PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, EDUCAÇÃO FÍSICA E O
PROFESSOR: MEDIAÇÕES NA PERSPECTIVA DE UMA EDUCAÇÃO
TRANSFORMADORA
Francisco de Assis Cordeiro Custódio
RESUMO:
O objeto de estudo está focado no Projeto Político Pedagógico. A proposta de trabalho foi
desenvolver uma ampla reflexão sobre o PPP, sobre a Educação Física como área de
conhecimento, como componente da Educação Básica e, portanto, disciplina ou matéria
integrante do currículo escolar. Buscamos subsídios nas bibliografias já existentes colocando
as realidades peculiares fundamentadas nas produções científicas sobre a temática. O
cotidiano escolar aliado à fundamentação teórica do tema proporcionou reflexões sobre as
práticas pedagógicas, provocando inquietações nos professores de Educação Física quanto a
sua prática pedagógica, sua participação na construção do PPP, seu papel como membro ativo
da comunidade escolar e defensor da relevância da disciplina, destacando-se aí os principais
objetivos da pesquisa.
Palavras-Chave: Educação; Projeto Político Pedagógico; Educação Física.
INTRODUÇÃO
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9394/96, instituiu
o Projeto Político Pedagógico (PPP). Os pesquisadores e estudiosas da educação,
professores
e
demais
profissionais
que
atuam
nas
unidades
escolares
acrescentaram ao seu acervo de dúvidas este tema, que passou a ser objeto de
estudos.
Assim sendo, o PPP passou a ser objeto prioritário de estudos e de
pesquisas, tais como os desenvolvidos por Veiga (1998); André (2001); Libâneo
(2001); Vasconcellos (1995); entre outros. No entanto, é um tema que vem sendo
tratado com pouca importância pelas escolas ou pelo menos, por determinadas
disciplinas em determinadas unidades escolares.
Como professor da rede pública de ensino do Estado do Paraná, tenho
observado a desinformação quanto ao conceito, a importância e a relevância do
Projeto Político Pedagógico na sistematização do conhecimento e na construção do
processo educativo como um todo. Em algumas situações o PPP é elaborado
somente pela equipe pedagógica, sem a participação dos profissionais das áreas do
conhecimento e sem a intervenção dos segmentos escolares. Ainda ocorrem
situações em que professores de algumas áreas elaboram o PPP da escola,
inclusive a parte de competência da Equipe Pedagógica, Direção e colegiados.
Os reflexos desse quadro, nitidamente observável, possuem dimensões
gigantescas, pois a constituição do PPP é prevista em células individualizadas, por
setores independentes (corpo docente, corpo discente, órgãos colegiados, Equipe
técnico pedagógica, Direção, Equipe Administrativa, e outros) que estão intimamente
conectados pela dinâmica de funcionamento do sistema educacional.
Por conta disso, muitas são as conseqüências desastrosas que ocorrem na
escola durante o período letivo: desarticulação entre as áreas do conhecimento,
incompatibilidade do plano de ação do professor com o próprio PPP e, talvez a pior
delas: a fragmentação do conhecimento adquirido e da formação do educando.
No movimento dialético, ou seja, ao se contactarem na condição de micro,
fundem-se em ações e, a partir delas, tornam-se uma expressão de proporções
macro, refletindo-se na própria sociedade em que está inserida a unidade escolar.
Um PPP democrático, situado e contextualizado à realidade, participativo,
onde todos os segmentos da instituição efetivamente participam da construção de
um documento dessa magnitude, pode reverter significativamente questões que
impedem avanços na atividade educativa, especificamente, e da própria sociedade
em um âmbito geral.
Nesta perspectiva, é necessário tornar consciente a toda comunidade escolar
e aos professores responsáveis pelas diferentes áreas do conhecimento que
compõem o currículo escolar, que a elaboração do PPP é uma produção coletiva e
que deve ter suas bases alicerçadas na sua realidade específica, sem perder a
dimensão da totalidade.
Na área de educação física especificamente, a situação não é diferente. Há
professores da área que desconhecem o valor significativo do PPP, suas ações
pedagógicas, áreas de abrangências, fundamentação teórica, e o quão é importante
a expressão da identidade da disciplina curricular contida no referido projeto, bem
como a vinculação direta do professor àquele documento.
