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TRIMESTRAL | JAN.FEV.MAR. 2005 • Nº 3 • €2
Magazine de informação
da Ordem dos Engenheiros
REGIÃO NORTE
Velez Grilo
e o “novo mundo”
Caros Colegas,
Aproveitando a coincidência da publicação deste terceiro
número da INFO com este período do ano, os Órgãos
Regionais Norte da Ordem dos Engenheiros desejam a
todos os membros da Região norte desta Ordem e às
respectivas famílias, uma Páscoa feliz.
Ordem dos Engenheiros – Região Norte
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editorial
índice
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Artigos de Opinião
Maria Teresa Ponce de Leão
Tesoureira da OERN
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Notícias
Entrevista
a Velez Grilo
Os Engenheiros e a inovação
O engenheiro utiliza o conhecimento técnico-científico aliado à
experimentação de forma a criar, aperfeiçoar e desenvolver produtos,
processos e sistemas que apresentem uma mais valia para a economia
e para a sociedade. São actores cuja missão deve ter em vista a
melhoria dos índices de sucesso na colocação no mercado de
respostas às necessidades desse mesmo mercado. A actuação do
engenheiro tem, tem tido e terá um papel particularmente importante
na promoção da inovação.
Recuando um século deparamo-nos com um dos maiores inovadores
na área da engenharia, Thomas Edison, com o seu mais de milhar de
patentes pautou a sua vida pela pesquisa permanente de novas ideias,
com viabilidade técnica e económica, potencialmente integráveis em
processos de utilidade social. A sua lâmpada, associada à arquitectura
de todo o sistema que a alimenta, é a imagem da inovação como luz
para a sociedade.
Continuando a viajar no tempo encontramos outros exemplos
igualmente paradigmáticos, Leonardo da Vinci cujo brilhante
curriculum, talvez falho em experimentação, dispensa qualquer
descrição ou Bill Gates cuja intervenção na sociedade tem incidido no
constante avanço e desenvolvimento da tecnologia enquanto
economicamente eficiente.
Numa Europa que pretende ser a sociedade, baseada no conhecimento,
mais competitiva do mundo, a formação tem um papel crucial. A
construção da Área Europeia de Educação Superior, com facilidades na
mobilidade, reconhecimento das qualificações e comparabilidade na
estrutura e nomenclatura de graus não suscita quaisquer dúvidas.
Também aqui pensar inovador e sustentável tem implicações directas
na oferta de produtos com vantagens para a sociedade.
Mas, toda a estratégia que enquadra Bolonha só colherá sucesso se
visar uma oferta, que aposta na formação de profissionais
competentes, desenhada em função da procura. Ora, este raciocínio
não nos conduz a uma única Bolonha. Pensar a formação não se deve
esgotar na duração dos ciclos superiores. Há que pensar em qualidade
para o que também pesa a formação preparatória para esses ciclos.
Talvez seja a altura para pensar num Acordo de Bolonha, porque não
do Porto, para o ensino secundário.
As vantagens indiscutíveis dos mecanismos que permitem a
mobilidade e comparabilidade têm que se compatibilizar com a oferta
de produtos específicos como resposta às necessidades da procura. Só
assim ofereceremos à sociedade engenheiros inovadores conscientes
da importância do seu contributo para a sustentabilidade.
Destaque
Homenagem
ao Professor Sampaio
Vida Associativa
Agenda
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Ficha Técnica
Propriedade: Ordem dos Engenheiros – Região Norte
Director: Luís Ramos ([email protected].)
Conselho Editorial: Gerardo Saraiva de Menezes, Luís Leite Ramos, Fernando
Almeida Santos, Maria Teresa Ponce Leão, António Machado e Moura, Joaquim
Ferreira Guedes, José Alberto Gonçalves, Aristides Guedes Coelho, Hipólito
Campos de Sousa, José Ribeiro Pinto, Francisco Antunes Malcata, António
Fontainhas Fernandes, João da Gama Amaral, Carlos Vaz Ribeiro, Fernando
Junqueira Martins, Luís Martins Marinheiro, Eduardo Paiva Rodrigues, Paulo Pinto
Rodrigues, António Rodrigues da Cruz, Maria da Conceição Baixinho.
Redacção: Ana Ferreira (edição), Liliana Marques e redacção QuidNovi.
Paginação: Paulo Raimundo.
Grafismo, Pré-impressão e Impressão: QuidNovi.
Praceta D. Nuno Álvares Pereira, 20 4º DQ – 4450-218 Matosinhos. Tel.229388155.
www.quidnovi.pt. [email protected]
Publicação trimestral: Janeiro/Fevereiro/Março – n.º 3/2005. Preço: 2,00 euros.
Tiragem: 12 500 exemplares. ICS: 113324. Depósito legal: 29 299/89.
Contactos Ordem dos Engenheiros – Região Norte
Jorge Basílio, secretário-geral da Ordem dos Engenheiros – Região Norte
Sede: Rua Rodrigues Sampaio, 123 – 4000-425 Porto.
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– 5300-252 Bragança. Tel. 273333808.
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– 4900-473 Viana do Castelo. Tel. 258823522.
Delegação de Vila Real: Av. 1º de Maio, 74/1º dir.
– 5000-651 Vila Real. Tel. 259378473.
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OPINIÃO
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OPINIÃO
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Machado e Moura, Coordenador do Colégio de Engenharia Electrotécnica
A Bacia Portuguesa
do Douro: um olhar crítico
Com uma bacia hidrográfica de mais de 97000 km2,
gerando em ano médio e em regime de escoamento
natural, cerca de 23200 hm3, o rio Douro constitui o
maior potencial hídrico da Península. A área da bacia é
partilhada muito desigualmente pelos dois países ibéricos,
correspondendo a parte portuguesa a aproximadamente
um quinto do total. Contudo, em termos do potencial
hídrico efectivo, a proporção indicada altera-se
significativamente já que a bacia portuguesa é,
habitualmente, bastante mais favorecida em termos de
precipitação pluviométrica, o que conduz a um valor anual
médio gerado de cerca de 8200 hm3, ou seja, 35% do
total.
Em regime de escoamento livre, os caudais do rio Douro e
dos seus afluentes caracterizam-se por uma irregularidade
considerável, traduzindo uma forte e directa dependência
da grande variabilidade das precipitações. Assim, a
caudais de estiagem de valor insignificante sucedem-se
caudais de Inverno de valor muito elevado que podem ir
até ao ponto de causar cheias, provocando a saída das
águas do seu leito habitual e provocando danos e
prejuízos de vulto às populações ribeirinhas.
No sentido de se obter uma conveniente regularização
dos caudais e permitir um aproveitamento tanto quanto
possível integral, adequado e eficaz das águas do Douro e
seus afluentes, foram sendo realizadas inúmeras obras
hidráulicas, particularmente na bacia espanhola, quer para
a produção de energia hidroeléctrica quer para o
abastecimento das populações e satisfação das suas
necessidades básicas, bem como para a rega e para o
serviço da actividade industrial.
Possuidores da parte da bacia situada a montante e
sabendo que o escoamento das águas se processa de
acordo com as leis da gravidade, os nossos vizinhos
levaram a cabo um significativo conjunto de obras
hidráulicas que lhes permitem, no presente, um
armazenamento de 7500 hm3, ou seja, 50% do valor total
médio anual gerado pela sua bacia. Este valor possibilita
claramente os meios suficientes para suprir as
necessidades de água para uso e consumo das
populações, bem como contribuir para a redução do nível
de poluição das águas fluviais em períodos estivais de
escassez de caudais e ainda para amortecer os caudais de
cheia mais elevados.
Em contrapartida, os portugueses adoptaram uma atitude
de singular confiança, quer no trabalho dos seus vizinhos,
quer na regularidade das precipitações pluviométricas,
deixando praticamente a totalidade da sua bacia em
regime de escoamento livre. Esta situação, no mínimo
incompreensível, tem sido e continuará a ser fonte de
inúmeros problemas e de situações potencialmente
catastróficas, com elevados riscos para pessoas e bens,
além de constituir um desperdício inconcebível e
inaceitável de um recurso endógeno fabuloso.
Os cinco aproveitamentos hidráulicos realizados na
década de 70 e até meados da de 80 no troço do Douro
Nacional, permitiram o estabelecimento de uma artéria
navegável com mais de 200 km de extensão, entre a foz
do rio e Barca d’Alva, mas revelam-se perfeitamente
incapazes de qualquer efeito significativo em termos de
regularização de caudais e, muito menos ainda, em
termos de laminagem de cheias.
Para os cerca de 8200 hm3 gerados em ano médio pela
bacia portuguesa do Douro, dispomos actualmente
apenas de cerca de 400 hm3 de capacidade de
armazenamento (dos quais 69 hm3 relativos aos cinco
escalões do Douro Nacional), o que corresponde a menos
de 5% daquele valor!... Situação chocante e confrangedora,
cujos efeitos são bem visíveis, sobretudo quando ocorrem
períodos de precipitações mais intensas. Recentemente
viveram-se situações que, apesar de magnitude moderada,
ainda estão presentes nas nossas memórias: o drama de
Março de 2001 e as aflições de Dezembro de 2002 e de
Janeiro de 2003, estas, felizmente, sem vítimas a lamentar.
Sublinhe-se contudo que os valores de caudais de cheia
registados nestes períodos são muito inferiores (menos
de metade) a outros verificados na segunda metade do
século XX, particularmente em 1962 e 1978.
Em 27 de Dezembro de 2002 os valores de caudais
registados em Saucelle e em Crestuma levam
inevitavelmente à conclusão que a responsabilidade pela
situação verificada nos cabe por inteiro, ao não termos
dotado a nossa bacia, em especial os afluentes principais
da margem direita (Sabor, Tua, Pinhão, Corgo e Tâmega) e
também da margem esquerda (Côa e Paiva) das obras
hidráulicas de que ela carecia para permitir uma gestão
mínima dos caudais nela gerados. Só a ignorância ou uma
clara má fé permite acusar os nossos vizinhos de nos
inundarem, efectuando descargas desmedidas! São
também totalmente destituídas de fundamento as
acusações lançadas à EDP de uma incorrecta
(economicista) gestão dos caudais turbinados e
descarregados nos escalões a fio de água do Douro
nacional. A gestão, pura e simplesmente, não é possível!...
Quem se dá ao luxo de entregar à lógica das leis da
gravidade a escorrência das águas, não se pode queixar
dos infortúnios que tal situação inevitavelmente
acarreta!...
Neste artigo pretendemos deixar um alerta para a situação
confrangedora em que actualmente se encontra a bacia
portuguesa do rio Douro que, a manter-se, constituirá,
cada vez mais, um atentado ao interesse público e um
desperdício gritante dos nossos recursos endógenos. Esta
situação traduz um elevado índice de incapacidade de
garantia dos abastecimentos mínimos de água para uso e
consumo das populações durante os períodos de
estiagem, a par duma total impotência e inoperância em
períodos de cheia.
Cabe aqui observar que o amortecimento dos caudais de
ponta de cheia no leito principal do rio Douro apenas se
poderá alcançar através da construção de barragens
criando albufeiras com adequada capacidade de
armazenamento nos cinco principais afluentes. Assim,
estima-se que, com pelo menos um aproveitamento em
cada um desses afluentes, seria possível reduzir os
caudais de ponta de cheia em cerca de 4000 m3/s na
Régua e 5500 m3/s nas zonas ribeirinhas do Porto e de
Vila Nova de Gaia.
Do ponto de vista energético a situação encerra algo de
paradoxal, uma vez que os cinco escalões do Douro
Nacional, do tipo fio de água, apresentam níveis de
produção muito baixos quando os caudais afluentes
ultrapassam os 2000 m3/s. O desnível entre as cotas de
montante e de jusante reduz-se de forma drástica,
conduzindo à situação clássica de “afogamento” dos
respectivos grupos. Por outro lado, durante o período de
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OPINIÃO
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OPINIÃO
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Luís Sousa Lobo, Representante de Portugal no Grupo de Bologna
estiagem, com caudais muito reduzidos, o nível de energia
produzido é muito baixo. A situação que actualmente
atravessamos, apesar de estarmos em pleno Inverno, é
disso um exemplo bem eloquente! Os cerca de 920 MW
de potência instalados nesses cinco aproveitamentos são
utilizados numa percentagem mínima, o que não
aconteceria se fosse possível dispôr das reservas de água
adequadas.
Que soluções são possíveis para tentar ultrapassar a
situação?
Diversas propostas elaboradas no passado pelas
entidades com responsabilidades na matéria, foram sendo
sucessivamente revistas até à actualidade, mas,
paradoxalmente, permaneceram praticamente sem
qualquer concretização visível.
Com efeito, há mais de quatro décadas, no início dos anos
60, a empresa Hidro-Eléctrica do Douro (HED)
apresentava o Plano Geral de Aproveitamentos
Hidráulicos do Rio Douro e seus Afluentes o qual
contemplava, para além dos 3 escalões do troço
internacional (Picote e Miranda já em exploração, e
Bemposta em construção) e dos 5 escalões do troço
nacional, cerca de duas dezenas de aproveitamentos a
instalar nas cinco principais bacias de afluentes. Estas
duas dezenas de aproveitamentos visavam, para além do
seu aproveitamento energético, contribuir para a garantia
dos abastecimentos de água para rega e uso urbano, bem
como para mitigar os prejuízos causados por situações
hidrológicas extremas (amortecimento de caudais de cheia
e redução do grau de poluição das águas fluviais em
períodos críticos), possível graças aos diversos escalões
dotados de albufeira de suficiente capacidade de
armazenamento, que no seu total permitiam um valor
global de armazenamento próximo dos 7000 hm3
(destaque especial para os escalões previstos para a bacia
do Sabor, Quinta das Laranjeiras e Sampaio, de 1520 hm3
e 1700 hm3 ), valor que representava cerca de 85% do
volume gerado em ano médio pela bacia portuguesa do
Douro, o que fornecia os meios para uma gestão eficaz
dos caudais mesmo em situações meteorológicas
extremas.
A decisão de realizar prioritariamente os cinco escalões
sobre o troço nacional do rio, teve o efeito perverso de
adiar sucessivamente a implementação da necessária e
suficiente capacidade de regularização, com excepção de
escassos 115 hm3 disponibilizados em 1988, no troço
terminal do rio Tâmega, com o escalão do Torrão.
