2
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO
COMISSÃO EXECUTIVA DO PLANO DA LAVOURA CACAUEIRA
MINISTRO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO
MARCUS VINÍCIUS PRATINI DE MORAIS
DIRETOR DA CEPLAC
HILTON KRUSCHEWSKY DUARTE
SUPERINTENDENTE REGIONAL DA AMAZÔNIA ORIENTAL
ADEMIR CONCEIÇÃO CARVALHO TEIXEIRA
SERVIÇO DE PESQUISA
RAIMUNDO CARLOS MÓIA BARBOSA
SERVIÇO DE EXTENSÃO RURAL
CARLOS EDILSON SILVA DE OLIVEIRA
SEÇÃO DE GERAÇÃO DE TECNOLOGIA
PAULO JÚLIO DA SILVA NETO
SUPERINTENDENTE REGIONAL DA AMAZÔNIA OCIDENTAL
JOÃO VALÉRIO DA SILVA FILHO
SERVIÇO DE PESQUISA
CAIO MÁRCIO VASCONCELOS CORDEIRO DE ALMEIDA
SERVIÇO DE EXTENSÃO RURAL
PAULO GIL GONÇALVES DE MATOS
3
COMISSÃO EXECUTIVA DO PLANO DA LAVOURA
CACAUEIRA
SISTEMA DE PRODUÇÃO
DE CACAU PARA A
AMAZÔNIA BRASILEIRA
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA AMAZÔNIA ORIENTAL
Km 7, Rodovia augusto Montenegro, CEP 66.635-110
Caixa Postal 1801, Belém, Pará, Brasil
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA AMAZÔNIA OCIDENTAL
Av. Jorge Teixeira, nº 85, Bairro Nova Porto Velho,
CEP 78.906-100, Porto Velho, Rondônia, Brasil
2001
4
ORGANIZAÇÃO
Paulo Júlio da Silva Neto - Coordenador
Paulo Gil Gonçalves de Matos
António Carlos de Souza Martins
Acácio de Paula Silva
633.74
S586
Silva Neto, P. J. da et ai
Sistema de produção de cacau para a Amazónia brasileira.
Belém, CEPLAC, 2001.
125p.
ISSN 0102-5511
1. Botânica 2. Agricultura 3. Cacau 4. Vassoura-de-bruxa
I. Matos, Paulo Gil Gonçalves de II. Martins, António Carlos
de Souza III. Silva, Acácio de Paula IV. Título.
5
APRESENTAÇÃO
Nos últimos anos, e particularmente nesta década, o cenário agropecuário brasileiro tem
passado por profundas transformações. Tais mudanças, sinalizam de forma bastante clara para a
seguinte conjuntura: nos dias atuais, não basta simplesmente que o produtor rural disponha de
determinação, força e terra disponível para plantar. A realidade tem demonstrado, que além
desses fatores, é de suma importância que o homem do campo busque e utilize tecnologias que
viabilizem a produção e o acúmulo de riquezas, ou seja, a qualificação e o uso de tecnologias
apropriadas são condições indispensáveis para que o agricultor não só possa produzir com
segurança e competitividade, mas principalmente, lhe possibilite manter a viabilidade económica
de suas ati vidades agropecuárias. Com base nessas considerações e sintonizada com os anseios e
necessidades advindas do meio rural, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira CEPLAC tem a satisfação de oferecer ao público em geral - e em particular aos seus parceiros clientes (produtores), técnicos, empresários, organizações associativistas ligadas à cadeia
produtiva do cacau e aos estudantes de Ciências Agrárias - a publicação revisada do "Sistema de
Produção de Cacau para a Amazônia Brasileira" .
Dessa forma, este trabalho significa mais uma contribuição atualizada e organizada para
difundir o elenco de tecnologias desenvolvidas através dos resultados da pesquisa e
experimentação agrícola, bem como de experiências bem sucedidas de técnicos e produtores.
Almeja-se desse modo, que as informações e recomendações possam reduzir os custos de
implantação e de manutenção de áreas cacaueiras e gerar aumento de produtividade para os
agricultores amazônidas, através da oferta de opções tecnológicas que sejam adaptáveis e
acessíveis aos produtores tornando os sistemas de produção mais rentáveis técnica e
economicamente.
Hilton Kruschewsky Duarte
Diretor Geral – CEPLAC
Ademir Conceição Carvalho Teixeira
Superintendente Regional da Amazónia Oriental
João Valéria da Silva Filho
Superintendente Regional da Amazónia Ocidental
6
AGRADECIMENTOS
O Grupo de Trabalho manifesta seu reconhecimento a todos aqueles que direta ou
indiretamente contribuíram para a realização deste Sistema de Produção:
Aos Srs. Superintendentes, da SUPOR, Dr. Ademir Conceição Carvalho Teixeira e da
SUPOC, Dr. João Valério Silva Filho;
Aos colegas interiorizados e aos agricultores, pela solicitude com que nos acompanharam,
bem como pelas informações que de certa forma enriqueceram este trabalho;
Agradecemos ainda, às seguintes pessoas:
Cleber Novais Bastos, Jailson Rocha Brandão, Alino Zavarise Bis, Francisco das Chagas de
Medeiros Costa, Paulo Herinque Fernandes Santos, Carlos Edilson de Oliveira, Diemerson Corrêa
Barile, Paulo Sérgio Beviláqua de Albuquerque, Aliomar Arapiraca da Silva, Jasson Luiz Pinheiro
Moreira, Caio Márcio Vasconcelos Cordeiro de Almeida, Gláucio César Vieira da Silva, Fernando
António Teixeira Mendes, Ana Maria Duarte Lima, António Hermes Zacchi, Carlos Alberto
Corrêa, Olzeno Trevizan, Suely Paraense Vidal, Renata Teixeira da Silva, Dorival Alves de Aguiar,
Amintas de Oliveira Brandão, António Francisco Neto, José António Monteiro dos Santos, Pedro
Paulo da Costa Mota, Pedro Corrêa do Santos, Admilson Mota de Brito pelas valiosas
contribuições, comentários, críticas e sugestões.
Na oportunidade, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, através das
Superintendências Regionais da Amazónia Oriental e Amazónia Ocidental, e os autores agradecem
o empenho especial do Banco da Amazónia S/A e da Associação de Assistência Técnica de
Extensão Rural de Rondônia-EMATER(RO), pelo patrocínio prestado à edição desta publicação.
7
SUMÁRIO
CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES .......................................................................................................... 8
INTRODUÇÃO................................................................................................................................................ 9
CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA ................................................................................................................... 10
Característica da Planta............................................................................................................................. 10
REGIÕES PRODUTORAS DE CACAU NA AMAZÔNIA ..................................................................... 12
ASPECTOS EDAFOCLIMÁTICOS PARA O CULTIVO ......................................................................... 14
Clima............................................................................................................................................................ 14
Solo............................................................................................................................................................... 15
ESCOLHA E PREPARO DE ÁREA ............................................................................................................ 16
Escolha de área ........................................................................................................................................... 16
Preparo de área .......................................................................................................................................... 16
Balizamento ................................................................................................................................................ 16
FORMAÇÃO DE MUDAS ........................................................................................................................... 17
Construção do Viveiro .............................................................................................................................. 17
Semeadura .................................................................................................................................................. 17
Tratos Culturais no Viveiro ...................................................................................................................... 18
PLANTIO DO SOMBREAMENTO PROVISÓRIO E DEFINITIVO ....................................................... 21
PLANTIO DO CACAUEIRO ....................................................................................................................... 22
MANEJO DE CACAUEIRO NO CAMPO ................................................................................................. 23
Controle de Plantas Daninhas .................................................................................................................. 23
Poda e Desbrota ......................................................................................................................................... 24
Manejo do Sombreamento ........................................................................................................................ 24
Manejo Químico do Solo para o Cacaueiro ............................................................................................ 24
Manejo das Pragas ..................................................................................................................................... 34
Principais Doenças do Cacaueiro e Medidas de Controle ................................................................... 44
Precauções Gerais no Uso de Agrotóxicos ............................................................................................. 50
O CACAUEIRO NOS ECOSSISTEMAS DAS VÁRZEAS DOS ESTADOS DO PARÁ E
AMAZONAS.................................................................................................................................................. 54
BENEFICIAMENTO DO CACAU .............................................................................................................. 57
ARMAZENAMENTO DE CACAU ............................................................................................................ 60
PADRONIZAÇÃO DE AMÊNDOAS DE CACAU .................................................................................. 61
APROVEITAMENTO DE SUBPRODUTOS E RESÍDUOS DO CACAU .............................................. 63
ENFOQUES SOBRE CACAUEIROS EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS .......................................... 67
ÍNDICES TÉCNICOS .................................................................................................................................... 73
CALENDÁRIO AGRÍCOLA PARA O CULTIVO DO CACAUEIRO ................................................... 77
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA................................................................................................................ 79
8
CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
A exploração agropecuária do trópico úmido brasileiro tem se caracterizado como um grande
desafio para todos aqueles diretamente envolvidos na elaboração, estabelecimento e condução de programas
e projetos agrícolas sustentáveis.
A necessidade de que esse ecossistema seja explorado racionalmente pelo homem, implica, não
somente, na colocação em prática de sistemas agrícolas que possam contribuir para o desenvolvimento
económico da região e à consequente melhoria de renda e do nível de vida das populações aí estabelecidas,
mas, principalmente, com o equilíbrio do ecossistema. Em outras palavras, implica a necessidade do
estabelecimento e exploração de atividades que apresentem comprovada relevância económica, bem como,
reais possibilidades de incremento à sustentabilidade ambiental.
Dentro desta perspectiva, não há dúvidas que a cacauicultura tem se mostrado um empreendimento
apropriado e bastante promissor para a região. Isto porque, essa lavoura, pelas suas características
particulares — por possibilitar interessante retorno financeiro, mantenedora do equilíbrio ecológico, fixadora
do homem à terra -. além de se enquadrar perfeitamente às peculiaridades agroecológicas dos trópicos
úmidos, também tem demonstrado ser uma alternativa segura para a melhoria das condições sócioeconômícas de suas populações.
A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira - CEPLAC, no início das suas atividades
junto aos agricultores e comunidades rurais amazônidas, se por um lado, dispunha de informações
relevantes acerca das características, notencialidades e limitações edafoclnnáticas da região. Por outro,
contava com limitado grau de informações e de conhecimentos específicos sobre o comportamento e
possibilidades de desenvolvimento da cacauicultura nessas novas áreas. Como consequência, veio a
conduzir seu programa de expansão da cacauicultura na Região Amazônica, calcada, em grande parte, na
adaptação de resultados e procedimentos oriundos de experimentos de pesquisas produzidos no Estado da
Bahia.
Somente com o passar dos anos é que, paulatinamente, foram sendo produzidos conhecimentos,
bem como, geradas informações mais adaptadas ao comportamento, possibilidades e desempenho dessa
lavoura no âmbito desse novo contexto. Dessas observações e resultados de pesquisa, foram produzidos em
1980 e 1985 os Sistemas de Produção de Cacaueiros para a Amazónia Brasileira. O conteúdo de tais publicações, até
o presente momento, tem se constituído em peças importantes da CEPLAC, principalmente, no que concerne
à orientação e ao trabalho de assistência técnica aos agricultores.
Evidentemente, que daquela época aos dias de hoje, muito já foi observado, estudado e produzido,
não só pêlos setores da pesquisa - inclusive com experimentos concluídos e publicados -, como também por
agricultores. Ou seja, existe sem dúvida, uma gama de resultados e informações de interesse relevante sobre
a exploração racional da cacauicultura em condições amazônicas. Entretanto, a exemplo do que foi feito em
anos anteriores, é preciso que todo esse acervo de conhecimentos seja analisado, discutido e repassado à
clientela demandante do nosso trabalho, que são os agricultores.
Com base nestas considerações, colocamos à disposição dos interessados esta publicação. Neste
trabalho, procuramos revisar a literatura disponível, conversar com técnicos e especialistas que trabalham no
setor de pesquisa, visitar áreas de agricultores, trocar ideias com os mesmos, com os extensionistas das
diversas localidades, na tentativa de atualizar e consolidar o que de mais relevante e de mais aderente à
realidade dos nossos produtores, tem sido produzido sobre a lavoura cacaueira nos trópicos úmidos.
Além deste enfoque relacionado à atualização dos "Sistemas de Produção do Cacaueiro na
Amazónia Brasileira", tendo em vista as novas demandas dos agricultores, também nos preocupamos em
coletar, revisar e analisar informações disponíveis sobre o cultivo do cacaueiro em áreas de várzeas,bem
como, a exploração dessa lavoura associada a outras culturas de reconhecido valor económico.
Sobre estas temáticas, já existem alguns resultados de pesquisa, trabalhos publicados por diversas
Instituições com atividades na área, unidades de observação e experimentos conduzidos por especialistas e
agricultores com resultados surpreendentes.
Com base nestas informações e dados, discorremos sobre alguns arranjos envolvendo cacaueiros
com espécies perenes, semi-perenes e anuais que apresentam características favoráveis ao cultivo
consorciado. Tal iniciativa tem por base oferecer novas possibilidades de exploração aos agricultores, que
permitam, além de oferecer maior equilíbrio ecológico, maiores ganhos económicos por área explorada.
COMISSÃO ORGANIZADORA
9
INTRODUÇÃO
Antonio Carlos de Souza Martins
No Brasil, embora o cacaueiro (Theobroma cacao) se encontrasse vegetando naturalmente
como uma parcela significativa do revestimento florestal amazônico, e já fizesse parte da cultura
indígena desde muito antes da chegada dos colonizadores – principalmente no que concerne ao
aproveitamento da sua polpa para produção de vinho -, as primeiras iniciativas de exploração
econômica do produto na Região Amazônica só começaram a ganhar impulso durante o período
colonial. Os esforços deflagrados pela Coroa Portuguesa com vistas a solucionar deficiências
financeiras irão desencadear uma série de intervenções governamentais, cujo objetivo primordial
consistia em fomentar o cultivo deliberado dessa planta e o conseqüente aproveitamento comercial
da matéria prima proveniente do seu beneficiamento.
Entretanto, não obstante os significativos resultados obtidos e a constituição da
cacauicultura no principal componente da pauta dos produtos vendidos ao exterior pela
Amazônia – especialmente no século compreendido entre os anos de 1730 e 1830, com exportações
anuais de até 100 mil arrobas de amêndoas secas de cacau para o mercado português -, deve ser
ressaltado que o desenvolvimento da lavoura cacaueira no Norte do Brasil sempre se efetivou e se
encaminhou centralizado numa forma rudimentar de exploração. Ou seja, alicerçado no
aproveitamento e beneficiamento de um produto que vegetava e se reproduzia espontaneamente,
sem a menor preocupação com o melhoramento genético das plantações e o conseqüente emprego
de práticas direcionadas ao aprimoramento das características de produção, produtividade,
resistência as pragas, doenças etc. Tratava-se, na verdade, de uma economia efetuada sob regime
eminentemente extrativista e que apresentava uma debilidade latente.
Neste contexto, se de um lado foi uma atividade agrícola surgida como opção econômica
viável – e por muito tempo de importância no quadro das exportações regionais – de outro, a falta
de preocupação das autoridades governamentais quanto à necessidade do estabelecimento de um
programa compromissado com a execução da política cacaueira fundamentada em bases técnicas e
racionais de exploração constituiu-se no fator determinante para que o cultivo dessa planta não se
desenvolvesse de maneira sustentada e permanente na Amazônia.
Assim, com o decorrer do tempo, a fragilidade de uma economia do cacau calcada
primordialmente na exploração extrativa começou a demonstrar sua vulnerabilidade. No início do
século XIX, as plantações ingressaram em fase de decadência irreversível, caracterizada pelo
declínio sistemático e acentuado na quantidade de frutos colhidos e no volume de matéria-prima
produzida, cujos desdobramentos tiveram reflexos significativos no desempenho das exportações.
Tal performance de "débâcle", coligada com alguns acontecimentos desencadeados na
primeira metade deste século foi decisiva a perda de hegemonia da cacauicultura e sua paulatina
substituição pela exploração econômica da borracha proveniente dos seringais da Amazônia. Isto
se deu particularmente graças à descoberta da vulcanização por Goodyear em 1839, que conferiu
maior rentabilidade econômica à exploração da seringueira (Hevea brasiliensis) e com isso tornou a
atividade agrícola de extração do látex muito mais atraente em termos financeiros do que as
demais opções agropecuárias colocadas à disposição dos colonos.
Somente a partir da década de 1960, com o início das atividades da CEPLAC na Região
Amazônica e mais precisamente no decorrer de 1976, com o advento do Plano de Diretrizes para
Expansão da Cacauicultura Nacional (PROCACAU)1, é que essa atividade iria receber um impulso
notável e começar a se constituir em uma atividade econômica explorada de maneira racional e
com orientação técnica qualificada nos Estados amazônicos.
1
Com esse programa - que objetivava a maximização da produção brasileira para elevá-la a um patamar de 700 mil toneladas de amêndoas secas/ano e garantir a
consolidação do Brasil como principal produtor mundial -, o Governo Federal deu início, através da CEPLAC, a implantação de 300 mil hectares de novos
cacaueiros e a renovação de outros 150 mil hectares em plantações decadentes e de baixa produtividade da Bahia e Espírito Santo. Além dessa área, tendo em vista a
impossibilidade das regiões cacauicultoras tradicionais assumirem sozinhas as diretrizes e metas estabelecidas pelos planos de expansão da cacauicultura, a CEPLAC
sincronizou seus objetivos com as ações do Governo Federal de apoio e incentivo à ocupação da Região Amazônica e também direcionou para o norte do país uma
parcela desse programa.
10
No Brasil, o cultivo do cacaueiro encontra-se disseminado por cinco Estados da Federação.
No Estado da Bahia figura como principal produto agrícola, bem como, tem sido durante décadas,
um dos seus mais importantes fatores de desenvolvimento econômico.
Em conformidade com as diretrizes do Ministério da Agricultura e do Abastecimento para
as regiões produtoras do Brasil, a CEPLAC possui um programa de desenvolvimento sustentado
na Amazônia com uma estrutura operacional que contempla, para o leste amazônico, a
Superintendência Regional da Amazônia Oriental (SUPOR), com sede em Belém-PA e responsável
pela coordenação das atividades dos pólos cacaueiros situados nos Estados do Pará e Mato Grosso.
O oeste da região é de responsabilidade da Superintendência Regional da Amazônia Ocidental
(SUPOC), com sede em Porto Velho-RO, e responsável pela coordenação das atividades dos pólos
cacaueiros situados nos Estados de Rondônia e Amazonas.
Desta forma, partindo de uma área inexpressiva em termos de produção de 1.500
toneladas/ano, caracterizada por um estágio incipiente e limitada de conhecimentos tecnológicos,
tanto com relação ao cultivo do cacaueiro, quanto ao beneficiamento do cacau e seus subprodutos.
A CEPLAC atualmente assessora e orienta tecnicamente nos Estados do Pará, Rondônia,
Amazonas e Mato Grosso o plantio de aproximadamente 90 mil hectares de lavouras cacaueiras.
Assiste também a um total de 11.000 estabelecimentos rurais que, juntos, produzem
aproximadamente 60.000 toneladas de amêndoas secas de cacau.
Com base nestas considerações, almeja-se que as informações, experiências e conhecimentos
oriundos da investigação e experimentação com o cultivo do cacaueiro, bem como as percepções e
concepções emanadas dos produtores rurais, contidas neste trabalho, se traduzam não somente em
contribuições relevantes aos sistemas de produção em uso pelos agricultores, mas que contribuam
principalmente para manter a expansão da cacauicultura em bases técnicas e racionais na Região
Amazônica.
CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA
Paulo Júlio da Silva Neto
O cacaueiro é uma planta da família Sterculiaceae, gênero Theobroma. É uma planta
originária do continente Sul Americano, provavelmente das bacias dos rios Amazonas e Orinoco,
onde foi encontrado, em condições naturais, sob o dossel de grandes árvores da floresta tropical.
No início do século XVII, o cacau foi citado pela primeira vez na literatura botânica, por
Charles de L’Écluse que o descreveu com o nome de Cacao fructus, porém, em 1737 foi classificado
por Linneu como Theobroma fructus, para em 1753 ser modificado para Theobroma cacao,
denominação que permanece atualmente.
Característica da Planta
O cacaueiro é uma planta que pode atingir 5 a 8m de altura e 4 a 6m de diâmetro da copa,
quando proveniente de semente. Em conseqüência dos fatores ambientais que influenciam no
crescimento estas dimensões podem ser ultrapassadas.
Quando o cultivo é feito a pleno sol, sua altura pode ser reduzida, entretanto pode alcançar
até 20m em condição de floresta, devido a competição por luz com outras espécies.
O sistema radicular consta de uma raiz pivotante que tem o seu comprimento e forma
variando de acordo com a estrutura, textura e consistência do solo. Em solos profundos com boa
aeração constatou-se um crescimento da raiz pivotante de até 2m. As raízes secundárias estão
localizadas em maior número na parte superior da pivotante e afastam-se desta de 5 a 6 metros.
Estas raízes são responsáveis pela nutrição da planta e geralmente encontram-se de 70 a 90% nos
primeiros 30cm do solo.
11
O caule é ereto, e com a idade aproximada de 2 anos, tem o crescimento da gema terminal
detido a uma altura entre 1,0 e 1,5m, surgindo nessa ocasião a primeira ramificação ou coroa,
composta de 3 a 5 ramos principais, os quais multiplicam-se em outros laterais e secundários.
Nos primeiros anos, o cacaueiro apresenta a casca do tronco lisa. Mais tarde, em
decorrência do permanente desenvolvimento das almofadas florais, a mesma torna-se áspera e
rugosa. As folhas, quando novas, apresentam uma gradação de tonalidades a depender de cultivar
ou clone, do verde pálido mais ou menos rosado ao violeta, de acordo com a quantidade de
pigmentos de antocianina presente. Com o amadurecimento, as folhas perdem sua pigmentação,
tornando-se de cor verde-pálidas, e por fim, verde-escuras, adquirindo rigidez. As folhas são
oblongas, acuminadas e glabas com nervura central proeminente.
O cacaueiro é uma planta caulifloria, as flores surgem em almofadas florais no tronco ou
nos ramos lenhosos, em uma gema desenvolvida no lugar da axila de uma antiga folha. As flores
são hermafroditas e possuem a seguinte constituição: cinco sépalas, cinco pétalas, cinco
estaminóides, cinco estames e um pistilo cujo ovário possui cinco lojas.
Na Região Amazônica o cacaueiro apresenta dois picos de floração: um menor que coincide
com o início do período menos chuvoso e um principal que ocorre no final do período de estiagem
e início do período chuvoso. Anualmente, um cacaueiro adulto pode produzir até mais de 100.000
flores, das quais menos de 5% são fertilizadas, sendo que apenas cerca de 0,1% se transformam em
frutos. As flores não polinizadas caem no período de quarenta e oito horas.
Os botões florais, atingindo o máximo de desenvolvimento, iniciam a abertura à tarde com
a separação das extremidades das sépalas, completando-se na manhã seguinte, nas primeiras
horas. Quando as flores, depois de polinizadas, são realmente fertilizadas, permanecem fixadas no
pedúnculo, desenvolvendo o ovário em futuro fruto.
As flores do cacaueiro apresentam caracteres estruturais que limitam sua polinização quase
que exclusivamente a insetos, apesar de hermafroditas e homógamas. Isto deve-se ao fato do
estigma (feminino) encontrar-se envolvido por um círculo de estaminóides (masculino) e de suas
anteras apresentarem envolvidas por formação recurvadas das pétalas, denominadas de cógula.
Os principais agentes polinizadores do cacaueiro são constituídos por um pequeno grupo de
insetos, da família Ceratopogonidae, gênero Forcipomya. A sincronização entre os períodos de
floração intensa e o período de maior população de adultos Forcipomya é que permitirá o maior ou
menor sucesso no processo reprodutivo do cacaueiro. Por esta razão não é recomendável realizar a
aplicação de agrotóxicos, principalmente de inseticidas, evitando-se assim, prejudicar a
polinização.
O fruto de cacau apresenta um pericarpo carnoso composto de três partes distintas: o
epicarpo que é carnoso e espesso, cujo extrato epidérmico exterior pode estar pigmentado, o
mesocarpo, que é delgado e duro, mais ou menos lignificado, e o endocarpo, que é carnoso,
mais ou menos espesso.
O fruto está sustentado por pedúnculo lenhoso, proveniente do engrossamento do pedicelo
da flor.
Normalmente, os frutos quando jovens apresentam coloração verde, e amarela quando
maduros. Outros são de cor roxa (vermelho-vinho) na fase de desenvolvimento e alaranjado no
período de maturação.
O período compreendido entre a polinização e o amadurecimento do fruto varia de 140 a
205 dias, com uma média de 167 dias.
O índice de frutos (nº de frutos necessários para obter 1 kg de cacau comercial) é em geral,
de 15 a 31 frutos.
A semente de cacau tem a forma que varia de elipsóide a ovóide, com 2 a 3cm de
comprimento é recoberta por uma polpa mucilaginosa de coloração branca, de sabor açucarado e
ácido. O embrião é formado por dois cotilédones, cujas cores podem variar do branco ao violeta.
12
As sementes do cacaueiro são muito sensíveis às mudanças de temperatura e morrem em pouco
tempo, quando sofrem desidratação.
A semente é o principal produto comercializado, após fermentação e secagem, para
fabricação de chocolate, nas diversas formas. Das sementes extrai-se também a manteiga, muito
utilizada na indústria farmacológica e na fabricação de cosméticos. A polpa que envolve as
sementes é rica em açúcares, sendo utilizada na fabricação de geléia, vinho, liquor, vinagre e suco.
Com relação ao ciclo de vida, o cacaueiro apresenta características de perenidade, cujo o
ciclo pode ultrapassar a cem anos, ainda apresentando desenvolvimento vegetativo com potenciais
para boa produtividade.
Na Região Amazônica, em condições naturais, na floresta, existem áreas, principalmente as
de várzea, em que os agricultores que cuidam da lavoura cacaueira já estão na 3ª geração da
família.
REGIÕES PRODUTORAS DE CACAU NA AMAZÔNIA
Antonio Carlos de Souza Martins
Paulo Gil Gonçalves de Matos
João Marivaldo Silva de Sousa
A Amazônia brasileira é uma região possuidora de uma vasta extensão de terras, que
totalizam 488 milhões de hectares. Destas, aproximadamente 32 milhões de hectares são solos com
excelentes características físicas e químicas. No início da década de 70, como diretriz da política de
integração nacional, o governo federal passou a incentivar a expansão da fronteira agrícola para a
região.
Para o estabelecimento dessa estratégia governamental, grandes rodovias foram abertas,
projetos integrados de colonização foram criados, a política de incentivos fiscais facilitou a
expansão do capital aos Estados localizados na região e, por conta dessas iniciativas, houve a
implantação de um novo modelo agropecuário.
Nesta nova perspectiva, o fato do cultivo do cacaueiro apresentar de um lado, significativo
potencial no que diz respeito aos aspectos estratégicos, ecológicos e políticos, e de outro,
reconhecida adaptabilidade a sistemas de multicultivos com outras espécies florestais, se
constituíram em fatores determinantes para a criação, em parte desta área, dos pólos cacaueiros da
Amazônia.
O trabalho de expansão da cacauicultura na Região Amazônica foi efetivado com respaldo
institucional da CEPLAC, Órgão do governo federal subordinado ao Ministério da Agricultura e
do Abastecimento. O modelo agrícola usado está embasado na ação de um único órgão integrando
todas as atividades necessárias ao desenvolvimento técnico e racional da cacauicultura: pesquisa
agrícola, assistência técnica, fomento agrícola e treinamento de mão-de-obra, bem como ao Manejo
Integrado de Sistemas Agroflorestais (SAF), com vistas ao enriquecimento das lavouras de cacau já
existentes ou que venham a ser implantadas, com essências madeireiras florestais e frutíferas
regionais de reconhecido valor econômico.
Atualmente na Amazônia, a região produtora de cacau assistida pela CEPLAC, engloba os
seguintes Estados: Rondônia, Amazonas, Pará e Mato Grosso. Nos Estados de Rondônia e
Amazonas as atividades da CEPLAC são coordenadas e executadas pela Superintendência
Regional da Amazônia Ocidental (SUPOC).
No Estado de Rondônia, a CEPLAC desenvolve suas atividades em um universo de 6.000
produtores rurais, em 31 Municípios, especificados no mapa político-administrativo de Rondônia
(ver mapa nº1). Nesses Municípios estão implantados cerca de 40 mil hectares de cacaueiros, com
produção em torno de 16 mil toneladas/ano, de amêndoas secas de cacau.
13
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
Ariquemes
Theobroma
Machadinho
Cacaulândia
Cujubim
Alto Paraíso
Rio Crespo
Buritis
Campo Novo
Monte Negro
Gov. Jorge Teixeira
Ji-Paraná
Presidente Médice
Urupá
Ouro Preto d'Oeste
Jarú
Nova União
Teixeirópolis
19. Mirante da Serra
20. Alvorada do Oeste
21. Vale do Paraíso
22. Ministro Andreazza
23. Cacoal
24. Rolim de Moura
25. São Filipe
26. Santa Luzia
27. Corumbiara
28. Colorado do Oeste
29. Cerejeiras
30. Pimenteiras
31. Cabixi
Mapa nº1 – Localização dos Municípios assistidos pela CEPLAC/SUPOC no Estado de
Rondônia
No Estado do Amazonas, a CEPLAC atua com 706 famílias, nos seguintes Municípios:
Manaus, Manacapurú, Careiro da Várzea, Itacoatiara, Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã,
Urucurituba, Urucará, Apuí, Manicoré e Novo Aripuanã. Estes 12 Municípios possuem uma área de 5
mil hectares de cacaueiros e produzem mil e quinhentas toneladas de amêndoas secas de cacau/ano.
Torna-se importante salientar que, no Estado do Amazonas, a CEPLAC vem dando ênfase a
exploração de cacauais em várzeas, uma vez que o maciço cacaueiro nesse Estado concentra-se nessas
áreas. Isso se justifica em função dos seguintes aspectos: essas plantações nativas se constituem na
forma tradicional de exploração, tal atividade tem se configurado uma importante fonte de renda para
os produtores ribeirinhos, haja vista o baixo custo de sua exploração e os preços praticados atualmente.
Já no tocante aos Estados do Pará e Mato Grosso, os trabalhos estão ao encargo da
Superintendência Regional da Amazônia Oriental (SUPOR).
No âmbito do Estado do Pará, a atuação da CEPLAC encontra-se direcionada para o
atendimento de agricultores e comunidades rurais estabelecidos em 45 Municípios e 7 pólos
espontâneos localizados nas Mesorregiões Metropolitanas de Belém, Baixo Amazonas, Nordeste, Sudoeste e
Sudeste Paraense, especificadas no mapa político-administrativo do Pará (ver mapa nº2).
Mapa nº2 – Localização dos Municípios
assistidos pela CEPLAC/ SUPOR no Estado
do Pará.
14
Baixo Amazonas – Santarém, Alenquer, Óbidos, Curuá e Monte Alegre.
Sudoeste do Pará – Placas, Rurópolis, Itaituba, Aveiro, Trairão, Pacajá, Anapú, Altamira, Senador
José Porfírio, Vitória do Xingú, Brasil Novo, Medicilândia e Uruará.
Nordeste do Pará – Tomé-Açu, Acará, Mojú, Concórdia do Pará, Cametá, Mocajuba, Oeiras do Pará,
Limoeiro do Ajurú, Garrafão do Norte, Igarapé-Açu, São Francisco do Pará, Terra Alta, Santa
Maria do Pará e São Miguel do Guamá.
Metropolitana de Belém - Benevides, Santa Izabel, Santa Bárbara, Castanhal e Inhangapí.
Sudeste do Pará – Tucumã, São Félix do Xingú, Ourilândia do Norte, Cumaru do Norte, Água Azul,
Novo Repartimento, Itupiranga e Paragominas.
Pólos Espontâneos: Bannach, Eldorado do Carajás, Curinópolis, Parauapebas, Rio Maria, São Geraldo
do Araguaia e Sapucaia.
Nessa área trabalhada existem implantados 50.568,00 hectares de lavouras cacaueiras, um
público de 5.664 agricultores e uma produção de 32.000 toneladas de amêndoas secas de cacau/ano.
Além da cacauicultura, a CEPLAC também desenvolve um trabalho de diversificação agroeconômica
com assessoramento e orientação técnica direcionando as seguintes culturas: coco, cupuaçu, pupunha,
açaí, pimenta-do-reino, banana, café, mandioca, maracujá entre outros.
Com relação ao Estado de Mato Grosso as atividades da CEPLAC se desenvolvem nos
seguintes Municípios: Alta Floresta, Paranaíta, Carlinda, Nova Bandeirante, Novo Mundo,
Apiacá, Terra Nova do Norte e Nova Guarita. O espaço delimitado pel a ação da CEPLAC
engloba uma área de 2.712,0 hectares de lavouras cacaueiras, um público de 284 agricultores
e uma produção de 900 toneladas de amêndoas secas de cacau/ano.
ASPECTOS EDAFOCLIMÁTICOS PARA O CULTIVO
Clima
Ruth Maria Cordeiro Scerne
Para expressarem plenamente seu potencial genético, as plantas necessitam ser cultivadas
sob condições ótimas de solo e de clima, principalmente aos fatores relacionados com o
crescimento e desenvolvimento vegetal.
Na Amazônia, de um modo geral, o clima caracteriza-se pela abundância das chuvas e pela
constância de temperaturas elevadas. O cacaueiro é uma planta típica dos trópicos úmidos, e é
cultivado em regiões onde o clima apresenta variações relativamente pequenas durante o ano,
especialmente em termos de temperatura, radiação solar e comprimento do dia.
Pelo fato da precipitação pluvial, junto com a radiação global, ser o componente mais
importante do clima e de esta apresentar muita variabilidade é que a chuva se constitui um dos
principais fatores de risco para a cacauicultura regional. Por esse motivo é que, para o
estabelecimento de plantios de cacauais economicamente viáveis, deve ser rigorosamente
observado o regime das chuvas, principalmente em relação à sua distribuição ao longo dos meses,
nas áreas onde deverão ser instalados os empreendimentos cacaueiros.
A precipitação ideal para o cacau deve apresentar um total anual acima de 1.250mm, bem
distribuídos em todos os meses, com mínimas mensais de 100mm e ausência de estação seca bem
definida e intensa que apresente meses com menos de 60 mm de chuva.
Por regra geral a quantidade ótima de chuva está entre 1.800 a 2.500mm ao ano. Os
períodos secos com mais de três meses são prejudiciais.
Outro componente climático que deve ser considerado é a velocidade do vento, pois em
localidades com ventos que apresentam velocidade superior a 2,5 m/s, é recomendável a instalação de
quebra ventos, para que seja reduzida a evapotranspiração dos cacaueiros, a queima e queda das
folhas, principalmente as mais novas, que são sensíveis ao movimento do ar. Cacaueiros expostos a
ventos fortes crescem com as copas envassouradas e dificilmente atingem desenvolvimento normal.
15
Solo
Raimundo Carlos Moia Barbosa
O solo deve apresentar uma profundidade mínima de 1 metro e 20 centímetros sendo ideal
em torno de 1 metro e 50 centímetros. Para o desenvolvimento normal do sistema radicular do
cacaueiro, o solo não deve conter concreções lateríticas em sua parte superior, bem como não deve
possuir camadas pedregosas e compactas no seu perfil. Solos com impedimentos físicos dessa
natureza dificultam o desenvolvimento normal do sistema radicular do cacaueiro, provocando
principalmente o atrofiamento da raiz principal (Fig. 1).
Fig.1 – Desenvolvimento do
sistema radicular do
cacaueiro.
A – Sistema radicular prejudicado
por impedimento físico
(camada pedregosa e/ou
piçarra).
B – Sistema radicular com
desenvolvimento normal
quando em solos profundos e
sem impedimento físico.
Deve ser bem drenado e quando apresentar sinais de gleização, mosqueamento ou possuir
lençol freático próximo a superfície, deve ser recuperado através da abertura de canais de
drenagem. Sua textura deve permitir boa capacidade de retenção de água. Solos argilosos e siltosos
são apropriados para regiões com períodos definidos de estiagem, embora possam ocorrer problemas
de encharcamento do solo em períodos intensos de chuva. A textura areno-argilosa é apropriada para
regiões de altas precipitações pluviométricas, mas bem distribuídas durante o ano. Solos leves, com
pouca argila não são recomendados por apresentarem baixa retenção de umidade e permitirem a
lixiviação intensa de nutrientes. A fertilidade é fundamental, considerando-se o alto custo dos
corretivos e fertilizantes. O cacaueiro desenvolve-se, entretanto, em solos com os mais diferentes níveis
de fertilidade, sendo ideal aqueles que apresentam níveis de média a alta fertilidade natural, com pH
na faixa de 6,0 – 6,5, onde ocorre disponibilidade máxima de muitos nutrientes (Fig. 2)
Fig. 2 – Relação entre pH e disponibilidade de
elementos no solo (Malavolta, 1980).
Áreas ocupadas com mata, capoeira, outros cultivos ou até pastagem, podem ser
selecionadas, desde que o clima e o solo apresentem condições desejáveis para a cacauicultura.
16
ESCOLHA E PREPARO DE ÁREA
Paulo Júlio da Silva Neto
Escolha de área
Os critérios de escolha de áreas para o plantio de cacau na Região Amazônica brasileira
devem levar em conta, preferencialmente, o relevo, a fertilidade e a profundidade efetiva dos
solos, além de consulta prévia, em caso de existência, do zoneamento agroecológico de cada
Município ou região, sem deixar de levar em consideração os aspectos climáticos, principalmente a
precipitação pluviométrica.
Preparo de área
Para o preparo de área há que se considerar inicialmente o sistema de implantação a ser
adotado, que por sua vez está condicionado ao tipo de cobertura florística existente e a condição
do produtor para instalar e manter o modelo escolhido. Esses aspectos são de grande importância,
pois, a partir dessas considerações deverá ser tomada uma decisão que terá implicações diretas no
sucesso ou insucesso do empreendimento.
O estabelecimento do cacaual, nas diversas regiões produtoras do mundo, é realizado
basicamente de duas maneiras, após a eliminação parcial da vegetação original ou em seguida ao
desmatamento completo. O primeiro método é conhecido no Brasil, como ―cabruca‖ e o segundo,
como ―derruba total‖.
Têm-se verificado na Região Amazônica que no método de ―cabruca‖ os cacaueiros,
quando comparados com os que crescem e desenvolvem-se em áreas de derruba total, apresentam
diâmetro do caule inferior, na fase de implantação (até 5 anos) e baixa produtividade na fase
produtiva.
Para o plantio do cacaual, a derruba total é o sistema mais utilizado na região e o que tem
mostrado melhores resultados. Consiste na eliminação da vegetação primária ou secundária para
posterior formação dos sombreamentos provisório e definitivo. Este sistema consiste nas seguintes
fases: broca, derruba, queima, balizamento e plantio dos sombreamentos.
Para implementação desse sistema, dependendo do tamanho da área a ser preparada, há
necessidade de autorização prévia para desmatamento expedida pelo Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, conforme legislação vigente.
Em áreas já trabalhadas com cultivo (ex.: pastagens, cana-de-açúcar, cultivos anuais etc.) ou
em áreas alteradas, inicia-se o trabalho a partir do balizamento, após a limpeza de área.
Balizamento
Após o preparo de área inicia-se o balizamento para o cacaueiro. Recomenda-se o
espaçamento de 3,0 x 3,0 metros o que eqüivale a 1.111 plantas/hectare, porém, dependendo das
condições poderá ser utilizado 3,5 x 3,5 metros (816 plantas/hectare); 4,0 x 4,0 metros (625
plantas/hectare) e 2,0 x 2,0 x 4,0 metros (1666 plantas/hectare). As balizas marcam os lugares onde
serão abertas as covas para plantio das mudas de cacau.
O balizamento tem a vantagem do melhor aproveitamento da área, bem como, permite
melhor crescimento e distribuição uniforme da copa dos cacaueiros, permitindo ainda, maior
facilidade na execução das práticas culturais como limpeza de área, combate às pragas e doenças,
adubação e colheita.
17
FORMAÇÃO DE MUDAS
Paulo Gil Gonçalves de Matos
O plantio de cacaueiros é feito a partir de mudas, por fornecerem vantagens como vigor e
uniformidade dos cacaueiros, menor número de falhas nas plantações e provavelmente
antecipação da fase produtiva das plantas.
Os trabalhos de formação da muda de cacau devem ser iniciados durante o plantio dos
sombreamentos provisório e definitivo. Na formação das mudas, três fases são bem distintas:
construção do viveiro, semeadura e tratos culturais.
Construção do Viveiro
Alguns fatores devem ser considerados no sentido de fornecer as condições adequadas ao
bom desenvolvimento das mudas e de reduzir seus custos durante a manutenção e transporte para
o local definitivo.
Tamanho - Varia em função do número de mudas que se pretende formar. Um método
prático para se calcular o tamanho do viveiro é dividir o número de mudas por 30. Assim, se
precisamos preparar 15.000 mudas, temos:
15.000 30= 500. O viveiro deverá medir 500 m2, podendo ser de 20x25 metros.
Localização – Deve-se considerar alguns fatores importantes:
Distância – não deve ficar distante da área do plantio definitivo, pois na época do transplantio o
custo com transporte será menor. Também não deve ficar distante de uma fonte de água, já que durante
o verão será necessário regar as mudas.
Topografia – o local deve ser plano ou levemente inclinado para facilitar a arrumação dos
saquinhos.
Drenagem – deve ser construído em local com solos bem drenados para evitar excesso de
umidade que possa favorecer o aparecimento de doenças.
Penetração de luz – a penetração dos raios solares é fundamental para permitir maior aeração ao
ambiente, diminuindo assim os riscos de doenças. Permite ainda o desenvolvimento mais rápido das
plântulas.
Material – Para construção do viveiro devem ser utilizados
materiais de baixo custo, de preferência encontrados na
propriedade. A altura deve permitir que um homem de estatura
média caminhe normalmente dentro do mesmo. Com esteios de
2,50 metros consegue-se uma boa altura. Os esteios devem ser
dispostos de 3 em 3 metros e a cobertura é feita com palhas de
palmeira estendidas sobre fios de arame. A cobertura deve permitir
50% de entrada de luz e as laterais também devem ser protegidas
contra a ação de ventos e animais.
Fig.3 – Viveiro rústico
Semeadura
Também devem ser considerados alguns fatores de relevada importância, como:
Escolha e preparo do terriço – O terriço pode ser retirado da manta superficial (até 20
centímetros de profundidade) de solos ocupados com mata primária ou secundária. Quando
coletados a maior profundidade, o substrato deve ser misturado na seguinte proporção: utilizar
700 l de terra de subsolo (abaixo de 50 cm) acrescido de 300 l de esterco de galinha + 5,0 kg de
Yoorin Master (P, Ca, Mg, B, Cu, Fe, Mn, Zn e Si) + 2,0 kg de calcário dolomítico + 0,5 kg de cloreto
de potássio.
18
A utilização do subsolo diminui as sementeiras de ervas daninhas, nematóides, fungos e
pragas do solo.
Tamanho dos sacos – A escolha dos sacos está em função do período de permanência das
mudas no viveiro e este período depende das condições do sombreamento provisório, da
disponibilidade de sementes e da precipitação pluviométrica na época do plantio e nos meses
subsequentes.
Quando as mudas, por quaisquer dos motivos acima citados tiverem de permanecer por
maior período no viveiro (cinco a seis meses), devem ser utilizados sacos do tipo padrão (28
centímetros de comprimento por 38 centímetros de circunferência). Se no entanto, a permanência no
viveiro for por um espaço de tempo mais curto (dois a quatro meses), devem ser utilizados sacos
de dimensões menores (28 centímetros de comprimento por 32 centímetros de circunferência).
Enchimento dos sacos e semeio – Os sacos devem ser cheios até uns 3 centímetros da boca,
tendo-se o cuidado de batê-los no chão algumas vezes, para que o terriço não fique muito fofo.
Antes de encher as sacolas, deve-se ter o cuidado de abrir um orifício no fundo para facilitar a
drenagem e evitar que a raiz principal (pivotante) dobre no seu interior. O terriço deve estar livre
de torrões e pedras. Depois de cheios, os sacos devem ser arrumados em faixas de 1 metro de
largura deixando-se ruas também de 1 metro.
Após a quebra dos frutos, deve ser retirada a polpa ou mucilagem que envolve as
sementes. Esta operação é feita misturando-se as sementes com pó de serra seco, esfregando-se em
seguida com as mãos.
O semeio é feito com sementes provenientes de material genético melhorado colocando-se a
semente a 1 centímetro da superfície do terriço, com a parte larga voltada para baixo. Em caso de
dúvida sobre qual a parte mais larga, pode-se colocá-la ―deitada‖. O restante dos 3 centímetros do
saco deve ser preenchido com pó de serra bem curtido. Antes do semeio deve ser feita uma rega
nos sacos para que as sementes encontrem ambiente propício ao início do processo de germinação.
O semeio é feito em época que dê condições para a muda ir para o campo com dois a seis
meses de idade. Como já foi discutido, o transplantio está em função da disponibilidade das
sementes, sombreamento e condições de pluviosidade.
É oportuno ressaltar, que a produção de mudas de cacaueiro e de bananeira, devem estar
de acordo com a Portaria emitida pelas Delegacias Federal de Agricultura de cada Estado da
Região:
2Estado
de Rondônia
do Pará
4Estado de Mato Grosso
3Estado
- Portaria Nº 098, de 19 de Dezembro de 1997
- Portaria Nº 069, de 01 de Julho de 1996
- Portaria Nº 098, de 25 de Setembro de 1998
Tratos Culturais no Viveiro
São os cuidados que devem ser dispensados às mudas até a época do transplantio.
Basicamente consiste na retirada de plantas daninhas, irrigação, adubação, manejo de sombra e
tratos fitossanitários.
a) plantas daninhas – Apesar da proteção exercida pelo pó de serra, periodicamente
ocorre plantas daninhas que competem com as plântulas; tais invasoras devem ser eliminadas
manualmente, e com zelo, para não abalar o sistema radicular da muda.
b) irrigação – Em dias chuvosos não há necessidade de molhar as mudas, entretanto, após
alguns dias de estiagem deve ser feita a irrigação em dias alternados.
2
3
4
Normas Técnicas e Padrões para Produção de Mudas Fiscalizadas no Estado de Rondônia (atualizada pela Portaria nº 026, de 27 de Maio de 1999).
Normas Técnicas e Padrões para a Produção de Mudas Fiscalizadas no Estado do Pará (1997).
Normas Técnicas para a Produção de Mudas Fiscalizadas no Estado de Mato Grosso (1998).
19
c) adubação – Esta prática deve ser realizada somente quando as mudas de cacau
apresentarem deficiência de nitrogênio caracterizada pela coloração verde pálido das folhas velhas
ou de outros nutrientes. Neste caso, recomenda-se pulverizar quinzenalmente uréia a 0,5%
(cinqüenta gramas de uréia em dez litros de água) até que as plantas voltem a mostrar aspecto
normal.
d) manejo de sombra – Para permitir melhor arejamento e penetração de luz no viveiro,
ao iniciar o período chuvoso, deve-se retirar algumas palhas de sua cobertura. O mesmo
procedimento deve ser feito nos dias que antecedem ao transplante, para que as mudas comecem a
se adaptar às futuras condições ambientais.
e) combate às pragas e controle de enfermidades – Durante a fase de viveiro, as plântulas
estão sujeitas ao ataque de pragas e à incidência de doenças. Nos quadros 1 e 2 estão relacionados
às pragas e enfermidades, os danos causados às plantas e os métodos de controle. Tanto no
combate às pragas como no controle de doenças é aconselhável usar máquinas manuais com o
objetivo de não causar danos às plantas jovens.
Quadro 1 – Ocorrência das principais pragas de mudas enviveiradas, danos e medidas de controle.
Enfermidade
Natureza dos
Danos
Ácaro
Mexicano
(Tetranychus
mexicanus)
Aparecimento de
manchas cloróticas
no limbo foliar
Vaquinhas
(Percolaphis
ornata)
(Colaspis spp)
(Taimbezinha
theobroma)
Rendilhamento das Thiodan 20P ou
folhas novas,
30P
manifestam-se nas
(endosulfan)
épocas de
malatol 4%
lançamento.
(malation)
Lagarta
enrola-folha
(Sylepta
prorogata)
Danifica o limbo
das folhas novas
que ficam
rendilhadas de
forma irregular e
enroladas
Inseticida
(Principio
Ativo)
Malatol 50E
(malation)
Me dida s de Co ntr ole
Dosagem
Formulação
e/ou
concentração
Concentrado
emulsionável
0,5%
Pó
-
Dipterex 2,5%
(trichlorfon)
Pó
0,5%
Dipterex 50E
(trichlorfon)
Concentrado
emulsionável
-
Fonte: CEPLAC/CEPEC – Seção de Zoologia
Época de aplicação
e equipamentos
recomendados
Usar pulverizador
manual
Quando observado
algum dano usar
polvilhadeira
manual
Pulverizador
manual
20
Quadro 2 – Ocorrência das principais doenças em viveiros, danos e métodos de controle.
Enfermidade Natureza dos Danos
Antracnose
(Colletotrichum
gloeosporioides)
Queima-dasfolhas
(Phytophthora
spp.)
Fungicida
(Principio
Ativo)
Me dida s de Co ntr ole
Dosagem
Formulação
e/ou
concentração
O patógeno
normalmente ataca
folhas novas
causando lesões
circulares isoladas
no ápice e nas
margens do limbo.
Dithane M-45
(mancozeb)
Pó molhável
Caracteriza-se pelo
aparecimento de
grandes manchas
irregulares nas
folhas.
Cobre Sandoz
(óxido cuproso)
As folhas
apresentam aspecto
de queima.
Em alguns casos, o
coleto das plantas é
lesionado,
ocorrendo a morte
da planta.
Época de aplicação
e equipamentos
recomendados
0,2%
15 a 20 dias após a
germinação das
sementes realizar
pulverizações
quinzenais usando
pulverizador
manual.
Pó molhável
50%
0,3%
Pulverizações
mensais intercaladas
com os tratamentos
para a antracnose.
Funguran
(oxicloreto de
cobre)
Pó molhável
50%
0,3%
Usar pulverizador
manual.
Coprantol
(oxicloreto de
cobre)
F.W. 30%
0,5%
Kauritol
(oxicloreto de
cobre)
Oleosa 35%
0,5%
Cupuran
(hidróxido de
cobre)
Pó molhável
45%
0,3%
Se necessário, usar espalhante adesivo a 0,1% em caso de usar pulverizador motorizado (não recomendado) a
concentração deve ser de 2%.
Obs.: Pode-se usar Preposan (oxicloreto + zineb + maneb) a 0,5% em pulverização, objetivando o controle às
duas enfermidades e, neste caso, basta que se façam pulverizações de 30 dias no período crítico
(condições favoráveis à ocorrência de doenças).
Fonte: CEPLAC/CEPEC – Seção de Fitopatologia
21
PLANTIO DO SOMBREAMENTO PROVISÓRIO E DEFINITIVO
Paulo Gil Gonçalves de Matos
Por suas próprias características, o cultivo do cacaueiro, se constitui naturalmente, num
sistema agroflorestal e trata-se de uma espécie que requer uma associação a outras espécies, cuja
finalidade é a de sombreá-lo tanto durante a fase de implantação (sombra provisória), quanto
durante a fase produtiva (sombra definitiva).
O sombreamento tem como função amenizar os fatores ambientais adversos ao cacaueiro,
em excesso não é desejável por propiciar maior umidade ao ambiente, proporcionando assim,
condições favoráveis à proliferação de doenças. No entanto, a escassez de sombra permite a
incidência direta dos raios solares sobre as copas dos cacaueiros, condicionando as plantas a um
intenso metabolismo, exigindo com isso maior suprimento de água e nutrientes do solo. Se houver
disponibilidade desses elementos ocorrerá intensa emissão de folhas,
fato este desejável, por condicionar à planta um maior crescimento e
produção, mas por outro lado, favorece o aparecimento de surtos de
pragas que em condições normais não atingiriam níveis tão elevados.
A escassez de água e nutrientes, nas quantidades exigidas pelas
plantas, desencadeia transtornos fisiológicos graves, provocando
efeitos depressivos sobre o rendimento das mesmas. Portanto,
aconselha-se o maior cuidado na formação dos sombreamentos. Como
regra, recomenda-se que nos primeiros estádios de desenvolvimento
seja permitida entrada de luz em torno de 25 a 50%. À medida que as
plantas se desenvolvem deve-se aumentar a quantidade de luz para
Fig. 4 – Sombreamento provisório
70% através do desbaste das espécies que foram utilizadas no
sombreamento provisório.
Sombreamento Provisório – Protege as plantas durante a fase de crescimento juvenil
contra os efeitos maléficos do excesso de sol e ventos.
Recomenda-se o plantio de bananeiras das variedades prata, roxa, terra, caipira, FHIA-01,
FHIA-02, FHIA-03, FHIA-20, FHIA-21, PV03-44 e pelipita, por serem mais resistentes às doenças e
insetos. A bananeira é plantada em espaçamento de 3,0 x 3,0 metros, ficando cada cova no centro
do quadrado formado por quatro balizas do cacaueiro. Em áreas cujo relevo permita o emprego de
máquinas agrícolas, a bananeira deve ser plantada na mesma linha do cacaueiro. A bananeira
também deverá ser plantada em espaçamentos de acordo com o utilizado no plantio do cacaueiro.
Deve-se ter o cuidado de selecionar bananais sadios como fonte fornecedora de mudas. Na época
do plantio adicionar na cova das bananeiras 30 gramas de Terracur como tratamento preventivo
contra o moleque da bananeira (Cosmopolites sordidus Germar).
Outras espécies que podem ser utilizadas como sombreamento provisório ou mesmo como
complemento deste são: mandioca, macaxeira, feijão guandu e mamona. Estas espécies são
plantadas a 1,0 x 1,0 metro ou 1,5 x 1,5 metros de modo a não fechar muito a área. A mamona deve
sofrer a ―capação‖ (retirada das flores) permitindo assim maior longevidade vegetativa. O mamão
também pode ser utilizado num espaçamento de 2,5 x 2,5 metros ou 3,0 x 3,0 metros.
O sombreamento provisório deve ser plantado de quatro a seis meses antes do plantio do
cacaueiro, independentemente da existência de pimentais ou maracujazeiros remanescentes. No
caso da área de mamoal, se este ainda apresenta estado vegetativo capaz de permanecer na área
por dois anos ou mais, é dispensável o plantio de outras espécies para o sombreamento provisório.
Sombreamento Definitivo – Proporciona condições ambientais mais estáveis, sem
oscilações bruscas de temperatura e umidade no cacaual.
Recomenda-se o consórcio entre duas ou mais espécies arbóreas, utilizando-se inclusive
plantas nativas, desde que apresentem bom desenvolvimento vegetativo e boa distribuição de
22
copa. Dentre as espécies arbóreas, as recomendadas são as seguintes: mogno (Swietenia macrophylla
King), freijó (Cordia alliodora), bandarra (Schyzolobium amazonicum) e Eritryna spp.
O espaçamento varia em função do diâmetro da copa, utilizado comumente de 18 x 18
metros, 21 x 21 metros e 24 x 24 metros entre plantas e linhas.
As árvores de sombra podem ser plantadas na mesma linha do cacaueiro, permitindo assim
a roçagem mecanizada na fase inicial da plantação. Neste caso é aconselhável utilizar essências
florestais de menor competitividade com o cacaueiro.
O plantio do sombreamento definitivo é feito na mesma época do sombreamento
provisório, exceto o mogno, cujo plantio poderá ser efetuado de 2 a 3 anos após o plantio das
mudas de cacau no campo.
PLANTIO DO CACAUEIRO
Paulo Gil Gonçalves de Matos
Para o plantio das mudas de cacau no local definitivo, dois fatores importantes devem ser
considerados: o sombreamento e a distribuição das chuvas. Se o sombreamento provisório já
estiver formado, o plantio das mudas deve ser feito no início do período chuvoso, com mudas de
dois a seis meses de idade. Em casos excepcionais, as mudas podem ainda ser transplantadas com
uma antecedência de dois meses do início do período seco do ano, preferindo-se neste caso,
plantas de maior idade, ou seja, de quatro a seis meses.
Após a seleção das plantas vigorosas e sadias o plantio do cacaueiro deve ser feito em covas
de 40 x 40 x 40 centímetros removendo-se o saco plástico sem que seja destruído o torrão. A muda
deve ser colocada na cova de modo que o nível superior do torrão fique no mesmo plano da
superfície do solo. Para isso, coloca-se a terra no fundo da cova até que se consiga a altura ideal e
depois se completa com o enchimento dos lados, sempre fazendo ligeira pressão no solo.
Recomenda-se deixar um montículo ao redor do caule e nunca uma depressão (Fig. 5).
Fig. 5 – Plantio de muda no campo
23
MANEJO DE CACAUEIRO NO CAMPO
Paulo Júlio da Silva Neto
Controle de Plantas Daninhas
O controle de plantas daninhas no cacaueiro tem como objetivo reduzir a competição pelos
fatores do ambiente (luz, água, nutrientes etc.) exercida pelas invasoras sobre a cultura do cacau,
bem como facilitar a realização de outras práticas culturais.
Em cacaueiros jovens, a necessidade de controle é indispensável e deverá persistir até que a
plantação de cacau atinja o estádio de ―bate-folha‖. Na etapa inicial as plantas daninhas podem
ser controladas através de métodos de controle associados, os quais envolvem:
Implantação e manejo do sombreamento provisório – quando realizado, oferece efeitos
positivos no controle de invasoras, tendo em vista que a pouca incidência de luz oferece redução
no crescimento, no desenvolvimento e na quantidade de plantas daninhas.
Utilização de cobertura morta – o resto de material vegetal proveniente do raleamento e
debaste do sombreamento provisório, ou de culturas implantadas na propriedade, deverá ser
utilizado como ―mulching‖ ao redor dos cacaueiros, pois tal prática evita a invasão de plantas
daninhas e ajuda a conservar a umidade do solo em épocas de déficit hídrico, além de aumentar o
teor de matéria orgânica e de fornecer nutrientes às plantas na camada superficial do solo.
Culturas intercalares – o sistema intercalar que é caracterizado pelo plantio de outras culturas
de ciclo curto, nas entrelinhas dos cacaueiros, quando realizado de modo racional, considerando com
cuidado a cultura intercalar a ser usada, poderá contribuir para reduzir os custos de implantação, além
de proporcionar uma renda líquida imediata ao cacauicultor, com melhor uso da terra. Na Região da
Transamazônica é comum os produtores realizarem após o preparo da área, o plantio do milho e em
seguida o feijão nas entrelinhas no primeiro ano de cultivo do cacau.
Roçagem manual – deve ser realizada de modo a evitar que as plantas daninhas produzam
sementes para reinfestar a área.
Emprego de herbicidas – o controle de plantas daninhas através do uso de herbicidas,
promove efeito mais prolongado no controle e também na reinfestação do mato. Para se realizar a
aplicação dos herbicidas, as plantas daninhas deverão estar a uma altura de, aproximadamente,
30cm do solo. Os herbicidas que estão registrados para serem utilizados na cultura do cacau, desde
que observadas as instruções técnicas, eficiência e as precauções na aplicação, são os seguintes:
Quadro 3 – Herbicidas registrados para utilização na cultura do cacau.
Nome comum
atrazine
glyphosate
ghyphosate + simazin
diuron + MSMA
diuron + paraquat
diuron
linuron
paraquat
simazine
Nome comercial
Atrazinax 500, Gesaprim 500, Herbitrim 500
Br e Siptran 500 SC
Roundup, Glifosato Nortox, Glion e Trop
Rodeo
Direct
Tropazin
Fortex FW
Gramocil
Diuron Nortox e Karmex 800
Cention SC, Diuron 500 SC, Herburon 500 BR
e Karmex 500 SC
Afalon 500 BR e
Linurex
Gramoxone 200
Sipazina 800 PM
Gesatop 500 FW, Herbazin 500 BR e
Sipazina 500 BR
Convenções:
SA – Solução Aquosa; SC – Suspensão Concentrada;
PM – Pó Molhável; GRDA – Grânulos Dispersíveis em Água.
Formulação
Doses (l ou kg/ha) do
produto comercial
SC, 500 g/l
3,0 – 6,0
SC, 360 g/l
SA 480 g/l
GRDA, 720 g/kg
SC, 115 + 480 g/l
SC, 140 + 360 g/l
SC, 100 + 200 g/l
PM, 800 g/kg
2,0 – 5,0
5,0 – 7,0
0,5 – 3,5
3,0 – 6,0
8,0
2,0 – 3,0
1,0 – 4,0
SC, 500 g/l
2,0 – 5,0
PM, 500 g/kg
SA, 200 g/l
PM 800 g/kg
1,5 – 6,0
1,5 – 4,0
2,5 – 5,0
SC, 500 g/kg
4,0 – 8,0
24
Em cacaueiros safreiros, o controle de plantas daninhas é realizado somente nos locais onde
há penetração de luz, em decorrência de falhas e/ou má formação de cacaueiros. Nestes locais, as
plantas daninhas crescem e desenvolvem-se e o controle deverá ser realizado através de roçagens
e/ou aplicação de herbicidas. Em época oportuna, realizar o replantio nas falhas com cacaueiro,
bananeira, espécies arbóreas ou frutíferas.
Poda e Desbrota
Paulo Júlio da Silva Neto
A poda de formação em cacaueiros jovens deve ser evitada devido aos seus efeitos danosos
na planta e conseqüente aumento de lançamentos de brotos e chupões. Entretanto,
aproximadamente 96% dos frutos produzidos em cacaueiros safreiros estão de 3,5m para baixo.
Assim, surge a necessidade de se controlar a altura do cacaueiro desde a sua formação,
eliminando-se ramas que possuem crescimento vertical, principalmente, as ramas chupadeiras,
que são vigorosas, semelhantes aos chupões, de coloração marrom brilhante, e tendem, quando
desenvolvidos, possuir uma forma achatada, atrofiando as ramas vizinhas e deformando a
arquitetura inicial das plantas. Esta prática inicial contribuirá futuramente para redução dos custos
de controle cultural da vassoura-de-bruxa (Crinipellis perniciosa).
Em cacaueiros safreiros é desejável realizar a poda fitossanitária que consiste na retirada
de ramos enfermos, sombreados, mal formados, de frutos secos e doentes. A desbrota ou retirada
dos ―chupões‖ deve ser realizada sempre que necessário, durante todo o ano.
Manejo do Sombreamento
Paulo Júlio da Silva Neto
As touceiras de bananeiras devem ser evitadas, mantendo-se no máximo três bananeiras
por cova, e as folhas secas também devem ser retiradas. Ao iniciar-se o período chuvoso, que
ocorre após aproximadamente 10 a 12 meses após o plantio, eliminar filas alternadas de bananeiras
na orientação norte-sul, observando o espaçamento de 3,0 x 6,0 metros. Ao final do segundo ano,
no início do período chuvoso, eliminar a outra fila de bananeiras deixando o espaçamento em 6,0 x
6,0 metros. No período final do terceiro ano, o espaçamento deve ser de 12,0 x 12,0 metros,
retirando-se filas alternadas do espaçamento de 6,0 x 6,0 metros. O sombreamento provisório deve
ser totalmente retirado durante o quarto ano.
As recomendações acima devem ser seguidas até que o sombreamento provisório do
cacaueiro deva ser substituído pelo definitivo.
Manejo Químico do Solo para o Cacaueiro
Luiza Hitomi Igarashi Nakayama
O cacaueiro é uma planta tropical de elevada exigência nutricional, encontrando-se, em
geral, implantada em solos de média a alta fertilidade e sem limitações nas suas propriedades
físicas. Há evidências de que na fase de expansão da cultura, nas principais regiões produtoras de
cacau do mundo, os produtores tentaram utilizar solos de baixa fertilidade e, sem êxito,
abandonaram as plantações ou substituíram-nas por outras culturas menos exigentes. A melhoria
do nível de tecnologia utilizado através do emprego de fertilização da cultura, responsável por
grande parte dos incrementos de produtividade alcançados, tem possibilitado o estabelecimento
de plantações de cacau em solos de propriedades químicas menos favorecidas. Dentre os fatores
de produção, a adubação e a calagem bem orientadas constituem o meio mais rápido e mais barato
para aumentar a produtividade, podendo contribuir com até 40% da mesma.
25
Exigências nutricionais do cacaueiro
Em termos práticos, o cacaueiro exige a aplicação dos macronutrientes N - Nitrogênio, P Fósforo, K - Potássio, Ca - Cálcio, Mg - Magnésio e S - Enxofre e micronutrientes B - Boro, Cu Cobre, Fe - Ferro, Mn - Manganês, Mo - Molibdênio e Zn - Zinco.
As plantas diferem uma das outras quanto às quantidades de nutrientes requeridas, para
atingir um determinado potencial de colheita. Além do conhecimento das quantidades dos
nutrientes absorvidas, também é importante saber as quantidades exportadas na colheita e a
remanescente nos restos de cultura, que podem ser devolvidas ao solo e, consequentemente,
reduzir a quantidade de adubo requerida. No Quadro 4 estão apresentadas as exigências do
cacaueiro nos diferentes estádios de desenvolvimento e para a produção de 1000 kg de sementes
secas.
Quadro 4 – Exigências de nutrientes pelas plantas de cacaueiro nos diferentes estádios de
desenvolvimento e para produção de 1000 kg de sementes secas (Thong e Ng, 1978).
Requerimento Médio de Nutrientes (kg/ha)
Idade
(meses)
N
P
K
Ca
Mg
Mn
Zn
5-12
2,4
0,6
2,4
2,3
1,1
0,04
0,01
Desenvolvimento
28
135
14
151
113
47
3,9
0,05
Início Produção
39
212
23
321
140
71
7,1
0,09
Plena Produção
50-87
438
48
633
373
129
6,1
1,5
Sementes (1)
50-87
20,4
3,6
10,5
1,1
2,7
0,03
0,05
Casca (1)
50-87
31,0
4,9
53,8
4,9
5,2
0,11
0,09
Fase da Planta
Viveiro
(1) Nutrientes extraídos em sementes e casca de uma plantação com 50-87 meses de idade e produtividade
de 1000 kg/ha de sementes secas de cacau.
A ordem de extração dos nutrientes, portanto para plantas em plena produção, é: K > N >
Ca > Mg > P > Mn > Zn.
Verifica-se que os nutrientes K, Ca e N são removidos em maior quantidade pelo cacaueiro
de 50-87 meses de idade. Para manter seu crescimento e produzir 1000 kg de sementes secas por
ano, precisa-se de 824 kg de K2O, 529 kg de CaO, 469kg de N, 212 kg de MgO e 121 kg de P2O5.
Avaliação da fertilidade do solo
Existe um grande número de métodos para a avaliação da fertilidade do solo, todos
apresentando vantagens e desvantagens, dependendo do propósito da avaliação. A escolha de um
dos métodos depende da precisão exigida para melhor interpretar e manejar os solos.
Os métodos mais utilizados para avaliar a fertilidade do solo são:
a) diagnose visual – avaliação dos sintomas de deficiências e toxidez, onde a falta ou
excesso de um determinado elemento provoca sempre a mesma manifestação visível da
anormalidade, visto que as funções exercidas pelo elemento na vida da planta são sempre as
mesmas. Nas figuras (6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14 e 15) observam-se os principais sintomas de
deficiências de nutrientes em folhas de cacaueiro.
