www.canalmoz.co.mz | ano 4 | numero 693 | Maputo, Segunda-Feira 23 de Abril de 2012 Director: Fernando Veloso | Propriedade da Canal i, lda Sede: Av. Samora Machel n.º 11 - Prédio Fonte Azul, 2º Andar , Porta 4, Maputo | Registo: 18/GABINFO-DEC/2009 e-mail: [email protected] [email protected] | Telefones: 823672025 - 842120415 - 828405012 Dhlakama explica em Nampula encontro com Guebuza “A Frelimo já esgotou toda a estratégia, só resta salvar-se para não morrer” “Um homem arrogante e orgulhoso que dizia não ser como Chissano, que reunia com Dhlakama, e agora quase todos os meses voa a Nampula para vir ajoelhar-se a Dhlakama. É muito importante para o povo”, disse Dhlakama para quem Guebuza se humilhou perante si. “Guebuza endireitou-se porque sabe que militarmente a Renamo dá porrada à Frelimo”. “A Renamo demonstrou que não ia brincar, por isso Armando Guebuza aparece agora como uma boa pessoa”. “Guebuza vai entrar na linha, senão o fizer as consequências são com ele.” Nampula (Canalmoz) – O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, convocou os seus quadros a nível da província de Nampula, durante o último fim-de-semana, para uma reunião com vista a explicar-lhes o conteúdo das reuniões que já manteve com o seu acérrimo adversário, Armando Guebuza, simultaneamente presi- dente da Frelimo e da República. A reunião teve lugar numa instância turística da chamada capital do norte. Estiveram presentes pouco mais de 200 renamistas, os quais Publicidade ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012 2 ouviram o seu líder afirmar que “a Frelimo já esgotou toda a estratégia, só resta salvar-se para não morrer”. “Alguns pensam que as reuniões que tenho tido com Guebuza são para suspender a agenda nacional da luta pela democracia”, disse ainda Dhlakama, para depois acrescentar: “quando nos encontramos – eu e o Guebuza – não é para falarmos de negócios nem de assuntos familiares. Trato de questões estratégicas para ajudar a população a manter a paz e a construir a democracia e evitar pôr a correr os comunistas da Frelimo”. tante”. “Um homem arrogante e orgulhoso que dizia não ser como Chissano, que reunia com Dhlakama, e agora quase todos os meses voa para vir ajoelhar-se a Dhlakama, é muito importante para o povo”, disse Dhlakama para quem Guebuza se humilhou perante si. “Guebuza endireitou-se porque sabe que militarmente a Renamo dá porrada à Frelimo”, observou o líder das Renamo. “Tudo isso não é por acaso, é resultado da determinação da Renamo e do seu líder que jamais aceitou os resultados das últimas eleições e o Governo que saiu delas”. “Não podem ter dúvidas para não serem enganados” “Negociação é fruto da determinação da Renamo e seu líder” No encontro com os seus correligionários em Nampula Dhlakama diria ainda: “vocês são a Renamo, por isso não podem ter dúvidas para não serem enganados. Os grupos dinamizadores andam aí a dizer nos bairros que não haverá manifestação porque Guebuza já deu dinheiro a Afonso Dhlakama”. “Isso não é verdade, por isso estamos aqui para esclarecer e pôr-vos a par de tudo”. O líder da “perdiz” lembraria que “se Guebuza vem ajoelhar-se” perante si “é muito impor- O presidente da Renamo foi mais além na sua intervenção e disse que “as negociações foram resultado da determinação da Renamo e do seu líder”, pois “tentaram atacar-nos militarmente e levaram porrada. É para verem que Guebuza está como criança”. Ademais, Dlhakama precisou que “se a Frelimo tentar brincar a Renamo vai subir num segundo e destruir tudo. Não há nada aqui que nos ameaça. Se não agimos assim é porque assinamos um acor- do em Roma e queremos manter”. “Guebuza não é do meu nível” Na sua longa intervenção, o líder da Renamo, muito aplaudido pelos presentes, dirigiu as suas palavras ao presidente da Frelimo e da República e disse: “Ele, se aparece como boa pessoa, é para enganar e evitar a manifestação. Guebuza não é do