Professor Dr. Flavio Bortolozzi
Professora Me. Ludhiana Bertoncello
ORGANIZADORAS:
Professora Esp. Fabiane Carniel
Professora Esp. Lílian Maia Borges
METODOLOGIA DE PESQUISA
GRADUAÇÃO
MARINGÁ-PR
2011
Reitor: Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor: Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração: Wilson de Matos Silva Filho
Presidente da Mantenedora: Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Diretoria do NEAD: Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Coordenação de Ensino: Viviane Marques Goi
Coordenação de Tecnologia: Fabrício Ricardo Lazilha
Núcleo de Produção de Materiais: Ionah Beatriz Beraldo Mateus
Professoras Responsáveis pela Disciplina: Fabiane Carniel e Lílian Maia Borges
Supervisora do Núcleo de Produção de Materiais: Nalva Aparecida da Rosa Moura
Capa e Editoração: Luiz Fernando Rokubuiti, Fernando Henrique Mendes, Daniel Fuverki Hey e Renata Sguissardi
Supervisão de Materiais: Nadila de Almeida Toledo
Revisão Textual e Normas: Cristiane de Oliveira Alves e Janaína Bicudo Kikuchi
Av. Guedner, 1610 - Jd. Aclimação - (44) 3027-6360 - CEP 87050-390 - Maringá - Paraná - www.cesumar.br
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Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - CESUMAR
“As imagens utilizadas nessa apostila foram obtidas a partir do site PHOTOS.COM”.
METODOLOGIA DE PESQUISA
Professor Dr. Flavio Bortolozzi
Professora Me. Ludhiana Bertoncello
ORGANIZADORAS:
Professora Esp. Fabiane Carniel
Professora Esp. Lílian Maia Borges
APRESENTAÇÃO
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para
todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de
qualidade, novas habilidades para liderança e solução de problemas com
eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilidade: as escolhas que
fizermos por nós e pelos nossos fará grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Cesumar – Centro Universitário de Maringá – assume o compromisso
de democratizar o conhecimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos
brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas
do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento
de uma sociedade justa e solidária” –, o Cesumar busca a integração do ensino-pesquisaextensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que
contribua para o desenvolvimento da consciência social e política e, por fim, a democratização
do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade.
Diante disso, o Cesumar almeja ser reconhecido como uma instituição universitária de
referência regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição
de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação
da extensão universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bemestar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrativa;
compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do
trabalho, como também pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos,
incentivando a educação continuada.
Prof. Wilson de Matos Silva
Reitor
METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
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Olá, querido aluno! Seja bem-vindo à leitura de nosso material didático do NEAD - Núcleo de
Educação a distância do CESUMAR.
Primeiramente, estamos muito felizes em tê-lo como nosso aluno. Temos a perfeita convicção
que fizeste a escolha certa. Somos hoje, o maior Centro Universitário do Paraná e estamos
presentes na maioria dos estados brasileiros. Somos conhecidos nacionalmente pela nossa
qualidade de ensino em ambas modalidades: presencial e a distância.
Este material foi preparado com muito carinho e dedicação para que chegasse a você com a
maior clareza possível. Ele foi baseado nas diretrizes curriculares do curso em questão e está
em plena consonância com o Projeto Pedagógico do Curso.
Neste projeto Pedagógico estão as diretrizes que seu curso segue. Nele, você encontra os
objetivos gerais e específicos, o perfil do egresso, a metodologia, os critérios de avaliação,
o ementário, as bibliografias e tudo o que você precisa saber para estar bem informado e
aproveitar o curso com o máximo proveito possível. Ele está disponível pra você! O que acha
de tomar conhecimento dele? Tenho certeza que irá gostar. Tenho certeza que achará muito
interessante sua compreensão.
No AVA - Ambiente Virtual de Aprendizagem, constam gravações as quais os professores que
organizaram esse material gravaram alguns vídeos, que juntamente com sua leitura ajudará
você no processo de aprendizagem.
