RESUMOS APROVADOS ANPAE/RJ EIXO 1: POLÍTICAS EDUCACIONAIS 1. OS MOVIMENTOS SOCIAIS E O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO 2011 – 2020: ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A PARTICIPAÇÃO POPULAR NAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS Cíntia Velasco Santos1 Faculdade de Formação de Professores da UERJ E-mail: [email protected] RESUMO: Este trabalho, que deseja contribuir com as discussões do Eixo Temático Políticas Educacionais do IV Seminário Estadual da ANPAE RJ, propõe uma reflexão acerca da participação dos movimentos sociais na elaboração de políticas públicas para a educação brasileira. No intuito de viabilizá-lo, opta-se por discutir a participação de setores organizados da sociedade na elaboração do Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2011 – 2020, considerando que este documento seria o ponto culminante de amplos debates entre grupos de indivíduos ligados à educação pública brasileira, que resultaram no Documento Final da Conferência Nacional de Educação (CONAE), 1 Mestranda em Educação na Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. ocorrida em 2010. Tal recorte baseia-se no fato de ser o PNE um Projeto de Lei que contempla metas para melhorias na educação em vias de aprovação e com aplicação para os próximos anos, o que atribui ao PNE profunda relevância para o cenário educacional brasileiro. Inicialmente, este trabalho apresenta, através de uma breve revisão de literatura, as diferentes definições de movimentos sociais, desde o conceito marxista das lutas de classes até os movimentos reivindicatórios de moradores das periferias das cidades brasileiras, apresentados por Marilia Sposito. Em seguida, apresenta como estes movimentos das classes trabalhadoras das periferias influenciaram políticas públicas para a educação, ao mesmo tempo em que foram, também, capturados por essas políticas que, em sua maioria, ampliaram a oferta de ensino, mas fizeram a manutenção de sistemas educacionais excludentes. Finalmente, descreve o processo de elaboração do Plano Nacional de Educação para o decênio 2011 – 2020 e discute em que medidas setores organizados da sociedade, representados nos debates da CONAE de 2010, participaram de sua elaboração. O que se pretende com este estudo é identificar e sinalizar possíveis convergências e divergências entre as demandas dos movimentos sociais apresentadas no Documento Final da CONAE e o Plano Nacional de Educação 2011 - 2020. Palavras-chave: Movimentos Sociais, Políticas Públicas Educacionais, Plano Nacional de Educação 2011-2020. 2. ESTUDANTES ESTRANGEIROS EM INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR MILITAR: TRAJETÓRIAS ACADÊMICAS INICIAIS HONORATO, Hercules G. - EN - E-mail: [email protected] COSTA, Thaís de A. - EN - E-mail: [email protected] RESUMO: Este artigo tem por objetivo estudar a imigração temporária de jovens estrangeiros que vêm para o Brasil com a finalidade de fazer sua formação superior em uma Instituição de Ensino Militar. O eixo condutor explorado foi o propedêutico e as relações construídas dentro e fora da sala de aula, além das dificuldades e potencialidades que por ventura existiram, como a adaptação à vida acadêmica e à caserna em país estrangeiro. O cenário do estudo é a Escola Naval (EN), instituição da Marinha do Brasil que promove a formação, em nível superior, dos seus futuros oficiais. Os sujeitos da pesquisa são oito alunos estrangeiros, dos seguintes Estados nacionais: Líbano, Namíbia, Nigéria e Senegal. Os jovens enviados por essas nações passam por um processo seletivo em seus países e, antes de ingressarem oficialmente em nosso ensino regular da EN, realizam o “Estágio de Qualificação para Adaptação Acadêmica de Alunos Estrangeiros”, o qual fora idealizado, desenvolvido e implementado em 2009 a partir de experiências negativas anteriores. Consiste num período de um ano em que se busca junto o aprendizado de Língua Portuguesa e o nivelamento básico em Matemática, de acordo com os pré-requisitos exigidos para ingresso nessa instituição. Na busca pelo alcance do maior número de informações, a metodologia ainda contou com uma entrevista informal e aberta com a professora de Matemática e a leitura do relatório de acompanhamento da docente de Português. Neste artigo expõe-se o perfil dos alunos que, no ano de 2013, cursaram esse Estágio, ressaltando suas principais características, os obstáculos encontrados nesse primeiro momento e suas expectativas para o futuro. O Estágio em si é uma forma de bem receber os alunos estrangeiros, integrando-os e os adaptando à cultura naval e à brasileira de um modo geral. É importante reconhecer e valorizar a diversidade cultural e linguística dos alunos estrangeiros, respeitando a diferença, a identidade étnica e o sistema de crenças e valores ao qual pertencem. Além de a presença do aluno estrangeiro assegurar, no futuro, a prática de estreitamentos nas relações diplomáticas entre os atuais alunos brasileiros e estrangeiros, a riqueza da diversidade evidenciada a partir da integração de alunos oriundos de outros países pode ser grande oportunidade de capitalizar novas aprendizagens. Por fim, será feita uma reflexão sobre a relevância desse primeiro ano de estágio, bem como sobre possíveis soluções para sua melhoria, visto que são trajetórias iniciais que se completarão num ciclo escolar de mais quatro anos. Palavras-chave: Educação superior. Imigração temporária. Trajetórias acadêmicas iniciais. 3. PODER LOCAL E PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO: CARTOGRAFANDO AÇÕES DO LEGISLATIVO MUNICIPAL EM FACE AO DIREITO A EDUCAÇÃO NA CIDADE DE SÃO GONÇALO. Marcelo Valente de Sousa (Bolsista CNPq/UERJ/FFP) [email protected] Resumo: O presente trabalho é fruto da pesquisa em andamento integrada ao projeto “Poder local e políticas educacionais: repercussões sobre o direito a educação no município de São Gonçalo, RJ”, enquanto bolsista de iniciação cientifica temos nos dedicado a discutir e elaborar análises sobre a atuação do legislativo do município de São Gonçalo, RJ, nas políticas públicas em educação. Tendo como objeto o Plano Municipal de Educação (PME/SG) para a educação na cidade, temos feito levantamento de fontes documentais, tais como leis e projetos de leis propostas pelos vereadores em face às metas estabelecidas no PME/SG. Do ponto de vista teórico dialogamos com autores que tem problematizado as políticas publicas em educação no contexto de reforma do Estado, instituído pela Constituição federal de 1988, sobretudo no que diz respeito ao papel dos municípios na gestão das políticas publicas educacionais locais. No percurso da pesquisa, do ponto de vista metodológico foi realizado primeiramente um levantamento de dados das ultimas três eleições a fim de realizar uma cartografia de “influência” dos partidos políticos nas diferentes áreas de São Gonçalo. A partir de esses dados realizamos um levantamento da atuação da câmara de vereadores, identificando como estes atuam no que diz respeito às políticas públicas de educação, analisando se estes seguem o que é determinado pelo PME/SG, e pelas diretrizes dos respectivos partidos. Em nossas análises e resultados podemos perceber uma tímida atuação do poder legislativo acerca dessas políticas educacionais, além da manutenção do poder nas mãos dos mesmos partidos políticos, não mudando assim o quadro que compõem a câmara. Deste modo nos parece que o poder legislativo no município de São Gonçalo, ao menos nos últimos nove anos, tem produzido poucas iniciativas no que se refere a promover ações e projetos de leis no campo das políticas públicas em que a educação é objeto principal de um como direito humano e bem público coletivo. Palavras chaves: Poder Local – Ação do Legislativo – Direito a Educação 4. NO BAILAR DOS MOVIMENTOS: UM ESTUDO SOBRE A CONSTRUÇÃO DO DIREITO À EDUCAÇÃO ATRAVÉS DE AÇÕES HISTÓRICAS COLETIVAS Andressa Almeida Estevam de Souza (UERJ-FFP/ CAPES)2 Resumo: O presente artigo tem como objetivo central, fomentar o debate sobre a importância das ações históricas coletivas protagonizadas pelos movimentos sociais e populares na defesa pela ressignificação da educação pública. Daí a importância de elencarmos alguns marcos históricos, que expressam às inferências realizadas pelos movimentos na construção do direito à educação, mas especificamente, na modalidade da educação de jovens e adultos. Inicialmente, realizamos o movimento de retomada dos nexos teóricos metodológicos que compunham a concepção de movimentos sociais, numa dimensão constitutiva da consciência de classe na formação destes coletivos, bem como, sua relação com o campo educacional brasileiro. Desse modo, traçamos um percurso de analise que elenca ações destes coletivos nas Conferências Nacionais e Internacionais de Educação, bem como, seus desdobramentos, dentre os quais destacamos a Carta de Goiânia (IV CBE; 1986) e, o texto do Projeto de Lei das Diretrizes e Bases Nacionais, apresentado na comissão realizada com parlamento cujo líder foi o educador, o Dr. Gustavo Capanema, o vice-líder e presidente da Comissão de Educação, o Dr. Eurico Sales e convidado ilustre Sr. Dr. Anísio Teixeira. Com intuito de vislumbrarmos os caminhos constitutivos do processo de consolidação da agenda de debates sobre a questão do direito e outras temáticas do campo. Contudo, como base preliminar deste estudo, é possível afirmar que os movimentos sociais podem ser considerados um dos grandes atores que confrontam às políticas públicas ontem e hoje, num bailar que promove conflito e não um eterno e passivo consenso. Daí a extrema importância de potencializarmos a analise constante destes tensionamentos históricos para uma melhor clareza do quadro educacional contemporâneo. 2 Andressa Almeida Estevam de Souza - Graduada em Pedagogia pela Universidade Estácio de Sá em 2010. Pós- Graduada Especialização em Gestão Escolar- Educação Básica na UERJ-FFP 01-2013. Atualmente Mestranda inserida no Programa de Pós Graduação da mesma universidade e integrante do NUFIPE - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Filosofia, Políticas e Educação da Universidade Federal Fluminense/www.nufipe.org; Contato: [email protected]); Palavras- chaves: Movimentos Sociais, Direito à Educação, Educação de Jovens e Adultos. 5. PROGRAMA PDE ESCOLA – Plano de Desenvolvimento da Escola na gestão educacional da rede pública de ensino de Niterói-RJ. MARCIA FONSECA ALVIM HUDSON CADINHA – UFF [email protected] RESUMO: A sociedade brasileira está sob o regime de governo democrático garantido pela Constituição Federal de 1988. Desempenhar as ações inerentes a esse direito não é algo simples de ser executado, pois esse exercício envolve múltiplas variáveis que vão desde o poder de representação e sua legitimação até a vontade real do indivíduo em querer de fato exercer o seu direito de cidadão, legitimado por sua voz, atitudes e comportamentos. Participar se torna então, uma prerrogativa fundamental para esse modelo de governo, e as escolas não ficam fora desse contexto. As ações desenvolvidas nas escolas sob a coordenação e orientação de um gestor educacional devem envolver uma relação comprometida com as discussões desencadeadas no seu interior e no seu entorno, numa relação crítica, dialética, responsável e integrada possibilitando o exercício da gestão educacional democrática participativa. A partir dessa perspectiva, desenvolvi uma pesquisa no mestrado que teve início em 2012, tendo como objeto de investigação um dos programas do governo federal – PDE ESCOLA (Plano de Desenvolvimento da Escola), que tem por objetivo principal fortalecer a gestão educacional das escolas, oferecendo para isso um instrumento de planejamento estratégico pautado nos princípios da gestão educacional democrática participativa a ser executado prevendo ações a serem desenvolvidas a médio e longo prazo. Portanto, a pesquisa iniciou sua reflexão contextualizando o programa dentro da perspectiva de conceitos como: Democracia, Gestão Educacional e Planejamento Participativo, e em seguida investigou a gênese do programa, buscando captar o movimento de sua concepção e estruturação na esfera federal, a sua implantação na esfera municipal e, sua apropriação e execução no ambiente escolar. Para tanto, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas nesses três ambientes de gestão e coordenação do programa. Palavras-chave: Democracia - Gestão Educacional - Planejamento Participativo 6. GESTÃO DEMOCRÁTICA DO ENSINO PÚBLICO: CONTRADIÇÕES NO PROCESSO DE REGULAMENTAÇÃO DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL NA LEGISLAÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO REFERENTE ÀS UNIDADES ESCOLARES. Gabriela de Oliveira Delgado- UENF - [email protected] - FAPERJ Giovane do Nascimento - UENF - [email protected] Resumo: O contexto de abertura democrática na década de 1980, que mobilizou grande parte da sociedade civil, logrou importantes conquistas para os movimentos sociais, dentre eles os movimentos dos educadores. Uma dessas conquistas refere-se à gestão democrática do ensino público que passou a constar como um dos princípios acerca do ensino postulado pela constituição de 1988, a chamada constituição cidadã. Apesar dos avanços, esse foi um momento marcado também pela disputa entre, por um lado, os anseios dos movimentos sociais organizados; e, por outro lado, um projeto de sociedade orientado pela doutrina neoliberal. Dessa forma, a análise das legislações referentes à gestão democrática do ensino público no Rio de Janeiro,por uma perspectiva crítica, possibilita a percepção dos interesses implícitos provenientes das forças influentes na formulação da legislação, bem como a concepção de tais forças acerca de conceitos fundamentais. Para tanto, a legislação deve ser tomada como resultado de um contexto histórico, político e cultural, buscando considerar as contradições presentes, bem como identificando quais os grupos políticos obtêm possíveis privilégios a partir da instituição de determinado discurso .O presente trabalho tem por objetivo elaborar uma análise discursiva no que tange o princípio da gestão democrática do ensino público nas legislações federal (Constituição federal e Lei de diretrizes e bases da educação) e estadual (Constituição estadual do Rio de Janeiro e Leis complementares referentes ao tema).Nesse sentido, buscaremos observar as contradições e inconsistências entre a instituição do princípio da gestão democrática pela constituição de 1988 e as regulamentações posteriores no estado do Rio de Janeiro, referentes a instrumentos de democratização da gestão nas escolas, tais como a escolha de diretores e o conselho escolar. PALAVRAS-CHAVES: Gestão democrática, legislação educacional, neoliberalismo. 