HUFF, O HERÓI O britânico Rob Huff conquistou o seu primeiro titulo do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA (WTCC) no 59º Grande Prémio de Macau. Tal como Sam Tremayne, da revista Autosport, reconhece: foi um final dramático da corrida até à coroa de louros. A s imagens retêm uma sensação surpreendente de vitória. Rob Huff, de braços no ar e as bandeiras britânicas ao vento, é o campeão do mundo! Depois de perder, por um fio, nos últimos dois anos e de bater, dramaticamente, na corrida de abertura, Huff conseguiu, finalmente, vencer em Macau. Nesse fim-de-semana inesquecível, estavam em jogo três pilotos – Huff, Yvan Muller e Alain Menu. O trio da Chevrolet tinha 41 pontos antes do Grande Prémio de Macau e 19 pontos em disputa, que seriam decisivos. Onze voltas apenas para conhecer o resultado de um ano de corridas; onze voltas para determinar quem seria o Campeão do Mundo. Talvez, apropriadamente, os três terminaram no pódio. Pela primeira vez, todavia, não era o vencedor que tinha o sorriso mais rasgado. Huff, segundo para Menu na pista, tinha feito o suficiente: 2012 foi a sua coroação. “Há algo de especial em Macau e no que eu faço aqui”, Huff sorriu. “Foi sempre um bom local para mim. 60 60th Macau Grand Prix Em cima: Rob Huff é coroado campeão de 2012 de carros de turismo da FIA (CGPM) Em baixo: O doce sabor da vitória (CGPM) Macau – um circuito em que todos sabem que tenho sido muito rápido nos últimos cinco anos. Huff partiu com vantagem para o fim-de-semana, com o melhor tempo nas classificativas, conquistando a primeira posição na grelha com uma vantagem de 10 décimos sobre Muller e mais de um segundo em relação aos restantes concorrentes. Poderia parecer uma vitória fácil, no entanto, a primeira corrida ameaçava descarrilar a temporada de Huff de uma só penada. “Estar na pole com a vantagem de quase um segundo carimbou a minha superioridade mais uma vez. Mas, depois tudo se desfez”, disse Huff com um sorriso triste. “Eu acabei por deitar tudo a perder, mas até hoje não tenho a certeza se foi erro meu, se havia algo na pista ou qualquer outra coisa. “Não quis saber disso porque, no final, não tinha importância. Tenho a certeza que, se tivesse acabado por perder o campeonato, provavelmente passaria o resto da minha vida a pensar no que aconteceu. Mas, sendo assim, prefiro dizer que fiz isso pelos meus fãs, para lhes dar um campeonato que falar”. “No ano passado foi uma espécie de reverso de 2011, quando eu tinha feito a maior parte do campeonato sempre a perder terreno para Yvan nas rectas rápidas. Então, eu fui para Macau com 20 pontos a menos e venci as duas corridas. Mas foi curto, fiquei a três pontos. “Eu estava realmente a facilitar muito as coisas – tinha a segunda posição e sabia que tinha o título embrulhado – quando o Yvan travou muito cedo e a fundo no Lisboa. Mais por instinto do que qualquer outra coisa, ia passar. Estava colado a ele e seguidamente, cerca de oito curvas mais tarde, a meio de uma secção plana da pista que é normalmente fácil, perdi o controlo do carro violentamente. Se vocês olharem de perto, o Yvan travou instantaneamente. “Desta vez, estive quase a roubar a liderança de Yvan nas rectas, especialmente depois de se ter pregado a Franz Engstler, em Sonoma, e depois a Alain, em Xangai. Ainda assim, os três estávamos na luta, por isso tudo se decidiu em “Felizmente, consegui mover o carro de volta para os boxes, o que nos deu umas cruciais oito voltas para trabalhar nele. Houve uma série de danos, mas a equipa fez um trabalho surpreendente, que me deixou pronto para a segunda corrida. Passei o tempo todo a um canto, concentrado apenas em como colocar o carro pronto para a final. Continuei com o capacete, que era um indicador de quanto estava aborrecido. Literalmente, só me interessava e só pensava no que era preciso para conquistar o título. “Pode parecer uma história, apesar de ter sido evidente para todos que estavam a assistir à corrida. Mas, o que a maioria das pessoas não sabe é que estive perto de não o conseguir. Um rolamento da roda traseira esteva prestes a estoirar a qualquer momento e, até hoje, não sei ao certo como atingi o objectivo. Alguém estava a olhar por mim… “. O problema do rolamento foi um legado da primeira corrida em que o Huff saiu e a equipa não tinha tido tempo de mudar. “Nas primeiras quatro ou cinco voltas, o carro estava a vibrar, estranhamente,” Huff lembra. “Foi só quando estava a meio da corrida que entendi que o rolamento não tinha sido verificado. Todavia, ao aperceber-me do