GESTÃO DAS INFORMAÇÕES DAS ORGANIZAÇÕES MÓDULO 3 Índice 1. Informação estratégica...............................................3 1.1 Informação e vantagem competitiva .............................. 3 1.2 Vantagem competitiva ................................................. 4 1.3 Tipos de vantagens competitivas ................................... 5 2 Gestão das Informações das Organizações - Módulo 3 1. INFORMAÇÃO ESTRATÉGICA A importância da informação, atualmente, nas organizações, é peçachave importante e decisiva no processo administrativo e gerencial, sendo estratégica para a manutenção da organização no mercado e para sua sobrevivência, bem como para sua vantagem competitiva em uma posição elevada em relação à concorrência. A informação competitiva, ou informação estratégica, é necessária para auxiliar a criar e manter uma vantagem competitiva sobre a concorrência. Um sistema de informações competitivas deve ser definido a partir da vantagem competitiva que a empresa possui, pretende conquistar ou manter e, mais especificamente, a partir dos fatores-chave dessa vantagem competitiva, isto é, nas causas da vantagem competitiva. 1.1 INFORMAÇÃO E VANTAGEM COMPETITIVA Este tópico se refere a como a informação se relaciona com vantagem competitiva; e para atender aos requisitos atualmente impostos pela cultura da informação relativos à velocidade da informação, à acuracidade, à certeza e à disponibilidade desta, temos, segundo Gilbert, a necessidade de classificá-la e entendê-la. Gilbert (1997, p. 9), professor de Administração do IMD, no artigo intitulado O que vale é a estratégia, aborda os sistemas de informação, classificando-os em dois tipos: • de informação operativa,que ajuda as diversas funções a executar algumas tarefas especializadas; • de informação competitiva, necessária para auxiliar a criar e manter uma vantagem competitiva sobre a concorrência. O sistema de informação competitiva concentra-se em três pontos: a. na vantagem competitiva,que requer certos: b. fatores-chave de sucesso (fontes da vantagem competitiva), cada um deles apoiado por um: c. grupo de informação, composto por base de dados, que contém a informação necessária para alcançar um determinado fator-chave de sucesso; e por aplicativos destinados a distribuir a informação. Diz o autor que a aplicação de um sistema de informação competitiva deve iniciar-se a partir dafórmula competitiva (vantagem competitiva). Esta última depende não da grande força de uma ou outra função, mas das relações efetivas entre funções diversas. Sem essas relações, a fórmula competitiva não dá resultado. Essas relações são fatores-chave de sucesso da fórmula. Ou seja: a aplicação de um sistema de informação competitiva deve estar associada à vantagem competitiva que a empresa possui, pretende conquistar ou manter e, mais especificamente, aos fatores-chave dessa vantagem competitiva, isto é, as causas da vantagem competitiva. 3 Gestão das Informações das Organizações - Módulo 3 1.2 VANTAGEM COMPETITIVA Este é o item de maior interesse e busca pelas organizações atualmente, em que se procura qualquer característica diferenciadora como veremos a seguir, mas que nos leve à evidência em relação às outras empresas, os concorrentes (principalmente) e aos clientes. E o que é uma vantagem competitiva? Para alcançarmos e mantermos este nível de vantagem competitiva, precisamos atuar à frente dos demais playersno mercado, e isso nos obriga a utilizarmos as mais modernas ferramentas de Tecnologia da Informação (TI). Isso quer dizer que o sistema de informação, especialmente o sistema de informações estratégicas, deve derivar da vantagem competitiva? Sim, a afirmação está correta; ele deve propiciar todas as informações para que estejamos sempre atualizados e com elevado grau de acuracidade em relação às informações para montar a base para a tomada de decisão, por exemplo. Vejamos os conceitos. O conceito de vantagem competitiva foi desenvolvido com precisão por Zaccarelli (1996, p.67): (...) é qualquer característica do produto ou serviço da empresa que os clientes reconhecem como um diferenciador positivo em relação a outras empresas e, por isso, são atraídos para comprar da empresa. A palavra “qualquer” – diz Zaccarelli (1996) – pretende salientar que não é indispensável que a característica, que é a vantagem competitiva, dê um acréscimo de valor para o cliente. O acréscimo de valor é sempre desejável, porém, não é obrigatório. A condição de reconhecimento pelos clientes exclui da estratégia aspectos considerados usualmente como da máxima importância. O exemplo mais chocante é o custo baixo de produção com preço de venda alto. Ter custo de produção baixo, por não ser reconhecível pelos clientes, não é vantagem competitiva. De uma forma geral, não dão vantagem competitiva todos os aspectos internos da empresa que não refletem no relacionamento com os clientes. A última condição – atrair ainda mais os clientes – também pode parecer dispensável, mas existem