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A importância do brincar na educação infantil segundo uma visão
Winnicottiana
Márcia Molina Cavalcanti
Faculdade Carlos Drummond de Andrade
Docente de Metodologia do Trabalho Científico
[email protected]
Johnson Pontes de Moura
Engenheiro Químico pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Mestre em Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN). Professor do Programa de Pós-Graduação em Gestão Ambiental
da Faculdade do Vale do Cricaré- UNIVC. Discente do Curso de Bacharel em
Direito da Faculdade Carlos Drummond de Andrade
[email protected]
RESUMO
O brincar não é apenas uma forma de divertimento, brincar é um processo de
relação entre a criança e o brinquedo, e das crianças entre si e com os adultos. O
brincar é tão importante e sério para a criança como trabalhar é para o adulto. Isso
explica por que encontramos tanta dedicação da criança em relação ao brincar.
Brincando ela imita gestos e atitudes do mundo adulto, descobre o mundo, vivendo
leis, regras, experimenta sensações. Portanto, os professores exercem um papel
muito importante na Educação Infantil, devendo promover situações onde a criança
possa encontrar um ambiente estimulante, que lhe permita realizar a aprendizagem
de forma natural. Desta forma, espera-se uma valorização mais consciente acerca
da importância do brincar na escola, na família e na sociedade.
PALAVRAS-CHAVE: Brincar; aprendizagem; desenvolvimento motor; criança;
professor.
ABSTRACT
Artigo publicado em: http://www.conteudojuridico.com.br/?artigos&ver=2.29598&seo=1 Página 0
The play is not just a way to have fun, play is a process of ralationship between
children and toys, and children among themselves and with adults. The play so
serious and important for the child to work is for adults. This explains why we find so
much dedication on the child’s play. Playing it imitates gestures and attitudes of the
adult word, discover the word, experience laws, rules, experiences sensations.
Thinking so teachers have a very important function in children’s education and
should promote stimulating environment, enabling it to implement the learning in a
natural way. Thus, it is expected a recovery more aware about the importance of
playing in school, family and society.
Keywords: Play; learning; development; children; teacher.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Entende-se o brincar como ato espontâneo, livre e criativo, isto é, qualquer
atividade humana praticada com inocência.
A essa manifestação da criança; o “brincar” pode se destacar por:
“espontâneo”, visto como uma tendência natural, livre; ou “didático”, quando é
fundamentado com o conteúdo e a utilização da brincadeira para se
ajustar ao
mundo produtivo.
A problematização se dá quando a brincadeira da criança, cria-se uma
perspectiva de realidade do adulto, além da falta de tempo e espaços para a
aprendizagem e desenvolvimento motor ou outro domínio humano caracterizado
pelas condições de um mundo “tecnologizado”.
Porém, deve-se considerar que para se assegurar o direito de brincar de uma
criança, depende muito de uma análise da complexidade do âmbito familiar, da
classe social e dos valores a ela atribuídos na Educação Infantil.
O objetivo deste estudo foi de realizar uma avaliação geral sobre a tendência
natural de brincar da criança, analisando ainda a prática psicopedagógica em
relação à abordagem psicomotora.
Os benefícios desta ação são bem explícitos e vão se estruturando e dando
formas definidas e mais talhadas de interpretar, compreender, agir, visando
assegurar o direito da criança, brincar, criar, aprender.
A presente pesquisa foi elaborada através de livros e revistas sobre Educação
Infantil, portanto, trata-se de uma pesquisa bibliográfica.
ESTADO DA ARTE
O BRINCAR
Conforme Santos (1999, p. 12), para a criança, “brincar é viver”. Esta é uma
afirmativa bem real. O brincar prepara a criança para vida, é prazer,
lazer,
divertimento, é muito importante em todas as fazes da vida, e faz parte das
necessidades vitais do ser humano.
Para Cunha (1994), o brincar é uma característica primordial na vida das
crianças, é bom, gostoso, e dá felicidade, e ser feliz é estar mais predisposto a ser
bondoso, a amar o próximo e a partilhar fraternalmente.
Ao brincar, a criança aprende com toda a riqueza do aprender fazendo,
espontaneamente, sem pressão ou medo de errar, mas com prazer pela aquisição
do conhecimento.
Sendo assim, fica claro que o brincar para a criança não é uma questão
apenas de pura diversão, mas também de educação, socialização, construção e
pleno desenvolvimento de suas potencialidades.
A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL
“O brincar é uma necessidade básica e um direito de todos. O brincar é uma
experiência humana, rica e complexa.” ( ALMEIDA, M.T.P., 2000)
A criança para ser feliz precisa de muita coisa, mas em especial de: Brincar.
O brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da
identidade e da autonomia da criança.7
Para Winnicott ( 1975, p.63),
O desenvolvimento infantil considera que o ato de brincar é mais que a
simples satisfação de desejos. O brincar é o fazer em si, um fazer que
requer tempo e espaços próprios; um fazer que se constitui de experiências,
culturais, que é universal e próprio da saúde, porque facilita o crescimento,
conduz aos relacionamentos principais, podendo ser uma forma de
comunicação consigo mesmo (a criança) e com os outros.
