Foto: Neves António Esta revista faz parte integrante do Diário Económico n.º 5789 OUTUBRO 2013 Agricultura inovadora Novas visões de negócio estão a dinamizar um sector tradicional ALQUEVA Sistema de regadio mais eficiente impulsiona a rentabilidade agrícola 4 6 8 12 14 UCASUL O processo é o tradicional, mas a introdução de mecanização e uma gestão acurada ditaram o crescimento da UCASUL na valorização do bagaço de azeitona. O óleo dele extraído é exportado na totalidade para Espanha. Primores do Oeste Equipada com a maior central de cogeração a nível agrícola em Portugal, a Primores do Oeste veio romper com o calendário de produção de tomate nacional. Resultado? Duplicou a produção. E as exportações. Sousacamp É a única empresa de produção de cogumelos no mundo que agrega todo o ciclo de produção, da colheita ao cliente final. A Sousacamp está a investir 45 milhões de euros numa das maiores unidades do sector. Entrevista Investigação e inovação constituem a filosofia do trabalho desenvolvido pelo ICAAM, que tem mais de 50 projectos em curso. Gottlieb Basch, o vice-director, fala dos desafios à agricultura nacional, que sofre da “ausência de estratégias a médio e longo prazo”. AgroAguiar Na AgroAguiar cedo se percebeu que era na transformação da castanha que estava o potencial para criar diferenciação face à concorrência. A visão inovadora desta empresa foi uma aposta ganha. Em Portugal e fora de portas. UCASUL – UNIÃO DE COOPERATIVAS AGRÍCOLAS DO SUL Valorizar o bagaço de azeitona 4 OUT 13 O PROCESSO É O TRADICIONAL, MAS A INTRODUÇÃO DE MECANIZAÇÃO E UMA GESTÃO ACURADA DITARAM O CRESCIMENTO DA UCASUL NA VALORIZAÇÃO DO BAGAÇO DE AZEITONA. O ÓLEO DELE EXTRAÍDO É EXPORTADO NA TOTALIDADE PARA ESPANHA. A UCASUL – União de Cooperativas Agrícolas do Sul nasce em 1992 fruto da união de oito cooperativas do Baixo Alentejo, numa lógica de transversalidade de representação do sector. O objectivo principal foi a aquisição de uma empresa em falência técnica, que representou o primeiro passo na busca de uma solução para o sector do azeite, nomeadamente para o seu subproduto: o bagaço de azeitona. Com a introdução de métodos de produção de azeite inovadores e mais limpos – duas fases em vez de três –, o bagaço de azeitona ficou mais difícil de tratar, resultado de um maior nível de humidade, que obriga ao seu armazenamento em tanques e a um maior esforço de secagem. Para responder a esta problemática, em 2001 a UCASUL investiu cinco milhões de euros numa nova unidade de secagem de bagaços de azeitona, viabilizando assim a recepção do subproduto do azeite extraído em duas fases, um processo a que a maior parte das empresas do sector se converteu. O sector do azeite regista forte crescimento, resultado, sobretudo, de investimentos de grandes grupos espanhóis, e em 2007 a UCASUL avança com investimentos para consolidar sua capacidade de resposta a esse crescimento. A aposta recaiu no aumento da capacidade de armazenamento, que hoje atinge os 110 mil metros cúbicos, e que levou a um aumento de cerca de dez vezes dos volumes processados, com reflexos nos resultados operacionais da UCASUL, optimizados pelo efeito de escala. “Investimos na altura certa, porque o grande volume do sector converteu-se ao processo de extracção de azeite de duas fases”, explica Carlos Martins, director fabril da UCASUL. Hoje, a UCASUL – que é maioritariamente detida pela Cooperativa Agrícola de Beja e Brinches – recebe o bagaço líquido de azeitona de todos os lagares associados, evitando assim que estes interrompam a sua laboração. Em causa está todo um processo de recolha, análise, armazenamento e valorização do bagaço de azeitona, por via da sua secagem e extracção do óleo, que é depois totalmente exportado para refinadores em Espanha, constituindo a principal fonte de receita da UCASUL. A forte posição de mercado que a UCASUL hoje assume tem essencialmente que ver com a gestão e a optimização de processos. A estratégia passou por criar uma estrutura técnica (a UCAES – União de Cooperativas Agrícolas Engenharia e Serviços) que permitisse crescer de forma sustentada, técnica e economicamente, resultado da integração de automação e tecnologia num sector que nunca o tinha feito antes. Em paralelo, foram formadas equipas multidisciplinares que permiti- ram uma adaptação permanente à mudança. “Os processos eram muito tradicionais e com a UCAES garantimos tudo o que precisamos para crescer em termos de automação, com a vantagem de ser tudo feito à medida das nossas necessidades. Com o nosso ‘know-how’, a automação e a optimização de processos fazemos três vezes mais e aumentámos os rendimentos”, explica o director fabril da UCASUL, lembrando a posição de liderança de mercado num sector emergente, que continua a crescer. BAGAÇO VALORIZADO AO PREÇO JUSTO Uma vez que se trata de uma cooperativa, e o bem social está na raiz da sua existência, a política