Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia
CONTECC’ 2015
Centro de Eventos do Ceará - Fortaleza - CE
15 a 18 de setembro de 2015
CRESCIMENTO INICIAL DE PLANTAS JOVENS DE PIPTADENIA
STIPULACEA (BENTH.) DUCKE ORIGINADAS EM AMBIENTES DISTINTOS
JOÃO PEDRO DA SILVA AZEVEDO1*, MANOEL BANDEIRA DE ALBUQUERQUE2,
MAGNÓLIA MARTINS ALVES3, KEROLLEM FERREIRA LIMA1
1
Aluno(a) de Graduação em Agronomia, UFPB, Areia-PB, [email protected],
[email protected].
2
Dr. Professor Agronomia, UFPB, Areia-PB, Fone: (83) 3362-2300, [email protected]
3
Pós Graduanda em Agronomia, UFPB, Areia-PB, [email protected]
Apresentado no
Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia – CONTECC’ 2015
15 a 18 de setembro de 2015 - Fortaleza-CE, Brasil
RESUMO:
As espécies da Caatinga apresentam adaptações morfológicas e/ou fisiológicas que possibilitam
a sobrevivência em condições à seca. Os inselbergs são afloramentos rochosos, os quais
correspondem a montanhas pré-cambrianas, geralmente monolíticas, de gnaisse e granito que
emergem subitamente do plano que as cerca. No Brasil ocorre principalmente na região
Nordeste, caracterizado por apresentarem uma flora altamente adaptada para sobrevivência em
ambientes xéricos, com elevado nível de endemismos, diferindo quase que completamente da
vegetação circundante. As plantas foram cultivadas em vasos contendo 5 kg de solo oriundo do
local de coleta das sementes. Foram utilizados delineamento bi-fatorial, 2 x 2 (origem e
tratamento hídrico) com cinco repetições. Semanalmente foi avaliada a altura das plantas, e
número de folhas. Os resultados obtidos mostraram que para a altura e números de folhas de
plantas de P. stipulaceae não apresentou diferenças estaticamente significativas.
PALAVRAS CHAVE: Ecofisiologia, estresse hídrico, inselberg.
INITIAL GROWTH Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke YOUNG PLANTS
ORIGINATED IN DIFFERENT ENVIRONMENTS
ABSTRACT:
The species of Caatinga present morphological and /or physiological adaptations that allow
survival in drought conditions. The inselbergs are rocky outcrops, which correspond to preCambrian mountains, usually monolithic, gneiss and granite that emerge suddenly the plan
around them. In Brazil it occurs mainly in the Northeast, characterized by presenting a highly
adapted flora for survival in xeric environments with high levels of endemism, differing almost
completely surrounding greenery. The plants were grown in pots containing 5 kg of soil coming
from the place of collection of seeds. Bi-factorial design was used, 2 x 2 (source and water
treatment) with five repetitions. Weekly evaluated the plant height, and number of leaves. The
results showed that for the height and number of leaves of P. stipulaceae plants showed no
statistically significant differences.
KEYWORDS: Ecophysiology, water stress, inselberg.
INTRODUÇÃO:
A Caatinga predomina na região semiárida do Nordeste, neste bioma, destacam-se os
Inselbergs, são maciços cristalinos que ocorrem em regiões escarpadas com rocha exposta que
apresentam grande complexidade biológica, ecológica e geomorfológica, termo que foi criado
pelo Alemão Bornhard em 1900 (insel= ilha e Berg= montanha) e designa rochas précambrianas com cobertura vegetal, geralmente distinta da vegetação do seu entorno
(POREMBSKI et al., 2000).
As condições microclimáticas em inselbergs são ocasionadas principalmente pelas
condições de altas temperaturas, baixa umidade, maior exposição a ventos, retenção de calor e
maior escoamento de água devido a sua inclinação íngreme (POREMBSKI, 2007).
A espécie Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke, pertence à família Fabaceae, é
conhecida popularmente como jurema-branca (FABRICANTE; ANDRADE, 2007), é uma
espécie arbórea de pequeno porte, nativa da Caatinga, (MAIA, 2004) que tem uma variedade
tipos de vegetação que varia de acordo com o tipo de solo e disponibilidade hídrica. Segundo
Larcher (2000), o conhecimento sobre como o estresse tem importância especial na
ecofisiologia para avaliar os limites de tolerância e a capacidade de adaptação das espécies. De
acordo com Nogueira et al. (2005) afeta todos os aspectos do crescimento e desenvolvimento
das plantas, podendo influenciar no alongamento e na diferenciação celular. Em relação a
fisiologia, a uma redução no crescimento, diminuição no tamanho das folhas e senescência
foliares sendo estes alguns mecanismos que as plantas adapta em condições ao estresse hídrico.
