EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: O PERFIL DO PROFESSOR E AS PERCEPÇÕES DOS ALUNOS EM RELAÇÃO À MATEMÁTICA Cláudia B. da Silva Rocha Licencianda em Matemática Universidade Católica de Brasília Orientador: Prof. Cleyton Hércules Gontijo RESUMO Este trabalho teve como objetivo identificar o perfil do professor de Matemática que esta atuando na Educação de Jovens e Adultos segundo a percepção dos alunos e dos próprios professores que participam desta modalidade de ensino. Objetivou-se também identificar as percepções destes alunos em relação à Matemática e à sua relação com o professor desta disciplina. Foram sujeitos dessa pesquisa 02 professores e 94 alunos de uma escola pública, na cidade de Ceilândia, no Distrito Federal. Para a pesquisa de campo utilizou-se de entrevista com os professores e um questionário para os alunos. Os resultados da pesquisa indicam que o sistema de ensino possui falhas, assim como os professores, cuja formação para atuar nesta modalidade de ensino não é adequada. Palavras chaves: Perfil, formação do docente, relação professor e aluno, adultos. 1- INTRODUÇÃO O programa de Educação para Jovens e Adultos é visto, por muitos pesquisadores, como política pública que tem como objetivo a correção do fluxo. Para os alunos que integram este sistema de ensino, indivíduos que não obtiveram escolarização em idade própria, este programa é uma oportunidade para resgatar sua cidadania e redefinir o seu projeto de vida, especialmente por possibilitar melhores posições no mercado de trabalho. Entre os fatores que levam ao retorno aos estudos estão as dificuldades de ingresso no mercado de trabalho e/ou possibilidades de ascensão funcional, as dificuldades para resolver problemas práticos do cotidiano que necessitam de conhecimentos aprofundados em algumas áreas e a superação de preconceitos que marcam as relações sociais em função da desvalorização daqueles que têm baixa escolaridade. Para responder às expectativas dos alunos da Educação de Jovens e Adultos - EJA, a escola que os recebe deve ter professores qualificados para ensinar de um modo diferenciado, porque estes buscam respostas imediatas para suas necessidades, sejam elas para sua atuação no mercado de trabalho, sociais ou afetivas e se ao retornar à sala de aula, depararam-se com uma aula de Matemática que não dá respostas às suas expectativas, levando-os à desmotivação e, consequentemente, à evasão. Vários pesquisadores e pedagogos debatem sobre a atuação do professor de Matemática na EJA, ressaltando que a metodologia utilizada pela maioria dos professores ainda é tradicional e desvinculada da realidade dos alunos. Esta metodologia também deixa de lado a aplicabilidade prática da Matemática e pouco favorece o desenvolvimento do senso crítico dos estudantes, que no caso do EJA são jovens e adultos que retomam os estudos em busca de novas perspectivas, tanto econômicas quanto sociais. Segundo Dal Vesco, O conhecimento matemático escolar só adquire significado se vinculado à realidade existencial dos alunos, visto que o professor deve fornecer instrumental teórico e prático que possibilitem a resolução de problemas desse aluno em sua pratica social (DAL VESCO, 2002, p.97). A partir dessas questões, torna-se necessário avaliar como tem sido a atuação do professor de Matemática. Esta análise será realizada a partir da percepção do próprio professor em relação à sua prática e também a partir da visão do aluno em relação à atuação do professor. Busca-se conhecer se o professor está preparado para ouvir os anseios dos alunos, uma vez que estes últimos possuem uma ampla base de conhecimento adquirido em sua vivência cotidiana e profissional e, na maioria das vezes, têm objetivos, necessidades e concepções diferentes das valorizadas pela escola. Ao mesmo tempo, pretende-se analisar as percepções dos alunos em relação à Matemática. 2- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A educação de jovens e adultos é uma modalidade de ensino destinada às pessoas que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria (BRASIL, 1997). A Legislação brasileira garante a essas pessoas oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as suas características, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. Todavia, passados mais de 10 anos da data em que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº. 9.394, foi sancionada, a efetiva garantia dos direitos educacionais da população de jovens e adultos ainda não foi concretizada. Muitos não têm acesso à escola e, quando têm, a falta de condições adequadas para a aprendizagem impede que permaneçam no ambiente escolar. As diversas dificuldades encontradas na operacionalização desta modalidade têm sido objetos de pesquisa. Ressalta-se que uma das principais dificuldades é a diminuição dos percentuais de analfabetismo existente na população brasileira. Segundo o censo de 2000, a taxa de analfabetismo entre a população brasileira na faixa de 15 ou mais anos era de 13,6% (IBGE, 2001). Além disso, a população brasileira nesta faixa de idade, mesmo aqueles que freqüentaram a escola, não desenvolveram as competências matemáticas de forma adequada. Esse fato ficou evidenciado pelos resultados do teste aplicado pelo Instituto Paulo Montenegro, que criou o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional – INAF, que avalia habilidades em Língua Portuguesa e em Matemática com a população que tem entre 15 e 64 anos. A avaliação realizada pelo INAF considera que