DIOCESE DE EREXIM
SECRETARIADO DIOCESANO DE PASTORAL
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ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
Ano 20 – nº. 1.007– 12 de julho de 2015
Agenda do Bispo: - Neste domingo, às 09h, por representante, Pe. Dirceu Balestrin,
Vigário Geral da Diocese, missa com oficialização do Pe. Cleberton Piotrowski como
Administrador Paroquial da Paróquia São Cristóvão de Erechim; às 10h, missa na igreja
São Roque de Itatiba do Sul, com oficialização do Pe. Edinaldo dos Santos Bruno como
novo Pároco daquela Paróquia.
- Sábado, às 09h, encontro de lideranças das paróquias da Área de Jacutinga em Paulo
Bento para estudo do documento da CNBB sobre a renovação paroquial.
- Domingo, às 09h, missa na comunidade Santa Terezinha, Coronel Teixeira, Paróquia São
Caetano, Severiano de Almeida, com consagração do altar.
Agenda Pastoral: - Segunda-feira, às 14h, reunião das coordenadoras paroquiais das zeladoras de
capelinhas, no Centro Diocesano; às 18h30, reunião da Coordenação Diocesana
de Pastoral, no mesmo local.
- Quarta-feira, às 17h, reunião do grupo dos formadores.
- Sábado, encontro de lideranças da Área de Jacutinga, em Paulo Bento; 14h,
encontro de instrumentistas para ensaio de música para a Romaria de Fátima, no
Santuário; das 14 às 17h, preparação especial para a legitimação de casamento de funcionários da
Aurora, no Centro Catequético da Catedral.
- Domingo, encontro em preparação à Semana da Família, com membros do Movimento Familiar
Cristão, Encontro de Casais com Cristo, Pastoral Familiar, Escola de Pais, Cursilho de Cristandade; festa
do Agricultor e do Motorista em Chapadão.
Paróquias Católicas da cidade de Erechim reúnem lideranças: Em torno de quinhentas lideranças
das comunidades das 7 paróquias católicas de Erechim participaram de encontro de formação no salão
comunitário São Cristóvão da Paróquia e do
Bairro do mesmo nome, dia 05, primeiro
domingo deste mês. Dom José conduziu o
estudo do dia motivando a um vídeo sobre o
Concílio Vaticano II e apresentando visão
geral do documento da CNBB sobre a
renovação paroquial e as urgências pastorais
das atuais Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora da Igreja no Brasil. No final do encontro, presidiu a missa dominical com a participação
de dez padres e dois diáconos. Na conclusão dela, agradeceu carinhosamente ao grupo de voluntários
dos serviços do encontro e aos padres da Paróquia São Cristóvão, Edinaldo do Santos Bruno e
Maximino Tiburski. Ao Pe. Edinaldo agradeceu também sua disponibilidade para a nova missão de
Pároco de Itatiba, dizendo contar com a compreensão da Paróquia São Cristóvão por ele lhe confiar esta
nova missão, bem como com a acolhida ao Pe. Cleberton transferido de Itatiba para esta Paróquia. O
vídeo sobre o Concílio, que desencadeou todo o processo de abertura da Igreja aos desafios do mundo
moderno, apresentou o Papa João XXIII que o convocou, a preparação, a realização e os 16 documentos
do mesmo. Em relação ao documento da renovação paroquial, Comunidade de Comunidades: uma nova
Paróquia, Dom José falou do processo de redação do texto, que tem forte inspiração no documento de
Aparecida, nos pronunciamentos do Papa Francisco por ocasião da Jornada Mundial da Juventude no
Rio de Janeiro em 2013 e na sua exortação apostólica A Alegria do Evangelho. O documento, nos seus
seis capítulos, trata da realidade atual, da Palavra de Deus na vida e missão das comunidades, da origem
e história da Paróquia, da comunidade paroquial, dos sujeitos e tarefas da conversão pastoral e
proposições pastorais.
Diocese realiza tarde de estudo sobre o dízimo: Com assessoria do Frei Valdir Fontana, Pároco da
Paróquia São Lourenço do Oeste, SC, e de João e
Angelina Lazarotto Bittencourt, casal coordenador da
pastoral do dízimo daquela Paróquia, Dom José,
Dom Girônimo, 40 padres, um diácono e mais de 30
leigos da Diocese de Erexim refletiram sobre o
dízimo, na tarde de segunda-feira, no Seminário de
Fátima. Na abertura do encontro, Dom José
mencionou a caminhada já realizada pela Diocese na
organização do dízimo e enfatizou a necessidade de
se dar um passo a mais. Frei Valdir e o casal João e Angelina relataram o trabalho de pastoral do dízimo
na Paróquia São Lourenço do Oeste de 2008 em diante, iniciado pelo Pároco anterior. Começaram por
acentuar a necessidade de se realizar a conversão pastoral e a mudança de estruturas preconizadas pelo
Documento de Aparecida, pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora
da Igreja no Brasil e pelo Documento da CNBB sobre a renovação
paroquial. Ressaltaram também a necessidade de um plano paroquial de
pastoral, no qual se insere o dízimo. Caracterizaram o dízimo como chave
que liberta, expressão concreta e visível de participação, gesto de gratidão,
amor e partilha oferecido com a sinceridade do coração. É bíblico, não é
taxa e nem pagamento. É feito conforme a fé, o bolso e o egoísmo. Ele é
pessoal, de modo que em cada família há tantos dizimistas quantos membros ela tem. Nesta perspectiva,
há também o dízimo das crianças, adolescentes e jovens. Relataram como ele é organizado naquela
Paróquia e apresentaram subsídios de conscientização sobre o dízimo, de catequese, de informação e
outros, bem como o carnê anual dos dizimistas.
Representantes paroquiais do Apostolado da Oração retomam Romaria Nacional: Coordenados
pelo Diretor Diocesano, Pe. Paulo Bernardi, Pároco da Paróquia São Pedro de Erechim, representantes
paroquiais do Apostolado da Oração realizaram reunião na
manhã de segunda-feira, no Centro Diocesano. Lembraram
alguns eventos do ano em curso, decidiram imprimir o
calendário do Apostolado para o próximo ano, retomaram os
pontos destacados na Romaria Nacional a Aparecida, no mês
passado, o coração, a oração e a missão. O coração representa a
pessoa do próprio Cristo que dá a vida pela humanidade. A
missão dos associados do Apostolado é dar continuidade ao
projeto de Jesus. Pela oração, entra-se em comunhão com Deus. Por ela, renova-se a força para continuar
a missão. Em sua visita ao grupo, Dom José ressaltou a importância de o Apostolado intensificar e
incentivar a oração; mencionou a viagem apostólica do Papa Francisco a três países latino-americanos,
Equador, Bolívia e Paraguai, nesta semana. Segundo o Bispo, a escolha destes países está dentro da
prioridade do papa de ir às periferias, pois não são os países mais importantes nos critérios econômicos e
sociais. Aludiu também ao Jubileu Extraordinário da Misericórdia a ser iniciado dia 08 de dezembro,
solenidade da Imaculada Conceição e cinquentenário do encerramento do Concílio Vaticano II. O papa
definiu esta data porque a Igreja sente a necessidade de manter vivo aquele acontecimento. Começava
então, para ela, um percurso novo da sua história.
Padre da Diocese de Erexim em Congresso Nacional do Dízimo e da Partilha: De 03 a 05 deste mês,
em São Paulo, foi realizado o primeiro Congresso Nacional
da Pastoral do Dízimo e da Partilha, com o tema
“Autossustentação na Gestão Eclesial” e o lema “Para não
faltar mantimento na minha casa” (Ml 3,10). O Congresso
teve 10 grandes palestras sobre os seguintes aspectos:
Dízimo e espiritualidade, pelo Pe. Jerônimo Gasques, de
Presidente Prudente, SP, que já tem diversas publicações
sobre o assunto e outros; Dízimo e planejamento, pelo
missionário leigo José Leal Valentim, atuante na Pastoral do
Dízimo há 43 anos; Dízimo e captação de recursos, por Dom
Edson Oriolo, Bispo auxiliar de Belo Horizonte, MG; Dízimo e recursos
financeiros, por Odilmar Antonio de Oliveira Franco, do Centro Católico de
Formação e Assessoria; Dízimo e Liderança, por André Luiz Moreira dos
Santos, Administrador da Diocese de Camaçari, BA; Gestão e atendimento,
pelo Pe. Tom Viana, mestre em direção e gestão comercial; Dízimo e projeto
missionário, por Antoninho Tatto, missionário leigo de São Paulo; Dízimo e
evangelização, pelo Pe. Cristovam Iubel, da editora Pão e Vinho do Paraná;
Dízimo e marketing, pelo leigo Fábio Castro, de uma empresa de marketing
integrado; A importância da pastoral da partilha no desenvolvimento
humano, espiritual e pastoral, por Aristides Luís Madureira, diretor da Editora Partilha. Pela Diocese de
Erexim, participou do evento Pe. Gilson Samuel, Pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus de Paulo
Bento e coordenador do dízimo.
Jovens das Paróquias da Área Pastoral de Gaurama vivem trilha especial: Mais de quarenta jovens
das paróquias de Marcelino Ramos, Viadutos, Gaurama, Áurea e
Carlos Gomes participaram da segunda das três etapas do curso de
formação para jovens organizado pela Pastoral da Juventude da
Diocese de Erechim, chamado “Nas trilhas da Animação da Juventude”
dia 04, em Gaurama. Nesta etapa, os participantes aprofundaram a
natureza, a história, a metodologia e a organização da Pastoral da
Juventude. Os jovens tiveram também a visita do Bispo diocesano,
dom José Gislon. A primeira etapa foi realizada em Marcelino Ramos,
no dia 25 de abril. A terceira está programada para os dias 12 e 13 de
setembro, em Centenário, Paróquia de Áurea. As outras Áreas também
realizam este curso.
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Padre da Diocese de Erexim em Especialização em Juventude: O assessor da Pastoral da
Juventude da Diocese de Erexim, Pe. Maicon Malacarne, está participando do primeiro de três módulos
de Especialização em Juventude no Mundo Contemporâneo,
promovido pela Rede Brasileira de Centros e Institutos do Brasil e
pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), de Belo
Horizonte, MG, de 06 a 24 deste mês.
Participam
desta
Especialização
49
estudantes, provenientes de todas as regiões
do país e da República Dominicana. São
educadores, agentes de pastoral, formadores
de congregações e gestores de políticas
públicas.
A conferência inaugural esteve a cargo do Dr. Juarez Dayrell, professor
da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do
observatório de juventude da mesma universidade. Dayrell apresentou o campo de estudos e juventude,
com seus atuais desafios e lacunas. O professor chamou a atenção também para o modo como os
problemas que atingem os jovens passam a ser compreendidos como problema dos jovens, configurando
o que chamou de nova classe perigosa. Para ele, os problemas que atingem os jovens expõem
necessidades e demandas não atendidas.
Ainda nesse módulo, os/as estudantes cursarão as disciplinas sociologia da juventude; juventude
lazer e consumo; comunicação e novas linguagens; história dos jovens; políticas públicas de juventude; e
metodologia de pesquisa em juventude.
Essa é a 8ª Turma do Curso, que já foi sediado em Porto Alegre e Goiânia, com chancelas da
Unisinos e da PUC-Goiás. Ele foi concebido pela Rede Brasileira para contribuir com a tematização da
juventude na academia, nas Igrejas, nos órgãos públicos, ampliando o domínio científico e prático sobre
a questão juvenil. Desse modo, a Especialização pretende ampliar a pesquisa e produção acadêmica em
juventude e qualificar a prática dos que atuam com jovens, nas escolas públicas e privadas (laicas e
confessionais), nas Pastorais e movimentos eclesiais, movimentos sociais juvenis, órgãos de gestão de
políticas para jovens, congregações religiosas, instituições culturais etc. Atuar neste ambiente exige
competência conceitual e metodologia específicas que assegurem conhecimento sobre as dimensões
sociais, culturais, econômicas e políticas das condições juvenis.
O Curso iniciou na semana em que ocorreu o linchamento até a morte de um jovem de 29 anos
de idade, no Maranhão, amarrado a um poste e agredido após tentar roubar um bar. Uma semana depois
em que a Câmara dos Deputados aprovou a polêmica proposta de redução da idade penal, que ainda
segue em outras instâncias de tramitação. São questões que remetem diretamente à realidade juvenil
contemporânea, que desvela os conflitos e tensões da sociedade como um todo. Essas, como outras, são
questões que interessam aos futuros especialistas em juventude.
Os outros dois módulos serão realizados de 11 a 30 de janeiro e 04 a 20 de julho de 2016.
Durante o segundo módulo, em janeiro próximo, o Curso realizará o Seminário Nacional: Aproximações
com o mundo juvenil, aberto a todos os interessados na questão juvenil. Em breve, a FAJE e a Rede
Brasileira divulgarão mais informações a respeito das inscrições.
Jovens em Semana Missionária Católica em Porto Alegre: Jovens da Pastoral da Juventude
das 4 arquidioceses e 14 dioceses do Estado estarão em Porto Alegre de 20 a 26 deste mês para uma
semana de ação missionária em diferentes realidades sociais e em parceria com outras pastorais.
Algumas realidades que os jovens conhecerão e nas quais atuarão
são: instituição que trabalha com portadores do HIV; Pastoral Carcerária;
Vila dos Papeleiros, na Ilha dos Marinheiros; Centro de Promoção da
Criança e do Adolescente São Francisco de Assis, na Lomba do Pinheiro e
a Obra Social Padre Pedro Leonardi, no bairro Restinga, que atende
crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, bem como
famílias e moradores de rua.
Por esta experiência missionária, os jovens conviverão com
pessoas de diferentes carências sociais e com diversos agentes de pastoral.
Poderão também descobrir engajamentos concretos a serem assumidos em
suas próprias comunidades.
Do dia 09/7 – quinta-feira
Cáritas reforça Campanha de apoio ao Nepal
Após mais de dois meses dos terremotos que atingiram o Nepal e afetaram cerca de 8 milhões de
pessoas, o Apelo Emergencial da Cáritas Internacional foi revisto
com ajustes no orçamento e aumentou para 4 milhões de Euros. a
Campanha prosseguirá até o final de agosto deste ano. Ainda
existem, aproximadamente, 2,8 milhões de pessoas que necessitam
de assistência.
O Apelo Emergencial é destinado à aquisição de lonas e kits
de abrigo para 20 mil domicílios, com obtenção de cobertores,
cordas e outros materiais e objetos necessários. A partir de agora, a
Campanha de Ajuda Humanitária também adquire um novo foco,
superando a fase de socorro imediato e passando à etapa de
recuperação e reconstrução.
Dados da Campanha, analisados até 10 de junho, registraram a distribuição de mais de cinco mil
itens alimentares em três distritos (Kathmandu, Lalitpur e Bhaktapur) no Vale de Kathmandu; quase 34
mil tendas e kits de abrigos em Kavre, Okhaldhunga, Nuwakot e Rasuwa; e aproximadamente 15 mil
kits de higiene em Gorkha, Lamjung e Dhading. Ao total, mais de 269 mil pessoas foram beneficiadas
até a data.
Atingidos
As estimativas sobre o total dos prejuízos e perdas causados pelos dois terremotos acontecidos
equivalem a US$ 7 bilhões. As perdas na agricultura e indústria afetam em torno de um milhão de
pequenas famílias de agricultores pobres.
A saúde pública também foi gravemente afetada. Encontram-se completamente destruídos 446
setores públicos e 16 centros de saúde privados, enquanto 765 estruturas de saúde foram parcialmente
danificadas.
Apesar de reabertas em 1º de junho, em algumas escolas e faculdades ainda existe insegurança
quanto às estruturas e quase um milhão de crianças foram prejudicadas em decorrência da destruição e
danos de 36 mil salas de aula.
Para auxiliar a Campanha da Cáritas Brasileira em favor do Nepal, as ajudas financeiras podem
ser depositadas nas seguintes contas, a cargo da Cáritas Brasileira:
Banco do Brasil
Agência: 3475-4
Conta corrente: 31 936-8
Banco Bradesco
Agência: 0606-8
Conta Corrente: 71.000-8
Caixa Econômica Federal
Agência: 1041
Conta Corrente: 3573-5
Operação: 003
Fonte: CNBB
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Rafael Correa: "Grande amor entre o Papa Francisco e Equador”
Em uma entrevista exclusiva à Rádio Vaticano, o presidente comentou a visita do Papa e as
consequências que as suas palavras podem ter
Toda a visita do papa no Equador "foi muito interessante": “as Missas e as palavras que o Papa
Francisco dirigiu ao povo equatoriano são mensagens muito fortes, muito importantes”. Assim o
presidente da República do Equador, Rafael Correa, em uma entrevista exclusiva à Rádio Vaticana,
comenta os dois dias do Pontífice no país, do qual se despediu ontem partindo para a Bolívia do
aeroporto internacional „Mariscal Sucre‟ de Quito.
O Presidente explicou que, para ele, o mais importante discurso do Papa foi aquele pronunciado
na Igreja de San Francisco, “quando falou da gratuidade, quando disse que recebemos tudo
gratuitamente, e por isso precisa dar gratuitamente. Falou dos excluídos da sociedade, falou das
pobrezas, das riquezas que é preciso compartilhar”.
No mesmo discurso, o Papa também mencionou as questões da ecologia integral e dos recursos.
Um incentivo, portanto, à luta do Equador pela defesa da biodiversidade. “Nessa área muito foi feito –
confirma Correa – . Devemos agradecer o Papa Francisco pela sua Encíclica Laudato Si‟, há muitos
pontos em comum com o que estamos fazendo no Equador e com a nossa Constituição”, que “é a
primeira na história da humanidade que reconhece direitos à natureza”. Por exemplo, explica o chefe de
Estado, “na sua Encíclica o Papa afirma que a água é um direito do homem: na nossa Constituição está
escrito exatamente a mesma coisa. Estamos trabalhando com grande esforço nesta área. Acredito que a
Encíclica seja um documento de grande importância para a próxima Conferência sobre o ambiente que
se realizará em Paris”.
Refletindo sobre o peso que as palavras do Papa terão sobre o trabalho dos principais líderes
econômicos, particularmente aqueles no hemisfério norte, o presidente equatoriano disse que "a natureza
e a criação tem uma relação profunda com a religião, e é bom que Igreja levante a sua voz sobre esta
questão, que talvez é o problema principal da humanidade”.
"Acredito que com a autoridade moral que o Papa tem - acrescenta - ele possa conseguir algum
resultado, mas vai ser difícil, porque é sempre uma questão política: são os poderosos que estão poluindo
a Terra e são os países pobres que precisam para limpar a natureza, se podemos dizer assim. Vão opor
resistência para pagar a dívida deles, para assumir as responsabilidades que lhes correspondem. Mas o
Papa – conclui Correa – denunciou com força o estilo de vida dos Países ricos, que chamou também de
„desumano‟ e „insustentável‟.
Fonte: Zenit
Dona Assunção receberá o Papa em sua casa no Bañado Norte
No domingo, Francisco visitará um bairro humilde da capital paraguaia
Dona Assunção será a responsável por receber o Papa Francisco em sua humilde casa no bairro
de Bañado Norte na capital paraguaia. Região de pessoas pobres, mas muito sacrificadas e cristãos
devotos. Esta senhora foi escolhida por seus vizinhos, ela e sua sobrinha que mora na casa ao lado. O
Santo Padre irá compartilhar com elas os pratos típicos do Paraguai, no domingo 12 de julho.
Dona Assunção, como é conhecida, disse em guarani: "Ndaikuai mbaerepa la Papa oguaheta che
rogape, tuichaiterei mbae, tuichaiterei ñandejara che rovasa" (não sei por que o Papa me escolheu, é uma
grande bênção e algo muito grande). Disse a Carlos Caceres Ferreira, da agência ZENIT, membro da
Equipe de Comunicação da visita papal.
Ele informou também que as crianças do Bañado Norte pintaram e decoraram, com material
reciclado, as paredes das ruas por onde o Papa Francisco caminhará no domingo, para conhecer a Capela
San Juan e estar alguns minutos com os fiéis.
“Esta visita – explica Carlos – não é mera casualidade, uma vez que o Cardeal Claudio Hummes
já havia visitado o mesmo lugar em 2013. Acreditamos que seu amigo pessoal sugeriu uma visita a este
local. Embora os jesuítas do Paraguai, como todos sabem, trabalhem muito nestes bairros, de modo que
poderia ter sido uma sugestão deles”, conclui o jornalista.
Fonte: Zenit
Bolívia: Papa recebe um báculo com Nossa Senhora Desatadora dos Nós
Santo Padre Francisco tem devoção especial a esta invocação
Os bispos da Bolívia deram ao Papa Francisco um báculo de madeira com Nossa Senhora
Desatadora dos Nós, obra da Família de Artesãos de Dom Bosco de Postrervalle. O Santo Padre utilizou
o presente na celebração da Santa Missa aos pés do Cristo Redentor.
Uma fita gira em torno do cajado. O anjo pega com uma mão e passa-o para Maria. Nossa
Senhora Desatadora dos Nós desamarra os nós e na outra extremidade está o Bom Pastor.
O báculo foi fabricado em quatro partes e guardado em uma caixa esculpida com a logomarca da
Conferência Episcopal da Bolívia e o emblema do Pontífice, conforme notícia do site oficial da visita.
O Papa Francisco tem uma devoção especial a esta invocação mariana, introduzida na Argentina
na década de oitenta. A veneração a Nossa Senhora Desatadora dos Nós se deve a uma pintura barroca
da Imaculada localizada na igreja jesuíta de Sankt Peter am Perlach em Augsburgo (Alemanha), que faz
parte do retábulo "As beatas virgens do bom conselho”.
O Santo Padre descobriu esta invocação nos anos setenta, graças a uma réplica da pintura na
casa da Companhia de Jesus em Ingolstadt (Alemanha). A pintura é atribuída a Johann Schmidttner e
data de aproximadamente 1700. Baseia-se em uma carta de São Irineu, do final do século II, que afirma:
"O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria", referindo-se ao pecado original.
Na pintura, Nossa Senhora está rodeada por pequenos anjos, com a lua crescente sob seus pés,
enquanto esmaga a cabeça de uma serpente e o Espírito Santo a protege. À esquerda da Imaculada, o
Arcanjo Miguel lhe entrega uma fita com nós, e à sua direita, Gabriel recolhe a fita com os nós desfeitos.
A fita cai no ventre da Virgem Maria grávida, sinal de que Maria intercede em virtude do filho que ela
carrega em seu ventre.
Na parte inferior da imagem o Arcanjo Rafael guia Tobias, símbolo do homem que procura e
encontra o remédio de Deus. Este é o único remédio para a doença do pecado, principal nó que Maria
desata do coração do homem pelos méritos de Seu Filho Jesus Cristo. Eles caminham das sombras para a
luz, onde encontra-se uma igreja. Fonte: Zenit
Papa: "Queremos uma mudança real, positiva, redentora nas estruturas"
Papa Francisco conclui II Encontro dos Movimentos Populares na Bolívia - RV
Ao concluir o II Encontro dos Movimentos Populares em Santa Cruz de la Sierra, o Papa
Francisco pronunciou o mais longo e contundente discurso desta sua nona viagem apostólica
internacional, denunciando a ambição desenfreada pelo dinheiro, as novas formas de colonialismo e as
agressões ao meio-ambiente. O Pontífice afirmou que os “três T" - terra, teto e trabalho" são direitos
sagrados pelos quais vale a pena lutar e propôs três grandes tarefas aos movimentos populares.
Necessidade de mudança
Ao começar falando da necessidade de mudanças, Francisco esclareceu que os problemas "têm
uma matriz global" e que portanto dizem respeito à toda humanidade, chamando a atenção de que só
reconhecemos que as coisas não vão bem quando explodem as guerras, a violência e a criação está
ameaçada. O Papa reitera, que as diversas formas de exclusão não são questões isoladas, mas "têm um
elo invisível" que as une, fruto de um sistema que "impõe a lógica do lucro a qualquer custo", tornandose uma situação insuportável para os camponeses, comunidades, povos e a irmã Terra, por isto, a
necessidade de uma mudança:
"Queremos uma mudança nas nossas vidas, nos nossos bairros, no vilarejo, na nossa realidade
mais próxima; mas uma mudança que toque também o mundo inteiro, porque hoje a interdependência
global requer respostas globais para os problemas locais. A globalização da esperança, que nasce dos
povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença".
Uma mudança positiva, redentora
O Papa explicou que a mudança "que queremos e precisamos" é uma mudança positiva, que nos
faça bem, "redentora". "Verifiquei nas minhas viagens "que existe uma expectativa, uma busca forte, um
anseio de mudanças em todos os povos do mundo". E uma insatisfação, "e sobretudo tristeza", reina
mesmo "dentro da minoria (...) que pensa sair beneficiada deste sistema".
Dinheiro, o esterco do diabo
A terra, os povos e as pessoas estão sendo castigados de forma quase selvagem, e por trás deste
sofrimento está o "esterco do diabo" (expressão usada por Basílio de Cesareia), "reina a ambição
desenfreada do dinheiro", e assim, "o serviço ao bem comum fica em segundo plano":
"Quando o capital se torna um ídolo e dirige as opções dos seres humanos, quando a avidez do
dinheiro domina todo o sistema socioeconômico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o
em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, faz lutar povo contra povo e até, como vemos, põe em
risco esta nossa casa comum".
