UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS CIÊNCIAS ECONÔMICAS BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS KLAUS SCHNEIDER GEBHARDT POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO NO SETOR MOVELEIRO: UM ESTUDO DE CASO DE MICRO E PEQUENA EMPRESA São Leopoldo 2008 KLAUS SCHNEIDER GEBHARDT POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO NO SETOR MOVELEIRO: UM ESTUDO DE CASO DE MICRO E PEQUENA EMPRESA Projeto apresentado à Universidade do Vale do Rio dos Sinos como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração de Empresas. Orientador: Prof. Dr. CLÁUDIO GONÇALO São Leopoldo 2008 AGRADECIMENTOS Agradeço meu orientador, professor e doutor Cláudio Gonçalo, pela competência em todas as orientações concedidas, a todas as pessoas que se propuseram a fazer parte desta pesquisa e principalmente a todos da empresa ABC, sócios e empregados, que tornaram possível a realização deste trabalho. Aos meus pais, minha especial consideração, por tudo que já foram e ainda são. RESUMO O setor moveleiro do Brasil caracteriza-se por um segmento da indústria de extrema relevância e de grande capacidade produtiva, exigindo de seus integrantes habilidades para lidar em um ambiente complexo e extremamente competitivo. A empresa ABC, participante deste setor, assume posição central neste estudo, ao exercer o papel de organização pesquisada, viabilizando a realização deste trabalho. Sob a visão estratégica de um cenário maduro e em evolução, a pesquisa busca meios de sobrevivência e continuidade para uma organização que apresenta graves problemas de resultado – neste caso, a empresa ABC. No universo teórico da administração estratégica, encontram-se propostas de caminhos futuros que podem reverter a situação atual. Deste estudo surgem objetivos como, analisar o cenário atual da indústria moveleira, diagnosticar as potencialidades e fraquezas da organização e por fim propor um posicionamento seguido de ações estratégicas capazes de conduzir a empresa a um novo patamar. Estes objetivos exigem do pesquisador um estudo minucioso do setor moveleiro, onde se busca identificar sua forma de estruturação bem como suas forças competitivas empregadas em seu dia-a-dia. Em relação à empresa, procura-se entender a sua participação no cenário atual bem como as razões que a colocam em dificuldades. A partir de entrevistas e visitas ao local, é elaborado uma análise que aponta os seus pontos fortes e fracos. A conclusão desta pesquisa encontra na estratégia de nicho-diferenciação uma oportunidade de sobrevivência e continuidade. Esta alternativa é externada na forma de uma estratégia de crescimento interno baseada na maior aptidão produtiva da empresa ABC: a manufatura de metais. Associada à Estratégias Funcionais, o trabalho desenvolve caminhos a serem seguidos pela empresa na tentativa de superar as atuais dificuldades. Palavras-Chave: Posicionamento Competitivas. Móveis. Estratégico. Setor Moveleiro. Estratégia. Forças LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - A Cadeia Produtiva da Indústria de Móveis do Brasil Figura 2 - Modelo de Administração Estratégica Figura 3 – Forças que dirigem a Concorrência na Indústria Figura 4 - Três Estratégias Genéricas Figura 5 - A Cadeia de Valores Genérica Figura 6 – Formas de Cooperação Figura 7 – O faturamento da empresa ABC nos últimos anos Figura 8 – Estrutura da Matriz BCG Figura 9 – Modelo de Negócio LISTA DE QUADROS Quadro 1 - A concentração das empresas por região e estado do país Quadro 2 - Classificação do porte de empresas Quadro 3 - Empresas e empregados formais por classificação Quadro 4 – Fabricantes de Painéis de Madeira Aglomerada e de MDF no Brasil Quadro 5 – Síntese das categorias de abordagem deste trabalho Quadro 6 – Cronograma Quadro 7 - Distribuição das empresas segundo seu faturamento mensal Quadro 8 - Principais estados exportadores Quadro 9 - Destino das Exportações Quadro 10 – Oportunidades e ameaças do setor Quadro 11 – O Mercado comprador da empresa ABC Quadro 12 – Entrevista com o Diretor da empresa ABC Quadro 13 – Pontos Fortes e Pontos Fracos Quadro 14 – Elementos estratégicos 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 8 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E DEFINIÇÃO DO PROBLEMA ........................................... 9 1.2 OBJETIVOS ..................................................................................................................... 15 1.2.1 Objetivo Geral .............................................................................................................. 15 1.2.2 Objetivos Específicos ................................................................................................... 15 1.3 JUSTIFICATIVA .............................................................................................................. 15 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................... 17 2.1 ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA: CONCEITOS .................................................... 17 2.2 ANÁLISE DA INDÚSTRIA: O MODELO DAS CINCO FORÇAS SETOR................. 20 2.2.1 Ameaça de Entrada....................................................................................................... 21 2.2.2 Intensidade da Rivalidade entre os Concorrentes Existentes................................... 23 2.2.3 Pressão dos Produtos Substitutos................................................................................ 24 2.2.4 Poder de Negociação dos Compradores...................................................................... 25 2.2.5 Poder de Negociação dos Fornecedores...................................................................... 27 2.3 POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO........................................................................... 29 2.3.1 Vantagem Competitiva................................................................................................. 29 2.3.2 Posicionamento Estratégico..........................................................................................31 2.3.3 Balanced Scorecard e Mapas Estratégicos...................................................................33 2.3.4 Matriz de Avaliação de Valor.......................................................................................34 3 MÉTODO DE PESQUISA..................................................................................................37 3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA..................................................................................37 3.2 DEFINIÇÃO DA POPULAÇÃO ALVO/AMOSTRA DE ANÁLISE..............................39 3.3 TÉCNICAS DE COLETAS DE DADOS...........................................................................40 3.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS...........................................................................42 3.5 LIMITAÇÕES DO MÉTODO............................................................................................42 3.6 CRONOGRAMA................................................................................................................43 4 ESTUDO DE CASO.............................................................................................................44 4.1 O SETOR MOVELEIRO – ANÁLISE DA INDÚSTRIA.................................................44 4.1.1 Internacionalização........................................................................................................48 4.1.2 Formação de Clusters.....................................................................................................49 4.1.3 Branding..........................................................................................................................51 4.2 A EMPRESA ABC – DIAGNÓSTICO INTERNO..........................................................53 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS...............................................................61 5.1 RESULTADOS OBTIDOS................................................................................................61 5.2 PROPOSTA DE POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO PARA A EMPRESA ABC....63 5.2.1 Estratégias Genéricas....................................................................................................63 5.2.2 Estratégias Funcionais...................................................................................................67 6 CONCLUSÃO.....................................................................................................................71 6.1 SUGESTÕES PARA NOVAS PESQUISAS....................................................................73 REFERÊNCIAS......................................................................................................................75 9 1 INTRODUÇÃO Este trabalho propõe-se a estudar a importância de um posicionamento estratégico para a condução de negócios no ambiente competitivo que se tem na atualidade no Brasil. A globalização dos mercados juntamente com avanços tecnológicos, imprimem em âmbito nacional uma competição dirigida basicamente por dois fatores principais – qualidade e preço. Dentro deste contexto, como estudo de caso far-se-á a análise do setor moveleiro e da empresa ABC, empresa esta de micro e pequeno porte presente desde a década de 60 neste setor. O tema posicionamento estratégico será abordado sobre diferentes óticas de diferentes autores, buscando auxiliar a definição do posicionamento mais adequado para a empresa em questão. Nas seções subseqüentes, será observado com maior profundidade o contexto em que a empresa está inserida, bem como o ambiente em que se desenvolve o posicionamento estratégico. Orientando estes estudos, objetivos são traçados considerando ambas as realidades. 10 Por fim, o capítulo aborda as justificativas que motivam a realização deste trabalho, sobre a ótica de importância do assunto, oportunidade percebida e viabilidade de execução. 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E DEFINIÇÃO DO PROBLEMA Toda empresa que compete em uma indústria possui uma estratégia competitiva, seja ela explícita ou implícita. Essa estratégia tanto pode ter se desenvolvido explicitamente por meio de um processo de planejamento como ter evoluído implicitamente a partir das atividades dos vários departamentos funcionais da empresa (PORTER, 1985). Uma maior atenção ao planejamento estratégico formal levantou questões que há muito preocupavam os administradores: o que vem dirigindo a concorrência na indústria ou nas indústrias nas quais objetiva-se ingressar? Quais atitudes os concorrentes provavelmente assumirão e qual a melhor maneira de responder? De que modo a indústria se desenvolverá? Qual a melhor posição a ser adotada pela empresa para competir a longo prazo? Grande parte da ênfase nos processos formais de planejamento estratégico é dada à indagação dessas questões de uma maneira organizada e disciplinada, e não a lhes dar uma resposta (PORTER, 1985). Este trabalho busca identificar técnicas analíticas abrangentes visando auxiliar a empresa a analisar sua indústria como um todo e a prever sua futura evolução. Compreender a concorrência e a sua própria posição permitirá a elaboração de uma estratégia competitiva para o seu ramo de negócio. 11 O presente trabalho envolve um estudo de caso, no qual se observará a realidade de uma empresa, cujo nome, ficticiamente, determinou-se de ABC, em face de exigências de sigilo sobre sua identidade. A empresa ABC é uma organização com fins lucrativos atuante no setor moveleiro do Brasil. Seus produtos são em sua maioria móveis com enfoque empresarial, produzidos a partir de chapas de MDF (Medium Density Fiberboard) e estruturas metálicas (tubo e chapa). Um grande foco de atuação é voltado para a execução de projetos de elaboração de lojas e pontos de vendas (móvel institucional/corporativo), das mais diversas empresas do País. Aleatoriamente a este nicho de mercado, a empresa também se dedica a produzir linhas de móveis criados por designers atuantes no setor. Dentre seus clientes, encontram-se lojas especializadas, o mercado corporativo (lojas de calçados, restaurantes, hotéis, livrarias e outros) e pedidos na fábrica sob medida. Sobre práticas de gestão, a ABC incorre na definição dada no início deste capítulo, sobre empresas com estratégias implícitas. Dentro da organização não há um planejamento estratégico formal que auxilie suas ações. Todavia, a empresa se vale de informações obtidas ao longo de sua operação, que são consideradas para a tomada de decisão. A indústria brasileira de móveis exerce um papel de destacada relevância tanto na cadeia produtiva da madeira quanto no suprimento de uma enorme rede de pequenos e grandes varejistas especializados e departamentalizados, que tem nos produtos ofertados pelo segmento, uma de suas principais fontes de receita (IEMI, 2006). A figura 1 resumi a estrutura da cadeia produtiva da indústria de móveis do Brasil. A indústria brasileira de móveis apresenta sua produção geograficamente dispersa por todo território nacional, localizando-se principalmente nas regiões sul e sudeste do país, que 12 respondem por aproximadamente 83% das empresas do setor (IEMI, 2006). No Brasil, assim como em outros países, a indústria moveleira caracteriza-se pela organização em pólos regionais, sendo os principais: Ubá (MG), Votuporanga e Mirassol (SP), Grande São Paulo (SP), Arapongas (PR), São Bento do Sul (SC) e Bento Gonçalves (RS), conforme quadro 1. MATÉRIAS PRIMAS BÁSICAS madeira - metal - vime - espuma - plástico - alumínio OUTROS INSUMOS tintas/vernizes colas/adesivos couro/tecido vidros componentes LINHAS PRODUTOS dormitório sala jantar escritório sala estar estofados modulados outros móveis BENS CAPITAL máquinas equipamentos componentes MERCADO governo - empresas - varejo – exportação – outros Figura 1: A Cadeia Produtiva da Indústria de Móveis do Brasil Fonte: IEMI (2006) Estado São Paulo Rio Grande do Sul Minas Gerais Paraná Santa Catarina Rio de Janeiro Espírito Santo Demais Total Nº de empresas (%) 23,0% 15,0% 13,3% 13,2% 12,4% 3,7% 2,0% 17,4% 100,00% Quadro 1: A concentração das empresas por região e estado do país Fonte: IEMI (2006) Com uma estrutura bastante fragmentada, esta indústria conta com aproximadamente 14.609 empresas, na qual sua grande maioria, aproximadamente 98%, é de micro e pequeno 13 porte, seguido por um pequeno percentual de empresas de médio e grande porte, as quais representam os 2% restantes - seguindo a classificação sugerida pelo SEBRAE (2007). Em quase sua totalidade, são empresas familiares, de capital inteiramente nacional. Entretanto, nos últimos anos tem-se verificado a entrada de empresas estrangeiras no segmento de móveis de escritório, em geral via aquisição de fabricantes locais (ABIMOVEL, 2006). Para este estudo a classificação de porte das empresas se vale dos critérios adotados pelo SEBRAE, com base no número de funcionários, conforme o quadro 2. Classificação Microempresa Pequena empresa Média empresa Grande empresa Número de funcionários Até 19 funcionários De 20 a 99 funcionários De 100 a 499 funcionários Mais de 500 funcionários Quadro 2: Classificação do porte de empresas Fonte: SEBRAE (2007) Em estudos divulgados pelo IEMI (2006), é quantificado o número de empresas bem como o respectivo número de empregados formais, que correspondem a cada faixa de classificação segundo o porte. Seguem os dados no quadro 3. Classificação 1 a 4 empregados 5 a 9 empregados 10 a 19 empregados 20 a 49 empregados Empresas¹ 7.552 3.177 2.121 1.325 Empregados¹ 16.116 21.012 28.932 39.959 50 a 99 empregados 100 a 249 empregados 432 215 29.608 32.822 250 ou + empregados Total Geral 97 14.919 40.135 208.584 Quadro 3: Empresas e empregados formais por classificação. Fonte:IEMI (2006) Nota: (1) Inclui a indústria de colchões. No ano de 2006 o setor atingiu um faturamento nacional de R$ 17,2 bilhões. O estado do Rio Grande do Sul, fechou o ano com um faturamento de R$ 3,08 bilhões, representando cerca de 18% do montante nacional do setor (IEMI, 2006). As exportações no estado 14 atingiram a cifra de R$ 270 milhões nesse mesmo período, o que representa em torno de 27% das exportações brasileiras de móveis (MOVERGS, 2007). O segmento de móveis de madeira exporta quantidades significativas, sendo o principal responsável pela boa performance exportadora brasileira, observada nos últimos anos, e também pela obtenção de saldos positivos elevados na balança comercial do setor. Os estados de São Paulo e Paraná são os maiores importadores de móveis. Esses dois estados têm uma participação de quase 84% do valor total das importações registradas em 2006. O mercado de móveis no Brasil é segmentado basicamente em dois grandes nichos: móveis residenciais e móveis para escritório. Da análise comparada dos diferentes pólos, destaca-se a elevada participação da produção de dormitórios e móveis de cozinha no pólo Bento Gonçalves, de armários, dormitórios e mesas em São Bento do Sul, de estofados em Votuporanga e de móveis de escritório na Grande São Paulo (ABIMÓVEL, 2005). No segmento de móveis residenciais, em geral as grandes empresas atuam com móveis retilíneos seriados, utilizando predominantemente painéis de madeira (MDF). A exceção fica por conta dos grandes fabricantes de São Bento do Sul, que se concentram na produção dos móveis de pínus e eucalipto para exportação. As pequenas e médias empresas (PMEs), por sua vez, atuam geralmente na produção de móveis torneados de madeira maciça. A produção de estofados e móveis metálicos apresenta uma pequena participação na indústria moveleira nacional. Entretanto, esta participação tem se mostrado crescente nos últimos anos. O segmento de móveis para escritórios tem sua produção concentrada na Grande São Paulo, que atende a aproximadamente 80% desse mercado. Neste pólo, encontram-se sete dos 15 dez maiores produtores nacionais de móveis para escritório. Devido à maior complexidade produtiva, este segmento é caracterizado por grandes empresas, apresentando assim uma estrutura mais concentrada, a mais marcante da indústria moveleira no Brasil. Além disso, a quase totalidade dos grandes fabricantes de móveis de escritório está vinculada, de alguma forma, aos líderes mundiais deste segmento (ABIMÓVEL, 2005) Com relação a canais de distribuição, é importante ressaltar o processo de concentração do varejo, já em estágio adiantado na Europa e principalmente nos EUA e que, devido ao processo de internacionalização, também tem avançado no Brasil. Esta nova estrutura de distribuição, por um lado, exige maior eficiência produtiva das empresas moveleiras. Por outro lado, leva a uma redução da margem de lucro da indústria de móveis, devido ao maior poder de barganha dos varejistas (ABIMÓVEL, 2005). Dado o ambiente competitivo que caracteriza o mercado da empresa ABC, a informalidade de um planejamento estratégico pode representar uma lacuna de conhecimento vital para a organização. Isso se fortalece, uma vez que as estratégias informais possuem um alto grau de incerteza, o que coloca em risco a continuidade do negócio. Considerando o acima descrito, a questão central de pesquisa deste projeto é: - Analisando a Indústria de Móveis do Brasil, sobretudo a região sul, qual seria o posicionamento estratégico mais adequado para a empresa ABC, objetivando condições de sobrevivência e crescimento econômico no mercado brasileiro? 