Todos os programas desenvolvem brincadeiras e usam brinquedos que garantem à criança o acesso aos recursos mais adequados à sua educação, de forma lúdica e prazerosa. Procuramos sempre envolver e motivar a família para que utilize brinquedos e brincadeiras em sua interação com a criança. 4.3.1. Espaços lúdicos de Laramara Corredor sensorial: localizado logo na entrada, possui variados elementos da natureza e traz para a criança muitas sensações diferentes: água, areia, pontes, animais, sons de pássaros etc. Acervo de Brinquedos: com 1500 itens diferentes, está à disposição das crianças e profissionais para suas brincadeiras. Larabrinc: brinquedoteca adaptada e preparada para que as crianças possam brincar com autonomia, desenvolver a criatividade e a fantasia; nela, as brincadeiras em grupos são sempre muito alegres e animadas. As crianças podem continuar brincando em casa, com seus irmãos e amiguinhos, porque a brinquedoteca Leve e Brinque possibilita a retirada de seus brinquedos preferidos. Piscina: local muito alegre e animado, destina-se à socialização e recreação das crianças e famílias. Importante na aquisição da consciência corporal, temporal e espacial, melhora a auto-estima e confiança da criança. Laraparque: espaço amplo e colorido, incentiva atividades e movimentos amplos, tão necessários às crianças e que muitas vezes são negados à criança deficiente visual; possui piscina de bola, escada, escorregador, cama elástica e outros brinquedos que estimulam as atividades de correr, jogar bola, subir e pular, importantes para o conhecimento do espaço e o desenvolvimento corporal. 79 Lugarejo, Cantinho de leitura: Livrinhos adaptados e ilustrados com elementos concretos, figuras em relevo e brinquedos são muito úteis para as crianças com deficiência visual e uma importante forma de iniciação à leitura. Reunimos neste espaço muitos livros infantis, alguns em Braille, para que os grupos de crianças possam participar de leituras interessantes e motivadoras. Ainda para incentivar a leitura e interação familiar, as crianças em início de alfabetização elaboram um livro em parceria com pais e irmãos: é o “livro vivo”. Nele, elas narram fatos de sua vida diária, acrescentando novas páginas à medida que surgem novos acontecimentos. A ilustração com elementos concretos fica por conta da família. A narração e representação de histórias também são recebidas com alegria pelas crianças, que vivem assim um mundo de descobertas e fantasias. Passeios à praia e ao campo, ao zoológico e parques são oferecidos muitas vezes às crianças. Projetos Teen e Brinc Ar Feliz: procurando facilitar ainda mais a inclusão da criança com deficiência visual nas creches, escolas e na comunidade foram criados esses projetos que promovem a visita de grupos de escolares e crianças de creches à Laramara. Os visitantes recebem explicações, conhecem nossas instalações, brincam junto, realizam atividades, constroem brinquedos e se familiarizam com as crianças da Instituição. Paralelamente, são feitas palestras aos profissionais das creches, sobre a importância do brincar e do brinquedo e sobre a detecção de problemas visuais nas crianças. Completamos no ano de 2005 quatorze anos de atividades. Durante esses anos evoluímos sempre, procuramos sempre inovar, transformamos nosso trabalho e ampliamos nossos recursos, desenvolvendo ações para atender às pessoas com deficiência visual de forma integral: habilitação, educação, emprego, cultura, recreação e lazer. Estabelecemos parceria com vários setores da sociedade, visando ampliar as oportunidades dessas pessoas e dar apoio e suporte à sua 80 inclusão na família, escola e comunidade, sendo Laramara uma instituição caracterizada como Centro de Desenvolvimento Humano e Apoio à Inclusão. Entendemos que a atuação de uma organização social como Laramara deve estender-se a todas as partes do território brasileiro, procurando parceiros para identificar as necessidades e soluções. Em todos os momentos de nossa trajetória procuramos nos superar para manter viva a idéia que tivemos desde o início: assegurar à pessoa com deficiência visual igualdade de oportunidades para que ela possa ser realmente um cidadão integrado e integral. Olhar para tudo isso, a mudança na vida de tantas pessoas, a concretização de nosso sonho, nos dá enorme alegria. Porém, também nos dá a certeza de que não é possível parar por aqui. Não só é preciso continuar, mas lutar e ampliar os conhecimentos. Assim, a proposta desta pesquisa é investigar a importância do brincar, de brinquedos especiais e jogos adaptados, para o processo de desenvolvimento, aprendizagem e inclusão de pessoas com deficiência visual. 81 5. Procedimentos Metodológicos Este capítulo apresenta questões referentes à metodologia de pesquisa, dentre elas: o histórico, o tipo da pesquisa, as informações sobre os alunos e familiares, critérios utilizados para a composição da amostra e cenário onde a pesquisa foi desenvolvida. Descreve os procedimentos utilizados para a coleta de dados e análise dos resultados. 5.1. Origem da pesquisa Esta pesquisa originou-se, num primeiro momento, da necessidade de sistematizar as idéias referentes à validade do uso de brinquedos especiais e adaptados e das brincadeiras, na interação com crianças deficientes visuais em nossa prática institucional. Num segundo momento, julgamos ser importante refletir sobre o papel da ludicidade como elemento mediador das relações paisfilho, da socialização, da inclusão escolar e comunitária. Por esse caminho foram investigadas duas questões: a) O papel e a função do brincar, de brinquedos especiais e brinquedos adaptados para a aprendizagem e inclusão social das crianças com deficiência visual; b) O papel e o nível de participação da família na aprendizagem, no desenvolvimento e inclusão social de seus filhos, por meio do brincar e do brinquedo. A análise crítica pautou-se no pensamento sócio-histórico e cultural de Vygotsky que enfatizou o papel da interação social e dos instrumentos culturais, entre eles o brinquedo, como fatores determinantes para o desenvolvimento ontogenético. 82 5.2. Tipo de pesquisa O caminho escolhido para este estudo foi o da pesquisa qualitativa etnográfica, que teve como principal preocupação “o significado das ações e dos eventos para as pessoas ou os grupos estudados. Esses significados são diretamente expressos pela linguagem ou transmitidos indiretamente pelas ações” (ANDRÉ, 2003, p.19). Para registrar as interações, comunicações dos alunos e pais e as ações lúdicas das crianças foi utilizado o procedimento de videografia. Como dito, procurou-se compreender o significado e a importância do brincar e do brinquedo especial ou adaptado para a inclusão das pessoas com deficiência visual. Esses significados constituem a própria cultura desse grupo, entendendose cultura como: “o conhecimento já adquirido que as pessoas usam para interpretar experiências e gerar comportamentos” (SPRADLEY apud ANDRÉ, 2003, p. 19). Nesse sentido, a cultura abrange neste trabalho o que as pessoas pensam, fazem, o que sabem e o que construíram, sendo esses fatos investigados com os alunos e os pais. Trata-se, portanto, de um estudo etnográfico envolvendo “a observação participante, a entrevista intensiva e a análise de documento” (ANDRÉ, 2003, p. 28). É participante porque a pesquisadora tem profundo grau de interação com a situação estudada, contato direto com os alunos pesquisados, as famílias, profissionais e é mãe de uma jovem com deficiência visual, presidente da Instituição onde se deu o estudo e autora dos brinquedos selecionados. Tendo em vista que o papel da Instituição Especializada no apoio e suporte à inclusão torna-se complexo e abrangente, ultrapassando o foco desta pesquisa, o estudo voltou-se para o papel e função do brincar e do brinquedo na aprendizagem das crianças, nas relações familiares e sociais, entendendo-se ser este processo fundamental para o sucesso da inclusão. 83 5.3. Identificação dos participantes e critérios de seleção Os sujeitos envolvidos na pesquisa foram cinco alunos com deficiência visual, pessoas com cegueira e baixa visão, cinco mães e esta pesquisadora. Para obtenção dos elementos necessários em face dos objetivos, foram incluídos: - 4 alunos com cegueira congênita e uma aluna com baixa visão, atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce (atividades organizadas para crianças de 0 a 3 anos) sendo que dois deles já faziam parte do grupo atendido na Santa Casa e foram encaminhados ao trabalho da Laramara na época de sua fundação. Alguns ainda freqüentam o Programa de Jovens e Adultos e o Centro de Recursos Tecnológicos da Instituição, estando incluídos em escolas de ensino médio ou superior; - 5 mães de crianças que freqüentam atualmente a Instituição. Foram os seguintes os critérios de seleção dos participantes dessa pesquisa: ser usuário atendido pela pesquisadora no passado, o tempo de permanência e assiduidade na Instituição, ser aluno incluído na escola regular desde pequeno e história de participação da família nos projetos de brinquedo da Instituição. Segue um resumo da história de cada participante, com nomes fictícios, conforme o código de ética do pesquisador: 84 Tabela de Participantes Participantes Nome fictício Idade Escolaridade-Profissão Deficiência visual Procedimentos de coleta Raí* 19 Estudante-Terceira série do Ensino Médio Cegueira congênita Transcrição de entrevista gravada em vídeo Klaus* 20 Estudante- Terceira série do Ensino Médio Cegueira congênita Transcrição de entrevista gravada em vídeo Adriana* 15 Estudante – Oitava série do Ensino Fundamental Baixa visão Transcrição de entrevista gravada em vídeo Gigi* 19 Estudante do Curso Superior de Música Cegueira congênita Transcrição de entrevista gravada em vídeo Tati* 27 Graduada em Música e Estudante do 3º ano do Curso Superior de Letras Cegueira congênita Transcrição de entrevista gravada em vídeo Edi** 36 Primeiro Grau –Diarista - Transcrição de entrevista gravada em vídeo Néia** 55 Do lar - Transcrição de entrevista gravada em vídeo Bia** 48 Primeiro Grau- Do lar - Transcrição de entrevista gravada em vídeo Raquel** 46 Segundo Grau -Do lar - Transcrição de entrevista gravada em vídeo Cleusa** 36 Graduada em Direito – Micro-empresária - Transcrição de entrevista gravada em vídeo *Alunos participantes da pesquisa ** Mães participantes da pesquisa Quatro dos jovens participantes desta pesquisa, foram atendidos por mim por período variável (de um a cinco anos), há mais de dez anos, época em que tinham menos de 5 anos de idade. Klaus e Adriana iniciaram atendimento na Santa Casa e passaram para Laramara na época de sua fundação em 1991. Com exceção de Tati, todos freqüentam há mais de doze anos a Instituição e assim foi possível acompanhar sua trajetória por meio do prontuário, onde estão registradas as atividades desenvolvidas, além da análise dos relatórios semestrais dos profissionais. Observei ainda as filmagens feitas na época em que os atendi. A 85 outra jovem participante nunca freqüentou Laramara, mas interagiu comigo desde seu nascimento. Duas jovens são universitárias, uma delas cursa a segunda faculdade. Dois jovens estão terminando o Ensino Médio e pretendem fazer o curso superior. A outra está cursando a oitava série do Ensino Fundamental. Durante todo o tempo em que os atendi, a nossa interação foi muito afetiva, as atividades alegres, com brincadeiras e constante diálogo. Exploramos muitos objetos, constantemente renovados; cada um deles era motivo de conversas, idéias novas surgiam o tempo todo, criávamos histórias engraçadas, o que ampliava muito a experiência e o vocabulário dessas crianças. Nossos encontros não tinham o formato de aula ou de atendimento terapêutico, mas eram práticos, divertidos, descontraídos e intuitivos; muitos fatos eram relatados espontaneamente, por eles e por mim, ampliando o significado e alcance de cada situação. Em várias ocasiões, fui criticada por utilizar brincadeiras e brinquedos em excesso, pois naquela época muitos consideravam esta forma de trabalho “pouco séria”. Entretanto nunca deixei de acreditar neste caminho para interagir com as crianças e, enquanto desenvolvi meu trabalho, segui esta mesma conduta; sabia ser esta interação benéfica para as crianças, observava mudanças em seu comportamento, na ampliação de seu mundo e em sua inclusão. Sentia que as crianças entendiam e valorizavam esses momentos, a minha preocupação em procurar objetos variados para nossas brincadeiras, em criar situações interessantes, em trazer novidades e realmente me envolver com elas. Demonstrava sempre meu respeito por seus desejos e interesses e procurava atender suas necessidades. Assim, fomos construindo uma relação que só se interrompeu no momento em que tive de realizar outro trabalho na Instituição. Apresentarei a seguir um pequeno relato da história de cada um. 86 I. RAI Natural da Bahia, apresenta cegueira total provocada por infecção ocular de causa desconhecida, ocorrida aos 4 meses de idade. Falou aos 3 anos de idade, andou aos 4 e tirou a fralda com 3 anos; aos 6 anos iniciava o aprendizado de escovar dentes e tomar banho. Pertencia a uma família extremamente carente, que não tinha como atender a suas necessidades básicas, morava em um barraco, localizado em zona de alta periculosidade; seus pais estavam sempre desempregados e a família dependia da pensão recebida por Raí. Entrou em Laramara em 10/02/1993, com 6 anos de idade, permanecendo nela até os dias de hoje, portanto 13 anos, com alguns períodos de interrupção. Embora nunca tivesse recebido atendimento profissional até iniciar o trabalho em Laramara, apresentava desenvolvimento motor bastante razoável, boa postura e bom potencial de aprendizado, sendo ativo, vivaz e interessado. Foi encaminhado ao nosso serviço pelo Posto de Saúde de Santo Amaro e integrado ao meu trabalho, Pedagogia Especializada, com uma freqüência de 2 vezes por semana. Começamos um trabalho visando a integração sensorial, o conhecimento do ambiente e dos objetos, a orientação espacial, introdução de conceitos matemáticos, ampliação do vocabulário e, nos últimos tempos, iniciamos a alfabetização em máquina Braille. Foi atendido por mim durante três anos, tempo em que utilizei inúmeras brincadeiras e muitos brinquedos, miniaturas e objetos. 87 Era uma criança curiosa, com muita vontade de aprender e ampliar seu mundo, que era muito restrito. Usamos alguns brinquedos especiais já desenvolvidos naquela época, como: Bola-Rebola, Colméia Alfabética, Gira-Gira, Caixinha de Números e Alfa-Braille. Raí participou ainda do atendimento feito por outra pedagoga e de vários programas como: Atividades de Vida Diária, Orientação e Mobilidade, Atividades Aquáticas, Brinquedoteca e Oficina de Expressão Artística. Freqüentava todas as atividades recreativas e culturais da Instituição: festas, saraus, acampadentro, passeios, cinema etc. Hoje vem a Laramara esporadicamente e ainda não participou do Curso de Educação para o Trabalho por incompatibilidade de horário. II. KLAUS Natural de Osasco (SP), nasceu prematuro, com sete meses de idade gestacional, tendo ficado na incubadora por vinte e dois dias; apresenta cegueira total causada por Retinopatia da Prematuridade. Andou com 2 anos de idade. Foi encaminhado à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e seu atendimento iniciado em 25/06/1986. Comecei a atendê-lo aos dois anos quando já freqüentava escola infantil. Visitei a escola algumas vezes para realizar orientação à professora sobre as necessidades específicas de Klaus. Klaus foi rejeitado pelo pai; a mãe estava sempre ausente por ser responsável pelo sustento da família. A criança vinha acompanhada pela avó, que se responsabilizou por sua educação. 88 Entrou em Laramara em 1992 onde permanece até hoje, por 13 anos consecutivos. Atualmente faz parte de um grupo de trabalho psicossocial. Iniciamos trabalhos para integração sensorial, conhecimento dos objetos do ambiente, brincadeiras para melhoria da coordenação motora, orientação espacial, ampliação do vocabulário, atividades de vida diária, reprodução de objetos com massa de modelar e alfabetização em máquina Braille. Utilizamos alguns brinquedos que já haviam sido desenvolvidos como: Alfa-Braille, Colméia Alfabética, Bola-Rebola e Caixinha de Números. Klauss mostrava grande dificuldade no aprendizado, não retinha os conceitos, havendo necessidade de retomá-los sempre num próximo atendimento. Foi diagnosticado como tendo um pequeno retardo mental. Foi atendido por outras pedagogas e participou de vários programas como: Atividades de Vida Diária, Orientação e Mobilidade, Atividades Aquáticas, Brinquedoteca, Oficina de Expressão Artística e Educação para o Trabalho. Freqüentou todas as atividades recreativas e culturais da Instituição: festas, saraus, acampadentro, passeios, cinema etc. III. ADRIANA Natural de Santana de Parnaíba (SP), apresenta baixa-visão causada por Amaurosis Congênita de Leber; possui um pequeno resíduo visual no lado externo, periférico, do olho direito. Adriana foi atendida na Santa Casa, por mim, durante um ano e encaminhada a Laramara em 16/02/1993. Trabalhamos por dois anos e ela permanece na Instituição até os dias de hoje, por 12 anos consecutivos. 89 Durante o tempo em que a atendi fizemos brincadeiras para melhorar sua eficiência visual e complementamos com trabalhos de estimulação tátil. Foram feitas todas as tentativas para alfabetizá-la com letras comuns, o que não foi possível, pois seu resíduo visual é insuficiente. Entretanto, a pequena visão que possui permite que conheça cores e facilita muito seu deslocamento no ambiente. Participou ainda do atendimento feito por outras pedagogas e de vários programas como: Atividades de Vida Diária, Orientação e Mobilidade, Atividades Aquáticas, Brinquedoteca e Oficina de Expressão Artística. Freqüentou várias atividades recreativas e culturais da Instituição: festas, saraus, acampadentro, passeios, cinema etc. Hoje recebe também orientação para uso de auxílios ópticos. IV. GIGI Natural de Osasco (SP), apresentou aos quatorze meses de idade quadro de Retinoblastoma Bilateral e passou por enucleação; recebeu dez aplicações de quimioterapia. Começou em Laramara em 24/06/1992, ficando em atendimento comigo por um ano. Por apresentar boas condições para integrar-se à escola, foi desligada da Pedagogia. Era uma criança inteligente, curiosa, com bom vocabulário, comunicativa, conhecia muitos objetos do ambiente, tinha boa coordenação motora, utilizava os sentidos de maneira adequada, tinha ótima postura. Durante o ano em que trabalhei com Gigi, tivemos uma interação muito alegre e rica de experiências interessantes. Brincamos com muitos materiais que adaptei para nossas aulas e nossa convivência foi muito proveitosa para ambas. Participou ainda do programa de Orientação e Mobilidade da Instituição. 90 V. TATI Natural de São Paulo (SP) nasceu prematura com seis meses e meio de idade gestacional, permaneceu por 2 meses em incubadora. Apresenta cegueira total por Retinopatia da Prematuridade. Não freqüentou Laramara, mas foi educada por mim desde seu nascimento. Iniciou na educação infantil aos quatro anos, em escola estadual, participando da sala de ensino regular e sala de recursos. Foi transferida para escola particular na sexta série. 