7. UMA ARENA DE TENSÕES: DA EJA AO PROEJA Clarissa Menezes de Souza – UENF3 [email protected] Dr. Leandro Garcia Pinho – UENF [email protected] Dr. Gerson Tavares do Carmo – UENF [email protected] Grupo de Pesquisa OBEDUC / CAPES RESUMO: Este texto tem por objetivo apresentar reflexões a respeito da trajetória das políticas educacionais para jovens e adultos ao longo da história da educação no Brasil até o seu encontro com a educação profissional, através do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na modalidade de Mestranda em Políticas Sociais, pela Universidade Estadual do Norte Fluminense “Darcy Ribeiro”UENF. 3 Educação de Jovens e Adultos - PROEJA. Assim, narra-se numa perspectiva crítica vários acontecimentos e momentos importantes à efetivação da Educação de Jovens e Adultos como Modalidade de Ensino, o que ocorreu a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº9394/96, bem como a integração dessa Modalidade de Ensino com a Educação Profissional, através do Decreto n°5.478/2005, substituído após um ano pelo Decreto nº 5.840/2006, que instituiu o PROEJA. Em 1996 a Educação de Jovens e Adultos passou a ser regulamentada, na LDB nº 9394/96, pelos artigos 37 e 38, que previram dentre outros aspectos que essa modalidade será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria e que os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. Dessa forma, percebe-se que a Lei 9394/96, traduziu um esforço maior no que se pode pensar sobre a efetivação da escolarização dos Jovens e Adultos, sendo uma importante iniciativa para minimizar as deficiências encontradas. Contudo, esse é um campo que ainda necessita de muita discussão até que a prática se aproxime dos discursos, principalmente no que diz respeito à qualidade e efetividade da Educação de Jovens e Adultos desenvolvida no Brasil. Sabe-se que uma das questões mais polêmicas diante dessa perspectiva é à verificação da baixa expectativa de inclusão profissional dos jovens e adultos de classes populares. Visando contemplar essa questão, o Governo Federal criou através do Decreto n°5.478/2005, substituído após um ano pelo Decreto nº 5.840/2006, o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (PROEJA). O objetivo principal do programa é então suprir a carência constatada com relação à formação dos jovens e adultos excluídos do sistema educacional ou que a ele não tiveram acesso nas faixas etárias regulares. Palavras-chave: Políticas Educacionais; Educação de Jovens e Adultos; PROEJA. 8. A (IN)DEFINIÇÃO DA LAICIZAÇÃO NA POLÍTICA PÚBLICA EDUCACIONAL DA LEGISLAÇÃO ESTADUAL PARA O ENSINO RELIGIOSO NO RIO DE JANEIRO 25 ANOS APÓS A CONSTITUIÇÃO DE 1988. Autor: Evandro Francisco Marques Vargas (UENF) [email protected] Co-autor: Leandro Garcia Pinho (UENF) [email protected] Pesquisa com financiamento parcial da CAPES. Resumo: O presente trabalho é parte da pesquisa de Mestrado em Políticas Sociais da Universidade Estadual Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). Com pré-projeto intitulado “O Ensino Religioso enquanto Política Pública e sua relação com a regulação e a participação: Políticas Públicas e Legislação na Rede Estadual do Rio de Janeiro”, sob a orientação do Prof. Dr. Leandro Garcia Pinho, encontra-se em fase de elaboração para o Exame de Qualificação. Dotando-se da análise da história da legislação sobre o ER no Rio de Janeiro, propõe-se entender em que sentido há, possivelmente, uma incompatibilidade da Lei Estadual nº 3.459, de 14/09/2000 e o atual estágio das discussões sobre o ER no Brasil que tomam como referência à Constituição Federal de 1988. Nesse sentido faz-se primordial buscar compreender como as discussões sobre o Ensino religioso manifestaram-se nas mobilizações pela Constituinte e após a promulgação da Constituição cidadã e das repercussões sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN/1996) e na legislação estadual sobre o ER no Rio de Janeiro. Tem-se por perspectiva trazer como questão norteadora que a inclusão do ER no currículo da escola pública por meio da legislação supracitada aponta para um atrelamento entre igreja e Estado no tocante à política educacional. Tendo como indício o pressuposto de que o ápice desse processo dá-se na assinatura da Concordata Brasil Santa Sé em 2008. Buscando analisar como o conceito de laicização assume por nossa formação social uma característica peculiar. Almejando desvelar as estratégias de conversão desse discurso em habitus aplicaremos o método da analise sócio-histórica reconstruindo a correlação de forças presentes no momento de sua regulação e implementação imbricadas sob “Reforma do Estado” e compreender as incoerências nas legislações no que concernem ao ER, à assinatura da concordata, o credenciamento de professores pelas entidades religiosas, o caráter confessional que essa disciplina assume. Palavras-chave: Política educacional; Laicização; Ensino Religioso. 9. EDUCAÇÃO INFANTIL, ESPAÇOS E TEMPOS: DIÁLOGOS COM A PESQUISA FERNANDA BEZERRA DE ALMEIDA (UNIRIO) [email protected] LEANDRO HENRIQUE DE JESUS TAVARES (UNIRIO) [email protected]) Agência financiadora: CNPQ RESUMO: Este trabalho é um recorte da pesquisa desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa em Educação Infantil e Políticas Públicas da UNIRIO, com apoio do CNPq (2012/2013), nas Unidades do PROINFÂNCIA (Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para Rede Escolar Pública de Educação Infantil) em funcionamento no Estado do Rio de Janeiro. A pesquisa tem como objetivo diagnosticar a situação da Educação Infantil nas Unidades e verificar como ocorre a implantação do programa e sua realidade em nosso Estado. Neste texto fazemos uma análise do número de crianças matriculadas e das modalidades de atendimento que prevalecem nas Unidades pesquisadas. Fica evidenciada uma lacuna no atendimento às crianças de 0 a 3 anos e a prevalência do horário parcial para a pré-escola. O planejamento arquitetônico das Unidades, a organização dos espaços para a dinâmica com as crianças e os trabalhos nos murais, indicam a possibilidade de uma escolarização em curso, com a maioria dos trabalhos direcionados para o aprendizado de letras e números com poucos livros e brinquedos. Para a construção deste texto utilizamos dados de entrevista com diretores, coordenadores, professores e auxiliares, observação do cotidiano e registros fotográficos. Acreditando que neste momento de expansão do atendimento da Educação Infantil pública, em regiões metropolitanas, cuja demanda de população infantil vem crescendo, é relevante pensar sobre questões que contribuam para a qualidade do atendimento, em prol da criação de espaços educativos dialógicos, com uma práxis viva e criativa, centrada no lúdico e nas artes, com vistas a uma formação humana, ética e responsável. Palavras-chave: Educação Infantil, Políticas Públicas, Qualidade do Atendimento 10. A EDUCAÇÃO INTEGRAL E O PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO NO EIXO POLÍTICO-LEGAL Simone Freire Paes Pestana Pesquisadora no NEEPHI – UNIRIO [email protected] Resumo: A partir da construção teórica e documental do Programa Mais Educação como estratégia do governo federal para a promoção da educação integral no Brasil contemporâneo, a discussão sobre a temática é retomada e, ao mesmo tempo, ressignificada, consubstanciada por questões inerentes às políticas educacionais e sociais. Isso se dá, principalmente, porque a proposta para ampliação da jornada escolar desse Programa fomenta o debate sobre a educação integral, favorecendo a formação humana, mas, ao mesmo tempo, a proteção integral/social do sujeito por meio de ações socioeducativas. Para entendermos e ampliarmos o debate sobre a educação integral no eixo político-legal, faremos um percurso pela legislação nacional e por alguns documentos legais e operacionais do Programa Mais Educação. Nesse caminho metodológico, verificaremos os documentos legais que abarcam a educação integral, buscando situar as concepções adotadas por eles: Constituição Federal, nos artigos 6º, 205º e 227º; Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9394/1996); Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 9.089/1990); Plano Nacional de Educação 2001-2010 (Lei nº 10.179/01); Plano de Desenvolvimento da Educação; Fundo Nacional de Manutenção de Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Lei nº 11.494/2007) e Decreto nº 6.094/2007. Nessa perspectiva e buscando, ainda, compreender e situar a educação integral nesse debate mais recente, percorreremos os instrumentos legais e alguns textos operacionais que tratam diretamente sobre o Programa Mais Educação, como a Portaria Interministerial nº 17/2007; o Decreto nº 7.083 e os manuais do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE 2009, 2010 e 2011); o Passo a Passo do Programa Mais Educação; a Cartilha Caminhos para elaborar uma proposta de Educação Integral em Jornada Ampliada. Após a análise documental, constatamos que as políticas e os programas voltados para educação integral se baseiam fundamentalmente nesses documentos, para alcançar os efeitos desejados. Palavras-chave: Políticas educacionais; Educação integral; Programa Mais Educação. 11. GÊNERO, SEXUALIDADE E RELIGIÃO NA ESCOLA PÚBLICA: UM CONFLITO EM EVIDÊNCIA Amanda André de Mendonça Universidade Federal Fluminense / UFF [email protected] Resumo: Este trabalho pretende explorar o alcance religioso na rede pública de educação do Rio de Janeiro a partir da perspectiva de sua influência na formação identitária e no exercício da sexualidade de seus educandos. Busca-se investigar as estratégias e mecanismos pela instituição escolar, identificando também políticas públicas desenvolvidas acerca destas questões no campo educacional. Nesta perspectiva, tem grande relevância a análise do processo de socialização do individuo no campo educancional, relacionando o desenvolvimento e a formação das identidades e das sexualidades de alunos com a influência de crenças religiosas. O dignóstico produzido por esta análise coloca em evidência a polarização entre politicas e práticas educacionais baseadas em uma democracia laica e a produção de um discurso e de um habitus embasado na discriminação de gênero e de orientação sexual pelos educandos. Exemplo deste conflito foi o episódio recente envolvendo a distribuição do chamado “Kit Gay” pelo MEC nas escolas da rede pública. O material gerou grande repercussão nacional e após forte pressão de diversos segmentos religiosos foi recolhido das escolas. Este episódio recente envolvendo a presença da diversidade sexual nas escolas e a influência direta de setores religiosos organizados demonstra o quanto este conflito está presente no campo educacional. Para investigar de que maneira a escola pública e as politicas educacionais se revelam como parte de um campo cercado de confrontos e interesses, que acaba determinando modelos e padrões de gênero e de expressão sexual, buscou-se realizar uma pesquisa qualitativa levantando elementos de tangência entre a expressão sexual dos educandos, abordada pela óptica de gênero, e abordagens religiosas. A proposta consiste em apresentar por meio de revisão de pesquisas sobre laicidade do Estado o quanto a influência de credos religiosos no campo educacional geram estereótipos e preconceitos. Os principais meios utilizados foram, então, além de estudo envolvendo bibliografia pertinente ao tema, coleta de dados realizada mediante a análise dos documentos oficias e dos PCN’s. Além disso, também foi empregado como objeto de exame crítico o material pedagógico adotado por um conjunto de professores da rede estadual do Rio de Janeiro, como o planejamento das aulas, materiais e recursos didáticos. A presença da diversidade sexual e de gênero nas escolas e a influência direta de setores religiosos organizados nas politicas do campo educacional sobre estes temas demonstram o quanto este conflito entre a formação de uma livre expressão identitária e sexual e modelos baseados em valores e dogmas religiosos está na ordem no dia. Com efeito, o estudo da temática ao qual este trabalho se propõe investigar poderá gerar elementos que contribuam para análises mais precisas acerca da articulação entre um ensino laico e a construção de sexualidades livres de modelos e padrões hegemônicos. Palavras Chaves: Religião, sexualidade e educação. 12. O MUNICÍPIO COMO ENTE FEDERATIVO E A IMPLANTAÇÃO DA POLÍTICA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO: APONTAMENTOS SOBRE O PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO EM DOIS MUNICÍPIOS FLUMINENSES NOGUEIRA, Sonia Martins de Almeida -CCH/PPGPS -UENF SILVA, Scheila Ribeiro de Abreu - CCH/PPGPS –UENF Resumo: A Constituição Federal de 1988 estabelece o município como ente federativo na composição da Federação, unidade que articula uma variedade de entes, que, ao se integrarem, não perdem sua própria identidade. Desenhou-se, portanto, uma nova cartografia do poder político em educação, à luz do regime de colaboração entre a União, o Distrito Federal, os estados e os municípios na organização de seus sistemas de ensino, estabelecido no artigo 8º da Lei 9394/96. O município passou a ser responsável direto pelo seu sistema de ensino, respaldado nas diretrizes políticas de descentralização e municipalização presentes na reforma do Estado estruturada na CF. Assim, a categoria de ente federativo deu ao município um amplo spectrum de novas atribuições, dispostas no artigo 30 da CF, incluindo em seu elenco a organização e a implantação do plano municipal de educação como instrumento norteador da política municipal de educação. A questão da municipalização do sistema de ensino põe em foco as discussões sobre os princípios de descentralização da administração pública em seus três níveis e da autonomia dos órgãos componentes da estrutura administrativa de governo, princípios que devem estar subsumidos no plano municipal de educação, considerando-se as metas estabelecidas nesse documento. O PME visa à sistematização da educação no município, e não apenas a sua institucionalização, consolidando ou reformando o sistema já existente; sua formulação é uma exigência para a organização e o desenvolvimento do sistema municipal do ensino. Assim, a proposta deste estudo é apresentar alguns apontamentos para favorecer o acompanhamento desse plano em dois municípios fluminenses, Macaé e Campos dos Goytacazes, visando levantar argumentos para avaliar o grau em que os respectivos planos estão sendo postos em prática e sugerir procedimentos para ser cobrado o efetivo cumprimento das metas enunciadas. Esta proposta de trabalho se origina nos artigos 30 e 31, da CF/88, entendendo-se que, para melhor atendimento do interesse público, a sociedade civil poderá acompanhar com atenção o exercício do poder político do governo municipal, como também exigir que se efetive no plano democrático, com legalidade e legitimidade. Como o ponto focal deste estudo é a educação, consideramos ser relevante assinalar o compromisso que nossa Carta Magna expressa em seu artigo 205 e que se consolida nos PME’s. Palavras chave: municipalização; sistematização do ensino público; Plano Municipal de Educação. 