16 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral Analisar a indústria de móveis do Brasil, sobretudo a região sul, e propor um posicionamento estratégico para a empresa ABC objetivando condições de sobrevivência e crescimento econômico no mercado brasileiro. 1.2.2 Objetivos Específicos - Efetuar a análise da Indústria moveleira do Brasil, identificando ameaças e oportunidades. - Efetuar um diagnóstico interno da empresa ABC identificando pontos fortes e pontos fracos. - Propor um posicionamento estratégico para a empresa ABC. 1.3 JUSTIFICATIVA Dentre as principais justificativas para a elaboração deste trabalho, a busca por melhores desempenhos em negócios se mostra como uma das mais importantes. A empresa ABC é uma organização que carece de melhores resultados, tanto econômicos quanto financeiros, encontrando neste aspecto um de seus maiores desafios momentâneos. Ao se 17 analisar a empresa em relação a seu faturamento, versus o seu ponto de equilíbrio, torna-se evidente a necessidade de mudança. Um caminho a seguir poderia ser o enxugamento institucional, reduzindo sua estrutura e respectivamente o sua necessidade de recursos. Do contrário, cabe-se pensar em otimizar seus recursos atuais a fim de atingir melhores desempenhos. Para atender esta segunda opção, desejada e considerada a mais vantajosa, recorre-se à administração estratégica, um processo contínuo que busca compreender e prever o sucesso ou o fracasso empresarial. Ainda que o estudo seja direcionado para a empresa ABC e seu ambiente, a análise setorial da indústria moveleira é sempre oportuna para todos que a compõem. Para a ABC o estudo dará condições de alavancar seus negócios e de encontrar diferenciais competitivos capazes de constituir uma estratégia diferenciada. Com relação a dados, destacam-se duas fontes principais: a empresa e o mercado. Para este item a ABC colocou-se à disposição do pesquisador, fornecendo tudo que estiver ao seu alcance. Para os dados do mercado, serão utilizadas informações advindas de setores públicos e privados, como Sindicatos, Associações, Governo, sites de empresas concorrentes, feiras e outras fontes que porventura possam surgir ao longo do trabalho. A seguir serão comentados modelos teóricos que darão sustentação ao que se pesquisou até o momento, seguido por capítulo referente ao detalhamento das metodologias de pesquisa a serem empregadas neste estudo. 18 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A palavra estratégia existe há muito tempo, ainda que a área de conhecimento seja relativamente nova. Ela é considerada o ponto alto da atividade dos executivos. A academia vem estudando este conceito desde a década de 1970, sendo que hoje há muitos teóricos dedicando seu tempo para desvendar esta ciência. Ao longo do tempo, esta palavra vem ganhando forças e se tornando muito influente, mas afinal, o que significa realmente? Nas seções seguintes serão abordados conceitos de Administração Estratégica, baseados em autores como Michael Porter, Henry Mintzberg, Robert Kaplan e David Norton entre outros. Esses teóricos apresentam sobre o seu ponto de vista o que é estratégia, para que serve e como usar este conceito. 2.1 ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA: CONCEITOS A gestão estratégica teve sua origem na introdução da disciplina política dos negócios. Atualmente a gestão estratégica é considerada como uma das principais responsabilidades da alta administração porque, e de acordo com Fahey (1999) estabelece as bases para o êxito de amanhã e ao mesmo tempo compete para vencer nos mercados de hoje. Wright (1992) também escreveu que a administração estratégia trata-se de um processo contínuo de 19 determinação da missão e objetivos da empresa no contexto de seu ambiente externo e de seus pontos fortes e fracos internos, seguidos por formulação, implementação e controle. Porter (1980) define estratégia como a busca de posição competitiva favorável em uma indústria - a arena fundamental onde ocorre a concorrência. A estratégia competitiva visa estabelecer uma posição lucrativa e sustentável contra as forças que determinam a concorrência na indústria. Nesse sentido, a essência da estratégia é elaborar, por meio de uma abordagem inovadora e criativa, uma estratégia competitiva que assegure o êxito da organização nos negócios atuais, ao mesmo tempo em que constrói as competências essenciais necessárias para o sucesso nos negócios de amanhã. Para Kaplan e Norton (2004), a estratégia de uma organização descreve como ela pretende criar valor para seus acionistas, clientes e cidadãos. Ela não é um processo gerencial isolado. É apenas uma das etapas de um processo contínuo lógico que movimenta toda a organização, desde a declaração da missão de alto nível até o trabalho executado pelos empregados da linha de frente e de suporte. Mintzberg (2000), na tentativa de apresentar um conceito mais abrangente, propõe a conceituação de estratégia em cinco diferentes dimensões: plano, padrão, posição, perspectiva e truque. Plano quer dizer que estratégia é um curso de ações conscientemente articuladas a fim de lidar com uma determinada situação. Padrão simboliza uma consistência no comportamento ao longo do tempo, inspirado em algo extraído de seu passado. Posição está relacionada ao nicho de mercado pretendido pela empresa o qual possibilitará um retorno econômico superior à de seus concorrentes – localização de determinados produtos em determinados mercados. A estratégia como Perspectiva é a maneira fundamental de uma 20 organização fazer as coisas. E por último, a estratégia como truque é uma manobra específica para enganar um oponente ou concorrente. Para auxiliar a visualização do processo de administração estratégica, Wright (2000) desenvolveu um modelo que contempla todos os passos deste processo. O modelo começa com a análise ambiental de oportunidades e ameaças. No estágio seguinte, o ambiente interno da organização (recursos, missão e objetivos) é ligado ao ambiente externo por uma seta de duplo sentido. Em seguida, sucedem-se os processos de formulação, implementação e controle, conforme mostra a figura 2. OPORTUNIDADES E AMEAÇAS DO AMBIENTE EXTERNO Macroambiente Ambiente Setorial AMBIENTE INTERNO Recursos, Missão Organizacional, Objetivos da Empresa FORMULAÇÃO DE ESTRATÉGIAS Formulação de Estratégias Empresariais Formulação de Estratégia de Unidades de Negócio Formulação de Estratégias Funcionais IMPLEMENTAÇÃO DE ESTRATÉGIAS Estrutura Organizacional Liderança, Poder e Cultura Organizacional CONTROLE ESTRATÉGICO Processo de Controle Estratégico e Desempenho Figura 2 – Modelo de Administração Estratégica Fonte: Wright (2000, p. 27) 21 2.2 ANÁLISE DA INDÚSTRIA: O MODELO DAS CINCO FORÇAS A essência da formulação de uma estratégia competitiva é relacionar uma companhia ao seu meio ambiente. Segundo Porter (1980), a estrutura industrial tem uma forte influência na determinação das regras competitivas do jogo, assim como das estratégias potencialmente disponíveis para a empresa. O grau de concorrência em uma indústria depende de cinco forças competitivas básicas, que são apresentadas na figura 3. Figura 3 – Forças que dirigem a concorrência na indústria Fonte: Porter (1980, p. 04) Dado que o conjunto das forças pode estar exageradamente aparente para todos os concorrentes, a chave para o desenvolvimento de uma estratégia é pesquisar em maior profundidade e analisar as fontes de cada força. A análise estrutural é a base fundamental para a formulação da estratégia competitiva e um suporte básico para a maioria dos conceitos abordados nas seções que seguem deste trabalho. 22 As cinco forças competitivas refletem o fato de que a concorrência em uma indústria não está limitada aos participantes estabelecidos. Clientes, fornecedores, substitutos e os entrantes potenciais são todos “concorrentes” para as empresas na indústria, podendo ter maior ou menor importância, dependendo das circunstâncias particulares. Todas as cinco forças competitivas em conjunto determinam a intensidade da concorrência na indústria, bem como a rentabilidade, sendo que a força ou as forças mais acentuadas predominam e tornam-se cruciais do ponto de vista da formulação de estratégias. Todavia a estrutura básica de uma indústria deve ser distinguida dos muitos fatores a curto prazo que podem afetar a concorrência e a rentabilidade de uma forma transitória. 2.2.1 Ameaça de Entrada Segundo Porter (1980), novas empresas que entram para uma indústria - grupo de empresas fabricantes de produtos que são substitutos bastante aproximados entre si - trazem nova capacidade, o desejo de ganhar uma parcela do mercado e frequentemente recursos substanciais. Como resultado, os preços podem cair ou custos dos participantes podem ser inflacionados, reduzindo assim, a rentabilidade. A ameaça de entrada em uma indústria depende das barreiras de entrada existentes, em conjunto com a reação que o novo concorrente pode esperar da parte dos concorrentes já existentes. Se as barreiras são altas, o recém-chegado pode esperar retaliação acirrada dos concorrentes na defensiva. Existem sete barreiras de entrada principais, ou seja, obstáculos para o ingresso em um setor: em Economias de Escala, detêm-se novos entrantes forçando-os a entrar ou no mercado de larga escala, onde haverá uma forte reação das empresas existentes, ou conduzindo-os à pequena escala, onde há desvantagens de custo. Para a barreira de Diferenciação de Produtos, 23 empresas já estabelecidas podem desfrutar de uma forte identificação de marca e da lealdade de consumidores, com base em diferenças reais ou percebidas nos produtos. Conforme estudo realizado pelo Núcleo de Tecnologia, Indústria e Trabalho – NETIT da UFRGS (2007), para competir a nível mundial com indústrias emergentes como China, Índia e Rússia, o fortalecimento das cadeias produtivas de base local podem representar uma alternativa às iniciativas e forças individuais. O esforço coletivo pode acarretar benefícios individuais para as empresas integrantes. As aglomerações setoriais (clusters) e o adensamento das cadeias produtivas auxiliam a formação de mercados de mão de obra, serviços especializados, insumos, formação de recursos humanos e centros tecnológicos, formação de marca e imagem coletiva, entre outras vantagens competitivas que podem diferenciar os produtos da região representando uma grande força competitiva. A exemplo das práticas relatadas, a região da serra gaúcha, fortemente representada por Bento Gonçalves, mostra-se como um ótimo exemplo, tendo como fruto um reconhecido produto associado ao seu aglomerado setorial local. No que se refere à Exigências de Capital, a necessidade de investir grandes recursos financeiros para entrar na concorrência cria um terceiro tipo de barreira de entrada. A quarta barreira é identificada como Custos de Mudança, onde os compradores dos insumos do setor incorrem uma única vez quando deixam de comprar os produtos de uma empresa e passam a comprar de outra. Mudar de fornecedor pode exigir novo treinamento de empregados, novos equipamentos auxiliares e ou nova assistência técnica. A maioria dos clientes reluta em mudar de produto, a não ser que o novo fornecedor ofereça uma melhoria significativa. O Acesso a Canais de Distribuição consiste em outra barreira de entrada, visto que muitas vezes é preciso superar vínculos já estabelecidos que se baseiam em relações duradouras e até exclusivas. Outro fator são as Desvantagens de Custos Desvinculadas da Escala, visto que empresas já estabelecidas dispõem de tecnologia exclusiva, acesso favorável 24 à matéria-prima, localizações favoráveis e a curva de aprendizagem ou de experiência. Por último, entram as Políticas Governamentais. Os governos podem controlar o acesso a determinados setores com exigências de licenciamento e outras regulamentações. A entrada em determinado setor também pode ser impedida se o entrante em potencial espera que os concorrentes existentes reajam de forma enérgica. Essas expectativas são fundamentadas quando o setor tem uma história de vigorosa retaliação a novos entrantes ou se ele cresce lentamente. 2.2.2 Intensidade da Rivalidade entre os Concorrentes Existentes A rivalidade entre os concorrentes existentes assume a forma corriqueira de disputa por posição – com o uso de táticas como concorrência de preço, batalhas de publicidade, introdução de produtos e aumento dos serviços ou das garantias ao cliente. Para Porter (1980) a rivalidade ocorre porque um ou mais concorrentes sentem-se pressionados ou percebem a oportunidade de melhorar sua posição. Algumas formas de concorrência, notadamente a concorrência de preço, são altamente instáveis, sendo bastante provável que deixem toda a indústria em pior situação do ponto de vista da rentabilidade. Por outro lado, as batalhas de publicidade podem expandir a demanda ou aumentar o nível de diferenciação do produto na indústria com benefício para todas as empresas. Contudo, a rivalidade é conseqüência da interação de vários fatores estruturais, além dos descritos anteriormente. No caso de concorrentes numerosos ou bem equilibrados, a probabilidade de dissidência é grande, e algumas empresas podem chegar a acreditar que podem fazer movimentos sem serem notadas. Quando o crescimento da indústria é lento, a 25 concorrência transforma-se em um jogo de parcela de mercado para as empresas que procuram expansão. Para a situação em que há custos fixos altos, criam-se fortes pressões no sentido de que as empresas devam trabalhar em um nível próximo a de sua capacidade total, no intuito de diluir suas despesas gerais por maiores unidades de produção. Essa pressão frequentemente conduz ao corte de preços, o que intensifica a concorrência. Nos casos em que há ausência de diferenciação, as decisões de compra se baseiam em considerações de preços e serviços, o que resulta em uma competição maior. Onde capacidades são aumentadas via grandes incrementos, ter-se-á um temporário excesso de capacidade no setor resultando em cortes de preços. Também em setores com concorrentes diversos, empresas diferentes em suas culturas, origens e estratégias muitas vezes têm diferentes objetivos e diversos modos de competir, tornando este mercado especialmente competitivo. Quando há interesses estratégicos altos, a rivalidade será muito volátil de forma que esses desejos podem até envolver a disposição de sacrificar a lucratividade. Já barreiras de saídas altas podem ser representadas através de fatores econômicos, estratégicos ou emocionais que impedem que as empresas abandonem um mercado mesmo que estejam obtendo um retorno baixo sobre o investimento. 2.2.3 Pressão dos Produtos Substitutos Todas as empresas em uma indústria estão competindo, em termos amplos, com indústrias que fabricam produtos substitutos (PORTER, 1980). Os substitutos reduzem os retornos potenciais de uma indústria, colocando um teto nos preços que as empresas podem 26 fixar com lucro. Quanto mais atrativa a alternativa de preço-desempenho oferecida pelos produtos substitutos, mais firme será a pressão sobre os lucros da indústria. A identificação de produtos substitutos é conquistada por meio de pesquisas de outros produtos que possam desempenhar a mesma função que aquele da indústria. Algumas vezes essa pode ser uma tarefa sutil e que leva o analista a negócios aparentemente muito afastado da indústria. O posicionamento em relação aos produtos substitutos pode muito bem ser uma questão de ações coletivas da indústria. Os substitutos não apenas limitam os lucros em tempos normais, como também reduzem as forças de riqueza que uma indústria pode obter em tempos de prosperidade. Além do trade-off preço-desempenho, outro aspecto importante deve ser observado: produtos advindos de indústrias com lucros altos, ou seja, de alto poder competitivo. A análise dessas tendências pode ser importante na decisão acerca de tentar suplantar estrategicamente um substituto ou planejar a estratégia considerando o substituto como uma força-chave inevitável. 