A MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NA SALA DE AULA: O PAPEL DO
PROFESSOR NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
CARDOSO, Leila Aparecida Assolari – PDE/SEED - PR
[email protected]
TOSCANO, Carlos – UEL/PDE
[email protected]
EixoTemático: Didática: Teorias, Metodologias e Práticas
Agência Financiadora: não contou com fianciamento
Resumo
A mediação pedagógica exercida pelo professor consiste em ampliar a cultura do indivíduo,
com intuito de que ele possa intervir de modo crítico e atuante em sua realidade e, através da
interação com outros indivíduos, consiga refletir e transformar seu cotidiano. Considera-se
que este papel de interação social no desenvolvimento humano, sempre mediado pelo adulto,
será responsável pela formação do pensamento que, depois de internalizados, constituirão o
comportamento tipicamente humano. O objetivo desse trabalho consiste em abordar, com o
apoio de referenciais teóricos propostos por Saviani e Gasparin, dentre outros, os aspectos que
envolvem a compreensão do processo de humanização na perspectiva histórico-crítica, com o
intuito de proporcionar uma reflexão crítica junto aos professores, acerca de sua prática
docente com a finalidade de estabelecer, com eles, a partir de uma discussão das questões que
envolvem a educação escolar em geral e a mediação pedagógica em particular, normas e
condutas coletivas para um compromisso pedagógico. Em termos metodológicos, o trabalho
aqui apresentado busca descrever o processo desenvolvido no PDE (Programa de
Desenvolvimento Educacional), promovido pela Secretaria de Estado da Educação do Estado
do Paraná. De início, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, apoiada principalmente nas
obras de REGO (1999), SAVIANI (1991), GASPARIN (2007), com vistas à produção de um
projeto de intervenção que se deu num momento em que se realizou uma ação direta na
realidade escolar, especificamente junto aos professores de uma turma de 5ª série, (6º ano) do
Ensino Fundamental, do Colégio Estadual Rosa Delúcia Calsavara no município de CambiraPr. Destacou-se no percurso, o significado da palavra mediação e como se dá a construção do
conhecimento, fator decisivo para realmente conhecer o trabalho pedagógico docente e
discente e suas implicações na aprendizagem escolar.
Palavras-chave: Educação escolar. Mediação pedagógica. Interação em sala de aula.
Conhecimento.
Introdução
Tomando como ponto de partida a experiência de atuação na área pedagógica e com a
oportunidade de trabalhar em várias escolas foi possível aqui discutir a mediação pedagógica
13467
em sala de aula. Neste estudo focalizamos os acontecimentos que se dão junto às 5ªs. séries
(6º ano) do Ensino Fundamental, uma vez que, nesta etapa da escolaridade ocorrem
significativas mudanças na organização do trabalho pedagógico como o número de
professores, várias disciplinas, vários critérios de avaliações, variadas metodologias de ensino
estabelecidas pelos professores ao ministrar suas aulas sobre variadas áreas de conhecimento.
Nota-se um grande impacto junto aos alunos nesse momento de sua escolaridade que resulta
em grande número de atendimentos pedagógicos para orientação destes alunos que, por não se
adaptarem ao ritmo da série, acabam sendo submetidos a um processo de avaliação que,
muitas vezes, resulta em um encaminhamento para “sala de recursos”, com atendimento
“especial”, e até mesmo para aulas particulares.
Dessa forma, através do programa PDE, pode-se viabilizar os estudos necessários e
construir um projeto de intervenção no qual se buscou compartilhar os resultados obtidos
junto a um grupo de professores e abordar temas como: o desenvolvimento histórico da
sociedade, a origem da educação, o ponto de vista da Pedagogia Histórico-Crítica; com o
intuito de fundamentar uma compreensão acerca do processo de humanização destacando a
questão da mediação em todos os momentos de aprendizagem, porém destacando a
aprendizagem no espaço escolar. Além disso, no processo de interação com esse grupo de
professores procurou-se instaurar alguns momentos de troca acerca do entendimento. A
posição deles diante da problemática vivida na sala de aula e o impacto da recepção, da
contribuição, dos referenciais teóricos oferecidos foram um ponto de partida para uma
elaboração mais sistemática e fundamentada sobre a função da escola no processo de
constituição de seus alunos e as possibilidades de contribuição dos mesmos.
