Presidência Portuguesa da União Europeia 1 de Janeiro a 30 de Junho de 2000 Programa de trabalho Introdução 76 A Presidência Portuguesa coincide com o início de um novo milénio que abre promissoras perspectivas de progresso. Todavia, a rápida evolução das sociedades coloca-nos igualmente perante desafios que só podem ser enfrentados através de respostas adequadas, se quisermos garantir à Europa, na globalidade do seu espaço geográfico, um futuro de paz, de estabilidade e de desenvolvimento sustentado. As lições da crise nos Balcãs, os focos de insegurança em outras áreas do continente e no seu cenário estratégico de proximidade, bem como os elementos de instabilidade a nível transnacional que afectam o equilíbrio das sociedades europeias, são elementos que não podem deixar de figurar na primeira linha de preocupações das opiniões públicas e dos responsáveis políticos da União. A União Europeia, que ao longo de décadas estruturou um projecto político, económico e social assente num conjunto de valores que define já hoje um modelo civilizacional próprio, tem vindo a assumir uma especial responsabilidade na criação de condições para que os povos do continente possam ter oportunidade de viver em sociedades marcadas pela liberdade, pela segurança e pelo progresso. Passado o tempo da divisão forçada do continente, a reunificação da Europa implica hoje a necessidade de conjugar o aprofundamento do projecto integrador da União Europeia com a respectiva partilha com um conjunto de Estados que respeitem os valores essenciais em que se apoia esse mesmo projecto. Por outro lado, a circunstância da União estar a tomar progressiva consciência da necessidade de se afirmar com solidez no quadro mundial, por forma a garantir uma legítima defesa dos seus interesses e de procurar projectar, no seu relacionamento externo, os valores que a caracterizam enquanto entidade internacional, criou um vasto tecido de relações com países terceiros e com diversos espaços regionais que constituem hoje parte essencial do seu próprio projecto. À Presidência Portuguesa no primeiro semestre de 2000 competirá gerir este exigente quadro de responsabilidades e de expectativas, num contexto institucional com características conjunturais particulares, marcado por um novo Tratado da União Europeia, por um Parlamento Europeu recentemente eleito e reforçado nos seus poderes, bem como por uma nova e reestruturada Comissão Europeia, a que se associam agora componentes inovadoras em matéria de representação externa e de segurança e da defesa. Objectivos Neste contexto, e em linhas gerais, constituem objectivos da Presidência Portuguesa da União Europeia: • garantir que a prioridade da criação das condições indispensáveis para a adesão de novos Estados se projectará em todos os domínios da acção da União Europeia; • iniciar uma nova Conferência Intergovernamental para a introdução de reformas de natureza institucional, numa perspectiva de continuidade que alie, simultânea e cumulativamente, a eficácia, a democraticidade, a aceitabilidade e a compatibilidade do exercício com a perspectiva realista de o poder vir a concluir sem afectar o desejável calendário da abertura da União a novos Estados; • aprofundar o debate sobre as dimensões sociais e económicas da acção da União, decorrentes da necessidade da adopção de políticas que assegurem a sua competitividade no contexto mundial. Tais reformas deverão ser sempre compatíveis com a preservação e modernização do modelo social europeu, com a prioridade da luta contra a exclusão social dos cidadãos e pela promoção da igualdade, com o respeito pelas dimensões ambientais e com a exploração do potencial introduzido pela moeda única e pela utilização das novas tecnologias, nomeadamente no quadro da sociedade de informação; • consolidar o projecto da União Económica e Monetária (UEM) como elemento essencial para promover o crescimento sustentado, não inflacionista e gerador de emprego e para afirmar a União Europeia como um bloco estruturante da economia mundial; • contribuir para a promoção de políticas que possam dar sentido a uma cidadania europeia que se projecte numa maior aproximação dos cidadãos à União, com pleno respeito pelo princípio da subsidiariedade e pela adopção de modelos de abertura à sociedade marcados pela transparência das instituições; • reforçar as dimensões externas da acção da União Europeia, através da promoção do diálogo político e da cooperação internacionais, valorizando as estruturas e promovendo a coerência das políticas que afirmem a União no plano mundial; • dar sequência às decisões tendentes ao estabelecimento, no seio da União Europeia, de futuras capacidades próprias no domínio da segurança e da defesa, num quadro de coerência com o reforço das dimensões de acção diplomática externa comum e em compatibilidade com outros compromissos assumidos por Estados-membros, nomeadamente no quadro da Aliança Atlântica; • dinamizar, à luz das disposições do Tratado de Amesterdão e das decisões do Conselho Europeu de Tampere, o lançamento das medidas destinadas a promover na União a criação de um espaço de liberdade, de segurança e de justiça, por forma a dar resposta às preocupações dos cidadãos europeus, associando as dimensões de segurança pública e de regulação da livre circulação com o respeito por uma cultura europeia de liberdades que é matriz do seu próprio projecto civilizacional; • dar continuidade e impulso às questões que se encontram em curso de negociação no âmbito da União, nos seus diversos sectores de actividade, muito em especial reforçando o tecido de políticas em que assenta o mercado interno, as políticas comuns e os modelos de aproximação entre os Estados-membros, por forma a corresponder às expectativas que os cidadãos europeus colocam no projecto colectivo em que se inserem; • procurar garantir, no quadro do Conselho da União, um entendimento relativamente ao Estatuto dos Deputados ao Parlamento Europeu. Atendendo à necessidade de assegurar a transparência, a dignidade dos cargos e a igualdade de tratamento dos deputados, independentemente do Estado de origem dos eleitos, a Presidência Portuguesa empenhar-se-á, nos termos do Tratado, na conclusão do Estatuto dos deputados, na linha das orientações preconizadas pelos órgãos competentes do Parlamento Europeu. Áreas prioritárias Alargamento A Presidência Portuguesa prosseguirá, com o maior empenho, as negociações de adesão que, desde 1998, têm vindo a ser empreendidas com Chipre, a Eslovénia, a Estónia, a Hungria, a Polónia e a República Checa, com a vista à abertura e encerramento provisório do maior número possível de capítulos negociais até ao final de Junho de 2000. Por outro lado, e dando sequência às conclusões do Conselho Europeu de Helsínquia, deverão ser iniciadas durante a Presidência Portuguesa as negociações com a Bulgária, a Eslováquia, a Letónia, a Lituânia, Malta e a Roménia. A evolução dos processos negociais deve continuar a processar-se em bases objectivas, que se apoiem em critérios sólidos e uniformes, à luz da consideração dos méritos próprios de cada caso e da avaliação, em termos técnicos, dos esforços empreendidos por cada país. A Presidência tomará em devida consideração a avaliação que a Comissão vier a produzir a este respeito. A decisão tomada em Helsínquia, no sentido de conceder à Turquia o estatuto de candidato a uma futura adesão à União, deverá conduzir a um aprofundamento da relação institucional com aquele país, em moldes concretos a definir pelo Conselho, em estreita articulação com a Comissão Europeia. Reforma das instituições A Conferência Intergovernamental (CIG) para a revisão das instituições, que ficou prevista nas conclusões da Cimeira de Colónia e cujo manda- 77 78 to foi definido na Cimeira de Helsínquia, terá início sob Presidência Portuguesa. A CIG abordará a questão da dimensão e composição da Comissão Europeia, a ponderação dos votos no Conselho e a questão do possível alargamento das votações por maioria