Benchmarking Relatório Global Sector Vitivinícola e Construção Junho 2005 Projecto financiado por: Ministério da Economia e da Inovação Ficha Técnica Entidade Nacional de Benchmarking (ENB): Superação SPA Consultoria Urb. Vila Campos, Lote L II, ent. B 5000-063 Vila Real tel: 351 259 326294 fax: 351 259 326295 e-mail: [email protected] Promovido por: NERVIR - Associação Empresarial Alameda de Grasse, Apartado 142 5001-910 Vila Real Codex PORTUGAL tel: 351259330640 fax: 351259330649 E-mail: [email protected] http://www.nervir.pt Co-financiamento: Ministério da Economia e da Inovação 2 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Índice 1 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................4 2 OBJECTIVOS E METODOLOGIA .........................................................................................5 2.1 2.2 2.3 2.4 3 3.1 3.2 3.3 3.4 4 4.1 4.2 4.3 4.4 5 5.1 5.2 5.3 5.4 6 OBJECTIVOS ...............................................................................................................................5 METODOLOGIA GERAL .............................................................................................................6 TÉCNICAS E INSTRUMENTOS .....................................................................................................7 PLANO DE TRABALHOS EXECUTADOS .......................................................................................8 AGREGADO DAS ADEGAS COOPERATIVAS..................................................................12 CRITÉRIOS DE BENCHMARKING..............................................................................................12 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA ............................................................................................13 ANÁLISE DOS INDICADORES DA AMOSTRA .............................................................................14 ESPECIFICIDADES DO SECTOR ................................................................................................20 AGREGADO DAS QUINTAS .................................................................................................21 CRITÉRIOS DE BENCHMARKING..............................................................................................21 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA ............................................................................................22 ANÁLISE DOS INDICADORES DA AMOSTRA ..............................................................................22 ESPECIFICIDADES DO SECTOR ................................................................................................28 AGREGADOS DA CONSTRUÇÃO .......................................................................................29 CRITÉRIOS DE BENCHMARKING..............................................................................................29 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA ............................................................................................30 ANÁLISE DOS INDICADORES DA AMOSTRA ..............................................................................30 ESPECIFICIDADES DO SECTOR ................................................................................................37 AVALIAÇÃO DOS EXERCÍCIOS DE BENCHMARKING ...............................................38 Relatório Global 3 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 1 Introdução O presente documento sistematiza o estudo dos sectores de Vitivinícola e Construção com base na realização de exercícios de benchmarking, promovidos pela NERVIR e realizados pela Superação SPA consultoria, na qualidade de Entidade Nacional de Benchmarking acreditada pelo IAPMEI. Estes exercícios foram efectuados tendo como base o Índice de Benchmarking Português (IBP) gerido pelo IAPMEI. Os exercícios de benchmarking são acções implementadas nas empresas, por técnicos da SPA devidamente acreditados pelo IAPMEI como Consultores Nacionais de Benchmarking, que utilizando uma estrutura comum de indicadores quantitativos e qualitativos (financeiros, de produção, genéricos de gestão, de marketing e Modelo de Excelência) recolhem, interpretam e comparam os dados das empresas, num contexto nacional e internacional e elaboram um plano de oportunidades de melhoria. No caso concreto, destes exercícios de benchmarking na vitivinicultura e construção, apenas se pretendeu analisar o desempenho ao nível da gestão, financeiro e de excelência incidindo a análise num âmbito mais regional. Sistematizamos neste relatório, desde logo, os objectivos e a metodologia subjacentes a estes exercícios, assim como as técnicas e instrumentos utilizadas e uma descrição detalhada do plano de trabalhos executados. De acordo com o sector a que pertencem, agregaram-se as empresas em três grupos: Construção, Adegas Cooperativas e Quintas (empresas cuja actividade é a produção de vinho). Agregados, estes, cuja amostra caracterizamos neste relatório final, fazendo também referência ao critérios de benchmarking utilizados, às principais especificidades do sector, analisando todos os indicadores e sistematizando as principais oportunidades de melhoria. Em conclusão apresentamos os resultados do inquérito de avaliação da satisfação das empresas com este exercício que embora não inclua todas as respostas devido a ainda não terem sido recebidas na data de conclusão deste relatório, evidencia resultados pertinentes de análise, reflexão e actuação futura. Relatório Global 4 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 2 Objectivos e Metodologia 2.1 Objectivos Em 2002 a NERVIR – Associação Empresarial através da realização do Observatório das Dinâmicas Empresariais teve como objectivo aprofundar os conhecimentos sobre as fileiras da Construção Civil e Obras Públicas e da Vitivinicultura. Com os presentes exercícios de Benchmarking pretendeu-se, aproveitando os conhecimentos que dispomos, fruto dos estudos anteriormente realizados, analisar o desempenho de 25 PME do sector da Construção Civil e Obras Públicas e do sector Vitivinícola com especial destaque para as Adegas Cooperativas, incidindo sobretudo numa análise mais de âmbito regional. A importância deste estudo, revela-se não só pela ferramenta utilizada mas também por esta ter sido aplicada pela primeira vez numa amostra significativa de empresas da região. Assim temos dois pontos estratégicos: a) Primeiro, a ferramenta de Benchmarking que tem vindo, desde há muito, a ser aplicada com sucesso em grandes empresas internacionais. Contudo, a sua aplicação não é exclusiva de grandes empresas, sendo também usada com sucesso em pequenas e médias empresas de diversos países como a Inglaterra, Itália, Espanha e Portugal, onde têm sido desenvolvidas diversas acções neste domínio, atestando um forte empenho em estimular e consolidar a sua utilização. A provar isso mesmo, durante as conclusões finais do Concelho Europeu realizado em Lisboa nos dias 23 e 24 de Março de 2000, a ferramenta Benchmarking foi apontada como útil e que deveria ser promovida em diversas áreas nomeadamente: D Preparar a transição para uma economia competitiva e dinâmica D Apoio a Políticas Europeias de pesquisa e inovação D Criação de um ambiente favorável e de desenvolvimento, especialmente para as PME’s. Esta visão vem de encontro às novas estratégias delineadas pelas empresas europeias, na procura constante de melhorar a produtividade e competitividade. Este facto pode ser Relatório Global 5 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria aferido pelo aumento substancial na procura de serviços relacionados com o Benchmarking. b) O segundo ponto estratégico, prende-se com o facto destes exercícios terem sido realizados com empresas, que dados os seus conhecidos constrangimentos económicos, potenciam uma nova realidade de excelência, ajudando o crescimento da região. Assim, pondo à disposição destas empresas uma ferramenta de inegável valor no apoio à gestão, esperamos ter contribuído para o seu desenvolvimento futuro e da nossa Região. 2.2 Metodologia Geral A metodologia subjacente a este estudo teve por base a metodologia proposta pelo IAPMEI para a realização dos exercícios de benchmarking. É possível través do IBP efectuar uma avaliação em termos das seguintes áreas às quais corresponde um conjunto de questões: a) Avaliação de Gestão; b) Avaliação Financeira; c) Marketing e de Desenvolvimento de Produtos/Serviços; d) Avaliação da Excelência; e) Avaliação de Energia e Ambiente; f) Avaliação de Saúde e Segurança no Trabalho; g) Avaliação da Logística e Transportes. Dado que o IBP foi construído tendo por base o Benchmarking Índex é possível, desde que sejam preenchidos os questionários nessa base de dados (UKBI), efectuar comparações com os países que também adoptaram esta metodologia de avaliação de desempenho: Alemanha, Áustria, Espanha, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália e Reino Unido, tendo para tal que mencionar nos critérios de benchmarking a região ou país com quem se desejam comparar. No âmbito dos actuais exercícios apenas se pretendia analisar o desempenho das empresas nas áreas de Gestão, Financeira e Excelência, que aliás representam os módulos base de preenchimento obrigatório em qualquer exercício de benchmarking. Relatório Global 6 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 2.3 Técnicas e Instrumentos Depois de informarmos as empresas sobre a metodologia Benchmarking e Boas Práticas (BBP) quer através de participação em workshops, quer através de visitas presenciais, procedeu-se à entrega de um dossier com a apresentação da ferramenta BBP, das vantagens e benefícios, e com os questionários para preenchimento. A informação foi recolhida nas empresas através dos questionários de avaliação de gestão, financeiro e de excelência que depois de validados foram inseridos no IBP (Índice de Benchmarking Português - base de dados gerida pelo IAPMEI). O processo de validação assentou na verificação dos elementos, tendo sido solicitado no caso dos questionários financeiros, elementos Contabilísticos: Balanço Analítico e Demonstração de Resultados entre outros. No processo de validação procurou-se não só assegurar que as empresas tinham preenchido correctamente todos os dados, mas também, que tinham interpretado as perguntas de forma idêntica, para o que, foi fundamental uma tabela criada com a indicação das contas do POC a considerar no preenchimento do questionário financeiro. No questionário de gestão e de excelência sempre que nos pareceu que poderia ter sido mal interpretada alguma questão confirmou-se os motivos que levaram a considerar as respostas dadas. Depois de introduzidos os dados no