UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO MESTRADO EM EDUCAÇÃO Everaldo Moreira de Andrade O TUTOR PRESENCIAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: DIMENSÕES E FUNÇÕES QUE FUNDAMENTAM SUA PRÁTICA DE TUTORIAL CURITIBA – PR 2012 Everaldo Moreira de Andrade O TUTOR PRESENCIAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: DIMENSÕES E FUNÇÕES QUE FUNDAMENTAM SUA PRÁTICA TUTORIAL Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Educação, da Universidade Tuiuti do Paraná, Programa de Pós Graduação em Educação, Linha de Pesquisa Práticas Pedagógicas: elementos articuladores. Orientadora: Profª. Drª. Iêda Viana CURITIBA – PR 2012 TERMO DE APROVAÇÃO Everaldo Moreira de Andrade O TUTOR PRESENCIAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: DIMENSÕES E FUNÇÕES QUE FUNDAMENTAM SUA PRÁTICA DE TUTORIA Essa dissertação foi julgada e aprovada para obtenção do título de Mestre em Educação no Programa de Pós-Graduação da Universidade Tuiuti do Paraná. Curitiba, __ de _________ de 2012. ____________________________________ Programa de Pós-Graduação Mestrado em Educação Universidade Tuiuti do Paraná ____________________________________ Orientadora: Profª. Drª. Iêda Viana Universidade Tuiuti do Paraná - UTP ____________________________________ Prof. Dr. Geyso Dongley Germinari Universidade Tuiuti do Paraná - UTP _________________ ___________________ Prof. Dr. Ivo José Both Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG DEDICATÓRIA Aos meus pais João Maria Moreira de Andrade (Caera) e Dinadir Pinheiro de Andrade (Dina), Aos meus irmãos Wanderlei Pinheiro de Andrade, Valdirene Moreira de Andrade e Juliane Moreira de Andrade. A todos meus amigos (...) Obrigado, Deus AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus pela oportunidade e capacidade que me deste para participar de um programa de mestrado. Pela força para conseguir conciliar as aulas e minhas atividades profissionais, pois era do meu trabalho que vinham os recursos para custear este curso. Quero agradecer a toda minha família, que de uma forma ou de outra me apoiou durante o curso, em especial minha mãe (Dona Dina), que mesmo sem saber direito o que eu estava fazendo, sempre perguntava “e o mestrado?”. Agradeço a todos os professores e ex-professores do Programa de Mestrado em educação, a professora Drª. Maria Antônia de Souza, que nos mostrou ser uma das melhores professoras que tivemos; professor Dr. Ademir Silva que iniciou como meu orientador e me mostrou os caminhos que deveria seguir; professora Drª. Iolanda Cortelazzo que mesmo antes de eu ingressar no programa de mestrado já era minha colega de trabalho; professora Drª. Ariclê Vechia, que por muitas vezes nos fez rir com suas histórias; professora Drª. Iêda Viana, que me acompanhou sendo minha orientadora no último ano de trabalho; e em especial à admirada, companheira, simples e inteligente professora Drª. Eliane Mimesse Prado, que foi minha primeira professora do mestrado, quando me matriculei em uma disciplina de tópico especial em 2008, intitulada “Pedagogia da Infância na Educação Brasileira”; obrigado a todos os professores que de uma forma ou de outra contribuíram durante o período que passamos juntos. Agradeço também a todos meus amigos e colegas de profissão que me auxiliaram, cobraram e acompanharam minha trajetória no curso, dentre eles não posso deixar de citar minhas amigas Charline Pinho, Adriana Oliveira, Sueli Prado, Elisandra Gasparino, Nívea Bona, Edna Cicmanec, enfim, todos que de uma forma ou de outra colaboraram para que eu chegasse até aqui. Em especial, não posso deixar de agradecer aos grandes e mais que amigos Rodrigo, Michele, Melissa e Valdirene, que se eu fosse dizer o que sinto por eles faltariam palavras e páginas nesta dissertação... amo vocês. Enfim, agradeço a todos que me ajudaram a vencer esta tão sonhada etapa de minha vida. “Muito obrigado”... RESUMO Esta pesquisa está vinculada ao Programa de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Tuiuti do Paraná e integra os estudos da linha de pesquisa de Práticas Pedagógicas e Elementos Articuladores. O problema da pesquisa teve sua origem em função do trabalho de tutoria que desenvolvi em uma instituição de ensino superior que ofertava cursos de graduação na modalidade a distância. Articulada com a informação inicial preocupou-se essa dissertação em realizar uma análise a respeito do papel do tutor, propondo uma reflexão sobre suas funções, suas responsabilidades, atribuições, bem como investigar de que maneira o tutor contribui para o processo de aprendizagem dos alunos, e verificar se o trabalho de tutoria é considerado uma prática pedagógica. No procedimento metodológico, foi utilizado um questionário que buscou levantar alguns dados fundamentais no trabalho de tutoria, dando ênfase a temas como: objetivos, planejamento, organização; investimento, formação acadêmica, experiência na função, formação continuada, participação dos tutores no processo de ensino e aprendizagem, formas de contratação, remuneração e carga horária de trabalho. A dissertação foi organizada ainda a partir de pesquisa bibliográfica e documental. A fundamentação teórica e metodológica foi buscada em autores como: Belloni (2001), Cechinel (2000), Vianney (2004), Torres (2004), Sá (1998), Peters (2006), Moran (2006), Mill (2010), Litwin (2001), entre outros. A pesquisa buscou apresentar o cenário do trabalho do tutor e sua importância no processo de ensino e aprendizagem através dos meios tecnológicos na modalidade a distância. Palavras-chave: Educação a Distância; Tutor; Tecnologias; Prática Pedagógica. ABSTRACT This research is linked to the Masters and Doctorate in Education from the University Tuiuti and integrates the study of online research and teaching practices Organisers elements. The research problem had its origin as a function of tutoring work that I developed at an institution of higher education undergraduate courses in the distance. Combined with the initial information was concerned in this thesis make an analysis about the role of tutor, proposing a reflection on their roles, responsibilities, duties, and to investigate how the tutor helps the process of learning, and verify that the work of mentoring is considered a pedagogical practice. The methodological procedure, we used a questionnaire that sought to raise some fundamental data on the job mentoring, emphasizing issues such as: goals, planning, organization, investment, academic background, experience in the position, continuing education, participation of the tutors in the teaching process and learning, forms of recruitment, remuneration and working hours. The dissertation has been organized from research literature and documents. The theoretical and methodological approach was sought on authors such as: Belloni (2001), Cechinel (2000), Vianney (2004), Torres (2004), Sa (1998), Peters (2006), Moran (2006), Mill (2010) , Litwin (2001), among others. The survey sought to present the scenario of the work of the tutor and their importance in the teaching and learning through technological means in the distance. Keywords: Distance Education, Tutor; Technologies; Pedagogical Practice. i LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Formação acadêmica............................................................................50 Gráfico 2 – Tutoria na área de formação.................................................................51 Gráfico 3 – Níveis de ensino que atua como tutor ...................................................52 Gráfico 4 – Participação em curso na área de tutoria.............................................53 Gráfico 5 – Adequação da estrutura para o trabalho de tutoria..............................54 Gráfico 6 - Principais atividades de tutoria..............................................................55 Gráfico 7 – Número de alunos designados para sua tutoria....................................55 Gráfico 8 – Regime de contrato de trabalho.............................................................56 Gráfico 9 – Necessidade de trabalhar além do horário regular...............................57 Gráfico 10 – Faixa salarial.........................................................................................57 Gráfico 11 – Nível de satisfação, na relação trabalho e proventos..........................58 Gráfico 12 – Reconhecimento da instituição pelos serviços prestados....................59 Gráfico 13 – Vínculo empregatício............................................................................60 ii LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABED – Associação Brasileira de Educação a distância. ABTE - Associação Brasileira de Tecnologia Educacional. AVA – Ambientes Virtuais de Aprendizagem. EAD – Educação a distância. ENATED – Encontro Nacional de Tutores em Educação a Distância. LDB – Lei de Diretrizes e Bases. MEC – Ministério da Educação e Cultura. NTIC: Novas Tecnologias de Informação e Comunicação. SUMÁRIO LISTA DE GRÁFICOS.................................................................................................i LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS....................................................................................ii INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 12 1. CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO ……………………………………………..….. 16 1.1 O SURGIMENTO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL .......................... 16 1.2 O TUTOR PRESENCIAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. ................................. 20 1.3 O TUTOR VIRTUAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.......................................... 24 1.4 A TUTORIA NA EAD: PR ÁTICA PEDAGÓGICA? ............................................. 27 2. ASPECTOS TEÓRICOS DA EAD ……………………………………………………30 2.1 A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ............. 30 2.2 A EDUCAÇÃO E OS MEIOS TECNOLÓGICOS. ................................................ 32 2.3 AS TECNOLOGIAS E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O TRABALHO DO TUTOR ...................................................................................................................... 35 2.4 OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO ON-LINE NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ............................................................................................................... 38 2.4.1 A comunicação síncrona e assíncrona. ............................................................ 39 3. PROBLEMATIZAÇÃO E ESTUDO DE CAMPO ... Erro! Indicador não definido.1 3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS. ........................................................... 41 3.2 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA ........................................................................... 42 3.3 OPERACIONALIZAÇÃO DA PESQUISA ............................................................ 