5.4. Procedimentos de Coleta de Dados Os dados foram coletados através de entrevista semi-estruturada, individual, com os jovens e mães. As entrevistas foram filmadas e seu conteúdo foi transcrito. A posterior observação dos vídeos permitiu uma análise detalhada dos gestos, atitudes, expressões, tonalidades de voz, que auxiliaram no entendimento do que foi expresso na entrevista. As entrevistas permitiram conhecer a história de vida, os fatores socioculturais presentes na vida cotidiana dessas pessoas. Por meio delas também foi possível: a) Conhecer quais as brincadeiras, brinquedos e jogos preferidos pelos alunos com deficiência visual; b) Compreender o papel e a função das brincadeiras, do brinquedo e do jogo para o processo de aprendizagem e desenvolvimento desses alunos; c) Levantar o valor do brinquedo especial e adaptado para a aprendizagem e inclusão escolar. O roteiro de entrevista semi-estruturada (Anexo 1) contém questões relativas ao histórico de vida, interesses, gostos, brincadeiras preferidas, brinquedos preferidos; formas de brincar; nível de participação do aluno nas brincadeiras e 91 uso dos brinquedos; tentativa de resgate das lembranças que eles guardam das brincadeiras, durante o atendimento na Instituição. As entrevistas foram realizadas mediante diálogo e conversa espontânea entre a entrevistadora e o aluno e entre a entrevistadora e a mãe, em um espaço privativo. As entrevistas e seu registro em vídeo tiveram a permissão dos entrevistados, com as devidas assinaturas de termo de consentimento, conforme Anexo 2, de acordo com o aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie. 5.5. Procedimentos de análise de dados Após as entrevistas, filmadas, foi feita imediatamente a escuta, observação e a transcrição dos depoimentos, adotando-se o processo de assistir os vídeos e assinalar os apontamentos relativos a posturas, atitudes durante as falas, transcrição das falas e leitura flutuante recomendada por Thiollent (1985): leitura global para apreensão do todo e depois leitura detalhada, buscando recortar as falas e significados que expressem as opiniões e pensamento dos entrevistados. As opiniões, os sentimentos, os significados, as necessidades e os conteúdos foram organizados mediante recorte das falas, selecionado-se os aspectos comuns e elencando-se os temas passíveis de análise. Após a análise do conteúdo das entrevistas, procedeu-se à análise crítica do papel e função do brincar e dos brinquedos especiais à luz das pesquisas e estudo bibliográfico realizado neste trabalho. 92 6. Apresentação e discussão dos resultados A transcrição das entrevistas realizadas com os cinco jovens que participaram de meus trabalhos doze anos atrás, e que ainda participam de algum programa ou serviço da Instituição, é feita a seguir. Da mesma forma, será colocada a palavra de cinco mães, sendo quatro delas mães de crianças pequenas, participantes do trabalho de Laramara atualmente, assíduas freqüentadoras da Instituição há vários anos e a quinta, que é mãe da jovem Gigi. 6.1. Apresentação e análise do conteúdo das entrevistas dos alunos Serão analisados neste capitulo o conteúdo das entrevistas, as opiniões, os sentimentos, as lembranças e experiências sobre o brincar e o brinquedo, expressos na fala dos jovens e mães entrevistados. Apresentam-se fragmentos de fala que revelam o quanto o brinquedo foi significativo no processo de aprendizagem de cada um e no processo de inclusão social e escolar, além dos aspectos afetivos e emocionais. 6.2. Depoimentos dos alunos As informações coletadas nas entrevistas foram organizadas e agrupadas em três itens: -Inclusão social: Opinião dos alunos sobre si mesmos, sentimentos e construção de vínculos, relações interpessoais e sociais, expectativas e desejos dos alunos em relação à inclusão na escola, no trabalho e sociedade. -O papel do brincar e do brinquedo para a aprendizagem: a importância de brinquedos, jogos e materiais adaptados, histórias, atividades lúdicas e recreativas. - O papel da Instituição na formação dos jovens entrevistados. 93 São apresentados alguns recortes das falas e cada depoimento foi identificado com o nome fictício do entrevistado. 6.2.1. Inclusão Social A opinião dos jovens revela a construção de auto-imagem positiva, sentimentos de segurança, independência e clareza quanto aos objetivos de vida e luta para conquistar seus ideais. Demonstra pensamento crítico, capacidade de reflexão sobre suas possibilidades e dificuldades. Eles mostram ter equilíbrio emocional, auto-aceitação e maturidade, sendo independentes e bem integrados socialmente. ...Porque eu andei participando de alguns festivais de música... eu tive uma vitória que eu chamo de vitória pessoal, o fato de conseguir expor uma coisa que você fez, que com todas as dificuldades conseguiu passar para o público, isso é muito gostoso... ...Este ano eu já termino o colegial e eu não pretendo parar, pretendo dar seguimento àquilo que a gente vem sempre batalhando, eu acho que a vida deixa de existir a partir do momento em que você deixa de sonhar. Eu sou muito sonhador... ...Eu tenho um pensamento de me profissionalizar na área de informática. Mesmo sendo uma área que eu não gosto, eu não tenho aptidão para isso. É desafio entendeu? Por você não gostar da coisa e saber que precisa daquilo... ...Eu pretendo realmente mexer com música a partir desse ano que vem! Na verdade, eu quero me profissionalizar. Uma coisa mais prática do que o teórico, é lógico que ambas caminham juntas, não existe uma prática sem a teoria. É que a faculdade é uma coisa teórica demais! Muito teórica, muito teórica. Coisas que talvez você não vai utilizar, e você de certa forma vai acabar perdendo um certo tempo, porque eu sempre tenho um pensamento comigo, Dona Mara, eu acredito que tempo perdido não volta atrás. Ai pro futuro, quem sabe se eu fizer uma faculdade voltada à música né, mas aí quando eu já estiver com a graça de Deus, eu já estiver estabilizado profissionalmente na música, aí a gente vai se acertando... Eu aprecio muito o violão, mas o teclado é indispensável, é lá onde consigo compor as minhas canções. Tenho um teclado simples né? Mas foi ele que me possibilitou escrever as vinte músicas, até quem sabe trinta, coisa assim! Eu tenho bastante música! Eu tenho agora um pensamento de ir até alguns cartórios de registro para me informar, pra registrá-las! Porque eu andei participando de alguns festivais de música, foram inclusive eles que me fizeram pegar gosto pele coisa. Em um deles eu fiquei empatado com outro grupo na final, e o outro não, a gente acabou não conseguindo obter um resultado satisfatório...(RAÍI) É necessário frisar o fato, citado anteriormente, de ter este jovem vivido em um ambiente de muita pobreza, com uma vizinhança violenta. A família habitava em um barraco construído em área de risco: um barranco que, em determinado momento, foi invadido pelas águas que levaram todos os seus pertences. 94 Entretanto Raí teve a grande vantagem, a presença constante de uma mãe muito dedicada. É surpreendente ver a forma como o jovem superou os obstáculos causados pela mais extrema pobreza e privações materiais. Demonstra hoje estar seguro daquilo que quer e pretende para seu futuro, suas expectativas de carreira e como planeja viabilizar isto. ...Eu tinha uma característica de liderança, eu fui representante de classe por duas vezes se não me engano, depois com o tempo eu fui ficando meio bobona, para não dizer outra coisa, eu acabei perdendo um pouco essa característica de liderança... (TATI) ...Estou no 2º ano de bacharelado em canto lírico lá na USP, curso de música. Mas, é legal, eu queria fazer popular no início, mas como USP e UNESP só têm lírico, só tem música erudita, e pra eu morar em Campinas... Meu trabalho é em São Paulo, casamento, evento, não tinha como eu mudar toda a minha vida pra Campinas, pra fazer um curso de música popular, então eu fiz na USP, estou gostando assim mesmo, achei que ia ser um saco, mas não, é muito legal, é muito bom. Faço piano popular. Faço, eu trabalho com o popular, eu não trabalho com o erudito, eu estou estudando o erudito, mas estou engatinhando ainda. Estou trabalhando, estou fazendo casamentos, eventos pra firma, órgãos públicos, eu vivo de música, é a minha profissão, então estou ai trabalhando, faço programas, programas de TV não são remunerados, são mais pra marketing mesmo, nenhuma espécie de mídia é remunerada ao menos pra mim que não sou famosa nada, para os outros eu não sei, a minha profissão é fazer casamentos, eventos em geral, festinhas, eventos pra empresa, então a gente trabalha bastante com isso... (GIGI) ...Agora tenho 15 anos estou na 8ª série, acho que foi em 94 que eu vim pra cá, com 4 anos. Estou na escola L. C., no bairro em que moro, em Santana do Parnaíba. Eu estava freqüentando também o Mackenzie, dias de terça e fazia natação só que agora eu parei de fazer... eu achei melhor estar indo, em vez de no Mackenzie estar indo para T. que é lá na sala de recursos... eu achei melhor. Eram as dúvidas que eu tinha, era assim, dúvidas ai que fosse do Braille, mais difícil de fazer aí eu ia lá na T e ela me ajudava. Por exemplo matemática, agora... são coisas assim que às vezes fica difícil; conhecer os sinais todos utilizados... (ADRIANA) ...Estou tentando montar um chat exclusivo só para o Laramara, tô vendo se eu consigo. Um chat de bate-papo, no caso seria só alunos da 95 Laramara, no caso até incluindo essa parte no curso de informação, porque muita gente pergunta como é o bate-papo.... ...Antes eu tocava teclado, agora eu comecei a fazer percussão, bateria, eu pretendo trabalhar na parte de sonoplastia aqui na Laramara, estou estudando na parte de áudio de teatro também... (KLAUS) Os jovens Raí, Gigi e Klaus demonstram preocupação com a futura vida profissional e continuam seus estudos. Os depoimentos mostram esforço pessoal para o sucesso na vida escolar e realização profissional, o que comprova a hipótese de Vygotsky (1983), como já discutido anteriormente no capítulo teórico, quanto ao conceito de compensação, no sentido de que a deficiência provoca no indivíduo uma força motriz capaz de superar as dificuldades. Para Vygotsky (1989), cegueira não é meramente a ausência da visão; a cegueira causa uma total reestruturação de todo o organismo e de toda a personalidade, criando uma nova e única matriz da personalidade, traz à vida nova força; criativamente muda tendências normais das funções e organicamente refaz e forma a mente do indivíduo. Importante lembrar que os jovens entrevistados foram submetidos, quando crianças, a situações bastante difíceis, que poderiam ter deixado marcas e seqüelas em sua personalidade e prejudicar seu futuro, gerando comportamentos de medo ou dificuldades nas relações sociais. Poderiam ser hoje pessoas fragilizadas emocionalmente, pela história traumática de longa permanência em UTI neonatal e dolorosas cirurgias oculares; ou pelo sofrimento causado pelo retinoblastoma seguido de enucleação e tratamento com quimioterapia; ou ainda sofrer as conseqüências da privação total de recursos materiais causada pela extrema pobreza ou a privação afetiva devido à rejeição e não-aceitação da cegueira pelo pai. Isto, entretanto, parece não ter acontecido: os jovens demonstram haver superado esses problemas, desenvolveram-se bem, com autoestima, coragem e força de vontade para alcançar sucesso na vida, não obstante as dificuldades no passado e algumas que permanecem até hoje. Esta fortaleza que demonstram parece ter origem na presença de vários fatores, sendo talvez um dos principais o fato da criança ter em sua vida uma pessoa que 96 se ocupa dela e com quem se relaciona e cria vínculos, que lhe dá autoconfiança e segurança, que lhe serve de referência. Esta pessoa deveria ser preferencialmente o pai ou a mãe, mas pode ser um dos avós (como no caso de um dos jovens), ou educadores. Realmente havia esta pessoa na vida de cada um deles. Pesquisa realizada nas ilhas do Havaí durante 40 anos, com 800 crianças que viviam em grande privação, em ambientes sociais permeados de criminalidade, vício em drogas, álcool, negligência e falta de estímulos, mostrou o seguinte resultado: 70% delas tornaram-se pessoas bem integradas à sociedade, com profissão, família e emprego; 30% passaram por situações difíceis na juventude, mas se reintegraram à sociedade na idade adulta; 10 a 15 % apresentaram comportamento anti-social. Constatou-se então que, além do fator genético e do meio ambiente, houve um terceiro fator decisivo para seu desenvolvimento: o relacionamento. Cada uma dessas crianças encontrou em sua vida uma pessoa que lhe dedicou um amor profundo, não sendo necessariamente seus pais, mas avós, vizinhos e outros (Glöckler, 2003, p. 41). Temos ainda um estudo sobre jovens presos em uma penitenciária dos Estados Unidos, mostrando que, quando crianças, eles não brincaram, não ouviram histórias, foram educados pela TV e pelo videogame e não contaram com pessoas que lhes dessem segurança (Craemer, 2003, p. 57). O depoimento seguinte demonstra a importância de dois professores na vida do jovem: Aqui eu tive dois professores que significaram, dentro da natação eu digo, significaram bastante na minha vida assim, e até me estimularam no esporte dentro da natação eu aprendi muitas coisas com eles que é o J. F. e o S. Onde eu for eu terei um enorme carinho por esses professores porque foi realmente ali que começaram, às vezes eu fazia alguma coisa errada não no nado em si, eu tomava algumas atitudes inadequadas de acordo com o ambiente e tinham uma postura de cobrança em cima 97 de mim que me fez crescer bastante, entendeu? (RAÍ) Na fala seguinte os jovens mostram uma interação afetiva com a família referindo que o brincar proporcionou a construção de vínculos positivos, que a interação e relação no brincar e atividades cotidianas se deu mais com a mãe, avós, irmãos e vizinhos do que com o pai. Fica clara também a importância do adulto como participante da brincadeira. As interações sociais das crianças com adultos ou companheiros mais experientes impulsionam a formação de seu pensamento e comportamento. Verifica-se que na brincadeira a presença do adulto e de outras crianças funciona como mediadora na socialização, facilitando as trocas de conhecimentos, a aprendizagem, a linguagem e o desenvolvimento. Assim, para a criança, o brinquedo é mais que um objeto de manipulação; significa também a presença de uma pessoa brincalhona, que descubra do que ela mais gosta e que esteja disponível para brincar. Revela ainda a importância das primeiras relações que se estabelecem com a família na construção da personalidade, para favorecer a autonomia, a identidade, os valores e a qualidade de suas relações com as outras pessoas. ...Quando era bem pequena eu brincava mais com a minha mãe porque pelo próprio contato que nós tivemos... brincava muito, muito mais com a minha mãe. Com o meu pai era muito mais uma coisa intelectual, eu fazia muita pergunta pra ele e com a minha mãe eu também fazia muita pergunta, mas tinha o interagir falando oralmente, tinha a brincadeira, muito contato físico desde muito pequena. Brincadeira de correr no corredor que ela ficava numa ponta e eu na outra e ela ia batendo palma e me chamava pode vir e, corre, corre... e eu ia correr e a abraçava... Com os irmãos eu tive uma diferença de idade meio grande, houve uma diferença grande entre mim e eles... ...Eu acho que minha mãe tem um lado engraçado, acho que até sem muita consciência na época, ela incentivou essa minha independência, minha auto-suficiência, e incentivou que me virasse sozinha... (TATI) Com o meu pai... o meu pai não tinha muito jeito de me ensinar a jogar, uma coisa assim né, porque ele ficava com medo de me machucar pelo fato da minha cegueira né? Então ele ficava: Oh filho! não dá, o pai não sabe como te ensinar. Então era muito legal! (RAI) ...A vovó é tudo pra gente. Eu tenho avô da parte do meu pai que mora no interior. Que é maravilhoso também, ele tem loja, então uma loja é Carlito Calçados e na outra é Gigi Mar, e ele tem um monte de netos e ele diz que sou a neta mais linda que ele tem, pra gente é muito orgulho isso. Eu tenho bastante primo, uma penca. Olha eu não sou muito de amigos... sei lá eu tenho uma vida social bastante agitada mas eu não sou muito de sair de ficar com amigos, ir ao cinema, ficar com o pessoal, não tenho turminha. Não dá muito tempo também!(GIGI) ...Brincava com o vizinho... Eu brincava de jogar bola com os meus irmãos e graças a 98 Deus eu tive muitos vizinhos também, eu tinha seis anos e os vizinhos tinham cinco e dez anos, então dava para brincar. (RAI) Os relatos dos jovens mostram que as interações sociais proporcionadas pelo brincar ocupam um espaço de destaque em sua vida. Eles falam da importância de conviver com outras crianças na escola, aprender a expressar desejos, sentimentos, emoções, participar da vida e do mundo. Valorizam a inclusão escolar, não só como oportunidade de conhecer e estabelecer relações com outras crianças de sua idade, com ou sem deficiências, de compartilhar experiências e ampliar seu mundo, mas também de desenvolver ao máximo suas possibilidades e, principalmente, de adquirir autonomia e independência. Importante saber que todos os jovens entrevistados freqüentaram desde cedo escola infantil, com dois, quatro e seis anos, o que parece ter sido fundamental para sua socialização, aprendizagem e desenvolvimento. ...Na escola A. P. foi diferente, as pessoas me receberam melhor porque na escola já havia outros deficientes, aliás não só visual como surdo, auditivo, mental e outros visuais, que foi legal porque eu via que eu era diferente com relação às pessoas que enxergavam mas eu tinha pessoas iguais ou semelhantes a mim, também pessoas cegas, foi muito legal eu ver... (TATI) A jovem fala de quão interessante foi para ela conhecer e conviver com crianças que tinham deficiência visual e também outras deficiências, podendo identificar-se com elas, compartilhando experiências, enriquecendo seu mundo interior e ampliando suas vivências. ... Eu gostava muito, eu era muito amiga das crianças no primário, no ginásio eu tive uma coisa, uma amiga que foi fundamental no desenvolvimento das minhas relações com as pessoas, que foi a V. aquela minha amiga, porque as crianças de maneira geral eram cheias de dedos comigo por causa de eu ser cega... ... Na A. P. (escola) brincava sim, brincava com outras crianças cegas e crianças que enxergavam, porque eu entrei na classe comum, no primeiro ano eu fiquei só na sala especial, na sala de recursos, depois eu fui pra classe comum. (TATI) ... Na escola eu tinha sempre uma amiguinha, eu lembro que quando eu era pequena eu tinha amiga chamada J. que a gente brincava bastante na escola, sempre tive 99 bastantes amigos de escola pra brincar, às vezes eu apanhei... (GIGI) Gostaria de lembrar a afirmativa que fiz na parte teórica deste trabalho, baseada em uma experiência de mais de vinte anos, que as crianças cegas que contaram com a mediação de pessoas dispostas a apoiá-las em sua aprendizagem, desde bebês, tiveram oportunidade de participar do ambiente familiar, freqüentar escola, passear, interagir, comunicar-se com brincadeiras e atendimento adequado, mostram estar incluídas na sociedade. Isto podemos ver no relato desses jovens. 6.2.2. O papel do brincar e do brinquedo para a aprendizagem e desenvolvimento Os jovens entrevistados revelam que o brincar foi fundamental para sua interação, comunicação e aprendizagem, tanto no ambiente familiar como no escolar e comunitário. Citam a importância da brinquedoteca, da fantasia, do mundo do fazde-conta, das brincadeiras com o corpo, o correr, pular, a exploração do ambiente, como elementos fundamentais para a aprendizagem, para o desenvolvimento físico, sensorial e psicológico. Valorizam o espaço e o tempo que lhes foram proporcionados e as inúmeras possibilidades de brincar de forma integral e saudável. Mostram ainda o apreço que tinham pelo envolvimento dos profissionais em suas brincadeiras. Para Cunha (1994) os educadores são parceiros de aventura e estão aí para descobrir as necessidades e procurar subsidiar as manifestações das potencialidades da criança. O papel do educador é sensibilizar para o brincar. ...Eu era quieta, eu sou quieta, eu era assim. Eu não me misturava muito, depois comecei aqui, com a senhora a brincar, essas coisas... a ter mais contato com as coisas, aí eu comecei a me desenvolver melhor, mas tudo...Eu não era muito de brincar, era mais com a minha irmã, só que a minha irmã era menor que eu então eu não gostava muito. E porque aqui eu aprendia ah? Eu comecei a aprender que era normal... Eu comecei a aprender... eu aprendo até hoje.... Eu entrei na escola com 6 anos, tinha dias assim que era pra gente levar os brinquedos e tinha os brinquedos da escola também, ai eu comecei a fazer mais amizade, mas também tudo graças a aqui, porque senão acho que eu estaria 100 quieta até hoje sem falar nada... (ADRIANA) ...Essa coisa de pular e tal, a professora especializada também logo depois me estimulou muito, ela me ensinava a rolar na grama, pular corda, acho que foi ela que me ensinou, mas enfim, a correr. (TATI) De acordo com Merleau-Ponty (1999, p. 279): Para que os estímulos sensoriais façam sentido, é necessário que a criança tenha oportunidade de vivenciá-los de forma integral, uma vez que o contato corporal lhe fornece informações mais precisas e significativas. A percepção se constrói a cada momento pelo próprio sujeito e o sujeito no mundo é o seu corpo no mundo. O corpo é o lugar de aprender e é com o corpo, com suas sensações e com as experiências motoras que a criança vai poder criar conceitos abstratos sobre o mundo e as coisas (Trindade, 2003, p. 125). ...Aqueles brinquedos da escola, ah, um brinquedo que chamava trepa-trepa que você ia subindo e pulando de um ferro para o outro, imagine que uma pessoa leiga imaginaria que um cego pode brincar disso, no entanto, a gente brincava; tinha um outro brinquedo lá que chamava troca de mão, era como se fosse um espaldar, uma barra vertical cheia de barras horizontais, você ia botando a mão numa barra, na outra e na outra, eu me pendurava naquilo e ia fazendo aquele negócio, trocando de mão me pendurando nas barras, foi fundamental para o meu desenvolvimento físico. Na praia também. Na praia eu corria, brincava na areia, castelo, tomava banho de mar, pegava naqueles tatuzinhos subindo na minha mão; eu também tive a oportunidade de conhecer muitos insetos e mesmo animais de médio porte porque meu pai sempre gostou muito de natureza e animal e ele me dava tudo, me dava tudo na mão tudo que eu pude pegar tudo que eu pude enquanto criança eu peguei, criança é corajosa não tem noção do perigo, depois que você cresce você fica com medo, medroso...