Entretanto, a partir de 1970, foram sendo realizados
diversos estudos, a nível de Inventários e de Planos
Gerais, cujo objectivo era o de proceder à revisão e
actualização dos esquemas previstos nos Planos Gerais
que a HED realizara nos finais dos anos 50 e inícios de
60, incidindo essencialmente sobre as bacias do Tâmega,
do Alto Tua, do Baixo Sabor, do Côa e do Paiva. Estes
inúmeros estudos e sucessivas iterações conduziram, em
meados dos anos 80, à definição de um plano geral para a
bacia nacional do rio Douro em que a capacidade global
de armazenamento era apenas de 4500 hm3, surgindo já
bastante reduzida quando comparada com os valores
iniciais, mas mantendo-se em níveis que permitem
garantir os meios adequados para a correcta gestão
hídrica do potencial da bacia.
Com o aproximar do final da década de 80, pareceu que se
havia finalmente adquirido a consciência da necessidade
imperiosa de implementar diversas albufeiras nos
afluentes nacionais do rio Douro, a começar,
naturalmente, pelos situados o mais a montante possível,
os rios Côa e Sabor. Foi assim lançado o aproveitamento
de Foz-Côa que iria constituir a primeira (e obviamente,
insuficiente...) “reserva estratégica” de água a instalar no
Douro Superior, à qual deveriam seguir-se outras no Baixo
Sabor, no Alto Côa, no Tua, no Tâmega e Paiva. A altíssima
valia, a vários níveis, daquela reserva estratégica não foi
no entanto suficiente para impedir uma decisão política
infeliz tomada em Janeiro de 1996, fazendo não só o
problema regressar à estaca zero, como acarretando
elevadíssimos prejuízos materiais suportados pelo erário
público.
A caminho de se completar uma década sobre a
desastrada e altamente discutível decisão, não será
despiciendo, recordar o compromisso, então assumido, de
lançar de imediato um novo aproveitamento situado na
mesma área geográfica, na bacia do rio Sabor, o qual
continua ainda por cumprir. Até quando?!...
É mais do que tempo de encarar de frente este desafio e
lançar mãos à obra de dotar a bacia portuguesa do Douro
dos meios indispensáveis que permitam utilizar
eficazmente os seus preciosos recursos hídricos,
garantindo uma melhor segurança das pessoas e bens, e
contribuindo para o desenvolvimento e melhoria das suas
condições de vida, a par duma valia energética
fundamental. A retoma do programa de realização dos
aproveitamentos hidroeléctricos previstos para a bacia
portuguesa do Douro, encarados agora numa óptica de
fins múltiplos, aparece não só como perfeitamente
justificável como constitui um imperativo nacional, tendo
em vista contribuir para a resolução dos problemas
referidos. Impõe-se, de forma urgente, encarar com
frontalidade a realização das infra-estruturas necessárias à
disponibilização das funções hídricas e energéticas
proporcionadas por aproveitamentos hidráulicos de fins
múltiplos, dotados da capacidade de
armazenamento/regularização adequada, os quais
permitiriam usufruir de enormes valências associadas a
inúmeras vertentes, designadamente a sócio/económica, a
ambiental, a de segurança e a energética.
Processo de Bologna: Engenharia
Contra o devaneio académico
da proposta do MCIES
Pode parecer pelas notícias e comentários públicos, que
estamos atrasados no que respeita a reformas no Ensino
Superior, na sequência da declaração de Bologna. Errado.
Em Portugal já estamos mais avançados em muitos dos
aspectos dessas reformas do que variados outros países
europeus. Por exemplo, o jornal Le Monde dava conta
recentemente dos avanços das reformas em quatro
Universidades francesas “pioneiras”, as quais, dizia-se na
notícia, iniciaram já a introdução do regime semestral, das
disciplinas de opção e do uso dos créditos! Ora em
Portugal o regime semestral entrou em uso primeiro nos
cursos de Engenharia, há mais 30 anos e generalizou-se. Os
créditos foram introduzidos há mais de 20 anos. As
disciplinas de opção estão por todo o lado, também há
muitos anos. Não estamos nada mal portanto na
flexibilização dos curriculums. O sistema de avaliação de
cursos também já está a funcionar há mais de 10 anos.
Quanto à profissão, os Estatutos da Ordem de 1992
permitiram a introdução dos exames e da acreditação dos
cursos. Tive a honra, com mais 10 colegas, de preparar as
alterações estatutárias da proposta que venceu o referendo.
Nos anos seguintes, como Vice-Presidente da Ordem, na
equipa do Bastonário João Vaz Guedes, implementámos as
mudanças, incluindo o lançamento dos Colégios de
Especialidade, a acreditação dos cursos e os exames de
admissão. A acreditação de cursos pela Ordem veio a
inspirar logo de seguida o processo de avaliação de cursos
pela Fundação das Universidades Portuguesas/CRUP, a que
atrás fiz referência. Esse pioneirismo da Ordem foi bem
sucedido, teve aceitabilidade social e trouxe prestígio. A
consolidação do processo de avaliação “no terreno” ficou
ainda a dever muito ao empenho do bastonário seguinte, o
Eng. Emanuel Maranha das Neves.
Recentemente, no quadro da chamada “reforma de
Bologna”, parece ter surgido por parte do MCIES uma certa
urgência em adoptar o modelo designado por 3+2, com
uma uniformidade geral considerada vantajosa. Discordo
bastante de que haja vantagens nessa uniformidade. Pelo
contrário, a diversidade, regulada, diferencia estimula, e
permite a inovação. Mas não pretendo desenvolver aqui
esse tema. Recordo só que a uniformidade introduzida pela
Senhora Thatcher em Inglaterra em 1992 teve efeitos hoje
reconhecidos como bastante perniciosos. O que desejo
comentar agora é a proposta apresentada para a área de
Engenharia pelo MCIES, através do respectivo coordenador,
o Prof. Luís Soares.
Trata-se de um trabalho bem documentado e que permite
elevar o nível do debate, embora o considere limitado em
certos planos da análise que faz. Mas a visão que propõe
para a articulação entre as escolas, as organizações
profissionais e o mercado de trabalho corresponde a um
retrocesso. É defendida a correspondência completa entre 6
níveis de qualificação académica (que vão da especialização
tecnológica, curta, até ao grau de Doutor) e 6 níveis de
título profissional (que iriam de Técnico de Engenharia até
Engenheiro-Investigador). Esta proposta é complicada,
rígida e preocupante, por diversas razões que resumo a
seguir.
Todos reconhecemos a grande conveniência em manter a
separação entre a regulação da profissão e as qualificações
académicas, nas sociedades modernas. É essa a norma de
longa data nos países anglo-saxónicos. É um pouco como a
separação de poderes no Estado. No Estado, a confusão
desses poderes dá maus resultados. A Ordem adoptou o
modelo da separação, com sucesso e boa aceitação social, à
luz do Decreto-Lei que aprovou os novos Estatutos em
1992. A ANET, Associação Nacional de Engenheiros
Técnicos, seguiu-lhe as pisadas. Não faz agora sentido
voltar “ao antigamente”, quando a carta de curso dava
automaticamente o título de Engenheiro.
Usa-se habitualmente o termo “academic drift” para
descrever a aproximação do ensino de outros tipos ao
modelo universitário (caso da conversão já referida dos
Politécnicos ingleses a Universidades em 1992, por
exemplo). Mas no caso presente temos um “academic drift”
mais inesperado: é o “academic drift” da profissão, visando
o alinhamento dos níveis profissionais com uma variedade
de níveis académicos. Ora sabemos bem que o bom
desempenho escolar e o bom desempenho profissional não
são coincidentes. A dependência proposta vai totalmente
em sentido contrário à evolução da organização social nos
países mais competitivos.
Dizer, como se diz no documento, que ao doutoramento
corresponde o título profissional de EngenheiroInvestigador (nível profissional 6) é insensato em termos
profissionais. Como se pode abrir a um jovem cientista com
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OPINIÃO
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27 ou 28 anos, talvez a iniciar uma carreira de investigação,
um lugar no topo da profissão? A carreira académica e a
carreira profissional assentam em experiências e
competências bastante diferentes.
No outro extremo da tabela a que me refiro, introduz-se a
designação de “Técnico de Engenharia” para formações
curtas de cerca de 1 ano (tipo electricista especializado).
Esta designação é desajustada e imprudente. Em breve os
Técnicos de Engenharia passariam a ser designados por
Técnicos-Engenheiros. Esse igualitarismo não é bom. Nas
sociedades modernas a igualdade dos cidadãos perante a
lei é indiscutível. Mas a suposta igualdade de competências
é um erro. Todo o progresso social assenta nessas
diferenciações exigentes, competitivas, avaliadas de forma
séria e independente. Esta parece ser mais outra deriva na
atitude burocrática com que a reforma tem sido encarada.
Vem-me à memória o aviso do colega Luís Valente de
Oliveira, num colóquio que teve lugar na Gulbenkian em
Setembro último, para nos precavermos contra as reformas
no Ensino Superior feitas com “mentalité de fonctionaire”.
É o que está a acontecer. Tenho estima e consideração
pessoal pelo Prof. Luís Soares, mas o caminho por onde
nos quer levar não é bom.
O sistema de graus deve ser simples e compreensível.
O sistema em vigor em Portugal tem raízes fortes e regula
em grande parte as opções dos jovens e o reconhecimento
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dos vários percursos pelos adultos. Qualquer mudança
deve ser cautelosa, simples, gradual. E muito “legível”. O
esquema proposto parece-me um devaneio burocrático: é
demasiado complexo e confunde o sistema escolar com a
regulação da profissão, que são realidades diferentes. Não
se muda aliás a sociedade por decreto, muito menos nos
dias de hoje. E particularmente numa área em que está
envolvido tanto esforço individual continuado, tanta procura
de reconhecimento social e tantos sonhos que moveram e
movem milhões de pessoas e fazem avançar o mundo!
A articulação entre os graus académicos e o
reconhecimento profissional deve continuar a basear-se na
acreditação e no exame. Eventualmente, para os cursos de
perfil não universitário, poderão requerer-se, para admissão
na Ordem, não um mas dois exames, como nos EUA:
“Fundamentals of Engineering” e “Professional
Engineering”. Haverá assim uma dupla garantia. O nível de
conhecimentos de Matemática e Física, isto é, de
conceptualização, bem como o domínio das ciências de
engenharia são pré-requesitos para o perfil de Engenharia
da Ordem. Desta forma a flexibilidade do sistema aumenta
mas a garantia de qualidade mantém-se. Na minha opinião
são estas soluções não burocráticas, isto é, sem
reconhecimentos administrativos automáticos, que devem
prevalecer. De contrário, quem fica favorecido são os mais
“habilidosos” a lidar com as regras burocráticas, e não os
QUADRO
PROPOSTA DE ESTRUTURA DE QUALIFICAÇÕES E TíTULOS PROFISSIONAIS
( do Ministério da Ciência, Inovação e ensino Superior)
NíVEL
FORMAÇÃO
DIPLOMA I CARTA DE CURSO
TiTULO PROFISSIONAL(1)
6
Doutoramento
Doutor
Engenheiro-investigador
Curso de Especialização
Diploma de Especialização
Avançada
Avançada
5
4
3
Engenheiro-especialista (2)
20 Ciclo
Mestre
Engenheiro
Curso de Especialização
Diploma de Especialização
Engenheiro-técnico
Pós-Graduada
Pós-Graduada
especializado(2)
Licenciado?
2
10 Ciclo
Bacharel?
Engenheiro-técnico
Outro?
Curso de Especialização
Diploma de Especialização
Tecnológica
Tecnológica
1
Técnico de engenharia
(1) ‘Qualificações acadêmicas de referência” para acesso ao título.
(2) Apenas quando a formação conduz a um aumento do nível de competências, isto é, o curso tem um carácter
de aprofundamento/especialização. Não incluirá por isso os cursos de reciclagem ou reconversão.
que acumularam competências de maneira séria. O
mesmo se pode dizer da propaganda que se tem feito da
ideia (errónea) do valor universal dos créditos ECTS,
visando promover a mobilidade a qualquer preço. Mas a
mobilidade tem ela também que ser concorrencial e
selectiva.
Por outro lado, importa lembrar que o perfil de Engenheiro
Técnico está valorizado no mercado. A ANET atingiu hoje,
depois de muitas vicissitudes que acompanhei de perto,
um grau de organização e um prestígio que a suas
antecessoras não tinham atingido. E ainda bem. Assim, a
articulação entre as duas associações tem hoje melhores
condições para dar frutos. Muito recentemente a ANET
OPINIÃO
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pronunciou-se sobre o documento do MCIES para as
Engenharias, sublinhando o interesse em reforçar a
cooperação entre as associações e exprimindo
concordâncias e discordâncias. Entre as discordâncias ou
reparos, contam-se a reserva de competência para as
associações profissionais na definição de especialidades, a
manutenção da acreditação profissional como distinta da
acreditação ou avaliação académica e na oferta de um
primeiro ciclo não profissionalizante o contraria o bom
senso e o próprio texto da Declaração dos Ministros de
1999 em Bologna. Subscrevo todas estas preocupações da
ANET. Já não subscrevo a anuência à introdução de títulos
profissionais de Mestre-Engenheiro e de DoutorEngenheiro, pelas razões que já referi brevemente acima. A
Comissão Nacional FEANI, que existe já há 10 anos,
constitui naturalmente a primeira base para desenvolver
essa articulação.
Mas é preciso reconhecer que a gestão dos níveis de
qualificação dentro da Ordem dos Engenheiros, sobretudo,
nos últimos seis ou sete anos, não tem sido sempre feliz.
Os níveis de qualificação têm sido usados, diversas vezes,
quase como condecorações honoríficas, por motivos talvez
alheios ao exercício da profissão. Isso não é bom, porque
se misturam relações pessoais ou notoriedade com mérito
profissional, o que pode acabar enfraquecendo o prestígio
dos próprios títulos ou então modificar-lhes a natureza.
Por outro lado, a Ordem tem também lidado com a
acreditação dos cursos sinalizando a sua intervenção de
maneira redutora em vez de acentuar perante a opinião
pública exactamente o contrário, isto é, a necessidade de
conhecer e estudar bem as fragilidades da formação, dar
visibilidade às soluções com sucesso, encorajar a
inovação, insistir nas competências transversais que
melhor preparam para o trabalho em equipa e para a
liderança.
Por outro lado, nos sistemas complexos as grandes
mexidas dão grandes sarilhos. É ver o caso da colocação
de professores. No mundo de hoje, em que o poder e a
iniciativa estão distribuídos, mais valem as reformas
graduais. E mais valem os sistemas orgânicos, com boa
regulação da qualidade, que o centralismo, geralmente
burocrático
Não é pela colagem das carreiras profissionais ao sistema
de ensino que a Ordem ganha credibilidade e afirmação
autónoma. Pelo contrário. Essa colagem seria um erro e
um retrocesso. Não é nesse sentido que marcham as
sociedades modernas. A regulação da profissão pelo
Estado, com proximidade, funciona mal e é um modelo de
organização social que pertence ao passado. A Associação
dos Engenheiros nasceu em 1869, num momento difícil,
apontando o caminho da modernidade. Teve sobressaltos
em 1936 e 1956. Revigorou-se em 1981 e 1992. As lições
desse percurso nobre não devem perder-se.