Como vivemos numa sociedade letrada, precisamos e devemos estar sempre atentos às
informações contidas nas leituras. Uma boa leitura para ter eficiência e atingir nossos objetivos
precisa ser muito bem interpretada, de modo que, tão logo seja feita, seja possível absorver
conceitos e conhecimentos antes não vistos e ou compreendidos.
Além de sua motivação para a absorção desse conteúdo, algumas dicas são bem-vindas:
esteja concentrado, enquanto lê. Leia lentamente, prestando atenção em cada detalhe. Esteja
sempre com um dicionário por perto, pois ele o ajudará a entender algumas palavras que por
ventura serão novas em seu vocabulário. Saiba que tipo de texto e o assunto este material lhe
trata. E claro, estude em um ambiente que lhe traga conforto e tranquilidade.
Um grande abraço com desejos de um excelente aproveitamento.
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Prof.ª Viviane Marques Goi
Coordenadora de Ensino do NEAD- CESUMAR
METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
AULA 01
CIÊNCIA, PESQUISA E CONHECIMENTOS
EMPÍRICOS
Professor Dr. Flavio Bortolozzi
Professora Me. Ludhiana Bertoncello
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta aula:
• Origem do Processo Científico
• Pesquisa
• Conhecimentos: Filosófico - Senso Comum ou Empírico - Religioso ou Teológico e Científico
• Estatuto da Ciência
Fonte: PHOTOS.COM
ORIGEM DO PROCESSO CIENTÍFICO
O nascimento da atividade científica situa-se na
Grécia, no século VI a.C. A matemática nasceu
muito antes, com as trocas comerciais e as
necessidades de contar objetos, assim como de
calcular superfícies cultiváveis (“cálculo” vem do
latim calculus, que significa “pedra”. Nesta época, os pastores possuíam um pote na entrada
dos celeiros no qual jogavam tantas pedras quantas fossem equivalentes às ovelhas que
entravam). Portanto, eram ferramentas que permitiam resolver problemas pragmáticos.
Foram os gregos que lançaram os primeiros fundamentos sólidos da Matemática que
a fizeram uma verdadeira disciplina teórica, com enunciados gerais e não relativos a casos
particulares, adotando um estilo que ainda hoje é viável.
Esta nova abordagem foi colocada em prática graças à sociedade de cidadãos
relativamente livres e soberanos: ela deu um lugar privilegiado a discussão e debate público,
favorecendo assim, o desenvolvimento dos pensamentos abstratos e argumentados - a
filosofia - e considerações matemáticas com base em fundamentos rigorosos e convincentes.
Assim, os historiadores consideram que nesta sociedade se originaram as verdadeiras
demonstrações matemáticas.
Aristóteles chamava episteme à natureza do conhecimento, que ele acreditava vir da
lógica, modalidade de raciocínio que vinha do geral ao específico, do abstrato ao
concreto. Esta é a abordagem científica que ele defende. Ele analisou as condições para o
estabelecimento de uma prova pela argumentação dedutiva. A abordagem dedutiva vai do
geral para o específico: partindo de princípios gerais, podemos fazer inferências ou deduções
sobre casos particulares (ela se opõe a abordagem indutiva, que consiste em identificar os
princípios gerais a partir do estudo de casos particulares).
METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
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A precisão de uma abordagem científica é acompanhada da criação de uma linguagem e
da invenção de objetos de estudos abstratos, de ferramentas intelectuais, de conceitos (por
exemplo, o conceito de velocidade instantânea). Esses objetos não são dados pela natureza,
mas inventados para responder às necessidades.
Ao observarmos o termo Ciência, pensamos na distinção existente entre a atitude científica
e o senso comum, a luz da teoria retratada por Chauí (2000, p. 249), essa diferença consiste
no seguinte: a ciência indaga a si mesma e suas próprias certezas, desconfia da falta de
perguntas e de crítica, é objetiva, quantitativa, ou seja, busca medir, comparar e avaliar.
