UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Estudo e comparação de Modelos de Maturidade no contexto da Gestão de Projetos DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO CÁTIA ALEXANDRA MARQUES BARBAS Vila Real, 2012 Estudo e comparação de Modelos de Maturidade no contexto da Gestão de Projetos DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO CÁTIA ALEXANDRA MARQUES BARBAS Vila Real, 2012 Dissertação submetida à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Tecnologias da Informação e Comunicação, sob a orientação do Prof. Doutor João Eduardo Quintela Alves de Sousa Varajão, Professor Auxiliar com Agregação do Departamento de Engenharias da Universidade de Trás-os-Montes e Alto. À minha mãe, por todo o esforço e dedicação. iv Agradecimentos Esta dissertação caracteriza o fim de uma etapa na minha vida, tanto pessoal como académica. Etapa de que me orgulho e me deixa muito feliz, e que seria impossível de a concretizar sem o apoio incondicional de algumas pessoas, que com elas muito aprendi ao longo deste percurso. Primeiramente, agradeço à minha mãe e irmã, que me deram suporte, incentivo, e força para prosseguir na minha formação. Obrigada pelos valores que me têm incutido. Ao meu falecido pai que de forma indireta sempre me permitiu colocar os estudos em primeiro lugar, e que infelizmente não está presente para ver mais esta etapa da minha vida concluída. Ao meu orientador, Professor Doutor João Varajão, que com os seus conhecimentos, sabedoria, auxílio, experiência, dinamismo, e ensinamentos, muito contribuiu para a realização desta dissertação. Ao Dr. Joaquim de Matos, que deu o suporte necessário para a concretização do estudo de caso, ao qual agradeço a disponibilidade e colaboração. Aos meus amigos, que acompanharam os bons e maus momentos académicos, e sempre foram cruciais para que este caminho, por vezes espinhoso mas, ao mesmo tempo tão esperançoso e cheio de boas histórias, fosse bem sucedido. Aos colegas e amigos da Licenciatura em Tecnologias da Informação e Comunicação e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação, pelos momentos partilhados. E não poderia acabar esta lista quase infindável de agradecimentos, sem enunciar o meu companheiro e amigo de vida académica, o Vítor Mesquita, que sempre me apoiou, e partilhou o seu conhecimento e opinião. Pela paciência e amizade, obrigado. E finalmente a todos que direta ou indiretamente contribuíram para que esta dissertação tivesse-se um “final feliz”. A todos o meu muito obrigado. v Resumo Devido ao aumento da complexidade dos negócios e à crescente competição entre organizações, existe a necessidade de criar respostas rápidas e de impacto positivo no seu funcionamento. Não obstante a evolução da gestão de projetos verificada nas últimas décadas, são ainda frequentes as falhas na execução de projetos, o que consequentemente conduz a resultados que prejudicam o negócio. Para auxiliar a resolução deste problema nas organizações, surgiram nos últimos anos diversos modelos de maturidade na gestão de projetos. Os modelos de maturidade são um instrumento avaliador e orientador, para as organizações que desejam melhorar estratégias e otimizar os seus processos. A aplicação dos modelos de maturidade em projetos permite avaliar os pontos fortes e fracos da realidade organizacional. Assim, possibilita às organizações criar planos para as elevar a níveis de maturidade de excelência. Dado que existem vários modelos de maturidade na gestão de projetos, torna-se importante para as organizações perceber as suas particularidades, de modo a ser possível adotar os mais adequados à sua realidade. Esta dissertação visa, num primeiro momento, a caracterização dos principais modelos de maturidade existentes no contexto da gestão de projetos. Num segundo momento visa a comparação dos modelos, identificando diferenças e pontos comuns. Palavras-chave: Gestão de projetos; maturidade; modelos de maturidade; projetos; comparação. vi Abstract Due to the increasing complexity of business and the growing competition between organizations, there is a need for quick responses and positive impact on their operation. In spite of the evolution of project management in recent decades, are still frequent failures in the implementation of projects, which in turn leads to results that harm the business. To help to solve this problem in organizations, there are several maturity models in project management. Maturity models are a tool evaluator and advisor for organizations wishing to improve effective strategies and optimize their processes. The application of maturity models to projects allows to assess the strengths and weaknesses of organizational reality. Thus, it enables organizations to create plans to raise the maturity level of processes. There are several models of maturity in project management, so it is important to understand their particular characteristics in order to organizations can choose the better ones according their reality. This work aims, at first, the characterization of the main existing models of maturity in the context of project management. A second point concerns the comparison between models, identifying differences and similarities. Keywords: Project management; maturity; maturity models; projects; comparison. vii “ A Pedra… O distraído nela tropeça… O bruto a usou como projétil…. O empreendedor, usando-a, construiu… O camponês, cansado da lida, dela fez assento… Para meninos, foi brinquedo… Drummond a poetizou… Davi matou Golias… Miguel Ângelo extraiu-lhe a mais bela escultura… E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem! Não existe “pedra” no seu caminho que não se possa aproveitar…. Independentemente do tamanho das pedras, no decorrer da vida, não existirá uma que não se possa aproveitar para o crescimento” (Renato Russo) “É preciso sonhar para acreditar que existem coisas para além do que os olhos podem ver.” viii Índice Geral Agradecimentos iv Resumo v Abstract vi Índice Geral viii Índice de Tabelas x Índice de Figuras xi Siglas e Acrónimos xii 1 Introdução 2 3 1 1.1 Motivações e objetivos 2 1.2 Estrutura da dissertação 3 Enquadramento conceptual 5 2.1 Definição de Projeto 5 2.2 Definição de Gestão de Projetos 6 2.3 Definição de Maturidade 7 2.4 Definição de Modelos de Maturidade 10 2.5 Definição de Processos 11 Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos 12 3.1 Origem dos modelos de maturidade 12 3.2 Visão geral dos modelos de maturidade 13 3.2.1 Visão geral do modelo de maturidade CMM 13 3.2.1.1 Níveis de Maturidade 16 3.2.1.2 KPA (Key Process Areas) 17 3.2.1.3 Caraterísticas Comuns 18 3.2.1.4 Práticas base 18 3.2.2 Visão geral do modelo de maturidade CMMI 19 3.2.2.1 Níveis de maturidade 20 3.2.2.2 Estrutura do modelo 21 3.2.2.3 Componente faseada 22 3.2.2.4 Componente contínua 23 3.2.3 Visão geral do modelo de maturidade OPM3 25 3.2.3.1 Níveis de maturidade 27 3.2.3.2 Ciclo de melhoria do OPM3 27 ix 3.2.4 Visão geral do modelo de maturidade PMMM 29 3.2.5 Visão geral do modelo de maturidade MMGP 32 3.2.5.1 Níveis de Maturidade 32 3.2.5.2 Dimensões 34 3.3 4 5 Comparação dos Modelos de Maturidade 35 37 4.1 Comparação geral dos modelos de maturidade 37 4.2 Comparação dos níveis de maturidade 39 4.3 Aplicabilidade dos modelos nas organizações 41 4.4 Síntese 43 Estudo de caso 45 5.1 Enquadramento 45 5.2 Processo de investigação 46 5.2.1 Perfil do respondente 47 5.2.2 Caraterização da organização e projetos realizados 47 5.2.3 Caraterização da equipa e gestor de projetos 48 5.2.4 Caraterização da gestão de projetos 49 5.2.5 Caraterização dos modelos de maturidade 49 5.2.6 Caraterização dos níveis dos modelos de maturidade 53 5.3 6 Síntese Discussão dos resultados Considerações finais 54 59 Referências 62 Anexo I – Guião de Entrevista 69 x Índice de Tabelas Tabela 1 - As cinco fases do ciclo de vida da gestão de projetos Tabela 2 - Fatores críticos no ciclo de vida da gestão de projetos Tabela 3 - Níveis de maturidade e KPA do CMM Tabela 4 - Vantagens da componente contínua/ faseada do CMMI Tabela 5 - Áreas de processo do CMMI para a componente faseada Tabela 6 - Áreas de processo do CMMI para a componente contínua Tabela 7 - Dimensões do modelo OPM3 Tabela 8 - Caraterísticas comuns e níveis de maturidade do PMMM Tabela 9 - Caraterísticas Comuns e níveis de maturidade do MMGP Tabela 10 - Relação entre as dimensões e os níveis de maturidade do MMGP Tabela 11 - Objetivo e foco dos modelos de maturidade Tabela 12 - Caraterísticas dos modelos de maturidade Tabela 13 - Comparação dos níveis de maturidade entre modelos Tabela 14 - Comparação entre níveis de maturidade Tabela 15 - Vantagens e desvantagens dos modelos de maturidade Tabela 16 - Grau de importância dos modelos de maturidade Tabela 17 - Níveis de maturidade escolhidos pelo respondente nos vários modelos Tabela 18 - Caraterísticas em destaque da gestão de projetos na organização em estudo Tabela 19 - Estatística do grau de importância das caraterísticas dos modelos Tabela 20 - Nível de maturidade aproximado em que a organização estudada se encontra 8 9 17 22 23 24 26 31 33 35 37 39 40 41 44 53 54 56 57 58 xi Índice de Figuras Figura 1 - Estrutura de um processo Figura 2 - Níveis de maturidade do modelo CMM Figura 3 - Comparação entre níveis do CMM e CMMI Figura 4 - Estrutura do CMMI Figura 5 - Estrutura do modelo OPM3 Figura 6 - Modelo PMMM Figura 7 - Estrutura do modelo MMGP Figura 8 - Critérios de seleção de um modelo de maturidade 15 16 20 21 27 31 34 50 xii Siglas e Acrónimos Nesta dissertação são utilizadas abreviaturas de designações comuns apenas apresentadas aquando da sua primeira utilização: CMM Capability Maturity Model CMMI Capability Maturity Model Integrated DSI Divisão de Sistemas de Informação IPD-CMM Integrated Product Development Capability Maturity Model KPA Key Process Area KPI Key Performance Indicator KPMMM Kerzner Project Management Maturity Model MMGP Maturity Model Project Management OPM3 Organizational Project Management PCMM People Capability Maturity Model PM2 Project Management Process Maturity Model PMBOK Project Management Body of Knowledge PMI Project Management Institute PMMM Project Management Maturity Model P3M3 Programme and Project Management Maturity Model PMO Project Management Office ProMMM Project Management Maturity Model PSO Project Suport Office SEI Software Engineering Institute SW-CMM Capability Maturity Model for Software SECM Systemns Engineering Capability Models SGP Sistema de Gestão de Projetos Capítulo I 1 Introdução Nas organizações existe uma necessidade constante, e cada vez mais evidente da criação de produtos/serviços com qualidade, atempadamente, cumprindo o orçamento estipulado, e que satisfaçam o consumidor final. Neste contexto há uma área de conhecimento fundamental: a gestão de projetos. Esta área é um precioso auxiliar das organizações no desempenho e eficiência de seus projetos. Auxilia a manter a sua sustentabilidade, consistência, eficiência, exploração de novas oportunidades, e minimização das ameaças. No entanto, para tal, uma organização tem de seguir práticas que exigem a padronização, estruturação, e definição de estratégias apropriadas. Atualmente, uma forma de avaliar a eficiência da organização, é a avaliação da sua maturidade, que permite caraterizar a sua situação. Esta avaliação recorre aos modelos de maturidade, os quais são dotados de melhores práticas e de metodologias estruturadas. Os modelos de maturidade têm como principal objetivo auxiliar a melhorar o desempenho organizacional, identificando os pontos fortes e pontos fracos dos processos, procurando adotar as melhores metodologias, para conduzir a organização a níveis superiores de maturidade. Existem diversos modelos de maturidade na área da gestão de projetos, tais como: OPM3 (Organizational Project Management), CMM (Capability Maturity Model), CMMI (Capability Maturity Model Integrated), MMGP (Maturity Model Project Management), PMMM (Project Management Maturity Model), P3M3 Programme and Project Management Maturity Model), entre outros. Estes modelos apresentam caraterísticas diferenciadas, logo, é necessário que as organizações tomem consciência e identifiquem aquele que melhor se ajusta à sua conjuntura. 1 Capítulo I - Introdução Ao longo dos últimos anos a maturidade organizacional foi definida e compreendida de formas diferentes por quem a estuda e implementa. Por exemplo: “O conceito de maturidade deve estar relacionado a um estado em que a organização está em perfeitas condições de atingir os seus objetivos” (Andersen & Jessen, 2003). “O termo maturidade pode ser usado como uma indicação da medição das capacidades da organização, em utilizar projetos com distintos propósitos, e com alta probabilidade de resultados bem sucedidos” (Souza, Salomon, & Silva, 2010). A essência da maturidade em gestão de projetos é a busca constante da melhoria contínua numa organização. O uso de um modelo de maturidade, é um suporte para que a organização desenvolva os seus processos da melhor forma possível, o que permite à gestão de projetos um auspicioso desenvolvimento dos projetos. Tal auxilia a organização a operar de acordo com níveis superiores de maturidade, que garantam a sua competitividade nos mercados onde atua. Assim, a maturidade é crucial para alinhar os projetos aos negócios, quando apenas a gestão de projetos não é suficiente. Portanto, a utilização dos modelos de maturidade é uma forma de resolver falhas, que a gestão de projetos por si só não consegue ultrapassar. Esta dissertação está focada nos modelos de maturidade CMM, CMMI, OPM3, MMGP, e PMMM, escolhidos entre os vários modelos mais utilizados atualmente. Para cada modelo é realizada uma descrição detalhada. A comparação entre os modelos de maturidade escolhidos para estudo, possibilita a análise das suas caraterísticas, e auxilia a identificar qual o mais adequado para ser aplicado em cada organização em particular. 1.1 Motivações e objetivos A gestão de projetos é fundamental para o desenvolvimento bem sucedido de projetos numa organização. Implementar projetos de acordo com as exigências dos clientes, dentro do prazo e custos, é cada vez mais uma necessidade nas organizações. No entanto, o rendimento dos projetos depende da maturidade dos processos da organização. Organizações imaturas promovem projetos de forma inconsistente e, consequentemente, obtêm um retorno negativo, enquanto uma organização que disponha de alguma maturidade é mais produtiva. 2 Capítulo I - Introdução Para ultrapassar os problemas da gestão de projetos nas organizações surgem os modelos de maturidade. Este trabalho apresenta a caracterização do estado da arte nesta área. Tal inclui a identificação dos principais modelos de maturidade atualmente existentes na área da gestão de projetos, assim como a sua descrição. Este esforço permite estabelecer a base teórica e o enquadramento conceptual da dissertação. Partindo do conhecimento sobre os modelos de maturidade adquirido através da caracterização do estado da arte, de seguida é efetuada a análise e comparação dos diferentes modelos. Essa comparação permite identificar em que diferem esses modelos, bem como permite perceber aspetos comuns. Por outro lado, também auxilia a avaliar os modelos mais adequados para cada caso em particular. Ainda no contexto desta dissertação realiza-se um estudo de caso muito exploratório, para avaliar o estado de uma determinada organização e a aplicabilidade dos modelos de maturidade no terreno. Procura-se com esta dissertação obter um melhor entendimento da aplicação dos modelos de maturidade na gestão de projetos, assim como contribuir para o processo de seleção do modelo de maturidade a aplicar nas organizações. 1.2 Estrutura da dissertação A presente dissertação encontra-se estruturada em seis capítulos. O Capítulo I trata da introdução ao tema, apresentando os objetivos da dissertação e os principais contributos esperados. O Capítulo II apresenta a base conceptual do estudo. São apresentadas definições de projeto, gestão de projetos, maturidade, modelos de maturidade, e processos. O Capítulo III é dedicado ao estudo dos modelos de maturidade (CMM, CMMI, OPM3, MMGP, e PMMM), com o objetivo de estruturar a revisão do estado de arte. Este capítulo materializa um dos principais objetivos do estudo, caracterizando cada modelo de maturidade em detalhe, analisando o objetivo, níveis de maturidade, e estrutura dos modelos. 3 Capítulo I - Introdução No Capitulo IV efetua-se a comparação dos modelos de maturidade estudados no capítulo anterior. Esta comparação permite o relacionamento entre os modelos, identificando as caraterísticas comuns e as diferenças de cada modelo. Tal auxilia a identificar qual o modelo de maturidade mais adequado a ser aplicado numa organização em particular. O Capítulo V apresenta o estudo de caso, que integra a análise de uma organização. Este estudo auxilia a compreender alguns aspetos relevantes para a seleção do modelo que melhor se adequa às caraterísticas de uma organização. O Capítulo VI apresenta um conjunto de considerações finais, assim como, trabalho futuro. 4 Capítulo II 2 Enquadramento conceptual 2.1 Definição de Projeto Os projetos são parte integrante de uma organização. As organizações podem ter disponíveis sistemas de gestão de projetos, que ajudam a definir a estratégia, a implementação, a monitorização de atividades, e a obter controlo em abordagens definidas ao longo do ciclo de vida de um projeto. Os projetos podem ser bem sucedidos ou não. Um projeto que termine nos prazos previstos, dentro do orçamento disponibilizado, com qualidade, e que satisfaça o cliente, é em princípio um projeto bem sucedido. No entanto, existem projetos que nem sempre alcançam os objetivos previstos, ultrapassam o orçamento, não são terminados no prazo delimitado, e não satisfazem as expectativas dos clientes. Os critérios de sucesso de um projeto dependem sobretudo dos intervenientes, da identificação dos pontos críticos de sucesso, da identificação dos riscos, e das estratégias preparadas para a abordagem aos riscos (PMI, 2000) . Um projeto é realizado a todos os níveis organizacionais, envolve uma equipa, um certo custo e duração, e é desenvolvido com a intenção de planear um novo produto ou serviço (PMI, 2008). Este inicia-se com uma ideia, e com a reunião de objetivos, seguindo-se a definição de atitudes para o realizar. Prossegue-se a mobilização dos recursos necessários, inicia-se a execução das abordagens definidas, e no fim são analisados os resultados obtidos (Martín, 2008) São muitos os motivos que levam uma organização a comprometer o seu bom desempenho, como por exemplo, más decisões, falta de sensatez, falta de conhecimentos exigidos para a gestão de projetos, falta de coerência nos métodos utilizados. Estas são algumas ocorrências que levam a um mau desempenho na gestão de projetos. Decidir coerentemente no desenvolvimento de procedimentos e métodos, é meio caminho andado para o cumprimento dos objetivos ambicionados (Martín, 2008). 