AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL E ALFABETIZAÇÃO ALFABETIZAÇAO E LETRAMENTO PARA AS CRIANÇAS DO 2º ANO DA ESCOLA FÁBIO RIBEIRO DA CRUZ. APARECIDA ANGÉLICO DE ARAUJO BESERRA ORIENTADOR: PROF. ILSO FERNANDES DO CARMO. COLIDER/2013 AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL E ALFABETIZAÇÃO ALFABETIZAÇAO E LETRAMENTO PARA AS CRIANÇAS DO 2º ANO DA ESCOLA FÁBIO RIBEIRO DA CRUZ. APARECIDA ANGÉLICO DE ARAUJO BESERRA ORIENTADOR: PROF. ILSO FERNANDES DO CARMO. “Trabalho apresentado como exigência parcial para a obtenção do Título de /especialização em Educação Infantil e Alfabetização.” COLIDER/2013 AGRADECIMENTOS Agradeço com alegria e prazer. Primeiramente a Deus por ter me concedido a vida e a oportunidade de cursar uma Pós-Graduação de Alfabetização em Educação Infantil realizando um grande sonho que é ser uma professora que fará a diferença na vida de meus alunos; Agradeço aos meus familiares que me fazem feliz dia a dia e que amo tanto, ao meu esposo Antônio Fernandes pelo seu amor e o caminhar dedicado a mim pela paciência nos momentos difíceis passados ao meu lado pelo carinho, compreensão e pela sua grande ajuda. Elevo meus estimados agradecimentos à professora Esp. Érica de Melo da Silva por ter me ajudado na orientação deste trabalho. DEDICATÓRIA Dedico este meu trabalho primeiramente as minhas filhas que sofreram com a minha ausência, mas que me apoiaram incondicionalmente, ao meu esposo que sempre esteve comigo em minha caminhada. A minha querida amiga Marinalva, pois sem a sua presença com certeza meu caminho seria mais árduo. A educação é o alimento da inteligência humana. Da mesma maneira que necessitamos do alimento para mantermos de pé, necessitamos também da educação para mantermos viva a nossa inteligência. LYYA RESUMO Este trabalho apresenta o resultado da pesquisa realizada junto às Educadoras do 2º ano da Escola Municipal Fabio Ribeiro da Cruz, sobre como ocorre o processo de Alfabetização e Letramento. Para desenvolver este trabalho fez-se leitura bibliográfica em livros, fascículos, pesquisa na internet, e outros, com o propósito de adquirir embasamento teórico sobre o assunto, confrontando com os autores: SOARES (2004), VYGOSTSKY (2001), SILVA (2010), OLIVEIRA (1999), FERREIRO (1988), dentre outros. Diante disso, a Alfabetização e letramento são processo que caminham juntos, pois ser alfabetizado não é só ler e escrever, mas saber fazer o uso real e usá-la como instrumento de luta para se tornar um cidadão crítico, com isso estará utilizando o conceito de letramento como um produto da participação em práticas sociais, e ambos defendem a valorização do conhecimento prévio e dos textos que circulam fora da escola. Nesse sentido, ao ler os dados coletados sobre as educadoras pode perceber que algumas educadoras encontram dificuldade de trabalhar na sala de aula alfabetizar letrando, compreendem a sua importância, mas ainda não abordam os métodos de alfabetização, e muitos métodos citados por elas estão relacionados apenas ao processo de codificar e decodificar. Cabe ao educador e a unidade escolar entender bem estes dois processos que alfabetização e letramento deve caminhar juntos mesmo sendo palavras diferentes uma da outra. Os educadores precisam compreender que Letrar é mais que Alfabetizar, é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a leitura e a escrita tenham sentido. Palavras-chave: Alfabetização, Código de Linguagem, Letrar LISTA DE SIGLAS SAEB Sistema Nacional de Avaliação Básica PCNs Parâmetros Curriculares Nacionais PPP Projeto Politico Pedagógico CNE Conselho Nacional da Educação SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPITULO I FUNDAMENTAÇÃO TEORICA 12 1.1 O que é a educação 12 1.2 O ingresso da criança de 06 anos na escola 13 1.3 A construção do ensino aprendizagem 16 1.4 A história da alfabetização 22 1.5 Conceito de alfabetização e Letramento 23 1.6 O letramento na escola 26 CAPITULO II 2. O Projeto Politico Pedagógico 29 CAPÍTULO III 3. Analise de dados 31 3.1. Análise dos Questionários 31 Conclusão 39 Referências Bibliográficas 40 Anexos 43 INTRODUÇÃO Para o bom desenvolvimento desse trabalho utilizou-se a pesquisa qualitativa, na busca de mostrar como os educadores compreendem o processo de alfabetização e letramento, para as crianças que cursão o 2º ano da Escola Fábio Ribeiro da Cruz. Para melhor compreensão esse trabalho de conclusão de curso foi dividido em capítulos, visando contextualizar os assuntos nele tratados e assim levar uma melhor compreensão para os leitores, fazemos uma explanação sobre a justificativa da pesquisa e os objetivos a serem alcançados, assim com a metodologia adequada para o bom desenvolvimento da referida pesquisa. No primeiro capitulo fazemos a contextualização da Fundamentação Teórica, onde se recebeu a contribuição de vários autores como: PINTO, FREIRE, ARIES, OLIVEIRA, VYGOTSKY dentre outros, os quais são citados no referido capítulo. No ensejo discutiu-se sobre o que é a educação, como ocorrer o ingresso da criança de 06 anos na escola, na busca de entender como ocorre a construção da aprendizagem, e a importância de se compreender o histórico da alfabetização, distinguindo a alfabetização e o letramento e analisando nesse prisma o letramento na escola. No segundo capitulo faz-se uma abordagem sobre o Projeto Politico Pedagógico e a sua importância para o desenvolvimento do aprendizado da criança. No capitulo seguinte trazemos as discussões da análise dos dados coletados através das entrevistas feitas aos educadores da escola pesquisada, com o intuito de entender a concepção dos mesmos sobre como se constrói o processo de alfabetização, assim como as Leis que regem a educação brasileira. Para o bom desenvolvimento desse trabalho utilizou-se a pesquisa qualitativa, na busca de mostrar como os educadores compreendem o processo de alfabetização e letramento, para as crianças que cursam o 2º ano da Escola Fábio Ribeiro da Cruz. 09 Para melhor compreensão esse trabalho de conclusão de curso foi dividido em capítulos, visando contextualizar os assuntos nele tratados e assim levar uma melhor compreensão para os leitores. No primeiro capitulo fazemos uma explanação sobre a justificativa da pesquisa e os objetivos a serem alcançados, assim com a metodologia adequada para o bom desenvolvimento da referida pesquisa. Já no segundo capitulo fazemos a contextualização da Fundamentação Teórica, onde se recebeu a contribuição de vários autores como: Pinto, Freire, Aries, Oliveira, Vygotsky dentre outros, os quais são citados no referido capítulo. No ensejo discutiu-se sobre o que é a educação, como ocorrer o ingresso da criança de 06 anos na escola, na busca de entender como ocorre a construção da aprendizagem, e a importância de se compreender o histórico da alfabetização, distinguindo a alfabetização e o letramento e analisando nesse prisma o letramento na escola. No terceiro capitulo faz-se uma abordagem sobre o Projeto Politico Pedagógico e a sua importância para o desenvolvimento do aprendizado da criança. No capitulo seguinte trazemos as discussões da analise dos dados coletados através das entrevistas feitas aos educadores da escola pesquisada, com o intuito de entender a concepção dos mesmos sobre como se constrói o processo de alfabetização, assim com as Leis que regem a educação brasileira. E finalmente fazemos a conclusão do trabalho, onde após muitas leituras, podem-se discutir todos os aspectos voltados para a construção metodológica do processo de alfabetização. JUSTIFICATIVA Diante das dificuldades encontradas no processo ensino aprendizagem da área de Alfabetização e Letramento, uma das discussões mais presentes tem sido a questão da leitura e a escrita e tornou uma forma de comunicação usada para as pessoas se entenderem e se interagir socialmente mesmo de longe. Assim a interação pode acontecer de forma verbal e não verbal. Para isso faz-se necessário o estudo sobre esta problemática com a finalidade de ajudar a compreender fatores importantes que envolvem a 10 alfabetização. Em busca de maiores conhecimentos que possam orientar os profissionais em sua pratica docente. Diante dessa questão e buscando compreender as concepções a cerca da educação e visando entender os fenômenos educacionais, para a consolidação de novas concepções que possam auxiliar no desenvolvimento da unidade escolar. OBJETIVOS OBJETIVO GERAL Conhecer como, ocorre o processo de Alfabetização e Letramento para as crianças do 2º ano da Escola Fabio Ribeiro da Cruz. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Entender o conceito de alfabetização. • Analisar o processo da construção do conhecimento • Verificar como acorre a alfabetização. • Compreender as leis que regem a educação dos 9 anos. • Discutir o processo do letramento. • Analisar como ocorre a alfabetização e o letramento. • Verificar se o PPP da unidade escolar visa o desenvolvimento da alfabetização e letramento. PROBLEMATIZAÇAO Qual o processo utilizado para o desenvolvimento da alfabetização e letramento das crianças do 2º ano da Escola Fabio Ribeiro da Cruz. METODOLOGIA A metodologia da pesquisa é um conjunto de métodos que serão desenvolvidos para a concretização da pesquisa, buscando através das leituras ampliarem a capacidade de desenvolvimento e atitudes. É através da metodologia que o pesquisador poderá desenvolver seu trabalho de maneira confiável e com êxito. 11 Sendo assim para uma melhor interpretação dos dados serão feitas pesquisas bibliográficas que poderão auxiliar na construção de opiniões e posteriormente dar respaldo para as mudanças de conceitos e ações necessárias em nossa escola. O CENÁRIO DA PESQUISA A pesquisa será realizada na escola Fabio Fábio Ribeiro da Cruz, está localizada na Avenida: Vereador Jose Luís da Silva esquina com a Travessa dos Bandeirantes, SN, Setor Leste no Centro de Colíder. Atualmente a escola atende em media 950 alunos, sendo ensino infantil e fundamental. A escola possui um quadro de 54 funcionários sendo 41 são professores. CAPÍTULO I FUNDAMENTAÇÃO TEORICA 1.1 O QUE É A EDUCAÇÃO A educação como define PINTO (1996, p. 79) "é necessariamente um ato social e político, portanto se faz para alguém, com um propósito definido, em uma sociedade determinada, com interesses determinados." Educar implica considerar que educamos para uma determinada sociedade, e nesses tempos de incertezas, fazer educação é assumir que a fazemos em uma sociedade em permanente mudança, em uma sociedade desesperançada, muitas vezes, que exige transformações e redefinições. Principalmente, compreendemos que se faz necessário realizar um projeto educativo que almeje alternativas para a situação dos sujeitos. Isso implica em uma educação par o ser mais, não para a acomodação. Consideramos que pode haver uma mudança considerável no contexto educacional ao inverter a concepção norteadora da bancária, que predomina hoje majoritariamente, para a progressista que entende o ato de educar como o constante processo de libertação da humanidade. Esta educação não aceita nem o homem isolado do mundo, nem o mundo isolado do homem, mas a relação dialética do homem com o mundo. As relações homem-mundo, como FREIRE (1994, p. 64) propõe, deve “constituir o ponto de partida para as nossas reflexões sobre o quefazer educativo.” Esta educação vai em direção a humanização do homem, que é a sua ontológica vocação (FREIRE, 1998, p. 65). Infunde-se na profunda crença nos homens, em suas possibilidades. Entendida assim constitui-se em um ato de comunicação e comunhão, em que educadores e educandos convivem, e sentem-se atuantes no processo. É um ato cognoscente firmado no diálogo em que “o pensar do educador somente ganha autenticidade na autenticidade do pensar dos educandos, midiatizados ambos pela realidade, portanto na intercomunicação.” (FREIRE, 1998, p. 64). A educação e o conhecimento são processos de busca, em que acriatividade, a transformação e o saber, em que se inventa e reinventa estão 13 presentes. Essa educação é um ato de problematização dos homens sobre o mundo, “é práxis que implica a ação e a reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo.” (FREIRE, 1998, p.67). Dessa forma, os envolvidos comprometem-se com a mudança. Nessa concepção a escola é um local de apreensão crítica do conhecimento significativo através do dialogo. Nesse sentido, FREIRE (2000, p.83) afirma que: É a escola que estimula o aluno a perguntar, a criticar, a criar, onde se propõe a construção do conhecimento coletivo, articulando o saber popular e o saber crítico, científico, mediados pelas experiências no mundo. Pode-se assim a escola tornar-se espaço de realização de uma proposta assumida e construída por todos os envolvidos, com uma intencionalidade firmada coletivamente. 1.2 O INGRESSO DA CRIANÇA DE 06 ANOS NA ESCOLA Compreende-se que ao Governo reafirmar a urgência da construção de uma escola inclusiva, cidadã e solidaria e de qualidade social para todas as crianças, busca assumir cada vez mais o compromisso com a implantação de políticas educacionais que buscam as transformações significativas na estrutura da escola, assim também como a reorganização do tempo e do espaço escolar, observa-se que com essas mudanças não se deve perder de vista o respeito, a singularidade de cada criança e o seu desenvolvimento humano. Porem isso só pode acontecer com a aprovação da Lei nº 11.274 de 06 de fevereiro de 2006, que assegura o direito das crianças de 06 anos á uma educação formal, obrigando a família a matriculá-las e ao estado e município fazer o atendimento. Sendo assim a mesma possibilita a maior inclusão de crianças no sistema educacional brasileiro, especificamente aquelas crianças que encontram-se aos setores populares, uma vez que o governo acredita que as crianças de classe média ou alta já se encontram incorporadas ao sistema de ensino na pré- escola ou na primeira série do ensino fundamental. Como podemos perceber o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) demonstra que historicamente que as crianças que tiveram experiências pré-escolares obtiveram melhores médias de proficiência na leitura. 14 Porém o ingresso das crianças de 06 anos no ensino fundamental não pode ser meramente uma medida administrativa, é preciso que seja dada atenção ao desenvolvimento e aprendizagem dessa criança o que implica a escola valorizar as faixas etárias das crianças, o meio social na qual as mesmas estão inseridas, seus aspectos psicológicos e cognitivos. Sendo assim, o que devemos perceber é que as escolas devem romper paradigmas para que as políticas do ensino fundamental de nove anos ocorram de uma forma expressiva, já que possibilita a criança ficar na escola durante um tempo maior de convívio escolar, ou seja, disponibilizando a ela uma oportunidade maior de aprendizagem. Ao mesmo tempo em que a ampliação dos anos de escolaridade das crianças foi e é reconhecida como uma ação política importante para a democratização do acesso a educação no país, ela levanta discussões sobre os seus impactos na organização do trabalho das escolas e dos professores, principalmente no que se refere ao processo de alfabetização das crianças, como nos informa ARIES (1978, p.07): [...] a aprendizagem não depende apenas do aumento do tempo de permanência na escola, mas também do emprego mais eficaz desse tempo: a associação de ambos pode contribuir significativamente para que os estudantes aprendam mais e de maneira mais prazerosa. Desta forma é importante ressaltar que o aprendizado não depende somente do aumento do tempo da criança na escola, e sim da efetivação e aproveitamento desse tempo. Sendo assim uma das questões apontadas sobre os impactos da ampliação do Ensino Fundamental é o fato de que as escolas passaram a receber crianças com idades a partir dos seis anos no ensino fundamental. Sabemos que: com a entrada de crianças nessa faixa etária, é preciso estar atento para as especificidades de aprendizagem dessa idade, principalmente porque esse é um momento da aquisição inicial da escrita e da leitura. Nesse sentido, o ingresso na escola, aos seis anos, precisa ser interpretado pelas políticas educacionais dos sistemas de ensino como uma oportunidade para dar mais tempo e chance aos alunos para vencerem as etapas necessárias para aprenderem a ler e escrever. 