qualificada no Conselho, bem como outras alterações ao Tratado que se revelem necessárias, na medida em que digam respeito às Instituições Europeias no âmbito das questões antes referidas e da aplicação do Tratado de Amesterdão. A Presidência Portuguesa apresentará ao Conselho Europeu um relatório sobre o progresso feito nos trabalhos da Conferência e poderá propor temas adicionais a serem incluídos na agenda da Conferência. A CIG deverá estar concluída até ao final do ano 2000, pelo que constituirá prioridade da Presidência empenhar-se para que os trabalhos avancem da forma mais construtiva e rápida possível. Tal implica a disponibilidade e abertura de todos os parceiros para que sejam encontradas soluções equilibradas e mutuamente aceitáveis. A Presidência Portuguesa procurará clarificar as questões colocadas e identificar possíveis opções e vias de solução, testando a vontade dos Governos dos Estados-membros e das Instituições e Órgãos da União. Os países candidatos à adesão à União Europeia serão convidados a pronunciar-se sobre o conteúdo dos temas da agenda da CIG, sendo-lhes igualmente prestada informação sobre o andamento das negociações em curso. É intenção da Presidência Portuguesa promover uma estreita associação do Parlamento Europeu aos trabalhos da CIG, garantindo igualmente uma adequada articulação com outras Instituições e Órgãos da União. A Presidência não deixará de tomar nota de todas as contribuições ou sugestões, de qualquer natureza, que venham a ser-lhe transmitidas no decurso da CIG, nomeadamente por sectores da sociedade civil. Será preocupação da Presidência garantir uma permanente transparência dos trabalhos da CIG perante as opiniões públicas dos diversos países europeus, em moldes a acordar no seio do Conselho. Ainda no âmbito das reformas de natureza institucional, a Presidência Portuguesa prestará toda a contribuição necessária ao impulso dos trabalhos com vista ao estabelecimento da Carta Europeia dos Direitos Fundamentais. A Presidência Portuguesa, respeitando embora a necessária autonomia das estruturas parlamentares nacionais e o modo como elas se articulam no plano europeu, nomeadamente no âmbito da COSAC, não deixará de procurar incentivar o debate sobre o modo como os Parlamentos Nacionais podem ser melhor envolvidos no processo comunitário, quer no plano informativo quer no plano decisório. Essa é a única forma de conseguir assegurar uma relação efectiva dos cidadãos com as instâncias de produção legislativa que se reflectem sobre a sua vida quotidiana, o que constitui um factor de legitimidade das decisões e de melhor aceitabilidade das mesmas. Dando execução ao que o Conselho Europeu de Helsínquia determinou em matéria de reforma dos métodos de trabalho do Conselho, a Presidência Portuguesa procurará auxiliar à execução das medidas necessárias para a futura implementação do novo quadro regulador. Emprego, Reforma Económica e Coesão Social Dispondo de um mercado único e de uma moeda única, está chegado o momento de a União Europeia adoptar um novo objectivo de longo prazo para as suas políticas económicas e sociais. Com o início de um novo século, a Europa deve ambicionar tornar-se numa economia mais dinâmica e competitiva, baseada na inovação e no conhecimento e capaz de gerar mais e melhor emprego e mais coesão social. O Conselho Europeu Extraordinário de Lisboa, dedicado ao tema «Emprego, Reformas Económicas e Coesão Social – para uma Europa da inovação e do conhecimento», a ter lugar em Março de 2000, visa dar um impulso nesse sentido ao mais alto nível. Trata-se de redefinir a estratégia europeia para o crescimento, a competitividade e o emprego à luz dos desafios abertos pela globalização, a mudança tecnológica e os novos riscos de exclusão social. As políticas macro-económicas, as políticas estruturais e as políticas activas de emprego devem ser melhor coordenadas no sentido deste novo objectivo de longo prazo. Iniciativas específicas para a sociedade de informação e para a inclusão social virão reforçar o sentido desta estratégia. Um documento da Presidência, a lançar em Janeiro, permitirá abrir um debate alargado sobre os objectivos e os métodos a adoptar a par- tir da Cimeira de Lisboa, com vista a uma melhor coordenação dos processos de Colónia, Cardiff e Luxemburgo. Os resultados obtidos serão validados no Conselho Europeu de Junho, após um balanço a realizar num Forum de Alto Nível envolvendo os Governos, a Comissão Europeia, os parceiros sociais, o Banco Central Europeu, o Comité Económico e Social e o Parlamento Europeu. Várias formações do Conselho de Ministros e Conferências temáticas de alto nível contribuirão, entretanto, para concretizar e aprofundar as conclusões que vierem a ser adoptadas pelo Conselho Europeu de Lisboa. Política Externa e de Segurança Comum A Presidência Portuguesa conferirá prioridade às dimensões que se situam na área da Política Externa e de Segurança Comum (PESC), garantindo uma particular atenção à necessidade da União Europeia estar atenta e activa perante os vários cenários estratégicos que importa acompanhar e influenciar, promovendo e executando decisões que confiram à União um papel de relevo na cena internacional. Neste contexto, será respeitada a necessidade de utilizar, de uma forma global e coerente, todos os instrumentos ao dispor da União no quadro geral da sua acção externa. A Presidência Portuguesa irá atender de uma forma prioritária ao reforço da PESC, designadamente através da edificação de uma Política Europeia Comum de Segurança e Defesa. As decisões dos Conselhos Europeus de Colónia e de Helsínquia demonstraram o empenho inequívoco da UE no desenvolvimento de uma capacidade operacional credível, apoiada pelos instrumentos necessários para uma actuação autónoma da União na gestão dos aspectos militares e não-militares de crises, no âmbito das chamadas Missões de Petersberg. A circunstância de Portugal também assumir a presidência da UEO e ser membro fundador da Aliança Atlântica confere-lhe uma capacidade acrescida para o reforço da coerência da dimensão europeia de segurança e defesa. O reforço da PESC passa pelo pleno aproveitamento dos instrumentos e mecanismos delineados no Tratado de Amesterdão. A Presidência Portuguesa contará com o apoio do Alto Representante para a Política Externa e de Segurança Comum, cuja acção muito poderá contribuir para uma maior consistência e celeri- dade de actuação da União na cena internacional. A coerência da União Europeia na sua actividade na vertente externa será tanto mais eficaz quanto maior for a cooperação e a coordenação entre os membros do novo modelo de «troika», sendo, neste contexto, da maior importância garantir uma articulação eficaz com as dimensões de representação externa da Comissão Europeia. A Presidência Portuguesa continuará os trabalhos de desenvolvimento das Estratégias Comuns. Além de dar seguimento às decisões relativas à execução da Estratégia Comum para a Rússia e de apresentar o Plano de Acção para a Estratégia Comum para a Ucrânia, Portugal abordará o desenvolvimento das Estratégias Comuns para a Região do Mediterrâneo e para os Balcãs Ocidentais, sob uma perspectiva abrangente e de valorização das acções da União dirigidas para aquelas regiões geográficas. Espaço de Liberdade, Segurança e Justiça A Presidência Portuguesa dará prioridade ao desenvolvimento da União Europeia enquanto área de liberdade, segurança e justiça, fazendo pleno uso das possibilidades oferecidas pelo Tratado de Amesterdão, desenvolvidas no Plano de Acção de Viena e dando sequência às orientações políticas definidas no Conselho Europeu de Tampere. Este trabalho será desenvolvido em estreita articulação com a Comissão Europeia e com a necessária informação e consulta ao Parlamento Europeu. A Presidência Portuguesa procurará garantir que a liberdade de circulação se faça em condições de segurança e de justiça acessíveis a todos, respondendo às preocupações dos cidadãos e promovendo a adopção de medidas com