de valorização do bagaço está assente na confiança. “Recebemos a matéria-prima sem que os fornecedores saibam quanto vai valer. Valorizamo-la de forma científica e com a maior Carlos Martins, director fabril da UCASUL INVESTIMENTO DE TRÊS MILHÕES NO ALTO ALENTEJO 5 transparência, no fim da laboração. Com uma análise ao bagaço conseguimos estabelecer um padrão: com menos humidade vale mais e com mais humidade vale menos, porque envolve um maior esforço de secagem. Só pagamos o bagaço no fim da campanha, ao preço justo, que varia em função da sua qualidade e dos resultados financeiros obtidos pela cooperativa, e assim não corremos riscos desnecessários”, explica Carlos Martins. Esta forma de actuação da UCASUL, nomeadamente o pagamento do preço justo, torna o mercado muito sólido, o que não é comum em sectores fraccionados, como é o caso deste. “A inovação tem mais a ver com a gestão e com o facto de termos estruturado o negócio de uma forma que nos permite ser mais competitivos”, salienta Carlos Martins. A UCASUL tem hoje capacidade para prestar serviços a outros lagares. OUT 13 Fotos: Neves António A UCASUL está a iniciar no Alto Alentejo, perto de Avis, uma nova unidade semelhante à que possui em Alvito, fechando assim o ciclo da azeitona em toda a região Centro e Sul do país. O investimento é de três milhões de euros e levará à criação de dez a 15 postos de trabalho. Trata-se de uma unidade de secagem, que permitirá transportar o bagaço já sem água e economizar na logística. O bagaço húmido é economicamente inviável de transportar a mais de 120/150 quilómetros. A UCASUL promoveu também um projecto de investigação com o objectivo de estudar todas as formas de aproveitamento do bagaço. Em termos químicos, o bagaço tem compostos que funcionam como poderosos antioxidantes, o que viabiliza a sua utilização pela indústria farmacêutica. Esta vertente de exploração está, de momento, em ‘stand by’, uma vez que exige outro tipo de tecnologia. “Era preciso um parceiro para avançar. Neste momento, estamos concentrados em dar resposta ao sector do azeite”, explica Carlos Martins. Fotos: Neves António PRIMORES DO OESTE Tomate de qualidade todo o ano 6 OUT 13 EQUIPADA COM A MAIOR CENTRAL DE COGERAÇÃO A NÍVEL AGRÍCOLA EM PORTUGAL, A PRIMORES DO OESTE VEIO ROMPER COM O CALENDÁRIO DE PRODUÇÃO DE TOMATE NACIONAL. RESULTADO? DUPLICOU A PRODUÇÃO. E AS EXPORTAÇÕES. A Primores do Oeste, uma organização de produtores da região de Torres Vedras, inaugurou em Junho uma central de cogeração e um novo complexo de estufas com 25 hectares aquecidos. O projecto resultou de um investimento de cinco milhões de euros daquele que é apontado como um dos maiores produtores nacionais de tomate, e de 8,5 milhões de euros da Galp Energia, responsável pela instalação da central de gás natural e de uma nova linha de alta tensão. Em causa está não só a maior central de cogeração a nível agrícola em Portugal, como também a maior construída nos últimos cinco anos na União Europeia: 8,8 megawatts de potência instalada. O conceito é simples e o aproveitamento de recursos é total. A central de gás natural produz electricidade para iluminar as estufas e vender à rede, enquanto a totalidade do calor gerado na produção eléctrica é aproveitado para aquecer a água que mantém estável a temperatura das estufas. Também o desempenho ambiental foi substancialmente melhorado. A utilização do gás natural como energia primária, associada à redução do consumo energético, traduz vantagens inequívocas, a que se soma a particularidade do projecto aproveitar cerca de 80% do dióxido de carbono gerado pela central para acelerar a fotossíntese, estimulando o crescimento dos produtos hortícolas – tomate e pepino, neste caso – e a sua produção fora de época. O projecto contribuiu de forma decisiva para a melhoria da ‘performance’ energética e ambiental do complexo hortícola, mas o grande impacto está na oportunidade de negócio que gerou. Com este investimento, a empresa estima duplicar a produção, de 25 quilogramas o metro quadrado para 50 quilogramas o metro quadrado, o que representa uma produção de dez mil toneladas, correspondentes a um encaixe financeiro de oito milhões de euros. Este projecto permite à Primores do Oeste deslocar a época de produção de hortícolas intensivas, nomeadamente tomate e pimento, para um calendário tradicionalmente vedado à produção nacional (produções de Outono/Inverno), com ganhos significativos na capacidade de colocação de produto português no mercado, em detrimento de importações de outros países. “O aspecto mais inovador deste investimento é o aquecimento das estufas que estimula a produção o ano inteiro e nos leva a ter produtos de maior qualidade e uma melhor capacidade de resposta”, explica Lino Santos, administrador da Primores do Oeste. Já a reflectir este investimento, a empresa estima atingir em 2013 uma facturação na ordem