ANÁLISE INTEGRADA PARA VERIFICAR A VIABILIDADE DE INVESTIMENTOS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Leodir Dorlei Hilgert Universidade Federal de Santa Maria - Curso de Pós-graduação em Engenharia de Produção CEP.: 97.119-900 - Santa Maria - E-mail: [email protected] Abstract: The decisions in machinery and equipment investments are normally taken, specially in the small and medium companies, based on the manager's feelings or on a rough process that normally checks only the economical feasibility of the investment. The present work shows that the investment feasibility process in machinery requires a wide and integrated study within the organization, in a way to consider not only the economical and finacial aspects, but also the human aspects of quality, flexibility, market, productivity and environment. Keywords: Investments, Quality, Productivity. 1 - INTRODUÇÃO: O processo de tomada de decisão, desde o princípio da administração científica, enfatiza um requisito muito expressivo, o resultado financeiro do investimento. Porém, com o aumento da concorrência, evidenciou-se a necessidade de analisar outros aspectos, não menos importantes, que se referem aos fatores humanos, de qualidade, flexibilidade, aspectos mercadológicos, produtividade e meio ambiente. Embora seja fundamental uma análise abrangente considerando todos os aspectos anteriormente mencionados, a vivência nas indústrias leva a crer que muitas empresas continuam analisando apenas os aspectos financeiros e, ainda assim, de forma rudimentar. A cada dia que passa, a diferença entre oferta e demanda vai aumentando, juntamente com a oferta cresce também a competição entre as indústrias. Com a globalização da economia, surge no mercado uma nova era, pois, devido a abertura das fronteiras e a queda das barreiras alfandegárias protecionistas às empresas nacionais, a concorrência torna-se cada vez mais acirrada, daí a necessidade da empresa produzir sempre mais e melhor pelo menor custo. Devido a esta concorrência, as empresas precisam cada vez mais procurar satisfazer as necessidades dos clientes em todos suas dimensões, desenvolvendo e fabricando produtos de alta qualidade intrínseca a um preço acessível. Evidencia-se, então, a necessidade de se produzir com máquinas e equipamentos que proporcionam maior valor agregado ao produto pelo menor custo possível. Conforme exposto, somente as empresas que souberem em quais máquinas e equipamentos investir, bem como, quando investir e qual o ganho que obterão com tais investimentos, conseguirão sobreviver e prosperar. O presente relato parte de uma percepção das variáveis que interagem no processo decisório, definindo sete aspectos fundamentais para um abrangente e bem sucedido processo de análise de investimento para aquisição de máquinas e equipamentos: Aspectos econômico/financeiros, humanos, qualidade, flexibilidade, mercadológicos, produtividade e meio ambiente. 2 - VARIÁVEIS IMPORTANTES PARA A TOMADA DE DECISÕES: A concorrência entre as empresas está acirrada. A competitividade do mercado passou a dificultar o processo decisório e exigir maior abrangência nas análises de viabilidade de investimentos. Uma análise de investimentos para que seja suficientemente abrangente para oferecer uma confiável previsão dos resultados deve considerar sete aspectos fundamentais: econômico/financeiros, humanos, qualidade, flexibilidade, mercadológicos, produtividade e meio ambiente, pois, se houver alguma deficiência em algum destes fatores, certamente refletirá negativamente nos resultados do investimento. A seguir descrevem-se estes aspectos, bem como, aquilo que deve ser considerado para analisar cada um deles. 