Apontamentos Sobre A Pedagogia Histórico-Crítica
Na mediação pedagógica há uma intencionalidade de ensinar. O ato de ensinar na
escola implica em um processo mediado que envolve o professor, o aluno e os conceitos ou
conhecimentos produzidos historicamente. Nessa perspectiva, o professor se torna o mediador
entre o aluno e o conhecimento científico e a apropriação da cultura da sociedade faz com que
nos tornemos humanos. O papel do educador abrange fornecer os instrumentos necessários ao
sujeito e agir a favor da aculturação. Mas de acordo com Gasparin (2007, p.115) “a mediação
implica, portanto, em releitura, reinterpretação e ressignificação do conhecimento.”
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A partir das considerações dos autores acima podemos afirmar que o foco da mediação
na aprendizagem escolar é o uso do pensamento para aprender e não o conteúdo em si,
tornado apenas como informação a ser lembrada. Já Vygotsky (1984 apud Fontana 1996,
p.11) dá o nome de internalização ao processo que leva o aprendiz a uma reconstrução interna
de uma operação externa, ou seja, quando os indivíduos se apropriam de algo externo a ele,
devido sua relação com a sociedade, e faz suas próprias elaborações, assim constituem-se
como sujeitos. Neste contexto, a palavra é uma mediação no processo de elaboração
conceitual, pois é necessária a interação do sujeito com o outro através de signos.
Complementando essa reflexão, Vygotsky (1987, apud MOYSÉS, 1994, p.25),
ressalta que:
Ao contrário do conhecimento espontâneo, o que se aprende na escola é (ou deveria
ser) hierarquicamente sistematizado e exige, para ser compreendido, que seja
intencionalmente trabalhado num processo de interação professor/aluno. Mas
insistimos: tal aprendizagem só irá ocorrer se quem ensina souber conduzir o
processo na direção desejada, o que implica reconstrução do saber.
Essas considerações nos levam a refletir sobre a importância de uma ação pedagógica
consistente devendo ser bem fundamentada teoricamente, na qual, o professor possa exercer
de forma mais satisfatória seu papel de mediador do conhecimento propondo indagações,
questionamentos e desafios por meio de uma prática contextualizada rumo a uma
aprendizagem significativa. O professor em sua prática pedagógica poderá levar em conta a
sua realidade, uma vez que, esta interferirá diretamente na relação entre quem aprende com
quem ensina e o conhecimento a ser aprendido. Neste sentido, a realização deste projeto foi
pautada na necessidade de subsidiar o trabalho do professor fazendo-o se situar no contexto
escolar para melhor entendê-lo, dirimir suas dúvidas e propor sugestões que minimizem
problemas rotineiros em sala de aula, o que vai melhorando o relacionamento professor-aluno,
além de contribuir diretamente para sua plena realização profissional.
A Educação Formal Em Sua Especificidade Escolar
13469
Na escola, instituição que se centra na educação formal, é importante o processo que
leva a apropriação do conhecimento científico historicamente acumulado. Visa também, essa
instituição, a formação para a cidadania construindo um sujeito crítico que esteja apto a atuar
sobre a sociedade sendo capaz de transformá-la. Então, de acordo com a perspectiva da
Pedagogia Histórico-Crítica, a educação formal real praticada na escola é ancorada no
conhecimento científico acumulado ao longo dos anos, voltado para o melhor convívio em
sociedade, abrangendo técnicas para o trabalho e formação integral do indivíduo. Saviani
(1991, p.100), nos lembra ainda que: “a própria família, em lugar de requerer para si a
exclusividade da educação, na primeira infância, tende a exigir a educação escolar desde a
mais tenra idade; se possível, desde o nascimento.”
