1
IESA - INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DE ALAGOAS
FAA - FACULDADE ALAGOANA DE ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS CONTÁBEIS
AGLIBERTO DA SILVA CABRAL
ELZA ALMEIDA RAMALHO
MARCOS EDSON DA SILVA GUIMARÃES
MARIA DO SOCORRO A. DE AZEVEDO RAMOS
TEORIA DA CONTABILIDADE:
O ATIVO HUMANO COMO BENEFÍCIO ECONÔMICO DAS ENTIDADES NA ERA
DO CONHECIMENTO
Maceió
2013
2
AGLIBERTO DA SILVA CABRAL
ELZA ALMEIDA RAMALHO
MARCOS EDSON DA SILVA GUIMARÃES
MARIA DO SOCORRO A. DE AZEVEDO RAMOS
TEORIA DA CONTABILIDADE:
O ATIVO HUMANO COMO BENEFÍCIO ECONÔMICO DAS ENTIDADES NA ERA
DO CONHECIMENTO
Trabalho de conclusão do curso de
Ciências Contábeis da Faculdade
Alagoana de Administração e Instituto
de Ensino Superior de Alagoas como
requisito para obtenção do título de
Bacharel em Ciências Contábeis.
Orientador: Profº Givanildo Marques
Maceió
2013
3
AGLIBERTO DA SILVA CABRAL
ELZA ALMEIDA RAMALHO
MARCOS EDSON DA SILVA GUIMARÃES
MARIA DO SOCORRO A. DE AZEVEDO RAMOS.
TEORIA DA CONTABILIDADE:
O ATIVO HUMANO COMO BENEFÍCIO ECONÔMICO DAS ENTIDADES NA ERA
DO CONHECIMENTO
Trabalho de conclusão do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Alagoana de
Administração e Instituto de Ensino Superior de Alagoas, como requisito para
obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis.
_________________________________________________
Orientador: Professor Givanildo Marques de Oliveira
_________________________________________________
1º Examinador:
_________________________________________________
2º Examinador:
Data da aprovação:
de
Maceió
2013
de 2013.
4
A todos os que contribuem para a ciência contábil e a todos os que nos ajudaram a
chegar até o presente momento.
5
AGRADECIMENTOS
A Deus que é o Grande Criador de todos os seres mortais que e é o Grande
Conhecedor da ciência contábil, bem como de todas as ciências que existem e que
nos permitiu viver para vermos coisas boas acontecerem em nossas vidas e nos dá
a possibilidade de realizar planos e metas e esperamos ainda ver coisas ainda
melhores acontecerem na vida de todos nós.
Aos pais que contribuíram para que nossas vidas pudessem ter maior
significado e nos deram apoio e forças para buscar e realizar nossos planos e
metas.
Aos nossos familiares que ajudam-nos com palavras de apoio e estão ao
nosso lado para desfrutar as alegrias e nos ajudar a suportar as tristezas e servem
de sustentação para que não caiamos.
Aos professores e a coordenação do curso de Ciências Contábeis da
Instituição de Ensino Superior de Alagoas por seus esforços e paciência em nos
ajudar a conhecer essa excelente ciência seu campo de atuação.
Aos amigos e companheiros de caminhada e todos os que de alguma maneira, não
só querem, mas se esforçam para fazer do mundo um lugar melhor.
6
“A revolução da informação representa uma nítida transferência de poder
de quem detém o capital para quem detém o conhecimento.”
Peter Drucker
7
RESUMO
Tendo em vista a capacidade humana para a geração de benefícios econômicos
para as entidades na neste século XXI, era do conhecimento. Com isso se torna
necessário um cuidadoso estudo dos fenômenos patrimoniais nesses últimos
tempos para que seja possível e viável a tomada de decisões, e a um controle
econômico-financeiro dos componentes patrimoniais, informações essas que são
necessárias para se conhecer os vários elementos das entidades, a fim de que com
isso se possa mensurar de maneira correta seus componentes, inclusive a
capacidade humana de geração de benefícios econômicos para as entidades
inclusive o lucro. Pois todos nós bem sabemos que uma das peças primordiais das
entidades é o intelectual humano e/ou a mão de obra, ou ainda em outras palavras,
os funcionários que com seu esforço, trabalho e criatividade, são responsáveis pelo
aumento significativo das riquezas nas diversas empresas. Tendo em vista que com
a ocupação de máquinas e tecnologia, o homem, dentro das empresas passou a
ocupar um espaço em que tenha que planejar e executar as funções usando mais o
intelecto do que a própria força. E também o quanto gera de benefício econômico
aqueles que trabalham com as mãos e a própria força, pois sem dúvida há sim quem
ganhe milhões com trabalho de pessoas dedicadas, e como mensurar isso e
registrar nas demonstrações contábeis a fim de que se possa conhecer o real valor
das entidades? Com a convergência do Brasil às normas internacionais de
contabilidade se torna imprescindível buscar maneiras de medir esse fenômeno
patrimonial e é o objetivo desse trabalho mostrar uma forma de se mensurar o
individuo e sua atividade como um elemento patrimonial, um ativo, e assim poder de
maneira clara conhecer o ativo humano como fator decisório para que se possa ter
um conhecimento abrangente das entidades de uma maneira completa.
Palavras-chave: Intelectual, humano, mensurar.
8
ABSTRACT
Given the human capacity to generate economic benefits for organizations in this
century, the era of knowledge. With this becomes necessary a careful study of the
phenomena sheets in recent times to make it possible and practical decision-making,
and control economic and financial components of the property, information which is
needed to meet the various elements of the entities, the with it so that you can
correctly measure its components, including the human capacity to generate
economic benefits for organizations including profit. For we all well know that one of
the primary pieces of human bodies is the intellectual and / or labor, or in other
words, employees who by their efforts, hard work and creativity, are responsible for
the significant increase of wealth in the various companies. Given that the occupation
of machinery and technology man inside companies now occupy a space that has to
plan and execute functions using more intellect than his own strength. And also
generates economic benefits as those who work with their hands and their own
strength, for without doubt but who earn millions of people dedicated to work, and
how to measure it and record the financial statements so that we can know the real
value of the entities? With the convergence of Brazil to international accounting
standards becomes essential to seek ways to measure this phenomenon sheet and
the aim of this work is to show a way of measuring the individual and his activity as a
heritage element, an asset, and thus power so clearly know the active human factor
making so you can have a comprehensive knowledge of the entities in a complete
manner.
Keywords: Intellectual, human, measure.
9
LISTA DE FIGURAS
1 – Produção da Força de Trabalho Humano.........................................................................
38
2 – As Características do Ativo Humano.........................................................................
41
3 – Organograma da Federalcred Central.......................................................................................
48
4 – Estrutura do Ativo.........................................................................................................
49
5 – Estrutura do Ativo Circulante.......................................................................................
50
6 – Estrutura do Ativo Não Circulante................................................................................
50
7 – Ativo..........................................................................................................................
51
8 – Análise Horizontal do Ativo.........................................................................................
51
9 – Origens de Recursos................................................................................................
52
10 – Resultado 2012..............................................................................................................
52
11 – Gráfico Receitas e Despesas.........................................................................................
53
12 – Sobras..........................................................................................................................
53
13 – Composição do Ativo sem o Ativo Humano............................................................
55
14 – Origens de Recursos sem o Recurso Humano.........................................................
56
15 – Composição do Ativo com o Ativo Humano.............................................................
58
16 – Origens de Recursos com o Recurso Humano.............................................................
58
10
LISTA DE TABELAS
1 – Fórmula do Capital Intelectual.......................................................................................
43
2 – Balanço Patrimonial Sem o Ativo Humano ..................................................................
43
3 – Balanço Patrimonial com o Ativo Humano.........................................................................
45
4 – Balanço Patrimonial Federalcred Central Sem o Ativo Humano..............................................
55
5 – Balanço Patrimonial Com o Ativo Humano .............................................................................
57
11
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO....................................................................................................................
13
CAPÍTULO 1 - TEORIA DA CONTABILIDADE: VISÃO GERAL..................15
1.1 – Conceito.......................................................................................................................
15
1.2 – Evolução Histórica da Contabilidade..............................................................................
15
1.3 – Escolas do Pensamento Contábil...................................................................................
17
1.3.1 – Pseudopersonalismo.......................................................................................... 17
1.3.2 – Contismo..............................................................................................................18
1.3.3 – Materialismo Substancial..............................................................................................
18
1.3.4 – Personalismo.........................................................................................................19
1.3.5 – Controlismo...........................................................................................................20
1.3.6 – Reditualismo...............................................................................................................
21
1.3.7 – Aziendalismo............................................................................................................
22
1.3.8 – Patrimonialismo......................................................................................................
22
1.3.9 – Universalismo...................................................................................................... 24
1.3.10 – Neopatrimonialismo, nova escola do pensamento contábil?..............................25
1.4 – Teoria da Contabilidade e os Princípios de Contabilidade...........................................
26
1.4.1 – Princípio da Entidade....................................................................................................
27
1.4.2 – Princípio da Continuidade..........................................................................................
27
1.4.3 – Princípio da Oportunidade........................................................................................
27
1.4.4 – Princípio do Registro pelo Valor Original................................................................
28
1.4.5 – Princípio da Competência.......................................................................................
29
1.4.6 – Princípio da Prudência...............................................................................................
29
CAPÍTULO 2 – TEORIA DA CONTABILIDADE: ATIVOS...............................31
2.1 – Conceito de Ativo....................................................................................................31
2.2 – Reconhecimento dos Ativos..........................................................................................
32
2.3 – Mensuração dos Ativos.............................................................................................
33
2.4 – Ativos Tangíveis.......................................................................................................34
2.5 – Ativos Intangíveis......................................................................................................
35
12
CAPÍTULO 3 – TEORIA DA CONTABILIDADE: ATIVO HUMANO......... 37
3.1 – Características do Ativo Humano..............................................................................
37
3.2 – Mensuração dos Ativos Humanos............................................................................39
3.3 – Ativo Humano Reconhecido nas Demonstrações Contábeis.....................................
42
3.4 – Modelo de Contabilização do Ativo Humano...............................................................
43
CAPÍTULO 4 – RECONHECIMENTO DO ATIVO HUMANO EM UMA
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, ESTUDO DE CASO NA FEDERALCRE D
CENTRAL......................................................................................................................48
4.1 – A Empresa: Federalcred Central...............................................................................
47
4.2 – Estatísticas da Federalcred Central........................................................................49
4.3 – Contabilização do Ativo Humano na Federalcred Central.........................................
54
CONCLUSÃO..................................................................................................................60
REFERÊNCIAS..................................................................................................................
61
APÊNDICE...................................................................................................................... 63
13
INTRODUÇÃO
Chegamos à época onde existe a melhor tecnologia que o mundo já
conheceu e onde a informação contábil se tornou indispensável e necessária para
qualquer pessoa ou entidade, época em que a celeridade nos métodos contábeis,
agora informatizados, é cada vez mais demandada, e essa demanda de cunho
globalizado e cada vez mais informatizada e numa circunstância onde existe e é
exigida informação quase que instantânea por meio de avanços
nas
telecomunicações, tecnologia e informática que transformam o mundo e tem
colocado uma nova maneira de compreender o individuo e sociedade dando assim
uma nova visão dos métodos de mensuração, controle e informação contábil.
Esse período que estamos passando de mudanças significativas na economia
mundial e de globalização comprovam que a sociedade mudou, de uma era onde o
homem usava sua força, para uma época na qual o conhecimento se tornou mais
significativo, e é por isso que essa época é chamada de era do conhecimento, pois
vemos que a capacidade intelectual do homem tem aumentado e vemos que a
tecnologia tem substituído à força humana, pois o ser humano tem buscado mais e
mais meios para deixar de usar a força física e usar com mais precisão a sua
capacidade de criação de mecanismos que substituam a força física pela força das
máquinas, e o que realmente tem se verificado é o poder de criação do homem
diante das circunstâncias; isso tudo deve ser levado em consideração, bem como o
próprio trabalho braçal, o quanto ele gere para as entidades com sua força física?
Este assunto é de vital importância para as entidades, pois é um ativo muito
usado, mas não há registro dessa figura nos balanços patrimoniais das entidades e
até é digno de avaliação por parte dos estudiosos, portanto como fazer para
mensurar e registrar o ativo humano nas entidades nessa nova era, a era do
conhecimento? O reconhecimento e mensuração desse ativo, que pode ser feita
pela diferença entre o valor de mercado e o valor contábil para assim chegar ao real
valor das entidades e o quanto de benefícios econômicos elas geram. Esse trabalho
tem o propósito de reconhecer, identificar e mensurar o ativo humano a fim de saber
o quanto as empresas possuem de benefícios econômicos. Para a realização desse
trabalho buscamos fontes diversas em livros e artigos de autores, dos mais
14
conceituados aos menos conhecidos e buscamos o acesso a internet para
informações atualizadas a fim de realizar o trabalho com clareza.