Por razões históricas e culturais, o professor de educação física está à
margem do processo de elaboração. Há uma forte tendência impregnada na
formação acadêmica de muitos professores de educação física em atuação: o
Tecnicismo (TAFFAREL, 1993; MARTINELI, 2001; RIBEIRO, 2003; FIGUEIREDO,
2005). O professor de Educação Física que muito tem a contribuir nas questões
pedagógicas está engessado numa cultura pedagógica adquirida da “educação do
corpo” (SOARES, 1998). Este paradigma precisa ser superado por meio de leituras,
reflexões e tomada de decisões na transformação da prática docente no contexto da
escola, no que refere as questões éticas e políticas, tendo em vista sua contribuição
na formação do educando.
Uma das formas de avançarmos na atividade educativa é compreender as
questões históricas e conceituais, bem como as concepções dos que desenvolvem
esta atividade. Para tanto alguns questionamentos emergem da realidade: O que é
Projeto Político Pedagógico? Qual o contexto que ganhou força esta discussão e
como se apresenta nos documentos oficiais? Se o Projeto Político Pedagógico é a
identidade da escola, como ele deve ser estruturado? Como deve ser a participação
do professor de educação física no processo de elaboração e desenvolvimento
deste projeto, na busca da legitimação da disciplina como componente curricular da
Educação Básica?
O objeto de estudo focalizará a mediação entre Projeto Político Pedagógico,
educação física e o professor na perspectiva de uma educação transformadora.
Neste sentido, nos propomos a desenvolver uma reflexão ampla sobre o
Projeto Político Pedagógico; sobre a educação física como área do conhecimento,
como componente da Educação Básica e, portanto, disciplina ou matéria integrante
do currículo escolar e do Projeto Político Pedagógico e sobre o entendimento do
professor com relação ao PPP e sua participação na elaboração deste documento.
Este primeiro momento foi subsidiado por uma pesquisa bibliográfica (GIL, 2006, p.
65) que “é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente
de livros e artigos científicos”.
O desenvolvimento desta fundamentação teórica foi realizado a partir dos
documentos oficiais, especialmente a Lei de Diretrizes da Educação Nacional (LDB
9394/96) e as deliberações apresentadas nas Diretrizes Curriculares do estado do
Paraná (2006 e 2008) e da literatura disponível no Brasil em forma de artigos
científicos e livros sobre a temática abordada.
Para entender a realidade escolar no que se refere à temática central
estudada, foi necessário uma coleta de dados junto aos professores de educação
física. O grupo de professores pesquisados foi composto por nove (9) professores
participantes do Grupo de Trabalho em Rede (GTR, 2007).
Utilizamos das contribuições dos sete (7) professores participantes do Grupo
de Trabalho em Rede (GTR, 2007) em forma de comentários no “Fórum de
Discussões”1 acerca do projeto Político Pedagógico e especificamente como a
Educação Física deveria estar contemplada neste projeto, coerente com os
pressupostos teóricos e metodológicos contidos na LDB (1996), nas Diretrizes do
Paraná (2006 e 2008) e com o Regimento Interno da Unidade Escolar.
Valendo-nos do acervo bibliográfico acerca do PPP e as diferentes
experiências práticas dos docentes, mergulhado em suas realidades distintas, o
delineamento do trabalho implicou num amplo espaço de leitura, reflexão e análise.
Como último passo da pesquisa, procedemos à análise interpretativa
(TRIVIÑOS, 1987) das categorias principais do estudo, na perspectiva de avançar
no entendimento deste objeto. Desta forma, o trabalho de fundamentação teórica
tomou uma dimensão mais ampla no sentido de confrontar a visão teórica do
problema, com dados da realidade vivenciada pelos professores GTR.
O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO: DA NORMATIZAÇÃO AO CONCEITO
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9394/96, em seu
artigo 12, inciso I, prevê que “os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas
comuns e as do seu sistema de ensino, tem a incumbência de elaborar e executar
sua proposta pedagógica”, deixando explícita a idéia de que a escola não pode
prescindir da reflexão sobre a intencionalidade educativa.
