Curso de Pedagogia Magistério Artigo Original LIMITES E POSSIBILIDADES NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DO DEFICIENTE VISUAL NO DISTRITO FEDERAL LIMITS AND POSSIBILITIES IN THE PROCESS OF POOR VISUAL LITERACY IN FEDERAL DISTRICT Danilo Bontempo de Melo Araújo1, Nayara Cristine Freire do Nascimento1, Edlamar Maria de Fátima Clauss2 1 Alunos do Curso de Pedagogia. 2 Professora Orientadora do Curso de Pedagogia. Resumo A integração escolar é um processo gradual e dinâmico, que assume diferentes formas segundo as necessidades e as características de cada aluno e o contexto escolar no qual ele está inserido. Sob essa perspectiva, o presente artigo tem como objetivo analisar as propostas pedagógicas existentes no Distrito Federal para a alfabetização do aluno com deficiência visual e verificar qual delas melhor atende esse aluno em seu desenvolvimento escolar e social durante esse processo. O professor alfabetizador precisa ter métodos e conteúdos bem definidos e materiais didáticos adequados, para que possa alfabetizar e orientar de forma correta e coerente o aluno com deficiência visual. Palavras-Chave: Inclusão, Deficiente Visual, Alfabetização. Abstract The school integration is a gradual and dynamic process that takes different forms according to the needs and features of each student and the school context in which it is granted. From this perspective , this article aims to analyze existing educational proposals in the Distrito Federal for the literacy of students with visual impairment and verify which one best meets these students in their school and social development during this process. The literacy need to have well-defined methods and content and appropriate teaching materials, so you can alphabetize and guide correctly and consistently the student with visual impairment. Keywords: inclusion, visual impairment, literacy. Contato:[email protected] INTRODUÇÃO Atualmente existe uma divergência entre a política de inclusão educacional do Ministério da Educação (MEC) e a proposta de atendimento na rede pública de ensino do DF, pois a política de inclusão educacional do MEC prevê o atendimento ao aluno portador de deficiência visual em classes comuns e, no DF, os alunos cegos são alfabetizados em Centros de Ensino Especial e em Classes Especiais, para só depois serem incluídos em turmas comuns. A inquietude geradora do processo de investigação é expressa pelo questionamento de pesquisa: Dentro do atual quadro da educação inclusiva para alunos com deficiência visual no Distrito Federal, seria melhor para o aluno que ele fosse alfabetizado em uma escola regular inclusiva ou em uma instituição de educação especial? A hipótese levantada considera que o deficiente visual precisa estar inserido com os demais alunos o quanto antes, para que seu desenvolvimento seja real e para que no futuro ele não tenha um choque de realidade em decorrência de sua deficiência, mas tenha preparo e consciência para enfrentar obstáculos cotidianos. Dessa forma, o presente artigo, tem como objetivo analisar as propostas pedagógicas existentes no Distrito Federal para a alfabetização do aluno com deficiência visual e verificar qual delas melhor atende esse aluno em seu desenvolvimento escolar e social, durante esse processo, bem como, analisar o processo de alfabetização dos alunos deficientes visuais na educação especial e no sistema público de ensino do Distrito Federal. METODOLOGIA Para o desenvolvimento e fundamentação deste trabalho optou-se pela pesquisa exploratória, uma vez que esta metodologia objetiva a identificação do problema central, que, segundo Gil, (2002, p. 41) proporciona maior familiaridade com o problema, com vistas a tornálo mais explícito ou a constituir hipóteses, bem como, possibilita fazer um levantamento provisório do fenômeno pesquisado. O estudo e desenvolvimento da pesquisa tiveram como base estudos bibliográficos e de campo. A parte da pesquisa que envolveu estudo de campo resultou em uma amostra, a partir de um questionário aplicado a cinco (05) professores do primeiro período da educação infantil para crianças cegas (04 e 05 anos). DISCUSSÃO TEÓRICA