A ciência, ainda sob a teoria de Chauí (2000, p. 249), não acontece de forma casual, como
o senso comum, ela investiga a natureza ou a estrutura do fenômeno. Melhor explicitando, o
que pareceria um milagre será explicado pela revelação de detalhes particulares que
produzirão determinado efeito.
O nascimento da ciência permitiu, em um contexto sociopolítico particular, a democracia.
Veremos que as abordagens científicas estão sempre em interação com as evoluções do resto
da sociedade.
O nascimento de um método científico depende de escolhas humanas que definem as
regras da demonstração (dedução versus indução, por exemplo), os questionamentos
legítimos, assim como as bases metafísicas sobre as quais repousa todo o resto.
Finalmente, a tentativa de estabelecer uma “abordagem científica” é indissociável do projeto
humano que a subentende: generalizar as explicações, abstrair de uma diversidade aparente
dando uma unidade de funcionamento subjacente.
PESQUISA
É importante pensar que em nosso cotidiano, estamos constantemente fazendo pesquisas:
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METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
pesquisamos sobre assunto de nosso interesse, sobre política, economia, meio ambiente,
religião, moda, culinária, educação...
Podemos pesquisar de forma aleatória, sem base teórica, científica e, dessa forma, teremos
resultados com base no senso comum. Isso, certamente, não é Ciência.
Todavia, queremos nesse trabalho nos atermos à pesquisa de caráter científico. Só assim, a
pesquisa é um processo sistemático de construção do conhecimento. O principal motivo
para desenvolvermos uma pesquisa é no sentido de construirmos novos conhecimentos. É
preciso que entendamos que o ato de pesquisar nos possibilita corroborar ou ainda refutar um
conhecimento pré-existente. Para termos, de fato, material de pesquisa, as ações precisam ser
orientadas e planejadas em busca de um conhecimento.
Diante disso é possível afirmar que a pesquisa científica na maioria dos casos consiste na
indagação realizada para alcançar a solução de um problema.
Podemos dizer que a realização da pesquisa cientifica deve ser associada a um método
científico. Esse método precisa ser objetivo. Isso implica imparcialidade do pesquisador diante
da interpretação dos resultados. É preciso que haja confiabilidade nos resultados da pesquisa,
para isso torna-se necessário que o procedimento seja documentado, principalmente em
relação à fonte de dados e às regras de análise. Essa ação permite que outros cientistas de
diferentes lugares, diferentes países possam reanalisar os dados, os resultados da pesquisa.
Assim, podemos dizer que a pesquisa é utilizada para:
- Gerar e adquirir novos conhecimentos sobre si mesmo ou sobre o mundo em que vive.
- Obter e/ou sistematizar a realidade empírica (conhecimento empírico).
- Responder a questionamentos (explicar e/ou descrever).
- Resolver problemas.
- Atender às necessidades de mercado.
METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
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Com base nessas contribuições, podemos induzir que pesquisa científica é indagar sobre
a realidade. E o modo como indagamos determina a Abordagem Científica ou também
denominada Método Científico. Sendo assim, método é o caminho percorrido para se
chegar a um fim. É o pesquisador que determina a opção teórica pelo método X ou Y.
Na verdade, o que pretendemos dizer é que em nosso cotidiano vivemos sempre na busca de
dar uma explicação para o universo. Posso tentar explicá-lo por meio de crenças; misticismo;
superstições ou posso explicá-lo com base na lógica, e, consequentemente, no método, isto é,
apoiado em uma investigação científica.
