entrevista: Márcio César de Toledo 6 outubro de 2003 outubro de Márcio: “temos que manter os fiscais motivados” Há um ano, a coordenadoria criou o Projeto de Monitoramento e Orientação de Agricultores. Ele funciona nos municípios de Fátima do Sul e Chapadão do Sul, onde ficam concentrados os plantadores de algodão. Todo mês realizamos palestras com os agricultores e os donos das plantações. Os temas envolvem o uso de Equipamentos de Proteção Individual, a importância da orientação do engenheiro agrônomo, a dosagem, armazenamento e descarte corretos do agrotóxico, direitos dos trabalhadores, entre outros. Ao todo, já realizamos 24 palestras nos dois municípios. A idéia é educar trabalhadores e fazendeiros para diminuir os agravos à saúde, ocorridos neste tipo de atividade, como câncer, depressão e suicídio, verificados ao longo do trabalho que estamos realizando. BI - Além do trabalho com os agricultores, que tipo de ações a coordenadoria adota hoje em relação à Saúde do Trabalhador? Construímos três Centros de Referência em Saúde do Trabalhador em Dourados, Três Lagoas e Corumbá. O centro atende pessoas com doenças desenvolvidas em ambientes de trabalho, como LER/DORT (lesão por esforço repetitivo/distúrbios osteo- BI - O setor de radiodiagnóstico e o de transporte de óleo vegetal também possuem ações específicas. Quais são? Temos uma pareceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul para controlar a qualidade dos aparelhos de radiodiagnóstico. Uma equipe de alunos da universidade coordenados por uma física e por uma professora, em conjunto com fiscais da vigilância, visita os serviços em questão para medir e monitorar o funcionamento desses equipamentos. O projeto está em funcionamento na capital e a idéia é estender a experiência para outros municípios do estado. Ainda em outubro, vamos publicar uma resolução regulando o transporte 8 Ação em farmácia reforça papel social e educativo do SNVS Gomes Brito O dentista Márcio César de Toledo, 52 anos, considera a Saúde do Trabalhador um dos pilares do trabalho de Vigilância Sanitária. Aliando ações educativas com assistência médica e psicológica, o especialista em Saúde Pública, Radiologia e Administração Hospitalar desenvolve hoje uma rede para atender trabalhadores de todo o Mato Grosso do Sul. Com 23 anos de Vigilância Sanitária e há dez meses à frente da Coordenação Estadual de Vigilância Sanitária (MS), Márcio também adotou medidas para evitar o transporte irregular de óleo vegetal e monitorar os aparelhos de radiodiagnóstico com a parceria de alunos da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Para ele, o estado possui uma equipe suficiente para atender as demandas do setor, mas reitera a necessidade de manter atualizados e estimulados aos fiscais. musculares relacionados ao trabalho) e também outros tipos de agravos ocasionados por acidentes, queimaduras e fraturas, por exemplo. Para atender essas demandas, o serviço dispõe de médico de trabalho, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, psicólogo, profissional de educação física e fisioterapeuta. Para o funcionamento da unidade, o estado financia os equipamentos e o município fornece a mão de obra. A meta da Vigilância Sanitária é construir 12 centros, número capaz de atender todo o Mato Grosso do Sul. Em novembro, a quarta unidade será inaugurada em Campo Grande. 7 outubro de 2003 número 36 outubro de 2003 Promoção da Saúde do Trabalhador em evidência BI - O Mato Grosso do Sul desenvolve um trabalho educativo para os agricultores. Como funciona? 2003 de óleo vegetal. Hoje, há caminhoneiros e donos de transportadoras que levam óleo para fora do estado em um veículo que foi inspecionado e devidamente limpo com a supervisão dos fiscais, mas que voltam trazendo combustível. Pela nova legislação, o caminhoneiro não poderá mais transportar esses dois tipos de produtos sob pena até de perder o caminhão. BI - O treinamento de funcionários e a estrutura de trabalho têm grande influência para o bom desempenho das atividades. O que a coordenadoria tem feito pelos técnicos? Até o fim do ano, toda a estrutura física da coordenadoria estará remodelada. Compramos cadeiras adequadas à postura do funcionário, informatizamos 66 dos 77 municípios do estado e adquirimos duas novas caminhonetes e uma van. Em 2004, o Mato Grosso do Sul terá os primeiros cursos de especialização em Vigilância Sanitária e de Saúde do Trabalho, cujos currículos serão elaborados pela nossa universidade federal. Para manter a nossa equipe de 32 fiscais motivados e unidos, além das mudanças estruturais, realizo reuniões mensais para discutir o que fizemos naquele mês, o que precisa melhorar e a expectativa dos inspetores. É fundamental ouvir sempre e participar da rotina dos técnicos. Uma audiência de conciliação no Ministério Público Federal da Paraíba, para evitar a execução de uma sentença, provou, na primeira semana de outubro, em João Pessoa, que o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) vem sendo aprimorado também por meio de ações preventivas. Sem o acordo, firmado entre o MP, o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e proprietários da Pharmacodinâmica, que manipulava substâncias controladas ilegalmente, a empresa teria perdido sua Autorização de Funcionamento (AF). No final da audiência, ficou acertado que a empresa manipule apenas produtos cosméticos de risco I, enquanto não se adequar às Boas Práticas de Manipulação em Farmácias. As negociações no MP significaram a última etapa de um processo de inspeções da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) e Anvisa, que se arrastou desde 2001, e que culminou na determinação do cancelamento da autorização de manipulação de substâncias contro- ladas, antes da conciliação. As ações de fiscalização e inspeção foram comandadas pela Agevisa e vigilância municipal, com a interferência da Anvisa, em nível federal, que acompanhou as ações e emitiu relatórios aos ministérios públicos Federal e Estadual. A manipulação de medicamentos deve ser feita conforme a RDC n° 33/00 A Pharmacodinâmica manipulava substâncias sem possuir livro de registros específicos para escrituração das mesmas, constantes das listas A1e A2 da Portaria 344/98; fechava os balanços sem obedecer aos critérios de vigilância sanitária; utilizava rotulagens inadequadas; e fazia propaganda do Vangral, o “Viagra” natural. Apesar de cometer várias infrações, a proposta inicial era atender ao caráter educativo do SNVS, para que a empresa, ao cumprir Continuação da tabela as Boas Práticas de Manipulação, oferecesse produtos manipulados com segurança e eficácia. “Com o acordo foram garantidas as questões do emprego e da sustentabilidade comercial”, comentou Maria José Delgado Fagundes, gerente de Controle e Fiscalização de Medicamentos e Produtos da Anvisa. “Nosso trabalho é educativo, mas tivemos de agir com rigor para evitar que os donos da farmácia continuassem ignorando o papel das autoridades sanitárias”, observou José Alves Peixoto, diretor de Medicamentos, Produtos e Toxicologia da Agevisa. As ações esbarraram em liminares da Justiça durante mais de dois anos. Finalmente, numa ação inédita no país, em farmácias de manipulação, a empresa foi proibida de manipular substâncias controladas e seus estoques lacrados. Atualmente, o estabelecimento vem se adequando às exigências e, na última semana deste mês, voltou a manipular cosméticos e medicamentos, exceto os controlados. Produtos apreendidos e interditados (5 a 18 de setembro) Produto Empresa Situação Motivo Ácido Acetil Salicílico Comprimido 500mg (lote nº 234) Greenpharma Química e Farmacêutica Ltda Interditado Princípio ativo e aspecto fora do padrão Ama HIV Test Triunfo Suspensa a venda Não possui registro Interditado Limites de aflotoxinas acima do permitido Amendoim com cobertura 250g, marca Kuky (lote nº14/4/04) Maritucs Alimentos Ltda Auto Brilho cera líquida ardósia Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Auto Brilho cera líquida Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Não possui registro Bactocilin (oxacilina) (lote nº plm3001) Cellofarm Ltda Suspenso o comércio e o uso Presença de partículas estranhas Barbatimão creme vaginal Jovil Apreendido Não possui registro Cápsulas de vinagre de maçã Brasmed Botânica Apreendido Não possui registro Ceviton Vitamina C 1g (lote nº 6321) Ariston Apreendido Presença de partículas estranhas Apreendido Presença de partículas estranhas Gentaron (lote nº 7462) Ariston Produto Empresa Situação Motivo Cipofloxan (lote nº 1815/02) Hipolabor Interditado Rótulo fora do padrão Castanha da Índia Orient; Agar Agar em cápsulas; Sene Extrato Seco; Vitamina E 400; Tanacetum Orient; Boldo Orient Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Chlorella em cápsulas; Spirulina em cápsulas; Sene Orient; Unha de Gato Orient; Passiflora Orient; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Crataegus Orient; Cartilagem de Tubarão; Catuaba Extrato Seco; Equinácea Orient; Ginseng Brasileiro; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Fuccus Vesiculosus; Composto Vegetal Laxante; ) Noz de Cola Extrato Seco; Ginkgo Biloba Extrato Seco Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Ginkgo Biloba Pó; Pata de Vaca; Alcachofra composta; Copaíba; Antgrip - Composto Vegetal. Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Glicose a 10% (lote nº 6446) Sanobiol Apreendido Presença de partículas estranhas Gluconato de Cálcio (lote nº 7506); Drenalin (lote nº 7097) Ariston Indústrias Químicos e Farmacêuticas Ltda Apreendidos Presença de partículas estranhas Handex (lote nº 08050201 e todos os fabricados a partir de maio de 2002) Saneativo Apreendidos Identificação errada do medicamento Katrim (lotes AL001/02 e AL 003/03) Hipolabor Apreendido Presença de partículas estranhas Kit escova cervical Kolplast Proibida a comercialização Não possui registro Marapuama Extrato Seco; Guaraná em cápsulas; Ginkgo Concentrado 80; Chitosan em cápsulas; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Doce de amendoim (1200g), marca Rollerfil (lote nº 1604) Irlofil Produtos Alimentícios Ltda Interditado Limites de aflotoxinas acima do permitido Paçoca Rolha (1150g), marca Tagarela (lote nº 023503) Zacharias Indústria e Comércio Ltda Interditada Limites de aflotoxinas acima do permitido Polli Brilho Fácil cera líquida vermelha Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Polli Brilho Fácil cera incolor Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Palmito em conseva de Palmeira Real, marca Supreme Indústria e Comércio de Conservas Supreme Ltda Liberado Análise satisfatória Tenoxican (lote nº 10025) Eurofarma Apreendido Identificação errada do medicamento Todos Medflora Extram Apreendidos Não têm registro Todos Gran Indústria Apreendidos Não têm registro ISSN 1518-6377 Lei garante qualidade de mamografias na Paraíba pp.4 e 5 Senado Federal aprova indicação de novos diretores p. 3 Fiscais estaduais e federais interditam farmácia magistral p. 7 www.anvisa.gov.br c artas Educação Li o boletim de julho e fiquei muito interessada no programa desenvolvido em Mâncio Lima (AC). Trabalho há dez anos com Vigilância Sanitária em pequenos municípios onde orientar é um método mais fácil de se chegar a algum resultado. Loiri Rech Fiscal sanitária Lindóia do Sul – Santa Catarina Fumódromo Depois da sabatina na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal, a indicação para a diretoria da Anvisa dos nomes de Franklin Rubinstein e Victor Hugo Costa Travassos da Rosa foi aprovada pelo plenário da casa no dia 21 de outubro. Os novos dirigentes terão mandato de três anos e irão compor a Diretoria Colegiada da Agência, formada por cinco membros. Estão interditados os fumódromos que funcionavam nas áreas de embarque e desembarque do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Chamada de smoking point, a estrutura foi instalada pela Companhia Souza Cruz em parceria com a Infraero, contrariando a Lei nº 9.294/76, que proíbe o fumo em ambientes fechados. Curso Reciclagem A Agência promoveu no dia 13 o “II Dia de Limpeza das Gavetas”. A iniciativa serviu para orientar funcionários sobre o uso racional do papel. Embalagens de biscoito, folhas de ofício e papéis de bala são passíveis de reciclagem e serão doados para a Casa de Ismael, entidade que atende 198 crianças. A Campanha teve início em agosto de 2002. e xpediente Anvisa Boletim Informativo é uma publicação mensal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)-Ministério da Saúde. Conselho Editorial: Cláudio Maierovitch Pessanha Henriques, Luis Carlos Wanderley Lima e Ricardo Oliva Edição: Carlos Dias Lopes, registro MTb 7476/34/14/DF Sub-edição: Laila Muniz, registro MTb 4951/14/101/DF Textos: Laila Muniz, Carlos Tavares e Fabiana Reis Revisão: Carlos Tavares Colaboração: Graça Guimarães Projeto e Design Gráfico: Daniel Ferreira (Gerência de Comunicação Multimídia - GECOM) Editoração: Daniel Ferreira (GECOM) Capa: Trabalho sobre foto de Olival Vicente da Silva Apoio: Janaina Moraes e Daniella Silva Impressão: Gráfica Brasil Tiragem: 60 mil exemplares Endereço: SEPN Quadra 515, Bloco B, Ed. Ômega Brasília/DF CEP 70770-502 Telefones: (61) 448-1022 ou 448-1301/ Fax: (61) 448-1252 E-mail: [email protected] ISSN: 1518-6377 outubro de No encerramento da sessão na CAS, a presidente da comissão, senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) elogiou a qualificação e a indicação dos dois técnicos para exercer a diretoria da Anvisa. Perfil O carioca Franklin Rubinstein, 60 anos, é formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É ouvidor da Anvisa desde fevereiro de 2000, onde também ocupou o cargo de gerente de Medicamentos Fitoterápicos. Durante a sessão da CAS, Franklin fez rápida exposição sobre o trabalho que a Agência desenvolve desde a sua criação enfatizando a urgência da consolidação de uma política de Recursos Humanos para o órgão: “A Anvisa necessita contar com uma Franklin e Victor Hugo durante audiência equipe multidisciplinar que atenda à complexidade do trabalho que lhe é cobrado. Precisa ser construído um Plano de Carreira que vise a eficiência e a eficácia nas ações de Vigilância Sanitária”. Victor Hugo, 54 anos, é paraense formado em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal do Pará (UFPA). É professor e colaborou com a Agência como consultor na elaboração de regulamentos sobre Nutrição Parenteral, além de ser membro da Farmacopéia Brasileira. Enfatizou, na sabatina no Senado, a importância de um órgão como a Anvisa para a Saúde Pública do país: “O âmbito de atuação