ISSN 1519-0412 vol. XIII nº 52 set/dez 2011 O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica Política Pública da Qualidade em Educação O Ativo e suas Avaliações: A Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia AlFA Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis Convergência Contábil na Administração Pública Federal: O Caso das Instituições Federais de Ensino do Estado do Rio de Janeiro 1 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Co ntábil Corpo Editorial Francisco José dos Santos Alves Rio de Janeiro – RJ Editor Doutor em Contabilidade e Controladoria – FEA/USP, professor da Universidade Estácio de Sá e professor da UERJ Antonio Miguel Fernandes Rio de Janeiro – RJ Mestre em Ciências Contábeis – UERJ, professor da Faculdade Moraes Júnior, da EPGE da FGV Management e do CPGE da UCAM Expediente Conselho Diretor do CRCRJ Diva Maria de Oliveira Gesualdi Diva Maria de Oliveira Gesualdi Presidente Rio de Janeiro – RJ Contadora, Pós-Graduada em Gestão Financeira pelo ISEP e em Contabilidade Empresarial pela UniverCidade e professora da Faculdade Moraes Júnior Mackenzie-Rio, da UniverCidade, do MBA de Perícia e de Auditoria e Compliance da Universidade Cândido Mendes Vitória Maria da Silva Vice-presidente João Antonio da Silva Cardoso Regina Célia Vieira Ferreira Vice-presidente Operacional Rio de Janeiro – RJ Contador, economista, advogado, mestre em Sistema de Gestão. Professor da FGV e da Faculdade Moraes Júnior Mackenzie-Rio. Francisco José dos Santos Alves Vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento Profissional Jorge Ribeiro dos Passos Rosa João Bosco Lopes Vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina Rio de Janeiro - RJ Contador, administrador, pós-graduado em Didática de Ensino Superior, coordenador do Curso de Graduação em Ciências Contábeis da UFF, presidente do IBRACON/RJ José Alonso Borba Florianópolis – SC Doutor em Contabilidade – USP e professor da UFSC Carlos Alberto do Nascimento Vice-presidente de Registro Josir Simeone Gomes Rio de Janeiro – RJ Pós-doutorado em Controle de Gestão na Universidade Carlos III de Madrid e professor da UERJ Claudio Vieira Santos Vice-presidente de Interior Lino Martins da Silva Rio de Janeiro – RJ Graduação em Contabilidade pela Faculdade de Ciências Contábeis e Administrativas Moraes Júnior (1967) e em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1984). Livre-docência pela Universidade Gama Filho. Professor-adjunto da UERJ e coordenador-adjunto do Curso de Mestrado em Contabilidade. Vicente de Paulo Muniz Vice-presidente de Ouvidoria Ana Cláudia Lima Corrêa Vice-presidente de Controle Interno Maria Thereza Pompa Antunes São Paulo – SP Doutora em Controladoria e Contabilidade – USP e professora adjunta – Universidade Presbiteriana Mackenzie/FAAP Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro Nahor Plácido Lisboa Rua Primeiro de Março, 33 – Centro – Rio de Janeiro – RJ CEP: 20.010-000 • tel.: (21) 2216-9595 • fax: (21) 2216-9607 www.crc.org.br Envio de artigos e assinatura: [email protected] Data de impressão: agosto/2011 Tiragem: 2.000 exemplares Sandra Maria dos Santos ISSN 1519-0412 Distribuição: por assinatura anual (R$ 16,00) Atendimento ao assinante •tel.: (21) 2216-9608 / fax: (21) 2216-9607 Rio de Janeiro – RJ Doutor em Políticas Públicas e Formação Humana-UERJ, Mestre em Contabilidade Financeira – UERJ, professor da UERJ, da Faculdade Moraes Júnior e da EPGE da FGV Management “As opiniões emitidas em artigos são de exclusiva responsabilidade de seus autores. É permitida a reprodução de qualquer matéria, desde que citada a fonte.” Produção editorial: Diagrama Comunicações Ltda-ME (CNPJ 74.155.763/0001-48) Jornalista responsável: Marcelo Cajueiro (Mtb15963/97/79) Impressão: Gráfica Sumaúma Apoio administrativo: Maria de Fátima Gomes Bacelo, Alex da Silva Peccini e Patrícia Silva CONCEITO QUALIS/CAPES: B4 Esta revista está indexada em www.atena.org.br, www.latindex.org e www.sumarios.org. São Paulo – SP Doutor em Controladoria e Contabilidade – FEA/USP, professor da FEA/USP e pesquisador da FIPECAFI Fortaleza – CE Pós-Doutorado em Economia Regional e Urbana – UFPE/PIMES, doutora em Economia Industrial – UFPE/PIMES e editora-chefe da Contextus – Revista Contemporânea de Economia e Gestão Waldir Jorge Ladeira dos Santos Consultores Ad Hoc Adolfo Henrique Countinho e Silva (Doutor em contabilidade e Controladoria pela FEA/USP, Professor Adjunto da FAF/UERJ), Andre Carlos Busanelli de Aquino (Doutor em Ciências Contábeis - FEA/USP, Professor Associado da FEA-RP/USP),Aracéli Cristina de Sousa Ferreira (Doutora em Controladoria e Contabilidade pela USP, Professora Titular da UFRJ), Francisco Antônio Bezerra (Doutor em Ciências Contábeis pela FEA/USP, Professor Permanente no PPGCC/FURB), Jorge Vieira da Costa Junior (Doutor em Controladoria e Contabilidade pela USP), Jose Augusto Veiga da Costa Marques Pós-Doutor em Contabilidade e Controladoria pela FEA/USP, Professor Associado da FACC/UFRJ), José Maria Dias Filho (Doutor em Controladoria e Contabilidade pela USP, Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Contábeis da UFBA), Marcelo Coletto Pohlmann (Doutor em Controladoria e Contabilidade pela USP, Professor Adjunto da PUC-RS), Natan Szuster (Doutor em Contabilidade pela USP, Pós-Doutor pela University of Illinois at Urbana-Champaign, Professor da FACC/UFRJ), Poueri do Carmo Mario (Doutor em Ciências Contábeis pela FEA/USP, Professor Adjunto do Departamento de Ciências Contábeis da UFMG), Ricardo Lopes Cardoso (Doutor em Ciências Contábeis pela FEA/USP, Professor Adjunto da EBAPE/FGV e da FAF/UERJ, Pesquisador Produtividade CNPQ nível 2), Simone Silva da Cunha Vieira (Doutora em Ciências Contábeis pela FEA/USP, Professora Adjunta da UERJ),Vinícius Aversari Martins (Doutor em Controladoria e Contabilidade pela USP, Professor Doutor da FEA-RP/USP) Ficha catalográfica P418 Pensar Contábil, v. 1, n.1, ago. 1998-. - Rio de Janeiro: CRCRJ, 1998-. Quadrimestral ISSN 1519-0412 1.Contabilidade. I.Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro CDU – 657 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Editorial Prezados leitores, Nesta terceira edição do ano de 2011, apresentamos seis artigos assim organizados: a) O PROCESSO DE HARMONIZAÇÃO ÀS NORMAS INTERNACIONAIS SOB A PERSPECTIVA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA: o estudo tem por objetivo realizar a bibliometria da produção científica dos últimos dez anos referente ao processo de harmonização aos procedimentos contábeis internacionais, ou de estudos correlatos a este assunto; b) POLÍTICA PÚBLICA DA QUALIDADE EM EDUCAÇÃO: o trabalho apresenta como objetivo principal a reflexão da Política Pública da Qualidade em Educação, incluindo as questões de gestão educacional e de infraestrutura à disposição da rede pública delimitada à esfera municipal. Este artigo é de autoria deste editor, juntamente com membro do Corpo Editorial. Ressaltamos que o mesmo foi submetido a todo o processo de avaliação, através do sistema double blind review, respeitando os procedimentos adotados pelo periódico ; c) O ATIVO E SUAS AVALIAÇÕES: A ESTRUTURA DE MENSURAÇÃO ATUAL RECONHECE O IMPACTO DA FLUTUAÇÃO DO PODER AQUISITIVO DA MOEDA: este trabalho tem o objetivo de estudar o ativo e suas avaliações, verificando se a estrutura de mensuração atual, incorporada da contabilidade internacional, reconhece o impacto da flutuação do poder aquisitivo da moeda; d) ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DO CUSTO COM A ÁGUA: ESTUDO DE CASO NA COMPANHIA ALFA: o artigo objetiva analisar se as variações dos custos de água da Companhia Alfa, empresa da construção civil situada na cidade de Natal/RN, podem ser explicadas pelas mudanças nos níveis de atividade, expressos pelo “número de unidades construídas” e “materiais diretos”; e) ANÁLISE DA EVIDENCIAÇÃO DO ATIVO INTANGÍVEL NAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS: o artigo consiste em analisar, no atual processo de aderência às novas normas contábeis vigentes no Brasil a partir da Lei 11.638/07, a evidenciação do ativo intangível nas demonstrações contábeis divulgadas pelas companhias abertas vencedoras do 13º Prêmio ANEFAC – FIPECAFI – SERASA EXPERIAN; f) CONVERGÊNCIA CONTÁBIL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL: O CASO DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: seu objetivo é investigar a percepção dos contadores governamentais sobre as melhorias que a contabilidade pode gerar para a gestão pública em decorrência da convergência das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público. Desejamos a todos nossos votos de prosperidade, paz e harmonia. Saudações acadêmicas. Francisco José dos Santos Alves Vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento Profissional Sumário Summary O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica 5 The Process of International Standards Harmonization in the Perspective of Scientific Production 5 Jocelino Donizetti Teodoro, Márcia Maria dos S. Bortolocci Espejo, Luciano Jocelino Donizetti Teodoro, Márcia Maria dos S. Bortolocci Espejo, Luciano Márcio Scherer e Cláudio Marcelo Edwards Barros Márcio Scherer and Cláudio Marcelo Edwards Barros Política Pública da Qualidade em Educação 15 Public Policy of Quality in Education 15 Waldir Jorge Ladeira dos Santos e Francisco José dos Santos Alves Waldir Jorge Ladeira dos Santos and Francisco José dos Santos Alves O Ativo e suas Avaliações: A Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? 26 Asset and its Valuations: Does the Current Measurement Structure Recognize the Impact of the Fluctuation in the Currency Purchasing Power? 26 Rosângela Mesquita Ayres, Tiago Centenaro Mignoni, Paula Rodrigues da Silva e Natan Szuster Rosângela Mesquita Ayres, Tiago Centenaro Mignoni, Paula Rodrigues da Silva and Natan Szuster Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia ALFA 36 Performance Evaluation of the Cost of Water: A Case Study on the Company ALFA 36 Rodrigo Fonseca de Araújo, Edzana Roberta Ferreira da Cunha Vieira, Giovana Tonetto Segantini e Clayton Levy Lima de Melo Rodrigo Fonseca de Araújo, Edzana Roberta Ferreira da Cunha Vieira, Giovana Tonetto Segantini and Clayton Levy Lima de Melo Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis Analysis of Intangible Assets Disclosure in Financial Statements 45 José Augusto Veiga da Costa Marques, Ronaldo Francisco dos Santos e Verônica Andréa Lima Gouveia Convergência Contábil na Administração Pública Federal: O Caso das Instituições Federais de Ensino do Estado do Rio de Janeiro Cíntia de Melo de Albuquerque Ribeiro e André Luiz Villagelim Bizerra 45 José Augusto Veiga da Costa Marques, Ronaldo Francisco dos Santos and Verônica Andréa Lima Gouveia 55 Accounting Convergence in the Federal Public Administration: The Case of the Federal Education Entities of the State of Rio de Janeiro 55 Cíntia de Melo de Albuquerque Ribeiro and André Luiz Villagelim Bizerra Uma publicação do Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 3 - 4, set/dez. 2011 3 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Orientações aos colaboradores da Revista Pensar Contábil Perfil temático e objetivos da publicação: A Revista Pensar Contábil é um periódico trimestral do Conselho Regional de Contabilidade, existente desde agosto de 1998 e tem como missão a divulgação de artigos relevantes na área de contabilidade, com o objetivo de fomentar a pesquisa. Mecanismo de avaliação de artigos: Podem encaminhar artigos para a revista colaboradores do Brasil e do exterior. Os artigos recebidos são avaliados pelo Corpo Editorial e consultores externos, através do sistema double blind review, não sendo conhecidos os autores durante a avaliação. Os artigos são apreciados e pontuados para uma edição específica da revista. Envio e regras para publicação de artigos: Os artigos deverão ser inéditos, podendo estar no idioma português, espanhol ou inglês. Devem ser encaminhados para o e-mail [email protected], nos prazos e características a seguir: Para publicação na Revista número Prazo para receber artigos 53 – jan./abr. - 2012 54 – maio/ago. - 2012 31/12/2011 30/04/2012 a) em folha de rosto, deverá constar: - o título do artigo; - identificação e qualificação do(s) autor(es) constando: o nome completo, número de registro (se for o caso), formação e qualificação profissional e/ou acadêmica (no caso de citar instituição de ensino, informar também o CEP, Cidade e UF correspondente); - endereço completo, telefone, fax e e-mail do(s) autor(es); b) a estrutura de apresentação do artigo deverá conter: título do artigo, resumo e palavras-chaves, assim como os mesmos tópicos em inglês (title, abstract, Key words), introdução, desenvolvimento e conclusão; c) a bibliografia completa deverá ser apresentada em ordem alfabética no fim do texto, de acordo com as normas da ABNT (NBR-6023 revisada); d) a formatação do artigo deve ser: - digitado em Word, tamanho A4, fonte Times New Roman; - fonte tamanho 12 para texto e tamanho menor para citações de mais de 3 linhas, notas de rodapé, paginação e legendas das ilustrações e tabelas; - as folhas devem apresentar margem esquerda e superior de 3 cm; direita e inferior de 2 cm; - entrelinhas simples; - alinhamento justificado; e) os artigos deverão estar redigidos em português. Os artigos de autores do exterior serão publicados em inglês, espanhol ou português, conforme o caso; f) os artigos deverão ter no mínimo 10 e no máximo 15 páginas; g) os artigos deverão ter sido completa e perfeitamente revisados; h) os direitos autorais dos artigos publicados nesta revista são dos autores, sendo concedidos pelos mesmos os direitos da primeira publicação ao Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro. 4 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 3 - 4, set/dez. 2011 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica Resumo Atualmente, os procedimentos contábeis de diversas nações têm passado por uma adaptação às normas do International Accounting Stantards Board (IASB), uma vez que estas possuem abrangência internacional para fins de reporte de informações financeiras entre os países, bem como para os procedimentos contábeis em geral. A atualidade deste assunto tem instigado produções científicas, muitas acerca do processo de convergência propriamente dito, outras em relação a assuntos que sugerem preocupação com este tema. O presente estudo tem por objetivo realizar a bibliometria da produção científica dos últimos dez anos referente ao processo de harmonização aos procedimentos contábeis internacionais, ou de estudos correlatos a este assunto. Para tanto, realizou-se, quanto à abordagem do problema, pesquisa quantitativa, mais voltada ao aspecto da tabulação e quantificação dos dados passíveis deste tratamento, com alguns traços de pesquisa qualitativa, ao se tentar associar o ambiente com o nível de produção do período. Em relação ao objetivo proposto, realizou-se pesquisa descritiva, a fim de descrever as características gerais dos artigos pesquisados, quando da realização da análise dos dados. Com relação à coleta de dados, realizou-se a análise de 50 artigos, número este em função do total de estudos que foi possível localizar nos periódicos e eventos pesquisados. Tais elementos de pesquisa referem-se a um recorte temporal que compreendeu o período de janeiro de 2000 até março de 2010, para levantar aspectos gerais ligados à publicação, à abordagem metodológica e à abordagem temática. Por fim, chega-se à conclusão de que a produção científica em relação ao processo de harmonização às normas internacionais ocorreu mais intensamente nos períodos em que tal processo tomou proporções mais amplas, tanto no ambiente brasileiro quanto no internacional. Palavras-chave: Bibliometria. Processo de Harmonização. Produção Científica. Abstract Currently, the accounting procedures of various countries have gone through an adjustment to the International Accounting Standards Board (IASB), because they have international 1 2 Jocelino Donizetti Teodoro Curitiba – PR Mestrando em Contabilidade e Finanças pela UFPR1 [email protected] Márcia Maria dos S. Bortolocci Espejo Curitiba – PR Doutora em Controladoria e Contabilidade pela FEA/USP2 Coordenadora e professora do Programa de Mestrado em Contabilidade da UFPR1 Professora do Curso de Graduação em Ciências Contábeis da UFPR1 [email protected] Luciano Márcio Scherer Curitiba – PR Doutor em Controladoria e Contabilidade pela FEA/USP2 Professor do Programa de Mestrado em Contabilidade da UFPR1 Professor do Curso de Graduação em Ciências Contábeis da UFPR1 [email protected] Cláudio Marcelo Edwards Barros Curitiba-PR Mestrando em Contabilidade e Finanças pela UFPR1 [email protected] coverage for reporting financial information between countries, as well as the accounting procedures in general. This theme has recently motivated scientific productions about the convergence process itself and others about other issues that suggest concern about this topic. This study aims to perform the bibliometrics of scientific production in the last ten years concerning the international accounting harmonization process and studies related to it. For this purpose, for the research problem approach, quantitative research was designed to perform the data set quantification and tabulation, and the qualitative research features are found by UFPR – Universidade Federal do Paraná – CEP 80.060-000 – Curitiba – PR FEA/USP - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – CEP 05508-010 – São Paulo - SP Artigo recebido em 10/09/2010 e aceito em 28/09/2011. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 5 - 14, set/dez. 2011 5 Pensar Contábil Jocelino Donizetti Teodoro CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Márcia Maria dos S. Bortolocci Espejo the environment and the production level association through the period. According to the proposed objective, descriptive research was performed in order to describe the general characteristics of the papers reviewed, when performing data analysis. With respect to the data collection, the analysis was performed in 50 articles in the research period, which could be found in journals and conferences surveyed. These elements of research refer to a time frame that included the period from January 2000 until March 2010, to raise general issues related to publication, the methodological approach and the thematic approach. Finally, this research concluded that the scientific production on the process of harmonization with international standards has been more intense during periods in which this process took larger proportions in Brazil and the international environment. Key words: Bibliometrics. Process Harmonization. Scientific Production. 1. Introdução Há poucos anos, o processo de harmonização das normas contábeis internacionais passou de uma simples idealização para um processo em andamento constante. No Brasil, a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), bem como a aprovação do Pronunciamento Conceitual Básico por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), conforme apresentado por Iudícibus (2009), é um retrato desta nova realidade, uma vez que este pronunciamento deriva de adaptações do framework do International Accounting Standards Board (IASB). A tendência à harmonização das normas internacionais não tem sido observada apenas no Brasil. Países integrantes da União Europeia, por exemplo, já têm as normas do IASB como padrão para o desenvolvimento das atividades contábeis e apresentação das demonstrações em relação às companhias abertas, bem como regulamentação específica para este fim em relação às pequenas e médias empresas, disponível no Financial Reporting Standard for Small and Medium-sized Entities (IFRS for SMEs) (IASB, 2010). Além disso, o Financial Accounting Standards Board (FASB), entidade regulamentadora da contabilidade norte-americana, com base no Memorandum of Understanding tratado com o IASB em 18 de setembro de 2002, firmou o compromisso de compatibilização das normas internacionais entre as duas entidades, através do desenvolvimento conjunto de padrões contábeis de alta qualidade (FASB, 2010). Outro ponto importante consiste no fato da U.S. Securities and Exchange Commission (SEC), em 2007, ter votado a favor da não obrigatoriedade de reconciliação de demonstrações em IFRS para US GAAP, propondo em 2008 um guia para possíveis emitentes de demonstrações dos Estados Unidos nos padrões IFRS, contendo as respectivas metas para atendimento a estes padrões (SEC, 2010). Considerando a importância e a atualidade do tema em questão, bem como as possíveis dificuldades inerentes ao processo de harmonização das normas contábeis em um único padrão, surge o seguinte questionamento: quais terão sido as abordagens temáticas e metodológicas desenvolvidas a respeito do processo de convergência às normas internacionais de contabilidade, considerando um resgate da publicação nos últimos dez anos? Destarte, o principal objetivo do 6 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 5 - 14, set/dez. 2011 Luciano Márcio Scherer Cláudio Marcelo Edwards Barros presente estudo está em medir e analisar a produção científica dos últimos dez anos, referente ao processo de convergência aos procedimentos contábeis internacionais, ou de estudos correlatos a este assunto, enfatizando as abordagens temáticas e metodológicas. A relevância desta pesquisa evidencia-se, uma vez que o processo de adaptação às normas internacionais é uma realidade, refletida pelas principais entidades que disciplinam os procedimentos contábeis nos diversos países, a exemplo do Brasil, com a aceitação por parte do CFC e CVM, e outras entidades relevantes, dos Pronunciamentos Conceituais do CPC como documentos disciplinadores dos procedimentos contábeis, conforme explicitam Iudícibus, Martins, Gelbcke e Santos (2010). Outra característica destacada por Iudícibus (2009, p. 80), em relação aos Pronunciamentos do CPC e, consequentemente, em relação às normas do IASB, é de que “trata-se de um documento bastante diferente de todos com os quais estamos acostumados, de conteúdo denso e de difícil entendimento e absorção por parte de nossos contadores, acostumados a formas mais codificadas de apresentação”. Esta característica, que torna mais complexo o conteúdo deste documento, faz necessária a realização de maior quantidade de pesquisas, a fim de esclarecer os procedimentos contábeis a serem tomados pelos profissionais, ou mesmo para o estudo da adequação destes documentos às práticas contábeis, e, desta forma, torna-se importante a análise bibliométrica e temática já produzida com base neste assunto. A presente pesquisa encontra-se estruturada, conforme já apresentado, primeiramente pela introdução sobre o assunto, bem como pelas características gerais do trabalho. Em um segundo momento, é apresentado um referencial teórico sobre a evolução da Estrutura Conceitual Contábil. Em seguida, são apresentados os aspectos metodológicos e, na sequência, os resultados quanto ao tratamento dos dados. Por fim, são apresentadas as conclusões e considerações. 2. Contexto Histórico – Estrutura Conceitual Contábil A evolução da estrutura conceitual, em um contexto geral, deu-se principalmente em dois ambientes, o ambiente europeu e o americano, que tiveram e ainda têm grande influência nos procedimentos contábeis nos demais países, a exemplo do Brasil. Sendo assim, os próximos itens apresentam primeiramente os aspectos do desenvolvimento da estrutura conceitual nos ambientes europeu e americano e, posteriormente, no ambiente brasileiro. 2.1. Ambientes Europeu e Americano No decorrer do processo evolutivo da contabilidade, é interessante destacar que importantes acontecimentos contribuíram para o desenvolvimento desta área do conhecimento, a citar o desenvolvimento da aritmética, a criação do denominador comum monetário, o desenvolvimento do conceito de propriedade, acumulação de capital etc. (HENDRIKSEN e VAN BREDA, 1999). Porém, a teorização da ciência contábil iniciou-se a partir da publicação da obra de Pacioli, em 1494, intitulada Summa de Arithmetica, Geometrica, Proportioni e Proportiona- CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica lita, que além de abordagens matemáticas “(...) foi o primeiro material publicado que descrevia o sistema de partidas dobradas, e apresentava o raciocínio em que se baseavam os lançamentos contábeis” (HENDRIKSEN e VAN BREDA, 1999, p. 39). Cabe destacar que, segundo Iudícibus (2009), o sistema de partidas dobradas já existia na época de publicação da obra de Pacioli, difundida no ambiente comercial europeu, sendo esta ferramenta apenas sumarizada em sua obra. Após este acontecimento, seguido da fase inicial do pensamento contábil desenvolvida pelas escolas europeias, o polo de desenvolvimento da estrutura conceitual estendeu-se para o ambiente norte-americano. Dentre muitos fatores que contribuíram para este movimento, além das próprias características desfavoráveis que se acentuaram na escola europeia, a citar o peso teórico excessivo e a inflexibilidade (PORTAL DE CONTABILIDADE, 2010), algumas características do ambiente norte-americano podem ser citadas: O surgimento das gigantescas corporations, principalmente em inícios dos séculos XX, aliado ao formidável desenvolvimento do mercado de capitais e ao extraordinário ritmo de desenvolvimento que aquele país experimentou e ainda experimenta, constitui um campo fértil para o avanço das teorias e práticas contábeis norte-americanas. (IUDÍCIBUS, 2009, p. 18). Estes fatores, que promoveram a ampliação do objetivo da contabilidade em prover informações para os usuários internos e externos à entidade, resultaram na necessidade de regulamentação e padronização dos procedimentos contábeis, bem como na realização de estudos com a finalidade de criação de princípios que fossem amplamente observados pelos profissionais contábeis, sendo a primeira instituição a desempenhar este papel a American Accounting Association (HENDRIKSEN e VAN BREDA, 2009). Este período foi marcado pelo surgimento de várias entidades de estudos dos procedimentos contábeis, dentre as quais podem ser citadas o American Institute of Certified Public Accountants, The American Accounting Association (AAA), Security Exchange Commission (SEC), e o mais conhecido, Financial Accounting Standards Board (FASB), seguido do surgimento de regulamentações acerca da prática contábil Em função da globalização do mercado de capitais e do ambiente econômico como um todo, novas necessidades surgiram, principalmente em relação ao estabelecimento de uma estrutura conceitual contábil aceita universalmente. Esta necessidade, inicialmente abarcada pelo FASB e IASC (International Accounting Standards Committe), passou a ser exercida mais amplamente pelo IASB nos últimos anos, sendo seus procedimentos adotados pelos países da União Europeia, bem como outros países desenvolvidos e em desenvolvimento. 2.2. Ambiente Brasileiro Com relação ao ambiente contábil brasileiro, até a criação da Lei nº 6.404/76, a regulamentação que tratava dos aspectos relacionados às sociedades por ações era o Decreto-Lei 2.627/40, que dentre outros aspectos, apresentava amplas características da escola contábil europeia. Como consequên Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 5 - 14, set/dez. 2011 cia, o ambiente contábil brasileiro apresentava as mesmas características personalistas do pensamento científico neste continente. Neste período, a primeira escola especializada no ensino de contabilidade foi a Escola de Comércio Álvares Penteado, criada em 1902, tendo como egressos autores conhecidos como Francisco D’auria e Frederico Herrmann Júnior, conforme Iudícibus (2009). Segundo o mesmo autor (2009), a influência norte-americana deu-se a partir do estabelecimento de firmas de auditoria de origem anglo-americana no Brasil, bem como em relação à fundação da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da USP, em 1946. Por fim, esta tendência consolidou-se a partir da Lei 6.404/76, tornando a influência da escola norte-americana uma realidade na pesquisa contábil e estrutura conceitual brasileira (REIS, SILVA e SILVA, 2010). O surgimento dessa Lei, em união à evolução do mercado financeiro de capitais e da estruturação da profissão contábil, resultou na criação de duas entidades que influenciaram amplamente a estrutura conceitual contábil brasileira: o CFC e a CVM. Porém, atualmente impulsionadas pelo processo de harmonização das normas contábeis internacionais, estas e outras entidades de pesquisa e regulamentação das práticas contábeis em mercados específicos uniram-se para a criação do CPC, a fim de unificar a estrutura conceitual contábil, em consonância com as normas internacionais, segundo Iudícibus, Martins, Gelbcke e Santos (2010). 3. Processo de Harmonização dos Procedimentos Contábeis A preocupação sobre a criação de uma estrutura conceitual contábil universalmente aceita avançou conforme a evolução do ambiente econômico, impulsionado pelo relacionamento comercial mais acentuado entre as diversas nações, com destaque na evolução do mercado de capitais. Neste contexto, pode-se afirmar que as entidades que inicialmente apresentaram maior destaque foram o FASB, entidade dos Estados Unidos que desde 1973 estabelece as normas contábeis norte-americanas (FASB, 2010), e o IASB, que foi denominado como Internacional Accounting Standards Committe (IASC) até o ano de 2002, cujo objetivo principal é especificamente elaborar normas contábeis de abrangência internacional segundo US Securities and Exchange Commission (SEC, 2009). Contribuindo com o fortalecimento do IASB, no ano de 2002, entrou em vigor o Regulamento n. 1.606 do Parlamento Europeu e do Conselho, que tratou da aplicação das normas internacionais de contabilidade, e, antes ainda, “em junho de 2000 já havia sido publicada uma comunicação denominada ‘Estratégia da União Europeia para o Futuro’, em matéria de informações financeiras a serem prestadas pelas empresas” (MÜLLER e SCHERER, 2009, p. 26). Ainda segundo os mesmos autores (2009), é importante destacar que a tendência à observação das normas contábeis do FASB, que surgiu mais em função da ampla abrangência econômica que os Estados Unidos têm em relação à economia de diversos países, foi suplantada pela tendência à aceitação das normas do IASB, principalmente em função de sua plena adoção pela União Europeia desde 2005, bem como pela sua assimilação por parte da International Organization 7 Pensar Contábil Jocelino Donizetti Teodoro CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Márcia Maria dos S. Bortolocci Espejo of Securities Commissions (IOSCO), entidade de âmbito internacional responsável pela regulamentação das entidades que negociam valores mobiliários, e que tem por objetivo proteger os investidores neste tipo de mercado, assegurar a transparência, eficiência e justiça do ambiente mercadológico, e promover a redução quanto ao risco (IOSCO, 2010). No Brasil, o processo de convergência iniciou-se efetivamente a partir de dois acontecimentos, sendo o primeiro a criação do CPC, a partir da Resolução 1.055 de 2005 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC, 2010), pela associação das principais entidades regulamentadoras da profissão contábil, ou seja, ABRASCA (Associação Brasileira das Companhias Abertas), APIMEC (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais), BM&FBOVESPA Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuro, CFC (Conselho Federal de Contabilidade), FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) e IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), tendo como principal objetivo o estudo e adaptação das normas emitidas pelo IASB às normas e práticas contábeis nacionais. Também é importante destacar que a criação do CPC permitiu a unificação da Estrutura Conceitual Contábil no Brasil, anteriormente ditada tanto pela CVM quanto pela IBRACON. O segundo acontecimento deu-se em função da origem na Lei 11.638/07, que dentre outras medidas, permitiu a “legalização” do CPC, sua formação e suas competências. Diz-se que sua principal função foi legalizar, em função de a estrutura desta entidade já ter sido definida dois anos antes da edição da Lei, com a Resolução CFC 1.055 citada anteriormente, e, sendo assim, a Lei simplesmente replicou as características do CPC na redação legal, a fim de atribuir aos procedimentos emitidos por esta entidade força de Lei. A partir da edição da Lei 11.638/07, ao CPC foi atribuída autoridade substantiva na emissão de pronunciamentos que regulamentem as práticas contábeis, e devem ser plenamente observados pelos contadores e pelas entidades. Dados os objetivos do CPC, principalmente voltados à emissão de Pronunciamentos que contribuam para o processo de harmonização das normas contábeis internacionais, cada procedimento CPC está amplamente baseado nas IAS e IFRS do IASB. Destacam-se, pois, algumas características da nova estrutura conceitual Brasileira emitida pelo CPC: A nova estrutura, que deve ser observada por todos os contadores no Brasil, foi derivante de uma adaptação do IASB. Ela dá muita ênfase aos usuários e suas necessidades [...], aos objetivos das demonstrações contábeis [...]. [...] cria os chamados Pressupostos Básicos, que se desdobram em apenas dois: Regime de Competência e Continuidade. Nada mais fala sobre postulados ou princípios (IUDÍCIBUS, 2009, p. 80). Ainda segundo o mesmo autor (2009, p. 80), além destas características, destaca-se também o caráter diferente do documento, “(...) de conteúdo denso e de difícil entendimento e absorção por parte de nossos contadores, acostumados a formas mais codificadas de apresentação”. 8 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 5 - 14, set/dez. 2011 Luciano Márcio Scherer 4. Metodologia Cláudio Marcelo Edwards Barros Este estudo caracteriza-se por uma pesquisa bibliométrica, referente à produção científica sobre o processo de harmonização às normas contábeis internacionais entre os diversos países, em um recorte temporal de janeiro de 2000 a março de 2010. Este período foi selecionado, considerando que o processo de convergência passou a ser mais amplamente discutido por volta do ano 2000 e, portanto, presume-se que a maior concentração de estudos com base neste assunto esteja dentro deste recorte temporal. Para o desenvolvimento desta pesquisa, a abordagem do problema exigiu a realização de uma pesquisa quantitativa, em relação aos dados possíveis de tabulação, que, segundo Richardson (2008, p. 70), é caracterizada “(...) pelo emprego de quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas, desde as mais simples (...), às mais complexas (...)”, com traços de pesquisa qualitativa, quando da análise das demais características, em função da tentativa de se associar os resultados dos anos ao respectivo contexto histórico vivenciado, bem como, conforme Richardson (2008), em função do aspecto relativamente complexo e particular de tratamento dos dados. Em relação aos objetivos, a pesquisa caracterizou-se como descritiva. Segundo Ribeiro da Silva (2003, p. 65), a pesquisa descritiva “(...) tem como objetivo principal a descrição das características de determinada população ou fenômeno, estabelecendo relações entre as variáveis”. No caso deste estudo, a descrição foi em relação às características gerais dos artigos utilizados na pesquisa. Para a estruturação do referencial teórico, realizou-se pesquisa bibliográfica em relação à evolução da estrutura conceitual contábil, no âmbito teórico e em relação às entidades que efetivamente regulamentam os procedimentos contábeis. Conforme Ribeiro da Silva (2003, p. 60), a pesquisa bibliográfica “(...) explica e discute um tema ou problema com base em referências teóricas já publicadas em livros, revistas, periódicos, artigos científicos, etc.”. Quanto aos dados utilizados, foram identificados 50 artigos publicados em periódicos e eventos, número este em função do total de artigos que foi possível localizar nestes veículos, que abordavam o assunto da harmonização quanto às normas internacionais emitidas pelo IASB, ou cujo assunto principal sugeria tal preocupação. Os artigos selecionados foram obtidos junto aos sites das entidades onde estes foram publicados, e são tanto de origem nacional quanto internacional. Os periódicos e eventos pesquisados para a coleta de dados, bem como a quantidade de artigos por periódico foram os seguintes: Journal Of International Accounting, Auditing and Taxation (7), Advances in Accounting (6), The International Journal Of Accounting (6), Accounting Forum (3), Critical Perspectives on Accounting, (3), Journal of Accounting and Public Policy (3), International Journal of Accounting Information Systems (2), Research in Accounting Regulation (2), Accounting, Organizations and Society (1), Advances in International Accounting (1), International Business Review (1), The British Accounting Review (1), Revista Universo Contábil – FURB (4), Revista de Contabilidade e Finanças – USP (2), Revista CRCRS (1), Congresso USP de Contabilidade e Controladoria (6), Enanpad (1). Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica Quanto às fontes de coleta de dados, é importante destacar a característica diferenciada que os eventos possuem em relação aos periódicos, uma vez que o primeiro tem a função de exercer críticas ao estudo apresentado, para possíveis alterações e melhorias, visando posterior publicação em periódicos (working papers). Neste sentido, no desenvolvimento do presente estudo, houve a preocupação em não selecionar artigos duplicados, que por ventura tivessem sido publicados tanto em eventos quanto em periódicos dentro do período. Caso este fato ocorresse, seria utilizado o artigo proveniente do periódico, em função deste caracterizar a versão definitiva do trabalho de pesquisa. Quanto ao tratamento dos dados, em se tratando das características gerais e dos aspectos metodológicos, estes foram tabulados e quantificados, em algumas situações em quantidade e em outras em percentuais, sendo este tratamento denominado por Richardson (2008) como procedimento estatístico simples. O enquadramento quanto à análise metodológica de cada artigo foi realizado tendo-se como critério: abordagem normativa ou positiva (IUDÍCIBUS, 2009, p.13), tipologias teórica (BAFFI, 2010) ou empírica (MARTINS e THEÓPHILO, 2009, p. 39) e os seguintes procedimentos: estudo de caso (GIL, 2009, p. 58), survey (GIL, 2009, p. 55), documental (GIL, 2009, p. 51) e bibliográfico (MARTINS e THEÓPHILO, 2009, p.54). Com relação aos dados da abordagem temática, em função da particularidade dos temas em específico, fez-se necessário criar grupos de Abordagem Temática, que reunissem os estudos com características semelhantes. Estes grupos, bem como as características dos artigos por eles abrangidos, podem ser observados no Quadro 1. Cabe destacar desde já, a fim de evitar conflitos na interpretação, que a Abordagem Temática caracterizada como “Teórica” difere da Tipologia Metodológica também denominada “Teórica”, uma vez que a primeira certamente estará contida na segunda por caracterizar-se apenas por pesquisas bibliográficas, mas a segunda poderá abranger outras Abordagens Temáticas, desde que a Tipologia Metodológica utilizada na análise tenha sido teórica. Abordagem Temática Abrangência Análise da Adequaçãzo Análise da adequação dos países em relação às normas internacionais Aplicação de uma norma internacional Análise da aplicação de uma norma internacional em específico Normas Nacionais / Internacionais Comparação entre normas contábeis nacionais e internacionais Custo-Benefício Análise do custo-benefício quanto à adoção das normas internacionais Agentes Econômicos Impacto da característica dos agentes envolvidos com a contabilidade no processo de harmonização às normas contábeis internacionais. Teórica Pesquisa bibliográfica sobre a norma internacional ou o processo de harmonização Quadro 1 – Grupos Para Análise Da Abordagem Temática Fonte: Os Autores Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 5 - 14, set/dez. 2011 5. Resultados da Pesquisa A seguir são apresentados os resultados da pesquisa, primeiramente em relação às características gerais dos artigos analisados, sendo apresentados na sequência os resultados da análise metodológica e, por fim, aspectos inerentes à abordagem temática, fundamentados nos grupos apresentados na seção anterior. 