IBP e preenchidos os critérios de benchmarking, ou seja os critérios que cada empresa define como e com quem se quer comparar foram gerados os diversos relatórios de benchmarking. Na posse destes relatórios, criou-se uma Macro de modo a efectuar automaticamente a apresentação dos indicadores com desempenhos inferiores (posição igual ou inferior a 25) e os com desempenhos superiores (posição igual ou superior a 75), valores estes que foram depois considerados nos relatórios individuais realizados para cada empresa na análise global. Para além desta análise global e após a apresentação da metodologia do IBP, dos critérios de benchmarking e especificidades dos sectores, inclui-se nos relatórios individuais de cada empresa uma análise pormenorizada de todos os indicadores, terminando com referência às oportunidades de melhoria detectadas, anexando-se os relatórios financeiro, de gestão e de excelência gerados pelo IBP. Relatório Global 7 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 2.4 Plano de trabalhos executados Plano de Trabalhos Projecto Benchmarking NERVIR Dead line 10/06/2005 Recursos Cronograma Mês/semana Março Abril Maio Junho Fev Calendarização Dias 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Preparação da amostra preparação e validação com nervir HM 21/02 a 24/02 1º Visita as empresas - Apresentação/ Objectivos carta empresas + mailling Telefonema de aferição do interesse Preparação workshop Workshop e entrega de formulários Alterações e visitas de esclarecimento HM; LN; CP LN; CP HM; LN; CP HM; LN; CP LN; CP 15/03 - 16/03 21/03 - 25/03 21/03 - 25/03 29/03/05 30/03 - 15/04 Telefonemas e Cartas a novas empresas para aferição de interesse em função das respostas negativas obtidas LN; CP Visitas para entrega de questionários às novas empresas LN; CP 2 2 2 2 1 12 15/04 - 13/05 18/04 - 13/05 2º Visita as empresas - Recolha de dados Telefonemas e preparação reunião Visitas a empresas (25) recolha de questionários e validação Resoluções pontuais LN; CP 26/04 a 12/05 HM;LN; CP LN; CP 02/05 a 21/05 20/05 a 21/05 5 Introdução de dados no BBP Introdução de dados (25) Retirada de relatórios (25) HM HM 16/05 a 21/05 23/05 a 25/05 4 1 Analise de Relatorios Análise critica e elaboração de Plano de Oportunidades de Melhoria Validação com NERVIR HM;LN; CP HM;LN 26/05 a 05/06 02/06/05 14 1 3º Visita as empresas - Entrega de relatórios Preparação e telefonemas Entrega de relatórios (25) LN; CP LN; CP 26/05 a 01/06 01/06 a 10/06 2 10 Relatório final Preparação do relatório Validação HM; LN HM; LN 05/06 a 10/06 10/06/05 4 1 Preparação da amostra Iniciaram-se os trabalhos com a preparação da amostra – um painel de 25 empresas, apontando-se inicialmente para 15 do sector Vitivinícola e 10 da Construção. Este trabalho foi realizado conjuntamente com os técnicos da NERVIR envolvidos neste estudo, tendo assim a NERVIR colaborado na selecção das empresas, validando-as. Teve-se o cuidado de seleccionar empresas dentro do mesmo ramo de actividade de forma a ser relevante a comparação entre si. No caso do sector vitivinícola, apercebemo-nos de que existia um estilo de gestão completamente diferente, daí se ter optado por dois grupos, um com as Adegas Cooperativas e outro com as Quintas (empresas agrícolas de produção de vinho), ainda que não se tenha descurado o facto de se ter de assegurar pelo menos oito empresas em cada grupo de forma a não inviabilizar a Relatório Global 8 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria extracção dos relatórios do sistema, dado que é uma regra base do IBP que assegura a confidencialidade dos dados da amostra. Apresentação da ferramenta e objectivos – 1ª Visita às empresas Na posse de uma listagem de 32 empresas, enviou-se-lhes um convite, por carta para participarem num Workshop a realizar na NERVIR, tendo-se posteriormente telefonado a aferir o seu interesse em integrar o painel das 25 empresas com possibilidade de realizar estes exercícios de benchmarking e de participar no 1º Workshop. Efectivamente tínhamos previsto organizar 2 Workshops na NERVIR, com a finalidade de apresentar às empresas a ferramenta do IBP, suas vantagens e benefícios. Todavia apesar de se ter recebido a confirmação de participação por parte de 15 empresas para o 1º Workshop, compareceram apenas menos de metade, tendo-se feito uma apresentação em powerpoint sobre a ferramenta e debatido com os presentes as vantagens e benefícios da utilização desta ferramenta inovadora de gestão. Como as empresas ainda não tinham as contas encerradas da Contabilidade, optou-se por não se entregar nesse momento os questionários, disponibilizando apenas um dossier com a apresentação do IBP, folheto do IAPMEI do IBP e uma folha de aferição de interesse de participação nos exercícios de forma a controlar o número de empresas interessadas em participar nos exercícios. Atendendo à insuficiente comparência das empresas no 1ª Workshop decidiu-se contactar presencialmente todas as empresas. Assim, no início do mês de Abril foram realizados os contactos às empresas, apresentando a ferramenta IBP, suas vantagens e benefícios e convidando-as a participar na realização de exercícios de benchmarking. Entregámos um dossier às empresas com uma apresentação sobre esta ferramenta de gestão, o folheto do IAPMEI do IBP e os Questionários Financeiro, de Gestão e de Excelência, tendo-se agendado uma data para recolha e/ou ajuda no preenchimento dos questionários, em muitos casos foi possível trazer de imediato a ficha de interesse de participação devidamente preenchida. Dos 32 contactos iniciais efectuados junto das empresas apenas 15 manifestaram interesse em participar no painel para a realização dos exercícios de benchmarking. Na sequência de visitas realizadas, onde as empresas disseram não dispor de meios para participar nestes exercícios e noutros casos por impossibilidade de falar com os responsáveis pelas empresas, houve necessidade de procurar novas empresas, formular novos convites por fax e correio, efectuar novos telefonemas para agendar novas reuniões às 10 novas empresas. Assim durante o mês de Abril e 1as semanas de Maio ainda não tínhamos o painel das 25 empresas todo assegurado. Relatório Global 9 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Deparámo-nos então com um outro contratempo: as empresas manifestaram interesse em comparar-se com as restantes empresas do sector com os dados de 2004, pelo que também não era possível começar a recolher dados, pois grande parte das empresas esperava ter as contas devidamente encerradas apenas no fim dos mês de Maio. Durante o Workshop e em todas as entrevistas referimos que se asseguraria a confidencialidade de toda a informação, quer em termos dos elementos que ficaram na posse da SPA, quer os inseridos na base de dados cuja gestão é da responsabilidade do IAPMEI que por sua vez também assegura total confidencialidade dos mesmos. Recolha dos dados – 2ª Vista às empresas Em Maio iniciamos a recolha de questionários e respectiva validação pelos Consultores Nacionais de Benchmarking. No sentido de validarmos correctamente os dados, criou-se um documento de suporte que facilitou a validação dos dados do questionário Financeiro. Para a recolha de dados telefonámos às empresas a fim de agendarmos uma reunião, disponibilizando-nos para eventuais esclarecimentos, apesar de algumas (poucas) empresas terem optado por enviar por correio com os elementos Contabilisticos para respectiva validação. Durante o processo de recolha e validação houve desistências por parte de algumas empresas que se tinham comprometido a participar através do preenchimento das fichas de interesse, umas por falta de encerramento das contas, outras por falta de tempo para nos receber, tendo que iniciar todo o processo: convite – esclarecimentos por telefone - reunião de entrega de questionários - reunião de recolha e ajuda no preenchimento dos questionários a mais 10 empresas ao que denominamos no plano de trabalhos de resoluções pontuais. Assim para a realização de 25 exercícios de benchmarking contactamos 52 empresas em função das respectivas actividades económicas. Introdução de dados no IBP Após a validação da informação recolhida junto das empresas procedeu-se à introdução dos dados no sistema IBP e respectivos critérios de benchmarking após o que se geraram os relatórios. Começámos por gerar os relatórios do sector Vitivinícola com as Adegas Cooperativas, ou seja atendendo ao pedido efectuado pela maioria, de apenas ser comparadas com Adegas Cooperativas dadas as especificidades de gestão destas entidades. Foram depois gerados os relatórios para as restantes empresas do sector vitivinícola, tendo considerado para todas um CAE 1132 de forma a poder comparar as empresas de produção de vinho. Relatório Global 10 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Na Construção Civil geraram-se os relatórios atendendo ao critério de benchmarking da área de actividade – Construção Civil e Obras Públicas de forma a ser possível comparar o desempenho das 9 empresas participantes nestes exercícios. Análise dos Relatórios Os CNB da SPA, na posse dos relatórios gerados pelo sistema IBP, procederam à análise comparativa do desempenho das empresas em termos de gestão, financeira e de excelência, elaborando um relatório individual por cada uma das 25 empresas do painel, com uma análise global e de cada indicador, finalizando com a apresentação das principais oportunidades de melhoria. Entrega dos Relatórios - 3ª visita às empresas Foram preparados os relatórios individuais para entrega a cada uma das 25 empresas, devidamente encadernados. Juntamente com o envio do Relatório Individual de análise dos indicadores e oportunidades de melhoria foi enviado um questionário a aferir a sua satisfação e se o seu interesse em repetir os exercícios de Benchmarking. A tarefa de envio destes relatórios coube à NERVIR. Posteriormente telefonámos para agendar as reuniões de apresentação e discussão da Análise dos Relatórios nas Instalações da SPA. Relatório Final Após o trabalho realizado no que diz respeito propriamente aos exercícios de benchmarking foi elaborado este relatório final com destino à NERVIR para se incluir a análise e tratamento dos dados dos Questionários de Benchmarking. Embora que à data da conclusão deste relatório não tenhamos recebido a totalidade dos questionários de avaliação da satisfação, os existentes já permitem conclusões pertinentes. Discussão da Análise dos Relatórios com as empresas Foram realizadas reuniões de discussão dos resultados do exercício com as empresas que demostraram esse interesse, havendo ainda reuniões agendadas para o próximo mês. O grupo que, até ao momento, mostrou maior interesse na discussão dos