www.canalmoz.co.mz | ano 4 | numero 693 | Maputo, Segunda-Feira 23 de Abril de 2012
Director: Fernando Veloso | Propriedade da Canal i, lda
Sede: Av. Samora Machel n.º 11 - Prédio Fonte Azul, 2º Andar , Porta 4, Maputo | Registo: 18/GABINFO-DEC/2009
e-mail: [email protected] [email protected] | Telefones: 823672025 - 842120415 - 828405012
Dhlakama explica em Nampula encontro com Guebuza
“A Frelimo já esgotou toda a estratégia,
só resta salvar-se para não morrer”
“Um homem arrogante e orgulhoso que dizia não ser como Chissano, que reunia com
Dhlakama, e agora quase todos os meses voa a Nampula para vir ajoelhar-se a
Dhlakama. É muito importante para o povo”, disse Dhlakama para quem Guebuza se
humilhou perante si. “Guebuza endireitou-se porque sabe que militarmente a Renamo
dá porrada à Frelimo”. “A Renamo demonstrou que não ia brincar, por isso Armando
Guebuza aparece agora como uma boa pessoa”. “Guebuza vai entrar na linha, senão
o fizer as consequências são com ele.”
Nampula (Canalmoz) – O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, convocou os seus quadros a
nível da província de Nampula,
durante o último fim-de-semana,
para uma reunião com vista a
explicar-lhes o conteúdo das reuniões que já manteve com o seu
acérrimo adversário, Armando
Guebuza, simultaneamente presi-
dente da Frelimo e da República.
A reunião teve lugar numa instância turística da chamada capital do
norte. Estiveram presentes pouco
mais de 200 renamistas, os quais
Publicidade
ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012
2
ouviram o seu líder afirmar que “a
Frelimo já esgotou toda a estratégia,
só resta salvar-se para não morrer”.
“Alguns pensam que as reuniões
que tenho tido com Guebuza são
para suspender a agenda nacional da luta pela democracia”, disse ainda Dhlakama, para depois
acrescentar: “quando nos encontramos – eu e o Guebuza – não é
para falarmos de negócios nem de
assuntos familiares. Trato de questões estratégicas para ajudar a população a manter a paz e a construir a democracia e evitar pôr a
correr os comunistas da Frelimo”.
tante”. “Um homem arrogante e
orgulhoso que dizia não ser como
Chissano, que reunia com Dhlakama, e agora quase todos os meses
voa para vir ajoelhar-se a Dhlakama, é muito importante para o
povo”, disse Dhlakama para quem
Guebuza se humilhou perante si.
“Guebuza endireitou-se porque
sabe que militarmente a Renamo dá
porrada à Frelimo”, observou o líder
das Renamo. “Tudo isso não é por
acaso, é resultado da determinação
da Renamo e do seu líder que jamais
aceitou os resultados das últimas
eleições e o Governo que saiu delas”.
“Não podem ter dúvidas para não
serem enganados”
“Negociação é fruto da
determinação da Renamo e seu
líder”
No encontro com os seus correligionários em Nampula Dhlakama
diria ainda: “vocês são a Renamo,
por isso não podem ter dúvidas para
não serem enganados. Os grupos dinamizadores andam aí a dizer nos
bairros que não haverá manifestação porque Guebuza já deu dinheiro a Afonso Dhlakama”. “Isso não é
verdade, por isso estamos aqui para
esclarecer e pôr-vos a par de tudo”.
O líder da “perdiz” lembraria
que “se Guebuza vem ajoelhar-se” perante si “é muito impor-
O presidente da Renamo foi mais
além na sua intervenção e disse que
“as negociações foram resultado da
determinação da Renamo e do seu
líder”, pois “tentaram atacar-nos
militarmente e levaram porrada. É
para verem que Guebuza está como
criança”. Ademais, Dlhakama precisou que “se a Frelimo tentar brincar
a Renamo vai subir num segundo
e destruir tudo. Não há nada aqui
que nos ameaça. Se não agimos assim é porque assinamos um acor-
do em Roma e queremos manter”.
“Guebuza não é do meu nível”
Na sua longa intervenção, o líder
da Renamo, muito aplaudido pelos
presentes, dirigiu as suas palavras
ao presidente da Frelimo e da República e disse: “Ele, se aparece como
boa pessoa, é para enganar e evitar
a manifestação. Guebuza não é do
meu nível. Aquele é um apanhado
do partido. Eu sou um líder. Eu tenho história. Armando Guebuza é
um empresário por aí” e “a Renamo demonstrou que não ia brincar,
por isso Armando Guebuza aparece agora como uma boa pessoa”.
“Guebuza vai entrar na linha, senão o fizer as consequências são com
ele. Ele deverá cumprir com o que
combinamos em Roma e saber distribuir as riquezas para todos os moçambicanos, sobretudo nas regiões
centro e norte”, apontou Dhlakama.
Dhlakama desafiaria ainda mais
a Frelimo com as seguintes palavras: “Vocês são ricos, mas a vossa riqueza serve para abastecer um
punhado de pessoas em Maputo”.
Entretanto o presidente da Renamo explicaria porque deixou
de residir em Maputo para ir viver em Nampula: “Sai de Mapu-
Publicidade
www.canalmoz.co.mz
ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012
3
to para cá, abandonei mansões e
estou a viver numa barraca para
vos libertar”. (Aunício da Silva)
Inspector Cumbana destrona Dias Balate de
director da PIC da cidade de Maputo
Cumbana é o inspector que liderou há uns anos a busca ilegal dos escritórios
do advogado Abdul Gani
Maputo (Canalmoz) - O ministro
do Interior, Alberto Mondlane, exonerou na tarde de quinta-feira, Dias
Balate, do cargo de director da Polícia de Investigação Criminal (PIC)
da cidade de Maputo. Não houve
comunicação oficial à Imprensa.
O assunto é tratado com sigilo dentro da PIC, mas várias fontes policiais já confirmaram ao
Canalmoz a saída de Dias Bala-
te da direcção da Polícia de Investigação Criminal na capital.
Quando contactado pela nossa
Reportagem Raul Freia, porta-voz
do Comando-Geral da Polícia, acabaria por confirmar a saída de Balate
da direcção da PIC. Entretanto disse
tratar-se de “cessação de funções”.
O novo director da PIC assumiu funções na sexta-feira passada em cerimónia fechada para
a comunicação social. Não foi
possível apurar o nome completo
do novo “boss” da PIC na capital,
mas segundo nossas fontes, é conhecido por Inspector Cumbana.
As nossas fontes indicaram ainda
que o novo director da PIC é o mesmo que esteve há alguns anos atrás
esteve à frente do processo ilegal de
invasão dos escritórios do advoga-
Publicidade
www.canalmoz.co.mz
ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012
4
do Abdul Gani, para a sua captura
e de um estagiário de advocacia.
O Canalmoz questionou ain-
da o comandante-geral da Polícia, Jorge Khalau, sobre as razões
da exoneração de Dias Balate.
Não quis falar do assunto. Disse
que não trata assuntos desse género ao telefone. (Bernardo Álvaro)
Empresário do grupo “Ayob Comercial”
assassinado em Maputo
Maputo (Canalmoz) – Foi abatido a tiro, ao princípio da tarde
da sexta-feira última, em Maputo,
Momad Khalid Ayob, irmão mais
velho da família Ayob e proprietário da Ayob Comercial. O assassinato ocorreu na cidade de Maputo
à frente de uma Mesquita ao lado
do Cinema Charlot, no Alto-Maé.
O assassinato deu-se entre as
13h15 e as 13h30. A vítima saía
da reza e estava à porta da Mesquita a conversar com dois irmãos, um deles Faruk Ayob.
Não são ainda sabidas as causas do assassinato. Sabe-se apenas
que um indivíduo que conduzia
uma mota aproximou-se da vítima, disparou três tiros e atingiu
Momad Ayob no peito, pondo-lhe termo à vida de imediato.
A família Ayob está ligada às em-
presas do Grupo Ayob Comercial, a
ex-Modas Niza, aos Hotéis Monte
Carlo e Terminus, e na disputa do Hotel Santa Cruz, entre outros negócios.
Este é o mesmo cidadão que já
esteve detido na vizinha Swazilândia na posse de cerca de 18 milhões
de randes, valor superior a 2 milhões de dólares. Testemunhas dizem que o criminoso aparentava ser
um paquistanês. (Bernardo Álvaro)
Detidos pela PRM nas eleições de Inhambane
36 jovens de MDM foram libertados por
ausência de ilícito
Inhambane (Canalmoz) – Foram
libertados na sexta-feira à tarde 36
dos 37 jovens do MDM que a Policia deteve no dia das eleições
intercalares em Inhambane e ainda se encontravam encarcerados.
Isabel Joaquim Madeira foi mantida na prisão por nem se quer ter sido
aberto um processo que permitisse à
procuradoria ordenar a sua soltura.
Todos os que foram libertados na
sexta-feira mediante termo de soltura foram soltos por falta de matéria
isto é, por a instrução ter concluído
que não praticaram nenhum ilícito.
Os advogados do MDM admitem que a soltura de Isabel Joaquim
Madeira possa acontecer hoje.
Todos os detidos pertenciam ao
Gabinete de Logística do MDM
e estavam encarregues de garantir o abastecimento de comida e bebidas aos delegados
do candidato Fernando Nhaca
junto das assembleias de voto.
Funcionaram nas eleições para
eleição do presidente do Município de Inhambane 24 postos elei-
torais com 54 assembleias de voto.
O sistema de apoio logístico do
MDM foi totalmente desmontado
pela Policia, disse ao Canalmoz o
próprio candidato Fernando Nhaca.
Três dos jovens que estiveram detidos, respectivamente Duduque dos
Anjos, Zamir Boavida e a cantora
Laila, detidos às primeiras horas da
manhã do dia 18 de Abril, disseram
ao Canalmoz no sábado que depois
de os prenderem a policia andou a
passear com eles na caixa dos 4x4
das PRM numa autêntica demons-
Publicidade
www.canalmoz.co.mz
ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012
5
tração de força para intimidar os
jovens de Inhambane afim de não
irem votar.
No dia das eleições a policia
prendeu 53 cidadãos. Libertou no
mesmo dia 16. Manteve encarcerados na cadeia de máxima segurança de Inhambane, 37 jovens.
Também no dia das eleições o advogado Custódio Duma também foi
detido pela Policia e aofim de algumas horas foi posto em liberdade. A
dua detenção foi ordenada pela própria comandante provincial da PRM
em Inhambane, Arcénia Massingue.
Mesmo depois da procuradora
que se incumbia do caso de Duma
ter acertado com o comando da
segunda esquadra a libertação de
Duma por falta de ilícito que justificasse a manutenção da detenção,
a comandante provincial quando
soube disso ordenou que Duma
fosse mantido detido, contrariando dessa forma a decisão da procuradora, apurou o Canalmoz na
própria esquadra pouco depois
destes faltos se terem registado.
(Fernando Veloso, em Inhambane)
Município de Quelimane
Manuel de Araújo acusa membros do Governo
provincial de falta de cultura democrática
“ Por dever patriótico desloquei-me a Quelimane para receber o presidente da Republica,
Armando Guebuza, que desde sexta-feira encontra-se em presidência aberta e inclusiva na
província da Zambézia” – Manuel de Araújo, membro sénior do MDM e presidente do Município da capital da Zambézia
Maputo (Canalmoz) – A governação de Manuel de Araújo no município de Quelimane, província da
Zambézia, já completou os primeiros cem dias. A ausência de cultura democrática por parte de alguns
membros do Governo provincial
dominado totalmente por membros
do partido Frelimo; as dificuldades
de acesso às contas do município
para resolver os problemas do lixo
e da energia no primeiro mês de
exercício do poder após “libertar
Quelimane”, criadas para impedir
um bom começo de actividade a
Manuel Araújo depois da polémica
instalada a que se seguiu a “vassourada” aos secretários de bairros
que continuavam a servir o partido
Frelimo em detrimento da edilidade, são alguns dos acontecimentos
que marcaram o período de Araújo
no poder autárquico quelimanense.
Araújo foi interpelado a semana passada pelo Canalmoz, numa
das artérias da cidade de Maputo.
Acabava de chegar de Inhambane onde apoiou o MDM no recente processo eleitoral. Interrompeu
essas actividades partidárias para
receber no aeroporto de Quelimane o presidente da República,
Armando Guebuza. Aceitou falar
dos primeiros dias da sua governação municipal e vincou que, para
ensinar aos membros do governo
provincial as boas práticas democráticas, foi receber o presidente
da República e do partido Frelimo,
que visita a província da Zambézia.
“Completámos 100 dias de governação da cidade de Quelimane
onde envolvemos os munícipes.
O balanço é positivo apesar de terem nos amarrado as pernas e os
braços por três meses. Ficámos o
primeiro mês sem acesso às contas do município. Ficámos sem di-
Publicidade
www.canalmoz.co.mz
ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012
6
nheiro para continuar a comprar
combustível e pagar energia para
o edifício municipal. Ficámos dois
dias sem energia”, lembrou Araújo.
Recordou que o MDM não tem
uma bancada na assembleia municipal, e dependia de boa vontade da Frelimo e Renamo a aprovação do orçamento municipal e
por uma questão de sobrevivência acabaram votando a favor.
“Eles quiseram torturar os munícipes de Quelimane por terem votado
em MDM, atrasando a implementação dos nossos planos de actividade
por três meses, mas como não tinham outra opção, porque se chumbassem o nosso plano de actividades
e orçamento pela segunda vez consecutiva, podíamos dissolver a assembleia municipal e avançar para
outras eleições onde não teriam a
mesma sorte, aprovaram o orçamento”, disse Manuel Araújo. “Vamos
continuar a ensinar-lhes. Nem sempre que o estudante quando reprova a culpa é do professor. Há estudantes que não aprendem e a esses
nada podemos fazer senão chumbá-los democraticamente”, ironizou.
Terão de mandar Guebuza
para ser secretário da Frelimo
em Quelimane
Pedimos entretanto a Manuel
Araújo que comentasse a viragem
de discurso da presidente da Assembleia da República, Verónica
Macamo, que disse recentemente
que Manuel de Araújo pode dirigir
a cidade de Quelimane, quando durante a campanha tinha entrado em
baixaria de o acusar de não ter família… Araújo preferiu não comentar. Disse apenas que desvaloriza
as manobras do partido no poder.
“Desvalorizo quando ela hoje tenta dar o dito por não tido. Quando
mandam a número dois do Estado
(Verónica Macamo) para vir ser secretário provincial interino do partido Frelimoaqui na Zambézia é um
ganho para nós. Isto mostra que se
ela falhar terão que mandar o número um (Armando Guebuza) para
o mesmo cargo”, ironizaria Araújo.
Araújo disse ainda que em Quelimane temos membros do Governo provincial que não têm cultura
democrática, e estamos a ensinar
como é que se faz a democracia.
Por exemplo, disse que saiu de
Inhambane “por dever patriótico”
para em Quelimane “receber o
presidente da Republica”, Armando Guebuza, que desde sexta-feira
encontra-se em presidência aberta e
inclusiva na província da Zambézia.
Vereador justifica “vassourada” de
secretários
José Lobo, vereador para Área do
Planeamento e Desenvolvimento
Autárquico, em Quelimane, revelou
entretanto ao Canalmoz que no tempo em que Pio Matos governava o
município “os secretários de bairros
assinavam em papel com o timbre
do município e carimbo do partido
Frelimo”. “Do ponto de vista legal,
é inaceitável, mas eles faziam isso”.
“Temos que ter secretários que
fazem parte da estrutura do município porque ele é o representante
do município a nível do bairro e
não do partido Frelimo. Brevemente vamos proceder à entrega de carimbos do município aos secretários
de bairros que são estruturas que
fazem parte intrínseca do prolongamento administrativo do município de Quelimane no bairro”, disse.
Indicou que “a Frelimo sempre
confunde o trabalho administrativo
com o político”. “Nós confiamos nos
secretários que estão nos bairros. É
uma questão de confiança política. Queremos alterar a situação de
Quelimane e estamos a contar com
os secretários que ali colocámos”,
concluiu José Lobo, vereador para
Área do Planeamento e Desenvolvimento Autárquico. (Cláudio Saúte)
Previsão do Tempo até Quinta-Feira
Capitais Provinciais
Segunda-Feira
Terça-Feira
Quarta-Feira
Quinta-Feira
Maputo
max: 22º min: 18º
max: 23º min: 19º
max: 24º min: 17º
max: 26º min: 16º
Xai-Xai
max: 25º min: 21º
max: 23º min: 20º
max: 23º min: 17º
max: 25º min: 16º
Inhambane
max: 26º min: 23º
max: 25º min: 22º
max: 25º min: 16º
max: 26º min: 17º
Beira
max: 28º min: 24º
max: 26º min: 24º
max: 25º min: 23º
max: 25º min: 23º
Chimoio
max: 27º min: 17º
max: 22º min: 16º
max: 20º min: 16º
max: 21º min: 13º
Quelimane
max: 29º min: 21º
max: 28º min: 23º
max: 27º min: 22º
max: 26º min: 20º
Tete
max: 32º min: 21º
max: 31º min: 21º
max: 29º min: 20º
max: 28º min: 19º
Nampula
max: 27º min: 19º
max: 26º min: 20º
max: 26º min: 19º
max: 25º min: 18º
Pemba
max: 30º min: 26º
max: 30º min: 26º
max: 29º min: 26º
max: 28º min: 25º
Lichinga
max: 23º min: 13º
max: 22º min: 14º
max: 20º min: 13º
max: 20º min: 20º
www.canalmoz.co.mz
ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012
7
Crédito bancário
“Banca trata mulheres como enteadas”
– presidente da Associação Moçambicana de Mulheres Empresárias e Executivas, ACTIVA,
Ema Mossa
Maputo (Canalmoz) – A presidente da Associação Moçambicana de
Mulheres Empresárias e Executivas,
ACTIVA, Ema Mossa disse ao Canalmoz que os bancos moçambicanos
tratam as mulheres como “enteadas”
nas concessões bancárias por muitas
delas serem informais. Os homens
– acrescenta – são tratados como
“filhos” por terem emprego formal.
“A maioria das mulheres é tratada
como enteada perante os bancos.
A banca normal deveria criar uma
percentagem de juros mais baixa
para as mulheres. As mulheres são
umas boas pagadoras, mas a banca
olha apenas para a questão de formalidade”, disse Ema Mossa. Ela
falou a semana passada ao Canalmoz, à margem do lançamento do
Fundo de Poupança Solidária pelo
Banco Terra. Disse que “os juros
cobrados pelos bancos estão acima de 28 porcento”, mas, frisou, “o
problema não é elas não pagarem,
mas, sim, as condições impostas”.
Sobre o lançamento do Fundo de
Poupança Solidária pelo Banco Terra comentou: “Acho que o projecto
é bem-vindo. É um desafio para as
mulheres, mas vamos lá ver se vão
ao encontro com o que a mulher
realmente precisa. Como florista,
nunca me preocupei em procurar
um crédito bancário pois isso tem
as suas implicações de juros. Trabalho com as minhas economias e
tenho estado a sobreviver”, disse.
Mossa acrescentou que tem
de se entender bem o conteúdo deste fundo, designadamente quais são as vantagens. “
Penso que a Associação Moçambicana de Mulheres Empresárias e Empreendedoras FEMME
e o Banco Terra vão explicar-nos
isso porque temos que saber quais
as garantias que o banco vai pedir
e a partir daí a mulher vai poder
optar se dá ou não para arriscar”.
Lembrou que no ano passado houve um acordo de trabalho
que a FEMME assinou com ACTIVA, AMI e ASSOTSI e o encontro da semana passada foi o resultado desse acordo com que se
pretende regular as acções para
se poder trabalhar em conjunto.
“Vou ter que transmitir às associadas da ACTIVA que vão ter esse
benefício como membros da ACTIVA. Na ACTIVA somos 60 aqui em
Maputo, mas temos núcleos em Xai-Xai e Quelimane, Nampula e Chimoio”. Sublinhou que ao nível nacional, a ACTIVA tem 540 membros.
O Banco Terra é uma instituição
bancária com dois anos de existência
e virada para o agro-negócio paras
as populações rurais e peri-urbanas
de Moçambique, lançou quarta-feira finda um fundo de poupança
solidária para minimizar as dificuldades que as mulheres empreendedoras enfrentam no acesso ao financiamento e ao crédito bancário.
A FEMME foi criada e 2009 com
objectivo de harmonizar o ambiente associativista das mulheres envolvidas na área empresarial, criando
uma rede de negócios para gerar
sinergias para o desenvolvimento.
Estabelece relações inter-empresariais e actualiza conexamente
informações mais relevantes dos
mercados e das condições macroeconómicas. (Cláudio Saúte)
Dissidente do PAIGC escolhido para Presidente
Pretória (Canalmoz) – Manuel
Serifo Nhamadjo, dissidente do
PAIGC e candidato derrotado na
primeira volta das eleições presi-
denciais, em Março, foi escolhido
pelo Comando Militar que tomou
Publicidade
www.canalmoz.co.mz
ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012
8
o poder na Guiné- Bissau e pelos
partidos da oposição que apoiam o
golpe para Presidente de transição.
Nhamadjo, que concorreu contra Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro e líder do PAIGC (Partido Africano da Independência da
Guiné e Cabo Verde), era presidente interino da Assembleia Nacional e obteve 15,75%. Foi o ter-
ceiro mais votado, atrás de Júnior,
que obteve 48,9%, e de Kumba
Ialá, do Partido da Renovação Social (PRS), que conseguiu 23,36%.
A notícia foi avançada na noite
de quinta-feira à AFP por um porta-voz da oposição ao PAIGC e resulta de um acordo entre golpistas
e adversários de Gomes Júnior –
detido no golpe de dia 12 de Abril
pelos militares, tal como o Presidente interino, Raimundo Pereira.
Para liderar o «Conselho Nacional
de Transição» – um órgão fiscalizador da actividade do Governo transitório que os militares pretendem
que fique à frente do país nos próximos dois anos – foi indicado Braima Sori Djaló, do PRS. (Redacção)
Alegada sobrevivência da cúpula das Forças Armadas como justificação
«Comando Militar» culpa Angola pela
tomada do poder em Bissau
Pretória (Canalmoz) – O porta-voz do Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau insiste que foi Angola quem levou as
Forças Armadas guineenses a desencadear o golpe de Estado, para
evitar a morte da cúpula da hierarquia castrense, noticiou a «Gazeta
de Notícias», um jornal de Bissau.
Numa entrevista telefónica à
Rádio de Cabo Verde, o tenente-coronel Daba Na Wana contou a
versão do Comando Militar sobre
o que levou aos acontecimentos
daquela quinta-feira (12), argumentando que foi Angola quem
«violou» o acordado entre os dois
países, ao enviar para a Guiné- Bissau «material de guerra» à revelia das forças de segurança locais.
Daba Na Wana defendeu que a
cooperação técnico-militar bilateral previa que Angola prestasse
apoio na reforma da Defesa e Segurança da Guiné-Bissau e que o
armamento pesado trazido para
a sede da Missang, além de não
estar previsto, tinha outros fins.
O porta-voz dos revoltosos referiu
que os «tanques com lagartas, carros
de combate e alguns morteiros para
canhão» chegaram inicialmente a
Bissau sem conhecimento das Forças
Armadas, que pediram explicações
à Missang, tendo-lhes sido respondido que se destinavam a reforçar o
exército guineense. «Tudo começou
com um clima de desconfiança, que
foi continuado desde que a Missang
começou a transportar para Bissau
material de guerra, violando claramente os acordos assinados entre os
dois países no domínio da Defesa
e Segurança. O acordo não incluía
o envio de armas», afirmou Daba
Na Wana. O porta-voz do chamado «Comando Militar» acrescentou que as dúvidas acentuaram-se
quando, antes da primeira volta das
eleições presidenciais (18 de Março), «Angola substituiu o pessoal
técnico sénior – pedreiros, carpinteiros e engenheiros da construção
civil, para a reabilitação de casernas – por uma equipa de militares
composta por tropas especiais».
Após a polémica, acrescentou,
Angola acedeu em treinar militares
guineenses com os novos equipamentos, comprados na África do
Sul, uma vez que o exército local estava habituado a lidar com
material soviético, o que acon-
Anuncie no
Contacte-nos:
[email protected] ou
Telefone: (+258) 823672025| (+258) 842120415| (+258) 828405012
Publicidade
www.canalmoz.co.mz
ano 4 | número 693 | 20 de Abril de 2012
9
teceu durante um mês, após o
que os «meios blindados» seriam
entregues às forças locais, algo
que acabaria por não acontecer.
Daba na Wana indicou que as chefias militares da Missang alegaram
depois que não tinham competência
para entregar o material, remetendo
a questão «para os políticos», tendo
sido em sequência disso que se deu
uma discussão entre o embaixador
de Angola em Bissau e o ministro
da Defesa guineense. «O ministro
chamou o embaixador para lhe dar
conta das preocupações das Forças
Armadas e dele próprio. O embaixador ameaçou-o, chamando-lhe à
atenção para as palavras que estava
a dizer, porque aquilo poderia ser
considerado uma ofensa para Angola», afirmou Daba Na Wana, na
entrevista à Rádio de Cabo Verde.