Este
trabalho
apresenta a
seguinte
estrutura: no
capítulo
primeiro
mostraremos a teoria da contabilidade, a fim de conhecer as escolas e como elas se
desenvolveram ao longo dos anos, para assim podermos conhecer a ciência
contábil, bem como os princípios que regem a ciência para saibamos como funciona
toda a doutrina contábil. Já no capítulo dois trataremos de definir o ativo tangível e
intangível e assim poder ver sua identificação com o trabalho realizado pelos
funcionários e no capítulo três trataremos de definir o fenômeno do ativo humano e
sua utilidade para as empresas, e por fim, no capítulo quatro utilizaremos a
aplicabilidade da mensuração e reconhecimento do ativo humano na Federalcred
Central, empresa do seguimento financeiro.
15
CAPÍTULO 1 - TEORIA DA CONTABILIDADE: VISÃO GERAL
1.1 – Conceito
A palavra teoria é de origem grega theorein (“observar”). O termo costumava
ser usado no contexto da observação de uma peça de teatro, o que consegue
explicar o porquê que hoje o fato de falar em teoria se refere ao sentido de observar
os fenômenos e assim se chegar às conclusões a que dão o nome de teoria.
Não é diferente com a contabilidade, pois quando o homem deu início a
observação dos fenômenos patrimoniais teve assim início a teoria contábil, ou seja,
é a teoria contábil que dá pontapé inicial ao estudo da contabilidade como se
conhece, e vemos assim que não há possibilidade de executar as técnicas se não
houver a princípio a teoria que da vida a toda prática, bem como toda teoria é
advinda devido à prática humana em determinado assunto, de modo que podemos
dizer que é irrefutável a teoria contábil que surgiu porque alguém observou, ou em
outras palavras teorizou o fenômeno já existente.
1.2 – Evolução Histórica da Contabilidade
Para se entender um pouco dessa mudança das formas contábeis de medir o
patrimônio voltemos um pouco na historio, pois foi desde antigamente que o homem
buscava satisfazer a necessidade de organizar seu patrimônio a fim de manter e
prover o bem estar de si, de sua família e comunidade, desde então quando o
homem sentiu a necessidade de proteger, medir e perpetuar sua fonte de
sobrevivência é que percebemos as primeiras manifestações de atividade contábil.
Tudo começou com a necessidade do homem de organizar seus rebanhos e
cultivo da terra, no que tange a plantação e coleta de alimentos, pois foi depois de
uma das primeiras revoluções feita pelo homem - a revolução agrícola, e até mesmo
antes quando o homem era o caçador e nômade houve-se a necessidade de contar
suas armas para manter controle de seus bens, desde essa época se verificou a
atividade contábil. Inclusive podemos ver que existe registros na própria Bíblia de
contabilidade, foi com Jó que era homem justo e muito rico que habitava na terra de
Uz. A Bíblia relata a sua história e no capítulo 1, versículo 3 o seguinte:
16
E o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas
de bois e quinhentas jumentas, eram também muitíssimos os servos a seu
serviço [servos esses que contribuíam muito para o aumento de seu
patrimônio], de maneira que este homem era o maior do que todos os do
oriente.
(BÍBLIA, 2011, p. 593)
Essa relação ou inventário que Jó tinha de seu patrimônio era fruto de um
controle organizado, que provavelmente, como este possuía muitos servos, possuía
também um bom contador para que o mantivesse a par de suas riquezas. Mas esse
mesmo Jó perdera todos os seus bens. Mas vemos ainda no capítulo 42, versículo
12 o seguinte: “E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o
primeiro; pois teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil
jumentas.” (BÍBLIA, 2011, p. 625)
Neste último momento vemos que seu patrimônio havia dobrado, e mais uma
vez houve a mão da contabilidade para mensurar o patrimônio de Jó.
Mas foi no século XV que a contabilidade se firmou como ciência com o surgimento
do método das partidas dobradas que havia sido divulgado por Luca Pacioli, não que
ele houvesse criado o método, mas porque ela a divulgou em sua obra intitulada de:
“Summa de aritmética, geometria, proporção e proporcionalidade” e com essa
divulgação passou a ser conhecido o método das partidas dobradas.
Profº Drº Antônio Lopes de Sá em seu livro Luca Pacioli – Um Mestre do
Renascimento menciona o seguinte a respeito do advento das partidas dobradas:
O processo de registros contábeis que se consagrou por uma “equação” ou
igualdade entre o débito e o crédito de contas, alega o emérito professor
Federigo Melis, haver surgido na Itália, acredita-se, entre os anos de 1250 e
1280. Ninguém conseguiu, até os nossos dias, identificar o autor das
“partidas dobradas” nem apresentar provas das aplicações destas tais como
o fizeram os italianos antes da época referida (embora existam
antiquíssimos documentos que autorizam a crer que a intuição para o
processo tenha nascido no Oriente). Há mais de sete séculos, pois, adotase um critério que se tornou insuperável e cuja natureza é de evidenciar
“Causa” e “Efeito” de um ou mais fenômenos patrimoniais.
25)
(SÁ, 2004, p.
17
Com isso percebemos que o famoso método das partidas dobradas teve
início muito tempo antes de Luca Pacioli em sua “SUMMA” tornar publico esse
fantástico método.
Com passar do tempo e o desenvolvimento da atividade comercial e industrial
e já no século XVIII com o surgimento das máquinas na revolução industrial foi então
que houve aumento na produção e com isso maior necessidade de se mensurar os
bens, direitos e obrigações das entidades com o propósito de controlar o patrimônio.
Foi desta maneira que se tornou relevante o levantamento de relatórios para haver
então a tomada de decisão e se tornou necessária a elaboração das demonstrações
contábeis e começa- se a dividir o patrimônio em ativo (bens e direitos) e passivo
(obrigações).
1.3 – Escolas do Pensamento Contábil
1.3.1 – Pseudopersonalismo
Como menciona o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos − Coordenador
Acadêmico do Curso de Ciências Contábeis da FMJ:
É a primeira escola doutrinária que surgiu com Frei Luca Pacioli,
caracterizada pela sua extrema natureza empírica, ou seja, sem qualquer
base racional ou fundamentação cientifica, enunciando o seguinte conceito:
Faze de conta que este estabelecimento comercial é uma pessoa que se
torna devedora de tudo que lhe dás; pelo contrário, torna-se credora de tudo
o que se lhe tira ou se recebe como se ela a mesma fosse um terceiro
devedor ou um terceiro credor. (SANTOS,
2012, p. 1)
Ou seja, era uma corrente de ficção que dava personalidade às contas de
modo que havia a presença de relações jurídicas entre pessoas, como é indicado
pelos termos Dever e Haver.
1.3.2 – Contismo
18
Essa escola não era considerada cientifica, mas foi a escola que anunciou a
chegada da teoria de serem as contas o objeto de estudo da contabilidade, o Prof.
Waldir Jorge Ladeira dos Santos nos dá o seguinte relato histórico:
A partir de 1818, o principal líder do Contismo foi Giuseppe Bornaccini.
Antes dela, a Teoria das Cinco Contas Gerais de Degranges, em 1795, já
se preocupa em estudar o instrumento utilizado para compilar os dados do
comportamento da riqueza aziendal, dividindo inicialmente as contas em: (1)
Mercadorias Gerais; (2) Caixa; (3) Contas a Receber; (4) Contas a Pagar e
(5). Lucros e Perdas. Posteriormente acrescentou a sexta conta,
denominada Diversas Contas. (SANTOS,
2012, p. 2)
1.3.3 - Materialismo Substancial
Rodrigo Antonio Chaves da Silva, em seu artigo intitulado FILOSOFIA DA
CONTABILIDADE menciona que o materialismo substancial:
Teve como “pai” Francesco Villa (1840), figura pública Italiana, contador do
estado e escritor científico premiado e homenageado, dizia que o objeto da
contabilidade era a substância da conta, ou seja, uma matéria que se
chama riqueza; fundamentou-se a sua tese em doutrina reconhecida, que
formou uma escola de pensamento chamada Lombarda.
(SANTOS,
2012, p. 2)
No entanto o Contismo perdeu sua força, pois não é a conta o propósito final,
a conta é simplesmente um componente patrimonial que evidencia uma
movimentação econômico-financeira no patrimônio.
Para o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos: “A base doutrinária afirmava
serem as contas abertas a valores e não a relações pessoais, admitindo a escrita
contábil como parte mecânica. Entendia ser a riqueza aziendal a substância de
estudo.” (SANTOS, 2012, p. 3)
1.3.4 - Personalismo
19
Esta escola muito aprofundada em questões jurídicas, a qual transformou a
conta em pessoa capaz de diretos e obrigações, se maior líder foi Giuseppe Cerboni
e seu maior gênio Giovanni Rossi, o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos desta o
seguinte a respeito dessa escola:
O Personalismo teve sua origem científica com o francês Hypolitte Vannier,
com sua obra editada em Paris, em 1844, que refutava o Contismo e
apresentava, com coloração científica, o Personalismo. Mas foi Francesco
Marchi quem lançou as bases de um Personalismo científico, abrindo
caminho para outros pensadores como Cerboni. Não só combateu a
corrente de Degranges como também apresentou as ideias que viriam
posteriormente a substituir as do Contismo. (SANTOS,
2012, p. 3)
O Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos citando mencionou que Cerboni
firmou os seguintes axiomas a respeito do Personalismo:
1º AXIOMA - Toda azienda deve ser administrada, todas possuem um ou
mais proprietários, e estes não podem conseguir a gestão se não entram
em contato com agentes e correspondentes.
Corolários:
•
Pode ser proprietário da azienda um só indivíduo ou diversos
constituídos em sociedade;
•
O principal em uma azienda, se não for o proprietário, será
sempre um representante seu, conservando este todos os poderes que
àquele seriam pertinentes;
•
De direito é o proprietário que exercia a autoridade ou
supremacia sobre a azienda.
2º AXIOMA – Uma coisa é desfrutar a propriedade, e outra é administrar.
Corolário: quando o proprietário também administra, adquire a dupla
qualidade de proprietário e administrador.
3º AXIOMA – Uma coisa é administrar a azienda, e outra é custodiar sua
substância e por ela responder materialmente.
Corolário: o administrador, tendo o encargo de dirigir e assumir por custódia
a substância será a um só tempo gestor e agente consignatário.
4º AXIOMA – Não se pode criar um devedor sem, simultaneamente, criar-se
um credor e vice-versa.
Corolário: toda soma derivada de qualquer operação da azienda deve ser
registrada em débito e em crédito.
20
5º AXIOMA – O proprietário, administrando ou não a azienda, é, de fato,
credor da substância e devedor das passividades pertinentes àquela, ao
contrário do que ocorre com os agentes e com os correspondentes.
Corolário: o crédito do proprietário corresponde ao débito dos agentes e dos
correspondentes, e vice-versa; o administrador situa-se como em uma
balança de débito e crédito, entre os proprietários de uma parte e os
agentes e os correspondentes de outra; o administrador não pode ser
devedor nem credor da azienda, senão junto como agente consignatário ou
correspondente estranho àquela.
6º AXIOMA – O débito e o crédito do proprietário não variam senão em
razão de perdas ou lucros, ou ainda por acréscimos ou reduções do capital
originário.
Corolário: a permuta de elementos do capital da azienda ou a soma de
passagens de um agente ou correspondente a um ou outro, se estas forem
idênticas, não modificam a situação do proprietário, nem aquela dos
agentes ou correspondentes.
É possível ainda hoje encontrar vestígios dessa escola, pois é de praxe os
estudantes de contabilidade estudarem o patrimônio como sendo um
conjunto de bens, direitos e obrigações, o que não é equivocado, pois o
patrimônio ainda é considerado um conjunto de bens, diretos e obrigações,
somente esses bens, diretos e obrigações possuem características mais
específicas para que possa fazer parte do patrimônio das entidades e assim
poder ser evidenciados de maneira mais completa. Por tanto a escola
Personalista exerceu grande parte da influencia que conhecemos na
contabilidade atualmente e foi base para que outras escolas surgissem.
(SANTOS apud CERBONI, 2012, p. 3)
1.3.5 – Controlismo
Essa escola teve como principal ícone o contador Fábio Besta que de acordo
com o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos:
(...) antes de enunciar o Controlismo, já se valia de grande influencia com o
Neocontismo, que, como corrente que retomava o Contismo, dando-lhe
vestes novas (de caráter científico e não mais o empírico de Bornacinni) e
como a primeira reação ao Personalismo, se preocupava mais em saber o
que significava a conta e qual a sua verdadeira expressão em meio dos
estudos contábeis do que com a forma de apresentação da mesma conta,
21
ou seja, preocupava-se com o conteúdo da conta, reagindo contra os
postulados de Cerboni. (SANTOS,
2012, p. 4)
Essa escola fez oposição ao Personalismo de Giuseppe Cerboni. Fábio Besta
adotou a importância de que a riqueza das entidades devia ser controlada, por tanto
ele procurava transmitir que o controle das aziendas deveria ser feito, pois para ele a
riqueza satisfazia as necessidades humanas. Daí podemos ver divergências entre a
escola de Giuseppe Cerboni que tinha como suposição o fato da entidade ser
formada por bens, direitos e obrigações, e de que o estudo da contabilidade deveria
estar associado com o direito, porém para Fábio Besta o estudo da contabilidade
deveria ser feito para a satisfação das necessidades humanas, por isso o controle
era a base para um real levantamento da riqueza aziendal, a fim de que as
necessidades humanas fossem satisfeitas pela geração da riqueza. Para Fábio
Besta o objeto do estudo contábil era o controle econômico do patrimônio é o que
afirma o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos quando diz:
Em 1880, quando da abertura do ano acadêmico 1880-1881, em seu
memorável discurso, apresentou a ciência contábil como aquela que trazia
como objeto de estudo o ‘controle econômico das aziendas’, dividindo este
em três funções, a saber: controle antecedente, controle concomitante e
controle subsequente. (SANTOS,
2012, p. 4)
1.3.6 – Reditualismo
O reditualismo teve como principal pensador o acadêmico e economista
alemão Eugen Schmalenbach. Essa escola mantinha a atenção para o resultado das
entidades de maneira que supunha ser o resultado o objeto do estudo contábil. Ou
seja, eles ignoravam as contas patrimoniais e se preocupavam somente com o
resultado afirmando que esse era a finalidade dos estudos em contabilidade.