resultados e na implementação das oportunidades de melhoria foi o do sector da construção. Estas reuniões que demoraram em média 2 horas, foram focalizadas nas oportunidades de melhoria já que a interpretação dos resultados foi realizada de forma muito acessível. Relatório Global 11 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 3 Agregado das Adegas Cooperativas 3.1 Critérios de Benchmarking Os exercícios de Benchmarking baseiam-se na análise e comparação do desempenho entre empresas, competindo-lhes definir previamente os critérios de benchmarking, ou seja com quem se querem comparar em termos de: Região, Classificação da Actividade Económica ou área de Actividade, Volume de Negócios e Número de Trabalhadores. Estando perante empresas do Sector Cooperativo Vinícola foi assinalada a intenção de se compararem entre entidades semelhantes, ou seja adegas cooperativas e não com empresas agrícolas com produção de vinho dadas as diferentes especificidades ao nível da gestão e da produção. Algumas mencionaram o interesse em se compararem tendo em conta o Volume de Negócios e de Número de Trabalhadores, mas para o sistema IBP gerar os relatórios existe a obrigatoriedade de existirem pelo menos oito empresas com os critérios definidos, pelo que não foi possível respeitar na integra os critérios assinalados nos questionários. No entanto, com o aumento do número de empresas portuguesas que cada vez mais realizam exercícios de benchmarking, espera-se que, a curto prazo, a empresa possa refinar os seus critérios de comparação. De forma a se obter uma análise relevante optou-se por respeitar a intenção de apenas comparar as adegas cooperativas. Como nos critérios nada se refere a este nível (adegas cooperativas) considerou-se a CAE 15931 e o ano 2004, comparando-se apenas com as empresas inseridas para este efeito, ou seja 8 Adegas Cooperativas do Distrito de Vila Real. Tivemos a preocupação de não inserir nenhuma empresa agrícola com esta CAE enquanto não se geraram os relatórios para todas as Adegas Cooperativas. No futuro as empresas poderão e deverão optar por outros critérios de comparação, podendo inclusive compararem-se com empresas de outros países onde esta ferramenta também já foi desenvolvida. Relatório Global 12 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 3.2 Caracterização da amostra A amostra regional é composta por 8 adegas cooperativas do distrito de Vila Real. A dimensão das adegas, medida em termos de volume de negócios e postos de trabalho, é muito díspar: a mais pequena factura menos de 500 mil euros e tem menos de 5 trabalhadores; a maior factura mais de 15 milhões de euros e tem mais de 85 trabalhadores. Explicitando a amostra em termos de escalões de volume de negócios, temos: 25% adegas até 2,5 milhões de euros; 25% de 2,5 a 4 milhões de euros; 25% de 4 a 9 milhões de euros; 25% com mais de 9 milhões de euros, conforme a tabela abaixo. As adegas com facturação acima dos 2,5 milhões de negócios, exportam parte da sua produção sendo que os mercados externos detêm uma importância crescente conforme a dimensão da adega. As adegas com volume de negócios dos 2,5 aos 5 milhões de euros exportam cerca de 1%. Para o escalão dos 5 aos 10 milhões de euros, as exportações significam cerca de 2%. Para o escalão acima do 10 milhões de euros, as exportações são cerca de 20% das vendas totais. Segue-se uma tabela com os dados supramencionados da amostra em função dos percentis: Inferior (percentil 5), Quartil Inferior (percentil 25), Mediana (percentil 50), Quartil Superior (percentil 75) e Superior (Percentil 95). Inferior Quartil Inferior Volume de Negócios (Milhões de Euros) Exportações (Milhões de Euros) Exportações ( %) Nº Postos de Trabalho Amostra Mediana Quartil Superior Superior Nº Adegas 0,772 2,404 4,094 8,944 14,899 8 0,000 0,007 0,050 0,756 2,997 8 0% 0% 1% 6% 20% 8 4 12 28 48 83 8 Relatório Global 13 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 3.3 Análise dos Indicadores da Amostra Os 25 exercícios de benchmarking realizados incluíram uma análise de um conjunto de indicadores (de gestão, financeira e de excelência) onde se compara a posição de cada empresa em relação à amostra, ou seja analisando o desempenho de cada empresa, constando esta análise no documento “análise do relatórios e oportunidade de melhoria” entregue a cada uma das 25 empresas. O que agora pretendemos é retractar a situação da amostra em cada um dos indicadores, para o que apresentamos de seguida todos os quadros inerentes a cada grupo de indicadores gerados pelo sistema IBP, sem nenhuma informação referente a uma empresa em específico. Quanto à interpretação dos valores das tabelas convém ter presente a leitura de percentis, onde: o valor “Inferior” significa 5% da amostra, o “Quartil Inferior” 25%, a “Mediana” 50%, o “Quartil Superior” 75% e o valor “Superior” 95%. Rentabilidade das Vendas (%) Indicadores de Rentabilidade Inferior Quartil inf Mediana -6,46 -0,62 0,06 Qualtil sup 5,23 Superior Amst 7,96 8 Rentab.Capital Investido (ROCE, %) -4,29 -0,47 0,06 3,96 7,11 Rentab.Activo Líquido (RONA,%) -2,93 -0,36 0,03 3,40 6,65 Rentab. Activo Total (ROTA,%) -1,75 -0,23 0,02 2,20 4,75 Val. Acres.Bruto (EUR) -622.271,11 146.811,44 697.794,66 2.045.646,96 4.056.460,71 VAB / Activo liquido (%) -13,16 7,20 12,02 18,13 19,73 Vol. Negócios/Encomendas (EUR) 661,33 1.175,12 3.826,45 10.640,26 17.185,82 8 8 8 8 8 6 Nas Adegas Cooperativas a rentabilidade das vendas varia entre valores negativos (-6,46) e positivos (7,96). O valor superior da amostra da rentabilidade do capital investido 7,11%, é superior ao que se conseguiria se aplicado no mercado de capitais tradicional. Tratando-se de cooperativas, cujo principal objectivo não é ter lucros mas sim maximizar a satisfação dos seus cooperantes, neste caso, pagar as uvas ao preço mais elevado possível, não são esperados indicadores de rentabilidade muito elevados, daí ser possível constatar que 50% das empresas da amostra têm rentabilidades que variam entre 0,06 e 0,02. Quanto ao valor acrescentado este varia entre valores muito elevados e valores negativos, sendo o valor mediano de 698 mil euros, o que reflecte a disparidade de dimensão das adegas cooperativas em análise. Quanto ao modelo das adegas no controlo dos circuitos de comercialização, o valor médio das encomendas varia entre 661euros e os 17.185 euros, indicando-nos que existem adegas que adoptam modelos predominantemente de venda a consumidores finais e pequenos retalhistas e Relatório Global 14 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria outras de venda a grossistas e retalhistas, ou seja nem todas as adegas cooperativas possuem os mesmos modelos de circuito de comercialização, não sendo todavia possível afirmar que um ou outro seja mais benéfico para a criação de valor acrescentado das adegas. Indicadores de Gestão Inferior Quartil inf Mediana -1,90 -0,11 0,01 0,54 2,87 12,98 110,06 142,91 266,34 2,42 60,50 105,07 -182,35 -145,96 -131,88 0,68 1,16 1,32 9,03 31,31 65,44 20,71 29,97 43,53 0,56 0,68 0,90 -0,26 1,22 2,47 Cobertura dos juros (#) Disp/ Vendas Prest.Serv.(%) Estrutura Endividamento (%,*) Grau de Endividamento Geral (%,*) Grau de Endivid. Liquido (%,*) Liquidez Geral (#) Prazo Médio de Pagamento (dias) Prazo Médio de Recibimento (dias,*) Rotação de Existências (#) Rotação do Fundo de Maneio (#) Qualtil sup 2,19 20,06 790,70 153,80 -99,48 1,71 105,22 121,07 1,37 3,28 Superior Amst 36,93 8 54,62 8 3.530,18 8 317,61 8 -73,30 8 2,16 8 193,98 8 172,75 8 2,38 8 5,81 8 As Adegas Cooperativas, com excepção de cerca de 25%, revelam óptimos níveis de liquidez, sempre superior a 1, apresentando facilidades em liquidar passivo de curto prazo com activo de curto prazo e com um nível elevado de disponibilidades face às vendas totais. O grau de endividamento geral varia entre 2,42% e 317,61%, ou seja para os valores baixos as adegas apresentam um risco reduzido para investidores e financiadores, verificando-se capacidade em financiar empréstimos com capital próprio. No entanto este indicador deve ser sempre comparado com o grau de endividamento líquido (deduzindo aos empréstimos os activos de curto prazo – existências, clientes e disponibilidades) e com as rotações de existências que apenas são elevadas para 25% das empresas da amostra. Indicadores de Produtividade Inferior Quartil inf Mediana Resultado Antes de Iimposto p/ Empregado (EUR) Valor Acrescentado Bruto p/ Empregado (EUR) Vendas e Prest. Serviços p/ empregado (EUR) Qualtil sup Superior Amst -10.909,21 -1.207,79 137,11 9.802,08 19.970,67 8 -9.715,71 19.996,69 40.676,94 60.179,17 85.938,88 8 96.890,04 161.841,79 183.543,30 212.112,82 298.627,66 8 Nas adegas cada empregado gera resultados que variam entre 11 mil euros negativos e 20 mil euros. Quanto ao valor acrescentado também há uma disparidade de valores muito grande sendo que 25% das empresas da amostra apresentam valores entre 20 mil euros e 41 mil euros. Os níveis de produtividade são bastante diferenciados o que mais uma vez é reflexo das diferentes dimensões das adegas que fazem parte da amostra. Relatório Global 15 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Invest. Equip. Prod / Amort. (%) Invest. Equip. Prod / Result. Antes Imposto (%) Invest. Equip. Prod / Vendas e Pres. Serviços (%) Invest. Formação/ Vendas e Prest. Serviços (%) Invest. I&D / Resultado Antes Imposto (%) Invest. I&D / Vendas e Prest. Serviços (%) Inv. Marketing/ Vendas e Prest. Serviços (%) Indicadores de Investimento Inferior Quartil inf Mediana 8,12 31,05 65,37 Qualtil sup 94,08 Superior Amst 138,52 6 -177,35 25,71 78,95 1.842,10 6.807,84 6 0,41 1,66 5,10 5,98 7,54 6 0,00 0,00 0,00 0,01 0,07 7 0,00 0,00 0,00 11,82 1.008,21 7 0,00 0,00 0,00 0,79 1,28 7 0,04 0,22 0,66 1,76 8,75 7 O esforço de modernização dos equipamentos produtivos não está a ser acompanhado por investimento em factores dinâmicos de competitividade. De facto o investimento em formação e investigação & desenvolvimento é nulo o que pode comprometer a sustentabilidade futura tanto em termos de recursos humanos como de valor acrescentado. No caso do investimento em marketing embora não seja nulo é quase insignificante para cerca de 50% das empresas da amostra. Indicadores de Actividade Inferior Quartil inf Mediana Var. Rentabilidade das Vendas e Prestação de Serviços (%, crescimento) Var. Rentabilidade Activo Liquido (%,crescimento) Var. Rentabilidade Capitais Invest. (%,Crescimento) Var. Vendas e Prest. Serv. (%,Crescimento) Var. Inv. Equipamento Prod./ Vendas e Prest. Serv. (%,Crescimento) Qualtil sup Superior Amst -483,00 -82,67 -57,10 -30,34 18,56 8 -542,70 -86,50 -58,29 -23,50 15,79 8 -517,50 -82,68 -57,65 -24,74 5,69 8 -26,03 -5,41 -0,55 12,15 29,05 8 -69,01 -15,51 -41,01 609,09 4.800,00 6 Comparando a actividade nos anos de 2004 e 2003, assistiu-se a um decréscimo nas vendas em cerca de 50% das adegas, o que traduz uma recessão do mercado deduzida do facto de mais de metade das adegas apresentarem valores negativos (medianas negativas). Apesar deste factor negativo o panorama nas variações das rentabilidades é ainda pior, pois 75% das adegas registam variações das rentabilidades, das vendas e prestações de serviços, do activo líquido e dos capitais investidos, negativas. De referir também que o esforço de modernização e investimento em equipamento produtivo em 2004 foi inferior ao de 2003 em metade das adegas (mediana negativa), sendo que pelo menos uma adega registou um acréscimo no investimento muito significativo. Relatório Global 16 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Indicadores de Satisfaçao do Cliente Inferior Quartil inf Mediana Encom. Canceladas Antes Entrega (%,*) Encom. Rejeitadas Durante Período de Garantia (%,*) Encomendas Não Entregues no Prazo (%,*) Percentagem do Valor das Reclamações (%,*) Reclamações por Cliente (%,*) Reclamações por Encomenda (%,*) 0 ** 0 ** 0 ** 0 ** ** 0 0,08 ** 4,41 ** 0 Superior 0 ** 0 0 Qualtil sup ** 0,83 6 5 8,97 6 47,93 4 6 5 ** 21,2 Amst Na grande maioria das adegas, não existem sistemas de informação sistemática sobre a satisfação dos clientes, tal como aliás acontece relativamente aos dados de gestão não financeira. Como uma amostra menor de 6 empresas é insuficiente para gerar resultados pertinentes, só 3 dos 6 indicadores foram comparados. Indicadores de Inovação de Produto/Serviço Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Percentagem das Vendas de Novos ** ** ** ** Produtos e Serviços (%) Perc. Vendas e Prest. de serviços em nova áreas geográficas (%) ** ** ** ** Perc. das Vendas e Prestação de Serv. em novos segmentos de mercado (%) ** ** ** ** Perc. das Vendas e Prest. Serv. Geradas por Novos Mercados (%) ** ** ** ** Perc. de Novos Clientes (%) 0,49 1,82 2,31 8,84 Superior Amst ** 5 ** 3 ** 3 ** 28,25 2 7 Também nos indicadores de inovação de produtos e serviços, não existiu amostra suficiente para gerar resultados à excepção da percentagem de novos clientes onde adega com melhor desempenho neste indicador angariou mais de 28% de novos clientes. Indicadores sobre Fornecedores Inferior Quartil inf Mediana Custo de Prod. Variaveis / Nº de Fornecedores (EUR) Perc. dos fornecimentos efectuados dentro do prazo (%) Perc. dos Fornecimentos de Qualidade Inferior à especificada Vendas e Prestação de Serviços / Nº de Fornecedores EUR) 8.480,85 26.910,77 89.180,94 Qualtil sup 135.838,40 Superior 243.863,30 Amst 7 ** ** ** ** ** 2 ** ** ** ** ** 2 11.905,21 40.970,62 102.859,43 150.793,66 270.062,75 7 Mais uma vez, a informação de gestão não financeira não se encontrava sistematizada e por isso não foram disponibilizados todos os dados relativos a fornecedores, pelo que apenas nos poderemos pronunciar sobre a função de gestão das compras relativamente ao indicador de custos de produção variáveis e volume de negócios por número de fornecedores. Nestes indicadores que medem a dimensão média dos fornecedores (em vendas e em custos), as adegas Relatório Global 17 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria apresentam valores muito distintos fruto das diferentes dimensões já analisadas. Há que ressalvar que os fornecedores da matéria-prima (uvas) não estão incluídos pois estes são os cooperantes. Indicadores de Gestão de Recursos Humanos Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Directos / Indirectos (#) 1,44 2,15 3 4,37 Inv. Formaçao p/Empregado (EUR) 0 0 0 9,71 Nº Empregados / Nº Gestores (#) 1,37 3,92 11,5 24,5 Nº Médio de dias de formaçao p/Empregado (#) Nº de Níveis Hierárquicos (#,*) Perc. dos Empregados com Formaçao Superior ** ** ** ** Superior Amst 10,28 7 123,25 7 28,38 8 1,35 2,75 3 3 ** 3,65 1 8 4,04 7,49 7,78 13,19 37,85 8 Como já foi referido na análise dos indicadores de investimento, a maioria das adegas não apresentou investimento em formação. As melhores práticas indicam um investimento em formação por empregado de aproximadamente 123 euros. Em termos do seu modelo organizativo existem também valores muito díspares, variando entre 1 gestor por cada empregado e 1 gestor por cada 28 empregados ou seja adegas com níveis bastante diferentes de rentabilização da sua estrutura de gestão; quanto ao número de trabalhadores directamente envolvidos na produção metade da amostra revela 33% dos empregados não envolvidos directamente na produção (este indicador deve ser lido com algum cuidado já que o critério de considerar empregados directos não foi uniforme em todos as adegas sendo que os trabalhadores ligados à comercialização deveriam ser considerados “directamente envolvidos na produção e fornecimento dos bens e serviços” o que não aconteceu em alguns casos); Metade das adegas baseiam-se numa organização com 3 níveis hierárquicos o que é normal (igual à mediana) para uma cooperativa, no entanto existem adegas neste grupo mais ágeis com 1 ou 2 nível hierárquicos. Todas as adegas possuem quadros superiores, possuindo metade das empresas cerca de 8% dos seus empregados com habilitações superiores. Indicadores da Satisfaçao dos Recursos Humanos Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Perc. Empregados que sairam da Empresa (%,*) 0 0 1,92 5,67 Perc. de Novos Empregados (%,*) 0 0 1,69 4,85 Perc. de Empregados que Abandonaram Prematuramente a Empresa (%,*) ** ** ** ** Taxa de Absentismo (#,*) 0 0 0 0,17 Taxa de Acidentes de Trabalho (#,*) 0 0 0 0,1 Superior Amst 8,54 10,54 8 8 11,84 0,18 2 6 8 ** No último ano, saíram de cerca de metade das adegas 2% dos empregados e foram contratados 8% de novos empregados. Em termos gerais, estes indicadores indicam o grau de satisfação dos empregados no posto de trabalho e o grau de experiência relativo dos recursos humanos. O Relatório Global 18 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria índice de absentismo é nulo na maioria das adegas e relativamente à taxa de acidentes/incidentes a maioria destas não registaram quaisquer acidentes/incidentes de trabalho. Medida Liderança Politica e Estratégia Pessoas Parcerias e Recursos Processos Satisfaçao do Cliente Resultados - Pessoas Resultados - Sociedade Desempenho Chave Excelência do Modelo de Negócio Inferior Quartil inf Mediana 3 4 6 5 7 9 5 7 8 8 12 12 6 8 11 5 6 6 3 3 6 3 6 6 5 6 7 Qualtil sup Superior 8 11 10 13 11 9 6 7 8 9 14 11 15 13 9 7 9 8 Amst 8 8 8 8 6 8 8 8 7 O Modelo de Excelência baseia-se no conceito de que o desempenho de excelência a longo prazo deriva da satisfação das necessidades das partes interessadas e os bons líderes conseguem-no gerindo as políticas e planos, pessoas e outros recursos da organização através de processos eficazes. Neste sentido, analisam-se por um lado o desempenho da organização na satisfação das necessidades das partes interessadas - os resultados ( satisfação do cliente, resultados pessoas, resultados – sociedade e desempenho chave), e por outro, o desempenho na gestão dos meios ( liderança, política e estratégia, pessoas, parcerias e recursos, e processos). Medida Liderança Politica e Estratégica Pessoas Parcerias e Recursos Processos Satisfação do Cliente Resultados - Pessoas Resultados - Sociedade Desempenho Chave Nível Máximo de Excelência 12 16 20 20 20 12 12 12 12 Por último, deveremos comentar os valores da amostra que na sua globalidade são significativamente baixos (comparando o valor superior da 1ª tabela com o nível máximo de excelência da 2ª tabela) quando comparados com o nível “excelente” do modelo de gestão (valor máximo que cada um dos itens poderia assumir). Relatório Global 19 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 3.4 Especificidades do Sector O sector Vinícola é por si só um sector que encerra algumas especificidades, mas aqui acresce ainda o facto de estarmos perante o Sector Cooperativo, ou seja entidades sem fins lucrativos, pelo que existem desde logo alguns cuidados que se devem ter aquando da interpretação e análise dos indicadores, nomeadamente dos indicadores de rentabilidade. Pois a finalidade das Adegas Cooperativas é a de conseguir pagar as uvas ao maior preço possível e para tal depende do valor a que consigam vender, pois o valor pago aos cooperantes pela entrega de uvas numa determinada campanha é paga pelo menos apenas no ano seguinte e em função do valor a que conseguirem escoar o produto. Nas Adegas Cooperativas os principais fornecedores são os cooperantes e estes são os responsáveis pelo fornecimento da matéria-prima, ou seja as uvas, sendo contabilizado normalmente em outros credores e não em fornecedores. Em Fornecedores contabilizam-se o valor dos fornecedores de matérias subsidiárias pelo que os indicadores que entrem apenas com o valor dos fornecedores encontram-se enviesados. No número de Fornecedores que as empresas consideraram nos relatórios de gestão corresponde ao número de fornecedores de matérias subsidiárias e não a soma desse valor com o dos cooperantes. Os cooperantes por sua vez são também na maioria dos casos clientes, mas estes não foram considerados como tal, na medida em que não controlam quanto é que cada um compra. Dadas as especificidades existentes houve a preocupação de realizar os exercícios de benchmarking entre as empresas agrícolas “Quintas” com produção de vinho e as adegas cooperativas de forma separada. Os níveis hierárquicos considerados dependem da forma como estas instituições estão organizadas, não se tendo incluído os trabalhadores que representam a base. Existe muita informação que as empresas não tinham disponível à data do preenchimento dos questionários, muito embora estejamos perante algumas empresas já certificadas e outras em fase de certificação. Relatório Global 20 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 4 Agregado das Quintas 4.1 Critérios de Benchmarking Os exercícios de Benchmarking baseiam-se na análise e comparação do desempenho entre empresas, competindo-lhes definir previamente os critérios de benchmarking, ou seja com quem se querem comparar em termos de: Região, Classificação da Actividade Económica ou área de Actividade, Volume de Negócios e Número de Trabalhadores. Estando perante empresas do Sector Vitivinícola, ou seja empresas agrícola que se dedicam à produção de vinho na região do Douro, estas referiram em termos gerais a intenção de se compararem com empresas da mesma actividade. Das empresas que participaram nos exercícios de benchmarking apenas duas tinham como CAE (Classificação de Actividade Económica) 15931, mas todas tinham produção de uvas e de vinho pelo que se considerou para todas um CAE 1132 – Vinicultura de forma a