SANDRA REGINA TURKE MARIANO
A NEUROSE OBSESSIVA NA MULHER SOB A ÓTICA CONTEMPORÂNEA
Trabalho apresentado ao “III Congresso
Internacional
de
Psicopatologia
fundamental e IX Congresso Brasileiro de
Psicopatologia Fundamental”.
Categoria: apresentação em mesa redonda
Área Temática: Psicanálise e Civilização.
NITERÓI
2008
A NEUROSE OBSESSIVA NA MULHER SOB A ÓTICA CONTEMPORÂNEA
Autora: Sandra Regina Turke Mariano1 Universidade Estadual de Maringá
Palavras-chave: psicanálise - neurose obsessiva – mulher
RESUMO
A proposta deste trabalho consiste em apresentar a ótica de psicanalistas que, após
Freud, abordaram o tema neurose obsessiva na mulher. Tomo por base as análises de
diferentes autores, em sete textos, tendo em vista que tratam mais especificamente da
neurose obsessiva com sua manifestação na mulher. Outros trabalhos poderão ser
mencionados à medida que possam contribuir trazendo alguma consideração a esse
contexto mais específico. Levando-se em conta a valiosa diversidade de argumentos e
posicionamentos presentes nessas análises, o material foi organizado em cinco
categorias temáticas definidas graças à afinidade que colabora para compor um mesmo
território, que é o da psicanálise. Assim, o mesmo dividi-se nas seguintes categorias:
revisão do diagnóstico; uma etiologia para a neurose obsessiva – supostas causas; o
corpo na neurose obsessiva; a clínica; e, diferenças entre neurose obsessiva e histeria.
Limitarei, por ocasião deste congresso, minha fala à primeira categoria, a revisão do
diagnóstico, citando cinco dos sete textos que me serviram de referência.
A CONTEMPORARY OUTLOOK ON OBSESSIVE NEUROSIS IN WOMEN
1
Psicóloga da Universidade Estadual de Londrina e mestranda em psicologia na Universidade Estadual
de Maringá; especialista em metodologia do ensino superior, psicanálise e psicologia hospitalar.
Psicóloga do Serviço de Psicologia do Hospital Universitário e do Ambulatório do Hospital de Clínicas
da Universidade Estadual de Londrina - PR. Professora e supervisora no Curso de Formação em
Psicologia Hospitalar (HUTEC/UEL). Endereço: Rua Piauí, 191, bloco C, apto 71, centro, Londrina,
CEP: 86010-906 - e-Mail: [email protected]
2
Author: Sandra Regina Turke Mariano [1] Universidade Estadual de Maringá
Key words: psychoanalysis – obsessive neurosis – woman
ABSTRACT
This paper aims at presenting the outlook of psychoanalysts who, after Freud, have
approached obsessive neurosis in women. The introduction is carried out through the
analysis of different authors, within seven texts, by considering that they approach
obsessive neurosis along with its manifestation in women more specifically. Other
sources may be mentioned as they may add momentum by presenting some
considerations to this more specific context. By considering the valuable diversity of
arguments and perspectives in this analysis, the material was arranged in five thematic
categories defined as a result of the affinity which contributes for the composition of the
same domain, that is, Psychoanalysis. Therefore, it is divided into the following
categories: diagnostic review, etiology of obsessive neurosis – supposed causes, the
body committed by obsessive neurosis, the clinic, and differences between obsessive
neurosis and hysteria.
_____________________
[1] Universidade Estadual de Londrina Psychologist. Master Degree student in Psychology at
Universidade Estadual de Maringá. Specialist in Higher Education Methodology, Psychoanalysis, and
Medical Psychology. Psychologist of the Psychology Department at the UEL University Hospital and the
Ambulatory of the UEL Hospital. Professor at the Medical Psychology Formation Course
(HUTEC/UEL). Address: Rua Piauí, 191, bloco C, apto 71, centro, Londrina, CEP: 86010-906 - e-Mail:
[email protected]
REVISÃO DO DIAGNÓSTICO
3
Começo com a análise feita por Ribeiro (2005) em seu artigo “A mulher obsessiva entre
a tragédia e o humor” no qual a autora aponta para o fato de, no século XIX, a
psiquiatria conceber o quadro de neurose obsessiva como pertencendo às “loucuras
maníacas e depressivas” (p. 399). A autora discute como se modificou o diagnóstico
desse quadro desde antes de 1896, época na qual Freud ofereceu a este o estatuto de
uma nova forma de neurose. Ribeiro (2005) nos conta que psiquiatras como J. P. Falret
e Legrand Du Saulle afirmavam que após uma doença como a febre tifóide ou cólera
observavam-se claras manifestações do que naquela época era denominado “alienação
parcial com predomínio do temor ao contato com os objetos externos” ou “loucura da
dúvida”
2
(apud RIBEIRO, 2005, p. 399). Estes psiquiatras observavam também que
essa patologia era atribuída principalmente ao campo feminino e afirmavam: “a loucura
da dúvida afeta muito mais as mulheres que os homens, pode aparecer pela primeira vez
na puberdade e se observa quase sempre nas classes sociais mais altas” (apud RIBEIRO,
2005, p. 399).