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OPINIÃO
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OPINIÃO
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António Guimarães Rodrigues, Reitor da Universidade do Minho
Modelos de Desenvolvimento
A Escarpa
Um alpinista na escalada de uma escarpa sabe que para
avançar é preciso arriscar e lançar o seu ponto de apoio mais
acima, ganhando terreno. A alternativa é deixar-se deslizar de
volta à base, perdendo a possibilidade de se elevar a uma
altitude de onde possa desfrutar todo um campo de novos
desafios e oportunidades.
Para evoluir é necessário introduzir a mudança e aceitar os
desafios e os riscos, acreditando que é preferível tentar e
falhar do que não ousar.
O Horizonte
Apenas a adopção de um horizonte alargado permite a
tomada de decisões estratégicas. Em processos que
envolvem diferentes agentes, com diferentes perspectivas e
exigências de curto prazo, apenas um horizonte alargado
permite que as decisões não assumam um cariz meramente
táctico, que cumpra os interesses locais e individuais. Em
compromissos de médio e longo prazo, os diferentes agentes
podem ter a percepção do ganho e a vantagem da cedência
do interesse imediato. Apenas para o médio e longo prazo é
possível exercer a efectiva definição e decisão estratégica.
Lógica Gravitacional
Na decisão sobre a localização de centros de actividade
económica intervém um elevado número de factores. A
proximidade a toda uma infra-estrutura logística; o acesso
próximo a mão-de-obra qualificada; a proximidade aos
centros financeiros e de decisão é normalmente
determinante.
Ou seja, os modelos de desenvolvimento seguem
frequentemente uma lógica gravitacional, em que os centros
de maior dimensão atraem e acumulam cada vez mais
actividade económica, e adquirem melhores condições de
vida para as populações.
Não é difícil prever que uma evolução deste tipo conduz, no
médio prazo, a uma menor coesão do espaço territorial e a
um mais acentuado desequilíbrio no desenvolvimento.
A comunicação social anunciou, há mais de um ano, num
semanário, que em 2010 cerca de 90% da população
portuguesa estaria a viver num de dois grandes centros
urbanos. Independentemente da correcção dos números
apresentados, esperar-se-ia que a afirmação publicada
tivesse suscitado, em reacção, alguma opinião.
Efectivamente, o princípio da coesão definido pela União
Europeia, que se traduz na atribuição de fundos ao país,
não foi acompanhado por idêntica política de
investimento ao nível interno.
O cenário futuro de desenvolvimento corresponderá ao
resultado das decisões políticas presentes e futuras.
Independentemente de um juízo de valor, não é viável
evitar tomar no presente as acções coerentes com a opção
adoptada para o cenário futuro.
Num eventual cenário de desenvolvimento que
corresponda à concentração gravitacional devem ser
desde já desenvolvidas as acções que minorem as
consequências económicas e sociais futuras, que
resultarão de uma desertificação de largas áreas do país
ditada pela migração das suas populações na procura de
melhores condições de vida.
Região do Conhecimento
Em 2000, a União Europeia identificou como objectivo
construir na Europa, até ao ano de 2010, uma economia
mais competitiva do que a dos Estados Unidos. Como
pilar, a UE definiu a necessidade de construção da
Sociedade do Conhecimento.
Também pela mesma data, a União Europeia afirmou a
importância das regiões para o processo de
desenvolvimento da Sociedade do Conhecimento.
A identificação de espaços territoriais como regiões
pressupõe a existência de uma identidade. Para além
da identidade socio-cultural, releva a identificação com
um projecto.
O conceito de região – como Região do Conhecimento –
permite que as políticas e os programas europeus
e nacionais com repercussão no desenvolvimento
possam ser interpretados e avaliados, focando-as
em vectores estratégicos centrados na região,
envolvendo o compromisso de todos os agentes
de desenvolvimento.
Por outro lado, mais do que a construção de novas
centralidades, é fundamental que se construam malhas de
desenvolvimento que articulem valências distribuídas, que
promovam a actividade económica e actuem como elos de
coesão social.
Uma Região do Conhecimento
A Norte do País, no Minho, o desenvolvimento estruturou-se
segundo sub-regiões identificadas com os vales (Ave, Cávado,
Lima e Minho), e cumpriu etapas fundamentais na instalação
de infra-estruturas básicas, tendo sido, inclusivamente, bem
sucedido na definição de planos estratégicos de carácter local.
Necessidade de garantir a cobertura de infra-estruturas de
suporte à plena utilização e desenvolvimento de indústrias e
serviços suportadas pelas acessibilidades digitais.
Necessidade de reconhecer, de forma objectiva, o impacto no
desenvolvimento da actuação das instituições que produzem,
preservam e propagam o conhecimento.
Necessidade de assumir modelos de discriminação positiva
no investimento e financiamento que reconheçam o mérito
baseado em critérios normalizados não indexados ao volume,
mas ao desempenho dos agentes de desenvolvimento.
A Formação e a Qualificação
Contudo, a este modelo de desenvolvimento (“segundo os
vales”) corresponde uma lógica centrípeta orientada no
sentido do grande centro litoral a Norte, segmentando
artificialmente o espaço territorial. Este modelo fomentou a
fragilidade associada ao desenvolvimento baseado em monosectores tradicionais.
A construção de uma malha de desenvolvimento requer uma
lógica transversal ao modelo de desenvolvimento “segundo os
vales”, e a implantação de eixos interiores que garantam o
preenchimento sustentado do espaço territorial.
Sobre diagnósticos e perspectivas de desenvolvimento e
sobre as oportunidades e ameaças presentes e futuras foram
desenvolvidos vários estudos. Sendo estes estudos de grande
validade e interesse, são muitas vezes utilizados como
referenciais para exercícios de segmentação artificial do
reconhecimento de competências e de acantonamento de
oportunidades em diferentes sub-regiões.
Face à fragilidade estrutural ditada pela dependência em
mono-sectores tradicionais e à ameaça de elevados níveis de
desemprego acompanhados pela deterioração das condições
sociais em algumas regiões, e tomando em conta quer a
realidade das competências nelas reunidas, quer das
oportunidades que se oferecem, alguns princípios
elementares devem ser assumidos:
Necessidade de criar alternativas locais, na indústria e
serviços, dando expressão e apoiando clusters alternativos.
Necessidade de estabelecer plataformas de mobilidade
acrescida que permitam aumentar o potencial de acesso ao
mercado de trabalho.
Necessidade de reorientar as competências associadas a
sectores de actividade convencionais para produtos afins
com maior valor acrescentado e mercado mais qualificado.
Não podem ignorar-se as estatísticas: Em Portugal, na
população com idade entre os 25 e os 64 anos, verifica-se
uma percentagem de 9,3% de licenciados, contra 21,8% na
União Europeia; apenas 11,1% da população nesse grupo
etário possui uma instrução de nível secundário,
contrastando drasticamente com os 42,9% da média da
União Europeia.
A formação e qualificação, reconhecidas como pilares para a
competitividade e para o desenvolvimento sustentado, serão
efectivas se estruturadas de acordo com uma orientação
associada às competências que permitem adquirir.
Estes objectivos não podem ser confundidos com a duração
de ciclos de formação que ignorem a duração da formação
prévia dos jovens que acedem ao ensino superior. A duração
dos ciclos não pode também ignorar o reconhecimento pelo
mercado de trabalho. Não deve corresponder apenas a mais
uma etapa para um acrescido desinvestimento no ensino
superior.
A Inovação
A inovação é a alavanca que permite suportar a
competitividade. O suporte à cadeia de valorização do
conhecimento adquire carácter prioritário. À semelhança
das congéneres europeias, as Universidades Portuguesas
são fonte de criação de conhecimento e de inovação. O
apoio à transposição deste conhecimento e inovação em
benefício da competitividade das empresas permitirá
avançar no sentido de um mercado mais qualificado. A
evolução do tecido empresarial neste sentido, traduzir-se-á
no recurso a quadros qualificados, aumentando a
necessidade de absorção destes quadros e garantido a
justificação de necessidades que forçarão o nível de
absorção de licenciados para valores mais próximos da
média europeia.
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NOTÍCIAS
Portugal viola
legislação ambiental
comunitária
Portugal foi processado pela
Comissão Europeia por alegadas violações da legislação ambiental comunitária. Duas das três acções já interpostas pela Comissão Europeia no
Tribunal de Justiça da União Europeia
info
referem-se à conservação da natureza.
Em causa estão a não designação de
Portugal das zonas de protecção
especial em número suficiente para
preservar aves estepárias e a redução
da área da zona de protecção especial
de aves de Moura/Mourão/Barrancos,
sem uma justificação válida. O terceiro processo diz respeito ao atraso de
um ano da transposição da directivaquadro da água.
info
Além destes casos, existe a ameaça
da Comissão apresentar mais três
processos contra Portugal. O facto do
nosso país não ter concluído os estudos sobre o efeito do Alqueva em
áreas naturais a jusante da barragem,
antes do fecho das barragens constitui uma das ameaças. As outras duas
referem-se às falhas nas avaliações de
impacte ambiental e no inadequado
tratamento de esgotos em 18 aglomerações urbanas no país.
O Ministério do Ambiente já respondeu numa nota divulgada a 14 de
Janeiro. Criticou o facto de a
Comissão exigir a delimitação de
zonas de protecção especial para as
aves sem haver financiamento comunitário para a sua gestão e argumentou que está ser analisada a validade
da desafectação da zona
Moura/Mourão/Barrancos. A lei das
águas e os estudos sobre as águas
afectadas pelo Alqueva estão concluídos.
O ministério ainda esclareceu a
Comissão que está a ser estudado a
forma para resolver as falhas nos processos de avaliação e que esta deverá
passar por uma alteração na lei dos
impactes ambientais e que na península de Setúbal, na maioria dos concelhos alentejanos e em dois do
Algarve será efectuado o tratamento
de esgotos.
Engenharia
para homens
Existem menos mulheres em cargos
importantes nas áreas da ciência e da
engenharia, porque as suas responsabilidades maternas não lhes permitem
estar disponíveis para trabalhar muitas horas. E as mulheres têm um desempenho inferior que os homens nas
Coincidência ou não, o facto é que
desde que Lawrence Summers está à
frente da universidade cada vez
menos mulheres são contratadas.
Porto Vivo para 2005
ciências e na matemática, devido às
diferenças genéticas.
Estas afirmações são do reitor da
Universidade de Harvard, Lawrence
Summers, proferidas durante uma
conferência sobre o papel das mulheres e das minorias nas ciências e nas
engenharias, promovida pelo Centro
Nacional de Investigação Económica
norte-americano.
Académicas e cientistas manifestaram
a sua indignação face a estas declarações, houve inclusive uma participante a abandonar a sala em sinal de protesto.
Em entrevista feita ao The Boston Globe
depois da conferência, o reitor afirmou
que: “a investigação na área da genética
comportamental tem revelado que atitudes tradicionalmente atribuídas à socialização não se devem afinal a este factor”. Na sua opinião devem ser realizadas mais investigações e ressalvou que
os estudos citados podem não ser a sua
opinião pessoal e que os organizadores
da conferência lhe pediram para ser
provocador.
No calendário e estratégia de acção
para 2005, a Sociedade de
Reabilitação Urbana (SRU) Porto Vivo
propõe nos primeiros seis meses
arrancar com a intervenção no quarteirão da Praça Carlos Alberto, um
dos cinco quarteirões-piloto definidos
pela sociedade. Espera-se que num
futuro próximo aqui se alberguem
jovens casais e profissionais das
áreas da saúde e justiça. Esta foi uma
das ideias transmitidas na conferência
de imprensa promovida pela sociedade em Janeiro de 2005.
Ainda no primeiro semestre, a Porto
Vivo irá recolher sugestões escritas
sobre o ‘masterplan’ para o centro da
NOTÍCIAS
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cidade e em Abril será apresentada a
sua versão preliminar, o qual estará
em discussão pública durante 60
dias. A versão definitiva do
‘masterplan’ será conhecida em
Junho, bem como o gestor do centro
urbano.
No segundo semestre será levada a
cabo a recuperação de dez edifícios
no centro histórico e de propriedade
da autarquia, para serem depois vendidos a jovens a preços que apenas
cubram os custos estimados para as
obras, cerca de 2,5 milhões de euros.
Na conferência ainda foram dadas a
conhecer mais duas novas zonas de
intervenção da Porto Vivo: a zona
delimitada pela Rua da Bainharia,
Viela do Anjo e Rua Mouzinho da
Silveira, no centro histórico, e
Mercado do Bolhão.
A sociedade espera apresentar a versão definitiva do ‘masterplan’ para
toda a sua zona de acção a 30 de
Julho. Este documento traçará o plano
de oito freguesias da cidade num total
de cinco quilómetros quadrados e
fixará as estratégias de cada zona de
intervenção.
Tribunal Arbitral
da Construção
O Tribunal Arbitral da Construção deu
no início de Fevereiro um passo à
frente na sua constituição com a assinatura do”protocolo de fundação”
pela associação que ficará responsável pelo processo de criação deste
organismo. IMOPPI, ordens dos
Engenheiros, Arquitectos,
Economistas e Advogados, LNEC,
Instituto de estradas, INH, REFER,
APAE, AECOPS, AICCOPN, APEMIP,
AICE, ANEOP e APCMC são as entidades que integram o protocolo.
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NOTÍCIAS
Rapidez no processo
de Entre-os-Rios
Rapidez no processo de Entre-os-Rios é
o apelo da Ordem dos Engenheiros
(OE) que mais uma vez realça a convicção de que os seis engenheiros acusados pelo Ministério Público e pronunciados em meados de Janeiro do
info
corrente ano pelo Tribunal da Relação
do Porto não são responsáveis pela
queda da Ponte de Hintze Ribeiro.
No comunicado da instituição lê-se:
“exige-se que seja feita justiça de forma
célere, ilibando os inocentes e, atendendo às conclusões do relatório da comissão de inquérito, apurando os verdadeiros responsáveis pelo colapso da
ponte”.
info
Os arguidos são acusados do crime
de infracção de regras de construção,
incorrendo numa pena de um a oito
anos e se o perigo estiver associado a
negligência podem estar sujeitos a
um máximo de cinco anos de prisão.