15 Se isso não acontecer, a ampliação do tempo de escolaridade pode se tornar uma ação política ineficiente para a redução das nossas tristes taxas de fracasso escolar. Outra questão importante sobre os impactos da ampliação do Ensino Fundamental na organização do trabalho nas escolas diz respeito ao fato de que, uma vez implementada essa política, é necessário considerar não oito, mas nove anos na elaboração da proposta de ensino e aprendizagem com as crianças. Isso significa, objetivamente, repensar o projeto pedagógico das escolas, a estrutura do currículo, a organização dos tempos e espaços de aprendizagens. Ou seja, a mudança exige a redefinição dos conhecimentos e capacidades a serem ensinados em cada etapa da escolaridade e, ainda, uma nova perspectiva de ensino voltada para a progressão da aprendizagem dos alunos. No que se refere, particularmente, a organização do tempo de aprendizagem dos alunos, ARIES (1978, p. 65) informa que devemos considerar que o sistema de seriação precisa ser repensado, pois historicamente se revelou uma forma de organização fragmentada e hierarquizada das etapas da escolarização que se impõem sobre os alunos e sobre os profissionais da educação. Por isso, em caso de sua permanência, as series deverão ser mais bem articuladas e será preciso introduzir estratégias que garantam a continuidade e não a repetição dos conteúdos para dar sequências às aprendizagens dos alunos. ARIES ainda reforça que: Caso os sistemas de ensino decidam substituir o sistema de seriação por uma organização das escolas através de ciclos, a discussão devera girar em torno de uma nova forma de organização da proposta pedagógica, na qual o tempo escolar precisara ser organizado em fluxos mais longos e mais atentos ao avanço das aprendizagens dos alunos. (1978, p. 65). Logo, será necessário redefinir o que se deseja ensinar em cada ciclo, tendo em vista quais serão os conhecimentos, as capacidades e as habilidades referentes à alfabetização e ao letramento de cada etapa. A questão que precisa ser considerada é a de que a organização dos tempos de aprendizagens da escola, no sistema de seriação ou ciclos, devera ter como objetivo evitar a ruptura do processo de aprendizagem da leitura e da escrita e possibilitar as crianças um tempo mais amplas e flexíveis, para o desenvolvimento das capacidades que elas precisarão adquirir. 16 Portanto, a inclusão, na escola, das crianças de seis anos significa a ampliação do direito dessa criança a uma escolarização mais extensa e a uma alfabetização significativa. 1.3 A CONSTRUÇÃO DO ENSINO APRENDIZAGEM A palavra aprendizagem apresenta vários significados e conceitos. Se buscarmos sua definição no dicionário Aurélio (FERREIRA, 2001), podemos compreender que a aprendizagem é puramente uma aquisição de conhecimentos ou períodos em que se adquirem conhecimentos. Podendo ser também vista como os seres adquirem e desenvolvem novas competências, porem é um processo complexo que dificilmente pode ser explicado em separadamente. O processo ensino aprendizagem pode acontecer por meio de técnicas de ensino ou pela simples vontade de aprender em uma pessoa. Segundo GÓMEZ (2009), o processo de aprendizagem não é mais considerado passivo de recepção, acontece de modo interativo na dimensão do saber, acontece sempre uma reconstrução interna e subjetiva, acionada e estabelecida interativamente, o aprendizado engloba os fatores cerebral, psíquico, o cognitivo e o social. O mesmo enfatiza que: Os seres humanos precisam de contínua aprendizagem que começam a ocorrer a partir da gestação. O aprendizado é o caminho para atingir o crescimento, a maturidade e o desenvolvimento como pessoas num mundo organizado as interações com o meio nos permitem a organização do conhecimento. (p.31, 32). BOCK (2008, p. 137), observa que a relação entre a aprendizagem e a motivação, atribui à motivação tanto a facilidade quanto a dificuldade de aprendizagem. Atribui às condições que motivam o sucesso ou fracasso dos educadores ao tentar ensinar os alunos. Na motivação inclui o ambiente no qual o aluno está inserido, estimulando o objeto de satisfação. Desta forma SOARES (2004), contribui quando nos leva a perceber que aprendemos melhor por métodos diferentes com estímulos diferentes e em ritmos diferentes. 17 Somente as situações que problematizam o conhecimento que levam á aprendizagem, portanto não é qualquer proposta ou qualquer interação que promovem a aprendizagem. Toda atividade que se dê á criança na sala de aula precisa ter uma interação clara isto é o objetivo precisa estar explicitado para o professor e para o aluno. Compreende-se que o processo de ensino aprendizado depende da construção de pontos em comum, ou seja, a relação do conhecimento do professor nesse enfoque cabe ao professor incentivar o uso de conhecimentos prévios fazendo a mediação do conhecimento aprendido no cotidiano. Entende-se a aprendizagem como um processo múltiplo isto é, a criança utiliza estratégias diversas para aprender, com variações de acordo com o período de desenvolvimento, desta forma todas as estratégias são importantes para se chegar a um aprendizado. Segundo VYGOTSKY (1987, p. 24), o processo de internalização ocorre ao longo de uma série de transformações em que a pessoa em qualquer momento da vida opera sobre o conhecimento apresentado podendo assim reconstruí-lo internamente através de vários momentos que ocorrem no desenvolvimento. Desta forma o processo ensino aprendizagem ocorre através da mediação e nas interações. Observamos que para VYGOTSKY o professor deve posicionar como mediador, ou seja, aquele que planeja tendo em vista o conhecimento já adquirido pelos seus alunos. Na visão de VYGOTSKY, apud BOCK (2008, p. 141), o desenvolvimento não acontece pronto e acabado vai se modificando com o passar dos tempos, não é pensado como algo natural nem como produto somente da maturidade, mas como um processo no qual está presente a maturação do organismo, o contato com o meio cultural e relações sociais, permitindo a aprendizagem Para VYGOTSKY, apud KRAMER (2010, p.120, 121), a linguagem e o pensamento caminham juntos: na interação do mundo exterior, o papel do outro, seja adulto ou criança, tornando fundamental para a constituição da consciência. 18 Outro aspecto importante é o educador perceber que as crianças de 06 anos estão construindo a linguagem e por isso muitas vezes falam alto sozinhas, muitas vezes paralelamente a professora, essa ação pode proporcionar a sensação de que é tudo uma bagunça. Pois o fato da criança manter uma fala paralela não deve ser vista como sentido de desordem ou falta de atividade, pois essa fala é chamada de fala egocêntrica, esse momento deve ser compreendido como a forma da criança aproximar-se do lúdico para aprender. “A fala egocêntrica, mesmo direcionada à regulação da atividade que está sendo desenvolvida ou a auto-regelação, tem um caráter interativo.” (BARBATO, apud VYGOTSKY, 2001, p. 24). Percebe-se então que a função da fala egocêntrica no processo de desenvolvimento da criança é auxiliar a mesma no seu fazer e pensar, passando a ser internalizada pela criança assim como internalizam todas as outras funções. Segundo BARBATO (1963, p. 25), com a experiência a criança aprende a planejar e vai internalizando a fala egocêntrica, as funções de planejamento e monitoramento das atividades passam a ser desempenhadas pela fala interna, o que provoca uma mudança na fala social que passa ser comunicativa. É necessário compreendermos que a fala egocêntrica faz parte da ludicidade e visa o desenvolvimento do letramento possibilitando o desenvolvimento da imaginação e a sua importância para a aprendizagem das crianças aos 06 anos, como reforça BARBATO (1963, p. 25): A imaginação possibilita a flexibilização dos processos de constituição de significados. Com o seu surgimento o pensar e o fazer da criança, que eram regidos pelos significantes, pelas formas e aparências externas dos objetos de conhecimento, passam a ser regidos, sobretudo pelos significados, pelo conteúdo. Sendo assim é importante a compreensão desse sistema de pensamento teórico, pois são eles que acompanharam a criança durante toda sua vida adulta. Segundo muitos pensadores as crianças desde pequenas constroem o conhecimento em sala sobre os objetos que a cercam, sobre as sequências de ações mediando essa construção com conhecimentos prévios e a partir do suporte oferecido a elas pelos educadores. 