2.1 - Aspectos Econômico/Financeiros: A situação financeira de uma empresa é o resultado de suas receitas, diminuído das despesas de um mesmo período de análise. O fato de uma empresa estar economicamente bem, não significa que ela esteja desfrutando de boa situação financeira. Uma empresa economicamente bem apresenta saldo positivo no demonstrativo de resultados, no entanto, financeiramente bem é aquela que consegue girar o capital de forma a atender seus compromissos dentro dos prazos. Para se analisar a viabilidade econômica/financeira de um investimento, precisa-se conhecer a capacidade de pagamento da organização, seu ponto de equilíbrio, seus custos, sua lucratividade, a rentabilidade que obtém sobre o capital imobilizado e o tempo necessário para o retorno do investimento e amortização do capital investido. A seguir conceituam-se cada um destes: 2.1.a) Capacidade de Pagamento: Uma organização, embora aparentemente sólida e capitalizada, pode passar por períodos de dificuldades financeiras, quer pelo comprometimento de muitos títulos a serem pagos em um mesmo período ou pelo simples fato de uma queda na produção, seja por motivos de sazonalidade do mercado, plano econômico, quebra de equipamento ou qualquer que venha a ser a causa. Uma precisa previsão de vendas e conseqüente previsão de faturamento, permite à organização elaborar um planejamento orçamentário que exprime com alto grau de confiabilidade, a situação da empresa. Para que uma empresa não venha a assumir dívidas, em períodos que não dispõe de liquidez para cumprir com suas obrigações, é de suma importância que conheça sua situação financeira em todos os períodos futuros que compõem o prazo de pagamento das dívidas que pretende assumir. A situação financeira de uma empresa é representada pela descrição, tanto de períodos passados quanto futuros, das entradas e saídas de capital. O fluxo de caixa é uma ferramenta simples e eficaz para verificar a capacidade de pagamento de uma organização. Com a utilização adequada do fluxo de caixa, não se corre o risco de assumir compromissos além da capacidade de pagamento. É importante, para apurar a capacidade de pagamento, considerar uma margem de segurança, isto é, uma cota, definida pela empresa, para cobrir imprevistos que influenciam na liquidez da mesma, reduzindo sua capacidade de pagamento. O confronto do valor das prestações com o fluxo de caixa, permite auferir a capacidade de pagamento. Para que uma empresa seja considerada capaz de cumprir com suas obrigações, o valor da prestação deve ficar abaixo de sua capacidade de pagamento já deduzida da margem de segurança. 2.1.b) Ponto de Equilíbrio: O ponto de equilíbrio é o nível de operação no qual não existe lucro nem prejuízo, ele é representado por uma equação onde as receitas líquidas se igualam aos custos totais. Este, no entanto, não deve ser visto como o nível ideal de produção, mas, como o nível mínimo, pois, para que a empresa consiga um resultado positivo que assegure sua sobrevivência e prosperidade, deve operar acima deste ponto. 2.1.c) Custos: O resultado de uma empresa nada mais é do que a diferença entre seus preços de venda e seus preços de custo. Como a competitividade do mercado não permite colocar o preço que bem entender nos seus produtos, sob pena de não conseguir vendê-los, a única alternativa que resta para a organização é reduzir seus custos. Segundo ALLORA: "... os custos, como foi dito, são a própria vida da empresa e como tais deveriam merecer toda a atenção dos próprios dirigentes que deveriam dedicar sua máxima atenção a eles. Os custos são fruto de tudo o que acontece nas fabricações: suprimentos, cadência, eficiência, produtividade, desperdícios, gastos excessivos, qualidade deficiente, projeção imperfeita, e muitos outros fatores. Todos eles se reúnem no custo. Não há nos contextos industriais, índice mais sintético e resolvido de que o custo; ele vai dizer se a empresa é ou não competitiva, se ela vai ou não vender, se ela vai ou não lucrar". 2.1.d) Lucratividade: A lucratividade é o indicador de rentabilidade geral, ela pode ser expressa mediante a divisão dos resultados líquidos pelas receitas líquidas. Este indicador demonstra, com precisão, o quanto a empresa está efetivamente ganhando na venda de seus produtos. 2.1.e) Rentabilidade do Ativo Imobilizado: A rentabilidade indica o poder de ganho da empresa, isto é, quanto obtém de lucro líquido sobre o capital investido. Como a rentabilidade é representada pelo quociente do resultado líquido dividido pelo ativo imobilizado, é fácil de constatar que quanto menor for o capital imobilizado para se obter o mesmo resultado líquido, maior será a rentabilidade do negócio. 