UNIVERSIDADE DO CONTESTADO – UNC PROGRAMA DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL BRUNA RAYET AYUB POLÍTICA PÚBLICA DO PRONAF MAIS ALIMENTOS: UMA FERRAMENTA DE ESTÍMULO AO DESENVOLVIMENTO DA PRODUÇÃO LEITEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR EM PORTO UNIÃO-SC. CANOINHAS 2012 BRUNA RAYET AYUB POLÍTICA PÚBLICA DO PRONAF MAIS ALIMENTOS: UMA FERRAMENTA DE ESTÍMULO AO DESENVOLVIMENTO DA PRODUÇÃO LEITEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR EM PORTO UNIÃO-SC. Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado – UNC - Campus Marcílio Dias - SC, como requisito para obtenção da titulação de mestre, sob orientação do Prof° Doutor Reinaldo Knorek. CANOINHAS 2012 POLÍTICA PÚBLICA DO PRONAF MAIS ALIMENTOS, COMO UMA FERRAMENTA DE ESTÍMULO AO DESENVOLVIMENTO DA PRODUÇÃO LEITEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR EM PORTO UNIÃO-SC. BRUNA RAYET AYUB Esta dissertação foi submetida ao processo de avaliação pela banca examinadora para a obtenção do título de: MESTRE EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL E aprovada na sua versão final em 18 de agosto de 2012, atendendo às normas da legislação vigente da Universidade do Contestado e Coordenação do Mestrado em Desenvolvimento Regional ____________________________ MARIA LUIZA MILANI BANCA EXAMINADORA: _________________________ Prof. Dr. REINALDO KNOREK _________________________ Prof. Dr. JOSÉ ANGELO NICÁCIO _________________________ Prof. Dr. JAIRO MARCHESAN DEDICATÓRIA Dedico esta dissertação as pessoas que se mantiveram próximas de mim, mesmo eu estando afastada delas durante todo meu período de trabalho e de elaboração desta dissertação. A eles que sempre tiveram paciência com a minha impaciência: pai Miguel, mãe Nadia e amado João. Dedico também este trabalho a pessoa que sei que está próxima de mim onde quer que eu esteja. Aquela que não me deixou ser uma garota qualquer: minha querida Vó Dinah (para sempre viva). “Já não me preocupo se eu não sei por que. Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê E eu sei que você sabe, quase sem querer Que eu quero o mesmo que você” (Renato Russo) RESUMO O PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), é um programa de crédito rural destinado a financiar e apoiar as atividades produtivas e econômicas dos agricultores familiares. Visa, principalmente, financiar e fortalecer as principais atividades das unidades de produção, mas também, a produção para consumo dos agricultores familiares. O tema desta pesquisa trata dos efeitos do uso do financiamento do PRONAF mais alimentos, para o desenvolvimento do município de Porto União-SC, tendo sido delimitado no estudo do desenvolvimento da agricultura familiar na atividade pecuária leiteira, por meio dos investimentos a partir da política pública do PRONAF no respectivo município. Para compreender de que forma a política pública do PRONAF vem contribuindo para o desenvolvimento da atividade leiteira no município de Porto União-SC, a nível social e tecnológico, buscou-se identificar o aumento da qualidade do leite, aumento da renda dos produtores, e investimento tecnológico e infraestrutura nas propriedades. Objetivou-se de forma geral a investigação sobre a Política Pública do PRONAF mais alimentos, como uma ferramenta de apoio financeiro a produção familiar leiteira de Porto União-SC e, de forma específica, a caracterização da agricultura familiar no município de Porto União-SC; a abordagem sobre a forma como o PRONAF (mas alimentos) contribui para o desenvolvimento da produção leiteira em Porto União-SC e analise das alterações na agricultura familiar a partir da utilização do PRONAF (mais alimentos) na produção leiteira. A justificativa deste trabalho encontra-se na necessidade a priori de caracterizar a agricultura familiar no município de Porto União-SC; abordar de que forma o PRONAF (mas alimentos) contribui para o desenvolvimento da produção leiteira em Porto União-SC; constatar a efetividade do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar, para este seguimento no município de Porto União-SC; abordar teoricamente a relação entre as teorias do desenvolvimento rural e as políticas públicas voltadas a agricultura familiar e a produção leiteira de Porto União-SC; e finalmente do ponto de vista prático, incentivar, através de dados comprovados, a utilização do PRONAF por produtores da agricultura familiar que interpretam o programa como uma forma de endividamento e não de investimento. Ainda servirá de referência para o produtor avaliar as realizações e conquistas obtidas a partir do uso do financiamento. Metodologicamente utilizou-se para a execução do presente estudo: o plano de coleta de dados, o plano de análise e interpretação dos dados. Quanto aos procedimentos, os métodos usados foram: histórico, comparativo e o estatístico. Com a finalidade de alcançar os propósitos do trabalho foram adotadas algumas técnicas que correspondem à parte prática de coleta de dados e informações, distinguindo-se as seguintes: a documentação indireta, a pesquisa bibliográfica, a documentação direta intensiva e a observação da realidade. Palavras chaves: PRONAF, Agricultura familiar, Desenvolvimento Rural ABSTRACT PRONAF (National Program for Strengthening Family Agriculture), is a rural credit program to fund and support the productive and economic activities of farmers. Aims primarily to fund and strengthen the core activities of production units, but also the production for family farmers. The theme of this research deals with the effects of financing PRONAF more food for the development of the city of Port Union, SC, has been defined in the study of the development of family farming in the dairy cattle industry, through investment from the political PRONAF public in their region. To understand how public policy PRONAF has contributed to the development of dairy farming in the city of Port Union, SC, both social and technological development, we sought to identify the increase in milk quality, increased farmer income, and investment in infrastructure and technological properties. The objective of the overall research on Public Policy PRONAF more food as a tool of financial support for family milk production of Port Union, SC, and specifically, the characterization of family farming in the region of Port Union, SC ; the approach on how PRONAF (but food) contributes to the development of milk production in Port Union, SC and analysis of changes in family farming from the use of PRONAF (more food) in milk production. The justification for this work is the need to characterize a priori the family farm in the region of Port Union, SC; address how PRONAF (but food) contributes to the development of milk production in Port Union, SC; verify the effectiveness Program for Strengthening Family Agriculture, for this segment in the region of Port Union, SC; address theoretically the relationship between theories of rural development and public policies related to family farming and milk production of Port Union, SC, and finally the point a practical, encouraging through proven data, the use of PRONAF by family farmers who interpret the program as a form of debt rather than investment. Still the benchmark for the producer to assess the accomplishments and achievements from the use of funding. Methodologically it was used for the execution of this study: the data collection plan, the plan of analysis and interpretation of data. As for the procedures, the methods used were: historical, comparative and statistical. In order to achieve the purpose of this study were adopted some techniques that match the practice of collecting data and information, distinguishing the following: the indirect documentation, bibliographical research, documentation and intensive direct observation of reality. Keywords: PRONAF, Family Farming, Rural Development. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 01 - Municípios que compões a SDR de Canoinhas. ............................ 62 Figura 02 - Região Norte Catarinense: localização de Porto União ................. 63 Figura 03 - Produção de leite por microrregião geográfica de SC.................... 69 Figura 04 - Construção de estábulo leiteiro financiado pelo PRONAF mais alimentos, situado na comunidade do Maratá, em Porto União. ...................... 79 Figura 05 - Imagem de pastagem com solo corrigido (á esquerda), através de dinherio disponibilizado pelo PRONAF. Propriedade situada na comunidade de São Martinho - Porto União .............................................................................. 81 Figura 06 - Sala de processamento do leite e sala de armazenamento de queijos. Os equipamentos de pasteurização, reservatório de água, liras e prensas de queijo foram adquiridos através do PRONAF. Mini indústria localizada na comunidade de São Miguel da Serra em Porto União ................ 81 Figura 07 - Sala do leite, financiada pelo PRONAF, situada na comunidade da Lança, em Porto União. .................................................................................... 93 Figura 08 - Família que adquiriu resfriador de expansão financiado pelo PRONAF, na comunidade São Martinho, Porto União. .................................... 96 LISTA DE TABELAS Tabela 01 - PRONAF– Financiamentos concedidos a produtores, por finalidade – Santa Catarina – 2006-10. ............................................................................ 65 Tabela 02 - PRONAF– Financiamentos concedidos a produtores, por atividade – Santa Catarina – 2006-10. ............................................................................ 66 Tabela 03 - Produção de leite nas meso e microregiões geográficas de Santa Catarina / 2009. ................................................................................................ 70 Tabela 04 - Produção total de leite e volume destinado à indústria em Santa Catarina / 2005-2010. ....................................................................................... 71 Tabela 05 - Característica das famílias da agricultura familiar de Porto União – SC/2012 ........................................................................................................... 74 Tabela 06- Licenciamento Ambiental das propriedades de agricultura familiar de Porto União - SC / 2012 .............................................................................. 89 9 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01 - Etnias das famílias da agricultura familiar de Porto União-SC/2012 ......................................................................................................................... 72 Gráfico 02 - Êxodo rural das famílias da agricultura familiar de Porto União – SC/2012 ........................................................................................................... 75 Gráfico 03 - Finalidades das contratações de financiamentos realizadas pelos produtores da agricultura familiar de Porto União – SC/2012 .......................... 77 Gráfico 04 – Tempo da última contratação do PRONAFdos produtores da agricultura familiar de Porto União-SC/2012 .................................................... 82 Gráfico 05 - Última contratação de financiamento dos produtores da agricultura familiar de Porto União-SC/2012 ...................................................................... 84 Gráfico 06 - Outras receitas de não agropecuárias das famílias de produtores da agricultura familiar de Porto União –SC/2012. ............................................ 88 Gráfico 07 - Mudanças na rotina de trabalho de acordo com o item financiado pelo PRONAF, relatados pelos produtores da agricultura familiar de Porto União-SC/2012. ................................................................................................ 91 Gráfico 08 - Produtores da agricultura familiar de Porto União-SC que relacionam as mudanças ocorridas em suas propriedades, com o financiamento do PRONAF/2012 ..................................................................... 97 Gráfico 09 - Visão dos produtores da agricultura familiar de Porto União-SC em relação ao desenvolvimento a partir da contratação do PRONAF/2012 .......... 99 Gráfico 10 - Nota atribuída pelos produtores da agricultura familiar de Porto União – SC, para o PRONAF/ 2012. .............................................................. 101 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS %: porcentagem APP: Área de Preservação Permanente AT: Assistência Técninca BCB: Banco Central do Brasil BNDES: Banco Nacional do Desenvolvimento CBQL: Conselho Brasileiro de Qualidade do leite CCS: Contagem de Células Somáticas CDR: Conselho de Desenvolvimento Regional CEPA: Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola CMMAD: Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento CNPGL: Embrapa Gado de Leite CONAB: Companhia Nacional de Abastecimento CPF: Cadastro de Pessoa Física CS: Células Somáticas DAP: Declaração de Aptidão ao PRONAF DOU: Diário Oficial da Nação DRS: Desenvolvimento Rural Sustentável EPAGRI: Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural EUA: Estados Unidos FAO: Food and Agriculture Organization FAT: Fundo de Amparo ao Trabalhador FATMA: Fundação do Meio Ambiente FECAMP: Fundação de Economia de Campinas IBASE: Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IN: Instrução Normativa INCRA: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária IPEA: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada km²: quilômetros quadrados LAC: Levantamento Agropecuário Catarinense m³: metros cúbicos 11 MAPA: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MDA: Ministério do Desenvolvimento MF: Ministério da Fazenda MPOG: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão MTE: Ministério do Trabalho e Emprego PGPAF: Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar PIB: Produto Interno Bruto PNCF: Programa Nacional de Crédito Fundiário PNMA: Programa Nacional do Meio Ambiente PNRA: Programa Nacional de Reforma Agrária PR: Paraná PROCERA: Programa de Crédito Especial para Reforma Agrária PROGER: Programa de Geração de Emprego e Renda PRONAF: Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PRONAFINHO: Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Especial PRONAMP: Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural PROVAP: Programa de Valorização da Pequena Propriedade Rural PU: Porto União R$: Reais SAF: Secretaria da Agricultura Familiar SC: Santa Catarina SDR: Secretaria de Desenvolvimento Regional STN: Secretaria do Tesouro Nacional UF: Unidade da Federação UTE: Unidade Técnica Estadual UTR: Unidade Técnica Regional VPB: Valor Bruto da Produção 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 15 1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA .................................................................... 15 1.1.1 Delimitação do tema ................................................................................ 15 1.2 PROBLEMA ............................................................................................... 16 1.3 HIPOTESE ................................................................................................. 16 1.4 JUSTIFICATIVA ......................................................................................... 16 1.5 OBJETIVOS ............................................................................................... 17 1.5.1 Objetivo Geral ......................................................................................... 17 1.5.2 Objetivos Específicos .............................................................................. 17 2 DESENVOLVIMENTO .................................................................................. 19 2.1 REFERÊNCIAL TEÓRICO ......................................................................... 19 2.1.1 Conceito de desenvolvimento .................................................................. 19 2.1.2 A história do Desenvolvimento Rural ...................................................... 20 2.1.3 O papel dos agricultores no desenvolvimento do país ............................. 22 2.1.4 Desenvolvimento rural sustentável .......................................................... 24 2.2 AGRICULTURA FAMILIAR ........................................................................ 26 2.2.1 Características da agricultura familiar ...................................................... 29 2.2.1.1 Tamanho da família .............................................................................. 29 2.2.1.2 Etnias ................................................................................................... 29 2.2.1.3 Tamanho da propriedade ..................................................................... 29 2.2.1.4 Fontes de renda ................................................................................... 30 2.2.1.5 Reprodução do conhecimento .............................................................. 31 2.2.1.6 Produção para autoconsumo ............................................................... 31 13 2.2.1.7 Condições técnicas de produção ......................................................... 32 2.2.1.8 Fatores que podem reduzir a produção de alimentos para autoconsumo ................................................................................................................. 33 2.2.1.9 Meios de comunicação ......................................................................... 34 2.2.1.10 Utilização de eletrodomésticos ........................................................... 34 2.2.2 A importância do autoconsumo na produção da agricultura familiar ...... 35 2.2.3 A agricultura familiar em Santa Catarina e a importância do autoconsumo no estado ................................................................................................. 36 2.3 POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS À AGRICULTURA FAMILIAR .......... 38 2.3.1 Mudanças na agricultura familiar através das políticas públicas ............. 40 2.3.2 Geração de emprego e preservação ambiental ....................................... 41 2.4 PRONAF .................................................................................................... 43 2.4.1 Dados sobre o PRONAF .......................................................................... 44 2.4.2 Evolução histórica do PRONAF .............................................................. 46 2.4.3 Modalidades e finalidades do PRONAF .................................................. 49 2.4.4 Plano Safra da agricultura familiar 2011/2012 ......................................... 55 2.4.5 Bancos que operam com o PRONAF ...................................................... 58 3 MATERIAL E MÉTODOS .............................................................................. 60 2.5.1 Local da pesquisa .................................................................................... 61 2.5.2 Desenvolvimento rural do local de estudo ............................................... 64 2.5.3 População de estudo ............................................................................... 65 2.5.4 Pecuária leiteira em Santa Catarina ........................................................ 67 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO......... 72 5 CONCLUSÃO ............................................................................................. 106 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 111 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 111 14 SITES CONSULTADOS ................................................................................. 116 ANEXOS ........................................................................................................ 119 ANEXO I......................................................................................................... 120 ANEXO II........................................................................................................ 121 APÊNDICE ..................................................................................................... 123 1 INTRODUÇÃO O PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) é um programa de crédito rural destinado a financiar e apoiar as atividades produtivas e econômicas dos agricultores familiares. Este programa visa, principalmente, financiar e fortalecer as principais atividades das unidades de produção, mas também, a produção para consumo dos agricultores familiares. O PRONAF é uma política pública agrícola do governo federal, que atende famílias da agricultura familiar. Políticas públicas são definidas como as ações do Estado independente da escala (municipal, estadual, federal), na qual ocorre o atendimento a setores da sociedade civil. As políticas públicas buscam o desenvolvimento dos setores e da sociedade civil. Neste sentido, desenvolvimento é entendido como uma melhoria tanto qualitativa como quantitativa de produção ou de qualidade de vida de uma população, ocasionando uma transformação social (COIMBRA, 2001, s/p). Assim como outras políticas públicas, o PRONAF busca o desenvolvimento, neste caso o desenvolvimento rural e dos atores que dele participam, focando principalmente os que participam da agricultura familiar. 1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA Os efeitos do uso do financiamento do PRONAF mais alimentos, para o desenvolvimento do município de Porto União-SC 1.1.1 Delimitação do tema Estudo do desenvolvimento da agricultura familiar na atividade pecuária leiteira, por meio dos investimentos a partir da política pública do PRONAF em Porto União –SC. 16 1.2 PROBLEMA De que forma a política pública do PRONAF vem contribuindo para o desenvolvimento da atividade leiteira no município de Porto União-SC, a nível social e tecnológico? 1.3 HIPOTESE Se a política pública do PRONAF contribui para o desenvolvimento da atividade leiteira no município de Porto União-SC, então é possível identificar o aumento da qualidade do leite, aumento da renda dos produtores, e investimento tecnológico e infraestrutura nas propriedades. 1.4 JUSTIFICATIVA O financiamento contratado faz parte do PRONAF, especificadamente o programa “mais alimentos”, porém, não existe um estudo que aponte o quanto este programa do governo federal contribui para desenvolvimento das regiões, focando principal no município de Porto União-SC, e de quais maneiras dá-se este desenvolvimento. Para que este trabalho se justifique é necessário a priori caracterizar a agricultura familiar no município de Porto União-SC; abordar de que forma o PRONAF (mas alimentos) contribui para o desenvolvimento da produção leiteira em Porto União-SC e, finalmente constatar a efetividade do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar, para este seguimento no município de Porto União-SC. Teoricamente o trabalho justifica-se por desenvolver uma relação entre as teorias do desenvolvimento rural e as políticas públicas voltadas a agricultura familiar e a produção leiteira de Porto União-SC. Do ponto de vista prático, este trabalho justifica-se por incentivar, através de dados comprovados, a utilização do PRONAF por produtores da agricultura familiar que interpretam o programa como uma forma de endividamento e não de investimento. Ainda servirá de referência para o produtor avaliar as realizações e conquistas obtidas a partir do uso do financiamento. 17 A metodologia utilizada para a execução do presente estudo e a caracterização do tipo de pesquisa, obedece aos seguintes critérios: o plano de coleta de dados, o plano de análise e interpretação dos dados. Segundo Vergara (2000), existem dois critérios básicos para classificar os tipos de pesquisa: quanto aos fins, este estudo se classifica como pesquisa descritiva e quanto aos meios, se classifica como pesquisa bibliográfica. É pesquisa descritiva porque expõe as características da agricultura familiar no setor da pecuária leiteira, e é pesquisa bibliográfica porque é amplamente baseada em fontes de autores que abordam a temática em questão. Quanto aos procedimentos, foram usados os seguintes métodos: histórico, comparativo e o estatístico. O método histórico referiu-se a dados e informações já existentes a respeito da atividade leiteira do município, e que serve de embasamento para a presente pesquisa. O método comparativo buscou a comparação entre as semelhanças e divergências entre os diversos aspectos econômicos e sociais relativos à atividade leiteira do município de Porto União (SC). Com a finalidade de alcançar os propósitos do trabalho foram adotadas algumas técnicas que correspondem à parte prática de coleta de dados e informações, distinguindo-se as seguintes: a documentação indireta, a pesquisa bibliográfica, a documentação direta intensiva e a observação da realidade. 1.5 OBJETIVOS 1.5.1 Objetivo Geral Investigar a Política Pública do PRONAF mais alimentos, como uma ferramenta de apoio financeiro a produção familiar leiteira de Porto União-SC. 1.5.2 Objetivos Específicos Caracterizar a agricultura familiar no município de Porto União-SC; 18 Abordar de que forma o PRONAF (mas alimentos) contribui para o desenvolvimento da produção leiteira em Porto União-SC; Analisar as alterações na agricultura familiar a partir da utilização do PRONAF (mais alimentos) na produção leiteira. 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 REFERÊNCIAL TEÓRICO 2.1.1 Conceito de desenvolvimento A ideia de desenvolvimento está relacionada a uma série de aspectos sociais como: emprego, necessidades básicas, saúde, educação, longevidade. O conceito de desenvolvimento da forma que é abordado na atualidade, teve início no final da Segunda Grande Guerra Mundial, onde não se conhecia a diferença entre desenvolvimento e crescimento econômico. Nesta época, as condições de vida de muitas pessoas não melhoravam, mesmo quando os seus países haviam alcançado elevadas taxas de crescimento. Este fato provocava a grande insatisfação pelo desenvolvimento como sinônimo de crescimento (DENARDI, 2000, p.26). O crescimento é caracterizado pelo aumento quantitativo na produção de bens e serviços, ou consumo, com utilização de capital e tecnologia, e tem sua taxa de crescimento expressado pelo PIB (Produto Interno Bruto). De outra forma, o desenvolvimento trás um aumento tanto quantitativo como qualitativo no setor de produção, ou qualidade de vida de uma população, acarretando em um processo de transformação social (COIMBRA, 2001, s/p). Bacha (2004, p.27) define o crescimento como o processo de aumento do produto de uma economia onde, à medida que ocorre essa crescimento, também há um aumento da riqueza da nação. Já o desenvolvimento é definido como o processo de mudança estrutural da economia que leva à melhoria do bem-estar da população. O desenvolvimento não é somente a satisfação das necessidades das pessoas, mas está ligado às suas capacidades. Neste sentido, ele “está nas pessoas, não nos objetos” (DENARDI, 2000, p. 26-27). Bacha (2004, p. 28) comenta que “desenvolvimento é um estágio em que, simultaneamente, diminuem pobreza, desemprego e desigualdades”. 