compara-las entre si e não com as adegas cooperativas (que estas sim tem todas a CAE 15931) dado que possuem formas de gestão completamente distintas. Nos critérios de benchmarking algumas destas empresas mencionaram o interesse em se compararem tendo em conta o Volume de Negócio e de Número de Trabalhadores, mas para o sistema IBP gerar os relatórios é obrigatória a existência de pelo menos oito empresas com os critérios definidos, pelo que não foi possível respeitar na integra os critérios assinalados nos questionários. No futuro as empresas poderão e deverão optar por outros critérios de comparação, podendo inclusive compararem-se com empresas de outros países onde esta ferramenta também já foi desenvolvida. Relatório Global 21 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 4.2 Caracterização da amostra A amostra regional é composta por 8 empresas agrícolas de produção de vinho do distrito de Vila Real. A dimensão das empresas, medida em termos de volume de negócios e postos de trabalho, é muito díspar: a mais pequena factura menos de 202 mil euros e tem menos de 4 trabalhadores; a maior factura mais de 1,5 milhões de euros e tem mais de 27 trabalhadores. Explicitando a amostra em termos de escalões de volume de negócios, temos: 25% empresas até 0,5 milhões de euros; 50% de 0,5 a 1,2 milhões de euros; 25% com mais de 1,2 milhões de euros, conforme a tabela abaixo. Todas as quintas exportam parte da sua produção, à excepção daquelas que detêm empresas comerciais associadas que assumem essa responsabilidade. O peso das exportações no volume de negócios já é significativo (entre 15% a mais de 26% na maioria das quintas). Inferior Volume de Negócios Milhões de Euros Exportações Milhões de Euros Exportações % Postos de Trabalho Amostra Quartil Inf. Mediana Quartil Sup. Superior Nº empresas 0,202 0,500 0,610 1,178 1,483 8 0,000 0% 4 0,003 2% 7 0,069 15% 18 0,119 17% 24 0,199 26% 27 8 8 8 4.3 Análise dos indicadores da amostra Á semelhança do que foi efectuado para os indicadores da amostra das adegas cooperativas também aqui vamos fazer uma breve análise dos indicadores da amostra das quintas, ao nível dos indicadores da avaliação financeira, de gestão e de excelência. Medida Rentabilidade das Vendas (%) Rentab.Capital Investido (ROCE, %) Rentab.Activo Líquido (RONA,%) Rentab. Activo Total (ROTA,%) Val. Acres.Bruto (EUR) VAB / Activo liquido (%) Vol. Negócios/Encomendas (EUR) Indicadores de Rentabilidade Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Superior Amst -9,15 0,97 4,73 5,80 22,84 8 -8,86 -1,36 0,83 1,80 14,12 7 -4,23 0,18 0,76 1,86 13,05 8 -3,08 1,09 0,72 1,63 10,70 8 56.914,06 194.858,63 291.867,79 406.120,15 835.461,65 8 3,86 8,39 13,78 25,33 37,94 8 444,22 1.102,86 2.732,55 9.432,30 575.592,45 7 Em termos de rentabilidade das vendas embora 5% das quintas registe valores negativos, fruto de resultados negativos no último ano, existe 25% das empresas com níveis de rentabilidade positivos. Se olharmos para os valores medianos da amostra podemos concluir que cerca de metade das Relatório Global 22 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria quintas revela rentabilidades, do capital investido, do activo líquido e do activo total, ainda que positivas bastante sofríveis. No VAB a empresa que possui melhor desempenho regista um valor acima de 835 mil euros. Quanto ao modelo das quintas no controlo dos circuitos de comercialização, atendendo ao valor médio das encomendas que variam entre os 444 euros e os 576 mil euros, indica-nos as quintas adoptam modelo diferentes, uns mais predominantemente de venda a retalhistas e consumidores finais e outros mais a grossistas. Medida Cobertura dos juros (#) Disp/ Vendas Prest.Serv.(%) Estrutura Endividamento (%,*) Grau de Endividamento Geral (%,*) Grau de Endivid. Liquido (%,*) Liquidez Geral (#) Prazo Médio de Pagamento (dias) Prazo Médio de Recibimento (dias,*) Rotação de Existências (#) Rotação do Fundo de Maneio (#) Indicadores de Gestão Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup -3,82 0,33 0,87 2,58 0,26 1,28 5,46 19,17 ** ** ** ** -330,73 0,00 58,39 140,53 -196,02 -83,52 -54,54 -41,77 0,31 0,72 1,51 2,65 3,75 39,04 127,77 248,13 2,56 8,37 94,38 191,19 0,36 0,64 1,27 2,37 -2,23 -1,07 0,37 1,72 Superior Amst 9,38 8 28,83 8 ** 3 185,15 8 82,30 8 197,77 8 279,25 8 517,62 8 9,71 8 4,40 8 Nos indicadores de gestão o destaque vai para o grau de liquidez geral, onde pelo menos 25% das quintas estão em situação crítica pois apresentam um grau de liquidez inferior à unidade, indicando que poderão ter dificuldades de solver os seus compromissos de curto prazo, registando também, 25% das quintas, níveis reduzidíssimos de rotação de existências, sobretudo em comparação com o valor superior (percentil 95) 9,71, valor elevado dado que uma das empresas da amostra não possui a função comercial, sendo esta realizada por uma empresa do grupo, não possuindo existências em armazém. Quanto aos prazos médios de pagamentos e de recebimento, cerca de metade da amostra possui um equilíbrio entres estes o que cominado com a correspondente rotação de existências lhe confere um bom nível de liquidez (indicadores da mediana). Medida Resultado Antes de Iimposto p/ Empregado (EUR) Valor Acrescentado Bruto p/ Empregado (EUR) Vendas e Prest. Serviços p/ empregado (EUR) Indicadores de Produtividade Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Superior Amst -31.828,03 66,30 1.978,09 3.922,95 6.749,57 8 11.078,28 16.672,03 21.741,94 29.794,23 39.716,73 8 23.885,26 24.931,17 44.809,28 75.547,33 280.956,64 8 Os níveis de produtividade de metade das quintas assumem valores positivos nos três indicadores, embora muito abaixo do valor superior da amostra, apresentando 5% das empresas níveis de rentabilidade, medida através dos resultados antes de impostos por empregado, negativos. No VAB por empregado, 75% das empresas revelam valores bastante satisfatórios para o sector em questão, acima de 17 mil euros por empregado. Relatório Global 23 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Medida Invest. Equip. Prod / Amort. (%) Invest. Equip. Prod / Result. Antes Imposto (%) Invest. Equip. Prod / Vendas e Pres. Serviços (%) Indicadores de Investimento Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup 13,76 35,04 116,96 157,02 Superior Amst 229,52 7 -158,50 10,07 461,59 722,17 1.448,06 7 2,54 7,48 10,77 40,14 65,57 7 Invest. Formação/ Vendas e Prest. Serviços (%) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 7 Invest. I&D / Resultado Antes Imposto (%) -38,27 0,00 0,00 0,00 0,00 7 Invest. I&D / Vendas e Prest. Serviços (%) 0,00 0,00 0,00 0,00 1,20 7 Inv. Marketing/ Vendas e Prest. Serviços (%) 0,05 0,74 2,03 2,68 4,04 7 À semelhança das adegas cooperativas nas quintas o esforço de investimento em equipamento produtivo não está a ser acompanhado por investimento em Formação e Investigação e Desenvolvimento, apresentando investimentos, ainda que positivos, com reduzido peso face ao valor das vendas e prestação de serviços. Medida Var. Rentabilidade das Vendas e Prestação de Serviços (%, crescimento) Indicadores de Actividade Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Superior Amst -102,06 -52,80 -36,94 17,31 1.184,65 8,00 Var. Rentabilidade Activo Liquido (%,crescimento) -105,51 -57,88 -37,83 94,72 1.751,54 8,00 Var. Rentabilidade Capitais Invest. (%,Crescimento) -108,40 -58,61 -44,48 16,74 1.902,05 7,00 Var. Vendas e Prest. Serv. (%,Crescimento) -36,72 3,35 14,33 42,57 50,17 8,00 Var. Inv. Equipamento Prod./ Vendas e Prest. Serv. (%,Crescimento) -84,38 -51,05 -14,02 25,54 391,44 6,00 Comparando a actividade nos anos de 2004 e 2003, assistiu-se a um acréscimo nas vendas totais, embora reduzido em alguns casos, em 75% das empresas da amostra. Apesar deste factor positivo, metade das empresas apresentam decréscimos nas rentabilidades (medianas negativas). Indicadores de Satisfaçao do Cliente Medida Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Encom. Canceladas Antes Entrega 0 0 0 0,68 (%,*) Encom. Rejeitadas Durante Período de Garantia (%,*) Encomendas Não Entregues no Prazo (%,*) Percentagem do Valor das Reclamações (%,*) Reclamações por Cliente (%,*) Reclamações por Encomenda (%,*) Superior Amst 1,01 7 0 0 0 0 0 7 0 0 0 0 0 6 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,29 0,04 7 8 7 Relatório Global 24 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria A generalidade das empresas da amostra não registou reclamações de clientes no último ano, nem encomendas canceladas antes da entrega, nem encomendas rejeitadas durante o período de garantia nem mesmo encomendas entregues fora do prazo. Este ponto potencialmente positivo poderá indicar, também, a não existência de procedimentos na empresa para atender, registar e tratar as reclamações dos clientes, condição necessária para aumentar a satisfação dos mesmos e a qualidade dos produtos e serviços. Indicadores de Inovação de Produto/Serviço Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Percentagem das Vendas de Novos 0 0 0 4,46 Produtos e Serviços (%) Perc. Vendas e Prest. de serviços em nova áreas geográficas (%) Perc. das Vendas e Prestação de Serv. em novos segmentos de mercado (%) Perc. das Vendas e Prest. Serv. Geradas por Novos Mercados (%) Perc. de Novos Clientes (%) Superior Amst 14,39 7 0 0 0 1,13 6,02 7 0 0 0 0 0 7 0 0 0,19 9,35 16,71 7 0 0 1,65 8,71 19,54 8 Na generalidade das empresas da amostra a inovação de produtos /serviços é nula ou reduzida (medianas = 0), com excepção da percentagem de novos clientes. Indicadores sobre Fornecedores Medida Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Custo de Prod. Variaveis / Nº de Fornecedores (EUR) 1.432,71 4.165,32 5.469,45 15.419,89 Perc. dos fornecimentos efectuados dentro do prazo (%) ** ** ** ** Perc. dos Fornecimentos de Qualidade Inferior à especificada (%,*) 0,00 0,00 0,00 0,00 Vendas e Prestação de Serviços / Nº de Fornecedores EUR) 4.679,58 9.977,29 13.257,67 27.869,98 Superior 48.247,87 ** Amst 8 5 8,72 6 60.107,14 8 A quase totalidade das quintas não possuem registos desta informação, mas existe pelo menos uma empresa com registo de fornecimentos de qualidade inferior à especificada, situação que requer uma análise mais apurada por parte desse empresa, pois de certo, está a ter consequências nos custos de produção bem como na sua produtividade e rentabilidade. Indicadores de Gestão de Recursos Humanos Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Directos / Indirectos (#) 0,41 1,00 1,63 1,92 Inv. Formaçao p/Empregado (EUR) 0,00 0,00 0,00 0,00 Nº Empregados / Nº Gestores (#) 1,05 3,65 6,33 12,25 Nº Médio de dias de formaçao p/Empregado (#) Nº de Níveis Hierárquicos (#,*) Perc. dos Empregados com Formaçao Superior Superior