A pena pode ser agravada, tendo em
conta a morte de 59 pessoas que
seguiam num autocarro e em três
automóveis quando ocorreu o colapso
da estrutura.
Mais de 70.000
empregos perdidos
O sector da construção civil e das
obras públicas perdeu 71 mil e 200
postos de trabalho nos anos de 2003
e 2004. Esta é uma das conclusões
apresentada pela Associação de
Construção Civil e Obras Públicas
(AICCOPN) em Fevereiro do corrente
ano.
Contra as expectativas, o ano de 2004
não foi de retoma, mas de queda do
emprego, apesar do sector ter assistido a uma recuperação ao nível de
indicadores como o Valor
Acrescentado Bruto e da Formação
Bruta de Capital Fixo em relação ao
ano anterior.
Albano Ribeiro, presidente do
Sindicato de Construção do Norte,
perante estes números afirmou:
“afinal, vêm confirmar o drama para o
qual se tem vindo a alertar nos
últimos anos”. Prevê que nos
próximos três meses irão “alguns
milhares de trabalhadores para o
fundo de desemprego”, e muitos
deles “nem a esse apoio terão direito,
porque os seus patrões não lhe
faziam descontos”.
O ano de 2005, segundo a AICCOPN,
começou sem manifestar sinais de
mudança, podendo ainda não ser este
o ano da retoma.
Casa da Música
abre as portas
Está marcada a abertura da Casa da
Música para o dia 14 de Abril, colocando um ponto final nas derrapagens financeiras e nas polémicas que
a envolveram desde a sua integração
no projecto Porto 2001 – Capital
Europeia da Cultura.
Para a inauguração estão previstas as
actuação de Lou Reed, da Mariza e da
Orquestra Nacional do Porto.
A Casa da Música dispõe de um
auditório com uma área total de 1100
metros quadrados, para 1238 lugares,
com excelentes condições acústicas e
técnicas. Ainda tem à disposição um
pequeno auditório, sala vip, espaço
NOTÍCIAS
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cibermúsica, área destinada ao serviço educativo, centro de documentação, restaurante e bar, zona comercial, salas de ensaio e estúdios de gravação e parque de estacionamento.
Fisco de olho
na construção
Os serviços tributários até ao fim do
mês de Fevereiro irão avaliar mais de
100 mil imóveis vendidos no ano de
2004, de forma a detectar eventuais
situações de subfacturação, e no caso
de se verificarem irregularidades o
sector da construção e dos promotores imobiliários deverá pagar mais
IRC do que no ano passado. Se forem
detectadas discrepâncias nos valores
declarados nas vendas de imóveis, a
diferença poderá entrar na contabilidade dos vendedores referente à actividade de 2004.
Albergaria produz
painéis solares
A Solco Europe, a primeira fábrica de
produção de painéis solares em
Portugal, foi oficialmente inaugurada
no dia 28 de Janeiro em Albergaria-aVelha, apesar de estar a funcionar
desde Novembro de 2004.
O investimento, que conta com capitais nacionais e estrangeiros, ronda
os 1,5 milhões de euros e o objectivo
é abastecer a Europa, sobretudo o
mercado ibérico, com painéis solares
fabricados sob licença de patente e
tecnologia concebidas pela australiana Solco Industries Pty.
A sua capacidade de produção anual é
de 15 mil metros quadrados de área
de colector solar, o equivalente a
cerca de três mil unidades.
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NOTÍCIAS
Segundo o director técnico da empresa, Miguel Sousa, este tipo de produto começa a ser novamente procurado, recuperando o sucesso de há 15
ou 20 anos atrás e o descrédito dos
últimos anos devido aos defeitos que
apresentava.
“Produzimos um painel duradouro,
em peça única e com garantia vitalícia
contra ferrugem e corrosão, que são
problemas típicos de produtos similares, afirma o director. “Actualmente,
perante factores como o custo dos
combustíveis e as questões ambientais, há uma série de preocupações
que este produto respeita. É uma
energia limpa, não poluente”, acrescenta.
A Solco Europe pretende conquistar o
mercado pelos preços praticados,
visto serem “20 a 30 por cento mais
económicos do que os praticados
pelas outras empresas do ramo”,
assegura Miguel Sousa.
Fiscalização de obras
para os privados
O vereador do Urbanismo da Câmara
do Porto, Paulo Morais, pretende
colocar, sob a forma de concessão,
info
nas mãos de empresas privadas parte
da actividade de fiscalização de obras
particulares na cidade, de acordo com
informações apuradas em Janeiro.
Esta decisão tem como base a recente
sindicância a que a Divisão de
Fiscalização do Urbanismo da Câmara
do Porto foi submetida entre Outubro
de 2003 e Julho de 2004, solicitada
pelos responsáveis autárquicos. Os
dados apresentados revelaram índices
de ineficácia elevados dos serviços na
demolição de edificações clandestinas
e um número considerável de funcionários municipais a elaborar projectos
para o sector privado e a apresentálos na câmara com outro nome.
Face a esta solução, pretende-se que
as empresas privadas acelerem a actividade de fiscalização das obras no
Porto e aumentem o número de fiscalizações efectuadas sem que seja
necessário ter mais funcionários ao
serviço da autarquia.
Paulo Morais ainda prevê que no futuro 60 por cento dos serviços de fiscalização sejam realizados por esses
mesmos privados.
Além desta decisão, foi também apresentada a vontade em estabelecer
novas regras para as actividades fisca-
info
lizadoras, nomeadamente o poder em
ser activadas por ordens superiores,
por motivos de reclamações, queixas,
denúncias e ainda amostragens. As
empresas privadas poderão ainda
efectuar inspecções e vistorias às
obras, de forma a detectarem operações urbanísticas ilegais.
O objectivo principal da Divisão de
Fiscalização das Obras Particulares
será assim a detecção de operações
urbanísticas ilegais e a reposição da
legalidade, contando para isso com o
apoio da Polícia Municipal na execução dos embargos.
Consequências
da nova lei dos alvarás
Cinco mil empresas perderam alvará e
1600 desceram de classe, estas são
as consequências da entrada em vigor
da Lei 12/2004.
Numa entrevista ao jornal Público,
publicada a 24 de Janeiro de 2005, o
presidente do Instituto de Mercado de
Obras Públicas e Particulares e do
Imobiliário (IMOPPI), Hipólito Ponce
de Leão, considera que mesmo assim
o mercado continua desregulado e
que há um longo caminho a percorrer.
“Mas devo fazer uma ressalva: o
número está sobredimensionado,
mas não quer dizer que a força que
existe não seja necessária para o sector. O que acho é que a organização
não devia ser esta. Neste momento,
com a quantidade de empresas que
existe, não sei se não era de se juntarem para poderem trabalhar. Estou a
falar de fusões, e não estou a pensar
nas empresas de classe 9, como é
habitual. Estou a pensar nas empresas de classe 1 e 2, que são a grande
maioria”, explica.
Quanto à tomada dessa medida, que
é aliás discutida há algum tempo,
Hipólito Ponce de Leão afirma: “nós
fazemos o que podemos. Por exemplo, com a aplicação de novos indicadores económicos e com o aumento
das exigências. O mercado já sabe
que no próximo ano, na revalidação
dos alvarás para 2006, as empresas
até à classe 5 terão de apresentar uma
autonomia financeira de oito por
cento, e as empresas até à classe 9
terão de ter autonomia de dez por
cento”.
Quanto à crise do sector dos últimos
três anos, o presidente do IMOPPI responde: “sem irmos impondo metas, e
sermos ambiciosos nelas, o sector
nunca ficará regularizado. Nós amenizamos as exigências, diminuímos os critérios que estavam até expressos na Lei
61/99, a pensar nas empresas e a darlhes tempo para se prepararem. É o que
vamos continuar a fazer”.
Associações apoiam
perdas de alvarás
As associações representativas do
sector da construção apoiam a decisão de retirar alvarás a mais de cinco
mil empresas, num universo das
quase 25 mil que no ano de 2003
estavam habilitadas ao exercício da
actividade.
Manuel Agria, da Associação Nacional
de Empreiteiros de Obras Públicas
(ANEOP), considera: “nós só podemos aplaudir esse facto, porque um
dos problemas do sector é estar enxameado de pseudo-empresas”. Na sua
opinião, os preços praticados por
essas empresas não só promoviam a
concorrência desleal como prejudicavam a economia do sector e a nacional. “O prejuízo que elas traziam ao
país e à economia é bem superior ao
impacto que agora vai haver”.
Para Rui Viana, presidente da
Associação dos Industriais de
Construção Civil e Obras Públicas
(AICCOPN), esta medida já estava
anunciada há muito tempo, não constituindo, por isso, nenhuma surpresa.
Construtora
do Tâmega liderou
adjudicações
em 2004
A Construtora do Tâmega, somando o
valor de 137,9 milhões de euros, liderou as adjudicações em 2004, subindo
quatro lugares na tabela anual. Ainda
de acordo com os dados da
Associação das Empresas de
Construção Civil e Obras Públicas
(AECOPS), do valor total de adjudica-
NOTÍCIAS
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ções, 110,5 milhões resultaram de
obras adjudicadas a consórcios integrados por essa construtora.
Com estes resultados, a empresa superou a Somague que acabou o ano com
117,9 milhões de euros em obras adjudicadas e a líder da tabela de 2003, a
Teixeira Duarte, a qual desceu para o
sétimo lugar, totalizando 52,9 milhões
de euros em obras adjudicadas, isto é,
aproximadamente metade que no ano
anterior.
Destacam-se ainda nas primeiras posições a Zagope com 107,7 milhões de
euros, a Construtora do Lena com 83,2
milhões de euros e a Camilo de
Amorim, a quem foram adjudicadas
obras no valor de 79,3 milhões de
euros.
Dos dados apresentados pela AECOPS
é ainda de referir que a Construtora
Lena liderou com 51 adjudicações em
número de concursos ganhos.
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ENTREVISTA
info
Francisco Correia Velez Grilo, Engenheiro Electrotécnico
O que é o avanço?
info
ENTREVISTA
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Texto de Ana Ferreira • Fotos de Alfredo Pinto
“depende do que se quer fazer. É uma questão de análise.
Têm filosofias diferentes”. O primeiro é para evitar fazer
contas e o segundo é para fazer contabilidade, explica o
engenheiro electrotécnico.
Assiste maravilhado com o que se faz com a electricidade,
mas “o que é evoluir? É só mudar de posição”, “o que é
criar? É arrumar o existente numa maneira diferente.” e “o
que é investigação? É trazer para um meio coisas
desconhecidas nesse meio”.
Como “a palavra foi dada ao homem para se enganar”,
nunca se compromete com palavras como invenção,
desenvolvimento, avanço e certeza, pois estas podem ser
ambíguas, incertas, equívocas, ou seja, podem não definir
o que realmente se pretende afirmar. Por isso, o melhor é
ter cuidado com elas.
Todas as perguntas merecem uma explicação
esclarecedora e um caso prático que sustente a resposta,
daí a dificuldade em ser sucinto e em fazer afirmações
curtas e simples. “Tenho a preocupação em provar com
casos concretos que a afirmação tem a sua viabilidade em
ser válida. Posso trocar as informações, talvez por ser um
canhoto contrariado”, explica.
O engenheiro recorre frequentemente a citações de
pessoas especiais com quem cruzou no percurso pessoal
e profissional.
Ao longo da entrevista, manteve um bloco de folhas à
frente, onde escrevia palavras-chave das perguntas e
sarrabiscos. Sarrabiscos esses que desenvolviam e
acompanhavam o raciocínio.
Os números
Francisco Correia Velez Grilo, um engenheiro
electrotécnico que passou a maior parte da sua vida entre
folhas de contas, réguas de cálculo e frequências
moduladas, questiona aos 83 anos o que se passa em
redor com a mesma facilidade e impulsividade que fazia
quando era mais novo. O facto de ter assistido
atentamente ao aparecimento de novos meios e
instrumentos que provocaram alterações bem
significativas na população mundial e na economia, leva-o
a interrogar-se sobre as “voltas que o mundo dá”.
O invento criado por Bell em 1876, o telefone, já pertence
a um passado muito remoto. Até mesmo o aparecimento
do telefone móvel, em 1973, parece ter sido há muito
tempo, visto já existirem os telefones móveis da terceira
geração. Actualmente, não se fala em analógico, mas sim
Como “a palavra foi dada ao homem para se
enganar”, Velez Grilo nunca se compromete com
palavras como invenção, desenvolvimento, avanço e
certeza, pois estas podem ser incertas.
em digital, nem em redes fixas, mas em redes móveis.
É um ‘novo mundo’ ao qual o engenheiro se tem
adaptado, rejeitando ficar para trás na ‘carruagem do
progresso’. Os números sempre foram a sua paixão, as
telecomunicações o seu trabalho. Razões mais do que
suficientes para apanhar esta ‘carruagem’ com satisfação.
Tem no seu escritório de casa: um Macintosh e um IBM,
as suas ferramentas actuais de trabalho, a acrescentar à
caneta que nunca dispensa para sarrabiscar letras e
números. E perante a pergunta “qual prefere?”, responde:
“O gosto de fazer contas foi sempre o meu motor
principal. Eu estudei Electrotecnia, porque foi a partir dela
que aprendi a fazer mais contas e durante 46 anos
leccionei, ultimos 30 como catedrático, Electrotecnia, com
base nas contas. E continuo a fazer contas e a aprender a
fazer contas”.
E foi a paixão pelos números que conduziu Velez Grilo da
aldeia alentejana de Ervedal, onde nasceu a 28 de Agosto
de 1921, para o liceu de Évora e, mais tarde, para a
Universidade do Porto, onde obteve a licenciatura em
Engenharia Electrotécnica, em 1947.
Mas antes de ir para o Porto, de onde nunca mais saiu,
permaneceu em Coimbra a fazer os preparativos para
Engenharia. O fascínio pela Universidade de Coimbra
deriva do contacto com uns estudantes coimbrões em
Évora e a opção pela Electrotécnica surgiu “um dia, já
estava em Coimbra, um estudante de Engenharia disseme: «a electrotecnia, aquilo é que é ciência» e eu fui atrás
dessa frase. Não me arrependo, mas não digo que aquilo
é que é ciência, mas também não digo que não seja”.
Já aposentado dos diversos cargos que exerceu ao longo
da carreira profissional, ainda hoje o engenheiro só faz
contas. Além disso, precisa de as fazer para actualizar a
Teoria Vectorial do Sinal livro que está a preparar, mais
uma vez, em parceria com António Manuel E. S. Casimiro
e João António Correia Lopes. Tendo sido publicada a 2ª
edição em Dezembro de 1989, é necessária a actualização.