19 Quando as crianças encontram-se na fase dos 06 anos constroem seus conhecimentos utilizando através da ludicidade, porém é necessário compreendermos que o lúdico não é encontrado somente através de brincadeiras planejadas com fins didáticos esse lúdico é usado como suporte para criança através da imaginação. Muitos pensadores retratam que o desenvolvimento humano esta relacionado à forma dialética com o aprendizado observando que esse desenvolvimento é um processo de mudança, como nos informa BARBATO (1963, p.22): O desenvolvimento ocorre ao longo da vida, nas relações de troca com o ambiente na construção de contextos, ou seja, nas interações que derivam das condições de sociabilização. Desse modo todos agimos sobre o ambiente. O que é importante no processo de ensino-aprendizagem é verificar como cada um e o coletivo agem em relação ás atividades que se desenvolvem em sala. Sendo assim, podemos perceber que o ensino aprendizagem depende da história de cada ser humano e a sua relação com o meio social e as condições de seu desenvolvimento. Desta forma cabe a nós professores planejar um ensino significativo para as nossas crianças ensino esse que proporcione a eles, um novo conhecimento. Nesse paradigma cabe a escola ter como objetivos disponibilizar a criança uma aprendizagem sistematizada e diferente daquilo que a criança aprende na sociedade. Mas segundo BARBATO (1963, p23), os modos de conhecer da comunidade e da escola se relacionam, pois a criança quando esta aprendendo, generaliza o conhecimento, ou seja, faz a ligação do conhecimento cientifico com o empírico. Observa-se que na faixa etária dos 06 anos as crianças estão em fase de transição, ou seja, tendem a passar de um desenvolvimento orientado para o pensamento pratico e para eu isso aconteça é necessário que seja proporcionado a elas a possibilidade de ver, trocar, experimentar, pois seus pensamentos se desenvolvem através dos símbolos, como nos relata PIAGET (1978. p. 49). [...] para um desenvolvimento baseado em pensamento simbólico, mediado pelo processo de significação, pelas aparências. Elas começam assim a penetrar no cerne do conhecimento. Mas nessa passagem podemos observar ainda a organização do conhecimento baseado em processos intuitivo que direcionam aprender das crianças sobre tudo para compreensão dos fenômenos em sua externalidade. 20 Aprender é um processo complexo e uma tarefa árdua, na qual se convive o tempo inteiro com o que ainda não é conhecido. Para o sucesso da empreitada, é fundamental que exista uma relação de confiança e respeito mútuo entre professor (a) e aluno. O trabalho educacional inclui intervenções para que os alunos aprendam a respeitar diferenças, a estabelecer vínculos de confiança e uma prática cooperativa e solidária. (PCNS, BRASIL,1997, p. 99/101) A aprendizagem nem sempre é cercada somente por sucessos e aprovações, muitas vezes, no decorrer do ensino, nos deparamos com problemas que deixam os alunos paralisados diante do processo, assim são rotulados de incapazes de aprender pela própria família, professores e colegas. É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas ou se persistem há algum tempo. As dificuldades podem advir de fatores orgânicos ou mesmo emocionais e é importante que sejam descobertas a fim de auxiliar o desenvolvimento do processo educativo, percebendo se estão associadas à preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, dentre outros, considerados fatores que também desmotivam o aprendizado. Segundo GOMES (2009), é difícil encontrar uma definição de aprendizagem, ela integra o cerebral, o psíquico, cognitivo e o social. Ele destaca que no processo de desenvolvimento existem fatores que podem interferir gradativamente no processo de aprendizagem, que são orgânicos, específicos, emocionais e ambientais. Para ele, cada criança é única e as formas como os problemas se manifestam está relacionada com a sua individualidade. Por isso é importante conhecer a criança na sua totalidade. A aprendizagem depende de uma motivação intrínseca, isto é, o aluno precisa tomar para si a necessidade e a vontade de aprender. Aquele que estuda apenas para passar de ano, ou para tirar uma nota, não terá motivos suficientes para empenhar-se em profundidade na aprendizagem. A disposição para a 21 aprendizagem não depende exclusivamente do aluno, demanda que a prática didática garanta condições para que essa atitude favorável se manifeste e prevaleça. Rubem Alves, citado por PAREDES (2004), complementa dizendo que: Para aprender, temos que desejar fazê-lo, em outras palavras, nosso desejo tem que ser “fisgado”por alguma “isca”. Assim, o bom professor é um “bom pescador”, aquele que, de alguma maneira, desperta e alimenta a curiosidade da criança, conseguindo desperta-lhe o desejo de aprender de outro. A educação fascina pelo conhecimento do mundo, esqueceu-se de que sua vocação é despertar o potencial único que jaz adormecido em cada instante... Só vai para a memória aquilo que é objeto do desejo. A tarefa primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e desejando, aprenda. (p.65). De acordo com o autor é nosso dever despertar nas crianças o desejo de aprender, através de metodologias diversificadas. Essa aprendizagem exige uma maior ousadia para se propor problemas, buscarem soluções e experimentar novos caminhos, de maneira totalmente diferente da aprendizagem mecânica, na qual o aluno limita seu esforço apenas em memorizar ou estabelecer relações diretas e superficiais. O trabalho com o desenvolvimento do aluno não diz respeito apenas ao seu crescimento, mas as mudanças, segundo PIAGET, citado por BOCK (2008), elas acontecem de acordo com a idade, o meio ambiente e o social. Sendo assim, o homem aprende o mundo de formas variadas a cada período do seu desenvolvimento. Neste sentido, PAREDES (2004, p. 47), afirma que as várias formas de interação social pode promover maios facilidade de no que ao desenvolvimento e que os variados níveis de habilidades serão estimulados, levando a criança a posicionar-se, seja como aluno ou professor. Devemos propor a organização da aprendizagem através de objetivos claros e específicos para os educandos. Todo o esforço do professor deve ser voltado para o desenvolvimento dos alunos como indivíduos únicos, fazendo com que participem de um processo onde se levam em consideração as relações afetivas, sociais, políticas e econômicas. A aprendizagem é um patrimônio que se conquista através do tempo mediante troca de experiências que unem os seres humanos. 22 1.4 A HISTÓRIA DA ALFABETIZAÇÃO A história da humanidade, OLIVEIRA (2007), comenta que a escrita surgiu do sistema de contagem que ocorria nos primórdios da civilização. Esse sistema era usado na contagem de criação assim como para a socialização entre os indivíduos. CAGLIARI (1999, p. 12), aborda que a alfabetização é, pois tão antiga quanto os sistemas de escrita de certo modo é a atividade escolar mais antiga da humanidade. O autor também relata que naquele período da escrita primitiva, ser alfabetizado significava saber ler o que os símbolos significavam e ser capaz de escrevê-los repetindo um modelo mais ou menos padronizado. Porém com o decorrer do tempo e a aquisição da fala e da escrita a sociedade foi deixando de utilizar os símbolos para a comunicação. O surgimento da escrita para CAGLIARI (1999, p. 48) iniciou de forma autônoma e independente, na Suméria em 3.300 a.C. Já na Antiguidade a maioria das crianças era alfabetizada em casa, ou seja, a transmissão do conhecimento era feito através da conversação. A aprendizagem da escrita acontecia de forma natural sem a obrigatoriedade da escrita. As crianças que podiam ir para a escola aprendiam a ler partindo de algo já escrito com palavras soltas e depois passava a escrever seus próprios textos. Com o decorrer do tempo a sociedade passou a utilizar cada vez mais o uso da escrita e a mesma foi se desenvolvendo como apoio de diversas culturas como os Gregos, Romanos, Semitas até que surgiu a alfabetização. Na idade Media quem sabia ler ensinava a quem não sabia, ou seja, mostrava o valor fonético das letras. Durante todo esse período ensinar as crianças aprenderem a ler não era uma atividade escolar, as mesmas eram atendidas em casa por uma preceptora ou pela própria família esse aspecto se estendeu até o final do século XVI. Nesse período houve um aumento muito grande de obras importantes, da época que era usado para o aprendizado da alfabetização, assim como a 23 preocupação com o aprendizado da alfabetização das crianças foi quando se observou a necessidade de produção de cartilhas. Porém CAGLIARI (1999, p.33), aborda “as cartilhas com o decorrer dos tempos passaram por mudanças, pois antes as mesmas tinham o ensino voltado para o lado religioso e o trabalho na sociedade.” O autor reflete que as cartilhas passaram a ser dividida em lições, cada uma abordando um foto, foi nesse período que se iniciou o ensino silábico muito presente ainda hoje. 1.5 CONCEITO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO Historicamente, conforme OLIVEIRA (2007.p 10), o conceito de alfabetização se identificou ao ensino aprendizagem da tecnologia da escrita, ou seja, ao sistema alfabético de escrita que na realidade