Coopetição: Uma Análise Teórica Autoria: Alexandre Merofa, Claudia Ferreira Bueno RESUMO A globalização tem transformado o ambiente de negócios, tornando-o hipercompetitivo, o que tem feito com que as organizações adotem estratégias com o objetivo de aumentar as suas vantagens, seja através de estratégias competitivas ou através de estratégias antagônicas, que combinam competição e cooperação, buscando aumentar a velocidade de resposta às mudanças do mercado, compartilhar e trocar recursos, visando uma oposição mais efetiva contra os seus concorrentes. Este artigo tem o objetivo de revisar os estudos que abordam a combinação destas estratégias antagônicas, denominada de “coopetição”, para que se possa compreender o atual estado da arte deste modelo estratégico. Para tal, foi realizado um aprofundamento teórico dentro dos temas relevantes para a estruturação da teia de conceitos que darão suporte à revisão, tendo como base a “Teoria dos Jogos” e seus desdobramentos, dentro das abordagens competitiva e cooperativa e consulta a fontes acadêmicas. A partir de duas delas, foram encontrados estudos, alguns dos quais focados no tema do compartilhamento do conhecimento e aprendizado, como fatores determinantes para gerar valor e resultados superiores nas relações das empresas que coopetem entre si. INTRODUÇÃO Atualmente, o ambiente competitivo que se apresenta complexo e dinâmico, quanto às mudanças, tem tornado cada vez mais freqüentes as situações em que as empresas competem e cooperam entre si, visando o aumento de vantagens competitivas. Este fenômeno tem sido estudado pela academia e é conhecido como “coopetição”, um neologismo que combina as palavras “competição” e “cooperação”, introduzido na administração estratégica por Brandenburger & Nalebuff (1996). Destacada com importância por diversos outros autores, como Lado et al. (1997), Gnyawali e Madhavan (2001) e Dagnino e Padula (2001), a coopetição tem sido amplamente estudada dentro das dinâmicas que caracterizam as redes de negócios e os APL’s (Arranjos Produtivos Locais), entre outros. Nestes setores, a coexistência das estratégias de competição e cooperação e o equilíbrio entre elas se mostram vitais para a obtenção de resultados superiores e para a sobrevivência das empresas nos mercados (LADO et al., 1997). Este equilíbrio também leva ao compartilhamento e a combinação de recursos estratégicos e conhecimento, os quais são capazes de gerar vantagens competitivas (GRANT, 2002; EISENHARDT e SANTOS, 2002) aos atores que adotam este modelo estratégico ou participam deste tipo relacionamento. Este artigo tem o objetivo de revisar os estudos que abordam a coopetição, para que seja possível compreender o atual estado da arte deste modelo estratégico. Para tal, foi realizado um aprofundamento teórico dentro dos temas relevantes para a estruturação da teia de conceitos que darão suporte à revisão, tendo como base a “Teoria dos Jogos” e seus desdobramentos, dentro das abordagens competitiva e cooperativa. Em seguida, são apresentados os conceitos de competição e cooperação sob o ponto de vista de Brandengurger e Nalebuff (1996), que introduziram o conceito de coopetição na academia. Na seqüência, são apresentadas as mais recentes considerações em torno do tema, visando apresentar o seu estado da arte. Por fim, é realizada uma análise sobre a evolução do tema na academia. 1 1 REFERENCIAL TEÓRICO A Teoria dos Jogos Desenvolvida inicialmente como um ramo da matemática, a aplicação da “Teoria dos Jogos” à economia ocorreu, em 1944, por Neumann e Morgenstern, a partir da publicação de sua obra Theory of Games and Economic Behavior, quando os autores propuseram que as dinâmicas sociais ocorrem a partir de modelos baseados em jogos estratégicos (ZUGMAN, 2005). Na administração, a “Teoria dos Jogos” foi aplicada com o objetivo de estudar situações nas quais os tomadores de decisão, ou jogadores, ao interagirem entre si, escolhem diferentes estratégias visando maximizar os seus ganhos ou minimizar as suas perdas em relação aos oponentes, através da pressuposição de comportamentos que podem ser tomados pela outra parte. Desta forma, a “Teoria dos Jogos” passou a ser considerada como uma ferramenta de descrição, mapeamento e análise do comportamento humano, que permite a compreensão dos fenômenos resultantes das interações econômicas e sociais entre tomadores de decisão, sob a forma de jogos estratégicos (PÉNARD, 2004). A aplicação desta teoria pressupõe que haja racionalidade por parte dos tomadores de decisão, dentro de um ambiente onde seja possível a interação e de acordo com um conjunto de regras pré-definidas para que o jogo possa se desenvolver. A interdependência é um fator que caracteriza as ações dos jogadores, alterando as decisões de cada participante do jogo conforme as decisões do outro jogador, assim como os resultados para