43 3.3 O ESTUDO DE CAMPO SOBRE A ATUAÇÃO DO TUTOR PRESENCIAL NA EAD. .......................................................................................................................... 46 3.3.1 Perfil do tutor na EAD .......................................................................................48 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 60 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 64 APÊNDICE ................................................................................................................69 12 INTRODUÇÃO O presente estudo sobre o tutor na educação a distância possui ligação marcante com a história da educação brasileira, pois faz parte das mudanças decorrentes do crescimento econômico, cultural e político-social ocorrido principalmente a partir da segunda metade do século XX. Analisar este processo, bem como os fatos históricos que o envolveram é fundamental, para compreendermos as atuais mudanças da educação, e, consequentemente, esta modalidade reconhecida em todo o mundo. Nos últimos anos, o ensino a distância esteve em destaque nas políticas dos países mais desenvolvidos, atraindo a atenção de diferentes instituições de ensino e empresas e, com isso, surgiu o interesse em desenvolver este trabalho de investigação para poder se aprofundar nessa modalidade de ensino que é a educação a distância, em especial sobre o trabalho de tutoria, bem como sua importância, seu exercício profissional e demais questões a ele inerentes. Por volta de 1728, Landim (1997) destacou como primeira experiência em EaD um anúncio da Gazeta de Boston, oferecendo material para ensino e tutoria por correspondência. No entanto, vários autores questionam que se pode considerar como ensino a distância as mensagens escritas pelos povos antigos quando essas pessoas não estavam face a face. Foi nas primeiras décadas do século XX que ocorreram as primeiras experiências em educação a distância, como a capacitação de professores na Austrália, o atendimento a crianças e adolescentes que podiam freqüentar o ensino convencional na Nova Zelândia e outras iniciativas na Noruega e na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). 13 Entre os anos de 1930 até 1939, universidades norte-americanas mantinham cursos por correspondência e foi nessa época que ocorreu a 1ª Conferência Internacional sobre Correspondência na educação. A partir da década de 60, pode-se observar um período de transição das concepções educacionais, gerado pela evolução das tecnologias. Mas foi no início dos anos 90 que a educação a distância foi marcada mais significativamente pelos meios de comunicação audiovisuais em especial, a televisão. Com o surgimento das novas tecnologias da informação e da comunicação, a educação a distância teve um grande impulso. Os textos impressos antes utilizados foram aos poucos cedendo seu lugar para as mídias eletrônicas, trazendo mais possibilidade de ensino e aprendizagem. Paralelamente a essas mudanças, novas metodologias de ensino foram surgindo, impulsionando a educação a distância. Algumas escolas aos poucos tiveram que adaptar-se às novas tecnologias e o professor com o seu tradicional papel, teve que trocar de ambiente, sendo transferido das salas de aula para os estúdios. Com essas transformações, surge então o professor-tutor, tendo funções diferentes do professor convencional. Como o tutor não tinha função de docente, ele acabou sendo confundido com os mais diversos profissionais que poderiam atuar na área da educação, e seu papel cada vez mais vem sendo questionado. Diante dessas e de outras mudanças que ocorreram na Educação a Distância, como pretendo apresentar nesta pesquisa, uma análise a respeito do papel do tutor, propondo uma reflexão sobre suas funções, suas responsabilidades, atribuições e de que maneira ele contribui para o processo de aprendizagem dos alunos. 14 O método utilizado na realização desta pesquisa foi o da pesquisa qualitativa. A pesquisa qualitativa não procura enumerar e/ou medir os eventos estudados, nem emprega instrumental estatístico na análise dos dados, envolve a obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e processos interativos pelo contato direto do pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os fenômenos, segundo a perspectiva dos sujeitos, ou seja, dos participantes da situação em estudo (GODOY, 1995, p.58). A pesquisa qualitativa não admite visões isoladas, ou seja, uma coleta de dados se torna uma análise de dados, que em seguida se torna um ponto de partida para novas buscas de conhecimentos e informações. Para realizar a coleta de dados desta pesquisa, primeiramente foi selecionada 01 (uma) instituição pública de ensino que oferta cursos na modalidade EaD (Educação a Distância) no Paraná, Brasil. Foram escolhidos 10 polos da referida instituição com maior número de tutores e alunos e para eles foram enviados questionários, contendo 15 questões de múltipla escolha sobre o trabalho do tutor na EaD. Este trabalho foi desenvolvido em três capítulos. O primeiro - CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO - tem como objetivo analisar o surgimento da educação a distância no Brasil, apresentando uma síntese dos principais aspectos da história da evolução da EaD, dando ênfase ao surgimento do tutor presencial, tutor virtual e à prática pedagógica do tutor na educação a distância. No segundo capítulo - ASPECTOS TEÓRICOS DA EAD - foram abordados conceitos sobre educação, onde o indivíduo constrói seu conhecimento quando interage com o meio e com as pessoas que o cercam, dando ênfase à troca de experiências que podem favorecer a reformulação de conceitos já existentes e 15 também foi abordada a importância dos meios tecnológicos nas atividades de tutoria. No terceiro e último capítulo, intitulado PROBLEMATIZAÇÃO E ESTUDO DE CAMPO, foi realizado uma teorização sobre a pesquisa qualitativa. Neste capítulo foram apresentados também os resultados da pesquisa de campo sobre o cenário da tutoria e as considerações finais, pontuando, a partir do estudo de campo, a principal conclusão a que chegamos sobre o cenário da tutoria presencial na EaD, hoje. Para realizar a coleta de dados foi utilizado um questionário com 13 questões fechadas de múltipla escolha. 16 1. CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO 1.1 O SURGIMENTO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL No Brasil, a educação a distância surge em meados de 1904, com o ensino por correspondência, sendo voltado para cursos profissionalizantes sem exigir formação anterior. Com o passar dos anos, já na década de 30, surge o Instituto Monitor (1939) e o Instituto Universal Brasileiro (1941), além de outras instituições que não tiveram muito sucesso. Na década de 70 e 80 teve início a segunda geração da EAD, com aulas via satélite, onde várias ONG’s começaram a ofertar cursos de ensino supletivo. Mas é no final do século XX que as instituições realmente investem na EAD, pois nesse período se desenvolve a era da informatização, onde grande parte da população passa a ter contato com as novas tecnologias, facilitando assim esse processo. Para Vianney Torres e Silva (2002, p. 37), em praticamente cem anos, desde 1904 até 2002, a educação a distância no Brasil faz o percurso desde o ensino por correspondência até a Universidade Virtual, como mostra a cronologia a seguir: 1904 – Mídia impressa e correio – ensino por correspondência privado; 1923 – Rádio Educativo Comunitário; 1965-1970 – Criação das TVs Educativas pelo poder público; 1980 – Oferta de supletivos via telecursos (televisão e materiais impressos), por fundações sem fins lucrativos; 17 1985 – Uso do computador “stand alone1” ou em rede local nas universidades; 1985-1998 – Uso de mídias de armazenamento (vídeo-aulas, disquetes, CDROM, etc.) como meios complementares; 1989 – Criação da Rede Nacional de Pesquisa (uso de BBS2, Bitnet3, e email); 1990 – Uso intensivo de teleconferências (cursos via satélite) em programas de capacitação a distância; 1994 – Início da oferta de cursos superiores a distância por mídia impressa; 1995 – Disseminação da Internet nas Instituições de Ensino Superior via RNP4; 1996 – Redes de videoconferência – Início da oferta de mestrado a distância, por universidade pública em parceria com empresa privada; 1997 – Criação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem – Início da oferta de especialização a distância, via Internet, em universidades públicas e particulares; 1999 – 2001 - Criação de redes públicas, privadas e confessionais para cooperação em tecnologia e metodologia para o uso das NTIC5 na EaD; 1999 – 2002 – Credenciamento oficial de instituições universitárias para atuar em educação a distância. 1 Stand Alone: Programas completamente auto-suficientes: para seu funcionamento não necessitam de um software auxiliar, como um interpretador, sob o qual terão de ser executados. 2 BBS: Software que permite a ligação (conexão) via telefone a um sistema através de um computador e que permite interagir com ele, tal como hoje se faz com a internet. 3 Birnet: Rede remota, fundada em 1981 e administrada pelo CREN (Corporation for Research and Educational Networking) em Washington. Usada para fornecer serviços de correio eletrônico e de transferência de arquivos entre computadores de grande porte em instituições educacionais. 4 RPN: Organização social (OS) ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia do governo federal brasileiro, responsável pela rede acadêmica do Brasil. 5 NTIC: Novas Tecnologias de Informação e Comunicação. São tecnologias e métodos para se comunicarem surgidas no contexto da Revolução Informacional, desenvolvidas gradativamente desde a segunda metade da década de 1970 e, principalmente, nos anos 1990. 18 O Diário Oficial da União publicou o decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, regulamentando o Art. 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, que reconhece a EAD como modalidade de ensino. A LDB, lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996, em seu art. 80, tem por finalidade, evidenciar as disposições gerais e suas determinações a respeito do ensino a distância ou como também é conhecido: “Educação a Distância”. A EaD possui um conceito muito amplo, e ainda de acordo com a LDB em seu Decreto n° 5.622, de 19 de dezembro de 2005, art. 1°, ela pode ser realizada no ensino médio, na educação de jovens e adultos, cursos seqüenciais, cursos técnicos, graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. [...] Para os fins deste Decreto, caracteriza-se a educação a distância como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. (art. 1° LDB Decreto n° 5.622, 19/12/2005). A ABTE6 afirma que o conceito de EAD é uma forma de desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem que, utilizando sistemas de tecnologias da comunicação, será capaz de suprir as ausências físicas, totais ou parciais que envolvem professor e aluno. De acordo com Vasconcelos, (2009): Para que a EAD seja realizada e possa funcionar, é fundamental planejar de forma cautelosa e minuciosa, como o ensino será ministrado, ou seja, desde os seus simples objetivos; público-alvo; o reconhecimento do MEC; desenvolvimento funcional; infra-estrutura; organização; representação; tutores capacitados; análise e levantamento contínuo da qualidade de ensino; calendário atualizado; organização e gestão da equipe pedagógica; programas e eventos que serão realizados; organização e controle de turmas; presenças e mais uma infinita gama de responsabilidades. 