5 Capítulo II - Enquadramento conceptual Em síntese, pode-se definir um projeto como um conjunto de ideias complexas com um objetivo comum. Este objetivo deve ser conseguido dentro de um determinado período de tempo, dentro de um orçamento, para satisfazer as necessidades do cliente. As atividades de um projeto devem ser coordenadas e controladas com o intuito de alcançar um fim. 2.2 Definição de Gestão de Projetos Os projetos envolvem processos e técnicas complexas e exigem abordagens dinâmicas e diversificadas. A gestão de projetos surge devido à necessidade de apresentar uma forma de gerir e organizar os projetos, procurando atingir metas de uma maneira eficiente e coerente, trabalhando com o pressuposto de inovar e ser diferente. No passado, a gestão de projetos tinha como foco principal cativar pessoas competentes capazes de desenvolver projetos com sucesso. Atualmente, a gestão de projetos contradiz um pouco o definido no passado, sendo os processos e ferramentas o mais importante para um bom resultado final no desenvolvimento de projetos (Rad & Raghavan, 2000). O PMI vem consolidar a abordagem por Rad e Raghavam, em que a gestão de projetos é um conjunto de decisões necessárias ao longo da execução de um projeto, desenvolvidas através das diferentes atividades que se encontram estruturadas em objetivos, prazos, custos, qualidade, recursos humanos, e riscos (PMI, 2000). Atualmente, as empresas procuram na gestão de projetos soluções para inúmeros problemas, como a garantia de qualidade ao cliente, orçamentos que não ultrapassem o definido, finalização atempada, entre outros. A gestão de projetos pode ser definida como uma forma de acompanhar atividades, com o objetivo de satisfazer dos stakeholder (Córdoba & Piki, 2011). As organizações precisam da gestão de projetos para colocar em prática a estratégia organizacional, aperfeiçoar o seu desempenho e, assim, aumentar a sua competitividade (Silveira, 2008). A definição de uma boa estratégia é fundamental para o sucesso organizacional (Brida & Santos, 2011). É indispensável escolher e adotar uma metodologia que fornece os recursos essenciais para serem utilizados nos projetos (Jun, Qiuzhen, & Qingguo, 2011). 6 Capítulo II - Enquadramento conceptual A gestão de projetos é um procedimento pelo qual são usados processos em parceria com um sistema integrado em ações de implementação, e aperfeiçoamento de projetos, com a finalidade de obter resultados satisfatórios. 2.3 Definição de Maturidade É conhecida a necessidade de introduzir melhorias nas organizações. Um dos instrumentos disponíveis para tal são os modelos de maturidade, que orientam na combinação das técnicas disponibilizadas tornando-se ferramentas úteis na elaboração da estratégia de negócio, suportando a maturação das práticas de gestão de uma organização. Para cada organização existe a necessidade de conhecer os modelos disponíveis e eleger aqueles que se adequem à sua realização, para garantir e atingir os objetivos. Aspetos teóricos, aspetos práticos, e aspetos relacionados com a estrutura organizacional, devem ser devidamente considerados na estruturação da atividade de projeto. O conceito de maturidade nasceu da área da gestão da qualidade, onde era aplicado um controlo nos processos, com a inserção de técnicas de maturidade que levavam a uma melhoria no desempenho dos processos (Davies & Arzymanow, 2003). A maturidade é conquistada através do planeamento de ações para aquisição de certas competências. Assim, uma organização imatura não estabelece as conexões necessárias para garantir o conhecimento dos seus processos, e uma organização madura, antevê-os e executaos de forma padronizada promovendo o sucesso (Argyris, 1999). Gray (Gray, 2001), ao realizar uma pesquisa junto a profissionais de gestão de projetos com o objetivo de estudar as relações no ambiente organizacional e a taxa de sucesso nos projetos, concluiu que a maturidade organizacional e a finalização positiva de um projeto estão relacionadas. Assim, um ambiente organizacional positivo favorece o sucesso na gestão de projetos. Durante a pesquisa, o autor, anotou alguns fatores importantes para alcançar a maturidade de uma organização, tais como: identificar as várias fontes de ameaça e insegurança na equipa de projeto; a promoção e satisfação da equipa de projetos; e a valorização do trabalho desenvolvido pela equipa. Segundo outro autor, os fatores mais importantes para alcançar a maturidade são três (Andersen & Jessen, 2003): atitude, conhecimento, e ação. A atitude representa a gestão do risco e responsabilidade. No conhecimento destaca-se o input e output do projeto. A ação é a 7 Capítulo II - Enquadramento conceptual aceitação e suporte da gestão de projeto aos níveis organizacionais, presidência, direção, gestores, e nível operacional. Para estes autores a maturidade é uma qualidade que, quando aplicada numa organização, esta fica em melhores condições de obter o sucesso em seus projetos. Uma organização tende a crescer. Estabelecer uma relação entre pessoas, áreas funcionais, e processos, implica uma evolução direcionada a uma maturidade superior, que implica a passagem por vários níveis. Estes níveis vão permitir saber em que patamar de maturidade se encontra uma organização. A partir destes níveis de maturidade é possível determinar o movimento evolutivo da organização, de acordo com o nível em que esta se encontra (Rocha & Vasconcelos, 2004). O grau de maturidade é medido com base nos processos executados pela organização (Andersen & Jessen, 2003). “A maturidade é o desenvolvimento de sistemas e processos que são por natureza repetitivos e garantem uma alta probabilidade de que cada um deles seja um sucesso. Entretanto, processos e sistemas repetitivos não são, por si só, garantia de sucesso. Apenas aumentam a sua probabilidade” (Kezner, 2002). A tabela 1 é representativa das fases do ciclo de vida para a maturidade na gestão de projetos que Kerzner descreveu. Embrionária Aceitação pela Direção Aceitação pelos Gestores Crescimento Maturidade Reconhecer a necessidade. Reconhecer os benefícios. Reconhecer a aplicabilidade. Reconhecer o que precisa ser feito. Obter o apoio visível dos executivos. Fazer com que a Direção entenda a gestão de projetos. Estabelecer promotores no nível executivo. Estar disposto a mudar a maneira de conduzir o empreendimento. Obter o apoio dos Gestores de área. Conseguir o comprometimento dos Gestores de área. Proporcionar conhecimento ao Gestor de área. Estar disposto a liberar os funcionários para a gestão de projetos. Reconhecer a utilidade das fases do ciclo de vida. Desenvolver uma metodologia de gestão de projetos. Obter o comprometimento com o planeamento. Minimizar as mudanças e definir um sistema de rastreamento do projeto. Desenvolver um sistema de controlo de gestão de custos e tempo. Integrar o controlo de custos e do tempo. Desenvolver um programa de ensino para melhorar as competências em gestão de projetos. Tabela 1 - As cinco fases do ciclo de vida da gestão de projetos Adaptado de (Kezner, 2006) 8 Capítulo II - Enquadramento conceptual Para alcançar o sucesso de um sistema ou processo, Kezner, definiu os fatores críticos no ciclo de vida para a maturidade da gestão de projetos. A tabela 2 demonstra esses fatores divididos em fatores críticos de sucesso e fatores críticos para o fracasso. Fatores de sucesso Fatores de fracasso Fase de aceitação pela direção Considerar as recomendações dos funcionários. Recusar-se a aceitar ideias dos colegas. Reconhecer que a mudança é necessária. Não admitir que a mudança pode ser necessária. Entender a participação da direção na gestão de Acreditar que o controle da gestão de projetos cabe à projetos. direção. Fase de aceitação pelos gestores Disposição a colocar os interesses da empresa acima Relutância a compartilhar informações. dos interesses pessoais. Recusar-se a aceitar responsabilidades. Disposição a aceitar responsabilidades. Insatisfação com o progresso de colegas. Disposição a aceitar o progresso de colegas. Fase de crescimento Reconhecer a necessidade de uma metodologia Perceber a metodologia padrão como ameaça, e não empresarial. como beneficio. Apoiar um padrão de monitorização e de relatório. Não conseguir entender os benefícios da gestão de Reconhecer a importância de planear. projetos. Distanciar-se do planeado. Fase de maturidade Reconhecer que o tempo e custo são inseparáveis. Acreditar que o estudo do projeto pode ser Analisar os custos reais. determinante apenas pelo tempo. Desenvolver treino em gestão de projetos. Não perceber a necessidade de rastrear os custos reais. Acreditar que crescimento e sucesso em gestão de projetos são sinónimos. Tabela 2 - Fatores críticos no ciclo de vida da gestão de projetos Adaptado de (Kezner, 2002) As organizações têm necessidade de evoluir internamente, o que lhes permite uma evolução na prática da gestão de projetos. A maturidade e o sucesso caminham juntos com o objetivo de gerir os projetos o melhor possível (Prado, 2008). Na gestão de projetos, a maturidade ocorre quando uma organização consegue elevar os seus objetivos a níveis desejados. A maturidade numa organização demonstra o quanto esta pode progredir, e consequentemente concluir os seus objetivos e estratégias o mais eficazmente. A maturidade na gestão de projetos é uma forma padronizada de desenvolver projetos, com o objetivo de melhorar as práticas de gestão (Kezner, 2002). Em síntese, a maturidade em gestão de projetos apresenta vários benefícios. Entre eles, propicia a estruturação de como realizar as atividades, e apoia o desenvolvimento, possibilitando às organizações orientarem as etapas fundamentais para alcançar os objetivos necessários, e atingirem a maturidade desejada. Quando uma organização alcança a 9 Capítulo II - Enquadramento conceptual maturidade em gestão de projetos existe uma necessidade de a manter, para que esta não se torne imatura com o passar do tempo. Se uma organização apresenta resistência no controlo de prazos e custos, em efetuar um desenvolvimento cuidado e seguro, e na profissionalização de quem integra as atividades do projeto, tudo isto colabora para uma maior dificuldade em manter um determinado nível de maturidade ou chegar a ele. A maturidade em projetos exige uma metodologia consistente para criar condições favoráveis a obter um resultado final de excelência. 2.4 Definição de Modelos de Maturidade Ao longo do tempo têm sido propostos vários modelos de maturidade devido à própria evolução das organizações, que influencia a evolução da gestão de projetos. Os vários modelos diferem entre si em termos dos níveis de maturidade, variáveis e áreas de foco. Cada modelo caracteriza estes aspetos de forma diferenciada. Os modelos de maturidade tornaram-se uma ferramenta essencial na avaliação da capacidade das organizações (Cheng, Chang, & Kuo, 2011). Estes modelos foram desenvolvidos com o objetivo de reconhecer áreas em que uma organização necessite de efetuar melhorias (Grant & Pennypacker, 2006). O posicionamento da organização, soluções de melhoria contínua nos processos, práticas, técnicas, e procedimentos, são alguns dos aspetos cobertos pelos modelos de maturidade (Becker, Knacksted, & Poppelbud, 2009). Na gestão de projetos os modelos de maturidade adquirem uma maior notoriedade através da sua utilização nas organizações. Por conseguinte, estes são um referencial de avaliação de projetos de acordo com os objetivos definidos, procurando alcançar qualidade, controlo, e produtividade nos projetos planeados. Os modelos de maturidade fornecem informações necessárias às organizações para melhorem o desenvolvimento dos seus projetos. Embora as organizações estejam cientes das melhorias possíveis, nem sempre conseguem definir estratégias adequadas para obter resultados aceitáveis. Os modelos de maturidade estão definidos para auxiliar as organizações a efetuar aperfeiçoamentos, guiando a formulação de novas estratégias orientadas aos objetivos de negócio (Chen et al. 2011). 10 Capítulo II - Enquadramento conceptual Assim, o objetivo dos modelos de maturidade é contribuir para o alcance das estratégias de negócio, através dos projetos desenvolvidos. A identificação dos modelos adequados a cada organização compete às próprias. Ou seja, compete-lhes conhecê-los e enquadrá-los de acordo com o rendimento pretendido para conseguir sucesso. 2.5 Definição de Processos Um processo é um conjunto de atividades relacionadas entre si, que quando executadas têm por finalidade obter um resultado. Os projetos são um conjunto de processos (PMI, 2008). Ao definir os processos procura-se organizar o projeto por diretrizes de desenvolvimento (Browning, 2010). É a forma de detalhar o que é feito, quando é feito, por quem é feito. Os processos podem ser mais ou menos detalhados de acordo com os aspetos necessários para implementar um projeto. Na visão do PMBoK existem 42 processos associados a cinco grupos definidos para a gestão de projetos (PMI, 2008): Processos de iniciação: são realizados para definir um novo projeto ou uma fase de um projeto; Processos de planeamento: são aqueles que definem o objetivo do projeto; Processos de execução: são realizados para executar os pontos definidos de implementação do projeto; Processos de monitorização: são aqueles que acompanham e analisam o progresso de implementação do projeto; Processos de encerramento: definem a conclusão de todas as atividades de execução, encerrando-se o projeto. 11 Capítulo III 3 Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos 3.1 Origem dos modelos de maturidade Dos princípios defendidos por Crosby em 1979, inicialmente no modelo de gestão da qualidade, surge o conceito de maturidade, que posteriormente foi explorado por Humphrey em 1989 (H. Kenneth, 2004). Baseando-se em Humphrey, o SEI (Software Engineering Institute) cria o modelo CMM (Capability Maturity Model) em 1991 (H. Kenneth, 2004). Mais tarde, em 2001, é definido um novo modelo gerado a partir do CMM, o modelo CMMI (Capability Maturity Model Integrated) (Cheng et al., 2011). O lançamento do CMM e CMMI foi um passo importante para surgirem novos modelos (H. Kenneth, 2004). Em 2003, o PMI desenvolve um modelo padrão para as organizações procederem a melhorias na gestão de projetos e implementar estratégias com consistência: o OPM3 (Organizational Project Management) (H. Kenneth, 2004). Em 2003 surge um novo modelo proposto por Kerzner, o PMMM (Project Management Maturity Model) (Cheng et al., 2011). Este modelo defende o desenvolvimento gradativo da gestão de projetos, aplicando a gestão de mudanças para minimizar a resistência na implementação de projetos (H. Kenneth, 2004). Prado foi o promotor do modelo brasileiro MMGP (Maturity Model Project Management) desenvolvido entre 2002 e 2004. Este modelo divide-se em duas perspetivas, setorial e corporativa, visando avaliar o grau de maturidade de um departamento organizacional, e avaliar os resultados através da gestão de projetos nos setores críticos da organização (H. Kenneth, 2004). Assim, surgiram alguns dos principais modelos de maturidade para a gestão de projetos. Para o estudo realizado neste capítulo foram selecionados os seguintes modelos: CMM, CMMI, OPM3, PMMM e MMGP. 12 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos 3.2 Visão geral dos modelos de maturidade 3.2.1 Visão geral do modelo de maturidade CMM O CMM (Capability Maturity Model) foi concebido pelo SEI e surgiu com o pressuposto de acompanhar os processos de desenvolvimento de software. O seu objetivo é proporcionar consistência nas fases de implementação do software e garantir a sua qualidade, estabelecendo um paradigma na engenharia de software. O SEI apresenta ainda uma outra função para este modelo, apontando a sua importância para o sucesso na gestão de projetos. O CMM tem uma escala constituída por níveis de maturidade, com a finalidade de medir o nível de maturidade das áreas de processo implementadas (Can, 2010). As organizações podem basear-se neste modelo para melhorar a sua capacidade em determinadas áreas organizacionais. Numa organização imatura, os processos são improvisados, logo os erros são constantes uma vez que não existe um planeamento adequado, sendo o resultado final provavelmente um produto sem qualidade. Se uma organização é mais madura vai executar as atividades com maior rigor, e alcançar os objetivos pretendidos, consequentemente, é despendido menos tempo e verificado um menor custo. Uma organização alcança os níveis de maturidade superiores passando pelos diversos níveis. Por conseguinte, a hipótese de ter um produto final aceitável é maior, uma vez que à medida que uma organização vai adquirindo capacidades, a gestão das áreas envolvidas no desenvolvimento de processos é igualmente mais segura e eficiente. Assim, o CMM é um modelo de capacitação usado para avaliar os processos, identificar oportunidades de melhoria, garantir a qualidade, reduzir custos, controlar, e fornecer uma base, para que uma organização que desenvolve processos de forma imatura evolua dotandoos de maturidade. O CMM é um modelo caracterizador de uma organização em termos de um nível particular de maturidade, definindo os comportamentos desejados numa organização que desenvolve projetos. O CMM refere como uma organização deve evoluir, através dos vários níveis, e como essa mudança ocorre nos planos estratégicos de negócio definidos pela organização (Gonçalves & Boas, 2001). Este modelo é um guia de seleção de processos que determinam a capacidade de resposta aos aspetos críticos para a qualidade do produto final (Manzani & Price, 2003). Permite uma melhoria dos processos de implementação de software. 