5.1. Características Gerais Conforme anteriormente salientado, de Janeiro de 2000 a março de 2010 foram identificados 50 artigos cujo tema principal versava sobre a harmonização às normas contábeis internacionais ou que demonstrava esta preocupação. A Tabela 1 apresenta a quantidade de artigos estudados, segregados por ano e por procedência, ou seja, se de origem nacional ou internacional, bem como a representatividade percentual da quantidade de publicações por período. Ano Quantidade Internacional (%) Nacional (%) Total (%) 2002 1 3% - - 1 2% 2003 - - - - - - 2004 1 3% 1 9% 2 4% 2005 2 5% - - 2 4% 2006 9 23% 2 18% 11 22% 2007 4 10% - - 4 8% 2008 11 28% 6 55% 17 34% 2009 6 15% 1 9% 7 14% 2010 5 13% 1 9% 6 12% TOTAL 39 100% 11 100% 50 100% Tabela 1 – Quantidade de Artigos Selecionados Fonte: Os Autores Com base na Tabela 1, é possível observar que os anos em que houve maior quantidade de publicações foram 2008 e 2006, com 17 e 11 artigos, respectivamente. O crescimento acentuado do interesse neste assunto, observado a partir do ano de 2006, possivelmente é em função do período de adoção das normas internacionais na Europa, que data efetivamente do ano de 2005. O ano de 2002, com apenas um artigo sobre este assunto, pode indicar o início da preocupação com o processo de harmonização, que provavelmente passou a ser discutido de forma mais acentuada a partir do Regulamento 1.606/02 do Parlamento Europeu. Em se tratando de publicações de origem brasileira sobre o processo de convergência, observa-se que a quantidade é consideravelmente inferior quando comparado ao total de publicações estrangeiras, provavelmente em função de este processo ter se iniciado mais tardiamente no Brasil, apenas a partir da criação do CPC e da atribuição a este prevista pela Lei 11.638/07. Produções brasileiras, porém, foram observadas em períodos anteriores, como em 2004 e 2006 (uma e duas respectivamente), o que já demonstrava certa preocupação relacionada ao assunto, mesmo que ainda não estivesse tão próximo da realidade brasileira. 9 Pensar Contábil Jocelino Donizetti Teodoro CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Márcia Maria dos S. Bortolocci Espejo O período de maior produção de origem brasileira, referente ao processo de convergência, foi o ano de 2008, com seis artigos, provavelmente em função de ser um período próximo à edição da Lei 11.638/07, bem como da aprovação de uma série de Pronunciamentos do CPC, fatos estes que apontavam que o processo de convergência havia tomado maiores proporções no Brasil. Outra característica geral analisada dos artigos pesquisados foi em relação às instituições de ensino vinculada a estes estudos. Cabe destacar que a maioria dos artigos possui mais de uma instituição representativa, em função das diversas origens dos autores, e naturalmente, o total de instituições referenciadas resultou em uma quantidade mais elevada que o número de artigos. Isto posto, as informações das instituições de ensino citadas nos artigos podem ser observadas na Tabela 2. Luciano Márcio Scherer ou empíricos; quanto aos procedimentos, se estudo de caso, survey, documental ou bibliográfico. A Tabela 3 demonstra os resultados dos artigos em questão. Conforme pode ser observado, existe ampla tendência de que a abordagem metodológica utilizada nas pesquisas esteja relacionada com a tipologia, sendo esta relação praticamente direta para o caso desta pesquisa. Desta forma, quanto à classificação relacionada à abordagem metodológica, 17 artigos apresentavam características voltadas à abordagem normativa, enquanto que 33 apresentavam características inerentes à abordagem positiva. Em mesma proporção, com relação à tipologia de pesquisa, 17 artigos pesquisados apresentaram características de pesquisa puramente teórica, enquanto que 33 apresentaram aspectos de pesquisa empírica. Métodos ABORDAGEM TIPOLOGIA Normativa Positiva Teórico Empírico Qtde 17 33 17 33 (%) 34% 66% 34% 66% 50 Total 50 INSTITUIÇÃO DE ORIGEM Qtde (%) Não Informado 6 7,32% Macquarie University 3 3,66% Universidade de São Paulo 3 3,66% University of Bahrain 3 3,66% University of Dayton 3 3,66% Instituto Politécnico de Viana do Castelo 2 2,44% Universidade do Minho 2 2,44% University of Richmond 2 2,44% Total Virginia Commonwealth University 2 2,44% Tabela 3 – Aspectos Metodológicos York University 2 2,44% Fonte: Os Autores Outras 54 65,85% TOTAL 82 100,00% Tabela 2 – Instituições de Ensino Fonte: Os Autores Em seis artigos publicados não houve a informação da instituição vinculada ao estudo em questão. Quanto àqueles em que foram informadas as instituições de ensino de origem, as mais citadas no período contam com três artigos publicados, sendo estas a Macquarie University, University of Bahrain, University of Dayton e a Universidade de São Paulo (USP). Na Tabela 2 ainda são demonstradas as instituições de ensino evidenciadas em mais de dois artigos publicados neste período, e a categoria denominada como “Outras” abrange todas as instituições que foram citadas em apenas um dos artigos consultados. Observa-se, desta forma, a grande variedade de instituições de ensino que demonstraram interessem neste assunto, no período pesquisado. 5.2. ASPECTOS METODOLÓGICOS Quando da análise dos dados, também se atentou para as formas de abordagem metodológicas utilizadas para a exploração do assunto. Nesta análise, foram verificadas três características: quanto à abordagem da pesquisa, se positiva ou se normativa; quanto à tipologia, se estudos teóricos 10 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 5 - 14, set/dez. 2011 Cláudio Marcelo Edwards Barros Total Métodos PROCEDIMENTOS Caso Survey Documental Bibliográfico Qtde 2 24 14 10 (%) 4% 48% 28% 20% Total 50 Estes resultados demonstram uma característica importante dos trabalhos voltados à análise do processo de harmonização das normas contábeis. Ao contrário do que se imaginava, embora tenha sido encontrada quantidade maior de trabalhos empíricos e positivos, principalmente no sentido de analisar os impactos de procedimentos ligados às normas internacionais e nível de harmonização a estas, verificou-se boa quantidade de estudos teóricos, voltados principalmente à análise critica do conteúdo dos regulamentos internacionais em comparação aos regulamentos de países em processo de convergência, análise do sucesso da implementação nos países em desenvolvimento, pesquisas bibliográficas sobre o assunto, etc. Em relação aos procedimentos metodológicos, 24 artigos (48%) foram realizados com base em survey, ou seja, levantamento dos elementos de pesquisa para identificação das características de interesse do estudo, enquanto 14 (28%) foram desenvolvidos a partir de pesquisa documental, ou seja, a partir de documentos que exigiram interpretação para obtenção dos resultados. Além disso, 10 pesquisas (20%) foram puramente bibliográficas, caracterizando pesquisas em estudos já publicados, ou seja, cujos dados já passaram por interpretações, e, por fim, apenas 2 (4%) dos artigos pesquisados caracterizaram estudos de caso. Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica 5.3. ABORDAGEM TEMÁTICA Conforme sugerido nos aspectos metodológicos, a maior parte dos estudos tem sido influenciada por pesquisas empíricas, porém, com boa quantidade de trabalhos orientados com base na linha teórica. Com relação à análise temática por grupos, os resultados podem ser observados na Tabela 4. Abordagem Temática Qtde (%) Agentes Econômicos 18 36% Análise da Adequação 13 26% Normas Nacionais / Internacionais 13 26% Aplicação de uma Norma Internacional 2 4% Custo-Benefício 2 4% Teórica 2 4% Total 50 100% Tabela 4 – Abordagem Temática por Grupo Fonte: Os Autores Observa-se que as Abordagens Temáticas preponderantes no período pesquisado foram relativas aos Agentes Econômicos, Analise de Adequação, bem como Normas Nacionais / Internacionais, com 44 dos 50 artigos (88%) distribuídos entre estas temáticas. As demais abordagens apresentaram representatividade inferior, com apenas 6 dos 50 artigos pesquisados (12%). Destacando as temáticas com maior relevância no período, com base na Tabela 4, percebe-se que a temática mais explorada no período foi a denominada Agentes Econômicos, com 18 artigos (36%), caracterizada por pesquisas que buscam refletir o impacto que a característica dos agentes econômicos apresenta no processo de harmonização às normas internacionais. Dentro dessa classificação, destacam-se artigos principalmente preocupados com as características das nações no processo de harmonização às normas, a exemplo do artigo de Larson e Street (2004) que na época analisou as barreiras percebidas no processo de harmonização às normas internacionais nos países europeus, bem como o trabalho de Zeghal e Mhedhbi (2006) que trata dos fatores que podem explicar o processo de adaptação dos países em desenvolvimento às normas internacionais. Além disso, a pesquisa de Paul de Lange (2006) buscou, com base na análise dos princípios norte-americanos de contabilidade e o IASB, atestar a probabilidade de os Estados Unidos adorarem as normas internacionais, enquanto que o trabalho de Perea e Baydoun (2007) observou os fatores do ambiente da Indonésia que poderiam explicar a não adoção das normas internacionais por parte deste país. No Brasil, o trabalho de Carlin (2008) foi uma análise teórica acerca das etapas do processo de harmonização das normas internacionais no Brasil e os desafios para a contabilidade pública brasileira. Com relação à segunda abordagem temática mais explorada, foi observada tanto a Análise da Adequação quanto a análise das Normas Nacionais / Internacionais, cada um com 13 artigos dos 50 artigos pesquisados (26%). Dentre os artigos que tiveram por tema a análise da adequação, cuja pre- Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 5 - 14, set/dez. 2011 ocupação está na análise quanto à adequação pelos países e entes da área contábil às normas internacionais, pode ser destacado o trabalho de Aljifri e Khasharmehf (2006), cujo objetivo foi verificar o nível de adequação nos Emirados Árabes às normas internacionais, bem como a pesquisa de Ali e Henry (2006), cujo objetivo foi analisar a harmonização dos procedimentos contábeis entre os países do sul da Ásia. Também foi possível observar artigos brasileiros nesta abordagem temática, como o de Lemes e Carvalho (2004), que buscou investigar o atual estágio de harmonização das normas brasileiras contabilidade às internacionais, e Szuster e Szuster (2008), que, com o mesmo intuito, realizou um estudo de caso na empresa Gerdau S.A. Sobre a Abordagem Temática intitulada Normas Nacionais / Internacionais, com a preocupação de comparação (teórica ou empírica) entre as normas contábeis emitidas pelos países em específico e as normas do IASB, pode ser citado como exemplo o trabalho de Meulen, Gaeremynck e Willekens (2007), que analisou os atributos e as diferenças entre os princípios contábeis norte-americano e as normas do IASB, bem como o trabalho de Yalkın, Demir e Demir (2008), que propôs uma análise do desenvolvimento do IASB e dos procedimentos contábeis da Turquia. Além desses, destacam-se três trabalhos brasileiros, como o de Beuren e Klann (2008), cuja abordagem foi a análise das divergências entre o as normas contábeis dos Estados Unidos e as IFRS, bem como Rodrigues e Niyama (2008), que buscaram traçar um quadro comparativo entre as normas contábeis chinesas e as normas internacionais de contabilidade, e, finalmente, Fuji (2008), que buscou a comparação entre a forma de contabilização dos títulos e valores mobiliários no Brasil, em relação às normas do IASB e do FASB. Por fim, com apenas 2 artigos cada (4%) estão as seguintes abordagens temáticas: Aplicação de uma Norma Internacional, representado por artigo de Rech, Pereira, Pereira e Cunha (2006) que analisa a aplicação da IAS 41 em empresas do setor de pecuária de corte, e de Fasshauer, Glaum e Street (2008) que verifica, com base na IAS 19, os critérios adotados por empresas para reconhecimento de ganhos e perda nas demonstrações contábeis; Custo-Benefício, com os artigos de Whittington (2008), que propõe uma crítica sobre os objetivos do IASB e à verdadeira contribuição deste para a área contábil, e Alves e Moreira (2009), cujo objetivo foi analisar as causas do custo elevado na implantação das normas internacionais e possibilidades para a redução; e Teórica, caracterizado pelo trabalho de Kimura e Ogawa (2007), que realizaram uma revisão, com base no processo de convergência às normas internacionais de contabilidade, do estudo de Camfferman e Zeff sobre divulgação de informações financeiras no mercado de capitais, e Botzem e Quack (2009), os quais buscaram, com base em informações e trabalhos publicados acerca da adaptação à IFRS, desenvolver um modelo teórico de adaptação às normas internacionais. 6. CONCLUSÃO O principal objetivo do presente estudo foi medir e analisar a de harmonização aos procedimentos contábeis internacionais, ou que apresentassem assuntos correlatos a este processo. Com base nos resultados da pesquisa, observa-se que 11 Pensar Contábil Jocelino Donizetti Teodoro CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Márcia Maria dos S. Bortolocci Espejo a maior quantidade de artigos concentra-se em períodos em que o processo de convergência assumiu maiores destaques, tanto no Brasil e nos demais países, que são os anos de 2006 e 2008, com 11 e 17 artigos, respectivamente. Destaca-se, além disso, a grande diversidade de instituições de ensino que promoveram tais estudos, uma vez que a maior repetição de instituições vinculadas aos artigos foi de três dentre os 50 artigos, demonstrando o crescente interesse no assunto em questão, bem como sua representatividade entre diversas nações. Outra característica importante nos estudos pesquisados é relativa aos aspectos metodológicos, onde os estudos teóricos, embora em menor quantidade em relação aos empíricos, representaram uma boa parcela do total de elementos pesquisados no período. Este fato demonstra o interesse que os pesquisadores apresentaram em analisar, além de aspectos práticos da aplicação das normas internacionais, aspectos teóricos, como análise de conteúdo, pesquisas bibliográficas e documentais, etc. Quanto à abordagem temática, percebe-se uma maior tendência dos pesquisadores em abordar as características dos vários agentes econômicos que influenciam no processo de harmonização das normas internacionais, considerando que 36% dos artigos foram alocados neste grupo temático. Além disso, os temas de Nível de Adequação às normas do IASB e de Normas Nacionais / Internacionais foram a segunda maior representatividade, com 26% cada. Luciano Márcio Scherer Cláudio Marcelo Edwards Barros Pode-se, portanto, afirmar que os resultados da presente pesquisa levam a crer que a produção científica do processo de harmonização com as normas internacionais de contabilidade no recorte temporal apresentado orientaram-se mais no sentido de atestar o nível de adequação às normas contábeis e os impactos e barreiras encontradas nas diversas nações do que a aplicação das normas em específico (que poderiam ter sido desenvolvidas em relação à aplicação de alguma técnica, por exemplo), ou o impacto do custo-benefício deste processo. Portanto, com base na quantificação dos trabalhos até a data limite estipulada, a contribuição deste trabalho está em atestar as abordagens temáticas até então pesquisadas, bem como revelar o nível ainda pequeno de trabalhos científicos direcionados ao processo de harmonização às normas internacionais, e campos de pesquisa tão importantes quanto os mencionados nesta investigação, ainda pouco explorados. Constata-se, a partir da pesquisa, o vasto campo que ainda é possível explorar, em relação ao desenvolvimento de estudos sobre o assunto, principalmente no âmbito nacional. Dado o caráter atual do assunto referente ao processo de convergência em muitos países, inclusive no Brasil, a tendência é que as características da produção científica referente a este assunto se alterem paralelamente à evolução quanto à adaptação às normas internacionais. Assim sendo, sugere-se a realização de estudos posteriores, a fim de investigar esta movimentação e contatar as possíveis mudanças de posicionamento das pesquisas. REFERÊNCIAS ALI, Muhammad Jahangir; AHMED, Kamran; HENRY, Darren. Harmonization of accounting measurement practices in South Asia. Advances in International Accounting, Volume 19, 25–58. Elsevier, 2006. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com>. Acesso em: 27 Abr. 2010. ALJIFRI, Khaled; KHASHARMEH, Hussein. 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Acesso em: 27 Abr. 2010. 14 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 5 - 14, set/dez. 2011 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Política Pública da Qualidade em Educação Resumo O papel do Estado não pode se limitar à superação da pobreza, à redistribuição de renda ou ao combate às desigualdades e exclusão social. Deve abranger também a busca incansável do desenvolvimento daqueles que pertencem à classe dominada, a grande massa da população que, por vezes, é refém de um sistema viciado e acomodado, idealizado pela minoria hegemônica do país. Atualmente, o sistema educacional brasileiro está marcado pela baixa remuneração e más condições de trabalho dos profissionais da educação, bem como pela falta de universalização do acesso e permanência na rede pública de ensino, o que agrava as várias mazelas educacionais, como exclusão, repetência, evasão escolar e analfabetismo de crianças, jovens e adultos. Desenvolver políticas públicas na área de Educação deve representar a bandeira de luta de um Estado democrático de direito, que dá voz à maioria em busca de execução de programas governamentais que possibilitem a inclusão da classe dominada pela cultura capitalista e individualista da minoria dominante. Não basta o Estado disponibilizar os serviços educacionais à população, pois esses devem ser acompanhados pela qualidade mínima necessária para que nossos cidadãos possam ter acesso à formação crítica do indivíduo, contribuindo para a construção de seus valores e saberes em prol do avanço social tão esperado. O presente trabalho apresenta como objetivo principal a reflexão da Política Pública da Qualidade em Educação, incluindo as questões de gestão educacional e de infraestrutura à disposição da rede pública delimitada à esfera municipal. Como objetivo secundário, o estudo faz um resgate das mazelas impostas pelo modelo neoliberal brasileiro implantado no final da década de oitenta do século passado até os modestos avanços de remodelagem do governo Lula em relação à política pública em Educação. A metodologia da pesquisa compreendeu levantamento bibliográfico. O trabalho se divide em três seções: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão. No desenvolvimento são discutidos os pontos principais da pesquisa, divididos em dois tópicos: O Neoliberalismo no Brasil e Políticas Públicas em Educação: a busca da Qualidade, que inclui a questão central da pesquisa – a Qualidade da Educação Pública, dividindo-se em Gestão Educacional e Infraestrutura. O estudo conclui que os desafios apontados para a conquista de uma educação para todos, democrática e de qualidade mínima necessária, podem ser Waldir Jorge Ladeira dos Santos Rio de Janeiro – RJ Doutor em Políticas Públicas e Formação Humana pela UERJ1 Mestre em Contabilidade Financeira pela UERJ1 Professor Adjunto do Mestrado em Contabilidade da UERJ1 Professor da Faculdade Moraes Júnior-Mackenzie Rio2 Professor de MBA da FGV3 [email protected] Francisco José dos Santos Alves Rio de Janeiro – RJ Doutor em Contabilidade e Controladoria pela FEA/USP4 Coordenador do Curso de Mestrado em Ciências Contábeis da FAF/UERJ1 [email protected] reduzidos, ou mesmo superados, com políticas públicas norteadoras da Qualidade em Educação, incluindo as questões de gestão educacional participativa e de financiamento suficiente para a oferta de uma infraestrutura capaz de atender às demandas dos diversos serviços educacionais necessários à população. Palavras-chave: Educação. Políticas Públicas. Neoliberalismo. Qualidade. Abstract The role of the State cannot limit itself to overcoming poverty, redistributing income or tackling inequality and social exclusion. It should also apply to the relentless pursuit of the development of those in the dominated class, the bulk of the population that sometimes is hostage to a flawed and accommodated system, devised by a hegemonic minority of the country. Currently, the Brazilian educational system is marked by the low pay and poor working conditions of professional educators as well as by the lack of universal access and permanence in the public school system, which increases the number of educational ills, such as exclusion, retention, school evasion and illiteracy of children, youth and adults. The development of Public Policies in Education should represent the battle flag of a democratic state, which gives voice to the UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – CEP 20550-013 – Rio de Janeiro – RJ Faculdade Moraes Júnior-Mackenzie Rio – CEP 20061-003 – Rio de Janeiro - RJ 3 FGV - Fundação Getúlio Vargas – CEP 22250-900 – Rio de Janeiro - RJ 4 FEA/USP – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – CEP 05508-010 – São Paulo - SP 1 2 Artigo recebido em 31/08/2011 e aceito em 28/09/2011. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 15 - 25, set/dez. 2011 15 Pensar Contábil Waldir Jorge Ladeira dos Santos CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Francisco José dos Santos Alves majority seeking implementation of government programs that allow the inclusion of the class dominated by the capitalist and individualistic culture of the ruling minority. The state providing educational services to the population is not enough; these must be accompanied by the minimum quality required for our citizens to have access to critical formation of the individual, helping with the construction of values and knowledge for the sake of social progress as expected. This paper presents as its the main objective the reflection on Public Policy in Education Quality management issues, including education and infrastructure available to the public at the municipal level. As a secondary objective, the study provides an overview of the shortcomings imposed by the neoliberal model implemented in the Brazil from the late 1980s to the modest remodeling advances made by the Lula government. The methodology of the study involved book research. The work is divided into three sections: Introduction, Development and Conclusion. In ‘development’ are the main points discussed in the survey, divided in two topics: Neoliberalism in Brazil and Public Policy in Education: the quest for quality, which includes the central research question - the Quality of Public Education, by breaking into Educational Management and Infrastructure. The study concludes that the challenges faced to achieve education for all, democratic and with minimum quality required, can be reduced or even overcome, with public policies guiding the Quality in Education issues, including participatory educational management and sufficient funding for the provision of an infrastructure capable of meeting the demands of the various educational services necessary for the population. Key words: Education. Public Policy. Neoliberalism. Quality. Introdução Com a Constituição Federal de 1988, foi garantido à educação o financiamento público por meio de uma parcela da arrecadação de impostos (porém não da participação do Produto Interno Bruto (PIB)). Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), buscou-se disseminar a ideia de que o problema da qualidade dos serviços em educação não estava no montante de recursos destinados à educação, mas em como o “dinheiro público” era aplicado. Discurso da classe hegemônica, que na época tinha fortes intenções de privatizar, inclusive a educação. As políticas públicas no modelo neoliberal representam uma forma hegemônica de poder surgida a partir do meados do século XX por meio de reformas estruturais profundas em toda a relação social. Para Frigotto, o modelo político neoliberal apresenta como ideia balizadora: O setor público (o Estado) é responsável pela crise, pela ineficiência, pelo privilégio, e que o mercado e o privado são sinônimos de eficiência, qualidade e equidade. Desta ideia-chave advém a tese do Estado mínimo e da necessidade de zerar todas as conquistas sociais, como direito a estabilidade de emprego, o direito à saúde, educação, transportes públicos, etc. Tudo isto passa a ser comprado e regido pela férrea lógica das leis do mercado. Na verdade, a idéia do Estado mínimo significa o Estado suficiente e necessário unicamente para os interesses da reprodução do capital (in Gentili, 2007, p. 83). 16 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 15 - 25, set/dez. 2011 Assim, a matriz neoliberal foi formada com base na liberdade, na competição entre os indivíduos e no livre mercado com pouca ou nenhuma intervenção do Estado (em contradição à garantia do bem-estar social). A educação, por exemplo, mais do que um direito, tornou-se propriedade daquele que não mais é considerado como cidadão, mas agora um consumidor, capaz ou não de adquiri-la, se dispuser de condições econômicas para tanto. Isso obviamente agravou sobremaneira a situação da sociedade marcadamente desigual. Em decorrência, a política adotada pelos governos brasileiros após a ditadura militar revelou-se excludente para a maioria da população, trazendo consequências graves para a sociedade, pois aumentou suas desigualdades. Essa política, de acordo com Gentili: expressa uma saída política, econômica, jurídica e cultural específica para a crise hegemônica que começa a atravessar a economia do mundo capitalista como produto do esgotamento do regime de acumulação fordista iniciado a partir do fim dos anos 60 e começo dos 70. O(s) neoliberalismo(s) expressa(m) a necessidade de restabelecer a hegemonia do quadro desta nova configuração do capitalismo em um sentido global (2007, p. 230-1). A Educação Pública é uma das áreas mais relevantes para o desenvolvimento nacional e por isso é afetada diretamente pela forma ou modelagem das diversas políticas públicas adotadas pelas lideranças políticas do país, sejam elas neoliberais ou socialistas. Estudar sobre políticas públicas e não resgatar, ainda que brevemente, o modelo de governo aplicado no país é alienar-se dos fundamentos de toda ação pública, razão pela qual será apresentado o modelo adotado pelos últimos governos brasileiros. Desenvolvimento O Neoliberalismo no Brasil O governo de Fernando Collor de Melo, na tentativa de controlar a inflação, promover a abertura econômica do Estado brasileiro para o mercado internacional e reduzir os gastos com os chamados marajás, entre outras medidas, iniciou a busca de um novo modelo de Estado anunciando uma trajetória ao neoliberalismo mantida pelo seu Vice-Presidente, Itamar Franco, que assumiu o governo após seu impedimento e teve como Ministro da Fazenda o então Senador Fernando Henrique Cardoso (FHC), responsável pela elaboração e implantação do Plano Real, que buscou a estabilidade da moeda nacional e o controle inflacionário e que mais tarde se tornou democraticamente Presidente da República, sucedendo Itamar Franco. Essa trajetória ao neoliberalismo iniciada por Collor foi ampliada pelos dois governos de FHC com medidas de redução do tamanho do Estado por meio das privatizações das empresas estatais, dos gastos públicos em razão da austeridade fiscal, com o discurso de manter a estabilidade da moeda dando um novo sentido à economia nacional, priorizando a iniciativa do indivíduo e do capital privado com vistas à demanda de mercado. Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Política Pública da Qualidade em Educação Tais medidas buscavam o combate às elevadas taxas inflacionárias, aos sucessivos e crescentes déficits fiscais provocados pelo alto custo da “máquina estatal” e às elevadas taxas de serviço da dívida pública que geravam como consequência a redução dos investimentos em diversas áreas do governo. A redução do setor público imposta pelo modelo neoliberal de FHC buscou a configuração de um “Estado mínimo”, impactando na forma de intervenção do Estado na economia e resultando no surgimento do discurso do equilíbrio fiscal a todo custo, inclusive o social, bem como na propagação da necessidade de algumas reformas, como a da Previdência e a tributária (ainda na agenda de discussão do governo, o que revela a falta de ruptura total desse modelo de Estado instituído pela hegemonia do capital financeiro mundial). As práticas do governo neoliberal surgidas no governo Collor e, de forma mais agressiva, ampliadas no governo FHC, são bem resumidas por Torres: Os governos neoliberais propõem noções de mercados abertos e tratados de livre comércio, redução do setor público e diminuição do intervencionismo estatal na economia e na regulação do mercado (in Gentili, 2007, p. 114). Algumas mazelas sociais surgidas nos governos neoliberais no Brasil e herdadas pelo governo Lula, ainda que sensível a uma política alternativa àquela antes imposta, foram: •ausência de programas sociais efetivos de distribuição de renda e de promoção da justiça social; •omissão no combate à mais-valia do empresariado que furta a força do trabalhador em prol da maximização de seus lucros; •pressão da classe hegemônica sobre a classe trabalhadora para a promoção do consumo induzido de bens e de serviços; •corte de investimentos sociais em prol do equilíbrio fiscal, sobretudo em áreas mais relevantes como a saúde e a educação, e •incorporação dos princípios empresariais para a gestão da educação pública. Essas questões motivam a discussão no campo ideológico sobre a necessidade de conquistar um novo modelo de políticas públicas, que venha ao encontro dos debates e da união dos diversos atores da sociedade civil organizada, de forma a tornar mais sólidos seus princípios democráticos, em busca de um Estado menos desigual e com real condição de desenvolvimento de toda sua população, desafio este ainda não vencido pelo atual governo, porém com sinais de avanços. Ocorre que o modelo neoliberal não traz apenas consequências de natureza econômica, mas também sociais, como as destacadas por Soares: Essas reformas estruturais de cunho neoliberal – centradas na desregulamentação dos mercados, na abertura comercial e financeira, na privatização do setor público e na redução do Estado – assumem uma convergência forçada nas medidas recomendadas pelo Banco Mundial, que ganham força de doutrina constituída, aceita por praticamente todos os países. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 15 - 25, set/dez. 2011 O ajuste neoliberal não é apenas de natureza econômica: faz parte de uma redefinição global do campo político-institucional e das relações sociais. Passa a existir outro projeto de “reintegração social”, com parâmetros distintos àqueles que entraram em crise a partir do final da década de 1970 (2003, p.19). Apesar das várias dimensões que o modelo neoliberal consegue alcançar, este trabalho trata especificamente da educação pública e por esta razão cabe compreender melhor a questão desse modelo em relação à educação. 1. Políticas Públicas em Educação: a busca da Qualidade Uma sociedade que se pretende mais democrática tem de garantir um ensino de qualidade para todos e todas. Esse conceito tenta responder à problemática da inclusão/exclusão social. José Marcelino e Denise Carreira1 É importante destacar que as políticas públicas voltadas para a educação pública não podem ser tratadas de forma mercadológica, em que se configuram “vencedores ou perdedores”; não se pode admitir na educação – como é frequente no modelo imposto pela política neoliberal – a interconcorrência entre os diversos atores envolvidos no processo educacional, o que para Gentili revela a submissão da educação à “mcdonaldização2” da escola. A escola pública não representa um jogo empresarial em que o gestor a administra de forma antidemocrática, premiando o esfo0rço individual de forma meritocrática e buscando a redução dos custos e maximização de resultados econômico-financeiros. Deve ser, na verdade, um campo fértil de formação de valores e de exercício da cidadania e longe de promover a exclusão. Os articuladores neoliberais acreditam que o problema de qualidade da educação pública foi causado pela ausência de uma boa gerência combinada com a inexistência de formas de avaliação de eficiência e eficácia da gestão dos recursos financeiros e de taxas de aprendizagem e permanência escolar que, se existentes, gerariam a promoção de premiação às escolas que apresentassem os melhores índices pré-estabelecidos incluindo, em alguns casos, pequenos pecúlios aos profissionais envolvidos no processo acadêmico das melhores escolas. Tais práticas, quando implantadas, podem trazer mais sequelas do que os benefícios pretendidos de aumento do desempenho escolar em razão da competitividade fomentada por esse modelo tipicamente capitalista, no qual se aniquila a cooperação mútua entre os atores e se privilegia a concorrência entre os indivíduos, podendo surgir rejeição por uma ou outra escola dita de desempenho baixo, o que agravará ainda mais a exclusão social ou mesmo o desinteresse dos Carreira, Pinto, 2007, p. 21 A mcdonaldização da escola é o “processo que se concretiza em diferentes e articulados planos (alguns mais gerais e outros mais específicos), constitui uma metáfora apropriada para caracterizar as formas dominantes de reestruturação educacional propostas pelas administrações neoliberais”. (2004, p. 10) 1 2 17 Pensar Contábil Waldir Jorge Ladeira dos Santos CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Francisco José dos Santos Alves diversos atores envolvidos no processo como os professores e os demais profissionais de educação. Independente das razões da escola premiada por esse modelo, importante lembrar que a mesma faz parte de um sistema educacional estruturado que deve buscar em primeiro lugar a universalização do acesso e permanência da criança, do jovem e do adulto na escola. Melhor do que ganhar um prêmio pelo destaque isolado de suas ações é pertencer a um espaço democrático onde todos se ajudam e colaboram3 com o desempenho uniforme de toda a rede, independente de ofuscar o talento individual de quem a dirige e/ou de alguns de seus servidores. A luta pelas conquistas de uma educação de qualidade começa pelo interesse da rede pública local na busca de promover a oferta igualitária de seus serviços em todas suas escolas e para qualquer cidadão, atendendo suas necessidades sem a negligência imposta pelo mercado, evitando assim resultados que lhes tragam vantagens individuais e promovam ainda mais as diferenças de desempenho e por fim sua segregação. O modelo a ser desenhado em resposta às demandas reclamadas pela imposição neoliberal adotada pelos últimos governos deve ser elaborado pela base, partindo da educação municipal sem provocar a fragmentação do sistema nacional de educação, bem como voltado a atender principalmente as necessidades dos alunos, dos professores, dos profissionais da educação e da sociedade. O que se deve conquistar é uma rede pública com a presença constante do Estado de forma democrática e de gestão participativa com todos os atores envolvidos no processo educacional, articulada com um projeto desenvolvimentista maior, com garantia de redistribuição dos recursos necessários e não polarizados entre as escolas e que garanta o crescimento de todas com a qualidade mínima exigida para a oferta de seus serviços. A rede pública deve então promover a inclusão social com a universalização de seus serviços, tornando todas as escolas públicas atrativas para seus alunos de forma a respeitar suas diferenças e seus valores, possibilitando sua permanência e a construção do aprendizado por meio de diversas ações, como o incremento da educação integral que possa oferecer oportunidades de interação e integração com seus meios sociais a partir de visitas culturais, atividades esportivas, inclusão digital, pesquisas, leitura, entre outras ações. A educação pública de qualidade deve garantir a participação efetiva dos alunos de todas as classes sociais, especialmente o resgate dos mais pobres, possibilitando a formação de sua identidade com os valores sociais existentes e concedendo a oportunidade de transformação de sua realidade, sem reproduzir os privilégios e vantagens das elites conservadoras, tornando a educação verdadeiramente uma conquista social e democrática. A educação não pode nem deve ser tratada como uma mercadoria ou uma relação de status social que se compra para satisfazer os desejos individuais ou de alguns grupos como desejam os neoliberais; deve sim ser construída como um direito social coletivo e inalienável com a intervenção e a força do Estado para sua promoção, desenvolvimento e manutenção para toda a população sem acepção de classe social, gênero, raça ou crença. 2.2.1 Qualidade da Educação Pública O direito à educação pública não se limita a sua universalização. Estende-se à questão da qualidade das condições oferecidas para a grande parte da população que dela necessita e cujo acesso, sem a intervenção do Estado, torna-se escasso e seletivo, reduzindo a possibilidade de inclusão social dos que se encontram marginalizados na sociedade. Essa qualidade não pode estar vinculada a uma visão de gestão empresarial como a política neoliberal impõe num contexto de “qualidade total”, pois os objetivos educacionais são divergentes dos empresariais. Estes convergem para obtenção do lucro4 através de dois principais fatores: 1) maiores receitas auferidas pelo aumento da produção e da venda com a promoção ao consumo de bens e serviços pela sociedade e/ou aumento do preço; 2) redução de custos pela exploração da mais-valia do trabalhador e/ou redução da qualidade dos serviços e bens empregados na produção. As práticas empresariais privilegiam a competição entre os próprios empresários e se estendem aos seus chamados colaboradores, pois o que importa é a sobrevivência a todo custo por meio do “grande lema capitalista”: “no mundo dos negócios só os mais fortes sobrevivem!” (e assim dominam os excluídos). O espaço escolar não é compatível com o de uma empresa, composta por processos, produto ou serviço, cliente, fornecedor, central de relacionamento ou de atendimento ao cliente. Na empresa, o que se promove são a competição e a supervalorização do mérito individual que, sendo aplicadas na rede educacional, podem desagregar as escolas de tal maneira que aquelas, antes parceiras, passam a rivais, com metas individuais e premiação dos profissionais por mérito, negando suas diferenças, heterogeneidade e subjetividade, reduzindo a escola a uma visão meramente empresarial formando o “aluno-mercadoria” ou “produto-aluno” como garantia de produtividade para as corporações, limitando a educação a uma visão de mercado. Reconhecido que escola não pode ser comparada a uma empresa, cabe desenvolver a questão central deste estudo, ainda que numa visão burocrata-economicista5: a qualidade em educação pública6. A colaboração empregada refere-se ao comprometimento de todos os profissionais de uma rede que interagem entre si a fim de conquistar a qualidade mínima para toda a rede, como, por exemplo: melhores condições de trabalho envolvendo a gestão escolar, o número de alunos por turma, o quantitativo e as condições de uso de mobiliário de acordo com o espaço escolar (assunto a ser tratado no próximo tópico). 4 O lucro representa a maior expressão do sentido empresarial: a acumulação de riqueza individual. 