O Pagamento por Serviços Ambientais como instrumento de gestão ambiental: a experiência de Rio Claro/RJ 1 Roberta Fernanda da Paz de Souza Paiva – UFF - [email protected] Bianca Marques Escobar – UFF - [email protected] 3 Rafael Campos Coelho – UFF - [email protected] 4 Resumo Pagamento por serviços ambientais (PSA) é uma ferramenta que vem sendo utilizada com vistas a incentivar a adoção, por parte de “provedores” dos serviços ambientais, de ações que venham a recuperar, preservar e conservar os recursos naturais, em troca de algum tipo de compensação financeira. Constitui-se em um instrumento importante de gestão ambiental, por permitir a melhoria ambiental e a conscientização dos agentes envolvidos no processo e assegurando os benefícios ecossistêmicos à sociedade. Na maioria dos casos o ativo preservado é a água. Uma experiência, no Brasil, de aplicação do PSA é o Programa Produtores de Água e Floresta (PAF) da cidade de Rio Claro/RJ. O projeto consiste na remuneração dos produtores rurais que adotarem práticas específicas para melhoria ambiental, conforme edital do programa. Este trabalho tem como objetivo apresentar, além de uma breve revisão sobre instrumentos de gestão ambiental, aspectos relevantes sobre a experiência de Pagamento por Serviços Ambientais de Rio Claro. Além disso, apresenta-se também material de apoio (folder explicativo) desenvolvido com o intuito de esclarecer aos produtores rurais da região sobre a importância e o funcionamento do Programa PAF, buscando incentivar maior adesão ao mesmo. Palavras-Chave: Gestão Ambiental, PSA, Serviços Ecossistêmicos, Princípio do Conservador-recebedor Introdução Os níveis e as formas de utilização dos recursos naturais praticados atualmente vêm contribuindo para a degradação ambiental e, em consequência, para a redução dos níveis de bem-estar humano associados aos bens e serviços fornecidos pelos ecossistemas. Fica evidente que a pressão exercida pela ação humana sobre o meio ambiente já acarreta em níveis de degradação do mesmo, tornando inviável a perpetuação do seu atual padrão de uso. Nesse contexto, as ideias de preservação e de uso consciente do ativo ambiental vêm ganhando espaço nos debates acadêmicos e na adoção de políticas públicas. Novos esforços 1 Este estudo foi financiado pela Associação Pró Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul – AGEVAP através do Edital AGEVAP 02/2012. 2 Doutora em Desenvolvimento Econômico – Professora Adjunta da UFF – Departamento de Engenharia de Agronegócios 3 Bolsista de Inovação da Agência de Inovação PROPPI/UFF – Aluna do curso de graduação em Engenharia de Agronegócios UFF 4 Aluno do curso de graduação em Engenharia de Agronegócios no sentido de difundir essas ideias e de desenvolver o conhecimento acerca da problemática ambiental têm gerado novos conceitos, métodos e informações que servem como base para a gestão dos recursos naturais, permitindo que se avance em termos de preservação, recuperação e conscientização. Os recursos hídricos estão no centro dessas questões, já que fornecem uma gama de bens e serviços ecossistêmicos indispensáveis à manutenção da vida humana, animal e vegetal. Sua gestão descentralizada, participativa e a adoção de instrumentos que permitam a recuperação, conservação e melhoria dos mesmos estão possibilitando resultados positivos nesse processo. Estes instrumentos baseiam-se, em grande parte, nos princípios do poluidor-pagador (aqueles tradicionalmente utilizados que consistem no pagamento por parte do agente poluidor de multa que compense ou internalize o dano ambiental causado) e do conservadorrecebedor (consistem na realização de compensação financeira àquele que, em detrimento da utilização econômica do recurso, adota práticas pré-estabelecidas que contribuam para a preservação ambiental). O pagamento por serviços ambientais (PSA) é um instrumento (baseado no princípio do conservador-recebedor) que recentemente vem sendo utilizado para estimular e compensar financeiramente as ações dos proprietários de terra que adotem práticas conservacionistas. Estas práticas visam recuperar e preservar diversos ecossistemas, sendo aplicados principalmente para a preservação das águas e das