AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA
ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL E ALFABETIZAÇÃO
ALFABETIZAÇAO E LETRAMENTO PARA AS CRIANÇAS DO 2º ANO DA
ESCOLA FÁBIO RIBEIRO DA CRUZ.
APARECIDA ANGÉLICO DE ARAUJO BESERRA
ORIENTADOR: PROF. ILSO FERNANDES DO CARMO.
COLIDER/2013
AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA
ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL E ALFABETIZAÇÃO
ALFABETIZAÇAO E LETRAMENTO PARA AS CRIANÇAS DO 2º ANO DA
ESCOLA FÁBIO RIBEIRO DA CRUZ.
APARECIDA ANGÉLICO DE ARAUJO BESERRA
ORIENTADOR: PROF. ILSO FERNANDES DO CARMO.
“Trabalho apresentado como exigência
parcial para a obtenção do Título de
/especialização em Educação Infantil e
Alfabetização.”
COLIDER/2013
AGRADECIMENTOS
Agradeço com alegria e prazer.
Primeiramente a Deus por ter me concedido a vida e a oportunidade de
cursar uma Pós-Graduação de Alfabetização em Educação Infantil realizando um
grande sonho que é ser uma professora que fará a diferença na vida de meus
alunos;
Agradeço aos meus familiares que me fazem feliz dia a dia e que amo tanto,
ao meu esposo Antônio Fernandes pelo seu amor e o caminhar dedicado a mim pela
paciência nos momentos difíceis passados ao meu lado pelo carinho, compreensão
e pela sua grande ajuda.
Elevo meus estimados agradecimentos à professora Esp. Érica de Melo da
Silva por ter me ajudado na orientação deste trabalho.
DEDICATÓRIA
Dedico este meu trabalho primeiramente as minhas filhas que sofreram com
a minha ausência, mas que me apoiaram incondicionalmente, ao meu esposo que
sempre esteve comigo em minha caminhada.
A minha querida amiga Marinalva, pois sem a sua presença com certeza
meu caminho seria mais árduo.
A educação é o alimento da inteligência humana.
Da mesma maneira que necessitamos do alimento
para mantermos de pé, necessitamos também da
educação para mantermos viva a nossa
inteligência.
LYYA
RESUMO
Este trabalho apresenta o resultado da pesquisa realizada junto às
Educadoras do 2º ano da Escola Municipal Fabio Ribeiro da Cruz, sobre como
ocorre o processo de Alfabetização e Letramento. Para desenvolver este trabalho
fez-se leitura bibliográfica em livros, fascículos, pesquisa na internet, e outros, com o
propósito de adquirir embasamento teórico sobre o assunto, confrontando com os
autores: SOARES (2004), VYGOSTSKY (2001), SILVA (2010), OLIVEIRA (1999),
FERREIRO (1988), dentre outros. Diante disso, a Alfabetização e letramento são
processo que caminham juntos, pois ser alfabetizado não é só ler e escrever, mas
saber fazer o uso real e usá-la como instrumento de luta para se tornar um cidadão
crítico, com isso estará utilizando o conceito de letramento como um produto da
participação em práticas sociais, e ambos defendem a valorização do conhecimento
prévio e dos textos que circulam fora da escola. Nesse sentido, ao ler os dados
coletados sobre as educadoras pode perceber que algumas educadoras encontram
dificuldade de trabalhar na sala de aula alfabetizar letrando, compreendem a sua
importância, mas ainda não abordam os métodos de alfabetização, e muitos
métodos citados por elas estão relacionados apenas ao processo de codificar e
decodificar. Cabe ao educador e a unidade escolar entender bem estes dois
processos que alfabetização e letramento deve caminhar juntos mesmo sendo
palavras diferentes uma da outra. Os educadores precisam compreender que Letrar
é mais que Alfabetizar, é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a
leitura e a escrita tenham sentido.
Palavras-chave: Alfabetização, Código de Linguagem, Letrar
LISTA DE SIGLAS
SAEB
Sistema Nacional de Avaliação Básica
PCNs
Parâmetros Curriculares Nacionais
PPP
Projeto Politico Pedagógico
CNE
Conselho Nacional da Educação
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
08
CAPITULO I
FUNDAMENTAÇÃO TEORICA
12
1.1 O que é a educação
12
1.2 O ingresso da criança de 06 anos na escola
13
1.3 A construção do ensino aprendizagem
16
1.4 A história da alfabetização
22
1.5 Conceito de alfabetização e Letramento
23
1.6 O letramento na escola
26
CAPITULO II
2. O Projeto Politico Pedagógico
29
CAPÍTULO III
3. Analise de dados
31
3.1. Análise dos Questionários
31
Conclusão
39
Referências Bibliográficas
40
Anexos
43
INTRODUÇÃO
Para o bom desenvolvimento desse trabalho utilizou-se a pesquisa
qualitativa, na busca de mostrar como os educadores compreendem o processo de
alfabetização e letramento, para as crianças que cursão o 2º ano da Escola Fábio
Ribeiro da Cruz.
Para melhor compreensão esse trabalho de conclusão de curso foi dividido
em capítulos, visando contextualizar os assuntos nele tratados e assim levar uma
melhor compreensão para os leitores, fazemos uma explanação sobre a justificativa
da pesquisa e os objetivos a serem alcançados, assim com a metodologia adequada
para o bom desenvolvimento da referida pesquisa.
No primeiro capitulo fazemos a contextualização da Fundamentação
Teórica, onde se recebeu a contribuição de vários autores como: PINTO, FREIRE,
ARIES, OLIVEIRA, VYGOTSKY dentre outros, os quais são citados no referido
capítulo. No ensejo discutiu-se sobre o que é a educação, como ocorrer o ingresso
da criança de 06 anos na escola, na busca de entender como ocorre a construção
da aprendizagem, e a importância de se compreender o histórico da alfabetização,
distinguindo a alfabetização e o letramento e analisando nesse prisma o letramento
na escola.
No segundo capitulo faz-se uma abordagem sobre o Projeto Politico
Pedagógico e a sua importância para o desenvolvimento do aprendizado da criança.
No capitulo seguinte trazemos as discussões da análise dos dados
coletados através das entrevistas feitas aos educadores da escola pesquisada, com
o intuito de entender a concepção dos mesmos sobre como se constrói o processo
de alfabetização, assim como as Leis que regem a educação brasileira.
Para o bom desenvolvimento desse trabalho utilizou-se a pesquisa
qualitativa, na busca de mostrar como os educadores compreendem o processo de
alfabetização e letramento, para as crianças que cursam o 2º ano da Escola Fábio
Ribeiro da Cruz.
09
Para melhor compreensão esse trabalho de conclusão de curso foi dividido
em capítulos, visando contextualizar os assuntos nele tratados e assim levar uma
melhor compreensão para os leitores.
No primeiro capitulo fazemos uma explanação sobre a justificativa da
pesquisa e os objetivos a serem alcançados, assim com a metodologia adequada
para o bom desenvolvimento da referida pesquisa.
Já no segundo capitulo fazemos a contextualização da Fundamentação
Teórica, onde se recebeu a contribuição de vários autores como: Pinto, Freire, Aries,
Oliveira, Vygotsky dentre outros, os quais são citados no referido capítulo. No ensejo
discutiu-se sobre o que é a educação, como ocorrer o ingresso da criança de 06
anos na escola, na busca de entender como ocorre a construção da aprendizagem,
e a importância de se compreender o histórico da alfabetização, distinguindo a
alfabetização e o letramento e analisando nesse prisma o letramento na escola.
No terceiro capitulo faz-se uma abordagem sobre o Projeto Politico
Pedagógico e a sua importância para o desenvolvimento do aprendizado da criança.
No capitulo seguinte trazemos as discussões da analise dos dados coletados
através das entrevistas feitas aos educadores da escola pesquisada, com o intuito
de entender a concepção dos mesmos sobre como se constrói o processo de
alfabetização, assim com as Leis que regem a educação brasileira.
E finalmente fazemos a conclusão do trabalho, onde após muitas leituras,
podem-se discutir todos os aspectos voltados para a construção metodológica do
processo de alfabetização.
JUSTIFICATIVA
Diante das dificuldades encontradas no processo ensino aprendizagem da
área de Alfabetização e Letramento, uma das discussões mais presentes tem sido a
questão da leitura e a escrita e tornou uma forma de comunicação usada para as
pessoas se entenderem e se interagir socialmente mesmo de longe. Assim a
interação pode acontecer de forma verbal e não verbal.
