A FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS: UMA ANÁLISE DAS GRADES CURRÍCULARES EM VIGOR. Anderson Lacerda da Silva (PIC-UNIFAMMA), Claudinei de Lima Nascimento (Orientador), e-mail: [email protected] UNIFAMMA – Faculdade Metropolitana de Maringá Área: Ciências Sociais Aplicadas; Sub-área: Ciências Contábeis Palavras-chave: Mercado de trabalho. Ciências Contábeis. Grades Curriculares Resumo Esta pesquisa se ocupa da discussão a respeito da formação em Ciências Contábeis com ênfase na analise das grades curriculares do curso, sua evolução histórica e como está organizada nos dias de hoje. Entende-se que a forma como um curso está organizado em termos de distribuição estratégica de disciplinas, pode ser um bom parâmetro para a compreensão do tipo de formação que vem sendo praticada em nosso país.Para tanto, realiza uma pesquisa nas grades curriculares de quatro cursos de quatro instituições de ensino superior diferentes no estado do Paraná. Introdução Esta pesquisa trata da formação em Ciências Contábeis que vem sendo levada a termo em nível superior no Brasil. Para tanto, apóia-se, de um lado em estudos bibliográficos e, de outro, na análise de grades curriculares de algumas instituições de ensino. A realização deste projeto de iniciação científica se justifica por várias razões, dentre elas, destacam-se: a importância de se conhecer o processo de transformação pelo qual passa a estrutura curricular do curso de Ciências Contábeis no Brasil, uma vez que esse conhecimento histórico permite associar diferentes contextos político-sociais com diferentes propostas de formação; a necessidade de se apreender o perfil do profissional de contábeis que vem sendo almejado e; as contribuições que podem advir desse estudo tanto para o ensino na área como para a formação acadêmica, O objetivo geral deste trabalho é, portanto, examinar a formação em Ciências Contábeis que vem sendo realizada em nível superior. Como objetivos específicos tem-se: investigar as mudanças que se verificam na formação em Ciências Contábeis desde a criação do curso em nível superior; compreender as exigências postas pelas diretrizes em vigor para a formação contábil e; analisar o perfil do profissional de contábeis abstraído de algumas grades curriculares em vigor. Anais do XIX EAIC – 28 a 30 de outubro de 2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR. Materiais e métodos Esta pesquisa envolve estudo bibliográfico e análise de documentos. Num primeiro momento, com base em autores como Luiz Antonio Cunha (1986), buscou-se investigar como a formação em Ciências Contábeis vem ocorrendo desde a sua concepção como curso de nível superior. Além do estudo teórico, está sendo realizada uma análise documental das grades curriculares de cursos de graduação em Ciências Contábeis. Para tanto, foram escolhidas quatro instituições de ensino superior, sendo uma pública federal, uma pública estadual e duas privadas. As instituições são: 1) Universidade Federal do Paraná; 2) Universidade Estadual de Maringá e; 3) Faculdade Metropolitana de Maringá e 4) Universidade Paranaense. Revisão de literatura Desde a década de 1990, o ensino superior passa por importantes transformações. Com a Lei 9.394/96 que trata das diretrizes e bases da educação brasileira, houve um aumento considerável no número de instituições de ensino superior no Brasil e, com isso, um aumento no acesso à educação superior (MARION E SANTOS, 1998). Assim como em outras áreas do conhecimento, houve aumento no número de cursos de Ciências Contábeis que acompanhou este processo. De acordo com dados do INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, em 1996 havia 384 cursos de graduação nesta área de conhecimento, em 2006, este número havia subido para 641 e em 2007, havia 1.002 cursos. Cabe indagar sobre como a formação superior nesta área vem ocorrendo na prática. O processo de ensino-aprendizagem sempre deve ser avaliado tanto interna como externamente, por meio de programas que buscam avaliar a qualidade dos cursos, como o SINAES, por exemplo, que é um programa do Ministério da Educação. Porém, a grade curricular de curso pode apontar uma direção importante sobre como a formação de futuros contadores se desenvolve no âmbito das instituições de ensino superior. Em outras palavras, a partir da grade curricular pode-se ter um bom retrato do perfil do profissional contábil que tais instituições vem formando. É Importante observar que as grades curriculares são construções históricas que se desenvolvem ao longo do tempo de acordo com a realidade econômica e social de cada tempo. Para resgatar tal desenvolvimento, elaborou-se a tabela 1 que evidencia, de forma resumida, essa evolução. Anais do XIX EAIC – 28 a 30 de outubro de 2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR. Tabela 1: Transformação Histórica das Grades Curriculares 1811: Aulas de Comércio no Maranhão 1846: Aulas de Comércio no Rio de Janeiro Decreto 456/1846 1°ano: Aritmética e geometria; geografia geral, comercial e do Brasil; juros simples e compostos, descontos, cálculo de anuidades, amortização; regras de companhia e de liga; moedas e câmbio; pesos e medidas nacionais e estrangeiras. 2°ano: História geral do comércio; comércio marítimo e terrestre; prática de letras de câmbio; seguros; falências e concordatas; bancos e suas operações; arrumação de livros. 