Tomando como base as afirmações dos médicos, citados anteriormente, a autora nos
aponta ainda que no século XIX as mulheres se apresentavam em maior número nos
consultórios psiquiátricos para falarem sobre suas obsessões e que estas manifestações
sintomáticas eram concebidas como fazendo parte de um quadro de loucura.
O que Ribeiro (2005) nos apresenta, portanto é que o quadro de neurose obsessiva em
mulheres, ainda que diagnosticado com outra nomenclatura, já era antigo e freqüente e,
como vimos, bem anterior à sua conceitualização em Freud. O novo está em que a partir
de Freud essa patologia não é mais localizada no território das psicoses.
Segundo a autora, o motivo conferido à tendência das mulheres para freqüentarem em
maior número os consultórios particulares dos psiquiatras, no século XIX, e falarem
mais de si, em comparação com os homens, estaria atrelado ao que Freud considerou
como sendo próprio do feminino devido às vivências implicadas na travessia do
complexo de Édipo. Assim, o feminino teria, na argumentação de Ribeiro (2005), o que
pude entender como uma marca psíquica produzida a partir da falta do pênis no corpo
2
Temos aí dois elementos, alienação ou loucura e dúvida, passíveis de uma associação com o que
atualmente se discute em psicanálise sobre um agravamento nos quadros de neurose obsessiva, os quais
apresentam uma conjugação com a psicose através de manifestações paranóides. Esse agravamento é
nomeado de formas diferentes, por diferentes autores, e posso citar três fontes que servem de exemplos
dessa discussão: como uma “condição trágica” (RIBEIRO, 2005, p. 402) que levam a mulher obsessiva a
um “enlouquecimento maior” (SANTORO, 2004, p.02) ou “catástrofe fálica” (JERUSALINSKY, 1999,
p. 32).
4
(castração), a qual instala, por sua vez, uma falta no inconsciente. A essa marca a autora
se refere como uma dor própria, “a dor da falta” 3 (p. 401).
Gostaria de comentar que quando Ribeiro (2005) relata que no século XIX a neurose
obsessiva era atribuída principalmente ao campo feminino, isso pode nos parecer, num
primeiro momento, conflitante com as idéias defendidas por Freud de que a histeria
pertenceria mais ao âmbito do feminino e a neurose obsessiva mais ao do masculino.
Contudo, Freud apresenta vários exemplos de neurose obsessiva em mulheres e lembro
que o feminino, em sua concepção, estava associado a uma posição que dá preferência a
fins passivos e o masculino a uma posição que dá preferência a fins ativos, podendo
então qualquer uma das duas posições ser apresentada tanto em um homem quanto em
uma mulher. Para explicar melhor isto, que, segundo o próprio Freud, sempre foi de
difícil elucidação, recorro a uma citação sua:
Poder-se-ia considerar característica psicológica da feminilidade dar
preferência a fins passivos. Isto naturalmente, não é o mesmo que
passividade; para chegar a um fim passivo, pode ser necessária uma
grande quantidade de atividade (...) Devemos, contudo, nos acautelar
nesse ponto, para não subestimar a influência dos costumes sociais
que, de forma semelhante, compelem as mulheres a uma situação
passiva. (FREUD, 1933, p. 116).
Temos nesta afirmação de Freud a evidente importância dada por ele à influência da
esfera social. É interessante notar também que, de acordo com Ribeiro (2005), no século
XIX as mulheres obsessivas já se apresentavam aos psiquiatras e em maior número e
isso é diferente do que é apontado atualmente por psicanalistas. Estes últimos alertam
para um aumento na apresentação de casos de neurose obsessiva na mulher em seus
consultórios.