Para isso faz-se necessário o estudo sobre esta problemática com a
finalidade de ajudar a compreender fatores importantes que envolvem a
10
alfabetização. Em busca de maiores conhecimentos que possam orientar os
profissionais em sua pratica docente.
Diante dessa questão e buscando compreender as concepções a cerca da
educação e visando entender os fenômenos educacionais, para a consolidação de
novas concepções que possam auxiliar no desenvolvimento da unidade escolar.
OBJETIVOS
OBJETIVO GERAL
Conhecer como, ocorre o processo de Alfabetização e Letramento para as crianças
do 2º ano da Escola Fabio Ribeiro da Cruz.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Entender o conceito de alfabetização.
• Analisar o processo da construção do conhecimento
• Verificar como acorre a alfabetização.
• Compreender as leis que regem a educação dos 9 anos.
• Discutir o processo do letramento.
• Analisar como ocorre a alfabetização e o letramento.
• Verificar se o PPP da unidade escolar visa o desenvolvimento da
alfabetização e letramento.
PROBLEMATIZAÇAO
Qual o processo utilizado para o desenvolvimento da alfabetização e
letramento das crianças do 2º ano da Escola Fabio Ribeiro da Cruz.
METODOLOGIA
A metodologia da pesquisa é um conjunto de métodos que serão
desenvolvidos para a concretização da pesquisa, buscando através das leituras
ampliarem a capacidade de desenvolvimento e atitudes. É através da metodologia
que o pesquisador poderá desenvolver seu trabalho de maneira confiável e com
êxito.
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Sendo assim para uma melhor interpretação dos dados serão feitas
pesquisas bibliográficas que poderão auxiliar na construção de opiniões e
posteriormente dar respaldo para as mudanças de conceitos e ações necessárias
em nossa escola.
O CENÁRIO DA PESQUISA
A pesquisa será realizada na escola Fabio Fábio Ribeiro da Cruz, está
localizada na Avenida: Vereador Jose Luís da Silva esquina com a Travessa dos
Bandeirantes, SN, Setor Leste no Centro de Colíder.
Atualmente a escola atende em media 950 alunos, sendo ensino infantil e
fundamental. A escola possui um quadro de 54 funcionários sendo 41 são
professores.
CAPÍTULO I
FUNDAMENTAÇÃO TEORICA
1.1 O QUE É A EDUCAÇÃO
A educação como define PINTO (1996, p. 79) "é necessariamente um ato
social e político, portanto se faz para alguém, com um propósito definido, em uma
sociedade determinada, com interesses determinados."
Educar implica considerar que educamos para uma determinada sociedade,
e nesses tempos de incertezas, fazer educação é assumir que a fazemos em uma
sociedade em permanente mudança, em uma sociedade desesperançada, muitas
vezes, que exige transformações e redefinições. Principalmente, compreendemos
que se faz necessário realizar um projeto educativo que almeje alternativas para a
situação dos sujeitos. Isso implica em uma educação par o ser mais, não para a
acomodação.
Consideramos que pode haver uma mudança considerável no contexto
educacional ao inverter a concepção norteadora da bancária, que predomina hoje
majoritariamente, para a progressista que entende o ato de educar como o
constante processo de libertação da humanidade. Esta educação não aceita nem o
homem isolado do mundo, nem o mundo isolado do homem, mas a relação dialética
do homem com o mundo. As relações homem-mundo, como FREIRE (1994, p. 64)
propõe, deve “constituir o ponto de partida para as nossas reflexões sobre o
quefazer educativo.”
Esta educação vai em direção a humanização do homem, que é a sua
ontológica vocação (FREIRE, 1998, p. 65). Infunde-se na profunda crença nos
homens, em suas possibilidades. Entendida assim constitui-se em um ato de
comunicação e comunhão, em que educadores e educandos convivem, e sentem-se
atuantes no processo. É um ato cognoscente firmado no diálogo em que “o pensar
do educador somente ganha autenticidade na autenticidade do pensar dos
educandos, midiatizados ambos pela realidade, portanto na intercomunicação.”
(FREIRE, 1998, p. 64).
A educação e o conhecimento são processos de busca, em que
acriatividade, a transformação e o saber, em que se inventa e reinventa estão
13
presentes. Essa educação é um ato de problematização dos homens sobre o
mundo, “é práxis que implica a ação e a reflexão dos homens sobre o mundo para
transformá-lo.” (FREIRE, 1998, p.67). Dessa forma, os envolvidos comprometem-se
com a mudança.
Nessa concepção a escola é um local de apreensão crítica do conhecimento
significativo através do dialogo. Nesse sentido, FREIRE (2000, p.83) afirma que:
É a escola que estimula o aluno a perguntar, a criticar, a criar, onde se
propõe a construção do conhecimento coletivo, articulando o saber popular
e o saber crítico, científico, mediados pelas experiências no mundo.
Pode-se assim a escola tornar-se espaço de realização de uma proposta
assumida e construída por todos os envolvidos, com uma intencionalidade firmada
coletivamente.
1.2 O INGRESSO DA CRIANÇA DE 06 ANOS NA ESCOLA
Compreende-se que ao Governo reafirmar a urgência da construção de uma
escola inclusiva, cidadã e solidaria e de qualidade social para todas as crianças,
busca assumir cada vez mais o compromisso com a implantação de políticas
educacionais que buscam as transformações significativas na estrutura da escola,
assim também como a reorganização do tempo e do espaço escolar, observa-se
que com essas mudanças não se deve perder de vista o respeito, a singularidade de
cada criança e o seu desenvolvimento humano.
Porem isso só pode acontecer com a aprovação da Lei nº 11.274 de 06 de
fevereiro de 2006, que assegura o direito das crianças de 06 anos á uma educação
formal, obrigando a família a matriculá-las e ao estado e município fazer o
atendimento. Sendo assim a mesma possibilita a maior inclusão de crianças no
sistema educacional brasileiro, especificamente aquelas crianças que encontram-se
aos setores populares, uma vez que o governo acredita que as crianças de classe
média ou alta já se encontram incorporadas ao sistema de ensino na pré- escola ou
na primeira série do ensino fundamental.
Como podemos perceber o Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Básica (SAEB) demonstra que historicamente que as crianças que tiveram
experiências pré-escolares obtiveram melhores médias de proficiência na leitura.
14
Porém o ingresso das crianças de 06 anos no ensino fundamental não pode
ser meramente uma medida administrativa, é preciso que seja dada atenção ao
desenvolvimento e aprendizagem dessa criança o que implica a escola valorizar as
faixas etárias das crianças, o meio social na qual as mesmas estão inseridas, seus
aspectos psicológicos e cognitivos.
Sendo assim, o que devemos perceber é que as escolas devem romper
paradigmas para que as políticas do ensino fundamental de nove anos ocorram de
uma forma expressiva, já que possibilita a criança ficar na escola durante um tempo
maior de convívio escolar, ou seja, disponibilizando a ela uma oportunidade maior de
aprendizagem.
Ao mesmo tempo em que a ampliação dos anos de escolaridade das
crianças foi e é reconhecida como uma ação política importante para a
democratização do acesso a educação no país, ela levanta discussões sobre os
seus impactos na organização do trabalho das escolas e dos professores,
principalmente no que se refere ao processo de alfabetização das crianças, como
nos informa ARIES (1978, p.07):
[...] a aprendizagem não depende apenas do aumento do tempo de
permanência na escola, mas também do emprego mais eficaz desse tempo:
a associação de ambos pode contribuir significativamente para que os
estudantes aprendam mais e de maneira mais prazerosa.
Desta forma é importante ressaltar que o aprendizado não depende somente
do aumento do tempo da criança na escola, e sim da efetivação e aproveitamento
desse tempo. Sendo assim uma das questões apontadas sobre os impactos da
ampliação do Ensino Fundamental é o fato de que as escolas passaram a receber
crianças com idades a partir dos seis anos no ensino fundamental.
Sabemos que: com a entrada de crianças nessa faixa etária, é preciso estar
atento para as especificidades de aprendizagem dessa idade, principalmente porque
esse é um momento da aquisição inicial da escrita e da leitura.
Nesse sentido, o ingresso na escola, aos seis anos, precisa ser interpretado
pelas políticas educacionais dos sistemas de ensino como uma oportunidade para
dar mais tempo e chance aos alunos para vencerem as etapas necessárias para
aprenderem a ler e escrever.
15
Se isso não acontecer, a ampliação do tempo de escolaridade pode se
tornar uma ação política ineficiente para a redução das nossas tristes taxas de
fracasso escolar.