13 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos No entanto, este modelo apresenta uma estrutura genérica, o que facilita o seu uso por outras áreas. Como este modelo foi o pioneiro nos modelos de maturidade, os seus níveis de maturidade foram replicados em muitos outros modelos. O modelo CMM apresenta a típica estrutura de um modelo de maturidade (Valdés et al., 2011). Tem a função de avaliação e comparação da situação das organizações para determinar as áreas ou aspetos a melhorar. Este modelo torna as organizações mais competitivas (Kezner, 2006). “O CMM utiliza uma descrição dos estágios através dos quais as organizações de software evoluem consoante definem, implementam, controlam e melhoram os seus processos de software. O modelo fornece uma orientação para a seleção das estratégias de melhoria do processo, pois permite a determinação das capacidades do processo corrente, e a definição dos aspetos mais críticos para a melhoria da qualidade do software e do processo” (Paulk, Curtis, Chrissis, & Webe, 1993). Para efetuar uma análise ao modelo é necessário definir alguns conceitos, tais como, processos, capacidade e nível de maturidade. Relativamente à definição de processo, esta foi abordada anteriormente no capítulo II secção 2.5. A capacidade de um processo indica à organização as melhorias necessárias para alcançar o resultado esperado (Magalhães, Magalhães, & Rocha, 2010). O nível de maturidade tem como finalidade caraterizar a maturidade de um processo no desenvolvimento de um projeto. Cada nível de maturidade tem objetivos associados. Os níveis de maturidade apresentam uma estruturação básica como forma de orientar as organizações, o que ajuda a identificar a atual situação das organizações, comparativamente ao grau de maturidade na gestão de processos. Deste modo, é possível determinar a capacidade das organizações melhorarem para passarem a ocupar níveis de maturidade superiores. Este modelo é constituído por três dimensões: pessoas; ferramentas; e procedimentos. O CMM pode ser usado pelas equipas, gestores, e técnicos para avaliarem e identificarem pontos fortes e pontos fracos, para definirem devidamente as atividades necessárias ao desenvolvimento dos processos. Este modelo não indica os domínios específicos que devem ser melhorados, não sugere soluções, não indica como motivar as pessoas envolvidas nos projetos, não trata todos os pontos cruciais para o sucesso de um 14 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos projeto, apenas indica qual o melhor caminho a ser seguido pelas organizações na gestão de projetos (Gonçalves & Boas, 2001). Um processo é composto pelas seguintes componentes (Sen & Zheng, 2007): Níveis de maturidade: cada nível é constituído por KPA (Key Process Area), que definem objetivos a serem alcançados em cada nível para quando estes forem alcançados ocorra a transição para o nível seguinte; KPA: definem as atividades que uma organização precisa melhorar em cada nível de maturidade, totalizando 22 áreas de processo. Cada nível é constituído por KPA, exclusão feita ao nível um; Caraterísticas comuns: as KPA são constituídas por caraterísticas comuns, que indicam se uma prática base de um processo é realizada com sucesso, para alcançar um nível de maturidade; Práticas base: as KPA são compostas num conjunto de boas práticas que servem para orientar atividades que contribuem para a segura implementação, garantindo a consistência de metas definidas. A figura 1 mostra como as componentes se encontram interligadas entre si para garantir a solidez dos processos. Figura 1 - Estrutura de um processo Adaptado de (Gonçalves & Boas, 2001) 15 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos 3.2.1.1 Níveis de Maturidade Resumidamente, a caracterização de cada nível de maturidade é descrita assim (Sen & Zheng, 2007): Inicial: o sucesso dos processos depende do esforço definido. Este nível é qualificado por ter poucos processos definidos, deficiências no planeamento, incapacidade de previsão, implementação das atividades de forma imprecisa, e carência de documentação; Repetido: encontram-se definidos os processos básicos, melhorando o cumprimento de orçamentos, prazos e âmbito; Definido: são criados documentos das atividades de um processo; Gerido: são definidos os detalhes dos processos. Otimizado: são efetuadas melhorias aos processos através de estudos piloto ou novas ideias. A figura 2 mostra a transição de níveis. Essa transição é representada pelas setas e indica o tipo de capacidade da organização. Só é efetuada a passagem de nível quando no nível anterior for atingida a maturidade plena. Figura 2 - Níveis de maturidade do modelo CMM Adaptado de (Gonçalves & Boas, 2001) 16 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos 3.2.1.2 KPA (Key Process Areas) Os níveis de maturidade identificam o estado atual da organização relativamente à sua maturidade nos processos, a tabela 3 aponta as KPA de cada nível, descrevendo sucintamente as componentes de processos, pessoas e tecnologia. Nível de maturidade Otimizado KPA Descrição Os processos estão em constante melhoria. São identificados pontos fracos, progredindo para a sua melhoria. A equipa é orientada para que esta não se desvie dos interesses desejados. Gestão da mudança. Processos: são sistematicamente e continuamente aperfeiçoados. Pessoas: trabalho em equipa. Tecnologia: novas tecnologias são pesquisadas e analisadas. Gerido Avaliar a qualidade nos projetos. Planeamento dos projetos. Gestão quantitativa. Calcular o risco. Controlar os processos. Processos: metas são estabelecidas e entendidas. Pessoas: trabalho em equipa. Tecnologia: novas tecnologias analisadas em bases qualitativas. Definido Definida a estrutura dos processos. O desenvolvimento dos processos é documentado. As atividades delineadas são controladas. Coordenação entre grupos de trabalho. Verificação e validação. Revisões. Gestão de requisitos. Planeamento eficaz. Os projetos são conduzidos e auxiliados. Garantia de qualidade. Gestão da configuração. Medição e análise. Gestão de aquisições. N/A Processos: padronizados e documentados. Pessoas: grupos de pessoas trabalham em conjunto. Tecnologia: novas tecnologias analisadas em bases qualitativas. Processos: planeamento, e definição de estratégias. Pessoas: o sucesso depende de indivíduos que são treinados. Tecnologia: tecnologia estabilizada. Repetido Inicial Processos: poucos processos e instáveis. Pessoas: o sucesso depende do esforço individual. Tecnologia: novas tecnologias são um risco. Tabela 3 - Níveis de maturidade e KPA do CMM Adaptado de (Silveira, 2008) 17 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos 3.2.1.3 Caraterísticas Comuns A seguir são apresentadas de forma detalhada as caraterísticas comuns: Compromisso de executar: descreve as ações que uma organização deve considerar para garantir a base dos processos. Fixam-se políticas organizacionais e de liderança; Capacidade para executar: descreve as pré-condições necessárias para implementar o processo; Atividades realizadas: delineação das atividades como, por exemplo, as funções e procedimentos chave necessários para implementar uma KPA; Medição e análise: descrição das práticas de avaliação essenciais a determinar o estado do processo; Verificação da implementação: garantir que as atividades são implementadas de acordo com o processo que foi definido. 3.2.1.4 Práticas base As práticas base descrevem a estrutura das atividades para a implementação das KPA. Ou seja, definem os procedimentos e as atividades necessárias a serem implementadas, no entanto, não definem como os objetivos devem ser conseguidos, mas sim como alcançá-los (Sen & Zheng, 2007). A seguir são citadas algumas críticas apontadas a este modelo: Segue uma metodologia vasta, um conjunto de documentação desnecessário, e é aplicado mais ao gestor de projetos do que à equipa (Magalhães et al, 2010); Surge da necessidade de melhoria da qualidade das organizações produtoras de software, no entanto este modelo apresenta algumas falhas na integração dos processos. Para resolver estas lacunas foram criados outros modelos mais eficientes, que aperfeiçoam os pontos de discrepância do CMM. Estas falhas obrigam as organizações a usar outras ferramentas, e consequentemente levam ao aumento dos custos. Um ponto importante a reter são os fatores culturais e humanos de algumas organizações. A dificuldade deste método não é a adoção de estratégias, ou 18 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos metodologias, mas a barreira de adotar este modelo às pessoas que o seguem (Crawford, 2001); Não apresenta uma abordagem teórica, o que o torna confuso e incompleto em alguns dos seus pontos, pelo que a implementação de processos é resultante do conhecimento empírico da equipa de trabalho (Bach, 1999). O modelo permite às organizações analisar as possibilidades de melhoria que podem ser efetuadas numa organização e em que medida pode resultar um produto final de qualidade. Apresenta cinco níveis de maturidade estabelecidos, para melhorar os processos de um projeto de desenvolvimento de software. Os níveis de maturidade apresentam uma escala que fornece alicerces necessários à avaliação da maturidade de cada processo como suporte para aperfeiçoar os detalhes necessários à solidez dos processos (Albertin & Sanchez, 2008). Em suma, este modelo destaca-se por ser o pioneiro e por influenciar a criação de outros modelos de maturidade. O CMM descreve o desenvolvimento de uma organização através de níveis de maturidade. À medida que os processos apresentam uma base sólida, as organizações ascendem de nível. Os principais problemas para as organizações não alcançarem patamares superiores advêm dos problemas que não são identificados quando definido o planeamento inicial de execução dos projetos, e assim, estes falham. Por conseguinte, o importante é definir as atividades e os processos associados aos objetivos gerais da organização para obter resultados positivos. 3.2.2 Visão geral do modelo de maturidade CMMI O CMMI (Capability Maturity Model Integrated) é uma evolução do modelo CMM. É um modelo que define práticas, sejam genéricas ou específicas, para o desenvolvimento e avaliação da maturidade. Algumas dessas práticas são a gestão de riscos, gestão de requisitos, e planeamento do trabalho. A necessidade desta evolução surgiu devido a vários aspetos, entre os quais a necessidade de unificar o modelo CMM e o fato de o CMM apresentar uma única forma de representar os níveis, o que dificulta a sua execução (Lee & Chen, 2006). O seu desenvolvimento combina três modelos: o SW-CMM (Capability Maturity Model for Software); IPD-CMM (Integrated Product Development Capability Maturity Model); e SECM (Systems Engineering Capability Models) (SEI, 2006). As práticas eficazes na gestão de projetos ainda são um desafio permanente para as organizações. As organizações que utilizam o CMMI, fazem-no com o objetivo de determinar os vários níveis de implementação de software, e a 19 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos identificação dos recursos necessários à medição das habilidades organizacionais que os implementam (Mei & Ding, 2010). Os gestores participam na definição dos processos envolvidos no projeto, auxiliando-se no CMMI e assim, garantem a melhoria e a qualidade dos processos executados no desenvolvimento dos projetos de software (G. Jia et al., 2011). O CMMI foi desenvolvido para ajudar as organizações, capacitando os processos de desenvolvimento de software, como forma de orientar e desenvolver a maturidade para a implementação de projetos (Wangenheim, Silva, Buglione, Scheidt, & Prikladnicki, 2010). Este modelo tem por objetivo permitir avaliar o conteúdo dos processos, técnicas, atividades de gestão, e aumentar a capacidade de execução das atividades. Este modelo de maturidade possibilita melhorar a qualidade do produto, aumentar a produtividade, e a capacidade de previsão de riscos. Embora seja referido na literatura que o CMMI não atua na gestão de pessoas, apresenta um pequeno contributo, uma vez que fornece indicadores de desempenho de trabalho em equipa (Lee & Chen, 2006). 3.2.2.1 Níveis de maturidade O CMMI apresenta cinco níveis de maturidade em três dimensões (pessoas, ferramentas e procedimentos), tal como o CMM. O CMMI define os níveis, por níveis de capacidade como ilustra a figura 3. Também foram incluídas duas novas componentes, as áreas de desenvolvimento e manutenção, e as áreas de planeamento dos processos (Miguel, 2008). Figura 3 - Comparação entre níveis do CMM e CMMI Adaptado de (Miguel, 2008) 20 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos O nível Inicial caracteriza-se por processos imprevisíveis e falta de controlo. O nível Repetido apresenta os requisitos de gestão necessários e define alguns processos. No nível Definido temos um controlo sobre os processos e padronizações. O nível Gerido constitui o controlo eficaz dos processos, desempenho, e uma gestão aperfeiçoada. O último nível, designado de Otimizado, foca-se na melhoria contínua dos processos e na inovação organizacional (Liou, 2011). 3.2.2.2 Estrutura do modelo A estrutura do CMMI combina 22 áreas de processo, objetivos específicos, objetivos genéricos, práticas específicas, e práticas genéricas, como apresentado na figura 4 (SEI, 2002). As áreas de processos são um conjunto de práticas que servem de suporte para atingir um determinado objetivo quando aplicadas em conjunto, ou seja, o equivalente às KPA do modelo CMM. As 22 áreas de processo estão distribuídas por quatro categorias: gestão de projeto; gestão de processo; engenharia dos processos; e suporte. Os objetivos específicos integram as práticas específicas, e os objetivos genéricos integram as práticas genéricas. Às práticas específicas e genéricas corresponde um nível de capacidade onde são descritas as atividades que são consideradas relevantes para alcançar os objetivos. Os objetivos específicos e genéricos são aplicados na implementação das áreas de processo (Wangenheim et al., 2010). Figura 4 - Estrutura do CMMI Adaptado de (SEI, 2002) 21 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos Para ajudar as organizações a atingir um estado ideal, e proporcionar-lhes uma estrutura padronizada, este modelo apresenta comportamentos que estabelecem as melhores práticas (Pazderka & Grechenig, 2007). Para aperfeiçoar as necessidades das organizações, o CMMI apresenta duas componentes para aumentar a maturidade dos seus processos: uma componente faseada, e uma componente contínua (Huang & Han, 2005). Na componente faseada as áreas de processo são melhoradas de acordo com uma ordem definida nos níveis de maturidade, permitindo à organização verificar o seu progresso. A componente contínua possibilita selecionar áreas de processos, e melhorá-las sem atribuir uma área a um nível específico (Cordeiro, 2010). A tabela 4 apresenta as vantagens de cada uma das componentes. Componente contínua Componente faseada Autonomia de escolha da ordem de melhorias de acordo com o modelo de negócio praticado pela organização. Melhor visibilidade da capacidade obtida em cada área de processo. Sequência predefinida das melhorias a efetuar no contexto organizacional. Proporciona um conjunto de processos à organização, de acordo com a capacidade de cada nível. Apresenta os resultados da melhoria de forma simples. Apresenta uma abordagem às melhorias necessárias, de acordo com os dados adquiridos. Tabela 4 - Vantagens da componente contínua/ faseada do CMMI Adaptado de (Can, 2010) 3.2.2.3 Componente faseada As componentes, faseada e contínua, eram usadas por outros modelos, no entanto, comparativamente aos outros modelos, o CMMI permite escolher de entre as duas qual se adequa ao processo de melhoria pretendido. A componente faseada oferece às organizações uma estrutura linear, ou seja, baseiase em níveis de maturidade, e a cada nível correspondem áreas de processo definidas (Shrum, 2000). 22 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos A tabela 5 apresenta 22 áreas de processo do CMMI distribuídas pelos níveis de maturidade para a componente faseada. Nível Otimizado Categoria de processo Melhoria contínua dos processos. Área de processo Inovação e melhoria organizacional. Análise de causas. Gerido Gestão quantitativa. Desempenho do processo. Gestão quantitativa de projetos. Definido Padronização dos processos. Repetido Gestão básica do processo. Desenvolvimento de requisitos. Soluções técnicas. Integração de produtos. Verificação. Validação. Definição do processo organizacional. Gestão de risco. Gestão de equipas. Gestão de projeto integrado. Integração da equipa de trabalho. Análise de decisões. Ambiente organizacional. Gestão de requisitos. Planeamento do projeto. Controlo e monitorização do projeto. Avaliação e análise. Garantia da qualidade. Gestão da configuração. Inicial N/A N/A Tabela 5 - Áreas de processo do CMMI para a componente faseada Adaptado de (SEI, 2006) 3.2.2.4 Componente contínua Para as organizações que conhecem os processos e as áreas onde é necessário efetuar melhorias, a componente contínua é uma escolha positiva. Esta componente possibilita às organizações escolher quais as áreas de processo que melhor se adequam às suas necessidades. As áreas de processo são colocadas em prática, e no final é atribuída uma classificação de acordo com o nível de capacidade que se pretende alcançar. Os níveis de capacidade caracterizam a melhoria relacionada com uma área de processo (Sousa, 2009). Uma decisão que deve ser abordada pelas organizações é adotar representações contínuas do CMMI para melhorar os processos de acordo com os objetivos de negócio, e para a redução de riscos organizacionais. Porém, é necessário que o gestor de projetos decida, pois 23 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos uma má decisão pode prejudicar uma atividade, reduzindo as possibilidades de melhoria do processo (Huang & Han, 2005). A tabela 6 apresenta as 22 áreas de processo distribuídas pelas categorias de processo para a componente contínua. Categoria de processo Gestão de processo Gestão de projeto Engenharia dos processos Suporte Área de processo Definição dos processos. Preparação organizacional. Desempenho dos processos. Inovação e melhorias. Planeamento. Monitorização e controlo. Gestão de projetos integrados. Gestão quantitativa. Gestão de integração. Integração da equipa de trabalho. Gestão de requisitos. Desenvolvimento de requisitos. Soluções técnicas. Integração do produto. Verificação. Validação. Gestão de configuração. Gestão da qualidade. Medição e análise. Análise e decisão. Análise e resolução de causas. Análise ambiente organizacional. Tabela 6 - Áreas de processo do CMMI para a componente contínua Adaptado de (SEI, 2006) A representação contínua é sugerida para aplicação a pequenas organizações (Tarawneh, Abdullah, & Ali, 2011). Dado que oferece maior flexibilidade, pois permite concentrar as melhorias em uma única área de processo ou em várias (Meng, 2010). Seguem-se algumas críticas apontadas a este modelo: Dificuldade em transmitir as lições aprendidas de um projeto para outro (Brady & Davies, 2004); De acordo com uma pesquisa realizada por Staples (Staples et al., 2007) o CMMI não é adotado por empresas muito pequenas, dado que os custos e o tempo para a utilização do modelo são muito elevados; 24 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos A componente contínua do CMMI apresenta algumas limitações na escolha das áreas de processo devido às dependências existentes entre elas (Sousa, 2009); O CMMI é um modelo que apenas favorece as melhores práticas para o desenvolvimento dos processos, no entanto, não informa como as implementar. Um outro fator negativo é que este modelo foca-se especificamente na estrutura interna da organização, levando a que os processos sejam mais complexos (Islam & Zhou, 2011). Por conseguinte, o modelo de maturidade CMMI fornece orientação para a melhoria dos processos e capacidade de gestão dos produtos e serviços em organizações de estruturas distintas (G. Jia et al., 2011). Perante este modelo a qualidade do resultado final está intimamente ligada ao modo de desenvolvimento do processo. É um modelo que oferece oportunidades para eliminar obstáculos existentes nas diversas áreas organizacionais. As organizações desvinculam-se de outros modelos mais dispendiosos e desnecessários em detrimento do CMMI, pois este integra um conjunto de métodos de acordo com o modelo de negócio praticado, possibilitando a escolha entre duas componentes, faseada e contínua. 