Nessa perspectiva, a escola tentaria fornecer ao aluno uma formação científica, a partir
dos conhecimentos formais, que possibilitasse a ele condições para interferir na sociedade
como agente transformador, pois, tendo o conhecimento ele poderá se tornar dono da situação
e detentor de poder. Assim, a escola hoje estaria exercendo a função de resgate do seu próprio
papel de ensinar através da mediação do conhecimento sistematizado com o conhecimento
empírico, junto às tecnologias, de modo que este conhecimento seja filtrado, aprimorado, de
acordo com a realidade escolar e com a prática social de todos os envolvidos neste processo.
Concepção De Sujeito E O Papel Da Mediação
De acordo com a perspectiva histórico cultural o novo ser que nasce é incompleto e se
constituirá como sujeito humano no processo de interação social inicialmente com o grupo
familiar próximo e depois incorporando contato com outros grupos humanos. Nesse processo,
ele terá contato com a cultura desse grupo passando a compartilhar dos valores,
comportamentos, procedimentos integrando-se a ele e passando a ser um membro desse
grupo. Com a sua inserção em outros grupos seu universo cultural vai se ampliando conforme
seu contato com outras referências, saberes e práticas.
Nesse sentido, a concepção de sujeito nessa perspectiva está relacionada ao meio em
que este indivíduo está inserido, portanto, concebido como um ser construído sóciohistoricamente. Na concepção vygotskyana o homem se constitui enquanto tal à medida que
vai sendo inserido nas práticas culturais de seu grupo no processo de interação social com
outros homens. Através da mediação esse sujeito é concebido como aquele que, através de
suas características genéticas e da internalização de práticas sócio/culturais, utiliza-se de
13470
instrumentos e processos mentais para constituir-se como humano como um ser social e
produtor de cultura.
De acordo com Rego (1999, p.104),
As atividades desenvolvidas e os conceitos aprendidos na escola (que Vygotsky
chama de científicos) introduzem novos modos de operação intelectual: abstrações e
generalizações mais amplas acerca da realidade (que por sua vez transformam os
modos de utilização da linguagem). Como consequência, na medida em que a
criança expande seus conhecimentos, modifica sua relação cognitiva com o mundo.
A mediação pedagógica favorecerá um modo de interação entre o mundo interior e o
exterior do sujeito de forma que esse indivíduo possa desenvolver e ampliar suas capacidades.
O professor, nesse processo, será o propositor de atividades que agregam diferentes
instrumentos, saberes cultural e ambientes diferenciados oferecendo uma possibilidade de
maior desenvolvimento humano. A ele é dada a tarefa de, através da interação em sala de
aula, despertar no aluno o interesse de resolver os desafios de cada nova etapa de seu
aprendizado e ir aproximando-se cada vez mais de um nível mais elevado de aculturamento. É
por isso que Vygotsky afirma que “aquilo que é zona de desenvolvimento proximal hoje será
o nível de desenvolvimento real amanhã, ou seja, aquilo que uma criança pode fazer com
assistência hoje, ela será capaz de fazer sozinha amanhã” (REGO, 1999, p. 74). Nessa
perspectiva, a mediação pedagógica tenta se aproximar do nível de desenvolvimento do aluno
para com o ensino desencadeando um percurso que o torne capaz de promover uma
reorganização de seus próprios processos mentais.
