www.arvoredoleite.org Esta é uma cópia digital de um documento que foi preservado para inúmeras gerações nas prateleiras da biblioteca Otto Frensel do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), antes de ter sido cuidadosamente digitalizada pela Arvoredoleite.org como parte de um projeto de parceria entre a Arvoredoleite.org e a Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes para tornarem seus exemplares online. A Revista do ILCT é uma publicação técnico-científica criada em 1946, originalmente com o nome FELCTIANO. Em setembro de 1958, o seu nome foi alterado para o atual. Este exemplar sobreviveu e é um dos nossos portais para o passado, o que representa uma riqueza de história, cultura e conhecimento. Marcas e anotações no volume original aparecerão neste arquivo, um lembrete da longa jornada desta REVISTA, desde a sua publicação, permanecendo por um longo tempo na biblioteca, e finalmente chegando até você. Diretrizes de uso A Arvoredoleite.org se orgulha da parceria com a Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes da EPAMIG para digitalizar estes materiais e torná-los amplamente acessíveis. No entanto, este trabalho é dispendioso, por isso, a fim de continuar a oferecer este recurso, tomamos medidas para evitar o abuso por partes comerciais. Também pedimos que você: ● Faça uso não comercial dos arquivos. Projetamos a digitalização para uso por indivíduos e ou instituições e solicitamos que você use estes arquivos para fins profissionais e não comerciais. ● Mantenha a atribuição Arvoredoleite.org como marca d'água e a identificação do ILCT/EPAMIG. Esta atitude é essencial para informar as pessoas sobre este projeto e ajudá-las a encontrar materiais adicionais no site. Não removê-las. ● Mantenha-o legal. Seja qual for o seu uso, lembre-se que você é responsável por garantir que o que você está fazendo é legal. O fato do documento estar disponível eletronicamente sem restrições, não significa que pode ser usado de qualquer forma e/ou em qualquer lugar. Reiteramos que as penalidades sobre violação de propriedade intelectual podem ser bastante graves. Sobre a Arvoredoleite.org A missão da Arvoredoleite.org é organizar as informações técnicas e torná-las acessíveis e úteis. Você pode pesquisar outros assuntos correlatos através da web em http://arvoredoleite.org. , I A I I Ry JOURNAl iMONT�ly E "CÂNdido ublis�Ed Ry INSTiTUTE TOSTEs" do ESTAdo dE MiNAS GERAis dA AGRicuLTuRA, . PECUÁRiA E Ab,i\STEciMENTO GOVERNO SECRETARiA dE ESTAdo . EMpRESA dE PEsQuisA AGROPECUÁRiA dE MiNAS GERAis CENTRO TECNOlóGicO INSTiTUTO dE LATiCíNios "CÂNdido digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l/Ago, n° 363, 63: l-50, 2008 Pág. 1 REVISTA DO INSTITUTO DE LATICÍNIOS "CÂNDIDO TOSTES" DAIRYJOURNAL BIMONTHLYPUBLISHED B YTHE "CÂNDIDO TOSTES" - DAIRYINSTITUTE ÍNDICE - CONTENT ," -��"«<> . : ': '/"'""�,�':"" " ",>,'�" -' ;'-",',�", ,>, < " .� " :<' �,' Perfil reológico de queijo cremoso elaborado com soro de leite: influência de diferentes ' .",:.:\ " '�'��, ' ," ,':""'" �,:"---:<:-- ,::-:--> ':'_:--�:�:__-::;-)-?;7� <:";�'- · fligi�1l1?an!e·ij.ª���· Pªrasuperffci�se ambientesde·.-- Jazendas e agroindústrias combinações de polissacarídeos. Estela Mary Fernandes de Sá, Pedro Luis Manique Barreto, Marilde T. Bordignon-Luiz ...................................................................................................... 3 2 leite de vaca. Rita Vieira Garcia, Ronaldo dos Santos Falcão Filho, Terezinha Fernandes Duarte, T hayze Rodrigues Bezerra Pessoa, Rita de Cássia Ramos Egypto Queiroga, Ricardo Targino Moreira ....................................................................................................................... 12 3 Diagnóstico das condições de processamento de produtos artesanais derivados do leite no Estado de Sergipe. Joanna S. Santos, Michele M. de Santana, Roseny D. Santos, Ana CARACTERÍSTICAS BENÉFICAS: Carolina M. de S. Aquino, Gabriel F. da Silva, Alessandra A. Castro. ............................. 17 4 - Não necessita de enxágue - Não é tóxico - Ação prolongada Aceitabilidade e preferência sensorial do queijo de coalho de leite búfala, de leite cabra e de Diferenças sazonais no fermento endógeno utilizado na produção do queijo minas artesanal, fabricado na Serra da Canastra, Minas Gerais. Juliana E. Nóbrega, Célia Lúcia L. F. Ferreira, Milene T. das Dores, Edimara M. Ferreira, Elisângela do C. Domingo, João Paulo V. Santos . ............................................................................................................. 26 5 - Produto biodegradável Queijo grana padano de diferentes origens: composição centesimal e aceitabilídade sensorial. Junio César Jacinto de Paula, Gisela de Magalhães Machado, Antônio Fernandes de Carvalho, Fernando Antônio Resplande Magalhães, Valéria Paula Rodrigues Minim ........................ 31 6 O papel do leite na nutrição. Isis R. T. Renhe ...................................................................... 36 7 Efeito do soro de leite no teor protéico e na qualidade tecnológica e sensorial de pães. Elessandra da Rosa Zavareze, Kessiane Silva de Moraes, Nathalie Goulart Souza Leite, Myriam de las Mercedes Salas-Mellado ................................................................. . .... . ......... 44 10 15 Tempo (min.) 20 25 30 EMPRESA DE PESQUISA AGRO PECUÁRIA DE MINAS GERAIS Química Natural Brasileira Ltda. Rua Salviano José da Silva, 225 - Bairro Eldorado 12238-573 - São José dos Campos/SP - BRASIL Tel: (72) 3876-0400 - Fax: (72) 3876-0400 E-mail: [email protected] Site: www.quinabra.com.br " i r. ilrT '1 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes" - Juiz de Fora - Vol. 63 (363); 1-50 - Jul/Ago de 2008 Ouinabra: Qualidade em Benefício da Natureza. Centro de Pesqu i s a e E n s i n o I n s t i tuto d e L aticí n i o s "Câ n d i d o Tostes" R e v i s t a B i m e s tral Endere ç o : Rev i s ta do I n s t i tu to d e L aticí n i o s "Câ n d i d o Tostes" R u a Tenente Freitas, 1 1 6 - S a n ta Tere z i n h a 3 6 . 0 4 5 - 5 6 0 - Juiz de F o r a - M in a s G e r a i s - B ras i l Te I . : 3 224-3 1 1 6 - 000: 3 2 / F a x : 3 224-3 1 1 3 - 000 3 2 digitalizado por arvoredoleite.org P ág . 2 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l /A go, nO 363, 63 : 2-2, 2008 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l/ Ago, n° 363, 63: 3 - 1 1 , 2008 Pág. 3 Governo do Estado de Minas Gerais Aécio Neves da Cunha Secretaria de Estado de �gricult� ra, Pecuária e Abastecimento Gerais GIIman VIana Rodrigues Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais Baldonedo Arthur . LUIZ Carl o � Gomes Gu Napoleão - Presidente PERFIL REOLÓGICO DE QUEIJO CREMOSO ELABORADO COM SORO DE LEITE: INFLUÊNCIA DE DIFERENTES COMBINAÇÕES DE POLISSACARÍDEOS erra - .Diretor de Administração e Finanças milk whey: influence of Rheological profile of cream cheese elaborated with _ - DIretor de Operações Técnic as Emlson Abrahao different blend of polissacharides Centro Tecnológico- Instituto de Laticínios Cândido Tostes . Comitê Gerencial � Gerson Occhi - Chefe do CEPE/ILCT Costa Jr. - Ger. �st. do Prog. de Pesquisa Processa mento Agroindustrial . . amelle Braga Chehm PereIra - Coord. Ensino Leite LUIZ Carl s �. Estela Mary Fernandes de Sál Pedro Luis Manique Barretol Marilde T. Bordignon-Luizl• e Derivados . Marcelo Fernandes Scheid - Supervisor do Núcleo de Administração e Finan as LUIza Carvalhaes Albuquerq e - Coo�d�nadora de Transfer � ência e Difusão de Tec ologia . Nelson LUIZ TenchmI Macedo - Chefe CAPC/ILCT Juhana Hastenreiter Mucidas - Supervisora do Núcleo Industria l � Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes Editores Responsáveis Luiza Carvalhaes Albuquerque Coorden adora de Transfe rência e Difusão de Tecnolo gia _ CT/ILCT/EPAMIG Luiz Carlos Gonçalves Costa Júnior Gerente do Prog.Pesquisa Processa mento Agroindustrial - EPAMIG Corpo Revisor da Revista do ILCT (ordem alfabética) Adauto Ferreira Barcelos Alan Frederick Wolfschoon-Pombo Aloísio José Antunes Antonio Fernandes de Carvalho Ariene Gimenes Fernandes Van Dender Célia Lucia de Luces Fortes Ferreira Celso José de Moura Cláudia Lúcia de Oliveira Pinto Daise Aparecida Rossi Edna Froeder Arcuri Fernando Antônio Resplande Magalhães Humberto Tonhati João de Deus Souza Carneiro Luiz Carlos Gonçalves Costa Júnior Luiz Ronaldo de Abreu Marco Antônio Moreira Furtado Paulo Henrique Fonseca da Silva Renata Gol in Bueno Costa Sandra Maria Pinto Sílvio Luiz de Oliveira Soglia Corpo Editorial (ordem alfabética) Danielle Braga Chelini Pereira Denise Sobral Ítalo Tuler Perrone Junio Cesar Jacinto de Paula Luiz Carlos Gonçalves Costa Júnior Luiza C�rva !haes de Albuquerque . MaxImIliano Soares Pinto Vanessa Aglaê Martins Teodoro Os trabalh os apresentados são de inteira respon sabilidade de seus autores. Juiz de Fora, setembro de 2008 EMPRESA DE PESQU ISA AGROPECUÁRIA DE MINA S GERAIS - EPAMIG�e �ist� do Instituto de Laticínios "Cândido Tostes" ' n. I - 1 94 6 - Juiz de Fora. Instituto de Laticínios Candldo Tostes", 1 946. v. ilust. 23 cm n. 1 - 1 9 ( 1 946-48) , 27 cm, com nome de Felctiano, n. 20-73 ( 1 948-57) , 23 cm, com o nome de Felctiano. A partir de setembro de 1958, com o nome de Revista do Instituto de Laticínios "Cândido Tostes" I. Zootecnia - Brasil - Periódicos. 2. Laticínios - Brasil - Periódicos . I. Empresa de PesqUIsa Agropecuária de Minas Gerais, Juiz de Fora, MG, ed. ISSN 0 1 00-3674 CDU 636/637(8 1 )(50) RESUMO A elaboração de queijo cremoso envolve a quebra da rede de para-caseína do queijo pela ação do aquecimento e ação mecânica na presença dos sais fundentes, e estes fazem a conversão até uma massa fundida homogênea que pode imobilizar água e demais ingredientes. Durante o aquecimento, interações proteína proteína e demais interações resultam na formação de uma nova rede tridimensinal. O objetivo deste trabalho foi estudar a influência de polissacarídeos no comportamento reológico de queijo cremoso elaborado com soro de queijo. Foram avaliados os parâmetros físico-químicos (pH, umidade, sólidos totais) e os reológicos, de amostras elaboradas com soro de leite líquido e diferentes combinações de polissacarídeos (xantana / lo custa e xantana / guar). A combinação de polissacarídeos se mostrou efetiva no controle do comportamento reológico dos queijos cremosos elaborados com soro de leite, conferiram um aumento do índice de consistência das amostras, nas quais a pseudoplasticidade foi maior quando foi utilizada a combinação 0,2 % de xantana / 0,2 % de lo custa. Demonstrando, portanto, que polissacarídeos combinados podem compensar possíveis alterações físicas ocasionadas pela adição de soro líquido em queijos cremosos. Palavras-chave: queijo cremoso; soro de leite; xantana; guar; locusta. 1 INTRODUÇÃO O consumo de queijos cremosos no merca do brasil eiro de 200 I a 2 0 0 5 aumentou de 7% para 17%, evidenciando o interesse do consumidor por este tipo de produto ( B OURROUL, 2006). A ampla utilização do queijo cremoso como ingre diente de alimentos é devida às características funcionais, organolépticas e nutricion ais apre sentadas (FRAN C O et ai. , 200 5 ; PRUDÊNCIO, 2006). O soro líquido em queijos pode apresentar diferença nas propriedades de textura, emulsifi cação e propriedades de fluxo ( BOURROL, 2006; CAMPOS et ai. , 2006; PENNA et ai., 200 1 ). Este é um produto secundário do processo de elaboração de queijos, contém 98% das proteínas solúveis (p lactoglobulina, a-lactalbumina e imunoglobulinas). O retorno econômico é observado quando essas proteínas são incorporadas aos queijos, ou con vertido em ingredientes funcionais (PRUDÊNCIO et ai., 2007) . E s tudos u t i l i zando e s t a b i l izan t e s como goma guar, locusta e xantana e m produtos lácteos, s ão e x t e n s amente des critos na li teratu r a . S ão u t i l izados em i o g u r t e s p a r a m e l horar a con sistência (viscosidade), elasticidade e capacidade de retenção de água ( sinere s e ) (EVE RETT & McLEOD, 200 5 ; SANDOVA L-CASTILLA et ai. , 2004 ; CELIBERTI et ai. , 2006), em sobremesas l á c t e a s ( R O M A N CHI K - C E RP OVI C Z et ai. , 2006), em emulsões lácteas conte ndo cas einato de sódio (VEGA et ai. , 2005), em sorvetes (VEG A & G OFF, 200 5 ; LAL et ai. , 2006), em gel lácteo acidificado (SANCHEZ et ai., 2000; B RAGA & C U NHA, 2 0 0 4 ) , e m s o l u ç õ e s a q u e c i d a s com prot e í n a s de soro d e s n a t u r a d a s ( B RYANT & McCLEMENTS, 2000), e em gel de proteínas de soro isoladas (BERTRAND & TURGEON, 2007) . O uso combinado de diferentes polissaca rídeos pode contribuir para melhorar a textura de a l i m entos, m e s mo quando u ti l izado e m baixas concentrações, o efeito sinérgico contribui para melhorar as propriedades reológicas e a qualidade dos produtos quanto à homogeneização. Além dis so, a combinação de polissacarídeos pode ser bené fica por proporcionar reduções nos custos de pro- Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Programa de Pós-graduação em Ciência dos Alimentos (CCA). Departamento de Ciência dos Alimentos (CAL). Rod. Admar Gonzaga, 1 3 46 - ltacorubi/CEP 88.034-001 Florianópolis - SC - Brasil. e-mail: [email protected] A quem a correspondência deve ser enviada digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 4 Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l /Ago, nO 363, 63: 3- 1 1 , 2008 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l / A go, nO 363, 63: 3- 1 1 , 2008 dução ( C E L I B E RTI et ai. , 2 0 0 6 ) . A reologia é um m é todo b a s t a n t e u t i lizado no controle d a textura e n a s estruturas física e química d o queijo (NARDES et ai. , 2006). O obj e t i vo d e s t e trab a l ho foi e s tudar a influência de polissacarídeos (xantana / locusta e x antana / guar) no comportamento reológico de queijo cremoso el aborado com soro de queijo. 2 MATERIAL E MÉTODOS 2 . 1 M aterial Todos o s exp erimentos foram realizados no L aboratório d e B ioqu í m i c a de A l i me n tos, C A Ll U F S C . P a ra a fa b ri c a ç ão das c o a l h adas (padrão) foi utilizado leite integral p asteurizado tipo C, fermento lácteo ( Coana®), coalho l íqui do (C. Hansen®), ácido l á tico (Vetec®), c loreto de cálcio p . a . dihidratado (Vetec®). Para a fabri c a ç ão do queij o cremoso foi utilizado c loreto de sódio, citrato de sódio p . a . tribásico (Vetec®), sorbato de sódio (Al limentus®) creme de l eite e ricota comercial. Os demais reagentes utilizados nas análises fí sico-químicas foram de qualidade a n a l í ti c a . 2 . 2 E l aboraçã o d o queij o cre m oso El aboração da coa l h ada. Ao l eite pasteu rizado tipo C (42°C) foi adicion ado: fe rmento lácteo liofil izado Bela Vista ( 0 , 2 % ) , c loreto de cál cio 5 0 % plv ( 0,4 %) e coalho l íquido B e l a Vista ( 0 , 0 8 % ) . A etapa de coa gul ação foi reali zada em estufa (3 r C I 40 - 60 minutos), seguida de dessoragem e fermentação over-night ( tempe ratura ambiente ( 2 5 °C». El aboração do queijo cremoso. A fusão da coa lhada foi re alizada em tacho aberto a 90°C, com c loreto de sódio (1 % p / p), metade do sal fundente citrato de sódio (2% p / p), e soro líquido (45%). Após a massa atingir 90°C, adicionou-se o restante do sal fundente até fusão completa. Em seguida foi adicionado creme de leite (20%), ricota ( 5 0%), polissacarídeos (em diferentes percentuais) e sorbato de potássio (0, 1 %) . Os percentuais fo ram calculados em relação a massa total (coalhada e ricota). As amostras foram envasadas em reci pientes de polipropileno e armazenadas em tempe ratura de refrigeração (5 ± 1 °C ) . As concentraç ões utilizadas nas diferentes amostras foram obtidas através de t e s te s preli m i n are s . Foram a v a l i a d a s d i fe r e n t e s c o n c e n trações d e soro líquido ( 2 5 , 3 5 e 5 5 %), e de polis sacarídeos (0,2 e 0,3 %) com diferentes géis lácteos (ácido e enzimático). O s resultados foram anali s ados através das Estatísticas D e scritivas, p ara definir as melhores formulações. Foram obtidos sete diferentes amostras: 1 - amostra padrão - queijo cremoso sem polissa carídeos; 2. - amostra QCXL l - queijo cremoso com 0,2% de xantana e 0, 1 % de locusta; 3 - amos tra QCXL2 - queijo cremoso com 0,2% de xan tana e 0 , 2 % de locus t a ; 4 - amostra QCXL3 queijo cremoso com 0,2% de x antana e 0,3% de locus t a ; 5 - a mostra Q C X G 1 - queij o cremoso com 0,2% de xantana e 0, 1 % de guar; 6 - amostra QCXG2 - queijo cremoso com 0,2% de xantana e 0,2% de guar; 7 - amostra QCXG3 - queijo cremoso com 0,2% de xantana e 0,3% de guar. 2 . 3 A n á l ises físic o-quí micas A s a n á l i s e s fí sico-qu í micas de umidade, sólidos totais e pH foram re alizadas de acordo com A O A C ( 2 0 0 5 ) , a p ó s 7 d i a s de armaze namento. Todas as análises foram realizadas em tri p l i c a t a . 2 . 4 M e d i d a s reol ógicas As medidas das propriedades de fluxo dos queijos cremosos foram realizadas em reômetro rotacional (Brookfield Engineering LabOl·atOl·ies model DV III Ul tra, Stoughton, MA, USA), com cilindro concêntrico (spindle SC4-2 8 ) e coletadas através do software Rheocalc® 32 (versão 2 . 5 ) . O reômetro foi control ado termos taticamente por banho de água circulante (TE- 1 84,TECNAL, Bra sil) a 5 ± 1 °C. As análises reológicas foram realiza das nas amostras armazenadas por 7 , 1 5 e 20 dias . A viscosidade aparente das amostras foi avaliada pelo aumento linear da taxa de deformação (curvas de ida) de 5 ,6 a 1 1 ,5 S·I para o controle e 0,6 a 6,4 I S· para os queijos com polissacarídeos, nos pri meiros 30 minutos de análise, retornando para as taxas iniciais nas curvas de volta nos 30 minutos posteriores. As amostras permaneceram em repou so por 1 5 minutos antes das análises . As medidas foram realizadas em dup licata. Foram utilizados quatro modelos reológicos para descrever o comportamento de fluxo das amos tras, o modelo de Bingham ( 1 ), de Lei de' Potência (2), de Casson (3) e de Herschel-Bulkley (4). S - s () + 1 (I) -y • 111'/ Sendo: So - limite de escoamento (Pa) ; h ,- viscosi p - taxa de deformação ( S'I ) . dade p lástica (Pa. s); ; Obtido pela regressão linear dos valores de tensão de cisalhamento versus taxa de deformação. s = K (y)" (2) Sendo: s - tensão de cisalhamento (Pa); K - índice tência (Pa . s ) ; n - Índice do comport amento de de consistência (Pa. sO) ; y. - taxa de deformação (S·I ) ; n - índice de comportamento de fluxo (adi mensional). Obtido pela regressão linear dos valo res de tensão de cisalhamento versus taxa de de formação, a n a l i s ados grafi c amente em coorde nadas logarítmicas. ; fluxo (adimensional) e é a taxa de deformação I (s' ) . Obtido pela regressão linear dos valores de tensão de cisalh amento menos limite de escoa mento versus taxa de deformação, analisados gra fic amente em coordenadas logarítmicas. 2 . 5 A n álise e s ta t í s tica (3) A a n á l i s e e s tatística dos valores médios obtidos na composição centesimal e dos parâme tros reológicos dos queijos cremosos foi realizada por Análise de Variância (ANOVA ) e o teste de Tukey foi ap licado quando verificada diferença significativa de 5 % entre estes valores, utilizando o software OriginLab® (versão 7 . 5 ) . Sendo: s - tensão d e cisalhamento (Pa) ; y - taxa de deformação ( S'I ) ; Kc -viscosidade p lástica de Casson (Pa . s ) ; Koc - limite de e scoamento (Pa) . Obtido pela regressão linear dos valores de tensão de cisalhamento versus taxa de deformação, anali sados graficamente em coordenadas com suas res pectivas raízes quadradas. s - so = l K __ 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO (4) • (y)" Os valores médios obtidos na caracterização físico-química dos queijos cremosos e l aborados com polissacarídeos combinados estão apresenta dos na Tabela 1 . Sendo: s - tensão d e cisalhamento (Pa); s () - tensão de cisalhamento inicial (Pa); K - índice de consis- Tabela 1 . Análises físico-qu ímicas das amostras d e queijo cremoso*. A m os tras P adrão QCXL l QCXL2 QCXL3 QCXGI QCXG2 QCXG3 * Pág. 5 pH 5 , 9 1 "(± 5 , 6 8 bc (± 5 , 74 bc(± 5 , 6 8 bc(± 5 , 8 9"C(± 5 , 7 5 bc(± 5 , 7 2 b c(± 0,03) 0 , 0 I) 0,03) 0,08) 0 , 0I ) 0,05 ) 0,04) S ó l i d o s to tais (%) 2 9 , 9 7 "(± 32 , 7 6 b (± 33,5 1 C(± 32, 1 8 h(± 33,3 1 b (± 3 1 ,37 "(± 33, 9 7 "(± 0, 2 6 ) 0,33) 0,4 8 ) 0,6 3) 0,8 1 ) 0, 1 7 ) 1 ,24) Umid ade (%) 0,2 1 ) 0 , 33) 0,48) 0,63) 0,8 1 ) 0, 1 7 ) 1 ,2 4 ) 7 0 , 03U(± 6 7, 1 7 b (± 6 6,4 9C(± 6 7,82 b (± 6 6,6 9 b (± 6 8,63"(± 6 6 ,03"(± Valores dentro da coluna n ã o distribuídos com mesma letra são significativamente diferentes (p<0,05) por teste d e separação de médias de Tukey. Médias de três repetições. QCXL I locusta; QCXL3 = 0,2% xantana / 0,3% locusta; QCXG I = = QCXG3 = 0,2% xantana / 0,3% guar. Figura 1 . Interação en tre percentual de umidade e índice de comportamento de f l u xo para as amostras de queijos c re mosos com 7 dias de armazenamento. Média de t r ê s r e p e ti ç õ e s . P adrão; QCXL 1 = 0,2% x antana I 0 , 1 % lo c u s t a ; Q C X L 2 = 0 , 2 % x antana / 0,2% locusta; QCXL3 = 0,2% x a n t a n a / 0,3% l o c u s t a ; QCXG 1 = 0,2% x antana / O, I % guar; QCXG2 = 0,2% xantana / 0,2% guar; QCXG3 = 0,2% x antana / 0,3% guar. 0,2% xantana / 0, I % locusta; QCXL2 = 0,2% xantana / 0,2% 0,2% xantana / O, I % guar; QCXG2 = 0,2% xantana / 0,2% guar; ;'5 • 3-1 • JJ 32 29 • • • o :lI 30 o o o o o o o o 2R 27 lo Sólido, lolui On P.cirilo digitalizado por QCXU QCXL2 QCXL3 QCXGI QCXG2 QCXG3 arvoredoleite.org :\mn!\tl'll� Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Ju llAgo, n° 363, 63: 3-11, 2008 Pág. 6 P arâmetros reológicos ( curvas de ida) dos queij os cremosos obtidos p e los modelos de B ingham, Lei de potência, Casson e Herschel-Bulkley durante 21 dias de armazenamento. Tabel a 2. Armaze- namento Parâmetros** Controle Histere5e 9,31", 13,46', 3,06', 0,66 15,15', 0,36', 0,71 8,53', 1,06a 0,69a 7,02* 0,64*, acd 0,72b 7 dias Bingham Lei de potência so hpl R K n R so K R Casson Herschel Bulkley K n R Histerese 15 dias so hpl Bingham R Lei de potência K n Casson 50 K R R Her5chel Bulkley K n Hi5terese 21 dias Bingham K n R 50 K R Her5chel Bulkley **** so R Casson *** R hp1 Lei de potência ** 12,33 b a 28,59b• 2,71\ 0,81 27,97b 0,28b a u 0,79 36,88 b, 0,87b" 0,80 10,25". 40,39c• 3,20<,. 0,56 37,77ca 0,16c" 0,57 50,47\ 0,84b" 0,56 K n R QCXLl QCXL2 22,85\ 36,47ac 38,24\ 9,10\ 0,96 48,10\ 0,18\ 0,97 31,32\ 1,32a, 0,97 b 16,38\ 0,56·c 0,97 13,55bb 35,36\ 29,39\ 0,89 66,95\ 0,49\er 0,94 18,46\ 3,79\ 0,92 47,12b" 0,59b• 0,89 92,65ac 27,47'c 0,71 123,03'c 0,28'c 0,85 66,44'c 2,86\c 0,78 55,03'c 0,73\d 0,76 30,16bc 68,69\ 16,59\ 0,95 86,84\ 0,18bc 0,99 57,66bc 1,79bc 0,97 28,35\ 0,57\ 0,94 12,12\, 35,55\ 34,08\ 8,66\ 0,81 56,43\ 0,45\c 0,89 18,91\ 3,10\ 0,86 36,44c• 0,25b, 0,86 77,63\ 19,99c c 0,95 99,68\ 0,21\ 0,99 61,54c c 2,09\ 0,98 37,99\ 0,52c• 0,99 QCXL3 24,99ad 59,18ad 18,91"d 0,96 79,96'd 0,23'c 0,99 46,29ad 2,16\c 0,98 32,80ad 0,63a• d 0,97b 17,21bd 38,49bd 14,15bd 0,84 54,09bd 0,29ud 0,92 27,23bd 2,08\ 0,88 26,16bc 0,42b c 0,84 35,00« 43,16cd 14,60bd 0,87 59,29cd 0,27·c 0,94 32,18cd 2,05b c 0,89 27,15cc 0,52'':. 0,92 QCXGl QCXG2 QCXG3 24,58'd 21,54\ 33,95'e 18,36'd 0,94 54,02'c 0,38a 0,98a 21,18,e 2,7l" c 0,96ab 31,94ad 0,78\d 0,95 19,60bc 46,26bc 28,63\ 0,88 77,18\ 0,43bCg 0,96 25,02bc 3,69\ 0,94 50,80bd 0,55b 51,34'r 19,27ae 0,83 72,55'r 0,30a, 0,92 35,59ar 2,48'c 0,88 36,57'e 0,58a, 0,86 28,07br 49,88\ 24,70\ 0,83 76,81be 0,38bdr 0,92 30,98br 2,09\ 0,87 29,72\ 0,52b 12,16ae 39,99ag 45,61"r 0,93 88,46'g 0,52'd 0,98 17,Il"g 5,18'd 0,96 70,19'r 0,77'd 0,97 23,02bg 30,82cd 27,05\ 30,89\ 0,97 59,95cd 0,22\ 0,99 12,71c c 4,11cd 0,98 46,51cd 0,54b 25,21cO " 51,14 r 27,778cr 0,93 81,38\ 0,38bd 0,97 31,68c d 3,33\ 0,95 38,54\ 2,08c = to .� �, ". = = = = = 7 moléculas de proteína por rotação, e as macromo léculas se orientam na direção do fluido, mas com menor dependência ao aumento da taxa de defor mação. No caso dos polissacarídeos adicionados às amostras dos queijos cremosos, o aumento no teor de sólidos, e conseqüente redução no teor de umidade, conferiram às amostras um aumento no índice de comportamento de fluxo (menos pseu dopl ásticas) e vice-versa. O s parâmetros reológicos dos queijos cre mosos estão apresentados nas Tabelas 2 (curvas de ida) e 3 (curvas de volta) e a Figura 2 apresenta as curvas de fluxo (ida e volta). .1""h-.-!oJ� ªu I" � � 111 104 i 11 � I- � F \...l..,.,,4k _ �" �1\ . Ii-;! ;;--:t �yr� r'li l\ � \ � 20 A ':10 .:"'""'r·�· .. -"I / T-.:�d. . ;; uo j: -!l ,� ., t!: r."I"""./"-.