(TATI) “Para a criança deficiente visual o contato pele-a-pele e o diálogo corporal são formas primárias de comunicação e interação; são formas importantes para a construção da noção do eu e do outro e motivador essencial para despertar o desejo de busca das pessoas e objetos.” (MEC, 2001, p. 105) “O bebê é um grande órgão sensório através do qual os mais diferentes estímulos são captados. Através de seus olhos, ouvidos, narinas, língua e principalmente através de sua pele, ele lê o mundo. A pele é o órgão sensorial por excelência. O bebê é capaz de perceber através dela, com extrema sensibilidade, a qualidade das impressões que o 101 cercam: a temperatura das mãos de quem o toca, o tônus subjacente àquele toque, as emoções que determinam aquele tônus. É capaz de distinguir através de seus sentidos, a diferença entre suavidade e tensão, ternura e frieza, aconchego e indiferença, tranqüilidade e medo.” (Benevides, 2003, p. 115) O depoimento a seguir mostra com fidelidade esta afirmativa: Eu me lembro da nossa casa de Mongaguá, onde a gente ia com muita freqüência nas férias...a gente brincava de passar anel..., você encanou de pedir pra todo mundo me dar a mão e umas vinte pessoas me davam a mão e quando chegava a mão da minha mãe eu conhecia porque era mais quentinha e meio asperazinha, igual à minha mão, meio mão de pedreiro, então eu conhecia, mão de cozinheira e o tamanho. ...Olha, eu acho que foi fundamental, assim, eu posso listar pelo menos uns 30 tipos de brincadeiras que eu fiz com a minha mãe, com outras crianças e mesmo sozinha. A questão do brinquedo foi fundamental, por exemplo os de tato me ajudou pra eu distinguir os diferentes tecidos, roupas, o que é seda, o que é veludo, o que é lixa, ai com outras coisas, o que é couro e eu sempre fui muito esperta com relação a isso porque assim, sempre fui muito estimulada; o brincar me ajudou também com relação à leitura do Braille... fundamental porque se a criança tem a mão toda presinha, toda tensão, depois ela não consegue ler Braille por exemplo eu não conseguiria provavelmente tocar bateria... (TATI) O saber-fazer se enriquece na parceria com o adulto, sobretudo mãe-criança; é a mediação do adulto no brincar que dará forma aos conteúdos intuitivos, transformando-os em idéias lógico-científicas, características dos processos educativos. A presença do adulto favorece concentração prolongada e elaboração complexa e é importante combinar brincadeira livre e atividades orientadas (Bruner, apud Kishimoto, 1999). O depoimento a seguir mostra isto com muita clareza: ...Lembro-me de uma época muito boa, acho que foi 1997, chegou a brinquedoteca aqui no prédio novo, eu amava a brinquedoteca. A M brincava com a gente, eu tinha lá um carro de bombeiro e não sei o que e tudo mais e eu adorava aquilo e aí a gente aproveitava para contar histórias, ela sempre lia uma história para gente, era muito legal. (RAÍ) ...Mas eu acho que é importante a gente brincar principalmente a gente assim deficiente é bom a gente ter uma experiência de pessoas normais porque a gente se desenvolve mais; meu gosto é boneca, eu achei bom, serviu muito nisso de direita, esquerda está do avesso, não está muito bom, mas eu acho importante, eu acho legal a gente brincar, eu acho a gente sempre estar com outra pessoa pra gente trocar opiniões. Através da brincadeira a gente acaba desenvolvendo coisas, mais e mais coisas... (ADRIANA) 102 Por meio das brincadeiras as crianças deficientes visuais podem adquirir consciência do próprio corpo, relacioná-lo com o ambiente e aprender a realizar as atividades comuns do dia-a-dia, alimentação, higiene, vestuário, tendo ainda oportunidade para o desenvolvimento da integração sensorial. ...Acho que brincar é essencial pra qualquer pessoa, eu gosto de brincar até hoje, brinco com os meus primos, eu acho muito importante, acho que é um desenvolvimento essencial pra criança, acho que sonhar é muito importante. O sonho, você acaba brincando de fazde-conta, aquela coisa de entrar no mundo da fantasia, aquela coisa de sonhar mesmo eu sou um super-herói eu posso fazer tudo isso. Querendo ou não é uma auto-estima que você vai pegando, criando, é um desenvolvimento que você vai tendo do seu psicológico... acho que brincar é muito importante. Essa coisa de ler também, e leitura me ajudou muito até pra ter uma imaginação mais fértil, pra sonhar com mais coisas, ter uma amplitude maior então, acho que brincar é essencial e não deixem nunca da brincar porque brincar é demais, às vezes eu me tranco no meu quarto coloco a música alta a fico lá sonhando com sabe... faço isso até hoje... (GIGI) O brinquedo permite que a criança interprete e viva o mundo adulto numa relação com o faz-de-conta. Para a criança com deficiência visual poder representar a realidade, ela precisa brincar de faz-de-conta, junto com as outras crianças, observando como elas assimilam, interpretam e recriam o real (MEC, 2002, p. 47). Vygotsky (1984) refere ser a brincadeira crucial para o desenvolvimento cognitivo, pois o processo de criar situações imaginárias leva ao desenvolvimento do pensamento abstrato e das relações entre significados de objetos e ações. A criança cria situações imaginárias, incorporando elementos do contexto cultural, adquiridos por meio da interação e comunicação. As brincadeiras preferidas e prazerosas relatadas pelas meninas foram: brincar de boneca, de casinha, faz-de-conta, dramatizar; andar de bicicleta, brincar com água e brincadeiras na piscina. Já para os meninos, brincar de faz-de-conta, parque (gira-gira), jogar bola, patins, andar de bicicleta e piscina. Observa-se na fala de todos os entrevistados muito prazer nas brincadeiras e travessuras de criança. ...A minha primeira bicicleta eu ganhei aos 4 anos e era de rodinha e eu acho que por estímulos prévios anteriores dados pela minha mãe de me fazer descobrir as coisas, me dar um brinquedo e descubra o que é pelo tato, enfim, quando começou a cair a rodinha da bicicleta, aquelas rodinhas de apoio, eu me senti estimulada a aprender sozinha, eu não tive muito apoio da 103 família, as pessoas não concordavam muito eu comecei a fazer meio escondido, a rodinha começou a cair e eu comecei a não pedir mais.. e eu lembro que era a minha madrinha, eu pedia para a minha madrinha ir lá e colocar a rodinha e eu comecei a não pedir e tomei alguns tombos; as pessoas ficavam preocupadas, mas eu sempre dava um jeitinho de, à tarde, quando o povo estava dormindo andar de bicicleta sozinha pra eu treinar o equilíbrio e aí eu aprendi sozinha a me equilibrar mesmo na bicicleta isso foi muito legal...(TATI) ...Gostava bastante de brincar. Tudo que eu fazia pra mim era uma brincadeira. Eu jogava bola com o pessoal, andava de patins, me arrebentava, me quebrava todo, bicicleta também...(KLAUS) Eu me lembrei de outro brinquedo que tinha que era uma casinha, onde elas eram cheias de portinhas e tinha umas chaves que eram assim tipo, como eu poderia te falar? Que se colocava na boca do negócio e ia girando e ai, eu ia tirando aqueles brinquedos de lá e ia colocando, se achava estrela, se achava não sei o quê! Depois também tinha umas formas não é? Tinha uma pecinha e assim é a nossa vida, a gente tem que com os vizinhos, achar a chave certa para você se relacionar com o teu vizinho né? É verdade você tem que achar uma chave, talvez seja uma, a paciência, talvez seja a sua simpatia, ter que achar a chave certa pra você se dar bem com o seu vizinho. Esse brincar talvez tenha sido uma das chaves dentre muitas que a gente tem dentro de nós né? (RAÍ) O brincar possibilita a formação de vínculos afetivos para trocas sociais e culturais. O brinquedo evoca, representa e reproduz a realidade, não apenas os objetos, mas uma totalidade social. Achei muito interessante a relação feita por Raí entre um brinquedo em que havia várias portinhas e as respectivas chaves para abri-las. Ele compara as chaves a instrumentos que deveríamos procurar para facilitar as relações com as diferentes pessoas. ...Ah, um outro brinquedo, eu não podia esquecer do gira-gira, era fantástico! O gira-gira era demais, eu adorava, eu falava que eu estava apostando corrida sozinho e era muito gostoso... Ou, então, que eu estava dirigindo um ônibus e mostra que realmente o deficiente naquele momento, não o deficiente, eu não quero falar tanto como deficiente, eu diria que a criança coloca a sua imaginação muito além do que a gente pensa, né? Como que você está no gira-gira e você está dirigindo um ônibus eu lembro que de vez em quando ia eu e a menina chamada Marcela e a Marcinha. Eu me lembro da Marcinha. E a gente ia para esse parque eu lembro que elas adoravam o escorregador, se 104 divertiam à beça, na época também tinha a Camila, a Mariana, as gêmeas, e eu ia para esse gira-gira, ai um dia eu não saí de lá, ficava por horas, às vezes eu saía tonto e eu falava: estava dirigindo um ônibus, e porque eu falava que estava dirigindo um ônibus? Porque, provavelmente, eu não tinha visão e como que o ônibus vai sempre reto, não, ele faz algumas curvas, e o gira-gira não, estou dirigindo o ônibus e adorava! (RAÍ) ...Mas era uma casinha de boneca e eu gostava de entrar naquela casinha e eu brincava que era mãe de um monte de filhinhos, então eu brincava com os meus filhinhos imaginários. Eu tinha um amigo imaginário que era o Lombardi, que era inspirado no Lombardi do Sílvio Santos mesmo, e eu brincava de bola com ele eu jogava bola numa mão e na outra e ele, supostamente jogava de volta pra mim, era uma mão e a outra eu jogava assim a bola, eu mesma corria pra pegar, e que mais? De escolinha, eu adorava brincar de escolinha que eu era a professora que pegava a caneta e o papel, ficava lá escrevendo. Colocava boneca, mas às vezes botava e às vezes não, às vezes eu só imaginava. Brinquei de teatro na praia, foi a primeira vez que eu brinquei e na escola também, mas na praia eu tive uma época uma babá e tive umas primas, uma das meninas lá, a M. que era muito criativa e ela sei lá onde que ela viu em algum acampamento de alguma coisa de crente e nos incentivou a isso, a gente montava, criava peça, fazia teatrinho umas 6, 8 crianças a gente montava uma peça e apresentava... ah, uma época aí eu adorava assistir o Chico Anysio e Jô Soares que tinha duas vezes por semana; eu gravava aquilo em áudio em cassete e ficava decorando o script e ficava imitando os personagens e aí eu montava e produzia, era eu e a V., quando tinha mais alguma amiga mais alguns amigos nós nos juntávamos e pegava e montava aqueles quadros, eu sou jovem, e aí a gente chamava todo mundo pra apresentar os quadros.. (TATI) Vygotsky focalizou e caracterizou como jogos de papéis ou brincadeiras de “fazde-conta” brincar de casinha, de bonecas, viajar de ônibus e para ele o principal não é o objeto em si, mas o significado estabelecido pelas brincadeiras, as idéias, a relação objeto-significado. O brinquedo torna-se dessa forma uma transição entre o objeto, a ação e o significado atribuído pela criança, e o brinquedo é também uma atividade regida por regras; mesmo num universo do “faz-de-conta” há regras que devem ser seguidas. São as regras das brincadeiras que levam as crianças a se comportarem de forma mais avançada. De acordo com Vygotsky, a brincadeira é crucial para o desenvolvimento cognitivo, pois o processo de criar situações imaginárias leva ao desenvolvimento do pensamento abstrato e das relações entre significados de objetos e ações. O brinquedo provê uma situação de transição entre a ação da criança com objetos concretos e sua ação sobre seus significados, provocando nela comportamentos mais avançados que os habituais para sua faixa etária. 105 Como vemos, as histórias de vida narradas pelos jovens, suas experiências cotidianas, a cultura revelada no conteúdo de suas palavras, nas brincadeiras, nas discussões, foram importantes estratégias pedagógicas para a construção de uma aprendizagem significativa. Na interação com as crianças, utilizei muitos objetos de uso comum, de escritório, da natureza, da praia e do campo. Usava réplica de animais e de objetos pouco acessíveis. Realizávamos atividades variadas e as crianças participavam de experiências interessantes e motivadoras e conversávamos sobre os mais variados assuntos. Observando as necessidades das crianças, comecei a desenvolver os brinquedos e a utilizá-los em nossas brincadeiras. Os jovens revelam bastante interesse por brinquedos especiais, adaptados e multissensoriais tais como: brinquedos musicais, objetos sonoros, o quartito (caixa com brinquedos de diferentes texturas formas, tamanhos e função), brinquedos que estimulam a curiosidade tátil. Os brinquedos de encaixe, de montar, construir, e outros foram bastante apreciados por todos os alunos entrevistados. ...Tinha um, bom, de encaixe tinha um monte, tinha um de encaixe que era um pino, pinão comprido e eu tinha que ir encaixando umas rodinhas, rodinha pequena, rodinha menor, rodinha maior, tinha um de canequinha que tinha que botar as canequinhas, era um canecão e eu ia botando uma dentro da outra até chegar a pequenininha, e as de canequinhas tinham vários formatos, tinha uma caneca bem redonda e vou falar tinha uma que era uma caneca meio oval o mesmo tipo de brinquedo mas outro material, o mesmo conceito. Ai, olha só, essa coisa oval, sabe o que eu associava? A lua, as pessoas me falavam que a lua era oval que ela fazia meia lua, aquela bola no formato de um croissant e a lua inteira eu pensava num ovo, mas fantasia de criança, ai eu pensava que se um dia eu enxergasse e pudesse ver a lua eu veria a lua igual a esse brinquedo, maior viagem, nada a ver. Encaixar... empilhar também. Tinham esses... O lego eu gostava muito. Tinha uns de predinhos, que eu também imaginava era assim, era como se fosse um anel, e ele tinha como se fosse o pólo positivo e o pólo negativo eram 4, eu tinha com 3 e tinha com 4 eu gostava do de 4, tinha um quadrado maiorzão e um redondinho, menor acho que um era 3 e outro era 4 e eu adorava encaixar ai eu perguntava pra minha mãe e ela falava que era um predinho. A gente contava os andares, não contava? Eu contava os andares e a mãe soltava a bonequinha lá no meio para fingir de elevador e a boneca despencava acho que muito pouco, mas eu enfiava o dedo assim no meio lá em cima e ficava pensando se cabia uma pessoa, ficava imaginando assim, ficava fantasiando assim que era um prédio; meu prédio era alto então eu montava 25 andares pra fazer de conta que era o meu prédio e eu gostava do pequeno, eu tinha o pequeno e o grande ai às vezes eu esbarrava nele sem querer. E a bonequinha... é que esses brinquedos que lembro eu lembro 106 exatamente o brinquedo se eu pegar nele hoje eu lembro do formato.... A bonequinha Russa, fofa, Pô, sabe que a T. me deu um broche com ela tão bonitinho eu adorava, era uma bonequinha que você tirava a cabeça dela ai, puxando, puxando uma dentro da outra e tirando de dentro e quando eu ia encaixar de volta. Ela abria sempre em dois, tinha duas partes então se desmontava tudo e fazia uma bagunça com o que era corpo e o que era pezinho às vezes eu ia encaixar uma na outra, ter a noção exata de qual bundinha era a cabecinha correspondente senão, não dava certo. Eu lembro que muitas vezes eu errava e minha mãe não, não é essa porque não dá certo assim, esse aqui é menor, esse é menor, esse é maior, tinha mais brinquedo legal...(TATI) ...Eu lembro que eu adorava mexer nas prateleiras que você tinha assim na sala inteira, eu lembro de um lugar que tinha a prateleira e embaixo da prateleira tinha uns negócios pendurados, castanhola, tinha uns negocinhos e tinha um colchão embaixo que a criançada se enfiava ali embaixo e ficava brincando ali. Chamava o quartinho. Eu lembro que você tinha uns frasquinhos que cada um tinha um aroma, eu lembro do aroma de baunilha... (GIGI) ...O brinquedo que eu mais gostei, pra mim foi, não sei se é porque eu gostava de algum esporte que envolvia bola, mas até hoje eu não vou esquecer do dia que eu cheguei num brinquedo e que eu vi que tinha uma bola dentro, jogava as bolinhas na bacia, depois passava das bacias pros devidos lugares. E até uma coisa que me chamou atenção é que a bola possuía um barulho, uma das bolinhas tinha um barulhinho, então aquilo lá aumentava ainda mais a minha vontade de jogar futebol. Porque se tem barulho dentro da bola vai permitir eu correr atrás da bola, então uma coisa liga a outra. Brinquedo da infância a gente não esquece, né? (RAI) Raí refere-se ao brinquedo ”Bola Rebola”, composto por uma caixa com 18 compartimentos; em cada um a criança deve colocar duas bolas iguais, escolhidas em uma bacia com 36 bolinhas. As bolas são diferentes entre si pelo tamanho, textura, peso, consistência, som que produzem, e pelo movimento feito quando são atiradas. É um brinquedo muito interessante para o desenvolvimento sensorial e orientação espacial e, desde o primeiro momento, Raí mostrou grande interesse por ele, manipulando-o e extraindo dele tudo o que podia. Este foi um dos muitos brinquedos desenvolvidos naquela época e aproveitados ao máximo pelas crianças, sendo uma experiência muita valiosa para mim, pois, quanto mais as crianças respondiam às propostas de meus brinquedos, mais e melhores idéias eu tinha para criar materiais interessantes para elas. Foi um momento de grande realização para meu trabalho, em que eu podia ver a resposta da criança no próprio momento em que os brinquedos eram criados. 107 Os alunos entrevistados valorizam a brincadeira e dão importância ao brinquedo e material adaptado para sua aprendizagem, socialização e inclusão escolar. De certa forma indicam que no período que freqüentaram a Instituição Especializada tinham acesso a brinquedos e jogos pedagógicos especiais e recursos em Braille. ...Foi o quebra-cabeça. Aqueles quebra-cabeças que pra desmontar é fácil agora pra montar.. Tinha o quebra-cabeça de peixinho, de árvore, que eu brincava... o de árvore era mais fácil, o de peixinho pra montar era um sacrifício é o que eu mais brincava assim que eu me lembro... (KLAUS) ...Eu me lembro de um estojinho que a senhora sempre me emprestava, tinha uns pininhos, tipo uns eu não sei explicar, formando Braille, matemática, e aí ia colocando... colocar os pininhos para formar as letrinhas em Braille, não é isso? Eu lembro também de uns que ia montando e ai ficava bem grandão, e ai eu ia e colocava minha mão, esses coisas. Jogo adaptado eu tive muito, a batalha naval eu brinquei muito com o meu irmão, o dominó, a gente brincava muito e a dama eu aprendi mas não gostava muito... (ADRIANA) Todos os alunos relataram ter tido quando pequenos grande apreço por ouvir, ler e contar estórias infantis, sendo as preferidas os contos clássicos: Chapeuzinho Vermelho, Três Porquinhos; Galinha Ruiva, Cinderela, entre outros. Apenas um aluno relatou que detestava estórias que falassem de bonecas. Já os adolescentes preferem histórias do gênero realista, suspense, aventura e policial. ...Ouvir estórias eu adorava, eu decorava assim as estórias, a minha mãe contava... gostava de todas, Os Três Porquinhos, Chapeuzinho Vermelho, a Galinha Ruiva, a estória do gigante, o gigante dos fios de cabelos de ouro que a menina tinha que arrancar o cabelo do gigante, Galinha dos Ovos de Ouro, Rapunzel, Cinderela, a Gata Borralheira conheço todas. Ah, acho que Chapeuzinho Vermelho eu gostava mais e os Três Porquinhos eu adorava também e eu tinha os disquinhos que até eu herdei dos meus irmãos e eu ficava ouvindo muito aqueles disquinhos era muito legal porque tinha a sonoplastia, eu decorava; tinha umas estórias meio inverso tinha uma que era a estorinha do macaco Simão que até inspirou o José Simão a fazer a coluna e eu decorava a estória inteira que era uma estória em rima, era muito legal, ah eu sofria com os personagens, ficava mal...