O destino está em vossas mãos
Para o Papa, não basta assinalar as causas estruturais do drama social e ambiental
contemporâneo, pois "já sofremos de um certo excesso de diagnóstico", que nos leva ao pessimismo e a
pensar que nada podemos fazer além "de cuidar de nós mesmos e dos pequenos círculo da família e dos
amigos". "O futuro da humanidade - exclamou o Papa, dirigindo-se aos mais humildes, explorados,
pobres e excluídos - está nas vossas mãos, na vossa capacidade de vos organizar e buscar alternativas
criativas na busca diária dos "3 T" e na vossa participação como protagonistas nos grandes processos de
mudanças nacionais, regionais e mundiais. Não se acanhem!"
Conversão das atitudes do coração
Francisco alertou, que uma "mudança de estruturas que não seja acompanhada de uma conversão
sincera das atitudes e do coração, acaba a longo ou curto prazo por burocratizar-se, corromper-se e
sucumbir". Para evitar isto, enalteceu a "imagem do processo", "onde a paixão por semear, por regar
serenamente e que outros verão florescer, substitui a ansiedade de ocupar todos os espaços de poder
disponíveis e de ver resultados imediatos".
Os heroísmos cotidianos, vividos muitas vezes na "crueza da tormenta humana", o trabalho
aparentemente insignificante, as lutas, o apego ao bairro, à terra, ao território, levam a assumir tarefas
comuns motivadas pelo amor fraterno:
"A entrega, a verdadeira entrega nasce do amor pelos homens e mulheres, crianças e idosos,
vilarejos e comunidades... Rostos e nomes que enchem o coração. A partir destas sementes de esperança
semeadas pacientemente nas periferias esquecidas do planeta, destes rebentos de ternura que lutam por
subsistir na escuridão da exclusão, crescerão grandes árvores, surgirão bosques densos de esperança para
oxigenar este mundo".
O serviço da Igreja
O Papa encorajou os povos e suas organizações a construírem uma alternativa humana à
globalização exclusiva, com criatividade, sem perder o apego às coisas próximas, mas construindo sobre
bases sólidas, sobre as necessidades reais e a experiência. "Vós sois semeadores", "mais cedo ou mais
tarde vamos ver os frutos". Neste sentido, o Santo Padre destacou o serviço da Igreja, que não deve ser
alheia a este processo no anúncio do Evangelho:
"Muitos sacerdotes e agentes pastorais realizam uma tarefa imensa acompanhando e promovendo
os excluídos em todo o mundo, ao lado de cooperativas, dando impulso a empreendimentos, construindo
casas, trabalhando abnegadamente nas áreas da saúde, desporto e educação. Estou convencido de que a
cooperação amistosa com os movimentos populares pode robustecer estes esforços e fortalecer os
processos de mudança".
As três tarefas dos movimentos populares
Para esta "mudança positiva" não existe uma receita. No entanto, o Papa propôs três grandes
tarefas que requerem a decisiva contribuição do conjunto dos movimentos populares: colocar a
economia a serviços dos povos, unir os povos no caminho da paz e da justiça e defender a Mãe Terra.
"A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas a condigna administração da
casa comum", o que implica em "cuidar adequadamente os bens entre todos", observou o Papa,
explicando que uma "economia verdadeiramente comunitária, de inspiração cristã" deveria garantir aos
povos dignidade, prosperidade e civilização em seus múltiplos aspectos, que além dos três "T",
envolvem acesso à educação, à saúde, à inovação, às manifestações artísticas e culturais, ao esporte e à
recreação:
"Uma economia justa deve criar as condições para que cada pessoa possa gozar duma infância
sem privações, desenvolver os seus talentos durante a juventude, trabalhar com plenos direitos durante
os anos de atividade e ter acesso a uma digna aposentação na velhice. É uma economia onde o ser
humano, em harmonia com a natureza, estrutura todo o sistema de produção e distribuição de tal modo
que as capacidades e necessidades de cada um encontrem um apoio adequado no ser social. Vós – e
outros povos também – resumis este anseio duma maneira simples e bela: «viver bem»".
A justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano - afirmou o Pontífice - não é uma
mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, é um mandamento. "Trata-se de devolver aos
pobres e às pessoas o que lhes pertence". Os movimento sociais, neste sentido, tem um papel essencial,
não apenas exigindo e reclamando, mas criando: "Vós sois poetas sociais!". E quando o Estado e
organizações assumem juntos a missão dos "3 T", ativam-se os princípios de solidariedade e
subsidiariedade que permitem construir o bem comum numa democracia plena e participativa.
Unir os povos no caminho da paz e da justiça
O Papa destacou que os povos do mundo querem ser artífices de seu próprio destino e nenhum
poder constituído tem o direito de privar os países pobres do pleno exercício da sua soberania e quando o
fazem, "vemos novas formas de colonialismo" que afetam as possibilidades de paz e de justiça.
Francisco volta-se para a realidade na América Latina, onde "os governos da região juntaram
seus esforços para fazer respeitar a sua soberania", "na forma como faziam os nossos antepassados",
para então exortar os movimentos populares a "cuidar e fazer crescer esta unidade", evitando toda
divisão.
Novo colonialismo
O novo colonialismo, nas suas diversas fisionomias - alertou o Papa - atenta contra este
desenvolvimento humano equitativo e ameaça a soberania dos países da 'Pátria Grande" e de outras
latitudes do planeta:
"O novo colonialismo assume variadas fisionomias. Às vezes, é o poder anônimo do ídolo
dinheiro: corporações, credores, alguns tratados denominados «de livre comércio» e a imposição de
medidas de «austeridade» que sempre apertam o cinto dos trabalhadores e dos pobres. Os bispos latinoamericanos denunciam-no muito claramente, no documento de Aparecida".
Também os monopólios dos meios de comunicação social, como nova forma de colonialismo denuncia o Papa - pretendem impor "padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural". E
devemos dizer não às "velhas e novas formas de colonialismo".
Para resolver os graves problemas da humanidade, é necessário a interação entre Estados e
povos, a nível internacional, frisou o Santo Padre. Mas esta interação, "não é imposição".
Perdão pelos pecados da Igreja na colonização
Referindo-se aos "muitos graves pecados contra os povos nativos da América, em nome de
Deus", também Francisco, como fizeram seus predecessores, pediu perdão, acrescentando:
“Peço-vos também a todos, crentes e não crentes, que se recordem de tantos bispos, sacerdotes e
leigos que pregaram e pregam a boa nova de Jesus com coragem e mansidão, respeito e em paz; que, na
sua passagem por esta vida, deixaram impressionantes obras de promoção humana e de amor, pondo-se
muitas vezes ao lado dos povos indígenas ou acompanhando os próprios movimentos populares mesmo
até ao martírio. A Igreja, os seus filhos e filhas, fazem parte da identidade dos povos na América Latina.
Identidade que alguns poderes, tanto aqui como noutros países, se empenham por apagar, talvez porque
a nossa fé é revolucionária, porque a nossa fé desafia a tirania do ídolo dinheiro".
Defesa da Mãe terra
A covardia em defender a casa comum, que está sendo saqueada, devastada e vexada
impunemente é um pecado grave, disse o Papa, que lamentou a falta de resultados nos sucessivos
encontros internacionais sobre o tema. "Não se pode permitir que certos interesses - que são globais, mas
não universais", se imponham, submetendo Estados e organismos internacionais , e continuem a destruir
a criação".
Ao concluir, o Papa Francisco afirmou que "O futuro da humanidade não está unicamente nas
mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos
povos; na sua capacidade de se organizarem e também nas suas mãos que regem, com humildade e
convicção, este processo de mudança. Estou convosco”. (JE)
Fonte: Rádio Vaticano
Texto completo em Artigos – Pronunciamentos do Papa na Bolívia
Papa: Não somos testemunhas de uma ideologia, mas do amor misericordioso de Jesus
Papa Francisco encontra a vida consagrada boliviana no Ginásio Dom Bosco - AFP
O “Coliseu Dom Bosco”, em Santa Cruz de la Sierra, acolheu num clima de muita alegria e
expectativa, cerca de 4 mil religiosos e religiosas, seminaristas, sacerdotes e leigos consagrados para o
encontro com o Papa Francisco.
Após ser saudado por Dom Roberto Bordi, Bispo encarregado pela Vida Consagrada e ouvir os
testemunhos de um sacerdote, uma religiosa e um seminaristas, o Papa se pronunciou inspirando-se na
experiência de Bartimeu, narrada no Evangelho de Marcos, lido precedentemente. O Evangelista –
observou o Papa – parecia querer mostrar como as pessoas reagem perante o sofrimento de quem está na
beira da estrada, da pessoa que está sentada sobre a sua dor. E “três são as respostas aos gritos do cego, e
estas respostas tem atualidade”, disse o Papa: passar; cala-te e Coragem, levanta-te”.
Passar
Alguns passam – disse o Papa – e neste passa temos o eco da indiferença, “do passar ao lado dos
problemas, procurando que estes não nos toquem. Não os ouvimos, não os reconhecemos, surdez”:
“É a tentação de ver como coisa natural a dor, a tentação de habituar-se à injustiça. Eu estou aqui
com Deus, com a vida consagrada, eleito por Jesus e para o ministério e é natural que existam doentes,
pobres, pessoas que sofrem. É tão natural que não me chama a atenção um grito de alguém. Dizemos
aqui para nós: é normal, sempre foi assim. É o eco que aparece num coração blindado, fechado, que
perdeu a capacidade de admiração e, portanto, a possibilidade de mudança. Trata-se de um coração que
se habituou a passar sem se deixar tocar; uma existência que, andando por aqui e por ali, não consegue
radicar-se na vida do seu povo. Poderíamos chamá-la a espiritualidade do zapping. Passa e volta a
passar, mas não fica nada. São aqueles que correm atrás da última novidade, do último «bestseller», mas
não conseguem entrar em contacto, relacionar-se, envolver-se”.
Julgo – afirmou o Papa - que isto é o maior desafio da espiritualidade cristã. "Como podes amar a
Deus que não vês e não amas o teu irmão que vês". Eles acreditavam ouvir a voz do Senhor. Traduziam
as suas palavras que passam pelo alambique de seu coração blindado. Dividir esta unidade é uma das
grandes tentações que nos acompanharão ao longo de todo o caminho (...) “Passar, sem escutar a dor do
nosso povo, sem nos radicarmos nas suas vidas, na sua terra, é como ouvir a Palavra de Deus sem deixar
que lance raízes dentro de nós e seja fecunda. Uma planta, uma história sem raízes é uma vida seca”.
Cala-te
O calar é a segunda atitude perante o grito de Bartimeu. “Cala-te, não chateies, não perturbes”.
Ao contrário da atitude anterior, esta escuta, reconhece, toma contato com o grito de outro. Sabe que está
ali e reage duma forma muito simples: repreendendo. os padres, as religiosas, os bispos, os papas. É a
atitude de quem, à frente do povo de Deus, continuamente o está repreendendo, resmungando,
mandando-o calar. Mas, "façam neles um carinho, por favor. escutem-nos, digam que Jesus lhes ama.
'Mas não posso, a criança chora na Igreja e estou pregando'. Como se o choro da criança não fosse uma
sublime pregação":
“É o drama da consciência isolada, daqueles que pensam que a vida de Jesus é apenas para
aqueles que consideram aptos. A seus olhos parece lícito que encontrem espaço apenas os «autorizados»,
uma «casta de pessoas diferentes» que pouco a pouco se separa, diferenciando-se do seu povo. Fizeram
da identidade uma questão de superioridade”.
Ouvem mas não escutam; veem, mas não fixam o olhar. A necessidade de se diferenciar
bloqueou- lhes o coração. A necessidade de dizer «eu não sou como ele, como eles» afastou-os não só
do grito do seu povo e do seu pranto, mas também e particularmente dos motivos de alegria. Rir com
aqueles que riem, chorar com os que choram: está aqui parte do mistério do coração sacerdotal.
Coragem, levanta-te
Por fim, encontramo-nos com o terceiro eco. Um eco que não nasce diretamente do grito de
Bartimeu, mas de ver como Jesus se comportou perante o grito do cego mendicante. É um grito que se
transforma em Palavra, em convite, em mudança, em proposta de novidade frente às nossas formas de
reagir ao Povo Santo de Deus. Ao contrário dos outros que passavam, diz o Evangelho que Jesus Se
deteve e perguntou que estava a acontecer:
“Deteve-se perante o clamor duma pessoa. Sai do anonimato da multidão para o identificar,
comprometendo-se assim com ele. Radica-se na sua vida. E, longe de o mandar calar, pergunta: Que
posso fazer por ti? Não precisa de diferenciar-se, separar-se, catalogá-lo para ver se está autorizado ou
não a falar. Limita-se a fazer uma pergunta, a identificá-lo pretendendo ser parte da vida daquele
homem, querendo assumir a sua própria sorte. Deste modo restitui-lhe gradualmente a dignidade que
tinha perdido, faz a sua inclusão. Longe de olhá-lo de fora, esforça-se por se identificar com os
problemas e, assim, manifestar a força transformadora da misericórdia. Não há compaixão que não se
detenha, escute e solidarize com o outro”. A compaixão não é zapping, não é silenciar a dor; pelo
contrário, é a lógica própria do amor. É a lógica que não está centrada no medo, mas na liberdade que
nasce de amar e coloca o bem do outro acima de todas as coisas. É a lógica que nasce de não ter medo de
se aproximar da dor do nosso povo. Embora muitas vezes se reduza a estar ao seu lado e fazer desse
momento uma oportunidade de oração”.
Esta é a lógica do discipulado, frisou Francisco. Isto é o que faz o Espírito Santo conosco e em
nós. "Um dia Jesus viu-nos à beira da estrada, sentados nas nossas dores, nas nossas misérias. Não
silenciou os nossos gritos; antes, deteve-Se, aproximou-Se e perguntou que podia fazer por nós. E,
graças a tantas testemunhas que nos disseram «coragem, levanta-te», gradualmente fomos tocando
aquele amor misericordioso, aquele amor transformador que nos permitiu ver a luz. Não somos
testemunhas de uma ideologia, uma receita, uma forma de fazer teologia. Somos testemunhas do amor
sanador e misericordioso de Jesus. Somos testemunhas da sua intervenção na vida das nossas
comunidades.
Esta é a pedagogia do Mestre; esta é a pedagogia de Deus com o seu Povo. Passar da indiferença
do zapping a «coragem, levanta-te que [o Mestre] chama-te». E não porque somos especiais, não porque
somos melhores, nem porque somos funcionários de Deus, mas apenas porque somos testemunhas
agradecidas da misericórdia que nos transforma.
Não estamos sozinhos, neste caminho, encorajou o Papa. Ajudamo-nos uns aos outros com o
exemplo e a oração. Estamos circundados por uma nuvem de testemunhas:
“Lembremos a Beata Nazária Ignacia de Santa Teresa de Jesús, que dedicou a sua vida ao
anúncio do Reino de Deus cuidando dos idosos, com a «panela do pobre» para aqueles que não tinham
nada para comer, abrindo orfanatos para crianças sem ninguém, hospitais para feridos da guerra, e até
criando um sindicato feminino para a promoção da mulher. Lembremos também a Venerável Virgínia
Blanco Tardío, devotada totalmente à evangelização e ao cuidado das pessoas pobres e doentes. Elas e
muitos outros servem-nos de estímulo no nosso caminho. Vamos para diante com a ajuda de Deus e a
cooperação de todos. O Senhor serve-Se de nós para que a sua luz chegue a todos os cantos da terra”.
O Papa concluiu abençoando a todos “de coração” e pedindo “rezem por mim”. (JE)
Fonte: Rádio Vaticano
Texto completo em Artigos – Pronunciamentos do Papa na Bolívia
Francisco em Santa Cruz: viver segundo "a lógica do tomar, bendizer e entregar"
No primeiro compromisso desta quinta-feira (09/07) na Bolívia, o Papa Francisco encontrou os
fieis na grande Praça do Cristo Redentor. Um espaço que pode acolher cerca de 2 milhões de pessoas e
onde se encontra uma gigantesca estátua em bronze do Cristo Redentor de Santa Cruz, criada por Emilio
Luján há mais de 50 anos. Símbolo da cidade, em 2013 a obra foi declarada Patrimônio do Estado.
A celebração eucarística presidida pelo Pontífice no local abriu o V Congresso Eucarístico
Nacional. As orações da celebração foram feitas em espanhol e nas línguas indígenas guarani, quéchua e
aimará.
Homilia
Na homilia, Papa Francisco começou reconhecendo o esforço dos fieis em participar da missa
para ouvir a Palavra, como descrevia o Evangelho, “para celebrar a presença viva de Deus” e para
“estarmos juntos como Povo Santo”. Muitas vezes “experimentando o cansaço do caminho”, pois “não
são poucas as vezes que nos faltam as forças para manter viva a esperança”.
"Me comovo quando vejo muitas mães, como vocês fazem aqui, carregando seus filhos nas
costas. Carregando sobre si a vida, o futuro do seu povo. Carregando os motivos da sua alegria, as suas
esperanças. Carregando a bênção da terra nos frutos. Carregando o trabalho feito com as suas mãos.
Mãos, que moldaram o presente e tecerão os sonhos do amanhã. Mas carregando também sobre os seus
ombros decepções, tristezas e amarguras, a injustiça que parece não ter fim e as cicatrizes de uma justiça
não realizada. Carregando sobre si mesmas a alegria e a dor de uma terra. Carregais sobre vós a memória
do vosso povo. Porque os povos têm memória, uma memória que passa de geração em geração, os povos
têm uma memória em caminho."
Lógicas de Comunhão
Papa Francisco fez referência aos „corações desesperados‟, onde “é muito fácil ganhar espaço a
lógica que pretende se impor no mundo de hoje. Uma lógica que procura transformar tudo em objeto de
troca, de consumo, tudo negociável”.
"Jesus continua a nos dizer nesta praça: Sim, basta de descartes; dai-lhes vós mesmos de comer.
O olhar de Jesus não aceita uma lógica, uma perspectiva que sempre „corta o fio‟ pelo ponto mais frágil,
mais necessitado. Tomando „o pedaço‟, Ele mesmo nos dá o exemplo, nos mostra o caminho. Uma
atitude em três palavras: toma um pouco de pão e alguns peixes, bendiz a Deus por eles, divide-os e
entrega para que os discípulos os partilhem com os outros. Esse é o caminho do milagre. Por certo, não é
magia nem idolatria. Por meio dessas três ações, Jesus consegue transformar a lógica do descarte numa
lógica de comunhão, de comunidade."
'Tomar'
E, assim, Francisco destacou cada uma das lógicas de comunhão. A primeira de „tomar‟, de levar
a sério a vida dos irmãos, considerando e valorizando eles.
"Fixa-os nos olhos e, nesses, conhece a sua vida, os seus sentimentos. Vê, naquele olhar, o que
pulsa e o que deixou de pulsar na memória e no coração do seu povo. Considera-o e valoriza-o. Valoriza
todo o bem que possam oferecer, todo o bem a partir do qual se possa construir."
'Bendizer'
A segunda lógica de comunhão: a de „bendizer‟ os dons que são presentes de Deus.
"Aquele ato de bendizer tem essa dupla perspectiva: por um lado, agradecer, e, por outro,
transformar. É reconhecer que a vida é sempre um dom, um presente que, colocado nas mãos de Deus,
adquire uma força de multiplicação. O nosso Pai não nos tira nada, multiplica tudo."
'Entregar'
A última ação de transformação citada pelo Papa é o do „entregar‟, já que viver “juntos o
seguimento de Jesus”, “nos dá a certeza de que aquilo que temos e somos, se tomado, abençoado e se é
entregue, pelo poder de Deus, pelo poder do seu amor, se transforma em pão de vida para os outros”.
"Em Jesus, não existe um tomar que não seja uma bênção, nem uma bênção que não seja entrega.
A bênção é sempre missão, tem um destino: repartir, partilhar o que se recebeu, uma vez que só na
entrega, no com-partilhar é que as pessoas encontram a fonte da alegria e a experiência da salvação."
Fonte: Rádio Vaticano
Acolhimento fantástico: assim o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico
Lombardi, definiu a chegada do Papa à Bolívia.
Na coletiva realizada depois da Missa celebrada na Praça do Cristo Redentor, Pe. Lombardi
afirmou que Francisco ficou impressionado com a demonstração da riqueza cultural e étnica bolivianas.
E manifestou seu apreço para que a nação caminhe rumo a uma sociedade mais inclusiva, reconhecendo
os progressos feitos neste sentido.
Mas a curiosidade dos jornalistas se concentraram em dois assuntos em especial: a questão
marítima citada pelo Pontífice, e o símbolo da foice e do martelo, com a imagem de Cristo, entregue
pelo Presidente Evo Morales.
Quanto à disputa entre Chile e Bolívia, o sacerdote jesuíta explicou que se tratou somente de um
convite a uma atitude de diálogo, sem entrar em questões políticas. “O Papa falou com sinceridade. Se
existem problemas, é preciso resolvê-los com o diálogo.”
Sobre o símbolo entregue por Morales, Pe. Lombardi confirmou que se trata de um objeto que vem do
Pe. Luis Espinal, assassinado durante a ditadura. Ele desenhou esta figura, que posteriormente tomou
forma, mas sem um significado político-ideológico particular.
Outra pergunta foi quanto às folhas de coca contidas na “chuspa”, a bolsa que Evo Morales
colocou no pescoço do Pontífice. Padre Lombardi respondeu que não tem conhecimento de que o Papa
tenha mastigado as folhas. (BF)
Fonte: Rádio Vaticano
A paz e a cruz
«Nesta terra onde a exploração, a avidez, os multíplices egoísmos e as perspectivas sectárias
obscureceram a sua história», o Papa Francisco veio para dizer que hoje «pode ser o tempo da
integração». Ao aterrar em La Paz, na Bolívia, segunda etapa da viagem à América Latina, o Pontífice
enfrentou imediatamente um dos temas que mais o preocupam, ou seja, a busca da unidade entre todas
as pessoas, relendo à luz da sua encíclica Laudato si' o preâmbulo constitucional deste Estado
plurinacional.
Com efeito, aqui os índios são a maioria da população, 53% segundo estatísticas recentes: deles
cerca de 30% é quechua, e o restante aymara. Muitos abraçaram os modelos «ocidentais», outros
permaneceram pessoas simples cuja sabedoria ancestral se baseia em poucos mas fundamentais valores:
Jani lun thata: «Não serás ladrão»; Jani Qaira: «Não serás débil». Jani Kari: «Não serás mentiroso».
O Papa chegou na tarde de quarta-feira 8 de Julho, depois de três horas de voo, durante o qual o
avião da Boliviana Aviación com o qual partiu de Quito atravessou os espaços aéreos do Peru. Aterrou
com uma hora de atraso em relação ao programa no aeroporto de El Alto, uma das escalas internacionais
mais «altas» no mundo, que se encontra a 4.100 metros acima do nível do mar.
Saudado por algumas crianças em trajes tradicionais, às quais deu a mão, alcançou o pódio
preparado para a cerimônia de boas-vindas, durante a qual foram executados os respectivos hinos – o
boliviano ao som da quena, típica flauta de madeira – foram prestadas as honras militares e apresentadas
as delegações. Ao responder à saudação do presidente Morales o Papa pronunciou o primeiro discurso
em terra boliviana. No final, concedeu a bênção e saudou na língua local: Jallalla Bolivia!
Durante a transferência, o Papa fez uma breve pausa para benzer o lugar onde durante a ditadura
foi encontrado o corpo martirizado do jesuíta Luis Espinal Camps: era o mês de Março de 1980, nos
mesmos dias em que em San Salvador assassinavam o arcebispo Romero.
Fonte: Catolicos.
JMJ 2016 celebrará cristianização da Polônia
O bispo de Koszalin-Kolobrzeg, na Polônia, Monsenhor Edward Dajczak, deu início aos
preparativos da celebração pelos 1050 anos de cristianização no país europeu com uma celebração
eucarística em Jasna Gora.
A data festiva será celebrada em 2016, coincidindo assim com a realização da Jornada Mundial
da Juventude, ocasião em que a Igreja recorda e preserva a identidade cristã do país, missão da qual são
peça chave os educadores, os primeiros a serem convidados para essa cerimônia.
Monsenhor Edward afirmou que a Polônia ainda é um país "pós-cristão" e solicitou aos
educadores para não perderem as suas identidades adquiridas com o Sacramento do Batismo.
Nesta ocasião, os peregrinos participarão de um simpósio que terá como lema "Aqui tudo
começou", essas que foram palavras pronunciadas por São João Paulo II quando visitou Wadowice, seu
lugar de nascimento.
Para o evento, foram relacionadas várias atividades, entre elas, o sacramento do Batismo. Além
disso, um documento entregue aos fiéis convida os docentes a valorizar a memória de seu próprio
batismo, desde conhecer a data do mesmo como um ato, na medida de um processo contínuo e presente
nos dias atuais.
Aproximadamente 6 mil professores farão parte dessa peregrinação a Jasna Gora, dedicando
graças a Deus pelo serviço de dom Dajczak, que ao longo dos seus 15 anos foi delegado episcopal para
os temas educativos e atualmente é Capelão Nacional dos Educadores Poloneses.
A peregrinação nacional dos Educadores de Jasna Gora se realiza desde o ano 1937.
Fonte: Catolicos.
Prêmio Liberdade conferido ao Papa Francisco
A Associação Nacional de Imprensa (ANP) da Bolívia conferiu ao Papa Francisco o Prêmio
Liberdade. A honraria foi entregue ao Arcebispo de Santa Cruz, Dom Sergio Gualberti, pelo Presidente
da Associação, Pedro Rivero, às vésperas da chegada do Pontífice ao país.
Em uma carta endereçada ao Pontífice, a ANP afirmou que o prêmio reconhece anualmente
indivíduos comprometidos com a defesa das liberdades civis, direitos humanos e trabalho com os
marginalizados.