3.2.3 Visão geral do modelo de maturidade OPM3 O modelo OPM3 (Organizational Project Management) define um padrão para a gestão de projetos, programas e portfólios. O conceito deste modelo é estruturar a organização para uma melhoria contínua, visando alcançar as estratégias organizacionais (Junior, 2005). O elemento fundamental do OPM3 é o conjunto de conhecimentos interligados, que padronizam as organizações na área de gestão de projetos. O OPM3 relaciona quatro níveis de maturidade de acordo com os padrões (gestão de projetos, programas e portfólios) por ele definidos. Segue-se uma breve explicação para um melhor entendimento dos conceitos de projetos, programas, e portfólios: projeto é um trabalho planificado e realizado de acordo com as especificações de modo a satisfazer o seu propósito; programas são um grupo de projetos relacionados; portfólio é um conjunto de projetos e/ou programas (PMI, 2008). A avaliação do OPM3 consiste em reunir e analisar a informação da organização na área de gestão de projetos e estratégia organizacional. Para tal, este modelo reúne um 25 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos questionário com um total de 151 questões, com o objetivo de encontrar as forças e fraquezas da organização (PMI, 2008). O OPM3 determina: as melhores práticas (conjunto de capacidades relacionadas entre si); capacidades (permitem avaliar a maturidade existente na organização); e resultados (definem a existência ou não de capacidades organizacionais), mediante as necessidades da gestão de projetos nas organizações. Ou seja, avalia o estado de maturidade atual de uma organização na área da gestão de projetos, ajudando-a a determinar as melhorias a efetuar para alcançar um nível de maturidade de excelência. A sua estrutura é concebida em quatro dimensões, descritas na tabela 7, e relacionadas com os níveis de maturidade e os domínios (projeto, programa, e portfolio) do OPM3. Os indicadores chave de desempenho, KPI (Key Performance Indicators) indicam à organização o quanto esta avançou em termos de maturidade. Este modelo foi desenvolvido para ser um padrão, contendo informações necessárias para uma organização adequar os níveis de maturidade à sua realidade (Fahrenkrog, Wesman, Lewandawski, & Kenten, 2003). Domínio Relaciona as melhores práticas com capacidades. É necessário que uma um conjunto capacidade de esteja implementada para dar continuidade à próxima prática. Níveis Relaciona as melhores práticas com as capacidades num domínio (projeto, programa, portfólio). Dimensões Progressão de Estabelece a coordenação das melhores práticas com as Capacidades capacidades de um nível de maturidade (melhoramento, controlo, medição, padronização). Processos Associa as melhores práticas com as capacidades em um processo: inicialização; planeamento; execução; controlo; e encerramento. Tabela 7 - Dimensões do modelo OPM3 Fonte: (Zaguir, 2006) Este modelo de maturidade difere dos outros modelos por ser um modelo tridimensional, identificando-se a gestão de programas, portfólios, e projetos. Desta forma, é possível determinar a maturidade de uma organização sob diferentes perspetivas. O OPM3 identifica a capacidade, e melhores práticas baseando-se em cinco fases (iniciação, planeamento, execução, controlo, e encerramento). Centra-se na melhoria contínua da organização com o intuito de melhorar a gestão de projetos (G Jia, Cao, Chen, Zhou, & Wang, 2008). 26 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos 3.2.3.1 Níveis de maturidade No contexto do OPM3 um nível de maturidade é uma estrutura conceptual, composta por processos, com a finalidade de caraterizar um estado de maturidade. É delineado um percurso de forma sequencial para a transição de nível. Os níveis permitem que uma organização identifique as melhores práticas específicas a cada fase crítica dos processos na gestão de projetos, constituindo um guia para o sucesso. Ou seja, o OPM3 indica quais as melhores práticas, os grupos de processos, e as fases de melhoria dos processos (Fahrenkrog et al., 2003). O nível de Padronização representa as práticas de melhoria de projetos. No nível de Medição as práticas são analisadas e executadas. Os resultados das práticas são avaliados no nível de Controlo, e as práticas são corrigidas ou aperfeiçoadas no nível de Melhoramento (Junior, 2005; Molinaro & Souto, 2010). A figura 5 apresenta a estrutura deste modelo. Figura 5 - Estrutura do modelo OPM3 3.2.3.2 Ciclo de melhoria do OPM3 Este modelo faz referência a três elementos chave: conhecimento, avaliação, e processos de melhorias. O Conhecimento baseia-se em definições padronizadas para a gestão de projetos. A sua importância está relacionada com o reconhecimento da maturidade na gestão de projetos através das práticas que conduzem o projeto, pré-requisitos que estão agregados às boas práticas, e indicadores chave de desempenho, os KPI (Key Performance Indicator), permitem medir os resultados. A Avaliação apresenta uma ferramenta de 27 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos estimativa que implica determinar pontos fortes e fracos relevantes nas práticas para que a organização averigue o seu grau de maturidade. A organização decide quais as práticas a executar. O Processo de Melhoria proporciona às organizações um conjunto de potencialidades relacionadas com as práticas, implicando uma análise para a passagem de um nível para outro. Esta análise é efetuada usando checklists que permitem avaliar o estado atual e as competências da organização na gestão de projetos. Para tal, são usados os domínios de avaliação geral: avaliação por domínio (projeto, programa ou portfólio), e avaliação por processo (Junior, 2005). Através dos indicadores chave é possível determinar a capacidade que atualmente a organização possui (Fahrenkrog et al., 2003). O modelo OPM3 propõe o seguinte conjunto de checklists para avaliar os níveis de competência das organizações em gestão de projetos (Fahrenkrog et al., 2003): Metodologias e procedimentos na gestão de projetos; Gestão de recursos humanos; Apoio organizacional em projetos; Alinhamento estratégico dos projetos. Para efetuar as melhorias na gestão de projetos numa organização o primeiro passo é identificar a maturidade na organização. Para tal, é necessário que esta avalie o seu estado atual em relação aos níveis definidos pelo OPM3. Segue-se a identificação das melhores práticas e qual a que vai executar em primeiro. É avaliada a capacidade no processo de execução das melhores práticas, identificando os indicadores chave e, através dos resultados obtidos, são estabelecidas as dependências entre recursos. Finalizando o processo, é necessário resolver as dependências implementando as melhorias essenciais para obter as capacidades para alcançar a maturidade pretendida (Fahrenkrog et al., 2003). Este modelo oferece uma estrutura que traduz estratégias em bons resultados. Apresenta uma capacidade de orientação do gestor de projetos, melhorando as suas decisões. É aconselhado que a organização avalie a exequibilidade das boas práticas no seu caso. 28 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos Algumas críticas apontadas ao modelo OPM3 identificadas na literatura são: O gestor de projetos contínua evoluindo, de tal forma, que o modelo deve seguir essa evolução, caso não o faça torna-se inútil (H. Kenneth, 2004); A gestão de projetos é um processo habilitador e não estratégico, uma vez que durante um projeto, o processo de gestão de projetos é executado secundariamente ao processo que conduz ao produto final, por conseguinte, existem outros modelos anteriores ao OPM3 que são voltados para a gestão de projetos de uma forma melhorada e bem estruturada. Consequentemente o OPM3 deveria apresentar uma estrutura dividida em três partes: organizações, gestão de projetos, e modelos de maturidade (Alleman, 2007). O OPM3 é um modelo que dissemina as melhores práticas na gestão de projetos, avalia o nível de maturidade atual da gestão de projetos, e identifica o percurso para uma melhoria gradual, de acordo com as melhores práticas e nível de maturidade. Auxilia as organizações a definir uma estratégia para alcançar os níveis de maturidade superiores e dota o gestor de projetos de boas práticas para o desenvolvimento eficaz dos projetos (G. Jia et al., 2011). 3.2.4 Visão geral do modelo de maturidade PMMM O modelo de maturidade PMMM (Project Management Maturity Model) permite que uma organização se autoavalie, compare o nível de maturidade com organizações semelhantes, assimile as suas forças e fraquezas e portanto melhore as suas competências organizacionais. Identifica as etapas a serem cumpridas e os objetivos correspondentes a cada etapa que devem ser conseguidos. O principal objetivo deste modelo é determinar de uma forma simples etapas a executar para garantir um bom resultado na elaboração de projetos (Rayner & Reiss, 2000). O PMMM inclui ferramentas de benchmarking para definir o progresso de uma organização, definindo os níveis de maturidade. Este modelo combina os cinco níveis de maturidade do modelo CMM (Bouer & Carvalho, 2005). O modelo PMMM define a maturidade na gestão de projetos com o intuito de possibilitar uma maior probabilidade de sucesso no desenvolvimento de projetos (Rayner & Reiss, 2000). Este foi desenvolvido para que as organizações o apliquem para adquirir um grau elevado de maturidade e evolução na gestão de projetos. Apresenta práticas de uma forma 29 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos estruturada para que as organizações ganhem benefícios com a sua utilização (Jamaluddin, Chin, & Lee, 2010). Ao adotar o PMMM, uma organização pode planear a sua capacidade de desempenho para fazer face aos seus concorrentes, pois caracteriza-se por ser uma ferramenta de avaliação que auxilia o reconhecimento do nível de maturidade, através de uma descrição de cada nível de maturidade e processos modelo (Supic, 2005). Para a sua adoção, a organização terá primeiramente de avaliar o seu estado atual, incluindo processos e práticas, sendo posteriormente identificadas as melhor práticas para atribuir o nível de maturidade que constitui a organização (Jamaluddin et al., 2010; L. F. R. Molinaro, G. P. Souto, K. H. C. Ramos, & H. Abdalla, 2010). É um modelo constituído por cinco níveis de maturidade em gestão de projetos. Os projetos devem ser desenvolvidos de acordo com a sequência lógica dos níveis de maturidade. Quer isto dizer que não se pode seguir para o nível 2 sem se ter concluído o nível 1, e assim sucessivamente. O nível 1, designado de Linguagem Comum, determina que a organização identifica a necessidade dos conhecimentos básicos de gestão de projetos. O nível 2, denominado de Processo Comum, declara que a organização deve reconhecer os processos da gestão de projetos para garantir o sucesso dos projetos. O nível 3, identifica-se como Metodologias Padronizadas. Este nível destina-se à conjugação de todas as metodologias corporativas em uma única metodologia. O nível 4, reconhecido como Benchmarking, traduz as melhorias necessárias nos processos para conquistar uma vantagem competitiva. O nível 5, intitulado de Melhoria Contínua, tem como função avaliar as informações recolhidas no nível 4 para verificar se estas irão melhorar a metodologia usada no nível 3 (Demir & Kocabas, 2010). Os cinco níveis de maturidade descritos anteriormente e apresentados na figura 6, adequam a maturidade mediante o tipo de organização, baseando-se em variação de diversos fatores, como por exemplo, o objetivo pretendido, estratégias, competências, recursos, e equipa. Apenas uma avaliação rigorosa a estes fatores vai determinar o seu grau de maturidade (Demir & Kocabas, 2010). Utilizando o PMMM, a organização partindo do resultado da avaliação detalhada, pode ser conduzida para um nível de qualificação melhorada. O nível 4 designado de Benchmarking é o mais importante para uma organização, sendo neste que estão consideradas as mudanças mais importantes. É aqui que se realiza a análise ao que foi implementado no nível anterior e se assimilam as melhorias a concretizar no nível seguinte, o nível 5. 30 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos Figura 6 - Modelo PMMM Adaptado de (Kezner, 2003) A cada nível correspondem caraterísticas comuns que devem ser identificadas para alcançar melhorias numa organização, identificadas na tabela 8: Nível de maturidade Nível 1 – Linguagem comum Caraterísticas comuns Uso inconsistente da gestão de projetos. Falta de reconhecimento da importância da gestão de projetos. Falta de suporte ao gestor de projetos. Tomadas de decisões inconstantes. Nível 2 – Processos comuns Suporte ao gestor de projetos. Processos definidos e metodologia. Compreensão dos benefícios da gestão de projetos. Nível 3 – Metodologia padronizada Processos integrados, apoiando a metodologia padronizada. Procedimentos rígidos. Nível 4 – Benchmarking Existência de gestão de projetos com o objetivo de melhorar processos e o desempenho. Nível 5 – Melhoria Contínua Criação de relatórios para cada projeto para serem aplicadas as lições aprendidas em projetos posteriores. Tabela 8 - Caraterísticas comuns e níveis de maturidade do PMMM Adaptado de (Silva & Melo, 2011) O modelo de maturidade PMMM apresenta níveis de maturidade através dos quais identifica as capacidades dos projetos, elaborando uma gestão contínua de modo à organização se manter competitiva e obter o sucesso nos seus projetos. Utiliza técnicas de benchmarking para planear e orientar a gestão de projetos gradualmente (Kexin & Li, 2010). 31 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos A principal desvantagem do PMMM é ser considerado como um guia de maturidade, não o demarcando como um método (Rayner & Reiss, 2000). Para além destas desvantagens apontadas ao modelo surgem outras apontadas na literatura como a pouca diferenciação entre fases e níveis de maturidade. É um modelo que é mais aplicado nos níveis iniciais, dá pouca importância às ações e equipas de projeto, focandose mais no diagnóstico (Carvalho, Junior, Pessôa, & Laurindo, 2005). 3.2.5 Visão geral do modelo de maturidade MMGP O modelo MMGP (Maturity Model Project Management), baseado na experiência de Darci Prado, atua nos setores críticos de uma organização, e divide-se em duas partes, a setorial e a corporativa. O modelo setorial permite avaliar a maturidade de um setor ou departamento organizacional. O modelo corporativo avalia a capacidade de gestão de portfólios, programas, e projetos dos setores críticos da organização (Molinaro & Souto, 2010). Permite à organização obter um retrato estratégico pela simples observação do ambiente interno e externo, estes constituídos por todos os elementos (pessoas, processos, e tecnologias) que melhoram a aprendizagem organizacional e a incorporação de conhecimentos (L. F. R. Molinaro, G. P. Souto, K. H. C. Ramos, & H. Abdalla, 2010). Este modelo foi desenvolvido com base nos cinco níveis de maturidade do modelo CMM, com alterações, de modo a ser aplicado a todo o tipo de organizações, e a relacionar o nível de maturidade da organização com a capacidade de obter resultados satisfatórios nos projetos desenvolvidos (Crawford, 2001). Perante o referido, é relevante analisar o percurso a percorrer para que as organizações possam chegar a um nível de excelência. A falta de apoio pela parte administrativa, a ausência de critérios definidos para a tomada de decisão, o reconhecer de indivíduos capazes de gerir um projeto, controlar prazos e custos, são alguns aspetos que podem auxiliar a identificar em que situação se encontra uma organização, e estabelecer soluções que resolvam os aspetos negativos, e tornem eficazes os aspetos positivos. 3.2.5.1 Níveis de Maturidade O MMGP é composto por cinco níveis de maturidade, que representam o modelo setorial e o modelo corporativo: o nível 1 – inicial; nível 2 – conhecido; nível 3 – padronizado; 32 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos nível 4 – gestão; e nível 5 - otimizado. O nível 1 representa a falta de coordenação na execução de projetos. O princípio base deste nível é definir a estratégia para a maturidade na gestão de projetos, e estabelecimentos de comunicação entre os indivíduos. O nível 2 é caraterizado por uma pequena melhoria na padronização de procedimentos, e melhoria no planeamento e controlo, ou seja, é efetuada a coordenação pela organização, com o objetivo de criar uma linguagem comum para a gestão de projetos. O nível 3 é caraterizado por definir metodologias, uma estrutura organizacional adequada, e os projetos apresentam maior rigor na sua implementação. Neste nível a organização reconhece as vantagens dos processos desenvolvidos e implementados nos projetos, e integra-os metodologicamente com o objetivo de garantir processos padronizados. No nível 4 os processos são consistentes, são definidas medidas para os riscos, e é realizada uma melhoria contínua. O nível 5 apresenta uma otimização nos projetos, o sucesso é quase garantido, e a organização apresenta uma elevada maturidade na gestão de projetos (Molinaro & Souto, 2010; D. Prado, Archibald, Jamil, Andrade, & Neto, 2010). A tabela 9 apresenta as caraterísticas comuns que definem cada nível. Nível de Maturidade Nível 1 – Inicial Nível 2 – Conhecido Nível 3 – Padronizado Nível 4 – Gestão Nível 5 - Otimizado Caraterísticas Comuns Estrutura organizacional inadequada. Falta de alinhamento do negócio. Nenhuma iniciativa. Resistência a alterações. Tentativa de alinhamento do negócio. Adequar a estratégia ao tipo de organização ou setor. Estabelecimento de uma linguagem comum. Implementação de uma estrutura organizacional. Identificação de possíveis desvios a limites. Avaliação do projeto pelo cliente. Relatórios e lições aprendidas. Melhorias metodologias. Uso de metodologias na gestão de projetos. Estrutura organizacional consolidada. Alinhamento adequado do negócio. Aspeto básico Desalinhamento total. Alinhamento de conhecimentos. Alinhamento metodológico. Alinhamento estratégico. Uso da experiência obtida. Tabela 9 - Caraterísticas Comuns e níveis de maturidade do MMGP Adaptado de (Prado, 2005) O MMGP permite que as organizações identifiquem o seu estado atual de acordo com os níveis de maturidade, que fornecem um caminho para atingir o nível máximo de maturidade. Através dos níveis de maturidade é visível a crescente evolução de uma organização. Inicialmente há um reconhecimento da necessidade de efetivar processos, identificação da inexistência de práticas base, carência de documentos que relatem o percurso do desenvolvimento dos projetos, e informação sobre o resultado final dos mesmos. Com o 33 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos decorrer do progresso, os processos são incorporados, elaboram-se planos, seguem-se procedimentos, é criada uma base sólida e administrada, e as experiências são aplicadas para possíveis melhorias organizacionais. 