Outra questão importante sobre os impactos da ampliação do Ensino
Fundamental na organização do trabalho nas escolas diz respeito ao fato de que,
uma vez implementada essa política, é necessário considerar não oito, mas nove
anos na elaboração da proposta de ensino e aprendizagem com as crianças.
Isso significa, objetivamente, repensar o projeto pedagógico das escolas, a
estrutura do currículo, a organização dos tempos e espaços de aprendizagens. Ou
seja, a mudança exige a redefinição dos conhecimentos e capacidades a serem
ensinados em cada etapa da escolaridade e, ainda, uma nova perspectiva de ensino
voltada para a progressão da aprendizagem dos alunos.
No que se refere, particularmente, a organização do tempo de aprendizagem
dos alunos, ARIES (1978, p. 65) informa que
devemos considerar que o sistema de seriação precisa ser repensado, pois
historicamente se revelou uma forma de organização fragmentada e
hierarquizada das etapas da escolarização que se impõem sobre os alunos
e sobre os profissionais da educação.
Por isso, em caso de sua permanência, as series deverão ser mais bem
articuladas e será preciso introduzir estratégias que garantam a continuidade e não
a repetição dos conteúdos para dar sequências às aprendizagens dos alunos.
ARIES ainda reforça que:
Caso os sistemas de ensino decidam substituir o sistema de seriação por
uma organização das escolas através de ciclos, a discussão devera girar
em torno de uma nova forma de organização da proposta pedagógica, na
qual o tempo escolar precisara ser organizado em fluxos mais longos e mais
atentos ao avanço das aprendizagens dos alunos. (1978, p. 65).
Logo, será necessário redefinir o que se deseja ensinar em cada ciclo, tendo
em vista quais serão os conhecimentos, as capacidades e as habilidades referentes
à alfabetização e ao letramento de cada etapa.
A questão que precisa ser considerada é a de que a organização dos
tempos de aprendizagens da escola, no sistema de seriação ou ciclos, devera ter
como objetivo evitar a ruptura do processo de aprendizagem da leitura e da escrita e
possibilitar as crianças um tempo mais amplas e flexíveis, para o desenvolvimento
das capacidades que elas precisarão adquirir.
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Portanto, a inclusão, na escola, das crianças de seis anos significa a
ampliação do direito dessa criança a uma escolarização mais extensa e a uma
alfabetização significativa.
1.3 A CONSTRUÇÃO DO ENSINO APRENDIZAGEM
A palavra aprendizagem apresenta vários significados e conceitos. Se
buscarmos sua definição no dicionário Aurélio (FERREIRA, 2001), podemos
compreender que a aprendizagem é puramente uma aquisição de conhecimentos ou
períodos em que se adquirem conhecimentos.
Podendo ser também vista como os seres adquirem e desenvolvem novas
competências, porem é um processo complexo que dificilmente pode ser explicado
em separadamente.
O processo ensino aprendizagem pode acontecer por meio de técnicas de
ensino ou pela simples vontade de aprender em uma pessoa.
Segundo GÓMEZ (2009), o processo de aprendizagem não é mais
considerado passivo de recepção, acontece de modo interativo na dimensão do
saber, acontece sempre uma reconstrução interna e subjetiva, acionada e
estabelecida interativamente, o aprendizado engloba os fatores cerebral, psíquico, o
cognitivo e o social. O mesmo enfatiza que:
Os seres humanos precisam de contínua aprendizagem que começam a
ocorrer a partir da gestação. O aprendizado é o caminho para atingir o
crescimento, a maturidade e o desenvolvimento como pessoas num mundo
organizado as interações com o meio nos permitem a organização do
conhecimento. (p.31, 32).
BOCK (2008, p. 137), observa que a relação entre a aprendizagem e a
motivação, atribui à motivação tanto a facilidade quanto a dificuldade de
aprendizagem. Atribui às condições que motivam o sucesso ou fracasso dos
educadores ao tentar ensinar os alunos. Na motivação inclui o ambiente no qual o
aluno está inserido, estimulando o objeto de satisfação.
Desta forma SOARES (2004), contribui quando nos leva a perceber que
aprendemos melhor por métodos diferentes com estímulos diferentes e em ritmos
diferentes.
17
Somente as situações que problematizam o conhecimento que levam á
aprendizagem, portanto não é qualquer proposta ou qualquer interação que
promovem a aprendizagem. Toda atividade que se dê á criança na sala de aula
precisa ter uma interação clara isto é o objetivo precisa estar explicitado para o
professor e para o aluno.
Compreende-se que o processo de ensino aprendizado depende da
construção de pontos em comum, ou seja, a relação do conhecimento do professor
nesse enfoque cabe ao professor incentivar o uso de conhecimentos prévios
fazendo a mediação do conhecimento aprendido no cotidiano.
Entende-se a aprendizagem como um processo múltiplo isto é, a criança
utiliza estratégias diversas para aprender, com variações de acordo com o período
de desenvolvimento, desta forma todas as estratégias são importantes para se
chegar a um aprendizado.
Segundo VYGOTSKY (1987, p. 24), o processo de internalização ocorre ao
longo de uma série de transformações em que a pessoa em qualquer momento da
vida opera sobre o conhecimento apresentado podendo assim reconstruí-lo
internamente através de vários momentos que ocorrem no desenvolvimento.
Desta forma o processo ensino aprendizagem ocorre através da mediação e
nas interações.
Observamos que para VYGOTSKY o professor deve posicionar como
mediador, ou seja, aquele que planeja tendo em vista o conhecimento já adquirido
pelos seus alunos.
Na visão de VYGOTSKY, apud BOCK (2008, p. 141), o desenvolvimento
não acontece pronto e acabado vai se modificando com o passar dos tempos, não é
pensado como algo natural nem como produto somente da maturidade, mas como
um processo no qual está presente a maturação do organismo, o contato com o
meio cultural e relações sociais, permitindo a aprendizagem
Para VYGOTSKY, apud KRAMER (2010, p.120, 121), a linguagem e o
pensamento caminham juntos: na interação do mundo exterior, o papel do outro,
seja adulto ou criança, tornando fundamental para a constituição da consciência.
18
Outro aspecto importante é o educador perceber que as crianças de 06 anos
estão construindo a linguagem e por isso muitas vezes falam alto sozinhas, muitas
vezes paralelamente a professora, essa ação pode proporcionar a sensação de que
é tudo uma bagunça.
Pois o fato da criança manter uma fala paralela não deve ser vista como
sentido de desordem ou falta de atividade, pois essa fala é chamada de fala
egocêntrica, esse momento deve ser compreendido como a forma da criança
aproximar-se do lúdico para aprender.
“A fala egocêntrica, mesmo direcionada à regulação da atividade que está
sendo desenvolvida ou a auto-regelação, tem um caráter interativo.” (BARBATO,
apud VYGOTSKY, 2001, p. 24).
Percebe-se então que a função da fala egocêntrica no processo de
desenvolvimento da criança é auxiliar a mesma no seu fazer e pensar, passando a
ser internalizada pela criança assim como internalizam todas as outras funções.
Segundo BARBATO (1963, p. 25), com a experiência a criança aprende a
planejar e vai internalizando a fala egocêntrica, as funções de planejamento e
monitoramento das atividades passam a ser desempenhadas pela fala interna, o que
provoca uma mudança na fala social que passa ser comunicativa.
É necessário compreendermos que a fala egocêntrica faz parte da
ludicidade e visa o desenvolvimento do letramento possibilitando o desenvolvimento
da imaginação e a sua importância para a aprendizagem das crianças aos 06 anos,
como reforça BARBATO (1963, p. 25):
A imaginação possibilita a flexibilização dos processos de constituição de
significados. Com o seu surgimento o pensar e o fazer da criança, que eram
regidos pelos significantes, pelas formas e aparências externas dos objetos
de conhecimento, passam a ser regidos, sobretudo pelos significados, pelo
conteúdo.
Sendo assim é importante a compreensão desse sistema de pensamento
teórico, pois são eles que acompanharam a criança durante toda sua vida adulta.
Segundo muitos pensadores as crianças desde pequenas constroem o
conhecimento em sala sobre os objetos que a cercam, sobre as sequências de
ações mediando essa construção com conhecimentos prévios e a partir do suporte
oferecido a elas pelos educadores.
19
Quando as crianças encontram-se na fase dos 06 anos constroem seus
conhecimentos
utilizando
através
da
ludicidade,
porém
é
necessário
compreendermos que o lúdico não é encontrado somente através de brincadeiras
planejadas com fins didáticos esse lúdico é usado como suporte para criança
através da imaginação.