problema, fui capaz de controlar e prever quais os movimentos do carro, o que me ajudou. O trabalho de Huff estava longe de ser simples. Isto era Macau, afinal, um labirinto de curvas, subidas e muros. Ele sabia que o sétimo lugar lhe garantiria o título, independentemente do que Muller e Menu fizessem. Começava do nono lugar que, no entanto, significava que também teria que lidar com as ultrapassagens a outros pilotos. “Tudo o que tinha de fazer era evitar problemas, mas quando se está em Macau, nem sempre é fácil,” Huff sorri. “Estava a tentar manter a minha mente clara, concentrando-me totalmente na corrida e não no acidente anterior. “Então houve vários acidentes. Primeiro o Yvan empurrou o Alex MacDowall para a parede, à saída do Mandarin, embatendo no Tom Coronel e colocando-o fora da corrida. Tive sorte em evitar os destroços do acidente – como no filme ‘Dias de Trovão’. Percebi o que tinha acontecido e, felizmente, tomei a decisão imediata de fugir por outro caminho. “Algumas voltas mais tarde Pepe Oriola embrulhou-se com Norbert Michelisz no Lisboa, ficando ambos fora da corrida. Eu seguia logo atrás e, ao ver o sucedido, decidi meter-me por dentro. O que não estava à espera é que o Oriola, ao embater nas protecções de pneus, fosse empurrado para a pista novamente e ficasse no meu caminho. Não lhe toquei por um fio mas, de facto, acho que ainda raspei com o meu espelho retrovisor. Foi muita sorte mesmo. “Depois de perceber que tinha condições para ganhar o campeonato, colei-me atrás do Alain. A entrada do safety car foi um pouco como uma dádiva de Deus. Não foi o meu melhor fim-de-semana em Macau, em relação à minha corrida, mas é compreensível tendo em conta a pressão de ganhar o primeiro campeonato do mundo.” A imagem do Huff mudou consideravelmente desde que foi coroado nas ruas de Macau. Depois de oito anos, 23 vitórias, 67 pódios – e esse título em 2012 – com a Chevrolet, o imperador tem um novo desafio com um SEAT Leon, um carro que não é Campeão do Mundo de Carros de Turismo (WTCC) desde 2010. Huff já triunfou em Hungaroring e fez bem em continuar na disputa pelo segundo lugar do Campeonato. No entanto, em Macau será muito difícil repetir o domínio dos últimos anos. “Estou muito ansioso por voltar este ano. O carro não é tão rápido, mas talvez nos consigamos manter na primeira linha. É sempre um terreno de descoberta para mim – até no ano passado tinha ganho cinco das últimas oito corridas em Macau. Estive no primeiro lugar da grelha de partida nos últimos quatro anos, consecutivamente, mas cada ano o desafio parece-me maior. “Definitivamente, existe algo em torno do circuito e que parece que ainda ninguém descobriu. Mas, para ser honesto, é difícil identificar exactamente a onde. Nos últimos anos, fui em qualquer lugar mais rápido entre 0,5 e 0,7 segundos do que qualquer outro no sector médio do circuito. No entanto, é difícil prever onde, exactamente, poderei ganhar tempo, porque há muitas curvas. Ganha-se tempo aqui e ali, e isso tudo conta. Mas, na verdade, isso é muito bom para mim, porque ninguém sabe como é que eu consigo fazer o que faço. Portanto, para mim, é perfeito.” Da esquerda para à direita: ‘Huffy’ tem uma legião de fãs (CGPM) O caminho para o título é, por vezes, um pouco espinhoso (CGPM) Drama, como sempre, na ronda de Macau do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA (CGPM) Apesar da sua velocidade em Macau poder continuar a ser um enigma, em 2013 não vai ser nada fácil. Muller, mantémse a correr na Equipa RML – Chevrolet, está com uma moral irrepreensível à espera de ser coroado no Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA pela quarta vez. Mas, apesar da excelente forma do francês e de o título do campeonato já estar decidido, pela primeira vez desde a primeira edição do WTCC em 2005, Huff acredita que não há melhor maneira de terminar o ano do que em Macau. “É possivelmente o melhor fim-de-semana de automobilismo em todo o mundo, e o maior encontro do ano de Fórmula 3 que todas as equipas da Fórmula 1 vêm observar. A corrida de Grande Turismo está cada vez mais forte, contando com a presença de alguns dos melhores pilotos do mundo. Há as “superbikes”, motas de grande cilindrada. E, depois, claro, o WTCC da FIA. “Luta-se para encontrar um lugar próximo da linha de partida, mais do que em qualquer outra pista, outro evento ou outro lugar. É mundialmente conhecido e famoso e, por isso, uma maneira ideal de terminar o ano. E, para mim, é ainda mais especial, após o triunfo do ano passado.” 60th Macau Grand Prix 61