ambas as partes, momentos em que se destaca a pressuposição de comportamentos da cada uma delas. O pagamento ou recompensa do jogo pode ser percebido de formas diversas por cada jogador, de acordo com a representação do mesmo dentro do seu sistema de valores (ELSTAD, 2002). Existem diversos tipos de jogos estratégicos. Neles se destacam os conflitos políticos, em função de que os resultados de um jogador não dependem apenas das suas decisões, mas também das decisões dos outros jogadores (PÉNARD, 2004). As ações tomadas podem abranger comportamentos competitivos e/ou cooperativos, dependendo da situação, do ambiente e dos objetivos dos atores que fazem parte do jogo. Segundo Lado et al. (1997), estes comportamentos caracterizam os jogos e a combinação deles pode aumentar o potencial de resultados para as partes. Tipos de Jogos Tradicionalmente, a teoria divide os jogos em duas categorias, dependendo da natureza de interação entre os jogadores: cooperativos e não cooperativos (LOUREIRO, 2007; COSTA et al., 2006). Nos jogos cooperativos há um acordo, ou uma coalizão, entre os jogadores para a escolha da estratégia que será utilizada no jogo. Esta coalizão é feita de maneira “contratual”, através da qual são previstas as sanções no caso de não respeito do acordo pelos jogadores (THISSE, 2006). O objetivo é de obter um resultado do grupo maior que a soma dos resultados individuais, caso não fosse criada a coalizão (KATZ, 2003). Conforme colocado por Costa et al. (2006), nos jogos cooperativos, os jogadores compartilham informações, interesse e estratégias, visando um ponto de equilíbrio, que é ‘o melhor’ para todos os jogadores, chamado “Ótimo de Pareto”. 2 Nos jogos não-cooperativos, caracterizados pela competição e decisões individuais, cada jogador escolhe a sua própria estratégia, ou seja, não há coalizão. Nos jogos mistos são combinados os comportamentos cooperativos e não cooperativos, como no caso de jogadores que formam alianças para cooperar dentro de um ambiente de competição. Estes jogos caracterizam o modelo coopetitivo, tema que será tratado adiante. Alguns dos principais tipos de jogos e características podem ser destacados, conforme abaixo: Jogos simétricos e assimétricos O jogo é simétrico entre dois jogadores, quando eles adotam a mesma estratégia de jogo. Assim, se um jogador adota uma estratégia em face à estratégia do outro jogador, ele obtém o mesmo benefício que o outro jogador obteria se as regras fossem invertidas (FOURNIE et al., 2005). O jogo assimétrico é aquele em que há estratégias diferentes para cada jogador. Os jogos de soma positiva, de soma zero e de soma não-zero Conforme destacado por Nielsen (1988), no jogo de soma positiva, na medida em que a cresce a cooperação, aumenta também a possibilidade de os jogadores aumentarem os benefícios que recebem ao participarem do jogo. Ou seja, todos os jogadores ganham. No jogo de soma-zero, um jogador se beneficia na mesma proporção em que o outro jogador perde (NIELSEN, 1998). Neste jogo, cada jogador escolhe uma estratégia que maximize o seu ganho mínimo ou o seu payoff mínimo. Da mesma forma, busca minimizar o ganho máximo do outro jogador. A este tipo de jogo se aplica o “Teorema Minimax”. No jogo de soma não-zero, os valores se deslocam em diferentes direções, possibilitando que todas as partes alcancem melhores resultados (ROSENSCHEIN & ZLOTKIN, 1994 apud NÉRI e DAHIA, 2004). Ou seja, os resultados podem ser maiores ou menores do que zero, levando o jogador a se beneficiar, mas não necessariamente na mesma proporção do prejuízo do outro jogador. Neste jogo se enquadra o “Dilema do Prisioneiro”, que será tratado adiante. Os jogos de soma-variável Nos jogos de soma variável, que possuem características de competição e cooperação, a soma dos payoffs de todos os jogadores difere dependendo das estratégias utilizadas por eles. Outra característica dos jogos de soma variável é que os jogadores, em função de interesses comuns, podem ser levados a um comportamento de cooperação. A solução deste tipo de jogo foi proposta por John Nash, que conceituou o “ponto de equilíbrio”, o qual será tratado adiante. Os jogos cooperativos de soma-variável Os jogos cooperativos de soma variável são caracterizados pela existência de mais de um ganhador e respeitam os acordos estabelecidos anteriormente (MEDINA e FERREIRA FILHO, 2004). 