O Processo Interativo Com Os Professores E Os Temas Abordados
Buscando maiores reflexões sobre os temas abordados a interação com os professores
ocorreu ao longo do ano de 2010, mais precisamente no segundo semestre. Para tanto,
formou-se um grupo de professores de diversas áreas, num total de quinze profissionais, que
se dispuseram a participar dos dois primeiros encontros com duração de quatro horas, já que
os textos lhe eram muito pertinentes nos quais se referiam a Pedagogia Histórico-Crítica e a
questão da mediação. Foram utilizaram textos e slides, que resultaram em questionamentos e
debates com a perspectiva de buscar maior qualidade na educação escolar. Nos outros quatro
encontros houve a participação somente de professores das 5ªs. séries e foram realizados
13471
durante as horas atividades que tiveram desdobramentos complementares fora desse espaço,
como os estudos prévios de textos para posterior discussão nos momentos dos encontros
previamente agendados. E assim, os encontros terminaram com a participação de oito
professores de uma turma de 5ª série e a seguir apresentam-se as produções dos professores
envolvidos nesse trabalho , diante dos temas e referenciais teóricos trabalhados nos encontros.
Estudo Sobre A Pedagogia Histórico-Crítica
As reflexões nesse momento buscaram, no desenvolvimento histórico, a origem da
educação e o significado de escola, enfim, em cada momento histórico onde a escolarização
desempenha um papel fundamental para a transformação da sociedade, que é o que a
Pedagogia Histórico-Crítica visa defender, ou seja, a especificidade da escola, sua função
pedagógica, que está ligada ao conhecimento. Nesse processo, a escola se torna forma
dominante de educação, mas quem a possui não é dominado e passa a ser sujeito integrante da
história da sociedade. O ponto relevante das discussões do grupo foi sobre a secundarização
da escola em momentos distintos da história, com o qual também nos deparamos hoje, pois, o
grande assistencialismo existente dentro da escola pública faz com que a escola se esvazie de
sua função específica de ensinar com clareza para que forme sujeitos que possam se
posicionar diante das contradições sociais.
Nas discussões os professores ressaltaram algumas dificuldades na elaboração de um
plano de trabalho docente a partir da perspectiva anteriormente discutida:
• Planejar aulas para uma turma da qual se desconhece seu cotidiano e selecionar com
precisão os conteúdos específicos a ser ministrados é tarefa difícil;
• Convencer os alunos de que os conteúdos são necessários para seu desempenho futuro,
como também, refletir sobre aqueles que não aprendem;
• Adaptar e revisar o método constantemente, coisa que nem sempre é possível, devido
às contradições diárias;
• Valorizar o conhecimento que o aluno traz e transformá-lo em conhecimento
científico;
• Criar regras coletivas que viabilizem o trabalho docente e preocupar-se em cumprir o
programa.
Reflexões Sobre O Papel Da Mediação E O Compromisso Pedagógico
13472
Neste
momento,
deu-se
muita
importância
em
conhecer
um
pouco
do
desenvolvimento infantil na perspectiva vygotskyana, na qual a atividade psicológica se dá
primeiramente por uma herança biológica e a mediação com os outros formam processos
psicológicos mais complexos. Aí está o sentido da mediação simbólica, que proporcionará a
incorporação de condutas e significados na criança constituindo então o processo de
humanização edificando uma história individual e social mediadas pelo outro ou pelo grupo
social. Para os professores a função social da escola hoje é “despertar” o aluno para o saber,
pois é esta apreciação pelo saber que o moverá a sair do senso comum e transformar o
conhecimento que tem ao perceber as conexões de sua micro-realidade com a realidade mais
ampla.
Buscando esse objetivo na formação dos alunos, a escola estaria trabalhando no dia a
dia, a valorização e a importância de cada conteúdo e sua relação com o cotidiano dos alunos.
O professor neste processo, como mediador de conhecimentos ao aluno sem que estes se
tornem exaustivos, tem procurado não ser um palestrante, “aquele que demonstra o que sabe”,
mas tem procurado provocar, levar o aluno a pensar e buscar caminhos para aprender. Os
professores, também, observaram que encontram dificuldades nesta interação, pois, quando se
procura uma participação mais ativa dos alunos verifica-se certa confusão, porque eles “não
sabem ouvir e acham que trocar idéias é momento de aula vaga”.
