THOMAS BOVOLENTA BATISTA PLANO DE AÇÃO PARA MELHORIA DO SISTEMA DE OPERAÇÕES EM UMA EMPRESA MOVELEIRA: UMA PROPOSTA A PARTIR DA ANÁLISE DA ESTRATÉGIA COMPETITIVA E DE PRODUÇÃO Trabalho de formatura apresentado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para obtenção do Diploma de Engenheiro de Produção São Paulo 2005 THOMAS BOVOLENTA BATISTA PLANO DE AÇÃO PARA MELHORIA DO SISTEMA DE OPERAÇÕES EM UMA EMPRESA MOVELEIRA: UMA PROPOSTA A PARTIR DA ANÁLISE DA ESTRATÉGIA COMPETITIVA E DE PRODUÇÃO Trabalho de formatura apresentado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para obtenção do Diploma de Engenheiro de Produção Orientador: Prof. Dr. Davi Noboru Nakano São Paulo 2005 Agradecimentos Ao Professor Doutor Davi Noboru Nakano, orientador deste trabalho, que foi fundamental na realização do mesmo através de sugestões e discussões a respeito. Ao Diretor e demais funcionários da empresa objeto deste estudo, que se dispuseram a colaborar com o trabalho e tiveram paciência para explicar todo o processo produtivo e para tirar as mais diversas dúvidas sobre a empresa. A todos os professores da Escola Politécnica da USP, e em especial aos professores do Departamento de Engenharia de Produção. Aos meus pais e demais familiares, pela minha formação pessoal e incentivo na busca dos meus objetivos. Aos meus colegas de turma, pela ajuda nas pesquisas realizadas, incentivo e pelos momentos de descontração. Muito Obrigado. Resumo Este trabalho propõe um plano de ação, visando melhorias no sistema produtivo de uma empresa de médio porte, localizada no interior de São Paulo, cujo principal negócio é a fabricação de móveis padronizados. Para propor um plano de ação eficaz, este trabalho parte da análise da indústria moveleira e da identificação da estratégia competitiva adotada pela empresa. Após a identificação da estratégia competitiva é feito um relacionamento desta com a estratégia de produção, identificando qual é a estratégia de manufatura mais adequada e que ajudará a empresa a obter vantagem competitiva frente a seus concorrentes. As medidas sugeridas no plano de ação foram divididas em 5 grupos de problemas: Superprodução e Excesso de Estoque e de Espera, Processamento ineficaz, Excesso de produtos defeituosos, Excesso de movimentos e Excesso em transporte. Primeiramente foi escolhido um dos grupos, com base em critérios definidos, e depois as medidas pertencentes ao grupo escolhido foram priorizadas levando-se em conta a prioridade competitiva da empresa e a necessidade de cada medida pela empresa. Abstract This work proposes an action plan, aiming at improvements in the productive system of a medium size company, located in São Paulo´s countryside, whose main business activity is to manufacture standardized furniture. To recommend an efficient action plan, this work analyzes the furniture industry as well as identifying the strategy that should be adopted by the company. After the identification of the strategy is made, a relationship of this with the production strategy was made in order to identifying the most suitable manufacture strategy that will help the company to gain a competitive advantage against its competitors. The alternatives suggested in the action plan have been divided in 5 groups of problems: Inefficacious Processing, Excess of Defective Products, Excess of Movements, Excess in Transport and Overproduction, Excess of I nventory and of Wait. First, one of the groups was chosen, based on defined criteria and later the pertaining alternatives of the chosen group had been prioritized taking in to account the competitive priority of the company and the necessity of each alternative. Lista de Figuras Figura 1: Elementos da Estrutura Industrial........................................................................... 6 Figura 2: Hierarquia das Estratégias .....................................................................................14 Figura 3: Processo de Planejamento da Estratégia de Produção ..........................................16 Figura 4: Combinações Viáveis entre Estratégias Competitivas e Prioridades Competitivas ......................................................................................................................................23 Figura 5: Gráfico de Exportações Anuais.............................................................................32 Figura 6: Fluxograma do Processo de Produção de Suportes...............................................40 Figura 7: Colagem de Borda Automatizada .........................................................................41 Figura 8: Máquina para a Colagem de Borda Manual.........................................................41 Figura 9: Máquina para Furação das chapas.........................................................................42 Figura 10: Fluxograma do Processo de Produção de Suportes .............................................43 Figura 11: Diferentes Fatores Competitivos Implicam Diferentes Objetivos de Desempenho ......................................................................................................................................49 Figura 12: Método de Produção Empurrada.........................................................................61 Figura 13: Método de Produção Puxada...............................................................................62 Figura 14: Funcionamento do Kanban .................................................................................64 Figura 15: Programação da Manutenção Preventiva ............................................................68 Figura 16: Lista de Inspeção para Manutenção Preventiva ..................................................69 Figura 17: Vista de cima da planta de Móveis .....................................................................79 Figura 18: Vista de cima da Planta de Móveis (2)................................................................79 Figura 19: Vista de cima do processo de Colagem das Bordas ............................................80 Figura 20: Operário Fazendo o Transporte de Material.......................................................80 Figura 21: Máquina de Corte................................................................................................81 Figura 22: Máquina de Pintura .............................................................................................81 Figura 23: Operários Trabalhando........................................................................................82 Figura 24: Vista de cima da Planta de Móveis (3)................................................................82 Figura 25: Vista de cima dos Estoque Intermediários ..........................................................83 Figura 26: Vista de cima dos Estoque Intermediários (2) ....................................................83 Lista de Tabelas Tabela 1: Requisitos das estratégias Genéricas ....................................................................11 Tabela 2: Tipos de flexibilidades e naturezas das Incertezas ...............................................19 Tabela 3: Faturamento do Setor (US$ MM) .........................................................................31 Tabela 4: Exportações Brasileiras de Móveis.......................................................................32 Tabela 5: Importações Brasileiras de Móveis.......................................................................33 Tabela 6: Origem da Importações e Destino das Exportações Brasileiras ...........................33 Tabela 7: Reservas Florestais (1000 ha)...............................................................................35 Tabela 8: Fabricantes de Painel de Madeira Aglomerada e de MDF no Brasil ...................36 Tabela 9: Produção e Consumo de Painéis de Madeira Aglomerada e de MDF no Brasil (Mil m3 ) ........................................................................................................................37 Tabela 10: Normas Publicadas pela ABNT para o Setor Moveleiro ....................................37 Tabela 11: Critério Relação com os Custos..........................................................................57 Tabela 12: Custo/Facilidade de Implementação ...................................................................57 Tabela 13: Critério Estágio de Aplicação Atual...................................................................58 Tabela 14: Pontuação dos Grupos de Ações.........................................................................58 Tabela 15: Priorização das Ações .........................................................................................60 1 Introdução .............................................................................................. 1 1.1 Objetivo do Trabalho ................................................................................................. 2 2 Revisão Conceitual ................................................................................. 4 2.1 Estratégia Competitiva ............................................................................................... 5 2.2 Estratégia de Produção ............................................................................................14 2.2.1 Objetivos de Desempenho .................................................................................17 2.2.1.1 Qualidade .....................................................................................................17 2.2.1.2 Confiabilidade .............................................................................................17 2.2.1.3 Rapidez........................................................................................................18 2.2.1.4 Flexibilidade ................................................................................................18 2.2.1.5 Custo ............................................................................................................20 2.2.2 Decisões Estruturais e Infra -Estruturais .........................................................21 2.3 O Alinhamento da Estratégia de Produção com a Estratégia Competitiva........22 3 Metodologia do Trabalho ......................................................................25 4 Objeto de Estudo ...................................................................................28 4.1 A Indústria de Móveis ..............................................................................................29 4.1.1 Caracterização do Setor ....................................................................................29 4.1.2 Mercado Internacional......................................................................................30 4.1.3 Fornecedores de Matéria-Prima ......................................................................35 4.1.4 Padronização ......................................................................................................37 4.2 A Empresa.................................................................................................................38 4.2.1 Caracterização da Empresa..............................................................................38 4.2.2 Novos Entrantes.................................................................................................43 4.2.3 Concorência ........................................................................................................44 4.2.4 Fornecedores ......................................................................................................44 4.2.5 Compradores......................................................................................................45 5. Resultados.............................................................................................46 5.1 Estratégia Competitiva Adotada pela Empresa Estudada ...................................47 5.2 Alinhamento com a Estratégia Competitiva Global ..............................................48 6 Proposta de Plano de Ação ....................................................................52 6.1 Priorização das Ações...............................................................................................53 6.2 Produção Puxada e Kanban ....................................................................................61 6.3 Manutenção Preventiva............................................................................................66 7 Conclusão ..............................................................................................70 Bibliografia...............................................................................................73 Anexo I – Questionário Guia para Entrevista ..........................................75 Anexo II – Fotos do Chão de Fábrica .......................................................79 1 1 Introdução 2 Nos últimos anos devido à globalização, avanços tecnológicos, velocidade e facilidade de se obter informações e a exigência cada vez maior do s consumidores, que não pensam duas vezes em mudar suas escolhas de consumo, somados a turbulências e crises de mercado, houve um aumento significativo na competição entre as empresas nos diversos setores da economia mundial e brasileira. Dessa forma ficaram cada vez menores as margens de lucro obtidas pelas empresas, principalmente as de pequeno e médio porte, aumentando a necessidade das empresas possuírem seus processos produtivos trabalhando com mais eficácia e eficiência para se manterem vivas no mercado e manterem bom nível de rentabilidade com o passar do tempo. Outra coisa fundamental é que as empresas entendam quais são as reais necessidades de seus clientes, para que direcionem corretamente seus esforços e investimentos. De nada adianta produzir um bem de altíssima qualidade e sofisticação se os consumidores vêem como maior atributo deste produto o preço baixo, exigindo apenas um nível de qualidade mínimo. De maneira análoga, seria um desperdício investir maciçamente na melhoria do processo de entre ga, aumentando sua velocidade e confiabilidade, caso os produtos não tenham a qualidade exigida pelos clientes que buscarão em outras empresas esse atributo. 1.1 Objetivo do Trabalho Este trabalho tem como objetivo estabelecer um plano de ações para a melhoria do sistema de produção de uma empresa fabricante de móveis. Para estabelecer um plano de ação adequado à empresa, será analisada a estratégia competitiva da indústria que a empresa em questão está inserida, avaliando seu posicionamento estratégico em relação aos seus concorrentes no mercado de móveis brasileiro. Após a identificação da estratégia competitiva do negócio, será analisada a estratégia de manufatura, devido ao papel importante que esta apresenta na busca por competitividade. Através desta análise será identificada qual a estratégia de manufatura mais adequada para dar suporte a estratégia competitiva adotada. Para isso, serão levadas em consideração as prioridades competitivas, ou objetivos de desempenho, que são: custo, qualidade, flexibilidade, confiabilidade e rapidez, e a 3 relação destas prioridades com a estratégia competitiva da empresa. Através da seleção de algumas ações e medidas na produção se buscará alcançar a excelência em uma ou mais destas prioridades para dar suporte a estratégia competitiva adotada e reforçar a posição de liderança de mercado da empresa. O trabalho será realizado em uma das empresas líderes de mercado na fabricação de suportes para televisão, microondas, etc, e na fabricação de móveis que conheci através da indicação de um amigo, funcionário da companhia. Tal escolha foi feita, primeiramente pelo meu interesse em estar trabalhando diretamente com a produção, no chão de fábrica, onde as coisas acontecem, e também por se tratar de uma empresa de médio porte, onde provavelmente grandes desafios serão encontrados e importantes medidas de melhoria poderão ser adotadas, visando tornar a empresa ainda mais competitiva no mercado. O escopo do trabalho se restringe à área de marcenaria, onde são fabricados os móveis, pois esta é responsável por 70% do faturamento da empresa e por se tratar de um negócio relativamente novo na empresa, e por isso, co maior potencial de melhorias. 4 2 Revisão Conceitual 5 2.1 Estratégia Competitiva Para as empresas obterem vantagens na competição com os seus concorrentes, e sustentarem essas vantagens conseguidas ao longo do tempo elas adotam um conjunto de políticas, programas e ações que é denominado de estratégia competitiva. Em outras palavras, a estratégia é tentativa de desenvolver uma vantagem competitiva para a empresa ou negócio que começa através da compreensão da empresa e do meio onde ela está inserida. Porter (1989) define estratégia competitiva como sendo a “busca de uma posição competitiva favorável em uma ind ústria, a arena fundamental onde ocorre a concorrência. A estratégia competitiva visa estabelecer uma posição lucrativa e sustentável contra as forças que determinam a concorrência na indústria ” Existem dois conjuntos de fatores ou questões que determinam o nível de competitividade da empresa ou da unidade de negócio. O primeiro refere-se aos fatores externos, como a atratividade da indústria, situação econômica do país onde a empresa se encontra entre outros. O segundo se refere ao posicionamento da empresa em relação aos seus concorrentes dentro da indústria a que pertence, englobando fatores como a capacidade da gerência e de operações da empresa. É esse segundo conjunto de fatores que irá determinar o impacto que os fatores externos trarão ao desempenho da companhia. Dessa forma o grande desafio dos gerentes é combinar recursos, competências e ações que visem usar o ambiente externo ao seu favor para que se destaquem em relação aos seus concorrentes quanto à capacidade de satisfazer a demanda do mercado, produzindo assim, de acordo com Porter, vantagem competitiva. Ainda segundo Porter (1989), existem cinco forças competitivas que ditam as regras da concorrência, determinando a rentabilidade da firma, pois influenciam os preços, os custos e os investimentos necessários em uma indústria. As cinco forças competitivas são: a entrada de novos concorrentes, a ameaça de substitutos, o poder de barganha dos clientes, o poder de barganha dos fornecedores e a competição entre os concorrentes atuais. A influência relativa dessas forças varia de indústria para indústria e pode mudar também com o passar do tempo. A figura abaixo mostra a atuação destas forças na indústria. 6 Barreiras de Entrada Determinantes da Rivalidade economia de escala identidade da marca custo de mudança Canais de distribuição crescimento da indústria diferenciação do produto custo de mudança complexidades informacionais Fornecedores Novos Entrantes Rivalidade entre os Competidores Poder do Fornecedor Poder do Comprador Substitutos custos de mudança poder de barganha diferenciação Compradores volume de compras possibilidade de verticalização produtos substitutos Fonte: Porter (1989) Figura 1: Elementos da Estrutura Industrial O ponto de partida para a análise da estratégia competitiva de uma indústria consiste em entender estas forças. A seguir, será explicada cada uma destas forças, de acordo com Porter (1989). a) Ameaças de entrada A entrada de empresas novas para uma determinada indústria traz maior oferta de produto, a vontade de abocanhar uma fatia do mercado, além de mais investimentos e recursos nessa indústria. Dessa forma, com os novos entrantes a rentabilidade tende a cair devido a um aumento dos custos e diminuição dos preços. A ameaça de novos entrantes em uma determinada indústria depende das barreiras de entrada existentes. Os principais criadores de barreiras de entrada são : 7 • economias de escala • diferenciação do produto • identidade de marca • necessidade de capital • custos de mudança • acesso aos canais de distribuição • desvantagem de custo independente de escala e vantagem de custo absoluto • retaliação esperada • política governamental b) Rivalidade entre os concorrentes Em busca por melhores posições no mercado, os concorrentes usam diversos meios como, por exemplo, a concorrência de preços, disputas publicitárias, introdução de novos produtos e serviços, gerando o que chamamos de rivalidade entre os concorrentes. Os principais fatores envolvidos nessa alta rivalidade são: • concorrentes numerosos ou bem equilibrados, o que gera igualdade de forças • crescimento lento da indústria, o que gera briga por fatias do mercado • custos fixos ou de armazenamento altos, o que gera a necessidade de produção em máxima capacidade para tentar diluir esses custos • ausência de diferenciação ou custo de mudança, aumentando a disputa por preços • capacidade aumentada em grandes incrementos, podendo gerar excesso de capacidade • concorrentes divergentes, aumentam a concorrÊncia pois inibem a prática de estratégias combinadas • grandes interesses estratégicos, fazendo com que as empresas vejam o negócio não como fonte de lucro, mas como meio para alcançar determinada posição no mercado global 8 • barreiras de saída elevada, que fazem que as empresas se mantenham no mercado, mesmo quando esse se torna pouco atrativo c) Pressão dos produtos substitutos As empresas, além de terem seus concorrentes da mesma indústria, competem também com as fabricantes de produtos substitutos, que são aqueles que desempenham a mesma função dos produtos a qual substituem. Quanto mais atrativos forem estes produtos substitutos, ou seja, apresentarem melhor relação preço-desempenho, maior será a pressão sobre os lucros da indústria. Os fatores que determinam o grau de ameaça dos produtos substitutos são: • preço relativo dos substitutos • custo de mudança • propensão do comprador a substituir d) Poder de negociação dos compradores Quando os compradores possuem um forte poder de barganha, devido à importância e representatividade de suas compras para a indústria acaba-se gerando um aumento da competição, já que os preços são empurrados para baixo e maior qualidade dos produtos e serviços são exigidas. A força dos compradores é tanto maior quanto: • mais concentrado os compradores estiverem • maiores os volumes adquiridos • maior a representatividade dos produtos comprados em seus custos ou compras • maio for a padronização dos produtos que ele compra da indústria • menor forem os custos de mudança • menor forem suas margens de lucro • maior for a ameaça destes compradores realizarem a integração para trás 9 • menor a importância dos produtos e serviços da indústria para a qua lidade dos produtos e serviços do comprador • maior a informação que o comprador tem sobre o mercado; • maior for a capacidade de varejistas de influenciar a compra dos consumidores finais e) Poder de negociação dos fornecedores Quando os integrantes de uma indústria têm dificuldade para em utilizar mais de um fornecedor ou de trocar de fornecedor, estes podem pressionar os integrantes de uma certa indústria ameaçando aumentar seus preços, ou até diminuir a qualidade dos produtos oferecidos. Este poder é maior quando: • o mercado fornecedor é concentrado em poucas companhias • não existem produtos substitutos • o volume de compras da indústria não é significativo para os fornecedores • o produto dos fornecedores é um insumo fundamental para o negócio da indústria • o produto do fornecedor é único ou diferenciado • os custos de mudança são altos • o fornecedor consiste em uma ameaça de integração para frente Ainda segundo Porter (1989) as empresas em geral podem adotar três tipos de estratégia competitivas visando se defender das forças mencionadas anteriormente e conseguir um desempenho sustentável superior a seus concorrentes. Estas estratégias são: estratégia de liderança em custos, estratégia de diferenciação e estratégia de foco. A primeira visa obter vantagens competitivas pela oferta de produtos e serviços (em geral padronizados) a custos mais baixos do que os concorrentes, o que pode proporcionar a prática de menores preços. Algumas das várias formas de se alcançar esta estratégia é através da simplificação da fabricação de produtos, do investimento 10 pesado de capital em equipamento atualizado e em instalações para a produção em larga escala, da conquista grande parcela de mercado, da redução e controle rigoroso dos custos, do corte nos gastos em pesquisa e desenvolvimento e publicidade, e do acesso preferencial a matéria-prima. Os custos mais baixos, além de permitirem a prática de menores preços podem permit ir que a empresa retenha recursos, enquanto as demais gastam seus lucros na competição. Esta estratégia também aumenta as barreiras de entrada devido à economia de escala e ao baixo custo e preço dos produto s, além de melhorar o posicionamento da empresa frente aos produtos substitutos, por conseguir obter uma melhor relação preçodesempenho . A segunda, estratégia de diferenciação, busca alcançar vantagens pela introdução de um ou mais elementos de diferenciação nos produtos e serviços, criando algo que seja considerado único em toda a indústria e que justifiquem a cobrança de preços mais elevados, possibilitando aumento das margens de lucro. Esta estratégia visa desenvolver a fidelidade dos consumidores, diminuindo a possibilidade que este mude de marca. Os métodos mais comuns para assumir esta estratégia são: melhorar a imagem da marca, a qualidade e durabilidade do produto, oferecer serviços exclusivos, como o de assistência técnica diferenciada, entre outros. O terceiro tipo de estratégia , enfoque, objetiva obter vantagens competitivas ou pela oferta de produtos e serviços com menores custos, ou pela diferenciação dos mesmos, mas focando seus esforços em um segmento de mercado específico. Esta estratégia possui a premissa de atender este mercado restrito com maior eficácia e eficiência do que os concorrentes que estão competindo de forma mais ampla. Conseqüentemente a empresa pode atingir a diferenciação, satisfazendo melhor às necessidades de seu alvo particular, ou custos mais baixos no atendimento deste alvo. Estas três estratégias genéricas apresentam diferentes requisitos da organização. A tabela a seguir lista estes principais requisitos: 11 Estratégia Genérica Liderança no Custo Total Recursos e habilidades em Geral Requeridos Investimento de capital sustentado e acesso ao capital Boa capacidade de engenharia de processo Supervisão intensa de mão-de-obra Produtos projetados para facilitar a fabricação Requisitos Organizacionais Comuns Controle de custo rígido Relatórios de controle frequentes e detalhados Organização e responsabilidades estruturadas Incentivos baseados em metas extritamente quantitativas Sistema de distribuição com baixo custo Diferenciação Grande habilidade de marketing Engenharia do produto Tino criativo Forte coordenação entre funções em P&D, desenvolvimento do produto e marketing Avaliações e incentivos subjetivos em vez de medidas quantitativas Grande Capacidade em pesquisa básica Reputação da empresa como líder de qualidade e tecnologia Ambiente ameno para atrair mãode-obra altamente qualificada, cientista ou pessoas criativas Longa tradição na Indústria ou combinação ímpar de habilidades trazidas de outros negócios Forte cooperação de canais Enfoque Combinação das políticas acima dirigidas para a meta estratégica em particular Combinação das políticas acima dirigidas para a meta estratégica em particular Fonte: Porter (1989) Tabela 1: Requisitos das estratégias Genéricas Para Porter (1986), para se obter vantagem competitiva perante os concorrentes uma empresa deverá alcançar uma destas três estratégias. Porém se a empresa não opta por nenhumas dessas três estratégias ou investe seus esforços em mais de uma, ela estará perdendo competitividade por ficar nessa posição de “meio-termo”, que é uma posição extremamente frágil frente as cinco forças competitivas. Uma empresa no meio termo 12 só terá lucros atrativos se a estrutura de sua indústria for extremamente favorável, ou se os demais concorrentes estiverem na mesma situação de ambigüidade ou indefinição da estratégia. Em geral esta empresa possuirá baixa parcela de mercado, falta de investimento de capital, processos e arranjos organizacionais conflitantes, além de uma cultura empresarial indefinida, e por isso acaba sendo muito menos lucrativa do que rivais que alcançam uma das estratégias genéricas. Para Porter (1986), para um maior detalhamento da estratégia das empresas é possível analisá- la ainda segundo outras dimensões como as que se seguem: amplitude da carteira de produtos, segmento de clientes alvo, mercado geográfico atendido, canal de distribuição utilizado, identificação com a marca, posição de custo, serviços ao cliente, qualidade do produto e política de preços. Na maior parte das indústrias as empresas utilizam estratégias competitivas distintas. Porém, dentro de uma mesma indústria podemos classificar as empresas de estratégia semelhante em grupos estratégicos. As empresas de um mesmo grupo estratégico, além de possuírem estratégias gerais parecidas, ainda se assemelham por possuírem fatias de mercado semelhantes, e por serem afetadas e reagirem de forma parecida aos fatores externos que influenciam a indústria a qual pertencem. Podemos desmembrar a estratégia competitiva de uma companhia em estratégias funcionais, que são as estratégias de marketing, de produção, financeira e tecnológica. Estas estratégias funcionais devem ser concordantes para que os planos e ações tomadas no nível funcional proporcionem a vantagem competitiva que a empresa busca através da definição de sua estratégia mais ampla, que é a estratégia competitiva do negócio ou da empresa. A estratégia competitiva, que, em geral, está baseada em competências obtidas no decorrer da existência da empresa, corresponde aos objetivos de longo prazo da unidade de negócio ou da empresa. Estes objetivos são repassados às estratégias funcionais. Por se tratar de características que a empresa adquire ao longo do tempo, não são esperadas grandes transformações na sua estratégia ao menos que acontecimentos marcantes e radicais ocorram no ambiente. Com isso, e com o conhecimento do mercado onde a empresa está inserida, mesmo sem a divulgação ou formalização da estratégia que a empresa adota, é possível identificar a estratégia competitiva 13 efetivamente implementada por uma empresa que se encontra refletida nas características dos produtos e serviços que ela oferece. A estratégia competitiva adotada fica assim caracterizada pelo modo com que a empresa atende seus clientes. Estratégia adotada obterá sucesso quando esta possibilitar atender com precisão os desejos dos clientes e assim criar valor para eles. De acordo com Porter (1989), a vantagem competitiva advém da diferença entre o valor que a empresa cria para seus clientes e o custo que tem para criá- lo. Assim, um bom planejamento estratégico e a definição de um rumo estratégico são fundamentais para a empresa, pois esta encontrará dificuldades caso deseje atender todas as necessidades dos consumidores em todos os segmentos do mercado, ou caso deseje mudar drasticamente as características de seus produtos ou serviços visando migrar para outro segmento de mercado. O planejamento estratégico propicia que a empresa identifique em qual direção predominante pretende mover-se, orientando as competências, que ela adquire ao longo do tempo, para as oportunidades que surgem no mercado de criação de valor para seus clientes. Ao longo prazo, a empresa se torna competitiva ao acumular competências que possibilitam a ela a criação de produtos e serviços que não podem ser antecipados. Como já foi dito, a estratégia competitiva deve ser desdobrada nas estratégias funcionais de marketing, produção, tecnologia, finanças entre outras. A figura abaixo mostra como as estratégias de uma empresa são classificadas de acordo com uma hierarquia em: Estratégia Corporativa, Estratégia de Negócios e Estratégias Funcionais. 14 Estratégia Competitiva Estratégia de Negócio Estratégia Marketing/ Vendas Estratégia de Produção Estratégia Tecnológica Estratégia de Finanças Fonte: Wheelwright, apud Cerra & Bonadio Figura 2: Hierarquia das Estratégias O foco deste trabalho recai sobre a estratégia de produção. 2.2 Estratégia de Produção Segundo Slack (1999), a estratégia de produção é o padrão global de decisões e ações que define o papel, os objetivos e as atividades da produção de forma que estes apóiem e contribuam para a estratégia de negócio da organização. A formulação inicial de Estratégia de Produção foi feita por Skinner (1969). Em seu trabalho ele eleva a atividade de produção à condição de área estratégica. Dessa forma, todas as ações, planos e recursos da atividade de produção devem ser orientadas para as oportunidades que existem no mercado, e dessa forma conseguirão ajudar a empresa a atender as suas necessidades de crescimento e lucro. Para Skinner (1969) Estratégia de Produção é um conjunto de planos e políticas de produção e venda de produtos para um determinado mercado, no qual a companhia tenta obter vantagens sobre seus concorrentes. 15 A Estratégia de Produção, também cha mada por alguns autores de Estraté gia de Manufatura é composta pelas Prioridades Competitivas e pelas Áreas de Decisõe, que podem ser estruturais ou infra-estruturais. As Prioridades Competitivas, também chamadas de missões da produção precisam compor um conjunto de prioridades para que os programas a serem implementados nas áreas de decisão, tanto estruturais quanto infra-estruturais, sejam coerentes com a estratégia competitiva do negócio em questão. Garvin (1993) define cinco prioridades competitivas, que são: custo, qualidade, flexibilidade, serviços e entrega. De maneira análoga, SLACK (1999) define cinco objetivos de desempenho que possibilitarão com que a função produção contribua para se atingir a chamada vantagem baseada em produção. Esses cinco objetivos são: qualidade, rapidez, confiabilidade, flexibilidade e custo. A Figura 3 relaciona os principais conceitos referentes à Estratégia de Produção. 16 Estratégia Corporativa Estratégia Competitiva Liderança em custo Diferenciação Foco Prioridades Competitivas Custo Qualidade Rapidez Confiabilidade Flexibilidade Áreas de Decisão Estruturais Instalações Capacidade Tecnologia Integração vertical Infra-Estruturais RH Qualidade PCP Organização Fonte: adaptado de Slack (1999) Figura 3: Processo de Planejamento da Estratégia de Produção 17 2.2.1 Objetivos de Desempenho 2.2.1.1 Qualidade A qualidade é um conceito amplo que vai além do conceito dos aspectos relativos ao produto e ao processo, envolvendo também a idéia de satisfação dos clientes. Antigamente as empresas não tinham preocupação direta com a busca da qualidade e melhoria dos processos de manufatura. Preocupavam-se apenas em produzir em quantidades suficientes para que o excesso de produção cobrisse as perdas com produtos defeituosos ou fora das conformidades. Ultimamente, busca-se uma postura mais ativa na obtenção da qualidade, buscando-se evitar falhas durante o próprio processo de produção e não apenas identificando-as ao término do produto. Slack (1999) e Pires (1994) definem algumas abordagens da qualidade: • noção de qualidade absoluta: é um conceito bastante subjetivo e está ligado a imagem do produto. Por exemplo, a qualidade de uma caneta Mont Blanc • noção de conformidade às especificações: consiste em se seguir precisamente as especificações do projeto do produto durante a manufatura • noção de que a qualidade de um produto é um de características requeridas para satisfazer os consumidores. • Noção da qualidade baseada em valor que define a qualidade em termo s relativos ao custo e preço, ou seja, a qualidade de um produto é percebida em relação seu preço. 2.2.1.2 Confiabilidade Existe uma forte tendência das empresas de reduzir seus estoques, e por isso surge a necessidade de se receber suas matérias-prima s e outros componentes no tempo certo. 18 O atraso no recebimento pode acarretar em paradas de produção e substanciais perdas da empresa. Desta maneira, a garantia de que as encomendas serão recebidas nos prazos combinados (confiabilidade de entrega), torna -se de grande valor na escolha dos seus fornecedores. 2.2.1.3 Rapidez A velocidade de entrega é um critério decisivo na conquista de clientes e mercados. Muitos clientes estão dispostos até a pagar um "prêmio", definido por um preço maior, para terem seus pedidos entregues em prazos mais curtos. Essa rapidez de entrega traz benefícios não só para os clientes, como também para os fornecedores. Para os clientes, quanto menor o tempo entre a realização do pedido e o recebimento do material, a decisão de compra precisa ser feita com menor antecedência. Internamente, velocidade de entrega se traduz em benefícios devido ao aumento da velocidade do fluxo de materiais entre os processos, pois, material que passa rápido pelos processos gera menores custos. Um dos precursores em adotar o objetivo de desempenho rapidez foram os Japoneses. Na década de 1970 eles desenvolveram um conjunto de técnicas que atualmente chamamos de JIT (Just in Time). Dentre estas técnicas destacam-se: a filosofia de eliminar desperdícios, envolvimento de todos, aprimoramento contínuo, foco na operação, manutenção produtiva total (TPM), controle kanbam e programação nivelada (Slack, 1999). 2.2.1.4 Flexibilidade Flexibilidade é a capacidade do sistema produtivo de se adaptar rapidamente as mudanças no ambiente. Estas mudanças podem ocorrer na demanda do produto, no fornecimento de matérias primas, no processo produtivo, na tecnologia empregada, nos roteiros de produção, entre outros. Para se obter flexibilidade é necessário que as 19 atividades produtivas de uma empresa estejam adaptados para tal finalidade. Segundo Slack (1999), existem basicamente quatro tipos de flexibilidade: • flexibilidade de produto/serviço: a capacidade de produzir produtos ou serviços diferentes ao mesmo tempo • flexibilidade de composto (mix): a ampla variedade de produto ou serviços; • flexibilidade de volume: corresponde a alta quantidade de produtos ou serviços diferentes • flexibilidade de entrega: a capacidade de oferecer tempos de entrega distintos, de acordo com às necessidades dos clientes A Tabela a seguir caracteriza faz uma correlação entre as fontes de incerteza e o tipo de flexibilidade exigido para atender essas incertezas. Natureza da Incerteza Tipo de Flexibilidade Demanda pelos tipos de produtos Mix Total da demanda agregada dos produtos Volume Duração dos ciclos de vida dos produtos Substituições Características apropriadas dos produtos Modifiações Disponibilidade de recursos de produção Roteiros Disponibilidade de materiais padrão Materiais Disponibilidade de liberação de matérias-primas Sequenciamento Fonte: Pires (1994) Tabela 2: Tipos de flexibilidades e naturezas das Incertezas 20 2.2.1.5 Custo Para consegui um bom desempenho de custo, as empresas deverão produzir seus bens e serviços com um custo menor possível. Com custos baixos as empresas poderão repassar esses custos aos preços, reduzindo-os, e aumentando sua competitividade no mercado ou então aumentar suas margens de lucro. Com lucros maiores a empresa poderá realizar novos investimentos, possibilitando melhorias nos processos. Dessa forma, cria-se um círculo que permite a busca constante de redução de custos e o conseqüente aumento da lucratividade da empresa. Segundo Pires (1994), a prioridade competitiva custo se relacionada a três fatores: curva de experiência, economia de escala e produtividade. A redução dos custos devido à curva de experiência, ou aprendizado ocorre devido ao melhor desempenho obtido no trabalho devido a repetição e execução da padronização continuada. A economia de escala acarreta a redução dos custos, pois consegue-se obter menores custos unitários com os grandes volumes produzidos principalmente devido a diluição de custos indiretos e diretos da produção, como exemplo, podemos citar os custos das compras de materiais e serviços, de equipamentos e impostos incorridos. Por último temos o fator produtividade, que se refere ao maior ou menor aproveitamento dos recursos no processo de produção. Quanto menor for o tempo gasto com a produção e menor a quantidade de insumos necessários para se produzir determinada quantidade de produtos menor serão os custos. Os cincos objetivos de desempenho são analisados e adequados por algumas Áreas de Decisões, que se dividem em fatores estruturais e infra-estruturais de produção. 21 2.2.2 Decisões Estruturais e Infra-Estruturais Segundo Pires (1994) e Slack (1999) as decisões estruturais que acompanham uma estratégia de manufatura são: Instalações Industriais, Capacidade Industrial, Tecnologia, Integração Vertical e Projeto do Produto. Estas decisões podem ser avaliadas por meio de um planejamento das atividades industriais, as quais são constituídas por muitos pontos de referências que podem ser sistematicamente relacionados. Ressalta-se que nessa literatura os autores mencionavam que em um planejamento de atividade industrial é preciso analisar não apenas os pontos de referência, mas também a capacidade de prever e integrar todos os elementos pertinentes a um problema, sendo acrescidos alguns pontos subjetivos que exigem dos responsáveis grande experiência e bastante habilidade profissional. Já, as questões infra-estruturais que acompanham a estratégia de produção são: gestão da qualidade, organização, recursos humanos, relação com fornecedores e planejamento e controle da produção. 22 2.3 O Alinhamento da Estratégia de Produção com a Estratégia Competitiva De acordo com Slack (1999) e outros autores, a estratégia de produção é uma das estratégias funcionais que dão suporte a estratégia competitiva da corporação, sendo que a estratégia de produção tanto é influenciada como influencia a estratégia corporativa. A estratégia de produção é uma estratégia funcional que deve estar em sintonia com as demais estratégias funcionais. Ela está conectada de três formas com as demais estratégias da empresa. Na primeira a estratégia de produção tem como objetivo maior dar sustentação à estratégia da corporação ou do negócio; na segunda, a estratégia de produção precisa eleger e potencializar os objetivos estratégicos de produção em conjunto com as demais áreas funcionais da organização; e, por último, a estratégia de produção precisa identificar de que forma a sua unidade de produção pode contribuir de forma mais efetiva para a criação de valor para o conjunto da cadeia produtiva (fornecedores e consumidores). Neste trabalho procura-se analisar apenas o alinhamento da estratégia de produção com a estratégia competitiva adotada pelo negócio da empresa estudada, não dando muita importância aos demais casos. Slack (1999), propõe uma combinação conveniente entre a estratégia de produção, estabelecida pelo desempenho das prioridades comp etitivas e a política de decisões nas diferentes áreas estruturais e infra-estruturais da função produção, com a estratégia corporativa. A Figura a seguir mostra que existem quatro combinações concordantes e viáveis entre as prioridades competitivas de produção e as estratégias competitivas da empresa. Nesta combinação, Pires (1994) não cita a estratégia competitiva de focalização, em razão desta apenas delimitar o segmento de mercado a ser atingido por uma das duas estratégicas genéricas competitivas definidas (menor custo ou diferenciação). 23 Fonte: adaptado de Pires (1994) Figura 4: Combinações Viáveis entre Estratégias Competitivas e Prioridades Competitivas Desta forma, existem quatro combinações concordantes e viáveis entre as prioridades competitivas de produção e as estratégias competitivas da empresa: • estratégia competitiva de liderança em custo combinada com a prioridade competitiva custo; • estratégia competitiva diferenciação combinada com a prioridade competitiva qualidade ; 24 • estratégia competitiva diferenciação combinada com a prioridade competitiva desempenho das entregas; • estratégia competitiva diferenciação combinada com a prioridade competitiva flexibilidade; A combinação entre custo e qualidade, por exemplo, possui uma atuação de desempenho limitada, havendo uma necessidade de se priorizar e quantificar o grau de intensidade que se buscará atingir em cada prioridade competitiva. Na medida em que aumenta o nível de qualidade de um siste ma produtivo acaba-se aumentando também o custo. Slack (1999) diz que todas as decisões tomadas, que determinam a estrutura ou infra-estrutura de produção em uma operação produtiva, exercerão alguma influência sobre as prioridades competitivas de produção. As políticas para cada área de decisões do sistema de produção orientam a operação e evolução desse sistema, portanto a formulação e a implementação de uma estratégia de produção devem dar consistência e coerência ao conjunto das decisões. Pires (1994) também propõe um modelo que todas as definições estruturais e infraestruturais devem estar de acordo com as prioridades competitivas da manufatura almejadas e devem atuar de forma a se complementar. 25 3 Metodologia do Trabalho 26 A empresa objeto deste estudo é uma das maiores fabricantes de suporte e móveis do Brasil, vendendo seus produtos para todo o território nacional e também para o exterior. Essa escolha foi feita através da indicação de um conhecido que é funcionário da companhia, o que possibilitou uma maior facilidade na coleta de informações e maior receptividade por parte da empresa. Após a primeira visita a fábrica, fui encaminhado ao gerente industrial, que passou a ser meu contato direto na empresa e a pessoa encarregada de me auxiliar no levantamento de informações, e no desenvolvimento do trabalho, de maneira geral. Pode-se dividir o processo de realização deste trabalho em três fases. A primeira, foi uma fase de familiarização com a empresa e com seu processo produtivo, e compreendeu o período de maio a junho de 2005. A segunda fase, onde foi feito o levantamento de dados, que chamaremos de fase de diagnóstico foi feita ao longo dos meses de julho, agosto, setembro e começo de outubro. A última fase, que vai do meio de outubro ao começo de novembro, corresponde à fase de conclusão do trabalho, onde os últimos esclarecimentos foram feitos, e onde os resultados começaram a serem apresentados. Durante o trabalho foram feitas cerca de dez visitas à fábrica.Estas visitas eram feitas durante o período da manhã ou da tarde, durando em média quatro horas. 80% destas visitas foram distribuídas igualmente entre as fases de familiarização e a de diagnóstico. O restante, 20%, ocorreu na fase de conclusão. As três principais atividades realizadas nas visitas eram: entrevistas formais, conversas informais e observação direta. Foram realizadas ao todo três entrevistas formais, com durações de 30 a 60 minutos aproximadamente. A primeira ocorreu na fase de familiarização, feita com o gerente industrial que é formado em engenharia de produção. Nesta primeira entrevista buscouse entender o tamanho da empresa, seus negócios, o tempo que ela está no mercado e o próprio mercado que ela participa. Por se tratar de uma primeira conversa não foi preparado nenhum material como guia para a entrevista. As informações obtidas nesta entrevistas foram anotadas em um caderno durante a execução da mesma. A segunda entrevista ocorreu na fase de diagnóstico, foi feita diretamente com o diretor da empresa e foi fundamental para o levantamento do posicionamento estratégico da 27 empresa. Para esta entrevista foi elaborado um roteiro que segue como anexo deste trabalho, onde os dados colhidos foram anotados. A última entrevista formal foi uma entrevista feita em conjunto, co m o gerente industrial e com o diretor da empresa. Nela buscou-se selecionar as medidas para o plano de ação. Primeiramente forma criados os critérios e pesos utilizados para priorizar as alternativas, posteriormente notas foram dadas a cada uma das medidas para cada um dos critérios previamente elaborados. A lista de ações foi extraída de um checklist passado pelo professor Paulino Francischini do Departamento de Engenharia de Produção da Poli – USP, na disciplina PRO 2421 – Técnicas de Gerenciamento de Operações Industriais. As entrevistas e conversas informais foram feitas com todos os níveis hierárquicos da empresa, desde o presidente ao operador das máquinas. Nelas puderam-se descobrir coisas que não eram faladas nas conversas formais. As informações obtidas nessas conversas não eram registradas no mesmo momento, e sim posteriormente a elas. A observação direta no chão da fábrica também foi fundamental para a realização deste trabalho, pois possibilitou a verificação da realidade da produção, identificando suas características, deficiências e pontos fortes. Durante as observações, várias fotografias foram tiradas visando dar uma noção das dimensões da fábrica, e elucidando as operações envolvidas. 28 4 Objeto de Estudo 29 4.1 A Indústria de Móveis O objetivo desta parte do trabalho é descrever basicamente o contexto competitivo da empresa em questão e entender a indústria a qual ela pertence, que segundo Porter (1989) é a arena fundamental onde ocorre a competição. As análises da indústria de móveis feitas a seguir foram baseadas em dados extraídos do Panorama do Setor Moveleiro no Brasil, elaborado pela Abimóvel, e do trabalho realizado pelo BNDES, denominado Os Novos Desafios para a Indústria Moveleira no Brasil. Buscou-se através desta análise compreender a influências das forças competitivas nesta indústria. 4.1.1 Caracterização do Setor Os anos de 1980 se caracterizaram por transformações no setor de móveis, tanto no Brasil como em outros países. O uso de equipamentos automatizados, novas técnicas de administração e a utilização de novas matérias-primas foram as mudanças que permitiram a massificação do mercado, via padronização, maior qualidade e melhor preço dos móveis. Este setor da indústr ia nacional é fragmentado, verticalizada, e de utilização intensiva de mão de obra, porém com pouca participação de valor agregado. Essas características também são observadas na indústria moveleira internacional, com exceção da organização produtiva a qual é mais horizontalizada. Com base em estatísticas da Abimóvel, a indústria brasileira de móveis é constituída por, aproximadamente, 16 mil micro, pequenas e médias empresas, empregando cerca de 196 mil pessoas. Esta associação admite que entre empresas formais e informais, familiares e tradicionais, na grande maioria de capital nacional, existem, atualmente, mais de 50 mil unidades produtoras de móveis. A indústria moveleira nacional está localizada basicamente nas regiões: sul – São Bento do Sul (SC), Bento Gonçalves (RS), Arapongas (PR) – e sudeste – Mirassol, Votuporanga, e São Paulo (SP) e Ubá (MG) – com estruturas e linhas de produtos diferenciados. 30 Na década de 90, principalmente a partir de 1994, a indústria de móveis teve um avanço significativo em função da globalização, que abriu caminhos para as exportações, e obrigaram alguns segmentos a investirem na aquisição de máquinas e equipamentos. O ciclo positivo com a importação de máquinas e equipamentos acarretou o aumento da escala de produção e a padronização dos produtos as exigências internacionais, possibilitando um aumento significativo das exportações de móveis. 4.1.2 Mercado Internacional O comércio internacional de móveis adquiriu significância a partir dos anos 70, com a Itália liderando as exportações e seguida pelos Estados Unidos, Alemanha, Canadá e França, totalizando, nos dias de hoje, cerca de 50 países exportadores. O volume de transações em 2000 foi de aproximadamente US$ 57 bilhões. Atualmente, os maiores exportadores são Itália, Canadá e Alemanha, enquanto que os principais importadores são os Estados Unidos, Alemanha e França. A Itália, com aproximadamente 20% do total exportado no mundo lidera o ranking do setor. Os países emergentes aumentaram substancialmente sua participação bem como o Brasil, que triplicou suas exportações nos últimos dez anos passando de US$ 312 milhões para US$ 941 milhões. As sete maiores economias, Estados Unidos, Itália, Japão, Alemanha, Canadá e Reino unido, representam cerca de 64% da produção mundial de móveis. Os demais países desenvolvidos, 15% e os restantes 21% são produzidos pelos países emergentes. Entre estes últimos destacam-se China, México e Polônia que terão um rápido e expressivo aumento, em função dos recentes investimentos em novas plantas, e projetos desenvolvidos visando a produção para a exportação. O Brasil, com uma produção em torno de US$ 4,3 bilhões, detêm uma participação de 2,2% na produção mundial de móveis que é estimada em US$ 200 bilhões. No Brasil, o desenvolvimento da indústria moveleira até 2000 pode ser atribuído à abertura da economia e à ampliação do mercado interno, com a introdução de novos consumidores, graças à redução da inflação e dos custos indiretos de produção que, 31 juntamente com o baixo custo da madeira reflorestada possibilitaram redução dos preços praticados. No período de 2000 a 2004, embora tenha havido um incremento significativo nas exportações, o mercado interno perdeu US$ 1 bilhão de dólares, causado pela ala do dólar e pelas altas taxas de juros que inibem o consumidor e investimentos. A tabela 3 mostra o comportamento do faturamento do setor nos últimos anos. Ano Produção/Faturamento Consumo Exportação Importação Export/Produção (%) Import/Consumo (%) 2000 4.815 4.443 485 113 10,1 2,5 2001 4.129 3.749 479 99 11,6 2,6 2002 3.457 3.002 533 78 15,4 2,6 2003 3.587 2.995 662 70 17,2 2,3 2004 4.271 3.422 941 92 22 2,6 Fonte: Abimóvel Tabela 3: Faturamento do Setor (US$ MM) A relação de troca pra o setor no Brasil se apresenta superavitária em torno de US$ 850 milhões ao ano, como foi verificado em 2004. Além desta vantagem uma outra pode ser citada para o setor, é a que se refere à tendência crescente das exportações, que nos últimos dez anos teve uma taxa superior a 10% ao ano e em 2004 foi de 42%. O detalhamento maior das exportações brasileiras são mostradas na tabela 4 e no gráfico a seguir: 32 ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 US$ 39.744.595 57.295.962 125.694.839 266.069.681 293.545.956 336.558.513 351.324.802 366.331.006 338.081.212 385.202.520 485.174.452 479.085.232 532.486.497 661.556.905 940.574.475 Fonte: Abimóvel Tabela 4: Exportações Brasileiras de Móveis US$ MM 941 662 532 485 266 294 337 351 366 479 385 338 126 40 57 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Fonte: Abimóvel Figura 5: Gráfico de Exportações Anuais 33 No que tange as importações tem se verificado que nos últimos anos houve uma redução da ordem de 48% quando comparado o ano de 2004 com o período de 1997/98. Apresenta ainda uma tendência de estabilização nos últimos 4 anos em torno de US$ 85 milhões. O detalhamento das importações de móveis a apresentado na tabela a seguir: Tabela: Importações Brasileiras de Móveis ANO 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 US$ 15.301.049 34.443.157 80.953.098 105.277.605 159.363.769 160.067.543 113.059.913 112.593.827 99.087.929 77.935.295 69.591.075 91.589.127 Fonte: Abimóvel Tabela 5: Importações Brasileiras de Móveis Nesta área ainda convém destacar que as exportações dos móveis nacionais se destinam principalmente aos Estados Unidos, enquanto que as importações são oriundas principalmente da Alemanha, conforme mostra a tabela a seguir. Origem das importações Alemanha EstadoUnidos Itália França Espanha % 36 12 11 10 9 Destino das exportações EstadosUnidos França Argentina ReinoUnido Holanda Fonte: CSIL Tabela 6: Origem da Importações e Destino das Exportações Brasileiras % 34 14 14 8 5 34 As perspectivas da economia mundial para os próximos anos podem ser consideradas otimistas em função dos seguintes fatores: • os Estados Unido, pricipal mercado, tem crescido a taxas superiores a média dos demais países; • a China com taxas de crecimento em torno de 9% ao ano, nos últimos anos, e uma enorme população é um mercado consumidor potencial dos produtos da indústria moveleira. • nos últimos 4 anos não se verificou em nenhum país crise econômica e financeira como as ocorridas a tempos atrás no México Argentina e outros paíse • aparentemente nenhum país apresenta sintomas de crise que possa mudar as expectativas do mercado mundial. O mercado americano tem sido alvo do comércio moveleiro brasileiro nos últimos dez anos. A demanda por móveis importados pelo consumidor americano tem crescido pelo gosto aos projetos europeus modernos e pela capacidade de fornecedores estrangeiros de oferecerem móveis a preços competitivos. As possibilidades existentes, tanto no mercado interno quanto no externo, de crescimento prevêem uma taxa do setor superior a 10% ao ano. Os fatores positivos para o setor moveleiro são a disponibilidade de matérias primas, painéis de aglomerado e MDF, a preços compatíveis, em função dos estoques formados; a existência de mão-de-obra especializada nos pólos da região sul e sudeste; e também da experiência acumulada com as exportações realizadas. Outro fator positivo é a tendência das exportações, a qual bem explorada e incentivada poderá gerar benefícios para o seto r e à economia brasileira. O porte acanhado da maioria das empresas é um fator limitante para conquistar mercados mais desenvolvidos. Por outro lado as empresas de maior expressão tornam se executoras de projetos e idéias importadas. No que diz respeito ao mercado interno que tem sentido os efeitos da política econômica dos últimos anos, a elevada taxa de juros tem restringido e reduzido o consumo dos produtos do setor. 35 Assim, com certeza uma linha de crédito, com juros na ordem de 0,99% a 3% como a dos financiamentos de automóveis incentivaria o mercado interno do setor. 4.1.3 Fornecedores de Matéria-Prima A composição das matérias primas utilizadas na industria em questão, obriga a apresentação de um panorama geral sobre a base florestal mundial, que é mostrado na tabela a seguir. Território 845.651 Brasil América do Sul 1.754.741 13.063.900 Mundo Florestas (1990) 566.998 922.731 3.963.429 Florestas Variação cobertura (2000) florestal (%) 543.905 -0,4 885.618 -0,4 3.869.455 -0,2 Fonte: FAO, 2000 in CSIL (The furniture industry in Brazil, 2003), apud Abimóvel Tabela 7: Reservas Florestais (1000 ha) As florestas nativas ou naturais representam 66% do território naciona l, as florestas plantadas 0,5% e os restantes 33,5% são utilizados para outros usos, como agricultura, pecuária, áreas urbanas e infra-estrutura. As florestas plantadas, possuem um total de 5 bilhões de hectares, sendo 1,8 bilhões de pinus e 3 bilhões de eucaliptos, e estão concentradas em Minas Gerais, São Paulo e Paraná. O uso da madeira de eucalipto para a fabricação de móveis vem se consolidando no Brasil A produção chapas de madeira processada/reconstituída – aglomerado e medium density fiberboard (MDF) foi de 758 mil metros cúbicos em 1994 e atualmente é de 2.887 mil metros cúbicos. A maior parcela desta matéria prima é absorvida pela industria moveleira nacional. A madeira maciça também é amplamente utilizada no Brasil, sendo que as madeiras provenientes de mata nativa estão em declínio devido a diminuição destas áreas e ao 36 maior controle governamental. Estima-se que cerca de 60% da madeira maciça industrializada pela indústria moveleira já sejam provenientes de plantios. A Tabela a seguir mostra quem são os principais fornecedores atuais de chapas de aglomerado e de MDF instalados no Brasil. Empresas Berneck Duratex Eucatex Masisa Placas do Paraná Satipel Tafisa Aglomerado Sim Sim Sim Não Sim Sim Sim MDF Não Sim Não Sim Sim Não Sim Fonte: BNDES Tabela 8: Fabricantes de Painel de Madeira Aglomerada e de MDF no Brasil Toda a produção desses painéis é sustentada por florestas plantadas, sendo que as empresas Placas do Paraná, Tafisa e Berneck utilizam 100% de pínus na fabricação de painéis de aglomerado e/ou MDF, a Eucatex utiliza 100% de eucalipto e a Duratex e a Satipel combinam pínus e eucalipto em proporções variadas. A oferta interna de madeira aglomerada e chapas de MDF, cujo processo produtivo foi financiado pelo BNDES, atingiu níveis considerados ideais pela indústria produtora de móveis. Em função do aumento desta oferta, os preços dos painéis de aglomerados apresentaram uma queda nos anos de 2000 a 2002, fazendo com que a sua produção se estabilizasse ao nível de 1.888 mil metros cúbicos, produção média dos últimos 4 anos. Os preços dos painéis de MDF deverão apresentar comportamento semelhante, pois sua produção foi aproximadamente 3 vezes maior que a de 2000, enquanto que o consumo cresceu 2,5 vezes no mesmo período, indicando uma formação de estoques na ordem de 100 mil metros cúbicos ano. O setor moveleiro encara esta competitividade na produção de painéis como uma possibilidade de conquistar e criar novos mercados. A tabela 9 mostra a produç ão e o consumo nacional de painéis de aglomerado e MDF. 37 Produção Aglomerado MDF Consumo Aglomerado MDF 1997 1.254 1.224 30 1.438 1.295 143 1998 1.480 1.313 167 1.506 1.322 184 1999 1.857 1.500 357 1.824 1.473 351 2000 2.143 1.762 381 2.151 1.762 389 2001 2.442 1.833 609 2.500 1.871 629 2002 2.636 1.791 845 2.531 1.815 716 2003 CAGR % 2.887 15% 1.808 7% 1.079 82% 2.848 12% 1.867 6% 981 38% Fonte: Abipa Tabela 9: Produção e Consumo de Painéis de Madeira Aglomerada e de MDF no Brasil (Mil m3 ) 4.1.4 Padronização O Brasil, comparado com a América do Norte e a Europa, se apresenta defasado em termos de normas técnicas e certificados de qualidade. Até o início de 2002 a ABNT publicou um total de 35 normas que afetam diretamente o setor, principalmente o especializado em móveis para escritório, que representam 25% da produção. O quadro abaixo mostra o número de normas criadas pela ABNT divididas por assunto. Assunto Quantidade Móveis para Escritórios 13 Móveis Escolares 2 Ferragens e Acessórios para Móveis 11 Móveis para Cozinhas 2 Berços Infantis 1 Cadeiras Altas 1 Tratamento de Superfície em Móveis 1 Móveis (Geral) 2 Vidros e Tecidos para Móveis 2 Fonte:ABNT Tabela 10: Normas Publicadas pela ABNT para o Setor Moveleiro 38 4.2 A Empresa 4.2.1 Caracterização da Empresa A unidade fabril da empresa fica situada em um município próximo à Grande São Paulo, a cerca de 50 km do centro da capital.. Possui 80.000 m² de propriedade, dos quais 17.000 m² são de área construída e 30.000 m² de área preservada da mata atlântica. A linha de produtos e ampla, porém padronizado, englobando desde suportes, mesas para micro, racks, estantes, móveis para área de serviço até cadeiras. Estes produtos visam atender clientes de diversos segmentos: distribuidores, cadeias de lojas de homecenters, hipermercados, lojas de eletrônica, entre vários outros. Visando conquistar maior mercado no exterior, em setembro de 1996, a empresa expandiu suas fronteiras internacionais, construindo uma fábrica na América Central, onde seus produtos são vendidos por uma empresa coligada local. Atualmente a empresa vende para mais de 20 países. Os embarques são realizados através do porto de Santos, no Estado de São Paulo, e também são feitos embarques rodoviários para os países mais próximos. A fábrica, no Brasil, opera atualmente com 160 empregados, sendo 32 nas áreas administrativas e 128 ligados diretamente a produção. A empresa é dividida atualmente em duas unidades de negócio: metalurgia e marcenaria. A área de metalurgia é responsável pela fabricação dos suportes e outros componentes metálicos, e a área de marcenaria responsável pela fabricação de móveis em geral, e que usa alguns componentes da metalurgia em seus produtos. As duas áreas ocupam galpões distintos, com espaço fabril é dividido igualmente entre ambas. A capacidade de produção é na média de 4.500 suportes e 1.300 móveis por dia, variando de acordo com os modelos produzidos, porém apenas 2.000 suportes e 750 mesas estão sendo produzidos por dia, havendo, portanto, capacidade ociosa de produção. 39 Outra constatação é que 70% do faturamento atual da empresa é gerado pela marcenaria, através da venda de móveis, e apenas 30% é gerado pela venda dos suportes, que, por sua vez, já foi o principal e único negócio da empresa, antes desta investir na produção de móveis de madeira. Atualmente o principal produto vendido pela área de marcenaria são as mesas para computadores, e a principal matéria prima utilizada são as chapas de aglomerados. A seguir, segue descrição do processo de fabricação nas duas áreas, de metalurgia e marcenaria. Metalurgia: • Recebimento de matéria prima: tubos e chapas com dimensões diversas são recebidos e armazenados • Corte : os tubos e chapas são cortados em diversos tamanhos, de acordo com o modelo a o componente que integrarão. • Estampagem/Furação: são feitos furos nos tubos e dobras nas chapas • Solda : os componentes são soldados entre si e a outros componentes que já são comprados prontos • Tratamento Superficial: os diversos componentes recebem o tratamento superficial à base de fosfato para poderem ir para a próxima fase do processo • Pintura Eletrostática: os componentes entram na cabine de pintura e são polarizados e recebem jatos de tinta com a polarização inversa, facilitando a adesão das partículas de tinta no material e deixado a pintura com alta qualidade. Atualmente 75% dos suportes são da cor preta e os outros 25% se dividem entre branco e prata. • Embalagem: os diversos componentes que fazem parte de um determinado modelo são embalados juntamente com outros componentes externos • Expedição: depois de embalados os produtos finais são estocados e ficam prontos para a expedição, onde os caminhões são carregados. • Controle de qualidade : um exemplar do lote é montado para checar se não houve problemas de fabricação, como dimensões erradas, etc. 40 A figura a seguir mostra o fluxograma simplificado do processo de produção dos suportes: Recebimento da matéria prima (tubos e chapas) Corte Estamparia (furos nos tubos e drobas nas chapas) Solda Tratamento Superficial (Fosfato) Pintura Eletrostática Componentes Embalagem Expedição Figura 6: Fluxograma do Processo de Produção de Suportes Marcenaria: • Recebimento de matéria prima: chapas de madeiras com dimensões diversas são recebidas e armazenadas. • Corte : as chapas são posicionadas pelo operador e cortadas por uma máquina de corte conforme dimensões programadas • Colagem das bordas: fitas adesivas ou tiras de PVC são coladas nas laterais da chapas para dar um melhor acabamento ao produto final. Para a colagem das fitas nas laterais retas o processo é automatizado, bastando apenas colocar as madeiras na máquina e retirálas do outro lado. Quando se trata de superfícies curvas o processo envolvido é mais manual. O operador é quem move as chapas de madeira. 41 Figura 7: Colagem de Borda Automatizada Figura 8: Máquina para a Colagem de Borda Manual • Furação: são feitos furos nas chapas em máquinas furadoras automáticas, o operador só é responsável por colocá-las e retira- las da máquina. 42 Figura 9: Máquina para Furação das chapas • Pintura UV: alguns móve is recebem esse tipo de pintura, que recebe esse nome porque a secagem da tinta é feita por meio de raios ultra violeta. • Embalagem: os diversos componentes que fazem parte de um determinado modelo são embalados juntamente com outros componentes externos e outros vindos da área de metalurgia • Expedição: depois de embalados os produtos finais são estocados e ficam prontos para a expedição, onde os caminhões são carregados. • Controle de qualidade : um exemplar do lote é montado para checar se não houve problemas de fabricação, como dimensões erradas, etc. 43 A figura a seguir mostra o fluxograma simplificado do processo de produção dos móveis: Recebimento da matéria prima (Chapas de Madeira) Corte Estamparia (furos nos tubos e drobas nas chapas) Fuação Colagem das Bordas (Fita adesiva ou PVC) Pintura UV Componentes Embalagem Expedição Figura 10: Fluxograma do Processo de Produção de Suportes O principal produto vendido pela área de marcenaria são as mesas para computadores, e a principal matéria prima utilizada são as chapas de aglomerados. A seguir será feita uma breve análise das principais forças competitivas atuantes no negócio de móveis da empresa estudada. 4.2.2 Novos Entrantes O setor moveleiro impõe a necessidade de muito capital na entrada de novas empresas, assim como uma boa economia de escala, o que dificulta a entrada de nocvos concorrentes. Para alguns produtos há a necessidade de patentes e licenças, e ainda há a exigência, por parte do mercado, de boa reputação, que foi conseguida pela empresa estudada ao longo do tempo. 44 4.2.3 Concorência Pode-se identificar três tipos de concorrentes para a área de marcenaria da empresa. No primeiro tipo encontram-se os concorrentes mais diretos da empresa, formados por inúmeras empresas de médio porte, com uma infra-estrutura parecida, com produtos similares e até iguais ao da empresa em questão e que vendem seus produtos ao varejo. No segundo tipo encontram-se os produtores de móveis artesanais. Este tipo de concorrência oferece produtos personalizados e de maior qualidade, feitos, na maioria das vezes sob encomenda. Por possuírem maior qualidade, estes concorrentes praticam um preço premium e por isto se destinam as classes mais altas da sociedade. A venda destes produtos, ao contrário do que ocorre no caso do tipo de concorrentes anterior, é feita diretamente ao consumidor final. O último tipo de concorrentes verificado corresponde às empresas que disponibilizam no mercado todos os itens necessários para que o próprio consumidor crie seu produto. Um exemplo é a empresa Peg & Faça. 4.2.4 Fornecedores A empresa estudada busca contar sempre com no mínimo dois fornecedores de cada item de compra. O fator determinante na aquisição de seus produtos é o preço, com exceção da fita de bordo, cujo determinante é a qualidade. Entre os fornecedores, os de maior destaque são os de madeira aglomerada. Cerca de 90% das placas de aglomerado adquiridas são oriundas da Eucatex, e o restante 10% se divide entre a Berneck e a Duratex. Podemos notar aqui, que há uma certa dependência da empresa por apenas um fornecedor, apesar de que não são muito altos os custos de mudança de fornecedor. 45 4.2.5 Compradores A maior parte da receita da empresa está vinculada com o comércio varejista de grandes ma gazines, mas os pequenos comércios (lojas de rua) auxiliam na alavancagem do orçamento da empresa. O mercado externo, colabora com 10% das vendas e está em crescimento contínuo. A empresa não realiza a venda direta aos consumidores finais. O alicerce nas negociações de venda da empresa, segundo seu Diretor, é o preço baixo que ela pratica, seguido pelo poder da marca, obtido principalmente através da venda de suportes, que é o negócio mais antigo da companhia. O perfil do consumidor final da linha de móveis, é em sua maioria o público jovem, solteiro e das classes A e B, que buscam, a priori um bom preço, em detrimento da qualidade ou marca do produto. Os principais clientes da empresa são: Carrefour, Leroy Merlin, Ponto Frio, Magazine Luiza, Supermercados Big, entre outros. Podemos observar que são clientes de grande porte, porém as vendas não são concentradas em um único comprador. 46 5. Resultados 47 5.1 Estratégia Competitiva Adotada pela Empresa Estudada De acordo com o que foi mostrado anteriormente, neste trabalho, existem três estratégias competitivas genéricas: liderança no custo total, diferenciação e enfoque, que uma empresa pode adotar. Através das conversas realizadas nas visitas à empresa, bem como da observação direta na fábrica e da análise do mercado foi possível inferir que a estratégia competitiva adotada pela Empresa em questão é a de menor custo. Este resultado pôde ser confirmado pelo questionário respondido conjuntamente pelo gerente de produção e pelo Diretor geral da empresa. A questão 12 do questionário aplicado é bem direta. Pode-se identificar um posicionamento competitivo de sua empresa por meio de estratégia como: (Marque somente uma alternativa) (X) a competição no custo total dos produtos em um mercado amplo ( ) a competição na diferenciação dos produtos em um mercado amplo ( ) a competição na diferenciação dos produtos em um mercado restrito, por exemplo, atende uma classe de consumidor específica. ( ) a competição no custo total dos produtos em um mercado restrito, por exemplo, atende uma classe de consumidor específica, em um custo baixo. ( ) não existe nenhuma definição estratégica do produto Outra constatação importante e que reforça este posicionamento é que no mercado em questão há pouca diferenciação entre os produtos fabricados, e que a competição entre s principais concorrentes é baseada principalmente no preço. A liderança no custo consiste em atingir um conjunto de políticas funcionais orientada para este objetivo. Por exemplo, uma forma de se alcançar esta estratégia é a simplificação da fabricação de produtos, otimização do processo, etc. 48 5.2 Alinhamento com a Estratégia Competitiva Global Uma vez definida que a estratégia competitiva genérica adotada pela empresa analisada é a liderança em custo, veremos qual é a relação desta estratégia com a estratégia de produção empregada. Conforme visto anteriormente, segundo Pires (1994 ), existem apenas uma prioridade competitiva concordante com a estratégia competitiva de menor custo, que é a prioridade competitiva “custo”. Segundo Slack (1999), de todos os aspectos que influenciam a prioridade que uma organização dá a seus objetivos de desempenho, os mais imediatos são os dos consumidores. A produção procura satisfazer aos clientes desenvolvendo seus cinco objetivos de desempenho. A figura 11 mostra a relação entre as necessidades do cliente e os objetivos de desempenho : 49 Fatores Competitivos Objetivos de Desempenho Se os consumidores valorizam estes... Então a operação precisará ser excelente nestes... Preço Custo Qualidade Alta Qualidade Entrega Rápida Rapidez Entrega Confiável Confiabiliddade Produtos e Serviços Inovadores Flexibilidade (Produto/Serviço) Ampla Gama de Produtos e Serviços Flexibilidade (Mix ou Composto de Produtos) Habilidade de mudar a Quantidade ou o Prazo de Entrega dos Produtos Flexibilidade (Volume e/ou Entrega) Fonte: Slack (1999) Figura 11: Diferentes Fatores Competitivos Implicam Diferentes Objetivos de Desempenho Segundo a questão 11 do questionário respondido, vemos que a característica do produto mais valorizada pelos lojistas na hora da venda é o preço, em detrimento de outras, como prazo de entrega, diversificação da linha do produto, etc. 50 Quais fatores abaixo o seu cliente (lojista) valoriza nas vendas (por favor, indique a prioridade mais alta com 1, a segunda com 2 e assim, sucessivamente): [ 3 ] qualidade do produto [7 ] obtenção de prazo de pagamento [ 1 ] preço do produto [ 4 ] prazo de entrega [ 2 ] capacidade de atendimento [ 6 ] estilo e design do produto [ 5 ] diversificação da linha do produto [ 8 ] assistência técnica aos clientes Dessa forma de acordo com a figura acima, a operação na fábrica de móveis deve possuir excelência em custo. E é exatamente a busca por baixos custos de produção a maior prioridade da empresa segundo a resposta da questão 14 que está transcrita a seguir: Classifique em ordem de importância os fatores que são prioridades na fabricação de seus produtos (indique a sua prioridade mais alta com 1, a segunda com 2 e assim, sucessivamente): [ 1 ] Custo, menor custo de produção [ 2 ] Qualidade do Produto final [ 3 ] Rapidez nas Entregas [ 3 ] Cumprir com prazos de entregas [ 4 ] Flexibilidade, inovação no produto [ 4 ] Ampla variedade ou composto de produtos [ 4 ] Produção em quantidade ou volumes diferentes de produtos [ 5 ] Assistência técnica 51 Comparando as respostas obtidas e demais análises a respeito da estratégia competitiva e da estratégia de produção, verificamos que ambas estão em concordância no caso da Empresa estudada. Os próximos passos deste trabalho visam identificar oportunidades de melhoria e desenvolver propostas que busquem diminuir os custos da produção e viabilizando a empresa a se adequar ao grupo estratégico ao qual está inserida que se trata da estratégia genérica baseada em custo. 52 6 Proposta de Plano de Ação 53 6.1 Priorização das Ações Para a escolha das ações de melhoria que serão sugeridas e desenvolvidas na parte final deste trabalho, as ações extraídas do checklist do Professor Francischini foram divididas em 5 grupos, conforme mostrado a seguir: • Superprodução, Excesso de Estoque e de Espera: quando usamos mais matéria-prima e potencial humano do que o necessário, geralmente a superprodução pode apresentar uma falsa impressão de haver necessidade de mais espaço de armazém, computadores, equipamentos e máquinas. Além de tornar o ambiente produtivo mais caótico e causando confusão das prioridades. Por isso é preferível que a produção de peças e produtos acabados, seja realizado em lotes pequenos, para o processo trabalhar em "sincronismo". Além disso, a superprodução pode acarretar em elevados tempos de espera de materiais, e conseqüentemente em estoque de material em processo, deixando a produção cega frente a desperdícios e outros problemas como peças fora do padrão, arranjo físico ruim, quebra de máquina, baixa capacidade de processos, gargalos, imprevisibilidade de demanda, setups demorados, entre outros. A redução dos níveis de estoque permitirá que a gerência enxergue os problemas de produção e promova a realização de esforços para a eliminação dos mesmos. E com a eliminação ou redução destes problemas é possível manter níveis ainda menor de estoque, gerando, assim, um ciclo benéfico para a empresa. Essas iniciativas visam eliminar produção desnecessária. Algumas iniciativas que podem ser implementadas área são: o Desenvolvimento de fornecedores o Aplicação das técnicas de setup o Aplicação do sistema de puxar a produção o Uso do sistema kanban para controle da produção e movimentação o Organização da produção em células de manufatura o Aplicação do conceito de redução da carga/descarga (jidoka) 54 o Multifuncionalidade entre os operários da célula o Planejamento para a troca de turno o Uso de lista de verificação para os itens de manutenção (inspeções diárias) o Registro de problemas das máquinas o Realização da manutenção diária (reapertos, lubrificação, etc) o Realização das manutenções preventivas de acordo com as regras o Aplicação do sistema one-piece- flow o Aplicação do conceito de nivelamento da produção o Aplicação do conceito de flexibilização da produção • Excesso em transporte : O transporte custa muito dinheiro, tempo e energia, e não adiciona valor às peças ou produtos, por isso o layout e a logística de transporte é fundamental. Estas iniciativas visam a redução de desperdícios em transporte. Para combater o excesso de transporte as seguintes medidas podem ser tomadas: o Organização da produção em linhas de fabricação compactas o Obtenção de ganhos de área com a aplicação de células o Uso de esteiras transportadoras entre os processos o Redução do número de fornecedores • Excesso de movimentos: perdas por movimento são aquelas originadas por movimentos feitos pelos trabalhadores sem que estes sejam necessários. Com a evolução da automação de equipamentos e dispositivos as operações manuais podem cada vez mais ser transferidas para a máquina, mas isto só é recomendado depois de terem sido esgotadas todas as possibilidades de melhoria na movimentação do operário e nas rotinas das operações. Uma 55 ferramenta importante utilizada para combater essa perda é o estudo de tempos e movimentos As seguintes ações são alguns exemplos que visam combater o excesso de movimentos: o Aplicação do programa 5 S o Utilização de auditoria interna para o 5 S o Aplicação da folha de combinação de trabalho padrão o Adequação do balanceamento da linha • Excesso de produtos defeituosos: a fabricação de produtos defeituosos, ou seja, de produtos que não atendem as especificações de qualidade projetadas, constituem desperdício que fazem aumentar os custos de produção. Os produtos defeituosos, ou seja, fora das especificações de produção, são responsáveis pelo surgimento de técnicas como o Poka-yoke (mecanismos à prova de falha humana). Técnicas de controle de qualidade e inspeção devem ser utilizadas visando diminuir essas perdas. Para diminuir o número de produtos defeituosos existem várias medidas que podem ser adotads, como por exemplo: o Aplicação do gerenciamento da qualidade o Desdobramento e acompanhamento das metas o Adequação dos quadros de aviso para entendimento de todos o Aplicação dos procedimentos da folha de operação padrão o Melhoria da capabilidade do processo o Aplicação de dispositivos Poka-Yoke o Aplicação do Controle Estatístico de Processo (CEP) • Processamento ineficaz: é o excesso do processamento em uma atividade. O produto deve ser fácil de ser de fabricado, priorizando métodos de produção de 56 baixo custo. A engenharia e a análise de valor são importantes ferramentas para minimizar esse desperdício, que pode ser eliminado sem alterar as funções básicas do produto. Para uma maior eficácia no processamento, podemos adotar medidas como as que seguem abaixo: o Trabalhos referentes ao redesenho do processo o Aplicação da técnica de mapeamento do fluxo de valor o Aplicação do conceito de trabalho padrão o Identificação/armazenagem das peças retrabalhadas numa área definida o Uso de regras e procedimentos quando o retrabalho é necessário o Aplicação de dispositivos tipo Poka-Yoke para eliminar os retrabalhos o Utilização de equipamentos simples e dedicados Neste trabalho, primeiramente será selecionado um dos grupos de iniciativas, explicados acima, para depois priorizarmos as iniciativas dentro do grupo escolhido. Desta forma busca-se restringir o número de iniciativas, evitando que sejam adotadas medidas dispersas, em grupos diferentes. Atacando um só problema julgo que será possível aumentar a eficácia do plano de ação proposto. Para a seleção das iniciativas foram elaborados três critérios, conforme definidos a baixo. • Relação com os custos: visa medir o impacto que a medida terá na redução dos custos de produção. Desta maneira se conseguirá identificar aquelas iniciativas que estão alinhadas a estratégia de produção da empresa. • Facilidade/Custo de implementação: este critério priorizará as medidas de menor custo e de maior facilidade de serem implementadas. Combinado com o critério anterior, este garantirá que as alternativas de maior retorno serão selecionadas. 57 • Estágio de aplicação atual: as iniciativas que receberem as maiores notas neste critério serão aquelas na qual a empresa se encontra mais atrasada, ou seja, será dada prioridade nas deficiências da empresa, onde nenhum projeto ou tentativa de melhoria tenha sido adotado até hoje, havendo, portanto, uma grande oportunidade. As tabelas a seguir mostram o critério de pontuação e peso de cada um dos três critérios. Peso Nota 5 4 3 2 1 3 Relação com os Custos Muito alta relação com os custos de produção Alta relação com os custos de produção Média relação com os custos de produção Pouca relação com os custos de produção Muito pouca relação com custos de produção Tabela 11: Critério Relação com os Custos Peso Nota 5 4 3 2 1 2 Custo/Facilidade de Implementação Custo muito baixo e grande facilidade de implementação Custo baixo e facilidade de implementação Custo e facilidade de implementação médios Alto custo e dificuldade de implementação Custo muito elevado e muita dificuldade de implementação Tabela 12: Custo/Facilidade de Implementação 58 Peso Nota 5 4 3 2 1 3 Estágio de Aplicação Atual Nada foi feito a respeito Apenas alguns estudos foram realizados Projetos implementados apenas em áreas piloto Projetos em estado parcial de implementação Projetos desenvolvidos e funcionando perfeitamente Tabela 13: Critério Estágio de Aplicação Atual Conforme dito, a etapa inicial de priorização das ações, é a de seleção do grupo de medidas. Nessa etapa, por se tratar de iniciativas mais genéricas não foi levado em conta o critério Custo/Facilidade de Implementação. Este critério entrará, posteriormente, na etapa de seleção das medidas correspondentes ao grupo escolhidos. Os grupos de ações foram avaliados, em reunião com o diretor e com o Gerente industrial critérios. A tabela a 14 mostra o resultado desta avaliação. Critério Peso Processamento ineficaz Excesso de produtos defeituosos Excesso de movimentos Excesso em transporte Superprodução, Excesso de Estoque e de Espera Estágio Atual Relação com os Custos 3 3 2 4 Nota Total 18 3 4 21 3 3 2 3 15 18 4 4 24 Tabela 14: Pontuação dos Grupos de Ações É possível observar que o grupo que apresentou a maior nota final foi o de Superprodução, Excesso de Estoque e de Espera. Recapitulando, as ações relacionadas a esse grupo são: • Desenvolvimento de fornecedores: estabelecimento de um alto nível de confiança e cooperação com fornecedores por meio de parcerias 59 • Aplicação de técnicas de setup: troca rápida de ferramentas, visando a redução do tempo de setup nas máquinas e a manutenção deste tempo através do trabalho padronizado • Uso do sistema Kanban: consiste de um cartão de repetição de pedido ou outro método de disparar o sistema de puxar a produção, com base na utilização atual de materiais. Deveria estar disponível para uso no ponto de fabricação. • Organização da produção em células de manufatura : corresponde ao alinhamento de máquinas na sequência correta de processo, onde os operadores permanecem dentro das células e os materiais lhes são apresentados de fora • Aplicação do conceito de redução da carga/descarga (jidoka): significa conceder inteligência humana a uma máquina para que possa automaticamente parar quando surge um problema. • Multifuncionalidade entre os operários : o trabalhador passa a ter o conhecimento de todo o processo produtivo para que ele possa exercer várias funções. • Inspeções diárias: elaboração de uma lista para a verificação diárias dos itens de manutenção • Registro de problemas das máquinas: consiste em documentar toda vez que ocorre um problema em uma das máquinas no processo produtivo, visando obter um histórico dos problemas ocorridos • Manutenções diárias: consiste em fazer diariamente a manutenção das máquinas, como apertos de parafusos, aplicação de lubrificantes, etc • Realização das manutenções preventivas: realização da manutenção nas máquinas periodicamente, antes que estas apresentem defeitos, evitando paradas de produção excessivas • Aplicação do sistema one -piece-flow: ou fluxo de uma peça, que consiste na transferência de produtos intermediários de uma etapa do processo produtivo à outra em lotes unitários • Aplicação do conceito de nivelamento da produção: (production smoothing ou heijunka) é nivelar a taxa de produção para atingir a taxa de saída, evitandose o inventário excessivo (itens em processos ou acabados) 60 • Flexibilização da produção: consiste em tornar a produção flexível, onde cada processo consiga produzir diversos componentes, com diversos tamanhos, materiais etc, evitando o uso de tecnologias e máquinas “rígidas” Nesta próxima etapa foi feita a priorização das iniciativas que fazem parte deste grupo. Essa fase da seleção também foi feita, em sua maior parte, através de entrevistas, sofrendo ajustes posteriores. Vale relembrar que nesta fase foi levado em consideração o critério Custo/Facilidade de Implementação. A tabela a seguir mostra o resultado desta etapa: Tabela: Priorização das Atividades do Grupo de Superprodução, Excesso de Estoque e de Espera Critério Peso Desenvolvimento de fornecedores Aplicação das técnicas de setup Aplicação do sistema de puxar a produção Uso do sistema kanban para controle da produção e movimentação Organização da produção em células de manufatura Aplicação do conceito de redução da carga/descarga (jidoka) Multifuncionalidade entre os operários da célula Uso de lista de verificação para os itens de manutenção (inspeções diárias) Registro de problemas das máquinas Realização da manutenção diária (reapertos, lubrificação, etc) 3 4 3 3 3 2 Custo/Facilidade de Implementação 2 2 4 4 5 2 31 4 4 3 30 4 2 2 22 4 3 3 27 2 2 3 18 3 3 4 26 2 3 4 23 2 4 4 26 4 4 3 30 5 2 2 25 3 4 3 27 2 3 3 21 Estágio Atual Relação com os Custos Realização das manutenções preventivas Aplicação do sistema one-piece-flow Aplicação do conceito de nivelamento da produção Aplicação do conceito de flexibilização da produção Tabela 15: Priorização das Ações Nota Total 25 23 61 6.2 Produção Puxada e Kanban Devido ao fato do sistema de produção puxada e do Kanban estarem intimamente relacionados eles serão analisados e desenvolvidos em conjunto. O sistema de produção empregado na empresa alvo deste estudo é o método de produção empurrada Nesse sistema as ordens de produção são geradas para cada processo. Assim, o processo inicial envia produtos para um processo final continuamente, seguindo a seqüência de produção, independentemente da utilização ou não dos materiais pelo processo seguinte. Caso ocorram problemas no processo subseqüente, ou alteração nas ordens de produção, são gerados estoques intermediários. A figura a seguir ilustra o método de produção empurrada Fonte: Myake, D.I.; Francischini. T. Técnicas de Gerenciamento de Operações Industriais Figura 12: Método de Produção Empurrada Os lotes são fabricados em cada etapa e “empurrados” rampa abaixo para a etapa seguinte. Ao observar o processo produtivo de trás para frente Ohno notou que um determinado processo vai para um processo anterior para retirar apenas a quantidade necessária de um componente no exato momento necessário. Surgiu assim o conceito de produção puxada, onde após o término de cada processo os materiais só avançam para o próximo caso forem deliberadamente puxados pela próxima etapa. A figura a seguir ilustra o sistema de produção puxada. 62 Fonte: Myake, D.I.; Francischini. T. Técnicas de Gerenciamento de Operações Industriais Figura 13: Método de Produção Puxada Os lotes precisam ser “puxados” para a próxima etapa de fabricação pois não fluem não fluem naturalmente “rampa acima” , desta forma não o ocorre o acúmulo de estoque excessivo. Para colocar em prática o sistema de produção puxada, foi desenvolvida uma ferramenta extremamente simples que é o Kanban, que é o mecanismo de controle da produção ou de movimentação de materiais deste sistema. O Kanban nada mais é que um cartão que contem a identificação do item, sua descrição e a quantidade movimentada. Existem, basicamente dois tipos de cartão Kanban: o Kanban de Produção e o Kanban de Requisição. O Kanban de Produção funciona como uma etiqueta de identificação e de instrução de tarefa, especificando o tipo e a quantidade do produto que o processo precedente deve produzir. Já o Kanban de Requisição, também chamado de Kanban de transporte, retirada ou movimentação, tem como função principal autorizar e identificar a transferência de componentes (tipo e quantidade) definidas no cartão, de um processo ao seguinte. Esses cartões devem conter basicamente as seguintes informações: • • • • descrição da peça, com a identificação do código e nome desta; centro de trabalho precedente e seu local de estocagem centro de trabalho subseqüente e seu local de estocagem capacidade do contenedor, o que indica quantas peças devem ser produzidas par este contenedor específico 63 Monden (1984), além do uso da forma tradicional do kanban, com kanbans de produção e de requisição, cita outros tipos de kanbans utilizados, e entre eles se encontra o Kanban Comum. Este tipo de Kanban pode ser utilizado quando a distância entre os processos é pequena. Esta situação é a que encontramos na fábrica de móveis estudada. O uso do sistema Kanban Comum, dispensa a necessidade do uso de dois cartões (produção e requisição), simplificando o método de puxar a produção. As etapas do funcionamento do Kanban de cartão único são: 1. Conforme o consumo de material na estação de trabalho precedente é realizado, os cartões acoplados as peças (ou lote de peças) que se encontram do estoque entre as duas estações de trabalho, são retirados e colocados no painel ou quadro de kanbans. Estes kanbans têm a informação integrada de cartão de produção e requisição. 2. O operador do processo precedente inicia a produção de peças conforme o número de kanbans no painel e segundo a prioridade de cada peça. 3. Conforme o operário vai produzindo as peças, ele retira os cartões kanbans do painel e as coloca junto as peças, que vão ficar no estoque comum entre as estações. 4. O mesmo procedimento deve ser feito com o abastecimento de peças do almoxarifado, que periodicamente revisa o painel de kanbans e faz a reposição nos estoques 5. Para aquisição de matérias primas, deverá ser implantado o mesmo sistema. As requisições de compra devem ser feitas somente quanto o número de cartões no painel de kanbans atingir o ponto do estoque de segurança. 64 O ciclo de funcionamento do kanban a ser implementado na empresa é ilustrado pela figura a seguir: Figura 14: Funcionamento do Kanban Como é mostrado na figura o funcionamento do sistema de produção puxada, através da utilização do kanban é análogo ao funcionamento de um supermercado, onde um cliente (processo subsequente) pode obter o que é necessário, no momento em que é necessário, na quantidade necessária e que os funcionários do supermercado, portanto, devem garantir o reabastecimento das prateleiras (produção da quantidade retirada). Para o bom uso do sistema de kanbans, algumas regras devem ser seguidas. De acordo com Monden (1984) essas regras são: • O processo subseqüente (cliente) é quem requisita a retirada noprocesso precedente (fornecedor) • Qualquer retirada sem um kanban é proibida • Qualquer retirada maior que a especificada no kanban é proibida • O produto físico transportado deve estar sempre acompanhado por um kanban • O processo precedente (fornecedor) deve produzir seus produtos nas quantidades requisitadas pelo processo subseqüente • Produção superior à quantidade especificada pelo kanban é proibida 65 • Produtos com defeitos não devem ser enviados ao processo subseqüente • O número de kanbans deve ser minimizado, procurando assim minimizar quantidade de estoque em processo Seguindo essas regras os seguintes objetivos poderão ser alcançados com a utilização do Kanban: • • • • • • • • • Minimização dos estoques em processo, de matéria prima e de produtos acabados Simplificação do controle de materiais em processo Redução do "lead time" de produção, Evitar a transmissão de flutuações ampliadas de demanda ou do volume de produção entre processos (efeito chicote) Descentralização do controle da fábrica, delegando aos operários e supervisares de área o controle da produção Maior capacidade de adaptação do setor produtivo à mudança da demanda Redução dos defeitos pela diminuição dos lotes de fabricação Maior controle visual ao longo das etapas de fabricação, facilitando a identificação de problemas Material sempre disponível em tempo e quantidade necessários Apesar da simplicidade do funcionamento sistema de produção puxada através do Kanban, a implantação deste sistema precisa ser feita com cuidado para que não ocorram eventuais problemas que acabam tirando a credibilidade do projeto. Os seguintes passos são sugeridos para uma boa implementação : 1. Preparar os funcionários para os conceitos e ferramentas do Just- in-Time; 2. Mapear a demanda das peças ao longo de todo o processo produtivo 3. Definir as quantidades de peças por cartão; 4. Definir o tipo de sistema Kanban (duplo cartão, cartão único) e os procedimentos 5. Definir o número de Kanbans por componente 6. Criar os painéis porta-Kanbans 7. Escolher uma área-piloto para permitir o aprendizado da técnica 8. Avaliar o desempenho e colher os resultados da área piloto 66 9. Aprendizagem com os erros e disseminação paulatina para as demais áreas È importante ressaltar que é de fundamental importância para o sucesso do projeto de implantação do Kanban o envolvimento de todos os funcionários. A princípio recomenda-se cursos aos gerentes, supervisores engenheiros e técnicos da área de planejamento, produção e engenharia industrial para que todos os envolvidos estejam alinhados, e familiarizados com os conceitos e objetivos do projeto. Para os demais funcionários recomenda-se, inicialmente a execução de uma palestra visando transmitir a lógica do sistema de produção puxada e os conceitos do Kanban. A elaboração de apostilas, bem como a fixação de placas com conceitos simples e regras do funcinamento do Kanbam, também são importantes para que todos esteja m comprometidos e com os conhecimentos adequados para exercer suas funções visando o bom funcionamento do novo sistema. Recomenda-se que todos os operários participem da fase piloto através de uma rotatividade das funções, pois é nessa fase que eles devem ser treinados e acompanhados de perto pela gerência para que não haja maiores problemas durante a disseminação do Kanban. 