5 A Educação é um tema universal e multidisciplinar que desperta o interesse ilimitado de todas as áreas, com maior destaque para os profissionais que labutam na pedagogia, na essência da Educação, o que não limita o seu campo, despertando também o interesse das demais áreas, como neste caso Administração e Ciências Contábeis, daí o aspecto burocrata-economicista empregado. 6 A qualidade representa fator necessário para uma educação que se propõe à formação de conhecimento, conceitos, crenças e valores do sujeito criativo, despertando sua consciência e inteligência para viver em sociedade como cidadão ativo. 3 18 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 15 - 25, set/dez. 2011 CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Política Pública da Qualidade em Educação A questão da qualidade em educação não é recente, como explica Gentili (2002, p. 154), pois “começou a difundir-se nos anos 80 devido ao grande impacto que tiveram os relatórios Nation at Risk (1983) da National Comission on Excellence in Education e Action for Excellence (1983) da Education Commission of the States”. O autor cita ainda uma sequência de realidades distintas ao longo do tempo sobre a questão da qualidade, explicada por Mariano Fernandes Enguite, que inicia na relação dos recursos humanos e materiais aplicados e termina na lógica competitiva propagada pelos neoliberais (in Gentili, 2002, p. 155): Na linguagem dos expertos, nas administrações escolares e nos organismos internacionais, o conceito de qualidade tem invocado sucessivas realidades distintas e mutantes. Inicialmente identificou-se tão-somente com a dotação em recursos humanos e materiais dos sistemas escolares ou suas partes componentes: proporção do produto interno bruto ou do gasto público dedicada à educação, custo por aluno, número de alunos por professor, duração da formação ou nível salarial dos professores, etc. este enfoque se identificava com a maneira que, ao menos na época florescente do Estado de Bem-Estar, se tendia a medir a qualidade dos serviços públicos, supondo que mais custo ou mais recursos, materiais ou humanos, por usuário, era igual a maior qualidade. Mais tarde, o foco de atenção do conceito se deslocou dos recursos para a eficácia do processo: conseguir resultados máximos com o mínimo de custo. Esta já não era a lógica dos serviços públicos, mas sim a da produção empresarial privada. Hoje em dia, identifica-se melhor com os resultados obtidos pelos estudantes, qualquer que seja a forma de avaliá-los: taxa de retenção, taxa de promoção, formação universitária, comparações internacionais do rendimento escolar, etc. Esta é a lógica da competição de mercado. Importante destacar que a educação de qualidade deve promover ações voltadas para a formação do indivíduo reflexivo e construtivo, tornando-se então um fator de mudança e negando as ações voltadas para o individual-competitivo defendidas pela qualidade total empresarial e impostas pela política neoliberal de uma educação mercadológica. Defender a ideologia da qualidade total na rede pública municipal, sem promover o debate na imprescindível lógica da disponibilização de recursos financeiros suficientes para o atendimento das diversas ações necessárias para a oferta de uma educação de qualidade mínima, a fim de satisfazer as expectativas do aluno, da família e da sociedade, é, no mínimo, um exercício de “ficção”. As demandas são inúmeras e não se limitam aos recursos financeiros; envolvem também questões como gestão educacional, formação crítica e contextualizada do docente, capacitação dos profissionais envolvidos em todo processo educacional, além das necessárias aquisições e manutenções dos meios de infraestrutura e materiais mínimos para a oferta dos serviços à população, ou seja, questões prioritárias para a garantia das condições básicas e efetivas de uma educação de qualidade. Assim, o termo mais correto para trazer ao presente estudo é a “qualidade mínima7” universalizante e não a “qualidade total” de uma ou outra escola como referência, afinal educação de excelência para poucos não pode ser considerada de qualidade social para todos. Para identificar a qualidade da educação pública oferecida para a formação do cidadão, foi desenvolvido no início da década de noventa do século passado o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb8), modelo de avaliação centralizado na União cujo objetivo maior foi o de apoiar os Municípios, Distrito Federal e Estados na definição de políticas públicas que promovessem a melhoria da qualidade do ensino. O Saeb avalia a educação pública do país apresentando indicadores de desempenho de aprendizagem dos alunos. A questão da avaliação da qualidade de forma centralizada e sem a participação dos atores envolvidos, modelo forjado no neoliberalismo e praticado no Brasil desde 1990, também é destacada por Gentili (2004) e de fato deve ser repensada por meio de ações articuladas pelos municípios com capacidade de desenvolver um novo modelo, cuja questão central seja o atendimento das necessidades locais, com as experiências das soluções encontradas diante das adversidades causadas pelas elevadas demandas sociais em contraposição da escassez de recursos financeiros para atendê-las. Cabe destacar que a discussão acerca da forma de avaliação e dos instrumentos apropriados a serem utilizados para a identificação da qualidade da educação representa ponto de estudo específico não proposto por esta pesquisa. Porém, é importante reconhecer que a escolha do critério de avaliação é uma representação de luta do campo político e terreno de disputa ideológica, principalmente entre o grupo hegemônico e a esquerda socialista. O trabalho de Araújo e Luzio sobre “Avaliação da Educação Básica: em busca da qualidade e equidade no Brasil” revela, com base na utilização do critério de avaliação centralizada no governo federal, a situação educacional deixada pela década de noventa: Por meio do Saeb, foi possível identificar que a educação nacional, no ensino fundamental e médio, não tem cumprido suas funções principais: ensinar de forma eficiente e promover a equidade. A situação descrita pelo sistema de avaliação mostra, de forma inequívoca, o baixo aprendizado dos alunos brasileiros e a distribuição desigual desse aprendizado ao longo da última década. São dados prementes para o futuro do País, não somente na área social, mas, também, para o O termo qualidade mínima empregado refere-se às condições básicas ou elementares da gestão educacional, de profissionais e de infraestrutura disponíveis para possibilitar a condução do processo de ensino-aprendizagem com foco na formação do aluno construtivo e reflexivo. 8 O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) é uma das primeiras ações brasileiras para conhecer os resultados de aprendizagem dos alunos. Constitui-se, hoje, o mais amplo instrumento de avaliação externa da qualidade do desenvolvimento de habilidades e competências dos estudantes do País e um dos mais sofisticados e amplos sistemas de avaliação em larga escala da América Latina. O Saeb foi elaborado e desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação, fundado na década de 1930. A avaliação da educação básica vem sendo realizada desde 1990, mantendo-se com periodicidade bianual (Araújo, Luzio, 2005, p.13). 7 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 15 - 25, set/dez. 2011 19 Pensar Contábil Waldir Jorge Ladeira dos Santos CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Francisco José dos Santos Alves desenvolvimento geral da Nação. Ora, já é lugar comum dizer que a educação básica eficiente e eficaz, distribuída a todos, é ativo inescapável de produção e de distribuição de riqueza. A experiência histórica de diversos países comprova esse fato (2005, p. 19, grifos meus). Com a pesquisa de Araújo e Luzio, identifica-se que o governo Lula herdou uma educação de má qualidade avaliada pelo Saeb em 2003, com baixos desempenhos dos nossos estudantes em Leitura e Matemática, que sugerem um abandono da missão de ensinar (op. cit, p. 60). Essa situação foi agravada pela prática de políticas neoliberais desmedidas adotadas pelo governo FHC, principalmente quanto ao tratamento mercadológico, competitivo e empresarial a que a educação pública foi submetida. Diante do quadro de abandono da missão de ensinar devido à má qualidade da educação pública acumulada até o governo FHC, os militantes das políticas neoliberais em educação concentraram seus esforços durante o governo Lula em buscar solucionar a questão da qualidade da educação e iniciaram um movimento propagando que a falta de qualidade decorre da gerência ineficiente e da necessidade do envolvimento e do empenho maior de toda a sociedade, indivíduos e organizações e não da falta de recursos financeiros destinados à educação, surgiu então o movimento Todos pela Educação (TPE). Para Martins, o cenário encontrado no início do governo Lula, de baixa qualidade em educação pública, fez surgir o organismo “Todos pela Educação” com propostas para a Educação Básica no Brasil9: O TPE foi criado, em 2005, por um grupo de líderes empresariais, verdadeiros intelectuais orgânicos, que se reuniram para refletir sobre a realidade educacional brasileira na atual configuração do capitalismo. O grupo verificou que a baixa qualidade da educação brasileira vinha trazendo sérios problemas para a capacidade competitiva do país, comprometendo também o nível de coesão social dos cidadãos. O grupo concluiu que a “incapacidade” técnica e política dos governos na realização de políticas educacionais ao longo dos anos havia criado sérios problemas para os interesses do capital. Diante dessas constatações, os empresários criaram o TPE com a missão de mudar o quadro educacional do país, principalmente no que se refere à qualidade da educação. O projeto elaborado para impulsionar as ações do organismo foi denominado de “Compromisso Todos pela Educação” (2009, p.22). Quando os empresários se reúnem dentro de um modelo capitalista, competitivo e mercadológico, onde para eles tudo se transforma em mercadoria, gera-se o indício da consolidação de uma educação tecnicista e submissa aos desejos e vontades dos dominantes de forma a preparar o futuro “trabalhador reprodutor” (e não o “cidadão transformador”) na compreensão básica das capacidades técnicas produtivas, formando assim o campo exploratório para a maximização de seus lucros e a manutenção da condição de dominantes. Com o discurso de sinergia entre as políticas públicas, a iniciativa privada e as organizações sociais, o organismo TPE relaciona suas metas: Meta 1 – Acesso: Até 2022, 98% ou mais das crianças e jovens de 4 a 17 anos deverão estar matriculados e freqüentando a escola. Meta 2 – Alfabetização: Até 2010, 80% ou mais, e até 2022, 100% das crianças deverão apresentar as habilidades básicas de leitura e escrita até o final da 2ª. série (ou 3º. Ano) do ensino fundamental. Meta 3 – Qualidade: Até 2022, 70% ou mais dos alunos terão aprendido o que é essencial para a sua série. Ficou definido, então, que 70% dos alunos da 4ª. e 8ª. séries do ensino Fundamental e da 3ª. série do Ensino Médio do conjunto de alunos das redes pública e privada deverão ter desempenhos superiores a respectivamente 200, 275 e 300 pontos na escala de Português do SAEB, e superiores a 225, 300 e 350 pontos na escala de Matemática. Meta 4 – Conclusão: Até 2022, 95% ou mais dos jovens brasileiros de 16 anos deverão ter completado o Ensino Fundamental e 90% ou mais dos jovens brasileiros de 19 anos deverão ter completado o Ensino Médio. Meta 5 – Investimento: Até 2010, mantendo até 2022, o investimento público em Educação Básica deverá ser de 5% ou mais do PIB (Todos pela Educação, 2007, p.4). Em 24 de abril de 2007, o Presidente Lula lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) juntamente com o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação (PMCTPE) em regime de colaboração com os Estados, Distrito Federal e Municípios, com a participação da sociedade visando à melhoria da qualidade da educação básica10. Quanto ao PDE, o governo federal relacionou várias ações propostas para a implantação da qualidade, com destaque para: criação de piso salarial nacional, investimento na formação continuada, universalização dos laboratórios de informática, eletrificação das escolas públicas, produção do conteúdo digital, estabelecimento do caminho da escola, qualificação da saúde escolar e ações de educação no campo. Algumas matérias foram vinculadas nos jornais de grande circulação sobre o assunto, destacando os seguintes programas a serem cumpridos nos próximos anos para a plenitude do Plano: Compromisso Todos pela Educação; Piso Salarial; Escolas Técnicas; Luz para Todos; PROUNI e FIES; Creches e Pré-escolas; Provinha Brasil; Olhar Brasil; Brasil Alfabetizado; Equipamentos e Computadores; Transporte Escolar; Mais Educação e Benefício de Prestação Continuada. Saviani, em seu artigo “Ensino sem demagogia”, publicado na Folha de São Paulo em 13 de julho de 2008, esclarece que o PDE se materializa como forma mais recente de combate à questão da qualidade da educação: Os mais variados diagnósticos põem em evidência o estado atual altamente precário da qualidade da educação pública brasileira. E o mais recente programa de enfrentamento da Práxis Educativa, Ponta Grossa, v.4, n.1, p. 21-28, jan.-jun. 2009 Decreto nº 6.094, de 24 de Abril de 2007 - Dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, pela União Federal, em regime de colaboração com Municípios, Distrito Federal e Estados, e a participação das famílias e da comunidade, mediante programas e ações de assistência técnica e financeira, visando à mobilização social pela melhoria da qualidade da educação básica. 9 10 20 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 15 - 25, set/dez. 2011 CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Política Pública da Qualidade em Educação situação, o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação), se propôs a atacar de frente exatamente o problema da qualidade do ensino, mas tem um calcanhar-de-aquiles: o insuficiente investimento. E em outra entrevista11, cujo título foi “Uma análise crítica do PDE”, quando lhe perguntado como avaliava as linhas gerais e intencionalidades do PDE, Saviani respondeu: O PDE pode ser visto como uma tentativa do governo de responder aos clamores da sociedade no que se refere aos graves problemas de qualidade da escola básica pública. Iniciativa válida, já que procura centrar o foco na qualidade construindo instrumentos de aferição do nível de eficácia do ensino ministrado (caso do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB) e se voltar, precipuamente, para as administrações municipais em que se detecta ponto de estrangulamento do ensino fundamental. Mas o plano apresenta deficiências graves nas questões centrais do financiamento e do magistério. A base de sustentação financeira do Plano é o Fundeb, que, entretanto, não significou aumento dos recursos; ao contrário, se o número de estudantes atendidos pelo Fundo aumentou de 30 milhões para 47 milhões (56,6%), o seu montante passou de R$35,3 bilhões para R$48 bilhões, apenas 36,3%. A complementação da União também não implicou acréscimo. Antes, ela deveria entrar com pelo menos 30% de seu orçamento; ora, o orçamento do MEC para 2007, após o corte de R$610 milhões imposto pela Fazenda, é de R$9,130 bilhões, logo, 30% corresponderiam a R$2,739 bilhões. No entanto, a complementação prevista pela União para 2007 se limita a R$2 bilhões. Quanto ao magistério, é consenso o reconhecimento de dois requisitos fundamentais: condições de trabalho e salário/formação. (...)” (grifos meus). Saviani revela em sua entrevista que a questão da qualidade está na educação municipal, responsável pelo ensino fundamental, bem como relata que o PDE não resolve duas importantes questões: o financiamento e o magistério. Quanto ao Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, no art 3º do Decreto 6.094/2007, a aferição da qualidade da educação básica foi atrelada ao índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb)12: Art.3º A qualidade da educação básica será aferida, objetivamente, com base no IDEB, calculado e divulgado periodicamente pelo INEP, a partir dos dados sobre rendimento escolar, combinados com o desempenho dos alunos, constantes do censo escolar e do Sistema de Avaliação da Educação Básica - SAEB, composto pela Avaliação Nacional da Educação Básica - ANEB e a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Prova Brasil). Parágrafo único: O IDEB será o indicador objetivo para a verificação do cumprimento de metas fixadas no termo de adesão ao Compromisso. O PMCTPE compreende quatro eixos de ação conforme §3º do art 8º do Decreto-Lei 6.094/07, são eles: I. gestão educacional; II. formação de professores e de profissionais de serviços e apoio escolar; III.recursos pedagógicos; IV.infraestrutura física. O mesmo Decreto-Lei cria o Plano de Ações Articuladas13 (PAR) que representa o planejamento multidimensional da política de educação que os Estados, Distrito Federal e Municípios que aderirem ao “Compromisso Todos pela Educação” devem fazer para um período de quatro anos a partir de 2008, com a participação de todos os atores envolvidos na gestão educacional. Para o estudo da conquista da qualidade, é importante resgatar que a questão de seu padrão mínimo em educação já foi exigida pela própria Lei de Diretrizes e Base da Educação – LDB, Lei nº 9.394/96 em seu art 4º: Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: (...) IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem (grifos meus). A mesma lei também relaciona a qualidade com os recursos financeiros no artigo 75: Art. 75. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir, progressivamente, as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno, relativo ao padrão mínimo de qualidade (grifos meus). Para o desenvolvimento de uma Política Pública sobre a Qualidade em Educação, este estudo terá o foco na escola dividida em dois grupos: gestão educacional e infraestrutura à disposição da rede educacional para as práticas pedagógicas. a) Gestão educacional A busca da qualidade abrange a forma de gestão empregada, a formação dos profissionais de educação, a capacidade do professor de agir frente à execução da proposta do projeto político-pedagógico elaborado de forma participativa e envol- Expressão Sindical – Sinpro/Guarulhos, publicado em 17/09/07, http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/saviani_analisa_pde.htm, acessado em 15 de abril de 2011. Para melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de uma escola ou da rede de ensino local é necessário que o aluno aprenda e que a escola consiga reduzir a reprovação e aumentar a frequência em sala de aula. O acompanhamento social do Ideb é disponibilizado pela internet (http://ideb.inep.gov.br/Site/); a meta Ideb nacional é que o país alcance em 2022 a nota 6 (seis), que corresponde ao índice de qualidade dos países desenvolvidos. 13 O PAR é o conjunto articulado de ações, apoiado técnica ou financeiramente pelo Ministério da Educação, que visa o cumprimento das metas do Compromisso e a observância das suas diretrizes (art 9º do Decreto-Lei 6.094, de 24 de abril de 2007). 11 12 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 15 - 25, set/dez. 2011 21 Pensar Contábil Waldir Jorge Ladeira dos Santos CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Francisco José dos Santos Alves ve o aluno e a sociedade local (representada principalmente pelos pais dos alunos partícipes da vida escolar de seus filhos) na busca da melhoria da relação da escola com todos os atores envolvidos. O gestor de educação deve promover a convivência e interação com todos os profissionais de educação, com os alunos e com a sociedade, motivando o envolvimento dos diversos atores no processo de escolha das diretrizes locais a serem implantadas pela gestão, bem como oferecendo um ambiente escolar com segurança para todos, por meio do combate à violência e às drogas, com a interação das diversas áreas de governo, com destaque para as de segurança pública, saúde, serviço social, transporte, esporte e cultura. A gestão de qualidade promovida pelo gestor deve também proporcionar a criação e a manutenção de programas, projetos e atividades articulados e com integração entre eles a fim de evitar sua descontinuidade administrativa, salvo se ficar comprovada pela área pedagógica a necessidade de sua extinção. Os atores envolvidos na gestão educacional democrática devem identificar as deficiências e os problemas encontrados no início da gestão e acompanhar os que surgirem para buscar soluções que auxiliem na capacidade da escola de desenvolver culturalmente a pessoa humana, sem se limitar à redução da taxa de reprovação ou de evasão, ou seja, não se restringindo à gestão de resultados, premissa esta defendida pelos neoliberais que desejam a educação pública como empresa. Entende-se como uma Política Pública sobre a Qualidade aquela que busca uma gestão democrática e participativa, com a eleição de diretor que possua formação específica em gestão escolar, a fim de exercer com propriedade o papel de relevância na gestão educacional, promovendo a interação de todos os agentes e todas as escolas da rede pública local, com efetiva troca de experiências de seus sucessos e de suas dificuldades, em busca de uma gestão com equidade e transparência de suas ações para a sociedade. Os condutores da gestão da qualidade do ensino devem reconhecer o papel do docente como força principal da mudança social do aluno. Por isso, a educação deve proporcionar condições de trabalho adequadas com professores compromissados14 e motivados tanto para elaboração participativa do currículo, como para a execução do projeto político-pedagógico adotado, sem se descuidar da valorização do professor por meio de sua remuneração conforme piso nacional, assim como a promoção de sua formação continuada. As ações mínimas em relação ao professor, a serem efetivadas por uma educação pública de um governo que a trata como prioridade, devem ser concentradas em: formação inicial e continuada; valorização de suas funções, incluindo o cumprimento 3 3 do piso salarial nacional; 3 conquista da remuneração justa, mesmo sem as pro- pagadas gratificações originadas na premiação em razão da nota obtida pela escola por meio de qualquer instrumento de avaliação de desempenho do aluno ou da escola, ou seja, remuneração justa sem a política meritocrática discutida anteriormente; 3 formação de quadro permanente de professores aprovados em concursos públicos, evitando assim a descontinuidade dos trabalhos em razão da perda do histórico de experiências ou ainda a perda provocada pela discordância de práticas adotadas do novo professor contratado em relação ao professor sucedido. As ações de uma gestão educacional de qualidade envolvem também a participação efetiva da coordenação pedagógica na condução da elaboração participativa do projeto político-pedagógico em consonância com as diretrizes da educação, bem como a verificação do conteúdo aplicado em sala de aula e a criação de possibilidades de atividades extraclasse e no ambiente social existente, a fim de possibilitar a integração do aluno com a sociedade local. Outras ações na gestão educacional são exigidas para a construção de uma política pública sobre a qualidade, como por exemplo: 3quadro de pessoal administrativo, apoio acadêmico e merendeira bem preparados para a prática15 educacional, com formação e treinamento adequados e continuados em serviço e fora dele; 3política para número de alunos por professor, por sala de aula e por equipamento de informática; 3 alunos em sala de aula com a mesma faixa etária; 3 ofertas de projetos culturais e de esportes nas aulas de educação física, aulas de música, teatro, xadrez, natação, futebol, etc.; 3 promoção de integração da família com a escola, de forma a potencializar sua participação permanente e ativa na vida educacional do aluno; 3 apresentação de um profissional responsável pela biblioteca e/ou sala de leitura, promovendo atividades dentro desses ambientes sob a responsabilidade do professor; 3 aumento do número de horas ou permanência do aluno no ambiente escolar com a implantação gradativa da educação integral; 3 implantação do reforço escolar no contra-turno para os alunos que apresentarem deficiência no aprendizado; 3 prática da inclusão digital em todas as escolas da rede e para todos os alunos; 3 gestão patrimonial de equipamentos e mobiliário, envolvendo a distribuição e conservação para todas as escolas de acordo com o número de alunos, espaço físico escolar e especificidade de cada escola da rede. A falta de compromisso profissional pode ser causada pela estabilidade de emprego ou mesmo pela baixa estima em razão das condições de trabalho, da alta carga horária em sala de aula, do excessivo número de alunos por professor e dos baixos salários. 15 Todos os profissionais envolvidos na escola devem entender que fazem parte do processo educacional, logo, devem possuir atitudes e habilidades a fim de interagir entre si e com os alunos. 14 22 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 15 - 25, set/dez. 2011 CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Política Pública da Qualidade em Educação b) Infraestrutura Inicialmente, cabe destacar que a atual política de descentralização de recursos praticada pelo governo federal por meio do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação) precisa de aprimoramento, pois transfere os recursos com base nos alunos matriculados no ano anterior, logo, o município que pretende aumentar o número de alunos atendidos pela rede, primeiro precisa gastar seus escassos recursos para possibilitar o acesso dos novos alunos e somente no ano seguinte iniciar o recebimento dos repasses desses alunos matriculados no ano anterior. Assim, o município é obrigado a reduzir permanentemente o valor destinado para cada aluno, pois devido à política de universalização do acesso à educação, busca-se todos os anos aumentar o número de vagas e de alunos atendidos, e isso pode provocar dificuldades ao gestor em ampliar a rede de ensino por falta de recursos financeiros para a infraestrutura, materiais didático-pedagógicos e uniformes necessários, o que provocaria na rede pública uma educação de baixa qualidade. A questão da qualidade representa um campo de lutas ideológicas: para os neoliberais, trata-se apenas de transferir para a educação pública os fundamentos competitivos e individualistas da qualidade total, como já discutido; para outros idealizadores basta modelar uma oferta de boa qualidade para uma ou outra escola que servirá de “vitrine”, tornado-se centro de referência, mesmo que os recursos financeiros não possibilitem a expansão dessa qualidade para toda a rede pública; e há ainda os que alegam que a questão da qualidade está intimamente ligada à gestão educacional eficiente e não aos “ditos” escassos recursos disponíveis. Por mais que se queira separar a questão financeira da questão pedagógica, cabe lembrar que no modelo capitalista que ainda predomina, poucas ações se concretizam sem recursos destinados para tal. Não se pode ignorar que a demanda de serviços educacionais é crescente e extremamente relevante e, por isso, necessita de ações prioritárias que ampliem em nível nacional seus recursos. A atual política nacional de financiamento utiliza como referência somente a arrecadação de impostos e, por isso, deixa de incluir outros recursos importantes arrecadados16. Esta política precisa ser alterada para a relação direta com o Produto Interno Bruto (PIB), que passaria dos 4,7% (quatro vírgula sete) noticiados pelo próprio Ministério da Educação em 2008, para os 7% (sete) constantes do Plano Nacional de Educação (PNE), vetado em 2001 pelo então Presidente FHC e ausente da agenda de compromissos do atual governo. É fato que a participação da educação no PIB aumentou de 2005 para 2008, deixando os 3,9% (três vírgula nove) registrados em 2005, passando para 4,3% (quatro vírgula três) em 2006, 4,5% (quatro vírgula cinco) em 2007, até alcançar 4,7% (quatro vírgula sete) em 2008, porém ainda muito abaixo da proposta do PNE vetada pelo governo FHC e mantido o veto pelo governo Lula, de 7% (sete por cento) do PIB. José Marcelino e Denise Carreira desenvolveram estudo sobre a questão da qualidade em educação, que resultou na obra cujo título estimula sua compreensão: “Custo Aluno-Qualidade Inicial: rumo à educação pública de qualidade no Brasil” (2007). Não se trata da questão da qualidade total, porém da qualidade inicial, que neste estudo será tratada como qualidade mínima. Para os autores, a qualidade numa perspectiva democrática apresenta muitas questões que se contrapõem. Os autores destacam entre elas a questão dos recursos financeiros: Uma das questões é a recuperação da discussão sobre a eficiência em outra perspectiva: que eficiência garante uma qualidade que não seria só para poucos? Qual seria um patamar mínimo, digamos assim, digno de respeito, de direitos, para uma educação humanista, tolerante, não-racista, não-sexista e estendida a todos? Temos também a questão dos recursos financeiros: como ampliá-los para que respondam aos desafios do Plano Nacional de Educação? Como utilizá-los? Quais prioridades serão fixadas? Todas essas questões devem ser consideradas. (2007, p. 22, grifos meus) Os autores relacionaram vários itens necessários para uma educação de qualidade inicial e os separaram por grupos afins e em vários quadros (2007, pp. 86-110), que nesta pesquisa estão dispostos a seguir de forma qualitativa, sem considerar o custo atribuído por eles: Estrutura do prédio: Sala de aula, sala de direção/equipe, sala de professores, sala de leitura/biblioteca, refeitório, copa/ cozinha, quadra coberta, laboratório de informática, laboratório de ciências, parque infantil, banheiro, sala de depósito, sala de TV/vídeo, mecanografia. Equipamentos e materiais permanentes: Esportes e brincadeiras: colchonetes para educação física, brinquedos para parquinho; Cozinha: congelador, geladeira, fogão industrial, liquidificador industrial, botijão de gás; Coleções e Materiais Bibliográficos: enciclopédias, dicionários, literatura infantil, literatura infanto-juvenil, paradidáticos, apoio pedagógico; Equipamentos para áudio, vídeo e foto: retroprojetor, tela para projeção, televisor, videocassete, suporte para vídeo e TV, DVD, máquina fotográfica, aparelho com CD e rádio; Aparelhos em geral: bebedouro elétrico, circulador de ar, máquina de lavar roupa, telefone; Mobiliário em geral: carteiras, cadeiras, mesa tipo escrivaninha, arquivo de aço com 4 (quatro) gavetas, armário de madeira com 2 (duas) portas, mesa de leitura, mesa de reunião para sala de professores, armário com 2 (duas) portas para secretaria, mesas para refeitório, mesa para computador, mesa para impressora, estantes para biblioteca, quadro para sala de aula; Aparelhos para laboratório: Kit de ciências; Processamento de dados: computador para sala de informática17, computador para administração/ docentes, impressora a jato de tinta, impressora a laser, fotocopiadora, guilhotina. Insumos: Pessoal: professor com curso normal, professor com curso superior, direção, secretaria, manutenção e infra- As taxas e contribuições arrecadadas pelo governo não participam do cálculo da ação redistributiva do governo federal aos demais entes da federação, por exemplo: COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), CIDE (Contribuição sobre a Intervenção no Domínio Econômico) e a extinta CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). 17 Ao longo do tempo, a informática e seus programas de inclusão digital tornaram-se um meio atraente para transmitir informações aos alunos, porém por si só não atestam a qualidade da educação. 16 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 15 - 25, set/dez. 2011 23 Waldir Jorge Ladeira dos Santos Francisco José dos Santos Alves estrutura, coordenador pedagógico, auxiliar de biblioteconomia; Bens e serviços: água, rede de coleta de esgoto, luz, telefone, material de limpeza, material didático, projetos de ações pedagógicas, material de escritório, conservação predial, manutenção e reposição de equipamentos; Alimentação: funcionários (nutricionista, merendeira, serventes), alimentos para a oferta de merenda regular; Administração central: formação profissional, encargos sociais, administração e supervisão. Ainda é possível acrescentar neste estudo os seguintes itens para a questão da qualidade mínima: Material didático-pedagógico e uniformes distribuídos para os alunos: cadernos, livros didáticos, agenda, canetas, lápis, borracha, apagador, régua, estojo, camisa, camiseta, casaco, calça, bermuda, saia, meia, tênis, merendeira e mochila. Outros recursos: condições prediais adequadas, incluindo acesso para portadores de necessidades especiais, com espaços bem iluminados e bem ventilados com boa circulação de ar e conservação das instalações, oferta de transporte e de assistência à saúde preventiva. São muitas as necessidades em infraestrutura para o aparelhamento da rede educacional, a fim de possibilitar a oferta de serviços universalizantes e de qualidade mínima, que possam contribuir para o aprendizado do aluno, promovendo um ambiente adequado para a construção de seu conhecimento. A educação deve contar com recursos financeiros suficientes para implantar programas permanentes que busquem o aparelhamento de todas as escolas, a fim de disponibilizar em quantidade e em condições de uso todos os recursos humanos e materiais necessários para as práticas pedagógicas de uma Política Pública em Educação com o mínimo de qualidade para todos os alunos. A escola pública e gratuita não pode destinar-se a atender ao ciclo vicioso de escola pública para pobres e universidade pública para ricos. Já é tempo de ampliar os recursos para que as condições de oferta física sejam realmente universalizantes, democráticas e inclusivas. Conviver com a dura realidade de escola que não tem estrutura elementar como banheiro, carteira para o aluno e material para o professor desenvolver sua tarefa de educar é muito mais do que uma ação covarde com a maioria, é, na verdade, um exercício de hipocrisia política em que só quem ganha é a minoria dominante. Com os poucos recursos destinados à educação nacional, REFERÊNCIAS o desafio é grande para todos os atores envolvidos no processo educacional da rede pública, a fim de conquistar uma educação universalizante de qualidade mínima que garanta uma Escola de transformação e não sua redução à visão de mercado como as propostas neoliberais ainda existentes. 2. Conclusão As políticas públicas em educação tenderam para um modelo neoliberal iniciado no governo Fernando Collor de Melo, com medidas mais agressivas nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, com modestas alterações nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, embora também não tenha avançado o suficiente para trazer a qualidade exigida pela sociedade. A sensível questão da Política Pública da Qualidade em Educação apresentou novos referenciais nos governos Lula por meio do surgimento e implantação do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), representando um avanço nas Políticas Públicas, reconhecendo que Educação com qualidade exige a universalização do acesso, democratização do modelo de gestão, condições de trabalho dignas para os professores e profissionais de apoio, acompanhamento e controle social contínuos, equidade, infraestrutura e materiais adequados, ou seja, criação de um ambiente capaz de gerar possibilidades reais para o aprendizado, de forma a corresponder à satisfação das necessidades do aluno, da família e da sociedade. Embora não seja objetivo deste trabalho, é necessário destacar a questão do financiamento público em Educação como tema para novas pesquisas. Acredita-se que a conquista da Qualidade Mínima em Educação deve envolver também a questão dos recursos necessários para a disponibilização da infraestrutura e aperfeiçoamento da gestão educacional, apesar da lógica da qualidade não recair exclusivamente na questão financeira, porém, sem entender as formas e as fontes de financiamento a luta pela Qualidade da Educação pública torna-se mais difícil para os gestores responsáveis por sua condução. Conclui-se que a Política Pública de Qualidade em Educação requer a conjugação da forma de gestão democrática e participativa com as condições de trabalho docente e infraestrutura disponível para a oferta dos serviços educacionais a toda a rede pública municipal, primando pela cooperação de todos os atores envolvidos no processo educacional, reconhecendo que o aprendizado não pode ser tratado como mercadoria e sim como construção do saber crítico e reflexivo na formação de um cidadão. ARAÚJO, Carlos Henrique, LUZIO, Nildo. Avaliação da Educação Básica: em busca da qualidade e equidade no Brasil. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2005. BOBBIO, Norberto. Teoria geral da política: a filosofia política e as lições dos clássicos. Organizado por Michelangelo Bovero; tradução Daniela Beccaccias Versiani. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000. BRASIL. Conferências Fórum Brasil de Educação. Brasília: CNE, UNESCO Brasil, 2004. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. São Paulo: Atlas, 2001. CARREIRA, Denise, PINTO, José Marcelino Rezende. Custo aluno-qualidade inicial: rumo à educação pública de qualidade no Brasil. São Paulo: Global, 2007. 24 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 15 - 25, set/dez. 2011 Política Pública da Qualidade em Educação FRIGOTTO, Gaudêncio, CIAVATTA, Maria (Orgs.). Teoria e educação no labirinto do capital. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. FURTADO, Celso, Em busca de novo modelo: reflexões sobre a crise contemporânea. 2ª edição. São Paulo: Paz e Terra, 2002. GENTILI, Pablo. Neoliberalismo e educação: manual do usuário. Disponível em , 2004. GENTILI, Pablo. (Org.). Pedagogia da exclusão: o neoliberalismo e a crise da escola pública. 13ª ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2007. GENTILI, Pablo, SILVA, Tomaz Tadeu da. (Orgs.). Neoliberalismo, qualidade total e educação: visões críticas. Petrópolis: Editora Vozes, 2002. MARTINS, Ângela Maria, OLIVEIRA, Cleiton de, BUENO, Maria Sylvia Simões (Orgs.). Descentralização do Estado e municipalização do ensino: problemas e perspectivas. Rio de Janeiro: DPeA, 2004. SAVIANI, Dermeval. Ensino sem demagogia. Artigo, Jornal Folha de São Paulo, em 13/07/08. SILVA, Lino Martins. Contabilidade governamental. São Paulo: Atlas, 1996. SOARES, Laura Tavares. O desastre social. Rio de Janeiro: Record, 2003. 