Ao assumir o papel de mediador pedagógico, o professor torna-se provocador,
contraditor, facilitador, orientador. (...) primeiro o professor faz a leitura do
conteúdo, apropriando-se dele. Em seguida, coloca-o à disposição dos alunos que,
por sua vez, o refazem, o reconstroem para si, tornando-o seu, dando-lhe um novo
sentido (GASPARIN, 2007, p.113-114).
Diante das colocações que surgiram no processo de discussão desse tema optou-se
pela construção de um conjunto de regras com os professores de 5ª série, com o compromisso
de todos trabalharem da mesma forma alguns critérios, a fim de sanar algumas confusões,
unificar certas normas, condutas e costumes que venham a proporcionar um maior rendimento
em sala de aula. Tais regras são:
1.
Reunião com pais e ou responsáveis a cada início de semestre, esclarecendo a
rotina e normas da escola e reunião bimestral com professores da turma para
reavaliação dos compromissos;
13473
2.
Comunicado bimestral aos pais e ou responsáveis do cronograma da escola
para o período; e comunicado e ou convocação aos pais e ou responsáveis, nos casos
emergenciais da turma;
3.
Leitura e discussão do Regulamento Interno e a exigência da instituição de
valores em sala pelas pedagogas, ou seja, cobrar dos professores que chamem a
atenção da turma quando necessário promovendo em sala uso das palavras mágicas,
tais como: Olá! Bom dia! Boa tarde! Como vai? Tudo bem? Parabéns! Com licença!
Muito Obrigado!;
4.
Auxiliar na cobrança do uso do uniforme, para adquirir o hábito, colaborando
com a escola, proibir chicletes durante as aulas, pois desconcentra o aluno e cobrar a
permanência deles em sala, quando é dado o sinal de uma aula para outra na troca de
professores;
5.
Entrevistar os alunos no 1º bimestre para detectar problemas e programar as
intervenções imediatas, como também, aplicar provas de Língua Portuguesa e
Matemática para avaliação do nível de conhecimento adquirido e o que será necessário
para retomada;
6.
Criar o cantinho da leitura, onde cada aluno poderá trazer um livro de casa e
quando alguém terminar primeiro a tarefa de sala, poderá utilizá-lo para leitura
silenciosa, enquanto aguarda os demais;
7.
Cobrar a leitura em todas as disciplinas, para maior interação e estímulo para
adquirir o hábito, e fazer com que usem o dicionário, pois todas as disciplinas podem
usá-lo para interpretação e raciocínio nas atividades propostas;
8.
Cobrar e fazer uso de um caderno somente para tarefas de casa datando e
exigindo que as copiem para corrigi-las coletivamente com a participação de todos
para em seguida serem vistoriadas.
9.
Exigir margens e cabeçalhos nos cadernos, atividades e, principalmente, nas
avaliações para que os alunos aprendam a respeitar limites e façam a identificação de
suas atividades. Como também, padronizar os trabalhos exigindo e orientando desde o
papel adequado, título, desenvolvimento, conclusão e fonte da pesquisa, para
habituarem-se as normas técnicas;
13474
10.
Incitar junto aos pais uma rotina em que os mesmo verifiquem o caderno de
tarefas de seus filhos semanalmente acompanhado da verificação, também, do
professores a cada tarefa e das pedagogas bimestralmente ou quando solicitado.
Nesse sentido, considerou-se que os professores de forma geral sabem e conhecem as
necessidades pedagógicas, porque reflete e avalia o tempo todo no dia a dia, mas sabem,
também, que as necessidades pessoais que esses alunos carregam, sejam emocionais ou
físicas, influenciam em muito seu cognitivo. Consideraram ainda que a maior influência que
se percebe nesses alunos vem da família e que a família vem antes da escola.