(TATI) 108 ...Adoro ler, eu gosto de ler; eu não gosto de ouvir; agora tem livro pela Internet, tem livro falado, eu gosto de ler; pegar o livro em Braille e ler. Eu acho que isso... ah, eu não vejo graça de ouvir assim contando, eu gosto assim, às vezes quando muito, eu gosto que a minha avó leia as coisas pra mim, eu acho que ela tem um jeito legal de ler, mas só, fora isso prefiro eu ler. Eu gosto muito de suspense, eu gosto muito de Harry Potter eu gosto assim de coisas, sei lá eu li o Crime do Padre Amaro, gosto de livros realistas, eu fiquei com o pé atrás... foi real aquela história? é uma autobiografia? A história é muito forte. Eu gosto de livro assim realista, o primo Basílio...(GIGI) ...Na verdade eu tenho que treinar a leitura, mas como a gente tem mais livros falados do que em Braille eu tenho que escutar também. Os livros que eu tenho lido bastante são Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, essas literaturas assim. Livro que eu gosto mesmo é Harry Potter; o pessoal me chama de infantil, é aventura, eu gosto bastante de aventura... (KLAUS) Alguns alunos relatam gostar de cinema, televisão, teatro, música e ouvir rádio. ...Adoro música, é a minha vida. Desde pequenininha eu fui muito estimulada a ouvir tudo quanto é..., poxa eu esqueci dos meus brinquedos sonoros eu tinha sei lá, caixinha de música aos milhares e bichinhos que falava, que tocava, bonequinha que dava risada e cantava parabéns, então sempre fui muito exposta à música de várias maneiras e minha irmã tinha piano em casa então eu comecei antes de fazer aula formal de piano eu comecei a tirar música. Tem uma flauta de êmbolo, é uma flauta que tem um pauzinho que estica e volta e ai eu descobri essa flautinha de êmbolo, de criança, e eu ia tirando a música na flautinha era super engraçado. Ganhei uma bateria mesmo de verdade, era bateria só que bem amadora. É, eu já tocava piano, isso foi no natal de 1989 eu tinha 11 anos, eu peguei a bateria e tirei um som de carnaval. Até aconteceu uma coisa engraçada porque eu sou canhota né só que muita coisa eu aprendi a fazer do jeito destro, porque os destros vinham me ensinar as coisas; ai a bateria, primeiro comecei a montar ela do jeito canhoto, todas as peças que seriam no pé direito eu botei no esquerdo e vice-versa e tal só que ai o meu irmão começou a tocar minha bateria começou a brincar e ele teve aula antes que eu. Ele começou a fazer aula e tal e ai eu me acostumei com o jeito destro e até hoje eu penso se isso não vai me emperrar de certa maneira, se não me atrapalhou, se não atrapalhou o meu desenvolvimento enquanto instrumentista mas agora eu já estou acostumada com o jeito destro assim.. Eu tirava samba. Eu estou na bateria faz uns 15 anos... ... Adoro ver televisão e nunca fui encanada que sou cega não posso ver, eu sempre curti. Adoro cinema, aliás uma das coisas que me fez 109 aprender inglês, me estimulou a aprender inglês mais rápido, a correr atrás das coisas pra aprender rápido é que eu não entendia o que era dito nos filmes e as pessoas tinham que ficar lendo pra mim, a gente sabe que é chato o outro ficar lendo alto então isso era um fator meio excludente pra mim eu teria que ir ao cinema com pessoa muito próximo, com amigo; se eu saísse com um carinha a primeira vez e falasse pra ele só que você tem que ler pra mim o filme o cara saia fora não queria nem saber, então, eu fiquei esperta e tratei de aprender logo o que estavam dizendo no filme. O teatro é uma atividade pra pessoa cega super-interessante, é cultura, cada peça que você vai você aprende assim como no cinema só que o teatro é mais elitizado. Acho uma obrigatoriedade... de que as cenas sejam descritas, por exemplo, as cenas sendo descritas a pessoa cega pôe no radinho e no ouvido e as pessoas deviam ser obrigadas a ter isso. Acho bem legal e acho que não traria grandes custos ao teatro. Sei que nos Estados Unidos eles vendem, eu até tenho a fita do Titanic narrado, é muito legal, narrado em inglês evidentemente, ou seja mas se fosse obrigado que os caras fizessem isso em português, é maravilhoso! No cinema o cara pega um foninho de ouvido e tá lá a narração e quem quer pega, quem não quer não pega. Por exemplo dos filmes clássicos como Titanic, como muitos outros seria super interessante existir e nas peças de teatro que permanecem muitas vezes em cartaz também. O DVD hoje em dia que também tem um monte de opção de menu dá para o cara fazer e dá pra ele botar com narração e sem narração se ele não quer ouvir a narração ele não põe...(TATI) ...Cinema, eu não gosto muito de filmes, teatro... Não sou muito chegado, não gosto muito de televisão. Novela, ah, uma boa novela faz bem, mas eu ainda prefiro rádio eu não troco o rádio por nada, entendeu? Sempre, onde eu posso estar levando o meu walk-man eu estou levando, estou ouvindo, às vezes eu não quero ouvir música e quero ouvir uma notícia eu quero saber o que está acontecendo na cidade, fora as notícias policiais. A gente consegue colocar numa CBN, em rádios onde tem um objetivo maior de informar. Cultura, informação né? Inclusive a gente acaba aprendendo sobre o nosso passado, é uma coisa muito legal... (RAÍ) ...Gosto de televisão, eu assisto bastante filme, novela eu assisto um pouquinho, eu assisto filme dublado, eu não assisto legendado, é porque ninguém tem saco de ficar lendo três filmes pra mim direto, então vamos pegar dublado. Eu não vou muito ao cinema ou teatro não, eu gosto até muito de ir, mas até pelo meu trabalho eu só vou pra cantar, eu nunca vou pra assistir nada, eu vou pra ser o espetáculo, para ser a platéia é meio difícil... (GIGI) Para que a pessoa com deficiência visual tenha uma educação integral e plena participação na sociedade, são necessárias e importantes as oportunidades de acesso às atividades artísticas: música, dança, expressão corporal, artes plásticas 110 e literatura devem fazer parte de sua vida. Os depoimentos dos jovens mostram seu apreço por essas atividades: quatro deles dedicam-se à música e pretendem seguir a carreira musical. Todos gostam de ler e compreendem a importância da leitura para sua formação e aprendizado da língua. 6.2.3. O papel da Instituição na formação dos jovens entrevistados A Instituição é concebida pelos alunos como um espaço muito familiar, de amizade, muita brincadeira, alegria, festas, oportunidade de crescimento pessoal e social. Na opinião dos alunos é um espaço de convivência, aprendizagem, ampliação de experiências e socialização. Foi enfatizada a importância do trabalho de orientação à escola e apoio à inclusão escolar. Góes (2002, p. 99), baseando-se nas idéias de Vygotsky, diz que: O funcionamento humano vinculado a alguma deficiência depende das condições concretas oferecidas pelo grupo social, que podem ser adequadas ou empobrecidas. Não é o déficit em si que traça o destino da criança. Esse destino é construído pelo modo como a deficiência é significada, pelas formas de cuidado e educação recebidas pela criança, enfim, pelas experiências que lhe são propiciadas. Os próximos depoimentos, principalmente os dois primeiros, ilustram muito bem a afirmativa anterior: ...Infelizmente não pude aproveitar... poxa, o que essas crianças têm hoje em dia é fantástico; se eu tivesse tido essa oportunidade, tive outras não estou aqui reclamando, mas teria sido maravilhoso, então eu acho que é fantástico a criança cega e a família ter a oportunidade, quer dizer, desde a família ter o suporte psicológico ou moral e técnico que ela precisa e informação; e pra criança também é fantástico porque ela passar por uma equipe multidisciplinar de profissionais, então é assim quando é bebê tem a estimulação precoce, aprende a engatinhar, a andar, parar de babar, chupar leite no canudinho, que é coisa que muitas vezes a 111 mãe não sabe que tem que ensinar, quando a criança vai crescendo ela aprende atividades da vida diária como noções de higiene e tal, aí quando está indo na fase pré-escolar já vai aprendendo o Braille. A Laramara também dá esse respaldo para a escola e orienta a escola a receber a criança de maneira inclusiva, de forma inclusiva, é muito legal e depois quando vêm os adolescentes também é fantástico o trabalho de orientação e mobilidade, o incentivo ao esporte que tem aqui, tem aula de natação, enfim depois quando o cara está mais velho que ele quer trabalhar tem o programa de preparação para o trabalho que é fantástico. Às vezes as empresas querem contratar e não têm pessoas qualificadas então se o cara aprende, se ele tem noções de informática, de inglês, de cidadania e isso o prepara melhor depois pra enfrentar o ambiente de trabalho e até noções de adequação... (TATI) ...Eu nado Crowl, costas, borboleta e peito, eu aprendi aqui na Laramara. Aqui eu tive dois professores que significaram, dentro da natação eu digo, significaram bastante na minha vida assim, e até me estimularam no esporte dentro da natação eu aprendi muitas coisas com eles que é o J. F. e o S. Onde eu for eu terei um enorme carinho por esses professores porque foi realmente ali que começaram, às vezes eu fazia alguma coisa errada não no nado em si, eu tomava algumas atitudes inadequadas de acordo com o ambiente e tinham uma postura de cobrança em cima de mim que me fez crescer bastante entendeu? (RAÍ) A fala seguinte, dos dois jovens Raí e Klaus, mostra a grande importância de dar à criança cega oportunidade de se locomover com independência, o mais cedo possível. Laramara sempre defendeu a introdução de programas de Orientação e Mobilidade na educação infantil, pois acredita ser ela um processo que se inicia a partir dos primeiros movimentos espontâneos e intencionais do indivíduo com o corpo no espaço. É importante ainda a introdução precoce da bengala que pode previnir alterações posturais, diminuindo a tensão e insegurança, que, muitas vezes prejudicam o padrão de marcha das pessoas cegas. Graças a Deus, eu não tenho nenhum problema com locomoção. A maior vitória que eu tive aqui dentro, dentre muitas, foi a área da Orientação e Mobilidade! Isso eu devo a quatro professoras: J. F., V.F., N. e a B. Eles não sabem o quanto significaram para mim... (RAÍ) ...Antes, minha avó tem problema na perna, então eu não podia sair muito. Agora eu posso sair bastante, antes era só quando alguém podia vir comigo. Terminei a mobilidade, estou andando sozinho, mas é como eu falei, a Laramara me ajudou bastante. (Klaus) ...Lembro até hoje a primeira festa que eu fui pelo Laramara, foi na rua Turiassu na época, foi até legal que o Papai Noel, foi de helicóptero, eu lembro que eu comecei a cantar a 112 música do Zezé de Camargo e Luciano, foi num sábado.... Eu conheci um... eu estudo com um aluno colega meu onde a gente se conheceu numa festa daqui e não sabia; depois de muito tempo a gente começou a conversar e eu falei assim: B., você foi naquela festa? E a gente foi. Foi uma festa que teve, uma festa das crianças que teve, se eu não me engano, em Pinheiros, uma coisa assim no lado de Pinheiros em 95, num buffet infantil, muito alegre essa festa! Foi muito legal, onde tinha um brinquedo lá que eu não queria sair dele. Então assim são coisas que ficam registradas na nossa mente que a gente não pode, não dá pra esquece, por mais que a gente tenta a gente sempre acaba lembrando. (RAÍ) ...Eu lembro que na psicóloga aqui do Laramara eu trazia, eu não sei se ela trazia ou eu trazia a fitinha do Trem da Alegria, que era época, né, e ela me dava um monte de bonequinho e com esses bonequinhos eu fazia o vovô, a vovó, o pai a mãe e os irmãos, e eu botava todo mundo pra brincar, pra dançar, pra dormir, pra comer, agora é hora de comer e agora é hora de dormir e botava a música do Trem da Alegria e ficava cantando com ele, muito divertido. ...Mas a Laramara sempre teve brinquedos, tinha um pátio lá na Venâncio Aires, Ah, eu lembro disso, uma centopéia, eu chamava de centopéia.... um pátio onde tinha uma casinha. Eu lembro do parquinho, eu lembro. Eu lembro do gira-gira, lembro das massinhas. Lembro da casinha que tinha telhadinho de sapê, lembro do escorregador que tinha uma portinha pra passar, do pneu, que eu tinha medo eu só ficava em cima segurando no ferrinho eu não ficava sem segurar, até hoje eu sou meio desequilibrada, quem trabalhava isso comigo acho que era a V., falava:- solta disso aí menina. Fica em pé. Tia eu tenho medo, mas eu lembro do parquinho, do tanque de areia, eu lembro... brincava eu e a R... (GIGI) ...A Laramara é minha família mesmo, a minha casa, porque foi aqui que eu nasci, criei, se não fosse pelo Laramara eu não seria nada hoje, aqui é minha casa mesmo, o pessoal fala mal do Laramara eu não concordo, eu discordo, não acho justo, se não fosse pelo Laramara eu não seria o que eu sou na área da informática, no que eu sou mesmo assim... (KLAUS) É na interação social que se dá a construção de vínculos e a formação de laços afetivos. A criança necessita do outro. É na relação e interação com as pessoas de sua família, com educadores, colegas de escola e com o mundo que a cerca que ela desenvolve suas possibilidades e se estrutura como pessoa. A interação social depende da forma como a criança é recebida, acolhida, observada, ouvida e compreendida em suas necessidades. Essa forma de relação e comunicação influencia o desenvolvimento psicoafetivo e determina a maneira como a criança vai interagir com as pessoas, objetos e meio em que vive. ...A Laramara, as brincadeiras aqui na Laramara foi importante... muito importante, eu acho que até hoje pra mim está sendo, porque se não fosse aqui mesmo eu não sei, teria não vendo muita coisa e não sabendo qual que eu tinha que seguir, porque eu ia ver sempre um comportamento diferente, eu nunca ia aprender do jeito que eu tenho que aprender, então acho que aqui foi muito importante, é muito importante, eu pretendo continuar e ficar a vida inteira aqui, porque a cada dia que passa eu acho que vai ser bem melhor, é uma coisa nova que eu aprendo, eu não sei mais chegar quinta ou quinta ou terça e falar que eu não vou, eu sempre tenho que vir, é muito importante... (ADRIANA) 113 Foi bastante valorizado o trabalho em grupo como fator de crescimento, aprendizagem, comunicação, desenvolvimento psicológico e de inclusão social. Os três adolescentes que ainda participam de programas na Instituição enfatizaram a importância desse trabalho, pelas trocas de experiências, para compartilhar sentimentos, pontos de vista e principalmente pela oportunidade de diálogo, debate de temas de interesse da sua faixa etária. ...Aqui, normalmente as atividades são até para a gente conhecer mais uns aos outros, geralmente as atividades, embora eu tive algumas atividades sozinho, mas algumas eram desenvolvidas em grupo, né? Sempre em grupo. Exatamente eu acho que sempre com o pensamento da gente conhecer mais as pessoas, se ambientar com o próximo... (RAÍ)) ...Laramara passou a ter um trabalho voltado para grupos, no qual eu encaixei num grupo chamado G11. Ali eu aprendi muitas coisas, mostrava que realmente a gente não é nada fazendo as coisas sozinhos, entendeu? No primeiro momento eu não gostei muito porque eu falei: eu estou acostumado a fazer as coisas individualmente e agora eu vou ter que passar a dividir embora tinha algumas atividades, eu lembro até hoje o meu primeiro grupo mesmo foi com o Léo, Luan, a Priscila e eu, mas era um grupo voltado para Atividades de Vida Diária, então nas brincadeiras eu não gostei muito porque era uma coisa que eu já estava acostumado a brincar sozinho, do meu jeito e aí que entra a charada, eu teria que adaptar a uma outra forma e pensar mais pra frente que nem tudo vai ser do meu jeito! Vai ser uma mudança. Vai ser uma mudança e também uma coisa de compartilhar. Sem dúvida, ali eu também começava a englobar algumas histórias, ali sim a gente também começava a introduzir até de certa forma tentar implantar um teatro. Por isso que eu falei pra você que um teatro pra mim eu não conseguiria fazer um outro personagem, porque eu lembro até hoje que era a G. que comandava durante um horário, eu lembro que era para eu interpretar e eu mais ria do que conseguia fazer qualquer outra coisa; então era uma mistura muito grande do meu eu com outra coisa, mas foi muito gostoso! (RAÍ) ...O trabalho em grupo eu acho, eu acho que é bem melhor. Você desenvolve amizades né com as outras crianças do grupo. Eu troco opiniões e assim é legal, eu prefiro assim trabalhar em grupo e individual também às vezes é bom, mas em grupo eu achei bem melhor... (ADRIANA) ...No caso eu sou do grupo G17, a gente escolhe assuntos pra discutir, tipo: sexualidade, assuntos que seja do interesse do grupo, a gente entra num acordo. Na verdade esses grupos ajudam bastante na área de você expressar suas idéias, na socialização também, e eles ajudam bastante na parte, na verdade a gente trabalha bastante com diálogos, agora está sendo diferente, está sendo superlegal. Terminei a mobilidade, estou andando sozinho, mais é como eu falei, a Laramara me ajudou bastante, agora é a minha vez de ajudar a Laramara... (KLAUS) Notamos nas falas dos alunos que as adaptações curriculares, ajudas técnicas, recursos específicos, estratégias diferenciadas de ensino e materiais didáticos especiais não estão disponíveis no espaço da sala de aula. 114 Pesquisa realizada sobre a inclusão dos usuários de Laramara e suas famílias, cujos resultados foram divulgados no início de 2004, concluiu que a inclusão não se concretiza pelo esforço isolado dessa instituição por mais completo que seja o atendimento e apoio ao aluno com deficiência visual. As dificuldades para a inclusão referem-se ao despreparo dos profissionais da escola regular e à falta de material específico para o atendimento de suas necessidades educacionais. (Masini, 2004). ...minha mãe adaptava muito material, então enquanto as crianças estavam vendo as cores, tudo bem eu até ouvia as crianças falarem das cores mas eu tinha o bonequinho, então enquanto a criança tinha o bonequinho verde ou azul para pintar eu tinha um bonequinho colado numa folha de couro o outro de lixa, como se fosse um desenho, só que em alto relevo, colado por exemplo várias meninas, dava pra você pintar, dava pare você entender tudo, tive um monte de material adaptado ... (TATI) ...Material adaptado... É porque na USP a gente está com problema de partitura, com relação a partituras de piano, partituras enfim, então meu professor de piano pra você ter uma idéia ele não quer me dar aula, eu estou há 1 ano e meio sem aula de piano é uma matéria obrigatória pra mim, mas ele não me dá porque eu não tenho partitura e ele não quer me ensinar de ouvido porque eu vou copiar a interpretação dele, ele não quer, professor estrela né, ele não quis e a gente está com esse problema de partituras. Eu fui procurar na D. que pelo que eu sei é o único lugar que tem livros de partituras, eu cheguei lá tal. Vocês doam livros de partituras Braille? Doa, mediante um pagamento de R$ 200,00 a gente doa o livro pra você, mesmo assim não tem tudo que a gente precisa, muito escasso esse material de musicografia, então é complicado você tem que se virar... (GIGI) ...Livro Braille, não, na minha escola a gente usa uma apostila, que nem essa apostila tem todas as matérias; só que não tem em Braille porque acho que não dá para fazer eu acho que o tempo que está terminando é o tempo que está chegando a outra porque a cada bimestre tem uma, né? ...ai, a gente trabalha com apostila, mas antigamente, uns 4 anos mais ou menos atrás, era livro e esses livros eu tenho, mas são livros assim coisa que eu já aprendi, ai fica um pouquinho chato. Se a professora passar alguma coisa algum exercício ai alguém me diz então eu faço normal, mas assim... B., mas ai minha irmã transcreve quando é muito importante ou então ela manda eu ler mesmo ai eu leio e ela vê se está certo ou ela corrige. Minha irmã sabe Braille, ela sabe, mas o português, porque matemática eu tenho que ir colocando o dedo e falando, aí ela vai escrevendo por cima, mas o básico assim ela sabe ... (ADRIANA) A inclusão escolar da criança com deficiência visual depende da articulação entre vários setores, fato que ainda não se concretizou. São necessárias avaliações das necessidades específicas, faltam adaptações curriculares, ajudas técnicas, recursos específicos e capacitação dos professores. Dessa forma nem sempre a escola oferece respostas adequadas às necessidades educacionais especiais dos educandos com deficiência visual. 