efeito útil na sua vida quotidiana. Este objectivo impõe, desde logo, um acompanhamento permanente da evolução dos trabalhos, o que será feito, durante a Presidência Portuguesa, através do «Painel de Avaliação» que a Comissão apresentará, na sequência do mandato que recebeu do Conselho Europeu de Tampere. Trata-se do primeiro exercício desta natureza, no qual a Presidência Portuguesa colocará todo o seu empenho. Em matéria de migração e asilo, a Presidência promoverá uma abordagem global do fenómeno da imigração, que inclua todas as suas vertentes e contribuirá para o avanço dos trabalhos no 79 80 sentido da criação de um futuro sistema comum europeu de asilo. Em particular, Portugal privilegiará a definição das condições de admissão de nacionais de países terceiros para efeitos de reagrupamento familiar e o desenvolvimento de uma mais determinada política de integração daqueles que residem legalmente no território dos Estados-membros da União. A Presidência procurará também dar um forte impulso ao combate à imigração ilegal, quer através de uma cooperação mais activa com os países de proveniência e de trânsito quer através da cooperação entre os Estados-membros e a Europol, para o desmantelamento das redes criminosas envolvidas no tráfico de seres humanos. De igual modo, Portugal promoverá o estabelecimento de uma política coerente de readmissão e retorno, procurando concluir o modelo uniforme de acordo de readmissão entre os Estados-membros e países terceiros. No domínio do asilo, prosseguirão os trabalhos de harmonização de procedimentos, o intercâmbio de informações, incluindo as legislações e práticas administrativas dos Estados-membros, sendo feita uma avaliação da aplicação da Convenção de Dublin. A preservação do espaço de liberdade, segurança e justiça impõe, por outro lado, uma abordagem coordenada do controlo das fronteiras externas da União, por forma a garantir a segurança no espaço europeu. Nesta área, a Presidência dará particular atenção às modalidades de controlo nas fronteiras marítimas, bem como ao nível de controlos a efectuar sobre os menores. A prevenção da criminalidade será outra grande prioridade da Presidência, em especial a prevenção da delinquência juvenil, da criminalidade do meio urbano e da criminalidade associada à droga, pretendendo-se fomentar a definição de princípios fundadores de uma política europeia comum de prevenção criminal. Assim, a Presidência promoverá um conjunto de iniciativas nesta área, entre as quais se destaca a organização de uma Conferência de Alto Nível sobre a Prevenção, a realizar em Maio, em Portugal. É, também, objectivo da Presidência proceder ao reforço do papel da Europol e à intensificação da cooperação policial e aduaneira na prevenção e combate à criminalidade transfronteiriça. A constituição de uma unidade operacional de chefes de polícia europeus, para intercâmbio de informações, experiências e melhores práticas será o tema de uma primeira reunião, a realizar em Portugal no 1.º semestre de 2000. O início da aplicação da Estratégia Europeia de Luta Contra a Droga para o período 2000-2004 constituirá outro marco nos trabalhos da Presidência, pelo que apoiará activamente a iniciativa da Comissão de realizar uma Conferência Interinstitucional sobre política de drogas, em 28 e 29 de Fevereiro de 2000. Neste contexto, será dado impulso ao tratamento horizontal que a questão da droga e da toxicodependência tem vindo a ser objecto no âmbito da União, com implicações em domínios como a protecção da saúde pública, a redução da procura, o comércio de precursores, para além das medidas de natureza criminal atrás referidas. Portugal dará, ainda, continuidade à estratégia de prevenção e combate ao crime organizado, atribuindo um papel de relevo às iniciativas destinadas a reduzir os lucros a ele associados, designadamente relacionadas com o combate ao branqueamento de capitais. Com o objectivo de contribuir para a criação de um Espaço Europeu de Justiça, Portugal desenvolverá os trabalhos de acesso do cidadão a uma Justiça célere, através de meios alternativos à justiça pública e tradicional dos Estados, nomeadamente a mediação e a arbitragem, aproveitando as potencialidades das novas tecnologias. Com o mesmo objectivo, a Presidência dinamizará iniciativas tendentes a garantir uma adequada protecção às vítimas do crime no espaço da União, promovendo a protecção e efectivação dos seus direitos no processo, bem como os seus direitos em matéria de indemnização por danos. A Presidência estará, ainda, fortemente empenhada em dar seguimento aos compromissos assumidos no quadro de Schengen, designadamente no que se refere à aplicação do dispositivo da Convenção de Aplicação de Schengen aos Estados Nórdicos até ao final de 2000. A criação de um espaço de liberdade, segurança e justiça requer, por fim, uma acção integrada e coerente da União tanto no plano interno, como externo. Assim, a definição dos objectivos e medidas para a acção externa da União nos domínios da Justiça e dos Assuntos Internos será objecto de recomendações específicas no Conselho Europeu da Feira. Saúde Pública e Segurança Alimentar As questões que se ligam à saúde pública, no tocante à segurança alimentar, encontram-se cada vez mais no centro das preocupações da União Europeia, com claras implicações na gestão do respectivo Mercado Interno. Se a União Europeia pretende continuar a assegurar uma eficaz sintonia com as reais preocupações dos seus cidadãos não pode deixar de conferir uma grande prioridade ao conjunto de problemas que, com crescente regularidade, afectam hoje a saúde pública no espaço europeu no tocante à segurança dos produtos alimentares, para além das incertezas que introduzem no funcionamento regular dos mercados, com consequências políticas de algum significado nas próprias relações intracomunitárias. Para além destes aspectos de natureza interna, a União Europeia tem vindo a ser confrontada com crises regulares no plano das suas relações comerciais externas que se prendem com este tipo de questões. A sustentação das posições da União na dimensão externa, nomeadamente no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC), tem vindo a revelar-se mais difícil pela inexistência de uma estratégia coordenada, baseada em regras comuns, seja no plano da aproximação legislativa, seja no domínio da harmonização. Independentemente da solução final que, em termos de estruturas formais, vier a ser encontrada neste domínio, nomeadamente no tocante ao estatuto de uma eventual Agência com responsabilidade em todo o espaço da União, torna-se decisivo começar a aprofundar, desde já, um debate sereno e cientificamente fundado sobre esta matéria. É neste sentido que a Presidência Portuguesa se propõe dar uma atenção prioritária ao tratamento coordenado destas questões no âmbito das várias formações relevantes do Conselho – Mercado Interno, Agricultura, Saúde e Protecção de Consumidores –, tendo por base o Livro Branco da Comissão Europeia publicado em finais de 1999. Com base no tratamento que a questão vier a ter nestas instâncias, bem como em iniciativas horizontais de reflexão que há a intenção de realizar durante o primeiro semestre de 2000, a Presidência apresentará ao Conselho Europeu da Feira um relatório de progresso, conforme ficou consignado nas conclusões do Conselho Europeu de Helsínquia. Dimensões Internas Apresentam-se, de seguida, sínteses de natureza sectorial sobre as diferentes políticas e acções de natureza interna a que a Presidência Portuguesa dedicará especial atenção, sem prejuízo de algumas dentre elas virem posteriormente a ser objecto de desenvolvimento em documentos especializados. Finanças e Economia A plena consolidação do projecto da União Económica e Monetária constitui uma prioridade central da União Europeia a que a Presidência Portuguesa dará a maior atenção. Com efeito, tal representa um elemento essencial para promover o objectivo de um crescimento sustentado, não inflacionista e gerador de