UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO LATU SENSU LIDERANÇA EDUCADORA: INVESTIR NO DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS TORNOU-SE UM GRANDE DESAFIO PARA AS EMPRESAS NA BUSCA PELO SUCESSO NOS NEGÓCIOS. POR POLIANA ROCHA OLIVEIRA Orientador: Prof. Mário Luiz Brasília-DF 2015 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO LATU SENSU LIDERANÇA EDUCADORA: INVESTIR NO DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS TORNOU-SE UM GRANDE DESAFIO PARA AS EMPRESAS NA BUSCA PELO SUCESSO NOS NEGÓCIOS. POR POLIANA ROCHA OLIVEIRA Monografia apresentada ao Instituto A Vez do Mestre como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Gestão Estratégica e Qualidade. Orientador: Prof. Mário Luiz Brasília-DF 2015 EPÍGRAFE "Bons líderes fazem as pessoas sentir que elas estão no centro das coisas, e não na periferia. Cada um sente que ele ou ela faz a diferença para o sucesso da organização. Quando isso acontece, as pessoas se sentem centradas e isso dá sentido ao seu trabalho." (Warren Bennis) RESUMO A presente monografia tem como objetivo principal analisar, à luz das teorias da administração e das contribuições teóricas recentes na área, como a liderança educadora pode se tornar um diferencial de competitividade e contribuir para o crescimento organizacional, demonstrando que investir no desenvolvimento das pessoas tornou-se um grande desafio para as empresas na busca pelo sucesso nos negócios. A pesquisa deu ênfase ao papel do líder e ao desenvolvimento das pessoas no trabalho. Para tanto, foi necessário analisar, primeiramente, a abordagem da liderança nas teorias da administração para melhor compreensão do papel do líder na atualidade, em seguida, destacar as principais características, competências e habilidades necessárias no exercício da liderança educadora e verificar ferramentas utilizadas visando o desenvolvimento das pessoas. Este trabalho pretendeu, ainda, demonstrar a importância dos pilares da educação para o século XXI nos programas de treinamento e desenvolvimento das pessoas, considerando as aprendizagens fundamentais para o desenvolvimento do ser humano em sua complexidade. Por fim, o trabalho teve como conclusão que a liderança com foco no desenvolvimento das pessoas é de fundamental importância para o crescimento e sucesso organizacional. METODOLOGIA Este estudo foi desenvolvido a partir de pesquisa bibliográfica, com o objetivo de levantar contribuições científicas existentes sobre a Liderança no contexto organizacional, com foco no desenvolvimento das pessoas no trabalho e promover uma olhar crítico e reflexivo sobre o assunto. O referido levantamento demonstra a relevância da pesquisa bibliográfica na elaboração deste trabalho, uma vez que, sem o mesmo, não seria possível identificar e estudar as teorias existentes sobre o tema Liderança, o que proporcionou uma melhor compreensão sobre a abordagem do assunto na atualidade, bem como, levantar o que já há de escrito sobre os demais assuntos propostos no trabalho. A importância desse tipo de pesquisa deve-se ao fato de que: A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA levanta o conhecimento disponível na área, identificando as teorias produzidas, analisando-as e avaliando sua contribuição para compreender ou explicar o problema objeto da investigação. É fundamental a todos os demais tipos de investigação, já que não se pode proceder o estudo, sem identificar o que já foi produzido sobre o assunto. (MALHEIROS, 2007, apud Carvalho, 2011, p. 74) Este trabalho teve como base obras de Idalberto Chiavenato, artigos de José Carlos Santos de Oliveira e Deise C. Engelmann, José Roberto Marques, ainda, estudos realizados por Jacques Delors, dentre outros. Houve uma preocupação em organizar o trabalho a partir de uma reflexão sobre o assunto, algumas definições de Liderança, bem como, sua abordagem em Teorias da Administração, para então, tratar da Liderança Educadora. Neste momento, foram levantadas as características, habilidades e competências do líder educador, o seu papel no desenvolvimento das pessoas e ferramentas que podem ser utilizadas na Liderança Educadora como um diferencial de organizacional. competitividade visando contribuir para o crescimento SUMÁRIO INTRODUÇÃO 06 CAPÍTULO I – A liderança no contexto organizacional 09 1.1 Definições de liderança 10 1.2 Abordagens da liderança em Teorias da Administração 12 CAPÍTULO II – O líder educador 19 2.1 Características, habilidades e competências do líder educador 20 2.2 O papel do líder educador no desenvolvimento das pessoas 24 CAPÍTULO III - Ferramentas utilizadas para o desenvolvimento das pessoas 27 3.1 O treinamento como uma forma de desenvolvimento de equipes 34 3.2 A importância dos pilares para a educação no século XXI nos processos de treinamento e desenvolvimento das pessoas 37 CONCLUSÃO 40 BIBLIOGRAFIA 42 WEBGRAFIA 42 6 INTRODUÇÃO Este trabalho propõe o estudo sobre o tema A Liderança Educadora no contexto organizacional, considerando que investir no desenvolvimento das pessoas tornou-se um grande desafio para as empresas na busca pelo sucesso nos negócios. A questão central deste estudo é apresentar como a Liderança pode se tornar um diferencial de competitividade e contribuir para o crescimento organizacional. Trata-se de um tema de grande relevância para o aprimoramento das organizações, haja vista, as complexas e rápidas mudanças no mundo dos negócios. Mudanças essas, causadas por fatores diversos, dentre os quais, econômicos, políticos, sociais, tecnológicos, ambientais e culturais, gerando imprevisibilidade e incerteza para as organizações, que, diante desse cenário, precisam desenvolver estratégias inovadoras, com intuito de garantir a competitividade, sua sobrevivência e seu crescimento no mercado. Nesse contexto, deve ser dada atenção especial às pessoas, nas quais, segundo Chiavenato está o segredo do sucesso organizacional, como mostra o trecho abaixo: As organizações modernas estão exigindo novos valores, novos parâmetros e novas práticas administrativas. [...] Em um mundo novo e diferente onde os tradicionais fatores de produção natureza, (capital e trabalho) já exauriram quase todas as possibilidades devido às tecnologias e aos modernos processos de trabalho, o segredo do sucesso organizacional está nas pessoas. (CHIAVENATO, 2002, p.6). Para Chiavenato (2010, p. 11), “As pessoas podem aumentar ou reduzir as forças e fraquezas de uma organização, dependendo da maneira como elas são tratadas. Elas podem ser a fonte de sucesso como podem ser a fonte de problemas”. 7 A valorização e forma de lidar com as pessoas em suas atividades devem estar incorporadas às políticas e diretrizes das organizações e agregadas às ações daqueles que exercem função de liderança, pois, estes têm grande influência no desempenho da equipe. Segundo Oliveira (2013) “Ainda não surgiu um manual completo sobre liderança, mas é consenso nas literaturas pesquisadas a presença das seguintes características: capacidade de fazer acontecer, mobilizar, debater, transmitir informações, orientar o seu grupo, ter visão, autoridade e direção estratégica”. Além das características citadas, do domínio das técnicas e instrumentos típicos da ocupação, Oliveira (2013) diz que o líder “tem que deter, competências que lhe proporcionem agir como um LÍDER EDUCADOR”, diz ainda que: A liderança educadora consiste em dar suporte e desenvolver os profissionais em suas carreiras, fornecendo apoio, orientação, além de estimular para novos desafios, objetivos e situações como: aquisição de novas competências e tarefas, problemas de relacionamento no trabalho ou queda de desempenho. O líder é uma referência, um modelo e utiliza a pedagogia do exemplo. (OLIVEIRA, 2013) Existem ferramentas que podem ser utilizadas pelas organizações visando o desenvolvimento das pessoas e, este trabalho abordará algumas delas, a saber: o feedback, planos individuais de desenvolvimento, processo de avaliação de desempenho e treinamento, que segundo Chiavenato (2010, p. 367) “é considerado um meio de desenvolver competências nas pessoas para que se tornem mais produtivas, criativas e inovadoras, a fim de contribuir melhor para os objetivos organizacionais e se tornarem cada vez mais valiosas”. Considerando o exposto, a pesquisa sobre Liderança Educadora visa colaborar para a compreensão da importância de se promover no trabalho um ambiente de aprendizagem, cujo líder tenha como foco o desenvolvimento 8 das pessoas, criando condições para que essas se capacitem para enfrentarem e superarem desafios, e, assim, possam contribuir, significativamente, para o sucesso dos negócios propostos pela organização. Para tanto, este trabalho foi organizado em três capítulos. No primeiro, pretendeu-se analisar definições e abordagens da liderança em Teorias da Administração. No segundo capítulo, refletir sobre o novo líder, conhecer as características, habilidades e competências do líder educador, bem como, seu papel no desenvolvimento das pessoas. Por fim, o terceiro capítulo, que tem como objetivo verificar ferramentas utilizadas na atualidade para o desenvolvimento das pessoas e abordar os pilares da educação no século XXI, que são fundamentais para a formação holística de cada indivíduo. 