26
Fig.6 – Deficiência de Nitrogênio
Fig. 7 – Deficiência de Fósforo
Fig. 8 – Deficiência de Cálcio
Fig. 9 – Deficiência de Potássio
Fig. 10 - Deficiência de magnésio
Fig. 11 – Deficiência de Enxofre
Fig. 13 – Deficiência de Manganês
Fig. 12 – Deficiência de Zinco
Fig. 14 – Deficiência de Cobre
Fig. 15 – Deficiência de Boro
27
b) diagnose foliar – análises dos tecidos vegetais. O uso deste método baseia-se na
premissa de que, dentro de certos limites, devem existir relações diretas entre: b1) dose de adubo
(ou nível de fertilidade do solo) e produção; b2) dose do adubo e teor foliar; e b3) teor foliar e
produção. Neste caso a avaliação do estado nutricional depende de um órgão representativo. De
um modo geral, a folha recém madura, a 3ª folha a partir da ponta de lançamento recémamadurecido, reflete bem o estado nutricional da planta inteira.
c) análises químicas do solo – entre os métodos de avaliação da fertilidade, a análise do
solo é o método mais difundido e utilizado devido as seguintes vantagens: c1) pode ser feita em
tempo relativamente curto e permitindo analisar um grande número de amostras; c2) as análises
podem ser feitas em qualquer época do ano, são relativamente baratas e oferecem boa precisão nas
determinações; e c3) os resultados obtidos podem ser aplicados para a cultura do ano. Entretanto,
o sucesso na interpretação correta de uma análise de solo exige um bom conhecimento dos solos
de uma região, dos sistemas de produção utilizados e do meio ambiente (clima).
Dentre as fases citadas acima, a amostragem do solo é a mais crítica, devido a
heterogeneidade do solo. Uma amostragem mal feita pode causar facilmente erros de 50% ou mais
na avaliação da fertilidade.
A amostragem do solo em áreas para plantio deve ser coletada antes e depois da
queima, a fim de considerar o efeito das cinzas como corretivo de solo e teor de
nutrientes, principalmente cálcio e magnésio. O procedimento para a retirada de
amostras a uma profundidade de 0 – 20 cm, deve ser efetuado da seguinte maneira:
divide-se a gleba ou quadras em áreas homogêneas de 1,0 a 2,0 hectares, após esta
etapa, percorre-se a área demarcada em ―zigue-zague‖, retirando amostras de solos,
procurando-se cobrir toda a área. Cada amostra deve ser composta de, no mínimo, 15
amostras simples (sub-amostras) para cada quadra. As manchas de fertilidade de
determinada área devem constituir amostras a parte. Em plantações que vem sendo
adubada, a cada 2 a 3 anos é interessante retirar amostras para monitorar a fertilidade
da mesma.
A interpretação dos dados para o fósforo e potássio está dividida em três
classes de teores, enquanto que para o Ca+ Mg e Al em duas classes.
Quadro 5 – Interpretação dos teores de P, K, Ca + Mg e Al em solos (Garcia et al, 1985).
Teor
Baixo
P (mg/dm3)
6
K (meq.100-1g)
Teor
Ca + Mg
Al
meq.100-1g
0,12
Médio
7 – 15
0,13 – 0,30
Baixo
Alto
> 15
> 0,30
Médio/Alto
< 3,0
< 0,5
3,0
0,5
Quanto ao pH, há predominância de amostras com valores abaixos de 5,5 em
todos os pólos, exceção para o pólo de Altamira, que apresenta 50% das amostras
com pH > 5,6 (Pereira e Morais, 1987). No Quadro 5 está apresentada a
correspondência entre pH em H 2 O, a percentagem de saturação de bases ( V%) e a
saturação em alumín io (m).
28
Quadro 6 – Relação aproximada entre parâmetros associados à acidez do solo.
pH em H2O
V%
m%
4,4
4
90
4,6
12
68
4,8
20
49
5,0
28
32
5,2
36
18
5,4
41
7
5,6
52
0
5,8
60
-
6,0
68
-
6,2
76
-
6,4
84
-
6,6
92
-
6,8
100
-
Calagem
Os dados de pesquisas obtidos nos solos da Amazônia, têm mostrado que o crescimento e
produção do cacaueiro não apresentaram resposta à calagem (Campos, 1981; Morais e Campos,
1984; Pereira e Morais, 1987). No Latossolo Amarelo, argiloso da série Manaus, Campos (1981)
observou somente melhoria nas propriedades químicas deste solo quanto ao aumento do pH, dos
teores trocáveis de Ca e Mg e diminuição do alumínio trocável. Pereira e Morais (1987) mostraram
que os solos das áreas Bragantina e de Tomé-Açu(PA) apresentaram teores de Ca + Mg < 3,0 meq.
100-1g, considerados baixos, numa freqüência de 60 a 95% das amostras analisadas. Apesar destes
resultados é interessante considerar que:
A calagem bem efetuada traz inúmeros benefícios, dentre os quais podem ser citados: a)
fornece Ca2+ e Mg2+ como nutrientes; b) neutraliza o Al 3+ e Mn2+ tóxicos às plantas; c) aumenta a
disponibilidade de P e do Mo; d) favorece a mineralização da matéria orgânica; e) aumenta a
fixação simbiótica do N; f) estimula o desenvolvimento do sistema radicular e a absorção de água e
nutrientes; e g) melhora as propriedades físicas do solo (devido ao fato do Ca2+ e Mg2+ serem
elementos floculantes)
Apesar de todos estes benefícios, a calagem precisa ser criteriosa, pois pode reduzir a
disponibilidade de K+ e de micronutrientes. A resposta da cultura à calagem depende de uma
série de fatores ligados à planta, ao solo e ao corretivo utilizado, a conjugação destes fatores, leva à
obtenção da máxima eficiência desta prática agrícola. Assim, deve-se considerar que o cacaueiro
não foge a regra das outras culturas, necessitando-se de cálcio e magnésio como nutrientes para o
crescimento, desenvolvimento, início e plena produção, principalmente quando esta cultura está
localizada na região com Latossolo Amarelo distrófico e de textura média, necessitando elevar os
teores de cálcio e magnésio trocáveis, no mínimo, para 3, 0 meq.100-1g (ou 30 mmolc. kg-1).
A calagem tem um efeito residual prolongado, que perdura por vários anos, sendo o
retorno deste investimento, cumulativo.
Os produtos considerados corretivos da acidez dos solos são aqueles que contêm como
―constituinte neutralizante‖, carbonatos, óxidos, hidróxidos ou silicatos de Ca2+ e/ou Mg2+.
Os calcários agrícolas passam a ter as classificações:
29
I - Quanto à concentração de MgO
a) calcítico – menos de 5%
b) magnesiano – de 5 a 12%
c) dolomítico – acima de 12%
II – Quanto ao PRNT (Poder Real de Neutralização Total)
a) Faixa A – PRNT entre 45,0 e 60,0
b) Faixa B – PRNT entre 60,1 e 75,0
c) Faixa C – PRNT entre 75,1 e 90,0
d) Faixa D – PRNT superior a 90,0
Os corretivos de acidez deverão ser comercializados de acordo com suas características
próprias e com valores mínimos constantes no quadro a seguir:
Quadro 7 – Corretivos de acidez.
Materiais corretivos de acidez
Poder de Neutralização
% CaCO3
Soma
% CaO + % MgO
Calcários
67
38
Cal virgem agrícola
125
68
Cal hidratada agrícola
94
50
Escórias
60
30
Outros materiais
67
38
Critério de Recomendação:
Calcário (t/ha) = 1,5 x Al
Onde:
Al = teor de alumínio trocável do solo
Adubação verde e orgânica
Em áreas de solos de textura média a arenosa é de extrema importância a utilização da
adubação verde e orgânica.
A adubação verde é prática agrícola muito antiga, porém de utilização restrita. Consta da
incorporação ao solo de qualquer material vegetal, ainda não decomposto, produzido no próprio
terreno, visando a incorporação de nutrientes e produção de húmus, com conseqüente aumento do
teor de matéria orgânica do solo.
As leguminosas são as plantas preferidas para a formação desta matéria orgânica, em
virtude da grande massa produzida por unidade de área, da sua riqueza em elementos minerais,
do seu sistema radicular bastante profundo e ramificado, capaz de uma melhor mobilização dos
nutrientes minerais do solo e, principalmente pela possibilidade de aproveitamento no N
atmosférico, através das bactérias nitrificadoras. Com base nestas informações, é possível a
utilização da Pueraria phaseoloides, como adubo verde mais apropriado, em solos pobres, para o
cacaueiro em formação e produtivo.
Quanto à utilização de adubos orgânicos, tem-se verificado resultados positivos,
principalmente quando utilizado para viveiro (Campos, 1982) e no plantio de mudas (Campos et
al, 1982). Os estercos poderão substituir parcialmente a adubação de plantio, devendo-se, no
entanto, proceder a análise do material, em termos de % de N, de P2O5 e de K2O e do teor de
umidade.
30
Quadro 8. Composição aproximada (%) de alguns adubos orgânicos
Material
Esterco de gado
Esterco de galinha
Torta de cacau
Torta de mamona
Torta de algodão
Torta de filtro
Casqueiro de cacau
Composto
C/N
C
Umid
N
20
10
10
10
27
-
100
140
450
80
-
620
550
90
770
-
5
14
26
45
70
3
21
8
P2O5
g/kg
3
8
6
7
25
2
1
4
K2O
CaO
MgO
S
6
7
16
11
120
0,6
6
6
2
23
18
5
7
-
1
5
5
0,8
5
-
1
2
3
-
Cu
Zn
mg/kg
6
33
14
138
73
128
13
20
-
Adubação mineral
A adubação é uma prática indispensável para o acréscimo ou manutenção da
produtividade em níveis adequados e que a mesma exerce influência no custo de produção, tornase cada vez mais necessário o uso correto e racional da adubação, a fim de obter produções mais
econômicas.
Adubação com macronutrientes
 Nitrogênio
A recomendação de nitrogênio é um dos poucos casos em que a análise do solo não é
levada em conta. Isto se deve, principalmente, a própria dinâmica do N no solo. São considerados
o manejo e histórico da área, a produtividade esperada e, para algumas culturas, o teor de N foliar.
O nitrogênio juntamente com o potássio é um dos nutrientes absorvidos pelo cacaueiro, daí sua
alta exigência.
As principais fontes de N comercializadas no Brasil estão apresentadas no Quadro 9. O
nitrogênio pode estar na forma amídica (uréia), amoniacal ou nítrica e todas as fontes são solúveis
em água e apresentam elevado índice de salinidade. Uma vez aplicada no solo, o N amídico ou
amoniacal passa para a forma nítrica, pouca retida no complexo de troca e, sujeita a perdas por
lixiviação. Para minimizar as perdas, os adubos nitrogenados deverão ser parcelados nos períodos
em que o N possa ser prontamente absorvido.
A nitrificação de adubos contendo N amoniacal produz H+, e provoca a acidificação dos
solos. A intensidade de acidificação depende do adubo utilizado.
Quadro 9. Principais fertilizantes nitrogenados, equivalente de acidez (-) e suas garantias mínimas.
Fertilizante
Eq. em kg de
CaCO3
N
CaO
MgO
S
Por 100 kg do produto
-79
44
-
-
-
Nitrato de amônio
-58
32
-
-
-
Sulfato de amônio
-107
20
-
-
24
Nitrocálcio
0
27
7
3
-
Fosfato monoamônico
- 45
9
-
-
-
Fosfato diamônico
-
16
-
-
-
Uréia
%
As fontes de N apresentam resultados agronômicos semelhantes, excetuando em alguns
casos:
a) quando existem condições favoráveis de volatilização da uréia, por exemplos: não
incorporação; aplicação em superfície úmida que depois seca; quando ocorrem altas temperaturas;
quando o pH é elevado e em condições de deficiência de S. Nestas condições o sulfato de amônio é
mais eficiente que a uréia.
31
b) quando há condições de lixiviação e de desnitrificação.
amoniacais comportam-se melhor que as nítricas.
Nestes casos, as fontes
c) quando há condições de excessiva acidificação do solo ou formação de H 2S em solos
inundados. Nestes casos, a uréia supera a eficiência do sulfato de amônio.
 Fósforo
A resposta do cacaueiro à adubação fosfatada é muito elevada (Morais, 1998), haja vista
que, em mais de 80% dos solos analisados apresentaram teores baixos (<6 ppm) (Pereira e Morais,
1987).
O emprego do fósforo para o cacaueiro na modalidade da adubação de manutenção diz
respeito a reposição das quantidades de nutrientes exportadas pelas safras consecutivas, devendo
ser utilizadas fontes solúveis em água e aquelas cujo P2O5 é solúvel em citrato neutro de amônio +
água.
Os principais fertilizantes fosfatados comercializados no Brasil estão caracterizados no
Quadro 10, segundo as garantias mínimas de teores de fósforo, exigidas pelo Ministério da
Agricultura e do Abastecimento.
Quadro 10. Principais fertilizantes fosfatados e suas garantias mínimas.
Fertilizantes
Fosfatos solúveis em água
Teores de P2O5 (%)
Citrato de
Água
amônio + água
Outros nutrientes
Superfosfato simples
18
16
10% de S; 19% de Ca
Superfosfato triplo
41
37
2% de S; 13% de Ca
Fosfato diamônico
45
38
16% de N
Fosfato monoamônico
48
44
9% de N
Fosfatos insolúveis em água
Total
Ác.Citr.
Farinha de osso
25
-
6% N; 32% Ca
Fosfato natural
24
4
-
Fosfato natural reativo
33
10,5
37% Ca; 1% S; 0,4% Zn; 0,03% Cu e Mn
Multifosfato magnesiano
18
6
10% S; 13% Ca; 3% Mg; 0,6% Zn
Hiperfosfato
32
12
42% Ca
Yoorin Master
17
16
Yoorin BZ
17
16
28% Ca; 14,5% Mg; 0,55% Zn; 0,1% B;
0,12% Mn e 0,05% Cu
28% Ca; 14,5% Mg; 0,15% B; 0,4% Zn
Yoorin MG
17
16
28% Ca; 14,5% Mg
Quanto a eficiência agronômica das diversas fontes de P2O5, tem-se que:
a) os fosfatos solúveis > fosforitas > apatitas;
b) o efeito dos superfosfatos se verifica tanto no primeiro ano, como nos anos posteriores,
funcionando também como fonte de Ca;
c) o fosfato de amônio não possuem Ca e S em sua composição;
d) os termofosfatos e hiperfosfatos (fosforitas) possuem efeito neutralizante no solo;
e) a eficiência dos fosfatos naturais brasileiros (apatitas), de baixa solubilidade, tende a
aumentar com o tempo e em solos ácidos.
Nas recomendações de adubação, determinados pelo método de extração, as quantidades
de fósforo a aplicar dependem dos teores de P no solo e para muitas culturas a produtividade
esperada também é levada em conta.
32
 Potássio
Para o cacaueiro o potássio é o nutriente absorvido em maiores quantidades. O potássio
encontrado nos tecidos vegetais não é incorporado à fração orgânica, permanecendo como íon.
Dessa forma, grande parte do material vegetal é reciclado após a colheita e o K presente pode
voltar rapidamente ao solo, em forma prontamente disponível.
Os fertilizantes potássicos empregados no Brasil estão listados no Quadro 11. As formas de
cloreto, sulfatos ou nitratos são todos solúveis em água e prontamente disponíveis às plantas.
Quadro 11. Principais fertilizantes portadores de potássio.
Fertilizante
N
K2O
%
Outros nutrientes
Cloreto de potássio
-
58
45 - 48% de Cl
Nitrato de potássio
13
44
-
Sulfato de potássio
-
48
15 - 17% de S
Sulfato de K e Mg
-
18
22% S; 5% Mg; 2,5%Cl
Salitre potássico
15
14
18% de Na
A análise de solo fornece informações seguras para se avaliar a disponibilidade de potássio
às culturas e trata-se do principal parâmetro utilizado para definir a recomendação das doses de
fertilizantes potássicos.
 Enxofre
Respostas à utilização de S na adubação, têm sido obtidas principalmente pelo uso de
fórmulas concentradas, pobres em enxofre, por longo período de tempo praticamente isento em
teores destes nutrientes, bem como pelo cultivo em solos de textura arenosos e pobres em matéria
orgânica.
As principais fontes de S estão apresentadas no Quadro 12. Praticamente todas as fontes de
S estão na forma de sulfato, prontamente disponível, mesmo na forma de sulfato de cálcio, de
solubilidade relativamente baixa, presente no gesso e superfosfato simples.
Quadro 12. Principais fertilizantes contendo enxofre
Fertilizante
S (%)
Outros nutrientes
Sulfato de amônio
22-24
20% de N
Sulfato de potássio
15-17
48% de K
Sulfato de potássio e magnésio
Sulfato de cálcio (inclui
fosfogesso)
Superfosfato simples
22-24
18% K; 5% Mg; 2,5% Cl
13
16% de Ca
10-12
18% P2O5; 18% Ca
95
-
Enxofre
 Adubação com micronutrientes
O cultivo em solos de baixa fertilidade, a calagem e o aumento da produtividade, são
fatores que tem favorecido o aumento das deficiências de micronutrientes. Em plantações de
cacaueiros produtivos, de maneira geral, tem sido constatado com maior freqüência deficiências de
zinco. Plantações cultivadas em áreas de alta fertilidade como os Terra Roxa Estruturada - TRE e
em período de estiagem, observa-se plantas com deficiências de manganês. Em situações de áreas
queimadas ocorrem plantas com deficiência de zinco, boro e cobre.
33
Os sais e óxidos inorgânicos, silicatos fundidos e quelatos são usados como fontes de
micronutrientes, de forma isolada ou incorporados em formulações com macronutrientes, este
último caso com tendência de aumento, devido à dificuldade de aplicações de pequenas
quantidades normalmente necessárias nas adubações. No caso de culturas perenes existe grande
possibilidade de utilizar fertilizantes simples portadores de micronutrientes em aplicações
localizadas, no sulco ou em covas, ou mesmo na superfície do solo. Dependendo das quantidades
aplicadas os micronutrientes apresentam efeito residual das adubações, com exceção do ferro.
Para as diversas culturas perenes, a pulverização foliar com micronutrientes é uma prática
comum, associado a aplicação de pesticidas. A aplicação foliar pode ser utilizada com sais
inorgânicos solúveis em água e quelatos.
Quadro 13. Principais fontes de micronutrientes utilizados no Brasil e garantias mínimas exigidas
pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento.
Nutriente
Boro
Cobre
Ferro
Manganês
Molibdênio
Zinco
Fertilizante
Bórax
Ácido bórico
Silicato
Sulfato
Óxido cúprico (CuO)
Silicato
Quelato
Sulfato ferroso
Sulfato férrico
Quelato
Sulfato manganoso
Óxido manganoso
Silicato
Quelato
Molibdato de sódio
Molibdato de amônio
Silicato
Sulfato de zinco
Óxido
Silicato
Quelato
Garantia mínima
(conc. do elemento) %
11
17
1
13
75
2
5
19
23
5
26
41
2
5
39
54
0,1
20
50
3
7
Solubilidade em água
Solúvel
Solúvel
Insolúvel
Solúvel
Insolúvel
Insolúvel
Solúvel
Solúvel
Solúvel
Solúvel
Solúvel
Insolúvel
Insolúvel
Solúvel
Solúvel
Solúvel
Insolúvel
Solúvel
Insolúvel
Insolúvel
Solúvel
 Recomendação de calagem e adubação
Calagem: Aplicar calcário à lanço e em área total, para neutralizar o alumínio trocável do
solo de forma a atingir o pH em água próximo de 5,5.
Adubação de plantio: Com antecedência de 30 dias do plantio, incorporar por cova 4 kg de
esterco de gado ou 2 kg de esterco de galinha ou 1 kg de torta de mamona, 300 g de calcário
dolomítico, 60 g de P2O5, 100g de Fritted Trace Elements-FTE BR-8. Acrescentar 2 parcelas de 10 g
de N em cobertura ao redor das plantas aos 6 e 9 meses após o plantio.
Adubação mineral de formação: Aplicar, em cobertura ao redor das plantas, em duas
parcelas no período inicial e final das chuvas, as seguintes quantidades de nutrientes N – P2O5 –
K2O, em gramas por planta (Campos 1981; Morais, 1987; modificados).
34
Quadro 14 – Quantidades de nutrientes N – P2O5 – K2O em gramas por planta
N
Idade
Anos
g/planta
1
2
3
20
30
40
P Merlich, mg/dm3
7 - 15
> 15
P2O5, g/planta
<6
90
90
90
60
60
60
K trocável, meq/100cm3
0,13– 0,30
> 0,30
0,12
K2O, g/planta
30
30
30
60
60
60
30
30
30
10
10
10
Em plantas com idade de 0 a 1 ano, localizar os adubos ao redor da coroa, num raio de 0,5
m; em plantas com idade de 1 a 2 anos, aumentar o raio para 1,0 m; em plantas com idade de 2 a 3
anos aumentar o raio para 1,5 m e do quarto ano em diante aplicar a lanço e em área total no
espaço compreendido entre quatro cacaueiros.
Adubação mineral de produção: Aplicar em cobertura e em área total, de acordo com a
análise de solo, as seguintes quantidades de nutrientes (Campos, 1981; Morais, 1987; modificados).
Quadro 15 – Quantidades de nutrientes N – P2O5 – K2O em quilogramas por hectare
N
N, kg/ha
60
<6
P Merlich, mg/dm3
7 - 15
P2O5, kg/há
> 15
90
60
30
K trocável, meq/100cm3
0,13– 0,30
> 0,30
0,12
K2O, kg/ha
60
30
10
Parcelar em duas vezes a adubação, aplicando a lanço e em área total no início e final das
chuvas.
Quadro 16 – Acrescentar boro, manganês e zinco de acordo com a análise de solo:
B no solo
mg/dm3
B
kg/ha
Mn no solo
mg/dm3
Mn
kg/ha
Zn no solo
mg/dm3
Zn
kg/ha
0 – 0,20
2
0 – 1,2
5
0 – 0,5
5
Composição química foliar do cacaueiro: Os limites de interpretação são definidos pelas
seguintes faixas de teores adequados na matéria seca.
g/kg
N = 20 – 25
P = 1,8 – 2,5
K = 13 – 23
Ca = 9 – 12
Mg = 4 – 7
S = 1,7 – 2,0
mg/kg
B = 25 – 70
Cu = 8 – 15
Fe = 60 – 200
Mn = 50 – 300
Mo = 1,0 – 2,5
Zn = 30 – 100
Manejo das Pragas
Antonio Carlos de Barros Mendes
A lavoura cacaueira apresenta um diversificado grupo de insetos associado ao cultivo, entre os
quais os benéficos, constituído por espécies polinizadoras das flores e por parasitóides e predadores
que se alimentam de outros insetos. Apresenta ainda o grupo dos nocivos que em determinadas
condições favoráveis apresentam nível populacional elevado, causando danos econômicos,
constituindo-se, desta forma, pragas da lavoura. Dependendo dos hábitos podem danificar brotos,
folhas, flores, ramos, tronco e frutos, podendo até levar a planta à morte na fase juvenil.
A seguir, são apresentadas informações gerais sobre as principais pragas do cacaueiro na
Amazônia e o manejo integrado dessas espécies. Pretende-se com esse trabalho, oferecer aos
extensionistas e produtores meios para racionalizar o uso dos inseticidas na lavoura, minimizando
assim, os efeitos adversos sobre o ambiente.
35
Tripes (Selenothrips rubrocinctus)
É considerado uma das pragas mais importantes para a cacauicultura Amazônica. O adulto
apresenta um comprimento que varia de 1,1 a 1,4 mm, sendo sua
coloração preta ou marrom escura. As asas são do tipo franjada,
o que caracteriza a Ordem a que pertence. As formas jovens são
de um colorido geral branco amarelado com os dois primeiros
b
segmentos do abdome vermelhos. As ninfas carregam, entre os
pêlos terminais, na extremidade do abdome, pequena gotícula de
a
excremento líquido. Tanto as larvas como os adultos vivem em
colônias, na face abaxial das folhas parcialmente maduras,
próxima às nervuras ou na superfície dos frutos em fase de Fig. 16 - Adulto (a) e ninfas (b) sob a face
abaxial das folhas
maturação (Fig. 16).
Nas folhas a sintomatologia do ataque, em decorrência do
hábito alimentar do tripes ser raspador – sugador, se manifesta pela presença de manchas
cloróticas no limbo, as quais após algum tempo, tornam-se necrosadas, dando origem à queima
(Fig. 17). Se o ataque for intenso, ocorre a queda parcial ou total das folhas, caracterizando o
―emponteiramento‖. Após a brotação pode haver reinfestação causando o depauperamento ou
mesmo a morte da planta.
O ataque nos frutos causa a ―ferrugem‖ dificultando o reconhecimento do estado de
maturação dos mesmos, induzindo assim, a colheita de frutos verdoengos ou excessivamente
maduros, afetando a qualidade do produto final (Fig. 18). Ocorre também redução no rendimento
do trabalhador que está realizando a colheita , devido o mesmo testar o estado de maturação,
raspando a casca do fruto antes de colhê-lo. A ferrugem é formada pela deposição na superfície do
fruto, do excremento líquido que as formas jovens carregam na extremidade do abdome, bem
como do derramamento e oxidação do conteúdo celular, provocado pelo hábito alimentar.
Fig. 17 - Queima das folhas
Fig. 18 - Frutos de cacau com ferrugem
Pesquisas desenvolvidas em diversos países produtores de cacau, mostraram que nos
períodos de maior precipitação pluviométrica, ocorre um acentuado decréscimo da população de
tripes, sendo estes resultados, confirmados na Amazônia.
Em áreas cacaueiras como a de Tomé-Açu e Transamazônica, no Estado do Pará, onde
ocorrem altas infestações, tem-se que adotar medidas de controle cultural a fim de evitar a
dependência total dos inseticidas.
Os principais fatores que favorecem a sobrevivência e o crescimento de populações de
tripes são: presença de folhas parcialmente maduras e de frutos, temperaturas elevadas, ausência
de chuvas e de sombreamento. Dessa maneira o controle cultural deve ser feito com a manutenção
do sombreamento provisório por maior tempo possível, bem como evitar o plantio de cacaual com
sombreamento definitivo escasso ou ausente, já que o tripes tem preferência por áreas com excesso
de sol.
36
O controle químico deve ser realizado somente quando a população do tripes atingir o nível
de controle (Quadro 17). Para isso, deve-se efetuar amostragens no cacaual, subdividindo-o em
quadras de 5 hectares, o mais uniforme possível quanto ao sombreamento e idade das plantas. De cada
quadra amostrar 20 árvores distribuídas uniformemente na área, contando em cada árvore, a
população do tripes na face abaxial de 5 folhas parcialmente maduras, totalizando 100 folhas por
quadra. O levantamento deve ser iniciado no fim do período chuvoso e repetido a cada 15 dias. A
população do tripes atingirá o nível de controle quando ao se constatar uma população, em média, de
3 tripes por folha.
Quadro 17 – Inseticidas recomendados para o controle químico do tripes.
Dosagem
Princípio
Ativo
Produto Comercial
carbaryl
Carbaryl Fersol, Carvin, Sevin 5 P 800
g. i.a/há
Produto Comercial
Hectare
p/ 100 litros água
16 kg
-
Classe
Toxicológica
III
endosulfan
Thiodan 2 P, Malix 3 P
320
-
-
III
endosulfan
Thiodan 35 CE
320
800ml
800 ml
II
malation
Malatol 50 E
300
600 ml
600 ml
III
malation
Malatol 2 P
320
16 kg
-
IV
arprocarb
Unden 1 P
160
16 kg
-
II
Obs.: - Nas pulverizações utilizar 100 litros de calda por hectare.
g.i.a = grama de ingrediente ativo
Classes Toxicológicas : I – extremamente tóxico;
II – altamente tóxico;
III – medianamente tóxico;
IV – pouco tóxico.
Monalonio (Monalonion annulipes)
Existem 11 espécies do gênero Monalonion distribuídos nas Américas do Sul e Central, das quais
oito associadas à cultura do cacaueiro. Até o momento, apenas Monalonion annulipes tem sido
constatado nos pólos cacaueiros da Amazônia.
Esses pequenos percevejos são também conhecidos vulgarmente como ―chupança‖, sendo uma
praga de capital importância, pois provoca sérios danos a cultura. Tanto os adultos como as formas
jovens (Figs. 19 e 20), sugam seiva dos ramos novos e frutos. Atacam também o pecíolo e as folhas.
O ataque aos ramos, determina o aparecimento de áreas necróticas nos locais da picada, de
origem toxicogênica (Fig. 21). Se intenso, há uma paralisação no crescimento dos ramos e posterior
secamento e queda das folhas, contribuindo para o aparecimento do complexo conhecido por
―queima‖ ou ―morte descendente‖(Fig. 22). Em decorrência do ataque, há perda de área foliar e
consequentemente decréscimo de produção.
Fig. 19 – Adulto de Monalonion
annulipes
Fig. 20 – Ninfa do monalonio
Fig. 21 – Ramos com sintomas
de ataque (Abreu, et al. 1989)
37
Quando o ataque é dirigido aos frutos, há formação de pústulas (bexigas) em decorrência
da toxina injetada pelo inseto, quando do ato alimentar (Fig. 23). Nos frutos com 8 cm ou mais de
diâmetro, este dano não afeta diretamente as amêndoas, todavia, favorecem a penetração de
agentes patogênicos que provocarão a deterioração das mesmas. No entanto, quando em frutos
novos, estes apodrecem ou ficam enegrecidos, petrificam e morrem.
Em ataques intensos até os frutos completamente desenvolvidos e maduros ficam com a
coloração característica totalmente alterada, como se estivessem mumificados, a cor natural dos
frutos fica substituída por cinza-claro, e assim podem ser colhidos em fase de maturação
inadequada ou descartados pelos trabalhadores pela ocasião da colheita.
Quando não controlada, a praga pode causar sérios danos à produção de cacau. As
―chupanças‖ têm sido observadas com freqüência em cacauais a pleno sol, sugerindo que a
presença de sombreamento é importante para evitar a proliferação do inseto.
Fig. 23 – Frutos atacados pelo monalonio (Garcia, et al.,1985)
Fig. 22 – Queima causada por
Monalonion annulipes
Como medida de controle cultural recomenda-se o emprego de práticas culturais
convencionais, principalmente o plantio de árvores de sombras nas áreas com deficiência, de modo
a propiciar sombreamento adequado às plantações de cacau. Deve-se também manter as plantas
livres de brotos ou chupões.
O M. annulipes além de atacar normalmente o cacaueiro, tem como plantas hospedeiras, o
cupuaçuzeiro e no Estado de Rondônia as seguintes espécies de fruteiras (araçá-pera, cajueiro,
cruá, cacauí, bananeira, goiabeira e mangueira). O conhecimento do comportamento do monalônio
e sua relação com as plantas hospedeiras alternativas visam auxiliar no manejo da praga em
diferentes ecossistemas de cultivo.
No controle biológico, a formiga vermelha (Ectatomma tuberculatum) é predadora de insetos
e nos cacauais faz seu ninho no solo tendo o orifício de saída em forma de um ―chaminé‖ fixo na
base do tronco do cacaueiro. O ―chaminé‖ é confeccionado com detritos e solo fixado na base do
tronco do cacaueiro, medindo 10 e 40 cm de altura. A formiga faz controle significativo do
monalônio na planta em que se estabeleceu e também nas plantas próximas que possuem ramos
encostados à planta com o ninho. O percevejo vermelho Ricola spinosa é eficiente predador de
monalonio; muitos outros predadores são freqüentemente encontrados associados a populações de
monalonio e deverão ser considerados dentro de um programa de manejo de pragas do cacaueiro.
A decisão de se realizar o controle químico do monalonio deve ser precedida de um
levantamento da população existente na área, através de amostragens efetuadas nos períodos de
lançamento e de maior bilração e frutificação. Sugere-se subdividir o cacaual em quadras de 5
38
hectares, uniformes quanto ao sombreamento e idade das plantas e amostrar 20 plantas por
quadra, examinando 5 frutos por planta. Constatada a presença de pelo menos 1 fruto com ninfas
e/ou adultos, está caracterizada a área-foco e a necessidade de se realizar o controle. Esta medida
deve se restringir às áreas-foco. O intervalo entre as amostragens é de 15 dias.
Vários inseticidas (Quadro 18) são atualmente recomendados para o controle químico do
Monalonio com eficiência técnica e econômica satisfatórias quando se segue rigorosamente as
prescrições técnicas para sua utilização.
Quadro 18 - Principais inseticidas recomendados para o controle químico do Monalonio
Dosagem
Produto Comercial
hectare
p/ 100 l água
Princípio
Ativo
Produto Comercial
Carbaryl
Servin 5 P
800
16 kg
-
III
Endosulfan
Thiodan 2 P
320
16 kg
-
III
Endosulfan
Thiodan 35 CE
280
800 ml
800 ml
I
Isoprocarb
Mipcin 75PM
300
400 g
400 g
II
Isoprocarb
Mipcin 75PM(TN)
225
300 g
-
II
deltametrina
Decis 25CE
5
200 ml
200 ml
II
deltametrina
Decis 25CE (TN)
10
400 ml
-
II
Malation
Malatol 50CE
300
600 ml
600 ml
III
malation
Malatol 20P
320
16 kg
-
IV
malation
Malatol 60 ST (TN)
600
1000 ml
-
II
arprocarb
Unden 1 P
160
16 kg
-
III
triclorfon
Triclorfon 15 TN
150
1000 ml
-
II
triclorfon
Dipterex 50 S
300
600 ml
600 ml
II
triclorfon
Dipterex 2,5 P
400
16 kg
-
III
g.i.a./ha
Classe
Toxicológica
Obs: nas pulverizações utilizar 100 litros de calda por hectare.
Classes Toxicológicas : I – extremamente tóxico;
II – altamente tóxico;
III – medianamente tóxico;
IV – pouco tóxico.
Escolitídeos
(Xyleborus spp.) – Ocorrem principalmente em cacaueiros adultos, brocando seus galhos e
troncos. Quando o ataque se verifica nos galhos provoca o secamento dos mesmos. Se o ataque
evolui para o tronco, a planta começa a apresentar sintomas de amarelecimento geral das folhas
até secar totalmente. A morte é conseqüência da penetração de fungos patogênicos, através dos
orifícios abertos por esses insetos.
(Xylosandrus compactus) – Ocorre em mudas no viveiro e no campo, mais freqüentemente
em mudas recém - transplantadas. Os sintomas são caracterizados pelo escurecimento da casca e
exudação de um líquido através do orifício de penetração do inseto, o qual, ao secar, exibe uma
coloração esbranquiçada, culminando com o murchamento da parte superior e morte da planta
(Fig. 24 e 25). Também há penetração de fungos patogênicos, entre os quais Fusarium spp. e
Lasiodiplodia theobromae. Solos pobres e ácidos e deficiência hídrica são os fatores que favorecem o
ataque da praga.
39
Fig. 24 – Ataque de Xylosandrus compactus
Fig. 25 – Muda morta por Xylosandrus compactus
O controle cultural de Xyleborus spp. e X. compactus é feito vistoriando-se o viveiro e o
cacaual após o transplante das mudas, especialmente durante o período seco, eliminando e
queimando as plantas atacadas. No caso do ataque no tronco de cacaueiros adultos, dificilmente a
planta poderá ser salva, pois os sintomas aparecem quando já houve penetração e contaminação
de fungos patogênicos. Recomenda-se a retirada e eliminação das plantas através da queima.
Quando o ataque se dá nos ramos de cacaueiros adultos ou da parte aérea acima da região
cotiledonar das mudas a poda e queima das partes atacadas devem ser realizadas. Solos pobres e
ácidos devem receber correção e adubação para evitar os danos de X. compactus. O controle
químico deve ser utilizado somente em mudas enviveiradas ou no campo, após eliminação
daquelas atacadas pelo inseto. Utilizar o inseticida endosulfan (Thiodan 35 CE ou Malix) a alto
volume, na dosagem de 300 ml do produto comercial para 100 litros de água. O controle químico
em cacaueiros adultos não deve ser realizado.
Manhoso (Steirastoma breve)
Constitui-se numa das mais sérias pragas do cacaueiro em alguns países produtores, tais
como Equador, Venezuela, Trinidad e Suriname. No Brasil, somente nos pólos cacaueiros da
Amazônia os ataques são mais freqüentes, sendo que nos Estados de Rondônia e Mato Grosso
ocorre em grandes infestações.
Fig. 26 – Adultos macho ( ) e fêmea (
(Mendes & Garcia, 1984).
) de Steirastoma breve
40
As larvas de S. breve iniciam o processo de alimentação no cambio da planta, abrindo
galerias em espiral. Posteriormente, penetram no lenho, podendo resultar na morte dos ramos ou
cacaueiro jovem. Plantas com 1 a 3 anos de idade são as mais preferidas pela praga, iniciando o
ataque principalmente pelas regiões do coleto de bifurcação dos ramos principais. O aparecimento
de serragem e exudação gomosa na região afetada, é uma indicação da presença do inseto. O
ataque pode determinar a morte de cacaueiros jovens ou má formação da copa de plantas adultas
(Figs. 26, 27 e 28). As maiores infestações da praga têm sido observadas durante o período menos
chuvoso e nos plantios em áreas de mata recém-desbravadas e com deficiência de sombreamento.
Os adultos (Fig. 26) alimentam-se do córtex da planta, possibilitando a entrada de agentes
patogênicos.
a
b