da Agência abrange desde a qualidade de um inocente comprimido até a complexidade do controle da infecção hospitalar. E se hoje assuntos como Bioequivalência e Farmacovigilância são praticamente de domínio público, isso se deve à importante contribuição que este órgão tem dado para o progresso da sociedade brasileira”. Crianças agitam rotina da Anvisa Thiago de Sousa Veloso, três anos, estava ansioso. Finalmente, iria conhecer o local de trabalho da mãe. Só não imaginava que tudo iria acontecer em um dia preparado especialmente para ele. Assim como Thiago, outras 155 crianças foram inscritas pelos pais para participar da primeira festa em comemoração ao Dia da Criança realizada pela Anvisa, no dia 15 de outubro. “Além de fazer parte do projeto de qualidade de vida promovido pela Agência, é uma maneira de os filhos conhecerem um pouco da vida profissional dos pais”, explica Marisa Lima, assistente da Gerência de Gestão de Recursos Humanos (GERHU). As crianças foram chegando aos poucos e transformando a rotina de trabalho dos funcionários. Em todos os corredores do edifício-sede era possível encontrar uma criança. Algumas vieram cedinho, não queriam perder sequer um minuto do expediente. A festa começou às 14h, quando já era possível notar a ansiedade dos pequenos ao ver o cenário montado, que a cada metro apresentava uma novidade: Pula-pula, Cama-elástica, Karaokê, cachorro-quente, algodão doce, pipoca, piscina de bolas, teatro, leitura, entre outros. Foram quatro horas de muita diversão. Trinta e cinco monitores da GERHU fizeram a segurança da criançada, que não parava de correr, pular, 2003 4 5 outubro de 2003 Inspeção anual em mamógrafos melhora a qualidade de exames Senado aprova indicação de novos diretores otas Cerca de 80 profissionais da rede pública de Saúde do país participaram, este mês, em Brasília, do “Curso de Capacitação em Execução de Convênios e Elaboração de Projetos de Hemorrede”. O treinamento habilitou gestores de convênios, engenheiros e arquitetos a melhorar a infra-estrutura dos serviços de hemoterapia brasileiros. Investimentos em saúde, gerenciamento de resíduos e sistemas de informação foram alguns dos temas abordados no curso. 2003 desenhar e cantar. Uma delas, Madalena Leão, também trouxe o filho, Lucas Dias Leão, de quatro anos para aproveitar o dia. “Fiz uma combinação perfeita, enquanto trabalho, observo as travessuras dele”, disse. Espaço da pintura foi um dos preferidos dos pequenos A mãe deThiago, Sandra Veloso, funcionária da Gerência-Geral de Tecnologia de Produtos para Saúde (GGTPS) arrumou um tempo durante o expediente para jogar futebol com o filho. Thiago disse que gostou da festa porque “adora jogar futebol”. Para Sandra, “esta é uma iniciativa que proporciona integração, não só entre os funcionários, mas também entre suas famílias”. p.6: Entrevista com o coordenador da Vigilância Sanitária do Estado de Mato Grosso do Sul, Márcio César de Toledo p.7: Tabela de produtos apreendidos no mês de setembro Um programa que já foi incorporado à rotina de fiscalização sanitária na Paraíba melhorou de modo expressivo a qualidade das mamografias. Pela seu desempenho técnico, ele responde às orientações das campanhas nacionais de detecção precoce do câncer de mama do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que sugerem às mulheres de 40 a 70 anos fazer exames periódicos de mama para eliminar o risco de contrair uma das doenças que mais provoca mortes no país. Trata-se do Programa de Controle de Qualidade em Mamografia, Tomografia e Ultra-sonografia, da Agência Estadual de Vigilância Sanitária do Estado da Paraíba, inspirado em estatísticas dramáticas do Inca: até dezembro serão diagnosticados 41 mil novos casos de câncer, com cerca de dez mil óbitos. Ao completar quatro anos de atividades, o programa conseguiu montar um quadro da mamografia no estado e vem alcançando as metas para sanar os problemas. Inspeções feitas nos últimos três anos resultaram na desativação de 12 serviços de mamografia, porque a qualidade das imagens não permitia um diagnóstico correto. Diante desta iniciativa, que faz da Paraíba pioneira no monitoramento de mamógrafos e no aprimoramento de exames razoavelmente simples e que podem reduzir em 40% a taxa de mortalidade por câncer de mama no território paraibano, o Boletim Informativo da Anvisa dedica a matéria principal desta edição ao programa da Agevisa (PB). Na Paraíba, fazer testes nos mamógrafos virou lei desde novembro, com a RDC nº 003/02, que prevê multa e cancelamento da licença de funcionamento destes serviços, em casos de inobservância da legislação. O programa determina manutenções diárias, mensais e anuais nos 37 serviços de mamografia do estado. Minas Gerais implantou sistema semelhante em 28 de outubro e outros 15 estados preparam-se para seguir o modelo. n outubro de ainda nesta edição editorial 3 A Paraíba poderia ser hoje uma das unidades da federação que apresenta um dos maiores índices de câncer de mama do país. Não porque as ocorrências dessa doença estejam ligadas a questões genéticas, comportamentais, sociais ou hormonais, peculiares àquele estado, mas sim em razão de um trabalho que está sendo desenvolvido, há quatro anos, pela Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa), de forma pioneira. Trata-se do Programa de Controle de Qualidade em Mamografia, Tomografia e Ultra-sonografia, coordenado pela Diretoria Técnica de Ciência e Tecnologia Médica e Correlatos da Agência. Por meio desse programa, as clínicas radiológicas públicas e privadas das 12 Regionais de Saúde da Paraíba estão sendo monitoradas desde 1999, primeiro em caráter apenas educativo, mas com capacidade de identificar uma situação complicada: aparelhos obsoletos, outros ociosos por causa da baixa produtividade nas unidades de saúde, falta de in- formação e carência de profissionais de saúde treinados para a especialidade. “Atualmente a situação é outra, mas precisamos intensificar a detecção precoce do câncer de mama”, observa a diretora Magdala Neiva, que comanda os programas de qualidade nos serviços radiológicos da Agevisa, e outros projetos. O resultado mais visível do programa é que houve uma melhora na resolução das imagens, os diagnósticos se tornaram mais precisos e cresceu o número de serviços de mamografia no estado, passando de 23, em 1999, para 37 clínicas, em 2003. Por isso é possível afirmar que nesse período aumentou a demanda de mulheres acima de 40 anos que procuraram fazer exames com resultados mais exatos, diferente da realidade de quatro anos atrás, quando os serviços não estavam sendo monitorados pelas autoridades sanitárias. “Para a detecção precoce do câncer de mama, é preciso fazer exames com qualidade; senão é melhor não fazer porque a mulher está sendo exposta a uma carga de radioatividade desnecessária e o diagnóstico pode confundir o médico”, comenta Magdala. Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a taxa bruta de mortalidade por câncer de mama nas últimas duas décadas cresceu 68% e a principal causa, lembra a diretora, é que 50% dos casos em mulheres de 40 a 69 anos são diagnosticados em estágios avançados. Este ano prevê-se que serão diagnosticados 41 mil novos casos com cerca de 10 mil óbitos. Esses dados e previsões colaboraram para acelerar a montagem do programa paraibano, segundo Magdala, porque com os exames de mamografia, que são simples, essa taxa de mortalidade pode ser reduzida em mais de 40%. Com o início dos trabalhos de inspeção do Programa de Qualidade em Serviços de Mamografia, foram interditados na Paraíba 12 Inmetro faz manutenção em seis mil aparelhos de pressão Imagine se uma pessoa precisar medir a pressão arterial num consultório médico, farmácia ou hospital e as agulhas do aparelho indicarem uma contagem de “20x16”, quando na verdade esta seria de “12x8”. Pode parecer brincadeira, mas esta é uma situação real – com sérias conseqüências para a saúde do paciente. Dezenas de casos do gênero passaram a fazer parte dos arquivos da Agência Estadual de Vigilância Sanitária do Estado da Paraíba (Agevisa), desde 22 de setembro quando a Agência, em parceria com o INMETRO, iniciou uma série de campanhas, nas 12 Regionais de Saúde do estado, para aferição dos cerca de seis mil medidores de pressão que os técnicos calculam existir na Paraíba. Desse total, 20% apresentaram problemas de calibração nas primeiras quatro semanas de trabalho. Nesses casos, o INMETRO lacra e leva os aparelhos para a oficina. O trabalho é desenvolvido por um sistema móvel de aferição, de hospital em hospital, em todas as farmácias e postos de saúde. Começou pela capital do estado, João Pessoa, e em outubro Campina Grande e outras regiões foram contempladas. As campanhas já viraram um programa que se implanta por ele mesmo porque os primeiros resultados mobilizaram várias categorias de Agevisa exigirá certificado dos medidores profissionais de saúde e há uma portaria do INMETRO, a de nº 24/96, que determina a obrigatoriedade da aferição anual dos esfigmomanômetros (aparelhos de pressão). Durante o levantamento da quantidade de medidores de pressão, os técnicos da Diretoria Técnica de Ciência e Tecnologia Médica e Correlatos da Agevisa, que atuaram com o apoio do INMETRO, encontraram uma quantidade muito grande de aparelhos sem registro e um número expressivo de outros com defeito. “Com esse trabalho, esperamos reduzir em 40% o índice de aparelhos descalibrados”, estima Jorge Alberto Molina Rodriguez, diretor-geral da Agevisa. Em 2004, a Agência passará a exigir o Certificado de Verificação do INMETRO dos medidores de pressão em todos os estabelecimentos de saúde do estado. Em outra etapa do programa os técnicos e fiscais dos dois órgãos começam a aferição de termômetros e balanças usadas em farmácias de manipulação e em laboratórios de análises clínicas. aparelhos, porque apresentaram problemas de manutenção e identificados outros três quebrados e mais quatro desativados pelos próprios responsáveis. “Hoje vemos que existe uma parceria entre a Agência e os profissionais de saúde do estado que atuam em clínicas radiológicas, ao contrário do passado quando havia muita resistência da parte principalmente dos donos das clínicas”, lembra a diretora. Legislação No começo do programa, em 1999, as inspeções feitas nos mamógrafos pelos técnicos da Agevisa tinham um caráter educativo, com a realização de cursos de capacitação ministrados por especialistas de várias instituições científicas, hospitais e universidades brasileiras, coordenados pelo físico-médico paraibano João Emílio Peixoto, que pertenceu aos quadros da Anvisa. Peixoto atualmente é o consultor da Agevisa para os programas de Vigilância Sanitária em aplicações de radiações ionizantes. A segunda inspeção, em 2000, serviu para se fazer uma análise comparativa dos resultados dos exames com os do ano anterior. Já em 2001 começaram as reuniões com o Ministério Público para preparar legalmente as intervenções nos centros radiológicos. “Tínhamos que nos apoiar na lei, para fazer as notificações e interdições, daí surgiu a Resolução da Diretoria Colegiada nº 003, de novembro de 2002, que determina a obrigatoriedade da realização dos testes de controle de qualidade nos mamógrafos”, relata Jorge Alberto Molina Rodriguez, diretor-geral da Agevisa. Com esse programa a Paraíba veio a ser, há quatro anos, o único estado da federação a ter as ações de fiscalização dos serviços de mamografia regulamentadas. “Víamos que as mamografias não deveriam ser realizadas se os critérios mínimos de qualidade não estivessem sendo alcançados”, comenta Molina ao se referir à RDC nº 003, que determina que os serviços de mamografia no Estado da Paraíba devem dispor de simulador radiográfico de mama, sensitômetro, densitômetro e termômetro para que possam realizar os testes de controle de qualidade da imagem mamográfica. Hoje, os responsáveis técnicos de todas as clínicas e hospitais da Paraíba que oferecem serviços de mamografia são obrigados a enviar relatórios e cópias das imagens dos exames, mensalmente, para o laboratório da Agevisa comparar o reNa Paraíba, controle de mamógrafos é lei sultado dos testes. A resolução diz ainda que os equipamentos de tifiquem defeitos duas vezes seguidas mamografia do estado devem possuir nos aparelhos eles são imediatamente Sistema de Controle Automático de interditados. A partir do exemplo paraibano, Exposição (Cae) e que os testes de controle de qualidade do processamento Minas Gerais iniciou programa semeradiográfico, realizados com o uso de lhante no dia 28 de outubro e outros sensitômetros, densitômetros e termô- 14 estados seguiram o mesmo caminho metros, devem ser diários e os registros nos últimos quatro anos. Outras ações arquivados e mantidos à disposição da estão previstas para reforçar as bases de autoridade sanitária. “Mais de 90% da atividades do programa, como uma proqualidade da imagem dependem da posta, que está em negociação, na Sequalidade do processamento, onde ava- cretaria Estadual de Saúde, e que prevê liamos a água, substâncias químicas, o envolvimento direto da rede privada temperatura entre outros aspectos”, ex- de serviços de mamografia na conquista de mais pacientes, em todo o terriplica Magdala. A inobservância dessas exigências tório paraibano. O mesmo trabalho que implica em multas previstas na Lei Fe- está sendo desenvolvido na área da deral nº 6.437/77 e Lei Estadual nº mamografia será estendido aos apare4.427/82. A Agevisa reúne esse materi- lhos de tomografia e ultra-sonografia, al, faz relatórios técnicos sobre as con- por meio de resoluções, que já se dições dos serviços e os envia para as vi- encontram em consulta pública. gilâncias sanitárias estaduais e municipais, Anvisa, Inca, Ministério da Alagoas Saúde e Conselho Nacional de Energia Bahia Nuclear (Cnem). Distrito Federal Com a introdução do programa, um serviço de mamografia no pequeno Espírito Santo município de Souza, a 450 Km de João Goiás Pessoa, recebeu em 2002 o Selo de Maranhão Qualidade do Colégio Brasileiro de Mato Grosso Radiologia, depois de fazer investimenMato Grosso do Sul tos tecnológicos, adquirir máquinas Pernambuco processadoras de imagens e promover cursos de capacitação. Com efeito, a Rio Grande do Norte maioria dos 37 serviços de mamografia Rondônia no estado vem aprimorando seus traRoraima balhos, reconhece Magdala Neiva, baSergipe seada nos resultados que apresentam as Tocantins inspeções mensais e anuais. De acordo com a lei estadual, caso os técnicos iden- Fotos: Olival Vicente da Silva 2 Laila Muniz 2003 Célio Azevedo/Agência Senado outubro de c