situações em que a diferenciação é percebida e reconhecida, porém o cliente não está disposto a pagar por ela. No entender de Zaccarelli (1996), a vantagem competitiva é um fator decisivo para o sucesso da empresa sobre os concorrentes, e uma vantagem competitiva firme e duradoura é suficiente para garantir o sucesso da empresa (p.69). Por seu turno, uma desvantagem competitiva também é suficiente para o fracasso (p.71). Toda estratégia moderna, para Zaccarelli (1996, p.76), existe em função da vantagem competitiva de hoje e do futuro: A lógica da competição tem coisas estranhas: estamos habituados à lógica com valores absolutos, e a lógica da competição é eminentemente do comparativo. O que impacta é ter ou não uma vantagem competitiva, e pouco importa se seu valor absoluto for grande ou pequeno. 4 Gestão das Informações das Organizações - Módulo 3 1.3 TIPOS DE VANTAGENS COMPETITIVAS Mas se a vantagem competitiva “é qualquer característica do produto ou serviço da empresa que os clientes reconhecem”, a vantagem competitiva só pode residir no produto ou no serviço. Ou seja: o locus da vantagem competitiva é o produto ou o serviço. Desta forma, são errôneas expressões do tipo “a empresa tem vantagem competitiva porque está localizada perto das fontes de suprimento” ou “a empresa tem grande vantagem competitiva porque possui tecnologia de produção inovadora”. Fontes de suprimento próximas e tecnologia de produção inovadora – já que não surgem no produto, já que não podem ser reconhecidas pelos consumidores – não são vantagens competitivas. São, no máximo, fontes de vantagens competitivas. Quando um consumidor compara produtos oriundos de fornecedores distintos (por exemplo, sapatos) a escolha recai no par de sapatos que, para ele, apresenta vantagem sob a ótica de um ou mais critérios. A empresa fabricante dos sapatos, que ganhou a preferência desse consumidor, obteve vantagem competitiva. Obviamente, o local da fábrica (perto ou longe das fontes de suprimentos) e a tecnologia de produção (inovadora ou não) não entram no julgamento do consumidor. Que critérios podem ser relevantes para um consumidor, ao comparar e escolher produtos? Obviamente, critérios de interesse imediato do consumidor e presentes – direta ou indiretamente – no produto. Que critérios podem ser esses? Contador (1996) dá a esses critérios o nome de campos da competição. Campo da competição nada mais é, portanto, do que o locus em que a empresa busca vantagem competitiva; nada mais é do que possível critério para comparação e escolha dos produtos pelos consumidores. Os possíveis critérios de escolha por parte dos consumidores (vantagens competitivas) ou os macrocampos nos quais uma empresa pode competir com outras, segundo Contador, são: • competição em preço; • competição em produto; • competição em prazo; • competição em assistência; • competição em imagem. Pela ótica das empresas, os macrocampos da competição podem ser desdobrados em 16 campos da competição, a saber: • competição em preço:(1) em menor preço; (2) em guerra de preço; (3) em promoção; (4) maior prazo de pagamento; • competição em produto:(5) em projeto do produto; (6) em qualidade do produto; (7) em variedade de modelos; (8) em novos produtos; • competição em prazo:(9) menor prazo de cotação e negociação; (10) menor prazo de entrega; • competição em assistência:(11) assistência antes da venda; (12) durante a venda; (13) após a venda; • competição em imagem:(14) imagem do produto, da marca e da empresa; (15) imagem preservacionista; (16) imagem cívica. 5 Gestão das Informações das Organizações - Módulo 3 Mas Contador vai mais longe na sua obra: ele afirma que, para uma empresa ter vantagem competitiva num dado campo –por exemplo: menor preço –,precisa ter fontes dessa vantagem competitiva. A empresa não pode competir em menor preço se ela não se constituir em uma máquina poderosa para gerar produtos com custos menores. Para tal, a empresa precisa ter tudo aquilo que contribui para ela competir e vencer em menor preço. São as fontes da vantagem competitiva; são os fatores críticos de sucesso para a vantagem competitiva; são – nas palavras de Contador – as armas da competição. Se uma empresa pretende competir no campo da competição menor preço, deve possuir um conjunto específico de armas; se quer competir em menor prazo de entrega, deve possuir outro conjunto de armas. O sistema de informações não é – nem nunca poderá ser – para as empresas uma vantagem competitiva, mas sim fonte de vantagem competitiva, origem de vantagem competitiva. Porém, o sistema de informações só será fonte de vantagem competitiva se contribuir para aprimorar as características da vantagem competitiva. A empresa compete ou pretende contribuir em menor preço? O sistema de informações deve ajudar a empresa a reduzir custos. A empresa compete ou pretende competir em menor prazo de entrega? O sistema de informações deve ajudar a reduzir prazos. 6 Gestão das Informações das Organizações - Módulo 3