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Rosângela Mesquita Ayres Rio de Janeiro – RJ Mestranda em Ciências Contábeis pela FACC/UFRJ1 [email protected] Tiago Centenaro Mignoni Rio de Janeiro – RJ Mestrando em Ciências Contábeis pela FACC/UFRJ1 [email protected] Paula Rodrigues da Silva Rio de Janeiro – RJ Mestranda em Ciências Contábeis pela FACC/UFRJ1 [email protected] Natan Szuster Rio de Janeiro – RJ Pós-Doutorado - University of Illinois at Urbana-Champaign2 Doutor em Contabilidade pela USP3 Professor Titular da UFRJ1 [email protected] Resumo Este trabalho tem o objetivo de estudar o ativo e suas avaliações, verificando se a estrutura de mensuração atual, incorporada da contabilidade internacional, reconhece o impacto da flutuação do poder aquisitivo da moeda. Esta pesquisa é exploratória conforme descrito por Gil (1999) por estudar seus objetos, ativo e flutuação do poder aquisitivo da moeda, em um novo contexto de forma a propiciar a familiarização do assunto. Esse contexto, 15 anos após a implantação do plano econômico Real e também após as alterações na lei 6.404/76 1 2 3 (pelas leis 11.638/07 e 11.941/09), que atualmente possibilitam transações da contabilidade internacional como avaliação a valor justo (fair value), teste de recuperabilidade (impairment test), ajuste a valor presente e ajuste de avaliação patrimonial concomitantemente com a extinção da reserva de reavaliação. Esta pesquisa é qualitativa, estruturada em fonte bibliográfica. Para se contextualizar, favorecendo a reflexão, um gráfico com a taxa da inflação acumulada no período de 12 meses (jun07-mai08) comparando o Brasil e outros países foi incluído adicionalmente a um quadro da taxa inflacionária acumulado (1996-2008) comparando Brasil, Japão, Alemanha e Estados Unidos. Concluiu-se que a estrutura de avaliação pelos novos dispositivos inseridos pela contabilidade internacional é limitada no que tange à capacidade de refletir as variações no poder aquisitivo da moeda, indicando a necessidade de evolução dos mecanismos de mensuração para atender a essa demanda e para promover a qualidade da informação contábil. Palavras-chave: Ativo. Atualização. Correção. Fair Value. Monetária. Abstract This paper studies the asset and its valuation by verifying if the current measurement structure, which was embodied from international accounting, recognizes the impact of the fluctuation of the currency’s purchasing power. This work was classified as exploratory as described by Gil (1999) for studying its objects, asset and the fluctuation of the currency’spurchasing power in a new context facilitating the familiarization with the subject. This new context is 15 years after the implementation of the Real economic plan and also after the updates in the 6.404/76 Law (changed by the 11.638/07 and 11941/09 Laws), which currently allows transactions from the international accounting as fair value, impairment test, present value adjustment and equity valuation adjustment, at the same time FACC/UFRJ – Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio de Janeiro – CEP 22290-240 – Rio de Janeiro - RJ University of Illinois at Urbana – Champaign – IL 61820-5711 – Estados Unidos USP – Universidade de São Paulo – CEP 05508-010 – São Paulo - SP Artigo recebido em 30/09/2010 e aceito em 28/09/2011. 26 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 26 - 35, set/dez. 2011 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Ativo e suas Avaliações: A Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? that the revaluation reserve was extincted. This qualitative study is based in a bibliographic research. In order to contextualize, promoting reflection, a graphic of accumulated inflation rate for 12 month period (jun07-may08) comparing Brazil and other countries was added further to a frame of accumulated inflation rate (1996-2008) comparing Brazil to Japan, German and United States of America. It was concluded that the structure of valuation through new devices inserted by international accounting is limited regarding the ability to reflect changes in the currency purchasing power, indicating the needed of expanding valuation mechanisms to meet this demand and improve accounting information quality. Key words: Asset. Atualization. Correction. Fair Value. Monetary. Introdução Os focos deste trabalho são o ativo e suas avaliações, o reconhecimento da flutuação do poder aquisitivo da moeda e a busca pela avaliação se a estrutura de mensuração atual reconhece o impacto da flutuação do poder aquisitivo da moeda. O ativo e suas avaliações, assim como os métodos de reconhecimento do poder aquisitivo da moeda são dois assuntos extremamente abrangentes e relevantes por si mesmos, sendo o segundo especialmente polêmico. No Brasil, a sociedade conviveu durante algumas décadas com a perda relevante do poder aquisitivo da moeda, de modo que precisou aprender a lidar com esse desajuste. Nos períodos de altos índices de inflação, a informação contábil era bastante prejudicada pela perda de comparabilidade, então, a contribuição importante da Contabilidade para esse aprendizado nacional foi o desenvolvimento de uma metodologia que ajustasse os valores registrados, chamados históricos, ao poder aquisitivo da moeda na data das demonstrações contábeis. Essa metodologia foi ratificada legalmente pela lei 6.404/76 e aceita, inclusive, pelo fisco brasileiro, o Decreto-Lei 1.598/77, que reconhecia os ajustes como receita ou despesa de correção monetária, podendo ser positiva ou negativa. A preocupação era evitar prejudicar a entidade, tributando-a sobre um lucro que era fictício em função da inflação. A correção monetária mensurava os efeitos inflacionários nas contas do ativo permanente e nas contas do patrimônio liquido. Contudo, com o advento do Plano Real, iniciado em 27 de fevereiro de 1994, pela Medida Provisória 434, que pretendia estabilizar a moeda nacional, era imprescindível conter a inflação inercial – processo automático de reajuste de preços baseado na inflação passada –, e esse risco era flagrante após longos períodos de hiperinflação, como era o caso da economia brasileira. Desta forma, em 1995, pela Lei 9.249, foi revogada a correção monetária das demonstrações financeiras no âmbito fiscal e no âmbito societário também, com a total revogação, pela Lei 7.730/89, do artigo 185 da Lei 6.404/76. O Plano Real conseguiu manter as taxas inflacionárias baixas e apesar do sucesso do plano, a insatisfação entre empresários e contadores se manteve evidente perante a falta de atualização monetária. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 26 - 35, set/dez. 2011 Desde então, alguns profissionais da área contábil buscam alternativas para a aplicação de método que tenha efeito igual ou similar, enquanto outros profissionais consideram prescindível a aplicação de tal metodologia em cenários de inflação controlada. Depois de anos sem atualização monetária, recentemente a contabilidade brasileira passou a adotar dispositivos utilizados pela contabilidade internacional como avaliação a valor justo (fair value), teste de recuperabilidade (impairment test) e ajuste a valor presente. Surgiu por consequência a pergunta que este trabalho, com foco no ativo e suas avaliações, propõe-se a discutir: a estrutura de mensuração atual reconhece o impacto da flutuação do poder aquisitivo da moeda? Concomitantemente com a realização dessa pesquisa, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) emitiu a Resolução nº 1.282 em 28 de maio de 2010, reativando o conceito de atualização monetária. No texto divulgado, o CFC não esclarece o propósito da indicação do uso da atualização, mas parece lógico afirmar que o posicionamento do órgão em relação ao questionamento levantado nesse estudo é de que os mecanismos de avaliação incorporados da contabilidade internacional não são suficientes para tratar da variação do poder aquisitivo da moeda. Dessa forma, este estudo supõe que o atual contexto requer novas reflexões quanto às avaliações do ativo e os métodos de reconhecimento da flutuação do poder aquisitivo da moeda e à necessidade de instrumentos adicionais de atualização monetária. Assim, o objetivo principal desse artigo é provocar inquietação, promover a discussão e contribuir para que profissionais de contabilidade dediquem-se à reflexão. A importância desse processo está no desenvolvimento de formação de opinião crítica sobre o assunto. Para a construção da avaliação, estruturou-se o estudo da seguinte forma: a próxima seção apresenta a revisão de literatura, que visa apresentar aspectos norteadores da discussão proposta. Estes itens da fundamentação serão criticados na quarta seção, na qual serão abordadas as conclusões. Na terceira seção constam os aspectos metodológicos da pesquisa. Revisão de Literatura O primeiro item desta seção trata da variação do poder aquisitivo da moeda e a evolução das normas contábeis brasileiras quanto ao tratamento dessa questão. O segundo dedica-se ao ativo e suas avaliações, incluindo definições, características qualitativas e quantitativas e suas limitações, reconhecimento e mensuração de ativos conforme orientações do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e, ainda, as orientações advindas da Lei 6.404/76, principalmente em relação ao valor justo, a análise de recuperabilidade, ajuste a valor presente e ajustes de avaliação patrimonial. No terceiro item apresenta-se o cenário econômico, em relação à inflação, no qual pauta-se a reflexão aqui sugerida – taxas acumuladas no período de 1996 a 2008 e no período focado: junho de 2007 a maio de 2008. 27 Pensar Contábil Rosângela Mesquita Ayres CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Tiago Centenaro Mignoni 2.1. Variação no Poder Aquisitivo da Moeda e a Contabilidade no Brasil De acordo com Mayer1 (apud BENADIBA, 2006, p. 53): “a Classe Econômica define a moeda de acordo com as suas funções: ‘É um meio de troca, um padrão de valor, um padrão de pagamento diferido, um estoque de riqueza’ – totalmente líquido.” Um entendimento necessário é quanto à flutuação do poder aquisitivo da moeda, que tanto pode ser por aumento do poder aquisitivo, chamada de deflação, quanto pode ser pela redução, chamada de inflação. A fragilidade da unidade monetária é destacada por Hendriksen e Breda (1999, p. 106): Embora os dados contábeis não sejam limitados à mensuração em termos de unidade monetária, os relatórios contábeis, tradicionalmente, têm incluído informações basicamente financeiras. E, em muitos casos, a unidade monetária é a melhor unidade de medida, particularmente quando a agregação é necessária ou desejável. Entretanto, a unidade monetária possui suas limitações como método de comunicação de informações. A limitação ou restrição mais séria é devida ao fato de que o valor da unidade monetária não permanece estável com o passar do tempo. Como muitas predições e decisões devem depender de comparações válidas de dados contábeis no tempo, a falta de uma unidade monetária estável significa que dados contábeis baseados em preços de troca passados precisam ser convertidos em valores monetários correntes para serem relevantes e confiáveis do ponto de vista de predições e decisões apropriadas. Em outras palavras, a limitação causada pela instabilidade da unidade de medida requer certas modificações no uso de preços de troca de períodos diferentes, expressos em termos monetários. Iudícibus e Martins (2007,10) destacam: É claro que, por várias vicissitudes econômicas vividas por diversos países em épocas distintas, o custo histórico foi sendo adaptado para custo histórico corrigido (pela variação de algum índice geral de preços), tendo surgido, também, autores e até práticas defendendo o uso do custo corrente de reposição, por ser superior ao custo histórico para finalidades gerenciais. Esse último, eventualmente, foi ainda aperfeiçoado pela aplicação dos coeficientes de variação geral de preços, a fim de se poderem comparar balanços com seus valores de reposição de datas distintas, colocados, porém, numa moeda de capacidade aquisitiva única. Até valores de saída já foram preconizados, no passado, como base geral de avaliação, sem muita aceitação à época. No Brasil, em função das altas taxas de inflação, foi instituída a Correção Monetária oficial pelo artigo 185 da Lei 6.404/76 e a Correção Monetária Integral por meio da instrução CVM2 64/87. A atualização monetária era, inclusive, um dos sete princípios contábeis listados na Resolução CFC 750/93. Paula Rodrigues da Silva Natan Szuster O objetivo seria, segundo Escodro3 (apud BENADIBA, 2006, p. 54), traduzir todos os valores da empresa a um “denominador comum monetário” para realizar as análises econômico-financeiras possíveis e necessárias para sua gestão. Iudícibus (2003b, p. 24) conceitua correção monetária como: 1.Processo pelo qual valores históricos são reconstruídos (restaurados, atualizados) em históricos – corrigidos, trazendo-os em moeda corrente em certa data, conforme flutuação de preços da economia. 2.Correção de demonstrativos pelas variações do poder aquisitivo médio geral da moeda (medido por um índice geral de preços ou por um índice de flutuações do poder aquisitivo da moeda para a entidade em si, dentro de sua escala de oferta e procura de bens e serviços). 3.Correção dos demonstrativos contábeis aos custos de reposição específicos de ativos e passivos (consequentemente de receitas e despesas, segundo várias fórmulas). Com o advento do Plano Real, que visava controlar a inflação, era necessário interromper a memória inflacionária dos agentes econômicos que desencadeava um processo automático de reajuste de preços baseado na inflação passada, a inflação inercial. Com o intuito de colaborar nesse processo, foi emitida a Lei 9.249/95: Altera a legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas, bem como da contribuição social sobre o lucro líquido, e dá outras providências. [...] Art. 4º Fica revogada a correção monetária das demonstrações financeiras de que tratam a Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989, e o art. 1º da Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991. Adicionalmente foi emitida a Resolução CFC 900/01, que limitava a aplicação da atualização monetária a um tipo de gatilho especificado nos moldes do texto da norma internacional. Desta forma, a atualização monetária só poderia ser aplicada conforme especificado: Art. 1º - A aplicação do “Princípio da Atualização Monetária” é compulsória quando a inflação acumulada no triênio for de 100% ou mais; Parágrafo Único - A inflação acumulada será calculada com base no Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), apurado mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas, por sua aceitação geral e reconhecimento por organismos nacionais e internacionais. Desde o fim da atualização monetária, muito se tem escrito sobre os impactos da falta de um método de atualização monetária na comparabilidade dos valores nas demonstrações contábeis. Oliveira, Marques e Canan (2007), em um estudo de caso das demonstrações contábeis no período de 1996-2006 da entidade SESI (Serviço Social da Indústria) – Departamen- MAYER, Thomas; DUESEMBERRY, James S. e ALIZER, Robert Z. Moeda, bancos e a economia, 3ª. Edição, 4ª edição Americana, Editora Campus, 1993 apud BENADIBA, Moses. Moeda constante. Revista Ecco. Universidade Metodista de São Paulo. Ano I, n.1, 2º sem 2006. 2 Comissão de Valores Mobiliários 3 ESCODRO, José Arthur – Demonstrações financeiras em moeda constante: um enfoque prático da correção monetária integral. Ed. Atlas, 1988 apud BENADIBA, Moses. Moeda constante. Revista Ecco. Universidade Metodista de São Paulo. Ano I, n.1, 2º sem 2006. 1 28 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 26 - 35, set/dez. 2011 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Ativo e suas Avaliações: A Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? to Regional do Rio de Janeiro, concluíram que essas foram significativamente afetadas pela não incidência da correção monetária de balanço. Salotti et al. (2006, p. 189), em seu trabalho afirmam: “Os resultados obtidos evidenciam que a falta de correção monetária nas demonstrações contábeis apresentadas de 1996 a 2002 pode causar distorções na análise da real condição patrimonial e financeira das empresas.” Vanzella, Araújo e Biavatti (2000, p.107) afirmam: Objetivamente e independente de seus efeitos fiscais ou societários, é prudente a adoção de critério de mensuração nas Demonstrações Contábeis para os efeitos inflacionários nas rubricas contábeis não circulantes, a fim de atender e informar os usuários da contabilidade em geral na tomada de decisões. Adicionalmente, Vanzella, Araújo e Biavatti (2000, p. 106) informam que logo após a extinção da correção monetária alguns profissionais e entidades mobilizaram-se em uma proposta de adoção de outro método de correção monetária: No início do ano de 1996, simultaneamente à extinção da Correção Monetária de Balanço tradicional, a CVM – Comissão de Valores Mobiliários, incorporando a sugestão da ABRASCA4, CFC, e demais entidades que pesquisam, de fato, os fenômenos internacionais relativos à padronização das Demonstrações Contábeis, lançou em audiência pública um anteprojeto de lei que visa [sic] algumas adaptações a estes padrões. Em relação à Correção Monetária, o teor é o seguinte: ‘Toda vez que a inflação atingir 10% ou mais, será disparado o gatilho para se proceder a Correção Monetária das Demonstrações Contábeis dentro da regra de Correção Monetária Integral (Instrução CVM n.64/87 e instruções posteriores). ’ Buscando novamente, a adoção da Correção Monetária de Balanço, agora pelo segundo método.(grifos dos autores) Em dezembro de 2007, o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei 3.741/2000 emitindo a Lei 11.638/07 que alterou a Lei 6.404/76 para que a contabilidade brasileira se aproximasse da contabilidade internacional. Por esse diploma legal passou-se a permitir mensurações e avaliações aplicadas pela contabilidade internacional como valor justo (fair value), teste de recuperabilidade (impairment test), ajuste a valor presente e ajuste de avaliação patrimonial. O CFC, através da Resolução nº 1.282, emitida em 28 de maio de 2010, retomou o conceito de atualização monetária, deixando claro que não se trata de uma nova forma de avaliação, definindo-o como “ajustamento dos valores originais para determinada data, mediante a aplicação de indexadores ou outros elementos aptos a traduzir a variação do poder aquisitivo da moeda nacional em um dado período”. Este novo dispositivo legal do CFC, que objetiva a harmonização da Resolução CFC no 750/1993 e da NBC T5 1 (Estrutura Conceitual para elaboração das demonstrações contábeis), não demonstra qual o propósito do Conselho em reafirmar a possibilidade do uso da atualização monetária como forma adicional de mensuração de ativos. Tal evidenciação seria importante para o entendimento e a aplicação deste instrumento. Ressalta-se que a Resolução nº 1.282 revogou a Resolução CFC 900/01, que continha o dispositivo similar ao descrito no IAS6 29 que determinava que o princípio da atualização monetária seria compulsório quando a inflação acumulada no triênio fosse de 100% ou mais. A Resolução CFC 1.282 também revogou, entre outros, o inciso V do art. 3º da Resolução CFC 750/93 que se referia à atualização monetária como princípio contábil. 2.2. Ativo e sua Avaliação A importância do ativo é destacada por Iudícibus (2004, p. 137) quando afirma que o estudo do ativo é tão importante que pode ser entendido como o capítulo fundamental da Contabilidade, porque a sua definição e avaliação estão ligadas à multiplicidade de relacionamentos contábeis que envolvem receitas e despesas. Goulart (2002, p. 58) acredita que “é crítico o entendimento da verdadeira natureza do ativo, em suas características gerais”. Em resumo, o ativo e sua avaliação, segundo Iudícibus (2004, p.142): Em sentido mais tradicional, o problema da avaliação do ativo tem sido dividido em duas partes fundamentais: (1) ativos monetários – disponibilidades – e ativos assemelhados, que deveriam ser expressos em termos de entradas esperadas de caixa, ajustadas pelo prazo de espera de recebimento, sempre que relevante; (2) os itens não monetários – inventários, instalações e equipamentos, investimentos de longo prazo e ativos diferidos - não são tão amenos, quanto à sua avaliação, como os monetários. Tais ativos seriam tipicamente determinados ou avaliados pelo custo de aquisição ou algum conceito derivado. De fato, presumindo um mercado livre, espera-se que o custo de aquisição expresso pelo preço de barganha de um ativo seja uma quantificação satisfatória das expectativas de serviços futuros, no momento da aquisição. Modificações no custo de aquisição podem ser ocasionadas pelo reconhecimento de fatores, tais como a depreciação, a depleção, a amortização ou a obsolescência. Verifica-se que, no âmago de todas as teorias para a mensuração dos ativos, se encontra a vontade de que a avaliação represente a melhor quantificação possível dos potenciais de serviços que o ativo apresenta para a entidade. (grifos nossos) 2.2.1 Definições A definição de ativo passou por uma evolução ao longo de anos de estudos e pesquisas contábeis. Segundo Iudícibus et al (1986, p. 32) O Ativo compreende os bens e os direitos da entidade em moeda. [...] Todos os elementos componentes do Ativo acham-se discriminados no lado esquerdo do Balanço Patrimonial. Associação Brasileira de Companhias Abertas. Normas Brasileiras de Contabilidade – Técnicas 6 International Accounting Standards 4 5 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 26 - 35, set/dez. 2011 29 Pensar Contábil Rosângela Mesquita Ayres CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Tiago Centenaro Mignoni Essa é a definição que a maioria dos contadores brasileiros responderia de imediato. Goulart (2002, p. 65), em seu artigo, parte da constatação de que definições insatisfatórias do conceito de ativos são costumeiramente ensinadas em cursos de Contabilidade, sem ensejar discussões, e genericamente aceitas pelos profissionais da área contábil. Iudícibus (2006, p. 138) cita Paton7, que, em 1924, em sua definição, destacava o aspecto não material do ativo e o seu valor para empresa independente do valor de troca: ‘ativo é qualquer contraprestação, material ou não, possuída por uma empresa específica e que tem valor para aquela empresa’. Iudícibus (2006, p. 138) menciona também: “segundo Sprouse e Moonitz8, no ARS9 no 3, do AICPA10, de 1962, ‘ativos representam benefícios futuros esperados, direitos que foram adquiridos pela entidade como resultado de alguma transação corrente ou passada’.” Iudícibus, Marion e Pereira (2003a, p. 23,) apresentam uma definição mais moderna para ativo: “Todos os bens e direitos de posse, controle ou propriedade da empresa mensuráveis monetariamente, que representam benefícios presentes ou futuros para a entidade”. Santos (2010) apresenta a definição proposta pelo Financial Accounting Standards Board - FASB: “ativos são prováveis benefícios econômicos futuros obtidos ou controlados por uma entidade em particular como um resultado de transações ou eventos passados.” No item 49 do Pronunciamento Conceitual Básico (CPC 00) podemos encontrar a seguinte definição para ativo: “é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera que resultem futuros benefícios econômicos para a entidade”. No item 53 é explicado que “o benefício econômico futuro embutido em um ativo é o seu potencial em contribuir, direta ou indiretamente, para o fluxo de caixa ou equivalentes de caixa para a entidade”. 2.2.2 Orientações advindas do CPC Características qualitativas e suas limitações O CPC, em seu pronunciamento técnico sobre a Estrutura Conceitual da Contabilidade, menciona aspectos importantes a serem observados sobre a informação contábil: as características qualitativas e suas limitações. Nos itens 26 e 29 deste pronunciamento constam que as informações, para serem úteis, devem ser relevantes às necessidades dos usuários na tomada de decisões, sendo a relevância das informações afetada pela sua natureza e materialidade. Neste mesmo pronunciamento, são citadas as limitações à relevância das informações, como por exemplo, o equilíbrio que deve haver entre custo e benefício, ou seja, “os benefícios decorrentes da informação devem exceder o custo de produzi-la”. Paula Rodrigues da Silva Natan Szuster Ratificando o propósito das questões mencionadas acima, é importante citar o FIPECAFI (2009 p. 50), quando se refere às vantagens e desvantagens do custo histórico corrigido, enfatizando que “para que seus benefícios práticos (utilidade) justifiquem seus gastos de aplicação, seria necessário que as taxas inflacionárias estivessem em níveis significativos”. Dessa forma, verifica-se a necessidade de atenção no momento de avaliar o uso de atualização monetária, considerando o cenário atual de inflação controlada no Brasil e da adoção de mecanismos, como o fair value, para ajuste dos ativos de uma entidade. 2.2.2.2. Reconhecimento de Ativos Segundo o item 89 do CPC 00, “um ativo é reconhecido no balanço patrimonial quando for provável que benefícios econômicos futuros dele provenientes fluirão para a entidade e seu custo ou valor puder ser determinado em bases confiáveis”. No item 90 é refutado o reconhecimento quando for improvável a geração de benefícios econômicos após o período contábil corrente, quando deverá ser reconhecida como despesa. 2.2.2.3. Mensuração de Ativos Com relação à mensuração de ativos, o CPC 00 define que é o processo que determina os valores pelos quais os elementos devem ser reconhecidos e apresentados nas demonstrações contábeis e que esse processo envolve a seleção de uma base específica de mensuração. Então, são definidas algumas bases que podem ser empregadas em graus diferentes e combinações variadas: Custo histórico; Custo corrente; Valor realizável; Valor presente e Custo histórico. Assim definidos: (a)Custo histórico. Os ativos são registrados pelos valores pagos ou a serem pagos em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos que são entregues para adquiri-los na data da aquisição, podendo ou não ser atualizados pela variação na capacidade geral de compra da moeda. (b)Custo corrente. Os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa que teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data do balanço. (c)Valor realizável (valor de realização ou de liquidação). Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa que poderiam ser obtidos pela venda numa forma ordenada. (d)Valor presente. Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado, do fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações da entidade. PATON. Accounting, 1924 apud IUDÍCIBUS, Sérgio. Teoria da contabilidade. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2006. SPROUSE, Robert T.; MOONITZ, Maurice. A tentative set of broad accounting principles for business enterprises. New York: AICPA, 1962 apud IUDÍCIBUS, Sérgio. Teoria da contabilidade. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2006. 9 Accounting Research Study 10 American Institute of Certified Public Accountants 7 8 30 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 26 - 35, set/dez. 2011 CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil O Ativo e suas Avaliações: A Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? 2.2.3. Orientações advindas da lei 6.404/76 A Lei 6.404/76, atualizada pelas leis 11.638/07 e 11.941/09 no art. 183, inova incluindo os conceitos: Valor justo ou Fair value: na alínea a, inciso I do art. 183, que define os critérios de avaliação do ativo, incluiu os conceitos de avaliação por valor justo quando se tratar de aplicações em instrumentos financeiros, inclusive derivativos, e em títulos de crédito destinadas à negociação ou que ficarão disponíveis para vendas classificados no ativo circulante ou no realizável a longo prazo. Valor presente: no inciso VIII, que determina que os elementos do ativo decorrentes de operações de longo prazo serão ajustados a valor presente e os demais quando houver efeito relevante. Análise de recuperabilidade ou impairment: no § 3o do art. 183, especifica que deverá ser feita periodicamente a análise sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado e no intangível, a fim de que sejam: I – registradas as perdas de valor do capital aplicado quando houver decisão de interromper os empreendimentos ou atividades a que se destinavam ou quando comprovado que não poderão produzir resultados suficientes para recuperação desse valor; ou II – revisados e ajustados os critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, exaustão e amortização. 2.2.4. Valor Justo ou Fair Value Conforme o CPC 38, “valor justo é a quantia pela qual um ativo poderia ser trocado, ou um passivo liquidado, entre partes conhecedoras e dispostas a isso em transação sem favorecimento”. A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: depreciação, amortização e exaustão. Paiva (2009), em apresentação sobre o ativo, coloca as seguintes técnicas de avaliação a serem utilizadas quando não for possível identificar diretamente o valor justo por meio de uma transação no mercado: Market Approach (Abordagem de Mercado) - Utilização de preços observáveis e de outras informações relevantes geradas por transações no mercado envolvendo ativos e passivos idênticos ou comparáveis. Ex.: cotação de ações. Income Approach (Abordagem de Renda) - Técnicas que convertem montantes futuros (caixa ou lucros) em um único valor presente (descontado). Ex.: VP, precificações de opções. Cost Approach (Abordagem de custo) - Montante que seria requerido para um ativo com igual capacidade de geração de serviços (custo de reposição). O valor deve ser ajustado pela obsolescência ou deterioração física. E a seguinte hierarquia, dependendo das informações disponíveis no mercado, a ser seguida para fins de valoração de ativos e outras rubricas contábeis: (a)Dados observáveis (cotações) para ativos ou passivos idênticos negociados em mercados ativos nos quais a entidade pode ter acesso. Baseados em informações obtidas de fontes independentes da entidade. (b)Dados observáveis que não sejam preços (cotações) de ativos ou passivos idênticos, mas similares. (c)Utilização de dados (inputs) não observáveis, baseados em premissas próprias da entidade sobre o mercado. Conforme defende Lustosa (2010), as estimativas apuradas utilizando a forma expressa nos níveis (b) e (c) são bastante subjetivas e incertas, colocando dúvidas sobre a “justiça” do valor que resultar o seu cálculo. Lustosa (2010) ainda defende que o arcabouço normativo internacional (condensado no SFAS11 157) que versa sobre o valor justo equivoca-se ao não fazer nenhuma referência à inflação. Omissão que pode levar a grandes distorções nos valores encontrados, maiores quanto mais alongadas forem às projeções, pois a inflação está embutida nos preços nominais e nas taxas utilizadas para descontar os fluxos futuros a valor presente. 2.2.6. Análise de Recuperabilidade ou Impairment Test O CPC 01 define valor recuperável de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa como o maior valor entre o valor líquido de venda de um ativo e seu valor em uso. Sendo o valor em uso o valor presente de fluxos de caixa futuros estimados, que devem resultar do uso de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa. E o valor líquido de venda aquele a ser obtido pela venda de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa em transações em bases comutativas, entre partes conhecedoras e interessadas, menos as despesas estimadas de venda. Acrescenta-se que o lançamento da provisão por desvalorização de ativo pode ser revertida, caso a situação se altere positivamente. O cálculo da depreciação deve ser revisto para a nova situação e que os estoques de mercadorias fungíveis destinadas à venda poderão ser avaliados pelo valor de mercado, quando esse for o costume mercantil aceito pela técnica contábil. 2.2.7. Ajustes de Avaliação Patrimonial Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valores atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos na Lei 6.404/76 ou, em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. Serão lançadas na conta Ajuste da Avaliação Patrimonial as contrapartidas dos aumentos ou diminuições de ativos e passivos motivadas pela aplicação de valor justo. É importante enfatizar que a função dessa conta é diferente da conta Reserva de Reavaliação. Statement of Financial Accounting Standards. 11 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 26 - 35, set/dez. 2011 31 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Rosângela Mesquita Ayres Tiago Centenaro Mignoni 2.2.7. Ajustes a valor Presente Segundo a Lei 6.404/76, os elementos do ativo decorrentes de operações de longo prazo serão ajustados a valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante. O objetivo é melhorar a informação contábil, segregando os juros embutidos nos valores das operações de longo prazo e, quando tiverem efeitos relevantes, nas de curto prazo. Esse dispositivo visa apropriar os juros conforme a sua competência. 2.3. Inflação – Comparação de Taxas Acumuladas Como forma de contribuir para a análise do objeto de estudo, buscou-se conhecer a relevância da taxa de inflação acumulada no Brasil desde o fim da atualização monetária. Estes dados foram comparados com três países economicamente representativos: Estados Unidos, Japão e Alemanha. Adicionalmente, apresenta-se a inflação acumulada em 12 meses (jun07-maio08) por um grupo maior de países, para situar a realidade brasileira dentro de um contexto mais amplo. Os dados estão expressos no quadro 1 e no gráfico 1, este último elaborado pelo Ministério da Fazenda – Secretaria de Política Econômica. Quadro 1: Inflação (%) Acumulada (jan/96-nov/08) em quatro países: Japão, Alemanha, Estados Unidos e Brasil (IGP-M e IPCA) Países Japão Alemanha Estados Unidos Brasil (IGP-M) Brasil (IPCA) Inflação acum. jan/96 a nov/08 1,30% 21,96% 37,63% 227,13% 128,78% Fonte: FGV Dados (http://portalibre.fgv.br/). Paula Rodrigues da Silva A partir dos dados apresentados acima é possível afirmar que a inflação acumulada após o fim da correção monetária no Brasil continuou apresentando nível relevante quando comparado aos índices de países desenvolvidos como Japão, Alemanha e Estados Unidos. Portanto, é importante atentar ao fato de que durante este período (1996 a 2008) a contabilidade brasileira não possuía mecanismos que pudessem refletir essa flutuação de preços em seus registros, o que corrobora os resultados de diversos estudos anteriores no sentido de que, durante este período, a ausência de um método de atualização monetária causou impacto negativo na qualidade da informação contábil em retratar o real valor dos elementos das demonstrações financeiras. Em contrapartida, o gráfico 1, elaborado pelo Ministério da Fazenda/Secretaria de Política Econômica (MF/SPE) demonstra que a taxa inflacionária do Brasil não se destaca dentre as taxas inflacionárias de outros países, ou seja, se não se apresenta como uma das menores, também não está entre as maiores, sugerindo que as taxas inflacionárias atuais do Brasil, possuem níveis próximos da média comparativa com outros países. 3. Metodologia Sobre classificação de pesquisas, Gil (1991) esclarece que normalmente é feita conforme os seus objetivos gerais e, assim, se classifica as pesquisas em três grandes grupos: a) exploratórias, b) descritivas e c) explicativas. Gil (1991, p. 45) ensina que as pesquisas exploratórias têm o objetivo de proporcionar maior familiaridade com o problema e torná-lo mais explícito ou possibilitar a construção de hipóteses. Contudo, o objetivo principal desse tipo de pesquisa, segundo Gil, é promover o “aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições” (grifos nossos) e acrescenta que Gráfico 1: Inflação (%) Acumulada 12 meses (até maio/2008) em alguns países Fonte: The Economist (14/06/2008), Fonte IBGE para os dados para o Brasil. Elaboração: Ministério da Fazenda/Secretaria de Política Econômica (MF/SPE) 32 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 26 - 35, set/dez. 2011 Natan Szuster CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil O Ativo e suas Avaliações: A Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? esse tipo de pesquisa envolve: a) levantamento bibliográfico, b) entrevistas com pessoas com mais experiência sobre o assunto e c) análise de exemplos. Gil (1991) alerta que conquanto “o planejamento da pesquisa exploratória seja bastante flexível, na maioria dos casos assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso.” (grifos nossos). Esta pesquisa é qualitativa estruturada em fonte bibliográfica, classificando-se como exploratória por ser desenvolvida dentro de um novo contexto, após 15 anos sem correção monetária, ainda que correlacione os assuntos já discutidos exaustivamente em momentos anteriores à alteração da Lei 6.404/76, que objetivou a aproximação da contabilidade brasileira da internacional. Através da pesquisa bibliográfica aplicada, reuniram-se nesse trabalho aspectos importantes para a reflexão do objeto referido, possibilitando a análise crítica da questão proposta. 4. Resultados e conclusões A análise da evolução da norma contábil brasileira mostra que os mecanismos criados para tratar a variação do poder aquisitivo da moeda foram barrados com o advento do plano de estabilização econômica (Plano Real) como forma de auxiliar no combate da memória inflacionária e inflação inercial no país. Portanto, após 1996 (fim da correção monetária) tem-se um período crítico em relação à devida avaliação e atualização monetária dos ativos, afetando diretamente a qualidade das informações contábeis. Este estudo corroborou resultados de diversas pesquisas anteriores que enfatizavam os impactos nas demonstrações contábeis pela falta de dispositivo que reconhecesse os efeitos da inflação no período de 1996-2008 ao apresentar quadro demonstrando a significância da taxa inflacionária brasileira em relação a países economicamente importantes (Japão, Alemanha e Estados Unidos). Em 28 de dezembro de 2007, com a Lei 11.638, vieram as alterações na Lei 6.404/76, incorporando como critérios de avaliação dos ativos mecanismos de mensuração consagrados internacionalmente: valor justo, teste de recuperabilidade, ajuste a valor presente e ajuste do valor patrimonial. O que suscitou a pergunta dessa pesquisa: essa estrutura de mensuração reconhece o impacto da flutuação do poder aquisitivo da moeda? Com base na fundamentação apresentada nesse trabalho analisa-se a questão por dois ângulos: o alcance dessa estrutura de mensuração e a sua capacidade de refletir as flutuações no poder de compra da unidade monetária. Primeiro. A Lei 6.404/76 indica a utilização de valor justo para avaliação de aplicações em instrumentos financeiros, inclusive derivativos, e em títulos de crédito destinados à negociação ou que ficarão disponíveis para vendas classificados no ativo circulante ou no realizável a longo prazo. Os quais são elementos que geralmente possuem mercado ativo e por isso se pode diretamente identificar o valor justo por meio de uma possível transação. Dessa forma a utilização do valor justo como critério de avaliação apresenta um alcance restrito a alguns elementos do ativo, os quais normalmente possuem mercado ativo, o que facilita muito a definição do valor justo da forma mais objetiva possível. Segundo. Extrapolando a utilização do valor justo como forma geral de avaliação de ativos, ressaltando-se que essa não é a forma indicada pela legislação societária, entende-se que a avaliação não seria eficaz para mensurar os elementos do ativo e ainda tratar o problema da variação do poder aquisitivo. A norma internacional que rege a aplicação do valor justo não considera a questão da inflação e sua influência na mensuração dos elementos patrimoniais. Infere-se que como apresentado no quadro 1, as baixas taxas de inflação acumuladas nas principais economias do mundo levam a um distanciamento dos normatizadores com essa realidade, desprezando, portanto, suas implicações. Essa consideração é sustentada pelos estudos de Mumford. O arrefecimento no interesse no desenvolvimento de técnica de reconhecimento contábil da variação do poder aquisitivo da moeda é esclarecido pelo ciclo contábil relacionado à inflação descrito por Mumford12 (1979 apud BURROWS e ROWLES, 1996, p. 5) expresso em oito estágios: i. Um aumento na inflação interna e uma queda nos preços das ações, ii. Reação por parte dos profissionais de contabilidade; iii. Intervenção do governo; iv. Estudos radicais em técnicas de contabilização da inflação; v. Controvérsia na profissão; vi. Formulação de recomendações de compromisso; vii.Redução da inflação doméstica e para uma recuperação dos preços das ações; viii.Redução do interesse de reforma; Em seu estudo, Mumford (1979) observou que os ciclos apresentados pela contabilidade nos períodos de inflação no Reino Unido, 1948-1954 e 1973-1978, tiveram um padrão similar e que as duas últimas fases se caracterizam pela redução da inflação e pela diminuição do interesse de reforma nas regras contábeis, implicando na diminuição do interesse pelo desenvolvimento das regras contábeis no sentido de desenvolver técnica contábil capaz de reconhecer os efeitos da inflação nas demonstrações financeiras. Portanto, como para se representar corretamente o valor dos ativos é necessário que estes estejam expressos em moeda em termos reais (considerando a inflação e expectativa de inflação neles embutida) o modelo de avaliação a valor justo, ao não considerar a questão da inflação – como explica Lustosa (2010) em seu estudo sobre o SFAS 157 –, não cabe para cenários de elevada variação de poder aquisitivo da moeda. Ainda, como esclarece Lustosa (2010): Este conceito decorre da condição de o dinheiro ter um preço, pois normalmente os governos dos países pagam uma MUMFORD, M. The end of a familiar inflation accounting cycle. Accounting and Business Research, Spring. (1979) apud BURROWS, Geoff e ROWLES, Tom. The inflation accounting cycle: a British-Australian comparative perspective. Abacus, november 1996. 