Muitos
pensadores
retratam
que
o
desenvolvimento
humano
esta
relacionado à forma dialética com o aprendizado observando que esse
desenvolvimento é um processo de mudança, como nos informa BARBATO (1963,
p.22):
O desenvolvimento ocorre ao longo da vida, nas relações de troca com o
ambiente na construção de contextos, ou seja, nas interações que derivam
das condições de sociabilização. Desse modo todos agimos sobre o
ambiente. O que é importante no processo de ensino-aprendizagem é
verificar como cada um e o coletivo agem em relação ás atividades que se
desenvolvem em sala.
Sendo assim, podemos perceber que o ensino aprendizagem depende da
história de cada ser humano e a sua relação com o meio social e as condições de
seu desenvolvimento.
Desta forma cabe a nós professores planejar um ensino significativo para as
nossas crianças ensino esse que proporcione a eles, um novo conhecimento. Nesse
paradigma cabe a escola ter como objetivos disponibilizar a criança uma
aprendizagem sistematizada e diferente daquilo que a criança aprende na
sociedade.
Mas segundo BARBATO (1963, p23), os modos de conhecer da comunidade
e da escola se relacionam, pois a criança quando esta aprendendo, generaliza o
conhecimento, ou seja, faz a ligação do conhecimento cientifico com o empírico.
Observa-se que na faixa etária dos 06 anos as crianças estão em fase de
transição, ou seja, tendem a passar de um desenvolvimento orientado para o
pensamento pratico e para eu isso aconteça é necessário que seja proporcionado a
elas a possibilidade de ver, trocar, experimentar, pois seus pensamentos se
desenvolvem através dos símbolos, como nos relata PIAGET (1978. p. 49).
[...] para um desenvolvimento baseado em pensamento simbólico, mediado
pelo processo de significação, pelas aparências. Elas começam assim a
penetrar no cerne do conhecimento. Mas nessa passagem podemos
observar ainda a organização do conhecimento baseado em processos
intuitivo que direcionam aprender das crianças sobre tudo para
compreensão dos fenômenos em sua externalidade.
20
Aprender é um processo complexo e uma tarefa árdua, na qual se convive o
tempo inteiro com o que ainda não é conhecido. Para o sucesso da empreitada, é
fundamental que exista uma relação de confiança e respeito mútuo entre professor
(a) e aluno.
O trabalho educacional inclui intervenções para que os alunos aprendam a
respeitar diferenças, a estabelecer vínculos de confiança e uma prática cooperativa
e solidária. (PCNS, BRASIL,1997, p. 99/101)
A aprendizagem nem sempre é cercada somente por sucessos e
aprovações, muitas vezes, no decorrer do ensino, nos deparamos com problemas
que deixam os alunos paralisados diante do processo, assim são rotulados de
incapazes de aprender pela própria família, professores e colegas.
É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam
atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas ou se persistem há
algum tempo.
As dificuldades podem advir de fatores orgânicos ou mesmo emocionais e é
importante que sejam descobertas a fim de auxiliar o desenvolvimento do processo
educativo, percebendo se estão associadas à preguiça, cansaço, sono, tristeza,
agitação, desordem, dentre outros, considerados fatores que também desmotivam o
aprendizado.
Segundo GOMES (2009), é difícil encontrar uma definição de aprendizagem,
ela integra o cerebral, o psíquico, cognitivo e o social.
Ele destaca que no processo de desenvolvimento existem fatores que
podem interferir gradativamente no processo de aprendizagem, que são orgânicos,
específicos, emocionais e ambientais.
Para ele, cada criança é única e as formas como os problemas se
manifestam está relacionada com a sua individualidade. Por isso é importante
conhecer a criança na sua totalidade.
A aprendizagem depende de uma motivação intrínseca, isto é, o aluno
precisa tomar para si a necessidade e a vontade de aprender. Aquele que estuda
apenas para passar de ano, ou para tirar uma nota, não terá motivos suficientes
para empenhar-se em profundidade na aprendizagem. A disposição para a
21
aprendizagem não depende exclusivamente do aluno, demanda que a prática
didática garanta condições para que essa atitude favorável se manifeste e
prevaleça.
Rubem Alves, citado por PAREDES (2004), complementa dizendo que:
Para aprender, temos que desejar fazê-lo, em outras palavras, nosso desejo
tem que ser “fisgado”por alguma “isca”. Assim, o bom professor é um “bom
pescador”, aquele que, de alguma maneira, desperta e alimenta a
curiosidade da criança, conseguindo desperta-lhe o desejo de aprender de
outro.
A educação fascina pelo conhecimento do mundo, esqueceu-se de que sua
vocação é despertar o potencial único que jaz adormecido em cada
instante... Só vai para a memória aquilo que é objeto do desejo. A tarefa
primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e desejando,
aprenda. (p.65).
De acordo com o autor é nosso dever despertar nas crianças o desejo de
aprender, através de metodologias diversificadas.
Essa aprendizagem exige uma maior ousadia para se propor problemas,
buscarem soluções e experimentar novos caminhos, de maneira totalmente diferente
da aprendizagem mecânica, na qual o aluno limita seu esforço apenas em
memorizar ou estabelecer relações diretas e superficiais.
O trabalho com o desenvolvimento do aluno não diz respeito apenas ao seu
crescimento, mas as mudanças, segundo PIAGET, citado por BOCK (2008), elas
acontecem de acordo com a idade, o meio ambiente e o social. Sendo assim, o
homem aprende o mundo de formas variadas a cada período do seu
desenvolvimento.
Neste sentido, PAREDES (2004, p. 47), afirma que as várias formas de
interação social pode promover maios facilidade de no que ao desenvolvimento e
que os variados níveis de habilidades serão estimulados, levando a criança a
posicionar-se, seja como aluno ou professor. Devemos propor a organização da
aprendizagem através de objetivos claros e específicos para os educandos.
Todo o esforço do professor deve ser voltado para o desenvolvimento dos
alunos como indivíduos únicos, fazendo com que participem de um processo onde
se levam em consideração as relações afetivas, sociais, políticas e econômicas.
A aprendizagem é um patrimônio que se conquista através do tempo
mediante troca de experiências que unem os seres humanos.
22
1.4 A HISTÓRIA DA ALFABETIZAÇÃO
A história da humanidade, OLIVEIRA (2007), comenta que a escrita surgiu
do sistema de contagem que ocorria nos primórdios da civilização. Esse sistema era
usado na contagem de criação assim como para a socialização entre os indivíduos.
CAGLIARI (1999, p. 12), aborda que a alfabetização é, pois tão antiga
quanto os sistemas de escrita de certo modo é a atividade escolar mais antiga da
humanidade.
O autor também relata que naquele período da escrita primitiva, ser
alfabetizado significava saber ler o que os símbolos significavam e ser capaz de
escrevê-los repetindo um modelo mais ou menos padronizado.
Porém com o decorrer do tempo e a aquisição da fala e da escrita a
sociedade foi deixando de utilizar os símbolos para a comunicação.
O surgimento da escrita para CAGLIARI (1999, p. 48) iniciou de forma
autônoma e independente, na Suméria em 3.300 a.C.
Já na Antiguidade a maioria das crianças era alfabetizada em casa, ou seja,
a transmissão do conhecimento era feito através da conversação.
A aprendizagem da escrita acontecia de forma natural sem a obrigatoriedade
da escrita.
As crianças que podiam ir para a escola aprendiam a ler partindo de algo já
escrito com palavras soltas e depois passava a escrever seus próprios textos.
Com o decorrer do tempo a sociedade passou a utilizar cada vez mais o uso
da escrita e a mesma foi se desenvolvendo como apoio de diversas culturas como
os Gregos, Romanos, Semitas até que surgiu a alfabetização.
Na idade Media quem sabia ler ensinava a quem não sabia, ou seja,
mostrava o valor fonético das letras.
Durante todo esse período ensinar as crianças aprenderem a ler não era
uma atividade escolar, as mesmas eram atendidas em casa por uma preceptora ou
pela própria família esse aspecto se estendeu até o final do século XVI.
Nesse período houve um aumento muito grande de obras importantes, da
época que era usado para o aprendizado da alfabetização, assim como a
23
preocupação com o aprendizado da alfabetização das crianças foi quando se
observou a necessidade de produção de cartilhas.
Porém CAGLIARI (1999, p.33), aborda “as cartilhas com o decorrer dos
tempos passaram por mudanças, pois antes as mesmas tinham o ensino voltado
para o lado religioso e o trabalho na sociedade.”