-... .. ....,. ....,;I V- "'0. g a. .51 j" � .lj " ,Q B . rl"'l·... :-.J'" �",.. v· hu.a.da!.Cll.a.ft�(lh) 4ttom,�o (lh) -�.:> rv-"'" � / .0" .:: 1. �Q tu • 52,53Cg 34,07\ 0,91 89,78\ 0,32cd 0,96 29,88\ 3,91\ 0,94 59,26cr 0,56b• 0,91 = = = = As amostras de queijos cremosos apresenta ram valores de pH entre 5,68 e 5,91. O teor médio de lipídios para as amostras foi de 13%. As amos tras adicionadas de polissacarídeos resultaram em maior teor de sólidos totais quando comparadas com a padrão, esta diferença influenciou nos índi ces de comportamento de fluxo (n) obtidos pelo modelo de Lei de Potência (Tabela 2), como pode ser observado na Figura 1. Comportamento simi l ar foi ob s e rvado por D i m i t r e l i & Thomareis (2004) que aval iaram a viscosidade aparente de queijo p roc e s s ado, onde o aumento do teor de umidade resultou no aumento da mobilidade das 57,47bg 45,34ar 0,88 106,17br 0,48\g 0,95 29,01\ 4,82bd 0,92 75,32bc 0,50bu 0,93 25,55cO ( p<0,05) por Valores dentro das colunas não distribuídos com m esma l etra (1" l etra) são sig nificativament e diferentes . to armazenamen de dias aos ão relaç em Tukey, de médias teste de separação de (p<0,05) por Valores dentro das l inhas não distribuídos com mesma letra ( 2" l etra) são significativam ente diferentes teste de separação de médias de Tukey, em relaç ão às formulações. Média de duas repetições. de l imite de escoamento (Pa) ; h pl v iscosidade plástica (P a.s) ; K índice de consistência ( P a.s") ; n índice So antana x ,2% 0 2 XL QC sta; cu o l % ,1 0 / xantana ,2% 0 1 XL QC ação. correl de coeficiente R comportamento de fluxo; xantana / / 0 ,2% locusta; QCXL3 0 ,2% x antana / 0,3% locu sta; QC XG I 0 ,2% xantana / 0 ,1 % guar; Q C XG 2 0 ,2% 0 ,2% guar; QCXG3 0 ,2% xantana / 0,3% guar. = Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Ju llAgo, nO 363, 63: 3-11, 2008 .I.o:."�(l/.) E F G Figura 2 . Relaçã� entre tensão d e cisalhamento x taxa d e deformação das curvas d e fluxo (ida e volta) . do queIJ O cremoso. A) padrão. B) QCXL l = 0,2% x antana / 0,I% locusta . (continua) . C ) Q C X L 2 = 0,2% x a n t a n a / 0,2% locusta. D ) QCXL3 0,2% x a n t a n a / 0,3% locu sta. E) QCXGI = 0,2% xantana / 0,I% guar. F) QCXG2 = 0,2% xantana / 0,2% guar. F) QCXG3 = 0,2% xantana / 0,3% guar. As curvas representam os valores médios de viscosidade aparente durante os 21 dias de armazenamento . T Pt\N'\G - CTf'LC ' digitalizado por arvoredoleite.org E CJJL...J UJTECA 63: 3-11, 2008 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/Ago , n° 363, cremoso s obti �os p e los modelo s d e P arâmetr os reológi cos (curvas d e volta) dos queijos y durante o s 21 dias d e armazen amento. l-Bulkle Hersche e Casson , potência e d i e L ingham, B Tabela 3 . Amostras*** Armaze Parâmetros** namento Histerese 7 dias Bingham hp , Lei de potência Casson HerschelBulkley Histerese 1 5 dias S o Bingham Lei de potência Casson HerschelBulk1ey R K n R S o K R K n R Bingham Lei de potência **** 22,85\ 1,78\ 5, IIb 0,97" R 6,89" 0,85b" 0,97" 0,85\ 2,07b 0,97" 6,15\ 0,89\ 0,97 K n R S o K R K n R 10,25C " 20,92\ 2,58\ 0,84 25,52b 0,89c " 0,84" 2,74\ 2,10\ 0,84 20,63",. 0,84c 0,84" S o hp, R K n R S o K R HerschelBulkley *** 9,3 p" 1,07" 5,54"" 0,94" 6,37" 0,92"" 0,94" 0,09" 2,23"" 0,94" 6,29" 0,92"" 0,94" S o Casson ** QCXLl hp, Hi sterese 21 dias Controle K n R QCXL2 36,47"c 61,49"c 15,22\ 35,92"c 19,44\ 0,98 0,99 35,78\ 100,42"c 0,31"c 0,47\ 0,99 0,99 42,00"c 7,94\ 3,47"c 3,12\ 0,99 0,99 57,29" c 27,46\ 0,62\ 0,65\ 0,99 0,99 30,16bc 13,55bb 33,66bc 35,68\ 35,04bc 24,12\ 0,99 0,98 71,OJhc 61,60\ 0,43bc 0,55\ 0,99 0,99 18,80bc 23,51\ 4,02\c 2,94" 0,99 0,99" 51,43 bc 37,25\ 0,64"c 0,75\ 0,99 0,99 35,55\ 12,12\ 26,31\ 14,02\ 0,97 41,47\ 0,69\ 0,95 18,51\ 2,11",. 0,97 22,41\ 0,66" 0,96b 43,64\ 33,93\ 0,99 80,09\ 0,67\ 0,99 27,38\ 3,67\ 0,99 51,81bc 0,63\ 0,99 QCXL3 35,43"d 30,48"d 0,99 68,13"d 0,39\ 0,99 21,11"d 3,59"c 0,99 46,26"d 0,64\ 0,99 20,15bd 21,59bd 0,99 43,15bd 0,44ac 0,99 11,14bd 3,18\ 0,99 31,54h" 0,65"c 0,99 12,16"c 21,54\ 32,03"f 28,10"f 0,99 62,19"f 0,40\ 0,99 18,71"f 3,49"c 0,99 42,78"f 0,65\ 0,99 28,07b[ 38,94\ 37,69b[ 0,99 75,24b[ 0,42"c 0,99 22,22bc 4,12bc 0,99 16,15b[ 0,64\ 0,99 17,84"c 23,98"c 0,99 43,23"c 0,49\ 0,99 8,88"c 3,54"c 0,99 33,90"c 0,67\ 0,99 19,60bc 24,08bc 32,85bc 0,99 58,84b C 0,49'\ 0,99 11,95bd 4,15\c 0,99 46,29bc 0,67"c 0,99 35,00« 15,32Cd 31,55c" 0,99 43,21b" 0,54bc 0,99 6,82Cd 3,91\ 0,99 25,99Cd 0,69\ 0,99 QCXG3 QCXG2 QCXGl 24,13\ 31,30cd 0,99 57,35cC 0,49"" 0,99 11,89bc 4,06\ 0,99 44,89\ 0,68" 0,99b 39,38"g 39,57"g 0,99 81,65"g 0,43\ 0,99 22,08"d 4,26"d 0,99 58,67"g 0,65\ 0,99 23,02bg 25,21CC 43,64\ 44,98\ 0,99 91,75bg 0,49"c 0,99 24,06\ 4,59\ 0,99 66,75\ 0,65"c 0,99 25,55cC 33,04"r 34,17cc 0,99 69,03\ 0,44"c 0,99 18,26\ 3,99\ 0,99 30,51"c 0,65\ 0,99 37,37Cg 37,74\ 0,99 77,68Cg 0,43"c 0,99 20,92c [ 4,17\ 0,99 55,91\ 0,65\ 0,99 etra) são significa tivamente diferentes (p<0,05) por Valores dentro da s coluna s não distribu ídos com mesma l etra ( l " l mento. armazena de dias aos ão relaç . teste de separaç ão de médias de Tukey, em . . . etra) são slgl1lficatlvamente diferentes (p<0,05) por Valores dentro da s l inhas não distribuídos com m esma l etra (2a l teste de separaç ão de médias de Tukey, em relaç ão às fo rmulaçõe s. . Média de dua s repetições. . , . mdl ce de consl stencla (Pa.s n - 1I1 ce de K s l imite de escoamento (Pa) ; hp visco sidade plástica (Pa.s); o XL 1 0,2% xantana / O,I % lo custa, QC XL2 0,2 Vo c� mpo rtamento de fluxo' R coeficiente de correlaçã o. Padrão ; QC 0,2% XG2 QC guar; % I O, / xantana 0,2% I XG xa ntana / 0,2% locusta; C XL3 0,2% xantana / 0,3% locusta; QC xa ntana / 0,2% guar; QC XG3 0,2% xa ntana / 0,3% guar. = Q l = = = = . = = = ' !' n . ' � = Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Ju l/Ago, n° 363, 63: 3-11, 2008 A caracterí stica da relação entre tensão de cis alhamento e taxa de deformação é demonstrada pela curva de histerese; a área entre as curvas de ida e volta, que revelou o efeito tixotrópico, que caracteriza que o comportamento reológico é de pendente do tempo, de acordo com TONELLI et ai. (2005). A adição de pol issacarídeos conferiu maior grau de hi sterese às amostras durante o pe ríodo de armazenamento, j ustificada pela capaci dade que possuem de reter água, formando um gel firme, aumentando a viscosidade (MARUYAMA et ai., 2006) e consequentemente a histerese. Os reogramas demonstram que as amostras se comportaram como flu idos n ão-Newton i anos com presença de tixotrop ia, como o resultado da quebra da es trutura, resultados semel hantes aos encontrados por Penna et aI. (2001), que aval ia ram o comportamento reológico de bebidas lác teas e por Gauche (2007), que avaliou o comporta mento reológico de iogurte . É possível observar, além do comportamento não-Newtoniano, a característica p seudop lástica, onde a viscosidade não é constante, mas muda em função da taxa de deformação, como apresentado na Figura 3. Que demonstra um decréscimo na vis cosidade com o aumento da taxa de deformação, significando que a resistência dos queijos ao escoa mento e a energia requerida para mantê-lo a uma alta taxa de deformação, é reduzida. O coeficiente de correlação (R) para os mo delos variou de 0,66 a 0,99, de 0,79 a 0,99 e de 0,56 a 0,99 para as amostras armazenadas durante 7, 15 e 21 dias respectivamente. O que permitiu clas sificar o modelo de Lei de Potênc ia como o mais Pág. 9 adequado para descrever o comportamento de fluxo de todas as amostras, nas curvas de ida e volta. Analisando as curvas de ida e volta (Figura 2), a adição de pol issacarídeos melhorou a adequa ção dos modelos aos dados se comparado com o padrão. As amostras padrões armazenadas por 15 dias, apresentaram diminuição l inear da tensão de c i s a l h amento proporcional ao a umento da taxa de deformação na curva de ida, possivelmente pela quebra de l igações que estabil izam a rede protéica, refleti ndo nos valores negativos dos parâmetros reológicos, conseqüentemente para estas amostras o modelo de Herschel-Bulk ley, não pode ser uti lizado para descrever o comportamento de fluxo. O s valores de índice de comportamento de fluxo (n), obtidos pela Lei de Potência nas curvas de ida (aumento da taxa de deformação) (Tabela 2), variaram de 0,18 a 0,56 (n<I ) , destacando o comportamento p seudop lástico dos que ijos cre mosos . S e ndo que, nas amostras armaze n adas durante 7 dias, a combinação xantana/guar confe riu menor pseudop lasticidade quando comparadas com a combin ação xantana/locusta. O sinergismo pode ser observado entre 10custa e xantana, o que pode ser atribuído à habi l idade desses doi s pol issacarídeos de adotar uma conformação helicoidal formando li gações cruza das. A formação sinérgica de gel pode ser observada também com guar, mas com menor habilidade se comparado com a locusta. Isto pode ser atribuído a menor proporção manose/gal atose da guar, que está disponível para realizar li gações de hidrogênio com outros pol is sacarídeos (SWORN, 2000; PAI & KHAN, 2002; RAMSDEN, 2004). 150000 100000 ';;' � � � 2,0000 200000 150000 11_ · · 50000 0,5 Figura 3 . I=;Hfr�.n --Qí:XLI -'-OEXL2 --+-QF:YI.l -O-QEXGI -u-QEXG2 100000 2.5 3,5 Curva d e fluxo dos queijos cremosos com pol issacarídeos combinados. Valores médios de viscosidade aparente durante o armazenamento. Padrão; QCXL 1 0,2% xantana / 0,1% locusta; QCXL2 0,2% xantana / 0,2% locusta; QCXL3 = 0,2% xantana / 0,3% locusta; QCXG1 = 0,2% xantana / 0, I% guar; QCXG2 0,2% xantana / 0,2% guar; QCXG3 = 0,2% xantana / 0,3% guar. = = = digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l /Ago, n° 363, 63: 3 -11, 2008 Pág. 10 Analisando a Tabela 2, os valores de índices de consistência (K) calculados pelo modelo de Lei de Potência variaram de 13 ,46 a 123,03 Pa.s". Foi observada diferença significativa entre as amostras adicionadas de polissacarídeos e a amostra padrão. As amostras QEXL2 (xantana 0,2% / lo custa 0,2%) após 21 dias de armazen amento apresentaram o maior valor para índice de consistência, o que pode também ser evidenciado pela Figura 3 . Quanto ao l i m i t e de e s coamento ob tido p e lo mode l o de Casson, observamos que as amostras após 7 dias de armazenamento apresentaram diferença significa tiva entre as adicionadas de polissacarídeos e a pa drão. Houve um aumento significativo deste parâ metro somente para a amostra padrão ao longo do período de armazenamento. A adição de polissaca rídeos promoveu o aumento do grau de histerese para todas as amostras e períodos analisados. O comportamento reológico das amostras após a diminuição da taxa de deformação (curva de vol ta) pode ser ob servado na Tab e l a 3 . U ti lizando tanto o modelo Lei de Potência como o de Herschel-Bulkley, o índice de consistência (K), variou de 6 , 1 5 a 100 ,42 Pa.s" s endo que houve aumento significativo (p<0,05) para as amostras adicionadas de polissacarídeos se comparadas com a amos tra p adrão durante todo o p e ríodo de armazen amento. Comparando com as curvas de ida (Tabela 2), as curvas de volta (Tabela 3) apre s e ntaram menor índice de consistência . Quando com parados os índi c e s de comport a m e n to de f luxo (n) , as curvas de vol ta apresentaram valo res maiore s , com con s e q ü e nte diminuição da pse udop las ticidade das amos tras. Estes compor tamentos podem ser atribuídos à q uebra estrutural da rede protéica dos queijos cremosos . Comparando o s índices d e comportamento de fluxo calculados para as curvas de volta, quanto aos modelos utilizados, observamos que o Lei de Potência apre s e n tou me nores valores do que o modelo de H e rschel-Bu lkley. O modelo de Bingham também se adequou aos dados col etados (curvas de volta, Tabela 3 ) , apre s entando coeficientes de correl ação ( R ) d e 0 , 8 4 a 0,99. Assim como o s materiais que seguem o mode lo de Hers c h e l - B u l k ley, os p l á sticos de Bingham caracterizam- se por apresentarem uma tensão residual ou limite de escoamento, ab aixo da qual se comportam como sólidos. Para tensões superiores à tensão residual, no entanto, os fluidos a p r e s e n t a m um comportamento N e w toni ano (TONELLI et ai., 2005). Mesmo com a diminui ção da taxa de deformação, os polissacarídeos conferiram maior pseudop lasticidade às amostras se comparadas ao padrão. A amostra padrão adqui riu características próximas das requeridas p ara u m fluido N e w toniano (n 1 ) durante todo o p eríodo de armazenamento. = E m relação ao limite de escoamento os po lissacarídeos conferiram às amostras um aumento significativo (p < 0,05) neste parâmetro, se com parados com a amostra padrão, sendo que os va lores foram maiores usando o modelo de Bingham do que o de C asson. 4 CONCLUSÕES A adição de polissacarídeos (xantana / 10custa e x antana / guar), na e laboração de queijos cremosos com soro líquido, conferiu um aumento nos índices de consistência, sólidos totais e índice de comport amento de fluxo, h avendo uma re l ação entre esses dois ú l timos p arâmetros , que pode s er atribuído ao aumento da mobilidade das mol é c u l a s de p roteína e m direção ao fluxo. As a mo s t r a s a p r e s e n t a r a m comport a m e n to t i x o trópico, não-Newtoniano e p seudop lástico. Ana lisando as amostras com polissacarídeos, quanto à p s e u do p l a s ti c i d a d e , e s t a foi maior q u a n do utilizado a combinação de 0,2% xantana / 0,2% locusta. O s parâmetros reológicos confirmam que os polissacarídeos combinados podem ser utili zados p ara comp e n s a r a s possíveis a l terações fí sicas ocasionadas p e l a adição do soro líquido em queijos cremosos, quanto ao sinergismo entre xantana e locu sta. SUMMARY C re a m c h e e s e m a n u fa c t ure i n vo l v e s b r e a k do w n of t h e p a r a c a s e i n a t e n e twork in n a t u r a l c h e e s e t h ro u g h heat a n d m e c h a n i c a l ac tion in p r e s e n c e of e m u l s i fy i n g s a l t s u n t i l conversion homogeneous molten mas s , w h i c h can im mob ilize w a t e r and o t h e r s in gredien t s . D uring cooling, protein-protein in teractions and others in tera c tions res u l t in the forma tion of a new t h reedimension a l matri x . T h e aim of this pr e s e n t work was to s t udy the i n fl u e n c e of pol ysacc h a rides in the rheological b e h avior of c r e a m c h e e s e e l aborated with mi l k w h e y . Physicochemical ( p H , moisture, total solids) and rheological parameters were studied in. samples e l aborated with milk whey and with di fferents b l ends of polysaccharides (xanthan / locust and xanthan / guar). The b l e nd of polysacc h aride s w a s e ffe c t i v e s in t h e rheologi c a l p a r a m e t e r s , showed increase of the consistency index of t h e cream cheese. T h e p seudop l asticity was highest for samp l e s w i t h 0,2% x an t h an / 0,2% locust. T h e s e re s u l t s i n d i c a t e d that b l e n d s o f polysaccharides should reward physical changes caused b y t h e addition of mi l k whey liquid in cream c h e e s e . Key-wo rds: c r e a m c h e e s e ; m i l k w h e y; x anthan ; guar; locust. R ev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l /A go, nO 3 63 , 63 : 3 -11, 2008 5 RE FERÊNCIAS AOAC . Official Methods of Analysis of AOAC INTERNATIONAL. 18th ed. Maryland: AOAC, 2005. Bertrand, M. e Turgeon, S. L. Improved gelling properties ofwhey protein isolate by addition of xanthan gum. Food Hydrocolloids, v. 21, p. 159-166, 2007. Bourroul, G O potencial da cadeia láctea brasileira. Revista Leite e Derivados, nov./dez. 2006. Braga, A. L. M. e Cunha, R. L. The effects of xanthan conformation and sucrose concentration on the rheological properties ofacidified sodium caseinate-xanthan gels. Food Hydrocolloids, v. 18, p. 977-986, 2004. Bryant, C.M. e McClements, DJ. Influence ofxanthan gum physical characteristics ofheat-denatured whey protein solutions and gels. Food Hydrocolloids, v. 14, p. 383-390, 2000. Campos, M. E. M. et aI. Sobremesas fermentadas: uma inovação para agregar valor ao soro de queijo minas frescal. 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"Când ido Tostes ", J u l/Ago ACEITABILIDADE E PREFERÊNCIA SENSORIAL DO QUEIJO DE COALHO DE LEITE BÚFALA, DE LEITE CABRA E DE LEITE DE VACA Aceptability and sensory preference of cheese curds elaborated with female buffalo, goat and cow milk Rita Vieira Garcia! Ronaldo dos Santos Falcão Filho2 Terezinha Fernandes Duarte2 Thayze Rodrigues Bezerra Pessoa2 Rita de Cássia Ramos Egypto Queiroga3 Ricardo Targino Moreira4 RESUMO sensorial de qu �.ijo s de coalho c�m erciais obtidos o obj etivo deste trabalhou foi av aliar a qualidade (QCC) e que�Jo de co alho de l eite de vaca (QCV) cabra eite l de coalho de jo . . a partir de l eite de b úfala (QCB), quei de Compra. O s. median te teste de Aceitabilidade, P referênc ia e Intenção e para destaqu co queiJos s do o aceitaçã a bo � uma m textura sabor e av aliaç ão glob al. Os resultado s indicara e QC B C � uelJos OS . :' QC e QCB entre � soriais QCV. N ão houv e diferenç a ( p>O,05) nos atributo s sen o aroma e sabor. O QCV fOi ? rr:al s prefendo, obtend s atributo s no si entre ) (p<O,05 a diferenç taram apresen (p<O :05) . diferiu e compra de ão enç int de al percentu maior o também , preferên cia. . ra cab de eite l de queijo . ' aroma e no sabo r do de co alho, l eite de cabra, l eite de bufala Termos para indexação: an álise sen sorial , qu eijo � INTRODUÇÃO A produç ão do queij o de coalho no nordes nte releva dade ativi uma enta repres ro i le i s bra te e na econo mia region al, por ser fonte de renda ru trabalh o para pequen os e m édios produt ores AN T E ; ra i s ( E S C O B A R et ai. , 2 0 0 1 ; C AVA L C coalho ANDR ADE; S I LVA, 2 0 04 ) . o. queij o de nais artesa os queij s i pa i c n pri s o entre a destac se c u ltura de fabrica ção e c o. nsumo incorp orados à i t u � l r e g i o n a l d e t r a d i ç ã o s e c u la r ; s e n d o h ab ffl t o ou a s a r b a n o d a s s a o d i m u s n mente co i cas d e ( MUN C K , 2 0 0 4 ) . D e v i d o à s caract e r í s t c o a lh o c o n s u mo e s a b o r pe c u li a r , o q u e ij o d e sumi n o c S o v o n o d n a h n a g m i n d u stri a lizado v e parte d o r e s n o s u d e s t e do pa í s , r e presen tando 05) . 0 2 , TE CAN AVAL C ( os queij de do do merca o. queijo d e coalho é produz ido h á mais de ite pas 1 5 0 anos com leite de vaca c ru e/ou le com leite o e lava-s coagu teuriz ado. Antiga mente anima is c o a lh o do e s tô mago seco e s a lgado de s i lvestres ou bezerro s ; hoj e , é c o mum o uso de coalho industrial (LIMA, 1 996). Contudo, a fabri cação tradicional ai nda persiste em un idades �e produção caseira e de fazendas produtoras; as qua is não contam com tecno logia apropriada de manu fatura e e laboram o queijo com le ite cru (NASSU et aI. , 2 0 0 1 ) , o que c o loca em risco a saúde do consumidor ( E S C o.B AR, 200 I). Segundo Lima ( 1 9 96), é necessário otimizar o processo de fabricação do queij o de c oalho . para melhorar a quali dade, sem descaractenzar o produto trad icional, que goza de grande popula ridade. C av a lcante et aI. (2007) propu seram um processamento do queij o de coalho regional den . tro dos padrões de segurança alimentar a partir de leite pasteurizado e cu ltura lática nativa. o. proto colo de fabricação demonstrou a possibi li dade de padronizar o q u e ij o tradicio-nal, reduzir cust�s com culturas láticas importadas, melhorar a quali dade m i c ro b i o lógica e manter as c aracterí sticas senso-riais do queij o elaborado com leite cru . Pág. 1 3 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l/Ago, n° 363, 63 : 1 2- 1 6, 2008 Legalmente, o queijo d e coalho é obtido por Considerando que os consumidores exigem produtos de qualidade, divers i ficação, fác i l pre coagulação do leite com coalho ou outras enzimas coagu lantes a propri adas, com ple mentada ou não paro, características sensoriais aceitáveis e que o por ação de bactérias láticas s e leci onadas, sendo t i po de leite influi nas características do queij o , o comercializado com até dez dias de fabricação. É presente trabalho obj etivou avaliar a Aceitab i lidade c lassificado como queijo de massa semi-cozida ou e Preferênci a dos queij os de coalho e laborados a cozida, de média a alta umidade e um teor de gordura partir de leite de búfala, de leite de cabra e de leite nos s ó lidos totais entre 3 5 , 0 % e 6 0 , 0 % . S enso de vaca. rialmente deverá a pre sentar c o n s i s tênc i a semi dura, e lástica; textura macia , compacta ou aberta MATERIAL E MÉTODOS com o lh aduras mecânicas peque n a s ; cor branco A análi s e sensorial foi rea li zada no labo amarelado uniforme; sabor brando, lige iramente ratório de Análise S ensorial do D e partamento de ácido, podendo ser salgado; odor ligeiramente ácido de coalhada fresca; casca fina, sem trinca, não bem Nutrição da UFPB, nos horários de 9 às 1 1 h com definida; formato e peso variáveis (BRASIL, 200 1 ). consumidores habituais e potenciais. As amostras a n a li s a d a s fo ram queij o de c o a lh o pré- c o z i d o ; A legislação é abrangente, atendendo as variações regionais, permitindo que produtos com di stintas embalado a vácuo; dentro do prazo de vali dade, característi cas sejam comercializados como queijo com data recente de fabricação e comerc iali zado no mercado do mun i c í pio de João Pessoa-PB. de coalho (LIS ERRE et aI. , 2007). Para formar o painel sensorial foram recru o. queij o de coalho de leite de vaca é o mais tados 7 0 provadores entre os a lunos e servidores fabricado e consumido. P orém , h oj e são encon d a U F P B po r m e i o d e u m atnbuto q u e s t isoaval n á r. i o . E m trados nos mercados os queij o s de coalho de leite de búfala e o de leite de cabra. o. leite de búfala s e g u i d a , realizou-se a seleção d e 60 provadores apresenta níveis mais altos de sólidos totais , pro baseando-se na freqüência de consumo do produto, na d i s po n i b i li dade e i n tere�o s sQCC e emnapart c i parglodo teína, gordura, calorias, vitamina A e cálcio que o �al e na ordem av� l iiaçao teste sensorial (TEIXE IRA, 1 9 8nos 7 ) . atnbuto s avaliados, exceto n le ite bovino (VERRUMA e S ALGAD O., 1 9 94); hdade l Aceitab de dice In alto taram apresen queijos Todo s os além baixo teor de colestero l ( HUHN ef ai. , 1 99 1 ). o. pa i n e l foi c o m posto por 3 2 homens e Suas característi cas marc antes s ã o : sabor leve 28 mulhere s ; com fa ixa etária de 1 8 a 40 anos, sendo a proxi madamente 82% com 18 a 25 anos ; mente adoci cado e cor branca, devido à ausência de pigmentos carotenóides na gordura . Apresenta n í v e l de e s c o laridade de 3 ° grau i n c o m ple to a pó s -gradua d o . o. c o nsumo m éd i o do queij o de acentuadas diferenças : 1 0 7% mais de gordura, 1 7 a 24% menos de colesterol, 34% mais de proteínas , coalho de leite de vaca (QCV) foi de sempre (qua s e todo dia) a po uco ( pe lo menos uma vez por 1 9% mais de lactose, 48% mais de sólidos totais e seman a ) . A maioria dos provadores (80%) tem o menor t e o r de s a i s : s ó d i o , c lo r o e po t á s s i o háb ito de consumir o queij o de coalho gre lhado (SAMARA ef ai. , 1 9 9 3 ) . o. alto teor d e s ó lidos na c h a pa ou brasa e também como in gre d i e nte totais favorece o aumento do rendimento i ndus d e vários pratos t í picos reg i o n a i s como baião tria l. o. queij o de c o a lh o a presenta 4 0 , 2 4 % de de-do is, rubacão, tapioca entre outros. o.s demais água, 5 9 ,76% de EST de 2 7 ,2% de GES (VIEIRA e Lo.URENÇo. JR., 2006). consomem o queij o de coalho sem nenhum pre o. le ite de cabra apresenta alto valor nutri paro. o.s provadore s não conheciam o queij o de coa lho de le ite de búfa la ( QC B ) e o de le ite de tivo, características terapêuticas e dietéticas, além de alta digestib i lidade ( HAENLEIN, 2004) ; pri nci cabra ( QC C ) . As amostras foram apresentadas aleatoriamen palmente devido ao tamanho dos glóbulos de gor dura ( 6 5 % de di âmetro inferior a 3 micro n s ) , a te, com todas aparecendo o mesmo número de ve curta cadeia dos á c i d o s g ra x o s e ao a lto v a lor zes numa mesma posição (FARIA; yo.TSUYANAGI, 2 0 0 0 ) ; em fo rmato de cubo de a prox imadamente biológico das prote ínas; podendo ser considerado 2cm3, em temperatura aproxi mada de 20°C, dentro um a limento funcional (LAGUNA, 2003 ) . o.s artigos encontrados n a li teratura cien de c o pos plásticos descartáveis codificados alea tífica sobre análise sensorial de queij o de coalho toriamente com três dígitos; acompanhadas de água mineral e biscoito água e sal. dizem respeito a comparação entre diferentes for o.s pro vadore s recebera m a seqüência de mulações ou processos de queij o s de coalho bovino. Benevides ef ai. (2000) estudaram a maturação de amostras e uma ficha de ava liação contendo uma escala hedônica de nove pontos (9 gostei mui queijos de coalho e laborados a partir de leite cru e t í s s i mo ; 1 desgostei muitíssimo) para análise de leite pasteurizado inoculado com fermento láti da cor, aroma, textura, sabor e avaliação g lobal; co. Mangueira; Travassos; Moreira (2002) avalia de 5 pontos (5 compraria; 1 j amais compra ram queij o s de c o a lho lighf e enriquecido c o m ferro. Nascimento; Freitas; S i lva (2004) estudaram ria) para i n tenção de compra e ainda era s o lici . queij os de coalho pasteurizado e condimentado . tado indicar a ordem de preferência dos produtos. , = = 2 3 4 E sco l a Agroté cn ica F ederal de Santa Inês - Bah ia. M estre em C iên cia e Tecnol ogia de A l im entos .br) ail.com cia@gm . ieiragar . ( rv ' lllversldade F ederal da P aralba. M estrando em C iência e Tecnolo gia de Alimen tos - U araíba. P da ederal F e ersidad Univ ão . Doutor a em Nutriç ' erSidade F ederal da P aralba. Doutor em C iência e Tecnolo gia de Alimen tos - Univ = digitalizado por arvoredoleite.org ...