UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
MESTRADO EM EDUCAÇÃO
Everaldo Moreira de Andrade
O TUTOR PRESENCIAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: DIMENSÕES
E FUNÇÕES QUE FUNDAMENTAM SUA PRÁTICA DE TUTORIAL
CURITIBA – PR
2012
Everaldo Moreira de Andrade
O TUTOR PRESENCIAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: DIMENSÕES
E FUNÇÕES QUE FUNDAMENTAM SUA PRÁTICA TUTORIAL
Dissertação apresentada como requisito parcial à
obtenção do título de Mestre em Educação, da
Universidade Tuiuti do Paraná, Programa de Pós
Graduação em Educação, Linha de Pesquisa
Práticas Pedagógicas: elementos articuladores.
Orientadora: Profª. Drª. Iêda Viana
CURITIBA – PR
2012
TERMO DE APROVAÇÃO
Everaldo Moreira de Andrade
O TUTOR PRESENCIAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: DIMENSÕES
E FUNÇÕES QUE FUNDAMENTAM SUA PRÁTICA DE TUTORIA
Essa dissertação foi julgada e aprovada para obtenção do título de Mestre em Educação no
Programa de Pós-Graduação da Universidade Tuiuti do Paraná.
Curitiba, __ de _________ de 2012.
____________________________________
Programa de Pós-Graduação
Mestrado em Educação
Universidade Tuiuti do Paraná
____________________________________
Orientadora: Profª. Drª. Iêda Viana
Universidade Tuiuti do Paraná - UTP
____________________________________
Prof. Dr. Geyso Dongley Germinari
Universidade Tuiuti do Paraná - UTP
_________________
___________________
Prof. Dr. Ivo José Both
Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG
DEDICATÓRIA
Aos meus pais
João Maria Moreira de Andrade (Caera) e
Dinadir Pinheiro de Andrade (Dina),
Aos meus irmãos Wanderlei Pinheiro de
Andrade, Valdirene Moreira de Andrade e
Juliane Moreira de Andrade.
A todos meus amigos (...)
Obrigado, Deus
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço a Deus pela oportunidade e capacidade que me
deste para participar de um programa de mestrado. Pela força para conseguir
conciliar as aulas e minhas atividades profissionais, pois era do meu trabalho que
vinham os recursos para custear este curso.
Quero agradecer a toda minha família, que de uma forma ou de outra me
apoiou durante o curso, em especial minha mãe (Dona Dina), que mesmo sem saber
direito o que eu estava fazendo, sempre perguntava “e o mestrado?”.
Agradeço a todos os professores e ex-professores do Programa de Mestrado
em educação, a professora Drª. Maria Antônia de Souza, que nos mostrou ser uma
das melhores professoras que tivemos; professor Dr. Ademir Silva que iniciou como
meu orientador e me mostrou os caminhos que deveria seguir; professora Drª.
Iolanda Cortelazzo que mesmo antes de eu ingressar no programa de mestrado já
era minha colega de trabalho; professora Drª. Ariclê Vechia, que por muitas vezes
nos fez rir com suas histórias; professora Drª. Iêda Viana, que me acompanhou
sendo minha orientadora no último ano de trabalho; e em especial à admirada,
companheira, simples e inteligente professora Drª. Eliane Mimesse Prado, que foi
minha primeira professora do mestrado, quando me matriculei em uma disciplina de
tópico especial em 2008, intitulada “Pedagogia da Infância na Educação Brasileira”;
obrigado a todos os professores que de uma forma ou de outra contribuíram durante
o período que passamos juntos.
Agradeço também a todos meus amigos e colegas de profissão que me
auxiliaram, cobraram e acompanharam minha trajetória no curso, dentre eles não
posso deixar de citar minhas amigas Charline Pinho, Adriana Oliveira, Sueli Prado,
Elisandra Gasparino, Nívea Bona, Edna Cicmanec, enfim, todos que de uma forma
ou de outra colaboraram para que eu chegasse até aqui.
Em especial, não posso deixar de agradecer aos grandes e mais que amigos
Rodrigo, Michele, Melissa e Valdirene, que se eu fosse dizer o que sinto por eles
faltariam palavras e páginas nesta dissertação... amo vocês.
Enfim, agradeço a todos que me ajudaram a vencer esta tão sonhada etapa
de minha vida.
“Muito obrigado”...
RESUMO
Esta pesquisa está vinculada ao Programa de Mestrado e Doutorado em Educação
da Universidade Tuiuti do Paraná e integra os estudos da linha de pesquisa de
Práticas Pedagógicas e Elementos Articuladores. O problema da pesquisa teve sua
origem em função do trabalho de tutoria que desenvolvi em uma instituição de
ensino superior que ofertava cursos de graduação na modalidade a distância.
Articulada com a informação inicial preocupou-se essa dissertação em realizar uma
análise a respeito do papel do tutor, propondo uma reflexão sobre suas funções,
suas responsabilidades, atribuições, bem como investigar de que maneira o tutor
contribui para o processo de aprendizagem dos alunos, e verificar se o trabalho de
tutoria é considerado uma prática pedagógica. No procedimento metodológico, foi
utilizado um questionário que buscou levantar alguns dados fundamentais no
trabalho de tutoria, dando ênfase a temas como: objetivos, planejamento,
organização; investimento, formação acadêmica, experiência na função, formação
continuada, participação dos tutores no processo de ensino e aprendizagem, formas
de contratação, remuneração e carga horária de trabalho. A dissertação foi
organizada ainda a partir de pesquisa bibliográfica e documental. A fundamentação
teórica e metodológica foi buscada em autores como: Belloni (2001), Cechinel
(2000), Vianney (2004), Torres (2004), Sá (1998), Peters (2006), Moran (2006), Mill
(2010), Litwin (2001), entre outros. A pesquisa buscou apresentar o cenário do
trabalho do tutor e sua importância no processo de ensino e aprendizagem através
dos meios tecnológicos na modalidade a distância.
Palavras-chave: Educação a Distância; Tutor; Tecnologias; Prática Pedagógica.
ABSTRACT
This research is linked to the Masters and Doctorate in Education from the University
Tuiuti and integrates the study of online research and teaching practices Organisers
elements. The research problem had its origin as a function of tutoring work that I
developed at an institution of higher education undergraduate courses in the
distance. Combined with the initial information was concerned in this thesis make an
analysis about the role of tutor, proposing a reflection on their roles, responsibilities,
duties, and to investigate how the tutor helps the process of learning, and verify that
the work of mentoring is considered a pedagogical practice. The methodological
procedure, we used a questionnaire that sought to raise some fundamental data on
the job mentoring, emphasizing issues such as: goals, planning, organization,
investment, academic background, experience in the position, continuing education,
participation of the tutors in the teaching process and learning, forms of recruitment,
remuneration and working hours. The dissertation has been organized from research
literature and documents. The theoretical and methodological approach was sought
on authors such as: Belloni (2001), Cechinel (2000), Vianney (2004), Torres (2004),
Sa (1998), Peters (2006), Moran (2006), Mill (2010) , Litwin (2001), among others.
The survey sought to present the scenario of the work of the tutor and their
importance in the teaching and learning through technological means in the distance.
Keywords: Distance Education, Tutor; Technologies; Pedagogical Practice.
i
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Formação acadêmica............................................................................50
Gráfico 2 – Tutoria na área de formação.................................................................51
Gráfico 3 – Níveis de ensino que atua como tutor ...................................................52
Gráfico 4 – Participação em curso na área de tutoria.............................................53
Gráfico 5 – Adequação da estrutura para o trabalho de tutoria..............................54
Gráfico 6 - Principais atividades de tutoria..............................................................55
Gráfico 7 – Número de alunos designados para sua tutoria....................................55
Gráfico 8 – Regime de contrato de trabalho.............................................................56
Gráfico 9 – Necessidade de trabalhar além do horário regular...............................57
Gráfico 10 – Faixa salarial.........................................................................................57
Gráfico 11 – Nível de satisfação, na relação trabalho e proventos..........................58
Gráfico 12 – Reconhecimento da instituição pelos serviços prestados....................59
Gráfico 13 – Vínculo empregatício............................................................................60
ii
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABED – Associação Brasileira de Educação a distância.
ABTE - Associação Brasileira de Tecnologia Educacional.
AVA – Ambientes Virtuais de Aprendizagem.
EAD – Educação a distância.
ENATED – Encontro Nacional de Tutores em Educação a Distância.
LDB – Lei de Diretrizes e Bases.
MEC – Ministério da Educação e Cultura.
NTIC: Novas Tecnologias de Informação e Comunicação.
SUMÁRIO
LISTA DE GRÁFICOS.................................................................................................i
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS....................................................................................ii
INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 12
1. CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO ……………………………………………..….. 16
1.1 O SURGIMENTO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL .......................... 16
1.2 O TUTOR PRESENCIAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. ................................. 20
1.3 O TUTOR VIRTUAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.......................................... 24
1.4 A TUTORIA NA EAD: PR ÁTICA PEDAGÓGICA? ............................................. 27
2. ASPECTOS TEÓRICOS DA EAD ……………………………………………………30
2.1 A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ............. 30
2.2 A EDUCAÇÃO E OS MEIOS TECNOLÓGICOS. ................................................ 32
2.3 AS TECNOLOGIAS E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O TRABALHO DO
TUTOR ...................................................................................................................... 35
2.4 OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO ON-LINE NA EDUCAÇÃO A
DISTÂNCIA ............................................................................................................... 38
2.4.1 A comunicação síncrona e assíncrona. ............................................................ 39
3. PROBLEMATIZAÇÃO E ESTUDO DE CAMPO ... Erro! Indicador não definido.1
3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS. ........................................................... 41
3.2 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA ........................................................................... 42
3.3 OPERACIONALIZAÇÃO DA PESQUISA ............................................................ 43
3.3 O ESTUDO DE CAMPO SOBRE A ATUAÇÃO DO TUTOR PRESENCIAL NA
EAD. .......................................................................................................................... 46
3.3.1 Perfil do tutor na EAD .......................................................................................48
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 60
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 64
APÊNDICE ................................................................................................................69
12
INTRODUÇÃO
O presente estudo sobre o tutor na educação a distância possui ligação
marcante com a história da educação brasileira, pois faz parte das mudanças
decorrentes
do
crescimento
econômico,
cultural
e
político-social
ocorrido
principalmente a partir da segunda metade do século XX. Analisar este processo,
bem
como
os
fatos
históricos
que
o
envolveram
é
fundamental,
para
compreendermos as atuais mudanças da educação, e, consequentemente, esta
modalidade reconhecida em todo o mundo.
Nos últimos anos, o ensino a distância esteve em destaque nas políticas dos
países mais desenvolvidos, atraindo a atenção de diferentes instituições de ensino e
empresas e, com isso, surgiu o interesse em desenvolver este trabalho de
investigação para poder se aprofundar nessa modalidade de ensino que é a
educação a distância, em especial sobre o trabalho de tutoria, bem como sua
importância, seu exercício profissional e demais questões a ele inerentes.
Por volta de 1728, Landim (1997) destacou como primeira experiência em
EaD um anúncio da Gazeta de Boston, oferecendo material para ensino e tutoria
por correspondência. No entanto, vários autores questionam que se pode considerar
como ensino a distância as mensagens escritas pelos povos antigos quando essas
pessoas não estavam face a face.
Foi nas primeiras décadas do século XX que ocorreram as primeiras
experiências em educação a distância, como a capacitação de professores na
Austrália, o atendimento a crianças e adolescentes que podiam freqüentar o ensino
convencional na Nova Zelândia e outras iniciativas na Noruega e na União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
13
Entre os anos de 1930 até 1939, universidades norte-americanas mantinham
cursos por correspondência e foi nessa época que ocorreu a 1ª Conferência
Internacional sobre Correspondência na educação.
A partir da década de 60, pode-se observar um período de transição das
concepções educacionais, gerado pela evolução das tecnologias. Mas foi no início
dos anos 90 que a educação a distância foi marcada mais significativamente pelos
meios de comunicação audiovisuais em especial, a televisão.
Com o surgimento das novas tecnologias da informação e da comunicação, a
educação a distância teve um grande impulso. Os textos impressos antes utilizados
foram aos poucos cedendo seu lugar para as mídias eletrônicas, trazendo mais
possibilidade de ensino e aprendizagem.
Paralelamente a essas mudanças, novas metodologias de ensino foram
surgindo, impulsionando a educação a distância. Algumas escolas aos poucos
tiveram que adaptar-se às novas tecnologias e o professor com o seu tradicional
papel, teve que trocar de ambiente, sendo transferido das salas de aula para os
estúdios. Com essas transformações, surge então o professor-tutor, tendo funções
diferentes do professor convencional.
Como o tutor não tinha função de docente, ele acabou sendo confundido com
os mais diversos profissionais que poderiam atuar na área da educação, e seu papel
cada vez mais vem sendo questionado. Diante dessas e de outras mudanças que
ocorreram na Educação a Distância, como pretendo apresentar nesta pesquisa, uma
análise a respeito do papel do tutor, propondo uma reflexão sobre suas funções,
suas responsabilidades, atribuições e de que maneira ele contribui para o processo
de aprendizagem dos alunos.
14
O método utilizado na realização desta pesquisa foi o da pesquisa qualitativa.
A pesquisa qualitativa não procura enumerar e/ou medir os eventos estudados, nem
emprega instrumental estatístico na análise dos dados, envolve a obtenção de
dados descritivos sobre pessoas, lugares e processos interativos pelo contato direto
do pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os fenômenos,
segundo a perspectiva dos sujeitos, ou seja, dos participantes da situação em
estudo (GODOY, 1995, p.58).
A pesquisa qualitativa não admite visões isoladas, ou seja, uma coleta de
dados se torna uma análise de dados, que em seguida se torna um ponto de partida
para novas buscas de conhecimentos e informações. Para realizar a coleta de dados
desta pesquisa, primeiramente foi selecionada 01 (uma) instituição pública de ensino
que oferta cursos na modalidade EaD (Educação a Distância) no Paraná, Brasil.
Foram escolhidos 10 polos da referida instituição com maior número de tutores e
alunos e para eles foram enviados questionários, contendo 15 questões de múltipla
escolha sobre o trabalho do tutor na EaD.
Este
trabalho
foi
desenvolvido
em
três
capítulos.
O
primeiro
-
CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO - tem como objetivo analisar o surgimento da
educação a distância no Brasil, apresentando uma síntese dos principais aspectos
da história da evolução da EaD, dando ênfase ao surgimento do tutor presencial,
tutor virtual e à prática pedagógica do tutor na educação a distância.
No segundo capítulo - ASPECTOS TEÓRICOS DA EAD - foram abordados
conceitos sobre educação, onde o indivíduo constrói seu conhecimento quando
interage com o meio e com as pessoas que o cercam, dando ênfase à troca de
experiências que podem favorecer a reformulação de conceitos já existentes e
15
também foi abordada a importância dos meios tecnológicos nas atividades de
tutoria.
No terceiro e último capítulo, intitulado PROBLEMATIZAÇÃO E ESTUDO DE
CAMPO, foi realizado uma teorização sobre a pesquisa qualitativa. Neste capítulo
foram apresentados também os resultados da pesquisa de campo sobre o cenário
da tutoria e as considerações finais, pontuando, a partir do estudo de campo, a
principal conclusão a que chegamos sobre o cenário da tutoria presencial na EaD,
hoje. Para realizar a coleta de dados foi utilizado um questionário com 13 questões
fechadas de múltipla escolha.
16
1. CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO
1.1 O SURGIMENTO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL
No Brasil, a educação a distância surge em meados de 1904, com o ensino
por correspondência, sendo voltado para cursos profissionalizantes sem exigir
formação anterior.
Com o passar dos anos, já na década de 30, surge o Instituto Monitor (1939)
e o Instituto Universal Brasileiro (1941), além de outras instituições que não tiveram
muito sucesso. Na década de 70 e 80 teve início a segunda geração da EAD, com
aulas via satélite, onde várias ONG’s começaram a ofertar cursos de ensino
supletivo.
Mas é no final do século XX que as instituições realmente investem na EAD,
pois nesse período se desenvolve a era da informatização, onde grande parte da
população passa a ter contato com as novas tecnologias, facilitando assim esse
processo.
Para Vianney Torres e Silva (2002, p. 37), em praticamente cem anos, desde
1904 até 2002, a educação a distância no Brasil faz o percurso desde o ensino por
correspondência até a Universidade Virtual, como mostra a cronologia a seguir:

1904 – Mídia impressa e correio – ensino por correspondência privado;

1923 – Rádio Educativo Comunitário;

1965-1970 – Criação das TVs Educativas pelo poder público;

1980 – Oferta de supletivos via telecursos (televisão e materiais impressos),
por fundações sem fins lucrativos;
17

1985 – Uso do computador “stand alone1” ou em rede local nas
universidades;

1985-1998 – Uso de mídias de armazenamento (vídeo-aulas, disquetes, CDROM, etc.) como meios complementares;

1989 – Criação da Rede Nacional de Pesquisa (uso de BBS2, Bitnet3, e email);

1990 – Uso intensivo de teleconferências (cursos via satélite) em programas
de capacitação a distância;

1994 – Início da oferta de cursos superiores a distância por mídia impressa;

1995 – Disseminação da Internet nas Instituições de Ensino Superior via
RNP4;

1996 – Redes de videoconferência – Início da oferta de mestrado a distância,
por universidade pública em parceria com empresa privada;

1997 – Criação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem – Início da oferta de
especialização a distância, via Internet, em universidades públicas e
particulares;

1999 – 2001 - Criação de redes públicas, privadas e confessionais para
cooperação em tecnologia e metodologia para o uso das NTIC5 na EaD;

1999 – 2002 – Credenciamento oficial de instituições universitárias para atuar
em educação a distância.
1
Stand Alone: Programas completamente auto-suficientes: para seu funcionamento não necessitam de um
software auxiliar, como um interpretador, sob o qual terão de ser executados.
2
BBS: Software que permite a ligação (conexão) via telefone a um sistema através de um computador e que
permite interagir com ele, tal como hoje se faz com a internet.
3
Birnet: Rede remota, fundada em 1981 e administrada pelo CREN (Corporation for Research and Educational
Networking) em Washington. Usada para fornecer serviços de correio eletrônico e de transferência de
arquivos entre computadores de grande porte em instituições educacionais.
4
RPN: Organização social (OS) ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia do governo federal brasileiro,
responsável pela rede acadêmica do Brasil.
5
NTIC: Novas Tecnologias de Informação e Comunicação. São tecnologias e métodos para se comunicarem
surgidas no contexto da Revolução Informacional, desenvolvidas gradativamente desde a segunda metade da
década de 1970 e, principalmente, nos anos 1990.
18
O Diário Oficial da União publicou o decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de
1998, regulamentando o Art. 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
– LDB, que reconhece a EAD como modalidade de ensino. A LDB, lei nº 9394, de 20
de dezembro de 1996, em seu art. 80, tem por finalidade, evidenciar as disposições
gerais e suas determinações a respeito do ensino a distância ou como também é
conhecido: “Educação a Distância”.
A EaD possui um conceito muito amplo, e ainda de acordo com a LDB em seu
Decreto n° 5.622, de 19 de dezembro de 2005, art. 1°, ela pode ser realizada no
ensino médio, na educação de jovens e adultos, cursos seqüenciais, cursos
técnicos, graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado.
[...] Para os fins deste Decreto, caracteriza-se a educação a distância como
modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos
processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e
tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores
desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. (art.
1° LDB Decreto n° 5.622, 19/12/2005).
A ABTE6 afirma que o conceito de EAD é uma forma de desenvolvimento do
processo de ensino aprendizagem que, utilizando sistemas de tecnologias da
comunicação, será capaz de suprir as ausências físicas, totais ou parciais que
envolvem professor e aluno.
De acordo com Vasconcelos, (2009):
Para que a EAD seja realizada e possa funcionar, é fundamental planejar
de forma cautelosa e minuciosa, como o ensino será ministrado, ou seja,
desde os seus simples objetivos; público-alvo; o reconhecimento do MEC;
desenvolvimento funcional; infra-estrutura; organização; representação;
tutores capacitados; análise e levantamento contínuo da qualidade de
ensino; calendário atualizado; organização e gestão da equipe pedagógica;
programas e eventos que serão realizados; organização e controle de
turmas; presenças e mais uma infinita gama de responsabilidades.
6
Associação Brasileira de Tecnologia Educacional.
19
A EaD visa prioritariamente as populações adultas que não têm possibilidades
de freqüentar uma instituição de ensino convencional, presencial, e que têm pouco
tempo disponível para dedicar a seus estudos (BELLONI, 2001 p.46). Então, a
principal clientela são pessoas que não tiveram oportunidades para estudar, por
questões geográficas, sociais ou financeiras.
Por mais que a EaD tenha trazido novas oportunidades para pessoas que
estavam há muito tempo fora da sala de aula, permitindo-lhe voltar a estudar,
existem barreiras que a própria sociedade impõe no ensino a distância, conforme
afirma Moran (2006):
Apesar do preconceito ainda existente hoje há muito mais compreensão de
que a EAD é fundamental para o País. Temos mais de 200 instituições de
ensino superior atuando de alguma forma em EAD. O crescimento
exponencial dos últimos anos é um indicador sólido de que a EAD é mais
aceita do que antes, mas ainda é vista como um caminho para ações de
impacto ou supletivas. É vista como uma forma de atingir quem está no
interior, quem tem poucos recursos econômicos, quem não pode freqüentar
uma instituição presencial ou para atingir rapidamente metas de grande
impacto. O Brasil passou da fase importadora de modelos, para a
consolidação de modelos adaptados à nossa realidade.
As instituições estão aprendendo rapidamente a fazer EAD e isso é uma
grande vantagem. Queimamos etapas, aprendemos fazendo. Mas os modelos
costumam caminhar para uma certa simplificação, apresentando atualmente um
nível de exigência menor que o inicial, diante de demandas grandes.
Quando o assunto é Educação a Distância, logo se imagina uma junção entre
as tecnologias e a educação. Desta forma, elencar o papel da EaD é relevante em
face de suas transformações e contribuições, hoje, finalmente reconhecidas não
somente pelas facilidades, mas também, pela qualidade profissional e ética, exigidas
para o bom funcionamento da EaD.
20
As tecnologias são excelentes intermediárias do contato humano... ou não,
dependendo da forma como as utilizamos. (...) Uma troca de mensagens
por e-mails, as idéias expressas num fórum de discussões, o modo de
realizar um Chat ou um vídeo conferência tanto podem resultar numa rica
exploração das possibilidades como limitar-se a uma comunicação fria e
rotineira (PONTES, 1999, p. 5).
Partindo dos questionamentos expostos, chegamos ao ponto principal da
pesquisa, cujo problema é investigar qual o papel desempenhado pelo tutor
presencial nesse processo de aprendizagem na modalidade a distância.
1.2 O TUTOR PRESENCIAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.
O sentido da palavra tutor traz implícito o termo tutela, proteção. Apropriada
pelo sistema de Educação a Distância (SÁ, 1998), o tutor passou a ser visto como
um orientador da aprendizagem do aluno solitário e isolado que, freqüentemente,
necessita do docente ou de um orientador para indicar o que mais lhe convém em
cada circunstância. Pode-se admitir plenamente que o Professor-Tutor seja
denominado no sistema educacional como orientador acadêmico ou até mesmo um
facilitador de aprendizagem.
Litwin (2001) define a figura do tutor como um “guia, protetor ou defensor de
alguém em qualquer aspecto”, enquanto o professor é alguém que “ensina qualquer
coisa”. Deste modo, Petters, (2006) afirma que:
... o tutor não se tratava tipicamente de alguém que era responsável pelo
ensino, mas, sim, de um fellow, apenas agregado à universidade, com a
função de assessorar estudantes individualmente em questões gerais
relacionadas com o estudo de integrá-los na vida do college e dar
assistência em geral. Não raro, estabelecia-se aí, uma relação pessoal.
Portanto, tutores não eram propriamente, docentes, mas, sim, conselheiros
e, na melhor das hipóteses, algo como amigos mais velhos.
Significativamente, no latim um dos significados originais da palavra “tutor”
é protetor. (PETERS, 2006, p.58)
21
Por outro lado, também se associa ao conceito tutor a imagem de uma
pessoa que dá assistência no estudo em sentido mais restrito. Diferentemente,
porém, do que ocorre no modelo do professor, no qual os estudantes são
conduzidos à aprendizagem (PETERS, 2006, p. 59).
Na EAD a equipe é composta por tutores, entre outros cargos e funções,
tendo o tutor o objetivo de ser “facilitador e mediador da aprendizagem, motivador,
orientador e avaliador” (CECHINEL 2000, p. 14). Portanto, o tutor tem o importante
papel de conduzir os alunos para situações de aprendizagem que impliquem na
ampliação da criatividade do aluno, no aproveitamento e consumo do tempo e do
espaço educativo. Quanto ao aluno a educação a distância tem sua ênfase na
aprendizagem que promova a formação de um profissional autônomo e preparado
para a auto-aprendizagem e para educação permanente.
Neste sentido, Bretas (2003 p. 64), diz que:
As tarefas que se colocam à educação e à Comunicação são desafiadoras,
levando-se em conta a perspectiva de novas formas de aprendizagem,
baseadas nas mudanças nas maneiras de estar com o outro e nos novos
ambientes cognitivos. A compreensão em profundidade sobre as novas
maneiras dos atores sociais viverem e conviverem através dos sistemas
mediáticos, pode contribuir efetivamente para a maior aproximação da
escola à realidade.
Nesta visão, fica claro que a comunicação é um dos elementos
fundamentais na relação aluno/tutor, constatando-se que cada um tem sua função
especifica nesse contexto. Uma questão importante no âmbito da comunicação entre
aluno/tutor, é que ela ocorre dentro dos horários disponibilizados pelo aluno, o que
facilita e amplifica a aprendizagem.
22
Segundo Machado (2004 p. 38),
Para exercer competentemente suas funções, o tutor, necessita de
formação especializada. Hoje, a idéia da formação permanente vigora para
todas as profissões, mas especialmente para os profissionais da educação.
“O tutor se encontra diante de uma tarefa desafiadora e complexa” (Litwin,
2001:103). O bom desempenho desses profissionais repousa sobre a
crença de que “só ensina quem aprende”, o alicerce do construtivismo
pedagógico.
Ao tutor do século XXI, tem-se propiciado uma formação voltada para a
prática de pesquisa e formação continuada, na qual as metodologias são relevantes,
dotadas de flexibilidade, autodisciplina, linguagem acessível, auto-aprendizado e a
agilidade e praticidade no tocante às informações, dúvidas e mediação entre tutor e
aluno.
No contexto da EAD, o tutor não é apenas o mediador entre o aluno e o
conhecimento. De acordo com Alves (2005) ele tem o papel de acompanhar e apoiar
os estudantes. Ele necessita possuir conhecimento do conteúdo, habilidade de
comunicação, domínio das tecnologias e conhecimento do processo de avaliação.
Quando falamos sobre as funções do tutor, devemos levar em consideração
seu perfil, envolvendo qualidades essenciais como: dinamismo, visão crítica e
global, responsabilidade, capacidade para lidar com situações novas e inesperadas
e saber trabalhar em equipe. Além dessas características, ser tutor é também uma
questão de envolvimento, ética e responsabilidade com o trabalho a ser realizado,
porém, será fundamental o gostar desta parceria emergente entre educação e as
novas tecnologias, hoje presente na vida de todos. Tendo em vista que as novas
tecnologias surgem repentinamente, é relevante ao tutor, uma preparação
acadêmica qualificada, para assumir este papel.
23
Para Cechinel (2000), o tutor deve compreender a função de ser “facilitador”
e mediador da aprendizagem, motivador, orientador e avaliador. A consideração
pressupõe a necessidade de tutores com conhecimentos gerais profundos para o
desempenho da função.
Litwin (2001) ressalta o trabalho do tutor na EAD em um quadro institucional
diferindo-se em função de três dimensões de análise: o tempo, a oportunidade e o
risco, conforme descritos a seguir:
 tempo – o tutor deve ter a habilidade de controlar seu tempo, uma vez que é
impraticável sua disponibilização em tempo integral para os alunos. O tutor não sabe