13. A POLÍTICA DE MERENDA ESCOLAR: O PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR PÓS-DESCENTRALIZAÇÃO - ENTRE OS ECOS DO PASSADO E AS EXPECTATIVAS DO FUTURO. Autor: PINHO, Francine Nogueira L. Garcia; UENF, [email protected] Co-autor: MARTÍNEZ, Silvia Alicia; UENF; [email protected] CAPES. Resumo: Este estudo procura entender o que o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), conhecido como merenda escolar, representa para seu público-alvo, os alunos das escolas públicas. Esta política pública direcionada ao ambiente escolar é regulamentada pelo Ministério da Educação e Cultura e tem recursos financeiros advindos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Da sua criação em 1955 até 1993 teve sua gestão centralizada e a partir de 1994 foi colocada sob a responsabilidade dos municípios e estados, chamados de entidades executoras, os quais foram incumbidos de complementar a renda necessária para a oferta da merenda escolar. A proposta de descentralização previa que os hábitos alimentares regionais pudessem ser respeitados, possibilitando uma maior adesão e aceitação dos alunos. Porém o que se percebe, por estudos acadêmicos realizados em diversas regiões brasileiras, é que o percentual de adesão ainda fica aquém do esperado. Através da análise qualitativa de duas escolas públicas no município de Campos dos Goytacazes – RJ, esta pesquisa pretende, por entrevistas e observação, perceber no cotidiano escolar alguns pilares que possam explicar esta baixa adesão. Dentre os quais a trajetória assistencialista da merenda escolar – que parece ecoar na memória dos usuários como sendo a merenda destinada aos alunos carentes –, o apelo do consumismo desmedido do capitalismo atual e a qualidade nutricional da alimentação servida – o que inclui a higienização adequada, operacionalização do cardápio e treinamento das pessoas que a prepara. Palavras-Chave: descentralização da merenda escolar; PNAE; trajetória sócio-histórica do PNAE. 14. EVOLUÇÃO DA INTERAÇÃO FAMÍLIA-ESCOLA-COMUNIDADE NO MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO DE MERITI- RJ, NO BIÊNIO 2010-2012. DAVID FRANCISCO ARCENIO – UFRS [email protected] RESUMO: A qualidade da Educação pública é um tema recorrente na sociedade acadêmica e até na comunidade politicamente mais esclarecida, por isso espera-se muito das autoridades em relação à implementação de políticas públicas direcionadas a uma educação mais eficiente e consonante com os anseios da sociedade. Há muitas formas de cooperação possíveis por parte das autoridades educacionais e da sociedade civil. A interação família-escola-comunidade é um dos “fatores” decisivos para a melhoria da educação, agregando valor à qualidade da educação pública. Sendo assim, na pesquisa de mestrado desenvolvida, se destaca as políticas educativas desenvolvidas, a fim de promover mudança socioeducacional na comunidade. A motivação da realização dessa pesquisa são as inúmeras sinalizações de Sistemas Municipais de Ensino em relação às dificuldades para estabelecer uma relação dialogal com os responsáveis pelos educandos. Nesse contexto, a produção deste trabalho tem por objetivo encorajar a interação família escola-comunidade na Região da Baixada Fluminense e divulgar seus benefícios junto às famílias e aos educadores, pois essas duas entidades precisam somar forças para a melhoria da educação pública oferecida à sociedade brasileira, ou continuaremos a acumular resultados indesejáveis na educação brasileira e prejuízos irreparáveis para todos. A metodologia utilizada foi uma pesquisa feita através de questionários enviados a dez escolas municipais de São João de Meriti, em torno da implementação da interação efetiva com a comunidade escolar e seus benefícios aferidos a partir dessa postura das unidades escolares. Analisamos os resultados alcançados pelo Município, através do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica IDEB, a partir da aproximação das escolas, sobretudo com as famílias que participaram dos encontros ao longo dos dois anos recebendo orientações das unidades escolares, ações das quais participamos como observador e pesquisador. Com essa interação podemos perceber os resultados que apareceram: a elevação do IDEB, e a presença expressiva e crescente de responsáveis nos encontros prefixados no calendário escolar oficial. Diante disso, é preciso mobilizar a sociedade em prol da excelência da educação para todos, que deve agir, exigir e decidir em prol da consecução de resultados positivos na educação pública através de metas de ampliação da participação já que a escola pública deve estar inserida na comunidade de forma efetiva e não com as portas fechadas, como um edifício que faz parte da estrutura da cidade. Palavras chave: mobilização - interação - qualidade 15. AVALIAÇÃO EXTERNA, MERITOCRACIA E QUALIDADE: UMA TRÍADE COMBINADA DA PRECARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO Handerson Fábio Fernandes Macedo (Mestrando em Educação da UERJ-FFP) [email protected] Resumo: O presente trabalho, a partir de um levantamento de literatura pertinente ao tema, realiza um debate sobre a interferência do Banco Mundial na política educacional brasileira e como as avaliações externas têm ocasionado o controle da atuação do professor e empobrecimento do currículo escolar, além de servir para a implantação de políticas meritocráticas que acabam por dividir e enfraquecer esta categoria profissional, que é apontada pelo BM como o principal obstáculo para as reformas neoliberais na educação. O estabelecimento de índices de qualidade e metas para a educação, políticas estas que vem acompanhada das avaliações externas e da meritocracia, vem contribuindo para a implantação de uma política educacional de cunho empresarial e que em nada contribuem para a construção de uma educação pública de qualidade social. Destaca-se também que o conceito de educação de qualidade que se impõe como política educacional do Banco Mundial vai de encontro com a teoria do capital humano, reforçando a concepção de educação mercantilizada. Neste sentido, este trabalho realiza também uma discussão sobre o conceito de qualidade da educação implícito nestas avaliações, ou seja, o conceito de qualidade total, contrapondo-o ao de qualidade social, sendo esta última a almejada por profissionais da educação e movimentos sociais. Desta forma, aponta para o fato que a dita qualidade (total) da educação, a avaliação externa e a meritocracia fazem parte de um sistema que, combinados, realizam uma verdadeira precarização da educação pública brasileira, contribuindo para a proletarização e exploração dos profissionais da educação. Conclui afirmando que, apesar das pressões governamentais, os professores e demais profissionais da educação não aceitam de forma passiva a implantação destas políticas, resistem através de suas práticas pedagógicas, questionando e/ou organizando-se em sindicatos, sendo suas lutas e mobilizações de fundamental importância para impedir a vitória do modelo neoliberal na educação pública. Palavras-chave: Avaliação Externa; Meritocracia; Qualidade da Educação 16. A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES SOBRE A ATUAL POLÍTICA EDUCACIONAL DO GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Renata Araujo de Castro Fermam (UFF - NUGEPPE) [email protected] Resumo: O presente trabalho é fruto de uma pesquisa realizada no Curso de Mestrado em Educação da Universidade Federal Fluminense. Pretende-se apresentar algumas percepções dos professores da rede estadual de ensino sobre o atual Programa Educacional do Governo do Estado do Rio de Janeiro, proposto pelo Decreto nº 42.837/2011. Desta maneira, cumpre-se não só o objetivo de guardar a memória desta importante política pública, mas também o de dar subsídios às discussões contemporâneas sobre as políticas que apresentam os mesmos fundamentos ideológicos, políticos e educacionais. Neste sentido, empreende-se um esforço de contextualização diante do cenário mais amplo das políticas educacionais em curso no Brasil, sobretudo a partir dos anos de 1990. Período onde os discursos que responsabilizam o professor pelo fracasso da escola pública vão ganhando força e dão sustentação a implementação de políticas educacionais com ênfase na profissionalização, na certificação docente, em avaliações externas e na meritocracia. Do ponto de vista metodológico, o trabalho baseia-se em pesquisa bibliográfica, na análise de documentos oficiais, de publicações do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE) e de reportagens em jornais e em seis entrevistas realizadas com professores da Rede Estadual de Educação do Rio de Janeiro. As principais conclusões revelam a ênfase na remuneração variável e a ausência de informações sobre os critérios para a distribuição do bônus; a ausência da participação dos professores no processo de elaboração desta política e o pouco conhecimento sobre as características do programa; apesar de ser uma política extensa, que transita na área curricular, no campo da avaliação, no planejamento, na gestão, nota-se que não houve a preocupação em construir um documento que esclarecesse a proposta pedagógica da rede para seus profissionais; o projeto político pedagógico parece ter sido extinto e substituído pelo planejamento estratégico da SEEDUC/RJ. Palavras-Chave: 1) Políticas Públicas de Educação; 2) Política Educacional do Governo do Estado do Rio de Janeiro; 3) Profissionalização Docente; 4) Proletarização Docente. 17. POLÍTICA DE COTAS NO COLÉGIO PEDRO II: INICIANDO O DEBATE Autora: Priscila da Cunha Bastos (CP2 e UFF) [email protected] Resumos: O processo brasileiro de democratização do acesso à educação escolarizada, mais recentemente com iniciativas voltadas para o Ensino Médio, tem permitido que grupos sociais diferentes possam passar pela mesma etapa de vida, mas não com a mesma qualidade, fato que constitui o ponto mais frágil da política educacional. A instituição que se pretende pesquisar, o Colégio Pedro II, representativo das políticas educacionais desenvolvidas no país desde a sua fundação, também passa por um processo de ampliação, principalmente do número de matrículas. O Colégio Pedro II, localizado no Rio de Janeiro, é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação, que ministra ensino público e gratuito em diferentes níveis, desde a Educação Infantil ao Mestrado Profissional, ambos iniciados em 2012, passando pela Educação Básica (1º e 2º segmentos), Ensino Médio Regular e Integrado e Proeja (Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos). Possui atualmente 14 Campi espalhados em 6 bairros da cidade do Rio de Janeiro (Centro, Engenho Novo, Humaitá, São Cristóvão, Tijuca e Realengo) e estendendo-se também para outros municípios, a saber, Niterói e Duque de Caxias. A partir da lei 12.711/2012 que regulamenta a política de cotas para negros, pardos e indígenas em todos os Institutos Federais de Educação, o colégio passou também a reservar um percentual de vagas para este segmento da população nos concursos de acesso ao Ensino Médio Regular e Integrado. Com isso algumas questões emergem a fim de se buscar uma avaliação dos novos rumos das políticas de acesso ao Pedro II. A pesquisa pretende verificar quem são os alunos e alunas beneficiários/as dessa política, assim como avaliar se a distinção na forma de entrada dos alunos e alunas é um determinante nos seus desempenhos. Por ser tratar de uma mudança recente, esse trabalho pretende destacar elementos para dar início ao debate sobre a política de cotas no Colégio Pedro II. Palavras-chave: política de cotas, desigualdade racial, acesso à educação. 18. POLÍTICAS DE AÇÕES AFIRMATIVAS NA UFRJ: UM ESTUDO AVALIATIVO DE PERMANÊNCIA ENTRE INGRESSANTES DE COTA SOCIAL E DE AMPLA CONCORRÊNCIA Heliane F. da Rocha Santos/UFRJ/[email protected] Lucí Hildenbrand/Cesgranrio/ [email protected] Resumo: O estudo avaliou a integração acadêmica dos discentes beneficiados pelo Programa de Ações Afirmativas, ingressantes em 2011/1º, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O ano de 2011 foi determinado porque, nele, ocorreram três modalidades de acesso diferenciadas para os cursos de graduação e, passados quatro períodos letivos consecutivos, os dados estavam disponíveis e validados. A partir das duas questões avaliativas estabelecidas, buscou-se conhecer e comparar a permanência de estudantes ingressantes por vagas de ampla concorrência e de cota social. Também se buscou saber se os discentes oriundos de vagas sociais foram absorvidos por outros programas de permanência, que permitissem sua inserção na comunidade acadêmica. A avaliação formativa utilizou-se da abordagem centrada na administração. A extração das situações acadêmicas dos ingressantes, em 2011/1º, e o seu acompanhamento, no ciclo básico, até 2012/2º, foi feita a partir do banco de dados do Sistema de Gerenciamento Acadêmico (SIGA/UFRJ). As categorias Permanência e Bolsas Assistenciais foram estabelecidas e, para a primeira, estabeleceu-se o indicador Situação de Matrícula; para a segunda, os indicadores Bolsa Acesso e Permanência; Bolsa Transporte; Bolsa Auxílio. Com isto, pode-se determinar a situação acadêmica dos 4.826 discentes matriculados em 2011/1º, acompanhados por quatro períodos. O instrumento selecionado para a coleta dos dados foi a planilha EXCEL, pois os relatórios do SIGA/UFRJ podem ser apresentados na forma de planilhas eletrônicas. A validade de conteúdo dos indicadores e categorias foi estabelecida por painel de especialistas do Sistema. Para estabelecer a validade técnica da planilha, consultou-se um profissional especializado na área Avaliação. A organização dos dados foi feita por meio de tabelas, tabelas dinâmicas e gráficos. A interpretação se deu sob a forma de representação escrita, com atribuição de significado aos achados. Os resultados evidenciaram que os discentes da UFRJ, independente da modalidade de vaga de ingresso, manifestaram comportamento de permanência similar; que o Programa de Políticas de Ações Afirmativas revelou-se positivo no período estudado; que as políticas de permanência, por meio de distribuição de bolsas, mantiveram os discentes na Instituição. Considerouse que o período do estudo foi pequeno para se oferecer estabilidade ou migração do cotista para outra forma de auxílio financeiro, que eleve a sua permanência na UFRJ. Palavras-chave: Avaliação. Ação Afirmativa. Permanência. 