Fonte: PHOTOS.COM
CONHECIMENTOS: FILOSÓFICO - SENSO
COMUM OU EMPÍRICO - RELIGIOSO OU
TEOLÓGICO E CIENTÍFICO
Provavelmente, você já ouviu dizer que “fulano de
tal” tem sempre suas colocações fundamentadas no
senso comum. Podemos dizer que transitamos com
vários tipos de conhecimentos. Entre eles, o que
chamamos de senso comum. Quando pensamos em
senso comum, imaginamos algo superficial. Nesse
sentido, podemos dizer que não há sistematização,
muito menos um método estabelecido no sentido de
força argumentativa. Importante pensar, que grande
parte da nossa organização do conhecimento tem
base em questões do senso comum.
Mas, na escola, o conhecimento deverá ir além do senso comum. O conhecimento escolar não
pode se dar na espontaneidade.
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METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
Segundo Tafner e Silva (2007), o Conhecimento Filosófico, Senso Comum ou Conhecimento
Empírico, Conhecimento Religioso ou Teológico e Conhecimento Científico podem ser
abordados como:
Conhecimento Filosófico, a palavra Filosofia surgiu com Pitágoras por meio da união dos
vocábulos PHILOS (amigo) + SOPHIA (sabedoria) (RUIZ, 1996, p.111). Os primeiros relatos
do pensamento filosófico datam do século VI a.C., na Ásia e no Sul da Itália (Grécia Antiga).
A filosofia não é uma ciência propriamente dita, mas um tipo de saber que procura
desenvolver no indivíduo a capacidade de raciocínio lógico e de reflexão crítica, sem
delimitar com exatidão o objeto de estudo. Dessa forma, o conhecimento filosófico não pode
ser verificável, o que o torna, sob certo ponto de vista, infalível e exato. Apesar da filosofia
não ter aplicação direta à realidade, existe uma profunda interdependência entre ela e os
demais níveis de conhecimento. Essa relação deriva do fato de que o conhecimento filosófico
conduz à elaboração de princípios universais, que fundamentam os demais, enquanto se vale
das informações empíricas, teológicas ou científicas para prosseguir na sua evolução.
O Senso Comum ou conhecimento empírico é também chamado de conhecimento
popular ou comum. É aquele obtido no dia a dia, independentemente de estudos ou critérios
de análise. Foi o primeiro nível de contato do homem com o mundo, acontecendo por intermédio
de experiências casuais e de erros e acertos. É um conhecimento superficial, segundo o qual
o indivíduo, por exemplo, sabe que nuvens escuras é sinal de mau tempo, contudo não tem
ideia da dinâmica das massas de ar, da umidade atmosférica ou de qualquer outro princípio da
climatologia. Enfim, ele não tem a intenção de ser profundo, mas sim básico.
O Conhecimento teológico ou religioso é o conhecimento relacionado ao misticismo,
à fé, ao divino, ou seja, à existência de um Deus, seja ele o Sol, a Lua, Jesus, Maomé,
Buda, ou qualquer outro que represente uma autoridade suprema. O Conhecimento teológico,
de forma geral, encontra seu ápice respondendo aquilo que a ciência não consegue
responder, visto que ele é incontestável, já que se baseia na certeza da existência
METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
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de um ser supremo (Fé). Os Conhecimentos ou verdades teológicas estão registrados em
livros sagrados, que não seguem critérios científicos de verificação e são revelados por seres
iluminados como profetas ou santos, que estão acima de qualquer contestação por receberem
tais ensinamentos diretamente de um Deus.
O Conhecimento científico está relacionado à ciência, pois a ciência é uma necessidade
do ser humano que se manifesta desde a infância. É por meio dela que o homem busca
o constante aperfeiçoamento e a compreensão do mundo que o rodeia por meio de
ações sistemáticas, analíticas e críticas. Ao contrário do empirismo, que fornece um
entendimento superficial, o conhecimento científico busca a explicação profunda do fenômeno
e suas inter- -relações com o meio. Diferentemente do filosófico, o conhecimento científico
procura delimitar o objeto alvo, buscando o rigor da exatidão, que pode ser temporária,
porém comprovada. Deve ser provado com clareza e precisão, levando à elaboração de leis
universalmente válidas para todos os fenômenos da mesma natureza.