A palavra Projeto deriva do latim Projecto significa Plano Geral de um
Trabalho,
desígnio,
empreendimento,
iniciativa
(FERNANDES,
LUFT
E
GUIMARÀES, 1999, pág. 541
O Projeto Político Pedagógico é um documento que se constitui, tomando o
seu sentido etimológico, em um plano geral para a educação. Todavia, “mais que um
documento burocrático contemplado na LDB (9394/96), o PPP é um meio de
engajamento coletivo para integrar ações dispersas, criar sinergias no sentido de
1
No site www.seed.pr.gov.br dispõe de um link no qual os professores do GTR acessam o Fórum de Discussões.
buscar soluções, alternativas para diferentes momentos do trabalho pedagógico –
administrativo” (VEIGA, 2000 p. 275).
Veiga (1998) esclarece as questões conceituais sobre o tema ao afirmar que
o projeto pedagógico não é um conjunto de planos e projetos de professores, nem
somente um documento que trata das diretrizes pedagógicas da instituição
educativa, mas um produto específico que reflete a realidade da escola, situada em
um contexto mais amplo que a influência e que pode ser por ela influenciado.
Portanto, trata-se de um instrumento que permite clarificar a ação educativa da
instituição educacional em sua totalidade.
É mais do que responder a uma solicitação formal. É a reflexão e a contínua
expressão de dar direção e orientação a uma idéia, a um processo pedagógico
intencional alicerçado nas reflexões e ações do presente (PEREIRA, 2007).
O projeto pedagógico não é modismo e nem é documento para ficar
engavetado em mesa na sala de direção da escola, ele transcende o simples
agrupamento de planos de ensino e atividades diversificadas, pois é um instrumento
do trabalho que indica um rumo, uma direção e construído com a participação de
todos, como explicam André (2001) e Veiga (1998). Ele “é político no sentido de
compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade” (ANDRÉ,
2001, p. 189) e é pedagógico porque possibilita a efetivação da intencionalidade da
escola, que é a formação do cidadão participativo, responsável, compromissado,
crítico e criativo.
Veiga (2001) traz importantes contribuições sobre está temática quando trata
da construção de um projeto pedagógico em uma dimensão política e como prática
especificamente pedagógica. Este autor apresenta algumas características, tais
como: a) ser processo participativo de decisões; b) preocupar-se em instaurar uma
forma de organização de trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as
contradições; c) explicitar princípios baseados na autonomia da escola, na
solidariedade entre os agentes educativos e no estímulo à participação de todos no
projeto comum e coletivo; d) conter opções explícitas na direção de superar
problemas no decorrer do trabalho educativo voltado para uma realidade específica;
e, e) explicitar o compromisso com a formação do cidadão.
André (2001) também colabora com a discussão sobre PPP ao afirmar que
não é somente uma carta de intenções, nem apenas uma exigência de ordem
administrativa, pois deve expressar a reflexão, e o trabalho realizado em conjunto
por todos os profissionais da escola, no sentido de atender às diretrizes do sistema
nacional de Educação, bem como às necessidades locais e específicas da escola;
ele é “a concretização da identidade da escola e do oferecimento de garantias para
um ensino de qualidade” (p. 188).
Libâneo (2001, p. 125) aborda está temática ao destacar que o projeto
pedagógico “deve ser compreendido como instrumento e processo de organização
das escolas”, tendo em conta as características do instituído e do instituinte.
Vasconcellos (1995) reforça este entendimento, afirmando que o projeto pedagógico
É um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os
desafios do cotidiano da escola, só que de uma forma refletida, consciente,
sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. E uma
metodologia de trabalho que possibilita resignificar a ação de todos os
agentes da instituição (p. 143).
O PPP norteia o curso das reflexões e ações que constituem o cotidiano
escolar. Desta forma, “Ele possibilita que as potencialidades sejam equacionadas,
deslegitimando as formas instituídas” (VEIGA, 2000, p. 192).
Possui as dimensões de orientador e condutor do presente e do futuro. Para
alguns autores, o qualificativo “Político” da composição do tema já é assumido pelo
adjetivo Pedagógico, uma vez que não há ação pedagógica que não seja política e
que todo projeto pedagógico é voltado para uma ação transformadora.