A razão pela qual inicio então, nesta categoria, com a contribuição de Ribeiro (2005) é a
menção que a autora faz ao diagnóstico da obsessão em mulheres no século XIX, o que
3
Considero “a dor da falta” (RIBEIRO, 2005, p. 401) como um terceiro elemento a ressaltar. Tanto
quanto este último, os outros dois elementos citados anteriormente (a loucura e a dúvida), aparecem de
forma marcante em toda a discussão que se apresenta em meu trabalho e dos quais faço uma retomada
mais a frente, na categoria A clínica, mas que hoje, neste congresso, não será possível abordar mais
detalhadamente.
5
nos permite um breve resgate histórico. Além disso, a partir de sua exposição, somos
levados a pensar na existência de diferentes formas de diagnosticar esse quadro no
campo da psiquiatria e da psicanálise. Para a psiquiatria a obsessão estaria no campo da
psicose e para a psicanálise no campo da neurose. Desta forma, considerando a
historicidade, somos levados também a refletir sobre a obsessão como fazendo uma
passagem da loucura para a neurose, estando esta última mais próxima do que
socialmente se considera normal. Esclareço que, neste ponto especificamente, utilizo o
termo normal como aquilo que socialmente se considera mais próximo do comum, ou
seja, do que se manifesta em maior número na população em geral.
Outro caminho, na discussão do diagnóstico e que ressalta também a influência da
esfera social, mostra-se no artigo de Jerusalinsky (1999) “Camille Claudel – uma
neurose obsessiva feminina” no qual o autor afirma que o diagnóstico pode se constituir
num instrumento de discriminação social.
Jerusalinsky (1999) analisa o caso de Camille Claudel, uma mulher que se diferenciou
das outras de sua época, no final do século XIX por ter competido em sua genialidade
com um dos maiores mestres da escultura, Auguste Rodin.
Essa escultora francesa, de acordo com Wahba (1996), nasceu no dia 08 de dezembro
de 1864, em Villeneuve-sur-Fère, nos arredores de Paris e faleceu, com setenta e nove
anos, num asilo para loucos, em 1943, onde passou os últimos trinta anos de sua vida.
Aos dezoito anos Camille Claudel já demonstrava grande talento artístico e, devido a
isso, foi aceita por Auguste Rodin, como aluna, tornando-se, algum tempo depois, sua
principal colaboradora. De acordo com a autora, além de impressionar Rodin com seus
dons artísticos e exigência profissional, Camille Claudel também o inspirou com sua
inteligência e beleza, cativando-o como homem e tornando-se sua amante. O
relacionamento entre os dois foi intenso, durou cerca de quinze anos e influenciou
fortemente as criações artísticas de Rodin.
Wahba (1996) nos conta ainda que o afastamento deles aconteceu de forma lenta,
permeado por crises e constantes ataques de fúria por parte da esposa de Rodin. Houve
um provável aborto e a escultora, que desejava o casamento, cobrava uma decisão de
seu amado, pois se sentia usada como artista e mulher. Devido ao fato de Rodin ter
optado por continuar ao lado de sua esposa, segundo a autora, Camille Claudel sofreu
uma grande decepção. Seu sofrimento foi ainda mais aumentado por ser uma artista,
solteira e que realizava uma atividade considerada em sua época como “masculina” (p.
6
31). Sentindo-se destruída pelo fracasso de sua relação com Rodin a escultora procurou
o isolamento, insistindo em sustentar sua autonomia. O amor transformou-se então em
delírios de perseguição e sem o apoio de sua família, com quarenta e nove anos, foi
colocada numa casa para doentes mentais com o diagnóstico de psicose. Desta maneira,
varrida do convívio familiar e social, Camille Claudel tornou-se de acordo com uma
narrativa de seu pai, citada por Wahba (1996, p. 48), (...) “essa louca varrida”.
Limito-me, por hora, em fornecer esse breve panorama da dramática vida de Camille
Claudel, para passar de agora em diante às considerações feitas por Jerusalinsky sobre o
diagnóstico que sempre lhe fora atribuído, o de psicótica. As possíveis causas de seu
adoecimento mental voltarão à tona na categoria seguinte, Uma etiologia para a
neurose obsessiva – supostas causas.