20 2.1.2 A história do Desenvolvimento Rural O início do desenvolvimento rural deu-se em países capitalistas desenvolvidos como os Estados Unidos (EUA) e países da Europa, com o que atualmente chamamos de modelo euroamericano de modernização agrícola. Este desenvolvimento agrícola foi uma resposta às necessidades dos agricultores em elevar o rendimento da terra e a produtividade do trabalho. Iniciou nos EUA, onde o processo de modernização agrícola introduziu as inovações mecânicas, que substituíram a necessidade da mão-de-obra. Dessa forma o tamanho médio das unidades de produção familiar aumentou progressivamente à medida que se elevava o custo do trabalho. No mesmo período, na Europa, observava-se a escassez de terra, o que também levou ao aumento progressivo do tamanho da unidade familiar e a elevação do custo do trabalho (GUANZIROLI et. al., 2001, p.24) No Brasil o desenvolvimento rural teve seu início no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, períodos onde a industrialização e a urbanização eram predominantes (WANDERLEY, 2009, p.33). Neste momento a agricultura familiar abrangia tanto pequenas como grandes propriedades, e se caracterizava como “uma atividade tradicional, cuja expansão era assegurada pelo crescimento extensivo do uso da terra e da força de trabalho” (WANDERLEY, 2009, p.33). Nos anos 60, os trabalhadores rurais residentes na propriedade começaram a ser substituídos por trabalhadores residentes em bairros rurais ou periferia das cidades. No final dos anos 60, o trabalhador residente de bairros/cidades, foi substituído por mecanizações. Os trabalhadores então se viram obrigados a migrar para as cidades, acarretando crescente êxodo rural. (GUANZIROLI et. al., 2001, p.33). Nos anos 70, época de muitos recursos provenientes do endividamento do Governo, a principal política agrícola foi o crédito rural (GOMES, 1995, p.01). O processo de modernização agrícola substituía o crescimento extensivo, e o emprego agrícola assalariado se expandiu com a forte crescimento das áreas cultivadas. Em 80, na impossibilidade do tesouro bancar o programa de crédito rural, elevaram-se as 21 taxas de juros e reduziram os montantes disponíveis para o financiamento (GOMES, 1995, p.01). O processo de modernização aprofundou a integração da agricultura com os capitais industriais, comerciais e financeiros que envolviam, formando os “complexos agroindustriais”. Naquela etapa do desenvolvimento rural, para ser competitivo e sobreviver no mercado, eram necessários adotar novas tecnologias, elevados investimentos e possuir extensas áreas agrícolas. A agricultura familiar não participava deste grande processo e, para ela, sobravam mercados menores, ou a integração com as agroindústrias. A produção agropecuária do país tendia a se concentrar, cada vez mais, em poucos estabelecimentos de grandes proporções (GUANZIROLI et. al., 2001, p.32-33). Para Furtado (1972, p.97) a concentração de grandes propriedades estava associada ao aumento da exploração da mão-de-obra, à imobilização de grandes quantidades de terra, à perpetuação do uso de técnicas agrícolas rudimentares e à consequente destruição dos recursos naturais. Nos anos 90, o tesouro passou por sérios problemas financeiros, necessitando de completa redefinição dos papéis no processo de desenvolvimento socioeconômico no País. A maior parte dos recursos tinham prioridades urbanas (GOMES, 1995, p.02). Ocorreu uma redução relativa do crescimento do emprego rural agrícola e em contraposição, o aumento do emprego rural não agrícola (GUANZIROLI et. al., 2001, p.33). Apesar de todas as mudanças ocorridas nestes anos, grande massa de produtores familiares dependia de atividades agrícolas para sobreviver. Para a eliminação da pobreza no campo e da redução da pressão migratória sobre as cidades (êxodo rural), fez-se necessário um projeto de desenvolvimento rural apoiando a produção familiar. Em busca de superar os problemas, em 1994 foi criado o PROVAP (Programa de Valorização da Pequena Propriedade Rural), que repassava créditos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento). O PROVAP foi o antecedente da política pública do PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento a Agricultura Familiar) que foi criado em 1995 e institucionalizado em 1996 (REITER, 2007, p.04). 22 De acordo com Furtado (1961, p10), o desenvolvimento econômico aconteceu a partir da introdução de uma nova combinação de fatores de produção, que visa aumentar a produtividade do trabalho. Com o crescimento do trabalho, cresceu também o produto social, ou seja, a quantidade de bens e serviços à disposição da sociedade. Já nos consumidores, o crescimento da renda provocam reações que aumentam a procura e modificam sua estrutura. O aumento e a diversificação da procura, também modificam a estrutura da produção. 2.1.3 O papel dos agricultores no desenvolvimento do país Como já descrito acima, no início dos anos 60, a agricultura era vista como um elemento passivo e dependente dos estímulos econômicos provenientes do setor urbano-industrial e do setor público. A agricultura foi descriminada e era vista como meio de mobilizar recursos para a indústria. Isso caracterizava o chamado viés urbano: “enquanto os recursos fluíam para a indústria, ocorria intenso fluxo migratório, com o deslocamento da pobreza do meio rural para as cidades” (SOUZA, 1999, p.266). Na década de 70, quando ocorreram elevações nas taxas de crescimento da economia brasileira, o setor agrícola foi capaz de aumentar a oferta de alimentos e de matérias-primas. Com isso ocorreu uma rápida expansão da renda, o que gerou uma maior demanda, principalmente por alimentos elaborados (SOUZA, 1999, p.292). Recentemente, para Bacha (2004, p. 29) a agropecuária tem cinco funções importantes no processo do desenvolvimento econômico que são: 1) fornecer alimentos para a população total; 2) fornecer capital para a expansão do setor não agrícola; 3) fornecer mão-de-obra para o crescimento e diversificação de atividades na economia; 4) fornecer divisas para a compra de insumos e bens de capitais necessários ao desenvolvimento de atividades econômicas; 5) constituir-se em mercado consumidor para os produtos do setor não agrícola. Além destes, o mesmo autor aponta a importância do setor no fornecimento de matéria-prima no processo do desenvolvimento industrial. 23 O setor agropecuário é responsável pela produção de alimentos tanto para a população rural quanto para a urbana. A situação desejada é que a oferta de alimento cresça igualmente ao crescimento da demanda (BACHA, 2004, p.29). Caso a oferta de alimentos crescer menos que a demanda, os preços dos alimentos sobem. Segundo (BACHA, 2004, p.29), o aumento dos preços dos alimentos implica no aumento do custo da produção, e consequentemente, na redução dos lucros, o que diminui o ritmo do desenvolvimento econômico. Como a agropecuária trata de um setor de desenvolvimento inicial, ela também pode ser utilizada como fonte de capital para investimentos em outros setores. Ainda, a agropecuária pode ser fonte de geração de divisas devido ás vantagens comparativas no mercado internacional. Indiferente das taxas cambiais existe, a necessidade de importações de insumos e bens de capital importantes no processo do desenvolvimento econômico. Ainda, com o número de pessoas que a agropecuária emprega, apresenta-se como um mercado potencial para os bens industriais. “À medida que a agropecuária se moderniza, ela cria mercado para outros tipos de produtos industriais, como os produzidos pela indústria de bens de capital” (BACHA, 2004, p.30-31). Para Souza (1999, p.268), o cumprimento das funções da agropecuária dentro do desenvolvimento econômico resulta em dois fenômenos distintos (entrelaçados), que são a agroindustrialização crescente, como o beneficiamento e industrialização de frutas, vegetais, cereais e outras matériasprimas, e a penetração do capitalismo no campo, implicando o uso mais intenso de insumos modernos e de administração científica. Souza (1999, p.268) ainda complementa que pode ocorrer a existência de um terceiro fenômeno que provoca a reversão da penetração do capitalismo no campo, sendo a “presença predominante de propriedades de tamanho médio, cerca de 20 hectares, gerida por mão-de-obra familiar”. Souza (1999, p.268) explica que este fenômeno ocorre “devido à destruição da renda da terra e da taxa de lucro na agricultura, em virtude do deslocamento das culturas para terras menos férteis, tendo em vista o crescimento demográfico. O uso de insumos modernos eleva os custos e deprime os lucros”. Os lucros baixos inviabilizam empresas, porém, torna possível a produção familiar visto que as receitas totais apenas cobrem os custos. 24 Em 1999, Souza relatava: “uma política de valorização dos preços agrícolas, a aplicação dos investimentos em infra-estrutura rural e o aumento da oferta de crédito agrícola são fatores relevantes para o aumento da oferta de alimentos e de matérias-primas. Acrescenta-se que uma política de agroindustrialização visando à exportação e ao abastecimento interno seria um importante fator para gerar o aumento da produção agropecuária e para estimular a economia do interior do Brasil O estímulo difundir-se-ia para o conjunto da indústria nos centros industriais do país, pelo maior grau de interação do parque industrial.” (SOUZA, 1999, p.293) 2.1.4 Desenvolvimento rural sustentável Em 1987, a ex-primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, que presidiu a Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento, declarou que o desenvolvimento sustentável deve “satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” (CMMAD, 1988, p.28). Em relação a declaração, Tagore (2009, s/p) conclui que o desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento econômico, social, científico e cultural das sociedades garantindo mais saúde, conforto e conhecimento, sem exaurir os recursos naturais do planeta. Tagore (2009, s/p) ainda complementa que para o desenvolvimento sustentável, “todas as formas de relação do homem com a natureza devem ocorrer com o menor dano possível ao ambiente. As políticas, os sistemas de produção, a transformação, o comércio, os serviços – agricultura, indústria, turismo, mineração – e o consumo têm de existir preservando a biodiversidade”. A agricultura e pecuária são atividades dependentes de recursos naturais, de processos ecológicos e de técnicas humanas de trabalho. As tecnologias sustentáveis devem integrar circunstâncias naturais e socioeconômicas que influenciam os sistemas de cultivo: as circunstâncias naturais impõem restrições biológicas ao sistema de cultivo, e os fatores socioeconômicos (transporte, capital, mercados, etc.) afetam o ambiente externo. Assim, a sustentabilidade de um agroecossistema tem dois 25 componentes essenciais: pode ser observada ambiental e socialmente (XAVIER e DOLORES, 2001, p.18) “Numa escala global, a sustentabilidade ambiental dos agroecossistemas está relacionada com os efeitos, positivos ou negativos, sobre a biosfera. Isto é, os efeitos que os agroecossistemas têm sobre as condições de sobrevivência de outros agroecossistemas, ao longo do tempo. Existem problemas ambientais globais, como o efeito estufa e a mudança climática, que são gerados na atualidade, mas que somente vão ser sofridos por outras gerações. [...] Podemos dizer que uma condição essencial para uma agricultura sustentável é um ser humano evoluído, cuja atitude em relação à natureza seja de coexistência e não de exploração” (XAVIER e DOLORES, 2001, p.18). Nenhuma outra atividade humana possui interação tão grande entre o ser humano e a natureza como na agricultura e esta interação acaba trazendo consequência, que é a ocorrência de problemas ambientais (GOMES, 2004, p. 08). Veiga (1994, p.7-10) referindo-se as práticas agrícolas, destaca alguns objetivos do desenvolvimento sustentável, à serem atingidos no meio rural, entre eles: “a manutenção por longo prazo dos recursos naturais e da produtividade agrícola; o mínimo de impactos adversos ao ambiente; retornos adequados aos produtores; otimização da produção com mínimo de insumos externos; satisfação das necessidades humanas de alimentos e renda atendimento das necessidades sociais das famílias e das comunidades rurais” (VEIGA, 1994:7-10). A FAO (Food and Agriculture Organization) e o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) (1994, p10-11) fazem algumas recomendações o desenvolvimento da agricultura sustentável, que implicam: na necessidade de implantar uma política científica e tecnológica nos produtos tradicionais e dependentes, integrando a agricultura e a pecuária; a reestruturação do extensionismo rural; a integração vertical da agriculturapecuária; incentivo à rotação de culturas; práticas para o controle de pragas; utilização da adubação orgânica; conservação do solo; prática da cobertura verde; e o desenvolvimento dos sistemas agroflorestais. “Para a conversibilidade da agricultura convencional em agricultura alternativa ou sustentável são necessárias duas ordens de fatores: uma de caráter social e político e outra de caráter técnico. Na primeira ordem estaria o “suporte organizacional, que organiza 26 internamente o apoio ao movimento” e, na segunda ordem, estaria o caráter técnico, que se efetiva após estudo da situação de tal maneira que permita combinar rendimentos econômicos e equilíbrio na gestão de recursos naturais” (BRANDENBURG, 1999, p.271). Em seus estudos, Gomes (2004, p.8) complementa que na formação da agricultura sustentável a busca por maior eficiência dos sistemas de produção agrícola deve ser compatível e coerente com cada realidade ecológica. 2.2 AGRICULTURA FAMILIAR A agricultura familiar foi definida pela FAO/INCRA (2000) como a agricultura baseada em três fundamentos: 1) a família é quem realizada o gerenciamento/trabalho da propriedade; 2) os fatores de produção pertencem à família; e 3) a área pertencente a família, deve ser menor do que 4 (quatro) módulos fiscais1. De acordo com a Lei 11.326, de 24 de junho de 2006 a agricultura familiar está definida como: [...] aquele que pratica atividades no meio rural, atendendo, simultaneamente, aos seguintes requisitos: I – não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais; II – utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; III – tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento; IV dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família. “A agricultura familiar é a forma de produção em que predominam a interação entre a gestão e o trabalho, a direção do processo produtivo pelos agricultores familiares, com ênfase na diversificação e a utilização do trabalho familiar” (Pronaf/SC, 2002). O conceito de agricultura familiar é recente. A utilização deste termo deu-se na década de 90. Até pouco tempo atrás, falava-se em pequeno 1 É uma unidade de medida que compreende uma área mínima necessária para uma propriedade possuir uma exploração economicamente viável. É expressa em hectares, sendo variável para cada município. Para determinar o módulo fiscal municipal leva-se em conta: o tipo de exploração do terreno, a renda obtida com esta exploração, outras explorações do município e o conceito de agricultura familiar. 27 produtor para designar o agricultor familiar, e em pequena propriedade, para designar a agricultura familiar. De acordo com Aquino e Schneider (2010), “apesar de ser recente o uso do termo agricultura familiar em nosso país, esta forma social caracterizada pela unidade entre trabalho, produção e unidade doméstica conforma um modo de vida muito presente e significativo na formação do tecido social brasileiro, particularmente no espaço rural”. Os autores informam que, somente a partir da década de 90 que a agricultura familiar passou a ganhar espaço e legitimidade, tornando-se uma categoria reconhecida econômica e politicamente. A agricultura familiar tem como características preponderantes o trabalho e a gestão e/ou administração familiar. Comparadas às grandes propriedades rurais, as unidades familiares tendem a preservar melhor o meio ambiente. De maneira geral são mais produtivas e economicamente viáveis, dispondo de um patrimônio rico e diverso, o que marca a sua estrutura fundiária, caracterizada pelo pequeno tamanho da propriedade, e sua diversificação produtiva (PRONAF, 2010). Segundo Souza (1999, p.245) “à mão-de-obra ocupada na agricultura brasileira é a presença marcante do trabalho familiar. A sua participação é inversamente proporcional ao tamanho dos imóveis, ou seja, quanto menor a propriedade em termos de área e/ou valor de produção, maior é a importância do trabalho familiar”. Com bases nos dados da FAO/INCRA (1995;2000), Aquino e Schneider (2010) relataram: “Os primeiros estudos disponíveis sobre a temática mostraram que o grupo social formado pelos estabelecimentos que usavam mão-deobra familiar chegava a 71,6%, de um total de 5.151.155 estabelecimentos existentes no Brasil em 1985 [...]. Os trabalhos posteriores desenvolvidos com critérios de classificação semelhantes a partir do Censo Agropecuário de 1995/1996, indicaram que a agricultura familiar brasileira representava 85,2% dos 4,8 milhões de estabelecimentos recenseados no período, ocupando 30,5% da área e respondendo por 37,9% do valor bruto da produção agropecuária nacional” (AQUINO e SCHNEIDER, 2010). Observando a importância econômica da agricultura familiar, o Estado brasileiro alertou-se para as demandas deste grupo social, o qual passou a fazer parte de sua agenda de prioridades (AQUINO e SCHNEIDER, 2010). O 28 Estado iniciou o cuidado com a agricultura familiar a partir da criação do PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar em 1996 e, dez anos depois, em 2006, conferiu legalidade ao grupo social através da promulgação da Lei11.326/2006, conhecida como a Lei da Agricultura Familiar (AQUINO e SCHNEIDER, 2010). “Desde o lançamento do PRONAF, a agricultura familiar brasileira passou a ganhar relevo e destaque, quer seja no âmbito dos resultados bem sucedidos da aplicação de crédito rural ou mesmo entre os estudiosos e pesquisadores. De fato, o PRONAF se tornou o programa de referência para um conjunto mais amplo de questões relacionadas ao próprio desenvolvimento rural. Não sem motivo, ao longo dos anos, o governo ampliou o portfólio de “produtos” deste programa, segmentou seu público-alvo em grupos (A, B, C, D e E), incorporou outras políticas e passou a atender demandas específicas dos movimentos sociais criando novas linhas de ação (agroecologia, jovens, mulheres, etc.)” (AQUINO e SCHNEIDER, 2010). Atualmente entende-se por agricultor familiar todo aquele que explora uma parcela da terra na condição de proprietário, assentado, posseiro, arrendatário ou parceiro. Esse agricultor utiliza o trabalho direto seu e de sua família, podendo ter, em caráter complementar, até dois empregados permanentes e contar com a ajuda de terceiros, quando a natureza sazonal da atividade agropecuária exigir. Além disso, não pode deter área superior a quatro módulos fiscais, quantificados segundo a legislação em vigor, deve ter, no mínimo, 80% da renda familiar bruta anual originada da exploração agropecuária, pesqueira e/ou extrativa e residir na propriedade ou em aglomerado rural ou urbano próximo (INSTITUTO CEPA2, 2002). A agricultura familiar é o modo agrícola pelo qual mais se produz alimento no Brasil, já que possui produção diversificada, destinada ao abastecimento da propriedade, onde o excedente é vendido com vistas à obtenção de renda. Nesse sistema, a terra, o trabalho e o capital combinam-se entre si, e a família configura a unidade de produção e de consumo, de forma que os agricultores detêm grande parte dos meios de produção (FUNK; BORGES; SALOMONI, 2006). Desse modo, a agricultura familiar deve ser entendida como forma social de trabalho e produção que ainda conserva algumas características típicas do 2 INTITUTO CEPA (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola) – SC, pode ser acessado através do site: http://cepa.epagri.sc.gov.br 29 camponês. A agricultura familiar de hoje é dinâmico do ponto de vista econômico e social. Abarca uma diversidade muito grande de sistemas produtivos, de tipos de inserção mercantil, sendo capaz de reproduzir-se incorporando as inovações e o progresso tecnológico em larga escala (GAZOLLA, 2004). 2.2.1 Características da agricultura familiar 2.2.1.1 Tamanho da família Grisa e Schneider (2008) concluíram que o número de integrantes da família influencia na decisão de produzir ou comprar e determina a quantidade produzida para o autoconsumo. Famílias mais numerosas e com maior número de consumidores, sobretudo, com mais força de trabalho, apresentam maior condição produtiva. A presença de mulheres de mais idade também contribui para essa condição. 2.2.1.2 Etnias Em relação às etnias percebe-se que, para os alemães, poloneses e italianos a produção para autoconsumo está presente na maioria dos estabelecimentos rurais; já para os caboclos, esta produção tem menor intensidade. Além da questão cultural, não há como desconsiderar que fatores estruturais (área, capital disponível, etc.) colaboram para estes resultados, visto que geralmente esses são mais descapitalizados (GRISA, 2007). 2.2.1.3 Tamanho da propriedade Observa-se que, à medida que a área aumenta, intensifica-se a produção para o autoconsumo. Em geral, estabelecimentos com menos de dez hectares apresentam auto-abastecimento alimentar. Assim, estabelecimentos 30 muito pequenos podem limitar a quantidade de alimentos produzidos por área, fazendo com que as unidades familiares possam optar por produzir, no mesmo espaço, culturas mais rentáveis economicamente, maximizando o fator de produção “terra”. Independente de qual seja o caso, o tamanho das propriedades rurais pode ser fator limitante para a segurança alimentar das famílias e um dos fatores explicativos das diferenças de importância do autoconsumo entre estas. Sobre o tamanho dos estabelecimentos Dalmazo, Sorrenson e Figueiró (2002) verificaram que os pequenos agricultores, mesmo ligados ao mercado, não são movidos pela lógica capitalista (aumentar os lucros), mas pela lógica camponesa, de produção para autoconsumo e manutenção do status atual, com minimização dos custos. Esse comportamento caracteriza-se por aversão ao risco e tecnologias modernas, uso de tecnologias tradicionais e forte preocupação com a produção para o autoconsumo. O autoconsumo é fator determinante para a continuidade das pequenas unidades de produção familiar, mas poucas vezes é considerado em análises de viabilidade econômica, em virtude de sua complexidade, concluem Ozelame, Troian e Cavalheiro (2007). 2.2.1.4 Fontes de renda Em todos os sistemas, segundo Tremarin, Pezzi e Genessini, (2007), as atividades para autoconsumo contribuem significativamente para a formação de renda, além de conferir maior segurança alimentar e maior estabilidade em relação a mudanças na economia. Outra fonte de renda analisada é a renda de atividades não agrícolas. Os estabelecimentos familiares exclusivamente agrícolas apresentam valores de autoconsumo um pouco superiores aos que têm várias atividades. A partir disso, poder-se-ia supor que, ao combinar atividades agrícolas com não agrícolas, as unidades familiares utilizam a força de trabalho disponível de modo mais intenso, diminuindo o tempo para a produção de autoconsumo, ao mesmo tempo, o recebimento de mais uma renda contribui para a aquisição de alimentos comprados. 31 2.2.1.5 Reprodução do conhecimento O fato de acompanhar a rotina de trabalho dos pais e, em certa medida, ajudar nas atividades, possibilitava o aprendizado e o conhecimento para, em anos seguintes, quando constituída nova família, satisfazer parte das necessidades alimentares por meio do próprio trabalho sobre a terra. A experiência acumulada com os pais e o fato de sempre ter trabalhado na agricultura são elementos responsáveis pelo conhecimento da produção para o consumo familiar (GRISA, 2007). Duval, Ferrante e Valencio (2008) também concluíram que os filhos que acompanham o trabalho dos pais herdam disponibilidade maior à produção para o autoconsumo. 2.2.1.6 Produção para autoconsumo A produção para autoconsumo compreende todo o tipo de produção, bens, ferramentas de trabalho ou outros produtos que são gerados no interior da unidade familiar e utilizados pelos seus membros para suprir suas necessidades. Nesse sentido, o autoconsumo alimentar pode ser definido como aquela parcela da produção animal, vegetal ou transformação caseira, que foi produzida pelos membros de uma família e que é utilizada na alimentação do grupo doméstico, de acordo com as suas necessidades (GAZOLLA; SCHNEIDER, 2007). Desfrutar de alimentos sem agrotóxicos e conhecer o que está consumindo são algumas das principais justificativas para a existência do autoconsumo nos estabelecimentos rurais. Para garantir a qualidade e a sanidade, a produção destinada ao autoconsumo geralmente é isenta de agrotóxicos e outros produtos químicos e utiliza esterco animal, cinzas, restos de alimentos e outros materiais que não comprometem a saúde do consumidor. Tais produções promovem manejos mais sustentáveis mediante a utilização e reciclagem de recursos locais disponíveis, sem agredir o meio ambiente (GRISA, 2007). 32 Vale ressaltar que a produção para autoconsumo é praticada não apenas pelas famílias moradoras em áreas rurais, mas também por um crescente número daquelas situadas em áreas urbanas e periurbanas. A produção de alimentos para autoconsumo constitui elemento-chave para o acesso a uma alimentação segura e saudável, oriundos de cultivos onde, raramente, são aplicados agrotóxicos (GADELHA; MALUF, 2008). 