Holdings
Introdução
Holdings são procedimentos de espera. Um procedimento de espera serve apenas para esperar, por
exemplo, num local congestionado, onde há necessidade de “arrumar” a malta.
Numa espera, as aeronaves, encontram-se dentro de determinado espaço aéreo onde é garantida a
segurança quanto a obstáculos ou colisão com outras aeronaves.
O procedimento de espera é constituído pela área da entrada em espera e pela área básica da espera.
A área básica de espera é igual em todas as esperas, mas há várias maneiras de se entrar nela,
dependendo do lado que se vem em relação à dada espera. Uma espera pode ser com voltas pela direita, ou
pela esquerda. Numa espera standard, as voltas são pela direita.
Sectores de Entrada
Existem três sectores de entrada, como se pode ver na seguinte figura:
Na figura acima, podemos ver que tem zonas numeradas, 1, 2 e 3. Cada número corresponde a uma
entrada diferente. Vamos ter em consideração, neste exemplo, que o Norte é para cima, que o rumo de
afastamento é 090, o rumo de aproximação é 270 e que é uma espera standard (portanto com voltas pela direita
e pernas de 1 minuto).
As três entradas diferentes são a Paralela, Teardrop e Directa, respectivamente.
Se eu me estiver a aproximar do FIXO pelo lado do sector 1, irei executar uma entrada Paralela, se vier
do sector 2 executo uma Teardrop, e se vier do sector 3 executo uma Directa.
Execução da Espera
Uma espera começa sempre num FIXO (pode ser um VOR, NDB, num RDL a uma dada DME ou um
cruzamento de rádio-ajudas), e tem sempre duas pernas – a de aproximação e afastamento, cujos rumos são
recíprocos – e a duração standard de cada perna é de 1 minuto. Caso seja diferente, estará publicado.
As voltas numa espera são sempre de Razão 1 (R1). Uma volta de R1 é uma volta de 3º/seg, ou seja,
demora 1 minuto a fazer 180º (se demoro 1 segundo a fazer 3º, então em 60 segundos faço 180º). O Bank numa
volta deste tipo ronda os 25º, dependendo de avião para avião e da velocidade. Esta é a volta que aparece no
Turn Coordinator dos Cessnas, onde mostra “2 Min”, indicando que aquela volta coordenada leva 2 minutos a
concretizar 360º.
Assim sendo, uma volta de uma espera tem a duração de 4 minutos (2 por cada perda – afastamento e
aproximação – e 2 pela volta de cada lado).
Acima de FL140 ou 14000ft (dependendo de estar a fazer esperas em níveis ou altitudes), as esperas
tem a duração de 5 minutos, pois as pernas de afastamento e aproximação são feitas com 90 segundos (1
minuto e meio)
Entrada Paralela (Sector 1):
Voar directo ao FIXO e ao atingir o FIXO, voltar para o rumo de afastamento durante 1 minuto, voltar
depois para o FIXO pelo lado de dentro da espera (zona segura) e ao passar pelo FIXO começar a espera OU
Voar directo ao FIXO e ao atingir o FIXO, voltar para o rumo de afastamento durante 1 minuto, voltar
depois pelo lado de dentro da espera (zona segura) até interceptar o rumo de aproximação para o FIXO, e ao
passar pelo FIXO começar a espera.
Entrada Teardrop (Sector 2):
Voar directo ao FIXO e ao atingir o FIXO, voltar para o rumo de afastamento com mais ou menos 30º (de
maneira a voar dentro da zona de espera) durante 1 minuto, voltar depois para o FIXO com rumo de
aproximação e ao passar pelo FIXO começar a espera.
Entrada Directa (Sector 3):
Voar directo ao FIXO e ao atingir o FIXO começar a espera.
Definir uma Espera
Assim, uma espera pode ser definida apenas por um FIXO e rumo de aproximação. Depois só
necessitamos de saber se a espera é standard ou não (tanto em termos de volta como de duração de cada
perna – pode haver necessidade de fazer uma espera com pernas de 2 minutos)
Cronometragem
Como cronometrar as pernas da espera?
Ao terminar uma volta, nivelando as asas, supostamente estaremos ABEAM o FIXO e ai ligamos o
cronómetro. Normalmente isto nunca acontece na primeira volta, pois estamos ainda em adaptação, mas na
segunda volta já devemos estar sincronizados. Caso isto não aconteça, só iniciamos o cronómetro se:
a) No caso de nivelarmos as asas, e ainda não atingimos a posição ABEAM o FIXO (ou seja, fizemos
um undershoot – “antes de”) só iniciamos o cronómetro ao passar ABEAM o FIXO.
b) No caso de passarmos ABEAM do FIXO antes de termos as asas niveladas (ou seja, fizemos um
overshoot – “depois de”) iniciamos o cronómetro aquando do nivelamento das asas.
Resumindo, iniciamos o cronómetro no final do processo completo (ou ao nivelar as asas por último, ou
ao passar o ABEAM o FIXO por último)
Com as várias voltas de espera, bem cronometradas e controladas em termos de rumos, vamo-nos
apercebendo se os rumos estão a bater certo (caso não esteja a acontecer, possivelmente a causa está em
vento lateral e haverá necessidade de fazer uma pequena correcção nos Headings das pernas, para manter os
mesmos rumos), ou se numa perna chegamos mais cedo e na outra mais tarde (neste caso será por vento de
frente/cauda em relação as pernas, e poderá haver necessidade de fazer uma perna com, por exemplo, 50
segundos e a outra com 70 segundos).
No caso de termos de ajustar o tempo de uma perna, temos sempre de compensar na outra, pois é
importante manter o tempo de uma espera completa constante.
Situação Real
Vamos ver numa situação, por exemplo, em Lisboa, uma Espera em CP.
Aqui neste caso, temos como FIXO um NDB que é o CP, rumo de aproximação é 028, rumo de
afastamento é o seu recíproco, 208. Sabemos também que é uma Espera pela Esquerda, ou seja, é nonstandard.
Agora temos de imaginar os sectores aqui…
Portanto, para definir os sectores, prolongamos a perna de aproximação (vermelho), e abrimos 70º para
o lado de fora da espera. Traçamos a linha que vemos a azul, e já está!
Os Sectores são apenas divididos por estas duas linhas que traçamos. Da azul para baixo, temos um
sector com 180º de amplitude (Sector 3). Dos outros dois lados que sobram, o mais pequeno é o Sector 2 (com
70º de amplitude) e o maior é o Sector 1 (com 110º de amplitude).
Se por exemplo eu vier com rumo 208 em direcção ao FIXO, ou seja, no QDM 208, posso optar por fazer
a entrada do Sector 1 (Paralela) ou a entrada do Sector 2 (Teardrop). Quando nos encontramos muito junto às
linhas de divisão, temos uma margem de 5º. Isto significa que se eu vier, por exemplo, no QDM 203 (ou seja,
venho de norte, 5º para o lado do Sector 1 (deveria fazer uma Entrada Paralela) posso optar por fazer uma
Teardrop, uma vez que esta margem de 5º me permite. Mas se vier em aproximação no rumo 202 (QDM 202), já
estou afastado da margem 6º, e já tenho de realizar a Entrada Paralela.
Nota: Os rumos a cor-de-rosa no desenho (QDM) representam a amplitude de cada sector.
Documento gentilmente cedido ao departamento de treino da IVAOPT e a toda a comunidade IVAOPT
Tiago Gonçalves, VID 155112
Marco Dias, VID 142341
IVAO-PT 2005
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