SOARES, et al. (1992) entendem que um Projeto Político Pedagógico
representa uma intenção, ação deliberada, estratégia. É político porque expressa
uma intervenção em determinada direção e é pedagógico porque realiza uma
reflexão sobre a ação dos homens na realidade explicando suas determinações.
Na sua essencialidade, um Projeto Político Pedagógico opera com relações
de conhecimento e poder. São as discussões em torno de uma mudança
paradigmática que centralizam as preocupações dos educadores no processo de
reestruturação curricular demandado pela exigência do próprio projeto em
construção e pelas atuais políticas educacionais.
No Estado do Paraná, o PPP deve ser construído coletivamente em
consonância com o sistema público de ensino (articulação). Sua continuidade deve
ser “atemporal”, isto é: precisa de médio e longo prazo para se perpetuar de acordo
com a realidade da escola. O “atropelo” dessa condição pode trazer inúmeros danos
à sua concepção: diagnóstico superficial, cronograma de ações prejudicados, ações
pedagógicas ineficientes, intervenções superficiais e etc. A temporalidade para a
consolidação do PPP é trabalhar num horizonte histórico com o futuro à partir do
presente.
O Projeto Político Pedagógico, originado no seio da coletividade docente,
discente, administrativa e segmentos da sociedade
fornece uma identidade à
instituição, representa espaço onde possam se manifestar as experiências
acumuladas, as necessidades singulares, o planejamento sistematizado das ações,
enfim, uma oportunidade de tomarem as rédeas da direção a seguir.
O PROJETO (POLÍTICO) PEDAGÓGICO E SUA ESTRUTURA
Maria Madselva Ferreira Feiges do Departamento de Planejamento e
Administração Escolar da Universidade Federal do Paraná, em 2003 estruturou três
eixos norteadores do PPP, quais sejam: marco situacional, marco conceitual e
marco operacional.
Sua estrutura fundamentada na LDB (Leis de Diretrizes e Bases) apresenta três
eixos norteadores: Marco Situacional, Marco Conceitual e Marco Operacional..
O primeiro localiza a instituição no contexto social que está inserida.
Diagnostica as contradições e conflitos da prática docente: reflexão teórico-prática
Analisa o papel da instituição na construção da sociedade, pelos saberes
sistematizados e promove ampla reflexão sobre o contexto da realidade brasileira,
do estado e do município.
Explicita os problemas, as dificuldades e as necessidades da comunidade
escolar interna e externa, especialmente referentes a: aprendizagem, formação
continuada de professores, relações de trabalho, participação dos segmentos da
sociedade, etc.
Neste primeiro momento se formaliza a organização de todo o processo,
constando um cronograma das ações, as parcerias adquiridas e a serem
conquistadas, a clareza dos objetivos e principalmente a efetiva participação dos
pais e comunidade em geral. A mobilização para adesão de novos protagonistas
deve ser uma constante no decorrer do processo, seja ele em qualquer etapa de
funcionamento.
O Marco Situacional, segundo Feiges (2008) é o momento de conhecimento
da escola, sua história, sua vida institucional. É o momento de compor os elementos
de atuação: o ponto zero. Organiza princípios que regem todo o projeto: Igualdade,
Qualidade, Liberdade, Gestão Democrática, Valorização do Magistério.
È diagnóstico porque se propõe a capturar fragmentos do cotidiano da
comunidade; identificar a sociedade em que a escola este inserida; detectar as
necessidades da comunidade; reavaliar as ações pedagógicas; analisar as
situações; identificar as prioridades; refletir sobre forças, fraquezas, possibilidades e
limites.
O Marco Conceitual expressa anseios, perspectivas da comunidade para
nortear as ações a serem elaboradas coletivamente. Nele está explícito a
fundamentação teórica, buscando respostas fundamentadas a todas as questões
levantadas no Marco anterior. É nesse momento que se pratica a verdadeira
democracia baseada nos princípios da ética, do respeito, da tolerância e da defesa
de idéias geradas para o bem comum. Há que se entender dos objetivos da
construção do Projeto Político Pedagógico, os limites e as possibilidades da prática
docente.
O gestor deve instrumentalizar, redimencionar e organizar a participação
efetiva de todos. Estabelecer critérios e prioridades é fundamental para o
desenvolvimento das discussões. O coletivo deve ter claro aonde se quer chegar,
para isso, elenca tópicos de estudos e reflexões. Exemplo: concepção de sociedade,
homem, educação, escola, conhecimento, avaliação, cidadania, cultura etc;
concepções de gestão democrática, formação continuada, organização curricular,
etc.