emprego. Nesta perspectiva, assumem particular relevância a elaboração das Grandes Orientações de Política Económica, enquanto elemento central do processo de coordenação das políticas económicas aprovado pelo Conselho Europeu de Helsínquia, bem como a realização, em Março, da Cimeira Extraordinária de Lisboa. Sob Presidência Portuguesa será reforçado o processo de coordenação efectiva das políticas económicas, com base naquelas Grandes Orientações e na transparência acrescida dos respectivos procedimentos, sendo que a sua implementação deverá ser aperfeiçoada e melhor articulada com as Linhas de Orientação para o Emprego. O bom funcionamento do Mercado Interno justifica, por seu turno, a prioridade que se atribuirá à concretização das propostas legislativas no domínio dos serviços financeiros, nomeadamente no que respeita ao combate ao branqueamento de capitais e da fiscalidade. Particular atenção continuará a ser atribuída às melhorias da gestão financeira, à protecção financeira da União e à prevenção e luta contra a fraude. A Presidência Portuguesa procurará contribuir para que se gerem os compromissos e consensos necessários para que, num futuro tão próximo 81 82 quanto possível, se obtenham resultados concretos no que se refere ao chamado «pacote fiscal». No plano económico, as prioridades da Presidência Portuguesa têm como pano de fundo o objectivo central de contribuir para a construção de uma Europa da Inovação e do Conhecimento. Neste sentido, será atribuída particular atenção ao debate sobre a competitividade empresarial, associado à problemática do emprego e com enfoque no reforço da eficácia das políticas públicas dirigidas às Pequenas e Médias Empresas (PME), bem como ao seu financiamento. Será dada ênfase ao reforço do investimento da União, enquanto factor determinante da cooperação económica com outras regiões, designadamente com os países da margem sul do Mediterrâneo e da Europa Central e Oriental. Importância particular será conferida ao processo negocial que se pretende levar a cabo no âmbito da Organização Mundial do Comércio («Millenium Round»), de forma a contribuir para uma estratégia coesa e reforçada no seio da União Europeia. Na vertente sectorial, constituirão preocupações específicas da Presidência a modernização das indústrias europeias mais afectadas pela concorrência internacional (indústrias tradicionais, construção naval, siderurgia, etc.), nomeadamente através da introdução das novas tecnologias. O sector energético merecerá igualmente uma atenção particular nas suas diversas valências, em particular a das energias renováveis e a construção do mercado interno da electricidade. Merecerá ainda destaque o sector do Turismo, através do relançamento de uma reflexão tendente a valorizar o papel do Euro enquanto factor principal de atracção da Europa como destino turístico a nível mundial e principal mercado emissor. preparação do Conselho Europeu Extraordinário, a ter lugar em Março, bem como para a elaboração das Grandes Orientações de Política Económica. A Presidência Portuguesa empenhar-se-á no desenvolvimento dos objectivos definidos na Estratégia para o Mercado Interno, recentemente adoptada, que será da maior relevância para garantir um melhor funcionamento daquele Mercado, o qual constituirá uma prioridade dos seus trabalhos. Neste domínio, a Presidência Portuguesa apoiará e estimulará as iniciativas para simplificar e melhorar a qualidade da legislação comunitária e nacional e para aumentar o nível da sua implementação nos Estados-membros. A Presidência Portuguesa promoverá a intensificação do «Diálogo com os Cidadãos e as Empresas», com vista à obtenção de efectivos benefícios em todos os domínios. Uma especial atenção será dada à temática da segurança alimentar e do reforço da eficácia dos controlos de mercado, por forma a garantir uma elevada segurança dos produtos e a restaurar a confiança dos consumidores. O tratamento desta questão no âmbito do Mercado Interno reforçará a análise que este tema merecerá em outras dimensões sectoriais do Conselho, configurando uma das preocupações centrais da Presidência Portuguesa. A Presidência atribuirá particular importância às questões do reconhecimento de diplomas, do comércio electrónico e da propriedade industrial e intelectual, atenta a respectiva vertente ética, ligada à prevenção de eventuais usos abusivos e ilícitos dos direitos de autor. Será também dada especial atenção aos domínios da protecção de dados, bem como à harmonização técnica nas áreas dos veículos a motor e dos géneros alimentícios. Mercado Interno Durante a sua Presidência, Portugal esforçar-se-á por fazer avançar as questões sociais e de emprego em torno de três preocupações fundamentais: o emprego, a coesão social e o futuro da política social. Em matéria de emprego, será promovida a consolidação e o aprofundamento do processo do Luxemburgo, equacionada a necessidade de simplificar e adequar os mecanismos de coordenação existentes, por forma a maximizar as sinergias decorrentes do processo de Cardiff, Na área do Mercado Interno, Portugal dará seguimento aos trabalhos em curso sobre os seguintes temas horizontais: processo de Reforma Económica de Cardiff, Estratégia para o Mercado Interno e Funcionamento do Mercado Interno. Em matéria de Reforma Económica, a Presidência Portuguesa propõe-se adoptar conclusões que constituirão um contributo para a Assuntos Sociais Luxemburgo e Colónia, bem como a necessidade de melhorar a associação dos parceiros sociais a esta estratégia. A Cimeira de Lisboa será o momento oportuno para avaliar os progressos realizados e traçar um quadro orientador que balize a actuação da União no futuro. Nesta matéria, serão ainda actualizados os Planos de Acção para o emprego, com base nas linhas de orientação para 2000 e apreciado o relatório da Comissão sobre a forma como o emprego tem sido tomado em consideração na definição e execução das diferentes políticas comunitárias. No que respeita à Coesão Social, será dada particular atenção às questões da inclusão social. Neste quadro, assume relevância a Comunicação da Comissão sobre a Estratégia Concertada para Modernizar a Protecção Social, que a Presidência se esforçará por dinamizar, por forma a que ainda durante 2000 possa ser apreciado um primeiro relatório sobre o assunto. Igualmente importante para o reforço da Coesão Social no espaço comunitário será o desenvolvimento de normas sociais mínimas. Assim, a Presidência dará avanço aos trabalhos das propostas que a Comissão venha a apresentar, nomeadamente em matéria de antidiscriminação, higiene e segurança no local de trabalho, sectores excluídos da organização do tempo de trabalho, coordenação dos sistemas de segurança social e envolvimento dos trabalhadores. Quanto ao futuro da política social, a Presidência propõe-se levar a cabo diversas iniciativas, de natureza consultiva e de debate, com o objectivo de contribuir para a definição de uma nova geração de políticas sociais ao nível comunitário para os primeiros anos do novo Milénio. Agricultura Durante a Presidência Portuguesa, deverá prosseguir o processo de reforma da Política Agrícola Comum, através da adaptação de algumas Organizações Comuns de Mercado (OCM), tendo em vista o desenvolvimento harmonioso das áreas rurais da União e a garantia de uma evolução positiva dos rendimentos dos agricultores, atribuindo particular atenção às medidas que possam ter impacte sobre a pequena agricultura familiar. Portugal acompanhará, igualmente, a evolução que vier a ter lugar no quadro da Organização Mundial do Comércio (OMC) no domínio agrícola, por forma a garantir a consolidação da presença da produção comunitária nos mercados internacionais, um maior equilíbrio entre os produtos agrícolas comunitários exportados e a permanência de uma agricultura europeia multifuncional. A Presidência também atribuirá relevo ao aprofundamento da política de segurança e qualidade alimentar, no âmbito de um trabalho comum com várias outras dimensões do Conselho, e ao desenvolvimento do sector florestal, apoiando neste caso as acções previstas na «Estratégia Florestal da União Europeia». Pescas A conservação e utilização sustentada e responsável dos recursos haliêuticos são objectivo central da Presidência para a área das pescas. Neste sentido, Portugal procurará contribuir para um melhor conhecimento destes recursos e para o enriquecimento do debate sobre a inter-relação recursos-ambiente. Constitui ainda intenção da Presidência promover o debate sobre a vertente externa da Política Comum das Pescas, no sentido da definição de uma nova estratégia europeia, designadamente no que se refere à análise custo/benefício dos acordos de pesca com países terceiros e ao papel das organizações regionais de pesca. Ambiente A Presidência Portuguesa da União Europeia atribuirá prioridade à conclusão, no contexto do processo de co-decisão entre as instituições comunitárias, da chamada Directiva-Quadro da Água, por forma a dotar a União Europeia de um novo instrumento jurídico fundamental ao serviço da qualidade da água e da gestão sustentável dos recursos hídricos. Uma segunda prioridade consiste no impulsionar da implementação dos compromissos assumidos pela União Europeia em matéria de alterações climáticas, com a adequada partilha de esforços entre os Estados-membros, tendo em vista a rápida ratificação do Protocolo de Quioto e a atempada preparação da participação da União Europeia na VI Conferência das Partes da Convenção Quadro das Alterações Climáticas, que terá lugar em Haia, em Novembro de 2000. Uma terceira prioridade reside na conclusão do processo de avaliação («Global Assessment») 83 84 do 5.º Programa de Ambiente, que se constituirá, no futuro, como quadro de referência para a elaboração de um 6.º Programa e para o desenvolvimento dos esforços em curso no sentido da integração da política de ambiente nas políticas sectoriais relevantes, esforço esse que será igualmente aprofundado pela Presidência Portuguesa. Finalmente, a Presidência Portuguesa promoverá, nomeadamente através do Conselho Informal de Ministros do Ambiente previsto para Abril de 2000, um renovado debate sobre a temática do ambiente urbano e sobre os instrumentos financeiros da União Europeia para apoiar operações de requalificação e de melhoria dos indicadores ambientais das cidades europeias, onde hoje se concentram muitos dos mais importantes problemas de poluição, com repercussões à escala global e significativos prejuízos para a qualidade de vida dos cidadãos. Para além destas temáticas centrais, a Presidência Portuguesa não deixará de impulsionar outros processos decisórios em curso na União Europeia, entre os quais o relativo ao Programa Life e de zelar pela representação da União Europeia em diversas conferências multilaterais, com destaque para a Conferência sobre o Protocolo relativo à Biosegurança e relevante para as negociações no âmbito da OMC (Janeiro de 2000), para a Conferência sobre as Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES) (Abril de 2000) e a Conferência das Partes signatárias da Convenção da Biodiversidade (Maio de 2000). Investigação, Sociedade da Informação O futuro da política de Ciência e Tecnologia da União Europeia, tradicionalmente baseado na adopção de um Programa-Quadro Plurianual de Investigação e Desenvolvimento tecnológico, deverá ser objecto de uma reflexão durante a Presidência Portuguesa, com vista à definição de uma estratégia mais competitiva em termos mundiais. Esta reflexão terá lugar durante um encontro informal de Ministros, a realizar em Portugal, em Março, a que estarão presentes, como convidados, diversos Prémios Nobel da Ciência. A Sociedade da Informação será outro tema que a Presidência privilegiará ao longo do semestre. Nesta área, Portugal realizará, em Abril, uma Conferência Ministerial alargada subordinada ao tema «Sociedade da Informação e do Conhecimento» na qual se pretende seja equacionada uma política coordenada e global europeia, que promova a inclusão social e respeite a diversidade cultural, combinando a dinâmica do mercado com o papel dos Estados. A Presidência deverá, ainda, reforçar as relações de cooperação da União Europeia com países terceiros, destacando-se a cooperação com os EUA e com a China, a que serão dedicados alguns eventos. De igual modo, salienta-se a realização, em Macau, de um «Brokerage Event» da Iniciativa Eureka-Ásia, lançada por Portugal durante a sua Presidência do Eureka em 1997/98. Na área da competitividade e do desenvolvimento tecnológico, a Presidência organizará, em parceria com a Comissão Europeia, umas «Jornadas de Tecnologia para as PME». Educação No intuito de criar uma verdadeira Sociedade da Aprendizagem e do Conhecimento, a Presidência Portuguesa explorará a noção de dimensão europeia na área da Educação, quer através da partilha de boas práticas educativas, quer na análise de propostas a apresentar pela Comissão. Portugal atribuirá prioridade ao desenvolvimento dos novos procedimentos para a cooperação europeia na área da educação e da formação, com destaque para o papel da educação e da formação nas políticas de emprego, o desenvolvimento da qualidade da educação e da formação e a promoção da mobilidade, incluindo o reconhecimento de qualificações e de períodos de estudo. Um programa de conferências subordinado ao título «A Europa e os desafios da Sociedade do Conhecimento» constituirá a oportunidade para debater a temática da aprendizagem ao longo da vida. Juventude Portugal atribuirá prioridade ao aprofundamento da cooperação europeia em matéria de Política de Juventude, propondo-se aprovar o «Programa Juventude» e encetar as discussões sobre o incremento da mobilidade juvenil no espaço da União Europeia. O lançamento deste Programa ocorrerá numa Conferência Ministerial conjunta, a realizar em Março de 2000, durante a qual serão também lançados os Programas Sócrates II e Leonardo II. Nesta área, a Presidência organizará também um Seminário dedicado ao tema «Políticas de Juventude e Investigação». Cultura e Audiovisual Constituem prioridades específicas da Presidência no domínio da cultura e do audiovisual o aprofundamento de temas e políticas e a promoção da consolidação da posição europeia sobre os bens e serviços culturais e sobre o lugar da Cultura no projecto europeu. Este ponto liga-se, em especial, à possível reapreciação da manutenção da regra de unanimidade no âmbito do artigo 151.º do Tratado da União Europeia e no que se refere à necessidade de precisar a estratégia europeia para o futuro ciclo de negociações sobre o comércio mundial no quadro da OMC. A Presidência Portuguesa dedicará igualmente atenção prioritária ao aprofundamento e ao enriquecimento da política audiovisual europeia, promovendo um programa MEDIA PLUS, tão próximo quanto possível das aspirações europeias e encetando igualmente, um debate novo e inovador sobre o património cinematográfico europeu, considerado um dos suportes mais fortes do desenvolvimento da identidade cultural europeia e da própria economia audiovisual e de conteúdos europeia. Ainda na área do Audiovisual, a Presidência concentrará as suas atenções no debate das questões associadas à implantação do sistema de televisão digital terrestre na Europa, tema que será objecto de uma Conferência a organizar conjuntamente com a Comissão Europeia, em Fevereiro de 2000. Transportes No tocante à política comum de transportes, Portugal dará prioridade às acções que possam contribuir para aproximar os Estados-membros em matéria de segurança, de qualidade e de inovação tecnológica. Serão privilegiadas as medidas que promovam a segurança das pessoas, a qualidade nos transportes e a integração das novas tecnologias. A segurança rodoviária constituirá uma preocupação maior, em particular o combate à sinistralidade rodoviária. A melhoria da qualidade e eficácia do transporte ferroviário também merecerá atenção da Presidência Portuguesa, pelo que será dada sequência às acções decorrentes do chamado «Pacote Ferroviário». Na área do transporte aéreo, será privilegiada a temática dos direitos dos passageiros, bem como as iniciativas em matéria de atrasos de voos e de protecção do ambiente. Nos transportes marítimos, o trabalho da Presidência incidirá na segurança de carga e descarga dos navios graneleiros nos portos comunitários e à futura criação de um Comité de Segurança Marítima. O debate sobre as novas orientações das redes transeuropeias, as iniciativas em matéria de obrigações de serviço público e os auxílios de Estado nos transportes terrestres constituirão temas da agenda da Presidência neste domínio. No domínio das novas tecnologias, uma atenção especial será dada à continuação dos trabalhos destinados à criação de um sistema europeu de navegação por Satélite – Programa Galileo. Telecomunicações Durante a Presidência Portuguesa, prosseguirão os trabalhos de revisão do quadro regulamentar das telecomunicações. Trata-se de completar o processo de consulta pública actualmente em curso e de encetar o debate político com vista a enquadrar as novas propostas de directivas específicas. Além disso, merecerão acompanhamento particular os domínios de gestão da Internet. Saúde O programa da Presidência Portuguesa em matéria de saúde pública prevê a preparação de algumas importantes iniciativas a terem lugar em Portugal. Destacam-se neste programa de iniciativas uma Conferência subordinada ao tema «Desigualdades em Saúde e seus determinantes na União Europeia», a ter lugar em Março de 2000, uma Conferência sobre «Medicamentos e Saúde Pública», a realizar em Abril de 2000, bem como a organização de uma reunião de peritos, em Junho de 2000, que permitirá lançar os trabalhos, sob os auspícios da Comissão, da preparação de uma directiva no âmbito da qualidade e segurança dos órgãos e tecidos de origem humana para transplantação. Quanto a matérias de iniciativa comunitária, a 85 86 Presidência aguarda a apresentação do futuro programa-quadro no domínio da saúde pública, a que atribuirá a maior importância e a que procurará imprimir a maior celeridade. Sob Presidência Portuguesa serão iniciados os trabalhos sobre a proposta de directiva relativa à rotulagem e componentes do tabaco, concedendo o maior relevo a todas as acções em matérias de luta contra o tabagismo, procurando atingir posições de consenso que permitam resultados concretos no âmbito do Conselho. No quadro daquela que se assume como uma das prioridades centrais da Presidência, ligada a outras dimensões sectoriais da acção governativa, será dada a melhor atenção às questões ligadas à segurança alimentar, nomeadamente através do acompanhamento das medidas que venham a ser propostas pela Comissão. A Presidência prosseguirá também o acompanhamento dos trabalhos em curso no domínio da resistência microbiana, à directiva sobre qualidade e segurança do sangue e ainda ao debate sobre o relatório relativo à integração dos requisitos de protecção da saúde nas acções e políticas comunitárias, debate que merecerá da parte da Presidência Portuguesa um especial cuidado, nomeadamente quanto à inclusão das respectivas conclusões nos trabalhos sobre o futuro quadro de acção, para o que se tomará também em conta o conteúdo dos relatórios sobre os quatro programas específicos e os resultados da respectiva discussão. Defesa dos Consumidores No quadro de uma economia crescentemente global, e atenta à importância da estruturação reguladora no quadro do Mercado Interno, a protecção dos consumidores ganha um relevo muito particular, pelo que a Presidência dispensará a este tema um tratamento atento. A Presidência Portuguesa terá como quadro de referência o princípio da horizontalidade da política de defesa dos consumidores, consagrada no artigo 153.º do Tratado de Amesterdão, por forma a que as exigências em matéria de defesa dos consumidores sejam tomadas em conta na definição e execução das demais políticas e acções da União. No seguimento das duas anteriores presidências, e atendendo ao plano trienal da Comissão, a Presidência prosseguirá o trabalho já efectuado sobre a comercialização à distância dos serviços financeiros, tendo particularmente em conta as recentes conclusões do Conselho sobre este tema. Merecerá, contudo, uma atenção particular a temática da segurança, quer no tocante à segurança geral dos produtos, cuja directiva deverá ser actualizada e aprofundada quer, em particular, no que se prende com a segurança alimentar. Neste último domínio, a que a Presidência Portuguesa concederá um carácter prioritário nas várias dimensões em que se projecta, considera-se essencial o estabelecimento urgente de respostas organizativas e normativas por parte da União. Tendo em atenção as mudanças introduzidas na comercialização dos produtos e serviços por virtude da globalização, do comércio electrónico e das novas tecnologias da informação, bem como as consequências da privatização de serviços de interesse geral, a Presidência Portuguesa defenderá a criação de mecanismos de regulação e de auto-regulação que incidirão sobre aqueles serviços. Neste domínio, é intenção da Presidência organizar, em Junho de 2000, nos Açores, uma Conferência sobre «Globalização, Regulação e Auto-Regulação e Interesses dos Consumidores». Num mercado cada vez mais marcado pela oferta diversificada de serviços e de produtos, que tende a fomentar o acesso indiscriminado ao crédito, a Presidência Portuguesa irá concentrar-se igualmente na promoção de medidas relativas ao sobre-endividamento das famílias. À Presidência merecerão atenção as modalidades práticas de transposição da directiva relativa às acções inibitórias, bem como os relatórios da Comissão relativos ao timesharing e às viagens organizadas. Em consonância com a recomendação da Comissão relativa aos organismos extra-judiciais de resolução de conflitos de consumo, a Presidência procurará conceder uma especial atenção às possibilidades de melhoria da cooperação existente entre este tipo de organismos, ao nível comunitário. Portugal acolherá, neste contexto, em Maio de 2000, uma Conferência Europeia sobre «Arbitragem de Conflitos Transfronteiriços». Planeamento e Ordenamento do Território No domínio das políticas estruturais, as prioridades da Presidência centrar-se-ão na fase de arranque do novo ciclo de programação dos fundos comunitários para o período 2000-2006. Será também dada especial atenção à pre- paração e lançamento da nova geração de Iniciativas Comunitárias apoiadas pelos fundos estruturais, em especial o INTERREG III e o URBAN II. Merecem ainda uma referência particular o início do novo programa de acção do Esquema de Desenvolvimento do Espaço Comunitário (EDEC) e o projecto de criação de um Observatório Comunitário em Rede, para as políticas de desenvolvimento espacial. Políticas de Igualdade A União Europeia tem vindo a demonstrar um crescente empenhamento na promoção das questões da igualdade, pelo que a Presidência Portuguesa não deixará de prestar uma atenção prioritária a esta matéria, cuja natureza se projecta horizontalmente sobre diversas áreas da acção comunitária. Com efeito, o Tratado de Amesterdão veio aprofundar o tratamento comunitário na área da igualdade de mulheres e homens, que passou a ser reconhecida como uma missão da União Europeia, a promover transversalmente em todas as políticas. Os significativos avanços legislativos a nível nacional já alcançados pelos países da União terão, contudo, que ser aferidos à luz das conclusões da Conferência de Pequim. Nesta abordagem, será importante referir problemas como o desemprego feminino, as diferenças salariais, a feminização da pobreza, o tráfico de mulheres, a violência doméstica, a saúde reprodutiva, bem como a persistência de desigualdades entre mulheres e homens nos processos de tomada de decisão. Na sequência do trabalho desenvolvido pelas anteriores presidências, a Presidência Portuguesa concederá uma atenção destacada à questão da Violência Doméstica e à questão da Conciliação da Vida Profissional e Familiar. Ambas estas temáticas serão objecto de Conferências a realizar durante a Presidência Portuguesa. Regiões Ultraperiféricas A implementação das responsabilidades que competem à União no sentido de dar conteúdo concreto ao disposto no Artigo 299.º, n.º 2, do Tratado, relativamente às Regiões Ultraperiféricas, será acompanhada com atenção por parte da Presidência Portuguesa. Uma estreita articulação com a Comissão Europeia será procurada, com vista a garantir a promoção dos actos jurídicos necessários neste domínio. Dimensões Externas No quadro da acção externa da União, prevê-se a realização de diversos exercícios de diálogo político com países e agrupamentos regionais, bem como diversos Conselhos de Associação e Cooperação no quadro dos instrumentos contratuais de natureza bilateral existentes. Autonomizam-se de seguida, sem que de tal se possa necessariamente inferir um ordenamento prioritário, algumas áreas geográficas e temáticas, com identificação das principais linhas de orientação que a Presidência Portuguesa pretende desenvolver em relação a cada uma delas. África e Cooperação para o Desenvolvimento A Presidência Portuguesa dará especial atenção ao aprofundamento das relações de cooperação da União Europeia com o continente africano. O Conselho Informal de Ministros do Desenvolvimento, em Janeiro de 2000, pretende lançar o debate sobre as condições de uma «Nova Parceria da União Europeia com África», que tenha em atenção os problemas específicos do desenvolvimento neste continente. O reforço do diálogo político, as condições de integração das economias africanas na economia internacional, o sistema de segurança, prevenção e gestão de conflitos, são temas inscritos nesse debate. Simultaneamente, a Presidência Portuguesa empenhará os seus esforços no sentido de, no mais curto prazo, se concluírem as negociações do novo quadro de relacionamento da União com os países da África, das Caraíbas e do Pacífico (ACP). Um outro grande objectivo da Presidência Portuguesa consiste em contribuir para dotar a União Europeia de uma maior capacidade de intervenção na definição das políticas internacionais de cooperação para o desenvolvimento. A discussão e a aprovação de um documento global orientador da política de cooperação da União constitui um importante passo nesse sentido. Finalmente, a Presidência Portuguesa aprofun- 87 dará o trabalho já em curso de reforço da cooperação da União Europeia e dos Estados-membros em matéria de coordenação, coerência e complementaridade das respectivas políticas. Mediterrâneo 88 O relacionamento da União Europeia com os países do Mediterrâneo, nomeadamente no âmbito do Processo de Barcelona, estará no centro das prioridades da Presidência Portuguesa. Os progressos realizados na reunião ministerial de Estugarda, a nova fase que se vive no processo de paz do Médio Oriente e a evolução do relacionamento entre os países da margem sul do Mediterrâneo parecem permitir a possibilidade de fazer progredir de forma significativa a parceria euromediterrânica durante a Presidência Portuguesa. Durante esse período, terá lugar uma reunião informal dos Ministros dos Negócios Estrangeiros dos países participantes no processo de Barcelona, com vista a permitir uma reflexão aberta sobre temas relevantes para o reforço da parceria e uma preparação adequada da prevista Cimeira de chefes de Estado e Governo, a ter lugar sob presidência francesa. Como ponto destacado da agenda da Presidência Portuguesa nesta área, está prevista a realização de uma Conferência euro-mediterrânica sobre Investimentos, a qual conta com o co-patrocínio da Tunísia. Terá igualmente lugar uma reunião de Ministros da Indústria euro-mediterrânica, co-presidida por Chipre. A Presidência Portuguesa empenhar-se-á em acompanhar e dinamizar os trabalhos conducentes à conclusão de Acordos de Associação com o Egipto, a Síria, o Líbano e a Argélia. Será igualmente acompanhada a preparação do Programa Meda II. A Presidência Portuguesa seguirá de perto os desenvolvimentos da questão de Chipre e, neste quadro, continuará a apoiar o processo de contactos sob a égide do Secretário-Geral das Nações Unidas. Processo de Paz no Médio Oriente A Presidência Portuguesa procurará que o reforço do papel político da União Europeia no contexto das negociações do Estatuto Permanente, bem como uma maior intervenção europeia em outras vertentes do processo de paz do Médio Oriente, venham a ser objecto de uma melhor coordenação com os EUA. Igualmente constituirá preocupação da Presidência Portuguesa garantir a revitalização da cooperação económica com a Autoridade Palestina, nomeadamente através da retoma da vertente multilateral do processo de paz. América Latina e Caraíbas A Presidência Portuguesa dará seguimento à ampliação e aprofundamento dos vínculos que ligam a Europa à América Latina. Neste contexto decorrerão, em Portugal, os encontros ministeriais da União Europeia com o Grupo do Rio, com o Grupo de S. José, com o Mercosul e Chile, com a Comunidade Andina e com o México. No período da Presidência Portuguesa estarão em pleno curso as negociações no sentido de uma liberalização comercial entre a União Europeia e o Mercosul e Chile. O seguimento da Cimeira do Rio de Janeiro ocupará um lugar de destaque nas prioridades da União Europeia para os primeiros seis meses de 2000. A Presidência Portuguesa manterá um diálogo construtivo e aberto com todos os países da região e procurará fortalecer a cooperação estratégica entre as duas áreas, com ênfase nos aspectos políticos, económicos, sociais e culturais. Do conjunto de acções previstas, pode destacar-se a realização de uma Conferência sobre Telecomunicações a nível ministerial. A Presidência Portuguesa procurará ainda manter um diálogo regular com Cuba, tendo como termo central de referência o respeito por princípios e valores fundamentais de observância internacional, com vista a contribuir para a integração daquele país nas várias instâncias da Comunidade Internacional. Deverá ser assinado sob Presidência Portuguesa o Acordo de Comércio Livre com o México. Balcãs Tendo em atenção que a região dos Balcãs Ocidentais constitui parte integrante da Europa geográfica, a Presidência Portuguesa terá como um dos seus objectivos prioritários o desenvolvimento das condições indispensáveis para a aproximação dos países da região às estruturas europeias. Nesse contexto, será colocada uma ênfase muito particular nos vários domínios de intervenção do Pacto de Estabilidade para o Sueste Europeu. O Kosovo será uma área de particular atenção para a Presidência, atenta à necessidade de a União prosseguir as actividades nas áreas humanitária e da reconstrução e de apoio ao processo de reconciliação entre os vários grupos étnicos. A Presidência Portuguesa também continuará a apoiar os processos de reformas democráticas na região dos Balcãs Ocidentais, nomeadamente através de uma colaboração com a Comissão Europeia na fixação dos Acordos de Estabilização e Associação com países da área cuja evolução interna assim o justifique. A situação interna na República Federal da Jugoslávia, em especial a respectiva evolução política e o seu quadro de relacionamento de vizinhança, merecerá atenção da Presidência, que pretende intensificar o diálogo político com as forças democráticas do país e dar continuidade ao apoio a estruturas de poder local legítimas e representativas. A evolução da situação na República do Montenegro, no seu quadro de relacionamento com Belgrado, será igualmente objecto de acompanhamento. No que respeita à Croácia, a Presidência manterá um acompanhamento dos próximos processos eleitorais, no âmbito parlamentar e presidencial, com vista a avaliar do modo como o respectivo regime evolui face aos princípios democráticos e ao respeito pelas liberdades fundamentais, a fim de poder retirar as ilações que daí possam decorrer para o futuro relacionamento deste país com a União Europeia. A Presidência Portuguesa