dos 20 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 18% face ao ano anterior, enquanto para 2014 coloca a fasquia nos 25 milhões de euros. É também já no próximo ano que os níveis de exportação, actualmente nos 15%, deverão atingir os 30%. “O investimento está a ser positivo, está a corresponder a todas as expectativas. A presença da nossa empresa está a ficar com maior consistência nos países para onde já exportava, como Polónia, Espanha, França e Itália, e aumentou também a capacidade de produção para consumo interno”, adianta o responsável. NOVO INVESTIMENTO JÁ NA CALHA Mas este promete não ser um projecto isolado. Os resultados alcançados com o inovador investimento realizado em parceria com a Galp Energia – que se posiciona num patamar tecnológico que permite o controlo do ambiente das estufas via computador em qualquer parte do mundo – levaram já a Primores do Oeste a pensar no próximo. Em causa está a construção de um novo armazém com seis mil metros quadrados e o aumento da área de estufas em cerca de 15 hectares, PROMOVER A ECO-INOVAÇÃO Na Primores do Oeste a eco-inovação é promovida através do desenvolvimento e apoio de projectos e serviços ambientais diferenciadores. Em causa estão medidas como a reutilização de circuito de água fechado, o controlo biológico de forma a utilizar o menor número de químicos e a utilização de dióxido de carbono para acelerar a fotossíntese e diminuir a produção de gases na atmosfera. A parceria com a Galp Energia é exemplo da utilização de energia de uma forma mais racional e a partir de fontes mais limpas, com o objectivo de contribuir para a redução da factura energética nacional e das emissões de gases com efeitos de estufa. RECONSTRUÇÃO E APOSTA NAS GRANDES SUPERFÍCIES Foi em 2012, na sequência dos estragos causados pela tempestade que se abateu no final do ano anterior na região Oeste, e que destruiu a quase totalidade do seu aparelho produtivo, que a Primores do Oeste deu início a uma árdua tarefa de reconstrução. Para além de restabelecer o potencial produtivo danificado, a empresa introduziu um novo ritmo aos negócios e decidiu inverter a lógica de comercialização. A Primores do Oeste passou a privilegiar o fornecimento às grandes cadeias de supermercados, tendo hoje como principais clientes o Pingo Doce e a polaca Biedronka, ambas do grupo Jerónimo Martins. bem como o apetrechamento de mais 25 hectares de estufas com tecnologia para aquecimento e aproveitamento de dióxido de carbono. Os investimentos estão avaliados em 13 milhões de euros e podem criar cerca de 120 postos de trabalho. Lino Santos, 7 OUT 13 administrador da Primores do Oeste SOUSACAMP Artur Sousa, presidente do Conselho de Administração da Sousacamp Cogumelos de Trás-os-Montes para o mundo 8 OUT 13 É A ÚNICA EMPRESA DE PRODUÇÃO DE COGUMELOS NO MUNDO QUE AGREGA TODO O CICLO DE PRODUÇÃO, DA COLHEITA AO CLIENTE FINAL. E ESTÁ A INVESTIR 45 MILHÕES DE EUROS NUMA DAS MAIORES UNIDADES DO SECTOR. A SOUSACAMP ESTÁ APOSTADA NA CONQUISTA DOS MERCADOS E NA DINAMIZAÇÃO DA REGIÃO. Numa viagem pela Europa, em 1987, Artur Sousa deparou-se com uma realidade praticamente inexistente em Portugal: a produção de cogumelos. A visão do empreendedor viria a dar origem à Sousacamp, a empresa de produção e comercialização de cogumelos que em pouco mais de uma década conseguiu colocar os seus produtos na Europa, no Norte de África e nos Emiratos Árabes Unidos. Depois de cinco unidades de produção de cogumelos em Portugal e duas em Espanha – países onde detém quotas de mercado de 90% e 25%, respectivamente –, a Sousacamp tem agora em construção uma unidade de produção de cogumelos exóticos e outra de transformação de cogumelos em conserva (em lata e congelados), naquele que será “um dos maiores complexos do mundo no sector”, garante Artur Sousa, presidente do Conselho de Administração do Grupo sediado em Vila Flor, distrito de Bragança. A unidade está a ser construída em Vila Real, envolve um investimento na ordem dos 45 milhões de euros e vai criar 200 postos de trabalho directos e indirectos, a somar aos cerca de 685 que a empresa já assegura. Esta aposta surge pouco tempo depois de a empresa ter investido 50 milhões de euros nos concelhos de Paredes, Vila Real e Vila Flor, envolvendo a remodelação e construção de novas unidades de produção de cogumelos. Investimentos que têm em vista aumentar a produção, para incrementar as exportações, sem esquecer a dinamização das regiões em causa, resultado da fixação de jovens e do aumento do número de postos de trabalho. “Não podemos esquecer que para estarmos na exportação temos de ter dimensão, que implica investimento. Se Portugal quer ser um ‘player’ na produção e exportação de alguns produtos de referência, o Estado tem de identificar esses produtos e fileiras e criar condições para que os pequenos se juntem, apoiem os grandes pro- jectos e se façam ainda