Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 1.111.246 - SP (2008/0283473-0) RELATOR RECORRENTE ADVOGADO RECORRIDO ADVOGADO : : : : MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO JOSÉ ALVES MARQUES JAIR CAETANO DE CARVALHO E OUTRO(S) FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE PETROS : ROGÉRIO FEOLA LENCIONI E OUTRO(S) EMENTA SOCIAL RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. PETROS. SUPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. LIMITE MÍNIMO DE IDADE. I - LEGALIDADE DO ESTABELECIMENTO DE LIMITE MÍNIMO DE IDADE PARA O RECEBIMENTO DE SUPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. PRECEDENTE ESPECÍFICO DESTE STJ. II - ADESÃO AO PLANO DE BENEFÍCIOS ANTES DA PREVISÃO DO LIMITE MÍNIMO DE IDADE. III - IMPOSSIBILIDADE DE EXAME DA VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO PREVISTO EM REGULAMENTO DE ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, SEJA PELA ALÍNEA "A" DO INC. III DO ART. 105, SEJA PELA ALÍNEA "B". IV - RECURSO CUJO SEGUIMENTO É NEGADO. DECISÃO Vistos etc. Trata-se de recurso especial interposto por JOSÉ ALVES MARQUES, com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição, contra o acórdão em que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, negando provimento à sua apelação, confirmou a sentença de improcedência. Reconheceu o Tribunal de origem, desta forma, a legalidade da redução, de acordo com a idade com que se aposentara, da suplementação de aposentadoria por tempo de serviço recebida pelo recorrente da FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL- PETROS, ora recorrida. Segundo o Tribunal Paulista, este reconhecimento subsiste ainda que o recorrente tenha Documento: 15943641 - Despacho / Decisão - Site certificado - DJe: 14/06/2011 Página 1 de 4 Superior Tribunal de Justiça aderido ao plano de previdência complementar da PETROS antes de que ele previsse o limite mínimo de 55 anos de idade para o recebimento da suplementação de aposentadoria por tempo de serviço. Nas razões de recurso especial, sustentou o recorrente a violação do art. 23 do Regulamento Básico da PETROS, assim como a existência de dissídio jurisprudencial. Sublinhou, como fundamento destas alegações, o fato de ter aderido ao plano de previdência antes da sua alteração. Foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Decido. Ressalto, de início, ter a Quarta Turma deste Superior Tribunal de Justiça, recentemente, reconhecido a legalidade da previsão de limite mínimo de idade para o recebimento de suplementação de aposentadoria por tempo de serviço e, portanto, a possibilidade de redução do seu valor caso não implementada esta condição. A ementa desse precedente específico é a seguinte: PREVIDÊNCIA PRIVADA. PETROS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. LIMITE ETÁRIO. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. LEGALIDADE. RAZOABILIDADE. EQUILÍBRIO ATUARIAL. 1. O Supremo Tribunal Federal já firmou entendimento no sentido de que a questão relativa a decreto, que a pretexto de regulamentar determinada lei, extrapola o seu âmbito de incidência, é tema que se situa no plano da legalidade, e não da constitucionalidade. 2. O Decreto n. 81.240/78 e, por consequência, o Regulamento do Plano da PETROS/1979, não extrapolaram ao estipular o limite etário e mantiveram-se dentro do limite das discricionariedade conferida pela lei, significando que apenas desceu a detalhes que a Lei n. 6.435/77 deixou em aberto; sobressaindo, ainda, que é razoável e necessário a busca da preservação do equilíbrio atuarial. 3. O Decreto n. 81.240/78 , em seu art. 31, IV, ressalvou a situação apenas dos participantes que ingressaram no plano de benefício antes de 1º de janeiro de 1978, o que não é o caso dos autos, pois os autores aderiram ao plano de complementação de aposentadoria após a alteração que previa a condição etária de 55 anos. 4. Provido o Recurso Especial da PETROS e julgado prejudicado o Documento: 15943641 - Despacho / Decisão - Site certificado - DJe: 14/06/2011 Página 2 de 4 Superior Tribunal de Justiça Recurso Especial de ADI DE OLIVEIRA BORBA E OUTROS. (REsp 1125913/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 19/10/2010, DJe 12/11/2010) Nada obstante, afirma o recorrente, no presente caso, ter aderido ao Plano de Benefícios da PETROS antes que o seu art. 23 previsse, a partir de 04/05/1994, limite mínimo de idade para a percepção da suplementação de aposentadoria por tempo de serviço. No entanto, por não estar este dispositivo previsto em lei federal, não é viável o conhecimento do recurso especial, seja, obviamente, com base na alínea a do inc. III do art. 105 da Constituição, seja, ainda, com base na sua alínea c. Relembro que a demonstração do dissídio jurisprudencial pressupõe, necessariamente, a indicação da contrariedade de dispositivo de lei federal. Neste sentido: ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA. INDENIZAÇÃO. CRIAÇÃO DE ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL CONTRARIADO. DISPOSITIVO LEGAL APONTADO COMO VIOLADO QUE NÃO CONTÊM COMANDO CAPAZ DE INFIRMAR O JUÍZO FORMULADO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 284/STF. INCOMPETÊNCIA DO STJ PARA APRECIAR MATÉRIA CONSTITUCIONAL. 1. A ausência de indicação do dispositivo de lei a que teriam dado interpretação divergente os acórdãos recorrido e paradigma impede o conhecimento do recurso especial interposto com base na alínea c. (...) (REsp 855.035/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/04/2007, DJ 07/05/2007 p. 289) Por outro lado, ressalto que o exame de eventual contrariedade, pelo Tribunal de origem, de direito adquirido titulado pelo recorrente dependeria da interpretação de dispositivo constitucional (art. 5º, XXXVI, da CF). Ante o exposto, nego seguimento ao recurso especial. Documento: 15943641 - Despacho / Decisão - Site certificado - DJe: 14/06/2011 Página 3 de 4 Superior Tribunal de Justiça Publique-se. Intimem-se. Brasília (DF), 09 de junho de 2011. MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO Relator Documento: 15943641 - Despacho / Decisão - Site certificado - DJe: 14/06/2011 Página 4 de 4