19. A PROPOSTA DE AMPLIAÇÃO DO TEMPO ESCOLAR NO ESTADO DE MINAS GERAIS, NO PERÍODO DE 2005 A 2012 FLÁVIA RUSSO SILVA PAIVA (UFV/UNIRIO-NEEPHI) [email protected] DENILSON SANTOS DE AZEVEDO (UFV) [email protected] LÍGIA MARTHA COIMBRA DA COSTA COELHO (UNIRIO-NEEPHI) [email protected] Resumo: A efetivação de propostas de educação em tempo integral tem sido crescente nas redes públicas de ensino no Brasil. De modo peculiar, em Minas Gerais houve uma proposta que se iniciou em 2005, intitulada “Aluno de Tempo Integral”. No ano de 2007, passou por uma ampliação e reformulação em suas diretrizes, originando o Projeto “Escola de Tempo Integral” e, ao final de 2011 a proposta foi novamente reformulada, passando a ser denominada “Educação em Tempo Integral”, o qual representa o atual projeto em desenvolvimento pelo Estado. Diante desse cenário de modificações, o presente estudo teve por objetivo analisar os projetos da Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais (SEE/MG) que propõem a ampliação do tempo escolar. Em termos metodológicos, utilizamos a abordagem do Ciclo de Políticas de Stephen Ball & Richard Bowe (1992), enfatizando os contextos de influência e da produção de texto, a fim de estudarmos a política de tempo integral no estado de MG. Para isso, foi realizada uma pesquisa documental dos textos normativos dos três projetos da SEE/MG e de outros documentos governamentais, seguidos da realização de entrevistas semiestruturadas com profissionais da SEE/MG que atuaram/atuam na elaboração do texto normativo dos referidos projetos, bem como em sua coordenação. De modo geral, os resultados da investigação revelaram que o Estado de MG tem buscado ofertar a educação em tempo integral, o que não implica o oferecimento de uma educação integral, pois apesar das terminologias serem semelhantes, possuem significados diferentes. Além disso, constatamos também que a política de tempo integral da SEE/MG encontra-se em construção, e assumiu, nos três projetos que contemplam a sua trajetória, diferentes concepções e práticas de educação integral. Palavras-chave: Política educacional; educação integral; educação em tempo integral. 20. A TRAJETÓRIA DA POLÍTICA DE COTAS RACIAIS PARA CIDADÃOS AFRODESCENDENTES NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS (2001 – 2013): ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE OS MODELOS DA UERJ E DA UNB Robson Alencar Meira Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ [email protected] Resumo: O presente trabalho busca empreender algumas reflexões sobre a trajetória da política de cotas raciais para ingresso de cidadãos afrodescendentes nos cursos de graduação oferecidos pelas universidades públicas brasileiras. O foco da investigação recai, de maneira especial, sobre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e sobre a Universidade de Brasília (UnB), no período compreendido entre os anos 20012013, uma vez que tais universidades foram pioneiras na implantação das políticas públicas de ação afirmativa no Brasil, bem como aquelas que primeiramente adotaram a sistemática de cotas para cidadãos afrodescendentes. Este estudo comparado também procura abordar a evolução histórica dessa política no Brasil, no contexto da UERJ e da UnB, seus avanços e/ou recuos, sob prisma da legislação vigente, especialmente no tocante à Lei 12.711/2012, que institui a política de cotas raciais no Brasil. Um balanço inicial, realizado pela Coordenadoria de Articulação e Iniciação Acadêmica da UERJ (CAIAC-UERJ), aponta que entre os anos de 2003 e 2012 o número total de ingressantes na UERJ foi de 47.540 estudantes, sendo 31.505 não cotistas e 15.935 cotistas. Desses totais, 6.995 estudantes se declararam afrodescendentes. Em relação à UnB, o Programa Todos Pela Educação, do Governo Federal, destaca o percentual significativo de 41% de estudantes afrodescendentes aprovados no Programa de Avaliação Seriada (PAS) e no vestibular, sobre o total, entre os anos de 2009 e 2013. A pesquisa, ainda em construção, está sendo realizada no contexto do curso de graduação em Pedagogia da UFRRJ. Palavras-chave: Política de cotas raciais para cidadãos afrodescendentes; universidades públicas brasileiras; Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); Universidade de Brasília (UnB). 21. NORMATIZAÇÃO DO TEMPO INTEGRAL NA EDUCAÇÃO PÚBLICA: REPERCUSSÕES NAS LEIS FEDERAIS Luisa Figueiredo do Amaral e Silva (NEEPHI/UNIRIO) E-mail: [email protected] Alessandra Victor do Nascimento Rosa (PUC-RJ) E-mail: [email protected] Resumo: A partir da Constituição Federal de 1988 (CF/88) os municípios foram alçados a condição de entes federativos e posteriormente, com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996 (LDB/96), responsabilizados pela prioridade na oferta do Ensino Fundamental e Educação Infantil. Em decorrência desta nova organização a oferta da escola pública de tempo integral passou a ser uma responsabilidade dos entes federativos. Desta forma, com a descentralização do ensino público – e em consonância com o artigo 205 da CF/88, onde se lê que a educação visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, e com o artigo 34, § 2º da LDB/96, ao indicar que ensino fundamental deverá ser ministrado progressivamente em tempo integral – observamos o crescimento de programas e políticas de aumento do tempo diário do aluno, sob a responsabilidade da escola. Diante deste contexto, esta pesquisa objetivou identificar e analisar, a partir da normatização do tema da educação em tempo integral nas leis federais, as propostas de indução de políticas/programas de escola de tempo integral para os municípios e estados. Para tal, fizemos uso de pesquisa bibliográfica e documental, buscando em diferentes autores e fontes documentais o desenvolvimento do tema da educação integral em tempo integral. Ao focar nas indicações da União para a construção de políticas municipais e estaduais de tempo integral e na análise de diferentes pesquisadores esta pesquisa contribui para a compreensão sobre como os entes federativos estão sendo orientados a implementar suas próprias políticas para a oferta da escola pública de tempo integral. Palavras-chaves: Políticas Educacionais, Educação integral e Tempo integral 22. PRÁTICAS EDUCATIVAS COMUNITÁRIAS: BUSCAS PELO DIREITO À EDUCAÇÃO José Nildo Oliveira Soares Faculdade Flamingo Faculdade Nossa Cidade - Carapicuíba [email protected] João Clemente de Souza Neto Universidade Presbiteriana Mackenzie Instituto Catequético Secular São José Ages - Associação Civil "Gaudium et Spes" Pastoral do Menor da Região Episcopal Lapa [email protected] RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo apresentar e discutir práticas educativas sociais do Programa de Pedagogia Comunitária da Secretaria de Educação da Cidade de Praia Grande, São Paulo. Face aos desdobramentos da Constituição Federal de 1988, profissionais da educação, engajados com uma educação de qualidade e preocupados em discutir e oferecer melhores condições sociais e de aprendizagem, têm procurado entender como as práticas educativas em espaços não escolares operam, no sentido de ajudar a desvelar e a realizar os processos efetivos de conquista e garantia da cidadania. Embora a Academia tenha se debruçado em refletir programas de políticas públicas sociais na área da educação, ainda é muito relevante mapear, pesquisar e registrar como esse fenômeno tem sido tratado. Os aspectos metodológicos se pautaram em conhecer o objeto, o contexto da pesquisa e o campo de atuação pedagogas do Programa. Foram aplicados questionários para coletar dados preliminares, validação e ambientação do pesquisador. Em seguida, foram aplicados questionários semiestruturados às profissionais e à gestora, bem como entrevistas gravadas, com a gestora e com a secretária de educação da cidade e com dois grupos de três pedagogas. Foram realizadas coletas de dados durante às visitas de observação às escolas, às casas de pais de alunos, em reuniões e eventos. Pôde-se perceber que as ações operaram de maneira a desvelar práticas tidas como únicas e restritas, desenvolvidas e aplicadas ao ambiente escolar. Tais práticas foram realizadas a partir de contextos reais dos participantes: alunos, familiares, professores e demais profissionais da escola. Enquanto política educacional, o Programa, pode servir como elo entre os atores envolvidos, desde que sua finalidade seja a de garantir o direito à educação, como mecanismo eficaz e eficiente de transformação. Verificou-se que é necessário pensar a escola de uma forma mais ampliada, envolvendo a comunidade e outros atores que contribuem para a formação de valores favoráveis à convivência humana. Palavras-chave: Pedagogia comunitária; Escola; Política educativa. 23. EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM PETRÓPOLIS (RJ): MARCOS LEGAIS Victor Novicki - UCP [email protected] FAPERJ Resumo: Objetivamos neste artigo, inicialmente, analisar como a temática ambiental é tratada na Lei Orgânica Municipal (LOM) e no Plano Municipal de Educação (PME) de Petrópolis, município do estado do Rio de Janeiro (RJ), enfatizando as concepções de meio ambiente, de desenvolvimento sustentável e de Educação Ambiental (EA) e, num segundo momento, realizar uma análise comparativa entre as políticas nacional, fluminense e petropolitana de EA. Visando alcançar esses objetivos desenvolvemos os seguintes procedimentos metodológicos: análise documental e realização de entrevista com membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Petrópolis (COMDEMA). No que se refere às concepções de desenvolvimento sustentável (DS), de meio ambiente (MA) e de EA, verificamos que enquanto a LOM não faz menção ao DS, o PME cita-o mas não o define. Contraditoriamente, a LOM apresenta concepções reducionista e socioambiental de MA (que incorpora o ser humano), em diferentes momentos, enquanto no PME não encontramos a categoria “meio ambiente”. Sob uma abordagem conservacionista, restrita aos aspectos naturais do meio ambiente, na LOM há uma menção à EA, enquanto que o PME, revelando alguma conexão com as conquistas ocorridas, determina a abordagem transversal da EA no ensino fundamental e, inovando, também no ensino médio. Concluímos que poucas conquistas da EA crítica foram incorporadas à LOM ou ao PME. Apesar da política municipal de EA incorporar abordagens críticas das outras políticas, cabe destacar algumas ausências ou retrocessos: (a) não trata da formação inicial e continuada de professores, (b) não cria órgão específico para coordenar o programa municipal de EA, nem incorpora a participação social neste processo, (c) não inclui especificidades da rede de ensino ou dos problemas socioambientais locais. Palavras-chave: Educação Ambiental. Legislação. Petrópolis (RJ). 24. O ARTIGO 227 DA CONSTITUIÇÃO CIDADÃ: ALGUMAS REPERCUSSÕES NAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS Lucy Teixeira/GRUPPE - UFF [email protected] Resumo: O Brasil conviveu, durante longo período, com impacto intenso do golpe militar de 1º de Abril de 1964. A década de 1970 foi marcada pela retirada dos direitos políticos e sociais dos brasileiros. Este movimento se assegurou na argumentação de que o país precisava ser protegido da onda vermelha, que na época se expandia pelo mundo. A redemocratização do Brasil veio desenvolver-se na década de 1980, e como produto desse processo promulgou-se a Constituição da República Federativa do Brasil, em 1988 (CF/88). A Carta Magna foi elaborada em vinte meses por quinhentos e cinquenta e oito constituintes (deputados e senadores) e ganhou o apelido de Constituição Cidadã devido aos vários aspectos, materializados em seus 245 artigos, que visam garantir o acesso e exercício da cidadania. A garantia de proteção à infância e a adolescência teve um espaço, mais específico, a partir da promulgação da Constituição Cidadã. O artigo 227 da CF/1988 reconhece as crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e serviu como fundamento para a implementação da Lei Federal Nº 8.069 de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente/ ECA). Em observância a CF/88, também foi promulgada, desta vez na segunda metade da década de 1990, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN/96) que tem como um das interfaces da CF/88 a previsão da Educação como Direito público subjetivo. Não é pretensão deste artigo esgotar o assunto aqui abordado, mas desenvolver a análise crítica, pautada em pesquisa bibliográfica, acerca da do artigo 227 na Constituição da República Federativa do Brasil e algumas repercussões nas Políticas Educacionais e, especificamente, analisar algumas contribuições materializadas no ECA de 1990 e na LDBN de 1996. Palavras Chave: Constituição Cidadã, Educação e Políticas Educacionais. 