maiores. Só assim podemos ser uma referência na agricultura e na agro-indústria em muitos sectores”, explica o presidente. Na mira está a exploração de novos mercados de exportação como a América do Sul, nomeadamente o Brasil, Uruguai, Peru, Colômbia e Chile, depois da aposta num projecto no Magreb, que garante já à Sousacamp exportações para Marrocos e, muito em breve, para a Argélia. APOSTA NA VERTICALIZAÇÃO Apontada já por diversas vezes como um ‘case study’, a Sousacamp é o resultado de um projecto ambicioso: a criação de uma das maiores empresas de cogumelos no mundo que verticalizou todo o processo produtivo em Portugal, sem que houvesse histórico dessa actividade no sector. Mas o que justifica o sucesso da empresa detida em 60,90% por Artur Sousa e em 39,10% pela Espírito Santo Ventures? Segundo Artur Sou- FACTOS & NÚMEROS • Estrutura accionista: 60,90% de Artur Sousa e 39,10% da Espírito Santo Ventures. • Unidades de produção de cogumelos: Vila Flor, Vila Real e Paredes (Portugal); Albacete e Palência (Espanha). Unidade fabril de transformação de cogumelos e outros produtos agrícolas da região em Mirandela. Unidade de transformação de cogumelos em conserva (em lata e congelados) em construção em Vila Real. • Quota de mercado de produção e comercialização de cogumelos: 90% do nacional e 25% do espanhol. • Mercados de exportação: Europa, Norte de África e Emiratos Árabes Unidos. • Centros de distribuição: Marl Lisboa, Paredes, Vila Real, Vila Flor, Palência, Barcelona, Albacete, Madrid, Eindhovan e Sul de França. • Número de colaboradores directos e indirectos em Portugal e no estrangeiro: cerca de 685. • Prémios e distinções: 1.º Prémio Nacional de Jovem Empreendedor (1990); 1.º Prémio Nacional de Inovação de Agricultura e Agro-indústria (1992); Master de Oro (2010) pelo Governo de Castilla y Léon (Espanha); Prémio Nacional de Inovação Ambiental (2001) pelo European Environmental Press e pela revista “Indústria e Ambiente”. Em construção. A nova unidade Fotos: João Manuel Ribeiro em Vila Real será um dos maiores complexos do mundo de transformação de cogumelos em conserva. “O MAIOR OBSTÁCULO É O SISTEMA” Obstáculos? “O maior é, por incrível que pareça, o sistema”, revela Artur Sousa, lembrando que as regras para os empreendedores deveriam ser claras e ajustadas à realidade, em vez de inexistentes, ou obtusas e quase impossíveis de cumprir. “Assumimos responsabilidades elevadas, quer sociais quer económicas, e não temos tempo a perder. A incerteza face ao que devia ser claro faz com que os empreendedores desanimem. E são eles o sustento e o desenvolvimento de qualquer país. Nos países desenvolvidos isto não acontece, por isso atraem investimento e criam riqueza”, expõe o empresário. OUT 13 A estratégia do Grupo Sousacamp, de ganhar uma dimensão crítica que permitisse marcar presença em todos os mercados, exigiu o desenvolvimento de uma rede logística integrada que garante o acesso a mais de 30 mil supermercados. É essa mesma rede logística que permite agora dar uma ajuda no escoamento de alguns dos produtos regionais e nacionais, nomeadamente de pequenos produtores que dificilmente teriam acesso a estes mercados. “Pretendemos que, cada vez mais, pequenos produtores se associem ao Grupo Sousacamp e vejam as suas explorações serem rentáveis. Só assim poderemos crescer em conjunto e com sustentabilidade”, explica Artur Sousa. Em causa estão cerca de 45 explorações – de frutos vermelhos, espargos, alho francês, tomate ‘cherry’ e pimentos –, que se preparam para comercializar os seus produtos através da rede comercial da Sousacamp. 9 sa, “o recurso a câmaras com atmosfera controlada e à gestão de produção a partir de um sistema electrónico e informático próprio representam dois dos grandes factores de inovação”. Já a diferenciação está patente no facto de a Sousacamp ser a única empresa de produção de cogumelos a nível mundial que agrega todo o ciclo de produção, desde a colheita das matérias-primas ao cultivo, passando pela fermentação/inoculação, produção, colheita, embalamento, comercialização e entrega ao cliente final. “Os produtos da marca Sousacamp são de referência no mercado, pela sua garantia de qualidade e pelo cumprimento de critérios rigorosos exigidos pelos nossos clientes e entidades certificadoras nacionais e internacionais”, explica Artur Sousa. O seu actual posicionamento no mercado deriva também do facto de o Grupo possuir uma frota própria, que permite colocar os seus produtos diariamente no mercado nacional e em 24 horas no resto da Europa. ENTREVISTA A JOÃO BASTO | Presidente do Conselho de Administração da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA) “Tem-se registado inovação relevante em todos os sectores” 10 OUT 13 COM O FUNCIONAMENTO EM PLENO, O ALQUEVA IRÁ CONTRIBUIR EM 160 MILHÕES DE EUROS POR ANO PARA O AUMENTO DO GRAU DE AUTO-APROVISIONAMENTO EM BENS ALIMENTARES. DR