1 ______________________________________________________________________ Ilustres convidados, minhas senhoras e meu senhores A assinatura do primeiro Compact entre Cabo Verde e o Millenium Challenge Corporation (MCC), em 2005, representou um dos momentos marcantes na história das relações entre Cabo Verde e os Estados Unidos e do desenvolvimento económico do país. Em 1975, Cabo Verde era por muitos considerado um país impossível, tais eram os constrangimentos como a dramática ausência de recursos naturais e humanos, a insularidade, as secas, a escassez de água, a desertificação, a exiguidade de solo arável e a grande vulnerabilidade ambiental e económica. Desde o primeiro momento, tomamos consciência da grandeza do desafio: construir um país quase que do nada. Tínhamos, todavia, as forças espirituais que nos vinham do Herói da luta pela Independência, Amílcar Cabral. Dizia ele que a Independência só valeria a pena se depois dela as pessoas passassem a viver melhor, com mais dignidade. Dizia, ainda Amílcar Cabral, que, após a Independência, os governantes deveriam governar com «decência, honestidade e patriotismo», para servir o bem comum. E foi esse o caminho seguido por Cabo Verde, definindo uma agenda pública centrada na melhoria da qualidade de vida das pessoas, e mobilizando as parcerias em todo o mundo para viabilizar o país e construir uma vida mais digna para todos. A comunidade internacional cedo apreendeu a importância estratégica da opção do Governo cabo-verdiano em investir nas pessoas e decidiu apoiar o país nos seus esforços de construção dos pilares do desenvolvimento. E os ganhos estão à vista. Cabo Verde já é um país possível. Hoje, estamos a realizar um ambicioso programa de transformação de Cabo Verde num centro internacional de prestação de serviços nos domínios do turismo, da banca, dos transportes, das tecnologias informacionais, das indústrias culturais e do mar. Para cumprir esse desiderato, estamos a modernizar as infra-estruturas – água, saneamento, energia, estradas, portos, aeroportos, telecomunicações - continuamos a investir fortemente no desenvolvimento do capital humano e a densificar o tecido empresarial, criando um ambiente favorecedor de negócios. A acção do MCA - Cabo Verde tem sido um contributo fundamental no processo de implementação dessa estratégia de transformação económica e social. 2 Cabo Verde está a terminar um percurso de 5 anos na implementação do seu primeiro Compact, com resultados extraordinariamente positivos. O Millenium Challenge Account contribuiu para a construção de infra-estruturas agrícolas – reservatórios, diques, sistemas de distribuição de água, sistemas de rega gota-a-gota, centro pós-colheita -, permitindo a introdução de novas tecnologias de produção, a empresarialização do sector, o acesso ao crédito, gerando novas dinâmicas de crescimento, novos empregos e mudanças económicas e sociais radicais nas ilhas agrícolas. As estradas, as pontes, e o Porto da Praia que estão a ser construídos ou modernizados no âmbito do Compact têm tido um impacto muito grande na criação de factores de competitividade e na dinamização de importantes sectores da economia. O MCA – Cabo Verde tem sido também uma força propulsora de mudanças e de inovações a nível da administração. A governação electrónica, que se desenvolveu grandemente com o apoio do MCA, permitiu-nos criar um Sistema Integrado de Gestão Orçamental, cujo funcionamento garante o rigor, a transparência e a prestação de contas na gestão dos recursos públicos, e a Casa do Cidadão, uma plataforma integrada de prestação de serviços públicos, que possibilita a criação de uma empresa em uma hora, quando antes demorava semanas ou meses, e o licenciamento em 48 horas, em vez dos 52 dias do passado. A Casa do Cidadão disponibiliza ainda sistemas electrónicos de pagamentos de impostos, certidões on-line, entre outros serviços. A acção do MCA-CV favoreceu, igualmente, a aprovação de novas normas jurídicas, como, são os casos da Lei de Aquisições Públicas – garantindo rigor, transparência e igualdade de oportunidades às empresas e aos cidadãos no acesso aos mercados públicos - e da Lei sobre Micro-Finanças, o que acabou por modernizar as instituições do sector, cujo funcionamento é, agora, supervisionado pelo