3.2.5.2 Dimensões Cada nível do modelo MMGP contem seis dimensões, como apresentado na figura 7. Estas dimensões são o diferencial do momento em que é alcançada a maturidade em cada nível numa determinada dimensão. As dimensões agrupam um conjunto de passos que guiam a organização a alcançar um nível de maturidade. Figura 7 - Estrutura do modelo MMGP Adaptado de (Prado, 2005) A seguir são apresentadas as dimensões com a respetiva caracterização (D. Prado et al., 2010) e a relação entre as dimensões e os níveis de maturidade do modelo MMGP, como exposto na tabela 10: Competências técnicas em gestão de projetos: nesta dimensão estão contemplados os conhecimentos de gestão de projetos utilizados na organização. Utilização de metodologias: designa um conjunto de passos necessários a serem executados para garantir a correta aplicação de métodos, técnicas, e ferramentas. Relacionamentos humanos: classifica a necessidade dos indivíduos envolvidos em projetos estarem motivados a aplicar melhores práticas. 34 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos Estrutura organizacional: qualifica a melhor escolha setorial da organização para a execução dos projetos. Alinhamento com o negócio: considera fundamental que os projetos implementados pela organização sejam moldados ao alinhamento do negócio praticado pela organização. Informatização: pondera a necessidade de acesso e partilha da informação sobre o projeto. Níveis Inicial Conhecido Padronizado Gestão Otimizado Disperso Básico Básico Avançado Avançado Inexistente Implantada e Padronizada Algum avanço Melhorada Estabilizada Boa vontade Tentativas isoladas Algum avanço Avanço Motivados Inexistente Inexistente Melhorada Estabilizada Inexistente Inexistente Implantada e Padronizada Inexistente Alinhado Alinhado Tentativas Isoladas Tentativas Isoladas Implantada e Padronizada Melhorada Estabilizada Dimensões Competências técnicas em gestão de projetos Utilização de metodologias Relacionamentos humanos Estrutura organizacional Alinhamento com o negócio Informatização Tabela 10 - Relação entre as dimensões e os níveis de maturidade do MMGP Fonte: (Prado, 2006) Na literatura foram identificadas algumas críticas positivas, mas nenhuma crítica negativa relativamente a este modelo. O modelo apresenta aspetos simples e de fácil utilização. Permite definir um plano de crescimento às organizações, pois apresenta o nível de maturidade atingido pela organização, bem como a evolução a efetuar para seguir para o próximo nível (Herkenhoff, 2010). 3.3 Síntese O ciclo de vida de um projeto é determinado pelo tempo, orçamento, recursos, riscos, qualidade, e os objetivos. Se o plano estabelecido se desvincular dos objetivos, poderá conduzir a um mau resultado final, levando a um desequilíbrio na gestão organizacional. Este insucesso pode ser causado por falhas de comunicação entre os grupos funcionais que executam os processos do projeto, a falta de documentação e relatórios periódicos, a 35 Capítulo III – Modelos de Maturidade da Gestão de Projetos ineficiência na execução do plano estabelecido, e a falta de coordenação e gestão por parte dos órgãos superiores. Estes são alguns aspetos que diferenciam uma organização madura de uma organização menos experiente e organizada. Os modelos de maturidade na gestão de projetos auxiliam no processo de avaliação e otimização. O modelo CMM, foi desenvolvido pelo SEI com o propósito de auxiliar a implementação dos processos de software aplicados na Engenharia de Software, Engenharia de Sistemas e, posteriormente, para a gestão de projetos. É constituído por cinco níveis de maturidade com o objetivo de auxiliar o controlo dos processos. Cada nível de maturidade é constituído por KPA que identificam aspetos a melhorar, exceto no nível um. As KPA são constituídas por práticas base que ajudam a alcançar os objetivos. O CMMI foi desenvolvido com base no CMM, sendo um modelo utilizado nos processos de desenvolvimento de software. Representa-se por cinco níveis de maturidade e aplica as componentes contínua e faseada, ponto relevante de diferenciação relativamente ao modelo CMM. A sua estrutura é composta por áreas de processo, conjunto de práticas que aplicadas contribuem para a melhoria de determinada área. Para avaliar o estado de uma organização, o OPM3 baseia-se em checklists que definem o caminho necessário para se atingirem níveis superiores de maturidade, e permitem identificar se a organização possui ou não determinadas capacidades. Define quatro níveis de maturidade. A sua análise processual pode ser elaborada tanto para o domínio da gestão de projetos, como para o domínio de programas e portfólios. O PMMM é outro modelo que segue a estrutura do CMM, com cinco níveis de maturidade. Permite identificar as etapas a serem realizadas e qual a sequência a ser seguida para a organização obter melhores resultados. O MMGP possui cinco níveis de maturidade, constituídos por seis dimensões. Pode ser aplicado corporativamente ou sectorialmente a uma organização. 36 Capítulo IV 4 Comparação dos Modelos de Maturidade Os modelos de maturidade são ferramentas importantes para as organizações. Estas, ao apoiar-se nos modelos, procuram resolver os problemas do presente e evitar que se repitam no futuro. Os modelos são uma forma de identificar as falhas e avaliar em que nível de maturidade as organizações se encontram, fornecendo-lhes apoio progressivo no seu desenvolvimento. Existem atualmente vários modelos de maturidade que as organizações podem adotar, cada um com caraterísticas diferentes. Este capítulo tem por objetivo apresentar uma análise comparativa dos modelos de maturidade estudados no capítulo anterior: CMM, CMMI, OPM3, PMMM e MMGP. 4.1 Comparação geral dos modelos de maturidade É possível evidenciar alguns aspetos determinantes dos modelos de maturidade que concentram na gestão de projetos. A tabela 11 descreve a finalidade principal de cada modelo. Modelo CMM (SEI - 1991) CMMI (SEI - 2001) OPM3 (PMI - 2003) PMMM (Harold Kezner - 2003) MMGP (Darci Prado 2004) Objetivo Avalia a consistência nas fases de implementação do software e garante a sua qualidade. Avalia os processos de implementação de software e as respetivas melhorias. Avalia a maturidade e identifica as melhorias essenciais ao desenvolvimento. Determina quais os pontos fracos e fortes, e qual a melhoria contínua a desempenhar. Este modelo visa avaliar a maturidade, quer a nível sectorial, quer a nível corporativo, procurando indicar uma estratégia de melhoria. Foco do modelo Implementação de software Organização Organização Organização Organização Tabela 11 - Objetivo e foco dos modelos de maturidade 37 Capítulo IV – Comparação dos Modelos de Maturidade Nos vários modelos destaca-se a identificação de melhorias dos processos para alcançar um estado elevado de maturidade. Usam a avaliação e análise para determinar o estado atual de maturidade da organização. Os modelos de maturidade estudados procuram direcionar a organização para uma maturidade contínua e coordenada, apresentando planos para tal. O modelo de maturidade CMM foi o pioneiro, e levou a que se seguissem novos modelos dado que apresenta algumas falhas reconhecidas. O aparecimento dos outros modelos procuram responder a essas deficiências. O CMMI, proposto pelo SEI centra-se na gestão de projetos e gestão de processos. Concebido para caraterizar as organizações em cinco níveis de maturidade, é constituído por 22 áreas de processos (em três dimensões), que facilitam a compreensão dos fatos organizacionais que necessitam de consistência. As áreas de processo estão alinhadas de duas formas: contínua e faseada. Este modelo não define os domínios de aplicação, apenas fornece indicações como orientar e melhorar os processos. Publicado pelo PMI, o OPM3, tem como objetivo oferecer às organizações capacidades que as tornem capazes de executar estratégias com sucesso. Enquanto a maior parte dos modelos de maturidade se centra em projetos, o OPM3 concentra os esforços em projetos, programas e portfólios, e organiza-os em quatro níveis de maturidade (em quatro dimensões). A medição da avaliação é efetuada por KPI (Key Performance Indicators). O PMMM, desenvolvido por Harold Kezner, tem por objetivo melhorar o desempenho durante a execução de projetos, criando as condições para a excelência. Estrutura-se em cinco níveis de maturidade, usando 183 questões que permitem avaliar a maturidade. O modelo de maturidade MMGP é proposto por Darci Prado. Este modelo brasileiro tem por objetivo ser aplicado a setores isolados ou corporativos de uma organização. A sua principal característica é a simplicidade de utilização, um aspeto que ultrapassa os restantes modelos analisados. Organiza-se em cinco níveis de maturidade (em seis dimensões), alinhados ao negócio e estratégia organizacional. Como é possível verificar, quer pela tabela 11, quer pela tabela 12, existem várias semelhanças entre os modelos CMM, CMMI, PMMM, e MMGP. Uma delas é o número de níveis de maturidade. O CMM e o CMMI partilham a mesma variação de questões. Enquanto o OPM3, PMMM e MMGP diferenciam-se respetivamente por 151, 183 e 40 questões. 38 Capítulo IV – Comparação dos Modelos de Maturidade Retirando semelhanças do foco dos modelos, temos o CMMI, o OPM3, o PMMM e o MMGP, que se focam especialmente em aspetos funcionais da organização, e o CMM mais voltado para os processos de implementação de software. Modelo Número de questões Varia de acordo com a versão utilizada. Varia de acordo com a versão utilizada. Níveis de maturidade 5 OPM3 PMMM CMM CMMI MMGP Caraterísticas Dimensões Áreas de processo 3 (pessoas, ferramentas, e procedimentos). 22 5 3 (pessoas, ferramentas, e procedimentos). 151 questões, repartidas por quatro dimensões. 4 183 questões distribuídas de forma diferente pelos cinco níveis. 40 questões distribuídas em grupos de dez, iniciam-se no nível dois até ao cinco. 5 4 (dependências de recursos; avaliação da capacitação; melhores práticas; e indicadores chave). Inexistente Alinhadas de duas formas: contínua e faseada, constituindo 22 áreas de processo agrupadas em 4 categorias (Melhoria Contínua dos processos, Gestão quantitativa Padronização dos processos, e Gestão básica do processo). Inexistente. 5 6 (Competências técnicas, metodologias, relacionamento humano, estrutura organizacional, alinhamento com o negócio, e informatização). Inexistente. Inexistente. Tabela 12 - Caraterísticas dos modelos de maturidade 4.2 Comparação dos níveis de maturidade Considerando a tabela 13 é notória a diferenciação de níveis entre o OPM3 e os restantes modelos. O modelo OPM3 utiliza apenas quatro níveis de maturidade comparativamente aos cinco níveis correspondentes ao CMM, CMMI, PMMM e MMGP. O CMMI e o MMGP utilizam termos idênticos para nomear os níveis. Isto deve-se ao fato de o CMMI ser uma evolução do CMM, e o MMGP basear a sua constituição neste modelo. 39 Capítulo IV – Comparação dos Modelos de Maturidade A tabela 13 apresenta a constituição de cada modelo de maturidade nos respetivos níveis. Modelos Níveis 1 2 3 4 5 CMM CMMI Inicial Repetido Definido Gerido Otimizado Inicial Repetido Definido Gerido Otimizado OPM3 Padronizado Medição Controlo Melhoramento PMMM Linguagem Comum Processos Comuns Metodologia Padronizada Benchmarking Melhoria Contínua MMGP Inicial Conhecido Padronizado Gestão Otimizado Tabela 13 - Comparação dos níveis de maturidade entre modelos Relativamente ao nível um é visível uma igualdade de interesses entre o CMM, CMMI, e o MMGP. Todos neste nível apresentam processos pouco definidos e não existe qualquer metodologia definida, bem como nenhum ambiente de desenvolvimento de projetos. O nível dois retrata a melhoria dos processos, a padronização e são definidos planos de melhoria. O CMM, o CMMI, o PMMM e o MMGP partilham estas caraterísticas, enquanto o OPM3 identifica as melhorias e as práticas no nível um, e no nível dois executa-as. O OPM3 diferencia-se dos outros modelos nestes dois níveis de maturidade. O nível três representa para todos os modelos a fase de alguma estabilidade, as metodologias são implementadas e definidas, os processos seguem um padrão, e as melhorias começam a notar-se organizacionalmente. Comparativamente, no nível quatro os modelos OPM3, MMGP, e o PMMM partilham alguns itens, como o estabelecimento de melhorias contínuas e o aperfeiçoamento dos processos. O PMMM estabelece algumas melhorias aos processos, utilizando as caraterísticas do benchmarking para aumentar o desempenho na gestão de projetos. Ainda neste nível, o CMM e o CMMI definem detalhes sobre a qualidade dos processos. De notar que o CMMI neste nível afasta-se dos restantes, como o OPM3, MMGP, e PMMM, uma vez que as caraterísticas abordadas no nível quatro são executadas por estes no nível três. O nível cinco é apresentado em quatro dos cinco modelos estudados, o CMM, o CMMI, o PMMM, e o MMGP, pois o OPM3 distingue-se destes por terminar a melhoria dos processos no nível quatro. Este nível é caracterizado pelo entrosamento dos processos de maturidade, transferindo conhecimentos e experiências, e onde as organizações atingem um grau de excelência. O PMMM continua o processo de benchmarking através da sua análise qualitativa, e estabelece a metodologia a ser continuamente seguida. O MMGP inicia o processo de 40 Capítulo IV – Comparação dos Modelos de Maturidade otimização dos processos, e apresenta uma elevada eficiência na sua execução. Distintamente, o CMM e o CMMI estabelecem neste nível o começo das melhorias e estudos piloto aos processos. Cada modelo define os níveis de forma distinta e particular, como sugerido na tabela 14. Níveis Nível 1 Nível 2 CMM Poucos processos definidos, deficiência de planeamento e incapacidade de previsão. Processos básicos, definição de um planeamento consistente. CMMI São poucos os processos definidos e inexistência de planeamento. Gestão básica dos processos. Definidos planos e é estabelecido um nível de maturidade à organização. Padronização dos processos. Nível 3 Documentação referente ao plano de melhoria dos processos. Nível 4 Definidos os detalhes dos processos. Gestão quantitativa dos processos. Os processos passam a ser controlados e avaliados. Nível 5 Melhoria dos processos e estudos piloto. Melhoria contínua dos processos. Caraterísticas OPM3 Identificação das melhores práticas específicas para iniciar o processo. PMMM Identificação dos conhecimentos básicos para a gestão de projetos. MMGP Falta de coordenação na execução dos projetos. Define-se a estratégia para a maturidade. Melhoria na padronização dos processos. Início do planeamento. As práticas são medidas e executadas. Reconhecimento dos processos a melhorar. Resultados das práticas estabelecidos e garantia da estabilidade dos processos. O resultado das práticas é corrigido se for o caso e é definido o seu progresso. Implementadas as melhorias contínuas. Definição de várias metodologias. Caracterização de uma metodologia adequada. Melhoria nos processos. N/A Auxílio na melhoria dos processos. Processos consistentes. Definidas medidas de risco e estabelecidas as melhorias contínuas. Otimização dos processos. Tabela 14 - Comparação entre níveis de maturidade 4.3 Aplicabilidade dos modelos nas organizações Ao longo do tempo foram surgindo os diferentes modelos de maturidade na tentativa de combaterem as dificuldades que algumas organizações encontram. Assim, estes modelos integrados com a gestão de projetos, permitem às organizações a melhoria do seu funcionamento. A seguir é apresentada a forma de utilização dos modelos pelas organizações, descritas por vários autores. 41 Capítulo IV – Comparação dos Modelos de Maturidade As organizações usam o CMM considerando (Vergopia, 2008): Utilização do Framework para verificar quais são os aspetos a melhorar e os que não necessitam de alterações; A equipa é um ponto crucial para a identificação dos aspetos fortes e fracos dos processos de software; O gestor de projetos deve partilhar a sua visão sobre os processos de desenvolvimento de software. As organizações que optam pelo CMMI como modelo para avaliar e melhorar a capacidade devem ter em atenção (SEI, 2006): A seleção entre a representação faseada ou contínua para obter os objetivos desejados. No entanto, a escolha das representações pode ser influenciada por: Fatores de negócio: os processos devem seguir a finalidade do negócio, Fatores culturais: a competência da organização no plano de melhoria, Missão: as experiências anteriores com modelos de maturidade são um fator a reter, assim como identificar a finalidade da estratégia organizacional. Identificar a parte da organização ou os projetos organizacionais a envolver no delineamento da estratégia de melhoria dos processos; Interpretar as KPA e as práticas base que satisfazem os planos de melhoria. As organizações que usam o OPM3 devem seguir as indicações de um conjunto de três elementos: conhecimento; avaliação; e plano de melhoria. Estes itens foram definidos no capítulo III, secção 3.2.3.2. Logo, para a utilização deste modelo devem ser tidos em atenção os seguintes aspetos (Zaguir, 2006): Conhecimento: estudo do modelo para garantir a máxima preparação, para quando forem colocadas em prática as implementações necessárias à melhoria; Levantamento: é realizado em duas partes. Primeiro realiza-se um questionário de 151 perguntas. A segunda parte aplica-se à identificação das capacidades da organização, sejam as presentes no momento da avaliação, sejam as necessárias a melhorar; 42 Capítulo IV – Comparação dos Modelos de Maturidade Plano de melhoria: baseado nas melhores práticas, e nas capacidades obtidas no segundo passo. O modelo PMMM é constituído por cinco níveis de maturidade que permitem à organização identificar os pontos fracos e fortes, a partir das 183 questões distribuídas pelos níveis de maturidade da seguinte forma (Kezner, 2006): Nível 1 – 80 questões; Nível 2 – 20 questões; Nível 3 – 42 questões; Nível 4 – 25 questões; Nível 5 – 16 questões. Estas questões permitem à organização analisar e obter os resultados para colocar em prática o plano de melhoria, garantindo as capacidades necessárias para chegar a níveis superiores de maturidade. O MMGP é um modelo que pode ser aplicado a toda a organização ou setorialmente. Assim, apresenta cinco níveis de maturidade constituídos por seis dimensões que aplicadas vão fornecer à organização melhorias no seu nível de maturidade. A sua aplicabilidade é simples, com um conjunto de 40 questões que avaliam o grau de maturidade, e procuram garantir o alinhamento entre projetos e objetivos (Prado, 2008). 