9 CAPÍTULO I LIDERANÇA NO CONTEXTO ORGANIZACIONAL A Liderança tem sido estudada pelo homem ao longo de muito tempo, porém, de acordo com acadêmicos, somente a partir da década de 1930 esse tema se tornou foco de estudo fora da história e da filosofia. Por muito tempo, o responsável pela condução de um grupo de pessoas, esteve representado pela figura do Chefe, mas, atualmente, as organizações têm procurado desenvolver Líderes. Pois a Liderança vem ocupando, cada vez mais, espaço e ganhando ênfase no contexto organizacional, visando melhorar o desempenho das pessoas no exercício das suas funções e cargos e, consequentemente, alcançar sucesso nos negócios propostos pela organização. Segundo Matta, (2013) a princípio pode parecer que para comandar uma equipe, seja necessário ser chefe dela, porém há muita diferença entre ser chefe e líder. Para o autor, o chefe “tem tendência a comandar pessoas, impor ordens e ser autoritário. Também é conhecido por centralizar o poder e pensar apenas nos resultados e lucros”, o líder, “conduz as pessoas e as inspira. É conhecido por ser um motivador de sua equipe, mostrando a direção que devem seguir e, mais importante, ir junto”. Matta (2013) diz, ainda, que: Os líderes têm tendência a serem muito respeitados por seus funcionários, e o respeito têm muito mais eficiência do que o temor. O líder busca não só resultados, mas a melhor maneira para ele e para a equipe conseguir alcançá-los, já que ele não pensa no poder como algo centralizado e sim uma responsabilidade que deve ser dividida. (MATTA, 2013) Segundo Chiavenato (2004) os autores clássicos não se preocuparam com a Liderança e suas implicações, apenas se referiram superficialmente a ela. Na Teoria Clássica, fundada por Henri Fayol (1841- 10 1925), cuja ênfase era colocada na estrutura organizacional, a autoridade formal era destacada pela chefia nos níveis hierárquicos superiores sobre os níveis hierárquicos inferiores nos aspectos relacionados às atividades do cargo. Já a Teoria das Relações Humanas, transferiu para a ênfase as pessoas, ou seja, a preocupação antes tida com a organização formal e os princípios da Administração, transferiu a prioridade para uma preocupação com as pessoas e os grupos sociais, observando-se os aspectos psicológicos e sociológicos, verificando-se, dessa forma, a influência da liderança no comportamento das pessoas. No contexto organizacional, a Liderança é de fundamental importância, e, ao longo do tempo recebeu diversas definições e conceitos, o que pode ser verificado nas teorias da administração que abordam esse tema, e, é notável que o homem foi, cada vez mais, ganhando destaque e importância nos estudos da Administração onde a Gestão de Pessoas, segundo Chiavenato (2010) “tem sido a responsável pela excelência das organizações bem-sucedidas e pelo aporte de capital intelectual que simboliza, mais do que tudo, a importancia do fator humano em plena Era da Informação”. 1.1 DEFINIÇÕES E CONCEITOS DE LIDERANÇA “Processo de encorajar e ajudar os outros a trabalharem entusiasticamente na direção de objetivos” – Davis e Mewstrom, 1992; “Atividade de influenciar pessoas a cooperarem na consecução de um objetivo” – Tead, 1989; “Capacidade que algumas pessoas possuem de conseguir que outras, de modo espontâneo, ultrapassem o estabelecido formalmente” – Fiorelli, 2000. Para Chiavenato (2004, p.122) a liderança é essencial em todas as funções da administração e, o administrador precisa conhecer a natureza, humana e saber conduzir as pessoas. Chiavenato destaca que para os humanistas, a liderança pode ser visualizada sob diversos ângulos, sendo: 1. Liderança como um fenômeno de influência interpessoal. Nessa perspectiva a liderança é a influência interpessoal exercida em uma situação e 11 conduzida por meio da comunicação humana para o alcance de um ou mais objetivos específicos. A Liderança é decorrente dos relacionamentos entre as pessoas em uma determinada estrutura social e, nada tem haver com os traços pessoais de personalidade do líder. A influência significa uma força psicológica, com a qual uma pessoa age visando modificar o comportamento de outra. 2. Liderança como um processo de redução da incerteza de um grupo. A liderança é um processo contínuo de escolha que permite que a empresa caminhe rumo à sua meta, apesar das perturbações do ambiente interno e externo, assim, o líder é aquele que pode dar maior assistência e orientação ao grupo para o alcance de objetivos, contribuindo, assim, para a redução de incerteza do grupo. Dessa forma, o líder é um tomador de decisões ou aquele que orienta o grupo na tomada de decisões. 3. Liderança como uma relação funcional entre líder e subordinados. A Liderança é tida como uma função das necessidades existentes em uma determinada situação consistente em uma relação entre um indivíduo e um grupo, relação esta, na qual o líder é visto pelos subordinados como possuidor ou controlador dos meios para a satisfação de suas necessidades, assim, segui-lo pode significar para o grupo um meio para aumentar a satisfação de suas necessidades ou a não diminuição das mesmas. Dessa forma, o líder surge como aquele que pode conduzir o grupo para o alcance dos objetivos desejados, um estrategista que sabe indicar o rumo às pessoas. 4. Liderança como um processo em função do líder, dos seguidores e de variáveis da situação. Liderança é o processo de exercer influência sobre pessoas ou grupos nos esforços para se alcançar objetivos em uma determinada situação e, depende de variáveis no líder, nos subordinados e na situação. Trata-se de uma abordagem situacional, onde a liderança existe em função das necessidades existentes em determinada situação, a qual é resultante da conjugação de características pessoais do líder, dos subordinados e da situação que os envolve, sendo o líder, aquele que sabe ajustar todas essas características. 12 1.2 ABORDAGENS DA LIDERANÇA EM TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO Várias Teorias da Administração abordam o tema Liderança, sendo o ponto comum entre elas a condição de destaque dada ao indivíduo que exerce certa influência sobre outras pessoas, diferenciando-se pelas qualidades e características do líder, situações específicas que os líderes precisam conduzir e solucionar problemas, relação entre líder e liderados, pelos motivos, objetivos e forma de liderança, dentre outros. Vejamos as teorias que seguem. a. Teorias Inatistas O conjunto das teorias inatistas foi o primeiro e se manteve em cena até o final da década de 40. A abordagem da Liderança nessas teorias estava ligada à atuação de grandes homens que fizeram a história. São elas: Teoria dos Grandes Homens, Thomas Carlyle (1841), Galton (1869), Sidney Hook (1943), Emerson (1960) e Churchill (1941): O líder é tido como herói ou divindade encarnada, considerando sua personalidade, talentos pessoais, habilidades e características físicas. Teoria dos Traços, Terman (1904), Mann (1959) Stogdill (1948): o líder é dotado de traços e características próprias que o tornam superior e o diferenciam dos seguidores. Teoria Carismática, Weber (1921): o carisma é um dom divino e o portador desta traz em si uma missão que deve ser realizada. O líder é detentor de qualidades excepcionais perante seus subordinados As teorias inatistas valorizam a hereditariedade, ou seja, aquilo que é inato ao ser humano. Teoria dos Traços De acordo com a teoria dos traços, os líderes podem ser diferenciados dos não-líderes pelas suas características e qualidades