Fig. 27 – A larva (a) e os sintomas de seu ataque ao tronco e ramos do cacaueiro (a, b)
O controle do manhoso é feito da seguinte forma:
Fig. 28 – Tronco com sintomas
de ataque de adultos.
a) Controle mecânico: realizar inspeções periódicas na lavoura e no caso de encontrar plantas
atacadas no caule ou tronco e ainda possíveis de serem recuperadas, efetuar a retirada da larva com
auxílio de um canivete, eliminando-a e tratando a região lesionada com uma pasta a base de óxido
cuproso (Cobre Sandoz), para evitar a penetração de fungos.
b) Controle cultural: plantas ou galhos mortos devem ser eliminados ou queimados. Manter o
sombreamento provisório por maior tempo possível, bem como evitar o plantio do cacaual com
sombreamento definitivo escasso ou ausente
c) Controle químico: em lavouras jovens, até os três anos de idade, ao se constatar adultos na
área ou 10% de plantas com sintomas de ataque de adultos ou de larvas, após amostragem de 100 plantas
distribuídas ao acaso em quadras de 5 hectares, fazer duas ou três pulverizações em intervalos de 20 dias
com uma solução de endolsulfan 35% (Thiodan 35) na dosagem de 350g de i.a./ha (1 litro do produto),
adicionando 100 mililitros de espalhante adesivo (Ag-bem, Novapal etc.) para cada 100 litros da
suspensão. Realizar duas aplicações no intervalo de 30 dias, pulverizando o tronco e ramos dos
cacaueiros As pulverizações devem ser dirigidas ao tronco e galhos dos cacaueiros, gastando-se 250 litros
da suspensão/hectare.
O quiabeiro (Hibiscus sculentum) quando bem desenvolvido no período seco é uma planta
que funciona como armadilha, pois atrai o manhoso para alimentação, acasalamento e postura. O
controle deve ser realizado fazendo-se inicialmente a catação manual de insetos adultos no
quiabeiro e quando as plantas estiverem com as larvas desenvolvidas, faz-se a eliminação dessas
plantas queimando-as.
Broca dos frutos (Conotrachelus humeropictus)
É uma praga que ataca o fruto do cacaueiro e do cupuaçuzeiro trazendo enormes prejuízos
a produção, estimada em 50% e 52%, respectivamente. É de ocorrência generalizada em Rondônia
e no Amazonas e recentemente em algumas lavouras da região de Alta Floresta (MT), sendo pouco
comum ou mesmo inexistente em outros pólos cacaueiros da Amazônia brasileira.
As fêmeas introduzem o ovopositor no pericarpo do fruto e em minúsculos orifícios
depositam seus ovos. Após cerca de cinco dias da postura, emergem pequenas larvas que
41
imediatamente penetram nos frutos até atingirem a parte central, local de concentração do ataque
(Figs. 29 e 30). Decorridos cerca de 30 dias, ao atingirem o máximo desenvolvimento larval, abrem
orifícios, de saída para empuparem no solo. Através destes orifícios, penetram fungos patogênicos
que irão contaminar os frutos e sementes, tornando-os impróprios para o consumo e
beneficiamento, respectivamente.
a
b
Fig. 29 – Adulto (a) e larva (b) de Conotrachelus humeropictus (Mendes, 1996)
Os principais fatores que favorecem a sobrevivência e o crescimento das população de C.
humeropictus são: presença de frutos, alta umidade, sombreamento excessivo, copa dos cacaueiros
excessivamente adensadas e matas às proximidades da lavoura, onde podem ser encontrados
hospedeiros nativos da broca.
a
Fig. 30 – Frutos atacados pela broca do cacaueiro
Para controle da praga, recomenda-se:
1. Controle cultural: a) realizar a colheita de todos os frutos atacados existentes nas
árvores que devem ser retirados da lavoura ou quebrados em cima de lonas, chão compactado ou
terreiros, as larvas devem ser coletadas e mortas ou oferecidas para aves a fim de evitar que
penetrem no solo para completarem o ciclo e voltarem a reinfestar a área; b) efetuar o raleamento
do sombreamento nas lavouras excessivamente sombreadas; c) a poda fitossanitária para o
controle da vassoura-de-bruxa Crinipellis perniciosa é um meio auxiliar na redução populacional da
praga; d) nas lavouras em que vêm sendo constatados ataques anuais da praga, recomenda-se
estreitar o intervalo de colheitas, visando evitar que as larvas abandonem o fruto para empupar no
solo. Os frutos, após retirados dos cacaueiros, devem ser imediatamente recolhidos em recipientes
ou sacos para evitar que as larvas que abandonam os frutos antes de serem amontoados, penetrem
no solo. Constatou-se que após duas horas da colheita em média 20% das larvas abandonam os
frutos, como uma tentativa de sobrevivência, por perceberem a alteração da posição do fruto
quando retirado da planta.
2. Controle químico: Após a quebra de frutos, no interior da lavoura, aplicar nos
casqueiros, o inseticida endosulfan (Thiodan 35CE) na proporção de 300 ml do produto para 100
litros de água, objetivando o controle de larvas que ficam nas cascas após a quebra dos frutos
colhidos, onde se desenvolvem, transformando-se em adultos, reinfestando a lavoura. A
pulverização da lavoura com inseticidas após a constatação de frutos brocados quando da
proximidade da colheita é inviável.
42
3. Controle biológico: Atualmente estão sendo desenvolvidas pesquisas com resultados
satisfatórios para o controle biológico de C. humeropctus através dos fungos Metharizium anisopliae e
Beauveria bassiana. Esses dois entomopatógenos, pulverizados na superfície do solo sob a forma de
conídios, apresentam excelentes perspectivas de controle da broca. No Amazonas observaram-se
pupas parasitadas por Lixophaga sp. (Diptera, Tachinidae) e Urosigalphus sp. (Hymenoptera,
Braconidae).
Vaquinhas
Várias espécies encontram-se associadas ao cacaueiro na Amazônia, entre as quais Chrysodina
spp., Colaspsis spp., Percolaspsis ornata, Costalimaita ferrugínea, Diabrotica septenliturata, Ephyraea spp.,
Nodonota spp., Rhabdopterus spp. Maecolaspis ornata e Metachroma spp., sendo as duas últimas, as mais
abundantes e freqüentes nos cacauais.
As vaquinhas são pequenos besouros que medem aproximadamente de 3 a 7mm de
comprimento (Fig. 31). A coloração das espécies é variada, com as asas anteriores bastante vistosas. Estes
insetos se alimentam de folhas novas e parcialmente maduras, provocando perfurações no limbo foliar
que fica com aspecto rendilhado, causando a redução da área foliar e diminuindo conseqüentemente a
capacidade fotossintética das plantas (Fig. 32). Alguns se alimentam da extremidade apical dos ramos e
também tem sido encontrado roendo a casca de bilros e frutos.
Fig. 31 – A vaquinha Maecolaspis ornata (Abreu et al., 1989)
Fig. 32 – Folha atacada por vaquinha (Mendes et al., 1979)
O controle químico das vaquinhas deve ser realizado apenas quando a(s) espécie(s)
apresentar(em), densidade populacional que justifique a prática. As maiores populações de vaquinhas na
Amazônia são observadas durante o período menos chuvoso na região, que via de regra coincide com a
emissão de folhas novas pela planta. Neste período, realizar amostragens no cacaual, dividindo-o em
quadras de 5 hectares. Em cada quadra, selecionar ao acaso 20 plantas, percorrendo uma a uma
estendendo sob a copa lençol de coleta de 4 x 4. Sacudir rápida e vigorosamente a planta e seus galhos e
coletar rapidamente as vaquinhas caídas sobre o lençol. Repetir quinzenalmente a amostragem. A
aplicação do inseticida somente deve ser efetuada quando forem encontradas 10 vaquinhas em média
por planta.
Lagartas
Constitui, como as vaquinhas, grupo dos mais diversificados em espécies. Poucas são
aquelas que chegaram a causar danos econômicos. Surtos esporádicos de Euclystes plusioides,
Cerconota dimorpha e da broca Cossula nigripennata foram registrados em Ouro Preto D'Oeste(RO),
Tomé-Açu(PA) e Uruará(PA), respectivamente.
As espécies mais comuns nos cacauais são:
Euclystes plusioides ataca folhas, renovos, flores e frutos (Fig. 33). É a espécie de maior freqüência
nos cacauais. Ao atacar os frutos novos, destroem a casca prejudicando o desenvolvimento dos mesmos.
Cerconota dimorpha ataca as folhas maduras do cacaueiro, alimentando-se da parte do limbo
entre as nervuras. As lagartas são de hábito noturno, escondendo-se durante o dia em ―ninhos‖ ou
"túneis" construídos com fios de seda e fezes, entre duas ou mais folhas secas presas entre si (Fig. 34). À
noite abandonam seus esconderijos e saem a procura de alimento.
43
Cossula nigripennata bloqueia o tronco e os galhos do cacaueiro causando o secamento com
posterior morte (Fig. 35). Surtos ocorridos em lavoura de Uruará(PA) foi controlado pela infecção natural
das lagartas pelo fungo Beauveria bassiana.
Pseudoplusia includens alimenta-se de folhas novas, sendo muito comum nos viveiros. As
lagartas são verdes com cerca de 40 milímetros no último instar.
Diopa sp. ataca folhas em estágio de maturação, mas sua população não chega atingir níveis
elevados.
Silepta prorogata chamada de lagarta enrola folha, alimenta-se de folhas novas de cacaueiros
adultos e mudas.
Oxyptilus sp. são pequenas lagartas com cerca de 13 milímetros de comprimento, que se
alimentam de folhas novas. Nos primeiros estágios alimentam-se da parte central das folhas, próxima a
nervura central, provocando pequenos furos arredondados. São muito comuns em viveiros.
Zetesima baliandra vive em colônias entre duas folhas coladas por fios de seda. Alimenta-se da
epiderme dessas folhas, atingindo no máximo 17 milímetros de comprimento no último estágio larval.
Até o momento as populações dessas lagartas tem sido mantidas em nível populacional
baixo, raramente ocorrendo em surtos. Seus inimigos naturais como anfíbios, pássaros, aranhas e
principalmente insetos predadores e parasitóides como besouros, moscas, vespas e formigas, bem
como nematóides e entomopatógenos, bastantes comuns nos cacauais da Amazônia, contribuem para a
manutenção desse equilíbrio.
O Controle químico é recomendado quando ao se constatar o início de surtos,
caracterizados pelo aumento considerável das populações. Efetuar inspeções periódicas no
cacaual, principalmente na época seca.. Constatado o aumento populacional da(s) espécie(s),
pulverizar a lavoura com inseticidas piretróides, Bacillus thuringiensis ou fisiológicos como
diflubenzuron.
Fig. 33 – Lagarta de Euclystes plusioides
Fig. 34 – "Ninho" de Cerconota dimorpha
Fig. 35 – A broca Cossula nigripennata
Formigas
Os formicídios constituem um dos grupos de insetos de grande ocorrência nas lavouras
cacaueiras da Amazônia. Algumas espécies causam danos diretos através da desfolhação e
podação dos brotos terminais. Outras, indiretos, devido a simbiose (protocooperação) com
homópteros que sugam a seiva do cacaueiro que por sua vez fornecem excreções açucaradas que
servem de alimento às formigas. No cacaual encontramos também formigas benéficas, predadoras
de outros insetos e que devem ser preservadas.
Formiga de fogo (Solenopsis sp.) - As formigas pertencentes a este gênero vivem em
colônias sob a casca e copa das árvores, cupinzeiros abandonados, madeira em decomposição, no
solo e sobre os cacaueiros.
Apesar de benéficas, já que são predadoras de outros insetos, causam prejuízos quando em
altas infestações pela criação, proteção e transporte de cochonilhas e pulgões com os quais vive em
protocooperação. Estes insetos sugam a seiva do cacaueiro definhando-o e fornecem uma
substância açucarada através de suas fezes das quais as formigas se alimentam. As formigas de
fogo causam ainda sérios problemas ao homem através de dolorosas ferroadas, dificultando a
realização das práticas culturais na lavoura.
44
O controle químico somente deve ser realizado quando ocorrerem em altas populações,
através da aplicação de inseticidas diretamente nos ninhos, que devem ser revolvidos durante o
tratamento. Os seguintes produtos podem ser utilizados: carbaril 5% (Carvin 5 e Sevin 5) ou
endosulfan (Thiodan e Malix) ou deltametrina (Decis 25 CE, K-otrine e K-obiol 25 CE).
Formiga saúva (Atta sexdens) – Estas formigas cortam as folhas do cacaueiro, provocando o
desfolhamento parcial ou total da planta, podendo levá-la à morte. As saúvas estão entre as pragas
mais importantes da agricultura brasileira. O controle deve ser dirigido, visando a destruição do
formigueiro onde se encontra a rainha.
As saúvas requerem um processo especializado de controle, necessitando para isso, a
observação de diversos detalhes de suma importância como identificação das espécies, cálculo da
área do formigueiro, escolha do produto, época de aplicação etc. A escolha do inseticida é feita de
acordo com a época do ano e a quantidade a ser aplicada, multiplicando-se a área do formigueiro
pela dosagem (Quadro 19).
Quadro 19 – Controle químico das saúvas
Formicida
Dosagem (m2)
Granulado
sulfluramida (Mirex-S, Mirex Plus,
Fluramin etc.)
Gases liquefeitos
brometo de metila (Brometila etc.)
Compasso (m2)
Época de aplicação
6-10g
-
Seca
4 ml
5
Líquidos
bifetrin (Bistar)
5 ml
2
Chuvosa
Pós
clorfenvinfos (Birlane 50P)
30 g
3
Seca
Termonebulização
deltametrina TN (Decis Fog etc.)
2,5ml/queros.
-
Quente
Chuvosa
Número de olheiros a serem tratados = área do formigueiro compasso
Quantidade de formicida a usar = área do formigueiro x dosagem
Principais Doenças do Cacaueiro e Medidas de Controle
Luís Carlos de Almeida
Vassoura-de-Bruxa (Crinipellis perniciosa)
É a doença mais importante para a cacauicultura brasileira. Esta doença é endêmica na
Região Amazônica, seu centro de origem, onde é conhecida há mais de dois séculos incidindo nos
cacaueiros nativos semi-cultivados das áreas de várzea e nos cacaueiros e outros hospedeiros
nativos dispersos nas matas primárias de terra firme.
O primeiro registro científico desta doença data de 1895 em plantações de cacau do Suriname,
onde causou perdas consideráveis na produção daquele país. Em 1918 foi constatada no Equador e
posteriormente na Colômbia, Venezuela, Guianas e Ilhas do Caribe produtoras de cacau. Atualmente
esta doença encontra-se presente em todos os países produtores de cacau do continente americano. Na
Bahia, principal região brasileira produtora de cacau, a vassoura-de-bruxa foi constatada a partir de
maio de 1989.
O agente causador da vassoura de bruxa é o fungo basidiomiceto de nome científico Crinipellis
perniciosa (Stahel) Singer, anteriormente denominado de Marasmius perniciosa. Este fungo é biotrófico,
apresentando duas fases perfeitamente diferenciadas: uma fase parasítica – com micélio grosso sem
grampos de conexão, existente nos tecidos verdes infectados, e uma fase saprofítica – com micélio fino
e grampos de conexão, existente nos tecidos infectados e necrosados no hospedeiro.
45
Além das espécies pertencentes aos gêneros Theobroma e Herrania da família das Sterculiaceas,
C. perniciosa tem sido relatado atacando espécies de outras famílias botânicas a exemplo das Bixacea,
Solanacea e Malpigiaceae. Porém, maiores impactos econômicos verificam-se nas culturas do cacau
(Theobroma cacao) e cupuaçu (Theobroma grandiflorum), por serem as duas espécies mais cultivadas. Este
fungo ataca os tecidos meristemáticos do hospedeiro em crescimento, causando os mais variados
sintomas a depender do tipo de infecção, natureza, idade e estágio fisiológico do tecido atacado.
Provoca inchações (hipertrofias) dos ramos, acompanhadas de intensa brotação das gemas
laterais, cujos sintomas assemelham-se a uma vassoura. Os ramos infectados são, geralmente, de
diâmetro maior que os ramos sadios, com entrenós curtos e folhas grandes, curvadas e retorcidas (Figs.
36 e 37). Podem ocorrer também na superfície dos ramos infectados, hipertrofias que posteriormente
necrosam e são denominadas ―cancros‖.
As almofadas florais infectadas transformam-se num agrupamento de flores anormais,
hipertrofiadas, de pedicelo alongado e inchado, dando origem a frutos partenocárpicos, deformadas
que morrem prematuramente (Fig. 38). Nas almofadas florais infectadas podem também desenvolver
vassouras semelhantes às que ocorrem nos lançamentos. As flores infectadas após a necrose ficam
aderidas ao tronco por algum tempo.
Fig. 36 – Vassoura de ramo (verde)
Fig. 37 – Vassoura de ramo (seca)
Os frutos infectados exibem vários tipos de sintomas a depender do
método de infecção e da idade no momento da infecção. Distinguem-se dois
tipos de infecção: indireta, através das flores infectadas; e direta, por esporos
através do epicarpo.
Fig. 38 – Vassouras de
almofadas
A primeira origina frutos globosos, partenocárpicos, denominados
―morangos‖ os quais posteriormente morrem tornam-se negros e
endurecidos. Frutos infectados ainda
jovens (um a dois meses) adquirem a
forma alongada e paralisam seu
crescimento
com
15
centímetros
aproximadamente, e são denominados
―cenouras‖, os quais também morrem e
Fig. 40 – Frutos com sintomas externos de
tornam-se negros e endurecidos (Fig. 39).
vassoura-de-bruxa
Frutos infectados em estágios
mais desenvolvidos (dois a três meses),
apresentam, quando adultos, uma
mancha negra, geralmente deprimida e
Fig. 39 – Frutos cenouras
dura, de forma geralmente circular (Fig.
40). Internamente estes frutos apresentam as amêndoas apodrecidas e
aderidas entre si (Fig. 41). Frutos infectados na fase adulta (5 a 6
meses), os sintomas ficam limitados à superfície das cascas, não
comprometendo as amêndoas.
Na Amazônia brasileira, os maiores impactos econômicos
Fig. 41 - Frutos com sintomas internos de
vassoura-de-bruxa
da vassoura-de-bruxa ocorrem nas plantações de cacau e de
cupuaçu tecnicamente implantadas nas terras firmes. No caso do
cacaueiro, tem sido constatadas perdas de até 90% da produção, em plantações onde as medidas
46
de controle não são realizadas de forma sistemática todos os anos. Em tal situação, a viabilidade
econômica da cultura pode ser agravada pelos efeitos indiretos da doença, a redução da área foliar
e a danificação das almofadas florais, causando, desestímulo e em casos mais graves o abandono
das plantações.
Embora nos últimos anos tenha havido avanços dos conhecimentos sobre a biologia deste
fungo, ainda não é conhecida a sua forma assexual, bem como o papel desempenhado pelas várias
estruturas já verificadas ―in vitro‖ no seu ciclo de vida (Fig. 42). Até o presente, a única forma
infectiva conhecida que ocorre no campo é o basidiosporo que é disseminado pelo vento e, em
menor escala, pelas chuvas.
Ciclo de vida do Crinipellis perniciosa
C
Fig. 42 – A- Basidiocarpo em fase de liberação dos basidiosporos;
B- Basidiosporo em fase de germinação;
C- Micélio primário (parasitivo) em crescimento;
D- Micélio secundário (saprofítico), mostrando o grampo conexão.
A doença é o resultado da interação entre o patógeno, o hospedeiro e o ambiente. No caso
do cacaueiro x C. perniciosa, o diagrama abaixo mostra com detalhes as várias fases do
desenvolvimento da vassoura-de-bruxa (Fig43).
Fig. 43 – Ciclo da doença como resultado da interação hospedeiropatógeno do Crinipellis perniciosa
O controle da vassoura-de-bruxa faz parte de uma série de práticas normais das roças
cacaueiras, práticas estas que constitui o ―manejo integrado da lavoura‖ que reúne de forma
compatível, as práticas agrícolas necessárias para a recuperação e manutenção dos cacauais. Este
sistema integrado de práticas (tratos fitossanitários e culturais), com ênfase para o controle da
47
vassoura-de-bruxa de forma sistematizada, possibilita a convivência em bases econômicas da
cacauicultura com esta doença, promovendo o aumento da produtividade com a conseqüente
melhoria da renda da propriedade cacaueira.
A poda normal do cacaueiro é prática realizada todos os anos e consiste na eliminação de
galhos indesejáveis, promovendo o raleamento e rebaixamento de copas compactadas. Em regiões
de alta incidência de vassoura-de-bruxa, a ―poda fitossanitária‖ é realizada em conjunto com a
poda normal do cacaueiro. Esta prática consiste na remoção das vassouras, almofadas florais
infectadas e frutos infectados, além da eliminação dos ramos com intenso ataque da doença.
A drasticidade da poda fitossanitária depende da severidade da doença. Em plantações
onde a remoção das vassouras é feita desde o início do plantio e durante todos os anos, o nível da
doença permanece baixo, não havendo necessidade de podas drásticas. Porém, em plantações com
manejo deficiente e ou abandonadas por vários anos, o nível de incidência é elevado e neste caso
há necessidade de podas severas, o que causa um efeito depressivo na produção nos dois
primeiros anos após a poda de recuperação.
Na nossa região, o período mais adequado para a
realização da poda fitossanitária é durante os meses de
Agosto e Setembro, ocasião em que são removidas as
vassouras verdes e secas, os frutos doentes e
mumificados e os ramos intensamente atacados. As
vassouras de almofadas devem ser removidas com um
pouco da casca do cacaueiro, tendo-se o cuidado de não
atingir o lenho (Fig. 44). As vassouras vegetativas ou de
ramas, devem ser removidas através de corte na distância
de 25cm (cerca de um palmo) do ponto de infecção.
Fig. 44 - Remoção de almofada floral infectada de
vassoura-de-bruxa
Todo o material infectado removido deve permanecer no solo dentro das plantações, após
serem picotados para permitir o acamamento na liteira, possibilitando a degradação mais rápida
pelos microorganismos do solo.
Repasse – Esta prática é efetuada durante os meses de Novembro ou Dezembro, para a
retirada de vassouras que escaparam à atenção do trabalhador por ocasião da remoção principal
ou novas vassouras que apareceram após as brotações do cacaueiro devido as primeiras chuvas do
período.
A aplicação de fungicidas não deve ser uma prática isolada, mas uma prática
complementar à poda fitossanitária, pois além de ajudar no controle da vassoura-de-bruxa,
controla outras doenças, a exemplo da podridão parda, além de combater o limo que, no período
chuvoso cresce na superfície do tronco do cacaueiro prejudicando a emissão de flores e causando
queda da produção.
Recomenda-se realizar cinco pulverizações anuais na época de floração e bilração, nos
meses de Dezembro, Janeiro, Fevereiro, Março e Abril. O fungicida recomendado é o Cobre sandoz
(óxido cuproso a 50% de ingrediente ativo), na dosagem de 6 kg do produto comercial por hectare,
em cada aplicação. Deve-se adicionar um adesivo espalhante na dosagem de 1ml por litro de calda.
A necessidade de aplicar fungicidas não é a mesma para todas as plantações de cacau. Em
geral, plantações bem manejadas onde o controle da vassoura-de-bruxa é feito sistematicamente
todos os anos, as condições fitossanitárias são boas, dispensando a aplicação de fungicidas.
A severidade da vassoura-de-bruxa nas propriedades cacaueiras é resultado direto do
manejo aplicado pelos produtores às plantações. Como esta prática não ocorre de forma igual,
diferentes situações são encontradas em campo, exigindo do extensionista conhecimento e
experiência para intervir de forma correta na estratégia a ser adotada pelo produtor no controle da
doença.
Produtividades maiores poderão ser obtidas em prazos mais longos (acima de três anos),
desde que o produtor substitua as plantas mais suscetíveis e menos produtivas por material
genético de melhor qualidade, isto é, por plantas mais resistentes e mais produtivas.
48
Resultados obtidos na recuperação de roças cacaueiras com alta incidência de vassoura-debruxa em Rondônia, mostram que após o terceiro ano de aplicação do ―manejo integrado‖ podem
ser obtidas produções de 800 a 1.000 kg/ha, e em casos isolados até 1.500 kg/ha. O Quadro a
seguir demonstra os custos de controle da vassoura-de-bruxa.
Quadro 20 – Custos do Controle da Vassoura-de-Bruxa (1 hectare)
Práticas
Remoção
Repasse
Aplicação de fungicidas
Insumos
Fungicida
Gasolina
Óleo 2T
Podão
Facão
Total
Ano I
Jornadas
26
4
15
Quantidade
30 kg
60 l
3l
3 unid
2 unid
-
Ano II
Valor (R$)
182,00
28,00
105,00
Valor(R$)
195,00
50,50
18,00
6,00
12,00
596,50
Jornadas
20
4
15
Quantidade
30 kg
60 l
3l
3 unid
2 unid
-
Valor (R$)
140,00
28,00
105,00
Valor (R$)
195,00
50,50
18,00
6,00
12,00
594,50
Fonte: Relatório de avaliação das Unidades de Observação da Cacauicultura de Rondônia.
CEPLAC/SUPOC, 1997
Preços utilizados:
Mão-de-Obra: R$7,00/jornada
Gasolina: R$0,84/litro
Fungicida: R$ 6,50/kg
Óleo 2 T: R$6,00/litro
Podão:
Facão:
R$ 2,00/unid
R$ 6,00/unid
Podridão parda (Phytophthora palmivora)
Esta doença é de ocorrência generalizada em todos os continentes produtores de cacau,
causando perdas da produção mundial em torno de 10%. É causada por fungos do gênero
Phytophthora da Classe dos Omicetos, com várias espécies. No Brasil, na principal região produtora
de cacau, o Sudeste da Bahia, a podridão parda foi por vários anos atribuída à espécie Phytophthora
palmivora, porém, posteriormente descobriu-se que Phytophthora capsici é o principal agente
causador dessa enfermidade naquela região, causando perdas elevadas da produção nos anos
favoráveis ao desenvolvimento de epidemias.
Na Amazônia brasileira, estudos realizados em plantações de cacau estabelecidas nas terras
firmes, mostram que Phytophthora palmivora é o principal agente causador da doença, cujas perdas
da produção variam de região para região. No Estado do Pará, em plantações de cacau das
regiões da Transamazônica, Tomé-Açu, Belém, além de outras, foram constatadas perdas em torno
de 30 a 40% da produção , contrariamente ao verificado nas plantações do Estado de Rondônia,
onde as perdas têm sido insignificantes.
O fungo pode ser encontrado em qualquer parte do cacaual: no
solo, no casqueiro, e em qualquer parte da árvore infectada, sendo o
inóculo disseminado pela chuva, insetos, ventos e pelo homem.
Sintomas
Nos frutos - a infecção pode ocorrer em qualquer estágio de
desenvolvimento e em qualquer parte da superfície. O primeiro sintoma
pode ser visto 30 horas após a infecção, caracterizando-se pela presença de
pequenas manchas escurecidas na superfície da casca (Fig. 45). Se a
umidade é alta, a lesão expande e produz esporângios esbranquiçados na
superfície. Em frutos novos (bilros) os sintomas comuns são: manchas e
enrugamento e posterior escurecimento, podendo ser facilmente
Fig. 45 – Frutos atacados de
podridão parda.
49
confundido com murcha fisiológica. Quando frutos já desenvolvidos são infectados, as amêndoas
podem ser parcialmente ou totalmente aproveitadas.
No tronco – A doença se desenvolve no tronco como resultado da disseminação do micélio
do fungo a partir de frutos infectados, atingindo o pedúnculo e interior das almofadas, onde por
meio de ferimentos da casca pode atingir o câmbio.
Em plantações mal manejadas e com alta incidência de
podridão parda é comum a ocorrência no tronco de manchas
escurecidas de forma geralmente arredondadas na superfície da
casca, sintomas do cancro (Fig. 46).
Em estágio mais avançado, o cancro caracteriza-se pela
exudação de fluido avermelhado através da casca. Ao remover
a casca constata-se o tecido infectado apresentando uma
coloração marrom. Às vezes esta infecção aprofunda-se no
lenho, podendo matar a planta.
Fig. 46 - Câncro provocado pelo ataque
de Phytophthora spp.
Nas mudas em viveiros - Em viveiros, durante o período
chuvoso, é comum o aparecimento de mudas de cacau
apresentando queima das folhas seguido de tombamento e
morte das plântulas, sintomas estes característicos do ataque de
Phytophthora sp.
Controle
No campo: são recomendadas práticas culturais e aplicação de fungicidas cúpricos.
Práticas culturais: remoção de todos os frutos infectados existentes nas árvores, fazendo-se
amontoa dos mesmos, prática esta realizada nos meses de Setembro ou Outubro, na época da poda
fitossanitária para o controle da vassoura-de-bruxa e no período de máxima frutificação, meses de
Janeiro a Maio, deve-se fazer a colheita dos frutos infectados, para evitar a contaminação dos
demais frutos.
Caso haja excesso de umidade e excesso de sombra na plantação, deve-se fazer drenagem e
raleamento das árvores de sombra, criando condições desfavoráveis para o desenvolvimento da
doença.
Aplicação de fungicidas – Recomenda-se quatro pulverizações mensais nos meses de maior
frutificação, meses de Janeiro, Fevereiro, Março e Abril, com fungicidas cúpricos (Cobre Sandoz a
50% de ingrediente ativo), na dosagem de 400 gramas do produto para 10 litros de água. No caso
das plantações da Amazônia, não há necessidade de realizar esta prática, uma vez que o controle
químico realizado para o controle da vassoura-de-bruxa, serve também para controlar a podridão
parda.
Outras Doenças
Antracnose – De pouca importância na região, esta doença é provocada pelo fungo,
Colletotrichum gloeosporioides, que se manifestam nas folhas, ramos e frutos. As folhas novas são
as mais suscetíveis ao ataque, nas quais provoca o aparecimento de manchas escuras, necróticas,
com mais freqüência no ápice e nas bordas do limbo. É comum observar-se o enrolamento do ápice
e das margens afetadas. Com o desenvolvimento da doença pode ocorrer a queda das folhas e
morte regressiva dos ramos.
Nos frutos adultos a doença é de pouca importância econômica, havendo maiores danos em
condições de viveiro com umidade excessiva, onde o controle da incidência nas mudas é feito
através de pulverizações quinzenais com Dithane M-45 ou Fungineb 80 S (40 gramas do produto
para 10 litros de água mais 10ml de adesivo).
50
Mal Rosado – Doença provocada pelo fungo Corticium salmonicolor, ataca com maior
freqüência os galhos finos e a forquilha das plantas novas em condições de campo. No início do
ataque, observa-se na superfície do galho afetado, o micélio na forma de pontuações brancas que
posteriormente adquire cor rosada. Nas folhas observa-se o amarelecimento precoce seguido de
morte do ramo afetado.
A esporulação do fungo ocorre durante a noite, favorecida pelas condições de umidade
elevada, sendo os esporos rapidamente disseminados pelo vento. Tem-se verificado maior
incidência nos meses mais chuvosos em áreas bastante sombreadas.
Para o controle desta enfermidade recomenda-se pulverizações quinzenais com Dithane M45 ou Fungineb 80 S (200 gramas do produto para 10 litros de água, mais 10 ml de adesivo). Após a
primeira pulverização remover os galhos afetados com um corte a 30 cm abaixo do ponto de
infecção na forquilha. A seguir fazer a raspagem dos tecidos lesionados e, em seguida, pincelar a
parte afetada com Dithane M-45 a 50% (500 gramas do produto para 10 litros de água).
Precauções Gerais no Uso de Agrotóxicos
Paulo Júlio da Silva Neto
Antonio Carlos de Souza Martins
A utilização de agrotóxicos é normatizada pela Lei Federal Nº 7.802, de 11 de Julho de 1989
e regulamentada pelo Decreto Federal 98.816, de 11 de Janeiro de 1990.
Dentre os vários aspectos existentes na Lei Federal, enfocam-se padronizações e rotulagem
que orientam o uso seguro e adequado dos produtos pelos agricultores. A classificação
toxicológica, que é a identificação do risco oferecido pelo uso de substâncias químicas, processos
físicos ou biológicos, fornece informações a respeito da forma correta de seu emprego, bem como
as medidas preventivas e curativas para os casos de uso indevido e conseqüente intoxicação.
Um critério de segurança a ser seguido é a preferência por produtos com menor toxidez. Os
produtos fitossanitários (herbicida, fungicida, inseticida, nematicida etc.) encontram-se no
mercado identificados por quatro classes toxicológicas, que se referem à toxicidade do produto
para o homem e ambiente, e não para a praga, doença ou planta daninha. Na maioria dos casos é
possível selecionar produtos que sejam menos tóxicos ao homem, mas que mantenham o seu
poder de controle sobre o problema fitossanitário.
São as seguintes as classes toxicológicas:
CLASSE
CLASSE
CLASSE
CLASSE
I
II
III
IV
Extremamente Tóxicos
Altamente Tóxicos
Medianamente Tóxica
Pouco Tóxica
Faixa Vermelha
Faixa Amarela
Faixa Azul
Faixa Verde
Todos os defensivos agrícolas têm seus usos devidamente registrados pelo Ministério da
Agricultura e do Abastecimento e aprovados pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Além dessas exigências, também são
obrigados a fornecer informações quanto às culturas a serem protegidas, bem como aos cuidados a
serem observados na proteção da saúde dos aplicadores e na preservação do meio ambiente, ou
seja, os rótulos, as bulas e os folhetos complementares dos agrotóxicos devem conter todas as
instruções de uso devidamente aprovadas, conforme determina a legislação.
Porém, o grande problema dos agrotóxicos no Brasil está na sua utilização. Desta forma, de
nada adiantam um registro perfeito, estudos toxicológicos e de resíduos, se no momento da
aplicação não são obedecidas as prescrições necessárias e obrigatórias, sem as quais todo aquele
esforço inicial deixa de ter sentido.
51
Outro fator a ser considerado refere-se ao fato de que, apesar de ser comum entre os
agricultores, as misturas de tanque de produtos fitossanitários, não devem ser recomendadas, haja
vista se desconhecer as características toxicológicas das misturas.
É importante lembrar que o agricultor lida com diversos produtos químicos: solventes,
tintas, lubrificantes, produtos para limpeza e desinfecção de estábulos, produtos de uso zoo e
fitossanitários, e que em todos os casos há um risco potencial de intoxicação.
Assim sendo, não se pode aceitar que um trabalhador use produtos potencialmente
perigosos sem que antes passe por um treinamento sob orientação de um técnico habilitado, com o
objetivo de adquirir conhecimentos relativos ao produto, aos equipamentos de aplicação, ao uso de
roupas de proteção, aos cuidados com as pessoas e ao meio ambiente.
Durante o seu trabalho, o aplicador se depara com situações diferentes, e precisa estar
preparado para conhecer cada etapa desse trabalho. Deverá, portanto, ter conhecimento sobre
preparo da calda, aplicação do produto no campo, transporte e armazenamento de produtos, além
de cuidados com relação ao intervalo de segurança e reentrada na área tratada.
A proteção ao aplicador através do uso de vestimenta apropriada, parte da premissa de que
um produto somente poderá manifestar qualquer ação tóxica, se conseguir penetrar no organismo
do trabalhador. A função da roupa protetora, portanto, é a de impedir a penetração do produto.
São três as vias de entrada de produtos químicos no organismo humano:
a) cutânea – (dérmica) – absorção do produto através da pele, sendo que neste caso a penetração
poderá ser facilitada pela presença de cortes ou abrasões nela existentes. É a via mais
importante de penetração. Pesquisas realizadas têm indicado que aproximadamente 97% dos
casos de intoxicação são devidos a penetração do produto pela via cutânea, principalmente nos
casos de pulverização;
b) respiratória – é a segunda em ordem de importância. Em todas as aplicações em que se tem o
produto sob a forma de gás ou vapor, ou quando se tem partículas líquidas e sólidas em
suspensão no ar, há a probabilidade de penetração do produto pela via respiratória; e,
c) digestiva – é a que menos perigo oferece ao aplicador. A contaminação só ocorre quando o
trabalhador ingere alimentos contaminados com produtos químicos, ou quando come ou fuma
com as mãos contaminadas.
Feitas as considerações acima, é necessário analisar, para cada via de penetração, que tipo
de equipamento de proteção individual (EPI) deverá ser usado.
No trabalho com equipamento costal, não só as pernas do trabalhador ficam molhadas,
pelo fato dele caminhar entre as linhas tratadas, bem como as costas, devido a possíveis
vazamentos na tampa. Por outro lado, devido ao vazamento que poderá ocorrer na válvula que
libera o jato do produto, as mãos também ficam sujeitas ao contato com agrotóxicos.
Assim, estas partes do corpo deverão receber proteção especial. A mesma cultura sendo
pulverizada com equipamento tratorizado, fará com que o tratorista (que é o aplicador), tenha uma
exposição diferente, o que já evidencia que as roupas dos dois trabalhadores deverão ser
diferentes. Se a aplicação dessa mesma cultura for por via aérea, não só a exposição do piloto como
a dos ―bandeirinhas‖ serão diferentes.
Dentro dessa linha de raciocínio, há neste exemplo quatro tipos de exposição, e neste caso é
necessário que cada um desses trabalhadores se proteja de maneira diferente.
Considerando que a proteção só é necessária desde que haja exposição, haverá situações em
que o trabalhador aplica produtos de Classe I – Extremamente Tóxicos, sem necessitar de proteção
alguma. Exemplos desse caso são aplicações de herbicidas com barras protegidas com ―saias‖ para
evitar a deriva, ou nos equipamentos que aplicam granulados no solo. Nesse caso o equipamento
abre um sulco no solo, injeta o produto, e cobre o sulco com terra. O tratorista, que no caso é o
52
aplicador do produto, não tem nenhum contato com o produto, e portanto não necessita de roupa
protetora.
Dentro desta análise, o único equipamento de proteção individual a ser recomendado a um
trabalhador que usa gás (brometo de metila) será o protetor respiratório (máscara), assim como o
aplicador de iscas granuladas deverá apenas usar luvas, uma vez que as outras partes do corpo
não estarão expostas ao produto.
Quanto maior a diluição usada, menor será o risco de intoxicação. O momento crítico em
termos de risco é o preparo da ―calda‖. Nesta situação o produto está puro, com alta concentração,
além de estar veiculado na maioria das vezes em solventes que facilitam a penetração do ativo na
pele do trabalhador. Como as situações de exposição ao produto são diferentes, a vestimenta
protetora para as operações de preparo de calda e enchimento de tanque deverá ser diferente
daquela recomendada para a aplicação do produto no campo.
Para cada tipo de operação executada pelo agricultor, haverá um tipo de exposição
diferente. Assim, nas operações de transporte, armazenamento, enchimento de tanques, aplicação
propriamente dita, lavagem do tanque, lavagem das embalagens vazias, descarte de embalagens,
partes diferentes do corpo do trabalhador são expostas, o que faz com que se devam recomendar
as vestimentas protetoras de acordo com a avaliação da exposição a ser feita no momento da
operação.
Em resumo são os seguintes os equipamentos de proteção individual (EPI) a serem
utilizados pelo trabalhador :
a) no preparo da calda e enchimento do tanque: boné ou chapéu; viseira de acetato para
proteção do rosto e principalmente dos olhos; luvas de nitrila ou neoprene; roupas de
algodão (calças compridas e camisas de mangas compridas); botas de borracha e avental
impermeável; e,
b) na aplicação do produto:
b1-) com equipamento costal ou operador de equipamento tratorizado que não seja o tratorista:
roupas de manga comprida e calças compridas; luvas; chapéu; botas de borracha; folha
de plástico para proteger os ombros e as costas do trabalhador para prevenir possíveis
vazamentos da tampa do tanque do pulverizador costal;
b2-) com equipamento tratorizado – (tratorista): camisa de manga comprida e calças
compridas; botas; boné ou chapéu comum de palha; as luvas devem ser usadas no
enchimento do tanque e na regulagem de vazão e desentupimento de bicos; e,
b3-) Na aplicação de gases ou fumigação: máscara (protetor respiratório) com filtro específico,
de acordo com a recomendação do fabricante; roupas bastante ventiladas.
O uso correto e seguro dos agrotóxicos devem objetivar melhores resultados econômicos da
atividade agrícola e, ao mesmo tempo, evitar problemas de intoxicação de pessoas ou animais, de
poluição ambiental e de contaminação de alimentos com resíduos acima dos limites permitidos.
Assim, as pessoas que manipulam com produtos tóxicos devem tomar uma série de precauções no
sentido de evitar sérios riscos a sua saúde e graves danos ao meio ambiente. As recomendações
mais importantes são:

Ler e entender as instruções do rótulo antes de abrir a embalagem. Se outras pessoas vão
estar em contato com o produto durante sua utilização, alertá-los no sentido de tomarem
conhecimento das precauções a serem adotadas;

Seguir rigorosamente as instruções e as indicações dos rótulos e bulas dos produtos;

Procurar manipular os produtos sempre ao ar livre;

Guardar os produtos nas embalagens originais em locais separados de alimentos, longe
do alcance de crianças e animais domésticos;
53

Em dias de ventos fortes, não realizar pulverizações porque ocorrerá muita deriva,
tornando a aplicação antieconômica;

Usar sempre água limpa para o preparo das soluções;

Procurar não se alimentar, tomar líquidos ou fumar durante os trabalhos, evitando-se na
medida do possível, todo contato direto com o produto;

Lavar as mãos ou parte do corpo com sabão e bastante água sempre que, acidentalmente,
entrar em contato com o produto;

Usar o equipamento de proteção individual (EPI) de acordo com as recomendações;

Nunca usar a boca para proceder o desentupimento de bicos, mangueiras, válvulas e
barras do aparelho;

Durante a aplicação, evitar que os operários trabalhem muito juntos;

Evitar a aproximação de crianças ou outras pessoas e animais domésticos durante as
aplicações;

Conservar o produto sempre em sua embalagem original a qual, deve estar com a etiqueta
legível;

Evitar a contaminação de rios, lagos e mananciais ao aplicar o produto ou descartar os
excedentes da aplicação;

Nunca armazenar os produtos em garrafas de refrigerantes, cervejas, pinga etc;

Imediatamente após o esvaziamento das embalagens, faça a tríplice lavagem, lavando-as
internamente, por três vezes consecutivas, vertendo a água da lavagem no tanque do
pulverizador; e,