A hipótese central que norteou o documento acima é que se todos, família, escola e
alunos, fizessem a sua parte o acompanhamento se tornaria hábito e parte da rotina desses
alunos. Essa questão foi considerada importante, porque no ano anterior ocorreram muitas
reprovações nas 5ªs. séries e notou-se que o fato de não ter acompanhamento em casa muitas
tarefas sem resolver e sem refazer foi um grande agravante dessas reprovações e espera-se
com este compromisso minimizar o problema. A questão da paciência e da persistência
deveria a todo o momento nortear o trabalho do professor, a fim de que o tempo destinado a
tarefa seja suficiente para que todos cheguem até o final e com atenção, também, para não ser
tempo demais destinado a esta atividade, o que evitaria conversas paralelas, principalmente,
entre os que já terminaram, para não atrapalharem o andamento da aula. A orientação do
professor deve ser precisa e contínua na proposição e acompanhamento da tarefa.
Considerações Finais
O trabalho desenvolvido pela direção e equipe pedagógica, a partir desse estudo aqui
apresentado, tem sido intensificado com reuniões, comunicados e convocação de pais,
cronogramas, orientações aos alunos e professores visando maior rendimento e permanência
desses alunos na escola. Nesse processo consideraram-se como interlocutores privilegiados o
professor em sala de aula e a equipe pedagógica da escola, que também é composta por
professores pedagogos. Observamos ainda que existem professores que encontram dificuldade
diante da grande diversidade do ambiente escolar, pois as condições familiares, econômicas,
psicológicas e culturais se sobrepõem fazendo surgir os “alunos problemas” como um
“obstáculo a sua condição de docência”. É a partir dessa condição que precisa ser reorientado
o trabalho didático pedagógico de modo que o alunado não seja impeditivo para a sua própria
escolarização. Um fator nesse processo que ganha evidência é o da transferência de
13475
culpabilidade, isto é, diante das dificuldades da escola ora se culpam os alunos, ora os
professores e ora os pais constituindo, assim, um círculo vicioso.
Ainda, considerando que o indivíduo é constituído a partir das relações sociais que vai
estabelecendo a partir do momento em que nasce o processo educativo adquire especial
importância na transformação dos próprios sujeitos e das condições em que se vive. Nessa
perspectiva, além de ensinar os conhecimentos científicos a escola tem, também, uma
contribuição destacada no processo do desenvolvimento humano de seu aluno. Pois, construir
uma prática pedagógica sólida implica em reestruturar todo um processo de ensino com o qual
nos deparamos hoje. Acredito que em toda nossa vida repetimos momentos de nosso parto,
nascendo a cada novo conhecimento. Pois, são tantas barreiras para superar que, muitas vezes,
nos sentimos como um bebê iniciando desde as primeiras fases para novamente nos acharmos
no percurso e retomar onde não deu certo, e assim começando tudo de novo.
Portanto sabemos que nós, professores, temos uma tarefa muito complexa, pois nossas
ações estão voltadas para outro ser humano em processo de desenvolvimento e se realizam
num contexto sócio-histórico marcado pela discriminação, pela desigualdade e por uma
condição de atuação profissional bastante problemática. É nesse contexto, entretanto, que
nosso trabalho na escola se insere e é aí que reside nosso desafio dentro das possibilidades
que a nós se apresentam e também das que nós tornamos possíveis.
REFERÊNCIAS
FONTANA, Roseli Ap. Cação. Mediação Pedagógica na Sala de Aula. Campinas, SP:
Autores Associados, 1996. p.11.
GASPARIN, João Luiz – Uma didática para a pedagogia histórico-crítica. 4. ed.
Campinas, SP : Autores Associados, 2007. p.113-115.
MOYSÉS, Lúcia Maria. O desafio de saber ensinar. Campinas, SP: Papirus, 1994. p.25.
REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: Uma perspectiva histórico-cultural da educação. 7. ed.
Petrópolis, RJ: Vozes, 1999. p.74,104.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia Histórico-crítica: primeiras aproximações. 2. ed. São
Paulo: Cortez, 1991. p.100.
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A MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NA SALA DE AULA: O PAPEL DO