3 Os jogos não-cooperativos de soma-variável Nos jogos não-cooperativos de soma variável, os jogadores são conduzidos por seus interesses, agindo de forma individual. Podem, eventualmente, acabar tomando decisões mutuamente desvantajosas. (BAUMOL, 1977 apud KATZ, 2003). Neste jogo, também se encaixa o “Dilema do Prisioneiro”. Jogos cooperativos e não-cooperativos de soma-variável Quando os interesses dos jogadores são mistos envolvem aspectos cooperativos e nãocooperativos. Jogos simultâneos e seqüenciais Os jogos simultâneos são aqueles em que os jogadores atuam de forma simultânea, conhecendo ou não as estratégias dos oponentes. Os jogos seqüenciais são aqueles em que o próximo jogador conhece algumas das ações tomadas pelo jogador antecessor. Jogos de informação perfeita e de informação imperfeita Um jogo de informação perfeita é aquele em que os jogadores conhecem, previamente, os movimentos feitos pelos outros jogadores. Os jogos seqüenciais são jogos de informação perfeita. Um jogo de informação imperfeita é, justamente, o contrário. (PÉNARD, 2004). As perspectivas competitiva e cooperativa da “teoria dos jogos” Conforme colocado por Bengtsson et al. (2003), as pesquisas desenvolvidas nos anos de 1990 em torno das redes de negócios e alianças estratégicas, trouxeram uma nova perspectiva sobre os relacionamentos entre empresas concorrentes. Estes relacionamentos foram estudados sob o ponto de vista do tipo de interação entre competidores, abrangendo a competição e a cooperação, temas intrinsecamente ligados à “Teoria dos Jogos” e a coopetição, que são tratadas a seguir. A perspectiva competitiva Tradicionalmente, a competição entre empresas é vista como um processo estratégico de tomada de decisões dentro de um ambiente de incertezas (MCAFEE e MCMILLAN, 1996), no qual as empresas se engajam para gerar eficiência econômica ou vantagens (LADO et al., 1997). Através da defesa contra as forças competitivas do mercado, o equilíbrio destas forças para melhorar o posicionamento relativo da empresa na indústria a custos menores, responder eficientemente as mudanças do ambiente, a ofertar produtos diferenciados (PORTER, 1986) ou incrementar os recursos organizacionais, as capacitações (BARNEY, 1991; GRANT, 1991) e as competências essenciais (HAMEL e PRAHALAD, 2005), as empresas competem visando a criação de valor e ganhos individuais acima do normal (DAGNINO e PADULA, 2002). Bengtsson et al. (2003) colocam que as rivalidades caracterizam um nível mínimo de interações entre os competidores, que variam de acordo com o posicionamento relativo que 4 possuem dentro da indústria. A competição faz com que as empresas tomem atitudes conflitantes para manterem ou melhorarem o seu posicionamento na indústria, o que dificulta a interação entre elas. Um nível mínimo de interações foram verificadas nos estudos destes autores, de 1999, nos casos de co-existência, quando empresas colaboram minimamente com os seus competidores, que, temporariamente, ocupam posições complementadoras às suas atividades. No entanto, como a rivalidade prevalece, estas empresas voltam ao comportamento competitivo no surgimento de ameaças das outras partes ou oportunidades de ganhos individuais superiores. O nível mínimo de interação potencializa as rivalidades e faz com que as decisões de uma empresa provoquem reações nos competidores, levando à mudanças estratégicas e induzindo as partes envolvidas a agir, o que gera resultados não equilibrados para ambas as partes. O processo de previsão pela empresa das reações dos concorrentes e clientes leva ao pensamento do jogo competitivo (MCFEE e MCMILLAN, 1996). Na “Teoria dos Jogos”, o comportamento exclusivamente competitivo tende a levar o jogo entre empresas a um resultado de soma zero, caracterizando a existência de um ganhador e um perdedor, ou a apropriação de valor por uma empresa às custas da perda de valor de outras empresas participantes do jogo (DAGNINO e PADULA 2002) ou a um resultado de soma não-zero, quando todos os jogadores são perdedores (LEAO, 2005). Neste jogo competitivo e de interesses opostos, também denominado “não cooperativo”, um jogador ganha na mesma proporção em que o outro perde. No entanto, estudos acadêmicos revelam que o ambiente competitivo, marcado pelas incertezas, pela complexidade tecnológica e pelas mudanças que ocorrem cada vez mais rapidamente, tem exigido das organizações novas configurações estratégicas que envolvam relações inter-organizacionais de natureza cooperativa (DAGNINO E PADULA, 2002), visando a ampliação da base de recursos organizacionais para competir (BENGTSSON et al., 2003), incremento das vantagens competitivas sustentáveis, liderança no mercado (HAMEL e PRAHALAD, 2005), compartilhamento de riscos e ganhos mútuos (GOLLO, 2006), não proporcionados pelo comportamento baseado essencialmente na competição (LADO et al., 1997). A perspectiva cooperativa Em função da mudança do paradigma relacional do mercado, das interações mínimas baseadas no padrão competitivo e nos ganhos individuais, para um sistema de relacionamentos interativos e contínuos, a perspectiva cooperativa ganhou força nos anos de 1990, caracterizando o compartilhamento de interesses (LADO et al., 1997), recursos e capacitações entre empresas de uma determinada indústria DAGNINO e PADULA, (2002) e o trabalho conjunto visando a criação mútua de