6 Associação Brasileira de Tecnologia Educacional. 19 A EaD visa prioritariamente as populações adultas que não têm possibilidades de freqüentar uma instituição de ensino convencional, presencial, e que têm pouco tempo disponível para dedicar a seus estudos (BELLONI, 2001 p.46). Então, a principal clientela são pessoas que não tiveram oportunidades para estudar, por questões geográficas, sociais ou financeiras. Por mais que a EaD tenha trazido novas oportunidades para pessoas que estavam há muito tempo fora da sala de aula, permitindo-lhe voltar a estudar, existem barreiras que a própria sociedade impõe no ensino a distância, conforme afirma Moran (2006): Apesar do preconceito ainda existente hoje há muito mais compreensão de que a EAD é fundamental para o País. Temos mais de 200 instituições de ensino superior atuando de alguma forma em EAD. O crescimento exponencial dos últimos anos é um indicador sólido de que a EAD é mais aceita do que antes, mas ainda é vista como um caminho para ações de impacto ou supletivas. É vista como uma forma de atingir quem está no interior, quem tem poucos recursos econômicos, quem não pode freqüentar uma instituição presencial ou para atingir rapidamente metas de grande impacto. O Brasil passou da fase importadora de modelos, para a consolidação de modelos adaptados à nossa realidade. As instituições estão aprendendo rapidamente a fazer EAD e isso é uma grande vantagem. Queimamos etapas, aprendemos fazendo. Mas os modelos costumam caminhar para uma certa simplificação, apresentando atualmente um nível de exigência menor que o inicial, diante de demandas grandes. Quando o assunto é Educação a Distância, logo se imagina uma junção entre as tecnologias e a educação. Desta forma, elencar o papel da EaD é relevante em face de suas transformações e contribuições, hoje, finalmente reconhecidas não somente pelas facilidades, mas também, pela qualidade profissional e ética, exigidas para o bom funcionamento da EaD. 20 As tecnologias são excelentes intermediárias do contato humano... ou não, dependendo da forma como as utilizamos. (...) Uma troca de mensagens por e-mails, as idéias expressas num fórum de discussões, o modo de realizar um Chat ou um vídeo conferência tanto podem resultar numa rica exploração das possibilidades como limitar-se a uma comunicação fria e rotineira (PONTES, 1999, p. 5). Partindo dos questionamentos expostos, chegamos ao ponto principal da pesquisa, cujo problema é investigar qual o papel desempenhado pelo tutor presencial nesse processo de aprendizagem na modalidade a distância. 1.2 O TUTOR PRESENCIAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. O sentido da palavra tutor traz implícito o termo tutela, proteção. Apropriada pelo sistema de Educação a Distância (SÁ, 1998), o tutor passou a ser visto como um orientador da aprendizagem do aluno solitário e isolado que, freqüentemente, necessita do docente ou de um orientador para indicar o que mais lhe convém em cada circunstância. Pode-se admitir plenamente que o Professor-Tutor seja denominado no sistema educacional como orientador acadêmico ou até mesmo um facilitador de aprendizagem. Litwin (2001) define a figura do tutor como um “guia, protetor ou defensor de alguém em qualquer aspecto”, enquanto o professor é alguém que “ensina qualquer coisa”. Deste modo, Petters, (2006) afirma que: ... o tutor não se tratava tipicamente de alguém que era responsável pelo ensino, mas, sim, de um fellow, apenas agregado à universidade, com a função de assessorar estudantes individualmente em questões gerais relacionadas com o estudo de integrá-los na vida do college e dar assistência em geral. Não raro, estabelecia-se aí, uma relação pessoal. Portanto, tutores não eram propriamente, docentes, mas, sim, conselheiros e, na melhor das hipóteses, algo como amigos mais velhos. Significativamente, no latim um dos significados originais da palavra “tutor” é protetor. (PETERS, 2006, p.58) 21 Por outro lado, também se associa ao conceito tutor a imagem de uma pessoa que dá assistência no estudo em sentido mais restrito. Diferentemente, porém, do que ocorre no modelo do professor, no qual os estudantes são conduzidos à aprendizagem (PETERS, 2006, p. 59). Na EAD a equipe é composta por tutores, entre outros cargos e funções, tendo o tutor o objetivo de ser “facilitador e mediador da aprendizagem, motivador, orientador e avaliador” (CECHINEL 2000, p. 14). Portanto, o tutor tem o importante papel de conduzir os alunos para situações de aprendizagem que impliquem na ampliação da criatividade do aluno, no aproveitamento e consumo do tempo e do espaço educativo. Quanto ao aluno a educação a distância tem sua ênfase na aprendizagem que promova a formação de um profissional autônomo e preparado para a auto-aprendizagem e para educação permanente. Neste sentido, Bretas (2003 p. 64), diz que: As tarefas que se colocam à educação e à Comunicação são desafiadoras, levando-se em conta a perspectiva de novas formas de aprendizagem, baseadas nas mudanças nas maneiras de estar com o outro e nos novos ambientes cognitivos. A compreensão em profundidade sobre as novas maneiras dos atores sociais viverem e conviverem através dos sistemas mediáticos, pode contribuir efetivamente para a maior aproximação da escola à realidade. Nesta visão, fica claro que a comunicação é um dos elementos fundamentais na relação aluno/tutor, constatando-se que cada um tem sua função especifica nesse contexto. Uma questão importante no âmbito da comunicação entre aluno/tutor, é que ela ocorre dentro dos horários disponibilizados pelo aluno, o que facilita e amplifica a aprendizagem. 22 Segundo Machado (2004 p. 38), Para exercer competentemente suas funções, o tutor, necessita de formação especializada. Hoje, a idéia da formação permanente vigora para todas as profissões, mas especialmente para os profissionais da educação. “O tutor se encontra diante de uma tarefa desafiadora e complexa” (Litwin, 2001:103). O bom desempenho desses profissionais repousa sobre a crença de que “só ensina quem aprende”, o alicerce do construtivismo pedagógico. Ao tutor do século XXI, tem-se propiciado uma formação voltada para a prática de pesquisa e formação continuada, na qual as metodologias são relevantes, dotadas de flexibilidade, autodisciplina, linguagem acessível, auto-aprendizado e a agilidade e praticidade no tocante às informações, dúvidas e mediação entre tutor e aluno. No contexto da EAD, o tutor não é apenas o mediador entre o aluno e o conhecimento. De acordo com Alves (2005) ele tem o papel de acompanhar e apoiar os estudantes. Ele necessita possuir conhecimento do conteúdo, habilidade de comunicação, domínio das tecnologias e conhecimento do processo de avaliação. Quando falamos sobre as funções do tutor, devemos levar em consideração seu perfil, envolvendo qualidades essenciais como: dinamismo, visão crítica e global, responsabilidade, capacidade para lidar com situações novas e inesperadas e saber trabalhar em equipe. Além dessas características, ser tutor é também uma questão de envolvimento, ética e responsabilidade com o trabalho a ser realizado, porém, será fundamental o gostar desta parceria emergente entre educação e as novas tecnologias, hoje presente na vida de todos. Tendo em vista que as novas tecnologias surgem repentinamente, é relevante ao tutor, uma preparação acadêmica qualificada, para assumir este papel. 23 Para Cechinel (2000), o tutor deve compreender a função de ser “facilitador” e mediador da aprendizagem, motivador, orientador e avaliador. A consideração pressupõe a necessidade de tutores com conhecimentos gerais profundos para o desempenho da função. Litwin (2001) ressalta o trabalho do tutor na EAD em um quadro institucional diferindo-se em função de três dimensões de análise: o tempo, a oportunidade e o risco, conforme descritos a seguir: tempo – o tutor deve ter a habilidade de controlar seu tempo, uma vez que é impraticável sua disponibilização em tempo integral para os alunos. O tutor não sabe se o aluno assistirá à próxima tutoria ou se voltará a entrar em contato para consultá-lo; assim, aumentam a responsabilidade e o risco da sua ação; oportunidade – o tutor deve aproveitar a oportunidade do encontro, uma vez que não tem a certeza do retorno do aluno para complementação de suas dúvidas ou outras informações; risco – o tutor corre o risco de, em detrimento do tempo, não aproveitar a oportunidade de esclarecer totalmente as dúvidas originadas no aluno. Deve, também, aprofundar o tema em discussão até o nível em que satisfaça as necessidades de ensino-aprendizagem. Atuar como tutor na EAD, hoje em ascensão, talvez pareça simples, àqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a educação a distância e suas amplitudes, porém a prática sobre ensino a distância, sua didática na contemporaneidade exige o acesso às novas tecnologias e conhecimentos, o que é 24 essencial para o bom desenvolvimento e qualidade do trabalho com Educação a Distância. As contribuições do tutor, quanto ao auxílio na construção do conhecimento para o aluno, podem ser tão significativas quanto irrelevantes, aos olhos do educando, pois, conforme o tipo de EaD e suas tecnologias utilizadas, bem como o estudo em grupo e participação nos chamados “encontros” mensais ou semanais, este poderá ter menor ou maior participação com o aluno. Para tanto, esse tutor precisa estar atento às inovações tecnológicas as quais a educação a distância está vinculada. Segundo Ferreira e Rezende (2004), o tutor deve acompanhar, orientar e estimular a aprendizagem autônoma do aluno, utilizando-se de metodologias e meios adequados para facilitar a aprendizagem. O tutor precisa estar capacitado e preparado para auxiliar seu aluno nos ambientes de aprendizagem e em todos os processos existentes no modelo de educação a distância. Para isso, a estrutura tecnológica, precisa ser proporcionada a esse tutor tanto quanto ao aluno, para que os mesmos possam se aprofundar e ter o constante interesse em estar se aprimorando. 