Faço um convite então para acompanharmos Jerusalinsky (1999) em suas reflexões. O
autor diz sentir-se embaraçado4 diante da tarefa de falar a partir de um ponto de vista
psicopatológico sobre a vida dessa artista, pois, segundo ele, apesar do trabalho da
psicanálise, isso ainda envolve um caráter social pejorativo. Continua afirmando que a
discriminação social porta a idéia de que quem sofre mentalmente é uma exceção e,
para tentar desfazer essa conotação pejorativa, lembra que: (...) “somos todos
sofredores, todos somos, sem exceção, portadores de uma certa psicopatologia”(
FREUD apud JERUSALINSKY, 1999, p. 29). Reportando-se então às demarcações
freudianas, afirma ainda que a psicopatologia não constitui exceções e considera que
Camille Claudel foi vítima dessa concepção preconceituosa da psicopatologia
psiquiátrica de sua época. Portanto, sob a ótica do autor, ela era uma neurótica5 com
seus sofrimentos, como todos nós o somos. No entanto, no caso da escultora,
Jerusalinsky (1999) mostra que a neurose da qual sofria era “delicada” (p. 30) por se
4
Gostaria de comentar que ao nos lembrar que “apesar do trabalho da psicanálise” (...), Jerusalinsky
(1999), nos faz pensar que a psicanálise tenta ao máximo reduzir o uso de rótulos que venham a engessar
o sujeito em nomeações e descrições socialmente pejorativas. No entanto, qualquer profissional
envolvido com a práxis psicanalítica sabe que, entre outros mais, diagnósticos como neurótico, seja
histérico ou obsessivo; perverso; psicótico; e, o que se utiliza, até mesmo como um modismo na
atualidade, o diagnóstico de “boderline”, não escapam de lançar um peso pejorativo sobre nossos
pacientes. Deixo aqui, pois, a seguinte questão: mesmo considerando a razão mais racional apontada por
Jerusalinsky, quando cita a opinião de Freud sobre a analisabilidade dos artistas, não seria este tom de
discriminação, que também emana de nossas práticas, o motivo do constrangimento do autor quando se
diz “embaraçado” ao ter que se pronunciar a respeito da psicopatologia de Camille Claudel?
5
Mesmo sendo, para Jerusalinsky (1999), o diagnóstico de neurótica mais próximo de uma normalidade,
reafirmo que esta é também uma consideração psicopatológica e, como tal, conforme o que foi ressaltado
pelo próprio autor, ainda com uma carga social muito intensa, referindo-se a alguém que deverá ser posto
fora. Fora da norma; da normalidade; da sociedade; de uma sociedade que, em meu entendimento diante
do exposto por Jerusalinsky, impõe a si mesma uma normalidade. Desta maneira, numa tentativa de
afastar a psicopatologia, exclui alguns indivíduos eleitos.
7
tratar de uma neurose obsessiva, que é muito mais devastadora na mulher do que no
homem. O autor afirma também que a histeria tem sido encarada como feminina e a
neurose obsessiva como masculina. Mas, apesar disso, a histeria não é mais grave no
homem e ainda acrescenta que “nesta questão das proporções, a psicopatologia é
completamente injusta com as mulheres” (JERUSALINSKY, 1999, p.30).
Questionando-se sobre quantas mulheres obsessivas foram internadas como loucas e
diagnosticadas como psicóticas, Jerusalinsky (1999) lança três argumentos a favor do
diagnóstico de neurose obsessiva no caso de Camille Claudel e faz isso por meio de um
paralelo que traça entre neurose obsessiva e psicose.
A primeira diferença exposta pelo autor é que o nome-do-Pai realiza uma função
simbólica no caso da artista. Essa função é significante em todas as suas esculturas,
regendo seu estilo. Estilo esse que, segundo Jerusalinsky (1999), não é delirante, pois
ela consegue narrar sua produção. Seu delírio é de outra ordem: consiste em desafiar o
reconhecimento dos outros. De acordo com o autor, é delirante por ser da ordem do
sujeito imaginar que contraiu uma dívida, pois encara o reconhecimento prévio que vem
do outro, como se fosse o recebimento de uma quantia em dinheiro que deverá render
juros e correção no futuro. Desta forma, torna-se também um desafio, pois, ao ter o
reconhecimento terá que permanentemente tentar sustentá-lo. Ressalto que a primeira
vista pode parecer contraditório o que nos afirma o autor: é delirante, não é delirante,
porém, lembro que Jerusalinsky (1999) não toma como modelo o enquadre psiquiátrico,
que classifica o delírio como sintoma psicótico, mas o considera também como sintoma
neurótico. Portanto, entendo que não é delírio psicótico, é delírio neurótico e, de acordo
com o autor, em alguns momentos “verdadeiro,” (p.33) e em outros “ficcional” (p.33),
sendo que o “ficcional” visaria o sustento de sua obra como uma exceção.