Velez Grilo recorre a uma frase do professor Pacheco de
Amorim, mestre de Coimbra, para definir a sua paixão:
“matemática não é fazer contas, isso é contabilidade.
Matemática é evitar fazer contas.” E para o engenheiro
fazer contas não é mais do que saber trabalhar com
gráficos e estudá-los.
Quanto à definição de engenheiro, Velez Grilo lembra o
professor Almeida Garrett, o homem que introduziu o
cimento armado em Portugal: “um engenheiro para ser
bom tem de ter bom senso em primeiro lugar, em
segundo lugar também deve ter bom senso e depois tem
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ENTREVISTA
info
de ser bom técnico”. Steve Jobs da Macintosh e Sam
Palmisano da IBM são exemplos disso.
Na sua opinião há diferenças entre cientistas e
engenheiros que devem ser realçadas. Sabino Domingues,
amigo de infância que o acompanhou até ao fim da
faculdade, uma vez perguntou-lhe: “já reparaste que
quando queremos resolver um problema nunca estão nos
livros?” - É nesta perspectiva que reside a diferença: “hoje
é uma confusão tremenda. Os cientistas querem ser
engenheiros e estes querem ser cientistas. E aí está a arte
das aproximações, que é efectivamente a Engenharia. Mas
para resolver um problema temos de saber que na
Engenharia há estratificações, embora aja intercâmbio”,
explica o engenheiro.
O seu orientador de investigação da Universidade de
Birmingham – experiência que realizou durante a
preparação de doutoramento na Universidade do Porto,
terminado em 1954 – dizia: “quando estamos a fazer o
curso só há certezas, quando passamos para a
investigação só há dúvidas”.
Velez Grilo comprovou que de facto é assim e anos mais
tarde, numa visita ao Instituto de Tecnologia de
Massachussets (MIT), conheceu um professor que
reforçou essa ideia: “the absolute certaintly is a privilege
of the uncultural mind” (“a certeza absoluta é um
privilégio das mentes incultas”). Afirmação à qual
responde: “só há duas entidades neste mundo que nunca
erram: Nosso Senhor, porque é uma identidade perfeita, e
os burros, porque têm sempre certezas, sabem sempre
tudo”.
Regressando à definição de engenheiro, considera que
também existem diferenças entre o génio e o talento, o
espírito sintético e o espírito analítico. “Ao longo da minha
carreira dei 19 valores a dois alunos: um que depois veio a
ser reitor da Universidade do Minho, e o outro professor da
Faculdade de Ciências. O mais oposto possível, ao ponto de
um deles ser o mais talentoso e o outro o mais genial. O
professor Pacheco de Amorim dizia: «basta-me cinco
minutos para fazer um exame a um aluno.» Ao talentoso
podia-se fazer qualquer pergunta que ele respondia, mas se
perguntasse mais alguma coisa para além da matéria dada
nas aulas, não abria a boca. Ao outro perguntava qualquer
coisa e começava a pensar o que seria ‘se’ou seja, ia um
pouco mais além e colocava perguntas nas dúvidas. Ia atrás
dos seus ‘feelings’ de uma forma extraordinária. Qual deles é
o melhor? Ambos eram muitíssimo bons.”
Um dos homens mais extraordinários que o engenheiro
conheceu foi o professor Corrêa de Barros: “ele era o
talento máximo, mas também não se pode deixar de dizer
que era um génio”. Este foi o docente que leccionou a
matéria do curso que mais gostou: Medidas Eléctricas. No
ensino de esta disciplina e de outras, o engenheiro veio a
suceder o seu “mestre”.
A propósito do ensino e do programa curricular, conta um
episódio recente com uma estudante que encontrou no
autocarro e que estava a tirar especialização em
Geometria: “esperava que me dissesse algo que ainda não
soubesse, quando para meu espanto ela nunca tinha
ouvido falar de outras geometrias para além de geometria
eucladiana. Não quer dizer com isto que não saiba
Geometria ou que não seja capaz de resolver os
problemas, mas por concepções diferentes”.
“Saber é poder”
Durante a carreira de docente, Velez Grilo transmitiu aos
seus alunos a importância em adquirir conhecimentos de
uma forma incessante. Para ele “saber é poder” e, por isso,
também em si alimentou a curiosidade em saber mais e em
viver diferentes experiências profissionais.
Além de ter sido professor do ensino superior, assumiu
cargos administrativos universitários, chegando a ser director
da Faculdade de Engenharia, de 1980 a 1982, e vice-reitor
eleito da Universidade do Porto, de 1982 a 1985.
O seu percurso profissional esteve muito ligado à rádio
como consultor técnico, podendo-se bem dizer que foi um
info
homem da rádio. Passou pelas Rádio Club do Centro, Rádio
Press, Rádio Satélite e Rádio Festival. Mas onde a sua
colaboração foi mais intensa foi nos Emissores do Norte
Reunidos. Trabalhou ali desde 1955 até à nacionalização da
Rádio, depois passou a director técnico da Rádio Difusão
Nacional até 1986.
Aceitou missões especiais, como a sua nomeação pelo
Ministério dos Negócios Estrangeiros para representante
português do Grupo de Peritos de Telecomunicações, que
trabalhou em Bruxelas, no estudo das possibilidades de
Cooperação no Domínio da Investigação Científica e
Tecnológica, em 1970. Nesse ano foi também nomeado vogal
do Conselho Geral dos CTT, em representação do Ministro
da Educação Nacional.
Destacou-se no domínio da gestão de investigação, tendo
assumido, por exemplo, a responsabilidade do projecto
OPEX-OLYMPUS em Portugal na área da investigação e
propagação das ondas electromagnéticas a frequências
superiores a 10 GHz.
A profissão permitiu-lhe viajar muito, principalmente quando
trabalhava na área investigação da Comunidade Europeia. Foi
ENTREVISTA
Página 21
representante português no grupo de peritos de
Telecomunicações da COST/CEE, cooperação no domínio da
investigação científica e tecnológica, desde a sua fundação
em 1970 e, posteriormente, no seu sucessor, o Grupo
Técnico de Telecomunicações , durante vários anos.
“Nesta altura, as telecomunicações estavam bem atrasadas
em relação aos Estados Unidos e ao Japão. A Comunidade
Europeia convidou todos os países que faziam parte da
comunidade e outros que iriam ser. Portugal ainda não fazia
parte e nomeou-me para integrar o grupo de peritos, no
início da década de 70. Depois dentro do grupo ainda havia
vários projectos, nos quais os diferentes países se
inscreviam.
A certa altura eu fui vice-presidente deste grupo de
Telecomunicações e, em Portugal, a Junta Nacional de
Investigação criou a COCEDE, equivalente à COST, que
reuniu representantes dos diferentes ministérios. Propus e
criou-se na COCEDE o grupo de peritos de telecomunicações
português. Convidei as instituições interessadas em
telecomunicações para o integrar: os CTT, o Serviço
Meteorológico Nacional, a Marconi, o instituto superior
Página 22
ENTREVISTA
info
técnico, a televisão (RTP), o exército e, fui mais longe, e
convidei representantes da marinha. Tivemos um projecto
muito interessante para Portugal, mas não foi possível
realizá-lo: o trabalho com bóias de escuta submarinhas, que
eram as mais valiosas de toda a Europa”.
Com orgulho, Velez Grilo explica o projecto mais importante
e o primeiro da COST: a previsão do tempo a médio prazo.
Foi feito um grande investimento, que implicou a criação dos
dois computadores mais potentes da Europa, um colocado
na Alemanha e o outro no Reino Unido. A importância deste
projecto reflectiu-a na aviação, na agricultura e em outras
áreas, “com uma rentabilidade prevista de 1 para 20”.
Além destes desempenhos profissionais, o engenheiro ainda
teve tempo para fazer muito mais. Foi inclusive membro da
Comissão de Admissão e Qualificação da Ordem dos
Engenheiros de 1985 a 1988.
Fez ainda parte de júris de concurso em várias universidades,
participou em congressos, e é autor de publicações
científicas e didácticas.
“Nihil nove sub sole”
“Nihil nove sub sole” (“Nada de novo debaixo do sol”) é a
resposta de Velez Grilo quando questionado sobre as novas
tecnologias. “Com que verdade é que eu falo da inovação?
Todos brigam por causa da inovação. É questionável se é ou
não inovação”.
“Nós vivemos da experiência do passado, embora hajam
pessoas que pensam que o mundo nasceu ontem. Já no
tempo do Sócrates e de Aristóteles se ponham problemas
que se colocam agora. No século XIX usavam-se os
instrumentos de cálculo que se usam hoje, as matrizes”.
A investigação do telefone móvel, por exemplo, que tem
como ano de aparecimento 1973, já estava a ser feita há
muito tempo, mas depois acrescenta-se a criatividade e surge
algo novo. Para Velez Grilo: “dizer que o telemóvel não é
uma grande realização, é uma loucura. Agora sobre o
processo de funcionamento, já o meu professor me ensinava
em 1940 quando estudava as modulações, as frequências. O
processo eu já sabia, mas antigamente usavam-se válvulas,
depois transístor, mais tarde fizeram-se milhões de
transístores numa cápsula. Do ponto de vista do fabrico de
meios houve uma evolução”.
Lembrando que em 2005 celebra-se o primeiro centenário do
trabalho da Teoria da Relatividade de Einstein, o engenheiro
realça: “o instrumento de cálculo de Einstein era o cálculo
tensorial e é natural que todos os cientistas que falam de
Einstein que trabalhassem no tensor, mas ninguém fala mais
do tensor.”
Novas técnicas surgem para desenvolver o que já está a ser
investigado há algum tempo, “mas às vezes está-se a fazer
um retrocesso, quando se julga estar a avançar”, alerta. E
aqui reporta-se à teoria de Oswald Spengler (1880-1936)
sobre a decadência da Europa, sem dúvida, um grande
contributo para a teoria social. Em traços gerais, o filosofo
alemão defendia quatro idades culturais do mundo, que se
desenvolveriam como organismos biológicos, com oito fases
idênticas em cada uma: mítica, mística, reformista, préfilosófica, matemática, religiosa, racionalista e materialista.
Concluiu que a cultura ocidental avança para o estádio final.
A cultural atinge a maturidade com a civilização – indústrias,
máquinas e falta de religião – e assim é destruída a tradição
cultural.
“Será que a Europa está efectivamente nesse caminho? Esta
teoria não passa de uma teoria. Não é experimentalmente
verificável.”
O futuro das Telecomunicações passa obrigatoriamente por
alguns caminhos, mas Velez Grilo não sabe quais são.
“Ninguém sabe, só Deus, não me vou armar em profeta.
Quando se fala do rumo a tomar é porque não se sabe o que
se deve fazer e há duas respostas possíveis. Tinha um
professor que dizia: «quando não se sabe o que fazer há
duas hipóteses e se não sabe é porque estas são
essencialmente iguais por isso qualquer uma delas é boa,
mas, às vezes, nem se sabe quais são as hipóteses, que é o
caso do que se vai passar no futuro, não se sabe quais são as
opções».
Eu quando não sei o que hei-de fazer trabalho. A pessoa
humana é uma máquina tão perfeita que não há uma gota de
suor que seja perdida.
Ou a outra norma que o meu professor Corrêa de Barros
dizia: «há uma grande maneira de não errar que é não fazer
nada, mas esse é o pior dos erros. Esforçemo-nos para cada
dia fazer melhor do que fizemos ontem, porque nessa altura
estamos a fazer o bem»”.
De facto, o engenheiro não prevê os caminhos do avanço,
mas tem uma certeza: não lhe é possível fugir.
Quanto à existência ou não de um controlo do avanço, esse é
complicado.
“Esses avanços tecnológicos estão a dar origem à
possibilidade de explodir uma bomba em qualquer lado, com
um simples carregar no botão.
A liberdade poderá causar perigos. Mas o mal não é ter um
avião ou uma arma, o mal é o uso que se dá. Há, porém,
uma ‘arma’ importante: a formação de carácter. Tudo
também depende do lugar onde se trabalha”.
Na sua opinião o computador é um instrumento
indispensável, mas admite que, por vezes, é utilizado
incorrectamente. Aponta como outro exemplo de método
pouco seguro, o uso da retina nos computadores dos
aeroportos para identificação individual.
Mesmo sabendo que podem ser utilizados para fins errados,
Velez Grilo desde pequeno que está maravilhado com o que
se faz com a electricidade, como, por exemplo, com os
telemóveis e as televisões.
Pedindo-lhe para eleger um objecto surgido no século XX,
responde com rapidez: a caneta, o seu instrumento de
cálculo para fazer contas. De seguida, escolhe um
relacionado com a sua área profissional. “O computador é
info
um meio indispensável: máquina de escrever, fazer
operações, estudos e previsões. Grande auxiliar de trabalho,
é indiscutivelmente a grande inovação do século XX utilizada
por todos. Mas o computador apareceu quando? Eu fiz com
uma régua de cálculo todos as contas que precisava durante
o meu curso, hoje não há nenhuma operação que não fosse
feita na altura. Mas os meios é que são diferentes”.
Reportando-se novamente ao avanço tecnológico, desta vez
refere-se ao papel que Portugal poderá assumir no mercado
internacional no sector das Telecomunicações. “Há coisas
espantosas em Portugal e feitas por portugueses. Na FEUP
área das Telecomunicações há grandes técnicos”. Na
opinião do engenheiro, o problema reside nos milhões de
programadores indianos que estão ao serviço de empresas
norte-americanas, constituindo para estas uma mão-de-obra
barata.
Contrariando, assim, a ideia de que no sector nacional das
Telecomunicações não existem meios técnicos e humanos
eficazes, Velez Grilo vai mais além e manifesta a sua
confiança no trabalho feminino.
Não concorda em absoluto com as afirmações do reitor da
Universidade de Harvard, Lawrence Summers, segundo as
ENTREVISTA
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quais os homens são detentores de um raciocínio matemático
mais desenvolvido e que estão mais ligados às áreas de
engenharia e matemática.
“Um dos espíritos mais científicos, mais extraordinários neste
mundo foi Marie Curie. Na minha experiência como
estudante e professor de Medidas Eléctricas comprovei que
madame Curie para cada medida magnética que tinha de
fazer criava um processo novo e eficiente”.
Pela sua própria experiência, quer profissional quer pessoal, o
engenheiro acredita que a mulher possui um grande potencial
para comandar. A história mundial prova a existência de
mulheres que assumiram papéis relevantes, porém nem
sempre visíveis.
Este poder feminino deriva, segundo Velez Grilo, ao facto de
ser ela quem assegura a conservação da espécie, do
indivíduo. “As mulheres é que tomam conta dos filhos e dessa
relação cria-se um laço íntimo”.
