1 IESA - INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DE ALAGOAS FAA - FACULDADE ALAGOANA DE ADMINISTRAÇÃO CIÊNCIAS CONTÁBEIS AGLIBERTO DA SILVA CABRAL ELZA ALMEIDA RAMALHO MARCOS EDSON DA SILVA GUIMARÃES MARIA DO SOCORRO A. DE AZEVEDO RAMOS TEORIA DA CONTABILIDADE: O ATIVO HUMANO COMO BENEFÍCIO ECONÔMICO DAS ENTIDADES NA ERA DO CONHECIMENTO Maceió 2013 2 AGLIBERTO DA SILVA CABRAL ELZA ALMEIDA RAMALHO MARCOS EDSON DA SILVA GUIMARÃES MARIA DO SOCORRO A. DE AZEVEDO RAMOS TEORIA DA CONTABILIDADE: O ATIVO HUMANO COMO BENEFÍCIO ECONÔMICO DAS ENTIDADES NA ERA DO CONHECIMENTO Trabalho de conclusão do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Alagoana de Administração e Instituto de Ensino Superior de Alagoas como requisito para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Orientador: Profº Givanildo Marques Maceió 2013 3 AGLIBERTO DA SILVA CABRAL ELZA ALMEIDA RAMALHO MARCOS EDSON DA SILVA GUIMARÃES MARIA DO SOCORRO A. DE AZEVEDO RAMOS. TEORIA DA CONTABILIDADE: O ATIVO HUMANO COMO BENEFÍCIO ECONÔMICO DAS ENTIDADES NA ERA DO CONHECIMENTO Trabalho de conclusão do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Alagoana de Administração e Instituto de Ensino Superior de Alagoas, como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis. _________________________________________________ Orientador: Professor Givanildo Marques de Oliveira _________________________________________________ 1º Examinador: _________________________________________________ 2º Examinador: Data da aprovação: de Maceió 2013 de 2013. 4 A todos os que contribuem para a ciência contábil e a todos os que nos ajudaram a chegar até o presente momento. 5 AGRADECIMENTOS A Deus que é o Grande Criador de todos os seres mortais que e é o Grande Conhecedor da ciência contábil, bem como de todas as ciências que existem e que nos permitiu viver para vermos coisas boas acontecerem em nossas vidas e nos dá a possibilidade de realizar planos e metas e esperamos ainda ver coisas ainda melhores acontecerem na vida de todos nós. Aos pais que contribuíram para que nossas vidas pudessem ter maior significado e nos deram apoio e forças para buscar e realizar nossos planos e metas. Aos nossos familiares que ajudam-nos com palavras de apoio e estão ao nosso lado para desfrutar as alegrias e nos ajudar a suportar as tristezas e servem de sustentação para que não caiamos. Aos professores e a coordenação do curso de Ciências Contábeis da Instituição de Ensino Superior de Alagoas por seus esforços e paciência em nos ajudar a conhecer essa excelente ciência seu campo de atuação. Aos amigos e companheiros de caminhada e todos os que de alguma maneira, não só querem, mas se esforçam para fazer do mundo um lugar melhor. 6 “A revolução da informação representa uma nítida transferência de poder de quem detém o capital para quem detém o conhecimento.” Peter Drucker 7 RESUMO Tendo em vista a capacidade humana para a geração de benefícios econômicos para as entidades na neste século XXI, era do conhecimento. Com isso se torna necessário um cuidadoso estudo dos fenômenos patrimoniais nesses últimos tempos para que seja possível e viável a tomada de decisões, e a um controle econômico-financeiro dos componentes patrimoniais, informações essas que são necessárias para se conhecer os vários elementos das entidades, a fim de que com isso se possa mensurar de maneira correta seus componentes, inclusive a capacidade humana de geração de benefícios econômicos para as entidades inclusive o lucro. Pois todos nós bem sabemos que uma das peças primordiais das entidades é o intelectual humano e/ou a mão de obra, ou ainda em outras palavras, os funcionários que com seu esforço, trabalho e criatividade, são responsáveis pelo aumento significativo das riquezas nas diversas empresas. Tendo em vista que com a ocupação de máquinas e tecnologia, o homem, dentro das empresas passou a ocupar um espaço em que tenha que planejar e executar as funções usando mais o intelecto do que a própria força. E também o quanto gera de benefício econômico aqueles que trabalham com as mãos e a própria força, pois sem dúvida há sim quem ganhe milhões com trabalho de pessoas dedicadas, e como mensurar isso e registrar nas demonstrações contábeis a fim de que se possa conhecer o real valor das entidades? Com a convergência do Brasil às normas internacionais de contabilidade se torna imprescindível buscar maneiras de medir esse fenômeno patrimonial e é o objetivo desse trabalho mostrar uma forma de se mensurar o individuo e sua atividade como um elemento patrimonial, um ativo, e assim poder de maneira clara conhecer o ativo humano como fator decisório para que se possa ter um conhecimento abrangente das entidades de uma maneira completa. Palavras-chave: Intelectual, humano, mensurar. 8 ABSTRACT Given the human capacity to generate economic benefits for organizations in this century, the era of knowledge. With this becomes necessary a careful study of the phenomena sheets in recent times to make it possible and practical decision-making, and control economic and financial components of the property, information which is needed to meet the various elements of the entities, the with it so that you can correctly measure its components, including the human capacity to generate economic benefits for organizations including profit. For we all well know that one of the primary pieces of human bodies is the intellectual and / or labor, or in other words, employees who by their efforts, hard work and creativity, are responsible for the significant increase of wealth in the various companies. Given that the occupation of machinery and technology man inside companies now occupy a space that has to plan and execute functions using more intellect than his own strength. And also generates economic benefits as those who work with their hands and their own strength, for without doubt but who earn millions of people dedicated to work, and how to measure it and record the financial statements so that we can know the real value of the entities? With the convergence of Brazil to international accounting standards becomes essential to seek ways to measure this phenomenon sheet and the aim of this work is to show a way of measuring the individual and his activity as a heritage element, an asset, and thus power so clearly know the active human factor making so you can have a comprehensive knowledge of the entities in a complete manner. Keywords: Intellectual, human, measure. 9 LISTA DE FIGURAS 1 – Produção da Força de Trabalho Humano......................................................................... 38 2 – As Características do Ativo Humano......................................................................... 41 3 – Organograma da Federalcred Central....................................................................................... 48 4 – Estrutura do Ativo......................................................................................................... 49 5 – Estrutura do Ativo Circulante....................................................................................... 50 6 – Estrutura do Ativo Não Circulante................................................................................ 50 7 – Ativo.......................................................................................................................... 51 8 – Análise Horizontal do Ativo......................................................................................... 51 9 – Origens de Recursos................................................................................................ 52 10 – Resultado 2012.............................................................................................................. 52 11 – Gráfico Receitas e Despesas......................................................................................... 53 12 – Sobras.......................................................................................................................... 53 13 – Composição do Ativo sem o Ativo Humano............................................................ 55 14 – Origens de Recursos sem o Recurso Humano......................................................... 56 15 – Composição do Ativo com o Ativo Humano............................................................. 58 16 – Origens de Recursos com o Recurso Humano............................................................. 58 10 LISTA DE TABELAS 1 – Fórmula do Capital Intelectual....................................................................................... 43 2 – Balanço Patrimonial Sem o Ativo Humano .................................................................. 43 3 – Balanço Patrimonial com o Ativo Humano......................................................................... 45 4 – Balanço Patrimonial Federalcred Central Sem o Ativo Humano.............................................. 55 5 – Balanço Patrimonial Com o Ativo Humano ............................................................................. 57 11 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.................................................................................................................... 13 CAPÍTULO 1 - TEORIA DA CONTABILIDADE: VISÃO GERAL..................15 1.1 – Conceito....................................................................................................................... 15 1.2 – Evolução Histórica da Contabilidade.............................................................................. 15 1.3 – Escolas do Pensamento Contábil................................................................................... 17 1.3.1 – Pseudopersonalismo.......................................................................................... 17 1.3.2 – Contismo..............................................................................................................18 1.3.3 – Materialismo Substancial.............................................................................................. 18 1.3.4 – Personalismo.........................................................................................................19 1.3.5 – Controlismo...........................................................................................................20 1.3.6 – Reditualismo............................................................................................................... 21 1.3.7 – Aziendalismo............................................................................................................ 22 1.3.8 – Patrimonialismo...................................................................................................... 22 1.3.9 – Universalismo...................................................................................................... 24 1.3.10 – Neopatrimonialismo, nova escola do pensamento contábil?..............................25 1.4 – Teoria da Contabilidade e os Princípios de Contabilidade........................................... 26 1.4.1 – Princípio da Entidade.................................................................................................... 27 1.4.2 – Princípio da Continuidade.......................................................................................... 27 1.4.3 – Princípio da Oportunidade........................................................................................ 27 1.4.4 – Princípio do Registro pelo Valor Original................................................................ 28 1.4.5 – Princípio da Competência....................................................................................... 29 1.4.6 – Princípio da Prudência............................................................................................... 29 CAPÍTULO 2 – TEORIA DA CONTABILIDADE: ATIVOS...............................31 2.1 – Conceito de Ativo....................................................................................................31 2.2 – Reconhecimento dos Ativos.......................................................................................... 32 2.3 – Mensuração dos Ativos............................................................................................. 33 2.4 – Ativos Tangíveis.......................................................................................................34 2.5 – Ativos Intangíveis...................................................................................................... 35 12 CAPÍTULO 3 – TEORIA DA CONTABILIDADE: ATIVO HUMANO......... 37 3.1 – Características do Ativo Humano.............................................................................. 