O Marco Operacional delineia as grandes linhas de ações, reorganizando o
trabalho pedagógico escolar, nas perspectivas pedagógicas, financeiras e políticoeducacionais. Define o papel específico de cada segmento da comunidade escolar:
Conselho Escolar, Conselho de Classe, APMF, Grêmio Estudantil e outros.
Esclarece, incentiva e proporciona a formação continuada a professores,
funcionários,
alunos
representantes
de
turma,
pais,
conselheiros.
Organiza, ainda, o trabalho pedagógico e a prática docente a partir do currículo
enquanto núcleo do Projeto Pedagógico, além de instrumentalizar a avaliação do
processo e os resultados para adequações de novas ações e demonstrar, explicitar
de que forma a comunidade escolar se beneficiará das ações utilizadas.
Marco Situacional
Marco Conceitual
Marco Operacional
Contexto Social
Diagnóstico
Cronograma
Definição de Objetivos
Perspectivas
Fundamentação Teórica
Democracia
Critérios de Organização de
Conteúdos
Avaliação
do
Ensino
Aprendizagem
Linhas de Ações
Definição de Papéis
Organização
Avaliação do Processo
Adequações
Tabela 1 – Síntese dos três marcos
4 A EDUCAÇÃO FÍSICA NO PPP: O ENTENDIMENTO DOS PROFESSORES GTR
Este momento do artigo é dedicado as contribuições dos nove (9) professores
participantes do Grupo de Trabalho em Rede (GTR, 2007) que se pronunciaram em
forma de comentários no “Fórum de Discussões”2 acerca do Projeto Político
Pedagógico e sua relação com a Educação Física e a participação dos professores
em sua elaboração.
A partir das questões lançadas no Fórum, os professores se pronunciaram
sobre elas, elaborando um acervo de reflexões sobre a compreensão e valorização
do PPP, principalmente no que se refere à participação da Educação Física como
componente curricular atuante e dinâmico no processo. Foi necessário compilar as
contribuições enviadas pelos professores do GTR, não perdendo, obstante, a
essência dos pronunciamentos efetuados na sua singularidade.
No módulo III foi socializado aos professores GTR o conteúdo do Plano de
Trabalho e disponibilizado as referências bibliográficas a título de sugestões para
aprofundamento dos estudos sobre o tema, solicitando a análise do Plano referente
ao PPP, considerando os itens: 1) Título e problematização do tema; 2) Descrição
do objeto de estudo; 3) Fundamentação teórica; 4) Encaminhamento metodológico;
5) Referências.
Foi proposta uma discussão do conteúdo socializado refletindo sua relação com
as Diretrizes Curriculares de Educação Básica do Paraná (DCE, 2008), bem como
sua pertinência e destaque na Lei de Diretrizes e Bases (LDB, 1996). Também foi
sugerido aos professores esta análise a partir do Projeto Político Pedagógico de sua
escola de atuação, para reflexão e contextualização do Plano com a realidade
2
O site www.seed.pr.gov.br - Dispõe de um link no qual os professores do GTR acessam o Fórum de
Discussões.
inerente a ela. O encaminhamento era de que ao estudar os textos sobre o tema, os
professores transportassem sempre à realidade que está inserida sua unidade
escolar, assim, seria facilitada as reflexões para mudanças de atitudes e ações.
A partir deste encaminhamento metodológico os professores se pronunciaram
sobre a temática proposta. A professora Na afirmou que:
Um dos principais problemas para o cumprimento do PPP é
realmente o compromisso e a atuação coletiva, pois os rumos
da escola dentro das possibilidades exeqüíveis, depende de
muito estudo, de reflexões coletivas, de investigação, nem
sempre possíveis, seja pela falta de tempo durante o ano
letivo, seja pela necessidade dos professores em trabalhar em
vários estabelecimentos, ou ainda, pela dificuldade de se atrair
os pais para refletir e estudar o PPP, entre outros fatores
comuns à maioria das escolas. O professor de Educação
Física, assim como os de outras áreas do conhecimento, ainda
desconhecem o valor significativo do PPP, ou, por ter que
assumir aulas em vários estabelecimentos, fica tão atarefado
em cumprir seus horários e, mesmo conhecendo um pouco de
cada uma dessas instituições, ainda não conseguem
aprofundar-se na fundamentação teórica e identidade da
disciplina curricular que está contida no PPP do Colégio e a
vinculação deste PPP com a prática do professor de Educação
Física.