12 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 26 - 35, set/dez. 2011 33 Pensar Contábil Rosângela Mesquita Ayres CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Tiago Centenaro Mignoni remuneração mínima para captar recursos financeiros em poder do público. Assim, R$ 1,00 hoje vale mais do que R$ 1,00 amanhã e por isso os fluxos futuros de serviços e desserviços13 têm que ser apresentados em uma mesma data de referência pelos seus valores equivalentes. Nesse ponto o Brasil não pode furtar-se da sua realidade, simplesmente incorporando a norma internacional sendo que os índices inflacionários verificados no país ainda são relevantes para análises de maior prazo. O posicionamento do CFC com a resolução 1.282/10 indica essa preocupação. A Resolução 1.282/10 do CFC, que traz à tona novamente a atualização monetária, considera que, mesmo aplicando-se os mecanismos supracitados, o conceito de atualização monetária deve estar presente para que sejam avaliadas as variações no poder aquisitivo da moeda, que interferem na mensuração dos elementos contábeis das organizações, de modo que sejam apresentadas demonstrações com a melhor qualidade possível ao usuário. Uma ponderação importante diz respeito aos aspectos de característica qualitativa e das limitações sobre a informação contábil. Com o propósito de fundamentar a necessidade de Paula Rodrigues da Silva Natan Szuster maior reflexão sobre a matéria, vale considerar as seguintes indagações: (a)Um método adicional de correção monetária, considerando a adoção prévia do fair value, causaria impacto relevante materialmente na informação contábil? (b)Todos os procedimentos envolvidos no cálculo da atualização monetária dos valores registrados em balanço teriam benefícios superiores ao custo de se obter esse tipo de informação? Retoma-se o objetivo principal desse artigo: chamar a classe contabilista para a reflexão e discussão sobre essa questão do tratamento contábil da variação do poder aquisitivo da moeda. Este estudo incentiva a continuidade da pesquisa sobre o tema porque mesmo sem ter hiperinflação um país pode apresentar taxas inflacionárias acumuladas que afetam de forma relevante a qualidade da informação contábil, prejudicando a função da contabilidade, como o exemplo do Brasil, que apresenta taxas inflacionárias acumuladas significativas no período de 1996 a 2008, correspondentes à variação de 227,13% segundo o IGP-M. REFERÊNCIAS BENADIBA, Moses. Moeda constante. Revista Ecco. Universidade Metodista de São Paulo. Ano I, n.1, 2º sem 2006. BRASIL. Lei 6.404 de 15 de dezembro de 1976. 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Teoria da Contabilidade. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2003a. ______; MARION, José Carlos; PEREIRA, Elias. Colaboração Valmor Slomski. Dicionário de termos de contabilidade. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2003b. ______. Teoria da contabilidade. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2006. Essa nomenclatura: “fluxos de serviços e desserviços”, utilizada por Lustosa (2010), vide referências, advém da estrutura conceitual do Sistema de Informações de Gestão (Gecon), desenvolvida com base nas ideias seculares sobre capital e renda apresentadas pelo economista americano Irving Fischer (1906). E se referem ao processo de geração de nova riqueza (serviço) a partir do uso da riqueza existente (desserviço). 13 34 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 26 - 35, set/dez. 2011 CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil O Ativo e suas Avaliações: A Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? ______. MARTINS, Eliseu. Uma investigação e uma proposição sobre o conceito e o uso do valor justo. Revista Contabilidade & Finanças. v.118, n.spe, São Paulo, jun2007. ISSN. 1519-7077 LUSTOSA, Paulo Roberto Barbosa. A (in?) justiça do valor justo: SFAS-157, Irving Fisher e Gecon. In: X Congresso USP de Controladoria e Contabilidade, 2010, São Paulo. Anais do X Congresso USP de Contabilidade, 2010. MINISTÉRIO DA FAZENDA. Secretaria de Política Econômica. Análise da inflação: Evolução, cenários e medidas. Junho de 2008. Disponível em www.fazenda.gov.br. Acessado em 24 jul. 2010. OLIVEIRA, Alan Teixeira de; MARQUES, José Augusto Veiga da Costa e CANAN, Ivan. 11 anos sem correção! Uma análise dos efeitos da correção monetária não reconhecida nas demonstrações contábeis do serviço social da indústria – SESI de 1996-2006. Revista de contabilidade do mestrado em Ciências Contábeis da UERJ, Rio de Janeiro, v.12, n.3, p.1, set.-dez. 2007. PAIVA, José W. Morais de. Apresentação em fev/2009. SANTOS, Ivan Macedo dos. 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Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 26 - 35, set/dez. 2011 35 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia ALFA Rodrigo Fonseca de Araújo Natal - RN Bacharel em Ciências Contábeis pela UFRN1 [email protected] Edzana Roberta Ferreira da Cunha Vieira Natal - RN Mestre em Ciências Contábeis pela PMIRPGCC – UnB / UFPB / UFRN1 [email protected] Giovana Tonetto Segantini Natal – RN Graduanda em Ciências Contábeis pela UFRN1 [email protected] Clayton Levy Lima de Melo Natal – RN Mestre em Ciências Contábeis pela PMIRPGCC – UnB/UFPB/UFRN1 [email protected] Resumo Esta pesquisa foi realizada com a perspectiva de aprofundar o conhecimento nas empresas do ramo da construção civil e, mais especificamente, a importância de se conhecer os custos que envolvem o processo de elaboração de um produto ou serviço. Foi realizado um estudo bibliográfico e empírico, o qual tem como objetivo geral analisar se as variações dos custos de água da Companhia Alfa, empresa da construção civil situada na cidade do Natal/RN, podem ser explicadas pelas mudanças nos níveis de atividade, expressos pelo “número de unidades construídas” e “materiais diretos”. Esse empreendimento possui 48 unidades construídas verticalmente e seu processo de construção ocorreu entre os anos de 2004 e 2008. A verificação dos dados ocorreu através de aplicação de métodos estatísticos a fim de determinar a existência de correlação linear entre as variáveis estudadas, bem como elaborar a função custo de cada uma dessas 1 relações. Essa equação demonstra até que ponto o custo da água se apresentou como fixo e em quais proporções ele sofreu variação, além de possibilitar a predição de valores do custo com a água diante de valores estabelecidos para as variáveis explicativas. Após a análise dos dados desta pesquisa, pôde-se concluir que realmente existe uma correlação linear forte entre as variáveis estudadas, além de ter sido possível construir as funções custo dessas duas variáveis independentes. Portanto, é possível predizer valores do custo com a água ao se analisar o número de unidades construídas ou ao se utilizar do custo com os materiais diretos aplicados na obra. Palavras-chave: Construção Civil. Custo com a água. Processo decisório. Abstract This research was conducted with the purpose of deepening the knowledge in business building industry and, more specifically, the importance of knowing the costs involved the process of developing a product or service. We conducted a literature and empirical study which aims at analyzing whether the variations in the cost of water in Company Alfa, a construction company located in the city of Natal/RN, can be explained by changes in activity levels expressed by the “number of units built” and “direct materials”. This development has 48 units built vertically and its construction process occurred between 2004 and 2008. Review of data occurred through the application of statistical methods to determine the existence of linear correlation between these variables and to develop the cost function of each of these relationships. This equation shows how much the cost of water was presented as fixed and in what proportions it has suffered variation, and allows the prediction of values of the cost with the water before the values established for the explanatory variables. After analyzing the research data, it was concluded that there is indeed a strong linear correlation between the variables studied, and it was possible to build the cost functions of these two independent variables. Therefore, it is possible to predict values of the cost of water by analyzing the number of units built or by using the cost of direct materials used in the work. Key words: Civil Construction. Cost of water. Decision process. UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte – CEP 59078-970 – Natal – RN Artigo recebido em 07/02/2011 e aceito em 28/09/2011. 36 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 36 - 44, set/dez. 2011 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia Alfa 1. Introdução O ramo de atividade da construção civil é considerado um dos maiores empregadores de mão de obra no Brasil; sendo assim, pode-se dizer que são empresas que têm representatividade na economia nacional. Diante disso, o nível de exigência no setor tende a ser mais acirrado, levando as empresas a uma reestruturação funcional que lhes conceda maior capacidade de sobrevivência, o que sem dúvida, entre outros fatores, exigirá um posicionamento mais aprimorado com relação às práticas de apuração de custos adotadas, tornando-as mais competitivas e melhorando sua eficiência e desempenho (STECHER, 1997). Diante do exposto, é salutar destacar que, para os custos serem aplicados com o intuito de maximizar os resultados no processo decisório, não basta apenas que ocorra sua mensuração, mas também a correta classificação, de forma a nortear os gestores durante a ocorrência dos processos operacionais das empresas. A classificação dos custos em direto ou indireto possibilita sua apropriação aos respectivos objetos de custo, assim como a classificação em fixo, variável ou semivariável, de acordo com o comportamento em decorrência de mudanças no nível de atividade, sendo de fundamental importância para o fornecimento de informação relevante para o processo de tomada de decisão. (GARRISON; NOREEN, 2001; HORNGREN; FOSTER; DATAR, 2000; MARTINS, 2006). De acordo com Fernandes (2007), o consumo da água na construção civil é tão essencial quanto o consumo do cimento ou da areia. Fazendo uma análise, por exemplo, obter a argamassa para assentar os blocos ou revestimentos sem a utilização desse líquido é praticamente impossível. Sem água, fica inviável construir. Apesar dessa essencialidade, que transforma a utilização da água em algo tão intrínseco ao processo de uma obra, algumas pessoas mais leigas, pelo menos, mal se apercebem da importância de consumo e muito menos têm noção de como esse consumo pode ser relevante no custo de uma obra, principalmente na das construtoras. Vale salientar também que em março de 2006 foi promulgado o Decreto 293, regulamentando a Lei 10.785/2003, que dispõe sobre os critérios do uso e conservação racional da água nas edificações. Esse decreto revela que todas as edificações devem prever em seu projeto de instalações hidráulicas a implantação de mecanismos de captação da água da chuva, para ser utilizada em atividades que não exijam o uso da água tratada, a fim de obter o licenciamento da construção. O documento deixa a cargo do proprietário ou do responsável pela execução da obra a instalação do sistema (GASPARIN, 2009). Nesse contexto, a construção civil se caracteriza como um dos setores que mais consomem recursos naturais e geram grandes quantidades de resíduos, desde a produção dos insumos utilizados até a execução da obra e a sua utilização (ÂNGELO, 2009). Segundo o presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), o grande desafio do setor é diminuir o consumo de energia e água nos empreendimentos. Para isso, estão buscando a todo custo maior eficiência energética das construções, reduzindo assim os impactos nos recursos Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 36 - 44, set/dez. 2011 naturais (ÂNGELO, 2009). Tendo em vista a grande relevância em identificar os custos indiretos em uma construção civil e partindo do pressuposto de que os custos que possuem comportamentos semivariáveis podem ser alterados com o aumento ou redução do nível de atividade, essa pesquisa tem como objetivo geral analisar se as variações dos custos de água da Companhia Alfa Empreendimentos LTDA, empresa da construção civil, podem ser explicadas pelas mudanças nos níveis de atividade, expressos pelo “número de unidades construídas” e “materiais diretos”. Os objetivos específicos são: verificar se os direcionadores do custo podem influenciar no aumento ou redução do custo de água na obra; explanar sobre os conceitos de métodos quantitativos que serão aplicados na análise de dados da pesquisa; e descrever uma função de custo que determine o grau de oscilação do consumo da água na obra quando se aumenta o nível de atividade. 2. Referencial Teórico Em face da proposta lançada por esta pesquisa, este capítulo trará aspectos relacionados com a importância da informação de custos no processo decisório de uma empresa: as classificações dos custos; definições de objeto de custo; a função dos direcionadores de custos; função custo e métodos quantitativos; análise de regressão; o ramo da construção civil no cenário nacional, por fim, como se configura a informação de custos nas empresas de construção civil. 2.1. A relevância da informação do custo no processo decisório Visto que há um aumento expressivo da competitividade na maioria dos mercados, sejam eles comerciais, industriais ou de serviços, percebe-se que a informação de custos envolvidos na atividade empresarial está se tornando cada vez mais importante durante o processo decisório nessas empresas. A ocorrência desses custos pode ser identificada em todos os ramos empresariais. (GARRISON; NOREEN, 2001; MARTINS, 2006). Ter conhecimento dos gastos envolvidos em um processo de consecução de um novo produto, um serviço ou um empreendimento qualquer a ser realizado é de extrema relevância para os gestores, quando se deparam com uma situação de decisão sobre quais as melhores alternativas a serem executadas, de modo a atender aos objetivos e metas da empresa, resultando, consequentemente, no sucesso organizacional. (HORNGREN; FOSTER; DATAR, 2000). Ainda se tratando da competitividade, percebe-se que com as mudanças ocorridas no mercado e a busca incessante dos clientes por produtos e serviços de alta qualidade e preços mais acessíveis, cria-se, a cada dia, mais empecilhos para as empresas permanecerem no mercado. Diante das margens sobre os preços cada vez mais apertadas pela concorrência, torna-se cada vez mais relevante o trabalho dos administradores na busca pela redução de custos, principalmente de desperdícios e excessos que se verificam na organização, obtendo, assim, lucratividade para a mesma e garantindo sua sobrevivência no mercado (ZANLUCA, 2009). 37 Pensar Contábil Rodrigo Fonseca de Araújo CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Edzana Roberta Ferreira da Cunha Vieira Diante do contexto, é possível verificar que em toda atividade empresarial identifica-se o elemento custo como um fator relevante nas decisões a serem tomadas por parte dos gestores. Esse elemento tem se tornado uma ferramenta imprescindível para o sucesso empresarial, pois a disputa de mercado existente entre as empresas é cada vez mais estreita. Os consumidores estão exigindo ainda mais por preços baixos e serviços ou produtos de qualidade e a empresa que lhe oferecer essas alternativas provavelmente terá destaque dentre as demais. No contexto de sistemas de informações gerenciais dos quais a contabilidade se utiliza na geração de seus relatórios, Padoveze (2003, p.87) acrescenta: Sistemas de custos que não contêm os requisitos mínimos de integração e consistência contábil das informações geradas são sistemas com potencial significativo de problemas sérios no processo de tomada de decisão. [...] Custos para tomada de decisão envolvem a utilização de modelos decisórios gerais e específicos, para tomada de decisão tanto de caráter genérico como para temas pontuais. Ostrenga et al. (1997, p.21) descreve, dentre as finalidades principais da informação de custos, a de “fornecer aos gerentes um meio de monitorar a evolução em direção às metas e dirigir as energias para as situações que necessitam de atenção”. Nesse contexto, identifica-se que um sistema de custos implementado numa empresa permite que o gestor possa focalizar sua atenção em determinado setor ou departamento de sua companhia diante do que foi sinalizado por esse sistema, uma vez que ele funciona também como uma ferramenta de monitoramento de possíveis divergências entre as metas estabelecidas e o que está se passando naquele momento. Um sistema de custos bem alinhado cria segurança para o gestor tomar suas decisões. A informação de custos em uma empresa é estruturada em um complexo emaranhado de sistemas de custos que irá ordenar esses dados de tal forma que o administrador será capaz de traduzir em informações relevantes e, a partir daí, tomar as decisões cabíveis que irão atender aos objetivos e as metas da organização, obtendo-se assim o sucesso empresarial. Em um enfoque gerencial, pode-se destacar que os gestores, além de mensurar e avaliar o comportamento dos custos correntes, através de suas decisões sobre fatores tais como produtos ou atributos de serviços, capacidade, tecnologia e políticas para criar incentivos para controlar custos, podem influenciar o comportamento dos custos. Nesse sentido, as decisões de projetos, processos, produtos e serviços dar-se-ão por toda a cadeia de valor, implicando em ações para desenvolver economia de escada ou de escopo, capacidade produtiva ociosa como reserva para atender às variações na demanda, a substituição de mão de obra humana pela robótica, etc. Estas decisões afetam os custos e a contabilidade deve evidenciar a relação custo x benefício e explicar o motivo das decisões tomadas (HORNGREN; SUNDEM; STRATTON, 2004). 38 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 36 - 44, set/dez. 2011 Giovana Tonetto Segantini Clayton Levy Lima de Melo Visto isso, pode-se concluir que a contabilidade de custos é um subsistema do sistema de informações contábeis. Esse subsistema, desde que alinhado à estratégia da organização, mostra-se como uma ferramenta de apoio às decisões. Os sistemas de custeio, além de orientados para atender às exigências legais, devem ser formatados para suportar a gestão de tomada de decisões. Portanto, a contabilidade de custos, para cumprir suas funções com excelência dentro de uma organização, precisa evidenciar como, onde, por que e para que a aplicação dos recursos despendidos. 2.2 Classificação dos custos Os custos podem ser classificados como direto e indireto, o que possibilitará sua apropriação aos seus respectivos objetos de custos. Da mesma forma, há a classificação em fixo, variável ou semivariável, que determinará seu comportamento em decorrência de mudanças no nível de atividade, sendo de fundamental importância para o fornecimento de informação relevante para o processo de tomada de decisão (GARRISON; NOREEN, 2001; HORNGREN; FOSTER; DATAR, 2000; MARTINS,2006). Essa classificação dos custos pode ser entendida como fatores que irão modelar os gastos inerentes aos produtos ou serviços que são objeto de custos. Nas definições dessas classificações de custos será possível perceber que elas se apresentam de várias formas, assim como já foi citado. Uma parcela dos gastos poderá ser alocada de forma direta ao seu objeto, ou seja, a distribuição do custo ocorrerá exatamente de acordo com a quantidade de insumos consumidos pelo objeto. Já se tratando da parcela indireta, ela se apresentará de forma menos evidente, tendo em vista sua peculiaridade de se tornar flexível ao seu objeto. A percepção para alocá-lo é seguindo algum critério de rateio que muitas vezes é arbitrário. Outro aspecto que envolve a classificação dos custos é quanto a suas características de variabilidade em relação ao nível de atividade encontrado no meio produtivo. Apresenta-se de forma fixa quando sua parcela não sofre influência, até determinado nível, quando se tem oscilação da quantidade produzida. Apresenta-se de forma variável quando se percebe a sua variabilidade em decorrência da mudança do sistema de produção e, por fim, pode se apresentar de forma semivariável quando o custo possui ambos os elementos. Todo esse processo de controle, mensuração e alocação do produto é de grande relevância para uma gestão eficiente de uma organização, pois ele possibilitará as escolhas das melhores opções no processo de gestão dos custos em uma organização. Sendo assim, o sucesso organizacional será mais fácil de atingir. 2.3 Apropriação ao objeto de custos Quando se faz a separação de custo e despesa, permite-se que seja apurado o custo de um objeto. Segundo Horngren, Foster e Datar (2004, p. 26): para dirigir as suas decisões, os administradores querem saber quanto uma coisa específica (como um produto, uma máquina, um serviço ou um processo) custa. Chamamos essa ‘coisa’ de objeto de custo, que é qualquer coisa para a qual uma medida de custos é desejada. Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia Alfa Para Garrison e Noreen (2001, p. 38): Para Horngren, Foster e Datar (2000, p.22): Os custos são apropriados aos objetos para uma série de finalidades, incluindo a formação de preço, análise de rentabilidade e controle de gastos. Objeto de custo é qualquer coisa – como, por exemplo, produtos, linha de produtos, clientes, tarefas e subunidades da organização – para a qual se deseja informação de custo. O intervalo que interessa é a faixa do direcionador de custo na qual uma relação específica entre custo e direcionador é válida. Um custo fixo é fixo somente em relação a uma dada faixa (normalmente ampla) de direcionador de custo e num dado período de tempo (normalmente no período do orçamento específico). Como afirmam os autores, objeto de custos pode ser um produto ou serviço capaz de absorver os gastos inerentes à sua produção. Esses gastos são direcionados aos seus objetos através de um sistema de informações que gerencia esses custos ou por critérios de rateios que geralmente utilizam um formato que melhor represente um direcionador desses custos. Ou seja, quando se tem uma parcela de custos, independente de ser direto ou indireto, é necessário que se distribua essa parcela aos produtos que consumiram de alguma forma parte desse custo. Quando o custo de apresenta de forma direta é mais fácil verificar a parcela inerente a cada produto, mas quando se trata de custos indiretos, deve-se estabelecer algum critério de rateio de forma a evidenciar da melhor maneira possível a parcela de custo indireto que foi consumida pelo produto em questão. Assim como revela Zimmerman (1997), as empresas devem distribuir e alocar os custos a um objeto de custo. O autor afirma ainda que objeto de custo, além de ser considerado como um produto ou um serviço, pode ser um departamento, ou um programa usado por um gerente que tenha a intenção de calcular o custo. Dessa forma, percebe-se que o objeto de custo não precisa necessariamente ser um produto, ou seja, a alocação de custos aos seus objetos também pode ser direcionada a qualquer item de uma empresa capaz de absorver esses gastos, lembrando que essa alocação deve ser implementada com algum critério de absorção para que não haja distorções em seus valores. Ainda de acordo com Zimmerman (1997), o objeto de custo é o que os gerentes normalmente desejam conhecer para tomar as decisões e/ou controlar o comportamento das pessoas dentro da organização. Esse autor acredita que a alocação de custos deve ser a questão principal dentro do sistema de contabilidade de uma empresa. Diante desse raciocínio, a questão central é saber quanto e quão indireto é um custo em relação a um determinado serviço. É possível perceber a ideia de que os custos só se comportam de forma fixa, variável ou mista relacionando-os a determinado direcionador de custo dentro de um intervalo definido, de modo que antes ou depois do intervalo até então estabelecido, não se tenha a garantia do mesmo comportamento do custo, necessitando, desta forma, de uma nova análise (GARRISON; NOREEN, 2001). O que se sabe da variabilidade dos custos através da identificação correta dos respectivos direcionadores e da separação entre fixos e variáveis são dados relevantes para a tomada de boas decisões administrativas. Muitas funções gerenciais, como planejamento e controle, dependem do conhecimento de como os custos se comportarão (HORNGREN; FOSTER; DATAR, 2000). 2.4 Direcionadores de custos Conforme Atkinson et al. (2000, p.138), “direcionador de custo de atividade é uma unidade de medida para o nível (ou quantidade) de atividades executadas”. Horngren, Foster e Datar (2000, p.20) acrescentam que: “direcionador de custo [...] é qualquer fator que afeta os custos totais. Isto significa dizer que uma mudança no direcionador de custo implicará uma alteração dos custos totais de um objeto de custo”. Outro conceito intrinsecamente relacionado com a determinação do comportamento dos custos é o intervalo que interessa, também conhecido como intervalo relevante. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 36 - 44, set/dez. 2011 2.5 Função de custos e métodos de estimativas Horngren, Foster e Datar (2000, p.235) expõem função de custo como “uma função matemática que descreve os padrões de comportamento de custo – como eles variam em decorrência das mudanças do direcionador de custo”. Conforme essa premissa, pode-se evidenciar que a função de custo corresponde a um cálculo matemático que definirá as variações dos custos de acordo com as mudanças ocorridas em um determinado direcionador de custos. Os autores ainda ressaltam que essa equação só terá validade quando os níveis de direcionadores de custo estiverem dentro de um intervalo relevante. Conforme Garrison e Noreen (2001), uma função de custos revela a relação existente entre o custo semivariável e o nível de atividade, sendo descrita a partir da seguinte equação: Y = a + bX, sendo Y o custo total; a, o custo fixo total (interseção vertical da linha); b, o custo variável por unidade de atividade (inclinação da linha); e X, o nível da atividade. Através dessa função é possível identificar estimativas dos padrões de comportamento dos custos. Após a identificação da relação desse comportamento, é possível verificar quais serão os procedimentos mais vantajosos a serem adotados pela organização em determinada situação, fazendo-se a simulação a partir da função que se obteve. Ao se definir uma função de custo, deve-se seguir seis etapas: (1) escolha da variável dependente – a variável a ser prevista, que é algum tipo de custo; (2) identificação do(s) direcionador(es) de custo – variável(eis) explicativa(s); (3) coleta de dados da variável dependente e do(s) direcionador(es) de custo; (4) representação gráfica dos dados; (5) estimativa da função de custo; e (6) cálculo do valor da função de custo estimada. As etapas apresentadas são efetuadas inúmeras vezes pelos analistas de custo até encontrarem direcionadores de custo alternativos economicamente viáveis que melhor se adaptem aos dados (HORNGREN; FOSTER; DATAR, 2000). 39 Pensar Contábil Rodrigo Fonseca de Araújo CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Edzana Roberta Ferreira da Cunha Vieira Pelo que foi explanado, pode-se compreender que a função custo determinará a separação da parcela fixa que compõe o custo de um produto da parcela variável, através da análise de regressão. O interesse dos gerentes em estimar os padrões de comportamento dos custos passados, acompanhar seus usos posteriores e relacioná-los com os seus devidos direcionadores constitui um requisito que auxilia a antecipar e prever os custos de forma mais apropriada e, consequentemente, tomar decisões mais fundamentadas. 2.6 O ramo da construção civil O ramo da construção civil é um setor que possui particularidades no aspecto produtivo da economia brasileira, desempenhando uma função de grande importância em seu desenvolvimento. Diante do crescimento e do desenvolvimento econômico do país, que se iniciou em meados da década de 50, essa atividade passou a desempenhar importância e a ter destaque como atividade industrial (NETO, 2005). É possível perceber também que a indústria da construção civil, com um passado que se caracteriza pela abundância dos mais diversos recursos, vindos de políticas econômicas favoráveis ao setor, vem enfrentando nos últimos quinze anos uma nova realidade, onde o seu meio ambiente tornou-se mais competitivo e escasso de recursos, e as estratégias utilizadas não são mais adequadas. Devido ao setor possuir uma cadeia de relações intersetoriais englobada no sistema econômico, os aspectos políticos e econômicos afetam direta e sensivelmente o setor, isto é, a associação entre o produto da construção e o volume de investimentos da economia é grande, fazendo com o que as pequenas mudanças na demanda agregada se reflitam de forma ampliada na produção do setor. Diante disso, pode-se afirmar que, em períodos de crescimento econômico, o volume de investimentos tende a se ampliar de forma mais pronunciada, impactando mais fortemente a construção do que a produção total de bens. (NETO, 2005) Diante das particularidades colocadas pelos autores, é possível perceber que de fato a indústria da construção civil possui aspectos diferenciados na sua estrutura organizacional. Esse ramo possui características incomuns a algumas outras atividades, fazendo com que os gestores dessas empresas possuam capacidades mais específicas de gestão para que se possa controlar, muitas vezes, várias obras ao mesmo tempo. O fato de que o local de produção de cada produto não é fixo e que cada empreendimento que está sendo construído possui projetos diferenciados é outro fator relevante para o qual o gestor deve estar atento nas suas decisões. Assim, devido às diferenças anteriormente citadas, metodologias de planejamento e controle da produção, logística, administração de materiais, entre outros, necessitam ser adequadas ao caso da construção civil. O sistema de apuração de custos não se exclui deste caso. Verifica-se que a metodologia normalmente utilizada para esta indústria não se preocupa apenas com os custos indiretos envolvidos como também com critérios de rateio destes (CIMINO, 1987). Portanto, após a caracterização do setor da construção civil, pode-se identificar que esse ramo é diferente do que se percebe de uma produção em série. O processo possui uma 40 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 36 - 44, set/dez. 2011 Giovana Tonetto Segantini Clayton Levy Lima de Melo sucessão de componentes de fases distintas e com relações diferenciadas entre os agentes, ou seja, com um nível de dispersão relevante de responsabilidades e possuindo pouca integração entre esses agentes. 2.7 Custos indiretos da construção e dificuldade de identificação do seu comportamento Quando se trata da classificação dos custos na construção civil, Martins (2006) os separa pela classificação comum – diretos e indiretos – e pela flexibilidade do volume das obras – variáveis e fixos. Entretanto, muitas vezes não é tarefa fácil proceder essa classificação com os custos. A formação dos custos indiretos de uma construção evidencia bem essa dificuldade diante da grande complexidade na definição do seu comportamento (fixo e/ou variável). Diante do exposto, percebe-se que os custos indiretos possuem um grau maior de peculiaridade em detrimento do custo variável, que, por sua vez, é de fácil classificação quando se determina que ele irá variar em decorrência da flexibilidade do nível de atividade. No entanto, quando se trata do custo indireto, sua ocorrência deixa rastros de obscuridade para o gestor, diante da dificuldade em se determinar o quanto se deve apropriar a cada unidade produzida. O problema se torna ainda maior quando se percebe um custo com características de semivariável, ou seja, que sua ocorrência foi determinada por uma parcela fixa e outra que só ocorreu pelo fato da mudança no nível de atividade. É nesse aspecto em que esta pesquisa se baseia, isto é, determinar uma função de custo que identifique até que nível de atividade na construção de um edifício o custo com a água (custo semivariável) pode ser considerado fixo e em quais proporções ele aumenta com essa variabilidade do nível de atividade. Garrison e Noreen (2001, p.38) acrescentam que “são poucos os custos inteiramente fixos. A maioria irá variar se ocorrer variação suficientemente grande da atividade”. Visto isso, pode-se verificar a necessidade de se ter uma ferramenta que torne possível separar a parte variável da parcela fixa nos custos indiretos de uma obra, tendo em vista ser de grande valia no processo de tomada de decisão gerencial. Após a determinação dessa ferramenta, fica mais fácil o gestor poder prever o montante dos custos indiretos totais em relação às variações nos níveis de atividades, da mesma forma que será possível prever os valores futuros dos custos tomando como base os valores conhecidos ou esperados dos diversos níveis de atividade da construção. Verifica-se que, por meio desse mecanismo, também será possível fazer análises comparativas entre os custos orçados e os incorridos. 3. Metodologia Para a realização deste estudo foi selecionada a Companhia Alfa Empreendimentos LTDA, a qual teve seu verdadeiro nome aqui camuflado, por questões de gestão empresarial. Esta empresa atua no ramo de construções de empreendimentos em geral. Sua atuação é constante na cidade de Natal, bem como em parcerias realizadas com outras empresas que atuam também em outros estados. Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia Alfa A pesquisa caracteriza-se em uma tipologia descritiva. Na concepção de Gil (1999) a pesquisa descritiva tem como principal objetivo descrever características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre as variáveis. Dentre suas características, entende-se como a mais significativa a utilização de técnicas padronizadas de coletas de dados. A pesquisa se fundamentará na aplicação de métodos estatísticos a fim de se descobrir se o custo da água na construção de um empreendimento vertical decorre da variação das variáveis explicativas. A análise será feita através de estudos de regressão simples, correlação linear e coeficiente de determinação, bem como a elaboração do diagrama de dispersão. A hipótese formulada que norteou este estudo foi a de que o custo com a água em uma obra de edificação (variável dependente) tende a aumentar quando o seu nível de atividade aumenta. Como variável independente (ou explicativa) que represente o nível de atividade foi selecionada a construção de outros andares no processo de edificação e também o custo total com os materiais diretos, tendo em vista que seu consumo também elevará o consumo da água, pois são indicadores que, presumivelmente, refletem no valor dos custos de água. A coleta de dados foi realizada a partir de pesquisa documental ou de fontes primárias, baseada nas análises das contas em relatórios de custos e gerencial, além de demonstrações financeiras. No processo de coleta de dados foi utilizado um empreendimento construído no período de dezembro de 2004 a novembro de 2008, que possui um total de 48 unidades construídas verticalmente. 4. Análise Dos Resultados Após a coleta dos dados foram aplicados cálculos de correlação linear entre as variáveis envolvidas. Logo em seguida foi calculada a equação de regressão dessas variáveis através da inclinação da reta e do intercepto y. Além disso, também foi calculado o coeficiente de determinação dessas variáveis analisadas e efetuado o esboço do gráfico de dispersão do coeficiente de correlação linear. 4.1 Custo com água versus número de unidades construídas A proposta inicial para verificação das variáveis foi utilizar o número de unidades construídas como sendo um direcionador de custo da água no processo de construção do empreendimento. Essa variável foi utilizada na tentativa de explicar a variação do custo com água na medida em que o direcionador também for aumentando. Espera-se que haja uma correlação linear entre essas variáveis. A seguir ilustra-se o gráfico de dispersão esboçado através dos dados coletados. Percebe-se que a correlação entre a reta de regressão com os pontos plotados no gráfico apresenta uma direção semelhante. Gráfico 1: Diagrama de dispersão entre os custos com água e as unidades construídas. Fonte: elaboração própria. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 36 - 44, set/dez. 2011 41 Pensar Contábil Rodrigo Fonseca de Araújo CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Edzana Roberta Ferreira da Cunha Vieira Giovana Tonetto Segantini Clayton Levy Lima de Melo Gráfico 2: Diagrama de dispersão entre os custos com água e os custos com o material direto. Fonte: elaboração própria. Variável Coeficiente Intercepto (β1) 7.931,46 Unidades Construídas (β1) 630,16 R r² 0,907 0,823 Quadro 1 – Coeficientes estatísticos: custo com água x unidades construídas Fonte: elaboração própria A análise de regressão, realizada a partir dos valores coletados com o custo com água resultou na FRA: Ŷ = 7.931,46 + 630,16x (parâmetros definidos no Quadro 1). Pode-se observar também que o coeficiente de correlação linear de 0,907 identifica a variável unidades construídas como sendo um excelente direcionador de custo que explique a variação do custo com água. Verificou-se que, na aplicação dos cálculos com os dados coletados, a tabela apresenta os valores críticos de 0,294 para α = 0,05 e 0,402 para α = 0,01. Como o resultado de r deu bem acima desses valores, pode-se considerar que essa variável possui uma correlação linear significativa. Através dessa constatação, é possível perceber que utilizar as unidades construídas como um direcionador de custos da água é uma excelente forma de predizer esses custos, pois a interpretação que pode se dar ao r² é que, se for possível definir uma correlação linear significativa entre as variáveis analisadas, o valor encontrado pode determinar percentualmente o quanto a variação da variável dependente pode ser explicada pela variação da variável independente (TRIOLA, 2005). 42 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 36 - 44, set/dez. 2011 Dessa forma, 82,3% das variações do custo com água no empreendimento analisado podem ser explicadas pelas variações das unidades construídas. 