Liberdade de expressão
Junto com a mensagem, a entidade enviou um relatório sobre o Estado de Liberdade de
Expressão na Bolívia 2014-2015, intitulado "A independência dos meios de comunicação e jornalistas
pagam um alto preço”.
Dom Gualberti comprometeu-se em entregar a estatueta que representa o Prêmio Liberdade e o
informe sobre a liberdade de expressão para o Papa, durante sua visita a Santa Cruz de la Sierra, onde na
quinta-feira celebrará uma missa para milhares de fieis.
A ANP concede anualmente o Prêmio Liberdade - que leva o nome de seu ex-diretor executivo,
Juan Javier Zeballos - a todas as personalidades nacionais e estrangeiras que contribuem com seu
trabalho para a defesa da liberdade de expressão e os valores humanos e democráticos.
A Associação também realiza periodicamente relatórios documentados sobre o Estado de
Liberdade de Expressão no país.
Fonte: Catolicos.
Papa na Bolívia: Crescimento não só material
Jallalla Bolívia! Viva a Bolívia: com essas palavras, Francisco saudou a nação, ao finalmente
pisar em solo boliviano. Em meio às cores vibrantes das flores e dos trajes típicos indígenas, o Papa
recebeu um colar ancestral do Presidente Evo Morales e se dirigiu a ele e ao povo com uma mensagem
clara: “Se o crescimento for apenas material, corre-se sempre o risco de voltar a criar novas diferenças,
de a abundância de uns ser construída sobre a escassez de outros. Por isso, além da transparência
institucional, a coesão social requer um esforço na educação dos cidadãos”.
Palavras que falam não somente à Bolívia, mas a toda a América Latina, inclusive ao Brasil, que
vive um momento de expansão econômica, mas não de expansão cultural e educacional. A mesma tônica
foi dada ao discurso às autoridades civis, desta vez na Catedral.
Entusiasmo
Pelas ruas, de um local a outro, a passagem do Papa foi acompanhada pela mesma festa que se
viu no Equador – entusiasmo que demonstra a necessidade que a população tem de ouvir uma voz de
esperança, que indique um novo caminho a seguir. No trajeto à Catedral, o Pontífice fez uma pausa
rápida no local onde foi assassinado por “pregar o Evangelho” o sacerdote jesuíta Luis Espinal, pedindo
um minuto de silêncio. Depois das intensas horas vividas em La Paz, Francisco seguiu para Santa Cruz
de la Sierra, onde transcorre seus dois dias na Bolívia.
Aqui, no centro econômico do país, o esforço notável dos operários, não obstante a chuva,
conseguiu ultimar o palco e a Praça que abrigará a Missa logo mais na Praça do Cristo Redentor, em que
são esperados mais de um milhão de fiéis e peregrinos – ocasião em que Francisco inaugurará também o
V Congresso Eucarístico Nacional.
Movimentos Populares
Outros eventos marcam a quinta-feira do Papa: o encontro com sacerdotes, religiosos e
seminaristas. E, por fim, a participação no II Encontro Mundial dos Movimentos Populares, que será
encerrado pelo Pontífice.
Francisco em La Paz: “Devemos construir pontes, em vez de erguer muros”
O Papa discursou à sociedade civil boliviana na Catedral de La Paz no início da noite desta
quarta-feira (08/07). Retomando diversos pontos da sua recente encíclica, Francisco convidou os
presentes a refletirem sobre uma ecologia integral que considere o homem e a natureza numa relação
plena e recíproca. Sobre a questão de uma saída para o mar para o território boliviano, o Papa pediu
diálogo: “Devemos construir pontes, em vez de erguer muros”, defendeu o Pontífice.
Ao falar da sutil linha que separa as definições de “bem comum” e “bem-estar”, o Papa exortou
os presentes a saírem de si mesmos e usarem obras de caridades cristãs para expandir o bem comum.
“Pelo contrário, o bem comum é algo mais do que a soma de interesses individuais; é passar do
que “é melhor para mim” àquilo que “é melhor para todos”, e inclui tudo o que dá coesão a um povo:
metas comuns, valores compartilhados, ideais que ajudam a levantar os olhos para além dos horizontes
particulares”.
Francisco reforçou ainda que os atores sociais têm a responsabilidade de contribuir para a
construção da unidade e o desenvolvimento da sociedade.
“A liberdade é sempre o campo melhor para que os pensadores, as associações de cidadãos, os
meios de comunicação desempenhem a sua função, com paixão e criatividade, ao serviço do bem
comum”.
A fé não é sub-cultura
Sobre o papel dos cristãos na sociedade, o Papa recordou que a fé é uma luz que não encandeia
nem perturba - as ideologias que encandeiam, precisou Francisco - mas ilumina e orienta no respeito
pela consciência e a história de cada pessoa e de cada sociedade humana.
Destacando que o cristianismo teve um papel importante na formação da identidade do povo
boliviano, o Papa sublinhou que “a liberdade religiosa – tal como é entendida habitualmente no foro
civil – lembra também que a fé não se pode reduzir à esfera puramente subjetiva, não é uma subcultura”.
Saída para o mar
Sobre a questão territorial entre Chile, Peru e Bolívia, Francisco afirmou que hoje é
indispensável o desenvolvimento da diplomacia com os países vizinhos, que evite os conflitos entre
povos irmãos e contribua para um diálogo franco e aberto dos problemas.
“Penso na saída para o mar. Diálogo: é indispensável. Devemos construir pontes, em vez de
erguer muros. Devemos construir pontes, em vez de erguer muros”, frisou o Pontífice.
Do dia 08/7/2015 - quarta-feira
As três santas que o Papa Francisco mencionou como exemplo de vida para o Equador
Na saudação preparada pelo Papa Francisco, divulgada, mas não pronunciada na noite de ontem
na Catedral de Quito, o Santo Padre recordou o exemplo de três mulheres equatorianas, santas cujo
exemplo encoraja a fé dos seus compatriotas.
O Pontífice falou de Santa Narcisa de Jesus, Santa Mariana de Jesus e da Beata Mercedes
Molina. Quem foi cada uma destas mulheres?
1 - Narcisa de Jesus Martillo Morán nasceu em 1832 em Daule, Equador. Foi a sexta filhas, entre
nove irmãos. Em 1838, sua mãe faleceu. Com a ajuda de uma professora particular e da sua irmã mais
velha, ela aprendeu a ler, posteriormente a escrever, cantar, tocar violão, costurar, arte a qual aprendeu
com verdadeiro domínio, tecer, bordar e cozinhar.
Foi crismada com apenas sete anos de idade, no dia 16 de setembro de 1839. Costumava retirarse a uma fazenda próxima a sua casa para rezar. Atualmente, a árvore de goiaba junto a qual rezava é
muito conhecida pelos peregrinos. Tinha como modelo Santa Mariana de Jesus.
Em janeiro de 1852, faleceu seu pai. Narcisita era bonita e tinha 19 anos. Ela foi morar em
Guayaquil e se hospedou com uma família muito conhecida que morava do lado da catedral. Ali
permaneceu até 1868, a exceção de alguns meses que morou em Cuenca.
Em junho de 1868, mudou-se para Lima, no Peru, e viveu como secular no convento dominicano
do Patrocínio. Foi favorecida pelo Senhor com dons extraordinários.
Morreu no dia 8 de dezembro de 1869, aos 37 anos de idade. Logo souberam que ela tinha feito
voto privado de virgindade perpétua, pobreza, obediência, clausura, jejum de pão e água, comunhão
diária, confissão, mortificação e oração.
Os médicos ficaram surpreendidos de que tivesse vivido com tão pouco alimento.
2 - Mariana de Jesus Paredes e Flores nasceu em Quito (Equador) em 1618. Ficou órfã de pai e
mãe aos quatro anos e foi cuidada pela sua irmã casada.
Tinha dons musicais, gostava de costurar, lavrar, tecer e bordar. Além disso, costumava retirar-se
em oração em algum rincão da casa e fazer penitência.
Depois da sua Primeira Comunhão, fez voto de perpétua castidade, logo de pobreza e obediência.
Posteriormente, com a orientação de seus diretores espirituais, compreendeu que Deus não a queria em
um monastério.
Arrumou um espaço fechado em sua casa onde orava, seguindo um horário semanal de
penitências e jejum, nas manhãs saia sozinha à igreja. Deste modo, tinha uma vida austera desde a sua
adolescência.
Seu apostolado era através da oração pelo próximo, pessoas que, aconselhadas por ela,
conseguiam ficar em paz quando brigavam, e a conversão de muitos pecadores. Logo, mediante o
conselho de seus confessores, entrou nas terciárias de São Francisco de Assis.
Uma vez, quando ficou doente, lhe tiraram sangue e este foi depositado em uma tigela na qual
floresceu uma bela açucena.
Uma terrível epidemia também estava causando a morte de centenas de pessoas. Santa Mariana
ofereceu sua vida e suas dores para que esta epidemia se detivera e desde aquele dia já não morreram
mais pessoas com esta doença. Por isso, o Congresso do Equador lhe outorgou em 1946 o título de
“Heroína da Pátria”.
Morreu no dia 26 de maio de 1645 e durante seu enterro a acompanharam uma grande
quantidade de fiéis. Foi canonizada pelo Papa Pio XII em 1950.
Sua imagem, feita pelo artista equatoriano Mario Tapia, está na fachada lateral da Basílica de São
Pedro e foi abençoada por Bento XVI em outubro de 2005.
3 - A Beata Mercedes Molina, conhecida também por “Rosa de Guayas”, foi uma mulher
equatoriana que viveu a castidade, atendia as pessoas necessitadas e teve um impulso missionário que a
levou a fundar o primeiro instituto de educação para mulheres.
Nasceu no dia 20 de fevereiro de 1828, em Baba, localizado na província de Los Rios
(Guayaquil), dentro de uma família com boas condições econômicas.
Seu pai morreu quando tinha dois anos, deixando sua mãe encarregada dos seus irmãos. Ela lhes
ensinou a viver a caridade com o próximo, a serem justos e fortes. Desde sua infância, Mercedes era
uma menina bela e virtuosa.
Em 1841, faleceu sua mãe e ficou encarregada dos seus dois irmãos. Em 1849, renunciou a casarse e repartiu sua grande herança entre os necessitados. A Beata se dedicou a realizar obras de caridade,
como por exemplo o serviço num orfanato.
No dia 14 de abril de 1873, fundou o Instituto “Hermanas de Mariana de Jesus”, o primeiro
instituto religioso no país. Ela é considerada a pioneira na educação da mulher, porque nessa época a
educação estava dirigida somente aos homens.
A Beata realizou diversos jejuns e mortificações. Durante toda sua vida foi exemplo de amor ao
próximo e de sacrifício. Faleceu no dia 12 de junho de 1883.
Foi beatificada por São João Paulo II em fevereiro de 1985. Seus restos estão na região de
Riobamba, na mesma casa onde fundou a Congregação das Marianitas.
Fonte: ACIDigital.
A comovente mensagem que o Papa Francisco enviou durante o voo papal a um jovem
argentino com leucemia
Durante o voo papal ao Equador, o Papa Francisco enviou uma saudação e sua bênção através de
um vídeo a um jovem atleta argentino que padece de leucemia. Seu nome é Lisandro Zeno, mais
conhecido como Lichu, e sua história marcou o começo de várias campanhas solidárias.
“Lichu, me contaram da tua doença, rezarei por você. Pedirei a Jesus que te acompanhe, que te
dê força, te devolva a saúde e que você seja guiado pela mão de Deus. E que a Virgem te proteja muito,
te peço que reze por mim. E te abençoo de todo coração em Nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo”,
expressou o Santo Padre.
Segundo o jornal „La Capital‟, tudo começou no final do mês de outubro de 2014, quando
apareceram umas manchas nas pernas de Lisandro. Ele pensou que fosse mordida de mosquitos ou as
consequências típicas de um jogo de rugby, portanto, não deu muita importância a isto.
Posteriormente, o seu nariz começou a sangrar e, logo após alguns exames, o médico achou
necessário que fizesse uma punção lombar. Quando Lichu despertou após a anestesia, seu pai lhe disse
que lamentavelmente tinha leucemia e começou a fazer os tratamentos de quimioterapia.
Certo dia, sua irmã o despertou e ele olhou pela janela algo que ficará gravado em sua memória.
“Estavam na rua meus amigos e meus pais. Vários tinham raspado a cabeça. Seguravam um grande
cartaz que dizia: „Não acontecerá nada, professor‟. Aí, prometi para mim que não desistiria e que deveria
recuperar-me”, contou o jovem atleta.
Lichu continuou lutando com mais força contra a doença, apoiado pela sua família, amigos e
muitos outros que conheceram o seu caso. No dia 1º de março deste ano, completou 25 anos e sua
família organizou uma grande festa, da qual participaram aproximadamente mais de mil convidados.
O jovem atleta argentino decidiu enfrentar a sua doença de forma mais positiva, levou a sua festa
uma urna e convidou os participantes a fazerem uma doação econômica que não seria para ele, mas para
um adolescente chamado Maxi, de apenas 14 anos, com câncer nos ossos. Deste modo, conseguiu fazer
contato com o Hospital Italiano de Buenos Aires para que o jovem começasse o seu tratamento.
Pouco a pouco, Lichu foi concretizando a ideia de criar uma fundação para ajudar os outros e
empreendeu diversas campanhas, animando as pessoas a serem doadores de sangue e de células tronco
para salvar vidas.
Lisandro não abandonou os seus sonhos e deseja terminar seus estudos de medicina para ser
médico como seu pai. “Sempre achei que a profissão do meu pai serve para ajudar as pessoas. Me
lembro de quando ele chegava em casa à noite e nos dizia „não sabem o que aconteceu hoje‟, e nos
contava uma história maravilhosa sobre o que tinha acontecido com algum paciente‟”, manifestou.
Em declarações a LT3, a mãe do jovem expressou: “Meu filho pensou que podia ser salvo ou
poderia ser curado sem precisar de um transplante e ele mobilizou o mundo todo a favor do tema. Bom,
agora ele teve uma recaída e efetivamente precisa de um transplante lombar”.
Apesar do seu estado de saúde, o jovem está contente pela mensagem do Santo Padre e continua
pensando no próximo. "Está muito feliz pela mensagem do Papa Francisco, é obvio, mas ele não deseja
chamar atenção, mas que isto sirva para que todos nos mobilizemos e percebamos que de maneira tão
simples podemos ajudar", acrescentou a mãe do jovem argentino.
Fonte: ACIDigital.
Encontro Nacional de Formadores da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil
(Osib).
O Encontro está sendo realizado na Casa de Retiros São José, na Arquidiocese de Belo
Horizonte. Começou hoje, 8, e vai até o dia 12 de Julho.
Centenas de reitores de seminários, padres formadores, psicólogos e pedagogos de todo o Brasil
participam, desde o dia 6 de julho, do Encontro Nacional de Formadores da Organização dos
Seminários e Institutos do Brasil (Osib). O Encontro está sendo realizado na Casa de Retiros São José,
na Arquidiocese de Belo Horizonte.
Durante todo o dia 7 de julho, terça-feira, o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom
Walmor Oliveira de Azevedo, ministrou formação sobre o Decreto Conciliar "OPTATAM TOTIUS",
documento sobre formação presbiteral aprovado durante o Concílio Vaticano II. “O documento
desenhou um largo horizonte. Precisamos intuir e ousar. Devemos compreender que o processo
educativo e pedagógico de formação de sacerdotes exige que o formador seja um especialista em
relacionamento, tendo como referência maior Jesus”, disse o Arcebispo.
O padre Nivaldo Ferreira, reitor do Seminário Arquidiocesano Coração Eucarístico de Jesus, da
Arquidiocese de Belo Horizonte, e presidente da Osib Nacional, destacou que o Encontro Nacional da
Osib é um momento importante de articulação e harmonização, alinhando o trabalho dos formadores de
todo o Brasil.
Marrocos: migrantes expulsos são acolhidos na catedral de Tânger
A Igreja está oferecendo abrigo temporário a 69 mulheres e crianças, além de um viúvo com
dois filhos
Vários imigrantes expulsos dos apartamentos que ocupavam no distrito de Bujalef, em Tânger,
têm sido acolhidos desde 1º de julho na catedral da cidade marroquina. O anúncio foi feito mediante um
comunicado assinado por dom Santiago Agrelo: "Na noite de 1º de julho, a catedral foi aberta para
acomodar os desabrigados e garantir que todos tivessem o que comer".
Desde então, a equipe Tanger Accueille Migrants, da Delegação Diocesana de Migrações,
assumiu a gestão da situação com particular sensibilidade ao grande número de pessoas sem casa e sem
meios de subsistência, incluindo mulheres e crianças.
"O plano de ação dá prioridade às mulheres grávidas, mulheres com filhos pequenos, mulheres
solteiras, menores e homens com filhos. Durante a primeira parte do plano, os demais homens tiveram
que esperar", diz o comunicado.
A emergência, que foi administrável no começo, se tornou insustentável porque, além dos
migrantes expulsos de Bujalef, surgiram outros na mesma situação de necessidade. Dom Agrelo
explicou: "Espalharam o boato de que a Igreja estava dando abrigo e comida e começaram a chegar
imigrantes de toda a cidade. Foi necessário esclarecer o mal-entendido e fechar a catedral. Não foi
possível sequer celebrar a missa na catedral no sábado à tarde e no domingo de manhã. Foi um momento
extremamente difícil para todos. Não cabe a nós investigar se essas pessoas agiram por si ou empurradas
por gente interessada em tirar proveito de uma situação que foi midiaticamente explorada".
Segundo a agência Fides, a Igreja está oferecendo abrigo temporário a 69 mulheres e crianças,
além de um viúvo com dois filhos. Esperam por acomodação 11 mulheres e outro viúvo com três filhos.
Em reunião com o prefeito, o arcebispo estabeleceu um novo plano de ação: fazer uma lista das pessoas
presentes para, em seguida, encontrar alojamento de urgência para as mulheres que ainda estão na rua.
Os outros migrantes serão ajudados a encontrar alojamento e terão auxílio da equipe da arquidiocese
para assinar o contrato e pagar o aluguel.
Fonte: Zenit
A educação é "a arma" mais poderosa para mudar o país
Testemunhos de um reitor, uma professora e uma jovem estudante recordam diante do Santo
Padre que a educação é um instrumento fundamental para melhorar o mundo
A educação é a base da felicidade das nações, das famílias e dos indivíduos. A educação forma
bons pais, bons filhos e bons cidadãos. Foi o que disse Fabian Carrasco Castro, reitor da Universidade de
Cuenca, durante o encontro do Santo Padre com o mundo da educação, em Quito, na Pontifícia
Universidade Católica do Equador. Antes do discurso do Santo Padre, três pessoas apresentaram a
realidade educacional no país.
Carolayne Espinoza Jimenez foi a primeira a dar seu testemunho. Uma estudante da universidade
secular "Eloy Alfaro" representando os jovens, os destinatários de educação, "para unir nossa voz a
daqueles que sonham com um mundo melhor, no caminho do cumprimento do Evangelho de Jesus entre
nós”.
“Como jovens precisamos de professores, educadores, pais de família, consagrados e sacerdotes"
que não apenas transmitam conhecimentos e técnicas, mas, principalmente, "sejam guias espirituais para
nós", que "nos ajude a guiar nossas vidas e os grandes dons que recebemos de Deus, não para o ganho
pessoal, mas como presentes de amor para a humanidade", destacou a jovem.
Ela disse que os jovens esperam que as escolas estejam abertas para "todas as dimensões da
realidade humana", para a "pesquisa e valorização da verdade", para a "valorização da sabedoria".
Também aspiram que o país possa finalmente "superar o mal-entendido de que a dimensão religiosa e
tudo o que ela tem produzido em cultura e humanidade, deve ser excluído da sala de aula para proteger a
liberdade pessoal e de consciência de cada um”, considerando que o "agnosticismo e mesmo o ateísmo
são normalmente propostos". Carolayne disse ainda que os jovens sentem que o Estado deve "ser um
facilitador e não um obstáculo para as novas gerações, de todo o patrimônio e das riquezas humanas da
sociedade, inclusive a religiosa". E concluiu: “Só então poderemos ser agentes de mudanças positivas”.
Etna Martinez, professora no Colégio Madre Bernarda, falou em nome de todos as professoras e
professores católicos do Equador. Ela citou as características do educador católico e sua tarefa
específica. Educar "é um ato de amor", é "dar a vida" e "dar o melhor de si", é "usar os melhores
recursos materiais e tecnológicos para despertar a paixão pelo conhecimento, promovendo o crescimento
humano e espiritual", mas especialmente "dar testemunho de vida por meio do exemplo, com sabedoria,
humildade, paciência, solidariedade, respeito e fraternidade", explicou.
A qualidade da educação – acrescentou a professora – é garantida com a determinação e a
vontade política de realizar uma verdadeira mudança na educação, com a participação de professores,
das instituições de ensino, as quais nos apoiamos por um mundo mais humano, justo e fraterno.
Para concluir, o reitor, falando em nome dos professores e pessoal administrativo das
universidades, estava convencido de que "a educação gratuita, independente e de qualidade é a única
ferramenta para que o desenvolvimento social, humano e econômico do Equador seja possível".
Refletindo sobre a mudança geracional que vivemos com o progresso tecnológico e econômico,
Carrasco afirmou que as crianças e os jovens necessitam de orientação e de um bom guia "para enfrentar
o futuro com força e de forma integral, a partir da perspectiva da fé e da esperança". Para conseguir isso,
os pais e os professores devem usar não apenas as práticas tradicionais de educação, mas "abordagens
inovadoras" conforme "os tempos e os desafios atuais" e que incentivem "a curiosidade ativa e a
necessidade de progredir intelectualmente”.
Por outro lado, o reitor destacou que a educação é „a arma‟ mais poderosa para mudar o país.
Indicou também que, apesar dos passos importantes dados na educação, um grande desafio é "melhorar
o alcance e a qualidade da educação em todos os níveis", especialmente nos "setores pobres e
marginalizados".
Ele concluiu explicando que os educadores devem concentrar os esforços a fim de alcançar "um
grande acordo nacional para uma educação de qualidade". E este acordo deve "estar longe de qualquer
interesse setorial ou político e ter como objetivo final o desenvolvimento nacional e o bem-estar geral".
Fonte: Zenit
Papa chega à Bolívia e defende uma “cultura da memória”
O Papa pronunciou seu primeiro discurso em terras bolivianas no aeroporto de El Alto, no final
da tarde desta quarta-feira (08/07), na capital da Bolívia. Após ser recebido pelo Presidente Evo
Moráles, ao se dirigir às milhares de pessoas presentes no aeroporto, Francisco voltou a falar sobre a
cultura do descarte e da exclusão social: dois temas muito recorrentes nesta viagem à América do Sul. E
acrescentou uma nova expressão: a “cultura da memória”.
Inclusão
A Bolívia tem dado passos importantes na inclusão de amplos setores na vida econômica, social
e política do País, afirmou o Pontífice ao recordar que a Constituição reconhece os direitos dos
indivíduos, das minorias, do meio ambiente, e instituições sensíveis a tais realidades.
“Tudo isto requer um espírito de cooperação dos cidadãos, de diálogo e participação dos
indivíduos e dos atores sociais nas questões de interesse comum. O progresso integral dum povo inclui o
crescimento em valores das pessoas e a convergência em ideais comuns que consigam unir vontades,
sem excluir nem rejeitar ninguém”.
Vazio
O Papa advertiu para os perigos de crescimento que não leva em consideração o ser humano na
sua condição integral.
“Se o crescimento for apenas material, corre-se sempre o risco de voltar a criar novas diferenças,
de a abundância de uns ser construída sobre a escassez de outros. Por isso, além da transparência
institucional, a coesão social requer um esforço na educação dos cidadãos”.
Ao reiterar a opção preferencial e evangélica da Igreja pelos últimos, Francisco cunhou a
expressão “cultura da memória”.
Cultura da Memória
“Custodiar aos que hoje são descartados por tantos interesses que colocam ao centro da vida
econômica o deus dinheiro. E são descartadas as crianças e o jovens que são o futuro do País, e os idosos
que são a memória. Por isso, temos que cuidar e protegê-los, porque são nosso futuro”.
E finalizou:
“A Igreja opta por gerar com este cuidado uma “cultura da memória” que garanta aos idosos não
só a qualidade de vida nos seus últimos anos, assim como o calor e o carinho, como bem expressa a
Constituição da Bolívia”. Fonte: Rádio Vaticano
Na Bolívia, Papa reza por jesuíta assassinado na ditadura
Golpe militar do General Luis Garcia Meza em 17 de julho de 1980 mergulhou a Bolívia num
dos períodos mais sanguinosos de sua história - RV
La Paz (RV) – Ao chegar à Bolívia nesta quarta-feira (08/07), segunda etapa de sua viagem à
América Latina, no trajeto entre o aeroporto e La Paz, o Pontífice fez uma parada de alguns minutos no
local simbólico onde o sacerdote jesuíta Luis Espinal Camps SJ foi assassinado pela ditadura de Garcia
Meza, em 1980.
"Boa tarde, queridos irmãos e irmãs. Parei aqui para saudar vocês mas, sobretudo, para recordar.
Recordar um irmão, um nosso irmão, vítima de interesses que não queriam que se lutasse pela liberdade
da Bolívia. P. Espinal pregou o Evangelho e esse Evangelho incomodou e, por isso, o eliminaram", disse
o Papa antes de proferir a seguinte oração:
"Que o Senhor tenha em sua Glória ao Padre Luis Espinal, que pregou o Evangelho, este
Evangelho que nos traz liberdade, que nos torna livres. Como todo filho de Deus, Jesus nos trouxe esta
liberdade, e ele predicou este Evangelho. Que Jesus o tenha junto a Ele. Dê-lhe, Senhor, o descanso
Eterno e o faça brilhar para a luz que não tem fim. Que descanse em paz", disse o Papa ao abençoar
todos os presentes.