se o aluno assistirá à próxima tutoria ou se voltará a entrar em contato para
consultá-lo; assim, aumentam a responsabilidade e o risco da sua ação;
 oportunidade – o tutor deve aproveitar a oportunidade do encontro, uma vez
que não tem a certeza do retorno do aluno para complementação de suas dúvidas
ou outras informações;
 risco – o tutor corre o risco de, em detrimento do tempo, não aproveitar a
oportunidade de esclarecer totalmente as dúvidas originadas no aluno. Deve,
também, aprofundar o tema em discussão até o nível em que satisfaça as
necessidades de ensino-aprendizagem.
Atuar como tutor na EAD, hoje em ascensão, talvez pareça simples, àqueles
que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a educação a distância e suas
amplitudes, porém a prática sobre ensino a distância,
sua didática na
contemporaneidade exige o acesso às novas tecnologias e conhecimentos, o que é
24
essencial para o bom desenvolvimento e qualidade do trabalho com Educação a
Distância.
As contribuições do tutor, quanto ao auxílio na construção do conhecimento
para o aluno, podem ser tão significativas quanto irrelevantes, aos olhos do
educando, pois, conforme o tipo de EaD e suas tecnologias utilizadas, bem como o
estudo em grupo e participação nos chamados “encontros” mensais ou semanais,
este poderá ter menor ou maior participação com o aluno. Para tanto, esse tutor
precisa estar atento às inovações tecnológicas as quais a educação a distância está
vinculada.
Segundo Ferreira e Rezende (2004), o tutor deve acompanhar, orientar e
estimular a aprendizagem autônoma do aluno, utilizando-se de metodologias e
meios adequados para facilitar a aprendizagem. O tutor precisa estar capacitado e
preparado para auxiliar seu aluno nos ambientes de aprendizagem e em todos os
processos existentes no modelo de educação a distância. Para isso, a estrutura
tecnológica, precisa ser proporcionada a esse tutor tanto quanto ao aluno, para que
os mesmos possam se aprofundar e ter o constante interesse em estar se
aprimorando.
1.3 O TUTOR VIRTUAL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Na EaD, o tutor virtual é o responsável por auxiliar os alunos e tutores
presenciais no processo de ensino e aprendizagem. É ele quem dá suporte
pedagógico e tecnológico, dá feedbacks sobre o curso aos alunos, tutores
presenciais e para a coordenação do curso. Para isso, segundo Lentell (2003, p.74)
25
os tutores virtuais precisam ter ampla compreensão e grande conhecimento da área
em que vão atuar.
De acordo com Gutierrez & Prieto (1994) o professor/tutor, seja ele presencial
ou virtual, necessita de no mínimo seis qualidades para desempenhar suas funções
com êxito, sendo elas:
 possuir clara concepção de aprendizagem;
 estabelecer relações empáticas com seus interlocutores;
 sentir o alternativo;
 partilhar sentidos;
 construir uma forte instância de personalização;
 facilitar a construção do conhecimento.
Para
atuar
como
tutor
virtual,
as
instituições
procuram
selecionar
profissionais que são habilitados na área em que irão atuar, com isso, facilita-se o
processo de ensino e aprendizagem. Segundo Pretti (1996, p.45),
O tutor constitui um elemento dinâmico e essencial no processo ensino
aprendizagem, oferecendo aos estudantes os suportes cognitivos, metacognitivos,
motivacionais, afetivo e social para que estes apresentem um desempenho
satisfatório ao longo do curso. Deverá, pois, ter participação ativa em todo o
processo. Por isso, é importante que se estabeleça uma vinculação dialogal e um
trabalho de parceria entre o tutor, o professor/especialista e a equipe pedagógica.
De acordo com o autor, o trabalho do tutor virtual inicia-se semanas antes do
início das aulas, pois ele deve ter conhecimento dos conteúdos e procedimentos
pedagógicos e administrativos do curso, para que no início do período letivo ele
possa dar suporte aos alunos. Além disso, o tutor deve auxiliar os professores na
elaboração das atividades pedagógicas do curso, bem como elaboração de planilhas
e relatórios que serão utilizados no decorrer do curso para acompanhar o
aprendizado dos alunos e o desempenho dos professores.
26
O tutor virtual desenvolve seu papel em parceria com o professor que irá
ministrar a disciplina, contribuindo com ações que possam propiciar o aumento de
chances de sucesso do aluno. Para isso, o tutor virtual deve:
•
Facilitar aos estudantes e aos tutores presenciais a integração e o uso
dos diferentes recursos;
•
Manter diálogo permanente com a coordenação do curso;
•
Prestar informações aos alunos e tutores presenciais sobre o curso;
•
Acompanhar e avaliar o processo de ensino aprendizagem;
•
Mediar relações entre alunos, coordenação, tutores presenciais e
professores.
•
Obedecer ao cronograma de horário para realização da tutoria;
•
Orientar os alunos e tutores presenciais nos cumprimentos de todas as
atividades do curso;
•
Esclarecer de forma clara as dúvidas relativas à resolução das
atividades do curso;
•
Estabelecer um clima de confiança entre todos os envolvidos no curso
de forma a alcançar os objetivos propostos.
Para que os objetivos de uma tutoria virtual sejam alcançados, os tutores
virtuais devem interagir pedagogicamente com os estudantes e tutores presenciais,
mediando o acesso ao conhecimento elaborado, tendo como objetivos a criação de
atividades interativas que estimulem a reflexão crítica do aluno.
27
1.4 AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DO TUTOR NA EAD.
Incentivados pelas possibilidades decorrentes das tecnologias da informação
e da comunicação e por sua inserção nos processos produtivos, cada vez mais os
alunos e as instituições vêem na modalidade de educação a distância um meio de
democratizar o acesso ao conhecimento, bem como de expandir oportunidades de
trabalho e aprendizagem ao longo da vida. Dessa forma é importante que os alunos
se transformem em construtores do seu próprio conhecimento e não em meros
receptores de informação, pois de acordo com Piaget, (1998 p.46)
A construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou
mentais sobre objetos que, provocando o desequilíbrio, resultam em
assimilação ou acomodação e assimilação dessas ações e, assim, em
construção de esquemas ou de conhecimento. Em outras palavras, uma
vez que a criança não consegue assimilar o estímulo, ela tenta fazer uma
acomodação e após, uma assimilação e o equilíbrio é então alcançado.
Na relação tutor-aluno ambos são protagonistas, o tutor deve ser parceiro de
seus alunos no processo de aprendizagem, no qual todos devem preocupar-se em
aprender e, em especial o aprender a aprender, abrindo caminhos coletivos de
busca e investigação para a produção de seu conhecimento. A prática tutorial vêm
ao encontro desta parceria entre tutor e aluno. (MILL, 2007)
Temos que reconhecer, ainda, que não existe um protótipo universal de
tutoria, passível de ser aplicado a qualquer situação de ensino –
aprendizagem a distância. Mantido o aspecto de “dupla via” na
comunicação com o aluno, temos variadas modalidades tutoriais: a
presencial (em que pode persistir até mesmo a mediação pela exposição
oral docente), por correspondência, por telefone, por fax, pela Internet (em
chats, ou através de mensagens trocadas por e-mail), por exemplo. A
educação a distância não desfaz a relação triádica que existe em todo o
processo de ensino – aprendizagem. Trata-se do triângulo didático em que
um vértice é constituído pelo aluno, outro pelo professor / tutor e o terceiro
pelo objeto do conhecimento (os conceitos a serem construídos). Desta
triangulação dinâmica decorre a necessidade de estratégias diferentes da
relação ensino - aprendizagem presencial, mas que também propiciem a
análise, a problematização e a reflexão. (OLIVEIRA, s/d, p.31)
28
Diante da afirmação acima, pode-se inferir que a prática tutorial não é uma
modalidade na qual o aluno estuda sozinho, mas nela existem formas de interação
entre aluno e tutor, surgindo assim, um novo aluno e um novo tutor, ambos abertos
para o continuo aprendizado e uma conduta inovadora. Desta forma, Vasconcelos
(2009) destaca que:
A tutoria é o método mais utilizado para efetivar a interação pedagógica, e
é de grande importância na avaliação do sistema de ensino a distância. Os
tutores comunicam-se com seus alunos por meio de encontros
programados durante o planejamento do curso. O contato com o aluno
começa pelo conhecimento da estrutura do curso, e é preciso que seja
realizado com freqüência, de forma rápida e eficaz. É fundamental que o
tutor deixe claras as regras do curso; ser capaz de comunicar-se
textualmente, com clareza, não deixando margem para questões e
colocações dúbias que venham a prejudicar a aprendizagem. A eficiência
de suas orientações pode resolver o problema de evasão no decorrer do
processo.
Ainda para Vasconcelos (2009), ao estabelecer o contato com o aluno, o
tutor complementa sua tarefa docente transmitida através do material didático, dos
grupos de discussão, listas, correio-eletrônico, chats e de outros mecanismos de
comunicação. Assim, torna-se possível traçar um perfil completo do aluno: por via do
trabalho que ele desenvolve, do seu interesse pelo curso e da aplicação do
conhecimento pós-curso. O apoio tutorial realiza, portanto, a intercomunicação dos
elementos (professor - tutor - aluno) que intervêm no sistema e os reúne em uma
função tríplice: orientação, docência e avaliação.
Para que a prática tutorial aconteça de forma efetiva o tutor deve ter em
mente algumas características cognitivas, conforme comenta Mill (2006, p. 244) que
são “convencer-se, organizar-se, disciplinar-se, expressar-se, compartilhar-se,
dedicar-se, responsabilizar-se, cuidar-se, desafiar-se”
Todas estas características foram apresentadas por tutores virtuais, na
pesquisa realizada por Mill (2007), e traduzem o sentimento de interatividade entre a
29
tutoria e seus alunos, bem como o tutor e sua vida particular, porém quando se fala
em expressar-se, dedicar-se, desafiar-se, refere-se ao conhecimento sempre
modificável e sempre atualizado que um tutor deve buscar.
A prática tutorial permite que tutor e alunos abram um leque de
oportunidades de discussão em grupo, sobre seus sucessos e suas dificuldades, e,
principalmente, permite encontrar momentos de reflexão. O aluno torna-se sujeito
ativo e colaborador na construção e aquisição do conhecimento através do aprender
a aprender com seus pares.
O tutor estabelece, de uma forma ou de outra, vínculos com seus alunos,
pois não somente é o facilitador e transmissor do conhecimento, mas em muitas
vezes é o amigo que incentiva a continuidade do curso, que observa o andamento e
o progresso do aluno, ajudando-o nas fases difíceis, e parabenizando-o quando de
seus acertos e vitórias. É também o interlocutor entre indivíduos de um mesmo
curso, demonstrando que a aprendizagem colaborativa é uma constante e uma
vertente de alto fluxo na EAD.
Litwin (2001) afirma que os programas de EAD contêm uma proposta
didática com maior conteúdo que as situações presenciais, mas crítica as definições
que se baseiam na elaboração de materiais auto-suficientes capazes de gerar a
proposta de aprendizagem. Para isto, o tutor tem fundamental importância no
processo de aprendizagem do aluno.
Para que o tutor desenvolva suas atividades de tutoria com êxito ele deve ter
uma relação direta com os alunos, auxiliando-os na aproximação do conteúdo
transmitido pelo professor. Para que isso ocorra, ele administra problemas de
indisciplina, desmotivação, conflitos, entre outros problemas enfrentados em uma
sala de aula.
30
2. ASPECTOS TEÓRICOS DA EAD
2.1 A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
O conhecimento tem a finalidade de formar o indivíduo de maneira global, ou
seja, desenvolver consciência, aprimorar o caráter e despertar a cidadania. Para que
isto ocorra, é necessário compreender como funciona a realidade, assim ele precisa
conhecer conceitos já elaborados, pois o conhecimento só terá sentido quando
possibilitar a compreensão, a utilização e a transformação da realidade.
O indivíduo constrói seu conhecimento quando interage com o meio e com
as pessoas que o cercam, na troca de experiências que podem favorecer a
reformulação de conceitos já existentes. Pode ainda, criar novos conceitos, na busca
de conceitos que possam interferir e transformar a realidade que o cerca. Para
Popper (1982 p. 62), “o conhecimento não parte do nada – de uma tabula rasa –