1905: Escola Prática de Comércio Álvares Penteado. Formação Geral Português, francês, inglês, aritmética, álgebra, geometria, geografia, história, ciências naturais, noções de direito civil e comercial, legislação fazendária e aduaneira, práticas jurídicocomercial, caligrafia, estenografia, desenho e escrituração contábil. Formação Superior: Geografia comercial e estatística, história do comércio e da indústria, tecnologia industrial e mercantil, direito comercial e marítimo, economia política, ciência das finanças, contabilidade do Estado, direito internacional, diplomacia, história dos tratados e correspondência diplomática, alemão, italiano, espanhol, matemática superior, contabilidade mercantil comparada e banco modelo. 1926: Decreto 17329/1926 estabelece curso de formação geral de 4 anos de duração e de 3 anos para a formação superior; Formação Geral: Contabilidade; Contabilidade Mercantil; Contabilidade Agrícola e Industrial; Contabilidade Pública. 1939: Decreto 1535/1939 muda a denominação do Curso de Perito Contador para Curso de Contador. Os cursos profissionalizantes desdobram-se em dois ciclos: Curso Comercial Básico Cursos Comerciais Técnicos Decreto 14373/1939 regulamenta a estrutura dos cursos de formação do ensino comercial. 1961: Decreto Lei 4024/1961 estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional; Criação do Conselho Federal de Educação CFE; Disciplinas Exigidas: Contabilidade Geral; Contabilidade Comercial; Contabilidade de Custos; Auditoria; Análise de Balanços. 1992: Resolução CFE 03/1992 estabelece fixação de conteúdos mínimos de duração de 2700 horas/aula dos cursos de graduação em Ciências Contábeis A Resolução agrupa as disciplinas em 3 categorias: Categoria I: Conhecimentos de formação geral de humanística; Categoria II: Conhecimentos de formação profissional; Categoria III: Conhecimentos ou atividades de formação complementar. 2004: Resolução Nº 10 CNE/CES estabelecem novas mudanças nas diretrizes curriculares do curso de Ciências Contábeis. I conteúdos de Formação Básica: estudos relacionados com outras áreas do conhecimento, sobretudo Administração, Economia, Direito, Métodos Quantitativos, Matemática e Estatística; II conteúdos de Formação Profissional: estudos específicos atinentes às Teorias da Contabilidade, incluindo as noções das atividades atuariais e de quantificações de informações financeiras, patrimoniais, governamentais e nãogovernamentais, de auditorias, perícias, arbitragens e controladoria, com suas aplicações peculiares ao setor público e privado; III conteúdos de Formação TeóricoPrática: Estágio Curricular Supervisionado, Atividades Complementares, Estudos Independentes, Conteúdos Optativos, Prática em Laboratório de Informática utilizando softwares atualizados para Contabilidade. Fonte: Peleias et al (2007), Saes e Cytrynowicz (2001) No que diz respeito ao mercado de trabalho, Marion e Santos (1998) afirmam que, há dez anos atrás, existia uma forte exigência do mercado para que o contador estivesse em constante evolução técnica e intelectual e possuísse atributos indispensáveis nas diversas especializações da Anais do XIX EAIC – 28 a 30 de outubro de 2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR. profissão contábil. As exigências atuais não mudaram e, como exemplo, tem-se a mudança imposta pela Lei 11.638 de 2007 que aprimora as práticas de contabilidade adotadas no Brasil para que estejam convergentes com as práticas de contabilidade adotadas no mundo, uma vez que, em sendo os negócios globalizados, a contabilidade não poderia ser praticada de forma regionalizada. Tais mudanças e desafios devem influenciar o tipo de formação acadêmica recebida pelo futuro profissional contábil. Resultados e Discussão Verifica-se que, em função das mudanças constantes que ocorrem nas normas e diretrizes para a prática contábil, as grades curriculares dos cursos de Ciências Contábeis devem permitir que a formação do profissional desta área se desenvolva de forma atualizada e compatível com a realidade e o contexto social e de mercado onde as entidades estão inseridas. Estes resultados ainda não são conclusivos, uma vez que ainda encontra-se em fase de desenvolvimento a realização da análise das grades curriculares das instituições de ensino escolhidas como amostra conforme referido nos métodos de pesquisa. Conclusões Considerando o objetivo deste trabalho, conclui-se de forma previa, porém com base no referencial teórico estudado e nas grades examinadas até o momento, que a formação do profissional de contabilidade atualmente deve contemplar um mundo atual e verdadeiro que as entidades estão inseridas. As mudanças na profissão e nas práticas contábeis são constantes e, a importância do profissional de contabilidade nas diversas entidades cresce cada vez mais, portanto um curso deve oferecer uma grade curricular que oriente da melhor forma possível a formação no sentido de atender as necessidades sociais e aquelas postas pelo mercado. Referências CUNHA, Luiz Antonio. A Universidade Temporã. São Paulo: Francisco Alves, 1986. MARION, José Carlos; SANTOS, Márcia Carvalho dos. O perfil do futuro profissional e sua responsabilidade social. In: Revista do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná, v. 26, n. 129, 1998, p. 10-16. PELEIAS, Ivan Ricardo; SILVA, Glauco Peres da; SEGRETI, João Bosco; CHIROTTO, Amanda Russo. Evolução do Ensino de Contabilidade no Brasil: uma análise histórica. Revista Cont. Fin. - USP - São Paulo - Edição 30 Anos de Doutorado - p. 19 - 32 - Junho 2007 SAES, F. A. M.; CYTRYNOWICZ, R.. O ensino comercial na origem dos cursos superiores de economia, contabilidade e administração. São Paulo, Revista Álvares Penteado, v. 3, n. 6, p. 37-59, junho/2001. Anais do XIX EAIC – 28 a 30 de outubro de 2010, UNICENTRO, Guarapuava –PR.