2.2.4 Poder de Negociação dos Compradores Para Porter (1980) os compradores competem com a indústria forçando os preços para baixo, barganhando por melhor qualidade ou mais serviços e jogando os concorrentes uns contra os outros – tudo à custa da rentabilidade da indústria. O poder de cada grupo importante de compradores depende de certas características quanto a sua situação no mercado e da importância relativa de suas compras da indústria em comparação com seus negócios totais. Um grupo comprador é poderoso quando algumas circunstâncias se mostram verdadeiras, como: quando há um grande volume envolvendo a venda; quando a venda 27 representa uma fração significativa das receitas da empresa; quando os produtos são facilmente substituídos por similares; quando há baixos custos de mudança; quando existe uma ameaça concreta de integração para trás; quando o produto não é importante para a qualidade dos produtos ou serviços do comprador; entre outros. Todavia, uma companhia pode melhorar sua postura estratégica descobrindo compradores que possuam um poder mínimo para influência-la negativamente – em outras palavras, seleção de compradores. Raramente acontece de todos os grupos para os quais uma companhia vende gozar do mesmo poder, deixando margem para lidar com esta realidade. Mesmo quando uma companhia vende para uma única indústria, geralmente existem segmentos dentro dessa indústria que exercem menos poder, e que são, portanto, menos sensíveis aos preços do que outros. Em visita realizada ao Pólo Moveleiro de Bento Gonçalves, o pesquisador pôde estabelecer contato com alguns produtores de móveis locais, onde foi abordada entre outros assuntos a posição das Indústrias produtoras de móveis em relações comerciais com seus fornecedores. Na ocasião, um fabricante relatou que o Sindicato local representa um conglomerado de pequenas empresas da região para a compra de matérias-primas, consolidando a necessidade de diversas empresas, aumentando assim seu poder de negociação frente ao fornecedor. Conforme Porter (1980), a união de forças faz com que a venda adquira uma maior representatividade frente às receitas do fornecedor, tornando a relação comercial mais atrativa para este, que passará a observar com mais zelo as necessidades deste grupo. 28 2.2.5 Poder de Negociação dos Fornecedores Os fornecedores podem exercer poder de negociação sobre os participantes de uma indústria ameaçando elevar preços ou reduzir a qualidade dos bens e serviços fornecidos. Fornecedores poderosos podem consequentemente sugar a rentabilidade de uma indústria incapaz de repassar os aumentos de custos em seus próprios preços. As condições que tornam os fornecedores poderosos tendem a refletir aquelas que tornam os compradores poderosos. Um grupo fornecedor é poderoso, se o mesmo é dominado por poucas companhias e é mais concentrado do que a indústria para a qual vende. Fornecedores vendendo para compradores mais fragmentados terão, em geral, capacidade de exercer considerável influência em preços, qualidade e condições. Outra situação que se aplica é quando o grupo fornecedor não está obrigado a lutar com outros produtos substitutos na venda para a indústria. Até o poder de fornecedores muito fortes pode ser posto em cheque se concorrem com substitutos. Uma terceira situação ocorre quando a indústria não é um cliente importante para o grupo fornecedor. Neste caso, os fornecedores estão muito mais propensos a exercer seu poder. Quando os produtos dos fornecedores são importantes insumos para o negócio do comprador, o sucesso do processo de fabricação do comprador estará na mão do respectivo fornecedor. Igualmente quando os produtos possuem relevante diferenciação ou apresentam elevados custos de mudança, fatores estes que descartam opções de jogar um fornecedor contra outro. Uma sexta possibilidade ocorre quando o grupo fornecedor é uma ameaça concreta de integração para frente. Isso representa uma verificação quanto à capacidade de a indústria melhorar as condições de compra. As condições que determinam o poder dos fornecedores não só estão sujeitas a mudanças como com freqüência estão fora de controle da empresa. Entretanto, com relação ao 29 poder dos compradores, a empresa pode às vezes melhorar sua situação pela estratégia. Ela pode aumentar sua ameaça de integração pra trás, buscar a eliminação de custos de mudança, e coisas semelhantes. No caso do setor moveleiro, os quais são os principais consumidores de painéis de madeira aglomerada e de MDF – posto que mais de 90% do volume produzido dessas chapas destinam-se à fabricação de móveis – não se pode ignorar a força deste segmento fornecedor, conforme aponta estudos realizados pelo BNDES (2007). Ainda que relativamente disperso entre algumas empresas, estas acabam por exercer e impor sua superioridade diante das empresas menores do setor moveleiro, amplamente constituído por organizações de micro e pequeno porte. Conforme Porter (1980) o fornecedor exercerá o seu poder quando a sua indústria é mais concentrada do que a indústria para a qual vende, no caso a moveleira, ainda que seu fornecimento seja considerado adequado pela indústria produtora de móveis, que não demonstra preocupação quanto ao seu suprimento em termos dos volumes ofertados. A maior parcela da produção nacional é absorvida diretamente pela indústria. Um volume menor é comercializado pelas revendas, juntamente com chapas de madeira compensada, e destina-se a empresas de menor porte e artesãos ou é usado para a execução de serviços domésticos, na confecção de armários e prateleiras. O Quadro 4 indica os atuais fornecedores de chapas de aglomerado e de MDF instalados no Brasil. Empresas Berneck Duratex Eucatex Masisa Placas do Paraná Satipel Tafisa Aglomerado Sim Sim Sim Não Sim Sim Sim Quadro 4: Fabricantes de Painéis de Madeira Aglomerada e de MDF no Brasil: Fonte: BNDES (2007). MDF Não Sim Não Sim Sim Não Sim 30 2.3 POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO Uma questão central em estratégia competitiva é a posição relativa de uma empresa dentro de sua indústria. O posicionamento determinará se a rentabilidade de uma empresa estará abaixo ou acima da média da indústria. Uma empresa que pode posicionar-se bem é capaz de obter altas taxas de retornos, mesmo que a estrutura industrial seja desfavorável e a rentabilidade média da indústria seja, portanto, modesta. Para Wright (2000), a chave da competição eficaz está em a empresa encontrar uma posição no mercado a partir da qual possa influenciar as forças que dirigem a concorrência em seu benefício, ou a ponto de defender-se contra elas. A seguir, apresentam-se alguns diferentes pontos de vista sobre Posicionamento Estratégico, segundo as obras de Michael Porter (1985), Henry Mintzberg (1988), Robert Kaplan e David Norton (2004) e Chan Kim e Renée Mauborgne (2005). 2.3.1 Vantagem Competitiva A base fundamental do desempenho acima da média a longo prazo é a vantagem competitiva sustentável. Segundo Porter (1985), embora uma empresa possa ter inúmeros pontos fortes e pontos fracos em comparação com seus concorrentes, existem dois tipos de vantagem competitiva que uma empresa pode possuir: baixo custo ou diferenciação. A importância de qualquer ponto forte ou ponto fraco que uma empresa possui é, em última instância, uma função de seu impacto sobre o custo relativo ou a diferenciação. A vantagem de custo e a diferenciação, por sua vez, originam-se da estrutura industrial. Elas resultam da habilidade de uma empresa em lidar com as cinco forças melhor do que seus rivais. 31 Os dois tipos básicos de vantagem competitiva combinados com o escopo de atividades para qual uma empresa procura obtê-los levam a três estratégias genéricas para alcançar o desempenho acima da média em uma indústria: liderança de custo, diferenciação e enfoque. A estratégia do enfoque tem duas variantes: enfoque no custo e enfoque na diferenciação. VANTAGEM COMPETITIVA Custo Mais Baixo Diferenciação 1. Liderança de Custo 2. Diferenciação Alvo Estreito 3A. Enfoque no Custo 3B. Enfoque na Diferenciação Alvo Amplo ESCOPO COMPETITIVO Figura 4. Três Estratégias Genéricas Fonte: Porter (1985, p. 10) A vantagem competitiva também não pode ser compreendida observando-se a empresa como um todo. Ela tem sua origem nas inúmeras atividades distintas que uma empresa executa no projeto, na produção, no marketing, na entrega e no suporte de seu produto. Cada uma destas atividades pode contribuir para a posição dos custos relativos de uma empresa, além de criar uma base para a diferenciação. Uma forma sistemática para o exame de todas as atividades executadas por uma empresa e do modo como elas interagem é necessária para a análise das fontes da vantagem competitiva. Para tanto utiliza-se a Cadeia de Valores como instrumento básico para tal finalidade. 32 Figura 5. A Cadeia de Valores Genérica Fonte: Porter (1985, p. 35) A Cadeia de Valores desagrega uma empresa nas suas atividades de relevância estratégica para que se possa compreender o comportamento dos custos e as fontes existentes e potenciais da diferenciação. Uma empresa ganha vantagem competitiva, executando estas atividades estrategicamente importantes de uma forma mais barata ou melhor do que a concorrência. Outro aspecto que pode ter efeito sobre a vantagem competitiva e o escopo competitivo que traça a configuração é a economia da cadeia de valores. Existem quatro dimensões do escopo que afetam a cadeia de valores: Escopo de Segmento, Escopo Vertical, Escopo Geográfico e Escopo da Indústria. 2.3.2 Posicionamento Estratégico Segundo Mintzberg (1998), as organizações desempenham uma séria de funções dos negócios que formam uma seqüência no que Michael Porter (1985) rotulou de cadeia de valor. 33 Estas funções são executadas através de competências ou capacidades de vários tipos e apoiadas por outros diversos recursos ou ativos. Percorrido a cadeia de valor acaba-se por criar um produto ou serviço que é lançado no mercado. As maneiras pelas quais isso pode ser feito estão descritas, segundo a escola do posicionamento, por um conjunto de estratégias genéricas (PORTER, 1980). Pode-se descrever uma série dessas estratégias de acordo com a natureza do produto/serviço e outras características correspondentes (MINTZBERG, 1988). O próximo passo do posicionamento estratégico pode ser definido ao responder a seguinte pergunta: onde termina um mercado e onde começa outro? Uma indústria pode ser definida como um panorama de mercados associados, isolados dos demais por bloqueios no terreno. Em Economia e em posicionamento estratégico, existem as conhecidas barreiras de entrada. Porter (1980) ocupou-se disso com sua idéia de grupos estratégicos, na realidade um tipo de sub-indústria - empresas que lançam mão de estratégias semelhantes. Estas se distinguem por barreiras à imobilidade; em outras palavras, dificuldades para transferir-se para o grupo, mesmo fazendo parte do mesmo segmento de mercado. Quando produtos e mercados se juntam, chega-se ao conceito central da administração estratégica, ou seja, o encaixe, ou as posições estratégicas em si – como o produto se posiciona no mercado. O encaixe é discutido de maneira lógica, primeiro em termos de equiparação entre a escala dos produtos oferecidos e o mercado atendido (que Porter, 1985, chama de escopo). Depois disso aborda-se a qualidade do encaixe e as maneiras de aprimorálo. Quando a oferta não é mais analisada isoladamente, constata-se uma rivalidade nos mercados, consistindo de concorrentes – capazes de desempenhar melhor ou de fazê-lo de maneira diferente. Portanto retorna-se à Economia para descrever várias situações de competitividade. 34 Obviamente os mercados são contestáveis. Novos concorrentes podem procurar penetra-los. Para tanto dá-se ênfase à literatura da estratégia militar, onde pioneiros procuram posicionar-se em novos mercados para manter os rivais à distância, entre outras estratégias cabíveis. Entretanto, o estrategista realmente criativo, evita deliberadamente todas essas categorias aponto de desenvolver uma estratégia inovadora, para a qual não há diagramas, visto que ninguém é capaz de descrevê-la. 2.3.3 Balanced Scorecard e Mapas Estratégicos Kaplan e Norton (2004) abordam o posicionamento estratégico através de uma metodologia chamada Balanced Scorecard e seu instrumento de consolidação e comunicação chamado de Mapa Estratégico. Segundo os autores, a estratégia de uma organização descreve como ela pretende criar valor para seus acionistas, clientes e cidadãos. Através de um modelo composto por quatro perspectivas - financeira, de clientes, interna e de aprendizado e crescimento - se fornece às equipes uma linguagem comum para a discussão da trajetória e das prioridades de seus empreendimentos. O Mapa Estratégico se trata de uma representação visual das relações de causa e efeito entre os componentes da estratégia de uma organização. Sobre a abordagem de posicionamento estratégico, segundo os autores é viável definir através de Mapas e Balanced Scorecards qualquer enfoque possível. Por exemplo, ao se desenvolver a perspectiva interna do mapa estratégico, identificam-se os processos mais importantes para as estratégias futuras. As empresas que adotam a estratégia de liderança de produto enfatizam a excelência em seus processos de inovação. As empresas que seguem a estratégia de baixo custo destacam-se nos processo de gestão operacional enquanto que as 35 empresas que escolhem a estratégia de soluções para os clientes concentram-se nos processos de gestão de clientes. As empresas executam literalmente centenas de processos ao mesmo tempo, cada um criando valor de alguma forma. A arte do posicionamento estratégico consiste em identificar e buscar excelência nos poucos processos críticos que mais reforçam a criação de valor para os clientes. Todos os processos devem ser bem gerenciados, mas os poucos processos estratégicos críticos devem receber especial atenção e foco, pois são fundamentais para a diferenciação estratégica. Os processos estratégicos selecionados devem ser oriundos de todos os quatro grupamentos, isto é, todas as estratégias precisam identificar pelo menos um ou mais processos em gestão de operacional, gestão de clientes, inovação e regulatório e social. Dessa maneira equilibra-se o processo de criação de valor entre o curto e longo prazo. Garante-se assim o valor sustentável no tempo para os acionistas. 2.3.4 Matriz de Avaliação de Valor Segundo Kim e Mauborgne (2005), tradicionalmente, acredita-se que as empresas quando comparadas aos concorrentes devem encontrar seu posicionamento criando mais valor para os clientes, a custo mais alto, ou criando o mesmo valor para os clientes a custo mais baixo. Porém, isso limitaria estratégia à escolha entre diferenciação e liderança de custos. A fim de encontrar o posicionamento mais lucrativo os autores sugerem um modelo analítico fundamental para a inovação de valor, chamado de matriz de avaliação de valor. A matriz de avaliação de valor é tanto um instrumento de diagnóstico como um modelo para o desenvolvimento de um posicionamento estratégico altamente competitivo. Dois são os propósitos: primeiro, captar a situação atual no espaço de mercado conhecido. Isso permite que a empresa compreenda em que os concorrentes estão investindo, os atributos nos quais se 36 baseia a competição em termos e produtos, serviços e entrega, e o que os compradores recebem como clientes de qualquer das ofertas competitivas existentes no mercado. Para posicionar uma empresa em uma trajetória crescente e lucrativa dadas as condições setoriais, imitar os concorrentes e tentar supera-los oferecendo um pouco mais por um pouco menos, não produzirá resultados. Com o propósito de mudar fundamentalmente a matriz de avaliação de valor do setor, a empresa deve começar com a reorientação de seu foco estratégico, de concorrentes para setores alternativos, e de clientes para não clientes do setor. Para Kim e Mauborgne (2005), para buscar ao mesmo tempo valor e custo, a empresa precisa resistir não somente à velha lógica de se comparar com os concorrentes nas atuais arenas, como também à escolha entre diferenciação e liderança de custo. À medida que desloca o foco estratégico da competição para setores alternativos e não-clientes, a empresa desenvolve novas idéias sobre como redefinir o problema em que se concentra o setor específico, e assim identifica atributos de valor para os compradores que se situam além das fronteiras setoriais convencionais. A lógica estratégica tradicional, em contraste, induz as empresas a oferecer melhores soluções do que os rivais para os problemas existentes, conforme os atributos de valor já definidos pelo setor. Em síntese, o processo de posicionamento estratégico inicia-se com a análise ambiental e setorial de oportunidades e ameaças, conforme o modelo proposto por Wright (2000). Em complemento, o Modelo das 5 Forças de Porter (1980) auxilia a identificação das regras competitivas que se manifestam dentro de um setor, as quais norteiam posturas a serem tomadas dentro da esfera de atuação. Como estágio seguinte, analisa-se o ambiente interno da organização, onde Porter (1985) introduz a Cadeia de Valor a fim de identificar potenciais de diferenciação que ajudarão a empresa a posicionar sua forma de atuação. Wright (2000) também sugere que este 37 é o momento de analisar Recursos, Missão Organizacional e Objetivos da Empresa. Kaplan e Norton (2004) procuram neste momento descrever estrategicamente a forma como uma organização pretende criar valor para seus acionistas, clientes e cidadãos. Através do seu modelo BSC dotado de quatro perspectivas (financeira, de cliente, interna e de aprendizado e crescimento) se fornece à empresa parâmetros para a discussão de sua trajetória. Por fim, a ponto de se formular estratégias posicionando-se no mercado, Mintzberg (1998) traz o questionamento em torno dos limites de cada mercado a fim de encontrar o encaixe perfeito entre produto e mercado. Também neste campo, Kim e Mauborgne (2005), com a Matriz de Avaliação propõem uma espécie de “Engenharia Reversa” da Administração Estratégica, identificando os atributos de valor de uma indústria, pretendendo-se inovar em relação à lógica tradicional do mercado, encontrando uma performance única de competitividade. Considerando a revisão da literatura, segue abaixo a síntese das principais categorias de abordagem deste trabalho. ÁREAS DE PESQUISA Administração estratégica: conceitos O modelo das cinco forças Estratégias Genéricas CATEGORIAS DE BASE TEÓRICA ABORDAGEM - Modelo de Administração Wright, Kroll e Parnell Estratégica (2000) - Entrantes potenciais - Fornecedores - Compradores Porter (1980) - Substitutos - Concorrentes na Indústria Porter (1980) Mintzberg - custo (1988), Kaplan e Norton - diferenciação (2004), Kim e Mauborgne - enfoque (2005) Quadro5: Síntese das categorias de abordagem deste trabalho Fonte: elaboro pelo próprio autor. 