florestas. Este trabalho tem por objetivo apresentar, de maneira resumida, conceitos relacionados ao Pagamento por Serviços Ambientais enquanto alternativa de gestão ambiental. Dar-se-á ênfase à apresentação da experiência de Rio Claro/RJ, onde foi implementado o programa Produtores de Água e Floresta (PAF), com vistas a recuperar/conservar os mananciais e as florestas, trazendo benefícios às Bacias Hidrográficas e à sociedade em geral. Serão ainda apresentados resultados obtidos a partir de pesquisa que teve como objetivo agregar informações acerca dos produtores que aderiram ao PAF e folder explicativo que tem por objetivo esclarecer aos produtores sobre o programa, contribuindo para maior adesão ao mesmo. A agregação de informações sobre o programa e os produtores, além de discutir problemas e potencialidades tende a contribuir para sua melhoria e para a obtenção de resultados mais eficazes a partir de sua adoção. 2. Instrumentos de gestão ambiental À medida que os problemas ambientais vão se agravando são desenvolvidos mecanismos capazes de eliminar ou minimizar tais problemas. Daly e Farley (2003) apresentam alguns dos instrumentos utilizados com vistas a alcançar objetivos de sustentabilidade – regulação direta, taxas Pigouvianas, subsídios Pigouvianos e licenças comercializáveis. A regulação direta é a forma dominante de política ambiental que afeta a escala e pode assumir diversas formas. Os mecanismos limitam as quantidades de recursos utilizados e o volume de dejetos depositados no ambiente, além de determinar que os responsáveis por eliminar as externalidades geradas são aqueles que a causaram. Os padrões de utilização são pré-determinados e, caso tais determinações não sejam cumpridas, os responsáveis são penalizados. Essas são as medidas conhecidas como comando e controle. São políticas que possibilitam delimitar a utilização dos recursos de forma a manter uma escala favorável e podem ser adotadas de forma igualitária entre os indivíduos. Como desvantagens de tal sistema são apresentadas: - desconhecimento sobre os custos marginais da poluição, o que impede a determinação do ponto ótimo (cmg=rmg); o sistema não apresenta incentivos permanentes à melhoria, apenas obriga que a regra seja cumprida; a regra pode ser utilizada da mesma forma para todos, mas as condições econômicas dos agentes são diferentes. As taxas Pigouvianas determinam, através de um preço-sombra, o valor que cada poluidor deveria pagar pelo serviço ambiental que está utilizando. Essa taxa proposta por Pigou seria equivalente ao custo externo marginal. Nesse sistema os direitos de propriedade sobre os recursos naturais passam para o estado e a firma fica “livre” para poluir, desde que pague pelas externalidades geradas. Os subsídios Pigouvianos constituem no pagamento de um bônus para firmas que reduzirem a emissão de poluentes no ambiente. Um dos problemas de tal mecanismo é que o mesmo poderia elevar a poluição, já que o subsídio elevaria a margem de lucro da empresa possibilitando a atração de novas entrantes. Assim, cada firma reduz sua poluição mas, com as novas entrantes, a poluição total seria mais elevada. O pagamento dos subsídios poderia ser mais eficiente se oferecidos como incentivos àqueles que buscassem restaurar o meio ambiente. A adoção de tais instrumentos por muitas vezes não atende aos propósitos aos quais se destinam, por serem observados problemas quanto: - a jurisdição da gestão dos recursos arrecadados; - as políticas não conseguem modificar o comportamento dos indivíduos quanto à utilização sustentável dos recursos; - a falta de acompanhamento na aplicação dos recursos, entre outros. O último instrumento apresentado é a licença comercializável. Esses são mecanismos utilizados para atingir um objetivo específico, a partir da determinação de cotas de poluição permitidas. O problema seria a determinação de tais cotas e a distribuição das mesmas. No caso das cotas comercializáveis, caso o proprietário não utilize toda a sua permissão para poluir, poderá vendê-la para outros agentes para que delas façam uso. Todos estes mecanismos estão associados a permissão ou a punição pela poluição gerada não sendo, em muitos casos, eficientes na redução da mesma. A alternativa que se apresenta em relação a esses métodos seria a adoção de instrumentos baseados no princípio conservador-recebedor, que incentivam a não utilização dos recursos naturais e a adoção de práticas de conservação específicas. Na próxima seção será apresentada, resumidamente, a Metodologia do Pagamento por Serviços Ambientais, que vem sendo adotada com o intuito de estimular, por parte dos produtores rurais, ações de que visem a recuperação e a conservação ambiental, ao invés de aplicar punições que ocorrem quando o recurso natural já está degradado. 