Esse seria então, de acordo com o autor, um primeiro argumento a favor de ser Camille
Claudel uma neurótica obsessiva, pois sem se falar do apaixonamento, momento
delirante por que passa qualquer neurótico, outro momento seria justamente quando o
sujeito se vê acuado a ter que sustentar sua autonomia. Com relação ao apaixonamento a
artista viveu um intenso romance com Rodin. Já com relação à busca pela autonomia,
tentou ao máximo sobreviver de suas encomendas, em seu pequeno apartamento, que,
de acordo com Wahba (1996, p. 49), estava sempre com as venezianas fechadas,
escondendo uma mulher que causava estranheza aos vizinhos por permanecer ali em
8
estado de miséria e desordem, cercada por gatos, vivendo desta forma durante anos até
sua internação.
Quanto ao desafio de conseguir o reconhecimento dos outros, Jerusalinsky (1999)
lembra, em seu artigo, um momento vivido por Camille Claudel. Na ocasião de sua
última exposição, quando teria a chance de se reerguer com a ajuda de seu irmão,
apareceu vestida e maquiada de forma extravagante, e, desta forma, fez com que ele
desistisse de seu intuito de ajudá-la a se reerguer como artista e se afastasse dela
definitivamente. É que Camille Claudel continua o autor, sem saber que o está fazendo
com essa sua aparição, rompe com o discurso dominante, com a estética de sua época e
até com sua família, na tentativa de sustentar um modo muito próprio de existir. E,
novamente, diria por minha conta, ela, ao desejar ser reconhecida e aceita da maneira
como verdadeiramente é, se coloca numa situação de não reconhecimento.
Um segundo ponto, de acordo com Jerusalinsky (1999), é a sustentação problemática da
sua posição de mulher na neurose obsessiva. Devido à época em que viveu, a
sustentação do nome-do-Pai foi ainda mais difícil para Camille Claudel, pois para
sustentar sua subjetividade, de um modo delirante que é comum na neurose obsessiva,
ela tenta produzir sua autonomia, por meio de suas criações artísticas. O autor aponta a
necessidade de avaliar as diferenças que se faziam presentes naquelas circunstâncias6
sociais, que levaram a escultora à internação e que poderiam ter um desfecho diferente7
nos nossos dias, principalmente em se tratando de uma artista tão talentosa. Afirma
ainda que “as circunstâncias sociais também condicionam os modos da crise”
(JERUSALINSKY, 1999, p. 34).
O terceiro argumento exposto pelo autor é o fato de que a “figura do mestre para ela é
tomada no campo do desafio e não no campo do fascínio” (JERUSALINSKY, 1999, p.
34). Para Camille Claudel, bem como para outras neuróticas obsessivas, continua o
autor, o encontro com o homem que pode representar seu ideal desperta a alusão (e não
a ilusão) de produzir a obra de exceção ao juntar-se a ele. Neste ponto entendo que o
desafio está em insistentemente manter o reconhecimento do outro, como já foi exposto
pelo autor, procurando tornar-se, numa posição obsessiva, ela própria o falo. O fascínio,
6
Aponto Camille Claudel como representante da mulher que faz a passagem da época freudiana para a
modernidade.
7
Poderíamos perguntar, em se tratando, como bem apontou Jerusalinsky (1999), de uma artista tão
talentosa, se nos dias de hoje ela não teria atendidos os seus insistentes pedidos, citados por Wahba
(1996), de ser transferida de hospital, de ter direito a visitas médicas e de um advogado, bem como de ter
preservada sua parte da herança.
9
por sua vez, estaria muito mais num campo delirante, pois envolve uma forte
identificação com um ou mais elementos existentes no outro, fazendo deste último o
falo desejado, numa posição então que corresponderia muito mais à histeria.
Diante de todos os elementos discutidos até aqui, Jerusalinsky (1999) deixa a seguinte
conclusão: “isso é uma posição neurótica obsessiva. Não é histérica e não é louca. Não é
psicótica. Absolutamente.” (p. 36).
