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©2015 Paulo Gomes Lima; Silvio Cesar Moral Marques (Orgs.)
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permissão da editora e/ou autor.
L7324 Lima, Paulo Gomes; Marques, Silvio Cesar Moral
Fundamentos da Educação: recortes e discussões II/Paulo Gomes Lima;
Silvio Cesar Moral Marques. Jundiaí, Paco Editorial: 2015.
364 p. Inclui bibliografia.
ISBN: 978-85-8148-797-7
1. Fundamento da Educação 2. Pedagogia 3. Didática e formação de
professores 4. Pensamento Pedagógico. I. Lima, Paulo Gomes; Marques,
Silvio Cesar Moral
CDD:370
Índices para catálogo sistemático:
Educação-Pedagogia
História social
IMPRESSO NO BRASIL
PRINTED IN BRAZIL
Foi feito Depósito Legal
370
306.09
SUMÁRIO
Apresentação....................................................................9
Capítulo I
A educação para os povos primitivos..................................21
Elicio Gomes Lima
Capítulo II
A educação chinesa...........................................................39
Gabriel Lomba Santiago
Capítulo III
A educação hindu..............................................................53
Rute de Carvalho Angelini
Capítulo IV
A educação egípcia............................................................71
Vânia Lúcia Ruas Chelotti de Moraes
Capítulo V
A educação hebraica..........................................................85
Rubens Rodrigues Lima
Capítulo VI
A educação heroica – a Odisseia e a Ilíada.........................93
Flávia Leila da Silva
Capítulo VII
A educação cívica – Esparta e Atenas..............................105
Izabel de Carvalho Gonçalves Dias
Capítulo VIII
O pensamento pedagógico de Sócrates...........................121
Carolina Aparecida Rosa
Capítulo IX
O pensamento pedagógico de Platão..............................135
Kleyton Carlos Ferreira
Capítulo X
O pensamento pedagógico de Isócrates..........................147
Telma Elizabete de Moraes
Capítulo XI
O pensamento pedagógico de Aristóteles.......................165
Paulo Gomes Lima
Capítulo XII
O pensamento pedagógico helenístico............................181
Cristiane de Sá Dan
Capítulo XIII
A educação romana..........................................................195
Meira Chaves Pereira
Capítulo XIV
O pensamento pedagógico de Santo Agostinho..............203
Noêmia de Carvalho Garrido
Capítulo XV
O pensamento pedagógico na ordem dos
beneditinos (São Bento de Núrsia).................................219
Silmara Aparecida Lopes
Capítulo XVI
O pensamento pedagógico na ordem dos dominicanos..237
Mariclei Przylepa
Capítulo XVII
O pensamento pedagógico na ordem dos franciscanos..255
Ester Chichaveke
Capítulo XVIII
O pensamento pedagógico de Santo Tomás de Aquino..273
Paulo Gomes Lima
Lilian Tatiane Candia de Oliveira
Capítulo XIX
Elementos da educação moral religiosa medieval: os
bestiários.......................................................................287
Silvio Cesar Moral Marques
Capítulo XX
A educação na Alta Idade Média.....................................299
Sonia Maria Borges de Oliveira
Capítulo XXI
A educação na Baixa Idade Média...................................315
Alessandra Cristina Furtado
Adriana Aparecida Pinto
Capítulo XXII
O surgimento da universidade e a Escolástica como
meio pedagógico.............................................................333
Edson Segamarchi dos Santos
Biografia dos autores.......................................................353
APRESENTAÇÃO
O presente segundo volume de Fundamentos da Educação: recortes e discussões tem, como ponto de partida, o debate sobre a
evolução do pensamento pedagógico a partir das comunidades
primitivas até o surgimento das universidades, portanto, propõese a apreender alguns dos principais elementos representativos
do processo educativo e suas particularidades, considerando o
itinerário cronológico estendendo-se até o fim da idade média.
Algumas das temáticas do período não tratadas aqui se reportam
ao Volume 1, também lançado pela Paco Editorial e que, certamente, podem trazer maior repertório para aqueles que buscarem
uma visão de conjunto do que até agora estamos empreendendo.
Muitas mãos são responsáveis pelos recortes que compõem
o presente livro: estudiosos da educação, mestrandos, acadêmicos, pesquisadores. Pessoas comprometidas que não somente
aceitaram participar da tarefa de composição do volume, mas,
por inúmeras vezes, não se cansaram de envidar esforços na reelaboração de conteúdo e ampliação de base de consulta, considerando o leitor como peça primordial do respeito e cuidado na
disponibilização de sua contribuição.
A todos, recebam o nosso reconhecimento e certeza de que
o caminho percorrido gestou um material farto e robusto que, a
partir desse momento, podemos socializar com inúmeros atores
sociais, a partir de cada um dos capítulos desenvolvidos.
O Capítulo I, escrito pelo professor Elicio Gomes Lima,
apresenta uma análise da educação primitiva como um processo
de adaptação da vida ao meio natural e aos grupos sociais a que
os indivíduos pertenciam, nas eras da pré-história humana, desde
o surgimento dos primeiros Hominídeos, do Homo sapiens, até o
aparecimento da escrita, em torno de 4.000 a.C. e o início das primeiras civilizações humanas nas quais já aparece uma preocupação implícita e explícita de uma educação intencional para transmissão de conhecimentos e para a formação das novas gerações.
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Paulo Gomes Lima e Silvio Cesar Moral Marques (Orgs.)
O Capítulo II, escrito pelo professor Gabriel Lomba Santiago,
trata sobre “A Educação Chinesa”. A China é marcante pela sua
presença cultural original, como também um antes e depois de
Confúcio, do Império à República e desta ao socialismo. A moral,
a família, o meio ambiente e a cosmologia interagiam para moldar
o homem virtuoso, responsável e criativo a caminho da sabedoria.
Da linguagem e escrita, busca do saber e ciência sintetizam teoria
e prática. Hoje recolhem os frutos desse caminho às vezes utópico
e científico, mas sem perder jamais de vista a educação.
O Capítulo III de Rute de Carvalho Angelini tem como tema
“A Educação Hindu”. A Índia faz parte das grandes civilizações
antigas da humanidade que, com seu misticismo, suas crenças,
seus deuses e seus rios considerados sagrados revela uma significativa riqueza histórica de conhecimentos culturais, sociais e
educacionais. Este capítulo vem compartilhar os traços da civilização indiana, o que inclui também o sistema político e principalmente o religioso que dá sustentação ao processo educativo.
Falar sobre a Índia torna-se um desafio, visto que suas tradições
e contradições sociais muito se diferenciam da sociedade ocidental. É uma descoberta além das expectativas.
O Capítulo IV foi desenvolvido por Vânia Lúcia Ruas Chelotti
de Moraes – A Educação Egípcia. A civilização egípcia representou, para os povos ocidentais, o berço da educação, contribuindo,
à época, com componentes fundamentais para a forma com que
ela veio a se estruturar ao longo do processo histórico. A história
do ensino no Egito está intimamente relacionada com a religião e
com a cultura e nitidamente articulada segundo modelo de classe e
de governo déspota e autocrático, o que pressupõe um ensino exclusivamente tradicionalista com objetivos de transmitir às novas
gerações, com o máximo de fidedignidade, o patrimônio cultural
do seu povo (religião, ciência, arte, língua), de promover a valorização e o culto a esse patrimônio como riqueza permanente e de
formar, nos aprendizes, hábitos e ações idênticos aos do passado
para que seja assegurada a perpetuação da estrutura social vigente.
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Fundamentos da Educação
Neste texto, as peculiaridades do processo educacional dessa civilização são destacadas considerando a relação, forma, conteúdo e
finalidade da tipologia de educação, onde o para quem e em que
condições se centraram como o principal foco.
O Capítulo V, escrito por Rubens Rodrigues Lima, traz à luz
“A Educação Hebraica”. Para a nação hebraica, a influência ou
significação política na educação das crianças e jovens não era
conduzida pela mesma lógica dos demais povos, o seu foco era
diferenciado, sobretudo, pelo profundo conteúdo moral de sua
religiosidade. Tudo precisava fazer sentido na educação de uma
criança, desde a escolha do nome que certamente deveria conter
algum significado relacionado à índole do indivíduo – na leitura
dos pais ou sacerdotes – ou em homenagem a algum parente que
teve uma marcante liderança ou história de vida. O teocratismo
como condutor da vida social e política do povo hebreu são características tratadas neste capítulo.
O Capítulo VI da professora Flávia Leila da Silva – A Educação Heroica – A Odisseia e a Ilíada – apresenta algumas reflexões
acerca da educação heroica presente nos poemas homéricos: a
Ilíada e a Odisseia. Nestas obras, Homero preocupou-se com a
formação dos jovens guerreiros, por meio de uma educação que
reunia aspectos éticos e estéticos na busca por um modelo ideal
de homem. Pelo contato com estes poemas, os jovens gregos
que pertenciam à aristocracia eram inspirados pela busca das virtudes que possuíam seus personagens, como a honra, coragem
e a amizade. Considera-se por meio deste estudo o papel educativo destes poemas, pois eram instrumentos utilizados na elaboração de uma educação que visava à formação de um modelo
educacional que iria ao longo do tempo influenciar de forma
considerável as concepções educacionais ocidentais.