37 3.2 – Mensuração dos Ativos Humanos............................................................................39 3.3 – Ativo Humano Reconhecido nas Demonstrações Contábeis..................................... 42 3.4 – Modelo de Contabilização do Ativo Humano............................................................... 43 CAPÍTULO 4 – RECONHECIMENTO DO ATIVO HUMANO EM UMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, ESTUDO DE CASO NA FEDERALCRE D CENTRAL......................................................................................................................48 4.1 – A Empresa: Federalcred Central............................................................................... 47 4.2 – Estatísticas da Federalcred Central........................................................................49 4.3 – Contabilização do Ativo Humano na Federalcred Central......................................... 54 CONCLUSÃO..................................................................................................................60 REFERÊNCIAS.................................................................................................................. 61 APÊNDICE...................................................................................................................... 63 13 INTRODUÇÃO Chegamos à época onde existe a melhor tecnologia que o mundo já conheceu e onde a informação contábil se tornou indispensável e necessária para qualquer pessoa ou entidade, época em que a celeridade nos métodos contábeis, agora informatizados, é cada vez mais demandada, e essa demanda de cunho globalizado e cada vez mais informatizada e numa circunstância onde existe e é exigida informação quase que instantânea por meio de avanços nas telecomunicações, tecnologia e informática que transformam o mundo e tem colocado uma nova maneira de compreender o individuo e sociedade dando assim uma nova visão dos métodos de mensuração, controle e informação contábil. Esse período que estamos passando de mudanças significativas na economia mundial e de globalização comprovam que a sociedade mudou, de uma era onde o homem usava sua força, para uma época na qual o conhecimento se tornou mais significativo, e é por isso que essa época é chamada de era do conhecimento, pois vemos que a capacidade intelectual do homem tem aumentado e vemos que a tecnologia tem substituído à força humana, pois o ser humano tem buscado mais e mais meios para deixar de usar a força física e usar com mais precisão a sua capacidade de criação de mecanismos que substituam a força física pela força das máquinas, e o que realmente tem se verificado é o poder de criação do homem diante das circunstâncias; isso tudo deve ser levado em consideração, bem como o próprio trabalho braçal, o quanto ele gere para as entidades com sua força física? Este assunto é de vital importância para as entidades, pois é um ativo muito usado, mas não há registro dessa figura nos balanços patrimoniais das entidades e até é digno de avaliação por parte dos estudiosos, portanto como fazer para mensurar e registrar o ativo humano nas entidades nessa nova era, a era do conhecimento? O reconhecimento e mensuração desse ativo, que pode ser feita pela diferença entre o valor de mercado e o valor contábil para assim chegar ao real valor das entidades e o quanto de benefícios econômicos elas geram. Esse trabalho tem o propósito de reconhecer, identificar e mensurar o ativo humano a fim de saber o quanto as empresas possuem de benefícios econômicos. Para a realização desse trabalho buscamos fontes diversas em livros e artigos de autores, dos mais 14 conceituados aos menos conhecidos e buscamos o acesso a internet para informações atualizadas a fim de realizar o trabalho com clareza. Este trabalho apresenta a seguinte estrutura: no capítulo primeiro mostraremos a teoria da contabilidade, a fim de conhecer as escolas e como elas se desenvolveram ao longo dos anos, para assim podermos conhecer a ciência contábil, bem como os princípios que regem a ciência para saibamos como funciona toda a doutrina contábil. Já no capítulo dois trataremos de definir o ativo tangível e intangível e assim poder ver sua identificação com o trabalho realizado pelos funcionários e no capítulo três trataremos de definir o fenômeno do ativo humano e sua utilidade para as empresas, e por fim, no capítulo quatro utilizaremos a aplicabilidade da mensuração e reconhecimento do ativo humano na Federalcred Central, empresa do seguimento financeiro. 15 CAPÍTULO 1 - TEORIA DA CONTABILIDADE: VISÃO GERAL 1.1 – Conceito A palavra teoria é de origem grega theorein (“observar”). O termo costumava ser usado no contexto da observação de uma peça de teatro, o que consegue explicar o porquê que hoje o fato de falar em teoria se refere ao sentido de observar os fenômenos e assim se chegar às conclusões a que dão o nome de teoria. Não é diferente com a contabilidade, pois quando o homem deu início a observação dos fenômenos patrimoniais teve assim início a teoria contábil, ou seja, é a teoria contábil que dá pontapé inicial ao estudo da contabilidade como se conhece, e vemos assim que não há possibilidade de executar as técnicas se não houver a princípio a teoria que da vida a toda prática, bem como toda teoria é advinda devido à prática humana em determinado assunto, de modo que podemos dizer que é irrefutável a teoria contábil que surgiu porque alguém observou, ou em outras palavras teorizou o fenômeno já existente. 1.2 – Evolução Histórica da Contabilidade Para se entender um pouco dessa mudança das formas contábeis de medir o patrimônio voltemos um pouco na historio, pois foi desde antigamente que o homem buscava satisfazer a necessidade de organizar seu patrimônio a fim de manter e prover o bem estar de si, de sua família e comunidade, desde então quando o homem sentiu a necessidade de proteger, medir e perpetuar sua fonte de sobrevivência é que percebemos as primeiras manifestações de atividade contábil. Tudo começou com a necessidade do homem de organizar seus rebanhos e cultivo da terra, no que tange a plantação e coleta de alimentos, pois foi depois de uma das primeiras revoluções feita pelo homem - a revolução agrícola, e até mesmo antes quando o homem era o caçador e nômade houve-se a necessidade de contar suas armas para manter controle de seus bens, desde essa época se verificou a atividade contábil. Inclusive podemos ver que existe registros na própria Bíblia de contabilidade, foi com Jó que era homem justo e muito rico que habitava na terra de Uz. A Bíblia relata a sua história e no capítulo 1, versículo 3 o seguinte: 16 E o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas, eram também muitíssimos os servos a seu serviço [servos esses que contribuíam muito para o aumento de seu patrimônio], de maneira que este homem era o maior do que todos os do oriente. (BÍBLIA, 2011, p. 593) Essa relação ou inventário que Jó tinha de seu patrimônio era fruto de um controle organizado, que provavelmente, como este possuía muitos servos, possuía também um bom contador para que o mantivesse a par de suas riquezas. Mas esse mesmo Jó perdera todos os seus bens. Mas vemos ainda no capítulo 42, versículo 12 o seguinte: “E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro; pois teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas.” (BÍBLIA, 2011, p. 625) Neste último momento vemos que seu patrimônio havia dobrado, e mais uma vez houve a mão da contabilidade para mensurar o patrimônio de Jó. Mas foi no século XV que a contabilidade se firmou como ciência com o surgimento do método das partidas dobradas que havia sido divulgado por Luca Pacioli, não que ele houvesse criado o método, mas porque ela a divulgou em sua obra intitulada de: “Summa de aritmética, geometria, proporção e proporcionalidade” e com essa divulgação passou a ser conhecido o método das partidas dobradas. Profº Drº Antônio Lopes de Sá em seu livro Luca Pacioli – Um Mestre do Renascimento menciona o seguinte a respeito do advento das partidas dobradas: O processo de registros contábeis que se consagrou por uma “equação” ou igualdade entre o débito e o crédito de contas, alega o emérito professor Federigo Melis, haver surgido na Itália, acredita-se, entre os anos de 1250 e 1280. Ninguém conseguiu, até os nossos dias, identificar o autor das “partidas dobradas” nem apresentar provas das aplicações destas tais como o fizeram os italianos antes da época referida (embora existam antiquíssimos documentos que autorizam a crer que a intuição para o processo tenha nascido no Oriente). Há mais de sete séculos, pois, adotase um critério que se tornou insuperável e cuja natureza é de evidenciar “Causa” e “Efeito” de um ou mais fenômenos patrimoniais. 25) (SÁ, 2004, p. 17 Com isso percebemos que o famoso método das partidas dobradas teve início muito tempo antes de Luca Pacioli em sua “SUMMA” tornar publico esse fantástico método. Com passar do tempo e o desenvolvimento da atividade comercial e industrial e já no século XVIII com o surgimento das máquinas na revolução industrial foi então que houve aumento na produção e com isso maior necessidade de se mensurar os bens, direitos e obrigações das entidades com o propósito de controlar o patrimônio. Foi desta maneira que se tornou relevante o levantamento de relatórios para haver então a tomada de decisão e se tornou necessária a elaboração das demonstrações contábeis e começa- se a dividir o patrimônio em ativo (bens e direitos) e passivo (obrigações). 1.3 – Escolas do Pensamento Contábil 1.3.1 – Pseudopersonalismo Como menciona o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos − Coordenador Acadêmico do Curso de Ciências Contábeis da FMJ: É a primeira escola doutrinária que surgiu com Frei Luca Pacioli, caracterizada pela sua extrema natureza empírica, ou seja, sem qualquer base racional ou fundamentação cientifica, enunciando o seguinte conceito: Faze de conta que este estabelecimento comercial é uma pessoa que se torna devedora de tudo que lhe dás; pelo contrário, torna-se credora de tudo o que se lhe tira ou se recebe como se ela a mesma fosse um terceiro devedor ou um terceiro credor. (SANTOS, 2012, p. 1) Ou seja, era uma corrente de ficção que dava personalidade às contas de modo que havia a presença de relações jurídicas entre pessoas, como é indicado pelos termos Dever e Haver. 1.3.2 – Contismo 18 Essa escola não era considerada cientifica, mas foi a escola que anunciou a chegada da teoria de serem as contas o objeto de estudo da contabilidade, o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos nos dá o seguinte relato histórico: A partir de 1818, o principal líder do Contismo foi Giuseppe Bornaccini. Antes dela, a Teoria das Cinco Contas Gerais de Degranges, em 1795, já se preocupa em estudar o instrumento utilizado para compilar os dados do comportamento da riqueza aziendal, dividindo inicialmente as contas em: (1) Mercadorias Gerais; (2) Caixa; (3) Contas a Receber; (4) Contas a Pagar e (5). Lucros e Perdas. Posteriormente acrescentou a sexta conta, denominada Diversas Contas. (SANTOS, 2012, p. 2) 1.3.3 - Materialismo Substancial Rodrigo Antonio Chaves da Silva, em seu artigo intitulado FILOSOFIA DA CONTABILIDADE menciona que o materialismo substancial: Teve como “pai” Francesco Villa (1840), figura pública Italiana, contador do estado e escritor científico premiado e homenageado, dizia que o objeto da contabilidade era a substância da conta, ou seja, uma matéria que se chama riqueza; fundamentou-se a sua tese em doutrina reconhecida, que formou uma escola de pensamento chamada Lombarda. (SANTOS, 2012, p. 2) No entanto o Contismo perdeu sua força, pois não é a conta o propósito final, a conta é simplesmente um componente patrimonial que evidencia uma movimentação econômico-financeira no patrimônio. Para o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos: “A base doutrinária afirmava serem as contas abertas a valores e não a relações pessoais, admitindo a escrita contábil como parte mecânica. Entendia ser a riqueza aziendal a substância de estudo.” (SANTOS, 2012, p. 3) 1.3.4 - Personalismo 19 Esta escola muito aprofundada em questões jurídicas, a qual transformou a conta em pessoa capaz de diretos e obrigações, se maior líder foi Giuseppe Cerboni e seu maior gênio Giovanni Rossi, o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos desta o seguinte a respeito dessa escola: O Personalismo teve sua origem científica com o francês Hypolitte Vannier, com sua obra editada em Paris, em 1844, que refutava o Contismo e apresentava, com coloração científica, o Personalismo. Mas foi Francesco Marchi quem lançou as bases de um Personalismo científico, abrindo caminho para outros pensadores como Cerboni. Não só combateu a corrente de Degranges como também apresentou as ideias que viriam posteriormente a substituir as do Contismo. (SANTOS, 2012, p. 3) O Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos citando mencionou que Cerboni firmou os seguintes axiomas a respeito do Personalismo: 1º AXIOMA - Toda azienda deve ser administrada, todas possuem um ou mais proprietários, e estes não podem conseguir a gestão se não entram em contato com agentes e correspondentes. Corolários: • Pode ser proprietário da azienda um só indivíduo ou diversos constituídos em sociedade; • O principal em uma azienda, se não for o proprietário, será sempre um representante seu, conservando este todos os poderes que àquele seriam pertinentes; • De direito é o proprietário que exercia a autoridade ou supremacia sobre a azienda. 