115 6.3. Depoimentos das mães As informações coletadas nas entrevistas foram organizadas e agrupadas em três itens, recortadas da fala das mães, procurando abstrair do conteúdo as mensagens que permitem reflexão sobre o tema proposto: -Inclusão social: expectativas e desejos das mães em relação ao filho e sua inclusão escolar e social; -O papel do brincar e do brinquedo para a aprendizagem: a importância de brinquedos, jogos e materiais adaptados, histórias, atividades lúdicas e recreativas; -O papel da Instituição: a opinião das mães sobre os profissionais e a Instituição. Foram focalizados os sentimentos e as imagens que os pais constroem acerca de seus filhos com deficiência visual, procurando verificar ainda de que maneira o brincar e o brinquedo interferem no estabelecimento de vínculos afetivos, nas relações familiares, nos desejos e nas expectativas de vida para esses filhos, na escola e na comunidade. As mães serão identificadas por nomes fictícios que são: Edi, Néia, Bia, Raquel e Cleusa. A Raquel é mãe da entrevistada GIGI. 6.3.1. Inclusão Social Os sentimentos relatados pelas mães revelam inicialmente uma situação de dor, trauma, impotência e insegurança por não saber como lidar com os filhos e como ajudá-los. Hornby (1994 p. 25) acredita que “a confirmação de um problema sério e crônico 116 na criança geralmente precipita uma crise que afeta a família inteira. As reações imediatas podem incluir choque, grande decepção, ansiedade e depressão”. Podemos perceber ainda sentimentos de ansiedade, dúvida, necessidade de conhecer mais sobre a problemática da criança, busca de informações para resolução de problemas e procura de orientação. Revela também muita preocupação com o futuro. Com o passar do tempo e com a orientação recebida em Laramara, percebemos que há uma construção positiva de vínculo e crença na possibilidade de desenvolvimento das pessoas com deficiência visual. A convivência com outras mães, a troca de experiências e acesso à informação fazem surgir sentimentos positivos que denotam aceitação da deficiência e valorização de seus filhos. Há uma mudança na relação mãe-filho, elas passam a encará-los de forma diferente, como pessoas interativas, comunicativas, de fácil convivência e integração social, compreendem suas necessidades, seus desejos e interesses, conhecem suas brincadeiras, objetos e as situações que lhes proporcionam alegria, satisfação e desprazer. Mostram ainda uma consciência maior das dificuldades, um aumento na capacidade de resolvê-las e crença nas possibilidades de desenvolvimento dos filhos. ...No começo foi uma coisa muito traumática, agora não. Mas é pra todo mundo, o trauma existe, a gente não pode dizer que não, mas existe porque é complicado, além de tudo você não sabe como fazer como vai ser...do futuro quando eles chegarem na idade da adolescência, como vai ser. A deficiência visual não foi de nascimento mas de um acidente que ela teve, então foi assim... e, eu pensei na hora o que é que eu vou fazer? Porque até então eu não conhecia lugar nenhum, não conhecia nada, então para mim, o que eu vou fazer?, para onde vou correr?, quem vai me socorrer nessa hora? Eu fui num monte de lugar, hospitais, instituições, muitos rejeitaram, foi até que o Hospital S. falou, não isto é a coisa mais natural do mundo, então agora você vai ter que explicar o natural, porque para mim isso não é natural. Ela tem nistagmo congênito, baixa visão e estrabismo. EIa tem 6 anos. E ai eu comecei aqui (Laramara) e fiquei bem mais tranqüila... ... A P. creio que Deus me deu ela para tudo: para melhorar tudo na minha vida porque sem ela... ver certos lugares que eu conheço hoje, sem ela eu não conseguiria conhecer outras pessoas, ver o outro lado da vida... que até então eu não sabia que 117 existia esse outro lado da vida; acho que Deus colocou ela para mim, vamos ver o outro lado da moeda que eu não sabia que existia...; então até eu começar a ir para médico, fazer todo trajeto que eu fiz, no começo achei cansativo... achando solução, a partir do momento que eu consegui me centrar nas condições do que eu precisava, aí que aconteceu.... Aí meu carinho por ela, eu fiquei muito apegada com ela, tão apegada que eu senti mais do que ela, agora que estou trabalhando... (EDI) ...R. tem 17 anos agora, a gente levou ele em várias instituições, no começo a gente pensou que ele fosse autista... que foi isso que no começo todo mundo dizia... Depois que nós descobrimos que era da visão, que tinha os problemas, né? Aí ele fez um ano e meio de tratamento na S.C... ele não é completamente cego, tem visão subnormal, tem pouca visão. Depois por intermédio de uma outra mãe que tinha uma criança aqui (Laramara) que ele velo, e foi urna beleza, foi muito bom mesmo para o R. Porque ele não andava sozinho, tinha medo de tudo, aqui ele conseguiu uma melhora assim noventa por cento... (NÉIA) ...O A. tem nove anos, eu vivo no interior é longe daqui, perto de Ribeirão Preto, mas eu venho duas vezes por semana, depois uma, agora vou vir uma vez por mês. Ele está na escola normal, na terceira série de uma escola municipal. Ele é uma criança excelente, ele adora leitura, tem dificuldade na matemática, né, isso é normal em toda criança. Ele tem baixa visão e vem aqui para treinamento de recursos ópticos uma vez por semana. Ele é uma criança teimosa, ele não quer ajuda, então na sala ele senta na frente, às vezes, ele senta um pouquinho mais atrás, quando ele vê que está cansado, volta para frente. Ele está bem graças a Deus! Sabe o único problema dele, é que eu me separei, então, o que está afetando é aquele emocional, a ausência do pai... mas tirando isso eu o deixo muito à vontade...àss vezes meu filho fala:- Mãe você exagera um pouco.. (BIA). ...Olha, Mara, eu vou falar uma coisa pra você que você vai ficar contente e eu não tenho vergonha nenhuma de falar não, ela com os eventos dela ganha mais que o meu marido e tem me ajudado a pagar conta, olha ela tem me ajudado muito. Agora eu vou tentar trocar de carro, é dinheirinho que ela ajuntou. Então pra mim isso não é vergonha, é um orgulho, eu tenho orgulho, porque um dia eu achei que eu ia ficar num quarto escuro, quando aconteceu tudo, ficou cega e agora acabou minha vida, olha onde ela está me levando eu já fui na Rede Globo, fui conhecer o Roberto Carlos por causa da minha filha, ele disse que adorou a voz dela, meu Deus eu vou dar um beijo em você por causa da minha filha, eu vou lá no SBT quando eu vejo gente que eu estou fazendo aqui ela vai cantar nesses lugares chic, você vê e eu achando que ia ficar num quarto escuro. A gente foi pra Ilha de Comandatuba esses dias fazer um evento, chiquérrimo se vê quando que eu ia ir pra Comandatuba... a Gi. Tem um outro evento que é o hino nacional no Palácio do Governo acho que agora dia 20... (RAQUEL) T. é filha única, tem baixa visão, ela é muito esforçada, gosta de desenhar e quer ser escritora. Ela pinta o quadro da Tarsila do Amaral, que os professores pensam que ela colocou em cima para copiar. Às vezes eu mando ela dormir, é 10 ou 11 horas, você abre o quarto e ela está lendo, eu falo: - Filha, vai dormir para amanhã acordar cedo. Mãe, eu tenho que acabar aquela estória, está muito bonita... (CLEUSA) O que ela trouxe para mim foi crescimento, não foi só trabalho, eu chegava em casa exausta de tanto correr para médico, tudo que ela me deu, eu passo para as pessoas como lição de vida, hoje então não vejo isso como trabalho, tenho que lutar pela melhora dela, e como pessoa eu sofro modificações. Isso eu acho muito importante, porque as pessoas gostam de dizer que a deficiência só traz depressão para mãe e 118 para a família, separação, não sei o quê, lógico que acontece, mas na minha opinião traz muita coisa boa. Depende da pessoa... (EDI) As mães relatam que as relações interpessoais ficam mais restritas ao núcleo familiar e escolar. Apenas uma mãe relata a pouca convivência da sua filha com outras pessoas cegas. P. é assim brincalhona, gosta muito de brincar, é bem extrovertida, ela curte qualquer coisa que você der para ela descobrir, ela quer ver, quer conhecer, ela só fica triste quando não pode mais brincar. Eu tenho maior interação com ela do que com o pai, porque o pai trabalha bem mais tempo do que eu, mas a família inteira, a P. é muito paparicada, já era porque foi a última eu agradeço a Deus é a raspinha do tacho.... mas junto com o problema dela, problema não, a solução dela, porque é assim tudo é para ela, tudo que todo mundo vai fazer de tanto que ela é manhosa, dengosa, mas ela sabe....ela sabe ser dengosa na hora que quer. Ela não é uma criança assim todo tempo só manha, quando ela quer uma coisa é determinada também. Ela tem um irmão de 18 anos que traz ela agora, tem um de 16 anos que é a paixão dela, quer dizer que eu não sei dizer se é ela que é apaixonada por ele ou ele por ela, e uma menina de 12 anos. Todos eles são assim, tem aqueles momentos de.... contrário eles conversam, brincam e se tem de fazer brincadeira, o de 18 anos alfabetiza ela assim de uma maneira, apesar que foi ele que alfabetizou todas em casa, os irmãos foi ele, ensinou a ler, escrever. (EDI) Ele tem hora que gosta de brincar sozinho, ele se isola, mesmo lá na escola... porque a pequena ela fica observando ele em tudo, ela não fala pra ele, a hora que ele não está perto ela chega e conta... Hoje ele quis trazer o primo dele... então eu falei tudo bem, né, vamos levar...e ele está todo feliz com o primo...mas tem dia que o Leandro chega lá e ele: não, hoje eu não vou brincar, pode ir embora! Ele brinca na rua, lá é um bairro tranqüilo. Com o irmão mais velho ele brinca, mas às vezes, briga também, porque a diferença de idade é muito grande... É... tem dia, porque tem dia que não pode olhar o outro... mas eles se dão bem, tem lição pra casa, então às vezes, ele fala que eu não posso ensinar ele, eu não posso fazer nada, porque eu sou chata, eu sou ruim... aí eu nem chego perto, aí ele chama o Daniel pra ajudar. (BIA) E você sabe que ela fala isso pra mim, aqui entre a gente agora, até com as meninas deficientes visuais do balé, a Gi. Nunca tinha tido esse convívio com deficiente visual, porque no fim ela sempre foi na sala da aula normal, quando estudava em escola que tinha cego, mas ela nunca encontrava com cego aqui mesmo no Laramara era difícil ela se encontrar com alguém, então o que ela está tendo de contatos com outros cegos é com o balé e ela falou mãe não é possível eu não sou assim, sabe mãe você me deixou com problema, você sempre falou que eu era melhor, estou com problemas porque eu sou melhor sabe eu sei que está tudo errado, mas eu estou com problemas porque está acontecendo isso. ... Sabe a gente fez esse link com as meninas, porque a gente achou que ia ser uma boa pra G. está sendo mesmo, porque a gente tem nosso mundinho lá os casamentos, eventos... a mídia mesmo agora que a G. entrando com as meninas porque sem as meninas... se bem que a psicóloga dela falou: Ela quer dizer que a G. é uma cantora e o detalhe é que ela é cega, só isso, porque ela é uma cantora, então você tem o seu brilho próprio, você vai chegar... Exatamente, e é isso que a gente não quer que fique, sabe, ah, menina ali porque é cega... a gente não quer isso. Se a voz não fosse boa... E por isso que ela se cuida tanto que ela tem sabe esse estudo, eu falo G. estuda e ela fala ah mãe será que eu vou 119 conseguir? Eu falo não sei, eu quero que você estude, você estudando, fazendo o que você ama, tem que dar certo. (RAQUEL) As mães dos alunos mais novos não relatam ter tido maiores dificuldades para a inclusão de seus filhos na escola e comunidade. Indicam envolvimento dos professores e busca da escola para o atendimento às suas necessidades educacionais especiais. Já as mães dos alunos mais velhos falam das dificuldades enfrentadas para aceitação do filho na escola regular, pois esta recusava a matrícula do aluno com deficiência visual. O sucesso escolar desses alunos deveu-se mais ao seu esforço pessoal e à luta das mães para integrá-los na escola regular, exigindo seus direitos sociais. Esta mudança se deve naturalmente ao movimento em favor da inclusão, presente na maior parte das instituições dedicadas à educação. ... A professora, ela ajuda muito, porque ela faz aquela ampliação do caderno, as letras são bem ampliadas, xeroca tudo.. então é um trabalho! Nossa é maravilhoso! Por ser interior, desde do momento que nós chegamos lá, daí eu passei algumas coisas, elas estiveram aqui, tão sempre presentes, tão sempre ligando para A. C. para tirar algumas dúvidas, então através disso elas vão se orientando, uma vai passando para outra, tem a outra escola também que tá se interessando...até eu tô mais interessada em fazer essa prancheta, pra mim tá passando pra elas... (BIA) ... Ela está na escolinha, lá onde ela está aprendendo já está no jardim praticamente eu creio que seja, o jardim, o pré, então ela está no caso como eu falei, sabendo ler e escrever, ela já está sendo muito bem alfabetizada esse ano ela foi considerada a miss caipirinha da creche então você imagina como ela está e todos os mimos na creche porque ela é a única deficiente da creche então todo mundo paparica assim muito Na escola ela é assim, ela está naquela fase de descoberta, então a professora vai escrever uma palavra ela sempre tem que saber porque ela fica mais próxima então... eu esqueci de trazer o caderno dela pra senhora ver como que estava o único problema que ela esquece da linha, que ela faz uma curvinha na hora de escrever mas é muito bonito, as letra ela faz questão de fazer todas do mesmo tamanho senão ela apaga pra fazer bem direitinho, ela é bem caprichosa. ... Ela é superesperta, ela não precisa de ajuda pra brincar, pra nada... mais pra sair na rua sozinha, porque ela já quer, porque no prédio tem meninos da 8, 9 anos que saem sozinhos vão até a padaria, mercadinho perto de casa, e ela acha, e eu falo pra ela filha ainda não está no tempo você tem que amadurecer um pouquinho mais só que ela não quer esperar isso ela acha que ela já pode ir, e eu falo pra ela ainda não está no tempo você tem que esperar só mais um pouquinho, mãe até quando eu vou ter que esperar? (EDI) ... Ela estudou no A. P. Ela fez o quê, 6 meses só... ela foi lá para Osasco no A. A. em Quitaúna e era com cegos, só que ela nunca usou a sala de recursos, ela já foi direto pra sala de aula, eu falei espera um pouquinho só tira...quer dizer que ela tem condições de estudar em escola, porque que eu não posso colocar minha filha aqui do lado da minha casa eu tenho que pegar ir de ônibus ou ir de carro sei lá, não, ai eu fui atrás, e não existia o negócio de inclusão eu cheguei a escutar barbaridade tipo assim mas escuta mãe aqui só tem crianças perfeitas eu escutei isso, mas pra mim a senhora está sendo 120 imperfeita falando um negócio desse, quem tem defeito aqui é a senhora não é a minha filha... Aquele colégio aqui das Perdizes... eu fui nesse mesmo lugar eu acho que é esse mesmo lugar falar da faculdade, que ela queria fazer faculdade de música lá. E aí eu fui falar de bolsa, porque eu não tinha condições da pagar R$ 1.000,00 de mensalidade, a gente foi falar da bolsa, ai irmã, mas é difícil porque, ela falou é difícil aqui não tem cego e eu então tá, olha eu acho melhor você procurar outro lugar, então tá obrigada. E agora a G. canta lá bastante, ganha cachêzinho... ... Eu tenho calo no nariz, eu tenho unha encravada porque eu metia o pé eu não deixava a porta se fechar, se trata da minha filha, calma não é assim ela vai ficar aqui, eu falava na época eu vou atrás dos meus direitos eu nem sabia quais eram, eu nem sabia se eu tinha direito se não tinha, eu sei que foi indo assim e a G. chegou onde chegou.(RAQUEL) Notamos na atitude das mães demonstrações de coragem, espírito de luta e busca de soluções para resolver as dificuldades de seus filhos. Lógico que as atitudes das mães são muito variadas na resolução dos problemas. Isto é normal, pois algumas vão em frente capitalizando o que encontram de bom em seu caminho ao passo que outras ficam remoendo as experiências difíceis e desagradáveis que encontraram. 6.3.2. O papel do brincar e do brinquedo para a aprendizagem: a importância de brinquedos, jogos e materiais adaptados, histórias, atividades lúdicas e recreativas As mães das crianças concebem o brincar como uma ação fundamental para a aprendizagem de seus filhos. Consideram as brincadeiras, a imitação, o faz-deconta, brincadeiras com boneca, travessuras, jogos pedagógicos, brinquedos de montar e jogos de construção essenciais para o processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças com deficiência visual. A opinião de Edi revela que “o espaço de brincar é uma instrução, eles aprendem a brincar junto”: ... Brincar é muito importante, principalmente para ela que não tem todas as formas de brincar. Têm certas brincadeiras que ela pega rápido, outras têm que explicar duas ou três vezes para estar pegando. Eu acho superimportante brincar, ela gosta de brincar da Adoleta, esconde-esconde; na minha infância eu era muito moleque, brincava de correr, pular, esconde-esconde, quem atira pedra mais longe. Eu brincava de médico, professora, 121 meu sonho é ser professora então minha brincadeira melhor era de professora. Em casa ela tem boneca, ursinho, aqui na Laramara ela pega para levar para casa joguinho de montar. Acho o espaço de brincar uma instrução, eles aprendem a brincar junto. De primeiro P. brincava sozinha e ela chega aqui e junta com os meninos, ela aprendeu a brincar com todo mundo. Ela tem muitos amigos aqui. (EDI) ...O que eu acho bacana aqui, é que... aqueles bonequinhos, aquelas câmaras de ar, quantas vezes eu já ajudei a vestir, a costurar, fechar. Nossa acho muito lindo... E a calça da vovó também é interessante... a cobra... Porque os brinquedos, eu acho assim importante, não é só pra elas, pra gente também, porque o momento em que a gente pega na mão... a gente sente a sensibilidade, e gente sente a necessidade que eles necessitam... só o fato da gente tocar neles, a gente já sente assim, já sabe que eles vão gostar... porque é uma coisa assim que, como que eu posso explicar, que chama a atenção. ... Eu observo que as crianças menorzinhas, quando terminam de serem atendidas, elas perguntam: não posso brincar um pouquinho na brinquedoteca? Além dos brinquedos, tem as brincadeiras, eles gostam de estar no espaço... isso é muito importante... (BIA) Os relatos das mães indicam que as crianças com deficiência visual gostam das brincadeiras comuns a todas as crianças tais como: imitar, brincar de faz-de-conta, de escola e de representar a professora. Gostam de brincadeiras corporais, correr, pular, brincar com água, carrinho, bola, brincar com animais, de bicicleta; brincar com os irmãos, vizinhos e mães. ... Ela tem assim brincadeira predileta. Tem uma brincadeira muito boa, falar no celular... é sempre estar escrevendo, tipo secretária, ela quer imitar muito a professora, em explicar, em conversar, contar, ela faz uma aula aqui no Laramara chega em casa ela quer fazer do mesmo jeito que fez com ela, ela quer fazer em casa, é assim você conta alguma coisa pra ela, fala alguma coisa com ela, aquilo dali ela já vai fazer uma estória: mãe, eu vou cantar... na escola a professora, mãe o que é que cai em pé e corre deitado? Eu não sei filha, o que é? A chuva... (EDI) ... Brincadeira que ele prefere, o que ele gosta mais, de jogar bola, brinca de carrinho bastante... Agora bola ele gosta de jogar daquela que ele ganhou aqui. Aquela que tem o guizo. Ele gosta daquela bola, porque ele joga com o cachorro... Ele joga a bola e o cachorro vai buscar... e o cachorro fica jogando com ele... ele põe a patinha em cima da bola... fica esperando ele ir... quando ele vai, ele joga a bola pra outro lado, sabe, parece uma criança. (BIA) ... Ela gosta da brincar, pintar, desenhar, ela gosta de copiar desenhos de bichos: Hello Kitty, turma da Mônica, coisa assim. (CLEUSA) Na visão das mães, os brinquedos interessantes e preferidos pelos filhos são os carrinhos com som, as bolas de guizo, os jogos de montar, de construção, quebracabeça, pebolim e a boneca para as meninas. 122 ... Na brinquedoteca, ela vai bastante lá. Ela gosta principalmente de monta-monta, ela vai na brinquedoteca e nem brinca de boneca, ela gosta de pegar o carrinho pra passear com a boneca, mas se ela vê o monta-monta, ela desliga tudo, porque ela gosta, ela acha interessante ficar montando, fazer quebra-cabeça essas coisas assim. Ela ama montar, o que ela não gosta, assim eu ainda não vi um que ela não gosta, até de carrinho ela brinca, porque ela acha interessante pegar o carrinho assim jogar ele e ela sair, não tem assim um brinquedo que ela não goste, eu sei que ela ama muito o celular dela. (EDI) ... Ela tem boneca, ela tem roupas, as bonecas dela todas tomam banho, todas são trocadas, todas têm as roupas lavadas. E ela veste a boneca... Dá nome pra boneca. Todas elas têm nome, só que quando ela enjoa do nome ela troca e coloca outro, tem os nomes da boneca elas dão banho, ela lava a roupa, ela quer... tudo o que uma dona de casa faz, e que ela vê eu fazendo ela quer fazer também. (EDI) ... Ele gosta mesmo é dos carrinhos, ele tem bastante carrinho, principalmente, carrinho de polícia, ambulância, ônibus. Esses são os prediletos dele... E daqui ele já levou bastante ele já levou carrinho, já levou quebra-cabeça, pebolim ele já levou também. (BIA) As mães dos alunos que freqüentam atualmente Laramara valorizam os jogos e materiais adaptados, considerando-os muito importantes para a aprendizagem e mostram conhecer as necessidades educacionais especiais de seus filhos. Revelam trabalhar em conjunto com a escola e a Instituição na adaptação dos materiais e recursos necessários na sala de aula. Os relatos indicam ainda que as mães participam ativamente da educação e da inclusão escolar de seus filhos e ajudam a escola na preparação e adaptação dos jogos e materiais especiais. ... Ela tem recurso especial lá na escolinha, a professora sabe... a professora já veio fazer cursos aqui, já fez o projeto de inclusão... eu fiz... no começo foi a professora do Laramara que foi até lá, então volta e meia a Laramara vai até lá ou então quando elas têm dúvida de alguma coisa, eu faço a ponte, e eles vêm até aqui ou então eles vão até lá... Ela não vai usar o Braille, é letrinha comum, só que ampliada, na casa agora ela está com os óculos da 3,5 graus e ela vai passar de novo na ortóptica pra ver como já fez um certo tempo que ela está com os óculos, vamos ver se ela vai aumentar porque o grau dela é 7, então ai vamos nós ver se já pode aumentar mais um pouco, como ela já acostumou, dependendo do desenvolvimento dela com os óculos é que a gente vai saber como vai ser a escrita dela, a leitura. Tem livrinhos de estórias, ela tem livrinhos de alto relevo, na maneira do possível que eu posso ir pegando cada coisa um pouquinho. Ela conta figuras. Quando ela está com os óculos, ela é bem danada. (EDI) ... Muito importante... por exemplo, a criança cega, normalmente, nas lojas você não encontra... um brinquedo de acordo, não só para cegos, para outras pessoas com outras deficiências, às vezes, você não encontra. Precisa ser uma loja de departamento muito boa para encontrar um brinquedo, assim, que seja para uma criança que tenha deficiência e eu acho que o trabalho das voluntárias fazendo esses brinquedos para a criança, nossa, é muito importante, sim, é muito bom. (NEIA) 123 ... A professora, ela ajuda muito, porque ela faz aquela ampliação do caderno, as letras são bem ampliadas, xeroca tudo.. então é um trabalho! Nossa é maravilhoso! Por ser interior, desde o momento que nós chegamos lá, daí eu passei algumas coisas, elas estiveram aqui, tão sempre presentes, tão sempre ligando para tirar algumas dúvidas, então através disso elas vão se orientando, uma vai passando para outra, tem a outra escola também que está se interessando... até eu tô mais interessada em fazer essa prancheta, pra mim tá passando pra elas. Porque a prancha, eu tenho, meu irmão quem fez, ele é serralheiro, ele pegou fez uma. Aí quando eu vi essa que é feita de papelão, eu falei, quero aprender essa porque é mais fácil, mais barato e fácil de tá levando... É... sabe o quebra-cabeça, na escola, a professora fez um, aí ele não gostou daquele.. ele falou que era feio, porque era uma pintura muito ruim. . . daí nós compramos as canetinhas e nós fizemos. (BIA) ... Eu comprei dessa vez xadrez. Adaptado, então, nós estamos aprendendo. Tem o quebra-cabeça, eu fiz aquele jogo de damas, que aprendi a fazer aqui, eu aí peguei e falei, eu vou fazer um... então ele tem o dominó. Ele tem o livro de AVD da criança tá deitando, se levantando, escovando os dentinhos... O livrinho. Com uma historinha que fala das horas, das horas em que ele podia, por exemplo, da hora que ele ia levantar, fazer a lição, almoçar... Ele tem o maior cuidado... ele mostra para as pessoas, aí ele abre... ele mesmo abre para as pessoas. (BIA) A fala das mães indica que as crianças com deficiência visual gostam de todas as atividades lúdicas e recreativas. Gostam de estórias e contos clássicos, de livros infantis em relevo e estórias de terror. Gostam de música, de cantar, dançar, dramatizar, assistir televisão e de passear. Indicam que os jovens gostam muito de música, teatro, esportes, passeios e de tocar instrumentos musicais. As mães pontuam ainda a importância dos brinquedos especiais. ... Ela gosta também... onde tem aquelas leituras, os livrinhos Agora sim, pra ela é mais interessante, porque de primeiro ela não ia porque ela não sabia ler.... agora ela devora tudo, que ela quer ver um por um. Tem livrinhos de estórias, ela tem livrinhos de alto relevo, na maneira do possível que eu possa ir pegando cada coisa um pouquinho. Ela conta figuras quando está com óculos. Fantasia, ela coloca, teve uma vez que ela se pintou todinha e eu falei pra ela: P. você vai assim pra casa filha? E ela foi com o olho de uma cor, o rosto de outro. Ela não gosta assim dessas coisas de monstro, ela não gosta, principalmente quando vai fazer a mímica, a gente vai pra cima olha o monstro essas coisas aí ela não gosta, mas a estória dos três porquinhos... romântica também. (EDI) ... Ela gosta de música, de dançar, é apaixonada por novela também, com a P. eu não tenho muito trabalho, mas de brinquedos e brincadeiras ela gosta de tudo, tudo que for o mundo da brincadeira ela vai em todos e curte tudo. E ela chegou a ir pra piscina, já fez bastante exercício, já está aprendendo a afundar, a subir, a bater na bóia, as pernas, os braços. Então, ela gosta de brincar de fazer de conta, de imitar a professora. Ela ama também a banda Calipso, então imagina é uma dançarina de primeira é porque ela assiste assim, ela canta, ela dança, ela coloca o controle da televisão como se fosse o microfone dela, ali já é o palco dela... (EDI) ... E sempre que eu posso eu saio, eu levo ele pra passear, estava tendo o circo, aí no sábado, nós fomos pro circo... aí eu não paro, às vezes meus irmãos falam assim: Nossa B.! 124 você não só pára! Você não sai sozinha!... mas são meus amigos, além de amigos, são amigos... eu me divirto com eles. Lá tem um... chama deserto, sabe, é um terreno com uma erosão, ficou aqueles buracos enormes... Ai nós vamos pra lá, não é muito pertinho, mas também não é longe, nós vamos a pé... aí leva uns lanches... Nossa aí já coloca aquelas roupinhas bem velhinhas, bem surrada... porque a gente saí de lá molhada, porque tem o riozinho que passa embaixo, aí a gente desce, dá a volta pro outro lado... (BIA) ... A gente brincava muito, eu contava muitas estórias para ela, estórias de terror. E no negócio de Playcenter ela vai em tudo e nessa casa assombrada ela fazia eu ir com ela, eu quase morria e ela ia na boa. (RAQUEL) ... Ele tem um violão. Mas ele quer mesmo uma guitarra. Nossa! Ele tá doido por uma guitarra! Daí eu falei pra ele que guitarra tá meio difícil porque não tem nem onde colocar. Ele gosta da TV Cultura... são vários desenhos... Nossa! Ele adora aqueles desenhos e gosta também do... ai, como é que chama? (BIA) ... G. faz muita coisa, está fazendo balé, começou agora. É expressão corporal, não é balé clássico. Com as meninas, ela faz condicionamento físico na ACM. Fez natação, ginástica todo mundo reclama que é muito difícil. Boxe. Ela fez boxe, escondido de mim, porque ela ia pra natação e um dia ela falou: mãe, eu posso fazer boxe? De jeito nenhum, você está ficando louca? Mas não por achar, porque eu nunca vi a G. deficiente visual, nunca vi, eu criei a G. enxergando ou eu aceitava demais ou eu não aceitava nada, eu não sei te falar ainda não, mas eu não queria, porque eu achava uma coisa estúpida pra uma menina, imagina, e deixava ela na natação e ela ia lá pra cima. Começou a fazer teatro com o B. M. ele é diretor de teatro e trabalha com cadeirantes e cegos no teatro dele. Porque a G. falou que até lá os cadeirantes é que são os artistas... e deixam os cegos de lado e ela fica muito revoltada com isso. Ela deu um tempo porque ela ficou muito revoltada. Não, não é assim a gente também diz que ele fica bravo porque ele quer expressão e lógico deficiente visual é difícil. Tem que ensinar né, mas eles não gostam de ensinar. E aí acabam dando mais valor para os cadeirantes e acaba deixando os deficientes visuais de lado. (RAQUEL) É interessante ver o quanto as mães foram receptivas com nossas idéias referentes ao brincar. Quando, em 1997, entreguei a cada mãe o manual Papai e mamãe vamos brincar?, do qual constavam quarenta brinquedos simples que desenvolvi, mostrando como confeccioná-los e como brincar com eles, queria sensibilizar a família para a importância do brincar. Com essa intenção, criei, ao mesmo tempo o Espaço de Integração e Convivência da Família, para que ela o utilizasse na criação e confecção de brinquedos. Agora cada mãe recebeu um exemplar do livro Brincar para Todos, ensinando como confeccionar os cento e nove brinquedos desenvolvidos na Instituição e como brincar com eles. Esperamos que esta ação traga um resultado ainda maior 125 para o envolvimento das mães. 6.3.3. O papel da Instituição: a opinião das mães sobre os profissionais e a Instituição Na opinião das mães, o trabalho institucional teve grande importância e influência na vida de seus filhos e de seus familiares. Julgavam-se inicialmente incompetentes, com medo de não dar conta de ajudar os filhos. Valorizam a atenção, o apoio e orientação dos profissionais; o encorajamento para continuar lutando pelos direitos dos filhos e, principalmente, o estímulo que recebem para o desenvolvimento da autonomia e independência dos jovens. Valorizam os espaços lúdicos, os atendimentos interdisciplinares, o apoio psicológico, as atividades de vida diária e orientação e mobilidade, o apoio à inclusão escolar, as oficinas de música, arte, artesanato, atividades aquáticas e a informática. Da mesma forma vemos resultados positivos na pesquisa sobre a inclusão dos usuários de Laramara em escolas regulares, coordenada pela Profa. Elcie Salzano Masini (2004), mostrando a satisfação deles e de suas famílias com o trabalho realizado na Instituição. ... Laramara é muito difícil de falar... Laramara é uma essência na minha vida, se não fosse a Laramara não seria a mãe que sou hoje... o trabalho aqui foi muito importante... muito porque no começo... eu achava que ela não podia nada eu achava que ela ia ficar; no começo eu falava: ai, meu Deus, o que eu vou fazer? Onde que vou? Quem eu vou procurar? Essa menina, o que é que eu vou fazer e como ela vomitava muito, porque o olho dela dançava muito, e eu ficava pensando, o que eu vou fazer, o que eu vou fazer, eu mesma perguntando pra mim mesma, aí passou um tempo. 2 anos a menina ainda de fralda, pra comer era uma tristeza, que eu achava que ela nunca ia comer arroz e feijão na vida dela, então era muita coisa assim que eu não sabia, eu era muito desinformada, hoje em dia graças a Deus eu passo lição para outras pessoas, mas no começo eu fui muito desinformada e tudo. Os profissionais sempre de bom humor; os profissionais nunca deixaram de me incentivar, o psicossocial me ajudou muito, eu tinha problema para voltar a trabalhar, como que vou voltar a trabalhar com a menina, e eles diziam você pode trabalhar. Graças a Deus já trabalhei como costureira, faxineira, já fiz várias opções de lá para cá e nada me atrapalhou... (EDI) ... Eu acho muito importante... a família também participar. Apesar que nem todos... os parentes, às vezes, contribuem com isso, né, porque, você sabe em toda família tem alguns que ficam ou com pena demais, ou têm receio... Todas as famílias têm, mas na maior parte, a gente vê que a Laramara faz todas as pessoas da família participar da convivência da criança e isso ajuda bastante. E isso ajuda em que sentido? Em que você vê? Por 126 exemplo, né, a criança tem aquele... vou dizer francamente que eu nunca tive, eu vejo que tem mãe... que tem um pouco de vergonha de mostrar o filho que tem um problema, uma deficiência, né... E às vezes a própria família se afasta, não é mesmo? A família ajudando nesse sentido melhora bem. O R. tem do meio do ano pra cá, vem no Crescer. (NÉIA) ... E sempre com um sorriso, né? Isso que é bonito aqui... os motoristas que vê, porque eu venho pela assistência, eles vê, quando fala que é pra vir aqui, eles adoram, eles falam que aqui não parece assim uma instituição... muitos falam, um hospital...então não tem como falar isso, porque começa pelas recepcionistas... aquele sorrisinho. As crianças, a gente vê aqueles problemas que eles têm, olha pra mães, sempre sorrindo. (BIA) ... Nós pensávamos que ele não iria nem aprender a ler na época, porque era muito nervoso... mas Graças a Deus, ele já vai passar para o colegial... Eu falei que no próximo ano ele vai trabalhar porque ele já cresceu muito, mesmo assim na cabecinha, no ano que vem ele quer trabalhar e eu acho que ele já tem condição, então ele pode trabalhar aqui na parte da computação... (NÉIA) ... Deus colocou vocês com a Lara, deu esse presente pra vocês, porque sabia que vocês iam ajudar muito as outras pessoas, porque se fosse pra mim, foi pra mim, mas eu não pude fazer nada, eu não fiz pelos outros. Eu fiz pela minha filha, mas não como vocês que fizeram pela minha filha a mesma coisa que você fez pela sua filha, você fez pela minha filha e isso eu vou agradecer o resto da minha vida e estou vendo agora que vocês continuam com a gente, não estão longe da gente, isso me deixa muito emocionada, o que eu posso é rezar por vocês, eu sempre estou pedindo a Deus. Obrigada.. Eu fiquei brava com a M. coordenadora da Laramara, quando ela falou que a G. não precisava mais... não precisa ficar com você mais, ela tem que ir embora, tem que ficar independente, ela vai ficar dependente de você e mandou a G. embora. (RAQUEL) Apenas uma mãe, que freqüentou a Instituição quando não havia atendimento de jovens e adultos, relatou o seu descontentamento com a coordenação pedagógica da época pelo desligamento de sua filha: uma criança com muita possibilidade, talento e total independência. Parece que a dependência não era da aluna, mas da mãe, pois a dificuldade de desligamento manifestou-se apenas na fala da mãe. As mães identificam o Espaço de Integração e Convivência Vó Clotilde como um local para compartilhar sentimentos, dificuldades, conquistas, experiências e saberes. Sentem ser ele um local familiar, aconchegante, de relaxamento, diversão, trabalho e aprendizagem. Nele resgatam a auto-imagem, sentem-se valorizadas, úteis, desenvolvendo o desejo de ajudar outras mães e divulgar o benefício do voluntariado social. Importante lembrar que este Espaço foi a princípio apresentado à família como um 127 lugar para criar, confeccionar brinquedos e aprender a usá-los para facilitar a relação com os filhos; mas a idéia por trás desta atividade prática era que as famílias pudessem estar juntas, fortalecendo-se, associando-se para solucionar problemas, compartilhar idéias, enfim, dar suporte emocional umas às outras; aprendendo a ser ativas na busca de soluções dos problemas relacionados à falta de serviços para a inclusão social de seus filhos, sem depender totalmente da ajuda de um profissional. Atualmente este lugar abriga uma série de outras atividades e se converteu em um ambiente criativo e interativo, totalmente assimilado pelos pais onde as famílias organizam festas, desenvolvem projetos, cursos, aprendem, ensinam e se divertem. Em função da convivência no Espaço, observamos hoje uma mudança positiva na atitude de muitas mães. Quando chegaram à Instituição tinham muitas dificuldades: falta de recursos econômicos, de participação social e cultural, de esperança sobre o futuro de seus filhos e de meios para mudar esse estado de coisas. Hoje vemos nelas um crescimento como pessoas: participam ativamente, são dinâmicas, fazem livros e brinquedos, são informadas, grandes lutadoras pelo reconhecimento dos direitos dos seus filhos. Algumas começaram a estudar ou retomaram os estudos, outras aprenderam a fazer artesanato e ganham dinheiro para ajudar no sustento da família, algumas, que eram analfabetas, se alfabetizaram em Braille e depois foram para a escola. ...O bom é que a gente faz amizade, fica conhecendo o problema das outras e a gente vê que o da gente não é nada...(BIA) ...Porque quando eu entrei aqui, eu era uma mãe caipira...(BIA) Esta mudança na atitude das mães resultou em uma participação cada vez maior e mais ativa das famílias na Instituição, o que deu lugar a uma relação de diálogo e escuta, que implicou em maior acolhida dos sentimentos, desejos, necessidades e expectativas, pontos de vista, preferências, prioridades, fortalezas, cultura familiar e social das famílias. 128 As mães puderam assim colocar em prática suas capacidades e competências para a resolução de problemas e para superar os desafios que surgem no dia-adia, o que proporciona esperança e confiança em seu próprio potencial. ... No começo eu não entendia por que o espaço de convivência, porque Dona A. ficava aqui, conversando com as mães, fazendo oficina. No começo eu tinha receio, agora eu me sinto melhor, bem mais à vontade. Eu valorizo cada espaço, cada minuto, tenho medo de chegar atrasada. Hoje eu já faço parte deste espaço, ele é muito importante para mim porque ele é uma convivência... você convive com outras pessoas, que eu nunca sonhei na minha vida conhecer outro tipo de vida... é outra vivência, entendeu? Aqui eu conheci pessoas com problemas muito maiores que o meu e agora eu vejo que o meu problema não é tão grande do jeito que eu pensava e aqui ficou assim... uma coisa de família mesmo... Dona A. faz parte um pouquinho da gente, que a gente faz amigo secreto, faz festa junina, brinca, toma café aqui, a gente sai da piscina e vamos para o espaço de convivência. A gente tem o nosso cantinho, a gente vem para cá e as crianças continuam brincando.... A gente faz artesanato, conta piada... como se fosse uma convivência de família mesmo... é muito gostoso...(EDI) ... Esse espaço é de convivência, de integração, de brinquedo... Têm mães que ficam, às vezes, dois, três meses sem entrar aqui, porque ficam ali sentados na sala esperando e não vêm aqui e se elas soubessem como é importante..., vou falar por mim, eu... sempre gostei muito do negócio de artesanato e eu não tinha.... a gente não tem condições de pagar às vezes para aprender determinadas coisas né? Então eu acho que se a mãe vir aqui... às vezes uma hora, uma hora e pouco aqui se ela soubesse o quanto ela aprende aqui, fora as amizades que a gente passa a ter né? Com as amigas, com a Dona A. que é uma pessoa muito importante, muito boa pras mães e a gente aprende bastante. Eu aprendi muita coisa aqui de artesanato, por exemplo, esse ano eu aprendi fazer chinelinhos de crochê, essas coisas, e quem quis aprender que me perguntou... Aprendi a fazer aquele bordado de "vagonite". Tudo que eu aprendi eu procurei ensinar. (EDI) Hoje sentimos que Laramara estende seu trabalho para a comunidade através de ações realizadas pelas famílias em suas cidades, como fica demonstrado na fala seguinte: ...Nossa! É maravilhoso! Agora também eu tô fazendo parte da Associação que tá iniciando... ... É associação dos deficientes, abrange toda a deficiência. ...Olha...como tá iniciando agora, então nós estamos correndo atrás deles, nós estamos procurando um jeito de trazer eles, pra gente começar tá trabalhando realmente...porque sem deficiente também, nem tem como... ...Nós fizemos lá um senso nas escolas, nós estamos terminando de fazer, nas escolas, nas creches, fomos nos postos de saúde, pedimos ajuda pras agentes de saúde que tem na cidade, elas estão indo pra gente, porque nem tudo dá, pra nós irmos, então elas vão, pra tá ajudando nós pra vê se... Porque tem muitos deficientes lá que a família esconde, não aceita. Nossa! Porque eu participei daquele Simpósio, né, o de 10 Anos... ...Então e aí nós ganhamos a fita, alguns livros, até nem estão comigo, estão na escola, de vez em quando elas passam lá, pra tirar alguma dúvida. Todos na escola. 129 ... Nossa! É superimportante. Até a professora da 2ª série, estava com ela, porque ela fez um trabalho da faculdade..então ela veio agradecer que com aquele trabalho ela não precisou fazer mais prova nenhuma... É...olha eu fiquei feliz! E aí ela me devolveu o livro e o livro ficou comigo uma semana... ...Já entreguei de volta...porque eu acho muito importante, passar o que eu sei, porque agora tem uma criança lá que é da outra escola, que a coordenadora me procurou, perguntando pra mim, né, se tem alguma coisa que eu posso tá ajudando a mãe, que diz que a mãe é muito desligada, aquela coisa toda. Eu falei, não, é só marcar uma hora, que eu vou estar presente lá, pra tá ajudando...e é isso que eu tenho feito na minha cidade... (BIA) Foram importantíssimas para nós as palavras das mães e dos jovens, mostrando que o suporte dado pela Instituição para a educação e inclusão das pessoas com deficiência visual foi valioso. Isso era realmente o que pretendíamos: atender suas necessidades de forma abrangente na habilitação e reabilitação, educação, emprego, cultura, recreação e lazer, estabelecendo parcerias com outros setores da sociedade para ampliar as oportunidades de inclusão na família, escola e comunidade. 130 7. Considerações Finais Nas linhas iniciais desta dissertação, mencionei que, desde muito jovem senti vocação para o magistério e desejava ser professora. De fato, comecei a lecionar antes mesmo de me formar e continuei nesta profissão durante toda a minha vida, inicialmente como professora de Geografia e depois trabalhando com crianças deficientes visuais. Tive sempre a preocupação de procurar e adotar em meu trabalho métodos e materiais que motivassem os jovens e crianças a aprender de forma espontânea, lúdica, agradável e que nossa convivência fosse muito alegre. Resolvi fazer o mestrado com a intenção de investigar o resultado de meu trabalho, entrevistando os jovens com deficiência visual, atendidos por mim quando crianças e com os quais interagi por meio das brincadeiras e brinquedos especiais. Queria avaliar o papel dos brinquedos, brincadeiras, da interação afetiva, da socialização e da participação, na aprendizagem e desenvolvimento infantil. Seria também uma oportunidade de estudar e pesquisar a literatura referente aos brinquedos e brincadeiras e ao desenvolvimento da criança com deficiência visual, e de ao mesmo tempo, dar embasamento teórico à minha prática, verificando quanto minhas crenças e os métodos que utilizei foram válidos. Entretanto, não podia prever o significado que teve para mim a realização desta pesquisa. A freqüência às aulas, a consulta aos livros especializados, a redação da dissertação, as entrevistas e sua análise resultaram em uma experiência enriquecedora e útil para minha vida pessoal e profissional. Posso sentir que aprendi e adquiri mais conhecimentos importantes e esclarecedores do que durante toda a minha vida como estudante, mãe e professora. O amadurecimento conseguido pelos anos de prática fortaleceu-se com os ensinamentos dos diferentes autores consultados, o que foi fundamental para que se estabelecessem as necessárias ligações entre tudo o que acreditei e vivenciei em meu dia-a-dia, durante os muitos anos em que atuei como profissional e a base teórica que agora encontrei nos livros pesquisados. 131 Estudar o desenvolvimento infantil e as necessidades específicas das crianças com deficiência visual, compreender, apoiada na teoria de Vygotsky, o fundamental papel da socialização, da interação da criança com o ambiente, para seu aprendizado, para o desenvolvimento das capacidades físicas, perceptivas, emocionais, intelectuais e sociais, foi importante para meu trabalho e a credibilidade dos materiais que desenvolvi e que utilizei. Pesquisar sobre o papel desempenhado pelos brinquedos especiais, pelos brinquedos adaptados e brincadeiras, para a educação e inclusão das crianças cegas e com baixa visão, ajudou-me a comprovar a veracidade de minhas idéias e crenças de tantos anos. Entendi serem corretos os métodos que utilizei e apliquei, nas inúmeras horas em que interagi com as crianças, baseada apenas em minha intuição e que estava certa no caminho que segui, o mesmo indicado há tanto tempo por Vygotsky e outros teóricos que estudaram o desenvolvimento infantil. Foi importantíssimo ainda poder analisar as entrevistas e ver a importância dos brinquedos e brincadeiras na formação dos jovens que reencontrei neste momento, atendidos por mim há dez ou doze anos. Meu envolvimento com a área da deficiência visual iniciou-se com o nascimento de minha filha caçula Lara, cega devido à retinopatia da prematuridade e que tem hoje vinte e sete anos. Foram anos e anos de interesse e procura por conhecimentos sobre o tema, em que eu quis saber sempre mais sobre as necessidades específicas do desenvolvimento da criança com deficiência visual, inicialmente para poder educar Lara e posteriormente para realizar melhor minhas atividades profissionais. Se para qualquer educador é fundamental avaliar o próprio trabalho, verificando a validade do caminho trilhado para atingir seus objetivos, considero importantíssima a realização desta pesquisa. Para verificar se meu trabalho com as crianças, utilizando as brincadeiras e os brinquedos especiais, foi útil para sua vida, se minhas idéias foram realmente criativas e inovadoras, se representaram 132 mudanças, transformações e trouxeram melhoria para a qualidade de vida de meus alunos. De que maneira estas ações fizeram a diferença em sua educação e inclusão. Conhecer a opinião das mães que hoje fazem parte de Laramara foi interessante e importante, pois em suas palavras pude deduzir que os métodos, idéias e ações que defendemos desde a fundação de Laramara há quinze anos, continuam vivos e se ampliaram, permanecendo presentes em nosso trabalho de educar a pessoa com deficiência visual para a vida. A importância de qualquer ação que desenvolvemos depende da possibilidade de podermos avançar alguns passos, modificar a situação vigente, de lutar por transformações importantes que interfiram positivamente na sociedade e na qualidade de vida de todas as pessoas. Ao iniciar o trabalho como mãe e educadora de crianças com deficiência visual, encontrei um campo fértil, com facetas variadas, muitas possibilidades de atuação, muito por fazer, estudar, pesquisar, descobrir e pôr em prática. Compreendi que as crianças com deficiência visual possuem necessidades especificas com relação à interação e comunicação com o meio, precisam de procedimentos diferenciados no processo ensino-aprendizagem, de materiais e recursos especiais. Constatei haver um grande número de crianças carentes de atenção e educação, muitas delas encontravam-se isoladas em casa, apresentando defasagens de desenvolvimento devido à falta de intervenção precoce, educação infantil, complementações em orientação e mobilidade, atividades de vida diária, atividades físicas, esporte e lazer. Livros e folhetos informativos eram raros e pouco difundidos. Brinquedos e materiais adaptados totalmente inexistentes. E, principalmente, era muito pequeno o número de profissionais especializados, dedicados a este trabalho, sendo poucos os cursos para sua formação. No entanto, todos sabemos como é imprescindível para qualquer criança, e principalmente para aquelas com alguma deficiência, ter acesso aos recursos adequados à sua educação, contando com mediação social e convivendo com pessoas sensíveis, dispostas a ajudá-la a ampliar suas experiências e a construir 133 suas próprias imagens pelo conhecimento e exploração do ambiente com o próprio corpo; saber interpretar as pistas ambientais utilizando os sentidos e as descrições verbais a respeito do que se passa em volta, estar ativa e participante. Senti ainda a importância de que, na educação da criança com deficiência visual, houvesse o envolvimento de toda a comunidade, pois a educação ocorre em todo o espaço social. Assim, seriam necessárias as parcerias para que a criança tivesse acesso a todos os recursos da comunidade, com estreito entendimento entre a instituição especializada, a família, a escola e a sociedade. Adquiri a certeza de que todas as situações acima referidas seriam facilitadas pelo brincar, brincadeiras e brinquedos, de que eles são fundamentais para a interação e comunicação da criança, para que ela compreenda o mundo, adquira habilidades, competências, sendo este o melhor caminho para a inclusão social. E, o mais importante, que os brinquedos fossem interessantes para todas as crianças, facilitando a inclusão em casa, na escola e comunidade. Minha certeza de que estas crianças precisavam apenas de oportunidade para seu desenvolvimento e educação, de que deviam contar com os melhores recursos materiais e humanos, de que a família precisava ser orientada a participar ativamente em sua educação, levou-me a criar Laramara. Ela foi o sonho que se concretizou, de criar um espaço onde fosse possível acompanhar e apoiar o aprendizado, desenvolvimento e educação das crianças com deficiência visual, prepará-las e encaminhá-las para a vida como pessoas participantes da sociedade, como estudantes, profissionais, pais de família, como verdadeiros cidadãos. E principalmente que todo o trabalho seguisse a filosofia em que eu sempre acreditei, de respeito e verdadeira aceitação da criança, em um ambiente de otimismo e crença em seu potencial de desenvolvimento e no qual as brincadeiras e brinquedos fossem o eixo de comunicação, idéia esta que deveria ser compartilhada pela família e comunidade. Desenvolvemos esta pesquisa com jovens que freqüentaram a Instituição desde 134 muito pequenos, que foram atendidos por mim e tiveram acesso aos recursos materiais nela disponíveis, com mediação de profissionais sensíveis e dedicados, imbuídos da filosofia institucional de interação com a criança por meio de brincadeiras. Contaram, portanto, não só com os melhores recursos materiais e humanos, mas também com as brincadeiras e brinquedos especiais e adaptados para seu aprendizado e desenvolvimento. Examinando seus prontuários, constatei terem sido numerosas e variadas as oportunidades para sua socialização e aprendizagem, que o ambiente lúdico e alegre e os recursos oferecidos, dos quais ainda desfrutam, fizeram muita diferença em sua vida. Assisti ainda a alguns filmes de nossos atendimentos, podendo ver que foram muitas as formas que usamos para brincar. A pesquisa abrangeu ainda algumas mães, assíduas freqüentadoras de Laramara há vários anos, beneficiárias de todos os serviços e do apoio oferecido pela Instituição. O resultado da pesquisa mostrou que as brincadeiras e brinquedos especiais, presentes em todos os espaços e serviços oferecidos pela Instituição, que a mediação de uma equipe competente de profissionais, a socialização, a interação, o ambiente rico em estímulos, a comunicação favorecida pelas interações e trocas afetivas, a participação na vida familiar, a freqüência à escola com a orientação adequada, as parcerias estabelecidas com a comunidade foram benéficos para a aprendizagem, desenvolvimento e inclusão dos jovens entrevistados. Gostaria de deixar registrado ainda ter sido um exercício interessantíssimo realizar um estudo amplo e detalhado sobre os temas que deram fundamentação à pesquisa e que trouxeram importantes subsídios para ela. Tanto os referentes às particularidades do desenvolvimento, da educação e inclusão da criança com deficiência visual, como também aqueles relativos ao brincar e sua importância para a educação de todas as crianças. 135 Foi grande a emoção de reencontrar esses jovens, passados bem mais de dez anos, constatando com satisfação serem eles pessoas integradas, seguras, maduras emocionalmente, preocupadas com o futuro e com a vida profissional. A análise da fala dos jovens entrevistados e das mães de crianças que freqüentam atualmente Laramara mostrou com clareza que todos deram grande importância às oportunidades de brincar, à brincadeira, ao brinquedo, à socialização, à participação nos diferentes ambientes, à freqüência à escola, à parceria com a família e com toda a comunidade. Gostaria de ressaltar ainda que, embora todos eles tenham enfrentado dificuldades de vários tipos e as diferenças sócio-econômicas entre eles sejam muito grandes, guardadas as devidas proporções, todos superaram os obstáculos e conseguiram atingir um amadurecimento compatível com a idade. Muitos outros aspectos, incluídos nas transcrições dos depoimentos, mereceriam uma ampliação da análise aqui registrada. Entretanto, face aos objetivos estabelecidos e em decorrência da delimitação do problema da presente pesquisa e análise interpretativa aqui exposta, senti estarem refletidos os pontos fundamentais inicialmente propostos. Um amplo leque de possibilidades para análises futuras abriu-se, também, como resultado adicional. Espero que outros estudos possam contemplá-los, colaborando, assim, para a continuidade de esforços que resultem em contribuição efetiva para a aprendizagem e desenvolvimento de todo sujeito, em particular das pessoas com deficiência visual. Ficou aqui demonstrada, uma vez mais, a importância do brinquedo e do brincar no desenvolvimento pessoal, familiar e social, revelada e reiterada por pessoas estimuladas a relembrar e relatar suas próprias vivências lúdicas e educativas. 136 8. Referências ALTMAN, R. O Direito de Brincar – A Brinquedoteca – Fundação Abrinq. São Paulo: Scritta. 1992. ALVES, R. É brincando que se aprende. In: Revista Páginas Abertas. Ano 27, n. 10. São Paulo: Paulus, 2001. ANDRÉ, M. E. Etnografia na prática escolar. Campinas, SP, Papirus Ed., 2003. 128 p. ANTUNES, C. Técnicas pedagógicas de dinâmica de grupo. São Paulo: Editora do Brasil, 1970. ______________ A construção do afeto. São Paulo: Augustus, 1999. ARCE, A. O jogo e o desenvolvimento infantil na teoria da atividade e no pensamento educacional de Friedriche Froebel. Caderno CEDES. Vol. 24, n. 62. Campinas: Abril, 2004. AYRES, A. J. Sensory integration and the child. p. 5. Los Angeles, Califórnia: Wps, 1995. BARDIN L. Análise de conteúdo. Lisboa Edições 70, 1995. BENEVIDES, I. O. Crianças em desenvolvimento: necessidades muito especiais. In: FRIEDMANN, A. e CRAEMER, U. (org.). Caminhos para uma aliança pela infância. São Paulo: Aliança pela Infância, 2003. BRODIN, J. e RIVERA, T. Juega comigo! El juego y los juguetes para niños con discapacidad. p. 36 – 52. Estocolmo: Escuela Superior de Maestros de Estocolmo, 1999a. _______________________ A família do deficiente mental. Estocolmo: Escuela superior de maestros de Estocolmo. 1999b. BRONFENBRENNER, U. A ecologia do Desenvolvimento Humano: Experimentos Naturais e Planejados. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. BROUGÈRE, G. Brinquedos e companhia. São Paulo: Cortez, 2004. 137 BRUNO, M. e HEYMEYER, U. Educação infantil – referencial curricular nacional: das possibilidades às necessidades. Rio de Janeiro: Revista Benjamin Constant, Agosto 2003. Ed. 25, ano 9. BRUNO, M. M. G. O desenvolvimento integral do portador de deficiência visual: da intervenção precoce à integração escolar. São Paulo: Midi “L’ufficio Del Arte”, 1993. _________________ Deficiência Visual: reflexão sobre a prática pedagógica. São Paulo: Laramara, 1997. _________________ O significado da deficiência visual na vida cotidiana: análise das representações dos pais, alunos e professores. Campo Grande, 1999. 158 p. Dissertação, (Mestrado em Educação) UCDB, Campo Grande, MS. CADERNO CEDES 24 Pensamento e linguagem: estudos na perspectiva da psicologia soviética. Campinas: Papirus, 1991. CRAEMER, U. Trabalho social como arte social – uma reflexão sobre as atividades sociais desenvolvidas pela Associação Comunitária Monte Azul. In: FRIEDMANN, A. e CRAEMER, U. (org.). Caminhos para uma Aliança pela infância. São Paulo: Aliança pela Infância, 2003. CUNHA, N. H. S. O direito de brincar – A Brinquedoteca – Fundação Abrinq. São Paulo: Scritta, 1992. CUNHA, N. H. S. Brinquedoteca, um mergulho no brincar. São Paulo: Maltese, 1994 _______________ Brincando com crianças excepcionais. In: O direito de brincar. São Paulo: Vozes, 1996. _______________ Brinquedo, linguagem e alfabetização. Petrópolis: Vozes, 2004. D’ÁNTINO, M. E. F. A máscara e o rosto da instituição especializada. São Paulo: Memnon, 1998. DAVIS, C. Psicologia da Educação. São Paulo: Ed. Samus, 1989. 138 DROUILLARD, R. e RAYNOR, S. Esperneie. Um guia para ajudar crianças deficientes visuais. Michigan State University, 1975. Traduzido por Vera Andreoni. Adaptado e Editado por SIAULYS, M., 1997. _________________________________ Mexa-se! Um guia para ajudar crianças deficientes visuais. Michigan State University, 1975. Traduzido por Vera Andreoni Adaptado e Editado por SIAULYS, M., 1997. _________________________________ Mova isso! Um guia para ajudar crianças deficientes visuais. Michigan State University, 1975. Traduzido por Vera Andreoni Adaptado e Editado por SIAULYS, M., 1997. ERIKSON,E. Infância e Sociedade. Nova York: Norton, 1986. FOCAULT M. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 2002. _______________ Microfísica do poder. São Paulo: Graal Editora, 2004. FRIEDMAN, A., AFLALO, C., ANDRADE, C., ALTMAN, R. (org.) O Direito de Brincar – A Brinquedoteca – Fundação Abrinq. São Paulo: Scritta. 1992. FRIEDMANN, A. Brincar, crescer e aprender. O resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna, 1996. GIL CIRIA, M. del C. La construcción del espacio en el niño a través de la información táctil. Madrid: Editorial Trotta, 1993 GLOCKLER, M. Que fim levou a infância? In: FRIEDMANN, A. e CRAEMER, U. (org.). Caminhos para uma aliança pela infância. São Paulo: Aliança pela Infância, 2003. GOES, M. C. R. Relações entre desenvolvimento humano, deficiência e educação: contribuições da abordagem histórico-cultural. In: OLIVEIRA, M. K. (org.). Psicologia, educação e as temáticas da vida contemporânea. São Paulo: Moderna, 2002. GUINOT V. A E CARRASCO M J. El juego en los niños ciegos. ONCE: Madrid, 1989. HARTMAN, A. Play with me. Suécia: Tomteboda Resource Centre, 1996. _____________ Play with me more. Suécia: Tomteboda Resource Centre, 1996. HATWELL Y. Privation sensorialle et inteliggence. Paris: Universitaires,1986. 139 HORNBY, G. (1994). Counceling in child disability: Skills for working with parents. London: Chapman & Hall. In: SELIGMAN, M. & DARLING, R. B. Ordinary Families, Special Children. The Guilford Press: New York, NY, 1997. HUG, D., HAYASHI, D. MANSFIELD, N. C. Movimente-se comigo: um guia de desenvolvimento motor para pais de bebês com deficiência visual. In: Revista Contato. ano 1, n. 3. Traduzido por Pavilavicius, T. Adaptado por Siaulys, M. São Paulo: Laramara, 1997. JOHN-STEINER, V. e SOUBERMAN, E. Formação Social da mente – L. S. VYGOSTKY. São Paulo: Martins Fontes, 2003. KIRK, S. A. e GALLAGHER, J. J. Crianças com deficiências visuais. In: Educação da criança excepcional. 3a Edição. São Paulo: Martins Fontes, 2002. KISHIMOTO, T. M. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Pioneira, 1994. _________________ Jogos infantis – o jogo, a criança e a educação. 