meu nível. Aquele é um apanhado do partido. Eu sou um líder. Eu tenho história. Armando Guebuza é um empresário por aí” e “a Renamo demonstrou que não ia brincar, por isso Armando Guebuza aparece agora como uma boa pessoa”. “Guebuza vai entrar na linha, senão o fizer as consequências são com ele. Ele deverá cumprir com o que combinamos em Roma e saber distribuir as riquezas para todos os moçambicanos, sobretudo nas regiões centro e norte”, apontou Dhlakama. Dhlakama desafiaria ainda mais a Frelimo com as seguintes palavras: “Vocês são ricos, mas a vossa riqueza serve para abastecer um punhado de pessoas em Maputo”. Entretanto o presidente da Renamo explicaria porque deixou de residir em Maputo para ir viver em Nampula: “Sai de Mapu- Publicidade www.canalmoz.co.mz ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012 3 to para cá, abandonei mansões e estou a viver numa barraca para vos libertar”. (Aunício da Silva) Inspector Cumbana destrona Dias Balate de director da PIC da cidade de Maputo Cumbana é o inspector que liderou há uns anos a busca ilegal dos escritórios do advogado Abdul Gani Maputo (Canalmoz) - O ministro do Interior, Alberto Mondlane, exonerou na tarde de quinta-feira, Dias Balate, do cargo de director da Polícia de Investigação Criminal (PIC) da cidade de Maputo. Não houve comunicação oficial à Imprensa. O assunto é tratado com sigilo dentro da PIC, mas várias fontes policiais já confirmaram ao Canalmoz a saída de Dias Bala- te da direcção da Polícia de Investigação Criminal na capital. Quando contactado pela nossa Reportagem Raul Freia, porta-voz do Comando-Geral da Polícia, acabaria por confirmar a saída de Balate da direcção da PIC. Entretanto disse tratar-se de “cessação de funções”. O novo director da PIC assumiu funções na sexta-feira passada em cerimónia fechada para a comunicação social. Não foi possível apurar o nome completo do novo “boss” da PIC na capital, mas segundo nossas fontes, é conhecido por Inspector Cumbana. As nossas fontes indicaram ainda que o novo director da PIC é o mesmo que esteve há alguns anos atrás esteve à frente do processo ilegal de invasão dos escritórios do advoga- Publicidade www.canalmoz.co.mz ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012 4 do Abdul Gani, para a sua captura e de um estagiário de advocacia. O Canalmoz questionou ain- da o comandante-geral da Polícia, Jorge Khalau, sobre as razões da exoneração de Dias Balate. Não quis falar do assunto. Disse que não trata assuntos desse género ao telefone. (Bernardo Álvaro) Empresário do grupo “Ayob Comercial” assassinado em Maputo Maputo (Canalmoz) – Foi abatido a tiro, ao princípio da tarde da sexta-feira última, em Maputo, Momad Khalid Ayob, irmão mais velho da família Ayob e proprietário da Ayob Comercial. O assassinato ocorreu na cidade de Maputo à frente de uma Mesquita ao lado do Cinema Charlot, no Alto-Maé. O assassinato deu-se entre as 13h15 e as 13h30. A vítima saía da reza e estava à porta da Mesquita a conversar com dois irmãos, um deles Faruk Ayob. Não são ainda sabidas as causas do assassinato. Sabe-se apenas que um indivíduo que conduzia uma mota aproximou-se da vítima, disparou três tiros e atingiu Momad Ayob no peito, pondo-lhe termo à vida de imediato. A família Ayob está ligada às em- presas do Grupo Ayob Comercial, a ex-Modas Niza, aos Hotéis Monte Carlo e Terminus, e na disputa do Hotel Santa Cruz, entre outros negócios. Este é o mesmo cidadão que já esteve detido na vizinha Swazilândia na posse de cerca de 18 milhões de randes, valor superior a 2 milhões de dólares. Testemunhas dizem que o criminoso aparentava ser um paquistanês. (Bernardo Álvaro) Detidos pela PRM nas eleições de Inhambane 36 jovens de MDM foram libertados por ausência de ilícito Inhambane (Canalmoz) – Foram libertados na sexta-feira à tarde 36 dos 37 jovens do MDM que a Policia deteve no dia das eleições intercalares em Inhambane