38 3 MÉTODO DE PESQUISA 3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA Em relação à classificação quanto a objetivos, este trabalho caracterizou-se por uma pesquisa do tipo Exploratória-Descritiva. Segundo GIL (1991), levando em consideração que pesquisas exploratórias têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses, e que, pesquisas descritivas têm como objetivo maior, informar sobre situações, fatos, opiniões ou comportamentos de uma determinada população ou conjunto de sujeitos, o presente estudo apresenta-se conforme a seguir. Está pesquisa teve por objetivo propor um posicionamento estratégico para a empresa ABC dentro do Setor Moveleiro Nacional. Este objetivo comportou três momentos distintos. O primeiro foi uma análise do mercado moveleiro bem como do ambiente externo em que a empresa está inserida. Neste momento inicial, buscou-se explorar o contexto nacional do setor. O segundo momento caracterizou-se por um diagnóstico interno da organização que apontou a atual posição da empresa em relação ao mercado. Foram descritos comportamentos, 39 premissas, entendimentos e posturas da empresa em relação ao tema abordado. Por fim, os estudos realizados foram levados a conhecimento da organização para que em consenso fosse construído o posicionamento estratégico com maior potencialidade e competitividade. Em relação ao tempo, esta pesquisa caracterizou-se pela classificação de Corte Transversal. Segundo Sampieri (1991), a coleta de dados Corte-Transversal, ocorre somente em um determinado momento da pesquisa, quando pretende-se descrever e analisar o estado de uma ou várias variáveis em relação aos seus registros históricos. Para o presente trabalho, não se teve qualquer pretensão de realizar uma coleta de dados ao longo do tempo, a fim de acompanhar a mudança ocorrida durante determinado período. Como estudo de caso, a presente pesquisa investigou um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto da vida real, ainda que os limites entre fenômeno e contexto não estivessem claramente definidos (YIN, 2001). A investigação de estudo de caso enfrenta uma situação tecnicamente única em que haverá muito mais variáveis de interesse do que pontos de dados, e, como resultado baseia-se em várias fontes de evidências, com os dados precisando convergir em um formato de triângulo, e como outro resultado, beneficia-se do desenvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a coleta e a análise de dados (YIN, 2001, p. 32). A citação de Yin retratou o caráter exploratório da pesquisa ao dizer que há mais variáveis de interesse do que pontos de dados. Esta condição colocou ao pesquisador a necessidade de busca por evidências a tornar o problema de pesquisa mais explícito ou a construir hipóteses. Para estudos relacionados ao setor moveleiro, foram feitos levantamentos de dados que estavam disponíveis ao público geral, apresentados na forma de pesquisas acadêmicas, relatórios comerciais, publicações gerais, etc. Não obstante ao grande número de informações reunidas, o pesquisador realizou uma visita ao Centro Gestor de Inovação Moveleiro – CGI na cidade de Bento Gonçalves/RS. Na ocasião foi possível coletar mais informações sobre o 40 setor bem como estabelecer um canal de comunicação com este centro de grande relevância no meio, fortemente vinculado à Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul MOVERGS e ao Núcleo de Pesquisa Aplicada do Vale dos Vinhedos – NUPARVI. Este contato gerou vários resultados importantes como o acesso a pesquisas realizadas pelo NUPARVI bem como à proximidade de pessoas que vieram a fazer parte da amostra de aplicação da pesquisa. Cabe-se registrar também, a participação por parte do pesquisador do Congresso realizado pela MOVERGS, envolvendo autoridades do setor de todo o país, onde foram apresentados os números do setor, bem como suas perspectivas para o futuro. Para os estudos relacionados à empresa ABC, estabeleceu-se contato direto com o Diretor da empresa, assim como com outras pessoas de grande relevância dentro da gestão do negócio – o superintendente, o controler financeiro-contábil, o gerente e o supervisor de vendas e outros três integrantes do Conselho de Administração. 3.2 DEFINIÇÃO DA POPULAÇÃO-ALVO/AMOSTRA DE ANÁLISE O foco principal da pesquisa foi a empresa ABC. Porém, para fins de definição da população, coube incluir neste grupo outras partes interessadas, como donos de empresas do setor, autônomos, varejistas e integrantes do Conselho de Administração da Empresa. A amostra foi definida pelas seguintes pessoas: o diretor, o superintende, o controler financeirocontábil, e mais dois membros que compõem a gerencia de vendas da empresa estudada; cinco profissionais envolvidos com o setor, entre eles, dois integrantes do CGI e NUPARVI, e outros três autônomos intermediadores entre o mercado e a indústria; três concorrentes, donos de empresas na região de Bento Gonçalves/RS; dois representantes de redes varejistas, 41 clientes da empresa ABC; e por fim três membros do Conselho de Administração da empresa, totalizando 18 pessoas como integrantes da amostra para coleta de dados primários. Todas as pessoas foram acessadas levando em consideração sua relevância dentro da empresa ou do setor moveleiro, observando critérios como conhecimento, tradição, participação e nível hierárquico. Estes critérios foram estabelecidos com o objetivo de coletar dados o mais próximo possível à realidade verificada dentro de cada entidade que integram. 3.3 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS A coleta de dados foi divida em dois momentos principais: coleta de dados primários e secundários. Para a coleta de dados secundários sobre o segmento moveleiro, realizaram-se pesquisas via Internet, através de relatórios fornecidos por entidades do setor, dissertações e por pesquisas realizadas pela própria empresa. Entre elas pode-se citar três dissertações envolvendo a indústria moveleira, as quais tangem os assuntos de Processo de Internacionalização e Inteligência de Mercado. Têm-se ainda análises da Indústria Moveleira realizadas por entidades como BNDES, ABIMOVEL, CGI, IEMI e MOVERGS. Isso possibilitou identificar características do mercado, focos de atuação, principais compradores, concorrentes e fornecedores, principais atributos e características de cada participante. Para a coleta de dados primários, realizaram-se entrevistas semi-estruturadas com o Diretor da empresa ABC bem como a aplicação de questionários para com a amostra referida anteriormente. Esta aplicação tem por objetivo coletar e registrar informações complementares à busca teórica dos elementos que são comparados com a prática. A técnica 42 de entrevista semi-estruturada permite que sejam feitas perguntas aos participantes para descobrir o que fazem, pensam e sentem (COLLIS e HUSSEY, 2005). As entrevistas facilitam a comparação de respostas e podem ser feitas pessoalmente, por telefone ou por computador. Quanto aos questionários, dois formatos diferentes foram aplicados, um para dados quantitativos e outro para dados qualitativos. O instrumento para dados quantitativos seguiu o modelo proposto pelo NUPARVI - aplicado para 1231 empresas do setor moveleiro no ano de 2007. Para coleta de dados qualitativos, foi utilizado um instrumento elaborado pelo autor, onde foram realizadas perguntas sobre Posicionamento estratégico no setor moveleiro. A coleta de dados quantitativos se deu única e exclusivamente dentro da empresa, com o intuito de compor seu diagnóstico interno. Ao realizar a coleta de dados quantitativos, foram priorizados atributos que caracterizaram o cenário atual, (COLLIS e HUSSEY, 2005) como: aspectos comerciais e de produto, produção, administrativo-financeiro, mercadológicos, entre outros. Esta pesquisa foi aplicada junto ao diretor da empresa, uma vez que este é o representante maior da organização. Uma vez respondido, o resultado obtido dentro da empresa ABC pode ser comparado aos resultados obtidos pelo NUPARVI, dados estes que foram publicados no site do CGI (www.cgimoveis.com.br) e encontram-se parcialmente descritos neste trabalho. A coleta de dados qualitativos ocorreu através do contato do autor com todos os participantes de sua amostra, ocasião em que estes puderam responder quatro perguntas sobre o setor moveleiro. Com estas questões buscou-se registrar a visão de diversos personagens do setor com relação ao tema principal desta pesquisa, o posicionamento estratégico. 43 O período de coleta dos dados primários teve início e fim no primeiro semestre de 2008. 3.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS Para análise dos dados, foram utilizadas tabelas e figuras geradas a partir da coleta. O objetivo das tabelas foi registrar e tabular as informações, e as figuras tiveram a função de permitir a compreensão mais precisa aos olhos do autor, dentre os resultados obtidos. A partir do momento em que as informações foram registradas, foi possível efetuar análises comparativas e descritivas, seguindo sempre o critério estabelecido para coleta dos respectivos dados. Para garantir a interação entre os dados de campo e o referencial teórico, toda coleta de dado teve um aporte bibliográfico, o qual orientou desde a elaboração até a aplicação da ferramenta de coleta. Face o caráter qualitativo da pesquisa, não foi necessário a utilização de softwares específicos para a análise de dados. As ferramentas de análise - tabelas e figuras puderam ser oriundas de programas genéricos como Microsoft Excel e Word. 3.5 LIMITAÇÕES DO MÉTODO A maior limitação vinculada à coleta de dados esteve relacionada às informações da concorrência, visto que estes dados normalmente não são divulgados, e possuem certa proteção por parte de seus detentores. A não obtenção destes dados limitou os resultados desta 44 pesquisa, uma vez que era fundamental conhecer os adversários a fim de se traçar uma estratégia competitiva eficaz na disputa por mercado. Uma das formas de superar esta barreira foi buscar informações em publicações disponíveis ao público, que traziam em si sinais de sua realização. Sindicatos e Associações, também foram ótimas fontes de dados, ainda que existam políticas de sigilo envolvendo divulgações públicas. 3.6 CRONOGRAMA 2007 JUL JUN MAI ABR MAR 10. Defesa do TCC Quadro 6: Cronograma Fonte: elaborado pelo próprio autor FEV 9. Redação final do TCC JAN 5. Elaboração dos instrumentos para coleta de dados 7. Coleta de dados 8. Análise dos dados DEZ 4. Planejamento da coleta de dados 2008 NOV OUT 1. Conclusão do projeto de TCC (no final de TPA) 2. Encontros com o orientador 3. Revisão aprofundada da literatura SET AGO JUL JUN ATIVIDADES 45 4 ESTUDO DE CASO 4.1 O SETOR MOVELEIRO – ANÁLISE DA INDÚSTRIA O setor moveleiro do Brasil exerce um papel de destacada importância na economia nacional. Com uma indústria bastante estruturada e um mercado consumidor de expressiva escala, o setor ganha a cada dia maior expressividade no cenário da economia do Brasil. A indústria moveleira está presente em todos os estados brasileiros, representada de alguma forma por empresas de micro, pequeno, médio e grande porte. Em sua cadeia produtiva, conforme apresentado no início desta pesquisa, envolvem-se outras indústrias tanto no fornecimento de matérias-primas (madeira, metal, plástico etc.), insumos (tintas, colas, tecidos, entre outros) como bens de capital (máquinas, equipamentos e componentes), justificando sua grandiosidade e relevância. Dentro do âmbito nacional, as empresas são classificadas por faixas de faturamento: 62,3% das organizações encontram-se numa faixa de faturamento de até R$ 120 mil reais por mês, e somente 0,3% encontram-se na faixa acima de R$ 10 milhões por mês, conforme o quadro a seguir (IEMI, 2006). 46 Faixas de Faturamento (em R$/mês) Até 120 mil/mês De 121 a 600 mil/mês De 601 a 1,2 milhão/mês De 1,21 a 6,0 milhões/mês De 6,1 a 10,0 milhões/mês Acima de 10,0 milhões/mês Total Quadro 7: Distribuição das empresas segundo seu faturamento mensal Fonte: IEMI (2006) Partic. % 62,3% 19,1% 7,3% 9,1% 1,9% 0,3% 100% Para o ano de 2006, esta mesma indústria atingiu um faturamento nacional de R$ 17,2 bilhões de reais, sendo que as exportações representaram US$ 960 milhões de dólares. A produção de móveis no Brasil é caracterizada pela existência de pólos regionais, onde os principais estão em Ubá (MG), Votuporanga, Mirassol e Grande São Paulo (SP), Arapongas (PR), São Bento do Sul (SC) e Bento Gonçalves (RS). Esta indústria é considerada bastante fragmentada devido aos diferentes portes e estados de evolução em que empresas são encontradas por todo o território nacional, conforme já mostrado no capítulo 1. Com relação à mão-de-obra, trata-se de uma indústria que emprega mais de duzentos mil (200.000) trabalhadores, em diferentes níveis de instrução e conhecimento técnico. Em contrapartida a este dado, o avanço tecnológico conflita diretamente com o recurso humano, em vista do seu estado avançado, eliminar muitas ofertas de emprego. A tecnologia de automação na maioria das vezes está relacionada ao porte da empresa, onde organizações de maior expressão encontram-se na vanguarda setorial, o que acaba por representar uma grande força competitiva bem como um fator preponderante para o ganho de escala produtiva. No segmento de móveis residenciais, em geral as grandes empresas atuam com móveis retilíneos seriados, utilizando predominantemente painéis de madeira (MDF). As pequenas e médias empresas (PMEs), por sua vez, atuam geralmente na produção de móveis torneados de madeira maciça. 47 O padrão tecnológico da indústria brasileira de móveis é reconhecidamente muito heterogêneo, variando de pólo para pólo, e também de acordo com o porte das empresas. Nos casos das empresas líderes de Bento Gonçalves, São Bento do Sul e Grande São Paulo, verifica-se que estas apresentam níveis de atualização tecnológica similares aos internacionais. As empresas líderes dos diversos pólos moveleiros encontram-se, em geral, em fase avançada de atualização tecnológica e de modernização administrativa, o que acarreta reduções significativas (de até dois terços) da mão-de-obra. Por outro lado, as empresas menores, em todos os pólos, apresentam processos de produção intensivos em mão-de-obra, combinados com uma surpreendente capacidade de introduzir mudanças nos modelos produzidos (com rápida capacidade de absorção, por meio da cópia, dos novos modelos das empresas maiores), decorrente da grande flexibilidade e aptidão produtiva que caracteriza essas empresas. Em suma, a "estratégia" adotada pelas empresas menores consiste na rápida atualização tecnológica de produtos, fomentada pela cópia de modelos lançados pelas empresas maiores. Desta forma, o sistema generalizado de cópia introduz uma dinâmica própria no processo de capacitação produtiva e tecnológica que não deve ser ignorada. As empresas de maior porte, por outro lado, ao recorrer à padronização em maiores escalas produtivas apresentam menor flexibilidade para os novos lançamentos, pois demandam maior tempo para sincronizar todas as interfaces dos seus processos de produção (ABIMÓVEL, 2005). Resumidamente, pode-se definir as estratégias das indústrias de móveis da seguinte forma: 48 - Indústrias de grande porte, quase sempre optam por uma estratégia de baixo custo, valendo-se de linhas de produção com móveis seriados, em grande escala, onde ocorre a utilização expressiva do MDF. Devido à disposição de recursos financeiros, estas empresas contam com uma maior estrutura de distribuição bem como de divulgação de sua marca e seus produtos; - Indústrias de médio porte, procuram adaptar-se ao mercado copiando as tecnologias desenvolvidas pelas indústrias de ponta, podendo posicionar seu produto por baixo custo, diferenciação ou enfoque, tendo em vista sua menor capacidade produtiva. Neste grupo de empresas, a posição geográfica no cenário nacional é determinante, tanto para fins de obtenção de tecnologias como para distribuição de seus produtos; - Indústrias de pequeno porte, acabam por focar seus mercados locais, personalizando sua produção de acordo com as necessidades dos clientes, assim como ocorre com móveis de madeira maciça torneada e similares, muitas vezes sob medida. A falta de recursos limita sua atuação ao território próximo dando-lhe baixo poder de competitividade; Ainda dentro desta análise, algumas evidências corroboram ao cenário traçado. Observando a região de Bento Gonçalves algumas grandes empresas destacam-se por sua capacidade produtiva, o que as habilita a fornecer para grandes varejistas de todo o país, como Casas Bahia, Magazine Luiza, Colombo e outros. Entre estas empresas pode-se citar Móveis Carraro, Todeschini, Telasul, SCA e Madezza. Pode-se citar ainda o depoimento de um dos entrevistados, o qual em sua participação emitiu sua opinião sobre o que vem norteando a concorrência na indústria moveleira do Brasil. Como integrante do setor, o entrevistado disse que: 49 “...no Brasil existe do grande ao pequeno varejista, os quais atuam em todos os mercados, desde os grandes centros até as regiões de menor tamanho. O grande varejista lidera o mercado de consumo popular enquanto os pequenos tentam se diferenciar por um atendimento VIP, de proximidade com as necessidades e desejos do cliente. A indústria, se posiciona em relação ao tipo de mercado que atua, aproveitando as oportunidades do seu segmento através de suas competências internas e cultura produtiva”. Entrevistado: dono de empresa na região de Bento Gonçalves. Além das estratégias relatadas, as quais já estão consolidadas no mercado, empresas de diferentes partes do país, bem como de diferentes portes e níveis de desenvolvimento, voltam seu foco para ações estratégicas mais recentes, na busca por manter suas posições atuais e até mesmo conquistar novos mercados. São elas: internacionalização, formação de clusters, e branding. 