
não-marxistas. .. e
mesmo
ou menos
nos
textos marxistas
BOTTOMORE, T. Dicionário
Marxismo
maior
-
ela
é mais
tardia".
... p. 51.
"A consciência do marxismo surgiu, na
parte dos países do Terceiro Mundo, em grande medida
através dos laços coloniais e certamente em estreita relação
com a luta antiimperialista." BOTTOMORE, T.. Dicionário
241.
... p.
Mar.xi.smo Ocidental. - "O marxismo ocidental assumiu
uma forma filosófica, mas a política nela se combinou com a
filosofia."
Em vista disso, é um pensamento filosófico e
político marxista, que teve origem na Europa Central Ocidental,
na década de 1920, visando questionar o marxismo soviético,
após
as
importantes
Posteriormente,
política
conquistas
da
revolução
russa.
deslocou a ênfase do marxismo, da economia
e do Estado, para a cultura, a filosofia e a arte.
Entre os marxistas ocidentais, destacam-se, Gramsci, Lukács,
Korsch e após 1930, a Escola de Frankfurt, foi quem preservou
este estilo de pensamento.
O 'núcleo do marxismo ocidental' é a práxis e esta,
assume uma função teórica, na medida em que não é apenas o
fator de transformação.
Os marxistas ocidentais argumentam que Marx não
propôs apenas uma teoria mais avançada da economia política.
O marxismo
ocidental é primordialmente
uma crítica,
vê o
234
marxismo
como
domínio
da
emancipação
economia.
pensadores
que
o
idealismo
alemão.
Os
das
seus
seguem,
a cultura
sua
uma
em geral
da cultura
indivíduo
O
retorno
burguesa
se impregnava
grande
os
lembram
maioria
(inclusive,
comercial) e a Escola. voltou-se
crítica
entre
conceitos
em
Empreenderam
sobre
relações
Hegel
se
no
e os
formaram
variedade
de
a popular,
no
estudos
de massas
para a psicanálise
e para
homens
e
como aresta
esclarecimento
de como
o
da cultura.
Marxismo
ao jovem Marx."
Ocidental
é
BOTTOMORE,
T. Dicionário
"quase
sinônimo
de
um
... p. 249-
251.
Positivismo
do Conhecimento
substituição
J. La lógica
"Quando
alguma sobre lógica
os
examiná-los
e
científico.
como
uma recusa
sendo
a
da
(que não
têm
nem se interessam
eles pensam
opinião
por elas)
Círculo de Viena."
... p , 46.
-
discutir
dividir as coisas
o que representa
... p. 32.
ou matemática,
Dialética
para
da Teoria
pelo método
frankfurtianos
'os positivistas'
GEUSS, R .. Teoria
Habilidade
é visto
positivismo
HABERMAS,
falam sobre
a substituição
por uma Teoria da Ciência,
do sujeito cognoscente
O
reflexão.
- Significa
É a arte
do diálogo
por perguntas
em gêneros e espécies
discuti-los:
apresentam
e da discussão.
e respostas.
Arte
de
(conceitos) para poder
o
duplo
sentido
de
235
conversação
e de divisão
Segundo
remontar
de
Platão,
conceitos
proposições,
princípios
lógica.
até
os
a
em
conceitos,
conceitos
da sua doutrina para designar
do espirito
como
efeito
proposicões
e
os
em
primeiros
utilizaram
classifica-a
de uma maneira
como
distingue
sendo
e a Analítica,
de premissas
a palavra
ao falarem
geral o movimento
até as idéias, ..., dos
até a justiça universal.
Aristóteles
uma
a Dialética
arte
- da Analítica
intermediária
entre
cujo objeto é a demonstração
a
(dedução
verdadeiras).
Para Kant, a Dialética
aparência"
de
gerais
que se eleva das sensações
fins individuais
Retórica
mais
tem
que têm para ele valor ontológico.