e ainda se encontravam encarcerados. Isabel Joaquim Madeira foi mantida na prisão por nem se quer ter sido aberto um processo que permitisse à procuradoria ordenar a sua soltura. Todos os que foram libertados na sexta-feira mediante termo de soltura foram soltos por falta de matéria isto é, por a instrução ter concluído que não praticaram nenhum ilícito. Os advogados do MDM admitem que a soltura de Isabel Joaquim Madeira possa acontecer hoje. Todos os detidos pertenciam ao Gabinete de Logística do MDM e estavam encarregues de garantir o abastecimento de comida e bebidas aos delegados do candidato Fernando Nhaca junto das assembleias de voto. Funcionaram nas eleições para eleição do presidente do Município de Inhambane 24 postos elei- torais com 54 assembleias de voto. O sistema de apoio logístico do MDM foi totalmente desmontado pela Policia, disse ao Canalmoz o próprio candidato Fernando Nhaca. Três dos jovens que estiveram detidos, respectivamente Duduque dos Anjos, Zamir Boavida e a cantora Laila, detidos às primeiras horas da manhã do dia 18 de Abril, disseram ao Canalmoz no sábado que depois de os prenderem a policia andou a passear com eles na caixa dos 4x4 das PRM numa autêntica demons- Publicidade www.canalmoz.co.mz ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012 5 tração de força para intimidar os jovens de Inhambane afim de não irem votar. No dia das eleições a policia prendeu 53 cidadãos. Libertou no mesmo dia 16. Manteve encarcerados na cadeia de máxima segurança de Inhambane, 37 jovens. Também no dia das eleições o advogado Custódio Duma também foi detido pela Policia e aofim de algumas horas foi posto em liberdade. A dua detenção foi ordenada pela própria comandante provincial da PRM em Inhambane, Arcénia Massingue. Mesmo depois da procuradora que se incumbia do caso de Duma ter acertado com o comando da segunda esquadra a libertação de Duma por falta de ilícito que justificasse a manutenção da detenção, a comandante provincial quando soube disso ordenou que Duma fosse mantido detido, contrariando dessa forma a decisão da procuradora, apurou o Canalmoz na própria esquadra pouco depois destes faltos se terem registado. (Fernando Veloso, em Inhambane) Município de Quelimane Manuel de Araújo acusa membros do Governo provincial de falta de cultura democrática “ Por dever patriótico desloquei-me a Quelimane para receber o presidente da Republica, Armando Guebuza, que desde sexta-feira encontra-se em presidência aberta e inclusiva na província da Zambézia” – Manuel de Araújo, membro sénior do MDM e presidente do Município da capital da Zambézia Maputo (Canalmoz) – A governação de Manuel de Araújo no município de Quelimane, província da Zambézia, já completou os primeiros cem dias. A ausência de cultura democrática por parte de alguns membros do Governo provincial dominado totalmente por membros do partido Frelimo; as dificuldades de acesso às contas do município para resolver os problemas do lixo e da energia no primeiro mês de exercício do poder após “libertar Quelimane”, criadas para impedir um bom começo de actividade a Manuel Araújo depois da polémica instalada a que se seguiu a “vassourada” aos secretários de bairros que continuavam a servir o partido Frelimo em detrimento da edilidade, são alguns dos acontecimentos que marcaram o período de Araújo no poder autárquico quelimanense. Araújo foi interpelado a semana passada pelo Canalmoz, numa das artérias da cidade de Maputo. Acabava de chegar de Inhambane onde apoiou o MDM no recente processo eleitoral. Interrompeu essas actividades partidárias para receber no aeroporto de Quelimane o presidente da República, Armando Guebuza. Aceitou falar dos primeiros dias da sua governação municipal e vincou que, para ensinar aos membros do governo provincial as boas práticas democráticas, foi receber o presidente da República e do partido Frelimo, que visita a província da Zambézia. “Completámos 100 dias de governação da cidade de Quelimane onde envolvemos os munícipes. O balanço é positivo apesar de terem nos amarrado as pernas e os braços por três meses. Ficámos o primeiro mês sem acesso às contas do município. Ficámos sem di- Publicidade www.canalmoz.co.mz ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012 6 nheiro para continuar a comprar combustível e pagar energia para o edifício municipal. Ficámos dois dias sem energia”, lembrou Araújo. Recordou que o MDM não tem uma bancada na assembleia municipal, e dependia de boa vontade da Frelimo e Renamo a aprovação do orçamento municipal e por uma questão de sobrevivência acabaram votando a favor. “Eles quiseram torturar os munícipes de Quelimane por terem votado em MDM, atrasando a implementação dos nossos planos de actividade por três meses, mas como não tinham outra opção, porque se chumbassem o nosso plano de actividades e orçamento pela segunda vez consecutiva, podíamos dissolver a assembleia municipal e avançar para outras eleições onde não teriam a mesma sorte, aprovaram o orçamento”, disse Manuel Araújo. “Vamos continuar a ensinar-lhes. Nem sempre que o estudante quando reprova a culpa é do professor. Há estudantes que não aprendem e a esses nada podemos fazer senão chumbá-los democraticamente”, ironizou. Terão de mandar Guebuza para ser secretário da Frelimo em Quelimane Pedimos entretanto a Manuel Araújo que comentasse a viragem de discurso da presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, que disse recentemente que Manuel de Araújo pode dirigir a cidade de Quelimane, quando durante a campanha tinha entrado em baixaria de o acusar de não ter família… Araújo preferiu não comentar. Disse apenas que desvaloriza as manobras do partido no poder. “Desvalorizo quando ela hoje tenta dar o dito por não tido. Quando mandam a número dois do Estado (Verónica Macamo) para vir ser secretário provincial interino do partido Frelimoaqui na Zambézia é um ganho para nós. Isto mostra que se ela falhar terão que mandar o número um (Armando Guebuza) para o mesmo cargo”, ironizaria Araújo. Araújo disse ainda que em Quelimane temos membros do Governo provincial que não têm cultura democrática, e estamos a ensinar como é que se faz a democracia. Por exemplo, disse que saiu de Inhambane “por dever patriótico” para em Quelimane “receber o presidente da Republica”, Armando Guebuza, que desde sexta-feira encontra-se em presidência aberta e inclusiva na província da Zambézia. Vereador justifica “vassourada” de secretários José Lobo, vereador para Área do Planeamento e Desenvolvimento Autárquico, em Quelimane, revelou entretanto ao Canalmoz que no tempo em que Pio Matos governava o município “os secretários de bairros assinavam em papel com o timbre do município e carimbo do partido Frelimo”. “Do ponto de vista legal, é inaceitável, mas eles faziam isso”. “Temos que ter secretários que fazem parte da estrutura do município porque ele é o representante do município a nível do bairro e não do partido Frelimo. Brevemente vamos proceder à entrega de carimbos do município aos secretários de bairros que são estruturas que fazem parte intrínseca do prolongamento administrativo do município de Quelimane no bairro”, disse. Indicou que “a Frelimo sempre confunde o trabalho administrativo com o político”. “Nós confiamos nos secretários que estão nos bairros. É uma questão de confiança política. Queremos alterar a situação de Quelimane e estamos a contar com os secretários que ali colocámos”, concluiu José Lobo, vereador para Área do Planeamento e Desenvolvimento Autárquico. (Cláudio Saúte) Previsão do Tempo até Quinta-Feira Capitais Provinciais Segunda-Feira Terça-Feira Quarta-Feira Quinta-Feira Maputo max: 22º min: 18º max: 23º min: 19º max: 24º min: 17º max: 26º min: 16º Xai-Xai max: 25º min: 21º max: 23º min: 20º max: 23º min: 17º max: 25º min: 16º Inhambane max: 26º min: 23º max: 25º min: 22º max: 25º min: 16º max: 26º min: 17º Beira max: 28º min: 24º max: 26º min: 24º max: 25º min: 23º max: 25º min: 23º Chimoio max: 27º min: 17º max: 22º min: 16º max: 20º min: 16º max: 21º min: 13º Quelimane max: 29º min: 21º max: 28º min: 23º max: 27º min: 22º max: 26º min: 20º Tete max: 32º min: 21º max: 31º min: 21º max: 29º min: 20º max: 28º min: 19º Nampula max: 27º min: 19º max: 26º min: 20º max: 26º min: 19º max: 25º min: 18º Pemba max: 30º min: 26º max: 30º min: 26º max: 29º min: 26º max: 28º min: 25º Lichinga max: 23º min: 13º max: 22º min: 14º max: 20º min: 13º max: 20º min: 20º www.canalmoz.co.mz ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012 7 Crédito bancário “Banca trata mulheres como enteadas” – presidente da Associação Moçambicana de Mulheres Empresárias e Executivas, ACTIVA, Ema Mossa Maputo (Canalmoz) – A presidente da Associação Moçambicana de Mulheres Empresárias e Executivas, ACTIVA, Ema Mossa disse ao Canalmoz que os bancos moçambicanos tratam as mulheres como “enteadas” nas concessões bancárias por muitas delas serem informais. Os homens – acrescenta – são tratados como “filhos” por terem emprego formal. “A maioria das mulheres é tratada como enteada perante os bancos. A banca normal deveria criar uma percentagem de juros mais baixa para as mulheres. As mulheres são umas boas pagadoras, mas a banca olha apenas para a questão de formalidade”, disse Ema Mossa. Ela falou a semana passada ao Canalmoz, à margem do lançamento do Fundo de Poupança Solidária pelo Banco Terra. Disse que “os juros cobrados pelos bancos estão acima de 28 porcento”, mas, frisou, “o problema não é elas não pagarem, mas, sim, as condições impostas”. Sobre o lançamento do Fundo de Poupança Solidária pelo Banco Terra comentou: “Acho que o projecto é bem-vindo. É um desafio para as mulheres, mas vamos lá ver se vão ao encontro com o que a mulher realmente precisa. Como florista, nunca me preocupei em procurar um crédito bancário pois isso tem as suas implicações de juros. Trabalho com as minhas economias e tenho estado a sobreviver”, disse. Mossa acrescentou que tem de se entender bem o conteúdo deste fundo, designadamente quais são as vantagens. “ Penso que a Associação Moçambicana de Mulheres Empresárias e Empreendedoras FEMME e o Banco Terra vão explicar-nos isso porque temos que saber quais as garantias que o banco vai pedir e a partir daí a mulher vai poder optar se dá ou não para arriscar”. Lembrou que no ano passado houve um acordo de trabalho que a FEMME assinou com ACTIVA, AMI e ASSOTSI e o encontro da semana passada foi o resultado desse acordo com que se pretende regular as acções para se poder trabalhar em conjunto. “Vou ter que transmitir às associadas da ACTIVA que vão ter esse benefício como membros da ACTIVA. Na ACTIVA somos 60 aqui em Maputo, mas temos núcleos em Xai-Xai e Quelimane, Nampula e Chimoio”. Sublinhou que ao nível nacional, a ACTIVA tem 540 membros. O Banco Terra é uma instituição bancária com dois anos de existência e virada para o agro-negócio paras as populações rurais e peri-urbanas de Moçambique, lançou quarta-feira finda um fundo de poupança solidária para minimizar as dificuldades que as mulheres empreendedoras enfrentam no acesso ao financiamento e ao crédito bancário. A FEMME foi criada e 2009 com objectivo de harmonizar o ambiente associativista das mulheres envolvidas na área empresarial, criando uma rede de negócios para gerar sinergias para o desenvolvimento. Estabelece relações inter-empresariais e actualiza conexamente informações mais relevantes dos mercados e das condições macroeconómicas. (Cláudio Saúte) Dissidente do PAIGC escolhido para Presidente Pretória (Canalmoz) – Manuel Serifo Nhamadjo, dissidente do PAIGC e candidato derrotado na primeira volta das eleições presi- denciais, em Março, foi escolhido pelo Comando Militar que tomou Publicidade www.canalmoz.co.mz ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012 8 o poder na Guiné- Bissau e pelos partidos da oposição que apoiam o golpe para Presidente de transição. Nhamadjo, que concorreu contra Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro e líder do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), era presidente interino da Assembleia Nacional e obteve 15,75%. Foi o ter- ceiro mais votado, atrás de Júnior, que obteve 48,9%, e de Kumba Ialá, do Partido da Renovação Social (PRS), que conseguiu 23,36%. A notícia foi avançada na noite de quinta-feira à AFP por um porta-voz da oposição ao PAIGC e resulta de um acordo entre golpistas e adversários de Gomes Júnior – detido no golpe de dia 12 de Abril pelos militares, tal como o Presidente interino, Raimundo Pereira. Para liderar o «Conselho Nacional de Transição» – um órgão fiscalizador da actividade do Governo transitório que os militares pretendem que fique à frente do país nos próximos dois anos – foi indicado Braima Sori Djaló, do PRS. (Redacção) Alegada sobrevivência da cúpula das Forças Armadas como justificação «Comando Militar» culpa Angola pela tomada do poder em Bissau Pretória (Canalmoz) – O porta-voz do Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau insiste que foi Angola quem levou as Forças Armadas guineenses a desencadear o golpe de Estado, para evitar a morte da cúpula da hierarquia castrense, noticiou a «Gazeta de Notícias», um jornal de Bissau. Numa entrevista telefónica à Rádio de Cabo Verde, o tenente-coronel Daba Na Wana contou a versão do Comando Militar sobre o que levou aos acontecimentos daquela quinta-feira (12), argumentando que foi Angola quem «violou» o acordado entre os dois países, ao enviar para a Guiné- Bissau «material de guerra» à revelia das forças de segurança locais. Daba Na Wana defendeu que a cooperação técnico-militar bilateral previa que Angola prestasse apoio na reforma da Defesa e Segurança da Guiné-Bissau e que o armamento pesado trazido para a sede da Missang, além de não estar previsto, tinha outros fins. O porta-voz dos revoltosos referiu que os «tanques com lagartas, carros de combate e alguns morteiros para canhão» chegaram inicialmente a Bissau sem conhecimento das Forças Armadas, que pediram explicações à Missang, tendo-lhes sido respondido que se destinavam a reforçar o exército guineense. «Tudo começou com um clima de desconfiança, que foi continuado desde que a Missang começou a transportar para Bissau material de guerra, violando claramente os acordos assinados entre os dois países no domínio da Defesa e Segurança. O acordo não incluía o envio de armas», afirmou Daba Na Wana. O porta-voz do chamado «Comando Militar» acrescentou que as dúvidas acentuaram-se quando, antes da primeira volta das eleições presidenciais (18 de Março), «Angola substituiu o pessoal técnico sénior – pedreiros, carpinteiros e engenheiros da construção civil, para a reabilitação de casernas – por uma equipa de militares composta por tropas especiais». Após a polémica, acrescentou, Angola acedeu em treinar militares guineenses com os novos equipamentos, comprados na África do Sul, uma vez que o exército local estava habituado a lidar com material soviético, o que acon- Anuncie no Contacte-nos: [email protected] ou Telefone: (+258) 823672025| (+258) 842120415| (+258) 828405012 Publicidade www.canalmoz.co.mz ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012 9 teceu durante um mês, após o que os «meios blindados» seriam entregues às forças locais, algo que acabaria por não acontecer. Daba na Wana indicou que as chefias militares da Missang alegaram depois que não tinham competência para entregar o material, remetendo a questão «para os políticos», tendo sido em sequência disso que se deu uma discussão entre o embaixador de Angola em Bissau e o ministro da Defesa guineense. «O ministro chamou o embaixador para lhe dar conta das preocupações