-....-------- -------- , 6 3 : 1 2- 1 6, 200 8 Tos tes" , J u l/ A go , n° 3 6 3 Rev. Inst . Lati c. "Câ ndid o P ág. 1 4 valiados mediante O s r e s u l t a d o s fora m a d o s pro vad ore s e A) OV aná lise de v ariân c i a (AN d a s ao t e s t e d e a ar p m o c s e t n e fer i d s as m é d i a e S id e l ( 1 9 9 3 ) e ne Sto e form Tukey, p <0,05, con prog ram a Exc el o do usan Me ilgaard et ai. ( 1 9 87), da Pref erên cia ção ena Ord de te Tes O ver são 3 .0 . som atór io das do ção para foi calcu l ado pela com test e de Frie dma n (Ta ao stra amo a cad de ord ens F arla ne) , con form e reco b e l a de N ew e l l e Mac o u-se culo Cal 0). (200 ai. men dad o por Ferr eira et atra vés do núm ero de pro Índ ice de Ace itab i lida de s acima cinc o, indi canvadores que atribuíram nota . o dut pro ao ão itaç ace do a USSÃO RESULTAD OS E D ISC ado s os valores N a Tab ela 1 , estã o apre sent s pelo s pro vad ores no uída atrib s nota das ios méd que ijos de coal ho obti Test e de Ace itab i lida de. Os s os atrib utos ana li todo vera m boa acei taçã o em e 6,23 a 7 ,7 2 , que entr s nota -se ndo stra regi sado s; a, e m " gost ei l i ônic hed la esca corr espo nde m, na nte" . O QCV ame erad geir ame nte" a " gos tei mod utos ava liad os, atrib nos res valo ores mai obte ve os apre s e n t o u v ar i a ç ão e x c e t o no aro m a e não QC B . (p> 0 ,05) em rela ção ao text ura não hou ve dife e cor utos Nos atrib ijos . Fora m atrib uída s que renç a (p>0 ,05) entr e os a cor e 7 ,3 2 a 7 ,6 8 para 2 ,7 7 a 0 6 , 7 e entr nota s a "go stei mod era ntes nde espo corr para a text ura, rela ção à cor, Com ica. dam ente " na esca la hed ôn dife renç a, v i sto or mai uma r stra gi re esp crav a-se bub a l ino não apre sent am que , o l e ite capr ino e o que estã o pres ente s do os p i gme ntos caro tenó ides co lo raçã o ama re l ada a m fere con e l e i t e de vaca na text ura, pos sive l e dad nos prod utos . A sim ilari ura dos prod utos gord de es teor aos e-se dev men te , conforme des ntes elha sem -se que apre sent avam und o Siqu eira Seg nal. icio criç ão de rotu lage m nutr do leite apre sent a ura gord de teor o ) 6 8 9 cf a i ( 1 pala tabi lidade e firme efei to mar cant e na text ura, que influi na text ura são za do que ij o . Outro fator processamento (GREEN no as etap das as con diçõ es EVI DES cf ai. , 200 0). EN B cf al. , 1 9 8 4 conforme 5 ) no aro ma e no H o u v e dife renç a (p< 0 , 0 sab or entr e QC C no , e C, QC e B sab or entr e o QC pro duto s elab ode l a ori e QCV. Em aná l i s e sens Tab ela 1 . é comu m o s pro vad ores rad os com l eite c apri no s no a r o m a e s a b o r d o a ç p e r c e b e r e m d i fe r e n i v l o nv e s e d o , ) 1 0 (20 pro du t o s . S e gu n d o P ark os nos pro ístic cter cara r abo s e a men to do arom cion ar-s e a sua con cen duto s cap rino s p arec e rela cad eia curt a no leit e. de os grax os ácid de traç ão not as n o s atri bu t o s s ore men as O Q C C obt eve l ; por ém foram v a gera arom a, sabo r e ava liaç ão e ir a m e n t e ) . E s s e g i l i e t s o g ( 6 de a m l ores a c i do pelo fato dos lica exp ser e comp orta men to pod a con sum ir pro os i tuad pro vad ores e star em h a b a. Em país es vac e d e t i e l com os dut os e l abo rad gal, ond e o ortu P cia, Gré como Fra nça , E span ha, capr ino é mai s fre leite de utos prod de o con sum uma aná li s e sens oria l po que nte ; o resu ltad o de o ta aná l i s e . Na av a l i açã der ia ser d i fere nte des 0 5 ) entr e Q C C e , 0 < (p nça fere i d e v u o glob al, h é um atri buto imp orta nte QCV. A ava l i ação gera l ava l i ação que env olve v isto que s e trat a de uma . s buto atri ais todo s os dem o resu ltad o do TesNa Tab ela 2 enco ntra -se ncia dos que ij o s coa lho. te de Ord ena ção -Pre ferê tam os pro duto s mai s esen repr as As men ores som o mai s pref erid o e dife riu preferid os. O QCV foi ar s e gun do e terc eiro l ug Em . C C Q (p<0 , 0 5 ) do ente . vam ecti resp QCC e ficaram os prod utos QCB Tab ela 2. ferê ncia dos Tes te de ord ena ção -pre de coa lho . ijo que de s dife rent es tipo Q ue i j o d e c o al h o Total QCV QCB QCC Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l /A g o , n° 363, 6 3 : 1 2- 1 6, 2008 estudada s ' o que se con stitu i n um a boa ace itaç ão' , alem de aprese ntar o i nteres s e na compra. ' SUMMARY : ��r� :! - p t%$"," , ,"I::lal!<:ut u nWl CUf':;l r w w t::u:::..oJ p,,, ud.J!:u :J - l ",t-Ila: t: tlHIPI' !"'1;'H�;:c,.,! f�lHl, tl 4.-�H!Y...il "'1l ! (rt:ntlli:':UTlf,ltlHUI�fl trlltI.1 U � -!;unpr�lrta l::i!'&lprutl'J t !J Figura 1 . H istograma de freqüência d a intenção de compra dos queij o s de coalho. . Quanto ao Índice de Aceitabil idade consldera - se ac e l' t o o produto que obteve n o mínimo ° .. 70 Yo. Portanto, conforme na F igura 2 os de l it d e vaca e búfala foram consider�dos . en: o os os atnbutos avaliados. Já o que i ' o d e leite de cabra não obteve aceitação no ar ma e ° 1 d os provadores resno sabor; pois 3 0% e 1 6 ' 6 7 10 p ec tI vamente optarão pela nota 5 ' o que corres. Ponde a l O d l' Ierença. e �� ��:���: � • Ic oca c occ m ocvl am ntes na mes ma colu na indic Valo res de letra s ddi fere y. Tuke no teste dife renç a entre si (p=O ,05) oria is a sobr e os atrib utos sens sum idor es na esca la hed ônic con s pelo s cado indi ios Valo res méd ij o de coa lho. dos dife rent es tipo s de que A m os t r as Cor Aroma Tex tur a S ab o r QCB QCC QCV 7 ,60" 7 ,6 8" 7 ,72" 7 ,4 0 " 6 , 5 5b 7 , 0 3 "b 7 , 3 2" 7 ,33" 7 ,68" 7 ,0 5 " 6 , 2 3b 7 ,65" Ava l i a ç ã o geral 7 ,02"b 6 ,60" 7 , 5 7b ,05) no teste Tukey. am difer ença entre si (p=O tes na mesma colu na indic Valo res de letra s ddif eren The obj ective of this w ork was to eval uate . the sensory quality of commerclal c h eese curds . . o b talOed from female bufi I mllk (BCC), goat m i l k ( G C C ) and cow i k ( C C C ) through Acceptab i l i ty, Preference and P rc ase I nten tion Tests. The attributes evaluated ere�. color , smel l, texture, flavour and overall a ance. The result s i n dicated good acceptance, the best s cores . for CCC . No d I' fel erences (p> O 0 5 ) 10 the sensor y attributes between BCC an d CC ' C were observe d . B C C an d G C C presented d I' fferen c e s ( p <0 . 0 5 ) between each other in attn'butes smell and flavour. C C C w a s t h e most preferred, also obtain i ng th e h'Ig h est purchase intention percentage and differed . (p<0 . 0 5 ) from GCC erall evaluation and in the preference ord ee� es presented high ' Acceptab i l ity Index i n a li ttnbutes evaluated, � except for smell and fl avour 1 0 GCC . Index terms: Key words ' Sen �orY analysls, ' Cheese curds , Goat ml' Ik , Female buffalo milk. r: � 1 0 0" tado o hist ograma Na Fi gura I está repr esen pra dos diferen Com de o nçã Inte da cia de freq üên res ulta dos da Os lho. coa de tes t i p o s de que ij o a forma, a cert de , rçam inte nçã o de co mpr a refo . O QCV utos prod dos cia erên pref acei tab i l i dad e e com pra. de o nçã inte de al obte ve o mai or perc entu 3 , 34% ) mar cou as 8 ( s ore vad pro dos A mai oria compra ria) e 5 (com pra nota s 4 (po ssiv elm ente e ; 70% e 60% par a QC B ria) para o pro duto QCV . nte ame v Q C C , resp ecti Pág. 1 5 � !l k Cor Figura 2. A1:lma Ill! :: Textur.a I� II!il :: Sabor t !li . i j,:: Asp . Ga-al Índice d� Aceitabilidade dos atributos . sensonals dos queij o s de coalho. Pode-se dizer q ue, as d ilerenças 'e percebidas . �e I o,s . con �umldores denotam que a qual i dade da atena �nma influi nas características sensoriais . d�s quelJ os e conseqüentemente na sua aceitabi. rI a d e e IOteresse de compra. CONCLUS ÃO De um �o � o geral os queijos de coalho de mar cas comerciais avaliados nesse trabalho o bt'1 veram b o as n otas nas características sensoriais digitalizado por �� �� �� RE FE RENCIAS � . BENEV I D E S , S . D. cf aI E s tu o � l" O q U 1 mlco e sensorial do queij o de coa'"10 pro uZldo com le ite cru e p a s t e u ri a d o no e s t a d o do C e a rá . � BoI . CE P PA , C u n t l. b a , v . 1 8 , n . 2 , p . 1 9 3 - 2 0 8 , j u l . /dez. 2000. BRA S I L . M i ni stério d a A g n c u 1 tura, Pecuári a e . Abast eClmento . lnst. Normativa N° 30 , d e 26 de . J u n h o de 2 0 0 1 R e g u I a m e n t o s T é c n i c o s d e ' . I dentidade I a e d e Q u e i� o d e C o a l h o . . fi Diário O c m a o F ed eratlva d o B ra S I' 1 , B ras l' I la, ' DF, 1 6 jun 200 1 , S eçao - I , 1 3 p. y ' �a?�: � � CAVALCANTE J . F M . cf aI. Processamento do ' . ' q u e ij o co a I h o reg I O n a l e m pre d i e l' te � t e u ri z a d o e c u l t ura l á t i c a e n d n . R ev. � Iene. Tecnol . Aliment ., Cam p mas, ' v. 27 ' n . I , p. 2 0 5 -2 1 4 , j' an . / mar. 2 0 0 7 ��: � � . CAVA L C A N T E J . F . M . S istema de apoio á , _ d e cisã o n a produçao d e l eite e queij o c oal h o c o m s egur a n ç a ali m e n tar. 2 0 0 5 . 1 5 8 f T s e : . ( D o u t o ra d o em C i ê n c i a e Te c n o l o g i a d � I 1m e n t o s ) - De a r t a m e n t o de Te c n o l o g i a d e � A I l' m e n t o s , U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d e VI' Ç O sa, . Vlçosa. C AVA L C A N T E , J . �. r:r . ; A N D RA D E , N . J . ; SILVA R F · alonz çao do queij o d e artesanal � brasileiro:. c� o o queiJ o de coalho. Rev. ILCT, �� arvoredoleite.org Pág. 1 6 I A g o , n° 363, 63 : 1 2- 1 6, 2008 Rev. Inst. Latic. "Când ido Tostes", Jull 1 5 -2 1 8 , j u l ./ago . Juiz de Fora, v. 5 9 , n . 3 3 9 , p . 2 2004. dos ponto s E SCOB AR, C . A . M . e t ai. Avali ação d e c o a l h o em o ij e u q e d o ã ç u d o r p na s o c i t crí Fora, v. 5 6 , n. Perna mbuc o. Rev. ILCT , Juiz de ' 3 2 1 , p. 2 4 8 - 2 5 6 , j u l ./ago . 2 00 1 . K . T éc nicas FARI A , E . 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Pre c i m e ad c A : York ew N . p r a c tices 3 3 8p. Pág. 1 7 Joanna S. Santos] Michele M. de Santana3 Roseny D. Santos4 A na Carolina M. de S. Aquino5 Gabriel F. da Silva6 Alessandra A. Castro 7 RESUMO o presente trabalho teve como finalidade a realização do diagnóstico dos queijos de coalho, de manteiga e pré-cozido comercializados e amplamente consumidos no estado de Sergipe. Verificou-se as condições de processamento e de venda, a caracterização físico-química e a qualidade microbiológica. Foram analisadas 8 1 amostras, 2 7 para cada tipo d e queijo, provenientes d e dez municípios selecionados (Aracaju, Nossa Senhora da Glória, Macambira, Itabaiana, Carira, Estância, Simão Dias, Poço Redondo, Nossa Senhora do Socorro e Frei Paulo), adquiridos através de pontos comerciais. Os parâmetros físico-químicos analisados mostraram que os queijos de coalho, de manteiga e pré-cozido, produzidos em Sergipe, apresentaram, em sua maioria, valores coerentes com os parâmetros estabelecidos pela legislação vigente. Entretanto, o parâmetro amido apresentou irregularidade no quadro geral da cadeia produtiva de queijo de manteiga, confirmando a necessidade de fiscalização deste produto a fim de se evitar possíveis adulterações. As análises microbiológicas evidenciaram que deve haver uma inspeção para a melhoria da higiene de todos os queijos estudados, já que apresentaram grande contaminação por coliformes fecais, bolores e leveduras, assim como bactérias aeróbias mesófilas. Os resultados obtidos demonstraram a necessidade de melhoria na cadeia produtiva dos queijos regionais comercializados no estado de Sergipe, para assim, oferecer um produto de qualidade à população sergipana, além dc contribuir para a conquista de novos mercados. Palav ras-chave: queijos regionais; avaliação físico-química; qualidade higiênica. 1 INTRODUÇÃO O q u e ij o p o s s u i um a l t o v a l o r n u t n t l v o , apresentando em s u a compos ição case ína, gordura, água e pequenas quantidades de lactose, albuminas e sais solúveis do leite. É obtido pela coagulação do leite por ação de certas enzimas proteolíticas, ácido l á t i c o produzido por m i crorga n i smos ou mesmo pela adição direta deste ácido (OLIVEIRA, 2 4 6 7 1 996). Bas icamente todos os qucij os são resultan tes de uma mesma seqüência de operações, as dife ren ças entre um tipo de queij o e outro estão na tecno logia empregada e na seleção de mi croorga ni smos usados no processo de fermentação. A indústria queij eira do Brasil está conse guindo elaborar produtos que vêm atingindo, gra dati vamente, mel hor aceitação no mercado. Com o passar dos anos, novas tecnologias surgiram, Parte do Projeto DT LEIT E - Desenvolvimento de Tecnología para Processamento do Leite, financiado pelo MCT/MDS/FINEP/FAPESE. Estudante de Eng. de Alimentos - UFS. Av. Aug. Franco, 3 500. Cd. M. das Mangueiras "A" 083. Bairro Ponto Novo. CEP: 49047-420. Aracaju - SE - Brasil. E-mail: [email protected]. Estudante de Eng. de Alimentos - UFS. R. Panamá, 6 1 . Bairro América. CEP: 49080-400. Aracaju - SE - Brasil. E-mai!: [email protected]. Estudante de Eng. de Alimentos - UFS. R. Roberto Morais, 24 1 , Bairro Stos. Dumont. CEP: 49087-520. Aracaju SE Brasil. E-mail: [email protected]. Engenheira de Alimentos pela UFS. Universidade Federal de Sergipe - UFS. Núcleo de Graduação em Engenharia de Alimentos - NEAL. Laboratório de Tecnologia de Alimentos - LTA. Cidade Universitária Prof. José Aloísio de Campos. Jardim Rosa Elze - S/N o CEP: 49 1 00-000. S ã o Cristóvão - Sergipe - Brasil. E-mail: [email protected]. Professor efetivo da UFS. Endereço profissional igual ao sobrescrito "5." E-mail: [email protected]. Professora efetiva da UFS. Endereço profissional igual ao sobrescrito " 5 . " E-mail: [email protected]. digitalizado por arvoredoleite.org · Pág. 1 8 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l /A g o , n° 363, 6 3 : 1 7-25 , 2008 inovando a i ndústri a laticinist a . A maneira p e l a q u a l os antigos fabricavam queij o s , c o m o forma de preservação do leite, ou para pequenas comer c i a l izações, foi marcante na economia do setor. Entretanto, novos investi mentos tecno l ó g i c o s e financeiros foram neces sários p ara ac ompanhar o avanço da s o c iedade como um todo. Entre os produtos de laticínios, o queij o é u m d o s mais difundidos (SILV EIRA & ABREU, 2003). No país, a região que mais produz queij os artesanalmente é o Nordeste. Embora a sua pro dução tenha se e stendido p ara outras regiões do Bras i l . Especificamente no estado de S ergipe con s idera-se como a principal bacia leiteira a região do semi-árido, tendo como o seu principal repre sentante o município de Nossa Senhora da Glória. Significativo percentual da produção leiteira deste município, com a produção estimada em sete mi lhões e quinhentos mil litros ao ano (IBGE, 2006), destina-se à produção artesanal de queijos e man teiga, por pequenas fábricas notadamente na área rural do município de 7 5 6 Km2• No municípi o de Nossa S enhora da G lória c erca de 50 a 70% da produção de queij os são absorvidos pelas fabriquetas de derivados de leite (MENEZES , 2004) e, de acordo com valores esti mados pela EMBRAPA (2006), 95% da produção total provém de pequenas propriedades rurais, com áreas inferiores a 1 5 0 há. Sendo assim, é j usti fi cável que o Produto Interno Bruto (PIB) deste mun icípio no ano de 2002, apresentava um valor adicionado da agropecuária de R$ 1 2 . 8 2 2 .000.00 (Doze milhões oitocentos e vinte e dois mil reais), de um valor adicionado total de R$ 6 1 . 1 7 1 .000,00 (Ses senta e um milhões cento e setenta e um mil reais), representando essa atividade, apenas 2 1 % do PIB, valor pouco representativo para um muni cípio com trad ição agrícola. Os produtos derivados do leite ali produzi dos, principalmente os queijos de coalho, de man teiga e pré-cozido, são consumidos pela população do próprio município e exportados para as capitais e outros municípios dos estados nordestinos, onde fazem parte do tradicional cardápi o da região. No estado de Sergipe, diversas deficiências foram detectadas no arranjo produtivo de l aticí nios, notadamente no que s e refere aos padrões de higiene na coleta, no manuseio, nas condições técnicas de fab ricação , n o acon d i c i on amento e na conservação desses produtos. Todos esses fato res limitam a comercialização destes derivados de l e ite e, assim, afetam na economia dessa região. A forma de apresentação do produto, como embala gens inadequadas e ausênc i a de i dentifi cação do fabricante, também, compromete a sobrevivência desses pequenos e mpreendimentos no mercado. A diversificação da metodologia para a ma nufatura do queij o de coalho, de manteiga e pré- cozido pode ser constatada na produção de vários fabrican t e s . Por c o n s e g u i n t e , o process amento desses · produtos não s e encontra bem definido, o que leva à falta de padroni zação deles. P ara que a indústria queij ei ra destes pro dutos arte s a n a i s s ej a mantida, e , c o nsequente mente, conqui ste novos mercados, é fundamental que os i nsumos básicos disponíveis p ara a fabri cação do queij o sejam de boa qualidade, apl i cação adequada das práticas de fabricação e, sendo tam bém i mportante, o i ncremento d e n o v a s tecno logias, v i sando u m a caracterização (padroniza ção) da cadeia produtiva d e cada tipo de queij o, para que o mesmo possa ser oferecido ao consu m i d o r com h i g i en e e com u m p ré v i o c o n h e c i mento da sua constitu ição fís i co-química. C omo também, obter redução do custo d e produção e de conqui star novos mercados. Nassu et ai. diagnosticaram no estado do C eará e R i o Grande do Norte, em 200 1 e 2003 , respectivamente, que os queij o s regionais desses estados não possuem uma otimização do processo de fabricação e melhoria da qualidade, j á que os produtores não contam com a tecn o l o g i a apro priada. Além de existir unidades de processamento em locais totalmente inadequados, não há padroni zação das operações em rel ação a tempo/tempe ratura e concentração dos insumos adici onados. Em função do grande consumo dos queij o s artesanais em vários estados do Nordeste, j á exis tem os R e gu l amentos Técnicos de I dentidade e Qualidade para o Queij o de Coalho e Queij o de M anteiga, pub l icados na I nstrução N ormativa nO 30, de 26/06/200 1 (BRA S I L, 200 I). Os quais esta belecem a identi dade e os requi sitos mínimos de quali dade que devem cumprir estes queij os desti nados ao consumo humano, ao comércio nacional e internacional. S endo, que para o queijo pré-co zido não há esse tipo de regu lamento . Quanto ao queijo de coalho, queijo de man teiga e pré-cozido, consi derados produtos típicos nordestinos, e x i stem poucos estudos s obre suas características no estado de Sergipe e a nível na c i o n a l . P o rtanto, o presente trabalho obj e tivou aprofun dar a s condições de pro ce s s amento e o diagnóstico desses queij o s artesanais comerciali zados no estado de Sergipe, verificando suas carac terísticas fí s i co-quími cas, qua l i dade microbioló gica, condições de processamento e de venda. 2 MATERIAL E MÉTODOS 2 . 1 C o leta de a m o s tras Foram anali sadas 8 1 amostras de queij o s , em dupl icata, sendo 27 de queijo de coalho, 2 7 d e queijo de mantei ga e 2 7 de queijo pré-cozido, pro duzidos no estado de Sergipe. Latic. "Cândido Tostes", J u l /A g o , n° 363, 63 : 1 7-25 , 2008 A s amostras foram c o l etadas nas c i dades de Aracaju, Nossa Senhora da Glória, Macambira, Itab a i a n a , C arira, E s t â n c i a , S im ã o D i as , P o ç o Redondo, Nossa Senhora do Socorro e Frei Paulo, em pontos comerciais. Por serem regiões tradicio nalmente produtoras e d i stribuidoras . As amostras coletadas foram mantidas em suas emb alagens originais de venda, sob refrige ração, e levadas devidamente identificadas ao La boratório d e Tecnologia de A l imentos (LTA) da Universidade Federal de Sergipe. Em seguida, estas foram trituradas, preparadas de acordo com a Nor ma FIL 50C ( 1 9 9 5 ) e a Norma FIL 50B ( 1 9 8 5 ) , e, imediatamente, realizou-se análise fís ico-quími ca e microbiológica. 2.2 C o n dições de p ro cessa m e n t o e de vendas E m Nossa S enhora d a G lória, os s eguintes aspectos foram avaliados : aspecto de control e da produçã o ; assi stência técni ca; mercado/estrutura da queijaria; perfil das instalações; condições higiê nicas; condições de processamento e estocagem e procedi mentos de l i mpeza e sanifi c ação. S endo este muni cípio escolhido pelo fato de ser o repre sentante principal da bacia l e ite ira. Durante a co leta foi realizado o pre enchi mento de uma p l arí i l h a cuj o s itens observados foram o local da coleta, condições de exposi ção (bancada de mármore ou made ira, sob refri gera ção ou não, embal agem de exposição), manuseio (com ou sem luvas plásticas), e procedência (c ida de de produção). 2.3 A n á lises físi c o-quí micas Os métodos utilizados foram de acordo com a meto d o l o g i a recomendada p e l o do I n s t i tuto Adolfo Lutz ( 1 9 8 5 ) , sendo reg u l amentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA e pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento (BRASIL, 1 9 8 1 ) . Verificou-se a acidez total através de mé todo titul ométri c o . A umidade foi determinada em estufa na temperatura de 1 05 ° C até peso cons tante . O teor de gordura foi determinado p e l o método de Gerber (Norma FIL 5 B , 1 9 8 6 ) . O ex trato seco total ( E ST) fo i obtido pela d i ferença da u m i d a d e e m 1 0 0 g d e a m o s t ra ( F U RTAD O , 1 97 5 ) . Calculou-se gordura no extrato seco (GES) pela proporção do conteúdo de gordura e do extrato seco total, de acordo com Furtado ( 1 97 5 ) . O ex trato seco desengordurado (ESD) foi calculado pela diferença do extrato seco total e do teor de gor dura. A proteína fo i determinada pelo método de Kj edah l . O teor de cinzas foi determinado com a i n c ineração em forno mufl a a 5 5 0°C. O pH foi digitalizado por Pág. 1 9 m e d i do em potenciômetro d i g it a l c o m e l etrodo d e v i dro da marca D i g imed (modelo DMPH- l ) . Realizou-se análi s e de amido, qualitativamente, p or metodologia descrita em S ilva et ai. ( 1 997). 2 . 4 A n á lises mic robi o lógicas Nas análises microbiológicas, foram verifi cados c ontagem d e c o l i formes a 35 e 4 5 ° C , E. coli, contagem de b actérias aeróbias mesófilas e b o l or e s e l e v e duras ( U F C / g ) , s e g u n d o m e t o d o l o g i a s descritas no "Compendium o f M ethods for the M icrobiological Examinat i on of Foods" d a A s s o c i a ç ã o A m e r i c a n a d e S aú d e P ú b l i c a (DOWNES & ITO, 200 1 ) e no Manual de M éto dos d e A n á l i s e s M icrob i ol ó g i cas d e A l i mentos (SILVA et ai, 200 1 ) . 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3 . 