Amst 2,63 6 0,00 7 25,25 8 0,00 1,35 0,00 2,00 0,26 2,00 1,38 2,00 3,28 2,65 8 8 1,30 6,70 10,10 21,38 36,04 8 Relatório Global 25 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Apesar de não disponibilizarem investimento em formação, metade das empresas regista dias de formação por empregado. Todavia, não se assistiu a um acesso democrático à formação já que o número médio de dias de formação por empregado é menor do que a unidade. Em termos dos modelos organizativos: estas empresas variam com modelos de 1 gestor por cada empregado e 1 gestor por cada 25 empregados, implicando uma fraca ou forte rentabilização, respectivamente. No caso dos trabalhadores não directamente envolvidos na produção (directos/indirectos) este indicador deve ser lido com algum cuidado já que o critério de considerar empregados directos não foi uniforme em todos as quintas sendo que os trabalhadores ligados à comercialização deveriam ser considerados “directamente envolvidos na produção e fornecimento dos bens e serviços” o que não aconteceu em alguns casos). A generalidade das empresas baseiam-se numa organização com 2 níveis hierárquicos, de facto é a estrutura organizativa idêntica a 75% das quintas, embora existam quintas com maior agilidade organizacional (apenas 1 nível hierárquico). Indicadores da Satisfaçao dos Recursos Humanos Medida Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Perc. Empregados que sairam da Empresa (%,*) 0 0 0 0,93 Perc. de Novos Empregados (%,*) Perc. de Empregados que Abandonaram Prematuramente a Empresa (%,*) Taxa de Absentismo (#,*) Taxa de Acidentes de Trabalho (#,*) Superior Amst 21,3 8 0 0 11,81 18,04 22 8 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2,31 0,16 0 6,12 0,3 8 6 7 Em termos gerais estes indicadores indicam o grau de satisfação dos empregados no posto de trabalho e o grau de experiência relativo dos recursos humanos. No caso de 25% das empresas regista-se alguma instabilidade nos quadros de pessoal. Mesmo tomando em consideração que as actividades agrícolas detêm elevada sazonalidade, implicando muitas vezes a saída de trabalhadores da empresas que mais tarde voltam a ser contratados, esta instabilidade do quadro de pessoal poderá denunciar insatisfação ou inadequação dos trabalhadores ao posto de trabalho, situação que acarreta sempre dificuldades acrescidas ao nível da qualidade e da produtividade. O índice de absentismo e a taxa de acidentes/incidentes de trabalho são, também, pontos críticos em termos de indicadores da satisfação dos recursos humanos. Tanto num indicador como no outro mais de 50% das empresas regista valores nulos. No caso da taxa de acidentes/incidentes de trabalho, existe pelo menos uma empresa onde a probabilidade de sofrer um acidente de trabalho é quase 30% enquanto na maioria das Quintas é nula. Além de ser um factor de improdutividade é também um factor de insatisfação dos trabalhadores. Relatório Global 26 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Medida Liderança Politica e Estratégia Pessoas Parcerias e Recursos Processos Satisfaçao do Cliente Resultados - Pessoas Resultados - Sociedade Desempenho Chave Excelência do Modelo de Negócio Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup 3 6 8 9 4 7 10 12 6 9 9 10 7 10 13 15 6 9 12 14 4 6 7 8 3 4 5 6 3 3 5 6 4 5 6 6 Superior Amst 10 8 13 8 8 11 8 16 15 8 8 10 8 8 8 6 8 7 O Modelo de Excelência baseia-se no conceito de que o desempenho de excelência a longo prazo deriva da satisfação das necessidades das partes interessadas e os bons líderes conseguem-no gerindo as políticas e planos, pessoas e outros recursos da organização através de processos eficazes. Neste sentido, analisam-se por um lado o desempenho da organização na satisfação das necessidades das partes interessadas - os resultados (satisfação do cliente, resultados pessoas, resultados – sociedade e desempenho chave), e por outro, o desempenho na gestão dos meios ( liderança, política e estratégia, pessoas, parcerias e recursos, e processos). Em termos globais, os níveis de excelência para metade da amostra são superiores nas medidas da liderança, política e estratégica, gestão de pessoas, gestão de parcerias e recursos e gestão de processos e inferir a ao nível dos resultados. Medida Liderança Politica e Estratégica Pessoas Parcerias e Recursos Processos Satisfação do Cliente Resultados - Pessoas Resultados - Sociedade Desempenho Chave Nível Máximo de Excelência 12 16 20 20 20 12 12 12 12 Amostra Quintas Valor Superior Nível Exc. 10 83% 13 81% 11 55% 16 80% 15 75% 10 83% 8 67% 6 50% 7 58% Deveremos comentar que mesmo os valores Superiores (percentil 95) da amostra, sobretudo para algumas medidas são significativamente baixos quando comparados com o nível “excelente” do modelo de gestão (valor máximo que cada um dos itens poderia assumir, valor indicado na 1ª coluna). Relatório Global 27 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 4.4 Especificidades do Sector O sector vitivinícola é por si só um sector que encerra algumas especificidades pelo que tivemos a preocupação de não comparar as quintas vitivinícolas com as adegas cooperativas que também participaram nestes exercícios de benchmarking. Procurou-se seleccionar as empresas que tivessem a produção de vinho, ou seja excluíram-se as que apenas produzem as uvas. Mesmo de entre as empresas que participaram nos exercícios de benchmarking existem algumas diferenças ao nível dos respectivos modelos de gestão. Algumas optaram por autonomizar a função comercial noutra empresa e outras a função de produção de uvas, pelo que é necessário algum cuidado ao analisar determinados indicadores, nomeadamente os indicadores relacionados com os custos de produção variáveis onde nem todas as empresas consideraram o valor dos fornecimentos e serviços externos como uma rubrica variável a acrescer ao custo da mercadorias vendidas e matérias consumidas para o cálculo dos custos de produção variáveis. No número de postos de trabalho as empresas consideraram apenas os trabalhadores permanentes sem ter em conta o trabalho sazonal, que em alguns casos ultrapassa 50 trabalhadores mas apenas durante a época das vindimas (cerca de 3 semanas). No número de níveis hierárquicos a generalidade das empresas considerou 2, pois a maioria são empresas familiares, onde um dos níveis hierárquicos pertence ao empresário e o outro ao encarregado de produção. Embora algumas assumam a forma jurídica de Empresário em Nome Individual, todas possuem contabilidade organizada pelo que foi possível obter a informação solicitada e proceder à sua validação com excepção de alguns valores que à data limite para validação ainda não tínhamos disponível, tendo nesses casos se optado por considerar a informação como não disponível. Neste sector, e em particular em algumas empresas, a variação da produção assume valores muito significativos ao nível dos proveitos e consequentemente dos resultados. Nestes exercícios, a variação da produção não é considerada atendendo à definição de base contemplada nos questionários em termos de volume de negócios. Existe alguma informação que as empresas não tinham disponível à data do preenchimento dos questionários, nomeadamente ao nível do índice de absentismo, o que revela a necessidade de implementar sistemas de gestão da informação mais eficientes. Relatório Global 28 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 5 Agregados da Construção 5.1 Critérios de Benchmarking Os exercícios de Benchmarking baseiam-se na análise e comparação do desempenho entre empresas, competindo-lhes definir previamente os critérios de benchmarking, ou seja com quem se querem comparar em termos de: Região, Classificação da Actividade Económica ou área de Actividade, Volume de Negócios e Número de Trabalhadores. Estando perante empresas do Sector da construção foi assinalada a intenção de se compararem entre entidades semelhantes. Algumas mencionaram o interesse em se compararem tendo em conta o Volume de Negócio e de Número de Trabalhadores, mas para o sistema IBP gerar os relatórios existe a obrigatoriedade de existirem pelo menos oito empresas com os critérios definidos, pelo que não foi possível respeitar na integra os critérios assinalados nos questionários. No entanto, com o aumento do número de empresas portuguesas que cada vez mais realizam exercícios de benchmarking, espera-se que, a curto prazo, a empresa possa refinar os seus critérios de comparação. As empresas participantes nos exercícios de benchmarking embora dedicando-se a actividades semelhantes possuem CAE principais diferentes variando entre 45211 – Construção de Edifícios; 45212 – Construção e Engenharia Civil; 45230 – Construção de Estradas, vias-férreas, aeroportos e de instalações desportivas, no entanto todas pertencem à mesma área de actividade. Os relatórios gerados atenderam aos critérios de área de actividade: Construção Civil e Obras Públicas e à Entidade Nacional de Benchmarking: SPA consultoria, ou seja foi a forma que encontramos para comparar as empresas desta área de actividade entre si. Os relatórios gerados com base nos critérios referidos são os que neste documento se analisam. É também possível gerar relatórios de comparação com a amostra de empresas da mesma CAE a nível nacional e utilizando dados dos últimos 3 anos, pelo que se recomenda a realização desse exercício de forma a aprofundar e substanciar os planos de melhoria individuais comparando o seu desempenho com as melhores práticas a nível nacional. Embora essa análise não tenha cabimento no presente projecto, poderá ser uma mais valia interessante para as empresas. No futuro as empresas poderão e deverão optar por outros critérios de comparação, podendo Relatório Global 29 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria inclusive compararem-se com empresas de outros países onde esta ferramenta também já foi desenvolvida. 5.2 Caracterização da amostra A amostra regional é composta por 9 empresas de construção do distrito de Vila Real, com excepção de uma que embora com actividade nesta região tem a sua sede num distrito contínuo. A dimensão das empresas, medida em termos de volume de negócios e postos de trabalho, é muito díspar: a mais pequena factura menos de 571 mil euros e tem menos de 17 trabalhadores; a maior factura mais de 6,4 milhões de euros e tem mais de 96 trabalhadores. Explicitando a amostra em termos de escalões de volume de negócios, temos: 25% das empresas até 1,3 milhões de euros; 25% de 1,3 a 2,4 milhões de euros; 25% de 2,4 a 2,7milhões de euros; 25% com mais de 2,8 milhões de euros conforme a tabela abaixo. Não existe uma relação directa entre a dimensão destas empresas em termos de volume de negócios e número de trabalhadores e o valor do Activo Total. O Valor “Superior” da Amostra corresponde ao percentil 95 de forma a preservar o sigilo sobre o valor máximo exacto, o mesmo acontecendo com o “inferior” que corresponde ao percentil 5). Inferior Volume de Negócios (Milhões de Euros) Activo Total (Milhões de Euros) Capital Próprio (Milhões de Euros) Nº Postos de Trabalho Amostra Quartil Inf. Mediana Quartil Sup. Superior Nº empresas 0,571 1,295 2,368 2,771 6,350 9 1,019 2,214 3,714 5,886 10,755 9 0,232 0,248 0,680 0,814 3,585 9 17 27 48 63 96 9 Segue-se um conjunto de quadros com indicadores ao nível da avaliação financeira, de gestão e da excelência do modelo de negócios, onde se pretende analisar a amostra das empresas do sector da construção, tal com foi já efectuado para as adegas cooperativas e quintas. 