pessoais 13 e, pressupõe que os líderes nascem com suas características de liderança. Esses traços estão ligados a aspectos sociais, físicos, intelectuais ou de personalidades. A procura por esses traços remonta da década de 30, porém, mesmo nos anos 90, muitas dessas pesquisas para identificar esses traços, não tinham alcançado resultado satisfatório, mas, apontavam para sete traços que pareciam destacar os líderes: ambição e energia, desejo de liderar, honestidade e integridade, autoconfiança, inteligência, elevado auto- monitoramento e conhecimentos relevantes para o trabalho. Com base no modelo Big Five de personalidade, modelo de personalidade de cinco fatores (extroversão, amabilidade, consciência, estabilidade emocional e abertura para experiências), realizado por John Bearden, ficou claro que a maioria dos traços identificados podia ser incluída em cada uma das dimensões daquele modelo, o qual dava consistência aos traços como previsores de liderança. Concluiu-se, dessa forma, que os traços podem identificar a Liderança, no sentido de prever o surgimento da liderança, do que para distinguir entre líderes eficazes e não eficazes. Assim, um indivíduo pode apresentar determinados traços e ser visto como líder, mas, não obter sucesso no exercício da liderança. b. Teorias Comportamentais O comportamento exibido por certos líderes começaram a ser analisados por pesquisadores, do final da década de 40 até a década de 60, com o objetivo de descobrir se havia alguma coisa específica na maneira de se comportarem. O conjunto dessas teorias enfocou o comportamento e o estilo da liderança, detendo-se no que os líderes eficazes faziam, como motivavam os liderados, como se comunicavam e realizavam as tarefas. Considerando os estilos de comportamento do líder em relação aos seus subordinados, a teoria mais conhecida, segundo Chiavenato (2004) 14 refere-se a três estilos de liderança (autoritária, liberal e democrática) cujas características estão destacadas na tabela a seguir: AUTOCRÁTICA DEMOCRÁTICA . O líder fixa as diretrizes, . As diretrizes são sem qualquer participação debatidas e decididas pelo do grupo. grupo, estimulado e assistido pelo líder. . O líder determina as providências para a . O grupo esboça as execução das tarefas, providências para atingir o cada uma por vez, na alvo e pede medida em se tornam aconselhamento do líder, necessárias e de modo que sugere alternativas imprevisível para o grupo. para o grupo escolher. O líder determina a As tarefas ganham novas perspectivas com o tarefa que cada um deve debate. executar e o seu companheiro de trabalho. . A divisão das tarefas fica . O líder é dominador e é a critério do grupo e cada membro tem liberdade de “pessoal” nos elogios e escolher seus nas críticas ao trabalho de companheiros de trabalho. cada membro. . LIBERAL . Há liberdade total para as decisões grupais ou individuais, e mínima participação do líder. . A participação do líder é limitada, apresentando apenas materiais variados ao grupo, esclarecendo que poderia fornecer informações desde que as pedissem. . A divisão das tarefas e escolha dos colegas fica totalmente a cargo do grupo. Absoluta falta de participação do líder. . O líder não avalia o grupo nem controla os Apenas . O líder procura ser um acontecimentos. comenta as atividades membro normal do grupo, quando perguntado. em espírito. O líder é “objetivo” e limita-se aos “fatos” nas críticas e nos elogios. (Os três estilos de liderança. CHIAVENATO, 2004, p. 125) A abordagem comportamental, conhecida como behaviorista, é, segundo Chiavenato (2003), caracterizada por ser decorrência da Teoria das Relações Humanas, com ênfase no comportamento humano, abrangendo a influência desse comportamento na organização como um todo e as perspectivas das pessoas diante da organização. O surgimento de idéias e conclusões que trazem uma nova perspectiva do homem foi de extrema importância para a formação da Teoria Comportamental, que se desenvolveu por volta de 1950, nos Estados Unidos. 15 As características da teoria Comportamental são: 1. a ênfase nas pessoas; 2. preocupação com o comportamento organizacional (processo de trabalho); 3. estudo do comportamento humano (motivação humana - teoria de Maslow). De acordo com a teoria de Maslow, a motivação surge de um conjunto de necessidades, as quais estão dispostas em uma hierarquia de importância, que pode ser visualizada como uma pirâmide. Na base da pirâmide estão as necessidades mais básicas (necessidades fisiológicas), seguidas das necessidades de segurança, necessidades sociais, necessidades de estima e no topo, as necessidades mais elevadas (as necessidades de auto-realização). Para Maslow, quando as necessidades de primeiro nível são satisfeitas, a pessoa passa para o próximo nível, e assim, movendo-se em direção à necessidade do topo. c. Teorias das Contingências Prever que o sucesso da liderança é muito mais complexo que identificar alguns traços e comportamentos relacionados a ela. Um tipo de liderança pode funcionar em uma situação e, em outra, não funcionar. A impossibilidade de obter resultados consistentes levou os pesquisadores a estudarem as influências da situação. Assim, apareceram abordagens para a identificação de variáveis situacinais básicas, das quais, cinco foram mais amplamente reconhecidas: O Modelo Fieldler: propõe que a eficácia do desempenho do grupo depende da adequação entre o estilo do líder e o o grau de controle que a situação lhe proporciona. Fieldler identifica três dimensões contingenciais que para ele definem os fatores situacionais básicos para a eficácia da liderança, a saber: as relações entre líder e liderado, a estrutura da tarefa e o poder da posição. 16 Teoria situacional de Hershey e Blanchard: com foco sobre os liderados, essa teoria aponta que a liderança bem sucedida é alcançada pela escolha do estilo adequado que é contingente à habilidade e disposição demonstradas pelos liderados, ou seja, independente do que o líder fizer, a eficácia depende das ações de seus liderados. As teorias situacionais explicam a liderança em um contexto mais amplo do que as teorias dos traços de personalidade e as teorias sobre estilos de liderança segundo Chiavenato (2004), pois, partem do princípio que “não existe um único estilo de liderança válido para todo e qualquer situação” (Chiavenato, 2004, p. 126), mas, que para alcançar a eficácia dos subordinados, cada situação requer um tipo de liderança e, que um líder deve se ajustar a um grupo de pessoas sob condições variadas. Teoria da troca entre líder e liderados: diferente das teorias apresentadas anteriormente, as quais partem do princípio de que um líder trata todos os liderados de uma mesma maneira, a teoria da troca entre líder e liderado argumenta que, devido às pressões do tempo, os líderes estabelecem um relacionamento especial com um pequeno grupo de liderados, o chamado “grupo interno”, e, os demais membros constituem o “grupo externo”. Enquanto o “grupo interno” tem toda a confiança do líder, recebendo mais atenção e privilégios, o “grupo esterno”, recebe menos atenção, e seu relacionamento com o líder é baseado na formalidade de sua autoridade. Segundo essa teoria, a diferenciação dos liderados pelo líder baseia-se na similaridade entre as características desses ou pela competência superior dos que compõem o “grupo interno” com relação aos que compõem o “grupo externo”. Teoria da meta e do caminho: uma das mais respeitadas teorias sobre liderança, na atualidade, a teoria da meta e do caminho argumenta que é função do líder abrir caminhos para ajudar seus liderados a atingirem seus objetivos. Essa teoria identifica quatro tipos de comportamentos de liderança: a liderança diretiva (quando o líder deixa claro o que espera dos liderados, proporcionando a esses, orientação específica quanto ao que deve ser feito e como deve ser realizado), a liderança apoiadora (o líder mostra-se acessível e demonstra sensibilidade às necessidades dos liderados), liderança 17 participativa (o líder consulta os liderados, solicita suas sugestões e as considera antes de tomar decisões) e a liderança orientada para o resultado (caracterizada por um líder que estabelece metas desafiadoras e espera que os liderados ofereçam o melhor desempenho, demonstrando confiança de que esses atingirão altos padrões de desempenho). O modelo de participação e