significa a capacidade de decodificar os sinais gráficos e os transformando em sons e através da escrita codificar os sons da fala transformando esses sons em sinais gráficos. Foi somente a partir dos estudos da psicogênese da aquisição da língua escrita com os trabalhos de Emília Ferreiro e Ana Teberosky se observou que o aprendizado do sistema da escrita não se reduzia apenas ao domínio de grafemas e fonemas (a decodificação e codificação), mas deve ser vista como um processo pelos quais as crianças passam desde seu primeiro contato com a escrita. Mas, segundo PIAGET, citado por KRAMER (2010, p. 120), desde cedo a criança é alfabetizada, esse processo inicia-se antes da entrada da criança na escola a partir do momento que ela se interage com o meio que está carregando de significados, de ideologias, de história, e cultura. Esse processo vai se consolidando com o tempo até à escola.. Segundo OLIVEIRA (2007), que o conceito de letramento vai além do que codificar e decodificar, nesse conceito está a ideia de que o domínio e o uso da língua escrita trazem consequências sociais, culturais, politicas, econômicas, cognitivas e linguística. Letramento é:, “o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever, bem como o resultado da ação de usar essas habilidades em práticas sociais”. (p. 11) 24 Porém como nos informa SILVA (2004, p.50), as discussões no Brasil giraram em funções dos métodos de alfabetização sendo eles sintéticos e analíticos, o autor também relata que posteriormente ocorreu a junção desses dois métodos ficando conhecido como analítico- sintético. SOARES (2004, p.27), aborda que “até os anos 80 o objetivo maior era a alfabetização (...) isto é enfatizar fundamentalmente a aprendizagem do sistema convencional da escrita.” Pois as atividades de alfabetização são aquelas de descoberta de automação do sistema alfabético da escrita, buscam a aquisição da base alfabética. Se refletirmos sobre o processo de alfabetização, veremos, segundo SILVA (2007), que ele continua sendo entendido como conceito de ler e escrever, codificar e decodificar palavras. Mas a conquista de ser alfabetizado é bem mais do que isso, interessa ao sistema os conhecimentos e as práticas das pessoas e dos grupos em que se inserem, imaginando uma escala de alfabetismo ( ou de letramento), em função do que sabem fazer com a leitura e a escrita. (p. 26) Porém Magna Soares (1985), contribui com a discussão quando nos relata um outro conceito sobre o processo de alfabetização pois, compreende que o mesmo proporciona condições para que o individuo tem acesso ao mundo da escrita, tendo possibilidade de lutar e participar na transformação da realidade social. Para a autora, é fundamental que o individuo tenha acesso ao mundo da escrita, que seja capaz não só de ler e escrever, enquanto habilidade de decodificar o sistema da escrita, mas que entenda o significado do valor do aprendizado, que ao ser alfabetizado o individuo esteja ganhando instrumento de analise de luta pessoal e social da realidade e de compreensão do mundo, com o qual adquire um novo conceito de agir na sociedade. Magda Soares, apud MONTEIRO ( 2009, p. 39), afirma: A alfabetização – a aquisição da tecnologia da escrita – não precede nem é pré-requisito para o “letramento”, ou seja, para a participação nas praticas sociais de escrita, tanto é assim que os analfabetos podem ter um certo nível de “letramento”: sem que hajam adquirido a tecnologia da escrita, utilizam a quem a tem para faz: sem que hajam adquirido a tecnologia da escrita, utilizam a quem a tem para faz uso da leitura e da escrita, além disso, na concepção psicogenética de alfabetização atualmente em vigor, a tecnologia da escrita é aprendida não como em concepções anteriores com textos construídos artificialmente para 25 a aquisição das “técnicas” de leitura e escrita , e sim por meio de atividades de “letramento”, ou seja, de leitura e produção de texto reais, de praticas sociais de leitura e de escrita. (SOARES, 1998 p. 92). Segundo OLIVEIRA ( 2007), o letramento surgiu em meados de 1980, pois percebeu que nos países de Primeiro Mundo as pessoas apesar de serem alfabetizadas não dominavam as habilidades de leitura e escrita para uma participação ativa em sociedade. De acordo com a autora (2003, p.38) “o letramento vai além do domínio do código, constituindo-se enquanto pratica social, de uso do código escrito em várias situações da vida do individuo.” Podemos perceber que o letramento começa com a alfabetização, mas continua durante toda a vida da criança, sendo assim é necessário compreender que “a alfabetização e o letramento apresentam conceitos diferentes, mas deve caber a escola buscar caminhar com os dois juntos.” Como nos explica SOARES (2003, p. 36). Destaca a diferença fundamental que está no grau de ênfase posta nas relações entre as práticas sociais de leituras e da escrita e a aprendizagem do sistema de escrita seja entre conceitos de letramento e o conceito de alfabetização. Compreende-se que a função da escola é ir além da alfabetização, pôr isso não ocorre de forma simples ou imediata. SOARES (2003, p.36), compreende que só a alfabetização não possibilita a ascensão social e cultural, por isso mostra que deve acontecer o processo de alfabetização/letramento. A pessoa letrada já não é a mesma que era quando analfabeta ou iletrada, ela passa ater outra condição social e cultural não se trata propriamente de mudar de nível ou de classe social, cultural, mas de mudar seu lugar social, ou modo de viver na sociedade, sua inserção na cultura, sua relação com os outros, com o contexto e com os bens culturais torna-se diferentes. (SOARES, 2003, p.37). Desta forma, a escola e os educadores devem entender a alfabetização e o letramento como praticas indissociáveis, que são resultados indissociáveis, que são resultantes das relações humanas e essas duas praticas são fundamentais durante o tempo que a criança se encontra no ambiente escolar, pois estará presente em toda a sua vida. Observa-se então que cabe a escola buscar repensar e praticar a aquisição da língua escrita baseada no alfabetizar letrando. 26 SOARES (2002, p.89), explica que o letramento é o estado em que vive o individuo que não só sabe ler e escrever, mas exerce as praticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive. Nesse sentido, as práticas em sala de aula devem estar orientadas de modo que se promova alfabetização na perspectiva do letramento SOARES (2003, p.92) proporcionando a construção de habilidades para o exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita de acordo com SOARES este exercício implica em: [..;] habilidades varias, tais como: capacidades de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos para informar ou formar-se, para interagir no imaginário no estético, para ampliar conhecimentos ,escrevendo ou lendo de forma diferenciada, segundo as circunstancia, os objetivos, o interlocutor .[...]. (SOARES, 2003, p, 92). É necessário então buscar compreender que para conseguir viver em sociedade não basta simplesmente o individuo ser alfabetizado, ou seja, aprender meramente a decodificar. Faz-se necessário que o mesmo seja também letrado para que possa exercer as praticas sociais de leituras e escrita nesta sociedade de acordo com a visão de MELO (2004, p. 26). Letrado poderia ser então o sujeito criança ou adulto que independentemente de ter ido a escola e de ter aprendido a ler e escrever (ter sido alfabetizado) usasse ou compreende-se certas estratégias próprias de cultura letrada. (KLEINAM, 1995, p.49 apud MELLO; RIBEIRO, 2004, p.26). Desta forma para um ser humano ser considerado letrado não é preciso que frequente a escola, ou seja, que saiba ler e escrever, basta que consiga e exercite a leitura do mundo no qual esta inserido sendo um cidadão participativo. Sendo assim, cabe a escola compreender que esse letramento não ocorre em apenas um ano da vida da criança ou a chamada classe de alfabetização, mas durante toda uma vida. Todas essas mudanças aqui comentadas só puderam e podem acontecer porque grandes avanços ocorreram na sociedade que passaram a exigir as crianças alfabetizadas e letradas. (SOARES, 2003, p.37) 1.6 O LETRAMENTO NA ESCOLA Quando a criança entra na instituição educativa, segundo MONTEIRO (2009, p. 30 e 31), as crianças e adultos participam de situações de letramento 27 diferente um dos outros, a experiência que é ensinada torna-se constitutivo de sua pessoa, modificando a continuamente. No entanto, a