O autor reflete que as cartilhas passaram a ser dividida em lições, cada uma
abordando um foto, foi nesse período que se iniciou o ensino silábico muito presente
ainda hoje.
1.5 CONCEITO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
Historicamente,
conforme
OLIVEIRA
(2007.p
10),
o
conceito
de
alfabetização se identificou ao ensino aprendizagem da tecnologia da escrita, ou
seja, ao sistema alfabético de escrita que na realidade significa a capacidade de
decodificar os sinais gráficos e os transformando em sons e através da escrita
codificar os sons da fala transformando esses sons em sinais gráficos. Foi somente
a partir dos estudos da psicogênese da aquisição da língua escrita com os trabalhos
de Emília Ferreiro e Ana Teberosky se observou que o aprendizado do sistema da
escrita não se reduzia apenas ao domínio de grafemas e fonemas (a decodificação e
codificação), mas deve ser vista como um processo pelos quais as crianças passam
desde seu primeiro contato com a escrita.
Mas, segundo PIAGET, citado por KRAMER (2010, p. 120), desde cedo a
criança é alfabetizada, esse processo
inicia-se antes da entrada da criança na
escola a partir do momento que ela se interage com o meio que está carregando de
significados, de ideologias, de história, e cultura. Esse processo vai se consolidando
com o tempo até à escola..
Segundo OLIVEIRA (2007), que o conceito de letramento vai além do que
codificar e decodificar, nesse conceito está a ideia de que o domínio e o uso da
língua escrita trazem consequências sociais, culturais, politicas, econômicas,
cognitivas e linguística. Letramento é:,
“o resultado da ação de ensinar ou de
aprender a ler e escrever, bem como o resultado da ação de usar essas habilidades
em práticas sociais”. (p. 11)
24
Porém como nos informa SILVA (2004, p.50), as discussões no Brasil
giraram em funções dos métodos de alfabetização sendo eles sintéticos e analíticos,
o autor também relata que posteriormente ocorreu a junção desses dois métodos
ficando conhecido como analítico- sintético.
SOARES (2004, p.27), aborda que “até os anos 80 o objetivo maior era a
alfabetização (...) isto é enfatizar fundamentalmente a aprendizagem do sistema
convencional da escrita.” Pois as atividades de alfabetização são aquelas de
descoberta de automação do sistema alfabético da escrita, buscam a aquisição da
base alfabética.
Se refletirmos sobre o processo de alfabetização, veremos, segundo SILVA
(2007), que ele continua sendo entendido como conceito de ler e escrever, codificar
e decodificar palavras. Mas a conquista de ser alfabetizado é bem mais do que isso,
interessa ao sistema os conhecimentos e as práticas das pessoas e dos grupos em
que se inserem, imaginando uma escala de alfabetismo ( ou de letramento), em
função do que sabem fazer com a leitura e a escrita. (p. 26)
Porém Magna Soares (1985), contribui com a discussão quando nos relata
um outro conceito sobre o processo de alfabetização pois, compreende que o
mesmo proporciona condições para que o individuo tem acesso ao mundo da
escrita, tendo possibilidade de lutar e participar na transformação da realidade
social.
Para a autora, é fundamental que o individuo tenha acesso ao mundo da
escrita, que seja capaz não só de ler e escrever, enquanto habilidade de decodificar
o sistema da escrita, mas que entenda o significado do valor do aprendizado, que ao
ser alfabetizado o individuo esteja ganhando instrumento de analise de luta pessoal
e social da realidade e de compreensão do mundo, com o qual adquire um novo
conceito de agir na sociedade.
Magda Soares, apud MONTEIRO ( 2009, p. 39), afirma:
A alfabetização – a aquisição da tecnologia da escrita – não
precede nem é pré-requisito para o “letramento”, ou seja, para a
participação nas praticas sociais de escrita, tanto é assim que os
analfabetos podem ter um certo nível de “letramento”: sem que hajam
adquirido a tecnologia da escrita, utilizam a quem a tem para faz: sem que
hajam adquirido a tecnologia da escrita, utilizam a quem a tem para faz uso
da leitura e da escrita, além disso, na concepção psicogenética de
alfabetização atualmente em vigor, a tecnologia da escrita é aprendida não
como em concepções anteriores com textos construídos artificialmente para
25
a aquisição das “técnicas” de leitura e escrita , e sim por meio de atividades
de “letramento”, ou seja, de leitura e produção de texto reais, de praticas
sociais de leitura e de escrita. (SOARES, 1998 p. 92).
Segundo OLIVEIRA ( 2007), o letramento surgiu em meados de 1980, pois
percebeu que nos países de Primeiro Mundo as pessoas apesar de serem
alfabetizadas não dominavam as habilidades de leitura e escrita para uma
participação ativa em sociedade.
De acordo com a autora (2003, p.38) “o letramento vai além do domínio do
código, constituindo-se enquanto pratica social, de uso do código escrito em várias
situações da vida do individuo.”
Podemos perceber que o letramento começa com a alfabetização, mas
continua durante toda a vida da criança, sendo assim é necessário compreender que
“a alfabetização e o letramento apresentam conceitos diferentes, mas deve caber a
escola buscar caminhar com os dois juntos.” Como nos explica SOARES (2003, p.
36).
Destaca a diferença fundamental que está no grau de ênfase posta nas
relações entre as práticas sociais de leituras e da escrita e a aprendizagem
do sistema de escrita seja entre conceitos de letramento e o conceito de
alfabetização.
Compreende-se que a função da escola é ir além da alfabetização, pôr isso
não ocorre de forma simples ou imediata. SOARES (2003, p.36), compreende que
só a alfabetização não possibilita a ascensão social e cultural, por isso mostra que
deve acontecer o processo de alfabetização/letramento.
A pessoa letrada já não é a mesma que era quando analfabeta ou iletrada,
ela passa ater outra condição social e cultural não se trata propriamente de
mudar de nível ou de classe social, cultural, mas de mudar seu lugar social,
ou modo de viver na sociedade, sua inserção na cultura, sua relação com
os outros, com o contexto e com os bens culturais torna-se diferentes.
(SOARES, 2003, p.37).
Desta forma, a escola e os educadores devem entender a alfabetização e o
letramento como praticas indissociáveis, que são resultados indissociáveis, que são
resultantes das relações humanas e essas duas praticas são fundamentais durante
o tempo que a criança se encontra no ambiente escolar, pois estará presente em
toda a sua vida.
Observa-se então que cabe a escola buscar repensar e praticar a aquisição
da língua escrita baseada no alfabetizar letrando.
26
SOARES (2002, p.89), explica que o letramento é o estado em que vive o
individuo que não só sabe ler e escrever, mas exerce as praticas sociais de leitura e
escrita que circulam na sociedade em que vive.
Nesse sentido, as práticas em sala de aula devem estar orientadas de modo
que se promova alfabetização na perspectiva do letramento SOARES (2003, p.92)
proporcionando a construção de habilidades para o exercício efetivo e competente
da tecnologia da escrita de acordo com SOARES este exercício implica em:
[..;] habilidades varias, tais como: capacidades de ler ou escrever para
atingir diferentes objetivos para informar ou formar-se, para interagir no
imaginário no estético, para ampliar conhecimentos ,escrevendo ou lendo
de forma diferenciada, segundo as circunstancia, os objetivos, o interlocutor
.[...]. (SOARES, 2003, p, 92).
É necessário então buscar compreender que para conseguir viver em
sociedade não basta simplesmente o individuo ser alfabetizado, ou seja, aprender
meramente a decodificar. Faz-se necessário que o mesmo seja também letrado para
que possa exercer as praticas sociais de leituras e escrita nesta sociedade de
acordo com a visão de MELO (2004, p. 26).
Letrado poderia ser então o sujeito criança ou adulto que
independentemente de ter ido a escola e de ter aprendido a ler e escrever
(ter sido alfabetizado) usasse ou compreende-se certas estratégias próprias
de cultura letrada. (KLEINAM, 1995, p.49 apud MELLO; RIBEIRO, 2004,
p.26).
Desta forma para um ser humano ser considerado letrado não é preciso que
frequente a escola, ou seja, que saiba ler e escrever, basta que consiga e exercite a
leitura do mundo no qual esta inserido sendo um cidadão participativo.
Sendo assim, cabe a escola compreender que esse letramento não ocorre
em apenas um ano da vida da criança ou a chamada classe de alfabetização, mas
durante toda uma vida.