6.3 Manutenção Preventiva A manutenção preventiva busca reduzir o número de quebras de máquinas, diminuindo, desta maneira, os tempos de parada na produção. Esses tempos são conhecidos como tempos mortos, pois por não haver a efetiva transformação da matéria prima, não se agrega valor aos produtos e à empresa durante esses períodos. Além disso, a falta de manutenção preventiva acarreta na produção de uma maior número de peças com defeitos devido a problemas nas máquinas e equipamentos. Como o sistema de produção puxada, descrito anteriormente trabalha com baixos níveis de estoque, torna-se ainda mais importante esse tipo de manutenção, pois quebras excessivas e excesso de produtos defeituosos poderiam levar ao fracasso deste sistema de produção sugerido à empresa. 67 A manutenção preventiva é calcada em dados estatísticos, procurando sempre se antecipar as falhas das máquinas e equipamentos. Ela deve ser sistemática e programada, e deve incluir serviços de limpeza, lubrificação, inspeções, serviços necessários para manter os equipamentos em condição de funcionamento e ainda contemplar a programação e planejamento da substituição de equipamentos problemáticos que oneram a produção. O primeiro passo para a implementação do programa de manutenção preventiva consiste na criação de uma comissão, formada por planejadores da produção e por engenheiros industriais, que serão os responsáveis pela implantação. Essa comissão deverá definir quem serão os responsáveis: • Pelo planejamento, programação e controle das manutenções preventivas: determinando os intervalos entre as manutenções. Deve-se agendar as datas de manutenção preventiva utilizando-se do mapa de programação de manutenção Preventiva, conforme exemplo mostrado na figura 15 • Pela confirmação das datas de parada das máquinas: as paradas de máquina deverão levar em conta possíveis atrasos ou problemas na produção, porém deve ser estipulado um prazo máximo, a partir da data programada, para que a parada ocorra • Pela execução dos serviços de manutenção preventiva: poderá utilizar mão de obra própria o contratar serviço de terceiros • Pela criação e atualização contínua da listas de inspeção para manutenção preventiva: estas listas contêm a data da realização das inspeções e as atividades que devem ser realizadas para cada máquina. Estas listas podem estar divididas em mecânica lubrificação, instrumentação, elétrica e tubulações, podendo ser feitas de cores diferentes para facilitar a identificação Para uma maior eficácia do programa de manutenção preventiva deve-se respeitar os prazos estabelecidos pe lo fornecedor para as paradas das máquina para manutenção. E após a realização de cada inspeção deve-se registrar, com detalhes, o serviço executado e peças substituídas em cada máquina, criando um histórico de manutenção. 68 A melhor forma de implementar este programa é implantá- lo por seções, e de início ter o auxílio de um responsável bem treinado ou especialista, executando-se assim a primeira implantação. A disseminação do programa para o resto da fábrica deve ocorrer gradualmente, após o funcionamento satisfatório do primeiro setor implantado. A implementação nos demais setores deve ocorrer de forma mais fácil devido ao aprendizado obtido com os erros da fase inicial. È importante ressaltar que caso não haja o completo apoio e interesse do gerente de produção da fábrica e o convencimento dos departamentos de manutenção e de produção quanto aos benefícios proporcionados pelo programa, aumentam as chances deste falhar. Programação De Manutenção Preventiva Ano: Máquina Datas Jan Programado Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Execução Programado Execução Programado Execução Programado Execução Programado Execução Programado Execução Fonte: Portal Sebrae Paraná Figura 15: Programação da Manutenção Preventiva Out Nov Dez 69 Lista de Inspeção para Manutenção Preventiva Máquina: Extrusora 1-Extrusora 1.1- verificar nível do óleo 1.2- verificar estado e engraxe dos pinos de lubrificação 1.3- verificar estado do filtro de óleo 1.4- verificar estado dos rolamentos e engraxe 1.5- verificar alinhamento da unidade bem como os parafusos de base 1.6- verificar estado dos dentes das engrenagens e rolamentos 1.7- verificar estado dos retentores de óleo 1.8- verificar estado dos contatos elétricos 1.9- verificar estado e funcionamento das resistências do canhão 1.10- verificar estado e funcionamento dos amperímetros 1.11- verificar estado das fiações das resistências do canhão 1.12- verificar estado das polias e correias 1.13- verificar limpeza da refrigeração dos motores 2-Banheiras 2.1- verificar funcionamento do painel elétrico 2.2- verificar limpeza interna e dos sprays 2.3- verificar estado e limpeza dos filtros d'água 3-Gravadores 3.1- verificar estado e tensão das correntes 3.2- verificar estado das roldanas 3.3- verificar estado dos raspadores 4-Serras 4.1- verificar estado e engraxe dos rolamentos 4.2- verificar estado e afiamento dos discos de corte 4.3- verificar estado e limpeza do painel elétrico 4.4- verificar estado e nível da unidade hidráulica 4.5- verificar estado das polias e correias 4.6- verificar limpeza da refrigeração dos motores 5-Calhas De Tombamento 5.1- verificar estado dos fins de curso Fonte: Portal Sebrae Paraná Figura 16: Lista de Inspeção para Manutenção Preventiva Data: __/__/__ Ok 70 7 Conclusão 71 Visando aumentar a competitividade da empresa estudada, foi proposto um plano de ação que pretende reduzir os custos de produção da mesma. Mas para que o plano fosse condizente com as reais necessidades da empresa, teve -se que identificar a estratégia competitiva adotada pela empresa e caracterizar o mercado onde ela está inserida. A partir da estratégia competitiva, que no caso estudado é a de liderança em custo, foi determinada qual é a estratégia de produção capaz de apoiar a estratégia do negócio. Dessa forma identificou-se que a grande prioridade da empresa era a de conseguir um processo produtivo com excelência em custo. Devido a isso, a relação com o custo foi um dos critérios empregados na priorização das ações. Foi evidenciado, graças às conversas, entrevistas e observações, que a fábrica apresentava uma quantidade excessiva de estoques de matéria-prima, produtos intermediários e de produtos acabados. Este fato é reforçado pela primeira fase de priorização dos grupos de ações, onde foi selecionado o grupo referente aos problemas de superprodução, excesso de estoque e de espera. Por isso este foi o grupo de medidas que foram avaliadas perante uma nova etapa de priorização. O resultado dessa nova etapa foi a priorização da aplicação do sistema de puxar a produção, da utilização do Kanban, e da realização da manutenção preventiva. Os dois primeiros estão intimamente relacionados, sendo que o Kanban é um meio pela qual se consegue adotar o sistema de produção puxada. Já a manutenção preventiva contribui para o melhor funcionamento de ambos ale de conter seus benefícios próprios. Vale ressaltar que o plano de ações elaborado não é o conjunto completo de iniciativas que podem ser adotadas para a redução dos custos de fabricação dos móveis. Muitas das iniciativas que acabaram não sendo escolhidas podem vir a somar na busca por um processo mais eficiente quanto aos custos, porém preferiu-se restringir o plano de ações a medidas principais, para evitar que fosse sugerido uma porção de medidas, mas que na prática dificilmente seriam adotadas. Dessa maneira, o plano de ações é apenas uma sugestão, que visa incentivar a empresa a reestruturar seu sistema 72 produtivo, através de iniciativas que foram julgadas como as mais impactantes na busca pela vantagem competitiva . 73 Bibliografia ABIMOVEL (2005). Panorama do setor moveleiro no Brasil, Agosto de 2005. BNDES (2002). Os Novos Desafios para a Indústria Moveleira no Brasil CORREA, H.L; GIANESI, I.G.N. (1997). Estratégia de Operações MINTZBERG, H. (1995). Criando organizações eficazes: estruturas em cinco configurações. São Paulo: Atlas. MONDEN,Y. (1994). Produção sem Estoques - Uma abordagem prática ao sistema de produção da Toyota. MOREIRA, D.A. (2001). Administração da produção e operações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. MYAKE, D.I.; FRANCISCHINI. T. Técnicas de Gerenciamento de Operações Industriais PIRES, S.R.I. (1994). Integração do planejamento e controle da produção a uma estratégia de manufatura PORTER, Michael E. (1986). Estratégia Competitiva: Técnicas para Análise de Indústrias e da Concorrência. Rio de Janeiro: Campus. PORTER, Michael E. (1989). Vantagem Competitiva. Rio de Janeiro: Campus. OHNO, Taiichi. (1997). O sistema Toyota de produção - Além da produção em larga escala. .Bookman 74 SKINNER, W. (1969). Manufacturing – the missing link in corporate strategy. Harvard Business Review, New York, p.136-145, May-June. SlLACK, N. (1993). Vantagem competitiva em manufatura: competitividade nas operações industriais. São Paulo: Atlas. SLACK, N. et al. (1999). Administração da produção. São Paulo: Atlas. atingindo a 75 Anexo I – Questionário Guia para Entrevista 1) Nome do Entrevistado:_______________________________________________ 2) Cargo do Entrevistado: ______________________________________________ 3) Faturamento anual em 2004 (R$): ___________________________ 4) Dimensão da área fabril em 2004 (m2): ________________________ 5) Número de funcionários da empresa (marcenaria e administrativo): _________ 6) Número de funcionários diretamente ligados à administração: _________ 7) Número de funcionários diretamente ligados à produção (marcenaria): _________ 8) Qual o produto mais vendido por sua empresa (marcenaria)? ______________________________________________________________________ 9) Qual a principal matéria prima utilizada? ( ) Madeira Nativa. Qual? ____________________________________________ ( ) Madeira Reflorestada. Qual? _______________________________________ ( ) MDF ( ) Aglomerado ( ) Painel Compensado 76 10) A competição entre a sua empresa e empresas concorrentes baseia-se predominantemente em que variáveis? (por favor, indique a sua prioridade mais alta com 1, a segunda com 2 e assim, sucessivamente) [ ] concorrência no preço [ ] diferenciação do produto. [ ] qualidade [ ] outros, favor especificar:__________________________________________ 11) Quais fatores abaixo o seu cliente (lojista) valoriza nas vendas (por favor, indique a prioridade mais alta com 1, a segunda com 2 e assim, sucessivamente) : [ ] qualidade do produto [ ] obtenção de prazo de pagamento [ ] preço do produto [ ] prazo de entrega [ ] capacidade de atendimento [ ] estilo e design do produto [ ] diversificação da linha do produto [ ] assistência técnica aos clientes [ ] outros. Qual? ______________________________________________ 77 12) Pode-se identificar um posicionamento competitivo de sua empresa por meio de estratégia como: (Marque somente uma alternativa) ( ) a competição no custo total dos produtos em um mercado amplo ( ) a competição na diferenciação dos produtos em um mercado amplo ( ) a competição na diferenciação dos produtos em um mercado restrito, por exemplo, atende uma classe de consumidor específica. ( ) a competição no custo total dos produtos em um mercado restrito, por exemplo, atende uma classe de consumidor específica, em um custo baixo. ( ) não existe nenhuma definição estratégica do produto 13) O departamento de Engenharia de Produto e de Produção participa da gestão ou do planejamento estratégico da empresa da seguinte maneira: (Marque somente uma) ( ) existe participação na tomada de decisões estratégicas ( ) são consultados durante a tomada de decisões estratégicas ( ) são apenas informados sobre as decisões estratégicas ( ) não participam de forma alguma da tomada de decisões estratégicas 78 14) Classifique em ordem de importância os fatores que são prioridades na fabricação de seus produtos (indique a sua prioridade mais alta com 1, a segunda com 2 e assim, sucessivamente): [ ] Custo, menor custo de produção [ ] Qualidade do Produto final [ ] Qualidade conforme especificações técnicas do projeto [ ] Rapidez nas Entregas [ ] Cumprir com prazos de entregas [ ] Flexibilidade, inovação no produto [ ] Ampla variedade ou composto de produtos [ ] Produção em quantidade ou volumes diferentes de produtos [ ] Assistência técnica [ ] Outro. Qual? ______________________________________________________ 79 Anexo II – Fotos do Chão de Fábrica Figura 17: Vista de cima da planta de Móveis Figura 18: Vista de cima da Planta de Móveis (2) 80 Figura 19: Vista de cima do processo de Colagem das Bordas Figura 20: Operário Fazendo o Transporte de Material 81 Figura 21: Máquina de Corte Figura 22: Máquina de Pintura 82 Figura 23: Operários Trabalhando Figura 24: Vista de cima da Planta de Móveis (3) 83 Figura 25: Vista de cima dos Estoque Intermediários Figura 26: Vista de cima dos Estoque Intermediários (2)