como não nasce da observação; seu progresso consiste, fundamentalmente, na
modificação do conhecimento precedente”. O conhecimento não é transferido,
depositado ou inventado, mas sim construído, produzido pelo indivíduo na sua
relação com outros e com o mundo. Quanto mais abrangentes e complexas forem
às relações, mais conhecimento o indivíduo estará produzindo.
Para que o processo do conhecimento ocorra, Fleming, (1974, p. 5) afirma
que o professor é o planejador-mestre de experiências de currículo. Ele assume a
responsabilidade de incentivar a colaboração de alunos e pais quanto ao
planejamento das atividades, como lhe parecer mais conveniente.
A produção do conhecimento implica numa mudança de paradigma
pedagógico, ao invés de receber o raciocínio pronto, o indivíduo constrói sua
reflexão, pela organização de atividades, interação e problematização. Os conceitos
31
construídos propiciam um caminho para a autonomia, para a pesquisa.
Para
construir,
produzir
o
conhecimento
é
necessário
que
abandonemos a ideia das fontes últimas do conhecimento, reconhecendo que todo
conhecimento é humano, pois se interliga com nossos erros, preconceitos, sonhos e
esperanças (Popper, 1982). Nesta perspectiva de trabalho, o professor, o tutor e
todos os envolvidos nesse processo precisam sair da postura passiva e assumir sua
responsabilidade social, em função do compromisso com as novas gerações.
Interagir, envolver-se, contribuir, interceder, participar das mudanças, sem
dúvida é muito importante, e porque não dizer, essencial para participação do
homem no mundo contemporâneo. As rápidas mudanças que testemunhamos na
educação e nas tecnologias são acompanhadas de importantes reformas do ensino.
As modernas inovações nas tecnologias, com a criação de materiais de
comunicação, audiovisuais e informática, cada vez mais integradas (multimídia) e a
necessidade de projetar as suas aplicações educacionais correspondentes, têm
despertado o interesse dos profissionais da educação.
No universo da educação convivemos diariamente com as inovações
tecnológicas que enriquecem o processo de ensino/aprendizagem, influenciando no
conteúdo e na prática educacional. Com tais recursos, os professores, educadores e
pesquisadores, possuem nas mãos, poderosas ferramentas que utilizadas com
critérios apropriados e objetivos bem definidos, fazendo destas, ferramentas
motivadoras na busca de novos conhecimentos, e conseqüentemente na sua
produção.
Para Bacegga (2000, p. 9),
conhecimento é um processo que prevê a
condição de reelaborar o que vem como “dado”, possibilitando que não sejamos
meros reprodutores.
32
Ao contrário do que possa parecer, em Educação a Distância, evidencia-se a
correlação entre a colaboração e a produção e o compartilhamento do
conhecimento, seja tácito ou codificado. A produção do conhecimento nesta
modalidade (educação à distância) está fundamentada na relação/interação social
entre os sujeitos do processo, e não no estudo individualizado. As experiências dos
participantes são compartilhadas, e por conseqüência, ocorre a construção de novos
conhecimentos. É importante destacar que para se construir conhecimento o aluno
deve ter clareza de conceitos fundamentais que alicerçam o saber e que o tutor deve
ter domínio amplo e profundo do saber para garantir a apropriação do aluno de
modo completo.
Portanto, as novas formas de comunicação trazem um novo modo do saber
e um novo processo de produção do conhecimento. Neste contexto, onde a
informação e o conhecimento reinam, é necessária a formação e conscientização de
profissionais reflexivos para atuar nas mais diversas áreas, buscando a produção do
conhecimento como resultado de pesquisas e de investigações realizadas, aplicando
esses conhecimentos na busca de soluções dos problemas sociais.
2.2 A EDUCAÇÃO E OS MEIOS TECNOLÓGICOS.
Quando refletimos sobre a prática do tutor, seu fazer, seu pensar educativo,
suas condições de trabalho, sua identidade como profissional, constatamos que o
tutor reinventa, é o protagonista em ação e, portanto sua mudança de postura é
inevitável e reconhecida. Por outro lado, se o processo educacional elaborado
estiver desvinculado da vida dos alunos, uma vez que é longa a tradição de um
ensino passivo, é um problema que perpassa o sistema educacional.
33
Se as mudanças que ocorrem na educação deixam os alunos inseguros, o
que buscamos é uma reflexão sobre o verdadeiro papel do tutor dentro do ensino e
o valor mítico que é dado à experiência como fonte de conhecimento sobre o ensino
e sobre o aprender a ensinar. A palavra “mito” era utilizada por Zeichner para se
referir à crença de que experiências práticas adquiridas na escola contribuem para
formar melhores professores, e que algum tempo de prática é melhor que nenhum.
(ZEICHNER,1980)
Ensinar, hoje, demanda do professor e do tutor algo mais complexo ao que
estava acostumado, sendo que a primeira demanda seria a superação da
fragmentação do conhecimento, das relações, necessitando de uma visão de
totalidade e articulação de saberes e capacidades. A didática precisa dialogar com a
diversidade de saberes da docência e buscar alternativas para pensar o ensino.
Implica-se em revisar conteúdos, métodos, processos avaliativos, currículo,
recolocar as perguntas clássicas e até mesmo fazer, criticamente, novas perguntas.
O professor terá que se perguntar se na sua ação tem se preocupado em
buscar respostas para os problemas, atualizando-os ou superando-os. A segunda
demanda seria a globalização, onde as tecnologias de informação e comunicação
estão fortemente inseridas, numa percepção clara das diferenças e especificidades
dos saberes e práticas, não no sentido de afastar uns dos outros ou isolá-los, mas
de realizar um trabalho coletivo.
Com os meios tecnológicos disponíveis, os tutores, educadores e
pesquisadores, possuem nas mãos, poderosas ferramentas quando utilizados com
critérios apropriados e objetivos bem definidos, fazendo destes, ferramentas
motivadoras e facilitadoras de tarefas, e incentivadoras de pesquisa.
Os métodos são de grande relevância para a compreensão dos fenômenos
34
associados aos processos de ensino, principalmente quando envolvidos nestes são
encontrados meios tão complexos como as atuais tecnologias. A sua utilização exige
que tudo o que há de artificioso de disposição técnica dos diferentes elementos que
intervêm nas situações de ensino se fundam na atividade de ensino aprendizagem.
Qualquer tipo de ensino, mesmo que pareça passivo, que tem como apoio as
tecnologias, leva o aluno ao pensamento. Os métodos didáticos utilizados pelo tutor
permitem realizar uma previsão do plano de ação a ser seguido na estrutura
institucional das instituições, mas, de qualquer forma, o fundamental é a atividade a
ela aplicada. Esta permite estudar como um todo a relação do indivíduo com o seu
meio ambiente, a interação dos seres humanos entre si e com seu meio social e
cultural. Conforme Leontiev, a atividade surge de necessidades, que impulsionam
motivos orientados para um objeto, ela não é uma reação ou uma agregação de
reações, mas sim um sistema com estrutura própria, suas próprias transformações
internas e seu próprio desenvolvimento. Leontiev (1988, p.68) define como atividade.
(...) aqueles processos que, realizando as relações do homem com o mundo,
satisfazem uma necessidade especial correspondente a ele. (...) Por
atividade, designamos os processos psicologicamente caracterizados por
aquilo que o processo, como um todo, se dirige (i.e., objeto), coincidindo
sempre com o objetivo que estimula o sujeito a executar essa atividade, isto
é, o motivo.
O ensino como produção de conhecimento fica limitado diante de
determinados profissionais que estão condicionados ao ensino pronto e acabado, ou
seja, as atividades não são motivadoras, o conhecimento está baseado em uma
verdade, vestígio do exemplo que eles mesmos tiveram durante o ensino que
receberam.
O tutor precisa conscientizar o aluno, através de atividades motivadoras, a
buscar por si mesmo o conhecimento de que precisa, para que desta forma, a
35
educação seja ela presencial, à distância ou semipresencial, não venha a impedir a
fruição do aprendizado. Percebe-se desta forma que a atividade do tutor, aliada aos
meios tecnologicos é fator preponderante para que ocorra o processo de produção
do conhecimento.
2.3 AS TECNOLOGIAS E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O TRABALHO DO
TUTOR
Quando as tecnologias são citadas na educação, percebe-se que há uma
tendência dos envolvidos nesse processo em pensar apenas no computador, onde
parte desse público admite ter “medo” ou não saber utilizar essa ferramenta.
Ainda hoje, no ensino presencial, professores e alunos utilizam meios
tecnológicos como o retroprojetor, projetor de slides e mimeógrafo como auxílio no
processo de ensino e aprendizagem, porém, com as mudanças que vêm ocorrendo
nos dias atuais, essas tecnologias antes utilizadas vêm aos poucos sendo
substituídas por novas ferramentas como o computador.
De acordo com Brito (2008, p. 66), a utilização da informática pelas escolas
brasileiras encontra-se em expansão. E Investigar as aplicações da informática à
educação tem sido alvo de muitas pesquisas e esforços humanos. A autora ainda
afirma que ano a ano vem se expandindo o desenvolvimento de software para uso
em situações de ensino-aprendizagem.
A educação vem passando por diversas mudanças, e uma delas é a
implantação e o crescimento de instituições que ofertam uma nova modalidade de
ensino: a EaD - Educação à Distância. De acordo com Mattos e Guarezzi (2009, p.
30), essa modalidade foi descrita e caracterizada pela integração de redes de
conferência por computador e estações de trabalho multimídia, sendo essa uma
36
proposta ainda inovadora e em fase de implantação em muitas instituições de
ensino.
Com o crescimento da EaD, novas ferramentas tecnológicas foram sendo
desenvolvidas e ajustadas às necessidades dessa modalidade. Uma das
dificuldades encontradas entre professores, tutores e alunos era a comunicação e,
devido a esse problema, surge então o AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem,
conforme Santos, (2003, p. 2):
(...) podemos entender como ambiente, tudo aquilo que envolve pessoas,
natureza ou coisas, objetos técnicos. Já o virtual vem do latim medieval
virtualis, derivado por sua vez de virtus, força, potência. No senso-comum
muitas pessoas utilizam a expressão virtual que designa alguma coisa que
não existe como, por exemplo: “meu salário este mês está virtual”, “no
município X tem tanta corrupção que 30% dos eleitores são virtuais”. Enfim
virtual nos exemplos citados vem representando algo fora da realidade, o
que se opõem ao real.
Neste sentido, Santos ressalta que um ambiente virtual é um espaço
fecundo de significação, onde seres humanos e objetos técnicos interagem,
potencializando assim, a construção de conhecimentos, logo então a aprendizagem.
Esta mesma autora salienta que os AVA agregam interfaces que permitem a
produção de conteúdos e canais variados de comunicação, permitem também o
gerenciamento de banco de dados e o controle total das informações circuladas no e
pelo ambiente. Essas características vêm permitindo que um grande número de
sujeitos geograficamente dispersos pelo mundo possam interagir em tempos e
espaços variados.
Santos, (2003, p.6) explica que:
37
(...) ainda hoje, alguns AVA assumem estéticas que tentam simular as
clássicas práticas presenciais, utilizando signos e símbolos comumente
utilizados em experiências tradicionais de aprendizagem. É impressionante,
por exemplo, o uso de metáforas da escola clássica como interface. “Sala
de aula” para conversas formais sobre conteúdos do curso, “cantinas ou
cafés” para conversas livres e informais, “biblioteca” para acessar textos ou
outros materiais, “mural” para envio de notícias por parte, quase sempre, do
professor ou tutor, “secretaria”, para assuntos técnico-administrativos.
Para Nevado (1997), o uso pedagógico das tecnologias oferece aos alunos e
professores a chance de poder esclarecer suas dúvidas, promovendo o estudo em
grupo com estudantes separados geograficamente, permitindo-lhes a discussão de
temas do mesmo interesse.
Moran (2006) cita sete procedimentos que também são denominados como
princípios básicos para que haja essa interação pelos AVA entre os envolvidos no
processo educacional:

encorajar o contato entre estudantes e universidades;

encorajar cooperação entre estudantes;

encorajar aprendizagens colaborativas;

dar retorno e respostas imediatas;

enfatizar a questão do tempo na execução das tarefas;

comunicar altas expectativas;

respeitar talentos e modos diferentes de aprender.
O acesso à Internet e o uso dos Ambientes Virtuais de Aprendizagens, além
de contribuir no aprendizado do aluno para estimulá-lo e torná-lo pesquisador,
propicia o trabalho cooperativo tanto entre os alunos como entre os docentes que
atuam na EAD. Sendo assim:
38
ensinar com novas mídias será uma revolução se mudarmos
simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantém
distante, professores e alunos. (...) A Internet é um novo meio de
comunicação, ainda incipiente, mas que pode nos ajudar a rever, a ampliar
e a modificar muitas das formas atuais de ensinar e aprender. (PONTES:
1999,p.10)
Para o sucesso no processo de ensino e aprendizagem na EAD,
primeiramente, há que se fazer uma reforma de mentalidades quanto às tecnologias
inseridas na educação.
2.4 OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO ON-LINE NA EDUCAÇÃO A
DISTÂNCIA
A comunicação pela internet é, em sua maioria, realizada a partir de textos.
Nem sempre é possível fazer uso de expressões faciais, tons de voz diferentes ou
ainda gestos para dar clareza as suas mensagens. Assim é bom tomar muito
cuidado com as palavras. É aconselhável que se escreva e leia várias vezes as
mensagens, para notar se não há duplo significado no que está se passando.
Devemos sempre lembrar que há um ser humano recebendo esse recado, por isso
deve-se ser educado e cordial. Há mais alguns conselhos a seguir, quando se trata
de ambiente virtual:

é muito importante ter atenção com a gramática. As pessoas que vão ler o
que você escreveu, vão criar uma imagem, um juízo de você por meio da sua
mensagem. É bom que esse juízo seja positivo;

a internet possui um código próprio de relações. Palavras inteiras escritas em
maiúscula significam que você está “gritando”. Evite. Da mesma maneira, evite
39
escrever palavras de baixo calão. Lembre-se: seja educado este é um ambiente
acadêmico;

emoticons em demasia atrapalham o entendimento da mensagem e podem
tornar qualquer assunto ou conversa cansativa, principalmente quando estes
substituem palavras inteiras. As pessoas podem desistir de ler por não entenderem.
Ex.: feliz  :) ou triste  :(
2.4.1 A comunicação síncrona e assíncrona.
Quando falamos em EAD, não podemos esquecer os elementos e
instrumentos desenvolvidos para auxiliar na comunicação. Esses elementos podem
ser utilizados para comunicação Assíncrona e Síncrona.
A comunicação Assíncrona permite que alunos, tutores e professores se
comuniquem em tempos e espaços diferentes. Os meios de comunicação
assíncronos mais utilizados na EaD são os fóruns, e-mails e ferramentas utilizadas
para o envio e recebimento de recados.

Fórum: O fórum é um espaço de discussão e aprofundamento das temáticas
estudadas. Geralmente ele se inicia a partir de uma proposição do tutor virtual e fica
aberto durante um período determinado para que os alunos postem suas opiniões e
debatam a questão proposta. Durante ou após esse período, o tutor lê as
proposições e elabora uma conclusão, fechando o debate.

E-mail: Através do e-mail e também conhecido como correio eletrônico, pode-
se enviar mensagens para qualquer usuário da rede. Em questão de segundos, o
40
texto chega ao destino desejado. Para o recebimento, o destinatário não precisa
estar conectado à Internet. O texto fica armazenado em uma espécie de caixa postal
eletrônica até que o usuário entre de novo na rede.

Recados: Essa ferramenta é utilizada para o envio e recebimento de
mensagens apenas por usuários cadastrados no portal. O acesso a essa ferramenta
é feito através dos AVA (Ambiente virtual de aprendizagem).
A comunicação Síncrona permite que alunos, tutores e professores possam
manter contato no mesmo espaço de tempo, mesmo não estando no mesmo espaço
físico. Os meios de comunicação síncronos mais utilizados na EaD são os chats e
telefone.

Bate-papo ou chat é o momento em que o tutor virtual irá se colocar à
disposição dos alunos do curso para discutir dúvidas pertinentes ao conteúdo. Para
realizar um chat, o tutor e o aluno precisam acessar a sala virtual no próprio portal.

