Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em
Psicologia
RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E VALORES
EM ADOLESCENTES DO DISTRITO FEDERAL
Autora: Janaina Bahia Oliveira Barrêto
Orientadora: Profª. Dra. Marta Helena de Freitas
Brasília – DF
2014
JANAINA BAHIA OLIVEIRA BARRÊTO
RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E VALORES EM ADOLESCENTES DO
DISTRITO FEDERAL
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação
Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Católica de
Brasília, como requisito parcial para obtenção do Título de
Mestre em Psicologia.
Orientadora: Prof ª. Dra. Marta Helena de Freitas.
Brasília – DF
2014
B273r
7,5cm
Barrêto, Janaina Bahia Oliveira.
Religiosidade/espiritualidade e valores em adolescentes do Distrito
Federal. / Janaina Bahia Oliveira Barrêto – 2014.
227 f.; 30 cm
Dissertação (Mestrado) – Universidade Católica de Brasília,
2014.
Orientação: Profa. Dra. Marta Helena de Freitas.
Ficha elaborada pela Biblioteca Pós-Graduação da UCB
TERMO DE APROVAÇÃO
Dissertação
de
autoria
de
Janaina
Bahia
Oliveira
Barrêto
intitulada
–
RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E VALORES EM ADOLESCENTES DO
DISTRITO FEDERAL, apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de
Mestre do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da
Universidade Católica de Brasília, defendida e aprovada em 05 de dezembro de
2014, pela banca examinadora abaixo assinada:
___________________________________________________________________
Profª. Dra. Marta Helena de Freitas – (Orientadora) - Diretora do Programa de PósGraduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília
___________________________________________________________________
Profª. Dra. Luciana Fernandes Marques (Membro externo)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
___________________________________________________________________
Profª. Dra. Silvia Renata M. Lordello - (Membro interno)
Universidade Católica de Brasília
___________________________________________________________________
Profª. Dra. Maria Alexina Ribeiro - (suplente)
Universidade Católica de Brasília
Brasília - DF
2014
Ao meu grande amor, com quem
compartilho a intimidade da existência:
Bruno Barbosa Barrêto.
AGRADECIMENTO
A Deus, por me capacitar e me fortalecer nesta caminhada.
Ao meu esposo, pela motivação e amor.
À minha família, pelo apoio e compreensão.
Aos amigos, pelo carinho e pela torcida.
À maravilhosa equipe do CAPS onde atuo, pelo apoio.
À Dra. Marta Helena de Freitas, pelo incentivo e orientações.
À Arlene e Rafaela, estagiárias voluntárias, pelo apoio na transcrição das
entrevistas.
À CAPES/CNPQ, pelo financiamento a esta pesquisa – sem o qual não seria
possível.
Aos doutores Vicente Alves, Sílvia Lordello, Alexina Ribeiro, Luciana
Marques, e Christoph Käppler pelas riquíssimas contribuições.
A todos os professores e funcionários da Pós-Graduação Stricto Sensu em
Psicologia da Universidade Católica de Brasília.
RESUMO
BARRÊTO, Janaina Bahia Oliveira. Religiosidade/ espiritualidade e valores em
adolescentes do Distrito Federal. 2014. 227 páginas. Dissertação de mestrado do
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Católica
de Brasília. Brasília, 2014.
A adolescência é a fase crucial do desenvolvimento da identidade, e a religiosidade
costuma ser um dos aspectos geradores de mobilizações importantes e
significativas ao longo deste processo, tendo sido objeto de atenção dos pioneiros
neste campo. Entretanto, este tema tem sido pouco estudado na
contemporaneidade, mesmo em um contexto onde a religiosidade se faz tão
presente na cultura e na vida das pessoas, como têm demonstrado os censos
demográficos nacionais. Brasília, contexto onde se desenvolve o estudo aqui
relatado, é conhecida pela sua forte aura mística, pois abriga uma diversidade de
templos e comunidades religiosas – em muitas delas, destaca-se a participação da
juventude brasiliense, a despeito do processo de secularização. Considera-se, pois,
relevante investigar as relações entre a religiosidade e os valores desses jovens,
sendo este o objetivo deste estudo, de cunho qualitativo e exploratório. Foram
participantes deste estudo oito jovens com idade entre 15 e 17 anos, sendo uma
menina e um menino de cada uma das seguintes religiões/ espiritualidades: católica
apostólica romana, espírita kardecista, evangélica neopentecostal e agnóstica.
Como metodologia de investigação, empregaram-se entrevistas individuais e em
grupo, complementadas com a aplicação do Questionário de religiosidade e valores
na adolescência, elaborado por um grupo de pesquisadores da Alemanha e Suíça, e
que vem sendo adaptado para o Brasil, sofrendo revisões consecutivas, sendo que a
mais recente resulta neste próprio trabalho. Adotou-se postura fenomenológica na
condução das entrevistas e organização dos dados. Como base teóricometodológica para esta investigação e análise, empregou-se o esboço da teoria do
desenvolvimento religioso de Amatuzzi, a qual inspira-se na fenomenologia e
ancora-se sobre outras contribuições clássicas, como Piaget e Fowler. Para a
organização e análise dos resultados, cinco eixos temáticos foram avaliados e seus
respectivos aspectos convergentes e divergentes, conforme o método clínico
fenomenológico, que assim se configuraram: 1. Religiosidade/ espiritualidade e
família: todos os adolescentes têm a família como um importante valor, e os mais
novos tendem a seguir a mesma religião dos pais; 2. Religiosidade/ espiritualidade e
vida pessoal: os agnósticos se mostraram mais racionais e menos disponíveis a
ajudar ao próximo; os católicos e os evangélicos se mostraram mais gentis; os
evangélicos se apresentaram mais religiosos, obedientes, comportados, certinhos, e
tradicionais; a menina católica não era praticante e os espíritas foram os menos
hedonistas; 3. Religiosidade/ espiritualidade e círculo social: tendência ao respeito
às diferenças religiosas, a despeito da divergência com alguns colegas de outras
religiões; valorização da amizade; 4. Religiosidade/ espiritualidade e questões
sociais e políticas: preconceito sofrido pelos espíritas e agnósticos; críticas às regras
e falta de liberdade que a sociedade impõe; desinteresse por política e tendência a
não confiar nos políticos; 5. Vivência pessoal da religiosidade/ espiritualidade:
questionamento da fé/ religião pelos adolescentes mais velhos, e também da
conversão; participação em atividades na instituição religiosa; crença de que a
religião ajuda os jovens, e melhora o bem-estar, embora a crença seja muito menor
nos agnósticos. De modo geral, identificaram-se relações entre a religiosidade e a
formação de valores, e verificou-se também que muitos valores são compartilhados,
tanto por adolescentes religiosos como pelos não religiosos. Brasília, conforme
consta na literatura, é um solo fértil para o surgimento de novas religiosidades/
espiritualidades. Surgiram muitas manifestações de jovens agnósticos querendo
participar, o que não foi possível devido ao prazo para concluir a pesquisa. A
experiência desta investigação permitiu também o aperfeiçoamento do questionário
empregado, visando sua aplicação em maior escala. Sugere-se fortemente a
realização de mais pesquisas na área, estendendo-a para outras regiões do país,
para compreender melhor o papel da religiosidade na constituição dos valores dos
jovens, e sua respectiva variabilidade em termos sociais e regionais.
Palavras-chave: Religiosidade. Espiritualidade. Valores. Adolescência. Distrito
Federal. Psicologia da Religião.
ABSTRACT
BARRÊTO, Janaina Bahia Oliveira. Teenage religiosity/ spiritualism and values in
Distrito Federal. 2014. 227 pages. Master’s degree thesis for Stricto Sensu PostGraduation program in Psychology from Universidade Católica de Brasília, 2014.
Teenage years are a crucial time to define identity, and religiosity is one of the
agents of important and significant changes during this process; thus, being a matter
of study by the pioneers in psychology. Although, adolescence has not been studied
enough lately, even in a country where religiosity is widely spread – as the
demographic censuses have shown. The research for this thesis was developed in
Brasília, due to its “mystic aura”, and because there are several temples and
religious communities in the city – in many of them, there are many young people
and adolescents involved, despite the secularization process. Investigating the link
between the adolescents’ religiosity and values has proven to be a relevant issue,
and it is the purpose of this study – a qualitative and exploratory analysis. Eight
teenagers from 15 to 17 years old took part on this study. There was a girl and a boy
from each of the following religions/ spiritualities: roman catholic church, kardecist
spiritism, pentecostal evangelic faith, and agnosticism. The investigation method was
based on individual and group interviews, along with a Questionnaire on teenage
religiosity and value. The questionnaire was originally brought by a group of
researchers from Germany and Switzerland, and it has been adapted and improved
for Brazilian teenagers. This study shows the latest version of the questionnaire.
This research adopted the phenomenological approach to carry out the interviews
and organize data. The investigation and analysis are supported by Amatuzzi’s
theory on religious development – which is based on phenomenological approach
and other classic contributions, such as Piaget’s and Fowler’s. Five themes of study
have been created in order to organize and analyze the results – and whether they
converge or diverge, according to the clinical phenomenological method: 1.
Religiosity/ spiritualism and family: every teenager values family, and younger teens
tend to follow their parents’ religion; 2. Religiosity/ spiritualism and personal life:
agnostics seem to be more sensible, and not so willing to help others; Catholic and
Protestant teens seem to be more kind; Protestants are more religious, obedient,
well-behaved, more “correct” and conservative; the Catholic girl did not actually go to
church; kardecists seem to be less hedonistic; 3. Religiosity/ spiritualism and social
circle: there is a tendency to respect religious differences, although some teenagers
reported they had experienced conflict with friends who chose different religions; they
value friendship; 4. Religiosity/ spiritualism and social and political issues: kardecists
and agnostics experience more prejudice from people of other religions; criticism
over rules and lack of freedom from the society; lack of interest in politics and lack of
trust in politicians; 5. Personal experience of religiosity/ spiritualism: older teenagers
tend to question faith/ religion, and they question conversion as well; participation on
religious institutions; belief that religion may help teenagers and improve their wellbeing – even to agnostics, who have weaker belief in religion.
In general, there is relation between religiosity and construction of values, and
teenagers have many of those values in common, whether they are religious or
agnostic. Literature supports that Brasília is a fertile ground for new religions/
spiritualisms. Many agnostic teenagers volunteered, but it was not possible to include
all of them due to the short deadline to close this research. This research made it
possible to improve the questionnaire, so that a large-scale research can be
achieved. More research on religiosity is strongly encouraged. It can be taken to
other parts of the country in order to reach better understanding about the role of
religiosity on young people’s values, as well as its social and regional variations.
Keywords: Religiosity.
Psychology of religion.
Spiritualism.
Values.
Adolescence.
Distrito
Federal.
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1: A R / E e OS EIXOS TEMÁTICOS INVESTIGADOS
FIGURA 2: TEMA-EIXO – R / E e FAMÍLIA, E SEUS SENTIDOS APREENDIDOS
FIGURA 3: TEMA-EIXO – R / E e VIDA PESSOAL, E SEUS SENTIDOS
APREENDIDOS
FIGURA 4: TEMA-EIXO – R / E e CÍRCULO SOCIAL, E SEUS SENTIDOS
APREENDIDOS
FIGURA 5: TEMA-EIXO – R / E e QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS, E SEUS
SENTIDOS APREENDIDOS
FIGURA 6: TEMA-EIXO – VIVÊNCIA PESSOAL DA R / E, E SEUS SENTIDOS
APREENDIDOS
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1: CONTEXTUALIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES
QUADRO 2: DADOS DEMOGRÁFICOS DOS ADOLESCENTES
QUADRO 3: CONTEXTO FAMILIAR
QUADRO 4: RELACIONAMENTO FAMILIAR
QUADRO 5: INFLUÊNCIA RELIGIOSA FAMILIAR
QUADRO 6: R / E e FAMÍLIA
QUADRO 7: CARACTERÍSTICAS E VALORES PESSOAIS
QUADRO 8: SOBRE SI MESMO I
QUADRO 9: SOBRE SI MESMO II
QUADRO 10: SITUAÇÃO NA ESCOLA
QUADRO 11: R / E e VIDA PESSOAL
QUADRO 12: VALORES EM RELAÇÃO À SUA E ÀS DEMAIS RELIGIÕES
QUADRO 13: R / E e CÍRCULO SOCIAL
QUADRO 14: INTERESSES E VALORES POLÍTICOS
QUADRO
15:
AUTOPERCEPÇÃO
DA
IDENTIDADE
SOCIOCULTURAL
E
EXPECTATIVAS PARA O FUTURO
QUADRO 16: R / E e QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS
QUADRO 17: CONCEPÇÃO RELIGIOSA PESSOAL
QUADRO 18: PAPEL E IMPORTÂNCIA ATRIBUÍDA À RELIGIÃO NA VIDA E NO
DIA A DIA.