Gostaria de destacar que, da mesma forma que tive uma razão para apresentar
primeiramente as contribuições de Ribeiro (2005), escolhi na seqüência as de
Jerusalinsky (1999), pois se a primeira faz um breve resgate histórico do diagnóstico de
neurose obsessiva, o segundo faz um breve resgate das concepções freudianas
relacionadas ao diagnóstico. Explicarei melhor minha reflexão. Como vimos, no século
XIX a psiquiatria diagnosticava como loucura o quadro de sintomas obsessivos e que
em seguida Freud retirou esse mesmo quadro do campo da loucura, da psicose, e o
colocou no campo da neurose. Dentro das concepções freudianas, os delírios e
alucinações eram incluídos como sintomas neuróticos, presentes na histeria e na neurose
obsessiva. Posso dar como exemplo o texto de Freud de 1924 “A perda da realidade na
neurose e na psicose”, no qual afirma que:
Uma neurose geralmente se contenta em evitar o fragmento da
realidade em apreço e proteger-se contra entrar em contato com ele. A
distinção nítida entre neurose e psicose, contudo, é enfraquecida pela
circunstância de que também na neurose não faltam tentativas de
substituir uma realidade desagradável por outra que esteja mais de
acordo com os desejos do indivíduo. Isso é possibilitado pela
existência de um mundo de fantasia, de um domínio que ficou
separado do mundo externo real na época da introdução do princípio
de realidade. (...) Vemos, assim, que tanto na neurose quanto na
psicose interessa a questão não apenas relativa a uma perda da
realidade, mas também a um substituto para a realidade. (FREUD,
1924, p. 208).
O que era então antes conferido apenas à psicose passou a ser conferido também à
neurose. No século passado a psiquiatria foi uma fiel cliente da psicanálise, mas depois,
poderia dizer por minha conta, talvez por sentir-se ameaçada por esta, principalmente no
10
que até hoje se discute em torno dos atos médicos,8 abandonou a marcha que a fazia
acompanhar de perto os princípios psicanalíticos. Houve uma espécie de divórcio entre
psiquiatria e psicanálise, que deu origem a uma era das revisões ou revisionismo9, por
volta de 1950.
Estou falando então, de uma tentativa da psiquiatria, já desde o século passado, de fazer
retornar ao campo da psicose todo quadro que apresentasse, principalmente, delírios e
alucinações, tentando também dessa maneira, desconsiderar todo o pensamento de
Freud e seus avanços na área da psicopatologia.
Diante desse forte movimento, que já é antigo e que se mantém até os dias de hoje, de
enquadrar os pacientes em psicopatologias bem esquadrinhadas e passíveis de
medicalização, tendo caído até mesmo em desuso termos como histeria e neurose
obsessiva, louvo o esforço de Jerusalinsky (1999) ao puxar a corda para o lado de cá,10
tentando trazer o que foi colocado no âmbito da psicose de volta ao da neurose.
Portanto, a revisão à qual nos lança, com relação ao diagnóstico, a coloco em alta conta,
pois Jerusalinsky nos faz entrar em contato com o delírio neurótico, tão bem descrito
por ele, quando se refere à necessidade de reconhecimento do outro e a uma divida
simbólica imaginada.
Mencionei a passagem de um modo de diagnosticar a neurose obsessiva, da psiquiatria
no século XIX, ao da psicanálise, com os conceitos de Freud. Daremos juntos agora um
salto de mais de cem anos, pois a conclusão de Jerusalinsky (1999), diante da
importante revisão desse diagnóstico, tão antigo e ainda persistente, leva-nos direto para
uma interrogação que inicia um trabalho de Chemama (1999). Em, “A neurose
obsessiva feminina hoje”, o autor se pergunta: “será que estruturas como a fobia, a
histeria, a neurose obsessiva e a perversão não conservam sempre os mesmos traços, a
mesma realidade?” (CHEMAMA, 1999, p. 17).
Sua resposta para tal pergunta é “não o creio” (p. 17). Com esta afirmação o autor
procura exemplificar através do modelo da histeria que dependendo do tempo e do
lugar, uma estrutura assume formas e sentidos diferentes. Esta resposta de Chemama
8
O que entendo aqui como ato médico é, por exemplo, fazer diagnósticos e prescrições de medicações
indicadas nos mais variados tratamentos e realizar outras ações que, no entendimento dos médicos, só
eles, com formação em medicina, devem praticar.