5.3 Análise dos indicadores da amostra Relatório Global 30 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Medida Rentabilidade das Vendas (%) Rentab.Capital Investido (ROCE, %) Rentab.Activo Líquido (RONA,%) Rentab. Activo Total (ROTA,%) Val. Acres.Bruto (EUR) VAB / Activo liquido (%) Vol. Negócios/Encomendas (EUR) Indicadores de Rentabilidade Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Superior Amst 0,39 1,49 2,18 4,25 6,96 9 0,47 1,60 2,63 10,57 13,62 9 0,29 1,17 1,65 6,22 11,05 9 0,15 0,87 1,27 2,80 4,97 9 -449.087,81 118.147,00 355.847,13 808.850,33 1.147.004,17 9 -22,67 2,00 10,90 72,06 93,64 9 ** ** ** ** ** 5 Em termos de rentabilidade, metade das empresas apresentam valores que, embora positivos, são sofríveis se comparados com as taxas de remuneração dos capitais nos mercados financeiros tradicionais. A rentabilidade de valor mediano apresenta-se, todavia, bastante distante da empresa com melhor desempenho, nomeadamente quanto à rentabilidade dos capitais investidos que é 5 vezes menor do que a apresentada pela empresa mais rentável. No VAB existe pelo menos uma empresa com valor acrescentado negativo, e metade das empresas apresentam valores iguais ou inferiores a 356 mil euros, muito abaixo do valor superior da amostra, mais de 1 milhão de euros. Quanto ao modelo operativo não é possível tecer nenhum comentário pois 4 empresas não disponibilizaram a informação necessária, o que invalidou a existência de amostra suficiente para gerar resultados. Existem algumas questões de mais difícil adequação à realidade dos sectores, como é este o caso, no entanto por “encomendas recebidas” deveríamos entender “contratos celebrados no último ano”. Medida Cobertura dos juros (#) Disp/ Vendas Prest.Serv.(%) Estrutura Endividamento (%,*) Grau de Endividamento Geral (%,*) Grau de Endivid. Liquido (%,*) Liquidez Geral (#) Prazo Médio de Pagamento (dias) Prazo Médio de Recibimento (dias,*) Rotação de Existências (#) Rotação do Fundo de Maneio (#) Indicadores de Gestão Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup 0,04 0,42 0,99 1,36 2,24 3,53 6,42 23,17 27,22 81,84 89,27 209,86 38,63 56,14 93,47 259,01 -593,91 -391,61 -319,53 -209,26 1,08 1,38 1,52 1,92 113,48 126,60 140,12 214,69 0,69 74,68 217,43 255,52 0,37 0,72 2,01 3,57 0,47 1,23 2,82 5,20 Superior Amst 3,92 9 29,41 9 2.096,93 7 426,42 9 -136,60 9 2,09 9 324,04 9 509,74 9 28,26 9 14,08 9 A situação financeira destas empresas em geral é saudável, desde logo porque apresentam um equilíbrio entre o passivo de curto prazo e o activo de curto prazo. Algumas empresas estão a financiar o valor de Fundo de Maneio com capitais permanentes, o que está correcto e embora apresentem Necessidades em Fundo de Maneio (provocadas por um prazo médio de recebimentos muito alargado) originando uma tesouraria líquida negativa, esta é financiada por empréstimos de curto prazo o que é equilibrado. Relatório Global 31 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Indicadores de Produtividade Inferior Quartil inf Mediana Medida Resultado Antes de Iimposto p/ Empregado (EUR) Valor Acrescentado Bruto p/ Empregado (EUR) Vendas e Prest. Serviços p/ empregado (EUR) Qualtil sup Superior Amst 154,64 677,58 1.490,09 2.063,61 3.254,53 9 -23.668,82 1.875,35 9.855,87 15.867,05 17.708,08 9 32.345,39 43.794,68 47.978,93 55.427,54 67.585,92 9 Em termos de produtividade, se analisarmos o valor médio de vendas geradas por trabalhador verificamos que 95% das quintas registam valores sempre acima de 32 mil euros por empregado. Os níveis de produtividade não são muito elevados se tivermos em atenção o VAB por empregado apenas 25% da amostra apresenta valores razoáveis (cerca de 16 mil euros). Indicadores de Investimento Inferior Quartil inf Mediana Medida Invest. Equip. Prod / Amort. (%) Invest. Equip. Prod / Result. Antes Imposto (%) Invest. Equip. Prod / Vendas e Pres. Serviços (%) Invest. Formação/ Vendas e Prest. Serviços (%) Invest. I&D / Resultado Antes Imposto (%) Invest. I&D / Vendas e Prest. Serviços (%) Inv. Marketing/ Vendas e Prest. Serviços (%) Qualtil sup Superior Amst 0,00 0,00 30,69 84,54 331,02 9 0,00 0,00 81,06 142,86 710,85 9 0,00 0,00 2,13 3,75 5,95 9 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 6 0,00 0,00 0,00 0,00 1.514,99 6 0,00 0,00 0,00 0,00 10,31 6 0,00 0,00 0,00 0,06 0,16 6 Mais metade das empresas de construção estão a investir em equipamento produtivo o que revela o esforço de modernização do seu equipamento. Das 9 empresas de construção, 3 empresas não disponibilizaram informação quanto ao investimento em Formação, Investigação & Desenvolvimento e Marketing. No entanto, olhando para os valores da amostra verificamos que as restantes empresas não revelaram investimento em formação, o que não quer dizer que não tenham disponibilizado formação aos seus trabalhadores, pois contrapondo com o número médio de dias formação verificamos que são várias as empresas com formação profissional. Medida Var. Rentabilidade das Vendas e Prestação de Serviços (%, crescimento) Var. Rentabilidade Activo Liquido (%,crescimento) Indicadores de Actividade Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Superior Amst -70,26 -24,44 -3,39 11 18,04 8 -72,37 -20,78 -6,18 9,34 83,33 9 Var. Rentabilidade Capitais Invest. (%,Crescimento) -66,78 -20,84 11,95 31,96 97,56 9 Var. Vendas e Prest. Serv. (%,Crescimento) -21,02 13,01 24,67 47,38 77,86 8 Var. Inv. Equipamento Prod./ Vendas e Prest. Serv. (%,Crescimento) ** ** ** ** ** 5 Relatório Global 32 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Comparando a actividade nos anos de 2004 e 2003, assistiu-se a um decréscimo nas vendas totais de 21% em 5% das empresas da amostra, embora se justifique este decréscimo da actividade pelo facto do mercado estar em recessão, 75% das empresas, apresentam valores significativamente positivos. Na variação das restantes rentabilidades o panorama é inferior, com apenas 25% das empresas a registar boas performances. Medida Indicadores de Satisfaçao do Cliente Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Superior Amst Encom. Canceladas Antes Entrega (%,*) ** ** ** ** ** 5 Encom. Rejeitadas Durante Período de Garantia (%,*) ** ** ** ** ** 5 ** ** ** ** ** 5 Encomendas Não Entregues no Prazo (%,*) Percentagem do Valor das Reclamações (%,*) Reclamações por Cliente (%,*) Reclamações por Encomenda (%,*) 0 0 ** 0 0 ** 0 0 ** 0 0 ** 0 0 ** 9 9 5 Na grande maioria das empresas de construção, não existem sistemas de informação sistemática sobre a satisfação dos clientes, tal como aliás acontece relativamente aos restantes dados de gestão não financeira. Como uma amostra menor de 6 empresas é insuficiente para gerar resultados pertinentes, só 2 dos 6 indicadores são comparados. Nestes nenhuma empresa registou reclamações de clientes no último ano. Este ponto potencialmente positivo poderá indicar, também, a não existência de procedimentos na empresa para atender, registar e tratar as reclamações dos clientes, condição necessária para aumentar a satisfação dos mesmos e a qualidade dos serviços. Indicadores de Inovação de Produto/Serviço Medida Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Percentagem das Vendas de Novos Produtos e Serviços (%) 0 0 0 0 Perc. Vendas e Prest. de serviços em nova áreas geográficas (%) 0 0 0 0 Perc. das Vendas e Prestação de Serv. em novos segmentos de mercado (%) 0 0 0 0 Superior Amst 0 8 0 8 1,58 8 Perc. das Vendas e Prest. Serv. Geradas por Novos Mercados (%) 0 0 0 0 1,58 8 Perc. de Novos Clientes (%) 0 0 6,32 36,36 74,67 9 Nas 8 empresas da amostra que disponibilizaram informação o grau de inovação dos produtos e serviços é nulo o que indica uma sedentarização das empresas regionais, tanto em termos de mercados como de inovação nos produtos e serviços (respostas a novas necessidades, a novos Relatório Global 33 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria segmentos de mercado, etc.), ainda que possa existir uma percepção muito estreita do conceito de “novos produtos e serviços” neste sector. Indicadores sobre Fornecedores Inferior Quartil inf Mediana Custo de Prod. Variaveis / Nº de Fornecedores (EUR) Perc. dos fornecimentos efectuados dentro do prazo (%) Perc. dos Fornecimentos de Qualidade Inferior à especificada (%,*) Vendas e Prestação de Serviços / Nº de Fornecedores EUR) Qualtil sup Superior Amst 7.706,84 11.334,41 26.858,84 60.083,63 214.118,42 9 35,50 41,43 67,16 93,29 142,05 6 0,00 0,00 0,00 0,00 2,09 6 10.024,07 13.544,59 28.159,51 70.229,38 250.649,10 9 Mais uma vez, a informação de gestão não financeira não se encontrava sistematizada na maioria das empresas. Nos indicadores que medem a dimensão média dos fornecedores (em vendas e em custos), os valores superiores da amostra, em princípio, indicam uma selecção apurada e facilitam a garantia da qualidade dos fornecimentos bem como relações comerciais mais estáveis e duradouras. Indicadores de Gestão de Recursos Humanos Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Medida 3,30 4,00 5,92 11,00 Directos / Indirectos (#) 0,00 0,00 0,00 0,00 Inv. Formaçao p/Empregado (EUR) 9,80 19,00 27,67 35,00 Nº Empregados / Nº Gestores (#) Nº Médio de dias de formaçao 0,00 0,08 0,15 0,87 p/Empregado (#) 2,00 2,00 2,00 2,00 Nº de Níveis Hierárquicos (#,*) Perc. dos Empregados com 2,62 4,55 6,00 6,35 Formaçao Superior Superior Amst 22,40 9 0,00 6 46,40 9 1,77 4,00 8 9 9,65 9 Apesar de todas as empresas não disponibilizarem investimento em formação, metade regista dias de formação por empregado. Todavia, não se assistiu a um acesso democrático à formação já que o número médio de dias de formação por empregado é menor do que a unidade. Em termos do seu modelo organizativo: estes variam entre 1 gestor por cada 10 empregados e 1 gestor por cada 46 empregados, variando assim entre uma fraca e forte rentabilização da estrutura de gestão. Em mais de metade das empresas 1/5 dos trabalhadores não está directamente envolvidos na produção, (este indicador