Corroborando com esse assunto o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos diz o
seguinte:
Era a corrente de pensamento que enunciava ser o resultado (lucro ou
prejuízo) o objeto de estudo da contabilidade, ou seja, o reconhecimento da
22
perda ou do lucro como fonte principal da continuidade da atividade
empresarial.
Os reditualistas estudavam a dinâmica da riqueza patrimonial, mas
desprezavam a estrutura dos elementos patrimoniais. Conseguiram
desenvolver-se num país socialista, embora a corrente estivesse voltada
para o capitalismo.
(SANTOS, 2012, p. 5)
Em suma os reditualistas acreditavam que a contabilidade se preocupava
somente em estudar os resultados das aziendas fosse lucro ou prejuízo, tornando
dessa maneira o resultado das entidades como alvo do estudo contábil.
1.3.7 – Aziendalismo
Essa escola do pensamento contábil de origem italiana, porém com influência
de vários intelectuais da Europa como, por exemplo: da França, Courcelle-Seneuil;
da Rússia, Leo Gomberg; da Suíça, Johann Friedrich Schar; e da Alemanha H.
Nicklisch e Rudolf Dietrich.
Essa escola, no entanto preocupava no estudo da
azienda como um todo, à qual buscava interagir as ciências que compõe a entidade
como a administração, economia, direito e a contabilidade como base significativa
para o objeto do estudo contábil. É o que afirma o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos
Santos quando diz:
Os aziendalistas se preocupavam em estudar o conjunto de ciências que
tratavam da azienda como campo de aplicação. Compunha-se da
Administração, da Organização e da Contabilidade, sendo cada ciência
apenas parte desse conjunto. (SANTOS,
2012, p. 5)
Com isso pode-se dizer que o objeto da contabilidade é o estudo da entidade
baseada na doutrina de várias ciências associadas à entidade, por tanto a
contabilidade acreditava-se que a contabilidade era a ciência responsável por fazer
levantamento quantitativo da riqueza administrativa.
1.3.8 – Patrimonialismo
23
O Patrimonialismo teve início por volta de 1923, e teve como um dos
principais
pensadores,
o
italiano
Vincenzo
Masi,
considerado
gênio
do
Patrimonialismo que considerava o patrimônio como sendo o objeto da
contabilidade. O Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos apud Vincenzo Masi
menciona:
Se examinarmos os fenômenos fundamentais de contabilidade, não
podemos deixar de reconhecer que requerem indagações acuradas;
não se pode negar que se torna necessário observá-los, expô-los
procurar explicá-los; depois, munidos dos ensinamentos oferecidos
pelas pesquisas feitas com o subsídio de métodos especiais de
investigação, próprios das ciências experimentais, daí retirar normas
de prática aplicação a casos concretos. Ora, os fenômenos dos
custos, das receitas, do rédito, das entradas e saídas financeiras,
para lembrar só alguns dos mais evidentes fenômenos contábeis já
por nós referidos, são todos investigados em suas fases de
constituição e de evolução e apresentam problemas que sempre se
apresentaram e sempre se apresentarão. (SANTOS,
2012, p. 6)
Vincenzo Mais via o patrimônio não exclusivamente pelo lado quantitativo,
mas também pelo lado qualitativo, patrimônio esse composto por fenômenos
contábeis. Essa ideia de ser o patrimônio o objeto da contabilidade prevalece até os
dias de hoje. E não só Masi defendeu esse pensamento, mas muitos outros
intelectuais do mundo contábil, tais como, Francisco D’Auria, Gonçalves da Silva,
Hilário Franco e outros.
Corroborando o pensamento do gênio Vincenzo Masi, o Prof. Waldir Jorge
Ladeira dos Santos, ainda em seu artigo “Escolas de Pensamento da Ciência
Contábil: uma síntese de estudo” diz:
Consideremos, pois, a Contabilidade como possuidora de objeto
próprio e exclusivo, que é o patrimônio aziendal. Evidentemente esse
patrimônio deve ser considerado como um conjunto de relações
jurídicas e econômicas, num só todo indivisível. Teremos, então, de
fazer abstração das partes que o formam, quando considerada sob
outros aspectos e não como elementos formadores do patrimônio.
Os bens patrimoniais considerados isoladamente pertencem ao
24
domínio de outras ciências, conforme o aspecto por que sejam eles
tomados para estudo, assim como os direitos e as obrigações
pertencem ao campo da ciência jurídica.
Os elementos do patrimônio constituem objeto de inúmeras ciências,
porém em seu conjunto constituem objeto da Contabilidade.
Esses elementos, considerados como um todo, o patrimônio, à
disposição de uma entidade econômico-administrativa, a azienda,
são objeto exclusivo de uma ciência, que é a Contabilidade.
(SANTOS, 2012, p. 6)
Por tanto não resta dúvidas sobre a o foco da contabilidade, embora
outras ciências possam estudar e até colaborem com a manutenção e sua
definição, não dúvidas de que ele, ou seja, o patrimônio é objeto da
contabilidade, seja de maneira quantitativa ou qualitativa.
1.3.9 Universalismo
O Universalismo surgiu da ideia de universalizar o objeto da contabilidade
fazendo com que o objeto do estudo contábil fosse estendido a todos os sistemas,
ou seja, era a ideia para que a contabilidade pudesse estudar a lógica da estática e
dinâmica dos sistemas, e suas finalidades. Assim se expressa o Prof. Waldir Jorge
Ladeira dos Santos a esse respeito:
Entende-se por Sistemologia a ciência formal e lógica que estuda a estática
e a dinâmica dos sistemas, isto é, suas estruturas e suas finalidades, as
variações e as suas causas, no tempo e no espaço, e sua expressão
qualitativa e quantitativa em qualquer instante. (SANTOS,
2012, p. 9)
Assim como outras escolas do pensamento contábil, o Universalismo também
teve grandes nomes que marcaram esse pensamento, tais como o emérito Prof.
Francisco D’Auria, o Prof. Dr. Eloy Teixeira Azeredo e o francês René Delaporte.
Esse Francês afirmou em 1930 com a obra Concepts raisonnis de La Comptabilité
économique, e outra vez o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos falando a respeito
do francês René Delaporte diz o seguinte:
25
(...) afirmando que a Contabilidade é a ciência das contas aplicada aos
movimentos dos ciclos de quaisquer operações, para enumerar, agrupar e
classificar o seu objeto e deles tirar conclusões expressas em números
segundo o espírito de cada uma das ciências que ela utiliza. Ela aplica-se
universalmente a todas as ciências, segundo uma adoção de suas contas
que permanece numa generalidade científica. (SANTOS,
2012, p. 9)
Para a escola universalista a contabilidade interage com todas as ciências
para assim, de maneira harmônica transmitir seus fenômenos por meio de números.
1.3.10 – Neopatrimonialismo, nova escola do pensamento contábil?
Esse novo pensamento teve origem como o Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá,
contudo para o próprio professor o Neopatrimonialismo ainda não se estabelece
como nova escola do pensamento contábil, ainda falando sobre o Prof. Dr. Antônio
Lopes de Sá, o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos relata:
(...) Para o citado professor. O fenômeno patrimonial, como objeto de
indagação, não foge à norma que requer a compreensão da essencialidade,
como ponto de partida de um entendimento racional.
Os estudos concentram-se em obter uma filosofia do fenômeno patrimonial,
organizando logicamente as relações que são responsáveis pelas causas
dos fatos, distinguido-as em relações lógicas dos seguintes tipos:
essenciais, dimensionais e ambientais, tendo como axioma a eficácia.
(SANTOS, 2012, p. 9)
O Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos ainda diz:
O Prof. Lopes de Sá procura fazer uma classificação dos sistemas por
hierarquia de necessidades, tendo então os seguintes sistemas:
1.
Básico:
compreende
os
sistemas
de
liquidez,
rentabilidade,
estabilidade e economicidade;
2.
Auxiliar:
compreende
os
sistemas
de
produtividade
invulnerabilidade;
3.
Complementar: sistema de elasticidade. (SANTOS,
2012, p. 9)
e
26
Embora pareça muito interessante a escola neopatrimonialista, ainda não se
sabe muito, mas possivelmente ainda será terá a influência de outros pensadores
para que assim possa a ser destacada como nova escola do pensamento contábil,
porém já existem artigos abordando a assunto de maneira contundente e elucidante.
1.4
– Teoria da Contabilidade e os Princípios de Contabilidade
Os princípios de contabilidade servem como colunas de sustentação para a
as teorias da ciência contábil de modo que toda e qualquer teoria de cunho cientifico
e/ou profissional deve estar estabelecido sobre os princípios de contabilidade.
Os renomados professores e pesquisadores em Ciências Contábeis, Sérgio de
Iudícibus, José Carlos Marion e Ana Cristina de Faria em seu livro “Introdução à
Teoria da Contabilidade”, pag. 63 mencionam o seguinte a respeito dos princípios de
contabilidade:
Os Princípios Fundamentais de Contabilidade, que, como vimos
consiste em apresentar informação estruturada para os usuários.
(IUDÍSCIBUS, MARION, e FARIA 2009, p. 63)
Podemos então, notar que os princípios são parte essencial do estudo em
Ciências Contábeis e que toda e qualquer doutrina, teoria contábeis, ou ambas
devem estar estabelecidas por meio dos princípios de contabilidade.
Os princípios de contabilidade passaram recentemente por mudanças, pois em 06
de junho de 2010 o Conselho Federal de contabilidade – CFC alterou os princípios
de contabilidade, normatizados pela Resolução CFC 750/93 que passaram por
alterações por meio da Resolução CFC Nº 1.282/2010 que em seu art. 1º diz:
Art. 1º Os ‘Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC)’, citados na
Resolução
CFC
750/93,
passam
a
denominar-se
‘Princípios
de
Contabilidade (PC).
Para melhor explanação dos princípios de contabilidade será necessário a
exposição dos princípios segundo a nova Resolução CFC 1.282/2010.
1.4.1 – Princípio da Entidade
27
Artigo. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da
Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da
diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios
existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de
pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade,
com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio
não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de
sociedade ou instituição.
Entre os princípios de contabilidade esse é princípio que deixa claro a escola
do pensamento contábil que adota-se atualmente. Pois ele menciona que o objeto
da contabilidade é o patrimônio, de modo que este não se confunde com o
patrimônio dos sócios, cotistas ou administradores em geral. Entende-se com isso
que na contabilidade da entidade não se pode, jamais registrar como despesa
gastos que sejam do proprietário ou qualquer outro administrador. Bem como não se
pode registrar na entidade algum ganho que seja do sócio, cotista ou administrador
em geral.
1.4.2 - Princípio da Continuidade
Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará
em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos
componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.
De modo que quando os registros e as demonstrações contábeis são
elaborados tem-se em mente que ela, ou seja, a entidade durará infinitamente. Caso
a entidade esteja em liquidação existe a necessidade de ser adotada outra maneira
de elaboração das demonstrações.
1.4.3 - Princípio da Oportunidade
Art. 6º O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e
apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações
íntegras e tempestivas.
28
Parágrafo único. A falta de integridade e tempestividade na produção e na
divulgação da informação contábil pode ocasionar a perda de sua
relevância, por isso é necessário ponderar a relação entre a oportunidade e
a confiabilidade da informação.
Por tanto esse principio prevê que o registro contábil e suas demonstrações
precisam ser feitas, ou elaboradas no momento em que os fatos contábeis
aconteçam, para que as demonstrações contábeis possam ser o máximo possível
confiável. Pois, a fim de que seja relevante a informação contábil deve ser feita no
momento em que o fato contábil ocorra.
1.4.4 - Princípio do Registro pelo Valor Original
Art. 7º O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os
componentes do patrimônio devam ser inicialmente registrados pelos
valores originais das transações, expressos em moeda nacional.
