ANÁLISE INTEGRADA PARA VERIFICAR A VIABILIDADE
DE INVESTIMENTOS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
Leodir Dorlei Hilgert
Universidade Federal de Santa Maria - Curso de Pós-graduação em Engenharia de Produção
CEP.: 97.119-900 - Santa Maria - E-mail: [email protected]
Abstract:
The decisions in machinery and equipment investments are normally taken, specially
in the small and medium companies, based on the manager's feelings or on a rough
process that normally checks only the economical feasibility of the investment.
The present work shows that the investment feasibility process in machinery requires
a wide and integrated study within the organization, in a way to consider not only the
economical and finacial aspects, but also the human aspects of quality, flexibility, market,
productivity and environment.
Keywords: Investments, Quality, Productivity.
1 - INTRODUÇÃO:
O processo de tomada de decisão, desde o princípio da administração científica,
enfatiza um requisito muito expressivo, o resultado financeiro do investimento. Porém,
com o aumento da concorrência, evidenciou-se a necessidade de analisar outros aspectos,
não menos importantes, que se referem aos fatores humanos, de qualidade, flexibilidade,
aspectos mercadológicos, produtividade e meio ambiente.
Embora seja fundamental uma análise abrangente considerando todos os aspectos
anteriormente mencionados, a vivência nas indústrias leva a crer que muitas empresas
continuam analisando apenas os aspectos financeiros e, ainda assim, de forma rudimentar.
A cada dia que passa, a diferença entre oferta e demanda vai aumentando, juntamente
com a oferta cresce também a competição entre as indústrias. Com a globalização da
economia, surge no mercado uma nova era, pois, devido a abertura das fronteiras e a queda
das barreiras alfandegárias protecionistas às empresas nacionais, a concorrência torna-se
cada vez mais acirrada, daí a necessidade da empresa produzir sempre mais e melhor pelo
menor custo.
Devido a esta concorrência, as empresas precisam cada vez mais procurar satisfazer
as necessidades dos clientes em todos suas dimensões, desenvolvendo e fabricando
produtos de alta qualidade intrínseca a um preço acessível. Evidencia-se, então, a
necessidade de se produzir com máquinas e equipamentos que proporcionam maior valor
agregado ao produto pelo menor custo possível.
Conforme exposto, somente as empresas que souberem em quais máquinas e
equipamentos investir, bem como, quando investir e qual o ganho que obterão com tais
investimentos, conseguirão sobreviver e prosperar.
O presente relato parte de uma percepção das variáveis que interagem no processo
decisório, definindo sete aspectos fundamentais para um abrangente e bem sucedido
processo de análise de investimento para aquisição de máquinas e equipamentos: Aspectos
econômico/financeiros, humanos, qualidade, flexibilidade, mercadológicos, produtividade
e meio ambiente.
2 - VARIÁVEIS IMPORTANTES PARA A TOMADA DE DECISÕES:
A concorrência entre as empresas está acirrada. A competitividade do mercado
passou a dificultar o processo decisório e exigir maior abrangência nas análises de
viabilidade de investimentos. Uma análise de investimentos para que seja suficientemente
abrangente para oferecer uma confiável previsão dos resultados deve considerar sete
aspectos fundamentais: econômico/financeiros, humanos, qualidade, flexibilidade,
mercadológicos, produtividade e meio ambiente, pois, se houver alguma deficiência em
algum destes fatores, certamente refletirá negativamente nos resultados do investimento.
A seguir descrevem-se estes aspectos, bem como, aquilo que deve ser considerado
para analisar cada um deles.
2.1 - Aspectos Econômico/Financeiros:
A situação financeira de uma empresa é o resultado de suas receitas, diminuído das
despesas de um mesmo período de análise. O fato de uma empresa estar economicamente
bem, não significa que ela esteja desfrutando de boa situação financeira. Uma empresa
economicamente bem apresenta saldo positivo no demonstrativo de resultados, no entanto,
financeiramente bem é aquela que consegue girar o capital de forma a atender seus
compromissos dentro dos prazos.