instituição de ensino desempenha um papel fundamental na entrada da criança no mundo do letramento, e na sua formação enquanto usuário do sistema dos símbolos. Geralmente é no interior da escola que o aluno se desenvolve na capacidade de ler e escrever se alfabetiza e usufruir da cultura do letramento. Vale ressalta ainda que segundo BOCK (2008, p. 142), a aprendizagem da escola não se efetua como um processo paralelo e dissociado de outros meios de apreensão e compreensão da realidade. A aprendizagem da criança inicia-se muito antes de sua entrada na escola, isso porque desde o primeiro dia de vida ela já está exposta aos elementos da cultura e à presença do outro que se torna o mediador entre ela e a cultura...A escola surgirá, então como o lugar privilegiado para o desenvolvimento, pois é o espaço onde com a cultura é feito de forma sistemática, intencional e planejada. (p.142) SOARES (2003, p.180), relata que a função da escola nesse contexto é permitir que o aluno formalizasse a leitura e a escrita, mas não de forma imediata, pois esse processo pode e deve ocorrer durante toda a vida da criança. FREIRE (1990, p. 48), relata que não basta simplesmente dominar a escrita como um instrumento tecnológico. Para o autor é preciso ser considerada a inserção da criança no mundo da escrita. SOARES (2003, p.14), afirma que para que esse processo aconteça é necessário ocorrer: O sistema alfabético e ortográfico que se obtêm por meio do processo de alfabetização e do domínio de competências de uso dessas tecnologias saber ler e escrever em diferentes situações e contextos que se obtêm por meio do processo de letramento. Desta forma é necessário que a escola consiga abordas e praticar esses dois conceitos, pois “a escola é sim um espaço privilegiado para a produção do conhecimento.” (SOARES 2003, p.18). Para Soares os professores precisam compreender que “Letrar é mais que Alfabetizar, é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a leitura e a escrita tenham sentido.” (SOARES, 2003, p. 190). A autora também aborda que o letramento é a entrada da pessoa no mundo da escrita, mas de uma forma total. 28 Percebe-se então que o letramento só pode acontecer quando o aluno faz parte do aprendizado envolvendo se nas atividades da leitura e escrita. Cabe ao professor proporcionar ao aluno diferentes estilos de textos para que ele se aproprie do sistema da escrita. Pois o letramento deve estar presente em todos os momentos e disciplinas. O letramento não é só de responsabilidade do professor de Língua Portuguesa ou dessa área, mas de todos os educadores que trabalham com leitura e escrita, mesmo os professores da disciplina de geografia, matemática e ciências alunos lêem e escrevem nos livros didáticos. Isso é um letramento especifico de cada área de conhecimento. (SOARES 2003, p. 191). A autora ainda completa que cada professor é responsável pelo letramento em sua sala. Cabe às escolas compreenderem e preocupar-se com o contexto social em que os alunos estão inseridos, pois é este contexto social que ira proporcionar ou não o letramento na vida da criança, e se esse contexto não proporcionar que o letramento aconteça a escola deve propor esse momento. Sendo assim para autora as escolas devem ter como pontos distintos a diferença entre alfabetização e letramento. Entre aprender o código e ter habilidades de usa-lo. Ao mesmo tempo que é fundamental entender que eles são indissociáveis e têm as suas especificidades, sem hierarquia ou cronologia pode se “letrar antes de alfabetizar. (SOARES 2004, p. 190). Desta forma muitas escolas tendem a fracassar porque não compreendem essa distinção, principalmente as escolas com progressão continuada. “As crianças chegam no segundo ciclo sem saber ler ou escrever.” (SOARES , 2001, p.190). Observa-se que se perdeu a oportunidade de desenvolver o processo para a aquisição da leitura e escrita. As escolas assim como as famílias precisam fornecer a criança materiais de qualidade. “Assim ela se alfabetiza sendo ao mesmo tempo letrada havendo uma aprendizagem sistemática sequencial de aprender.” (SOARES, 1999, p. 190) SOARES (1999, p 180), diz que para haver “a alfabetização e o letramento deve-se ter um método porque não é possível ensinar a ler escrever, ou qualquer coisa em educação, sem um método.” CAPÍTULO II PROJETO POLITICO PEDAGÓGICO O Projeto Politico Pedagógico de uma unidade escolar consiste em um grande esforço por parte de seus educadores em sistematizar os desafios que são colocados para a instituição haja visto que durante anos as instituições escolares viviam a mercê de um sistema sem uma identidade própria. (SILVA, 2010 . p.27). Antunes apud SILVA (2010, p.27) ressalta que: “o mesmo é entendido como uma sistematização nunca definida de um processo de Planejamento Participativo”, que deve ser aperfeiçoado e se concretizado de acordo com a caminhada, nele as unidades escolares podem definir cada ação que querem realizar. Desta forma hoje todas as escolas brasileiras passam por uma grande transformação que são as construções e reelaborações de seu PPP (Projeto Politico Pedagógico) anualmente nele as escolas buscam construir a sua identidade Essa possibilidade só pode ser possível através do amparo legal da Lei de Diretrizes de Bases da Educação (9394/96) em seu art. 12, onde estabelece uma orientação legal, de confiar à escola á responsabilidade de elaborar, executar e avaliar se projeto politico e pedagógico. É através do PPP que os professores da escola podem compreender todas as leis que regem as ações assim como o planejamento das ações pedagógicas da unidade escolar, deixando clara a metodologia adequada, o currículo que será desenvolvido e para que tipo de clientela. Segundo SILVA (2010, p. 27): A existência das leis assegura a democracia, pois a mesma é muito importante para a democratização, de uma sociedade, mas se faz necessário que a população faça parte desse processo. O mesmo deve acontecer nas escolas onde todos os educadores devem buscar conhecer seus direitos e de seus alunos para contribuir com as organizações necessárias para o desenvolvimento de um trabalho que venha realmente de encontro com as necessidades de seus alunos. 30 Observa-se que é o PPP que dá a possibilidade da escola fazer as mudanças necessárias para a construção de sua autonomia visando sempre o desenvolvimento pedagógico de cada criança. Sendo assim, SILVA (2010, p. 27), relata que o planejamento e a metodologia utilizada nas atividades escolares devem são de suma importância e precisam instigar a criança a aprender. ANTUNES, apud SILVA (2010, p. 28), retrata que o PPP dentre outras questões de suma importância na escola possibilita trabalhar um currículo que visa a realidade dos educandos valorizando o debate com as crianças e as famílias. Dando ênfase em traçar objetivos de acordo com a faixa etária de cada criança atendida na unidade escolar visando o desenvolvimento cognitivo, social, psicológico, atitudinal e comportamental entre outros. CAPÍTULO III ANÁLISE DE DADOS Para bom desenvolvimento desse trabalho foi necessário analisar e buscar informação frente aos educadores que atuam em salas de alfabetização na escola Municipal Fábio Ribeiro da Cruz alfabetizadores que serão apresentados com as letras do alfabeto A, B, C, D, visando amostragem dos questionários no intuito de mostrar aos leitores com grande e fundamental importância é a fase da alfabetização. 3.1. ANALISE DOS QUESTIONÁRIOS Ao se questionar qual a formação acadêmica das entrevistadas pude verificar que toda tem formação especificas em pedagogia para as séries iniciais, pode-se analisar também que as entrevistadas continuam buscando formação, pois a entrevistada B, C já são, especialistas, a entrevistada A e D estão cursando a especialização. Quando solicitado as entrevistas a quanto tempo atuam na educação observou-se o tempo varia entre 8 a 32 anos destinados ao magistério . Sendo assim questionou-se as entrevistadas sobre o significado da alfabetização para elas, onde se recebeu a seguinte resposta. Para a entrevistada A “a alfabetização é um processo na qual o individuo assimila as informações que lhe são passadas”. A mesma ainda analisa que: O individuo de posse dessas informações consegue avalia-las e utiliza-las de várias maneiras a alfabetização se refere ao desenvolvimentoda habilidade de ler e escrever. (Entrevistada A 2012). Porém a entrevistada B nos leva a refletir e compreender que: o processo de alfabetização é mais complexo “alfabetização é um processo na qual se aprende a ler o mundo compreendendo o seu contexto numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade” (Entrevistada B, 2012). ZOE (2009, p. 28) nos leva a refletir que: O conhecimento não e inato ou tampouco externo ao organismo, mas é fundamentalmente construindo na interação homem e objeto, ocorrendo nas relações interdependentes entre sujeito conhecedor e o objeto a se conhecer. 