Nesse princípio pode-se compreender que no patrimônio os fatos são
registrados pelos valores originais das compras ou vendas. Porém percebe-se que
muitas vezes os bens sofrem alterações em seus valores que interferem diretamente
no real conhecimento de sua mensuração. Por isso o artigo 7º da Resolução CFC
1.282/2010, em suas alíneas seguintes nos mostra as variações que podem ativos e
passivos sofrer. Lembrando que o Princípio da Atualização Monetária foi revogado
pela Resolução CFC nº. 1282/10, passando assim para o Princípio do Registro pelo
Valor Original a informação de questões a respeito da atualização monetária.
(a) Custo corrente. Os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou
equivalentes de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos ou
ativos equivalentes fossem adquiridos na data ou no período das
demonstrações contábeis. Os passivos são reconhecidos pelos valores em
caixa ou equivalentes de caixa, não descontados, que seriam necessários
para liquidar a obrigação na data ou no período das demonstrações
contábeis;
b) Valor realizável. Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou
equivalentes de caixa, os quais poderiam ser obtidos pela venda em uma
forma ordenada. Os passivos são mantidos pelos valores em caixa e
equivalentes de caixa, não descontados, que se espera seriam pagos para
29
liquidar as correspondentes obrigações no curso normal das operações da
Entidade;
c) Valor presente. Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado
do fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo
item no curso normal das operações da Entidade. Os passivos são
mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de saída líquida de
caixa que se espera seja necessário para liquidar o passivo no curso normal
das operações da Entidade;
d) Valor justo. É o valor pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo
liquidado, entre partes conhecedoras, dispostas a isso, em uma transação
sem favorecimentos; e,
e) Atualização monetária. Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da
moeda nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis mediante
o ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes
patrimoniais.
1.4.5 - Princípio da Competência
Art. 9º O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações
e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem,
independentemente do recebimento ou pagamento.
Esse princípio, tão importante para contabilidade pressupõe que numa
transação de compra deve ser registrada a receita, mesmo se não houver
pagamento. E se houver uma compra, o desembolso é registrado mesmo antes da
efetiva saída de caixa.
1.4.6 - Princípio da Prudência
Art. 10 O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor
para os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre
que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das
mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido.
Parágrafo único. O Princípio da Prudência pressupõe o emprego de certo
grau de precaução no exercício dos julgamentos necessários às estimativas
em certas condições de incerteza, no sentido de que ativos e receitas não
sejam superestimados e que passivos e despesas não sejam subestimados,
30
atribuindo maior confiabilidade ao processo de mensuração e apresentação
dos componentes patrimoniais. (Resolução
CFC nº. 1282/10).
O Princípio da Prudência pressupõe que se deve ter cautela quando se tratar
de receitas e ativos de modo à nunca superestimar ativos e nunca subestimar
passivos, em suma prever prejuízos e não lucros. Pois o propósito desse princípio é
fazer com que as informações contábeis sejam confiáveis.
31
CAPÍTULO 2 – TEORIA DA CONTABILIDADE: ATIVOS
2.1 – Conceito de Ativo
Para que haja uma melhor compreensão da necessidade de mensuração e
registro da capacidade humana na geração de benefícios econômicos se tornou
indispensável o conceito do elemento patrimonial conhecido como ativo. Pois a
princípio é imprescindível um estudo da conceituação de ativo para que se possa
chegar a um entendimento mais coerente e amplo do que representa para a teoria
da contabilidade o esforço humano empregado no patrimônio das entidades para a
real mensuração do sistema patrimonial e assim conhecer como as entidades
geraram riquezas e outros benefícios econômicos. Com isso veremos a definição de
ativo segundo EDILSON PAULO apud HENDRIKSEN e BREDA (p. 2) relata que a
Financial Accounting Standard Board – FASB definiu ativo da seguinte maneira:
benefícios econômicos futuros prováveis, obtidos ou controlados por uma entidade
em consequência de transações ou eventos passados. “(...) todos os bens e direitos
de propriedades da empresa, mensurável monetariamente, que representam
benefícios futuros para a empresa.” (ALVES apud MARION, 2012 p.25)
Sérgio de Iudicíbus em seu livro Análise de Balanços se refere que: “São
todos os bens e direitos de propriedade e controle da empresa, que são avaliáveis
em dinheiro e que representam benefícios presentes ou futuros para a empresa.” De
modo que vemos que a empresa precisa ter o controle sobre o bem em questão, e
ter o controle não significa necessariamente que empresa é proprietária do bem,
mas sim que ela detém o poder de decisão daquele determinado bem. BELTRAME
citando BEUREN diz o seguinte: “(...) um ativo é reconhecido no balanço, quando
são provável que a empresa venha a receber dele benefícios econômicos futuros e o
ativo tem um custo ou valor que possa ser medido em bases confiáveis.” E ainda
nos proporciona a seguinte definição de ativo por uma visão mais econômica: “ativo
é o futuro resultado econômico que se espera de um agente”. (BELTRAME e
BEUREN apud IASC, 2012, p. 3).
Posteriormente foi mencionado pelos mesmos autores que:
Finalmente, também se enquadram todos os recursos humanos, quer os
32
dirigidos para a administração, quer para a produção de bens ou serviços
ou outras funções. São recursos que, caso deles se espere um resultado
econômico no futuro, representam itens do ativo da entidade a que se
referem. São recursos econômicos, ativos econômicos e, portanto,
merecedores de reconhecimento como ativos contábeis.
(BELTRAME e BEUREN apud MARTINS, 2012, p. 3)
Então, como vemos as características de um ativo são: ele precisa ser
controlado pela empresa e que dele se espere benefícios econômicos futuros, essa
mesma ideia é corroborada pela 3ª edição dos pronunciamentos técnicos contábeis,
edição de 2010 que menciona ativo da seguinte maneira: “Ativo é um recurso
controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera
que resultem futuros benefícios econômicos para a entidade.”
Portanto se pode concluir que tudo aquilo que não traz uma expectativa de
rendimento, receita, ganho ou lucro para as entidades não pode ser classificado
como ativo. Mas existem duas espécies de ativos, os ativos tangíveis e os ativos
intangíveis. Os ativos podem ser divididos em dois tipos de ativo: os tangíveis e os
intangíveis.
2.2 – Reconhecimento dos Ativos
De acordo com o CPC 00 reconhecimento de ativo como elemento
patrimonial é feito da seguinte maneira: “Um ativo é reconhecido no balanço
patrimonial
quando
for
provável
que
benefícios
econômicos
futuros
dele
provenientes fluirão para a entidade e seu custo ou valor puder ser determinado em
bases confiáveis.” (CPC, 2011, p. 27)
Ainda o CPC 00 menciona que o ativo não deve ser reconhecido na seguinte
forma:
Um ativo não é reconhecido no balanço patrimonial quando desembolsos
tiverem sido incorridos ou comprometidos, dos quais seja improvável a
geração de benefícios econômicos para a entidade após o período contábil
corrente. Ao invés, tal transação é reconhecida como despesa na
demonstração do resultado. Esse tratamento não implica dizer que a
33
intenção da Administração ao incorrer na despesa não tenha sido a de gerar
benefícios econômicos futuros para a entidade ou que a Administração
tenha sido mal conduzida. A única implicação é que o grau de certeza
quanto à geração de benefícios econômicos para a entidade, após o
período contábil corrente, é insuficiente para justificar o reconhecimento de
um ativo.
(CPC, 2011, p. 27)
2.3 – Mensuração dos Ativos
Mensurar é medir, ou dar a algo quantidade, na contabilidade todos os fatos
de uma entidade são medidos e avaliados por meio de uma grandeza de medida.
Em todas as ciências exatas existem grandezas de medidas, não é diferente com a
contabilidade, muito embora não seja uma ciência exata a contabilidade usa de
medidas para avaliar os fenômenos patrimoniais. Na física, para medir a massa de
um corpo usa-se o quilograma (kg), para medir o peso de um corpo usa-se a
unidade de medida chamada Newton (N) etc. Na contabilidade a grandeza e a
unidade de medida que se usa é a monetária, de modo que é dado aos itens
patrimoniais valore monetários para que assim se possa mensurar tais itens. O CPC
00 menciona o seguinte a respeito de mensuração dos elementos patrimoniais:
Mensuração é o processo que consiste em determinar os montantes
monetários por meio dos quais os elementos das demonstrações contábeis
devem ser reconhecidos e apresentados no balanço patrimonial e na
demonstração do resultado. Esse processo envolve a seleção da base
específica de mensuração. (CPC,
2011, p. 28)
De modo que são atribuídos aos elementos das demonstrações contábeis
números para que assim sejam reconhecidos e identificados. E o CPC 00 no item
4.55 segue dizendo:
Um número variado de bases de mensuração é empregado em diferentes
graus e em variadas combinações nas demonstrações contábeis. Essas
bases incluem o que segue:
(a)
Custo histórico. Os ativos são registrados pelos montantes pagos
em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos
entregues para adquiri-los na data da aquisição (...)
34
(b)
Custo corrente. Os ativos são mantidos pelos montantes em caixa
ou equivalentes de caixa que teriam de ser pagos se esses mesmos ativos
ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data do balanço (...)
(c)
Valor realizável (valor de realização ou de liquidação). Os ativos são
mantidos pelos montantes em caixa ou equivalentes de caixa que poderiam
ser obtidos pela sua venda em forma ordenada (...).
(d)
Valor presente. Os ativos são mantidos pelo valor presente,
descontado, dos fluxos futuros de entradas líquidas de caixa que se espera
seja gerado pelo item no curso normal das operações (...)
(CPC, 2011, p. 44)
Ainda a respeito de mensuração Maria Goreth Miranda Almeida e Zaina Said
El Hajj apud GUERREIRO citando Mock e Grove, mencionam o seguinte a respeito
de mensuração: "(...) conjunto de procedimentos que atribui números a objetos e
eventos com o objetivo de prover informações válidas, confiáveis, apropriadas e
econômicas para os tomadores de decisões"
Dessa maneira vemos que mensurar adequadamente é fundamental para o
reconhecimento das informações contábeis e é proposto expor que existem quatro
bases de mensuração dos ativos que são: custo histórico, custo corrente, custo
realizável e valor presente. Por meio dessas quatro bases de mensuração os ativos
são reconhecidos e medidos no Balanço Patrimonial. Contudo a base mais usada é
o custo histórico.
2.4 - Ativos Tangíveis
Ativos Tangíveis são todos os ativos que possuem matéria ou corpo, que se
pode ser tocar; nas entidades esses ativos são bastante diversificados, são bens
que a entidade geralmente usa para o funcionamento de suas atividades, são os
estoques, numerários e ativos do subgrupo Imobilizado, em suma são ativos de
existência física.
2.5 - Ativos Intangíveis
Ativo intangível é todo aquele ativo que não dispõe de materialidade, ou seja,
não possui os elementos físicos para sua existência e daí torna-se imaterial ou
35
incorpóreo, segundo EDILSON PAULO ativo intangível é:
O mesmo que Ativo Imaterial; encerra valores que não encontram um
correspondente corpóreo, como: Fundo de Comércio ou Aviamento,
Patentes de invenção, etc. Pode ser chamado, também, Ativo Incorpóreo.
(PAULO apud SÁ e SÁ, 2012, p. 2)
Já PAULO citando MARTINS menciona ativo intangível dessa maneira:
(...) se quisermos ligar a etimologia da palavra ‘intangível’ à definição dessa
categoria de Ativos nada conseguiremos, a não ser concluir que não há
significado etimológico no conceito contábil. Patentes são considerados
Ativos Intangíveis; mas Prêmios de Seguro Antecipados não possuem
qualquer caráter de tangibilidade maior do que aquelas, porém não
pertencem ao grupo dos Intangíveis. Na verdade, Investimentos, Duplicatas
a Receber, depósitos Bancários, representam todos eles direitos, mas
apesar da falta de existência corpórea, são considerados intangíveis.
(PAULO apud MARTINS, 2012, p. 2)
Embora a definição de ativo intangível pareça ser de difícil compreensão, para
os estudos desse artigo basta se atentar para o fato de que ativo intangível é aquele
que está classificado no patrimônio da empresa constando no subgrupo Intangível,
desligando-se assim, um pouco da etimologia literal da palavra que é aquilo que não
possui corpo, mas sabemos que no patrimônio nem tudo o que não tem corpo ou
matéria está no subgrupo Intangível, pois podemos perceber que é o caso dos
direitos, que embora sejam literalmente intangíveis ainda assim não estão
classificados no subgrupo Intangível, pois eles são classificados no ativo circulante,
entretanto temos que ressaltar a definição e os exemplos que a 3ª edição dos
pronunciamentos técnicos contábeis, edição de 2010 menciona no CPC 04 em seu
item 9 diz assim:
As entidades frequentemente despendem recursos ou contraem obrigações
com a aquisição, o desenvolvimento, a manutenção ou o aprimoramento de
recursos intangíveis como conhecimento cientificou ou técnico, projeto e
implantação de novos processos ou sistemas, licenças, propriedade
intelectual, conhecimento mercadológico, nome, reputação, imagem e
36
marcas registradas (incluindo nomes comerciais e títulos de publicações).