2.1. Pagamento por serviços ambientais: remuneração que compensa a preservação O princípio conservador-recebedor faz com que o produtor seja recompensado, direta ou indiretamente, de alguma forma positiva: seja de maneira fiscal, monetária ou por crédito, por uma conduta ambiental positiva, assim incentivando a restauração/conservação ambiental maior do que o mínimo legal (HUPFFER, 2011). Um dos instrumentos em que se aplica o referido conceito é o de pagamento por serviços ambientais (PSA) 5. Sua metodologia consiste na compensação do produtor que adota práticas de recuperação/conservação dos recursos naturais em sua propriedade. Trata-se de uma compensação financeira que possa estimular o produtor a não ocupar parte da propriedade com atividades produtivas, fazendo a reposição do recurso perdido por ele com a conservação. Mais do que a compensação financeira, para que um projeto possa ser classificado com o uso do termo “pagamento por serviços ambientais”, deve respeitar as seguintes condições: ser uma transação voluntária, ter um uso ambiental bem definido (ou um tipo de uso da terra que assegure este serviço), ser “comprado” por ao menos um provedor de serviços, ter pelo menos um provedor de serviços e o provedor (ofertante) deve assegurar a provisão do serviço prestado (condicionante) (WUNDER, 2005). 3. O Pagamento por Serviços Ambientais em Rio Claro/RJ: Projeto Produtor de Águas e Florestas (PAF) O projeto Produtores de Águas e Florestas (PAF) está localizado na região estratégica correspondente a cidade de Rio Claro, no estado do Rio de Janeiro, e tem como objetivo aplicar o instrumento de PSA, assim motivando os produtores locais de forma financeira que comprovadamente contribuírem ou implementarem práticas para a restauração/preservação dos recursos naturais, como de mananciais e florestas, auxiliando a recuperação do potencial de geração de serviços ecossistêmicos, provendo benefícios às bacias hidrográficas e à sociedade em geral (ITPA, 2013). A experiência da implementação do PSA na Bacia do Rio Guandu teve início em 2009 quando foi iniciado o projeto através de um termo de cooperação técnica entre a Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), a Prefeitura Municipal de Rio Claro, a The Nature Conservancy (TNC), o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Guandu e o Instituto da Terra de Preservação Ambiental, o qual é denominado como Unidade Gestora do Projeto (UGP), com o apoio da Agência Nacional das Águas (ANA). A UGP então permite a gestão e a implementação compartilhada entre poder público, instancia deliberativa e sociedade civil organizada (ITPA, 2013). 5 Para maiores informações consultar WUNDER (2005). A importância da adoção de medidas que busquem tais resultados se deve a grande abrangência da bacia hidrográfica em estudo, tendo o potencial de utilização dos recursos hídricos para o atendimento das necessidades de cerca de doze milhões de pessoas no estado do Rio de Janeiro, o que representa 70% da população do estado (TYAGO, 2013). Além disso, pode-se contribuir para a preservação de diversos ecossistemas e espécies que dependem da preservação e recuperação da estrutura ecossistêmica objeto do projeto. Os critérios que são levados em consideração para o sucesso das atividades são baseados, em grande maioria: nas ações dos produtores de água quanto à facilitação do acesso da equipe de trabalho do projeto e da execução de ações previstas no plano de trabalho (exemplo: alteração de traçado ou local de cercas); na conservação, pelo produtor de água e floresta, das cercas ou mudas implantadas pelo projeto ou qualquer outra