Críticos modernos
e
dialética
e forma
a
'Dialética
em geral era lIumalógica da
Transcendental',
apenas designa a ilusão, mas também o estudo
o que não
e a crítica
desta
ilusão.
Hegel
encara
as contradições
pensamento
próprio
retoma
segundo
palavra
como
produto
suas
desenvolvimento
próprias
num
sentido
do espírito,
leis
e
também
favorável:
"mar-cha do
conforme
o
da Dialética
e
do ser".
Marx critica
propõe o materialismo
a
a concepção
idealista
dialético.
I
Os
atributos
dialéticos
são quatro:
í.
a definição,
236
o gênero,
•.•
o próprio
e o acidente.
LALANDE,
André.
Vocabulário
p , 254-256.
Para
Habermas,
a
Dialética
É
a
é
um
"consenso
sem
constrangimentos".
Hermenêutica
manifestações
humanas.
Para
interpretação
Habermas:
'capacidade' (vermogen) que adquirimos
a
'dominar'
uma
linguagem
natural
sentido lingüisticamente comunicável
perturbadas, torná-la inteligível".
p.
26.
"se
à medida
à arte
de
todas
refere
a
as
uma
que aprendemos
de compreender
um
e, no caso de comunicações
HAB ERMAS , J.• Dialética
...
ANEXOS
238
ANEXO
1
OS FUNDAMENTOS DO PENSAMENTO DE HABERMAS
o
Esclarecimento
influência
KANT
pensamento habermasiano
alemão
e os principais
em seus princípios
- pelo princípio
razão, coragem
a
Critica
emancipatório
da Razão
critica
à
ERIKSON
da
conceito
critico
da
Cultura
e
o
interesse
(libertador do sujeito).
o endeusamento
da máquina.
cognitivo.
- a Critica da ideologia,
-
sã09:
(critica metódica) .
Ciência,
PIAGET - o desenvolvimento
e o "discurso
que exerceram
(a força da reflexão).
SPENGLER - a Critica ao Barbarismo,
NIETSZCHE
do
da razão pela razão e Teoria da Modernidade.
- a concepção
FRBUD
teóricos
autores
da Racionalidade,
HEGEL - o Esclarecimento
~
à tradição
vincula-se
da teoria do conhecimento
da Modernidade".
conceito
da
"identidade
do
Eu"
e
a
"Crise
da
identidade".
HEIDEGGER
- a dimensão existencial
(o fundamento
~TTGENSTEIN - a dimensão da análise filosófica
do ser).
da linguagem.
9TESSER.G. I.. Teoria crítica em Haberrnas e sua importância na educação. Porto
Alegre: PUCRS. 1991. p. 498. ( mimeo )
239
HOSSERL
a
dimensão
fenomenológica
ou
orientação
da
consciência.
POPPER - faz uma crítica à dimensão da Falibilidade
CHOMSKY
- a dimensão
PARSONS
o
cognitiva.
funcionamento
institucionalização
das
estruturas
- analisa
no
processo
de
da ação racional.
WBBER - a racionalização social/cognitivo
FOUCAULT
Científica.
o poder
nas
instrumental
sociedades,
moderna.
a produção
das
verdades e suas relações.
ANNAH ARENDT
- aplicações
do conceito
comunicativo
do Poder e
suas manifestações.
KOHLBBRG
-
a
dimensão
do
desenvolvimento
Moral,
da
Ética
cognitiva.
ESCOLA
DE
FRANKFURT
disciplinar e a
nexo Teoria
- nela
crítica
& Práxis.
Habermas
da Sociedade,
busca
a análise
a crítica
inter-
dialética
e o
240
ANEXO 2
AS DENÚNCIAS APRESENTADAS PELA TEORIA CRÍTICA
#
A
Teoria
Tradicional
Industrial.
O
mundo
pragmatismo,
positivismo.
# O Totalitarismo
sistemas
neoconservadorismo
das
crenças,
(nazismo,
# A Ideologia
stalinismo,
fascismo),
dogmatismo,
repelindo
Burguesa
(Capitalismo).