5ª. edição, Petrópolis: Vozes, 1998. __________________Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação, 3a edição, São Paulo: Cortez, 1999. __________________O brinquedo na educação: considerações históricas. Publicações: Serie Idéias, n.7. São Paulo: FDE, 1995. http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf@ideias_07_p03945c.pdf#search=’kishimoto Acessado em: 23 de maio de 2005. LAKATOS, I. Falsification and Methodology of Scientific Research Programs. In: Lakatos, I. e Musgrave, Acriticism and growth of knowledge. Massachusetts: Cambridge University Press, 1970. LEONHARDT, M. El bebé ciego. Barcelona: Ed. Mason, 1992. MAKARENKO, A. S. Conferências sobre Educação Infantil – Quarta Conferência – O Jogo. Moraes, 1981. MASINI, E. F. S. (org.) Do sentido... pelos sentidos... para o sentido... Niterói: Intertexto; São Paulo: Vetor, 2002. 140 ______________ A inclusão escolar de estudantes deficientes visuais – avaliação das atividades da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual – Laramara. Pesquisa realizada em parceria com a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e do Laboratório Interunidades de Estudos das Deficiências (LIDE-USP) com apoio do CNPq. São Paulo, 2004. MAZZOTTA, M. J. S. Fundamentos de educação especial. São Paulo: Editora Pioneiras, 1982. MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da Percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1999. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO – SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Programa de Capacitação de Recursos Humanos do Ensino Fundamental. Deficiência Visual. Vol. 1. Série Atualidades Pedagógicas. Brasília, 2001. _________________________________________________________________. Educação Infantil. Estratégias e orientações pedagógicas para a educação de crianças com necessidades educacionais especiais. Dificuldades de Comunicação e Sinalização. Deficiência Visual. Brasília, 2002. MOREJÓN, MUNHOZ e FREITAS. O brinquedo na estimulação essencial como suporte para o desenvolvimento da linguagem de crianças com necessidades especiais. Relato de um estudo realizado na Universidade Federal de Santa Maria. Rio Grande do Sul. http://www.ufsm.br/ce/revista/cesp/2000/10/a5.htm Acessado em 17 de maio de 2005. MRECH, L. M. O uso de brinquedos e jogos na intervenção psicopedagógica de crianças com necessidades especiais. In: KISHIMOTO, T. M. (org.). Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação. 7ª ed. São Paulo: Cortez, 2003. MUNSTER, M. A. Estimulação perceptivo-motora em crianças portadoras de deficiência visual: proposta de utilização de material pedagógico. 141 Dissertação de Mestrado da Faculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas, 1998. OLIVEIRA, M. C. A importância da família na educação de crianças com necessidades educacionais especiais. Monografia do Curso de Especialização em Educação Especial, Universidade Mackenzie, São Paulo, 2003. OLIVEIRA, M. K. Vygotsky – Aprendizado e desenvolvimento – um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1995. PERAITA, ELOSUA E LINARES. Representación de categorías naturales en niños ciegos. Barcelona: ONCE, 1992. PIAGET, J. A construção do real na criança. Tradução Álvaro Cabral, 2aed. Rio de Janeiro:Zahar,1975 _________ A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. Rio de Janeiro:Zahar, 1978. REVUELTA, R. L. Palmo a Palmo: A motricidade fina e a conduta adaptativa aos objetos nas crianças cegas. In: Revista Contato – Conversas sobre deficiência visual, ano 1, n. 2. Traduzido e adaptado por SIAULYS, M. São Paulo: Laramara, 1997. RIVERO R. Imagenes mentales y desarrollo cognitivo en ciegos totales de nascimiento. Madrid: Estúdios de Psicologia, 1981. ROYAL NATIONAL INSTITUTE FOR THE BLIND. Play it my way – learning through play with your visually impaired child. 2a ed. Londres: The Stationery Office, 2000. SIAULYS, M. O. C. “Papai, Mamãe – ajudem-me por favor” – Um guia prático para pais de crianças deficientes visuais. São Paulo: Laramara, 1991. _________________ Toque o bebê: sugestões aos médicos e profissionais que atendem crianças com deficiência visual. São Paulo: Laramara, 1996. _________________ Papai e Mamãe, vamos brincar? São Paulo: Laramara, 1997. 142 _________________ A importância do brinquedo e do brincar para a criança deficiente visual. In: Deficiência visual, reflexões sobre a prática pedagógica. São Paulo: Laramara, 1997. _________________ Projeto brincanto – garantindo o prazer de brincar. In: Revista Contato – Conversas sobre deficiência visual, n. 4, Junho, 1998. _________________ Aprendendo junto com Papai e Mamãe. São Paulo: Laramara, 1998. __________________ Ler e escrever em Braille. São Paulo: Laramara, 1999. _________________ Universo tátil. In: I Simpósio Brasileiro sobre o Sistema Braille: Um horizonte de conquistas. Salvador, 2001. _________________ E agora? Tenho um bebê no berço. In: Revista Contato – Conversas sobre deficiência visual, ano 5, n. 7. São Paulo: Laramara, 2001. __________________ Laramara: uma experiência de mãe e educadora. In: MASINI, E. F. S. (org.). Do sentido... pelos sentidos... para o sentido... Niterói: Intertexto; São Paulo: Vetor, 2002. _________________ O brincar e o brinquedo: um caminho para a inclusão. In: Estratégias e orientações pedagógicas para a educação de crianças com necessidades educacionais especiais. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2002. _________________ Brincar para todos. São Paulo: Laramara, 2005. TELFORD, C. W. e SAWREY, J. M. O indivíduo excepcional. Traduzido por RIBEIRO, V. 4ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1983. THIOLLENT, M. Crítica Metodológica, investigação social e enquête operária. São Paulo: Polis, 1985. TRINDADE, A. A criança e seu corpo-gesto e identidade. In: FRIEDMANN, A. E CRAEMER, U. (org.). Caminhos para uma Aliança pela infância. São Paulo: Aliança pela Infância, 2003. VYGOTSKY, L. S. Problemas essenciales de la pedagogía terapêutica. Ed. Russa,Trad. Cubana, 1983. 143 ________________ Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1984. _________________Obras completas tomo cinco – Fundamentos de Defectologia. Cuba: Ed. Pueblo y Educación, 1989. _________________ Psicologia Pedagógica. Tradução da primeira edição Russa 1926 por Julio G.Blanck. Bueno Aires: Aique Editores, 2001. WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda., 1975. 144 9. Anexos 9.1. Entrevistas 9.1.1 Entrevistas semi-estruturadas com os jovens 1. Fale-me um pouco sobre você. 2. Como você costumava brincar? 3. Você brinca ou brincava com seus pais? Com quem? E com os irmãos? Quais as brincadeiras e brinquedos que são ou foram mais prazerosos? 4. Na sua opinião, qual é ou foi o papel da brincadeira e do jogo para o seu desenvolvimento? E para sua inclusão social? 5. Quais os brinquedos prediletos? 6. Você costuma ou costumava brincar de imitar ou fazer de conta? De que maneira? Quais eram ou são os temas mais freqüentes? 7. Você gosta ou gostava de ouvir histórias? 8. Você gosta de ler e contar histórias? De que tipo? 9. Você teve brinquedos especiais, jogos e livros adaptados? 10. Quais foram ou são as suas atividades lúdicas e de recreação preferidas? . Jogos de competição . Ouvir música . Dançar . Tocar instrumentos . Ver TV . Cinema . Teatro . Nadar . Jogos sociais ou de mesa 145 9.1.2. Entrevistas semi-estruturadas com as mães 1. Como é seu filho? 2. Como ele costumava brincar? 3. Onde ele gosta de brincar? 4. Vocês brincam juntos? Quais as brincadeiras e brinquedos mais prazerosos para vocês? 5. Quais os brinquedos e brincadeiras prediletos? 6. Seu filho costuma brincar de imitar ou fazer de conta? De que maneira? Quais são os temas mais freqüentes? 7. Ele gosta de ouvir e ler histórias? Quais as preferidas? 8. Seu filho tem brinquedos especiais, jogos e livros adaptados? 9. Qual é o valor dos brinquedos especiais e jogos adaptados para o aprendizagem, desenvolvimento e inclusão social de seu filho? 10. Quais as atividades lúdicas e de recreação preferidas pelo seu filho? . Jogos de competição . Ouvir música . Dançar . Tocar instrumentos . Ver TV . Cinema . Teatro . Nadar . Jogos sociais ou de mês 146 9.2. Carta de informação ao sujeito de pesquisa e termo de consentimento livre e esclarecido 9.2.1. Mães 147 CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas. Este material será transcrito e posteriormente analisado, sendo garantido o sigilo absoluto dos relatos obtidos e resguardados os nomes dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para melhor compreensão do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo a qualquer momento, sem prejuízo algum. Os dados coletados serão utilizados na dissertação de mestrado da Pedagoga Mara O. de Campos Siaulys, aluna do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ________________ __________________ Mara O. de Campos Siaulys Pesquisadora Marcos José da Silveira Mazzotta Orientador TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) (Edi), sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, _____de __________ de 2005 Sujeito ou representante legal_______________________ 148 CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas. Este material será transcrito e posteriormente analisado, sendo garantido o sigilo absoluto dos relatos obtidos e resguardados os nomes dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para melhor compreensão do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo a qualquer momento, sem prejuízo algum. Os dados coletados serão utilizados na dissertação de mestrado da Pedagoga Mara O. de Campos Siaulys, aluna do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ________________ __________________ Mara O. de Campos Siaulys Pesquisadora Marcos José da Silveira Mazzotta Orientador TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) (Neia), sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, _____de __________ de 2005 Sujeito ou representante legal_______________________ 149 CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas. Este material será transcrito e posteriormente analisado, sendo garantido o sigilo absoluto dos relatos obtidos e resguardados os nomes dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para melhor compreensão do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo a qualquer momento, sem prejuízo algum. Os dados coletados serão utilizados na dissertação de mestrado da Pedagoga Mara O. de Campos Siaulys, aluna do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ________________ __________________ Mara O. de Campos Siaulys Pesquisadora Marcos José da Silveira Mazzotta Orientador TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) (Beth), sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, _____de __________ de 2005 Sujeito ou representante legal_______________________ 150 CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas. Este material será transcrito e posteriormente analisado, sendo garantido o sigilo absoluto dos relatos obtidos e resguardados os nomes dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para melhor compreensão do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo a qualquer momento, sem prejuízo algum. Os dados coletados serão utilizados na dissertação de mestrado da Pedagoga Mara O. de Campos Siaulys, aluna do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ________________ __________________ Mara O. de Campos Siaulys Pesquisadora Marcos José da Silveira Mazzotta Orientador TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) (Raquel), sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, _____de __________ de 2005 Sujeito ou representante legal_______________________ 151 CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas. Este material será transcrito e posteriormente analisado, sendo garantido o sigilo absoluto dos relatos obtidos e resguardados os nomes dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para melhor compreensão do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo a qualquer momento, sem prejuízo algum. Os dados coletados serão utilizados na dissertação de mestrado da Pedagoga Mara O. de Campos Siaulys, aluna do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ________________ __________________ Mara O. de Campos Siaulys Pesquisadora Marcos José da Silveira Mazzotta Orientador TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) (Bia), sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, _____de __________ de 2005 Sujeito ou representante legal_______________________ 152 CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas. Este material será transcrito e posteriormente analisado, sendo garantido o sigilo absoluto dos relatos obtidos e resguardados os nomes dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para melhor compreensão do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo a qualquer momento, sem prejuízo algum. Os dados coletados serão utilizados na dissertação de mestrado da Pedagoga Mara O. de Campos Siaulys, aluna do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ________________ __________________ Mara O. de Campos Siaulys Pesquisadora Marcos José da Silveira Mazzotta Orientador TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) (Cleusa), sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, _____de __________ de 2005 Sujeito ou representante legal_______________________ 153 9.2.2. Jovens 154 CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas. Este material será transcrito e posteriormente analisado, sendo garantido o sigilo absoluto dos relatos obtidos e resguardados os nomes dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para melhor compreensão do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo a qualquer momento, sem prejuízo algum. Os dados coletados serão utilizados na dissertação de mestrado da Pedagoga Mara O. de Campos Siaulys, aluna do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ________________ __________________ Mara O. de Campos Siaulys Pesquisadora Marcos José da Silveira Mazzotta Orientador TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) (Adriana), sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, _____de __________ de 2005 Sujeito ou representante legal_______________________ 155 CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas. Este material será transcrito e posteriormente analisado, sendo garantido o sigilo absoluto dos relatos obtidos e resguardados os nomes dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para melhor compreensão do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo a qualquer momento, sem prejuízo algum. Os dados coletados serão utilizados na dissertação de mestrado da Pedagoga Mara O. de Campos Siaulys, aluna do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ________________ __________________ Mara O. de Campos Siaulys Pesquisadora Marcos José da Silveira Mazzotta Orientador TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) (Klaus), sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, _____de __________ de 2005 Sujeito ou representante legal_______________________ 156 CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas. Este material será transcrito e posteriormente analisado, sendo garantido o sigilo absoluto dos relatos obtidos e resguardados os nomes dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para melhor compreensão do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo a qualquer momento, sem prejuízo algum. Os dados coletados serão utilizados na dissertação de mestrado da Pedagoga Mara O. de Campos Siaulys, aluna do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ________________ __________________ Mara O. de Campos Siaulys Pesquisadora Marcos José da Silveira Mazzotta Orientador TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) (Raí), sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, _____de __________ de 2005 Sujeito ou representante legal_______________________ 157 9.3. Carta de informação ao sujeito de pesquisa e termo de consentimento livre e esclarecido em versão Braille - Jovens 158 159 160 161 162 163 164 165 166 167 168 CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas. Este material será transcrito e posteriormente analisado, sendo garantido o sigilo absoluto dos relatos obtidos e resguardados os nomes dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para melhor compreensão do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo a qualquer momento, sem prejuízo algum. Os dados coletados serão utilizados na dissertação de mestrado da Pedagoga Mara O. de Campos Siaulys, aluna do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ________________ __________________ Mara O. de Campos Siaulys Pesquisadora Marcos José da Silveira Mazzotta Orientador TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) (Tati), sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, _____de __________ de 2005 Sujeito ou representante legal_______________________ 169 CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas. Este material será transcrito e posteriormente analisado, sendo garantido o sigilo absoluto dos relatos obtidos e resguardados os nomes dos participantes, bem como a identificação do local da coleta de dados. A divulgação do trabalho terá finalidade acadêmica, esperando contribuir para melhor compreensão do tema estudado. Aos participantes cabe o direito de retirar-se do estudo a qualquer momento, sem prejuízo algum. Os dados coletados serão utilizados na dissertação de mestrado da Pedagoga Mara O. de Campos Siaulys, aluna do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. ________________ __________________ Mara O. de Campos Siaulys Pesquisadora Marcos José da Silveira Mazzotta Orientador TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) (Gigi), sujeito de pesquisa, após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO AO SUJEITO DE PESQUISA, ciente dos serviços e procedimentos aos quais será submetido, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO de concordância em participar da pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, _____de __________ de 2005 Sujeito ou representante legal_______________________ 170 9.4. Carta de informação à Instituição e termo de autorização 171 CARTA DE INFORMAÇÃO À INSTITUIÇÃO Esta pesquisa tem como objetivo estudar a importância do brinquedo e do brincar para a inclusão social e escolar de pessoas com deficiência visual. Serão entrevistados quatro alunos com cegueira congênita, uma aluna com baixa visão e cinco mães de crianças que freqüentam atualmente a Laramara. Os alunos são atendidos em Laramara desde o Programa de Intervenção Precoce e alguns freqüentam, ainda hoje, outros programas. Todos estão incluídos em escolas do Ensino Médio e Universidade. As entrevistas serão filmadas e transcritas. Para tal, solicitamos a autorização desta instituição para a triagem de colaboradores e coleta de dados; o material e o contato interpessoal não oferecerão riscos de qualquer ordem aos colaboradores ou à instituição. Os indivíduos não serão obrigados a participar da pesquisa, podendo desistir a qualquer momento. Tudo o que for falado será confidencial e usado sem a identificação do colaborador e dos locais. Quaisquer dúvidas que existirem agora ou depois poderão ser livremente esclarecidas, bastando entrar em contato conosco no telefone abaixo mencionado. De acordo com estes termos, gentileza assinar abaixo. Uma cópia ficará com a instituição e outra com a pesquisadora. Obrigada. ________________________ _____________________________ Mara O. de Campos Siaulys Marcos José da Silveira Mazzotta Pesquisadora Orientador TERMO DE AUTORIZAÇÃO Pelo presente instrumento, que atende às exigências legais, o(a) senhor(a) ________________________________________________________, na condição de representante da Instituição ______________________________________________ após leitura da CARTA DE INFORMAÇÃO À INSTITUIÇÃO, ciente dos serviços e procedimentos que serão aplicados, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e do explicado, firma o seu TERMO DE AUTORIZAÇÃO de concordância em autorizar a pesquisa proposta. Fica claro que o sujeito de pesquisa ou seu representante legal podem a qualquer momento, retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO e deixar de participar do estudo alvo da pesquisa e fica ciente de que todo o trabalho realizado torna-se informação confidencial, guardada por força do sigilo profissional. São Paulo, ____ de ____________ de 2006 Representante da Instituição: _____________________________ 172 9.5. Gráfico 2 173 174