2.2.1.7 Condições técnicas de produção As unidades familiares que receberam alguma forma de assistência técnica apresentam maior produção para autoconsumo que as desassistidas. As empresas públicas de Assistência Técnica e Extensão Rural incentivam mais intensamente a produção para autoconsumo. Essa relação positiva entre produção para o consumo familiar e extensão rural nem sempre foi assim. No ímpeto da modernização tecnológica, as unidades familiares foram estimuladas pelos extensionistas a diminuírem essa produção e intensificar a produção de commodities3. Atualmente, o principal argumento utilizado pelos assistentes sociais e técnicos para que as famílias incrementem sua própria produção de alimentos é a segurança alimentar (GRISA; SCHNEIDER, 2008). Grisa (2007) também investigou a produção agropecuária e verificou que os produtores de uva, pêssego e de produção leiteira produzem menos para o autoconsumo, porque essas atividades são mais intensas em trabalho, satisfazendo suas necessidades por meios de compra. A cultura da soja, de certo modo, também acaba interferindo na produção para o autoconsumo, uma vez que as unidades familiares têm dado preferência às culturas com maior retorno econômico. Igualmente, a criação de frangos de corte no sistema de integração agroindustrial tem uma especificidade em relação à produção para o autoconsumo. As unidades familiares nesse sistema recebem orientação das empresas para eliminar a produção de outras aves (galinha caipira, ganso, etc.) ou mantê-las em local fechado e distante do aviário, como medida de 3 É o termo utilizado para designar bens ou mercadorias que possuem um preço universal. É um bem equivalente e trocável por outros bens. 33 controle sanitário. Essa restrição tem favorecido a diminuição do consumo de alimentos provenientes das criações, particularmente, galinha caipira (MENASCHE; MARQUES; ZANETTI, 2008). O agricultor integrado a agroindústria deve obedecer às regras estabelecidas pela empresa integradora. Em alguns casos, é obrigado a deixar de produzir certos alimentos para o consumo, por exigência da empresa. Mesmo que haja considerável diminuição dessa produção, aquele alimento destinado ao autoconsumo foi e ainda é considerado o de maior qualidade do que aquele destinado ao mercado, como fica bastante evidente no caso dos agricultores integrados (TONEZER; SANTOS; RAMBO, 2008). 2.2.1.8 Fatores que podem reduzir a produção de alimentos para autoconsumo A proximidade e o preço dos alimentos nos mercados também são dois elementos que interferem na produção para o autoconsumo. As unidades familiares geograficamente mais próximas dos mercados ou centros urbanos estão mais propensas a diminuir a produção para o autoconsumo e aumentar o consumo de alimentos comprados. É comum no meio rural a presença de fruteiros, comercializando seus produtos. As próprias famílias poderiam produzir esses alimentos, no entanto, a facilidade proporcionada é favorecida pela compra. A maioria dos comerciantes dessas mercadorias é oriunda de outros municípios (GRISA; SCHNEIDER, 2008). Outro fator que tem estimulado a aproximação com os mercados na aquisição de alimentos é o preço dos produtos. Algumas unidades familiares reconhecem que o preço de compra de determinados alimentos é compensador, porém preferem produzir a maioria dos alimentos por questão cultural e identitária e, notavelmente, por questão de segurança alimentar. O conhecimento de como o alimento foi produzido e de suas qualidades, mormente sanitárias, são fatores que compensam o plantio/criação, mesmo que podendo ter custo mais elevado. Assim, o preço dos alimentos nos mercados acaba interferindo na decisão das famílias de produzir para o autoconsumo (GAZZOLA, 2004). 34 A facilidade de acesso a mercados locais e o aumento da oferta de alimentos neles disponíveis, podem ser apontados como alguns dos fatores que acarretaram a redução da produção de alimentos voltada ao autoconsumo, concluíram Menasche, Marques e Zanetti (2008). 2.2.1.9 Meios de comunicação A influência dos meios de comunicação, particularmente a televisão, por meio de artifícios e propagandas, cria necessidades, tornando certos alimentos indispensáveis ou, no mínimo, desperta a curiosidade do conhecimento. As unidades familiares são cada vez mais incitadas a buscar a praticidade, adquirindo alimentos prontos (bolachas, biscoitos, enlatados, etc.), e a descobrir as novidades que passam a ser incorporadas ao cardápio familiar. Por outro lado, os meios de comunicação em geral poderiam ser importantes instrumentos no fortalecimento da produção para o consumo familiar, incentivando-a via divulgação de técnicas de cultivos e transformação dos alimentos (GRISA, 2007). 2.2.1.10 Utilização de eletrodomésticos A alimentação talvez tenha sido o ato social mais facilitado pelas técnicas e objetos técnicos domésticos. Desse modo, a energia elétrica e alguns eletrodomésticos têm influenciado nos hábitos alimentares das unidades familiares e também na produção para o autoconsumo, seja nos tipos de alimentos consumidos, seja na oferta destes por um período mais prolongado. A praticidade também é buscada pelas famílias rurais, sendo um dos fatores que têm favorecido o aumento do consumo de alimentos comprados que poderiam ser produzidos no próprio estabelecimento (GRISA, 2007). Em seu trabalho, Menasche, Marques e Zanetti (2008) relatam que, até recentemete, no meio rural, a carne mais consumida era a de suíno que, armazenada em barril cheio de banha, conservava-se por mais tempo do que a carne bovina. No entanto, com a chegada dos congeladores e refrigeradores, essa prática foi substituida. A possibilidade de armazenamento favoreceu o 35 consumo de carne bovina, presente quase que cotidianamente na mesa das unidades familiares, e o consumo de carne suína diminuiu. 2.2.2 A importância do autoconsumo na produção da agricultura familiar A produção de produtos agrícolas para o autoconsumo é de suma importância para o suprimento de alimentos básicos nas famílias. Tem como finalidade melhorar a qualidade de vida e, até mesmo, aumentar a renda familiar. Além disso, o autoconsumo representa uma garantia de qualidade dos produtos consumidos pela família, que sabem a procedência dos alimentos, fato que proporciona uma alimentação mais saudável. Dessa forma, a produção de autoconsumo deve ser incentivada, pois a quantia economizada com esse tipo de consumo pode representar investimento em outros setores. Dombek, Tereso e Bergamasco (2005) verificaram, ainda, que as famílias que utilizaram a estratégia de produzir o autoconsumo de origem vegetal ou animal estavam em condições de segurança alimentar melhores das que não produziram para tal finalidade. Segundo Gazolla (2004), a produção para autoconsumo também é responsável pela maior autonomia das famílias diante do contexto social e econômico que circunda as unidades de produção. Com essa produção assegurada, as famílias ficam menos dependentes do mercado. Essa forma de produção permite a reprodução familiar do agricultor dentro do espaço agrícola, garantindo, assim, a segurança alimentar. Dessa forma, quando se trabalha com uma agricultura orientada somente para as relações mercantis, tem-se maior dependência externa, deixando o agricultor vulnerável e mais exposto a possíveis crises que venham a enfrentar no setor (PELINSKI et al., 2006). Contudo, a crise dos alimentos vivida em 2008 caracterizou-se, sobretudo, como um rápido e significativo aumento dos preços dos alimentos em todo o mundo, ameaçando parcelas da população a voltarem a condições de insegurança alimentar, já sofridas no passado (BRASIL, 2008). Assim, fica mais evidente a importância da produção para autoconsumo. 36 Porém, segundo Altmann, Mior e Zoldan (2008), algumas tendências indicam que os hábitos alimentares deverão evoluir, buscando consumir produtos naturais, como frutas, verduras, entre outros. Deverão atender categorias especiais (idosos, crianças, vegetarianos, etc.) e ganhar espaço em pequenas propriedades, podendo também ser importante fonte de renda e nicho de mercado para a agricultura familiar. 2.2.3 A agricultura familiar em Santa Catarina e a importância do autoconsumo no estado Santa Catarina é considerada referência nacional e internacional quando se fala em agricultura familiar. No estado predominam pequenas propriedades rurais (EPAGRI4, 2008). São 180 mil famílias, onde 89% dos estabelecimentos rurais têm até 50 ha que ocupam apenas 41% da área total, porém produzem altas quantidades de alimentos. “As informações disponíveis sobre a agricultura familiar mostram que, apesar da falta de apoio, ela é responsável por quase 40% da produção agropecuária, obtêm rendimentos mais elevados por hectare e responde a 76,8% do emprego agrícola. Além disso, parte significativa de produtores pouco capitalizados que recebem algum tipo de apoio conseguiu inovar seus sistemas produtivos e dar curso a trajetória bem sucedida de capitalização”(GUANZIROLI et. al., 2001, p.22). A variação produtiva agrícola existente hoje no estado e a expressiva capacidade empreendedora, deu-se devido a colonização do interior do Estado. “Grande parte dos agricultores, bem como a maioria da população catarinense, descende de europeus das mais diversas origens” (Pronaf/SC, 2002). A descendência europeia no Estado caracterizou-se pela chegada de imigrantes na sua maioria portugueses, italianos e alemães. Para o Pronaf/SC (2002), as identidades e valores destes imigrantes foram compartilhados, configurando a cooperação e competição, que torna favorável a desenvolvimento do território. 4 Mais dados da EPAGRI- Empresa de Pesquisa e Extensão Rural de Santa Catarina, podem ser obtidos através do site www.epagri.sc.gov.br 37 Um problema enfrentado pelos catarinenses é a sucessão familiar das pequenas propriedades rurais. Stropasolas (2006) verificou que muitos jovens saem do meio rural devido às más condições socioeconômicas. Pelas limitadas possibilidades de realização, os jovens não dispõem de liberdade para investir em novas ideias e recriar valores, havendo, inclusive, uma masculinização do meio rural. Os padrões sucessórios dominantes na agricultura familiar são hoje uma ameaça ao seu próprio desenvolvimento e, consequentemente, à integridade do tecido social que responde pela ocupação de parte significativa do território brasileiro. O êxodo rural atinge hoje os jovens com muito mais ênfase do que em períodos anteriores. Há 20 ou 30 anos, os jovens do meio rural obedeciam às regras de seus pais e permaneciam no campo. Hoje, os jovens buscam o meio urbano com mais frequência (ABRAMOVAY et al., 1998; SILVESTRO et al., 2001). Analisando esses trabalhos, verifica-se que os jovens saem do meio rural por conviverem em ambientes desfavoráveis, sem muita expectativa o que evidencia um problema na sucessão das pequenas propriedades. Todavia, alguns autores em seus trabalhos chegaram a diferentes conclusões. Gerber e Aguiar (2009), ao estudar gênero e geração no meio rural, verificaram que o jovem rural quer qualidade de vida. Relatam que os jovens amam o local onde nasceram e que se tivessem condições dignas e uma forma de sobreviver da sua profissão, não sairiam do espaço rural. Quando entrevistados os jovens que saíram e aqueles que ainda permanecem no campo, Collet (2009) verificou que há uma boa ligação com o meio rural, em razão da qualidade de vida. Relatam que o campo é um lugar bom para se viver e, aliado a isso, aparece a possibilidade de produção para o autoconsumo. Outro motivo de interesse em estar no meio rural é o fato de não ter horário a cumprir, além de ser muito mais seguro. Diante dessa realidade, Menasche, Marques e Zanetti (2008) constataram que a evasão dos jovens do meio rural tem ligação direta com a diminuição da produção para o autoconsumo nas pequenas propriedades rurais. Qualidade de vida e condição de produzir seu próprio alimento são os principais motivos que aumentam o desejo de permanecer ou voltar para o meio rural. Com isso, as políticas públicas podem ter resultado significativo na 38 decisão entre o sair ou o permanecer no campo, isso quando planejadas com a participação popular e a aceitação da opinião do público-alvo. Assim, políticas bem planejadas e discutidas podem minimizar o problema da evasão do jovem do campo, além de aumentar a produção de alimentos para o autoconsumo (COLLET, 2009). A produção para o autoconsumo é de fundamental importância para as pequenas propriedades, sendo uma forma de escape, a fim de minimizar os impactos de crises. O sistema produtivo imposto faz uma pressão contrária a essa produção, em virtude de vários fatores já mencionados. As pequenas unidades de produção familiar, mesmo tendo passado por profundas transformações, ainda são responsáveis pela produção da maior parte dos alimentos, gerando trabalho à maioria da população que vive no meio rural. Porém, entre outras coisas, a adoção de tecnologias do novo modelo produtivista, perderam suas características básicas, diminuindo, assim, a produção para o autoconsumo. Dessa forma, fica evidente a importância da produção para o autoconsumo nesses estabelecimentos, como forma de fortalecer, melhorar a qualidade de vida e diminuir o êxodo rural dos agricultores familiares. Nesse cenário, a agricultura familiar tem grandes desafios para enfrentar. Contudo, essa produção é uma estratégia importante para a autonomia da agricultura familiar, além de ser elemento integrante do modo de vida rural; deve ser considerada instrumento potencial para o desenvolvimento social no campo. Entretanto, um processo de retomada dessa produção para o autoconsumo deve ser retomado, com a adoção de metodologias pela assistência técnica, para que essa produção seja aumentada e tenha sua devida importância, principalmente entre os pequenos agricultores. O incentivo deve partir de políticas públicas, que valorizem e apoiem essa produção, para que haja uma agricultura familiar sustentável. 2.3 POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS À AGRICULTURA FAMILIAR 39 Para Secchi (2010) as políticas públicas são diretrizes elaboradas para enfrentar problemas públicos. São tratamentos ou resoluções de problemas coletivos e relevantes. As políticas agrícolas para a agricultura familiar tiveram maior importância na década de 1990, o que pode ter influenciado na produção para autoconsumo. A produção para autoconsumo consiste em todo tipo de produção, bens, ferramentas de trabalho ou outros produtos que são gerados no interior da unidade familiar e utilizados pelos seus membros para suprir suas necessidades. Está presente em basicamente todas as propriedades rurais, em algumas com maior e em outras com menor intensidade. A principal característica é a produção sem o uso de agroquímicos, considerada pelos agricultores como “alimento puro”. Segundo Scherer e Miorin (2005), as políticas públicas eram até recentemente inexistentes, voltadas quase que exclusivamente às grandes propriedades (agronegócio), especialmente as mais capitalizadas. Os resultados dos novos incentivos a partir de políticas públicas voltadas aos produtores familiares, permitiram que alguns agricultores familiares começassem a adquirir tecnologias e modernizar seus instrumentos de produção e de transformação dos produtos. A chamada “modernização do meio rural” transformou a agricultura familiar de uma produção com poucos produtos químicos e basicamente manuais, para a produção intensa do produto, com aditivos químicos e tecnológicos que acelerem o processo e o rendimento. O espaço rural brasileiro sofre profundas transformações provenientes das ações políticas, sociais, econômicas e culturais. Essas mudanças acontecem tanto nas grandes propriedades quanto nas pequenas e em todo o território brasileiro. O sistema produtivista está cada vez mais presente no meio rural e se manifesta na agricultura familiar, onde se pensava que, por suas características próprias, nunca ocorreria, pois sua produção, voltada em primeiro lugar à subsistência, estaria livre de tal influência (SCHERER; MIORIN, 2005). O sistema produtivista agrícola é entendido como o processo pelo qual o progresso tecnológico se internaliza e penetra na agricultura, modificando o tipo de relação que o agricultor estabelece com a natureza e a agricultura. A 40 modernização agrícola pode ser definida como o processo mediante o qual ocorrem modificações na base técnica da produção (GAZOLLA, 2004). Nos últimos anos algumas mudanças na alimentação dos agricultores vêm se tornando comuns. Alguns agricultores diminuíram a produção de alimentos para o autoconsumo e, com isso, buscam esses produtos no mercado local. A nova dinâmica produtiva no meio rural reorienta o uso do tempo e das terras, onde a produção de mercadorias torna-se predominante e, em muitos casos, absoluta. A produção de autoconsumo passa de uma prática efetiva à invisibilidade contábil (desprezo formal) e ao esquecimento (DUARTE, 2007). Ao se observar a importância da produção de autoconsumo para um “modelo” de agricultura sustentável, entende-se o papel das políticas públicas agrícolas nos padrões de vida do homem do campo e a importância dos fatores determinantes na produção para autoconsumo. Quando indagados sobre como era a produção voltada ao autoconsumo antigamente, os agricultores afirmam que havia maior fartura de alimentos. Dessa forma, referem-se ao passado como época de fartura, onde a terra era mais produtiva e os alimentos abundantes e diversos (MENASCHE; MARQUES; ZANETTI, 2008). Grisa (2007) observou que a produção para autoconsumo está presente na totalidade dos estabelecimentos e tem representação financeira significativa. Gazolla (2004) constatou que a qualidade nutricional do alimento produzido para o autoconsumo tem qualidade superior aos alimentos adquiridos no mercado. O alimento para o autoconsumo tem o cultivo com menor quantidade de produtos químicos, considerado pelos agricultores como alimento puro. 2.3.1 Mudanças na agricultura familiar através das políticas públicas Ao decorrer da década de 70, a agricultura brasileira começou a sofrer transformações, onde a agricultura familiar foi sendo substituída pelas novas práticas e meios de produção. Assim aconteceu com a produção para 41 autoconsumo. Pareceu estar perdendo sua importância, sendo inversamente proporcional a modernização da agricultura (GRISA, 2007). Com a implantação da modernização sendo incentivada pelo governo a partir de políticas públicas, seus efeitos atingiram a todos os camponeses. A forma de fazer agricultura e de produzir alimentos mudou para os camponeses. Os produtores ficaram dependentes de fatores externos à propriedade, e poucos conseguiram se inserir no mercado, em razão das novas técnicas de produção (GAZOLLA, 2004). A maior parte dos agricultores tornaram-se excluídos do sistema produtivo. Porém, a implantação da tecnologia na produção de alimentos, para aqueles que acompanharam a modernização, gerou alterações na forma de produzir e viver no campo. Duarte (2007) comenta que neste período, iniciou-se a oferta de manufaturados para o sistema produtivo, e o processo de produção ficou todo baseado em mecanização e insumos industriais. A partir dos anos 90, passou-se a atribuir novos papéis para a agricultura e o meio rural, com destaque para a geração de emprego e a preservação ambiental (DENARDI, 2001, p.57). 2.3.2 Geração de emprego e preservação ambiental Desde os anos 90, o Governo Federal está buscando promover o desenvolvimento rural sustentável, a partir da implementação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar. Destas políticas, busca-se abrir novas oportunidades as famílias agrícolas brasileiras. Para Denardi (2001, p.57) dentre as políticas públicas destinadas à agricultura familiar existentes no país, destacam-se a Previdência Social e o Pronaf (Programa acional de Fortalecimento a Agricultura Familiar). Para o autor, a previdência é a “mais importante política social para os agricultores. As aposentadorias e pensões mensais recebidas por grande número de beneficiários de famílias pobres fazem da previdência rural a política pública de maior alcance social no país.” O autor ainda destaca que através da previdência social rural, são beneficiados aproximadamente cinco milhões de brasileiros, 400 mil só no Paraná. 42 “Outros dados relevantes mostram a grande importância dos benefícios da previdência social rural, principalmente nas regiões mais pobres. Para mais de dois terços das municipalidades paranaenses, o Fundo de Participação dos Municípios representa um valor inferior ao dos benefícios previdenciários rurais recebidos pelos seus habitantes. O pagamento de benefícios previdenciários é fundamental para a economia desses municípios, além de ser um poderoso instrumento para evitar o agravamento da exclusão social” (Campanhola e Graziano da Silva, 2000). Além da previdência social rural, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) também é apontado por DENARDI (2001, p.58) como eficiente. O Pronaf foi à primeira política pública diferenciada em favor dos agricultores familiares brasileiros. “No âmbito do governo federal, o Pronaf é um campo de disputa entre duas forças ou posições. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, 5 respaldado por setores do BNDES e do IPEA , pretende dar ao Pronaf a importância e amplitude de uma efetiva política de desenvolvimento rural. Mas os ministérios da Fazenda e da Agricultura vêem o Pronaf apenas como uma política social compensatória, isto é, como mero paliativo para minorar os efeitos da "inevitável" marginalização e exclusão dos pequenos agricultores sem condições reais de integração e competição nos mercados globalizados” (Denardi, 2001, p.58). De acordo com dados da Secretaria da Agricultura Familar (SAF, 2005), no período de 2001 a 2005, o Pronaf totalizou 4,6 milhões de contratos firmados e um montante de R$14,0 milhões no âmbito de crédito rural. Na safra de 2008/2009, o Pronaf representava 343.600 contratos, equivalentes a R$ 709,81 milhões. Para a safra de 2009/2011, os empréstimos alcançaram mais 2 bilhões para Pronaf A, B e C, outros 11 bilhões ficaram destinados a agricultores de médio porte. A safra de 2010/2011 possuía estimativa de R$ 3 bilhões para Pronaf A, B e C, e ainda mais 13 bilhões para os agricultores de médio porte (AGUILAR, 2010, s/p). Recentemente observa-se uma aceitação por parte dos agricultores familiares quanto ao Pronaf, diferentemente do que ocorreu no inicio de sua vigência, como pode ser confirmada pelos relatos de Denardi (2001): 5 IPEA: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 43 “Esse inquestionável aumento quantitativo no acesso ao crédito, no entanto, não representou ainda nenhum grande avanço em termos qualitativos. Porque, a rigor, o Pronaf é um crédito rural tradicional. Financia o custeio de tecnologias convencionais para produtos tradicionais. Basta analisar o que tem sido financiado pelo Pronaf desde a sua criação [...] Em resumo: o Pronaf tem socializado o financiamento de custeio de produtos, sistemas e pacotes tecnológicos tradicionais. Falta crédito para investimentos e, principalmente, para financiar mudanças nos sistemas de produção [...] Os bancos comerciais dificilmente financiam sistemas de produção diversificados e sustentáveis, ou produtos orgânicos e diferenciados” (Denardi, 2001, p.58-59). 2.4 PRONAF Entende-se por PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), como um programa de crédito rural destinado a financiar e apoiar as atividades produtivas e econômicas dos agricultores familiares. O PRONAF visa, principalmente, financiar e fortalecer as principais atividades das unidades de produção, mas também, a produção para consumo dos agricultores familiares (PRONAF, 2002). “Desde o lançamento do PRONAF, a agricultura familiar brasileira passou a ganhar relevo e destaque, quer seja no âmbito dos resultados bem sucedidos da aplicação de crédito rural ou mesmo entre os estudiosos e pesquisadores. De fato, o PRONAF se tornou o programa de referência para um conjunto mais amplo de questões relacionadas ao próprio desenvolvimento rural” (AQUINO E SCHEIDER, 2010). De acordo com Aquino e Schneider (2010), com o sucesso do PRONAF, o programa passou a ser entendido, principalmente pelos gestores governamentais, como “mola-propulsora” de valorização da diversidade social da agricultura familiar e do meio rural, sendo visto com o programa responsável por “combater as desigualdades sociais e regionais que marcaram as políticas estatais tradicionais voltadas para estimular a modernização tecnológica da agricultura brasileira”. A FAO apoia a execução do Pronaf (UTF/BRA/057/BRA), através do projeto “Apoio ao desenvolvimento sustentável da agricultura familiar no Brasil” que possui foco na assistência técnica, questões de gênero e crédito agrário (GUANZIROLI e CARDIM, 2000). 44 De modo geral, pode-se afirmar que o que era o programa de desenvolvimento rural se transformou em um programa que visa fortalecer e apoiar a produção agropecuária, a especialização produtiva e a inserção mercantil dos agricultores familiares nas cadeias agroindustriais. Nesse sentido, o Pronaf que é uma política de apoio da agricultura familiar, via crédito rural, fortalece condições adversas à reprodução social dos agricultores. Assim, o programa possui algumas contradições no que se refere às ações que devem apoiar e, também, em relação ao que se entende por fortalecer a agricultura familiar (GAZZOLA, 2004). 