QUADRO 19: SOBRE SI MESMO E A RELIGIOSIDADE
QUADRO 20: VIVÊNCIA PESSOAL DA R / E
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 14
2. REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................. 20
2.1. Esclarecimentos conceituais: religião, religiosidade, experiência religiosa e
espiritualidade ................................................................................................................................. 20
2.2. Religiosidade em Brasília ...................................................................................................... 25
2.3. Adolescência e religiosidade ................................................................................................ 27
2.3.1. A fase da adolescência .................................................................................................. 27
2.3.2. Religiosidade na adolescência: a perspectiva de Amatuzzi ..................................... 35
2.3.3. A religiosidade como fator de proteção e de bem-estar na adolescência.............. 42
2.4. Valores e moral na adolescência ......................................................................................... 47
3. OBJETIVOS .......................................................................................................... 58
3.1. OBJETIVO GERAL................................................................................................................. 58
3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................................................. 58
4. MÉTODO .............................................................................................................. 59
4.1. PARTICIPANTES ................................................................................................................... 59
4.2. INSTRUMENTOS ................................................................................................................... 59
4.3. PROCEDIMENTOS DE COLETA DOS DADOS ............................................................... 60
4.4. PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DOS DADOS .............................................................. 62
5. R/ E e VALORES EM ADOLESCENTES DO DISTRITO FEDERAL ..................... 63
5.1. Contextualização dos participantes ..................................................................................... 63
5.2. Eixos temáticos investigados referentes à religiosidade/ espiritualidade e os valores 66
5.3. Tema-eixo 1: R / E e família.................................................................................................. 67
5.4. Tema-eixo 2: R / E e vida pessoal ....................................................................................... 81
5.5. Tema-eixo 3: R / E e círculo social .................................................................................... 102
5.6. Tema-eixo 4: R / E e questões sociais e políticas ........................................................... 109
5.7. Tema-eixo 5: vivência pessoal da R / E ............................................................................ 119
6. DISCUSSÃO ....................................................................................................... 136
6.1. Do consultório ao colégio .................................................................................................... 136
6.2. R / E e valores em adolescentes do DF: articulação com a literatura.......................... 137
6.3. Relações entre a R / E e valores em adolescentes do DF e a Teoria do
Desenvolvimento Religioso de Amatuzzi.................................................................................. 155
6.4. Reflexões e sugestões a respeito do Questionário e sua aplicação ............................ 158
7. CONSIDERAÇÕES PARCIAIS ........................................................................... 160
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 163
Apêndice A .............................................................................................................. 170
Roteiro de entrevista individual ............................................................................... 170
Apêndice B .............................................................................................................. 171
Roteiro de entrevista em grupo ............................................................................... 171
Anexo 1 ................................................................................................................... 172
Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência – versão
feminina utilizada na coleta de dados ..................................................................... 172
Diferença que há na versão masculina (em comparação com a feminina) do
Questionário sobre religiosidade e valores na adolescência, aplicado na coleta de
dados ...................................................................................................................... 175
Anexo 2 ................................................................................................................... 179
Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência – versão
feminina revisada .................................................................................................... 179
Diferença que há na versão masculina (em comparação com a feminina) do
Questionário sobre religiosidade e valores na adolescência – Versão revisada ..... 180
Anexo 3 ................................................................................................................... 185
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ......................................................... 185
APRESENTAÇÃO
Compreender a complexidade da experiência humana requer sensibilidade
para levar em conta todos os seus aspectos. Dentre eles se encontram as vivências
da religiosidade/ espiritualidade – vivências estas que são objeto de estudo da
Psicologia da Religião. Buscou-se, neste estudo, compreender as vivências da R / E
e suas relações com os valores em adolescentes do Distrito Federal, estudo muito
relevante por estar localizado no centro do Brasil, país em que a maior parte da
população se declara religiosa.
Os pioneiros em Psicologia se pesquisaram sobre o tema da religiosidade na
adolescência, porém esse tema tem sido pouco explorado atualmente, a despeito da
grande participação de jovens em eventos religiosos. Portanto, esta pesquisa visa
contribuir para ampliação do conhecimento da religiosidade na adolescência, e de
sua relação com a formação de valores, o que contribui para o campo da Psicologia
do Desenvolvimento ampliando o conhecimento sobre fenômenos da adolescência;
para a Psicologia Social, quanto à compreensão de influências do tema em grupos
sociais; para a Psicologia da Religião, que também possui poucas pesquisas nessa
temática; e para a Psicologia Clínica, permitindo a abordagem ao adolescente de
maneira integral.
Participaram desta pesquisa oito adolescentes – com idades entre 15 e 17
anos,– sendo um menino e uma menina de cada uma das seguintes religiões:
católica apostólica romana, evangélica neopentecostal, espírita Kardecista, e da
espiritualidade agnóstica. Para tanto, utilizou-se de postura fenomenológica na
coleta e organização dos dados. Os resultados foram avaliados à luz da Teoria do
Desenvolvimento Religioso de Amatuzzi.
Inicialmente o trabalho apresenta, no capítulo 2, uma revisão de literatura
sobre o tema para realizar esclarecimentos conceituais a respeito de: diferenças e
aproximações entre os conceitos de religião, religiosidade, experiência religiosa e
espiritualidade; a religiosidade em Brasília; a adolescência e suas principais
características; a religiosidade na adolescência sob a perspectiva de Amatuzzi; A
religiosidade como fator de proteção e de bem-estar na adolescência e, por fim,
valores e moral na adolescência.
Em seguida, são apresentados o objetivo geral e os específicos, no capítulo
3, que são investigar as possíveis relações entre R / E e valores em adolescentes do
DF, saber especificidades de cada religiosidade/ espiritualidade, perceber como os
adolescentes lidam com religiosidades/ espiritualidades diferentes das suas,
relações entre a religiosidade e os valores nos contextos familiar e social, e
aperfeiçoar o Questionário sobre religiosidade e valores na adolescência.
O capítulo 4 é dedicado ao método da pesquisa, apresentando melhor o
instrumento utilizado, e as adaptações ocorridas no mesmo, bem como os
procedimentos de coleta e análise dos dados.
Os resultados são descritos no capítulo 5, onde se contextualiza os
participantes da pesquisa, e são apresentados os eixos nos quais o material foi
organizado:
1.
Religiosidade/
espiritualidade
e
família;
2.
Religiosidade/
espiritualidade e vida pessoal; 3. Religiosidade/ espiritualidade e círculo social; 4.
Religiosidade/ espiritualidade e questões sociais e políticas; e 5. Vivência pessoal da
religiosidade/ espiritualidade.
Posteriormente os resultados foram discutidos, no capítulo 6, onde são
articulados com a literatura, com a Teoria do Desenvolvimento Religioso de
Amatuzzi, e são realizadas reflexões e sugestões para aperfeiçoamento e aplicação
do Questionário.
Por fim, foram tecidas considerações parciais a respeito do trabalho, no
capítulo 7.
1. INTRODUÇÃO
Ao longo de boa parte do século XX, e de certa forma até os dias de hoje, no
contexto de certas filosofias e teorias das ciências sociais e biológicas, houve a
tendência de se olhar a religião com desconfiança. De certo modo, isso se deveu ao
fato de que a linha predominante no meio acadêmico-científico – e mesmo no âmbito
da Psicologia – foi positivista ou neopositivista, as quais tomam a racionalidade,
lógica ou empírica, como único instrumento de conhecimento. Entretanto, em seu
início, a Psicologia levava muito a sério o estudo da religiosidade e seus diversos
aspectos subjetivos, sociais e culturais. Todos os seus pioneiros deram atenção ao
assunto, como Wundt e William James, e também os pioneiros em psicologia da
adolescência, como Stanley Hall e Erik Erickson.
Por outro lado, nas últimas décadas, o tema da religião tem sido retomado sob
uma nova perspectiva, que revê mais criticamente a postura de suspeita que
predominou ao longo do Século XX, e procura investigar também os fatores
potencializadores da saúde mental, presentes na religião ou na espiritualidade.
Atualmente, após as contribuições de Pargament (1990; 1997), e Paloutizian (1996),
dentre outros autores, fala-se muito em religious coping (ou enfrentamento religioso/
espiritual – CRE) – ou em religiosidade e espiritualidade como fatores de resiliência,
que estão, portanto, associados à saúde e à qualidade de vida. Apesar desse novo
olhar, a religiosidade dos adolescentes no Brasil e suas respectivas implicações
psicossociais ainda são pouco exploradas.
Em função de sua complexidade, a abordagem ao assunto requer uma
perspectiva interdisciplinar, ou seja, deve levar em conta o ser humano de forma
integral. Por esse motivo, trata-se de um objeto de interesse da Psicologia do
Desenvolvimento, da Psicologia Social, da Psicologia da Religião, e mesmo da
Psicologia Clínica – o interesse desta se dá, por exemplo, em função das estreitas
relações entre religiosidade e saúde mental. O DSM V também leva em conta as
experiências de natureza religiosa enquadrando-as em “Outras condições que
podem ser foco de atenção clínica”:
Esta categoria pode ser usada quando o foco de atenção clínica é um
problema religioso ou espiritual. Exemplos incluem experiências
angustiantes que envolvem a perda ou o questionamento da fé, problemas
associados com a conversão a uma nova fé, ou o questionamento de
valores espirituais que podem não estar, necessariamente, relacionados
com uma igreja ou religião institucionalizada (DSM V, p. 725. – tradução da
autora).
Geralmente, o saber que se baseia única e exclusivamente no modelo clínico
psiquiátrico está pautado na busca por sintomas, visando enquadrar os sinais de
adoecimento ao discurso médico sistematizado – o qual não é o modelo mais
adequado quando se trata de compreender a manifestação religiosa com respeito,
qualificando-a em sua legitimidade. Embora algumas vezes a religiosidade/
espiritualidade possa ser vivenciada de forma não saudável, a literatura em
Psicologia da Religião mostra que seria um equívoco tomar esta situação como
necessariamente anuladora das possibilidades de benefícios e do papel protetor
muitas vezes encontrado nas adesões a manifestações religiosas, principalmente no
caso da adolescência, como se verá adiante.
Como já foi mencionado, desde autores pioneiros em Psicologia da Religião e
do Desenvolvimento, como Pratt (1904) e Stanley Hall (1916), a adolescência pode
ser considerada a fase mais importante do ponto de vista da evolução religiosa do
ser humano – é quando começa o que há de mais fascinante e atraente. Neste
processo, existe a necessidade de explorar o mundo além da comunidade familiar e,
ao mesmo tempo, manter algo da segurança que vem da família, junto à qual ele
internaliza alguns valores básicos.
Por outro lado, a adolescência é a fase crucial da formação da identidade,
porque é quando ocorre a busca pela autonomia e a liberdade (ERIKSON, 1980).
Nessa fase, geralmente ocorrem o distanciamento do grupo familiar pela
necessidade de autonomia, e a afiliação a grupos com os quais se identifica
(HURLOCK, 1975; BEE, 1997; AMATUZZI, 1999; COLE & COLE, 2003). É
importante a compreensão da necessidade de o adolescente se sentir autor das
próprias escolhas. No processo de afastamento do adolescente quanto às famílias,
percebe-se dificuldade tanto dos adolescentes quanto das famílias, porém, desvela
ser um fenômeno necessário para a formação da identidade dos jovens. O
adolescente desvela necessitar do distanciamento familiar e ao mesmo tempo da
proteção que a família provê.
Ao longo deste processo de elaboração da própria identidade, conforme
observou o pioneiro Hall (1916), um fenômeno comum da adolescência é a
conversão religiosa: a mudança de uma identidade religiosa para outra, ou a adoção
de uma nova identidade religiosa – que também acontece nos dias de hoje. A
vivência religiosa pode ser uma saída positiva e potencialmente saudável para a
emancipação do adolescente. Durante esse período pode haver um abandono
provisório ou definitivo da prática religiosa seguida pelos pais (AMATUZZI, 1999).
Se, por um lado, a conversão religiosa se revela relacionada ao processo de
elaboração de identidade, por outro, pode exercer também a própria função paterna
(ou materna). Assim, por exemplo, em pesquisa realizada anteriormente como parte
do Trabalho de final de curso na graduação em Psicologia (OLIVEIRA; FREITAS,
2012), percebeu-se a influência positiva da vivência religiosa na vida dos
participantes como forma de suprir a falta dos pais, colocando limites e delineando
as escolhas dos adolescentes. Ao fazerem parte de um grupo religioso, os jovens
entrevistados na referida pesquisa desejavam: relacionar-se melhor com as
pessoas, principalmente com os familiares; perdoar as faltas cometidas pela família
contra eles; praticar sexo apenas após e dentro do casamento, o que contribui para
uma proteção maior quanto às doenças sexualmente transmissíveis e à gravidez
precoce. Eles também se mostraram críticos quanto ao uso de bebidas alcoólicas,
cigarro e outras drogas. Esses resultados despertaram na pesquisadora o interesse
pela relação entre religiosidade e valores em adolescentes, e foram o ponto de
partida para sua posterior participação em uma pesquisa oriunda da Alemanha e da
Suíça – que, então, se estendia ao Brasil, acolhida no âmbito do Programa de PósGraduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB).