Capitalista.
# A Dominação Reacionária
# Desigualdades
Sociais
Burguesa:
(Estado Público
# A Fetichização
da Política.
# A Pseudo-Democratização
# A Racionalidade
Manipulação
instrumental
os Monopólios.
(concentração
# Abuso do Poder
A
metafísica,
Sociedade
fechados.
# Ideologia Iluminista
#
da
Burguês).
Vigente
Tecno-Burocrática
Ideológica
de renda).
no Mundo Atual.
da Modernidade.
(ciência
e
técnica)
razão
(positivismo).
# A Administração
Totalitária
# A Indústria Cultural
(padronização
(cu~onsumista).
da consciência).
241
ANEXO 3
JÜRGEN
HABERMAS
POR JÜRGEN HABERMAS
"Qualquer um muda durante o ciclo de uma história
pessoal. Contudo eu pertenço a um tipo mais inflexível, duro,
a quem se atribui uma identidade burguesa rígida. Por isso não
creio que, em relação às minhas concepções básicas, tenha
mudado mais do que foi necessário para sustentá-las em
circunstâncias históricas diferentes. Trabalho como filósofo
e sociólogo, e por isto as pessoas a quem meu trabalho se
dirige, em primeiro lugar, ocupam cargos no sistema científico
e educacional;
de vez em quando eu atuo no jornalismo
político, e escrevo em jornais e semanários ou nas chamadas
revistas culturais. Em ambos os casos, quem está interessado
no que escrevo devem ser os intelectuais de esquerda - e,
evidentemente, os especialistas do outro lado. Não me sinto
como vanguarda, nem sonho com um sujeito revolucionário.
Atualmente
estou mais distante das atitudes dos jovens
politicamente ativos, incluindo muitos estudantes, do que já
estive anteriormente. Em minha opinião eles se tornaram menos
políticos, mais conservadores em seus sentimentos, menos
teóricos.e ao mesmo tempo mais abertos à herança do romantismo
político, do neoconservadorismo, etc.; tão duvidosa em nosso
país. Mas considerem minha opinião como algo mais do que os
preconceitos costumeiros que o processo geral de envelhecimento
da nova esquerda - ela não diminui meu prazer irrestrito nas
discussões com meus estudantes, nas discussões em geral "10.
10
HABERMAS, I.. Um Perfil Filosófico-Político.
p. 101-102.
242
ANEXO 4
Bõhler" apresenta os três "interesses" da teoria habennasiana, no esquema
a seguir:
INTERESSE DO CONHECIMENTO EMANCIPATÓRIO
Constitui o conhecimento geraI, as realizações formais do conhecimento, a lógica, etc. Põe
em ação um conhecimento critico: critica da ideologia, psicanálise.
Interesse do Conhecimento
Interesse do Conhecimento
Prático
Técnico
Constitui as Ciências
Constitui as Ciências
Hennenêutico-Históricas
Empírico- Analíticas
11
cít., p. 168.
BOHLER. D. Zur Geltung des Emanzipatorischen
Interesses.
SIEBENEICHLER. op.
BmLIOGRAFIA
.
244
1. OBRAS DE JÜRGEN HABERMAS
01- Teonay Praxis: Estudios de Filosofia Social. Trad. Salvador Más Torres e Carlos Moya
Espí. Madrid: Tecnos, 1990. Tradução de: Theorie und Praxis. Dannstadt: Hennann
Luchterhand Verlag, 1963.
Trad. Artur Morão. Lisboa : Edições 70, 1968.
Tradução de: Technick und Wissenschaft ais "ldeologie". Frankfurt: Suhrkamp, 1968.
02 - Técnica e Ciência como "Ideologia",
03 - A Crise de Legitimação no Capitalismo Tardio. Trad. Valmireh Chacon. Rio de Janeiro:
Tempo Brasileiro, 1980. Tradução de: Legitimationsprobleme im Spaetkapitalismus. Frankfurt
: Suhrkamp, 1973.