A comunicação via telefone é uma ferramenta muito utilizada pelos alunos e
tutores para sanar dúvidas administrativas e de conteúdos sobre o seu curso e
também fazer interação durante as tele aulas transmitidas ao vivo.
41
3.
PROBLEMATIZAÇÃO E ESTUDO DE CAMPO
3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.
A pesquisa é altamente conhecida no meio acadêmico, sendo fundamental
para o desenvolvimento do conhecimento em todos os campos, principalmente em
universidades que ofertam cursos de formação de professores. Segundo Gatti
(2003, p. 3) pesquisar vai desde uma busca de informações e localização de textos
em materiais impressos e eletrônicos, até o uso de sofisticação metodológica e de
teoria de ponta para abrir caminhos novos no conhecimento existente.
O tipo de pesquisa utilizado na realização desta investigação será o da
pesquisa qualitativa, pois se subentende que com essa metodologia podemos
mergulhar na profundidade dos fenômenos, levando em conta toda a sua
complexabilidade e particularidade, não almejando alcançar a generalização, mas
sim o entendimento das singularidades.
A pesquisa qualitativa tem suas raízes nas práticas desenvolvidas pelos
antropólogos, e em seguida pelos sociólogos em estudos sobre a vida em
comunidades. Os antropólogos começaram a perceber que não era possível
simplesmente quantificar os dados obtidos nas pesquisas, mas precisavam
interpretá-los de forma muito mais abrangente.
Dessa maneira, a pesquisa qualitativa não admite visões isoladas, ou seja,
uma coleta de dados se torna uma análise de dados, que em seguida se torna um
ponto de partida para novas buscas de conhecimentos e informações.
De acordo com Ludke e André (1986) o pesquisador na análise qualitativa
interpreta e tem uma visão acerca de assunto abordado, enquanto na qualitativa
quantifica os dados obtidos.
42
O cuidado que o pesquisador precisa ter ao revelar os pontos de vista dos
participantes é com a acuidade de suas participações. Deve, por isso,
encontrar meios de checá-las, discutindo-as abertamente com os
participantes ou confrontando-as com outros pesquisadores para que elas
possam ser ou não confirmadas (...)
Ou seja, na abordagem qualitativa após obter os dados para a pesquisa é
necessário verificar se esse processo existe e está de acordo com as atividades que
o sujeito vem desenvolvendo.
3.2 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA
Esta pesquisa está delimitada da seguinte forma:
(1)
a instituição escolhida para a coleta de dados é uma instituição pública
com sede na cidade de Curitiba, no Paraná. Essa instituição foi escolhida porque é
referência no Paraná na oferta de cursos a distância – instituição pública agora
chamada de “X” –, para estudarmos a importância da atuação do tutor no processo
de ensino e aprendizagem de cursos ofertados na modalidade a distância. Vale
lembrar que a pesquisa foi realizada com tutores de um (1) dos doze (12) cursos
oferecidos a distância pela instituição.
(2)
uma segunda delimitação é dada pelo fato de que os tutores
presenciais solicitam com frequência das coordenações de curso, da equipe
administrativa e da tutoria a distância para apoio pedagógico, físico e muitas vezes
psicológico para o atendimento de seus alunos.
43
3.3 OPERACIONALIZAÇÃO DA PESQUISA
O trabalho de campo teve início em fevereiro de 2010, quando os
questionários foram enviados aos tutores presenciais de uma instituição federal
denominada “X”, mas somente nos meses de março e abril de 2011 é que foram
coletados os dados, pois essa é a data que os tutores começaram a enviar as
respostas. No mês de março, entrei em contato com a direção de ensino da
instituição, solicitando autorização para realização da pesquisa, e para coleta de
informações que especificassem e fornecessem dados referentes ao trabalho do
tutor presencial, desde a implantação dos cursos a distância na instituição. A direção
solicitou à coordenação do curso “X” que acompanhasse o desenvolvimento da
pesquisa e que desse todo o suporte necessário.
Nesse primeiro momento, foi feito o contato com os tutores e enviado os
questionários, não havendo dificuldades para iniciar as atividades. Todos os
envolvidos nas atividades dos tutores se dispuseram, colocando os materiais e
dados
requeridos
à
disposição,
mostrando-se
disponíveis
a
quaisquer
esclarecimentos durante o processo.
No primeiro contato com os pólos, foi realizada uma entrevista com a
coordenadora de dois pólos de EaD. Esse contato foi muito importante para a
pesquisa, porque permitiu que percebêssemos uma preocupação com a atual
situação do trabalho de tutoria, principalmente com os tutores que, por sua vez,
eram iniciantes em sua maioria no trabalho de tutoria e não tinham formação para
atuar na EaD.
Após o contato com a coordenação dos pólos, voltamo-nos ao processo da
coleta de dados, utilizando-se do questionário para fazer o levantamento dos dados
44
necessários para a pesquisa como: formação, carga horária de trabalho, nível de
curso que atua, remuneração, entre outras informações pertinentes á pesquisa.
Para realizar a coleta de dados, primeiramente os tutores receberam um
convite para participar da pesquisa. O convite foi feito pela web, utilizando os mais
diversos meios tecnológicos como e-mail, web cam e microfone, onde foi
apresentado aos tutores o objetivo da pesquisa. Após a apresentação da pesquisa,
foi enviado por e-mail aos tutores um questionário com 13 questões fechadas de
múltipla escolha e cada uma delas contendo possíveis respostas.
Pretendeu-se com este questionário alcançar um padrão de consultas mais
objetivo e limitado em extensão. O questionário foi enviado com várias orientações,
as quais esclarecem o propósito de sua aplicação, ressaltando a importância da
colaboração do tutor e, principalmente, auxiliando-o no preenchimento.
O questionário é composto por perguntas, fechadas (sim/não) e de múltipla
escolha. Para a elaboração foi adotada uma série de recomendações úteis à
construção de um questionário, conforme as apresentadas por Young e Lundberg
(apud Pessoa, 1998). Entre elas, os autores explicitam as seguintes:
i.
o questionário deve ser construído em blocos temáticos obedecendo
a uma ordem lógica na elaboração das perguntas;
ii.
a redação das perguntas deve ser feita em linguagem compreensível
ao informante e acessível ao entendimento da média da população
estudada. Nesse sentido, a formulação das perguntas buscou evitar a
possibilidade de interpretação dúbia, sugerir ou induzir a resposta;
iii.
cada pergunta deve focar apenas uma questão para ser analisada
pelo informante;
iv.
o questionário deve conter apenas as perguntas relacionadas aos
objetivos da pesquisa. Por isto, foram evitadas perguntas que sabidamente
não seriam respondidas honesta ou francamente.
As variáveis envolvidas na avaliação foram as seguintes:
a)
existência/inexistência de um projeto de capacitação para tutores;
45
b)
existência/inexistência de uma coordenação de polo;
c)
existência/inexistência de um uma equipe de tutores online que dão
suporte em suas atividades de tutoria;
d)
existência/inexistência de um vínculo empregatício com a instituição de
e)
nível de comprometimento pedagógico e político da instituição para
ensino;
com o tutor;
f)
instalações físicas adequadas para a realização das atividades de
g)
salário compatível com o cargo.
tutoria;
A mensuração destas variáveis deu-se mediante a identificação da relação
entre resultados obtidos e resultados previstos. É importante ressaltar que estes
parâmetros que avaliaram o trabalho do tutor da instituição “X” foram estabelecidos
pela Portaria Normativa nº 2, de 10 de janeiro de 2007, em seu Artigo 1, inciso 2
(anexo). Esta portaria definiu que:
Para o pedido de credenciamento para EAD será instruído com os
documentos necessários à comprovação da existência de estrutura física e
tecnológica e recursos humanos adequados e suficientes à oferta da
educação superior a distância, conforme os requisitos fixados pelo Decreto
nº 5.622, de 2005 e os referenciais de qualidade próprios.
O questionário aprofundou questões fundamentais no trabalho de tutoria,
dando ênfase a temas como: objetivos, planejamento, organização; investimento,
formação acadêmica, experiência na função, realização e frequência da formação
continuada, a participação dos tutores no processo de ensino e aprendizagem,
46
formas de contratação, remuneração e carga horária de trabalho. Esses conteúdos
foram organizados por meio da análise das bibliografias analisadas para a
realização da pesquisa.
Por fim, deve-se assinalar que todos os dados relativos à pesquisa foram
fornecidos pelos próprios tutores. Estes foram enviados por e-mail com autorização
da coordenação do curso em que os tutores atuam.
3.3 ESTUDO DE CAMPO SOBRE A ATUAÇÃO DO TUTOR PRESENCIAL NA
EAD.
3.3.1 Perfil do tutor
As perguntas iniciais do questionário aplicado foram focadas no perfil dos
tutores que participaram da pesquisa. Foi obtido o seguinte quadro representativo:
Dos vinte (29) questionários enviados, apenas dez (10) foram respondidos,
sendo que quatro (04) são de profissionais do sexo masculino e seis (06) do sexo
feminino.
Quatro (04) desses profissionais encontram-se na faixa etária acima dos
quarenta anos, e seis (06) deles entre vinte e cinco e quarenta anos.
Quanto à formação, nove (09) são especialistas e um (01) mestre.
Dos pesquisados, nove (09) atuam como tutor em curso técnico e um (01)
atua em curso de graduação.
Dentre os pesquisados, seis (06) já realizaram cursos voltados para o
exercício tutorial e apenas quatro (04) informaram não ter curso específico para a
função, porém, todos informaram que a instituição onde atuam oferta capacitações e
cursos na área de tutoria.
47
Seis (06) tutores informaram que a instituição onde atuam [,] oferta estrutura
adequada para a realização do trabalho de tutoria, porém,
quatro (04) deles
informaram que falta estrutura física para a realização de suas atividades.
Dentre os tutores pesquisados, um (01) informou que auxilia os alunos
apenas
em
questões
pedagógicas,
um
(01)
deles
auxilia
em
questões
administrativas e oito (08) auxiliam os alunos em questões pedagógicas e
administrativas.
Dois (02) dos tutores atendem entre dez a vinte e cinco alunos, e oito (08)
deles de vinte cinco a quarenta alunos, sendo sete (07) deles contratados para atuar
entre uma e dez horas semanais, dois (02) entre dez e vinte horas e um (01) entre
vinte e trinta horas. Dentre esses tutores, oito (08) informaram que levam trabalho
para casa e dois (02) deles trabalham apenas de acordo com a carga horária para a
qual foram contratados.
Dentre os dez tutores, sete (07) recebem menos de R$ 500,00 de salário
pelas horas trabalhadas, dois (02) deles entre R$ 500,00 e R$1.000,00, e um (01)
deles entre recebe entre R$ 1.000,00 e R$ 1.500,00 de salário.
Comparando a relação entre horas trabalhadas e salário recebido pela
instituição, três (03) estão muito satisfeitos, quatro (04) estão satisfeitos e três (03)
pouco satisfeitos. Desses mesmos tutores, quatro (04) estão muito satisfeitos em
relação ao reconhecimento da instituição pelas suas atividades como tutor, e cinco
(05) estão satisfeitos.
Sobre o vínculo especificado na carteira de trabalho, oito (08) deles
informaram que são contratados como professor, e dois (02) como outros cargos
administrativos. Dois (02) desses tutores informaram que atuam na tutoria até um
48
ano, dois (02) até um ano e seis meses, dois (02) até dois anos e quatro (04) três
anos ou mais.
Os tutores informaram que a cada dez (10) de seus alunos, entre cinco (05)
e oito (08) alunos conseguem aprovação ao final do curso.
Todas essas informações podem ser mais bem visualizadas nos gráficos a
seguir.
Gráfico 01 – Formação acadêmica
Fonte: autor.
De acordo com os dados do gráfico 01, 90% dos tutores têm especialização
latu sensu e 10% stricto sensu em nível de mestrado. Essa grande diferença ocorre,
porque os especialistas atuam também como professores da rede estadual de
ensino e informam que não entraram em um programa de mestrado e doutorado
porque o plano de cargos e salários da rede estadual em que atuam não contempla
profissionais com essa formação. Como a carga horária na tutoria é pequena, os
49
tutores informam que a remuneração não é suficiente para poder frequentar um
curso de pós-graduação stricto sensu. O tutor que tem formação em mestrado
informa que fez mestrado, porque atua em um instituição de ensino superior, não por
atuar como tutor de EaD.
Gráfico 02 – Tutoria na área de formação
Fonte: autor
O gráfico 02, nos mostra que apenas 30% dos tutores atuam na área de
formação e 70% em áreas diversas. Isso ocorre porque a instituição em que atuam
faz parcerias com as secretarias de educação dos estados e prefeituras, e estas
selecionam os tutores por indicação. Outros casos ocorrem, porque em várias
regiões, onde os cursos são ofertados, não existem profissionais formados na área,
pois são regiões que estão longe dos grandes centros urbanos, estando defasado o
número de profissionais formados em áreas correlatas ao curso.
50
Gráfico 03 – Níveis de ensino que atua como tutor
Fonte: autor.
De acordo com os dados do gráfico 03, a maioria dos tutores, ou seja, 90%
deles atuam em cursos técnicos e apenas 10% em cursos de graduação. O único
tutor que atua na graduação é o mesmo tutor que tem formação em mestrado
conforme mostrado no gráfico 01. Como todas as questões tinham espaço para os
tutores deixarem suas opiniões sobre as suas respostas, a maioria dos tutores
informaram que atuam apenas em cursos técnicos, porque na sua região não
existem outras instituições que ofertam essa modalidade de ensino.
51
Gráfico 04 – Participação de curso na área de tutoria
Fonte: autor.
Dentre os tutores, apenas 60% participaram de cursos na área de tutoria, e
40% ainda não participaram. Segundo eles, a instituição onde atuam oferta com
frequência cursos de capacitação, mas nem sempre eles têm tempo disponível para
participar dos cursos. Percebe-se a falta de interesse dos tutores, uma vez que
grande parte deles informa que inicialmente querem ver se irão se adaptar com essa
metodologia de ensino para depois procurar capacitação na área.
52
Gráfico 05 – Adequação da estrutura para o trabalho de tutoria.
Fonte: autor.
No gráfico 05 observamos que 40% dos tutores não trabalham em espaço
adequado, já 60% informam que as instalações são adequadas. Essa variação
ocorre, porque conforme informações do gráfico 02, a instituição faz parcerias com
as secretarias de educação, então, as sedes dos pólos são em escolas públicas. Os
tutores informam também que os pólos que funcionam em escolas estaduais estão