Al Capone é um bom exemplo. “Ele é o maior génio do
ponto de vista negativo, porque o Governo norte-americano
não foi capaz de o condenar por qualquer crime, a não ser
por fuga aos impostos, e a mãe mandava e ele obedecia
cegamente”.
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Professor Sampaio
Homenageado na FEUP
A Ordem dos Engenheiros – Região Norte (OREN) e o
Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de
Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), com o apoio
da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras
Públicas (AICCOPN) e da Associação dos Antigos Alunos de
Engenharia Civil da FEUP (AEC-FEUP), promoveram, no dia
14 de Janeiro, no Auditório da FEUP, uma homenagem ao
Professor Joaquim da Conceição Sampaio, uma das mais
ilustres personalidades da Engenharia Civil portuguesa,
falecida a 14 de Outubro de 2004.
Uma oportunidade ímpar para se prestigiar o percurso de
vida de um homem que nasceu em Ramalde a 15 de
Fevereiro de 1924 – embora o seu nascimento só tenha sido
registado a 14 de Junho –, e que se tornou num exemplo
para todos os que fazem da Engenharia a sua área de
trabalho.
Desde a passagem pela escola primária já se podia adivinhar
que Joaquim Sampaio viria a ser bem sucedido quando se
fizesse homem, não só pelo empenho e dedicação que o
caracterizavam, mas pelas elevadas qualidade humanas.
Licenciou-se em Engenharia Civil na FEUP a 19 de
Novembro de 1948, mantendo-se vinculado a esta
instituição desde essa época até Junho de 1994, data da sua
jubilação. Passou por Paris, onde realizou um estágio em
1953, doutorou-se em Engenharia Civil dois anos mais tarde
e, posteriormente, dedicou-se à investigação – tornando-se
num especialista na área de comportamento das peças de
betão armado e betões e ligantes hidráulicos –, ao ensino e,
a par da carreira académica, desenvolveu actividade na área
da Engenharia Civil.
Estes foram alguns dados biográficos do Professor Sampaio
referidos pelos discursantes na sessão de homenagem.
Além destes factos, também não foi esquecido o importante
papel que desempenhou no Laboratório de Ensaio de
Materiais da FEUP, do qual foi director de 1974 a 1997 – a
ele ligado mais de 40 anos, tendo tornado as suas visitas
menos assíduas por motivos de saúde – e a sua colaboração
como consultor de empresas como a Tecnopor e Soares da
Costa.
A cerimónia contou com a presença de inúmeras figuras
públicas, das quais se destacaram o Secretário de Estado
das Obras Públicas, Engenheiro Jorge Costa, o Reitor da
Universidade do Porto, Professor Novais Barbosa, e o
Director do Departamento de Engenharia Civil e o
representante do Director da FEUP, Professor José Ferreira
O Professor Sampaio foi um especialista na área de
comportamento das peças de betões armado e hidráulicos.
Lemos. A OERN fez-se representar pelo seu Presidente da
Mesa da Assembleia, Engenheiro Luís Braga da Cruz, o qual
também proferiu algumas palavras.
Na mesa da sessão ainda se encontravam o Presidente do
CSOPT, Engenheira Natércia Cabral, o Presidente da
Associação dos Antigos Alunos de Engenharia Civil – FEUP,
Engenheiro João Porto, o Presidente da AICCOPN, Rui Viana,
o Presidente do IMOPPI, Engenheiro Ponce de Leão, e o
Professor Catedrático jubilado da FEUP, Joaquim Sarmento.
Além dos testemunhos de algumas individualidades que
constituíam a mesa – dos quais são apresentados extractos
nas páginas seguintes –, ainda discursaram nomes que
foram mais chegados ao homenageado: os Professores
Álvares Ribeiro, Guedes Coelho e Conceição Nunes e o
Engenheiro Esteves Ferreira.
Todas as intervenções, que de uma forma ou de outra
relataram uma ligação ao homenageado, comoveram a
plateia que encheu o Auditório da FEUP. Sentada na fila da
frente estava a companheira de mais de 50 anos do
Professor, Srª. D. Palmira da Rocha Pinto e Sampaio, com
quem casou a 24 de Outubro de 1951.
Outros familiares, amigos, colegas de profissão não
quiseram faltar ao evento para mais uma vez recordar a vida
e o trabalho do Professor Sampaio. E os presentes que
nunca conviveram com ele muito terão aprendido nesta
cerimónia. Todos os discursantes foram unânimes em
realçar o “espírito prático” do “engenheiro de corpo inteiro”,
cuja “perda é enorme e insubstituível”. Até aspectos mais
pitorescos do engenheiro foram salientados, como o uso
diário do chapéu para tapar a calvície.
A sessão de homenagem foi enriquecida pela projecção de
um slide-show, ao mesmo tempo que decorriam os
discursos. Eram exibidas imagens do engenheiro em vários
momentos da sua vida e alguns dos seus trabalhos de
construção e reabilitação na área de Engenharia Civil, como,
por exemplo, o Campanário da Igreja da Senhora da Hora, o
Instituto Politécnico de Portalegre (em co-autoria) e a
reabilitação do Castelo de Vila da Feira e do Mosteiro de
Grijó.
O slide-show era ainda constituído por fotografias referentes
ao ensaio de carga da ponte móvel do Porto de Leixões entre
Matosinhos e Leça da Palmeira (1959); ao ensaio do
comportamento da pista do Aeroporto do Porto (1961); ao
ensaio de carga do viaduto da Rua Gonçalo Cristóvão e da
Rua de Camões no Porto (1962); e ao ensaio de carga da
passagem inferior do caminho-de-ferro em Custóias da linha
da Póvoa de Varzim (1982), entre outras.
Após os depoimentos no auditório, os presentes foram
convidados a dirigir-se ao Laboratório de Ensaios de
Materiais da FEUP para assistir ao descerramento de uma
placa de homenagem ao professor Sampaio, outro ponto alto
da cerimónia de homenagem.
Este evento também serviu de pretexto para o lançamento de
“Memórias – Joaquim Sampaio”, uma biografia e uma
compilação de depoimentos de familiares, amigos e colegas
do homenageado. A referir ainda que nesta obra pode ler-se
um extracto da última lição proferida pelo professor, na
FEUP, a 1 de Junho de 1994.
O livro está à venda na OERN e é o primeiro volume de uma
colecção, que esta ordem profissional se propõe lançar sobre
a memória de engenheiros portugueses que se notabilizaram
no exercício da profissão.
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DESTAQUE
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“O Senhor Professor Joaquim da Conceição
Sampaio fez parte de uma geração de
grandes mestres da Faculdade de
Engenharia da Universidade do Porto com
quem todos nós muito aprendemos.
Geração essa que projectou bem alto quer o
nome da Faculdade quer o curso de Engenharia Civil e que
muito contribuiu para a grande aceitação deste curso por
parte da comunidade técnica e científica.
(...)
Foi um grande impulsionador e um grande promotor do
Laboratório de Materiais, que ficará para sempre
associado ao seu nome.
Nos anos 90 tive o privilégio de apoiar a organização da
sua última lição no exercício das funções que hoje em dia
desempenho de novo; pude testemunhar o enorme
prestígio que gozava e o grande carinho que o envolveu
nesse evento que nos deixou grandes recordações.
O seu saber, a sua disponibilidade constante e a sua
amizade marcaram profundamente diversas gerações de
nossos alunos e hoje em dia nossos colegas que viam
sempre o Professor Sampaio como um mestre e um
amigo sempre ao dispor.
É assim com grande saudade e emoção que recordo hoje
o Senhor Professor Joaquim da Conceição Sampaio,
grande personalidade da Engenharia Civil, que durante a
sua vida académica muito engrandeceu a nossa Faculdade
de Engenharia”.
Professor Ferreira Lemos, Director do Departamento de
Engenharia Civil e representante do director da FEUP
“...Acima de tudo os símbolos das
instituições, aqueles que dão sentido e que
ajudam a afirmar-se, os que lhe dão alma
são as pessoas e as pessoas
fundamentalmente numa escola superior
são as pessoas. E o Professor Sampaio faz
parte da alma desta Faculdade.
(...)
Quando se homenageia alguém é costume fazer um apelo
às suas qualidades, às suas qualidades pessoais, às suas
qualidades humanas, à dedicação, às causas, aos
atributos pessoais de natureza mais evidente: a
inteligência, a capacidade de organizar, ao valor
pedagógico, a capacidade profissional. Ao Professor
Sampaio era reconhecido tudo isso e é justo hoje invocálo, mas além disso havia algo nele que ninguém, aluno,
colega ou engenheiro ou simples amigo podia ficar
indiferente. Eu refiro-me particularmente à forma calorosa
que sempre nos tirou dúvidas, sendo alunos ou sendo
mais tarde engenheiros; à sua generosidade, à sua atitude
de permanente simplicidade perante a vida e perante as
dificuldades técnicas.
(...)
E finalmente um toque de carácter pessoal. O Professor
Sampaio tinha um respeito por todas as outras pessoas,
nomeadamente com as crianças. Recordo-me que às
vezes, quando éramos mais novos, tínhamos de trabalhar
ao sábado e eu às vezes levava os meus filhos mais
pequenos e uma das minhas filhas com 3 ou 4 anos. Ela
para se entreter fazia uns inquéritos para as pessoas
preencherem e o Professor Sampaio viu aquilo e
submeteu-se a preencher o inquérito como se tratasse de
uma matéria séria.”
Luís Braga da Cruz, Presidente da Mesa da Assembleia da
Ordem dos Engenheiros – Região Norte
“Falar de Joaquim Sampaio é como muito
bem escreveu o meu companheiro de
direcção, o Engenheiro Reis Campos na
publicação editada sobre o homenageado é
revisitar a segunda metade do século XX da
Engenharia portuguesa, e em particular a
sua acção na Faculdade de Engenharia da Universidade do
Porto.
(...)
Mas Joaquim Sampaio não foi apenas um teórico, um
formador de engenheiros de raras qualidades e
capacidades. Ele percebeu desde sempre a importância de
ligar a universidade às empresas e por isso, ao longo da
sua vida, prestou valiosos serviços enquanto consultor a
muitas das associadas da AICCOPN.
(...)
É pois, pelo muito que fez pela Engenharia Civil portuguesa e
por todo o sector da construção civil, que o Professor Doutor
Joaquim Sampaio nunca poderá ser esquecido. Deverá, isso
sim, ser uma referência para actuais professores e alunos da
FEUP, bem como para todos quantos fazem da construção a
sua vida e acreditam que, dessa forma, poderão contribuir
para um país mais desenvolvido e consequentemente uma
sociedade mais feliz.
Para concluir apenas quero reforçar a ideia que a
AICCOPN, enquanto associação representativa de mais de
oito mil empresas de construção civil e obras públicas, se
info
sente muito honrada em se associar a esta homenagem
póstuma ao Professor Doutor Joaquim Sampaio, insigne
engenheiro e distinto professor, que ao marcar de forma
indelével tantos nossos engenheiros civis, estes não
deixarão também de continuar a honrar a sua memória na
actividade diária das suas empresas”.
Rui Viana, Presidente da Associação dos Industriais de
Construção Civil e Obras Públicas do Norte
“Cheguei ao Porto no princípio de
Novembro de 1961, para frequentar o 4.º
ano do Curso de Engenharia Civil. Foi nessa
altura que conheci o Professor Joaquim da
Conceição Sampaio, então regente da
cadeira de Materiais de Construção.
(...)
Mas o meu contacto com o Professor Joaquim Sampaio
não se limitou ao período em que fui seu aluno, nem à
vivência posterior do dia-a-dia da Faculdade. Na sua
actividade profissional, ele participava frequentemente,
como projectista de Estruturas, nos projectos de
Arquitectura do Professor Barbosa de Abreu; a partir do
momento em que eu passei a colaborar de forma
permanente com este último, passei também a ter o
privilégio de conviver profissionalmente com o primeiro,
ainda que em regime intermitente.
(...)
Sem prejuízo do seu rigor científico, dir-se-ia que a sua
característica profissional mais marcante era o seu
espírito prático, a forma como resolvia os problemas e a
segurança com que o fazia. Se tivermos em conta que a
Engenharia só se concretiza nas obras, teremos de
concluir que o Professor Joaquim da Conceição Sampaio
foi no mais amplo sentido das palavras um engenheiro de
corpo inteiro!”
João Porto, Presidente da Associação dos Antigos Alunos
de Engenharia Civil – FEUP
“Como disponho da prerrogativa da
representação da Universidade do Porto,
desejaria nesta qualidade de formalizar a
homenagem sentida desta instituição ao
Senhor Professor Doutor Joaquim da
Conceição Sampaio recordando-o como
académico e como profissional de Engenharia que honrou
sobremaneira a sua Faculdade e a sua universidade ao
DESTAQUE
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longo de toda uma carreira verdadeiramente exemplar que
nem mesmo a implacável imposição legal da jubilação
logrou interromper. (...)
O Senhor Professor Doutor Joaquim Sampaio pautou o
seu desempenho por uma intervenção muito acima do
normal, que deverá ser salientada como um importante
contributo para que tal meta não se transforme numa
simples utopia. E fê-lo mesmo antes de a declaração em
causa, certamente já presente na mente dos seus
melhores, ter sido vertida nos estatutos da Universidade
do Porto.
Pretende-se, no entanto, um depoimento pessoal
decorrente de uma convivência de longos anos com o
Senhor Professor Doutor Joaquim Sampaio. Período em
que se apresentou como Mestre; em que foi conselheiro;
em que, para efeitos formais e a partir de certa altura,
terei de me atrever a considerar como par; mas em que,
acima de tudo, foi um amigo.
(...)
Estava-me reservado um privilégio ainda maior do que ter
sido aluno do Engenheiro Sampaio. Foi-me dada a
oportunidade de ser colaborador seu e do Professor
Joaquim Sarmento, em projectos que elaboraram em
conjunto no escritório que partilhavam na Rua da
Alegria.”
José Novais Barbosa, Reitor da Universidade do Porto
“O Engenheiro Sampaio era uma
personalidade pela qual a vaidade não tinha
passado. A sua modéstia era flagrante e
reconhecia-se em todas as circunstâncias.
Desprovido de preocupações de destaque,
quantas vezes se aquietava no silêncio, na
sua modéstia, pois a exibição pessoal não constava do
seu processo vital.
(...)
Depois da aposentação manteve-se ainda uma
contribuição muito importante, além de que outros
interesses científicos continuaram a atrair o seu
pensamento. Todas as inovações tecnológicas eram por
ele recebidas com muita curiosidade e despertavam
pesquisas específicas para o seu esclarecimento.
(...)