artas Educação Li o boletim de julho e fiquei muito interessada no programa desenvolvido em Mâncio Lima (AC). Trabalho há dez anos com Vigilância Sanitária em pequenos municípios onde orientar é um método mais fácil de se chegar a algum resultado. Loiri Rech Fiscal sanitária Lindóia do Sul – Santa Catarina Fumódromo Depois da sabatina na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal, a indicação para a diretoria da Anvisa dos nomes de Franklin Rubinstein e Victor Hugo Costa Travassos da Rosa foi aprovada pelo plenário da casa no dia 21 de outubro. Os novos dirigentes terão mandato de três anos e irão compor a Diretoria Colegiada da Agência, formada por cinco membros. Estão interditados os fumódromos que funcionavam nas áreas de embarque e desembarque do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Chamada de smoking point, a estrutura foi instalada pela Companhia Souza Cruz em parceria com a Infraero, contrariando a Lei nº 9.294/76, que proíbe o fumo em ambientes fechados. Curso Reciclagem A Agência promoveu no dia 13 o “II Dia de Limpeza das Gavetas”. A iniciativa serviu para orientar funcionários sobre o uso racional do papel. Embalagens de biscoito, folhas de ofício e papéis de bala são passíveis de reciclagem e serão doados para a Casa de Ismael, entidade que atende 198 crianças. A Campanha teve início em agosto de 2002. e xpediente Anvisa Boletim Informativo é uma publicação mensal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)-Ministério da Saúde. Conselho Editorial: Cláudio Maierovitch Pessanha Henriques, Luis Carlos Wanderley Lima e Ricardo Oliva Edição: Carlos Dias Lopes, registro MTb 7476/34/14/DF Sub-edição: Laila Muniz, registro MTb 4951/14/101/DF Textos: Laila Muniz, Carlos Tavares e Fabiana Reis Revisão: Carlos Tavares Colaboração: Graça Guimarães Projeto e Design Gráfico: Daniel Ferreira (Gerência de Comunicação Multimídia - GECOM) Editoração: Daniel Ferreira (GECOM) Capa: Trabalho sobre foto de Olival Vicente da Silva Apoio: Janaina Moraes e Daniella Silva Impressão: Gráfica Brasil Tiragem: 60 mil exemplares Endereço: SEPN Quadra 515, Bloco B, Ed. Ômega Brasília/DF CEP 70770-502 Telefones: (61) 448-1022 ou 448-1301/ Fax: (61) 448-1252 E-mail: [email protected] ISSN: 1518-6377 outubro de No encerramento da sessão na CAS, a presidente da comissão, senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) elogiou a qualificação e a indicação dos dois técnicos para exercer a diretoria da Anvisa. Perfil O carioca Franklin Rubinstein, 60 anos, é formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É ouvidor da Anvisa desde fevereiro de 2000, onde também ocupou o cargo de gerente de Medicamentos Fitoterápicos. Durante a sessão da CAS, Franklin fez rápida exposição sobre o trabalho que a Agência desenvolve desde a sua criação enfatizando a urgência da consolidação de uma política de Recursos Humanos para o órgão: “A Anvisa necessita contar com uma Franklin e Victor Hugo durante audiência equipe multidisciplinar que atenda à complexidade do trabalho que lhe é cobrado. Precisa ser construído um Plano de Carreira que vise a eficiência e a eficácia nas ações de Vigilância Sanitária”. Victor Hugo, 54 anos, é paraense formado em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal do Pará (UFPA). É professor e colaborou com a Agência como consultor na elaboração de regulamentos sobre Nutrição Parenteral, além de ser membro da Farmacopéia Brasileira. Enfatizou, na sabatina no Senado, a importância de um órgão como a Anvisa para a Saúde Pública do país: “O âmbito de atuação da Agência abrange desde a qualidade de um inocente comprimido até a complexidade do controle da infecção hospitalar. E se hoje assuntos como Bioequivalência e Farmacovigilância são praticamente de domínio público, isso se deve à importante contribuição que este órgão tem dado para o progresso da sociedade brasileira”. Crianças agitam rotina da Anvisa Thiago de Sousa Veloso, três anos, estava ansioso. Finalmente, iria conhecer o local de trabalho da mãe. Só não imaginava que tudo iria acontecer em um dia preparado especialmente para ele. Assim como Thiago, outras 155 crianças foram inscritas pelos pais para participar da primeira festa em comemoração ao Dia da Criança realizada pela Anvisa, no dia 15 de outubro. “Além de fazer parte do projeto de qualidade de vida promovido pela Agência, é uma maneira de os filhos conhecerem um pouco da vida profissional dos pais”, explica Marisa Lima, assistente da Gerência de Gestão de Recursos Humanos (GERHU). As crianças foram chegando aos poucos e transformando a rotina de trabalho dos funcionários. Em todos os corredores do edifício-sede era possível encontrar uma criança. Algumas vieram cedinho, não queriam perder sequer um minuto do expediente. A festa começou às 14h, quando já era possível notar a ansiedade dos pequenos ao ver o cenário montado, que a cada metro apresentava uma novidade: Pula-pula, Cama-elástica, Karaokê, cachorro-quente, algodão doce, pipoca, piscina de bolas, teatro, leitura, entre outros. Foram quatro horas de muita diversão. Trinta e cinco monitores da GERHU fizeram a segurança da criançada, que não parava de correr, pular, 2003 4 5 outubro de 2003 Inspeção anual em mamógrafos melhora a qualidade de exames Senado aprova indicação de novos diretores otas Cerca de 80 profissionais da rede pública de Saúde do país participaram, este mês, em Brasília, do “Curso de Capacitação em Execução de Convênios e Elaboração de Projetos de Hemorrede”. O treinamento habilitou gestores de convênios, engenheiros e arquitetos a melhorar a infra-estrutura dos serviços de hemoterapia brasileiros. Investimentos em saúde, gerenciamento de resíduos e sistemas de informação foram alguns dos temas abordados no curso. 2003 desenhar e cantar. Uma delas, Madalena Leão, também trouxe o filho, Lucas Dias Leão, de quatro anos para aproveitar o dia. “Fiz uma combinação perfeita, enquanto trabalho, observo as travessuras dele”, disse. Espaço da pintura foi um dos preferidos dos pequenos A mãe deThiago, Sandra Veloso, funcionária da Gerência-Geral de Tecnologia de Produtos para Saúde (GGTPS) arrumou um tempo durante o expediente para jogar futebol com o filho. Thiago disse que gostou da festa porque “adora jogar futebol”. Para Sandra, “esta é uma iniciativa que proporciona integração, não só entre os funcionários, mas também entre suas famílias”. p.6: Entrevista com o coordenador da Vigilância Sanitária do Estado de Mato Grosso do Sul, Márcio César de Toledo p.7: Tabela de produtos apreendidos no mês de setembro Um programa que já foi incorporado à rotina de fiscalização sanitária na Paraíba melhorou de modo expressivo a qualidade das mamografias. Pela seu desempenho técnico, ele responde às orientações das campanhas nacionais de detecção precoce do câncer de mama do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que sugerem às mulheres de 40 a 70 anos fazer exames periódicos de mama para eliminar o risco de contrair uma das doenças que mais provoca mortes no país. Trata-se do Programa de Controle de Qualidade em Mamografia, Tomografia e Ultra-sonografia, da Agência Estadual de Vigilância Sanitária do Estado da Paraíba, inspirado em estatísticas dramáticas do Inca: até dezembro serão diagnosticados 41 mil novos casos de câncer, com cerca de dez mil óbitos. Ao completar quatro anos de atividades, o programa conseguiu montar um quadro da mamografia no estado e vem alcançando as metas para sanar os problemas. Inspeções feitas nos últimos três anos resultaram na desativação de 12 serviços de mamografia, porque a qualidade das imagens não permitia um diagnóstico correto. Diante desta iniciativa, que faz da Paraíba pioneira no monitoramento de mamógrafos e no aprimoramento de exames razoavelmente simples e que podem reduzir em 40% a taxa de mortalidade por câncer de mama no território paraibano, o Boletim Informativo da Anvisa dedica a matéria principal desta edição ao programa da Agevisa (PB). Na Paraíba, fazer testes nos mamógrafos virou lei desde novembro, com a RDC nº 003/02, que prevê multa e cancelamento da licença de funcionamento destes serviços, em casos de inobservância da legislação. O programa determina manutenções diárias, mensais e anuais nos 37 serviços de mamografia do estado. Minas Gerais implantou sistema semelhante em 28 de outubro e outros 15 estados preparam-se para seguir o modelo. n outubro de ainda nesta edição editorial 3 A Paraíba poderia ser hoje uma das unidades da federação que apresenta um dos maiores índices de câncer de mama do país. Não porque as ocorrências dessa doença estejam ligadas a questões genéticas, comportamentais, sociais ou hormonais, peculiares àquele estado, mas sim em razão de um trabalho que está sendo desenvolvido, há quatro anos, pela Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa), de forma pioneira. Trata-se do Programa de Controle de Qualidade em Mamografia, Tomografia e Ultra-sonografia, coordenado pela Diretoria Técnica de Ciência e Tecnologia Médica e Correlatos da Agência. Por meio desse programa, as clínicas radiológicas públicas e privadas das 12 Regionais de Saúde da Paraíba estão sendo monitoradas desde 1999, primeiro em caráter apenas educativo, mas com capacidade de identificar uma situação complicada: aparelhos obsoletos, outros ociosos por causa da baixa produtividade nas unidades de saúde, falta de in- formação e carência de profissionais de saúde treinados para a especialidade. “Atualmente a situação é outra, mas precisamos intensificar a detecção precoce do câncer de mama”, observa a diretora Magdala Neiva, que comanda os programas de qualidade nos serviços radiológicos da Agevisa, e outros projetos. O resultado mais visível do programa é que houve uma melhora na resolução das imagens, os diagnósticos se tornaram mais precisos e cresceu o número de serviços de mamografia no estado, passando de 23, em 1999, para 37 clínicas, em 2003. Por isso é possível afirmar que nesse período aumentou a demanda de mulheres acima de 40 anos que procuraram fazer exames com resultados mais exatos, diferente da realidade de quatro anos atrás, quando os serviços não estavam sendo monitorados pelas autoridades sanitárias. “Para a detecção precoce do câncer de mama, é preciso fazer exames com qualidade; senão é melhor não fazer porque a mulher está sendo exposta a uma carga de radioatividade desnecessária e o diagnóstico pode confundir o médico”, comenta Magdala. Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a taxa bruta de mortalidade por câncer de mama nas últimas duas décadas cresceu 68% e a principal causa, lembra a diretora, é que 50% dos casos em mulheres de 40 a 69 anos são diagnosticados em estágios avançados. Este ano prevê-se que serão diagnosticados 41 mil novos casos com cerca de 10 mil óbitos. Esses dados e previsões colaboraram para acelerar a montagem do programa paraibano, segundo Magdala, porque com os exames de mamografia, que são simples, essa taxa de mortalidade pode ser reduzida em mais de 40%. Com o início dos trabalhos de inspeção do Programa de Qualidade em Serviços de Mamografia, foram interditados na Paraíba 12 Inmetro faz manutenção em seis mil aparelhos de pressão Imagine se uma pessoa precisar medir a pressão arterial num consultório médico, farmácia ou hospital e as agulhas do aparelho indicarem uma contagem de “20x16”, quando na verdade esta seria de “12x8”. Pode parecer brincadeira, mas esta é uma situação real – com sérias conseqüências para a saúde do paciente. Dezenas de casos do gênero passaram a fazer parte dos arquivos da Agência Estadual de Vigilância Sanitária do Estado da Paraíba (Agevisa), desde 22 de setembro quando a Agência, em parceria com o INMETRO, iniciou uma série de campanhas, nas 12 Regionais de Saúde do estado, para aferição dos cerca de seis mil medidores de pressão que os técnicos calculam existir na Paraíba. Desse total, 20% apresentaram problemas de calibração nas primeiras quatro semanas de trabalho. Nesses casos, o INMETRO lacra e leva os aparelhos para a oficina. O trabalho é desenvolvido por um sistema móvel de aferição, de hospital em hospital, em todas as farmácias e postos de saúde. Começou pela capital do estado, João Pessoa, e em outubro Campina Grande e outras regiões foram contempladas. As campanhas já viraram um programa que se implanta por ele mesmo porque os primeiros resultados mobilizaram várias categorias de Agevisa exigirá certificado dos medidores profissionais de saúde e há uma portaria do INMETRO, a de nº 24/96, que determina a obrigatoriedade da aferição anual dos esfigmomanômetros (aparelhos de pressão). Durante o levantamento da quantidade de medidores de pressão, os técnicos da Diretoria Técnica de Ciência e Tecnologia Médica e Correlatos da Agevisa, que atuaram com o apoio do INMETRO, encontraram uma quantidade muito grande de aparelhos sem registro e um número expressivo de outros com defeito. “Com esse trabalho, esperamos reduzir em 40% o índice de aparelhos descalibrados”, estima Jorge Alberto Molina Rodriguez, diretor-geral da Agevisa. Em 2004, a Agência passará a exigir o Certificado de Verificação do INMETRO dos medidores de pressão em todos os estabelecimentos de saúde do estado. Em outra etapa do programa os técnicos e fiscais dos dois órgãos começam a aferição de termômetros e balanças usadas em farmácias de manipulação e em laboratórios de análises clínicas. aparelhos, porque apresentaram problemas de manutenção e identificados outros três quebrados e mais quatro desativados pelos próprios responsáveis. “Hoje vemos que existe uma parceria entre a Agência e os profissionais de saúde do estado que atuam em clínicas radiológicas, ao contrário do passado quando havia muita resistência da parte principalmente dos donos das clínicas”, lembra a diretora. Legislação No começo do programa, em 1999, as inspeções feitas nos mamógrafos pelos técnicos da Agevisa tinham um caráter educativo, com a realização de cursos de capacitação ministrados por especialistas de várias instituições científicas, hospitais e universidades brasileiras, coordenados pelo físico-médico paraibano João Emílio Peixoto, que pertenceu aos quadros da Anvisa. Peixoto atualmente é o consultor da Agevisa para os programas de Vigilância Sanitária em aplicações de radiações ionizantes. A segunda inspeção, em 2000, serviu para se fazer uma análise comparativa dos resultados dos exames com os do ano anterior. Já em 2001 começaram as reuniões com o Ministério Público para preparar legalmente as intervenções nos centros radiológicos. “Tínhamos que nos apoiar na lei, para fazer as notificações e interdições, daí surgiu a Resolução da Diretoria Colegiada nº 003, de novembro de 2002, que determina a obrigatoriedade da realização dos testes de controle de qualidade nos mamógrafos”, relata Jorge Alberto Molina Rodriguez, diretor-geral da Agevisa. Com esse programa a Paraíba veio a ser, há quatro anos, o único estado da federação a ter as ações de fiscalização dos serviços de mamografia regulamentadas. “Víamos que as mamografias não deveriam ser realizadas se os critérios mínimos de qualidade não estivessem sendo alcançados”, comenta Molina ao se referir à RDC nº 003, que determina que os serviços de mamografia no Estado da Paraíba devem dispor de simulador radiográfico de mama, sensitômetro, densitômetro e termômetro para que possam realizar os testes de controle de qualidade da imagem mamográfica. Hoje, os responsáveis técnicos de todas as clínicas e hospitais da Paraíba que oferecem serviços de mamografia são obrigados a enviar relatórios e cópias das imagens dos exames, mensalmente, para o laboratório da Agevisa comparar o reNa Paraíba, controle de mamógrafos é lei sultado dos testes. A resolução diz ainda que os equipamentos de tifiquem defeitos duas vezes seguidas mamografia do estado devem possuir nos aparelhos eles são imediatamente Sistema de Controle Automático de interditados. A partir do exemplo paraibano, Exposição (Cae) e que os testes de controle de qualidade do processamento Minas Gerais iniciou programa semeradiográfico, realizados com o uso de lhante no dia 28 de outubro e outros sensitômetros, densitômetros e termô- 14 estados seguiram o mesmo caminho metros, devem ser diários e os registros nos últimos quatro anos. Outras ações arquivados e mantidos à disposição da estão previstas para reforçar as bases de autoridade sanitária. “Mais de 90% da atividades do programa, como uma proqualidade da imagem dependem da posta, que está em negociação, na Sequalidade do processamento, onde ava- cretaria Estadual de Saúde, e que prevê liamos a água, substâncias químicas, o envolvimento direto da rede privada temperatura entre outros aspectos”, ex- de serviços de mamografia na conquista de mais pacientes, em todo o terriplica Magdala. A inobservância dessas exigências tório paraibano. O mesmo trabalho que implica em multas previstas na Lei Fe- está sendo desenvolvido na área da deral nº 6.437/77 e Lei Estadual nº mamografia será estendido aos apare4.427/82. A Agevisa reúne esse materi- lhos de tomografia e ultra-sonografia, al, faz relatórios técnicos sobre as con- por meio de resoluções, que já se dições dos serviços e os envia para as vi- encontram em consulta pública. gilâncias sanitárias estaduais e municipais, Anvisa, Inca, Ministério da Alagoas Saúde e Conselho Nacional de Energia Bahia Nuclear (Cnem). Distrito Federal Com a introdução do programa, um serviço de mamografia no pequeno Espírito Santo município de Souza, a 450 Km de João Goiás Pessoa, recebeu em 2002 o Selo de Maranhão Qualidade do Colégio Brasileiro de Mato Grosso Radiologia, depois de fazer investimenMato Grosso do Sul tos tecnológicos, adquirir máquinas Pernambuco processadoras de imagens e promover cursos de capacitação. Com efeito, a Rio Grande do Norte maioria dos 37 serviços de mamografia Rondônia no estado vem aprimorando seus traRoraima balhos, reconhece Magdala Neiva, baSergipe seada nos resultados que apresentam as Tocantins inspeções mensais e anuais. De acordo com a lei estadual, caso os técnicos iden- Fotos: Olival Vicente da Silva 2 Laila Muniz 2003 Célio Azevedo/Agência Senado outubro de c artas Educação Li o boletim de julho e fiquei muito interessada no programa desenvolvido em Mâncio Lima (AC). Trabalho há dez anos com Vigilância Sanitária em pequenos municípios onde orientar é um método mais fácil de se chegar a algum resultado. Loiri Rech Fiscal sanitária Lindóia do Sul – Santa Catarina Fumódromo Depois da sabatina na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal, a indicação para a diretoria da Anvisa dos nomes de Franklin Rubinstein e Victor Hugo Costa Travassos da Rosa foi aprovada pelo plenário da casa no dia 21 de outubro. Os novos dirigentes terão mandato de três anos e irão compor a Diretoria Colegiada da Agência, formada por cinco membros. Estão interditados os fumódromos que funcionavam nas áreas de embarque e desembarque do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Chamada de smoking point, a estrutura foi instalada pela Companhia Souza Cruz em parceria com a Infraero, contrariando a Lei nº 9.294/76, que proíbe o fumo em ambientes fechados. Curso Reciclagem A Agência promoveu no dia 13 o “II Dia de Limpeza das Gavetas”. A iniciativa serviu para orientar funcionários sobre o uso racional do papel. Embalagens de biscoito, folhas de ofício e papéis de bala são passíveis de reciclagem e serão doados para a Casa de Ismael, entidade que atende 198 crianças. A Campanha teve início em agosto de 2002. e xpediente Anvisa Boletim Informativo é uma publicação mensal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)-Ministério da Saúde. Conselho Editorial: Cláudio Maierovitch Pessanha Henriques, Luis Carlos Wanderley Lima e Ricardo Oliva Edição: Carlos Dias Lopes, registro MTb 7476/34/14/DF Sub-edição: Laila Muniz, registro MTb 4951/14/101/DF Textos: Laila Muniz, Carlos Tavares e Fabiana Reis Revisão: Carlos Tavares Colaboração: Graça Guimarães Projeto e Design Gráfico: Daniel Ferreira (Gerência de Comunicação Multimídia - GECOM) Editoração: Daniel Ferreira (GECOM) Capa: Trabalho sobre foto de Olival Vicente da Silva Apoio: Janaina Moraes e Daniella Silva Impressão: Gráfica Brasil Tiragem: 60 mil exemplares Endereço: SEPN Quadra 515, Bloco B, Ed. Ômega Brasília/DF CEP 70770-502 Telefones: (61) 448-1022 ou 448-1301/ Fax: (61) 448-1252 E-mail: [email protected] ISSN: 1518-6377 outubro de No encerramento da sessão na CAS, a presidente da comissão, senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) elogiou a qualificação e a indicação dos dois técnicos para exercer a diretoria da Anvisa. Perfil O carioca Franklin Rubinstein, 60 anos, é formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É ouvidor da Anvisa desde fevereiro de 2000, onde também ocupou o cargo de gerente de Medicamentos Fitoterápicos. Durante a sessão da CAS, Franklin fez rápida exposição sobre o trabalho que a Agência desenvolve desde a sua criação enfatizando a urgência da consolidação de uma política de Recursos Humanos para o órgão: “A Anvisa necessita contar com uma Franklin e Victor Hugo durante audiência equipe multidisciplinar que atenda à complexidade do trabalho que lhe é cobrado. Precisa ser construído um Plano de Carreira que vise a eficiência e a eficácia nas ações de Vigilância Sanitária”. Victor Hugo, 54 anos, é paraense formado em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal do Pará (UFPA). É professor e colaborou com a Agência como consultor na elaboração de regulamentos sobre Nutrição Parenteral, além de ser membro da Farmacopéia Brasileira. Enfatizou, na sabatina no Senado, a importância de um órgão como a Anvisa para a Saúde Pública do país: “O âmbito de atuação da Agência abrange desde a qualidade de um inocente comprimido até a complexidade do controle da infecção hospitalar. E se hoje assuntos como Bioequivalência e Farmacovigilância são praticamente de domínio público, isso se deve à importante contribuição que este órgão tem dado para o progresso da sociedade brasileira”. Crianças agitam rotina da Anvisa Thiago de Sousa Veloso, três anos, estava ansioso. Finalmente, iria conhecer o local de trabalho da mãe. Só não imaginava que tudo iria acontecer em um dia preparado especialmente para ele. Assim como Thiago, outras 155 crianças foram inscritas pelos pais para participar da primeira festa em comemoração ao Dia da Criança realizada pela Anvisa, no dia 15 de outubro. “Além de fazer parte do projeto de qualidade de vida promovido pela Agência, é uma maneira de os filhos conhecerem um pouco da vida profissional dos pais”, explica Marisa Lima, assistente da Gerência de Gestão de Recursos Humanos (GERHU). As crianças foram chegando aos poucos e transformando a rotina de trabalho dos funcionários. Em todos os corredores do edifício-sede era possível encontrar uma criança. Algumas vieram cedinho, não queriam perder sequer um minuto do expediente. A festa começou às 14h, quando já era possível notar a ansiedade dos pequenos ao ver o cenário montado, que a cada metro apresentava uma novidade: Pula-pula, Cama-elástica, Karaokê, cachorro-quente, algodão doce, pipoca, piscina de bolas, teatro, leitura, entre outros. Foram quatro horas de muita diversão. Trinta e cinco monitores da GERHU fizeram a segurança da criançada, que não parava de correr, pular, 2003 4 5 outubro de 2003 Inspeção anual em mamógrafos melhora a qualidade de exames Senado aprova indicação de novos diretores otas Cerca de 80 profissionais da rede pública de Saúde do país participaram, este mês, em Brasília, do “Curso de Capacitação em Execução de Convênios e Elaboração de Projetos de Hemorrede”. O treinamento habilitou gestores de convênios, engenheiros e arquitetos a melhorar a infra-estrutura dos serviços de hemoterapia brasileiros. Investimentos em saúde, gerenciamento de resíduos e sistemas de informação foram alguns dos temas abordados no curso. 2003 desenhar e cantar. Uma delas, Madalena Leão, também trouxe o filho, Lucas Dias Leão, de quatro anos para aproveitar o dia. “Fiz uma combinação perfeita, enquanto trabalho, observo as travessuras dele”, disse. Espaço da pintura foi um dos preferidos dos pequenos A mãe deThiago, Sandra Veloso, funcionária da Gerência-Geral de Tecnologia de Produtos para Saúde (GGTPS) arrumou um tempo durante o expediente para jogar futebol com o filho. Thiago disse que gostou da festa porque “adora jogar futebol”. Para Sandra, “esta é uma iniciativa que proporciona integração, não só entre os funcionários, mas também entre suas famílias”. p.6: Entrevista com o coordenador da Vigilância Sanitária do Estado de Mato Grosso do Sul, Márcio César de Toledo p.7: Tabela de produtos apreendidos no mês de setembro Um programa que já foi incorporado à rotina de fiscalização sanitária na Paraíba melhorou de modo expressivo a qualidade das mamografias. Pela seu desempenho técnico, ele responde às orientações das campanhas nacionais de detecção precoce do câncer de mama do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que sugerem às mulheres de 40 a 70 anos fazer exames periódicos de mama para eliminar o risco de contrair uma das doenças que mais provoca mortes no país. Trata-se do Programa de Controle de Qualidade em Mamografia, Tomografia e Ultra-sonografia, da Agência Estadual de Vigilância Sanitária do Estado da Paraíba, inspirado em estatísticas dramáticas do Inca: até dezembro serão diagnosticados 41 mil novos casos de câncer, com cerca de dez mil óbitos. Ao completar quatro anos de atividades, o programa conseguiu montar um quadro da mamografia no estado e vem alcançando as metas para sanar os problemas. Inspeções feitas nos últimos três anos resultaram na desativação de 12 serviços de mamografia, porque a qualidade das imagens não permitia um diagnóstico correto. Diante desta iniciativa, que faz da Paraíba pioneira no monitoramento de mamógrafos e no aprimoramento de exames razoavelmente simples e que podem reduzir em 40% a taxa de mortalidade por câncer de mama no território paraibano, o Boletim Informativo da Anvisa dedica a matéria principal desta edição ao programa da Agevisa (PB). Na Paraíba, fazer testes nos mamógrafos virou lei desde novembro, com a RDC nº 003/02, que prevê multa e cancelamento da licença de funcionamento destes serviços, em casos de inobservância da legislação. O programa determina manutenções diárias, mensais e anuais nos 37 serviços de mamografia do estado. Minas Gerais implantou sistema semelhante em 28 de outubro e outros 15 estados preparam-se para seguir o modelo. n outubro de ainda nesta edição editorial 3 A Paraíba poderia ser hoje uma das unidades da federação que apresenta um dos maiores índices de câncer de mama do país. Não porque as ocorrências dessa doença estejam ligadas a questões genéticas, comportamentais, sociais ou hormonais, peculiares àquele estado, mas sim em razão de um trabalho que está sendo desenvolvido, há quatro anos, pela Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa), de forma pioneira. Trata-se do Programa de Controle de Qualidade em Mamografia, Tomografia e Ultra-sonografia, coordenado pela Diretoria Técnica de Ciência e Tecnologia Médica e Correlatos da Agência. Por meio desse programa, as clínicas radiológicas públicas e privadas das 12 Regionais de Saúde da Paraíba estão sendo monitoradas desde 1999, primeiro em caráter apenas educativo, mas com capacidade de identificar uma situação complicada: aparelhos obsoletos, outros ociosos por causa da baixa produtividade nas unidades de saúde, falta de in- formação e carência de profissionais de saúde treinados para a especialidade. “Atualmente a situação é outra, mas precisamos intensificar a detecção precoce do câncer de mama”, observa a diretora Magdala Neiva, que comanda os programas de qualidade nos serviços radiológicos da Agevisa, e outros projetos. O resultado mais visível do programa é que houve uma melhora na resolução das imagens, os diagnósticos se tornaram mais precisos e cresceu o número de serviços de mamografia no estado, passando de 23, em 1999, para 37 clínicas, em 2003. Por isso é possível afirmar que nesse período aumentou a demanda de mulheres acima de 40 anos que procuraram fazer exames com resultados mais exatos, diferente da realidade de quatro anos atrás, quando os serviços não estavam sendo monitorados pelas autoridades sanitárias. “Para a detecção precoce do câncer de mama, é preciso fazer exames com qualidade; senão é melhor não fazer porque a mulher está sendo exposta a uma carga de radioatividade desnecessária e o diagnóstico pode confundir o médico”, comenta Magdala. Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a taxa bruta de mortalidade por câncer de mama nas últimas duas décadas cresceu 68% e a principal causa, lembra a diretora, é que 50% dos casos em mulheres de 40 a 69 anos são diagnosticados em estágios avançados. Este ano prevê-se que serão diagnosticados 41 mil novos casos com cerca de 10 mil óbitos. Esses dados e previsões colaboraram para acelerar a montagem do programa paraibano, segundo Magdala, porque com os exames de mamografia, que são simples, essa taxa de mortalidade pode ser reduzida em mais de 40%. Com o início dos trabalhos de inspeção do Programa de Qualidade em Serviços de Mamografia, foram interditados na Paraíba 12 Inmetro faz manutenção em seis mil aparelhos de pressão Imagine se uma pessoa precisar medir a pressão arterial num consultório médico, farmácia ou hospital e as agulhas do aparelho indicarem uma contagem de “20x16”, quando na verdade esta seria de “12x8”. Pode parecer brincadeira, mas esta é uma situação real – com sérias conseqüências para a saúde do paciente. Dezenas de casos do gênero passaram a fazer parte dos arquivos da Agência Estadual de Vigilância Sanitária do Estado da Paraíba (Agevisa), desde 22 de setembro quando a Agência, em parceria com o INMETRO, iniciou uma série de campanhas, nas 12 Regionais de Saúde do estado, para aferição dos cerca de seis mil medidores de pressão que os técnicos calculam existir na Paraíba. Desse total, 20% apresentaram problemas de calibração nas primeiras quatro semanas de trabalho. Nesses casos, o INMETRO lacra e leva os aparelhos para a oficina. O trabalho é desenvolvido por um sistema móvel de aferição, de hospital em hospital, em todas as farmácias e postos de saúde. Começou pela capital do estado, João Pessoa, e em outubro Campina Grande e outras regiões foram contempladas. As campanhas já viraram um programa que se implanta por ele mesmo porque os primeiros resultados mobilizaram várias categorias de Agevisa exigirá certificado dos medidores profissionais de saúde e há uma portaria do INMETRO, a de nº 24/96, que determina a obrigatoriedade da aferição anual dos esfigmomanômetros (aparelhos de pressão). Durante o levantamento da quantidade de medidores de pressão, os técnicos da Diretoria Técnica de Ciência e Tecnologia Médica e Correlatos da Agevisa, que atuaram com o apoio do INMETRO, encontraram uma quantidade muito grande de aparelhos sem registro e um número expressivo de outros com defeito. “Com esse trabalho, esperamos reduzir em 40% o índice de aparelhos descalibrados”, estima Jorge Alberto Molina Rodriguez, diretor-geral da Agevisa. Em 2004, a Agência passará a exigir o Certificado de Verificação do INMETRO dos medidores de pressão em todos os estabelecimentos de saúde do estado. Em outra etapa do programa os técnicos e fiscais dos dois órgãos começam a aferição de termômetros e balanças usadas em farmácias de manipulação e em laboratórios de análises clínicas. aparelhos, porque apresentaram problemas de manutenção e identificados outros três quebrados e mais quatro desativados pelos próprios responsáveis. “Hoje vemos que existe uma parceria entre a Agência e os profissionais de saúde do estado que atuam em clínicas radiológicas, ao contrário do passado quando havia muita resistência da parte principalmente dos donos das clínicas”, lembra a diretora. Legislação No começo do programa, em 1999, as inspeções feitas nos mamógrafos pelos técnicos da Agevisa tinham um caráter educativo, com a realização de cursos de capacitação ministrados por especialistas de várias instituições científicas, hospitais e universidades brasileiras, coordenados pelo físico-médico paraibano João Emílio Peixoto, que pertenceu aos quadros da Anvisa. Peixoto atualmente é o consultor da Agevisa para os programas de Vigilância Sanitária em aplicações de radiações ionizantes. A segunda inspeção, em 2000, serviu para se fazer uma análise comparativa dos resultados dos exames com os do ano anterior. Já em 2001 começaram as reuniões com o Ministério Público para preparar legalmente as intervenções nos centros radiológicos. “Tínhamos que nos apoiar na lei, para fazer as notificações e interdições, daí surgiu a Resolução da Diretoria Colegiada nº 003, de novembro de 2002, que determina a obrigatoriedade da realização dos testes de controle de qualidade nos mamógrafos”, relata Jorge Alberto Molina Rodriguez, diretor-geral da Agevisa. Com esse programa a Paraíba veio a ser, há quatro anos, o único estado da federação a ter as ações de fiscalização dos serviços de mamografia regulamentadas. “Víamos que as mamografias não deveriam ser realizadas se os critérios mínimos de qualidade não estivessem sendo alcançados”, comenta Molina ao se referir à RDC nº 003, que determina que os serviços de mamografia no Estado da Paraíba devem dispor de simulador radiográfico de mama, sensitômetro, densitômetro e termômetro para que possam realizar os testes de controle de qualidade da imagem mamográfica. Hoje, os responsáveis técnicos de todas as clínicas e hospitais da Paraíba que oferecem serviços de mamografia são obrigados a enviar relatórios e cópias das imagens dos exames, mensalmente, para o laboratório da Agevisa comparar o reNa Paraíba, controle de mamógrafos é lei sultado dos testes. A resolução diz ainda que os equipamentos de tifiquem defeitos duas vezes seguidas mamografia do estado devem possuir nos aparelhos eles são imediatamente Sistema de Controle Automático de interditados. A partir do exemplo paraibano, Exposição (Cae) e que os testes de controle de qualidade do processamento Minas Gerais iniciou programa semeradiográfico, realizados com o uso de lhante no dia 28 de outubro e outros sensitômetros, densitômetros e termô- 14 estados seguiram o mesmo caminho metros, devem ser diários e os registros nos últimos quatro anos. Outras ações arquivados e mantidos à disposição da estão previstas para reforçar as bases de autoridade sanitária. “Mais de 90% da atividades do programa, como uma proqualidade da imagem dependem da posta, que está em negociação, na Sequalidade do processamento, onde ava- cretaria Estadual de Saúde, e que prevê liamos a água, substâncias químicas, o envolvimento direto da rede privada temperatura entre outros aspectos”, ex- de serviços de mamografia na conquista de mais pacientes, em todo o terriplica Magdala. A inobservância dessas exigências tório paraibano. O mesmo trabalho que implica em multas previstas na Lei Fe- está sendo desenvolvido na área da deral nº 6.437/77 e Lei Estadual nº mamografia será estendido aos apare4.427/82. A Agevisa reúne esse materi- lhos de tomografia e ultra-sonografia, al, faz relatórios técnicos sobre as con- por meio de resoluções, que já se dições dos serviços e os envia para as vi- encontram em consulta pública. gilâncias sanitárias estaduais e municipais, Anvisa, Inca, Ministério da Alagoas Saúde e Conselho Nacional de Energia Bahia Nuclear (Cnem). Distrito Federal Com a introdução do programa, um serviço de mamografia no pequeno Espírito Santo município de Souza, a 450 Km de João Goiás Pessoa, recebeu em 2002 o Selo de Maranhão Qualidade do Colégio Brasileiro de Mato Grosso Radiologia, depois de fazer investimenMato Grosso do Sul tos tecnológicos, adquirir máquinas Pernambuco processadoras de imagens e promover cursos de capacitação. Com efeito, a Rio Grande do Norte maioria dos 37 serviços de mamografia Rondônia no estado vem aprimorando seus traRoraima balhos, reconhece Magdala Neiva, baSergipe seada nos resultados que apresentam as Tocantins inspeções mensais e anuais. De acordo com a lei estadual, caso os técnicos iden- Fotos: Olival Vicente da Silva 2 Laila Muniz 2003 Célio Azevedo/Agência Senado outubro de c artas Educação Li o boletim de julho e fiquei muito interessada no programa desenvolvido em Mâncio Lima (AC). Trabalho há dez anos com Vigilância Sanitária em pequenos municípios onde orientar é um método mais fácil de se chegar a algum resultado. Loiri Rech Fiscal sanitária Lindóia do Sul – Santa Catarina Fumódromo Depois da sabatina na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal, a indicação para a diretoria da Anvisa dos nomes de Franklin Rubinstein e Victor Hugo Costa Travassos da Rosa foi aprovada pelo plenário da casa no dia 21 de outubro. Os novos dirigentes terão mandato de três anos e irão compor a Diretoria Colegiada da Agência, formada por cinco membros. Estão interditados os fumódromos que funcionavam nas áreas de embarque e desembarque do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Chamada de smoking point, a estrutura foi instalada pela Companhia Souza Cruz em parceria com a Infraero, contrariando a Lei nº 9.294/76, que proíbe o fumo em ambientes fechados. Curso Reciclagem A Agência promoveu no dia 13 o “II Dia de Limpeza das Gavetas”. A iniciativa serviu para orientar funcionários sobre o uso racional do papel. Embalagens de biscoito, folhas de ofício e papéis de bala são passíveis de reciclagem e serão doados para a Casa de Ismael, entidade que atende 198 crianças. A Campanha teve início em agosto de 2002. e xpediente Anvisa Boletim Informativo é uma publicação mensal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)-Ministério da Saúde. Conselho Editorial: Cláudio Maierovitch Pessanha Henriques, Luis Carlos Wanderley Lima e Ricardo Oliva Edição: Carlos Dias Lopes, registro MTb 7476/34/14/DF Sub-edição: Laila Muniz, registro MTb 4951/14/101/DF Textos: Laila Muniz, Carlos Tavares e Fabiana Reis Revisão: Carlos Tavares Colaboração: Graça Guimarães Projeto e Design Gráfico: Daniel Ferreira (Gerência de Comunicação Multimídia - GECOM) Editoração: Daniel Ferreira (GECOM) Capa: Trabalho sobre foto de Olival Vicente da Silva Apoio: Janaina Moraes e Daniella Silva Impressão: Gráfica Brasil Tiragem: 60 mil exemplares Endereço: SEPN Quadra 515, Bloco B, Ed. Ômega Brasília/DF CEP 70770-502 Telefones: (61) 448-1022 ou 448-1301/ Fax: (61) 448-1252 E-mail: [email protected] ISSN: 1518-6377 outubro de No encerramento da sessão na CAS, a presidente da comissão, senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) elogiou a qualificação e a indicação dos dois técnicos para exercer a diretoria da Anvisa. Perfil O carioca Franklin Rubinstein, 60 anos, é formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É ouvidor da Anvisa desde fevereiro de 2000, onde também ocupou o cargo de gerente de Medicamentos Fitoterápicos. Durante a sessão da CAS, Franklin fez rápida exposição sobre o trabalho que a Agência desenvolve desde a sua criação enfatizando a urgência da consolidação de uma política de Recursos Humanos para o órgão: “A Anvisa necessita contar com uma Franklin e Victor Hugo durante audiência equipe multidisciplinar que atenda à complexidade do trabalho que lhe é cobrado. Precisa ser construído um Plano de Carreira que vise a eficiência e a eficácia nas ações de Vigilância Sanitária”. Victor Hugo, 54 anos, é paraense formado em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal do Pará (UFPA). É professor e colaborou com a Agência como consultor na elaboração de regulamentos sobre Nutrição Parenteral, além de ser membro da Farmacopéia Brasileira. Enfatizou, na sabatina no Senado, a importância de um órgão como a Anvisa para a Saúde Pública do país: “O âmbito de atuação da Agência abrange desde a qualidade de um inocente comprimido até a complexidade do controle da infecção hospitalar. E se hoje assuntos como Bioequivalência e Farmacovigilância são praticamente de domínio público, isso se deve à importante contribuição que este órgão tem dado para o progresso da sociedade brasileira”. Crianças agitam rotina da Anvisa Thiago de Sousa Veloso, três anos, estava ansioso. Finalmente, iria conhecer o local de trabalho da mãe. Só não imaginava que tudo iria acontecer em um dia preparado especialmente para ele. Assim como Thiago, outras 155 crianças foram inscritas pelos pais para participar da primeira festa em comemoração ao Dia da Criança realizada pela Anvisa, no dia 15 de outubro. “Além de fazer parte do projeto de qualidade de vida promovido pela Agência, é uma maneira de os filhos conhecerem um pouco da vida profissional dos pais”, explica Marisa Lima, assistente da Gerência de Gestão de Recursos Humanos (GERHU). As crianças foram chegando aos poucos e transformando a rotina de trabalho dos funcionários. Em todos os corredores do edifício-sede era possível encontrar uma criança. Algumas vieram cedinho, não queriam perder sequer um minuto do expediente. A festa começou às 14h, quando já era possível notar a ansiedade dos pequenos ao ver o cenário montado, que a cada metro apresentava uma novidade: Pula-pula, Cama-elástica, Karaokê, cachorro-quente, algodão doce, pipoca, piscina de bolas, teatro, leitura, entre outros. Foram quatro horas de muita diversão. Trinta e cinco monitores da GERHU fizeram a segurança da criançada, que não parava de correr, pular, 2003 4 5 outubro de 2003 Inspeção anual em mamógrafos melhora a qualidade de exames Senado aprova indicação de novos diretores otas Cerca de 80 profissionais da rede pública de Saúde do país participaram, este mês, em Brasília, do “Curso de Capacitação em Execução de Convênios e Elaboração de Projetos de Hemorrede”. O treinamento habilitou gestores de convênios, engenheiros e arquitetos a melhorar a infra-estrutura dos serviços de hemoterapia brasileiros. Investimentos em saúde, gerenciamento de resíduos e sistemas de informação foram alguns dos temas abordados no curso. 2003 desenhar e cantar. Uma delas, Madalena Leão, também trouxe o filho, Lucas Dias Leão, de quatro anos para aproveitar o dia. “Fiz uma combinação perfeita, enquanto trabalho, observo as travessuras dele”, disse. Espaço da pintura foi um dos preferidos dos pequenos A mãe deThiago, Sandra Veloso, funcionária da Gerência-Geral de Tecnologia de Produtos para Saúde (GGTPS) arrumou um tempo durante o expediente para jogar futebol com o filho. Thiago disse que gostou da festa porque “adora jogar futebol”. Para Sandra, “esta é uma iniciativa que proporciona integração, não só entre os funcionários, mas também entre suas famílias”. p.6: Entrevista com o coordenador da Vigilância Sanitária do Estado de Mato Grosso do Sul, Márcio César de Toledo p.7: Tabela de produtos apreendidos no mês de setembro Um programa que já foi incorporado à rotina de fiscalização sanitária na Paraíba melhorou de modo expressivo a qualidade das mamografias. Pela seu desempenho técnico, ele responde às orientações das campanhas nacionais de detecção precoce do câncer de mama do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que sugerem às mulheres de 40 a 70 anos fazer exames periódicos de mama para eliminar o risco de contrair uma das doenças que mais provoca mortes no país. Trata-se do Programa de Controle de Qualidade em Mamografia, Tomografia e Ultra-sonografia, da Agência Estadual de Vigilância Sanitária do Estado da Paraíba, inspirado em estatísticas dramáticas do Inca: até dezembro serão diagnosticados 41 mil novos casos de câncer, com cerca de dez mil óbitos. Ao completar quatro anos de atividades, o programa conseguiu montar um quadro da mamografia no estado e vem alcançando as metas para sanar os problemas. Inspeções feitas nos últimos três anos resultaram na desativação de 12 serviços de mamografia, porque a qualidade das imagens não permitia um diagnóstico correto. Diante desta iniciativa, que faz da Paraíba pioneira no monitoramento de mamógrafos e no aprimoramento de exames razoavelmente simples e que podem reduzir em 40% a taxa de mortalidade por câncer de mama no território paraibano, o Boletim Informativo da Anvisa dedica a matéria principal desta edição ao programa da Agevisa (PB). Na Paraíba, fazer testes nos mamógrafos virou lei desde novembro, com a RDC nº 003/02, que prevê multa e cancelamento da licença de funcionamento destes serviços, em casos de inobservância da legislação. O programa determina manutenções diárias, mensais e anuais nos 37 serviços de mamografia do estado. Minas Gerais implantou sistema semelhante em 28 de outubro e outros 15 estados preparam-se para seguir o modelo. n outubro de ainda nesta edição editorial 3 A Paraíba poderia ser hoje uma das unidades da federação que apresenta um dos maiores índices de câncer de mama do país. Não porque as ocorrências dessa doença estejam ligadas a questões genéticas, comportamentais, sociais ou hormonais, peculiares àquele estado, mas sim em razão de um trabalho que está sendo desenvolvido, há quatro anos, pela Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa), de forma pioneira. Trata-se do Programa de Controle de Qualidade em Mamografia, Tomografia e Ultra-sonografia, coordenado pela Diretoria Técnica de Ciência e Tecnologia Médica e Correlatos da Agência. Por meio desse programa, as clínicas radiológicas públicas e privadas das 12 Regionais de Saúde da Paraíba estão sendo monitoradas desde 1999, primeiro em caráter apenas educativo, mas com capacidade de identificar uma situação complicada: aparelhos obsoletos, outros ociosos por causa da baixa produtividade nas unidades de saúde, falta de in- formação e carência de profissionais de saúde treinados para a especialidade. “Atualmente a situação é outra, mas precisamos intensificar a detecção precoce do câncer de mama”, observa a diretora Magdala Neiva, que comanda os programas de qualidade nos serviços radiológicos da Agevisa, e outros projetos. O resultado mais visível do programa é que houve uma melhora na resolução das imagens, os diagnósticos se tornaram mais precisos e cresceu o número de serviços de mamografia no estado, passando de 23, em 1999, para 37 clínicas, em 2003. Por isso é possível afirmar que nesse período aumentou a demanda de mulheres acima de 40 anos que procuraram fazer exames com resultados mais exatos, diferente da realidade de quatro anos atrás, quando os serviços não estavam sendo monitorados pelas autoridades sanitárias. “Para a detecção precoce do câncer de mama, é preciso fazer exames com qualidade; senão é melhor não fazer porque a mulher está sendo exposta a uma carga de radioatividade desnecessária e o diagnóstico pode confundir o médico”, comenta Magdala. Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a taxa bruta de mortalidade por câncer de mama nas últimas duas décadas cresceu 68% e a principal causa, lembra a diretora, é que 50% dos casos em mulheres de 40 a 69 anos são diagnosticados em estágios avançados. Este ano prevê-se que serão diagnosticados 41 mil novos casos com cerca de 10 mil óbitos. Esses dados e previsões colaboraram para acelerar a montagem do programa paraibano, segundo Magdala, porque com os exames de mamografia, que são simples, essa taxa de mortalidade pode ser reduzida em mais de 40%. Com o início dos trabalhos de inspeção do Programa de Qualidade em Serviços de Mamografia, foram interditados na Paraíba 12 Inmetro faz manutenção em seis mil aparelhos de pressão Imagine se uma pessoa precisar medir a pressão arterial num consultório médico, farmácia ou hospital e as agulhas do aparelho indicarem uma contagem de “20x16”, quando na verdade esta seria de “12x8”. Pode parecer brincadeira, mas esta é uma situação real – com sérias conseqüências para a saúde do paciente. Dezenas de casos do gênero passaram a fazer parte dos arquivos da Agência Estadual de Vigilância Sanitária do Estado da Paraíba (Agevisa), desde 22 de setembro quando a Agência, em parceria com o INMETRO, iniciou uma série de campanhas, nas 12 Regionais de Saúde do estado, para aferição dos cerca de seis mil medidores de pressão que os técnicos calculam existir na Paraíba. Desse total, 20% apresentaram problemas de calibração nas primeiras quatro semanas de trabalho. Nesses casos, o INMETRO lacra e leva os aparelhos para a oficina. O trabalho é desenvolvido por um sistema móvel de aferição, de hospital em hospital, em todas as farmácias e postos de saúde. Começou pela capital do estado, João Pessoa, e em outubro Campina Grande e outras regiões foram contempladas. As campanhas já viraram um programa que se implanta por ele mesmo porque os primeiros resultados mobilizaram várias categorias de Agevisa exigirá certificado dos medidores profissionais de saúde e há uma portaria do INMETRO, a de nº 24/96, que determina a obrigatoriedade da aferição anual dos esfigmomanômetros (aparelhos de pressão). Durante o levantamento da quantidade de medidores de pressão, os técnicos da Diretoria Técnica de Ciência e Tecnologia Médica e Correlatos da Agevisa, que atuaram com o apoio do INMETRO, encontraram uma quantidade muito grande de aparelhos sem registro e um número expressivo de outros com defeito. “Com esse trabalho, esperamos reduzir em 40% o índice de aparelhos descalibrados”, estima Jorge Alberto Molina Rodriguez, diretor-geral da Agevisa. Em 2004, a Agência passará a exigir o Certificado de Verificação do INMETRO dos medidores de pressão em todos os estabelecimentos de saúde do estado. Em outra etapa do programa os técnicos e fiscais dos dois órgãos começam a aferição de termômetros e balanças usadas em farmácias de manipulação e em laboratórios de análises clínicas. aparelhos, porque apresentaram problemas de manutenção e identificados outros três quebrados e mais quatro desativados pelos próprios responsáveis. “Hoje vemos que existe uma parceria entre a Agência e os profissionais de saúde do estado que atuam em clínicas radiológicas, ao contrário do passado quando havia muita resistência da parte principalmente dos donos das clínicas”, lembra a diretora. Legislação No começo do programa, em 1999, as inspeções feitas nos mamógrafos pelos técnicos da Agevisa tinham um caráter educativo, com a realização de cursos de capacitação ministrados por especialistas de várias instituições científicas, hospitais e universidades brasileiras, coordenados pelo físico-médico paraibano João Emílio Peixoto, que pertenceu aos quadros da Anvisa. Peixoto atualmente é o consultor da Agevisa para os programas de Vigilância Sanitária em aplicações de radiações ionizantes. A segunda inspeção, em 2000, serviu para se fazer uma análise comparativa dos resultados dos exames com os do ano anterior. Já em 2001 começaram as reuniões com o Ministério Público para preparar legalmente as intervenções nos centros radiológicos. “Tínhamos que nos apoiar na lei, para fazer as notificações e interdições, daí surgiu a Resolução da Diretoria Colegiada nº 003, de novembro de 2002, que determina a obrigatoriedade da realização dos testes de controle de qualidade nos mamógrafos”, relata Jorge Alberto Molina Rodriguez, diretor-geral da Agevisa. Com esse programa a Paraíba veio a ser, há quatro anos, o único estado da federação a ter as ações de fiscalização dos serviços de mamografia regulamentadas. “Víamos que as mamografias não deveriam ser realizadas se os critérios mínimos de qualidade não estivessem sendo alcançados”, comenta Molina ao se referir à RDC nº 003, que determina que os serviços de mamografia no Estado da Paraíba devem dispor de simulador radiográfico de mama, sensitômetro, densitômetro e termômetro para que possam realizar os testes de controle de qualidade da imagem mamográfica. Hoje, os responsáveis técnicos de todas as clínicas e hospitais da Paraíba que oferecem serviços de mamografia são obrigados a enviar relatórios e cópias das imagens dos exames, mensalmente, para o laboratório da Agevisa comparar o reNa Paraíba, controle de mamógrafos é lei sultado dos testes. A resolução diz ainda que os equipamentos de tifiquem defeitos duas vezes seguidas mamografia do estado devem possuir nos aparelhos eles são imediatamente Sistema de Controle Automático de interditados. A partir do exemplo paraibano, Exposição (Cae) e que os testes de controle de qualidade do processamento Minas Gerais iniciou programa semeradiográfico, realizados com o uso de lhante no dia 28 de outubro e outros sensitômetros, densitômetros e termô- 14 estados seguiram o mesmo caminho metros, devem ser diários e os registros nos últimos quatro anos. Outras ações arquivados e mantidos à disposição da estão previstas para reforçar as bases de autoridade sanitária. “Mais de 90% da atividades do programa, como uma proqualidade da imagem dependem da posta, que está em negociação, na Sequalidade do processamento, onde ava- cretaria Estadual de Saúde, e que prevê liamos a água, substâncias químicas, o envolvimento direto da rede privada temperatura entre outros aspectos”, ex- de serviços de mamografia na conquista de mais pacientes, em todo o terriplica Magdala. A inobservância dessas exigências tório paraibano. O mesmo trabalho que implica em multas previstas na Lei Fe- está sendo desenvolvido na área da deral nº 6.437/77 e Lei Estadual nº mamografia será estendido aos apare4.427/82. A Agevisa reúne esse materi- lhos de tomografia e ultra-sonografia, al, faz relatórios técnicos sobre as con- por meio de resoluções, que já se dições dos serviços e os envia para as vi- encontram em consulta pública. gilâncias sanitárias estaduais e municipais, Anvisa, Inca, Ministério da Alagoas Saúde e Conselho Nacional de Energia Bahia Nuclear (Cnem). Distrito Federal Com a introdução do programa, um serviço de mamografia no pequeno Espírito Santo município de Souza, a 450 Km de João Goiás Pessoa, recebeu em 2002 o Selo de Maranhão Qualidade do Colégio Brasileiro de Mato Grosso Radiologia, depois de fazer investimenMato Grosso do Sul tos tecnológicos, adquirir máquinas Pernambuco processadoras de imagens e promover cursos de capacitação. Com efeito, a Rio Grande do Norte maioria dos 37 serviços de mamografia Rondônia no estado vem aprimorando seus traRoraima balhos, reconhece Magdala Neiva, baSergipe seada nos resultados que apresentam as Tocantins inspeções mensais e anuais. De acordo com a lei estadual, caso os técnicos iden- Fotos: Olival Vicente da Silva 2 Laila Muniz 2003 Célio Azevedo/Agência Senado outubro de entrevista: Márcio César de Toledo 6 outubro de 2003 outubro de Márcio: “temos que manter os fiscais motivados” Há um ano, a coordenadoria criou o Projeto de Monitoramento e Orientação de Agricultores. Ele funciona nos municípios de Fátima do Sul e Chapadão do Sul, onde ficam concentrados os plantadores de algodão. Todo mês realizamos palestras com os agricultores e os donos das plantações. Os temas envolvem o uso de Equipamentos de Proteção Individual, a importância da orientação do engenheiro agrônomo, a dosagem, armazenamento e descarte corretos do agrotóxico, direitos dos trabalhadores, entre outros. Ao todo, já realizamos 24 palestras nos dois municípios. A idéia é educar trabalhadores e fazendeiros para diminuir os agravos à saúde, ocorridos neste tipo de atividade, como câncer, depressão e suicídio, verificados ao longo do trabalho que estamos realizando. BI - Além do trabalho com os agricultores, que tipo de ações a coordenadoria adota hoje em relação à Saúde do Trabalhador? Construímos três Centros de Referência em Saúde do Trabalhador em Dourados, Três Lagoas e Corumbá. O centro atende pessoas com doenças desenvolvidas em ambientes de trabalho, como LER/DORT (lesão por esforço repetitivo/distúrbios osteo- BI - O setor de radiodiagnóstico e o de transporte de óleo vegetal também possuem ações específicas. Quais são? Temos uma pareceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul para controlar a qualidade dos aparelhos de radiodiagnóstico. Uma equipe de alunos da universidade coordenados por uma física e por uma professora, em conjunto com fiscais da vigilância, visita os serviços em questão para medir e monitorar o funcionamento desses equipamentos. O projeto está em funcionamento na capital e a idéia é estender a experiência para outros municípios do estado. Ainda em outubro, vamos publicar uma resolução regulando o transporte 8 Ação em farmácia reforça papel social e educativo do SNVS Gomes Brito O dentista Márcio César de Toledo, 52 anos, considera a Saúde do Trabalhador um dos pilares do trabalho de Vigilância Sanitária. Aliando ações educativas com assistência médica e psicológica, o especialista em Saúde Pública, Radiologia e Administração Hospitalar desenvolve hoje uma rede para atender trabalhadores de todo o Mato Grosso do Sul. Com 23 anos de Vigilância Sanitária e há dez meses à frente da Coordenação Estadual de Vigilância Sanitária (MS), Márcio também adotou medidas para evitar o transporte irregular de óleo vegetal e monitorar os aparelhos de radiodiagnóstico com a parceria de alunos da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Para ele, o estado possui uma equipe suficiente para atender as demandas do setor, mas reitera a necessidade de manter atualizados e estimulados aos fiscais. musculares relacionados ao trabalho) e também outros tipos de agravos ocasionados por acidentes, queimaduras e fraturas, por exemplo. Para atender essas demandas, o serviço dispõe de médico de trabalho, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, psicólogo, profissional de educação física e fisioterapeuta. Para o funcionamento da unidade, o estado financia os equipamentos e o município fornece a mão de obra. A meta da Vigilância Sanitária é construir 12 centros, número capaz de atender todo o Mato Grosso do Sul. Em novembro, a quarta unidade será inaugurada em Campo Grande. 7 outubro de 2003 número 36 outubro de 2003 Promoção da Saúde do Trabalhador em evidência BI - O Mato Grosso do Sul desenvolve um trabalho educativo para os agricultores. Como funciona? 2003 de óleo vegetal. Hoje, há caminhoneiros e donos de transportadoras que levam óleo para fora do estado em um veículo que foi inspecionado e devidamente limpo com a supervisão dos fiscais, mas que voltam trazendo combustível. Pela nova legislação, o caminhoneiro não poderá mais transportar esses dois tipos de produtos sob pena até de perder o caminhão. BI - O treinamento de funcionários e a estrutura de trabalho têm grande influência para o bom desempenho das atividades. O que a coordenadoria tem feito pelos técnicos? Até o fim do ano, toda a estrutura física da coordenadoria estará remodelada. Compramos cadeiras adequadas à postura do funcionário, informatizamos 66 dos 77 municípios do estado e adquirimos duas novas caminhonetes e uma van. Em 2004, o Mato Grosso do Sul terá os primeiros cursos de especialização em Vigilância Sanitária e de Saúde do Trabalho, cujos currículos serão elaborados pela nossa universidade federal. Para manter a nossa equipe de 32 fiscais motivados e unidos, além das mudanças estruturais, realizo reuniões mensais para discutir o que fizemos naquele mês, o que precisa melhorar e a expectativa dos inspetores. É fundamental ouvir sempre e participar da rotina dos técnicos. Uma audiência de conciliação no Ministério Público Federal da Paraíba, para evitar a execução de uma sentença, provou, na primeira semana de outubro, em João Pessoa, que o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) vem sendo aprimorado também por meio de ações preventivas. Sem o acordo, firmado entre o MP, o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e proprietários da Pharmacodinâmica, que manipulava substâncias controladas ilegalmente, a empresa teria perdido sua Autorização de Funcionamento (AF). No final da audiência, ficou acertado que a empresa manipule apenas produtos cosméticos de risco I, enquanto não se adequar às Boas Práticas de Manipulação em Farmácias. As negociações no MP significaram a última etapa de um processo de inspeções da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) e Anvisa, que se arrastou desde 2001, e que culminou na determinação do cancelamento da autorização de manipulação de substâncias contro- ladas, antes da conciliação. As ações de fiscalização e inspeção foram comandadas pela Agevisa e vigilância municipal, com a interferência da Anvisa, em nível federal, que acompanhou as ações e emitiu relatórios aos ministérios públicos Federal e Estadual. A manipulação de medicamentos deve ser feita conforme a RDC n° 33/00 A Pharmacodinâmica manipulava substâncias sem possuir livro de registros específicos para escrituração das mesmas, constantes das listas A1e A2 da Portaria 344/98; fechava os balanços sem obedecer aos critérios de vigilância sanitária; utilizava rotulagens inadequadas; e fazia propaganda do Vangral, o “Viagra” natural. Apesar de cometer várias infrações, a proposta inicial era atender ao caráter educativo do SNVS, para que a empresa, ao cumprir Continuação da tabela as Boas Práticas de Manipulação, oferecesse produtos manipulados com segurança e eficácia. “Com o acordo foram garantidas as questões do emprego e da sustentabilidade comercial”, comentou Maria José Delgado Fagundes, gerente de Controle e Fiscalização de Medicamentos e Produtos da Anvisa. “Nosso trabalho é educativo, mas tivemos de agir com rigor para evitar que os donos da farmácia continuassem ignorando o papel das autoridades sanitárias”, observou José Alves Peixoto, diretor de Medicamentos, Produtos e Toxicologia da Agevisa. As ações esbarraram em liminares da Justiça durante mais de dois anos. Finalmente, numa ação inédita no país, em farmácias de manipulação, a empresa foi proibida de manipular substâncias controladas e seus estoques lacrados. Atualmente, o estabelecimento vem se adequando às exigências e, na última semana deste mês, voltou a manipular cosméticos e medicamentos, exceto os controlados. Produtos apreendidos e interditados (5 a 18 de setembro) Produto Empresa Situação Motivo Ácido Acetil Salicílico Comprimido 500mg (lote nº 234) Greenpharma Química e Farmacêutica Ltda Interditado Princípio ativo e aspecto fora do padrão Ama HIV Test Triunfo Suspensa a venda Não possui registro Interditado Limites de aflotoxinas acima do permitido Amendoim com cobertura 250g, marca Kuky (lote nº14/4/04) Maritucs Alimentos Ltda Auto Brilho cera líquida ardósia Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Auto Brilho cera líquida Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Não possui registro Bactocilin (oxacilina) (lote nº plm3001) Cellofarm Ltda Suspenso o comércio e o uso Presença de partículas estranhas Barbatimão creme vaginal Jovil Apreendido Não possui registro Cápsulas de vinagre de maçã Brasmed Botânica Apreendido Não possui registro Ceviton Vitamina C 1g (lote nº 6321) Ariston Apreendido Presença de partículas estranhas Apreendido Presença de partículas estranhas Gentaron (lote nº 7462) Ariston Produto Empresa Situação Motivo Cipofloxan (lote nº 1815/02) Hipolabor Interditado Rótulo fora do padrão Castanha da Índia Orient; Agar Agar em cápsulas; Sene Extrato Seco; Vitamina E 400; Tanacetum Orient; Boldo Orient Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Chlorella em cápsulas; Spirulina em cápsulas; Sene Orient; Unha de Gato Orient; Passiflora Orient; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Crataegus Orient; Cartilagem de Tubarão; Catuaba Extrato Seco; Equinácea Orient; Ginseng Brasileiro; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Fuccus Vesiculosus; Composto Vegetal Laxante; ) Noz de Cola Extrato Seco; Ginkgo Biloba Extrato Seco Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Ginkgo Biloba Pó; Pata de Vaca; Alcachofra composta; Copaíba; Antgrip - Composto Vegetal. Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Glicose a 10% (lote nº 6446) Sanobiol Apreendido Presença de partículas estranhas Gluconato de Cálcio (lote nº 7506); Drenalin (lote nº 7097) Ariston Indústrias Químicos e Farmacêuticas Ltda Apreendidos Presença de partículas estranhas Handex (lote nº 08050201 e todos os fabricados a partir de maio de 2002) Saneativo Apreendidos Identificação errada do medicamento Katrim (lotes AL001/02 e AL 003/03) Hipolabor Apreendido Presença de partículas estranhas Kit escova cervical Kolplast Proibida a comercialização Não possui registro Marapuama Extrato Seco; Guaraná em cápsulas; Ginkgo Concentrado 80; Chitosan em cápsulas; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Doce de amendoim (1200g), marca Rollerfil (lote nº 1604) Irlofil Produtos Alimentícios Ltda Interditado Limites de aflotoxinas acima do permitido Paçoca Rolha (1150g), marca Tagarela (lote nº 023503) Zacharias Indústria e Comércio Ltda Interditada Limites de aflotoxinas acima do permitido Polli Brilho Fácil cera líquida vermelha Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Polli Brilho Fácil cera incolor Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Palmito em conseva de Palmeira Real, marca Supreme Indústria e Comércio de Conservas Supreme Ltda Liberado Análise satisfatória Tenoxican (lote nº 10025) Eurofarma Apreendido Identificação errada do medicamento Todos Medflora Extram Apreendidos Não têm registro Todos Gran Indústria Apreendidos Não têm registro ISSN 1518-6377 Lei garante qualidade de mamografias na Paraíba pp.4 e 5 Senado Federal aprova indicação de novos diretores p. 3 Fiscais estaduais e federais interditam farmácia magistral p. 7 www.anvisa.gov.br entrevista: Márcio César de Toledo 6 outubro de 2003 outubro de Márcio: “temos que manter os fiscais motivados” Há um ano, a coordenadoria criou o Projeto de Monitoramento e Orientação de Agricultores. Ele funciona nos municípios de Fátima do Sul e Chapadão do Sul, onde ficam concentrados os plantadores de algodão. Todo mês realizamos palestras com os agricultores e os donos das plantações. Os temas envolvem o uso de Equipamentos de Proteção Individual, a importância da orientação do engenheiro agrônomo, a dosagem, armazenamento e descarte corretos do agrotóxico, direitos dos trabalhadores, entre outros. Ao todo, já realizamos 24 palestras nos dois municípios. A idéia é educar trabalhadores e fazendeiros para diminuir os agravos à saúde, ocorridos neste tipo de atividade, como câncer, depressão e suicídio, verificados ao longo do trabalho que estamos realizando. BI - Além do trabalho com os agricultores, que tipo de ações a coordenadoria adota hoje em relação à Saúde do Trabalhador? Construímos três Centros de Referência em Saúde do Trabalhador em Dourados, Três Lagoas e Corumbá. O centro atende pessoas com doenças desenvolvidas em ambientes de trabalho, como LER/DORT (lesão por esforço repetitivo/distúrbios osteo- BI - O setor de radiodiagnóstico e o de transporte de óleo vegetal também possuem ações específicas. Quais são? Temos uma pareceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul para controlar a qualidade dos aparelhos de radiodiagnóstico. Uma equipe de alunos da universidade coordenados por uma física e por uma professora, em conjunto com fiscais da vigilância, visita os serviços em questão para medir e monitorar o funcionamento desses equipamentos. O projeto está em funcionamento na capital e a idéia é estender a experiência para outros municípios do estado. Ainda em outubro, vamos publicar uma resolução regulando o transporte 8 Ação em farmácia reforça papel social e educativo do SNVS Gomes Brito O dentista Márcio César de Toledo, 52 anos, considera a Saúde do Trabalhador um dos pilares do trabalho de Vigilância Sanitária. Aliando ações educativas com assistência médica e psicológica, o especialista em Saúde Pública, Radiologia e Administração Hospitalar desenvolve hoje uma rede para atender trabalhadores de todo o Mato Grosso do Sul. Com 23 anos de Vigilância Sanitária e há dez meses à frente da Coordenação Estadual de Vigilância Sanitária (MS), Márcio também adotou medidas para evitar o transporte irregular de óleo vegetal e monitorar os aparelhos de radiodiagnóstico com a parceria de alunos da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Para ele, o estado possui uma equipe suficiente para atender as demandas do setor, mas reitera a necessidade de manter atualizados e estimulados aos fiscais. musculares relacionados ao trabalho) e também outros tipos de agravos ocasionados por acidentes, queimaduras e fraturas, por exemplo. Para atender essas demandas, o serviço dispõe de médico de trabalho, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, psicólogo, profissional de educação física e fisioterapeuta. Para o funcionamento da unidade, o estado financia os equipamentos e o município fornece a mão de obra. A meta da Vigilância Sanitária é construir 12 centros, número capaz de atender todo o Mato Grosso do Sul. Em novembro, a quarta unidade será inaugurada em Campo Grande. 7 outubro de 2003 número 36 outubro de 2003 Promoção da Saúde do Trabalhador em evidência BI - O Mato Grosso do Sul desenvolve um trabalho educativo para os agricultores. Como funciona? 2003 de óleo vegetal. Hoje, há caminhoneiros e donos de transportadoras que levam óleo para fora do estado em um veículo que foi inspecionado e devidamente limpo com a supervisão dos fiscais, mas que voltam trazendo combustível. Pela nova legislação, o caminhoneiro não poderá mais transportar esses dois tipos de produtos sob pena até de perder o caminhão. BI - O treinamento de funcionários e a estrutura de trabalho têm grande influência para o bom desempenho das atividades. O que a coordenadoria tem feito pelos técnicos? Até o fim do ano, toda a estrutura física da coordenadoria estará remodelada. Compramos cadeiras adequadas à postura do funcionário, informatizamos 66 dos 77 municípios do estado e adquirimos duas novas caminhonetes e uma van. Em 2004, o Mato Grosso do Sul terá os primeiros cursos de especialização em Vigilância Sanitária e de Saúde do Trabalho, cujos currículos serão elaborados pela nossa universidade federal. Para manter a nossa equipe de 32 fiscais motivados e unidos, além das mudanças estruturais, realizo reuniões mensais para discutir o que fizemos naquele mês, o que precisa melhorar e a expectativa dos inspetores. É fundamental ouvir sempre e participar da rotina dos técnicos. Uma audiência de conciliação no Ministério Público Federal da Paraíba, para evitar a execução de uma sentença, provou, na primeira semana de outubro, em João Pessoa, que o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) vem sendo aprimorado também por meio de ações preventivas. Sem o acordo, firmado entre o MP, o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e proprietários da Pharmacodinâmica, que manipulava substâncias controladas ilegalmente, a empresa teria perdido sua Autorização de Funcionamento (AF). No final da audiência, ficou acertado que a empresa manipule apenas produtos cosméticos de risco I, enquanto não se adequar às Boas Práticas de Manipulação em Farmácias. As negociações no MP significaram a última etapa de um processo de inspeções da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) e Anvisa, que se arrastou desde 2001, e que culminou na determinação do cancelamento da autorização de manipulação de substâncias contro- ladas, antes da conciliação. As ações de fiscalização e inspeção foram comandadas pela Agevisa e vigilância municipal, com a interferência da Anvisa, em nível federal, que acompanhou as ações e emitiu relatórios aos ministérios públicos Federal e Estadual. A manipulação de medicamentos deve ser feita conforme a RDC n° 33/00 A Pharmacodinâmica manipulava substâncias sem possuir livro de registros específicos para escrituração das mesmas, constantes das listas A1e A2 da Portaria 344/98; fechava os balanços sem obedecer aos critérios de vigilância sanitária; utilizava rotulagens inadequadas; e fazia propaganda do Vangral, o “Viagra” natural. Apesar de cometer várias infrações, a proposta inicial era atender ao caráter educativo do SNVS, para que a empresa, ao cumprir Continuação da tabela as Boas Práticas de Manipulação, oferecesse produtos manipulados com segurança e eficácia. “Com o acordo foram garantidas as questões do emprego e da sustentabilidade comercial”, comentou Maria José Delgado Fagundes, gerente de Controle e Fiscalização de Medicamentos e Produtos da Anvisa. “Nosso trabalho é educativo, mas tivemos de agir com rigor para evitar que os donos da farmácia continuassem ignorando o papel das autoridades sanitárias”, observou José Alves Peixoto, diretor de Medicamentos, Produtos e Toxicologia da Agevisa. As ações esbarraram em liminares da Justiça durante mais de dois anos. Finalmente, numa ação inédita no país, em farmácias de manipulação, a empresa foi proibida de manipular substâncias controladas e seus estoques lacrados. Atualmente, o estabelecimento vem se adequando às exigências e, na última semana deste mês, voltou a manipular cosméticos e medicamentos, exceto os controlados. Produtos apreendidos e interditados (5 a 18 de setembro) Produto Empresa Situação Motivo Ácido Acetil Salicílico Comprimido 500mg (lote nº 234) Greenpharma Química e Farmacêutica Ltda Interditado Princípio ativo e aspecto fora do padrão Ama HIV Test Triunfo Suspensa a venda Não possui registro Interditado Limites de aflotoxinas acima do permitido Amendoim com cobertura 250g, marca Kuky (lote nº14/4/04) Maritucs Alimentos Ltda Auto Brilho cera líquida ardósia Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Auto Brilho cera líquida Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Não possui registro Bactocilin (oxacilina) (lote nº plm3001) Cellofarm Ltda Suspenso o comércio e o uso Presença de partículas estranhas Barbatimão creme vaginal Jovil Apreendido Não possui registro Cápsulas de vinagre de maçã Brasmed Botânica Apreendido Não possui registro Ceviton Vitamina C 1g (lote nº 6321) Ariston Apreendido Presença de partículas estranhas Apreendido Presença de partículas estranhas Gentaron (lote nº 7462) Ariston Produto Empresa Situação Motivo Cipofloxan (lote nº 1815/02) Hipolabor Interditado Rótulo fora do padrão Castanha da Índia Orient; Agar Agar em cápsulas; Sene Extrato Seco; Vitamina E 400; Tanacetum Orient; Boldo Orient Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Chlorella em cápsulas; Spirulina em cápsulas; Sene Orient; Unha de Gato Orient; Passiflora Orient; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Crataegus Orient; Cartilagem de Tubarão; Catuaba Extrato Seco; Equinácea Orient; Ginseng Brasileiro; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Fuccus Vesiculosus; Composto Vegetal Laxante; ) Noz de Cola Extrato Seco; Ginkgo Biloba Extrato Seco Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Ginkgo Biloba Pó; Pata de Vaca; Alcachofra composta; Copaíba; Antgrip - Composto Vegetal. Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Glicose a 10% (lote nº 6446) Sanobiol Apreendido Presença de partículas estranhas Gluconato de Cálcio (lote nº 7506); Drenalin (lote nº 7097) Ariston Indústrias Químicos e Farmacêuticas Ltda Apreendidos Presença de partículas estranhas Handex (lote nº 08050201 e todos os fabricados a partir de maio de 2002) Saneativo Apreendidos Identificação errada do medicamento Katrim (lotes AL001/02 e AL 003/03) Hipolabor Apreendido Presença de partículas estranhas Kit escova cervical Kolplast Proibida a comercialização Não possui registro Marapuama Extrato Seco; Guaraná em cápsulas; Ginkgo Concentrado 80; Chitosan em cápsulas; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Doce de amendoim (1200g), marca Rollerfil (lote nº 1604) Irlofil Produtos Alimentícios Ltda Interditado Limites de aflotoxinas acima do permitido Paçoca Rolha (1150g), marca Tagarela (lote nº 023503) Zacharias Indústria e Comércio Ltda Interditada Limites de aflotoxinas acima do permitido Polli Brilho Fácil cera líquida vermelha Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Polli Brilho Fácil cera incolor Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Palmito em conseva de Palmeira Real, marca Supreme Indústria e Comércio de Conservas Supreme Ltda Liberado Análise satisfatória Tenoxican (lote nº 10025) Eurofarma Apreendido Identificação errada do medicamento Todos Medflora Extram Apreendidos Não têm registro Todos Gran Indústria Apreendidos Não têm registro ISSN 1518-6377 Lei garante qualidade de mamografias na Paraíba pp.4 e 5 Senado Federal aprova indicação de novos diretores p. 3 Fiscais estaduais e federais interditam farmácia magistral p. 7 www.anvisa.gov.br entrevista: Márcio César de Toledo 6 outubro de 2003 outubro de Márcio: “temos que manter os fiscais motivados” Há um ano, a coordenadoria criou o Projeto de Monitoramento e Orientação de Agricultores. Ele funciona nos municípios de Fátima do Sul e Chapadão do Sul, onde ficam concentrados os plantadores de algodão. Todo mês realizamos palestras com os agricultores e os donos das plantações. Os temas envolvem o uso de Equipamentos de Proteção Individual, a importância da orientação do engenheiro agrônomo, a dosagem, armazenamento e descarte corretos do agrotóxico, direitos dos trabalhadores, entre outros. Ao todo, já realizamos 24 palestras nos dois municípios. A idéia é educar trabalhadores e fazendeiros para diminuir os agravos à saúde, ocorridos neste tipo de atividade, como câncer, depressão e suicídio, verificados ao longo do trabalho que estamos realizando. BI - Além do trabalho com os agricultores, que tipo de ações a coordenadoria adota hoje em relação à Saúde do Trabalhador? Construímos três Centros de Referência em Saúde do Trabalhador em Dourados, Três Lagoas e Corumbá. O centro atende pessoas com doenças desenvolvidas em ambientes de trabalho, como LER/DORT (lesão por esforço repetitivo/distúrbios osteo- BI - O setor de radiodiagnóstico e o de transporte de óleo vegetal também possuem ações específicas. Quais são? Temos uma pareceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul para controlar a qualidade dos aparelhos de radiodiagnóstico. Uma equipe de alunos da universidade coordenados por uma física e por uma professora, em conjunto com fiscais da vigilância, visita os serviços em questão para medir e monitorar o funcionamento desses equipamentos. O projeto está em funcionamento na capital e a idéia é estender a experiência para outros municípios do estado. Ainda em outubro, vamos publicar uma resolução regulando o transporte 8 Ação em farmácia reforça papel social e educativo do SNVS Gomes Brito O dentista Márcio César de Toledo, 52 anos, considera a Saúde do Trabalhador um dos pilares do trabalho de Vigilância Sanitária. Aliando ações educativas com assistência médica e psicológica, o especialista em Saúde Pública, Radiologia e Administração Hospitalar desenvolve hoje uma rede para atender trabalhadores de todo o Mato Grosso do Sul. Com 23 anos de Vigilância Sanitária e há dez meses à frente da Coordenação Estadual de Vigilância Sanitária (MS), Márcio também adotou medidas para evitar o transporte irregular de óleo vegetal e monitorar os aparelhos de radiodiagnóstico com a parceria de alunos da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Para ele, o estado possui uma equipe suficiente para atender as demandas do setor, mas reitera a necessidade de manter atualizados e estimulados aos fiscais. musculares relacionados ao trabalho) e também outros tipos de agravos ocasionados por acidentes, queimaduras e fraturas, por exemplo. Para atender essas demandas, o serviço dispõe de médico de trabalho, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, psicólogo, profissional de educação física e fisioterapeuta. Para o funcionamento da unidade, o estado financia os equipamentos e o município fornece a mão de obra. A meta da Vigilância Sanitária é construir 12 centros, número capaz de atender todo o Mato Grosso do Sul. Em novembro, a quarta unidade será inaugurada em Campo Grande. 7 outubro de 2003 número 36 outubro de 2003 Promoção da Saúde do Trabalhador em evidência BI - O Mato Grosso do Sul desenvolve um trabalho educativo para os agricultores. Como funciona? 2003 de óleo vegetal. Hoje, há caminhoneiros e donos de transportadoras que levam óleo para fora do estado em um veículo que foi inspecionado e devidamente limpo com a supervisão dos fiscais, mas que voltam trazendo combustível. Pela nova legislação, o caminhoneiro não poderá mais transportar esses dois tipos de produtos sob pena até de perder o caminhão. BI - O treinamento de funcionários e a estrutura de trabalho têm grande influência para o bom desempenho das atividades. O que a coordenadoria tem feito pelos técnicos? Até o fim do ano, toda a estrutura física da coordenadoria estará remodelada. Compramos cadeiras adequadas à postura do funcionário, informatizamos 66 dos 77 municípios do estado e adquirimos duas novas caminhonetes e uma van. Em 2004, o Mato Grosso do Sul terá os primeiros cursos de especialização em Vigilância Sanitária e de Saúde do Trabalho, cujos currículos serão elaborados pela nossa universidade federal. Para manter a nossa equipe de 32 fiscais motivados e unidos, além das mudanças estruturais, realizo reuniões mensais para discutir o que fizemos naquele mês, o que precisa melhorar e a expectativa dos inspetores. É fundamental ouvir sempre e participar da rotina dos técnicos. Uma audiência de conciliação no Ministério Público Federal da Paraíba, para evitar a execução de uma sentença, provou, na primeira semana de outubro, em João Pessoa, que o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) vem sendo aprimorado também por meio de ações preventivas. Sem o acordo, firmado entre o MP, o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e proprietários da Pharmacodinâmica, que manipulava substâncias controladas ilegalmente, a empresa teria perdido sua Autorização de Funcionamento (AF). No final da audiência, ficou acertado que a empresa manipule apenas produtos cosméticos de risco I, enquanto não se adequar às Boas Práticas de Manipulação em Farmácias. As negociações no MP significaram a última etapa de um processo de inspeções da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) e Anvisa, que se arrastou desde 2001, e que culminou na determinação do cancelamento da autorização de manipulação de substâncias contro- ladas, antes da conciliação. As ações de fiscalização e inspeção foram comandadas pela Agevisa e vigilância municipal, com a interferência da Anvisa, em nível federal, que acompanhou as ações e emitiu relatórios aos ministérios públicos Federal e Estadual. A manipulação de medicamentos deve ser feita conforme a RDC n° 33/00 A Pharmacodinâmica manipulava substâncias sem possuir livro de registros específicos para escrituração das mesmas, constantes das listas A1e A2 da Portaria 344/98; fechava os balanços sem obedecer aos critérios de vigilância sanitária; utilizava rotulagens inadequadas; e fazia propaganda do Vangral, o “Viagra” natural. Apesar de cometer várias infrações, a proposta inicial era atender ao caráter educativo do SNVS, para que a empresa, ao cumprir Continuação da tabela as Boas Práticas de Manipulação, oferecesse produtos manipulados com segurança e eficácia. “Com o acordo foram garantidas as questões do emprego e da sustentabilidade comercial”, comentou Maria José Delgado Fagundes, gerente de Controle e Fiscalização de Medicamentos e Produtos da Anvisa. “Nosso trabalho é educativo, mas tivemos de agir com rigor para evitar que os donos da farmácia continuassem ignorando o papel das autoridades sanitárias”, observou José Alves Peixoto, diretor de Medicamentos, Produtos e Toxicologia da Agevisa. As ações esbarraram em liminares da Justiça durante mais de dois anos. Finalmente, numa ação inédita no país, em farmácias de manipulação, a empresa foi proibida de manipular substâncias controladas e seus estoques lacrados. Atualmente, o estabelecimento vem se adequando às exigências e, na última semana deste mês, voltou a manipular cosméticos e medicamentos, exceto os controlados. Produtos apreendidos e interditados (5 a 18 de setembro) Produto Empresa Situação Motivo Ácido Acetil Salicílico Comprimido 500mg (lote nº 234) Greenpharma Química e Farmacêutica Ltda Interditado Princípio ativo e aspecto fora do padrão Ama HIV Test Triunfo Suspensa a venda Não possui registro Interditado Limites de aflotoxinas acima do permitido Amendoim com cobertura 250g, marca Kuky (lote nº14/4/04) Maritucs Alimentos Ltda Auto Brilho cera líquida ardósia Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Auto Brilho cera líquida Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Não possui registro Bactocilin (oxacilina) (lote nº plm3001) Cellofarm Ltda Suspenso o comércio e o uso Presença de partículas estranhas Barbatimão creme vaginal Jovil Apreendido Não possui registro Cápsulas de vinagre de maçã Brasmed Botânica Apreendido Não possui registro Ceviton Vitamina C 1g (lote nº 6321) Ariston Apreendido Presença de partículas estranhas Apreendido Presença de partículas estranhas Gentaron (lote nº 7462) Ariston Produto Empresa Situação Motivo Cipofloxan (lote nº 1815/02) Hipolabor Interditado Rótulo fora do padrão Castanha da Índia Orient; Agar Agar em cápsulas; Sene Extrato Seco; Vitamina E 400; Tanacetum Orient; Boldo Orient Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Chlorella em cápsulas; Spirulina em cápsulas; Sene Orient; Unha de Gato Orient; Passiflora Orient; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Crataegus Orient; Cartilagem de Tubarão; Catuaba Extrato Seco; Equinácea Orient; Ginseng Brasileiro; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Fuccus Vesiculosus; Composto Vegetal Laxante; ) Noz de Cola Extrato Seco; Ginkgo Biloba Extrato Seco Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Ginkgo Biloba Pó; Pata de Vaca; Alcachofra composta; Copaíba; Antgrip - Composto Vegetal. Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Glicose a 10% (lote nº 6446) Sanobiol Apreendido Presença de partículas estranhas Gluconato de Cálcio (lote nº 7506); Drenalin (lote nº 7097) Ariston Indústrias Químicos e Farmacêuticas Ltda Apreendidos Presença de partículas estranhas Handex (lote nº 08050201 e todos os fabricados a partir de maio de 2002) Saneativo Apreendidos Identificação errada do medicamento Katrim (lotes AL001/02 e AL 003/03) Hipolabor Apreendido Presença de partículas estranhas Kit escova cervical Kolplast Proibida a comercialização Não possui registro Marapuama Extrato Seco; Guaraná em cápsulas; Ginkgo Concentrado 80; Chitosan em cápsulas; Orient Mix Fitoterápicos Apreendidos Não possuem registro Doce de amendoim (1200g), marca Rollerfil (lote nº 1604) Irlofil Produtos Alimentícios Ltda Interditado Limites de aflotoxinas acima do permitido Paçoca Rolha (1150g), marca Tagarela (lote nº 023503) Zacharias Indústria e Comércio Ltda Interditada Limites de aflotoxinas acima do permitido Polli Brilho Fácil cera líquida vermelha Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Polli Brilho Fácil cera incolor Rayonn Indústria e Comércio Ltda Apreendido Não possui registro Palmito em conseva de Palmeira Real, marca Supreme Indústria e Comércio de Conservas Supreme Ltda Liberado Análise satisfatória Tenoxican (lote nº 10025) Eurofarma Apreendido Identificação errada do medicamento Todos Medflora Extram Apreendidos Não têm registro Todos Gran Indústria Apreendidos Não têm registro ISSN 1518-6377 Lei garante qualidade de mamografias na Paraíba pp.4 e 5 Senado Federal aprova indicação de novos diretores p. 3 Fiscais estaduais e federais interditam farmácia magistral p. 7 www.anvisa.gov.br