História
Padre Luis, poeta, jornalista e cineasta, nasceu na Espanha em 2 de fevereiro de 1932. Entrou na
Companhia de Jesus em 1949, sendo ordenado sacerdote em Barcelona em 1962. Enviado como
missionário à Bolívia em 1968, exerceu atividade pastoral em defesa dos operários, também na mídia
(Rádio Fides, televisão, filmes e livros). Participou das lutas sociais e de uma greve de fome de 19 dias,
ao lado das famílias de mineradores, em 1977. Durante a ditadura de Luis Garcia Meza, um dos períodos
mais sangrentos da história da Bolívia, Padre Luis foi preso em 21 de março de 1980 por paramilitares.
Seu corpo com sinal de violência foi encontrado no dia seguinte, no Km 8 da estrada para o monte
Chacaltaya, ao longo do Rio Choqueyapu.
O parecer de jesuítas bolivianos
A morte do jesuíta provocou forte comoção na população que participou em massa dos funerais
realizados dia 24 de março em La Paz. Em 2007, o Presidente Evo Morales declarou com um decreto o
dia 21 de março como “Dia do Cinema boliviano”, em comemoração ao aniversário do assassinato de
Luis Espinal, em reconhecimento pela sua luta pelos direitos humanos e pela democracia, e em
reconhecimento pela sua contribuição ao cinema na Bolívia.
Alguns jesuítas da Companhia de Jesus expressaram suas impressões e sentimentos sobre o gesto
de Francisco, reconhecendo que é um reconhecimento do martírio de uma pessoa como tantas outras que
ofereceram sua vida na defesa dos direitos humanos, da fé e da justiça. O Diretor do grupo Fides,
Eduardo Pérez, admitiu que inicialmente não achou conveniente participar da organização do ato,
porém, agora diz entender ser um gesto louvável de Francisco.
Simbólico
Já o antropólogo e linguista Xavier Albó, considerado o “autor intelectual” da homenagem.
Considera-se feliz pelo gesto do Papa, não obstante seu desejo fosse levar o Papa Francisco até o local
do assassinato. No entanto, a escassez de tempo impediu tal feito. “Pode não ser o mesmo local, porém é
simbólico, pois por lá passou o corpo de Luis Espinal, já estava morto quando passou por lá. E me
parece muito bom que agora passe por lá o Papa Francisco”.
Para o ecônomo, Fredy Quilo, a bênção de Francisco no local representa também um
reconhecimento de todos os mártires da América Latina, católicos e não-católicos. Já para o Vigário
Judicial, Miguel Manzanera, será difícil apresentar o caso de Luis Espinal como martírio, pois esteve
associado a movimentos de caráter socialista e revolucionários, devendo, portanto, ser mais reconhecido
pelo exemplo de coragem e de amor ao próximo e aos mais fracos.
Defensor da fé
Para o teólogo Víctor Colina, por sua vez, companheiro de Luis Espinal, com quem compartilhou
muitas experiências dentro da Companhia de Jesus, Espinal foi um homem profundamente cristão,
espiritual e de grande vivência mística, profética. Para ele, o gesto do Papa "é significativo, pois é um
reconhecimento de que Espinal não era um homem perigoso, que se envolveu onde não lhe dizia
respeito, mas um homem que defendeu a fé e a justiça”.
Por fim, o Provincial da Companhia de Jesus na Bolívia, Osvaldo Chirveches reconheceu que
Espinal “não é patrimônio da congregação, mas de todo o povo boliviano, as pessoas recordam dele com
carinho, pois foi um excelente seguidor de Jesus. Ademais, o Papa Francisco conhece muito bem este
acontecimento e por isto o brindará com uma oração em memória de Espinal”.(JE)
Fonte: Rádio Vaticano
Papa se despede do Equador: gratuidade em servir e preservação da memória
No Santuário Nacional Mariano “El Quinche”, no Equador, o Papa Francisco encontrou o clero,
religiosos, religiosas e seminaristas. Bem à vontade, o Santo Padre comentou que até teria um discurso
pronto, mas que não estava com vontade de lê-lo e preferia falar com o coração sobre os dias que esteve
em contato com o povo equatoriano, sobre a riqueza espiritual das pessoas, a profundidade, a valentia e,
principalmente, a alegria na recepção – algo raro hoje em dia.
Durante o discurso, o Papa Francisco enalteceu dois princípios fundamentais pra viver: a
gratuidade em servir e a preservação da memória. Sobre a gratuidade, e pensando na Virgem, em Maria,
que já tinha essa consciência, o Pontífice enfatizou a palavra: „faça‟. „Fazer‟ esse caminho de retorno à
gratuidade que Deus deixou. “Somos objetos da gratuidade de Deus”, disse o Pontífice.
“Consciência de gratuidade. Por isso, façam-se, façam, que se manifeste a gratuidade de Deus.
Religiosas, religiosos, sacerdotes, seminaristas. Todos os dias voltem, façam esse caminho de retorno à
gratuidade com que Deus lhes escolheu”, falou espontaneamente o Papa.
O outro princípio é a preservação da memória, tomando cuidado para não adoecer, não
lembrando das origens.
“Não percam a memória, sobretudo, a memória de onde vocês vieram. Não reneguem suas raízes.
E não se sintam promovidos. A gratuidade não pode conviver com a promoção. Quando um religioso
entra em carreira, em carreira humana, começam a adoecer e a perder a memória de onde vieram. Todos
os dias renovem o sentimento que tudo é gratuidade. Nada merecemos. E peçam a graça de não perder a
memória”, sublinhou o Papa Francisco. (AC/RB)
Fonte: Rádio Vaticano
Papa encontra religiosos no Santuário em honra à padroeira do Equador
Quito (RV) – No último evento público no Equador,
antes de partir para Bolívia, o Santo Padre encontrou o clero,
religiosos, religiosas e seminaristas no Santuário Nacional
Mariano “El Quinche”, em honra à padroeira do país.
Depois das saudações oficiais, testemunhos de fé,
troca de presentes e de assinar o Livro de Ouro, Papa
Francisco também pronunciou o seu último discurso oficial
no Equador e diante a uma multidão de fieis no campo
mariano. É lá onde se encontra a pequena vila que dá nome
ao local, a 50 km de Quito, e onde ficam os índios
Oyacachis.
Nossa Senhora da Apresentação de El Quinche, padroeira do Equador
A história remonta o ano de 1591, quando os índios do povoado de Oyacachi receberam uma
escultura de Nossa Senhora, através do artista espanhol Dom Diego de Robles que pedia, em troca,
madeiras de fino cedro que tinham naquela região. Antes disso, a tradição conta que a Virgem já havia
aparecido várias vezes no povoado, prometendo proteção contra os animais ferozes e os estragos das
tempestades e dos vulcões, se ali fosse construído um altar para ela.
Com uma gruta natural para abrigar a Imagem, a Nossa Senhora começava a operar contínuos
milagres. Depois foi trasladada para uma capela, difundindo, assim, mais devoção pelo país. Da capela
em Oyacachi, a Imagem milagrosa da Virgem foi trasladada para dentro da Igreja do Santuário de El
Quinche, atrás do altar principal, onde se encontra hoje. Entre tantas manifestações da devoção mariana
no país, a de Nossa Senhora da Apresentação de El Quinche foi a mais notável e, por isso, merecedora
do título de padroeira, quando da sua coroação em 20 de junho de 1943. A festa litúrgica é celebrada em
21 de novembro.
Construído em 1928, o local que recebe frequentes peregrinações em honra à Virgem foi
proclamado Santuário Mariano Nacional em 1985. A Igreja acolhe cerca de 1500 pessoas, enquanto que
o campo mariano ao externo pode receber até 15 mil pessoas.
Comissão de Visita Papal nega acusações de censura em atos no Paraguai
A Comissão Nacional da Visita Papal rejeitou nesta quarta-feira as acusações de alguns grupos
sobre supostas tentativas de censura durante a estadia do papa Francisco no Paraguai, depois que a
Polícia Nacional anunciou a proibição de ostentar cartazes alusivos a temas sociais nos atos.
A Polícia Nacional anunciou na terça-feira que entre 10 e 12 de julho, datas em que o papa estará
no Paraguai, está proibido se aproximar dos atos com cartazes referentes à "luta social, a favor ou contra
do aborto, casamento gay e camponeses sem-terra".
A Comissão Nacional esclareceu em comunicado que houve uma recomendação de proibir o uso
de cartazes nos atos onde estará o papa com o objetivo de evitar que dificultem a visibilidade dos
participantes.
A mesma Comissão acrescentou que essa recomendação não fazia nenhuma referência ao
conteúdo desses cartazes.
"A Comissão Nacional nega categoricamente que dita recomendação se refira a algum tipo de
mensagem ou conteúdo de ditos cartazes", diz o comunicado.
Organizações camponesas, indígenas, de trabalhadores e estudantes anunciaram mobilizações
coincidindo com a visita do pontífice, que consideram que está motivando "uma maquiagem" dos
problemas do país.
Francisco, o segundo papa a visitar o Paraguai após João Paulo II em 1988, chegará na sextafeira a Assunção procedente da Bolívia.
No Paraguai, Francisco ficará até domingo, dia no qual presidirá uma grande missa e manterá um
encontro com milhares de jovens.
Fonte: Rádio Vaticano
Igreja monta dois novos abrigos para imigrante, com 210 vagas
Com a chegada constante de imigrantes a São Paulo, a Igreja Católica montou, nas últimas duas
semanas, mais dois abrigos para acolher estrangeiros. Ao todo, são 210 novas vagas.
Um dos abrigos, com 150 vagas, está funcionando em um imóvel na região do Pari. O local
pertence à Congregação das Irmãs Scalabrinianas. O outro, com 60 vagas, foi montado em um imóvel da
Pastoral da Criança, na Armênia, e é administrado pela Prefeitura. Os dois têm caráter emergencial e vão
ajudar a "desafogar" o abrigo da Casa do Migrante, mantido pela Igreja Nossa Senhora da Paz, que tem
110 vagas.
"Recebemos migrantes toda semana, mas às vezes temos uma „onda‟ mais frequente e não temos
como acolher a todos. Esses dois novos abrigos são para ajudá-los e também para atender a um apelo do
papa Francisco, que nos pediu para ajudá-los", disse o padre Paolo Parise, responsável pela Casa do
Migrante.
Como é um dos abrigos mais conhecidos da cidade, a casa recebe muitas doações de comida e
itens de higiene e, por isso, é frequentemente procurada pelas mesquitas que abrigam muçulmanos.
"Sempre que eles pedem, nós ajudamos."
A Prefeitura também mantém um abrigo com 150 vagas para estrangeiros e um edital para a
abertura de um novo local, com mais 150 vagas. Camila Baraldi, coordenadora municipal de Políticas
para Migrantes, disse que o Centro de Referência Acolhida do Imigrante, no Terminal Barra Funda,
verificou que nos últimos meses apenas 15% dos atendidos precisavam de abrigo - a maioria só
precisava de orientação para encontrar um parente ou amigo.
Fonte: Catolicos.
Uma leitura ortodoxa da Laudato Si
O consultor teológico do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, o Arquidiácono John Chryssavgis,
publicou no «First Things» - um dos mais influentes jornais estadunidenses sobre religião - uma leitura
ortodoxa da Encíclica Laudato Si do Papa Francisco. A responsabilidade pela compaixão – escreve o
autor – é o que move o Papa e o Arcebispo de Constantinopla a uma preocupação compartilhada pela
exploração das pessoas e do planeta como corpo de Cristo. O L‟Osservatore Romano publicou na sua
edição de 07/07 parte do artigo intitulado “No caminho certo”, a Encíclica e a comum responsabilidade
de Francisco e Bartolomeu.
“A Encíclica papal sobre o cuidado da criação foi há muito tempo antecipada não somente por
uma perspectiva ecológica, mas também no contexto da abertura ecumênica entre dois líderes religiosos
profundamente e firmemente comprometidos em retomar a comunhão entre suas duas Igrejas, que
Constantinopla ama caracterizar como “Igrejas irmãs” e que Roma descreve de bom grado como “dois
pulmões que respiram juntos”. Se o compromisso pela comunhão é o que atrai Francisco e Bartolomeu
para um testemunho comum em um mundo dividido pelas tensões políticas e econômicas, como também
por conflitos religiosos e raciais, a responsabilidade pela compaixão é, sem dúvida, o que os impele a
uma preocupação compartilhada pela exploração das pessoas e do planeta como corpo de Cristo.
Por 25 anos, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu sublinhou a dimensão espiritual da crise
ecológica e até mesmo introduziu o conceito revolucionário do pecado ecológico, expandindo a nossa
compreensão do arrependimento por aquilo que até agora consideramos um delito pessoal ou uma
transgressão social para um abuso mais amplo, comum, geracional e até mesmo ambiental da criação de
Deus. E desde sua eleição, o Papa se deu o nome de São Francisco de Assis, indicando de modo
inquestionável a sua prioridade e a sua sensibilidade pelas pessoas marginalizadas, vulneráveis e
oprimidas na nossa comunidade global. Por isto, na sua recente Encíclica reza: «Ó Deus […] cura a
nossa vida para que protejamos o mundo e não o depredemos […]. Toca os corações daqueles que
buscam somente vantagens à custa dos pobres e da terra».
O que a Encíclica do Pontífice nos recordou com força e de modo definitivo é que preservar a
natureza e servir o próximo são duas coisas inseparáveis; são duas faces da mesma moeda. A este
respeito, defendo que seja realmente providencial que estes dois bispos estejam guiando suas respectivas
Igrejas juntamente neste particular momento crítico. E é também uma bênção extraordinária que
consigam relacionar-se entre eles com tanta facilidade e confiança. Não tenho nenhuma dúvida de que a
acolhida favorável – mas ao mesmo tempo ousarei acrescentar a reação hostil e as ásperas críticas – da
promoção e do apoio por eles oferecido ao cuidado pela criação de Deus seja talvez a maior prova de
que certamente estão no caminho certo. Mesmo somente por esta razão, merecem a nossa oração e o
nosso elogio, enquanto os seus exemplos e suas orientações iluminadas merecem a nossa atenção e
promulgação”.
Fonte: Catolicos
Do dia 07/7 – terça-feira
Francisco: "Lutar pela inclusão e confiar o coração sem medo"
O Parque do Bicentenário ficou completamente lotado na manhã desta terça-feira (07/07) em
Quito, no Equador, onde o Papa celebrou uma missa campal. Situado na zona norte da capital, o parque
é a maior área verde da cidade, com 125 hectares, no terreno anteriormente ocupado pelo aeroporto. Foi
inaugurado em 2013, para comemorar duzentos anos de independência do país, e seu projeto contempla
ainda a construção de campos esportivos, museus, áreas culturais e de lazer.
Concelebraram com Francisco cerca de 40 bispos locais, inclusive os eméritos, e no final da
missa, tomou a palavra o Arcebispo de Quito, Dom Gabriel Trávez Trávez, OFM.
O carinho envolvedor dos equatorianos
Como sempre, o Papa foi acolhido pela multidão com aplausos e manifestações de afeto.
Milhares de fiéis, muitos dos quais passaram a noite no local, lançavam pétalas e agitavam bandeiras
com o rosto do Pontífice. Muitos erguiam terços, cruzes e outros objetos na passagem do papamóvel.
Em seu trajeto, o Papa fez uma breve parada para abençoar uma senhora cadeirante.
Segundo o Padre Richard Ordóñez, porta-voz da Arquidiocese de Quito, cerca de 2.000 pessoas,
entre leigos e religiosos, distribuíram a comunhão. O primeiro canto entoado foi "Equador abre as portas
ao redentor”, o mesmo utilizado há 30 anos, quando João Paulo II visitou o país.
A homilia
O Pontífice iniciou a homilia da missa „pela evangelização dos povos‟ com a afirmação que “a
palavra de Deus convida-nos a viver a unidade, para que o mundo acredite” e relacionou o sussurro de
Jesus na Última Ceia com o grito da Independência da Hispano-América, um grito nascido da
consciência da falta de liberdade, de estarmos sendo espremidos e saqueados, “sujeitos às conveniências
dos poderosos de turno”.
“Nós todos juntos, aqui reunidos à volta da mesa com Jesus, somos um grito, um clamor nascido
da convicção de que a sua presença nos impele para a unidade, indica um horizonte estupendo, oferece
um banquete apetecível”, lembrou o Papa à multidão de fiéis que o ouviram em silêncio. “Nossa
resposta deve repetir o clamor de Jesus e aceitar a graça e a tarefa da unidade”, completou.
Continuando, explicou que Jesus nos enviou a este mundo desafiador e dilacerado pelas guerras e
a violência que ele mesmo experimentou na sua própria carne: intrigas, desconfianças e traição no dia-adia. E o comparou com aquele grito de liberdade que prorrompeu há pouco mais de 200 anos:
“A história conta-nos que só se tornou contundente quando deixou de lado os personalismos, o
afã de lideranças únicas, a falta de compreensão de outros processos libertadores com características
diferentes, mas não por isso antagônicas”.
Neste sentido, o Papa questionou: “Poderá a evangelização ser veículo de unidade de aspirações,
sensibilidades, esperanças e até de certas utopias? É claro que sim; isso mesmo acreditamos e gritamos.
Como disse uma vez, “enquanto no mundo, especialmente em alguns países, se reacendem várias formas
de guerras e conflitos, nós, cristãos, insistimos na proposta de reconhecer o outro, de curar as feridas, de
construir pontes, de estreitar laços e de nos ajudarmos a carregar as cargas uns dos outros”.
“Daí a necessidade, explicou, de lutar pela inclusão em todos os níveis, evitando egoísmos,
promovendo a comunicação e o diálogo, encorajando a colaboração. É preciso confiar o coração ao
companheiro de estrada, sem medo nem ceticismo. A unidade é impensável se a mundanidade espiritual
nos faz estar em guerra uns com os outros, na busca estéril do poder, do prestigio, do prazer ou da
segurança econômica. E isto às custas dos mais pobres, dos mais excluídos, dos mais indefesos, dos que
não perdem a sua dignidade embora esta seja pisoteada todos os dias”.
“A evangelização não consiste em fazer proselitismo, o proselitismo é uma caricatura da
evangelização, mas em atrair os afastados com o nosso testemunho, em aproximar-se humildemente
daqueles que se sentem longe de Deus e da Igreja, daqueles que se sentem condenados „a priori‟ por
aqueles que se sentem perfeitos e puros; aproximar-se daqueles que têm medo ou dos indiferentes, para
lhes dizer: „O Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e fá-lo com grande respeito e
amor‟”.
O Papa também lembrou que a evangelização “também não é um arranjo feito à nossa medida,
no qual ditamos as condições, escolhemos alguns membros e excluímos os outros. Jesus reza para que
façamos parte duma grande família, na qual Deus é nosso Pai e todos nós somos irmãos. Isto não se
fundamenta no fato de ter os mesmos gostos, as mesmas preocupações, os mesmos talentos. Somos
irmãos porque Deus nos criou por amor e, por pura iniciativa Dele, nos destinou para sermos seus
filhos”. Somos irmãos, porque, justificados pelo sangue de Cristo Jesus passamos da morte à vida,
fazendo-nos „co-herdeiros‟ da promessa. Esta é a salvação que Deus realiza e a Igreja alegremente
anuncia: fazer parte do „nós‟ divino”.
Concluindo, Francisco afirmou que seria belo se todos pudessem admirar como nos preocupamos
uns pelos outros; como mutuamente nos animamos e fazemos companhia. “Em qualquer doação, é a
própria pessoa que se oferece. „Dar-se‟ significa deixar atuar em si mesmo toda a força do amor que é o
Espírito de Deus e, assim, dar lugar à sua força criadora. Dando-se, o homem volta a encontrar-se a si
mesmo com a sua verdadeira identidade de filho de Deus, semelhante ao Pai e, como Ele, doador de
vida, irmão de Jesus, de Quem dá testemunho. Isto é evangelizar, esta é a nossa revolução – porque a
nossa fé é sempre revolucionária – este é o nosso grito mais profundo e constante”.
Fonte: Rádio Vaticano
Dos Andes ao Pacífico
• Segundo dia do Pontífice no Equador •
De Quito a Guayaquil e regresso. Dos planaltos andinos à costa no Oceano Pacífico, passando
dos quase três mil metros de altitude da capital para a cidade mais populosa do país que surge à beiramar, com uma forte oscilação térmica, para terminar com a chuva. A segunda, longa jornada da viagem
do Papa Francisco ao Equador, na segunda-feira 6 de Julho, foi difícil sob todos os pontos de vista.
E o povo não fez faltar o seu apoio ao Pontífice com imponentes manifestações de afeto: em cada
deslocação multidões de pessoas apinhadas ao longo das estradas para testemunhar o seu amor e a sua
gratidão. Milhões de equatorianos estiveram presentes as encruzilhadas para ver passar o papamóvel ou
alcançar os lugares onde estava prevista a presença de Paquito, como começaram a chamá-lo
afetuosamente, acolhendo-o como um amigo, como um deles.
Na cidade costeira de Guayaquil Francisco chegou de manhã. Daqui parte o turismo de massa
que se dirige às ilhas Galápagos; mas nem por isso a cidade, que desempenhou também um importante
papel na história da independência da América Latina, está isente dos males característicos do
continente. Testemunham-no as numerosas favelas nas quais famílias humildes vivem em pequenas
barracas de madeira e bambu com tetos de chapa. Por esta razão, quando veio aqui durante a sua viagem
em 1985, João Paulo II visitou o guasmo, bairro periférico, cujas barracas recordam as villas miserias
argentinas.
O Santo Padre a bordo do papamóvel chegou à imensa planície, onde celebrou a missa para as
famílias na presença de pelo menos um milhão de fiéis, muitos dos quais estavam à sua espera desde a
noite anterior. Para esta ocasião o Pontífice utilizou um báculo de madeira: trata-se de uma cópia do
báculo, realizado por um grupo de detidos de Sanremo, que Francisco usou durante a viagem à Terra
Santa, em Maio de 2014. O báculo original, muito querido ao Papa, danificou-se precisamente naquela
ocasião. Por isso foi feita uma sua cópia exata – utilizada em Guayaquil – com a madeira de oliveira de
Belém.
Os ritmos das músicas tradicionais, as danças, os braços estendidos que agitavam as bandeiras
coloridas: todo o contorno que acompanhou a celebração da missa evocou a alegria simples deste povo
que vai em frente não obstante tudo.
O mesmo clima durante o almoço com a comunidade dos jesuítas do colégio Javier de
Guayaquil. Entre eles o ancião Francisco Cortés, conhecido como «padre Paquito». Apoiado à bengala,
este sacerdote espanhol de quase noventa e um ano – cinquenta dos quais vividos como missionário no
Equador – dedica-se agora sobretudo às confissões. O Papa encontrou-se com ele em forma particular e
depois quis que estivesse ao seu lado à mesa, em recordação da amizade de longa data. Com efeito,
quando ainda não era arcebispo de Buenos Aires, padre Bergoglio tinha escolhido o colégio Javier para
ali enviar os seus alunos onde fazer experiência formativa, sempre bem acolhidos pelo vice-diretor padre
Paquito.
Fonte: Catolicos.
Carmelitas: Carta do Prior geral por ocasião da festa de N. S. do Carmo
Está se aproximando a festa de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho) e padre Fernando Millán
Romeral, prior geral da Ordem dos Carmelitas, escreve à família religiosa uma carta em que expressa
suas felicitações e convida todos os membros a celebrar a festa começando com a novena (07-15 de
julho). “A dimensão mariana”, inicia, é “um dos elementos constitutivos da espiritualidade carmelita” e,
também se vivida “com modalidades e expressões diferentes de acordo com os lugares e as culturas, ela
é algo que nos une, nos caracteriza, nos distingue”. Quanto os pontos lembrados. Primeiramente, o V
Centenário do nascimento de Santa Teresa de Jesus, grande devota de Nossa Senhora do Monte
Carmelo; em seguida, o Ano dedicado à Vida Consagrada, que ainda está sendo celebrado; em terceiro
lugar são Simão Stock, “inseparavelmente unido à tradição e à devoção do Escapulário do Carmo”, no
750º de sua morte; por fim, o arcebispo Oscar Arnulfo Romero, beatificado em maio deste ano, que,
destaca o prior, “durante seu ministério episcopal, pelo menos em três ocasiões, quis se referir, usando
palavras muito bonitas, à Nossa Senhora do Carmo e às celebrações do dia 16 de julho”. No final de sua
carta, p. Romeral apresenta o texto da novena preparada pelo p. Joseph com texto de vários carmelitas
que colaboram na página web da Ordem www.ocarm.org
Fonte: Catolicos.
Card. Turkson: Ouvir os movimentos sociais como protagonistas
“Terra, casa e trabalho. Direitos sagrados. Bens primários. O encontro dos movimentos populares
que de 7 a 9 de julho será realizado em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e será concluído pelo Papa
Francisco, colocará no centro esta problemática e será um importante momento da visita papal nesta
região da América do Sul”. Para o Cardeal ganense, Peter Turkson, Presidente do Pontifício Conselho
para a Justiça e a Paz - que junto à Pontifícia Academia das Ciências Sociais colaboram para a realização
deste evento - trata-se de um fato particularmente significativo neste momento para a América Latina.