A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou, em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos que em seu artigo primeiro afirma que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos, dotados de razão e de consciência e devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. A execução desse pensamento resulta na inclusão, que é um conjunto de meios e ações que combatem a exclusão provocada pelas diferenças de classes sociais, idade, sexo, escolhas sexuais, deficiências, preconceitos raciais, entre outros. A inclusão é a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e assim poder aceitar e conviver em harmonia com pessoas diferentes de nós. Ela possibilita, aos que são discriminados, ocuparem seus espaços na sociedade. Se isso não ocorrer, essas pessoas viverão uma vida cidadã pela metade e serão sempre dependentes de alguém. A historicidade da inclusão salienta que esta atravessou diferentes estágios em diversas épocas e culturas. Segundo Correia (1999), a Idade Antiga, na Grécia é tomada como um período de grande exclusão social, pois crianças nascidas com algum tipo de deficiência eram abandonadas ou mesmo dizimadas, sem chance ou direito ao contato social. Na Idade Média, as crianças deficientes também eram excluídas, através de desculpas sobrenaturais, taxadas como inválidas eram caçadas e assassinadas. Sendo assim, as famílias preferiam ocultá-las e privá-las da vida social. Nessa época não se pensava, sequer, em levar essas crianças para qualquer tipo de ambiente externo. De acordo com Jannuzzi (2004), aqui no Brasil por volta do século XVIII, o atendimento aos deficientes se limitava aos sistemas de abrigos e à distribuição de alimentos nas Santas Casas, com a exceção de algumas crianças que participavam de algumas instruções com outras crianças ditas normais. No século XX, a questão educacional foi se caracterizando, mais pela concepção médicopedagógica, permanecendo mais focada nas causas biológicas da deficiência. Com o progresso da psicologia, muitas teorias de aprendizagem começam a influenciar a educação e ajustar sua opinião na linha psicopedagógica, que destaca a importância da escola e realça a necessidade de se utilizar métodos e técnicas de ensino adequados. No início do século XXI, são percebidos, de uma forma mais clara, os avanços dos estudos em Educação Especial no Brasil. De acordo com os estudos feitos por Mazzotta (2005), podemos realçar três atitudes sociais que marcaram o desenvolvimento da Educação Especial no tratamento dado às pessoas com necessidades especiais, principalmente no que se refere às pessoas com deficiência: • Marginalização – Atitudes de total descrença na capacidade de pessoas com deficiência, o que gera uma completa omissão da sociedade na organização de serviços para esse grupo da população. • Assistencialismo – Atitudes marcadas por um sentido filantrópico, paternalista e humanitário, que buscavam apenas dar proteção às pessoas com deficiência, permanecendo a descrença no potencial destes indivíduos. • Educação/reabilitação – Atitudes de crença nas possibilidades de mudança e desenvolvimento das pessoas com deficiência e em decorrência disso, a preocupação com a organização de serviços educacionais. Ao explicar sobre o processo de inclusão/integração educacional, Sassaki (2006) organiza quatro fases do processo de desenvolvimento da história da inclusão: • Fase de Exclusão: Período em que não havia nenhuma preocupação ou atenção especial com as pessoas deficientes ou com necessidades especiais. Elas eram rejeitadas e ignoradas pela sociedade. • Fase da Segregação Institucional: Período em que as pessoas com necessidades especiais eram afastadas de suas famílias e recebiam atendimentos em instituições religiosas ou filantrópicas. Foi nessa fase que surgiram as primeiras escolas especiais e centros de reabilitação. • Fase da Integração: Período em que algumas pessoas com necessidades especiais eram encaminhadas às escolas regulares, classes especiais e salas de recursos, após passarem por testes de inteligência, onde os alunos eram preparados para adaptar-se à sociedade. • Fase de Inclusão: Período em