Já a professora Cl ressaltou que “Participar da elaboração do PPP é um direito
de todos na escola que é construído e reconstruído o conhecimento. O PPP não é
algo pronto e acabado encontra-se em permanente construção servindo de base
para futuras alterações”.
Esta mesma professora expressa que: “Em todas as áreas existem professores
que não conhecem o verdadeiro valor que o PPP. Sendo assim precisamos interagir
mais na elaboração e construção do PPP em nossas escolas”.
Fica claramente evidenciado nas expressões destas professoras que o PPP é
uma produção que deve ser realizada no coletivo e não individualmente. Que o
professor tem o direito de participar de sua elaboração e o professor de Educação
Física, assim como qualquer outro professor de outra área do conhecimento, deve
participar ativamente deste processo.
Na especificidade da atuação do professor de Educação Física na elaboração
do PPP a professora Cr destaque que:
É prudente corroborar que a Educação Física é parte do projeto de
escolarização e, como tal, deve estar conectada ao Projeto PolíticoPedagógico das escolas. Se a atuação do professor efetiva-se na
quadra e em outros lugares do ambiente escolar, seu compromisso,
tal como o de todos os professores é, como o projeto de escolarização
ali constituído, sempre em favor da formação humana.
Após essa explanação, fica-nos claro que o Projeto Político-Pedagógico é
coletivo e tem a sua função e contribuição no processo de aprendizagem. A
professora Sil faz uma relação entre a DCEs, a Educação Física e o PPP dizendo
que:
[...] nossa disciplina dentro das DCEs está bem claro quanto o que
devemos trabalhar e como. Temos os conteúdos estruturantes, os
específicos, os elementos articuladores. Acredito que de acordo com
a realidade que atuamos podemos cada vez mais desenvolver um
trabalho comprometido com o PPP do nosso colégio.
A professora Mc reafirma uma questão bastante preocupante com relação a
participação do professor na elaboração do PPP. No entendimento dela
O professor de Educação Física à semelhança dos de outras áreas do
conhecimento, ainda desconhecem o valor significativo do PPP, ou,
por ter que assumir aulas em vários estabelecimentos, fica tão
atarefado em cumprir seus horários e, mesmo conhecendo um pouco
de cada uma dessas instituições, ainda não conseguem aprofundar-se
na fundamentação teórica e identidade da disciplina.
A expressão desta professora, indica a necessidade de o professor ter um
tempo de sua carga horária disponível para o seu maior envolvimento com a escola,
com os demais professores e profissionais da educação que atuam em sua escola
para conhecer melhor o seu projeto educacional, buscar fundamentos para a sua
prática com base nele e, ainda, os propósitos específicos de sua área de atuação.
A questão dos conhecimentos e da formação dos alunos e como o PPP dá a
direção para isto foi o foco do professor L, quando verifica que
a Educação Física possibilita ao educando o conhecimento, e
mudanças de comportamento relacionados aos conhecimentos e
expressões corporais, contribuindo para uma consciência crítica e ao
mesmo tempo arraizada ao Projeto Político-Pedagógico, não
descartando sua importância dentro do contexto histórico e seu
compromisso com a formação humana do educando em amplas
dimensões, como: a cidadania, sua participação social e política,
respeito ao outro e exigência do cumprimento deste para si.
A professora S retoma aspectos do artigo encaminhado para discussão,
afirmando que
Ao analisarmos o presente artigo, tem-se uma nova e aprofundada
visão do que é o Projeto Político Pedagógico, como este é elaborado
e a que se destina. Sendo este, um documento indispensável que
norteia as ações educacionais e as determinações acerca da
participação do corpo docente, administrativo e da comunidade em
sua formulação e desenvolvimento.