1.3 O TUTOR VIRTUAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Na EaD, o tutor virtual é o responsável por auxiliar os alunos e tutores presenciais no processo de ensino e aprendizagem. É ele quem dá suporte pedagógico e tecnológico, dá feedbacks sobre o curso aos alunos, tutores presenciais e para a coordenação do curso. Para isso, segundo Lentell (2003, p.74) 25 os tutores virtuais precisam ter ampla compreensão e grande conhecimento da área em que vão atuar. De acordo com Gutierrez & Prieto (1994) o professor/tutor, seja ele presencial ou virtual, necessita de no mínimo seis qualidades para desempenhar suas funções com êxito, sendo elas: possuir clara concepção de aprendizagem; estabelecer relações empáticas com seus interlocutores; sentir o alternativo; partilhar sentidos; construir uma forte instância de personalização; facilitar a construção do conhecimento. Para atuar como tutor virtual, as instituições procuram selecionar profissionais que são habilitados na área em que irão atuar, com isso, facilita-se o processo de ensino e aprendizagem. Segundo Pretti (1996, p.45), O tutor constitui um elemento dinâmico e essencial no processo ensino aprendizagem, oferecendo aos estudantes os suportes cognitivos, metacognitivos, motivacionais, afetivo e social para que estes apresentem um desempenho satisfatório ao longo do curso. Deverá, pois, ter participação ativa em todo o processo. Por isso, é importante que se estabeleça uma vinculação dialogal e um trabalho de parceria entre o tutor, o professor/especialista e a equipe pedagógica. De acordo com o autor, o trabalho do tutor virtual inicia-se semanas antes do início das aulas, pois ele deve ter conhecimento dos conteúdos e procedimentos pedagógicos e administrativos do curso, para que no início do período letivo ele possa dar suporte aos alunos. Além disso, o tutor deve auxiliar os professores na elaboração das atividades pedagógicas do curso, bem como elaboração de planilhas e relatórios que serão utilizados no decorrer do curso para acompanhar o aprendizado dos alunos e o desempenho dos professores. 26 O tutor virtual desenvolve seu papel em parceria com o professor que irá ministrar a disciplina, contribuindo com ações que possam propiciar o aumento de chances de sucesso do aluno. Para isso, o tutor virtual deve: • Facilitar aos estudantes e aos tutores presenciais a integração e o uso dos diferentes recursos; • Manter diálogo permanente com a coordenação do curso; • Prestar informações aos alunos e tutores presenciais sobre o curso; • Acompanhar e avaliar o processo de ensino aprendizagem; • Mediar relações entre alunos, coordenação, tutores presenciais e professores. • Obedecer ao cronograma de horário para realização da tutoria; • Orientar os alunos e tutores presenciais nos cumprimentos de todas as atividades do curso; • Esclarecer de forma clara as dúvidas relativas à resolução das atividades do curso; • Estabelecer um clima de confiança entre todos os envolvidos no curso de forma a alcançar os objetivos propostos. Para que os objetivos de uma tutoria virtual sejam alcançados, os tutores virtuais devem interagir pedagogicamente com os estudantes e tutores presenciais, mediando o acesso ao conhecimento elaborado, tendo como objetivos a criação de atividades interativas que estimulem a reflexão crítica do aluno. 27 1.4 AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DO TUTOR NA EAD. Incentivados pelas possibilidades decorrentes das tecnologias da informação e da comunicação e por sua inserção nos processos produtivos, cada vez mais os alunos e as instituições vêem na modalidade de educação a distância um meio de democratizar o acesso ao conhecimento, bem como de expandir oportunidades de trabalho e aprendizagem ao longo da vida. Dessa forma é importante que os alunos se transformem em construtores do seu próprio conhecimento e não em meros receptores de informação, pois de acordo com Piaget, (1998 p.46) A construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos que, provocando o desequilíbrio, resultam em assimilação ou acomodação e assimilação dessas ações e, assim, em construção de esquemas ou de conhecimento. Em outras palavras, uma vez que a criança não consegue assimilar o estímulo, ela tenta fazer uma acomodação e após, uma assimilação e o equilíbrio é então alcançado. Na relação tutor-aluno ambos são protagonistas, o tutor deve ser parceiro de seus alunos no processo de aprendizagem, no qual todos devem preocupar-se em aprender e, em especial o aprender a aprender, abrindo caminhos coletivos de busca e investigação para a produção de seu conhecimento. A prática tutorial vêm ao encontro desta parceria entre tutor e aluno. (MILL, 2007) Temos que reconhecer, ainda, que não existe um protótipo universal de tutoria, passível de ser aplicado a qualquer situação de ensino – aprendizagem a distância. Mantido o aspecto de “dupla via” na comunicação com o aluno, temos variadas modalidades tutoriais: a presencial (em que pode persistir até mesmo a mediação pela exposição oral docente), por correspondência, por telefone, por fax, pela Internet (em chats, ou através de mensagens trocadas por e-mail), por exemplo. A educação a distância não desfaz a relação triádica que existe em todo o processo de ensino – aprendizagem. Trata-se do triângulo didático em que um vértice é constituído pelo aluno, outro pelo professor / tutor e o terceiro pelo objeto do conhecimento (os conceitos a serem construídos). Desta triangulação dinâmica decorre a necessidade de estratégias diferentes da relação ensino - aprendizagem presencial, mas que também propiciem a análise, a problematização e a reflexão. (OLIVEIRA, s/d, p.31) 28 Diante da afirmação acima, pode-se inferir que a prática tutorial não é uma modalidade na qual o aluno estuda sozinho, mas nela existem formas de interação entre aluno e tutor, surgindo assim, um novo aluno e um novo tutor, ambos abertos para o continuo aprendizado e uma conduta inovadora. Desta forma, Vasconcelos (2009) destaca que: A tutoria é o método mais utilizado para efetivar a interação pedagógica, e é de grande importância na avaliação do sistema de ensino a distância. Os tutores comunicam-se com seus alunos por meio de encontros programados durante o planejamento do curso. O contato com o aluno começa pelo conhecimento da estrutura do curso, e é preciso que seja realizado com freqüência, de forma rápida e eficaz. É fundamental que o tutor deixe claras as regras do curso; ser capaz de comunicar-se textualmente, com clareza, não deixando margem para questões e colocações dúbias que venham a prejudicar a aprendizagem. A eficiência de suas orientações pode resolver o problema de evasão no decorrer do processo. Ainda para Vasconcelos (2009), ao estabelecer o contato com o aluno, o tutor complementa sua tarefa docente transmitida através do material didático, dos grupos de discussão, listas, correio-eletrônico, chats e de outros mecanismos de comunicação. Assim, torna-se possível traçar um perfil completo do aluno: por via do trabalho que ele desenvolve, do seu interesse pelo curso e da aplicação do conhecimento pós-curso. O apoio tutorial realiza, portanto, a intercomunicação dos elementos (professor - tutor - aluno) que intervêm no sistema e os reúne em uma função tríplice: orientação, docência e avaliação. Para que a prática tutorial aconteça de forma efetiva o tutor deve ter em mente algumas características cognitivas, conforme comenta Mill (2006, p. 244) que são “convencer-se, organizar-se, disciplinar-se, expressar-se, compartilhar-se, dedicar-se, responsabilizar-se, cuidar-se, desafiar-se” Todas estas características foram apresentadas por tutores virtuais, na pesquisa realizada por Mill (2007), e traduzem o sentimento de interatividade entre a 29 tutoria e seus alunos, bem como o tutor e sua vida particular, porém quando se fala em expressar-se, dedicar-se, desafiar-se, refere-se ao conhecimento sempre modificável e sempre atualizado que um tutor deve buscar. A prática tutorial permite que tutor e alunos abram um leque de oportunidades de discussão em grupo, sobre seus sucessos e suas dificuldades, e, principalmente, permite encontrar momentos de reflexão. O aluno torna-se sujeito ativo e colaborador na construção e aquisição do conhecimento através do aprender a aprender com seus pares. O tutor estabelece, de uma forma ou de outra, vínculos com seus alunos, pois não somente é o facilitador e transmissor do conhecimento, mas em muitas vezes é o amigo que incentiva a continuidade do curso, que observa o andamento e o progresso do aluno, ajudando-o nas fases difíceis, e parabenizando-o quando de seus acertos e vitórias. É também o interlocutor entre indivíduos de um mesmo curso, demonstrando que a aprendizagem colaborativa é uma constante e uma vertente de alto fluxo na EAD. Litwin (2001) afirma que os programas de EAD contêm uma proposta didática com maior conteúdo que as situações presenciais, mas crítica as definições que se baseiam na elaboração de materiais auto-suficientes capazes de gerar a proposta de aprendizagem. Para isto, o tutor tem fundamental importância no processo de aprendizagem do aluno. Para que o tutor desenvolva suas atividades de tutoria com êxito ele deve ter uma relação direta com os alunos, auxiliando-os na aproximação do conteúdo transmitido pelo professor. Para que isso ocorra, ele administra problemas de indisciplina, desmotivação, conflitos, entre outros problemas enfrentados em uma sala de aula. 30 2. ASPECTOS TEÓRICOS DA EAD 2.1 A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O conhecimento tem a finalidade de formar o indivíduo de maneira global, ou seja, desenvolver consciência, aprimorar o caráter e despertar a cidadania. Para que isto ocorra, é necessário compreender como funciona a realidade, assim ele precisa conhecer conceitos já elaborados, pois o conhecimento só terá sentido quando possibilitar a compreensão, a utilização e a transformação da realidade. O indivíduo constrói seu conhecimento quando interage com o meio e com as pessoas que o cercam, na troca de experiências que podem favorecer a reformulação de conceitos já existentes. Pode ainda, criar novos conceitos, na busca de conceitos que possam interferir e transformar a realidade que o cerca. Para Popper (1982 p. 62), “o conhecimento não parte do nada – de uma tabula rasa – como não nasce da observação; seu progresso consiste, fundamentalmente, na modificação do conhecimento precedente”. O conhecimento não é transferido, depositado ou inventado, mas sim construído, produzido pelo indivíduo na sua relação com outros e com o mundo. Quanto mais abrangentes e complexas forem às relações, mais conhecimento o indivíduo estará produzindo. Para que o processo do conhecimento ocorra, Fleming, (1974, p. 5) afirma que o professor é o planejador-mestre de experiências de currículo. Ele assume a responsabilidade de incentivar a colaboração de alunos e pais quanto ao planejamento das atividades, como lhe parecer mais conveniente. A produção do conhecimento implica numa mudança de paradigma pedagógico, ao invés de receber o raciocínio pronto, o indivíduo constrói sua reflexão, pela organização de atividades, interação e problematização. Os conceitos 31 construídos propiciam um caminho para a autonomia, para a pesquisa. Para construir, produzir o conhecimento é necessário que abandonemos a ideia das fontes últimas do conhecimento, reconhecendo que todo conhecimento é humano, pois se interliga com nossos erros, preconceitos, sonhos e esperanças (Popper, 1982). Nesta perspectiva de trabalho, o professor, o tutor e todos os envolvidos nesse processo precisam sair da postura passiva e assumir sua responsabilidade social, em função do compromisso com as novas gerações. Interagir, envolver-se, contribuir, interceder, participar das mudanças, sem dúvida é muito importante, e porque não dizer, essencial para participação do homem no mundo contemporâneo. As rápidas mudanças que testemunhamos na educação e nas tecnologias são acompanhadas de importantes reformas do ensino. As modernas inovações nas tecnologias, com a criação de materiais de comunicação, audiovisuais e informática, cada vez mais integradas (multimídia) e a necessidade de projetar as suas aplicações educacionais correspondentes, têm despertado o interesse dos profissionais da educação. No universo da educação convivemos diariamente com as inovações tecnológicas que enriquecem o processo de ensino/aprendizagem, influenciando no conteúdo e na prática educacional. Com tais recursos, os professores, educadores e pesquisadores, possuem nas mãos, poderosas ferramentas que utilizadas com critérios apropriados e objetivos bem definidos, fazendo destas, ferramentas motivadoras na busca de novos conhecimentos, e conseqüentemente na sua produção. Para Bacegga (2000, p. 9), conhecimento é um processo que prevê a condição de reelaborar o que vem como “dado”, possibilitando que não sejamos meros reprodutores. 