1 Condições de processamento e venda Do total de amostras de queij o s co l etados observou-se que mais de 50% deste foi procedente da c idade de Nossa Senhora da G lória, o que de monstra o potencial da produção de queijos desta cidade. Fator, este, determinante para a escolha das u n i d ades d e proce s s amento l o c a l izadas em Nossa S enhora da Glória, com a finalidade de ava liar as suas condições de processamento. Estas unidades artesanais de fabricação, em sua maioria, apresentaram péssi mas condições de higiene em todas as etapas de produção. A matéria prima fornecida, o l e i te, é tran sportada em reci pientes plásticos ou em latões sem qualquer refri geração, provenientes de terceiro s . Observou-se que b o a parte d a s queijarias não verificam a qual idade da matéria-prima que chega ao e stabe l e c i mento, suj e i tando a ela boração de um produto de qual idade duv idosa. A presença de moscas dentro do estabelecimento e a criação de animais próxima a estas fabriquetas mostraram o descaso com a higiene da produção. Outro aspecto de grande importância no processamento de quei j o s é o tratamento térmi co do l e i t e . Durante as visitas realizadas às fabriquetas não foi verificada a pasteurização do leite em nenhum dos e stabe lecimentos. De modo geral, o uso do l eite pasteu rizado j u ntamente com o emprego d e fermento láctico, no Brasil, tem contribuído de forma signi ficativa para a melhoria da qualidade dos queijos (OLIVEIRA, 1 98 7 ) . Entretanto, tal fato não ocor reu no Nordeste brasi leiro, em relação aos produ tores de queij o de coalho. A l guns pesquisadores têm observado diferença na qual idade do desen volvimento do sabor e nas características da pro teólise no queijo elaborado com leite pasteurizado. P orém, as razões para estas diferenças não e stão arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/Ago, n° 363, 63 : 1 7-25 , 2008 c laramente c o mp r e e n d i d a s ( L A U et ai. , 1 9 9 1 ) ( B ENEV I D E S , 2 0 0 0 ) . C ontud o , a l gu m a s u n i dades de proces sa mento dispunham d e c âmaras de refrigeração para o produto acabado. Os queij o s não passavam por maturaç ão, s endo t o d o s comercializados frescos. D a mesma m a n e ira que os produtores , os comerciantes dos estabelecimentos vi sitados tam bém não demonstraram alguns conhecimentos de higiene, ou ignoraram, a forma adequada de venda dos queij os . Nassu et ai. ( 2 0 0 1 & 2003) também verificaram péssi mas condições de fabricação nas uni dades de produção d e queijos regionais no Ceará e Rio Grande do N orte. Com relação às condições de exposição do queijo de coalho e queij o de manteiga para a venda, 60% dos queij os e ra m d i spostos em b ancadas de madeira e 1 00% à temperatura ambIente, e, quan to ao queij o pré-cozido, 60% eram dispostos em bancadas de madeira e 2 0 % estavam sob refrige. ração . Todos os queij os eram envolvidos com sa cos de policloreto d e vinila (PVC). Quanto ao manuseio dos queijos de coalho e queij o de manteiga, 8 0% dos comerciantes ma nuse aram sem luvas, e apenas 2 5 % do queij o pré . cozido foi manuseado pelos vendedores com luvas plásticas. 3 . 2 A n álises físico-quí micas Diante das avaliações fí sico-químicas para o queij o de coalho, v i d e Tab e l a I , ve rifica que não houve uniformidade dos resultados na maioria dos parâmetros estudados. Essas diferenças podem estar relacionadas à fa lta de padronização na ela boração dos queij os pelas pequenas fábricas. A de term inação fí s i c o - q u. í m i c a que obteve mai ores variações foi gordura no extrato seco total (GES), apresentando o m a i o r desvio p adrão a l to , 7 , 4 9 . Mesmo c o m essas variações, praticamente todas as amostras apresentaram valores entre 35 e 60g/ 1 00g, conforme descrito na legislação. Sendo que queijo de coalho caracterizou-se como queijo gordo (45 a 5 9, 9 gI l 00g) em 60% dos municípios e se migordo ( 2 5 , 0 a 44,9gl l O O g) nos demais lugares. O teor de gordura do queijo apresenta maior interesse quando analisado em relação ao extrato seco total, i mpedindo assim, que ocorram varia ções ocasionadas pela eventual perda de umidade do produto (FURTADO & LOURENÇO, 1 97 9 ) . O teor de u m i d a d e v a r i o u muito também e ntre os mun i cípios estudados , embora todos se apresentaram d entro d o s padrõ e s e s t ab e l e c i dos p e l a legis lação. Foram encontrados valores entre 39, I ° e 5 0 , 3 0 g/ 1 00g para o queij o coalho, sendo estes caracterizados c o mo queij os de média ou alta umidade (média umidade - 3 6 a 45 ,9gl l OO g e alta umidade - 46 a 54,9gl l 00 g, conforme legis l a ç ão v i gente) . O índice de acidez do queijo de coalho ating i u uma m é d i a de 0 , 6 6 g/ 1 O O g . C o mparando-o com os relatados por Nassu et ai. (2003), os quei jos de coalho apresentaram alta acidez, j á que a literatura encontrou um valor médio de acidez de 0 , 3 0% para este. Um fator re levante nos resultados para acidez foi a p e quena variação que ocorreu entre os queijos dos mun icípios aval iados. O desvio padrão de 0, I ° exp l i c i tou essa uniformidade, permiti ndo afirmar que isto pode estar relacionado ao pro cessamento de uma maneira geral. Seja por falhas no processo ou pela fac i l idade de contamin ação microbiana dos mesmos, já que nessas fábricas as péssimas condições de hi giene são marcantes. Os resu ltados encon trados para o queijo de manteiga e s t ã o na Tab e l a 2 , onde fo i p o s s í v e l obs ervar gran des variações e m al guns d o s parâ metros fí s i c o-quí m i c o s . Entre estas s e inclui o t e s te de amido. Duas amostras, comerc i a l i zadas Tabela 1 . Avaliação fís ico-química do queij o de coalho. Análise Município Aracaju Itabaiana Glória Carira Socorro Frei Paulo Estância Macambira Simão Dias Poço Redondo Média Desvio padrão Amido Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Acidez Cinzas ESD EST Lipídio GES (g/l OOg) (g/ I 00g) (g/ I 00g) (g/ I 00g) (g/ I 00g) (g/ I 00g) 50,27 28,00 5 5 ,70 27,70 2,57 0,76 53,90 29,50 54,73 25,23 4,43 0,72 46,50 24,36 5 2,39 28,03 2,08 0,70 3 8,22 20,42 5 3 ,42 33 ,00 2,65 0,69 54,59 28,00 5 1 ,29 23,29 3 ,94 0,60 5 0,89 28,32 5 5,65 27,33 2,72 0,73 36,09 20,82 57,69 36,87 2,0 1 0,60 49,78 28,78 57,82 29,04 2, 1 9 0,7 1 4 1 ,5 5 20,65 49,70 29,05 2,32 0,43 34,39 20,00 5 8, 1 6 38, 1 6 4,80 0,72 45,62 24,89 54,66 29,77 2,97 0,66 7,49 4,03 2,9 1 4, 8 1 1 ,03 0, 1 0 pH 5,33 5,35 5,30 5,10 5,67 5,24 5 , 83 5,34 5,78 5,88 5 ,48 0,28 Proteína Umidade (g/l OOg) (g/ I 00g) 23,84 23,52 22,8 22,97 20,7 8 20,78 24,94 24,3 1 8, 8 1 2 1 ,8 8 22,46 1 ,89 44,30 45,28 40, 1 3 4 1 ,60 48,7 1 39, 1 0 42,20 42,4 1 5 0,30 4 1 ,84 43,59 3 ,6 1 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/ A g o , n° 363, 63 : 1 7-25, 2008 em S imão Dias e Poço Redondo, apresentaram teste positivo. Esses resultados expressam que os respec tivos produtores podem ter adulterado o queijo de manteiga acrescentando amido durante o proces samento do produto, já que, durante o processa mento, não é permitido o acréscimo de amido ou de qualquer carboidrato conforme definição descrita por BRASIL ( 1 9 9 7 ) . Em Nassu et ai. (2003 ) das 13 amostras analisadas, três também apresentaram fraude com adição de amido entre produtores deste tipo de queijo no Rio Grande do Norte. Os queijos de manteiga foram caracterizados como queij os gordos e extra gordos (gordos - 45 a 5 9 g/ 1 00g e extra gordo - mínimo de 60gl l 00g de GES), com alguns municípios apresentando va lores de GES entre 67 e 74g/ 1 00g). A grande varia ção entre os mun i c ípios e studados foi rel ev ante com desvio padrão de 9,90, indicando a falta de padronização também no processamento do queijo de mante i g a . O teor d e u m i d a d e t a m b é m variou muito entre os mun i c í p i o s e s tudad o s , e mbora 7 0 % s e apresentaram dentro do padrão e stabelecido p e l a Pág. 2 1 l e g i s lação , ou s ej a , apresentar- s e com um t e o r m á x i m o d e 5 4 , 9 g/ 1 0 0 g . A variação que ocorreu entre as amostras pode estar relacionada ao tempo de conservação da amostra até o momento da sua comercial ização. De acordo com Oliveira ( 1 9 8 1 ), o teor de umidade varia muito e e stá correlacio nado com o tempo de conservação do queij o . Em relação a o índice d e acidez, o queijo de manteiga apresentou 0,42 g / 1 00 g. Sendo pratica mente o mesmo valor da acidez e ncontrada por Nassu et ai. (2003) em um diagnóstico do queijo d e mante i g a . J á J a s s e n- Escudero & Rodrigues A maya ( 1 98 1 ) encontraram uma méd ia de 0 ,3 5 % para acidez e m queijo d e manteiga. Segundo Nassu et ai. (2003) diferenças para valores de acidez se devem à falta de p adronização n a determinação do ponto final de eliminação da acidez pela adição de bicarbonato de sódio e as sucessivas lavagens da massa com leite e/ou água. O q u e ij o p r é - c o z i d o , por não haver ne nhuma legis lação v igente e por apresentar carac terísticas semelhantes ao queijo coalho, fo i compa rado com a legis lação deste. Tabela 2 . Aval iação físi co-química do queijo de manteiga. Análise Aracaju Itabaiana Glória Carira Socorro Frei Paulo Estância Macambira Simão Dias Poço Redondo Média Desvio padrão Amido Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Positivo Positivo Acidez Cinzas ESD EST Lipídio GES (g/ I 00g) (g/ I 00g) (g/ I 00g) (g/ I OOg) (g/ I OOg) (g/ 1 OOg) 0,4 1 1 ,95 1 0,94 42,44 3 1 ,50 74,22 0,33 2,62 26,86 57,86 3 1 ,00 53,58 0,38 1 ,79 34,37 65 ,74 3 1 ,37 47 ,72 0,40 1 ,60 33 ,84 62,78 28 ,94 46, 1 0 0,69 2,97 1 2,85 44,85 32,00 7 1 ,35 0,4 1 3,75 30,7 1 62,62 3 1 ,9 1 50,96 0,44 2,52 29,0 1 6 1 ,63 32,62 52,93 0,39 2, 1 0 29,38 64,70 3 5 ,32 54,60 0,30 2,17 1 8,83 45,55 26,72 58,67 0,40 2,50 1 3 ,68 4 1 ,93 28,25 67,37 0,42 2,40 24,05 5 5,0 1 30,96 5 7,75 0, 1 0 0,63 9,06 1 0,00 2,44 9,90 pH 5,93 5,72 5 ,50 5,70 5,86 5 ,45 4,98 5,59 5,86 6,08 5,66 0,3 1 Proteína Umidade (g/ I OOg) (g/ I OOg) 26,25 3 1 ,50 28,6 25,92 27,56 25,87 30, 1 9 24,94 1 7,94 24,94 26,37 3,69 57,56 42, 1 4 42 ,43 46,65 55, 1 5 3 8,80 39,40 37,28 54,45 5 8,07 47, 1 9 8,29 Tabela 3 . Ava l i ação fí sico-química do queij o pré-cozido. Análise Município Aracaju Itabaiana Glória Carira Frei Paulo Estância Macambira Simão Dias Poço Redondo Média Desvio padrão Amido Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Acidez Cinzas ESD EST Lipídio GES (g/ I OOg) (g/ I OOg) (g/ 1 00g) (g/ I OOg) (g/ I OOg) (g/ I OOg) 0,9 1 2,68 24,53 54,53 30,00 5 5,02 0, 1 9 4, 1 0 25,63 54,3 8 28,75 52,87 0,90 2,98 26,74 5 6, 1 3 29,39 5 2,36 0,65 2,85 30, 1 1 5 7,97 27,86 48,05 0,572 3,1 1 30,2 1 5 8,49 28,28 48,35 0,65 2,94 29,36 5 9,08 29,72 50,30 0,90 2,86 29,56 5 9,30 29,74 50, 1 5 0,2 1 3 ,06 3 1 ,46 60,2 1 28,75 47,75 0,50 4,96 24,82 52,32 27,50 52,56 0,6 1 3,28 28,05 5 6,9 1 28,89 50,82 0,28 0,75 2,62 2,7 1 0,89 2,53 digitalizado por pH 5,54 6,34 5,00 5 ,30 5, 1 0 5,20 4,94 6,02 6,09 5,50 0,52 Proteína Umidade (g/ I OOg) (g/ I OOg) 24, 1 7 23,84 23,29 22,65 26,46 24,72 24,94 2 1 ,8 8 28,66 24,5 1 2,05 45,47 45,56 44,25 39,50 43,03 46,00 43 ,27 3 9,79 47,68 43,84 2,77 arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l /A g o , n O 363, 6 3 : 1 7-25 , 2008 Pág. 2 2 A p e s ar d o q u e ij o pré-cozido não ter p a d r õ e s d e fabricação, o s r e s u l t a d o s das a n á l i s e s fís ico-químicas, mostradas na Tabela 3 , demons traram uma certa uniformidade nos resultados dos p arâmetros estudados . O teor de umidade foi o que obteve maior discrepância ente os queij os dos municípios ava liados com um desvio padrão de 2,77. Os resultados v ar iaram entre 3 9 , 5 0 e 4 7 , 6 8 g /1 0 0 g , s e n d o caracterizados como queijos de média ou a l t a umi dade (média umidade - 36 a 4 5 , 9 g/ 1 O O g e alta umidade - 46 a 5 4 , 9 g/ l 00g). O queijo pré-cozido, em todas as amostras, caracterizou-se como queijo gordo (GES entre 45,0 e 5 9, 9 g/ l 00g), além de apresentar valores entre 35 e 6 0g/ l O O g, conforme d escrito na l e g i s l ação para o queij o coalho. A acidez do queij o pré-cozido atingiu uma média de 0,6 1 g/ l O Og . Nassu et ai. (2003) encon traram p ara o q u e ij o coalho um valor médio de acidez de 0 , 3 0 % . D e s s a maneira, o s queij o s pré cozidos estudados apresentaram alta acidez quan. do c o mparados com o queij o coalho e studados i por Nassu et aI. (2003 ) . A alta acidez, da mesma forma que o queij o coalho, p o de e star relacio ' n ada a acidifi cação do queij o p e l o desenvolvi � mento de microorganismo s ocasionada p e l as más condições de higiene durante o pro c e s s amento ou pela util ização do leite com acidez superior a 2 00Dorn i c . 3 . 3 A n á l ises m i c r obi o l óg ic as Todas as amostras do queij o de coalho apre sentaram coliformes totais, das quais 44,5% con tinham c o l i fo rm e s fec a i s entre 30 e 240NMP/g e 2 2 , 2 % c o n t i n h a m 1 1 00NMP/g. A s contagen s de bolores e leveduras variaram de 2,9x 1 04 a >2,5 x 1 05UFC/g e, foram encontrados v alores de con tagens de b actéri as aeróbias mesófi l a s entre 7 ,4 x 1 03 a 2 , 1 x 1 05UFC/g (Tabela 4 ) . Das amostras de queij o de manteiga anali sadas, 3 3 , 3 % apresentaram valores de coliformes totais e � 2400 NMP/g, sendo que em relação aos coliformes fecais 8 8 , 9 % apresentaram contagens entre 1 1 a 3 0N MP/g. Para b o l ores e l e v eduras foram encontradas contagens nas ordens de 1 02 a 1 05UFC/g, e v a l ores maiores de contagens para bactérias aeróbias mesófilas, sendo estes nas or dens de 1 04 a 1 06UFC/g (Tabela 5 ) . Com relação à aval iação microbiológica d o queijo pré-cozido, 5 5 , 6% d a s amostras apresenta ram valores de coliformes totais e � 2400 NMP/g, sendo que este mesmo valor foi con statado em 2 2 , 2 % das amostras p ara c o l i formes fe c a i s . A s contagens para bo lores e leveduras apresentaram valores de 4,8 x 1 02 a > 2,5x 1 05 UFC/g, e para as bactérias aeróbias mesófi las valores de 1 , 5 x 1 03 a 1 , 8 x 1 05 (Tabela 6). Va le ressaltar que o número de coliformes fecais pre sentes em todos os tipos de queij o não Tabela 4. Aval iação microbio lógica de queij o coalho do Estado de Se rg ipe. M i c r o o r g a n ism os C o l i formes totais (NMP/g) Coliformes fecais (NMP/g) Bolores e Leveduras B actérias Aeróbias Mesófi las (UFC/g) N° de a m ostras % 30 1 1 0 a 240 >= 2400 2 5 2 22,2 5 5 ,6 22,2 2,9x 1 04 a >2,5 x 1 05 9 1 00 <30 30 a 240 1 1 00 7, 4 x l 03 a 2, l x 1 05 3 4 2 9 3 3 ,3 44,5 22,2 1 00 Tabela 5. Aval iação microbiológica de queij o de manteiga do Estado de Sergipe. M i c r o o rg anism os C o l i formes totais (NMP/g) Coliformes fecais B olores e Leveduras (UFC/g) B actérias Aerób ias Mesófi las (UFC/g) C o n t a g e ns N° de a m ostras % < 3 3 a 210 � 2400 I 5 3 1 1,1 5 5 ,6 3 3 ,3 4,7 x 1 02 a > 2 , 5 x l 05 9 1 00 < 3 1 1 a 30 1 ,6 x 1 04 a 3 x 1 06 I 8 9 1 1,1 1 00 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l /A g o , n° 3 63 , 63: 1 7-25 , 2008 Pág. 2 3 Tabela 6. Aval iação microbi ol ógica do queij o pré-cozido do E stado de S ergipe. % M i c r o o rg a n ism os C o n t age n s N° d e a m ostras C o l iformes totais (NMP/g) 3 75 a 240 1 3 1 1, 1 3 3 ,3 28 a 240 > = 2400 1 6 2 1 1,1 66,7 22,2 9 1 00 Coliformes fecais (NMP/g) B o lores e Leveduras (UFC/g) B actérias Aeróbias Mesófilas ( UFC/g) 4,8 x 1 02 a > 2 , 5 x l 05 1 , 5 x 1 03 a 1 , 8 x 1 05 se encontraram dentro dos l i mites estabeleci dos pela legislação (BRASIL, 1 996 & B RASIL, 200 1 ). A amp l a população desses microorganismos indi cou alto nível de contaminação fecal, o que pode ser atribuído à qualidade da matéria-prima ou às condições de processamento dos queijos. Paiva & Cardonha ( 1 999) constataram que 60% das amos tras de queijo de coalho artesanal comercializadas no estado do Rio Grande do N orte apresentaram coliformes fecais superiores aos p ermitidos pela l e g i s l a ção ( B R A S I L , 1 9 9 6 & BRASIL, 2 0 0 1 ) , F e i t o s a ( 1 9 8 5 ) , G erman o & Germano ( 1 9 9 5 ) e F l orentino & Martins ( 1 9 9 9 ) . Os números e levados de contagens para o s microorganismos avaliados sugerem que os queijos foram processados ou armazenados sob condições higiênicas insatisfatóri as, comprometendo a qua lidade e a vida-de-prateleira do produto, visto que os bolores e as leveduras promovem a deterioração de produtos láticos. Os valores das contagens apre sentadas pelos queijos anal isados são considerados altos e acima do limite permitido pela legis lação ( 5 x 1 03UFC/g) . 4 CO NCLUSÃO Os parâmetros fí sico-químicos mos traram que os três tipos de queij o s artesanais produzidos e mais consumidos em Sergipe, queijo de coalho, queij o de manteiga e pré-cozido, apres entaram, em sua maioria, val ores coerentes com os respec t i v o s parâmetros e s t ab e l e c i dos p e l a l e g i s l ação vigente, teor d e gordura nos sólidos tota i s e de umi dade . Porém, grande variação dos principais parâmetros para classificação de queijos (umidade e gordura no extrato seco) demonstram a neces s i d ad e de uniformização n o s procedimentos d e fabricação p a r a a o b t e n ç ã o d e p r o d u t o s padro nizados. Além da acidez elevada, em especial nos queij os de coalho e pré-cozido, o parâmetro ami do apresentou i rre gu lari dade para o queij o d e manteiga. As análises microb i ológicas, as condi ções de processamento, d e exposi ção e manipu l ação durante a venda, e v i d e n c i aram p é s s imas 9 1 00 condições de h i giene de todos os queij o s estuda d o s , já que apre sentaram grande c o ntaminação por coliformes fecais, bolores e l eveduras, assim c o mo b a ctérias aeróbias mesófi l a s . Esses resul tados indicaram que não há dúvida que projetos de orientação e fi scalização, e m paralelo, s ejam necessários para garantir a segurança e qualidade desses a limento s . SUMMARY T h e p r e s e n t w o r k w a s i n t e n d e d for the rea l ization of the diagnosis of "coalho" cheese, " m a n t e i g a " c h e e s e and " p ré - c o z i d o " c h e e s e w i d e l y marketed a n d consumed in t h e state o f S e rg i p e . I t w a s v e r i fi e d t h e c o n d i t i o n s o f pro c e s s i n g and o f s a l e , the c h e m i c a l - p h y s i c a l c haracterization a n d t h e microbiol ogical quality. 8 1 samp l e s were analyzed, 27 for each type of c h e e s e , fr o m ten s e l e c t e d m u n i c i p a l i t i e s (A racaj u , Nossa S enhora da Glória, Macambira, I t a b a i a n a , C arira, Estância, S i mão Dias, Poço R e d o n d o , N o s s a S e n h o r a d o S o c o rro e Frei P a u l o ) , a c q u i r e d thro u g h t r a d e p o i n t s . T h e p h y s i c a l a n d c h e m i c a l p a ra m e t e r s e x a m i n e d showed that "coalho" cheese, "manteiga" cheese and "pré-cozido" cheese, produced in S ergipe, presented in the most p art, c o n s i stent with the their v a l u e s e s t ab l i s h e d b y l aw . H o w e v er, the parameter starc h showed i rre g u l a r i t i e s i n t h e g e neral framework o f the productive c h a i n of " m a n t e i g a " c h e e s e , c o n fi rm i n g the need t o review t h i s p r o d u c t in o r d e r to avoid p o s s i b l e a d u l t e r a t i o n s . T h e m i c ro b i o l o g i c a l a n a l y s e s s h o w e d t h a t there s h o u l d b e an i n sp e c t i o n t o improving the hygiene o f a l I cheeses studied, as t h e y s h o w e d s e v e re c o n t a m i n a t i o n by fe c a l coliform bacteria, yeasts and moulds, a s w e l l a s aerobic mesop h i l i c bacteri a . T h e results showed the n e e d for i mp r o v e m e n t i n the p ro d u c t i v e c h a i n o f reg i o n a l c h e e s e s s o l d in t h e s t a t e o f S ergipe, in order to offer a product of quality t o t h e p opulation of S ergipe, a n d a l s o to contribute to the conquest o f new mark e t s . digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jull Ago, n° 363, 63 : 1 7-25, 2008 Pág. 24 Index terms: regional cheeses; asses sment physical chemistry; hygienic quality. 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGR Á FICAS B R A S I L . M i n i stério da A g r i c u l tura. S e c retaria N a c i o n a l d e D e fe s a A g r o p e c u á r i a . M é t o d o s anal íticos oficiais p a r a c on t role de p r o dutos de o rige m a ni m al e seus ingredie n te s : 1 1 M é t o d o s físi c o s e quí m i c o s . L ab o ra t ó r i o Nacional de Referencia Animal I Brasí l i a. 1 9 8 1 . B R A S I L . M i n i stério da A g r i c u l tura, P e cuária e A b a s t e c i m e n t o . P or t a ri a n° 3 5 9 , de 04 de sete m b r o de 1 99 7 , B ra s í l i a , 1 99 7 . B R A S I L . M in i stério da Agricultura, Pecuária e A b a s t e c i m e n t o . S e cretaria N a c i on a l de D e fe s a Agropecuária. Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Queijos de Coalho e de Manteiga. 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"Cândido Tostes", Jul/ Ago, n° 363, 63: 26-30, 2008 Pág. 26 DIFERENÇAS SAZONAIS NO FERMENTO ENDÓGENO UTILIZADO NA PRODUÇÃO DO QUEIJO MINAS ARTESANAL, FABRICADO NA SERRA DA CANASTRA, MINAS GERAIS Seasonal differences in the endogenous starter culture used in the production of the Serra da Canastra cheese Juliana E. Nóbregal Célia Lúcia L. F. Ferreira2 Milene T. das Doresl Edimara M. Ferreira3 Elisângela do C. Domingo3 João Paulo V. Santos4 RESUMO Este trabalho teve por objetivo determinar características físico-químicas e microbiológicas do fennento endógeno utilizado na fabricação do queijo Minas artesanal fabricado na região da Serra da Canastra, Minas Gerais, em diferentes períodos do ano. O queijo Canastra é produzido de forma artesanal, com leite cru de vaca e utiliza como cultura iniciadora um fermento endógeno, preparado a partir do soro. Amostras do fermento endógeno, utilizado em oito unidades produtoras do queijo Canastra, foram coletadas assepticamente nas respectivas propriedades situadas na cidade de Medeiros, MO. As mesmas propriedades foram amostradas no período das águas ( PA) e no período da seca (PS). A acidez média encontrada foi 0,56% e 0,66%, no PA e PS, respectivamente. O pH apresentou média de 5,02 no PA e de 5,07 no PS. O teor de NaCl foi superior (P<O,O 1 ) no PA, com média de 7,39%, enquanto no PS, a média foi de 4, 1 3%. A contagem de mesófilos aeróbios foi menor (P<O,O I ) no PA com média de 5,87 Log UF C.mL- I , no PS a média encontrada foi de 7,45 Log U F C .mL-I . As contagens de oliformes totais, E. co/i e S. QlIrellS não diferiram (P>O,O I ) nos dois períodos amostrados e as médias encontradas foram respectivamente 2,78 Log U F C .mL-I , 1 ,28 Log U F C .mL-1 e 1 ,94 Log U F C .mL-1 no PA e de 2,54 Log U F C .mL-I, 1 ,60 Log UFC.mL-1 e 1 ,6 8 Log U F C .mL-1 no PS. Este trabalho representa uma das etapas iniciais acerca dos principais componentes físico-químicos e microbianos do fermento endógeno utilizado na fabricação do queijo Canastra. Estudos para uma melhor compreensão desses componentes, suas variações c interações, assim como a sua contribuição para as características e a qualidade do queijo Canastra precisam ser definidos. Palavras-chave: Fermento endógeno, queijo artesanal, características físico-químicas, características microbiológicas. IN TRODUÇÃO A região da Serra da Canastra, situada no sudoeste do estado de M inas Gerais é conhecida por sua tradicional produção artesanal de queijos. O queij o Canastra é fabric ado por p ro dutores rurais em pequena escala utilizando leite de vaca cru e técnicas tradicionais, entre elas, a adição de um fermento endógeno, preparado a partir do soro eliminado após prensagem e salga do queijo. Segundo dados da EMATER (2007), o queijo Ca n astra é produzido por 1 . 5 2 9 p rodutores, com uma produção anual de 5 .787 toneladas. As carac terísticas pedológi cas desta região forneceram I 2 3 4 condições para o desenvolvimento de um queijo c om características sensori a i s peculi ares com grande popularidade entre os consumi dores. Q u e ij o é um com p le x o e c o s s i stema em contínuo fluxo o riundo de fatores extrínsecos como técnicas de processamento e condições de m aturação e , d e fat ore s i n t r í n s e c o s , como composição físico-química e i nterações entre as d i fe rentes comunidades m i crobi anas (PELÁEZ e REQUENA, 2005) . Queijos fabricados a partir d e l eite cru possuem uma diversificada e rica microbi ota e, sua quali dade depende em grande parte da composi ção dessa m icrobiota, sendo a característica m a i s i mportantes que i n fluenc i a Doutorandas em Ciência e Tecnologia de Alimentos - Universidade Federal de Viçosa - [email protected] Professora do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos - Universidade F ederal de Viçosa Estudante de Graduação em Ciência e Tecnologia de Laticínios - Universidade F ederal de Viçosa Mestrando em Ciência e Tecnologia de Alimentos - Universidade F ederal de Viçosa Rev. Inst. Latic . "Cândido Tostes", J u l/Ago, n° 363, 63: 26-30, 2008 na sua quali dade (GRA PPIN e BEU VIER 1 997' M ARI � O, 2003 ). O contr ol e das comu di dade . � mlCro bIana s com o favor ecim ento da micro biota desej ável e a inibiç ão da micro biota indes ej ável é um fator -chav e para a manu tençã o da quali dade desses queijo s. . . ? fermento endó geno utilizado como cultu ra InICI adora na fabri cação do queij o Cana stra apre senta altas cont agen s de b actér ias látic , as (NOB �EGA , 2007 ), por outro lado, é uma fonte poten cIal de conta mina ção. Apes ar do seu exten si vo uso, como ingre diente tradic ionalm ente utiliz ado na produ ção, muito pouc o é conhe cido sobre a sua comp osiçã o. O conh ecim ento da sua micro biota carac teríst icas físico -quím icas pode rão contr e ibuir para a intro dução de modi ficaç ões neces sária s proce sso com o obj etivo de melh orar a quali ao dade final, sem a perda das suas carac teríst icas. . . O .obj etivo desse traba lho foi pesq uisar os pnnc IpaIs grup os microbian os e carac teríst icas físico - �uímic as do ferm ento endó geno utiliz ado na fabn cação do queij o Cana stra, em difer entes do ano. da 3M - AOAC 99 1 . 