Todas essas mudanças aqui comentadas só puderam e podem acontecer
porque grandes avanços ocorreram na sociedade que passaram a exigir as crianças
alfabetizadas e letradas. (SOARES, 2003, p.37)
1.6 O LETRAMENTO NA ESCOLA
Quando a criança entra na instituição educativa, segundo MONTEIRO
(2009, p. 30 e 31), as crianças e adultos participam de situações de letramento
27
diferente um dos outros, a experiência que é ensinada torna-se constitutivo de sua
pessoa, modificando a continuamente. No entanto, a instituição de ensino
desempenha um papel fundamental na entrada da criança no mundo do letramento,
e na sua formação enquanto usuário do sistema dos símbolos. Geralmente é no
interior da escola que o aluno se desenvolve na capacidade de ler e escrever se
alfabetiza e usufruir da cultura do letramento.
Vale ressalta ainda que segundo BOCK (2008, p. 142), a aprendizagem da
escola não se efetua como um processo paralelo e dissociado de outros meios de
apreensão e compreensão da realidade.
A aprendizagem da criança inicia-se muito antes de sua entrada na escola,
isso porque desde o primeiro dia de vida ela já está exposta aos elementos
da cultura e à presença do outro que se torna o mediador entre ela e a
cultura...A escola surgirá, então como o lugar privilegiado para o
desenvolvimento, pois é o espaço onde com a cultura é feito de forma
sistemática, intencional e planejada. (p.142)
SOARES (2003, p.180), relata que a função da escola nesse contexto é
permitir que o aluno formalizasse a leitura e a escrita, mas não de forma imediata,
pois esse processo pode e deve ocorrer durante toda a vida da criança.
FREIRE (1990, p. 48), relata que não basta simplesmente dominar a escrita
como um instrumento tecnológico. Para o autor é preciso ser considerada a inserção
da criança no mundo da escrita.
SOARES (2003, p.14), afirma que para que esse processo aconteça é
necessário ocorrer:
O sistema alfabético e ortográfico que se obtêm por meio do processo de
alfabetização e do domínio de competências de uso dessas tecnologias
saber ler e escrever em diferentes situações e contextos que se obtêm por
meio do processo de letramento.
Desta forma é necessário que a escola consiga abordas e praticar esses
dois conceitos, pois “a escola é sim um espaço privilegiado para a produção do
conhecimento.” (SOARES 2003, p.18).
Para Soares os professores precisam compreender que “Letrar é mais que
Alfabetizar, é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a leitura e a
escrita tenham sentido.” (SOARES, 2003, p. 190).
A autora também aborda que o letramento é a entrada da pessoa no mundo
da escrita, mas de uma forma total.
28
Percebe-se então que o letramento só pode acontecer quando o aluno faz
parte do aprendizado envolvendo se nas atividades da leitura e escrita.
Cabe ao professor proporcionar ao aluno diferentes estilos de textos para
que ele se aproprie do sistema da escrita. Pois o letramento deve estar presente em
todos os momentos e disciplinas.
O letramento não é só de responsabilidade do professor de Língua
Portuguesa ou dessa área, mas de todos os educadores que trabalham com
leitura e escrita, mesmo os professores da disciplina de geografia,
matemática e ciências alunos lêem e escrevem nos livros didáticos. Isso é
um letramento especifico de cada área de conhecimento. (SOARES 2003,
p. 191).
A autora ainda completa que cada professor é responsável pelo letramento
em sua sala.
Cabe às escolas compreenderem e preocupar-se com o contexto social em
que os alunos estão inseridos, pois é este contexto social que ira proporcionar ou
não o letramento na vida da criança, e se esse contexto não proporcionar que o
letramento aconteça a escola deve propor esse momento.
Sendo assim para autora as escolas devem ter como pontos distintos a
diferença entre alfabetização e letramento.
Entre aprender o código e ter habilidades de usa-lo. Ao mesmo tempo que é
fundamental entender que eles são indissociáveis e têm as suas
especificidades, sem hierarquia ou cronologia pode se “letrar antes de
alfabetizar. (SOARES 2004, p. 190).
Desta forma muitas escolas tendem a fracassar porque não compreendem
essa distinção, principalmente as escolas com progressão continuada. “As crianças
chegam no segundo ciclo sem saber ler ou escrever.” (SOARES , 2001, p.190).
Observa-se que se perdeu a oportunidade de desenvolver o processo para a
aquisição da leitura e escrita. As escolas assim como as famílias precisam fornecer
a criança materiais de qualidade.
“Assim ela se alfabetiza sendo ao mesmo tempo letrada havendo uma
aprendizagem sistemática sequencial de aprender.” (SOARES, 1999, p. 190)
SOARES (1999, p 180), diz que para haver “a alfabetização e o letramento
deve-se ter um método porque não é possível ensinar a ler escrever, ou qualquer
coisa em educação, sem um método.”
CAPÍTULO II
PROJETO POLITICO PEDAGÓGICO
O Projeto Politico Pedagógico de uma unidade escolar consiste em um
grande esforço por parte de seus educadores em sistematizar os desafios que são
colocados para a instituição haja visto que durante anos as instituições escolares
viviam a mercê de um sistema sem uma identidade própria. (SILVA, 2010 . p.27).
Antunes apud SILVA (2010, p.27) ressalta que: “o mesmo é entendido como
uma sistematização nunca definida de um processo de Planejamento Participativo”,
que deve ser aperfeiçoado e se concretizado de acordo com a caminhada, nele as
unidades escolares podem definir cada ação que querem realizar.
Desta forma hoje todas as escolas brasileiras passam por uma grande
transformação que são as construções e reelaborações de seu PPP (Projeto Politico
Pedagógico) anualmente nele as escolas buscam construir a sua identidade
Essa possibilidade só pode ser possível através do amparo legal da Lei de
Diretrizes de Bases da Educação (9394/96) em seu art. 12, onde estabelece uma
orientação legal, de confiar à escola á responsabilidade de elaborar, executar e
avaliar se projeto politico e pedagógico.
É através do PPP que os professores da escola podem compreender todas
as leis que regem as ações assim como o planejamento das ações pedagógicas da
unidade escolar, deixando clara a metodologia adequada, o currículo que será
desenvolvido e para que tipo de clientela.
Segundo SILVA (2010, p. 27):
A existência das leis assegura a democracia, pois a mesma é muito
importante para a democratização, de uma sociedade, mas se faz
necessário que a população faça parte desse processo.
O mesmo deve acontecer nas escolas onde todos os educadores devem
buscar conhecer seus direitos e de seus alunos para contribuir com as organizações
necessárias para o desenvolvimento de um trabalho que venha realmente de
encontro com as necessidades de seus alunos.
30
Observa-se que é o PPP que dá a possibilidade da escola fazer as
mudanças necessárias para a construção de sua autonomia visando sempre o
desenvolvimento pedagógico de cada criança.
Sendo assim, SILVA (2010, p. 27), relata que o planejamento e a
metodologia utilizada nas atividades escolares devem são de suma importância e
precisam instigar a criança a aprender.
ANTUNES, apud SILVA (2010, p. 28), retrata que o PPP dentre outras
questões de suma importância na escola possibilita trabalhar um currículo que visa a
realidade dos educandos valorizando o debate com as crianças e as famílias.
Dando ênfase em traçar objetivos de acordo com a faixa etária de cada
criança atendida na unidade escolar visando o desenvolvimento cognitivo, social,
psicológico, atitudinal e comportamental entre outros.
CAPÍTULO III
ANÁLISE DE DADOS
Para bom desenvolvimento desse trabalho foi necessário analisar e buscar
informação frente aos educadores que atuam em salas de alfabetização na escola
Municipal Fábio Ribeiro da Cruz alfabetizadores que serão apresentados com as
letras do alfabeto A, B, C, D, visando amostragem dos questionários no intuito de
mostrar aos leitores com grande e fundamental importância é a fase da
alfabetização.
3.1. ANALISE DOS QUESTIONÁRIOS
Ao se questionar qual a formação acadêmica das entrevistadas pude
verificar que toda tem formação especificas em pedagogia para as séries iniciais,
pode-se analisar também que as entrevistadas continuam buscando formação, pois
a entrevistada B, C já são, especialistas, a entrevistada A e D estão cursando a
especialização. Quando solicitado as entrevistas a quanto tempo atuam na
educação observou-se o tempo varia entre 8 a 32 anos destinados ao magistério .
Sendo assim questionou-se as entrevistadas sobre o significado da
alfabetização para elas, onde se recebeu a seguinte resposta.