No brincar, as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes,
tais como, atenção, a imitação, a memória, a imaginação.
Brincar deixa de ser visto somente como uma atividade e passa a ser
privilegiada porque é necessária para o ensino e aprendizagem e desenvolvimento
da criança.
Segundo Vygotsky (1998, p. 131):
O brinquedo cria na criança uma nova forma de desejos a um “eu” fictício,
ao seu papel no jogo e suas regras. Desta maneira as maiores aquisições
de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro
torna-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade.
Através do brincar, a criança pode desenvolver a cooperação, imaginação,
confiança, auto-estima.
A interação da criança com outras crianças e o modo como brinca, permite a
formação de sua personalidade. Para isso é preciso que professores da Educação
Infantil promovam situações de acordo com as necessidades das crianças.
Conforme Didonê (2006), na Educação Infantil a brincadeira é o mais
importante. E nas atividades físicas por meio de tarefas lúdicas, os pequenos
experimentam diferentes maneiras de andar, correr, pular e se estimular,
aprendendo inclusive interagir com os colegas.
Assim o brincar se torna um meio de desenvolver-se fisicamente e
mentalmente.
É preciso resgatar o lúdico novamente nas escolas a fim de representar um
avanço para a educação e que possa ser visto como fonte e aprendizagem e
desenvolvimento. ( AZEVEDO, 2004, p.46-47)
Há uma forte tendência de unir o lúdico à Educação Infantil, e muitas
instituições escolares já reconhecem o valor do brincar, compreendem que é a
essência da infância e que por meio do brinquedo as crianças podem criar,
simbolizar, aprender, apreender, construir e expressar-se.
O PAPEL DO EDUCADOR
Para Almeida (1987, p.195):
A esperança de uma criança, ao caminhar para escola é encontrar um
amigo, um guia, um animador, um líder – alguém muito consciente e que se
preocupe com ela e que a faça pensar, tomar consciência de si e do mundo
e que seja capaz de dar-lhe as mãos para construir com ela uma nova
história e uma sociedade melhor.
Para se ter dentro dos Centros de Educação Infantil o desenvolvimento de
atividades lúdicas e educativas, é de fundamental importância garantir a formação
do professor e condições de atuação.
Assim é possível o resgate do espaço de brincar da criança no dia-a-dia da
escola ou creche.
Segundo Rego (1992), sempre que possível o educador deve participar das
brincadeiras e aproveitar para questionar com as crianças sobre as mesmas,
também, organizar e estruturar o espaço de forma a estimular na criança a
necessidade de brincar, também visando facilitar as brincadeiras. Ser aquele que
coordena sua ação a ação da criança, pelo conhecimento e ligação com as
emoções.
Não é suficiente o professor se preocupar apenas com mudanças de
conteúdos e métodos em sua prática pedagógica. É necessária uma mudança da
própria concepção e do processo de ensino e aprendizagem.
O professor deve desenvolver e ampliar o mundo lúdico da criança respeitando
o contexto vivido.
A criança é um ser sócio histórico, que se relaciona e se comunica com o
mundo através de suas experiências. Portanto é imprescindível a construção do
movimento lúdico da criança ampliando seus caminhos.
É claro e notório que as crianças que não tem a oportunidade de brincar, ou
com quem os professores ou pais não brincam, sofrem bloqueios em seus
processos de desenvolvimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Educação Infantil é um período fundamental no desenvolvimento emocional e
cognitivo da criança. Ela precisa brincar para crescer, para compreender melhor o
mundo.
A ludicidade é de extrema importância para o desenvolvimento integral da
criança, pois para ela, brincar é viver.
O brincar foi e sempre será prioridade para a criança. O que comprova a sua
importância e necessidade.
Assim é necessário que os educadores e pais dêem condições e promovam
situações de acordo com as necessidades das crianças ocasionando estimulação
para o desenvolvimento cognitivo e integral da criança.10
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, M. J. P. Jogos divertidos e brinquedos criativos. Petrópolis, RJ:
Vozes, 2004.
ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica - técnicas e jogos pedagógicos.
São Paulo: Edições Loyola, 1987.
AZEVEDO, Antônia Cristina Peluso de. Brincando no Diagnóstico e Intervenção
em dificuldades Escolares. Campinas, SP: Alínea, 2004. p.144.
CUNHA, Nylse H. S. Brinquedoteca: um mergulho no brincar. São Paulo:
Maltese, 1994.
DIDONÊ, Débora. Ginástica com faz-de-conta. In: Revista Nova Escola. São Paulo,
vol. 1, n. 193, p. 46-48, Jun/Jul. 2006.
REGO, Teresa Cristina. Brincar é coisa séria. São Paulo: Fundação Samuel, 1992.
SANTOS, Santa Marli Pires dos. Brinquedo e Infância: um guia para pais e
educadores. Rio de Janeiro: Vozes,1999.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação Social da Mente: o desenvolvimento
dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
WINNICOTT, D. W. O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
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