4.2 Custo com a água versus custo com material direto O consumo de material direto aplicado na obra pode ser considerado como outro direcionador de custos para o custo com a água, tendo em vista que a maioria desses materiais necessita da utilização de água na sua aplicação. Da mesma forma que foi ilustrado o gráfico de dispersão na primeira análise, será evidenciado também o gráfico de dispersão nessa segunda. Através do gráfico 2 é possível perceber que os pontos plotados no diagrama também estabelecem uma correlação significativa com a variável dependente. Ou seja, o material direto aplicado na obra também se mostra como sendo um excelente direcionador de custo da água, tendo em vista seu nível de correlação ter dado acima dos valores críticos apresentados na tabela de Valores Críticos do Coeficiente de Correlação de Pearson r. Variável Coeficiente Intercepto (β1) 7.823,97 Unidades Construídas (β1) 0,0354 Quadro 2 – Coeficientes estatísticos: custo com água x custo com material direto Fonte: elaboração própria r r² 0,903 0,816 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia Alfa Na análise de regressão, foi possível construir a equação de regressão FRA: Ŷ = 7.823,97 + 0,0354x. Através dessa função, pode-se predizer valores para o custo com água com base nos valores de materiais diretos consumidos na obra. Assim como ocorreu com a correlação encontrada com a variável das unidades construídas, foi possível verificar que existe uma correlação linear significante entre a variável dependente (custo com água) e a variável independente (custo com material direto), pois o valor de r encontrado foi de 0,903. Isto é, na aplicação dos cálculos com os dados coletados e através da tabela de Valores Críticos do Coeficiente de Correlação de Pearson r, verifica-se os valores críticos de 0,294 para α = 0,05 e 0,402 para α = 0,01 Tendo em vista o resultado de r ter dado bem acima desses intervalos, pode-se considerar que essa variável possui uma correlação linear significativa com a variável dependente. O coeficiente de determinação r² apresentou o valor de 0,816. Ou seja, pode-se aferir que 81,6% das variações ocorridas no custo com a água na construção do empreendimento podem ser explicadas pela variação do consumo de materiais diretos aplicados nessa obra. Isso é mais um fator que evidencia o nível de correlação significativa apresentada por essa variável. Outro fator a ser observado é que não se pode concluir que uma correlação implica causalidade. Isto é, de acordo com os estudos estatísticos apresentados nesta pesquisa, é possível encontrar equações que podem predizer valores de y para valores dados de x; entretanto um valor predito de y não será necessariamente o resultado exato, pois além de x, há outros fatores que afetam y, tais como variações aleatórias e outras características não incluídas no estudo (TRIOLA, 2005). 5. Considerações Finais Em face de tudo que foi analisado, pode-se aferir que realmente existe uma correlação linear entre as variáveis selecionadas como direcionadores de custos da água na construção do empreendimento de 48 unidades verticais. Através da implementação dos cálculos estatísticos, pôde-se verificar que, na medida em que se constroem mais unidades, o consumo da água está correlacionado. Em um primeiro momento, testou-se se havia a correlação linear significante entre a variável dependente (água) e a variável independente (unidades construídas) através do coeficiente (r). Se esse resultado desse um valor superior ao valor crítico estabelecido na tabela de Valores Críticos do Coeficiente de Correlação de Pearson r, poder-se-ia afirmar que as variáveis eram correlativas. Outro aspecto a ser destacado que demonstra esse nível de correlação linear é a elaboração do diagrama de dispersão que evidencia os pontos plotados com tendências à reta de regressão. No caso do diagrama das unidades construídas versus custo da água, pôde-se notar que esses pontos realmente estavam dispostos dessa maneira. O coeficiente de correlação linear obtido foi de 0,907, ou seja, muito próximo Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 36 - 44, set/dez. 2011 de 1, o que denotaria uma correlação perfeita. Também foi calculada a equação de regressão das variáveis, que mostra a função custo da água em relação às unidades construídas. Seu resultado foi FRA: Ŷ = 7.931,46 + 630,16x. Diante desta equação, é possível predizer valores da água ao se definir um determinado número de unidades construídas. Foi possível verificar também o coeficiente de determinação (r²) que mede o grau de associação entre a variável dependente e as indenpendentes. No caso das unidades construídas, resultou que 82,3% da variação do custo da água pode ser explicada pela variação das unidades construídas. A outra parcela de 17,7% é explicada por outros fatores não tratados neste estudo. A outra variável independente utilizada na análise foi o consumo do material direto aplicado na obra. Percebeu-se que a utilização desses materiais requer o uso de água e que ele poderia ser outra variável capaz de explicar a variação do custo da água. Após os cálculos do coeficiente de correlação, chegou-se ao resultado de 0,903, ou seja, um valor muito aproximado do que deu a correlação do custo com água e unidades construídas. Logo, pode-se confirmar a correlação linear significativa. Como já era de se esperar, o diagrama de dispersão também evidenciou uma disposição dos pontos plotados semelhante à encontrada com a variável das unidades construídas. Os pontos se distribuíam próximos da reta de regressão. A equação de regressão calculada foi Ŷ = 7.823,97 + 0,0354x. Com o mesmo entendimento da outra equação encontrada, utiliza-se essa função para se determinar o custo da água, usando como base a determinação do gasto com material direto aplicado na obra. Lembrando que essa determinação é estimativa com base em dados amostrais. Em outras circunstâncias, o resultado encontrado pode não ser o esperado. Por fim, foi calculado também o coeficiente de determinação (r²) que deu como resultado que 81,6% das variações do custo da água podem ser explicadas pela variação do consumo dos materiais diretos. Portanto, entende-se que obter o controle dos custos em geral em uma construção é de grande importância para se obter o sucesso empresarial. Tomar decisões com base em dados confiáveis possibilita ao gestor garantir a sustentabilidade do seu empreendimento em um mercado cada vez mais competitivo. Esperou-se com esse estudo abrir caminhos no entendimento do comportamento do custo da água em uma obra, tendo em vista os aspectos ambientais que afligem o planeta ultimamente, bem como auxiliar no processo decisório das empresas de construção civil, uma vez que esta pesquisa aborda o entendimento de estimar valores de custos usando como base outros fatores que interferirão no seu consumo. Sugere-se que outros estudos sejam implementados no mesmo campo de atuação, sendo que para outros tipos de custos semivariáveis, como é o caso da energia elétrica e também com outras variáveis independentes que possam explicar suas variações. 43 Pensar Contábil Rodrigo Fonseca de Araújo CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Edzana Roberta Ferreira da Cunha Vieira REFERÊNCIAS Giovana Tonetto Segantini Clayton Levy Lima de Melo ÂNGELO, Fabrício. Construção civil: reduzir o consumo de água e energia é o maior desafio. Edição de Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos), 2009. Disponível na Internet: http://www.novoeste.com/news_807_Construcao-civil-reduzir-o-consumo-de-agua-e-energia-e-o-maior-desafio.html. Acesso em 25 Set. 2009. ATKINSON, Anthony A. et al. Contabilidade gerencial. Trad. André Olímpio Mosselman Du Chenoy Castro. São Paulo: Atlas, 2000. CIMINO, R. Planejar para construir. São Paulo: Editora PINI, 1987. FERNANDES, Laudicéia. 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Foram analisadas, à luz da normatização contábil vigente no Brasil que trata da divulgação de ativos intangíveis, as demonstrações contábeis do exercício social de 2008 das seguintes companhias: Embraer, Braskem, CPFL Energia, CSN, Gerdau, Grupo Pão de Açúcar, Oi (Brasil Telecom), Petrobras, Usiminas e Vale. A pesquisa constitui um estudo de caso com delineamento bibliográfico e documental. Neste trabalho, verificou-se que as demonstrações contábeis analisadas atenderam, em sua maioria, às normas de divulgação vigentes, como já esperado. Considerando-se, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC nº 13, a faculdade de se optar por reapresentar cifras comparativas ajustadas conforme a norma “Práticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Correção de Erros”, entende-se que todas as companhias citadas poderiam ter optado pela adoção de tais práticas, proporcionando uma maior qualidade à informação contábil, principalmente no que tange à comparabilidade. Palavras-chave: evidenciação, troféu transparência, ativo intangível, normas contábeis. Abstract The purpose of this study consists in analyzing, in the context of the current process of adherence to new accounting standards in effect in Brazil since the Law 11.638/07, the disclosure of intangible assets in the financial statements disclosed by public companies which won the 13th ANEFAC FIPECAFI - SERASA EXPERIAN - Transparency Trophy in José Augusto Veiga da Costa Marques Rio de Janeiro – RJ Pós-Doutor em Contabilidade e Controladoria pela FEA/USP1 Professor do Mestrado em Ciências Contábeis da FACC/UFRJ2 [email protected] Ronaldo Francisco dos Santos Rio de Janeiro – RJ Mestrando em ciências Contábeis pela FACC/UFRJ2 [email protected] Verônica Andréa Lima Gouveia Rio de Janeiro – RJ Mestranda em Ciências Contábeis pela FACC/UFRJ2 [email protected] 2009, considered by the market as a certificate of idoneity of the winning companies. To this end, we selected the winning companies in the category “with sales up four billion/year” due to the representativeness of their operations in the Brazilian scene. In light of the accounting regulation law in Brazil that deals with the disclosure of intangible assets, the companies whose financial statements for the 2008 fiscal year were analyzed were the following: Embraer, Braskem, CPFL Energia, CSN, Gerdau, Grupo Pão de Açúcar, Oi (Brasil Telecom), Petrobras, Usiminas and Vale. The research is a case study design with bibliographic and documentary design. In this study, it was found that the financial statements examined attended, mostly, to existing disclosure standards, as expected. Considering, in accordance with CPC 13, the right to choose to restate comparative figures adjusted to the standard “Accounting Policies, Changes in Accounting Estimates and Error Correction”, it means that all the companies mentioned could have opted for adoption of such practices, providing a higher quality of accounting information, especially in regard to comparability. Key words: disclosure, transparency trophy, intangible assets, accounting standards. FEA/USP - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – CEP 05508-010 – São Paulo - SP FACC/UFRJ – Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio de Janeiro – CEP 22290-240 – Rio de Janeiro - RJ 1 2 Artigo recebido em 10/05/2011 e aceito em 28/09/2011. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 45 - 54, set/dez. 2011 45 Pensar Contábil José Augusto Veiga da Costa Marques CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Ronaldo Francisco dos Santos 1. Introdução No atual mercado globalizado têm ocorrido diversas combinações de negócios mediante processos de incorporações, fusões e cisões. Neste contexto, os ativos intangíveis têm apresentado uma grande relevância no patrimônio das organizações. Com a importância que o ativo intangível representa no patrimônio das empresas e a qualidade que ele agrega à informação contábil, a normatização contábil dessa matéria se fez necessária e urgente, pois representaria uma melhora considerável na qualidade das informações contábeis, tornando-as mais úteis para os usuários da contabilidade. Com o advento da Lei nº. 11.638/07, que modificou vários aspectos de natureza contábil da Lei das Sociedades por Ações, foram introduzidas algumas novas disposições buscando uma convergência das normas contábeis brasileiras às normas contábeis internacionais. Dentre as novas disposições, foi introduzida a necessidade da mensuração, reconhecimento e divulgação do ativo intangível nas demonstrações contábeis das empresas a partir do exercício de 2008. Nesse sentido, foram aprovados os Pronunciamentos Técnicos CPC nº 13, que tratou da adoção inicial da Lei nº. 11.638/07 considerando as regras a serem obedecidas pelas companhias na data de transição, e CPC nº 04, que tratou dos ativos intangíveis. Por se tratar de matéria recentemente normatizada pela legislação brasileira, as companhias divulgaram pela primeira vez tais regras nas demonstrações contábeis do ano de 2008, sendo necessária a realização de julgamentos por parte dos responsáveis pela elaboração das demonstrações contábeis, a fim de se identificar quais ativos (ora reconhecidos nos grupos de investimento, imobilizado e diferido) cumpriam os critérios de reconhecimento de ativo intangível na data de transição e, no caso de ativos intangíveis com vida útil indefinida, o uso de técnicas de elaboração de fluxo de caixa projetado e alguns princípios de finanças para a realização do teste de recuperabilidade, para que fossem identificadas perdas de seu valor. Neste trabalho faz-se uma análise dos ativos intangíveis divulgados nas demonstrações contábeis de 2008 pelas companhias vencedoras do 13º Prêmio ANEFAC – FIPECAFI – SERASA EXPERIAN – Troféu Transparência 2009, a fim de se identificar a aderência de tais demonstrações às normas de divulgação constantes nos Pronunciamentos Técnicos pertinentes à matéria. Nesse sentido, este estudo irá contribuir para o avanço do conhecimento da matéria e disponibilizará aos profissionais da área de contabilidade e afins informações relevantes que irão auxiliá-los na melhora das informações contábeis para os usuários da contabilidade. Afinal, o objetivo principal da contabilidade é mensurar o patrimônio; como fornecer este tipo de informação ao usuário sem saber ao menos o valor correto do ativo intangível nos balanços? A relevância desta pesquisa consiste em fazer um estudo detalhado deste item, de forma a demonstrar o que está sendo divulgado pelas grandes empresas para atender melhor não só ao usuário, mas à própria razão de existir da contabilidade. 46 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 45 - 54, set/dez. 2011 Verônica Andréa Lima Gouveia 2. Ativo Intangível 2.1. Conceito e composição Este estudo levou em consideração as normas brasileiras aplicadas ao tema em questão, ora convergentes com as normas internacionais expedidas pelo IASB (International Accounting Standard Board). A criação do grupo de Ativos Intangíveis já constava na Deliberação CVM nº 488/05; agora, com o processo de harmonização contábil nos termos da Lei 11.638/07, passa a ser um grupo que figura como ativo não circulante. O ativo intangível é normatizado pelo IASB através da IAS 38 e no Brasil pelo CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) através do Pronunciamento Técnico CPC 04, aprovado pela Deliberação CVM nº. 553, de 12 de novembro de 2008. A Norma Internacional IAS 38 e o Pronunciamento Técnico CPC 04 definem ativo intangível como um ativo não monetário identificável sem substância física. Os ativos intangíveis são identificáveis, controlados e geradores de benefícios futuros. Kaplan e Norton (2004) afirmam que os ativos intangíveis tornaram-se decisivos para a criação de valor sustentável e que a definição dos dicionários para intangível, “que não pode ser percebido ou definido”, mostra a dificuldade das organizações em gerenciar esses ativos. “Como gerenciar aquilo que não pode ser definido?” Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007) ressaltam que em operações de combinações de negócios, sobretudo em operações de aquisição de controle acionário ou de participações acionárias significativas no capital de uma companhia, é comum o surgimento de “mais valia” sobre o valor de patrimônio líquido da ação da sociedade investida. Muitas vezes é possível identificar essa “mais valia” como resultado da diferença entre o valor de mercado de um imobilizado tangível e o seu valor contábil líquido. Por outro lado, por vezes essa identificação não é possível, remanescendo um ativo “residual” que recebe a denominação amplamente aceita de goodwill. No que tange à mensuração e amortização, Hendriksen e Van Breda (1999) explicam que ativos intangíveis são difíceis de medir. Essa característica é particularmente verdadeira no caso de intangíveis que não podem ser identificados separadamente, tais como goodwill. O custo é a base usual, escolhida em termos pragmáticos. Os ativos intangíveis são amortizados assim como os ativos tangíveis são depreciados. A vida útil utilizada deve ser sua duração econômica estimada. As revisões de sua vida útil devem ser tratadas prospectivamente, como mudanças de estimativas. No que se refere ao reconhecimento e à caracterização, Hendriksen e Van Breda (1999) comentam que os ativos intangíveis não deixam de ser ativos simplesmente porque não possuem substância. Seu reconhecimento deve obedecer, portanto, às mesmas regras válidas para todos os ativos. Portanto, de acordo com o SFAS 5, parágrafo 63, um item deve ser reconhecido quando: (a) corresponde à definição apropriada, (b) é mensurável, (c) é relevante, e (d) é preciso. Adicionalmente, Hendriksen e Van Breda (1999) também alertam a respeito do reconhecimento e mensuração do goodwill: é o principal exemplo de um intangível que não possui CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis usos alternativos, não é separável, e cujos benefícios são muito incertos. Goodwill representa vantagens que não são especificamente identificáveis. Sendo assim, há três enfoques principais no que se refere à avaliação do goodwill: (a) por meio da avaliação de atitudes favoráveis em relação à empresa, (b) por meio do valor presente da diferença positiva entre lucros esperados e o retorno considerado normal sobre o investimento total, não incluindo goodwill, e (c) por meio de uma conta geral de avaliação – a diferença entre o valor da empresa em sua totalidade e as avaliações de seus ativos líquidos tangíveis e intangíveis individuais. Frank (2008) destaca que seria imperdoável para uma empresa não ter ideia do valor do seu inventário ou instalações e equipamentos. Mas, na realidade, muitas empresas nem sabem o alcance total das propriedades intelectuais (intangíveis) que elas possuem nem o quanto valem. Muitas responsabilidades específicas para a gestão da propriedade intelectual recaem nas funções de setores como recursos humanos, jurídico e tecnologia da informação. Mas o setor financeiro deveria coordenar esses esforços e verificá-los, como acontece com os salários, benefícios sociais de pessoal e inventário. Em última análise, proteger a propriedade intelectual (intangível) é responsabilidade de todos. Lev (2008) comenta um estudo de Douglas Skinner da University of Chicago – Booth School of Business, em que o mesmo faz uma crítica cuidadosa de várias propostas de alterar a informação financeira atual dos intangíveis e suas consequências. Douglas Skinner conclui que o caso da reforma é surpreendentemente fraco, os mercados de capitais funcionam bem melhor atualmente, porém uma abordagem de ativos intangíveis que envolva a obrigatoriedade de divulgação mais ampla nesta área ainda parece não ter sucesso. Há incentivos de mercado às empresas para fornecerem voluntariamente uma melhor divulgação dos intangíveis, porém propostas para modificar o modelo contábil atual são falhas. Lev (2008) faz uma crítica ao próprio crítico (Skinner) sobre o que, em sua opinião, deveria ser feito para melhorar a comunicação de intangíveis. Duas coisas: a capitalização de certos investimentos em ativos intangíveis, e a facilitação da melhoria das divulgações padronizadas sobre intangíveis. 2.2. Evolução das normas brasileiras A promulgação da Lei 11.638/07, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2008, teve como objetivo principal atualizar a legislação societária brasileira para possibilitar o processo de convergência das normas contábeis brasileiras às normas contábeis internacionais. As modificações ocorridas aplicam-se às companhias de capital aberto e as disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras estendem-se às sociedades de grande porte. Além disso, companhias de capital fechado poderão optar por observar normas sobre demonstrações financeiras expedidas pela CVM para as companhias abertas. Nos termos da Lei 11.638/07, houve a criação de um novo subgrupo de contas, o intangível, que inclui ágio, para fins de apresentação no balanço patrimonial. No intangível devem ser classificados os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 45 - 54, set/dez. 2011 com essa finalidade, como por exemplo, os direitos de exploração de serviços públicos mediante concessão ou permissão do poder público, marcas e patentes, bem como o fundo de comércio adquirido. O intangível é formado por contas que anteriormente eram classificadas no Imobilizado (Marcas e Patentes), no Diferido (Pesquisa e Desenvolvimento) e em Investimentos (Ágio), ou seja, trata-se de um desmembramento do ativo imobilizado. Os direitos classificados no intangível devem ser avaliados pelo custo incorrido na aquisição deduzido do saldo da respectiva conta de amortização, feita em função do prazo legal ou contratual de uso dos direitos ou em razão da sua vida útil econômica, deles o que for menor. Com a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, o Brasil busca o alinhamento com os padrões contábeis emitidos pelo International Accounting Standard Board – IASB. O Pronunciamento CPC 04, sancionado por meio da Deliberação CVM nº. 553, de 12 de novembro de 2008, correlaciona-se à Norma Internacional de Contabilidade IAS 38 – Intangible Assets, emanada pelo IASB. O objetivo principal do CPC 04 é definir o tratamento contábil dos ativos intangíveis que não são abrangidos especificamente em outro pronunciamento, estabelecer que uma entidade deve reconhecer um ativo intangível apenas quando determinados critérios especificados no pronunciamento forem atendidos e também especificar como mensurar o valor contábil do ativo intangível, exigindo divulgações específicas sobre esses ativos. O pronunciamento exclui de seu escopo os intangíveis que deverão ser tratados em outros pronunciamentos, tais como ágio (goodwill ou fundo de comércio), combinações de negócios, ativos financeiros, direitos de exploração de recursos naturais exauríveis, intangíveis mantidos para venda, entre outros. Antes do CPC 04, não havia normas específicas relativas aos ativos intangíveis no Brasil. No entanto, o conceito de ativo diferido de acordo com os pronunciamentos contábeis geralmente aceitos no Brasil permitia que as companhias capitalizassem despesas pré-operacionais e custos de pesquisa e desenvolvimento. Nos termos do CPC 04, muitos destes montantes não podem mais ser capitalizados. Nos termos do CPC 04, para efeito de reconhecimento, é necessário que o ativo intangível seja identificável, distinguindo-se do ágio (goodwill), em combinações de negócios decorrentes de ativos que não poderão ser identificados individualmente e reconhecidos separadamente. O ativo intangível atende ao critério de identificação quando for separável ou quando resultar de direitos contratuais ou de outros direitos legais, quer esses direitos sejam transferíveis quer sejam separáveis da entidade ou de outros direitos e obrigações. Portanto, deve ser reconhecido apenas se for provável que os benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao ativo serão gerados em favor da entidade; e o custo do ativo puder ser mensurado com segurança. Existem três formas de reconhecimento de um intangível: aquisição separada, aquisição em uma combinação de negócios e ativo intangível gerado internamente. Na aquisição em separado, o custo do ativo pode normalmente ser mensurado com segurança. Se um ativo intangível for adquirido em uma combinação de negócios, o seu custo é o valor justo na data 47 Pensar Contábil José Augusto Veiga da Costa Marques CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Ronaldo Francisco dos Santos de aquisição, o qual reflete as expectativas sobre a probabilidade de que os benefícios econômicos futuros incorporados no ativo serão gerados em favor da entidade. Para avaliar se um ativo intangível gerado internamente atende aos critérios de reconhecimento, a entidade deve classificar a geração do ativo na fase de pesquisa e/ou na fase de desenvolvimento. Importante ressaltar que o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerada internamente não deve ser reconhecido como ativo. Os gastos com um item intangível devem ser reconhecidos como despesa quando incorridos, exceto se fizerem parte do custo de ativo intangível que atenda aos critérios de reconhecimento ou se o item é adquirido em uma combinação de negócios e não possa ser reconhecido como ativo intangível. O CPC 04 fornece exemplos de gastos que devem ser reconhecidos como despesas quando incorridos, tais como: despesas; custos de treinamento, atividades de publicidade; além de custos de reorganização. Com relação à avaliação da vida útil de um ativo intangível, em termos de práticas internacionais, a norma IAS 38 deixa bem clara a postura a ser adotada: se o intangível possui vida útil limitada finita, deve ser amortizado; se por outro lado, possui vida útil indefinida, deve ser objeto de testes de impairment periódicos. Todos os intangíveis são suscetíveis ao teste de recuperação estabelecido pela IAS 36 (Impairment of Assets), que foi adotada no Brasil por meio do CPC 01 (Redução ao Valor Recuperável de Ativos). Sempre que houver um indicador de que o fluxo de caixa esperado pelo ativo possa ter sofrido uma redução tão significativa a ponto de ser menor do que seu custo, a empresa deve efetuar um teste de impairment. Rees e Fick (2009) destacam que as empresas devem estar aptas para reduzir as preocupações do investidor e de terceiros sobre o impairment não reconhecido, tendo políticas formais que sejam aplicadas consistentemente, documentação que resuma os fatores considerados, a base para as conclusões alcançadas, e evidenciações significativas que habilitem os participantes do mercado a avaliar o motivo de uma entidade em concluir que o valor registrado dos títulos será realizado em última instância. Como o CPC 04 sobre intangíveis e a IAS 38 são similares, haverá uma mudança significativa no reconhecimento, mensuração e evidenciação dos intangíveis que devem ser baixados por ocasião de sua alienação, ou quando não há expectativa de benefícios econômicos futuros com a sua utilização ou alienação. O valor da transparência contábil passa indiscutivelmente pela evidenciação do intangível. O futuro da Contabilidade está ligado a um cenário de objetividade nos números apresentados aos usuários da informação. Para alcançar este objetivo, é preciso que as demonstrações financeiras sejam claras quanto ao intangível; afinal, só é possível investir naquilo que se conhece, ninguém investe em uma empresa como se fosse uma “caixa preta”. Existe um consenso no universo contábil de que é preciso dar ao intangível uma melhor qualidade, informações mais detalhadas, uma divulgação em que se tenha a verdadeira noção do que é publicado nos jornais. Deste modo, a adequa- 48 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 45 - 54, set/dez. 2011 Verônica Andréa Lima Gouveia ção das normas brasileiras aos padrões internacionais exige do profissional de Contabilidade uma análise criteriosa daquilo que se registra nas demonstrações financeiras. 3. Premissas do Prêmio ANEFAC – FIPECAFI – SERASA EXPERIAN – Troféu Transparência O Troféu Transparência é promovido pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC), Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) e Serasa. O prêmio, criado em 1997, é um reconhecimento anual às companhias que respeitam seus acionistas, credores, investidores e a sociedade em geral, com a confecção e publicação dos balanços financeiros de melhor qualidade, mais informativos e mais completos do mercado. A importância do Troféu reside no extremo rigor das avaliações e por essa razão, é muito difícil para uma empresa ser aceita como uma das que apresentam os melhores balanços do país. O Troféu contribui principalmente para o aumento do número de empresas que divulgam balanços no Brasil e também para a promoção de mudanças na qualidade dos demonstrativos das companhias vencedoras e suas concorrentes. No Troféu Transparência existem três modalidades de classificação: empresas de capital aberto com faturamento até 4 bilhões/ano, empresas de capital aberto com faturamento acima de 4 bilhões e empresas de capital fechado. O foco deste artigo será o de avaliar a evidenciação do ativo intangível nas demonstrações contábeis divulgadas pelas Empresas de capital aberto com faturamento acima de 4 bilhões/ano, ganhadoras do 13º Prêmio ANEFAC – FIPECAFI – SERASA EXPERIAN – Troféu Transparência 2009, que foram as seguintes empresas: Embraer – Empresa Brasileira de Aeronáutica, Braskem, CPFL Energia, CSN – Companhia Siderúrgica Nacional, Gerdau, Grupo Pão de Açúcar, Oi, Petrobrás, Usiminas – Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais e Vale. No que tange aos critérios de avaliação, quem concorre ao prêmio são as empresas sediadas em todo o território nacional, selecionadas entre as 500 maiores e melhores empresas do Brasil nas áreas de Comércio, Indústria e Serviços, exceto serviços financeiros. Devem obrigatoriamente divulgar as seguintes demonstrações: Balanço Patrimonial; Demonstração do Resultado do Exercício; Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido; Demonstração do Fluxo de Caixa; Notas Explicativas; Demonstrações Comparativas; Relatório da Administração e Parecer dos Auditores Independentes. Quanto aos critérios de seleção, são avaliados a qualidade e grau das informações contidas nas demonstrações e notas explicativas; transparência das informações prestadas; qualidade do relatório da administração e sua consistência com as informações divulgadas; aderência aos princípios contábeis; ressalvas no parecer dos auditores independentes, levando-se em conta suas naturezas; apresentação da divulgação quanto ao layout; legibilidade; concisão; clareza; e por fim a divulgação de aspectos relevantes, como Fluxo de Caixa, Demonstração do Valor Adicionado, Ebitda, Valor Econômico Agregado, Balanço Social e Efeitos Inflacionários. Adicionalmente, no que tange ao processo de julgamento, existem duas fases. Na primeira fase, alunos dos cursos de CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis Mestrado e Doutorado em Controladoria e Contabilidade da FEA-USP selecionam as demonstrações que melhor atendem aos critérios, para encaminhamento à comissão julgadora. Na segunda fase, são selecionadas as melhores demonstrações pela comissão julgadora composta pelos professores da FEA-USP e representantes da FIPECAFI – Ariovaldo Santos, Nelson Carvalho e Sérgio de Iudícibus, além do representante da ANEFAC, José Ronoel Piccin. 4. Metodologia O presente estudo visa à análise da evidenciação do ativo intangível nas demonstrações contábeis divulgadas pelas empresas de capital aberto com mais de 4 bilhões/ano de faturamento, vencedoras do 13º Prêmio ANEFAC – FIPECAFI – SERASA EXPERIAN – Troféu Transparência 2009 e sua aderência às novas normas contábeis vigentes a partir da Lei 11.638/07. A harmonização das práticas contábeis é uma tendência mundial e o reconhecimento de ativos intangíveis nas demonstrações financeiras sempre foi um tema polêmico. A clareza nos balanços é inevitável diante da necessidade de informações mais precisas, com maior compreensão e comparabilidade entre as organizações. Afinal, “quanto mais transparente, melhor o mercado vê sua empresa”. Esta pesquisa é descritiva, documental e representa um estudo de caso conforme conceitos estudados por Gil (2002) e Yin (2001). Para Gil (2002), as pesquisas são classificadas segundo seus objetivos gerais, sendo divididas em pesquisas exploratórias, descritivas e explicativas. As pesquisas descritivas teriam como objetivo principal a descrição de características relacionadas à determinada população ou fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. A pesquisa classifica-se como de natureza descritiva, uma vez que efetuará uma análise comparativa, através de exemplos práticos, da evidenciação do ativo intangível e sua aderência às novas normas contábeis brasileiras nos relatórios daquelas empresas mencionadas anteriormente. Caracteriza-se como pesquisa documental por utilizar relatórios financeiros e informações disponibilizadas nos sites das companhias abertas através da internet. As limitações inerentes ao estudo são representadas pela impossibilidade de generalização das conclusões advindas do presente trabalho à totalidade das companhias abertas, considerando o ativo intangível e sua respectiva evidenciação nos relatórios contábeis das companhias. Gil (2002) apresenta os tipos de pesquisa relacionados aos procedimentos: pesquisas bibliográficas, estudos de caso, pesquisas documentais, experimentais, ex post facto, levantamento, estudo de corte, pesquisa-ação e pesquisa participante. Yin (2001) afirma que o fator predominante para a escolha da estratégia de estudo de caso em contraposição ao uso de experimentos, levantamentos de dados, pesquisa histórica, etc., é a consideração da forma de questão da pesquisa, do controle exigido sobre eventos comportamentais e do foco sobre acontecimentos contemporâneos ou não. Deve-se ressaltar, entretanto, que segundo Yin (2001), estudos de caso devem ser feitos com cuidado, principalmente Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 45 - 54, set/dez. 2011 no tocante às generalizações que são feitas a partir dos mesmos; além disto, pode-se verificar ao longo do estudo que o caso estudado não se constituía na situação que se pensava estudar, podendo assim não ter adesão à teoria inicialmente proposta. Este trabalho representa um estudo de caso, por concentrar-se em fenômeno identificado em companhias específicas, considerando a conjuntura apresentada no ambiente normativo contábil internacional, no que se refere à discussão de novas normas a serem adotadas, além dos limites temporais inerentes aos casos analisados. 5. Apresentação e análise dos resultados Com base nos conhecimentos expostos no referencial teórico, serão analisadas as demonstrações contábeis das empresas selecionadas como amostra, comparando seus conteúdos em relação às orientações e determinações das normas e leis pesquisadas. Nesse sentido, foi realizado um checklist de todos os itens constantes na normatização contábil da matéria que devem ser divulgados pelas companhias, a fim de se facilitar a apresentação e a análise dos resultados. I - Análise da evidenciação das normas estabelecidas pelo Pronunciamento CPC 13 - adoção inicial das Leis nº 11.638/07 e MP nº 449/08 1. Representação de cifras comparativas conforme a norma “Práticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Correção de Erros” (data de transição em 1º de janeiro de 2007) De acordo com o item 10 do Pronunciamento CPC nº 13, as companhias devem elaborar balanço patrimonial inicial na data de transição para as novas práticas contábeis adotadas no Brasil, que é o ponto de partida para sua contabilidade de acordo com as Leis nº 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08, sendo facultada a data de abertura em 1º de janeiro de 2007 e 1º de janeiro de 2008. Todas as companhias divulgaram nota explicativa específica a respeito da adoção inicial das Leis nº 11.638/07 e MP nº 449/08. Companhias que optaram por reapresentar cifras comparativas ajustadas conforme a norma “Práticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Correção de Erros”, sendo a data de transição em 1º de janeiro de 2007: Embraer, Braskem, CPFL, Gerdau, Grupo Pão de Açúcar e Oi (Brasil Telecom). Companhias que optaram por seguir estritamente o § 1º do art. 186 da Lei nº 6.404/76, sendo a data de transição em 1º de janeiro de 2008: CSN, Petrobrás, Usiminas e Vale. 2. Baixa de ativo que não cumprir os critérios de reconhecimento de ativo intangível na data de transição De acordo com o item 23 do Pronunciamento CPC nº 13, quando um ativo não cumprir os critérios de reconhecimento de ativo intangível, mas foi anteriormente reconhecido como ativo, este deve ser baixado na data de transição, mediante o registro do valor contra lucros ou prejuízos acumulados, líquido dos efeitos fiscais. 49 Pensar Contábil José Augusto Veiga da Costa Marques CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Ronaldo Francisco dos Santos As baixas que foram divulgadas pelas companhias referem-se, basicamente, a saldos registrados no ativo diferido. 3. Reconhecimento retroativo de ativo intangível na data de transição De acordo com o item 23 do Pronunciamento CPC nº 13, o reconhecimento como ativo intangível deve ser feito de forma prospectiva, a partir da data de transição e da data em que são satisfeitos os critérios de reconhecimento, nos termos previstos no Pronunciamento Técnico CPC 04 - Ativo Intangível. As Companhias divulgaram os seguintes reconhecimentos: - reclassificações do ativo diferido para o ativo intangível: desenvolvimento de novos produtos, ágio por expectativa de rentabilidade futura, etc. - reclassificações do imobilizado para intangível: software. - reclassificações do investimento para intangível: ágio por expectativa de rentabilidade futura. 4. Aplicação do Pronunciamento Técnico CPC nº 01 – Redução ao valor recuperável de ativos para verificação de perdas ou reversão de perdas constituídas anteriormente De acordo com o item 25 do Pronunciamento CPC nº 13, as companhias devem aplicar o CPC nº 01, verificar se houve perda por redução ao valor de recuperação (impairment) ao aplicar as novas práticas contábeis adotadas no Brasil e medir a eventual perda por redução ao valor de recuperação existente, com o objetivo de complementar ou reverter perdas por redução ao valor de recuperação que possam ter sido constituídas anteriormente. Somente as Companhias CSN e Vale divulgaram, na nota de adoção inicial da Lei nº 11.638/07 e da MP nº 449/08, que realizaram o teste de recuperabilidade de que trata o item 25 do Pronunciamento CPC nº 13. A CSN divulgou que o valor recuperável destes ativos supera seu valor contábil, e não houve apuração de perdas por desvalorização a reconhecer nestas demonstrações financeiras, enquanto que a Vale realizou os testes previstos nesse novo pronunciamento, e como resultado deste, registrou uma perda por desvalorização do ágio, vinculada ao negócio de níquel, reconhecida no resultado do período. Todas as companhias divulgaram na nota explicativa de principais práticas contábeis que realizam testes de valores recuperáveis de seus ativos intangíveis de vida útil definida, no mínimo, anualmente, caso haja indicadores de perdas de valor. Algumas divulgaram que o ágio por expectativa de rentabilidade futura, os ativos intangíveis com vida útil indefinida e os ativos intangíveis em desenvolvimento têm a recuperação do seu valor testada anualmente, independentemente de haver indicadores de perda de valor. II - Análise da evidenciação das normas estabelecidas pelo Pronunciamento CPC 04 - adoção inicial das Leis nº 11.638/07 e MP nº 449/08 1. Divulgação das classes de ativos intangíveis As classes de ativos intangíveis divulgadas pelas companhias foram: pesquisa e desenvolvimento, software, direitos 50 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 45 - 54, set/dez. 2011 Verônica Andréa Lima Gouveia e concessões, ágio por expectativa de rentabilidade futura, marcas e patentes, intangíveis em formação e outros intangíveis. 2. Distinção entre ativos intangíveis gerados internamente e outros ativos intangíveis A Embraer, a Braskem e a Petrobrás divulgaram na nota de principais práticas contábeis quais ativos são gerados internamente, distinguindo-os dos outros ativos intangíveis; porém, somente a Petrobrás divulgou o reconhecimento da distinção das classes de ativos intangíveis gerados internamente e outros intangíveis, que se referem a softwares desenvolvidos internamente. 3. Vida útil, prazo de vida útil ou taxas de amortização Todas as companhias divulgaram a vida útil e prazo de vida útil de seus ativos intangíveis e suas taxas de amortização correspondentes na nota explicativa de principais práticas contábeis ou na nota de ativo intangível. 