2.4.1 Dados sobre o PRONAF O PRONAF - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar foi instituído em 1996 pelo Governo Federal. Seu objetivo é financiar projetos que gerem renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária. Destinado aos mini e pequenos produtores rurais, que desenvolvem as atividades com sua própria força de trabalho e de sua família, caracterizando a agricultura familiar, o programa disponibiliza crédito para custeio de safra e atividades agroindustriais, sendo possível utiliza-lo no investimento de maquinário, equipamentos, infraestrutura e serviços agropecuários. De forma mais ampla, os créditos do PRONAF podem ser destinados para custeio e financiamento. O custeio refere-se ao financiamento das atividades agropecuárias e de beneficiamento ou industrialização e comercialização de produção própria, enquanto que o investimento refere-se ao financiamento da implantação, ampliação ou modernização da infraestrutura de produção e serviços. “A legislação de crédito rural no Brasil data de meados da década de 1960, quando desde então vem regendo os financiamentos de produção, tanto a relativa à Agricultura Patronal ou Empresarial, quanto a relativa a Agricultura familiar, focando os contratos de financiamento no produto e basicamente dividindo-os em operação de longo prazo (investimento) e de curto prazo (custeio e comercialização).” (FERREIRA e RIGHI, 2008, p. 10) 45 Adequando a propriedade à modernização dos sistemas de produção, o programa proporciona o aumento da renda dos agricultores familiares, a partir da valorização dos produtos e da propriedade, o que tem por finalidade o fortalecimento da categoria, quando inserida na cadeia do agronegócio (SAF6/MDA7, 2002). O PRONAF torna-se atrativo aos produtores familiares por financiar projetos individuais ou coletivos, possuindo as mais baixas taxas de juros dos financiamentos rurais, agilidade em sua obtenção, tempo de carência para o início do pagamento e ainda garantia de renovação do crédito para os produtores que honram seus compromissos. A facilidade da obtenção do crédito e de seu pagamento é comprovada pelas menores taxas de inadimplência entre os sistemas de crédito do País (SAF/MDA, 2002). “No Pronaf as taxas de juros são mais baixas que as do crédito para a agricultura patronal e variam de acordo com a renda bruta anual familiar. Para enquadramento no Pronaf a família não pode obter renda bruta anual, descontados os proventos previdenciários a partir da atividade rural, superior a R$ 110.000,00, podendo beneficiar também os jovens, as mulheres, os pescadores artesanais, os extrativistas que se dediquem à exploração extrativista ecologicamente sustentável, os silvicultores que cultivem florestas nativas ou exóticas e que promovam o manejo sustentável, os aqüicultores, os maricultores e os pisciculatores, além de comunidades quilombolas e povos indígenas que pratiquem agricultura para geração de renda.” (FERREIRA e RIGHI, 2008, p. 10) A integração do agricultor no programa acontece a partir da necessidade do crédito para investimento no setor agrícola/agropecuário na propriedade. Quando ocorre o interesse no financiamento, a família rural deve procurar o sindicato rural ou a Emater para obtenção da Declaração de Aptidão ao PRONAF (DAP), que é utilizada como identificação o agricultor familiar para acessar políticas públicas como o PRONAF. Para a retirada da DAP (ANEXO I), o produtor rural necessita do CPF (cadastro de pessoa física) regularizado e livre de dívidas, e algum dados sobre a propriedade rural como tamanho da área, número de pessoas residentes, composição da força de trabalho e da renda e endereço completo. A renda bruta anual não pode ultrapassar R$ 6 SAF: referente ao site da Secretaria da Agricultura Familiar, podendo ser consultado através do endereço: http://www.mda.gov.br/portal/saf/ 7 MDA: referente ao site do Ministério do Desenvolvimento Agrário, podendo ser consultado através do endereço: http://www.mda.gov.br 46 110.000,00. A DAP é emitida de acordo com a renda anual e as atividades exploradas na propriedade, o que direcionando o agricultor para uma linha de crédito específica. (SAF/MDA, 2002). Com a DAP retirada, o produtor pode solicitar ao órgão de financiamento a contratação do PRONAF. Será encaminhado um projeto ao banco, que será analisado de acordo com a sua viabilidade e possível geração de renda à família do agricultor. As condições de acesso ao Crédito PRONAF, formas de pagamento e taxas de juros correspondentes a cada linha são definidas, anualmente, a cada Plano Safra da Agricultura Familiar, divulgado entre os meses de junho e julho (SAF/MDA, 2002). 2.4.2 Evolução histórica do PRONAF Criado em 1995, apenas como uma linha de custeio, o PRONAF tornouse um programa em junho de 1996. O PRONAF foi instituído por um Decreto Presidencial, tendo por finalidade “promover o desenvolvimento sustentável do segmento rural constituído pelos agricultores familiares, de modo a proporcionar-lhes o aumento da capacidade produtiva, a geração de empregos e a melhoria de renda”, propondo estabelecer um novo padrão de desenvolvimento sustentável, buscando alcanças os níveis de satisfação e bem-estar de agricultores e consumidores, quanto às questões econômicas, sociais e ambientais, renovando então o modelo agrícola nacional, tornando-o renovado (BRASIL, 1996, p.01). Segundo Aquino e Schneider (2010), para conquistar a missão proposta, o PRONAF possuía uma estrutura operacional dividida originalmente em quatro eixos de ação: 1) negociação e articulação de políticas públicas; 2) instalação e melhoria de infraestrutura e serviços nos municípios; 3) financiamento da produção da agricultura familiar (custeio e investimento); e 4) capacitação e profissionalização de agricultores familiares e técnicos. Referindo-se aos eixos de ação, Aquino e Schneider (2012) comentam: 47 “Dentre estes, tendo em vista que o elevado custo e a escassez de crédito eram apontados na época como um dos maiores problemas dos produtores rurais, o governo elegeu o “financiamento da produção”, ou melhor, o PRONAF crédito, como o principal instrumento a ser utilizado para promover “um novo padrão de desenvolvimento sustentável” no campo”. (AQUINO e SCHNEIDER, 2010). A criação do PRONAF foi antes de tudo uma luta dos trabalhadores rurais por melhores condições de trabalho: “Em larga medida, pode-se afirmar que o PRONAF foi formulado como resposta do Estado às pressões do movimento sindical rural, realizadas desde o final da década de 1980. O programa nasceu com a finalidade de promover crédito agrícola e apoio institucional aos pequenos produtores rurais que vinham sendo alijados das políticas públicas até então existentes encontravam sérias dificuldades de se manter no campo” (CAZELLA, MATTEI e SCHNEIDER, 2004, p.02). Para Cazella, Mattei e Schneider (2004, p.2), a institucionalização do PRONAF como política pública, originou-se a partir do Programa de Valorização da Pequena Produção Rural (PROVAP), criado em 1994, sendo o embrião da “primeira e mais importante política pública criada dois anos mais tarde e destinada aos agricultores familiares”. A criação do PRONAF foi um revide ao programa de reforma agrária, que era destinado a ampliar o número de produtores rurais, pois de nada adiantaria criar mais famílias produtoras rurais, se estas teriam que migrar às cidades para garantir a sobrevivência (GUANZIROLI et. al., 2001, p.34). O crédito rural brasileiro que era concentrado aos grandes produtores, a partir do PRONAF, passou a ser acessível também aos agricultores familiares. Seu objetivo de promover o desenvolvimento do meio rural deu-se por intermédio de ações destinadas a implantar o aumento da capacidade produtiva, a manutenção e geração de empregos e a elevação da renda, visando a melhoria as qualidade de vida e o exercício da cidadania pelos agricultores familiares (SAF/MDA, 2002). Ao longo de sua existência, o PRONAF sofreu modificações e aprimoramentos em suas diretrizes e processos operacionais (SOUZA & VALENTE, 2006, p. 03). Quando o PRONAF-crédito foi criado, em 1996, seu raio de atuação limitava-se unicamente ao financiamento de atividades agropecuárias 48 desenvolvidas pelos agricultores familiares brasileiros. Os produtores “periféricos”, ou seja, aqueles que obtinham os menores níveis de renda monetária entre os agricultores do país, não faziam parte do seu público preferencial (AQUINO e SCHNEIDER, 2010). A partir do segundo governo Fernando Henrique Cardoso (1999-2002) até a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2008) os critérios de distribuição do crédito rural foram reformulados, visando a adequação da estrutura normativa do programa à diversidade da agricultura familiar e ampliar a sua capilaridade nacional (AQUINO e SCHNEIDER, 2010). Além do financiamento de produção e custeio e investimento, o PRONAF viabilizou outras linhas de crédito voltadas à promoção da sustentabilidade e a geração de renda dos empreendimentos, como o Pronaf Mulher, Pronaf Jovem, Pronaf Agroindústria, Pronaf Eco, Pronaf Floresta, Pronaf Agroecologia e outras (FERREIRA e REGHI, 2008, p. 09). Segundo Aquino e Schneider (2012), a partir dessas mudanças o PRONAF-crédito passou a apresenta-se como uma política pública diferenciada, tendo por finalidade “apoiar com financiamento às atividades agropecuárias e nãoagropecuárias exploradas mediante emprego direto da força de trabalho do produtor rural e de sua família”. Aquino e Schneider (2010) revelam que o público alvo também foi ampliado. Além dos produtores que já faziam parte da primeira versão, foram incluídos as famílias de agricultores assentados da reforma agrária e do crédito fundiário, extrativistas, pescadores, artesanais, remanescentes de comunidades quilombolas e povos indígenas que pratiquem atividades produtivas agropecuárias ou não-agropecuárias no meio rural. Para os gestores da política de crédito do PRONAF, no atual governo e outrora, as novas normas adotadas conseguiram sintonizar o programa com a diversidade da agricultura familiar brasileira, pois, contrariamente a versão de 1996, a lista de possibilidades de crédito mostra uma maior abertura ao estímulo de atividades não-agrícolas e à proteção ambiental (AQUINO e SCHEIDER, 2010). 49 2.4.3 Modalidades e finalidades do PRONAF 2.4.3.1 Microcrédito rural Segundo o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), o microcrédito rural é “destinado aos agricultores de mais baixa renda, permite o financiamento das atividades agropecuárias e não agropecuárias, podendo os créditos cobrirem qualquer demanda que possa gerar renda para a família atendida”. Para o Banco Central do Brasil8 (BCB), “são beneficiários do PRONAF as pessoas que compõem as unidades familiares de produção rural e que comprovem seu enquadramento” em um dos seguintes grupos: I - Grupo "A": Agricultores familiares assentados pelo Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA) ou beneficiários do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) que não foram contemplados com operação de investimento sob a égide do Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera) ou que ainda não foram contemplados com o limite do crédito de investimento para estruturação no âmbito do PRONAF; Também estão incluídos no Grupo "A" os agricultores familiares reassentados em função da construção de barragens para aproveitamento hidroelétrico e abastecimento de água em projetos de reassentamento, desde que observado o disposto na Lei 4.504, de 1964, especialmente em seus artigos 60 e 61, bem como no art. 5º, capítulo e incisos II, III e IV, do Decreto 3.991, de 2001. II - Grupo "B": Agricultores familiares que atendam cumulativamente as seguintes condições: a) explorem parcela de terra na condição de proprietário, posseiro, arrendatário ou parceiro; 8 Os dados referentes ao Banco Central do Brasil podem ser encontrados no site: http://www.bcb.gov.br/ 50 b) residam na propriedade ou em local próximo; c) não disponham, a qualquer título, de área superior a quatro módulos fiscais, quantificados segundo a legislação em vigor; d) obtenham, no mínimo, 30% da renda familiar da exploração agropecuária e não agropecuária do estabelecimento; e) tenham o trabalho familiar como base na exploração do estabelecimento; f) tenham obtido renda bruta familiar nos últimos doze meses que antecedem a solicitação da DAP, incluída a renda proveniente de atividades desenvolvidas no estabelecimento e fora dele, por qualquer componente da família, de até R$6 mil, excluídos os benefícios sociais e os proventos previdenciários decorrentes de atividades rurais. III - Grupo "A/C": Agricultores familiares assentados pelo PNRA ou beneficiários do PNCF que: a) apresentem DAP para o Grupo "A/C", fornecida pelo Incra para os beneficiários do PNRA ou pela Unidade Técnica Estadual ou Regional (UTE/UTR) para os beneficiados pelo PNCF; b) já tenham contratado a primeira operação no Grupo "A"; c) não tenham contraído financiamento de custeio, exceto no Grupo "A/C". IV - Agricultores familiares que: a) explorem parcela de terra na condição de proprietário, posseiro, arrendatário, parceiro ou concessionário do PNRA; b) residam na propriedade ou em local próximo; c) não disponham, a qualquer título, de área superior a quatro módulos fiscais, quantificados segundo a legislação em vigor; d) obtenham, no mínimo, 70% da renda familiar da exploração agropecuária e não agropecuária do estabelecimento; e) tenham o trabalho familiar como predominante na exploração do estabelecimento, utilizando apenas eventualmente o trabalho assalariado, de acordo com as exigências sazonais da atividade agropecuária, podendo manter até dois empregados permanentes; 51 f) tenham obtido renda bruta familiar nos últimos doze meses que antecedem a solicitação da DAP acima de R$6 mil e até R$110 mil, incluída a renda proveniente de atividades desenvolvidas no estabelecimento e fora dele, por qualquer componente da família, excluídos os benefícios sociais e os proventos previdenciários decorrentes de atividades rurais. V – Demais beneficiários: São também beneficiários e se enquadram como agricultores familiares do PRONAF, exceto nos grupos "A" e "A/C", desde que tenham obtido renda bruta familiar nos últimos doze meses que antecedem a solicitação da DAP de até R$110 mil, incluída a renda proveniente de atividades desenvolvidas no estabelecimento e fora dele, por qualquer componente da família, excluídos os benefícios sociais e os proventos previdenciários decorrentes de atividades rurais e não mantenham mais que dois empregados permanentes: a) pescadores artesanais que se dediquem à pesca artesanal, com fins comerciais, explorando a atividade como autônomos, com meios de produção próprios ou em regime de parceria com outros pescadores igualmente artesanais; b) extrativistas que se dediquem à exploração extrativista ecologicamente sustentável; c) silvicultores que cultivem florestas nativas ou exóticas e que promovam o manejo sustentável daqueles ambientes; d) aquicultores, maricultores e piscicultores que se dediquem ao cultivo de organismos que tenham na água seu normal ou mais frequente meio de vida e que explorem área não superior a dois hectares de lâmina d'água ou ocupem até 500 m³ (quinhentos metros cúbicos) de água, quando a exploração se efetivar em tanque-rede; e) comunidades quilombolas que pratiquem atividades produtivas agrícolas e/ou não agrícolas e de beneficiamento e comercialização de produtos; f) povos indígenas que pratiquem atividades produtivas agrícolas e/ou não agrícolas e de beneficiamento e comercialização de seus produtos; g) agricultores familiares que se dediquem à criação ou ao manejo de animais silvestres para fins comerciais, conforme legislação vigente. 52 2.4.3.2 Linhas de crédito De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) o PRONAF dispõe de linhas específicas de crédito. Cada uma busca atender às especificidades do público a que é dirigida. São elas: Pronaf Agroindústria: Linha para o financiamento de investimentos, inclusive em infraestrutura, que visam o beneficiamento, o processamento e a comercialização da produção agropecuária e não agropecuária, de produtos florestais e do extrativismo, ou de produtos artesanais e a exploração de turismo rural. Pronaf Agroecologia: Linha para o financiamento de investimentos dos sistemas de produção agroecológicos ou orgânicos, incluindo-se os custos relativos à implantação e manutenção do empreendimento. Pronaf Eco: Linha para o financiamento de investimentos em técnicas que minimizam o impacto da atividade rural ao meio ambiente, bem como permitam ao agricultor melhor convívio com o bioma em que sua propriedade está inserida. Pronaf Floresta: Financiamento de investimentos em projetos para sistemas agroflorestais; exploração extrativista ecologicamente sustentável, plano de manejo florestal, recomposição e manutenção de áreas de preservação permanente e reserva legal e recuperação de áreas degradadas. Pronaf Semi-Árido: Linha para o financiamento de investimentos em projetos de convivência com o semi-árido, focados na sustentabilidade dos agroecossistemas, priorizando infraestrutura hídrica e implantação, ampliação, recuperação ou modernização das demais infraestruturas, inclusive aquelas relacionadas com projetos de produção e serviços agropecuários e não agropecuários, de acordo com a realidade das famílias agricultoras da região Semiárida. 53 Pronaf Mulher: Linha para o financiamento de investimentos de propostas de crédito da mulher agricultora. Pronaf Jovem: Financiamento de investimentos de propostas de crédito de jovens agricultores e agricultoras. Pronaf Custeio e Comercialização de Agroindústrias Familiares: Destinada aos agricultores e suas cooperativas ou associações para que financiem as necessidades de custeio do beneficiamento e industrialização da produção própria e/ou de terceiros. Pronaf Cota-Parte: Financiamento de investimentos para a integralização de cotas-partes dos agricultores familiares filiados a cooperativas de produção ou para aplicação em capital de giro, custeio ou investimento. Pronaf Mais Alimentos: Financiamento de propostas ou projetos de investimento para produção associados à açafrão, arroz, café, centeio, feijão, mandioca, milho, sorgo, trigo, erva-mate, apicultura, aquicultura, avicultura, bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, caprinocultura, fruticultura, olericultura, ovinocultura, pesca e suinocultura. 2.4.3.3 PGPAF – Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar O PRONAF evoluiu para a criação de várias políticas de apoio a agricultura familiar, em função da alta mundial dos preços dos alimentos e a consequente aceleração da inflação (FERREIRA e RIGUI, 2008, p.11). Também desenvolvido pelo Governo Federal, o Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF), vêm de encontro ao PRONAF, para garantir agricultores um preço igual ou próximo do custo de produção, para seus produtos. Segundo a Cartilha de Acesso ao PRONAF, de PÉRSICO (2011), “o agricultor familiar que contratar operações de custeio para uma das culturas 54 amparadas pelo PRONAF ou qualquer operação de investimento estará automaticamente vinculado ao PGPAF”. De acordo com a Secretaria da Agricultura Familiar (SAF, 2012) o PGPAF tem por objetivos: Assegurar a remuneração dos custos de produção aos agricultores familiares financiados pelo PRONAF; Garantir a continuidade das atividades produtivas da agricultura familiar, permitindo ao agricultor a manutenção do ritmo produtivo das atividades cobertas e das vinculadas à produção. O dinamismo econômico é mantido; Permitir a diversificação da produção, ampliando as atividades que o agricultor tem segurança para cultivas; Direcionar os custos dos agricultores familiares, permitindo ao agricultor balizar os seus custos de produção e media a eficiência produtiva; E ainda, reduzir os gastos com alongamentos. Para o agricultor que acessa custeio ou investimento través do PRONAF, o Governo oferece um desconto no saldo devedor, sempre que o preço de mercado do produto (apurado pelo Conab – Companhia Nacional do Abastecimento) estiver a baixo do preço de garantia. Desta forma, o produto tem a garantia de no mínimo o custo de produção. O valor máximo do seguro dado ao produtor é de R$ 7mil por devedor em 2012. O preço de garantia tem base no custo variável que inclui remuneração de mão-de-obra familiar, gestão da unidade de produção e dos custos com insumos e serviços utilizados, com incremento ou redução de até 10% sobre o valor levantado a campo. A abrangência para o preço de garantia é regional. O preço de mercado é realizado a partir da cotação mensal da média do produto no Estado. As atividades beneficiadas pelo seguro são as de custeio de arroz, feijão milho, mandioca, soja e leite. O comitê do PGPAF é composto pelos ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Fazenda (MF), do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e ainda pela 55 Secretaria do Tesouro Nacional (STN/MF). Esse comitê é responsável por definir a metodologia de apuração e ponderação territorial dos custos de produção e dos preços de mercado, além de definir a forma de divulgação das informações referentes aos preços de mercado e garantia (SAF, 2012). A CONAB deve realizar o levantamento dos custos de produção e dos preços de mercado dos produtos enquadrados no PGPAF, e informar à SAF/MDA, até o 3° dia útil de cada mês, os preços médios mensais de mercado para cada produto (SAF,2012). Por sua vez, o SAF/MDA, deve publicar até o 4° dia útil de cada mês no Diário Oficial da União e divulgar aos agentes financeiros e à STN/MF a portaria com os valores do bônus mensal por produto e Estado (SAF, 2012). O papel dos agentes financeiros é de contratar os financiamentos, aplicar o bônus, formalizar contrato ou convênio com a STN, apresentar por meio eletrônico a relação nominal de todos os beneficiários (nome e CPF) do PGPAF, incluindo o produto, o valor financiado, o município/UF, e o valor do bônus concedido por operação para cada mutuário (SAF, 2012). Somente não é concedido o bônus, para mutuários inadimplentes, Pronaf Agroindústria e Pronaf custeio Agroindústria; Pronaf Floresta; Pronaf Cotas-Partes; Investimento destinado a atividades rurais não agropecuárias e contratos realizados por pessoas jurídicas (SAF, 2012). 2.4.4 Plano Safra da agricultura familiar 2011/2012 O governo federal lança no mês de julho de cada ano um conjunto de normas regulatórias para operacionalização do crédito rural ao setor agropecuário, denominado Plano Safra. Este Plano define as regras para as operações de investimento, custeio e comercialização da atividade agropecuária, aplicáveis na safra anunciada, que são publicadas através de resoluções do Banco Central do Brasil, no Manual de Crédito Rural do próprio Banco Central (EPAGRI/CEPA, 2008). O Plano Safra 2011/2012 per por objetivo aperfeiçoar as políticas públicas, seguindo três segmentos: (1) aumento da produção de alimentos; (2) geração de renda no campo; e (3) organização econômica dos agricultores 56 familiares, assentados da reforma agrária e povos e comunidade tradicionais (MAPA9 , 2011). Em 2012, o Plano Safra (MAPA, 2011), conta com R$ 16 bilhões para financiar operações de custeio e investimento do PRONAF, ampliando a capacidade de investimento e fortalece a agricultura familiar. Nesta safra, as taxas de juros das linhas de investimento do PRONAF foram reduzidas de 4% para 2% ao ano, e o limite de financiamento foi ampliado para até R$ 130 mil para contratos de investimento. A partir desta safra, as condições do Mais Alimentos – juros de 2% ao ano, prazo de pagamento de até dez anos e até três anos de carência – são estendidas às linhas Investimento e Agroecologia (MAPA, 2011). De acordo com o Plano Safra 2011/2012, as linhas de crédito sofreram as seguintes alterações: Pronaf Investimento • Redução de 4% para 2% ao ano dos juros das operações acima de R$ 10 mil. • Aplicação de taxas de juros de 1% ao ano para operações de até R$ 10 mil. • Ampliação do prazo de pagamento de oito para dez anos. Pronaf Mais Alimentos • Redução de 2% para 1% ao ano da taxa de juros de financiamentos de até R$ 10 mil. Pronaf Agroindústria • Aumento do limite de R$ 30 mil para R$ 50 mil nos financiamentos individuais. • Aumento de R$ 20 mil para até R$ 30 mil do limite individual de crédito para sócios/associados/cooperados. • Aumento do prazo de pagamento do financiamento de oito para dez anos. 9 MAPA - referente ao site do Ministério da Fazenda, Pecuária e Abastecimento, podendo ser consultado através do endereço: www.agricultura .gov.br 57 Pronaf Floresta • O limite de financiamento de até R$ 20 mil passa a vigorar todas as regiões do País. Pronaf Agroecologia • Aumento do limite de financiamento de R$ 50 mil para até R$ 130 mil. • Aumento do prazo de pagamento de oito anos para até dez anos, com até três anos de carência. Pronaf Cotas-Partes • Aumento do limite de crédito individual de R$ 5 mil para até R$ 10 mil por beneficiário. • Passam a ser atendidas cooperativas com patrimônio líquido mínimo entre R$ 25 mil e R$ 100 milhões (antes era entre R$ 50 mil e R$ 75 milhões). • Aumento do limite de crédito por cooperativa de R$ 5 milhões para até R$ 10 milhões. Pronaf Eco • Aumento do limite de financiamento de R$ 6,5 mil para até R$ 8 mil por hectare, limitado a R$ 80 mil por beneficiário. • Aumento de R$ 500,00 para até R$ 600,00 por hectare da parcela de pagamento da mão de obra entre o segundo e o quarto ano de implantação do projeto. • Aumento de R$ 40,00 para até R$ 50,00 da parcela de assistência técnica por hectare/ano. • Aumento do prazo de pagamento de oito anos para até dez anos, com até três anos de carência. Microcrédito Produtivo Rural • Ampliação do limite de crédito para até R$ 2,5 mil por operação. • O beneficiário pode acessar até três operações, totalizando R$ 7,5 mil, com bônus de adimplência de 25%. 58 Pronaf Semiárido e Jovem • Aumento do limite de financiamento para até R$ 12 mil. A respeito do PGPAF, na safra de 2011/201, o Plano Safra aumentou o limite do desconto de R$ 5.000,00 para R$ 7.000,00 nas operações de custeio e investimento (por agricultor/ano). A partir desta safra, também serão contempladas as culturas de laranja e tangerina. 2.4.5 Bancos que operam com o PRONAF De acordo com o BNDS10 (Banco Nacional do Desenvolvimento, 2012), em 2010, foram captados R$ 100 milhões para o PRONAF, oriundos dos Depósitos Especiais do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Em 2012, até o fim de fevereiro, foram captados R$ 140 milhões para o PRONAF Investimento, também do FAT. Os Bancos que operam com o crédito rural do PRONAF, a nível nacional são: BANCOOB BANRISUL BASA CRESOLCENTRAL BANCO DO BRASIL CRESOL BND SICRED BNDES Destes, o Banco do Brasil11 tem sido responsável por 65% dos recursos aplicados no PRONAF. Devido a grande procura, esta entidade proporcionou aos seus clientes algumas facilidades referente ao PRONAF. O cartão PRONAF disponibilizado pelo Banco do Brasil, permite o saque direto em terminais de auto-atendimento, para o pagamento de bens adquiridos diretamente nas empresas agropecuárias. Além disso, ainda pode ser feita a renovação automática do financiamento de custeio, durante 5 anos, desde que não ocorram alterações no contrato original (Banco do Brasil, 2012). 10 Informações sobre o Banco Nacional do Desenvolvimento podem ser encontradas no endereço: http://www.bndes.gov.br 11 O Banco do Brasil é o principal financiador do PRONAF na região Sul do Brasil. Mais dados sobre a instituição e o PRONAF podem ser encontrados no site: www.bb.com.br. 59 Ainda, o mesmo banco, criou o seguro de produção PROAGRO MAIS, que cobre eventos climáticos ou pragas sem método difundido de combate, controle ou prevenção (Banco do Brasil, 2012). 