32 Ao contrário do que possa parecer, em Educação a Distância, evidencia-se a correlação entre a colaboração e a produção e o compartilhamento do conhecimento, seja tácito ou codificado. A produção do conhecimento nesta modalidade (educação à distância) está fundamentada na relação/interação social entre os sujeitos do processo, e não no estudo individualizado. As experiências dos participantes são compartilhadas, e por conseqüência, ocorre a construção de novos conhecimentos. É importante destacar que para se construir conhecimento o aluno deve ter clareza de conceitos fundamentais que alicerçam o saber e que o tutor deve ter domínio amplo e profundo do saber para garantir a apropriação do aluno de modo completo. Portanto, as novas formas de comunicação trazem um novo modo do saber e um novo processo de produção do conhecimento. Neste contexto, onde a informação e o conhecimento reinam, é necessária a formação e conscientização de profissionais reflexivos para atuar nas mais diversas áreas, buscando a produção do conhecimento como resultado de pesquisas e de investigações realizadas, aplicando esses conhecimentos na busca de soluções dos problemas sociais. 2.2 A EDUCAÇÃO E OS MEIOS TECNOLÓGICOS. Quando refletimos sobre a prática do tutor, seu fazer, seu pensar educativo, suas condições de trabalho, sua identidade como profissional, constatamos que o tutor reinventa, é o protagonista em ação e, portanto sua mudança de postura é inevitável e reconhecida. Por outro lado, se o processo educacional elaborado estiver desvinculado da vida dos alunos, uma vez que é longa a tradição de um ensino passivo, é um problema que perpassa o sistema educacional. 33 Se as mudanças que ocorrem na educação deixam os alunos inseguros, o que buscamos é uma reflexão sobre o verdadeiro papel do tutor dentro do ensino e o valor mítico que é dado à experiência como fonte de conhecimento sobre o ensino e sobre o aprender a ensinar. A palavra “mito” era utilizada por Zeichner para se referir à crença de que experiências práticas adquiridas na escola contribuem para formar melhores professores, e que algum tempo de prática é melhor que nenhum. (ZEICHNER,1980) Ensinar, hoje, demanda do professor e do tutor algo mais complexo ao que estava acostumado, sendo que a primeira demanda seria a superação da fragmentação do conhecimento, das relações, necessitando de uma visão de totalidade e articulação de saberes e capacidades. A didática precisa dialogar com a diversidade de saberes da docência e buscar alternativas para pensar o ensino. Implica-se em revisar conteúdos, métodos, processos avaliativos, currículo, recolocar as perguntas clássicas e até mesmo fazer, criticamente, novas perguntas. O professor terá que se perguntar se na sua ação tem se preocupado em buscar respostas para os problemas, atualizando-os ou superando-os. A segunda demanda seria a globalização, onde as tecnologias de informação e comunicação estão fortemente inseridas, numa percepção clara das diferenças e especificidades dos saberes e práticas, não no sentido de afastar uns dos outros ou isolá-los, mas de realizar um trabalho coletivo. Com os meios tecnológicos disponíveis, os tutores, educadores e pesquisadores, possuem nas mãos, poderosas ferramentas quando utilizados com critérios apropriados e objetivos bem definidos, fazendo destes, ferramentas motivadoras e facilitadoras de tarefas, e incentivadoras de pesquisa. Os métodos são de grande relevância para a compreensão dos fenômenos 34 associados aos processos de ensino, principalmente quando envolvidos nestes são encontrados meios tão complexos como as atuais tecnologias. A sua utilização exige que tudo o que há de artificioso de disposição técnica dos diferentes elementos que intervêm nas situações de ensino se fundam na atividade de ensino aprendizagem. Qualquer tipo de ensino, mesmo que pareça passivo, que tem como apoio as tecnologias, leva o aluno ao pensamento. Os métodos didáticos utilizados pelo tutor permitem realizar uma previsão do plano de ação a ser seguido na estrutura institucional das instituições, mas, de qualquer forma, o fundamental é a atividade a ela aplicada. Esta permite estudar como um todo a relação do indivíduo com o seu meio ambiente, a interação dos seres humanos entre si e com seu meio social e cultural. Conforme Leontiev, a atividade surge de necessidades, que impulsionam motivos orientados para um objeto, ela não é uma reação ou uma agregação de reações, mas sim um sistema com estrutura própria, suas próprias transformações internas e seu próprio desenvolvimento. Leontiev (1988, p.68) define como atividade. (...) aqueles processos que, realizando as relações do homem com o mundo, satisfazem uma necessidade especial correspondente a ele. (...) Por atividade, designamos os processos psicologicamente caracterizados por aquilo que o processo, como um todo, se dirige (i.e., objeto), coincidindo sempre com o objetivo que estimula o sujeito a executar essa atividade, isto é, o motivo. O ensino como produção de conhecimento fica limitado diante de determinados profissionais que estão condicionados ao ensino pronto e acabado, ou seja, as atividades não são motivadoras, o conhecimento está baseado em uma verdade, vestígio do exemplo que eles mesmos tiveram durante o ensino que receberam. O tutor precisa conscientizar o aluno, através de atividades motivadoras, a buscar por si mesmo o conhecimento de que precisa, para que desta forma, a 35 educação seja ela presencial, à distância ou semipresencial, não venha a impedir a fruição do aprendizado. Percebe-se desta forma que a atividade do tutor, aliada aos meios tecnologicos é fator preponderante para que ocorra o processo de produção do conhecimento. 2.3 AS TECNOLOGIAS E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O TRABALHO DO TUTOR Quando as tecnologias são citadas na educação, percebe-se que há uma tendência dos envolvidos nesse processo em pensar apenas no computador, onde parte desse público admite ter “medo” ou não saber utilizar essa ferramenta. Ainda hoje, no ensino presencial, professores e alunos utilizam meios tecnológicos como o retroprojetor, projetor de slides e mimeógrafo como auxílio no processo de ensino e aprendizagem, porém, com as mudanças que vêm ocorrendo nos dias atuais, essas tecnologias antes utilizadas vêm aos poucos sendo substituídas por novas ferramentas como o computador. De acordo com Brito (2008, p. 66), a utilização da informática pelas escolas brasileiras encontra-se em expansão. E Investigar as aplicações da informática à educação tem sido alvo de muitas pesquisas e esforços humanos. A autora ainda afirma que ano a ano vem se expandindo o desenvolvimento de software para uso em situações de ensino-aprendizagem. A educação vem passando por diversas mudanças, e uma delas é a implantação e o crescimento de instituições que ofertam uma nova modalidade de ensino: a EaD - Educação à Distância. De acordo com Mattos e Guarezzi (2009, p. 30), essa modalidade foi descrita e caracterizada pela integração de redes de conferência por computador e estações de trabalho multimídia, sendo essa uma 36 proposta ainda inovadora e em fase de implantação em muitas instituições de ensino. Com o crescimento da EaD, novas ferramentas tecnológicas foram sendo desenvolvidas e ajustadas às necessidades dessa modalidade. Uma das dificuldades encontradas entre professores, tutores e alunos era a comunicação e, devido a esse problema, surge então o AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem, conforme Santos, (2003, p. 2): (...) podemos entender como ambiente, tudo aquilo que envolve pessoas, natureza ou coisas, objetos técnicos. Já o virtual vem do latim medieval virtualis, derivado por sua vez de virtus, força, potência. No senso-comum muitas pessoas utilizam a expressão virtual que designa alguma coisa que não existe como, por exemplo: “meu salário este mês está virtual”, “no município X tem tanta corrupção que 30% dos eleitores são virtuais”. Enfim virtual nos exemplos citados vem representando algo fora da realidade, o que se opõem ao real. Neste sentido, Santos ressalta que um ambiente virtual é um espaço fecundo de significação, onde seres humanos e objetos técnicos interagem, potencializando assim, a construção de conhecimentos, logo então a aprendizagem. Esta mesma autora salienta que os AVA agregam interfaces que permitem a produção de conteúdos e canais variados de comunicação, permitem também o gerenciamento de banco de dados e o controle total das informações circuladas no e pelo ambiente. Essas características vêm permitindo que um grande número de sujeitos geograficamente dispersos pelo mundo possam interagir em tempos e espaços variados. Santos, (2003, p.6) explica que: 37 (...) ainda hoje, alguns AVA assumem estéticas que tentam simular as clássicas práticas presenciais, utilizando signos e símbolos comumente utilizados em experiências tradicionais de aprendizagem. É impressionante, por exemplo, o uso de metáforas da escola clássica como interface. “Sala de aula” para conversas formais sobre conteúdos do curso, “cantinas ou cafés” para conversas livres e informais, “biblioteca” para acessar textos ou outros materiais, “mural” para envio de notícias por parte, quase sempre, do professor ou tutor, “secretaria”, para assuntos técnico-administrativos. Para Nevado (1997), o uso pedagógico das tecnologias oferece aos alunos e professores a chance de poder esclarecer suas dúvidas, promovendo o estudo em grupo com estudantes separados geograficamente, permitindo-lhes a discussão de temas do mesmo interesse. Moran (2006) cita sete procedimentos que também são denominados como princípios básicos para que haja essa interação pelos AVA entre os envolvidos no processo educacional: encorajar o contato entre estudantes e universidades; encorajar cooperação entre estudantes; encorajar aprendizagens colaborativas; dar retorno e respostas imediatas; enfatizar a questão do tempo na execução das tarefas; comunicar altas expectativas; respeitar talentos e modos diferentes de aprender. O acesso à Internet e o uso dos Ambientes Virtuais de Aprendizagens, além de contribuir no aprendizado do aluno para estimulá-lo e torná-lo pesquisador, propicia o trabalho cooperativo tanto entre os alunos como entre os docentes que atuam na EAD. Sendo assim: 38 ensinar com novas mídias será uma revolução se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantém distante, professores e alunos. (...) A Internet é um novo meio de comunicação, ainda incipiente, mas que pode nos ajudar a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas atuais de ensinar e aprender. (PONTES: 1999,p.10) Para o sucesso no processo de ensino e aprendizagem na EAD, primeiramente, há que se fazer uma reforma de mentalidades quanto às tecnologias inseridas na educação. 