O Capítulo VII, de Izabel de Carvalho Gonçalves Dias, trata
da Educação Cívica em Esparta e Atenas. Duas cidades gregas que
se rivalizavam e que mais se destacaram na Grécia Antiga. Esparta,
uma sociedade de regime autoritário militarizado com uma edu11
Paulo Gomes Lima e Silvio Cesar Moral Marques (Orgs.)
cação de caráter totalitário e civismo repressivo, com os interesses
voltados para o Estado. Atenas, uma sociedade aberta, democrática
para o padrão daquela época e que priorizava a formação integral
do homem, a partir de uma tipologia educacional como meio para
o indivíduo alcançar o conhecimento da verdade, da justiça, do
belo e da virtude, para prática ideal da cidadania plena.
O Capítulo VIII escrito pela professora Carolina Aparecida Rosa – O pensamento pedagógico de Sócrates – apresenta
inicialmente, uma breve biografia do filósofo ateniense e, na sequência, dirige-se à discussão de seu método de ensino de base
filosófica centrado na ironia e maiêutica, bem como o conceito de paideia diferenciado. A autora apresenta reflexões acerca
do posicionamento crítico e instigador sustentado por Sócrates
aplicado à realidade e prática filosófica e à política do educador
contemporâneo, considerando a necessidade de autoanálise e autoconhecimento para formulação de questionamentos frente às
orientações de sistemas educacionais meramente reprodutivistas. Objetiva-se, portanto, pensar como o emprego do método
socrático pode colaborar na construção de uma forma crítica e
relacioná-lo ao ensino escolar.
Kleyton Carlos Ferreira escreveu o Capítulo IX, “O pensamento pedagógico De Platão”. O autor destaca que, para Platão,
seria tarefa da sociedade aprender a valorizar preceitos educativos da ética, moral e justiça social para que fossem constituídos
como sujeitos do bem (cidadãos morais). Para isso, o campo da
filosofia política não deveria estar distanciado da pedagogia e
da arte, dentre outras áreas do conhecimento. A educação em
Platão deveria ser acompanhada de um projeto político, o que
evitaria a uniformização dos cidadãos, auxiliando-os a se perceberem como tais, de acordo com as habilidades de cada um,
tendo como fim a produção de bens para todos, assim tudo o
que seria produzido deveria ser compartilhado de maneira justa.
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Fundamentos da Educação
O Capítulo X foi escrito pela professora Telma Elizabete de
Moraes, “O pensamento pedagógico de Isócrates”, que na história da educação destaca-se como fundador de uma das escolas em
Atenas, em torno do ano 390 a.C. Suas obras, em grande parte,
tratam de temas políticos e aqui destacamos Contra os Sofistas, Panagírico, Aeropagítico, Antídosis e os exímios discursos cipriotas direcionados aos reis, A Nícocles, Nícocles e Évagoras, como prestação
de contas de seu magistério, pois, em certa medida, contribuíram
para a formação do ideal pan-helênico, um dos pilares de sua trajetória educacional. Suas ideias afastavam-se das dos seus opositores, os mestres sofistas, dentre os quais Platão, por isso mesmo,
em seu discurso Contra os Sofistas, afirma não crer na retórica tradicional e na possibilidade da educação que prometia aos jovens
atenienses a felicidade (eudaimonia) e o ensino da virtude (areté),
ignorando-se os limites da paideia. Para Isócrates, o poder da educação e da cultura seriam os únicos instrumentos que levariam o
povo grego a conquistar uma estrutura política que beneficiasse
a polis inteira. A paideia política de sua escola levava em consideração a natureza do indivíduo (physis), a experiência (empeiria) e a
educação (paideusis) e sua doutrina buscava formar homens prudentes na arte de governar. O sistema retórico de grande estilo e
verdadeiramente político levou Isócrates a ser reconhecido como
grande influenciador da história específica de Atenas e como um
dos mais destacados representante da retórica grega.