60 3 MATERIAL E MÉTODOS Para se alcançar tal objetivo, foi definida uma população de produtores rurais contratantes do PRONAFmais alimentos na categoria investimento para a pecuária leiteira, pertencentes às comunidades do município de Porto UniãoSC. Esta população foi definida no número de 20 agricultores familiares. A seleção dos entrevistados possuiu caráter aleatório. No ponto de vista dos procedimentos técnicos, a pesquisa realizou-se através de observação: análise do pesquisador e entrevista de campo. ETAPA 1: No primeiro momento, foi realizado uma pesquisa bibliográfica sobre o município de Porto União-SC, com ênfase na área rural, para a caracterização do formato das famílias agricultoras desta região, destacando as famílias que trabalham com a produção leiteira. ETAPA 2: No segundo momento, realizou-se pesquisa bibliográfica, de forma comparativa, sendo abordado o tema PRONAF mais alimentos, apontando as contribuições deste programa para o desenvolvimento da cadeia pecuária leiteira em demais regiões do sul do Brasil e ainda avaliando quais foram as contribuições do PRONAF mais alimentos no município de Porto União-SC. ETAPA 3: O terceiro momento da pesquisa tratou-se da aplicação de um questionário com o produtor rural (APÊNDICE), que permitiu coletar dados a respeito da realização da contratação do PRONAF mais alimentos e das mudanças que ocorreram tanto na propriedade como na produção leiteira e na vida do produtor rural familiar, a partir da utilização do crédito. Este questionário foi. O questionário possuía perguntas fechadas e abertas, tendo as perguntas fechadas apenas uma alternativa correta. ETAPA 4: No ultimo momento, as informações obtidas através dos questionários aplicados foram tabuladas, analisadas e discutidas, de forma que se pode perceber e destacar os processos de desenvolvimento ocorridos nas propriedades, na atividade leiteira e na vida das famílias de produtores rurais, configurando assim o desenvolvimento rural de Porto União- SC. 61 Quadro 01 - Metodologia da pesquisa Informações da pesquisa Finalidade Forma utilizada Método utilizado Aplicada Responder à questão problema: De que forma a política pública do PRONAF contribui para o desenvolvimento rural do município de Porto União-SC? Relação aos objetivos Exploratória e descritiva Explorar e descrever o desenvolvimento rural a partir do uso da política pública do PRONAF mais alimentos na atividade leiteira em Porto União-SC. Procedimentos Bibliográfico e documental Desenvolvimento rural; Agricultura familiar; Políticas Públicas PRONAF mais alimentos Tipo de estudo Comparativo Natureza dos dados da pesquisa Qualiquantitativa Comparação entre os bens e mão de obra necessárias na propriedade antes e depois da contratação do financiamento do PRONAF. Qualitativa pela percepção sobre o desenvolvimento rural. Quantitativa pelos dados estatísticos comparativos entre o período do financiamento até o período atual Local a ser realizado Pesquisa de campo Município de Porto União-SC Procedimentos e Experimental, técnica de coleta ex-post-facto de dados Aplicação de questionários com os atores envolvidos no processo de financiamento do PRONAF mais alimentos População estudada 20 produtores rurais familiares População definida Atores Envolvidos no processo Produtores rurais caracterizados pela agricultura familiar, que contrataram o PRONAF mais alimentos na categoria investimentos para a pecuária leiteira, no município de Porto União-SC. Fonte: Dados da pesquisa (2012) 2.5.1 Local da pesquisa 62 O Município de Porto União faz parte da SDR (Secretaria de Desenvolvimento Regional) de Canoinhas. As SDR foram criadas no ano de 2003 pelo Governo do Estado de Santa Catarina, através da Lei Complementar n° 243 de janeiro de 2003, com a intenção de estabelecer uma nova estrutura administrativa do Poder Executivo. As SDRs no estado tem o objetivo de promover à democratização das ações, através do engajamento e da participação das comunidades nos Conselhos de Desenvolvimento Regional (CDR) e nos Comitês Temáticos. A SDR de Canoinhas além de ser composto pelo próprio município de Canoinhas, ainda é formado pelos municípios de Porto União, Irineópolis, Três barras, Bela Vista do Toldo, Major Vieira, como mostra a Figura 1. Figura 01 - Municípios que compões a SDR de Canoinhas. Fonte: http://www.cni.sdr.sc.gov.br Porto União, município da região Norte do Estado de Santa Catarina (Figura 2) com território de 923,9 Km², possui 33.497 habitantes, sendo que 63 destes, 5.227 são moradores das áreas rurais (IBGE12, 2010). Destacam-se como áreas com grande número de populações rurais as localidades de São Miguel da Serra e Santa Cruz do Timbó. Figura 02 - Região Norte Catarinense: localização de Porto União Fonte: Site Wikpedia 13 Segundo a Prefeitura Municipal de Porto União14 (2004), no município referido, a agricultura é uma das atividades de maior destaque na economia local. Observa-se que as propriedades possuem pequena ou média escala, onde são produzidos principalmente: milho, soja, feijão, fumo, arroz, horticultura e fruticultura, além da piscicultura e apicultura, criação de bovinos e 12 IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, endereço eletrônico: www.ibge.gov.br. 13 Wikpédia é uma enciclopédia de acesso livre e virtual, de edição aberta a seus usuários, portanto as informações deste site são constituídas por milhares de colaboradores. Todo o conteúdo do site é coberto pela licença de documentação livre GNU (Free Documentation License). Os contributos são devidamente creditados a seus autores, enquanto que os direitos de cópia inclusos na licença garantem que o conteúdo da enciclopédia poderá sempre ser reproduzido e distribuído livremente. 14 Mais dados sobre o município de Porto União também podem ser encontrados no site da prefeitura Municipal de Porto União, através do site www.portouniao.sc.gov.br. 64 suínos, e os laticínios. As atividades agrícolas do município são desenvolvidas, em sua maioria, na esfera familiar, configurando uma agricultura artesanal. Os produtos da agricultura artesanal familiar, como vinho, queijo, linguiça, compotas, verduras, pães e doces, são comercializados nas ferinhas no centro comercial do município. Porém, a maior parte destes agricultores, além da produção artesanal, trabalha com a pecuária leiteira, onde o produto é comercializado para industriais locais e regionais. Os trabalhadores rurais, mesmo com as orientações técnicas de profissionais agrários (técnicos agrícolas, agrônomos, médicos veterinários) buscam manter as tradições, fixando aspectos culturais das imigrações principalmente alemães, italianos, libaneses, russos, ucranianos e poloneses. 2.5.2 Desenvolvimento rural do local de estudo A imagem de Santa Catarina ainda é fortemente associada a uma agricultura do tipo “colonial”, com base no modelo de agricultura familiar de origem europeia (PAULINO E SCHIMIDT, 2003 s/p). Esta imagem é produzida pela presença de seus minifúndios distribuídos equilibradamente por todo o seu território. A variação produtiva agrícola existe hoje no estado, e a expressiva capacidade empreendedora, deu-se devido a colonização do interior do Estado. “Grande parte dos agricultores, bem como a maioria da população catarinense, descende de europeus das mais diversas origens” (PRONAF/SC, 2002). A descendência europeia do Estado caracterizou-se pela chegada de imigrantes na sua maioria portugueses, italianos e alemães. Para o PRONAF/SC (2002), as identidades e valores destes imigrantes foram compartilhados, configurando a cooperação e competição, que torna favorável a desenvolvimento do território. De acordo com a EPAGRI (2001) a agropecuária catarinense apresentou um bom desempenho nos primeiros meses de 2011. O Valor Bruto da Produção (VPB) do primeiro semestre de 2011 teve um crescimento médio de 10,8%, em relação ao primeiro semestre de 2010. O VPB agrícola cresceu 9,6% e o da pecuária, 11,9%. Tal resultado é bastante positivo, visto que de 65 2009 para 2010 o VPB da agropecuária havia caído 0,31%: o VPB da pecuária até aumentou 6,7%, mas isso não foi o suficiente para um crescimento setorial consistente, já que o VPB agrícola caiu 6,8%. Em Santa Catarina, pela existência de uma estrutura de pequenas e médias cidades, que possuem uma agricultura familiar com a capacidade de resistir e de inovar na busca de alternativas de produção, parece apresentar trunfos para a descoberta de novas oportunidades de desenvolvimento e para a formação de uma dinâmica construtiva nas relações cidade-campo em escala local e microrregional (PAULILO E SCHIMIDT, 2003, p.9). 2.5.3 População de estudo Os atores envolvidos no estudo foram produtores rurais caracterizados pela agricultura familiar, que realizaram o financiamento da politica pública do PRONAFmais alimentos, na categoria investimento para a pecuária leiteira. De acordo com o Anuário Estatístico do Crédito Rural15, realizado pelo Banco Central do Brasil em 2010 (Tabela 01), em Santa Catarina foram concedidos 33.900 financiamentos do PRONAF, com finalidade de investimento, para os produtores rurais. Ainda, de acordo com o mesmo Anuário, em Santa Catarina, de todos os financiamentos do PRONAFcontratados, 25% corresponderam à pecuária (Tabela 02). Tabela 01 - PRONAF– Financiamentos concedidos a produtores, por finalidade – Santa Catarina – 2006-10. 15 O Anuário Estatístico do Crédito Rural divulga dados e informações de financiamentos de atividades agropecuárias de todo o Brasil, e pode ser acessado através do site do banco Central do Brasil, pelo endereço http://www.bcb.gov.br/?RED2-RELRURAL. 66 Fonte: EPAGRI/CEPA (2011) Tabela 02 - PRONAF– Financiamentos concedidos a produtores, por atividade – Santa Catarina – 2006-10. Fonte: EPAGRI/CEPA (2011) De acordo com pesquisa realizada com o Banco do Brasil do município de Porto União – SC, no ano de 2012, o banco possuia 754 contratos em vigência do financiamento do PRONAF. Este número não discriminava a quantidade de contratos de investimento e de custeio. Comparando o dado do Banco do Brasil de Porto União-SC aos números referentes ao Estado de Santa Catarina, indicou-se que o número de contratos do PRONAFna categoria investimento seria de 211 contratos. Ainda comparando o mesmo número de Porto União, com os contratos referentes a pecuária no Estado de Santa Catarina, o número de contratos do PRONAFna categoria investimento direcionado a pecuária no município de Porto União-SC seria de 52 contratos. Inicialmente 52 contratantes era a população em estudo. Porém ao realizar a pesquisa de campo com a aplicação do questionário, percebeu-se que muitos dos contratos concedidos no Banco do Brasil do município de Porto União-SC eram realizados por produtores rurais de municípios vizinhos, principalmente dos munucípios de União da Vitória-PR, Ireneópilis-SC e Matos Costa - SC. Este evento acontecia principalmente por quatro motivos: (1º) no município de Matos Costa a implantação da agência do Banco do Brasil é recente, portanto todos os projetos do PRONAF eram direcionados para o município de Porto União; (2°) devido ao valor total do crédito disponibilizado para a agência de Porto União-SC; (3º) devido a suspenssão do crédito nos 67 bancos dos municípios vizinhos, estabelecido de acordo com a inadimplência dos contratantes; (4°) devido a variação da documentação necessária para a contratação do crédito, que pode se tornar um fator facilitador, visto que as agências do Banco do Brasil não tem uma regulamentação de quais documentos se deve pedir ao contratante. Em anexo (ANEXO II), os documentos exigidos pelo Banco do Brasil de Porto União-SC, para a análise da prosta da contratação do PRONAF. Após iniciar a pesquisa de campo foi possível perceber a dificuldade em localizar os produtores familiares leiteiros que possuiam o PRONAFmais alimentos. Além do número reduzido de contratantes, muitos produtores contratantes ao serem abordados para a pesquisa diziam não ser contratantes, pois achavam que a pesquisa tratava-se de fiscalização do financiamento. Perante estes fatos, optou-se então por definir um grupo fechado de 20 produtores ruras familiares que realizaram o financiamento da politica pública do PRONAFmais alimentos, na categoria investimento para a pecuária leiteira à serem investigados. Estes produtores foram selecionados aleatóriamente entre as áreas rurais das comunidades de São Miguel da Serra, Maratá, Lança, São Pedro do Timbó, Santa Cruz do Timbó, Pintado, Pintadinho, Pinheiro Preto, Km 13, Área Industrial e Legru. 2.5.4 Pecuária leiteira em Santa Catarina De acordo com os dados da FAO (2011), a produção mundial de leite vêm apresentando um crescimento menor nos países desenvolvidos e maior nos países em desenvolvimento, respectivamente, 0,7% e 2,8% ao ano. Em 2010, a produção mundial de leite foi estimada em 710 milhões de toneladas. Para 2011, a projeção da FAO aponta para uma produção de 723,8 milhões de toneladas, 1,9% maior que a produção de 2010. O Brasil ocupa a sétima posição no ranking mundial de produção de leite, porém entre os grandes produtores, o Brasil ocupar o 2° lugar entre os países que estão aumentando a produção leiteira, visto que os maiores aumentos da produção ocorreram na China 9,1%, Brasil 8,0%, Índia 6,5% e Nova Zelandia 5,6% (EPAGRI/CEPA, 2011). Em 2010, segundo a FAO, a 68 produção brasileira foi de 29,8 milhões de toneladas, o equivalente a 4,2% da produção mundial. Para 2011, a expectativa é de um aumento da produção ao redor de 3,0% sobre o volume produzido em 2010. Nos últimos dez anos, o número de vacas ordenhadas no Brasil acendeu 25,4% e a produção de leite cresceu 47,2%. A produtividade média brasileira, em 2009, foi de 1.297 litros de leite/vaca/ano, 17,4% acima da produtividade obtida em 2000. A produtividade média deve ser utilizada com reserva, porque não se leva em conta a aptidão dos animais. No entanto, a evolução desta estatística mostra claramente que há ganhos de produtividade nos últimos anos, principalmente, na Região Sul, onde a especialização da atividade leiteira é mais expressiva (EPAGRI/CEPA, 2011). Entre os estados que mais produzem leite, Santa Catarina foi o que teve maior crescimento no número de vacas ordenhadas (61,9%) e maior aumento da produção (123,1%), seguido pelo Paraná e Rio Grande do Sul com aumento de produção de 85,6% e 61,8%, respectivamente (EPAGRI/CEPA, 2011). Santa Catarina é o quinto produtor brasileiro de leite. Responsável por 7,7% da produção, o Estado continua ganhando espaço no cenário nacional. No período de 2005 a 2009, a produção catarinense cresceu, em média, 9,5% ao ano, mais que o dobro do crescimento médio da produção brasileira (EPAGRI/CEPA, 2011). A produção catarinense, em 2009, foi de 2,24 bilhões de litros de leite, apresentando um crescimento de 5,3% em relação à produção de 2008, segundo a Produção Pecuária Municipal do IBGE. Em 2010, a produção total foi de 2,38 bilhões de litros, com crescimento de 6,4% sobre a produção de 2009 (EPAGRI/CEPA, 2011). No entanto, em 2009, o crescimento da produção estadual foi menor, apresentando variação levemente abaixo do índice nacional. As microrregiões que mais contribuíram para o crescimento da produção estadual, em 2009, foram a de Campos de Lages (38,1%), Joinville (23,8%), Tijucas (14,0%), Concórdia (13,5%) e São Miguel do Oeste (11,8%) (EPAGRI/CEPA, 2011). 69 Figura 03 - Produção de leite por microrregião geográfica de Santa Catarina / 2009 Fonte: EPAGRI/CEPA, 2011 As microrregiões de Canoinhas, que abrange os municípios de Bela vista do Toldo, Canoinhas, Irineópolis, Itaiópolis, Mafra, Major Vieira, Monte Castelo, Papanduva, Porto União, Santa Terezinha, Timbó Grande e três Barras, representado na FIGURA 03 pelo número 06, de acordo com a TABELA 03 em 2005 produzia 46.320 mil litros de leite, e em 2009 passou a produzir 47.930 mil litros de leite, o que representou um crescimento de 3,48% neste período (EPAGRI/CEPA, 2011). 70 Tabela 03 - Produção de leite nas meso e microregiões geográficas de Santa Catarina / 2009. Fonte: EPAGRI/CEPA, 2011 Também, segundo o IBGE (2010), a quantidade de leite adquirida pelas indústrias inspecionadas em Santa Catarina TABELA 04 aumentou de 817,053 mil litros em 2005 para 1.580.193 em 2010, representando um aumento e 93,4% no setor. O crescimento da captação de leite acima do crescimento da produção evidencia a especialização do produtor, tornando a exploração leiteira uma das principais geradoras de renda no meio rural. 71 Tabela 04 - Produção total de leite e volume destinado à indústria em Santa Catarina / 2005-2010. Fonte: EPAGRI/CEPA, 2011 Para a EPAGRI/CEPA (2011), os grandes investimentos no setor industrial, com a implantação de novas indústrias e a expansão das indústrias existentes, assim como os crescentes investimentos na produção em nível de propriedade, indicam que a atividade apresenta tendência de crescer consideravelmente nos próximos anos. 72 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO Fundamentado nas entrevistas realizadas com 20 produtores da agricultura familiar de Porto União, no período de junho/julho de 2012, foram produzidos tabelas e gráficos que permitem a melhor visualização dos resultados. Com base nos dados obtidos é possível observar: Gráfico 01 - Etnias das famílias da agricultura familiar de Porto União-SC/2012 BRASILEIROS POLONESES 5% 5% ITALIANOS 20% ALEMÃES 70% Fonte: Dados da pesquisa (2012) Entre os produtores da agricultura familiar de Porto União é fácil a observação de descendentes de várias colonizações diferentes. A maior parte dos imigrantes do município correspondem a alemães, italianos, libaneses, russos, ucraínos e poloneses (Prefeitura de Porto União, 2012). Quando se tratam de produtores da agricultura familiar de Porto União que realizam a contratação do PRONAFmais alimentos, fica evidente a grande expressão de descendentes de imigrantes alemães. Segundo Pimenta e Pimenta (2011), os processos migratórios da região sul do Brasil iniciaram-se a partir de 1824, pela implantação de colônias agrícolas de alemães, que inicialmente eram em pequeno número, porém “com a força de suas estruturas econômicas e à alta fertilidade das famílias, 73 repercutiram de forma intensa na formação de grande parte da região sul do país”. Observou-se a campo que a cultura alemã tem grande tendência a inovação objetivando o aumento de produção. Para eles a inovação tecnológica é bem quista e bem vinda em suas propriedades. “é suficiente traçar a história dos grupos de agricultores familiares para entender que a diversificação e a produção para autoconsumo se explicam pelas condições objetivas enfrentadas pelos agricultores familiares no passado: acesso precário aos mercados; imperfeições do processo de comercialização que tinham como resultado a baixa remuneração do esforço produtivo e a transferência de renda para os intermediários; insegurança alimentar por causa distância dos mercados e isolamento nos períodos de chuva e pelas acentuadas variações de preço entre a safra e entressafra e ausência de mecanismos de financiamento e proteção contra os riscos da natureza. Diante destas condições, a „opção‟ era diversificar e buscar o máximo de auto-suficiência alimentar e produtiva. A mesma análise histórica revela que na medida em que algumas das restrições foram sendo relaxadas, muitos grupos de agricultores ajustaram suas estratégias, aumentaram o grau de abertura e inserção aos mercados, focaram em alguns produtos de maior valor agregado e elevaram o grau de especialização da produção” (PIMENTA e PIMENTA, 2011). Para os descendentes italianos, observou-se bastante racionalidade dos equipamentos empregados na produção leiteira, sendo que apenas trocam e modernizam utensílios que não podem mais ser utilizados pela depreciação ou porque não são mais aceitos pelos padrões de qualidade (que é o caso dos resfriadores de imersão). A colonização mais resistente a financiamentos são descendentes de imigrantes poloneses e ucraínos. Foi encontrado apenas um polonês que realizou o financiamento do PRONAF, porém esse financiamento foi contratado no início do programa e nunca mais foi renovado. Chamou a atenção uma produtora da agricultura familiar de Porto União, que mesmo tendo um sobrenome típico de colonizadores, declarou-se como brasileira. Segundo a entrevistada, a mistura entre descendências em sua família foi bastante complexa, então ela classifica-se como “brasileira bem misturada”. Os descendentes libaneses são dificilmente encontrados no meio rural de Porto União. 74 Tabela 05 - Característica das famílias da agricultura familiar de Porto União – SC/2012 N° DE PESSOAS 1 2 3 4 5 6 7 TOTAL TAMANHO DA FAMÍLIA 2 2 3 6 4 3 97 pessoas PESSOAS EM IDADE PRODUTIVA 8 3 6 2 10 3 4 2 14 3 2 PESSOAS QUE PARTICIPAM DA AGRICULTURA FAMILIAR PESSOAS QUE PARTICIPAM DA PECUÁRIA LEITEIRA 1 65 pessoas 1 61 pessoas 56 pessoas Fonte: Dados da pesquisa (2012) De acordo com AGUIAR, V. V. P (2008), a pequena propriedade, aliada à preponderância da agricultura familiar como grande produtora de alimentos, é característica central do espaço rural catarinense, em que a família rural representa a maior disponibilidade de mão de obra. As famílias que compõe a agricultura familiar de Porto União são caracterizadas por possuírem uma média de 5 integrantes cada família. Analisando o tamanho das famílias em relação as pessoas que pessoas em idade produtiva, observou-se que existem duas situações frequentes: a primeira e mais evidente, é que das 5 pessoas em média na família apenas 2 pessoas possuem idade produtiva, ou seja, geralmente essas pessoas são o patriarca e a matriarca da família. O restante da família é composto por crianças e idosos. A segunda situação frequente é quando a família possui mais de cinco integrantes e em média 4 pessoas possuem idade produtiva. Geralmente estas pessoas são o patriarca e a matriarca da família, que já estão próximos da aposentadoria e dividem a mão de obra familiar com um filho que já está constituindo nova família. Porém um dado muito característico das famílias de agricultura familiar de Porto União é que independente do número de pessoas que constituem a família e o do número de pessoas em idade produtiva, na maior parte dos casos somente duas pessoas participam da mão-de-obra da agricultura familiar, e são as mesmas duas pessoas que participam dos trabalhos da pecuária leiteira na propriedade, o que caracteriza-se como o casal (pai e mãe) 75 que cuidam da propriedade. Geralmente o trabalho da pecuária leiteira fica dividido em: a alimentação dos animais para o homem e a ordenha dos animais para a mulher. Neste aspecto, o termo gênero é utilizado para referir às relações e papéis socialmente estabelecidos entre homens e mulheres. De acordo com dados Zoccal et al (2001) da Embrapa Gado de Leite (CNPGL), “a importância que a atividade leiteira adquiriu no país é incontestável, tanto no desempenho econômico como na geração de empregos permanentes. O setor primário envolve cerca de cinco milhões de pessoas, considerando, em média, três pessoas trabalhando na produção de leite”. Gráfico 02 - Êxodo rural das famílias da agricultura familiar de Porto União – SC/2012 NÃO 60% SIM 40% Fonte: Dados da pesquisa (2012) A questão do êxodo rural no caso das famílias da agricultura familiar de Porto União é uma questão bastante complexa. Os números que indicariam se existe o êxodo ou não nas propriedades é bastante próximo, portanto bastante contraditório. Para que fosse possível a análise deste quesito, comparou-se os dados do êxodo rural com os dados que apontavam o número de crianças e idosos que compunham as famílias entrevistadas. Das 12 propriedades que não possuem êxodo rural, 4 famílias possuem apenas 2 pessoas em idade produtiva, sendo o restante dos integrantes da família crianças e idosos, ou seja, não existe o êxodo rural porque não existe jovem na propriedade. Ainda das propriedade que responderam não possuir êxodo rural, sete famílias 76 possuem jovens trabalhando na área rural, o que configura a fixação do jovem no meio. Por outro lado, das 8 famílias que relataram existir êxodo rural na propriedade, 6 relataram que permaneceram apenas pessoas em idade produtiva ou idosos compondo as famílias. A ausência de crianças nessas famílias presentes na área rural configura a não renovação e a interrupção da sequencia da família no meio rural. Os aspectos relacionados à permanência ou à saída de jovens das comunidades rurais foram classificados por Aguiar (2008) como: aspectos relacionados à condição da agricultura; à condição do meio rural; às condições do jovem na unidade familiar; a valorização do urbano e a representação negativa do rural; influências do meio externo; e objetivos, expectativas e perspectivas de futuro dos jovens. Aguiar (2008) destaca que “as questões que constroem a chamada problemática da juventude rural são semelhantes, embora as situações que se manifestam possam se apresentar de formas diferentes”. O autor explica que um aspecto relacionado à saída do jovem do meio rural por ser de maior ou menor importância de acordo com a localidade. O autor cita o exemplo do aspecto renda como impulsionador do êxodo de jovens. O fator adquire maior ou menor importância dependendo da situação do meio rural e do tipo de produção familiar. Aquino e Schneider (2010) ao observarem dados do IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, constataram que a utilização do PRONAFnas propriedade de agricultura familiar, além de aumentar a ocupação dos integrantes da família, possui a capacidade de estabilizar e manter empregos no meio rural. “Esses indicadores sinalizam que o financiamento dos agricultores familiares pode estar funcionando como um instrumento importante para conter o êxodo rural através do estímulo à criação e manutenção de ocupações produtivas no campo” (AQUINO e ACHENEIDER, 2010). 