Ainda assim, ele está sempre sob júdice, podendo ser revisado ou reformulado a
qualquer tempo, desde que se possa provar sua ineficácia.
Resumidamente, podemos dizer:
Conhecimento Filosófico - Podemos dizer que o conhecimento filosófico é fruto do
raciocínio e da reflexão humana. Neste sentido, acaba ultrapassando os limites formais da
Ciência.
O Senso Comum ou Conhecimento Empírico - Também chamado de conhecimento popular
ou comum. É aquele obtido no dia a dia, independentemente de estudos ou critérios de
análise.
Conhecimento Teológico ou Religioso - Revela-se na fé divina e nas crenças de
diferentes credos. Esse tipo de conhecimento depende da formação moral de cada indivíduo.
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METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
Conhecimento Científico - É um produto resultante da investigação ou da pesquisa científica
e surge da necessidade de encontrar soluções para problemas de ordem prática da vida diária
(senso comum) e do desejo de fornecer explicações sistemáticas que possam ser testadas e
criticadas por meio de provas empíricas e da discussão intersubjetiva. Faz uso de ferramentas
lógicas e metodológicas para que se tornem padronizados e possam ser reproduzidos. Os
pressupostos para validade científica são:
Fonte: PHOTOS.COM
- Necessidade de um Método Científico.
- Clareza da Contribuição Científica.
- Importância de um resultado passível de verificação.
ESTATUTO DA CIÊNCIA
A - Época Clássica e Idade Média: até o século XVI.
A ciência é uma atividade essencialmente contemplativa.
- O conhecimento científico apoia-se em procedimentos dedutivos.
-A ciência não está separada da filosofia. A filosofia é entendida como a Ciência das
ciências.
- Na antiguidade clássica, Platão e Aristóteles concebem o universo como estático e hierarquizado.
- Durante a Idade Média, na Europa, predomina a religião cristã. A ciência está subordinada à filosofia, e esta à teologia. Deus é o criador de tudo o que existe. Para além de
Platão e Aristóteles, na ciência, destaca-se agora a influência de Santo Agostinho e São
Tomás Aquino. A partir do século XIII, desenvolve-se uma cultura livresca (a escolástica).
METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
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B - Época Moderna: séculos XV e XVI
A ciência moderna critica-se o saber livresco, valoriza-se a observação direta e rigorosa, a
experimentação e a técnica.
- Nos séculos XVI e XVII, revoluções científicas corporizadas nas grandes descobertas geográficas, mas também nas de Copérnico, Galileu, Pascal, Kleper, Descartes, Leibniz e
Newton..
-A ciência separa-se da filosofia.
- Difunde-se a crença na verdade absoluta do conhecimento científico, o qual caminhava para a resolução de todos os enigmas do universo. No século XIX, o positivismo será,
neste aspecto, a consagração filosófica destas teses mecanicistas e deterministas.
- Galileu. Atribui à observação, à experiência e à matematização do real uma função essencial na compreensão da natureza.
- Newton. Procurou unir a Matemática e a Física, fortalecendo o método empírico. Estabeleceu a presença da lei e da ordem na natureza mediante suas descobertas sobre o
movimento dos corpos celestes. Mostrou que a natureza age racionalmente e não por
acaso, estabelecendo o princípio base do determinismo: se pudéssemos conhecer as
posições e os impulsos das partículas materiais num dado momento, poderíamos deduzir
pelo cálculo toda a evolução posterior do mundo.
- Positivismo - século XIX. Defende que o único conhecimento genuíno é o da ciência e
o baseado em observações de fatos. Rejeitou qualquer explicação sobre as coisas que
ultrapassam a sua dimensão física.