procurará assegurar, em relação à Albânia, o prosseguimento de medidas destinadas a apoiar a estabilização política interna e o reforço da autoridade democrática do Estado, nomeadamente no combate à criminalidade e à corrupção. No tocante à Bósnia-Herzegovina, a Presidência manterá o empenho da União na plena aplicação dos Acordos de Dayton, em todas as suas vertentes, designadamente na solidificação das estruturas do poder central e das estruturas multi-étnicas. A estabilidade política na ARJ da Macedónia merecerá um acompanhamento particular, nomeadamente na sequência das recentes eleições presidenciais e no processo de pacificação das tensões interétnicas. No tocante a este Estado, a Presidência dará o seu apoio às medidas a tomar pela Comissão Europeia no sentido do início das negociações tendentes à fixação de um Acordo de Estabilização e Associação com a União Europeia. Europa Oriental e Ásia Central Atendendo à sua importância estratégica, as áreas da Europa Oriental e da Ásia Central merecerão uma atenção especial por parte da Presidência Portuguesa. O relacionamento da Rússia com a União foi colocado num patamar mais elevado de cooperação, com a implementação da Estratégia Comum. As conclusões do Conselho Europeu de Helsínquia introduzem, contudo, novos elementos de análise no tocante ao desenvolvimento futuro daquele relacionamento, que caberá à Presidência Portuguesa acompanhar. A União mantém o seu interesse em continuar a estimular o reforço das reformas políticas e económicas naquele país. A avaliação do quadro de cooperação e de diálogo político com a Rússia terá um importante momento aquando da Cimeira entre a União Europeia e aquele país, prevista para ter lugar durante a Presidência Portuguesa. As relações com a Ucrânia irão igualmente beneficiar de um impulso positivo através da execução da Estratégia Comum aprovada no Conselho Europeu de Helsínquia, cujo plano de acção competirá à Presidência Portuguesa desenvolver. A viabilidade de um aprofundamento da relação da União com a Ucrânia será avaliada no decurso da Presidência Portuguesa. A Presidência Portuguesa seguirá também o curso dos acontecimentos na Bielorússia, por forma a avaliar as condições para o desenvolvimento das relações entre a União e aquele país. O principal objectivo da Presidência Portuguesa quanto aos Estados ribeirinhos do mar Cáspio e às Repúblicas da Ásia Central será o de encorajar, em estreita colaboração com a OSCE, o reforço da estabilidade, da democracia, do Estado de direito e das políticas de reforma económica, por forma a contribuir para a consolidação de uma verdadeira estabilidade naquelas regiões. Ásia Será prestada uma atenção particular ao relacionamento da União Europeia com o continente asiático. A União manter-se-á empenhada no apoio ao processo de transição de Timor-Leste e assegurará a necessária articulação com as instituições internacionais e com os Estados que se empenham na reconstrução e no processo de desenvolvimento do território, bem como no acom- 89 90 panhamento da respectiva situação humanitária. A situação na Indonésia também será acompanhada atentamente por forma a favorecer a consolidação das reformas políticas e económicas encetadas pelo novo governo democrático. A intensificação de um diálogo construtivo com a China, nomeadamente a negociação da sua futura adesão à OMC e o reforço das relações com o Japão, serão preocupações da Presidência Portuguesa. A Presidência Portuguesa seguirá ainda com particular interesse o funcionamento das Regiões Administrativas Especiais de Macau e de Hong Kong. O acompanhamento da situação na Península Coreana, a evolução da Birmânia/Myanmar e o conflito no Afeganistão, são outros dos assuntos que merecerão atenção por parte da Presidência Portuguesa. A Presidência Portuguesa dará seguimento ao relacionamento com a Austrália e com a Nova Zelândia, tendo a intenção de promover a realização de reuniões a nível de Ministros de Negócios Estrangeiros com ambos os países. A Presidência Portuguesa tenciona reforçar a parceria com a Índia, pelo que promoverá, o que acontece pela primeira vez, uma Cimeira a nível de Primeiros Ministros, a decorrer em Portugal. Um dos vectores da política asiática da União, sob a Presidência Portuguesa, será a preparação da reunião ASEM III, que decorrerá em Seul, no segundo semestre de 2000. O aprofundamento do diálogo UE-ASEAN será uma outra tarefa que a Presidência Portuguesa tenciona levar a cabo. A situação no Irão continuará a merecer uma atenção especial da União. A Presidência Portuguesa dará seguimento ao processo de diálogo abrangente com o Irão e seguirá atentamente as reformas em curso naquele país. A continuidade do relacionamento da União Europeia com os países do Golfo será assegurada através da realização de uma sessão ministerial do Conselho Conjunto entre a União Europeia e o Conselho de Cooperação do Golfo. Relações Transatlânticas No quadro do relacionamento com os EUA, a Presidência Portuguesa dará atenção prioritária ao desenvolvimento da Nova Agenda Transatlântica, que configura um elemento estratégico da maior relevância para a cooperação entre os dois espaços, com impacto poten- cial positivo em diversas dimensões. A evolução das novas dimensões de segurança e defesa no plano europeu e a sua necessária compatibilização com os laços transatlânticos constituirão um importante elemento do diálogo a promover com os EUA. Também com o Canadá, a Presidência Portuguesa irá prosseguir o processo de diálogo político-económico, incidindo sobre temas de interesse recíproco. Dimensão Nórdica Na sequência das conclusões do Conselho Europeu de Helsínquia, e em especial pelo interesse de que o tema se reveste para a acção externa da União, numa região estratégica do continente, a Presidência Portuguesa acompanhará com atenção a preparação, por parte da Comissão Europeia, do Plano de Acção sobre a Dimensão Nórdica nas políticas externas e transfronteiriças da União Europeia, com vista à respectiva apreciação no Conselho Europeu da Feira. Direitos Humanos A Presidência Portuguesa manterá, no âmbito da acção externa da União Europeia, um empenho na defesa intransigente dos Direitos Humanos, como condição essencial para a promoção da paz e da estabilidade no quadro internacional. A Presidência Portuguesa assegurará a coordenação da representação da União Europeia na Comissão dos Direitos do Homem das Nações Unidas e contribuirá para a elaboração do segundo relatório anual da União sobre Direitos Humanos. A Presidência manterá ainda o elevado empenho da União na promoção da abolição da pena de morte. Organizações Internacionais A Presidência Portuguesa promoverá uma estreita coordenação de posições da União Europeia no seio das várias Organizações Internacionais. Em especial, merecerão destaque as questões constantes da agenda das Nações Unidas, o trabalho no seio da OSCE, o diálogo com o Conselho da Europa e o impacte de temáticas de natureza transversal como as drogas, o terrorismo e a não proliferação. A Presidência Portuguesa procurará contribuir para o processo de reforma das Nações Unidas. No âmbito desta organização, a Presidência assegurará as iniciativas que permitam aumentar a eficácia e a influência da Organização das Nações Unidas, contribuindo também para a preparação da Assembleia do Milénio. Organização Mundial do Comércio A Presidência Portuguesa empenhar-se-á em contribuir, de forma construtiva, para o lança- mento do futuro ciclo negocial da Organização Mundial de Comércio (OMC), assegurando a preparação e a coordenação da posição da União Europeia nas reuniões que, com aquele objectivo, tenham lugar, quer em Bruxelas, quer em Genebra, no primeiro semestre de 2000. É intenção da Presidência Portuguesa promover um diálogo com os Estados-membros, com vista a reflectir sobre as consequências decorrentes da reunião de Seattle, bem como para consolidar o equilíbrio das directrizes de negociação futuras a conferir pela União à Comissão Europeia. 91