77 Gráfico 03 - Finalidades das contratações de financiamentos realizadas pelos produtores da agricultura familiar de Porto União – SC/2012 Recuperação Outros 8% de terreno 6% Lavoura soja 10% Construção 14% Aquisição de Animais 11% Equipamentos Leiteiros 29% Maquinários Agrícolas 22% Fonte: Dados da pesquisa (2012) De acordo com os dados coletados, apenas dois produtores da agricultura familiar de Porto União, financiaram apenas uma vez o PRONAF. Os demais entrevistados acessaram diversas vezes o crédito disponibilizado a partir do PRONAF tanto na categoria de investimento como na categoria de custeio. Como visto anteriormente, os créditos do PRONAFpodem ser destinados para custeio e financiamento. O custeio refere-se ao financiamento das atividades agropecuárias e de beneficiamento ou industrialização e comercialização de produção própria, enquanto que o investimento refere-se ao financiamento da implantação, ampliação ou modernização da infraestrutura de produção e serviços (FERREIRA e RIGHI, 2008) Visualizando a tabela acima é possível identificar que a maior parte dos itens financiados foram os itens relacionados com a produção leiteira, sendo equipamentos que auxiliam a ordenha de vacas leiteiras como: ordenhadeiras, transferidores e resfriadores de leite. Estes equipamentos são implantados na propriedade como investimento, proporcionando facilidade e praticidade ao produtor da pecuária 78 leiteira na prática da ordenha, facilidade na limpeza e higienização dos equipamentos e ainda a melhoria da qualidade do leite. De acordo com a CBQL – Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite (2002), o tipo e tamanho dos equipamentos devem ser definido pelo produtor de acordo com suas metas, sendo dependente de fatores como: número de vacas em lactação (atual e futuro), produção média por vaca que se deseja alcanças, tempo de ordenha desejado, disponibilidade de mão-de-obra e disponibilidade do capital. Em segundo lugar pode-se observar o cultivo de lavoura de milho, que por mais que se trate de um financiamento de custeio, está diretamente ligada a produção leiteira, visto que o milho é processado para a formação de silagem, a qual é a alimentação dos animais leiteiros no período de inverno, onde as pastagens se encontram degradadas. Este financiamento, por se tratar de custeio, pode ser renovado automaticamente todos os anos, o que facilita a sua contratação, e ainda conta com o benefício do PGPAF, que é o seguro da produção. Segundo Islabão (1984) “a silagem ou ensilamento é um processo de conservação de forragem [...] como as necessidades nutritivas do rebanho leiteiro são praticamente constantes e a produção de alimentos é estacional, ocorrerão épocas de falta de alimentos”. Para contornar este problema, o produtor deve utilizar reservas alimentares ainda verdes e naturais (principalmente milho e pasto) e realizar a confecção da silagem (ISLABÃO, 1984). Além disso, são bem representativos os investimentos pelos produtores da agricultura familiar de Porto União em maquinários agrícolas, que envolvem principalmente a compra de tratores, ensiladeiras (utilizados para a fabricação de silagem), caminhão pipa, plantadeiras e grades. Todos estes equipamentos agrícolas são utilizados nas lavouras de milho que serviram de alimentação aos bovinos leiteiros. Também é representativo o investimento em construções e compra de animais. As construções realizadas pelos entrevistados, em sua grande maioria foram os estábulos leiteiros (FIGURA 04), que permitem que os animais fiquem confortáveis durante a ordenha, preferencialmente separados por canzis, e que tenha um local adequado para a sua alimentação após a ordenha. Fazem parte das construções: a montagem do barracão chamado de 79 estábulo, contenções que separam os animais durante a ordenha, canzis que prendem os animais durante a alimentação e cochos, que são os locais onde são fornecidos os alimentos. Figura 04 – Construção de estábulo leiteiro financiado pelo PRONAF mais alimentos, situado na comunidade do Maratá, em Porto União/ SC - 2012. Fonte: Dados da pesquisa (2012) Outro tipo de construção relatado pelos produtores foi a implantação de esterqueiras na propriedade. Os dois produtores que relataram ter construído a esterqueira, também fazem a produção/terminação de suínos. A esterqueira funciona como depósito do esterco suíno, que depois de degradado por bactérias, pode ser utilizado como adubo para o pasto. A construção das esterqueiras em propriedades que fazem também a produção/terminação de suínos e utilizam os dejetos como adubo para pastagens, é uma questão de legislação ambiental. Segundo dados do PNMA – Programa Nacional do Meio Ambiente (2004), “os impactos da suinocultura sobre os recursos ambientais, principalmente sobre o solo e a água, são imensos, na medida em que as práticas produtivas tradicionais têm negligenciado a aplicação de medidas de conservação ambiental que a atividade requer”. Os sistemas convencionais de produção de suínos são baseados em manejo e tratamento dos dejetos, como estratégia de controle de poluição. O armazenamento dos dejetos é realizado em locais externos as granjas, chamados de esterqueiras (PNMA, 2004). 80 Quanto à compra de animais, a escolha para esse setor de atividade são de novilhas, de preferência prenhes, as quais são animais novos, que terão um bom tempo de produção na propriedade, e que estão prestes a iniciar a sua produtividade leiteira, além de a novilha poder estar prenhe de outra fêmea, que também servirá para produção. De acordo com PEREIRA et al (2010), “o volume de produção na atividade leiteira é essencial”, sendo que o volume tem que ser cada vez maior para garantir a sustentabilidade econômica da propriedade. Para o ganho de escala o produtor tem duas opções, que são as de aumentar a produtividade do seu rebanho e/ou aumentar o número de animais em produção. PEREIRA et al (2010) enfatiza que a compra de animais mais produtivos é uma boa alternativa, porém a sua desvantagem é o capital para fazer a aquisição, portanto a criação de novilhas na própria propriedade passa a ser uma boa estratégia na atividade leiteira. Os recursos menos aplicados são a lavoura de soja e a recuperação do terreno. Como recuperação do terreno (FIGURA 05), os produtores relataram que financiaram sementes de pastagens, adubos, calcário e a construção de piquetes com bebedouros. Outros investimentos observados durante a aplicação do questionário foram a compra de um forno a lenha, financiado pelo Pronaf Mulher e de um pasteurizador de leite com agitador, liras e reservatório/aquecedor de água (FIGURA 06), utilizado em uma propriedade que realiza a produção de queijos com o leite produzido. 81 Figura 05 - Imagem de pastagem com solo corrigido (á esquerda), através de dinherio disponibilizado pelo PRONAF. Propriedade situada na comunidade de São Martinho - Porto União/SC - 2012 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Na Figura 05 é possível observar que a pastagem ao lado direito da imagem, onde foi realizada a recuperação do solo e piqueteamento, esta alta e com a coloração bastante uniforme, enquanto à pastagem ao lado esquerdo da imagem, mostra uma pastagem com tamanho desuniforme e a presença de bastante ervas daninhas. Figura 06 - Sala de processamento do leite e sala de armazenamento de queijos. Os equipamentos de pasteurização, reservatório de água, liras e prensas de queijo foram adquiridos através do PRONAF. Mini indústria localizada na comunidade de São Miguel da Serra em Porto União/SC - 2 Fonte: Dados da pesquisa (2012) A Figura 06 mostra à esquerda, a sala de processamento do leite, que é produzido na mesma propriedade, pasteurizado e beneficiado, para a produção de queijos artesanais. Ainda na imagem é possível observar os equipamentos 82 utilizados para a fabricação do queijo. São eles: tanque de pasteurização, reservatório e aquecedor de água, liras, formas moldadores e prensas de queijo. No lado direito da imagem é possível visualizar a sala de armazenamento de queijos. As duas salas são ligadas por um óculo, que permite a passagem direta do queijo, da sala de processamento para a sala de armazenamento. Gráfico 04 – Tempo da última contratação do PRONAFdos produtores da agricultura familiar de Porto União-SC/2012 3 a 4 anos 11% + 5 anos 5% - 1 ano 21% 1 a 2 anos 63% Fonte: Dados da pesquisa (2012) No gráfico acima é possível demonstrar que a maioria dos produtores realizaram novos contratos do PRONAF nos últimos 2 anos. Nove (9) produtores da agricultura familiar dos 14 que relataram ter realizado contrato do PRONAF nos últimos 2 ano, utilizaram o valor financiado para investimentos. Outros 9 produtores da agricultura familiar renovaram o financiamento de custeio de lavoura, para o plantio do milho, o qual é renovado todos os anos. Dois produtores da agricultura familiar realizaram apenas uma vez a contratação do PRONAF, portanto a data da última contratação é igual a data da primeira contratação. Muitos produtores declararam fazer financiamentos do PRONAFa mais de 20 anos. Porém o programa existe desde o ano de 1995, ou seja, no ano de 2012 o programa completou 17 anos. Fica claro com esta informação que 83 alguns produtores confundiram o financiamento do PRONAFcom demais financiamentos oferecidos pelo Banco do Brasil. Ainda, muitos produtores da agricultura familiar declararam inicialmente fazer parte do Pronafinho. O Pronafinho foi criado em 1998 e referia-se ao Projeto Nacional de Fortalecimento Familiar Especial, que visava atender as famílias de produtores dedicados à avicultura, piscicultura, sericultura, bovinocultura de leite e fruticultura. De acordo com SILVA (2007), a grande diferença do PRONAFe do Pronafinho era a questão dos fiadores. Considerando a dificuldade de conseguir fiador para produtor da agricultura familiar, estes produtores criavam grupos de financiamento, onde um produtor era fiador do outro. Como todos tinham necessidade de realizar o empréstimo e todos tinham a necessidade de apresentar um fiador ao banco, esta foi a forma encontrada pelos produtores para resolver seus problemas. Porém de fato, o problema estava quando um dos integrantes do grupo não honrava com seus compromissos com o banco. Os demais integrantes do grupo, além de ter que pagar as parcelas do financiamento, ainda tinha que arcar com as despesas do companheiro. Mesmo com este fato, o Pronafinho era viável, pois a margem de empréstimo não era grande, sendo de até 5 mil reais. A baixa margem de empréstimo não prejudicava completamente os outros integrantes do grupo que dividiam o valor da dívida, quando ocorria a inadimplência de um deles (SILVA, 2007) O atrativo do Pronafinho estava em ser concedido a agricultores familiares com renda entre R$ 4 mil e R$ 18 mil, com juros de 3% ao ano. Por mais que o juro do Pronafinho fosse maior que o juro do PRONAF, quem pagava o valor da parcela até a data do vencimento, recebia um bônus de R$ 200,00, o que automaticamente deixava a taxa de juros negativa, ou seja, os agricultores pagavam menos do que tinham emprestado (GOIONEWS, 2007) 84 Gráfico 05 - Última contratação de financiamento dos produtores da agricultura familiar de Porto União-SC/2012 PRONAF Custeio 10% PROGER (PRONAMP) 10% PRONAF mulher 5% PRONAF Mais Alimentos 75% Fonte: Dados da pesquisa (2012) A partir dos dados acima é possível observar que dos 20 produtores entrevistados, 18 realizaram como último financiamento a contratação do PRONAF, sendo que 15 deles optaram pelo PRONAF Mais Alimentos. O PRONAF Mais Alimentos possui juros de 2% ao ano, em relação ao saldo devedor, ou seja, conforme o produtor vai quitando as parcelas, o valor do juro vai diminuindo. O prazo para o Pagamento do PRONAF Mais Alimentos é de no máximo 10 anos. O produtor ao contratar o PRONAF Mais alimentos pode optar por pagar o financiamento em 10 parcelas ou menos sem carência, sendo o primeiro pagamento a partir do próximo ano do contrato, ou ainda, possuir uma carências de 2 anos, ou seja, após a contratação, passam-se 2 anos para então o produtor começas a pagar, porém ele possuirá o prazo então de 8 anos para pagamento. Porém, o juro de 2% é contabilizado também no período de carência. Dos 15 produtores que contrataram o PRONAF Mais Alimentos, 7 optaram por pagar o financiamento em 8 parcelas com carência de 2 anos. Do total dos entrevistados, 4 produtores preferiram utilizar as 10 parcelas do financiamento sem carência, e outros 4 optaram por reduzir o número de parcelas, também sem usar a carência. 85 Dois produtores contratantes do PRONAF Mais Alimentos relataram não pagar juros em seus financiamentos. Este juro a 0% é possível por se tratar do Programa Juro Zero do Governo do Estado de Santa Catarina. Este programa é uma política pública estadual voltada a produtores rurais. Este programa está vinculado aos programas DRS (Desenvolvimento Regional Sustentável) do Banco do Brasil, projeto Santa Catarina Rural – Microbacias 3 e planos de desenvolvimento regionais e municipais (Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca, 2011). De acordo com a Secretaria do Estado da Agricultura e da Pesca (2001), o programa Juro Zero tem como estratégia “conceder bônus de capital equivalentes aos juros previstos para as operações de crédito a serem contratadas pelos produtores rurais junto aos agentes financeiros conveniados com a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca”. Podem participar do programa Juro Zero os agricultores familiares, individuais ou em grupos, enquadrados no PRONAF. O objetivo do programa na pecuária leiteira é de estimular a produção com emprego de tecnologia de baixo custo, aumentando a rentabilidade da produção bovina e gerando empregos e renda no meio rural. O programa também procura “apoiar investimentos que contribuam para a melhoria da produtividade, qualidade e da humanização do trabalho através da utilização de máquinas e equipamentos” (Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca, 2012). Ainda analisando a tabela 10 é possível observar que apenas uma produtora optou por comprar seus equipamentos leiteiros com o auxílio do Pronaf Mulher. No Pronaf Mulher quando contratado financiamento de menos de R$ 10 mil, o juro é de 1% ao ano. Quando o valor é superior a R$ 10 mil, o juro iguala-se ao PRONAF Mais Alimentos, tornando-se 2% ao ano (BNDS, 2012). A produtora entrevista em questão realizou o financiamento de menos de R$ 10 mil, e por isso optou a linha de crédito do Pronaf Mulher que deixava o juro ainda mais baixo. Menegat e Farias (2010) comentam que o PRONAF Mulher iniciou um processo de reconhecimento das mulheres trabalhadoras, deixando-as independente do modelo familiar onde o homem aparecia como trabalhador efetivo, responsável pela contratação e execução dos trabalhos. É possível visualizar depois do PRONAF Mulher, projetos de financiamento encaminhados 86 pelas mulheres, que na sua grande maioria destinam-se à compra de gado, principalmente matrizes leiteiras. “O aumento na participação das mulheres, enquanto gestoras dos sítios, demonstra o atendimento das demandas por elas movidas e por meio de coletivos organizados, atendidas por políticas públicas” (MENEGAT e FARIAS, 2010). Durant a análise dos dados foi possível perceber que dois produtores relataram que seus últimos financiamentos foram de custeio de lavoura, para a plantação de milho e formação de silagem como visto anteriormente. Quando se contrata o PRONAF Custeio, a forma de pagamento é em uma única parcela, também com o juro de 2%. Analisando a questão do PRONAF Custeio, seria econômico ao produtor pegar o dinheiro da parcela e comprar diretamente as sementes de milho, pois assim não haveria a taxa de 2% de juros. Porém os produtores preferem fazer o financiamento porque o PRONAF Custeio conta com o PGPAF, que assegura a lavoura contra imprevistos. Ou seja, pagar 2% do valor total do financiamento é mais vantajoso do que contratar um seguro separadamente para a lavoura. Também desenvolvido pelo Governo Federal, o Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF), vêm de encontro ao PRONAF, para garantir agricultores um preço igual ou próximo do custo de produção, para seus produtos (FERREIRA e RIGUI, 2008, p.11). O PGPAF e tão vantajoso assim para os produtores rurais, porque quando o agricultor acessa custeio ou investimento través do PRONAF, o Governo oferece um desconto no saldo devedor, sempre que o preço de mercado do produto estiver a baixo do preço de garantia. Desta forma, o produto tem a garantia de no mínimo o custo de produção. O preço de garantia tem base no custo variável que inclui remuneração de mão-de-obra familiar, gestão da unidade de produção e dos custos com insumos e serviços utilizados, com incremento ou redução de até 10% sobre o valor levantado a campo (SFA, 2012). Outro dado bastante intrigante observado na tabela 10, é que 2 dos 20 produtores da agricultura familiar de Porto União, contrataram como última forma de financiamento o PROGER - Programa de Geração de Emprego e Renda do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Segundo o Ministério do 87 Trabalho e Emprego - MTE (2012) possui, assim como o PRONAF, um conjunto de linhas de crédito para investimento no crescimento ou modernização de um negócio, ou ainda custeio de atividades. O objetivo do programa é o desenvolvimento de infra-estrutura para o aumento de competitividade nos setores de produção. O público-alvo prioritário do PROGER inclui as micro e pequenas empresas que apresentam potencial de geração de emprego e renda, as cooperativas e associações de produção; e as pessoas físicas de baixa renda, que formam um dos grupos mais atingidos pelo desemprego e com grande potencial de se tornarem empreendedores. As linhas de crédito do PROGER que se aplica à agricultura familiar tinha o de PROGER Rural. A partir de 2012 passou a se chamar PRONAMP – Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural, que assim como o PRONAF, possui linha de investimento e de custeio (BB, 2012) O PRONAMP tem por objetivo financiar implantação, ampliação e modernização da infraestrutura de produção e serviços no estabelecimento rural, e a linha de Custeio de financiar despesas agrícolas e pecuárias. É destinado ao financiamento de investimento fixo e semifixo ou insumos e serviços agrícolas e pecuários (MTE, 2012). O público-alvo do PRONAMP são médios produtores rurais, podendo ser proprietário, posseiro, preponderantemente a arrendatário mão-de-obra ou familiar, parceiro, podendo que manter utilizem até 2 empregados permanentes; que não detenha, a qualquer título, inclusive sob a forma de arrendamento, área de terra superior a 15 módulos fiscais; que tenham, no mínimo, 80% de sua renda originária da atividade agropecuária ou extrativa vegetal; que possuam renda bruta anual de até R$ 800 mil por participante envolvido no empreendimento, que residam na propriedade ou em local próximo; que comprovem, se pessoa jurídica, estar adimplente com as obrigações trabalhistas, previdenciárias e fiscais, e, se pessoa física, no decorrer da vigência do contrato, regularidade com a Previdência Social (MTE, 2012; BB, 2012). O PRONAMP financia 100% do valor proposto, desde que a parcela não exceda 70% da capacidade de pagamento da propriedade, ou ainda, até R$ 300 mil por beneficiário, por ano agrícola. A taxa efetiva de jurus pode atingir 88 até 8% ano, e é equalizada pelo Tesouro Nacional. O prazo para pagamento é de 8 anos, podendo incluir 3 anos de carência (MTE, 2012; BB, 2012). O caso dos dois produtores que como última contratação tiveram que optar pelo PROGER, demostra a evolução da produção da propriedade. Em financiamentos passados, estes produtores financiavam o PRONAF, agora por não se encaixar mais na linha de crédito do PRONAF, e necessário que realizem o PRONAMP. Gráfico 06 - Outras receitas de não agropecuárias das famílias de produtores da agricultura familiar de Porto União –SC/2012. Atividades Não apresenta externas da outras receitas propriedade 24% 19% Aposentadoria/ Pensão 57% Fonte: Dados da pesquisa (2012) Conforme o gráfico acima, apenas 5 dos 20 entrevistados declararam retirar toda a receita exclusivamente de suas propriedades. Do total dos 20 entrevistados, 12 produtores declararam que existem membros de suas famílias que recebem aposentadoria o pensão. Comparando os dados da tabela com os dados referentes à formação da família, foi possível averiguar que o número de aposentadorias/pensões declaradas é igual ao número de idosos informados pelos produtores. Todos os produtores que declaram ter idosos em sua família e que relataram que estes idosos recebem aposentadoria/pensão, também relataram que esse dinheiro é exclusivo do uso do idoso, e que quase sua totalidade é utilizada para a compra de medicamentos. 89 “A aposentadoria por idade será devida ao segurado que, cumprida a carência exigida nesta Lei, completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 60 (sessenta), se mulher. Para concessão desse benefício é necessária a comprovação da atividade rural, mesmo que descontínua, pelo período estabelecido no artigo 142 da Lei 8213/91, conhecido como sendo prazo de carência” (Lei n.º 8.213/91). Em relação à remuneração com atividades externas da propriedade, apenas 4 entrevistados declararam possuir participar de remuneração externa a propriedade na remuneração total da família. Todos eles relataram que estas remunerações trata-se de filhos, noras/genros que trabalham na cidade durante o dia, mais que moram na propriedade, ou ainda, de alguns “bicos” prestados á vizinhos. Para acessar o PRONAFMais Alimentos, pertencendo a categoria B, ao agricultor familiar deve ter renda bruta dos doze meses antes da contratação, de até R$ 6 mil. Esse valor inclui atividades desenvolvidas na propriedade e fora dela, por qualquer componente da família. Não são contabilizados os benefícios sociais e previdenciários decorrentes das atividades rurais (BCB, 2010). Tabela 06 - Licenciamento Ambiental das propriedades de agricultura familiar de Porto União - SC / 2012 LICENCIAMENTO AMBIENTAL N° DE FAMÍLIAS Proteção de nascentes 17 Reserva legal preservada 19 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Como podemos observar na tabela acima, dos 20 produtores da agricultura familiar de Porto União entrevistados 17 produtores declararam possuir proteção de nascentes em suas propriedades, enquanto que 19 produtores declararam possuir áreas de reserva legal preservada de no mínimo 20% do total da propriedade, sendo que a menor parte destes já possuíam as áreas averbadas. De todos os entrevistados, apenas 1 produtor não cumpria a legislação quanto a proteção de nascentes e a reserva legal. Outros 2 produtores declararam não possui nascentes em suas propriedades. 90 Segundo o FATMA – Fundação do Meio Ambiente, órgão que faz a regulamentação ambiental do estado de Santa Catarina, a reserva legal é uma área localizada na propriedade que deve ser mantida com sua cobertura vegetal nativa. A área de reserva legal é variável de acordo com a região do país. No caso das regiões da Mata Atlântica, presente na maior área de Santa Catarina, o percentual é de 20% da área total da propriedade. Averbar a área de reserva legal, significa registrar a informação sobre os limites da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis. Quanto a proteção de nascentes, também intitulada APPs – Áreas de Preservação Permanente, são definidas pela FATMA como “áreas de cobertura ou não por vegetação nativa, com a função de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem estar das populações humanas”. As áreas que devem ser preservadas como APPs são ás áreas ao longo de qualquer recurso hídrico, nascentes em um raio mínimo de 50 metros, topos de morros, encostasse bordas dos tabuleiros ou chapadas. O licenciamento ambiental é fator indispensável para que possa ocorrer a aprovação dos projetos de financiamento pelo banco. Se a licença não estiver em dia, com a elaboração do projeto da reserva e/ou ainda averbação em cartório da área preservada, o banco não faz a aprovação do crédito. Vários produtores relataram que somente organizaram as reservas ambientais de suas propriedades, para poderem gozar do PRONAF. 91 Gráfico 07 - Mudanças na rotina de trabalho de acordo com o item financiado pelo PRONAF, relatados pelos produtores da agricultura familiar de Porto União-SC/2012. Forno a lenha 2% Silagem Pasteurizador 2% 7% Estábulo 7% Esterqueira 7% Resfriador de expansão 17% Trator 12% Ensiladeira 7% Equipamentos leiteiros 12% Novilhas (prenhes) 7% Piqueteamento do pasto 10% Construção da sala do leite 10% Fonte: Dados da pesquisa (2012) No gráfico acima é possível observar que os itens financiados que mais proporcionaram mudanças na rotina de trabalho dos trabalhos dos produtores da agricultura familiar de Porto União-SC são os equipamentos leiteiros, tratores e a utilização de resfriadores de expansão. Os produtores entrevistados relataram que com a utilização principalmente destas três ferramentas é possível observar durante o trabalho principalmente a redução da mão-de-obra havendo maior praticidade na execução da atividade, tempo gasto com a atividade e melhora da qualidade do produto. Aquino e Schneider (2010) ao acessarem um estudo da Fundação de Economia de Campinas - FECAMP observaram que os produtores que tiveram acesso aos recursos da política de crédito do PRONAF, elevaram o nível tecnológico e a produtividade agrícola dos seus estabelecimentos. Com a pesquisa Aquino e Schneider concluíram que “os recursos do programa vêm contribuindo para que os agricultores familiares adotem técnicas agrícolas modernas, substituindo o crédito rural tradicionalmente destinado a comprar insumos químicos e máquinas” (AQUINO E SCHNEIDER, 2012). 92 Os equipamentos leiteiros financiados pelos produtores da agricultura familiar, e que compõem basicamente uma unidade de ordenha é a ordenhadeira, composta por unidade de vácuo e tubulações que realizam a sucção do leite dos tetos da vaca por meio de conjuntos de quatro teteiras. Junto ao equipamento de ordenhadeira, deve haver um local de armazenamento do leite retirado, que mantenha os padrões de qualidade do leite, ou seja, um resfriador. “É importante que estes equipamentos funcionem em harmonia para não machucar os tetos da vaca e assim garantir a produtividade e a qualidade do leite”. (Jonal Rural News, 2009) Outros equipamentos podem ser adicionados à ordenhadeira para facilitar a mão-de-obra do produtor. Esses equipamentos são: transferidor (capta o leite da ordenhadeira para transferência até o resfriador), unidade final (possui sensor que realiza a descarga automática do leite no resfriador), reservatório e aquecedor de água (permite lavar, enxugar e esterilizar sem desmontar o equipamento), entre outros. “A ordenha mecânica para a produção de leite de vaca é uma das mais importantes conquistas tecnológicas para o aumento da produção, produtividade e viabilidade. Este processo é feito através da utilização de uma série de equipamentos especiais, usados em um sistema que funciona, basicamente, pela utilização de bombas de ar que produzem o efeito de vácuo. Isto quer dizer que o leite é retirado das vacas através de sucção à vácuo” (JORNAL RURAL NEWS, 2009). Esse sistema automatizado é possível ser observado por completo em propriedades rurais onde foram instaladas salas de ordenha (FIGURA 07), chamadas popularmente de “sala do leite”, as quais possuem equipamentos canalizados. Todo o sistema de ordenha, captação do leite, transferência do leite para o resfriador, controle da temperatura do leite, e limpeza do material utilizado no processo de ordenha, é realizado automaticamente. Dessa forma o produtor tem apenas as necessidades de higienizar os tetos do animal antes da ordenha, acoplar as ordenhadeiras ao teto da vaca, higienizar novamente os tetos do animal após a ordenha, e de manter os equipamentos leiteiros higienizados externamente assim como o ambiente. 