Atualmente está em tramitação no Congresso
Brasileiro o projeto de lei do ato médico, o qual visa regulamentar o campo de atuação da medicina,
apoiado principalmente pelo Conselho Federal de Medicina e que tem gerado inúmeros protestos por
parte de outras áreas da saúde.
9
Ver em Mello (2004, p. 64) sobre a “Era das grandes revisões”.
10
Jerusalinsky (1999) lembra em seu artigo que o delírio é “completamente compatível com as neuroses”
(p. 33) e apóia sua afirmação no texto freudiano de 1907, “Delírios e sonhos na Gradiva de Jensen”.
11
(1999) vai ao encontro da afirmação de Jerusalinsky (1999) que julgo não ser excessivo
repetir aqui: “as circunstâncias sociais também condicionam os modos da crise”
(JERUSALINSKY, 1999, p. 34). No caso de Camille Claudel, portanto acredito poder
pensar que seu diagnóstico foi determinado muito mais em função da época em que
viveu, por ser uma mulher talentosa e com espírito autônomo, do que da própria
patologia.
Referindo-se às mudanças sociais Chemama (1999) pressupõe que atualmente, com o
aumento do número de países democráticos, o discurso científico substitui a posição do
mestre tão interrogado pela histérica em seu saber e poder. Com essa nova configuração
social ele considera haver uma mudança no diagnóstico, de tal maneira que
encontraremos na clínica menos mulheres histéricas (menos parecidas com as pacientes
de Freud)11 e mais casos de mulheres obsessivas.
É dessa maneira que Chemama (1999) compara a neurose obsessiva, portadora de uma
dimensão destruidora em relação ao falo, com patologias da oralidade, ditas patologias
atuais. Em termos de diagnóstico, o autor vê a obesidade, a bulimia e a anorexia muito
mais no campo da neurose obsessiva do que no da histeria.
Outra autora que traz contribuições relacionadas ao diagnóstico da neurose obsessiva,
com reflexões acerca de apresentações sintomáticas atuais é Santoro (2004). Em seu
artigo “A mulher que Sabia Demais”, ela assinala que sintomas como a drogadição, a
anorexia e a bulimia podem ser compreendidos como uma nova roupagem na tentativa
de tamponar e reprimir o desejo.
Justamente por aparecerem “a posteriori” (que
entendo aqui como as manifestações sintomáticas), o desejo e seus efeitos seriam, de
acordo com a autora, a via para uma avaliação das atuações, do funcionamento e quem
sabe, até mesmo da estrutura de um sujeito que se posiciona.
Dessa forma, poderia supor que para obter uma melhor avaliação dessas atuações, com
uma maior precisão diagnóstica e mesmo, como afirma Santoro (2004), para sustentar
um processo de análise, seria necessário rever a teoria e a prática clínicas. Considera
ainda que esse tipo de revisão seria mais produtiva se feita caso a caso.
11
Como a condição social da mulher naquela época era construída a partir, principalmente, do exercício
dos papéis de esposa e mãe, a posição passiva era estimulada e cobrada da mulher desde menina. Lembro
neste ponto que o que geralmente se entendia como passividade estava associado à falta de agressividade,
baseado no modelo biológico de feminino e masculino. Porém, Freud alertou para o erro em que
estaríamos incorrendo se tomássemos o biológico como modelo para entendermos o funcionamento
psíquico. Remeto o leitor ao texto de Freud “Feminilidade” (1933) no qual o autor discutiu
detalhadamente esse assunto. De qualquer maneira, poderia inferir que, ao longo do tempo, mesmo com
as demarcações feitas por Freud, a histeria acabou ficando associada a uma posição passiva e a neurose
obsessiva a uma posição ativa e, portanto, a histeria sendo vista como uma manifestação sintomática
feminina e a neurose obsessiva, masculina.
12
A autora, que relaciona o aumento do diagnóstico de casos de neurose obsessiva
feminina com o novo papel social da mulher, reflete também sobre o declínio da função
paterna e sobre a necessidade da mulher trabalhar para sustentar sua família.
É dessa maneira que Santoro (2004) ressalta em seu artigo a influência das mudanças
sociais no psiquismo feminino, principalmente no que diz respeito ao papel social da
mulher, na emergência de novas patologias e, neste caso mais especificamente, no
aumento das manifestações obsessivas em mulheres.