Exemplos de itens que se enquadram nessas categorias amplas são:
softwares, patentes, direitos autorais, direitos sobre filmes cinematográficos,
listas de clientes, direitos sobre hipotecas, licenças de pesca, quotas de
importação, franquias, relacionamentos com clientes ou fornecedores,
fidelidade
de
clientes,
comercialização. (CPC,
participação
no
mercado
e
direitos
de
2011, p. 143)
Com isso se destaca o elemento do conhecimento e da propriedade
intelectual como sendo considerados ativos intangíveis, ou seja, geram benefícios
econômicos futuros como faz menção o item 17 do CPC 04; “Os benefícios
econômicos futuros gerados por ativo intangível podem incluir a receita da venda de
produtos ou serviços, redução de custos ou outros benefícios resultantes do uso do
ativo pela entidade. Por exemplo, o uso da propriedade intelectual em um processo
de produção pode reduzir os custos de produção futuros em vez de aumentar as
receitas futuras”. Portanto nota-se que, como ativo intangível, o conhecimento e o
intelecto humano contribuem para o crescimento das entidades de maneira
significativa.
37
CAPÍTULO 3 – TEORIA DA CONTABILIDADE: ATIVO HUMANO
3.1 - Características do Ativo Humano
Desde o início do mundo o trabalho é a principal mola propulsora do
desenvolvimento e crescimento econômico do homem. No início do século, por
exemplo, com o desenrolar da industrialização clássica, época em que o homem era
tratado assim como uma máquina, era de se entender o fato de o homem não ser
tão importante como o é hoje, mas será que antigamente trabalho humano era
valorizado? Evidentemente que não, pois mesmo com a força humana para gerar
riqueza, já naquela época o trabalho humano era desvalorizado e não se falava em
atividade humana como fator primordial para a geração de benefícios econômicos,
esse tipo de entendimento só passou a ser considerado como importante a partir da
era da informação ou a era do conhecimento, onde se começou a aparecer o
fenômeno da globalização e também o surgimento de tecnologias e avançados
sistemas de informação que tornaram mais rápida e mais precisa a tomado de
decisão nas ciências como um todo, mas foi logo após o término da II guerra
mundial se pensou a necessidade dos países se unirem em blocos econômicos, e
com isso passou a ser requerer maior capacidade intelectual do homem e desta
maneira percebemos o quanto mais necessitou-se de conhecimento e desde então
se passou a considerar o homem mais do somente máquina, e por isso se
expressou de maneira bem apropriada o famoso ator inglês Charles Spencer
Chaplin (1889-1977) quando disse: "Não sois máquinas! Homens é que sois!"
portanto irrompeu-se na cabeça humana a devida característica do homem frente
sua situação como participante da atividade industrial, que serve, sem sombra de
dúvidas para as atividades comerciai, de prestação de serviços e etc.
Desde essa época a ciência e a tecnologia começaram a inundar o mundo e
daí surgiram os sistemas de informática e começou assim o período em que mais e
mais o conhecimento humano agregou valor e deu maior resultado as entidades,
situação na qual a força bruta humana deu lugar ao intelectual para a geração de
benefícios econômicos a curto e longo prazos, e com isso se tornou inevitável a
mensuração desse elemento que tem agregado valor, mas não tem tido seu lugar
nas demonstrações contábeis, bem se expressou Idalberto Chiavenato quando em
38
seu livro intitulado Gestão de Pessoas pag. 11 mencionou o seguinte: ”As pessoas
constituem o principal ativo da organização...”.
Já para a autora Consuelo Rocha Dutra de Lara, autora do Livro “A atual
Gestão do Conhecimento” na página 128 considera que seria de suma importância:
“(...)
propor
às
autoridades
competentes
(Poder
Legislativo,
Conselho
e
Contabilidade, etc) que seja revista a forma atual de contabilização contemplando o
valor intelectual e o valor humano das organizações.” (LARA, 2003 p. 128)
Porém é bom mencionar o fato de que ainda agrega valor às entidades
aqueles que com a força de seu trabalho e produção - em indústrias, comércios e
construções civis, adicionam valores e geram riqueza para as diversas entidades em
todo o mundo. Produção essa capaz de gerar os benefícios esperados pelas
entidades e que tem somente crescido, é o que podemos ver no gráfico da figura 1
em que mostra uma evolução na última década da produção física, pensemos no
quanto essa produção gerou de riqueza e outros benefícios para as entidades nesse
período e nos outros, não seria então importante para as organizações medirem e
registrarem em suas demonstrações contábeis seu ativo humano? Ativo esse gerou
tal benefício ao longo dos anos?
Figura 1 - Produção da Força de Trabalho Humano
FONTE: IBGE http://www.ibge.gov.br
Em uma ocasião onde o conhecimento e a capacidade humana de criar se
39
tornaram tão evidentes, não é de se espantar que o ativo humano se tornasse mais
rentável e significativo para as entidades do que muitos bens que hoje são
facilmente registrados nas demonstrações contábeis e que são recursos que
adicionam menos valor do que uma equipe de profissionais talentosos, e esforçados
e tal afirmativa podem perceber nas palavras de VENDRAMINI citando Idalberto
Chiavenato quando disse:
O recurso mais importante deixou de ser o capital financeiro e passou a ser
o conhecimento. O dinheiro continua a ser importante, mas ainda mais
importante é o conhecimento sobre como usá-lo a aplicá-lo rentavelmente.
E o emprego começou a migrar intensamente do setor industrial para o
setor de serviços, o trabalho manual substituído pelo trabalho mental,
indicando o caminho para uma era da pós-industrialização fundamentada no
conhecimento e no setor terciário. As pessoas – e seus conhecimentos e
habilidades mentais – passam a ser a principal base da nova organização.
(VENDRAMINI, p. 14)
Dessa maneira podemos supor que na atualidade o ativo humano, que vem a
ser toda a força, seja ela intelectual ou simplesmente física que as entidades
possuem, se tornou um dos maiores bens, pois este tem agregado valor às
entidades nestes últimos tempos. Daí surge também a grande dificuldade para a
contabilidade de como mensurar esse tipo de elemento nas demonstrações
contábeis das entidades espalhadas pelo mundo? Como medir a capacidade
humana de se gerar riqueza e benefícios para as empresas de diversos setores?
Esse é sem dúvida um dos maiores desafios para a contabilidade do século XXI.
3.2 - Mensuração dos Ativos Humanos
A necessidade de mensurar o ativo humano das entidades surge nestes
últimos tempos devido à importância que se tem em tornar evidente nas
demonstrações contábeis a grande contribuição que é ofertada e gerada pela mão
de obra e por todos os que contribuem para o crescimento das organizações, pois
nota-se o fato de que desde a década de 1990, exatamente quando houve o grande
boom da globalização, porque foi nesse momento que passou a se entender que
grande parte da riqueza gerada em uma empresa se dá pelos talentos
40
desenvolvidos internamente e pelo conhecimento dos seus colaboradores bem
como de sua força braçal para a produção de bens e serviços. E a fim de se tornar
mais evidenciado a situação das entidades por suas demonstrações contábeis se
torna imprescindível à mensuração desse elemento patrimonial, que são os
funcionários e colaboradores, pois são eles que aumentam consideravelmente a
riqueza de empresas e dos empresários em todas as entidades.
Cristiane Cervi Bassan e Rogério Hauschildt apud Stewart (1998, p.13), um
especialista sobre o tema capital intelectual ou ativo humano diz o seguinte:
(...) capital intelectual é a soma do conhecimento de todos em uma
empresa, o que lhe proporciona vantagem competitiva. Ao contrário dos
ativos, com os quais os empresários e contabilistas estão familiarizados propriedade, fábricas, equipamento, dinheiro -, o capital intelectual é
intangível. Constitui a matéria intelectual: conhecimento, informação,
propriedade intelectual, experiência, que pode ser utilizada para gerar
riqueza. (BASSAN,
HAUSCHILDT apud STEWART, 2012 p. 13)
Müllers citando Stewart (p. 34) menciona que:
Quando o mercado de ações avalia empresas em três, quatro ou dez vezes
mais que o valor contábil de seus ativos, está contando uma verdade
simples, porém profunda: os ativos físicos de uma empresa baseada no
conhecimento contribuem muito menos para o valor de seu produto (ou
serviço) final do que os ativos intangíveis – os talentos de seus funcionários,
a eficácia de seus sistemas gerenciais, o caráter de seus relacionamentos
com os clientes – que, juntos, constituem seu capital intelectual.
(MÜLLER apud STEWART, 2012 p. 34)
Torna-se evidente que existe uma dificuldade para se mensurar a atividade
humana e seus talentos para que se possa evidenciá-los nas demonstrações
contábeis. O problema já começa na contratação de pessoal, pois os empregadores
entendem - e é assim que se pensa que funcionários gerem despesas e não
receitas, o que contradiz a real conceituação de ativo, que ativo gera benefício
econômico para a empresa. Mas será que funcionários e colaboradores não geram
benefícios econômicos? Sim, geram, e a maioria dos administradores e empresários
não entendem que para se ter receitas é necessário ter despesas, e seria mais
41
adequado ter a consciência que funcionários, ou seja ativo humano gera benefícios
econômicos, e que deveriam ser registrados no balanço patrimonial e não ser
alocado unicamente como uma despesa. Que na verdade não é.
Para Cristiane Cervi Bassan e Rogério Hauschildt em seu artigo Mensuração
do Capital Intelectual: Um Desafio Importante Para a Contabilidade é mencionado o
seguinte:
O capital humano é aquele incorporado nas pessoas que possuem talentos
para criação de produtos e serviços de qualidade, com o intuito de atrair
clientes e satisfazê-los da melhor maneira possível.
Talento é a essência da pessoa, o que compreende seus pensamentos e
sentimentos. Nenhum talento é igual a outro: as pessoas são diferentes e
todos os tipos de talentos são importantes. A questão é encontrar a pessoa
certa, com o talento certo, para realizar a tarefa certa. Conhecimento e
habilidades podem ser ensinados, transferidos de uma pessoa para outra;
talento é o próprio estilo da pessoa, e não pode ser transferido para outro. A
grande chave do sucesso de uma empresa é ajudar seus funcionários a
conduzirem seus talentos na busca de um excelente desempenho.
(BASSAN, HAUSCHILDT, 2005 p.95)
O quadro a seguir evidencia algumas características humanas que contribui
para o crescimento das entidades e não são mesuradas como ativo embora gere
benefícios econômicos
Figura 2 – As Características do Ativo Humano
- Educação Formal (superior, técnico, profissionalizante;
- Espírito Empreendedor;
- Conhecimentos;
- Capacidade de produção;
- Know-how / Experiência;
- Habilidade de Liderança;
- Espírito de Time;
- Estabilidade;
- Habilidade de Planejamento;
- Satisfação / Motivação;
- Investimento em Treinamento;
- Dedicação*;
- Agilidade*;
- Pró-atividade*;
- Trabalho braçal*.
Fonte: Artigo Capital Intelectual e Mensuração: Um Estudo de Caso em Uma Empresa de
Telecomunicação, por MAISE SOARES PEREIRA, JOÃO LUIS ALEXANDRE FIÚSA, VERA MARIA
RODRIGUES PONTE (Universidade de Fortaleza). *autor.
42
Esse já é o grande desafio da contabilidade: mensurar os itens do quadro
anterior como sendo útil para ser apresentados nas demonstrações contábeis, com
o propósito de que a capacidade humana de geração de riqueza possa ser
reconhecida como se deve, ou seja, for medida e controlada a fim de que seja
possível a apresentação desses fenômenos patrimoniais de maneira correta e justa.
Embora seja uma verdade, que ainda falta meios de encontrar uma maneira de
reconhecer as despesas referentes a esses ativos, mas em breve haverá uma
maneira de fazer tal reconhecimento para que no futuro, um dos mais importantes
itens do patrimônio das entidades – o ativo humano possa ser evidenciado de uma
maneira mais correta e precisa para que as entidades possam ser controladas com
maior eficácia e o país se torne mais desenvolvido.
3.3 - Ativo Humano Reconhecido nas Demonstrações Contábeis
Então sabemos que o trabalho humano deve ser reconhecido como sendo
ativo da entidade e não somente custo ou despesa, pois sabemos que a atividade
humana está entre as maiores forças para a geração de benefício econômicos, de
modo que como as características da atividade humana são idênticas as de ativo,
não seria justo reconhecê-lo como somente despesa ou custo. Por isso há de se
pensar em maneiras de reconhecer a atividade humana das entidades como sendo
ativo. Porém temos primeiro que saber o valor desse ativo e a base sobre a qual
devemos aplicar para o devido reconhecimento desses ativos. Poderia ser aplicado
o valor de retorno sobre a folha de pagamento a fim de saber o quanto cada real
empregado no funcionário renderia retorno sobre o lucro tal como é feito com os
demais investimentos que se utilizam da fórmula de retorno sobre o investimento
(ROI = LUCRO/INVESTIMENTO), por tanto poderia ser aplicado a seguinte fórmula
para o retorno sobre a folha de pagamento (retorno sobre a folha de pagamento =
lucro/folha de pagamento mensal), de modo que poderíamos saber o quanto
exatamente cada real empregado na folha de pagamento renderia retorno.