93 “A sala de leite e seus equipamentos têm por finalidade resfriar e estocar, temporariamente, o leite produzido. A sala de leite deve ter espaço suficiente para abrigar o tanque de expansão, utensílios e equipamentos de ordenha, os quais não devem ter contato direto com o piso. Deve dispor de pia, com uma ou duas cubas para higienização dos utensílios e equipamentos de ordenha e, se necessário, um tanque para lavagem de equipamentos“ (COMPOS, A. T/ EMBRAPA, 2007) Figura 07 - Sala do leite, financiada pelo PRONAF, situada na comunidade da Lança, em Porto União / SC - 2012. FONTE: Dados da pesquisa (2012) De acordo com normas do CBQL (2002) a higienização dos equipamentos leiteiros deve ser realizada da seguinte forma: 1° - Determinar a “dureza da água”, ou seja, verificar o teor de alcalinidade ativa e o teor de cloro mínimo necessários para uma limpeza eficiente do equipamento de ordenha. Dessa forma será definida a quantidade necessária de detergente a ser utilizada. 2° - Imediatamente após a ordenha enxaguar o sistema por completo com água morna a 40° C, até a água ficar limpa, sem leite, não circular. 3° - Preparar uma solução de detergente alcalino clorado (pH maior que 11) e água com temperatura entre 70º e 75º C. Esta água deverá circular por 10 minutos. Não deixar que a temperatura chegue a menos que 40ºC no final da limpeza. 4° - Drenar toda a solução de limpeza. 94 5° - Uma vez por semana (ou diariamente) circular uma solução de detergente ácido (pH menor que 3) à temperatura de 30 a 35ºC (não pode ser superior a 60ºC) por 5 minutos. Utilizar sempre a concentração determinada pelo fabricante. 6° - Sempre escovar as partes externas do equipamento com uma solução de detergente alcalino para limpeza manual, utilizando escovas próprias para este fim. 7° - Antes do início da ordenha circular pelo equipamento solução sanitizante, contendo 25 ppm de iodo ou 130 ppm de cloro, por 5 minutos à temperatura ambiente. O equipamento não deve ser enxaguado após a sanitização. Como observado no procedimento indicado pela CBQL, os equipamentos leiteiros devem ser higienizados rigorosamente, ates e depois de cada ordenha. A partir do momento que o produtor da pecuária leiteira investe em equipamentos leiteiros, esta etapa de higienização fica cada vez mais automatizada. Ainda a correta higienização dos equipamentos leiteiros e do manejo com os animais são os elementos que garantem a qualidade do leite, fator que determina o preço a ser pago pelo litro de leite ao produtor. “A qualidade do leite é definida por seus parâmetros físicoquímicos e microbiológicos. A presença de teores de proteínas,gordura, lactose, sais minerais e vitaminas determinam a manutenção das características do leite, que, por sua vez, é influenciada pela saúde do úbere da fêmea, alimentação, manejo, genética, estágio de lactação e por situações de estresse do animal (GRACINDO E PEREIRA, 2009). As ações que determinam da qualidade do leite estão descritas na Intrução Normativa 51 (IN51), de 2002, e consistem basicamente na aprovação de regulamentos técnicos, que realizam a identificação da qualidade do leite, classificando-o em tipos de leite pasteurizado, refrigerado ou cru em qualidades A, B e C, e que atribuem normas para o transporte do leite até as plataformas dos laticínios (MAPA, 2002). Os principais pontos descritos na IN51 são: O leite cru refrigerado deve conter no máximo de um milhão de células somáticas (CS) por mililitro de leite; 95 É proibida a realização de padronização ou desnate do leite na propriedade rural; Proibido o uso de aditivos ou coadjuvantes na elaboração misturados no leite; Não acumular leite de duas ordenhas para uma só remessa no tanque; Ausência de qualquer tipo de impureza ou elementos estranhos no leite; Conter no máximo um milhão de contagem bacteriana total (CBT) por mililitro; Ausência de resíduos de antibióticos e de agentes inibidores do crescimento microbiano no leite; Atender os aspectos sanitários do rebanho, controlando brucelose, tuberculose e mastite; O leite deve ser resfriado na propriedade a 4º Celsius até no máximo três horas após a ordenha. A utilização de resfriador de expansão ou também chamado de resfriador a granel (FIGURA 08), realiza o controle da qualidade do leite participando principalmente da baixa incidência de CS – Células Somáticas, que são contabilizadas por teste microbiológico chamado CCS – Contagem de Células Somáticas que determina pureza ou contaminação do leite. Ainda com a utilização do resfriador de expansão ocorre o resfriamento do leite com tempo e temperatura controlados, impedindo que o leite aqueça ou resfrie além dos padrões exigidos. Além do controle da temperatura o resfriador de expansão realiza a homogeneização do leite continuamente. 96 Figura 08 - Família que adquiriu resfriador de expansão financiado pelo PRONAF. Propriedade situada na comunidade de São Martinho, Porto União/ SC – 2012. Fonte: Dados da pesquisa (2012) Gracindo e Pereira (2009) explicam que as células somáticas são células de defesa do organismo (neutrófilos, macrófagos, linfócitos) e podem estar localizadas nas glândulas mamárias. Quando ocorre um processo inflamatório (mastite ou mamite) o número de células somáticas ficará alto no leite, o que indica que existe um problema sanitário no rebanho. Já a temperatura está diretamente relacionada com os “procedimentos que devem ser adotados para a melhor conservação do produto logo após a sua obtenção e no momento do seu recebimento na usina beneficiadora” (GRACINDO E PEREIRA, 2009). Quanto mais baixa for a temperatura de armazenamento do leite (ideal entre 4 e 7º c), menor será a taxa de multiplicação dos microrganismos presentes no leite (GRACINDO E PEREIRA, 2009). Com isso podemos entender a importância do resfriamento do leite a partir do uso do resfriador de expansão. Durante a análise das respostas obtidas através dos questionários respondidos pelos produtores da agricultura familiar de Porto União-SC, foi possível observar que todos os entrevistados já trabalhavam com a pecuária leiteira antes de realizar a contratação do PRONAF. Com a obtenção do crédito os produtores foram modernizando o setor leiteiro, mais nenhum abandou a atividade. Apenas quatro dos entrevistados relataram trabalhar simultaneamente com outra atividade (suinocultura e piscicultura) além das 97 atividades de ordem agrícola, e estas atividades foram iniciadas após a atividade leiteria já estar consolidada em sua propriedade. Aquino e Schneider (2010) constataram que o PRONAF não tem estimulado mudanças nas estruturas produtivas e nas atividades econômicas tradicionais que são realizadas no interior dos estabelecimentos agropecuários. Uma das propostas do programa era a diversificação da economia rural, porém o programa vem realmente contribuindo na fortificação das economias já existentes. Assim como constatado por Aquino e Schneider (2010), também foi possível constatar através das entrevistas, que o PRONAF não conseguiu diversificar a economia do meio rural, porém seus outros objetivos, que eram de disseminar tecnologias, especializar a produção e fortificar a agricultura familiar têm sido realizados com sucesso no município de Porto União. Porém Aquino e Schneider alertam que “a reduzida diversificação das atividades financiadas deixa os “pronafianos” expostos à variabilidade climática e à volatilidade dos preços que caracteriza os mercados de insumos e commodities agrícolas”. A citação dos autores visivelmente referentes à agricultura também é valida para a pecuária leiteira, visto que a produção do leite é dependente do plantio de milho e pastagens e a venda do produto é dependente da qualidade e do preço pago pelos de laticínios. Gráfico 08 - Produtores da agricultura familiar de Porto União-SC que relacionam as mudanças ocorridas em suas propriedades, com o financiamento do PRONAF/2012 PRONAF ajudou 30% PRONAF foi essencial 70% Fonte: Dados da pesquisa (2012) 98 Quando questionados sobre a relação do PRONAF com as mudanças na propriedade rural, os entrevistados na sua grande maioria apontaram que as mudanças só foram possíveis por causa do auxílio monetário adquirido através da contratação do financiamento do PRONAF. Nenhum dos entrevistados indicou que o PRONAF não contribuiu em nada. Dos 20 entrevistados 6 indicaram que o PRONAF ajudou muito o produtor da agricultura familiar, porém comentaram que o PRONAFnão é o único fator de desenvolvimento da propriedade. Estes produtores relataram que depende muito mais do próprio produtor e de sua família em saber aplicar corretamente o dinheiro do financiamento, do que do próprio dinheiro. Eles alegam que se não existisse o programa, teriam que fazer as mudanças da mesma forma, porque os padrões de qualidade mudaram, e para isso teriam que economizar por muito tempo para conseguir arrecadar o dinheiro total, mais que independente do tempo conseguiriam juntar o dinheiro. Porém todos os produtores entrevistados, ao serem questionários sobre a ajuda do PRONAF disseram que o programa é muito atraente por causa do baixo juro, e esse é o fator que realmente atrai os produtores. De acordo com Guanziroli (2002), as condições de pagamento e a cobrança de juros foram determinantes para o sucesso do PRONAF. “Dadas as certas taxas de juros e demais condições, os produtores elegerão investimentos compatíveis com o pagamento do crédito”. Guanziroli (2002) ainda explica que “a teoria econômica dá à taxa de juros um papel relevante em eficiência na utilização dos recursos: taxas muito baixas tenderiam a “afrouxar” o rigor na avaliação dos projetos e os recursos passariam a ser utilizados com menos rigor, pois o custo da ineficiência é relativamente baixo”, ou seja taxas muito baixas podem produzir desperdício de recursos seja pela má seleção de projetos seja pelo desvio ou má utilização dos recursos. Durante a entrevista pode-se constatar que muitos produtores têm o dinheiro guardado, mais preferem deixar esse dinheiro como reserva para alguma emergência e utilizar o PRONAFporque o juro é muito baixo. 99 Gráfico 09 - Visão dos produtores da agricultura familiar de Porto União-SC em relação ao desenvolvimento a partir da contratação do PRONAF/2012 O Pronaf é visto como forma de endividamento 15% Ajuda a desenvolver a propriedade 85% Fonte: Dados da pesquisa (2012) Quando questionados sobre a relação do PRONAF com o desenvolvimento, dos 20 entrevistados 17 concordam que o PRONAF vem ajudando os produtores da agricultura familiar, porém são bem esclarecidos de que o PRONAF realmente ajuda a quem investe o dinheiro financiado na produção, e não em gastos inadequados. Todos os candidatos que acreditam que o PRONAF realmente ajuda no desenvolvimento da propriedade estão cientes de seu compromisso com o banco, e descrevem que se o pagamento das parcelas for feito adequadamente não se tem problemas para quitar o financiamento. Por outro lado, dos 20 entrevistados apenas 3 indicaram que o PRONAF pode vir a ser um fator de endividamento do produtor da agricultura familiar. Um dos produtores acredita que o PRONAF está sendo uma “enganação por conta do seguro”, denunciando que muitos produtores não aplicam o dinheiro do empréstimo nas lavouras, mais que recebem o dinheiro do seguro. Este produtor refere-se ao PRONAF custeio, o qual é munido do PGPAF. 100 “Em alguns casos, os recursos não são aplicados integralmente na atividade programada. O agricultor realiza economias na adubação e tratos culturais, por exemplo, seja porque existem muitas carências de investimentos em outras atividades produtivas na mesma propriedade agrícola ou porque ele não tem como sustentar a família até que o projeto comece a dar retorno, e acaba tirando parte do sustento do crédito rural. Isto diminui a possibilidade de pagamento dos créditos deixando muitos agricultores endividados, o que psicologicamente é desastroso para eles” (GUANZIROLI, 2002). Porém no caso do investimento, o produtor da agricultura familiar não chega a ter contato com o dinheiro disponibilizado. A importância do empréstimo é creditada diretamente na conta do fornecedor do equipamento financiado. Ainda para controlar as fraudes, existe o serviço de fiscalização de investimento realizado pelo banco. Ao questionar os produtores da agricultura familiar de Porto União – SC, se já haviam recebido a visita de fiscais do banco para comprovação do investimento na propriedade, 13 produtores relataram ter recebido a visita do fiscal do Banco do Brasil para averiguar se o bem financiado realmente estava na propriedade. Porém 7entrevistados declararam não ter recebido a visita. Segundo o Banco do Brasil de Porto União, a fiscalização é realizada por um fiscal do próprio banco, e este fiscal também realiza a fiscalização de outros municípios vizinhos como Ireneópolis e Matos Costa. A respeito do desenvolvimento da propriedade, o segundo produtor o qual não se enquadra mais no PRONAF e sim no PRONAMP acredita que o programa ajuda no desenvolvimento, porém é limitado. Este produtor cita o próprio exemplo, o qual foi desenvolvendo a sua produção com o auxílio do PRONAF, porém ficou limitado pelo pouco crédito disponibilizado, e teve que procurar outra forma de crédito, com juros maiores, para conseguir dar continuidade ao investimento e consequentemente ao desenvolvimento de sua propriedade. O terceiro produtor que acredita que o PRONAF pode se tornar uma forma de endividamento, também é um produtor que passou para a categoria de “médio produtor” e atualmente faz vendas de novilhas para “pequenos produtores”. Ele relata que muitos produtores que compram suas novilhas, financiam os animais pelo PRONAF, porém esquecem que esses animais tem que ter uma alimentação ideal para a produção de leite. Há casos que o 101 produtor gasta todo o dinheiro disponível com compra de novilhas de bom padrão genético e não investe em pastagens ou silagem. Desta forma, o animal não possui uma alimentação adequada para a produção, e acaba não produzindo todo o seu potencial, e em muitas vez o animal “não se paga”, ou seja o custo da genética do animal é muito alto comparado ao baixo lucro que o produtor consegue com a sua produção. A produção animal é reflexo de três principais vertentes, a genética, a sanidade e a nutrição. “A nutrição se constitui como aquela que se encontra no alicerce, configurando assim, a sua grande importância quando em conjunto com a sanidade e genética dos rebanhos” (MUNIZ et al, 2008). Gráfico 10 - Nota atribuída pelos produtores da agricultura familiar de Porto União – SC, para o PRONAF/ 2012. 10 30% 4 5% 7 20% 8 20% 9 25% Fonte: Dados da pesquisa (2012) Os produtores da agricultura familiar de Porto União ao serem interrogados de qual a nota que poderiam atribuir ao PRONAF, atribuíram notas superior ou igual a 7,0, com a exceção de apenas um produtor. A média do PRONAF na visão dos produtores da agricultura familiar de Porto União-SC, contabilizada a partir da somatória de todas as notas e dividia pelo número de entrevistados, foi igual a 8,45. Os produtores justificaram suas notas argumentando que o PRONAF possui algumas dificuldades em sua contratação, principalmente por 102 estabelecer a existência de um fiador e do emprego de uma garantia com um valor bem mais alto que o do financiamento. Guanzirole (2002) alega que conforme reconhece o próprio Relatório Institucional do PRONAF (2002), os bancos são organizações pouco adequadas para liberar recursos a famílias sem condições de lhes oferecer garantias patrimoniais e contrapartidas na tomada dos empréstimos. Ainda relataram que o financiamento demora muito para sair por causa da documentação e assinaturas faltantes. Os produtores descreveram que tem que conseguir documentos sempre atualizados (DAP e certidão do terreno), e ir diversas vezes ao banco, o que por morarem distantes do centro da cidade, se torna dificultoso. Também expuseram a dificuldade de regularização da licença ambiental, que é bastante burocrática. Quanto ao banco, os produtores são bastante insatisfeitos com as taxas bancárias não opcionais, juros da conta, seguros e títulos de capitalização que são obrigados a fazer para facilitar a burocracia do banco, ou ainda que são descontados na conta bancária sem autorização. A respeito da DAP. Aquino e Scnheider (2010) comentam que “o formato recente da DAP, além de identificar a família como beneficiária potencial da política de crédito, classifica os agricultores familiares em seis grupos de beneficiários: A, B, A/C, C, D e E.. Os grupos A e A/C são formados pelos assentados do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA) e demais programas de crédito fundiário do governo federal. Os quatro grupos restantes são divididos em função da renda bruta anual e da participação da mão de obra familiar nos trabalhos do estabelecimento (AQUINO E SCNHEIDER, 2010). Essa divisão em grupos, de acordo com a renda bruta e a participação da mão-de-obra é fundamental para poder enquadrar o produtor da agricultura familiar no projeto, portanto a DAP atualizada é essencial no processo de classificação do produtor. Além das dificuldades do PRONAF no ponto de vista do produtor, também existem os elogios ao PRONAF, os quais mantém a recontratação dos financiamentos por parte dos produtores. São eles: Baixo juro; Parcelas com valor retroativo; Rapidez na montagem dos projetos; 103 Facilidade no pagamento quanto ao prazo; Renovação da contratação do crédito facilitada; Crédito individual (extinção dos grupos como era o pronafinho); Não precisa de deslocamento para pagar as parcelas (pagamento é realizado por débito automático); Seguro PGPAF para crédito de custeio. Auxílio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porto União da Epagri na realização dos projetos e financiamentos, e na assistência técnica na produção; “a segmentação do programa tem provocado impactos interessantes no sentido de que um número crescente de organizações locais ter se envolvido na busca de organizar esquemas de garantia de crédito e também no auxílio aos bancos em tarefas administrativas que ajudam na concessão de crédito. Gera-se paulatinamente uma rede de agentes que envolvem os sindicatos (que atestam o fato de o demandante do crédito ser um agricultor familiar), equipes de prefeituras, além de agentes envolvidos com apoio e monitoramento” (GUANZIROLE, 2002). Ao apontar os prós e os contras do PRONAF, os produtores da agricultura familiar de Porto União puderam dar sugestões para o programa. As principais sugestões recolhidas foram: 1. Não interromper o programa por causa da taxa de inadimplência; “As liberações de recursos para os agricultores têm, em contrapartida, um custo para o Tesouro, dado pela necessidade de equalizar com recursos do Orçamento a diferença entre os juros cobrados aos beneficiários (entre 1% e 9% a/a) e a taxa SELIC. O montante destinado à equalização dos juros (Decreto nº. 1.946 de 28/01/1996) embora declinante, continua bastante alto se comparado com outras políticas agrícolas. Em média 44,5% do valor liberado destinase a equalizar juros e rebates de adimplência. Trata-se, portanto de um programa caro e altamente subsidiado que, por isso, deve ser bem avaliado e ter indicadores de resultados que comprovem sua necessidade” (GUANZIROLE, 2002). 2. Mais assistência técnica para a produção; 104 “Além da deficiência técnica, o tamanho do corpo técnico das instituições oficiais de assistência técnica, seria insuficiente para dar orientação individualizada aos agricultores. Os escritórios locais contam com dois ou três técnicos para dar orientação a uma área de abrangência de vários municípios, com um público alvo de mais de 5.000 agricultores. O resultado é a padronização dos projetos e o escasso acompanhamento técnico, restrito na maioria dos casos a visitas de fiscalização para a liberação de novas parcelas, além de algumas atividades de capacitação” (GUANZIROLE, 2002). 3. Realizar assistência pré-contratação, indicando quanto o produtor pode financiar de acordo com sua propriedade, e ainda, qual item é ideal para ser financiado no caso da propriedade; “Os rendimentosprevistos nos projetos são calculados a partir de coeficientes técnicos distantes da realidade do pequeno agricultor. Este, depois da safra, geralmente verifica que a maioria das atividades em que foram aplicados os recursos do crédito na região não acompanhou a previsão. Conseqüentemente, os agricultores passam a ter dificuldades para devolver os empréstimos” (GUANZIROLE, 2002). 4. Juro 0% para produtores da agricultura familiar; Segundo MDA (2012) a medida, publicada no dia 1º de abril no Diário Oficial da União (DOU), as taxas de juros serão reduzidas. Para os financiamentos de custeio, as taxas ficarão entre 1,5% e 5,5% ao ano (atualmente, variam entre 3% e 5,5% para esses grupos que estão sendo extintos). Já as operações de investimento terão juros entre 1% e 5% anuais, enquanto atualmente variam entre 2% e 5,5% ao ano. 5. Mandar aviso residencial referente aos vencimentos e valores da parcela 6. Crédito sempre disponível para clientes antigos e pontuais, sem a exigência de fiador. 7. O fiador deve ser exigido para novos clientes ou aqueles com histórico inadimplente; “Um dos maiores entraves para o crescimento do PRONAF tem sido o setor bancário público, responsável pela liberação dos recursos do PRONAF Crédito, que resiste à ampliação da sua clientela. Este problema teria sido em parte solucionado com a atuação dos Fundos de Aval que permitiram que se aumentasse a participação dos beneficiários no acesso aos recursos. 105 8. Criação de sublinhas de crédito dento da linha do PRONAF Mais alimentos, que ampliem o limite de crédito , para que os “pequenos produtores” que se tornaram “médios produtores” pudessem continuar no programa, usufruindo dos baixos juros; “De fato o projeto FAO/INCRA (1994) no documento conhecido como “Diretrizes de Política Agrária Sustentável” propunha políticas diferenciadas para as diferentes categorias da agricultura familiar, privilegiando com crédito de infra-estrutura aos agricultores em transição e com políticas agrárias e sociais aos periféricos, que deveriam em função disso, tentar ascender à categoria B. Isto era fundamentado na realidade existente na agricultura familiar em termos de renda monetária” (GUANZIROLI, 2002). 9. Fiscalização antes de liberar o crédito para confirmar se o produtor realmente tem condições de instalar e principalmente manter os equipamentos ou animais financiados; 10. O banco ter em seu quadro de funcionários, um veterinário e um agrônomo que também pudessem avaliar o projeto para ver se é viável e ainda acompanhar e fiscalizar o projeto. De acordo com Guanziroli (2002), “existem divergências entre a avaliação feita pelos técnicos e a prática dos agricultores”. Para reverter esse quadro o próprio autor cita que “precisar-se-ia de uma assistência tecnica de bom nível que seguisse uma visão sistêmica e participativa”. 5 CONCLUSÃO Os anos 90 foi um período no qual a falta de crédito e o elevado custo do crédito existente, eram os problemas dos produtores agrícolas e pecuaristas, principalmente daqueles que realizavam a agricultura familiar. Nem mesmo a agricultura familiar tinha a sua definição. As referencias utilizadas era a de “pequeno produtor” e de “pequena propriedade”, as quais eram empregadas sem medir o potencial de produção, tanto do produtor quanto da sua área de trabalho. Somente a partir da década de 90 a agricultura familiar passou a conquistar seu espaço e adquirir legalidade. Contudo, entende-se que a legislação a qual criou o conceito de agricultura familiar (Lei 11.326 – 24/jun/06), caracterizando-a como a agricultura onde a família é quem realizada o gerenciamento/trabalho da propriedade; onde os fatores de produção pertencem à família; e a área pertencente a família, deve ser menor do que 4 (quatro) módulos fiscais, apresenta-se sem consistência em propriedades de grande extensão de terrar, em que graças ao artifício tecnológico empregado, apenas a família comanda toda a produção. Neste sentido, a agricultura continua sendo familiar, porém tecnificada. Com a atenção voltada para a sua importância econômica, a agricultura familiar conquistou cuidados da esfera governamental, a qual criou então uma política pública nacional com o intuito de valorizar a diversidade social da agricultura familiar e do meio rural, promovendo o combate das desigualdades sociais e regionais, modernizar as tecnologias aplicadas no meio rural, de modo a promover o aumento da capacidade produtiva, a geração de empregos e a melhoria da renda. Todas essas medidas tinham a intenção de estabelecer um novo padrão de desenvolvimento sustentável, buscando alcançar a satisfação econômica, social e ambiental dos agricultores e dos consumidores e o bem estar dos produtores da agricultura familiar. O programa criado foi intitulado PRONAF – Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar. O Programa é citado na sua grande maioria de referências como um programa de sucesso, e passou a ser encarado como uma “mola-propulsora” tanto para o governo, para a maior parcela de produtores da agricultura 107 familiar, como para os estudiosos do tema, sendo uma questão relacionada em muitas publicações com o desenvolvimento rural. As questões da implantação tecnológica e da qualidade dos produtos lácteos mostraram que o programa do PRONAF possui uma boa aceitação por parte dos agricultores, porém, foi possível observar a falta de assistência técnica aos produtores e a falta de gestão das propriedades. As propriedades rurais podem ser vistas como empresas, pois possuem despesas e o seu papel é a de geração de lucro, portanto observa-se grande necessidade de transformar produtores rurais em empresários agrícolas. Ainda constatou-se que o PRONAF é uma política do governo federal que tem por função a distribuição de renda. A grande diferença das outras políticas governamentais de distribuição de renda, é que os agricultores tem que devolver o dinheiro ao governo através de produção. Este ponto de vista reforça a ideia de que o deve-se transformas os agricultores familiares em empresários agrícolas, visto que o PRONAF, tanto na sua forma de custeio como na sua forma de investimento, sendo um financiamento, é uma forma de endividamento, e só terá êxito e benefícios com o PRONAF, o agricultor que souber administrar sua produção. Este trabalho buscou revelar de que forma a política pública do PRONAF vem contribuindo para o desenvolvimento da atividade leiteira no município de Porto União-SC, a nível social e tecnológico. Antes desta pesquisa, acreditavase que, se a política pública do PRONAF contribui para o desenvolvimento da atividade leiteira no município de Porto União-SC, então é possível identificar o aumento da qualidade do leite, aumento da renda dos produtores, e investimento tecnológico e infraestrutura nas propriedades. No desenvolvimento da pesquisa, foi possível comparar os investimentos tecnológicos e as infraestruturas existentes nas propriedades, antes do produtor da agricultura familiar contratar o crédito do PRONAF, e as mudanças ocorridas depois da contratação do PRONAF. No