Atração de Investimentos e o Desenvolvimento Econômico do Amazonas - I
Nilson Pimentel (*)
Todos sabem que existe um mercado competitivo especifico entre países desenvolvidos e em desenvolvimento,
ávidos por recursos para investimentos que sustentem projetos infraestruturantes, que alavanquem o
crescimento econômico e concorram para melhoria na competitividade econômica mundial, por intermédio da
plataforma dos investimentos estrangeiros diretos (IED).
O Amazonas por sua vez, encontra-se na inflexão de seu desenvolvimento econômico regional, depois de
passados 47 anos do projeto Zona Franca de Manaus (ZFM), com seu Polo Industrial com 600 (seiscentas)
incentivadas, as quais aqui se instalaram por força do arcabouço dos incentivos fiscais concedidos pelos
governos federal e estadual, pois poucos foram pontos focais dos serviços de atração de investimentos de IED.
Ressalte-se que essa inflexão econômica se dá, em primeiro ponto, por conta da gestão de alargar o prazo de
vigência da ZFM por mais 50 anos, tendo por outro lado, a maturidade do conjunto de massa crítica de
conhecimentos sobre nossa realidade econômica e suas potencialidades para suplantar o estado de abandono,
de estagnação econômica que estão os municípios nas nove sub-regiões amazonenses.
Como é de conhecimento de todos, existe identificados os principais recursos naturais que podem ser
classificados como potenciais econômicos que podem e devem ser aproveitados em plantas industriais que os
transformem em produtos-insumos para processos industriais de bens econômicos de consumo e/ou de serviços
altamente especializados.
Tais potenciais econômicos podem levar o Amazonas à redenção econômica, sem que se tenha a especifica
dependência externa, ou de outra forma, a autonomia do desenvolvimento econômico regional dependerá,
notoriamente, da competência e decisão de uma gestão pública comprometida com essa visão de futuro
promissor, com riqueza econômica que chegue ao bem estar da sociedade amazonense.
O ´El Dorado` do Amazonas existe, cabe à nova gestão pública que se inicia em 2015, começar o processo de
desenvolvimento econômico regional que tanto a sociedade amazonense exige e não se pode postergar mais,
pois se coloca a disposição desse futuro uma concreta plataforma de IED para a realização dos grandes projetos
que esse estado, dotado de imensos repositórios de riquezas naturais, precisa para alavancar e implementar seu
crescimento econômico.
Para os economistas desenvolvimentistas acreditam na atração de investimentos por IED para viabilizar a
implementação de projetos estruturantes em economias em desenvolvimento ou em processos de estagnação,
como plataforma para alavancar o crescimento econômico da região.
Por sua vez, no Amazonas existem os fatores condicionantes para estabelecer polos de crescimento com
intensidades variáveis propensas a efetivar os grandes projetos de interiorização do desenvolvimento,
principalmente naqueles municípios da Região Metropolitana de Manaus.
Ressalta-se que, por intermédio de investimentos de IED para esses polos de desenvolvimento, haverá a
capacidade de oportunizar atração de indústria motriz para propulsionar o crescimento e as transformações,
provocando arrasto positivo no conjunto da economia estadual.
Será preciso que a nova gestão pública tenha interesse de realizar o desenvolvimento econômico regional
decidindo por grandes complexos econômicos que tenha na indústria motriz, o papel indutor do crescimento de
outras plantas fabris complementares pela demanda de insumos, matérias primas, bens intermediários, e terem
a capacidade de fomentar a formação de um complexo de indústrias localizadas próximas umas das outras,
promovendo a formação desse polo regional.
Para aqueles que conhecem outros complexos industriais, naval logístico, como no Brasil, os do Rio Grande do
Sul e o Complexo Porto-Industrial de Suape, em Pernambuco, poderá comprovar que a implantação ordenada de
muitos empreendimentos confere um efeito dinâmico à economia, desencadeando um movimento de
transformação da estrutura produtiva vigente, levada a termo pela expansão industrial e trazendo novas
perspectivas para o desenvolvimento regional.
Para o momento, o Amazonas tem a frente, temporada propicia para atração de investimentos de IED, pois
estão colocados ao executivo estadual, grandes projetos que poderão levar à interiorização do desenvolvimento,
tais como: Complexo Industrial, Naval, Logístico, Mineral, Complexo de Serviços Integrados da Cidade
Universitária, Complexo Mineral da Silvinita, Complexo Industrial Gás-Químico, Complexo Industrial ProteicoFish, Parques Industriais Municipais, Complexo Industrial do Caulim-Sílica, Complexo Industrial de Biotecnologia,
dentre outros.
No entanto, a decisão governamental não deve se prender às soluções de ordem espacial geográfico nas nove
sub-regiões do Estado, mas promover fluxos econômicos que busquem soluções para problemas inter e intraregionais.
Por isso, esses processos de desenvolvimento regional são impactos econômicos de um conjunto industrial que
promove a expansão econômica com capacidade de induzir o desenvolvimento de atividades econômicas na
região polarizada, integrada e compondo uma rede de interconexões econômicas que se constituem em
importante arranjo de programa de desenvolvimento regional eficiente.
Por outro lado, a captação de investimentos por IED, devem ser essenciais para composição de ações públicas no
provimento infraestrutural, em parcerias públicas privadas, por tipo patrocinada, nas quais os investimentos
privados articulados levem o crescimento econômico a emergir numa região dinâmica através de segmentos
propulsores que influenciem regiões do entorno.
Nesse caso de processos de desenvolvimento econômicos regionais conhecidos, constata-se o surgimento de
efeitos para trás (backward linkages) e de efeitos para frente (forward linkages).
Os efeitos para trás resultam em impactos regionais provenientes da implantação de indústrias que, ao
aumentarem sua demanda por matérias primas e insumos produzidos por unidades situadas a montante do seu
processo produtivo, criam condições objetivas para a produção local em uma escala compatível com os critérios
de lucratividade das firmas.
Assim também, os efeitos para frente marcam as implicações da disponibilidade de um volume de oferta de
bens e serviços que viabiliza a produção local de setores a jusante na cadeia de produção.
Acreditem, não podemos esperar mais 50 anos para descobrir o que já sabemos hoje.
O Amazonas merece alcançar esse desenvolvimento econômico regional que lhe dê a autonomia que tanto esse
povo almeja.
(*) Economista, Engenheiro e Administrador de empresas, com pós-graduação: MBA in Management (FGV), Engenharia Econômica (UFRJ),
Planejamento Estratégico (FGV), Consultoria Industrial (UNICAMP), Mestre em Economia (FGV), Doutorando na UNINI-Mx, Consultor Empresarial e
Professor Universitário: [email protected].
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