Para se analisar a viabilidade econômica/financeira de um investimento, precisa-se
conhecer a capacidade de pagamento da organização, seu ponto de equilíbrio, seus custos,
sua lucratividade, a rentabilidade que obtém sobre o capital imobilizado e o tempo
necessário para o retorno do investimento e amortização do capital investido. A seguir
conceituam-se cada um destes:
2.1.a) Capacidade de Pagamento:
Uma organização, embora aparentemente sólida e capitalizada, pode passar por
períodos de dificuldades financeiras, quer pelo comprometimento de muitos títulos a serem
pagos em um mesmo período ou pelo simples fato de uma queda na produção, seja por
motivos de sazonalidade do mercado, plano econômico, quebra de equipamento ou
qualquer que venha a ser a causa. Uma precisa previsão de vendas e conseqüente previsão
de faturamento, permite à organização elaborar um planejamento orçamentário que
exprime com alto grau de confiabilidade, a situação da empresa. Para que uma empresa não
venha a assumir dívidas, em períodos que não dispõe de liquidez para cumprir com suas
obrigações, é de suma importância que conheça sua situação financeira em todos os
períodos futuros que compõem o prazo de pagamento das dívidas que pretende assumir.
A situação financeira de uma empresa é representada pela descrição, tanto de
períodos passados quanto futuros, das entradas e saídas de capital. O fluxo de caixa é uma
ferramenta simples e eficaz para verificar a capacidade de pagamento de uma organização.
Com a utilização adequada do fluxo de caixa, não se corre o risco de assumir
compromissos além da capacidade de pagamento. É importante, para apurar a capacidade
de pagamento, considerar uma margem de segurança, isto é, uma cota, definida pela
empresa, para cobrir imprevistos que influenciam na liquidez da mesma, reduzindo sua
capacidade de pagamento.
O confronto do valor das prestações com o fluxo de caixa, permite auferir a
capacidade de pagamento. Para que uma empresa seja considerada capaz de cumprir com
suas obrigações, o valor da prestação deve ficar abaixo de sua capacidade de pagamento já
deduzida da margem de segurança.
2.1.b) Ponto de Equilíbrio:
O ponto de equilíbrio é o nível de operação no qual não existe lucro nem prejuízo, ele
é representado por uma equação onde as receitas líquidas se igualam aos custos totais.
Este, no entanto, não deve ser visto como o nível ideal de produção, mas, como o nível
mínimo, pois, para que a empresa consiga um resultado positivo que assegure sua
sobrevivência e prosperidade, deve operar acima deste ponto.
2.1.c) Custos:
O resultado de uma empresa nada mais é do que a diferença entre seus preços de
venda e seus preços de custo. Como a competitividade do mercado não permite colocar o
preço que bem entender nos seus produtos, sob pena de não conseguir vendê-los, a única
alternativa que resta para a organização é reduzir seus custos.
Segundo ALLORA: "... os custos, como foi dito, são a própria vida da empresa e
como tais deveriam merecer toda a atenção dos próprios dirigentes que deveriam dedicar
sua máxima atenção a eles.
Os custos são fruto de tudo o que acontece nas fabricações: suprimentos, cadência,
eficiência, produtividade, desperdícios, gastos excessivos, qualidade deficiente, projeção
imperfeita, e muitos outros fatores. Todos eles se reúnem no custo. Não há nos contextos
industriais, índice mais sintético e resolvido de que o custo; ele vai dizer se a empresa é ou
não competitiva, se ela vai ou não vender, se ela vai ou não lucrar".
2.1.d) Lucratividade:
A lucratividade é o indicador de rentabilidade geral, ela pode ser expressa mediante a
divisão dos resultados líquidos pelas receitas líquidas. Este indicador demonstra, com
precisão, o quanto a empresa está efetivamente ganhando na venda de seus produtos.
2.1.e) Rentabilidade do Ativo Imobilizado:
A rentabilidade indica o poder de ganho da empresa, isto é, quanto obtém de lucro
líquido sobre o capital investido. Como a rentabilidade é representada pelo quociente do
resultado líquido dividido pelo ativo imobilizado, é fácil de constatar que quanto menor for
o capital imobilizado para se obter o mesmo resultado líquido, maior será a rentabilidade
do negócio.
2.1.f) Amortização e Retorno de Investimento:
Amortização é o processo de pagamento de um investimento, sem redução do capital,
de forma a ir extinguindo uma dívida ou retirada de capital utilizando-se dos valores
financeiros provenientes do retorno do investimento. Todo investimento em máquinas e
equipamentos leva um determinado período para iniciar a dar algum retorno. Apartir este
momento, inicia-se a amortização do capital investido.