- O positivismo contribuiu para a criação e a difusão de grandes mitos sobre o conhecimento
científico:
a. Mito da cientificidade: o conhecimento científico é o único que é verdadeiro.
b. Mito do progresso: o desenvolvimento da ciência e da técnica são os únicos que
poderão conduzir a humanidade a um estado superior de perfeição.
c. Mito da tecnocracia: a resolução dos problemas da humanidade passa por confiar o
poder a especialistas, nas diversas áreas do conhecimento técnico e científico.
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METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
C - Época Contemporânea: século XX
Crise das concepções deterministas herdadas do período anterior. O conhecimento científico
deixa de ser visto como absoluto. Muitos dos mitos desenvolvidos em torno da ciência são
abandonados.
D - Conhecimento Científico – Século XX
- Einstein (1879-1955), destrói a concepção determinista do conhecimento científico (Teoria
da Relatividade).
- Heisenberg (1901-1976) introduziu o princípio da incerteza, concluindo a destruição do
determinismo da física newtoniana.
- Popper (1902-1994) demonstrou que toda a ciência é baseada em conjecturas, hipóteses que tentamos confirmar, mas também refutar. A ciência não é verdadeira, mas
conjecturável. Uma teoria só é científica se a pudermos refutar.
- Feyerabend (1924-1994) demonstrou que a ciência era avessa a métodos rígidos e
universais. As grandes descobertas foram realizadas por aqueles que tiveram a ousadia
de romper com os métodos correntes. Nada na ciência é uniforme. As diferentes teorias
científicas não passam de diferentes visões do mundo.
E - O desenvolvimento das Ciências
- Duhem (1861-1916) sustentou que na ciência não existem começos absolutos. O conhecimento científico progride por acumulação e alargamento de horizontes.
- Bachelard (1884-1962) concebeu a evolução da ciência como um processo dinâmico,
interação entre a razão e a experiência. O progresso científico faz-se por intermédio de
rupturas epistemológicas com o senso comum, as tradições, os erros e os preconceitos. A
ciência avança mediante a superação destes obstáculos.
- Khun (1922-1994) concebe a evolução da ciência à semelhança de uma história política, como uma sucessão de revoluções, de rupturas, de alterações mais ou menos rápidas
e de substituições dos diferentes paradigmas.
METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
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O que é o senso comum?
Na nossa vida cotidiana, necessitamos de um conjunto muito vasto de conhecimentos relacionados
com a forma como a realidade em que vivemos funciona: temos que saber como tratar as pessoas
com as quais nos relacionamos, temos que saber como devemos nos comportar em cada uma das
circunstâncias em que nos situamos no nosso dia a dia: a forma
como nos comportamos em nossa casa é diferente da forma como nos comportamos numa repartição pública, numa discoteca, num cinema, na escola etc. Estamos também rodeados de sistemas
de transporte, de informação, de aparelhos muito diversos, com os quais temos que saber lidar. De
fato, para apanharmos o comboio, por exemplo, temos que saber muitas coisas: o que é um comboio
e a sua função, como se entra numa estação, como se compra o bilhete, como devemos esperar o
comboio etc.
Estes conhecimentos, no seu conjunto, formam um tipo de saber a que se chama senso comum.
O senso comum é um saber que nasce da experiência cotidiana, da vida que os homens levam em
sociedade. É, assim, um saber acerca dos elementos da realidade em que vivemos; um saber sobre
os hábitos, os costumes, as práticas, as tradições, as regras de conduta, enfim, sobre tudo o que
necessitamos para podermos nos orientar em nosso dia a dia:
como comer à mesa, acender a luz de uma sala, acender a televisão, como fazer uma chamada telefônica, apanhar o carro, o nome das ruas da localidade em que vivemos etc.
É, por isso, um saber informal, que se adquire de uma forma natural (espontâneo), através do nosso
contato com os outros, com as situações e com os objetos que nos rodeiam. É um saber muito simples e superficial, que não exige grandes esforços, ao contrário dos saberes formais (tais como as
ciências) que requerem um longo processo de aprendizagem escolar.