2.4 OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO ON-LINE NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A comunicação pela internet é, em sua maioria, realizada a partir de textos. Nem sempre é possível fazer uso de expressões faciais, tons de voz diferentes ou ainda gestos para dar clareza as suas mensagens. Assim é bom tomar muito cuidado com as palavras. É aconselhável que se escreva e leia várias vezes as mensagens, para notar se não há duplo significado no que está se passando. Devemos sempre lembrar que há um ser humano recebendo esse recado, por isso deve-se ser educado e cordial. Há mais alguns conselhos a seguir, quando se trata de ambiente virtual: é muito importante ter atenção com a gramática. As pessoas que vão ler o que você escreveu, vão criar uma imagem, um juízo de você por meio da sua mensagem. É bom que esse juízo seja positivo; a internet possui um código próprio de relações. Palavras inteiras escritas em maiúscula significam que você está “gritando”. Evite. Da mesma maneira, evite 39 escrever palavras de baixo calão. Lembre-se: seja educado este é um ambiente acadêmico; emoticons em demasia atrapalham o entendimento da mensagem e podem tornar qualquer assunto ou conversa cansativa, principalmente quando estes substituem palavras inteiras. As pessoas podem desistir de ler por não entenderem. Ex.: feliz :) ou triste :( 2.4.1 A comunicação síncrona e assíncrona. Quando falamos em EAD, não podemos esquecer os elementos e instrumentos desenvolvidos para auxiliar na comunicação. Esses elementos podem ser utilizados para comunicação Assíncrona e Síncrona. A comunicação Assíncrona permite que alunos, tutores e professores se comuniquem em tempos e espaços diferentes. Os meios de comunicação assíncronos mais utilizados na EaD são os fóruns, e-mails e ferramentas utilizadas para o envio e recebimento de recados. Fórum: O fórum é um espaço de discussão e aprofundamento das temáticas estudadas. Geralmente ele se inicia a partir de uma proposição do tutor virtual e fica aberto durante um período determinado para que os alunos postem suas opiniões e debatam a questão proposta. Durante ou após esse período, o tutor lê as proposições e elabora uma conclusão, fechando o debate. E-mail: Através do e-mail e também conhecido como correio eletrônico, pode- se enviar mensagens para qualquer usuário da rede. Em questão de segundos, o 40 texto chega ao destino desejado. Para o recebimento, o destinatário não precisa estar conectado à Internet. O texto fica armazenado em uma espécie de caixa postal eletrônica até que o usuário entre de novo na rede. Recados: Essa ferramenta é utilizada para o envio e recebimento de mensagens apenas por usuários cadastrados no portal. O acesso a essa ferramenta é feito através dos AVA (Ambiente virtual de aprendizagem). A comunicação Síncrona permite que alunos, tutores e professores possam manter contato no mesmo espaço de tempo, mesmo não estando no mesmo espaço físico. Os meios de comunicação síncronos mais utilizados na EaD são os chats e telefone. Bate-papo ou chat é o momento em que o tutor virtual irá se colocar à disposição dos alunos do curso para discutir dúvidas pertinentes ao conteúdo. Para realizar um chat, o tutor e o aluno precisam acessar a sala virtual no próprio portal. A comunicação via telefone é uma ferramenta muito utilizada pelos alunos e tutores para sanar dúvidas administrativas e de conteúdos sobre o seu curso e também fazer interação durante as tele aulas transmitidas ao vivo. 41 3. PROBLEMATIZAÇÃO E ESTUDO DE CAMPO 3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS. A pesquisa é altamente conhecida no meio acadêmico, sendo fundamental para o desenvolvimento do conhecimento em todos os campos, principalmente em universidades que ofertam cursos de formação de professores. Segundo Gatti (2003, p. 3) pesquisar vai desde uma busca de informações e localização de textos em materiais impressos e eletrônicos, até o uso de sofisticação metodológica e de teoria de ponta para abrir caminhos novos no conhecimento existente. O tipo de pesquisa utilizado na realização desta investigação será o da pesquisa qualitativa, pois se subentende que com essa metodologia podemos mergulhar na profundidade dos fenômenos, levando em conta toda a sua complexabilidade e particularidade, não almejando alcançar a generalização, mas sim o entendimento das singularidades. A pesquisa qualitativa tem suas raízes nas práticas desenvolvidas pelos antropólogos, e em seguida pelos sociólogos em estudos sobre a vida em comunidades. Os antropólogos começaram a perceber que não era possível simplesmente quantificar os dados obtidos nas pesquisas, mas precisavam interpretá-los de forma muito mais abrangente. Dessa maneira, a pesquisa qualitativa não admite visões isoladas, ou seja, uma coleta de dados se torna uma análise de dados, que em seguida se torna um ponto de partida para novas buscas de conhecimentos e informações. De acordo com Ludke e André (1986) o pesquisador na análise qualitativa interpreta e tem uma visão acerca de assunto abordado, enquanto na qualitativa quantifica os dados obtidos. 42 O cuidado que o pesquisador precisa ter ao revelar os pontos de vista dos participantes é com a acuidade de suas participações. Deve, por isso, encontrar meios de checá-las, discutindo-as abertamente com os participantes ou confrontando-as com outros pesquisadores para que elas possam ser ou não confirmadas (...) Ou seja, na abordagem qualitativa após obter os dados para a pesquisa é necessário verificar se esse processo existe e está de acordo com as atividades que o sujeito vem desenvolvendo. 3.2 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA Esta pesquisa está delimitada da seguinte forma: (1) a instituição escolhida para a coleta de dados é uma instituição pública com sede na cidade de Curitiba, no Paraná. Essa instituição foi escolhida porque é referência no Paraná na oferta de cursos a distância – instituição pública agora chamada de “X” –, para estudarmos a importância da atuação do tutor no processo de ensino e aprendizagem de cursos ofertados na modalidade a distância. Vale lembrar que a pesquisa foi realizada com tutores de um (1) dos doze (12) cursos oferecidos a distância pela instituição. (2) uma segunda delimitação é dada pelo fato de que os tutores presenciais solicitam com frequência das coordenações de curso, da equipe administrativa e da tutoria a distância para apoio pedagógico, físico e muitas vezes psicológico para o atendimento de seus alunos. 43 3.3 OPERACIONALIZAÇÃO DA PESQUISA O trabalho de campo teve início em fevereiro de 2010, quando os questionários foram enviados aos tutores presenciais de uma instituição federal denominada “X”, mas somente nos meses de março e abril de 2011 é que foram coletados os dados, pois essa é a data que os tutores começaram a enviar as respostas. No mês de março, entrei em contato com a direção de ensino da instituição, solicitando autorização para realização da pesquisa, e para coleta de informações que especificassem e fornecessem dados referentes ao trabalho do tutor presencial, desde a implantação dos cursos a distância na instituição. A direção solicitou à coordenação do curso “X” que acompanhasse o desenvolvimento da pesquisa e que desse todo o suporte necessário. Nesse primeiro momento, foi feito o contato com os tutores e enviado os questionários, não havendo dificuldades para iniciar as atividades. Todos os envolvidos nas atividades dos tutores se dispuseram, colocando os materiais e dados requeridos à disposição, mostrando-se disponíveis a quaisquer esclarecimentos durante o processo. No primeiro contato com os pólos, foi realizada uma entrevista com a coordenadora de dois pólos de EaD. Esse contato foi muito importante para a pesquisa, porque permitiu que percebêssemos uma preocupação com a atual situação do trabalho de tutoria, principalmente com os tutores que, por sua vez, eram iniciantes em sua maioria no trabalho de tutoria e não tinham formação para atuar na EaD. Após o contato com a coordenação dos pólos, voltamo-nos ao processo da coleta de dados, utilizando-se do questionário para fazer o levantamento dos dados 44 necessários para a pesquisa como: formação, carga horária de trabalho, nível de curso que atua, remuneração, entre outras informações pertinentes á pesquisa. Para realizar a coleta de dados, primeiramente os tutores receberam um convite para participar da pesquisa. O convite foi feito pela web, utilizando os mais diversos meios tecnológicos como e-mail, web cam e microfone, onde foi apresentado aos tutores o objetivo da pesquisa. Após a apresentação da pesquisa, foi enviado por e-mail aos tutores um questionário com 13 questões fechadas de múltipla escolha e cada uma delas contendo possíveis respostas. Pretendeu-se com este questionário alcançar um padrão de consultas mais objetivo e limitado em extensão. O questionário foi enviado com várias orientações, as quais esclarecem o propósito de sua aplicação, ressaltando a importância da colaboração do tutor e, principalmente, auxiliando-o no preenchimento. O questionário é composto por perguntas, fechadas (sim/não) e de múltipla escolha. Para a elaboração foi adotada uma série de recomendações úteis à construção de um questionário, conforme as apresentadas por Young e Lundberg (apud Pessoa, 1998). Entre elas, os autores explicitam as seguintes: i. o questionário deve ser construído em blocos temáticos obedecendo a uma ordem lógica na elaboração das perguntas; ii. a redação das perguntas deve ser feita em linguagem compreensível ao informante e acessível ao entendimento da média da população estudada. Nesse sentido, a formulação das perguntas buscou evitar a possibilidade de interpretação dúbia, sugerir ou induzir a resposta; iii. cada pergunta deve focar apenas uma questão para ser analisada pelo informante; iv. o questionário deve conter apenas as perguntas relacionadas aos objetivos da pesquisa. Por isto, foram evitadas perguntas que sabidamente não seriam respondidas