em situações mais precárias do que aqueles que funcionam em escolas municipais.
53
Gráfico 06 – Principais atividades de tutoria.
Fonte: autor.
De acordo com o gráfico 06, 30% dos tutores desenvolvem apenas
atividades administrativas e 70% auxiliam seus alunos em questões pedagógicas.
Com base nos dados, podemos constatar que há uma grande procura dos alunos
pelos tutores no processo de ensino e aprendizagem.
Gráfico 07 – Número de alunos designados para sua tutoria.
Fonte: autor.
54
O gráfico 07, nos mostra que 20% dos tutores desenvolvem suas atividades
com um número entre 10 a 25 alunos, e 80% entre 25 a 40 alunos. Os tutores
informam que no início do período letivo as turmas têm um número de alunos maior,
e devido à evasão, após o segundo semestre, esse número de alunos diminui.
Como os tutores têm uma carga horária muito pequena de trabalho, a maioria deles
não tem tempo para desenvolver ações para diminuir a evasão.
Gráfico 08 – Regime de contrato de trabalho.
Fonte: autor.
Podemos observar no gráfico 08, que 70% dos tutores têm 10h semanais
disponíveis para desenvolver suas atividades, 20% têm entre 10h a 20h e 10% entre
20h e 30h. De acordo com os tutores essa carga horária é igual para todos os
tutores do mesmo polo, independente do número de alunos.
55
Gráfico 09 – Necessidade de trabalhar além do horário regular.
Fonte: autor.
De acordo com o gráfico 09, grande parte dos tutores necessita trabalhar
fora de seu horário regular para finalizar suas atividades de tutoria, ou seja, 80% dos
tutores levam “tarefa para casa”. Apenas 20% dos tutores têm tempo suficiente para
concluir suas atividades durante sua permanência no polo.
Gráfico 10 – Faixa salarial.
Fonte: autor.
56
No gráfico 10, podemos observar que há uma diferença entre os salários dos
tutores. 70% deles recebem renda uma média de R$500,00 como salário, para atuar
como tutor, já 20% recebe um valor entre R$500,00 e R$1.000,00 de remuneração
pelas atividades prestadas no polo, e apenas 10% tem remuneração entre
R$1.000,00 e R$1.500,00. Isso acontece porque, como citado no gráfico 02, os
tutores são selecionados a partir de indicações feitas pelas secretarias de educação
do município ou do estado, então, como o piso salarial do funcionário público varia
de estado para estado, os salários dos tutores também apresentam diferenças.
Gráfico 11 – Nível de satisfação, na relação trabalho e proventos.
Fonte: autor.
Conforme dados apresentados no gráfico 11, 40% dos tutores estão
satisfeitos com a remuneração que recebem e informam que o salário está
compatível com a função. Já 30%, estão muito satisfeitos, mas informam que
buscam um reajuste, e 30% não estão satisfeitos com o salário que recebem e
57
relatam que ganham pouco pela carga horária de trabalho e pela grande quantidade
de atividades que desenvolvem com seus alunos no polo.
Gráfico 12 – Reconhecimento da instituição pelos serviços prestados.
Fonte: autor.
De acordo com gráfico 12, 50% dos tutores estão satisfeitos com o
reconhecimento da instituição em relação aos seus serviços, já 40% dos tutores
dizem estar muito satisfeitos com a instituição e apenas 10% informam que estão
pouco satisfeitos com a instituição em relação ao reconhecimento do seu trabalho.
Os mesmos 10% informam que a instituição espera que os tutores aumentem a
produtividade, porém, não dão suporte suficiente para que eles desenvolvam suas
atividades com êxito.
58
Gráfico 13 – Vínculo empregatício.
Fonte: autor.
Conforme o gráfico 13, 80% dos tutores são contratados como professores e
20% como administrativo/outros, uma vez que todos são funcionários públicos
municipais e/ou estadual. Novamente lembramos que isso ocorre devido à parceria
entre secretarias de educação e a instituição que oferta os cursos a distância.
59
Gráfico 14 – Número de aprovados a cada 10 alunos.
Fonte: autor.
De acordo com o gráfico 14, em um grupo de dez (10) alunos, 70%
conseguem aprovação ao final do curso. A justificativa dos tutores para esse
percentual é que eles desenvolvem um acompanhamento pedagógico junto ao aluno
no decorrer do curso. Os outros tutores que se enquadram nos 10% e 20%,
informam que não tem uma rotina para acompanhar os estudos de seus alunos, isso
pela falta de estrutura, tempo e conhecimento da função de tutor.
60
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através dos dados levantados nesta pesquisa, verifica-se que o tutor é um
dos responsáveis por parte do processo de formação do aluno. Percebemos que a
maioria dos tutores acompanha a vida escolar do aluno desde o seu ingresso até a
conclusão do curso. Para isso, os tutores necessitam realizar atividades
administrativas e pedagógicas para que o resultado do seu trabalho seja satisfatório.
Mediante resposta dos tutores que participaram da pesquisa, constatamos
grande disparidade nos seguintes quesitos: carga horária de trabalho, número de
alunos designados para tutoria, faixa salarial e principalmente atividades que
desenvolvem nos polos.
Quanto à carga horária, ela é diferente entre um polo e outro, porque estes
são administrados pelas secretarias municipais e/ou estaduais de educação, sendo
elas as responsáveis por designar quem serão os tutores e qual sua carga horária.
Analisando os dados obtidos sobre a carga horária, percebe-se que os polos não
seguem um critério padrão para estipular a carga de trabalho dos tutores
presenciais.
O mesmo acontece com a quantidade de alunos que cada tutor presta
atendimento. A diferença entre um polo e outro varia entre 10 e 30 alunos. Percebese também que não há um padrão para estipular o número de alunos por tutor, ou
seja, encontramos tutores atuando com 10 alunos e em outro polo tutores com 40
alunos.
Além da carga horária e da quantidade de alunos, citamos também a
diferença salarial entre os tutores. De acordo com os dados coletados, os polos não
têm um piso salarial padrão. Como todos são funcionários públicos indicados pelas
secretarias de educação, o salário varia de acordo com seu município e/ou seu
61
estado. Em alguns casos, os tutores chegam a receber gratificações além de seu
salário por atuarem na tutoria.
Para alcançar os objetivos propostos neste trabalho, foram analisados
também: a estrutura física para o desenvolvimento de suas atividades, se eles
participam ou participaram e se a instituição oferta cursos na área de tutoria, nível de
satisfação dos tutores em relação ao seu trabalho, a quem os tutores recorrem
quando precisam de ajuda em suas atividades e, quais as principais atividades
realizadas por eles durante as tutorias.
Analisando os dados coletados, percebe-se que 60% dos tutores estão
satisfeitos com a estrutura física e, 40% dos tutores informam que o ambiente de
trabalho não é adequado para desenvolver suas atividades. Essa questão de espaço
físico também está alinhada às secretarias de educação, pois os polos funcionam
em escolas municipais e estaduais espalhadas pelo Brasil. Umas das exigências da
instituição que oferta os cursos para as secretarias é que os polos tenham a
estrutura mínima de uma escola. Mas, como retrata a realidade das escolas
brasileiras, parte delas encontra-se em situação precária e os tutores são obrigados
a atuarem sem as condições mínimas necessárias.
Outro ponto relevante atrelado às atividades do tutor é o nível de satisfação
dos tutores e da instituição em relação ao seu trabalho. Esse quesito ficou bem
dividido entre os tutores, sendo que 40% dos tutores informam que estão satisfeitos,
30% muito satisfeitos e 30% pouco satisfeitos. Ao analisar esses dados, percebe-se
que o grau de satisfação dos tutores em relação ao seu trabalho também está
atrelado aos problemas de carga horária, número de alunos, estrutura física e faixa
salarial.
62
Essa desmotivação faz com que apenas 60% dos tutores participem de
cursos na área de tutoria, uma vez que a instituição oferta anualmente cursos de
capacitação e formação continuada para todos os tutores, sejam eles presenciais ou
virtuais.
De acordo com os questionamentos discutidos acima, chegamos ao ponto
onde vamos analisar como o tutor desenvolve suas atividades de tutoria.
Como parte dos tutores enfrenta dificuldades para realizar suas atividades
por questões físicas e por não participam de cursos de formação, estes acabam
sendo desviados de suas funções, desenvolvendo outras atividades de cunho
administrativo, até porque em alguns polos não há outra pessoa na estrutura para
desenvolver esse tipo de atividade.
Entre os tutores pesquisados, 30% deles informaram que auxiliam seus
alunos apenas em questões administrativas como: envio e recebimento de
documentos, ponte de contato entre aluno e coordenação do curso, abertura e
fechamento do polo, ligar e desligar a TV e/ou os computadores do polo entre outras
atividades administrativas que vão surgindo no decorrer do curso. Esses mesmos
tutores informam que quando seus alunos necessitam de um apoio pedagógico, eles
procuram a tutoria virtual, porém, nem todos os alunos conseguem um bom
aproveitamento das explicações feitas a distância, através dos meios de
comunicação como o chat, fórum e telefone.
Por outro lado, 70% dos tutores informaram que também auxiliam seus
alunos em questões administrativas, mas dão maior ênfase nas atividades
pedagógicas como: acompanhamento dos alunos durante as aulas, organização de
grupos de estudos após as aulas e, sempre que necessário, fazem o controle das
entregas de exercícios, organização de suas atividades, de acordo com o calendário
63
do curso, comunicação pessoal com cada aluno, destacando a importância do
estudo independente ou em grupo e procurando fazer com que o aluno não se sinta
só, orientando com paciência todos os alunos durante o curso, além de participarem
sempre que solicitado de cursos, treinamentos, reuniões, viagens e, por fim,
cumprem rigorosamente os prazos de envio de documentos e atividades
determinados pelas coordenações dos cursos.
De acordo com os dados obtidos e analisados nesta pesquisa, explicitamos
que é de suma importância o papel do tutor no processo de ensino e aprendizagem
na educação a distância, uma vez que [,] 70% dos tutores que dão mais ênfase nas
atividades pedagógicos do curso alcançam resultados mais satisfatórios com seus
alunos. Isso ocorre porque como há maior comprometimento do tutor, com o
aprendizado do aluno, ele realiza seu trabalho como tutor presencial, dedicando-se
mais às atividades pedagógicas, desenvolvendo um trabalho em equipe junto à
coordenação do curso e com a tutoria virtual.
Diante disso, o estudo investigativo afirma que o tutor em seu trabalho, como
indica Sá (1998), “passou a ser visto como um orientador da aprendizagem do aluno
solitário e isolado que, frequentemente, necessita do docente ou de um orientador
para indicar o que mais lhe convém em cada circunstância”, ou seja, para que os
resultados esperados de um curso a distância sejam alcançados, não podemos
deixar de lado essa figura tão importante no processo pedagógico que é o tutor
presencial, para o qual devem ser pensadas melhores condições de trabalho e
formação como a qualquer outro profissional da educação.
64
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VIANNEY. João, TORRES, Patrícia & SILVA, Elizabeth. A Universidade Virtual no
Brasil. Florianópolis: Unisul/UNESCO-IESALC, 2004.
6. APÊNDICE
APÊNDICE I – FORMULÁRIO DE COLETA DE DADOS
Pesquisa de Campo
Proponente: Everaldo Moreira de Andrade – Mestrando em Educação
QUESTIONÁRIO - CONHECENDO A PRÁTICA TUTORIAL
1. Sexo: M( )
F( )
2) Idade: __________
2. Escolaridade:
( ) Técnico ( ) Graduado ( ) Especialização ( ) Mestrado ( ) Doutorado
3. Atua como tutor na sua área de formação?
( ) Sim
( ) Não
4. Em qual (is) curso(s) atua como tutor?
____________________________________________________________
5. Qual o nível dos cursos que atua?
( ) Técnico
( ) Graduação
( ) Especialização
( ) Outro ____________________________________________________
6. Participou ou participa de cursos na área de tutoria?
( ) Sim
( ) Não
Justifique sua resposta.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
7. A instituição onde atua oferta cursos de capacitação em tutoria?
( ) Sim
( ) Não
Em caso positivo, como é realizada essa qualificação?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
8. A instituição onde atua oferta estrutura adequada para a realização do trabalho
de tutoria?
( ) Sim
( ) Não
Em caso negativo, qual a maior dificuldade?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
9. Em suas atividades de tutoria você auxilia os alunos em questões? (Se tiver
mais de uma resposta pode marcar mais de uma)
( ) Pedagógicas
Ex: ___________________________________________________________
( ) Administrativas
Ex: ___________________________________________________________
10. Quantos alunos são designados para seu acompanhamento em cada curso?
( ) até 10 alunos
( ) entre 10 a 25 alunos
( ) entre 25 a 40 alunos
( ) outro. Quantos? _________
11. Você é contratado por quantas horas semanais pela instituição?
( ) entre 01 e 10h.
( ) entre 10 e 20h.
( ) entre 20 e 30h.
( ) 40h.
12. Na sua atividade de tutoria é necessário que você trabalhe além De sua carga
horária?
( ) Sim
( ) Não
13. Qual a sua faixa salarial?
( ) Menos que R$ 500,00
( ) Entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00
( ) Entre R$ 1.000,00 e R$ 1.500,00
( ) Entre R$ 1.500,00 e R$ 2.000,00
( ) Acima de R$ 2000,00
14. Comparando uma relação entre horas trabalhadas e salário recebido pela
instituição você diria que está:
( ) Muito satisfeito
( ) Satisfeito
( ) Pouco satisfeito
( ) Insatisfeito
Comente:
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15. Qual o vínculo especificado na carteira de trabalho com a instituição?
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16. Quanto tempo de vínculo contínuo exerce a função de tutor?
( ) Até 6 meses
( ) Até 1 ano
( ) Até 1 ano e 6 meses
( ) Até 2 anos
( ) Até 3 anos ou mais
17. A quem você recorre quando não consegue resolver de imediato alguma
dúvida?
( ) Professor da disciplina
( ) Coordenação
( ) Tutoria a distância
( ) Livros
( ) Internet
( ) Outros ____________________________________________
18.
Entre 10 de seus alunos, quantos conseguem aprovação?
( ) Entre 3 e 5 alunos.
( ) Entre 5 e 8 alunos.
( ) Entre 8 e 10 alunos.
19.
Deixe sugestões, observações ou considerações que você julgue importantes
dentro do trabalho de tutoria. (Fique à vontade, esse espaço é livre para todos os
assuntos).
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Muito obrigado por sua colaboração nessa pesquisa!
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