No Capítulo XI, Paulo Gomes Lima escreve sobre “O pensamento pedagógico de Aristóteles”. Destaca o autor que, em sua
obra A Política, Aristóteles trabalha sobre a doutrina do Estado,
desde a sua concepção propriamente dita, assim como as formas
que podem caracterizá-lo e nessa perspectiva discorre sobre os
principais direitos e deveres que o “cidadão” deve exercer a fim
de que o “todo” (Estado) possa ajudar as “partes” (cidadãos e
instituições) e vice-versa. Nesta mesma obra, destacamos a presença de um capítulo intitulado “Da eugenia e da educação”, por
denotar uma preocupação toda especial do estagirita, uma preo13
Paulo Gomes Lima e Silvio Cesar Moral Marques (Orgs.)
cupação com a educação de sua época. Preocupação esta que o
mobilizou a elaborar alguns “requisitos ideais” para que, dentro
de sua óptica, houvesse benefício tanto para o aluno (cidadão
em formação) quanto para o Estado. O presente capítulo está
organizado em três partes complementares, a saber, 1) biografia,
características e obras; 2) Compreendendo a eugenia e a educação aristotélica; e 3) O processo educativo.
No Capítulo XII, a professora Cristiane de Sá Dan escreve
sobre “O pensamento pedagógico helenístico”. O objetivo deste
capítulo foi o de contextualizar o pensamento pedagógico helenístico e conhecer suas concepções educacionais em três eixos:
a) o período helenístico, b) a cultura helenística e c) o pensamento pedagógico helenístico como terceiro eixo. A produção
desse texto foi realizada com base em levantamento bibliográfico, onde foram utilizados como referenciais os livros e artigos
produzidos por estudiosos da história da educação na Antiguidade e civilização helenística. Conhecer sobre como se deu esse
período, sua cultura e modelo educacional helenístico, ajuda-nos
a pensar e rever sobre as nossas práticas e métodos para um ideal
pedagógico mais humanista.
Meira Chaves Pereira escreveu sobre “A Educação Romana”
no Capítulo XIII. Para efeitos desse capítulo, a autora destaca
as principais manifestações da educação romana, a partir de três
períodos destacados por Luzuriaga (1987): A educação na época
heroico-patrícia (século V ao III a.C.); A educação romana sob
a influência grega (séc. III ao I a.C.) e a Educação romana na
época do império (séc. I ao V da era cristã).
O Capítulo XIV escrito pela professora Noêmia de Carvalho
Garrido discute “O pensamento pedagógico de Santo Agostinho”.
A produção do texto se delineou através da visão de vários autores
que buscaram em Santo Agostinho o caminho para compreender
o processo educativo na idade medieval. Na discussão em tela, podemos encontrar recortes da obra de Agostinho De Magistro, onde
buscou-se analisar o processo educativo da época, tendo como
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Fundamentos da Educação
pano de fundo o papel da igreja, o cristianismo e a busca de resposta para as manifestações do mundo no dogmatismo relacionado à
origem divina, a escolástica e por fim uma reflexão em torno do
diálogo entre Santo Agostinho e seu filho Adeodato.
A professora Silmara Aparecida Lopes, no Capítulo XV, trata do “Pensamento pedagógico na ordem dos beneditinos (São
Bento De Núrsia). Neste capítulo, a autora discute o papel desempenhado pelo monasticismo ocidental, mormente da Ordem
Beneditina, tendo como fio condutor a educação cristã na primeira fase da Idade Média. Bento fora um monge italiano que
nascera por volta de 480 d.C., na região de Núrsia. No ano de
529, fundou o célebre mosteiro da Ordem Beneditina, marcando o início de uma das ordens mais conhecidas e respeitadas.
Em torno de 534, Bento redigiu a Regra pela qual, atendidas
as circunstâncias, pautam-se até hoje os mosteiros beneditinos
espalhados pelo mundo. São Bento de Núrsia (480-547) viveu
nessa fase de transição da Antiguidade para a Idade Média, período marcado pela decadência do Império Romano e pelo desmantelamento das instituições romanas. Nessa época, como as
escolas oficiais e particulares foram desaparecendo, a Igreja deu
início ao desenvolvimento das escolas paroquiais e das episcopais para a formação do clero, sendo que as escolas monásticas
constituíram-se como uma das principais instituições educativas
dessa fase, tornando-se espaço especial de preservação da vida,
da cultura e da escrita no Ocidente medievo.
O Capítulo XVI, escrito pela professora Mariclei Przylepa,
“O pensamento pedagógico na Ordem dos Dominicanos”, tem
como propósito desvelar as principais contribuições dessa ordem religiosa ao escopo pedagógico, também conhecida como
“Ordem dos Pregadores”. Para tanto, o estudo inicia abordando
o contexto social do século XIII, apresenta a Ordem dos Dominicanos e, na sequência, evidencia as suas formas de estudo e a
concepção de ensino e finaliza com destaques desta Ordem no
processo de instrução na Baixa Idade Média.
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