A reunião destas organizações populares formadas por campesinos, catadores de papel,
trabalhadores informais, migrantes trabalhadores sem-terra, habitantes das periferias urbanas e
assentamentos, coordenada pelo advogado argentino Juan Grabois, dá sequência ao primeiro e inédito
encontro com os diversos delegados destas realidades marginalizadas, realizado no Vaticano em outubro
passado. Um fato notável, “sem precedentes”, que teve comentários positivos vindos de diversos líderes
que participaram do encontro no Vaticano e viajam agora à Bolívia. Em Santa Cruz de la Sierra, de fato,
a cidade industrial por excelência da Bolívia, estarão reunidos mais de 1.500 delegados, a maioria
provenientes do Brasil e da Argentina, mas também do Chile, Costa Rica, Colômbia, Haiti, República
Dominicana, México, Equador, El Salvador, Estados Unidos, Índia, Quênia, Itália, entre outros.
Os delegados, entre os quais o brasileiro João Pedro Stédile, histórico coordenador do
Movimento dos Sem-Terra, havia agradecido ao Papa Francisco pelo seu acompanhamento e
proximidade “não somente por quem sofre a injustiça, mas também em relação a todos que se organizam
e lutam para superá-la”. “O primeiro encontro foi muito desejado pelo Papa, pelo seu conhecimento
pessoal desta realidade e de alguns de seus líderes na Argentina”, explica o Cardeal Turkson. “E naquela
reunião, exprimia com clareza o seu desejo e o seu projeto, já antecipando alguns temas de sua
encíclica”.
Francisco traçou um perfil do evento, a sua natureza e os seus objetivos com estas palavras: “Este
nosso encontro não responde a uma ideologia. Não se pode enfrentar o escândalo da pobreza
promovendo estratégia de contenção que unicamente tranquilizam e transformam os pobres em seres
domesticados e inofensivos”. “Este nosso encontro – prosseguiu o Papa na ocasião – responde a um
anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe, deseja para os próprios filhos; um anseio
que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza sempre mais distante da maioria
das pessoas: terra, casa e trabalho. É estranho, mas se falo disto para alguns, o Papa é comunista. Não se
compreende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, casa e trabalho, aquilo pelo
qual vocês lutam, são direitos sagrados. Exigir isto não é estranho, mas é a doutrina social da Igreja”.
“Queremos que se escute a vossa voz que, no geral, se escuta pouco” – havia dito ainda o Papa
Francisco – porque perturba, cansa e porque se tem medo das mudanças que exige. “Para nós – sublinha
o Presidente do Pontifício Conselho para a Justiça e a Paz ao Jornal Avvenire – foi muito importante
ouvir estes grupos para compreender as causas da multiplicação dos excluídos no mundo e entender as
suas perspectivas de solução das diversas situações. Não os convidamos para vir aqui para instruir ou
educar ou formularmos soluções para eles. Ouvimos aquilo que têm a dizer e assim se tratou também de
reconhecê-los como protagonistas, promovendo a rede dos contatos entre os diversos grupos que nos
leva agora a este segundo encontro na Bolívia”.
“No contexto desta viagem serve, sobretudo, para despertar. Despertar os governos e as
consciências. Porque existem tantos cidadãos, que apesar da presença de estruturas e de um governo
democrático, se encontram nesta situação de marginalização? Por que se expande este fenômeno da
exclusão? E por que, portanto, existe o espaço para estes movimentos? É necessário perguntar. É
necessário questionar isto com clareza”.
“A Igreja, por primeiro, escuta estas pessoas porque é chamada a estar atenta à realidade das
pessoas e por isto acompanha estes grupos que são um sinal de resgate da própria dignidade. O nosso –
explica o Cardeal – é um convite a não resignarmo-nos. Se alguém se encontra na situação de estar sem
casa, sem terra e sem trabalho não pode resignar-se, não pode dizer que isto é o meu destino, pois este
não é o destino de ninguém. Todos fomos criados com a vocação ao desenvolvimento”.
Fonte: Catolicos.
"Depois de cem anos, nós, armênios, ainda sofremos as consequências do genocídio"
Dom Raphael Minassian fala da reação da sua comunidade às declarações do papa Francisco
no aniversário do massacre
"Tínhamos certeza de que o papa ia recordar o genocídio. E a coragem dele mudou a atitude do
mundo inteiro", declarou dom Raphael Minassian, bispo católico armênio da Europa do Leste, à
fundação Ajuda à Igreja que Sofre. O prelado sublinhou que Francisco "nos estimulou à reconciliação:
um ato de elevadíssimo valor educativo, espiritual e humano que nos ajuda a recuperar o que perdemos".
Dom Minassian pertence à primeira geração depois do genocídio. Ele explica que mesmo os
armênios que não testemunharam pessoalmente o massacre de 1915 são afetados até hoje. "Algumas
atitudes psicológicas, como o medo instintivo diante de um guarda armado, foram e serão transmitidas à
segunda e à terceira geração".
O bispo não tem dúvidas sobre a responsabilidade da Turquia. "É suficiente notar que o governo
Erdogan não controla as suas fronteiras. Após cometer aquele crime atroz em 1915, a Turquia nunca
mudou. Eu não entendo como a Europa e a América podem dar tanta consideração a um país como
aquele".
Recentemente em Roma para a plenária anual das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais, Minassian
falou da situação da sua comunidade. Apesar de ter jurisdição sobre países da Europa Central e Oriental,
como a Polônia, a Romênia, a Hungria, a Eslováquia e a República Tcheca, e de outras nações que
faziam parte da União Soviética, o prelado guia principalmente a comunidade armênia na Federação
Russa, na Geórgia e na própria Armênia. "Nesses dois últimos países, os fiéis são mais pobres e mais
necessitados de ajuda" comenta Minassian.
Mas cada um dos países enfrenta diversas dificuldades. Na Rússia, por exemplo, a Igreja armênia
não tem nenhum status jurídico; na Geórgia, mantém relações complicadas com a Igreja ortodoxa. "Na
Armênia, a cooperação com a Igreja apostólica é perfeita, porque não existem diferenças litúrgicas nem
sacramentais".
Ainda assim, a Igreja armênia não tem espaço suficiente. "Nas paróquias não há salas nem
escritórios. Tudo ocorre dentro da igreja. Muitas vezes, os sacerdotes são forçados a celebrar em salas de
aula, e, assim, corremos o risco de ser considerados como uma seita". A Igreja católica também não tem
o direito de oferecer educação religiosa. Somente à Igreja apostólica é permitido ensinar nas escolas; e
não a catequese, mas a história da Igreja armênia.
Fonte: Zenit
Francisco abençoa o nobre povo equatoriano na Catedral de Quito
Santo Padre concluiu seu segundo dia no Equador
O Santo Padre Francisco concluiu o segundo dia de sua viagem apostólica à América Latina na
segunda-feira por volta das 20:30. Depois de um intenso programa que incluiu uma visita à cidade de
Guayaquil, de volta para Quito, o Papa visitou o presidente Rafael Correa, no palácio presidencial e
concluiu o dia na Catedral.
Centenas de pessoas se reuniram na Catedral. Animadas, elas cantavam enquanto esperavam a
bênção e palavras do Papa. Ao chegar, Francisco foi recebido pelo reitor. Dentro da igreja, ele parou
alguns minutos para rezar e deixou um buquê de flores diante de uma imagem de Nossa Senhora.
Depois, falou aos fiéis que o aguardavam.
Embora fosse esperado a leitura de um discurso, o Papa escolheu improvisar uma breve
saudação. Assim, Francisco concedeu a bênção a todos os presentes, as suas famílias e pessoas queridas.
“Para este grande e nobre povo equatoriano, para que não haja diferenças, exclusões; que não haja
descartados, que todos sejam iguais e incluídos; para que ninguém fique fora desta grande nação
equatoriana”.
No final, todos rezaram uma Ave Maria. Depois, como de costume, o pontífice pediu: "Por favor,
rezem por mim".
Fonte: Zenit
Papa Francisco encontra seu amigo Padre Paquito
Na segunda-feira, Francisco almoçou com os jesuítas no Colégio Javier e se reuniu com o
presidente Correa no Palácio de Carondelet
Na segunda de manhã, o Papa Francisco foi para Guayaquil, a maior cidade do Equador,
localizada na costa do Pacífico. Depois de celebrar a Missa no Parque Los Samanes, o Papa almoçou no
Colégio Javier, dos Jesuítas, onde foi recebido pelo amigo Padre Paquito, um sacerdote espanhol de 91
anos, que o atual pontífice conheceu na década de oitenta no país andino.
O Pontífice chegou ao colégio as 14:27 (hora local) e foi recebido na porta por um grupo de
jovens vestidos com uniforme escolar, cinco deles se aproximaram e lhe ofereceram alguns presentes.
Em seguida, ele foi para uma residência próxima, onde o aguardava Padre Francisco Cortes, mais
conhecido como Padre Paquito, um jesuíta nascido em Málaga dia 10 de julho de 1924, que foi para o
Equador em 1963 para trabalhar nesta instituição.
Quando os dois se encontraram eles se abraçaram e conversaram ali por um momento, em
seguida, eles entraram numa sala onde o almoço estava servido. A responsável pela cozinha foi Angela
Guaman, 47 anos, que trabalha na escola há 13 anos. De acordo com a mídia local, durante a refeição foi
servido "ceviche de camarão, frango e carne assada". A comunidade do Colégio Javier é formada por
seis religiosos da Companhia de Jesus, mas na hora do almoço estavam presentes pelo menos vinte
pessoas.
No final do encontro, o Papa percorreu rapidamente uma distância de 13 quilômetros até a base
aérea de Simon Bolivar. A bordo do papamóvel branco, sorrindo, muito feliz, Francisco acenou
incansavelmente, agradecendo o carinho de cada pessoa que estava nas ruas de Guayaquil lançando
pétalas, buquês de flores e balões.
O Papa chegou no aeroporto as 16:38 e imediatamente entrou no Airbus A330 da Alitalia. Os
guardas que acompanharam o Pontífice se comprometeram a recolher os buquês e outros presentes
jogados durante o percurso de despedida daquela cidade.
De volta a Quito, às 19:00 Francisco realizou uma visita de cortesia ao presidente Rafael Correa
no Palácio de Carondelet, sede do Executivo, localizado no centro histórico da cidade, catalogado em
1978 como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
No final do encontrou houve a tradicional troca de presentes e a apresentação de familiares e
outras autoridades do presidente. Rafael Correa se despediu do Santo Padre no pátio do Palácio
Presidencial. Depois, o Papa percorreu a pé cerca de 50 metros até a Catedral de Quito.
Fonte: Zenit
Do dia 06/7 – segunda-feira
Recuperar a alegria em família, exortação do Papa Francisco na missa em Guayaquil
Guayaquil (RV) – Uma missa dedicada ao amor e à alegria em família, celebrada no Parque Los
Samanes, em Guayaquil, após visitar o Santuário da Divina Misericórdia, foi o ponto alto da visita do
Papa Francisco ao Equador nesta segunda-feira.
O Santo Padre deixou a Nunciatura Apostólica em Quito às 8 horas, dirigindo-se ao Aeroporto
Internacional, onde, a bordo de um A330 da Alitália, voou até Guayaquil, a maior cidade do Equador.
Após 50 minutos de voo, foi recebido pelo Arcebispo Dom Antonio Arregui Yarza e autoridades locais e
imediatamente dirigiu-se ao Santuário Nacional da Divina Misericórdia de Guayaquil, para uma breve
visita. No local estavam presentes centenas de fieis, anciãos e doentes.
Maria e o episódio das Bodas de Caná guiaram a reflexão do Papa Francisco. “As Bodas de
Caná se repetem em cada geração, em cada família, em cada um de nós” e “Maria está atenta àquelas
bodas já iniciadas, é solícita pelas necessidades dos esposos, não se fecha em seu mundo”, disse o Papa.
O vinho é sinal de alegria, de amor, de abundância:
“Quantos dos nossos adolescentes e jovens percebem que, em suas casas, há muito que não existe
nenhum! Quantas mulheres, sozinhas e tristes, se interrogam quando foi embora o amor, quando se
diluiu da sua vida! Quantos idosos se sentem deixados fora da festa das suas famílias, abandonados num
canto e já sem beber do amor diário. A falta de vinho pode ser efeito também da falta de trabalho,
doenças, situações problemáticas que as nossas famílias atravessam. Maria não é uma mãe
“reclamadora”, não é uma sogra que espia para se consolar com as nossas inexperiências, erros ou
descuidos. Maria é simplesmente mãe! Permanece ao nosso lado, atenta e solícita. Maria é mãe!”
E é nesse momento que Maria se dirige com confiança a Jesus e reza. A sua solicitude pelas
necessidades dos outros apressa a “hora” de Jesus. Maria nos ensinou a deixar as nossas famílias nas
mãos de Deus; ela ensinou a rezar, alimentando a esperança que nos indica que as nossas preocupações
também preocupam Deus:
“Rezar sempre nos arranca do perímetro das nossas preocupações, nos fazendo transcender
aquilo que nos magoa, agita ou falta a nós mesmos para nos colocarmos na pele dos outros, calçarmos os
seus sapatos. A família é uma escola onde a oração também nos lembra que há um nós, que há um
próximo vizinho, evidente: vive sob o mesmo teto, compartilha conosco a vida e se faz necessitado”.
Maria, finalmente, age. As palavras “fazei o que Ele vos disser”, dirigidas aos serventes, são um
convite dirigido também a nós para nos colocarmos à disposição de Jesus – observou o Papa - que veio
para servir e não para ser servido. O serviço é o critério do verdadeiro amor. E isso se aprende
especialmente na família, onde nos tornamos servidores uns dos outros por amor. No seio da família,
ninguém é descartado; Todos valem o mesmo:
“Na família, “se aprende a pedir licença sem servilismo, a dizer „obrigado‟ como expressão duma
sentida avaliação das coisas que recebemos, a dominar a agressividade ou a ganância, e a pedir desculpa
quando fazemos algo de mal. Esses pequenos gestos de sincera cortesia ajudam a construir uma cultura
da vida compartilhada e do respeito pelo que nos rodeia”. A família é o hospital mais próximo, a
primeira escola das crianças, o grupo de referência imprescindível para os jovens, o melhor asilo para os
idosos. A família constitui a grande “riqueza social” que outras instituições não podem substituir,
devendo ser ajudada e reforçada para não perder jamais o justo sentido dos serviços que a sociedade
presta aos cidadãos. Com efeito, esses serviços que a sociedade oferece aos cidadãos não são uma
espécie de esmola, mas uma verdadeira “dívida social” para com a instituição familiar, que é a base e
que tanto contribui para o bem comum de todos”.
A família também constitui uma pequena Igreja, uma “Igreja doméstica” que, juntamente com a
vida, canaliza a ternura e a misericórdia divina. Na família, a fé se mistura com o leite materno:
experimentando o amor dos pais, sente-se envolvido pelo amor de Deus:
“E, na família, os milagres se fazem com o que há, com o que somos, com aquilo que a pessoa
tem à mão. Muitas vezes não é o ideal, não é o que sonhamos, nem o que “deveria ser”. Tem um detalhe
para se fazer pensar. O vinho novo das bodas de Caná nasce das talhas de purificação, isto é, do lugar
onde todos tinham deixado o seu pecado”.
O Papa recordou então do Sínodo Ordinário dedicado às famílias, a ser realizado para
amadurecer um verdadeiro discernimento espiritual e encontrar soluções concretas para as inúmeras
dificuldades e importantes desafios que a família deve enfrentar nos nossos dias. E pediu orações por
uma intenção particular: “Para que, mesmo aquilo que nos pareça impuro, nos escandalize ou espante,
Deus – fazendo-o passar pela sua “hora” - possa milagrosamente transformá-lo. A família hoje precisa
desse milagre”.
Francisco observou, que a boa nova que ensina esta passagem, é que o melhor dos vinhos ainda
está por ser bebido, o mais gracioso, profundo e belo para a família ainda está por vir:
“Ainda está por vir o tempo em que saboreamos o amor diário, onde os nossos filhos
redescobrem o espaço que partilhamos, e os mais velhos estão presentes na alegria de cada dia. O
melhor dos vinhos está na esperança, está para vir a cada pessoa que aposta no amor. Precisamos apostar
no amor! E ainda está por vir, mesmo que todas as variáveis e estatísticas digam o contrário; o melhor
vinho ainda está por vir para aqueles que hoje veem desmoronar tudo. Murmurai até acreditá-lo: o
melhor vinho está por vir; e sussurrai-o aos desesperados ou que desistiram do amor. Deus sempre Se
aproxima das periferias de quantos ficaram sem vinho, daqueles que só têm desânimos para beber; Jesus
Se sente inclinado a desperdiçar o melhor dos vinhos com aqueles que, por uma razão ou outra, sentem
que já lhes romperam todas as talhas”.
Como Maria nos convida, façamos “o que Ele nos disser” e agradeçamos por, neste nosso tempo
e na nossa hora, o vinho novo, o melhor, nos faça recuperar a alegria de viver família.
Após a celebração, o Pontífice visitou o Colégio Javier, da Companhia de Jesus, onde almoçou
com os jesuítas da comunidade.
Fonte: Rádio Vaticano
Pe. Lombardi: encontro profundo entre o Papa e povo equatoriano
O Papa Francisco se encontra no Equador em sua 9ª Viagem Apostólica internacional que teve
início neste domingo (05/07).
O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé e da Rádio Vaticano, Pe. Federico Lombardi,
concedeu uma entrevista à nossa emissora sobre o clima que se viveu no avião com os jornalistas na ida
ao Equador.
“Foi uma viagem serena, segundo o esquema que o Papa usa durante a viagem de ida: encontro
com os jornalistas, que não é um encontro tipo coletiva de imprensa com respostas a perguntas comuns,
mas uma passagem cumprimentando cada um de perto, pessoalmente. É um momento bonito e
importante porque cria comunidade, cria comunhão entre o Papa e os comunicadores que, de alguma
forma, são chamados a ajudar o Papa em sua missão, multiplicando as vozes, multiplicando as
mensagens. O Papa consegue suscitar isso muito bem através da relação pessoal muito agradável e que
entra nos corações. Este foi o momento, do ponto de vista comunicativo, principal desta longa viagem,
em que depois o pontífice pode se descansar, preparar os seus discursos e rezar, como faz nessas
ocasiões.”
O que senhor diz sobre o primeiro discurso do Papa Francisco nesta primeira etapa dos três
países que visitará?
“O Papa é muito consciente do momento histórico que estes países vivem e da importância de
ajudá-los a se orientar bem no caminho do desenvolvimento verdadeiro, da dignidade humana e do bem
comum, um desenvolvimento que seja inspirado pela fé cristã. O Papa disse que o Evangelho oferece
chaves para enfrentar os problemas que existem nesses países. Naturalmente, o pontífice pensa no
crescimento da justiça, da integração comunitária das minorias ou das pessoas marginalizadas e dos
grupos desfavorecidos e assim por diante. O Papa dá uma mensagem e um impulso muito forte que pode
ajudar a encontrar a direção justa quando as direções talvez são justas, mas precisam ser corrigidas em
vários aspectos. Uma perspectiva muito positivo. O Santo Padre proferiu palavras bonitas ao povo
equatoriano “que com tanta dignidade se levantou”. Reconhece que está fazendo um esforço, está
obtendo resultados. Naturalmente, é um caminho que deve ser continuado e aperfeiçoado para que o
desenvolvimento seja pleno, digno da pessoa humana e da participação comunitária de todos, e assim
por diante.”
O senhor chegou há poucas horas e obviamente não viu muito, mas existe algo que o
impressionou na chegada?
“Impressionou-se positivamente o que de alguma maneira estávamos esperando, ou seja, o afeto,
a alegria do povo ao receber o Papa que é visto como um Papa da família, um Papa próximo, um Papa
que fala a este povo de forma espontânea, simples e concreta. O acolhimento maravilhoso ao longo das
estradas de Quito hoje manifesta o que continuaremos a ver nos próximos dias: o encontro profundo
entre o Papa e o povo, não um encontro superficial, mas um encontro profundo. Isso se vê também nos
rostos e comportamentos das pessoas, em seus sorrisos e lágrimas de emoção. Acredito que o Papa, que
se sente muito o tema do povo como experiência comunitária, também no viver a fé, a religiosidade
popular, no traduzir a fé em realidade concreta na vida cotidiana, poderá viver dias de encorajamento
para ele e para os outros nesta comunidade, nesta comunhão de pastor com um povo grande que o escuta
e o entende.” (MJ)
Fonte: Rádio Vaticano
No Santuário, oração e descontração com doentes e idosos
Guayaquil (RV) – O Papa Francisco visitou segunda-feira (06/07) o Santuário da Divina
Misericórdia em Guayaquil, onde rezou a „Ave Maria‟ com centenas de pacientes com câncer, idosos e
pobres e em seguida brincou dizendo que „não iria cobrar por sua bênção‟.
Cerca de 2000 pessoas receberam com entusiasmo o Papa, a quem um menino quase tocou o
rosto quando passou entre os participantes. Logo depois, ele se curvou para um paciente deitado em uma
maca no chão para abençoá-lo. Em seguida, rezou silenciosamente diante da imagem do Senhor da
Divina Misericórdia e se dirigiu ao público.
"Vou rezar por cada um de vocês, vou dizer ao Senhor que ele sabe os seus nomes e vou pedir a
Jesus muita misericórdia para cada um de vocês, e também para Nossa Senhora, que está sempre ao seu
lado”.
Ainda brincando, Francisco explicou que o bispo (Arcebispo Antonio Arregui Yarza, de
Guayaquil) lhe disse que tinham que respeitar o horário, e portanto, era hora de ir-se.
E acrescentou: “Antes de ir, vou abençoá-los, mas não vou cobrar nada. Peço, porém, o favor de
rezarem por mim, prometem-me?” e as pessoas responderam com um „sim‟ retumbante.
O Papa e sua comitiva deixaram o Santuário e se dirigiram ao Parque de Los Samanes, aonde
celebrou a primeira missa desta viagem.
Fonte: Rádio Vaticano
A Laudato Si' e as empresas
Diretor de associação industrial italiana fala da encíclica do Papa Francisco
Nunca uma encíclica teve o impacto e a relevância da Laudato Si', do papa Francisco. Esta é a primeira
encíclica em que se encaram de maneira abrangente os problemas ambientais. Há pelo menos 20 anos,
perguntava-se dentro da Igreja como explicar a ecologia humana em todas as suas formas e, mesmo
antes da publicação, havia muitas expectativas diversas pela manifestação da Igreja. O tema da ecologia
divide o mundo inteiro: ecologistas contra indústrias, defensores dos animais contra pecuaristas e
laboratórios farmacêuticos, agricultores contra ambientalistas radicais, petroleiras contra organizações
ambientais, crentes contra evolucionistas... Apesar das opiniões diferentes, um primeiro resultado da
encíclica de Francisco tem tido efeito positivo: o papa foi além dos conflitos e divisões e propôs uma
visão unificada.
Zenit entrevistou Massimo Medugno, diretor geral da Assocarta, associação que representa as
empresas produtoras de papel e papelão na Itália, sobre o impacto da Laudato Si‟.
***
O que você acha da encíclica Laudato Si'?
É uma oportunidade única para os crentes e para os "homens de boa vontade" refletirem de forma
integrada sobre a ecologia. Ela me oferece, além disso, a oportunidade de voltar a me aproximar da
“ecologia integral” e recuperar um pouco de “serena harmonia”.
Quais as partes do texto que mais o impactaram favoravelmente?
Muitas... Como poderia ser de outra forma? A parte sobre o Evangelho como Criação e, neste
contexto, o lembrete do valor peculiar do ser humano e da sua criatividade, abordado no capítulo V,
sobre algumas linhas de ação. São desafiadoras também as passagens dedicadas ao diálogo e à tomada
de decisões. Além disso, é claro, o capítulo final sobre a educação e a espiritualidade ecológica. Essas
reflexões do papa me impactam porque sublinham que o homem não é o problema, mas a solução
através do exercício da responsabilidade. Neste sentido, a afirmação do "papel especial" dos habitantes
do lugar onde se quer realizar um projeto é um tema atual e que implica a responsabilidade não só dos
tomadores de decisão, mas também das comissões e dos cidadãos envolvidos na decisão e que devem
"ser devidamente informados". Tem a ver com o tema de que a regra pode produzir efeitos significativos
e duradouros se for baseada nas motivações justas, mas eu acho que há também um "lembrete" aos
legisladores para tornarem as regras claras e inteligíveis; em suma, uma espécie de ecologia das normas.
E quais são, na sua opinião, as partes da encíclica que poderiam levantar preocupações?
Quando se fala do ato de adquirir como um ato moral e não só econômico, eu estou
perfeitamente de acordo, mas acho que esta mensagem precisa ser apoiada por muita, muita informação
de boa qualidade. Às vezes, também me parece que, de acordo com a encíclica, o empresário teria uma
tendência a fugir das demandas (185): na minha experiência, os empreendedores são homens “do
território” e empreendem porque, antes de tudo, acreditam no seu "ofício", na sua função social. Se por
“preocupações” você quer dizer “questionamentos”, acho ótimo que sejam muitos e abundantes os
questionamentos. Na minha opinião, uma das funções da encíclica é a de criar um debate sobre o tema
da ecologia, fundamentado numa base cultural mais sólida. Em outras palavras, a ecologia, bem como as
finanças, não são fins, mas ferramentas.
Qual é a sua avaliação do texto como diretor da Assocarta e como pessoa espiritualmente
sensível?