2º AXIOMA – Uma coisa é desfrutar a propriedade, e outra é administrar. Corolário: quando o proprietário também administra, adquire a dupla qualidade de proprietário e administrador. 3º AXIOMA – Uma coisa é administrar a azienda, e outra é custodiar sua substância e por ela responder materialmente. Corolário: o administrador, tendo o encargo de dirigir e assumir por custódia a substância será a um só tempo gestor e agente consignatário. 4º AXIOMA – Não se pode criar um devedor sem, simultaneamente, criar-se um credor e vice-versa. Corolário: toda soma derivada de qualquer operação da azienda deve ser registrada em débito e em crédito. 20 5º AXIOMA – O proprietário, administrando ou não a azienda, é, de fato, credor da substância e devedor das passividades pertinentes àquela, ao contrário do que ocorre com os agentes e com os correspondentes. Corolário: o crédito do proprietário corresponde ao débito dos agentes e dos correspondentes, e vice-versa; o administrador situa-se como em uma balança de débito e crédito, entre os proprietários de uma parte e os agentes e os correspondentes de outra; o administrador não pode ser devedor nem credor da azienda, senão junto como agente consignatário ou correspondente estranho àquela. 6º AXIOMA – O débito e o crédito do proprietário não variam senão em razão de perdas ou lucros, ou ainda por acréscimos ou reduções do capital originário. Corolário: a permuta de elementos do capital da azienda ou a soma de passagens de um agente ou correspondente a um ou outro, se estas forem idênticas, não modificam a situação do proprietário, nem aquela dos agentes ou correspondentes. É possível ainda hoje encontrar vestígios dessa escola, pois é de praxe os estudantes de contabilidade estudarem o patrimônio como sendo um conjunto de bens, direitos e obrigações, o que não é equivocado, pois o patrimônio ainda é considerado um conjunto de bens, diretos e obrigações, somente esses bens, diretos e obrigações possuem características mais específicas para que possa fazer parte do patrimônio das entidades e assim poder ser evidenciados de maneira mais completa. Por tanto a escola Personalista exerceu grande parte da influencia que conhecemos na contabilidade atualmente e foi base para que outras escolas surgissem. (SANTOS apud CERBONI, 2012, p. 3) 1.3.5 – Controlismo Essa escola teve como principal ícone o contador Fábio Besta que de acordo com o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos: (...) antes de enunciar o Controlismo, já se valia de grande influencia com o Neocontismo, que, como corrente que retomava o Contismo, dando-lhe vestes novas (de caráter científico e não mais o empírico de Bornacinni) e como a primeira reação ao Personalismo, se preocupava mais em saber o que significava a conta e qual a sua verdadeira expressão em meio dos estudos contábeis do que com a forma de apresentação da mesma conta, 21 ou seja, preocupava-se com o conteúdo da conta, reagindo contra os postulados de Cerboni. (SANTOS, 2012, p. 4) Essa escola fez oposição ao Personalismo de Giuseppe Cerboni. Fábio Besta adotou a importância de que a riqueza das entidades devia ser controlada, por tanto ele procurava transmitir que o controle das aziendas deveria ser feito, pois para ele a riqueza satisfazia as necessidades humanas. Daí podemos ver divergências entre a escola de Giuseppe Cerboni que tinha como suposição o fato da entidade ser formada por bens, direitos e obrigações, e de que o estudo da contabilidade deveria estar associado com o direito, porém para Fábio Besta o estudo da contabilidade deveria ser feito para a satisfação das necessidades humanas, por isso o controle era a base para um real levantamento da riqueza aziendal, a fim de que as necessidades humanas fossem satisfeitas pela geração da riqueza. Para Fábio Besta o objeto do estudo contábil era o controle econômico do patrimônio é o que afirma o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos quando diz: Em 1880, quando da abertura do ano acadêmico 1880-1881, em seu memorável discurso, apresentou a ciência contábil como aquela que trazia como objeto de estudo o ‘controle econômico das aziendas’, dividindo este em três funções, a saber: controle antecedente, controle concomitante e controle subsequente. (SANTOS, 2012, p. 4) 1.3.6 – Reditualismo O reditualismo teve como principal pensador o acadêmico e economista alemão Eugen Schmalenbach. Essa escola mantinha a atenção para o resultado das entidades de maneira que supunha ser o resultado o objeto do estudo contábil. Ou seja, eles ignoravam as contas patrimoniais e se preocupavam somente com o resultado afirmando que esse era a finalidade dos estudos em contabilidade. Corroborando com esse assunto o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos diz o seguinte: Era a corrente de pensamento que enunciava ser o resultado (lucro ou prejuízo) o objeto de estudo da contabilidade, ou seja, o reconhecimento da 22 perda ou do lucro como fonte principal da continuidade da atividade empresarial. Os reditualistas estudavam a dinâmica da riqueza patrimonial, mas desprezavam a estrutura dos elementos patrimoniais. Conseguiram desenvolver-se num país socialista, embora a corrente estivesse voltada para o capitalismo. (SANTOS, 2012, p. 5) Em suma os reditualistas acreditavam que a contabilidade se preocupava somente em estudar os resultados das aziendas fosse lucro ou prejuízo, tornando dessa maneira o resultado das entidades como alvo do estudo contábil. 1.3.7 – Aziendalismo Essa escola do pensamento contábil de origem italiana, porém com influência de vários intelectuais da Europa como, por exemplo: da França, Courcelle-Seneuil; da Rússia, Leo Gomberg; da Suíça, Johann Friedrich Schar; e da Alemanha H. Nicklisch e Rudolf Dietrich. Essa escola, no entanto preocupava no estudo da azienda como um todo, à qual buscava interagir as ciências que compõe a entidade como a administração, economia, direito e a contabilidade como base significativa para o objeto do estudo contábil. É o que afirma o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos quando diz: Os aziendalistas se preocupavam em estudar o conjunto de ciências que tratavam da azienda como campo de aplicação. Compunha-se da Administração, da Organização e da Contabilidade, sendo cada ciência apenas parte desse conjunto. (SANTOS, 2012, p. 5) Com isso pode-se dizer que o objeto da contabilidade é o estudo da entidade baseada na doutrina de várias ciências associadas à entidade, por tanto a contabilidade acreditava-se que a contabilidade era a ciência responsável por fazer levantamento quantitativo da riqueza administrativa. 1.3.8 – Patrimonialismo 23 O Patrimonialismo teve início por volta de 1923, e teve como um dos principais pensadores, o italiano Vincenzo Masi, considerado gênio do Patrimonialismo que considerava o patrimônio como sendo o objeto da contabilidade. O Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos apud Vincenzo Masi menciona: Se examinarmos os fenômenos fundamentais de contabilidade, não podemos deixar de reconhecer que requerem indagações acuradas; não se pode negar que se torna necessário observá-los, expô-los procurar explicá-los; depois, munidos dos ensinamentos oferecidos pelas pesquisas feitas com o subsídio de métodos especiais de investigação, próprios das ciências experimentais, daí retirar normas de prática aplicação a casos concretos. Ora, os fenômenos dos custos, das receitas, do rédito, das entradas e saídas financeiras, para lembrar só alguns dos mais evidentes fenômenos contábeis já por nós referidos, são todos investigados em suas fases de constituição e de evolução e apresentam problemas que sempre se apresentaram e sempre se apresentarão. (SANTOS, 2012, p. 6) Vincenzo Mais via o patrimônio não exclusivamente pelo lado quantitativo, mas também pelo lado qualitativo, patrimônio esse composto por fenômenos contábeis. Essa ideia de ser o patrimônio o objeto da contabilidade prevalece até os dias de hoje. E não só Masi defendeu esse pensamento, mas muitos outros intelectuais do mundo contábil, tais como, Francisco D’Auria, Gonçalves da Silva, Hilário Franco e outros. Corroborando o pensamento do gênio Vincenzo Masi, o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos, ainda em seu artigo “Escolas de Pensamento da Ciência Contábil: uma síntese de estudo” diz: Consideremos, pois, a Contabilidade como possuidora de objeto próprio e exclusivo, que é o patrimônio aziendal. Evidentemente esse patrimônio deve ser considerado como um conjunto de relações jurídicas e econômicas, num só todo indivisível. Teremos, então, de fazer abstração das partes que o formam, quando considerada sob outros aspectos e não como elementos formadores do patrimônio. Os bens patrimoniais considerados isoladamente pertencem ao 24 domínio de outras ciências, conforme o aspecto por que sejam eles tomados para estudo, assim como os direitos e as obrigações pertencem ao campo da ciência jurídica. Os elementos do patrimônio constituem objeto de inúmeras ciências, porém em seu conjunto constituem objeto da Contabilidade. Esses elementos, considerados como um todo, o patrimônio, à disposição de uma entidade econômico-administrativa, a azienda, são objeto exclusivo de uma ciência, que é a Contabilidade. (SANTOS, 2012, p. 6) Por tanto não resta dúvidas sobre a o foco da contabilidade, embora outras ciências possam estudar e até colaborem com a manutenção e sua definição, não dúvidas de que ele, ou seja, o patrimônio é objeto da contabilidade, seja de maneira quantitativa ou qualitativa. 1.3.9 Universalismo O Universalismo surgiu da ideia de universalizar o objeto da contabilidade fazendo com que o objeto do estudo contábil fosse estendido a todos os sistemas, ou seja, era a ideia para que a contabilidade pudesse estudar a lógica da estática e dinâmica dos sistemas, e suas finalidades. Assim se expressa o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos a esse respeito: Entende-se por Sistemologia a ciência formal e lógica que estuda a estática e a dinâmica dos sistemas, isto é, suas estruturas e suas finalidades, as variações e as suas causas, no tempo e no espaço, e sua expressão qualitativa e quantitativa em qualquer instante. (SANTOS, 2012, p. 9) Assim como outras escolas do pensamento contábil, o Universalismo também teve grandes nomes que marcaram esse pensamento, tais como o emérito Prof. Francisco D’Auria, o Prof. Dr. Eloy Teixeira Azeredo e o francês René Delaporte. Esse Francês afirmou em 1930 com a obra Concepts raisonnis de La Comptabilité économique, e outra vez o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos falando a respeito do francês René Delaporte diz o seguinte: 25 (...) afirmando que a Contabilidade é a ciência das contas aplicada aos movimentos dos ciclos de quaisquer operações, para enumerar, agrupar e classificar o seu objeto e deles tirar conclusões expressas em números segundo o espírito de cada uma das ciências que ela utiliza. Ela aplica-se universalmente a todas as ciências, segundo uma adoção de suas contas que permanece numa generalidade científica. (SANTOS, 2012, p. 9) Para a escola universalista a contabilidade interage com todas as ciências para assim, de maneira harmônica transmitir seus fenômenos por meio de números. 1.3.10 – Neopatrimonialismo, nova escola do pensamento contábil? Esse novo pensamento teve origem como o Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá, contudo para o próprio professor o Neopatrimonialismo ainda não se estabelece como nova escola do pensamento contábil, ainda falando sobre o Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá, o Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos relata: (...) Para o citado professor. O fenômeno patrimonial, como objeto de indagação, não foge à norma que requer a compreensão da essencialidade, como ponto de partida de um entendimento racional. Os estudos concentram-se em obter uma filosofia do fenômeno patrimonial, organizando logicamente as relações que são responsáveis pelas causas dos fatos, distinguido-as em relações lógicas dos seguintes tipos: essenciais, dimensionais e ambientais, tendo como axioma a eficácia. (SANTOS, 2012, p. 9) O Prof. Waldir Jorge Ladeira dos Santos ainda diz: O Prof. Lopes de Sá procura fazer uma classificação dos sistemas por hierarquia de necessidades, tendo então os seguintes sistemas: 1. Básico: compreende os sistemas de liquidez, rentabilidade, estabilidade e economicidade; 2. Auxiliar: compreende os sistemas de produtividade invulnerabilidade; 3. Complementar: sistema de elasticidade. (SANTOS, 2012, p. 9) e 26 Embora pareça muito interessante a escola neopatrimonialista, ainda não se sabe muito, mas possivelmente ainda será terá a influência de outros pensadores para que assim possa a ser destacada como nova escola do pensamento contábil, porém já existem artigos abordando a assunto de maneira contundente e elucidante. 