liderança: esse modelo enfatiza o grau de participação que os subordinados devem ter na tomada de decisões para que estas sejam mais eficientes e eficazes. Trata-se de um modelo normativo, ou seja, define uma série sequencial de regras que devem ser seguidas na determinação da forma e grau de participação esperada. d. Teorias Neocarismáticas Influenciando desde o início dos anos 80 até hoje, as teorias neocarismáticas enfatizam que o líder é um gestor de significados, que o carisma pode ser aprendido e, que os valores transformam o comportamento dos liderados, principalmente se o líder tiver a capacidade de servir ao próximo, buscam explicar como certos líderes conseguem um grande envolvimento e comprometimento da equipe, e, procuram ver a liderança de uma maneira mais próxima de uma pessoa comum. Abaixo os autores, anos e características das Teorias Neocarismáticas: Carismática, House (1977), Conger e Kanungo(1998): diferente da abordagem inatista, na teoria neocarismática o carisma pode ser aprendido. Integrativa: Transformacional, Embasada em Valores, Burns (1978) e Bass (1985): de acordo com essa teoria o líder e seus seguidores se elevam mutuamente em níveis mais elevados de moralidade. Transacional, Burns (1978) e Bass (1985): propõe o uso de incentivos e recompensas através da troca entre o líder e o liderado. Visionária e de Aspirações, Nanus (1985) e Bennis (1988): tem como visão algo que o líder apreende. Ele é aquele que anima, inspira e transforma o propósito em ação. 18 Espiritual, DePree (1989), Etzioni (1993), Fairholm (1997), Greenleaf (1977), Hawley (1993), Keifer (1992), J. Maxwell e Vaill (1989): a Liderança envolve a conexão com os outros, de maneira integral, influenciando as almas das pessoas mais do que controlar suas ações. Servidora, Greenleaf (1996): parte do princípio de que a motivação é o desejo de ajudar os outros. O líder assume comportamentos de servidores na sua relação com os liderados. Teoria U, Otto Scharmer (2004, 2005): propôs uma nova forma de gestão, com a intenção de preparar o líder para os desafios que envolvem o bem-estar do planeta e das gerações futuras, apresentando as sete capacidades a seguir: 1. Suspender - Ligar-se ao que está a sua volta; 2. Observar: comparecer aos lugares com sua mente bem aberta; 3. Sentir: conectar-se com seu coração; 4. Estar presente: conectar-se com a fonte de seu “eu” e de sua vontade; 5. Cristalizar: acessar o poder da intenção; 6. Fazer o protótipo: integrar cabeça, coração e mãos; 7. Desempenhar: cabeça aberta, coração aberto e vontade aberta. Considerando os estudos na área, as teorias neocarismáticas surgiram para abordar temas comuns da realidade organizacional, com uma nova consideração de que um líder articula uma visão que reflete na missão e nos valores da organização a qual pertence. 19 CAPÍTULO II O LÍDER EDUCADOR Com as constantes mudanças na sociedade e no mundo dos negócios, as organizações vêm sentido a necessidade de acompanhar e se destacar no mercado para garantir sua sobrevivência. Essas mudanças, que se tornaram rápidas, imprevistas, turbulentas e inesperadas, segundo Chiavenato (2010), são a principal característica da era da informação, que começou no início da década de 90, estendendo-se a época que estamos vivendo atualmente. Época em que as empresas disputam espaço no mercado, disputam clientes, fornecedores e buscam meios de alcançarem os melhores resultados. De acordo com Chiavenato (2010), nesse cenário, onde a competitividade entre as empresas é mais intensa, o capital financeiro deixou de ser o recurso mais importante, agora, é a vez do conhecimento, do capital humano e do capital intelectual, e, tornar o conhecimento útil e produtivo passou a ser a maior responsabilidade gerencial. Diante desse contexto, podemos perceber que aquele que exerce função de liderança precisar abandonar as velhas práticas administrativas que não condizem mais com as novas necessidades organizacionais e aprender a ser um líder que busca o desenvolvimento da sua equipe. Esse novo líder, que assume o papel de Líder Educador, aquele que se preocupa com a equipe e com as pessoas, que busca ajudá-las a enfrentarem e superarem desafios e alcançarem os melhores resultados deve ser, antes de tudo, uma pessoa que age com entusiasmo, que desafia e inspira os membros do grupo, que direciona para o trabalho, instigando nas pessoas a busca pelo auto-desenvolvimento. Segundo OLiveira (2013), o trabalho do Líder Educador, geralmente, está enfocado em atividades como integração, desenvolvimento de 20 comunicação, gestão de tempo, dentre outras, sendo o desenvolvimento do potencial profissional uma de suas mais importantes atividades. 2.1 CARACTERÍSTICAS, HABILIDADES E COMPETÊNCIAS DO LÍDER EDUCADOR A Liderança Educadora requer além de características e habilidades, a aprendizagem de competências comportamentais, para que o líder consiga atingir metas e alcançar resultados através das pessoas. De acordo com Oliveira (2013) algumas dessas habilidades e competências são: relacionamento interpessoal, comunicação, competência emocional, motivação e tolerância às diferenças. Relacionamento interpessoal O relacionamento interpessoal é uma habilidade humana relacionada à capacidade que um indivíduo tem de interagir e lidar com pessoas. Essa habilidade favorecerá uma boa comunicação, o que ajudará o líder a resolver conflitos e a motivar a equipe no desempenho de suas atividades, dentre outros, pois: Habilidades humanas estão relacionas com o trabalho com pessoas e referem-se à facilidade de relacionamento interpessoal e grupal. Envolvem a capacidade de comunicar, motivar, coordenar, liderar e resolver conflitos pessoais ou grupais. As habilidades humanas estão relacionadas com a interação com as pessoas. O desenvolvimento da cooperação dentro da equipe, o encorajamento da participação, sem medos ou receios, e o envolvimento das pessoas são aspectos típicos de habilidades humanas. Saber trabalhar com pessoas e por meio das pessoas. . (CHIAVENATO, 2004, p. 3, grifo nosso) 21 Comunicação A comunicação é um fator imprescindível em qualquer tipo de relação. Ela pode ocorrer de maneira verbal e/ou gestual, direta falada ou à distância através dos novos meios de comunicação, enfim, a comunicação pode acontecer de formas variadas, o fato é que ela é o meio que estabelece as relações interpessoais, a transmissão e a troca de informações entre pessoas, portanto, é um fator importantíssimo dentro de uma organização. A falha na comunicação pode prejudicar o alcance dos resultados propostos pela empresa. Sobre esse respeito Chiavenato diz que: O enfoque das relações humanas mostrou que as comunicações dentro das organizações são terrivelmente falhas e alertou os administradores a: a. Assegurar a participação das pessoas dos escalões inferiores na solução dos problemas da empresa. b. Incentivar franqueza e confiança entre indivíduos e grupos nas empresas. A comunicação é uma atividade administrativa que tem dois propósitos principais: a. Proporcionar informação e compreensão necessárias para que as pessoas possam se conduzir em suas tarefas. b. Proporcionar as atitudes necessárias que promovam a motivação, a cooperação e a satisfação nos cargos. Esses dois propósitos promovem um ambiente que conduz a um espírito de equipe e a um melhor desempenho das tarefas. (CHIAVENATO, 2004, p. 128, 129) Motivação A “motivação refere-se às forças dentro de cada pessoa que a conduzem a um determinado comportamento” (Chiavenato, 2004, p. 144, grifo nosso), assim, para que o líder consiga o envolvimento e a participação da equipe no ambiente de trabalho, faz-se necessário criar condições que despertem a motivação nas pessoas. 22 De acordo com Engelman (2013), em seu artigo “Como motivar minha equipe?”, há formas de um líder criar condições para que sua equipe se sinta motivada, a saber: - Identificar os pontos fortes da organização e das pessoas na equipe: investir em pontos fortes e potencialidades da organização e das pessoas de maneira que essas utilizem seu talento no trabalho, facilita muito a construção de um futuro positivo para a empresa e aumenta a possibilidade de a equipe atingir um alto desempenho e obter um bem-estar e afetividade nas metas propostas pela organização. - Lembrar-se de que a motivação genuína é sempre intrínseca: gostar do trabalho que se realiza é o verdadeiro segredo da motivação, sendo assim, realizar sonhos profissionais coerentes com os talentos individuais de uma pessoa pode despertar a motivação em um trabalho. - Oferecer boas condições de trabalho contribui na criação de um ambiente motivador: se a motivação vem de gostar do que se faz, as condições de trabalho podem interferir na motivação e permanência da pessoa na organização, ou seja, oferecer uma tarefa adequada ao perfil profissional da pessoa, bem como, condições que favoreçam o desenvolvimento da tarefa, pode contribuir para a retenção de talentos. - Compartilhar o significado do trabalho também pode interferir na motivação: identificar e destacar o que há de positivo no trabalho realizado pela pessoa pode despertar a motivação. - Oferecer autonomia e oportunidade de aprendizagem no ambiente de trabalho: desafiar as pessoas a aprenderem algo novo, oferecendo autonomia para que as mesmas sintam que estão sendo tratadas como adultas, deixandoas executarem de acordo com o seu estilo e cobrar resultados consistentes, ainda, delegar tarefas que sejam proporcionais ao conjunto de competências atual do profissional que irá recebê-las, são aspectos que devem ser considerados. Oferecer tarefas difíceis de mais ou fáceis demais para a pessoa pode ser desmotivador. 23 - Celebrar as conquistas da organização: comemorar as conquistas destacando a participação das pessoas no alcance das mesmas sempre foi fundamental em ambientes motivacionais, mas vale lembrar que as formas de celebrar vão variar de acordo com a cultura organizacional. - Ter um projeto compartilhado de futuro: promover a participação das pessoas na construção de um futuro desejado pode ser um pilar para se criar condições motivadoras no ambiente de trabalho. Tolerância às diferenças Uma organização é formada por pessoas com diferentes opções religiosas, opções sexuais, traços culturais, cor de pele, idéias e ideais, entre outras, assim, o líder irá se deparar constantemente com diferenças. Saber lidar com essas diferenças, independe da posição que a pessoa ocupa dentro da empresa, porém, ao líder é indispensável que se tenha tolerância àquelas, pois sua posição exigirá uma postura sensata para avaliar, administrar, reduzir e evitar situações de conflitos causadas pelas diferenças. Para Robert Goffee e Garth Jones (2001, apud OLIVEIRA, 2013) os verdadeiros líderes reúnem também quatro características, a saber: • Mostram seus pontos fracos, mas de maneira seletiva. Ao deixar transparecer certa vulnerabilidade, admitem que são acessíveis e humanos; • Confiam em sua intuição para detectar o momento ideal e o curso mais adequado para suas ações. Sua capacidade de coletar e interpretar dados percebidos de forma não racional (dados soft) ajuda-os a saber quando e como agir; • Possuem o que chamamos de “empatia sem concessões” por seus funcionários. Líderes influentes realmente sentem forte empatia pelas pessoas e se interessam verdadeiramente pelo trabalho de seus funcionários; 24 • Mostram suas diferenças. Costumam capitalizar aquilo que têm de especial. Para Oliveira (2013), o líder educador é, também, aquele que têm uma postura reflexiva, capacidade de observar, regular, inovar, aprender com os outros e deve possuir capacidades mais precisas, para saber: • Gerenciar a equipe como uma comunidade educativa; • Redefinir o trabalho como um espaço de aprendizagem; • Cooperar com superiores, colegas e colaboradores no processo de aprendizagem e desenvolvimento de novas competências; • Gerenciar situações problemas, identificar obstáculos, analisar e reordenar tarefas; • Observar os colaboradores no desempenho dos trabalhos; • Avaliar competências em construção estimulando para superação dos limites e mudanças de modelos mentais. Segundo Oliveira (2013) este tipo de relacionamento preserva alguns valores tradicionais de controle e chefia, bem como, inova ao sugerir valores e desenvolver as bases da cultura de organização de aprendizagem que deem sustentação às estratégias de competitividade da organização. Ainda, considerando esse entendimento, diz que a boa liderança precisa: conhecer a equipe; tornar-se responsável pelo grau de desenvolvimento de sua equipe; mensurar resultados advindos do desenvolvimento da equipe; ampliar a delegação; e, incorporar metas de crescimento dos colaboradores no Plano de Ação e Metas do Gestor. 2.2 O PAPEL DO LÍDER EDUCADOR NO DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS Com a intensa competitividade das empresas nessa era da informação, onde tudo acontece de forma mais rápida, as pessoas são cada vez mais exigidas quanto ao comprometimento, produtividade e qualidade das 25 tarefas que executam, consequentemente, aquele que exerce cargo gerencial acaba sofrendo uma pressão maior para atingir as metas da organização. O trabalho gerencial não é tarefa fácil. É complexa e representa uma responsabilidade muito grande e fundamental dentro da organização. Centralizar a tomada de decisões, a busca de soluções para os problemas, entre outras ações e tentar impô-las aos subordinados é algo ultrapassado, e, não surte efeito positivo para a organização. Diante desse contexto, os líderes da atualidade percebem a necessidade de serem mais atuantes no desenvolvimento das pessoas no trabalho, segundo Engelmann (2010), a qual diz, ainda, que passou a ser parte integrante do papel da liderança desenvolver uma equipe, formar sucessores e líderes organizacionais. Ao assumir o novo papel gerencial, como líder responsável pelo desenvolvimento de uma equipe, que para Chiavenato (2010), é a base fundamental do trabalho de cada gerente, constituindo a sua unidade de ação, a sua ferramenta de trabalho utilizada para alcançar metas, superar objetivos e alcançar resultados, o gerente precisa, dentre outras tarefas e ações, saber: Como treinar e preparar a equipe para aumentar sua excelência, como liderar e impulsionar a equipe, como motivar a equipe, como avaliar o desempenho da equipe para melhorá-lo cada vez mais e como recompensar a equipe para reforçar e reconhecer seu valor. (CHIAVENATO, 2010, p. 229) Quanto à formação de sucessores e líderes organizacionais, o líder, também, poderá utilizar, o treinamento como ferramenta de aprendizagem, o qual segundo Oliveira (2013) se bem articulado a outras ações de desenvolvimento de pessoas, pode possibilitar a aceleração desse processo. 26 Oliveira (2013) diz, em seu artigo “Liderança Educadora: uma abordagem da educação corporativa envolvendo o líder formador de líderes” que a liderança educadora consiste em dar suporte aos profissionais visando o desenvolvimento desses em suas carreiras, fornecendo apoio e orientação, além de estimular para novos desafios, objetivos e enfrentamento de situações problemas como: problemas de relacionamento no trabalho ou queda de desempenho, mas, que o grande desafio do líder educador é o de reeducar, ou seja, fazer com que as pessoas que almejam a função de liderança se desapeguem dos velhos hábitos e se abram para novos aprendizados, compreendendo a importância do trabalho em grupo, onde todas as pessoas sejam acessíveis e possam aprender juntas e continuamente. 27 CAPÍTULO III FERRAMENTAS UTILIZADAS PARA O DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS O homem é um ser dotado de uma grande capacidade de aprendizagem. E, Investir nessa qualidade das pessoas para a progresso da organização é um grande desafio para as empresas, que estão cada vez mais procurando formas de se promover o desenvolvimento daquelas que a compõem. Deise C. Engelmann (2010) apresenta, em seu artigo “Liderança Educadora: capacitação e desenvolvimento de equipes”, ferramentas que podem ser utilizadas no exercício da liderança, visando promover o desenvolvimento das pessoas no trabalho, para saber: Processos de avaliação do desempenho: visa estabelecer desafios no trabalho que promovam o desenvolvimento individual e coletivo; Feedback: pode ser utilizado no dia a dia. Planos individuais de desenvolvimento: coaching, psicoterapia, atividades voluntárias, esportes, leituras, entre outras ações. Treinamentos: os treinamentos podem possibilitar a aceleração do desenvolvimento das pessoas quando utilizados de forma adequada e bem direcionados. Avaliação do desempenho Segundo Chiavenato (2010) a avaliação do desempenho é um processo de análise sistemática do desempenho de cada pessoa nas atividades que realizam, das metas e resultados a serem alcançados, das competências que a pessoa oferece e do seu potencial de desenvolvimento. Trata-se de um processo que serve para julgar e estimar a excelência e as competências de uma pessoa e qual a sua contribuição para o negócio da organização. Diz, ainda, que é um processo dinâmico que envolve o avaliado, 28 seu gerente e seus relacionamentos, sendo essa, uma técnica de direção imprescindível na atividade administrativa de hoje, pois: É um excelente meio pelo qual se localizam problemas de supervisão e gerência, de integração das pessoas à organização, de adequação da pessoa ao cargo, de localização de possíveis dissonâncias ou carências de treinamento de construção de estabelecer os competências meios e e, consequentemente, programas para melhorar continuamente o desempenho humano. (CHIAVENATO, 2010, p. 241) A avaliação de desempenho deve ser vista como uma ferramenta imprescindível que é para a vida organizacional, porém, utilizada observandose questões que irão direcionar a realização da mesma. Chiavenato destaca que existem seis questões fundamentais na avaliação do desempenho: 1. Por que avaliar o desempenho? 2. Qual o desempenho que deve ser avaliado? 3. Como avaliar o desempenho? 4. Quem deve fazer a avaliação do desempenho? 5. Quando avaliar o desempenho? 6. Como comunicar a avaliação do desempenho? (CHIAVENATO, 2010, p. 241) As razões que podem levar as organizações a aplicarem a avaliação de desempenho são várias, mas de acordo com Chiavenato (2010) as principais são: 1. Recompensas: Aumentos salariais, promoções, transferências, ou mesmo demissões, podem ser justificados pelo resultado da avaliação. 2. Retroação: Através da avaliação a pessoa pode saber como aqueles com quem interage percebem seu desempenho, atitudes e suas competências. 3. Desenvolvimento: A avaliação permite que cada avaliado conheça seus pontos fortes e pontos frágeis, o que irá permitir que cada um saiba em que poderá aplicar-se com mais intensidade no trabalho e em que aspecto deverá buscar se desenvolver, respectivamente. 29 4. Relacionamento: Ao saber como o seu desempenho está sendo avaliado, a pessoa poderá buscar melhorar seu relacionamento com aqueles com quem trabalha. 5. Percepção: Através da avaliação o colaborador poderá perceber como as pessoas ao seu redor pensam ao seu respeito, o que irá proporcionar que melhore sua autopercepção e a percepção do entorno social. 6. Potencial de desenvolvimento: A avaliação proporciona meios para conhecer o potencial de desenvolvimento dos colaboradores, o que irá favorecer a definição de programas de treinamentos e desenvolvimento de pessoas. 7. Aconselhamento: A avaliação oferece informações que poderão ser utilizadas pelo gerente ou especialista de RH ao fazer aconselhamentos e orientações aos colaboradores. Segundo Chiavenato (2010) o foco da avaliação do desempenho pode ser o cargo ocupado pela pessoa ou as competências que a mesma oferece à organização e, sobre como avaliar, diz que os métodos tradicionais de avaliação mais utilizados são escalas gráficas, escolha forçada, pesquisa de campo, incidentes críticos e listas de verificação, mas, que muitas organizações constroem seus próprios sistemas de avaliação ajustados às suas características peculiares. O autor diz que as limitações dos métodos tradicionais têm levado as organizações a buscarem novos métodos, onde há uma maior participação do funcionário em seu próprio planejamento de desenvolvimento pessoal, visando à melhoria contínua do desempenho. Há diferentes alternativas utilizadas pelas organizações sobre quem deve avaliar o desempenho. A respeito dessa questão, Chiavenato (2010) diz que: As mais democráticas e participativas proporcionam ao próprio colaborador a responsabilidade de auto-avaliar livremente seu desempenho. Outras organizações atribuem a responsabilidade pela avaliação ao gerente imediato para reforçar a hierarquia. Outras procuram integrar o gerente e o subordinado na avaliação para reduzir a diferença de 30 hierárquica. Outras atribuem a avaliação de desempenho à equipe, principalmente, quando estão estruturadas em equipes auto-suficientes e autogeridas. Outras ainda adotam um processo circular de 360º na avaliação. E há outras em que o órgão de ARH centraliza e monopoliza totalmente o processo de avaliação. (CHIAVENATO, 2010, p. 245) Por fim, a avaliação do desempenho é uma ferramenta que pode proporcionar benefícios à organização e ao colaborador, pois, possibilita a verificação de quais desempenhos precisam ser aprimorados, visando o alcance de metas e melhores resultados para a empresa e, quanto às pessoas, possibilita a verificação de quais aspectos precisam ser trabalhados no sentido de desenvolvê-los, bem como, como utilizar melhor suas habilidades e competências. Feedback Segundo Engelmann (2013), o feedback no ambiente de trabalho serve para informar ao indivíduo o impacto que o seu comportamento tem sobre seu próprio desempenho, bem como, sobre o desempenho da equipe, sempre com o objetivo de ajudá-lo a se desenvolver. Para isso, é melhor tratar um comportamento de cada vez ao dar um feedback, o que dará à pessoa que o recebe, a oportunidade de potencializar um comportamento positivo ou de buscar modificar um comportamento que seja necessário repensar. Diz ainda que: O feedback é uma ferramenta preciosa de desenvolvimento de pessoas e organizações quando utilizada de forma correta. Líderes podem, através de seu próprio exemplo pessoal, incentivar a utilização do feedback na geração de um ambiente de trabalho que tenha como base o diálogo e a cooperação mútua. (ENGELMANN, 2013) 31 De acordo com Marques (2014), há como aproveitar melhor seus feedbacks, a saber: - Ouvir na essência: ouvir atentamente o que está sendo dito, evitando interromper o superior ou colega que está dando o feedback, bem como, evitando se justificar e se fazer de vítima. É importante buscar compreender o onde errou, visando melhorar e evitar cometer os mesmos erros. - Controlar suas emoções: Evitar confrontar de forma agressiva, mesmo que não concorde com o que está sendo pontuado, isso só demonstrará descontrole emocional de sua parte. Ouça, mostre seu ponto de vista sobre a questão e procure argumentar sem hostilidade. - Tirar suas dúvidas: É fundamental, depois de receber o feedback, avaliar o que foi dito e tirar dúvidas, buscando esclarecer o que não ficou muito claro. Isso proporcionará mais informações e aumentará as chances de eliminar erros. - Fazer autofeedback: Refletir, racionalmente, sobre o que foi pontuado, fazendo uma autoavaliação sincera e verdadeira, pensando no que pode fazer para mudar o comportamento necessário, a fim de evoluir. Agir com humildade, pedindo a colaboração do líder e dos colegas, também, ajudará a alcançar a mudança esperada. - Investir em coaching: Este processo proporciona, num curto prazo, maior autoconhecimento, a identificação do foco do problema e o desenvolvimento de novos comportamentos, visando eliminar o que estava impedindo o seu crescimento. É importante que o líder se coloque, também, de maneira acessível para receber feedback da equipe, ou seja, assim como o líder pode e deve dar feedback, o mesmo deverá estar aberto para recebê-lo, pois o seu comportamento e suas atitudes devem ser coerentes com sua fala para que ele possa educar, inclusive, pelo exemplo, e, exerça uma influência positiva sobre os seus subordinados. 