25. O PDE-ESCOLA COMO MECANISMO DE TRANSFORMAÇÃO DA GESTÃO ESCOLAR EM INSTITUIÇÕES PÚBLICAS EDUCACIONAIS Cleber Abreu da Silva - UNIFAL [email protected] RESUMO: Este trabalho avalia a implantação do PDE-Escola em duas instituições escolares no estado de Minas Gerais. O Programa, concebido de forma pouco representativa em sua elaboração macro, sugere uma maior representatividade em sua elaboração micro, mesmo com o MEC impondo um manual de implementação da política às escolas. É essa ambiguidade que motivou a presente pesquisa. Esse contexto cria um hiato de objetivos a serem investigados, tais como a incorporação por gestores e docentes das orientações de mais uma política verticalizada; a maneira em que esses grupos se relacionam na execução do Programa; e, por final, na constatação sobre como as demandas levantadas por diretores e professores na fase introdutória do Plano estão sendo materializadas nas escolas. As respostas a esses objetivos irão nos revelar o grau de incorporação das ideias do PDE-Escola, possibilitando a identificação dos ganhos e retrocessos da proposta governamental na ótica de seus protagonistas escolares. Para isso, duas escolas foram escolhidas, sendo que uma enfrentou a elaboração do PDE-Escola em sua forma clássica, com a metodologia que exigia da instituição um profundo levantamento de suas características, demandando a participação de todos os segmentos. Já a segunda, a partir de 2011, experimentou, e ainda experimenta, a elaboração em sua forma interativa, havendo, apenas, o gestor como interlocutor das informações levantadas, para muitos, descaracterizando o princípio participativo da política. Os resultados parciais apontam para um acirramento nas relações entre gestores e docentes e uma transformação tímida no cotidiano pedagógico da escola, inclusive após a chegada dos equipamentos adquiridos com a verba do PDE-Escola, sendo que algumas das razões podem ser o caráter menos representativo da atual versão digital e a reedição de mais uma iniciativa governamental hierarquizada. Palavras-chave: PDE-Escola; Políticas Públicas; Gestão Escolar. 26. O CAMPO DE PESQUISA EM POLÍTICAS E GESTÃO DA EDUCAÇÃO: CONTORNOS EPISTEMETODOLÓGICOS. Eliel da Silva Moura Universidade Federal Fluminense. Núcleo de Estudos e Pesquisa em Gestão e Políticas Públicas em Educação NUGEPPE Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES [email protected] Resumo: O presente trabalho preocupa-se em discutir, sob o olhar epistemetodológico, alguns aspectos relacionados ao campo de conhecimento das políticas educacionais em interface com o debate mais amplo que envolve o paradigma científico, sua crítica e as possibilidades daí decorrentes. Optamos, em princípio, por resgatar as considerações sobre o estatuto científico e como este foi apropriado pelas ciências humanas, enfatizando o rompimento com a concepção positiva de ciência, desencadeado principalmente a partir das décadas de 1970 por muitos pesquisadores no Brasil. Os dilemas metodológicos surgidos desde então são analisados sempre sob a perspectiva da construção de conhecimento na área da educação. Com isto preparamos o terreno para a segunda parte deste trabalho, que trata propriamente do campo das políticas e gestão da educação. Ao revisitamos as definições desta subárea ao longo do século XX, observarmos as transformações em seus objetos de estudo e em sua própria constituição enquanto campo de pesquisa. Destacamos quatro momentos deste histórico de evolução: a) A predominância das abordagens jurídico-institucionalistas, cujos objetos de análise eram centrados na normativa legal; b) A perspectiva do planejamento para o desenvolvimento, período em que institutos de pesquisa, órgãos estatais e organismos internacionais multilaterais emergiram como dinamizadores e propagadores deste arcabouço teórico; c) A perspectiva crítica, fase desencadeada na década de 1970, marcada pela emersão dos enfoques crítico-reprodutivistas e de estudos neo-marxistas e pós-estruturalistas; d) E o momento mais recente cuja palavra de ordem é a gestão da educação, seja ela associada à noção de management ou a posicionamentos anti- hegemônicos. Concluímos que, diante dos dilemas ético-políticos envolvidos na produção da pesquisa em políticas educacionais, o posicionamento epistemológico do pesquisador seja fundamental para o enriquecimento, credibilidade e consolidação do campo. Palavras-chave: Políticas Educacionais; Epistemologia; Metodologia. 27. Análise de uma Política pública Intersetorial: educação e saúde e as vulnerabilidades no processo de escolarização mediante a ausência da Anemia Falciforme na relação das doenças crônicas no programa Saúde na Escola (PSE) Rita de Cássia Ladeira CEFET/RJ [email protected] Resumo: O objetivo deste texto é discutir a ausência da Anemia Falciforme (AF), doença hereditária prevalente na população negra, na lista das doenças crônicas apresentadas nos textos do Programa Saúde na Escola (PSE). O PSE é uma Política Intersetorial entre os Ministérios de Saúde (MS) e Educação (MEC) que busca a integralidade em saúde de alunos do ensino público. A metodologia utilizada foi a técnica de análise documental fundamentada na teoria da análise do discurso. Para tanto, recorro às orientações do decreto que instituiu a implantação do PSE e aos textos oficiais editados pelos MS e MEC em particular os Cadernos de Atenção Básica; n. 24 Série B. Textos Básicos de Saúde de 2009 e a publicação Passo a passo PSE: Programa Saúde na Escola: tecendo caminhos da intersetorialidade Série C. Projetos, programas e relatórios de 2011. São construções textuais que não visibilizam a AF, ocultando informações importantes a respeito das implicações dessa enfermidade e o peso do seu impacto enquanto vivência socioeducacional. Concluímos que a presença de alunos com AF no espaço escolar vem sendo ignorada em consequência do desconhecimento da doença por parte dos atores envolvidos. Sugerimos uma reorientação no documento que regulamenta o PSE e uma reformulação em seus respectivos editoriais no sentido de acrescentar na lista de doenças crônicas a AF como aspecto vulnerabilizante com forte impacto no processo de escolarização que compromete de várias formas a aprendizagem. Palavras-chave: Educação-Saúde; Política Pública; Anemia Falciforme. 28. A EDUCAÇÃO INFANTIL NA REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE NITERÓI: POLÍTICA DE VALORIZAÇÃO E EXPANSÃO. Luziane Patrício Siqueira Rodrigues UFF (Mestranda em Educação) e FME/Niterói(Coordenadora de Polo da Educação Infantil) E-mail: [email protected] Resumo: No Brasil, as políticas públicas de atendimento à criança são recentes. As primeiras iniciativas datam do meado do século XIX, partindo de iniciativas de grupos privados. Tais iniciativas foram fortemente marcadas pelo caráter preconceituoso e assistencialista nos poucos projetos destinados à infância. Efetivamente, somente em meados dos anos de 1970 pôde-se perceber, por parte das autoridades governamentais, a preocupação com o atendimento infantil. A Constituição de 1988 assegurou o direito à educação das crianças menores de cinco anos de idade, fato corroborado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, que além disso, incluiu a educação infantil na educação básica, sob a responsabilidade dos municípios. Por não se tratar de uma etapa obrigatória, durante anos, não se garantiu as condições de acesso para todos. Somente após a promulgação da E.C. Nº59/2009, parte da educação infantil (quatro e cinco anos), passa a ser obrigatória até 2016, fazendo com que os municípios se reestruturem para absorver a demanda. Nos últimos anos, muito tem se discutido sobre a importância da educação infantil. Cada vez mais as famílias têm procurado no âmbito público e privado as creches e pré-escolas, por diversos fatores. Apesar de ser visível o crescimento do atendimento à criança nas instituições públicas, a procura ainda é muito maior do que o número de vagas existentes. O presente trabalho propõe-se a discutir a política de atendimento na educação infantil, da Rede Municipal de Educação de Niterói, apresentando um histórico do atendimento no município e as ações da Secretaria Municipal de Educação Ciência e Tecnologia, destacando os principais avanços e dificuldades ao longo dos anos, a fim de garantir uma educação pública de qualidade na primeira infância, baseada no trinômio cuidar/brincar/ educar, percebendo a criança como um sujeito de direitos e produtora de cultura; culminando com a apresentação do “Mais Infância”, programa de expansão e reestruturação física e pedagógica da rede, lançado em março de 2013, com o objetivo de expandir em 75% as Unidades Municipais de Educação Infantil (UMEI), ampliando consequentemente o número de vagas e os resultados obtidos após um ano desde seu lançamento. Palavras- chave: educação infantil – infância – expansão. 29. O DEBATE SOBRE O PROJETO MINHA GENTE NO ESPAÇO DO PODER LEGISLATIVO Reginaldo de Lira Pena Mestrando em Educação pela Universidade Federal Fluminense Email: [email protected]) RESUMO: O presente trabalho pretende analisar em linhas gerais o debate produzido em torno do Projeto Minha Gente, lançado em maio de 1991 pelo governo do então presidente da República Fernando Collor de Mello. Coordenado pelo Ministério da Saúde, o Projeto tinha como sua unidade básica os Centros Integrados de Atendimento à Criança (Ciacs), unidades escolares construídas especialmente para esta finalidade, colocando-se acima dos pressupostos tradicionais do campo das políticas educacionais, pois, além da proposta de educação integral para os alunos do ensino fundamental, envolvia também ações integradas nas áreas de saúde pública, assistência social e promoção social. Os programas setoriais que compunham inicialmente o Projeto eram os seguintes: Núcleo de Proteção à Criança e à Família, Saúde e Cuidados Básicos da Criança, Educação Escolar, Esporte, Cultura, Creche e Pré-Escola, Iniciação ao Trabalho, Tele-educação e Desenvolvimento Comunitário. Não foram definidas regras fixas para a operacionalização dos programas setoriais, uma vez que deveriam ser consideradas demandas de cada região. O modelo de gestão estabelecia que o governo federal ficaria com o controle técnico e administrativo, articulando-se com os governos estaduais e municipais. Outro ponto a ser considerado é o destaque para a participação da comunidade, atuando na concepção, implantação e operação das unidades. O lançamento previa a construção de aproximadamente 5.000 unidades em todo o Brasil. A definição de projeções tão ambiciosas colaborou ainda mais para que o Projeto fosse tratado com desconfiança. Verifica-se também que o Projeto representou um ponto de inflexão no posicionamento de parte da grande imprensa em relação ao governo, com uma oposição sistemática desde as ações iniciais que tratavam dos “Cieps de Collor”. Através da utilização de diferentes fontes, foram identificadas as várias questões que envolveram o intenso debate sobre o Projeto. Considerando que o espaço do Poder Legislativo reflete intensamente, e das mais diversas formas, discussões que são produzidas na sociedade, foi destacada a análise do parecer elaborado, no final do ano de 1991, pelos deputados federais Raul Pont, (Partido dos Trabalhadores), Maria Luiza Fontenelle (Partido Socialista Brasileiro) e Celso Bernardi (Partido Democrático Social), para apreciação da Comissão de Educação, Cultura e Desportos da Câmara Federal. Palavras-chave: políticas educacionais; história política; educação integral. 30. POLÍTICAS ATUAIS DE TEMPO INTEGRAL DA REDE MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO: DISCUSSÕES INICIAIS Lenita dos Santos Ferreira UNIRIO/SME-RJ [email protected] NEEPHI - Núcleo de Estudos Tempos, Espaços e Educação Integral RESUMO: Este trabalho, recorte da pesquisa para a dissertação de mestrado em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO), é uma discussão inicial sobre a política de ampliação progressiva do atendimento em tempo integral na rede pública municipal do Rio de Janeiro. O estudo busca compreender o processo de implantação e a lógica de funcionamento do horário integral na realidade carioca bem como concepções de educação subjacentes. Tecemos algumas reflexões e indagações acerca da adoção do turno único a partir do ano de 2010, marco legal da transição político-pedagógica gestada desde o ano anterior quando houve a mudança de governos municipais. Considerando que a referida rede é a maior da América Latina, é necessário problematizar os limites e as possibilidades desta política diante dos esforços para abranger um grande número de escolas e ainda considerar especificidades locais. Analisamos o funcionamento em turno único de um CIEP (Centro Integrado de Educação Pública) da Zona Norte, dialogando com os documentos emitidos pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME-RJ) sobre horário integral e com autores que contribuem para pensar e discutir tempo/educação integral. Por ora, as investigações preliminares apontam que SME-RJ vem realizando tentativas de implantar o turno único começando por unidades que já funcionavam neste modelo. Sendo assim, o que vem acontecendo é a adequação de parte das escolas a alguns aspectos, como a nova carga horária de quarenta horas para professores e a implementação do Programa Mais Educação (PME) em escolas de horário parcial como indutor de ampliação de tempo e em escolas de horário integral como complementação. Como, em ambos os casos, o PME não atende à totalidade dos estudantes, é possível entendermos que a concepção de escola integral da atual gestão, ao que a pesquisa vem indicando, está mais voltada para a ampliação de carga horária do que para a formação integral do sujeito. Palavras-chave: Políticas educacionais. Educação integral. Tempo integral. 31. A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM INTERFACE COM A EDUCAÇÃO ESPECIAL: VELHOS DESAFIOS E NOVAS PERSPECTIVAS Márcia da Silva Freitas - FFP/UERJ [email protected] Resumo: O presente estudo visa apresentar inquietações da autora referentes à Educação de Jovens e Adultos e a Educação Especial. Encontramos nessas modalidades de ensino situações que reafirmam seu caráter duplamente excludente: ambas apresentam em sua essência a responsabilidade de incluir aqueles que, por distintos motivos e em momentos históricos variados, estiveram a margem do sistema educacional. A pesquisa atualmente vem sendo desenvolvida no município de Itaboraí – RJ e, pautada nas legislações vigentes, a autora defende a educação como um direito inerente a todos os cidadãos (capítulo II da Constituição Federal, Art. 6º). Sendo assim, objetiva investigar, no âmbito das políticas públicas, como tem sido o ingresso e a permanência de pessoas com Necessidades Educacionais Especiais na escola comum inclusiva, particularmente na modalidade de Educação de Jovens e Adultos, analisando como se dá o enlace entre as duas modalidades em questão. A pesquisa tem sido realizada numa abordagem qualitativa, sem desconsiderar dados quantitativos atualizados trazidos pelo Ministério da Educação, pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Itaboraí e por fatores investigados em instituições de ensino. Os procedimentos metodológicos utilizados são: entrevistas semiestruturadas, análise documental e pesquisa de campo. Neste sentido, com base na Constituição Federal, em outras legislações pertinentes e a partir da necessidade de refletirmos sobre a dignidade humana, este estudo propõe reflexões acerca de diversos desafios e perspectivas que englobam o direito educacional para as pessoas inseridas nas modalidades de ensino supracitadas, no âmbito das políticas públicas em Educação. Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; Educação Especial; Direito à Educação. 32. A FORMAÇÃO CONTINUADA NO ÂMBITO DO PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO: AVANÇOS E DESAFIOS Luana Gomes de Oliveira (UNIRIO) Email: [email protected] Resumo: Este trabalho tem por objetivo analisar o processo de formação continuada dos profissionais da educação e demais educadores, que atuam no âmbito do Programa Mais Educação (PME) no município de Mesquita-RJ, destacando seus principais avanços e desafios. A justificativa do estudo se faz associar ao fato de a implantação do Programa Mais Educação - que busca contribuir para com a construção de políticas públicas de educação (em tempo) integral em municípios e estados brasileiros - ter difundido para o âmbito nacional os debates acerca da educação integral e, por conseguinte, as discussões voltadas para os processos de formação (continuada) vinculados ao Programa. Partindo desta perspectiva, torna-se necessário, entre outras questões, a realização de estudos voltados para a análise da formação dos profissionais que atuam no PME e suas possíveis implicações no desenvolvimento do próprio Programa. Assim, realizei uma pesquisa de cunho qualitativo com foco em um estudo de caso, em que foram realizadas entrevistas semiestruturadas com profissionais que atuam no PME na Secretaria Municipal de Educação de Mesquita (SEMED) e em um CIEP municipalizado. A partir dos dados levantados, foi possível constatar, entre outros resultados, que o processo de formação continuada oferecido por Mesquita contribuiu para que os profissionais da educação e demais educadores entendessem o PME e a importância da educação integral para a melhoria da qualidade educacional da rede municipal de ensino. Como avanços, cito uma maior qualificação dos educadores que atuaram no Programa, o desenvolvimento de novas competências e habilidades por parte dos coordenadores e a consolidação do PME em um programa próprio de educação integral em tempo integral do município. No que tange aos desafios, destaco a carência de profissionais preparados para orientar e ofertar formações a alguns monitores que atuam na área cultural, a dificuldade de integração entre profissionais da educação e demais educadores, a falta de interação com profissionais da mesma área e a esporadicidade das formações oferecidas pela SEMED. Palavras-chave: Programa Mais Educação. Educação Integral. Formação Continuada. 33. MOVIMENTOS SOCIAIS E EDUCAÇÃO POPULAR: UM OLHAR A PARTIR DA EDUCAÇÃO INTEGRAL Ellen Christina Sá de Freitas – UERJ [email protected] Cinira Maria de Sousa – UERJ [email protected] Resumo: O presente artigo propõe a articulação entre os movimentos sociais e a educação integral, objeto da nossa pesquisa de mestrado, na perspectiva de contemplar o direito daqueles feitos diferentes e que são colocados à margem da sociedade. Considerando o percurso da Educação Integral, desde o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, até a criação dos Centros Integrados de Educação Pública, e mais recentemente com a implementação do Programa Mais Educação, observa-se uma trajetória da Educação Popular e dos Movimentos sociais na intenção da constituição de sujeitos sociopolíticos. Entretanto, os avanços nas elaborações dos programas e nos decretos de leis, por si sós, não garantiram a educação libertadora que desperta a consciência através da práxis ação-reflexão. A proposta Freiriana utilizada nas comunidades eclesiais de base cristãs desenvolviam o trabalho com as massas populares, por meio de bibliotecas públicas, rádios comunitárias, grupos de teatro, músicas, apontando para o que hoje denominamos de Educação Integral. Os aportes teóricos de Miguel Arroyo nos permite reconhecer que a produção de diferentes em desiguais representam, na realidade, uma produção histórica que se reproduz nas relações políticas radicalizadas de dominação-subordinação. No contexto escolar, a discussão acerca do currículo que mantém a visão eurocêntrica nas matrizes pedagógicas de pensamento, constituem as nossas intenções de compreensão teórica que avolumam reflexões sobre como as dicotomias provocadoras de tensões inseridas nos programas que objetivam a ampliação da jornada escolar, podem ser enfrentadas. Nesse sentido, a metodologia adotada é desenvolvida através da análise das contribuições teóricas que envolvem a tríade: educação integral, movimentos sociais e educação popular, na medida em que possam estabelecer uma discussão sobre a possibilidade de considerarmos a perspectiva epistêmica oriunda do lado subalterno, realidade ainda distante no contexto educacional. Desse modo, busca-se aproximar da educação que atenda a demanda dos estudantes das classes populares que historicamente são destinados a terem a sua cultura desprivilegiada e os seus direitos suprimidos. Palavras Chave: Educação Integral, Movimentos Sociais, Currículo. 34. FILOSOFANDO A ESCOLA PÚBLICA Alice Pessanha Souza de Oliveira - UERJ [email protected] Resumo: No presente artigo irei explorar o trabalho, no qual participei como bolsista de extensão no ano de 2012 e hoje atuo como bolsista de iniciação à docência. O projeto de extensão Em Caxias a Filosofia En-Caixa?!, acontece no município de Duque de Caxias desde 2007, resultado da parceria do governo do município de Caxias com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Realizado pelos integrantes do Núcleo de Estudos Filosóficos da Infância (NEFI) Em Caxias a Filosofia en-Caixa?!, este projeto leva um novo olhar para a filosofia em sala de aula, fazendo com que as crianças pensem filosoficamente ao invés da história da filosofia, ou seja não se leva conceitos filosóficos para sala de aula, mas se constrói o pensamento filosófico. Ao utilizar Walter Kohan, filósofo e pedagogo coordenador do projeto, com seu livro A Escola Pública Aposta no Pensamento que nasceu com o projeto em Caxias, podemos compreender a dinâmica do projeto, o que é a filosofia com crianças e como ela acontece nas escolas. Através disso, problematizo as experiências de filosofia como outro espaço/tempo inserido na escola, com características específicas que nos potencializa as possibilidades dos encontros. Para tal utilizarei o filósofo francês Deleuze, o pensamento não acontece de boa vontade, acontece apenas após um encontro que nos tira de nossa situação de inércia. A escrita desse artigo consiste em apresentar o projeto e trazer as questões que vem nascendo em mim durante esses dois anos em que venho participando, questões que me fazem pensar sobre a educação e a escola contemporânea, o papel da filosofia na escola, a possibilidade de se fazer filosofia nas escolas públicas e me levando até a perguntar o que é a filosofia. Esse trabalho é uma tentativa de se pensar o pensamento dentro da escola em um projeto que transforma a relação habitual entre professor/aluno/sala de aula. Um projeto que nos possibilita transformar nossa relação com o pensamento, com a sociedade em que vivemos e com a escola que habitamos diariamente, colocando em questão o pensamento, a filosofia e o aprender. Palavras Chaves: Filosofia com Crianças; Políticas Educacionais; Walter Kohan 35. PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: DESAFIOS COM UMA POLÍTICA PÚBLICA DE FORMAÇÃO CONTINUADA ELAINE CONSTANT (UFRJ) [email protected] MARIA ELISA ALMEIDA (UFRJ) [email protected] GABRIELA SANTOS (UFRJ) [email protected] Resumo: A presente pesquisa visa a investigação da política pública o Pacto Nacional Pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), considerando a infraestrutura dos cursos presenciais e os processos formativos vivenciados no ano de 2013, no estado do Rio de Janeiro. O PNAIC é um compromisso formal assumido pelos entes federados (União, estado, Distrito Federal e municípios) de assegurar a alfabetização das crianças até os oito anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental. As ações do Pacto são um conjunto integrado de programas, materiais e referências curriculares e pedagógicas que são disponibilizadas pelo Ministério da Educação a fim de alcançar êxito em tal comprometimento supracitado. A proposta tem como eixo basilar a formação continuada de professores das redes municipais e estadual, sendo os cursos ministrados pelas universidades públicas, no caso fluminense, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nesses cursos, a temática da infraestrutura tanto micro quanto macro espacialmente, pensando desde o local de formação da equipe administrativa, quanto nos ambientes de formação, além da busca para entender como a identidade docente, a significação social da profissão e as novas demandas profissionais foram trazidas pelos professores, juntamente com a multiplicidade de sentidos sobre: O que é o conhecimento? Tais assuntos mostraram a preocupação entre os professores sobre a crise paradigmática e a redefinição do que seja formação docente. O diálogo entre professores da educação básica oriundos de escolas públicas e a Universidade mostrou que as políticas públicas consideram a concepção de formação continuada ligada mais a criação de uma “estruturação pedagógica” e menos ao “processo formativo”. Isso indicou a urgência de se repensar esse reducionismo, motivando a apreciação sobre a importância de análises do ambiente de formação e os processos formativos a partir da escuta das vozes docentes. Para tanto, este trabalho recorre a depoimentos de professores participantes do Pacto, tanto escritos por meio de relatórios e e-mails, como também gravação e transcrição de entrevistas. Esses depoimentos quase sempre acorreram a partir dos Seminários A alfabetização nas cidades do Rio de Janeiro, instituído pela equipe pedagógica do Pacto da UFRJ para acompanhar o desenvolvimento da proposta de formação continuada, - e se mostraram como uma possibilidade de troca de ideias com os professores. Palavras-Chave: Formação Continuada; Docência; Política Pública; Identidade Docente. 36. POLÍTICAS PARA REFORMA DO ENSINO MÉDIO Flávia Araujo (UFF) [email protected] Alexandre Mendes Najjar (UFF) [email protected] RESUMO: Nos anos de 1990, com o objetivo de apoiar a implementação da reforma do ensino médio nos estados o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Ministério da Educação (MEC) desenvolveram um projeto de cooperação técnica, denominado de Programa de Melhoria e Expansão do Ensino Médio – PROMED-. Esse programa, submetido ao BID para obtenção de financiamento, teve como objetivo propiciar assistência técnica às Unidades Federadas para adequação curricular a Lei de Diretrizes e Bases no. 9394/96 e ao Parecer CEB/CNE 15/98 que estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, assegurando a ampliação do grau de cobertura desse grau de ensino. O PROMED, após um trâmite burocrático extenso, foi assinado e desenvolvido em diversos estados brasileiros. Além da ajuda financeira, o BID elaborou um conjunto de recomendações que atuaram como marco para a elaboração das políticas do ensino médio no âmbito do PROMED. Com base em Osga (2000) destaca-se que as políticas educacionais não são apenas o resultado de produções dos governos, de ações e determinações propostas exclusivamente externas às escolas. Segundo a autora, as políticas não se restringem apenas às ações governamentais implementadas para a consecução de determinados objetivos. Mais do que produto, as políticas públicas constituem, para Osga, um campo de negociação e de lutas entre os diferentes grupos envolvidos. As políticas constituem um terreno de contestação. O estudo que empreenderemos é qualitativo, de caráter exploratório e procura analisar a implantação de políticas educacionais formuladas para o Ensino Médio, no âmbito do Programa de Melhoria e Expansão do Ensino Médio. Destacamos que o objetivo da pesquisa empreendida é compreender as direções e o significado da reforma do ensino médio nos anos 1990, sem perder de vista o quadro legal estabelecido pelo governo federal e as influências dos organismos internacionais na definição de marcos para reformulação do ensino médio. A pesquisa incluiu o rastreamento da literatura específica sobre políticas educacionais, o rastreamento de documentos oficiais que explicitaram metas, objetivos, planos, programas, projetos para a reformulação dos currículos do ensino médio, além do exame de documentos de organismos internacionais envolvidos no PROMED. Palavras-chave: políticas educacionais; ensino médio; organismos internacionais. 37. POLÍTICAS PÚBLICAS E A QUESTÃO DA EXCLUSÃO Michele Cristina Pedroso – UNESP Rio Claro, [email protected] Leila Maria Ferreira Salles – UNESP Rio Claro, [email protected] Grupo de pesquisa: JOVEDUC – Jovens, Educação e Violência Financiamento: FAPESP Resumo: Políticas públicas direcionadas aos jovens tem surgido principalmente no últimos 20 anos, questionamos então como esta tem se feito presente na vida dos jovens atendidos por estas políticas públicas no âmbito da educação e qual a concepção de jovens que se faz presente nos seus programas e ações. Este trabalho teve então como objetivo analisar a concepção que se tem dos jovens participantes das políticas de um município de médio porte do interior do estado de São Paulo. Para tal, foi realizado um levantamento de todos os programas e ações que exerciam atividades na área de educação para jovens. Através do levantamento realizado foram identificados 5 programas, que foram convidados a participar da pesquisa oferecendo documentos dos programas e também cedendo entrevistas. Através dos documentos disponibilizados e também de entrevista realizada com um dos coordenadores dos programas foi possível perceber que as políticas públicas direcionadas aos jovens destinam-se principalmente aos jovens pobres, que pertencem aos extratos sociais mais empobrecidos da população, morador da periferia urbana, e que são percebidos como integrante de famílias consideradas desestruturadas, como jovens que tendem a ficar no ócio, que estão sujeitos ao desemprego o que acarreta uma perspectiva de vida futura problemática. Os dados apontam assim que as políticas formuladas para os jovens se embasam em uma visão negativa dos jovens pertencentes aos estratos sociais mais empobrecidos. A questão da exclusão social está então fortemente presente nessas políticas. Palavras-chave: políticas públicas, jovens, educação. 