ação implantada pela equipe ou manejo da área (exemplo: extração de vegetação nativa, colocar fogo na área) sem licença do órgão ambiental competente; na comunicação, por parte do produtor de água e floresta, de casos criminosos relacionados a depredação de cercas, mudas e áreas em restauração e conservação ambiental ou qualquer outro caso que possa de alguma maneira impedir ou dificultar o desenvolvimento das medidas de conservação ou restauração de florestas. O projeto-piloto já realizou pagamentos totalizando R$ 141 mil a 59 proprietários rurais cujos esforços já ajudaram a conservar 4.706 hectares de floresta e restaurar 278 hectares de terras degradadas (TYAGO, 2013). Os valores a receber são calculados a partir de um custo de oportunidade local associado a quatro parâmetros, sendo: a área de conservação e restauração; o nível de prioridade para a produção de água na bacia piloto (APP’s e Áreas Interceptoras de água); estágio de sucessão dos remanescentes em conservação (Avançado, médio ou inicial) e contexto geográfico de proximidade ou inclusão em áreas de conservação. A variação desses valores está entre R$ 10,00 a R$ 50,00 por hectare/ano, entretanto, a UGP definiu que o valor mínimo a ser recebido por um associado independente do tamanho da área restaurada/conservada é de R$ 100,00/ano, sendo o capital oriundo do pagamento pelo uso da água e outorga (direito do uso da água) administrada pelo Comitê de Bacia do Rio Guandu (criado a partir do Decreto no 31.178, de 03 de Abril de 2002). Uma parte dos recursos pagos pelos usuários da água é destinada ao pagamento dos proprietários responsáveis diretos pela produção de água. O pagamento está condicionado a uma avaliação das atividades envolvidas e a apresentação de relatórios periódicos juntamente com o laudo de vistoria, possibilitando assim o monitoramento da área abrangida. O resultado da avaliação dos cuidados despendidos pelos proprietários, determinado pela UGP, resulta na classificação de restauração como “bem cuidada” ou “médio cuidada” utilizada para valoração de prestação de serviços ambientais em propriedades já em andamento. 3.1 O Perfil dos produtores de água e floresta de Rio Claro/RJ As informações aqui apresentadas foram obtidas através da aplicação de entrevistas aos produtores do referido programa. Do total de 59 inscritos, conseguiu-se que 29 respondessem às perguntas (pessoal, via email e via telefone), dando confiabilidade estatística aos dados. Estas entrevistas foram realizadas no segundo semestre de 2013. 3.1.1 Quanto ao produtor e suas fontes de renda Os resultados obtidos mostram que a maioria dos produtores entrevistados é do sexo masculino (83%) e possuem mais de 40 anos (93%). Observa-se ainda que um nível significativo dos produtores do projeto (45%) tem nível superior completo, sendo que 83% da amostra analisada possui o equivalente a 12 anos de estudo, um padrão superior à média de 8,5 anos atribuída às pessoas maiores de 25 anos do estado do Rio de Janeiro (IBGE, 2011). Quanto ao nível de renda, verifica-se que 55% dos produtores possui renda familiar superior a R$ 3390,00 (três mil trezentos e noventa reais), valor igual ou maior a 5 (cinco) salários mínimos, sendo esse valor superior à renda média total das famílias dos estado do Rio de Janeiro, que tem a importância de R$ 3346,37 ( três mil trezentos e quarenta e seis reais e trinta e sete centavos) de acordo com o IBGE ( 2008-2009). A maioria dos entrevistados não depende das atividades desenvolvidas na propriedade para se manter economicamente. Na maioria dos casos (15 casos), dependem da aposentadoria. Apenas 3 (três), dos 29 (vinte e nove) produtores entrevistados, dependem da atividade econômica desenvolvida na propriedade para a sobrevivência. Apesar de a maioria dos produtores não dependerem da propriedade para a manutenção de sua renda, 24 (vinte e quatro) entrevistados têm de forma ativa uma atividade econômica empregada, dentre elas o milho, o capim, a pecuária de corte e de leite, a olericultura, a avicultura de corte e de postura, a apicultura voltada para produção de mel, a piscicultura, a minhocultura e a fruticultura. Dos produtores entrevistados, 52% não residem na propriedade rural na qual o programa PAF foi implementado. Dentre aqueles que moram na propriedade, observa-se a média de 24 anos residindo na propriedade e cerca de 3 moradores em cada uma delas. 