caso do crédito de investimento, pode-se observar todos os equipamentos leiteiros comprados a partir do crédito disponibilizado ao produtor, revelando o avanço tecnológico e das infraestruturas das propriedades pesquisadas. Com a utilização destas novas tecnologias, os produtores entrevistados revelaram ter aumentado a qualidade do leite produzido, principalmente aqueles produtores que investiram 108 na compra de resfriadores leiteiros de expansão. Ainda relataram que as indústrias leiteiras que recolhem o leite de suas propriedades, já estão pagando o litro do leite, com base na sua qualidade, seguindo as diretrizes da Instrução Normativa 51, criada em 2002, mais que passou a realmente ser exigência aos pecuaristas leiteiros pela indústria desde 2011, e exigida por parte do governo com prazo máximo de adequação até julho de 2012. Ainda, ao investigar a Política Pública do PRONAF mais alimentos, como uma ferramenta de apoio financeiro a produção familiar leiteira de Porto União-SC foi possível: Caracterizar a agricultura familiar no município de Porto União-SC, a qual apresenta núcleos familiares formados principalmente por descendentes alemães, compostos de até sete pessoas, possuindo até quatro pessoas em idade ativa, porém a maior parte das famílias é composta de cinco pessoas, das quais apenas duas possuem idade ativa, as mesmas que participam da agricultura familiar e da pecuária leiteira. As demais pessoas que compõem a família são crianças e idosos. Ainda foi possível observar que existe o êxodo rural em muitas propriedades da agricultura familiar, porém a maioria dos produtores declarou não existir, porque não possuírem jovens nas famílias, e sim muitas crianças e idosos. Abordar de que formas o PRONAF (mas alimentos) contribui para o desenvolvimento da produção leiteira em Porto União-SC, visto que a maior parte das contratações de financiamento do PRONAF realizados por produtores da agricultura familiar têm como finalidade o investimento em equipamentos leiteiros e maquinários agrícolas, também utilizados em prol da pecuária leiteira, configurando o desenvolvimento tecnológico e fitossanitário da atividade leiteira na região. Ainda foi possível observar que boa parte dos produtores vem renovando as contratações do PRONAF, o que configura a satisfação com o programa. Os produtores insatisfeitos são aqueles que não conseguiram mais contratar o financiamento do PRONAF por não se encaixarem mais como “pequenos” produtores rurais, ou seja, com a utilização do PRONAF as propriedades destes produtores evoluíram produtivamente, os produtores tiveram que investir mais, contratar mão-de-obra externa e 109 estão produzindo mais, o que resulta no aumento das receitas. Atualmente estes produtores financiam o programa do PRONAMP, o qual é destinado para “médios” produtores rurais. De forma geral, o produtor da agricultura familiar de Porto União-SC relacionam as mudanças ocorridas em suas propriedade com o financiamento do PRONAF, indicando o programa como um facilitador, visto que se não houvesse o financiamento, não seria possível realizar as alterações na produtividade da propriedade. Ainda, os produtores da agricultura familiar de Porto União-SC veem o programa como um fator do desenvolvimento rural. Analisar as alterações na agricultura familiar a partir da utilização do PRONAF (mais alimentos) na produção leiteira, onde os produtores relataram mudanças na rotina de trabalho após a implantação, principalmente dos equipamentos leiteiros e construções destinadas a atividade leiteira. Os produtores declararam que os equipamentos leiteiros facilitam o trabalho diminuindo o seu tempo de conclusão, , facilitando a higienização dos equipamentos e do ambiente, diminuindo o desgaste físico do produtor, além do aumento da qualidade fitossanitária do produto. Quanto às construções, os produtores declararam facilidade no manejo dos animais e na conclusão da ordenha, além de possibilitar ao animal um espaço físico ideal para a alimentação, que pode ser facilmente higienizado o que diminui a incidência de patologias no rebanho. Com base na boa aceitação da maior parte da população rural, principalmente do público alvo do programa, os produtores da agricultura familiar, o governo federal vem realizando ao longo da existência do programa, modificações de acordo com as necessidades da produção rural, passando a atender demandas específicas dos movimentos sociais a partir do aumentou do portfólio de produtos, segmentando o público alvo e incorporação de novas linhas de ação. Durante as entrevistas com os produtores da agricultura familiar de Porto União-SC, foram recolhidas insatisfações e sugestões para o melhor 110 funcionamento do programa. Dentre as falhas e sugestões apontadas, vale destacar: A não interrupção do programa por parte do Banco, em casos de alta taxa de inadimplência; Disponibilidade de maior número de técnicos dos órgãos estaduais de extensão rural, para assistência técnica na produção. Disponibilidade de assistência técnica especializada, por parte do Banco, para avaliar a viabilidade dos projetos propostos; Fiscalização antes de liberar o crédito para confirmar se o produtor realmente tem condições de instalar e principalmente manter os equipamentos ou animais financiados; Criação de encontros / dias de campo/ palestras / cursos, tendo como temática a administração rural, abordando como investir na propriedade rural, considerando os recursos e limitações de cada propriedade. O banco ter em seu quadro de funcionários, um veterinário e um agrônomo que também pudessem avaliar o projeto para ver se é viável e ainda acompanhar e fiscalizar o projeto, seguindo uma visão sistêmica e participativa. REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ABRAMOVAY, R. et al. Juventude e Agricultura familiar: Desafios dos novos padrões sucessórios. Brasília, DF: Unesco, 1998. 2. AGUIAR, Vilênia Venâncio Porto. Identificação e análise das principais questões de gênero e geração presentes nas relações sociais e produtivas que se estabelecem entre os membros das famílias rurais residentes nas comunidade s rurais envolvidas no projeto Microbacias 2”. Florianópolis: Projeto Microbacias 2, 2008. 3. ALTMANN, R.; MIOR, L. C.; ZOLDAN, P. Perspectivas para o Sistema Agroalimentar e o Espaço Rural de Santa Catarina em 2015: Percepção de representantes de agroindústrias, cooperativas e organizações sociais. Florianópolis: Epagri (Documentos 231), 2008. 4. BACHA, Carlos José Caetano. Economia e Política Agrícola no Brasil. São Paulo: Atlas, p. 27-31, 2004 5. BRANDENBURG, Alfio. Agricultura familiar, ONGs e desenvolvimento sustentável. Curitiba: Ed. UFPR, p. 271, 1999. 6. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Abastecimento e segurança alimentar: o crescimento da agricultura e a produção de alimentos no Brasil. Brasília, DF: Conab, 2008. 7. CAZELLA, Ademir Antonio; MATTEI, Lauro; SCHENEIDER, Sérgio. Histórico, caracterização e dinâmica recente do Pronaf. XLII Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural. Cuiabá–MT, 2004. 8. CBQL. Equipamentos de Ordenha: recomendações do Comitê de Equipamentos. Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite - São Paulo: Quiron, 2002. 9. CMMAD - COMISSÃO MUNDIAL SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Nosso futuro comum. Rio de Janeiro: Fund. Getúlio Vargas, p. 28. 1988. 10. COLLET, J. A Evasão dos Jovens do Meio Rural e a sua Percepção em relação às Políticas Públicas no Município de Coronel Martins – SC. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável e Agroecologia)–Universidade do Contestado, Concórdia, 2009. 11. CORRÊA, Vanessa Petrelle; CABRAL, Mayra dos Santos. Pronaf Crédito – Programa de crédito compensatório para a agricultura familiar? Algumas indicações e distorções. Revista Econômica do Nordeste. Fortaleza-CE, 2001. 112 12. DALMAZO, N. L.; SORRENSON, W. J.; FIGUEIRÓ, N. Objetivos e atitudes dos pequenos agricultores diante de novas tecnologias. Florianópolis: Epagri (Documento 208), 2002. 13. DENARDI, Reni Antonio. Agricultura familiar e políticas públicas: alguns dilemas e desafios para o desenvolvimento rural sustentável. Agroecologia e desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v.2, n°3. Jul/set 2001. 14. DOMBEK, L. A.; TERESO, M. J. A.; BERGAMASCO, S. M. P. P. Segurança Alimentar e Autoconsumo em Assentamentos Rurais do Pontal do Paranapanema – Brasil. Campinas, 2005. 15. DUARTE, V. „Autoconsumo’ da população do campo: resistência econômica ou estratégia política? 2007. 16. DUVAL, H. C.; FERRANTE, V. B.; VALENCIO, N. S. Produção de Autoconsumo em Assentamentos Rurais: Princípios da Agricultura Sustentável e Desenvolvimento. Rio Branco: Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural, 2008 17. EPAGRI/CEPA. Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina 2010 – 2011. Florianópolis: Epagri/Cepa, 2011. 18. FAO/INCRA. Diretrizes de política agrária e desenvolvimento sustentável. Brasília: FAO/INCRA, p. 10-11, 1994. 19. FERREIRA, Cezar Henrique; RIGHI, Gilberto Marin. Crédito rural PRONAF – Plano de Safra 2008/2009. Porto Alegre: EMATER/RS-ASCAR, 2008. 20. FURTADO, Celso. Análise do “modelo” brasileiro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, p. 97, 1972 21. FURTADO, Celso. Desenvolvimento e Subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, p.10 , 1961. 22. GADELHA, E.; MALUF, R. S. Contribuições da Produção Autoconsumo no acesso aos alimentos. Rio de Janeiro, 2008. para 23. GAZOLLA, M. Agricultura familiar, segurança alimentar e políticas públicas: Uma análise a partir da produção para autoconsumo no território do Alto Uruguai/RS. 2004. 306 p. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Rural)–Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004. 24. GAZOLLA, M.; SCHNEIDER, S. A Produção da Autonomia: os “papéis” do autoconsumo na reprodução social dos agricultores familiares. Revista Estudos Sociedade e Agricultura, Rio de Janeiro, Ed. da UFRRJ, v. 15, p. 89122, 2007. 25. GAZOLLA, M.; SCHNEIDER, S. O Processo de Mercantilização do Consumo de Alimentos na Agricultura Familiar. Porto Alegre, 2004. 113 26. GERBER, R. M.; AGUIAR, V. P. Apontamentos sobre as principais questões de gênero e geração no meio rural catarinense. Florianópolis: Epagri (Documento 232), 2009. 27. GOMES, Ivair. Sustentabilidade social e ambiental na agricultura familiar. Revista de biologia e ciências da terra. Volume 5, n°1. p.8, 2004. 28. GOMES, Sebastião Teixeira. Desenvolvimento da Pecuária Leiteira em face das políticas governamentais. 2° Congresso Brasileiro de Gado Leiteiro, ESALQ, p. 1-2, dez/1995 29. GRACINDO, Ângélica Patrícia Alves Coelho; PEREIRA, Genildo Fonseca. Produzindo leite de alta qualidade. Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN – EMPARN, Natal-RN, 2009. 30. GRISA, C. A produção “pro gasto”: um estudo comparativo do autoconsumo no Rio Grande do Sul. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Rural)–Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007. 31. GRISA, C.; SCHNEIDER, S. “Plantar pro gasto”: a importância do autoconsumo entre famílias de agricultores do Rio Grande do Sul. RER, Piracicaba, v. 46, n. 2, p. 481-515, abr./jun. 2008. 32. GRISA, C.; SCHNEIDER, S. Fatores determinantes da produção para autoconsumo na agricultura familiar: um estudo comparativo no Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2008. 33. GUANZIROLI, Carlos E.; et al. Agricultura Familiar e Reforma Agrária no Século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, p. 24-34, 2001. 34. GUANZIROLI, Carlos Henrique (Coord); CARDIM, Silvia Elizabeth de C. S (Coord). Novo Retrato da Agricultura Familiar – O Brasil Redescoberto. Projeto de Cooperação Técnica INCRA/FAO. Brasília-DF, 2000. 35. INSTITUTO CEPA. Perspectivas para a Agricultura Familiar Horizonte 2010. Florianópolis, 2002. 36. LEITE, J. P. A.; BERGAMASCO, S. M. P. P. Avaliação do Autoconsumo de Alimentos no Assentamento de Sumaré II e Estudo Comparativo entre Assentamentos Rurais. In: CONGRESSO INTERNO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UNICAMP, 10., 2002, São Paulo. Anais... São Paulo, 2005. 37. MENASCHE, R.; MARQUES, F. C.; ZANETTI, C. Autoconsumo e segurança alimentar: a agricultura familiar a partir dos saberes e práticas da alimentação. Revista Nutrição, Campinas, 145s-158s, jul./ago. 2008. 38. MENEGAT, Alzira Salete; FARIAS, Marisa de Fátima Lomba de. Pronaf mulher: perspectivas para o empoderamento feminino nos assentamentos rurais do estado de Mato Grosso do Sul - VIII Congreso Latinoamericano de Sociologia Rural - Porto de Galinhas, 2010 114 39. MUNIZ, Evandro Neves, et al. Alternativas Alimentares para Ruminantes II. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA – Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2008. 40. OZELAME, D. ; TROIAN, A.; CAVALHEIRO, A. Valorizando o autoconsumo: Alimentação e Independência. Rev. Bras. Agroecologia, v. 2, n.1, fev. 2007. 41. PAULILO, Maria Ignez Silveira; SCHIMIDT, Wilson (Org). Agricultura e espaço rural em Santa Catarina. Florianópolis-SC, Ed. Da UFSC, 2003. 42. PELINSKI, A. et al. Auto Consumo: Sua relevância na sustentabilidade da Agricultura Familiar Agroecológica. 2006. 43. PEREIRA, Elzânia Sales; et al. Novilhas Leiteiras. Fortaleza: Graphiti gráfica e editora ltda, 2010 44. PIMENTA, Luís Fugazzola; PIMENTA, Margareth de Castro Afeche. A formação das cidades e das paisagens da imigração em Santa Catarina: memória e preservação. XII Simpósio Nacional de Geografia Urbana – Belo Horizonte, 2011 45. PLANO AGRÍCOLA E PECUÁRIO 2011/2012. Ministério Da Agricultura, Pecuária E Abastecimento (MAPA). Brasília-DF, 2011. 46. PROGRAMA DE GARANTIA DE PREÇO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR – PGPAF. Secretaria da Agricultura Familiar (SFA). Brasíla-DF. 47. PRONAF/SC - PROGRAMA NACIONAL DE FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR. O Pronaf e a agricultura familiar catarinense. Florianópolis, 2002. 48. REITER, Janice M. Waituch (Coord.) Uma análise do Pronaf em Santa Catarina – Relatório em atendimento as metas 6 e 7 do Convênio Epagri/MDA 065/2006 – Santa Catarina: Epagri, p. 04 – jun/2007. 49. SCHERER, F. B.; MIORIN, V. M. F. Caracterizações da Agricultura Familiar no Município de São Sepé, RS. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE GEOGRAFIA AGRÁRIA, 3., 2005, Presidente Prudente; SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE GEOGRAFIA AGRÁRIA, 2., 2005, Presidente Prudente; JORNADA ARIOVALDO UMBELINO DE OLIVEIRA, 2005, Presidente Prudente. Anais... Presidente Prudente, 2005. 50. SCHNEIDER, S.; GAZOLLA, M. Agricultura familiar, produção para autoconsumo e segurança alimentar. In: BENTO CASARIL, K. B. P.; PLEIN, C. (Org.). Segurança alimentar numa perspectiva multidisciplinar: contribuição ao debate brasileiro. Francisco Beltrão: Ed. da Unioeste, 2005. 51. SILVESTRO, M. L. et al. Os impasses sociais da sucessão hereditária na agricultura familiar. Florianópolis: Epagri; Brasília, DF: Nead; Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2001. 52. SOUZA, Jânia Maria Pinho; VALENTE, Airton Saboya Junior. Análise das liberações dos recursos do Pronaf – descentralização das aplicações do 115 crédito rural?. XLIV Congresso da Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural (SOBER). Fortaleza-CE, 2006 53. SOUZA, Nali de Jesus de. Desenvolvimento Econômico. 4° ed. São Paulo: Atlas, p. 266-293, 1999. 54. STRIEDER, R. Diretrizes para elaboração de projetos de pesquisa. Joaçaba: Ed. Unoesc, 2009. (Metodologia do Trabalho Científico, v. 3). 55. STROPASOLAS, V. L. O mundo rural no horizonte dos jovens. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2006. 56. TONEZER, C.; SANTOS, F.; RAMBO, A. G. Produção para Autoconsumo entre Agricultores Familiares da Comunidade de Jacarezinho – Encantado/RS. Rio Branco: Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural, 2008. 57. TREMARIN, I. C.; PEZZI, S. M.; GENESSINI, A. Análise da Sustentabilidade da Agricultura Familiar: Um estudo de caso em duas Comunidades Rurais, nos Municípios de Roca Sales e Vespasiano Corrêa. Rev. Bras. Agroecologia, v. 2, n. 1, fev. 2007. 58. VEIGA, José Eli. Problemas da transição à agricultura sustentável. Estudos econômicos. São Paulo, v. 24, n. especial, p.9-29, 1994. 59. VIEIRA, Luis Marcelino (Coord.). Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina 2010-2011. Florianópolis: EPAGRI/CEPA, 2011. 60. WANDERLEY, Maria de Nazareth Baudel. O agricultor familiar no Brasil: um ator social da construção do futuro. In: PETERSON, Paulo (org.) Agricultura familiar camponesa na construção do futuro. Rio de Janeiro: AS-PTA, p.33, 2009. 61. XAVIER, Simón Fernández; DOLORES Dominguez Garcia. Desenvolvimento rural sustentável: uma perspectiva agroecológica. Revista Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Volume 2, n°2, abr/jun. Porto Alegre, p. 18, 2001. 62. ZOCCAL, Rosangela; ALVES, Eliseu Roberto; GASQUES, José Garcia. Diagnóstico da Pecuária de Leite Nacional – Estudo Preliminar: contribuição para o plano pecuário 2012. CNPGL – Embrapa Gado de Leite, 2012 116 SITES CONSULTADOS 1. AGUILAR, Adriana. Inclusão social avança com o Pronaf. São Paulo, 2010. Disponível em: <http://blogdofavre.ig.com.br/2010/06/inclusao-social-avancacom-o-pronaf/> Acesso em: 11 de abril de 2012. 2. BB – Banco do Brasil. Disponíbel em: <http://www.bb.com.br/portalbb/page100,8623,10891,0,0,1,1.bb?codigoMenu= 11724&codigoNoticia=11797&codigoRet=11813&bread=4> Acesso em: 25 de abril de 2012 3. BCB – Banco Central do Brasil. Anuário Estatístico de Crédito Rural. 2011. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/htms/creditorural/2011/pronaf.asp?idpai=RELRURAL20 11>. Acesso em: 25 de abril de 2012. 4. BRASIL. Decreto n° 1.946, de 28 de junho de 1996 – Cria o programa nacional de fortalecimento a agricultura familiar – PRONAF, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília,DF, 1 de julho de 1996. Disponível em: <http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=143757&tipo Documento=DEC&tipoTexto=PUB> Acesso em: 11 de abril 2012. 5. CAMPOS, Aloísio Torres de. Tipos e tamanhos Sala de Ordenha . <http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia8/AG01/arvore/AG01_ 276_217200392411.html> Acesso em: 02 de agosto de 2012. 6. COIMBRA, Marcos. Desenvolvimento Econômico. Jornal Ombro a Ombro, mai/2011. Disponível em: <http://www.brasilsoberano.com.br/artigos/desenvolvimentoeconomico.htm>. Acesso em: 31 de março de 2012. 7. Crédito Rural - Sobre o Programa. Secretaria da Agricultura Familia (SAF), Brasília-DF. Disponível em: <http://www.mda.gov.br/portal/saf/programas/pronaf> Acesso em: 19 de abril de 2012. 8. DENARDI, Reni A. et al. Fatores que afetam o desenvolvimento local em pequenos municípios do Paraná. EMATER/Paraná: Curitiba, p.26-27, 2000. Disponível em: <http://www.cria.org.br/gip/gipaf/itens/publ/artigos_trabalhos.html>. Acesso em: 31 de março de 2012. 9. EPAGRI. Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina 2008-2009. Florianópolis: Epagri; Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola. Disponível em: 117 <http://cepa.epagri.sc.gov.br/Publicacoes/sintese_2009/sintese_2009.pdf.>. Acesso em: 19 de abril de 2012. 10. FUNK, F.; BORGES, M. M.; SALAMONI, G. Pluriatividade: Uma Estratégia de Sustentabilidade na Agricultura Familiar nas Localidades de Capão Seco e Barra Falsa 3º Distrito – Rio Grande – RS. Geografia, v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em: <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/geografia/article/view/6588>. Acesso em: 19 de abril de 2012. 11. GOIONEWS. Emater quer ampliar contratos do Pronafinho. Jornal Eletrônico de Goioerê e Região. Publicado em 15/08/2007. Disponível em: <http://www.goionews.com.br/?Conteudo=news&id_noticia=119&id_edicao=17 > Acesso em: 03 agosto de 2012. 12. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2010 Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/tabelas_pdf/tot al_populacao_santa_catarina.pdf> Acesso em: 19 de abril de 2012. 13. Lei n.º 8.213/91 - DA FINALIDADE E DOS PRINCÍPIOS BÁSICOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Subssesão II – Artigo 48 – (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm> Acesso em: 03 de agosto de 2012. 14. MAPA – MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Disponível em:<www.agricultura.gov.br>. Acesso em: 24 de abril de 2012. 15. MDA – MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO. Disponível em: <http://www.mda.gov.br>. Acesso em: 20 de abril de 2012. 16. PÉRSICO, João Augusto (Coord).Cartilha de acesso do Pronaf – saiba como obter crédito para a agricultura familiar. SEBRAE, Brasília-DF, 2011. Disponível em: <http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/BDS.nsf/F8D5FB4FAB47899383257 71C0068DA07/$File/NT00044052.pdf> Acesso em: 25 de abril de 2012. 17. PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO UNIÃO, 2012. Disponível em: <www.portouniao.sc.gov.br> Acesso em: 19 de abril de 2012. 18. PRONAF. FAQ - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf. Banco Central do Brasil, 2010. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/?PRONAFFAQ> Acesso em: 25 de abril de 2012. 19. Rural News. Ordenha mecânica e equipamentos necessários. Jonal eletrônico Rural Newn. Data da publicação 15/11/2009. Disponíbel em: <http://www.ruralnews.com.br/visualiza.php?id=6>. Acesso em: 02 de agosto de 2008. 118 20. SAF - SECRETARIA DA AGRICULTURA FAMILIAR. Disponível em: <http://www.mda.gov.br/portal/saf/programas/pronaf>. Acesso em: 20 de abril de 2012. 21. SEAP - SECERTARIA DE ESTADO DA AGRICULTURA E DA PESCA. Disponível em: http://www.agricultura.sc.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id= 17&Itemid=38 Acesso em: 29 de julho de 2012. 22. SILVA, Margherita Arfelli da. Pronaf – o crédito rural com o objetivo de redefinir e impulsionar a agricultura familiar. Trabalho de conclusão de especialização. Universidade federal do Rio Grande do Sul – Especialização em Gestão de negócios financeiros – Banco do Brasil. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/14166/000649886.pdf?seque nce=1> Acesso em: 03 de agosto de 2012. 23. TAGORE, Victor. O que é Desenvolvimento Sustentável. Revista Meio Ambiente. Publicado em 12 de março de 2009. Disponível em: <http://www.revistameioambiente.com.br/2009/03/12/o-que-e-desenvolvimentosustentavel/>. Acesso em: 31 de março de 2012. 24. TEM – MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Disponível em: <http://proger.mte.gov.br/portalproger/pages/programaselinhasdecredito/proger rural.xhtml> Acesso em: 29 de julho de 2012. ANEXOS ANEXO I Declaração de Aptidão ao Pronaf – DAP ANEXO II Documentos exigidos pelo Banco do Brasil de Porto União para contratação do PRONAF Quadro preenchido pelo Banco DOCUMENTOS EXIGÍVEIS PARA ACOLHIMENTO E ANÁLISE DA PROPOSTA: 122 Quadro preenchido pelo Banco INFORMAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DO PORJETO 123 APÊNDICE ANÁLISE DO DESENVOLVIMENTO RURAL A PARTIR DA CONTRATAÇÃO DO PRONAF CONTRATANTE: DATA DO QUESTIONÁRIO: 1- SOBRE A FAMILIA 1.1 ETNIA DA FAMÍLIA ____________________ 1.2 TAMANHO DA FAMÍLIA_________________ Em idade produtiva_______________________ Crianças/Idosos_________________________ 1.3 NÚMERO DE PESSOAS QUE PARTICIPAM DA MÃO-DE-OBRA NA AGRICULTURA FAMILIAR_________________________________________ 1.4 NÚMERO DE PESSOAS QUE PARTICIPAM DA PECUÁRIA LEITEIRA 1.5 EXISTE EXÔDO DA PROPRIEDADE? 1.6 POSSUI OUTRAS CONTRATAÇÕES DO PRONAF? QUAIS? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 2- SOBRE O FINANCIAMENTO 2.1 AGÊNCIA: ( )BANCO DO BRASIL ( ) OUTRAS 2.2 DATA DO 1° CONTRATO: ( ) 1 a 2 ANOS MAIS DE 5 ANOS ( ) 3 a 4 ANOS 2.3.DATA DO ÚLTIMO CONTRATO: ( ) 1 a 2 ANOS ( ) MAIS DE 5 ANOS 2.4 FINALIDADE: ( ( ( ( ( ( ) ) 3 a 4 ANOS )MAQUINÁRIO AGRÍCOLA ) EQUIPAMENTOS LEITEIROS )COMPRA DE ANIMAIS ) CONTRUÇÃO qual?___________________________ 124 2.5 LINHA DE CRÉDITO: ( )PRONAF mais alimentos ( ) OUTRO qual?________________ 2.6 NÚMERO DE PARCELAS: ( ) 10 ( )<10 ( )>10 2.7 VALOR DA PARCELA: R$________________ 2.8 VALOR DO JURO: ( ) 2% 3- ( ) OUTRO, qual? _______ SOBRE OS BENS ATUAIS: 3.1 IMÓVEIS DE USO AGRO-PECUÁRIOS: ( )1 ( )2 ( )3 3.2 ÁREA TOTAL (há):_____________________ 3.3 VALOR DOS IMÓVEIS: R$_______________ 3.4 USO DA TERRA AGRÍCOLA PRÓPRIA (há):_______________________ 3.5 USO DA TERRA PECUÁRIA/PASTAGEM PRÓPRIA (há):_____________ 3.6 POSSUI ÁREA ARRENDADA? ( )NÃO ( )SIM, quanto?_____________ 4- SOBRE INFRAESTRUTURA (benfeitorias) Discriminação Qnt. Área (m2) Casa sede Estufa de fumo Depósito insumos Estábulo Leiteiro Garagem de Material Idade Conservação Valor R$ 125 5- SOBRE MÁQUINAS, VEÍCULOS E EQUIPAMENTOS Discriminação Qnt. Marca Modelo Ano Valor R$ Ordenhadeira mecânica Resfriador de imersão Resfriador de expansão Triturador Veículo automóvel Equipamentos Agricolas Trato agricola 6- SOBRE O REBANHO Espécie 7- Raça Caracterização Qnt. V.Unit. Valor R$ SOBRE PRODUÇÃO AGRÍCOLA (safra) Produtos und Soja kg Milho kg Trigo kg Fumo Kg Área produtividade Renda bruta Há média ultimo período 126 8- SOBRE PRODUÇÃO PECUÁRIA (mensal) Produtos Valor und unitário 9- Quantid. Valor Leite litro 0,00 bezerros cab 0,00 Novilhas cab 0,00 Suínos cab 0,00 SOBRE RECEITAS DE ATIVIDADES NÃO AGROPECUÁRIAS 9.1 POSSUI RECEITA NÃO AGROPECUÁRIA? ( )NÃO ( )SIM CASO POSSUA, QUAL?________________________________ 9.2 QUANDO COMEÇOU ESTA ATIVIDADE? ( )ANTES DO FINANCIAMENTO DO PRONAF ( )APÓS FINANCIAMENTO DO PRONAF 9.3 QUAL O VALOR DA RECEITA? ( ) < 1 SALÁRIO MÍNIMO ( ) 1 a 2 SALÁRIO MÍNIMO ( ) >2 SALÁRIOS MÍNIMOS 10- SOBRE OS CUSTOS FIXOS Finalidade Valor mensal Conservação de benfeitorias R$/Ano R$ R$ e R$ R$ Energia elétrica e telefone R$ R$ Arrendamentos R$ R$ Manutenção Anual da Família R$ R$ Conservação de máquinas equipamentos TOTAL 11- R$ SOBRE O LICENCIAMENTO AMBIENTAL 11.1 POSSUI ÁREAS DE PROTEÇÃO? ( )PROTEÇÃO EM NASCENTES ( ) RESERVA LEGAL PRESERVADA área de _____________ 127 12 - APÓS ADQUIRIR O FINANCIAMENTO, HOUVE ALGUMA FORMA DE FISCALIZAÇÃO DO INVESTIMENTO AO QUAL FOI DESTINADO O PROJETO? ( )SIM ( ) NÃO 13 - NA ROTINA DO TRABALHO, O QUE MUDOU APÓS O INVESTIMENTO NA PROPRIEDADE? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 14 - VOCÊ RELACIONA AS MUDANÇAS EFETIVADAS NA SUA PROPRIEDADE E PRODUÇÃO, COM A CONTRATAÇÃO DO PRONAF? ( ) SIM ( ) TAMBÉM ( )NÃO No caso de respostas TEMBÉM ou NÂO, ao que você atribui essas mudanças?______________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 15 - QUAL A SUA VISÃO DO PRONAF EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 16 - DE UMA NOTA DE 0 A 10 PARA O PRONAF: ____________________ Motivo:_________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________