Exemplo: vamos supor que a empresa tenha lucrado no último exercício 60.000 e
tenha tido um gasto com a folha de pagamento no valor de 40.000, utilizando da
fórmula de retorno sobre a folha de pagamento vamos ter o seguinte índice: RFP =
L/FP, sendo assim RFP = 60.000/40.000, então temos o RFP no valor de 1,50, ou
43
seja, para cada real investido na folha de pagamento a empresa teve um retorno de
1,50.
3.4 – Modelo de Contabilização do Ativo Humano
Se o ativo humano precisa estar registrado nas demonstrações contábeis
evidentemente então precisa ser contabilizado em partidas dobradas assim como
todos os fatos contábeis que ocorrem nas entidades.
Para calcular o valor do ativo humano usaremos o modelo de mensuração descrito
na tabela 1 abaixo:
Tabela 1 – Fórmula do Capital Intelectual
CI= VM – VC – M onde, CI = capital intelectual, VM = valor de mercado da empresa, VC = valor
contábil da empresa e M = Marca da empresa.
Supondo que a empresa MG Comércio LTDA apresentou o seguinte Balanço
Patrimonial no dia 31/12/20X2:
Tabela 2 – Balanço Patrimonial Sem o Ativo Humano
BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO
31/12/20x2
PASSIVO
31/12/20x2
ATIVO CIRCULANTE
Disponível
Caixa
Bancos
Aplicação Financeira
Créditos Realizáveis
Clientes
(-) Dup. Descontadas
Aplicação em RDB
Aplicação em Ouro
Estoques
Desp. Antecipadas
ATIVO NÃO CIRCULANTE
Realizável a L/PZ
Investimentos
Imobilizado
Intangível
TOTAL
R$ 1.508.655,00
R$ 396.594,00
R$
15.417,00
R$ 340.112,00
R$
41.065,00
R$ 351.402,00
R$ 634.040,00
R$ (417.860,00)
R$ 100.000,00
R$
35.222,00
R$ 750.659,00
R$
10.000,00
R$ 1.810.743,00
R$ 168.080,00
R$ 512.000,00
R$ 1.103.403,00
R$
27.260,00
R$ 3.319.398,00
PASSIVO CIRCULANTE
Obrigações a C/Prazo
Fornecedores
IR e CSLL a Recolher
ICMS a Recolher
Empr. e Financiamentos
Obrigações Trabalhistas
Adiantamento de Clientes
PASSIVO NÃO CIRCULANTE
Empréstimo de Diretor
Financiamentos
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital Social
Ajuste de Aval. Patrimonial
Reserva Legal
Reserva Estatutária
(-) Ações em Tesouraria
TOTAL
R$ 2.349.100,00
R$ 2.349.100,00
R$ 950.700,00
R$ 330.984,00
R$
42.459,00
R$ 896.957,00
R$
38.000,00
R$
90.000,00
R$
50.000,00
R$
25.000,00
R$
25.000,00
R$ 920.298,00
R$ 600.000,00
R$ (10.000,00)
R$ 190.000,00
R$ 240.298,00
R$ (100.000,00)
R$ 3.319.398,00
Vejamos o exemplo da empresa MG Comércio LTDA tem um valor contábil de
R$ 920.298,00 e foi avaliada por um valor justo de R$ 5.600.000,00 ela ainda possui
44
a marca dela no valor de R$ 1.520.000,00 e para que se possa se chegar ao valor
real do ativo humano deduziremos do cálculo o valor da marca da empresa assim a
fórmula fica assim: (CI= VM – VC – M, onde, CI= capital intelectual, VM = valor de
mercado da empresa VC= valor contábil da empresa e M = Marca) e com isso o
valor do ativo humano é de:
VM = R$ 5.600.000,00
VC = R$ 920.298,00
M = R$ 1.520.000,00
Portanto o valor a ser registrado na contabilidade referente ao ativo humano
da empresa MG Comércio LTDA é de R$ 3.159.702. Esse será o valor que vai ser
registrado no Balanço Patrimonial da empresa; para isso cria-se uma conta
chamada Avaliação do Recurso Humano no Patrimônio Líquido em contra partida de
uma conta do Ativa Não Circulante chamada Pessoal Especializado, daí o registro
contábil fica assim:
D – Pessoal Especializado (Ativo Não Circulante)
C – Avaliação de Recurso Humano (Patrimônio Líquido) ------------ 3.159.702,00
Para o reconhecimento do consumo desse novo ativo, mensalmente se fará
um ajuste tendo uma conta redutora do ativo chamada Perda Acumulada de Pessoal
Especializado em contra partida de uma conta de resultado chamada Pessoal
Especializado, valor esse reconhecido mediante redução anual de 10% do valor do
ativo humano, ou seja, 0,83% de desvalorização mensal, ficando o registro contábil
para primeiro mês de janeiro de 20X3 o valor de R$ 26.225,00 e a contabilização da
seguinte maneira:
D – Pessoal Especializado (Resultado - Despesa)
C – Perda Acumulada Pessoal Especializado (Ativo Não Circulante) -- 26.225,00
45
Tabela 3 - Balanço Patrimonial Com o Ativo Humano
BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO
31/01/20x3
PASSIVO
31/01/20x3
ATIVO CIRCULANTE
Disponível
Caixa
Bancos
Aplicação Financeira
Créditos Realizáveis
Clientes
(-) Dup. Descontadas
Aplicação em RDB
Aplicação em Ouro
Estoques
Desp. Antecipadas
ATIVO NÃO CIRCULANTE
Realizável a L/PZ
Investimentos
Imobilizado
Pessoal Especializado
(-) Perda Acum. Pess. Esp.
Intangível
TOTAL
R$ 1.508.655,00
R$ 396.594,00
R$
15.417,00
R$ 340.112,00
R$
41.065,00
R$ 351.402,00
R$ 634.040,00
R$ (417.860,00)
R$ 100.000,00
R$
35.222,00
R$ 750.659,00
R$
10.000,00
R$ 4.944.220,00
R$ 168.080,00
R$ 512.000,00
R$ 1.103.403,00
R$ 3.159.702,00
R$ (26.225,00)
R$ 27.260,00
R$ 6.452.875,00
PASSIVO CIRCULANTE
Obrigações a C/Prazo
Fornecedores
IR e CSLL a Recolher
ICMS a Recolher
Empr. e Financiamentos
Obrigações Trabalhistas
Adiantamento de Clientes
PASSIVO NÃO CIRCULANTE
Empréstimo de Diretor
Financiamentos
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital Social
Ajuste de Aval. Patrimonial
Reserva Legal
Reserva Estatutária
(-) Ações em Tesouraria
Avaliação de Rec. Humano
(-) Prejuízos Acumulados
TOTAL
R$ 2.349.100,00
R$ 2.349.100,00
R$ 950.700,00
R$ 330.984,00
R$
42.459,00
R$ 896.957,00
R$
38.000,00
R$
90.000,00
R$
50.000,00
R$
25.000,00
R$
25.000,00
R$ 4.053.775,00
R$ 600.000,00
R$ (10.000,00)
R$ 190.000,00
R$ 240.298,00
R$ 100.000,00)
R$ 3.159.702,00
R$ (26.225,00)
R$ 6.452.875,00
De modo que para o mês de Janeiro de 20x3, caso não haja nenhum outro
registro e seja considerado o registro do ativo humano no Balanço Patrimonial da
empresa MG Comércio LTDA após a apuração do resultado de janeiro ficaria assim:
Com o ativo humano registro na empresa notou-se um aumento de 94,40% no
patrimônio da empresa MG Comércio LTDA, ou seja, quase o dobro do valor
anterior, já o Ativo Não Circulante aumentou em 173,05% e o Patrimônio Líquido
aumentou em 340,49%, ou seja, triplicou com referência ao anterior, e assim
podemos ver que a entidade valorizou-se muito depois desses ajustes realizados na
empresa, valor esse que representa uma realidade melhor no que tange ao seu
patrimônio e principalmente no que diz respeito ao ativo da empresa, pois passou a
evidenciar a figura do ativo humano como sendo agente gerador de benefícios para
a entidade.
A principal importância em contabilizar e registrar o ativo humano como sendo
parte importante do patrimônio das entidades é pelo fato de ser esse uma das
principais fontes de para a manutenção, conservação e continuidade das empresas
em todos os tempos, contudo nestes últimos tempos a capacidade humana em gerar
benefícios econômicos aumentou de maneira significativa, de modo que devido a
46
toda a essa força humana as entidades atingem ano após ano números fantásticos,
porque a cada vez mais se percebe o quanto tem se tornado imprescindível a
inteligência, força e criatividade humana para melhorar as entidades e a sociedade,
e assim podemos ver que se as empresas começarem a registrar seus principais
ativos, ou seja, seus colaboradores, eles saberão que o seu patrimônio é maior do
que parece
47
CAPÍTULO 4 – RECONHECIMENTO DO ATIVO HUMANO EM UMA
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, ESTUDO DE CASO NA FEDERALCRED
CENTRAL
4.1 - A Empresa: Federalcred Central
A Federalcred Central foi constituída em 19 de novembro de 2000. As
cooperativas de crédito de Policiais Federais e Rodoviários Federais dos Estados
de Alagoas, Paraíba, Ceará, Goiás e Espírito Santo resolveram se unir em torno
da ideia de criar um Sistema de Crédito Cooperativo próprio, que pudesse
congregar cooperativas com similaridades importantes de área de ação, nicho e
características econômico-financeiras. A avaliação pelo Banco Central do Brasil
sobre o processo foi longa e criteriosa, por se tratar da primeira cooperativa
central do País a pleitear área de abrangência nacional, um tabu à época. Um
encontro inopinado entre o então Presidente da Federalcred em Alagoas, Sr.
Noaman Alencar, e o Presidente do Banco Central do Brasil à época, Dr. Armínio
Fraga, no aeroporto de Brasília, propiciou o que inicialmente foi uma conversa
informal sobre o assunto, mas que evoluiu para contatos mais frequentes e
culminou com a evocação do processo de constituição da central pela Presidência
do Banco Central em Brasília e com a sua aprovação, em 05 de julho de 2001.
Sete meses após a assembleia geral de constituição, era homologada a primeira
central de cooperativas de crédito do Brasil com abrangência em todo o território
nacional e surgia o Sistema Federalcred.
O projeto era constituir cooperativas de policiais federais em cada unidade
da Federação, num período de 15 anos. Foi escolhida a linda cidade de Maceió
para abrigar a sede da central, principalmente em função dos diretores eleitos
residirem e trabalharem nessa cidade. A partir daí, a Central começou a
empreender importantes ações, com foco no desenvolvimento do Sistema
Federalcred:
a)
Fomentou e assessorou diretamente a constituição das Federalcred no Rio
Grande do Norte, em Minas Gerais, Bahia e Sergipe, todas aprovadas pelo Banco
Central;
48
b)
Filiou a Saudecred, que congrega servidores do Ministério da Saúde em
Alagoas, e a Cred-Ufes, dos servidores da Universidade Federal do Espírito
Santo;
c)
Elaborou o projeto de reformulação do convênio de compensação de
cheques e outros papéis com o Banco do Brasil, apresentado à diretoria do banco
em 2001 e reapresentado em 2002, cuja implantação revolucionou o
relacionamento da instituição com as cooperativas de crédito de todo o País e
permitiu às cooperativas do Sistema Federalcred se tornarem pilotos de todos os
projetos do banco daí advindos para o segmento;
d)
firmou convênios de cooperação com a Unicred Norte-Nordeste, para
utilização de sua estrutura de auditoria e repasses de recursos aos associados do
Sistema
O Sistema Federalcred conta hoje com 1 central, 12 singulares em 10
Estados, 15 pontos de atendimento e mais de 5.000 associados. Emprega
diretamente 123 colaboradores, movimentam ativos da ordem de R$ 49,6
Milhões, operações de crédito de R$ 36,8 Milhões, depósitos de R$ 23,3 Milhões
e possui um Patrimônio Líquido de R$ 22,9 Milhões.
Figura 3 - Organograma da Federalcred Central
Fonte: http://www.federalcred.com.br/institucional/estrutura/
49
Contendo os seguintes setores:
Conselho de Administração
Conselho Fiscal
Contábil
Controles Internos
Financeiro
Fomento e Capacitação
Gerência Administrativa e Financeira
Gerência de Desenvolvimento
Gerência de Segurança
Gestão de Risco
Secretária Executiva
Serviços Gerais
Superintendência
4.2 - Estatísticas da Federalcred Central
A Federalcred Central é composta atualmente por 18 funcionários que estão
divididos nos setores acima relacionados R$ 2.374, 11, e uma folha de pagamento
em torno de 42,7 mil reais. E um faturamento anual acima de 2,5 milhões. A seguir
algumas informações importantes da Federalcred Central.