3.1.2 Quanto à adesão ao PAF e suas motivações Conforme já especificado a adesão ao PAF é voluntária dependendo, portanto, do interesse do produtor em participar do mesmo. Entender quais são os fatores determinantes para que o produtor participe efetivamente do mesmo contribuindo para a eficácia do Programa é fundamental. Fatores facilitadores e que dificultaram o processo também devem ser conhecidos. Primeiramente buscou-se avaliar de que maneira os produtores ficaram sabendo da existência do programa e da oportunidade de ingressar no mesmo. Para a maioria (35%), as informações foram disponibilizadas pelo ITPA, órgão que gere o programa (Gráfico 1). Gráfico 1. Como os produtores descobriram o PAF. Como pode ser observado foram diversas as fontes responsáveis por informar aos produtores sobre o programa. Além dos próprios produtores (32%), outras fontes públicas ou associações foram determinantes para a adesão desses produtores, indicando que essas instituições estão trabalhando para o sucesso do Programa e da melhoria das práticas ambientais adotadas na região. Quando perguntados sobre a motivação para a adesão ao programa tem-se que 83% dos produtores declararam que foi a preocupação com a preservação ambiental e outros 14% se sentiram estimulados pelo retorno financeiro. Para outros 14% o retorno financeiro foi fator determinante. Um dos produtores entrevistados (3%) se manifestou contra o programa e justificou sua adesão como imposta pelos outros proprietários da terra. Segundo 49% dos entrevistados a boa assistência técnica oferecida é o principal fator facilitador quando os mesmos aderem ao programa, enquanto para 41% a facilidade se dá principalmente pela disponibilidade de informações. Quanto às dificuldades tem-se que 67% dos produtores não apontaram nenhum fator capaz de dificultar a implantação do PAF, sendo que para 17% a burocracia constitui em fator dificultador (Gráfico 2). Gráfico 2. Dificuldade para adesão ao programa. As facilidades e dificuldades apontadas indicam que a relação produtor/ITPA (responsável pela operacionalização do programa) segundo os produtores, é adequada e contribui para o sucesso do mesmo. Alguns outros fatores foram citados como fonte de dificuldades como a necessidade de se adotar práticas conservacionistas, as condições inadequadas das estradas e a falta de apoio. Apesar de pouco citados pelos produtores entrevistados elas devem ser avaliadas, buscando-se soluções através dos órgãos responsáveis. Segundo a operacionalização do programa, após a adesão do produtor algumas ações devem ser executadas na propriedade para que as condições necessárias sejam atendidas. Na maioria das propriedades foram construídas cercas e feito o plantio de mudas (Gráfico 3). Gráfico 3. Ações executadas nas propriedades após a adesão ao programa. Quando questionados quanto à adequação do valor pago pelo programa pelas ações de preservação, 76% dos produtores declararam acreditar que o valor é inadequado, devendo ser maior do que a remuneração atual. A remuneração para pelos programas de compensação ambiental pode ser calculada a partir de diversos fatores. No caso do programa em estudo (e de muitos outros casos) a mesma se baseia no custo de oportunidade da atividade produtiva na região, ou seja, o valor recebido pelo produtor será aproximadamente aquele que receberia caso ocupasse suas terras com a atividade econômica predominante nessa região. Infelizmente esse valor é considerado insuficiente pelos produtores e acaba por não refletir a importância do recurso preservado pelos mesmos, podendo não ser considerado por outros produtores um atrativo para aderir ao programa. 