Para mim, as duas avaliações coincidem (na esperança de ser uma pessoa sensível). As ciências
empíricas nos ajudam e nos fazem ficar dentro da área do que sabemos. Os princípios éticos, a
sensibilidade espiritual devem nos ajudar a compreender a razão das coisas... Até porque, muitas vezes,
a realidade que nos rodeia parece mais pontilhada do que claramente traçada. As afirmações da encíclica
de que o digital em excesso sufoca a "sabedoria" (47) e que a estratégia dos créditos de emissão de gases
poluentes deu origem a novas formas de especulação (171) não podem deixar de ser reconhecidas.
O que você acha da cultura do "descarte", mencionada várias vezes?
Eu me limito, é claro, aos aspectos industriais. Como setor, ao longo dos anos, nós temos feito
progressos em matéria de economia e reciclagem. Por exemplo, hoje, a maior parte do papel na Itália e
na Europa não é jogada fora sem ser reciclada. A indústria do papel na Itália cuida dos próprios produtos
com uma taxa de recolhimento de mais de 62% do papel reciclável e uma taxa de utilização de mais de
54% em relação ao setor em geral. Com uma taxa de reciclagem de 90%, o papelão para embalagens
ajuda a transportar mercadorias usando como matéria-prima o papel que foi recolhido, muitas vezes, nas
imediações de áreas industriais: uma caixa de papelão corrugado volta à produção em apenas 14 dias!
Sem mencionar que o consumo per capita de papel entre os italianos, quanto a emissões de CO2,
equivale a percorrer 700 quilômetros de carro.
Fonte: Zenit
Família: "Defendamos Nossos Filhos" se torna comitê permanente na Itália
Decisão foi tomada para dar continuidade à batalha cultural contra a ideologia de gênero
O comitê civil italiano “Defendamos Nossos Filhos”, nascido especificamente para realizar as
históricas manifestações pró-família do dia 20 de junho em Roma, tornou-se um órgão permanente.
Seu objetivo é "manter a atenção pública focada na educação das crianças e na defesa dos seus
direitos, em primeiro lugar o de crescer em uma família com um pai e uma mãe", declara um
comunicado de imprensa do comitê. "Não podemos deixar sozinhas as famílias que pedem ajuda,
conscientes da grande batalha cultural que está sendo travada pelos seus filhos", observam os
organizadores do evento.
Com uma estrutura colocada sempre à sua disposição, os pais italianos poderão informar-se sobre
como agir "se perceberem que os seus filhos estão sendo submetidos a doutrinação na ideologia de
gênero".
Mães e pais continuarão sendo os principais responsáveis pela educação dos filhos, "sabendo
que, nesta batalha cultural, é na sua casa que acontece a resistência mais importante".
Com uma "estrutura necessariamente restrita para conseguir se manter operacional", o comitê
está aberto à contribuição de "movimentos, associações, espiritualidades e indivíduos que quiserem dar
uma mão". Apesar de dispor apenas de "meios materiais risíveis", o comitê permanente quer tentar
"conter uma cultura que, por vezes, parece levar a melhor" na tentativa de mudar "a própria ideia de
homem".
Agradecendo a todas as famílias, muitas delas com crianças pequenas, que fizeram sacrifícios para
participar do evento em Roma, o comitê afirma: "É graças a vocês que, agora, a nossa „praça‟ pode
participar com autoridade no debate público e dialogar com a política para que ela produza leis de
proteção às crianças, com o poder de um evento histórico do qual não se tem memória nos últimos anos
em nosso país".
Fonte: Zenit
Uma menina paraguaia pede para o Papa ser seu pai
Em uma carta Kiara explica ao Papa que seus pais estão na prisão por causa das drogas. A
menor de nove anos poderá cumprimentar o Pontífice durante a sua visita ao Banhado Norte, uma
região pobre de Assunção
"Eu gostaria que você fosse o meu pai para sempre, porque o meu pai e minha mãe estão na
prisão, te amo...”. Este é o pedido ao Papa Francisco de Kiara, uma menina de 9 anos que mora no
Banhado Sul, região situada às margens do rio Paraguai, e que está muito perto do aterro de lixo Cateura
de Assunção.
Em uma carta comovente, escrita à mão, a menor reconhece que gostaria de sentir-se amada, ter
uma mãe, um pai, um lar. A iniciativa de escrever para o Santo Padre surgiu do coordenador logístico da
visita papal no Banhado Norte, Luis Fretes, que teve a ideia de que todas as crianças do Banhado Sul
escrevessem as suas próprias cartas, que ele próprio se encarregaria de entregar ao Pontífice, já que
Francisco não visitará esta região da ribeira.
No total, 2.300 crianças escreveram as suas cartas, e, entre todas, destacou a de Kiara. “Somente
escrevi o que me falava o coração, já que não tenho nem mãe, moro com os meus avós e se chego a ver e
falar, com o Papa, pedirei também que tire a minha mãe da prisão”, explicou a menina que está na escola
San Blas de Fe e Alegria.
Sua mãe está na prisão há dois anos por causa do microtráfico, assim como seu padrasto, que a
criou desde que ela tinha três anos. Do seu pai biológico se sabe pouco, já que emigrou há muito tempo,
disse à imprensa local a família da menor.
Centenas de crianças dos Banhados não só moram no meio da miséria e das inundações, mas
também são vítimas da venda e consumo de droga, especialmente o crack.
As pessoas moram em barracos de compensado e chapas de zinco, e cada vez que as chuvas
torrenciais provocam o transbordamento do rio Paraguai, as ruas de terra tornam-se atoleiros
intransitáveis.
O Banhado Norte é uma das áreas de extrema pobreza que o papa visitará durante sua passagem
pelo Paraguai. Naquele dia Kiara será apresentada a Francisco acompanhada por seu diretor, Germán
Acevedo.
Enquanto isso, Magdalena Ramos espera chamar a atenção do Papa quando visite a pequena
capela de paredes nuas no Banhado Norte, para que ajude o seu filho, cujos problemas neurológicos
congênitos o colocaram na cama. “Gostaria que o Papa o visse e pedisse uma doação de cadeira de rodas
e tratamento médico”, disse a mulher de 51 anos, que está desempregada.
Fonte: Zenit
Presidente do Equador ao Papa: “O grande pecado social da América é a injustiça”
Em seu discurso de boas-vindas, Correa falou sobre justiça social e destacou os
“extraordinários pastores” que a Igreja deu ao continente
"Bem-vindo, Papa Francisco, à nossa América, à sua América, este tesouro da Pátria Grande,
chamado Equador, que o recebe com os corações de todos os equatorianos transbordando de alegria e
esperança”. Esta foi a saudação inicial do presidente Rafael Correa na chegada do pontífice ao Equador.
Em seu discurso de boas-vindas, o presidente destacou que “o Equador ama a vida”, indicando
que a Constituição do país reconhece e garante a vida, incluindo o cuidado e a proteção desde a
concepção, reconhece e protege a família como núcleo fundamental da sociedade e se compromete em
cuidar da casa comum.
Além da diversidade da flora e fauna, ele destacou a diversidade de culturas. “Nós também temos
uma maioria mestiça, 14 nacionalidades indígenas com suas línguas ancestrais, incluindo dois povos
isolados, que optaram pelo isolamento voluntário no coração da floresta virgem”. A Constituição define
o Equador “como um Estado unitário, mas plurinacional e multicultural”.
Depois de ilustrar o Equador, o presidente Rafael, demonstrando senso de humor, disse: “os
argentinos muito orgulhosos dizem que „o Papa é argentino'; minha querida amiga Dilma Rousseff,
presidente do Brasil, diz 'bem, o Papa é argentino, mas Deus é brasileiro‟. É claro que o Papa é
argentino, Deus pode ser brasileiro, mas com certeza o paraíso é equatoriano".
Retomando o tom mais formal da visita papal, o presidente comentou que “o grande pecado
social da nossa América é a injustiça”. E lançou o questionamento: “Como podemos ser o continente
mais cristão do mundo sendo o mais desigual? Quando um dos sinais mais recorrentes do Evangelho é
dividir o pão?”.
“A fundamental questão moral na América Latina é precisamente a questão social” – reiterou-.
Para o presidente, pela primeira vez na história, a pobreza e a miséria no continente “não são
consequência da falta de recursos, e sim de sistemas políticos, sociais e econômicos perversos”.
Depois de citar a questão da justiça social, elogiando a recente encíclica 'Laudato Si', Correa
citou a tragédia da migração. “A solução, como tantas vezes o senhor sugeriu, não são mais fronteiras; é
a solidariedade”. “Criar condições para que a prosperidade e a paz desencorajem as pessoas a migrar”,
afirmou o presidente.
Por fim, o presidente Rafael agradeceu ao Santo Padre por conhece-lo e por poder recebe-lo em
seu país e citou a passagem do Evangelho „onde estiver o teu tesouro, aí também estará o teu coração‟,
para dizer que o seu tesouro não é o poder, mas o serviço.
O presidente ainda recordou que a Conferência Episcopal Latino-Americana, reunida em
Medellín, disse que o episcopado "não pode ficar indiferente às tremendas injustiças sociais existentes
na América Latina”, onde a maioria do povo se encontra em “uma dolorosa pobreza e, em muitos casos,
em uma miséria desumana”.
“Um clamor brota de milhões de homens pedindo a seus pastores uma libertação que não lhes
chega de nenhuma parte”, disse ele.
O presidente do Equador concluiu recordando os “pastores extraordinários” da Igreja na América
Latina, “como o arcebispo Óscar Arnulfo Romero, mártir da nossa América recentemente beatificado
pelo senhor; Leonidas Proaño, bispo dos índios, que lutou pela verdade, pela vida, pela liberdade, pela
justiça, pelos valores do reino de Deus, como ele os chamava. Nos deu Helder Camara: „Quando dou
comida aos pobres, eles me chamam de santo‟; quando eu pergunto por que existem pobres, eles me
chamam de comunista‟. Agora, a Igreja nos dá o senhor, Francisco, o primeiro papa latino-americano,
com sua mensagem profética que se alguém quiser silenciar, as pedras clamarão. Bem-vindo à sua casa,
Santo Padre”, afirmou.
O Pontífice, por sua vez, agradeceu ao presidente - que por diversas vezes citou seus discursos,
bem como sua Encíclica Laudato Si - pela “convergência de pensamento” e garantiu que o Equador pode
“contar sempre com o empenho e a colaboração da Igreja”.
Fonte: Rádio Vaticano
Viagem de Papa é 'mediadora', diz Nobel da Paz
O argentino Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz de 1980, afirmou que a visita do papa
Francisco à América Latina nesta semana assume um caráter político que é interpretado como "pastoral
e mediador".
Em entrevista ao jornal italiano "La Stampa", Esquivel disse que o líder da Igreja Católica
resolveu visitar o Equador, Bolívia e Paraguai porque os considera "lugares em que a situação é mais
crítica e onde há necessidade de uma figura como a sua, de mediador".
"A sua intervenção é pastoral, mas, na visão de Francisco, nada é indiferente. Ele é uma pessoa
concreta e sabe que, como missionário, não pode parar de ser um mediador", comentou o Nobel da Paz.
"O Equador enfrenta dificuldades sérias. São meses de caos social e protestos contra a
administração de Rafael Correa", disse o argentino, referindo-se à onda de manifestações contra o
presidente do país, com quem Francisco terá uma reunião nesta segunda-feira (6), em Quito.
Segundo Esquivel, na Bolívia, o presidente Evo Morales até agora "conseguiu achar um
compromisso diante dos reclamos mais consistentes dos cidadãos, mas Francisco deverá falar da disputa
que tem com o Chile pela saída ao mar".
Fonte: Catolicos.
P. Lombardi: comunhão do Papa com um grande povo que o escuta e entende
No fim do primeiro dia do Papa Francisco no Equador, o enviado da Rádio Vaticano em Quito
(Mario Galgano) entrevistou o diretor e porta-voz do Vaticano, Padre Federico Lombardi, no séquito
papal.
Padre Lombardi, antes de tudo, como foi a viagem, o voo de 13 horas, de Roma a Quito?
Foi uma viagem muito serena, segundo o esquema que o Papa utiliza durante a viagem de ida:
tem um encontro com os jornalistas, mas que não é um encontro do tipo "conferência de imprensa com
respostas a perguntas comuns", mas é uma passagem para saudar de perto a cada um, pessoalmente.
Acho que é um momento muito bonito e importante porque cria comunidade, cria comunhão entre o
Papa e os comunicadores que, de alguma forma, são chamados à "missão" de ajudar o Papa na sua
missão, multiplicando as suas vozes, multiplicando as suas mensagens. O Papa consegue suscitar isto
muito bem com esta relação pessoal, que é muito apreciado e entra nos corações. Este foi o momento
principal, do ponto de vista da comunicação, desta longa viagem, na qual o Papa pôde também também
repousar, preparar os seus discursos, rezar, como acontece nestes casos.
Já houve um primeiro discurso de boas-vindas, claro, do presidente do Equador, Rafael Correa, e
o agradecimento por parte do Santo Padre. Pode dizer-nos alguma coisa sobre este primeiro discurso e o
que foi dito e sublinhado, e que marcará esta primeira viagem aos três países que vai visitar?
O Papa está muito consciente do momento histórico que estes países estão a viver e da
importância de ajudá-los a orientar-se bem numa via de verdadeiro desenvolvimento - na dignidade
humana, no bem comum - um desenvolvimento que é inspirado na fé cristã. O Papa disse que o
Evangelho oferece chaves para enfrentar os problemas que estes países têm. Naturalmente o Papa pensa
no crescimento na justiça, o crescimento na integração comunitária das minorias ou das pessoas
marginalizadas ou grupos desfavorecidos e assim por diante. Portanto, o Papa dá uma mensagem e um
impulso muito forte, que pode ajudar a encontrar a direção certa, a corrigir quando as direções são
porventura certas mas precisam de ser reajustadas em diferentes aspectos. Uma perspectiva, pois, muito
positiva, eu diria. O Papa disse bonitas palavras para o povo equatoriano, que "se levanta com
dignidade." Ou seja, ele reconhece que eles estão a fazer esforço, e a obter resultados. É claro que é um
caminho que deve ser continuado, aperfeiçoado, para que o desenvolvimento seja pleno, digno da pessoa
humana, da participação comunitária de todos, e assim por diante.
Chegou apenas há poucas horas atrás e, naturalmente, ainda não viu muito, mas há talvez alguma
coisa que impressionou a si - ou também ao Santo Padre – nesta vinda, talvez algo inesperado, que
talvez imaginava de outra forma?
Fiquei impressionado positivamente com aquilo que, contudo, de algum modo esperávamos,
felizmente, ou seja, este calor, esta alegria do povo ao receber o Papa, que é sentido como um Papa da
família, um Papa próximo, um Papa que fala a este povo de modo espontâneo, simples, concreto. O
acolhimento, portanto, já maravilhoso nas ruas de Quito esta noite, manifesta aquilo que certamente
continuaremos a ver nos próximos dias, ou seja, este encontro profundo entre o Papa e o povo: não um
encontro superficial, mas um encontro profundo. Isto vê-se também nos rostos e nas atitudes das
pessoas, no seu sorriso e nas suas lágrimas de emoção. E creio que o Papa, que sente muitíssimo o tema
do "povo" como experiência comunitária, mesmo na vivência da fé, na vivência da religiosidade
popular, na tradução da fé em realidade concreta da vida quotidiana, poderá viver dias muito
encorajadores para ele e para os outros nesta comunidade, nesta comunhão do pastor com um grande
povo que o escuta e o entende.
Fonte: Catolicos.
Papa Francisco terá altar de espigas e cocos para missa no Paraguai
Ao todo, 32 mil espigas de milho, mais de 200 mil pequenos cocos e milhares de sementes
formam o altar, inspirado na cultura guarani, elaborado para a principal missa que o papa Francisco vai
celebrar durante sua estadia no Paraguai. O autor da obra, o artista plástico Koki Ruiz, finalizou nesta
semana a montagem do "altar do milho", como já é conhecido popularmente, no Parque Ñu Guasú, na
Grande Assunção, onde está previsto que um milhão de pessoas assistam à missa de Francisco no
próximo dia 12.
O altar possui duas gigantescas imagens, uma de Santo Inácio, por ser o fundador da ordem
jesuíta, e outra de São Francisco, por ser o santo escolhido por Jorge Bergoglio para inspirar seu trabalho
à frente da Igreja.
A estrutura tem mais de 25 metros de altura e 14 de comprimento e está sendo preparada há dois
meses. No domingo passado ela foi levada da pequena cidade de San Ignacio, no departamento de
Misiones, à capital Assunção, enquanto curiosos se amontoavam pelo caminho para vê-la passar.
"Eles se despediam do altar como uma família se despede de um filho que sabe que não verá
novamente. Como quando nossa gente emigrava para Buenos Aires", contou Ruiz.
Durante a preparação, ele abriu um escritório em Misiones para que a população pudesse
acompanhar o trabalho e contribuir com a construção. Daí surgiu a ideia de que as pessoas assinassem os
mais de 200 mil cocos verdes presos à estrutura metálica.
"Tornou-se um grande retábulo de fé, esperança e amor. Para nós, isto é a religiosidade popular",
afirmou.
Quase todos os cocos têm um ou vários nomes, pedidos, preces, e inclusive mensagens de
pessoas de outros países que participaram através das redes sociais. Ruiz explicou que sua intenção é
mostrar o sentimento do povo do campo. Para ele, a obra poderia ser enquadrada no estilo "barroco
latino-americano carregado de sentimento".
Ele escolheu usar o milho porque "representa a dignidade do trabalho do povo e de quem cuida
da terra", e os cocos pela importância histórica no Paraguai.
"O coco é abundante no Paraguai e era o alimento que as famílias pobres do campo enviavam a
seus filhos obrigados a servir nas grandes guerras que o país viveu", explicou Ruiz.
A artista lembrou que o trabalho é fruto do esforço de muita gente e está imensamente
agradecido por ter recebido a missão de "homenagear o papa Francisco e os povos paraguaio e latinoamericano".
"Ainda sinto o peso deste compromisso enorme", acrescentou.
A missa na qual o papa utilizará o altar será feita no mesmo parque onde João Paulo II, único
papa a visitar o Paraguai até hoje, reuniu milhares de fiéis, apesar da forte chuva, em 1988. Antes desta
missa, o pontífice oficiará uma cerimônia, em 11 de julho, no santuário de Caacupé. A previsão é de que
compareçam cerca de um milhão de pessoas.
Francisco chegará ao Paraguai na próxima sexta-feira, depois de passar por Equador e Bolívia.
Fonte: Catolicos.
Papa quebra protocolo e reza com fieis em Quito
Em seu primeiro dia no Equador, o papa Francisco surpreendeu o público ao deixar a sede da
Nunciatura Apostólica, onde está hospedado em Quito, para rezar na rua com os fiéis, que estavam
fazendo vigília. "Vou abençoá-los para que descansem e deixem dormir os vizinhos", teria dito
Francisco, de acordo com relatos no Twitter dos presentes. O Papa rezou o "Pai Nosso" e voltou para a
Nunciatura, deixando os fiéis emocionados. Fotos distribuídas nas redes sociais mostram o Papa com os
braços abertos diante do público, em uma aparente quebra de protocolo. Também circulou na web a foto
de um homem que conseguiu fazer um selfie com o Pontífice durante sua chegada ao aeroporto
internacional de Quito, ontem (5).
O líder da Igreja Católica ficará no Equador até a próxima quarta-feira (8), quando seguirá
viagem para Bolívia e Paraguai.
Hoje, ele vistará a cidade de Guayaquil, celebrará uma missa no Parque dos Los Samanes e se
reunirá com o presidente equatoriano, Rafael Correa.
Fonte: Catolicos.
Do dia 05/7 – domingo
Papa chega ao Equador: “América Latina tem dívida com os pobres”
Após um voo de quase 13 horas desde Roma até a capital do Equador, o Papa Francisco voltou a
pisar na América Latina depois de quase 2 anos. Ao chegar a Quito, em seu primeiro discurso,
Francisco afirmou agradecer a Deus por poder voltar à América Latina e vir como “testemunha de
misericórdia e fé... na linda terra do Equador”.
“Visitei o Equador em diferentes ocasiões por motivos pastorais; e também hoje venho como
testemunha da misericórdia de Deus e da fé em Jesus Cristo”, disse Francisco.
Ao recordar santos e beatos da história equatoriana, o Pontífice fez uma exortação: “Hoje,
também nós podemos encontrar no Evangelho as chaves que nos permitam enfrentar os desafios atuais,
avaliando as diferenças, fomentando o diálogo e a participação sem exclusões, para que as realizações
alcançadas no progresso e desenvolvimento possam garantir um futuro melhor para todos, prestando
especial atenção aos nossos irmãos mais frágeis e às minorias mais vulneráveis que é a dívida que toda a
América Latina tem”.
Metáfora da Igreja
Ao recordar que no Equador está o ponto da Terra mais próximo ao espaço exterior – o
Chimborazo – o Papa Francisco fez uma metáfora sobre a Igreja.
“O Chimborazo, é chamado por essa razão o lugar „mais próximo do sol‟, da lua. E a lua não tem
luz própria. E se a lua se esconde do sol, se escurece. O sol é Jesus Cristo, e se a Igreja se aparta ou se
esconde de Jesus Cristo, se escurece e não dá testemunho”, advertiu Francisco improvisando. (RB)
Fonte: Rádio Vaticano
Papa aos jornalistas: “trabalho árduo mas que pode fazer o bem”
O Papa fez uma breve saudação aos jornalistas a bordo do voo papal antes da chegada a Quito.
“Bom dia, desejo a todos uma boa viagem. Obrigado pelo trabalho que vocês farão, que é um
trabalho muito árduo, mas que pode fazer muito bem, para noticiar o que acontece durante a viagem.
Obrigado por tudo, nos veremos nestes oito dias”.
A tradicional coletiva de imprensa com os jornalistas deve acontecer no voo de volta para Roma,
na próxima segunda-feira, dia 13, quando o Papa deixará Assunção ao final de sua peregrinação pela
América do Sul. (RB)
Fonte: Rádio Vaticano
Papa envia telegramas aos Países sobrevoados durante voo a Quito
O avião que levou o Papa ao Equador sobrevoou Itália, Espanha, Portugal, Venezuela e
Colômbia antes de chegar a Quito. E como é tradição, durante o voo, Francisco enviou telegramas aos
presidentes dos Países sobrevoados. Ao presidente venezuelano, pediu uma convivência pacífica no
País.
Espanha
Ao rei da Espanha – lê-se no telegrama – o Papa escreveu: “no momento de deixar Roma para
me dirigir ao Equador, Bolívia e Paraguai a fim de apoiar a missão da Igreja local e levar uma
mensagem de esperança, desejo dirigir uma cordial saudação com sinceros votos de bem estar espiritual,
civil e social dos respectivos povos, para quem envio de bom grado a minha Bênção apostólica”.
Já no telegrama ao presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, o Papa diz:
“Ao sobrevoar Portugal numa visita pastoral que me leva ao Equador, Bolívia e Paraguai, tenho o
prazer de saudar Vossa Excelência formulando cordiais votos para sua pessoa e inteira Nação sobre a
qual invoco benevolência divina para que seja consolidada nela a esperança e alegria de viver na
harmonia e bem-estar de todos seus filhos. Francisco PP”
Itália
Por sua vez o Presidente da Itália, Sergio Mattarella, enviou ao Santo Padre uma mensagem
agradecendo-lhe antes de tudo pelo telegrama que o Papa lhe quis gentilmente dirigir no momento de
partir em visita apostólica.
“A Itália e a Comunidade internacional – lê-se na mensagem – olham com forte interesse para
esta missão em países que, cada um com a sua própria especificidade, vivem um período de grande
fermento, no plano político, econômico e social”.
“Estou certo, conclui o presidente Mattarella, que a sua presença vai trazer uma forte mensagem
de confiança para o futuro da Região, mas também um encorajamento muito esperado para aqueles que,
nesses países, ainda vivem em condições de pobreza, decadência social e incerteza, cultivando a
esperança de um futuro melhor”.
Venezuela
Ao presidente Nicolás Maduro, o Papa enviou a seguinte mensagem: “Ao sobrevoar o território
venezuelano para dar início a minha visita pastoral ao Equador, Bolívia e Paraguai, de bom grado envio
uma cordial saudação a Vossa Excelência, manifestando meu afeto e proximidade ao povo venezuelano,
no momento em que peço ao Senhor abundantes graças que o ajudem a progredir cada vez mais na
solidariedade e na convivência pacífica”.
Colômbia
Ao presidente colombiano Juan Manuel Santos Calderón, Francisco assegurou sua proximidade
ao povo do País pedindo ao “Senhor graças para que possa seguir progredindo nos valores humanos e
espirituais que o caracteriza, desejando-o ao mesmo tempo uma prosperidade crescente e uma
convivência pacífica”. (BS/RB)
Fonte: Rádio Vaticano
Card. Parolin define a América Latina que o Papa vai encontrar
Em uma entrevista ao Centro Televisivo Vaticano antes de embarcar, neste domingo (5/7), junto
com o Papa para a viagem à América do Sul, o Cardeal Secretário de Estado Vaticano, Pietro Parolin,
falou sobre os principais temas que nortearão esta 9ª Viagem Apostólica de Francisco.
Creio que para entender a importância desta viagem, a mais longa do pontificado, talvez
tenhamos que citar as próprias palavras pronunciadas por Francisco na Basílica de São Pedro, em 12 de
dezembro passado, na Solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe. O Papa retomara a famosa expressão
do seu predecessor, São João Paulo II, que definia a América Latina o „Continente da Esperança‟.
Francisco explicou assim, cito as suas palavras: porque diz-se „Continente da Esperança?‟ Porque dele
se esperam novos modelos de desenvolvimento que conjuguem tradição cristã e progresso civil, justiça e
equidade com reconciliação, progresso científico e tecnológico com sabedoria humana, sofrimento
fecundo com alegria esperançosa”, declarou o Cardeal.