O seu tempo era dividido entre as obrigações e as
devoções. Sem pressas, com a calma que lhe era peculiar.
O futebol era uma actividade das suas preferências. Não é
verdade que ficasse mal-humorado quando o F.C. Porto
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info
perdia, era superior a essas contingências. Em prática
pessoal desportiva, penso que não estava para grandes
maçadas, era mais inclinado para a contemplação e a
única manifestação muscular, que me lembro, foi num
jogo de malha que nós promovemos ao fim da tarde. O
seu swing era convincente. Tinha estilo e vigor. Ele era
vencedor. Tentei persuadi-lo para o golfe, assegurando-lhe
um handicap ganhador. Não o convenci.
No quartel das devoções, estava um nobre culto das
velhas amizades que ele tinha reunido ao longo do seu
percurso e como é óbvio os seus desvelos inexcedíveis
quanto à família, os componentes de raiz e aqueles que
estabeleceu como se fossem seus bons amigos.
O padecimento dos seus dois últimos anos foram de
grande coragem e resignação como só se encontram nos
espíritos superiores”.
Joaquim Sarmento, Professor Catedrático Jubilado
da FEUP
“Nesta homenagem ao Professor Sampaio,
ao Engenheiro Sampaio como nós tratamos,
pensei que teria interesse em referir com
um certo pormenor um relatório que ele
elaborou no Laboratório de Ensaio de
Materiais em 1960, que é o relatório 3690,
que é também publicado nas actas desta reunião. Ele
preparou com todo o cuidado no Porto esse trabalho que
era Ensaio de Carga da Ponte de Serviço da Bemposta (
Douro Internacional), que tem muito interesse até
histórico, porque os ensaios foram feitos em Outubro e
Novembro de 1960. Há quase 45 anos. Os trabalhos de
ensaio “in situ” começaram a 26 de Agosto de 1960 e
demoraram 3 dias e tal, aproveitando o fim de semana,
porque de facto foram muito bem preparados no Porto.
As provas dinâmicas começaram às 19h de sexta-feira, dia
26 de Agosto de 1960 e utilizaram-se os camiões dumper
que existiam no estaleiro.(...) Nas provas estáticas foram
utilizados também três camiões dumper e foi também
necessário fazer rapidamente os ensaios, porque a ponte
era precisa
(...)
Um dos aspectos, de que depois vou mostrar alguns
slides, que tem muito interesse para mim, que
acompanhei os ensaios todos como autor do projecto, foi
quando passado dois anos houve uma cheia excepcional.
(...) O que eu aprendi com essa cheia é que a ponte
resistiu bem, havia uma certa garantia mesmo que
houvesse uma cheia excepcional, superior à de 1909.
Álvares Ribeiro, Professor Catedrático Jubilado da FEUP
“Dizia que conheci o Sampaio em 1950, no
entanto conclui este Natal que poderia e
tive oportunidade de o conhecer antes,
porque ambos fomos contemporâneos no
Liceu Rodrigo de Freitas. Uma filha minha
ofereceu-me no Natal Liceus de Portugal,
de Edição Asa, 2003. No livro são apresentadas histórias
dos liceus, instalações, etc., e uma rubrica designada
Alunos de que o liceu guardou memória são referidos,
entre outros, nas décadas de 40 e 50, nomes de três
colegas de turma: Casimiro Águeda de Azevedo, Joaquim
da Conceição Sampaio e Joaquim Von Haff e o meu
próprio, mais novo, por isso já fora deste grupo.
Esta referência permitiu-me tirar duas conclusões.
Primeiro, fomos contemporâneos. Tive a oportunidade de
o conhecer nessa altura e que o Sampaio foi distinto no
liceu e na Faculdade. Na Faculdade foi distinto porque foi
convidado e no liceu foi distinto porque fez parte desta
lista especial.
(...)
Colaboramos realmente um com o outro numa
camaradagem exemplar. Nunca disputamos nada, lugares
ou cargos, e sempre nos apoiamos. Acompanhei as suas
provas de doutoramento e o concurso para professor
extraordinário e ele as minhas. Posso garantir que nos
apreciávamos mutuamente. Ambos ficamos muitos anos
como primeiros assistentes e professores extraordinário e
acedemos na mesma altura à carta para o efeito de
delegamento dos quadros. Aliás houve um período em
que o Sampaio e eu fomos os únicos assistentes do
primeiro grupo.
Aristides Guedes Coelho, Professor Catedrático Jubilado
da FEUP
“A minha relação com o Professor Sampaio,
no princípio da década de 90, fins da
década de 80, está relacionada com a
normalização dos betões. A normalização
dos betões estava entregue naquela altura à
Associação Técnica da Indústria de
Cimento, que pediu ao Laboratório um presidente da
Comissão Técnica e fui indicado então para presidir a essa
comissão e aí encontrei o Professor Sampaio.
Do Professor Sampaio, uma das notas mais relevantes,
info
além da sua competência inata, era a sua permanência
em todas as reuniões.
(...)
Outro aspecto do meu relacionamento com ele foi as
sessões de divulgação das normas. A Associação Técnica
da Indústria de Cimento realizou diversas reuniões em
todo o país e um dos elementos constante nessas sessões
era o Professor Sampaio. Tinha uma sensibilidade
especial para falar à audiência, uma sensibilidade
espantosa para perceber qual era o grau de dificuldade
que tinha de dar às suas palavras. Eu tinha vindo de 30
anos de fazer ensaios em modelos de barragens e
portanto sentia necessidade em explicar porquê que os
ensaios deviam ser feitos e ele disse-me: “- Ó Professor
Ferreira você já viu a cara das pessoas? Veja se consegue
falar mais amigavelmente”.
Manuel Esteves Ferreira, Investigador Coordenador do
LNEC e Presidente da CT 104 – Betões
“Conhecemo-nos há mais de 40 anos, do
Doutoramento Honoris Causa do Engenheiro
Manuel Rocha, mas foi em consequência dos
meus filhos e do seu afilhado frequentarem a
mesma escola que nos aproximámos. Não foi
portanto na qualidade de docente desta casa,
onde leccionei durante seis anos duas disciplinas:
Organização e Administração e Economia Política, que tive a
sorte de conhecer mais pessoalmente Joaquim Sampaio.
portanto, o meu testemunho não é técnico nem científico,
esse foi dado pelos que me antecederam. O meu testemunho
é apenas humano.
George Washington disse que uma verdadeira amizade é
como uma planta que se desenvolve lentamente e foi assim
que aconteceu no que nos respeita. acabamos por fazer férias
e passeios juntos, o que me permitiu reconhecer as suas
qualidades como homem.
(...)
Sampaio revelava em seu qualquer pequeno gesto a sua
aguda inteligência e espírito de observação. Era um homem
simples, calmo, equilibrado, mas alegre e sempre pronto a
dar uma piada e nada interessado em ser projectado para a
ribalta. A política pouco lhe interessava, para além de tema
de simples conversação. A sua vida familiar era o centro dos
seus interesses, para além do futebol. E infelizmente
estamos habitados a ver homenageados que andam pelas
luzes da ribalta.
(...)
DESTAQUE
Página 29
O mais que pude trazer aqui foi o testemunho de um
amigo. Ramón y Cajal disse que os amigos como os
dentes: vamos perdendo durante os anos, nem sempre
sem dor. Este perdemos com grande mágoa”.
Conceição Nunes, Professor Catedrático Jubilado da FEC
“Eu fui também aluno do Professor
Sampaio como é sabido, por isso o meu
gosto reforçado por estar aqui e puder
associar-me a esta iniciativa. (...) Acho que
saímos todos daqui mais ricos por conhecer
melhor a vida de um homem que é um
exemplo. Eu penso que não haverá muitas personalidades
relativamente à vida das quais seja possível durante quase
duas horas prender a atenção da assembleia da forma que
aconteceu relativamente ao Professor Sampaio. É bem
evidente a vida de exemplo que foi para todos nós.
(...)
É acima de tudo um acto de justiça homenagear um
engenheiro distinto, um professor prestigiado e um
investigador de grande prestígio nacional e internacional
que marcou indelevelmente várias gerações de
engenheiros formados nesta instituição desde os anos 40.
(...)
A minha presença aqui visa reconhecer o mérito e o
trabalho desenvolvido pelo professor Joaquim Sampaio ao
longo da sua vida académica e profissional. Entende o
Governo que sendo merecido o destaque deve também
ser devidamente publicitado e dado a conhecer à
sociedade em geral para que, apontado como exemplo a
seguir, possa constituir a semente que vai gerar o
aparecimento de outros que prestigiem a actividade da
construção em geral e da profissão de engenheiro em
particular, porque o país também beneficia com aqueles
que de entre os seus mais se notabilizam.
E seguindo os ensinamentos e a atitude de empenho e de
rigor do Professor Joaquim Sampaio teremos cada vez
mais trabalhadores qualificados, empresas modernas e
competitivas, institutos superiores e universidades de
grande qualidade e as cidades portuguesas mais
funcionais e seguras.”
Jorge Costa, Secretário de Estado das Obras Públicas
Página 30
VIDA ASSOCIATIVA
info
info
VIDA ASSOCIATIVA
Página 31
Texto de João Baptista
5º Colóquio
Internacional
sobre Segurança
e Higiene do Trabalho
Realizou-se nos dias 24 e 25 de Fevereiro
de 2005, no Auditório da FEUP, no
Porto, o 5º Colóquio Internacional sobre
Segurança e Higiene do Trabalho.
Este colóquio foi organizado
conjuntamente pela Ordem dos
Engenheiros – Região Norte, a FEUP –
Faculdade de Engenharia da
Universidade do Porto e a APSET –
Associação Portuguesa de Segurança e
Higiene do Trabalho e contou com a
presença, na sessão de abertura, de Sua
Excelência, o Bastonário da Ordem dos
Engenheiros, Eng. Fernando Santo.
O programa científico integrou cinco
sessões proferidas por alguns dos
melhores especialistas reconhecidos nos
diferentes domínios, 20 comunicações
orais divididas por cinco sessões
científicas:
A formação de profissionais de SHST
como pilar fundamental da prevenção
de riscos;
O impacto da legislação de SHST nas
empresas e na actividade dos
profissionais de SHST;
Análise dos acidentes de trabalho e das
doenças profissionais;
A abordagem da SHST através dos
equipamentos de trabalho;
Boas práticas na prevenção de riscos
profissionais.
Este programa contou ainda com a
realização de uma mesa redonda
dedicada ao tema “Qualificação de
Coordenadores de Segurança no
Trabalho da Construção”, que foi
bastante participada, uma vez que este
tema está na ordem do dia.
Os temas a abordados reflectiram,
assim, pela sua actualidade, as grandes
questões que hoje se colocam à SHT,
em particular na União Europeia e em
Portugal.
A organização registou com agrado o
interesse e o sucesso desta iniciativa,
uma vez que o número de participantes
superou as expectativas, cerca de 400
participantes.
A acrescentar a este facto, e porque a
actualidade do tema assim o merece, o
Presidente do Conselho Directivo da
Região Norte da Ordem dos
Engenheiros, Eng. Gerardo Saraiva,
lançou o desafio, na sessão de
encerramento, para que no próximo
ano se repita este colóquio.
Engenheiros querem
obras vigiadas
Mais segurança é uma das conclusões a
que os engenheiros do Norte chegaram
no 5º Colóquio Internacional sobre
Higiene e Segurança no Trabalho, que
durante dois dias teve como ponto
central a sinistralidade laboral em
Portugal, particularmente na construção
civil.
Segundo dados oficiais, a sinistralidade
laboral no país é quase o dobro da
média europeia e o sector da construção
civil é o mais atingido, com 30 por cento
dos acidentes mortais (83 casos em
2004).
Face a estes números, torna-se urgente a
alteração das normas vigentes,
sobretudo no que refere à legislação
actual, que em muitos casos está
“dispersa, descoordenada e
contraditória”.
Alfredo Soeiro, presidente do colóquio,
considera que todos os agentes
envolvidos em práticas com maior risco
de sinistralidade devem participar na
alteração dessas leis, “e não apenas em
fase de debate público”.
A obrigatoriedade dos responsáveis nas
obras aliarem conhecimentos sobre
sinistralidade laboral a uma formação
em construção civil é a “trave-mestra”
que se pretende colocar em prática no
futuro. De acordo com a legislação
actual exige-se apenas que os
coordenadores de segurança de obras
tenham uma formação na área de
Higiene e Segurança no Trabalho.
Para Gerardo Saraiva, presidente da
Ordem dos Engenheiros – Região Norte,
para se obterem resultados na
diminuição da sinistralidade é
fundamental que um licenciado passe a
“dominar técnicas de construção de
modo a melhor prevenir acidentes de
trabalho”, e que seja incentivada uma
mentalidade de segurança.
Promover a transparência no sector da
construção e agilizar o processo de
licenciamento foram outros pontos
debatidos durante o colóquio.
“Há um descrédito generalizado dos
utentes em relação aos nossos produtos
finais”, sendo preciso reforçar a
confiança que deve existir em torno da
construção. Esta afirmação foi feita pelo
professor Hipólito Sousa, que ainda
salientou que “Higiene e Segurança não
é um domínio menor” e, por isso, deve
ser tratado da mesma forma que as
outras questões colocadas ao sector.
A Info no próximo número integrará
artigos de fundo sobre as conclusões
deste colóquio.
Plano de Formação
Profissional Financiada
A Ordem dos Engenheiros deve
certificar perante a Sociedade a
competência profissional dos seus
membros, através de uma rigorosa e
exigente Qualificação Profissional e
também contribuir para uma melhor
formação e actualização dos
Engenheiros.
A Ordem tem assim como propósito
fundamental contribuir para o progresso
da engenharia, estimulando os esforços
e competências dos seus associados
nos domínios científico, profissional e
social, bem como, o cumprimento
escrupuloso das regras de ética
profissional.
Um dos objectivos principais da
Ordem dos Engenheiros é promover o
nível de qualificação dos activos
empregados ou em risco de
desemprego, que carecem de
reciclagem ou de actualização das suas
competências, fase à iminente
obsolescência dos seus
conhecimentos, assim como, daqueles
que necessitam de um
aprofundamento dessas competências,
numa perspectiva de inovação
organizacional ou de adaptação a
novos equipamentos, métodos ou
contextos de trabalho inerentes ao
desenvolvimento empresarial.
Neste contexto, e na sequência duma
candidatura apresentada ao Programa
Operacional Emprego, Formação e
Desenvolvimento Social (POEFDS), a
Ordem dos Engenheiros Região Norte
leva a cabo durante o ano de 2005 um
Plano de Formação Profissional
Financiada destinado especificamente
aos seus membros.