Mais uma autora que também considera o crescimento da manifestação obsessiva
feminina na atualidade é Costa (1999). Em seu artigo “A obsessão e a clínica
contemporânea”, ela lembra que muitas vezes as mulheres passam da histeria à
obsessão. Esta passagem, afirma Costa, se apóia no bilingüismo (passagem de uma
posição histérica para uma obsessiva), assunto tratado já no início da obra freudiana,
bem como está intimamente relacionada a modificações no apelo fálico. A essa
discussão volto também mais adiante na categoria “A clínica”. Porém, como o que
posso lhes oferecer hoje é este vôo rasante, um breve panorama, um breve resgate de
uma revisão diagnóstica, limitando-me então apenas à primeira categoria de meu
trabalho, não poderia deixar de demarcar que isto nos leva a refletir, inclusive, no
quanto um diagnóstico não pode ser considerado definitivo. Eu deixo por aqui,
agradecendo muito a oportunidade e a atenção de todos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHEMAMA, Roland. A neurose obsessiva feminina hoje. Revista da Associação
Psicanalítica de Porto Alegre, Porto Alegre, n.17, p. 6-25, nov. 1999.
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MINI - CURRÍCULO DA AUTORA
Sandra Regina Turke Mariano (apresentadora do trabalho)
Possui graduação em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina (1985).
Especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Fundação Faculdade
Estadual de Filosofia Ciências e Letras de Cornélio Procópio, FAFI, Brasil.
Especialização em Psicanálise pela Universidade Estadual de Londrina, UEL,
Brasil. Especialização em Psicologia Hospitalar atribuída pelo Conselho
Regional de Psicologia 8ª Região, CRP/08, Brasil. Atualmente é psicóloga da
Universidade Estadual de Londrina, lotada no Hospital Universitário e
professora do Curso de Psicologia Hospitalar do HU/UEL. Tem experiência na
área de Psicologia, Psicanálise, com ênfase em Psicologia Hospitalar.
Nome em citações bibliográficas MARIANO, Sandra Regina Turke
16
Sexo Feminino
Endereço profissional:
Hospital Universitário/UEL, Setor de Psicologia - Diretoria Clínica.
Avenida Robert Koch, 60, Vila Operária
86038-350 - Londrina, PR – Brasil
Telefone: (43) 3371-2351 Fax: (43) 3371-2615 Cel: (43) 9997-1547
http://www.hu.psc.br
Endereço eletrônico [email protected]
Formação Acadêmica/Titulação:
2007 – atual. Mestranda em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá,
UEM, Brasil.
2002 – 2006. Especialização em Psicologia Hospitalar - Conselho Regional de
Psicologia 8ª Região, CRP/08, Brasil.
1996 – 1998. Especialização em Psicanálise (Carga Horária: 360h)
-Universidade Estadual de Londrina, UEL, Brasil.
1988 – 1989. Especialização em Metodologia do Ensino Superior (Carga
Horária: 360h). Fundação Faculdade Estadual de Filosofia Ciências Letras
Cornélio Procópio, FAFI, Brasil.
1986 – 1986. Aperfeiçoamento em Ludoterapia (Carga horária: 405h). Centro de
Estudos Superiores de Londrina, CESULON, Brasil. Ano de finalização: 1986.
1986 – 1986. Aperfeiçoamento em Psicologia Clínica (Carga horária: 180h).
Centro de Estudos Superiores de Londrina, CESULON, Brasil. Ano de
finalização: 1986.
17
1981 – 1985. Graduação em Psicologia - Universidade Estadual de Londrina,
UEL, Brasil.
DECLARAÇÃO DE AUTORIZAÇÃO PARA PUBLICAÇÃO
Eu, Sandra Regina Turke Mariano, autora do trabalho intitulado: “A Neurose
Obsessiva na Mulher sob a Ótica Contemporânea”, que submeto à apreciação da
Comissão
Organizadora
do
“III
Congresso
Internacional
de
Psicopatologia
Fundamental e IX Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental”, concordo que
os direitos autorais a ele referente se tornem propriedade exclusiva da Associação
Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental – AUPPF para publicação
nos Anais do Congresso e, se aceito, publicado na Revista Latinoamericana de
Psicopatologia Fundamental sendo vedada qualquer reprodução total ou parcial em
qualquer outra parte ou meio de divulgação impressa ou virtual sem que a prévia e
necessária autorização seja solicitada por escrito e obtida junto à AUPPF.
18
Londrina, 30 de julho de 2008.
Sandra Regina Turke Mariano
19
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SANDRA REGINA TURKE MARIANO