Considera-se retorno de investimento, as entradas de capital, provindas dos
resultados positivos gerados por conseqüência de um investimento em determinada
máquina ou equipamento.
Diante dos conceitos expostos, observa-se que uma análise econômica/financeira de
um investimento, em máquinas e equipamentos, implica, além de conhecer a capacidade de
pagamento da empresa, em verificar quais as influências que este investimento trará para a
empresa, no que se refere a custos de produção, ponto de equilíbrio, lucratividade e
rentabilidade do capital imobilizado.
2.2 - Aspectos Humanos:
As máquinas/equipamentos, por mais avançados que sejam, sempre dependem das
pessoas para funcionar. Da mesma forma, freqüentemente são utilizados para substituí-las
ou ajuda-las a realizar operações, sempre com menor esforço físico e maior qualificação e
conhecimento.
Esta interação homem-máquina, implica em mudanças de comportamento. As
pessoas, principalmente aquelas mais maduras de idade, tendem a ter uma certa resistência
às mudanças, por isso, é importante analisar os possíveis impactos que determinada
máquina ou equipamento pode exercer sobre as pessoas e quais as influências
motivacionais que refletirão na produtividade da empresa.
A Gazeta Mercantil, publicou em 04 de outubro de 1984, uma reportagem de
DRUCKER, P. F. intitulada de "A Desilusão da Europa com a Indústria de Alta
Tecnologia", na qual DRUCKER (1984) comenta: "a alta tecnologia não produz lucros
por um grande espaço de tempo de modo que tem ocorrido que os serviços de média, baixa
ou nenhuma tecnologia fornecem os lucros para financiar a alta tecnologia". Diante disto,
ressalta-se a importância das empresas investirem em tecnologia de ponta, porém, sempre
com a consciência de que os resultados podem não ser imediatos e, portanto, necessitam de
uma ampla e abrangente análise para a tomada de decisão.
Outro aspecto relevante, no que se refere ao fator humano, é verificar quais os
benefícios que a máquina ou equipamento traz para as pessoas que estão realizando o
trabalho com os atuais equipamentos da empresa, bem como, a adequação do novo
equipamento ao seu usuário, olhando-se sob um enfoque ergonômico e considerando as
relações de segurança e saúde ocupacional com o novo equipamento.
2.3 - Qualidade:
Segundo CAMPOS (1993), o ser humano tem por principal objetivo, sobreviver da
forma mais amena e agradável possível. O grande desafio das organizações humanas é
atender as necessidades do ser humano na sua luta pela sobrevivência. A partir desta
colocação conceitua qualidade, como sendo a capacidade de um produto ou serviço atender
perfeitamente, de forma confiável, segura, acessível e no tempo certo às necessidades do
cliente.
CAMPOS (1993) afirma:"...O verdadeiro critério da boa qualidade de um produto é
a preferência do consumidor. É isto que garantirá a sobrevivência de sua empresa: a
preferência do consumidor pelo seu produto, hoje e no futuro".
Somente a preferência do consumidor pelos produtos de uma empresa garantirá a sua
sobrevivência e prosperidade, portanto, cabe às empresas, oferecer ao mercado produtos
adequados ao uso para proporcionar satisfação ao usuário.
2.3.a) As duas ideologias da qualidade:
A gestão da qualidade é contemplada por duas linhas ideológicas diferenciadas: a
linha européia da Série ISO e a linha do TQC.
A ideologia ISO para a gestão da qualidade, tem por essência de funcionamento a
normalização de todos os processos e atividades realizadas, bem como, gerar evidências
que comprovem sua efetiva utilização. As normas ISO podem ser divididas em três grupos:
ISO série 9.000 - Trata, principalmente, da normalização dos processos produtivos,
relações contratuais, treinamento e qualificação de funcionários e fornecedores.
ISO série 14.000 - Considera a gestão ambiental.
ISO série 18.000 - Enfatiza aspectos relacionados a saúde e segurança.
A ideologia do TQC, teve sua origem nos Estados Unidos da América, completandose posteriormente no Japão, onde Deming acrescentou uma abordagem humanista. O TQC
original americano, diferencia-se do TQC no estilo japonês. Enquanto o primeiro enfatiza
as técnicas, o segundo dá ênfase na abordagem humanista.