O senso comum adquire-se quase sem se dar conta, desde a mais tenra infância e, apesar das suas
limitações, é um saber fundamental, sem o qual não conseguiríamos nos orientar em nossa vida
cotidiana.
Sendo assim, torna-se facilmente compreensível que todos os homens possuam senso comum, mas
que este varie de sociedade para sociedade e, mesmo dentro duma mesma sociedade, varia de grupo
social para grupo social ou, também, por exemplo, de grupo profissional para grupo profissional.
Mas, sendo imprescindível, o senso comum não é suficiente para nos compreendermos a nós próprios e ao mundo em que vivemos, pois se na nossa reflexão sobre a nossa situação no mundo, nos
ficarmos pelos dados do senso comum, por assim dizer os dados mais básicos da nossa consciência
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METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
natural, facilmente caímos na ilusão de que as coisas são exatamente aquilo que parecem, nunca
chegando a perceber que existe uma radical diferença entre a aparência e a realidade. Somos imperceptivelmente levados a consolidar um conjunto solidário de certezas, das quais, como é óbvio, achamos ser absurdo duvidar (o texto da ficha 3 chama-lhes “crenças silenciosas”): temos a certeza de que
existimos, de que as coisas que nos rodeiam existem, que aquilo que nos acontece é irrefutável etc.
Contudo, essas certezas são questionáveis, pois se baseiam em aparências. E há muitas aparências
que se nos impõem com uma força quase irresistível, por exemplo: aparentemente, o Sol move-se
no céu (não é verdade que esta foi uma convicção aceita, durante muitos séculos, pela comunidade
científica?). Podemos mesmo aprender a medir o tempo a partir desse movimento aparente. Mas, na
realidade, esse movimento aparente do Sol é gerado pelo movimento de rotação da terra.
Mas, essa distinção entre aparência e realidade, da qual não nos podemos libertar por causa da nossa
natureza (ou melhor, da constituição dos nossos órgãos sensoriais e do nosso sistema nervoso), está
dependente da diferença que existe entre o conhecimento sensível e o conhecimento racional.
O conhecimento que temos por meio dos sentidos é forçosamente incompleto e filtrado, pois os nossos órgãos receptores só são estimulados por determinados fenômenos físicos, deixando de lado
um campo quase infinito de possíveis estímulos (por exemplo, os nossos olhos não captam quer a
radiação infravermelha quer a radiação ultravioleta, ao passo que há seres vivos que o podem fazer,
o mesmo se passando com os ultrassons).
É, portanto, inquestionável que não conhecemos, sensorialmente, a realidade tal como ela é.
Sendo assim, os sentidos parecem que nos enganam, pois os dados que nos fornecem acerca da
realidade são insuficientes para alcançarmos um conhecimento verdadeiro, ou objetivo da mesma.
Por isso, a Razão permite-nos alcançar conhecimentos que nunca poderíamos alcançar através dos
sentidos.
As principais características do senso comum
Caráter empírico – o senso comum é um saber que deriva diretamente da experiência cotidiana, não
necessitando, por isso, de uma elaboração racional dos dados recolhidos através dessa experiência.
Caráter acrítico – não necessitando de uma elaboração racional, o senso comum não procede a uma
crítica dos seus elementos, é um conhecimento passivo, em que o indivíduo não se interroga sobre os
dados da experiência, nem se preocupa com a possibilidade de existirem erros no seu conhecimento
da realidade.
Caráter assistemático – o senso comum não é estruturado racionalmente, tanto ao nível da sua aqui-
METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
21
sição, como ao nível da sua construção, não existe um plano ou um projeto racional que lhe dê
coerência.
Caráter ametódico – o senso comum não tem método, ou seja, é um saber que não segue nenhum
conjunto de regras formais. Os indivíduos adquirem-no sem esforço e sem estudo. O senso comum é
um saber que nasce da sedimentação casual da experiência captada ao nível da experiência cotidiana
(por isso se diz que o senso comum é sincrético).