32 Planos individuais de desenvolvimento Desenvolver pessoas, para Chiavenato (2010), vai além de darlhes informação para que aprendam novos conhecimentos, habilidades e destrezas a fim de se tornarem mais eficientes naquilo que fazem. É proporcionar um enriquecimento da personalidade humana, dando-lhes formação básica que promova a aprendizagem de novas atitudes, soluções, ideias, conceitos, modificação de seus hábitos e comportamentos, visando tornarem-nas mais eficazes no que fazem, com uma visão no futuro, ou seja, o desenvolvimento de pessoas, em geral, visa preparar as pessoas para ocuparem cargos futuramente na organização. Diante do exposto, podemos entender que o plano individual de desenvolvimento ou plano de desenvolvimento individual (PDI) é em processo que visa proporcionar ao indivíduo o planejamento do seu desenvolvimento profissional e pessoal, de maneira que o mesmo adquira novos conhecimentos e competências para que melhore seu desempenho não só no cargo que ocupa no presente, mas que tenha condições de traçar sua carreira e se desenvolver para assumir novos cargos no futuro. Para José Roberto Marques (2011), presidente do Instituto Brasileiro de Coaching, o PDI é um processo composto por um plano de ações que conduzirão o indivíduo do estado em que se encontra a um estado desejado, servindo de apoio para que a pessoa siga os passos estrategicamente traçados, sem perder o foco. O autor citas alguns passos fundamentais para se obter sucesso na elaboração de um plano de desenvolvimento individual, a saber: - Análise situacional: a pessoa deverá observar todas as áreas da sua vida, família, carreira, relacionamento, saúde, espiritualidade, finanças, qualidade de vida, equilíbrio emocional, enfim, tudo o que envolve seu universo, e, avaliar seu nível de satisfação com cada uma delas. Essa avaliação possibilitará à pessoa saber sobre quais aspectos precisa melhorar ou não. 33 - Mapa de competências: identificar e selecionar as competências necessárias para atingir seu objetivo, bem como seus pontos fortes e a desenvolver, relatá-los de forma detalhada. - Definição e validação de metas e objetivos: esse é o momento de colocar para fora, seus sonhos, tudo que almeja na vida pessoal e profissional, definindo o se pretende alcançar e em que dimensão e tempo se pretende alcançar. - Plano de ação: depois de observar e avaliar as áreas da sua vida que precisam ser melhoradas, de identificar e selecionar pontos fortes e frágeis a serem trabalhados, o que se deseja alcançar e em que prazo, é hora de traçar as ações. São elas que possibilitarão potencializar os pontos fortes, o desenvolver dos pontos frágeis, direcionar as habilidades e competências necessárias em cada ação, e, consequentemente, alcançar os objetivos e metas traçadas. Lembrando que no decorrer das ações é imprescindível monitorar, revisar, reavaliar e ajustar o plano de ações, caso seja necessário. Engelmann (2010) cita, dentre outros, o processo de coaching como uma ferramenta que pode ser utilizada pelo líder como uma forma de desenvolver pessoas. Em seu artigo “Coaching: Será que é modismo? Para que serve?” a autora diz que o termo “coach” vem do inglês e significa “treinador”. O profissional que dele participa chamamos de “coachee” e quando falamos do processo, chamamos de coaching, o qual ela define como um processo individual, onde um profissional especializado contribui para que o outro desenvolva competências. Diz, ainda, que em um mundo em constantes mudanças, esse processo não é um modismo, mas sim uma tendência. Para Chiavenato (2010, p. 413) “O gerente pode integrar vários papéis como líder renovador, preparador, orientador e impulsionador para se transformar em um coach. O coaching singnifica o conjunto de todas essas facetas”. O coaching é definido por Marques (2015) como “uma metodologia que, utilizando-se de diversas ciências e ferramentas, busca aprimorar e desenvolver as habilidades e competências dos indivíduos”, diz ainda, que na atualidade, o coaching é a maior e melhor ferramenta de 34 desenvolvimento humano, a qual vem sendo procurada por empresas e pessoas de todos os segmentos, com o intuito de alcançar objetivos variados. Treinamento O treinamento, diferente do desenvolvimento de pessoas, é, segundo Chiavenato (2010) um processo de aprendizagem orientado para o presente, ou seja, tem como foco o cargo atual e visa melhorar o desempenho da pessoa no cargo que ocupa. Diz ainda que a maior parte dos programas de treinamento está concentrada em transmitir informações sobre a organização. Outros programas estão concentrados em desenvolver as habilidades das pessoas, visando capacitá-las melhor no trabalho que desempenham. Outros visam o desenvolvimento de novos hábitos e atitudes. E, outros programas estão preocupados em desenvolver conceitos visando desenvolver nas pessoas a capacidade de pensar, raciocinar, julgar, decidir e agir. Para Chiaventato (2010, p. 368), “boa parte dos programas de treinamento procura mudar as atitudes reativas e conservadoras das pessoas para atitudes proativas e inovadoras para melhorar seu espírito de equipe e sua criatividade”. 3.1 O TREINAMENTO COMO UMA FORMA DE DESENVOLVIMENTO DE EQUIPE O uso de treinamentos para ensinar à equipe uma nova atividade, ou o funcionamento de uma nova tecnologia ou ferramenta, por exemplo, é muito comum em muitas organizações, mas o treinamento pode ser uma ferramenta muito mais valiosa para a organização se bem planejado, direcionado, colocado em prática e avaliado. Segundo Chiavenato (2010, p. 368), o treinamento é um processo cíclico e continuo composto de quatro etapas, para saber: 1.Diagnóstico. É o levantamento das necessidades ou carências de treinamento a serem atendidas ou satisfeitas. Essas necessidades podem ser passadas, presentes ou futuras. 35 2.Desenho. É a elaboração do projeto ou programa de treinamento para atender às necessidades diagnosticadas. 3.Implementação. É a execução e condução do programa de treinamento. 4.Avaliação. É a verificação dos resultados obtidos com o treinamento. De acordo com Deise C. Engelmann (2010) para utilizar o treinamento como ferramenta para o desenvolvimento de equipes, o líder deverá lembrar-se dos seguintes aspectos: - Escolher treinamentos de alta qualidade: os treinamentos devem ser planejados e desenvolvidos utilizando-se metodologias consistentes para educação de adultos, onde se considere as experiências e demandas de aprendizagem individuais e coletivas. - Certificar-se de que o participante está consciente da importância do treinamento que está sendo oferecido a ele: o interesse no tema e a consciência da importância do mesmo fará grande diferença nos resultados do treinamento. - Verificar se o treinamento oferecido poderá aprimorar o desempenho atual do profissional ou o desenvolvimento de suas competências no curto ou médio prazo: é fundamental que o aprendizado adquirido com o treinamento possa ser utilizado pelos participantes, caso contrário o conhecimento poderá ser esquecido, então, não terá nenhum proveito prático para a organização. - Verificar se o treinamento está de acordo com a possibilidade de aprendizagem do participante: é importante verificar para qual público será destinado o treinamento, pois, um treinamento em um nível conceitual diferente daquele para o qual sendo ofertado poderá gerar frustração e ansiedade e, consequentemente, poderá ter efeito negativo nos resultados almejados com o treinamento. - Acompanhar os progressos alcançados pelo participante após a realização do treinamento: o reconhecimento dos avanços em aprendizagem 36 podem motivar os participantes a colocarem em prática o se aprendeu durante o treinamento, sempre que tiver oportunidade para isso. Os aspectos destacado por Engelmann (2010) vão ao encontro da aplicação da teoria da aprendizagem ao treinamento, a saber: 1. O treinando deve estar motivado para aprender. 2. O treinando deve estar capacitado para aprender. 3. A aprendizagem requer retroação e reforço. 4. Aplicação prática aumenta o desempenho do treinamento. 5. O material de treinamento deve ser significativo. 6. O material deve ser comunicado com eficácia. 7. O material do treinamento deve ser transferível para o trabalho. (Chiavenato, 2010, p. 383) A aplicação desses princípios propõe, respectivamente, a motivação para um maior envolvimento e participação das pessoas; o direcionamento do treinamento de acordo com a capacitação do treinando para uma melhor assimilação e aplicação do conteúdo ao trabalho; avaliação do desempenho do treinando e reforço dos pontos a desenvolver para que o objetivo do treinamento seja atingido; a promoção de condições ou oportunidades para que a pessoa aplique o aprendizado adquirido no trabalho favorecerá a compreensão e assimilação do conhecimento; a oferta de um material interessante, que desenvolva o conteúdo do treinamento de maneira que o treinando compreenda o sentido do mesmo; uma comunicação clara, que faça associação com novos conhecimentos; e, com conteúdo relacionado com sua área de atuação, possibilitando que o mesmo possa ser colocado em prática pelo treinando. Um treinamento bem-sucedido pode proporcionar os seguintes resultados à organização: Internamente: 1. Melhoria da eficiência dos serviços. 2. Aumento da eficácia nos resultados. 