Comparando-se as duas ideologias da qualidade, verifica-se que a ISO tem seu foco
voltado principalmente ao fornecedor, pois, enfatiza a normalização, impõe regulamentos
ao mesmo e atua de forma defensiva, isto é, procura garantir a conformidade do produto
com o projeto. Já o TQC tem seu foco direcionado ao cliente, pois, enfatiza sua satisfação,
busca parceria com o fornecedor e atua de forma ofensiva, buscando a melhoria continua
do produto para atender as necessidades do cliente e, desta maneira, dispõe-se a adequar o
projeto às necessidades do usuário.
Considera-se a filosofia do TQC mais abrangente, pois, parte do princípio de que a
qualidade total é a satisfação das pessoas e todos seus conceitos giram em torno de quatro
pilares fundamentais: o gerenciamento da rotina, o gerenciamento pelas diretrizes, a
padronização e o crescimento do ser humano. A ISO atende perfeitamente aos requisitos
dos três primeiros ítens, demonstrando maior eficácia no item padronização, no qual é
inigualável, porém, é menos eficaz no que se refere ao crescimento do ser humano.
Um caminho lógico, muito utilizado nas empresas que buscam a qualidade total, é a
adoção da filosofia do TQC para sensibilizar e conscientizar da importância da qualidade
total, partindo para a implantação e certificação por uma norma da ISO série 9000 para a
padronização da empresa e, posteriormente, voltando ao TQC para dar continuidade ao
gerenciamento do crescimento do ser humano.
É relevante mencionar que qualidade total não se implanta, pois, não é um pacotão
que se compra pronto e, apartir daí, tem-se qualidade em uma organização. É, na realidade,
um conjunto de conceitos e filosofias de pensamento que regem as ações da empresa,
fazendo com que ela evolua para a qualidade total.
2.3.b) Qualidade produzida:
Conceituou-se qualidade, como sendo a capacidade de um produto ou serviço atender
perfeitamente, de forma confiável, segura, acessível e no tempo certo às necessidades do
cliente. Estas necessidades são diferentes de cliente para cliente, bem como, de produto
para produto.
Para exemplificar necessidades diferentes de cliente para cliente, relata-se um caso de
características exigidas num sapato. Um sapato destinado ao uso diário, como equipamento
de proteção individual a um metalúrgico, além de confortável, deve ser resistente e
proteger seu pé contra possíveis lesões, causadas pela queda de algum objeto. O fator
estético neste caso, é praticamente irrelevante frente ao fator proteção. Já um sapato
destinado a uma modelo fotográfica, ao contrário, tem como principal característica de
qualidade a sua estética.
No exemplo anterior, verificou-se as diferentes características de qualidade exigidas
de um mesmo produto (sapato) para clientes diferentes. Verifica-se agora as diferentes
características de qualidade exigidas por um mesmo cliente, porém a produtos diferentes:
Um empresário rural ao adquirir um automóvel para passeio, vai exigir além de um bom
desempenho técnico do veículo, bom acabamento, belo desenho e uma pintura perfeita. No
entanto, ao adquirir uma colhedoura automotriz, sua principal preocupação será com o seu
desempenho na lavoura, durante as colheitas, deixando em segundo plano aspectos de
estética, como acabamento e desenho, pois, no trabalho diário desta máquina é normal que
a mesma esteja empoeirada e, até mesmo, com a pintura um pouco danificada devido a
situação de trabalho. Isto vem ao encontro do conceito de qualidade de JURAN, (Controle
da Qualidade. 1991) que definiu qualidade como sendo a adequação ao uso.
Partindo do princípio de que o verdadeiro critério da boa qualidade de um produto é
a preferência do consumidor, antes de definir quais as principais características de um
produto deve-se conhecer a quem se destina e para que se destina. Somente depois de
definidas as principais características de qualidade, pode-se analisar qual o equipamento
mais viável e adequado para o processamento deste produto.
2.4 - Flexibilidade:
Caracteriza-se como flexibilidade, a capacidade da empresa se adaptar a diferentes
situações de mercado. Portanto, ao tratar de flexibilidade, considera-se a velocidade com
que a empresa consegue parar de fabricar determinado produto para produzir outro
diferente, bem como, lançar novos produtos no mercado. A flexibilidade de uma empresa
está intimamente ligada ao tempo que gasta para trocar e preparar o ferramental necessário
na fabricação de um produto (conhecido pelo termo inglês Set Up), e ao tempo despendido
no processo fabril desde o inicio do processamento até a conclusão do primeiro produto
acabado (conhecido em inglês por Lead Time).
Para analisar a flexibilidade proporcionada por uma máquina, é necessário verificar
qual será o tempo gasto em preparação de ferramental e qual será o tempo despendido no
processo fabril dos produtos confeccionados por este equipamento.
2.5 - Aspectos Mercadológicos
Ao analisar a viabilidade de investimentos em máquinas e equipamentos, é
imprescindível considerar a relação deste produto com o mercado. Os clientes são a razão
da existência de uma empresa, apartir do momento em que os clientes deixarem de existir,
juntamente com eles também a empresa desaparece do mercado. O segredo do sucesso de
uma empresa é satisfazer as necessidades dos seus clientes a um preço um pouco superior
ao seu custo. Daí a importância de analisar os benefícios que um investimento, em máquina
ou equipamento, traz para os consumidores dos produtos fabricados por estes
equipamentos.
Uma mesma empresa, pode fabricar produtos com certa afinidade, nestes casos a
aquisição de um determinado produto leva o cliente a adquirir também o outro produto
afim. Por exemplo, uma empresa produtora de portas e janelas: normalmente alguém que
esteja construindo ou revendendo material de construção, tende a comprar as janelas da
mesma empresa em que compra as portas. Neste caso, um investimento na fabricação de
portas, que proporciona um aumento nas vendas de porta, também proporciona um
aumento nas vendas de janelas, isto deve ser levado em consideração para a análise de
viabilidade deste investimento.
Embora muitos pensam que análise de investimento, em máquina e equipamento, é
assunto para os setores de produção e financeiro, para uma boa análise é imprescindível o
envolvimento de outras áreas da empresa. O faturamento anual depende exclusivamente do
volume das vendas e do preço de venda dos produtos. Aí entra o envolvimento dos setores
de marketing e vendas.
Para que um produto seja preferido pelo consumidor, deve apresentar determinadas
características que atendam ou superam suas necessidades, dentre estas características, o
preço de venda. É neste momento que entra o setor de marketing, para verificar quais as
características que o produto deve possuir e qual o preço que o consumidor se dispõe a
pagar por este produto.
Após conhecido o mercado consumidor e determinado o preço de venda do produto,
resta, a divisão comercial, verificar qual a fatia de mercado que deve atingir, analisar a
capacidade de absorção deste mercado e definir uma previsão de vendas. De posse da
previsão de vendas e do preço de venda dos produtos a serem vendidos, torna-se possível
elaborar uma estimativa de faturamento simplesmente pelo produto do preço de venda
multiplicado pela previsão de vendas do período. Esta estimativa de faturamento será a
principal fonte de entradas positivas no fluxo de caixa que vai definir a capacidade de
pagamento da organização.
2.6 - Produtividade:
Em conformidade com o dicionário AURÉLIO da língua portuguesa, produtividade é
uma qualidade ou estado de produtivo, que significa rendoso, proveitoso. Segundo
CAMPOS (1993): "Aumentar a produtividade significa produzir mais e/ou melhor por um
menor custo". Portanto, a produtividade de uma empresa, pode ser representada pelo
quociente do que ela produz e o que consome.
Na opinião de CAMPOS (1993), pode-se substituir "o que a empresa produz" pelo
termo faturamento e "o que consome" pelo termo custos, pois não faz sentido a empresa
produzir se não conseguir transformar esta produção em dinheiro, resultante do ato da
venda. Assim, Produtividade = Faturamento / Custos. Nesta forma de representar a
produtividade da empresa, inclui-se o cliente como fator decisivo de produtividade, pois, se
não houver sua preferência pelo produto da empresa, por maior que seja a eficiência em
produzir, esta estará predestinada ao fracasso.