04 - La Lógica de las Ciencias Sociales. Trad. Manuel Jiménez Redondo. Madrid: Tecnos,
1988. Tradução de: Zur Logik der Sozialwissenschaften. Frankfurt: Suhrkamp, 1973.
05 - Para a Reconstrução do Materialismo Histórico. Trad. Carlos Nelson Coutinho. São
Paulo: Brasiliense, 1990. Tradução de: Zur Rekonstruktion - des Historischen Materialismus.
Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1973.
06 - Conhecimento e Interesse: com um Novo Posfácto. Introdução e tradução de José N. Heck.
Rio de Janeiro: Guanabara, 1973.
07 - Mudança Estrutural da Esfera Pública. Trad. Flávio R. Kothe. Rio de Janeiro: Tempo
Brasileiro, 1984. Tradução de: Strukturwandel der Õffentlichkeit, Dannstadt : Hennam
Luchterhand Verlag, 1976.
08 - Consciência Moral e Agir Comunicativo. Trad. Guido A. de Almeida. Rio de Janeiro:
Tempo Brasileiro, 1989. Tradução de: Moralbewusstsein und Kommunikatives Handeln.
Frankfurt: Shurkamp, 1983.
09 - Teoria de la Acción Comunicativa: Complementos y Estudios Previos. Madrid: Catedra,
1984.
10 - EI Discurso Filósofico de la Modernidad. Trad. Manuel Jiménez Redondo. Madrid:
Taurus, 1989. Tradução de: Der Philosophische Diskurs der Modeme. Frankfurt: Suhrkamp,
1985.
11 - Escritos sobre Moralidad y Eücidad: Trad. Manuel Jiménez Redondo. Barcelona: Paidós,
1991. Tradução de: Moralitãt und Sittlichkeit. TrefIen Hegels Einwãnde gegen Kant auch auf
die Diskurseethik zu? en: Moralitãt und Sittlichkeit. Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1986.
12 - Teoria de la Acciôn Comunicativa. Tomo I (Racionalidad de la acción y racionalización
social). Madrid: Taurus, 1987.
13 - Teoria de la Accion Comunicativa. Tomo II (Critica de la razón fimcionalista). Madrid:
Taurus, 1987.
14 - Dialética e Hermenêutica. Trad. Álvaro L. M. Valls. Porto Alegre: L&PM Editores, 1987.
15 - Pensamento Pôs-Metafisíco.
Trad. Flávio Beno Siebeneich1er. Rio de Janeiro: Tempo
245
Brasileiro,
Frankfurt:
1990. Tradução de: Nachrnetaphysisches
Suhrkamp Verlag, 1988.
Denken, Philosophische Aufsãtze.
16 - REVISTA TEMPO BRASILEffi.O. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, n. 98, jul./set.
1989.
17 - Identidades
Tecnos, 1989.
Nacionales y Postnacionales.
18 - O Discurso Filosófico daModernidade.
Quixote, 1990.
19-5obre la Relacion entrePoliticayMoral.
1991.
Trad. Manuel Jiménes Redondo. Madrid:
Trad. Bernardo, Ana Maria et al. Lisboa : Dom
Trad. Leserre, Daniel. Buenos Aires: Almagesto,
20 - Que Significa el Socialismo Hoy? La Revoluciôn Restauradora y la Necestdad de una
Revision desde la Izquierda. Trad. Sabato, Hilda. Buenos Aires : Almagesto, 1991.
21 - La Necesidad de Revision de la Izquierda. Trad. Redondo, Manuel Jiménez. Madrid :
Tecnos, 1991.
22 - Hahermas: Sociologia. Trad. Barbara Freitag e Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo : Ática,
1993. (Coleção Grandes Cientistas Sociais, 15).