a habilidade Matemática é a capacidade de mobilizar conhecimentos associados à quantificação, à ordenação, à orientação e também a capacidade que cada indivíduo tem de resolver operações e representações com que se deparam cotidianamente. Os resultados do teste para avaliar essas habilidades foram classificados em 3 níveis de alfabetismo funcional e também foi definido um patamar abaixo do qual se considerou estar o indivíduo em situação de analfabetismo funcional. Os resultados do teste aplicado na pesquisa do INAF-2004 revelam que 2% da população brasileira na faixa etária avaliada encontram-se em uma situação considerada de “analfabetismo matemático”. Nesta situação estaria aqueles que não demonstraram dominar 2 sequer habilidades matemáticas mais simples, como ler o preço de um produto em um anúncio ou anotar um número de telefone ditado pelo entrevistador. Os dados também indicam que apenas 23% da população jovem e adulta brasileira são capazes de adotar e controlar uma estratégia na resolução de um problema que envolva a execução de uma série de operações. Estas pessoas estão no nível 1. No nível 2 encontram-se 29% dos participantes da pesquisa, os quais apresentam um nível de habilidade matemática bastante elementar: são capazes de ler números de uso freqüente em contextos específicos (preços, horários, números de telefone, instrumentos de medida simples, calendários), mas encontram muita dificuldade em resolver problemas envolvendo cálculos, em identificar relações de proporcionalidade ou em compreender outras representações matemáticas como tabelas ou gráficos. A parte da população que se encontra no nível 3 corresponde a 46% dos entrevistados, que por sua vez já demonstram dominar completamente a leitura dos números naturais, independente da ordem de, são capazes de ler e comparar números decimais que se referem os preços, grandeza contar dinheiro e “fazer” troco. Também são capazes de resolver situações que envolvem operações (de adição, subtração, multiplicação e divisão), mas só aquela em que um único cálculo é necessário. Esse grupo é também capaz de identificar a existência de relações de proporcionalidade direta (entre preço e qualidade de produtos, por exemplo) e de proporcionalidade inversa (como entre o número de prestações e o valor da prestação). Só essa parcela é também capaz de resolver problemas que envolvam cálculo proporcional. É ainda mais preocupante a revelação de que apenas 9% nesse grupo encontram-se os sujeitos que demonstram certa familiaridade com representações gráficas como mapas, tabelas e gráficos. Para o INAF, cabe, pois ao sistema escolar dirigir esforços para enfatizar menos atividades voltadas para “treinar os alunos a fazer contas”, destinando mais tempo para lhes dar oportunidades e recursos para planejar, desenvolver e avaliar soluções para problemas. A fim de modificar esta situação, muitas ações foram tomadas por governos e instituições públicas e privadas, entre elas: Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Ecceja), NEJA-Núcleo de Educação de Jovens e Adultos, NEDEJA-Núcleo de Estudos e Documentação sobre Educação de Jovens e Adultos, NUPEE-Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa, Ensino e Extensão em Educação de Jovem e Adulta, Rede de Apoio a Ação Alfabetizadora do Brasil (RAAAB) é realizado a cada dois anos, o ENEJAEncontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos, o Fórum Mineiro de Educação de Jovens e Adultos, ANPED-Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação. Existem também trabalhos mais aprofundados, de natureza e metodologia investigativa que podem ser encontrados em teses e bases de dados dos programas de pós-graduação em Educação Matemática, como: UNESP, PUC de São Paulo, USP, UFMG, UFRN, UFES. A nível internacional temos: CEDI-Centro Ecumênico de Documentação e Informação, OREALC-Oficina Regional da Educação de Adultos na América Latina, CEAAL-Conselho de Educação de Adultos da América Latina. Os alfabetizadores em Matemática devem estar atentos para o fato de que na medida em que o mundo vai mudando, passando por transformações, ocorrem também mudanças nas 3 prioridades dos alunos da Educação de Jovens e Adultos e com isso estes requererem dos alfabetizadores novas competências. Segundo Freire (1996), a formação dos professores é um momento fundamental para a critica sobre a prática de hoje ou de ontem e que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que se confunda com a prática. Diante disso, o educador deve estar consciente de que sua formação deve ser permanente e sempre voltada para o futuro. 2.1 - Breve Histórico da Educação de Jovens e Adultos A história da Educação de Jovens e Adultos no Brasil está ligada intimamente à história da educação popular em geral, sendo considerada como parte integrante da problemática mais ampla da educação popular. O trabalho de Moura (1992) é considerado um marco nos estudos da educação de jovens e adultos. Neste trabalho, a autora recorre a extensas pesquisas bibliográficas para realizar um panorama geral do que tem sido a educação de jovens e adultos desde a década de setenta até os anos noventa. O livro aborda questões como: os programas desenvolvidos para a Educação de Jovens e Adultos, as metodologias utilizadas, a influência de Paulo Freire na educação, a formação de educadores e a relação entre educadores e educandos. Entre os programas desenvolvidos pelo governo para a Educação de Jovens e Adultos, a autora faz uma análise do Movimento