4.4 Síntese Neste capítulo foram analisados e comparados: o CMM; o CMMI; o OPM3; o PMMM; e o MMGP. Os modelos comparados foram criados por diferentes entidades mas todos têm o mesmo propósito: melhorar a maturidade das organizações que os utilizam, para aperfeiçoar os seus processos. Os modelos OPM3 e CMMI são similares, mesmo que o CMMI não considere dois dos três domínios do OPM3. O CMM baseia a sua avaliação em melhores práticas, com várias questões, tal como o CMMI. Ambos, constituídos por 22 áreas de processo. 43 Capítulo IV – Comparação dos Modelos de Maturidade O OPM3 contempla 151 questões distribuídas em quatro dimensões e quatro níveis. Um aspeto que o diferencia dos outros modelos é o número de níveis. Relativamente às questões para a avaliação da maturidade, existe apenas a semelhança entre CMM e CMMI, uma vez que o OPM3, PMMM e o MMGP diferem entre si. O PMMM é constituído por 183 questões e usa práticas de benchmarking para melhorar os processos. Por fim, o MMGP apresenta 40 questões distribuídas em grupos de dez, desde o nível dois até ao nível cinco. A tabela 15 apresenta um resumo dos modelos com o objetivo de facilitar a identificação dos vários aspetos a aplicar em cada caso. De entre os cinco modelos estudados, como apresentado na tabela 15, o MMGP é o modelo mais simples e fácil de ser aplicado, por ser constituído por apenas 40 questões. O CMM também tem uma utilização simples, no entanto, foca-se mais nos processos de desenvolvimento de software. O modelo mais complexo pela estrutura de cinco níveis e pelo uso de 183 questões distribuídas pelos níveis de forma desigual é o PMMM. Modelos CMM CMMI OPM3 PMMM MMGP Vantagens Utilização simples. Melhoria contínua dos processos de desenvolvimento de software. Auxilia a determinar erros comuns na implementação de projetos. Método sólido. Complementa o modelo CMM. Apresenta duas representações para inserir as melhorias na organização: faseada ou corporativa. Usado pelas organizações independentemente da sua área de atuação. Utilização de checklists para obtenção da informação. Avalia a maturidade nos padrões de projetos, programas, e portfólios. Auxilia a estabelecer uma estratégia alinhada ao negócio organizacional. Usado pelas organizações independentemente da sua área de atuação. Utilização de benchmarking nos níveis de maturidade. Foca-se na constituição interna e externa à organização. Compreende as forças e fraquezas de uma organização. Usado pelas organizações independentemente da sua área de atuação. Aplicação simples pela utilização de 40 questões. Apresenta uma componente setorial e corporativa para avaliação da maturidade nas organizações. Maior utilização por organizações brasileiras independentemente da sua área de atuação. Desvantagens Destinado a projetos de software. Mais complexo que o CMM. Complexo na sua utilização. Complexo na sua utilização e mais moroso pela utilização de 183 questões. Por ser um modelo simples, pode necessitar de alguns pontos adicionais a serem introduzidos para avaliação. Tabela 15 - Vantagens e desvantagens dos modelos de maturidade 44 Capítulo V 5 Estudo de caso 5.1 Enquadramento A gestão de projetos envolve um conjunto de conceitos, métodos e ferramentas para conduzir um projeto, desde que se inicia até ao seu encerramento. Envolve coordenação, conhecimento, e planeamento dos projetos. Naturalmente que as organizações desejam que os seus projetos sejam bem sucedidos, existindo para tal a necessidade de definir bem os processos a executar. A organização é responsável por escolher os recursos, técnicas e ferramentas necessárias aos projetos. Logo, se a organização não tiver maturidade, quase todas as escolhas efetuadas poderão ser inapropriadas (Demir & Kocabas, 2010). Os modelos de maturidade possibilitam avaliar as capacidades da organização. Os modelos são constituídos por níveis que definem uma escala para medir a maturidade organizacional, permitindo identificar o nível em que se enquadra a organização, e permite também formular um plano para a melhoria. A maturidade em gestão de projetos é resumida como um processo que, utilizando ferramentas, atividades e conhecimentos, auxilia as organizações a atingir um nível de maturidade superior em projetos. Para a escolha de um modelo de maturidade deve-se ter sempre presente que cada organização possui as suas próprias caraterísticas. As equipas de trabalho, os produtos e serviços, a filosofia e cultura, o mercado onde se insere, são alguns dos aspetos que diferenciam as organizações. 45 Capítulo V – Estudo de caso As caraterísticas dos modelos estudados no capítulo III permitem identificar um conjunto de aspetos que podem auxiliar uma organização a identificar os modelos que melhor se adequam às suas necessidades como, por exemplo: Melhoria contínua dos processos; Padronização de processos; Orientação das organizações na melhoraria das suas atividades; Controlo e avaliação dos objetivos; Elaboração de planos de melhoria de desempenho. 5.2 Processo de investigação O objetivo do estudo exploratório apresentado neste capítulo é identificar qual dos modelos de maturidade estudados na presente dissertação melhor se adequa às caraterísticas apresentadas por uma organização em particular. Assim foi realizado um estudo do caso de uma empresa do setor tecnológico que tem por atividade serviços de consultadoria, o desenvolvimento de soluções de e-business, gestão integrada, e suporte a call centers. Esta organização foi selecionada devido à intenção de implementação e integração de um modelo de maturidade. Foi necessário caraterizar a organização para um melhor entendimento das suas funções internas e externas, bem como da forma que esta exerce a gestão de projetos. Para este estudo foi necessário criar um guião de entrevista (ver Anexo I) como instrumento de investigação. A recolha de dados foi realizado em formato de entrevista presencial, o que permitiu melhorar o entendimento das questões e esclarecer dúvidas que foram surgindo no decorrer do processo. O guião foi estruturado em seis partes: caraterização da organização e dos projetos desenvolvidos; caraterização do perfil do respondente; caraterização do gestor de projetos e equipa de projetos; caraterização da gestão de projetos; caraterização dos modelos de maturidade, e caraterização dos níveis de maturidade. Estes itens permitiram obter uma melhor compreensão da organização, identificar caraterísticas organizacionais, identificar de entre os cinco modelos estudados qual ou quais parece ser mais adequado, e identificar preliminarmente o nível de maturidade que a organização apresenta. As respostas obtidas forneceram dados que permitiram apresentar duas perspetivas sobre a maturidade da organização na utilização da gestão de projetos: qual o modelo de 46 Capítulo V – Estudo de caso maturidade que melhor se enquadra na organização e o nível de maturidade que a organização apresenta. A estrutura do guião reflete-se nos subcapítulos apresentados de seguida. 5.2.1 Perfil do respondente Nesta secção é apresentada a caraterização do respondente ao questionário. O respondente foi questionado sobre a sua idade, formação, função organizacional, experiência em gestão de projetos, tipos de projetos em que tem estado envolvido, qual o papel desempenhado atualmente, anos de experiência, e especialização ou formação adquiridas. Tem 44 anos, é do sexo masculino, licenciado em Informática de Gestão, tem como função organizacional a direção e gestão da divisão de Sistemas de Informação, cargo que ocupa há pelo menos um ano. Relativamente a formações especializadas, iniciou a certificação PMP (Project Management Professional), mas ainda não a concluiu. Começou a desempenhar funções de gestão de projetos nos anos 1997/98, especificamente em consultadoria e portfólios, assim como em formação interna. Mais tarde executou funções de implementação, evoluindo para diretor da Divisão de Sistemas de Informação mais recentemente. 5.2.2 Caraterização da organização e projetos realizados Esta secção visa caraterizar a organização em estudo, assim como os projetos que desenvolve. Esta organização atua no mercado nacional e internacional, prestando serviços a cerca de 400 organizações. Sediada no norte de Portugal, atua nos setores de consultadoria e tecnologia, com uma faturação média anual de 6 milhões de euros. Na sua globalidade a organização é constituída por cerca de 80 colaboradores, com 56 funcionários a trabalhar exclusivamente na Divisão de Sistemas de Informação (DSI). Esta organização utiliza como forma de coordenação e gestão uma lista de processos que são aplicados de acordo com o tipo de projetos. Os processos seguem os mesmos parâmetros que os definidos pelo PMBoK, e a ferramenta de gestão utilizada designa-se de Control Tools. 47 Capítulo V – Estudo de caso Os projetos desenvolvidos na organização a nível de DSI são nomeadamente: Tipo 0 – Transações (movimentação de produtos); Tipo 1 – Ações de formação SAP; Tipo 2 – Manutenção evolutiva interna; Tipo 3 – Projetos de nível complexo que exigem mais de cinco dias de desenvolvimento; Tipo 4 – Projetos que envolvem fornecedores e que envolvam as três áreas de atuação, sendo estas: Retalho; Multimarca; Internacional. A duração média de implementação dos projetos depende do seu nível de complexidade e execução. Como fator de sucesso mais relevante dos projetos foi definido pelo respondente a “aceitação do projeto pelo cliente”, e como fator de insucesso sugeriu o “incumprimento de prazos” e a “limitação de recursos”. A organização integra na DSI o PMO (Project Management Office), o que assegura a formalização dos processos. É através do PMO que são selecionadas as propostas de projetos, assim como a identificação dos problemas, avaliando-os e endereçando-os mediante as suas caraterísticas. 5.2.3 Caraterização da equipa e gestor de projetos Esta secção define o perfil do gestor de projetos e da equipa. O respondente foi questionado sobre as caraterísticas que são valorizadas num gestor de projetos, tendo sido identificadas as seguintes: Organização pessoal; Trabalho metódico; Identificar-se com a metodologia da gestão de projetos praticada pela organização; Gerir relações entre os vários departamentos; Interagir com os outros. 48 Capítulo V – Estudo de caso 5.2.4 Caraterização da gestão de projetos Esta secção carateriza a gestão de projetos praticada pela organização em estudo. A organização apresenta uma metodologia alinhada com o PMBoK designada de Control Tools, que apresenta os processos mais importantes que devem ser realizados pela organização. A equipa da DSI utiliza esta metodologia nos projetos há menos de um ano. Para realizar uma gestão eficiente e adequada, as ferramentas de gestão de projetos mais utilizadas são o Open Project, Microsoft Excel, Timesheets, e Reporting. A informação relativa aos projetos é transmitida com recurso a atas, correio eletrónico, e por file server. Realizam-se reuniões semanais entre a direção e os membros do PMO, para partilha formal de documentação e de informações relevantes. O PMO tem a função de agendar as reuniões, e estas dividem-se em: Reuniões técnicas; Reuniões de ponto de situação; Reuniões internas. Relativamente às áreas de conhecimento da gestão de projetos, verificou-se que a organização apresenta processos da gestão de comunicação, âmbito, tempo, custos, riscos e aquisições, sendo estes selecionados e devidamente acrescentados à Control Tools, e executados diferenciadamente em função do tipo de projeto. Não são abordados processos das áreas em gestão de recursos humanos e gestão da qualidade. 5.2.5 Caraterização dos modelos de maturidade Para identificar o modelo que melhor se possa aplicar à organização, foram apresentadas questões ao respondente baseadas nas caraterísticas de cada modelo de maturidade estudado. Esta secção apresenta os resultados dessas questões. De referir que nenhum dos modelos apresentados ao respondente era do seu conhecimento. 49 Capítulo V – Estudo de caso Procurando entender quais seriam os principais critérios de seleção de um modelo de maturidade para uma organização, solicitou-se a classificação de um conjunto de caraterísticas através de uma escala Likert referente ao grau de importância. Para a organização em estudo, as caraterísticas que têm menos importância são “adaptação às condições de mercado” e “possibilidade de obter certificações”. As caraterísticas “disponibilidade de recursos”, “aplicação à área de atividade da organização”, “identificação dos processos a desenvolver” e “ diferentes objetos de análise “ foram definidas como importantes. As caraterísticas que foram evidenciadas como muito importantes foram: “abordagem sistemática e estruturada”; “aplicação de métricas de avaliação”; “resultados qualitativos e quantitativos”; “facilidade de implementação”; e “auxilio para implementar melhorias”. A caraterística identificada como fundamental foi “custos associados aos processos”. Não foram definidas caraterísticas como não relevantes. A figura 8 apresenta esses mesmos resultados em que o grau de importância tem o seguinte significado: 0 – Não relevante; 1 – Pouco importante; 2 – Importante; 3 – Muito importante; e 4 – Fundamental. Custos associados ao processo Abordagem sistemática e estruturada Aplicação de métricas de avaliação Critérios de seleção Resultados qualitativos e quantitativos Facilidade de implementação Apoio contínuo à aprendizagem Auxilio a implementar melhorias Diferentes objetos de análise Identificação dos processos a desenvolver Aplicação à área de atividade da organização Disponibilização de recursos Adaptação às condições do mercado Possibilidade de obtenção de certificações 0 1 2 3 4 Grau de importância Figura 8 - Critérios de seleção de um modelo de maturidade Seguindo o mesmo procedimento anterior foi apresentado um conjunto de caraterísticas correspondentes aos modelos, identificando o seu nível de importância. As 50 Capítulo V – Estudo de caso caraterísticas apresentadas foram definidas de formas diferentes, mas com o mesmo objetivo em todos os modelos apresentados. Determinando o grau de importância do modelo CMM, foi possível verificar que o respondente não atribui nenhuma caraterística como pouco importante. Não foram definidas caraterísticas importantes. As caraterísticas “auxilia as organizações a determinar a sua capacidade e a necessidade de evolução estratégica”, “auxilia e avalia as fases de implementação dos projetos”, “foca-se na melhoria contínua dos processos”, “apresenta caraterísticas que orientam a organização na implementação das atividades a melhorar”, “auxilia a organização a prever erros comuns em projetos”, “coopera na captação de recursos físicos e humanos”, “utilização por organizações independentemente da sua área de atuação”, e “auxilia na gestão dos riscos”, foram definidas como muito importantes. Como caraterística fundamental foi definida uma “utilização simples”. O modelo CMMI apresenta uma caraterística identificada como pouco importante “identifica fatores culturais que influenciem a melhoria”. Foram identificadas nove caraterísticas como muito importantes: “auxilia as organizações a determinar a sua capacidade e a necessidade de evolução estratégica”; “auxilia e avalia as fases de implementação dos projetos”; “foca-se na melhoria contínua dos processos”; “apresenta caraterísticas que orientam a organização na implementação das atividades a melhorar”; “coopera na captação de recursos físicos e humanos”; “auxilia na gestão dos riscos”, “auxilia na padronização dos processos”; “utilização por organizações independentemente da sua área de atuação”; e “a organização pode optar por seguir a representação faseada ou continua”. Como caraterísticas fundamentais foram definidas três: “auxilia no controlo e avaliação dos objetivos”; “auxilia na gestão de requisitos”; e “auxilia na gestão de custos e prazos”. O modelo OPM3 apresenta nove caraterísticas muito importantes e quatro como fundamentais. Não foram identificadas caraterísticas pouco importantes. Assim, as caraterísticas muito importantes são as seguintes: “auxilia as organizações a determinar a sua capacidade e a necessidade de evolução estratégica”; “auxilia e avalia as fases de implementação dos projetos”; “foca-se na melhoria contínua dos processos”; “apresenta caraterísticas que orientam a organização na implementação das atividades a melhorar”; “coopera na captação de recursos físicos e humanos”; “auxilia na gestão dos riscos”; “auxilia a organização na elaboração de um plano de melhoria de desempenho”; “auxilia a gerir as mudanças”; e “auxilia as organizações independentemente da sua área de atuação”. As caraterísticas “auxilia no controlo e avaliação dos objetivos”, “auxilia na gestão de requisitos”, 51 Capítulo V – Estudo de caso “auxilia na gestão de custos e prazos” e “auxilia na correlação entre gestão de projetos, programas e portfólios”, foram identificadas como fundamentais. O modelo PMMM apresenta as caraterísticas “auxilia na avaliação da integridade dos processos” e “foca-se na estrutura interna e externa à organização” como importantes. As seguintes caraterísticas foram definidas como muito importantes: “auxilia as organizações a determinar a sua capacidade e a necessidade de evolução estratégica”; “auxilia e avalia as fases de implementação dos projetos”; “foca-se na melhoria contínua dos processos”; “apresenta caraterísticas que orientam a organização na implementação das atividades a melhorar”; “coopera na captação de recursos físicos e humanos”; “auxilia na gestão dos riscos”; “auxilia a organização na elaboração de um plano de melhoria de desempenho”; “auxilia as organizações independentemente da sua área de atuação”; e “foca-se na comparação de organizações similares (técnicas de benchmarking) para ajudar a organização a identificar as melhorias”. A caraterística “auxilia na gestão de custos e prazos” foi definida como fundamental. Não foram definidas caraterísticas com pouco grau de importância. O modelo MMGP apresenta “auxilia as organizações a determinar a sua capacidade e a necessidade de evolução estratégica”, “auxilia e avalia as fases de implementação dos projetos”, “foca-se na melhoria contínua dos processos”, “apresenta caraterísticas que orientam a organização na implementação das atividades a melhorar”, “auxilia na gestão dos riscos”, “auxilia a avaliar a qualidade dos projetos” e “auxilia as organizações independentemente da sua área de atuação”, como caraterísticas muito importantes. E apresenta como caraterísticas fundamentais as seguintes: “auxilia a determinar uma estratégia de maturidade a nível setorial ou corporativo”; “utilização simples”; “auxilia no controlo e avaliação dos objetivos”; e “auxilia na gestão de custos e prazos”. Dos cinco modelos analisados, nenhum foi definido com caraterísticas não relevantes. Os modelos CMMI, OPM3, e PMMM apresentam a caraterística “complexo na sua utilização” como um fator relevante para a seleção destes modelos. Pois a sua complexidade é identificada como um fator desfavorável a estes modelos. Assim, os resultados apresentados anteriormente encontram-se na tabela 16 demostrando o grau de importância que o respondente atribui a cada uma das caraterísticas. O grau de importância encontra-se definido da seguinte forma: 0 – Não relevante; 1 – Pouco importante; 2 – Importante; 3 – Muito importante; e 4 – Fundamental. 