E nestes elementos o Secretário de Estado – que foi Núncio Apostólico na Venezuela –
identificou aquela que define “a fisionomia da América Latina” em geral e, em particular, também dos
três países que o Papa visitará a partir deste domingo.
“O Continente latino-americano é um continente em movimento onde estão presentes
transformações e mudanças em nível cultural, econômico e politico. Durante as últimas décadas passou
por uma fase muito positiva que permitiu que muitas pessoas saíssem da pobreza extrema e passassem,
progressivamente, a fazer até mesmo parte da classe média. De outro lado, existe o fenômeno da
urbanização, se pensarmos às megalópoles da América Latina. Há também a globalização, que se
percebe de maneira evidente também nesta parte do mundo”, disse o Secretário de Estado Vaticano.
Novos cenários
Precisamente diante destes novos cenários, “que levam também a uma secularização da
sociedade latino-americana, mesmo se em formas que não são condizentes com o mundo ocidental, a
Igreja escolheu o caminho da conversão pastoral, da missionariedade, do compromisso missionário. E
neste sentido pode se tornar modelo para muitas outras partes do mundo”.
Além disso, o próprio magistério do Papa Francisco aprofunda as suas raízes no documento de
Aparecida, que com as suas referências à primazia da graça, à misericórdia e à coragem apostólica é
proposto com Francisco a toda a Igreja.
No tocante aos aspectos políticos, o Secretário de Estado comparou a América Latina a “um
laboratório no qual se estão experimentando novos modelos de participação e formas mais
representativas”, para dar “voz às camadas de população que até agora não foram ouvidas o suficiente.
Trata-se da busca de um próprio caminho para a democracia, que leve em consideração as
peculiaridades daqueles países; que saiba conjugar a participação de todos – por conseguinte o
pluralismo – com as liberdades fundamentais e com o respeito dos direitos humanos”. (JE/OR/RB)
Fonte: Rádio Vaticano
Nigéria: duplo atentado do Boko Haram contra mesquitas
Cerca de 150 mortos nos dois atentados da milícia divulgados ontem à noite: as vítimas foram
muçulmanos reunidos em oração
O flagelo do Boko Haram continua açoitado a Nigéria. O grupo extremista islâmico perpetrou
um duplo ataque nesta quarta-feira contra mesquitas do estado de Borno, matando um total de 148
muçulmanos. Os dois episódios foram divulgados na noite seguinte, quinta-feira, 2 de julho.
Conforme fontes do governo nigeriano, o primeiro ataque ocorreu na aldeia de Mussaram, a 8
quilômetros da cidade de Monguno. Um comando armado atingiu um grupo de pessoas reunidas em
oração e depois deu fogo a duas aldeias. Foram 48 mortos e 17 feridos.
Ainda mais sangrento foi o segundo ataque, perpetrado na aldeia de Kukawa, perto do Lago
Chade, a 180 quilômetros de Maiduguri, a maior cidade do nordeste nigeriano e fortaleza do grupo
extremista. Cerca de cinquenta homens atacaram os fiéis reunidos para a oração da noite, causando 97
vítimas.
Testemunhas lamentam a falta de ação dos soldados durante os ataques, que duraram várias
horas. Outras fontes dizem que os militantes também invadiram casas, matando mulheres e crianças que
preparavam a refeição da noite. A notícia foi confirmada por um membro do governo local, que preferiu
não se identificar.
Estes ataques seguem os da quarta-feira anterior, 22 de junho, quando duas mulheres-bomba se
imolaram numa mesquita de Maiduguri repleta de fiéis. Os mortos na ocasião tinham sido trinta. Na
última segunda-feira, ainda na região de Maiduguri, outros dois homens-bomba se explodiram pouco
antes da visita do vice-presidente Yemi Osinbanjo a milhares de pessoas forçadas a sair de casa para
escapar da violência do Boko Haram.
Segundo as estatísticas, o grupo terrorista que vem devastado o país africano há cinco anos
matou até agora 13.000 pessoas e obrigou um milhão e meio a fugir. Contra essa violência, tomou
posição firme a estação de rádio Al-Houda, que transmite a partir de Douala, a capital econômica do
vizinho Camarões. Em suas transmissões, a rádio islâmica recorda enfaticamente para a comunidade
muçulmana que os “ensinamentos que o Boko Haram proclama sobre o islã são errados”.
"O islã proíbe o derramamento de sangue inocente", afirmou Aaqib Hafid, imã que apresenta um
dos programas da rádio. "A alma humana é inviolável e a vida humana é sagrada. Este é o verdadeiro
ensinamento da nossa religião, que contradiz as ações desumanas e imorais cometidas pelo Boko
Haram".
Fonte: Zenit
Libéria: Volta o pesadelo ebola: 3 novos casos
A Libéria, declarada “Ebola-free” em 9 de maio passado pela Organização Mundial da Saúde
(OMS), recomeçou o pesadelo de uma nova epidemia. Três novos casos foram verificados no mesmo
vilarejo, Nedowein, que se encontra a 40 km ao sul da capital Monróvia. Depois de mais de sete
semanas, um jovem de 17 anos, que adoeceu em 21 de junho e faleceu no dia 28 por suposta malária, era
na realidade positivo ao ebola. Em 1° de julho, o Ministro da Saúde local confirmou um segundo caso e
hoje, 3 de julho, um terceiro. Os contagiados foram transferidos para um centro de tratamento em
Monróvia. Além disso, foram identificadas 102 pessoas que tiveram contato com o rapaz morto, e 14
agentes de saúde ainda estão sob observação. No momento, não há outros casos prováveis ou suspeitos e
não se conhece a origem do contágio. Depois da morte do jovem, as autoridades liberianas colocaram a
região em quarentena. Segundo o último relatório da OMS, que se refere a 28 de junho, a epidemia de
ebola na Libéria, Serra Leoa e Guiné, provocou até agora 27.514 casos e 11.120 mortos. O maior
número foi registrado na Serra Leoa (13.119), enquanto o recorde de mortes na Libéria (4.806).
Fonte: Catolicos.
Paraguai: Missionário português recebe Papa no hospital pediátrico
O padre Vítor Oliveira, da Congregação dos Missionários do Espírito Santo, vai receber o Papa
Francisco no Hospital Pediátrico “Niños de Acosta Ñu”, a 11 de julho, em San Lorenzo, e destaca o seu
“desejo pelos mais pobres”.
“Para o hospital „Niños de Acosta Ñu‟ vêm crianças de todo o pais nas condições mais precárias,
humildes e difíceis do ponto de vista da saúde. É um exemplo de como o Papa quer estar próximo dos
mais pobres, dos mais necessitados”, explica o padre Vítor Oliveira da Congregação dos Missionários do
Espírito Santo (Espiritano).
À Agência ECCLESIA o missionário, que vive no Paraguai há 37 anos, destaca que é
“extraordinário” a forma como o primeiro Papa latino-americano “se preocupa em chegar às pessoas que
mais precisam” tendo uma opção “preferencial pelos mais pobres”.
Sinal desta opção, observa o padre Vítor Oliveira, é a Eucaristia que o Papa vai celebrar, depois
da visita ao hospital pediátrico, na praça do Santuário Nacional Virgem de Caacupé ao qual peregrinam
pessoas de todo o país, “sobretudo do norte onde há mais dificuldade” porque a população tem “menos
serviços, assistência do Estado”.
“É onde se quer encontrar com população mais pobre, abandonada”, reforça.
O Paraguai é a terceira etapa da visita pastoral de nove dias do Papa a países da América Latina,
depois de ter passado pela Bolívia e Equador, entre 5 e 13 de julho.
O missionário português revela que há “muita alegria, muita esperança” por parte dos paraguaios
em receber Francisco pela “esperança” que esperam que traga “para o povo e para a Igreja do Paraguai e
toda a América Latina”.
“Há muita expectativa de encontra-lo, muitas pessoas mobilizam-se, jovens, adultos, toda a gente
para servir e, sobretudo, para vê-lo”, observa o sacerdote.
Neste contexto, reconhece, as pessoas vão ter de fazer “grandes esforços” estando “horas e
horas” à espera para o ver, mas “mesmo assim há muita gente disposta a esse sacrifício para encontra-lo
de perto”.
“Temos de saber que a religiosidade na América Latina é muito física, procura a proximidade, o
encontro”, contextualiza sobre a população que não vai ter “problemas em fazer grandes sacrifícios”.
Sobre a ação da Igreja, o missionário espiritano assinala a opção pelo “mais pobres” mas espera
que a visita do Papa “ajude a avançar mais nesta direção” preferencial pelos mais abandonados, pelos
excluídos da sociedade.
O padre Vítor Oliveira conta que os primeiros 20 que passou no Paraguai foram dedicados aos
camponeses, depois trabalhou na capital do país, em Assunção, e agora está numa cidade da periferia
onde tenta “criar ambientes de comunidade” para que os migrantes e quem está possa “sentir-se em
comunhão”.
“Temos uma igreja paroquial e mais três capelas com uma população de 70 mil almas bastante
heterogenia. Muitas pessoas saíram do campo e vêm para a cidade à procura de melhores condições”,
desenvolve sobre um serviço que envolve várias organizações com a “Legião de Maria e a Pastoral
Social” que se aproximem dos “mais pobres, abandonados, doentes” com o “desejo” de que a Igreja seja
“realmente servidora”.
Nos três dias de visita ao Paraguai, de 11 a 13 de julho, Francisco faz uma visita de cortesia ao
presidente da República, encontra-se com as autoridades civis, com representantes da sociedade civil,
incluindo as comunidades indígenas e camponesas, bem como os bispos e os jovens.
No total da vista pastoral, o Papa vai percorrer 24730 quilômetros (equivalente a mais de meia
volta ao mundo) em sete voos que totalizam cerca de 33 horas.
Fonte: Catolicos.
Do dia 04/7 – sábado
Em primeiro discurso como Papa emérito, Bento XVI fala da música
Pela primeira vez desde que se tornou Papa emérito, em 28 de fevereiro de 2013, a voz de Bento
XVI voltou a ser registrada oficialmente pela Rádio Vaticano, neste sábado (04/7).
Bento XVI agradeceu, na Residência Pontifícia de Castel Gandolfo, ao Cardeal-arcebispo de
Cracóvia, Dom Stanisław Dziwisz, que lhe conferiu dois títulos de Doutorado “honoris Causa” em nome
dos reitores da Academia Musical de Cracóvia e da Pontifícia Universidade João Paulo II, instituída por
Bento XVI em 19 de junho de 2009.
Esta condecoração, disse o Cardeal Dziwisz, “representa a gratidão destas duas instituições pela
grande estima que Bento XVI sempre nutriu para com São João Paulo II. Em segundo lugar, pelo seu
serviço Pontifício e pela grande herança da sua doutrina e benevolência”.
Papa emérito lembra São João Paulo II
Por sua vez, o Papa emérito expressou seu vivo apreço e reconhecimento pela Condecoração a
ele conferida, que reforça sua profunda ligação com a Polônia, pátria do grande santo João Paulo II, do
qual foi íntimo colaboração por longos anos e sobre o qual disse: “Sem ele, o meu caminho espiritual e
teológico nem pode ser imaginado. Com o seu exemplo vivo, ele nos ensinou que a alegria da grande
música sacra pode caminhar de mãos dadas com a participação comum da sacra liturgia, como também a
alegria solene e a simplicidade da humilde celebração da fé”.
A música para Bento XVI
Aqui, Bento XVI perguntou: “O que é, enfim, a música? De onde provém e para onde leva?” E
respondeu focalizando três fontes da música: a experiência do amor, a experiência da tristeza e o
encontro com o divino. A poesia, o canto e a música nasceram da dimensão do amor, de uma nova
dimensão da vida e de um toque amoroso de Deus. E acrescentou: “A qualidade da música depende da
pureza e da grandeza do encontro com o divino, com a experiência do amor e da dor. Quanto mais esta
experiência for pura e verdadeira, tanto mais pura e grande será a música, que dela nasce e se
desenvolve”.
Falando de sua experiência pessoal, o Papa emérito afirmou que “no âmbito das culturas e das
religiões mais diferentes encontramos uma grande arquitetura, pinturas e esculturas, mas também uma
grande música. Contudo, em nenhum outro âmbito cultural há uma grandeza musical que possa se
comparada com aquela nascida no âmbito da fé.
Música e Igreja
A música ocidental, explicou Bento XVI, é uma coisa única e incomparável com outras culturas,
e apresentou como exemplo, Bach, Händel, Mozart, Beethoven, Bruckner: “A música ocidental supera
sobremaneira o âmbito religioso e eclesial. Todavia, ela encontra a sua fonte mais profunda na liturgia e
no encontro com Deus. A resposta da grande e pura música ocidental desenvolveu-se no encontro com
Deus, que, na liturgia, se torna presente em Jesus Cristo”.
Bento XVI concluiu seu pronunciamento dizendo que “as duas universidades, que lhe conferiram
este Doutorado “honoris causa” representa uma contribuição essencial, para que o grande dom da
música, que provém da tradição da fé, não se dissipe”. (MT)
Fonte: Rádio Vaticano
Vaticano conclui no Brasil investigação sobre possível milagre atribuído a Madre Teresa
A Congregação para a Causa dos Santos concluiu as investigações locais sobre o possível
milagre atribuído à intercessão de Beata Madre Teresa de Calcutá para a cura inexplicável de um homem
em Santos (SP), em meados de 2008.
O caso da cura milagrosa em Santos – que poderá determinar a canonização de Madre Teresa –
chegou ao Vaticano no início deste ano e logo foi considerado válido por apresentar elementos
contundentes para a instauração de um processo. Tanto que a fase diocesana do tribunal vaticano
aconteceu entre 19 e 26 de junho, na diocese de Santos.
Fatos evidentes
O Promotor de Justiça no processo local, Padre Caetano Rizzi, afirmou que tudo aconteceu muito
rapidamente porque os fatos são evidentes.
“Ouvimos diversas testemunhas, ouvimos o possível miraculado. Foi um processo longo, intenso,
com muitas audiências e muito trabalho. Mas a graça de Deus nos faz chegar a conclusão de que não
temos aqui uma palavra para explicar o que aconteceu. Está sendo um processo muito rápido porque os
fatos são evidentes”, explicou
O Delegado episcopal vaticano para o tribunal local, Monsenhor Robert Sarno, explica que
agora, antes do possível milagre ser levado até o conselho médico da Congregação para a Causa dos
Santos, ele precisa ser analisado por dois médicos autônomos indicados pela Congregação.
Fase Vaticana
“Eles devem emitir uma opinião se existe uma explicação científica para a imediata e instantânea
cura da pessoa. Se um deles afirma que sim, então o caso vai para a análise do conselho médico da
Congregação que vai avaliar o possível milagre com base nos depoimentos das testemunhas e na
documentação médica do caso”.
Após esta análise, caso os médicos deem uma posição afirmativa sobre a autenticidade do
milagre, o caso passa para o conselho teológico da Congregação que deverá analisar os elementos
teológicos do possível milagre.
“Podemos demonstrar que, no momento em que a intercessão da Beata Madre Teresa de Calcutá
foi pedida, as condições do doente mudaram inexplicavelmente? Se os teólogos apresentarem uma
resposta afirmativa para esta pergunta, o caso passa para a análise dos bispos e cardeais da Congregação.
Se eles considerarem que o milagre não tem explicação científica – comprovado pelos médicos e
concedido por Deus por meio de Madre Teresa de Calcutá e aprovado pelo Conselho Teológico –, então
eles encaminharão seu parecer positivo ao Papa que é o único que tem autoridade para julgar o caso”.
(RB)
Fonte: Rádio Vaticano
Francisco: manifestar a carícia de Deus
Na próxima semana, três países latino-americanos viverão momentos históricos com a presença
do “Mensageiro da misericórdia”, Papa Francisco. De fato, entre os dias 5 e 13 de julho Francisco
visitará Equador, Bolívia e Paraguai, voará até às periferias do continente da esperança e como quem, às
vésperas de uma viagem em que encontrará tantas pessoas, prova o desejo forte de passar algum tempo
com elas para compartilhar as suas preocupações, a sua proximidade e confirmá-los na fé. Dias atrás em
uma vídeo-mensagem saudou antecipadamente os fiéis, exprimindo sua proximidade, simpatia e boa
vontade, dedicando como sempre a sua visita aos mais desfavorecidos.
“Meu desejo é estar com vocês, compartilhar suas preocupações, manifestar-lhes o meu afeto e
proximidade e alegrar-me também”, afirmou. De modo especial, a intenção de Francisco é manifestar “a
ternura e a carícia de Deus” aos “filhos mais necessitados, aos idosos, aos enfermos, aos encarcerados,
aos pobres, aos que são vítimas desta cultura do descarte”. O Pontífice convidou a descobrir o rosto de
Jesus em cada irmão e irmã. “Basta fazer-se próximo”, exortou.
Ainda na mensagem, Francisco recordou aos fiéis das “três nações irmãs” que a fé que todos
compartilham é fonte de fraternidade e solidariedade, constrói povos, forma família de famílias, fomenta
a concórdia e alenta o desejo e o compromisso pela paz. E a sua invocação final: “Peço-lhes que unam
suas orações às minhas, para que o anúncio do Evangelho chegue às periferias mais distantes”.
Esta é a 9ª viagem internacional de Bergoglio, que retorna à sua amada América Latina.
Francisco se sentirá ainda mais à vontade, porque seus anfitriões falam o seu idioma, o espanhol.
Portanto, se pode imaginar que teremos surpresas nos seus discursos com improvisações. Francisco já
nos acostumou a “pérolas de sabedoria” e “metáforas do dia a dia”, para comunicar a sua mensagem.
Agora falando na sua língua mãe, certamente teremos surpresas neste sentido.
Durante a semana em que estará fora do Vaticano, Francisco presidirá a cinco Missas,
pronunciará 22 discursos, encontrará os presidentes dos três países, os bispos, a sociedade civil e os
consagrados. No Equador, uma atenção especial será reservada aos idosos; na Bolívia, aos detentos e aos
movimentos populares; no Paraguai, às crianças, aos pobres e aos jovens.
Os três países que acolhem Francisco fizeram um trabalho de grande preparação para receber o
ilustre hóspede, seja logístico, seja espiritual. Um caminho permeado pela alegria. O desejo é que o povo
destas terras, como também de outras partes da América Latina e do mundo possam acolher esta visita
do Santo Padre como uma oportunidade de encontro, mas também de atenção para com os povos que
ainda devem superar tantas dificuldades. Povos que ainda devem crescer na dignidade, na superação dos
limites, das crises e das injustiças por que passam, mas que olham com esperança para o futuro. É sobre
esse futuro, fundado em uma fé sólida que Francisco chamará a atenção.
O tema da alegria é central nesta viagem aos três países latino-americanos: o Santo Padre quer ir
a esses três países “da periferia” para estar próximo desses irmãos, ouvir suas preocupações, mas
também, como disse, levar a alegria do Evangelho. De fato, o Equador tem como lema desta viagem
“Evangelizar com alegria”, a Bolívia “Com Francisco anunciamos a alegria do Evangelho”, e o Paraguai
“Mensageiro da alegria e da paz”. É evidente a presença da Evangelii Gaudium, a alegria de anunciar o
Evangelho nos logotipos e lemas.
O Santo Padre vai para encontrar povos e culturas diferentes, para participar da vida deles e
recordar a alegria do Evangelho que dá esperança. Vai como o pastor com cheiro das ovelhas que o
reconhecem. Vai como o pastor que não só conhece suas ovelhas, mas que deseja olhar no rosto de cada
uma delas, ver seus olhos, suas expressões, suas aflições, suas esperanças. Francisco pega o seu cajado
de peregrino do mundo para cruzar o Oceano Atlântico e confirmar na fé os filhos da América Latina.
Convidamos você a acompanhar a Viagem Apostólica de Francisco através da Rádio Vaticano,
do seu site, e das redes sociais. Todos os encontros e celebrações presididas pelo Santo Padre serão
seguidos pela Redação do Programa Brasileiro, para melhor informar você. Acompanhe conosco mais
esta viagem do Sucessor de Pedro. A Rádio Vaticano acompanhará a viagem com um enviado à Bolívia
e a transmissão, ao vivo, com comentários em português, de 22 eventos. (Silvonei José)
Editorial Rádio Vaticano
Entre dificuldades e solidariedade
• No centro da mensagem para o domingo do mar o compromisso humanitário pelo socorro dos
migrantes •
Histórias de sofrimento e de solidariedade cruzam-se diariamente nas águas do Mediterrâneo e
das outras rotas de navegação. E a Igreja, ao celebrar no próximo dia 12 de Julho o domingo do mar,
convida os cristãos de todo o mundo a não esquecerem o drama dos milhares de migrantes que procuram
um futuro. Mas ao mesmo tempo deseja expressar atenção e gratidão também para com uma categoria
de trabalhadores, a dos marítimos, que nos mares e nos oceanos enfrentam enormes dificuldades físicas
e psicológicas. Uma realidade que no mundo diz respeito a um milhão e duzentas mil pessoas, às quais
se dirige o Pontifício Conselho para a pastoral dos migrantes e itinerantes através de uma mensagem
assinada pelo cardeal presidente, Antonio Maria Vegliò, e pelo bispo secretário Joseph Kalathiparambil.
No documento deste ano expressa-se um reconhecimento especial pelo «grande esforço humanitário
desempenhado pela tripulação das naves mercantis que, sem hesitar, e por vezes arriscando a própria
vida, se ocuparam de numerosas ações de socorro salvando a vida de milhares de migrantes».
A dramática emergência que tem como teatro o Mediterrâneo acrescenta-se às enormes
dificuldades que normalmente vivem os marítimos, trabalhadores quase «invisíveis» à maioria, mas que
garantem a todos, «com o seu trabalho e sacrifícios», numerosas vantagens gerindo nas rotas de todo o
mundo o transporte e a entrega de mercadorias de todos os gêneros. Infelizmente, lê-se na mensagem, só
nos apercebemos deles e «dos seus sacrifícios quando acontece alguma tragédia».
Ao apoiar todos os marítimos, o Pontifício Conselho expressa reconhecimento também «a todos
os capelães e voluntários do apostolado do mar». Também o seu serviço é precioso: «a sua presença nos
portos – lê-se na mensagem – é o sinal da Igreja» entre quantos trabalham no mar «e mostra o rosto
compassivo e misericordioso de Cristo».
Fonte: Catolicos.
Do dia 03/7 – sexta-feira.
Caritas da Jordânia: Onu diminui ajuda a refugiados sírios
Os fundos da ONU destinados aos refugiados sírios na Jordânia estão para ser cortados.
O alarme foi dado nesta sexta-feira (03/07) pelo diretor-geral da Caritas da Jordânia, Wael
Suleiman. “O Programa Mundial de Alimentos da ONU avisou há uma semana que, por falta de
recursos, irá interromper o envio de ajudas para os refugiados sírios, que já diminuiu em porcentagem no
mês passado”, disse Suleiman à Agência Fides.
Nesta quinta-feira, nos meios de comunicação jordanianos havia a notícia de que, se não chegar
mais dinheiro da ONU, será interrompida a distribuição de alimentos para 450 mil pessoas que poderão
passar fome, com consequências devastadoras para a estabilidade do Reino Hachemita.
Dinheiro para as armas e não para os refugiados
Os refugiados sírios no território jordaniano são atualmente um milhão e 400 mil, dos quais 650
mil registrados pela ONU. “Essa catástrofe é também um efeito das políticas e das intervenções militares
realizadas no Oriente Médio pelas forças estrangeiras. Agora, depois de ter contribuído a criar o
desastre, elas lavam as mãos do ponto de vista das emergências humanitárias”, disse Suleiman.
“É evidente que somente uma grande conferência de paz pode iniciar processos de reconstrução
para tentar sair dessa situação, insustentável também do ponto de vista econômico. Evidentemente,
existe quem tem interesse em perpetuar esse caos. Não se tem dinheiro para dar de comer aos
refugiados, mas se encontra sempre dinheiro para construir, vender e comprar armas”, concluiu o
diretor-geral da Caritas da Jordânia. (MJ)
Fonte: Rádio Vaticano
A posição dos religiosos franceses sobre as mudanças climáticas
"Muito além das problemáticas técnicas, econômicas e geopolíticas, a crise climática é antes de
tudo um desafio moral e espiritual", afirma a Conferência dos Responsáveis dos Cultos da França
(CRCF), em vista da 21ª Conferência Internacional sobre o Clima (Cop 21) a ser realizada em Paris em
dezembro. Os religiosos divulgaram um documento onde destacam a necessidade de um "despertar das
consciências" sobre este tema e "de colocar em discussão os nossos valores e atitudes".
Repensar relação com a Criação sob pena da autodestruição
"Está em jogo a nossa relação com a natureza e a Criação, entendida como dom de Deus", uma
relação marcada hoje pelo "domínio e exploração do ambiente que leva a sua morte", afirmam no
documento. O desafio, que "interpela a nossa consciência espiritual e moral" é portanto, o de repensar"
tal relação, sob o risco da "autodestruição da humanidade". Repensar esta relação significa "rever os
modelos econômicos de produção e consumo ilimitados" para garantir um futuro seguro e sustentável às
novas gerações e construir a justiça e a paz, sublinha a declaração, fazendo eco às reflexões do Papa
Francisco na Encíclica Laudato Si.