2.1.f) Amortização e Retorno de Investimento: Amortização é o processo de pagamento de um investimento, sem redução do capital, de forma a ir extinguindo uma dívida ou retirada de capital utilizando-se dos valores financeiros provenientes do retorno do investimento. Todo investimento em máquinas e equipamentos leva um determinado período para iniciar a dar algum retorno. Apartir este momento, inicia-se a amortização do capital investido. Considera-se retorno de investimento, as entradas de capital, provindas dos resultados positivos gerados por conseqüência de um investimento em determinada máquina ou equipamento. Diante dos conceitos expostos, observa-se que uma análise econômica/financeira de um investimento, em máquinas e equipamentos, implica, além de conhecer a capacidade de pagamento da empresa, em verificar quais as influências que este investimento trará para a empresa, no que se refere a custos de produção, ponto de equilíbrio, lucratividade e rentabilidade do capital imobilizado. 2.2 - Aspectos Humanos: As máquinas/equipamentos, por mais avançados que sejam, sempre dependem das pessoas para funcionar. Da mesma forma, freqüentemente são utilizados para substituí-las ou ajuda-las a realizar operações, sempre com menor esforço físico e maior qualificação e conhecimento. Esta interação homem-máquina, implica em mudanças de comportamento. As pessoas, principalmente aquelas mais maduras de idade, tendem a ter uma certa resistência às mudanças, por isso, é importante analisar os possíveis impactos que determinada máquina ou equipamento pode exercer sobre as pessoas e quais as influências motivacionais que refletirão na produtividade da empresa. A Gazeta Mercantil, publicou em 04 de outubro de 1984, uma reportagem de DRUCKER, P. F. intitulada de "A Desilusão da Europa com a Indústria de Alta Tecnologia", na qual DRUCKER (1984) comenta: "a alta tecnologia não produz lucros por um grande espaço de tempo de modo que tem ocorrido que os serviços de média, baixa ou nenhuma tecnologia fornecem os lucros para financiar a alta tecnologia". Diante disto, ressalta-se a importância das empresas investirem em tecnologia de ponta, porém, sempre com a consciência de que os resultados podem não ser imediatos e, portanto, necessitam de uma ampla e abrangente análise para a tomada de decisão. Outro aspecto relevante, no que se refere ao fator humano, é verificar quais os benefícios que a máquina ou equipamento traz para as pessoas que estão realizando o trabalho com os atuais equipamentos da empresa, bem como, a adequação do novo equipamento ao seu usuário, olhando-se sob um enfoque ergonômico e considerando as relações de segurança e saúde ocupacional com o novo equipamento. 2.3 - Qualidade: Segundo CAMPOS (1993), o ser humano tem por principal objetivo, sobreviver da forma mais amena e agradável possível. O grande desafio das organizações humanas é atender as necessidades do ser humano na sua luta pela sobrevivência. A partir desta colocação conceitua qualidade, como sendo a capacidade de um produto ou serviço atender perfeitamente, de forma confiável, segura, acessível e no tempo certo às necessidades do cliente. CAMPOS (1993) afirma:"...O verdadeiro critério da boa qualidade de um produto é a preferência do consumidor. É isto que garantirá a sobrevivência de sua empresa: a preferência do consumidor pelo seu produto, hoje e no futuro". Somente a preferência do consumidor pelos produtos de uma empresa garantirá a sua sobrevivência e prosperidade, portanto, cabe às empresas, oferecer ao mercado produtos adequados ao uso para proporcionar satisfação ao usuário. 2.3.a) As duas ideologias da qualidade: A gestão da qualidade é contemplada por duas linhas ideológicas diferenciadas: a linha européia da Série ISO e a linha do TQC. A ideologia ISO para a gestão da qualidade, tem por essência de funcionamento a normalização de todos os processos e atividades realizadas, bem como, gerar evidências que comprovem sua efetiva utilização. As normas ISO podem ser divididas em três grupos: ISO série 9.000 - Trata, principalmente, da normalização dos processos produtivos, relações contratuais, treinamento e qualificação de funcionários e fornecedores. ISO série 14.000 - Considera a gestão ambiental. ISO série 18.000 - Enfatiza aspectos relacionados a saúde e segurança. A ideologia do TQC, teve sua origem nos Estados Unidos da América, completandose posteriormente no Japão, onde Deming acrescentou uma abordagem humanista. O TQC original americano, diferencia-se do TQC no estilo japonês. Enquanto o primeiro