valor BENGTSSON et al.; 2003). A cooperação pode ocorrer através de diversos formatos de negócios, como alianças estratégicas, parcerias, APL’s (Arranjos Produtivos Locais), redes de negócios, joint ventures, entre outros, e permite o acesso à base externa de recursos e a integração de conhecimento pelas empresas envolvidas neste tipo de relacionamento, o que, conforme defendido por Grant (1991; 1996) leva à vantagens competitivas. Na “Teoria dos Jogos”, o comportamento cooperativo tende a levar o jogo entre empresas a um resultado idêntico, caracterizando a existência de ganhos mútuos, ou seja, existem apenas 5 ganhadores e nenhum perdedor. Também chamado de “jogo de soma positiva”, no qual os benefícios são sempre proporcionais para todos os jogadores, o jogo cooperativo representa o oposto do jogo competitivo. Dagnino e Padula (2002) defendem que na estrutura da interdependência entre as empresas participantes do jogo cooperativo é onde reside as fontes de criação de valor econômico e de resultados superiores, as quais, quando melhor exploradas, evitam o surgimento de comportamentos oportunísticos e incentivam o espírito de colaboração. No entanto, a existência de cooperação em um ambiente onde há o inter-relacionamento entre empresas não ocorre sem conflitos de interesses e de forma harmoniosa. No jogo cooperativo pode haver interesses mistos, que combinem cooperação e não cooperação, caracterizando o “jogo de soma não zero” ou “jogo de soma variável”. Neste jogo, os atores possuem interesses que são similares e diferentes ao mesmo tempo, levando-os a um comportamento que pode ou não ser cooperativo, dependendo da situação e dos resultados possíveis para cada parte. Um jogo característico de “soma não zero” é o “Dilema do Prisioneiro”. Neste jogo, a tomada de decisão pode variar de acordo com a expectativa de um jogador prever as decisões do outro jogador. É um jogo marcado pela incerteza e pela racionalidade, quando um jogador pode se decidir pela alternativa que trará menos perdas a ele, em função de não saber como o outro jogador se comportará frente às pressões do ambiente e que, talvez, tome a decisão igualmente menos arriscada (ZUGMAN, 2005). Através de uma narrativa metafórica idealizada por Albert W. Tucker, em 1950, o “Dilema do Prisioneiro” envolve duas pessoas suspeitas de serem cúmplices de um crime, as quais são presas e colocadas em celas separadas e sem comunicação. A elas são apresentadas algumas opções e conforme a decisão tomada por elas, o resultado poderá variar de uma pena reduzida ou ampliada para uma ou ambas as partes. Conforme descrito por Epstein (1995) as alternativas deste jogo são: confessar (cooperar) ou não o crime e/ou testemunhar (desertar) ou não contra o cúmplice. Se ambos confessarem serão condenados, porém com penas reduzidas devido à confissão. Se um deles confessar, testemunhando contra o cúmplice, este terá a sua pena agravada e o informante será libertado. Se nenhum dos prisioneiros confessar, ambos serão condenados pelo crime menor (de porte de armas, por exemplo). O resultado final, conforme a decisão dos jogadores, poderá levar à absolvição do traidor e o valor da pena agravada do cúmplice traído. Nesta metáfora fica claro que para haver cooperação é necessário que exista confiança (EPSTEIN, 1995), durabilidade das relações (AXELROD, 1990 apud AGOSTINHO, 1997) e comprometimento entre as partes, o que minimiza comportamentos visando interesses individuais em detrimento dos coletivos, que podem prejudicar o próprio jogador e/ou o grupo do qual faz parte. A solução para os jogos mistos, exemplificada através do “Dilema do Prisioneiro”, foi proposta por John Nash, e denominada de “ponto de equilíbrio” ou “Equilíbrio de Nash”. Em 1951, Nash, baseado nas idéias de Cournot, de 1838, propôs uma teoria de equilíbrio nãocooperativo para os jogos de soma variável (THISSE, 2006). Na sua proposta, Nash defende que o equilíbrio é verificado quando uma escolha, ou estratégia, é a melhor resposta para um determinado problema ou a mais adequada para as outras estratégias em jogo, o que pode 6 levar a um comportamento de alinhamento dos jogadores com as mesmas. Em uma situação de equilíbrio nenhum jogador pode melhorar a sua situação escolhendo uma alternativa que não contemple a melhor escolha feita pelos outros jogadores, a qual possa levar a um resultado ótimo (MENDES, 2003). Considerando que o jogo possui diversas fases, ou repetição infinita, e várias alternativas de ação em cada fase, “qualquer seqüência de ações associada a um número finito de repetições forma um equilíbrio perfeito”, conforme colocado por Prado (1999), ou seja, a cooperação tende a gerar cooperação e a deserção tende a gerar deserção, até que uma força externa rompa a tendência de equilíbrio. A cooperação tende a ocorrer, no longo prazo, quando um jogador percebe que