52 Capítulo V – Estudo de caso Grau de importância Caraterísticas CMM Auxilia as organizações a determinar a sua capacidade e a 3 necessidade de evolução estratégica. Auxilia a determinar uma estratégia de maturidade a nível setorial ou corporativo. Auxilia e avalia as fases de implementação dos projetos. 3 Foca-se na melhoria contínua dos processos. 3 Apresenta caraterísticas que orientam a organização na 3 implementação das atividades a melhorar. Auxilia a organização a prever erros comuns em projetos. 3 Coopera na captação de recursos físicos e humanos. 3 Auxilia na gestão dos riscos. 3 Utilização simples. 4 Complexo na sua utilização. Auxilia na padronização dos processos. Auxilia no controlo e avaliação dos objetivos. Identifica fatores culturais que influenciem a melhoria. Auxilia na gestão de requisitos. Auxilia na gestão de custos e prazos. Auxilia a avaliar a qualidade dos projetos. A organização pode optar por seguir a representação faseada ou continua. Auxilia a organização na elaboração de um plano de melhoria de desempenho. Auxilia a gerir as mudanças Auxilia as organizações independentemente da sua área de 3 atuação. Auxilia na correlação entre gestão de projetos, programas e portfólios. Foca-se na comparação de organizações similares (técnicas de benchmarking) para ajudar a organização a identificar as melhorias. Auxilia na avaliação da integridade dos processos. Foca-se na estrutura interna e externa à organização. CMMI 3 OPM3 3 PMMM 3 MMGP 3 4 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 2 3 4 1 4 4 2 2 4 3 3 3 3 4 4 4 4 4 3 3 3 3 3 4 3 3 3 3 4 3 2 2 Tabela 16 - Grau de importância dos modelos de maturidade 5.2.6 Caraterização dos níveis dos modelos de maturidade Esta secção visa avaliar de forma exploratória o nível de maturidade em que organização se encontra atualmente. Para identificar o nível de maturidade foram identificadas um conjunto de caraterísticas de cada nível nos diferentes modelos de maturidade para que o respondente pudesse escolher em cada modelo o nível que melhor se assemelha à situação presente da organização. Perante as caraterísticas dos níveis dos modelos CMM, OPM3, e MMGP, foi escolhido o nível de maturidade três. Nos modelos CMMI e PMMM foi escolhido o nível de maturidade 53 Capítulo V – Estudo de caso quatro. A tabela 17 apresenta as caraterísticas que foram selecionadas para cada nível de maturidade e identificado o respetivo nível de maturidade eleito pelo respondente. Nível 3 Modelo CMM Padronização de processos. Descrição de processos e procedimentos. A organização apresenta um ambiente estabilizado. Grupos de pessoas trabalham em conjunto. A organização assegura que os objetivos são abordados de forma adequada. Novas tecnologias analisadas em bases qualitativas. Modelo CMMI 4 Os processos são medidos e controlados. Os objetivos dos projetos são baseados nas necessidades dos clientes. A organização tem o controlo sobre os processos. Gestão quantitativa de projetos. Modelo OPM3 Processos estáveis. Definição operacional estabelecida. A documentação dos projetos é formalizada. Integração e partilha da informação dos projetos. Técnicas definidas para deteção de alterações aos processos. 3 4 Modelo PMMM Existência de gestão de projetos com o objetivo de melhorar processos. A organização estabelece uma melhoria baseada no seu bom desempenho. Modelo MMGP 3 Padronização dos procedimentos. Utilização de metodologias da gestão de projetos. Os processos são controlados. Implementação de uma estrutura organizacional. Identificação de possíveis desvios. Tabela 17 - Níveis de maturidade escolhidos pelo respondente nos vários modelos 5.3 Discussão dos resultados Apresentados os resultados correspondentes aos dados recolhidos na entidade, esta secção visa um melhor entendimento da importância de um modelo de maturidade numa organização. Para poder determinar qual o modelo que melhor se adequa à organização estudada foi necessário determinar a posição desta perante as regras, normas, e metodologias da gestão de projetos. Significa isto que neste processo foi importante determinar como a organização estabelece a sua gestão a nível de projetos. 54 Capítulo V – Estudo de caso Através dos dados obtidos foi possível verificar que a organização apresenta uma orientação clara no que respeita ao entendimento de projetos. Os diferentes projetos estão agrupados e nomeados por tipo. A viabilidade do projeto e a aprovação do cliente é um fator importante para a organização. O ponto apresentado como uma desvantagem para a empresa são alguns atrasos nos projetos, o que implica o seu reagendamento. O PMO permite a formalização dos projetos. O cliente é considerado o ponto chave do sucesso dos projetos, enquanto que prazos ultrapassados são um fator preocupante. Por forma a controlar e tornar mais eficaz a gestão dos projetos foi implementada uma metodologia da gestão de projetos que segue o PMBoK, a Control Tools. Esta metodologia apresenta um conjunto de processos idênticos aos definidos pelo PMBoK e definidos para cada tipo de projeto. A gestão da comunicação é um ponto crucial para a organização. É importante que a informação seja distribuída de forma atempada por todos os membros que integram o projeto. A organização gere a partilha de informação através do agendamento de reuniões, formulação de atas, e recorre ao correio eletrónico. Estabelece a identificação de stakeholders para que a informação lhes seja encaminhada. Planeia a comunicação para cada projeto e gere as expetativas dos stakeholders. A gestão do âmbito é representada pelos processos base, como o levantamento de requisitos, verificação do âmbito, e controlo do âmbito. A gestão de aquisições define o planeamento com os fornecedores, e estabelece o encerramento dos contratos. Quanto à gestão de recursos humanos, este é um ponto em que a organização não estabelece processos devido à pequena dimensão da equipa. Também não define processos para a gestão da qualidade. A gestão de risco, tempo e custos, são áreas que para a organização são muito importantes, tendo os seus processos bem definidos e sendo operacionalizados em qualquer tipo de projeto. A tabela 18 apresenta as principais caraterísticas da organização na gestão de projetos. Mediante a tabela e os dados analisados anteriormente é possível afirmar que a organização encontra na gestão de projetos um precioso auxiliar para o desenvolvimento dos seus projetos. No entanto, a gestão de recursos humanos e a gestão da qualidade não são implementadas. Como o respondente justificou ”a equipa de trabalho é relativamente pequena, pelo que não necessita de definir processos da gestão de recursos humanos”. 55 Capítulo V – Estudo de caso Caraterísticas Apresenta PMO. Formalização do encerramento do projeto. O cliente é um stakeholder importante. Existe a probabilidade de não cumprir prazos. Metodologia baseada na gestão de projetos (definição de processos). Define processos da gestão da comunicação através da Control Tools. Define processos da gestão do âmbito através da Control Tools. Define processos da gestão de aquisição/ contratação através da Control Tools. Define processos da gestão do tempo através da Control Tools. Define processos da gestão de custo através da Control Tools. Define processos da gestão do risco através da Control Tools. Não define processos da gestão dos recursos humanos. Não define processos da gestão da qualidade. Positiva X X X Negativa X X X X X X X X X X Tabela 18 - Caraterísticas em destaque da gestão de projetos na organização em estudo Tendo uma gestão de projetos definida e devidamente ajustada à organização, qualquer modelo de maturidade estudado podia ser aplicado. No entanto, existem modelos com caraterísticas que parecem melhor se adequar ao estado atual da organização, pelo que é fundamental procurar identificar, de entre os cinco modelos estudados, aquele ou aqueles que mais eficazmente poderiam ser implementados na organização estudada. Para cada modelo foi identificado um conjunto de caraterísticas, de acordo com o estudado nos capítulos III e IV. A tabela 19 apresenta os resultados em termos do grau de importância. Para o modelo CMM definiram-se nove caraterísticas, para o modelo CMMI foram estudadas 14 caraterísticas, ao modelo OPM3 correspondem 14 caraterísticas, no modelo PMMM foram identificadas 13 caraterísticas, e 11 caraterísticas no caso do modelo MMGP. Mediante os resultados obtidos, apresentados foram contabilizadas um total de zero caraterísticas identificadas como não relevantes, uma caraterística identificada como pouco importantes, cinco caraterísticas como importantes, 42 caraterísticas como muito importantes, e 13 caraterísticas identificadas como fundamentais. Assim, o modelo que menos se parece adequar às caraterísticas da organização é o modelo de maturidade CMM. Comparando o grau de importância com os restantes modelos este é o modelo que apresenta caraterísticas pouco relevantes à organização em estudo. Procurando identificar um modelo de acordo com as caraterísticas da empresa em análise, foram identificados dois modelos que parecem melhor se ajustar às suas exigências: o modelo de maturidade OPM3 e o modelo de maturidade MMGP. Estes dois modelos foram os selecionados de entre os cinco modelos de maturidade, pois apresentam no total de 56 Capítulo V – Estudo de caso caraterísticas colocadas em análise, um conjunto de caraterísticas mais relevantes para a organização, comparativamente aos restantes modelos de maturidade aplicados no estudo. Modelo de maturidade CMM CMMI OPM3 PMMM MMGP Total Estatística do grau de importância das caraterísticas dos modelos de maturidade Não Pouco Importante Muito Fundamental relevante importante importante 0 0 0 8 1 0 1 1 9 3 0 0 1 9 4 0 0 3 9 1 0 0 0 7 4 0 1 5 42 13 Total de caraterísticas 9 14 14 13 11 61 Tabela 19 - Estatística do grau de importância das caraterísticas dos modelos Relativamente aos critérios de seleção de um modelo de maturidade num total de 13 colocados em análise, foi identificado um como fundamental e dois como pouco importantes ao processo. O que foi apontado como fundamental para a seleção de um modelo foi “custos associados ao processo” e os menos importantes foram “possibilidade de obtenção de certificações” e “adaptação às condições do mercado”. A tabela 20 apresenta os níveis de maturidade dos respetivos modelos, e a seleção do nível pelo respondente. No modelo CMM (num total de cinco níveis) a escolha recaiu no terceiro nível, no modelo CMMI (constituído por cinco níveis) a escolha pendeu para o quarto nível, no modelo OPM3 o nível selecionado foi o três (num total de quatro níveis), no PMMM (constituído por cinco níveis) a escolha recaiu no quarto nível, e finalizando, no modelo MMGP (contabilizando um total de cinco níveis) a escolha incidiu sob o quarto nível. Assim, de acordo com a seleção atribuída pelo respondente, conclui-se que a empresa se apresenta genericamente no nível três de maturidade, caraterizado por: Estabilidade, controlo, e padronização dos processos; Descrição dos procedimentos; Estabilização do ambiente organizacional; Integração e partilha da informação; Implementação de uma estruturação organizacional adequada. Perante a seleção efetuada dos modelos de maturidade que melhor se adequam à organização e os níveis de maturidade selecionados pelo respondente verifica-se que: No modelo OPM3 a seleção recaiu sob o nível três de maturidade; No modelo MMGP a seleção recaiu sob o nível três de maturidade. 57 Capítulo V – Estudo de caso Modelo de maturidade CMM CMMI OPM3 PMMM MMGP Número de Níveis de maturidade 5 5 4 5 5 Nível de maturidade selecionado 3 4 3 4 3 Tabela 20 - Nível de maturidade aproximado em que a organização estudada se encontra 58 Capítulo VI 6 Considerações finais Apenas o uso da gestão de projetos não é o suficiente para suportar a orientação e a realização de projetos com sucesso. Os modelos de maturidade vêm colmatar as falhas que a gestão de projetos não consegue eliminar por si só. Com esta dissertação procurou-se estudar e comparar vários modelos de maturidade da gestão de projetos. Este estudo também contribui para clarificar a relevância destes modelos como ferramenta fundamental para o sucesso dos projetos. O estudo efetuado permitiu comparar os principais modelos utilizados atualmente pelas organizações, procurando contribuir para uma melhor compreensão dos seus objetivos, da sua estrutura e de como é realizada a sua aplicação. Foi realizado o estudo dos modelos CMM, CMMI, OPM3, MMGP, e PMMM, através de uma revisão bibliográfica. Da comparação é possível destacar os seguintes aspetos: Os diversos modelos têm vários objetivos em comum. Procuraram dotar a organização de maturidade, garantindo a eficácia na execução de processos, e desenvolver capacidades competitivas na organização; Os modelos OPM3 e CMMI são muito semelhantes nas suas caraterísticas; Todos os modelos usam questões para a avaliação da maturidade; Os modelos que apresentam cinco níveis de maturidade são: o CMM, o CMMI, o MMGP, e o PMMM. O modelo OPM3 apresenta quatro níveis de maturidade; O modelo MMGP pode ser aplicado à organização corporativamente ou setorialmente; O CMMI apresenta duas representações: contínua e faseada. Assim, de acordo com as caraterísticas estudadas e comparadas, é possível diferenciar o modelo MMGP pela sua simplicidade (utiliza 40 questões para avaliação), pode 59 Capítulo VI – Considerações finais ser aplicado corporativamente ou sectorialmente, e utiliza técnicas de benchmarking que permitem fazer a comparação com outras organizações. A partir dos modelos estudados, os gestores de projetos podem avaliar a sua aplicabilidade e, dessa avaliação, criar um plano estratégico para a gestão de projetos. No estudo realizado foi identificado um conjunto de critérios de seleção dos modelos de maturidade em análise, destacando-se os custos que estão associados ao processo de aquisição e integração do modelo. Os critérios que foram menos valorizados foram a adaptação aos mercados onde a organização se insere, e a possibilidade de obter certificações organizacionais. O estudo exploratório efetuado numa empresa em particular permitiu uma melhor contextualização e entendimento sobre a gestão de projetos e maturidade organizacional. Permitiu identificar que a organização estudada segue uma metodologia de gestão de projetos, nomeadamente a ferramenta Control Tools, adequada às suas caraterísticas organizacionais. A empresa tem definidos processos da gestão de comunicação, âmbito, tempo, custos, riscos e aquisições. No entanto, a falta de processos da gestão de recursos humanos, e da gestão da qualidade pode comprometer o sucesso dos seus projetos. Embora a gestão de projetos seja já considerada de forma disciplinada na organização, não deixa de ser necessária a implementação de um modelo de maturidade. Tendo em consideração as caraterísticas organizacionais e as caraterísticas dos modelos de maturidade, é possível concluir que não apenas um, mas dois modelos parecem adequar-se melhor à organização: os modelos OPM3 e MMGP. Procurou-se com este estudo salientar que a maturidade na gestão de projetos é uma componente integradora na estratégia organizacional, como fonte essencial para o bom planeamento e desenvolvimento de projetos. Pode-se concluir que um modelo de maturidade pode ajudar a solidificar a estrutura organizacional e o desenvolvimento de projetos. Neste contexto, esta dissertação procura contribuir para um melhor entendimento da importância da gestão de projetos, como uma metodologia estruturada que garante à organização resultados. Esta temática é muito relevante no contexto da competitividade de uma organização. No entanto, com o desenvolvimento desta dissertação verificou-se que são raros os estudos de natureza científica sobre esta temática. Assim, identificam-se alguns contributos desta temática. Para além de ser realizada a comparação entre os modelos que são mais utilizados 60 Capítulo VI – Considerações finais pelas organizações, este trabalho faculta elementos para auxiliar a decidir o modelo que mais se adequa à realidade existente em cada organização em particular. A utilização dos modelos de maturidade permite uma avaliação rigorosa da presente situação organizacional na área da gestão de projetos. Possibilita identificar pontos fortes a manter e pontos fracos que devem ser melhorados, estabelece um conjunto de caraterísticas que auxilia a implementar as melhorias, utilização de técnicas de benchmarking, foca-se na utilização de boas práticas, avalia o estado das atividades, auxilia a prever erros comuns, avalia o desempenho da organização, e a definir uma estratégia. O reconhecimento da importância da avaliação da maturidade na gestão de projetos por parte das organizações é um ponto de partida para o sucesso. Neste trabalho foram estudados e comparados cinco modelos de maturidade. No entanto, os modelos de maturidade não se cingem apenas a cinco, existindo um conjunto muito alargado de modelos que poderiam ser estudados e comparados, por exemplo: PCMM (People Capability Maturity Model); PM2 (Project Management Process Maturity Model); ProMMM (Project Management Maturity Model); PSO (Project Suport Office); P3M3 Programme and Project Management Maturity Model) e KPMMM (Kerzner Project Management Maturity Model). Assim, como trabalho futuro propõe-se a ampliação deste estudo para outros modelos de maturidade que nesta dissertação não foram abordados. A realização de um estudo mais aprofundado permitirá obter resultados mais ricos. A possibilidade de analisar outras organizações que procuram implementar um modelo de maturidade e comparar os resultados entre organizações, assim como, analisar organizações que tenham integrado um modelo de maturidade, identificar o processo de seleção do modelo, e quais os benefícios organizacionais conseguidos, são também trabalhos futuros a considerar. Finalmente, propõe-se o estudo dos resultados da aplicação dos modelos nas organizações internacionais, e compará-los com os resultados obtidos pelas organizações nacionais. 