38. A PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS GISELE BATISTA HERDY (UNIRIO) [email protected] RESUMO: No eixo das políticas públicas é perceptível um crescente interesse na pesquisa relacionada à parceria público-privada e a sua influência no campo social, considerando o atual contexto marcado pela globalização, pelos ideais neoliberais e pela redefinição do papel do Estado. Neste sentido, surgem problemas norteadores deste estudo: podem os interesses público e privado convergirem? Ponderando a convergência destes interesses, como os jovens e adultos são alcançados? E considerando o que se tem realizado, que novas propostas surgem? Para responder a estes questionamentos, o presente artigo atende ao objetivo geral de refletir sobre a parceria público-privada e sua possível contribuição para a educação de jovens e adultos. Trata-se de um estudo de natureza teórica que se pauta em uma pesquisa documental na medida em que se apropria de documentos públicos normativos, como por exemplo, o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE) e, em pesquisa bibliográfica, na ordem em que considera a fundamentação teórica de autores nacionais e internacionais sobre a temática. Por meio das análises realizadas verifica-se que nas relações estabelecidas no tecido social, há a existência de interdependência entre Estado e capital privado na gestão e na administração pública. Observa-se na educação, a crescente hegemonia do setor privado direcionando ações com aporte público em apoio à proposta nacional de universalizar a educação com um discurso econômico de modernidade e de bem-estar ao cidadão. No que tange a educação de jovens e adultos, resta evidente que a parceria público-privada neste segmento de ensino, ao mesmo tempo em que amplia a esperança de melhoria na qualidade educacional, também evidencia contradições que precisam ser debatidas, como a pouca abrangência quantitativa dos destinatários dos investimentos realizados, a repetitividade dos programas que nem sempre consideram as especificidades do público-alvo, a entrega de pacotes educacionais predefinidos que não permitem a discussão e alterações que melhor contemplariam os receptores das propostas a serem implementadas. Palavras-Chave: Estado, parceria público-privada, educação de jovens e adultos. 39. A POLÍTICA DE AVALIAÇÃO DA EDUCACÃO BRASILEIRA: O CONTROLE DO TRABALHO DOCENTE NO ENSINO FUNDAMENTAL PÚBLICO E NAS IFES Simone Torres Evangelista Universidade Federal Fluminense [email protected] CNPQ Resumo: No Brasil, desde meados de 1990, assistimos o acirramento das políticas educacionais nas quais o governo federal utiliza-se de avaliações em larga escala para regular, controlar e monitorar à distância a qualidade da educação. Ainda que indiretamente, essas avaliações servem, também, para manter o trabalho docente dentro do escopo desejado pelo sistema vigente. Nos últimos anos, tem ocorrido um refinamento no que tange ao controle do trabalho do professor público brasileiro, que intensifica o uso, por parte dos governos federais, estaduais e municipais, de mecanismos legais que condicionam a remuneração desse profissional ao aumento de sua produtividade, eficiência e eficácia, bem como das instituições onde atua. Tais políticas condicionam repasses de recursos financeiros a professores e/ou instituições públicas de ensino que apresentarem os resultados esperados em avaliações, sejam elas em larga escala, de produtividade individual ou mesmo institucional. Nessa lógica, o sistema educacional tende a inverter o seu foco, passando a funcionar em torno do desempenho e não mais do estudante, uma vez que melhora de índices, não representa necessariamente a melhora da qualidade do ensino público. Nesse sentido, esse trabalho se justifica pela necessidade de discutir, em que medida, toda essa possível inversão produzida pela busca incessante de um pseudo-desempenho vêm afetando o cotidiano e a subjetividade de professores públicos do ensino fundamental e superior brasileiros. Como metodologia, esse artigo utilizou-se de uma revisão bibliográfica do tema e de resultados empíricos de uma pesquisa de mestrado no contexto do ensino fundamental público. Por fim, foi possível perceber que a política de avaliação da educação brasileira, com sua proposta de incrementos financeiros que não são para todos, vem corrompendo valores e transformando a instituição escolar em mercado do conhecimento onde professores vendem seus serviços, bem como se transformam em operários-padrão que produzem os resultados esperados, trabalhando em torno de indicadores e metas. Na medida em que esses elementos passam, cada vez mais, a compor o cotidiano docente, reconfigura-se o contexto educacional de modo a produzir novos objetivos e condutas que, consequentemente, afetam as relações interpessoais e institucionais. O controle do trabalho docente, cada vez mais sutil e refinado, muda a forma como o professor do ensino público vê a si e aos outros, afetando seu equilíbrio físico e psicológico. Palavras-chave: Políticas de avaliação da educação, Trabalho docente, Controle. 40. A ATUAL POLÍTICA DE DEMOCRATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL: O PRONATEC Moacyr Salles Ramos Programa de Pós-graduação em Educação da UFRRJ [email protected] RESUMO: Criado em 2011, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC) se propõe a democratizar a oferta de Educação Profissional no Brasil. A fim de investigar tal intento, apresentamos os pressupostos políticoideológicos desse programa a luz das transformações ocorridas no mundo do trabalho e na formação do trabalhador, a partir da crise estrutural do capital. O PRONATEC se propõe a democratizar a oferta de Educação Profissional por meio de um arranjo institucional que tem como base o Sistema S, a iniciativa privada e as instituições da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. Para compreendermos como se dá essa democratização, tomamos como referência empírica uma das instituições que compõem a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, a saber: o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ). Questionamos se a entrada dos alunos das camadas desfavorecidas no IFRJ por meio do PRONATEC trata-se de uma inserção precária no bojo de uma discriminação implícita ou se representa um ganho real para a classe trabalhadora. Trata-se de uma pesquisa básica, de análise qualitativa, de caráter explicativo, que se utiliza de questionários, entrevistas, análise de fontes primárias, secundárias e observação como instrumentos de coleta de dados. Foi possível constatar que a entrada dos alunos no IFRJ por meio do PRONATEC tratou-se de uma “inclusão excludente”, na medida em que para esses alunos o governo cria uma estrutura paralela, com base em contratos de trabalho temporário e em uma organização pedagógica e administrativa improvisada. Além disso, esse Programa não amplia a estrutura do IFRJ e aprofunda a distância entre formação geral e formação profissional para as camadas desfavorecidas, na medida em que não se propõe a elevar a escolaridade. Palavras-Chave: Política Educacional; Educação Profissional; PRONATEC. 41. A POLÍTICA DE INTERIORIZAÇÃO DOS INSTITUTOS SUPERIORES DE EDUCAÇÃO NO RIO DE JANEIRO: NOVOS FENÔMENOS APÓS UMA DÉCADA DE PESQUISA Fernando de Souza Paiva Universidade Federal Fluminense (UFF) Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Educação (GRUPPE/FEUFF/CNPq) [email protected] Resumo: O presente trabalho procura compartilhar resultados obtidos no percurso de mais de uma década de pesquisa sobre a origem e interiorização dos Institutos Superiores de Educação (ISE) na rede pública estadual do Rio de Janeiro, instituições vinculadas à Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC), órgão pertencente à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (SECT/RJ). A pesquisa encimada foi desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo em vista a realização dos cursos de Mestrado e Doutorado entre os anos 2000 a 2011; e no Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Educação (GRUPPE/FEUFF/CNPq), ao qual permanece ligada. Para além dos resultados obtidos, o texto também se propõe a avançar na direção de dois fenômenos surgidos no decurso do referido processo de interiorização: i) a transformação dos ISE em Faculdades de Educação Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro (FAETERJ´s), por meio do Decreto nº 43.586/2012; e ii) o deslocamento de alunos do interior para a metrópole fluminense e periferias visando a realização de cursos de graduação. Para compreensão do processo, o texto sinaliza uma analogia histórica entre a interiorização dos ISE no Rio de Janeiro, evidenciando uma relação entre a cidade do Rio de Janeiro, quando capital da Corte Portuguesa, e o interior fluminense. O estudo ora proposto representa também a continuidade da pesquisa em tese, dedicando especial atenção ao aprofundamento do fenômeno da interiorização do ensino superior no estado do Rio de Janeiro, procurando compreendê-lo em suas dimensões social, filosófica e política. Palavras-Chave: Instituto Superior de Educação; Interiorização do Ensino Superior; Rio de Janeiro 42. OS CLUBES ESCOLARES DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO: ANÁLISE DOCUMENTAL DE UMA PROPOSTA DE AMPLIAÇÃO DO TEMPO ESCOLAR SOB A PERSPECTIVA DO LAZER Felipe Rocha dos Santos – PPGE-UFRJ – [email protected] Thiago Luiz Alves dos Santos – PPFH-UERJ – [email protected] Victor Andrade de Melo – PPGE-UFRJ - [email protected] Resumo: Este trabalho está inserido na temática da “Educação Integral e Educação em Tempo Integral”, e tem por objetivo apresentar a experiência de implantação e desenvolvimento de uma proposta de ampliação do tempo de escola sob a perspectiva do lazer, na Rede Pública Municipal de Educação do Rio de Janeiro - os Clubes Escolares. Os Clubes Escolares foram instituídos, no ano de 1993, com o objetivo de contribuir na formulação de políticas de educação em tempo integral para os alunos da rede municipal de ensino de 1º grau, como também definir uma esfera pública para o lazer escolar no âmbito da Secretaria Municipal de Educação. No contexto atual da educação pública, em que a implantação de políticas públicas de ampliação do tempo escolar apresenta sinais de crescimento, buscar compreender um projeto de ampliação do tempo de escola que se distingue dos modelos das “Escolas Parques”, de Anísio Teixeira, e dos “Centros Integrados de Educação Pública” (CIEPs), de Darcy Ribeiro, pode ser um caminho fértil para que outros modelos de ampliação do tempo de escola sejam implantados ao longo do país. Para que o objetivo do trabalho fosse atingido, foi realizada a análise documental oficial relacionada ao Clube Escolar da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, no período de 1993 a 2007, mais especificamente, a Resolução SME nº 517/1993 - que criou o Clube Escolar e institucionaliza-o na esfera da Secretaria de Educação, as Circulares Conjuntas do Departamento Geral de Educação, relativas ao período de 1995 a 2002, e os Procedimentos Administrativos das Unidades de Extensão – Clube Escolar, compreendidos entre 2003 a 2007. Em nossas conclusões, verificou-se, principalmente, a dificuldade de implantação de uma proposta de ampliação do tempo de escola que se diferencie de um modelo de escola de tempo integral, a dificuldade no tratamento da temática do “lazer” no âmbito do campo da Educação e o pioneirismo e a contribuição dos Clubes Escolares em buscar ampliar a jornada escolar a partir da questão do “tempo sócio-educativo”. Palavras-chave: tempo escolar, lazer, políticas públicas. 43. O ENSINO MÉDIO INTEGRADO COMO POLÍTICA EDUCACIONAL NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Autor: Leonardo Dias da Fonseca – UFF NUGEPPE e-mail: [email protected] Resumo: O presente trabalho faz um resgate histórico da educação profissional para analisarmos a atual conjuntura que propiciou a organização do ensino médio integrado no Estado do Rio de Janeiro através do Programa Dupla Escola. Iniciamos o estudo a partir da revolução burguesa de 1930 que faz crescer a demanda por uma educação que forme um novo trabalhador, que atenda aos interesses da industrialização e abertura do país aos interesses do capitalismo mundial. Passamos pela histórica dualidade estrutural do ensino médio brasileiro: para a elite, uma educação propedêutica, e por outro lado, uma educação técnica e ligeira para os menos favorecidos. Apresentamos no artigo as disputas, no cenário educacional, entre os conservadores, que apostam numa educação dual, e os progressistas, que defendem uma educação politécnica, que propicia a formação do homem em todas as suas dimensões. Analisamos as diferentes concepções de educação profissional do Decreto n° 2.208/97 do governo de Fernando Henrique Cardoso e do Decreto n° 5.154/2004 do governo Luís Inácio Lula da Silva. Por fim, o artigo analisa a concepção de educação profissional do Programa Dupla Escola, que se organiza como ensino médio integrado, com escolas públicas divididas em duas categorias: as com investimento exclusivamente público e as de investimento público- privado, com parceria com empresas. Analisamos o conceito de política pública através dos autores Jenny Ozga, Stephen Ball e Jefferson Mainardes. Além das contribuições de Marx, o conceito do materialismo histórico e o conceito de Estado Ampliado em Gramsci. Palavras-chave: Educação Profissional – Ensino Médio Integrado – Políticas Públicas. 