Para a entrevistada A “a alfabetização é um processo na qual o individuo
assimila as informações que lhe são passadas”. A mesma ainda analisa que:
O individuo de posse dessas informações consegue avalia-las e utiliza-las
de várias maneiras a alfabetização se refere ao desenvolvimentoda
habilidade de ler e escrever. (Entrevistada A 2012).
Porém a entrevistada B nos leva a refletir e compreender que: o processo de
alfabetização é mais complexo “alfabetização é um processo na qual se aprende a
ler o mundo compreendendo o seu contexto numa relação dinâmica que vincula
linguagem e realidade” (Entrevistada B, 2012).
ZOE (2009, p. 28) nos leva a refletir que:
O conhecimento não e inato ou tampouco externo ao organismo, mas é
fundamentalmente construindo na interação homem e objeto, ocorrendo nas
relações interdependentes entre sujeito conhecedor e o objeto a se
conhecer.
32
A autora nos leva a compreender que a criança não nasce com o
conhecimento mas passa a incorpora-lo e desenvolve-lo na interação entre o
homem e o objeto. A mesma analisa que.
O conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado pelas
estruturas internas do sujeito nem pelas características do objeto. Todo o
conhecimento e uma interação entre. Ambos. (ZOE, 2009, p. 28).
Desta forma alfabetizar é o desenvolvimento da consciência critica um
instrumento primordial para emancipação do homem.
Sendo assim um processo que se faz por meio da pratica social intencional e
planejada.
A entrevistada B ainda vem definindo que:
a alfabetização é um processo interno que acontece de formas diferentes
em cada individuo, dependendo da forma com que é estimulada por seu
meio ambiente. (entrevistada B).
A mesma declara que a construção da alfabetização “e caracterizada por
grandes dificuldades e conflitos” (entrevistada B). Conflito esses que:
estão no nível cognitivo levando a crianças a estar em
constantecoordenação de informações e reconstrução de seu conhecimento
adquirido, provocando assim mudanças internas e grandes avanços para se
chegar ao pleno desenvolvimento da escrita e da leitura.
Desta forma a entrevistada termina sua análise sobre esse aspecto quando
relata:
Alfabetização, não é só processo de ler e escrever, mas é saber interpretar
o que se leu, é compreender as entrelinhas, é saber expor seus
pensamentos.(Entrevistada B).
Continuando nossa análise observa-se que para a entrevistada C
a alfabetização é um processo dentro do letramento que é a ação de
ensinar aprender a ler escrever na compreensão e expressão lógica verbal
e não verbal. (Entrevistada C).
Nesse prisma a entrevistada D observa que a alfabetização “deve caminhar
com o letramento utilizando a realidade e conhecimento que cada grupo possui.”
(Entrevistada D).
Ao se questionar as entrevistadas qual a fase que a alfabetização deve
acontecer, obteve-se as seguintes respostas, para a entrevistada A e B esse
aspecto esta mais voltada para a forma como a criança é estimulada dentro do seu
contexto sociocultural, dentro ambiente familiar (Entrevistada A e B).
33
Para a entrevistada C a alfabetização “deve acontecer desde o momento
que a criança é inserida na escola”, ou seja, a partir dos 4 anos isso vai depender do
ritmo e de estímulo que a criança recebe
Já para a entrevistada D deve acontecer “em 3 (três) fases ou melhor nos
três primeiros anos 1,2,3 anos.”
Quando se questionando aos entrevistados quanto tempo leva para as
crianças serem alfabetizadas. A entrevistada A respondeu que:
Como cada indivíduo é único, esse tempo e variável, pois a criança constrói
e reconstrói seu código linguístico; ela observa estabelece relação organiza,elabora
conceito ate chegar aos códigos alfabéticos. (Entrevistada A).
Já a entrevistada B, C e D compreende que a alfabetização não deve levar
em conta o tempo de duração mas, sim a respeitar as fases de desenvolvimento
cognitivo. A entrevistada C ainda declara que, “a criança deve ser estimulada, sem
gerar interesse na sua aprendizagem”.
Porem pode observar nas palavras de ZOÉ e LÍBANO (2009, p.29) que:
Para desenvolver o conhecimento é preciso que o ambiente promova
condições para transformações cognitivas se estabiliza um conflito cognitivo
e, assim, ocorra um esforço do individuo para superá-lo a fim de que o
equilíbrio do organismo seja estabelecida.
Os autores ainda declaram que o processo de desenvolvimento cognitivo
depende de como o individuo vai elaborar e assimilar as suas interações com o
meio.
Mas é de suma importância que os educadores percebam que o
desenvolvimento do sujeito deve estar pautado nos níveis de desenvolvimento
cognitivo.
Cada fase vivenciada pela criança e caracterizada por formas diferentes de
organização mental (PCNs, BRASIL, 1997, p.34)
O que o aluno pode aprender em determinado momento da escolaridade
depende das possibilidades delineadas pelas formas de pensamentos de
que dispõe naquela fase de desenvolvimento, de conhecimento que já
construiu anteriormente e do ensino que recebe. Isto é. [...]a intervenção
pedagógica deve se ajustar ao que os alunos conseguem realizar em cada
momento de sua aprendizagem para construir verdadeira ajuda educativa.
Sendo assim, é necessário analisar as palavras dos autores e compreender
a
importância
de
estimular
nossos
alunos
respeitando
suas
fases
de
34
desenvolvimento cognitivo com uma visão pedagógica, estimulando-os em seu
aprendizado dentro da alfabetização e letramento.
Dentro desse enfoque buscou-se averiguar junto aos educadores qual a
concepção dos mesmossobre o letramento, onde se obteve a seguinte resposta da
entrevistada A. “O letramento é o resultado da ação de ensinar a ler e escrever”.
No letramento o indivíduo já possui o conhecimento leitura e da escrita, mas
consegue interpretar textos ler jornais. E interpretar- lós consegue interagir dentro do
contexto social e cultural em que vive.
As entrevistadas B e C ainda complementam o pensamento quando retrata
que;
o mesmo esta associado ao papel que a linguagem escrita têm na
sociedade , onde o mesmo não se daonde somente na escola; mas sim nos
espaços que frequentamos, nos objetos e livros que temos acesso.
Porém a entrevistada D analisa, para que ocorra o letramento é necessários
respeitar e valorizar o meio em que o educando vive o que mesmo trás de casa,
aprimorando nos conteúdos escolares.
MONTEIRO (2009), analisa que os conceitos de alfabetização e letramento
ressaltam duas dimensões importantes da aprendizagem da escrita. São elas:
De um lado, as capacidades de ler e escrever propriamente ditas, e, de
outro, a apropriação efetiva da língua escrita: “[...] aprender a ler e escrever
significava adquirir uma tecnologia a de codificar em língua escrita e de
decodificar a língua e propriedade. (SOARES, apud MONTEIRO, 2009, p.
30)
Para SOARES (1998, p. 39), a alfabetização se refere ao processo por meio
do qual o sujeito domina o código e as habilidades de utiliza-lo para ler e escrever.
Onde para a autora o mesmo trata-se do domino da tecnologia, do conjunto
de técnicas que a capacita e exerce a arte e a ciência da escrita. (SOARES, 1998, p.
39)
A autora nos leva a refletir sobre a real importância do letramento para a
aquisição da escrita de nossos educando. Como pode ser observado nas palavras
da pensadora.
Letramento, por sua vez, é exercício efetivo e competente da escrita e
implica habilidades tais como a capacidade de ler e escrever para informar
ou informar-se, para interagir, para ampliar o conhecimento, capacidade de
interpretar produzir diferentes tipos de textos, de inserir-se efetivamente no
mundo da escrita, entre muitas outras. (SOARES, 1998, p. 39)
35
Desta forma, os autores acimas citados nos levam a compreender que o
processo de alfabetizar e letrar deve desenvolver a capacidade dos alunos como
seres pensantes que buscam interpretar o mundo para modificarem conforme a sua
necessidade construindo a sua própria história.
Buscando assim entender realmente a compreensão dos educadores no
processo de alfabetizar letrando,perguntou se o processo do letramento se faz
presente ou em consonância com a alfabetização.
Onde se obteve a seguinte resposta da entrevistada A.
Sim, é importante ressaltar que a alfabetização e o letramento caminham
juntos um complementa o outro. É o letramento que da a criança condições
de ter uma visão crítica das coisas, consegue ler não só superficialmente
um texto, mas consegue ler nas entrelinhas,reflete sobre o que o texto quer
dizer.