honesta ou francamente. As variáveis envolvidas na avaliação foram as seguintes: a) existência/inexistência de um projeto de capacitação para tutores; 45 b) existência/inexistência de uma coordenação de polo; c) existência/inexistência de um uma equipe de tutores online que dão suporte em suas atividades de tutoria; d) existência/inexistência de um vínculo empregatício com a instituição de e) nível de comprometimento pedagógico e político da instituição para ensino; com o tutor; f) instalações físicas adequadas para a realização das atividades de g) salário compatível com o cargo. tutoria; A mensuração destas variáveis deu-se mediante a identificação da relação entre resultados obtidos e resultados previstos. É importante ressaltar que estes parâmetros que avaliaram o trabalho do tutor da instituição “X” foram estabelecidos pela Portaria Normativa nº 2, de 10 de janeiro de 2007, em seu Artigo 1, inciso 2 (anexo). Esta portaria definiu que: Para o pedido de credenciamento para EAD será instruído com os documentos necessários à comprovação da existência de estrutura física e tecnológica e recursos humanos adequados e suficientes à oferta da educação superior a distância, conforme os requisitos fixados pelo Decreto nº 5.622, de 2005 e os referenciais de qualidade próprios. O questionário aprofundou questões fundamentais no trabalho de tutoria, dando ênfase a temas como: objetivos, planejamento, organização; investimento, formação acadêmica, experiência na função, realização e frequência da formação continuada, a participação dos tutores no processo de ensino e aprendizagem, 46 formas de contratação, remuneração e carga horária de trabalho. Esses conteúdos foram organizados por meio da análise das bibliografias analisadas para a realização da pesquisa. Por fim, deve-se assinalar que todos os dados relativos à pesquisa foram fornecidos pelos próprios tutores. Estes foram enviados por e-mail com autorização da coordenação do curso em que os tutores atuam. 3.3 ESTUDO DE CAMPO SOBRE A ATUAÇÃO DO TUTOR PRESENCIAL NA EAD. 3.3.1 Perfil do tutor As perguntas iniciais do questionário aplicado foram focadas no perfil dos tutores que participaram da pesquisa. Foi obtido o seguinte quadro representativo: Dos vinte (29) questionários enviados, apenas dez (10) foram respondidos, sendo que quatro (04) são de profissionais do sexo masculino e seis (06) do sexo feminino. Quatro (04) desses profissionais encontram-se na faixa etária acima dos quarenta anos, e seis (06) deles entre vinte e cinco e quarenta anos. Quanto à formação, nove (09) são especialistas e um (01) mestre. Dos pesquisados, nove (09) atuam como tutor em curso técnico e um (01) atua em curso de graduação. Dentre os pesquisados, seis (06) já realizaram cursos voltados para o exercício tutorial e apenas quatro (04) informaram não ter curso específico para a função, porém, todos informaram que a instituição onde atuam oferta capacitações e cursos na área de tutoria. 47 Seis (06) tutores informaram que a instituição onde atuam [,] oferta estrutura adequada para a realização do trabalho de tutoria, porém, quatro (04) deles informaram que falta estrutura física para a realização de suas atividades. Dentre os tutores pesquisados, um (01) informou que auxilia os alunos apenas em questões pedagógicas, um (01) deles auxilia em questões administrativas e oito (08) auxiliam os alunos em questões pedagógicas e administrativas. Dois (02) dos tutores atendem entre dez a vinte e cinco alunos, e oito (08) deles de vinte cinco a quarenta alunos, sendo sete (07) deles contratados para atuar entre uma e dez horas semanais, dois (02) entre dez e vinte horas e um (01) entre vinte e trinta horas. Dentre esses tutores, oito (08) informaram que levam trabalho para casa e dois (02) deles trabalham apenas de acordo com a carga horária para a qual foram contratados. Dentre os dez tutores, sete (07) recebem menos de R$ 500,00 de salário pelas horas trabalhadas, dois (02) deles entre R$ 500,00 e R$1.000,00, e um (01) deles entre recebe entre R$ 1.000,00 e R$ 1.500,00 de salário. Comparando a relação entre horas trabalhadas e salário recebido pela instituição, três (03) estão muito satisfeitos, quatro (04) estão satisfeitos e três (03) pouco satisfeitos. Desses mesmos tutores, quatro (04) estão muito satisfeitos em relação ao reconhecimento da instituição pelas suas atividades como tutor, e cinco (05) estão satisfeitos. Sobre o vínculo especificado na carteira de trabalho, oito (08) deles informaram que são contratados como professor, e dois (02) como outros cargos administrativos. Dois (02) desses tutores informaram que atuam na tutoria até um 48 ano, dois (02) até um ano e seis meses, dois (02) até dois anos e quatro (04) três anos ou mais. Os tutores informaram que a cada dez (10) de seus alunos, entre cinco (05) e oito (08) alunos conseguem aprovação ao final do curso. Todas essas informações podem ser mais bem visualizadas nos gráficos a seguir. Gráfico 01 – Formação acadêmica Fonte: autor. De acordo com os dados do gráfico 01, 90% dos tutores têm especialização latu sensu e 10% stricto sensu em nível de mestrado. Essa grande diferença ocorre, porque os especialistas atuam também como professores da rede estadual de ensino e informam que não entraram em um programa de mestrado e doutorado porque o plano de cargos e salários da rede estadual em que atuam não contempla profissionais com essa formação. Como a carga horária na tutoria é pequena, os 49 tutores informam que a remuneração não é suficiente para poder frequentar um curso de pós-graduação stricto sensu. O tutor que tem formação em mestrado informa que fez mestrado, porque atua em um instituição de ensino superior, não por atuar como tutor de EaD. Gráfico 02 – Tutoria na área de formação Fonte: autor O gráfico 02, nos mostra que apenas 30% dos tutores atuam na área de formação e 70% em áreas diversas. Isso ocorre porque a instituição em que atuam faz parcerias com as secretarias de educação dos estados e prefeituras, e estas selecionam os tutores por indicação. Outros casos ocorrem, porque em várias regiões, onde os cursos são ofertados, não existem profissionais formados na área, pois são regiões que estão longe dos grandes centros urbanos, estando defasado o número de profissionais formados em áreas correlatas ao curso. 50 Gráfico 03 – Níveis de ensino que atua como tutor Fonte: autor. De acordo com os dados do gráfico 03, a maioria dos tutores, ou seja, 90% deles atuam em cursos técnicos e apenas 10% em cursos de graduação. O único tutor que atua na graduação é o mesmo tutor que tem formação em mestrado conforme mostrado no gráfico 01. Como todas as questões tinham espaço para os tutores deixarem suas opiniões sobre as suas respostas, a maioria dos tutores informaram que atuam apenas em cursos técnicos, porque na sua região não existem outras instituições que ofertam essa modalidade de ensino. 51 Gráfico 04 – Participação de curso na área de tutoria Fonte: autor. Dentre os tutores, apenas 60% participaram de cursos na área de tutoria, e 40% ainda não participaram. Segundo eles, a instituição onde atuam oferta com frequência cursos de capacitação, mas nem sempre eles têm tempo disponível para participar dos cursos. Percebe-se a falta de interesse dos tutores, uma vez que grande parte deles informa que inicialmente querem ver se irão se adaptar com essa metodologia de ensino para depois procurar capacitação na área. 52 Gráfico 05 – Adequação da estrutura para o trabalho de tutoria. Fonte: autor. No gráfico 05 observamos que 40% dos tutores não trabalham em espaço adequado, já 60% informam que as instalações são adequadas. Essa variação ocorre, porque conforme informações do gráfico 02, a instituição faz parcerias com as secretarias de educação, então, as sedes dos pólos são em escolas públicas. Os tutores informam também que os pólos que funcionam em escolas estaduais estão em situações mais precárias do que aqueles que funcionam em escolas municipais. 53 Gráfico 06 – Principais atividades de tutoria. Fonte: autor. De acordo com o gráfico 06, 30% dos tutores desenvolvem apenas atividades administrativas e 70% auxiliam seus alunos em questões pedagógicas. Com base nos dados, podemos constatar que há uma grande procura dos alunos pelos tutores no processo de ensino e aprendizagem. Gráfico 07 – Número de alunos designados para sua tutoria. Fonte: autor. 54 O gráfico 07, nos mostra que 20% dos tutores desenvolvem suas atividades com um número entre 10 a 25 alunos, e 80% entre 25 a 40 alunos. Os tutores informam que no início do período letivo as turmas têm um número de alunos maior, e devido à evasão, após o segundo semestre, esse número de alunos diminui. Como os tutores têm uma carga horária muito pequena de trabalho, a maioria deles não tem tempo para desenvolver ações para diminuir a evasão. Gráfico 08 – Regime de contrato de trabalho. Fonte: autor. Podemos observar no gráfico 08, que 70% dos tutores têm 10h semanais disponíveis para desenvolver suas atividades, 20% têm entre 10h a 20h e 10% entre 20h e 30h. De acordo com os tutores essa carga horária é igual para todos os tutores do mesmo polo, independente do número de alunos. 55 Gráfico 09 – Necessidade de trabalhar além do horário regular. Fonte: autor. De acordo com o gráfico 09, grande parte dos tutores necessita trabalhar fora de seu horário regular para finalizar suas atividades de tutoria, ou seja, 80% dos tutores levam “tarefa para casa”. Apenas 20% dos tutores têm tempo suficiente para concluir suas atividades durante sua permanência no polo. Gráfico 10 – Faixa salarial. Fonte: autor. 56 No gráfico 10, podemos observar que há uma diferença entre os salários dos tutores. 70% deles recebem renda uma média de R$500,00 como salário, para atuar como tutor, já 20% recebe um valor entre R$500,00 e R$1.000,00 de remuneração pelas atividades prestadas no polo, e apenas 10% tem remuneração entre R$1.000,00 e R$1.500,00. Isso acontece porque, como citado no gráfico 02, os tutores são selecionados a partir de indicações feitas pelas secretarias de educação do município ou do estado, então, como o piso salarial do funcionário público varia de estado para estado, os salários dos tutores também apresentam diferenças. Gráfico 11 – Nível de satisfação, na relação trabalho e proventos. Fonte: autor. Conforme dados apresentados no gráfico 11, 40% dos tutores estão satisfeitos com a remuneração que recebem e informam que o salário está compatível com a função. Já 30%, estão muito satisfeitos, mas informam que buscam um reajuste, e 30% não estão satisfeitos com o salário que recebem e 57 relatam que ganham pouco pela carga horária de trabalho e pela grande quantidade de atividades que desenvolvem com seus alunos no polo. Gráfico 12 – Reconhecimento da instituição pelos serviços prestados. Fonte: autor. De acordo com gráfico 12, 50% dos tutores estão satisfeitos com o reconhecimento da instituição em relação aos seus serviços, já 40% dos tutores dizem estar muito satisfeitos com a instituição e apenas 10% informam que estão pouco satisfeitos com a instituição em relação ao reconhecimento do seu trabalho. Os mesmos 10% informam que a instituição espera que os tutores aumentem a produtividade, porém, não dão suporte suficiente para que eles desenvolvam suas atividades com êxito. 