44. ENSINO FUNDAMENTAL EM TEMPO INTEGRAL E O PRINCÍPIO EDUCATIVO DO TRABALHO Cosme Leonardo Almeida Maciel - NEEPHI/UNIRIO/CAPES [email protected] Resumo: O presente trabalho tem como objetivo refletir sobre a possibilidade do trabalho ser categoria central no processo formativo, no segundo segmento do ensino fundamental, tendo em vista proporcionar a formação plena dos sujeitos. O estudo se insere no debate envolvendo a temática da educação integral em tempo integral que, atualmente tem ocupado espaço marcante nas discussões inerentes ao campo da educação. Neste sentido, tem se constituído um campo de disputa política e ideológica, onde perspectivas divergentes sinalizam para possíveis caminhos para materialização de propostas de tempo integral que, de fato proporcione uma educação integral. Este movimento está relacionado ao desenvolvimento e expansão do programa do governo federal denominado “Mais Educação”. As análises revelam, num primeiro momento que o programa supracitado tem se constituído como principal estratégia para difusão de experiências de educação integral em tempo integral, no Brasil. Porém, percebemos que o mesmo não privilegia o trabalho enquanto elemento central do processo formativo, dando ênfase a outras atividades, sobretudo de caráter culturais e esportivas, neste processo de ampliação da jornada escolar. Assim sendo, questionamos esta tendência a partir da análise do trabalho educativo desenvolvido no Instituto Politécnico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUFRJ), localizado no município de Cabo Frio/RJ. O mesmo tem no trabalho a categoria central para o desenvolvimento de uma proposta de educação integral em tempo integral, desde o segundo segmento do ensino fundamental, o que torna este espaço educativo bastante peculiar. Dessa forma, fundamentamos teórico e metodologicamente o estudo a partir do materialismo histórico e dialético e, os dados foram obtidos a partir da pesquisa bibliográfica e documental. Palavras-chave: Educação Integral, Tempo Integral e Trabalho. 45. PLANO DE AÇÕES ARTICULADAS (PAR): IMPLICAÇÕES ENTRE POLÍTICAS PÚBLICAS DE REFORMA EDUCACIONAL E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO COTIDIANO ESCOLAR Elaine Santos de Oliveira da cunha (UNESA/RJ) [email protected] RESUMO: Este artigo tem como objetivo analisar o PAR do Rio de Janeiro, especificamente, a dimensão - “Práticas Pedagógicas e Avaliação”, a partir das demandas abordadas em escolas do município do Rio de Janeiro de ensino fundamental. Com a finalidade de contribuir para o debate e compreensão das políticas públicas nacionais em Educação. Além, de elucidar as práticas pedagógicas e as possíveis tensões presenciadas no cotidiano escolar. Existe um descompasso entre as políticas educacionais, os indicadores internacionais de eficiência e apropriação de dados manipulados por várias instâncias na cadeia da responsabilização. Criam-se novos planos, programas, projetos, avaliações, capacitações, currículo, modelos didáticos. Enfim, diversos mecanismos de tentativas de se alcançar a eficiência, muitas dessas propostas não são tão inovadoras. Este descompasso entre um acúmulo de promessas e expectativas acaba por debitar sob os ombros dos professores. Este artigo faz uma análise baseada em documentos produzidos no âmbito do Plano Plurianual, PDE e PAR do município do Rio de Janeiro, além de entrevistas semiestruturadas realizadas com gestores e professores das escolas selecionadas. Os resultados mostram que o formato do PAR, com suas estratégias há mais de uma década e seus diagnósticos, vem sendo desenvolvido como simples cumprimento burocrático e repasse de recursos. Na prática do cotidiano escolar, o PAR agrava o “apartheid social”, através de estratégias de mensurações, constituindo um fim em si mesmo. Numa síntese das reflexões apresentadas, sugere-se a necessidade de um maior diálogo entre as políticas públicas educacionais e o cotidiano escolar, no esforço de aliar essas políticas ao ideal de uma educação emancipatória, contribuindo para minimizar os efeitos da desigualdade escolar e possibilitar, assim, a equidade educacional. Palavras-chave: Políticas Educacionais; Planejamento Educacional; Prática Pedagógica. 46. AS PRÁTICAS CULTURAIS DOS PROFESSORES DAS SÉRIES INICIAIS, UM OLHAR A PARTIR DA TEORIA DO CAPITAL CULTURAL AUTOR(A): CAMILLA BACELAR DE ARAÚJO - UFF Email: [email protected] Resumo: Com o presente estudo, visa-se compreender se as práticas culturais dos professores das séries iniciais do ensino fundamental que podem ser transformadas em capital cultural no espaço da escola. Tomando-se como referência empírica a minha atuação como professora da Rede Municipal de Educação da cidade de Niterói. Busco conhecer as práticas que têm valor de capital neste universo em que atuo e, ainda o teor e o conteúdo das práticas culturais destes agentes sociais. Como referências teóricas, pode-se mencionar, a título de fundamentação geral, os trabalhos de Pierre Bourdieu, e, de maneira mais específica, os trabalhos que se inscrevem no campo da sociologia da formação do professor e na sociologia da cultura. Tenho por objetivos: conhecer as práticas culturais dos professores do primeiro segmento do ensino fundamental e saber quais as práticas culturais que podem ser convertidas em capital cultural no espaço da escola. O presente resumo se insere, por um lado, numa linha de pesquisa que procurei desenvolver num trabalho monográfico em 2001, cuja primeira etapa buscou fundamentar conceitos importantes a serem trabalhados para o entendimento do arcabouço teórico que estruturaria meus questionamentos no diálogo com as teorias apresentadas, principalmente, por Pierre Bourdieu acerca da Sociologia da Cultura. O campo de pesquisa empírica coberto por este projeto é constituído por escolas da Rede Municipal de Educação de Niterói. A produção dos dados tem sido feita a partir de entrevistas com professores do primeiro segmento do ensino fundamental e a abordagem qualitativa. Palavras- chave: Cultura, Prática Cultural e Capital Cultural. 47. ENSINO FUNDAMENTAL EM TEMPO INTEGRAL NO MUNICÍPIO DE NITERÓI: POLÍTICAS EDUCACIONAIS E COMPROMISSO COM A EDUCAÇÃO PÚBLICA. Gloria Maria Anselmo de Souza – GRUPPE – UFF. [email protected] Viviane Merlim Moraes – GRUPPE – UFF. [email protected] Resumo: Em atenção às orientações previstas na LDB e em outros documentos do Ministério da Educação, seguindo ainda as pistas deixadas por grandes educadores que defendiam e ainda defendem uma educação de qualidade para todos os brasileiros, a Fundação Municipal de Educação aliada à Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia instituíram uma comissão de trabalho para pensar a partir de bases teóricas e experiências concretas de educação integral no Brasil, uma proposta pedagógica voltada para as necessidades da população. Assim, o presente trabalho pretende discutir as recentes iniciativas do município de Niterói visando a implantação da educação integral na cidade. O texto representa um esforço de recuperar o processo iniciado em 2013 para a estruturação de uma política pública de oferta de ampliação do tempo de permanência dos alunos do ensino fundamental na escola em busca da melhoria de qualidade e do atendimento às crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, conforme preconiza a legislação. Busca-se com este trabalho divulgar uma experiência que se consolida com amplo envolvimento do poder público, ancorado nas demandas da sociedade niteroiense. As bases teóricas que sustentam a discussão partem dos estudos do educador Anísio Teixeira, das reflexões de outros educadores sintonizados com a questão da ampliação do tempo de permanência do aluno na escola, os recentes estudos de Jaqueline Moll, Miguel Arroyo, Martha Ligia Coelho, dentre outros autores. Toma-se também como referência teórico-metodológica. O caminho trilhado atravessa a pesquisa documental e a observação participante. Palavras-chave: políticas públicas – educação integral – compromisso com a educação. 48. ESCOLA DE GESTORES: PERSPECTIVAS E DESAFIOS DA FORMAÇÃO DE DIRETORES DAS ESCOLAS PÚBLICAS À DISTÂNCIA Daniela Patti do Amaral Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ Professora do Programa de Pós Graduação em Educação Faculdade de Educação [email protected] Karen Cavalcante Licencianda em Pedagogia Universidade Federal do Rio de Janeiro [email protected] Financiamento: PIBIC/UFRJ Resumo: O Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica Pública (PNEGEB) é um Programa do MEC, executado em parceria com as universidades federais, que oferece formação à distância em nível de especialização na área de gestão escolar e coordenação pedagógica aos diretores e demais profissionais da equipe gestora das escolas públicas municipais e estaduais. A Faculdade de Educação da UFRJ, parceira na execução do PNEGEB, ofereceu o curso de especialização em gestão escolar no período de agosto de 2008 a dezembro de 2009. O curso, desenvolvido na modalidade à distância, ofertou 400 vagas, matriculou 388 alunos de 63 municípios do Estado do Rio de Janeiro sendo que 174 alunos de 16 municípios concluíram o curso com aproveitamento. Para a realização deste trabalho obtivemos informações de 149 concluintes sendo que somente 89 apresentavam dados completos e atualizados. Foram enviados questionários através do programa SurveyMonkey para os 89 concluintes sendo que 22 responderam às perguntas. O presente trabalho apresenta resultados parciais acerca das percepções dos 22 concluintes/respondentes concluintes do curso obtidas através da aplicação de questionários, e procurou investigar as percepções dos concluintes sobre a formação oferecida pelo curso através de indicadores como renda; inserção no mundo do trabalho; ascensão profissional, entre outros. Os dados indicaram que o curso foi bem avaliado pelos egressos, que há possibilidades de colocar em prática os aprendizados adquiridos ao longo da formação, mas ainda demanda novas investigações que permitam avaliar o impacto da formação dos gestores no cotidiano escolar e, especialmente, na gestão democrática das unidades escolares e das redes de educação tendo em vista que, em muitos municípios os gestores escolares são selecionados através da indicação política sem critérios participativos da comunidade escolar ou técnicos. Palavras chave: políticas públicas; Escola de Gestores; gestão escolar. 49. CONSEQUÊNCIAS DO IDEB: PERCEPÇÕES SOBRE AÇÕES DA EQUIPE GESTORA E DE DOCENTES EM UMA ESCOLA PÚBLICA. Sergio Gonçalves da Cunha - UFRJ [email protected] Grupos de Estudos dos Sistemas Educacionais – GESED / FE / UFRJ Resumo: O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) pode ser entendido como indutor de políticas públicas educacionais, especialmente as norteadas pela estratégia de accountability na educação. Segundo o Ministério de Educação, o cálculo do referido indicador advém de um conjunto de determinados instrumentos, e tem sido considerado como responsável em aferir a qualidade da educação nas escolas públicas brasileiras. Temos como exemplo as políticas com o perfil de high stakes adotadas em alguns Estados da federação e a possibilidade de um impacto representativo através da ampla divulgação do mesmo, feita pelo do sítio do INEP, imprensa nacional e local, provocando interferências substanciais no trabalho de equipes gestoras e corpo docente de diferentes unidades escolares. Nesse sentido, temos o objetivo de descrever algumas dessas consequências favorecendo comparações com outros estudos por meio de uma pesquisa descritiva baseada numa investigação estritamente documental realizada em uma escola municipal da cidade de Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro e que atende alunos da educação infantil ao segundo segmento do ensino fundamental. Ademais de fazermos referência à política de accountability na educação, também buscamos aporte em recentes estudos e reflexões concernentes à avaliação educacional no Brasil, sinalizamos a influencia dos fatores intra e extra-escolares no desempenho dos estudantes e expomos laconicamente algumas questões contextuais nacionais. O trabalho de campo contou com fontes de informação internas (documentos escolares) e externas (dados sobre as avaliações do IDEB de âmbito local e nacional). Concluiu-se que houve impacto na gestão escolar e trabalho docente na unidade estudada, especialmente após a divulgação de um resultado negativo em 2009, mas que ainda não há ferramentas suficientes para se detectar qual o nível de impacto deste elemento específico quanto ao trabalho interno da instituição. Palavras-chave: IDEB - gestão escolar - trabalho docente. 50. POLÍTICAS DE CURRÍCULO PARA FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL Clarissa Craveiro – UERJ/UNESA [email protected] Resumo: A partir da década de 1980 acentuaram-se as reformas no campo educacional e no campo do currículo no Brasil. As reformas desse período foram marcadas pela possibilidade de avanços democráticos. Tendo como marco educacional a Lei de Diretrizes e Bases de 1996, os documentos curriculares posteriores, no que diz respeito à formação dos professores do ensino fundamental, estão pontuados por um discurso de construção e mudança dos modos de conceber a profissão docente com vistas atenderem às necessidades e aos desafios do mundo globalizado e em prol do discurso democrático. Reformas foram demandadas pela sociedade civil organizada resultando em políticas curriculares marcadas por discursos variados e híbridos que deslocam seus sentidos a fim de se adequarem ao novo cenário. Nessa produção curricular algumas ideias tornam-se hegemônicas, como é o caso da reafirmação de um perfil nacional docente. Muitos desses documentos imprimem orientações que apontam para as políticas de formação docente com o entendimento de que o professor é peça-chave na implementação das políticas. Busco analisar alguns significantes no projeto de identidade docente no governo Fernando Henrique Cardoso e no governo Lula da Silva no que diz respeito à Educação Básica, entendendo esses governos como possibilidade de representação de projetos políticos antagônicos mais amplos. Utilizei como ferramenta metodológica o programa WordSmith Tools, que auxiliou na busca de possibilidades de leituras desses documentos. Esta discussão tem relevância, pois há que problematizar interpretações e análises no campo do currículo em articulação com o de formação de professores; há que promover análises dos textos colocando os significantes sob suspensão e considerando várias possibilidades de articulação dos discursos hegemônicos. As demandas e sentidos que circulam em torno da ação docente sinalizam modificações com relação aos dois períodos de governos analisados. Os discursos são atravessados pelo discurso hegemônico dos índices e padrões internacionais ao fixar determinadas formas de avaliação que valorizam uma determinada formação pedagógica e, acabam por manter uma continuidade com as demandas já defendidas. Há avanços e conquistas que se deram em defesa do discurso em defesa de uma formação democrática. Entretanto, os sentidos acessados para uma formação docente para além dos espaços da sala de aula, ainda limitam o campo de ação na medida em que o discurso hegemônico das competências e as especificidades dessa organização curricular buscam “enformar” profissionais docentes e seus âmbitos de ação. Palavras chave: Política curricular – continuidade - formação de professores