4.1.1 Internacionalização A internacionalização vem se tornando ano a ano uma importante estratégia competitiva para as empresas nacionais, tanto no desbravar de novos mercados como na participação de mercados tradicionais como Estados Unidos, Reino Unido e França. O segmento de móveis de madeira exporta quantidades significativas, sendo o principal responsável pela boa performance exportadora brasileira, observada nos últimos anos, e também pela obtenção de saldos positivos elevados na balança comercial do setor moveleiro (IEMI, 2007). Argentina, Angola, Chile e Espanha também se encontram entre os principais 10 destinos das exportações brasileiras, sendo que são os países que mais crescem em participação nas exportações brasileiras de móveis (IEMI, 2007). Neste ambiente estratégico, encontram-se empresas focadas inteiramente na exportação bem como empresas que enxergam no mercado internacional uma forma alternativa de incrementar suas vendas. 50 As exportações brasileiras de móveis se concentram nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que juntos corresponderam a mais de 65% do valor exportado pelo país em 2006 (IEMI, 2006). No quadro 8 apresentam-se os principais estados exportadores. Estado Exportador Santa Catarina Rio Grande do Sul São Paulo Paraná Bahia Minas Gerais Outros Total Exportação US$ 1.000 (2006) 364.737 269.203 112.351 105.450 71.545 18.295 20.220 962.850 Partic. % 37,9% 28,0% 11,7% 11,0% 7,4% 1,9% 2,1% 100,00% Quadro 8: Principais estados exportadores Fonte: ABIMÓVEL (2007) Com relação ao destino das exportações, o quadro 9 apresenta os principais países bem como os seus respectivos percentuais de participação: País Importador USA Reino Unido França Argentina Espanha Chile Outros Total Exportação US$ 1.000 (2006) 297.757 86.588 83.442 77.910 41.684 40.723 335.072 962.850 Partic. % 30,9% 9,0% 8,7% 8,1% 4,3% 4,2% 34,8% 100,00% Quadro 9: Destino das exportações Fonte: ABIMÓVEL (2006) 4.1.2 Formação de Clusters As aglomerações setoriais ou condensamentos de cadeias produtivas locais (cluster) podem representar outra vantagem competitiva para uma indústria, como a formação de mercados de fatores produtivos (mão de obra, serviços especializados, insumos, serviços de 51 infra-estrutura, formação de recursos humanos e centros de desenvolvimento). A formação de marca e imagem coletiva, vinculada à região, também pode aumentar os ativos da empresa, facilitar o acesso e a comunicação juntos aos canais do mercado bem como sinalizar para investimentos de maior abrangência (NETIT, 2007). A formação de um cluster, pode ainda atrair outras vantagens como, canais de financiamento, diluição de custos de suprimento, desenvolvimento de produtos e mercados, entre outros. A exemplo das práticas relatadas, a região de Bento Gonçalves – RS pode ser vista como um modelo de funcionamento de uma aglomeração setorial bem sucedida (NETIT, 2007). Juntamente com as indústrias outras instituições passam a fazer parte das aglomerações setoriais. Entre elas estão juntas comerciais, associações, sindicatos, entidades educacionais entre outros, o que fortalece sobremaneira a importância de determina local no cenário nacional e até mundial. A figura 6 demonstra os resultados obtidos pela pesquisa do NUPARVI com relação às formas de cooperação ocorridas no setor moveleiro. Mais de 20% das empresas pesquisadas se dizem participantes de alguma forma de cooperação. Forma de Cooperação / Parceria 21% 79% sim não N: 1231 Formas de Cooperação (respostas múltiplas) N % Na troca de idéias e experiências 141 57,10% Na participação de feiras e eventos 97 39,30% No compartilhamento de informações sobre o negócio 96 38,90% Na compra de matéria prima 80 32,40% No estudo de melhorias em processos 64 25,90% No estudo de melhorias para o setor como um todo, através de entidades de classe 59 23,90% No compartilhamento de equipamentos 46 18,60% No desenvolvimento de novos produtos 43 17,40% Na compra de máquinas e equipamentos 28 11,30% N=248 Figura 6: Formas de Cooperação Fonte: www.cgimoveis.com.br 52 4.1.3 Branding Atualmente, o termo branding vem sendo disseminado tanto nas empresas por seus gerentes, como na literatura do campo da administração e do design. Neste novo contexto, do termo brand surge o termo branding, que hoje representa a ação de atribuição do brand. Branding, portanto, neste contexto é o processo de construção, aplicação e fomento de uma marca (MARTINS, 2000). Marcas bem conceituadas e posicionadas no mercado não estão necessariamente relacionadas aos melhores produtos. Uma marca não promete necessariamente o melhor, mas ela promete o certo (KAPFERER, 2004). O branding vem da evolução do marketing e dos programas de identidades corporativos. Ele é muito mais do que planejamento estratégico da marca, pois está ligado diretamente à relação de afetividade que determinada marca tem com seu consumidor. É um processo de construção e gerenciamento de marca com uma definição estratégica que facilita todo o posicionamento e uma série de aspectos que serão a alma desta marca, durante a formação de sua identidade (TAVARES, 2004). A construção de uma marca própria está se fazendo cada vez mais presente no setor moveleiro. Indústrias optam por construir redes de franquias com seu próprio nome ao invés do abastecimento generalizado das grandes redes de varejo. Além do fortalecimento de sua marca, as indústrias encontram um meio de tornar-se independente dos grandes compradores bem como aumentar suas margens de lucro, antes suprimidas pela força de barganha do grande comprador. Em outra frente de ação as Indústrias trazem ao mercado as chamadas “Boutiques” de móveis: lojas que trazem em seu âmago, móveis estilizados, de alto padrão, com design próprio e uma referência de marca muito presente. Algumas indústrias acabam por ser 53 amplamente reconhecidas pela sua capacidade de desenvolver móveis com design próprio, o que por sua vez transmite fortemente a identidade de marca da empresa. A globalização dos mercados bem como o surgimento de novas potencias mundiais trouxeram grandes transformações ao Setor do Mobiliário mundial. O setor moveleiro vem se mostrando a cada ano mais consolidado e maduro ao definir com clareza sua participação no cenário mundial e seu estado atual em relação às tecnologias empregadas em todo mundo. Desta forma, ao final da análise realizada sobre o setor moveleiro, chegou-se ao seguinte quadro destacando algumas oportunidades e ameaças do setor: CATEGORIA DE ANÁLISE OPORTUNIDADES Estratégia de Plágio Adotar uma estratégia de cópia das tecnologias desenvolvidas no setor; Mercado Local Focar sua produção no mercado local, customizando seu produto de acordo com a necessidade do cliente; Mercado Internacional Desenvolver produtos para exportação, identificando mercados internacionais através de processos de internacionalização; Integração de Cluster Construção de Marca Própria Fomentar ou integrar-se a algum Cluster setorial participando do desenvolvimento de novas tecnologias e estratégias coletivas para a região; Adotar uma estratégia de fortalecimento da marca própria (Branding) com a abertura de lojas ou com a comercialização de produtos com o seu nome; Quadro 10: Oportunidades e ameaças do setor Fonte: elaborado pelo próprio autor AMEAÇAS Estar sempre atrás de seus concorrentes, propondo-se sempre a uma disputa resumida pelos fatores preço e qualidade; O mercado local pode apresentar fortes restrições com relação a sua capacidade de absorção (tamanho) bem como apresentar fortes rivais pela disputa de seus clientes; As economias emergentes como China e Índia ameaçam pelo seu baixo custo de produção somado ainda à valorização da moeda local frente ao dólar, encarecendo o produto brasileiro para o setor externo; A principal ameaça está na condição de adaptação às imposições colocadas pelo grupo, que podem divergir do entendimento individual de cada empresa; A afirmação de uma marca nova no mercado pode levar tempo, tendo ainda que enfrentar as marcas já existentes no mercado; 54 4.2 A EMPRESA ABC – DIAGNÓSTICO INTERNO A empresa ABC atua no setor moveleiro como fornecedora de móveis para uma grande organização varejista, com determinadas linhas de produtos, e para outras instituições compradoras de móveis genéricos, de uso coletivo, normalmente empregados no interior de estabelecimentos comerciais. Caracterizando seu mercado comprador, obtêm-se o seguinte quadro: MERCADO Varejo (1 empresa) Empresa TOTAL: LINHA DE PRODUTO Residencial > Sala de Jantar Escritório > Escrivaninha Escritório > Cadeiras Escritório > Estantes Outros > Sob medida Outros > outros produtos % DE VENDA % FATURAMENTO 10% 30% 10% 5% 30% 15% 100% 55% 45% 100% Quadro 11: O Mercado comprador da empresa ABC Fonte: elaborado pelo próprio autor Algumas outras características podem ser incluídas na contextualização da forma de atuação da ABC. Cabe salientar que este grande cliente varejista, é resultado de muitos anos de trabalho em conjunto, período em que foram executados diversos projetos. Pode-se dizer que este histórico causou um estreitamento dos laços comercias entre ambas as organizações. Em entrevista realizada com o Diretor da empresa foi possível evidenciar tal proximidade. “Há muitos anos trabalhamos juntos. Houve um tempo em que a proximidade era tanta que mantínhamos contato até nos finais de semana, quando algum projeto que estava em desenvolvimento não andava na forma desejada. Por muito tempo fomos os maiores fornecedores deles, e hoje alternamos entre as três primeiras posições.” Como demonstra o quadro anterior, os itens fornecidos pela ABC para este grande varejista podem ser resumidos em linhas de produto com destino para escritórios e residências, sendo que estes móveis trazem uma característica determinante em seu 55 posicionamento no mercado de móveis do Brasil: a diferenciação através de seu design. Para o cliente final, este design traduz-se em maior valor agregado ao produto, o que lhe dá a condição de tal identidade. Cabe salientar que estes produtos possuem grande aceitação no mercado em virtude do design que apresentam, já possuindo grande histórico de vendas ao longo dos anos. Como conseqüência desta posição, a precificação mais elevada por parte do varejista, acaba por complementar a caracterização do produto. Contudo, pode-se entender a participação da ABC, como uma passiva conseqüência relacionada à estratégia utilizada por este cliente varejista, visto que estes produtos carregam uma ampla influência deste cliente como verificado em todos os seus produtos comercializados. Este comerciante acaba por influenciar em todo o processo decisório vinculado aos seus produtos, desde o desenvolvimento até a comercialização final. Em vista à rentabilidade destes produtos, ocorre que a maior margem de lucro sobre os mesmos fica com o intermediário, devido ao seu grande poder de barganha frente aos seus fornecedores. Esta vantagem competitiva explorada pelo cliente da ABC é a mesma abordada por Porter (1985), quando ele menciona as cinco forças competitivas em uma indústria, mais especificamente, o poder de barganha do Comprador. Contudo, face o grau de dependência que a ABC possui diante deste cliente (55% de seu faturamento), fica praticamente inviável se valer de qualquer poder de barganha frente ao mesmo, sob o risco de prejudicar a relação comercial ou até mesmo arruiná-la. Quanto aos demais clientes, pode-se defini-los como descontínuos, fruto de negócios alavancados pela força de vendas ao longo de sua atuação. Estes clientes, no entanto, não possuem a assiduidade do outro grande cliente varejista, o que torna a provisão de receita mais instável. Muitas vezes ocorre destes clientes utilizarem um grande período de 56 negociação e desenvolvimento dos produtos, consumindo grande tempo e esforço da força de venda bem como do departamento de desenvolvimento de produto da ABC. A caracterização destes produtos pode-se dar principalmente por projetos de interiorização de lojas ou demais ambientes corporativos, onde ocorre o emprego de móveis de uso coletivo, como divisórias, prateleiras, mesas e cadeiras. A qualidade dos produtos, muitas vezes é determinada pela necessidade do cliente, sendo que a utilização de materiais inferiores pode baratear o custo do produto, ao mesmo tempo em que reduzem resistência, tempo de vida útil e acabamento do móvel. Característico de grande parte dos os produtos fornecidos pela ABC, a matéria-prima mais empregada se divide em dois itens: aço, na forma de tubos e chapas, e chapas de MDF. Estes dois itens traduzem a aptidão produtiva da empresa, em manufatura metalúrgica, adicionada ou revestida ao MDF. O beneficiamento de metais se mostra como uma das maiores forças competitivas da empresa, com processos de usinagem, corte, curvatura e pintura. Com relação à marcenaria, muitas vezes esta representa o gargalo produtivo da organização, ainda que em nível tecnológico a empresa esteja parcialmente atualizada com relação a alguns processos. Ainda em relação à estruturação da empresa, é necessário relatar a existência de um departamento de Pesquisa & Desenvolvimento amplamente ativo em muitas das atuações da empresa. Seu parque tecnológico sofreu recentemente algumas atualizações com o emprego de máquinas CNC – Comandos Numéricos Computadorizados, consideradas de ponta pela indústria moveleira, mas mesmo assim caracteriza-se por um processo produtivo de grande utilização de mão de obra. Em relação ao estado da arte da automação industrial, a empresa ABC ainda apresenta processos manuais que limitam o seu potencial inovador bem como a sua competitividade em relação a outras indústrias concorrentes. 57 Ao longo de uma das visitas realizadas na empresa, foi relatado o que segue: “A nossa fábrica possui uma grande desenvoltura no setor de metalurgia. Recentemente adquirimos máquinas que nos deram ainda mais capacidade produtiva e nos permitem fazer quase tudo no que diz respeito a móveis de metal. Temos uma planta bastante completa, a qual gera resultados que muitas vezes surpreendem nossos clientes.” Entrevistado: Superintendente da empresa ABC Os resultados obtidos pela empresa podem ser traduzidos pelo seu faturamento ao longo do tempo. O figura 7 demonstra a performance da empresa nos últimos três anos. Como pode ser observado, a empresa apresenta em muitos meses desempenho inferior ao mínimo desejável, delimitado por seu ponto de equilíbrio (P.E.). Nos anos em referência a empresa sempre esteve próxima ao PE, atingindo por vezes margens positivas como negativas. Figura 7: O faturamento da empresa ABC nos últimos anos Fonte: elaborado pelo próprio autor Como a maior parte de seu faturamento advém de um único fornecedor (varejo), a empresa fica dependente e extremamente submissa às vontades deste cliente, traduzindo uma realidade em que a empresa assumi uma postura passiva na relação comercial. O cliente determina o quanto quer comprar, ao invés da ABC determinar o quanto quer vender. 