O processo de alfabetização e letramento inicia-se mesmo a criança não
sendo alfabetizada como pode ser notado nas palavras da entrevistada C
Sim. Pois mesmo a criança ainda nãosendo alfabetizada já poda ser
inserida em processo de letramento; já que ela é capaz de fazer a leitura
incidental de rótulos, imagem, gestos,emoções, ou seja, o contato com o
mundo letrado é muito antes das letras e vai além delas.
Desta forma a entrevistada D ainda acredita que a alfabetização passa a ter
significado, prazeroso para a criança.
Dentro desse prisma é necessário compreender quais os métodos utilizados
pelos educadores para desenvolver a alfabetização e o letramento
Onde a entrevistada A acredita que:
São muitas as formas usadas para alfabetizar. Temos os métodos Tonico
associação entre letras e sons. Alfabético aprende as letras, depois forma
as sílabas para depois formar as palavras. Sintético – som e grafia, oral e
escrita à criança aprendem, letras por letras silaba x silaba palavra por
palavra.
Já a entrevistada B observa que:
Existe vários, o professor deve ter claro que a alfabetização precisa ser
significativa, envolvendo os alunos no processo onde seu cotidiano, suas
historias eideias sejam valorizadas e incorporadas nas atividades
realizadas.
Mas podemos verificar que a entrevistada C discorda da entrevistada A e B
que não há métodos ou receita pronta para desenvolver a alfabetização e letramento
vai depender das práticas sociais, do desenvolvimento de cada criança.
36
Como retrata a entrevistada D temos que valorizar o que esta no convívio
dos educando. Pensamento esse também retratado nos PCNs (Parâmetros
Curriculares Nacionais, BRASIL, 1997, p. 21) valorizar o conhecimento que o
indivíduo constrói em sua vivência social, fora da escola, sugere ao professor,
aprofundar esse conhecimento.
Desta forma se faz necessário averiguar qual a importância de ser
alfabetizado e letrado. Onde a entrevistada A analisa:
Na sociedade atual não basta apenas saber ler e escrever (ser
alfabetizado), mas é preciso que saiba entender o significado o uso das
palavrasem diferentes contextos levando a criança a compreender o mundo
em que vive.
A visão da entrevistada B sobre o assunto esta pautado, em benefício da
sociedade, pois a mesma declara que:
É muito importante, pois nos dias de hoje em que as sociedades estão cada
vez mais centradas na escrita, ser alfabetizado (saber ler e escrever) tem sido
insuficiente.
É preciso ir além da aquisição da escrita, é preciso fazer o uso da leitura e
da escrita no cotidiano; função social das duas partes.
Sendo assim é necessário perceber que a criança que é alfabetizada e
letrada “ao mesmo tempo constrói seu conhecimento do sistema alfabético e
ortográfico da língua escrita” (Entrevistada C)
A mesma ainda observa que esses aspectos podem ser desenvolvidos em
diversas situações de letramento.
Isto é no contexto de e por meio de interação com o material escrito real e
não real artificialmente construído, de sua participação em compreensão e
expressão lógica verbal e não verbal.
Para a entrevistada D alfabetizar letrando é importante por que: “a criança
poderá fazer uma leitura de mundo tendo assim uma melhor compreensão do que
esta em sua volta”.
Com o objetivo de determinar a analise de dados se faz necessário
averiguar junto aos educadoresqual o nível de desenvolvimento que a criança deve
alcançar para ser inserida no ano seguinte, onde se obteve a seguinte resposta da
entrevistada A.
37
O professor deverá primeiro avaliar os conhecimentos prévios de seus
alunos; uma função diagnóstica do dia-a-dia verificar quem absorveu os
conhecimentos e habilidades propostas, as dificuldades encontradas,
atividades desenvolvidas em casa e na sala de aula, o interesse o esforço.
Toda resposta encontrada seja certa ou errada é um ponto de chegada para
mostrar os conhecimentos que já foram construídos e adquirido sem duvidas um
sonho de partida para um recomeço para a tomada de novas decisões
Seguindo esse parâmetro a entrevistada B compreende que o nível de
desenvolvimento alcançado pela criança para ser inserida no ano seguinte deve
estar paltada na Proposta Curricular da Escola e no PPP “(Projeto Político
Pedagógico) e CNE (Conselho Nacional de Educação)” propõe que o processo de
aprendizagem da alfabetização e do letramento aconteça-nos 03 primeiros anos do
Ensino Fundamental (Ciclo da Infância) que vai dos 06 aos 08 anos de idade.
Nesse processo o professor passa a ser o mediador, possibilitando ao aluno
a construção de conhecimento para seu pleno desenvolvimento nesse contexto a
escola estaria inserida em uma pratica pedagógica que pressuponha a construção
por partes dos professores, das progressões e sucessões necessárias aos alunos,
para que o processo ensino-aprendizagem não se perca sem o estabelecimento de
metas e o aprofundamento dos conteúdos a cada ano. É papel da Escola ajudar os
alunos a desenvolver a capacidade para produzir e compreender textos orais e
escritos desde o inicio da escolarização, de modo a favorecer a participação em
diversas situações extraescolares e escolares.
“É interessante nesse processo ver o que as crianças já sabem elaborar
instrumentos diagnósticos observando como” quando “avaliar, analisar os processo
de construção de essas atividades compreenderem sua função em alfabetizar e
letrar, como essas ações se efetivam e como os erros são interpretados”.
Para a entrevistada C e D todo esse processo leva tempo para que as
mesmas conheçam todos os símbolos do alfabeto, seus sons e suas combinações
para estar apta em escrever e ler e interpretar o que lê o que se escreve e o mundo
que a rodeia, desta forma a mesma pode ser inserida no ano seguinte.
Desta forma ZOE e LIBÂNEO (2009, p.34), contribuem a todos os
educadores quando retratam que no planejamento escolares 3 dimensões ou eixos
do conhecimento conceituais, procedimentais e atitudinais que devem ser levadas
38
em consideração na perspectiva do letramento e da alfabetização nas diversas
praticas pedagógicas.
Conclui-se que 02 educadoras tem a visão e buscam desenvolver em sua
sala de aula um trabalho onde o professor passa a ser o mediador, que possibilita o
aluno a construção de conhecimento com o objetivo de alcançar seu pleno
desenvolvimento.
CONCLUSÃO
Verificou-se que para os entrevistados a alfabetização esta relacionada ao
processo na qual se aprende a ler o mundo buscando uma relação dinâmica o
mesmo ocorre de diversas formas dependendo da concepção de cada individuo.
Onde para 03 das alfabetizadoras pesquisadas a fase da alfabetização deve
acontecer ainda no convívio familiar, e apenas 01das entrevistadas declara que sua
concepção deve acontecer a partir dos 4 anos quando a criança entra na escola. De
acordo com a concepção das educadoras a alfabetização não deve estar voltada
para a duração da alfabetização e sim a fase de desenvolvimento das crianças,
porem somente uma educadora compreende que deve acontecer o estimulo das
habilidades e competências das crianças.
Conclui-se que mesmo as educadoras compreendendo a importância da
alfabetização e letramento e sua importância no processo de alfabetização as
mesmas não conseguiram abordar quais os métodos por elas utilizados para o
desenvolvimento do alfabetizar letrando, e pode observar que muitos dos métodos
citados pelas educadoras estão associado ao processo do codificar e decodificar.
Desta forma analisa-se que o conhecimento se constitui por estratégias
especificas, que se modificam, inclusive em função dos conteúdos aprendidos. Para
que o conhecimento da criança se construía podendo ele ser uma criança que
consiga entender e participar o mundo na qual estão inseridos e modificando
conforme a sua necessidade.
Sendo assim conclui-se que o letramento começa com a alfabetização, mas
continua durante toda a vida da criança, sendo assim é necessário compreender que
a alfabetização e o letramento apresentam conceitos diferentes, mas deve caber a
escola buscar caminhar com os dois juntos.
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ANEXOS
QUESTIONÁRIO
1-Nome (opcional).
a)Formação acadêmica.
b) Quanto tempo atua no magistério?
2- Para você o que é alfabetização?
3-Qual fase que a mesma deve acontecer?
4-Quanto tempo leva para a criança ser alfabetizada?
5- Qual a sua concepção sobre o letramento?
6-O processo do letramento se faz presente em consonância com a alfabetização?
Por quê?
7-Quais os métodos utilizados para desenvolver a alfabetização e letramento?
8-Qual a importância da criança ser alfabetizada e letrada?
9-Dentro do processo de alfabetização e letramento qual o nível de desenvolvimento
deve ser alcançado pela criança para ser inserida no ano seguinte?
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