Segundo os resultados do Censo Demográfico de 2010, houve um
crescimento da diversidade de grupos religiosos no Brasil. Conforme tendência das
duas últimas décadas, observou-se uma redução na proporção de católicos apesar
de serem ainda a maioria. A população evangélica cresceu. Houve crescimento
também dos espíritas, dos que se declararam sem religião (embora em menor
número que na década anterior) e do grupo pertencente a outras religiões (IBGE,
2010).
Do ponto de vista social e cultural, considera-se importante investigar a
religiosidade no Brasil, visto que ela está explicitamente dada: o Cristo Redentor, na
cidade do Rio de Janeiro, um dos cartões postais do país; nas cédulas do Real,
moeda brasileira, está escrita a frase “Deus seja louvado”; um de seus Estados
chama-se Espírito Santo, outro se chama São Paulo, além de tantas pequenas
cidades com nomes de mártires religiosos. Não por acaso o país foi escolhido, em
2013, para sediar a Jornada Mundial da Juventude, da Igreja Católica Apostólica
Romana, pois ela possui um significativo número de adeptos jovens. Além disso, a
Carta Magna, ou seja, a Constituição da República Federativa do Brasil, inicia seu
texto com a frase: “... promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL” (CONSTITUIÇÃO,
p.11).
Por outro lado, podemos ainda destacar alguns movimentos de jovens de
diferentes religiões no Brasil, dentre os quais a Pastoral da Juventude e os grupos
de jovens da Igreja Católica; os grandes encontros de mocidade de diferentes
igrejas evangélicas, em especial a União de Mocidade das Assembleias de Deus e
das Igrejas Batistas, e a Mocidade Espírita. Periodicamente são promovidos
encontros onde há presença maciça de jovens. Tais manifestações são
significativas, porém pouco abordadas pelos meios de comunicação no país – e
praticamente nada abordada pelos estudos em psicologia social ou psicologia da
adolescência.
Considera-se relevante pesquisar a religiosidade de adolescentes brasilienses
pelo fato de Brasília ter um histórico que a leva a ser, muitas vezes, caracterizada
como uma capital mística (SIQUEIRA, 2003; FREIRE & DANTE JÚNIOR, 2011). Um
importante evento a ser considerado a respeito do seu desenvolvimento religioso
ocorreu em 1957, com o nome “batismo espiritual”. Um cruzeiro foi armado na parte
mais elevada de Brasília e uma missa foi celebrada. O evento ficou marcado com o
comentário do presidente Juscelino Kubitschek de que aquela missa era o plantio da
“semente espiritual” de Brasília (VASCONCELOS, 2007). Percebe-se que, desde o
início, o aspecto religioso esteve muito presente na construção desta cidade. Nos
próprios Arquivos relacionados à memória do Distrito Federal há menção à visão de
Dom Bosco quanto ao surgimento de uma nova civilização entre os paralelos 15 e
20, sendo entre estes paralelos a localização de Brasília (ARQUIVO PÚBLICO DO
DISTRITO
FEDERAL,
2011).
Portanto, pesquisar a
vivência
religiosa
de
adolescentes que vivem em Brasília se faz importante para a compreensão de como
essa religiosidade se apresenta hoje.
Devido a sua diversidade religiosa e a tendência à miscigenação, também neste
campo, o Brasil tem atraído muitos pesquisadores interessados no tema, incluindose um grupo de pesquisadores da Alemanha e Suíça, liderados pelo Prof. Christoph
Käppler (KÄPPLER et al., s/d) do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da
Universidade de Dortmund. Deste modo, o Programa de Pós-Graduação Stricto
Sensu em Psicologia da UCB recebeu, em 2012, uma doutoranda alemã, Mirjam
Amberge, para realizar coleta de dados para uma pesquisa que faz parte do referido
grupo, orientada pelo Prof. Käppler e co-orientada pela Profa. Marta Helena de
Freitas. No âmbito de um doutorado sanduíche, Amberge coletou dados na Bahia e
no Distrito Federal. Empregou o mesmo instrumento – originalmente empregado nas
pesquisas anteriormente realizadas na Alemanha e na Suíça–, previamente
traduzido e adaptado para o seu emprego no Brasil (AMBERGE et al., 2012). A partir
dos resultados, percebeu-se a necessidade de realizar pesquisas qualitativas que
permitissem um melhor refinamento do instrumento de acordo com a realidade
brasileira e, a partir disso, ampliar a amostra estendendo-a a outros estados.
A pesquisadora desta dissertação participou da coleta de dados do estudo de
Amberge sob a orientação da mesma orientadora no Distrito Federal. A participação
permitiu uma espécie de estudo piloto para elaboração do projeto de pesquisa
apresentado nesta dissertação. Assim, optou-se pelo estudo qualitativo, nos moldes
da pesquisa fenomenológica. Trata-se, portanto, de uma pesquisa de natureza,
como foi caracterizada por Amatuzzi (2005).
Este trabalho pretende sondar a religiosidade e os valores de adolescentes
participantes das três religiões com maior proporção de brasileiros e brasilienses
adeptos, de acordo com o IBGE (2010). Além disso, incluiu-se na pesquisa
adolescentes sem religião, de ambos os sexos, dado o grande índice de brasilienses
que se declararam sem religião no referido censo. Por abordar adolescentes sem
religião e por compreender que existem aspectos convergentes e divergentes entre
as concepções de religiosidade e de espiritualidade, optou-se por mencionar ambos,
inclusive no título deste trabalho, o que será melhor explicitado em subitem
específico, devido às aproximações entre os termos que alguns autores têm feito
atualmente.
De acordo com as indagações mencionadas, seja com relação à vivência
religiosa / espiritual e sua relação com a formação de valores, seja com relação a
como se apresenta a R / E na adolescência, ou até mesmo com relação à R / E em
Brasília, nasce o problema principal deste trabalho: como é a R / E dos adolescentes
brasilienses e sua relação com os valores no atual contexto social e familiar em que
vivem? Soma-se a essa questão a intenção de buscar maior refinamento do
instrumento previamente adaptado por Amberge (op.cit.) junto aos adolescentes
brasileiros, complementando, também, o trabalho iniciado por Taceli (2014).
A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas e pela
aplicação do Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência
(Vide Anexos 1 e 2) na versão readaptada por Taceli (2014). Como referencial
teórico, ancorou-se no esboço de uma Teoria do Desenvolvimento Religioso de
Amatuzzi (1999), e nos principais teóricos que o embasaram. Também foi utilizada a
Teoria de Kohlberg e o desenvolvimento moral.
Compreende-se que este trabalho se dá na confluência da Psicologia Social
com a Psicologia do Desenvolvimento e a Psicologia da Religião, sendo, portanto,
um tema transversal que não se constitui propriamente em uma área, mas que
permeia praticamente todas as outras com implicações tanto para a área
comunitária, como para a clínica e a educacional. Desta forma, espera-se contribuir
para ampliar a literatura ainda tão escassa sobre religiosidade na adolescência nos
dias atuais, como também oferecer subsídios para ações sociais e preventivas junto
aos jovens adolescentes, já que as questões religiosas na juventude e suas relações
com a formação de valores permeiam todas as esferas de vida dos brasileiros.
2. REVISÃO DA LITERATURA
2.1. Esclarecimentos conceituais: religião, religiosidade, experiência religiosa
e espiritualidade
Diversas teorias referentes à essência da religião foram elaboradas por
diferentes escolas. Umas a viam como essencialmente interior; outras, como
essencialmente exterior; e ainda outros adotam uma perspectiva interacionista. Isso
decorreu também da grande complexidade deste campo conceitual, no âmbito do
qual surgiram variadas interpretações e leituras por diversos autores e épocas. A
seguir, algumas delas são apresentadas e discutidas como as que mais se
destacaram, ou que apresentam maior consonância com a perspectiva adotada
neste trabalho.
William James (1842–1910) é um dos pioneiros mais citados nos estudos em
Psicologia da Religião e na compreensão fenomenológica da experiência religiosa.
Ele afirma que a natureza específica do religioso se situa na ordem dos sentimentos,
e define a religião como “os sentimentos, atos e experiências de indivíduos em sua
solidão, na medida em que se sintam relacionados com o que quer que possam
considerar o divino” (1995, p. 31-32). Chama-nos atenção para uma linha divisória
que atravessa o campo da religião: de um lado, a religião institucional e, do outro, a
religião pessoal. Em suas conferências, ele preferia se referir à religião pessoal, com
atenção ao que se mostra útil e empiricamente construtivo na vivência da religião.
Interessou-lhe falar da religião vital, que é estar perto do que as pessoas realmente
vivem quando experimentam contato profundo com o divino. O autor se dizia
impressionado com a força das convicções de pessoas que chegam a atitudes
religiosas personalizadas. Para ele, a experiência religiosa provoca uma
identificação da porção melhor e superior do indivíduo em sua solidão com o
princípio divino. A pessoa não se isola na comunhão com o divino; ela sabe que sua
experiência existe em continuidade com o universo exterior. O autor classifica e
descreve pelo menos dois tipos de religiosidade: a doentia e a saudável. A doentia
seria resultante de uma fé pessimista, sofredora e introvertida. Porém, ele concentra
seus estudos na religiosidade saudável, que seria uma fé otimista, feliz, extrovertida
e social, com tendência a ver o lado bom em todas as coisas. Para ele, por mais que
a religião possa assumir variedades aberrantes, ela é um fenômeno de valência
psicológica e cultural positiva. O outro ponto da abordagem pragmática proposta por
James refere-se à emoção individual como base da religiosidade. Para ele, a religião
deve ser vista não a partir de seu lado intelectivo e socioinstitucional, mas a partir de
seu componente emocional. As emoções podem transformar os rumos da vida de
uma pessoa por completo, redimensionando-os por inteiro, de maneira imprevista e
rápida e, muitas vezes, duradoura (JAMES, 1995).
Discutindo a posição adotada por James, o pesquisador brasileiro Edênio
Valle (1998) parte do princípio de que a religião é tomada como uma matriz
instituída. Para ele, a religiosidade se refere à experiência subjetiva e, em seu nível
mais profundo, levanta a questão de sua dimensão inconsciente. As funções
psicológicas e socioculturais das duas se completam. O sucesso e a sobrevivência
das religiões se devem à sua função utilitarista e à sua capacidade funcional de dar
respostas a perguntas como, por exemplo: “como Deus e a religião servem na busca
humana da felicidade?” (p.76).
Já para Vergote (1969), a religião é, por um lado, o encontro com o divino e,
por outro, uma resposta por meio de uma práxis: “A religião é um conjunto orientado
e estruturado de sentimentos e de pensamentos. O ser humano e a sociedade
tomam, por meio dela, consciência vital de seu ser íntimo e último e,
simultaneamente, nela se torna presente o poder do sagrado” (p. 25 - 26).
Além de Edênio Valle, outro autor brasileiro contemporâneo que contribui para
o entendimento desses conceitos é Mauro Martins Amatuzzi, do Instituto de
Psicologia da Unicamp. Ele tem se debruçado sobre o estudo do desenvolvimento
religioso, fundamentando-se na fenomenologia. Ele nos apresenta a ideia de
desenvolvimento religioso e desenvolvimento psicológico. Compreende a religião
como um campo no qual crescemos ou deixamos de crescer, sendo este o campo
das indagações últimas, indagações pelo sentido. O crescimento está relacionado
ao abrir-se para experiências novas que levam adiante as referidas indagações:
“concepções e experiências se articulam no desenvolvimento religioso” (AMATUZZI,
1999, p. 124). Nesse sentido, no campo das indagações últimas, as religiões se
apresentam como sistemas de crenças e ritos sociais de asseguramento, produzidos
pelo ser humano.
Para Amatuzzi (1999), a experiência religiosa deve ser pesquisada
fenomenologicamente, por ser uma proposta de retorno à experiência básica para
além de suas sistematizações e, portanto, um esforço de a pureza original dessa
experiência e seus desdobramentos serem ditos sempre de novo. No adulto, as
reflexões a respeito desse campo de experiência podem estar mais ou menos
trabalhadas. Quando se tratam de reflexões infantis, esse adulto toma posição que
reflete sua inadequação. Consequentemente, ele se priva de novas experiências
que seriam importantes para seu desenvolvimento global como pessoa humana.