que todas as pessoas com necessidades especiais devem ser inseridas em classes comuns, sendo que os ambientes físicos e os procedimentos educativos é que devem ser adaptados aos alunos, conforme suas necessidades e especificidades. No Brasil, a apropriação de um discurso favorável à inclusão foi altamente influenciada por movimentos e declarações internacionais, desde o final dos anos 40, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tomando maior impulso a partir da década de 90 em favor da implantação das reformas neoliberais. A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas produziu vários documentos internacionais, norteadores para o desenvolvimento de suas políticas públicas. O Brasil, como membro da ONU e seguidor desses documentos, reconhece os conteúdos e os respeita na elaboração das políticas públicas nacionais. Dentro desta linha o Brasil uso da educação inclusiva, pois ela acolhe todas as pessoas, sem exceção, ela é para todas as minorias e para toda criança discriminada por algum motivo e representa uma possibilidade de serem aceitas como são. Portanto, a inclusão desafia, pois exige mudanças, estimula a flexibilidade das relações, a redistribuição dos recursos para um mais correto aproveitamento, o trabalho em equipe, a colaboração e a cooperação, o envolvimento de toda a escola, dos pais, da comunidade, dos diferentes serviços e dos seus profissionais do sistema educativo (FREITAS, 2006). Uma escola inclusiva é, portanto, uma escola onde todos os alunos têm acesso às oportunidades de serem e estarem na sociedade. Assim, se por um lado, a exclusão pode ser entendida como um descompromisso político com o sofrimento do outro (Sawaia, 2002), a inclusão significa humanizar caminhos (Werneck, 1997). Para Stainback e Stainback (1999), esta inclusão consiste no processo de criar um todo, de juntar todas as crianças e fazer com que todas aprendam juntas, sendo este um método de participação conjunta, em que todos sejam envolvidos no processo da aprendizagem de modo coletivo. Já para Booth e Ainscow (2006, p.64), a ideia de inclusão se refere à aprendizagem e à participação de todos os estudantes vulneráveis que se encontram sujeitos à exclusão, não somente aqueles com deficiência ou rotulados como apresentando necessidades educacionais especiais e afirmam de forma categórica que a educação inclusiva nada mais é do que uma expressão da sociedade inclusiva. Sendo esta uma opinião que se ajusta ao pensamento de Montoan (1997), que define a inclusão como a causa de uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apoia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral. A Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência define os deficientes como aqueles que têm algum tipo de impedimento físico, intelectual ou sensorial, e que têm contato com as variadas barreiras que impedem sua participação plena e efetiva na sociedade e com as demais pessoas. O que se tem como pressuposto na construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva depende diretamente do interesse do Estado em reconhecer sua diversidade, para que não se torne desigualdade. mobilidade e acessibilidade até sua adaptação constante a um ambiente ainda projetado unicamente para pessoas não deficientes. Principalmente durante seu processo de alfabetização, visto que o aluno deficiente visual carece de várias tecnologias, onde não existem padrões pré-definidos e para cada aluno precisará ser criada uma metodologia e uma didática totalmente diferenciada que atenda suas necessidades específicas. Nesse sentido, Vygostky (1994) afirma que a cegueira, na criação de uma nova e única forma de personalidade, traz à vida forças novas; ela muda as tendências normais de funcionamento; ela, criativa e organicamente, refaz e transforma a mente de uma pessoa. Logo, a fase de alfabetização do aluno com deficiência visual é uma das mais importantes do seu desenvolvimento, pois, além do aprendizado formal, esta é a fase em que os alunos desenvolvem as ferramentas para o enfrentamento de seus obstáculos e seu amadurecimento físico e psicológico. Inclusão do Fundamental Entre estes deficientes