Após o término do trabalho com aplicação de agrotóxicos, retire a roupa, tome banho, e
vista roupa limpa. Lave as roupas utilizadas separadamente.
A tríplice lavagem de embalagens de produtos fitossanitários deve ser realizada durante a
operação de preparo da calda, na ocasião em que o conteúdo da embalagem é totalmente
despejado no tanque do pulverizador. Embora pareça óbvio, é importante salientar a importância
de se realizar a tríplice lavagem imediatamente após o esgotamento do produto contido na
embalagem para facilitar a remoção, aproveitar ao máximo o conteúdo líquido e evitar que o
produto resseque e fique aderido nas paredes da embalagem, dificultando o processo de remoção
dos resíduos internos.
Também é importante destacar que, para permitir uma boa lavagem, a embalagem deve ser
preenchida com água até atingir ¼ de sua capacidade, devendo ser novamente fechada, agitada
por alguns segundos e, na seqüência, a calda resultante deverá ser despejada no tanque do
pulverizador. Outro aspecto a ser observado, é que tal operação deverá ser repetida três vezes.
Além dessas providências, é imprescindível que se tenha em mente, que após a tríplice
lavagem, a embalagem deverá ser perfurada e inutilizada, para garantir que não será reutilizada
para transportar água ou outras finalidades. Quando as embalagens de agrotóxicos são
descartadas com a tríplice lavagem, os riscos de contaminação tornam-se bastantes reduzidos.
Primeiros socorros:
O pronto atendimento a uma pessoa intoxicada é fundamental para preservar a vida, e
deve ser realizado ainda no campo se não houver recurso médico imediato. Os primeiros socorros
são os seguintes:
1- retirar o paciente do local de trabalho;
2- Se a contaminação for por contato, tirar a roupa contaminada e lavar imediatamente as
partes contaminadas do corpo com água fria e sabão. De preferência, tomar banho
completo;
54
3- Contaminação dos olhos – lavar com água limpa e corrente por 10 a 15 minutos;
4- Ingestão – se o tóxico for ingerido, provocar vômito desde que recomendado no rótulo da
embalagem; e,
5- Ingerir grande quantidade de água é geralmente benéfico para diluir o produto, facilitando
a eliminação. Não deve ser administrado leite ou produtos alcoólicos. Nunca provocar
vômito em pessoas inconscientes, semiconscientes ou em convulsão.
Mesmo que tenha tomado as primeiras medidas de socorro, deve-se buscar imediatamente o
atendimento médico.
Sempre que possível, levar junto o rótulo do produto contendo nome, o ingrediente ativo,
grupo químico e concentração.
O CACAUEIRO NOS ECOSSISTEMAS DAS VÁRZEAS DOS ESTADOS
DO PARÁ E AMAZONAS
Luís Carlos de Almeida
Aureliano Tavares de Góes Filho
Antonio Carlos de Souza Martins
As áreas de várzeas são planas e caracterizam-se por permanecer temporária ou
permanentemente inundadas, pelos rios ricos em sedimentos organo-minerais, porém, sem
interferência de água salina. Geralmente são solos férteis devido a esta constante deposição de
matéria orgânica e nutrientes.
Os Campos Equatoriais Higrófilos representam grande parte da área. Apresentam uma
fisionomia campestre uniforme, caracterizada por solo com problemas de hidromorfismo, onde o
alagamento periódico seleciona as espécies ecologicamente adaptadas, tais como: canarana
(Panicum spp), aturiá (Machaerium lunatus), capim de marreca (Paratheria prostata), junco (Cyperus
giganteus). Nas áreas mais altas (tesos), a vegetação é arbustiva, indicando melhor drenagem, onde
se encontra o babaçu (Orbignya martiniana), em meio a vegetação arbustiva.
Nas áreas de várzea predominam os Gleissolos (Glei Pouco Húmico), que são solos
hidromórficos, pouco evoluídos, mediamente profundos, poucos porosos, extremamente a
fortemente ácidos, originados de sedimentos recentes pertencentes ao Quaternário. São
desenvolvidos sob grande influência do lençol freático próximo a superfície pelo menos em certas
épocas do ano. Apresentam cores acinzentadas e neutras subsuperficialmente, possuindo
seqüência de horizontes do tipo A e Cg ou A, Bg e Cg.
Apresentam grande variação em decorrência da natureza do material de que são
originados, podendo por conseguinte, apresentarem textura argilosa, muito argilosa, com elevada
ou baixa saturação de bases e elevada ou baixa saturação com alumínio.
Ocorrem na paisagem fisiográfica denominada Planície fluvio-marinha, pertencente ao
Quaternário, sob vegetação campestre, floresta equatorial perenifólia de várzea, normalmente
associados aos Plintossolos, solos Aluviais ou solos Salinos.
Os solos Glei Pouco Húmico apresentam-se como álicos ou eutróficos com minerais de
argila de atividade baixa e alta, o que demonstra uma correlação das características físico-químicas
com a natureza dos sedimentos que dão origem a esses solos.
Os Gleissolos Álicos com argila de atividade baixa, são de baixa fertilidade natural com pH
variando de 3,9 a 4,7 até a profundidade de 40cm com média de pH = 4,3, valores esses
considerados extremamente ácidos a fortemente ácidos.
Os valores de soma de bases e saturação de bases trocáveis são muito baixos o que denota
uma carência muito grande de nutrientes às culturas. O teor de fósforo também é muito baixo,
limitando, ainda mais, o desenvolvimento das plantas.
55
O conteúdo de matéria orgânica desse solo é muito alto, variando de 24,6 a 99,4% na
camada de 40cm com média de 62%, sendo responsável pela manutenção da nutrição das plantas
cultivadas nessas áreas. Este fato ocorre pela deposição de sedimentos que anualmente ocorre por
ocasião das enchentes e marés.
A textura desse solo é dominantemente muito argilosa, embora superficialmente, até a
profundidade de 15cm, apresenta textura média. Esses solos ocorrem na Planície Fluvial e em
menor proporção nas margens dos rios que se encontram no interior do Município de Cametá.
Já no tocante aos Glei Pouco Húmico eutróficos, trata-se de solos férteis, com alta saturação
de bases trocáveis, decorrentes dos valores médios de cálcio e altos de magnésio, porém os valores
de potássio são baixos, demonstrando que apesar de serem eutróficos necessitam de
complementação desse elemento. O mesmo acontece com o teor de fósforo que é muito baixo,
necessitando, por conseguinte, de adubação fosfatada para promover o crescimento e
produtividade das culturas.
A atividade alta dos minerais de argila é a principal diferença entre esses solos, sendo
responsável pela constante liberação de nutrientes às plantas. Dentro dessas características, estão
enquadrados os ecossistemas das várzeas da Microrregião de Cametá – Baixo Tocantins e do
Estado do Amazonas.
A Microrregião de Cametá que compreende os Municípios de Abaetetuba, Baião, Cametá,
Igarapé-Miri, Limoeiro do Ajuru, Mocajuba e Oeiras do Pará se constitui em uma das mais
tradicionais zonas produtoras de cacau da Amazônia, com maior destaque para os Municípios de
Cametá e Mocajuba.
Os trabalhos da CEPLAC na Região foram iniciados a partir de 1969 através de um acordo
de colaboração técnica celebrado entre a CEPLAC e o Governo do Estado do Pará. No decorrer de
1970 a CEPLAC deu início as atividades de assistência técnica aos produtores da Região, com o
propósito de capacitá-los a práticas de manejo visando incrementar o aumento de produtividade
dos cacauais.
Inicialmente foi priorizado um programa de implantação de cacaueiros híbridos nas
várzeas, pois, segundo as observações e considerações dos técnicos responsáveis pela
implementação do programa à época, as cheias eram de menor proporção e aconteciam em
períodos espaçados, aspectos estes, considerados como não impeditivos a implantação e
exploração das lavouras com cacaueiros.
Porém, a partir de 1974 as grandes cheias do Rio Tocantins se registraram com maior freqüência,
e com isso, passaram a comprometer de forma significativa a atividade, haja vista que tais fatos,
contribuíram de forma direta para o fenecimento de um elevado número de cacaueiros, notadamente os
híbridos plantados até 1974. Por conta desses acontecimentos, o programa do plantio em várzeas sofreu
um processo de estancamento. De certa forma, podemos dizer que, somente a partir de 1984, com o
funcionamento da Hidrelétrica de Tucuruí, a cacauicultura tradicional começou a experimentar um novo
alento, com evidência do efeito da barragem no controle das cheias do Tocantins.
Nas várzeas da Microrregião de Cametá observa-se que a exploração do cacaueiro está
inserida de forma muito intensiva na cultura e economia do homem da região, pois, não obstante a
maioria das áreas com cacauais apresentar tamanho inferior a 10 hectares, a renda auferida com a
exploração desse produto, contribui com cerca de 70% na composição da renda familiar dos
agricultores. Além disso, embora outras atividades também contribuam para a formação da renda
familiar das populações ribeirinhas, entre as quais: a exploração do açaí, da seringueira, a coleta de
sementes de andiroba e ucuuba, à exceção do açaí, as demais vêm perdendo importância comercial
devido o processo de exploração continuar eminentemente extrativo.
De acordo com informações fornecidas pelo Setor de Extensão Rural da CEPLAC/SUPOR,
estima-se em 7.160 hectares a área com cacau na Microrregião Cametá, sendo a quase totalidade
constituída por material nativo da região. O Município de Cametá destaca-se entre os demais com
56
uma área de aproximadamente 5.500 hectares e, constitui-se assim, no centro de produção e
comercialização do produto no âmbito dessa Microrregião.
Entretanto, nessas áreas de várzeas, por serem constituídas de cacaueiros nativos, são
geralmente de idade desconhecida, apresentam baixo nível de manejo, possuindo uma densidade
média que varia de 200 a 400 touceiras por hectare, com elevado número de troncos/touceiras e
apresentam baixa produtividade (cerca de 150 a 200 kg/ha). Salvo algumas situações isoladas,
persiste o processo de exploração em que o produtor apenas colhe os frutos, não dispensando
nenhum trato cultural às plantações.
Preocupada com essa conjuntura, e compromissada em alcançar uma produtividade capaz
de elevar o nível de renda do produtor tradicional e, conseqüentemente, melhorar o seu padrão de
vida, a CEPLAC, com base em observações e na experiência adquirida ao longo desses anos, vem
orientando os agricultores em alguns aspectos concernentes ao manejo de cacauais, haja vista que
em algumas áreas sob manejo intensivo existem resultados que dão conta de lavoura que se
encontra com produtividade de 400 kg/ha, apresentando bom aspecto vegetativo e fitossanitário.
Nesse sentido, os agricultores estão sendo orientados a renovar e implantar novos
cacaueiros, a partir de sementes que embora sejam originárias de material nativo, são previamente
selecionadas, levando em consideração características interessantes dos materiais, tais como:
produção, vigor, resistência à vassoura-de-bruxa e pragas, boa conformidade arquitetônica etc.
Além disso, os agricultores também estão sendo orientados para a importância de
efetuarem as seguintes práticas de manejo: remoção de vassoura-de-bruxa, roçagem, escoramento
dos cacaueiros, desbaste de touceiras de cacaueiros, a autorenovação a partir de brotos surgidos
em plantas decadentes, o adensamento via plantio de mudas de cacaueiros nos espaços entre as
velhas, bem como, o raleamento de sombra através do desbaste de plantas componentes do
revestimento florístico da área.
Já no que concerne a exploração do cacaueiro no ecossistema das várzeas do Estado do
Amazonas, onde tal planta também se encontra em condições naturais de consórcio com várias
espécies vegetais e cuja exploração também sempre foi uma tradicional fonte de renda complementar
para as populações ribeirinhas, podemos destacar que, nessa região, a CEPLAC já desenvolve um
trabalho bem mais sistematizado, com aplicação de técnicas simples, as quais constituem "o manejo
integrado do cacaueiro no ecossistema das várzeas do Estado do Amazonas".
O manejo integrado tem início no mês de Setembro logo após a descida das águas, quando
são realizadas as práticas seguintes:
Roçagem: para facilitar a penetração na área e possibilitar a realização das demais práticas;
Controle da Vassoura-de-Bruxa; consiste na remoção das vassouras da copa (geralmente
em pequena quantidade), vassouras de almofadas e dos frutos doentes presos às arvores, cujos
materiais removidos podem permanecer na superfície do solo dentro das plantações;
Controle da Podridão Parda: realizar colheitas freqüentes (15 em 15 dias) no período de
máxima frutificação, meses de Abril a Junho;;
Desbaste de touceiras: é grande a variação do número de chupões e troncos nas touceiras e
para a realização dessa prática deve-se, além da eliminação dos chupões, observar os aspectos
seguintes: não há uma quantidade definida do número de troncos/touceira, assim, o desbaste deve
levar em consideração o equilíbrio da touceira e a não abertura de buracos na copa das plantas,
pois isto permitiria maior penetração de luz e aumentar a incidência de vassouras;
Raleamento de sombra: os cuidados para realização desta prática são os mesmos
anteriormente citados, ou seja, luz em excesso eleva a brotação do cacaueiro colocando maior
quantidade de tecidos suscetíveis para o fungo causador da vassoura-de-bruxa.
Para melhor entendimento, o Quadro 21 demonstra o manejo integrado com as referidas
práticas e épocas de realização.
57
Quadro 21. Manejo integrado do cacaueiro no ecossistema das várzeas do Estado do Amazonas.
Práticas
J
Roçagem
Controle da Vassoura-de-Bruxa
Controle da Podridão Parda
Desbaste de touceiras
Raleamento de sombra
Colheitas
F
M
A
X
Épocas de realização
M
J
J
A
X
S
X
X
X
X
X
O
N
D
X
BENEFICIAMENTO DO CACAU
Jefferson Carlos Dias
O processo do beneficiamento primário do cacau visa a obtenção de um produto comercial
de qualidade (Tipo I – Amazônia) constituído de amêndoas fermentadas, secas, com o máximo de
8% (oito por cento) de umidade, com aroma natural, não contaminadas por odores estranhos e
livre de matérias estranhas, admitindo-se a tolerância de alguns defeitos.
O beneficiamento é executado em quatro etapas distintas: colheita, quebra, fermentação e
secagem.
a) colheita
É a fase inicial do beneficiamento e deve ser planejada para colher exclusivamente frutos
maduros, pois somente estes possuem açúcar em quantidade adequada para que se consiga uma
boa fermentação; evitar a colheita dos frutos verdes ou verdoengos, e de frutos excessivamente
maduros.
As amêndoas de frutos verdoengos não fermentam satisfatoriamente, devido a falta de
açúcares, ficando os cotilédones compactos, de cor violácea, provocando o defeito ―amêndoas
violetas‖ que apresentam um grave defeito devido ao sabor amargo, adstringente e elevada acidez.
As amêndoas de frutos sobre-maduros não fermentam convenientemente, perdem aroma e
gosto e possibilita o aparecimento de amêndoas germinadas que é um defeito que desclassifica o
cacau para exportação.
O instrumento utilizado na colheita é o podão, que possui duas superfícies cortantes as
quais permitem ao operário proceder o corte no pedúnculo do fruto, evitando causar ferimento na
almofada floral e nos galhos do tronco da planta.
Nos meses de Junho a Agosto, épocas de maior concentração de frutos no ano, a colheita
numa mesma roça de cacau deverá ser repetida no máximo a cada três semanas.
Durante a colheita, como medida profilática, pode se retirar da árvore, os frutos doentes,
secos e danificados e separá-los dos frutos sadios, evitando a disseminação de doenças.
b) quebra
Após a colheita os frutos deverão ser juntados em montes para posteriormente se proceder
a quebra, que poderá ser realizada até o quinto dia após a colheita.
Na quebra utiliza-se um pedaço de facão apropriado chamado cutelo, que não deve ser
amolado, para não danificar as amêndoas. O golpe dado com o cutelo deve apenas atingir a casca,
partindo-a em duas e expondo as amêndoas, que após serem desprendidas da placenta são
depositadas em caixas de madeira ou baldes de plástico. A massa de cacau deve ser pura, isenta de
amêndoas podres ou germinadas, casca, folhas e placenta, para que não haja prejuízo no processo
de fermentação.
58
As amêndoas devem ser transportadas, sempre que possível, no mesmo dia para os cochos
de fermentação. Caso não haja esta possibilidade, recomenda-se proteger a massa com folhas de
bananeira, contra eventuais chuvas. Se após a quebra, a massa permanecer por um dia no campo,
este será considerado como o primeiro dia da fermentação.
Amêndoas resultantes de quebras realizadas em dias diferentes não devem ser misturadas
sob pena de promover uma fermentação desuniforme, prejudicando a qualidade do produto final.
As cascas devem ser amontoadas e afastadas dos troncos dos cacaueiros, tendo em vista
que elas se constituem em foco de doença.
c) fermentação
A fase mais importante no processo de beneficiamento do cacau é a fermentação, durante a
qual, ocorre a morte semente e o início da formação dos precursores do sabor e aroma de
chocolate.
Nos três primeiros dias do processo, ocorre a fermentação propriamente dita e daí por
diante processa-se a cura. A fermentação se processa na polpa que envolve as sementes pela ação de
microrganismos e a cura no interior das mesmas.
Para o processo de fermentação recomenda-se a utilização de caixas de madeira
(comumente chamadas de cochos) que poderão ter as seguintes especificações:
Cochos
Áreas maiores que 10 ha
Áreas com até 10 ha
Largura (m)
1,20
0,60
Altura ( m)
1,00
0,60
Comprimento* (m)
Variável
Variável
* De acordo com o volume de produção
As divisões no sentido do comprimento deverão ser móveis para facilitar o revolvimento da
massa, podendo variar o número, de acordo com a quantidade de cacau a fermentar.
O cocho de fermentação deverá possuir drenos abertos no lastro com diâmetro de 10 milímetros
(ou 3/8 de polegada) para o escoamento do mel e aeração, espaçados entre si de 15 centímetros.
Geralmente um metro cúbico de cocho suporta 800 kg de cacau mole.
A massa de cacau recebida da roça, livre de impurezas, deve ser colocada nas divisões do cocho
deixando-se aproximadamente uns 10 cm abaixo de sua altura total e deverá ser coberta com folhas de
bananeira ou sacos de aniagem evitando-se o uso de plástico. A finalidade da cobertura da massa é evitar
a perda de calor produzido pela fermentação e o ressecamento das amêndoas que ficam na superfície.
No enchimento do cocho, com cacau mole, deve-se deixar uma das divisões vazias, para
possibilitar o revolvimento da massa, que se processa no seguinte esquema:
1º revolvimento: 24 horas após o enchimento do cocho
2º revolvimento: 48 horas após o primeiro revolvimento
3º revolvimento: 24 horas após o segundo revolvimento
4º revolvimento: 24 horas após o terceiro revolvimento.
No período seco do ano o cacau mole possui pouca mucilagem, e a fermentação deverá ser
efetuada em 5 dias, com três revolvimentos. No período chuvoso, o cacau mole possui maior quantidade
de mucilagem, exigindo maior tempo de fermentação, que deverá ser efetuada em seis dias, com quatro
revolvimentos.
O reconhecimento de um cacau bem fermentado é feito pela perda da polpa mucilaginosa,
mudança de cor externa, que inicialmente é rosada e branca, passando para castanho no final da
fermentação. Observa-se também, o resfriamento da massa de cacau no cocho.
59
d) secagem
A finalidade principal da secagem é eliminar o excesso de umidade que, na amêndoa de cacau ao
final da fermentação contém mais de 50%, teor que deve ser reduzido para menos de 8% para um
armazenamento seguro do produto.
A secagem pode ser feita através de dois processos: natural e artificial.
SECAGEM NATURAL – É a realizada através de ação direta dos raios solares. Neste processo
utilizam-se barcaças onde a massa de cacau fermentada é espalhada no lastro, auxiliado por um rodo,
com o intuito de expor as amêndoas à radiação solar nas mais diversas posições, proporcionando a perda
de umidade de maneira uniforme. Esta massa espalhada sobre o lastro da barcaça deve ter espessura de
no máximo 5 centímetros, para melhor revolvimento, que nos primeiros dias deve ser de 30 em 30
minutos.
Durante à noite dos primeiros dias da secagem deve-se juntar as amêndoas em montículos, a fim
de reduzir a superfície de exposição das amêndoas em contato com o ar, evitando-se a proliferação do
mofo branco externo.
A secagem se complementará entre seis a dez dias a depender das condições do tempo.
Outro modelo já bastante utilizado na região produtora da Bahia é a ―ESTUFA SOLAR‖ cuja
vantagem principal é o baixo custo de sua construção. No Quadro 22 compara-se o desempenho dos
vários modelos atualmente disponíveis e em uso na região cacaueira da Bahia e que podem
perfeitamente ser recomendados e implementados na Amazônia.
SECAGEM ARTIFICIAL – A utilização de secadores tendo como fonte de calor a queima de
lenha, gás, diesel etc, é uma necessidade do agricultor principalmente durante a época chuvosa ou ainda
durante a maior concentração da colheita nas propriedades.
A secagem artificial requer cuidados especiais pois a temperatura deve subir lentamente sem
ultrapassar 55ºC, mantendo-se por todo período de secagem que se completa em torno de 30 horas.
Temperaturas altas e bruscas torram as amêndoas tornando-as quebradiças, prejudicando assim a
qualidade do cacau. A secagem rápida, mesmo que não chegue a torrar as amêndoas, poderá acarretar a
perda acelerada de umidade da periferia, deixando a parte interior úmida, sujeita ao aparecimento do
mofo interno.
Tradicionalmente, na região produtora de cacau da Bahia, a secagem artificial vem sendo feita
através do secador tubular que embora eficiente é de custo elevado. Basicamente consiste em uma
construção de alvenaria tendo uma ―câmara de calor‖, no interior da qual fica um tubulão de ferro que
transmite o calor produzido pela queima de lenha em uma fornalha. Acima da ―câmara de calor‖ fica o
lastro de secagem.
Em conseqüência do alto custo do secador tubular e mediante a necessidade da secagem artificial,
foram projetados outros tipos de secadores, principalmente em função das exigências do pequeno
produtor.
O secador ―PLATAFORMA CEPEC‖ foi um dos protótipos desenvolvidos e que pode
perfeitamente ser recomendado para a secagem do cacau com algumas vantagens sobre o secador
tubular.
1. menor área de lastro construída;
2. maior carga por metro quadrado de lastro;
3. maior capacidade anual de secagem;
4. maior relação entre peso de cacau seco e peso de lenha gasta;
5. menor custo de instalação. Quase três vezes menor que o secador tubular; e
6. possibilidade de ser instalado debaixo de uma barcaça com redução de seu investimento
inicial da ordem de 26,3%.
Outro modelo concebido principalmente para atender ao pequeno produtor é o ―SECADOR
BURAREIRO‖. É de construção artesanal e visa a utilização da própria mão-de-obra familiar. Possui 4 m2
60
de lastro de chapa de ferro perfurada (2,0 x 2,0 metros) com dois tubos de ferro de 15cm de diâmetro
interno cada, funcionando como trocador de calor. A cobertura é rústica, podendo ser de zinco, alumínio,
fibrocimento e até sapé.
O secador burareiro pela sua alta eficiência e custo relativamente baixo em relação aos outros
modelos, atende plenamente às necessidades do pequeno produtor de cacau.
Pode-se ainda utilizar, a combinação dos dois processos de secagem; inicialmente, as amêndoas
de cacau são submetidas ao sol, por um período de dois a três dias, sendo o processo complementado,
em secador artificial, por um tempo de 15 a 20 horas. Qualquer que seja o processo de secagem
utilizado, o controle da umidade final deve ser feito com critério. Os fabricantes de chocolate preferem
amêndoas com 6 a 7% de umidade. Amêndoas com uma percentagem de umidade mais elevada ficam
susceptíveis a uma contaminação por mofos, nos armazéns, e com um teor mais baixo se tornam
quebradiças, o que resulta num processamento industrial menos eficiente.
Quadro 22 – Desempenho comparativo entre os diversos secadores
SECADORES
Características
Burareiro
Fornalha
Fornalha
de tijolos
de ferro
Unid
Tubular
6x6m
Pinhalense
Plataforma
CEPEC
Área de lastro
m2
36
3,80 m3
16
4
4
10
Carga de cacau ―mole‖
Kg
2.700
2.700
4.000
400
400
500
Peso seco
Kg
1.450
1.490
3.150
215,2
215,2
250
Relação peso seco/peso úmido
%
53,7
55,2
53,8
53,8
53,8
50,0
Tempo secagem
H
38 – 40
51,0
45,0
58,0
32,0
7 – 10 dias
Revolvimento
H
2 em 2
mecânico
permanente
4 em 4
2 em 2
2 em 2
1,5 em 1,5
kg/h
30
30
30
3
2
-
Consumo lenha1
m3
1,9 – 2
2,55
2,55
0,31
0,11
-
Cacau seco/ano2
arroba
3.480
3.576
5.160
517
1.034*
267**
Cacau seco/lenha
kg/kg
1,21
0,97
1,40
1,15
3,36
-
%
17,6
12,2
17,7
16,5
41,8
-
Alimentação da fornalha
Eficiência
Estufa
solar
1Densidade
da lenha = 600 kg/m3
usados 36 vezes/ano (uma vez por semana durante 8 meses).
Secadores usados 72 vezes/ano (duas vezes por semana durante 8 meses).
** Secadores usados 16 vezes/ano (duas vezes por mês durante 8 meses).
2Secadores
ARMAZENAMENTO DE CACAU
Jefferson Carlos Dias
Um armazém para guardar amêndoas beneficiadas de cacau deve obedecer aos seguintes
requisitos: ser construído em local seco a fim de diminuir a influência da umidade; ter o eixo maior
orientado no sentido nascente – poente; dispor de janelas de arejamento não só voltadas para a
direção dos ventos dominantes bem como serem protegidas com telas de malha fina para evitar a
entrada de insetos; as fundações devem ser sólidas e com camada impermeabilizante na parte
superior para evitar infiltrações nas paredes durante o período chuvoso; e ser construído de
modo a não deixar frestas ou outros pontos de acesso a roedores.
Para manipulação do produto a granel com vistas a posterior ensacamento, o armazém
deve ter um ou dois cantos revestidos de madeira ocupando 15 a 20% do piso e as paredes
adjacentes até 1,5 a 2 metros de altura, também forradas de madeira.
61
Se o piso for de cimento, haverá necessidade de empilhar os sacos sobre estrados de
madeira. A estocagem de cacau beneficiado por longo período na propriedade, não é aconselhável,
pelos sérios prejuízos que poderá sofrer o produto armazenado. Assim, a estocagem não deve
ultrapassar 90 dias, correndo o risco de desenvolvimento de mofo, ataque de insetos e roedores.
Não se pode deixar de registrar ainda que dada as características especiais de conter muita
gordura, as amêndoas de cacau absorvem odores com facilidade, dentre eles o cheiro de fumaça
que constitui defeito grave e objeto de desclassificação do produto. Portanto, é necessário isolar as
amêndoas de substâncias que exalem odores tais como inseticidas, fungicidas, tintas etc.
As amêndoas de cacau a serem armazenadas deverão apresentar um teor de umidade entre 7 a 8%.
Se as condições de armazenamento não forem adequadas, o cacau pode readquirir umidade e apresentar
mofo externo. Nestes casos, após tratamento da testa das amêndoas por pisoteio, o produto deverá ser
novamente seco.
Para conservar o cacau seco por mais tempo é recomendável usar uma cobertura plástica sobre
os sacos, para evitar a reabsorção da umidade ambiental e/ou embalar o cacau beneficiado em sacos
plásticos e posteriormente ensacar em sacos de juta ou similar.
Finalmente, porém não menos importante as janelas de arejamento deverão estar sempre
abertas em dias ensolarados, no período de 9 às 16 horas. Durante à noite, deverão ser mantidas
fechadas, bem como nos períodos chuvosos diurnos. As dimensões e capacidade globais do armazém
são apresentadas no Quadro 23, em função da produção média da fazenda de cacau e de dois períodos
máximos previstos de estocagem do produto.
Quadro 23 – Dimensões e capacidade dos armazéns
Produção
média da
fazenda ano (t)
Período de
armazenamento
(dias)
Comprimento
(m)
Largura (m)
Área para
manipulação a
granel (m2)
Capacidade
estática global
(sc. 60 kg)
7,5
15
30
15
30
15
30
15
30
15
30
3,0
3,0
3,0
3,5
4,0
4,5
4,5
6,0
6,0
9,0
2,2
2,5
2,6
2,8
3,0
4,0
4,1
5,2
5,2
7,0
5,5
5,5
5,6
5,6
5,8
5,8
5,9
5,9
6,0
9,5
99
112
124
147
180
270
277
467
467
945
15,0
45,0
90,0
180,0
Fonte: CEPLAC/CEPEC
PADRONIZAÇÃO DE AMÊNDOAS DE CACAU
Miguel Guilherme Martins Pina
João Marivaldo Silva de Sousa
As normas que especificam os padrões para amêndoas de cacau são regulamentadas pelo
Conselho Nacional de Comercio Exterior (CONCEX), de acordo com as exigências do mercado
internacional.
A Resolução de nº 161 de 20 de Setembro de 1988 aprova as especificações da padronização
do cacau em amêndoas, visando a sua classificação e fiscalização na exportação.
Quanto a Origem e Qualidade o cacau da Amazônia é denominado:
Tipo I – Amazônia
Tipo II – Amazônia
62
Quanto às Especificações da Padronização:
Quadro 24 – Especificações para classificação do cacau Amazônia.
Tipo
Umidade
I*
8%
II *
Refugo
Mofadas
3%
Tolerância Máxima ao Contato
Danificadas p/ insetos
Chochas ou
Ardósias
e/ou germinadas
achatadas
3%
3%
2%
Outros
defeitos
2%
9%
4%
8%
6%
3%
4%
a) em mau estado de conservação;
b) fortemente impregnado de odores estranhos de qualquer natureza;
c) com qualquer defeito em percentuais superiores aos admitidos para o cacau do tipo II.
* Com aroma natural, não contaminada por odores estranhos e livres de matérias estranhas.
Quanto às Definições:
Características:
a) amêndoas fermentadas:
I – amêndoas de coloração marrom, mesmo com variações de tonalidade em toda superfície
exposta, e com cotilédones facilmente separáveis;
II – amêndoas de coloração marrom, em mistura com as cores violeta, roxo ou púrpura, em
pontos ou difusas na superfície exposta e com cotilédones separáveis.
b) amêndoas secas:
Uniformemente secas, com teor de umidade não superior aos indicados para cada tipo.
Defeitos, pela ordem decrescente da sua gravidade:
a) amêndoas mofadas: as que se apresentam, internamente, com desenvolvimento miceliar
de fungos, visíveis a olho nu;
b) danificadas por insetos: amêndoas em cuja parte interna são visíveis a olho nu estragos
causados por insetos ou larvas;
c) amêndoas ardósias: não fermentadas, de coloração cinzenta – escura (cor de ardósia) ou
roxas, com embrião claro e compactas;
d) odores estranhos: amêndoas contaminadas por odores estranhos de qualquer natureza;
e) amêndoas germinadas:
desenvolvimento do embrião;
as
que
se
apresentarem
com
a
casca
furada
pelo
f) amêndoas ―chochas‖ ou achatadas: as que se apresentarem com ausência de cotilédones,
ou tão finas que não permitam o corte;
g) amêndoas quebradas: as que se apresentarem partidas ou fragmentadas;
h) impurezas: restos de polpa, fragmentos da placenta ou cordão central e de casca de fruto
que, acidentalmente, possam acompanhar a amêndoa fermentada e seca;
i) matérias estranhas: qualquer material estranho à semente ou ao fruto do cacau.
Cascas, películas e outros desperdícios de cacau:
Compreende as cascas, películas e resíduos de cacau que se separam das amêndoas durante
seu beneficiamento; os germes de cacau; bem como os fragmentos e poeira da amêndoa de cacau.
Quanto ao Certi ficado:
Todo cacau em amêndoa destinado à exportação deverá estar amparado por Certificado
de Classificação, obrigatório por ocasião do desembaraço aduaneiro.
63
O prazo de validade do Certificado do cacau em amêndoas será de no máximo 45 dias
contados da data de emissão.
Quanto a Embalagem e Marcação:
O cacau destinado a exportação deverá ser acondicionado exclusivamente em sacos
novos, limpos, resistentes, bem costurados e contendo um peso líquido de 60 kg de amêndoas.
Nas Figuras 47 e 48 são apresentadas sementes com as três formas de fermentação bem
como alguns defeitos que são encontrados como mofo interno e ardósia na fase de classificação.
Fig. 47 - Amêndoas de cacau bem fermentada (a), pouco fermentada(b), mal
fermentada(c).
MÔFO INTERNO
ARDÓSIAS
Fig. 48 - O môfo interno é conseqüência de cacau com excesso de
umidade enquanto que ardósia é por falta de fermentação.
APROVEITAMENTO DE SUBPRODUTOS E RESÍDUOS DO CACAU
Miguel Guilherme Martins Pina
O processamento primário e a industrialização do cacau, geram quantidades apreciáveis de
diversos subprodutos e resíduos, potencialmente exploráveis. Esse expressivo potencial de
biomassa encontra-se disponível, em nível de fazenda e da indústria, para uso racional na
recuperação de energia, produção de alimento e reciclagem da matéria orgânica no solo.
O potencial de aproveitamento de subprodutos e resíduos baseia-se no fato de que menos
de 8% do peso do fruto do cacaueiro, em estado normal de maturação, têm uso nas indústrias
moageiras (Quadro 25), onde as amêndoas secas são transformadas em massa de cacau ou ―liquor‖
e seus derivados, manteiga e torta de cacau.
64
Quadro 25 – Valores aproximados de algumas características físicas do fruto do cacaueiro maduro
e seus componentes.
Fruto e componentes
Peso
(kg)
Fruto
Casca
Semente
Grão seco
Amêndoa
Testa
Outros
0,5000
0,4000
0,1000
0,0500
0,0400
0,0075
0,0025
% em relação ao
Peso do Fruto
100,0
80,0
20,0
10,0
8,0
1,5
0,5
Densidade
(kg/m3)
500,00
350,00
900,00
600,00
-
Fonte: Freire et al., 1990.
Outro aspecto importante a ser detectado, concerne ao aproveitamento de subprodutos
como a polpa e resíduos como a casca fresca do fruto da pós-colheita do cacau, que se apresenta
como uma oportunidade de diversificação de atividades da propriedade cacaueira (Figura 49). O
aproveitamento
de
tais
produtos pode refletir no
aumento
da
receita
do
produtor e, portanto, devem
ser avaliadas perante uma
conjuntura de baixos preços da
matéria prima principal, tanto
em nível de mercado interno
como externo.
Existem
amplos
conhecimentos
tecnológicos
para o aproveitamento dessas
matérias primas, necessitando
somente que se continue
incentivando sua utilização e
mostrando-se
as
reais