de Administração da EDIA Ao nível da inovação, o que têm feito os empresários portugueses com vista a aumentar a competitividade no sector? O que destacaria em termos inovação ao nível de técnicas, equipamentos, etc.? Os empresários têm feito um investimento significativo no aumento da sua competitividade, como evidencia o crescimento registado na produtividade do sector nos últimos anos. No caso particular da água, e segundo um estudo coordenado pelo engenheiro Francisco Gomes da Silva, a sua produtividade aumentou mais de 30% nos últimos dez anos, isto é, os agricultores têm apostado não só em tecnologias de regadio mais eficientes, como também em culturas de maior rentabilidade, potenciadas pelo uso cada vez mais eficiente da água. O que pode ser feito para tornar a agricultura portuguesa ainda mais competitiva no curto, médio e longo prazos? Apostar na organização e dimensão, dar prioridade à investigação aplicada e à transferência de tecnologia para os agricultores, e reforçar o investimento em infra-estruturas de armazenamento e de distribuição de água. Quais os principais obstáculos que o sector enfrenta e como podem ser ultrapassados? Os principais obstáculos estão, de certa forma, ligados ao que referi acima sobre o que considero serem as principais áreas a apostar no futuro. Adicionaria a necessidade de encontrar soluções de financiamento e de cobertura de risco com custos mais competitivos, o que acredito se concretizará com o conhecimento crescente que existe do sector financeiro relativamente às potencialidades e especificidades do sector, mas também da capacidade técnica dos empresários agrícolas nacionais. O projecto do Alqueva é o exemplo de um investimento público indutor de um ciclo virtuoso no sector, pois através da garantia da água veio permitir que os agricultores possam ultrapassar períodos de seca prolongados sem qualquer restrição de água e, desta forma, potenciar os seus investimentos agrícolas pela diminuição do risco de escassez. Existem culturas em que Portugal ainda não apostou e deveria apostar? Quais e de que forma? A aposta em novas culturas decorre naturalmente da percepção da existência de oportunidades de mercado. Essa aposta e enfoque na diversificação tem-se verificado na procura também de soluções que permitam minimizar o risco das explorações agrícolas. Nesse particular, gostaria de falar sobre uma realidade que me é mais familiar, que é Alqueva. Na nossa região, e com a chegada do regadio, tem surgido um leque alargado de novas culturas, algumas delas com áreas de produção relevantes, e que seriam impensáveis há uns anos, tais como a cebola, a papoila, a noz, a amêndoa, a romã, a abóbora e a pêra rocha. Se algumas destas novas culturas permanentes determinam novas orientações para as explorações em que estão inseridas, as culturas anuais foram adoptadas numa lógica de aumento de rendimento e de diversificação do risco. Portugal tem condições para inverter o saldo da balança de produtos agrícolas? Como e quando? É objectivo do Governo equilibrar a balança comercial do sector, em valor, até 2020. Partindo de um grau de auto-aprovisionamento próximo dos 80%, e tendo em conta a evolução registada no sector nos últimos anos, é um objectivo que está ao nosso alcance, em termos globais, mas que não será atingido em todos os produtos, nem é suposto que assim seja. OUT 13 João Basto, presidente do Conselho Quais as culturas/sectores que se têm revelado mais inovadores e nos quais Portugal apresenta maior potencial de crescimento? Tem-se registado inovação relevante em todos os sectores, desde a floresta e os cereais, até à fruticultura e horticultura. O que é relevante é que esta inovação ocorra ao longo de toda a cadeia de valor e que a sua utilidade seja percebida pelo consumidor final. Apenas dois exemplos: somos um país com vocação florestal e com condições privilegiadas para a produção hortofrutícola, tanto para fresco, como para a indústria. No caso dos hortofrutícolas, temos uma combinação única de radiação solar, horas de sol e proximidade ao mar, que nos permite não apenas obter produtos com características organolépticas de excepção, mas também em épocas do ano onde existe maior escassez de oferta no mercado, com natural impacto no preço do produto. Qual o impacto do Alqueva para a agricultura portuguesa e, em última instância, para a balança do sector? Com o funcionamento em pleno do sistema de regadio de Alqueva (120 mil hectares a concluir até 2015) é expectável um aumento do valor acrescentado bruto agrícola de cerca de 160 milhões de euros por ano. 11 Como vê a evolução do sector agrícola em Portugal nos últimos anos? Que principais mudanças destacaria? O sector agrícola tem registado uma evolução notável na última década. Nesse particular, e considerando a informação recentemente disponibilizada pela Secretaria de Estado da Agricultura, destacaria o