32 A autora nos leva a compreender que a criança não nasce com o conhecimento mas passa a incorpora-lo e desenvolve-lo na interação entre o homem e o objeto. A mesma analisa que. O conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado pelas estruturas internas do sujeito nem pelas características do objeto. Todo o conhecimento e uma interação entre. Ambos. (ZOE, 2009, p. 28). Desta forma alfabetizar é o desenvolvimento da consciência critica um instrumento primordial para emancipação do homem. Sendo assim um processo que se faz por meio da pratica social intencional e planejada. A entrevistada B ainda vem definindo que: a alfabetização é um processo interno que acontece de formas diferentes em cada individuo, dependendo da forma com que é estimulada por seu meio ambiente. (entrevistada B). A mesma declara que a construção da alfabetização “e caracterizada por grandes dificuldades e conflitos” (entrevistada B). Conflito esses que: estão no nível cognitivo levando a crianças a estar em constantecoordenação de informações e reconstrução de seu conhecimento adquirido, provocando assim mudanças internas e grandes avanços para se chegar ao pleno desenvolvimento da escrita e da leitura. Desta forma a entrevistada termina sua análise sobre esse aspecto quando relata: Alfabetização, não é só processo de ler e escrever, mas é saber interpretar o que se leu, é compreender as entrelinhas, é saber expor seus pensamentos.(Entrevistada B). Continuando nossa análise observa-se que para a entrevistada C a alfabetização é um processo dentro do letramento que é a ação de ensinar aprender a ler escrever na compreensão e expressão lógica verbal e não verbal. (Entrevistada C). Nesse prisma a entrevistada D observa que a alfabetização “deve caminhar com o letramento utilizando a realidade e conhecimento que cada grupo possui.” (Entrevistada D). Ao se questionar as entrevistadas qual a fase que a alfabetização deve acontecer, obteve-se as seguintes respostas, para a entrevistada A e B esse aspecto esta mais voltada para a forma como a criança é estimulada dentro do seu contexto sociocultural, dentro ambiente familiar (Entrevistada A e B). 33 Para a entrevistada C a alfabetização “deve acontecer desde o momento que a criança é inserida na escola”, ou seja, a partir dos 4 anos isso vai depender do ritmo e de estímulo que a criança recebe Já para a entrevistada D deve acontecer “em 3 (três) fases ou melhor nos três primeiros anos 1,2,3 anos.” Quando se questionando aos entrevistados quanto tempo leva para as crianças serem alfabetizadas. A entrevistada A respondeu que: Como cada indivíduo é único, esse tempo e variável, pois a criança constrói e reconstrói seu código linguístico; ela observa estabelece relação organiza,elabora conceito ate chegar aos códigos alfabéticos. (Entrevistada A). Já a entrevistada B, C e D compreende que a alfabetização não deve levar em conta o tempo de duração mas, sim a respeitar as fases de desenvolvimento cognitivo. A entrevistada C ainda declara que, “a criança deve ser estimulada, sem gerar interesse na sua aprendizagem”. Porem pode observar nas palavras de ZOÉ e LÍBANO (2009, p.29) que: Para desenvolver o conhecimento é preciso que o ambiente promova condições para transformações cognitivas se estabiliza um conflito cognitivo e, assim, ocorra um esforço do individuo para superá-lo a fim de que o equilíbrio do organismo seja estabelecida. Os autores ainda declaram que o processo de desenvolvimento cognitivo depende de como o individuo vai elaborar e assimilar as suas interações com o meio. Mas é de suma importância que os educadores percebam que o desenvolvimento do sujeito deve estar pautado nos níveis de desenvolvimento cognitivo. Cada fase vivenciada pela criança e caracterizada por formas diferentes de organização mental (PCNs, BRASIL, 1997, p.34) O que o aluno pode aprender em determinado momento da escolaridade depende das possibilidades delineadas pelas formas de pensamentos de que dispõe naquela fase de desenvolvimento, de conhecimento que já construiu anteriormente e do ensino que recebe. Isto é. [...]a intervenção pedagógica deve se ajustar ao que os alunos conseguem realizar em cada momento de sua aprendizagem para construir verdadeira ajuda educativa. Sendo assim, é necessário analisar as palavras dos autores e compreender a importância de estimular nossos alunos respeitando suas fases de 34 desenvolvimento cognitivo com uma visão pedagógica, estimulando-os em seu aprendizado dentro da alfabetização e letramento. Dentro desse enfoque buscou-se averiguar junto aos educadores qual a concepção dos mesmossobre o letramento, onde se obteve a seguinte resposta da entrevistada A. “O letramento é o resultado da ação de ensinar a ler e escrever”. No letramento o indivíduo já possui o conhecimento leitura e da escrita, mas consegue interpretar textos ler jornais. E interpretar- lós consegue interagir dentro do contexto social e cultural em que vive. As entrevistadas B e C ainda complementam o pensamento quando retrata que; o mesmo esta associado ao papel que a linguagem escrita têm na sociedade , onde o mesmo não se daonde somente na escola; mas sim nos espaços que frequentamos, nos objetos e livros que temos acesso. Porém a entrevistada D analisa, para que ocorra o letramento é necessários respeitar e valorizar o meio em que o educando vive o que mesmo trás de casa, aprimorando nos conteúdos escolares. MONTEIRO (2009), analisa que os conceitos de alfabetização e letramento ressaltam duas dimensões importantes da aprendizagem da escrita. São elas: De um lado, as capacidades de ler e escrever propriamente ditas, e, de outro, a apropriação efetiva da língua escrita: “[...] aprender a ler e escrever significava adquirir uma tecnologia a de codificar em língua escrita e de decodificar a língua e propriedade. (SOARES, apud MONTEIRO, 2009, p. 30) Para SOARES (1998, p. 39), a alfabetização se refere ao processo por meio do qual o sujeito domina o código e as habilidades de utiliza-lo para ler e escrever. Onde para a autora o mesmo trata-se do domino da tecnologia, do conjunto de técnicas que a capacita e exerce a arte e a ciência da escrita. (SOARES, 1998, p. 39) A autora nos leva a refletir sobre a real importância do letramento para a aquisição da escrita de nossos educando. Como pode ser observado nas palavras da pensadora. Letramento, por sua vez, é exercício efetivo e competente da escrita e implica habilidades tais como a capacidade de ler e escrever para informar ou informar-se, para interagir, para ampliar o conhecimento, capacidade de interpretar produzir diferentes tipos de textos, de inserir-se efetivamente no mundo da escrita, entre muitas outras. (SOARES, 1998, p. 39) 35 Desta forma, os autores acimas citados nos levam a compreender que o processo de alfabetizar e letrar deve desenvolver a capacidade dos alunos como seres pensantes que buscam interpretar o mundo para modificarem conforme a sua necessidade construindo a sua própria história. Buscando assim entender realmente a compreensão dos educadores no processo de alfabetizar letrando,perguntou se o processo do letramento se faz presente ou em consonância com a alfabetização. Onde se obteve a seguinte resposta da entrevistada A. Sim, é importante ressaltar que a alfabetização e o letramento caminham juntos um complementa o outro. É o letramento que da a criança condições de ter uma visão crítica das coisas, consegue ler não só superficialmente um texto, mas consegue ler nas entrelinhas,reflete sobre o que o texto quer dizer. O processo de alfabetização e letramento inicia-se mesmo a criança não sendo alfabetizada como pode ser notado nas palavras da entrevistada C Sim. Pois mesmo a criança ainda nãosendo alfabetizada já poda ser inserida em processo de letramento; já que ela é capaz de fazer a leitura incidental de rótulos, imagem, gestos,emoções, ou seja, o contato com o mundo letrado é muito antes das letras e vai além delas. Desta forma a entrevistada D ainda acredita que a alfabetização passa a ter significado, prazeroso para a criança. Dentro desse prisma é necessário compreender quais os métodos utilizados pelos educadores para desenvolver a alfabetização e o letramento Onde a entrevistada A acredita que: São muitas as formas usadas para alfabetizar. Temos os métodos Tonico associação entre letras e sons. Alfabético aprende as letras, depois forma as sílabas para depois formar as palavras. Sintético – som e grafia, oral e escrita à criança aprendem, letras por letras silaba x silaba palavra por palavra. Já a entrevistada B observa que: Existe vários, o professor deve ter claro que a alfabetização precisa ser significativa, envolvendo os alunos no processo onde seu cotidiano, suas historias eideias sejam valorizadas e incorporadas nas atividades realizadas. Mas podemos verificar que a entrevistada C discorda da entrevistada A e B que não há métodos ou receita pronta para desenvolver a alfabetização e letramento vai depender das práticas sociais, do desenvolvimento de cada criança. 