deve ser lido com algum cuidado já que o critério de considerar empregados directos não foi uniforme em todos as empresas sendo que os trabalhadores ligados à comercialização deveriam ser considerados “directamente envolvidos na produção e fornecimento dos bens e serviços” o que não aconteceu em alguns casos); 75% das empresas da amostra baseiam-se numa organização com 2 níveis hierárquicos. Relatório Global 34 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Os desempenhos inferiores nestes indicadores, nomeadamente ao nível da percentagem de empregados com formação superior, e as correspondentes oportunidades de melhoria, necessitam de uma análise mais aprofundada devido à reduzida dimensão e heterogeneidade da amostra. Indicadores da Satisfaçao dos Recursos Humanos Medida Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup Perc. Empregados que sairam da Empresa (%,*) 0,00 0,00 4,76 10,84 Perc. de Novos Empregados (%,*) 0,00 3,70 6,25 24,76 Perc. de Empregados que Abandonaram Prematuramente a Empresa (%,*) 0,00 0,00 0,00 3,52 Taxa de Absentismo (#,*) Taxa de Acidentes de Trabalho (#,*) 0,00 0,00 0,00 0,07 Superior Amst 28,91 37,97 9 9 9,43 7 5 9 0,11 No último ano, em cerca de metade da amostra saíram pelo menos aproximadamente 5% dos empregados e 6% dos empregados foram contratados nesse ano. Em termos gerais estes indicadores indicam o grau de satisfação dos empregados no posto de trabalho e o grau de experiência relativo dos recursos humanos. Esta instabilidade do quadro de pessoal, comprovada pela percentagem de trabalhadores que abandonaram prematuramente em 25% das empresas, poderá denunciar insatisfação ou inadequação dos trabalhadores ao posto de trabalho, situação que acarreta sempre dificuldades acrescidas ao nível da qualidade e da produtividade. Quanto ao índice de absentismo apenas 5 empresas disponibilizaram informação, pelo que não é possível proceder à comparação dos dados. No caso da taxa de acidentes/incidentes de trabalho, em média, a probabilidade de sofrer um acidente de trabalho em 25% das empresas é de 7% enquanto na maioria das outras empresas é nula. Além de ser um factor de improdutividade é também um factor de insatisfação dos trabalhadores pelo que existe a necessidade de averiguar as causas destes acidentes e introduzir medidas preventivas. Medida Liderança Politica e Estratégia Pessoas Parcerias e Recursos Processos Satisfaçao do Cliente Resultados - Pessoas Resultados - Sociedade Desempenho Chave Excelência do Modelo de Negócio Inferior Quartil inf Mediana Qualtil sup 4 6 6 6 7 8 9 10 6 8 9 10 9 10 13 13 7 9 11 12 3 5 6 6 4 6 6 6 3 3 6 7 4 5 7 7 Superior 9 11 12 14 13 8 7 8 10 Amst 9 9 9 9 9 8 8 8 9 Relatório Global 35 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria Em termos globais a generalidade das empresas possuem melhores desempenhos na excelência da gestão de parcerias e recursos e gestão de processos. A importância do seu desempenho para a comunidade onde se insere tanto em termos de emprego directo como no emprego indirecto (dos seus fornecedores) é realçada na avaliação do desempenho nos resultados - sociedade, e neste caso é possível verificar que mesmo o valor superior da amostra (8) está distante no nível máximo de excelência (12). Para que a responsabilidade social da empresa seja um trunfo competitivo é necessário incorporar esta abordagem na estratégia, operação e comunicação da organização. Por último, deveremos comentar os valores da amostra que na sua globalidade são significativamente baixos quando comparados com o nível “excelente” do modelo de gestão (valor máximo que cada um dos itens poderia assumir referido na 1ª coluna da tabela). Medida Liderança Politica e Estratégica Pessoas Parcerias e recursos Processos Satisfação do cliente Resultados - pessoas Resultados - sociedade Desempenho Chave Nível Máximo de Excelência 12 16 20 20 20 12 12 12 12 Amostra Construção Valor Superior Nível Exc 9 75% 11 69% 12 60% 14 70% 13 65% 8 67% 7 58% 8 67% 10 83% Na generalidade das empresas, todas as valências da gestão mostram níveis de excelência relativamente baixos e se olharmos para o valor superior da amostra vemos que mesmo nesse caso os níveis máximos de excelência variam entre 58% e os 83%. Assim todas as empresas no plano de oportunidades de melhoria foram aconselhadas a analisar mais profundamente todas estas medidas no intuito de introduzir melhorias rumo à excelência. Relatório Global 36 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 5.4 Especificidades do Sector O sector da Construção Civil e Obras Públicas encerra algumas especificidades que devem ser tidas em conta na análise dos relatórios de benchmarking. Por isso e a pedido do IAPMEI, o ITIC (Instituto Técnico para a Indústria da Construção) elaborou muito recentemente formulários específicos para empresas de construção adaptando os gerais à especificidade contabilística e financeira deste sector. Embora neste momento já estejam disponíveis, não o estavam aquando da recolha de dados no presente exercício. Nestes questionários houve a preocupação de adequar a linguagem ao sector em causa, tendo-se apenas alterado algumas definições, esclarecido pormenores e sempre sem alterar as questões. Restam ainda, a nosso ver, algumas especificidades que não foram harmonizadas, nomeadamente quanto ao volume de negócios que ao considerar apenas o valor das vendas e da prestação de serviços e não a variação da produção vai em alguns casos fazer com que alguns indicadores fiquem enviesados. Pois esta é uma actividade plurianual e nem em todos os anos as empresas conseguem registar vendas. Nesta actividade para que se registem as vendas têm de já estar realizadas as escrituras, pelo que só após a construção e a obtenção das licenças de habitabilidade tal é possível. Neste sector é também difícil falar em novos produtos, mesmo que aqui se possa considerar o recurso a novas tecnologias para inovar nos serviços prestados, as empresas consideram que vai ser sempre construção e daí a informação ser de que não inovam neste campo, embora procurem estar sempre actualizadas através das tecnologias utilizadas para a prestação dos serviços de construção. Existe no sector, em geral, falta de controlo de alguma informação, mesmo empresas que se encontram em fase de certificação não dispõem de um sistema que lhes permita obter facilmente a informação requerida para o preenchimento de alguns campos dos questionários de benchmarking, nomeadamente do absentismo. Neste sector existem enumeras empresas que recorrem a formação como valorização dos seus funcionários, mas dado que existem cursos gratuitos colocados à sua disposição através de associações locais ou sectoriais, não é contabilizado qualquer investimento em formação. Relatório Global 37 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria 6 Avaliação dos Exercícios de Benchmarking Como forma de avaliar o impacto dos exercícios de Benchmarking nas empresas participantes, a SPA preparou um questionário baseado na avaliação do BBP desenvolvido pelo CATIM que foi enviado às empresas juntamente com a análise dos relatórios e oportunidades de melhoria. Neste questionário de resposta simples e rápida pretendia-se que as empresas definissem o grau de importância de cada uma das seis questões colocadas numa escala de 1 (pouco importante) a 5 (muito importante). As questões colocadas foram: 1. Como avalia a participação da sua empresa no programa BBP, em relação à ferramenta “benchmarking”? 2. Como avalia a participação da sua empresa no programa BBP, em relação aos resultados obtidos? 3. Como avalia a participação da sua empresa no programa BBP, em relação à análise efectuada? 4. Em termos gerais, avalie a importância da realização deste exercício de benchmarking? 5. Quais os módulos de indicadores com maior importância para a empresa? 6. Potencial interesse em participar em novo exercício de benchmarking? Após o tratamento dos questionários recepcionados, e no que concerne a 1ª questão verificamos que 100% das empresas atribuíram um grau de importância de 4 e 5 à ferramenta de benchmarking, como uma oportunidade de introduzir novos conceitos de avaliação da empresa; como um desafio para a disponibilidade de dados nunca antes considerados; como uma oportunidade para se conhecer novos indicadores de avaliação e como uma oportunidade para se promover uma cultura mais aberta ao exterior. Na 2ª questão, onde pretendia avaliar a ferramenta BBP em relação aos resultados obtidos verificamos que todas as empresas atribuíram um grau de importância igual ou superior a 3 em todas as alíneas, sendo a que obteve um grau de importância maior a identificação de pontos fortes e fracos, onde 75% das empresas lhe atribuiu a pontuação máxima. Um melhor conhecimento dos concorrentes e do nível competitivo do mercado e uma indicação das prioridades para as acções de melhoria foram considerados por todas as empresas com um grau de importância de 4 e 5. Relatório Global 38 Benchmarking na vitivinicultura e construção no distrito de Vila Real ENB: Superação SPA Consultoria No que concerne à avaliação da análise efectuada, abordada na 3ª questão, constata-se que 69% das empresas atribuiu uma importância de 4 e 5 ao nível da apresentação e confronto dos resultados; da clarificação e interpretação dos mesmos; da identificação das áreas para uma actuação prioritária de melhoria e das recomendações situando-se as respostas das restantes empresas (31%) no grau 3. Para 75% das empresas a realização destes exercícios de benchmarking assumiram um grau de importância entre 4 e 5, situando-se os restantes 25% no grau 3. Na questão 5 procurou-se aferir quais os módulos de indicadores com maior importância atendendo a que neste exercício apenas se considerou a avaliação ao nível financeiro, de gestão e de excelência do negócio. A este nível todas as empresas atribuíram um grau de importância de 4 e 5 a todos os módulos, sendo que para 75% das empresas o módulo de gestão obteve a pontuação máxima. Por último, procurou-se identificar o potencial interesse em participar em novo exercício de benchmarking, onde 75% das empresas lhe atribuiu o grau máximo(5) e as restantes 25% o grau 4. Podemos assim concluir que, em termos gerais, os resultados deste questionário de avaliação dos exercícios de benchmarking realizados são extremamente positivos, indicando que todas as empresas identificaram vantagens na participação dos mesmos e pretendem continuar a utilizar esta ferramenta de gestão. Estes resultados foram também confirmados aquando da realização das reuniões de apresentação dos relatórios às empresas, onde todos manifestaram interesse em repetir os exercícios, sobretudo com uma amostra mais significativa. Relatório Global 39