58 Como parte complementar da análise interna da empresa ABC, além de visitas em loco e entrevistas com diversos funcionários, o pesquisador utilizou uma ferramenta de coleta de dados elaborada pelo Núcleo de Pesquisa Aplicada da Região dos Vinhedos (NUPARVI), a qual foi aplicada no diretor da empresa. Dentre os principais resultados, tem-se conforme segue: - Principais fontes de novas idéias para o lançamento de produtos: clientes, designers e arquitetos; - Principais formas de comunicação utilizadas para promover produto e marca: website, catálogos e visitas aos clientes; - Composição da equipe de vendas: equipe de vendas própria e representantes; - Principais destinos dos produtos no mercado nacional: 5% local, 10% estadual e 85% para o estado de São Paulo; - Os principais canais de distribuição utilizados: 55% para o varejo e 45% na fábrica sob desenho ou encomenda; - Número de clientes ativos referente aos últimos 12 meses: 150; - Forma de produção utilizada: semi-seriado; - Parceiria com outras empresas: Não. Motivo: Falta de conhecimento; - Origem do capital da empresa: capital próprio; - Áreas da empresa com sistema informatizado: todas as áreas administrativas; - Média salarial paga aos funcionários: R$ 1.001,00 a R$ 1.500,00; - Escolaridade média dos funcionários: Ensino Fundamental completo; Após a aplicação do questinário, quando foram obtidas as respostas acima, foi realizado uma entrevista com o Diretor da empresa onde foram coletadas mais algumas informações. Ao ser perguntado quais seriam os principais pontos fortes e pontos fracos da empresa ABC, o Diretor argumentou conforme segue: 59 - Pontos fortes: equipe, equipamento, desenvolvimento de protótipos, qualidade dos produtos e instalações; - Pontos fracos: departamento comercial, baixa lucratividade, falta de produtos próprios e grande oscilação das receitas; No momento seguinte da entrevista, abordou-se quatro questões relacionadas ao presente e ao futuro da indústria moveleira. Como forma de expressar os resultados desta entrevista, montou-se um quadro onde as respostas são apresentadas em forma de itens, conforme segue. CATEGORIA DE ANÁLISE PERGUNTA O que vem dirigindo/norteando a concorrência na indústria moveleira? A indústria no presente Os competidores indústria Quais atitudes os dessa concorrentes vem assumindo diante deste cenário e qual a melhor maneira de responder? A indústria no futuro De que modo a indústria moveleira se desenvolve /desenvolverá? Os competidores no futuro Qual a melhor forma de atuação a ser adotada por uma empresa para competir a longo prazo? Quadro 12: Entrevista com o Diretor da empresa ABC Fonte: elaborado pelo próprio autor RESPOSTA - Qualidade - Tecnologia como vantagem competitiva - Atendimento de tendências e anciedades - Mercado globalizado - Foco no mercado de atuação - Atualização na forma de atributo de produto - Qualidade e preço - Satisfação superior dos clientes - Agressividade comercial - Produtos seriados - Lojas próprias - Parceirias com outras indústrias - Capacidade e agilidade empregada a pedidos - Foco no negócio - Fidelidade do mercado - Parceiria com clientes - Foco em ações comerciais e de produto - Equipe preparada e coesa - Atualização tecnológica constante 60 Ao final da análise realizada sobre a empresa ABC, chegou-se ao seguinte quadro de pontos fortes e pontos fracos da organização: CATEGORIA DE ANÁLISE PONTOS FORTES PONTOS FRACOS Estreita relação com um Concentração em um cliente Forte concentração de receita grande cliente varejista do majoritário sob um único cliente; setor moveleiro; A proposta de design Produtos bem sucedidos e diferenciado pode encontrar reconhecidos no mercado rejeição no mercado Características e atributos de nacional em razão do seu comprador no momento em produto design; que se propõem a ser inovador; Aptidão produtiva para o A baixa rentabilidade de seus beneficiamento de metais; produtos; Aptidão produtiva para o Pouco poder de barganha beneficiamento de chapas de diante do seu comprador, MDF, ainda que em trazendo à organização capacidade mais limitada; resultados menos favoráveis; Aptidão e características Parque tecnológico renovado produtivas versus retorno parcialmente para alguns esperado Relações comerciais processos produtivos, com a descontínuas, esporádicas e utilização de máquinas CNC de pouco tempo de duração; tanto na área de metalurgia, quanto na marcenaria; Baixas receitas obtidas pela Elevado número de clientes empresa, em comparação ao ativos; seu ponto de equilíbrio; Capacidade de efetivação de Forte oscilação de receita, pedidos Departamento de pesquisa e atingindo resultados muito desenvolvimento de novos negativos, ainda que por produtos; vezes a empresa recuperasse muitos de seus prejuízos; Forte concentração de vendas Direcionamento da Boa capacidade instalada em único mercado do cenário capacidade produtiva para para o segmento de nacional, refletindo uma determinados mercados metalurgia; limitação do departamento comercial; Diferentes processos Falta de produtos próprios, Direcionamento das produtivos para a área de tanto no âmbito do potencialidades da empresa metalurgia (usinagem corte, desenvolvimento quanto curvatura e pintura); durante sua comercialização; Quadro 13: Pontos Fortes e Pontos Fracos Fonte: elaborado pelo próprio autor 61 Diante do cenário analisado, é possível fazer mais duas observações com relação às oportunidades e ameaças específicas da situação atual da empresa: a primeira delas, bastante explícita, é a necessidade de desenvolver novos clientes, num mercado em que oportunidades existem para tanto. E em segundo lugar, como uma preocupante ameaça, deve-se temer a perda do cliente principal, que pode colocar a empresa ABC em uma situação de difícil superação. 62 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS 5.1 RESULTADOS OBTIDOS Os resultados obtidos com a análise dos dados, apontam que a empresa ABC possui um grande potencial de desenvolvimento, porém precisa superar algumas barreiras tanto de ordem externa quanto interna. O setor moveleiro nacional da respostas positivas àquelas organizações que buscam entender suas necessidades e oportunidades, propondo em contrapartida soluções inteligentes e inovadoras. A globalização influencia diretamente em todos os cenários, desde as tecnologias de produção e automação, como nas participações de mercado de todos os países consumidores de móveis. A empresa ABC realiza esforços para “permanecer viva” neste mercado, hora buscando atualizar-se tecnologicamente e hora buscando desbravar novos mercados, carente de alguma necessidade que suas aptidões possam atender. Atualmente a empresa encontra-se em uma situação de instabilidade financeira, o que acaba por afetar o seu desenvolvimento a longo prazo. Como forma de diagnosticar sua situação atual dentro do mercado moveleiro, recorre-se à Matriz BCG, a qual possibilita visualizar a empresa, confrontando sua Participação Relativa de Mercado versus sua Taxa de Crescimento. Baixa << Tx. Crescimento Mercado >> Alta 63 Estrelas Pontos de Interrogação Vacas leiteiras Abacaxis Cliente Varejista Mercado Corporativo Alta << Participação Relativa de Mercado >> Baixa Figura 8 - Estrutura da Matriz BCG Fonte: Wright (1998) A análise da Matriz mostra que a empresa esta em um mercado com taxas de crescimento limitadas e participações distintas entre si. Vaca leiteira é a unidade de negócio que tem grande participação em um Mercado que cresce lentamente (com taxa de crescimento anual menor que 10%). Como são bem estabelecidas, elas não precisam gastar muitos recursos em divulgação, promoções de produtos ou descontos para o consumidor (WRIGHT, 1998). Já os abacaxis, são unidades de negócio que tem pequena participação de mercado em setores de crescimento lento. São em geral, empresas marginais que incorrem em perdas ou em pequenos lucros (WRIGHT, 1998). Conforme indica a figura, a empresa ABC está presente nestas duas situações, tendo seu cliente varejista como Vaca Leiteira e seus clientes do mercado corporativo como Abacaxis. As principais características destes dois mercados estão vinculadas a taxa de crescimento dos mesmos, onde um atingiu o seu ponto de maturidade e outro da sinais de incerteza quanto a sua potencialidade. 64 Algumas estratégias podem ser adotadas para alterar a configuração atual da matriz, fazendo com a empresa se dirija para o quadrante de estrelas. Com base nos estudos realizados até o momento, a seguir são feitas sugestões de estratégias que podem auxiliar a empresa nesta caminhada. 5.2 PROPOSTA DE POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO PARA A EMPRESA ABC A proposta de posicionamento estratégico para a empresa ABC passa por dois momentos distintos e complementares: Estratégias Genéricas e Estratégias Funcionais. A estratégia genérica determina as opções da organização com relação ao seu posicionamento entre Custo, Diferenciação e Enfoque. Já as Estratégias Funcionais, são aquelas buscadas pelas áreas funcionais de uma empresa, uma vez determinada a Genérica. Para o caso da ABC foram levados em consideração todos os pontos destacados em sua análise interna, bem como as oportunidades e ameaças que o cenário atual apresenta para o setor moveleiro. Diante do cenário descrito até o momento, é possível enxergar alguns caminhos como forma de superar as dificuldades encontradas neste momento pela empresa. 5.2.1 Estratégias Genéricas Uma das principais características da indústria moveleira refere-se ao posicionamento adotado pelas empresas com relação ao mercado que desejam atuar bem como os produtos 65 que são capazes de produzir. Esta escolha lhes oferece uma identidade clara e continua que é transmitida ao mercado, produzindo segurança e proximidade ao consumidor. Pensando desta forma e considerando todas as análises realizadas, chega-se a uma definição estratégica para a empresa ABC, que congrega as suas características mais peculiares com a necessidade de um mercado competitivo como o moveleiro: a estratégia de nicho-diferenciação. A estratégia de nicho-diferenciação foi considerada tanto pelo pesquisador como pela direção da empresa como a melhor alternativa para responder a expectativas de um mercado acirrado e de grande capacidade produtiva, onde inúmeras empresas de pequeno e médio porte estão aptas a fornecer produtos de toda ordem. Esta estratégia é adequada para suprir as necessidades especializadas de uma estreita faixa de clientes ou um nicho de mercado. A diferenciação pode representar o aspecto chave para a sobrevivência de uma organização bem como a sua superioridade em relação às demais. Dentro da opção nicho-diferenciação algumas características a definem, bem como a justificam. A manufatura de metais apresenta-se como a mais relevante. Levando em consideração que a maior aptidão da ABC está neste ramo, e que a indústria de móveis apresenta menor tradição com metais, enxerga-se aí uma grande oportunidade de se oferecer algo dificilmente encontrado no mercado atual. Ainda, conforme relatado pelo IEME (2007) em seu Relatório Setorial da Indústria de móveis do Brasil, “a produção de móveis metálicos apresenta uma participação modesta na indústria moveleira nacional, porém esta participação tem se mostrado crescente nos últimos anos”. As aplicações dos questionários junto aos Stakeholders da empresa ABC também resultaram em indícios importantes para as presentes conclusões. Vindo de seu cliente mais importante – a empresa varejista citada anteriormente – as palavras “segmentação”, 66 “tecnologia” e “foco” formaram um das manifestações mais relevantes dentro do contexto estudado. Outros questionários também apontaram evidências importantes com relação ao desenvolvimento do setor. Entre eles, abaixo seguem alguns dos depoimentos coletados. “A médio e longo prazo a produção especializada bem como a diferenciação por design serão fatores capazes de agregar valor muito além da matéria-prima utilizada.” Entrevistado: autônomo e intermediador da indústria com o comércio. “Para alcançar o sucesso, ações bem dirigidas com foco em seu mercado são premissas básicas para obter o reconhecimento desejado.” Entrevistado: dono de empresa na região de Bento Gonçalves. “Para competir a longo prazo deve-se adotar uma política de vendas, segmentando seu mercado alvo a ajustando o foco nos clientes que se pretende atingir; especialização na produção de móveis de acordo o mercado escolhido; investimento na melhoria da produção; cuidados com o meio ambiente, são algumas providências básicas para uma boa atuação.” Entrevistado: representante do CGI. A Diferenciação no mercado de móveis, partes e peças de metal para o setor moveleiro levou o estudo a uma questão central, norteadora das ações de desenvolvimento estratégico: a visão da empresa para o futuro, como seu objetivo maior. Logo tem-se: Visão “Ser uma empresa reconhecida pela sua excelência na fabricação de móveis de metal juntamente com sua aptidão na manufatura e desenvolvimento de partes e peças até 2012” . Esta visão, também desenvolvida em conjunto com a empresa ABC, traduz a intenção da empresa em se posicionar num nicho específico da indústria, destacando-se pelo seu desempenho acima da média. É visto neste mercado oportunidades claras de negócio que podem representar para a empresa ABC uma nova era no setor moveleiro. A seguir são descritas algumas das oportunidades que esta nova visão pode trazer para a empresa: 67 - Levar sua expertise na manufatura metalúrgica ao Cluster de Bento Gonçalves, aliando-se às forças locais. Esta aliança pode se dar na execução de móveis inteiros como também na fabricação de partes e peças de metal; - Comercializar seus produtos no mercado local, explorando as oportunidades da região metropolitana de Porto Alegre bem como de outras grandes cidades do país; - Levar este produto ao mercado internacional através de processos de internacionalização ou na forma de partes e peças de empresas exportadoras; - Atribuir aos seus produtos a marca ABC, fortalecendo seu nome através de sua diferenciação constituindo uma marca com vida própria; - Tornar-se uma empresa modelo na manufatura de metais para o setor moveleiro e para outros setores similares; Este novo posicionamento estratégico além de oportunidades traz consigo a necessidade da determinação de objetivos claros, necessários para o sucesso do negócio. Pensando no desafio a ser superado dentro do setor, alguns objetivos são traçados para complementar as ações estratégicas. São eles: - Identificar oportunidades de negócio em todos os nichos/clusters do setor moveleiro, fazendo-se presente em 100% dos pólos do setor que empregam metal em seu produto; - Empregar tecnologia de ponta à manufatura de metais, obtendo o reconhecimento de sua condição destacada neste segmento; - Destacar-se pelo seu caráter inovador em iniciativas de P&D, participando de prêmios de inovação bem como de iniciativas de fomento à criação de novas idéias; - Ser reconhecido pela qualidade e agilidade na entrega de seus produtos; Entende-se que ao atingir estes objetivos a ABC estará muito próxima de desfrutar de grande êxito de todas as oportunidades relatadas, sendo capaz de obter grande retorno financeiro e econômico. Contudo é necessário incluir em sua caminhada elementos 68 estratégicos que permitam e conduzam a empresa ao futuro desejado. Neste âmbito, estratégias funcionais são formuladas a fim de formalizar a inter-relação dos departamentos bem como agregar as diferentes funções para o mesmo sentido, em busca da sinergia necessária para a obtenção de êxito. 5.2.2 Estratégias Funcionais As Estratégias Funcionais envolvem cada área funcional da empresa para realizar seu propósito individual, porém respeitando a inter-relação coletiva. Uma mudança em um departamento invariavelmente afetará o modo como os outros departamentos operam. Assim a estratégia de uma área funcional não pode ser considerada isoladamente. Seguindo a mesma linha de desenvolvimento estratégico, estratégias funcionais são deliberadas como forma de prosseguir o planejamento iniciado pela estratégia genérica. Logo têm-se: Administração de compras e materiais - Desenvolver os melhores fornecedores - Contar com os melhores produtos - Firmar relações duradouras de comprometimento e reciprocidade Administração de Produção/Operações - Buscar na indústria as melhores práticas de manufatura de metais - Atualizar-se tecnologicamente - Trazer tecnologias de outras indústrias 9001) - Buscar certificações de qualidade que auxiliem na padronização de processos (ISO - Informatizar os departamentos não administrativos 69 - Automatizar o processo produtivo da empresa - Proporcionar uma qualidade superior aos produtos Finanças - Buscar fontes financiamento que auxiliem e viabilizem decisões de investimento - Gerar Caixa e Capital de Giro para estabilizar as finanças da empresa - Elaborar projetos de redução de custos e despesas Pesquisa e Desenvolvimento - Elaborar o Design dos produtos de forma a diferenciá-los - Participar de Programas de Inovação (Ex.: FIMMA) - Trabalhar em conjunto com Escolas de Desenvolvimento (Ex.: SENAI-Bento) - Interagir com entidades de fomento a P&D (Ex.: CGI e MOVERGS) - Integrar-se a APL’s desenvolvendo ações conjuntas de P&D (Ex.: APL Bento) Administração de recursos humanos - Recrutar pessoas com experiência no ramo e qualificação profissional - Desenvolver os funcionários para a obtenção de qualidade superior - Criar formas paralelas de premiação e reconhecimento - Formar uma força de trabalho que corresponda aos objetivos estratégicos da organização Administração de sistemas de informação - Construir um sistema computadorizado de apoio a tomada de decisão - Construir uma rede eletrônica de comunicação entre os departamentos Marketing 70 - Montar um Planejamento de Vendas que englobe todos os nichos potenciais - Direcionar sua estrutura de vendas para o mercado alvo - Estruturar o departamento Comercial e de Marketing para atender as necessidades deste cliente em foco O desdobramento de ações permite executar as estratégias desejadas utilizando todos os recursos da organização, encontrando no coletivo a maximização das forças da empresa. O quadro a seguir apresenta a maior parte dos elementos estratégicos elaborados, na forma de um resumo, auxiliando uma visão holística de todas as propostas realizadas. Estratégia Genérica: nicho-diferenciação Visão: Ser uma empresa reconhecida pela sua excelência na fabricação de móveis de metal juntamente com sua aptidão na manufatura e desenvolvimento de partes e peças até 2012 Estratégias Funcionais Oportunidades Objetivos Ações Departamento Estratégicas Cluster de Bento Direcionar vendas Gonçalves e outros do Marketing para o mercado Identificar cenário nacional alvo oportunidades de Implantar um Mercado local e outros negócio nos diferentes Sistemas de Sistema de apoio grandes centros pólos moveleiros Informação a tomada de metropolitanos decisão Identificar novos mercados e obter o Elaborar um Exportação reconhecimento de sua Marketing Planejamento de qualidade e de sua Vendas marca Fomentar a Marketing, P&D e Fortalecimento da Destacar-se pela Comunicação Sistemas de marca inovação e P&D entre os Informação departamentos Empregar tecnologias Empregar pessoas Excelência na Compras, produção e de ponta, inclusive de e processos como manufatura de metais RH outras indústrias diferencial Estar presente em Atender as Fornecer partes e peças diferentes pólos Marketing necessidades de para outras indústrias produtivos seu público alvo Estar na vanguarda do Manter a posição de Realizar ações nicho de móveis de empresa diferenciada P&D conjuntas metal pela sua proposta Quadro 14: Elementos estratégicos Fonte: elaborado pelo próprio autor 71 O desempenho das áreas funcionais deve ser medido com base em parâmetros entendidos como desejáveis pela empresa. É essencial que as atividades funcionais da empresa estejam intimamente integradas. Uma organização que é capaz de mesclar suas estratégias funcionais com sucesso tende a conquistar mais uma vantagem competitiva com base em projetos superiores desenvolvidos ao longo do tempo. A implementação estratégica eficaz requer várias considerações importantes, contudo caberá à organização observar estes aspectos quando da execução dos próximos passos. Tendo em vista a proposta de escopo inicial desta pesquisa, o desenvolvimento de tudo que foi trabalho até aqui integra um novo momento e uma nova oportunidade de aprendizado para as parte envolvidas, encerrando-se assim a intervenção deste pesquisador. 