4. Métodos de amortização utilizados para ativos intangíveis com vida útil definida Todas as companhias divulgaram na nota de principais práticas contábeis os métodos de amortização utilizados para ativos intangíveis com vida útil definida e indefinida. Em alguns casos, os métodos de amortização estão diretamente relacionados às atividades das companhias, tais como a Embraer, em que a amortização de pesquisas e investimentos é efetuada a partir da ocasião em que os benefícios começam a ser gerados, com base na entrega de aeronaves que se estima vender na implementação de cada projeto, sendo os montantes amortizados apropriados ao custo de produção; e a Petrobrás, em que os bônus de assinatura correspondentes às ofertas para obtenção de concessão para exploração de petróleo ou gás natural são registrados pelo custo de aquisição, ajustados, quando aplicável, ao seu valor de recuperação e amortizados pelo método de unidade produzida em relação às reservas provadas totais. Em relação aos ativos intangíveis adquiridos de terceiros por meio de combinação de negócios, foram identificados ágios por expectativa de rentabilidade futura, apurados nas aquisições envolvendo combinações de negócios que foram amortizados até 31 de dezembro de 2008. Estes ativos tiveram o seu valor recuperável testado, porém não serão amortizados a partir de 2009. . Em relação aos ativos intangíveis adquiridos de terceiros, os ativos intangíveis com vida útil definida são mensurados pelo custo total de aquisição, menos as despesas de amortização. A amortização é calculada pelo método linear, que leva em consideração a vida útil estimada dos bens; quando são identificadas indicações de perda de seu valor recuperável, são submetidos a teste para análise dessa perda. Em relação aos ativos intangíveis referentes a direitos e concessões, a amortização tem sido realizada de acordo com o prazo de concessão e as licenças regulatórias de acordo com o prazo de vigência, contratado junto ao órgão regulador. CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis 5. Valor contábil bruto e eventual amortização acumulada (mais as perdas acumuladas no valor recuperável) no início e no final do período Todas as companhias divulgaram, por classe de ativos intangíveis, seus valores contábeis brutos (custo corrigido), amortização acumulada e valor líquido (valor residual), considerando, para fins de comparabilidade, os saldos dos anos de 2007 e 2008. Algumas divulgaram também por área de negócio. No caso do ágio por expectativa de rentabilidade futura, algumas companhias apresentaram os saldos de acordo com a natureza de suas origens. 6. Rubrica da demonstração do resultado em que qualquer amortização de ativo intangível for incluída Somente a Usiminas divulgou na nota de ativos intangíveis que a amortização do intangível foi registrada na rubrica outras receitas (despesas) operacionais. 7. Conciliação do valor contábil no início e no final do período 7.1. Adições Todas as companhias divulgaram as adições ocorridas nas suas classes de ativos intangíveis. Em função da adoção inicial da Lei nº 11.638/07, as adições estão, basicamente, representadas por reclassificações realizadas nas contas de investimentos, ativo imobilizado e diferidos. 7.2. Ativos classificados como mantidos para venda ou incluídos em grupo de ativos classificados como mantidos para venda e outras baixas Nenhuma companhia divulgou ativos intangíveis nessas condições. 7.3. Aumentos ou reduções durante o período, decorrentes de reavaliações e perda por desvalorização de ativos, reconhecidas ou revertidas diretamente no patrimônio líquido Nenhuma companhia divulgou aumento ou redução durante o período, decorrentes de reavaliações e perda por desvalorização de ativos, reconhecidas ou revertidas diretamente no patrimônio líquido. 7.4. Provisões para perdas de ativos, reconhecidas no resultado do período Somente as companhias Petrobrás e Vale reconheceram provisões para perdas de ativos intangíveis no resultado do período. A Petrobras registrou em 2008 uma perda por desvalorização do ágio pago na aquisição de duas controladas, decorrentes de (a) declínio constante e substancial do petróleo bruto e preço dos produtos nos últimos doze meses, (b) diminuição do refino e margem bruta do mercado atacadista, e (c) diminuição da demanda de produtos refinados. A Vale realizou o teste de recuperabilidade do ágio vinculado à unidade do negócio níquel proveniente do processo de aquisição de uma de suas subsidiárias em 2006, e constatou que o mesmo se apresentava acima do valor recuperável dessas unidades. Dessa forma, foi reconhecida no resultado do Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 45 - 54, set/dez. 2011 exercício uma perda pela não recuperabilidade. Todas as outras companhias divulgaram que procedem com o teste de recuperabilidade de seus ativos intangíveis anualmente. 7.5. Reversão de perda por desvalorização de ativos, apropriada ao resultado do período Nenhuma companhia divulgou reversão de perda por desvalorização de ativos, apropriada ao resultado do período. 7.6. Qualquer amortização reconhecida no período Todas as companhias divulgaram o saldo de amortização acumulada nos anos de 2007 e 2008. Algumas divulgaram o montante de amortização reconhecida no resultado do exercício. 7.7. Variações cambiais líquidas geradas pela conversão das demonstrações contábeis para a moeda de apresentação Somente as companhias Embraer, Petrobrás e Usiminas divulgaram ajustes de conversão cambial, porém não informaram a natureza dos mesmos. 7.8. Outras alterações no valor contábil durante o período O Grupo Pão de Açúcar registrou transferência, nos termos da IN CVM no. 319, de ativo intangível para a conta de imposto de renda diferido em contrapartida da conta de reserva especial de ágio. 8. Informações sobre ativos intangíveis que perderam seu valor - CPC 01 Somente as companhias Petrobrás e a Vale divulgaram informações sobre ativos intangíveis que perderam seu valor, através do reconhecimento de provisões para perdas de ativos intangíveis no resultado do período. 9. Natureza e valor das variações nas estimativas contábeis com impacto relevante no período corrente ou em períodos subsequentes Somente as companhias Embraer e Vale reconheceram e divulgaram as variações nas estimativas contábeis em impacto relevante no período. Com base em estudos de mercado realizado pela Embraer, que indicam vendas superiores às quantidades previstas inicialmente para as famílias de jatos ERJ 145 e EMBRAER 170/190, a revisão dessas estimativas foi concluída, sendo os efeitos dessas mudanças reconhecidos no resultado do período, de forma prospectiva. Essa mudança de estimativa contábil resultou em aumento de aproximadamente 7% no resultado do exercício de 2008. A Vale, em linha com sua prática e à luz dos recentes eventos econômicos mundiais que provocaram forte declínio nos preços e demanda de algumas commodities produzidas por ela, realizou uma revisão de todas as estimativas de preços, demanda, taxas de juros, custos, etc. utilizadas para cálculo do fluxo de caixa descontado de cada uma das principais unidades geradores de caixa, ocasionando o reconhecimento no resultado do exercício uma perda pela não recuperabilidade do ágio. 51 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ José Augusto Veiga da Costa Marques Ronaldo Francisco dos Santos 10. Valor contábil de ativos intangíveis avaliados como tendo vida útil indefinida, e os motivos que fundamentam essa avaliação 11. Descrição, valor contábil e prazo de amortização remanescente de qualquer ativo intangível individual relevante para as demonstrações contábeis da entidade Todas as companhias divulgaram a descrição, o valor contábil e o prazo de amortização remanescente dos ativos intangíveis individuais relevantes para as suas demonstrações contábeis. Os ativos intangíveis avaliados como tendo vida útil indefinida divulgados pelas companhias são, basicamente, ágios por expectativa de rentabilidade futura, apurados nas aquisições envolvendo combinações de negócios. As companhias se fundamentaram na Deliberação CVM no. 565/08, que determina que o ágio por expectativa de rentabilidade futura deixará de ser sistematicamente amortizado a partir do exercício social que se iniciar em 1 de janeiro de 2009. ITEM EMBRAER BRASKEM Verônica Andréa Lima Gouveia 12. Ativos intangíveis adquiridos por meio de subvenção ou assistência governamentais e inicialmente reconhecidos ao valor justo: (i) valor justo inicialmente reconhecido dos ativos, (ii) valor contábil e (iii) se são mensurados, após o reconhecimento, pelo método de custo ou de reavaliação CPFL CSN GERDAU GRUPO PÃO DE AÇÚCAR OI 3 3 3 3 3 3 3 3 3 I DIVULGAÇÃO - CPC 13 "ADOÇÃO INICIAL DA LEI nº. 11.638/07. 1 reapresentação de cifras comparativas conforme a norma "Práticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Correção de Erros" (data de transição em 1º de janeiro de 2007). 2 baixa de ativo que não cumprir os critérios de reconhecimento de ativo intangível na data de transição 3 reconhecimento retroativo de ativo na data de transição 4 aplicação do Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao valor recuperável de ativos para verificação de perdas ou reversão de perdas constituidas anteriormente II DIVULGAÇÃO - CPC 04 "ATIVOS INTANGÍVEIS" 1 divulgação das classes de ativos intangíveis 3 3 2 distinção entre ativos intangíveis gerados internamente e outros ativos intangíveis 3 3 3 vida útil, prazo de vida útil ou taxas de amortização 3 3 3 3 3 4 métodos de amortização utilizados para ativos intangíveis com vida útil definida 3 3 3 3 3 5 valor contábil bruto e eventual amortização acumulada (mais as perdas acumuladas no valor recuperável) no início e no final do período; 3 3 3 3 3 6 rubrica da demonstração do resultado em que qualquer amortização de ativo intangível for incluída 7 conciliação do valor contábil no início e no final do período 3 3 3 3 3 3 3 3 PETROBRÁS USIMINAS 3 3 3 3 3 VALE 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 7.1. adições - desenvolvimento interno - adquiridas de terceiros - combinação de negócios 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 7.2. ativos classificados como mantidos para venda ou incluídos em grupo de ativos classificados como mantidos para venda e outras baixas 7.3. aumentos ou reduções durante o período, decorrentes de reavaliações e perda por desvalorização de ativos reconhecidas ou revertidas diretamente no patrimônio líquido 7.4. provisões para perdas de ativos, reconhecidas no resultado do período 7.5. reversão de perda por desvalorização de ativos, apropriada ao resultado do período 52 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 45 - 54, set/dez. 2011 3 3 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis EMBRAER BRASKEM CPFL CSN GERDAU GRUPO PÃO DE AÇÚCAR OI 7.6. qualquer amortização reconhecida no período 3 3 3 3 3 3 3 3 7.7. variações cambiais líquidas geradas pela conversão das demonstrações contábeis para a moeda de apresentação 3 3 3 ITEM 7.8. outras alterações no valor contábil durante o período 8 informações sobre ativos intangíveis que perderam seu valor - CPC 01 9 natureza e o valor das variações nas estimativas contábeis com impacto relevante no período corrente ou em períodos subseqüentes 10 valor contábil de ativos intangíveis avaliados como tendo vida útil indefinida, e os motivos que fundamentam essa avaliação 11 descrição, o valor contábil e o prazo de amortização remanescente de qualquer ativo intangível individual relevante para as demonstrações contábeis da entidade 12 em relação a ativos intangíveis adquiridos por meio de subvenção ou assistência governamentais e inicialmente reconhecidos ao valor justo: PETROBRÁS USIMINAS 3 VALE 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 - valor justo inicialmente reconhecido dos ativos - valor contábil - se são mensurados, após o reconhecimento, pelo método de custo ou de reavaliação 13 a existência e os valores contábeis de ativos intangíveis cuja titularidade é restrita e os valores contábeis de ativos intangíveis oferecidos como garantia de obrigações 14 valor dos compromissos contratuais advindos da aquisição de ativos intangíveis 15 total de gastos com pesquisa e desenvolvimento reconhecidos como despesas no período. 3 3 Quadro 01 – Checklist da aderência das demonstrações contábeis à normatização contábil pertinentes à divulgação de ativos intangíveis. Fonte: Elaborado pelos autores 13. Existência e valores contábeis de ativos intangíveis cuja titularidade é restrita e valores contábeis de ativos intangíveis oferecidos como garantia de obrigações 14. Valor dos compromissos contratuais advindos da aquisição de ativos intangíveis Nos itens 12, 13 e 14, nenhuma companhia divulgou ativo intangível desta natureza. Todavia, a ausência de uma divulgação não necessariamente quer dizer que as empresas não atenderam a norma; elas podem não ter esta transação em seu cotidiano. 15. Total de gastos com pesquisa e desenvolvimento reconhecidos como despesas no período A CSN divulgou que mantém um centro de pesquisas e desenvolvimento de novos produtos e que reconheceu no resultado as despesas relacionadas a pesquisas e desenvolvimento. A Embraer divulgou que, em virtude de mudanças de estimativas contábeis, reconheceu as despesas relacionadas à pesquisa e desenvolvimento. Por fim, na análise de resultados, verificamos que empresas como Embraer, Braskem, Petrobras e Vale apresentaram Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 45 - 54, set/dez. 2011 mais detalhes sobre os itens solicitados pela norma. Todas elas têm em comum a liderança de mercado no setor em que atuam, um alto nível de complexidade de suas atividades, além de terem ações listadas não só na Bolsa de Valores de São Paulo como também nas Bolsas de países da Europa e nos Estados Unidos, o que as obriga a serem ainda mais transparentes em suas informações contábeis. 6. Conclusões Antes da promulgação da Lei no. 11.638/07, não havia regras específicas que tratavam da mensuração, reconhecimento e divulgação dos ativos intangíveis, sendo os mesmos reconhecidos nos grupos de investimentos, imobilizado ou diferido. Com a publicação do Pronunciamento Técnico CPC no. 04 houve uma melhor formalização do tratamento contábil dos ativos intangíveis, contemplando normas mais claras no sentido de elucidar questões referentes ao reconhecimento de ativos intangíveis gerados adquiridos e gerados internamente, avaliação da vida útil de ativos intangíveis, bem com a periodicidade de tal avaliação, etc. Este trabalho teve como objetivo analisar a aderência da evidenciação dos ativos intangíveis considerados nas demonstrações contábeis do exercício de 2008 das companhias abertas vencedoras do 13º Prêmio ANEFAC – FIPECAFI – 53 Pensar Contábil José Augusto Veiga da Costa Marques CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Ronaldo Francisco dos Santos SERASA EXPERIAN – Troféu Transparência 2009, na modalidade de classificação “com faturamento acima de quatro bilhões/ano”, à normatização contábil vigente no Brasil pertinente a essa matéria. A escolha das companhias utilizadas na amostragem foi realizada em virtude do prêmio ANEFAC – FIPECAFI – SERASA EXPERIAN – Troféu Transparência 2009 ser considerado pelo mercado como um certificado de idoneidade das empresas vencedoras e como um reconhecimento público das melhores demonstrações contábeis publicadas no país, apresentando uma transparência corporativa no mercado, através do fornecimento de informações claras e de qualidade. Essa análise consistiu na elaboração de um checklist de todos os itens relacionados à divulgação de ativos intangíveis constantes nas normas contábeis e, posteriormente, a análise das demonstrações contábeis das companhias a fim de se verificar se as mesmas atenderam aos itens relacionados no referido checklist. Em relação ao cumprimento das regras estabelecidas pelo Pronunciamento Técnico CPC nº 13, verificamos que as companhias que não optaram por reapresentar cifras comparativas ajustadas conforme a norma “Práticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Correção de Erros”, com exceção da Usiminas, já haviam divulgado os ativos intangíveis em suas demonstrações contábeis do exercício de 2007. Entende-se que, em virtude de a matéria ter sido regulamentada a partir do Pronunciamento Técnico CPC no. 04, a opção pela norma em referência traria muito mais qualidade à informação contábil, principalmente no que tange à comparabilidade. Identificou-se que as práticas contábeis e classe de ativos intangíveis presentes nas demonstrações contábeis das companhias analisadas estão bastante similares, estando aderen- Verônica Andréa Lima Gouveia tes à normatização contábil vigente e ao referencial teórico correspondentes. A classe de ativo intangível com vida útil indefinida identificada na maioria das companhias foi a de ágio por expectativa de rentabilidade futura, apurado nas aquisições envolvendo combinações de negócios, que estavam contabilizadas no grupo de investimentos ou diferidos, sendo amortizadas anualmente. Após avaliação da natureza do ágio, a maioria das companhias interrompeu sua amortização a partir do ano de 2009 e passarão a realizar testes de recuperabilidade a fim de identificar perdas no valor do mesmo. Identificou-se também que nenhuma companhia analisada divulgou alguns itens do checklist, tais como ativos intangíveis mantidos para venda, ativos intangíveis adquiridos por meio de subvenção ou assistência governamental, ativos intangíveis oferecidos como garantias de obrigações e compromissos contratuais advindos da aquisição de ativos intangíveis. Por fim, pode-se dizer que a normatização dos ativos intangíveis trouxe um valor estimável às informações contábeis e que as companhias analisadas estão cumprindo, em sua maioria, as normas pertinentes à divulgação desses ativos. Como as demonstrações contábeis do exercício de 2008 foram as primeiras a contemplar esse grupo de ativo, esperamos por parte dos órgãos reguladores que fiscalizem as informações divulgadas para que os investidores tenham segurança nos valores apresentados pelas empresas. Especulação é parte do mundo do mercado de capitais, onde as ações das empresas oscilam de acordo com o mercado. Mensuração é parte do mundo da contabilidade; registrar uma operação requer a comprovação deste valor e a responsabilidade não só por parte dos contadores, como também dos órgãos responsáveis pela fiscalização e normas emitidas na Contabilidade brasileira. REFERÊNCIAS COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS – CPC. Pronunciamento Técnico CPC04 – Ativo Intangível. 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Para isto, realizou-se um estudo de caso descritivo, iniciado com uma busca na literatura para que o processo de gestão da contabilidade pública - através da NPM, a evolução histórica da contabilidade pública brasileira e o processo de convergências das normas neste setor, além das principais mudanças ocasionadas pela convergência – pudesse ser conhecido. Em seguida, os contadores contatados responderam a um questionário eletrônico, que permitiu verificar que 83% destes profissionais acreditam nos benefícios e nas vantagens que estas mudanças produzirão para a contabilidade pública e para a gestão pública, apesar de apenas cerca de 50% dos respondentes estarem acompanhando bem este processo de convergência. Palavras-chave: Contabilidade Pública. Gestão Pública. Convergência. Profissionais. Abstract: In Brazil, there is a very advanced process of international convergence in public accounting, shifting the focus of a budget accounting to accrual accounting and the introduction of various concepts and procedures to promote improvement in public management. Thus, this research aims to investigate Cíntia de Melo de Albuquerque Ribeiro Rio de Janeiro – RJ Mestre em Ciências Contábeis pela FAF/UERJ1 [email protected] André Luiz Villagelim Bizerra Rio de Janeiro - RJ Mestre em Ciências Contábeis pela FAF/UERJ1 [email protected] the perceptions of accountants in government about the improvements that accounting can generate for governance due to the convergence of Brazilian Accounting Standards Applied to the Public Sector (NBCASP). For this, we carried out a descriptive case study, having started with book research so that the process management of public accounting – using NPM as the historical evolution of Brazilian public accounting and the process of convergence of standards in this sector, as well major changes caused by the convergence – could be known. Then, the accountants were contacted and answered an electronic questionnaire, which showed that 83% of these professionals believe in the benefits and advantages that these changes will bring to public accounting and public management, although only about 50% of respondents are accompanying this process of convergence. Key words: Public Accounting. Public Management. Convergence. Professionals. 1. Introdução Mudanças significativas estão ocorrendo no sistema contábil brasileiro com a convergência às normas internacionais de contabilidade, seja no setor privado sob a influência das Interna- FAF/UERJ – Faculdade de Administração e Finanças da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – CEP 20550-013 - Rio de Janeiro - RJ 1 Artigo recebido em 30/09/2010 e aceito em 28/09/2011. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 55 - 64, set/dez. 2011 55 Pensar Contábil Cíntia de Melo de Albuquerque Ribeiro CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ André Luiz Villagelim Bizerra tional Financial Reporting Standards (IFRS), ou no setor público, sob a influência das International Public Sector Accounting Standards (IPSAS). Estas mudanças seguem uma tendência de convergência mundial que tem como uma de suas raízes o irreversível processo de globalização, com a crescente expansão das atividades entre os mercados dos países. Na área privada, a convergência está relacionada diretamente a esta expansão do mercado e à necessidade de uma linguagem contábil comum entre as empresas. Na área pública, contudo, este processo de convergência pode ser considerado como parte de uma reforma mais ampla, conhecida como New Public Management (NPM) (GALERA e BOLÍVAR, 2007), que trata de uma nova visão da administração pública sob um enfoque gerencial e cujo foco passa a ser o resultado das atividades governamentais. Com efeito, há muito os países latino-americanos recebem incentivos de organizações supranacionais (FMI, Banco Mundial, OCDE etc.) para buscarem reformar seus modelos de administração pública a fim de promoverem um melhor desempenho de suas atividades e o consequente desenvolvimento de suas economias (PÉREZ e HERNÁNDEZ, 2007). Desta forma, diante do atual processo de convergência das normas internacionais no setor público, que em última análise busca a melhora na gestão pública, surge a seguinte questão de pesquisa: Qual é a percepção dos contadores governamentais sobre a possibilidade de melhora na gestão pública decorrente das mudanças oriundas da convergência das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCASP)? Sendo assim, esta pesquisa objetiva investigar a percepção dos contadores governamentais sobre as melhorias que a contabilidade pode gerar para a gestão pública em decorrência da convergência das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCASP). Porém, com pleno conhecimento que isto se dá através de um processo de divulgação, conhecimento e preparação dos contadores governamentais, esta pesquisa tem como objetivo secundário verificar em que medida os contadores governamentais estão acompanhando o processo de convergência das NBCASP, e como estão sendo preparados para atender às novas exigências para a contabilidade governamental. Para isto, os contadores responsáveis das instituições federais de ensino do Estado do Rio de janeiro foram contatados por telefone e, num segundo momento, responderam a um questionário eletrônico, base da pesquisa. Esta pesquisa é relevante por que mudanças nas normas contábeis em vigor também requerem mudança de conduta dos profissionais da área. Desta forma, será possível verificar a percepção destes profissionais em relação a estas mudanças e suas vantagens. Além disso, vai permitir verificar como está sendo realizada a preparação deles para atuação frente às modificações advindas desta convergência. Isto contribuirá para fomentar a discussão acerca da melhoria da gestão pública proporcionada pela convergência das normas e de como está acontecendo a preparação dos profissionais da área governamental para atuação frente às mudanças ocasionadas pela convergência das normas contábeis. 56 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 55 - 64, set/dez. 2011 O trabalho está apresentado da seguinte forma: após esta sessão de introdução, é apresentado um referencial teórico em que se busca contextualizar a realidade da NPM no Brasil, o panorama da contabilidade pública brasileira, o processo de convergência à norma internacional e as mudanças decorrentes deste processo. Na terceira sessão, apresenta-se a metodologia utilizada nesta pesquisa. Em seguida, na quarta sessão, os resultados são apresentados e analisados, e na quinta e última parte apresentamos nossas considerações finais. 2. Referencial teórico 2.1 O Desenvolvimento da New Public Managemant (NPM) no Brasil O termo New Public Management (NPM) é a designação de uma nova visão da administração pública que busca tornar as instituições do setor público mais eficientes, eficazes e responsáveis na prestação de contas e no oferecimento de bens e serviços à sociedade (BRESSER-PEREIRA, 2001a). Sob a ideia da NPM, as entidades públicas deveriam adotar técnicas e modelos gerenciais utilizados no setor privado (MATIAS-PEREIRA, 2010), cujo objetivo é a promoção de iniciativas para melhorar a administração pública (BARBERIS, 1998). Com efeito, há muito, a América Latina promove reformas na sua administração pública. No Brasil, podem-se identificar três importantes reformas: a que se deu em 1936, conhecida por reforma burocrática, cujo marco foi a criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP); a reforma de 1967, estabelecida pelo Decreto-Lei nº 200; e a reforma pública gerencial iniciada em 1995 (BRESSER-PEREIRA, 2001a; MATIAS-PEREIRA, 2008). Estas reformas vieram implantar e mudar diferentes formas de administração encontradas no Estado: primeiramente a substituição do modelo patrimonialista pelo burocrático; posteriormente buscando-se melhorar a rigidez da burocracia instalada com a descentralização; e, por fim, a substituição do modelo burocrático pelo modelo gerencial (BRESSER-PEREIRA, 2001b). Esta nova visão da administração pública (NPM) buscou a redução do tamanho do Estado (downsizing), a descentralização e a desregulamentação. Contudo, no Brasil adotou-se o termo Reforma Gerencial do Estado com uma orientação não só pelo downsizing, mas pela busca de um Estado democrático e eficiente (BRESSER-PEREIRA, 2000) A crise fiscal e a democratização foram fatores que contribuíram para repensar a forma de atuação do Estado (REZENDE, 2009). Assim, a reforma pública gerencial surge como resposta à crise dos anos 1980 e à globalização da economia, onde muda o papel do Estado, que passa a atuar como facilitador para o desenvolvimento de uma economia nacional competitiva (BRESSER-PEREIRA, 1999; 2001b) Alguns valores essenciais podem ser verificados pelas reformas da administração sob a teoria da NPM: responsiveness, transparency, innovativeness, e goal achievement orientations (VIGODA-GADOT; MEIRI, 2008), que poderíamos traduzir para: capacidade de resposta, transparência, inovação e orientação para o alcance dos objetivos. O fato é que a ênfase desta nova visão acerca da administração pública está na responsabilização em termos de resultados gerados no desenvolvimento das atividades (HOOD, 1995). CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Convergência Contábil na Administração Pública Federal: o Caso das Instituições Federais de Ensino do Estado do Rio de Janeiro Contudo, embora desde 1995 o Brasil tenha procurado fazer a reforma gerencial do Estado, alguns autores criticam a prevalência do ajuste fiscal sobre as mudanças institucionais necessárias para o novo direcionamento da busca por resultados na administração pública (REZENDE, 2009; COSTA, 2006). As mudanças na contabilidade governamental fazem parte de uma mudança maior, que compreende as mudanças na administração pública tendo em vista os postulados da NPM (GALERA e BOLÍVAR, 2007). As reformas do setor público nos países, juntamente com as organizações internacionais, estão a encorajar a convergência da contabilidade governamental, a fim de melhorar a prestação de contas, confiabilidade e transparência dos relatórios financeiros do governo (TORRES, 2004). Assim, a convergência da contabilidade, através da adoção do padrão estabelecido pelo IFAC através das IPSAS, com a mudança do seu foco, de uma contabilidade orçamentária para uma contabilidade patrimonial, com a mudança de uma base de registro do regime de caixa para o regime de competência, e com a introdução de conceitos como o Fair Value, pode contribuir para promover a melhora na gestão pública como preconizado pela NPM (GALERA e BOLÍVAR, 2007). Contudo, este processo não ocorre da noite para o dia, e muito se tem feito em prol da convergência das normas para a administração pública, notadamente com a culminância da emissão das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCASP) pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). 2.2 A contabilidade pública no Brasil A normatização da Contabilidade Pública no Brasil republicano é demonstrada com a edição do Código de Contabilidade Pública da União de 1922, que centralizava os serviços de contabilidade ao Ministério da Fazenda, sob direção da Diretoria de Contabilidade da República e fiscalização do Tribunal de Contas. Entretanto, este normativo regulava a contabilidade apenas nos órgãos da União. Posteriormente, após algumas discussões sobre harmonização e padronização das técnicas contábeis no Brasil, inclusive com a participação da classe contábil, foi publicado o Decreto-Lei nº 2.416/40, que inovou com normas de Contabilidade Pública aos Estados e, também, aos Municípios. Este decreto definiu o modelo padrão de balanço orçamentário, e as normas financeiras aplicáveis à gestão dos recursos públicos, bem como estabeleceu as normas sobre a Contabilidade para os Estados e Municípios (PELEIAS e BACCI, 2004). Contudo, em 17 de março de 1964, foi publicada a lei nº 4.320, que constituiu o principal marco legal na história do desenvolvimento da contabilidade pública no Brasil. Em um contexto mais amplo, Perez e Hernández (2007) situam o surgimento desta lei numa década cuja reorganização da administração pública provocou importantes reformas em diversos países da América Latina, com a aprovação de leis semelhantes à lei brasileira. Esta lei foi elaborada para estatuir normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, discriminando receitas e despesas de forma a evidenciar a política econômica financeira e o progra- Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 55 - 64, set/dez. 2011 ma de trabalho do Governo, com observância obrigatória dos princípios da unidade, universalidade e anualidade. A Lei 4.320/64 preconiza que a Contabilidade deve ser organizada de forma a permitir o acompanhamento da execução orçamentária, o conhecimento da composição patrimonial, a determinação dos custos dos serviços industriais, o levantamento dos balanços gerais, a análise e a interpretação dos resultados econômicos e financeiros. Os resultados gerais do exercício, também de acordo com a Lei 4.320/64, têm de ser demonstrados no Balanço Orçamentário, no Balanço Financeiro, no Balanço Patrimonial e na Demonstração das Variações Patrimoniais. Contudo, segundo vários autores (LIMA et al, 2009; GALERA e BOLIVARY, 2007; DÁROS e PEREIRA, 2009; SILVA, 2009), sua estrutura valoriza sobretudo o controle orçamentário. Em 1967, foi publicado o Decreto-lei nº 200 com o objetivo principal e imediato de fixar diretrizes e princípios que propiciassem funcionalidade e dinamicidade à administração federal. A busca pela descentralização como forma de alcançar a dinâmica que se buscava para a administração pública criou a figura dos convênios e dos contratos (CASTRO e GARCIA, 2008), criando, ainda, a obrigatoriedade de um orçamento-programa, a atividade orçamentária organizada sob forma sistêmica, e a supervisão ministerial por meio de aprovação do orçamento-programa das entidades da administração indireta. No ano de 2000, em 4 de maio, foi publicada a Lei Complementar nº 101, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), cujo objetivo foi reforçar a obrigatoriedade de controle por parte das entidades públicas, bem como ampliar a transparência nestas organizações. A LRF buscou, ainda, estabelecer a exigência da ampla divulgação, citando, inclusive, a utilização dos meios eletrônicos de acesso público, a fim de garantir a transparência da gestão fiscal, resultado das ações dos gestores públicos, com a publicação dos instrumentos que vão desde o planejamento à execução: planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; prestações de contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução Orçamentário (RREO) e o Relatório de Gestão Fiscal (RGF), assim como as versões simplificadas desses documentos. Desta forma, ampliou-se o número de documentos que a contabilidade deve publicar a fim de evidenciar as informações contábeis e financeiras. Carlin (2008) afirma que estas demonstrações contábeis devem ser perfeitamente compreensíveis, além de representarem de forma fidedigna todas as transações que envolvem a aplicação dos recursos públicos. Acrescenta que esta característica das demonstrações contábeis decorre de sua função social, que é a de servir como produto do sistema de informações contábil que visa fornecer o controle e a possibilidade de acompanhamento das políticas públicas. Desta forma, o controle social necessita ter acesso à informação e isso só poderá acontecer se a gestão pública for transparente. Contudo, as informações devem ser disponibilizadas em tempo hábil e de forma compreensível, não sendo suficiente o fato de a administração tornar públicos os seus atos. A organização tem fundamentalmente que atender a estes dois requisitos: tempestividade e compreensibilidade das informações (MENDES, OLEIRO e QUINTANA, 2008). 57 Pensar Contábil Cíntia de Melo de Albuquerque Ribeiro CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ André Luiz Villagelim Bizerra Segundo Miranda et al (2009), a transparência depende de um processo de compreensibilidade, onde os cidadãos necessariamente deveriam ser capazes de entender o orçamento público na sua totalidade para que se torne possível controlar a sua execução. Contudo, este autor revela, através de sua pesquisa, que há dificuldades na compreensão das informações contidas nos demonstrativos contábeis, independente do nível de instrução e do conhecimento sobre contabilidade governamental. Somado a isto há o intenso processo de globalização, onde cada nação tem seu modelo de demonstrativo contábil. Desta forma, as necessidades de convergência são evidentes, pois a adoção de uma linguagem universal pode trazer inúmeras vantagens para os países que convergirem (CZESNAT, CUNHA e DOMINGUES, 2009). 2.3 O processo de Convergência das normas internacionais A International Federation of Accountants (IFAC), fundada em 1977, órgão responsável pela emissão das normas internacionais de contabilidade aplicadas ao setor público, conhecidas como International Public Sector Accounting Standards (IPSAS), tem como missão servir ao interesse público; fortalecer a profissão de contabilidade em todo o mundo; contribuir para o desenvolvimento de economias internacionais fortes, com a adesão a padrões de alta qualidade profissional através da convergência internacional de normas; e tratar sobre questões de interesse público onde a perícia da profissão é mais relevante (IFAC, 2009). No Brasil, as instituições envolvidas com a convergência contábil na área pública são o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Secretaria de Tesouro Nacional (STN) e a Secretaria de Orçamento Federal (SOF). A partir da formação do Grupo Assessor das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público, instituído pelo CFC em 2006, e o Grupo Técnico de Padronização de Procedimentos Contábeis, instituído pela STN em 2007, foram publicadas a Resolução CFC nº 1.111/07, interpretação dos princípios fundamentais de contabilidade sob a perspectiva do setor público, elaborada pelo primeiro grupo; e a primeira edição do Manual Técnico de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, composto pelos volumes I - Manual de Receita Nacional e II - Manual de Despesa Nacional, instituídos pela Portaria Conjunta da STN/SOF nº 3, em 2008, num esforço para estabelecer padrões de regras contábeis e orçamentárias (CFC, 2008). Em 25 de agosto de 2008, visando intensificar os esforços com vistas a ampliar os níveis de convergência atuais, foi elaborada a Portaria do MF nº 184, que determinou à Secretaria do Tesouro Nacional – STN o desenvolvimento de ações que buscassem identificar as necessidades de convergência às normas internacionais de contabilidade publicadas pela IFAC e às normas brasileiras editadas pelo CFC; além de editar normativos, manuais, instruções de procedimentos contábeis e Plano de Contas Nacional, objetivando a elaboração e publicação de demonstrações contábeis consolidadas, em consonância com os pronunciamentos da IFAC e com as normas do Conselho Federal de Contabilidade, aplicadas ao setor público; e adotar os procedimentos necessários para atingir os 58 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 55 - 64, set/dez. 2011 objetivos de convergência estabelecidos no âmbito do Comitê Gestor da Convergência no Brasil, instituído pela Resolução CFC n° 1.103, de 28 de setembro de 2007. Em 21 de novembro de 2008, o CFC emitiu diversas resoluções – da nº 1.128 até a nº 1.137 - versando sobre as NBC T 16 – Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público. Segundo Dáros e Pereira (2009) as novas normas são um instrumento para elevar a eficácia e efetividade das Leis quanto aos seus objetivos de promover o planejamento, a transparência e responsabilidade da gestão fiscal. Em 2009, houve a aprovação dos Procedimentos Contábeis Orçamentários, Procedimentos Contábeis Patrimoniais e Procedimentos Contábeis Específicos de um novo Plano de Contas Aplicado ao Setor Público e das Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público, com alterações nos Anexos nº 12 (Balanço Orçamentário), nº 13 (Balanço Financeiro), nº 14 (Balanço Patrimonial) e nº 15 (Demonstração das Variações Patrimoniais), e inclusão dos anexos nº 18 (Demonstração dos Fluxos de Caixa), nº 19 (Demonstração das Mutações no Patrimônio Líquido) e nº 20 (Demonstração do Resultado Econômico) da Lei nº 4.320. Todas estas alterações já contemplam os entendimentos das IPSAS e das NBC T 16 e compõem, respectivamente, os volumes I, II, III e IV da 3ª edição do Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. Além das alterações das demonstrações contábeis, originalmente estabelecidas pela Lei nº 4.320/64, demonstrativos que compõem a LRF também foram alterados, como por exemplo, a modificação ocorrida com a Portaria STN nº 249 de 30 de abril de 2010, que aprovou a 3ª edição do Manual de Demonstrativos Fiscais, tendo seus efeitos aplicados a partir de 1º de janeiro de 2011. De acordo com o CFC (2009), segundo o plano de ação do Comitê Gestor da Convergência no Brasil, a proposta é a convergência integral às International Public Sector Accounting Standards, editadas pela IFAC, até 2012. 