aumento da produtividade do sector em 28,3%, entre 2000 e 2012; o facto de as exportações terem crescido a uma média de 8,2% ao ano desde 2005, o que representa o dobro do crescimento do conjunto da economia; o contributo para a redução de 15% do défice da balança comercial agro-alimentar (500 milhões de euros) entre 2011 e 2012; e, finalmente, o contributo decisivo na criação de novos empregos. ENTREVISTA A GOTTLIEB BASCH | Vice-director do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM) Gottlieb Basch, vice-director do ICAAM, com um tabuleiro para a produção de ‘baby-leaf’, numa estufa particular dentro das instalações da Universidade de Évora (protocolo universidade-empresa). “A investigação é essencial à inovação” 12 OUT 13 É ESTA A FILOSOFIA DO TRABALHO DESENVOLVIDO PELO ICAAM, QUE TEM MAIS DE 50 PROJECTOS EM CURSO. O VICE-DIRECTOR FALA DOS DESAFIOS QUE SE COLOCAM À AGRICULTURA PORTUGUESA. Não é possível hoje pensar numa agricultura competitiva sem inovação. Qual o estado da arte da agricultura portuguesa? Pode dar alguns exemplos de inovação no sector? O conceito de inovação é muito abrangente; pode referir-se a uma nova descoberta ou invenção, ou à adaptação, ou melhoria, de tecnologias e sistemas produtivos já conhecidos. Durante muitos anos as ajudas disponíveis serviram principalmente para investir em mecanização e infra-estruturas, o que foi insuficiente para acompanhar os ganhos de competitividade de outros e os efeitos da globalização. Daí a necessidade da aposta na inovação de uma forma mais generalizada. Os níveis de inovação alcançados diferem muito de sector para sector e de região para região. Felizmente já verificamos bons avanços em alguns sectores e produtos típicos do Mediterrâneo, on- de a nossa agricultura tem a sua mais-valia. Os sectores oleícola, vitivinícola, hortícola e frutícola estão certamente na vanguarda da inovação. A máquina de colheita contínua desenvolvida no ICAAM é um de vários exemplos. Qual o papel do ICAAM e da Universidade de Évora no contexto da inovação na agricultura em Portugal? A investigação é essencial à inovação. Em qualquer sector ou área do conhecimento a investigação depende, entre outros, da ligação entre a investigação e a prática. Essa necessidade é reconhecida no programa da Parceria Europeia para a Inovação e da DG Agricultura em Bruxelas, onde se definem as bases do que será necessário para alcançar a excelência e inovação na agricultura europeia. O ICAAM tem privilegiado a inves- tigação aplicada, que pretende resolver questões que emanam da prática. As ligações do ICAAM a empresas e produtores são fortes e pretendemos que se mantenham. A sustentabilidade da agricultura na região mediterrânica constitui o principal objectivo da investigação do ICAAM, que é a sede de investigação que suporta, na prática, a inovação na região do Alentejo. Pode falar um pouco dos projectos mais importantes levados a cabo no ICAAM? Em que consistem, qual o seu objectivo e que resultados já foram alcançados? Dos mais de 50 projectos de investigação em curso podem destacar-se: a optimização do uso da água nos olivais intensivos e super-intensivos, com base em tecnologias de detecção remota; a patente de um controlador de rega que per- Quais os obstáculos com que se depara hoje a agricultura portuguesa e como podem ser contornados? A falta de uma política agrícola coerente e a longo prazo, que promova sectores e fileiras chave da nossa agricultura, e a pequena dimensão do nosso sector produtivo, que impede a competitividade em produtos de massa: só a aposta na qualidade, em nichos de mercado e na inovação pode fazer face a esta falta de escala. Destacaria também o individualismo do sector produtivo face à forte concentração dos sectores comercial e transformador, que só pode ser contornado através de organizações de produtores fortes. E a introdução e adopção de sistemas produtivos competitivos e sustentáveis a longo prazo, numa escala generalizada e não apenas em poucas empresas pioneiras. É também vital elevar o nível de formação, de empreendedorismo e de sensibilização dos jovens para as oportunidades que o sector primário pode oferecer. Não devemos ainda ignorar a adaptação aos efeitos das alterações climáticas, que poderão vir a ter grande impacto na agricultura. Considera que Portugal tem uma estratégia bem definida para o sector agrícola? As medidas públicas são coerentes com essa estratégia? A agricultura portuguesa caracteriza-se pela ausência de estratégias a médio e longo prazos. 1. Os professores Gottlieb Basch e Augusto 2. Peixe, ambos vice-directores do ICAAM, a apreciar nogueiras multiplicadas ‘in vitro’. 2. Da stévia é extraído um tipo de adoçante natural que permite substituir os adoçantes sintéticos. Tem tido, portanto, muita procura por parte de empresas produtoras de refrigerantes. 3. Pormenor do laboratório de enologia do ICAAM. 