58 Gráfico 13 – Vínculo empregatício. Fonte: autor. Conforme o gráfico 13, 80% dos tutores são contratados como professores e 20% como administrativo/outros, uma vez que todos são funcionários públicos municipais e/ou estadual. Novamente lembramos que isso ocorre devido à parceria entre secretarias de educação e a instituição que oferta os cursos a distância. 59 Gráfico 14 – Número de aprovados a cada 10 alunos. Fonte: autor. De acordo com o gráfico 14, em um grupo de dez (10) alunos, 70% conseguem aprovação ao final do curso. A justificativa dos tutores para esse percentual é que eles desenvolvem um acompanhamento pedagógico junto ao aluno no decorrer do curso. Os outros tutores que se enquadram nos 10% e 20%, informam que não tem uma rotina para acompanhar os estudos de seus alunos, isso pela falta de estrutura, tempo e conhecimento da função de tutor. 60 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Através dos dados levantados nesta pesquisa, verifica-se que o tutor é um dos responsáveis por parte do processo de formação do aluno. Percebemos que a maioria dos tutores acompanha a vida escolar do aluno desde o seu ingresso até a conclusão do curso. Para isso, os tutores necessitam realizar atividades administrativas e pedagógicas para que o resultado do seu trabalho seja satisfatório. Mediante resposta dos tutores que participaram da pesquisa, constatamos grande disparidade nos seguintes quesitos: carga horária de trabalho, número de alunos designados para tutoria, faixa salarial e principalmente atividades que desenvolvem nos polos. Quanto à carga horária, ela é diferente entre um polo e outro, porque estes são administrados pelas secretarias municipais e/ou estaduais de educação, sendo elas as responsáveis por designar quem serão os tutores e qual sua carga horária. Analisando os dados obtidos sobre a carga horária, percebe-se que os polos não seguem um critério padrão para estipular a carga de trabalho dos tutores presenciais. O mesmo acontece com a quantidade de alunos que cada tutor presta atendimento. A diferença entre um polo e outro varia entre 10 e 30 alunos. Percebese também que não há um padrão para estipular o número de alunos por tutor, ou seja, encontramos tutores atuando com 10 alunos e em outro polo tutores com 40 alunos. Além da carga horária e da quantidade de alunos, citamos também a diferença salarial entre os tutores. De acordo com os dados coletados, os polos não têm um piso salarial padrão. Como todos são funcionários públicos indicados pelas secretarias de educação, o salário varia de acordo com seu município e/ou seu 61 estado. Em alguns casos, os tutores chegam a receber gratificações além de seu salário por atuarem na tutoria. Para alcançar os objetivos propostos neste trabalho, foram analisados também: a estrutura física para o desenvolvimento de suas atividades, se eles participam ou participaram e se a instituição oferta cursos na área de tutoria, nível de satisfação dos tutores em relação ao seu trabalho, a quem os tutores recorrem quando precisam de ajuda em suas atividades e, quais as principais atividades realizadas por eles durante as tutorias. Analisando os dados coletados, percebe-se que 60% dos tutores estão satisfeitos com a estrutura física e, 40% dos tutores informam que o ambiente de trabalho não é adequado para desenvolver suas atividades. Essa questão de espaço físico também está alinhada às secretarias de educação, pois os polos funcionam em escolas municipais e estaduais espalhadas pelo Brasil. Umas das exigências da instituição que oferta os cursos para as secretarias é que os polos tenham a estrutura mínima de uma escola. Mas, como retrata a realidade das escolas brasileiras, parte delas encontra-se em situação precária e os tutores são obrigados a atuarem sem as condições mínimas necessárias. Outro ponto relevante atrelado às atividades do tutor é o nível de satisfação dos tutores e da instituição em relação ao seu trabalho. Esse quesito ficou bem dividido entre os tutores, sendo que 40% dos tutores informam que estão satisfeitos, 30% muito satisfeitos e 30% pouco satisfeitos. Ao analisar esses dados, percebe-se que o grau de satisfação dos tutores em relação ao seu trabalho também está atrelado aos problemas de carga horária, número de alunos, estrutura física e faixa salarial. 62 Essa desmotivação faz com que apenas 60% dos tutores participem de cursos na área de tutoria, uma vez que a instituição oferta anualmente cursos de capacitação e formação continuada para todos os tutores, sejam eles presenciais ou virtuais. De acordo com os questionamentos discutidos acima, chegamos ao ponto onde vamos analisar como o tutor desenvolve suas atividades de tutoria. Como parte dos tutores enfrenta dificuldades para realizar suas atividades por questões físicas e por não participam de cursos de formação, estes acabam sendo desviados de suas funções, desenvolvendo outras atividades de cunho administrativo, até porque em alguns polos não há outra pessoa na estrutura para desenvolver esse tipo de atividade. Entre os tutores pesquisados, 30% deles informaram que auxiliam seus alunos apenas em questões administrativas como: envio e recebimento de documentos, ponte de contato entre aluno e coordenação do curso, abertura e fechamento do polo, ligar e desligar a TV e/ou os computadores do polo entre outras atividades administrativas que vão surgindo no decorrer do curso. Esses mesmos tutores informam que quando seus alunos necessitam de um apoio pedagógico, eles procuram a tutoria virtual, porém, nem todos os alunos conseguem um bom aproveitamento das explicações feitas a distância, através dos meios de comunicação como o chat, fórum e telefone. Por outro lado, 70% dos tutores informaram que também auxiliam seus alunos em questões administrativas, mas dão maior ênfase nas atividades pedagógicas como: acompanhamento dos alunos durante as aulas, organização de grupos de estudos após as aulas e, sempre que necessário, fazem o controle das entregas de exercícios, organização de suas atividades, de acordo com o calendário 63 do curso, comunicação pessoal com cada aluno, destacando a importância do estudo independente ou em grupo e procurando fazer com que o aluno não se sinta só, orientando com paciência todos os alunos durante o curso, além de participarem sempre que solicitado de cursos, treinamentos, reuniões, viagens e, por fim, cumprem rigorosamente os prazos de envio de documentos e atividades determinados pelas coordenações dos cursos. De acordo com os dados obtidos e analisados nesta pesquisa, explicitamos que é de suma importância o papel do tutor no processo de ensino e aprendizagem na educação a distância, uma vez que [,] 70% dos tutores que dão mais ênfase nas atividades pedagógicos do curso alcançam resultados mais satisfatórios com seus alunos. Isso ocorre porque como há maior comprometimento do tutor, com o aprendizado do aluno, ele realiza seu trabalho como tutor presencial, dedicando-se mais às atividades pedagógicas, desenvolvendo um trabalho em equipe junto à coordenação do curso e com a tutoria virtual. Diante disso, o estudo investigativo afirma que o tutor em seu trabalho, como indica Sá (1998), “passou a ser visto como um orientador da aprendizagem do aluno solitário e isolado que, frequentemente, necessita do docente ou de um orientador para indicar o que mais lhe convém em cada circunstância”, ou seja, para que os resultados esperados de um curso a distância sejam alcançados, não podemos deixar de lado essa figura tão importante no processo pedagógico que é o tutor presencial, para o qual devem ser pensadas melhores condições de trabalho e formação como a qualquer outro profissional da educação. 64 5. REFERÊNCIAS CÉBRIAN, Juan L. 1999, A rede: como nossas vidas serão transformadas pelos novos meios de comunicação. São Paulo: Summus. BACCEGA, M. A.. O gestor e o campo da comunicação. In: M. A. Baccega (org). BACCEGA, MA. Da Informação ao Conhecimento: ressignificação da escola. In:CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 27, 2004. Porto Alegre. BELLONI, M. L. 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Participou ou participa de cursos na área de tutoria? ( ) Sim ( ) Não Justifique sua resposta. ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ 7. A instituição onde atua oferta cursos de capacitação em tutoria? ( ) Sim ( ) Não Em caso positivo, como é realizada essa qualificação? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 8. A instituição onde atua oferta estrutura adequada para a realização do trabalho de tutoria? ( ) Sim ( ) Não Em caso negativo, qual a maior dificuldade? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 9. Em suas atividades de tutoria você auxilia os alunos em questões? (Se tiver mais de uma resposta pode marcar mais de uma) ( ) Pedagógicas Ex: ___________________________________________________________ ( ) Administrativas Ex: ___________________________________________________________ 10. Quantos alunos são designados para seu acompanhamento em cada curso? ( ) até 10 alunos ( ) entre 10 a 25 alunos ( ) entre 25 a 40 alunos ( ) outro. Quantos? _________ 11. Você é contratado por quantas horas semanais pela instituição? ( ) entre 01 e 10h. ( ) entre 10 e 20h. ( ) entre 20 e 30h. ( ) 40h. 12. Na sua atividade de tutoria é necessário que você trabalhe além De sua carga horária? ( ) Sim ( ) Não 13. Qual a sua faixa salarial? ( ) Menos que R$ 500,00 ( ) Entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00 ( ) Entre R$ 1.000,00 e R$ 1.500,00 ( ) Entre R$ 1.500,00 e R$ 2.000,00 ( ) Acima de R$ 2000,00 14. Comparando uma relação entre horas trabalhadas e salário recebido pela instituição você diria que está: ( ) Muito satisfeito ( ) Satisfeito ( ) Pouco satisfeito ( ) Insatisfeito Comente: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________ 15. Qual o vínculo especificado na carteira de trabalho com a instituição? _______________________________________________________________ 16. Quanto tempo de vínculo contínuo exerce a função de tutor? ( ) Até 6 meses ( ) Até 1 ano ( ) Até 1 ano e 6 meses ( ) Até 2 anos ( ) Até 3 anos ou mais 17. A quem você recorre quando não consegue resolver de imediato alguma dúvida? ( ) Professor da disciplina ( ) Coordenação ( ) Tutoria a distância ( ) Livros ( ) Internet ( ) Outros ____________________________________________ 18. Entre 10 de seus alunos, quantos conseguem aprovação? ( ) Entre 3 e 5 alunos. ( ) Entre 5 e 8 alunos. ( ) Entre 8 e 10 alunos. 19. Deixe sugestões, observações ou considerações que você julgue importantes dentro do trabalho de tutoria. (Fique à vontade, esse espaço é livre para todos os assuntos). _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _____________________________________________________________ Muito obrigado por sua colaboração nessa pesquisa!