Diante desta afirmação, é preciso em primeiro lugar, lembrar que o Projeto
Político Pedagógico é um produto específico que reflete a realidade da escola,
situada em um contexto mais amplo, que a influencia e que pode ser por ela
influenciada. Portanto, trata-se de um instrumento que torna transparente a ação
educativa da instituição educacional em sua totalidade.
Como afirma a professora C: “É imprescindível insistir no fato de que "todas" as
disciplinas devem estar articuladas e engajadas no Projeto Político Pedagógico, e
ainda, conhecer a essência do mesmo, para que os conteúdos a serem propostos
sejam compatíveis e arrojados ao Projeto”.
Neste sentido:
Não se pode ignorar que, cada escola é única, com realidades e
contextos históricos e culturais diversificados, sendo assim,
necessita de um Projeto condizente com sua realidade, elaborada
no seio da coletividade docente, discente administrativa e
segmentos da sociedade fornecendo uma identidade à instituição,
representando um espaço onde possam se manifestar as
experiências acumuladas, as necessidades singulares e o
planejamento sistematizado das ações (PROFESSORA C).
Em suma, cada membro da escola, independente de seu cargo ou função deve
contribuir e comprometer-se com a elaboração e execução do Projeto Político
Pedagógico de sua escola.
Seguindo a linha teórica das DCE’s para a sua análise, a professora Lu a
pedagogia contida no PPP da escola é uma proposta pautada numa linha
progressista, onde o homem é o sujeito histórico, e que estando inserido num
contexto social e dela faz parte e sendo agente de transformação desta sociedade.
Esta pedagogia pautada em uma gestão democrática, e a escola tendo como
função de ser transformadora do saber,
está em conformidade com as tendências da pedagogia de Saviane,
e uma educação articuladora e mediadora de Rosilda Baron Marties.
È necessário fazer uma reflexão que nem sempre a escola faz este
papel ideológico citado. Deparamos com situações em que a escola
ainda reproduz as desigualdades sociais. As oportunidades de deter
o saber elaborado e ao mesmo tempo atendendo as diversidades
não ocorre eficazmente na escola.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os estudos teóricos desenvolvidos e, as discussões dos professores GTRs,
nos possibilitou considerar que o PPP traduz um espaço de autonomia da escola
dentro do sistema em que ela está inserida, seja municipal, estadual ou federal,
melhor dizendo, não importa a esfera. O importante é a instituição que é formada por
pessoas e por meio de seus membros participativos, dinâmicos, críticos, tenha
autonomia, conheça o seu limite de atuação e desenvolva a sua tarefa de maneira
qualitativa, modificando o meio pelas ações e práticas pedagógicas planejadas
coletivamente. “O PPP é um exercício da autonomia e o retrato da identidade da
escola e por isso cada PPP é diferente do outro” (NEVES, 2005).
Um PPP se constrói nos diversos contextos da escola: na sala de aula, nos
corredores, na cantina ,a na sala dos professores, no pátio, enfim, é uma prática que
perpassa o cotidiano da escola. O PPP nasce da necessidade de construir a escola
constantemente, renovando o antigo e projetando o novo.
A partir dos estudos da literatura e da expressão dos professores é possível
entender que a necessidade da construção coletiva do PPP para a escola é de vital
importância. É inconcebível uma instituição de tão elevada relevância para uma
sociedade que busca a valorização do ser humano, não possua sua própria
identidade. Há de se ressaltar que não há PPPs idênticos. Cada escola tem suas
próprias características, suas peculiaridades, suas “digitais”. Por isso são
denominadas Unidades Escolares.
Mais do que um projeto, é um sistema Político e Pedagógico; é uma união
com a democracia. A escola pública é do Estado e não do governo. Não é uma
repartição pública, mas sim, uma instituição de Estado que transcende os limites
específicos do governo.
Sua elasticidade permite transitar por toda a extensão do sistema educacional
sem ferir as legislações vigentes, sem ultrapassar as divisas da legalidade e,
conquistar as fronteiras do conhecimento e expandir o saber, a cultura e a própria
vida.