72 6 CONCLUSÃO Esta pesquisa teve como objetivo geral analisar a Indústria de Móveis do Brasil, sobre tudo a região sul, propondo um posicionamento estratégico para a empresa ABC no intuito de viabilizar sua sobrevivência e seu crescimento econômico. Ao início deste trabalho, buscou-se junto ao setor conhecer as entidades geradoras de informação com maior credibilidade no meio, momento em que tomou-se conhecimento de organizações como o IEMI, SENAI, MOVERGS, CGI e seus estudos dirigidos ao mobiliário nacional. Estes estudos, em conjunto com dados de outras fontes, permitiram tomar conhecimento do setor em âmbito nacional. Aspectos como a estrutura da cadeia produtiva, os grandes números do setor e o perfil dos produtores foram traçados como forma inicial de auxílio ao desenvolvimento da pesquisa. De forma geral, para as indústrias que pertencem ou que desejam ingressar neste setor é importante, a título de posicionamento estratégico, enxergar a si própria dentro do setor. Não necessariamente uma ou outra estratégia servirá generalizadamente. Aspectos como localização geográfica, capacidade e aptidão produtiva são fundamentais para o desenvolvimento de uma estratégia eficaz. Como objetivos específicos, três foram os pontos de abordagem: análise da indústria nacional, diagnóstico interno da empresa ABC e por fim uma proposta de posicionamento para a empresa pesquisada. 73 Sobre a análise da indústria em âmbito nacional, cabe ressaltar que os números do setor demonstraram maior potencialidade para as regiões sul sudeste. Contudo, os resultados obtidos referem-se em sua maioria ao estado do Rio Grande Sul, em razão de uma facilidade de acesso por parte do pesquisador. A falta de evidências de outras regiões do país restringe a amplitude do trabalho, inicialmente desejada. Contudo, as experiências obtidas na região acessada permitiram um grande aprendizado, viabilizando a execução deste. Como aspectos mais relevantes da indústria, pode-se destacar a sua complexidade expressada pela existência de um grande número de empresas de diferentes portes e estágios de evolução. Estas duas informações determinam profundamente o desempenho de uma organização que deseja competir no setor. As características de seu produto e a sua capacidade produtiva darão a uma empresa seu perfil como competidora, intervindo fortemente na sua condição de atingir bons resultados. Cabe-se destacar, que o mercado dá bons retornos a quem encontra uma forma coerente de atuação, conciliando fatores produtivos com as necessidades de mercado. Sobre o diagnóstico interno da empresa ABC, foi possível identificar diversos fatores que a caracterizam bem como determinam a sua participação no setor moveleiro. A empresa apresenta boa capacidade produtiva associada ao emprego de tecnologias de produção em parte bastante modernas. Em contrapartida a organização mostra-se ociosa voltada a um modelo produtivo bastante artesanal, o que acaba por limitar o seu desempenho ao longo de seu exercício. A sua atuação no mercado é marcada por um cliente de grande relevância, tanto no cenário nacional quanto para a própria ABC. No entanto, a dependência que se verifica, não mostra-se como plenamente saudável tão pouco como um modelo a ser desejado no futuro. Afora este grande cliente, a falta de estabilidade de receita marca a sua atuação refletindo em um status flutuante. A falta de um posicionamento estratégico claro e contínuo, pode ser um 74 dos maiores motivos para a instabilidade financeira, ainda que a organização apresente outros problemas que não foram identificados nesta pesquisa. Em geral a ABC possui condições de reverter as dificuldades atuais, contudo deve observar atentamente aos problemas já diagnosticados. Sobre a proposta de posicionamento estratégico para a empresa ABC, a estratégia genérica de nicho-diferenciação se mostrou como a de maior potencial diante das circunstancias relatadas. Pelo lado da empresa, sua limitação produtiva associada a sua principal aptidão, culminaram em uma estratégia alavancada pela manufatura metalúrgica. Se valendo de uma qualidade superior e das oportunidades que o mercado oferece, a empresa pode tirar bom proveito da proposta realizada. Pelo lado do mercado, empresas que possuem identidade própria e foco de atuação, encontram seu espaço atingindo bons resultados. Mais recentemente, como forma de busca por novas alternativas competitivas, o setor volta suas atenções para ações como a formação de clusters, ações de branding e processos de internacionalização. Verificando as capacidades internas, toda organização pode incluir em suas estratégias estes novos caminhos apontados pela indústria. 6.1 SUGESTÕES PARA NOVAS PESQUISAS Ao final deste trabalho é possível olhar para o setor moveleiro sob um ponto de vista mais amplo em relação ao conhecimento prático e teórico que versa sobre a sua realidade. Questões como nichos de mercado, canais de distribuição, estruturas produtivas e materiais empregados assumem uma nova forma ao olhar do pesquisador. 75 Tomando por base o conhecimento gerado neste trabalho é possível enxergar novas possibilidades de pesquisa para o setor, uma vez que este estudo contribuiu apenas para uma parcela do setor deixando novas possibilidades de geração de conhecimento. Para tanto, uma visão mais ampla pode ser oferecida como forma de apoio a trabalhos futuros. O modelo a seguir, elaborado por este autor, é oferecido ao leitor como forma de apoio ao entendimento da indústria moveleira. Se verificado em conjunto com as estratégias existentes no mercado, bem como outra eventualmente possível, este modelo poderá auxiliar o entendimento do setor bem como de sua indústria. Tanto estratégias genéricas como funcionais, podem ser analisadas em auxílio a este modelo. Figura 9 – Modelo de Negócio Fonte: elaborado pelo próprio autor Por fim, cabe ressaltar que esta ferramenta foi elaborada pelo pesquisador deste trabalho, sendo que a mesma não possui respaldo científico para sua utilização generalizada. 76 REFERÊNCIAS ABIMOVEL. Panorama do Setor Moveleiro do Brasil. – Informações Gerais, 2006. Disponível em <http://www.movergs.com.br> Acesso em: 20 out. 2007. BERTOLINI, Jéferson F. A Estrutura da Inteligência de Mercado para uma Empresa Moveleira do Segmento de Móveis Planejados. 2006. 148p. Dissertação (Administração de Empresas) – UFRGS – Faculdade de Administração de Empresas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006. BNDES. Os Novos Desafios para a Indústria Moveleira no Brasil. BNDES Setorial. Disponível em: <http://www.bndes.gov.br> Acesso em 20 out. 2007. CGI – Centro Gestor de Inovação. Informações <http://www.cgimoveis.com.br>. Acesso em: 20 out. 2007. Estatísticas. Disponível em: FAHEY, Lian. MBA Curso Prático - Estratégia. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999. HERRERO, Emílio. O Balanced Scorecard e a Gestão Estratégica. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. HENKIN, Hélio. Vantagem Competitiva em Cadeias Produtivas. Núcleo de Tecnologia, Indústria e Trabalho da UFRGS – NETIT, 2007. IEMI – Instituto de Estudos e Marketing Industrial Ltda. Brasil Móveis 2007: Relatório Setorial da Indústria de Móveis no Brasil. KAPLAN, Robert S. Mapas Estratégicos - Balanced Scorecard: convertendo ativos intangíveis em resultados tangíveis. 7ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. KEPFERER, Jean N. The New Strategic Brand Management – Creating and Sustaining Brand Equity Long Term. 1ª Ed. Philadelphia: Kogan Page, 2004. KIM, W. Chan; MAUBORGNE, Renée. A Estratégia do Oceano Azul: como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante. 11ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. MINTZBERG, Henry & QUINN, James Brian. O Processo da Estratégia. Porto Alegre: Bookman, 1988. MINTZBERG, Henry. Safári de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. Porto Alegre: Bookman, 2000. MOVERGS – Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul. Informações Estatísticas. Disponível em: <http://www.movergs.com.br>. Acesso em: 20 out. 2007. PORTER, M. Competição = On Competition: estratégias competitivas essenciais. 9ª. Ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999. 77 PORTER, M. Estratégia Competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. 16ª. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 1980. PORTER, M. Vantagem Competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de Janeiro: Campus, 1985. SCHILLING, Luís Felipe. Aprendizagem em Situações de Internacionalização em Pequenas e Médias Empresas: Um estudo sobre empresas moveleiras do Rio Grande do Sul (Brasil). 2007. 111p. Dissertação (Administração de Empresas) – UNISINOS – Faculdade de Administração de Empresas, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2007. SCHNEIDER, Ana C. O Processo de Internacionalização de uma Empresa do Setor Moveleiro: um estudo de caso. 2002. 150p. Dissertação (Administração de Empresas) – UFRGS – Faculdade de Administração de Empresas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2002. SEBRAE. Critérios para classificação do porte de empresas. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/br/aprendasebrae/estudosepesquisas.asp>. Acesso em: 20 out. 2007. SILVA, José de Castro. Diagnóstico do Setor Moveleiro no Brasil. 2001. 107p. - Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2001. SINDIMADEIRA – Sindicato Intermunicipal das Indústrias Madeireiras, Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Esquadrias, Marcenarias, Móveis, Madeiras Compensadas e Laminadas e Chapas de Fibra de Madeiras do Estado do Rio Grande do Sul. Informações Institucionais. Disponível em: <http://www.sindimadeira.org.br//>. Acesso em: 20 out. 2007. SYMNETICS. Textos sobre o desdobramento de estratégias com o BSC. Disponível em <http://www.symnetics.com.br>. Acesso em: 28 Mar. 2007. TAVARES, Fred. Gestão da Marca – Estratégia e Marketing. 1ª Ed. Rio de Janeiro: E-Papers, 2004. WRIGHT, Peter; KROLL, Mark; PARNELL, John. Administração Estratégica: Conceitos. 4ª. Ed. São Paulo: Atlas, 2000. 78 ANEXO A Com o objetivo de traçar o perfil da Indústria Moveleira do Rio Grande do Sul, a MOVERGS em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS) através do Núcleo de Pesquisa Aplicada da Região dos Vinhedos (NUPARVI), solicita seu apoio para o preenchimento deste questionário. O tempo aproximado de resposta é de 20 minutos. As informações coletadas nesta pesquisa são estritamente confidenciais e as mesmas serão utilizadas apenas para análise da Indústria Moveleira como um todo. Os resultados gerais desta pesquisa serão disponibilizados à sua empresa, podendo ser utilizados para melhor direcionar as suas ações estratégicas. Desde já agradecemos sua atenção e contamos com a sua colaboração. COMERCIAL E PRODUTOS (MARKETING) Em relação às suas vendas no mercado interno, cite os três principais. 1.Quais os tipos de móveis produzidos 2. Novas linhas que pretende investir 3.Linhas e serviços que pretende por sua empresa (linhas) percentual nos próximos anos reduzir investimento, descontinuar nos sobre o faturamento: próximos anos Linhas % Linhas % Linhas % Móveis Residenciais Móveis Residenciais Móveis Residenciais (1) Dormitório (1) Dormitório (1) Dormitório (2) Sala de Jantar (2) Sala de Jantar (2) Sala de Jantar (3) Sala de Estar (3) Sala de Estar (3) Sala de Estar (4) Estofados (4) Estofados (4) Estofados (5) Cozinhas (5) Cozinhas (5) Cozinhas (6) Móveis de Banheiro (6) Móveis de Banheiro (6) Móveis de Banheiro (7) Copa (7) Copa (7) Copa Móveis de Escritório Móveis de Escritório Móveis de Escritório (8) Escrivaninha (8) Escrivaninha (8) Escrivaninha (9) Cadeiras (9) Cadeiras (9) Cadeiras (10) Mesas para Computador (10) Mesas para Computador (10) Mesas para Computador (11) Estantes (11) Estantes (11) Estantes Outros Outros Outros (12) Sob medida (diferentes linhas) (12) Sob medida (diferentes linhas) (12) Sob linhas) (13) Móveis infantis (13) Móveis infantis (13) Móveis infantis (14) Móveis escolares (14) Móveis escolares (14) Móveis escolares (15) Terceirização de partes para outras empresas (15) Terceirização de partes para outras empresas (15) Terceirização de partes para outras empresas (16) Móveis para jardim (16) Móveis para jardim (16) Móveis para jardim medida (diferentes (17) Terceirização de serviços (17) Terceirização de serviços (17) Terceirização de serviços 4. Quais as quatro principais fontes de novas idéias para o lançamento de uma nova linha de produtos na sua empresa? ( 1 ) vendedores ( 2 ) clientes ( 3 ) fornecedores ( 4 ) feiras e eventos ( 5 ) designer/equipe interna para desenvolvimento de novos produtos ( 6 ) escritório de design (terceirizado) ( 7 ) funcionários (de forma geral) 79 ( 8 ) produtos dos concorrentes ( 9 ) publicações impressas (revistas, catálogos) ( 10 ) viagens ao exterior ( 11 ) Qutras.Qual?__________________________ 5. Quantas linhas de produtos (ou produtos individuais para quem não trabalha com linhas de foram lançadas aproximadamente nos últimos anos? 2006 ______________ de linhas de produtos produtos) 6. 2004 ___________ 2005 ______________ Qual é a previsão de lançamento _______________________________________ 7. Quais as principais formas de comunicação utilizadas para promover os seus produtos e a sua marca? 8. ( 1 ) revistas especializadas ( 2 ) televisão ( 3 ) site na internet ( 4 ) exposição em feiras e eventos ( 5 ) uso de mala direta/cartões de visita ( 6 ) uso de catálogos ( 7 ) visitas aos clientes ( 8 ) patrocínios ( 9 ) rodadas de negócios ( 10 ) outras? Qual? ______________________ Como a sua equipe de vendas está constituída? 9. ( 1 ) somente equipe de vendas própria ( 2 ) somente representantes comerciais ( 3 ) equipe de vendas própria e representantes ( 4 ) somente venda direta através dos sócios/gerentes ( 5 ) venda direta através dos sócios/gerentes e representantes comerciais Quais são os principais destinos dos seus produtos no mercado nacional? Destinos para 2007? % 2006 (1) Regional (meu município e cidades vizinhas) (2) Estadual (RS como um todo) (Solicitar, além do RS os 3 principais estados de destino, e o percentual de vendas) (3) Outro Estado (4) Outro Estado (5) Outro Estado 10. Quais os canais de distribuição utilizados, e o percentual aproximada de participação nas vendas (2006)? Canais de Distribuição % (1) Lojas de departamento multimarcas (2) Na fábrica (sob desenho/encomenda) (3) Lojas próprias/franquias – lojas exclusivas (4) Atacado/distribuidor (5) Mercado corporativo (empresas), governo, licitações (6) Auto-serviço (supermercados, hipermercados) (7) Outro mercado interno. Qual? ______________________________ 11. Considerando os itens a seguir, para a área Comercial de sua empresa (mercado interno), atribua o nível de dificuldade para cada um deles, de 1 a 6, sendo 1 baixa dificuldade e 6 alta dificuldade: 80 Nível de Dificuldade ÁREA COMERCIAL Baixa Não posso opinar Alta 1. Dificuldade na concentração de vendas para grandes redes 1. de varejo (poder de barganha destes clientes) 2. 3. 4. 5. 6. 9. 2. Dificuldades decorrentes da distância entre a fábrica e o 1. principal mercado consumidor 2. 3. 4. 5. 6. 9. 3. Falta de conhecimento sobre atuação/necessidade dos clientes 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 4. Falta de mão-de-obra qualificada na área comercial 1. (vendedores/representantes) 2. 3. 4. 5. 6. 9. 5. Problemas na transportadoras/logística 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 7. Dificuldades geradas com a concorrência de grandes 1. empresas 2. 3. 4. 5. 6. 9. 8. Dificuldades geradas com a concorrência informal 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 9. Custo não competitivo 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 10. Falta de diferenciação dos produtos 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 11. Falta de investimentos em comunicação (publicidade, 1. propaganda, relações públicas, eventos) 2. 3. 4. 5. 6. 9. 12. Marca pouco consolidada 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 13. Falta de mão-de-obra qualificada na prestação de serviços 1. (montagem/assistência técnica) 2. 3. 4. 5. 6. 9. prestação os de mercados serviço de das 6. Problemas com prazo de entrega COMERCIAL - EXPORTAÇÃO 12. Você exporta? ( 1 ) Sim ( 2 ) Não (vá para a questão 20) 13. Se sim, desde quando você exporta? (ano) _________ 14. Qual é a participação das exportações sobre o faturamento total da empresa (%): Em 2005 ____________ Em 2006 ____________ 15. Indique os 03 principais países do mundo que você exporta, e o percentual aproximado de participação sobre o total das exportações, em 2006: País % 1. 2. 3. 16. Quais os três principais tipos de móveis vendidos por sua empresa (linhas) no exterior: Linhas % Linhas 1. Móveis de escritório 7. Móveis de banheiro 2. Dormitórios 8. Copa 3. Sala de jantar 9. Móveis escolares 4. Sala de estar 10. Móveis para jardim 5. Estofados 11. Móveis infantis 6. Cozinhas 12. Outros. Qual? % 81 17. Quais as principais ações desempenhadas pela empresa em função da exportação? ( 1 ) Participação de feiras e eventos, como visitante ( 2 ) Participação de feiras e eventos como expositor ( 3 ) Qualificação de pessoal (investimentos nas equipes internas) ( 4 ) Visitas/viagens ao exterior ( 5 ) Diferenciação do produto ( 6 ) Investimento em máquinas e equipamentos ( 7 ) Busca de informações (embaixadas, consulados, pesquisas) ( 8 ) Outra. Qual? _____________________________________ 18. Considerando os itens a seguir, para a área de Exportação de sua empresa, atribua um nível de dificuldade para cada um deles, de 1 a 6, sendo 1 baixa dificuldade e 6 alta dificuldade. Nível de Dificuldade ÁREA COMERCIAL Baixa Não posso opinar Alta 1. Dificuldades oriundas da mudança no câmbio (variação 1. cambial) 2. 