3.1.3 Folder explicativo para produtores rurais Com o objetivo de estimular a adesão por parte de outros produtores, foi elaborado um material que visa explicar aos produtores rurais, de maneira simples, de que maneira o programa funciona e qual é sua importância no processo de recuperação e conservação ambiental, sendo determinante para a manutenção dos serviços ecossistêmicos e do bem-estar humano. PARA QUE SERVE O PAGAMENTO DE SERVIÇOS AMBIENTAIS (PSA)? Serve para preservação, manutenção ou recuperação da qualidade das nossas águas e terras. Além disso, representa alternativa na geração de renda dos beneficiários. O QUE É PSA? É um programa em que o dono das terras recebe um pagamento de incentivos ou uma compensação financeira para preservar as nascentes da sua propriedade. É pago o equivalente ao que você ganharia fazendo outra atividade, com resultados monitorados e fiscalizados por técnicos que irão prestar auxílio durante todo o programa. DE ONDE VEM O DINHEIRO OU RECURSO? O pagamento desses incentivos financeiros vem de recursos gerados em parte pela cobrança do uso da água e em alguns estados existe o ICMS (imposto) ecológico. COMO É PAGO? Através de pessoas de sua confiança. São os mediadores, as pessoas que através de um órgão do governo, um comitê de bacias hidrográficas, uma universidade ou até ONG’S irão fazer as partes (agricultor e o responsável pelo projeto) entrarem em um acordo. QUEM VOCÊ PROCURA? A Secretaria de Meio Ambiente, Prefeituras, Comitê de Bacias Hidrográficas. QUEM FISCALIZA? A Assistência será prestada por técnicos que irão até a propriedade. Documentos necessários para participar do PROGRAMA PRODUTOR DE ÁGUAS: 1 – A correta apresentação e validade dos documentos pessoais e da propriedade (imóvel). 2 – Ficha de inscrição, juntamente com o plano de trabalho. Observação: Se todos os documentos estiverem em dia, será feita a análise técnica por pessoas responsáveis por verificar a área do projeto. No site da AGEVAP Podemos encontrar esclarecimentos dobre dados técnicos: www.agevap.org.br Mais informações no site da Prefeitura Municipal de Rio Claro: www.rioclaro.rj.gov.br Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Rio Claro: Avenida João Batista Portugal, 367, Centro, Rio Claro – RJ Cep: 27460-000 – Tel: (24)3332-1717 – Ramal 236. 4. Considerações Finais Os programas de PSA são alternativas importantes que contribuem para a melhoria ambiental e para a conscientização da população envolvida acerca da importância de se preservar o meio ambiente. Entre outros motivos, é importante por permitir que os produtores que dependem da terra para viver possam preservá-la, mantendo ou até melhorando seu nível de renda. No caso do PAF, segundo os dados coletados, a compensação oferecida aos produtores é considerada pequena, não cumprindo o papel de estimular novos entrantes. Melhores compensações financeiras recebidas poderiam atrair mais produtores, contribuindo para que os resultados do programa em termos ambientais, sociais e econômicos fossem mais expressivos. 5. Referências Bibliográficas DALY, H. ; FARLEY, J. Ecological Economics: Principles and applications. Washington, D.C.: Island Press, 2003. 488 p. HUPFFER, H.M.; WEYERMÜLLER, A.R.; WACLAWOVSKY. W.G. Uma análise sistêmica do princípio protetor-recebedor na institucionalização de programas de compensação por serviços ambientais. Universidade Feevale. Pró-Reitoria de Inovação e Pesquisa. Novo Hamburgo, 2011. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE a. Números referente a educação no Brasil: Estado do Rio de Janeiro. Disponível em: < http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-no-brasil/numeros-do-brasil/dados-por-estado/riode-janeiro/>. Acesso em: 25 out. 2013. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE b. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 – Despesas e Rendimentos. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/estadosat/temas.php?sigla=rj&tema=pofdespesasrendimentos>. < Acesso em: 25 out. 2013. INSTITUTO TERRA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL - ITPA. Produtores de Água e floresta. Disponível em: <http://www.itpa.org.br/?page_id=497>. Acesso em: 25 jan. 2013. TYAGO, A. Aves retornam às matas do Sistema Guandu e atestam a qualidade da floresta que a TNC ajuda a conservar. Disponível em: <http://portugues.tnc.org/comunicacao- midia/destaques/aves-atestam-boa-qualidade-floresta-bacia-guandu.xml 2013>. Acesso em: 10 out. 2013. WUNDER, S. 2005. Payments for Environmental Services: Some Nuts and Bolts. CIFOR, Occasional Paper No.42.