Diante do exposto o objetivo da pesquisa foi o estudar o crescimento de plantas jovens
P. spitulaceae, originadas em ambientes distintos sob o efeito do estresse hídrico.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no Laboratório Ecologia vegetal, do Departamento de
Fitotecnia e Ciências Ambientais, do Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Federal da
Paraíba (CCA/UFPB), Areia - PB.Os frutos Anadenanthera colubrina foram coletados em um
Inselberg no município de Patos/PB, 7° 04' 22,2'' de latitude Sul e 37° 13' 36,8''de longitude
Oeste de Greenwich. Para comparar espécie oriunda de ambientes diferentes, às mesmas
espécies foram coletas em Mata de caatinga no município de Junco do Seridó/PB, situado a
625m de altitude, 6° 58’ 014’’ de latitude Sul e 36° 45’ 22’’ W. Após a coleta, os mesmos
foram levados para o Laboratório de Ecologia vegetal, onde os frutos foram abertos
manualmente para a obtenção das sementes. Para o teste de germinação as sementes serão
distribuídas sobre duas folhas de papel toalha do tipo germitest umedecido com água destilada
na quantidade equivalente a 2,5 vezes a massa do papel seco, em seguidas os rolos serão
colocados em sacos de plástico, em câmaras de germinação do tipo (B.O.D.) ajustados à
temperatura 30°C constantes. As plântulas foram colocadas em vasos com capacidade de cinco
litros com solo colhido de origem das sementes, irrigadas sempre que necessário, de modo a
manter o substrato sempre úmido. Foram mantidas para aclimatação em casa de vegetação por
um período de 30 dias recebendo regas diariamente. Após esse período, procedeu-se à
diferenciação dos tratamentos hídricos: IC e IE - (Inselberg controle; Inselberg estresse), CC e
CE (Campo controle; Campo estresse), sendo um com rega a cada dois dias e outro com um
intervalo de sete dias durante um período de 77 dias. O tratamento controle recebeu a
quantidade de água de 4.770 ml, para o tratamento estresse recebeu a quantidade de água 1.920
ml por vaso. A cada sete dias procedeu-se a estimativa dos seguintes variáveis fisiológicas:
altura da planta e o número de folhas. O delineamento experimental utilizado em esquema bi
fatorial 2 x 2 (origem e tratamento hídrico).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A altura de plantas de jurema-preta em condição a disponibilidade hídrica não diferiu
entre os tratamentos, independente da origem que foram coletas e regimes hídricos, para
tratamento controle (IC e CC) obteve médias de 54,34 e 46,87cm respectivamente, no entanto
para o tratamento estresse (IE e CE) constatou médias 32,6 e 29,25cm respectivamente. A
análise desses resultados permite observar que o potencial hídrico na espécie em estudo é
bastante resistente a variação da quantidade de água no solo. Segundo Lenhard et al. (2010) as
mudas de pau-ferro (Caesalpinia ferrea Mart) proporcionaram maior altura no regimes hídrico
de 70% e 40% CC, com 12,5% CC, as mudas não apresentaram diferença significativa ao longo
das avaliações aos 56 dias. Resultados da altura das mudas de mutambo (Guazuma ulmifolia
Lam.) foi maior com a maior disponibilidade de água, não variando entre os níveis de 50 e
100% capacidade de campo (SCALON et al., 2011) os mesmos autor relatam que a
adaptabilidade e tolerância ao estresse hídrico sejam estratégias intrínsecas de espécies vegetais.
Nascimento et al., (2011) estudando espécie de Jatobá (Hymenaea courbaril L) verificou que o
estresse hídrico afetou significativamente a altura das plantas a partir 49º dia após a
diferenciação, no tratamento controle 100% da capacidade de pote apresentaram os maiores
valores de altura (em média 62,6 cm) quando comparadas com os demais tratamentos hídricos
(75%, 50% e 25%).
Altura de planta (cm)
70
60
IC
IE
CC
CE
50
40
30
20
10
0
0
7
14
21
28
35
42
49
56
63
70
77
Dias apos tratamentos
Figura 1: Altura de plantas de Piptadenia stipulacea coletada em diferentes ambientes e
submetida ao estresse hídrico.
IC - Inselberg controle; IE - Inselberg estresse; CC - Campo controle; CE - Campo estresse.
Quanto ao número de folhas no tratamento inselberg controle (IC) o valor médio
(11,80) foi alcançado aos 35 dias após o estresse hídrico, para o campo controle (CC) verificou
que o déficit hídrico reduziu a emissão de folhas a partir dos 42 dias, já o tratamento IE
manteve-se um média de 9 a partir após 35 dias estendendo-se durante todo o experimento,
entretanto no tratamento CE o número de folhas descaíram aos 42 dias após o estresse hídrico.