Amatuzzi (1999) apresenta que a religião praticada ou declarada não está
necessariamente ligada à fé. A fé é uma confiança básica, é o que dá sentido à vida
do ser humano, é a forma de sua energia de viver. A superação das dicotomias
“concepção humana amadurecida e concepção religiosa infantil”, e entre “religião
declarada e fé” só é possível por meio de um retorno à experiência e seus
desdobramentos no campo humano e religioso. É possível as grandes linhas de um
desenvolvimento religioso serem descritas a partir das raízes de uma fé ou
confiança básica, de seus pontos de fixação e de bifurcação, de seus
desdobramentos, de sua articulação com experiências novas, partindo do início da
vida até a maturidade. Por ser uma descrição bastante complexa, o campo religioso
e sua energia básica (que é a fé) devem se articular com experiências, descobertas
e encontros, onde se desenvolverão incorporando ou rejeitando sistemas religiosos
– ou quase religiosos (AMATUZZI, 1999). Conforme proposta de Amatuzzi (2001, p.
32), religião pode, então, ser assim definida:
Organização externa, mais ou menos coerente, de crenças, valores, mitos e
ritos que giram em torno de um enfoque da questão do último, e que
frequentemente corresponde à existência histórica de um corpo social
hierarquizado ao qual algumas pessoas dão a sua adesão.
Outra referência muito citada no campo da Psicologia da Religião é Gordon
Allport, para quem a religiosidade pode ser considerada predominantemente
intrínseca ou extrínseca (ALLPORT & ROSS, 1967). A religiosidade intrínseca é
caracterizada por uma fé mais internalizada, independente de fatores externos e
associada de forma positiva com a saúde física e mental. Já a religiosidade
extrínseca é mais voltada para rituais sem ressonância interior, com forma utilitarista
da religião, para obter segurança, reconhecimento e sociabilidade, e é menos
relacionada à saúde física e mental.
Percebe-se uma aproximação entre as propostas dos conceitos de religião e
religiosidade. De forma geral, o conceito de religião desvela estar mais relacionado a
um conjunto de comportamentos compartilhados e de crenças instituídas,
relacionadas ao modo de o ser humano se relacionar com o que considera divino,
superior. Já o conceito de religiosidade desvela estar mais relacionado à atitude
pessoal, à maneira de ser de cada pessoa frente à religião.
Quanto à experiência religiosa, Paiva (1998) – outro pesquisador brasileiro
reconhecido neste campo – enumera as cinco modalidades da experiência religiosa
a partir das modalidades da estruturação da consciência, tal como proposta por
Vergote (1997):
“(I) experiência do sagrado, conhecimento intuitivo da realidade
sobrenatural, que se percebe ao mesmo tempo inerente ao mundo e
mistério manifestado; (2) apreensão súbita, geralmente afetiva, da realidade
sobrenatural que surpreende a pessoa e a interpela em sua existência; (3) o
conhecimento que é fruto de contato prolongado com Deus; (4) a
experiência dos místicos, dom de união imediata, mas preparado por
trabalho sistemático; (5) conhecimento perceptivo imediato das visões e
revelações pessoais” (VERGOTE, 1997 apud PAIVA, 1998, p.158).
Amatuzzi (1997) caminha na mesma direção e afirma que: “A experiência
religiosa abre a pessoa para um mundo inteiramente novo e diferente do cotidiano,
do qual só é possível dar conta a partir de dentro dele mesmo” (p. 37).
Em consonância com o exposto, Valle (2005) cita Mouroux (1952) ao
mencionar a experiência religiosa:
“a experiência religiosa se apresenta como a experiência estruturada por
excelência. Consiste efetivamente em tomar consciência de uma relação
pensada, querida, provada e comprometida com a vida; inserida na
comunidade humana. Mais exatamente, consiste em captar o
relacionamento em que todos esses elementos se integram na simplicidade
de um ato que os contém virtualmente a todos eles, que os separa uns dos
outros segundo cada ocasião, mas que os unifica e os transcende porque é
o ato da pessoa que se entrega inteiramente ao Deus que a chama. A
experiência religiosa é a consciência dessa resposta à chamada [...] é a
descoberta da presença divina dentro de nós que nos faz entrar nela e, em
consequência, a consciência da unificação (ao menos inicial) do ser e da
vida sob a ação de Deus” (MOUROUX, 1952 apud VALLE, 2005, p. 98).
Tomando essa temática sob a perspectiva fenomenológica, o conceito de
experiência religiosa está bastante relacionado ao conceito de religiosidade, pois
pressupõe uma experiência pessoal de cada pessoa com o que se entende por
religião, sendo esta a perspectiva da qual se parte para esta pesquisa.
O conceito de espiritualidade, por sua vez, é um termo de uso muito recente
na Psicologia científica, conforme apontam Valle (2005), Paiva (2005) e Aletti (2012).
Tais autores alertam de que não se deve reduzi-lo à definição de estados alterados
de consciência, pois se trata de algo mais amplo, sendo essencialmente a busca
pessoal de sentido para o próprio existir e agir. Está unida à motivação profunda que
nos impulsiona a viver, fazendo-nos crer, amar e lutar. A espiritualidade se orienta
para o porquê último da vida. Neste sentido, para Boff (2006, p.23), “colocar
questões fundamentais e captar a profundidade do mundo, de si mesmo e de cada
coisa constitui o que se chamou de espiritualidade”. Assim, a espiritualidade é
inerente ao ser humano, não sendo possível se tornar um ser psicologicamente
adulto sem que seja espiritual. Desta forma, compreende-se que um ateu pode ser
espiritualmente rico (VALLE, 2005), apesar de não ser religioso. Assim,
espiritualidade não implica ligação com uma realidade superior ou um ser
transcendente; significa deixar-se levar pelos valores e pelos significados
(GIOVANETTI, 2005). Na espiritualidade se constrói o sentido por meio da reflexão
sem a ligação com um ser superior; já na religiosidade, a construção de sentido se
dá por meio da vivência de uma crença (GIOVANETTI, 2005). Paiva (2005) defende
que se mantenham em separado os termos psicologia da religião e psicologia da
espiritualidade. Ele critica o termo espiritualidade quando compreendido como
antagônico da religiosidade e afirma que uma espiritualidade como objeto da
psicologia seria aquela que:
“no sentido de busca de autonomia, de construção pessoal da relação com
a totalidade, de respeito à singularidade do indivíduo, de abertura e de
experimentação do novo, de recusa da rigidez, do autoritarismo e da
alienação, é um bem desejável e condizente com o aprimoramento humano”
(p. 43).
Segundo Aletti (2012, p.166): “a religião é uma das respostas possíveis à
demanda geral de sentido colocada pelo ser humano. Essa demanda de sentido, por
sua vez, pertence à espiritualidade”.
Para Farris (2005, p. 165), a confusão entre os termos espiritualidade e
religiosidade pode ser explicada, em parte, pelo fato de que segundo as tradições
nos contextos religiosos ocidentais, o termo espiritualidade “evoca, quase
automaticamente, imagens de devoção, piedade e práticas religiosas relacionadas
aos conceitos de espírito e alma”. Porém, o autor menciona outra descrição
possível, que compreende a espiritualidade como descoberta de significado por
meio de relacionamentos entre a pessoa com o outro e com o mundo, sendo, muitas
vezes, um processo inconsciente, ou não intencional, porém, aparentemente
universal.
Os dois conceitos dizem respeito à obtenção de sentido da vida. Contudo, o
termo religiosidade se refere à obtenção de sentido por meio de uma crença
religiosa; já o termo espiritualidade não se refere, necessariamente, à obtenção de
sentido por meio de uma crença religiosa, mas por meio de uma construção pessoal
da relação com a totalidade. Pelo fato de este trabalho abranger também
participantes não religiosos, em uma perspectiva qualitativa, compreende-se que
pretende conhecer a espiritualidade destes participantes. Será, portanto, adotado
aqui o termo religiosidade, partindo-se do princípio de que ele está necessariamente
imbuído de aspectos do conceito de espiritualidade (STROPPA; MOREIRAALMEIDA, 2008; MARQUES, 2009). Entretanto, ao se abordar os participantes da
pesquisa que alegam não terem religião, poderá ser empregado o termo
espiritualidade, sem necessariamente manter conexão com aspectos do conceito de
religiosidade. Isto está em consonância com o que propõe Marques, CerqueiraSantos e Dell’Aglio (2011, p.79): “[...] observa-se que vários estudos internacionais
tendem a utilizar ambas as terminologias de maneira complementar e intricada,
como se a religiosidade envolvesse espiritualidade, sendo o oposto também
verdadeiro para alguns casos”.
Esclarecidas as questões conceituais, a seguir são apresentados e discutidos
alguns aspectos históricos e contemporâneos da realidade brasiliense, a fim de
contextualizar socioculturalmente o local em que se situam os participantes desta
pesquisa.
2.2. Religiosidade em Brasília
Vasconcelos (2007), autor de livros sobre a história da construção de Brasília,
apresenta, de modo muito entusiasmado, informações a respeito do processo de
interiorização da capital do Brasil. Uma delas é a respeito de Dom Bosco – um ser
humano dedicado aos ensinamentos cristãos na cidade italiana de Turim, fundador
da Congregação Salesiana – que teve, aos 68 anos de idade, em 1883, um
sonho/visão profético, no qual viu o “surgimento de uma nova civilização entre os
paralelos 15 e 20, numa enseada bastante extensa, que partia de um ponto, onde se
formava um lago” (p. 27).
Relata-se que, no sonho, Dom Bosco empreendeu uma viagem pela América
Latina e teve a revelação de que entre os graus 15 e 20 estaria a “Terra Prometida”,
de onde surgiria uma nova civilização (FREIRE & DANTE JÚNIOR, 2011; ARQUIVO
PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL, 2011). Curiosamente, Brasília está situada no
paralelo 15, em um ponto onde se forma o Lago Paranoá (VASCONCELOS, 2007).
Outro fato importante ocorreu no início das obras da construção de Brasília,
quando foi realizado o evento conhecido como “batismo espiritual” da cidade na
realização de uma missa. Após esse evento seguiram-se: em dezembro de 1956 foi
edificada uma ermida a Dom Bosco, no alto de um morro do outro lado do lago; o
padre salesiano Osvaldo Sérgio Lobo se fixou no canteiro de obras; houve a
fundação da primeira Loja Maçônica, a Estrela de Brasília; o pastor Elias Brito
Sobrinho inaugurou a Primeira Igreja Batista; o padre Roque Valiatti Baptista criou a
Paróquia de Dom Bosco; pouco depois, chegaram os espíritas e construíram o
Centro Espírita Sebastião, o mártir; e Yokanan e seus seguidores, em uma região
próxima a Brasília, fundaram a Cidade Eclética (VASCONCELOS, 2007). Também
vale mencionar a criação por “tia Neiva”, em 1959, do movimento doutrinário e
religioso conhecido como “vale do amanhecer”, hoje localizado no norte do Distrito
Federal. Os monumentos mais visitados de Brasília são religiosos: a Catedral, a
Igreja Dom Bosco e o Templo da Legião da Boa Vontade.
De fato, a identidade mística de Brasília tem sido objeto de vários estudos.
Freire e Dante Júnior (2011), por exemplo, realizaram um trabalho com base na
fenomenologia da Geografia, utilizando-se de pesquisa bibliográfica e entrevistas.
Por meio da retrospectiva realizada sobre o processo de interiorização, identificaram
que o místico já estava presente em seus idealizadores por eles acreditarem que, a
partir da transferência da capital do Brasil, o país alcançaria o progresso. Além
disso, por meio das funções políticas e econômicas de Brasília, esta acaba por ser
também centro de concentração do imaginário popular e, por trás da paisagem
institucional, existe uma cultural, construída pela subjetividade do ser humano e
suas experiências íntimas na relação com o lugar em que vive.
Siqueira (2003) também menciona que Brasília fica cada vez mais conhecida
nacional e internacionalmente como capital do esoterismo e do misticismo, e
considera que a maneira como Brasília surgiu contribui para isto, seja pelo mito da
criação de uma cidade utópica, com o planejamento urbano e arquitetura futurista do
Plano Piloto, seja pelo mito da “Terra Prometida”, conforme citado anteriormente.
Assim, tornou-se terreno fértil para o surgimento de uma religiosidade voltada para
um Novo Tempo, conforme se pôde ver no surgimento, por exemplo, da Cidade
Eclética, do Vale do Amanhecer e da Cidade da Fraternidade, dentre outras novas
que continuam a surgir (SIQUEIRA, 2003).
Pelo que esses e outros estudos indicam, tanto por ter sido uma cidade
planejada, sonhada, quanto por possibilitar o surgimento de uma “nova civilização” –
entenda-se nova civilização por um povo advindo de várias partes do país, com
diferentes culturas, costumes, culinárias, sotaques –, Brasília se tornou solo fértil ao
surgimento de novas religiosidades / espiritualidades. No Censo de 2010, constatouse que a cidade possuía aproximadamente 2.570.160 habitantes e um território de
5.779.999 Km², e que a população residente de religião católica apostólica romana
era de 1.455.134; a evangélica era de 690.982; a sem religião era de 236.528; e a
espírita era de 89.836 (IBGE, 2010).