possibilidades de mercado
para esses produtos.
Figura 49 – Sistema Integrado de Manejo da Propriedade Cacaueira.
Fonte: CEPLAC, 1984.
Cerca de 6 toneladas, em média, de casca fresca, oriundas do processo de quebra dos frutos,
são produzidas anualmente por hectare, as quais não são aproveitadas. Normalmente são deixadas
em montes nas plantações para que, após sua decomposição, sirvam como fertilizante para o
cacaueiro. Apesar do seu conhecido valor como fonte nutricional essas cascas podem se constituir,
em determinadas situações, fonte de inóculo de doenças como podridão parda e vassoura-debruxa. Requerendo portanto tratamento com produtos químicos, onerando ainda mais o custo de
produção do cacaueiro.
A casca do fruto do cacaueiro pode ser empregada na alimentação animal, ao natural, na
forma de farinha de casca seca ou, ainda, como silagem; e na alimentação de peixes diretamente
em viveiros ou na fertilização destes. Pode também ser utilizada na produção de biogás e
fertilizante, no processo de compostagem, e vermicompostagem, em construções à base de solocimento, na obtenção de proteína microbiana ou proteína unicelular, no fabrico de doces do
endocarpo, na produção de álcool e na extração de pectina, entre outros produtos.
No arraçoamento de animais, a casca pode ser considerada como um volumoso de boa
qualidade e um excelente substituto do capim de corte, tanto pela sua composição quanto pela sua
palatabilidade. Tem um conteúdo de proteína bruta de 8,9%. Sua participação na dieta alimentar,
no entanto, varia em função da espécie animal. Para ruminantes é de até 70%, para suínos de 20% e
para aves 10%. Essas limitações são impostas pela baixa digestibilidade dos nutrientes desse
resíduo, que está em torno de 35,5% e pelo seu alto teor de fibras que é de 28%, aproximadamente.
65
A casca tem sido usada, preferencialmente, desidratada e transformada em farinha. Entretanto,
para se obter uma secagem mais rápida, quer ao sol, quer artificialmente, a casca do fruto do cacaueiro
deve ser triturada, utilizando-se equipamento apropriado. A secagem artificial, ao impedir perdas por
fermentação e apodrecimento, possibilita a obtenção de um produto de maior valor nutritivo. Quando
misturada a outros subprodutos os percentuais de mistura deverão atender às recomendações técnicas
de modo a constituir uma mistura eficiente e econômica.
O uso da casca ainda fresca, para bovinos, é possível e mais econômico, pois elimina a operação
de secagem, bastando apenas triturá-la antes de oferecê-la aos animais. É bem aceita e pode constituirse no único volumoso da dieta, sem nenhum problema de distúrbios alimentares. Requer apenas um
período inicial de cerca de 2 semanas para a adaptação dos animais, quando estes devem ser
alimentados com uma mistura, em partes iguais, de casca e capim.
Praticamente todos os animais domésticos podem se alimentar com casca de cacau. O
percentual com que se deve compor a dieta para cada espécie está intimamente relacionado com o
nível de fibra e com a capacidade de digeri-la que essa espécie apresenta.
A polpa mucilaginosa que envolve as amêndoas é rica em açúcares fermentecíveis, pectina,
ácidos, e outros componentes e chega a representar até 40% do peso da semente fresca, a depender do
tipo de cacau, da estação do ano e região. Todavia, durante o processo fermentativo, perde-se parte
desse material, sob forma de líquido parcialmente fermentado, que é drenado da massa de cacau.
Pode-se extrair de 20 a 25% da polpa das sementes, em relação ao peso das sementes do cacau fresco.
Esse subproduto pode ser aproveitado em nível caseiro ou de fazenda em escala de pequena, média e
grande indústria. Do mel e polpa das sementes do cacau pode-se obter geleiados da mistura destas
duas matérias-primas, além de proteína microbiana; geléias, destilados, fermentados (a exemplo do
vinho e vinagre) e xaropes de mel de cacau para a indústria de confeitaria. Além disso, a polpa pode
ser também empregada na produção de sucos, néctares, sorvetes, doces, iogurtes etc.
O aproveitamento da polpa de cacau como matéria-prima industrial apresenta a vantagem,
quando comparada às outras frutas tropicais potencialmente aproveitáveis na região, por tratar-se de
um produto abundante proveniente de uma cultura já estabelecida.
Considerando-se que para uma produção anual de 300.000 toneladas de cacau seco foram
utilizadas 600.000 toneladas de sementes, e que se pode extrair 20% da polpa presente nas sementes.
Verifica-se que é possível a obtenção de 120.000 toneladas de polpa integral, a qual pode vir a ser
aproveitada, se processada industrialmente.
O mel de cacau, parte líquida da polpa, pode ser obtido por prensagem e processado em nível
de fazenda ou em microindústrias. Neste líquido não está presente nenhum material insolúvel em água
e sua composição básica é água, açúcar (10 a 18%), ácidos não voláteis (ácido cítrico – 0,77 a 1,52%) e
pectina (0,9 a 2,5%). Mais recentemente, parte da polpa integral vem sendo extraída em máquinas
apropriadas, conservada sob congelamento e comercializada para a elaboração de néctar ou refresco.
O suco de cacau possui sabor bem característico, considerado exótico e muito agradável ao
paladar, assemelhando-se ao suco de outras frutas tropicais, como o bacuri, cupuaçu, graviola, acerola
e taperebá. É fibroso e rico em açúcares (glicose, frutose e sacarose) e também em pectina. Em termos
de proteína e de algumas vitaminas, é equivalente ao suco de acerola, taperebá, goiaba e umbu.
O suco de cacau difere do mel por ser obtido pela extração da polpa integral e se caracteriza
pela presença de insolúveis com uma concentração de fibras na faixa de 0,7% que, junto com a pectina
e outras gomas, confere ao produto alta viscosidade, com o aspecto pastoso de um fluido não
newtoniano.
O mel e a polpa, após a obtenção, devem ser processados imediatamente. Em caso de
estocagem, para posterior utilização, a matéria-prima deve ser submetida a um tratamento
preservativo, a exemplo de pasteurização, tratamento químico com metabissulfito de potássio ou
congelamento. Para a fabricação de fermentados e destilados, o mel deve ser armazenado, se for o caso,
à temperatura de 4oC sem tratamento a quente.
66
É importante ressaltar que a produção de suco, mel, geléia e outros produtos para consumo
humano requer o cumprimento de normas e da legislação pertinentes, as quais são bastante
restritivas e exigentes com relação, principalmente, à higiene do processo de obtenção e às
características qualitativas desses produtos. A norma mais restritiva, entre todas as existentes, é a
rejeição pelo consumidor, diante de um produto em estado de conservação que deixa a desejar.
Desta forma, o aproveitamento de subprodutos tem como requisitos: pessoal capacitado e
presença do proprietário em todas as fases do processamento até a entrega ao comerciante.
Durante a comercialização, cuidados devem ser tomados para que não ocorram perdas de
aceitabilidade do produto, devido à negligência de terceiros.
O Quadro 26 mostra os rendimentos das operações de processamento dos subprodutos do
cacau, em termos de uma produtividade média de 750 kg de cacau seco por hectare, aproveitandose 85% da colheita anual e, também, em função dos aumentos de eficiência de algumas práticas,
conseguidos com o desenvolvimento da pesquisa.
Quadro 26 – Rendimentos normais das operações de utilização de subprodutos de cacau com
referência a uma produtividade anual de 750 Kg do produto seco por hectare.
Produto e subprodutos
Amêndoas secas
Semente fresca
Mel de cacau
Geléia
Vinagre
Destilado
Polpa
Suco congelado
Néctar
Geleiado
Rendimento por hectare
750 kg
1875 kg
200 litros
150kg
180 litros
25 litros
300 a 400 litros
300 a 400 litros
600 a 800 litros
200 a 300 litros
Fonte: Freire et al., 1990.
Não se pode deixar de registrar ainda que a casca do grão obtida após o processo de
torrefação na indústria, pode ser usada no preparo de chá, extração de pectina e theobromina;
como ração animal, adubo orgânico e fonte de energia; através de sua combustão em geradores de
calor como fornalhas e caldeiras.
Entretanto, apesar da reconhecida importância econômica da
casca e da polpa do cacau, a semente ainda é o principal produto
gerador de riquezas.
A sua maior utilização sem dúvida nenhuma, é na fabricação
do chocolate, nas diversas formas (Fig. 50).
No Brasil o alimento obtido da mistura de cacau tostado,
descascado e moído (liquor de cacau) com açúcar, é denominado de
chocolate. Na Colômbia e outros países é utilizado com toda a sua
Fig. 50 - Chocolate
gordura na forma de suspensão aquosa quente (chocolate de mesa).
Na Europa e América do Norte a bebida predileta é na forma de chocolate em pó (instantâneo);
este produto é obtido através da prensagem do ―liquor‖ de cacau para extração de uma parte da
gordura ou manteiga, triturando-se posteriormente a torta resultante. No Brasil é bastante
utilizado na forma de chocolate em pó, também para confecção de bebida.
Possivelmente não exista outra guloseima de maior aceitação no mundo, por parte do
público, que a obtida pela mistura de "liquor" de chocolate com leite, açúcar, manteiga de cacau,
essências e outros ingredientes (ex. as barras de chocolate e os bombons). O consumo mundial de
barras de chocolate e bombons alcança volumes significativos, especialmente na Europa e Estados
Unidos onde as indústrias de confeitaria têm se desenvolvido bastante.
Em 1996 o consumo "per capita" de chocolate no mundo, por continente, era o seguinte: Europa
Ocidental 2,42 kg, Europa Oriental 0,85 kg, Ásia 0,68 kg (não incluindo a China), África 0,13 kg e nas
67
Américas 1,33 kg, sendo que no Brasil se consumia em média 1,94 kg. A média do consumo mundial,
tabulada no ano agrícola de 95/96, era de 1,02 kg / pessoa (não incluindo a China).
O produto cacau é considerado um bem de acesso restrito aos consumidores de renda elevada.
Assim, os principais demandantes estão localizados nos países do primeiro mundo, onde o fator variável
de renda não é limitante para o seu consumo.
O principal uso da manteiga de cacau se encontra na fabricação de chocolate. Também existe um
amplo consumo na indústria farmacêutica e na de cosméticos. Para a fabricação de sabões finos se utiliza
a gordura de cacau extraída por solventes.
O valor energético dos produtos de cacau é extraordinário por seu grande conteúdo de gorduras
assimiláveis e de carboidratos. A bebida preparada com leite ou as barras de chocolate que o contém ,
pode–se considerar quase como um alimento completo, além de se caracterizar por um sabor muito
agradável. A barra de chocolate é bastante energética, daí sua venda maciça em países rigorosamente
frios ou com estações frias.
O valor nutritivo e energético do chocolate é indiscutível; 100 gramas equivalem em valor
alimentício a seis ovos ou três copos de leite, ou 220 gramas de pão branco, ou 750 gramas de peixe ou
ainda 450 gramas de carne bovina.
Tem-se dito que o chocolate é de difícil digestão. Na realidade o que ocorre é que as gorduras
contidas neste (ácidos graxos: palmítico, olêico e esteárico) são de absorção mais lenta, o que implica na
sensação de satisfação alimentar por um maior tempo.
No cacau em pó encontramos as vitaminas A, B1 (Tiamina), B2 (Riboflavina) e B5 (Ácido
nicotínico), além de ferro e fósforo na forma assimilável. A cafeína e theobromina, presentes no chocolate,
têm propriedades estimulantes e terapêuticas bastante notáveis.
ENFOQUES SOBRE CACAUEIROS EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS
Antonio Carlos de Gesta Melo
Paulo Júlio da Silva Neto
Antonio Carlos de Souza Martins
Os sistemas agroflorestais então relacionados com a eficiência de utilização do espaço
vertical, devido a presença de espécies de diferentes portes e a potencialização para otimizar a
captura de energia solar e com a simulação de modelos ecológicos encontrados na natureza em
relação a estrutura, formas de vida e conservação do meio ambiente. Assim, como ocorre em uma
floresta natural, os sistemas agroflorestais estabelecem mecanismos de proteção contra a
compactação, lixiviação e erosão do solo, como também propicia uma eficiente ciclagem de
nutrientes, guardadas as devidas proporções de diversidade.
As principais interações dos sistemas agroflorestais com os recursos ambientais referem-se
ao microclima e ao solo, e à maneira como os componentes devem ser arranjados, de forma a não
competirem seriamente pelos mesmos recursos do meio, muito embora os sistemas agroflorestais
não sejam um simples arranjo espacial ou temporal de espécies e sim, formas de uso e manejo dos
recursos naturais.
O cultivo de espécies associadas ou combinadas em fileiras, faixas, renques ou alamedas
alternadas, denominadas de sistema ―alley – cropping‖, é um modelo específico dentro do
universo agroflorestal, e foi idealizado como alternativa para conter a agricultura itinerante.
Porém, muitos fatores podem interferir na performance de um ―alley – cropping‖: a escolha das
espécies (arbóreas e não arbóreas), a largura das fileiras ou faixas, a produção de biomassa, o número de
ciclos das colheitas, a época e freqüência das podas, o preparo do solo, a fertilização e a dinâmica das
plantas daninhas no local. Para atender os agricultores esse sistema está condicionado, também, além de
sua adequação estrutural e ambiental, ao valor dos seus componentes, que devem ser de elevada
expressão econômica e a sua capacidade de complementação ecológica. O objetivo maior da
68
agrossilvicultura é maximizar as interações positivas, tanto entre os componentes como em relação ao
meio físico.
A lavoura cacaueira deve ser vista como um sistema agroflorestal, onde os modelos, o manejo
do cultivo e da sombra oferece maior sustentabilidade social, econômica e ambiental. Não obstante,
ressente-se de mais informações sobre as interações biológicas no ambiente agroflorestal, arranjos
espaciais, densidade de sombra, silvicultura que permita melhorar a qualidade da madeira, e o uso de
novas espécies madeireiras, frutíferas e para outros propósitos úteis para cada região, sem se perder a
perspectiva de mercado dos produtos, já que este condiciona e em muitos casos determina a
sustentabilidade econômica do sistema agroflorestal com cacaueiros.
As plantações diversificadas de cacau podem parecer um bosque natural e são capazes de
proteger o solo, conservar a água e manter uma alta diversidade, e ainda também oferecer outros
serviços como o seqüestro de carbono (5 t/ha/ano) sem ter que prescindir de uma produção agrícola.
Ademais, é necessário quantificar os serviços que prestam uma plantação de cacaueiros em sistemas
agroflorestais para incrementar ganhos aos produtores.
Os sistemas agroflorestais, com o cacaueiro, apresentados a seguir, resultam de ações de
pesquisas realizadas nos últimos anos, bem como de experiências bem sucedidas desenvolvidas por
agricultores em diversas regiões na Amazônia:
Sistema Seqüencial com Pimenta-do-Reino
Trata-se do sistema praticado por produtores de pimenta-do-reino (Piper nigrum) na região
Nordeste do Estado do Pará, no Município de Tomé-Açu. Este sistema surgiu em conseqüência do
aparecimento da enfermidade conhecida como fusariose, causada pelo fungo Fusarium solani f.sp.
piperis, que a partir de 1957 começou a dizimar as plantações de pimenta-do-reino.
Quando as pimenteiras começam a apresentar os primeiros sintomas da doença,
substituía-se, gradualmente, a plantação decadente por outros cultivos permanentes ou semipermanentes, como cacau, café, seringueira, guaraná, mamão, maracujá e outros. Neste sistema,
tanto os cacaueiros quanto os demais componentes da comunidade vegetal, atingem a fase
produtiva sem que sejam necessárias adubações adicionais, em virtude de se beneficiarem dos
pesados esquemas de fertilização dado às pimenteiras.
O plantio da pimenta-do-reino está sendo realizado pelos produtores nos seguintes
espaçamentos: 2,0 x 2,0 x 3,0 m ; 1,8 x 2,0 x 4,0 m ; 2,5 x 2,5 m ou 2,0 x 2,0 m, prevendo-se, futuras associações
com outros cultivos, e até mesmo fazendo-se o plantio de espécies arbóreas e frutíferas no mesmo
momento do plantio da pimenta-do-reino. Para o cacau, neste sistema se usa o espaçamento de 4,0 x 5,0 m
; 4,0 x 4,0 m e de 5,0 x 5,0 m, dependendo do espaçamento inicial utilizado com a pimenta-do-reino.
Atualmente, alguns produtores de Tomé-Açu (PA) já estão fazendo o plantio da pimentado-reino em conjunto com espécies arbóreas e outros cultivos e estão obtendo sucesso. Um dos
esquemas mais comuns, dentre outros, é o seguinte:
Pimenta do reino - 2,0 x 2,0 x 3,0 metros;
Cacaueiro
- 4,0 x 5,0 metros; e
Seringueira
- 5,0 x 8,0 metros.
69
Sistema agroflorestal de cacau e seringueira
A seringueira (Hevea brasiliensis), é em geral plantada no espaçamento de 7,0 x 3,0m,
deixando-se suficiente espaço entre suas fileiras durante os primeiros 2 ou 3 anos, para o cultivo
de plantas de ciclo curto e também com outros cultivos perenes, especialmente aquelas tolerantes à
sombra, a exemplo do cacau, do café, da pimenta-do-reino e do guaraná.
O plantio de cacau sob seringueira tem sido considerado inviável em muitas regiões, em
virtude do excessivo sombreamento exercido pela seringueira. Na região cacaueira da Bahia, onde
a seringueira é atacada pela doença ―mal-das-folhas‖ (Microcyclus ulei), proporcionando,
portanto, menos sombra, devido a redução da área foliar da seringueira o que permite a passagem
de radiação solar suficiente para o bom desenvolvimento do cacaueiro. O sistema da seringueira
com o cacau é atualmente utilizado em aproximadamente 5.000 hectares, na região do Sul do
Estado da Bahia, utilizando-se o espaçamento normal de 7,0 x 3,0m para a seringueira. O sistema
mais usado consiste em plantar as mudas de cacaueiros em fileiras simples (476 plantas/ha) ou duplas
(952 plantas/ha) nos espaços entre as fileiras de seringueiras.
Caso o produtor da Região Amazônica decida adotar este sistema, deverá seguir as
seguintes indicações:
Condições do seringal:
- O seringal, sob o qual o cacaueiro será implantado, deverá estar em fase de pré-corte e corte
(produção) com baixo índice de enfolhamento;
- Preferencialmente, deverão ser utilizados seringais implantados em solos de fertilidade média a
alta, em áreas ecologicamente adequadas para o cacaueiro.
Métodos:
a) cacaueiros em filas simples:
Fila única de cacaueiros, espaçados de 3,0m, entre si, no centro das entrelinhas de seringueiras
plantadas a 7,0 x 3,0m.
S
S
C
S – Seringueira
C – Cacaueiro
3,5
m
7m
b) cacaueiros em filas duplas:
Duas fileiras de cacaueiros plantados a 3,0 x 3,0m, nas entrelinhas de seringueira espaçadas de
7,0 x 3,0m.
S
C
2m
S
C
3m
2m
S – Seringueira
C – Cacaueiro
7m
No Estado de Rondônia, um dos sistemas mais promissores baseia-se no plantio da
seringueira, na forma tradicional, utilizando-se mudas enxertadas (Clones IAN 6323, IAN 717, Fx
3810 e Fx 3864), no espaçamento de 3,0 x 6,0 m, em filas duplas. O cacaueiro é estabelecido em
duas fileiras, no espaçamento de 3,0 x 3,5 m, nas entrelinhas da seringueira. Visando o
sombreamento provisório do cacaueiro, recomenda-se o cultivo da bananeira no espaçamento de
70
3,0 x 3,5 m. Os plantios das culturas de seringueira e bananeira deverão ser efetuados no primeiro
ano de implantação do sistema, enquanto o cacaueiro será plantado no segundo ano. No primeiro
ano poderão ser implantadas culturas anuais nas entrelinhas das plantas perenes.
6,0 m
3,5 m
3,5 m
6,0 m
3,5 m
3,0 m
Seringueira
Cacaueiro
Sistema cacau x pupunha x freijó-louro
O sistema constitui-se do plantio de cacaueiros, no espaçamento de 2,5 x 3,0 m, alternados
com filas de pupunheiras, no espaçamento de 1,0 x 2,0 m. Entre o renque triplo de pupunheiras e
as linhas de cacaueiros será mantida a distância de 2,0 m.
O sombreamento provisório do cacaueiro será a bananeira, implantada no espaçamento de
2,5 x 3,0 m, na mesma fila dos cacaueiros. O sombreamento definitivo do cacaueiro será
constituído por plantas de freijó louro (Cordia alliodora) estabelecidas no espaçamento de 10,0 x 12,0
m, totalizando 99 plantas/ha.
Este modelo tem uma densidade populacional de 1.143 cacaueiros/ha e de 870
pupunheiras/ha .
As pupunheiras serão cultivadas com vistas a exploração de palmito e recomenda-se a
utilização de variedades sem espinho, para facilitar o manejo cultural.
Sistema de cacau x coco x gliricídia
O coqueiro (Cocus nucífera), se adapta a diferentes situações edafoclimáticas, desde que lhe
forneça um mínimo de 1800 mm de água por ano. A seleção de variedades para o plantio é feita
em função do destino que se quer dar a produção. Se a pretensão é produzir coco para demanda
de agroindústria e uso doméstico, recomenda-se o cultivo do coqueiro gigante e híbrido, devido
ao maior tamanho dos frutos e maior espessura da polpa. Para produção dos frutos, visando o
consumo de água (coco verde), indica-se o coqueiro-anão, devido ao sabor mais agradável e por
ser rejeitado como fruto seco, em razão de seu pequeno tamanho e menor espessura da polpa. O
potencial de produtividade das variedades gigante, anã e híbrido é de 60 a 80; 100 a 120 e 120 a
150 frutos/ planta/ano, respectivamente.
O plantio do cacau sob coqueiros (Cocos nucífera) produtivos é o sistema, ultimamente que
acumula o maior acervo de informações.
O cultivo do cacau sob a sombra de coqueirais adultos, na Malásia, apresenta uma
produtividade de aproximadamente 1.120 kg/ha de amêndoas secas de cacau, sem que a produção
de coco entre em declínio.
Os coqueiros, previamente estabelecidos a uma distância de 8 a 9m entre plantas, são
geralmente associados, em cada entrelinha, a uma fileira dupla de cacau, eqüidistante das
palmeiras e sob o espaçamento de 3m entre fileiras e de aproximadamente 2 metros entre
cacaueiros no interior das fileiras.
De modo geral, os resultados obtidos com essa combinação de culturas têm sugerido
aumentos de produtividade dos coqueiros e um ótimo grau de compatibilidade agronômica.
71
Um sistema de cacau x coco x gliricídia que poderá ser viável, com base na adaptação de
resultados de pesquisa realizadas em outras regiões e em observações de campo, em Rondônia e
Alta Floresta – MT, deverá ser constituído de filas duplas de cacaueiros, no espaçamento de 3,0 x
3,0 m, estabelecidas entre filas de coqueiros no espaçamento de 9,0 x 9,0 m . O modelo terá uma
densidade populacional de 680 cacaueiros/ha e de 123 coqueiros/ha . A variedade recomendada
será a coco-anã.
A bananeira, como sombreamento provisório do cacaueiro, será estabelecida na mesma fila
do cacaueiro, obedecendo o espaçamento de 3,0 x 3,0 m. A gliricídia (Gliricidia sepium) será
utilizada para assegurar a proteção contra o excesso de luz no cacaueiro, até que exista sombra
suficiente fornecida pelos coqueiros e, também, para aporte de biomassa através de podas
periódicas e deposição do material como cobertura morta. O espaçamento indicado é de 3,0 x 3,0
m, estabelecido apenas nas linhas dos coqueiros, em um único sentido, totalizando 267 plantas /
ha.
Sistema de cacau e mogno
No Brasil, historicamente, na sua fase produtiva, o cacaueiro é cultivado em associação com
espécies leguminosas que não apresentam interesse econômico, procedendo apenas a fixação
biológica do nitrogênio. A utilização do cacaueiro em sistemas agroflorestais abre possibilidades
de formação de comunidades diversificadas que contemplam este interesse.
O mogno (Swietenia macrophylla King), é a mais valiosa espécie madeireira da Amazônia,
entre as mais de 300 espécies que são exploradas na região. Sua madeira é valorizada por sua cor
atrativa, densibilidade, estabilidade dimensional e facilidade de ser manuseada em carpintaria.
Neste sistema, o cacaueiro é implantado normalmente no espaçamento de 3,0 x 3,0 m, e o
sombreamento provisório de bananeira, também, no mesmo espaçamento. O sombreamento
definitivo deve ser implantado com mudas de mogno, somente quando os cacaueiros tiverem de 2
a 3 anos de idade. O mogno quando associado ao cacaueiro já implantado, apresenta
desenvolvimento vegetativo normal, sendo que a praga Hypsiphyla grandella, que é a mais
importante e limitante para o seu cultivo, principalmente na Região Amazônica, não tem
prejudicado de forma acentuada o seu crescimento e desenvolvimento.
O espaçamento que deverá ser utilizado pelo mogno é de 15,0 x 15,0m ou 18,0 x 18,0 m. Em
acompanhamentos realizados sobre o crescimento e desenvolvimento vegetativo do mogno,
verificou-se que o ritmo de crescimento em altura total nos primeiros 16 anos correspondeu a
79,95%, sendo que o diâmetro teve maior crescimento no período de 15 aos 21 anos. A produção
média aos 21 anos de idade foi de 1,34 m3/árvore, e a lavoura de cacau com produtividade média
de 880 kg/ha/ano.
Enriquecimento de cacauais safreiros
Muitas espécies arbóreas sem expressão econômicas são utilizadas como sombreamento de
cacaueiros com o objetivo de criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do cultivo. Por esta
razão são chamados de ―espécies de serviço‖, diferenciando-se daquelas espécies que se introduz
com o objetivo de produzir algo como: madeira, frutas, lenha etc. Por outro lado, há espécies que
oferecem serviços e produtos chamados ―multifuncionais‖.
Na Amazônia brasileira, parte das áreas cultivadas com cacaueiros está associada à espécies
arbóreas sem valor econômico ou seja, ―espécies de serviço‖, que não proporcionam rendas
adicionais e/ou potenciais ao produtor. Algumas áreas encontram-se desprovidas de associações
com espécies, seja de serviço ou de produção, provocando um aumento na demanda de mão-deobra e de outros insumos (adubos, pesticidas etc.). Daí, surge a necessidade de se introduzir
espécies madeireiras e/ou frutíferas de valor econômico, com características de
multifuncionalidade em plantações de cacaueiros safreiros, a fim de transformá-las em sistemas
agroflorestais mais produtivos, para melhorar a sustentabilidade econômica, ecológica e social.
72
Para o estabelecimento de um sistema de enriquecimento de cacauais safreiros com
espécies arbóreas multifuncionais, há de se conhecer a sua tolerância à luz, para se definir o grau
de poda de abertura das copas dos quatro cacaueiros adjacentes a cada muda plantada no centro
dos mesmos. O espaçamento deverá ser de acordo com o diâmetro de copa da espécie quando
adulta. Em geral, para espécies madeireiras Amazônicas, recomenda-se os espaçamentos de 15,0 x
15,0 m e de 18,0 x 18,0 m, com cacaueiros em 3,0 x 3,0 m.
Num estudo de enriquecimento com o mogno (Swietenia macrophylla, King), o grau de poda
de abertura de copa dos cacaueiros, que proporcionou maior velocidade de crescimento do mogno
foi de 30 a 40%, com baixo nível de infestação da broca Hypsiphyla grandella, ultrapassando aos 36
meses o dossel dos cacaueiros.
Sistemas de cacau e outras espécies arbóreas.
Outras espécies de grande porte têm sido testadas ou simplesmente sugeridas como
potencialmente adequadas para formar sistemas agroflorestais com o cacaueiro.
Além das diversas espécies produtoras de madeira de qualidade superior, várias árvores de
interesse econômico são freqüentemente sugeridas (Quadro 27).
Quadro 27 - Algumas espécies arbóreas potencialmente adequadas para formar sistemas
agroflorestais com o cacaueiro
ESPÉCIE
NOME COMUM
PRODUTOS
Carapa guianensis
Andiroba
madeira e óleo medicinal
Tectona grandis
Teca
madeira
Plathymenia foliolosa
Vinhático
madeira e tanino
Cordia alliodora
Louro
madeira
Dalbergia nigra
Jacarandá-da-bahia
madeira
Swietenia macrophylla
Mogno
madeira
Jessenia spp.
Patauá
óleo comestível
Euterpe oleraceae
Açaí
fruto e palmito
Copaifera sp.
Copaíba
óleo med./combustível
Cariocar villosun
Piquiá
madeira e fruto
Artocarpus altilis
Fruta-pão
fruto
A. heterophyllus
Jaca
madeira e fruto
Durio zibethinus
Durião
fruto
Attalea funifera
Piaçava
fibra e amêndoa
Bertholletia excelsa
Castanha-do-pará
madeira e noz
Toona ciliata
Cedro australiano
madeira
Schyzolobium amazonicum
Bandarra (Paricá)
madeira
Cordia spp.
Freijó
madeira
Tabebuia serratifolia
Ipê
madeira
Dipterix adorata
Cumarú
madeira e semente
73
ÍNDICES TÉCNICOS
Sylvan Martins dos Reis
Acácio de Paula Silva
Necessidades de mão-de-obra e insumos para implantação e manutenção de 01 hectare de
cacaueiros do 1º até o 5º ano (Quadros 28 a 32).
Quadro 28 – Implantação e manutenção de 1 hectare de cacaueiros no 1º Ano
DISCRIMINAÇÃO
I - MÃO-DE-OBRA
. Preparo de área
. Tiragem de balizas
. Balizamento
. Construção do viveiro
. Enchimento de saquinhos
. Plantio de sementes de cacau
. Plantio do sombreamento definitivo
. Manutenção das mudas
. Plantio do sombreamento provisório
. Limpeza de área
. Abertura de covas p/ cacau
. Plantio de mudas de cacau
. Combate às pragas
. Manutenção do sombreamento
UNID.
QUANTIDADE
SUPOR
SUPOC
AMPLITUDE
d/h
115
88
-
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
20
5
6
5
5
2
1
8
13
15
20
6
2
7
19
4
6
4
4
1
3
16
4
5
10
3
2
7
19 - 20
4 - 5
4 - 5
4 - 5
1 - 2
1 - 3
8 - 16
4 - 13
5 - 15
10 - 20
3 - 6
-
un
1300
1500
1300 - 1500
un
600
1200
600 - 1200
un
mil
litro
40
1,3
0,5
40
1,5
0,5
1,3 - 1,5
-
II - INSUMOS/MATERIAIS
. Semente de cacau (Produção da CEPLAC)
. Mudas de bananeira (sombreamento
provisório)
. Mudas florestais (somb. definitivo)
. Sacos de polietileno
. Inseticida
Quadro 29 – Manutenção de 1 hectare de cacaueiros no 2º Ano
DISCRIMINAÇÃO
I - MÃO-DE-OBRA
. Limpeza de área
. Combate às pragas
. Desbrota
. Desbaste de sombra
. Adubação (NPK+ Uréia)
. Replantio
UNID.
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
QUANTIDADE
SUPOR
SUPOC
73
45
50
30
2
3
4
3
9
4
4
3
4
2
AMPLITUDE
30
2
3
4
3
2
-
50
3
4
18
4
4
II – INSUMOS
. Semente de cacau (Produção da
CEPLAC)
. Inseticida
. Adubo (NPK)
. Uréia
und
130
150
130 - 150
litro
saco
saco
2
4
1
2
4
1
-
74
Quadro 30 – Manutenção de 1 hectare de cacaueiros no 3º Ano
DISCRIMINAÇÃO
I - MÃO-DE-OBRA
. Limpeza de área
. Combate às pragas
. Desbrota
. Desbaste de sombra
. Adubação (NPK+ Uréia)
UNID.
QUANTIDADE
SUPOR
SUPOC
d/h
61
33
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
40
2
4
9
6
20
3
3
4
3
litro
saco
saco
2
5
1
2
5
1
AMPLITUDE
20
2
3
4
3
-
40
3
4
18
6
II – INSUMOS
. Inseticida
. Adubo (NPK)
. Uréia
-
Quadro 31 – Manutenção de 1 hectare de cacaueiros no 4º Ano
DISCRIMINAÇÃO
I - MÃO-DE-OBRA
. Limpeza de área
. Combate às pragas
. Desbrota
. Desbaste de sombra
. Adubação (NPK+ Uréia)
. Colheita e beneficiamento
UNID.
QUANTIDADE
SUPOR
SUPOC
d/h
62
46
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
30
2
4
4
6
16
20
3
3
2
3
15
litro
saco
saco
2
6
1
2
6
1
AMPLITUDE
20
2
3
2
3
15
-
30
3
4
9
6
16
II - INSUMOS
. Inseticida
. Adubo (NPK)
. Uréia
-
Quadro 32 – Manutenção de 1 hectare de cacaueiros no 5º Ano
DISCRIMINAÇÃO
I - MÃO-DE-OBRA
. Limpeza de área
. Combate às pragas
. Desbrota
. Adubação (NPK+ Uréia)
. Controle da vassoura-de-bruxa
. Repasse controle da vassoura-debruxa
. Colheita e beneficiamento
UNID.
QUANTIDADE
SUPOR
SUPOC
AMPLITUDE
d/h
84
89
-
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
17
2
4
6
15
20
3
3
3
19
17
2
3
3
15
d/h
10
12
10 - 12
d/h
30
29
29 - 30
litro
saco
saco
2
6
1
2
6
1
-
-
II – INSUMOS
. Inseticida
. Adubo (NPK)
. Uréia
20
3
4
6
19
75
Necessidades de mão-de-obra e insumos para recuperação de 01 hectare de cacaueiros
infectados por vassoura-de-bruxa, nível III do 1º até ao 3º ano (Quadros 33 a 35).
Quadro 33 – Recuperação de 1 hectare de cacaueiros infectados por vassoura-de-bruxa, nível III
no 1º Ano
DISCRIMINAÇÃO
UNID.
QUANTIDADE
AMPLITUDE
I - MÃO-DE-OBRA
. Poda fitossanitária (*)
. Colheita (**)
. Raleamento de sombra
. Desbrota
. Limpeza de área
. Aplicação de fungicida
. Combate às pragas
. Adubação
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
87
46
20
8
2
2
2
1
6
46 - 50
8 – 15
2-4
2–5
-
litro
saco
Kg
un
un
litro
litro
2
6
6
1
1
2
0,25
-
II – INSUMOS
. Inseticida
. Adubo (NPK)
. Fungicida
. Podão
. Facão
. Gasolina
. Óleo 2T
(*) Inclui mão-de-obra necessária para repasse
(**) Inclui mão-de-obra necessária para remoção de frutos infectados
Quadro 34 – Recuperação de 1 hectare de cacaueiros infectados por vassoura-de-bruxa, nível III no
2º Ano
DISCRIMINAÇÃO
I - MÃO-DE-OBRA
. Poda fitossanitária (*)
. Colheita e beneficiamento (**)
. Raleamento de sombra
. Desbrota
. Limpeza de área
. Aplicação de fungicida
. Combate às pragas
. Adubação
UNID.
QUANTIDADE
AMPLITUDE
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
d/h
84
30
32
5
4
3
2
2
6
5 – 10
4 - 10
-
II – INSUMOS
. Inseticida
Litro
2
. Adubo (NPK)
Saco
6
. Fungicida
kg
6
. Gasolina
litro
2
. Óleo 2T
litro
0,25
. Sacaria
un
2
(*) Inclui mão-de-obra necessária para repasse
(**) Inclui mão-de-obra necessária para remoção de frutos infectados
-
76
Quadro 35 – Recuperação de 1 hectare de cacaueiros infectados por vassoura-de-bruxa, nível III
no 3º Ano
DISCRIMINAÇÃO
UNID.
QUANTIDADE
AMPLITUDE
d/h
83
-
. Poda fitossanitária (*)
d/h
30
-
. Colheita e beneficiamento
d/h
40
-
. Limpeza de área
d/h
3
-
. Aplicação de fungicida
d/h
2
-
. Combate às pragas
d/h
2
-
. Adubação
d/h
6
-
. Inseticida
litro
2
-
. Adubo (NPK)
saco
6
-
. Fungicida
Kg
6
-
. Podão
un
1
-
. Facão
un
1
-
. Gasolina
litro
2
-
. Óleo 2T
litro
0,25
-
. Sacaria
un
10
-
I - MÃO-DE-OBRA
II – INSUMOS
77
CALENDÁRIO AGRÍCOLA PARA O CULTIVO DO CACAUEIRO
Paulo Júlio da Silva Neto
Acácio de Paula Silva
Ruth Maria Cordeiro Scerne
Prática Agrícola
 Preparo de área
 Balizamento
 Preparo das mudas para
sombreamento definitivo
 Plantio dos sombreamentos
provisório e definitivo
 Plantio do cacaueiro
 Roçagens
 Desbrota
 Correção do sombreamento
provisório (raleamento)
 Adubação básica
 Adubação nitrogenada