3. A definição de políticas agrícolas deve ter em conta as interacções entre ambiente, produções e mercados, permitindo o ordenamento da superfície agrícola. Em simultâneo, deveriam existir medidas para incentivar o desenvolvimento de toda a cadeia de valor. O sucesso da implementação de estratégias deste tipo dependerá de medidas públicas que, além de serem coerentes, devem considerar as condicionantes das políticas europeias e da organização mundial de mercados, para se garantir um crescimento produtivo sustentável. Jamais existirá agricultura sustentável se, antes de tudo, não for sustentável economicamente. Quais os sectores em que Portugal apresenta maior potencial? E que outros poderia explorar mas que não estão a receber tanta atenção? Os sectores florestal, hortofrutícola, vitivinícola e oleícola são os que apresentam actualmente um maior dinamismo, especialmente os dois últimos. A caracterização agrícola de Portugal permite verificar que, dependendo da região, há potencial em diversos sectores. No litoral há condições para a horticultura e floricultura. As regiões do interior do país apresentam aptidão para diversas produções vegetais e animais, e que podem ter origem: no sector florestal; no agro-silvo-pastoril; nas culturas arvenses com alguns nichos como o arroz, o trigo duro, a cevada para malte e algumas proteaginosas; na fruticultura, para além das já referidas, as pomóideas, as prunóideas e os citrinos, sendo também de considerar alguns nichos como a nogueira, a amendoeira e a figueira. Nos sistemas de produção animal, a aposta deverá incidir nas raças autóctones e nos produtos alimentares com denominação de origem. OUT 13 O ICAAM valoriza e promove a disseminação dos resultados de I&D à comunidade. De que forma? A disseminação e valorização dos resultados dos nossos projectos foram sempre prioridades do ICAAM. O envolvimento directo das empresas, associações e organizações do sector em projectos de investigação em consórcio, assim como o estabelecimento de contratos de prestação de serviços de consultoria e investigação, são formas muito eficientes de envolver os utilizadores finais, que nos permitem realizar uma investigação centrada na resolução de problemas e contribuir directamente para a sua aplicação. Através da realização de cursos, seminários e ‘workshops’ de divulgação, garantimos a disseminação a grupos mais alargados. 13 mite poupanças de água até 50%; o desenvolvimento da Plataforma Tecnológica Vitivinícola para diferenciar zonas de produção de vinhos ‘premium’ dentro da exploração; o desenho e produção da máquina de colheita de azeitona e desenvolvimento da máquina de colheita e descasque de ‘Jatropha’ para produção de biodiesel. Destacaria ainda o estudo de associações entre plantas e microorganismos benéficos para as culturas, permitindo o aumento da produtividade e a diminuição de doenças e do uso de fertilizantes; a optimização de novas culturas como o mirtilo, a sorgo sacarino e o stévia. Também a propagação de plantas de difícil multiplicação, como a oliveira “galega vulgar” e a nogueira; e a determinação da composição de rações para animais e da presença de pesticidas em azeites, com aplicação na certificação e garantia de qualidade de produtos alimentares. Fotos: Pedro Aperta 1. AGROAGUIAR Acrescentar valor à castanha NA AGROAGUIAR CEDO SE PERCEBEU QUE ERA NA TRANSFORMAÇÃO DA CASTANHA QUE ESTAVA O POTENCIAL PARA CRIAR DIFERENCIAÇÃO FACE À CONCORRÊNCIA. UMA APOSTA GANHA. EM PORTUGAL E FORA DE PORTAS. A AgroAguiar resultou da aposta numa das mais completas e funcionais infra-estruturas do mercado agro-industrial, a pensar no comércio por grosso de produtos agrícolas transformados. Em causa está o investimento de 3,5 milhões de euros numa unidade de tratamento da castanha e seus subprodutos, que permitiu à empresa posicionar-se noutro patamar de operação e conquistar clientes exigentes, como as grandes superfícies e as agro-indústrias ligadas ao sector dos lacticínios e de conserva de frutas, em Portugal e fora de portas. Em 2012, a empresa colocou a fasquia de exportação nos 75% (face aos 31% do ano anterior), com baterias apontadas a mercados como Fran- Rodrigo Reis, 14 OUT 13 administrador da AgroAguiar ça, Holanda, Luxemburgo, Bélgica, Suíça, Espanha, Itália, Alemanha, Angola, Estados Unidos, Canadá e Brasil. “São números impressionantes; estamos a fazer um trabalho incrível nesta área, por exemplo, no que diz respeito à castanha”, explica Rodrigo Reis, administrador da empresa sediada em Vila Pouca de Aguiar. De um modo geral, os frutos secos em Portugal retêm escassas mais-valias associadas à transformação, e é nessa vertente que a AgroAguiar marca a diferença. Enquanto a grande maioria dos exportadores de castanha portuguesa exporta o produto fresco para os concorrentes do sector agro-alimentar, que a processam e embalam para os grandes centros distribuidores, a