1.4 – Teoria da Contabilidade e os Princípios de Contabilidade Os princípios de contabilidade servem como colunas de sustentação para a as teorias da ciência contábil de modo que toda e qualquer teoria de cunho cientifico e/ou profissional deve estar estabelecido sobre os princípios de contabilidade. Os renomados professores e pesquisadores em Ciências Contábeis, Sérgio de Iudícibus, José Carlos Marion e Ana Cristina de Faria em seu livro “Introdução à Teoria da Contabilidade”, pag. 63 mencionam o seguinte a respeito dos princípios de contabilidade: Os Princípios Fundamentais de Contabilidade, que, como vimos consiste em apresentar informação estruturada para os usuários. (IUDÍSCIBUS, MARION, e FARIA 2009, p. 63) Podemos então, notar que os princípios são parte essencial do estudo em Ciências Contábeis e que toda e qualquer doutrina, teoria contábeis, ou ambas devem estar estabelecidas por meio dos princípios de contabilidade. Os princípios de contabilidade passaram recentemente por mudanças, pois em 06 de junho de 2010 o Conselho Federal de contabilidade – CFC alterou os princípios de contabilidade, normatizados pela Resolução CFC 750/93 que passaram por alterações por meio da Resolução CFC Nº 1.282/2010 que em seu art. 1º diz: Art. 1º Os ‘Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC)’, citados na Resolução CFC 750/93, passam a denominar-se ‘Princípios de Contabilidade (PC). Para melhor explanação dos princípios de contabilidade será necessário a exposição dos princípios segundo a nova Resolução CFC 1.282/2010. 1.4.1 – Princípio da Entidade 27 Artigo. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Entre os princípios de contabilidade esse é princípio que deixa claro a escola do pensamento contábil que adota-se atualmente. Pois ele menciona que o objeto da contabilidade é o patrimônio, de modo que este não se confunde com o patrimônio dos sócios, cotistas ou administradores em geral. Entende-se com isso que na contabilidade da entidade não se pode, jamais registrar como despesa gastos que sejam do proprietário ou qualquer outro administrador. Bem como não se pode registrar na entidade algum ganho que seja do sócio, cotista ou administrador em geral. 1.4.2 - Princípio da Continuidade Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância. De modo que quando os registros e as demonstrações contábeis são elaborados tem-se em mente que ela, ou seja, a entidade durará infinitamente. Caso a entidade esteja em liquidação existe a necessidade de ser adotada outra maneira de elaboração das demonstrações. 1.4.3 - Princípio da Oportunidade Art. 6º O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas. 28 Parágrafo único. A falta de integridade e tempestividade na produção e na divulgação da informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso é necessário ponderar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação. Por tanto esse principio prevê que o registro contábil e suas demonstrações precisam ser feitas, ou elaboradas no momento em que os fatos contábeis aconteçam, para que as demonstrações contábeis possam ser o máximo possível confiável. Pois, a fim de que seja relevante a informação contábil deve ser feita no momento em que o fato contábil ocorra. 1.4.4 - Princípio do Registro pelo Valor Original Art. 7º O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os componentes do patrimônio devam ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional. Nesse princípio pode-se compreender que no patrimônio os fatos são registrados pelos valores originais das compras ou vendas. Porém percebe-se que muitas vezes os bens sofrem alterações em seus valores que interferem diretamente no real conhecimento de sua mensuração. Por isso o artigo 7º da Resolução CFC 1.282/2010, em suas alíneas seguintes nos mostra as variações que podem ativos e passivos sofrer. Lembrando que o Princípio da Atualização Monetária foi revogado pela Resolução CFC nº. 1282/10, passando assim para o Princípio do Registro pelo Valor Original a informação de questões a respeito da atualização monetária. (a) Custo corrente. Os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data ou no período das demonstrações contábeis. Os passivos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, não descontados, que seriam necessários para liquidar a obrigação na data ou no período das demonstrações contábeis; b) Valor realizável. Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada. Os passivos são mantidos pelos valores em caixa e equivalentes de caixa, não descontados, que se espera seriam pagos para 29 liquidar as correspondentes obrigações no curso normal das operações da Entidade; c) Valor presente. Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações da Entidade. Os passivos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera seja necessário para liquidar o passivo no curso normal das operações da Entidade; d) Valor justo. É o valor pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo liquidado, entre partes conhecedoras, dispostas a isso, em uma transação sem favorecimentos; e, e) Atualização monetária. Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis mediante o ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais. 1.4.5 - Princípio da Competência Art. 9º O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Esse princípio, tão importante para contabilidade pressupõe que numa transação de compra deve ser registrada a receita, mesmo se não houver pagamento. E se houver uma compra, o desembolso é registrado mesmo antes da efetiva saída de caixa. 1.4.6 - Princípio da Prudência Art. 10 O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido. Parágrafo único. O Princípio da Prudência pressupõe o emprego de certo grau de precaução no exercício dos julgamentos necessários às estimativas em certas condições de incerteza, no sentido de que ativos e receitas não sejam superestimados e que passivos e despesas não sejam subestimados, 30 atribuindo maior confiabilidade ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais. (Resolução CFC nº. 1282/10). O Princípio da Prudência pressupõe que se deve ter cautela quando se tratar de receitas e ativos de modo à nunca superestimar ativos e nunca subestimar passivos, em suma prever prejuízos e não lucros. Pois o propósito desse princípio é fazer com que as informações contábeis sejam confiáveis. 31 CAPÍTULO 2 – TEORIA DA CONTABILIDADE: ATIVOS 2.1 – Conceito de Ativo Para que haja uma melhor compreensão da necessidade de mensuração e registro da capacidade humana na geração de benefícios econômicos se tornou indispensável o conceito do elemento patrimonial conhecido como ativo. Pois a princípio é imprescindível um estudo da conceituação de ativo para que se possa chegar a um entendimento mais coerente e amplo do que representa para a teoria da contabilidade o esforço humano empregado no patrimônio das entidades para a real mensuração do sistema patrimonial e assim conhecer como as entidades geraram riquezas e outros benefícios econômicos. Com isso veremos a definição de ativo segundo EDILSON PAULO apud HENDRIKSEN e BREDA (p. 2) relata que a Financial Accounting Standard Board – FASB definiu ativo da seguinte maneira: benefícios econômicos futuros prováveis, obtidos ou controlados por uma entidade em consequência de transações ou eventos passados. “(...) todos os bens e direitos de propriedades da empresa, mensurável monetariamente, que representam benefícios futuros para a empresa.” (ALVES apud MARION, 2012 p.25) Sérgio de Iudicíbus em seu livro Análise de Balanços se refere que: “São todos os bens e direitos de propriedade e controle da empresa, que são avaliáveis em dinheiro e que representam benefícios presentes ou futuros para a empresa.” De modo que vemos que a empresa precisa ter o controle sobre o bem em questão, e ter o controle não significa necessariamente que empresa é proprietária do bem, mas sim que ela detém o poder de decisão daquele determinado bem. BELTRAME citando BEUREN diz o seguinte: “(...) um ativo é reconhecido no balanço, quando são provável que a empresa venha a receber dele benefícios econômicos futuros e o ativo tem um custo ou valor que possa ser medido em bases confiáveis.” E ainda nos proporciona a seguinte definição de ativo por uma visão mais econômica: “ativo é o futuro resultado econômico que se espera de um agente”. (BELTRAME e BEUREN apud IASC, 2012, p. 3). Posteriormente foi mencionado pelos mesmos autores que: Finalmente, também se enquadram todos os recursos humanos, quer os 32 dirigidos para a administração, quer para a produção de bens ou serviços ou outras funções. São recursos que, caso deles se espere um resultado econômico no futuro, representam itens do ativo da entidade a que se referem. São recursos econômicos, ativos econômicos e, portanto, merecedores de reconhecimento como ativos contábeis. (BELTRAME e BEUREN apud MARTINS, 2012, p. 3) Então, como vemos as características de um ativo são: ele precisa ser controlado pela empresa e que dele se espere benefícios econômicos futuros, essa mesma ideia é corroborada pela 3ª edição dos pronunciamentos técnicos contábeis, edição de 2010 que menciona ativo da seguinte maneira: “Ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera que resultem futuros benefícios econômicos para a entidade.” Portanto se pode concluir que tudo aquilo que não traz uma expectativa de rendimento, receita, ganho ou lucro para as entidades não pode ser classificado como ativo. Mas existem duas espécies de ativos, os ativos tangíveis e os ativos intangíveis. Os ativos podem ser divididos em dois tipos de ativo: os tangíveis e os intangíveis. 2.2 – Reconhecimento dos Ativos De acordo com o CPC 00 reconhecimento de ativo como elemento patrimonial é feito da seguinte maneira: “Um ativo é reconhecido no balanço patrimonial quando for provável que benefícios econômicos futuros dele provenientes fluirão para a entidade e seu custo ou valor puder ser determinado em bases confiáveis.” (CPC, 2011, p. 27) Ainda o CPC 00 menciona que o ativo não deve ser reconhecido na seguinte forma: Um ativo não é reconhecido no balanço patrimonial quando desembolsos tiverem sido incorridos ou comprometidos, dos quais seja improvável a geração de benefícios econômicos para a entidade após o período contábil corrente. Ao invés, tal transação é reconhecida como despesa na demonstração do resultado. Esse tratamento não implica dizer que a 33 intenção da Administração ao incorrer na despesa não tenha sido a de gerar benefícios econômicos futuros para a entidade ou que a Administração tenha sido mal conduzida. A única implicação é que o grau de certeza quanto à geração de benefícios econômicos para a entidade, após o período contábil corrente, é insuficiente para justificar o reconhecimento de um ativo. (CPC, 2011, p. 27) 2.3 – Mensuração dos Ativos Mensurar é medir, ou dar a algo quantidade, na contabilidade todos os fatos de uma entidade são medidos e avaliados por meio de uma grandeza de medida. Em todas as ciências exatas existem grandezas de medidas, não é diferente com a contabilidade, muito embora não seja uma ciência exata a contabilidade usa de medidas para avaliar os fenômenos patrimoniais. Na física, para medir a massa de um corpo usa-se o quilograma (kg), para medir o peso de um corpo usa-se a unidade de medida chamada Newton (N) etc. Na contabilidade a grandeza e a unidade de medida que se usa é a monetária, de modo que é dado aos itens patrimoniais valore monetários para que assim se possa mensurar tais itens. O CPC 00 menciona o seguinte a respeito de mensuração dos elementos patrimoniais: Mensuração é o processo que consiste em determinar os montantes monetários por meio dos quais os elementos das demonstrações contábeis devem ser reconhecidos e apresentados no balanço patrimonial e na demonstração do resultado. Esse processo envolve a seleção da base específica de mensuração. (CPC, 2011, p. 28) De modo que são atribuídos aos elementos das demonstrações contábeis números para que assim sejam reconhecidos e identificados. E o CPC 00 no item 4.55 segue dizendo: Um número variado de bases de mensuração é empregado em diferentes graus e em variadas combinações nas demonstrações contábeis. Essas bases incluem o que segue: (a) Custo histórico. Os ativos são registrados pelos montantes pagos em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos entregues para adquiri-los na data da aquisição (...) 