a escolha dos outros jogadores depende da sua ou quando há certeza de que estes podem cooperar em uma determinada situação. Porém, como o jogo envolve relações anteriores e posteriores, a decisão de um jogador pode variar por não saber quais podem ser as alternativas escolhidas pelos outros jogadores no futuro, levando-o a uma situação de não-cooperação (NUNES, 2003). Robert Axelrod propôs uma nova versão do “Dilema do Prisioneiro”, baseado em sua obra “A Teoria da Cooperação”, de 1984, que investiga como os indivíduos que visam satisfazer seus próprios interesses podem cooperar entre si, sem ajuda de uma autoridade central que os forcem a isto, e em jogos aplicados através de computadores. Nesta versão, denominada “Dilema do Prisioneiro Iterado” Axelrod propôs que os jogadores se encontrassem diversas vezes para jogar, repetidamente, quando era possível a tomada de decisões (punição ou não) baseadas no tipo de decisão (cooperação ou deserção) de cada jogador em jogos anteriores. A partir destes estudos desenvolvidos por Axelrod, verificou-se que a cooperação pode ser obtida como um resultado de equilíbrio, quando há iteração e reconhecimento do comportamento do oponente em situações anteriores (AGOSTINHO, 1997), o que leva a evitar comportamentos oportunísticos pelos jogadores e à reciprocidade cooperativa (FERNANDES, 2002). A perspectiva coopetitiva O processo de globalização tem transformado o paradigma da competição e feito com que as organizações evoluam dentro de um ambiente complexo e dinâmico marcado pelas incertezas e mudanças constantes, exigindo delas maior velocidade para criar vantagens competitivas e alteração do modelo mecanicista e de inovação linear, endógena e isolada, para um modelo estratégico orgânico e relacional (GOLLO, 2005). O sucesso empresarial dentro deste ambiente complexo requer que as empresas adotem estratégias competitivas e cooperativas simultaneamente (LADO et al., 1997), o que abre espaço para o surgimento da “coopetição”. O termo creditado a Ray Noorda, co-fundador da empresa de tecnologia Novell, e expressado pela frase ‘‘You have to be able to compete and cooperate at the sametime.’’, cuja tradução é “Você tem que ter a habilidade de competir e cooperar ao mesmo tempo.”, a coopetição, conforme colocado por Dagnino e Padula (2002) emerge dos modelos estratégicos da competição e da cooperação e forma um novo sistema de criação de valor, através de um novo tipo de interdependência estratégica entre empresas que se desenvolve em uma base de interesses parcialmente convergentes. Os fatores que reforçam a perspectiva coopetitiva estão baseados na possibilidade de não haver equilíbrio no jogo cooperativo, de haver baixo controle pelos parceiros do 7 desenvolvimento da confiança na relação cooperativa e de haver baixa capacidade de detectar comportamentos oportunísticos em processos de inovação (FENSTERSEIFER et al., 1997). Considerando esses fatores, a perspectiva coopetitiva explora que os interesses de um parceiro não estão necessariamente alinhados com os interesses de outros parceiros (DAGNINO e PADULA, 2002), o que não impede o acesso a recursos externos (LADO et al., 1997) proporcionados pelos relacionamentos inter-organizacionais, e a criação de vantagens competitivas através do estímulo para que as empresas sejam mais eficientes, tenham ganhos de produtividade, otimizem o processo de inovação, obtenham estímulo para a criação de novos negócios e otimizem o atendimento ao mercado em relação ao outro parceiro que faz parte do jogo coopetitivo (BENGTSSON et al., 2003). 2 A COOPETIÇÃO NA VISÃO DE BRANDENBURGER E NALEBUFF Brandenburger e Nalebuff (1996) se apoiaram na “Teoria dos Jogos” para criar uma rede valores, onde é representada a dinâmica do modelo de coopetição. Para os autores, as empresas podem se beneficiar da convivência com competidores, através da adoção de modelos estratégicos competitivos e cooperativos que, organizados de forma relacional interativa e simultânea, proporcionam uma aproximação de interesses dentro do conceito da complementaridade, diversificando os papéis dos jogadores, sob o ponto de vista da “Teoria dos Jogos”. O papel dos complementadores se mostra essencial no jogo coopetitivo, pois permite que os jogadores tenham acesso a outros negócios (de outros participantes do jogo) capazes de alavancar resultados mútuos, e, baseados na reciprocidade, de criar valor para ambas as partes. Da mesma forma que os complementadores cooperam para criar mercados, eles concorrem na divisão dos mesmos, o que caracteriza a dinâmica da coopetição (BRANDENBURGER e NALEBUFF, 1996). É desta forma a coopetição permite a capitalização de relacionamentos, aumenta o potencial para expansão de novos negócios e a criação de valor máximo aos participantes do jogo empresarial, quando as organizações estão em determinados momentos competindo