AgroAguiar decidiu dedicar-se, ela própria, ao processamento e embalamento do produto, que canaliza directamente para os grandes centros. “Desta forma, conferimos a mais-valia ao produto em Portugal e transaccionamo-lo com outras margens. A nossa capacidade instalada permite-nos ambicionar esse tipo de mercado e ‘comprar’ o risco de sermos ousados e tentar ‘combater’ os grandes agro-industriais”, adianta o administrador. Um exemplo de inovação, e de antecipação do futuro, está patente na aquisição, em 2009, de uma linha de esterilização de castanha por acção de água a elevadas temperaturas, a antecipar a proibição da utilização de gás brometo nes- ‘ A AgroAguiar conta com um leque de produção, transformação e comercialização que vai desde os frutos secos, aos frutos vermelhos, passando pelo figo e pelos produtos transformados. A empresa – que tem investido 25% do seu resultado em actualização de tecnologia e no aumento da capacidade instalada – tem previsto para este ano o investimento numa nova unidade de conservação de produto ultracongelado, bem como em duas novas linhas para produção de derivados da castanha, envolvendo um total de 1,5 milhões de euros. “Hoje, estamos com alguma dificuldade em satisfazer as necessidades dos nossos actuais clientes, o que nos impede de desenvolver mais parcerias neste sentido. É fundamental para a AgroAguiar a conclusão deste projecto de aumento de capacidade, quer ao nível da conservação, quer ao nível do processamento da fruta congelada”, explica Rodrigo Reis. Depois destes investimentos, a empresa pretende consolidar a sua posição no mercado externo e afirmar-se como uma referência do sector agro-industrial português no produto ‘core’ castanha. AGROAGUIAR: FACTS & FIGURES Com um número de 15 colaboradores fixos, que sazonalmente pode chegar aos 40, a AgroAguiar possui uma capacidade de armazenamento de 250 toneladas no que toca a fruta congelada e de 500 toneladas para a fruta fresca. Já a capacidade de processamento de castanha, o seu produto ‘core’, é de três milhões de quilos por ano. A empresa, que viu este ano renovado o seu estatuto de “PME Líder”, é também a única empresa que tem como produto ‘core’ a castanha a deter as certificações de qualidade ISO 9001 e ISO 22000. Em 2012, apenas cinco anos após a sua constituição, a AgroAguiar já facturava 3,8 milhões de euros, perspectivando atingir a fasquia dos cinco milhões de euros este ano. Entre os principais factores de competitividade conta-se o facto de mais de 90% da principal matéria-prima – a castanha – ser oriunda de Portugal, país que beneficia actualmente de elevados índices de produtividade e de qualidade neste produto. Acresce a especialização dos seus recursos humanos e a sua boa capacidade financeira. OUT 13 Além da aposta antecipada numa tecnologia que se viria a revelar fundamental, a AgroAguiar percebeu também, desde cedo, “a necessidade de optimizar ainda mais a estrutura existente e acrescentar mais produtos ao seu portefólio”, lembra Rodrigo Reis. E assim fez. Hoje, a AgroAguiar conta com um leque de produção, transformação e comercialização que vai desde os frutos secos (castanha, noz, amêndoa), aos frutos vermelhos (cereja, morango, framboesa), passando pelo figo e pelos produtos transformados, como a castanha pelada congelada, a castanha assada congelada, a marron glacé, a castanha em calda e a compota de castanha. Recentemente, a AgroAguiar incluiu também na sua estrutura operacional o azeite e a azeitona em conserva, para responder às solicitações dos clientes e consolidar o trabalho desenvolvido no fornecimento de frutos congelados para as indústrias transformadoras. “É um mercado imenso onde queremos ser uma das referências”, adianta o administrador. FRUTO COM POTENCIAL NO COMÉRCIO EXTERNO PORTUGUÊS Actualmente, a comercialização da castanha representa uma das principais receitas nas explorações agrícolas do Nordeste transmontano. A nível nacional, a castanha foi um dos frutos que conseguiu sobreviver à crise dos produtos agrícolas e é o que tem o maior valor líquido nas exportações portuguesas, com escoamento garantido em diversos mercados de todo o mundo. 15 DIVERSIFICAÇÃO DE PRODUTO Fotos: Bruno Barbosa se processo, que a União Europeia viria a decretar em 2012. “Toda a castanha consumida fora da União Europeia necessita de um certificado fitossanitário, emitido pelas Direcções Regionais de Agricultura mediante acompanhamento do processo de esterilização. Em 2009, a AgroAguiar já tinha percepcionado que, mais cedo ou mais tarde, a utilização do gás seria proibida, e assim foi. Desde 2012 que o único método homologado é a linha de esterilização por acção de água a elevadas temperaturas. E em Portugal são poucas as empresas que contam com um equipamento deste tipo, tendo que recorrer a serviços de esterilização para conseguir exportar para fora da União Europeia”, adianta o administrador.