34 (b) Custo corrente. Os ativos são mantidos pelos montantes em caixa ou equivalentes de caixa que teriam de ser pagos se esses mesmos ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data do balanço (...) (c) Valor realizável (valor de realização ou de liquidação). Os ativos são mantidos pelos montantes em caixa ou equivalentes de caixa que poderiam ser obtidos pela sua venda em forma ordenada (...). (d) Valor presente. Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado, dos fluxos futuros de entradas líquidas de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações (...) (CPC, 2011, p. 44) Ainda a respeito de mensuração Maria Goreth Miranda Almeida e Zaina Said El Hajj apud GUERREIRO citando Mock e Grove, mencionam o seguinte a respeito de mensuração: "(...) conjunto de procedimentos que atribui números a objetos e eventos com o objetivo de prover informações válidas, confiáveis, apropriadas e econômicas para os tomadores de decisões" Dessa maneira vemos que mensurar adequadamente é fundamental para o reconhecimento das informações contábeis e é proposto expor que existem quatro bases de mensuração dos ativos que são: custo histórico, custo corrente, custo realizável e valor presente. Por meio dessas quatro bases de mensuração os ativos são reconhecidos e medidos no Balanço Patrimonial. Contudo a base mais usada é o custo histórico. 2.4 - Ativos Tangíveis Ativos Tangíveis são todos os ativos que possuem matéria ou corpo, que se pode ser tocar; nas entidades esses ativos são bastante diversificados, são bens que a entidade geralmente usa para o funcionamento de suas atividades, são os estoques, numerários e ativos do subgrupo Imobilizado, em suma são ativos de existência física. 2.5 - Ativos Intangíveis Ativo intangível é todo aquele ativo que não dispõe de materialidade, ou seja, não possui os elementos físicos para sua existência e daí torna-se imaterial ou 35 incorpóreo, segundo EDILSON PAULO ativo intangível é: O mesmo que Ativo Imaterial; encerra valores que não encontram um correspondente corpóreo, como: Fundo de Comércio ou Aviamento, Patentes de invenção, etc. Pode ser chamado, também, Ativo Incorpóreo. (PAULO apud SÁ e SÁ, 2012, p. 2) Já PAULO citando MARTINS menciona ativo intangível dessa maneira: (...) se quisermos ligar a etimologia da palavra ‘intangível’ à definição dessa categoria de Ativos nada conseguiremos, a não ser concluir que não há significado etimológico no conceito contábil. Patentes são considerados Ativos Intangíveis; mas Prêmios de Seguro Antecipados não possuem qualquer caráter de tangibilidade maior do que aquelas, porém não pertencem ao grupo dos Intangíveis. Na verdade, Investimentos, Duplicatas a Receber, depósitos Bancários, representam todos eles direitos, mas apesar da falta de existência corpórea, são considerados intangíveis. (PAULO apud MARTINS, 2012, p. 2) Embora a definição de ativo intangível pareça ser de difícil compreensão, para os estudos desse artigo basta se atentar para o fato de que ativo intangível é aquele que está classificado no patrimônio da empresa constando no subgrupo Intangível, desligando-se assim, um pouco da etimologia literal da palavra que é aquilo que não possui corpo, mas sabemos que no patrimônio nem tudo o que não tem corpo ou matéria está no subgrupo Intangível, pois podemos perceber que é o caso dos direitos, que embora sejam literalmente intangíveis ainda assim não estão classificados no subgrupo Intangível, pois eles são classificados no ativo circulante, entretanto temos que ressaltar a definição e os exemplos que a 3ª edição dos pronunciamentos técnicos contábeis, edição de 2010 menciona no CPC 04 em seu item 9 diz assim: As entidades frequentemente despendem recursos ou contraem obrigações com a aquisição, o desenvolvimento, a manutenção ou o aprimoramento de recursos intangíveis como conhecimento cientificou ou técnico, projeto e implantação de novos processos ou sistemas, licenças, propriedade intelectual, conhecimento mercadológico, nome, reputação, imagem e 36 marcas registradas (incluindo nomes comerciais e títulos de publicações). Exemplos de itens que se enquadram nessas categorias amplas são: softwares, patentes, direitos autorais, direitos sobre filmes cinematográficos, listas de clientes, direitos sobre hipotecas, licenças de pesca, quotas de importação, franquias, relacionamentos com clientes ou fornecedores, fidelidade de clientes, comercialização. (CPC, participação no mercado e direitos de 2011, p. 143) Com isso se destaca o elemento do conhecimento e da propriedade intelectual como sendo considerados ativos intangíveis, ou seja, geram benefícios econômicos futuros como faz menção o item 17 do CPC 04; “Os benefícios econômicos futuros gerados por ativo intangível podem incluir a receita da venda de produtos ou serviços, redução de custos ou outros benefícios resultantes do uso do ativo pela entidade. Por exemplo, o uso da propriedade intelectual em um processo de produção pode reduzir os custos de produção futuros em vez de aumentar as receitas futuras”. Portanto nota-se que, como ativo intangível, o conhecimento e o intelecto humano contribuem para o crescimento das entidades de maneira significativa. 37 CAPÍTULO 3 – TEORIA DA CONTABILIDADE: ATIVO HUMANO 3.1 - Características do Ativo Humano Desde o início do mundo o trabalho é a principal mola propulsora do desenvolvimento e crescimento econômico do homem. No início do século, por exemplo, com o desenrolar da industrialização clássica, época em que o homem era tratado assim como uma máquina, era de se entender o fato de o homem não ser tão importante como o é hoje, mas será que antigamente trabalho humano era valorizado? Evidentemente que não, pois mesmo com a força humana para gerar riqueza, já naquela época o trabalho humano era desvalorizado e não se falava em atividade humana como fator primordial para a geração de benefícios econômicos, esse tipo de entendimento só passou a ser considerado como importante a partir da era da informação ou a era do conhecimento, onde se começou a aparecer o fenômeno da globalização e também o surgimento de tecnologias e avançados sistemas de informação que tornaram mais rápida e mais precisa a tomado de decisão nas ciências como um todo, mas foi logo após o término da II guerra mundial se pensou a necessidade dos países se unirem em blocos econômicos, e com isso passou a ser requerer maior capacidade intelectual do homem e desta maneira percebemos o quanto mais necessitou-se de conhecimento e desde então se passou a considerar o homem mais do somente máquina, e por isso se expressou de maneira bem apropriada o famoso ator inglês Charles Spencer Chaplin (1889-1977) quando disse: "Não sois máquinas! Homens é que sois!" portanto irrompeu-se na cabeça humana a devida característica do homem frente sua situação como participante da atividade industrial, que serve, sem sombra de dúvidas para as atividades comerciai, de prestação de serviços e etc. Desde essa época a ciência e a tecnologia começaram a inundar o mundo e daí surgiram os sistemas de informática e começou assim o período em que mais e mais o conhecimento humano agregou valor e deu maior resultado as entidades, situação na qual a força bruta humana deu lugar ao intelectual para a geração de benefícios econômicos a curto e longo prazos, e com isso se tornou inevitável a mensuração desse elemento que tem agregado valor, mas não tem tido seu lugar nas demonstrações contábeis, bem se expressou Idalberto Chiavenato quando em 38 seu livro intitulado Gestão de Pessoas pag. 11 mencionou o seguinte: ”As pessoas constituem o principal ativo da organização...”. Já para a autora Consuelo Rocha Dutra de Lara, autora do Livro “A atual Gestão do Conhecimento” na página 128 considera que seria de suma importância: “(...) propor às autoridades competentes (Poder Legislativo, Conselho e Contabilidade, etc) que seja revista a forma atual de contabilização contemplando o valor intelectual e o valor humano das organizações.” (LARA, 2003 p. 128) Porém é bom mencionar o fato de que ainda agrega valor às entidades aqueles que com a força de seu trabalho e produção - em indústrias, comércios e construções civis, adicionam valores e geram riqueza para as diversas entidades em todo o mundo. Produção essa capaz de gerar os benefícios esperados pelas entidades e que tem somente crescido, é o que podemos ver no gráfico da figura 1 em que mostra uma evolução na última década da produção física, pensemos no quanto essa produção gerou de riqueza e outros benefícios para as entidades nesse período e nos outros, não seria então importante para as organizações medirem e registrarem em suas demonstrações contábeis seu ativo humano? Ativo esse gerou tal benefício ao longo dos anos? Figura 1 - Produção da Força de Trabalho Humano FONTE: IBGE http://www.ibge.gov.br Em uma ocasião onde o conhecimento e a capacidade humana de criar se 39 tornaram tão evidentes, não é de se espantar que o ativo humano se tornasse mais rentável e significativo para as entidades do que muitos bens que hoje são facilmente registrados nas demonstrações contábeis e que são recursos que adicionam menos valor do que uma equipe de profissionais talentosos, e esforçados e tal afirmativa podem perceber nas palavras de VENDRAMINI citando Idalberto Chiavenato quando disse: O recurso mais importante deixou de ser o capital financeiro e passou a ser o conhecimento. O dinheiro continua a ser importante, mas ainda mais importante é o conhecimento sobre como usá-lo a aplicá-lo rentavelmente. E o emprego começou a migrar intensamente do setor industrial para o setor de serviços, o trabalho manual substituído pelo trabalho mental, indicando o caminho para uma era da pós-industrialização fundamentada no conhecimento e no setor terciário. As pessoas – e seus conhecimentos e habilidades mentais – passam a ser a principal base da nova organização. (VENDRAMINI, p. 14) Dessa maneira podemos supor que na atualidade o ativo humano, que vem a ser toda a força, seja ela intelectual ou simplesmente física que as entidades possuem, se tornou um dos maiores bens, pois este tem agregado valor às entidades nestes últimos tempos. Daí surge também a grande dificuldade para a contabilidade de como mensurar esse tipo de elemento nas demonstrações contábeis das entidades espalhadas pelo mundo? Como medir a capacidade humana de se gerar riqueza e benefícios para as empresas de diversos setores? Esse é sem dúvida um dos maiores desafios para a contabilidade do século XXI. 3.2 - Mensuração dos Ativos Humanos A necessidade de mensurar o ativo humano das entidades surge nestes últimos tempos devido à importância que se tem em tornar evidente nas demonstrações contábeis a grande contribuição que é ofertada e gerada pela mão de obra e por todos os que contribuem para o crescimento das organizações, pois nota-se o fato de que desde a década de 1990, exatamente quando houve o grande boom da globalização, porque foi nesse momento que passou a se entender que grande parte da riqueza gerada em uma empresa se dá pelos talentos 40 desenvolvidos internamente e pelo conhecimento dos seus colaboradores bem como de sua força braçal para a produção de bens e serviços. E a fim de se tornar mais evidenciado a situação das entidades por suas demonstrações contábeis se torna imprescindível à mensuração desse elemento patrimonial, que são os funcionários e colaboradores, pois são eles que aumentam consideravelmente a riqueza de empresas e dos empresários em todas as entidades. Cristiane Cervi Bassan e Rogério Hauschildt apud Stewart (1998, p.13), um especialista sobre o tema capital intelectual ou ativo humano diz o seguinte: (...) capital intelectual é a soma do conhecimento de todos em uma empresa, o que lhe proporciona vantagem competitiva. Ao contrário dos ativos, com os quais os empresários e contabilistas estão familiarizados propriedade, fábricas, equipamento, dinheiro -, o capital intelectual é intangível. Constitui a matéria intelectual: conhecimento, informação, propriedade intelectual, experiência, que pode ser utilizada para gerar riqueza. (BASSAN, HAUSCHILDT apud STEWART, 2012 p. 13) Müllers citando Stewart (p. 34) menciona que: Quando o mercado de ações avalia empresas em três, quatro ou dez vezes mais que o valor contábil de seus ativos, está contando uma verdade simples, porém profunda: os ativos físicos de uma empresa baseada no conhecimento