Caráter aparente ou ilusório – como não há a preocupação de procurar erros, o senso comum é um
conhecimento que se contenta com as aparências, formando, por isso, uma apresentação ilusória,
deturpada e falsa, da realidade.
Caráter coletivo – o senso comum é um saber partilhado pelos membros de uma comunidade, permitindo que os indivíduos possam cooperar nas tarefas essenciais à vida social.
Caráter subjetivo – o senso comum é subjetivo, porque não é objetivo: cada indivíduo vê o mundo à
sua maneira, formando as suas opiniões, sem a preocupação de testá-las ou de fundamentá-las num
exame isento e crítico da realidade.
Caráter superficial – o senso comum não aprofunda o seu conhecimento da realidade, fica-se pela
superfície, não procurando descobrir as causas dos acontecimentos, ou seja, a sua razão de ser que,
por sua vez, permitiria explicá-los racionalmente.
Caráter particular – o senso comum não é um saber universal, uma vez que se fica pela aquisição de
informações muito incompletas sobre a realidade (por isso, também se diz que ele é fragmentário),
não podendo, assim, fazer generalizações fundamentadas.
Caráter prático e utilitário – o senso comum nasce da prática cotidiana e está totalmente orientado
para o desempenho das tarefas da vida cotidiana, por isso as informações que o compõem são o mais
simples e diretas possíveis.
O senso comum é um saber que está presente em todas as sociedades e em todos os indivíduos
(todos são dotados de senso comum). Mas o senso comum é plural, variando de sociedade para
sociedade e modificando-se com o decorrer dos tempos.
O senso comum, enquanto princípio de sociabilidade constitui o acordo mínimo exigível para que
22
METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
qualquer sociedade funcione como tal; ele assegura a coesão indispensável para que se possa falar
de comunidade e de vida coletiva.
Ele é princípio de equilibração, essencial a toda a sociedade, entre a dimensão do indivíduo e a dimensão do coletivo ou, dito de outra forma, da sujeição do indivíduo às normas da vida coletiva.
O senso comum é também o senso tradicional. Costumamos dizer: “sempre foi assim” para justificar
um procedimento que nos criticam.
O senso comum transporta e naturaliza um conjunto de convenções implícitas ou intrínsecas ao agir
humano coletivamente dimensionado.
Nesse sentido, ele é conducente ou solidário de uma aceitação que assinala uma passividade inerente
e indispensável face às exigências práticas e pragmáticas da vida. Como se adquire o senso comum?
Ele é fruto da aprendizagem e educação que espontânea e/ou institucionalmente recebemos enquanto membros de uma comunidade.
José Manuel Girão e Rui Alexandre Grácio © <www.espanto.info>.
O texto que segue pode ser consultado na íntegra no endereço: <http://www.wfsj.org/course/pt/
pdf/mod_5.pdf>.
Como reconhecer a ciência
O conhecimento científico pretende entender a natureza e o universo em que vivemos por meio de
elementos conhecidos, concretos e objetivos.
Esse tipo de conhecimento tem suas regras.
Cientistas fazem afirmações baseadas em justificativas razoáveis. A abordagem científica perfeita é
a demonstração. Uma demonstração é um argumento claro e completo. Em ciência, uma demonstração pode ser também algo prático como um experimento de laboratório, mostrando um fenômeno
e estabelecendo causa e efeito. Uma demonstração mostra resultados certeiros e torna possíveis as
generalizações, levando a previsões. Assim, é a ciência moderna, em oposição à ciência antiga que,
com sua proximidade da religião, usava a autoridade para combater argumentos e questionamentos
sobre o “porquê” das coisas.
METODOLOGIA DE PESQUISA | Educação a Distância
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REFERÊNCIAS
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2000.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. 3. ed. São
Paulo: Atlas, 2000.
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