Figura 4 - Estrutura do Ativo
ESTRUTURA DO ATIVO - 2012
1%
Ativo Circulante
Ativo Não Circulante
99%
Na figura 5, o gráfico mostra que 99% do seu ativo é composto por ativo
circulante, ou seja, bens e direitos que se transformarão em dinheiro a curto prazo,
isso mostra que a empresa possui uma bens e direitos que se converterão em caixa
e equivalentes de caixa a curto prazo. Já o seu ativo não circulante mostra um
50
número inexpressivo de 1% do seu ativo, indicando que a empresa não costuma
trabalhar com bens e direitos a longo prazo.
Figura 5 - Estrutura do Ativo Circulante
ESTRUTURA DO ATIVO CIRCULANTE - 2012
4%
0% 0%
5%
10%
Caixa e equivalentes de
caixa
Aplicações Interfinanceiras
de Liquidez
Títulos e Valores Mobiliários
81%
Operações de Crédito
Outros Créditos
Podemos perceber que ao compor o ativo circulante, percebe-se que 81% é
composto por títulos e valores mobiliários com alta liquidez, são letras do tesouro de
alta liquidez, o que torna o capital de giro com uma liquidez alta. Em seguida vem as
operações de crédito com 10% do ativo circulante, ou seja, 10% de operações que
envolvem empréstimos para associados e que possuem vencimento a curto prazo
dando assim maior capacidade na liquidez desses empréstimos.
Figura 6 - Estrutura do Ativo Não Circulante
ESTRUTURA DO ATIVO NÃO CIRCULANTE - 2012
1%
2% 0%
14%
Realizável a L. Prazo
Investimentos
Imobilizado
83%
Intangível
Diferido
Já na composição do Ativo Não Circulante, daquele 1% mencionado
anteriormente 83% é composto pelo Imobilizado, são os bens que a empresa possui,
mas não tem a intenção de venda, como por exemplo, os computadores e demais
móveis e utensílios. Enquanto que 14% são compostos por Investimentos que a
cooperativa faz e possui vencimento a longo prazo, mais especificamente
participação em outras cooperativas.
51
Figura 7 – Ativo
Ativo - 2012
R$ 18.000.000,00
R$ 16.000.000,00
R$ 14.000.000,00
R$ 12.000.000,00
R$ 10.000.000,00
R$ 8.000.000,00
R$ 6.000.000,00
R$ 4.000.000,00
R$ 2.000.000,00
R$ -
ATIVO
Na figura 8, podemos ver o comportamento do Ativo ao longo do ano de 2012,
e pode-se
se ver que houve um aumento mais considerável no 3º trimestre, onde em
julho - como se vê no gráfico da figura 9, houve um crescimento acima de 15%. De
modo que o 3º trimestre de 2012 foi o melhor do ano na Federalcred Central.
Central
Figura 8 - Análise Horizontal do Ativo
AH% ATIVO
y = -0,0015x + 0,0543
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
AH% ATIVO
5,00%
0,00%
Linear ( AH%
ATIVO)
-5,00%
-10,00%
-15,00%
Na figura 9, no gráfico da análise horizontal, análise essa que mostra o
comportamento
omportamento do ativo ao longo do ano, de modo que podemos saber com esse
gráfico se o ativo evoluiu ou involuiu. Bem com relação ao crescimento do ativo ao
longo do ano, podemos ver que o na maioria do tempo ele cresceu, mas que no final
52
do ano deu uma leve inclinada negativamente, embora a tendência seja de uma
involução ainda pode se esperar previsões positivas para os próximos anos.
Figura 2 - Origens de Recursos
Reservas
de Lucro
0%
Principais Origens de Recursos
Depósitos
0%
Sobras no mês
0%
Sobras/Perdas
Acumuladas
0%
Capital Social
33%
Relação
Inter/Interd.
64%
Outras
Obrigações
3%
Na figura 10 – Origens de Recursos vemos que 64% dos recurso da
Federalcred se originam dos empréstimos que a empresa toma das filiadas, para
manter o seu capital de giro, pois todo o empréstimo e obrigação contraída pela
Federalcred Central tem exigibilidade curta, ou seja, é de curto prazo. Mesmo as
Outras Obrigações que empresa possui são a curto prazo e constitui apenas 3% das
origens dos recursos, os outros 33% são de origem do investimento dos associados
com a integralização do Capital Social.
Figura 3 – Resultado 2012
RESULTADO 2012
MESES
RECEITAS
DESPESAS
RESULTADO
Janeiro
R$ 262.458,03
R$ 245.194,52
R$ 17.263,51
Fevereiro
R$ 232.148,07
R$ 234.151,21
-R$ 2.003,14
Março
R$ 265.081,88
R$ 275.890,44
-R$ 10.808,56
Abril
R$ 224.063,78
R$ 216.475,73
R$ 7.588,05
Maio
R$ 191.061,23
R$ 197.376,82
-R$ 6.315,59
Junho
R$ 167.680,60
R$ 182.412,21
-R$ 14.731,61
Julho
R$ 271.455,09
R$ 246.160,83
R$ 25.294,26
Agosto
R$ 211.998,13
R$ 226.271,12
-R$ 14.272,99
Setembro
R$ 173.235,30
R$ 209.562,92
-R$ 3 6.327,62
Outubro
R$ 215.264,76
R$ 194.900,89
R$ 20.363,87
Novembro
R$ 1.081.978,02
R$ 1.098.839,53
-R$ 16.861,51
Dezembro
R$ 1.278.209,40
R$ 1.317.198,11
-R$ 38.988,71
53
Figura 4 - Gráfico Receitas e Despesas
R$ 1.340.000,00
R$ 1.140.000,00
R$ 940.000,00
R$ 740.000,00
R$ 540.000,00
RESULTADO
R$ 340.000,00
R$ 140.000,00
-R$ 60.000,00
A figura 11 mostra as receitas e despesas ao longo do ano e evidencia que no
3º trimestre a Federalcred Central mostrou um melhor desempenho,
desempenho pois logo no
início do trimestre, em julho apresentou uma sobra de R$ 25.294,26 e com isso
atingiu a maior sobra do ano. Porém no ano de 2012 a empresa
mpresa apresentou muitas
perdas, mesmo assim, as sobras de uma maneira geral, como podemos ver no na
figura 13 teve altas e baixas durante o ano.
Figura 5 – Sobras
SOBRAS
R$ 45.000,00
R$ 35.000,00
R$ 25.000,00
R$ 15.000,00
R$ 5.000,00
SOBRAS
-R$ 5.000,00
-R$ 15.000,00
-R$ 25.000,00
-R$ 35.000,00
-R$ 45.000,00
54
No ano de 2012 as sobras apresentaram muitos altos e baixos, teve sobras
de mais de 25 mil, como vemos em julho e perdas de mais de 36 mil como nota-se
em setembro, essas oscilações drásticas não contribuíram para um bom
desenvolvimento da empresa, pois a média a respeito das sobras seria uma perda
de cerca de 2,4 mil reais, o que não bom.
4.3 – Contabilização do Ativo Humano na Federalcred Central
Neste tópico veremos a aplicabilidade da contabilização do ativo humano na
Federalcred Central, para isso será tido como base o Balanço Patrimonial referente
ao mês de junho de 2012, mês que se encerra o exercício social da empresa. Da
mesma forma visto anteriormente vamos usar a fórmula usada anteriormente que é:
(CI= VM – VC – M, onde, CI= capital intelectual e VM = valor de mercado da
empresa VC= valor contábil da empresa), porém não incluiremos o valor da marca,
mas somente os valores que possivelmente corresponde ao capital intelectual da
entidade, capital intelectual esse que envolve mais do que o ativo humano, mas para
não torna-se mais longo o procedimento, vamos somente mensurar a capacidade
humana da entidade, pois esta tem parcela quase que total do potencial intangível
da empresa, de modo que ao aplicar a fórmula proposta o valor a ser considerado
corresponde quase em sua totalidade ao ativo humano, porque sabemos que
quando um entidade tem um valor de mercado maior que o valor contábil significa
que seu ativo intangível é maior do que o registrado contabilmente, pois para uma
empresa ter o seu valor contábil menor que o valor de mercado significa dizer que o
valor que excede sem encontra nos seus funcionários, clientes e sem dúvida knowhow estão incluídos, contudo para o caso da Federalcred Central, levaremos em
consideração somente a força de trabalho que gera o excedente do que está
comumente registrado na contabilidade, isto é, o ativo humano, porque devido a
Federalcred Central ser uma central de cooperativas e tem como uma das principais
funções o de centralizar funções e dar suporte a suas filiadas. E com isso precisa
contar com profissionais que agreguem valor e nome a empresa de modo a gerar
benefícios econômicos para a entidade. Portanto segue abaixo o Balanço
Patrimonial da Federalcred referente ao mês de junho de 2012.
55
Tabela 4 - Balanço Patrimonial Federalcred Central Sem o Ativo Humano
BALANÇO PATRIMONIAL FEDERALCRED CENTRAL 30/06/2012
ATIVO
PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE
R$ 12.118.388,76
DISPONIBILIDADES
R$ 109.385,32
PASSIVO CIRCULANTE
R$ 8.150.161,51
TÍTULOS E VAL. MOBILIÁRIOS
R$ 7.674.579,09
OUTRAS OBRIGAÇÕES
R$ 327.272,16
VINCUL. A COMP DE RECOMP
R$ 7.674.579,09
OPERAÇÕES DE CRÉDITO
R$ 3.108.350,20
SOCIAIS E ESTATUTÁRIAS
R$ 38.025,67
OPERAÇÕES DE CRÉDITO
R$ 3.108.350,20
Setor Privado
R$ 3.185.811,75
FISCAIS E PREVIDENCIARIAS
R$ 31.744,00
(-) PROVISÃO PARA CLD
-R$ 77.461,55
OUTROS CRÉDITOS
R$ 524.735,26
OUTROS VALORES E BENS
R$ 24.596,95
DIVERSAS
R$ 257.502,49
ATIVO NÃO CIRCULANTE
INVESTIMENTOS
R$ 175.977,16
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
R$ 4.144.204,41
R$ 24.809,55
CAPITAL
R$ 4.084.805,67
IMOBILIZADO DE USO
R$ 146.209,99
DE DOMICILIADOS NO PAÍS
R$ 4.084.805,67
DIFERIDO
R$ 4.215,38
RESERVAS DE SOBRAS
R$ 14.497,45
ATIVO INTANGÍVEL
TOTAL DO ATIVO
R$ 742,24
R$ 12.294.365,92
SOBRAS/PERDAS ACUM.
TOTAL DO PASSIVO
R$ 44.901,29
R$ 12.294.365,92
Figura 6 – Composição do Ativo sem o Ativo Humano
Composição do Ativo sem o Ativo Humano
1%
ATIVO CIRCULANTE
ATIVO NÃO CIRCULANTE
99%
Podemos notar então que o Ativo da Federalcred Central é composto por 99%
de Ativo Circulante indicando que seus bens e direitos tem uma liquidez a curto
56
prazo de 99%, enquanto que o Ativo Não Circulante participa com apenas 1% de
todo o Ativo, e com isso podemos perceber que seus bens, cuja liquidez é a longo
prazo compõe apenas 1% de todo o Ativo da Federalcred Central.
Figura 7 - Origens de Recursos sem o Recurso Humano
Origens de Recursos sem o Recurso Humano
34%
PASSIVO CIRCULANTE
PASSIVO NÃO CIRCULANTE
66%
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
0%
Já no que se refere à origem de recurso da Federalcred Central, podemos ver
que sem o recurso humano como a maior fonte de recurso é o Passivo circulante, ou
seja são os empréstimos e todo o recurso de terceiro que ela adquire com
exigibilidade a curto prazo e isso faz com que sua principal fonte de recurso precise
ser quitada de forma breve, e com Isso podemos ver também que a empresa não
costuma se endividar a longo prazo pois seu Passivo Não Circulante está zerado.
Porém a segunda fonte de recurso é Patrimônio Líquido, com 34% do total das
origens de recursos da entidade.
Vemos também que seu ativo (Tabela 5, p. 56) está em mais de R$
12.294.365,92 e seu patrimônio líquido em pouco mais de R$ 4.144.204,41, mas
supondo que no exercício seguinte, no mês de janeiro a empresa passe a ser
avaliada pelo mercado por um valor de R$ 25.000.000,00, e o seu ativo e o
patrimônio líquido permaneçam sem alteração vejamos como ficará seu patrimônio
após a aplicação da fórmula e da devida contabilização.
57
CI= VM – VC
CI = 25.000.000,00 - 4.144.204,41
CI = 20.855.795,59
Partindo para a contabilização desse fenômeno contábil segue o lançamento
em partidas dobradas da seguinte maneira:
D – Pessoal Especializado (Ativo Não Circulante)
C – Avaliação de Recurso Humano (Patrimônio Líquido) ------------------ 20.855.795,59
E o lançamento referente ao reconhecimento da despesa pelo consumo do
bem ficará registrado da seguinte maneira – tendo em vista que o valor a ser
apropriado mensalmente na contabilidade terá como base o valor referente a uma
taxa de 10% ao ano, sendo assim desta maneira ficará o registro contábil:
D – Pessoal Especializado (Resultado - Despesa)
C – Perda Acumulada Pessoal Especializado (Ativo Não Circulante) ------- 173.103,10
Desse jeito monta-se um novo balanço patrimonial da Federalcred Central
com o registro do seu ativo humano, e o novo balanço patrimonial fica assim:
Tabela 5 - Balanço Patrimonial Com o Ativo Humano
BALANÇO PATRIMONIAL FEDERALCRED CENTRAL 31/07/2012
ATIVO
PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE
DISPONIBILIDADES
TÍTULOS E VAL. MOBILIÁRIOS
VINCUL. A COMP DE RECOMP
OPERAÇÕES DE CRÉDITO
OPERAÇÕES DE CRÉDITO
Setor Privado
(-) PROVISÃO PARA CLD
OUTROS CRÉDITOS
OUTROS VALORES E BENS
ATIVO NÃO CIRCULANTE
INVESTIMENTOS
PESSOAL ESPECIALIZADO
(-) PERD. ACUM. PESS. ESPECIL.