entre si e, em outros, cooperando, visando parcerias de ganhos mútuos (GOLLO, 2005). A coopetição leva a um jogo de resultado positivo, porém variável, com objetivos parcialmente congruentes. A variabilidade do resultado é decorrente das incertezas geradas pelas pressões competitivas resultantes da interdependência entre as empresas, envolvendo fatores como confiança e risco de comportamentos oportunísticos, em função da impossibilidade de conhecerem ex-ante os benefícios que podem obter a partir da cooperação, em relação aos outros participantes do jogo (DAGNINO e PADULA, 2002). Brandenburger e Nalebuff (1996) criaram um modelo de rede de valores para representar a estratégia coopetitiva, no qual é possível verificar todos os atores do jogo empresarial e a interdependência entre eles. As interações entre os atores ocorrem nas dimensões vertical (entre clientes e fornecedores) e horizontal (entre concorrentes e complementadores). Os autores defendem que, conforme representado no modelo, os jogadores desempenham múltiplos papéis em função dos múltiplos relacionamentos possíveis e da interdependência entre eles, nos quais a cooperação e a competição estão simultaneamente presentes e interligadas. 8 Através do modelo proposto por Brandenburger e Nalebuff (1996), é possível melhor identificar os jogadores, mapear as interdependências do jogo, verificar as ações e comportamentos do passado e do presente, o que, conforme colocado por LEÃO (2005) possibilita a mudança do jogo para criar o máximo de valor e o surgimento de novas oportunidades estratégicas. A partir do modelo e da identificação dos papéis, torna-se viável verificar as simetrias entre os jogadores, o que permite um valioso exercício para compreender cada uma das perspectivas, um cálculo mais preciso do valor que será adicionado ao negócio e descobrir novas estratégias que poderão levar ao melhor jogo coopetitivo (BRANDENBURGER e NALEBUFF, 1997). 3 O ESTADO DA ARTE DA COOPETIÇÃO Visando verificar o atual estado da arte da coopetição na academia, foram pesquisados artigos que abordassem o tema, a partir de duas bases de dados acadêmicas. Ao analisar os artigos publicados mais recentemente, ou seja, a partir do ano de 2000, foi possível verificar que o tema da coopetição tem sido estudado em casos de empresas de diversas áreas, como de tecnologia e telecomunicações, pesquisa e desenvolvimento, informação e conhecimento, médica e hospitalar, indústria alimentícia, hotelaria, financeira, logística, entre outras. Na compilação realizada, foram destacados os artigos mais relevantes que trouxeram contribuições ao tema da coopetição. O artigo de Afuah (2000), publicado no Strategic Management Journal, trata da importância das capacitações dos coopetidores em um processo de mudança tecnológica. O autor destaca que as empresas perdem vantagens competitivas não somente quando uma determinada mudança tecnológica torna as suas capacitações obsoletas, mas também quando esta mudança afeta as capacitações de seus coopetidores. A partir desta constatação, o autor defende que há a necessidade de se ter uma visão dos recursos e de gerenciá-los, tanto no escopo individual de cada empresa participante, mas também nos recursos da rede de coopetição como um todo. Baseado em uma pesquisa empírica realizada junto a fabricantes de microcomputadores, compradores de microprocessadores, o autor verificou que a mudança que tornou obsoleta a tecnologia de determinados fornecedores destes produtos e complementadores afetou os resultados das empresas-clientes, ao passo que empresas que decidiram comprar de novos entrantes na rede e interagir com outros complementadores, obtiveram desempenho superior. Essa constatação mostra que a interdependência entre os coopetidores pode levar a resultados tantos positivos quanto negativos e destaca a importância da empresa de restabelecer novas relações no jogo coopetitivo para que não haja perda de vantagens competitivas mútuas. Dankwa e Julian (2001), através de um artigo publicado no Academy Management Review, abordaram o tema da complexidade teórica e desenvolveram quatro níveis, nos quais se encaixam frameworks teóricos e linhas de pesquisa. Os autores ilustram a utilidade dos níveis de complexidade das teorias e exploram as implicações na teoria organizacional. A teoria complexa, ao contrário da teoria simples, mais fácil de ser testada empiricamente, é contraditória e destaca questões paradoxais e complexas inerentes ao estudo das organizações, levando a insights menos previsíveis e menos lineares, mais ricos e multifacetados, sobre como elas funcionam, permitindo a construção de uma teoria melhor embasada. Os quatro níveis de complexidade desenvolvidos por Dankwa e Julian (2001) são: (1) nível caracterizado pelas teorias de longa duração (elas raramente mudam) e relativo alto nível de 9 exclusividade (baseiam-se em um único core conceitual); (2) nível caracterizado pelas teorias de curta duração e relativo alto nível de exclusividade. Teorias deste nível lidam com dois ou mais cores teóricos conceituais, apesar de que não simultaneamente; (3) nível caracterizado pelas teorias de longa duração e baixa exclusividade, que se baseiam em dois ou mais cores teóricos conceituais paradoxais simultaneamente, que interagem entre si constantemente. As teorias do nível 3 fazem delas mais complexas e menos lógicas do que as do nível 2. É dentro deste nível de complexidade que se encaixa o tema da coopetição, por combinar os conceitos paradoxais da competição e da cooperação; (4): nível caracterizado pelas teorias de curta duração e relativa baixa exclusividade. Neste nível as teorias não são lineares e caracterizam organizações como sistemas dinâmicos. A classificação do tema da coopetição de acordo com a sua complexidade proporciona o acesso e melhor compreensão da sua natureza paradoxal e complexa, o que pode contribuir para a sua evolução teórica e facilitar a construção de técnicas para condução de estudos de redes e arranjos coopetitivos pelos pesquisadores. Dentro do tema de processos de criação, gerenciamento e transferência de conhecimento e inovação, Raweewan (2006), em sua tese de doutorado, utilizou a abordagem da “Teoria dos Jogos” para estudar o valor da informação e o gerenciamento de seu compartilhamento entre empresas, sob as abordagens da competição, da cooperação e da coopetição. Ele analisou dois jogadores que detinham um tipo de informação sob os modelos dos “pontos de equilíbrio”, “Pareto” e do “Dilema do Prisioneiro” para determinar quando cada jogador deveria colaborar e qual o volume de informação que deveria ser compartilhada visando a otimização de resultados. O autor concluiu, através de testes numéricos, que quando o número de jogadores aumenta para três, há um equilíbrio das estratégias utilizadas nos jogos, além de determinar com quem os jogadores devem formar parcerias. Chien e Peng (2005), no seu artigo publicado no Journal of American Academy of Business, exploram os temas da competição, da cooperação e da coopetição, através de um estudo quantitativo que objetivou medir a intensidade destes comportamentos dentro de uma rede composta por 13 empresas da indústria de tecnologia de Taiwan. A partir do desenvolvimento de equações que pudessem medir esta intensidade, os autores revelam que os atores competiram, inicialmente, para ganhar contratos e depois cooperam, na distribuição de subcontratos a competidores para o desenvolvimento dos serviços / produtos contratados, caracterizando a presença do modelo coopetitivo na rede. Os autores revelam que a freqüência dos comportamentos competitivo e cooperativo varia de acordo com os diferentes relacionamentos diádicos, o que possibilitou retratá-la em uma matriz. De acordo com os resultados da matriz, os autores defendem que as equações foram capazes de medir o grau de intensidade dos comportamentos competitivos, cooperativos e coopetitivos e expressaram, de forma generalizada, o nível de interação entre os atores da rede. A expectativa dos autores é que a matriz de freqüência e as equações de intensidade proposta no estudo sejam úteis para o detectar os comportamentos das organizações em redes de negócio e alianças estratégicas. No artigo publicado por Levy et al. (2003) no European Journal of Information Systems, os autores abordam o compartilhamento e o gerenciamento do conhecimento dentro de uma rede que opera no modelo coopetitivo. Através de um estudo exploratório desenvolvido junto a 37 pequenas e médias empresas britânicas que coopetem entre si, os autores investigaram, baseados na “Teoria dos Jogos”, o compartilhamento do conhecimento na rede. Eles identificaram três forças coopetitivas que atuam neste processo de compartilhamento – sinergia na troca do conhecimento, que adiciona valor além da soma do conhecimento individual das partes; alavancagem, que representa o potencial de aumentar o valor do conhecimento pela parte que o recebe, indo além da cooperação; o Impacto Reverso Negativo 10 (IRN) sobre a parte que envia o conhecimento. O IRN ocorre quando o uso feito do conhecimento pela parte que o recebeu diminui o valor original da parte que o enviou. Neste caso, o conhecimento compartilhado é usado por competidores, diminuindo o valor original da parte que o possui. Concluindo, os autores verificaram que as empresas são geradoras de conhecimento, porém ineficientes no seu compartilhamento e troca, o que afeta a criação de valor na rede. Desta forma, os autores concluem que o fraco compartilhamento de conhecimento poderá afetar a criação de vantagens competitivas pelas pequenas e médias empresas que coopetem entre si. Luo et al. (2006), em seu artigo publicado no Journal of Marketing, abordaram o tema