A adolescência, como já se disse antes, é uma faixa etária do
desenvolvimento que vivencia a religiosidade de maneira peculiar. Considera-se
importante conhecer como se manifesta a vivência religiosa / espiritual de
adolescentes no contexto da “Terra Prometida”. Na sequência, portanto, abordar-seá o modo com as pesquisas têm revelado a maneira de os adolescentes vivenciarem
a R / E para depois apresentar em mais detalhes os objetivos e a metodologia
empregada nesta pesquisa.
2.3. Adolescência e religiosidade
2.3.1. A fase da adolescência
O fenômeno da adolescência nem sempre existiu; compreende-se que, do
ponto de vista biológico, os aspectos pubertários é que sempre existiram. É
importante considerar que o fenômeno da adolescência possui aspectos sóciohistórico-culturais, sendo constituído por eles e, ao mesmo tempo, atuando sobre
eles em uma relação dialética (OZELLA E AGUIAR, 2008). Somente durante o
Século XIX a adolescência se tornou uma categoria reconhecida e difundida, com a
introdução da educação em massa nos Estados Unidos. O fenômeno da
adolescência passou por mudanças ao longo dos anos, sendo que, ao longo desse
histórico,
o
sobremaneira
desenvolvimento
industrial
na
sociedade
ocidental
contribuiu
(COLE & COLE, 2003). Assim, a adolescência foi criada
historicamente pelo ser humano, como representação e como fato social e
psicológico, sendo constituída com significado cultural. A linguagem permeia as
relações, os fatos sociais surgem dessas relações e os homens atribuem
significados a estes fatos, criando e definindo conceitos (AGUIAR; BOCK E
OZELLA, 2001).
No Brasil, um marco dessas mudanças na compreensão da adolescência foi
a criação da Lei nº 8.069, de 1990, denominada Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA, 2005). Desde então esta fase tem recebido mais atenção, o que
pode ser observado, por exemplo, com a disponibilização da caderneta de saúde
do(a) adolescente, que foi desenvolvida pelo Ministério da Saúde. Ela possui
versões femininas e masculinas, e é bastante completa e orientadora quanto a
aspectos da saúde física e psicológica dessa fase (CADERNETA DA SAÚDE DA
ADOLESCENTE, 2009; CADERNETA DA SAÚDE DO ADOLESCENTE, 2009).
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (2005), considera-se
adolescente a pessoa entre doze e dezoito anos de idade – o estatuto pode ser
aplicado excepcionalmente nos casos expressos em lei, às pessoas com idade entre
dezoito e vinte e um anos. A questão da religiosidade na adolescência é vista como
um direito fundamental por este Estatuto, visto que a cita em seu Artigo 16,
Parágrafo III, que a criança e o adolescente têm direito à crença e culto religioso.
Este direito está citado mais especificamente no Capítulo II, que trata do direito à
liberdade, ao respeito e à dignidade (ECA, 2005). O ECA foi um marco na
transformação do tratamento dado às crianças e adolescentes. Com ele, passou-se
a observar as necessidades, direitos e deveres do ser em desenvolvimento e
clarificou o que se espera de seus cuidadores. Alguns criticam a necessidade da
criação deste estatuto por entenderem que o Estado passou a interferir na vida
familiar; outros compreendem que ele se tornou necessário, tendo em vista que as
famílias precisavam desse apoio e orientação. O mais importante é que houve
mudança significativa na maneira de compreender a criança e o adolescente, que
antes eram compreendidos como um ser formado e pronto, podendo ser tratado da
mesma forma que um adulto, e que agora é visto como carente de cuidados por
parte de seus cuidadores.
Já pela Organização Mundial da Saúde (1995), a adolescência é
compreendida como a faixa etária de 10 a 19 anos, sendo este período organizado
em duas fases: dos 10 aos 14 anos, e dos 15 aos 19 anos. O período dos 10 aos 14
anos corresponde ao início das mudanças puberais, ou seja, as alterações
fisiológicas e corporais associadas ao amadurecimento sexual. O segundo período,
dos 15 aos 19 anos, corresponde ao término da fase de crescimento e
desenvolvimento
morfológicos,
e
nele as
características
de
mudança
na
personalidade e relacionamento social podem ser facilmente percebidas (OMS,
1995). Estas classificações são necessárias para padronizar uma linguagem
compreensível a todos. Em se tratando de uma organização mundial, facilita a
comunicação, principalmente em termos de pesquisas e de políticas públicas.
De forma geral, a adolescência é compreendida como a fase do
desenvolvimento humano que ocorre no período de transição entre a infância e a
idade adulta (ERIKSON, 1980; COLE & COLE, 2003). A palavra “adolescência” se
origina do latim adelesco que significa “crescer”. Jean-Jacques Rousseau (1712–
1778), o primeiro grande teórico da adolescência, em seu tratado sobre a natureza
humana e a educação, sugeriu três características da adolescência que ainda
desempenham um papel predominante nas discussões atuais: 1. A maturação
biológica provoca instabilidade e conflito emocional; 2. As mudanças biológicas e
sociais que ocorrem mais proeminentemente nessa fase acompanham-se de uma
mudança fundamental nos processos psicológicos; 3. O adolescente recapitula os
primeiros estágios pelos quais a criança passou (COLE & COLE, 2003).
O tema da religiosidade se fez presente no início da Psicologia, tendo sido
abordado pelos grandes pioneiros em Psicologia do Desenvolvimento, tais como
Stanley Hall (1844–1924), que se destaca por ser um dos primeiros grandes teóricos
em estudos da adolescência, no âmbito específico da Psicologia. Ele também
acreditava na recapitulação, tendo desenvolvido a Teoria da Recapitulação do
Desenvolvimento; porém de forma diferente de Rousseau, pois era baseada no
evolucionismo. Para ele, o desenvolvimento normal da mente envolvia uma série de
estágios evolucionários, onde o ser humano passa desde a infância por uma
repetição da história da raça humana até se tornar um humano racional e civilizado
na vida adulta. Hall ampliou o conceito da evolução biológica de Darwin e,
desenvolveu sua teoria no campo da Psicologia Biogenética, onde estabeleceu que
a história experimental da espécie humana se tornou parte da estrutura genética de
cada indivíduo. Em sua perspectiva, ao passar pela recapitulação, a pessoa revive o
desenvolvimento da espécie humana desde o seu estado de animal selvagem nas
eras primitivas até os estados de vida civilizada mais recente (HALL, 1916).
Para Hall, a adolescência é o período denominado “tempestade e tensão”. Na
teoria da recapitulação, a adolescência corresponde ao período em que a
humanidade passava por turbulência e transição. Hall vê esse período como o
momento de renascimento, em que a emotividade e o estresse estão aumentados.
O grupo de companheiros tem muita influência sobre o adolescente, e ele nunca
mais sofrerá tanta influência quanto nessa fase. Ao mesmo tempo em que o
adolescente deseja solidão e reclusão, ele se encontra emaranhado em “paixonites”
e amizades. Algumas vezes ele poderá demonstrar insensibilidade e crueldade; em
outras, ele se mostrará extremamente sensível e terno. Há uma fome de ídolos e
autoridades, mesmo com o radicalismo revolucionário dirigido a qualquer tipo de
autoridade. O indivíduo alcança a sua maturidade quando recapitula o estágio do
começo da civilização moderna (HALL, 1916).
Oliveira (2006) critica esta tendência inaugurada por Hall, que possui raízes
em Aristóteles, passando por Rousseau até chegar aos psicólogos da atualidade.
Para a autora, essa concepção revestiu a modernidade de um enquadre negativo do
que seja adolescência e juventude, com a ideia de que o jovem é arrebatado por
emotividade e estresse aumentados. Ela destaca também a contribuição de obras
psicanalíticas para a proliferação dessa vertente, tais como as de Freud (1978,
1995) e as de Aberastury (1983) e Aberastury & Knobel (1988), para citar alguns
nomes (OLIVEIRA, 2006).
Não existe uma teoria sobre a adolescência que seja amplamente aceita.
Observa-se que uma das vertentes de compreensão da adolescência concentra-se
em aspectos biológicos. Esta vertente também é importante, pois é complementar a
outras vertentes que se lançam a compreensões contextuais, psicológicas e
existenciais. É necessário conhecer as limitações dessa abordagem, já que tende a
universalizar o fenômeno biológico da adolescência, abrindo pouco espaço para
diferenças individuais. Por muito tempo a adolescência foi vista apenas sob esse
aspecto. Posteriormente, o termo começou a ter uma conotação psicossocial. Em
geral, os autores são unânimes em apontar que a adolescência passa por um
momento denominado puberdade, que se trata do amadurecimento fisiológico e
corporal. O consenso não existe quanto às questões emocionais e psicológicas.
Quanto às mudanças que ocorrem na puberdade, pode-se dizer que o
adolescente passa de um estágio de imaturidade física para o estágio de maturidade
biológica, quando se torna capaz de reproduzir-se sexualmente.
Ocorrem
mudanças hormonais específicas nos meninos e nas meninas, de acordo com o
sexo. Ambos crescem e se desenvolvem fisicamente (HURLOCK, 1975; ROSA,
1996; BEE, 1997; COLE & COLE, 2003). O momento de início da puberdade entre
meninos e meninas possui variação, apesar de se observar em várias culturas que
esse fenômeno tem se iniciado mais cedo do que há alguns anos (COLE & COLE,
2003). Sabe-se que as transformações biológicas têm implicações sociais,
psicológicas e existenciais, como também questões sociais e culturais atribuem
diferentes significados às mudanças pubertárias.
No aspecto sociológico, ocorre transição da dependência infantil para a
autossuficiência adulta. Passa-se de um estado de dependência para uma condição
de autonomia, em que se começa a assumir funções e responsabilidades que
caracterizam o mundo adulto. Para Erikson (1980), outro importante pioneiro nesse
campo, a adolescência é uma espécie de morada entre a infância e a vida adulta;
ela molda a base para uma personalidade adulta estável (COLE & COLE, 2003).
Existe também um desejo de maior independência em relação aos pais, o que pode
gerar conflitos em casa (MUUSS, 1966; ROSA, 1996; COLE & COLE, 2003). Porém,
a maior parte dos adolescentes compartilha valores de seus pais – ao contrário da
hipótese de uma cultura jovem diferente e separada dos adultos –, sendo o diálogo o
método principal para a resolução de desacordos entre os adolescentes e seus pais
(COLE & COLE, 2003).
Pesquisas têm revelado diferentes maneiras de vivenciar a fase da
adolescência, de acordo com diferenças na idade, no sexo, na classe
socioeconômica e na etnia. Dependendo desses aspectos, o adolescente pode
vivenciar esta fase sem percebê-la como conflituosa e tendo um bom
relacionamento com os pais, por perceber que a limitação imposta pelos pais se
deve a questões da ordem da proteção ao adolescente. Assim, desmistifica-se a
concepção de adolescência problemática (OZELLA; AGUIAR, 2008). Pode-se falar
de várias adolescências, sobretudo ao considerar um país cuja extensão territorial é
grande como o Brasil.
A adolescência deve ser compreendida em seu contexto sócio-histórico. Bock
(2004) só considera possível a compreensão do psiquismo humano considerando o
seu processo de inserção na cultura e nas relações sociais. Ela critica trabalhos que
priorizam a caracterização da adolescência por meio de aspectos biológicos, o que
simplificaria a adolescência a uma vertente naturalizante:
“Torna-se necessário revisitar e rever o conceito porque, em suas
concepções, a psicologia naturalizou a adolescência. Considerando-a uma
fase natural do desenvolvimento, universalizou-a e ocultou, com esse
processo, todo o processo social constitutivo da adolescência” (BOCK,
2004, p. 33).
Quanto à identidade na adolescência, Erikson (1980) ficou conhecido por
abordar esse aspecto, ressaltando que o dilema central da adolescência é o da
identidade versus confusão de papéis. É necessário forjar uma nova identidade a
fim de colocar o jovem entre os papéis da vida adulta – papéis profissionais, sexuais
e religiosos. A confusão em face dessas escolhas é inevitável. Com relação à
América do Norte, Bee (1997) afirma que o status de obtenção da identidade
costuma ocorrer durante os primeiros anos de universidade. No entanto, um terço
dos jovens desvela não enfrentar crise alguma, pois encontram-se no status de
exclusão, bastante comum em culturas não industrializadas, onde se espera que
crianças sigam as escolhas profissionais e sexuais dos pais. No caso dos jovens
que vão trabalhar, eles adquirem uma identidade profissional mais cedo, pois
frequentar a universidade adia o status adulto total. No final da adolescência ocorre
uma espécie de reorganização no conceito de self, com a criação de uma identidade
nova, voltada para o futuro – sexual e ideológica.