2.4 As mudanças ocorridas na contabilidade pública brasileira advindas do processo de convergência De forma sumarizada e respeitando a ordem cronológica, observa-se que o processo de convergência estimulou um estudo maior acerca dos princípios contábeis aplicados ao setor público, originando a resolução CFC nº 1.111/07, que estabeleceu a interpretação dos princípios fundamentais de contabilidade sob a perspectiva do setor público. Além disso, as resoluções do CFC nº 1.128 até nº 1.137 estabeleceram as NBC T 16 – Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público. A STN, órgão regulador da contabilidade pública no Brasil, alterou os anexos da Lei 4.320/64, através da portaria nº 749/09, e aprovou um novo Plano de Contas Aplicado ao Setor Público e Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público, através da Portaria STN nº 751/09. Dentre as novidades trazidas pela NBC T 16 está a inclusão da Demonstração do Fluxo de Caixa e a Demonstração do Resultado do Exercício no rol dos demonstrativos contábeis existentes e exigidos pela Lei 4.320/64, além das notas explicativas correspondentes. Em consonância com a NBC T 16.6, a Portaria específica da Secretaria do Tesouro Nacional nº 749/09 alterou os anexos da Lei 4.320/64 e a CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Convergência Contábil na Administração Pública Federal: o Caso das Instituições Federais de Ensino do Estado do Rio de Janeiro Portaria nº 751/09 aprovou o volume V do MCASP, que trata das Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público. A adoção destes novos demonstrativos na contabilidade pública é facultativa nos anos de 2010 e 2011, sendo que se torna obrigatória para União, estados e DF em 2012 e para os municípios em 2013. As alterações ocorridas no anexo da Lei 4.320/64 não são apenas relativas ao tipo de demonstração contábil, mas também à sua estrutura. Houve alterações em todos os demonstrativos contábeis existentes, buscando promover a transparência das contas públicas e padronizar os procedimentos contábeis nos três níveis de governo, de forma a garantir a consolidação das contas públicas (BRASIL, 2009e). Além disso, “as demonstrações contábeis contribuem para a governança no setor público e o controle social, com geração de informações úteis à tomada de decisões pelos gestores públicos e para que os órgãos de controle possam avaliar o seu desempenho” (BRASIL, 2009e). Para Carlin (2008), a principal função da Contabilidade (e de sua informação) é o controle: verificar se os gastos públicos estão de acordo com as peças orçamentárias, se as receitas previstas foram devidamente arrecadadas, sendo as demonstrações contábeis o principal produto da contabilidade pública e no seu processo de reconhecimento, mensuração e divulgação dos elementos contábeis (ativos, passivos, receitas, despesas). O Balanço Orçamentário passa a ter a previsão da receita e a fixação da despesa demonstradas com o montante inicial e o atualizado, a fim de que os créditos adicionais possam ser evidenciados. A execução da despesa passa a ser demonstrada em todas as suas fases: despesas empenhadas, liquidadas e pagas. Além das receitas correntes e receitas de capital, passa a haver uma linha de refinanciamento de dívidas e saldos de exercícios anteriores. A coluna de despesa passa a ter uma linha de amortização da divida refinanciada. No Balanço Financeiro, a receita deixa de ser demonstrada por categoria econômica, e a despesa por função ou grupo, e passam a ser demonstradas por destinação de recursos. Isto permite o acompanhamento da receita auferida e da despesa paga do ente público por destinação de recurso. O Balanço Patrimonial tem sua estrutura modificada, deixando as contas de serem agrupadas em financeiro e não financeiro, real e compensado. As contas passam a ser agrupadas em circulante e não circulante. Na Demonstração da Variação do Patrimônio, as variações deixarão de ser evidenciadas como decorrentes da execução orçamentária ou independentes da execução orçamentária, sendo agrupadas em variações patrimoniais aumentativas e variações patrimoniais diminutivas, agora, no momento da competência. A norma internacional também prevê a adoção da Demons tração da Mutação do Patrimônio Líquido e o v.5 do MACASP também. Esta era, de certa forma, contemplada na LRF, artigo 4º, cujo anexo de metas fiscais contemplaria a evolução do patrimônio líquido. Outra alteração considerável é a adoção de um Plano de Contas único em todo o território nacional, sendo obrigatória a adoção do novo plano de contas em 2012 para União, estados e DF e em 2013 para os municípios. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 55 - 64, set/dez. 2011 A convergência das normas contábeis no setor público também trouxe a implementação de procedimentos que antes eram típicos apenas do setor privado, como amortização, exaustão, depreciação, reavaliação e provisão de férias e décimo terceiro. A NBC T 16.9 estabelece que o valor depreciado, amortizado ou exaurido deve ser apurado mensalmente, com o devido registro nas contas de resultado do exercício, e deve ser reconhecido até que o valor líquido contábil do ativo seja igual ao valor residual, devendo ser revisado a cada final de exercício. Tal entendimento, já compartilhado pela SOF e STN em portaria conjunta nº 03/08, foi reforçado pela Portaria STN nº 467/09, sendo aplicado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios com validade a partir do exercício de 2010 de forma facultativa e obrigatória em 2011 para União, 2012 para os estados e 2013 para os municípios. Para que os bens sejam depreciados, amortizados ou exauridos, eles precisam ser reavaliados, utilizando-se o valor justo ou valor de mercado na data de encerramento do Balanço Patrimonial, pelo menos anualmente para as contas ou grupo de contas cujos valores de mercado variem significativamente em relação a valores anteriormente registrados, ou a cada quatro anos para as demais contas ou grupos de contas. Não sendo possível estabelecer o valor de mercado para proceder à reavaliação, o valor do ativo poderá ser definido com base em parâmetros de referência que considerem características, circunstâncias e localizações assemelhadas. Isto gera certa subjetividade ao procedimento, já que passa a depender da percepção da comissão formada para tal avaliação e de sua expertise. Outro procedimento que não é realizado na administração pública e que afetará diretamente o patrimônio das instituições é a contabilização de provisões de férias e décimo terceiro, que aumentam o passivo, as obrigações a pagar dos órgãos, e diminuem o patrimônio líquido da entidade. Tais provisões devem ser apropriadas de acordo com regime de competência e obedecer a três condições básicas, de acordo com o MCASP (BRASIL, 2009c): (1) ser uma obrigação legal ou não formalizada presente, que resulte de um evento passado; (2) ser provável que para o pagamento da obrigação seja necessária a saída de recursos que incorporem benefícios econômicos ou serviços potenciais; e (3) poder ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação. O montante reconhecido como provisão deverá ser a melhor estimativa de desembolso exigido para liquidação da obrigação presente na data do balanço (BRASIL, 2009c). A adoção destes procedimentos também gera informações necessárias para a adoção de um subsistema de custos, que é uma inovação trazida pela NBC T 16.2. Dáros e Pereira (2008) lembram bem que a Lei Federal nº 4.320/64 já determinava, em seu artigo 99, a adoção de contabilidade especifica para apurar os custos dos serviços industriais, e que a LRF, em seu artigo 50, § 3º, ampliou para toda a administração pública a necessidade da implementação de sistema de custos. De acordo com Carlin (2008), as Normas Internacionais trazem consigo um elevado grau de complexidade, em função de aspectos subjetivos que envolvem o julgamento dos contadores. Essa subjetividade pode contribuir para a elevação da profissão contábil no Brasil, pois exigirá conhecimentos 59 Pensar Contábil Cíntia de Melo de Albuquerque Ribeiro CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ André Luiz Villagelim Bizerra altamente especializados e específicos à correta compreensão e evidenciação do patrimônio público à disposição dos gestores públicos. Entretanto, é necessário que os profissionais responsáveis pela correta adoção destas novas regras e procedimentos sejam devidamente treinados e incentivados a buscar os novos conhecimentos. 3. Metodologia 3.1 Tipo e método de pesquisa De acordo com Collis e Hussey (2005), o presente estudo pode ser classificado como uma pesquisa descritiva - usada para identificar e obter informações sobre as características de um determinado problema ou questão; qualitativa subjetiva, que envolve examinar e refletir as percepções para obter um entendimento de atividades sociais e humanas; básica - tem como objetivo principal contribuir para o conhecimento, em geral para o bem comum, ao invés de resolver um problema específico; e dedutiva - desenvolve uma estrutura conceitual e teórica para depois ser testada por observações empíricas. O método de pesquisa adotado é o estudo de caso. Collis e Hussey (2005, p. 73) afirmam que “costuma-se descrever estudos de caso como pesquisa exploratória, usada em áreas em que há poucas teorias ou um conjunto deficiente de conhecimento”. Entretanto, acrescentam que existe o estudo de caso descritivo, o qual tem por objetivo descrever a prática corrente. 3.2 Coleta, tratamento e análise dos dados “O método de coleta de dados é usado na parte do processo de pesquisa que diz respeito a coletar os dados” (COLLIS e HUSSEY, 2005, p. 145). Há diversos tipos de coleta de dados; no presente estudo o método adotado é o de questionário. Para Collis e Hussey (2005) um questionário é uma lista de perguntas cuidadosamente estruturadas, escolhidas após a realização de vários testes, tendo em vista extrair respostas confiáveis de uma amostra escolhida e por objetivo, descobrir o que um grupo selecionado de participantes faz, pensa ou sente. A fim de que houvesse maior flexibilidade nas respostas dos entrevistados foi utilizada a escala de classificação de Likert. Segundo Collis e Hussey (2005), a escala de classificação “permite que os participantes dêem respostas mais discricionárias e afirmem se tem ou não uma opinião” e a escala de Likert “permite que um valor numérico seja dado a uma opinião”. Nesta escala, o zero representa nulo; de 1 a 2 baixíssimo/fraquíssimo; de 3 a 4 baixo/fraco; de 5 a 6 médio; de 7 a 8 alto/forte; e, de 9 a 10 altíssimo/plenamente. A amostra escolhida foi o grupo de instituições federais de ensino do Estado do Rio de Janeiro integrantes do Ministério da Educação (MEC) (Universidade Federal Fluminense - UFF, Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ, Universidade do Rio de Janeiro - UNIRIO, Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES, Centro Federal de Educação Tecnológica Celso S. da Fonseca – CEFET- RJ e Colégio Pedro II), apenas as unidades gestoras executoras. Foi realizado contato telefônico com o contador responsável de cada unidade gestora 60 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 55 - 64, set/dez. 2011 executora, onde foi verificada a possibilidade de participação na pesquisa e informado que seria aplicado um questionário eletrônico. Tendo em vista que a pesquisa tem por base a legislação e o cumprimento de datas, é importante ressaltar que a pesquisa foi realizada no início do quarto trimestre de 2010. Os dados coletados foram agrupados de acordo com a natureza da informação e apresentados para análise através da exposição de dados (redes, matrizes, quadros e gráficos). A exposição de dados é um dos principais métodos de análise dos dados qualitativos, segundo Collis e Hussey (2005), através de “um formato visual que apresenta informações sistematicamente, de modo que o usuário possa chegar a conclusões válidas e tomar as atitudes necessárias” (MILES e HUBERMAN, 1994 apud COLLIS e HUSSEY, 2005). 3.3 Limitações Os resultados encontrados não podem ser generalizados por se tratar a pesquisa de um estudo de caso que reflete a realidade de um setor. 4. Apresentação e Análise dos Resultados 4.1 Fatores individuais A amostra foi constituída por 6 respondentes, ou seja 75% da população pesquisada, dos quais 4 dos respondentes (67%) são do sexo masculino e 2 (33%) do sexo feminino. A média de idade destes é de aproximadamente 41 anos, situando-se na faixa de 31 a 47 anos de idade. A média de tempo em que estes respondentes são graduados em Ciências Contábeis é de aproximadamente 15 anos, sendo que em média eles atuam desempenhando a função de contador no setor público há aproximadamente sete anos. Apesar de trabalharem a cerca de sete anos no desempenho das funções de um contador da área governamental, 33% da amostra não ocupa cargo efetivo de contador no serviço público. 4.2 O acompanhamento dos contadores governamentais em relação ao processo de convergência das NBCASP e sua preparação para atender às novas exigências da contabilidade governamental Observa-se que não há uma uniformidade em relação ao acompanhamento do processo de convergência na contabilidade pública pelos contadores responsáveis das instituições federais de ensino do Rio de Janeiro. Na escala em estudo, os dados encontram-se agrupados da seguinte forma entre os respondentes: 1(17%) grau de acompanhamento baixíssimo, 1(17%) baixo, 1 (17%) médio, 2 (34%) alto e 1 (17%) altíssimo, mas não plenamente. Cerca de 50% dos respondentes estão acompanhando bem este processo de convergência, enquanto 17% acompanham de forma mediana. Apesar disto, 67% dos contadores afirmam conhecer as alterações ocorridas nos MCASP; 50% dizem ser conhecedores dos procedimentos de depreciação, amortização, exaustão e reavaliação; 51% são conhecedores do procedimento de provisão na contabilidade pública; e 50% têm conhecimento das alterações que ocorrerão nos demonstrativos contábeis a partir de 2012. Apesar dos procedimentos de depreciação, amortização e exaustão já serem obrigatórios desde janeiro Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Convergência Contábil na Administração Pública Federal: o Caso das Instituições Federais de Ensino do Estado do Rio de Janeiro de 2010, um dos respondentes afirma não ter conhecimento algum sobre o assunto. Observa-se que o subsistema de custos é muito pouco conhecido entre os contadores responsáveis das instituições federais de ensino do Rio de Janeiro, sendo que 33% não têm conhecimento algum sobre o assunto e 17% pouquíssimo conhecimento. Apenas um dos respondentes (17%) afirma ter um alto grau de conhecimento sobre o assunto. 4.3 Percepção dos contadores governamentais sobre as melhorias que a contabilidade pode gerar para a gestão pública em decorrência da convergência das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCASP) A partir da análise dos dados obtidos com o questionário, pode-se afirmar que os contadores responsáveis das instituições federais de ensino acreditam que as mudanças na contabilidade pública brasileira decorrentes do processo de convergência irão ajudar a melhorar a gestão pública, sen- do que 50% dos contadores acreditam que as mudanças das normas poderão trazer benefícios para gestão pública e 50% acreditam fortemente. Os respondentes acreditam que com as mudanças que estão ocorrendo na contabilidade pública, haverá uma mudança no foco da gestão pública, passando de burocrática para de resultados. Observa-se que para este grau as respostas foram bem uniformes, sendo que 50% acreditam de forma mediana e 50% acreditam fortemente. Além disso, os contadores acreditam que as mudanças nos demonstrativos contábeis tornarão as demonstrações contábeis mais úteis para tomada de decisão, sendo que 67% de forma mediana, 17% fortemente e 17% plenamente. Os respondentes não sinalizaram nenhuma desvantagem que poderia ser gerada com as mudanças na contabilidade pública; pelo contrário, afirmaram que o balanço patrimonial passaria a mostrar a situação patrimonial mais próxima da realidade e que haveria um melhor acompanhamento físico dos bens patrimoniais no que se refere à vida útil, quantidade Tabela 1 - Grau de acompanhamento e de preparação dos contadores em relação ao processo de convergência 0 1 4 5 7 8 9 17% 17% 17% 17% 17% Qual o grau de conhecimento que você tem sobre as alterações nos Manuais de Contabilidade Aplicado ao Setor Público editados pela STN? 17% 17% 17% 33% 17% Qual o grau de conhecimento que você tem sobre os procedimentos de depreciação, amortização, exaustão e reavaliação no setor público? 17% 17% 17% Qual o grau de conhecimento que você tem sobre o procedimento de provisões no setor público? 17% 33% 17% Em que grau você tem acompanhado o processo de convergência das normas internacionais para contabilidade pública no Brasil? 2 17% Qual o grau de conhecimento que você tem sobre as alterações que os demonstrativos contábeis do setor público sofrerão a partir de 2012? Qual o grau de conhecimento que você tem sobre o subsistema de custos da administração pública federal? 3 17% 33% 17% 6 10 33% 17% 17% 33% 33% 17% 33% 17% Tabela 2- Grau de percepção em relação aos benefícios trazidos para a gestão pública 0 5 6 7 8 Em que grau você acredita que as mudanças com a convergência da contabilidade pública proprocionarão uma mudança no foco da gestão pública (hoje, burocrática) passando a privilegiar os resultados? 17% 33% 33% 17% Em sua opinião, em que grau as mudanças nos demonstrativos contábeis tornarão as demonstrações contábeis mais úteis para a tomada de decisão por parte dos gestores? 67% 17% Em sua opinião, em que grau as mudanças na contabilidade do setor público advindas com o processo de internacionalização das normas trarão benefícios para a gestão pública? 50% 33% Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 55 - 64, set/dez. 2011 1 2 3 4 9 10 17% 17% 61 Pensar Contábil Cíntia de Melo de Albuquerque Ribeiro CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ André Luiz Villagelim Bizerra e seu estado de conservação, aproximando os valores registrados dos valores reais. Apenas um respondente se absteve de discorrer sobre o assunto e outro afirmou que não haveria vantagens e nem desvantagens. Além disso, afirmaram que tais mudanças serão úteis de médio a longo prazo, no sentido de tornar as informações mais transparentes e parametrizadas, a prática contábil e o exercício da profissão mais padronizados, além de melhorar a qualidade dos gastos públicos. Um dos respondentes destacou que haveria pouco resultado positivo haja vista que a contabilidade pública tem particularidades que não andam juntas da comercial. Apesar de 83% dos contadores entrevistados acreditarem nos benefícios e nas vantagens que estas mudanças produzirão para a contabilidade pública e para a gestão pública, nenhum dos órgãos pesquisados está realizando os procedimentos de depreciação, amortização, exaustão (já obrigatórios para o exercício de 2010) e provisão em sua contabilidade e nem tem um sistema de custos em uso ou em desenvolvimento. 5. Considerações Finais Este trabalho buscou investigar qual a percepção dos contadores governamentais sobre a possibilidade de melhora na gestão pública decorrente das mudanças oriundas da convergência das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público. Em um segundo momento, verificar como os contadores das Instituições Federais de Ensino localizadas no Estado do Rio de Janeiro estão acompanhando este processo. Foi possível observar que 83% dos contadores responsáveis das instituições federais de ensino do Estado do Rio de Janeiro acreditam nos benefícios e nas vantagens que estas mudanças produzirão para a contabilidade pública e para a gestão pública, apesar de apenas cerca de 50% dos respondentes estarem acompanhando bem o processo de convergência. De forma geral, acreditam que estas mudanças irão ajudar a melhorar a gestão pública e que ajudarão a mudar o seu foco, passando de burocrática para de resultados, além de tornar os demonstrativos contábeis mais úteis para tomada de decisão. Neste último aspecto, a maioria acredita de forma mediana. Neste sentido, pode-se afirmar que o processo de convergência permitirá uma maior aproximação da contabilidade pública brasileira com os objetivos da NPM. Os respondentes não sinalizaram nenhuma desvantagem que poderia ser gerada com as mudanças na contabilidade pública. Pelo contrário, enfatizaram os benefícios que serão gerados: o balanço patrimonial demonstrando a situação pa- 62 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 55 - 64, set/dez. 2011 trimonial mais próxima da realidade; um melhor acompanhamento físico dos bens patrimoniais; informações mais transparentes e parametrizadas; a prática contábil e o exercício da profissão mais padronizados; além de melhorar a qualidade dos gastos públicos. Apesar de 83% dos contadores entrevistados acreditarem nos benefícios e nas vantagens que estas mudanças produzirão para a contabilidade pública e para a gestão pública e de cerca de 83% terem algum conhecimento sobre os procedimentos de depreciação, amortização, exaustão, que já são obrigatórios desde janeiro de 2010, nenhum dos órgãos pesquisados até o término desta pesquisa (outubro de 2010) estvam realizando tais procedimentos. Além disso, o subsistema de custos é muito pouco conhecido entre tais profissionais, sendo que 33% não têm conhecimento algum sobre o assunto e 17% pouquíssimo conhecimento. Apenas um dos respondentes (17%) afirma ter um alto grau de conhecimento sobre o assunto. Nenhuma das instituições pesquisadas tem em sua contabilidade um sistema de custos e tampouco o estão desenvolvendo, mesmo estando prevista na Lei Federal nº 4.320/64, artigo 99, e ressaltada na LRF, artigo 50, § 3º, a necessidade da implementação de sistema de custos para toda a administração pública. Além disso, tal assunto foi retomado e a NBC T 16.2 prevê a adoção de um subsistema de custos. Desta forma, foi possível observar que, de forma geral, pela percepção dos contadores entrevistados, a convergência trará mudanças úteis e necessárias à contabilidade pública. Mas existe uma necessidade real de maior acompanhamento do processo de convergência, já tão avançado quanto ao aspecto teórico, por parte dos contadores, e sua colocação em prática, já que os prazos para o cumprimento dos novos procedimentos já estão até mesmo sendo ultrapassados em alguns casos. É importante destacar que além da busca individual pelo conhecimento, através de cursos de educação continuada, é necessário o apoio institucional, pois a convergência contábil ao padrão internacional não é tarefa simples. Assim, trabalhos que busquem conhecer o ambiente e o comportamento daqueles que serão, em última análise, os responsáveis pela aplicação das mudanças na contabilidade aplicada ao setor público podem contribuir para este processo, que é de suma importância para a ciência contábil na esfera pública e para os ganhos que esta convergência pode trazer para as instituições deste setor. Desta forma, recomenda-se a realização de tais pesquisas, além de outras que busquem evidenciar como estão ocorrendo tais mudanças em outros segmentos da administração pública. CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Convergência Contábil na Administração Pública Federal: o Caso das Instituições Federais de Ensino do Estado do Rio de Janeiro REFERÊNCIAS BARBERIS, Peter. The new public management and a new accountability. Public Administration and Development. Espanha, n. 76, p. 451-470, 1998. BRASIL. Lei no 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: https://www.portalsof.planejamento.gov.br/bib/.../Lei_4320.pdf. Acesso em: 2 de outubro de 2009. ______. Lei Complementar n.º 101, de 4 de maio de 2000. 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Lista dos Avaliadores que atuaram no ano de 2011 Aracéli Cristina de Sousa Ferreira Francisco Antonio Bezerra Joao Antonio da Silva Cardoso Jorge Ribeiro dos Passos Rosa José Alonso Borba Jose Augusto Veiga da Costa Marques José Maria Dias Filho Josir Simeone Gomes 64 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 13, n. 52, p. 55 - 64, set/dez. 2011 Lino Martins da Silva Marcelo Coletto Pohlmann Natan Szuster Nahor Plácido Lisboa Poueri do Carmo Mario Simone Silva da Cunha Vieira Ricardo Lopes Cardoso Waldir Jorge Ladeira dos Santos CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil ÍNDICE DE TÍTULOS ano/nº pag. A Classificação dos Custos Fixos e variáveis por Meio de Regressão Múltipla: Estudo de Caso em uma Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Curitiba – PR XIII/50 05 Adequação dos Currículos dos Cursos de Contabilidade das Universidades Federais Brasileiras ao Currículo Mundial de Contabilidade e o Desempenho no ENADE XIII/50 42 Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis XIII/52 45 Análise das Metodologias de Pesquisa Adotadas nos Estudos sobre o Mercado de Capitais no Brasil: 1999 a 2008 XIII/51 05 Análise de Resultados: um Estudo Exploratório sobre a Correlação entre o índice Market-to-book, os Ìndices Tradicionais de Rentabilidade e o EVA XIII/51 17 Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia ALFA XIII/52 36 Convergência Contábil na Administração Pública Federal: o caso das Instituições Federais de Ensino do Estado do Rio de Janeiro XIII/52 55 Cumprimento das Orientações Normativas Acerca da Divulgação da Demonstração do Fluxo de Caixa pelas Companhias Abertas que Compõem o Ibovespa XIII/50 14 Demonstrações Contábeis Consolidadas: uma Análise Comparativa das Normas Brasileiras (BRGAAP) e Internacionais (IFRS) XIII/51 26 Estrutura Conceitual da Contabilidade no Brasil: Percepção dos Docentes dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências Contábeis XIII/50 53 Evidenciação da Remuneração Variável nas Melhores Empresas para se Trabalhar Listadas na BM&FBovespa: um Estudo à Luz dos CPCs 10 e 33 XIII/51 35 Inteligências Múltiplas e o Método de Ensino: um Estudo com Discentes e Docentes em uma Universidade do Sul do Brasil XIII/50 23 Mensuração do Fair Value de Ativos Tangíveis: Estoque e Ativo Imobilizado XIII/51 48 Modelos de Valuation utilizados pelos Fundos Mútuos de Investimentos em Empresas Emergentes (FMIEE) XIII/50 33 O Ativo e suas avaliações: a Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? XIII/52 26 Os Níveis Diferenciados de Governança Corporativa Blindam as Firmas Contra Crises Financeiras? Uma Análise da Crise Financeira de 2008 XIII/51 56 O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica XIII/52 05 Política Pública da Qualidade em Educação XIII/52 15 65 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ ÍNDICE DE AUTORES ano/nº pag. ALBERTON, Anete Os Níveis Diferenciados de Governança Corporativa Blindam as Firmas Contra Crises Financeiras? Uma Análise da Crise Financeira de 2008 XIII/51 56 ALVES, Francisco José dos Santos Política Pública da Qualidade em Educação XIII/52 15 AQUINO, Luiz Damásio Pereira de Adequação dos Currículos dos Cursos de Contabilidade das Universidades Federais Brasileiras ao Currículo Mundial de Contabilidade e o Desempenho no ENADE XIII/50 42 ARAUJO, Rodrigo Fonseca Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia ALFA XIII/52 36 AYRES, Rosangela Mesquista O Ativo e suas avaliações: a Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? XIII/52 26 BARROS, Cláudio Marcelo Edwards O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica XIII/52 05 BIZERRA, André Luiz Villagelim Convergência Contábil na Administração Pública Federal: o caso das Instituições Federais de Ensino do Estado do Rio de Janeiro XIII/52 55 BUGARIM, Maria Clara Cavalcante Adequação dos Currículos dos Cursos de Contabilidade das Universidades Federais Brasileiras ao Currículo Mundial de Contabilidade e o Desempenho no ENADE XIII/50 42 CAVALCANTE, Danival Sousa Adequação dos Currículos dos Cursos de Contabilidade das Universidades Federais Brasileiras ao Currículo Mundial de Contabilidade e o Desempenho no ENADE XIII/50 42 CRUZ, Claudia Ferreira da Estrutura Conceitual da Contabilidade no Brasil: Percepção dos Docentes dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências Contábeis XIII/50 53 CRUZ, June Alisson Westarb A Classificação dos Custos Fixos e variáveis por Meio de Regressão Múltipla: Estudo de Caso em uma Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Curitiba – PR XIII/50 05 CUNHA, Jacqueline Veneroso Alves da Modelos de Valuation utilizados pelos Fundos Mútuos de Investimentos em Empresas Emergentes (FMIEE) XIII/50 33 CUNHA, Viviane Baião da Análise de Resultados: um Estudo Exploratório sobre a Correlação entre o índice Market-to-book, os Ìndices Tradicionais de Rentabilidade e o EVA XIII/51 17 DE LUCA, Márcia Martins Mendes Adequação dos Currículos dos Cursos de Contabilidade das Universidades Federais Brasileiras ao Currículo Mundial de Contabilidade e o Desempenho no ENADE XIII/50 42 DENBERG, Mary Wanysa dos Santos Mensuração do Fair Value de Ativos Tangíveis: Estoque e Ativo Imobilizado XIII/51 48 DIEHL, Carlos Alberto Análise das Metodologias de Pesquisa Adotadas nos Estudos sobre o Mercado de Capitais no Brasil: 1999 a 2008 XIII/51 05 DOMINGUES, Maria José Carvalho de Souza Inteligências Múltiplas e o Método de Ensino: um Estudo com Discentes e Docentes em uma Universidade do Sul do Brasil XIII/50 23 ESPEJO, Márcia Maria dos S. Bortolocci O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica XIII/52 05 66 CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil FERREIRA, Araceli Cristina de Sousa Estrutura Conceitual da Contabilidade no Brasil: Percepção dos Docentes dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências Contábeis XIII/50 53 GALLON, Alessandra Vasconcelos Evidenciação da Remuneração Variável nas Melhores Empresas para se Trabalhar Listadas na BM&FBovespa: um Estudo à Luz dos CPCs 10 e 33 XIII/51 35 GONÇALVES, Luciano Souza Análise de Resultados: um Estudo Exploratório sobre a Correlação entre o índice Market-to-book, os Ìndices Tradicionais de Rentabilidade e o EVA XIII/51 17 GOUVEIA, Verônica Andréa Lima Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis XIII/52 45 GUBIANI, Clésia Ana Inteligências Múltiplas e o Método de Ensino: um Estudo com Discentes e Docentes em uma Universidade do Sul do Brasil XIII/50 23 LADEIRA, Waldir dos Santos Política Pública da Qualidade em Educação XIII/52 15 MACAGNAM, Cléa Beatriz Análise das Metodologias de Pesquisa Adotadas nos Estudos sobre o Mercado de Capitais no Brasil: 1999 a 2008 XIII/51 05 MARCON, Rosilene Os Níveis Diferenciados de Governança Corporativa Blindam as Firmas Contra Crises Financeiras? Uma Análise da Crise Financeira de 2008 XIII/51 56 MÁRIO, Poueri do Carmo Modelos de Valuation utilizados pelos Fundos Mútuos de Investimentos em Empresas Emergentes (FMIEE) XIII/50 33 MARQUES, José Augusto Veiga da Costa Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis XIII/52 45 MARQUES, José Augusto Veiga da Costa Cumprimento das Orientações Normativas Acerca da Divulgação da Demonstração do Fluxo de Caixa pelas Companhias Abertas que Compõem o Ibovespa XIII/50 14 MARQUES, Vagner Antônio Modelos de Valuation utilizados pelos Fundos Mútuos de Investimentos em Empresas Emergentes (FMIEE) XIII/50 33 MELO, Clayton Levy Lima de Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia ALFA XIII/52 36 MIGNONI, Tiago Centenaro O Ativo e suas avaliações: a Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? XIII/52 26 MIRANDA, Kléber Formiga Evidenciação da Remuneração Variável nas Melhores Empresas para se Trabalhar Listadas na BM&FBovespa: um Estudo à Luz dos CPCs 10 e 33 XIII/51 35 MOLETTA, Miguel Cavalheiro Os Níveis Diferenciados de Governança Corporativa Blindam as Firmas Contra Crises Financeiras? Uma Análise da Crise Financeira de 2008 XIII/51 56 NEVES JÚNIOR, Idalberto José das Análise de Resultados: um Estudo Exploratório sobre a Correlação entre o índice Market-to-book, os Ìndices Tradicionais de Rentabilidade e o EVA XIII/51 17 OLIVEIRA, Aracéli Farias de Inteligências Múltiplas e o Método de Ensino: um Estudo com Discentes e Docentes em uma Universidade do Sul do Brasil XIII/50 23 PAULA, Melisa Maia de Cumprimento das Orientações Normativas Acerca da Divulgação da Demonstração do Fluxo de Caixa pelas Companhias Abertas que Compõem o Ibovespa XIII/50 14 67 PONTE, Vera Maria Rodrigues Adequação dos Currículos dos Cursos de Contabilidade das Universidades Federais Brasileiras ao Currículo Mundial de Contabilidade e o Desempenho no ENADE XIII/50 42 RIBEIRO, Cíntia de Melo de Albuquerque Convergência Contábil na Administração Pública Federal: o caso das Instituições Federais de Ensino do Estado do Rio de Janeiro XIII/52 55 REIS, Júlio Adriano Ferreira dos A Classificação dos Custos Fixos e variáveis por Meio de Regressão Múltipla: Estudo de Caso em uma Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Curitiba – PR XIII/50 05 ROCHA, Daniela Torres da A Classificação dos Custos Fixos e variáveis por Meio de Regressão Múltipla: Estudo de Caso em uma Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Curitiba – PR XIII/50 05 SANTOS, Ronaldo Francisco dos Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis XIII/52 45 SCHERER, Luciano Márcio O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica XIII/52 05 SCHILLING, Carla Helena Análise das Metodologias de Pesquisa Adotadas nos Estudos sobre o Mercado de Capitais no Brasil: 1999 a 2008 XIII/51 05 SEGANTINI, Giovana Tonetto Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia ALFA XIII/52 36 SILVA, Adriane Fagundes Sacramento da Mensuração do Fair Value de Ativos Tangíveis: Estoque e Ativo Imobilizado XIII/51 48 SILVA, Edilma Pinheiro da Mensuração do Fair Value de Ativos Tangíveis: Estoque e Ativo Imobilizado XIII/51 48 SILVA, Jefferson Siqueira Demonstrações Contábeis Consolidadas: uma Análise Comparativa das Normas Brasileiras (BRGAAP) e Internacionais (IFRS) XIII/51 26 SILVA, Paula Rodrigues da O Ativo e suas avaliações: a Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? XIII/52 26 SILVA, Wesley Vieira da A Classificação dos Custos Fixos e variáveis por Meio de Regressão Múltipla: Estudo de Caso em uma Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Curitiba – PR XIII/50 05 SOUZA, Alceu A Classificação dos Custos Fixos e variáveis por Meio de Regressão Múltipla: Estudo de Caso em uma Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Curitiba – PR XIII/50 05 SZUSTER, Natan Estrutura Conceitual da Contabilidade no Brasil: Percepção dos Docentes dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências Contábeis XIII/50 53 SZUSTER, Natan O Ativo e suas avaliações: a Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? XIII/52 26 TEIXEIRA FILHO, Adriano Cardoso Cumprimento das Orientações Normativas Acerca da Divulgação da Demonstração do Fluxo de Caixa pelas Companhias Abertas que Compõem o Ibovespa XIII/50 14 TEODORO, Jocelino Donizetti O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica XIII/52 05 68 TOMÉ, Werbson Campos Evidenciação da Remuneração Variável nas Melhores Empresas para se Trabalhar Listadas na BM&FBovespa: um Estudo à Luz dos CPCs 10 e 33 XIII/51 35 VIEIRA, Edzana Roberta F. da C. Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia ALFA XIII/52 36 VIEIRA, Simone Silva da Cunha Cumprimento das Orientações Normativas Acerca da Divulgação da Demonstração do Fluxo de Caixa pelas Companhias Abertas que Compõem o Ibovespa XIII/50 14 ÍNDICE DE ASSUNTOS ano/nº pag. ANÁLISE DE RESULTADOS Análise de Resultados: um Estudo Exploratório sobre a Correlação entre o índice Market-to-book, os Ìndices Tradicionais de Rentabilidade e o EVA XIII/51 17 ATIVO O Ativo e suas avaliações: a Estrutura de Mensuração Atual Reconhece o Impacto da Flutuação do Poder Aquisitivo da Moeda? XIII/52 26 ATIVO IMOBILIZADO Mensuração do Fair Value de Ativos Tangíveis: Estoque e Ativo Imobilizado XIII/51 48 ATIVO INTANGÍVEL Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis XIII/52 45 AVALIAÇÃO DE EMPRESAS Modelos de Valuation utilizados pelos Fundos Mútuos de Investimentos em Empresas Emergentes (FMIEE) XIII/50 33 BIBLIOMETRIA O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica XIII/52 05 CONTABILIDADE Estrutura Conceitual da Contabilidade no Brasil: Percepção dos Docentes dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências Contábeis XIII/50 53 CONTABILIDADE PÚBLICA Convergência Contábil na Administração Pública Federal: o caso das Instituições Federais de Ensino do Estado do Rio de Janeiro XIII/52 55 CONSTRUÇÃO CIVIL Análise do Comportamento do Custo com a Água: Estudo de Caso na Companhia ALFA XIII/52 36 CURRICULOS DE CONTABILIDADE Adequação dos Currículos dos Cursos de Contabilidade das Universidades Federais Brasileiras ao Currículo Mundial de Contabilidade e o Desempenho no ENADE XIII/50 42 CUSTOS FIXOS A Classificação dos Custos Fixos e variáveis por Meio de Regressão Múltipla: Estudo de Caso em uma Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Curitiba – PR XIII/50 05 CUSTOS VARIÁVEIS A Classificação dos Custos Fixos e variáveis por Meio de Regressão Múltipla: Estudo de Caso em uma Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Curitiba – PR XIII/50 05 DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA Cumprimento das Orientações Normativas Acerca da Divulgação da Demonstração do Fluxo de Caixa pelas Companhias Abertas que Compõem o Ibovespa XIII/50 14 69 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS CONSOLIDADAS Demonstrações Contábeis Consolidadas: uma Análise Comparativa das Normas Brasileiras (BRGAAP) e Internacionais (IFRS) XIII/51 26 EDUCAÇÃO Política Pública da Qualidade em Educação XIII/52 15 ESTOQUE Mensuração do Fair Value de Ativos Tangíveis: Estoque e Ativo Imobilizado XIII/51 48 EVIDENCIAÇÃO Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis XIII/52 45 EVIDENCIAÇÃO Evidenciação da Remuneração Variável nas Melhores Empresas para se Trabalhar Listadas na BM&FBovespa: um Estudo à Luz dos CPCs 10 e 33 XIII/51 35 FAIR VALUE Mensuração do Fair Value de Ativos Tangíveis: Estoque e Ativo Imobilizado XIII/51 48 GESTÃO PÚBLICA Convergência Contábil na Administração Pública Federal: o caso das Instituições Federais de Ensino do Estado do Rio de Janeiro XIII/52 55 GOVERNANÇA CORPORATIVA Os Níveis Diferenciados de Governança Corporativa Blindam as Firmas Contra Crises Financeiras? Uma Análise da Crise Financeira de 2008 XIII/51 56 HARMONIZAÇÃO O Processo de Harmonização às Normas Internacionais sob a Perspectiva da Produção Científica XIII/52 05 ÍNDICE DE DESEMPENHO Análise de Resultados: um Estudo Exploratório sobre a Correlação entre o índice Market-to-book, os Ìndices Tradicionais de Rentabilidade e o EVA XIII/51 17 INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS Inteligências Múltiplas e o Método de Ensino: um Estudo com Discentes e Docentes em uma Universidade do Sul do Brasil XIII/50 23 MERCADO DE CAPITAIS Análise das Metodologias de Pesquisa Adotadas nos Estudos sobre o Mercado de Capitais no Brasil: 1999 a 2008 XIII/51 05 MÉTODO DE CUSTEIO A Classificação dos Custos Fixos e variáveis por Meio de Regressão Múltipla: Estudo de Caso em uma Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Curitiba – PR XIII/50 05 NEOLIBERALISMO Política Pública da Qualidade em Educação XIII/52 15 NORMAS CONTÁBEIS Análise da Evidenciação do Ativo Intangível nas Demonstrações Contábeis XIII/52 45 POLÍTICAS PÚBLICAS Política Pública da Qualidade em Educação XIII/52 15 PRONUNCIAMENTO CPC 03 Cumprimento das Orientações Normativas Acerca da Divulgação da Demonstração do Fluxo de Caixa pelas Companhias Abertas que Compõem o Ibovespa XIII/50 14 REMUNERAÇÃO Evidenciação da Remuneração Variável nas Melhores Empresas para se Trabalhar Listadas na BM&FBovespa: um Estudo à Luz dos CPCs 10 e 33 XIII/51 35 70 CRCRJ Conselho CRCRJ ConselhoRegional Regionalde deContabilidade Contabilidadedo doRJ RJ Lançamento Livro: Economia da Cultura: Contribuições para a Construção do Campo e Histórico da Gestão de organizações Culturais no Brasil Autores: Lusia Angelete Ferreira e Manoel Marcondes Machado Neto Este livro faz um percurso histórico de noventa anos de gestão da cultura no Brasil, de1920 a 2010, e reflete a inconstância de nossa ação cultural e de nossas instituições culturais – algumas até sólidas – em cinco setores: cinema, livro. Museus, música e teatro. Um levantamento minucioso foi realizado pelos autores junto a fontes como ANCINE, FGV, Fundação João Pinheiro, IBGE, MinC, Receita Federal e TCU – o que resultou em cruzamento de informações e elaboração de tabelas a partir de dados que normalmente se encontram dispersos, dificultando a mensuração e a consequente base para a formulação de políticas de investimento, tanto públicas como particulares, ou seja, para uma Economia da Cultura. Editora Ciência Moderna Pensar Contábil Contábil Pensar O CRCRJ deseja a você um feliz 2012