encontramos o visual, que segundo critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são classificados pelos diferentes graus de deficiência visual, que são: - Baixa visão (leve, moderada ou profunda): compensada com o uso de lentes de aumento, lupas, telescópios, com o auxílio de bengalas e de treinamentos de orientação. - Próximo à cegueira: quando a pessoa ainda é capaz de distinguir luz e sombra, mas já emprega o sistema braile para ler e escrever, utiliza recursos de voz para acessar programas de computador, locomove-se com a bengala e precisa de treinamentos de orientação e de mobilidade. - Cegueira: quando não existe qualquer percepção de luz. O sistema braile, a bengala e os treinamentos de orientação e de mobilidade, nesse caso, são fundamentais. No desafio da inclusão de deficientes visuais no sistema regular de ensino, os alunos com qualquer grau de dificuldade podem ingressar facilmente na escola. No entanto, diferente da facilidade apresentada na legislação brasileira, o aluno com deficiência visual encontra inúmeros desafios em seu cotidiano, que vão desde sua Deficiente Visual no Ensino A alfabetização convencional de crianças cegas e próximas à cegueira é feita através do aprendizado do método Braille. O método Braille foi desenvolvido pelo francês Louis Braille, aos dezoito anos, Louis descobriu um jeito de modificar a realidade dos cegos. Braille ouviu falar de um sistema de pontos e buracos inventado por um oficial para ler mensagens durante a noite. Assim, ele adaptou esse método para a realidade dos cegos, com pontos em relevo, possibilitando a leitura destes relevos. Nascia em 1929 o método Braille. Um meio fascinante de escrita e leitura que facilita e ajuda os alunos cegos a se tornarem mais independentes. Permitindo que uma pessoa seja capaz de ler e escrever textos utilizando apenas a ponta dos dedos, através de um código de 6 pontos. O processo de alfabetização visa, obviamente, o treinamento da leitura com os dedos, e a produção manual de textos em Braille, através de uma prancheta com ranhuras (reglete) que se produzam as seis marcas com uma ponta de aço adaptada para manipulação conhecida como punção. A política de inclusão educacional prevê o atendimento ao deficiente visual em classes comuns, com o uso da linguagem braile, onde o aluno é atendido por um professor qualificado para essa alfabetização e apoiado no horário contrário às aulas pelos professores e materiais da sala de recursos. No entanto, no Distrito Federal os alunos cegos são alfabetizados em Centros de Ensino Especial e em Classes Especiais, para depois serem incluídos em turmas comuns. O que em diferentes momentos e de muitas formas, acaba influenciando o aprendizado dos estudantes com deficiência visual em processo de alfabetização. No que se refere às crianças com baixa visão, o professor deve, em primeiro lugar, despertar nelas o interesse em utilizar a visão potencial que possuem, desenvolver a eficiência visual, estabelecer o conceito de permanência do objeto, e facilitar a exploração dirigida e organizada, para que através desse estímulo o aluno com baixa visão se desenvolva com maior rapidez e utilize ao máximo a sua acuidade visual (BRASIL, 2007). A partir do momento que esse aluno com baixa visão chegar ao limite de seu potencial visual, ele deve fazer uso de recursos ou auxílios ópticos, que são, lentes especiais ou dispositivos formados por um conjunto de lentes, geralmente de alto poder, que se utilizam do princípio da magnificação da imagem, para que possa ser reconhecida e discriminada pelo portador de baixa visão. Os auxílios ópticos estão divididos em dois tipos, de acordo com sua finalidade: recursos ópticos para perto e recursos ópticos para longe (BRAGA,1997) O aluno com baixa visão deve utilizar auxílios ópticos adequados e materiais adaptados a suas necessidades especiais, como por exemplo, os textos com letras ampliadas. Na sala de aula, o professor precisa estar atento para planejar a melhor posição (localização da carteira em relação à lousa, à janela etc.) do aluno, de forma a facilitar sua aprendizagem (BRASIL, 2000). Não existe uma regra única: tudo vai