Também para Schoen-Ferreira et al. (2003), assim como para Erikson, a
tarefa mais importante da adolescência é a construção da identidade, o passo
crucial da transformação do adolescente em adulto produtivo e maduro. A formação
da identidade é influenciada por três fatores: intrapessoais (as capacidades inatas
do indivíduo e as características adquiridas da personalidade); interpessoais
(identificações com outras pessoas) e culturais (valores a que uma pessoa está
exposta, tanto globais quanto comunitários). No aspecto psicológico, deve ocorrer a
definição da identidade, em que há repercussões com consequências para o
adolescente e a sociedade. Nesse sentido, adolescência é uma “situação marginal”,
em que novos ajustamentos devem ser feitos para distinguir o comportamento da
criança do comportamento do adulto (MUUSS, 1966; ROSA, 1996).
Com um corpo maduro sexualmente, porém com impedimentos de ocupar um
lugar social adulto, os adolescentes desenvolvem-se mentalmente no sentido de
tentar compreender a complexidade das novas circunstâncias em que estão
inseridos. Keating (1990) e Moshman (1998) são mencionados por Cole & Cole
(2003) quando apresentam as mudanças ocorridas na maneira de pensar do
adolescente, pois nesta fase ele adquire a capacidade de raciocinar hipoteticamente,
pensar sobre as maneiras de pensar, planejar o futuro e pensar além dos limites
convencionais. Quanto a pensar além dos limites convencionais, pode ser a
capacidade do uso de suas habilidades cognitivas mais sofisticadas para pensar de
uma nova maneira questões fundamentais das relações sociais, da moralidade, da
política e da religião. Há uma motivação alta para a descoberta da maneira
adequada de agir, já que o adolescente percebe as disparidades entre os ideais da
comunidade e o comportamento dos adultos que o cercam.
A qualidade do pensamento do adolescente varia segundo o conteúdo e os
contextos. Entretanto, consideram-se importantes as contribuições de Piaget quanto
ao pensamento operatório formal, desde que consideradas as variações culturais em
que ele se apresenta. Inhelder e Piaget (1958) são mencionados por Cole & Cole
(2003) por tratarem das mudanças ocorridas na maneira como os adolescentes
pensam. Nessa fase ocorrem mudanças sobre como eles pensam a respeito de
seus relacionamentos pessoais, sobre a natureza da sociedade e sobre si mesmos,
o que se deve ao desenvolvimento de uma nova estrutura lógica chamada de
operações formais, segundo a qual o adolescente adquire a capacidade de pensar
de forma sistemática sobre todas as relações lógicas dentro de um problema,
desenvolvendo interesse em ideias abstratas e no processo de pensamento em si.
As operações formais são um tipo de operação mental em que todas as
combinações possíveis são consideradas para a resolução de um problema; assim,
o raciocínio opera de forma contínua como uma função de um todo estruturado. O
pensamento operatório formal permite que os jovens pensem sobre questões
políticas e jurídicas como princípios abstratos, permitindo-lhes pensar sobre o lado
benéfico das leis e não apenas o punitivo. Podem também observar e interessar-se
nos princípios éticos e nas incoerências dos adultos, por estes dizerem uma coisa e
realizarem outra. Os escritos de Piaget sugerem que o pensamento operatório
formal ocorre de forma consistente em diferentes domínios do pensamento do
adolescente, e que esse pensamento é tão universal quanto a puberdade, devendo
entender-se que há grande variação em quando e sob que circunstâncias ele se
manifesta, considerando-se que cada pessoa atinge esse estágio em diferentes
áreas e de acordo com suas aptidões. Logo, a maneira como as estruturas formais
são utilizadas não é a mesma em todos os casos.
Amparo et al. (2008) realizou pesquisa com 852 adolescentes e jovens
estudantes do segundo grau de colégios públicos do Distrito Federal e identificou um
caráter positivo sobre as vivências familiares: 86% dos participantes relataram ter
incentivo da família para com os estudos; 82,1% dos adolescentes relataram que a
família oferece segurança; 71,1% relataram que não há conflitos relevantes na
família; 57,9% disseram ter privacidade em casa; 62,3% disseram que em casa há
respeito mútuo entre as pessoas; 57,3% disseram que, quando falam em casa, têm
a atenção da família; e 53% disseram que na família as pessoas tendem a se ajudar
mutuamente. Nessa pesquisa, observa-se que os jovens têm uma percepção
predominantemente positiva do ambiente familiar. A rede de amigos também se
mostrou como um grupo importante, tanto para a proteção quanto para a
constituição da identidade dos adolescentes, pois 96,3% disseram ter amigos que
lhes fornecem apoio emocional, espiritual, material, social e também nas tarefas
escolares. Outro fator de proteção mencionado por este grupo de pesquisadores se
refere ao envolvimento que eles têm com a escola: 90,5% mencionaram a
importância dos estudos atualmente, e 84,1% mencionaram a importância dos
estudos futuramente; 84,1% mencionaram o desejo de fazer faculdade e o mesmo
percentual reconhece a necessidade de muito esforço pessoal para isso. No que
concerne a autoestima, que é considerada um fator pessoal de proteção, 80,5% dos
jovens desta pesquisa declararam sentir-se pessoas de valor; 72,1% acham que têm
boas qualidades e 57,8% se consideram criativos. Porém, 28,6% declararam sentir
que não “prestam” para nada; 24,8% declaram ter manifestações ocasionais de
inutilidade, e 18,1% declararam ter sentimentos de fracasso. Esses dados,
observados em seu conjunto, mostraram a convivência entre aspectos positivos e
negativos de forma harmônica e previsível, e permitem a visualização de uma
juventude comprometida consigo mesma e consciente de limites e frustrações
importantes para o próprio amadurecimento.
Em pesquisa sobre a religiosidade em jovens brasileiros, Santos e Koller
(2009) disseram que jovens com idade abaixo dos 25 anos tendem a seguir a
mesma religião dos pais. Em 1998, 11,4% dos jovens brasileiros entre 16 e 25 anos
eram agnósticos. Constatou-se também a diferença de religiosidade entre os
gêneros, sendo as mulheres com maior religiosidade que os homens; os evangélicos
e protestantes foram os que apresentaram maior religiosidade, explicada pelo fato
de ser uma religião baseada na prática, que envolve orações, cultos, escrituras e
rituais sagrados; a religiosidade dos católicos ficou na média, e o grupo dos que não
tinham religião ou não acreditavam em Deus tiveram os menores escores de
religiosidade. No entanto, considerou-se que a escala utilizada na pesquisa não
desvela a mais adequada para medir a religiosidade afro-brasileira, pois esta está
ancorada no sincretismo religioso. Em síntese, o estudo revelou uma diminuição da
adesão à religião institucionalizada; os adolescentes brasileiros continuam a
acreditar em Deus embora haja uma tendência à individualização da fé.
Segundo Almeida e Montero (2001), jovens de nível socioeconômico baixo
são a população que mais muda de religião no Brasil – questionam a religião dos
pais e procuram respostas em outras afiliações. Eles disseram que no Brasil,
tradicionalmente, o índice de autoafirmação como católicos é maior, ainda que de
fato não pratiquem esta religião. Parte disso se explica pela questão cultural, pois a
religião faz parte da cultura brasileira e foi introjetada na identidade dos que se
afirmam católicos, muitas vezes pelo fato de terem sido criados em famílias católicas
– e batizados, como iniciação na religião. Assim, os jovens apresentaram, nesta
pesquisa, alto percentual de respostas “sem religião”, o que demonstrou que nessa
fase há um maior afastamento das religiões institucionalizadas e um maior trânsito
religioso.
Pode-se dizer que na adolescência ocorrem transformações biológicas,
psicológicas, sociais, e existenciais – dentre as quais, incluem-se mudanças nos
valores, que deixam de ser exclusivamente emitidos pela família e passam a ser
produto de uma reflexão e experiência pessoal do adolescente. Ele passa a
desenvolver seu próprio jeito de visualizar o mundo, incluindo reflexões acerca das
instituições religiosas e sua maneira de lidar com elas. Sendo a adolescência a fase
de mudanças nos papéis, inclusive religiosos (Erikson, 1980), no próximo tópico
aborda-se mais especificamente a adolescência e sua maneira peculiar de vivenciar
a religiosidade.
2.3.2. Religiosidade na adolescência: a perspectiva de Amatuzzi
Vários teóricos, especialmente os pioneiros da área, abordaram o tema da
religiosidade na adolescência, considerando sua importância nos estudos do
adolescente de forma integral. Atualmente, entretanto, encontram-se poucos
estudiosos que têm se debruçado sobre essa questão específica, principalmente no
Brasil.
Amatuzzi (1999), fenomenólogo em pesquisas da psicologia da religião,
desenvolveu um esboço de teoria do desenvolvimento religioso, com foco também
sobre o período da adolescência. Embora o autor busque em outros autores
elementos para elaborar o seu próprio esboço teórico, ele toma as noções de
experiência e de consciência como conceitos-chave, em consonância com os
pressupostos da fenomenologia. Ele buscou elementos nos seguintes autores para a
elaboração de sua teoria: Piaget e as etapas da construção de um eu; Maslow e a
hierarquia das necessidades; Erik Erikson e sua visão abrangente das oito idades da
vida; e James Fowler e sua pesquisa sobre os estágios da fé.
Um dos conceitos mais importantes que embasam a hipótese geral do
desenvolvimento religioso é o de experiência, o qual implica um grau mínimo de
consciência. Não se refere ao pensamento sobre o que aconteceu, mas trata-se de
uma experiência vivida, e não apenas de ter passado materialmente pela situação. É
um contato com uma realidade da ordem da consciência que pode ser
emocionalmente muito forte e até mesmo impactante. É a experiência de outra
dimensão da realidade. As interpretações das experiências podem nos distanciar
das mesmas, já que podemos utilizar essas interpretações para nos proteger das
experiências, de forma a distorcê-las quando as sentimos como ameaçadoras.
Essas interpretações, mais próximas ou não do que realmente aconteceu no âmbito
da
experiência, podem
se tornar rígidas e
passar a
determinar nosso
comportamento posterior, o que pode nos impedir de nos dar conta de certos fatos,
isto é, experienciar verdadeiramente. Essas interpretações possuem vida própria e
corremos o risco de ficarmos presos no mundo dos conceitos. Isso caracteriza uma
espécie de dogmatismo. O grau da experiência não se refere a esses pensamentos
posteriores às experiências, ele se refere à capacidade de nos darmos conta do que
acontece “sem pensar”. Seria um pensar diferente, diretamente ligado ao que
acontece, que permite remeter-se inteiramente à realidade. Seria um pensar
transparente; o que se revela é a própria realidade. Portanto, o grau de elaboração
da experiência relaciona-se com a consciência que se tem da realidade – uma
experiência
plena,
elaborada,
é
uma
experiência
plenamente
consciente.
Plenamente consciente não significa haver pensado bastante sobre a experiência,
mas diz respeito à consciência sobre a experiência, uma consciência que se
aproxima ao máximo do vivido (AMATUZZI, 1999).
Em consonância com a perspectiva piagetiana, o autor estabelece que,
quando não se usam os pensamentos secundários como esquema rígido – que faz
perder o contato com a experiência original e seu significado primitivo –, eles podem
ser úteis em decisões pragmáticas. O interessante é que o desdobramento da
experiência só é permitido pelo grau de elaboração da experiência. Quando se tem
consciência plena do que está acontecendo, abre-se para novas experiências, para
perceber outras coisas, e há compreensão mais profunda das experiências
anteriores.
O campo religioso, campo das indagações sobre tudo o que acontece,
indagações sobre o sentido último, questões do transcendente, o dar-se conta
plenamente dessas questões de sentido, experienciando-as verdadeiramente, abre
o ser humano para novas experiências. No caso das experiências acumuladas e
cristalizadas pela humanidade no decorrer do tempo, religiões ou filosofias se
apresentam de forma que não é em conexão com o campo de experiência tal como
vivido pelo ser humano. A religião da família, por exemplo, chega com uma resposta
pronta que pode ser assimilada ou não. Existe uma separação entre a resposta
pronta (a religião da família) e o campo de experiência da pessoa (o que ela sente).
Nessa separação, um todo rígido, uma elaboração secundária tornada autônoma,
que exclui as questões existenciais que se possa ter, é a forma como a resposta
pronta pode ser vista, ou seja, de forma a distanciar as pessoas das próprias
questões existenciais que carrega, da própria experiência. Desta forma, cria-se a
religião como alienação. Seria esta a religião usada para abafar as questões que a
pessoa traz dentro de si, o que não facilita ações no sentido de solucioná-las. O que
pode ocorrer nesse caso é a pessoa rejeitar essa religião para então poder retornar
à sua experiência original, ou aceitá-la nessa condição e utilizá-la para se proteger
de sua experiência original sentida como ameaçadora. A primeira possibilidade é a
mais saudável. O que desencadeia isso é a separação entre o sistema religioso e a
experiência. Isso faz com que a religião seja vista como algo fora da pessoa,
desvirtuando, assim, o sentido humano da religião. Outro problema que pode ocorrer
é a pessoa associar as questões de sentido a esse tipo de religião e anestesiar suas
questões por rejeitar essa religião. Com isso, a pessoa fica com um conceito infantil,
inadequado e rígido de religião. Então, ao rejeitar essa religião, e juntamente com
ela as questões de sentido da vida, a religião também serve como anestesia da
pessoa (AMATUZZI, 1999).