enfatiza as técnicas, o segundo dá ênfase na abordagem humanista. Comparando-se as duas ideologias da qualidade, verifica-se que a ISO tem seu foco voltado principalmente ao fornecedor, pois, enfatiza a normalização, impõe regulamentos ao mesmo e atua de forma defensiva, isto é, procura garantir a conformidade do produto com o projeto. Já o TQC tem seu foco direcionado ao cliente, pois, enfatiza sua satisfação, busca parceria com o fornecedor e atua de forma ofensiva, buscando a melhoria continua do produto para atender as necessidades do cliente e, desta maneira, dispõe-se a adequar o projeto às necessidades do usuário. Considera-se a filosofia do TQC mais abrangente, pois, parte do princípio de que a qualidade total é a satisfação das pessoas e todos seus conceitos giram em torno de quatro pilares fundamentais: o gerenciamento da rotina, o gerenciamento pelas diretrizes, a padronização e o crescimento do ser humano. A ISO atende perfeitamente aos requisitos dos três primeiros ítens, demonstrando maior eficácia no item padronização, no qual é inigualável, porém, é menos eficaz no que se refere ao crescimento do ser humano. Um caminho lógico, muito utilizado nas empresas que buscam a qualidade total, é a adoção da filosofia do TQC para sensibilizar e conscientizar da importância da qualidade total, partindo para a implantação e certificação por uma norma da ISO série 9000 para a padronização da empresa e, posteriormente, voltando ao TQC para dar continuidade ao gerenciamento do crescimento do ser humano. É relevante mencionar que qualidade total não se implanta, pois, não é um pacotão que se compra pronto e, apartir daí, tem-se qualidade em uma organização. É, na realidade, um conjunto de conceitos e filosofias de pensamento que regem as ações da empresa, fazendo com que ela evolua para a qualidade total. 2.3.b) Qualidade produzida: Conceituou-se qualidade, como sendo a capacidade de um produto ou serviço atender perfeitamente, de forma confiável, segura, acessível e no tempo certo às necessidades do cliente. Estas necessidades são diferentes de cliente para cliente, bem como, de produto para produto. Para exemplificar necessidades diferentes de cliente para cliente, relata-se um caso de características exigidas num sapato. Um sapato destinado ao uso diário, como equipamento de proteção individual a um metalúrgico, além de confortável, deve ser resistente e proteger seu pé contra possíveis lesões, causadas pela queda de algum objeto. O fator estético neste caso, é praticamente irrelevante frente ao fator proteção. Já um sapato destinado a uma modelo fotográfica, ao contrário, tem como principal característica de qualidade a sua estética. No exemplo anterior, verificou-se as diferentes características de qualidade exigidas de um mesmo produto (sapato) para clientes diferentes. Verifica-se agora as diferentes características de qualidade exigidas por um mesmo cliente, porém a produtos diferentes: Um empresário rural ao adquirir um automóvel para passeio, vai exigir além de um bom desempenho técnico do veículo, bom acabamento, belo desenho e uma pintura perfeita. No entanto, ao adquirir uma colhedoura automotriz, sua principal preocupação será com o seu desempenho na lavoura, durante as colheitas, deixando em segundo plano aspectos de estética, como acabamento e desenho, pois, no trabalho diário desta máquina é normal que a mesma esteja empoeirada e, até mesmo, com a pintura um pouco danificada devido a situação de trabalho. Isto vem ao encontro do conceito de qualidade de JURAN, (Controle da Qualidade. 1991) que definiu qualidade como sendo a adequação ao uso. Partindo do princípio de que o verdadeiro critério da boa qualidade de um produto é a preferência do consumidor, antes de definir quais as principais características de um produto deve-se conhecer a quem se destina e para que se destina. Somente depois de definidas as principais características de qualidade, pode-se analisar qual o equipamento mais viável e adequado para o processamento deste produto. 2.4 - Flexibilidade: Caracteriza-se como flexibilidade, a capacidade da empresa se adaptar a diferentes situações de mercado. Portanto, ao tratar de flexibilidade, considera-se a velocidade com que a empresa consegue parar de fabricar determinado produto para produzir outro diferente, bem como, lançar novos produtos no mercado. A flexibilidade de uma empresa está intimamente ligada ao tempo que gasta para trocar e preparar o ferramental necessário na fabricação de um produto (conhecido pelo termo inglês Set Up), e ao tempo despendido no processo fabril desde o inicio do processamento até a conclusão do primeiro produto acabado (conhecido em inglês por Lead Time). Para analisar a flexibilidade proporcionada por uma máquina, é necessário verificar qual será o tempo gasto em preparação de ferramental e qual será o tempo despendido no processo fabril dos produtos confeccionados por este equipamento. 2.5 - Aspectos Mercadológicos Ao analisar a viabilidade de investimentos em máquinas e equipamentos, é imprescindível considerar a relação deste produto com o mercado. Os clientes são a razão da existência de uma empresa, apartir do momento em que os clientes deixarem de existir, juntamente com eles também a empresa desaparece do mercado. O segredo do sucesso de uma empresa é satisfazer as necessidades dos seus clientes a um preço um pouco superior ao seu custo. Daí a importância de analisar os benefícios que um investimento, em máquina ou equipamento, traz para os consumidores dos produtos fabricados por estes equipamentos. Uma mesma empresa, pode fabricar produtos com certa afinidade, nestes casos a aquisição de um determinado produto leva o cliente a adquirir também o outro produto afim. Por exemplo, uma empresa produtora de portas e janelas: normalmente alguém que esteja construindo ou revendendo material de construção, tende a comprar as janelas da mesma empresa em que compra as portas. Neste caso, um investimento na fabricação de portas, que proporciona um aumento nas vendas de porta, também proporciona um aumento nas vendas de janelas, isto deve ser levado em consideração para a análise de viabilidade deste investimento. Embora muitos pensam que análise de investimento, em máquina e equipamento, é assunto para os setores de produção e financeiro, para uma boa análise é imprescindível o envolvimento de outras áreas da empresa. O faturamento anual depende exclusivamente do volume das vendas e do preço de venda dos produtos. Aí entra o envolvimento dos setores de marketing e vendas. Para que um produto seja preferido pelo consumidor, deve apresentar determinadas características que atendam ou superam suas necessidades, dentre estas características, o preço de venda. É neste momento que entra o setor de marketing, para verificar quais as características que o produto deve possuir e qual o preço que o consumidor se dispõe a pagar por este produto. Após conhecido o mercado consumidor e determinado o preço de venda do produto, resta, a divisão comercial, verificar qual a fatia de mercado que deve atingir, analisar a capacidade de absorção deste mercado e definir uma previsão de vendas. De posse da previsão de vendas e do preço de venda dos produtos a serem vendidos, torna-se possível elaborar uma estimativa de faturamento simplesmente pelo produto do preço de venda multiplicado pela previsão de vendas do período. Esta estimativa de faturamento será a principal fonte de entradas positivas no fluxo de caixa que vai definir a capacidade de pagamento da organização. 2.6 - Produtividade: Em conformidade com o dicionário AURÉLIO da língua portuguesa, produtividade é uma qualidade ou estado de produtivo, que significa rendoso, proveitoso. Segundo CAMPOS (1993): "Aumentar a produtividade significa produzir mais e/ou melhor por um menor custo". Portanto, a produtividade de uma empresa, pode ser representada pelo quociente do que ela produz e o que consome. Na opinião de CAMPOS (1993), pode-se substituir "o que a empresa produz" pelo termo faturamento e "o que consome" pelo termo custos, pois não faz sentido a empresa produzir se não conseguir transformar esta produção em dinheiro, resultante do ato da venda. Assim, Produtividade = Faturamento / Custos. Nesta forma de representar a produtividade da empresa, inclui-se o cliente como fator decisivo de produtividade, pois, se não houver sua preferência pelo produto da empresa, por maior que seja a eficiência em produzir, esta estará predestinada ao fracasso. Observa-se que produtividade está intimamente ligada com qualidade, mas, também, engloba flexibilidade e otimização da produção. Em se tratando de otimização da produção é celebre a afirmação de GOLDRATT (1992): "um minuto ganho em um recurso gargalo é um minuto ganho em toda a fábrica, porém, um minuto ganho em um recurso não gargalo é uma miragem”. A teoria OPT é um bom exemplo a ser seguido para desenvolver uma metodologia para análise de viabilidade, pois, demonstra que não adianta "investir no escuro", isto é, investir desorientadamente em qualquer recurso, pois, se o empresário não investir na máquina ou equipamento mais necessário para otimizar e flexibilizar sua produção, certamente estará "jogando dinheiro pela janela" e perdendo em produtividade. 