36 Como retrata a entrevistada D temos que valorizar o que esta no convívio dos educando. Pensamento esse também retratado nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais, BRASIL, 1997, p. 21) valorizar o conhecimento que o indivíduo constrói em sua vivência social, fora da escola, sugere ao professor, aprofundar esse conhecimento. Desta forma se faz necessário averiguar qual a importância de ser alfabetizado e letrado. Onde a entrevistada A analisa: Na sociedade atual não basta apenas saber ler e escrever (ser alfabetizado), mas é preciso que saiba entender o significado o uso das palavrasem diferentes contextos levando a criança a compreender o mundo em que vive. A visão da entrevistada B sobre o assunto esta pautado, em benefício da sociedade, pois a mesma declara que: É muito importante, pois nos dias de hoje em que as sociedades estão cada vez mais centradas na escrita, ser alfabetizado (saber ler e escrever) tem sido insuficiente. É preciso ir além da aquisição da escrita, é preciso fazer o uso da leitura e da escrita no cotidiano; função social das duas partes. Sendo assim é necessário perceber que a criança que é alfabetizada e letrada “ao mesmo tempo constrói seu conhecimento do sistema alfabético e ortográfico da língua escrita” (Entrevistada C) A mesma ainda observa que esses aspectos podem ser desenvolvidos em diversas situações de letramento. Isto é no contexto de e por meio de interação com o material escrito real e não real artificialmente construído, de sua participação em compreensão e expressão lógica verbal e não verbal. Para a entrevistada D alfabetizar letrando é importante por que: “a criança poderá fazer uma leitura de mundo tendo assim uma melhor compreensão do que esta em sua volta”. Com o objetivo de determinar a analise de dados se faz necessário averiguar junto aos educadoresqual o nível de desenvolvimento que a criança deve alcançar para ser inserida no ano seguinte, onde se obteve a seguinte resposta da entrevistada A. 37 O professor deverá primeiro avaliar os conhecimentos prévios de seus alunos; uma função diagnóstica do dia-a-dia verificar quem absorveu os conhecimentos e habilidades propostas, as dificuldades encontradas, atividades desenvolvidas em casa e na sala de aula, o interesse o esforço. Toda resposta encontrada seja certa ou errada é um ponto de chegada para mostrar os conhecimentos que já foram construídos e adquirido sem duvidas um sonho de partida para um recomeço para a tomada de novas decisões Seguindo esse parâmetro a entrevistada B compreende que o nível de desenvolvimento alcançado pela criança para ser inserida no ano seguinte deve estar paltada na Proposta Curricular da Escola e no PPP “(Projeto Político Pedagógico) e CNE (Conselho Nacional de Educação)” propõe que o processo de aprendizagem da alfabetização e do letramento aconteça-nos 03 primeiros anos do Ensino Fundamental (Ciclo da Infância) que vai dos 06 aos 08 anos de idade. Nesse processo o professor passa a ser o mediador, possibilitando ao aluno a construção de conhecimento para seu pleno desenvolvimento nesse contexto a escola estaria inserida em uma pratica pedagógica que pressuponha a construção por partes dos professores, das progressões e sucessões necessárias aos alunos, para que o processo ensino-aprendizagem não se perca sem o estabelecimento de metas e o aprofundamento dos conteúdos a cada ano. É papel da Escola ajudar os alunos a desenvolver a capacidade para produzir e compreender textos orais e escritos desde o inicio da escolarização, de modo a favorecer a participação em diversas situações extraescolares e escolares. “É interessante nesse processo ver o que as crianças já sabem elaborar instrumentos diagnósticos observando como” quando “avaliar, analisar os processo de construção de essas atividades compreenderem sua função em alfabetizar e letrar, como essas ações se efetivam e como os erros são interpretados”. Para a entrevistada C e D todo esse processo leva tempo para que as mesmas conheçam todos os símbolos do alfabeto, seus sons e suas combinações para estar apta em escrever e ler e interpretar o que lê o que se escreve e o mundo que a rodeia, desta forma a mesma pode ser inserida no ano seguinte. Desta forma ZOE e LIBÂNEO (2009, p.34), contribuem a todos os educadores quando retratam que no planejamento escolares 3 dimensões ou eixos do conhecimento conceituais, procedimentais e atitudinais que devem ser levadas 38 em consideração na perspectiva do letramento e da alfabetização nas diversas praticas pedagógicas. Conclui-se que 02 educadoras tem a visão e buscam desenvolver em sua sala de aula um trabalho onde o professor passa a ser o mediador, que possibilita o aluno a construção de conhecimento com o objetivo de alcançar seu pleno desenvolvimento. CONCLUSÃO Verificou-se que para os entrevistados a alfabetização esta relacionada ao processo na qual se aprende a ler o mundo buscando uma relação dinâmica o mesmo ocorre de diversas formas dependendo da concepção de cada individuo. Onde para 03 das alfabetizadoras pesquisadas a fase da alfabetização deve acontecer ainda no convívio familiar, e apenas 01das entrevistadas declara que sua concepção deve acontecer a partir dos 4 anos quando a criança entra na escola. De acordo com a concepção das educadoras a alfabetização não deve estar voltada para a duração da alfabetização e sim a fase de desenvolvimento das crianças, porem somente uma educadora compreende que deve acontecer o estimulo das habilidades e competências das crianças. Conclui-se que mesmo as educadoras compreendendo a importância da alfabetização e letramento e sua importância no processo de alfabetização as mesmas não conseguiram abordar quais os métodos por elas utilizados para o desenvolvimento do alfabetizar letrando, e pode observar que muitos dos métodos citados pelas educadoras estão associado ao processo do codificar e decodificar. Desta forma analisa-se que o conhecimento se constitui por estratégias especificas, que se modificam, inclusive em função dos conteúdos aprendidos. Para que o conhecimento da criança se construía podendo ele ser uma criança que consiga entender e participar o mundo na qual estão inseridos e modificando conforme a sua necessidade. Sendo assim conclui-se que o letramento começa com a alfabetização, mas continua durante toda a vida da criança, sendo assim é necessário compreender que a alfabetização e o letramento apresentam conceitos diferentes, mas deve caber a escola buscar caminhar com os dois juntos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARIES, P. A história social da criança e da família. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1978. BARBATO, Silviane Bonaccorsi. Integração de crianças de 06 anos ao ensino fundamental. São Paulo: Parábola Editorial, 1963. BAUCHAMP Jeanete; PAGEL, Sandra Denise; NASCIMENTO, Aricélia Ribeiro do. (orgs.). Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9.394/96. De 20 de dezembro de 1996. BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: ciências naturais. Brasília: MEC/SEF, 1997. BRASIL. Prêmio incentivo à educação fundamental 2004: experiências premiadas. Brasília, Ministério da Educação, 2005. CAGLIARI. Luiz Carlos. 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Por quê? 7-Quais os métodos utilizados para desenvolver a alfabetização e letramento? 8-Qual a importância da criança ser alfabetizada e letrada? 9-Dentro do processo de alfabetização e letramento qual o nível de desenvolvimento deve ser alcançado pela criança para ser inserida no ano seguinte?