Por outro lado, Amatuzzi (1999) afirma que, se entendemos a religião como o
campo das experiências das questões de sentido, encontra-se outro caminho de
desenvolvimento que seria, primeiramente, vivenciar essas questões de sentido
para, a partir daí, estar aberto às novas experiências que possam ocorrer. Assim,
pode-se ou não encontrar com alguma tradição religiosa viva (e não fossilizada). No
caso de encontrar, não terá uma função alienante, mas promotora de crescimento.
Esse encontro seria uma verdadeira experiência significativa. Essa experiência
significativa pode não coincidir com o encontro de alguma tradição religiosa; trata-se
de uma experiência mais ou menos independente de outra dimensão da realidade. É
uma vivência de encontro pessoal, onde há, por parte da pessoa, algo como uma
rendição incondicional e livre a partir de acontecimentos ordinários, vistos sob uma
nova luz, possibilitando um salto para outra dimensão. Isso pode, mas não
necessariamente, ter relação com uma tradição religiosa viva quando a verdade
profunda dessa tradição é experienciada. Esse tipo de relação pode variar. O que
mais importa é que esse tipo de experiência terá uma influência grande no
desenvolvimento religioso e consequentemente, no desenvolvimento humano de
forma geral (AMATUZZI, 1999).
Passemos agora pelas principais fases da vida propostas por Amatuzzi (1999)
para descrever o desenvolvimento religioso. No primeiro ano de vida, o principal
desafio para o bebê consiste na formação de um ‘eu’ consciente, na descoberta de
um mundo independente do eu. Para isso, é necessária a experiência de uma
confiança fundamental que se estabelece no aconchego da relação com os
primeiros cuidadores. Essa experiência de confiar é capaz de tirar a criança de
dentro de si mesma. Essa consciência que nasce em um clima de entrega está na
base de todas as formas posteriores de fé verdadeira.
A criança, em torno de 1 a 6 anos, já tem a confiança fundamental
constituída no primeiro ano de vida, e em cima disso ela constrói progressivamente
um eu. Na etapa seguinte, do menino ou da menina, aproximadamente dos 7 aos
11-12 anos, o ponto central seria tornar-se capaz de fazer, ou seja, de adquirir
habilidades e desenvolver competências, impulsionado pela confiança básica, e
pressupõe uma experiência de coragem e ousadia. A religião, quando existe, é a
dos pais. Ela é compreendida sob um aspecto mais concreto, a partir de histórias
que lhes são contadas, as quais permitem que o menino ou a menina se vejam
nessas histórias, para representar uma identidade coletiva da qual ele ou ela
participam (AMATUZZI, 1999).
Na fase da adolescência ocorre o processo de construção de uma identidade
a partir das escolhas que se faz. A confiança básica se revela mais uma vez,
fazendo o adolescente partir em busca do que ele é. A criança de antes, que se
definia totalmente pela família, vai deixando de existir. Uma escolha muito
importante nessa fase é a escolha de um grupo no qual o jovem vai exercitar uma
identidade diferente da recebida pela família. A confiança básica se manifesta no
contato com o outro, no grupo escolhido, e permite-lhe fazer experiências
significativas. Esse grupo será importante nas novas experiências espirituais desse
jovem. Ele pode até mesmo vir a adotar a religião do grupo, e assumir a forma de
pensar do mesmo. É uma forma primeira, um pouco mais pessoal, de se definir no
campo de significado das coisas. Não é ainda tão pessoal porque ele assume esse
modo de ser quase sem críticas. O fato de ele confiar nos amigos e no grupo,
permite ao jovem assumir seu modo de pensar e agir, alcançando sua nova
identidade. Se ele não fizesse isso, permaneceria vinculado à família de forma rígida
e não alcançaria sua nova identidade. Nessa fase existe a necessidade de explorar
um pouco mais o mundo além da comunidade familiar – mas, ao mesmo tempo, com
a segurança que vem justamente da família. Pode haver um abandono provisório ou
definitivo da prática religiosa dos pais justamente por ser dos pais e não do seu
grupo novo. Em parte, isso dependerá da autenticidade da prática dos pais e do
respeito dos mesmos com o filho. Os pais ou cuidadores costumam encarar esse
momento como delicado, pois, no caso de existirem elos afetivos fortes, ele pode ser
vivido de forma conflituosa. Para o jovem pode não ser assim. O que acontece para
ele é um desejo de ampliar o mundo e construir uma identidade mais independente
– e ele tem consciência de que precisa da segurança dos pais para isso. O autor
ressalta que é fundamental que os pais tenham a coerência com sua religião, ou sua
fé, o respeito e a paciência pela necessidade do jovem de explorar o mundo
(AMATUZZI, 1999).
O desafio a que o jovem chega no final da adolescência e início da juventude
adulta, movido pela sua confiança básica, é o de sair de um certo fechamento em
sua perspectiva para uma abertura que lhe permita um relacionamento mais
profundo, podendo tocar a realidade mais em seu interior. A essa experiência, dá-se
o nome de intimidade, e ela pode ser física e espiritual. A intimidade se realiza com
pessoas, e também com coisas ou acontecimentos quando se sabe ouvir o que eles
têm a dizer. Dessa experiência surge um novo eu. A confiança básica faz o jovem
adulto correr o risco da intimidade. Se a energia canalizada por essa confiança
estiver debilitada, o jovem poderá se fechar. Uma relação superficial não será mais
suficiente para sustentar uma postura religiosa. Se tudo correu bem até aqui, será
necessária uma base crítica, de uma fundamentação para o que se faz. O anseio
por intimidade faz com que se deseje uma religião ou uma fé ou um modo de ser,
seja qual for, fundamentado em uma experiência real da pessoa. É o momento de
sentir e discutir. Esse é o momento em que práticas religiosas convencionais, ou
baseadas em concepções mais ou menos infantis, não resistem à exigência da
pessoa. Pode ser tempo de reencontro, de uma experiência nova e transformadora
nesse campo (AMATUZZI, 1999).
Na fase adulta, até 35-40 anos, o desafio central apresentado pelo autor é
abrir-se para a criatividade, a fecundidade, a generatividade, no sentido de cuidar do
fruto produzido. Existe a preocupação de expandir essa experiência no meio em que
vive, trazer uma contribuição para a sociedade com seus desafios próprios, ou criar
novos modos de relação no grupo religioso ou do grupo para com o mundo. Entre os
35-40 e 50-60 anos, há uma grande virada. O adulto maduro terá por desafio
descobrir um novo sentido para tudo, um sentido mais pessoal. A agitação externa
não mais satisfaz e não mais sujeita a pessoa a obrigações que para ela não estão
muito relacionadas com uma fonte verdadeiramente interior. Mobilizado pela
confiança básica, surge um eu nessa fase que é um eu fonte de sentido; a pessoa
quer fazer o que realmente faz sentido para ela. É um momento em que mudanças
drásticas podem ocorrer. No caso do ser humano maduro, ou idoso, chama-se a
alcançar esse tipo de libertação, mas de forma diferente da anterior. Desta vez, o
aprofundamento da libertação é por meio dos apegos, por ser uma fase de
experimentação da perda – de saúde, de força física, de capacidades, de pessoas
queridas, dentre outras.
Amatuzzi explicita que, em cada fase da vida, a pessoa se deparará com um
desafio central. A superação, ou não, desse desafio refletirá na maneira de a pessoa
se comportar religiosamente, ou de relacionar-se com Deus – ou com o que ela
considera divino. Se o objeto transcendente não é encontrado pela confiança básica,
nem mesmo de forma implícita, é provável que o ser humano viva um desespero
mais ou menos abafado, ou em amargura.
Percebe-se, pois, que a adolescência constitui o desafio da formação da
identidade, e de eleger grupos onde ela possa exercitá-la – podendo até adotar a
religião do grupo, de forma autêntica ou não. Podemos dizer que é a fase propícia à
experiência religiosa, pois esta lhe serve como resposta a tantas indagações
existenciais.
Um dos teóricos nos quais Amatuzzi se baseia é Fowler (1998), para quem a
fé tem um profundo sentido relacional, que se forma a partir de pessoas, grupos,
família com a qual se convive, ama e confia. A partir do contexto relacional, o
indivíduo cresce e forma a base de suas crenças e fé.
“O estágio da fé que ocorre no início da adolescência/ puberdade é a Fé
sintético/ convencional. Nesse estágio a confiança se desloca para ideias
abstratas do pensamento lógico-formal, isso leva a criança ao desejo de um
relacionamento mais pessoal com Deus. Surge uma perspectiva dialogal
por conta de reflexões sobre experiências passadas e preocupações com o
futuro, além do estabelecimento de relações mais pessoais. No fim da
adolescência e início da idade adulta o estágio vivido é o da Fé
individualizada e reflexiva. Ocorre um exame crítico dos valores e crenças e
uma mudança do apoio em autoridades externas para um apoio mais
interno. Isso possibilita que se escolha compromissos conscientemente”.
(FOWLER, 1998, p. 273-274).
Percebe-se que Fowler menciona o estágio da fé vivido na adolescência de
acordo com as mudanças que ocorrem – mencionadas por Piaget, conforme foi
explicitado anteriormente. Nesta fase, devido às mudanças na estrutura do
pensamento, a criança passa a buscar e viver uma fé que lhe faça sentido, de forma
a lhe permitir um relacionamento mais pessoal com Deus. A partir de como vivencia
isso, ela passa a realizar exame crítico dos valores e crenças.
É importante ter a noção completa do processo de desenvolvimento proposto,
compreendendo que as fases não são fechadas, e que a adolescência constitui uma
fase de descobertas de si mesmo, de formação da identidade, de movimento de
distanciamento familiar e aproximação do grupo de amigos, e de descoberta de uma
religiosidade que lhe faça sentido pessoal. Nessa direção, Starbuck (1899, apud
JAMES, 1995) verificou que a conversão religiosa, em suas manifestações comuns,
está intimamente paralela ao crescimento em uma vida espiritual mais ampla que
ocorre na adolescência, entre os 14 e os 17 anos, quando, muitas vezes, se
identifica sentido de imperfeição, depressão, solidão, introspecção, senso do
pecado, ansiedade a respeito da vida futura e angústia por conta de dúvidas. Para
Starbuck, a conversão é, em sua essência, um fenômeno adolescente normal que
pode ocorrer na passagem do pequeno universo da criança para a vida intelectual e
espiritual mais ampla da maturidade.
Por outro lado, Novaes (2004) apresenta pesquisa realizada com jovens de
idades entre 15 e 24 anos, que teve como principal objetivo discutir a mudança
relativa ao aumento dos que se declaram “sem religião” a partir do Censo de 2000, e
continuou em crescimento segundo o Censo de 2010. A autora constatou que,
dentre os que se declararam sem religião no censo de 2000, a maioria era jovem.
Além disso, ela mencionou a pesquisa nacional realizada pelo projeto Juventude/
Instituto Cidadania, na qual 10% dos jovens entrevistados se declararam “sem
religião” – dentre eles, encontram-se agnósticos e ateus, que são 1%. Dentre os
agnósticos e ateus, 69% são homens e 31% são mulheres, sendo que 50% deles
estão na faixa intermediária, entre 18 e 20 anos, podendo significar que declarar-se
ateu ou agnóstico pode fazer parte do momento da vida em que é importante a
afirmação de identidade independente em relação à família. Isto nos reafirma a
mobilização
interna
e
os
questionamentos
relacionados
à
religiosidade/
espiritualidade que ocorrem nesta fase.
Em síntese, nas palavras de Marques, Cerqueira-Santos e Dell’Aglio (2011,
p.81): “Algumas características do período da adolescência desvelam favorecer que
explorações espirituais aconteçam. Por exemplo, o desenvolvimento da capacidade
de pensar abstratamente permite a consideração de hipóteses não familiares acerca
de situações e ideias”.
No próximo tópico, portanto, serão abordados aspectos mais relacionados à
religiosidade como fator de proteção e suas relações com o bem-estar, sendo
vivenciada de forma a propiciar saúde psíquica.
2.3.3. A religiosidade como fator de proteção e de bem-estar na adolescência
Cada vivência religiosa carrega consigo valores relacionados ao próprio
dogma, aos próprios preceitos. Os adeptos de cada religião, ainda que em diferentes
intensidades, desenvolvem um processo de internalização do que se prega como
certo e errado. Sabe-se que a vida é tomada de contradições e incoerências; porém,
entende-se que, em sua vivência religiosa original e legítima, os jovens que se
identificam com determinada religião estruturam valores na direção da crença, ou
seja, com base em preceitos religiosos e espirituais desta crença.