IMOBILIZADO DE USO
DIFERIDO
ATIVO INTANGÍVEL
TOTAL DO ATIVO
R$ 12.118.388,76
R$ 109.385,32
R$ 7.674.579,09
R$ 7.674.579,09
R$ 3.108.350,20
R$ 3.108.350,20
R$ 3.185.811,75
(R$ 77.461,55)
R$ 524.735,26
R$ 24.596,95
R$ 20.858.669,65
R$ 24.809,55
R$ 20.855.795,59
(R$ 173.103,10)
R$ 146.209,99
R$ 4.215,38
R$ 742,24
R$ 32.977.058,41
PASSIVO CIRCULANTE
R$ 8.150.161,51
OUTRAS OBRIGAÇÕES
R$ 327.272,16
SOCIAIS E ESTATUTÁRIAS
R$ 38.025,67
FISCAIS E PREVIDENCIARIAS
R$ 31.744,00
DIVERSAS
R$ 257.502,49
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
R$ 24.826.896,90
CAPITAL
AVAL. DE RECURSO HUMANO
DE DOMICILIADOS NO PAÍS
RESERVAS DE SOBRAS
(-) PERDAS ACUMULADAS
TOTAL DO PASSIVO
R$ 4.084.805,67
R$ 20.855.795,59
R$ 4.084.805,67
R$ 14.497,45
(R$ 128.201,81)
R$ 32.977.058,41
58
Figura 8 - Composição do Ativo com o Ativo Humano
Composição do Ativo com o Ativo Humano
37%
ATIVO CIRCULANTE
ATIVO NÃO CIRCULANTE
63%
Veja que com a inclusão do Ativo Humano no Balanço Patrimonial (Figura 9)
a participação do Ativo Não Circulante aumentou de 1% para 63% de participação,
isso porque o Ativo Humano deve ser considerado como tendo uma liquidez a longo
prazo, por se tratar de um bem que a entidade não pretende se desfazer, ou seja,
não está em negociação. Já o Ativo Circulante antes participava com 99%, agora
participa com 34% uma baixa de 34,34% referente a demonstração anterior.
Figura 10 - Origens de Recursos com o Recurso Humano
Origens de Recursos com o Recurso Humano
25%
PASSIVO CIRCULANTE
0%
PASSIVO NÃO CIRCULANTE
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
75%
59
Agora com a inclusão do recurso humano como sendo parte da origem de
recurso da Federalcred Central, pode-se destacar um aumento de 220,59% de
participação do Patrimônio Líquido da empresa, pois o recurso humano seria
considerado recurso próprio da entidade ao qual os sócios investem para que se
possa garantir o benefício econômico da entidade. Com esse aumento o Patrimônio
Líquido que antes participava com 34% (Figura 11), agora participa com 75% do
total da origem de recurso, fazendo assim com que a empresa passe a depender
menos dos recursos de terceiros, pois estes que participavam antes com 66%, agora
participam com 25% do total dos recursos provenientes de terceiro, ou seja, teve
uma queda de 37,88% nessa participação.
Com esse novo balanço patrimonial a empresa apresentou um aumento de
168,23% em seu patrimônio, apresentou também um aumento de 499,06% no seu
patrimônio líquido, enquanto que o ativo não circulante teve um aumento absurdo de
11.753,06%, com isso vemos também que o ativo não circulante passou a ter uma
participação no ativo de 63,25%, ou seja, de cada R$ 100,00 do ativo, R$ 63,00 são
ou tem a capacidade de liquidez a longo prazo, isso representa que os ativos
humanos da Federalcred Central só lhe trarão os benefícios esperado a longo prazo,
ademais quando se adquire força humana para que se possa ter benefícios
econômicos muito provavelmente isso ocorrerá no longo prazo, porque é comum
para muitas empresas treinar seus colaboradores para que estes possam
desempenhar as atividades com desenvoltura, isso poderá ajudar as entidades a
reconhecerem que devem manter seus colaboradores na empresa a ajudar para que
estes consigam chegar a seu verdadeiro potencial, o que seria totalmente útil para
as empresa, e com esse tipo de atitude por parte dos empregadores haveria o
mínimo possível de rotatividade das empresas e as pessoas passariam mais tempo
o que iria contribuir significativamente para o crescimento econômico das empresas.
Nesses lançamentos feitos pudemos notar que a entidade aumentou o seu
patrimônio por causa do ativo humano, pois assim se toda a entidade registrasse
seus bens e direitos, ou seja, seu ativo humano haveria muito mais a se esperar das
entidades, muito embora estejamos falando de valores intangíveis o que é muito
complicado, pois ainda é muito difícil fazer os responsáveis pela tomada de decisão
adquirirem a conscientização desse fenômeno contábil que é a força, criatividade e
inteligência humana para a geração de benefícios econômicos.
60
CONCLUSÃO
Assim podemos perceber que o ativo humano, que como vimos é ativo
intangível contribui enormemente para o aumento do patrimônio das entidades de
modo a agregar valor, ademais na era em que vivemos, chamada de era do
conhecimento, é normal que a criatividade e toda a inteligência empregada dentro
das empresas atribuam tanto valor, muito embora não seja ainda evidenciada nas
demonstrações contábeis a capacidade humano dentro das empresas é de
fundamental importância para se saber o quanto ela vale e não será presunção dizer
que o ativo humano é o maior ativo das entidades nestes últimos tempos, porque é
com a atividade que se tem criado coisas que ajudam a melhorar vidas, sem dúvidas
são as ideias de pessoas concentradas em seu trabalho que fazem com que se
mude a maneira de fabricar produtos, talvez seja os esforços de pessoas dedicadas
que fazem com que construções sejam erguidas de modo a beneficiar a vidas de
todos nós, com certeza é a genialidade de homens capazes que fazem com que
aumente a produção e a criação de produtos de extrema necessidade como
remédios e alimentos, são pessoas que produzem, inovam, criam e tudo isso faz
com que todas as pessoas sejam beneficiadas e não exclusivamente no que tange
a questões econômicas mas também melhoram a qualidade de vida das pessoas
tornando a vidas de todas pessoas cada vez melhor.
A ciência contábil como tendo o patrimônio como objeto de seu estudo é
capaz de atribuir valores a esse fenômeno tão importante que é a capacidade
humana para gerar riqueza e tantos outros benefício socioeconômicos que
revolucionam a vidas das pessoas e com sendo assim seria totalmente viável que, a
fim de ajudar da tomada de decisão se pudesse ter mensurado e devidamente
registrado nas demonstrações contábeis a figura do ativo humano, talvez quem sabe
no
futuro
esse
fenômeno
contábil
seja
reconhecido
e
evidenciado
nas
demonstrações contábeis como deveria ser, pois assim poderia realmente saber o
quanto tem de valor um entidade e esse tipo de informação ajudaria sobremaneira
na tomada de decisão por parte de investidores, gestores e administradores de toda
espécie. E assim é.
61
REFERÊNCIAS
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http://www.scielo.br, acessado em 10 de julho de 2012.
ALVES, Francine. Florianópolis, 2005, disponível em http://tcc.bu.ufsc.br, acessado
em 21 de julho de 2012.
BASSAN, Cristiane Cervi; HAUSCHILDT, Rogério; 2005, disponível em
http://cascavel.ufsm.br, acessado em 21 de julho de 2012.
BELTRAME, Cláudia; BEUREN, Ilze Maria, Florianópolis, 2012, disponível em
http://www.abepro.org.br, acessado em 25 de julho de 2012.
BÍBLIA, Português, São Paulo, SBTB, 2009.
CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, 3º Ed., CFC, Brasília, 2011.
IUDÍSCIBUS, Sérgio de, Análise de Balanços, São Paulo: Ed. Atlas S.A, 10º edição,
2010.
IUDÍSCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos; FARIA, Ana Cristina de, Introdução
a Teoria da Contabilidade, São Paulo: Ed. Atlas S.A, 2009.
IUDÍSCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; KANITZ, Charles; RAMOS, Alkindar;
CASTILHO, Edison; BENATTI, Luiz; WEBER FILHO, Eduardo; DOMINGUES
JUNIOR, Ramon; Contabilidade Introdutória, São Paulo: Ed. Atlas S.A. 11º edição,
2010.
LARA, Consuelo. A Atual Gestão do Conhecimento, São Paulo: Ed. Nobel, 2003.
MÜLLER, Éderson, Novo Hamburgo, 2010 disponível em http://ged.feevale.br,
acessado em 02 de agosto de 2012.
PAULO, Edilson, 2012, disponível em http://www.biblioteca.sebrae.com.br,
acessado em 02 de agosto de 2012.
62
SÁ, Antônio Lopes de, Luca Pacioli – Um Mestre do Renascimento, Brasília: Ed.
FBC, 2004.
SANTOS, Waldir Jorge Ladeira, 2012 disponível em http://www.mackenzierio.edu.br, acessado em 04 de agosto de 2012.
VENDRAMINI, Eleksandra Cibele Gusman, 2010, disponível em
http://www.faag.com.br, acessado em 04 de agosto de 2012.
63
APÊNDICE
64
QUESTIONÁRIO
1)
Quantas e Quais eram as escolas contábeis?
Foram nove escolas contábeis: Pseudopersonalismo, Contismo, Materialismo
Substancial,
Personalismo,
Controlismo,
Reditualismo,
Aziendalismo,
Patrimonialismo, Universalismo.
2)
Qual é o novo pensamento contábil que poderá ser considerado como
nova escola contábil e foi idealizado pelo professor doutor Antônio Lopes de
Sá?
O Neopatrimonialismo.
3)
O Patrimonialismo é a escola que atualmente é adotada como no mundo
contábil. Quando ela teve início e qual seu principal pensador?
O Patrimonialismo teve início em 1923 e teve como principal pensador o italiano
Vincenzo Mais.
4)
O que são os princípios de Contabilidade?
São os conceitos básicos que constituem o núcleo essencial que deve guiar a
profissão na consecução dos objetivos da Contabilidade.
5)
Quantos e quais são os princípios de Contabilidade?
São seis os princípios de Contabilidade, e são eles: Princípio da Entidade, Princípio
da Continuidade, Princípio da Oportunidade, Princípio do Registro pelo Valor
Original, Princípio da Competência, Princípio da Prudência.
6)
Qual a definição de Ativos?
São todos os bens e direitos de propriedade e controle da empresa, que são
avaliáveis em dinheiro e que representam benefícios presentes ou futuros para a
empresa
65
7)
Qual a importância em se medir o Ativo Humano?
Por que o Ativo Humano assim como os demais ativos é capaz de gerar benefícios
para as entidades, pois sabemos que é por meio da produção humana e de seu
intelecto que as empresas lucram e geram renda.
8)
Quais as principais características do Ativo Humano?
- Educação Formal (superior, técnico, profissionalizante;
- Espírito Empreendedor;
- Conhecimentos;
- Capacidade de produção;
- Know-how / Experiência;
- Habilidade de Liderança;
- Espírito de Time;
- Estabilidade;
- Habilidade de Planejamento;
- Satisfação / Motivação;
- Investimento em Treinamento;
- Dedicação;
- Agilidade;
- Pró-atividade;
- Trabalho braçal.
9)
Ao aplicar a contabilização do Ativo Humano na Federalcred
Central, qual como isso interferiu no patrimônio da empresa?
A Federalcred Central apresentou um aumento no patrimônio de 168,23%
em seu patrimônio e em seu Patrimônio Líquido apresentou um aumento
de 499,06%.
10)
Como o registro desse novo ativo, o Ativo Humano pode
66
ajudar as empresas a chegar ao valor real de seu patrimônio?
Quando as empresas começarem manter em suas demonstrações
contábeis as informações sobre quanto gera de benefícios para si o Ativo
Humano, elas começarão a conhecer o seu valor real de modo que poderão
ter melhores resultados, pois a Ativo Humano é um dos principais
geradores de benefícios para as entidades de modo que telo registrado em
suas demonstrações fará com que haja maior transparência entre as
empresas do mundo todo.
67
Central das Cooperativas de Crédito Mútuo dos Policiais Federais e Servidores
Públicos da União – Federalcred Central
CNPJ: 04.843.307/0001-95
Endereço: Rua Professora Maria Esther da Costa Barros, 311, 2º andar, Jatiúca,
Maceió-al, CEP: 57036-840
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