contribuem muito menos para o valor de seu produto (ou serviço) final do que os ativos intangíveis – os talentos de seus funcionários, a eficácia de seus sistemas gerenciais, o caráter de seus relacionamentos com os clientes – que, juntos, constituem seu capital intelectual. (MÜLLER apud STEWART, 2012 p. 34) Torna-se evidente que existe uma dificuldade para se mensurar a atividade humana e seus talentos para que se possa evidenciá-los nas demonstrações contábeis. O problema já começa na contratação de pessoal, pois os empregadores entendem - e é assim que se pensa que funcionários gerem despesas e não receitas, o que contradiz a real conceituação de ativo, que ativo gera benefício econômico para a empresa. Mas será que funcionários e colaboradores não geram benefícios econômicos? Sim, geram, e a maioria dos administradores e empresários não entendem que para se ter receitas é necessário ter despesas, e seria mais 41 adequado ter a consciência que funcionários, ou seja ativo humano gera benefícios econômicos, e que deveriam ser registrados no balanço patrimonial e não ser alocado unicamente como uma despesa. Que na verdade não é. Para Cristiane Cervi Bassan e Rogério Hauschildt em seu artigo Mensuração do Capital Intelectual: Um Desafio Importante Para a Contabilidade é mencionado o seguinte: O capital humano é aquele incorporado nas pessoas que possuem talentos para criação de produtos e serviços de qualidade, com o intuito de atrair clientes e satisfazê-los da melhor maneira possível. Talento é a essência da pessoa, o que compreende seus pensamentos e sentimentos. Nenhum talento é igual a outro: as pessoas são diferentes e todos os tipos de talentos são importantes. A questão é encontrar a pessoa certa, com o talento certo, para realizar a tarefa certa. Conhecimento e habilidades podem ser ensinados, transferidos de uma pessoa para outra; talento é o próprio estilo da pessoa, e não pode ser transferido para outro. A grande chave do sucesso de uma empresa é ajudar seus funcionários a conduzirem seus talentos na busca de um excelente desempenho. (BASSAN, HAUSCHILDT, 2005 p.95) O quadro a seguir evidencia algumas características humanas que contribui para o crescimento das entidades e não são mesuradas como ativo embora gere benefícios econômicos Figura 2 – As Características do Ativo Humano - Educação Formal (superior, técnico, profissionalizante; - Espírito Empreendedor; - Conhecimentos; - Capacidade de produção; - Know-how / Experiência; - Habilidade de Liderança; - Espírito de Time; - Estabilidade; - Habilidade de Planejamento; - Satisfação / Motivação; - Investimento em Treinamento; - Dedicação*; - Agilidade*; - Pró-atividade*; - Trabalho braçal*. Fonte: Artigo Capital Intelectual e Mensuração: Um Estudo de Caso em Uma Empresa de Telecomunicação, por MAISE SOARES PEREIRA, JOÃO LUIS ALEXANDRE FIÚSA, VERA MARIA RODRIGUES PONTE (Universidade de Fortaleza). *autor. 42 Esse já é o grande desafio da contabilidade: mensurar os itens do quadro anterior como sendo útil para ser apresentados nas demonstrações contábeis, com o propósito de que a capacidade humana de geração de riqueza possa ser reconhecida como se deve, ou seja, for medida e controlada a fim de que seja possível a apresentação desses fenômenos patrimoniais de maneira correta e justa. Embora seja uma verdade, que ainda falta meios de encontrar uma maneira de reconhecer as despesas referentes a esses ativos, mas em breve haverá uma maneira de fazer tal reconhecimento para que no futuro, um dos mais importantes itens do patrimônio das entidades – o ativo humano possa ser evidenciado de uma maneira mais correta e precisa para que as entidades possam ser controladas com maior eficácia e o país se torne mais desenvolvido. 3.3 - Ativo Humano Reconhecido nas Demonstrações Contábeis Então sabemos que o trabalho humano deve ser reconhecido como sendo ativo da entidade e não somente custo ou despesa, pois sabemos que a atividade humana está entre as maiores forças para a geração de benefício econômicos, de modo que como as características da atividade humana são idênticas as de ativo, não seria justo reconhecê-lo como somente despesa ou custo. Por isso há de se pensar em maneiras de reconhecer a atividade humana das entidades como sendo ativo. Porém temos primeiro que saber o valor desse ativo e a base sobre a qual devemos aplicar para o devido reconhecimento desses ativos. Poderia ser aplicado o valor de retorno sobre a folha de pagamento a fim de saber o quanto cada real empregado no funcionário renderia retorno sobre o lucro tal como é feito com os demais investimentos que se utilizam da fórmula de retorno sobre o investimento (ROI = LUCRO/INVESTIMENTO), por tanto poderia ser aplicado a seguinte fórmula para o retorno sobre a folha de pagamento (retorno sobre a folha de pagamento = lucro/folha de pagamento mensal), de modo que poderíamos saber o quanto exatamente cada real empregado na folha de pagamento renderia retorno. Exemplo: vamos supor que a empresa tenha lucrado no último exercício 60.000 e tenha tido um gasto com a folha de pagamento no valor de 40.000, utilizando da fórmula de retorno sobre a folha de pagamento vamos ter o seguinte índice: RFP = L/FP, sendo assim RFP = 60.000/40.000, então temos o RFP no valor de 1,50, ou 43 seja, para cada real investido na folha de pagamento a empresa teve um retorno de 1,50. 3.4 – Modelo de Contabilização do Ativo Humano Se o ativo humano precisa estar registrado nas demonstrações contábeis evidentemente então precisa ser contabilizado em partidas dobradas assim como todos os fatos contábeis que ocorrem nas entidades. Para calcular o valor do ativo humano usaremos o modelo de mensuração descrito na tabela 1 abaixo: Tabela 1 – Fórmula do Capital Intelectual CI= VM – VC – M onde, CI = capital intelectual, VM = valor de mercado da empresa, VC = valor contábil da empresa e M = Marca da empresa. Supondo que a empresa MG Comércio LTDA apresentou o seguinte Balanço Patrimonial no dia 31/12/20X2: Tabela 2 – Balanço Patrimonial Sem o Ativo Humano BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO 31/12/20x2 PASSIVO 31/12/20x2 ATIVO CIRCULANTE Disponível Caixa Bancos Aplicação Financeira Créditos Realizáveis Clientes (-) Dup. Descontadas Aplicação em RDB Aplicação em Ouro Estoques Desp. Antecipadas ATIVO NÃO CIRCULANTE Realizável a L/PZ Investimentos Imobilizado Intangível TOTAL R$ 1.508.655,00 R$ 396.594,00 R$ 15.417,00 R$ 340.112,00 R$ 41.065,00 R$ 351.402,00 R$ 634.040,00 R$ (417.860,00) R$ 100.000,00 R$ 35.222,00 R$ 750.659,00 R$ 10.000,00 R$ 1.810.743,00 R$ 168.080,00 R$ 512.000,00 R$ 1.103.403,00 R$ 27.260,00 R$ 3.319.398,00 PASSIVO CIRCULANTE Obrigações a C/Prazo Fornecedores IR e CSLL a Recolher ICMS a Recolher Empr. e Financiamentos Obrigações Trabalhistas Adiantamento de Clientes PASSIVO NÃO CIRCULANTE Empréstimo de Diretor Financiamentos PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Social Ajuste de Aval. Patrimonial Reserva Legal Reserva Estatutária (-) Ações em Tesouraria TOTAL R$ 2.349.100,00 R$ 2.349.100,00 R$ 950.700,00 R$ 330.984,00 R$ 42.459,00 R$ 896.957,00 R$ 38.000,00 R$ 90.000,00 R$ 50.000,00 R$ 25.000,00 R$ 25.000,00 R$ 920.298,00 R$ 600.000,00 R$ (10.000,00) R$ 190.000,00 R$ 240.298,00 R$ (100.000,00) R$ 3.319.398,00 Vejamos o exemplo da empresa MG Comércio LTDA tem um valor contábil de R$ 920.298,00 e foi avaliada por um valor justo de R$ 5.600.000,00 ela ainda possui 44 a marca dela no valor de R$ 1.520.000,00 e para que se possa se chegar ao valor real do ativo humano deduziremos do cálculo o valor da marca da empresa assim a fórmula fica assim: (CI= VM – VC – M, onde, CI= capital intelectual, VM = valor de mercado da empresa VC= valor contábil da empresa e M = Marca) e com isso o valor do ativo humano é de: VM = R$ 5.600.000,00 VC = R$ 920.298,00 M = R$ 1.520.000,00 Portanto o valor a ser registrado na contabilidade referente ao ativo humano da empresa MG Comércio LTDA é de R$ 3.159.702. Esse será o valor que vai ser registrado no Balanço Patrimonial da empresa; para isso cria-se uma conta chamada Avaliação do Recurso Humano no Patrimônio Líquido em contra partida de uma conta do Ativa Não Circulante chamada Pessoal Especializado, daí o registro contábil fica assim: D – Pessoal Especializado (Ativo Não Circulante) C – Avaliação de Recurso Humano (Patrimônio Líquido) ------------ 3.159.702,00 Para o reconhecimento do consumo desse novo ativo, mensalmente se fará um ajuste tendo uma conta redutora do ativo chamada Perda Acumulada de Pessoal Especializado em contra partida de uma conta de resultado chamada Pessoal Especializado, valor esse reconhecido mediante redução anual de 10% do valor do ativo humano, ou seja, 0,83% de desvalorização mensal, ficando o registro contábil para primeiro mês de janeiro de 20X3 o valor de R$ 26.225,00 e a contabilização da seguinte maneira: D – Pessoal Especializado (Resultado - Despesa) C – Perda Acumulada Pessoal Especializado (Ativo Não Circulante) -- 26.225,00 45 Tabela 3 - Balanço Patrimonial Com o Ativo Humano BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO 31/01/20x3 PASSIVO 31/01/20x3 ATIVO CIRCULANTE Disponível Caixa Bancos Aplicação Financeira Créditos Realizáveis Clientes (-) Dup. Descontadas Aplicação em RDB Aplicação em Ouro Estoques Desp. Antecipadas ATIVO NÃO CIRCULANTE Realizável a L/PZ Investimentos Imobilizado Pessoal Especializado (-) Perda Acum. Pess. Esp. Intangível TOTAL R$ 1.508.655,00 R$ 396.594,00 R$ 15.417,00 R$ 340.112,00 R$ 41.065,00 R$ 351.402,00 R$ 634.040,00 R$ (417.860,00) R$ 100.000,00 R$ 35.222,00 R$ 750.659,00 R$ 10.000,00 R$ 4.944.220,00 R$ 168.080,00 R$ 512.000,00 R$ 1.103.403,00 R$ 3.159.702,00 R$ (26.225,00) R$ 27.260,00 R$ 6.452.875,00 PASSIVO CIRCULANTE Obrigações a C/Prazo Fornecedores IR e CSLL a Recolher ICMS a Recolher Empr. e Financiamentos Obrigações Trabalhistas Adiantamento de Clientes PASSIVO NÃO CIRCULANTE Empréstimo de Diretor Financiamentos PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Social Ajuste de Aval. Patrimonial Reserva Legal Reserva Estatutária (-) Ações em Tesouraria Avaliação de Rec. Humano (-) Prejuízos Acumulados TOTAL R$ 2.349.100,00 R$ 2.349.100,00 R$ 950.700,00 R$ 330.984,00 R$ 42.459,00 R$ 896.957,00 R$ 38.000,00 R$ 90.000,00 R$ 50.000,00 R$ 25.000,00 R$ 25.000,00 R$ 4.053.775,00 R$ 600.000,00 R$ (10.000,00) R$ 190.000,00 R$ 240.298,00 R$ 100.000,00) R$ 3.159.702,00 R$ (26.225,00) R$ 6.452.875,00 De modo que para o mês de Janeiro de 20x3, caso não haja nenhum outro registro e seja considerado o registro do ativo humano no Balanço Patrimonial da empresa MG Comércio LTDA após a apuração do resultado de janeiro ficaria assim: Com o ativo humano registro na empresa notou-se um aumento de 94,40% no patrimônio da empresa MG Comércio LTDA, ou seja, quase o dobro do valor anterior, já o Ativo Não Circulante aumentou em 173,05% e o Patrimônio Líquido aumentou em 340,49%, ou seja, triplicou com referência ao anterior, e assim podemos ver que a entidade valorizou-se muito depois desses ajustes realizados na empresa, valor esse que representa uma realidade melhor no que tange ao seu patrimônio e principalmente no que diz respeito ao ativo da empresa, pois passou a evidenciar a figura do ativo humano como sendo agente gerador de benefícios para a entidade. A principal importância em contabilizar e registrar o ativo humano como sendo parte importante do patrimônio das entidades é pelo fato de ser esse uma das principais fontes de para a manutenção, conservação e continuidade das empresas em todos os tempos, contudo nestes últimos tempos a capacidade humana em gerar benefícios econômicos aumentou de maneira significativa, de modo que devido a 46 toda a essa força humana as entidades atingem ano após ano números fantásticos, porque a cada vez mais se percebe o quanto tem se tornado imprescindível a inteligência, força e criatividade humana para melhorar as entidades e a sociedade, e assim podemos ver que se as empresas começarem a registrar seus principais ativos, ou seja, seus colaboradores, eles saberão que o seu patrimônio é maior do que parece 47 CAPÍTULO 4 – RECONHECIMENTO DO ATIVO HUMANO EM UMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, ESTUDO DE CASO NA FEDERALCRED CENTRAL 4.1 - A Empresa: Federalcred Central A Federalcred Central foi constituída em 19 de novembro de 2000. As cooperativas de crédito de Policiais Federais e Rodoviários Federais dos Estados de Alagoas, Paraíba, Ceará, Goiás e Espírito Santo resolveram se unir em torno da ideia de criar um Sistema de Crédito Cooperativo próprio, que pudesse congregar cooperativas com similaridades importantes de área de ação, nicho e características econômico-financeiras. A avaliação pelo Banco Central do Brasil sobre o processo foi longa e criteriosa, por se tratar da primeira