Conferência de Paris
Os religiosos lançam um apelo para que a Conferência sobre o Clima de Paris leve a um acordo
vinculante para todos, sobre três temas cruciais. Antes de tudo, deverá levar a um compromisso comum
"para sair da era da energia fóssil" e mirar a uma série de objetivos para reduzir as emissões de gás
estufa que provoca o aquecimento do planeta, com regras precisas que garantam a transparência, a
responsabilidade e um processo regular de atualização dos mesmos. Em segundo lugar, os líderes
religiosos franceses pedem a proteção das populações mais expostas aos danos provocados pelas
mudanças climáticas. Por fim, pedem a promoção de um "desenvolvimento ecologicamente responsável
e a luta contra a pobreza", garantindo um financiamento adequado e a transferência de tecnologias e
know-how dos países mais desenvolvidos".
Compromisso dos líderes religiosos franceses
Os líderes franceses se comprometem a promover, a partir das respectivas tradições e textos
religiosos, uma tomada de consciência e de assumir responsabilidade pela natureza e pela Criação. (JE)
Fonte: Rádio Vaticano
Cop21, "última ocasião para evitar desastre global"
Sair da era dos combustíveis fósseis e aplicar medidas que evitem provocar o aquecimento global
de 2 graus; proteger as populações mais vulneráveis dos impactos climáticos; favorecer o
desenvolvimento ecologicamente responsável e lutar contra a pobreza.
Estes são os pedidos feitos pelos principais líderes religiosos da França ao Presidente François
Hollande, em vista da Conferência das partes sobre o clima (Cop21) prevista para dezembro, em Paris.
A cúpula é vista como a „última ocasião para evitar um desastre global irreversível‟.
Em carta entregue quarta-feira (01/07) ao Presidente, os líderes apelam para que na Cop21, os
governos do mundo adotem um acordo vinculante pelo menos sobre alguns pontos, considerados
essenciais: o uso de fontes energéticas alternativas, a contenção do aquecimento global e o apoio ao
desenvolvimento das populações mais pobres.
Católicos, protestantes, ortodoxos, muçulmanos, judeus e budistas membros da Conferência dos
religiosos aderiram ao jejum coletivo #fastfortheclimate, um movimento global surgido em 2013 que
consiste em abster-se de alimentos no primeiro dia de casa mês.
Em maio passado, as lideranças religiosas francesas redigiram uma declaração conjunta descrevendo a
crise climática como um desafio espiritual e moral. “Está em jogo a nossa relação com a Criação, um
dom de Deus”, afirmam.
Sendo assim, chamam a uma ação comum em defesa do meio ambiente e do clima através da
reelaboração dos valores e dos comportamentos. “Rejeitemos a indiferença e a avidez. Abramo-nos à
compaixão e à fraternidade. Saiamos de nossos egoísmos. Sejamos solidários e tomemos a bússola como
bem comum”, concluem.
Fonte: Rádio Vaticano
Igreja nos EUA faz doação para a Igreja na África
A Conferência Episcopal dos Estados Unidos doou recentemente mais de um milhão de dólares
para a Igreja na África.
A soma ajudará as comunidades católicas africanas em suas atividades com os migrantes,
refugiados, jovens, crianças e os que vivem em condições de pobreza extrema. De grande importância os
programas para a formação catequética e dos líderes leigos, mas também os destinados à Pastoral
Familiar e finalizados a reforçar a fé dos fiéis.
Beneficiadas as Igrejas em Angola, Etiópia e Libéria
Dentre os beneficiários das ajudas, este ano, está a Angola. A Arquidiocese de Luanda e as
Dioceses de Viana e Caixito receberam uma ajuda para o programa de formação para leigos na Pastoral
dos Migrantes e Itinerantes. Os fundos servirão para ajudar a integração dos estrangeiros nas
comunidades paroquiais locais e a prevenir fenômenos de xenofobia.
Outra soma foi destinada ao programa da Pastoral Familiar na Etiópia. Em vista do próximo
Sínodo ordinário sobre a família, em outubro próximo, o programa pretende formar fiéis para ajudá-los a
compreender o matrimônio cristão e o ensinamento da Igreja nessa questão. Em particular, serão
abordados temas como: Quais os desafios para a família na Etiópia?; O sacramento do matrimônio
conforme explicado no Catecismo; A formação dos leigos sobre o matrimônio; Como ensinar as crianças
a crescerem na fé e o cuidado pastoral dos casais.
A Diocese de Cape Palmas, na Libéria, recebeu um subsídio para ajudar uma organização de
mulheres católicas com o objetivo de promover os direitos e a dignidade das mulheres na Igreja e na
sociedade liberiana.
Financiamento, fruto da coleta anual dos bispos para a África
O fundo em favor da Igreja na África é fruto da coleta anual dos bispos estadunidenses destinada
a esse objetivo. Essa ajuda é também uma contribuição importante nos esforços da Igreja na África para
se tornar autossuficiente e responder às exigências espirituais de seus povos. (MJ)
Fonte: Rádio Vaticano
O que os franceses pensam sobre o Islã
Grande inquietação pelas derivas do Islã radical e pelo seu sucesso entre os jovens muçulmanos,
mas também a rejeição em associar automaticamente Islã à violência, além da convicção de que a
religião muçulmana é tão pacífica quanto as outras. Foi o que revelou uma pesquisa realizada entre os
franceses pelo Instituto Odoxa, comissionada pelo jornal "Le Parisien", seis meses após os atentados em
Paris.
A grande maioria dos franceses rejeita qualquer identificação entre Islã e violência e acredita que
o jihadismo é "uma perversão" da religião, observa Gaël Sliman, Presidente do Instituto. Além disto,
63% dos entrevistados afirma que a "percepção" da fé muçulmana não mudou após os atentados no
início de janeiro. Por outro lado, um terço dos entrevistados passou a ter uma visão bem mais negativa,
considerando que, mesmo não se tratando de sua mensagem principal, dizem "o Islã porta consigo
germes de violência e de intolerância". Os percentuais a estes respeito variam entre eleitores da direita e
da esquerda.
A maioria dos franceses (63%) confessam conhecer "mal" a religião muçulmana. Somente 36%
afirma conhecê-la bem, sobretudo entre os jovens das zonas urbanas, onde se concentra a imigração
originária dos países muçulmanos.
A islamofobia, por sua vez, ganha terreno na França, segundo a percepção de 76% dos
entrevistados, ponto que revela percentuais parecidos entre eleitores da esquerda e da direita. Entre os
muçulmanos entrevistados, este percentual sobe para 79%.
À pergunta se atualmente está mais difícil seguir esta religião na França, respondem "sim" 65%
do entrevistados de esquerda, e 69% dos que afirmam "conhecer bem" o Islã.
Outro aspecto investigado pela sondagem do "Le Parisien", é o da visibilidade do Islã. Para a
maioria dos entrevistados, os muçulmanos “ostentam muito” a expressão de sua fé, o que é deplorado
por 55% dos entrevistados.
No quesito "integração na sociedade", 65% dos eleitores da esquerda consideram os
muçulmanos "em grande parte reservados", enquanto 91% dos eleitores da extrema-direita os
consideram "muito visíveis", em busca de uma afirmação de identidade.
Logo após os ataques ao Charlie Hebdo e ao Supermercado Kosher, de Porte Vincennes em
janeiro, o Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop) divulgou uma pesquisa que revelou - apesar da
comoção provocada pelos atentados - que para 66% dos cidadãos, os muçulmanos vivem pacificamente
na França e somente os islamistas radicais representam uma ameaça. Para 29%, pelo contrário, o Islã
representa um problema para a segurança. (JE/OR)
Fonte: Rádio Vaticano
Síria: cresce o número de crianças que trabalham
O conflito e a crise humanitária na Síria empurram um número cada vez maior de crianças a
trabalhar em condições difíceis, alerta um relatório do Unicef e da ONG Save The Children. “A crise na
Síria reduziu consideravelmente os meios de subsistência das famílias e empobreceu milhões de pessoas
na região, o que levou o trabalho infantil a alcançar níveis críticos”, lamenta Roger Hearn, diretor
regional da Save The Children.
“As crianças trabalham principalmente para sua subsistência, seja na Síria ou nos países vizinhos,
onde se transformaram nos principais atores econômicos”, completou.
Crianças na Jordânia
De acordo com o relatório divulgado em Amã, as crianças na Síria contribuem para a economia
familiar em três de cada quatro residências pesquisadas pelo censo. Na Jordânia, “quase metade das
crianças refugiadas sírias são o principal sustento de suas famílias”.
As crianças mais vulneráveis que trabalham são especialmente aquelas envolvidas na
"exploração sexual e atividades ilícitas, incluindo a mendicância organizada e o tráfico de crianças",
afirma o documento.
Trabalho infantil cresce
“O trabalho infantil dificulta seu crescimento e seu desenvolvimento”, destacou Peter Salama,
diretor do Unicef para o Oriente Médio e o Norte da África. “As crianças trabalham durante longas
jornadas por um salário pequeno, geralmente em ambientes extremamente perigosos e insalubres”, disse.
No campo de refugiados de Zaatari, norte da Jordânia, 75% das crianças apresentam problemas
de saúde relacionados ao trabalho. Além disso, estas crianças são mais suscetíveis de abandonar a
escola, o que significaria uma 'geração perdida'.
O conflito na Síria, que começou há quatro anos, provocou a morte de mais de 230.000 pessoas e
o deslocamento de metade da população. (SP-AFP)
Fonte: Rádio Vaticano
Resolução da ONU: "O terrorismo não deve ser vinculado a nenhuma religião"
Enquanto isso, 450 mil pessoas correm o risco de passar fome caso os fundos da ONU para os
refugiados sejam cortados
Com 29 votos a favor e 6 contra, o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações
Unidas aprovou ontem, em Genebra, uma resolução sobre a grave situação dos direitos humanos na Síria
e reiterou que o terrorismo, incluindo as ações do Estado Islâmico, não pode e não deve ser associado a
nenhuma religião, nacionalidade ou civilização.
Enquanto isso, vem da Jordânia a notícia de que os fundos da ONU destinados aos refugiados
sírios no país estão prestes a ser cortados. O alarme foi lançado por Wael Suleiman, diretor geral da
Caritas Jordânia: ele explicou que 450 mil refugiados poderão em breve começar a passar fome, com
consequências devastadoras até para a estabilidade do reino hachemita.
"O Programa Mundial de Alimentos da ONU alertou há uma semana que, devido à falta de
recursos, vai interromper o envio de fundos para os refugiados sírios. A percentagem já tinha diminuído
no último mês", disse Suleiman à Fides. "Ontem, a mídia jordaniana noticiou que, sem o dinheiro da
ONU, não haverá como distribuir comida para 450 mil pessoas, que se verão forçadas a roubar para
sobreviver".
São estimados em cerca de 1,4 milhão os refugiados sírios atualmente em território da Jordânia.
Apenas 650 mil foram registrados junto à ONU. “Esta catástrofe é também efeito das políticas e
intervenções militares irresponsáveis feitas no Oriente Médio pelas potências estrangeiras. Agora, depois
de terem contribuído para o desastre, elas lavam as mãos do ponto de vista das emergências
humanitárias”, disse Suleiman.
"É claro para todos que só uma grande conferência de paz pode iniciar processos de reconstrução
para vencer esta situação insustentável. Mas também é claro que existe gente que tem interesse em
perpetuar este caos. Não há dinheiro para alimentar os refugiados, mas sempre há para construir, vender
e comprar armas".
Fonte: Zenit
Jerusalém: lançada a pedra fundamental do Terra Sancta Museum
Complexo dedicado às raízes do cristianismo e à preservação dos Lugares Santos quer
destacar as ligações entre Jerusalém e as tradições cristãs locais e internacionais
Um centro cultural vivo para destacar as ligações entre a cidade de Jerusalém e as tradições
cristãs locais e internacionais, desde os primeiros séculos até os dias atuais: esta é a proposta do Terra
Sancta Museum, cuja primeira pedra foi lançada ontem no Lapidarium, uma das futuras sedes do museu
e um importante sítio arqueológico, entre cujos conteúdos há restos da época de Jesus.
O complexo será dedicado às raízes do cristianismo e à preservação dos Lugares Santos, no
Convento da Flagelação. A cerimônia foi acompanhada pelo Custódio da Terra Santa, pe. Pierbattista
Pizzaballa, que, juntamente com o secretário da Terra Santa, pe. Sergio Galdi, enterrou em recordação
do evento um pergaminho sob a pedra fundamental do museu nascente.
O evento também contou com a presença do cônsul geral da Itália, Davide La Cecilia,
representando o consulado, que tem contribuído para o projeto; o cônsul adjunto da Espanha, Javier
Parrondo, que também garantiu o apoio do seu país; o cônsul geral da França, Hervé Magro; o
embaixador da Turquia, Mustafa Sarniç; o cônsul geral da Bélgica, Bruno Jans; e a chefe de missão do
consulado dos EUA, Dorothy Shea.
Os nomes dos apoiadores foram gravados em algumas lajes temporariamente colocadas perto da
pedra fundamental. Ainda é possível participar do projeto através da Associação pro Terra Sancta, que
coordena todas as atividades de construção do museu. Quando pronto, o local exporá, entre centenas de
objetos, vários presentes dos reinos da Europa que remontam aos períodos bizantino e otomano ou
mesmo a vários séculos anteriores.
“Sabemos perfeitamente que não somos os únicos cristãos em Jerusalém”, disse o padre
Pizzaballa. “Esperamos que, no futuro, outras igrejas participem deste projeto e que, um dia, haja uma
rede de centros, e não apenas cristãos, que permita a todos os visitantes e aos moradores da comunidade
respirar as características únicas de Jerusalém”.
Como informa o site oficial da Custódia, o Terra Sancta Museum terá três seções, uma sala
multimídia e oferecerá uma nova experiência aos visitantes e peregrinos que começam o percurso da Via
Dolorosa rumo ao Santo Sepulcro a partir do Convento da Flagelação. O museu também acolherá um
importante acervo arqueológico e artístico relacionado com a história dos franciscanos na Terra Santa
desde o século XIII. A seção histórica será alojada no convento de São Salvador.
Fonte: Zenit
Homeschooling já é realidade no Brasil
Educar os filhos em casa está se tornando uma cultura entre várias famílias brasileiras.
Apoiada em princípio constitucional Camila explica aos leitores de ZENIT como fazer isso funcionar
no Brasil. Aberta as inscrições para o curso online "Homeschooling 1.0".
Ultimamente a imprensa nacional tem relatado e denunciado diversos casos de abusos
de professores, em sala de aula, contra crianças indefesas, até mesmo em escolas particulares da capital
federal. E quando não se trata de violência física e psicológica, é violência moral que pretende ensinar às
crianças a ideologia de gênero, não se livrando desse mal nem sequer alguns ambientes e escolas
católicas.
"Homeschooling 1.0" é o nome do primeiro curso online sobre Educação domiciliar que Camila
Hochmüller Abadie - mãe de família - está oferecendo para os pais interessados no tema. O curso é fruto
dos seus anos de experiência com Homeschooling no Brasil.
O objetivo é "subsidiar aos interessados os elementos necessários para uma boa pesquisa e
prática da educação domiciliar, oferecendo-lhes, além disso, o conhecimento necessário para a defesa do
seu direito ante às objeções, pressões sociais e jurídicas".
O curso vai conter "Informações históricas; Informações de cunho psicológico; Informações de
cunho técnico: questões jurídicas e pedagógicas; Dicas práticas: indicações de sites, blogs,
metodologias, materiais didáticos, cursos, profissionais capacitados e bibliografia", indica o blog de
Camila Abadie.
Em entrevista a ZENIT, Camila Abadie esclareceu para os nossos leitores o que significa e quais
são as consequências, de educar os filhos em casa, aqui no Brasil. Trata-se de um direito constitucional,
defende Camila, e que é possível no País. Basta um pouco de conhecimento e perseverança daqueles
pais que desejam dar uma esmerada formação aos próprios filhos.
Nessa semana - do 29 de Junho ao 06 de Julho - foram abertas as inscrições para o curso
"Homeschooling 1.0" destinado aos pais desejosos de saber mais sobre este tema. O curso se divide em
oito aulas em vídeo (com links para assisti-las online e também para download), uma por semana,
entregue diretamente no e-mail; Material de apoio em pdf com todas as referências citadas ao longo do
curso; Comunidade secreta no facebook para convívio dos membros e troca de experiências. As aulas
terão início no dia 13 de julho e terminarão no dia 31 de agosto.
Sacerdote espanhol na Bolívia: „Estamos vivendo com entusiasmo a chegada de Francisco'
Cerca de mil missionários dos 13 mil que estão na América Latina, esperam o Papa no
Equador, Bolívia e Paraguai, junto com o seu povo
O sacerdote espanhol Juan Carlos Devesa trabalha na cidade de El Alto, Bolívia, há 18 anos.
Nessa região atende uma paróquia de 50 mil habitantes, é diretor espiritual do seminário e acompanha os
primeiros anos de ministério dos sacerdotes recém ordenados. Além do mais, através do Projeto
Burgosmarka, atende junto com os seus colaboradores umas 200 crianças para prevenir situações de
risco. A sua vida está junto do povo boliviano, também neste momento, no qual se preparam para
receber o Papa Francisco, que visitará a Bolívia na segunda etapa desta peregrinação que o levará
também ao Equador e Paraguai.
Em declarações às Pontifícias Obras Missionárias, o padre Devesa admite que estão “vivendo
com entusiasmo a chegada de Francisco”, e explica as muitas iniciativas que estão em andamento para
preparar o encontro com o Santo Padre.
"A nível da diocese foram realizados festivais de música para escolher canções que nos
acompanhem ao aeroporto enquanto se espera. Também houve uma corrida a pé rumo à nova avenida
que tem o nome Papa Francisco”. Todas as paróquias estão preparando a vinda do pontífice, desde as
pregações, as catequeses, etc.
Também nesta semana estão "chegando as feiras (mercados ao ar livre) para rezar publicamente e
abençoar as pessoas com a atraente água benta". O missionário de Burgos acrescentou que "no sábado
haverá duas vigílias de oração: uma em uma praça pública dirigida, principalmente, aos jovens; e outra
em uma das capelas com adoração ao Santíssimo”.
Também no Equador e Paraguai houve preparação com vigílias de oração, de acordo com relatos
das missionárias Imaculada Gamarra e Irene Alonso. Ambas lamentam perder a visita do Papa, que
encontrarão praticamente no aeroporto, pois as duas organizaram faz tempo a sua viagem à Espanha para
visitar a família, uma em Logrono e outra em León. Mas, tanto a irmã Imaculada, escolapia, quanto a
irmã Irene, missionária escrava do Imaculado Coração de Maria, puderam viver o ambiente de
preparação para a chegada de Francisco, tanto no Equador quanto no Paraguai.
Na oração que os católicos do Equador estão rezando para o Pontífice, pedem para “Pais Deus”
que “a visita do teu servo, o Papa Francisco, fortalecerá nos nossos corações a alegria de ser cristãos,
discípulos missionários do teu Filho Jesus Cristo e filhos da sua Igreja, nossa Mãe”. Enquanto que,
milhares de católicos do Paraguai participaram na Vigília de oração que foi realizada no dia 5 de junho
no Estadio “Defensores del Chaco”. Depois de entoar o hino nacional do Paraguai, começou uma
celebração Eucarística que reforçou o chamado “Coro Papal”, que conta com umas 500 vozes.
América é o continente com a maior presença de missionários espanhóis, quase 70 por cento dos
13 bilhões de hoje. Destes, mil trabalham nos países que o Santo Padre visitará do 5 ao 13 de julho: 487
na Bolívia, 409 no Equador e 189 no Paraguai.
Fonte: Zenit
Quais são os pontos fortes da viagem do Papa à América Latina?
Entrevista com o secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, Guzmán
Carriquiry, sobre as perspectivas da viagem pastoral
O Papa Francisco começa neste domingo a sua viagem de uma semana a três países da América
Latina. O professor Guzmán Carriqury, secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina
esclarece nesta entrevista a ZENIT, os cinco pontos fortes da viagem. Acrescenta que Francisco vai
encontrar uma Igreja mais unida e tranquila depois da queda dos muros e das ideologias políticas. E que
o documento de Aparecida é convergente na América Latina das mais diversas sensibilidades, junto com
o pontificado do Papa Francisco pode inspirar uma grande convergência na comunhão e na unidade dos
católicos latino-americanos.
ZENIT: O que o Papa levará para essa viagem à América Latina e quais os pontos fortes?
- Prof. Carriquiry: Na verdade, trata-se das primeiras visitas pastorais aos países latinoamericanos, porque Brasil, na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em 2013, foi uma visita
pastoral e enquanto ele encontrou os bispos brasileiros e foi para Aparecida, a visita pastoral àquele país
vai ser outra coisa.
A segunda coisa: é a primeira viagem onde o Papa irá falará ao povo na sua própria língua, em
espanhol, e embora tenha saído bem com outros idiomas, isso permitirá a Francisco uma liberdade e
expressividade ainda maior.
Em terceiro lugar: o nível de popularidade de afeto, de credibilidade e de esperança que suscita a
figura do Papa na América Latina, nos nossos povos e nos Governos é tal que vamos testemunhar
impressionante abraço de amor e devoção do Papa com o povo e dos povos com o Papa.
Quarto elemento: o Papa não escolhe os grandes para começar a sua visita pastoral na América
Latina, México, Brasil, Argentina, nem mesmo os médios, Chile, Colômbia, Perú, etc., mas aqueles que
pessoalmente chamo de „periferias emergentes‟, porque em uma dinâmica geopolítica são periferias que
viveram uma longa tradição de pobreza, desigualdades sociais, de instabilidades políticas.
Periferias sim, mas emergente, porque nos últimos 12 anos, esses países experimentaram um
ritmo de crescimento impressionante. Ainda no 2015, em condições desfavoráveis para América Latina,
Equador prevê que crescerá um 4% e Bolívia e Paraguai um 5%. Este enorme desenvolvimento
econômico tirou estes países da imobilidade e as massas indígena-camponeses destes países, tornando-as
participantes da nova cidadania e do processo de desenvolvimento e de modernização. Surgiram novos
setores da classe média populares que saíram da pobreza. Estes três países que o Papa vai encontrar,
serão muito diferentes dos países que trinta anos atrás encontrou João Paulo II.
Em quinto lugar, o Papa sabe que, desde as periferias, é possível ver melhor o conjunto, a
perspectiva da totalidade. Ele começou pelas periferias da Europa: pela Bósnia-Herzegovina e Albânia, e
não por Espanha, França ou Alemanha.
Destas periferias emergentes o Papa vai ter muito presente o conjunto da América Latina. E o
conjunto da América Latina estará na mente do Papa nesta viagem. Então, um discurso importantíssimo
sobre a fraternidade dos povos e nações, da cooperação e a integração, acho que será muito forte por
ocasião desta viagem.
ZENIT: Como é a Igreja que o Santo Padre vai encontrar agora?
- Prof. Carriquiry: O Papa vai encontrar igrejas em um estado muito diferente daquele
encontrado, há trinta anos, por João Paulo II. Então, eram Igrejas muito tensas, polarizadas, às vezes
divididas, onde os debates políticos e ideológicos relacionados com a teologia da libertação estavam na
ordem do dia.
ZENIT: Isto é?
- Prof. Carriquiry: Hoje são Igrejas mais serenas na comunhão, Igrejas que viveram o legado e as
orientações da V conferência geral do episcopado em Aparecida, lançadas na missão continental, mas,
especialmente interpeladas pelo que o Papa Francisco está comunicando através da Evangelii Gaudium.
Ou seja, uma Igreja que olha para o núcleo do evangelho, missionária, de saída, misericordiosa, sem
exclusões, cheia de ternura e compaixão, com amor e predileção pelos pobres. Igrejas que se sentem
chamadas e conduzidos por este tempo de graças que estamos vivendo, que não se pode desperdiçar. Um
tempo favorável para a evangelização. Igrejas chamadas a contribuir para o desenvolvimento desses
países, estabelecendo um maior diálogo entre governos e episcopados, favorecendo a liberdade da Igreja
para a crítica que merecem certas situações de pobreza e desigualdades. As vezes recaídas autoritárias e
situações que mereceriam serem tratadas com outra serenidade e equanimidade.
ZENIT: Aparecida assume o desafio de combater a pobreza, mas em outra chave, certo?
- Prof. Carriquiry: No documento de Aparecida não se fala da teologia da libertação, mas todas
as intuições providenciais riquíssimas da teologia da libertação estão ali presentes. Já incorporadas no
magistério da Igreja latino-americana e diria que até mesmo mundial. Outra coisa é que se tornem
formas inculturadas de viver a fé, mas já estão integradas.
E depois da queda dos muros e do socialismo real, o que eram as infiltrações ideológicas e
políticas caíram por si só. Por isso, Aparecida é um documento convergente na América Latina das mais
diversas sensibilidades, de modo que o pontificado do Papa Francisco pode inspirar uma grande
convergência na comunhão e na unidade dos católicos latino-americanos.
ZENIT: O Papa Francisco, na Laudato Si‟, fala de proteger a terra e de não adorá-la... Um
esclarecimento oportuno nesta viagem
- Prof. Carriquiry: Claro, a Terra é criação de Deus, a Mãe Terra não é uma divindade, como se
acreditava nas velhas cosmologias indígenas. A criação de Deus, de alguma forma 'profana a terra', mas
ao mesmo tempo a confia à gestão prudente do homem e não ao domínio selvagem. Muitas expressões
que se repetem hoje sobre a Pachamamac, e quando começam a aparecer as bruxas e os xamãs
geralmente têm pouco a ver com as tradições das religiões indígenas pré-colombianas ou das religiões
tradicionais, mas são formas hoje em dia muito artificiais que de alguma forma servem para manifestar
esta realidade multicultural e multinacional de alguns países.
Fonte: Zenit
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