depender do grau de visão da criança e do tipo de patologia que ela tem. Dependendo do grau de visão, o aluno aprenderá o sistema Braille, ou disporá de textos com letras escritas em tamanho maior que o comum (tipos ampliados) e com maior espaço entre as linhas. Nunes e Lomônaco (2008) afirmam que um ponto negativo sobre a educação do deficiente visual é a possibilidade de o professor, por falta de preparo, adotar procedimentos educacionais tendo como parâmetro as formas de aprender do vidente. Quando o professor faz isso ele ignora a identidade do aluno, e impõe ainda mais limitações para ele, pois isso restringe a aprendizagem do aluno e cria barreiras cognitivas e de percepção que o aluno necessitará por toda sua vida. Os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP(2010) apontam que, dos 14.119 estudantes com necessidades educacionais especiais matriculados na Educação Básica em 2010, 8,9% estavam em escolas especializadas, 25,7% em classes especiais do ensino regular e/ou educação de jovens e adultos e 65,3% em classes comuns do ensino regular e/ou da educação de jovens e adultos. Analisando estes dados, encontramos dois contrapontos, pois os números parecem um tanto altos para que de uma hora para outra fechassem as escolas especiais e transformassem todas as escolas do território nacional em inclusivas sem nenhuma outra proposta ou contra proposta. A Constituição Federal, em seu artigo 5º, declara que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, no Artigo 208, ela é mais específica em sua responsabilidade, garantindo que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante ao atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, de preferência na rede regular de ensino, ao tempo que estende esta responsabilidade de inclusão de forma clara e concisa em seu Artigo 227 enfatizando que esse é um dever também da família, da sociedade e do Estado, que deve assegurar à criança e ao adolescente, de forma prioritária a educação, deixando-a salva de qualquer negligência (BRASIL, 1988). Partindo do princípio de que todos são iguais, de que o governo, a família e a sociedade têm a responsabilidade prioritária de integrar a criança e o adolescente não somente na escola, mas em todas as demais ramificações sociais, chegamos a um dilema, pois parte da comunidade escolar apoia a escola especial e outra parte defende que o aluno deve ser alfabetizado dentro de uma escola inclusiva. Logo, é preciso definir quais são as propostas pedagógicas oferecidas para a alfabetização do aluno deficiente visual. Atualmente o Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais - CEEDV é a única instituição educacional do Distrito Federal e entorno, especializada no atendimento ao aluno cego, surdo cego e com baixa visão que tem por objetivo a inclusão desse aluno na rede regular de ensino com vistas à sua futura inserção no mercado de trabalho e é, também, a única instituição que acompanha e realiza o processo de alfabetização dessas crianças. O CEEDV situa-se na Avenida L2 Sul, quadra 612, módulo J, oferece atendimento psicopedagógico aos seus alunos e apoia o desenvolvimento sócio afetivo, físico e intelectual mediante procedimentos didáticos e estratégias metodológicas adequadas às suas necessidades. Desenvolve competências e habilidades que os auxiliam na formação pessoal e social. Oferece orientação profissional, possibilitando que adquiram melhor conhecimento de mundo. A maioria dos alunos do CEEDV vem de classes menos favorecidas das regiões administrativas do DF e cidades do entorno e recebem acompanhamento durante todo o processo de alfabetização e adaptação. É somente depois de alfabetizado e adaptado que o aluno é encaminhado a uma escola inclusiva que dará prosseguimento a esse processo de formação e inclusão. O processo de alfabetização dos estudantes da rede pública do DF deve respeitar a definição descrita na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que em seu art. 59º afirma: Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I - Currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização [...] III – Professores com especialização adequada [...] capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. Percebe-se que a legislação vigente preserva o direito do aluno deficiente visual – cego do Distrito Federal a se desenvolver em uma escola regular, recebendo acompanhamento da sala de recursos ou de uma instituição de ensino especial em horário contrário a seu turno regular. Somente quando houver uma orientação adequada, a mobilidade do deficiente visual acontecerá de forma segura e eficiente. Conclui-se que, no movimento de uma pessoa através do espaço, a orientação vem em primeiro lugar e a mobilidade em seguida (BRASIL, 2001). Assegurar direitos é essencial, mas é necessário, também que o professor alfabetizador tenha métodos e conteúdos bem definidos e material didático adequado, para que possa alfabetizar e orientar de forma correta e coerente o aluno deficiente visual. Montilha (2006) afirma que os profissionais que atuam na reabilitação e educação de indivíduos deficientes visuais precisam conhecer suas limitações e entender o sistema de ensino e reabilitação vigentes. Cabe ao pedagogo ser um facilitador não somente de um conhecimento específico ou do letramento, mas conhecedor das características e peculiaridades dos alunos com deficiência visual proporcionado a eles crescimento e preparação para viverem no mundo. ESTUDO DE CAMPO As instituições educacionais escolhidas para a realização da pesquisa foram o Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), localizado no SGAS 612, Asa Sul e a Escola Classe 410 Sul, localizada na SQS, 410, Distrito Federal, Asa Sul. A pesquisa foi realizada com cinco professoras do primeiro período da educação Infantil para crianças cegas (4 e 5 anos), sendo duas representantes da Escola Classe 410 e três representantes do CEEDV, considerando que uma professora é de suma importância, visto que possui deficiência visual, podendo também relatar suas experiências, na perspectiva de aprendiz como as dificuldades de aprender em um sistema educacional feito para pessoas videntes e as experiências na perspectiva de educador. O instrumento aplicado para a coleta de dados foi um (01) questionário com duas (02) perguntas fechadas e uma (01) pergunta aberta. Os dados coletados e analisados desses instrumentos apresentam as seguintes informações: A maioria dos professores entrevistados (60,0%) aponta que a inclusão dos alunos deficientes visuais deve acontecer somente no CEEDV, (20,0%) afirmam que deveriam ser atendidos no sistema regular de ensino e os demais (20,0%) defendem que a forma mais adequada deve ocorrer com atendimento no CEEDV e na escola do sistema regular de ensino simultaneamente (Ver gráfico 01). Atualmente o deficiente visual em idade escolar está sendo alfabetizado no CEEDV. GRÁFICO 1: Como acontece a inclusão dos alunos deficientes visuais durante a alfabetização. uma vez que, a rede de ensino regular tem um quantitativo mínimo de professores que possuem conhecimento em braile. E além do mais, esses professores não dispõem de muito tempo para preparar suas aulas e organizar os materiais do aluno deficiente visual e teriam que trabalhar sem o apoio de profissionais capacitados, pois nem todas as escolas do Distrito Federal possuem salas de recurso. Na grande maioria dos casos percebe-se a existência de uma inclusão que só visa à socialização, pois o aluno que está em processo de aprendizagem do braile ficará deslocado em sala, uma vez que o professor, que também não está preparado para trabalhar com o braile, terá que administrar seu tempo entre uma turma inteira de alunos videntes e alguns alunos deficientes visuais perdidos em sala. Na tabela abaixo, observamos que a maioria (60,0%) dos entrevistados diz concordar com a forma que ocorre a alfabetização de alunos com deficiência visual no Distrito Federal e apoiam que o aluno deva primeiramente passar pelo CEEDV e posteriormente seguir para o ensino regular, pelo menos até que todos os professores e escolas estejam aptas a receber tais alunos. TABELA 1: Como deveria acontecer a inclusão dos alunos deficientes visuais durante a alfabetização. CEEDV. Qdade % 03 60,0 _______________________________________________________________________________________________________________________________________. Sistema Regular de Ensino 02 40,0 . Total 05 100,0 Em relação à pesquisa realizada percebe-se que ainda existem inúmeros obstáculos a serem transpostos durante a alfabetização e inclusão de pessoas com deficiência visual. Recentemente, a Secretaria de Educação baixou uma circular que solicita o cumprimento da prerrogativa da LDB/96 que obriga os alunos com deficiência visual a serem alfabetizados exclusivamente nas escolas públicas regulares e não mais no CEEDV. Permanecendo, assim, no CEEDV somente os alunos de 04 a 05 anos, para atividades extracurriculares sem nenhum vínculo com a Secretaria de Educação. Ocorre que, infelizmente, o sistema regular de ensino ainda não está preparado para receber esses alunos, Agora, se este mesmo aluno tem um acompanhamento qualitativo durante seu processo de alfabetização, se obtém um conhecimento prévio de braile e dos demais processos de mobilidade, ao chegar à sala de aula, o professor terá meios melhores de acompanhar este aluno, pois caberá a ele a tarefa de sanar somente as dúvidas do aluno que forem relativas ao conteúdo que o professor já possui. Para que de fato seja possível a inserção do aluno deficiente visual em classes regulares serão necessários investimentos para que as instituições de ensino estejam preparadas e ofereçam melhores condições aos envolvidos no processo (professores e alunos), possibilitando, assim, que o deficiente visual possa estudar e ter acesso ao conteúdo oferecido de forma eficiente. Acredita-se que, somente através de medidas inclusivas seja possível fazer com que o deficiente visual tenha uma maior acessibilidade e autonomia para frequentar instituições de ensino. Além disso, sugere-se a produção de projetos futuros que tenham como objetivo também desenvolver novas ferramentas e metodologias que sirvam de auxílio para a alfabetização dos deficientes visuais. CONSIDERAÇÕES FINAIS Acreditamos que, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas por alunos e professores durante o processo de alfabetização do deficiente visual, bons projetos podem contribuir para facilitar esse processo e beneficiar os alunos em questão. Como por exemplo o “Projeto DEDINHO Alfabetização de crianças cegas com ajuda do computador”, desenvolvido por José Antonio Borges (Projeto DOSVOX - UFRJ), Berta Regina Paixão (Sec. Municipal de Educação do R. J.) e Sonia Borges (BookCase Multimídia). Projeto este que se baseia no uso de uma série de programas destinados a cumprir as diversas etapas do processo alfabetizatório. Esses programas podem ser pensados como jogos didáticos onde o computador fala e canta com a criança. A criança interage com os programas através do teclado convencional por impressões Braille em papel colado, visando orientar o posicionamento dos dedos da criança, além de, como efeito colateral, a criança perceber empiricamente a relação letra-código. Há, também, o Projeto “TRILHAS”, desenvolvido pela Instituto Natura, que apoia o trabalho de professores no campo da leitura, escrita e oralidade, contribuindo para o alcance da meta de alfabetização até os 8 anos através de um conjunto de materiais elaborados para instrumentalizar e apoiar o trabalho docente no campo da leitura, escrita e oralidade, com o objetivo de inserir as crianças do primeiro ano do Ensino Fundamental em um universo letrado. São cadernos de orientação do professor, jogos educativos, cartelas para atividades, além de títulos literários. O Projeto está alinhado com o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação (Decreto número 6.094, de 24 de abril de 2007, artigo 2, inciso II), que estabelece, entre outros objetivos, a alfabetização de todas as crianças até, no máximo, 8 anos de idade e o incentivo à leitura na sala de aula. E finalmente o projeto ‘Inclusão Sem Fronteiras’ desenvolvido pela parceria entre o instituto Laramara (Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual) e a Petrobrás, que hoje alcança um número de 6 mil beneficiados diretos e 12 mil indiretos e tem como base disponibilizar recursos e tecnologias assistivas para 149 