2.7 - Meio Ambiente: O ser humano é um destruidor por instinto. A história mostra que o homem sempre usou e abusou da natureza sem a menor preocupação com o meio ambiente. Somente após quase acabar com a vegetação existente no planeta e perceber um grande orifício na camada de ozônio, as pessoas mais esclarecidas começaram a preocupar-se com o meio ambiente. Esta preocupação está acontecendo, não apenas porque o homem finalmente está se conscientizando de sua auto destruição, mas, também, por motivos econômicos, o homem está sentindo que as reservas naturais estão se exaurindo e com isso tornando-se muito preciosas para serem destruídas pelo uso descontrolado. Para se proteger contra os malefícios dos abusos causados ao meio ambiente, as pessoas começaram a pensar em regras disciplinares para a proteção ambiental. Surgem, então, as normas de gestão ambiental ISO Série 14000 que, num futuro bem próximo, serão fator decisivo de compra dos clientes. Sente-se na pele que não dá mais para maltratar o ambiente, sob pena de prejudicar a própria qualidade de vida e com isso as pessoas passam a exigir das empresas, ações que levam à preservação do meio ambiente. Em se tratando de investimentos em máquinas e equipamentos, a questão ambiental não deve ser observada apenas pelo fato da empresa buscar maior proximidade com os requisitos das normas ambientais, mas, também, sob o aspecto do ambiente interno de trabalho. Pois, este afeta diretamente na produtividade das pessoas. Como são as pessoas a principal razão da empresa existir e delas dependem o sucesso, ou fracasso da organização, a elas deve se proporcionar o melhor ambiente de trabalho possível. Isso justifica a inclusão do meio ambiente como um aspecto fundamental para a análise de viabilidade investimentos em máquinas e equipamentos. 3 - CONCLUSÃO: O processo de análise de viabilidade de investimentos realizado na grande maioria das empresas, principalmente de pequeno e médio porte, vem sendo feito de forma bastante rudimentar, enfatizando, na maioria das vezes, apenas o aspecto econômico do investimento ou, então, apenas alguns dos outros seis aspectos mencionados neste texto. Este trabalho mostra que o processo de tomada de decisões, para investimentos no setor produtivo de uma empresa, requer muito mais do que verificar se a empresa vai ou não conseguir arcar com os custos do investimento. Analisar viabilidade de um investimento em máquinas/equipamentos, exige uma análise global e abrangente da empresa e do mercado. É necessário verificar os aspectos econômico/financeiros, humanos, qualidade, flexibilidade, mercado, produtividade e meio ambiente, para não incorrer em erros causados pela falta de atenção aos vários fatores que influenciam no andamento de uma organização. Uma vez analisados os sete aspectos (econômico/financeiros, humanos, qualidade, flexibilidade, mercado, produtividade e meio ambiente), aqui considerados fundamentais para detectar a viabilidade de uma máquina/equipamento, certamente a empresa estará realizando uma integração interdepartamental e, dificilmente, a organização tomará uma decisão precipitada na qual estaria desperdiçando energia e dinheiro. 4 - REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ALLORA, Franz. Engenharia de Custos Técnicos. Biblioteca pioneira de Administração de negócios. São Paulo. 1985. CAMPOS, Vicente Falconi. TQC Controle da Qualidade Total - No Estilo Japonês. Fundação Cristiano Ottoni. 3ª Edição. Minas Gerais. 1993. GAZETA MERCANTIL. A Desilusão da Europa com a Indústria de Alta Tecnologia. (DRUCKER, PETTER). 04 de outubro de 1984. GOLDRATT, Elyahu M; COX, Jeff. A meta. Editora do IMAM (Educator), 1992.