cooperativa central do País a pleitear área de abrangência nacional, um tabu à época. Um encontro inopinado entre o então Presidente da Federalcred em Alagoas, Sr. Noaman Alencar, e o Presidente do Banco Central do Brasil à época, Dr. Armínio Fraga, no aeroporto de Brasília, propiciou o que inicialmente foi uma conversa informal sobre o assunto, mas que evoluiu para contatos mais frequentes e culminou com a evocação do processo de constituição da central pela Presidência do Banco Central em Brasília e com a sua aprovação, em 05 de julho de 2001. Sete meses após a assembleia geral de constituição, era homologada a primeira central de cooperativas de crédito do Brasil com abrangência em todo o território nacional e surgia o Sistema Federalcred. O projeto era constituir cooperativas de policiais federais em cada unidade da Federação, num período de 15 anos. Foi escolhida a linda cidade de Maceió para abrigar a sede da central, principalmente em função dos diretores eleitos residirem e trabalharem nessa cidade. A partir daí, a Central começou a empreender importantes ações, com foco no desenvolvimento do Sistema Federalcred: a) Fomentou e assessorou diretamente a constituição das Federalcred no Rio Grande do Norte, em Minas Gerais, Bahia e Sergipe, todas aprovadas pelo Banco Central; 48 b) Filiou a Saudecred, que congrega servidores do Ministério da Saúde em Alagoas, e a Cred-Ufes, dos servidores da Universidade Federal do Espírito Santo; c) Elaborou o projeto de reformulação do convênio de compensação de cheques e outros papéis com o Banco do Brasil, apresentado à diretoria do banco em 2001 e reapresentado em 2002, cuja implantação revolucionou o relacionamento da instituição com as cooperativas de crédito de todo o País e permitiu às cooperativas do Sistema Federalcred se tornarem pilotos de todos os projetos do banco daí advindos para o segmento; d) firmou convênios de cooperação com a Unicred Norte-Nordeste, para utilização de sua estrutura de auditoria e repasses de recursos aos associados do Sistema O Sistema Federalcred conta hoje com 1 central, 12 singulares em 10 Estados, 15 pontos de atendimento e mais de 5.000 associados. Emprega diretamente 123 colaboradores, movimentam ativos da ordem de R$ 49,6 Milhões, operações de crédito de R$ 36,8 Milhões, depósitos de R$ 23,3 Milhões e possui um Patrimônio Líquido de R$ 22,9 Milhões. Figura 3 - Organograma da Federalcred Central Fonte: http://www.federalcred.com.br/institucional/estrutura/ 49 Contendo os seguintes setores: Conselho de Administração Conselho Fiscal Contábil Controles Internos Financeiro Fomento e Capacitação Gerência Administrativa e Financeira Gerência de Desenvolvimento Gerência de Segurança Gestão de Risco Secretária Executiva Serviços Gerais Superintendência 4.2 - Estatísticas da Federalcred Central A Federalcred Central é composta atualmente por 18 funcionários que estão divididos nos setores acima relacionados R$ 2.374, 11, e uma folha de pagamento em torno de 42,7 mil reais. E um faturamento anual acima de 2,5 milhões. A seguir algumas informações importantes da Federalcred Central. Figura 4 - Estrutura do Ativo ESTRUTURA DO ATIVO - 2012 1% Ativo Circulante Ativo Não Circulante 99% Na figura 5, o gráfico mostra que 99% do seu ativo é composto por ativo circulante, ou seja, bens e direitos que se transformarão em dinheiro a curto prazo, isso mostra que a empresa possui uma bens e direitos que se converterão em caixa e equivalentes de caixa a curto prazo. Já o seu ativo não circulante mostra um 50 número inexpressivo de 1% do seu ativo, indicando que a empresa não costuma trabalhar com bens e direitos a longo prazo. Figura 5 - Estrutura do Ativo Circulante ESTRUTURA DO ATIVO CIRCULANTE - 2012 4% 0% 0% 5% 10% Caixa e equivalentes de caixa Aplicações Interfinanceiras de Liquidez Títulos e Valores Mobiliários 81% Operações de Crédito Outros Créditos Podemos perceber que ao compor o ativo circulante, percebe-se que 81% é composto por títulos e valores mobiliários com alta liquidez, são letras do tesouro de alta liquidez, o que torna o capital de giro com uma liquidez alta. Em seguida vem as operações de crédito com 10% do ativo circulante, ou seja, 10% de operações que envolvem empréstimos para associados e que possuem vencimento a curto prazo dando assim maior capacidade na liquidez desses empréstimos. Figura 6 - Estrutura do Ativo Não Circulante ESTRUTURA DO ATIVO NÃO CIRCULANTE - 2012 1% 2% 0% 14% Realizável a L. Prazo Investimentos Imobilizado 83% Intangível Diferido Já na composição do Ativo Não Circulante, daquele 1% mencionado anteriormente 83% é composto pelo Imobilizado, são os bens que a empresa possui, mas não tem a intenção de venda, como por exemplo, os computadores e demais móveis e utensílios. Enquanto que 14% são compostos por Investimentos que a cooperativa faz e possui vencimento a longo prazo, mais especificamente participação em outras cooperativas. 51 Figura 7 – Ativo Ativo - 2012 R$ 18.000.000,00 R$ 16.000.000,00 R$ 14.000.000,00 R$ 12.000.000,00 R$ 10.000.000,00 R$ 8.000.000,00 R$ 6.000.000,00 R$ 4.000.000,00 R$ 2.000.000,00 R$ - ATIVO Na figura 8, podemos ver o comportamento do Ativo ao longo do ano de 2012, e pode-se se ver que houve um aumento mais considerável no 3º trimestre, onde em julho - como se vê no gráfico da figura 9, houve um crescimento acima de 15%. De modo que o 3º trimestre de 2012 foi o melhor do ano na Federalcred Central. Central Figura 8 - Análise Horizontal do Ativo AH% ATIVO y = -0,0015x + 0,0543 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% AH% ATIVO 5,00% 0,00% Linear ( AH% ATIVO) -5,00% -10,00% -15,00% Na figura 9, no gráfico da análise horizontal, análise essa que mostra o comportamento omportamento do ativo ao longo do ano, de modo que podemos saber com esse gráfico se o ativo evoluiu ou involuiu. Bem com relação ao crescimento do ativo ao longo do ano, podemos ver que o na maioria do tempo ele cresceu, mas que no final 52 do ano deu uma leve inclinada negativamente, embora a tendência seja de uma involução ainda pode se esperar previsões positivas para os próximos anos. Figura 2 - Origens de Recursos Reservas de Lucro 0% Principais Origens de Recursos Depósitos 0% Sobras no mês 0% Sobras/Perdas Acumuladas 0% Capital Social 33% Relação Inter/Interd. 64% Outras Obrigações 3% Na figura 10 – Origens de Recursos vemos que 64% dos recurso da Federalcred se originam dos empréstimos que a empresa toma das filiadas, para manter o seu capital de giro, pois todo o empréstimo e obrigação contraída pela Federalcred Central tem exigibilidade curta, ou seja, é de curto prazo. Mesmo as Outras Obrigações que empresa possui são a curto prazo e constitui apenas 3% das origens dos recursos, os outros 33% são de origem do investimento dos associados com a integralização do Capital Social. Figura 3 – Resultado 2012 RESULTADO 2012 MESES RECEITAS DESPESAS RESULTADO Janeiro R$ 262.458,03 R$ 245.194,52 R$ 17.263,51 Fevereiro R$ 232.148,07 R$ 234.151,21 -R$ 2.003,14 Março R$ 265.081,88 R$ 275.890,44 -R$ 10.808,56 Abril R$ 224.063,78 R$ 216.475,73 R$ 7.588,05 Maio R$ 191.061,23 R$ 197.376,82 -R$ 6.315,59 Junho R$ 167.680,60 R$ 182.412,21 -R$ 14.731,61 Julho R$ 271.455,09 R$ 246.160,83 R$ 25.294,26 Agosto R$ 211.998,13 R$ 226.271,12 -R$ 14.272,99 Setembro R$ 173.235,30 R$ 209.562,92 -R$ 3 6.327,62 Outubro R$ 215.264,76 R$ 194.900,89 R$ 20.363,87 Novembro R$ 1.081.978,02 R$ 1.098.839,53 -R$ 16.861,51 Dezembro R$ 1.278.209,40 R$ 1.317.198,11 -R$ 38.988,71 53 Figura 4 - Gráfico Receitas e Despesas R$ 1.340.000,00 R$ 1.140.000,00 R$ 940.000,00 R$ 740.000,00 R$ 540.000,00 RESULTADO R$ 340.000,00 R$ 140.000,00 -R$ 60.000,00 A figura 11 mostra as receitas e despesas ao longo do ano e evidencia que no 3º trimestre a Federalcred Central mostrou um melhor desempenho, desempenho pois logo no início do trimestre, em julho apresentou uma sobra de R$ 25.294,26 e com isso atingiu a maior sobra do ano. Porém no ano de 2012 a empresa mpresa apresentou muitas perdas, mesmo assim, as sobras de uma maneira geral, como podemos ver no na figura 13 teve altas e baixas durante o ano. Figura 5 – Sobras SOBRAS R$ 45.000,00 R$ 35.000,00 R$ 25.000,00 R$ 15.000,00 R$ 5.000,00 SOBRAS -R$ 5.000,00 -R$ 15.000,00 -R$ 25.000,00 -R$ 35.000,00 -R$ 45.000,00 54 No ano de 2012 as sobras apresentaram muitos altos e baixos, teve sobras de mais de 25 mil, como vemos em julho e perdas de mais de 36 mil como nota-se em setembro, essas oscilações drásticas não contribuíram para um bom desenvolvimento da empresa, pois a média a respeito das sobras seria uma perda de cerca de 2,4 mil reais, o que não bom. 4.3 – Contabilização do Ativo Humano na Federalcred Central Neste tópico veremos a aplicabilidade da contabilização do ativo humano na Federalcred Central, para isso será tido como base o Balanço Patrimonial referente ao mês de junho de 2012, mês que se encerra o exercício social da empresa. Da mesma forma visto anteriormente vamos usar a fórmula usada anteriormente que é: (CI= VM – VC – M, onde, CI= capital intelectual e VM = valor de mercado da empresa VC= valor contábil da empresa), porém não incluiremos o valor da marca, mas somente os valores que possivelmente corresponde ao capital intelectual da entidade, capital intelectual esse que envolve mais do que o ativo humano, mas para não torna-se mais longo o procedimento, vamos somente mensurar a capacidade humana da entidade, pois esta tem parcela quase que total do potencial intangível da empresa, de modo que ao aplicar a fórmula proposta o valor a ser considerado corresponde quase em sua totalidade ao ativo humano, porque sabemos que quando um entidade tem um valor de mercado maior que o valor contábil significa que seu ativo intangível é maior do que o registrado contabilmente, pois para uma empresa ter o seu valor contábil menor que o valor de mercado significa dizer que o valor que excede sem encontra nos seus funcionários, clientes e sem dúvida knowhow estão incluídos, contudo para o caso da Federalcred Central, levaremos em consideração somente a força de trabalho que gera o excedente do que está comumente registrado na contabilidade, isto é, o ativo humano, porque devido a Federalcred Central ser uma central de cooperativas e tem como uma das principais funções o de centralizar funções e dar suporte a suas filiadas. E com isso precisa contar com profissionais que agreguem valor e nome a empresa de modo a gerar benefícios econômicos para a entidade. Portanto segue abaixo o Balanço Patrimonial da Federalcred referente ao mês de junho de 2012. 55 Tabela 4 - Balanço Patrimonial Federalcred Central Sem o Ativo Humano BALANÇO PATRIMONIAL FEDERALCRED CENTRAL 30/06/2012 ATIVO PASSIVO ATIVO CIRCULANTE R$ 12.118.388,76 DISPONIBILIDADES R$ 109.385,32 PASSIVO CIRCULANTE R$ 8.150.161,51 TÍTULOS E VAL. MOBILIÁRIOS R$ 7.674.579,09 OUTRAS OBRIGAÇÕES R$ 327.272,16 VINCUL. A COMP DE RECOMP R$ 7.674.579,09 OPERAÇÕES DE CRÉDITO R$ 3.108.350,20 SOCIAIS E ESTATUTÁRIAS R$ 38.025,67 OPERAÇÕES DE CRÉDITO R$ 3.108.350,20 Setor Privado R$ 3.185.811,75 FISCAIS E PREVIDENCIARIAS R$ 31.744,00 (-) PROVISÃO PARA CLD -R$ 77.461,55 OUTROS CRÉDITOS R$ 524.735,26 OUTROS VALORES E BENS R$ 24.596,95 DIVERSAS R$ 257.502,49 ATIVO NÃO CIRCULANTE INVESTIMENTOS R$ 175.977,16 PATRIMÔNIO LÍQUIDO R$ 4.144.204,41 R$ 24.809,55 CAPITAL R$ 4.084.805,67 IMOBILIZADO DE USO R$ 146.209,99 DE DOMICILIADOS NO PAÍS R$ 4.084.805,67 DIFERIDO R$ 4.215,38 RESERVAS DE SOBRAS R$ 14.497,45 ATIVO INTANGÍVEL TOTAL DO ATIVO R$ 742,24 R$ 12.294.365,92 SOBRAS/PERDAS ACUM. TOTAL DO PASSIVO R$ 44.901,29 R$ 12.294.365,92 Figura 6 – Composição do Ativo sem o Ativo Humano Composição do Ativo sem o Ativo Humano 1% ATIVO CIRCULANTE ATIVO NÃO CIRCULANTE 99% Podemos notar então que o Ativo da Federalcred Central é composto por 99% de Ativo Circulante indicando que seus bens e direitos tem uma liquidez a curto 56 prazo de 99%, enquanto que o Ativo Não Circulante participa com apenas 1% de todo o Ativo, e com isso podemos perceber que seus bens, cuja liquidez é a longo prazo compõe apenas 1% de todo o Ativo da Federalcred Central. Figura 7 - Origens de Recursos sem o Recurso Humano Origens de Recursos sem o Recurso Humano 34% PASSIVO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE 66% PATRIMÔNIO LÍQUIDO 0% Já no que se refere à origem de recurso da Federalcred Central, podemos ver que sem o recurso humano como a maior fonte de recurso é o Passivo circulante, ou seja são os empréstimos e todo o recurso de terceiro que ela adquire com exigibilidade a curto prazo e isso faz com que sua principal fonte de recurso precise ser quitada de forma breve, e com Isso podemos ver também que a empresa não costuma se endividar a longo prazo pois seu Passivo Não Circulante está zerado. Porém a segunda fonte de recurso é Patrimônio Líquido, com 34% do total das origens de recursos da entidade. Vemos também que seu ativo (Tabela 5, p. 56) está em mais de R$ 12.294.365,92 e seu patrimônio líquido em pouco mais de R$ 4.144.204,41, mas supondo que no exercício seguinte, no mês de janeiro a empresa passe a ser avaliada pelo mercado por um valor de R$ 25.000.000,00, e o seu ativo e o patrimônio líquido permaneçam sem alteração vejamos como ficará seu patrimônio após a aplicação da fórmula e da devida contabilização. 