Banco Central. Todo o Compact do MCA está sendo executado com recurso a instituições e técnicos nacionais. O Ministério das Finanças funciona como o agente fiscal e desempenha as funções de controlador financeiro. O MCA-CV utiliza o mesmo sistema financeiro e de contabilidade – SIGOF - do Estado. Temos, como resultado, um grande reforço das capacidades nacionais na gestão pública. Ou seja, o MCA contribui para uma substancial melhoria da competitividade, com impactos muito positivos no desenvolvimento do empreendedorismo e do sector privado, no 3 crescimento da economia, na geração de empregos, na melhoria do rendimento das famílias, no combate à pobreza. Há mudanças de paradigmas no funcionamento da Administração Pública; há mudanças de crenças, de hábitos e de comportamentos; há mais modernidade em Cabo Verde. Senhoras e Senhores, Cabo Verde é o primeiro país a qualificar-se para apresentar uma segunda proposta aos fundos do MCA, apesar de concorrer numa categoria mais competitiva, que é a dos Países de Rendimento Médio. Não obstante os indicadores socioeconómicos internacionalmente reconhecidos, que colocam Cabo Verde na categoria de Países de Rendimento Médio, e dos progressos realizados, um conjunto de vulnerabilidades tanto estrutural como conjuntural, persiste. Esta crise por que passa o mundo inteiro também está a afectar Cabo Verde, sendo particularmente sentido no sector do turismo, com impacto negativo na criação do emprego e no combate à pobreza. No entanto, estamos a fazer o nosso trabalho de casa e a enfrentar com sucesso a crise. Hoje, há um ambiente de grande confiança nas potencialidades de crescimento e de desenvolvimento de Cabo Verde. Sabemos que o desenvolvimento do nosso país passa, antes de mais nada, pela densificação das liberdades e pela consolidação da democracia. Sabemos que só há desenvolvimento sustentável com crescimento económico e com justiça na distribuição dos rendimentos. Sabemos que só há desenvolvimento com uma visão partilhada do futuro, com forte investimento nas pessoas, com a realização do bem comum. Ou seja, o desenvolvimento em África exige ética na governação, ou seja, como diria Amílcar Cabral, «decência, honestidade e patriotismo». Cabo Verde é um dos dois países africanos que está em linha para atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Millenium (ODMs). A realização desses objectivos depende fundamentalmente de nós, do nosso esforço, pois, como diz o ditado africano, «por mais quente que seja a água da fonte, ela não cozerá o teu arroz». Mas as parcerias são fundamentais para que esses objectivos possam ser plenamente atingidos. Por isso, Cabo Verde merece um segundo Compact. O segundo Compact deverá ser necessariamente inovador e criativo, permitindo mais investimentos na redução da pobreza, no 4 processo de transformação económica, na modernização da sociedade e na realização dos objectivos de desenvolvimento do Millenium até 2015. O segundo compacto criará novas oportunidades para a capacitação das pessoas, do sector privado, da administração pública, das instituições. Permitirá a constituição de novas parceiras para o financiamento do desenvolvimento. Assumimos com a determinação que nos caracteriza mais este grande desafio. Sabemos que vamos continuar a vencer, porque partilhamos com os nossos parceiros esta vontade infinita de ganhar o futuro. Para finalizar, o Governo de Cabo Verde deseja, nesta oportunidade, agradecer a todos os nossos parceiros de desenvolvimento que têm sido fundamentais para esta fase de conquista e transição a País de Rendimento Médio, os Estados Unidos, o Sistema das Nações Unidas, as Instituições Financeiras Internacionais. Queria neste momento agradecer em especial a todos do Millenium Challenge Corporation e a si Sr. Daniel Yohannes pelo seu engajamento pessoal e pela determinação que tem colocado nesta luta titanica para o crescimento e a redução da pobreza no mundo. Com ajuda dos parceiros e, em particular do MCC vamos trabalhar nesses proximos anos para que Cabo Verde atinja em 2015 todos os objectivos de Desenvolvimento do Milenio. Estamos empenhados em demonstrar ao mundo que o desenvolvimento é possivel em Africa. Esta é a contrbuicao que Cabo Verde quer e pode dar a Comunidade Internacional. Muito Obrigado