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AGENDA
info
ENCONTROS
17 MARÇO
LOCAL: PORTO
ORGANIZAÇÃO: OERN
ASSEMBLEIA REGIONAL NORTE
DA ORDEM DOS ENGENHEIROS
Eng. Rui Sequeira, da empresa SIG2000
20 DE ABRIL - Sistemas de Informação Geográfica e GPS
na gestão de situações críticas.
Dr. Hugo Dias, da empresa PH-Informática
As palestras realizam-se no Auditório da sede da OERN, às
18h, e são abertas ao público em geral.
13 A 17 JUNHO
21 MAIO
LOCAL: FEUP
ORGANIZAÇÃO: FEUP
DIA DA GRADUAÇÃO
A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto tem já
agendada para 21 de Maio de 2005 a cerimónia festiva do Dia
da Graduação.
Neste dia entregamos as cartas de Doutoramento, de
Mestrado e de Licenciatura aos Doutores, Mestres e
Licenciados, que obtiveram o seu grau no ano civil anterior.
É também nesta ocasião que homenageamos os que por
jubilação ou aposentação se retiraram do serviço activo
durante o ano de 2004.
Todos os anos uma figura de relevo da universidade, da
investigação, do mundo empresarial ou da sociedade
portuguesa em geral, é convidada a participar neste evento.
CONGRESSOS E SEMINÁRIOS
LOCAL: FEUP
ORGANIZAÇÃO: FEUP e Department of Information System
and Computation of the Polytechnic University of Valencia.
17TH CONFERENCE ON ADVANCED
INFORMATION SYSTEMS ENGINEERING
(CAISE’05)
Realiza-se entre 13 a 17 de Junho de 2005, na Faculdade de
Engenharia da Universidade do Porto, a 17th Conference on
Advanced Information Systems Enginnering (CAiSE’05).
A conferência pretende ser um fórum de discussão,
apresentação e troca de resultados e experiências na área da
investigação de “Information Systems Engineering”, que irá
reunir entre 300 a 400 investigadores oriundos de todo o
mundo.
O evento é organizado pela FEUP em parceira com o
Department of Information System and Computation of the
Polytechnic University of Valencia.
Mais informações em:
http://gnomo.fe.up.pt/~caise/index.php
28 DE FEVEREIRO A 5 MARÇO
LOCAL: FEUP
ORGANIZAÇÃO: FEUP
SEMANA ABERTA FEUP 2005
A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto recebe
de 28 de Fevereiro a 5 de Março de 2005 a Semana Aberta
2005.
A iniciativa abre assim as portas da FEUP aos jovens do
ensino secundário por forma a cativá-los para a Engenharia e
para as inúmeras potencialidades dos cursos de Engenharia.
À semelhança do que aconteceu em anos anteriores espera-se
a visita de várias escolas do país.
Conferências e visitas guiadas são algumas das propostas que
a apresentar.
16 MARÇO E 20 ABRIL
LOCAL: Auditório da sede da OERN
ORGANIZAÇÃO: Colégio de Engenharia Geográfica - OERN
PALESTRAS COLÉGIO DE ENGENHARIA
GEOGRÁFICA
O Colégio Regional de Engenharia Geográfica promove duas
palestras técnicas sobre aplicações de Sistemas de Informação
Geográfica, cujos temas deverão ser de interesse para diversas
especialidades de Engenharia.
16 DE MARÇO - Os Sistemas de Informação Geográfica na
gestão dos sistemas multimodais de transporte
21 A 23 JUNHO
LOCAL: FEUP
ORGANIZAÇÃO: FEUP e Sociedad Española para la Defensa
del Patrimonio Geológico y Minero
SIMPÓSIO SOBRE MINERAÇÃO
E METALURGIA
A Sociedad Española para la Defensa del Patrimonio
Geológico y Minero, em parceira com uma equipa de trabalho
que envolve elementos da Faculdade de Engenharia da
Universidade do Porto, realiza o Simpósio sobre Mineração e
Metalurgia, de 21 a 23 de Junho de 2005. Este evento visa
dinamizar e congregar esforços no sentido da promoção da
investigação e preservação dos patrimónios mineiro e
metalúrgico antigos no sudoeste europeu.
A 3ª edição deste simpósio será realizado na cidade do Porto,
nas instalações da FEUP.
O objectivo da iniciativa, marcada por uma colaboração entre
instituições Ibéricas, é permitir um desenvolvimento futuro de
dinâmicas conducentes a uma melhor identificação e
preservação das raízes mineiras e metalúrgicas que marcaram
o passado da actividade humana na Península Ibérica.
Mais informações em:
http://www.ippar.pt/conferencias/simposio2005
info
25 A 28 JULHO
LOCAL: UTAD
ORGANIZAÇÃO: COLÉGIO DE ELECTROTECNIA DA OERN
EFITA/WCCA 2005 JOINT CONFERENCE
A conferência conjunta EFITA/WCCA 2005 constituirá um
fórum privilegiado onde investigadores e profissionais
poderão trocar informação sobre os desenvolvimentos e
aplicações das Tecnologias da Informação na agricultura.
Os principais objectivos que se esperam alcançar com a
realização deste evento são a promoção do uso das novas
tecnologias, a divulgação do estado da arte no uso de
ferramentas de software, o estabelecimento de contactos e de
colaboração entre as Instituições de Investigação, de Ensino e
os Produtores, iniciar projectos de educação e treino e
apresentar planos inovadores com vista a criar novas
empresas.
Os trabalhos da conferência serão organizados em sessões
plenárias, tutorais, workshops e posters cobrindo diversos
temas: Agricultura de Precisão, Automação e Controlo,
Desenvolvimento Rural, eAgBusiness, Gestão de Recursos,
Modelação Ambiental e Científica, Produção Animal, Redes
Sensoriais, Segurança Alimentar, Sistemas de Apoio à
Decisão, Sistemas de Informação Geográfica,
Sustentabilidade, entre outros.
A organização deste evento está a cargo da Universidade de
Trás-os-Montes e Alto Douro, da Federação Europeia para as
Tecnologias da Informação na Agricultura (EFITA), da
Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das
Tecnologias da Informação na Agricultura (APDTICA) e conta
com o apoio da Ordem dos Engenheiros.
A submissão de trabalhos terminou no dia 11 de Janeiro de
2005, tendo sido recebidos 263 trabalhos de autores
provenientes de 51 países. É de referir que pela primeira vez na
história da realização deste congresso serão atribuídos dois
prémios de investigação, Júnior e Sénior, e será efectuada uma
selecção dos melhores trabalhos para publicação em revistas
científicas de reconhecido mérito internacional.
Mais informações em:
http://www.agriculturadigital.org/efitaandwcca2005 ou
[email protected]
HISTORIAL DO CONGRESSO
A EFITA - Federação Europeia para as Tecnologias da
Informação na Agricultura tem organizado com uma
periodicidade bianual os congressos:
1th Conference of the European Federation for Information
Technology in Agriculture, Food and Environment, Copenhaga,
Dinamarca, 1997
2th Conference of the European Federation for Information
Technology in Agriculture, Food and Environment, Bona,
Alemanha, 1999
3th Conference of the European Federation for Information
Technology in Agriculture, Food and Environment, Montpellier,
AGENDA
Página 33
França, 2001
4th Conference of the European Federation for Information
Technology in Agriculture, Food and Environment, Montpellier,
Debrecen, Hungria, 2003
A ASAE – American Society of Agricultural Engineers tem
vindo a organizar com uma periodicidade bianual os
congressos:
1th INTERNATIONAL CONFERENCE, USA, 1986
2th INTERNATIONAL CONFERENCE, USA, 1988
3th INTERNATIONAL CONFERENCE, USA, 1990
4th INTERNATIONAL CONFERENCE, University of Florida,
USA, 1992
5th INTERNATIONAL CONFERENCE, Joseph MI, USA, 1994
6th INTERNATIONAL CONFERENCE, Cancun, México, 1996
7th INTERNATIONAL CONFERENCE, Orlando, USA, 1998
WCCA- World Congress of Computers in Agriculture and
Natural Resources, Brasil, Março, 2002
WCCA- World Congress of Computers in Agriculture and
Natural Resources, Tailândia, Agosto, 2004
No seguimento de um protocolo assinado em 2003 na
Hungria pelas Instituições EFITA e ASAE, estes dois eventos
irão ser realizados pela primeira vez em simultâneo e em
Portugal, sendo a sua designação abreviada EFITA/WCCA
2005 Joint Conference.
PARTICIPANTES
Tendo em conta a experiência de congressos anteriores, e que
o número de trabalhos submetido é de 263 de 51 países,
espera-se um número de participantes entre 300 a 350, sendo
cerca de 60 alunos de doutoramento. Estes são na sua
maioria oriundos de países Europeus e dos Estados Unidos
da América, contando-se ainda com participantes da América
Latina, Ásia e África, por esta ordem de importância.
DIVULGAÇÃO
O congresso EFITA/WCCA 2005 tem vindo a ser divulgado
desde Agosto de 2004 por todo o mundo de variados modos:
em revistas científicas da área, imprensa, cartazes e
brochuras, convocatórias e anúncios enviados por correio
normal e electrónico, website, etc.. É de referir que as
convocatórias foram distribuídas em formato electrónico a
cerca de 15000 investigadores e profissionais da área graças à
colaboração de Instituições Parceiras que acederam a ajudar a
organização na divulgação deste congresso, bem como na
realização de algumas sessões técnicas, como sejam a ISHS,
ASAE, CIGR, FAO, Comissão Europeia, entre outras.
PROGRAMA TÉCNICO DO CONGRESSO
O programa do congresso será constituído por uma sessão de
abertura e de encerramento, 5 sessões técnicas a decorrer em
paralelo durante 4 dias, 5 sessões tutorais, workshops,
sessões de posters, reuniões dos membros dos comités e das
organizações presentes, visitas técnicas e exposições que
começarão a ser definidas após o dia 28 de Fevereiro de 2005,
data limite para a conclusão do processo de revisão dos
trabalhos submetidos e das propostas de realização de
Página 34
AGENDA
info
sessões técnicas. O programa será publicado no website do
congresso (uma primeira versão provisória em Abril de 2005 e
uma versão definitiva em Junho de 2005).
27 A 29 JULHO
LOCAL: Campus de Ponta Delgada da Universidade
dos Açores
ORGANIZAÇÃO: APAET
6º CONGRESSO NACIONAL DE MECÂNICA
EXPERIMENTAL
A APAET – Associação Portuguesa de Análise Experimental de
Tensões, com os apoios da FEUP e do INEGI, vai organizar o
seu 6º Congresso Nacional de Mecânica Experimental.
O objectivo principal deste congresso é a realização de um
fórum para a discussão e divulgação das descobertas mais
recentes nas áreas da Análise Experimental de Tensões e da
Mecânica Experimental, quer nas aplicações a problemas de
Engenharia quer na investigação que decorre nos diversos
ramos da ciência.
O evento decorrerá no Campus de Ponta Delgada da
Universidade dos Açores, Ilha de São Miguel, durante os dias
27 a 29 de Julho de 2005.
Mais informações em: http://paginas.fe.up.pt/apaet6/
FORMAÇÃO
2 E 9 ABRIL/18 E 25 JUNHO
LOCAL: OERN
ORGANIZAÇÃO: OERN
20º E 21º CURSOS DE ÉTICA
E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL
A OERN tem vindo a promover Cursos de Formação em Ética
e Deontologia Profissional com o objectivo de transmitir
conhecimentos e divulgar casos de reconhecida importância
para o exercício da profissão de Engenheiro, designadamente
no tocante aos valores e princípios a ela inerentes.
A duração destes Cursos é de 10 horas, a funcionar das 10h30
às 13h e das 14h30 às 17h.
O número de participantes por curso é limitado, sendo as
inscrições consideradas por ordem de recepção na OERN.
Para efectuar a inscrição deverá enviar a ficha de inscrição e
proceder ao pagamento de 25,00 euros (inclui: documentação)
Mais informações em: www.norte.ordemdosengenheiros.pt
VISITAS TÉCNICAS
4 MARÇO
DEBATE
LOCAL: IP9/A27 e IC1/A28
ORGANIZAÇÃO: OERN
7 ABRIL
VISITA ÀS OBRAS DE CONSTRUÇÃO
DO IP9/A27 E IC1/A28
LOCAL: OERN
ORGANIZAÇÃO: COLÉGIO DE ELECTROTECNIA DA OERN
O ENGENHEIRO ELECTROTÉCNICO
E O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO
No dia 7 de Abril, pelas 18h, realiza-se o debate “O Engenheiro
Electrotécnico e o Exercício da Profissão”.
Participantes já confirmados:
Abertura : Eng. António Machado e Moura, coordenador do
Colégio da Especialidade de Electrotecnia.
Moderação: Eng. J. Neves dos Santos (Professor Universitário
no DEEC da FEUP).
Perspectiva de um Técnico: Eng. José Manuel Freitas (Câmara
Municipal de Matosinhos)
Perspectiva da Entidade Fiscalizadora (5ª Categoria) na Região
Norte: Eng. Armando Lima ou Eng.ª Maria José Ribeiro (IEP).
Perspectiva da Entidade Fiscalizadora (Outras Categorias) na
Região Norte: Eng. Vilela Pinto (DRME).
Perspectiva da Entidade Fiscalizadora (Instalações de
Telecomunicações): Eng. Pedrosa Barros (ANACOM).
Aspectos Legislativos : Eng. Vilela Pinto ( DRME )
Cada intervenção(informal) com 15 a 20 minutos. No fim
haverá um tempo para debate.
Visita às Obras de Construção do IP9/A27 e IC1/A28, Ponte de
Lima, Viana do Castelo, Caminha, no dia 4 de Março, entre as
9h30 e as 17h.
O custo da inscrição é 10 euros e o número máximo de
participantes é 25.
As inscrições devem ser feitas através de:
Telefone: 258823522 (entre as 18h00 e as 19h30);
Telemóvel: 964020524; Fax: 258823522;
E-mail [email protected]
CULTURA E LAZER
8 ABRIL
LOCAL: Sala de Convívio da OERN
ORGANIZAÇÃO: OERN
INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE PINTURA
DE JORGE BARROCA
Jorge Barroca nasceu no Porto em 1955. Cedo demonstrou
gosto e talento pelas artes, nomeadamente na área da
joalharia e ouriversaria. Frequentou um curso de pintura em
1997 no atelier do pintor Hélder Bandarra em Vila Nova de
Gaia, onde adquiriu conhecimentos de variadas técnicas e
géneros de pintura.
A inauguração da exposição está marcada para as 17h e estará
patente até ao dia 29 de Abril.
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