Brasileiro para Alfabetização, que foi um programa de Educação de Adultos criado no período da ditadura militar desenvolvido entre a década de setenta e meados da década de oitenta. Durante este período histórico de fortes disputas ideológicas, o governo fundamentou a educação como um suporte para o crescimento econômico, exigência do sistema capitalista de governo que objetivava a educação tecnicista e a formação de mão de obra como instrumentos para movimentar a economia e favorecer o aumento de capital, segundo a autora, A educação de adultos realizada pelos governos militares foi pensada em particular como instrumento fundamental de colaboração com os mecanismos de desenvolvimento econômico. Por atingir estudantes que são trabalhadores, a oferta do ensino público estava voltada à preparação da mão de obra e ao aumento da produtividade. Era vista ainda, como um mecanismo de suavização das tensões sociais uma vez que tentava adaptar os menos favorecidos ao modelo excludente de desenvolvimento (MOURA p. 13). A partir da afirmação da autora é possível perceber que a educação brasileira, destinada aos adultos, durante este período pode ser duramente criticada, pois a escola tecnicista pouco contribuiu para a formação de cidadãos capazes de pensar criticamente. Em seu trabalho, Moura, também analisa outra vertente da educação brasileira que é a “Educação Popular” que teve entre seus principais pensadores Paulo Freire. A “Educação Popular” propõe, em linhas gerais, uma construção do processo ensino-aprendizagem onde tanto o educador quanto o educando são partes integrantes e ativas nesse processo, pois o 4 professor não só transmite conhecimento, mas adquire e compartilha conhecimentos com seus alunos, levando em consideração suas vivências e bagagens culturais. Para Moura, (1992), enquanto dimensão política, a educação popular está preocupada não com a adaptação do adulto ao modelo de desenvolvimento proposto, mas com o desenvolvimento de sua capacidade crítica, de maneia a se constituir em elemento impulsionador da sua participação na construção dos próprios projetos políticos. Analisando a obra de Moura, é possível perceber as dificuldades encontradas na educação brasileira no que tange o ensino destinado a jovens e adultos, pois, mesmo propostas inovadoras, como a “educação popular”, encontram dificuldades para serem implantadas na prática. Muitos autores defendem que isso ocorre pela pouca valorização que é dada ao oficio do professor, enquanto outros autores defendem que a educação promovida apenas como medida paliativa para resolver o problema do analfabetismo transforma-se em mera política pública assistencialista. O problema da educação destinada a jovens e adultos encontra várias vertentes, pois de certa forma os alunos do atual programa de EJA diferem-se daqueles que cursa o ensino regular em idade própria, principalmente porque são adultos que buscam novas perspectivas e encontram no retorno aos estudos uma forma de alcançar seus objetivos. Muitos estudiosos da Educação de Jovens e Adultos observam que os professores, ao se depararem com os alunos do EJA, têm dificuldades de realizar atividades que englobem as características desses alunos, marcados pela exclusão escolar e acabam utilizando métodos tradicionais e repetitivos. Além disso, estes professores estão, na maioria das vezes, desprovidos de recursos sejam materiais ou técnico-científicos. 2.2 - A Formação do professor para atuar na EJA A formação de professores da EJA tem acirrado os debates acadêmicos em torno da educação destinada a jovens e adultos, alguns pesquisadores do tema propõem que seja aplicada uma nova metodologia na maneira de se ensinar Matemática, por outro lado outros estudiosos acreditam que os baixos rendimentos na EJA se devem ao pouco incentivo e a falta de recursos dados ao professor que atua nesta área. Obras como a de Fonseca (2002), que tem como objetivo propor os educadores matemáticos voltarem sua atenção para a compreensão do sentido da experiência social e pessoal vivenciada por sujeitos marcados pela exclusão escolar, dá destaque à formação de professores de Matemática como educador de jovens e adultos. Para esta autora A formação de professores, Educadores Matemáticos de Jovens e Adultos com certa intimidade com a própria Matemática, com uma generosa e sensível disponibilidade para compartilhar com seus alunos as demandas, as preocupações, os anseios e os sonhos da vida adulta, e com uma consciência atenta e crítica da dimensão política do seu fazer pedagógico, que os habilite a participar da Educação Matemática de 5 seus alunos, e de suas alunas, pessoas jovens e adultas, com a honestidade, o compromisso e o entusiasmo que esta tarefa exige (FONSECA, 2002, p. 61). Segundo Fonseca (2002), para que um professor possa participar na Educação Matemática de Jovens e Adultos, deve ter intimidade com a Matemática, que é mais do que a mera associação de termos a conceitos, para que no momento em que seus alunos utilizarem a Matemática que conhecem, mesmo que não se apresente em seu formato escolarizado, o professor tenha capacidade de criar, estimular e organizar condições para (re) significar esse conhecimento. Ressalta-se que O professor deve conhecer o aluno e isto não depende apenas de ter acesso a uma série de informações sobre os indivíduos, estabelecer médias, modas e desvios. Há que se ter uma atenção cuidadosa com a dinâmica que se estabelece na sala de aula, com as posições assumidas, assumidas pelos sujeitos, com a recorrência e o inusitado das situações. Nesse aspecto, a disciplina e a adequação dos registros do que ocorre em sala de aula adquirem um papel vital, e essa é uma habilidade para a qual as propostas de formação de educadores, em geral, e de educadores matemáticos, em particular devem dar especial atenção. Nesse aspecto, a disciplina e a adequação dos registros do que ocorre em sala de aula adquirem um papel vital (FONSECA, 2002, p.61). Visando a melhoria na Educação Matemática de Jovens e Adultos os registros de dados será bastante significativo, pois os professores podem refletir sobre sua metodologia, consultar as estratégias adotadas pelos alunos na resolução de problemas e com isso formular novas estratégias da Matemática para serem problematizadas ou incentivadas. O professor Newton Duarte defende uma nova metodologia para a alfabetização Matemática de adultos, onde a análise da estrutura lógica do conteúdo a ser estudado deve ser realizada pelo professor, de modo a construir uma seqüência lógico-histórica para o ensino aprendizagem da Matemática, tendo como base a relação dialética entre o lógico e o histórico. Para Duarte, O processo ensino-aprendizagem da matemática elementar pode contribuir para as transformações sociais, à medida que reproduza a essência do processo de conhecimento, e conseqüentemente do processo de humanização. (...) A utilização intencional pelo educador entre o lógico e o histórico é fundamental e decisiva (embora não suficiente) para a elaboração e concretização de uma seqüência de ensino aprendizagem coerente com seus objetivos, na medida em que essa possibilita a seleção daquelas etapas essenciais da evolução histórica do conteúdo matemático, que deverão ser reproduzidas na aprendizagem da lógica desse conteúdo (DUARTE, 1987 P. 185). O que Duarte procura defender é uma educação Matemática desarticulada do método tradicionalista que vê as fórmulas como único meio de alcançar respostas para os problemas apresentados, pois a Matemática não é apenas a disciplina dos números, ela tem uma história de utilização e descobrimentos que foram ocasionadas pelas próprias necessidades dos seres humanos. 6 Assim os professores da EJA têm que estar conscientes de que apesar das dificuldades apresentadas nessa área de ensino, eles trabalharão com pessoas que tem certas dificuldades, mas também possuem conhecimento próprio. Segundo Hernandes (1998, p. 12), Parte do conhecimento prático do professor vem dos cursos de formação, porém os saberes legitimados academicamente, ao não serem legitimados pela pratica docente passa a ter pouca relevância em sua aprendizagem (...). Os professores são agentes que colaboram na formação da imagem do aluno como pessoa, e influenciam de forma direta, ou não, para torná-lo um sujeito aprendiz ao longo da vida. Freire (1987, p. 70) diz que quanto mais se problematiza os educandos, como seres no mundo e com o mundo, tanto mais se sentirão desafiados. Tão mais desafiados, quanto mais obrigados a responder ao desafio. A compreensão resultante tende a tornar-se crescentemente crítica, por isto cada vez mais desalienada. Nesse sentido, o ensino de matemática deve levar à formação do cidadão, uma vez que, a compreensão e a tomada de decisões diante de questões políticas e sociais dependem da leitura crítica e interpretação de informações complexas, muitas vezes contraditórias, que incluem dados estatísticos e índices divulgados pelos meios de comunicação” (BRASIL, 1998, p. 27). De acordo com Scholze (2004, p.13), é preciso incluir na preparação dos professores e no currículo dos cursos: O desenvolvimento de práticas de ensino dos cursos de licenciatura como momentos de conhecimento e pesquisa da realidade educacional e, a partir deles, sua inclusão na discussão teórica na Universidade acompanhando as últimas pesquisas sobre o assunto; as possibilidades de os estágios curriculares serem feitos fora do espaço de sala de aula, de modo que os universitários vivenciem experiências de socialização da leitura em espaços como hospitais, creches, asilos, presídios, permitindo-lhes participação social e experimentação de novos significados para a mediação da leitura como inclusão social e diminuição do sofrimento físico e psíquico daqueles que se encontram em estado de abandono e isolamento. Nessa perspectiva, é visto que a docência não pode estar enraizada somente na transmissão de conteúdos para o aluno. A aprendizagem deve esta voltada para situações concretas dentro do contexto escolar e além dos conhecimentos, sejam trabalhadas atitudes que levam o Adulto a se tornar individuo crítico e ativo na sociedade. 3 - MÉTODO A fim de conhecer o perfil do professor de Matemática atuante na Educação de Jovens e Adultos segundo a percepção dos alunos desta modalidade de ensino, optou-se pela aplicação de um questionário destinado aos alunos. Esse instrumento também buscou conhecer as percepções dos alunos em relação à Matemática. A escolha do questionário como instrumento da pesquisa fundamenta-se teoricamente nos princípios indicados por Laville e Dionne (1999). As autoras enfatizam que, se o objetivo é interrogar indivíduos, nada melhor do que preparar uma série de perguntas sobre o tema a ser pesquisado. A partir da análise do 7 questionário, que se constitui num instrumento exploratório, organizaram-se informações essências para a entrevista que teve como objetivo principal saber dos professores o porquê de trabalhar com adultos, qual sua preparação, quais as deficiências encontradas e o que poderia ser feito para melhorar a Educação de Jovens e Adultos. Foram entrevistados dois professores das respectivas turmas de alunos que responderam ao questionário. 3.1 - Participantes Foram sujeitos desta pesquisa 94 alunos do Ensino Médio, na modalidade Educação de Jovens e Adultos, de uma escola pública do Distrito Federal situada na cidade de Ceilândia. Os alunos tinham idade variando entre 17 e 51 anos, sendo que 59,57% têm idade entre 17 e 28 anos; 26,59% têm idade de 29 a 40 anos e 13,84% têm acima de 40 anos. Em relação ao gênero, 56,38% são do sexo feminino e 43,62% do sexo masculino. 3.2 - Instrumentos Com finalidade de estudar as questões levantadas, o estudo foi conduzido por meio de um questionário com uma série de enunciados fechados, contendo cada um cinco possibilidades de respostas, baseado em uma escala do tipo Likert de 5-pontos. Para estes enunciados havia as seguintes possibilidades de respostas: (1) sempre; (2) muitas vezes; (3) às vezes; (4) poucas vezes e (5) nunca, representando o 1 o pólo mais positivo e o 5 o mais negativo. 3.3 - Procedimentos O questionário foi aplicado em três turmas do segundo ano do Ensino Médio no período noturno, duas destas eram da mesma professora e a outra turma na qual foi aplicado o questionário era conduzida por um professor de contrato “temporário”, ou seja, não efetivo, da rede pública de ensino. Esta atividade foi realizada no primeiro semestre de 2008. 4- RESULTADOS Serão utilizadas duas formas para a apresentação dos resultados. Por meio de uma tabela serão mostrados os resultados relativos à percepção dos alunos quanto à sua relação com o professor e quanto à atuação do professor em sala. Por meio de uma descrição serão mostrados os resultados relativos às percepções dos alunos diante da matemática. Simultaneamente serão mostradas as respostas dos professores colhidas durante as entrevistas. Inicialmente serão apresentados os relativos à percepção dos alunos quanto à sua relação com o professor e quanto à atuação do professor em sala. Os resultados serão mostrados por meio de tabela que apresenta a freqüência relativa dos dados coletados, destacando-se os percentuais de escolha de cada uma das alternativas. 8 02 03 04 05 06 07 08 09 10 Meu professor de matemática mantém uma relação de amizade com os alunos? Meu professor de matemática preocupa-se se o aluno esta entendendo ou não à matéria? Quando meu professor ensina Matemática ele conta como este conteúdo foi desenvolvido ao longo da história? Meu professor tira dúvidas dos alunos, se preciso várias vezes? Meu professor utiliza exemplos do dia-a-dia do aluno para explicar Matemática? Para fixar o conteúdo meu professor passa e corrige lista de exercícios? Meu professor permite que o aluno exponha suas idéias em relação à matéria dada? Meu professor ao ensinar o conteúdo leva em consideração o que o aluno já sabe? A forma como meu professor ensina faz com que eu tenha dificuldades em aprender Matemática? Nunca (%) Quando está ensinando, meu professor transmite amor pela Matemática? Poucas Vezes (%) 01 Ás vezes (%) Proposição Muitas Vezes (%) Nº. Sempre (%) Tabela I: Percepção dos alunos quanto à sua relação com o professor e quanto à atuação do professor em sala 34,04 24,46 28,72 8,51 2,12 56,38 21,27 13,82 6,38 1,06 46,80 34,04 12,76 6,38 0 8,51 13,82 36,17 27,65 13,82 35,01 18,08 32,97 11,70 1,06 20,21 21,27 31,91 12,76 12,76 37,23 24,46 13,82 15,95 8,51 17,02 21,27 19,14 32,97 7,44 7,65 15,8 22,4 39,03 9,12 38,29 24,56 10,63 8,51 15,95 A seguir será mostrada a análise feita nas perguntas abertas do questionário. Foram elaboradas cinco frases incompletas, que deveriam ser completadas pelos alunos a partir dos sentimentos que estes têm em relação à Matemática. As frases são: 1) A Matemática é...; 2) Poderia aprender mais Matemática se...; 3) Minha motivação para fazer Matemática é...; 4) Sinto que a Matemática faz “quebrar a cabeça” quando... ; 5 ) Qual a característica de um bom professor... . Para a apresentação destes resultados, foram construídas categorias de sentimentos/ percepções a partir da semelhança existentes entre as respostas dadas pelos alunos. A primeira frase foi completada por 85 alunos. Os argumentos mais utilizados pelos alunos foram: uma matéria muito difícil que necessita de muito tempo, pensar bastante para poder entendê-la e que se não tiver paciência não conseguira nada (relatada por 28,72% alunos); uma matéria indispensável no nosso dia-a-dia (21,27% alunos); uma área para poucos (17,44% alunos); um bicho de sete cabeças (12,76% alunos); complicada (10,21% alunos). Nove alunos não completaram a esta questão. Os complementos mais freqüentes para a segunda frase foram: o tempo que tenho pra estudar não é o suficiente (21,27% alunos); se eu fosse mais dedicado, talvez aprendesse (23,4% alunos); se o professor explicasse bem e quantas vezes fossem necessárias (18,08% alunos); as aulas fossem mais dinâmicas e interessantes (15,95%). (12,76%) não completaram a esta 9 pergunta. Ressalta-se que alguns complementos não puderam ser categorizados, pois apresentavam muitas variações em seus sentidos. Os sentimentos que os alunos apresentados em relação à Matemática, quando instigados a manifestar a sua motivação em relação a esta disciplina, foram: terminar os estudos (24,46% alunos); arrumar um emprego melhor (29,78% alunos); passar num concurso (13,82% alunos); para aprender cada vez mais (8,51% alunos). 19,14% dos complementos foram bastante variados e 4,25% dos alunos não completaram a esta pergunta. Os complementos da questão de número quatro são: usam-se muitas fórmulas (20,21% alunos); todas as horas (13,82% alunos); o professor não tem força de vontade de ensinar (6,38% alunos); quando há muitos cálculos (23,40% alunos); quando o professor passa muitos exercícios para eu resolver (9,57% alunos). 13,82% dos complementos eram variados e 12,76% não responderam. Na quinta frase ao serem questionados qual seria a característica de um bom professor de Matemática em sua opinião, obtemos um grande número de variações nos complementos dados pelos alunos, sendo que apenas uma das respostas analisadas pode ser categorizada, onde: 27,65% dos questionados ressaltam que um professor para ser bom tem que explicar bem a matéria. 5- DISCUSSÃO A partir da interpretação dos dados inferimos que grande parte das respostas obtidas (56,37%) indica segundo a percepção dos alunos, que estes atribuem à matemática um valor préconstruído ao longo da história de que matemática é para poucos, que matemática é muito difícil e complicada. Esta mistificação que rodeia o ensino da Matemática vêm se arrastando ao longo dos anos, os alunos desde crianças já ouvem este comentário e com isso carregam consigo o estigma de que não é capaz de aprender Matemática. Segundo Damásio (2000:154), Os temores que as pessoas manifestam pela matemática são adquiridos culturalmente, tendo na escola sua principal fonte de disseminação. O temor não é pela Matemática cotidiana. Esta é instigante por fazer parte das atividades das pessoas... O temor é pela matemática que é ensinada na escola. Ela causa um bloqueio muito forte nas pessoas. De fato, se o aluno da Educação de Jovens e Adultos que não tiveram êxito no ensino regular e que retornam a sala de aula para adquirir certo saber que lhe permita a superação de necessidades cotidianas (destacando-se principalmente as geradas pelo tipo de trabalho exercido por ele) ao se depararem com um ensino onde leva-se em conta o saber Matemático do professor e não o do aluno, decorre daí que, se diante da explicação do professor o aluno não entender a matéria ele não vai buscar outro meio para compreendê-la, pois vê no modo do professor explicar a única forma de obter este conhecimento, e por pensar assim o aluno acaba não questionando e muito menos duvidando da explicação do professor,com isso quando não consegue identificar qual o método adequado para a resolução de um problema o aluno sente-se incapaz, pois não sabe seguir outra alternativa de resolução a não ser a ensinada pelo seu professor. 10 Ainda neste contexto, ao analisarmos a Tabela I destacamos que 48,15% dos alunos dizem que poucas vezes ou nunca os professores levam em consideração seus conhecimentos em relação ao conteúdo abordado (item 9 da Tabela I) e ainda, segundo 40,41% dos alunos, as suas opiniões são poucas vezes ou nunca consideradas durante as aulas de Matemática (item 8 da Tabela I). Isso pode ser verificado de acordo com o relato dado por um dos professores entrevistados. O professor tem 30 anos, trabalha na rede pública de ensino do Distrito Federal admitido em caráter temporário, ou seja, não é efetivo. Já concluiu o curso de Economia e Licenciatura em Matemática. Começou a trabalhar com alunos da Educação de Jovens e Adultos no ano de 2007, mas trabalha na área de educação a mais de 10 anos. No que se refere à questão “Como ensinar Matemática a alunos Adultos”, o professor respondeu: “Procuro enfatizar meu ensino matemático voltado para a aplicação de muitos exercícios, pouca teoria e mais exercícios, pois assim consigo abranger vários conteúdos e como o tempo é reduzido, esta é a melhor forma de ensinar, por se tratar de alunos que possuem pouco poder de assimilação”. Considerando a declaração dada pelo professor pressupõe-se que este não prepara suas aulas de acordo com as necessidades de seus alunos e muito menos verifica se o aluno possui conhecimento básico para aprender o conteúdo abordado, mas em contra partida 80,84% assumem que sempre ou muitas vezes quando o aluno não esta entendendo a matéria o professor explica quantas vezes forem necessárias. Esse modo de ensinar, onde os professores transmitem o conhecimento para o aluno e em seguida passa uma série de exercícios parecidos é bastante comum no ensino da Matemática, e pode ser comprovado a partir da análise da preposição de número 7, onde podemos constatar que 61,69% dos alunos confirmam que sempre ou muitas vezes resolvem listas de exercícios passados pelo professor com o objetivo de fixar o conteúdo. Perrenoud, (1999) diz que no campo da educação escolar, praticar mais e mais não é o suficiente é preciso que o aluno seja instigado com confrontos que lhe tragam dificuldades específicas e bem dosado para aprender a superá-las. De acordo com a preposição de número 1, para 58,50% dos alunos participantes desta pesquisa seus professores ao ensinar Matemática, transmitem amor pela disciplina. É claro que para ser um educador e principalmente lidar com Jovens e Adultos é preciso conhecer bem aquilo que vai ensinar ter grande entusiasmo pela Matemática, gostar de ensinar e acima de tudo interessar-se pelos alunos. Santos (apud COELHO s/d) nos coloca que “as posturas dos professores são definidoras das atitudes dos estudantes. O professor através de sua ação pode formar simpatias ou antipatias em relação a determinados conteúdos e isso depende, em grande medida, da sua própria relação com o conteúdo que ensina”. E quando indagados a responderem se o professor faz uso da História da Matemática durante a explicação dos conteúdos abordados, suas respostas foram quase que unânimes, pois 91,47% responderam que apenas às vezes ou nunca os professores contam como o conteúdo abordado foi se desenvolvendo ao longo da história. E de acordo com estes Parâmetros (BRASIL, 1999): “A História da Matemática pode oferecer uma importante contribuição ao processo de ensino e aprendizagem dessa área do conhecimento. Ao revelar a Matemática 11 como uma criação humana, ao mostrar necessidades e preocupações de diferentes culturas, em diferentes momentos históricos, ao estabelecer comparações entre os conceitos e processos matemáticos do passado e do presente, o professor cria condições para que o aluno desenvolva atitudes e valores mais favoráveis diante desse conhecimento” (p. 42). Analisando a categoria motivação para fazer Matemática, é possível dizer que 54,24% atribuem valor demasiado ao término dos estudos e arrumar um emprego melhor. Segundo Damázio (2000:171): “Os membros de uma comunidade têm uma expectativa em relação à Matemática escolar: a expectativa é de que todo o conhecimento escolar se materialize no trabalho”. Com isso, entende-se que o professor deva preparar suas aulas de acordo com as necessidades apresentadas pelos seus alunos, encontrando eco no contexto. A segunda professora a ser entrevistada tem 38 anos é formada em Matemática há 16 anos e trabalha com Jovens e Adultos desde 2007. Esta relata que não foi sua opção trabalhar com Adultos e sim por carência de professores na escola que atua. Afirma que esta modalidade de ensino contém uma clientela bastante dedicada e que isto lhe trouxe muita satisfação para trabalhar com ela. Sabendo das diversidades que iria encontrar ao trabalhar com Adultos esta atualmente fazendo a especialização oferecida pela parceria entre a SEEDF e a Unb. Quando questionada das dificuldades encontradas pelos alunos esta relata que: “Uma das maiores dificuldades dos alunos é acompanhar as abstrações necessárias nos conteúdos matemáticos. Muitos não conseguem esquematizar graficamente nem algebricamente os problemas. Conhecimentos básicos como substituição de valores numéricos em fórmulas algébricas é uma das primeiras barreiras a serem vencidas pelos mais velhos e/ou com mais tempo fora da escola”. Para o primeiro professor os alunos têm dificuldades em Matemática por que não tiveram um bom ensino durante os primeiros anos de escolaridade e com isso não possuem as informações básicas de Matemática. Para os alunos, cerca de 53,18% as dificuldades aparecem quando os professores passam exercícios que necessitam da utilização de fórmulas ou quando tem que fazer vários cálculos para serem resolvidos. Para estes alunos fazer muitos exercícios que dependem de conhecimentos básicos da Matemática fazem com que eles “quebrem a cabeça”. Apesar das dificuldades que os alunos dizem apresentar ao estudar Matemática, cerca de 80,84% e 53,09% afirmam que seus professores sempre ou muitas vezes procuram saber se estão entendendo a matéria dada e que sempre procuram tiras as dúvidas, se preciso for várias vezes. Portanto, para que o professor possa ajudar os alunos nas suas dificuldades é necessário que este conheça o sujeito com quem esta trabalhando, procure saber se os alunos estão entendendo a matéria e principalmente não deixá-los acumulando dúvidas ao longo do semestre. Para D’Ambrósio (2002), o ensino da matemática não deve estar voltado para a transmissão de conteúdos sistemáticos e sim primar pelo desenvolvimento humano, dar-lhes um conhecimento que atenda ás necessidades do individuo e da sociedade. Na proposição de número 10, 62,85% dos alunos afirmam que não aprendem Matemática devido ao método utilizado pelo professor, e ainda, segundo a percepção dos alunos pode-se verificar na preposição de número 6, que 57,43% dos alunos afirmam que às vezes ou nunca 12 os professores passam exemplos do dia a dia para explicar Matemática. Considerando a análise realizada, verifica-se que ao preparar suas aulas o professor não leva em consideração o conhecimento informal que o aluno tem sobre a Matemática, logo o aluno fica desmotivado, pois não consegue perceber como irá utilizar esta Matemática ensinada pelo professor na sua vida. É papel do professor ver a Matemática não apenas como um processo lógico, pois a alfabetização é também um processo social e afetivo. Schumacher (2002) acredita que as experiências que Adultos apresentam na luta pela vida, no trabalho ou na construção de alternativas para intervenção na sociedade poderão ser utilizados tanto para fazer com que o aluno entenda o saber formal historicamente construído quanto para formar um cidadão atuante no mundo do trabalho e na vida em sociedade. Os professores também atribuem às dificuldades que os alunos apresentam devido ao tempo disponível que não é o suficiente para que o aluno recomponha seus pré-requisitos necessários ao acompanhamento dos assuntos estudados e desenvolver novos conhecimentos com qualidade, além da mistura entre jovens com baixa idade e senhores de uma idade avançada, tendo em vista que uns acabam atrasando os outros, os jovens pela infantilidade acabam brincando muito em sala e os senhores acabam tendo dificuldade de assimilação. Nos registros apresentados pelos alunos caracterizarem de como seria um bom professor de Matemática os complementos foram bastante variados, sendo estes: sorrir sempre e simplificar ao máximo, ensinar o aluno gostar de Matemática, dedicar-se mais aos alunos, ouvir os alunos, deve ser calmo e muito paciente, pois nem todos têm um bom desempenho na matéria, ter o dom pela matéria e o amor pelo ensino, compreender as dificuldades dos alunos, seja bem humorado, passe contas menos difíceis, ser comunicativo com os alunos, pois é o que contagia a turma a se empenhar e se capacitar cada vez mais, ser amigo e legal, mas principalmente explicar bem a matéria. No que se diz respeito a ser amigo dos alunos, esta característica é evidenciada pela maioria dos alunos, pois para 77,65% destes consideram mantêm uma relação de amizade com os professores. 6- CONCLUSÃO Diante dos dados obtidos nessa pesquisa, podemos verificar que o perfil do professor atuante nas salas de aula de Educação de Jovens e Adultos é bastante deficiente, pois no que diz respeito aos relatos dados pelos alunos as práticas pedagógicas adotadas pelos professores não estão de acordo com as necessidades especificas dos alunos da EJA. Para Garnica (1992), o professor deve adequar aà proposta pedagógica de acordo com as situações que este encontrar em cada sala de aula, pois cada uma delas possui uma determinada realidade e particularidades próprias. Ao retornar à escola, os adultos vêem um lugar onde eles vão poder vencer na vida, aprender a lidar com as dificuldades que aparecem no seu dia a dia, serem reconhecidos perante a sociedade, ter uma participação no mundo do trabalho, pode-se constatar a partir da análise do questionário aplicado aos alunos que esta não é a escola que ele encontra, pois, para a maioria 13 dos alunos, os professores não levam em consideração a opinião que o aluno tem em relação a certo conteúdo, não se preocupam em saber qual a base que o aluno tem ao iniciar um assunto novo e muito menos trabalhar, observar e ajudar os alunos a superarem seus temores frente da Matemática o que se evidencia é um ensino onde os alunos são apenas espectadores dos saberes matemáticos passados pelos professores. Percebemos também que algumas concepções utilizadas pelo professor são bastante tradicionais, pois, para que o aluno aprenda o conteúdo abordado o professor, acha necessária a aplicação de muitos exercícios, com isso à responsabilidade dos professores ao trabalhar com adultos são maiores do que as com alunos da escola regular que se preparam para a vida, logo o ponto de partida dado pelos professores deve ser diferente dos alunos da escola regular, apesar de ao final os objetivos esperados são os mesmos em ambas as modalidade de ensino, pois ao final do Ensino Médio espera-se que o aluno possa disputar uma posição no mercado de trabalho, participar dos princípios éticos e políticos e praticar a cidadania. Para que isso aconteça, é importante que as escolas que trabalham com Educação de Jovens e adultos passem por algumas reformulações e que principalmente o professor atuante nesta área de ensino tenha uma formação adequada de acordo com as especificidades apresentadas pelos alunos. A partir dessa nova visão abrem-se possibilidades para pensar qual a formação a ser destinada ao professor que atua na Educação de Jovens e Adultos e a quem compete formar este educador. REFERÊNCIAS BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: matemática / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997. COELHO, Rafael Otto. O que leva o aluno a gostar (ou não) da aula de Física? Disponível em: <http://www.cefetrs.tche.br/~coelho/artigo_espec.pdf>. Acesso em: 05/Abr. 2008. DAMAZIO, Ademir. O desenvolvimento de conceitos matemáticos no contexto do processo extrativo de carvão. 200. (teste de Doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. D’ AMBROSIO, U. Matemática ensino e educação: O cotidiano da vida escolar. Temas e Debates, Rio Claro. V.3, n.2,1991. DAL VESCO, Álida Argenta. Alfabetização matemática e as fontes de estresse no estudante. Passo Fundo, Ed.: UPF, 2002. DUARTE, Newton. A Relação entre o lógico e o histórico no Ensino de Matemática. São Carlos, S.P (dissertação de mestrado). FONSECA, M.C.F.R. Educação Matemática de Jovens e Adultos: Especificidades Desafios e Contribuições. 2 ed. Belo Horizonte, Ed.: Autêntica, 2002. FREIRE, Paulo & SHOR, Ira. Medo e Ousadia: “Cotidiano do Professor”. Rio de Janeiro, Ed.: Paz e Terra, 1987. GARNICA, A. V. M. A interpretação e o fazer do professor: a possibilidade do trabalho hermanêutico na Educação Matemática. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática) - Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 1992. HERNANDEZ, F. “A importância de saber como os docentes aprendem” – In: Pátio, Revista pedagógica, ano I, nº. 4, fevereiro/abril, 1998. MOURA. T.M.M. A Prática Pedagógica dos Alfabetizadores de Jovens e Adultos: Contribuições de FREIRE, FERREIRO E VYGOTSKY. Maceió, 2001. PERRENOUD, Philippe. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999. Tradução de Bruno Charles Magne; consultoria, super. e ver.técnica de Maria Carmem Silveira Barbosa. 14 SCHOLZE, Lia. Letramento e desenvolvimento nacional. In: Textos para discussão. Brasília, DF: INEP/MEC, 2004. (Sé SHUMACHER, Viviane Bail. Educação Matemática de Jovens e Adultos: Trabalho e Inclusão. Florianópolis: Insular, 2002 SHUMACHER, Viviane Bail. Educação Matemática de Jovens e Adultos: Trabalho e Inclusão. Florianópolis: Insular, 2002 INAF, Quarto Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional: Avaliação de habilidades Matemáticas. Fonte: http//www.ipm.org.br, acesso: 30/05/2007. 15