1 4) e Staphylococcus aureus (s. aureus) ( Petrifilm da 3M - AOAC 98 1 . 1 5). 2.4 A n á lises E s tatísticas P ara análise estatística dos dados foi uti. h� ado o teste Wilcoxon p ara dados pareados ao nIvel de significância de 1 % . 3 RESULTADOS E D ISCUSSÃO 3 . 1 C a r a c t e riza ç ã o físic o-química As faixas de pH, acidez titulável e cloreto de , . constatadas no fermento endógeno no período SOdI � das aguas (PA) e no período da seca (PS) estão de monstrados nas tabelas 1 , 2 e 3, respectivamente. Faixas 2 . 1 C oleta d a s a m ostras 4,60 - 4,70 4,7 1 4,80 4,8 1 4,90 4,9 1 5,00 5,0 1 - 5 , 1 0 5 , 1 1 - 5 ,20 5 ,2 1 - 5,30 5 , 3 1 - 5 ,40 Amostras dos fermentos endógenos utiliza dos em oito unidades produtoras do queijo Canastra fora � coletadas no município de Medeiros, Minas Gerais no período da seca (período de abril a se tembro) e no período das águas (período de outubro a março) do ano de 2006. Após cada coleta, as amostras foram transportadas para o laboratório sob refrigeração e imediatamente avaliadas. O pH do fermento endógeno foi medido . dIretamente com u m pHmetro d i gital (Tecnal mod e l o pH M eter- l 02) e a acidez titulável foi . �vahada pelo método oficial para a referida aná lIse, descrito na Instrução Normativa nQ 68, de 1 2 d e dezembro de 2006 (BRASIL, 2006). O teor de CI oreto � e SÓ d i o (NaCI) foi determinado pelo , , do tItfl. etrico, meto segundo PEREIRA (200 1 ). �. Todas as analIses foram realizadas em duplicata. 2 . 3 A nálises microbi o l ógicas Alíquotas de 1 0 mL das amostras de cada . ullldade produtora foram transferidas para 90 mL de solução �a �p � o fosf�to esterilizada e homoge . neIzadas. DIluIçoes deCImais foram preparadas e plaqueadas em duplicata. Foram realizadas a conta gem de m � sófilos aeróbios (APHA, 1 992), coli formes totaIS e Escherichia coli (E. coli) (Petrifilm Faixas de p H encontradas n o fermento endógeno utilizado na produção d o queij o Canastra, coletado no pe , , flodo das aguas e no período da seca Tabela 1 . MATERIAIS E MÉTODOS 2 . 2 A nálises fíSic o-quí micas Pág. 27 M éd i a s Número de Unidades Produtoras Período P eríodo das Águas da Seca 2 3 2 5,02a 2 2 1 1 5 ,0 7 a Médias �eguidas d a mesma letra, não diferem entre si, pelo teste W Ileoxon a I % de probabilida de (P<O, O I ). Faixas de acidez titulável encontra das no fermento endógeno utilizado na produção do queij o Canastra, co letado no período das águas e no pe ríodo da seca Tabela 2 . Faixas (%) 0 ,40 - 0,5 0 0,5 1 - 0,60 0,6 1 0,70 0 , 7 1 0,80 0,8 1 - 0,90 0,9 1 - 1 ,00 1 ,0 1 - 1 , 1 0 M édias Número de Unid ades Produtoras Perí odo Perí odo das Águas da Seca 4 I 1 3 2 2 I I 0,56a Médias � eguidas da mesma letra, não 0 , 6 6a arvoredoleite.org diferem entre si, pelo teste W I lcoxon a I % de probabilida de (P<O, O I ). digitalizado por Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/ Ago, n° 363, 63 : 26-30, 2008 Pág. 28 Tabela 3 . Faixas de cloreto de sódio encontra das no fermento endógeno utilizado na pro dução do q u e ij o C an astra, coletado no período das águas e no período da seca Faixas (%) 1 , 5 0 - 3 ,00 3,0 1 - 4,50 4, 5 1 - 6,00 6,0 1 - 7 , 5 0 7,5 1 - 9 ,00 9 , 0 1 - 1 0, 5 0 l Q, 5 1 - 1 2,00 M édias Número de Unidades Produtoras P e rí o do Período da Seca das 4 1 1 1 4 7,39a 4, 1 3 a Médias seguidas da mesma letra,não diferem entre si, pelo teste Wilcoxon a 1 % de probabilidade (P<O,O 1 ). Os resultados médios de pH, no PA e no PS foram de 5,02 e 5,07 respectivamente (Tabela 1 ) . Os valores de acidez apresentaram média de 0,56% no PA e 0,66% no P S (Tabe la 2). Onze amostras (68,75%) dos fermentos endógenos ava l i ados apresentaram pH na fai x a entre 5 , 0 1 e 5 , 4 0 . Nove amostras ( 5 6 , 2 5 % ), apresentaram acidez titulável entre 0,40% e 0,60%. O fermento endógeno uti lizado na fabricação do queij o Canas tra é coletado após a salga do queijo e permanece ao longo da noite a temperatu ra ambiente até o momento da sua uti lização, no dia seguinte. Esta prática, al iada a moderada temperatura encontra da na região, resu ltaram em valores médios de pH e acidez, que permitem o crescimento de uma ampla gama de microrgani smos, como bactérias do ácido lático (BAL), fungos, leveduras e algu mas bactérias patogênicas, a exemplo de S. allreus e E. ca/i (B ETTS et a i. , 1 9 99; G O B B ETTI et ai. , 1 9 99; JAY, 2005). O teor de cloreto de sódio (NaCI) foi a única característica físico-química que apresentou d i ferença sign ificativa e ntre os dois períodos amostrados. As concentrações de NaCI no PA fo ram mais altas (P<0,05) com média d e 7 , 3 9 % , enquanto no P S , a m é d i a observada foi 4, 1 3%. No PA, 50,00% dos fermentos endógenos anali sados apresentaram concentração de NaCI entre 7,5 1 % a 9,00%, já no PS, este mesmo percentual (50,00%) foi encontrado para concentraçõe s si tuadas na faixa de 1 ,50% a 3,00% (Tabela 3). Foi também observado uma ampl i tude de variação considerável quanto a utilização do NaCI nas unida des produtoras avaliadas, cujas concentrações va riaram de 1 ,70% a 1 1 ,24%. Vari ações no teor de NaCI utilizado entre os diferentes produtores do queijo M inas artes a- nal, assim como nas diferentes épocas do ano, pode conduzir a produtos com características d is tintas, mesmo quando produzidos na mesma re gião e em condições semelhantes. Pimentel Filho et ai. (2005), ao anali sarem o fermento endógeno utilizado na fabricação do queijo artesanal fabri cado na regi ão do A lto Paranaíba, outra região do estado tradicionalmente produtora de queij o M inas artesanal, encontraram uma amplitude de variação no teor de NaCI maior do que a consta tada no presente trabalho, em que as concen trações variaram de 3 , 5 5 % a 22,3 8%, em quinze amostras analisadas. O conhecimento empírico dos produtores de queijo M inas artesanal assinala o PA, como o período do ano em que ocorre com maior fre qüência, a contaminação dos queijos, caracterizado principalmente, pelo estufamento precoce. Pro vavelmente, por essa razão, nessa época do ano adiciona-se maior concentração de NaCI ao produ to, na tentativa de inibir os causadores dessa con taminação. Esta observação sugere a necessidade de uniformização da técnica d e produção, uma vez que, o uso indiscriminado de sal no fermento endógeno, influencia seu pH, e este, o crescimento da microbiota desej ável e patogênica. A concentração de NaCI e o pH tem efeito sinergístico em relação ao crescimento dos mi crorgan ismos (BETTS et ai. , 1 999; JAY, 2005). Portanto, uma especial importância deve ser dis pensada a esses dois parâmetros, visto que podem ser os principais moduladores da microbiota pre sente no fermento endógeno utilizado na Serra da Canastra. A defini ção de um meio termo, para aproveitar a vantagem do sal no antagonismo a patógenos e que não afete o cresci mento da mi crobiota lática dominante, deve ser determinado. 3 . 2 C a r a c te riz a ç ã o Micr obiol ógica Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Ju l/Ago, n° 363, 63: 26-30, 2008 Tabela 4 . F a i x a s d a contagem d e m e s ó fi l o s aeróbios e n c ontradas n o fermento endógeno utilizado n a produção do queijo Canastra, coletado no período das águas e no período da seca Número de Unidades Produtoras Faixas P e ríodo P e ríodo (Log UFC.mL-' ) da Seca das Águas 4,00 - 4 , 5 0 4,5 1 - 5 ,00 5,0 1 - 5 , 5 0 1 5 , 5 1 - 6,00 3 6,0 1 - 6 , 5 0 2 6,5 1 - 7,00 1 7,0 1 - 7, 5 0 3 7,5 1 - 8,00 4 M é dias 5 , 8 7a 7,45b Médias seguidas d a mesma letra,não diferem entre si, pelo teste Wilcoxon a I % de probabilidade (P<O,O I ). Tabela 5. Faixas de contagem de Staphylacaccus encontradas no fermento en dógeno utilizado na produção do quei jo Canastra, co letado no período das águas e no período da seca aureus Número de Unidades Produtoras Faixas Período Período (Log UFC.mL-') das Águas da Seca < 1 ,00 - 1 ,00 2 3 1 ,0 1 - 2 ,00 2 2 2,0 1 - 3,00 3 3 3 , 0 1 4,00 I 4,0 1 - 5 ,00 M é dias 1 , 94a 1 ,68a Médias seguidas da mesma letra, não diferem entre si, pelo teste Wilcoxon a I % de probabilidade (P<O,O I ). Faixas de contagem de coliformes to tais encontradas no fermento endó geno uti lizado na produção do queij o Can astra, col etado n o período das águas e no período da seca Nas tabelas 4, 5 , 6 e 7 estão demonstradas respectivamente, as faixas de contagem de mesófi los aeróbios, S. allreus, coliformes totais e E. cali, encontradas no fermento endógeno avaliados no período das águas (PA) e no período da seca (PS). Tabela 6. A contagem total de mesófi los aeróbios no PA fo i menor (P<O,O 1 ) e apresentou média de 5,87 Log UFC.mL-' , apenas uma amostra apre sentou contagem superior a 6,5 Log UFC. mL-' (tab e l a 4). Por o utro lado, todas as a mo stras avali adas no P S apresentaram contagens supe riores a 6,50 Log UFC.mL-', com média de 7,45 Log U F C . mL - I . Provav e l m e n t e o aumento na concentração de NaCI praticado no PA favoreceu a inibição da microbiota mais sensível ao sal, e como conseqüência, a d iminuição da contagem de mesófilos aeróbios. Número de Unidades Produtoras Faixas Período Período (Log UFC. mL- ' ) da Seca das Águas < 1 ,00 - 1 ,00 I 1 ,0 1 - 2 ,00 2 2 2,0 1 - 3 ,00 3 3 3 , 0 1 4,00 1 1 4, 0 1 - 5 ,00 2 1 M é d ia s 2,78a 2,54a Médias seguidas da mesma letra, não diferem entre si,pelo teste Wilcoxon a 1 % de probabilidade (P<O,Ol ) . Tabela 7. Faixas de contagem de Escheríchía calí encontradas no fermento endó geno utilizado na produção do queij o C an astra, col etado n o período das águas e no período da seca Número de Unidades Produtoras Faixas Período P eríodo (Log UFC.mL- ' ) das Águas da Seca < 1 ,00 - 1 ,00 3 4 1 ,0 1 - 2,00 4 1 2,0 1 - 3 ,00 1 3 3 , 0 1 4,00 4,0 1 - 5,00 M é d ia s 1 ,2 8 a 1 , 60 a Médias seguidas d a mesma letra, não diferem entre si,pelo teste Wilcoxon a I % de probabilidade (P<O,O 1 )_ A contagem total de mesófi los aeróbios no PA foi menor (P<O,O 1 ) e apresentou média de 5,87 Log UFC.mL-' , apenas uma amostra apresentou contagem superior a 6,5 Log UFC.mL-' (tabela 4). Por outro lado, todas as amostras avaliadas no PS apresentaram con tagens superiores a 6,50 Log UFC.mL-', com média de 7,45 Log UFC.mL-' . Pro vavel mente o aumento na concentração de NaCI praticado no PA favoreceu a inibição da microbiota mais sensível ao sal, e como conseqüência, a dimi nuição da contagem de mesófilos aeróbios. As contagens de S. aurells foram numeri camente superiores no PA (Tabela 5), período no qual, as concentrações de NaCI, em média foram maiores. Contagens semelhantes foram encontra das por Pimentel Fi lho et al_ (2005) no fermento endógeno produzido na região de A lto Paranaíba. Porém, no estudo realizado por Borelli (2002) na região da Serra da Canastra no PA , os valores detectados para S. allreus foram superiores ao do presente estudo em ambos os períodos avaliados. Os grupos coliformes totais e E. calí, foram constatados em parte considerável dos fermentos endógenos nos períodos avaliados (Tabelas 6 e 7). Porém, os resultados de coliformes totais e E. calí, em ambos os períodos avaliados, foram inferiores às médias encontradas por Borelli (2002) ao avaliar as características em 1 0 propriedades na mesma região, no PA. Resultados semelhantes ao do pre sente trabalho foram encontrados no fermento en dógeno uti lizado para a fabricação do queijo Minas artesanal do Alto Paranaíba (PIMENTEL FILHO et ai. , 2005). É possível que a diminuição nas contagens do grupo coliformes e S. aureus seja reflexo das ações que vem sendo desenvolvidas para melhoria da qua lidade do queijo artesanal, iniciadas com a promul gação da Lei Estadual nQ 1 4. 1 85, de 3 1 de janeiro de 2002, específica para os queijos artesanais. digitalizado por arvoredoleite.org Pág. 30 Rev. lnst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/ Ago, nO 363, 63: 26-30, 2008 Este trabalho visa contribuir para o entendi mento das características físico-químicas e micro biológicas do fermento endógeno utilizado na fa bricação do queij o Canastra. Estudos para uma melhor compreensão dessas características, suas variações e interações, e a sua contribuição para as características e a qualidade do queijo Canastra precisam ser determinados. ABSTRACT This work had the obj ective to determine physicochemical and microbiological characteristics of the endogeneou� cultures used in the manufacture of the Canastra cheese. This cheese is made from raw cow's milk, and starter microorganisms carried in the whay from the cheeses. The samples were collected in 8 farm units, in the rain season (RS), " "�nd in the" dry season (DS). The results demonstrated that the values of acidity and pH did not di ffer (P>O,Ol ) in the two sampled seasons. The average acidity found was 0,56% and 0,66%, in the RS and in DS, respectively. The average of pH was 5 ,02 and 5 ,07 in the raining and dry season, i n that order. The NaCl index was superior (P<0,05) in the RS with average of 7,39%, while in the DS, the av erage was of 4, 1 3 % . The total counting for mesophile bacteria was smaller (P<O,O l ) in the RS, with an average of 5,87 Log UFC.mL·1, in the OS the average found was of 7,45 Log UFC.mL·I .The total coliform count, E. coli and S. aureus did not differ (P>O,O 1) in the two sampled periods, and the averages were, respectively, 2,78 Log UFC . mL-I, 1 ,28 Log UFC.mL- 1 and 1 ,94 Log UFC.mL-1 in the RS, and 2,54 Log UFC.mL-I, 1 ,60 Log UFC . mL-1 and 1 ,68 Log UFC .mL-1 in the OS. Key wo r d s : Endogenous starter culture, hand-made cheese, phys ical-chemica characte ristics, microb iological characteristics . 2002. 1 07p. Dissertação de mestrado em Ciências B iológicas, Universidade Federal de Minas Gerais. B RASIL. M i ni stério da Agricultura, P ecuária e Abastec i m ento . D e p artamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal. Serviço de Inspeção de Leite e D erivados. Instrução Normativa n!! 68, de 12 de dezembro de 2006, B rasília, 2006. GOBB ETTI, M., LANCIOTTI, R., DE ANGELIS, M . , CORBO, M . 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Modulação de parâmetros microbiológicos e do pH pelo cloreto de sódio, no fermento endógeno utilizado na produção de queijo Minas artesanal do A lto P aranaíba. Revista d o Instituto d e Laticínios Cândido Tostes, Juiz de Fora, v. 6, p . 295-298 , 2005. Pág. 3 1 QUEIJ � GRANA PADANO DE DIFERENTES ORIGENS' COMPOSIÇAO CENTESIMAL E ACEITABILIDADE SENSO IAL R Grana Padano Cheese from Different Origins: Centesimal Composition and Sensorial Acceptability E M ATER. C aracterização da m i crorregião d a Canastra c o m o produtora d o que ij o M i n as artesanal. Relatório Técnico, 1 9 p . , 2007. NÓBREGA, J . E . , Caracterização do fe rmento endógeno u t i l izado na fab ricação do queij o Canastra n o município de Medeiros, Minas Gerais, com ênfase em leveduras . Viçosa: UFY. 2007. 82p. Dissertação de mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal de Viçosa. B ETTS, G. D., LINTON, P. , B ETTERIDGE, R. J. Food spoilage yeasts : effects of pH, NaCI and temperature on growth. Food Control , v. 1 0, p . 27-3 3, 1 999. Rev. Inst. Latic. "Când ido Tostes", JullAgo, n° 363, 63: 3 1-35, 2008 Junio César Jacinto de Paulal Gisela de Magalhães Machado2 A n tônio Fernandes de Carvalho3 Fernando A n tônio Resplande Magalhães4 Valéria Paula Rodrigues Minim5 RESUMO Queijo tipo Grana Padan o de origem brasile ira �rodUZI·do pelo proce sso tradic ional italian Grana Padano de origem italian a com denom · o e queijo a � d� o�lge protegida foram analis adas quant o à composição centesimal e aceitação sensorial. Anális es � I onst ram ue a compo sição centes imal dos �� qu� ijos foi bastante semel hante. A aceita ção � . s p s queiJo s �Ol avalia da por 60 prova dores não treina dos, utiliza ndo a Escala Hedôn ica de . nove pontos Os re ultado s indica ram que não houve diferença � signifi cativa (p>O 05) em rela ão à aceita a : I: . . . ahano ; b asilei�o . As notas médias da aceitação global dos queijo � sit�am-se ntre os ter ; , , . . , erente e gostei ligeira mente ". Em conclu são, a aceitação dos queijos Grana Padano produ zidos trad"IClOna �e te pode demonstrar um elevad o poten cial de � merca do a ser explor ado. Os resultados su . e ° J O tipo Grana Padan o brasile ro produzido processo origin al italian o, possu i padrão d pelo . i es e nte para o mercado internacIOna l, poden expor tado a preços altame nte compe titivos . do ser Termos para indexação: queijo Grana . . Padan o ' co mposl. çao cente simal, aceita ção senso rial, tecnologia origin al. _ ;� � � �� �� ��� �t� � �����: t:� � �: � t _ � : :�� J�: J��� 1 INTRO DUÇÃO � - si � ilares, mas que possuem algumas características . pro � n as que os diferenciam, sendo ambos pro d � z ldos de acordo com a tecno logia tradicional . uti lizando o leite cru (FURTADO, 2002). � a Itália, em determinadas regiões não é . per �lt1do o uso de si lagem visando evitar a con t �mlOaçã � do l eite com bactérias produtoras de �as. O . Ielte cru para a fabricação do queijo grana e parc ial mente desnatado por separação natural Grana Padano é o queijo de origem italiana . popular sendo fabricado em diversas partes maiS do mundo. Suas características típicas são atribuí das ao processo tecnológico espec ífico na qual ve � sendo fabricado ao longo dos anos, ao longo peno �o de maturação e principalmente à qualidade do leite empregado na sua elaboração (CURTIS et ai. , 2000). Este queijo possui considerável impor tânc ia comercial e algumas características muito . p �rtIculares como tecnologia de fabricação tradi CIOnal, longo período de maturação ( 1 6 a 24 me ses) e textura granular típica, o que o caracteriza como queijo "gr�na'.'. O Parmesão italiano é repre senta �o por dOIS tipos principais : Parmiggiano Regglano e o G rana Padano, queij o s bastante �� �� � d� gordu ra. Os tanques usados para a fabricação . s �o afuni lados, revestidos de cobre e com capa Cidade de aproximadamente 1 000L, nos quais são . produzidos apenas dois queijos pesando aproxi madamente 3 8 a 40 kg cada um (33 a 35 kg após a maturação) (FURTADO, 2 002). O q� eij o "grana" italiano tem formato cil . ,IOdnco, d iâmetro variando entre 33 a 4 5 cm e Mestre em Ciênc ia e Tecnologia de Alim . t (UFV U do : Pr� fessor d EPAM IG-CEPE/ILCT. ' Tenente Freitas, 116, Juiz de Fora M O. I � Rua 2 322 d mal . Jumo@ epamlg .br. 2 E �genheira de Alime ntos (UFV ). Pesqu isador a e Professora a EPAM IG -CEPE/ILCT. Rua . Tenente Freitas, 116, JUIZ de Fora M O. Tel: 32-32 24-31 16 . E-mal . . ·1 . glse · Iamma chado @epa mlg ' . br 3 P os-Do utor em Ciência e Tecnologia de Alime ntos . (UFV ): Professor Adjunto do DTA/UFY. DTA, Camp Unive rsitári o - Viços a - MG. 31-38 99-1800 . us E -mal·1'. antoD lofern ., . andes@ufv. br 4 D o �tor em Clenc la dos Alimentos (UFLA). Pesquisador e Profe ssor da EPAM IG-CE PE/IL CT. Rua Tenente Freita s, 116, Juiz . . , de . Fora .- MG. Tel .' 32-32 24-31 16 . E -mal·1 : fiernan do.ma galhae s@ep amlg. 5 D outora em Clenc b r. la de Alime ntos (UNIC AMP) P � ssora Assocla . da do DTA/UF Y. DTA, Campus Universitário - Viçosa - M O. 31-38 99-1623 . E-mail : vprm@' uf b _ _ �� ; � J��� �� t _ digitalizado por arvoredoleite.org ,I Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", JullAgo, n° 363, 63: 3 1 -35, 2008 a ltura entre 1 8 a 25 cm (FOX, 1 9 9 3 ) . Após a maturação apresentam teores médios de 3 2 % de água e 28,4% de gordura, que corresponde a 42% do estrato seco total. O Grana Padano, devido ao processo de proteólise da massa, possui �m ?�rfil de aminoácidos único e de elevado valor b1010g1CO, , sendo também uma boa fonte de cálcio, magnésio, fósforo, potássio e é rico em vitaminas l iposso lúveis e hidrossolúveis (CURTIS et ai. , 2000). O queijo "grana" maturado é classificado como quei jo de baixa umidade (aproximadamente 30%), ge ralmente conheci do como queij o de massa dura. Esses queijos possuem uma textura típica resultado do longo período de maturação e também de ou tros fatores como a consistência do coágulo e o tamanho do grão no corte, assim como os teores de umidade e gordura da massa, (FURTADO, 2002). A etapa final na produção do queijo Grana Padano é a maturação natural na qual o queij o é estocado a sob determinadas condições de tempe ratura ( 1 5 a 22°C) e umidade (85 a 88%) por um . período maior que nove meses, geralmente corres iPondendo entre 1 2 e 1 4 meses. Dur� nte a matu ração mudanças químicas e bioquímIcas ? c � rrem no queijo, sendo que os principais constItUIntes: p roteínas, l ipídeos e lactose residual são degra dados a produtos primários e posteriormente a produtos secundários (FOX, 1 989). Em diferentes queij os a proteólise desempenha um papel i mpor tante na determinação das características organo l épticas típi cas e representa um significante ind � cador de qual idade. A proteól ise é causada por enzI mas contidas no leite (plasmina), pela quimosina e pelas enzimas produzi das por microrgani smos. Devido à atividade enzimática, o conteúdo caseí nico decresce durante a maturação de queijos Par mesão comerciais (GAIASCHI, 200 I). A qualidade do leite empregado e o sucesso do processo de maturação podem assegurar a excelente qualidade final do produto. O uso de soro-fermento constitui um dos m e i o s m a i s tradicionais para i ncorporação de bactérias l áticas no processo de fabricação e é muito utilizado para a produção de queij os duros na Itál ia. O soro da própria fabricação do queijo é retirado após o processo de cozimento da massa, com temperatura e l evada ( entre 55 e 5 7 ° C ) e deixado fermentar até o dia seguinte quando será uti lizado para a fabricação do dia, sua acidez atin ge valores médios de 1 40 a 1 800D sendo, portan to um exemplo prático da s e l eção n atural d e b ;ctérias láticas do próprio l e i te . As b actérias láticas normalmente presentes no soro-fe rmento são Lactobacillus helveticus, que predomina de vido à sua elevada resi stênci a a ácido, e outras b a c t é r i as termofí l i ca s c o m o Strep t o c o ccus thermophylus , Lactobac illus delbrueckii ssp . bulgaricus, Lactobacillus delbrueckii ssp . Lactis e Lactobacillus fermentu m . Estas bactérias são típicas da microbiota endógena corrente natural das regiões onde os queij os são fabricados e con taminam o leite durante o processo de obtenção e são selecionadas pela tecnologia de fabricação, sendo assim torna-se difícil a reprodução de um soro-fermento que seja capaz de conferir as carac terísticas típicas do queij o Grana P adano tradi cional que é um produto especi fico originalmente fabr i cado n a I tá l i a (FOX, 1 9 9 3 ) . O Quadro 1 mostra a composição físico-química média de um queij o Grana Padano produzido na Itália. No Brasil o Regulamento Técnico de Iden tidade e Qualidade de Queijo Parmesão é regulado p e l a P ortaria 3 5 3 de 1 99 7 . Contudo o queij o Parmesão fabricado n a maioria das i ndústrias bra sileiras não tem padrão de qualidade definido e se distanciou muito do queijo original italiano, resul tado do emprego de leite cru de quali dade inferior, sendo um produto muitas vezes destinado à pro dução de queij o ralado e que não é maturado por completo. Atualmente existem três i ndústr ias de . queijos no Bras i l que uti l izam a tecnologIa tra dicional importada da Itália, em uma delas ocorre eventualmente um i ntercâmb i o de fermento d e soro que é doado por fábricas d e regiões produtoras do queijo "grana" na Itália. São fábricas que con seguem comercializar queijos de elev � do pa�rã o . de qualidade a preços competitivos e amda ehmI nam os custos de importação gerando emprego e renda. Estas empresas possuem equipamentos im portados da Itál ia (tanques afun ilados revestidos de cobre, tanques de desnate natural, calhas para transporte do leite, etc . ) e que reproduzem fi el mente a tecnologia de fab ricação, enformagem, prensagem, salga e as condições de maturaçã? ne cessárias à obtenção de um produto padrolllzado e muito similar ao queijo italiano. Tabela 1 . Composição físico-química média de um queijo Grana Padano. Parâmetros g/l OOg de que ij o Umidade Proteína total (N x 6 , 3 8 ) Gordura C i nzas Cálcio Fósforo Magnésio Sal 32 33 27 4,9 1,15 0,7 0,043 1 ,7 F onte: adaptado de ( F OX, 1 993) . Os testes de aceitação são usados quando o obj etivo é avaliar se os consumidores gostam ou desgostam d o produto. N a escala hedônic � co:n nove pontos o consumidor expressa sua aceItaçao Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/Ago, n° 363, 63 : 3 1 -3 5 , 2008 pelo produto, seguindo uma escala previamente es tabelecida que varia gradativamente com base nos atributos "gosta" e "desgosta" (MINIM, 2006). O obj etivo deste trab a l h o é co mparar a composição fís ico-química e a acei tação senso rial, do queij o tipo Grana Padano produzido no Brasi l em uma queij aria que utiliza a tecnologia original i mportada d a I tál i a e um queij o Grana P adano i ta l i a n o . 2 MATERIAS E MÉTODOS Amostr as de queijos Grana P adano de ori gem brasile ira produz ido pelo proces so tradicio nal italiano e queij os Grana Padano italiano com denom inação de origem proteg ida foram coleta das em superm ercados da grande São Paulo em feverei ro de 2008. Ambos foram adquiri dos fatia dos em cunhas de aproxi madam ente 2 5 0 g , em embala gem plástica termoe ncolhív el a vácuo. Os queijos foram coloca dos no mercad o após o pe ríodo de matura ção de 1 4 meses e apresen tavam prazo de val idade simila r. As análises físico-q uímicas para determi nar a compos ição dos queijos e índices de qualida de foram realiza das no Labora tório de Pesquis a da EPAMIG - Instituto de Laticín ios Cândid o Tostes em Juiz de Fora, MO. As anál ises de umidad e, gordura , cinzas (resídu o minera l fixo), proteín a, pH, gordura no extrato seco (GES) e sal foram realizad as segund o metodo logia analític a descrita em Pere i ra ef ai. (200 I ) , assim como a deter mi nação dos índices de matura ção (extens ão e profun di dade de proteól ise). Para conver são do nitrogê nio total (seguin do metodo logia Kjeldah l) em proteín a foi usado o fator 6,3 8 . O teor de lactose foi obtido pela diferen ça entre o extrato seco total e os teores de proteína , gordura e cinzas da amostra . As avaliaç ões sensori ais foram real izadas no Labora tório de Análise Sensor ial do Depar tamento de Tecnolo gia de Alimen tos da Univer sidade Federal de Viçosa em Viçosa, MO. A aceitaçã o dos queijos foi avaliad a com base na impress ão global por um painel de 60 provado res não-tre i nados, utilizan do a escala hedônic a de nove pon tos. Os testes foram conduz idos em cabines indivi duais, sob luz branca. As amostras foram apresen tadas em temperatura ambien te, devidam ente co dificad as com número s aleatór ios de três dígitos em pratos descartáveis contend o pedaço s dos quei jos com aproxim adamen te 5 g. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO O queij o Grana Padano é um produto ma turado com tecnologia de fabricação peculiar, o Pág. 33 que lhe confere caracte rísticas físico-qu ímicas únicas. Confor me pode ser observa do na Figura I , os queijos Grana Padano de origens diferent es apresen taram compos ição centesi mal semelh ante. O queij o bras i l e i ro apresen tou d i scretam ente maiores teores de proteína e gordura e menor teor de umidad e compar ativame nte aos valores encon trados para o queij o italiano e os dados apresen tados pela literatu ra, Fox ( 1 998). Os queijos se classificam como de baixa umidad e, por apre sentare m valores i nferior es a 3 5 ,9% para este parâme tro (BRAS IL, 1 996), o que é esperad o para queijos com tempo elevado de matura ção . O pH do queij o brasilei ro foi 5 ,60 e o queij o italiano apresen tou p H de 5,35, o que demons tra a simi laridad e das tecnolo gias de fabricaç ão. ! . Queijo bmsilciro ; 35% (1% . !l Quc ijo italiano tJ FOX. 1998 Umidade Figura 1 . I C....lrdum Ciní'1l.s Proteína Sal Lactosc Comparação entre a composi ção cen tesimal dos queijos analisados e dados da li teratura obtidos de FOX , 1 998. De acordo com F O X , 1 993 o valor médio de nitrogênio solúvel por ni trogênio total para um queij o Grana Padano é 34%. Os valores de extensão da proteólise encontrados nos queij os estudados foram 3 1 ,0 I % para o queijo brasileiro e 3 3 , 73% para o queij o italiano, conforme apre sentado na Figura 2 , o que mostra concordância com os dados da literatura para os dois queijos estudados. É interessante observar que os valores de nitrogênio solúvel em ácido tricloroacético 1 2% por nitrogênio solúvel em pH 4,6 encontrados fo ram bastante e l evados para os d o i s queij o s , chegando a 9 1 , 2 3 % para o queij o brasi l e i ro e 90,0 1 % para o italiano. Os resultados comprovam que os queijos estão em elevado estági o de ma turação, sendo também demonstrado apenas pelos índices de extensão e profundidade da protcólise os quai s atingi ram n íveis bastante el evados se comparados, por exemplo, com o queij o Emental que possui valores médios de 26,67% de extensão e 1 5 , 5 5 % de profundidade da proteól i se (FOX, 1 9 9 3 ) . O teor d e gordura n o e xtrato seco dos produtos estudados os classifica como semi-gordos, p o i s estão d e ntro dos l i mi t e s de 25 a 44,9% digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/Ago, n ° 363, 63 : 3 1 -3 5 , 2008 Pág. 3 4 (BRASIL, 1 996). O s queijos apresentaram valores de gordura n o e x trato seco semelhantes ao en contrado n a l iteratura, 3 9 , 7 0 % (FOX, 1 99 8 ) . 45% 40"10 35% 30"/0 25% 20"10 15% 10"/0 5% 0"/0 Figura 2 . GES E.xlensão Profundidade Comparação entre os índices d e qua l i dade (extensão e profu n d idade da proteó l i se e gordura n o extrato seco - GES) dos queijos Grana P adano de origens brasileira e italiana. Em relação à aceitab i li dade sensorial, não houve d i fere n ç a signifi c ativa (p> 0 , 0 5 ) e ntre os queij o s italiano e brasileiro. As notas médias da acei tação s ituaram-s e entre os termos hedônicos " gostei l i geiramente" e "indiferente". Estas no tas i n d i cam aceitação do produto e tamb ém re fl e te m o fa t o de que o q u e ij o Gran a P ad a n o trad i c ional maturado p o r s e r um produto pouco conhecido pelos consumidores bras i l eiros e mui tas vezes de consumo indireto pode ter suas ca rac terísticas típicas de q u a l i dade erron e amente confundidas com defe i t o s . O queij o p o s s u i um sabor forte e p i cante, e apre s e nta uma textura gran u l ar típica com cristais de tiro s i n a que são facilmente percebidos na degustação, estas carac terísticas são proporci onadas pelo longo período de maturação e são atributos sensoriais desej áveis mas que muitas vezes são estranhos à população e m gera l . O s res u ltados sugerem que o queij o Grana P ad a n o de o r i g e m b r a s i l e i r a p r o d uz i d o s p e l o pro c e s s o trad i c io n a l i t a l i a n o , p o s s u i p adrão d e q u a l i d a d e s u fi c i en t e p a r a o m e r c a d o i n t e r n a c i o n a l , p o de n do ser exp ortado a p r e ç o s c ompe t i t i v o s . Por ser um q u e ij o que a i n da é p o u c o c o nh e c i d o e comerc i a l i zado n o B ra s i l , s ugere s e u ma maior divulgação d e suas c aracterísticas d e quali dade para que s e u consumo s ej a i n cen tivado e as i n dústrias bra s i l eiras s e s in tam moti v adas a explorarem o e levado potencial de mer cado que este produto p o s s u i . SUMMARY Brazilian Grana Padano Cheese produced by the traditional ltal i an process and Grana P adano cheese from ltaly w ith denomination of protected origin were analyzed for the centesimal composition and s e n s o r i a l a c c e p t a n c e . P h y s i c o c h e m i c a l a n a l y s e s d e m o n strated t h a t the c e n t e s i ma l composition o f the both cheeses w a s similar. The a c c e p t a n c e o f the two types o f c h e e s e s w a s evaluated by 60 untrained j udging, u s i n g t h e nine p o i nts Hedonic Scale. The results indic ated that there was not significant difference (p>0 , 0 5 ) , i n relation t o acceptance, b etween t h e ltalian and the Brazilian cheese. The medium scores of global a c c e p t a n c e of the c h e e s e s l o c a t e d among the hedon ic terms "Indifferent" and "I l i ked l i ghtly". In conclusion, the acceptance of Grana P adano cheeses produced tradi tionally can demonstrate a high market potential to be explored. The results suggest that the Brazi l i an Grana Padano cheese produced by the italian original process has enough qual ity to the international market and could b e exported at h i g h l y competitive prices. I n d e x Te r m s : Grana P a d a n o c h e e s e , c e n t e s i m a l c o mp o s i t i o n , s e n s o r i a l acceptance, original tecnol ogy. Rev. Inst. Latic. "Când ido Tostes", J u l /A g o , n° 3 63, 63: 3 1 -3 5 , 2008 London S E I 8HN, UK. Edited by P. F. Fox. - 2 n d . ed. 5 7 7 p . 1 9 9 3 . F O X , P . F . C heese : C h e mistry, P h y sics a n d Microbiology. Volume 2 . M aj o r Cheese Groups Publ i shed b y Chapman e HaU, 2-6 B oundary Row: London S E I 8HN, UK. Edited by P. F. Fox. - 2 nd. ed. 6 0 1 p . 1 99 3 . F O X , P . F . P r o te o l y s i s d u r i n g c h e e s e manufacturi n g a n d ripening. Journal o f D airy Science. v. 72. n. 6, p. 1 3 7 9 - 1 40 0 , 1 9 8 9 . F O X , P. F . , P . L H . M c S W E E N E Y. D airy . t r y a n � B :l O c h e mistry. P u b l i s h e d b y Che�lS B lackIe Academlc & Professional, an i mprint of Thomson S ci e n c e , 2 - 6 B ou n d ary Row, London SEI 8UK. F i rst ed. 1 9 9 8 . 478p. F URTA D O , M. M. Q u e ij o P a rm e s ã o : c ar a c - Pág. 35 t e r í �t i c a s e p r o c e s s o o r i g i n a l d e e l a b o r a ç ã o . D an t s c o B ras i l L t d a . M IL KB I ZZ Tec n o l ogia Temático. n . 3. j u lho-agosto de 2 0 0 2 . Fascícu l o 3 . P á g . 1 2 a 1 8 . S ã o Paulo - SP. G A I A S C H I , A . ; B E RE T TA , B . ; P O I E S I , C . ; CONTI, A . ; GIUFFRIDA, M . 0. ; GALLI, C . L . ; R E S TA N I , P . P r o te o l y s i s o f â - c a s e i n a s a m a r k e r o f G r a n a P ad a n o c h e e s e r i p e n i n g . J ournal o f Dairy S cie n ce. v . 8 4 , n . 1 , p . 6 0 65, 2 00 1 . MINIM, V. P. R . Análise sensoria l : estudos com consumidore s . Vi çosa. Editora UFV. 225p. 2 0 0 6 P �REIRA, D . B . C . , OLIVEIRA, L . L . , C O S TA JUNIOR, L.C.o., SILVA, P. H. F. , Físico-química d o lei te e deriva d os - Métodos a n al í tic os. 2 . . ed. JUIZ d e Fora: Oficina d e Impressão Gráfica e E d i tora, 2 0 0 0 . I 90 p . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 4 CO NCLUSÃO Não houve diferença significativa de acei tação entre o queij o tipo Grana Padano de ori gem bra s i l e i ra produzido pelo pro c e s s o tra d i c i o n a l i t a l i a n o e queij o Grana P a d a n o i t a l i a n o . O s r e s u l t a d o s demon stram que h á u m a grande op ortun i d ade d e produção deste tipo de queijo no Brasi l , desde que feito com leite de excelente quali dade e respe itando a tecnologia original ita l iana que é ampl amente descrita n a l iteratura. A uti l i zação de processos tradicionais, l ei te de boa qualidade, fermentos adequados e equip amentos e s p e c í fi c o s p o d e m p rop orc i onar a obtenção d e produtos com c aracterísticas adequ adas. B RA S I L . P o r taria n° 1 4 6 de 7 de março de 1 996. Aprova o regulamento técnico de identidade e qualidade dos queij os. Diário Oficial da União, Bras ília, l i de março de 1 996. C U RT l S , S. A . , C U RI N I , R . , D E L F IN I , M . , BROSIO, E . , D ' ASCENZO F. , BOCCA, B . Amino a c i d p r o fi l e in the r i p e n i n g of Grana Padano cheese:a NMR study. Food Chemistry 71 (2000) 495±502. F O X , P . F . C heese : C he mistry, P h y sics a n d Microbi o l ogy . Vo l u me 1 . G e n e r a l A s p e c t s. Published by Chapman e Hall, 2-6 B oundary Row. digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u llAgo, n ° 3 6 3 , 6 3 : 3 6-43 , 2008 36 o PAPEL DO LEITE NA NUTRIÇÃO The milk role in nutrition Isis R. T. Renhe* RESUMO anos esse alimento tão o leite faz parte da dieta humana há milhares de anos. Entretanto,nos últimos pesquisas têm sido conduzidas e inúmeros rico tem perdido espaço para outros alimentos. Paralelamente,várias presente na nossa alimentação desde estudos realizados com intuito de entender melhor o papel desse alimento funções muito mais diversificada� do que os primeiro momentos de nossas vidas. Os resultados apontam para essas funções surgem propr � ed � es as já tradicional mente reconhecid as, como fonte de cálcio. Entre muscular,prevenção de dlarreJas, anticarcinogênicas,anticariogênicas,de controle de peso,aumento da massa leite e seus derivados são ótimos veículos redução de desmineralização dos dentes,entre outras. Além disso,o esses produtos,tornando-os de grande para a introdução de outros compostos que podem enriquecer ainda mais dietas. nossas em a importânci Palavras-chave: Alimentação; laticínios; cálcio, câncer. � INTRODUÇÃO I A dieta é o principal foco das estratégia s de saúde pública na manutenç ão da saúde ao longo da v i da, prevenind o precocem ente doenças crônicas como distúrb ios gastrointe stinais, doenças cardio vascu lares, câncer e osteopor ose, dentre outros (LOPEZ- RU B I O et ai. , 2 0 0 6 ) . Pessoas que t ê m u m a ingestão adequada de gordura, prote í n a s , cálcio, magn é s i o e potássio (todos componentes present e s nos lácteos) são menos prop ícias a sofrer com hipertensão e fumo ( M A C DONALD, 2 0 0 8 ) . P o r séculos, senão mi lênios, o leite e seus derivados têm s i do ícones de saúde e nutrição. Se p erguntado a c o nsumidores sobre a i mportância do lei te, eles c i tariam o papel na nutrição como u m t o d o , n o c r e s c i mento e fo rta l e c i m e n to de ossos e dentes, e a possibilidade de prevenir osteo porose ( M ACDONALD, 2008). Porém, este con ceito tem s i do amp l i ado p e lo aumento d e traba lhos apresentando outros benefícios do l eite, seus compostos e seus derivados. Em revisão, Pfeuffer & Schrezenmeir (2006) c o n c l u e m que o s produtos l á c teos contêm uma série de constituintes, como minerais, proteínas, peptídeos, triacilgliceróis de cadeia média, lactose e ácidos orgânicos que podem, direta ou indireta mente, ter efeitos benéficos n a sensibili dade à insu lina, peso, pres são sanguínea e nível de l ip ídeos. D o ponto de v i sta d a ocorrê n c i a d e ami noácidos e s s e n c i a i s , as prote ínas do s o ro apre- s en tam q u a s e todos estes e m e x c e s s o às reco mendações, exceto pelos aminoácidos aromáticos (fenilalanina, tirosina) que não aparecem em ex cesso, mas atendem às recomendações para todas as idades. Apresentam, a i nda, e l evadas concen trações dos a m i n o ác i d o s trip t o fa n o , c i s t e í n a , leucina, isoleucina e l isina ( S GARB IERI, 2004). Apesar de todos e s s e s benefí c i o s , o leite ainda apres enta restrições de consumo devido às alegações de ser muito alergênico. Estudos mos tram que n a prática clínica, muitas vezes, os pes qui sadores div idem-se em incrédu los, que subes timam s intomas, ou aque les que os superestimam, l evando c r i a n ç a s a o u s o d e d i e t a s e privações desnecessárias, c o m graves conseqüências nu tricionais e p s i co lógicas (CARVALHO JUNIOR, 2 0 0 I ) . P e l o fato do leite de vaca ser i mportante fo nte de nu-trientes, a sua e l i minação da di eta sem a d e q u a d a s u b s t i t u i ç ã o pode p rej u d i c a r o crescimento normal e a qualidade nutri c ional da dieta (CORTEZ et ai. , 2 0 0 7 ) . Grupos com d i eta i senta d e leite d e vaca e derivados apresentam s i g n i fi c a t i v amente menor ingestão de energia, proteínas e l ipídios quando comparado com gru pos contro le. A alimentação de crianças com die ta isenta de leite de vaca e s eu s derivados também apre s en t a d é fi c i t s d e nutri e n t e s , e s p e c i a l me n te de energ i a e cálcio, em relação às recomendações intern a c i o n a i s e t a m b é m e m r e l a ç ão a o grupo contro l e (MEDEIROS et ai. , 2004). A incidência de alergias está s ituada entre 1 ,9 e 7 , 5 % . Há diferenças significativas entre os ra do Instituto de Laticínios Cândido Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos. Professora e Pesquisado de Fora / MO CEP - 36045-560. Tostes / EPAMIG. Rua Tenente de Freitas 1 1 6, Santa Terezinha - Juiz [email protected] Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Ju llAgo, nO 363, 63: 36-43 , 2008 trabalhos, já que há grande variabi li dade de critérios de diagnósticos, desenhos do estudo e de popul ação estudada (tanto geográfica, quanto numericamen te). Em abordagens recentes, prospectivas e com uso de métodos de diagnósticos adequados, a verda dei ra incidência encontra-se entre 2 e 3 % . Se o diagnóstico é fe ito apenas pela h i stória c l í n i ca, este é superv a l o r i z a d o , u m a v e z que s i ntomas sugestivos estão presentes em 5 a 1 5 % das crian ças, mas somente e m u m terço destas a relação com o leite de vaca é comprovada (CARVALHO JUNIOR, 2 00 1 ) . Apesar d e s s a c o l o ca ç ão n e g a t i v a , o utras tantas, e e m m a i o r número, aprese ntam o l e ite como agente benéfico à saúde e bem estar do ho mem. Evidências recentes sustentam a teori a de que as proteínas do l e ite, inclu indo as proteínas do soro, além de seu alto valor biológico, possuem p e p t í d e o s b i o a t i v o s , que atuam c o m o a g e n t e s antimicrobianos, anti-hipertensivos, reguladores d a função imune, assim como fatores de crescimento (HARAGU C H I et ai. , 2006). Há relatos também de ativi dade anticarcinogênica, anti-obesidade, an ticariogên ica e de aumento de massa muscul ar. Além disso, o leite e seus derivados têm sido muito uti lizados como veículos para a introdução de com postos bioativos na alimentação humana, que têm outras tantas al egações funcionais, ou seja, de be nefícios à saúde do consumidor. Vale ressaltar tam bém o papel de produtos derivados do leite, como o soro, que vem sendo col ocado como excelente fonte proté ica e de outros tantos benefícios. PA P E L NUTRICIONA L DAS PRO TE ÍNAS As proteínas solúveis do soro do leite apre sentam um excele nte perfil de aminoácidos, ca racterizando-as como prote ínas de alto valor bio lógico. Possuem peptídeos bioativos que conferem a estas prote ínas diferentes propriedades funcio nais. Os aminoácidos essenciais, com destaque para os de cadeia ramificada, favorecem o anabol ismo, assim como a redução do catabol i smo proté ico, favorecendo o ganho de força muscular e reduzindo a perda de massa muscular durante a perda de peso (HARAGUC H I , 2 0 0 6 ) . A s caracterí sticas nutri cional e fu ncional das prote ínas do soro estão relac ion adas com a estrutura e a fu nção b i o l ógica destas p roteínas. Nas últimas décadas tem crescido o interesse na eficácia nutricional das proteínas do soro em fór mulas para crianças e em alimentos d i etéticos e de saúde, usando as proteínas na forma natural ou pré-digerida ( W I T, 1 9 9 8 ) . As micelas de caseína t ê m função primária de nutrição e as proteínas do soro são carreadoras para l i gantes e e l ementos traços e apresen tam função biológica (WIT, 1 998). Apesar da caseína P ág . 37 e suas frações não terem s ido relacionadas com atividades fisiológicas, os peptídeos derivados da caseína têm demonstrado várias propriedades bioa tivas. Para ter função fisiológica no corpo huma no, os peptídeos têm que ser absorvidos pelo intesti no n a forma ativa. Entretanto, não há evidências de que esses peptídeos podem ser absorvidos pelo intestino de adultos. Os dipeptídeos e t i-ipeptídeos podem fac i l mente ser absorv i d o s , mas não está claro se peptídeos maiores, contendo mais de três aminoácidos, são absorvidos e chegam ao órgão de interesse (SHAH, 2000). A adição de caseíno-fosfo peptídeos em pastas de dente tem sido sugerida por ter efeito anticariogênico e por prevenir a desmi nerali zação do esmalte do dente ( S HAH, 2000). A � - l actog lobul ina é estável aos ácidos e enzimas estomacais. Essa estabilidade é importante para sua função b iológica como carreadora de reti nol para o bezerro. A �-Iactoglobulina é uma fonte rica no aminoácido essencial c i steína. A função biológica da a-Iactoalbumina está relacionada ao suporte da biossíntese de lactose, que é uma im portante fonte de energia para recém-nascido. A albumina do so ro bovino ( B S A ) é idêntica à al bumina do soro sanguíneo. É provavelmente fonte para a produção de glutationa no fígado, um pep tídeo que aumenta a atividade imune de indivíduos HIV positivo ( W I T, 1 9 9 8 ) . Prote ínas bem conhecidas n o leite são lac toferrina e lactopero x i d a s e . A lactoferri na tem sido relaci onada com fu nção ant ibacteriana na célula mamária e atividade nu tri c i onal, tornando o ferro mais disponívcl para a absorção no intcs tino. A lactoperoxidase é ativa contra várias cepas de bactérias entéricas. Ambas as proteínas são rela tadas como tendo ação benéfica na redu ção da incidência de di arré ia crônica ( W IT, 1 9 9 8 ) . PA P E L NUTRICIONA L D A LACTOSE A lactose é o único di s sacarídeo que ocor re exclusi vamente no leite de mamíferos. A lac tose serv e como p recursora de derivados bioa ti vos que tem apli cação em a l i mentos e fánna cos ( S C H A A F S M A , 2 0 0 8 ) . A lactose t e m s i do re laci onada c o m o au mento da abs orção de c á l c i o ( S HAH, 2 0 0 0 ) . O cálcio é mais biodisponível no leite materno que em fórmu las, porém as a l tas conc entrações adi c i onadas nas formu lações infantis dificultam as c o mparaçõ e s (ABRA M S et ai. 2 00 2 ) . Crianças ali mentadas com fórmulas infantis l ivres de lacto se apresentaram menor absorção de cálcio, apesar de parecer que essa fórmu la apresenta absorção de cálcio suficiente . O uso de fórmulas livres de lactose baseadas em proteínas l ácteas n a nutrição de crianças tem aumentado bastante. M u itos pais preferem estas digitalizado por arvoredoleite.org 38 i . \ I Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l /Ago, n ° 3 6 3 , fórmulas por causa da possibilidade de intolerância à l actose de seus fi lhos. Entretanto, considera-se que a lactose aumenta a absorção de minerais, especialmente cálcio, devendo ser avaliada a con seqüência dessa mudança. Formul ações l ivres de lactose e baseadas em proteínas de soj a têm sido usadas há anos, mas usualmente contém substan cial mente mais cálcio que as fórmulas com leite bovino para compensar o decréscimo na absorção mineral resultante da presença de proteínas e da ausência de l actose (ABRAMS et ai. 2002). A lactose também pode ser utilizada na pro dução de lactulose e lactooligossacarídeos. A lac tulose é empregada como promotora de b actérias probióticas, j untamente com os l actooligo ssaca rídeos (SHAH, 2000). Lactulose (p-D-galactosil-D-frutose) e lacti tol (p-D-galactosil-sorbitol) são derivados sintéti cos da lactose, que são amplamente utilizados no tratamento de pacientes com encefalopatia hepá tica (intoxicação do cérebro causada pela deficiência do fígado em converter amônia em uréia) e em pacientes com constipação crônica (SCHAAFSMA, 2 0 0 8 ) . Tanto l actulose quanto l acti tol não são digeridos no intestino delgado e são fermentados pela flora colônica, tendo efeito prebiótico. Galactooligossacarídeos (GOS; Gal-(Gal)n Glu) são produzidos a partir da lactose pela apli cação de galactosil-transferase. Esses oligossaca rídeos são resistentes às enzimas digestivas e agem como prebióticos. Também apresentam sabor doce e baixo valor calórico (SCHAAFSMA, 2 0 0 8 ) . O ácido lactobiônico (ácido p-D-galactosil glucônico) é produzido pela oxidação da lactose. Esse ácido combina sabor doce e efeito na redução do pH. Tem também grande propriedade de com plexação com minerais e é resistente às enzimas digestivas (SCHAAFSMA, 2008). PAPEL NUTRICIONAL DA GORDURA A gordura do leite b o v i n o c o mp reende várias c lasses de lipídeos. Além dos monoacil gliceróis, diacilgl iceróis e triacilgliceróis, o leite contém uma grande variedade de ácidos graxos livres, fosfolipídeos, glicoproteínas e esteróis en tre os lipídeos do leite (MOL KENTIN, 2000) . O leite bovino contém uma variedade de compostos ativos entre seus lipídeos, apresen tando efeitos fisiológicos tanto positivos quanto negativos. Mesmo estando correlacionados com os ácidos graxos trans, o ácido l inoléico conj u gado é sempre citado por sua atividade biológica positiva, como atividade anticarcinogênica, por exemplo. J á o colestero l , apesar de ser impor tante para a s íntese d e hormô n i o s e s teróis, é muito freqüentemente mencionado apenas por seu efeito negativo em problemas do coração e 63 : 3 6-43 , 2008 aterosclerose quando em altos níveis no sangue ( M O LKENTIN, 2 0 0 0 ) . O s á c i d o s grax o s t r a n s n o s a l i me n t o s atraem atenção devido s e u potencial efeito ad v erso n a saúde humana. Suas duas principais fon tes são gordura vegetal parcialmente h idroge nada e a gordura de ruminantes, p roveniente da gordura do l eite ou de tecidos gordurosos desses animais . Os ácidos graxos trans fazem p arte da dieta humana h á milhares de anos com o con sumo de l eite e carne "gorda", mas sua i ngestão aumentou muito com a introdução e o aumento do consumo de gordura v e getal parci a lmente h i drogenada n o s últimos anos ( P F E U F F E R & S CHREZENM EI R, 2 0 0 6) . Apesar da gordura proveniente de ruminan tes ser, em geral, considerada a grande vilã da a l imentação, P feuffer & S chrezenmeir ( 2 0 0 6) não encontraram e feito d i ferente potencial n a saúde dos ácidos graxos trans oriundos d e gordura de ruminantes ou óleo vegetal parcialmente hidro genado. Se não há consenso final dos efeitos posi tivos dos ácidos graxos trans do leite em humanos, também não há evidências de efeitos negativos. O principal ácido graxo trans da gordura p rov eniente de ruminantes é o ácido vacênico (AV), enquanto que no óleo vegetal parcialmente hidrogenado a predominância é do ácido elaidico (AE) . Todos os efeitos do AV comparados com AE são considerados favoráveis, ou pelo menos neutro. Uma característica proeminente do AV é sua conversão em ácido linoléico conj ugado no corpo humano (STEIJNS, 2 0 0 8 ) . Devido ao aumento da resistência dos pató genos aos antibióticos, os esforços têm sido no aumento da resistência do hospedeiro à patógenos através da alimentação. Acredita-se que a mudança na composição da dieta com conseqüente mudança no conteúdo gastrointestinal pode afetar a sobre vivência e a colonização por patógenos (SPRONG et ai. , 1 999). Triacilgliceróis não têm se mostrado tóxi cos, mas se tornam ativos após tratamento com lipases, o que sugere o envolvimento de ácidos graxos livres e glicerídeos parcialmente hidroli sados. O efeito desses compostos depende das ca racterísticas da parede celular das bactérias e, de modo geral, as gram-positivas são mais sensíveis que as gram-negativas (SPRONG et ai. , 1 999). Em estudo de Sprong et ai. ( 1 999), a mis tura de ácidos graxos típica para a gordura do leite reduziu significativamente o numero de L. monocytogenes , sendo esse efeito dose-depen dente. A morte de L isteria ocorre predominan temente n o quimo gástrico e é aumentada pelo consumo de dieta rica em gordura. Entretanto, a redução fo i mu i to menor para Salm o n e lla. A atividade individual dos ácidos graxos depende Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/Ago, nO 363, 63 : 3 6-43, 2008 d a concentração e d o comprimento da cadeia (SPRONG et ai. , 1 999). O consumo de uma dieta rica em gordura do leite diminuiu significativamente a excreção fecal de L isteria quando comparado ao grupo consu mindo pouca gordura. E ntretanto, o mesmo não foi observado para Salmonella, o que indica um alto consumo de gordura de leite diminui a colo nização intestinal por L. monocytogenes, mas não de S. enteritidis. Os resultados também indicam que ratos alimentados com dieta rica em gordura também sofreram menos de diarréia causada por Listeria. Esses resultados indicam que a capacidade da gordura do leite em reduzir a infecção é de pendente do patógeno (SP RONG et ai. , 1 999). PAPEL DO CÁLCIO Os consumidores reconhecem os produtos lácteos como sendo uma boa fonte de cálcio para a saúde e para ossos e dentes fortes. A base científica para essas alegações mostra que uma combinação específica de cálcio, fósforo e proteína, com boa disponibilidade de vitamina D, faz da matriz láctea uma parte quase indispensável para a formação e manutenção de ossos fortes (BONJOUR, 2 0 0 5 ) . A ingestão de cálcio também está relacio nada com outros aspectos de saúde, além dos ossos, como hipertensão, câncer e controle de peso / composição corporal (MACDOLNALD, 2 0 0 8 ; STEIJNS, 2008; HARAGUCHI, 2006; LARSSON et ai. , 2 0 0 6 ; LARSSON et ai. , 2 0 0 5 ; ZEMEL, 2 0 0 5 ) , que são menos conhecidos pelos consu midores. O papel do cálcio no câncer será melhor discutido posteriormente. O cálcio iônico (Ca2+) tem um papel chave na regulação do metabolismo adipócito, resultando na modulação do armazenamento de tri glicerídeos no adipócito. O Ca2+ intracelular é regulado pelos hormônios calcitrópicos, sendo essa a base do me canismo primário para o efeito anti-obesidade do cálcio (ZEMEL, 2005). Estudos sugerem que esse efeito é ainda maior nos lácteos quando compa rados a suplementos de cálcio. Essa atividade adi cional pode estar relacionada com a fração d o soro e o conteúdo protéico (ZEMEL, 2 0 0 5 ) . , E importante ressaltar que estes resultados se encontram dentro de um contexto de balanço total de energia e que o mesmo não se aplica para pessoas que consomem excesso de calorias (ZEMEL, 2 0 0 5 ) . CONTROLE DE PESO , GANHO MUSCULAR E ESTADO NUTRICIONAL O consumo de bebidas à base de soro tem sido relacionado com o aumento no ganho de mas sa muscular. Os benefícios do soro sobre esse ganho Pág. 39 e �tão relacionados ao perfil de aminoácidos, prin CIpalmente da leucina (um importante desencadea dor da síntese protéica), à rápida absorção i ntes tinal de seus aminoácidos e peptídeos e à sua ação sobre a liberação de hormônios anabólicos como por exemplo, a insulina (HARAGUCHI, 2 006). Vários trabalhos têm mostrado que as proteí nas do soro favorecem o processo de redução da gordura corporal, por meio de mecanismos associa dos ao cálcio, e por apresentar altas concentrações de aminoácidos de cadeia ramificada (HARAGUCHI, 2 0 0 6 ) . As proteínas do soro são ricas em cálcio (aproximadamente 600 mg. I OO g'I). D iversos es tudos epidemiológicos têm verificado uma relação inversa entre a ingestão de cálcio, proveniente do leite e seus derivados, e a gordura corporal. D i ferenças fundamentais no metabolismo e na ação fisiológica das caseínas e das proteínas de soro de leite baseiam-se na propriedade das proteínas do soro não sofrerem alterações confor macionais pelos ácidos estomacais. Ao atingirem o intestino delgado são rapidamente digeri das e seus aminoácidos absorvidos, el evando rapida mente a concentração de aminoácidos do plasma e estimulando a síntese de proteínas nos tecidos (PACHECO et ai. , 2 0 0 5 ) . Dados consideráveis têm sido levantados indicando que cálcio e produtos lácteos modulam o metabolismo de armazenamento de lipídeos e a partição da energia entre o tecido adiposo e a massa corpórea magra, resultando num significa tivo efeito "anti-obesidade". Este efeito é supor tado por trabalhos epidemiológicos prospectivos e retrospectivos e estudos de observação, dentre outros. Estes resu ltados são encontrados em po pulações de múltiplas idades e etnias, o que sugere um efeito considerável (ZEMEL, 2 0 0 5 ) . Em revisão de estudos publicados, Kalkwarf (2007) observou que a maioria dos trabalhos re vela uma associação entre o consumo de leite em crianças e adolescentes e a massa ou densidade óssea medida em algum momento da fase adulta. Co � o a obtenção dos dados de são retrospectivos, obtidos por questionários, isto gera algumas incon sistências, mas que dão evidências moderadas de que o c o n sumo de leite durante a infân c i a e adolescência afeta positivamente a saúde dos ossos na fase adulta, principalmente na massa e densi dade óssea ( KALKWARF, 2 0 0 7 ) . ' PRO B I Ó T ICOS Os probióticos são culturas de mic roor ganismos vivos capazes de promover o equi líbrio da flora intestinal, exercendo efeitos benéficos para a saúde do homem, quando administrados em quantidades adequadas (BOYLE et ai. , 2006). Os alimentos ou suplementos probióticos são aqueles digitalizado por arvoredoleite.org Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jull Ago, n° que, além das propriedades nutriti :, as, contêm m icroorganis mos que possuem efeito b enéfi c o . sobre a m icro flora intestinal e as funções fi siológicas do trato i ntestinal humano e animal (HOLZAPFEL et ai. , 2 0 0 1 ) . . , . Os probióticos são comerclaltzados em dife. rentes formulações, principalmente como IOgurte e leite fermentado, sendo que as bactérias mais usadas como probióticos são as dos gêneros Lactob�cillus e Bifidobacterium, por serem hóspedes naturais dos intestinos delgado e grosso (HOLZAPFEL et ai. , 200 1 ; SGARBIERI & PACHECO, 1 999). Entre os benefícios creditados aos produtos de laticínio probióticos incluem-se: promoção de crescimento em estudos com ratos e aves; produ ção de v ita� inas (riboflavina, niacina, tiamina, vitamina B6, vitamina B 12, ácido fólico); aumen to na absorção de minerais; aumento da resposta i mune, pela elevação na produção de i m�noglo bulina A ; diminuição da população de patogenos, . por meio da produção de ácido acéti co e �CI � O . láctico e de bacteriocinas; redução da mtolerancla à lactose; supressão de enzimas microbi an a � po tencialmente prejudiciais, associadas com o cancer de cólon, em animais; estabil ização da microfl � ra intestinal, especialmente após severos estresses m . testinais ou uso de antibióticos; alívio da consttpa . ção; redução do colesterol sangüíneo; e efeito anti mutagênico (SGARBIERI & PACHECO, � 999) . . Os benefícios à saúde do hospedeiro atn buídos à ingestão de culturas probióticas que m� is se destacam são: promoção da resistência gastnn testinal à coloni zação por patógenos; controle da microbiota intestinal ; estabil ização da micro bi ota i ntestinal após o uso de antib ióticos; di minu ição da população de patógenos através da . produção de ácidos acético e l �ti � o, d : bacteno cinas e de outros compostos anttmlcroblanos; pro moção da digestão da lactose em indivíduos intol e . . rantes à lactose; aumento da absorção de mmerals; p rodução de v i taminas; alívio da constip ação ; redução da atividade u lcerativa de Helicobactr:. r pylori; estimulação do siste � a i � u n : ; p � evençao . , de infecções urogenitais ; efeitos mlbltonos sobre mutagenicidade; efeitos anti-carcinogê � icos - c � . mo a redução do risco de câncer de colon; dimi nuição do risco de doença cardiovascular; �ed� ção dos níveis sérico de colesterol; efeitos antt-hlpertensivos ( B U RITI, 2 0 0 5 ) . . Alguns probióticos tais como o Lactobaclllus ac idop h ilus , o Streptococcus salivarius ssp. .. thermophilllls e o Lactobacilllls delbrueckll ss!' . blllgariclls, apresentam atividade de lactase, �u seJ a, _ uma vez presentes no i ntestino, atuam na dlg�s�ao da lactose e, com isso, promovem melhora cltmca dos sinais de intolerância à lactose, situação comum em adultos e crianças (GOMES & M ALCADA, 1 99 9 ; SAAVEDRA et ai. , 2004). 363, 63 : 3 6-43 , 2008 PRE BIÓTICOS Os prebióticos são definido s c � m � i n � re . d ientes fermentáveis, porém não dlgenv � ls� ttd� s como capazes de i n fluenciar a compos lçao ml . crob iana do cólon humano com pot�� clal bene fício à saúde, e c ujos e feitos benefiCiam o hos . pedei ro por estimular o cres? i mento selettvo e . promotoras da ativar o metabolismo de bactenas saúde no trato i ntestinal, principalmente lacto bacilos e b i fi dobactérias (KUNZ & RUDLOFF, 2 0 0 6 ; B UR I T I , 2 0 0 5 ; U R G E L L et ai. , 2 0 0 5 ; S GARBIERI e PACHECO, 1 99 9 ) . Em geral, os recém nascidos al imentados com l e i te materno apresentam uma flora c o m predomínio de bifi dobactérias. Entre os c � mpo nentes presentes no leite matem? que contnbuem . nesse casos para o predomínio de bifi dobactenas � estão os o l i gossacarídeos e outros car?oldratos não d igeríveis . S ão conhecidos 1 3 0 ohgossaca rídeos no leite materno, os quais contém lactose e, além d i sso, são constituídos por pelo � enos a l gu m dos c i nco resíduos d e monossac a ndeos . seguintes: ácido siálico, N-acett. l-glucosa� ma, fru . tose, glicose e galactose. Os ? 1 lgossaca n� eos pro movem o cresci mento de blfl. dobacte, � las Gram positivas no trato gastroin�e� tinal, partlcu � a �men te de Bifido bacterium bifl du m, o q � e l ll lb e a . . multipl icação de microrganismos patogenos tatS como Escherich ia co/i e Shigella e me lhora a saúde do trato gastro intestinal (URGELL et ai. , . ma 2005). Oligossacarídeos específicos do I elte terno podem agir como compostos an � .\ .1 nfl � ma , tórios e contribuir para uma menor .mCldencla de doenças inflamatórias em crianças amamentadas (KUNZ & RUDLOFF, 2006). . Comparado ao leite mate rno : os nr ;r el s de . . oligossacarídeos no leite de animaIS d � mes � lcos, tais como vaca, cabra e ovelha, são bem � nfenores. Essa baixa concentração de oligossacande o.s pr� . sentes no leite bovino tem subj ugad� sua � t lltzaçao . como na promoção de saúde e no seto� altmenttclO ingrediente b iologi camente atIvo que promove benefícios na saúde de crianças e adultos. Isso tem levado a necessidade de pesquisas no desenvo l _ vimento de métodos e processos para separa � ao . em larga escala e enriquecimento de leIte bOVI �O com oligossacarídeos, bem como pa�a a :xpressao de oligossacarídeos humanos em leite nao-materno (MELRA & KELLY, 2 0 0 6 ) . . Os oligossacarídeos present: s no lelt� �a � terno são de diversos tipos, como: I) .Imunologl �O. estimulação do crescimento e proliferaç ão de � I � , dob actérias e inibição de agentes patogenos, 1 1) digestivo: regulam o trânsito intes tinal �raças a o .. . . aumento do volume do bolo digest�. vo; 1 11) nutntt . como o vo: melhoram a assimilação de mmerals cálcio e o magnésio (URGELL et ai. , 2005). , Rev. Inst . Latic . "Cândido Tostes", Jul/Ago, nO 3 6 3 , 63: 3 6-43 , 2008 Alguns mecanismos têm sido propostos em relação ao efeito dos prebióticos no metabolismo l i p í d i c o . C o m o consumo de prebióticos pode ocorrer um aumento da desconjugação e excreção fecal de sais b i liares, resultando na redução dos níveis de colesterol (MORAL et ai. , 2003). A inda, a degradação dos prebióticos no i ntestino conduz a produção de ácidos graxos d e cadeia curta em quantidades i mportantes, os quais são absorvidos totalmente no trato intestinal. O butirato é meta bolizado pelos enterócitos, o acetato e o propio nato chegam i ntactos ao fígado através d a veia porta. Uma vez que o acetato entra no hepatócito, ocorre a ativação da enzima citosól ica acetil coenzima A sintetase 2 e fica i n corporado aos processos de colesterogênese e lipidogênese. Este mecanismo tem s i do proposto como a base n o efeito hipercolesterolemiante d e alguns hidratos de carbono não digeríveis, como a lactulose, cuja fermentação ocorre no cólon e resulta num au mento da produção de acetato, mas não d e pro p i on ato (MORAL et ai. , 2 0 0 3 ; DELZENNE & WILLIA M S , 2 0 0 2 ) . Os o l igossacarídeos podem ter um efeito mais específico na colonização do intestino, agindo como análogos solúveis de receptores epitel iais para microrganismos específicos e assim prevenin do sua adesão na parede i ntestinal (KUNZ & RUDLOFF, 2 0 0 6 ) . Em adi ção aos ol igoss aca rídeos, há várias frações conj ugadas (glicopro teínas e g l i c opeptídeos) que também possuem efeito bifidogênico . Há várias li nhas de pesquisas para o desen volvimento de novas tecnologias para o enrique cimento de o l i gossacarídeos específicos . Essas linhas incluem (I) a produção de oligossacarídeos d e l e i te materno através de fe rmentação p o r bactérias modificadas p o r engenharia genética, (2) tecnologias de concentração / fracionamento como membranas d e fi ltração, e ( 3 ) expressão de oligossacarídeos do leite materno em animais transgênicos (M ELRA & KELLY, 2 0 0 6 ) . O ácido siálico presente em oli gossaca rídeos, glicolipídeos e glicoproteínas no leite apre senta um importante papel na expressão e desen volvimento do cérebro e das funções do sistema nervoso central em crianças. Como alguns ol igos sacarídeos ácidos do leite bovino são estrutural mente s i m i l ares aque l e s encontrados n o l e i t e humano, é possível q u e e l e s possam t e r funções biológicas simi lares (MELRA & KELLY, 2006). RELAÇÃO ENTRE CONSUMO DE LEITE E C ÂNCER Até o momento parece haver um consenso de que aqueles com dietas com pouco cálcio / poucos lácteos são significativamente mais propensos a Pág. 41 desenvolver câncer de cólon do que aquelas pessoas que consomem uma d i eta rica em cálcio, espe cialmente cálcio lácteo (MACDONALD, 2 0 0 8 ) . P rodutos lácteos são uma rica fonte de fa tores potencialmente anticarci nogênicos que po dem desempenhar um papel na prevenção de cân cer colo-reta!. E de todos os constituintes presen tes nesses produtos, o cálcio é quem tem atraído maior atenção (LARSSON et aI. 2 0 0 5 ) . Larsson et ai. (2006) encontraram em um estudo de coorte uma associação entre o alto con sumo de cálcio e de produtos lácteos, em especial o leite, com um significativo menor risco de cân cer colo-retal, independente d e outros fatores de risco conhecidos. Também observou um possível efeito residual da ingestão total d e cálcio e con sumo de leite. Quando ajustado para i ngestão total de cál cio, os resultados sugerem que a associação entre o consumo total de produtos lácteos e leite e o risco de câncer colo-retal é explicado apenas parcialmen te pela ingestão de cálcio. Este fato talvez ocorra pelo fato de que os lácteos, em adição ao cálcio, contém ácido linoléico conjugado, esfingolipídeos e proteínas do leite incluindo lactoferrina, que têm se mostrado inibidores de carcinogênese colo-retal em modelos animais (LARS SON et ai. , 2006). C o mponentes nos produtos l á cteos com alto teor de gordura que podem reduzir o risco de câncer colo-retal incluem ácido linoléico conjuga do e éter li pídeos (MOLKENTIN, 2000). Obser vou-se uma re lação dose-dependente cntre o con sumo de produtos lácteos com alto teor de gordura e o risco de câncer sol o-retal, particularmente em câncer do cólon distai , com menor risco para aqueles com elevado consumo dc queijo. Foi ob servada uma redução de 3 5 % no risco de câncer colo-retal em mulheres que consumiam três ou mais porções de queij o por dia se comparadas àquelas com consumo inferior a uma porção / dia. Não foi observada associação entre o consumo de lácteos com baixo teor de gordura e o risco d e câncer colo-retal (LARS SON e t ai. 2005 ) . O consumo de ácido linoléico conj ugado foi significativamente e inversamente relacionado com o risco de câncer colo-reta!. O estudo indica que o efeito de proteção dos produtos lácteos com alto teor de gordura pode ser parcialmente atri buído à ingestão de ácido l i noléico conj ugado. Ácido linoléico conj ugado é um termo coletivo para um grupo de isômeros geométricos e de po s ição do ácido linoléico, que têm vários efei tos biológicos (LARS SON et a/o 2 0 0 5 ) . CONSIDERAÇÕES FINAIS Tradicionalmente, o leite de vaca tem sido considerado um alimento básico em muitas dietas. digitalizado por arvoredoleite.org 11 ', Pág. o 42 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l/Ago, n° leite é considerado uma bebida saudável e o con sumo de produtos lácteos é associado a uma dieta de qualidade. O leite fornece uma matriz acessível, rica numa variedade de nutrientes essenciais como minerais, vitaminas e proteínas de fácil digestão com aminoácidos balanceados, sendo importante para o suporte de todas as funções do organismo. Quando associado com grãos, carne, vegetais e fru tas, os produtos lácteos são considerados alimentos de alta densidade de nutrientes, ou seja, disponi b i lizando muitos nutrientes com relativamente baixo conteúdo energético (STEIJNS, 2 0 0 8 ) . Devido à visão de saúde, os produtos l ác teos têm servido como veículo para ingredientes fun c i onais como fitoesterois, ácidos graxos de peixe e várias bactérias probióticas. Hoj e há tam bém uma recomendação de consumo de produtos com menor teor de gordura: l ight ou desnatado ( STEIJNS, 2 0 0 8 ) . Ferramentas sofisticadas de pesquisa analí tica, bioquímica e biológica têm demonstrado a presença de muitos compostos menores com ati vidade biológica. O leite contém mais de 5 0 fatores de crescimento e hormônios. Sua concentração no leite « 0,000 1 g. L-I) é muito menor que aquela, , por exemplo, da i munoglobulina ( 0 , 8 g. L-I) ou ; lactoferrina ( 0 , 0 2 -0 , 2 g. L-I). E ntretanto, a quan . tidade necessária p ara atividade é na ordem de microgramas ou até mesmo nanogramas por litro (MICHAELIDOU & STEIJNS, 2 0 0 6 ) . Uma das áreas de pesquisa mais importantes no âmbito dos alimentos funcionais está relacio nada com o leite e os produtos lácteos. Hernandez et ai. (200 3 ) relatam que leite e derivados contém diversos componentes com atividade fisiológica. Alguns destes componentes bioativos estão sendo utilizados em alguns produtos comerciais, como por exemplo: a peroxidase em dentrifícios para evitar as cáries, a lactoferrina em fórmulas lácteas infantis como antibacteriano e a lactulose como produto bifidogênico. Sem dúvida, existem outros produtos lácteos que poderiam ser empregados como alimentos funcionais e que não estão sendo utilizados no momento. Existem evidências de efeito sinergístico entre os componentes do leite e as bactérias pro bióticas, nos benefícios de longo prazo ao orga nismo. Vários efeitos já foram correlacionados à liberação de moléculas bioativas no ambiente de cultura, produzidas pelas cepas probióticas ou re sultantes da ação de suas enzimas sobre os subs tratos presentes. Destacam principalmente a ação de peptídeos derivados da caseína, já caracterizados e com comprovada atividade anti-hipertensiva, opióide, antimutagênica ou moduladora do sistema imunológico, deixando claro que as propriedades probióticas dos lactobacilos e bifidobactérias, fre qüentemente, são dependentes de substratos com- 3 63 , 6 3 : 3 6-43, 2008 p lexos p ara a completa expressão (BARRETO ef ai. 2 0 0 3 ) . Como se pode observar, o l eite é um ali mento muito rico e complexo e que p ossui pro priedades que vão além do papel básico de nutrição. A l é m d i s s o , a grande v a r i e d a d e de p rodutos derivados do l eite p ermite que esse seja consumido de várias formas e em vários momentos durante o dia. Cabe ao governo e as entidades relacionadas divulgarem suas p ropriedades, desvincularem sua imagem do consumo de gordura saturada e des mitifi carem o p ap e l do l e i te na d ieta somente como alimento p ara crianças. U m maior consumo de produtos l ácteos, princi p almente dos novos p ro dutos desenvolvidos j á com função de maior atividade nutricional e funcional, tem tudo para melhorar as atuais condições nutricionais da po pulação mundial. SUMMARY M i l k i s p a r t of human n u t ri t i o n for thousands of years. H owever, in the last years this rich foo d have been l o st space for others p r o d u c t s. M or e o v e r, s e v eral r e s e a r c h e s a n d studies have b e e n conduced t o better understand the role of this food . Results show more functions that well know source of calcium. Properties like anticarcinogenics, anticariogenic, prevent enamel demineralization, weight management and anti diarrheic have been discovered. More than this, m i l k and d a i ry products are good vehicles to introduce other compounds that c o u l d enrich more this products making then very important to our diets. Keywo r d s : Diet; dairy products; calcium; cancer. Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/Ago, n° Pág. 3 63 , 63: 3 6-43, 2 0 0 8 ��TI,. E C. A.Desenvolvimento de queijo fresco cremoso sl�bl� t�co. 2005 . } 5. f. Tçse (Mestrado em Tecnologia BlOqUlmIco-Farmaceutlca -Area de Tecnologia de Alimentos) -Faculdade de Ciências Farmacêuticas' Universidade de São Paulo, São Paulo. CARyALH� JUNIOR, E F. de Apresentação clínica da alergia ao leIte de vaca com sintomatologia respiratória. Jornal de Pneumatologia v. 27, n. 1 , p. 1 7-24, 200 1 . CORTEZ, A. P. B.; MEDEIROS, L . C. da S.; SPERIDIÃO, P. da G L.; MATTAR, R. �. G M.; FAGUNDES NETO, u.; MORAIS, M. B. de ConhecImento de pediatras e nutricionistas sobre o tratamento da alergia ao leIte de vaca no lactente. 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Os pães com soro de leite apresentaram maior teor protéico e notas tecnológicas superiores ao pão padrão,com exceção do pão com soro desidratado que apresentou menor volume específico. Na avaliação sensorial, os pães com adição de soro não apresentaram diferença significativa em relação ao pão padrão. Palavras-chave: proteína, teste de aceitação, volume específico. INTROD UÇÃO o pão é um dos alimentos mais consumidos e uma das principais fontes calóricas da dieta da popul ação de muitos países e, por esse motivo, vem sendo a l v o de muitos estudos d e enrique ci mento. A fortificação de alimentos com nutri en tes é uma prática aceita e empregada pelos proces sadores de a l i mentos desde a metade do século XX (REI LLY, 1 996) e tem como obj etivos refor çar o valor nutri tivo e prevenir ou corrigir defi ciências de um ou mais nutrientes (BRASIL, 2008). H á uma amp la variedade de proteínas de d i ferentes fo ntes na dieta humana . Geral mente a concentração de aminoácidos essenci ais na d ieta é o fator mais importante no valor nutricional da proteína de um alimento. As proteínas derivadas de fontes animai s, são consideradas nutricional mente superiore s àquelas de origem vegetal, pois elas contêm um melhor ba lanço de aminoáci dos essenciais ( C ENTEN ARO et ai. , 2 0 0 7 ) . O soro de leite possui alto valor nutri cional, conferido pela presença de prote ínas com e l evado teor de 2 4 aminoácidos essenciais. Os aminoácidos presentes nas proteínas do soro superam as doses recomen dadas para crianças e adultos (WIT, 1 998; NEVES, 200 1 ). No Brasil, a produção de bebidas lácteas é uma das principais opções de aprovei tamento do so ro do leite. Contudo, o aprovei tamento desse subproduto atinge apenas 1 5 % do total de soro produz i d o , c o m produção n a c i o n a l , em 2 0 0 2 , e s t i m a d a e m 4 7 0 m i l t o n e l a das ( N A K A M A E , 2 0 0 4 ; C A P I TANI e t ai. , 2 0 0 5 ) . O soro é u m subproduto do processamento de queij o, contendo a metade do extrato s eco do leite, representado por lactose, proteínas solúveis e sais. É um produto que tem baixo valor comercial quando in natura, e seu ex cedente pode causar sérios problemas d e polu ição amb i en tal quando descartado em rios e esgotos, pois apresenta uma alta demanda biológica de oxigênio ( SANTOS et ai. , 2006). Di ante destes fatos, surge a necessidade de c r i a r n o v a s o p ç õ e s p ara me l ho r apro v e i ta mento deste subproduto, pois a utilização racional do soro é um problema importante, visto que ape s ar d o c r e s c e n t e reconhec i mento d o seu v a l o r ,Brasil. Laboratório d e Tecnologia d e Alimentos,Universidade F ederal d o Rio Grande (F URG),Rio Grande,R S E-mail: [email protected] / 3 03 , Laboratório de Tecnologia de Alimentos, Universidade F ederal do Rio Grande (F URG). Luiz Loréa, 460 deve CEP 96200-350,Rio Grande,R S ,Brasil. E-mail: [email protected] * A quem a correspondência ser enviada. Brasil. Laboratório de Tecnologia de Alimentos,Universidade F ederal do Rio Grande (F URG),Rio Grande,RS, E-mail: [email protected] Brasil. Laboratório de Tecnologia de Alimentos,Universidade F ederal do Rio Grande (F URG),Rio Grande, RS, E-mail: [email protected] Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", J u l /Ago, nO 363, 63 : 44-50, 2008 nutri cional, este continua sendo considerado um resíduo e como tal possui u m e l evado custo de tratamento e descarte (RAYMUNDO et ai. , 2 002). Trabalhos de pesquisa estão sendo desen v o l v i d o s com a fi n a l idade de e n c on trar opções para util ização do soro do l e ite (NEVES, 2 0 0 1 ) . Assim, a formu l ação de pães contendo p roteínas de origem animal que possam e star presentes na mesa do consumidor de todas as c lasses sociais é uma alternat i v a para melhor aprovei tamento do soro, tra n s formando-as em uma n ov a fonte a l i mentar (PIZZINATTO et ai. , 1 99 3 ) . O enriqueci mento desses produtos com soro de leite confere uma série de vantagens, além de aumentar o valor nutritivo, pode melhorar a textura, conferir estabi lidade e capacidade emulsificante, realçar o sabor e a cor, devido às proteínas do soro de leite ser al tamente solúveis, boas formadoras de espuma e de emulsões ( S GARB IERI e PACHECO, 1 999). Desta forma, o presente trabalho teve co mo obj etivo uti l izar soro de leite in natura, con centrado e desidratado na formu lação de pães e aval i ar a i n fluência destes i n gredientes no teor proté ico e nas características tecnológicas e s en soriais do produto . 2 MATERIAL E MÉTODOS 2 . 1 M a t é r i a - p r i m a e i n g re d ientes O soro de leite desidratado e o soro de leite in natura previamente paste urizado foram forn e cidos pela Indústria de Lati cínios Danby Cosulati, localizada no mun icípio de Pelotas, RS. Para obten ção dos pães fo i utilizada farinha de trigo especial para pão obtida na indústria Moinhos do Sul, loca lizada no mun icípio de Rio Grande, RS. Os demais ingredientes, açúcar, gordura vegetal hi drogenada (GVH), vitamina C (M erck), sal e fermento bioló gico foram adquiridos no comércio local. 2 . 2 O btençã o d o s o r o concentrado O soro de leite in natura com teor de sól idos solúveis de 7°Brix foi concentrado em evaporador descontínuo a vácuo a temp eratura de 5 3 °C até atingir 1 4° B rix, medido com refratômetro a cada 3 0 minutos durante 3 horas e 3 0 minutos. O soro de leite concen trado foi acondicio nado em rec i p i entes plásticos sob congel amento (- 1 8 ° C ) até po sterior u t i l i zação. 2 . 3 F o r m u lação e elabo raç ã o d os p ães Os pães foram elaborados com soro de leite in natura, concentrado e des i dratado c o n forme as formu lações ap resentadas na Tabela 1 . Tabela 1 . Pág. 45 Formulação d o pão p adrão (A), pão com s o ro in n at u ra ( B ) , pão c o m soro concentrado ( C ) e p ã o com soro desi dratado ( D ) . Ingredientes (g) A Farinha de trigo 1 00 Açúcar refinado 5 Fermento biológico 3 Gordura vegetal hidrogenada 2 Sal 2 '(itamina C (ppm) 90 Agua 57 Soro in natura Soro concentrado Soro desidratado B C D 1 00 5 3 2 2 90 1 00 5 3 2 2 90 1 00 5 3 2 2 90 57 57 57 10 O s pães foram e l aborados seguindo meto do logia descrita por Centenaro et ai. (200 7 ) . Os ingredientes secos (fari nha, sal, açúcar, v itamina C) foram mi sturados durante três minutos com velocidade baixa em batedeira planetária (modelo B PA , A rn o ) . Posteriormente foram adici onados os ingredientes l íquidos, o fermento e a gordura à mistura, a qual fo i homogeneizada em batedeira com v e l o c i dade alta durante s e i s minutos até o compl eto desenvo lvimento do g l úten. Na formu lação contendo soro de leite in natura e concen trado, o soro substituiu toda água da formu lação padrão e na fo rmu lação contendo so ro des id ra tado foi adici onado 1 0 % de s o r o . A massa foi cortada em porções de 1 2 0 g, ba leada, moldada e a c o modada em fo rma s metá l i c a s ( 1 5 , 5 x 7 , 5 x 4,5cm). A seguir, as massas foram levadas à fer mentação durante 95 minutos a 3 0 ° C em incuba dora ( N R . 8 6 4 04 5 , Labor C e date), e posterior mente fo rn e a d o s d u rante 20 m i n u t o s a 2 2 0 ° C em fo rno e l é trico (modelo D i p l o mata 0 9 . 0 1 . 0 9 , F i s chcr). O s pães foram res fri ados durante uma h o ra e a v a l i ados p e l a s características te c n o l ó g i c a s e sensoriais. 2.4 Av a l i a ç ã o q u í m i ca do soro e d o s p ã es O soro de l e i t e i n natura, con centrado e d e s i dratado foi caracteri zado pelo teor protéico através do método de Kj eldahl (%N x 6,38). Os pães tiveram sua composi ção prox imal avali ada pelo c o n t e ú d o de c i n z a s ( mu fl a 5 5 0 - 6 0 0 ° C ) e umidade (estufa 1 0 5 ° C ) determinadas por método gravimétrico, conteúdo de l i p í d i o s determinado pelo método de Soxhlet e proteínas pelo método de Kj eldahl (%N x 6 ,2 5 ) de acordo com a me todologia o ficial da AOAC ( 1 99 7 ) . Os carboi dra tos foram c a l cu l ados por d i ferença dos demais componentes. digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/ A g o , n° 363, 63: 44-50, 2008 Pág. 46 Teor de proteínas do soro de l e ite in natura, concentrado e desidratado . Tabela 3. 2 . 5 Avaliaç ã o tecnológica dos p ães o volume específico (mL.g- l ) dos pães foi obtido pela razão e ntre o v o lume aparente ( mL ) e a massa do produto a p ó s o forneamento (g). O volume aparente foi determinado em equipamento apropriado, dotado de recipiente de v o lume co nhecido e contendo sementes de painço, o volume ocupado por cada p ão neste recipi ente foi medido através do deslocamento das s ementes p ara uma proveta graduada ( P IZZINATTO et ai. , 1 9 9 3 ) . Os atributos d e qualidade tecnológica d o s pães fo ram avaliados segundo p lanilha de El D ash ( 1 978). A s notas máximas para cada atributo estão apre sentadas n a Tabela 2. Tabela 2. Pág. 47 Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/Ago, n° 363, 63 : 44-50, 2008 Notas máxi mas p ara caracterí sticas e x t e r n a s , i nt e rn a s , aroma e s ab o r dos pães. A t ribut o s Nota m áx i m a Características externas Volume Específico (VE x 3 ,3 3 ) C o r da crosta C aracterí sticas da crosta Quebra S i metria 20 10 5 5 5 Características internas Cor do miolo Estrutura da célula do miolo miolo 10 10 10 Aroma 15 P ara aval iar as c aracterí sti cas externas e internas, o aroma e o sabor dos pães, uma equipe constituída por quatro indivíduos com experiência em panificação foi tre inada para reconhec imento dos atributos e das escalas de avaliação numérica de cada atributo (Tabela 2). As amostras (pão pa drão, pão com soro in natura, pão com soro con centrado e pão com soro des idratado) foram apre sentadas aos j ulgadores em blocos casualizados. Os quesitos avaliados para as características ex ternas foram cor da crosta, caracterí s t i ca da crosta, quebra, simetria e nota para o volume espe c í fico. A nota para cor da crosta foi obtida pela média aritmética das notas dos atributos colora ção, uniformidade e opacidade, equivalente à nota média dessa característica. As caracterí sti cas da crosta foram avali adas pela média das n otas dos atributos espes sura, dureza, quebradi ç a e borra chenta. Para a obtenção da nota do volume espe cífico determinou-se a massa por gravi metria e o volume dos pães pelo método de deslocamento de sementes (como descrito anteriormente). Os valo res obtidos foram multi p l i cados por 3 , 3 3 para a composição da nota geral, como prescreve a meto dologia. O s quesitos avali ados para as caracterís ticas i n ternas foram cor do m i o l o , e strutura da célula e a textura do miolo. A nota da cor do miolo s u b di v i d i u - s e em c o l o r a ç ã o , u n i formidade e opacidade. As características de estrutura da célula do miolo subdividiram-se em alvéolos e uni formi dade e a textura do miolo subdividiu-se e m uniforme, c ompacto e seco. P ara o atributo aro ma, a n o t a foi obtida p e l a m é d i a dos atributos d e sagradáve l , e stranho e i nt e n s i dade (fraco ou forte). O sabor do pão foi avaliado pela média dos atributos acidez, estranho, remanescente e gomo so (SOARES JÚNIOR et ai. , 2006). 2.6 Avaliaç ã o sensorial dos p ães A avali ação sensorial dos pães adiciopados de soro de leite in natura, concentrado e desidratado foi realizada mediante teste de aceitação utilizando e s c a l a h e d ô n i c a de n o v e p o n t o s ( L AW L E S S e HEYMANN, 1 999) com 30 j u lgadores não treina dos que receberam as quatro amostras simultanea mente em pratos brancos codificados com algaris mos de três dígitos e em ordem casual izada, e um copo com água à temperatura ambiente para pro ceder a aval i ação . S o l i c i tou-se que as amostras fossem avali adas em escala estruturada variando de gostei extremamente e desgostei extremamente. O teste foi conduzido em cabines individuais i lu minadas com lâmpadas fluorescentes. Todos os jul gadores eram consumidores de pães, possuíam de 2 0 a 4 0 anos, de ambos os sexos, escolhidos de modo aleatório, sem conhecimento sobre a compo s ição das amostras . 1 ,7 ± 0,20e 2 , 5 ± 0 , 3 0b Resultados são médias de três determinações ± desvio padrão; Letras diferentes na mesma coluna diferem sig nificativamente pelo teste de Tukey (p < 0,05). 3 . 2 Avalia ç ã o p roximal d o s p ães A Tabela 4 apresenta a composição proxi mal do pão p adrão e dos pães c o ntendo s oro de leite, sendo que o teor de carboidratos foi estima do por diferença dos demais componentes. Observando a Tabela 4, verifica-se que to dos componentes dos pães adi c i onados de soro c o nc entrado e d e s i dratado d i ferenci aram-se do p ã o p adrã o , m o s trando a i n fl u ê n c i a d a a d i ç ão Tabe la 4. Composição proximal do pão padrão (A), pão con tendo soro in natura (B), pão contendo soro concentrado (C) e do pão contendo soro desidratado (D). P r o dut o * A B C D * U midade ( % ) Cinzas ( % ) b.s 3 0,96 ± 0,02" 32,72 ± 0,08b 3 2 ,4 1 ± 0 , 0 5 e 3 0 , 5 9 ± 0 , 06° 2,36 2,54 2,96 2,84 ± ± ± ± Lipídios ( % ) Carboidratos (%) P r o teínas ( % ) b.s b.s b.s 2,73 ± 0, 1 1 b 2,52 ± 0,08b 3 , 93 ± 0 , 1 2 " 1 , 92 ± 0 , 0 3 e 0 , 1 4b 0 , 04b 0 , 0 8" 0,05" 85,0 1 84, 5 6 82,37 83,62 ± ± ± ± 0,1 1 " 0,07" 0,37c 0, 1 2b 1 0,85 l i ,38 1 1 ,78 1 2 ,74 ± ± ± ± 0 , 1 8e 0 , 04be 0 , 29b 0 , 1 4" Resultados são médias de três determinações ± desvio padrão; Letras diferentes na mesma coluna diferem significativamente pelo teste de Tukey (p < 0,05). Tabela 5 . N otas das características tecnológicas d o pão padrão (A), p ã o c o m soro in natura (B), pão com soro concentrado (C) e pão com soro des idratado ( D ) . 2 . 7 A n á lise estatística A t ribut o s A B C D 1 0,74 6, 1 7 3 ,0 0 2,50 2,83 1 0,06 8,50 4,67 3 ,83 5 ,0 0 1 0 ,42 7,33 3,33 4,00 4,67 9 ,44 1 0,00 5 ,0 0 3,00 4,00 Cor do miolo Estrutura d a célula d o miolo Tex tura d o miolo 9,00 8 ,0 0 8,50 9,00 8,83 8,67 1 0,00 9,50 9,67 1 0,00 1 0,00 1 0,00 Aroma Sabor 8,00 1 3,00 8,00 1 3 ,00 9,00 1 5 ,00 1 0,00 1 3,00 Características externas A avaliação estatística foi realizada median te a Análise de Vari ânci a (ANOVA), e as médias comparadas entre si através do teste de Tukey ao n í vel de 5% de sig n i ficância. Todas as anál i s e s fo ram re a l i z adas em tri p l i c ata. O s d a d o s foram submetidos à análise de correlação de Pearson. Vo lume Específico C o r da crosta Característi cas da crosta Quebra S i metria Características internas 3 RESULTADOS E D IS CUSSÃO 3 . 1 Avaliaçã o d o teo r protéic o d o soro Verifica-se através do conteúdo protéico mos trado na Tabe l a 3 que o soro de l e ite in natura apresentou menor teor de proteínas, havendo au mento deste componente após a concentração do soro e aumento consideravelmente maior no soro desidratado, o que era esperado devido à concentra ção dos nutrientes por efeito da operação de secagem. P r o teínas* ( % ) P r o duto S oro in natura S oro concentrado Soro desidratado * destes i ngre d i en t e s na c o mp O S l ç a o do produto. Por outro lado, os pães adici onados d e s oro in natura não d i feriram do pão p a drão , devido a o alto conteúdo de umi dade e baixa concen tração d e componentes do s o ro . Com relação a o teor protéico, veri ficou-se aumento de 8 , 6% d e pro teínas no pão adic.ionado de soro de leite concen trado e aumento d e 1 7 ,4% d e proteínas n o pão adicionado d e s oro d e l eite d e s i dratado quando comparados ao pão padrão. O aumento do conteú do de proteínas nos p ães (Tabela 4) foi calculado l evando-se e m c o n s ideração o teor protéico e m base seca, através da d i ferença do t e o r protéico dos produtos a d i c i o n a d o s d e s oro e o padrão . S egundo estudo realizado por Soares Júnior et ai. ( 2 0 0 6 ) a adição de s o ro de l e i t e em p ã e s pro porcionou aumento n a porcentagem de proteína e cálcio das formulações. Este aumento se rela cionou d i retamente com a concentração d e pro t e í n a s no s o r o , i n d i c a n d o a p o s s i b i l i d a d e de m e l h o r i a d o v a l o r n u tr i c i o n a l d o s p ã e s a d i c i onados de soro de leite. To t a l * * 71 82,92" Resultados são médias d e quatro determinações. Letras diferentes n a mesma linha,diferem significativamente pelo teste de Tukey (p < 0,05). digitalizado por arvoredoleite.org Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/Ago, nO 363, 63 : 44-50 , 2008 Pág. 48 3 . 3 Avaliaç ã o te cnol ógica d os p ães A Tabe l a 5 apresenta as notas das carac terísticas externas, intern a s , aroma e sabor dos pães segundo a planilha de E l D ash ( 1 97 8 ) . Obs ervando o somatório d a s n o t a s n a Ta bela 5, verifica-se que os pães com soro de leite apresentaram notas maiores que o pão p adrão, d i ferindo significativamente (p < 0,05 ) . ° efeito positivo da adição de soro deve-se as propriedades fun c i on a i s d e suas p roteínas, p r i n c i p a l mente a capacidade emulsificante e a capacidade de reten ção água (SGARBIERI e PACHECO, 1 999). Segundo Furtado et ai. (200 1 ), o soro de leite tem capacidade de formar emu lsão contribuindo para a melhoria de características, como estrutura e textura do mio lo, visto que promove homogeneização da massa. Além disso, a adição das proteínas do soro em pães reduz a retrogradação do amido, devido às cadeias protéicas s e i n terpor entre as cadeias do amido, aumentando a retenção de umidade no miolo e desta forma, pro longando o tempo de armazenamento destes produto s . ° aumento da umidade nos pro dutos de pani fi cação também intensi fica o sabor, aroma e a maciez. Este efeito foi confirmado pelo aumento das notas de aroma e sabor dos pães adi cionados de soro . Os pães com soro de leite apre s en taram cor da crosta mais i n tensa em compa ração ao pão padrão, devido à presença de lactose no soro de leite que facilita o desenvolvimento da reação de Maillard. Segundo Morr ( 1 976), a utili zação do soro de leite na formulação de pães permi te a obtenção de uma crosta de cor mais escura e uniforme. Verificou-se uma melhoria das caracterís ticas internas do pão quando adicionado de soro de leite, concordando com Soares Júnior et aI. (2006) 4,0 .... Ôl ....i .§. o u � U Gl Co VI Gl Gl E ::I ;g 3,5 3,22 a 3,02 ab o .ra u ra :t:: Q) () ra Q) "C Q) () 2,0 1 ,5 1 ,0 15 ..5 0,5 A B c o Volume específico do pão padrão (A); pão com soro in natura (B); pão com soro concentrado (C); pão com soro des i dratado ( D ) . * Letras diferentes diferem significativamente pelo teste de Tukey (p < 0,05) . C o m base na F i g ura 2 , verifi ca-se que os índices de aceitação sensorial dos pães não apre s en taram d i ferença significativa (p < 0 , 0 5 ) , isto mostra que os j u lgadores não perceberam diferença entre os pães com adição de soro e o padrão. Em estudos real izados por Maciel e S antos (2002) e Soares Júnior et ai. (2006), produtos panifi cados com soro de leite in natura em diferentes concen trações não apresentaram d i ferença signifi cativa quanto a aceitação sensorial dos j ulgadores. 3 . 5 C o r re l a ç ã o de Pearson A s correlações de Pearson foram apresen tadas apenas para as respostas que apresentaram corre lação s i g n i ficativa (Tab e l a 6), levando em consi deração o tipo de soro adicionado, o aumen to no conteúdo protéico e as n otas das caracterís ticas tec n o l ó g i c a s . Tabela 6 . P a râmetros TS PT EM TM AR Correlação de Pearson entre os pães com diferentes tipos de soro de leite, teor de p roteínas e notas das carac terísticas tecnológicas. TS PT EM TM 1 ,00 0,98* 1 ,00 0,99* 0,96* 1 ,00 0,95* 1 ,00 0,96* 0,93 0,94 0,96* 0,9 1 0,96* AR 1 ,00 1 00 80,29 a 85,33 a 83,51 a 85,33 a 80 60 40 20 o Figura 2 . A B c D Í ndice d e aceitação sensorial d o pão p adrão (A); pão com soro in natura (B); pão com soro concentrado ( C ) ; pão com soro desidratado ( D ) . * Letras iguais n ã o diferem significativamente pelo teste de Tukey (p < 0,05). T S, diferentes t i pos de soro de le i te em pães; PT, proteínas; EM, estrutura do miolo; TM, textura do miolo; AR, Pág. 49 dos produtos, sendo que os três tipos de soro estudados i n fluen c i aram de maneira seme l hante às características externas, internas, aroma e sa bor, apresentando notas superiores ao pão padrão, com exceção do pão com soro desi dratado que apresentou menor volu me específico. SUMMARY T h i s w o r k h a d as o bj e c t i v e e l a b o r a t e breads with addition o f l i q u i d , conc entrate and d ry w h e y t o a n a l y s e the i n fl u e n c e of t h i s i n g r e d i e n t i n t h e t e c h n o l o g i c a l a n d s e n s o ry characteristics and in the increase of the protein content o f breads. Results were evaluated with v a r i a n c e a n a l y s e and Tukey ' s test (p < 0 . 0 5 ) . T h e data were subj ected to P e arson corre l at i on a n a l y s i s . The breads w i th a d d i t i o n o f whey presented h igher protein content and h i gher techno logical scores than standard bread, except bread w i th dry whey that shows lower specific volume. I n the sensorial evaluation, breads with add i t i o n o f whey d i d not present s i g n i ficantly d i fference in relation to s tandard b read . Key Wo r d s : a c c e p t a n c e t e s t , p ro t e i n , specifi c volume. 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS * Correlação estatisticamente signi ficati va ao nível d e 5%. A Figura 2 apresenta o índice de aceitação sensorial do pão padrão e dos pães com adição de soro de leite. � 3,1 3 a 2,5 Figura 1 . 3.4 Avaliaç ã o senso rial d os p ães 1 20 3,0 0,0 . que demonstraram que os pães com adição de soro de l e i t e apresentaram textura mac i a e a l v é o l o s pequenos. ° vol ume espec ífico do pão padrão e dos pães com adição de soro de leite está apresentado n a Figura 1 . Os pães elaborados com adição de soro de leite in natura e concentrado não d i feriram signi ficativamente (p < 0,05) do pão padrão. No entan to a adição de soro desidratado afetou esta caracte rística (Figura 1 ). A presença de soro desidratado na formulação pode ter interferido no desempenho das proteínas do g l ú ten durante a fo rmação da massa a fetando o cre s c i mento d e l e v eduras e a produção de dióxido de carbono provocando re dução do vo lume específi c o do pão. D e acordo com Tedrus et ai. (200 1 ) dois fatores determinam o volume do pão: a quantidade de gás produzido durante a fermentação e a capacidade de retenção desse gás pela massa. Soares Júnior et ai. (2006) verificaram que pães com 30% de soro de leite in n a tura a p r e s e n ta r a m v o l u m e s e m e l h a n t e a o padrão, ao contrário do p ã o e l aborado com 5 0% que apre sentou um vo l u me l i ge i ramente menor que o padrão. Vitti e Va l le ( 1 9 8 7 ) que concen traram soro de leite através de ultrafiltração ( 1 6% de s ó l i d o s ) obtiveram re sultados de vo lume e s pecífico para pães c o m adição d e 5 % de soro con centrado (base farinha) l i ge i ramente superiore s ao p ã o padrão. Rev. Inst. Latic. "Cândido Tostes", Jul/Ago, nO 363, 63: 44-50, 2008 aroma. Por in terméd io da co rre lação de Pcarson, mo strado na Ta b e l a 6 , foi n o tado que o s pães com d i ferentes tipos de soro apresentaram uma correl ação positiva e significativa em relação ao teor de proteínas e à estrutura e textura do miolo, mostrando que e s t a s a v a l i aç õ e s e s tavam d i re tamente a s sociadas com o aumento n a concen tração de soro de leite nos pães. ° teor de proteí nas apresentou correlação positiva e signifi cativa em relação às notas das características de estrutura do miolo e aroma do pão, evidenciando a melhoria dessas características nos produtos com adição de soro de leite. 4 CONCLUSÕES A adição de soro de leite aumentou o con teúdo protéico do pão, proporcionalmente à con centração de proteína no soro . Verificou-se tam bém, que a adição de soro influenciou positiva mente as características tecnológicas e sensoriais A S S O C IATI O N OF O F F I C I A L AN ALY T I C A L C H E M I S T S . O ffi cial m e t h o d s o f analysis. 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