A Educação Física está fundamentada nas Diretrizes Curriculares de
Educação Física do Paraná, entretanto, necessita estar articulada e integrada ao
Projeto Político-Pedagógico da escola na qual nós professores atuamos. Esta
afirmação encontra sustentação nos estudos que como professor-pesquisador PDE,
venho realizando até agora nos encontros pedagógicos promovidos pela SEED
(Grupo de Estudos), nos discursos da equipe de ensino do NRE de Umuarama-PR e
nas constantes indagações feitas a mim por colegas professores e pela equipe
pedagógica da escola acerca do tema, no qual todos os caminhos levam a
necessidade dessa articulação.
É prudente corroborar que a Educação Física é parte do projeto de
escolarização e, como tal, deve estar conectada ao Projeto Político-Pedagógico das
escolas. Se a atuação do professor efetiva-se na quadra e em outros lugares do
ambiente escolar, seu compromisso, tal como o de todos os professores é, como o
projeto de escolarização ali constituído, sempre em favor da formação humana.
Ela age como mediadora no processo de aprendizagem, integrando e
interligando as práticas corporais, indispensáveis para o desenvolvimento global dos
sujeitos, de forma mais reflexiva e contextualizada, caminhando rumo a uma
educação transformadora.
Vale ressaltar que o PPP além de ser um instrumento teórico-metodológico,
ele é também um instrumento prático, pois nele estão contidas as ações
pedagógicas que irão ocorrer a partir dos eixos construídos.
Em relação à participação do Professor de Educação Física na elaboração e
desenvolvimento do Projeto Político Pedagógico considera-se não só a sua
participação, mas de todos os professores das diferentes áreas do conhecimento,
importantíssima e necessária, pois com isso, teremos a possibilidade de reverter
significativamente questões que impedem avanços do sistema escolar como um
todo. A participação do professor de Educação Física na elaboração do PPP de
sua escola deve ser ativa de forma que ele consiga realmente mostrar a importância
da legitimação da Educação Física como componente curricular.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRÉ, M. E. D. O projeto pedagógico como suporte para novas formas de
avaliação. IN. Amélia Domingues de Castro e Anna Maria Pessoa de Carvalho
(Orgs). Ensinar a Ensinar. São Paulo, 2001.
BRASIL, Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDB). Nº 9394/96.
CASTELLANI F, L. Educação Física no Brasil: A história que não se conta. 3. ed.
Campinas: Papirus, 1991.
FEIGES, Maria Madselva Ferreira – Deptº de Planejamento e Administração Escolar.
Universidade Federal do Paraná, 2003
FERNANDES, LUFT E GUIMARÀES, Dicionário Brasileiro Globo. 51ª ed. SP –
Editora Globo 1999
FIGUEREDO, Zenólia Cristina Campos. Formação profissional em educação
física e mundo do esporte. Vitória: Gráfica da Faculdade Salesiana, 2005.
GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5ª ed. São Paulo: Atlas S/A,
2006.
LIBÂNEO, J. C. Organização e Gestão da Escola. Goiânia: Alternativa, 2001.
PEREIRA, Elisabete Subsídios para a Elaboração do Projeto Pedagógico.
Disponível
em:
www.prg.unicamp.br/projeto_pedagógico.html.
Acesso
em:
06/06/2007.
SOARES, C. L.; BRACHT, V.; CASTELLANI F., L.; ESCOBAR, M.; TAFFAREL, C.;
VARJAL, L. Metodologia do Ensino da Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.
SOARES, C. L. Educação Física: raízes européias e Brasil 3. ed. – Campinas, SP:
Autores Associados, 2004.
TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa
qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.
VASCONCELLOS, C. S. Planejamento: Plano de Ensino – Aprendizagem e Projeto
Educativo. São Paulo: Libertat, 1995.
VEIGA, I. P. A. Escola: espaço do projeto político-pedagógico. 4 ed. Campinas:
Papirus, 1998.
TAFFAREL, C. A formação profissional e as diretrizes curriculares do programa
nacional de graduação: o assalto às consciências e o amoldamento subjetivo.
Revista da Educação Física/UEM. Maringá, v. 9, n.1, 1998.
MARTINELI, Telma A. P. A formação inicial em educação física e a preparação de
um profissional reflexivo. Dissertação de Mestrado (Educação) 2001.
RIBEIRO, Deiva Mara D. B. A Epistemologia da Prática Reflexiva na formação
em educação física. Dissertação de Mestrado (Educação), 2003.
Download

projeto político pedagógico, educação física e o