«Depois desse clima de desconfiança, o primeiro-ministro (guineense) escreveu uma carta secretamente, sem passar pelo Conselho
de Ministros ou pelo Parlamento, a
pedir às Nações Unidas para intervir
ou aprovar uma resolução que permitisse o uso de força ou o envio de
militares para um país que não está
em guerra. O portador da carta foi
o Ministro das Relações Exteriores
de Angola, George Chicoti», disse.
«Não tendo sido o MNE guineense
o portador da carta, das duas uma:
ou a carta foi escrita a pedido de
Angola ou foi o Governo angolano
que fez a carta e pediu ao Governo de Bissau apenas para assinar”
um documento a pedir à ONU e
aprovação de uma resolução que
legitimasse o envio da força, a integrar por Angola, Brasil, Ghana
e outros países da sub-região».
«Perante o cenário, não podíamos
ficar de braços cruzados à espera de
uma força expedicionária do exterior para um país que não está em
guerra», concluiu o porta-voz do
Comando Militar guineense, a justificar a acção golpista dos revoltos.
Em entrevista à RTP África, o tenente-coronel Daba Na Wana, que
se tem assumido como porta-voz
do Comando Militar, admitia há
dias que «o golpe de Estado é uma
solução inconstitucional» mas que
tem como justificação “o direito à
vida pró¬pria” e reiterar a acusação
de que haveria um alegado plano,
com as chancelas de Carlos Gomes
Júnior e Raimundo Pereira, para
um ataque de tropas angolanas às
Forças Armadas da Guiné- Bissau.
«Não há razão que justifique um
golpe de Estado. Mas per¬gunto: e
há razão que justifique, num país
que não está em guerra, que o Presidente ou o primeiro-ministro mande
vir tropas es¬trangeiras, sem conhecimento do Conselho de Ministros,
sem conhecimento da Assembleia
Na¬cional, mas através de uma
carta secreta que é trazida por um
mi¬nistro dos Negócios Estrangeiros de outro país que tem interesses económicos na Guiné-Bissau?»,
questionou-se Daba Na Wana.
PAIGC acusa Ialá
Afastado de sucessivas rondas de
negociações infru¬tíferas entre os
militares golpis¬tas e forças políticas da Oposição, o PAIGC condenou «veementemente» o golpe de
12 de Abril e acusa directamente
o líder e candida¬to presidencial
do Partido para a Renovação Social (PRS), Kumba Ialá (que já foi
chefe de Estado) de «envolvimento directo e assumido» na operação armada. O Bureau Político do
maior partido guineense reservou
ainda aos candidatos Serifo Nhamadjo, Henrique Rosa, Afonso Té
e Seri¬fo Baldé, afastados à primeira vol¬ta das presidenciais, a acusação de «incitação e execução»
do gol¬pe de Estado. (Redacção)
Os artigos de opiniao inseridos nesta edição
são da inteira responsabilidade dos respectivos autores e não reflectem necessariamente
o ponto de vista da direção do jornal.
Precário de Assinaturas | Distribuição diária por e-mail | 20 edições mensais
(USD) Contratos Anuais
(12 Meses) (ii)
Tipo de Assinante
(USD) Contratos Mensais (i)
(a) Pessoa Singular
20
15 usd x 12 meses = 180 usd
(b) Empresas e Associações de Direito Moçambicano
40
30 x 12 = 360
(c) Orgãos e Instituições do Estado
50
40 x 12 = 480
(d) Embaixadas e Consolados em Moçambique e Organismos Internacionais
60
50 x 12 = 600
(e) Embaixadas e representações Oficiais de Moçambique no exterior 60
50 x 12 = 600
(f) ONG’s Nacionais
30
20 x 12 = 240
(g) ONG’s Internacionais
50
40 x 12 = 480
Publicidade
Notas
- Os valores expressos poderão ser pagos em meticais ao cambio do dia do mercado secundário
- Nas facturas e recibos inerentes deve-se mencionar a letra que corresponde ao tipo de assinatura
- (i) Pronto pagamento ou debito directo em conta bancária
- (ii) Pronto pagamento ou debito directo em conta bancária
www.canalmoz.co.mz
Download

Clique aqui para ler todo o artigo