61 Referências Albertin, A. L., & Sanchez, O. P. (2008). Outsourcing de TI: impactos, dilemas, discussões e casos reais - 1º edição. Rio de Janeiro: FGV. Alleman, S. (2007). Organizational Project management maturity model (OPM3): a case study. Retrieved from http://www.pmforum.org/viewpoints/2005/0102stopmomm.html. Andersen, E. S., & Jessen, S. A. (2003). Project maturity in organizations. 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Setor: Administração Pública Alimentos Educação Engenharia Indústria Consultoria Seguros Financeiro Telecomunicações Tecnologia Outro: 6. Faturação média anual (últimos 3 anos)? 7. Qual o número de colaboradores que fazem parte da organização? 69 Anexos CARATERIZAÇÃO DO PERFIL DO ENTREVISTADO 1. Nome do entrevistado: 2. Idade: 3. Formação: 4. Função organizacional: 5. Experiência do inquirido em gestão de projetos (anos de experiência, tipos de projetos que integrou, qual o papel desempenhado)? 6. Tem alguma formação especializada? CARATERIZAÇÃO DOS PROJETOS DESENVOLVIDOS PELA ORGANIZAÇÃO 1. Que tipo de projetos a organização implementa? 2. Qual a média de duração dos projetos implementados: 3. Quais os fatores que contribuem para o sucesso dos projetos na organização? 4. Quais os constrangimentos que contribuem para o insucesso dos projetos na organização? 5. A organização tem uma área dedicada à execução dos projetos (PMO)? 6. A organização tem processos formais para o encerramento dos projetos? 7. Existe um entendimento claro das necessidades, objetivos, e atividades necessárias para realizar os objetivos dos projetos? 8. Como a organização procede à seleção das propostas dos projetos? Existe algum tipo de critério de seleção? 9. Há projetos iniciados sem haver uma definição tempo, custos, prazos, e objetivos? CARATERIZAÇÃO DO GESTOR DE PROJETOS E EQUIPA DE PROJETO 1. Quais as caraterísticas que considera importantes em um gestor de projetos? 2. Quais as caraterísticas da equipa de trabalho existentes? CARATERIZAÇÃO DA GESTÃO DE PROJETOS 1. A organização segue alguma metodologia de gestão de projetos? Sim. Qual? Não 2. Há quanto tempo é usada uma metodologia e gestão de projetos na organização? (responda a esta questão se escolheu a opção “sim” na questão. 3. Que tipas de ferramentas de apoio à gestão de projetos são utilizadas pela organização? 4. Quais as técnicas de gestão de projetos que são utilizadas? 5. Gestão da Comunicação 5.1 Como a organização partilha a informação dos projetos? 70 Anexos 5.2 Como são comunicadas as reuniões dos projetos? 5.3 Quais os processos da gestão da Nunca Raramente Frequentemente Sempre Identificação de stakeholders Planeamento da comunicação Distribuição da informação dos Nunca Raramente Frequentemente Sempre Levantamento de requisitos Definição do âmbito Criação da WBS (Work Break Struture) Verificação do âmbito Controlo do âmbito comunicação que são praticados? Gestão das expetativas stakeholders Comunicação do desempenho 6 Gestão de âmbito 6.1 Quais os processos da gestão do âmbito que são praticados? 7 Gestão da aquisição 7.1 Quando é que os recursos dos projetos são definidos? 7.2 Quais os processos da gestão de Nunca Raramente Frequentemente Sempre Planeamento dos fornecedores Realização das ações de procurement Administração aquisição que são praticados? fornecimentos/contratos Encerramentos Fornecimentos/contratos 71 Anexos 8 Gestão de Recursos Humanos 8.1 Quais os critérios que a organização identifica na seleção de uma pessoa para integrar a equipa de projeto (0 – não relevante / 1 – pouco importante / 2- importante / 3 – muito importante / 4 – fundamental) Formação 0 1 2 3 4 Capacidades de liderança 0 1 2 3 4 Conhecimento e experiência 0 1 2 3 4 Espírito de colaboração mútua 0 1 2 3 4 Autoconfiança 0 1 2 3 4 Estabelecimento de foco 0 1 2 3 4 Habilidade com análise de problemas e tomada 0 1 2 3 4 de decisão Elevado comprometimento 0 1 2 3 4 Optimismo 0 1 2 3 4 Incentivo a produção de ideias 0 1 2 3 4 Compromisso com resultados 0 1 2 3 4 Comunicação efetiva 0 1 2 3 4 Sentido de responsabilidade individual e coletiva 0 1 2 3 4 8.2 Quais os processos da gestão de Nunca recursos humanos que Raramente Frequentemente Sempre são praticados? Planeamento dos recursos humanos Constituição da equipa de projeto Desenvolvimento da equipa de projeto Gestão da equipa de projeto 72 Anexos 9 Gestão do Risco 9.1 Quais os processos da gestão do Nunca Raramente Frequentemente Sempre risco que são praticados? Planeamento da gestão do risco Identificação dos riscos Análise qualitativa dos riscos Análise quantitativa dos riscos Planeamento de respostas aos riscos Monitorização e controlo dos riscos Raramente Frequentemente Sempre 10 Gestão do tempo 10.1 Quais os processos da gestão Nunca do tempo que são praticados? Definição das atividades Sequência das atividades Estimativa de recursos Estimativa de duração Desenvolvimento do cronograma Controlo do cronograma Raramente Frequentemente Sempre 11 Gestão de custo 11.1 Quais os processos da gestão Nunca de custos que são praticados? Estimativa dos custos Definição do orçamento do projeto Controlo dos custos Raramente Frequentemente Sempre 12 Gestão da qualidade 12.1 Quais os processos da gestão Nunca da qualidade que são praticados? Planeamento da qualidade Garantia da qualidade Controlo da qualidade 73 Anexos SELEÇÃO DO MODELO DE MATURIDADE Identifique os critérios de seleção que considera importantes num modelo de maturidade para avaliar uma organização (indique numa escala de 0 a 4, em que 0 – não relevante / 1 – pouco importante / 2 – importante / 3 – muito importante / 4 – fundamental): Diferentes objetos de análise (aplicável à organização como 0 1 2 3 4 um todo, ou processos específicos) Proporciona uma abordagem sistemática e estruturada 0 1 2 3 4 Adaptação às condições do mercado 0 1 2 3 4 Identificação dos processos a desenvolver 0 1 2 3 4 Aplicação de métricas para avaliação 0 1 2 3 4 Fornece resultados qualitativos e quantitativos à organização 0 1 2 3 4 Aplicação à área de atividade da organização 0 1 2 3 4 Facilidade de implementação 0 1 2 3 4 Apoio contínuo à aprendizagem e à melhoria organizacional 0 1 2 3 4 Possibilidade de obtenção de certificações 0 1 2 3 4 Disponibilização de recursos físicos e humanos necessários à 0 1 2 3 4 0 1 2 3 4 Definição das caraterísticas que orientam a organização a 0 1 2 3 4 implementação Custos associados aos processos implementar melhorias 74 Anexos CARATERIZAÇÃO DO MODELO DE MATURIDADE CMM Qual o grau de conhecimento do modelo de maturidade apresentado (indique de 0 a 4, em que 0 – não conheço / 1 – já ouvi falar / 2 – conhecimento teórico / 3 – experiência na aplicação parcial / 4 – experiência na aplicação total): CMM 0 1 2 3 4 Identifica a importância dos seguintes aspetos para instituir a maturidade na organização (indique numa escala de 0 a 4, em que 0 – não relevante / 1 – pouco importante / 2 – importante / 3 – muito importante / 4 – fundamental): Auxilia as organizações a determinar a sua capacidade e a 0 1 2 3 4 necessidade de evolução estratégica Auxilia e avalia as fases de implementação dos projetos 0 1 2 3 4 Foca-se na melhoria contínua dos processos 0 1 2 3 4 Apresenta um conjunto de caraterísticas que orientam a 0 1 2 3 4 1 2 3 4 0 1 2 3 4 Coopera na captação de recursos físicos e humanos para a 0 1 2 3 4 organização na implementação das atividades a melhorar Auxilia as organizações independentemente da sua área de 0 atuação Auxilia a organização a prever erros comuns em projetos organização Auxilia na gestão dos riscos 0 1 2 3 4 Utilização simples 0 1 2 3 4 75 Anexos CARATERIZAÇÃO DO MODELO DE MATURIDADE CMMI Qual o grau de conhecimento do modelo de maturidade apresentado (indique de 0 a 4, em que 0 – não conheço / 1 – já ouvi falar / 2 – conhecimento teórico / 3 – experiência na aplicação parcial / 4 – experiência na aplicação total): CMMI 0 1 2 3 4 Identifica este aspeto como relevante para instituir a maturidade na organização (indique numa escala de 0 a 4, em que 0 – não relevante / 1 – pouco importante / 2 – importante / 3 – muito importante / 4 – fundamental): Auxilia a definir uma estratégia organizacional e a delinear um 0 1 2 3 4 1 2 3 4 0 1 2 3 4 Identifica fatores culturais que influenciem a melhoria da 0 1 2 3 4 1 2 3 4 projeto com base nessa estratégia Auxilia na padronização dos processos que são utilizados e 0 estabelecidos pela organização Auxilia no controlo e avaliação dos objetivos organização Apresenta um conjunto de caraterísticas que orientam a 0 organização na implementação das atividades a melhorar Coopera na captação de recursos físicos e humanos 0 1 2 3 4 Auxilia e avalia as fases de implementação dos projetos 0 1 2 3 4 Foca-se na melhoria contínua dos processos 0 1 2 3 4 Auxilia na gestão de requisitos 0 1 2 3 4 Auxilia as organizações independentemente da sua área de 0 1 2 3 4 atuação Auxilia na gestão dos riscos 0 1 2 3 4 Auxilia na gestão de custos e prazos 0 1 2 3 4 Complexo na sua utilização 0 1 2 3 4 A organização pode optar por seguir a representação faseada 0 1 2 3 4 1 2 3 4 (disponibiliza uma sequência de melhorias) A organização pode optar por seguir a representação 0 continua (a organização utiliza a ordem de melhoria que melhor atender aos seus objetivos de negócio) 76 Anexos CARATERIZAÇÃO DO MODELO DE MATURIDADE OPM3 Qual o grau de conhecimento do modelo de maturidade apresentado (indique de 0 a 4, em que 0 – não conheço / 1 – já ouvi falar / 2 – conhecimento teórico / 3 – experiência na aplicação parcial / 4 – experiência na aplicação total): OPM3 0 1 2 3 4 Identifica este aspeto como relevante para instituir a maturidade na organização (indique numa escala de 1 a 5, em que 1 – não relevante / 2 – pouco importante / 3 – importante / 4 – muito importante / 5 – fundamental): Auxilia as organizações a determinar a sua capacidade e a necessidade de evolução estratégica Auxilia e avalia as fases de implementação dos projetos 0 1 2 3 4 0 1 2 3 4 Foca-se na melhoria contínua dos processos 0 1 2 3 4 Apresenta caraterísticas que orientam a organização na implementação das atividades a melhorar Coopera na captação de recursos físicos e humanos 0 1 2 3 4 0 1 2 3 4 Auxilia na gestão dos riscos 0 1 2 3 4 Complexo na sua utilização 0 1 2 3 4 Auxilia no controlo e avaliação dos objetivos 0 1 2 3 4 Auxilia na gestão de requisitos 0 1 2 3 4 Auxilia na gestão de custos e prazos 0 1 2 3 4 Auxilia a organização na elaboração de um plano de melhoria 0 de desempenho Auxilia a gerir as mudanças 0 1 2 3 4 1 2 3 4 Auxilia as organizações independentemente da sua área de 0 atuação Auxilia na correlação entre gestão de projetos, programas e 0 portfólios 1 2 3 4 1 2 3 4 77 Anexos CARATERIZAÇÃO DO MODELO DE MATURIDADE PMMM Qual o grau de conhecimento do modelo de maturidade apresentado (indique de 0 a 4, em que 0 – não conheço / 1 – já ouvi falar / 2 – conhecimento teórico / 3 – experiência na aplicação parcial / 4 – experiência na aplicação total): PMMM 0 1 2 3 4 Identifica este aspeto como relevante para instituir a maturidade na organização (indique numa escala de 1 a 5, em que 1 – não relevante / 2 – pouco importante / 3 – importante / 4 – muito importante / 5 – fundamental): Auxilia as organizações a determinar a sua capacidade e a necessidade de evolução estratégica Auxilia e avalia as fases de implementação dos projetos 0 1 2 3 4 0 1 2 3 4 Foca-se na melhoria contínua dos processos 0 1 2 3 4 Apresenta caraterísticas que orientam a organização na implementação das atividades a melhorar Coopera na captação de recursos físicos e humanos 0 1 2 3 4 0 1 2 3 4 Auxilia na gestão dos riscos 0 1 2 3 4 Complexo na sua utilização 0 1 2 3 4 Auxilia na gestão de custos e prazos 0 1 2 3 4 Auxilia a organização na elaboração de um plano de melhoria de desempenho Auxilia as organizações independentemente da sua área de atuação Foca-se na comparação de organizações similares (técnicas de benchmarking) para ajudar a organização a identificar as melhorias Auxilia na avaliação da integridade dos processos 0 1 2 3 4 0 1 2 3 4 0 1 2 3 4 0 1 2 3 4 Foca-se na estrutura interna e externa à organização 0 1 2 3 4 78 Anexos CARATERIZAÇÃO DO MODELO DE MATURIDADE MMGP Qual o grau de conhecimento do modelo de apresentado (indique de 0 a 4, em que 0 – não conheço / 1 – já ouvi falar / 2 – conhecimento teórico / 3 – experiência na aplicação parcial / 4 – experiência na aplicação total): MMGP 0 1 2 3 4 Identifica este aspeto como relevante para instituir a maturidade na organização (indique numa escala de 0 a 4, em que 0 – não relevante / 1 – pouco importante / 2 – importante / 3 – muito importante / 4 – fundamental): Auxilia as organizações a determinar a sua capacidade e a necessidade de evolução estratégica Auxilia a determinar uma estratégia de maturidade a nível setorial ou corporativo Auxilia e avalia as fases de implementação dos projetos 0 1 2 3 4 0 1 2 3 4 0 1 2 3 4 Foca-se na melhoria contínua dos processos 0 1 2 3 4 Apresenta caraterísticas que orientam a organização na implementação das atividades a melhorar Auxilia na gestão dos riscos 0 1 2 3 4 0 1 2 3 4 Utilização simples 0 1 2 3 4 Auxilia no controlo e avaliação dos objetivos 0 1 2 3 4 Auxilia na gestão de custos e prazos 0 1 2 3 4 Auxilia a avaliar a qualidade dos projetos 0 1 2 3 4 Auxilia as organizações independentemente da sua área de 0 1 2 3 4 atuação Dos vários modelos apresentados e tendo por base as suas caraterísticas globais, qual aquele ou aqueles que parecem ser mais apropriados para a empresa? Porquê? 79 Anexos IDENTIFICAÇÃO DO NÍVEL DE MATURIDADE APLICADO À ORGANIZAÇÃO Identifique na sua opinião o posicionamento da organização de acordo com as caraterísticas apresentadas (selecione em cada modelo o grupo de opções (nível) que melhor identifica o nível de maturidade como a atual situação organizacional). Nível 1 CMM Processos instáveis Ambiente ad hoc O sucesso depende do esforço individual Os custos e prazos são ultrapassados A utilização de novas tecnologias é um risco 2 Planeamento de processos Definição de estratégias O sucesso depende da formação dos indivíduos Tecnologias utilizadas estabilizadas A organização utiliza metodologias da gestão de projetos para controlar custos e prazos 3 Padronização de processos Descrição de processos e procedimentos A organização apresenta um ambiente estabilizado Grupos de pessoas trabalham em conjunto A organização assegura que os objetivos são abordados de forma adequada Novas tecnologias analisadas em bases qualitativas 4 Objetivos são estabelecidas e entendidas Utilização de medidas preventivas a riscos Identificação de possíveis desvios aos objetivos A organização estabelece medidas de manutenção A organização define metas quantitativas e qualitativas Trabalho em equipa Novas tecnologias integradas 5 Os processos estão em constante melhoria Gestão de projetos entendida e aplicada Os objetivos são continuamente revistos para o caso de sofrerem alguma mudança Os processos são continuamente identificados, avaliados e implementados mediante os diferentes projetos A organização apresenta a capacidade de resposta rápida às mudanças 80 Anexos Nível 1 CMMI Poucos processos definidos Os prazos e custos não são cumpridos O planeamento não é realizado com base em estimativas A organização apresenta um ambiente instável 2 Processos identificados e definidos Controlo e monitorização do projeto A organização assegura o levantamento dos requisitos para os riscos Os processos são geridos, executados e controlados de acordo com o planeado Avaliação e análise 3 Definição dos processos organizacionais Os processos são compreendidos pelos membros que participam nos projetos Integração da equipa de trabalho Análise de decisões 4 Os processos são medidos e controlados Os objetivos dos projetos são baseados nas necessidades dos clientes A organização tem o controlo sobre os processos Gestão quantitativa de projetos 5 Inovação e melhoria organizacional Melhoria na identificação e execução dos processos Os processos são continuamente melhorados Análise de causas A organização apresenta um controlo total 81 Anexos Nível 1 OPM3 Os processos não apresentam padrões estabelecidos Falta de documentação referente aos projetos Padronização de técnicas para realizar as tarefas 2 Processos bem definidos Comportamentos padronizados Processos são controlados e melhorados Uso de indicadores de desempenho Técnicas utilizadas bem definidas 3 Processos estáveis Definição operacional estabelecida A documentação dos projetos é formalizada Integração e partilha da informação dos projetos Técnicas definidas para deteção de alterações aos processos 4 Os processos são melhorados sistematicamente e sempre que necessário Identificação de causas que possam causar distúrbios a nível operacional Sistemas padronizados Sustenta a avaliação de mudanças e cálculo do seu impacto 82 Anexos Nível 1 PMMM Uso inconsistente da gestão de projetos A organização reconhece a necessidade de utilizar metodologias da gestão de projetos Falta de suporte ao gestor de projeto 2 A organização reconhece a necessidade de estabelecer processos Os processos são definidos Suporte ao gestor de projetos Compreensão dos benefícios da gestão de projetos 3 Processos integrados Procedimentos rígidos Integração e combinação de várias metodologias da gestão de projetos Um conjunto de processos padrão utilizados pela organização 4 Existência de gestão de projetos com o objetivo de melhorar processos A organização estabelece uma melhoria baseada no seu bom desempenho 5 Os projetos são avaliados quantitativamente e qualitativamente pelos interessados São implementadas mudanças que possibilitam a melhoria contínua Otimização dos processos A organização tem em conta as necessidades do negócio e fatores externos 83 Anexos Nível 1 MMGP Resistência a alterações Falta de planeamento Controlo dos processos inexistentes Não existem procedimentos padronizados O sucesso dos projetos é resultado do esforço individual Incumprimento de prazos, custos e desvios dos objetivos 2 Tentativa de alinhamento do negócio A organização investe em formação das equipas de trabalho A organização percebe a necessidade de estabelecer um planeamento Adequar a estratégia ao tipo de organização ou setor Estabelecimento de metodologias adequadas 3 Padronização dos procedimentos Utilização de metodologias da gestão de projetos Os processos são controlados Implementação de uma estrutura organizacional Identificação de possíveis desvios 4 Os processos são consistentes Os projetos são avaliados Relatórios e lições aprendidas Melhorias metodológicas Os gestores de projetos aperfeiçoam-se às mudanças organizacionais 5 Uso de metodologias da gestão de projetos Melhoria contínua dos processos da gestão de projetos Estrutura organizacional consolidada Alinhamento adequado do negócio Otimização na execução dos projetos A organização apresenta novos e sólidos conhecimentos 84