Combate às pragas temporárias
 Insetos sugadores e coleobrocas
do tronco
Época
 Início do período seco (*)
 Logo após a limpeza da área
 Início do período seco
 Início do período chuvoso(*)
 Do início do período chuvoso até 2 meses antes do período seco
(deve-se entender que o cacaueiro necessita de sombra)
 4 a 6 vezes durante o ano a depender da necessidade (antes da
adubação e da colheita são essenciais)
 Quando necessário
 1ª correção – 10 a 12 meses do plantio do cacaueiro no campo
(início do período chuvoso)
 2ª correção – 1 ano após a 1ª correção (início do período chuvoso)
 3ª correção – 1 ano após a 2ª correção (início do período chuvoso)
 4ª correção – 1 ano após a 3ª correção (início do período chuvoso)
 No início do período chuvoso (em mudas no campo dois meses
após o transplantio)
 6 meses após a adubação básica
 Durante o período seco
 Broca dos frutos (Conotrachelus sp).  Dois meses após a maior bilração
 Combate às pragas permanentes
 Durante o ano todo
 Controle de vassoura-de-bruxa:
 Poda fitossanitária (remoção de
―vassouras‖)
 Durante o período seco
 Repasse (**)
 Após a remoção, antes do período chuvoso
 Poda em roças velhas
 A partir do final da colheita
 Escoramento de cacaueiros
 Durante a poda fitossanitária
 Controle da podridão parda:
 Raleamento da sombra
 Durante a poda fitossanitária
 Remoção de frutos pecos e presos às
 Durante a colheita e poda fitossanitária
árvores
 Remoção dos frutos infectados
 Durante todo o período da frutificação
 4 pulverizações com fungicidas a
 Aplicações mensais a partir dos primeiros sintomas de ataque
base de cobre
 Controle do câncro de Phythophtora sp.  Durante o período chuvoso quando necessário
 Controle do mal rosado (Corticium)
 Durante o período chuvoso quando necessário
(*) Períodos secos e chuvosos dos principais Municípios produtores de cacau da Amazônia brasileira estão
expressos no Quadro 36.
(**) Após o repasse a remoção de ―vassouras‖ é feita durante o ano todo.
78
Quadro 36 – Dados Climáticos dos Principais Municípios Produtores de Cacau na Amazônia
brasileira. Valores Médios da precipitação pluvial (PP), retenção hídrica R.H. 125 mm,
deficiência (Def) e excedentes (Exced) hídricos no solo (mm).
Meses
JAN
Ouro Preto D’Oeste
(RO)
Medicilândia (PA)
Manaus
(AM)
*Tomé-Açu
(PA)
Alta
Floresta
(MT)
*Tucumã
(PA)
PP
(mm)
R.H. 125 mm
Def
Exced
PP
(mm)
R.H. 125 mm
Def
Exced
PP (mm)
PP (mm)
PP (mm)
PP (mm)
295
0
225
0
271
272
374
270
181
107
FEV
276
0
174
296
0
202
246
278
386
299
MAR
265
0
145
366
0
263
263
417
323
271
ABR
241
0
128
336
0
237
267
361
256
270
MAI
70
3
0
210
0
102
271
236
52
145
JUN
22
24
0
97
0
0
167
93
22
56
JUL
8
48
0
64
4
0
123
75
6
24
AGO
29
58
0
49
25
0
78
58
14
54
SET
104
8
0
60
34
0
98
41
121
98
OUT
152
0
0
85
26
0
135
85
237
148
NOV
229
0
25
87
24
0
139
98
238
188
DEZ
280
0
155
209
0
0
212
149
163
284
ANO
1971
141
808
1084
113
911
2270
2163
2292
2107
1983 a
1994
1984 a
1998
1976 a
1998
1988 a
1995
PERÍ0DO
1982 a 1994
1983 a 1990
Fonte: Scerne e Santos, 1994;
Scerne et al, 1996;
Santos et al, 1988;
* Dados coletados por técnicos do Escritório Local da CEPLAC no Município.
79
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ABREU, J. M. de et al. Manejo de pragas do cacaueiro. Ilhéus: CEPLAC/CEPEC, 1989. 32p.
ALDEN, D. O significado da produção de cacau na Região Amazônica no fim do período colonial: um ensaio de
História Econômica Comparada. NAEA/FIPAN. Belém: UFPA/NAEA/FIPAM, 1974. 90p.
ALMEIDA, C.M.V.C. de et al. Sistemas Agroflorestais como alternativa auto-sustentável para o Estado de
Rondônia. I. Histórico, aspectos agronômicos e perspectivas de mercado. Porto Velho:
PLANAFLORO/PNUD, 1995. 59p.
ALMEIDA, L.C. de, ANDEBRHAN, T. Recuperação de plantações de cacau com alta incidência de
vassoura-de-bruxa na Amazônia brasileira. Agrotrópica, v.1, n.2, p. 133-136, 1989.
ÁLVARES-AFONSO, F.M. O cacau na Amazônia. Ilhéus: Centro de Pesquisas do Cacau. Boletim
Técnico n. 66. 36 p, 1979
_____. A cacauicultura da Amazônia, antecedentes, estruturas programáticas, evolução e resultados
alcançados. Belém: CEPLAC/DEPEA. 1983. 85p.
ALVIM, P. de T. Cacao. In: ALVIM, P. de T., KOZLOWSKI, T.T. Ecophysiology of cacao crops. New
York: Academic Press, 1977. 279-313p.
______. Agricultura apropriada para uso contínuo dos solos na Região Amazônica. Espaço,
Ambiente e Planejamento, v.2, n.11, p. 1-72, 1990.
ALVIM, R. O cacaueiro (Theobroma cacao L.) em sistemas agrossilviculturais. Agrotrópica, v.1, n.2, p.
89-103, 1989.
ANDEBRHAN, T. Custo-benefício do controle da vassoura-de-bruxa do cacaueiro. Informe Pesquisa,
CEPLAC/DEPEA. p. 46-47,1983
BEER, J. Theobroma cacao: un cultivo ―Agroflorestal‖. Agroforesteria en las Américas, v.6, n. 22,
p.4,1999.
BICELLI, C. R. L., SILVEIRA NETO, S., MENDES, A. C. de B. Dinâmica populacional de insetos
coletados em cultura de cacau na região de Altamira, Pará. I. Levantamento das espécies. Revista
Theobroma, v.17, n.4, p. 243-250, 1987.
______., SILVEIRA NETO, S., MENDES, A. C. de B. Dinâmica populacional de insetos coletados
em cultura de cacau na região de Altamira, Pará. II. Análise faunística. Agrotrópica, v. 1, n.1,
p.39- 47, 1989.
BRASIL. Leis, Decretos etc. 1989. Resolução CONCEX nº 161 de 20 de Setembro de 1998. Diário
Oficial (Brasília) 29 de Setembro. Seção 1, pp. 18864-18867. Especificações da padronização do
cacau em amêndoas (Theobroma cacao L.) visando a sua classificação e fiscalização na exportação.
CAMPOS, A.X. Resposta de plântulas de cacau à aplicação de zinco. Informe Técnico,
CEPLAC/DEPEA. p.86-87, 1981.
CAMPOS, A.X. Efeitos de fontes de nutrientes e matéria orgânica na formação de mudas de cacau
em Latossol da Amazônia. Informe Técnico, CEPLAC/CEPEC. p.338-339, 1982.
______. Efeitos de dosagens crescentes de carbonatos de magnésio no crescimento do cacaueiro na
casa de vegetação. Informe Técnico, CEPLAC/CEPEC. p.336-338, 1982.
______., MORAIS, F.I. de, PEREIRA, G.C. Efeito de fertilizantes no crescimento e produção do
cacaueiro. Informe Técnico, CEPLAC/CEPEC. p.336, 1982.
CASTANHEIRA, L.C. Medidas de proteção ao aplicador de produtos fitossanitários. In: Congresso
Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas. (Palestras). Florianópolis: p. 70-81, 1995.
COMISSÃO EXECUTIVA DO PLANO DA LAVOURA CACAUEIRA – CEPLAC. Aproveitamento
integral dos recursos da empresa cacaueira. Ilhéus: CEPLAC/CEPEC, 48p, 1984. Publicação avulsa.
COMPAÑIA NACIONAL DE CHOCOLATES S.A.
Colombia, 151p., 1983.
Manual para el cutivo del cacao. Medellín:
80
DIAS, J.C. Influência do tamanho do fermentador e da época no tempo de fermentação e acidez do
cacau. Belém: CEPLAC/SUPOR. Boletim Técnico, n. 16. 18p, 1998.
______. Avaliação de sistemas de fermentação de cacau (Theobroma cacao L.) nas condições do pólo
cacaueiro da Transamazônica. Belém: CEPLAC/SUPOR. Boletim Técnico n. 17. 23p, 1999.
FASSBENDER, H.W., et. al. Modelos de los elementos nutritivos en sistema de producción
agroforestales del Trópico Úmido. In: 1º Simpósio do Trópico Úmido . v. 1 (Clima e Solos). Belém:
EMBRAPA-CPATU, 1986, p. 347-359.
FREIRE, E. S. et al. Aproveitamento de resíduos e subprodutos da pós-colheita de cacau. Ilhéus:
CEPLAC/CEPEC. 24 p, 1990.
GARCIA, J. de J. da S., MENDES, A. C. de B. Controle químico de Steirastoma breve (Sulzer)
(Coleoptera, Cerambycidae), broca do cacaueiro na Amazônia brasileira. Revista Theobroma, v.14, n.1,
p. 69-71, 1984.
______. et al. Sistema de produção do cacaueiro na Amazônia brasileira. Belém: CEPLAC/DEPEA. 118p, 1985.
GELMINI, G. A. Agrotóxicos, Legislação, Receituário Agronômico. Campinas: CATI. Manual n. 29. 103 p,
1991.
GRAMACHO, I. da C. P. et al. Cultivo e beneficiamento do cacau na Bahia. Ilhéus: CEPLAC. 124p, 1992.
KANG, B. T. Alley-cropping: post achievements and future diretions. Agroforestry Systems. n. 23, p.
141-155, 1993.
KASS, D., JIMENES, J., SCHLONVOIGT, A. Como hacer cultivo en callejones mas productivos,
sostenible y aceptable a pequenos produtores. Agroforesteria en las Americas, v. 4, n. 14, p. 21-23, 1997.
LOPES, C.M.D.A., SILVA, N.M., IDAM, R. Ocorrência de parasitóides de Conotrachelus
humeropictus (Coleoptera, Curculionidae) no Amazonas. In: Congresso Brasileiro de Entomologia,
XVII, Resumos, v..I, Rio de Janeiro: URRJ, 1998. p.265.
MAGNO, P. T. de M. Central de aproveitamento de polpa de sementes e resíduos de cacau. Belém:
SEICOM. 24 p., 1990.
MALAVOLTA, E. Elementos de nutrição mineral de plantas. São Paulo. Ed. Agronômica CERES.
1980. 251p.
MARTINS, A.C. de S. Dois prá lá, dois prá cá – Análise da articulação pesquisa, extensão, produtor de
cacau no âmbito da CEPLAC na Amazônia brasileira. São Bernardo do Campo: Instituto Metodista
de Ensino Superior, 1996. 191p. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social).
MELO, A.C.G. Enriquecimento de cacaotales com caoba. Agroforesteria en las Américas. v.6. n. 22, p.
31, 1999.
MENDES, A. C. de B. et al. Danos de Conotrachelus humeropictus Fiedler, 1940 (Coleoptera
Curculionidae): nova praga do (Theobroma cacao L.) na Amazônia brasileira. Anais da Sociedade
Entomológica do Brasil. 17 (Supl.): 19-28. 1988.
______., GARCIA, J. de J. da S., ROSÁRIO, A.F. da S. Insetos nocivos ao cacaueiro na Amazônia
brasileira. Belém: CEPLAC/DEPEA Comunicado Técnico Especial n. 1, 1979. 34p.
______., GARCIA, J. de J. da S. Pragas dos cacauais da Amazônia brasileira. Belém: CEPLAC/DEPEA.
(Apostila). 55p, 1983.
______., BICELLI, C. R. L., GARCIA, J. de J. da S. Controle de Selenothrips rubrocinctus (Giard)
praga do cacaueiro na região de Altamira, Pará. Brasil. Revista Theobroma, v. 14, n.3, p 189-192,
1984.
______., GARCIA, J. de J. da S. Biologia do besouro do cacau Steirastoma breve (Coleoptera,
Cerambycidae). Revista Theobroma, v.14, n.1, p. 61-68, 1984.
MENDES, A.C. de B., GARCIA, J. de J. da S. Insetos nocivos aos cacauais de Rondônia. In:
Seminário sobre atualidades e perspectivas florestais. 6º, 1982. Curitiba. Anais: ... Curitiba, editora, .
1984, p 19 - 30.
______., GARCIA, J. de J. da S. Problemas entomológicos da cacauicultura na
brasileira. In: Simpósio do Úmido, 1º, Belém-PA, 1984.
Amazônia
81
______., GARCIA, J. de J. da S. Ação de inseticidas sobre insetos nocivos e aranhas associadas ao
cacaueiro na região de Ouro Preto D'Oeste, Rondônia. Brasil. Revista Theobroma, v.15, n.2, p. 5763, 1985.
______., GARCIA, J. de J. da S. Flutuação populacional de Conotrachelus humeropictus Fiedler
(Coleoptera, Curculionidae), broca dos frutos do cacaueiro Theobroma
cacao L. - Resultados
parciais. In: Congresso Brasileiro de Entomologia, 12, Belo Horizonte, 22-27, jan. 1989
______., GARCIA, J. de J. da S. Controle químico de Conotrachelus humeropictus Fiedler1940
(Coleoptera, Curculionidae) em casqueiro de cacau Theobroma cacao L. In: Congresso Brasileiro de
Entomologia, 12º, Belo Horizonte-MG, 1989.
______. Biologia e Controle Microbiano de Conotrachelus humeropictus Fiedler, 1940 (Coleoptera,
Curculionidae). Belém: UFPA/MPEG, 1996. 101p. (Tese de Doutorado).
______., MAGALHÃES, B., OHASHI, O. S. Biologia de Conotrachelus humeropictus Fiedler, 1940
(Coleoptera: Curculionidae). Acta Amazonica, v. 27, n.2, p. 135-144, 1997.
MENDES, A. M. C. de M., ZUCCHI, A. R., MENDES, A. C. de B. Principais lagartas (Lepidoptera)
associadas ao cacaueiro Theobroma cacao L.) na Amazônia brasileira. Belém, CEPLAC/CORAM.
Boletim Técnico n. 9. 1991. 52p.
MENDES, F. A. T. Preço de cacau em amêndoas no Estado do Pará, 1989-1998: uma análise das
diferenças entre os Estados de Rondônia e Bahia. CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA
E SOCIOLOGIA RURAL, 37º. Anais. Foz do Iguaçu, PR. 1999. p. 131.
______. et al. Recuperação agro-econômica de áreas cacaueiras altamente infectadas por vassourade-bruxa (Crinipellis perniciosa) na Amazônia brasileira. Belém: CEPLAC/SUPOR. Boletim
Técnico, n. 14. 16p, 1997.
MÜLLER, M.W., GOMES, A.R.S. O cacaueiro (Theobroma cacao L.) em sistemas agroflorestais:
pesquisas em andamento na Amazônia Ocidental. In: SIMPÓSIO SOBRE SISTEMAS
AGROFLORESTAIS NA AMAZÔNIA, 1998,
Porto Velho. Anais ... Porto Velho:
CEPLAC/SUPOC.1998. p. 14-18.
NAIR, P.K.P. Classification of agroforestry systems. Agroforestry Systems, v. 3, p. 97-128, 1985.
______. An introduction to agroforestry. Agroforestry Systems. Netherlands: Kluwer Academic
Publishers, 1993, 499 p.
NASCIMENTO, J.C., ALMEIDA, L. C., ALVIM, P. T. Efeito de práticas culturais sobre a produção
de cacaueiros em várzea amazônica. Revista Theobroma 14(3):175-180, 1984.
NASCIMENTO, J.C., SANTANA, J.N. Espécies vegetais encontradas sombreando Theobroma cacao
L. em várzea amazônica. In: Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, 26ª
Recife, Brasil, 1974, p. 364.
NOGUEIRA, O. L., et al. Recomendações para o cultivo de espécies perenes em sistemas consorciados.
Belém: EMBRAPA-CPATU, 1991. 61p.
PEREIRA, G.C., MORAIS, F.I. de. Variabilidade química da camada superficial de solos dos pólos
cacaueiros da amazônia. Revista Theobroma, v. 17, n.3, p.142-151, 1987.
PINA, M.G.M., RIBEIRO, C.C., DIAS, J.C. Elaboração de iogurte batido de frutas da Amazônia:
cacau e cacau/cupuaçu. Agrotrópica, v.8, n.2, p. 45-50. 1996.
SÁNCHEZ, J. Cacaotero por más de veinte años. Agroforesteria en las Américas, v.6, n. 22. p. 5-6,
1999.
SANTOS, A.O. da S., SANTOS, M.M. dos, SCERNE, R.M.C. Cultivo do Cacaueiro na Amazônia
brasileira. Belém: CEPLAC/DEPEA/COPES. Comunicado Técnico Especial, n. 3, 56p, 1980.
SANTOS, M. M. dos, DIAS, A. C. da C. P., SCERNE, R. M. C. Estudo das possibilidades de ampliação
do pólo cacaueiro do Norte de Mato Grosso. Belém: CEPLAC/SUPOR, 16p. 1988.
______. Influência do método de sombreamento provisório no crescimento e desenvolvimento do cacau
(Theobroma cacao L.), no Pólo de Altamira, Pará. Tese. Fortaleza, Ceará. Universidade Federal do
Ceará. 41p. 1984.
82
SCERNE, R.M.C. e CARVALHO, C.J.R.
CEPLAC/DEPEA/COPES. 56p. 1983.
Climatologia
e
ecofisiologia
do
cacau.
Belém:
______., SANTOS, M.M. dos. Aspectos agroclimáticos do Município de Medicilândia(PA). Belém:
CEPLAC/ SUPOR/SEPES. Boletim Técnico, n. 11, 32p,1994.
______., SANTOS, M.M. dos, NETO, F.A. Aspectos agroclimáticos da região de Ouro Preto
D’Oeste (RO). Belém: CEPLAC/ SUPOR/SEPES. Boletim Técnico, n. 13, 32p, 1996.
SANTOS, P.L. dos et al. Levantamento de reconhecimento de alta intensidade dos solos do Município de
Cametá, Estado do Pará. Belém, PA. EMBRAPA- Amazônia Oriental. 28p. 1998.
SANTOS, S.R.M. dos, RAMOS, C.A.P., TOURINHO, M.M. Manejo e utilização de áreas de várzeas
amazônicas - Ecossistemas Florestais e Agroflorestais. In: IX SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO
CIENTÍFICA DA FCAP E III DA EMBRAPA - AMAZÔNIA ORIENTAL (Mini-curso). BelémPA. 8p. 1999.
SILVA, A.A. da et al. Programa de revitalização e consolidação da cacauicultura paraense – 1996 a 2005.
Belém: CEPLAC/SUPOR. 1996. 41p.
SILVA, I.C. et al. Recomendações complementares para o sistema de produção do cacaueiro na
Amazônia. CEPLAC/CORAM, 1991 (Grupo de Trabalho). 20p. Mimeografado.
______., TEIXEIRA, L.B. Encontro técnico sobre consorciação do cacaueiro+seringueira,1,
Altamira-PA, 18 a 21 de out. CEPLAC/EMBRAPA, 1988. 55p. (Relatório).
SILVA NETO, P. J. da, MELO, A. C. G., SANTOS, M.M. dos. Sistema Agroflorestal do Cacaueiro
(Theobroma cacao L.) e mogno (Swietenia macrophyll em Medicilândia, PA. In: Congresso Brasileiro
em Sistemas Agroflorestais, 2, Belém. No contexto da qualidade ambiental e competitividade:
resumos expandidos. Belém: EMBRAPA – CPATU, 1998 p. 107-108.
______, MELO, A. C. G., SANTOS, M.M. dos. Cacao bajo sombra de caoba en Pará, Brasil.
Agroforestia en Las Americas, v. 6, n. 22, p. 32, 1999.
______. Conceito de plantas daninhas, métodos de controle e classificação de herbicidas. Belém:
CEPLAC/CORAM. Boletim Técnico, n. 8, 28p, 1990.
______. Controle de plantas daninhas em cacauais em formação na região da Transamazônica, Pará.
Agrotrópica, v.6, n.3, p. 85-90, 1994.
SOMARRIBA, E. Descumbra de maderables para regular sombra en cacao y café. Agroforesteria en
las Americas, v. 6, n. 22, p. 23-24, 1999.
THONG, K.C., NG, W.L. Growth and nutriente composition of monocrop cocoa plants on inland
Malaysia soils. Preprint from the International Conference on Cocoa & Coconut, Kuala Lumpur,
Malaysia. 1978.
TREVIZAN, O. Comportamento da broca dos frutos do cacau Conotrachelus humeropictus Fiedler, 1940
(Coleoptera, Curculionidae) em Rondônia. Piracicaba: ESALQ, 1989, 75p. (Dissertação de Mestrado).
Universidade de São Paulo.
TREVIZAN, O. Dinâmica populacional de Monalonion annulipes Sign. em cacaueiros de Ariquemes,
Rondônia. Piracicaba: ESALQ, 1998, 80p. (Tese de Doutorado). Universidade de São Paulo.
______., MENDES, A. C. de B. Flutuação populacional de Monalonium annulipes em cacauais de
Rondônia. In: Congresso Brasileiro de Entomologia, 14, Piracicaba, 24-28 jan. 1993.
______., MENDES, A. C. de B. Dinâmica populacional de Monalonion annulipes Sign. Em
Ariquemes, Rondônia. In: Congresso Brasileiro de Entomologia, 17, Encontro Nacional de
Fitossanitaristas, 8, Rio de Janeiro, 09 a 14 ago. 1998
VIRGENS-FILHO, A. de C., ALVIM, R., ARAÚJO, A.C. de. Plantio de cacaueiros sob seringais
adultos na Região Sul da Bahia. In: CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE INVESTIGACIÓN EN
CACAO, 10, 1987, Santo Domingo, República Dominicana. Actas... Lagos (Nigéria): Cocoa
Producers’Alliance, 1988. p. 33-41.
Download

sistema producao cacau - Ceplac | Comissão Executiva do