dos relacionamentos funcionais cruzados coopetitivos que ocorrem entre as áreas internas das empresas. Através de uma pesquisa survey, realizada junto a média gerência e altos executivos de 163 organizações chinesas de alta tecnologia, os autores concluíram que a coopetição funcional cruzada, caracterizada pelos comportamentos competitivos e cooperativos departamentais, pode criar sinergias que levam a vantagens competitivas. Estas sinergias dos comportamentos competitivos e cooperativos no nível funcional proporcionam uma evidência empírica do “jogo de soma positiva”, conceituado pela “Teoria dos Jogos”. Os autores concluíram que as vantagens competitivas são criadas a partir do aprendizado e da transferência intra-departamental de conhecimento do mercado (sobre clientes e competidores), o que, conforme os resultados da pesquisa, influi no aumento do desempenho financeiro e da base de clientes das empresas. A partir dos casos mencionados acima, é possível compilar as principais contribuições ao tema da coopetição, conforme segue no quadro 1. Quadro 1: Resumo dos casos e contribuições ao tema da coopetição Fonte Strategic Management Journal Temas abordados Capacitações dos coopetidores The Academy Management Review Complexidade teórica European Journal of Information Systems Compartilhamento e gerenciamento do conhecimento Journal of American Academy of Business Intensidade dos comportamentos coopetitivos Tese de doutorado Clemson University, South Carolina, USA Journal of Marketing Compartilhamento de conhecimento Coopetição funcional cruzada Contribuição Importância do desenvolvimento das capacitações dos coopetidores para manutenção de vantagens competitivas mútuas em um processo de mudança tecnológica. Enquadramento do tema da coopetição em um dos níveis teóricos de complexidade, o que facilita a compreensão da sua natureza paradoxal e a sua evolução teórica. Identificação das forças coopetitivas que atuam no processo de compartilhamento do conhecimento. A importância de haver um forte compartilhamento de conhecimento para criação de vantagens competitivas em redes de coopetição. Construção de matriz de freqüência e equações para medir a intensidade de comportamentos coopetitivos em redes de negócio e alianças estratégicas. Estudo do gerenciamento do processo de compartilhamento da informação entre empresas coopetidoras e testes numéricos que determinam as melhores parcerias. Importância do aprendizado e da transferência intra-departamental de conhecimento do mercado para criar vantagens competitivas. Autores Afuah (2000) Dankwa e Julian (2001) Levy et al. (2003) Chien e Peng (2005) Raweewan (2006) Luo et al. (2006) Fonte: Elaborado pelos autores 11 4 CONCLUSÕES Este artigo teve o objetivo de investigar algumas das linhas de pesquisa que têm sido desenvolvidas e que contribuem para a evolução teórica e prática da coopetição. A partir desta investigação foi possível verificar que a “Teoria dos Jogos” possibilitou o desenvolvimento de estudos de diversas correntes sobre o tema, o qual demonstra possuir um vasto campo a ser explorado pela academia. Dentre os artigos destacados, o gerenciamento, a troca, a transferência e o compartilhamento do conhecimento entre empresas organizadas em rede de coopetição, mostra-se como um dos temas que têm recebido maior atenção da academia, o que se justifica, considerando que o mundo corporativo tem se tornado cada vez mais intenso em informação, a qual tende a ser um fator decisivo para a geração de valor, inovações e vantagens competitivas. O mesmo tema, sob o ponto de vista intra-organizacional, traz a perspectiva da coopetição entre departamentos como um fator que contribui para a promoção do aprendizado sobre o mercado, que pode levar a geração de novos conhecimentos e vantagens competitivas. Algumas limitações foram destacadas pelos autores, como a necessidade de se investigar os fatores antecedentes que influem na intensidade dos relacionamentos coopetitivos e a correlação entre esta intensidade e os resultados aos coopetidores. Outra limitação destacada indica a necessidade de se investigar as diferenças entre as áreas funcionais de uma empresa, no que diz respeito à capacidade de absorção de conhecimento, assim como em relação ai impacto do nível de aprendizado funcional cruzado na construção de relacionamentos intradepartamentais cooperativos mais fortes. Concluindo, o tema da coopetição traz abordagens renovadas e abre espaço para o desenvolvimento de novos estudos visando uma melhor compreensão da complexidade que caracteriza as relações inter-organizacionais e intra-organizacionais de empresas que coopetem entre si. 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AFUAH, Allan. How Much Do Your "Co-Opetitors'" Capabilities Matter in the Face of Technological Change? 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