3. 4. 5. 6. 9. 2. Falta de informações sobre o mercado externo 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 3. Problemas na adaptação dos produtos ao mercado externo 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 4. Dificuldades oriundas da infra-estrutura logística do Brasil 1. (estradas, portos, aeroportos) 2. 3. 4. 5. 6. 9. 5. Falta de pessoal qualificado para trabalhar na área 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 6. Dificuldade em atender grandes pedidos (tamanho do 1. pedido) 2. 3. 4. 5. 6. 9. 7. Dificuldades com a língua e com a cultura dos países 1. importadores 2. 3. 4. 5. 6. 9. 8. Dificuldade para definição de custos 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 9. Carência de estrutura interna para apoio às exportações 1. (tabela de preços, embalagem, logística interna) 2. 3. 4. 5. 6. 9. 10. Dificuldade em selecionar/desenvolver equipe de 1. vendas/intermediários (representantes/agentes/distribuidores) 2. 3. 4. 5. 6. 9. 4. 5. 6. 9. 11. Falta de recursos financeiros para prospectar novos 1. 2. 3. clientes (viagens, feiras) 19. Quais as formas de comercialização que sua empresa utiliza para exportar? ( 1 ) Comerciais Exportadoras e Trading Companies ( 2 ) Representantes/agentes sediados no Brasil ( 3 ) Representantes/agentes sediados no Exterior ( 4 ) Equipe própria de vendedores/venda direta 20. Se não exporta, quais os motivos? ( 1 ) falta de informações sobre o mercado externo ( 2 ) dificuldade em adaptar os produtos ao mercado externo ( 3 ) falta de capacidade produtiva ( 4 ) temor em exportar ( 5 ) falta de estrutura interna para apoio às exportações (pessoal, tabela de preços, embalagem, logística interna, documentação) ( 6 ) dificuldade em selecionar e desenvolver equipe de vendas e intermediários (representantes, agentes, distribuidores) ( 7 ) falta de recursos em abrir clientes (feiras, agentes) ( 8 ) não tenho interesse em exportar ( 9 ) Outras. Quais?__________________________ 21. Qual é o número de clientes ativos (considerando os clientes que compraram nos últimos 12 meses): ( 1 ) Mercado interno ______________ 82 ( 2 ) Mercado externo _______________ (para empresas exportadoras) PRODUÇÃO 22. Quais as certificações, ou programas de qualidade, que sua empresa participa? (1) ISO 9.001 (2) ISO 14.000 (3) PGQP (4) Outros Certificados. Quais? _____________ (5) Outros programas de qualidade. Quais? __________________ 23. A empresa tem intenções de buscar novas certificações? ( ) Sim Qual(is)? ____________________________ ( ) Não 24. Qual o investimento em máquinas, equipamentos e infra-estrutura produtiva(R$): Em 2005 ______________ Em 2006 _____________ Em 2007___________ (projeção) 25. Considerando os itens a seguir, para a área de Produção de sua empresa, atribua um nível de dificuldade para cada um deles, de 1 a 6, sendo 1 baixa dificuldade e 6 alta dificuldade: Nível de Dificuldade PRODUÇÃO 1. Falta de Mão-de-obra produção/qualidade Baixa qualificada na área de Alta Não posso opinar 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 2. Falta de Mão-de-obra qualificada no desenvolvimento de 1. novos produtos 2. 3. 4. 5. 6. 9. 3. Capacidade produtiva instalada 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 4. Capacidade produtiva ociosa 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 5. Dificuldade em conseguir melhores preços das matérias1. primas (aquisição de intermediários) 2. 3. 4. 5. 6. 9. 6. Dificuldades oriundas da fornecedores de matérias-primas 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. existência de poucos 7. Tecnologia defasada 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 8. Dificuldades em atender aos prazos de entrega estipulados 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 9. Dificuldades oriundas da qualidade da matéria-prima 2. 3. 4. 5. 6. 9. 1. 26. Identifique as cinco matérias primas que sua empresa mais utilizou em 2006, estados de origem e suas quantidades (podem ser valores aproximados)? Matérias Primas 1. Madeira 2.Pinus/Eucalipto 3.Madeiras de lei (duras) 4.Painéis de MDF 5.Painéis de aglomerado 6.Painéis de compensado Estado de Origem Quantidade(m,m3,Kg, unidade) 83 7.Painéis de MDP 8.Outros Metais 7.Tubos de aço 8.Alumínio 9.Chapas de aço 10. Outros Móveis de Vime, Ratan e Fibras Naturais 10.Vime 11.Espumas 12.Tecidos 13.Outros 27. Quais as formas de produção utilizadas? (1) Artesanal (2) Semi-seriado (3) Seriado ADMINISTRATIVO – FINANCEIRO 28. Sua empresa busca financiamento? ( ) Sim ( ) Não Se sim, qual a principal razão: (1) Financiamento do capital de giro (2) Investimentos em máquinas e equipamentos (3) Investimentos em infra-estrutura (4) Investimentos para lançamento de novos produtos (5) Investimentos no fortalecimento da marca 29. Qual a principal fonte de recursos utilizada para investimentos? (1) Recursos próprios (2) Recursos provindos de bancos comerciais (3) Recursos provindos de bancos de fomento (BNDES, BRDE) (4) Outros: Quais? ___________________________________. 30. Sua empresa possui sistema informatizado que contemple: (1) Todas as áreas administrativas (2) Algumas áreas administrativas (a) Comercial/Marketing (b) Recursos Humanos (c) Produção/Engenharia (d) Administrativo/Contábil (e) Financeiro (f) Logística (3) Não possui sistema informatizado 31. Sua empresa faz uso da terceirização? (1) Sim, serviços contábeis/administrativos/RH (2) Sim, serviços relacionados ao processo produtivo (3) Sim, serviços de segurança e patrimônio (4) Não faço uso da terceirização 32. Caso sua empresa não faça uso da terceirização no processo produtivo, quais são as razões? (1) (2) (3) (4) (5) O custo de fazer fora é maior que o custo interno Os fornecedores não têm capacidade técnica A qualidade do terceiro é baixa O terceiro não é confiável Minha empresa quer manter o domínio do processo 84 33. Considerando os itens a seguir, para a área Administrativa/Financeira de sua empresa, atribua um nível de dificuldade para cada um deles, de 1 a 6, sendo 1 baixa dificuldade e 6 alta dificuldade: Nível de Dificuldade ADMINISTRATIVO/FINANCEIRO Não posso Alta opinar Baixa 1. Dificuldade de acesso a financiamentos/linhas de crédito 1. para futuros investimentos 2. 3. 4. 5. 6. 9. 2. Dificuldade de acesso a financiamentos para capital de 1. giro 2. 3. 4. 5. 6. 9. 3. Dificuldade na gestão de custos 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 4. Elevado nível de inadimplência dos clientes 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 6. Problemas constantes com fluxo de caixa (controle de 1. receitas e despesas) 2. 3. 4. 5. 6. 9. 5. Falta de mão-de-obra administrativa/financeira qualificada na área RECURSOS HUMANOS 34. Considerando os itens a seguir, para a área de Recursos Humanos de sua empresa, atribua um nível de dificuldade para cada um deles, de 1 a 6, sendo 1 baixa dificuldade e 6 alta dificuldade: Baixa RECURSOS HUMANO Nível de Dificuldade Alta Não posso opinar 1. Falta de mão de obra qualificada na área de gestão de 1. pessoas/RH 2. 3. 4. 5. 6. 9. 2. Falta de motivação da equipe de trabalho 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 3. Alta rotatividade dos funcionários 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 4. Pouco acesso a instituições de treinamento e ensino 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 5. Falta de uma política de cargos e salários 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 6. Pessoal resistente à mudança 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 35. Quantas horas de treinamento a sua empresa destinou em 2006? ____________ 36. Quais os benefícios oferecidos pela sua empresa aos funcionários? (1) Plano de saúde (2) Incentivo financeiro à educação (3) Participação nos resultados (4) Associação de funcionários (Programas de lazer e recreação) (5) Cestas básicas por assiduidade (6) Ginástica laboral (7) Prêmio de produtividade (8) Alimentação (almoço, café) (Refeição subsidiada) (9) Nenhum benefício (10) Somente o que a lei exige 85 (11) Treinamento interno para o desenvolvimento profissional (12) Empréstimos financeiros subsidiados (13) Programa de gestão participativa (14) Outros: qual? ________________ 37. Sua empresa estimula o envolvimento de funcionários na realização de trabalho voluntário na comunidade (Responsabilidade Social)? (1) Sim a) Realizado durante o horário de expediente b) Realizado fora do horário de expediente (2) Não 38. Como é feita a gestão de pessoa de sua empresa (1) Pelo próprio empresário (2) Por empresas especializadas (3) Por profissionais especializados da própria empresa 39. Média de salário pago aos funcionários: (1) Até R$ 500,00 (2) R$ 501,00 até R$ 1.000,00 (3) R$ 1.001,00 até R$ 1.500,00 (4) R$ 1.501,00 até R$ 2.500,00 (5) Mais de R$ 2.5000 40. Escolaridade média da equipe de funcionários (1) Ensino Fundamental Incompleto (2) Ensino Fundamental Completo (3) Ensino Médio Incompleto (4) Ensino Médio Completo (5) Ensino Superior Incompleto (6) Ensino Superior Completo GESTÃO 41. A empresa possui alguma forma de cooperação (parceria) com empresas do mesmo segmento (empresas de móveis)? Se sim, quais? (1) No desenvolvimento de novos produtos (2) Na compra de matéria prima (3) Na participação de feirias e eventos (4) Na troca de idéias e experiências (5) No estudo de melhorias em processos (6) No estudo de melhorias para o setor como um todo, através de entidades de classe (7) No compartilhamento de informações sobre o negócio (8) Na compra de máquinas e equipamentos (9) No compartilhamento de equipamentos 42. Quais os benefícios que a parceria trouxe para a sua empresa: (1) Maior agilidade no processo (2) Maior cooperação entre os competidores (3) Melhoria nos designs dos produtos (4) Maior poder de barganha junto aos fornecedores (5) Redução de custos (6) Maior especialização das partes 43. Se a empresa não possui nenhuma forma de cooperação, quais os principais motivos: (1) falta de conhecimento (2) preferimos trabalhar de forma independente (3) tenho muitas atividades (4) tenho que preocupar-me mais com o meu negócio do que o negócio dos outros (5) falta de confiança nos parceiros (6) vejo o outro como um concorrente em potencial, e não quero abrir as informações (7) outros, quais; _______________________________. 44. A seguir, identifique as três atividades(prioridade) que o principal gestor da empresa executa com maior regularidade: (1) Cuidar da parte financeira (2) Vender 86 (3) Comprar (4) Cuidar da produção (5) Buscar melhorias no processo (6) Buscar novos produtos e mercados, através de pesquisas e viagens (7) Pensar no futuro da empresa (8) Outra. Qual? __________________________ 45. Quais os principais fatores que contribuíram para que sua empresa chegasse até aqui. Atribua um nível de contribuição para cada um deles, de 1 a 6, sendo 1 uma baixa contribuição e 6 uma alta contribuição FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO Nível de Contribuição Baixa 1. Estrutura de custos 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 2. Relacionamento com os clientes 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 3. Contínuo investimento em inovação 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 4.Trabalho árduo, empenho e dedicação 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 5. Design do produto 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 6. Atuação em diversos mercados 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 7. Tecnologia existente 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 8. Equipe de profisionais competentes 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 9. Gestão financeira 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 10.Gestão comercial 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 11. Prestação de serviços 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 12.Eficiência do processo produtivo 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 13.Capacidade produtiva 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. Não posso opinar Alta 14. Relacionamento com fornecedores 1. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 46. [somente para os associados da MOVERGS] Responda às questões abaixo. Indique, para cada afirmação abaixo, primeiramente se concorda ou discorda, e depois o grau (pouco, muito ou totalmente)? DISCORDO PARCERIA COM A MOVERGS CONCORDO Discordo Discordo Discordo Concordo totalmente muito pouco pouco Concordo muito Concordo SCO totalmente 1. A MOVERGS tem merecido nossa (1) confiança. (2) (3) (4) (5) (6) (9) 2. O relacionamento que temos com a MOVERGS permite um melhor ( 1 ) desempenho de ambos os lados (2) (3) (4) (5) (6) (9) 3. Ambos os lados (MOVERGS e a sua empresa) estão dispostos a cooperar nas (1) mudanças necessárias para o desenvolvimento do setor moveleiro (2) (3) (4) (5) (6) (9) 4. Efetivamente, a MOVERGS e a (1) empresa na qual trabalho são parceiras (2) (3) (4) (5) (6) (9) 5. Percebemos que a MOVERGS tem se (1) empenhado muito no desenvolvimento do setor moveleiro do RGS (2) (3) (4) (5) (6) (9) 6. Percebemos claramente que a (2) (3) (4) (5) (6) (9) MOVERGS confia em nossas ações e ( 1 ) atitudes 47. [somente para os não-associados da MOVERGS] Considerando os indicadores abaixo, que representam 87 motivos para sua empresa não ser associada, indique primeiramente se você concorda ou discorda, e depois o grau (pouco, muito ou totalmente) DISCORDO CONCORDO MOTIVOS PARA NÃO ASSOCIADO À MOVERGS SER Discordo Discordo Discordo Concordo totalmente muito pouco pouco Concordo muito Concordo SCO totalmente 1. Não tenho interesse em associar-me à (1) MOVERGS (2) (3) (4) (5) (6) (9) 2. Não tenho conhecimento sobre as (1) ações efetuadas pela MOVERGS (2) (3) (4) (5) (6) (9) 3. A MOVERGS só representa as (1) grandes empresas do setor (2) (3) (4) (5) (6) (9) 4. Não vejo benefícios em associar-me à (1) MOVERGS (2) (3) (4) (5) (6) (9) 5. Considero a mensalidade muito alta (2) (3) (4) (5) (6) (9) (1) 6. Não tenho tempo de participar (1) (2) (3) (4) (5) (6) (9) PERCEPÇÕES – ORIENTAÇÃO MERCADO 48. Responda às questões tendo em mente as ações de sua empresa atuando no seu principal mercado no ano de 2006. Primeiro diga se você concorda com a frase dita e então quanto (totalmente, muito ou pouco). Discordo Orientação para o Mercado Concordo Totalmente Muito Pouco Pouco Muito Totalmente Não posso opinar 1. Nós fazemos pesquisas com clientes e usuários finais de nossos produtos para avaliar a 1. qualidade de nossos produtos e serviços pelo menos uma vez por ano. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 2. Nós freqüentemente coletamos e avaliamos informações macro-econômicas gerais (por exemplo, taxa de juros, taxa de câmbio, PIB, 1. taxa de crescimento da indústria, taxa de inflação). 2. 3. 4. 5. 6. 9. 3. Nós coletamos e avaliamos informações relativas a tendências sociais gerais (por 1. exemplo, consciência ambiental, estilos de vida emergentes) que possam afetar nosso negócio. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 4. Nós passamos muito tempo com nossos fornecedores para aprender mais sobre vários aspectos de seu negócio (por exemplo, 1. processos de manufatura, práticas da indústria, clientes). 2. 3. 4. 5. 6. 9. 5. Todo pessoal é constantemente treinado para 1. saber como atender melhor o cliente. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 6. Em nossa empresa, freqüentemente circulam 1. internamente documentos (por exemplo, relatórios e correspondências) com informações 88 sobre nossos clientes. 7. Nós temos freqüentemente reuniões interdepartamentais para discutir tendências e 1. desenvolvimentos de mercado (por exemplo, clientes, concorrentes, fornecedores). 8. Nós mantemos relações com empresas ou pessoas formadoras de opinião em nosso 1. mercado para saber as tendências desse mercado (Design). 9. A sua empresa realiza a adaptação de produto 1. para atender a exigência de seus clientes. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 2. 3. 4. 5. 6. 9. 2. 3. 4. 5. 6. 9. PERFIL Nome da empresa:______________________________________ Respondente ___________________________________________ Função _______________________________________________ Telefone: ( )________________ e-mail:____________________ Município:_____________________________________________ Número de funcionários da sua empresa? ____________________ Qual o ano de fundação da empresa? _______________________ Faturamento bruto da empresa em 2006 (R$) (1) até 250 mil (2) de 251 mil a 500 mil (3) de 501 mil a 1 milhão (4) de 1,1 milhão a 2,5 milhões (5) de 2,6 milhões a 5 milhões (6) de 5,1 milhões a 10 milhões (7) de 10,1 milhões a 50 milhões (8) de 50,1 milhões a 100 milhões (9) acima de 100 milhões Aumento de vendas projetado para 2007 (%) __________________ Margem líquida de lucro % 2006 (após IR) ( ) 0 a 5% ( ) 6 a 10% ( ) 11 a 15% ( ) 16 a 20% ( ) Mais de 20% ( ) Negativo. Quanto? ___________ 89 ANEXO B Pesquisa sobre o Setor Moveleiro – coleta de dados Prezado(a), estou realizando uma pesquisa sobre o Setor Moveleiro, com o objetivo de identificar o entendimento do setor pelos seus diferentes personagens (integrantes de toda a cadeia). A pesquisa resume-se a quatro questões descritivas, de ordem qualitativa, que podem ser respondidas sem limites (máximos ou mínimos) de conteúdo, sendo que outras formas de argumentação também são aceitas (desenhos, fluxogramas, organogramas, quadros, tabelas, etc). 1. O que vem dirigindo/norteando a concorrência na indústria moveleira do Brasil? R: 2. Quais atitudes as indústrias vem assumindo diante deste cenário e qual a melhor maneira de responder? R: 3. De que modo a indústria moveleira se desenvolve a médio e longo prazo? R: 4. Qual a melhor posição* a ser adotada por uma empresa para competir a longo prazo? *(forma de atuação/postura) R: