UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE O PAPEL DOS PROFESSORES NA INCLUSÃO DE ALUNOS COM SÍNDROME DE DOWN Por: Rosangela Ribeiro de Souza Orientador Profª. Edla Trocoli Rio de Janeiro 2011 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE O PAPEL DOS PROFESSORES NA INCLUSÃO DE ALUNOS COM SÍNDROME DE DOWN Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Educação Inclusiva. Por: Rosangela Ribeiro de Souza Orientadora: Profª Edla Trocoli 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, por ter me proporcionado a oportunidade de ter nascido nessa vida, rodeada de pessoas queridas, e que foram fundamentais para o meu sucesso na minha trajetória acadêmica. 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho ao meu pai Sr. Nilton (com saudades), minha mãe Geni, meus filhos Aline e Fábio, meu namorado Paulo e aos meus irmãos Genilton, Jorge, Edson e Gilson. 5 RESUMO Este trabalho aborda, por intermédio de pesquisa bibliográfica, a inclusão de crianças com Síndrome de Down (SD) no ensino fundamental. Foi elaborada revisão da literatura e pesquisa em artigos publicados entre os anos de 1998 e 2010, de profissionais experientes, professores e pesquisadores Universitários. Diante da necessidade de ampliar o conhecimento a respeito da temática e de conhecer outras experiências relacionadas ao processo de inclusão de crianças portadoras desta síndrome na rede regular de ensino, acerca dos desafios enfrentados por essas crianças e seus familiares, bem como as possíveis experiências que subsidiam o oferecimento de um trabalho de melhor qualidade para esses alunos, é que a autora deste trabalho se sentiu motivada a desenvolver a pesquisa bibliográfica. PALAVRAS-CHAVE: Crianças, Síndrome de Down, Inclusão, Educação, Ensino Fundamental. 6 METODOLOGIA Este trabalho aborda, por intermédio de pesquisa bibliográfica, a inclusão de crianças com Síndrome de Down (SD) no ensino fundamental. Foi elaborada revisão da literatura e pesquisa em artigos publicados entre os anos de 1998 e 2010, por profissionais experientes, professores e pesquisadores Universitários. Para agregar conhecimento, a ciência utiliza-se de métodos, entendendo-se que um método é a maneira ou o caminho para alcançar os objetivos de um estudo. Já o conceito de metodologia deriva do grego méthodos, termo que significa caminho, mais logos, termo que significa conhecimento. Metodologia pode ser definida, então, como o conjunto de “atividades sistemáticas e racionais” utilizados para o desenvolvimento de um método científico (RICHARDSON, 1999, pág.22). Gil (1999, pág.46) “diz que toda pesquisa tende para objetivos específicos e classifica as pesquisas em três níveis: pesquisa exploratória, pesquisa descritiva e pesquisa explicativa. Dentro desta classificação de pesquisa, este estudo ajusta-se melhor ao conceito de pesquisa descritiva, modalidade em que, segundo Gil (1999, pág.43) as pesquisas [...] “são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato”. Portanto, a base deste trabalho é a pesquisa bibliográfica. “A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. (GIL, 1999, pág. 65). 7 INTRODUÇÃO Pretende-se neste trabalho discorrer sobre as dificuldades que ocorrem num processo de inclusão de portadores de SD no ensino regular, apresentando alguns conceitos, estratégias e técnicas que poderão ser facilitadores deste processo, visto que portadores dessa síndrome apresentam diferentes graus de comprometimentos para aprender, que vão de leve a severo. O desenvolvimento de crianças com SD é mais lento, requerendo-se a elaboração currículo adaptado. Tendo essas crianças um perfil de aprendizagem característico deve-se considerar suas necessidades individuais e algumas estratégias que possam ser usadas pelo professor para facilitar o aprendizado. Prevista na Lei de Diretrizes e Bases - LDB (Lei 9394/96) a educação para "educandos com necessidades especiais." se apresenta como um desafio para os profissionais da educação, sobretudo, quando se trata da inclusão desses alunos nas escolas regulares. Desde então, a temática da inclusão vem rendendo diversas polêmicas envolvendo os profissionais, pais e sociedade. Nesse contexto se insere a educação dos portadores da Síndrome de Down. A inclusão bem sucedida é fator importante para que crianças com necessidades educacionais especiais se tornem membros plenos e contribuitivos da comunidade. Para que isso ocorra de forma satisfatória é necessário que haja a consciência de que indivíduos com necessidades especiais apresentam amplas 8 possibilidades de aprendizado, apesar das diferenças relativas àquelas ditas com desenvolvimento “normal”. Também é preciso compreender sobre a importância do professor no processo de ensinar, qualificando-o para lidar com ampla diversidade apresentada por cada um dos alunos. O grande desafio para os profissionais da educação, sobretudo, quando se trata da inclusão de alunos especiais no ensino Fundamental, é a escassez de informações metodológicas e científicas que podem servir como referência para professores e profissionais e ensino. Porém, através de inúmeras pesquisas vem-se aumentando o conhecimento sobre as capacidades de crianças com a Síndrome de Down (SD) e o seu potencial, trazendo maiores possibilidades para que um trabalho de inclusão dos portadores dessa deficiência obtenha maior sucesso. Outro desafio, não menos importante, diz respeito aos diversos ambientes em que interagem todos os envolvidos no processo de aprendizagem. Segundo Voivodic ((2004, pág. 18): “Acreditamos que as dificuldades do aluno com Síndrome de Down não são apenas inerentes à sua condição, mas têm um caráter interativo: dependem das características do aluno, do ambiente familiar e educacional e da proposta educativa a ele oferecida.” Voivodic ((2004, pág. 11) complementa que, após ter conhecido a Teoria de Vygotsky, passou a usá-la no seu dia-a-dia e como resultado as crianças passaram a ser vistas em suas diferenças e não em suas “igualdades”. O aprendizado, dentro de um método e ritmo começou a ser notado e valorizado. 9 O objetivo deste trabalho é o de contribuir com informações literárias que tratam das dificuldades encontradas pelos professores e profissionais de ensino, no que diz respeito à inclusão de crianças com SD no ensino fundamental. Procura identificar os temas pesquisados e auxiliar no trabalho dos profissionais envolvidos para que prestem um cuidado de melhor qualidade a estas crianças e suas famílias. Prover informações fundamentadas em pesquisas teóricas e, em experiências de profissionais que obtiveram êxito na prática de inclusão de crianças com SD na educação de ensino Fundamental. 10 CAPÍTULO 1 - A SÍNDROME DE DOWN E SEUS ASPECTOS Nesse capítulo aborda-se a evolução do conceito de Síndrome de Down e suas principais características, apresentando ainda alguns aspectos dessa Síndrome, que comprometem o desenvolvimento físico e intelectual da criança portadora. O conhecimento sobre o problema que se pretende abordar é fundamental para que possamos definir e delimitar as ações necessárias para seu enfrentamento. Nesse sentido não devemos nos fixar nos conceitos incorporados pelo senso comum, indo além, para buscar os avanços da ciência metodológica no campo que se pretende estudar, conhecimentos estes que, na maioria das vezes, conflitam com aquele do senso comum. A Síndrome de Down é um exemplo marcante desta questão. Os erros conceituais e preconceitos agregados fizeram com que seus portadores fossem vítimas de políticas e ações equivocadas durante séculos. Hoje, felizmente, esta questão está superada. Dispomos de um grande número de estudos e trabalhos que nos permitem ter o conhecimento exato dessa síndrome e de seus aspectos. 1.1 O que é a Síndrome de Down Por muitos anos o portador da Síndrome de Down (SD) era considerado como um retardado, incapaz e em algumas sociedades era tido até como fruto da união de uma mulher com o demônio. Infelizmente, ainda encontramos algumas confusões sobre o conceito de Down, sendo o portador de tal distúrbio, definido como 11 deficiente mental. Porém, a amplitude do conceito de deficiência ou doença mental não abrange as características particulares da SD, apesar deste ser um traço marcante nos portadores deste distúrbio. Segundo (SCHWARTZMAN, 1999, p. 243) “O conceito de deficiência mental apóia, basicamente, em três idéias que tem sido utilizada para definir este termo. É essencial examiná-las do ponto de vista interativo. A primeira diz respeito ao binômio de desenvolvimentoaprendizagem (...) a segunda idéia se refere aos fatores biológicos (...) a última tem a ver com o ambiente físico e social (...) “. Como definiríamos então a Síndrome de Down? Síndrome é o grupo ou agregado de sinais e sintomas associados a uma mesma patologia e que em seu conjunto definem o diagnóstico e o quadro clínico de uma condição médica.Ou seja, síndrome não é doença, é uma condição médica (Wikpédia, 2011). Ressaltamos acima que a SD não é uma doença, e sim uma disfunção genética. O nome deve-se ao médico inglês Langdon Down que descreveu pela primeira vez em 1866 as características de uma criança portadora dessa síndrome. "A Síndrome de Down é decorrente de um erro genético presente desde o momento da concepção ou imediatamente após. As crianças portadoras da síndrome 12 apresentam 47 cromossomos no núcleo de cada célula ao invés dos normais 46 herdados do pai e da mãe sendo 23 de cada um. Os cromossomos contêm a herança genética e o extra localiza-se no par 21. A esta alteração denominamos trissomia simples. Ela decorre de "defeito" em um dos gametas, que formarão o indivíduo. Os gametas deveriam conter um cromossomo apenas e assim a união do gameta materno com o gameta paterno geraria um gameta filho com dois cromossomos, como toda a espécie humana. Assim, todo desenvolvimento e maturação do organismo e inclusive a cognição do indivíduo portador da síndrome sofrem alterações que irão se manifestar em seu desenvolvimento e em seu aspecto físico. A identificação da criança com a síndrome é feita imediatamente após o nascimento, confirmando as probabilidades já sabidas durante a gestação através de exames feitos entre a 8ª e 11ª ou 14ª e 16ª semanas de gravidez. 1.2 Principais características Como a própria definição de “síndrome” sugere, o indivíduo com SD apresenta uma série de características específicas que definem sua condição. Voivodic (Voivodic, 2004, pág.17) enfatiza que a criança com Síndrome de Down tem a deficiência mental como uma de suas características mais constantes, concluindo pela complexidade e importância de sua educação. Diversos estudos apontam que a manifestação de um mesmo distúrbio pode se dar de diferentes formas e graus. Assim, algumas crianças portadoras de SD têm uma conduta agradável, são calmas, dóceis, fáceis de controlar, enquanto outras revelam muita inquietação, agressividade e às vezes têm crises de teimosia. 13 Voivodic (Voivodic, 2004, pág. 42) enfatiza que as crianças com SD apresentam características físicas semelhantes que podem ser notadas em sua aparência desde o nascimento, porém, em relação ao comportamento e padrão de desenvolvimento, o mesmo não se dá. Explica que estes aspectos não dependem exclusivamente dos fatores cromossômicos, mas também e em grande importância, do potencial genético e das influências do meio em que a criança vive. 1.2.1 Características físicas Para os profissionais que vão trabalhar com essas crianças é preciso conhecer muito bem as características físicas para melhor executar o seu trabalho, entre elas podemos destacar: “cardiopatias, prega palmar única, baixa estatura, atresia duodenal, comprimento reduzido do fêmur e úmero, bexiga pequena e dismorfismo da face e ombros. Outras alterações são braquicefalia, fissuras palpebrais, hipoplasia da região mediana da face, diâmetro fronto-occipital reduzido, pescoço curto, língua protusa e hipotônica e distância aumentada entre o primeiro, o segundo dedo dos pés, crânio achatado, mais largo e comprido; narinas normalmente arrebitadas por falta de desenvolvimentos dos ossos nasais; quinto dedo da mão muito curto, curvado para dentro e formado com apenas uma articulação; mãos curtas; ouvido simplificado; lóbulo auricular aderente e coração anormal. De maneira geral e simplificada podemos destacar: Olhos – pálpebras estreitas levemente oblíquas com prega de pele no canto interno chamadas de prega epicântica. Íris – pequenas manchas brancas chamadas de manchas de Brushfield. Cabeça – geralmente menor e a parte posterior levemente achatada. Boca – pequena e muitas vezes se mantém aberta com a língua projetando-se para 14 fora. Mãos – curtas e largas com prega palmar única. Musculatura – de modo geral mais flácida. Orelhas - pequenas e conduto auditivo estreito. Dedos dos pés – geralmente curtos com espaço maior entre o dedão e o segundo dedo. Algumas crianças têm pés chatos. Quanto às alterações fisiológicas observam-se nos primeiros dias de vida uma grande sonolência, dificuldade de despertar, dificuldades de realizar sucção e deglutição, porém estas alterações vão se atenuando ao longo do tempo, à medida que a criança fica mais velha e se torna mais alerta.A criança Down normalmente apresenta grande hipotonia. A hipotonia costuma ir se atenuando à medida que a criança fica mais velha e pode haver algum aumento na ativação muscular através da estimulação tátil.” Essas inúmeras alterações estruturais e funcionais, além de outras que afetam diretamente o sistema nervoso da criança com síndrome de down, determinam algumas de suas características mais marcantes como distúrbios de aprendizagem e desenvolvimento. 1.2 Síndrome de Down - Dificuldades de aprendizagem A aprendizagem, segundo os especialistas no assunto, depende da integração dos fatores de percepção, esquema corporal, orientação tempo-espacial e lateralidade nos processos neurológicos e da harmoniosa evolução de funções especificas como linguagem. Vygotsky não contemplava diferenças de desenvolvimento entre as crianças normais e aquelas que apresentam deficiência mental. Piaget, porém, ao elaborar 15 seu conceito de sujeito epistêmico, que diz respeito às estruturas mentais comuns a todos os seres humanos, que conferem a possibilidade de aprender, que se desenvolvem do início ao fim da vida através da interação com o meio e leva a níveis de saber cada vez mais complexos, estabeleceu a exceção no caso dos indivíduos com algum dano cerebral, não negando entretanto, a possibilidade de aprender por parte destes indivíduos. Voivodic (2004, p. 47), refere-se às pesquisas realizadas pela autora Boneti (1997), nas quais, em estudos realizados com crianças em idade escolar portadores de deficiência mental, constatou-se que essas crianças elaboram esquemas de interpretação de linguagem escrita e passam por conflitos cognitivos semelhantes àqueles identificados por Emília Ferreiro nas crianças ditas normais. Esses conflitos cognitivos devem ser analisados de forma a contemplar as diferenças qualitativas e quantitativas inerentes a cada indivíduo e considerando-se suas condições mentais. De acordo com SCHWARTZMAN (1999, p. 247 apud Voivodic, pág. 43 ), a criança com síndrome de Down mostra um atraso significativo na idade cronológica diferente de idade funcional, desta forma, não devemos esperar uma resposta idêntica à resposta da "normais", que não apresentam alterações de aprendizagem. “[...] Esta deficiência decorre de lesões cerebrais e desajustes funcionais do sistema nervoso.” Voivodic (2004, p. 43) enfatiza que a deficiência mental, definida pela Associação Americana de Desenvolvimento Mental como a condição na qual o cérebro está impedido de atingir seu pleno desenvolvimento, prejudicando a aprendizagem e a integração social do indivíduo, compromete o indivíduo como um todo. 16 Assim também, devemos considerar as diferenças inerentes a cada indivíduo em particular. Da mesma forma que os indivíduos considerados normais apresentam diferenças significativas nos aspectos cognitivos e em seu desenvolvimento, as crianças portadoras de SD são extremamente distintas entre si. Essas diferenças originam-se de vários fatores, sendo de grande importância aqueles relacionados ao meio em que a criança vive e os decorrentes do trabalho educacional desenvolvido ao longo de suas vidas. Segundo SCHWARTZMAN (1999, p. 247) além de outras deficiências que acarretam repercussão sobre o desenvolvimento neurológico da criança com síndrome de Down, podemos citar as dificuldades de decisão e iniciação, na elaboração do pensamento abstrato; no calculo; na seleção e eliminação de determinadas fontes informativas; no bloqueio das funções perceptivas (atenção e percepção); nas funções motoras e alterações da emoção e do afeto. Estas dificuldades ocorrem principalmente por que a imaturidade nervosa e não mielinização das fibras pode dificultar funções mentais como: habilidade para usar conceitos abstratos, memória, percepção geral, habilidades que incluam imaginação, relações espaciais, esquema corporal, habilidade no raciocínio, estocagem do material aprendido e transferência na aprendizagem. As deficiências e debilidades destas funções dificultam principalmente as atividades escolares: Segundo SCHWARTZMAN (1999, p. 246): “O fato de a criança não ter desenvolvido uma habilidade ou demonstrar conduta imatura em determinada idade, comparativamente a outras com idêntica condição genética, não significa 17 impedimento para adquiri-la mais tarde, pois é possível que madure lentamente.” Podemos concluir que a experiência e os estudos realizados apontam para as plenas possibilidades de aprendizagem por parte dos portadores da SD. É preciso, porém, definir os níveis de expectativa em cada caso específico. Também devemos contemplar, além dos aspectos fisiológicos e cognitivos, as experiências que cada aluno traz quando chega à escola. Sua vivência familiar e comunitária no período pré-escolar pode definir formas de ação diferenciadas por parte dos profissionais que estarão responsáveis pela sua formação. É nesse contexto que a educação inclusiva se reveste da maior importância. 18 CAPÍTULO 2 - A EDUCAÇÃO INCLUSIVA PARA CRIANÇAS COM SD A educação inclusiva vem sendo discutida na Brasil há várias décadas. Aqui abordaremos alguns aspectos legais, elencados na ordem cronológica, procurando demonstrar de que forma eles contribuem para a melhoria da qualidade do ensino para as crianças com necessidades especiais. Esta legislação segue os princípios aceitos internacionalmente e promoveu uma mudança de mentalidades e uma necessidade de adaptação do sistema de ensino praticado no país, com a adoção de novas formas de intervenção pedagógica. É consenso entre os estudiosos a grande importância do ensino especializado para crianças portadoras de alguma deficiência mental. Esse processo deve ter início desde o berço, com práticas e posturas adequadas ao bom desenvolvimento físico e intelectual do portador da deficiência. Segundo Voivodic (2004, p. 49), no caso das crianças com SD, essas primeiras experiências podem ficar comprometidas pelo impacto que produz na família a notícia de ter um filho com essa Síndrome.O apoio de profissionais especializados desde essa fase é de vital importância para definir as melhores condições no futuro daquele indivíduo. Esse profissional tem um papel fundamental no preparo da família no trato das vítimas da SD, estimulando ações positivas e definindo diretrizes a serem seguidas. No Brasil, a instituição que aplica essa política de forma bastante efetiva é a APAE (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais). 19 Contudo, quando a criança atinge a idade escolar, a fim de se atingir melhores resultados em seu desenvolvimento, a educação inclusiva se faz essencial. A experiência tem mostrado as diversas dificuldades que devem ser transpostas ao se propor essa forma de educação aos portadores de SD. As maiores dificuldades estão agregadas ao preconceito que se tem em relação a essas crianças especiais, preconceitos esses que já nascem no meio em que a criança nasce, alcançando maior vulto entre os pais de alunos ditos normais nas escolas que adotam o sistema inclusivo. O profissional da educação deve estar atento a esses fatores e bem preparado para lidar com as múltiplas faceta que o problema abrange. 2.1 Aspectos legais e políticas especiais Como já foi citado a educação especial é prevista na LDB (Lei 9394/96 . Antes porém, ela já fazia parte da Legislação Nacional, constando em diversos instrumentos regulamentadores da ação educativa. A Constituição Federal prevê que é dever do Estado a garantia de atendimento educacional especializado aos portadores de deficiências, preferencialmente na rede regular de ensino. (art. 208, caput, III, CF). O artigo estabelece a obrigação do oferecimento da educação especial por parte do Poder Público em suas diversas esferas, apontando ainda na direção da educação inclusiva como política a ser adotada. Quando se preconiza, para o aluno com necessidades especiais, o atendimento educacional especializado preferencialmente na rede regular de ensino, evidencia-se uma clara opção pela política de integração no texto da lei. 20 Não se deve negar a importante contribuição da escola especial para o processo de ensino dos alunos portadores de deficiências. A partir dela foram agregando-se técnicas e ações que produziram uma melhoria significativa na qualidade do ensino especializado. Por outro lado, ela contribuiu para aumentar a discriminação e a segregação, mostrando-se ainda incapaz de formar cidadãos autônomos, capazes de desenvolverem-se por si sós na sociedade. O tempo e a prática mostraram assim a importância da educação inclusiva. Porém, o êxito da integração escolar depende, dentre outros fatores, da eficiência no atendimento. Um avanço neste sentido veio com a Lei de Integração do Deficiente, de 1982, que define que o deficiente deve se integrar no sistema ordinário de educação geral, recebendo os programas de apoio e recursos que necessite. Prevê ainda que a escolarização em centros de educação especial se ministrará só quando resultar impossível a integração no sistema ordinário. Esse direito à educação extrapola o ato da matrícula e busca o desenvolvimento do ser. Assim, em 1990, a Lei de Ordenação Geral do Sistema Educativo (LOGSE) estabelece que o sistema educativo deve dispor dos recursos necessários para que os alunos com necessidades educativas especiais possam alcançar, dentro do sistema, os objetivos estabelecidos com caráter geral para todos os alunos. Esses objetivos são definidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e compreendem para o ensino fundamental que os alunos sejam capazes de: “compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, 21 adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito; • posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas; • conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao país; • conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais; • perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente; • desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania; • conhecer o próprio corpo e dele cuidar, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de 22 vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva; • utilizar as diferentes linguagens — verbal, musical, matemática, gráfica, plástica e corporal — como meio para produzir, expressar e comunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação; • saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos; • questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação.” Neste sentido, os professores têm que estar adequadamente preparados, os centros deve contar com uma adequada organização escolar e com os recursos materiais e físicos necessários para favorecer a aprendizagem de todos os alunos. Além disso, é preciso que as equipes de professores realizem as correspondentes adaptações curriculares necessárias para que as crianças portadoras de necessidades especiais alcancem os fins da educação. Essas adaptações, assim como os currículos regulares, devem ser flexíveis e dinâmicos, adaptando-se à realidade do educando, indo sempre ao encontro dos objetivos propostos. Em 1999, a Lei de Solidariedade da Educação pretende melhorar a qualidade da atenção que recebem os portadores de necessidades educativas especiais. 23 Assim, para que a igualdade de oportunidades de todos os alunos seja um fato, esta lei regula uma série de atuações compensatórias como programas de especialização do professorado ou para a elaboração de materiais adaptados, para assessorar as famílias, para refeições ou transporte, etc. No ano 2002, a Lei Orgânica de Qualidade da Educação (LOCE), estabelece que os alunos com necessidades educativas especiais (ACNEE) que requeiram, em um período de escolarização ou ao longo da mesma, determinados apoios e cuidados educativos específicos,por ter deficiências físicas, psíquicas, sensoriais ou por manifestar graves transtornos da personalidade ou de conduta, terão uma atenção especializada calcadas nos princípios da não discriminação e normalização educativa, com a finalidade de conseguir sua integração. Para atingir esse efeito, as administrações educativas dotarão a estes alunos do apoio preciso do momento de sua escolarização ou da detecção de sua necessidade. Para assegurar a educação especializada inclusiva algumas medidas devem ser tomadas, como: aumento da oferta de serviços de educação especial com equipamentos, equipe qualificada, material didático especializado e espaço físico adequado às necessidades especiais dos deficientes, assim como criação de programas de preparo para o trabalho, estímulo a aprendizagem informal e orientação à família. 2.2 As intervenções pedagógicas junto a criança com Síndrome de Down Como dissemos, a escola especializada representou um avanço na prática de ensino de alunos com necessidades especiais. Com o tempo esse modelo foi sendo questionado em seus aspectos negativos, sobretudo no que diz respeito ao aprofundamento da segregação. Assim, seguiu-se a opção pela escola inclusiva. 24 A estrutura teve que se adaptar e os profissionais tiveram que buscar novas abordagens e técnicas para o melhor desempenho. Surge nesse contexto a “sala de recursos especiais”, ou simplesmente “sala de recursos”, um passo importante para não permitir que os benefícios da escola especializada se perdessem. Porém, o profissional do ensino regular não pode e não deve ficar alheio a esse processo, acreditando que as dificuldades do aluno especial serão todas tratadas na sala de recursos especiais. Ele também deve buscar o aprimoramento profissional que o capacitará a atuar em turmas regulares com a presença de alunos especiais. Esse profissional deve estar atento, por exemplo, ao tipo de interações que ocorrem em sala de aula e no espaço escolar entre os alunos ditos normais e aqueles portadores de necessidades especiais. É preciso compreender que o estudo na mesma escola possibilita a ocorrência de interações de diferentes tipos entre crianças e adolescentes com e sem necessidades especiais. Porém, a simples presença física do aluno com necessidades especiais em uma sala de aula regular não garante o estabelecimento de relações de amizade entre ele e seus colegas de turma (MONTEIRO, 1997) O profissional deve estar atento às múltiplas possibilidades que essa interação proporciona, trazendo benefícios mútuos a todos os envolvidos. Em Santa Catarina, professores da rede estadual de educação identificaram a aquisição de valores como respeito e valorização às diferenças e solidariedade para os alunos como resultado do convívio com colegas com necessidades especiais em escolas regulares (SANTA CATARINA, 2000). 25 Segundo Montoan (1994, apud Voividic, pág. 62) a criança com síndrome de Down tem possibilidades de se desenvolver e executar atividades diárias e até mesmo adquirir formação profissional e no enfoque evolutivo, a linguagem e as atividades como leitura e escrita podem ser desenvolvidas a partir das experiências da própria criança. Assim, considerando a grande influência do ambiente e a competência da criança para as atividades cognitivas, para estimularmos uma criança, temos que torná-la mais competente para resolver as exigências que a vida quer em seu contexto cultural. O portador de síndrome Down possui certa dificuldade de aprendizagem que na grande maioria dos casos são dificuldades generalizadas, que afetam todas as capacidades: linguagem, autonomia, motricidade e integração social. Estas podem se manifestar em maior ou menor grau. Frequentar a escola regular permitirá a criança especial adquirir, progressivamente, conhecimentos, cada vez mais complexos que serão exigidos da sociedade e cujas bases são indispensáveis para a formação de qualquer indivíduo. Recorremos a Piaget, que nos diz que a capacidade de aprender está diretamente relacionada à oportunidade de troca, ou seja, se o conhecimento vem da interação do sujeito com o meio, a escola inclusiva, ao enriquecer essa interação, se transforma num ambiente enriquecedor para o educando. Essa política interativa deve ser pensada desde o princípio para as escolas inclusivas, prevendo posturas e ações já no seu Planejamento Pedagógico. Desta forma consideramos que a escola deve adotar uma proposta curricular, que se baseie na interação sujeito objeto, envolvendo o desenvolvimento desde o começo. E o ensino das crianças especiais deve ocorrer de forma sistemática e organizada, 26 seguindo passos previamente estabelecidos, o ensino não deve ser teórico e metódico e sim deve ocorrer de forma agradável e que desperte interesse na criança. Normalmente o lúdico atrai muito a criança, na primeira infância, e é um recurso muito utilizado, pois permite o desenvolvimento global da criança através da estimulação de diferentes áreas. Um fato determinante para uma boa assistência a crianças especiais é não sobrecarregar demais a sala de recursos especiais para que o professor possa trabalhar bem. E é fundamental também, que o professor indicado esteja preparado, para ser capaz de atender as necessidades de seus alunos e trabalhar em harmonia com o professor da classe regular. Alguns princípios básicos devem ser considerados em relação ao ensino de crianças especiais como as portadoras de síndrome de Down: • As atividades devem ser centradas em coisas concretas, que devem ser manuseadas pelos alunos; • As experiências devem ser adquiridas no ambiente próprio do aluno; • Situações que possam provocar estresse ou venham a ser traumatizantes devem ser evitadas; • A criança deve ser respeitada em todos os aspectos de sua personalidade; • A família da criança deve participar do processo intelectivo. Frente a grande variação das habilidades e dificuldades da síndrome de Down, programas individuais devem ser considerados e nestes enfatiza-se as possibilidades de aprendizagem de cada criança e a motivação necessária para o desenvolvimento destas. Para tanto, o professor deve conhecer as diferenças de aprendizagem de cada criança de forma a organizar seu trabalho e programação didática. 27 O atendimento a criança portadora de síndrome de Down deve ocorrer de forma gradual, pois estas crianças não conseguem absorver grande número de informações. Também não devem ser apresentadas, a criança Down, informações isoladas ou mecânicas, de forma que a aprendizagem deve ocorrer de forma facilitada, através de momentos prazerosos. É importante que o profissional promova o desenvolvimento da aprendizagem nas situações diárias da criança, e a evolução gradativa da aprendizagem deve ser respeitada. Não é adequado pularmos etapas ou exigirmos da criança atividades que ela não possa realizar, pois estas atitudes não trazem benefícios a criança e ainda podem causar lhe estresse. Em crianças com síndrome de Down é comum observarmos evolução desarmônica e movimentos estereotipados. Esta defasagem pode ser compensadas através do planejamento psicomotor bem direcionada, que lhe proporcionam experiências fundamentais para sua adaptação. Ações e políticas essenciais devem estar sempre presente no planejamento da educação aos portadores de crianças com SD. Entre elas destacamos o aumento da oferta de serviços de educação especial com equipamentos; uma equipe qualificada; material didático especializado; espaço físico adequado às necessidades especiais dos deficientes, assim como criação de programas de preparo para o trabalho, estímulo a aprendizagem informal e orientação à família. 28 CAPÍTULO 3 - TÉCNICAS E AÇÕES PROPOSTAS Não pretendemos aqui ensinar as diversas técnicas disponíveis para o trabalho com alunos portadores de Síndrome de Down. A incorporação de tal conhecimento demanda tempo e investimento pessoal, necessários a todos os que pretendem atuar nessa esfera. Porém, algumas práticas e conceitos que nos chegam através de diversos profissionais que atuam e pesquisam a matéria são de grande importância para nosso aprendizado. Genericamente pretende-se aqui apresentar genericamente os princípios que norteiam estas técnicas e apresentar algumas experiências que evoluíram positivamente. Inicialmente, esses profissionais nos chamam a atenção para a questão dos objetivos que se desejam atingir na prática do ensino de portadores de Síndrome de Down. Os objetivos são a base de toda a nossa programação, já que deles vão depender os conteúdos e as atividades que vamos realizar. Esses objetivos irão direcionar a elaboração do currículo adaptado. Pode ser necessário modificar ou eliminar determinados objetivos do currículo, ou incluir outros que consideremos necessários. No caso das crianças com Síndrome de Down, as adaptações curriculares significativas vão ser mais numerosas à medida que avançam no sistema escolar. Se há algo importante nas adaptações curriculares das crianças com Síndrome de Down é a necessidade de decompor os objetivos em objetivos parciais. Precisamos analisar os passos intermediários necessários para alcançar um objetivo final, de maneira que a criança possa adquirir um determinado conteúdo sem lacunas e sem deixar de lado aspectos básicos que não compreenda. 29 Os objetivos têm que ser: Individuais: Nenhuma criança é igual a outra, e uma criança com Síndrome de Down, tampouco. A programação deve ser dirigida a cada aluno em concreto. Prioritários: É preciso estabelecer prioridades, porque nem tudo se pode conseguir. Funcionais: O que para umas crianças é funcional, nem sempre é para todas. Por exemplo, na hora de fazer a pinça digital, alguns meninos com Síndrome de Down mostram mais precisão com os dedos polegares e médios. O professor deve perguntar-se o que é o que se pretende: que a criança seja capaz de agarrar objetos pequenos ou escrever funcionalmente com uma pinça “incorreta”, ou conseguir uma pinça perfeita a custo de que esta seja menos funcional. Ou, por outro lado, o que é mais funcional: que a criança aprenda a comer por si só, que seja mais autônomo e tenha mais habilidades sociais, ou que seja capaz de comunicar-se em inglês. Seqüenciais e estruturados: Devemos escolher aqueles objetivos que são base para futuras aquisições necessárias e dividir os objetivos gerais em objetivos específicos. Avaliáveis, operativos e mensuráveis: Se nos colocarmos como objetivo “que melhore sua atenção”, isso não é operacional já que é muito relativo. É bastante previsível que melhore a atenção de uma criança, mas não sabemos quanto melhorou. Por outro lado, nunca alcançaremos esse objetivo uma vez que sempre é possível melhorá-lo. 30 Aos objetivos específicos, está atrelada a avaliação. Esta, naquelas áreas ou matérias que tenham sido objeto de adaptações curriculares significativas, deve ser feita tomando como referência os objetivos e critérios de avaliação fixados para eles. As qualificações obtidas pelos alunos nas áreas ou matérias objeto de adaptação, se expressam nos mesmos termos e escalas, aos previstos nos correspondentes ordenamentos legais estabelecidos para as diferentes etapas educativas. Mas, além disso, a informação sobre o processo de avaliação que facilite os alunos e suas famílias, deve incluir, além disso, a valoração qualitativa do progresso de cada aluno em relação aos objetivos propostos em sua adaptação curricular. Alguns pontos devem ser considerados quanto à educação do portador da síndrome de Down: • Estruturar seu autoconhecimento • Desenvolver seu campo perceptivo; • Desenvolver a compreensão da realidade; • Desenvolver a capacidade de expressão; • Progredir satisfatoriamente em desenvolvimento físico; • Adquirir hábitos de bom relacionamento; • Trabalhar cooperativamente; • Adquirir destreza com materiais de uso diário; • Atuar em situações do dia a dia; • Adquirir conceitos de forma, quantidade, tamanho espaço tempo e ordem; • Familiarizar-se com recursos da comunidade onde vive; • Conhecer e aplicar regras básicas de segurança física; 31 • Desenvolver interesses, habilidades e destrezas que o oriente em atividades profissionais futuras; • Ler e interpretar textos expressos em frases diretas; • Desenvolver habilidades e adquirir conhecimentos práticos que o levem a descobrir conhecimentos práticos que o levem a descobrir valores que favoreçam seu comportamento no lar, na escola e na comunidade Assim, o professor deve buscar estabelecer em sala de aula as condições propícias para que a criança Down possa interagir com os demais alunos obtendo dessa relação benefícios que o conduzirão ao alcance das metas acima expostas. Também é importante que professor e demais profissionais da escola conheçam a criança e suas expectativas, bem como suas limitações. O desenvolvimento, ampliação e especialização das possibilidades psicomotoras da criança Down permitem que esta realize atividades didáticas simples e assim se inicia o processo de alfabetização, onde acriança não só esta criando, formando conceitos e categorias conceituais para perceber a realidade e ordenar o mundo que a rodeia. Com relação à alfabetização, os especialistas não apontam um método voltado especificamente para as crianças com síndrome de Down, isso porque cada criança requer uma forma de intervenção especifica, a qual se adéqua. É muito difícil para estas crianças desenvolverem habilidades de leitura e escrita, no entanto, este processo será mais facilitado se for permitida a criança vivenciar, interagir e experimentar. Alguns princípios devem nortear a aprendizagem da leitura e escrita: favorecer a realização de atividades relacionadas com leitura e escrita; ajustar a competência da criança ao contexto lingüístico; facilitar o contato com materiais de 32 leitura e escrita. Os alunos com Síndrome de Down são assim diferentes das demais crianças. Essas diferenças abrangem um conjunto de aspectos que devem ser trabalhados especialmente, visando superar os entraves ao seu desenvolvimento. Assim, consideramos os aspectos da percepção, da atenção, da capacidade de memória, da lectoescrita, da psicomotricidade e do raciocínio lógico matemático. A percepção: Os alunos com Síndrome de Down possuem dificuldades a nível perceptivo que afetam a assimilação dos estímulos que recebe. As seguintes orientações didáticas podem facilitar os processos de percepção com o fim de criar um sistema perceptivo válido, para o desenvolvimento dos processos de aprendizagem: a) Mostrar os estímulos utilizando o maior número possível de vias sensoriais. Quer dizer, não nos limitarmos a um só canal, por exemplo, a dar a ordem verbalmente e sim nos apoiando em outros canais, como o visual, mediante imagens ou palavras. b) As atividades devem ser sempre motivadoras, sistemáticas e seqüenciadas. Na hora de seqüenciar uma atividade, é importante seguir a seguinte ordem: primeiro é que a criança manipule livremente o material, especialmente nas primeiras idades; deste modo a aprendizagem é vivencial e parte da experiência do aluno. Em segundo lugar, verbalizaremos a atividade, falaremos do que estamos fazendo, colocamos palavras a nossas ações. Em terceiro lugar, representamos graficamente o que fazemos e colocamos uma etiqueta no conceito. 33 c) É importante verbalizar as atividades que se estão realizando, para fomentar a representação simbólica do que se vai fazendo. A atenção: A dificuldade de concentrar-se, mantendo a atenção é outro fator que dificulta a aprendizagem o portador da SD. Por isso é importante: a) Simplificar o ambiente de trabalho, assim como os materiais, evitando o maior número possível de estímulos que distraem. b) Dar instruções claras e precisas, pouco numerosas, assim como fazê-las acompanhadas de um modelo. c) Começar com tarefas que requeiram pouco tempo de execução, com o fim de que o tempo de atenção necessário seja breve ao princípio para ir pouco a pouco aumentando-o. d) Trocar de atividade freqüentemente, para que a atenção se mantenha ativada para a novidade. e) Felicitar cada logro (sucesso), não só para motivar ao aluno, mas também para que tome consciência do que conseguiu foi graças ao seu esforço. 34 A memória As pessoas com Síndrome de Down possuem dificuldades na memória, tanto a curto, como a longo prazo. Para recordar algo, é necessário adquiri-lo, retê-lo e mais tarde reconhecê-lo ou recordá-lo. Por isso, é importante: a) Trabalhar primeiro as estratégias de reconhecimento, antes mesmo que as específicas de lembrança. Esta recomendação é também aplicável à avaliação, já que se pedirmos que recordem um conceito, freqüentemente não o fará, e não saberemos se não o sabe ou se não o recorda. b) Trabalhar a memória imediata antes que a seqüencial. c) Fomentar a compreensão dos conteúdos mais que a memorização dos mesmos e organizar esta informação, relacionando-a com a que já tem. Trata-se de dar um sentido ao que transmitimos. d) Igual ao que comentávamos na percepção, para melhorar a memória é importante apoiar-se no maior número possível de canais de entrada. Por exemplo, para trabalhar a memória auditiva (a capacidade para recordar uma série de sons) apoiaremo-nos na memória visual, menos afetada. Assim, se acompanharmos os sons emitidos de representações visuais ou móveis o ensino será mais eficaz. A lectoescrita: Os alunos com Síndrome de Down acessam a leitura por meio de métodos globais muito melhor que mediante métodos analíticos. Por isso, é importante adaptar os materiais de leitura a esta metodologia, tratando de conectá-la com o 35 ensino habitual do resto dos alunos. Quanto à escrita, os alunos com Síndrome de Down apresentam grandes dificuldades na hora de escrever, não só em relação à grafia, mas também quanto à expressão escrita e ortografia. Por isso é importante: a) Trabalhar todos os aspectos da escrita, e não limitar a grafia: separação correta de palavras, análise e síntese das idéias, exposição ordenada do pensamento, conhecimento da ortografia. b) Não se limitar à escrita manual, fomentar o uso do computador com o fim de trabalhar a escrita, uma vez que se trabalha a grafomotricidade e a motricidade fina. A psicomotricidade: Dadas as dificuldades para o controle do próprio corpo e para integrar a informação que chega por esta via, é importante desenvolver uma estimulação complementar a este nível, que, além disso, influi decisivamente no desenvolvimento emocional e cognitivo da criança. Assim sendo, é importante: a) Trabalhar o controle motor, a coordenação dos movimentos, a lateralidade, o equilíbrio, a imagem corporal e as relações espaço - temporais. b) Fomentar a expressão corporal. c) Utilizar sempre como ponto de partida a experiência de vida do aluno. 36 d) Aproveitar as sessões de psicomotricidade coletivas para fomentar a integração do aluno no grupo assim como a socialização. e) Trabalhar a psicomotricidade fina. Nesse aspecto, cabe destacar a importância da atividade física para a superação de algumas dificuldades do portador de SD A atividade física pode proporcionar um grande desenvolvimento global que será a base para as demais aquisições. É importante que a criança descubra seu corpo e construir uma imagem corporal que e uma representação mental, perceptiva e sensorial de si mesmo e um esquema corporal que compreende uma representação organizada dos movimentos necessários a execução de uma ação, e a organização das suas funções corporais. O raciocínio lógico-matemático O raciocínio lógico matemático não se limita à aprendizagem das matemáticas ou do cálculo. Os alunos com Síndrome de Down têm dificuldades na compreensão dos conceitos abstratos, a compreensão das relações entre os objetos e a lógica. Por isso, é importante: a) Partir das aprendizagens funcionais e úteis para eles. b) Trabalhar primeiro os conceitos neles mesmos, mediante a manipulação dos materiais e a vivência própria das aprendizagens. c) Trabalhar a orientação espacial d) Trabalhar os diferentes atributos dos objetos: forma, cor, tamanho. e) Desenvolver, mediante a psicomotricidade, as orientações espaciais, temporais e numéricas. 37 Atividades Dentro da programação de sala de aula é possível fazer adaptações curriculares, de caráter individual, selecionando dentre todas só aquelas atividades que sejam mais adequadas para o aluno com Síndrome de Down. Neste sentido, o professor deve fazer um esforço para selecionar, unicamente, as atividades que: • Respondam melhor aos interesses e motivações do aluno em particular. Assim, por exemplo, se soubermos que o nosso aluno gosta de colorir, daremos prioridade às atividades nas quais se requeira este exercício. Cabe destacar que não se trata de limitar os conteúdos, mas sim de escolher, dentre as diferentes atividades com as que podemos trabalhar em uma determinada unidade didática, aquelas que sabemos lhe interessa mais. • Sejam funcionais para o aluno. É possível que uma determinada atividade de desenho não pareça, num primeiro momento, funcional para um aluno e esse não veja sentido unir linhas com um lápis. Mas, se as linhas estiverem dispostas de modo tal que, ao final do percurso, resultar em uma figura, e se, além disso, usamos papel com sua cor favorita, a atividade será funcional para ele: fez um trabalho bonito que levará para a sua casa. Em relação à avaliação, algumas práticas são indicadas quando se tratam de crianças Down. Assim, temos: 1- Nas crianças menores, serão avaliadas as aprendizagens conseguidas mediante a manipulação, aplicação ou uso dos conteúdos trabalhados. 38 2- Serão feitos exames orais, ou serão pedidos trabalhos ou atividades nas qual o aluno demonstre o que conhece. 3- Os alunos com Síndrome de Down têm dificuldades na generalização das aprendizagens, de maneira que não os avaliaremos sempre do mesmo modo nem com os mesmos materiais, já que é possível que tenham aprendido em um determinado contexto, sem capacidade para generalizar para outras situações. 4- Finalmente dizer que é fundamental a avaliação contínua, e não apenas determinar se um aluno sabe ou não sabe pelo que demonstre em um dado momento, tem que ser ao longo de todo o curso. Uma orientação importante é que as escolas que atendam a crianças com Síndrome de Down tenham em seu quadro de pessoal alguns profissionais especializados que vão atuar como facilitadores do processo de aprendizagem desses alunos. Assim recomenda-se professores especialistas em pedagogia terapêutica, os professores especialistas em audição e linguagem, os fisioterapeutas, os orientadores e, em alguns casos, um auxiliar sanitário. Deve-se preocupação também com o espaço físico, que precisa estar adequado às múltiplas limitações apresentadas pelo aluno com SD. Essas adaptações vão desde a supressão de barreiras arquitetônicas até a disposição da sala de aula, dos materiais, da iluminação, do entorno em que está, do ruído exterior, da adaptação das cadeiras e mesas para que o aluno esteja corretamente sentado ou adaptações na tela do computador no caso em que seja necessário, a utilização de óculos ou de aparelhos de surdez. 39 No que diz respeito à comunicação, os especialistas indicam algumas ações importantes, como: a) Apoio visual mediante imagens das ordens dadas verbalmente. b) Escrever no quadro as ordens dadas verbalmente. c) Colocar indicadores visuais claros dos diferentes espaços do centro e da sala de aula. d) Indicar com imagens ou palavras os horários ou a sequência das diferentes atividades a realizar. e) Indicar com palavras ou imagens as diferentes tarefas que se tem que realizar. Por exemplo, saudação ao entrar na classe (da porta), guardo minha bolsa (junto às demais), lavo as mãos antes de comer, etc. Por fim, o espaço educativo não se limita à escola. Sem a participação da família do educando os obstáculos são bem maiores. Por isso, o professor deve estar sempre estimulando essas pessoas à atuarem juntos no processo educativo, mostrando as vantagens dessa participação, bem como deixando claras as consequências do descaso e comodismo. Os pais e familiares do portador da síndrome necessitam de informações sobre a natureza e extensão da excepcionalidade; quanto aos recursos e serviços existentes para a assistência, tratamento e educação, e quanto ao futuro que se reserva ao portador de necessidades especiais. No entanto, a informação puramente intelectual, é notoriamente insuficiente, pois o sentimento das pessoas tem mais peso que os seus intelectos. Portanto, auxiliar os familiares requer prestar informações adequadas que permitam aliviar a ansiedade e diminuir as duvidas. 40 Da mesma forma, os pais dos alunos regulares da escola devem ser assistidos e conscientizados da importância de sua atuação junto aos filhos a fim de que estes possam contribuir no processo que, como já foi salientado, trará benefícios mútuos. 41 CONCLUSÃO As experiências relatadas nesta revisão oferecem um leque de possibilidades para o aprimoramento do processo de inclusão da criança com SD na rede regular de ensino, porém ao se planejar, implementar e avaliar o processo, deve-se levar em conta as especificidades de cada contexto e de cada ser. A inclusão de pessoas com necessidades especiais no sistema regular de ensino é um dos mais importantes desafios vivenciados, principalmente, por educadores. Os estudos sobre as características da interação entre alunos com e sem necessidades especiais possibilitarão realizar ações planejadas para a promoção de relacionamentos afetivos entre pessoas com e sem necessidades especiais e a compreensão de suas repercussões sociais. A ampliação do conhecimento técnico sobre a SD por parte dos professores do ensino fundamental pode facilitar a Interação entre o corpo dicente e docentes portadores de SD. Utilizando-se da conscientização e treinamento sistematizado, coordenado por especialista no assunto, pode ser a base para a implementação da inclusão efetiva de alunos com SD nas escolas públicas ou privadas, dentro do ensino fundamental. Utilizando-se da conscientização e treinamento sistematizado, coordenado por especialista no assunto, pode TSE estabelecer uma a base para a implementação da inclusão efetiva de alunos com SD nas escolas públicas ou privadas, dentro do ensino fundamental. 42 BIBLIOGRAFIA GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5 ed. São Paulo, Atlas,1999. GONÇALVES, F. D. et al. A promoção da saúde na educação infantil. Interface Comunic. Saúde, Educ., v.12, n.24, p.181-192, 2008. REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL-Vol.14 no.3 Marília Sept./Dec. 2008- Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S14142832008000100014& script =sciarttext&tlng=en%5D>. [Acessado em: 23.01.11] RICHARDSON, Roberto Jarry et al. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3. ed. São Paulo:Atlas, 1999. SILVA, Roberta Nascimento Antunes. A educação especial da criança com Síndrome de Down. Pedagogia em Foco. Rio de Janeiro, 2002. Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/spdslx07.htm>[Acessado em: 10.01.11]. SCHWARTZAN, J. S. Síndrome de Down. São Paulo: Mackenzie, 1999. ALVES DE SOUZA, Juliana – Trabalho monográfico apresentado ao Curso de Pedagogia Faculdade de Educação Nova Andralina – FENA – Nova Andralina, MS – 2008 – site: http://juhlyanasouza.Blogspot.com/2010/01/monografiainclusãodoaluno.com.html [Acessado em 02/01/2011.] Voivodic, Maria Antonieta M.A – Inclusão Escolar de Crianças com Síndrome de Down - 2ª edição - Petrópolis, RJ:editora Vozes, 2004 GONÇALVES, F. D. et al. A promoção da saúde na educação infantil. Interface - Comunic. Saúde, Educ., v.12, n.24, p.181-192, 2008 43 Sumário INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 7 CAPÍTULO 1 - A SÍNDROME DE DOWN E SEUS ASPECTOS ................................................ 10 CAPÍTULO 2 - A EDUCAÇÃO INCLUSIVA PARA CRIANÇAS COM SD ................................ 18 CAPÍTULO 3 - TÉCNICAS E AÇÕES PROPOSTAS ................................................................... 28 CONCLUSÃO ..................................................................................................................................... 41 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................ 42