23 -Passado como Futuro. Trad. Flávio Beno Siebeneichler. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro,
1993.
24 - Sobre Nietzsche y Otros Ensaios. 2a ed. Trad. Manuel Jiménez Redondo. Madrid: Tecnos,
1994.
2. OBRAS SOBRE JÜRGEN HABERMAS
01 - ALV AREZ, Ricardo. J. Habermas:
Almagesto, 1991.
Verdad y Accion Comunicativa. Buenos Aires :
02 - ARAGÃO, Lucia Maria de Carvalho. Razão Comunicativa e Teoria Social Crítica em
Júrgen Habermas. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1992. 146p.
03 - ASSOUN, Paul-Laurent. A escola de Frankfurt. Trad. Helena Cardoso. São Paulo:
Ática, 1991. 104p. (Fundamentos, 76). (Tradução de: L'École de Francfort). 104p.
04 - ASSOUN, Paul-Laurent. A Escola de Frankfurt. Trad. Helena Cardoso. Lisboa: Dom
Quixote, 1989. 123p. (Universidade moderna, 87). (Tradução de: L'École de Francfort).
123p.
05 - DEMO, Pedro. Pesquisa e Construção de Conhecimento: Metodologia Científica no
Caminho de Habermas. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1994. 125p.
06 - DUTRA, Delamar J. Volpato. Razão e Consenso: uma Introdução ao Pensamento de
Habermas. Pelotas: UniversitárialUFPEL, 1993. 174p.
246
07 - FREIT AG, Barbara. A Teoria Crítica: Ontem e Hoje. 3. ed. São Paulo: Brasiliense,
1990. 19Op.
08 - GEUSS, Raymond, Teoria crítica: Habermas e a Escola de Frankfurt.
Itamar Borges. Campinas, SP: Papiros, 1988. 16Op.
Trad. Bento
09 - GUIDDENS, Anthony, HABERMAS, Jürgen, JAY, Martin et aI. Habermas y la
Modernidad. 2.ed. Madrid: Cátedra, 1991. 346p.
10 - HAGUETTE,
175p.
Teresa M. Frota (Org.). Dialética Hoje. Petrópolis, RJ : Vozes, 1990.
11 - INGRAM, David. Habermas e a Dialética da Razão. Trad. por Sérgio Bath. Brasília:
Ed. UNB, 1993. 33Op. (Tradução de: Habennas and the dialectic of reason). 297p.
12 - MacINTYRE, Alasdair. Justiça de Quem? Qual Racionalidade? Trad. Marcelo Pimenta
Marques. São Paulo: Loyola, 1991. 44Op. (Tradução de: Whose justice? Which rationality?)
437p.
13 - McCAR1HY, Thomas. La Teoria Crítica de Júrgen Habermas. Trad. Manuel Jiménez
Redondo.
Madrid: Tecnos, 1992. 48Op. (Tradução de: The criticaI theory of Jürgen
Habennas) 479p.
14 - PINTO, F. Cabral. Leituras de Habermas; Modernidade e Emancipação.
do Texto, 1992. 293p.
Coimbra: Fora
15 - PJZZI, Jovino. Ética do Discurso,' a Racionalidade Ético-Comunicativa. Porto Alegre:
EDIPUCRS, 1994. 158p.
16 - SIEBENEICIll.ER,
Flávio Beno.
Júrgen Habermas; Razão Comunicativa e
Emancipação. 2ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1990. 181p. (Biblioteca do Colégio do
Brasil, 2) 181p.
17 -1ESSER, G. J. Teoria crítica em Habermas e sua Importância na Educação. Porto Alegre
: PUCRS, 1991. 498p. (mimeo)
18 - WIllTE, Stephen K. Razão, Justiça e Modernidade: a Obra recente de Júrgen
Habermas. Trad. Márcio Pugliesi. São Paulo: Ícone, 1995. 183p.
3. BmLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
01 - ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 28 ed. São Paulo: Mestre Jou, 1962.