Segundo Dias-Filho; Dawson (1995) a senescência de folhas mais velhas levam à
economia de água, possibilitando à espécie suportar melhor o estresse hídrico. As plantas de
nim (Azadirachta indica A. Juss) quando submetidas a 20% da capacidade de pote e sem regas
apresentaram menor número de folhas, em relação àquelas submetidas aos demais tratamentos
hídricos, (80%, 60%, 40%) com reduções de 36,9% e 33,6%, respectivamente, quando
comparadas com as plantas-controle (100%) (MARTINS et al., 2010). Resultados com os
números de folhas de Jatobá (Hymenaea courbaril L.) quando foram submetidas a 100% da
capacidade de pote apresentaram as maiores médias de emissão de folhas (20,4 folhas),
diferenciando-se estatisticamente dos demais tratamentos 75%, 50% e 25% (NASCIMENTO et
al., 2011). As mudas de mutambo (Guazuma ulmifolia Lam.) em condição de menor
disponibilidade hídrica com 12,5% capacidade de campo (cc) foi menor, quando avaliada
apenas aos 35 dias de tratamentos com regimes hídricos, os quais as mudas não resistiram,
perdendo completamente as folhas e secando (SCALON et al., 2011).
18,00
16,00
IC
IE
CC
CE
Números de folhas
14,00
12,00
10,00
8,00
6,00
4,00
2,00
0,00
0
7
14 21 28 35 42 49 56 63 70 77
Dias apos tratamento
Figura 2: Números de folhas de Piptadenia stipulacea coletada em diferentes ambientes e
submetida ao estresse hídrico.
IC - Inselberg controle; IE - Inselberg estresse; CC - Campo controle; CE - Campo estresse.
CONCLUSÃO
A espécie P. stipulaceae tem alta capacidade de tolerar o estresse hídrico, independente
do ambiente de origem.
REFERÊNCIAS
Dias-Filho, M. B. Dawson, T. E. Physiological responses to soil moisture stress in two
Amazonian gap-invader species. Functional Ecology, v.9, n.2, p. 213-221. 1995.
Fabricante, J. R.; Andrade, L. A. Análise estrutural de um remanescente de caatinga no Seridó
Paraibano. Oecologia Brasiliensis, v.11, n.3, p. 341-329, 2007.
Larcher, W. Ecofisiologia vegetal. São Carlos: Rima, 2000. 531p.
Lenhard, N. R.; Scalon,S. P. Q.; Novelino, J. O. Crescimento inicial de mudas de pau ferro
(Caesalpinia ferrea MART. ex Tul. var. leiostachya Benth.) sob diferentes regimes
hídricos. Ciência Agrotecnologia, v.34, n.4, p.870-877, 2010.
Martins, M. de O.; Nogueira, Rejane, J. M. C.; Azevedo Neto, A. D.; Santos, M. G. dos.
Crescimento de plantas jovens de nim-indiano (Azadirachta indica A. juss. - Meliaceae)
sob diferentes regimes hídricos. Revista Árvore, v.34, n.5, p.771-779, 2010.
Maia, G. N. Caatinga árvores e arbustos e suas utilidades. Leitura & Arte, 2004.
NASCIMENTO, H.H.C.; NOGUEIRA, R.J.M. C.; SILVA, E.C.; SILVA, M.A. Análise do
crescimento de mudas de Jatobá (Hymenaea courbaril L.) em diferentes níveis de água no
solo. Revista Árvore, v.35, n.3, p.617-626, 2011.
Nogueira, R. J. M. C.; Albuquerque, M. B.; Silva, E. C. Aspectos ecofisiológicos da tolerância à
seca em plantas da caatinga. In: Nogueira, R. J. M. C. et al. Estresses ambientais: danos e
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Scalon, S. de P.; Mussury, Q. R. M.; Euzébio V. L. de M.; Kodama, F. M.; Kissmann C.
Estresse hídrico no metabolismo e crescimento inicial de mudas de mutambo (Guazuma
ulmifolia Lam.). Ciência Florestal, v.21, n.4, p.655-662, 2011.
Porembski, S. Tropical inselbergs: habitat types, adaptative strategies and diversity patterns.
Revista Brasileira de Botânica, v.30, n.4, p.579-586, 2007.
Porembski, S. West African Inselberg Vegetation. In: Porembski, S.; Barthlott, W. (eds.).
Inselbergs: biotic diversity of isoleted rock outcrops in tropical and temperate regions.
Berlin: Springer, p. 177-211, 2000.
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crescimento inicial de plantas jovens de piptadenia