37 3. Criatividade e inovação nos produtos e serviços oferecidos ao mercado. 4. Melhor qualidade de vida no trabalho (QVT). 5. Maior qualidade e produtividade. 6. Melhor atendimento ao cliente. 7. Valor agregado. Externamente: 1. Maior competitividade organizacional. 2. Assédio de outras organizações aos colaboradores da empresa. 3. Melhoria da imagem da organização. (CHIAVENATO, 2010, p. 385, grifo nosso) Esses resultados indicam uma melhora considerável no desempenho das pessoas, o que reflete direto e positivamente no desempenho da organização, contribuindo para o alcance do sucesso nos negócios. 3.2 A IMPORTÂNCIA DOS PILARES DA EDUCAÇÃO PARA O SÉCULO XXI NOS PROCESSOS DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS O treinamento e o desenvolvimento de pessoas são ferramentas muito utilizadas por organizações de diversos segmentos, e, considerando que ambos são processos de aprendizagem, as técnicas ou metodologias aplicadas nesses programas devem ir além da transmissão de conhecimento, mas se apoiar em uma prática pedagógica que proporcione ao colaborador condições de desenvolver competências, habilidades, atitudes e mudanças de hábitos que desenvolvam e potencializem sua capacidade de aprender, criar, inovar, propor soluções, administrar situações de conflito, lidar com o diferente, trabalhar em equipe, dentre outros. Segundo Jacques Delors (1998 apud OLIVEIRA, 2013) a prática pedagógica deve preocupar-se em desenvolver quatro aprendizagens fundamentais, que serão para cada indivíduo os pilares do conhecimento: aprender a conhecer indica o interesse, a abertura para o conhecimento, 38 como forma de se libertar da ignorância; aprender a fazer consiste em aplicar na prática seus conhecimentos teóricos, mostra a coragem de executar, de correr riscos, de errar mesmo na busca de acertar; aprender a conviver constitui um dos maiores desafios para os educadores, pois, traz o desafio da convivência que apresenta o respeito a todos, o combate ao conflito, preconceitos e rivalidades diárias; e, finalmente, aprender a ser, que, talvez, seja o mais importante por explicitar o papel do cidadão e o objetivo de viver. Em resumo podemos entender os quatro pilares da educação, conforme abaixo: - Aprender a conhecer: propõe um tipo de aprendizagem que tem por finalidade o domínio dos próprios instrumentos dos conhecimentos, para que se desperte o prazer de compreender, de conhecer, de descobrir e aprender, o que proporcionará autonomia à pessoa, pois, pretende-se que cada um aprenda a compreender o mundo que o rodeia, para que possa desenvolver suas capacidades profissionais, interagir como o meio em que está inserido, e viver dignamente. - Aprender a fazer: este pilar é indissociável do aprender a conhecer, sendo que, aprender a fazer está mais ligado à formação profissional, no sentido de ensinar à pessoa a por em prática os seus conhecimentos. Mas, para o século XXI, época em que as pessoas vêm sendo cada vez mais exigidas no exercício das suas tarefas, chamadas a participarem de maneira mais eficaz dos negócios propostos pelas organizações, o “aprender a fazer”, propõe ir além de preparar alguém para uma tarefa, propõe preparar a pessoa para utilizar seus conhecimentos para inovar, criar e enfrentar situações diversas. - Aprender a viver juntos: esta aprendizagem propõe trabalhar na pessoa a capacidade de conviver com o diferente, de conviver com todos, respeitando as diversidades culturais, dentre outras, desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências, o que, consequentemente, desenvolverá na pessoa a capacidade de trabalhar em equipe e lidar com os conflitos de maneira pacífica. - Aprender a ser: propõe o desenvolvimento da personalidade do indivíduo de maneira que o mesmo tenha competência para agir com autonomia, com 39 discernimento e responsabilidade pessoal, para isso, há de se considerar a pessoa em sua integralidade, ou seja, suas capacidades físicas e cognitivas, sentido estético e aptidão para comunicar-se, entre outros. Com isso, pretendese que o indivíduo aprenda a ser, se conheça e se reconheça no mundo, no ambiente em que está inserido e saiba se posicionar no mesmo. Com os quatro pilares da educação, pretende-se formar indivíduos autônomos, intelectualmente ativos e independentes, capazes de estabelecer relações interpessoais, de comunicarem e evoluírem permanentemente, portanto, podemos concluir que é de fundamental importânica que as ações do líder educador e as metodologias de desenvolvimento, treinamentos e educação de pessoas estejam apoiadas nos pilares da educação, os quais tem por finalidade o desenvolvimento completo do indivíduo. 40 CONCLUSÃO A análise sobre o assunto liderança através das suas definições e abordagens nas teorias da administração demonstrou que há muito tempo a liderança vem sendo estuda considerando sua importância na condução de pessoas visando objetivos específicos, e, que diferente do que se pensavam nas primeiras teorias, embora algumas pessoas tenham características natas de liderança, a mesma pode ser aprendida, por isso, temos, na atualidade programas de desenvolvimento de pessoas que visam à formação de líderes. Concluímos que a preocupação que se tem hoje com a liderança está em gerir as pessoas de maneira que essas desenvolvam competências e habilidades para que possam colaborar com inovações, soluções de problemas e contribuírem para um melhor desempenho da organização, com a concretização dos negócios propostos pela mesma, o aumento da sua competitividade e sua sobrevivência no mercado. O trabalho do líder é focado nas pessoas, que são as grandes responsáveis pelo funcionamento de uma organização, pois, de que adianta a organização ter uma boa estrutura física e grandes investimentos em tecnologias, se não tiver pessoas para fazer funcionar tudo isso? As pessoas, ao longo do tempo, foram ganhando espaço e tendo reconhecida sua importância no sucesso organizacional, assim, investir no desenvolvimento daquelas, tornou-se o grande desafio para as empresas, que buscam formas de se promover o desenvolvimento de maneira que as pessoas não só aprendam novos conhecimentos e habilidades, mas aprendam novas atitudes, desenvolvam a capacidade de criar, inovar, propor soluções estratégicas, ainda, modifiquem hábitos e comportamentos, aprendam a lidar com o diferente e a trabalhar em equipe. Esse é um grande desafio porque é o ser humano é complexo, portanto, seu desenvolvimento também o é. Nesse sentido, o tema desse trabalho é de grande relevância, pois, as organizações estão cada vez mais procurando investir no desenvolvimento das pessoas como um diferencial de competitividade, promovendo a formação de líderes que possam atuar, efetivamente, no 41 enfrentamento desse grande desafio. Para tanto, as ferramentas apresentadas mostraram que há várias formas de se promover o desenvolvimento das pessoas, seja no individual ou coletivamente, preparando-as para melhor desempenhar seu trabalho no presente, como, desenvolvendo-as para a ocupação de um cargo no futuro. Com a abordagem dos Pilares da Educação para o século XXI, concluímos que os programas que visam o desenvolvimento das pessoas, como os programas de treinamentos e de desenvolvimento, por serem processos de aprendizagem, atingirão efetivamente seu objetivo se apoiados em práticas pedagógicas que visam o desenvolvimento completo do indivíduo. Esse é um assunto que merece atenção especial e aponta para outras pesquisas voltadas para a prática educacional nas organizações e o que muda no papel das pessoas nesse cenário de constantes mudanças que trazem imprevisibilidade às organizações, considerando a importância do fator humano e de sua capacidade intelectual para que a organização atinja excelência nos seus negócios. Por fim, concluímos que a liderança com foco no desenvolvimento das pessoas no trabalho é um caminho promissor para o crescimento e sucesso organizacional, pois as organizações são formadas por pessoas e são essas que produzem, que negociam, que se comunicam, que pensam em soluções e tomam decisões, que gerenciam ou lideram, enfim, as pessoas fazem as organizações funcionarem. 42 BIBLIOGRÁFICA - ROCHA, Andressa e BARONE, Sonia. Comportamento e Cultura Organizacional. Curso Gestão Estratégica e Qualidade. AVM Faculdade Integrada; - CARVALHO, Vilson Sérgio de. Metodologia da Pesquisa. 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