instituições e escolas da rede regular que atendem crianças e jovens portadores de deficiência visual. A contribuição na capacitação destas 149 escolas e instituições de ensino que foram selecionadas para esta edição inclui a distribuição de recursos e tecnologias que contribuem ativamente para o desenvolvimento dos 6 mil assistidos por estas entidades. E para facilitar a alfabetização dos alunos, foram doados 1.020 manuais em Braille e revistas com conteúdo atualizado e ilustrativo do alfabeto e escrita Braille, 121 máquinas de escrever em Braille e 900 livros que ensinam os educadores a trabalharem com brinquedos pedagógicos adaptados e como desenvolver as habilidades de locomoção do deficiente e a sua independência para o ir e vir. O Projeto ‘Inclusão sem Fronteiras’ também realizará a distribuição de 1.196 unidades de bengalas longas para crianças e jovens cegos e de baixa visão e 262 pranchetas de leitura e escrita. Com esses exemplos fica notório que a escola e a sociedade devem estar comprometidas numa política de fortalecimento a igualdade, procurando assegurar ao portador de necessidade especial seus direitos de conviver em comunidade. É preciso que desde cedo se construa no indivíduo o conceito de inclusão para que mais tarde não venham dá força a uma sociedade excludente. (SANTOS, 2010). E que investir em uma sociedade inclusiva é consolidar a aceitação das diferenças, é entender que inclusão não é apenas aceitar o indivíduo na sua deficiência e menos ainda assegurar espaços adequados, é apresentar a possibilidade de sua permanência em comunidade, minorando o conceito de exclusão e instaurando o conceito de sociedade para diversidade. A escola não pode tudo, mas pode mais. Pode acolher as diferenças. É possível fazer uma pedagogia que não tenha medo da estranheza, do diferente, do outro, a aprendizagem é destoante e heterogênea. Aprendemos coisas diferentes daquelas que nos ensinam, em tempos distintos, (...) mas a aprendizagem ocorre, sempre. Precisamos de uma pedagogia que seja uma nova forma de se relacionar com o conhecimento, com os alunos, com seus pais, com a comunidade, com os fracassos (com o fim deles), e que produza outros tipos humanos, menos dóceis e disciplinados. (ABRAMOWICZ, 1997). Devemos acreditar na educação e ter plena convicção de que ela realmente vai alcançar seus verdadeiros objetivos, mas para isso precisamos que todas as engrenagens estejam posicionadas e funcionando muito bem, precisamos de professores capacitados e que se comprometam a fazer dessa capacitação algo continuado, precisamos de apoio da escola e do compromisso para fazermos cumprir a lei que defende esse aluno e coloca a escola como uma das maiores apoiadoras do processo de alfabetização dessa criança. Nosso aluno já se vê confrontado com enumeras dificuldades, precisamos entender bem todo esse processo e tornar cada vez mais válida nossa atuação inclusiva. AGRADECIMENTOS Gostaríamos, em primeiro lugar, de agradecer a nossa professora e orientadora Edlamar Maria de Fátima Clauss por todo o apoio e paciência que teve conosco durante o processo de desenvolvimento deste artigo. A todos os amigos, docentes, discentes, funcionários do ICESP/PROMOVE, bem como, todos aqueles que direta ou indiretamente fizeram parte de nossa formação e com quem temos tido o prazer de aprender e nos aprimorar mais e mais a cada dia. Uma palavra muito especial para nossas famílias: Andreia, Daniel, Sra. Suzana, Sra. Rita e o Sr. Benilson, cujo apoio e carinho sempre foram fundamentais em todas as fases do nosso percurso educacional Por último, agradecemos a Deus, que em sua infinita misericórdia, ainda que não merecêssemos, nos direcionou por caminhos tão maravilhosos. REFERÊNCIAS: ABRAMOWICZ, Anete Moll, Jaqueline (org). Para além do fracasso escolar. Campinas: Papirus, 1997. BRAGA, Ana Paula. “Recursos ópticos para visão subnormal – seu uso pela criança e adolescente”. Revista Con-tato. São Paulo, Laramara, agosto de 1997. BRASIL. Atendimento Educacional Especializado, Deficiência Visual. Brasília: Ministério da Educação. 2007. BRASIL. Constituição (1988). 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