Observa-se que produtividade está intimamente ligada com qualidade, mas, também,
engloba flexibilidade e otimização da produção. Em se tratando de otimização da produção
é celebre a afirmação de GOLDRATT (1992): "um minuto ganho em um recurso gargalo é
um minuto ganho em toda a fábrica, porém, um minuto ganho em um recurso não gargalo
é uma miragem”. A teoria OPT é um bom exemplo a ser seguido para desenvolver uma
metodologia para análise de viabilidade, pois, demonstra que não adianta "investir no
escuro", isto é, investir desorientadamente em qualquer recurso, pois, se o empresário não
investir na máquina ou equipamento mais necessário para otimizar e flexibilizar sua
produção, certamente estará "jogando dinheiro pela janela" e perdendo em produtividade.
2.7 - Meio Ambiente:
O ser humano é um destruidor por instinto. A história mostra que o homem sempre
usou e abusou da natureza sem a menor preocupação com o meio ambiente. Somente após
quase acabar com a vegetação existente no planeta e perceber um grande orifício na
camada de ozônio, as pessoas mais esclarecidas começaram a preocupar-se com o meio
ambiente. Esta preocupação está acontecendo, não apenas porque o homem finalmente
está se conscientizando de sua auto destruição, mas, também, por motivos econômicos, o
homem está sentindo que as reservas naturais estão se exaurindo e com isso tornando-se
muito preciosas para serem destruídas pelo uso descontrolado.
Para se proteger contra os malefícios dos abusos causados ao meio ambiente, as
pessoas começaram a pensar em regras disciplinares para a proteção ambiental. Surgem,
então, as normas de gestão ambiental ISO Série 14000 que, num futuro bem próximo, serão
fator decisivo de compra dos clientes. Sente-se na pele que não dá mais para maltratar o
ambiente, sob pena de prejudicar a própria qualidade de vida e com isso as pessoas passam
a exigir das empresas, ações que levam à preservação do meio ambiente.
Em se tratando de investimentos em máquinas e equipamentos, a questão ambiental
não deve ser observada apenas pelo fato da empresa buscar maior proximidade com os
requisitos das normas ambientais, mas, também, sob o aspecto do ambiente interno de
trabalho. Pois, este afeta diretamente na produtividade das pessoas. Como são as pessoas a
principal razão da empresa existir e delas dependem o sucesso, ou fracasso da organização,
a elas deve se proporcionar o melhor ambiente de trabalho possível. Isso justifica a
inclusão do meio ambiente como um aspecto fundamental para a análise de viabilidade
investimentos em máquinas e equipamentos.
3 - CONCLUSÃO:
O processo de análise de viabilidade de investimentos realizado na grande maioria
das empresas, principalmente de pequeno e médio porte, vem sendo feito de forma bastante
rudimentar, enfatizando, na maioria das vezes, apenas o aspecto econômico do
investimento ou, então, apenas alguns dos outros seis aspectos mencionados neste texto.
Este trabalho mostra que o processo de tomada de decisões, para investimentos no
setor produtivo de uma empresa, requer muito mais do que verificar se a empresa vai ou
não conseguir arcar com os custos do investimento. Analisar viabilidade de um
investimento em máquinas/equipamentos, exige uma análise global e abrangente da
empresa e do mercado. É necessário verificar os aspectos econômico/financeiros,
humanos, qualidade, flexibilidade, mercado, produtividade e meio ambiente, para não
incorrer em erros causados pela falta de atenção aos vários fatores que influenciam no
andamento de uma organização.
Uma vez analisados os sete aspectos (econômico/financeiros, humanos, qualidade,
flexibilidade, mercado, produtividade e meio ambiente), aqui considerados fundamentais
para detectar a viabilidade de uma máquina/equipamento, certamente a empresa estará
realizando uma integração interdepartamental e, dificilmente, a organização tomará uma
decisão precipitada na qual estaria desperdiçando energia e dinheiro.
4 - REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ALLORA, Franz. Engenharia de Custos Técnicos. Biblioteca pioneira de Administração
de negócios. São Paulo. 1985.
CAMPOS, Vicente Falconi. TQC Controle da Qualidade Total - No Estilo Japonês.
Fundação Cristiano Ottoni. 3ª Edição. Minas Gerais. 1993.
GAZETA MERCANTIL. A Desilusão da Europa com a Indústria de Alta Tecnologia.
(DRUCKER, PETTER). 04 de outubro de 1984.
GOLDRATT, Elyahu M; COX, Jeff. A meta. Editora do IMAM (Educator), 1992.
Download

análise integrada para verificar a viabilidade de