(Tradução de: Dizionario di filosofia), 976p.
02 - AOORNO, Theodor W. Minima Moralia; Reflexões a Partir da Vida Danificada. Trad.
Luiz Eduardo Bicca. São Paulo: Ática, 1992. 216p. (Temas, v.30). (Tradução de: Mínima
Moralia).
03 - AOORNO, T. W. e HORKHEIMER. Dialética do Esclarecimento.
Trad. Guido Antonio
247
de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1991.
04 - APEL, Karl-Otto. Estudos de Moral Moderna. Trad. Benno Dischínger, Petrópolis:
Vozes, 1994. 296p. (Tradução de: Transfonnation der phi1osophie).
05 . Teoria de la verdad y ética dei discurso. Trad. Norberto Smi1g. Barcelona:
Paidós Ibérica, 1991. 184p. (pensamiento Contemporáneo, 13). (Tradução de: Fallibilismus.
Konsenstheorie der Wahrheit und Letztbegründung)
06 . Una Etica de la Responsabilidad en la Era de la Ciencia. Trad. Mario
Caimi e Daniel Leserre. Buenos Aires: Almagesto, 1992.
07 - ARANGUREN, José Luis L. Propuestas Morales.
(Cuadernos de Filosofia y Ensayo).
08 - ARISTÓTELES.
09 10 -
o
2ed. Madrid: Tecnos, 1990. 135p.
Poética. Trad. Eudoro de Souza. Porto Alegre: Globo, 1966. 252p.
A Ética a Nicômaco: São Paulo: Nova Cultural, 1987. (Os Pensadores).
. A Ética. São Paulo: Nova Cultural, 1987. (Os Pensadores).
11 - ARAÚJO, Luís de. A Ética como Pensar Fundamental. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa
da Moeda, 1992.
12 - BEDARD, Rennée. Les Fundaments Philosophiques de la Direction: Montreal, 1995. 663
p.
13 - BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade.
Trad. Carlos Felipe Moisés e Ana Maria loriatti. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.
36Op. (Tradução de: AlI that is Solid Melts into Air).
14 - BOTIOMORE, Tom (ed.). Dicionário do Pensamento Marxista.
Zahar, 1993. (Tradução de: A dictionary ofMarxist thought) 454p.
Rio de Janeiro: Jorge
15 - BRAUDEL, Fernand. A Identidade da França. Trad. Lygia A. Watanabe. São Paulo:
Globo, 1989. 205p. (Tradução de: L'identité de la France).
16 - BRAVERMAN, Hany. Trabalho e Capital Monopolista: a degradação do trabalho no
século xx. Trad. Nathanael C. Caixeiro. 3ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1987.
38Op. (Tradução de: Labor and Monopoly Capital: The Degradation of Work in the Twentieth
Century).
17 - BUARQUE, Cristovarn. A Desordem do Progresso: o fim da era dos economistas e a
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ERRATA
Na página 41, na última linha, incluir, após a palavra "condições", "de busca".
Na página 41, faltou a nota de rodapé n" 32: HOBSBAWM, Eric J. A Era das Revoluções.
Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: paz e Terra, 1991. p. 256.
Na página 196, no 2° parágrafo, substituir a palavra "empreende" pela palavra "vivenciamos".
Na página 199, introduzir a chamada "(ANEXO 1)" no segundo parágrafo, após a palavra
"Habermas" .
Na página 200, introduzir a chamada "(ANEXO 2)" no segundo parágrafo, após "Teoria
Social Crítica".
Na página 204, introduzir a chamada "(ANEXO 3)" no terceiro parágrafo, após a palavra
"Habermas".
Na página 206, introduzir a chamada "(ANEXO 4)" no primeiro parágrafo, após "teoria dos
interesses" .
Na página 240, na última linha, onde se lê "cuIa", leia-se "cultura".
Na página 248, na nota de rodapé n" 33, a data correta é "1990", ao invés de "1997".
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