das Forças Armadas e dele próprio. O embaixador ameaçou-o, chamando-lhe à atenção para as palavras que estava a dizer, porque aquilo poderia ser considerado uma ofensa para Angola», afirmou Daba Na Wana, na entrevista à Rádio de Cabo Verde. «Depois desse clima de desconfiança, o primeiro-ministro (guineense) escreveu uma carta secretamente, sem passar pelo Conselho de Ministros ou pelo Parlamento, a pedir às Nações Unidas para intervir ou aprovar uma resolução que permitisse o uso de força ou o envio de militares para um país que não está em guerra. O portador da carta foi o Ministro das Relações Exteriores de Angola, George Chicoti», disse. «Não tendo sido o MNE guineense o portador da carta, das duas uma: ou a carta foi escrita a pedido de Angola ou foi o Governo angolano que fez a carta e pediu ao Governo de Bissau apenas para assinar” um documento a pedir à ONU e aprovação de uma resolução que legitimasse o envio da força, a integrar por Angola, Brasil, Ghana e outros países da sub-região». «Perante o cenário, não podíamos ficar de braços cruzados à espera de uma força expedicionária do exterior para um país que não está em guerra», concluiu o porta-voz do Comando Militar guineense, a justificar a acção golpista dos revoltos. Em entrevista à RTP África, o tenente-coronel Daba Na Wana, que se tem assumido como porta-voz do Comando Militar, admitia há dias que «o golpe de Estado é uma solução inconstitucional» mas que tem como justificação “o direito à vida pró¬pria” e reiterar a acusação de que haveria um alegado plano, com as chancelas de Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira, para um ataque de tropas angolanas às Forças Armadas da Guiné- Bissau. «Não há razão que justifique um golpe de Estado. Mas per¬gunto: e há razão que justifique, num país que não está em guerra, que o Presidente ou o primeiro-ministro mande vir tropas es¬trangeiras, sem conhecimento do Conselho de Ministros, sem conhecimento da Assembleia Na¬cional, mas através de uma carta secreta que é trazida por um mi¬nistro dos Negócios Estrangeiros de outro país que tem interesses económicos na Guiné-Bissau?», questionou-se Daba Na Wana. PAIGC acusa Ialá Afastado de sucessivas rondas de negociações infru¬tíferas entre os militares golpis¬tas e forças políticas da Oposição, o PAIGC condenou «veementemente» o golpe de 12 de Abril e acusa directamente o líder e candida¬to presidencial do Partido para a Renovação Social (PRS), Kumba Ialá (que já foi chefe de Estado) de «envolvimento directo e assumido» na operação armada. O Bureau Político do maior partido guineense reservou ainda aos candidatos Serifo Nhamadjo, Henrique Rosa, Afonso Té e Seri¬fo Baldé, afastados à primeira vol¬ta das presidenciais, a acusação de «incitação e execução» do gol¬pe de Estado. (Redacção) Os artigos de opiniao inseridos nesta edição são da inteira responsabilidade dos respectivos autores e não reflectem necessariamente o ponto de vista da direção do jornal. Precário de Assinaturas | Distribuição diária por e-mail | 20 edições mensais (USD) Contratos Anuais (12 Meses) (ii) Tipo de Assinante (USD) Contratos Mensais (i) (a) Pessoa Singular 20 15 usd x 12 meses = 180 usd (b) Empresas e Associações de Direito Moçambicano 40 30 x 12 = 360 (c) Orgãos e Instituições do Estado 50 40 x 12 = 480 (d) Embaixadas e Consolados em Moçambique e Organismos Internacionais 60 50 x 12 = 600 (e) Embaixadas e representações Oficiais de Moçambique no exterior 60 50 x 12 = 600 (f) ONG’s Nacionais 30 20 x 12 = 240 (g) ONG’s Internacionais 50 40 x 12 = 480 Publicidade Notas - Os valores expressos poderão ser pagos em meticais ao cambio do dia do mercado secundário - Nas facturas e recibos inerentes deve-se mencionar a letra que corresponde ao tipo de assinatura - (i) Pronto pagamento ou debito directo em conta bancária - (ii) Pronto pagamento ou debito directo em conta bancária www.canalmoz.co.mz