57 CI= VM – VC CI = 25.000.000,00 - 4.144.204,41 CI = 20.855.795,59 Partindo para a contabilização desse fenômeno contábil segue o lançamento em partidas dobradas da seguinte maneira: D – Pessoal Especializado (Ativo Não Circulante) C – Avaliação de Recurso Humano (Patrimônio Líquido) ------------------ 20.855.795,59 E o lançamento referente ao reconhecimento da despesa pelo consumo do bem ficará registrado da seguinte maneira – tendo em vista que o valor a ser apropriado mensalmente na contabilidade terá como base o valor referente a uma taxa de 10% ao ano, sendo assim desta maneira ficará o registro contábil: D – Pessoal Especializado (Resultado - Despesa) C – Perda Acumulada Pessoal Especializado (Ativo Não Circulante) ------- 173.103,10 Desse jeito monta-se um novo balanço patrimonial da Federalcred Central com o registro do seu ativo humano, e o novo balanço patrimonial fica assim: Tabela 5 - Balanço Patrimonial Com o Ativo Humano BALANÇO PATRIMONIAL FEDERALCRED CENTRAL 31/07/2012 ATIVO PASSIVO ATIVO CIRCULANTE DISPONIBILIDADES TÍTULOS E VAL. MOBILIÁRIOS VINCUL. A COMP DE RECOMP OPERAÇÕES DE CRÉDITO OPERAÇÕES DE CRÉDITO Setor Privado (-) PROVISÃO PARA CLD OUTROS CRÉDITOS OUTROS VALORES E BENS ATIVO NÃO CIRCULANTE INVESTIMENTOS PESSOAL ESPECIALIZADO (-) PERD. ACUM. PESS. ESPECIL. IMOBILIZADO DE USO DIFERIDO ATIVO INTANGÍVEL TOTAL DO ATIVO R$ 12.118.388,76 R$ 109.385,32 R$ 7.674.579,09 R$ 7.674.579,09 R$ 3.108.350,20 R$ 3.108.350,20 R$ 3.185.811,75 (R$ 77.461,55) R$ 524.735,26 R$ 24.596,95 R$ 20.858.669,65 R$ 24.809,55 R$ 20.855.795,59 (R$ 173.103,10) R$ 146.209,99 R$ 4.215,38 R$ 742,24 R$ 32.977.058,41 PASSIVO CIRCULANTE R$ 8.150.161,51 OUTRAS OBRIGAÇÕES R$ 327.272,16 SOCIAIS E ESTATUTÁRIAS R$ 38.025,67 FISCAIS E PREVIDENCIARIAS R$ 31.744,00 DIVERSAS R$ 257.502,49 PATRIMÔNIO LÍQUIDO R$ 24.826.896,90 CAPITAL AVAL. DE RECURSO HUMANO DE DOMICILIADOS NO PAÍS RESERVAS DE SOBRAS (-) PERDAS ACUMULADAS TOTAL DO PASSIVO R$ 4.084.805,67 R$ 20.855.795,59 R$ 4.084.805,67 R$ 14.497,45 (R$ 128.201,81) R$ 32.977.058,41 58 Figura 8 - Composição do Ativo com o Ativo Humano Composição do Ativo com o Ativo Humano 37% ATIVO CIRCULANTE ATIVO NÃO CIRCULANTE 63% Veja que com a inclusão do Ativo Humano no Balanço Patrimonial (Figura 9) a participação do Ativo Não Circulante aumentou de 1% para 63% de participação, isso porque o Ativo Humano deve ser considerado como tendo uma liquidez a longo prazo, por se tratar de um bem que a entidade não pretende se desfazer, ou seja, não está em negociação. Já o Ativo Circulante antes participava com 99%, agora participa com 34% uma baixa de 34,34% referente a demonstração anterior. Figura 10 - Origens de Recursos com o Recurso Humano Origens de Recursos com o Recurso Humano 25% PASSIVO CIRCULANTE 0% PASSIVO NÃO CIRCULANTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO 75% 59 Agora com a inclusão do recurso humano como sendo parte da origem de recurso da Federalcred Central, pode-se destacar um aumento de 220,59% de participação do Patrimônio Líquido da empresa, pois o recurso humano seria considerado recurso próprio da entidade ao qual os sócios investem para que se possa garantir o benefício econômico da entidade. Com esse aumento o Patrimônio Líquido que antes participava com 34% (Figura 11), agora participa com 75% do total da origem de recurso, fazendo assim com que a empresa passe a depender menos dos recursos de terceiros, pois estes que participavam antes com 66%, agora participam com 25% do total dos recursos provenientes de terceiro, ou seja, teve uma queda de 37,88% nessa participação. Com esse novo balanço patrimonial a empresa apresentou um aumento de 168,23% em seu patrimônio, apresentou também um aumento de 499,06% no seu patrimônio líquido, enquanto que o ativo não circulante teve um aumento absurdo de 11.753,06%, com isso vemos também que o ativo não circulante passou a ter uma participação no ativo de 63,25%, ou seja, de cada R$ 100,00 do ativo, R$ 63,00 são ou tem a capacidade de liquidez a longo prazo, isso representa que os ativos humanos da Federalcred Central só lhe trarão os benefícios esperado a longo prazo, ademais quando se adquire força humana para que se possa ter benefícios econômicos muito provavelmente isso ocorrerá no longo prazo, porque é comum para muitas empresas treinar seus colaboradores para que estes possam desempenhar as atividades com desenvoltura, isso poderá ajudar as entidades a reconhecerem que devem manter seus colaboradores na empresa a ajudar para que estes consigam chegar a seu verdadeiro potencial, o que seria totalmente útil para as empresa, e com esse tipo de atitude por parte dos empregadores haveria o mínimo possível de rotatividade das empresas e as pessoas passariam mais tempo o que iria contribuir significativamente para o crescimento econômico das empresas. Nesses lançamentos feitos pudemos notar que a entidade aumentou o seu patrimônio por causa do ativo humano, pois assim se toda a entidade registrasse seus bens e direitos, ou seja, seu ativo humano haveria muito mais a se esperar das entidades, muito embora estejamos falando de valores intangíveis o que é muito complicado, pois ainda é muito difícil fazer os responsáveis pela tomada de decisão adquirirem a conscientização desse fenômeno contábil que é a força, criatividade e inteligência humana para a geração de benefícios econômicos. 60 CONCLUSÃO Assim podemos perceber que o ativo humano, que como vimos é ativo intangível contribui enormemente para o aumento do patrimônio das entidades de modo a agregar valor, ademais na era em que vivemos, chamada de era do conhecimento, é normal que a criatividade e toda a inteligência empregada dentro das empresas atribuam tanto valor, muito embora não seja ainda evidenciada nas demonstrações contábeis a capacidade humano dentro das empresas é de fundamental importância para se saber o quanto ela vale e não será presunção dizer que o ativo humano é o maior ativo das entidades nestes últimos tempos, porque é com a atividade que se tem criado coisas que ajudam a melhorar vidas, sem dúvidas são as ideias de pessoas concentradas em seu trabalho que fazem com que se mude a maneira de fabricar produtos, talvez seja os esforços de pessoas dedicadas que fazem com que construções sejam erguidas de modo a beneficiar a vidas de todos nós, com certeza é a genialidade de homens capazes que fazem com que aumente a produção e a criação de produtos de extrema necessidade como remédios e alimentos, são pessoas que produzem, inovam, criam e tudo isso faz com que todas as pessoas sejam beneficiadas e não exclusivamente no que tange a questões econômicas mas também melhoram a qualidade de vida das pessoas tornando a vidas de todas pessoas cada vez melhor. A ciência contábil como tendo o patrimônio como objeto de seu estudo é capaz de atribuir valores a esse fenômeno tão importante que é a capacidade humana para gerar riqueza e tantos outros benefício socioeconômicos que revolucionam a vidas das pessoas e com sendo assim seria totalmente viável que, a fim de ajudar da tomada de decisão se pudesse ter mensurado e devidamente registrado nas demonstrações contábeis a figura do ativo humano, talvez quem sabe no futuro esse fenômeno contábil seja reconhecido e evidenciado nas demonstrações contábeis como deveria ser, pois assim poderia realmente saber o quanto tem de valor um entidade e esse tipo de informação ajudaria sobremaneira na tomada de decisão por parte de investidores, gestores e administradores de toda espécie. E assim é. 61 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Goreth Miranda ; HAJJ, Zaina Said El, 1997, disponível em http://www.scielo.br, acessado em 10 de julho de 2012. ALVES, Francine. Florianópolis, 2005, disponível em http://tcc.bu.ufsc.br, acessado em 21 de julho de 2012. BASSAN, Cristiane Cervi; HAUSCHILDT, Rogério; 2005, disponível em http://cascavel.ufsm.br, acessado em 21 de julho de 2012. BELTRAME, Cláudia; BEUREN, Ilze Maria, Florianópolis, 2012, disponível em http://www.abepro.org.br, acessado em 25 de julho de 2012. BÍBLIA, Português, São Paulo, SBTB, 2009. CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, 3º Ed., CFC, Brasília, 2011. IUDÍSCIBUS, Sérgio de, Análise de Balanços, São Paulo: Ed. Atlas S.A, 10º edição, 2010. IUDÍSCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos; FARIA, Ana Cristina de, Introdução a Teoria da Contabilidade, São Paulo: Ed. Atlas S.A, 2009. IUDÍSCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; KANITZ, Charles; RAMOS, Alkindar; CASTILHO, Edison; BENATTI, Luiz; WEBER FILHO, Eduardo; DOMINGUES JUNIOR, Ramon; Contabilidade Introdutória, São Paulo: Ed. Atlas S.A. 11º edição, 2010. LARA, Consuelo. A Atual Gestão do Conhecimento, São Paulo: Ed. Nobel, 2003. MÜLLER, Éderson, Novo Hamburgo, 2010 disponível em http://ged.feevale.br, acessado em 02 de agosto de 2012. PAULO, Edilson, 2012, disponível em http://www.biblioteca.sebrae.com.br, acessado em 02 de agosto de 2012. 62 SÁ, Antônio Lopes de, Luca Pacioli – Um Mestre do Renascimento, Brasília: Ed. FBC, 2004. SANTOS, Waldir Jorge Ladeira, 2012 disponível em http://www.mackenzierio.edu.br, acessado em 04 de agosto de 2012. VENDRAMINI, Eleksandra Cibele Gusman, 2010, disponível em http://www.faag.com.br, acessado em 04 de agosto de 2012. 63 APÊNDICE 64 QUESTIONÁRIO 1) Quantas e Quais eram as escolas contábeis? Foram nove escolas contábeis: Pseudopersonalismo, Contismo, Materialismo Substancial, Personalismo, Controlismo, Reditualismo, Aziendalismo, Patrimonialismo, Universalismo. 2) Qual é o novo pensamento contábil que poderá ser considerado como nova escola contábil e foi idealizado pelo professor doutor Antônio Lopes de Sá? O Neopatrimonialismo. 3) O Patrimonialismo é a escola que atualmente é adotada como no mundo contábil. Quando ela teve início e qual seu principal pensador? O Patrimonialismo teve início em 1923 e teve como principal pensador o italiano Vincenzo Mais. 4) O que são os princípios de Contabilidade? São os conceitos básicos que constituem o núcleo essencial que deve guiar a profissão na consecução dos objetivos da Contabilidade. 5) Quantos e quais são os princípios de Contabilidade? São seis os princípios de Contabilidade, e são eles: Princípio da Entidade, Princípio da Continuidade, Princípio da Oportunidade, Princípio do Registro pelo Valor Original, Princípio da Competência, Princípio da Prudência. 6) Qual a definição de Ativos? São todos os bens e direitos de propriedade e controle da empresa, que são avaliáveis em dinheiro e que representam benefícios presentes ou futuros para a empresa 65 7) Qual a importância em se medir o Ativo Humano? Por que o Ativo Humano assim como os demais ativos é capaz de gerar benefícios para as entidades, pois sabemos que é por meio da produção humana e de seu intelecto que as empresas lucram e geram renda. 8) Quais as principais características do Ativo Humano? - Educação Formal (superior, técnico, profissionalizante; - Espírito Empreendedor; - Conhecimentos; - Capacidade de produção; - Know-how / Experiência; - Habilidade de Liderança; - Espírito de Time; - Estabilidade; - Habilidade de Planejamento; - Satisfação / Motivação; - Investimento em Treinamento; - Dedicação; - Agilidade; - Pró-atividade; - Trabalho braçal. 9) Ao aplicar a contabilização do Ativo Humano na Federalcred Central, qual como isso interferiu no patrimônio da empresa? A Federalcred Central apresentou um aumento no patrimônio de 168,23% em seu patrimônio e em seu Patrimônio Líquido apresentou um aumento de 499,06%. 10) Como o registro desse novo ativo, o Ativo Humano pode 66 ajudar as empresas a chegar ao valor real de seu patrimônio? Quando as empresas começarem manter em suas demonstrações contábeis as informações sobre quanto gera de benefícios para si o Ativo Humano, elas começarão a conhecer o seu valor real de modo que poderão ter melhores resultados, pois a Ativo Humano é um dos principais geradores de benefícios para as entidades de modo que telo registrado em suas demonstrações fará com que haja maior transparência entre as empresas do mundo todo. 67 Central das Cooperativas de Crédito Mútuo dos Policiais Federais e Servidores Públicos da União – Federalcred Central CNPJ: 04.843.307/0001-95 Endereço: Rua Professora Maria Esther da Costa Barros, 311, 2º andar, Jatiúca, Maceió-al, CEP: 57036-840