Em pesquisa sobre religiosidade e identidade positiva na adolescência,
Marques, Cerqueira-Santos e Dell’Aglio (2011) observaram influência positiva da
religiosidade na identidade, porém não foi possível discriminar se os jovens que
possuíam uma identidade positiva eram os que buscavam maior envolvimento
religioso, ou se os jovens com maior envolvimento religioso se beneficiam de uma
visão mais positiva de si. A religiosidade influencia positivamente a noção que os
jovens possuem, ou estão formando, de si. No entanto, destaca-se que o
envolvimento religioso não deve ser tomado como fator protetor absoluto, já que em
certos contextos, e diante das características psicológicas individuais, pode ter um
impacto negativo.
Em outra pesquisa, relacionada à religiosidade como fator de proteção,
Marques e Dell’Aglio (2009) apontam que na adolescência se passa por momentos
em que se pode estar mais vulnerável a inúmeros eventos estressores. Dependendo
de como se enfrenta os problemas e adapta-se a eles, pode haver resultados de
saúde, equilíbrio e resiliência, ou em comportamentos de risco e maiores
dificuldades. Para as autoras, apesar de a adolescência ser geralmente vista como
um período de vulnerabilidades, observa-se que a maioria dos adolescentes
atravessam esse período apresentando sentimentos positivos em relação a si e à
família, e este desenvolvimento positivo está bastante relacionado às características
dos contextos em que estão inseridos e aos fatores de risco e de proteção
presentes. Os comportamentos de risco desses jovens os expõem a uma maior
probabilidade de apresentar problemas físicos, psicológicos e sociais. Entendem
como fatores de proteção os que se referem “a influências que modificam, alteram
ou melhoram a resposta dos indivíduos a ambientes hostis ou que, em sua
ausência, predispõem a consequências mal adaptativas” (p.7).
Os fatores de risco são mencionados por Benincasa e Rezende (2006) como
elementos
com
grande
probabilidade
de
provocar
ou
associar-se
ao
desencadeamento de um evento indesejado, não sendo necessariamente fator
causal. Identificam em sua pesquisa, por exemplo, a associação do álcool e a
direção como fator de risco para acidentes de trânsito entre adolescentes.
Com relação ao bem-estar psicológico na adolescência, um grupo de
pesquisadores constatou no relato deles que aqueles pertencentes a alguma
religião, ou que tinham alguma prática religiosa semanal, apresentaram maiores
níveis de bem-estar psicológico que os adolescentes que iam a templos religiosos às
vezes ou nunca (SILVA et al., 2007).
Nessa direção, em uma pesquisa sobre religiosidade e bem-estar com jovens
adolescentes estudantes portugueses, moçambicanos, angolanos e brasileiros
(FERREIRA; PINTO; NETO, 2012), perceberam-se relações entre vivências
religiosas e a satisfação com a vida e o bem-estar. O estudo apontou que a
religiosidade está associada às variáveis psicológicas em todos os grupos culturais.
Foi verificado nesta amostra que os rapazes têm atitudes mais favoráveis ao
cristianismo que as moças. Eles também apresentaram maior bem-estar religioso; já
as moças apresentaram maior bem-estar existencial. Os homens sentem mais
solidão e as mulheres são mais satisfeitas com a vida do que os homens. Outra
questão importante identificada foi quanto à frequência à igreja ou a outro local
religioso. Os jovens que frequentam mais os locais religiosos têm uma atitude mais
favorável ao cristianismo, maior bem-estar religioso e existencial, sentem menos
solidão e são mais satisfeitos com a vida. Nesse estudo, os brasileiros foram os que
mais declararam frequentar locais religiosos. Os jovens angolanos e brasileiros são
os que mais acreditam em Deus, que declararam que o ato de rezar, orar e ir à
igreja os ajuda a ter uma vida melhor e contribui para o seu bem-estar. Os jovens
que possuem atitudes mais positivas ao cristianismo sentem maior bem-estar
religioso e existencial, frequentam mais a igreja e rezam mais sentem que a sua vida
está próxima de seu ideal, que as condições de vida são boas, que têm as coisas
importantes que gostariam de ter da vida e que não mudariam nada caso vivessem
tudo de novo. Os jovens que demonstraram ter menos solidão revelaram ter maior
bem-estar existencial; porém, a pesquisa não percebeu correlação entre as medidas
de religiosidade e a solidão.
De acordo com Witter et al. (1985) e Inglehart (1990), citados por Ferreira,
Pinto e Neto (2012), vários estudos indicam que pessoas com maior frequência à
igreja são mais satisfeitas com a vida, o que mostra uma correlação positiva entre a
religiosidade e o bem-estar.
Em consonância com o supracitado, estudos de Stroppa e Moreira-Almeida
(2008) revelam que maiores níveis de envolvimento religioso estão associados de
forma positiva a indicadores de bem-estar psicológico, como satisfação com a vida,
felicidade, afeto positivo e moral elevado, melhor saúde física e mental. Por outro
lado, a depressão, pensamentos e comportamentos suicidas, uso e abuso de álcool
e outras drogas tendem a estar inversamente relacionados ao nível de envolvimento
religioso. No entanto, o impacto positivo do envolvimento religioso na saúde mental
geralmente é mais intenso em pessoas em situações de fragilidade, como idosos,
por exemplo, em pessoas sob estresse ou pessoas deficientes ou com doenças
clínicas. Marques (2003) também diz que a vivência da espiritualidade pode
contribuir de forma importante para a promoção da saúde e prevenção da doença.
Outro aspecto importante contemplado pela vivência religiosa é apontado por
Argyle (2001), que diz respeito ao fato de que a religião propicia forte suporte social
fornecido pelos grupos de igreja, que providenciam várias formas de apoio e ajuda
prática e emocional. Aponta também que a importância da religião está associada à
atuação com relação à força das crenças, não só em relação à crença na vida após
a morte, mas também em relação ao fornecimento de esclarecimentos e propósitos.
Tudo isso produz efeitos positivos no bem-estar subjetivo e, mais especificamente
no bem-estar existencial, como também na saúde física, mental e na felicidade de
forma geral. Observa, ainda, em sua pesquisa, que mais felicidade é proporcionada
pela relação com Deus, vivida no rezar e nas experiências religiosas, e atua como
suporte das relações sociais. De acordo com os estudos realizados, desvelam ser
mais felizes as pessoas que disseram frequentar a igreja uma ou mais vezes por
semana.
Ferreira e Neto (2008) realizaram um estudo com professores de Portugal e
relacionaram a religiosidade e o bem-estar ao longo da vida. Constataram que as
atitudes face ao cristianismo, a orientação intrínseca, a identificação, o bem-estar
religioso e os comportamentos religiosos tiveram correlações positivas com a
satisfação com a vida e com a felicidade, e negativas com a solidão, o que está de
acordo com a compreensão de que a vivência religiosa fornece apoio social.
Dalgalarrondo et al. (2004) mencionam que estudos nacionais e internacionais
demonstram que a religiosidade é um importante modulador no consumo de álcool e
drogas em estudantes adolescentes. Constataram, em pesquisa realizada com
2.287 estudantes de escolas públicas e particulares da cidade de Campinas – SP,
que o uso pesado de pelo menos uma droga foi maior entre estudantes que tiveram
uma educação na infância sem religião. O uso no mês de cocaína e de
medicamentos para “dar barato” foi maior nos estudantes que não tinham religião, e
o uso no mês de ecstasy e de “medicamentos para dar barato” foi maior nos
estudantes que não tiveram uma educação religiosa na infância. Constata-se, assim,
que várias dimensões da religiosidade agem com possível efeito inibidor sobre o
uso de drogas por adolescentes. Sobretudo, desvela que uma maior educação
religiosa na infância mostrou-se importante nessa possível inibição.
Neste sentido, Carvalho e Carlini-Contrin (1992) colheram dados em extensa
pesquisa, com 16.117 estudantes de Primeiro e Segundo Grau, em quinze cidades
brasileiras. Encontraram correlação negativa fraca, mas constante, entre consumo
de álcool e drogas e frequência a atividades religiosas.
Em importante pesquisa para o contexto desta pesquisa de mestrado, por se
tratar do mesmo público, Amparo et al. (2008) pesquisou 852 adolescentes e jovens
que cursavam o Segundo Grau em regiões administrativas do Distrito Federal.
Referente aos fatores pessoais de proteção, como a vivência religiosa e espiritual,
destacaram o modo como esses indivíduos investem na sua espiritualidade e como
ela contribui para a sua autoestima e, portanto, para a sua resiliência. Os elementos
identificados como fatores de proteção se caracterizam como suporte pessoal para o
adolescente diante da exposição aos fatores de risco. Nesta pesquisa, a busca da
espiritualidade, ou mesmo da religião, se mostrou como um foco importante de
investimento pessoal, pois 62% dos jovens percebem a religião como sendo
bastante ou muito importante; 77% deles costumam pedir ajuda a Deus para
resolver seus problemas e 68,3% costumam agradecer a Deus. Porém, somente
41,3% frequentam encontros religiosos e 38,6% costumam ler as escrituras
sagradas. Assim, a religiosidade e espiritualidade dos adolescentes, nesta pesquisa,
apresenta-se como um movimento individual, pois a maioria deles não costuma
frequentar instituições religiosas. Com base nesses dados, percebe-se o movimento
dos jovens em direção à crença e à estruturação de valores com base em preceitos
religiosos e espirituais.
Considera-se ser de extrema relevância que os adolescentes tenham as
condições necessárias para a formação de valores positivos para si e a sociedade,
pois nessa fase ocorrem muitos questionamentos quanto às regras a que até então
estavam submetidos, reflexões a respeito do que realmente acreditam e sobre o
código de conduta a que pretendem se submeter. O mais adequado é que eles
possam vivenciar religiosidades que lhes estimulem o pensamento crítico, de forma
a construir valores com os quais se identificam genuinamente. O próximo tópico
busca estabelecer relações entre valores, moral e religiosidade, no sentido de
compreender a conexão entre esses aspectos e sua relação com a adolescência.
2.4. Valores e moral na adolescência
Para Amatuzzi (2001), a religião, por ser uma tradição religiosa viva e
compartilhada, é uma organização externa fundamentada nas crenças, valores,
mitos e ritos que permitem um maior sentido da vida. Assim, não é possível
compreender a religião desvinculada de seus valores e crenças, o que nos leva a
abordar, a seguir, tais aspectos relacionados à adolescência.
As modificações que acontecem na adolescência em termos psicossociais,
biológicos e cognitivos propiciam que se desperte para questões novas, como, por
exemplo, sobre condutas adequadas e inadequadas, sobre justiça, regras, questões
morais, dentre outras. Para Fowler (1998), as normas do sagrado, as proibições e as
normas morais são tornados conscientes já pela criança. Porém, sabe-se que na
adolescência essas questões são vivenciadas de forma mais intensa em decorrência
das transformações ocorridas.
As
mudanças
que
ocorrem
no
pensamento
do
adolescente,
o
desenvolvimento de capacidades para pensar de forma a considerar vários fatores
ao mesmo tempo quando pensam em um problema, ou seja, o desenvolvimento do
pensamento operatório formal produz impacto também na maneira de refletir a
respeito das normas. Assim, o adolescente desenvolve um conhecimento mais
profundo dos códigos morais da sociedade (COLE & COLE, 2003).
Neste sentido, Keating (1990) e Moshman (1998), mencionados por Cole &
Cole (2003), compreendem que pensar além dos limites convencionais diz respeito a
ter a capacidade do uso das habilidades cognitivas mais sofisticadas para pensar de
uma nova maneira questões fundamentais das relações sociais, da moralidade, da
política e da religião.
Dessa forma, Hurlock (1975) menciona as consideráveis mudanças no
sistema de valores do adolescente, pois ele passa a analisar criticamente o sistema
de valores a que foi exposto – e ao qual respondia de modo mais ou menos
automático. O adolescente busca algo que lhe seja próprio, sobre o que ele possa
assumir responsabilidade pessoal, o que explica um pouco as lutas pelas quais ele
passa nessa fase da vida, buscando definir o seu próprio sistema de valores, o seu
próprio padrão de comportamento moral.
O desenvolvimento moral, com base na Psicologia do Desenvolvimento, foi
pesquisado por Kohlberg que, depois do pioneiro Piaget, completou e ampliou sua
contribuição especificamente no que diz respeito ao desenvolvimento moral.
Kohlberg iniciou seus estudos com um grupo de 50 americanos do sexo masculino,
com idade entre 18 e 28 anos, e o entrevistou a cada triênio, por um período de 18
anos. A pesquisa identificou seis orientações que constituem a base dos seis
estágios do desenvolvimento moral definidos por ele. Percebeu que todos os
sujeitos estudados passavam pela mesma sequência de estágios, embora tivessem
ritmos de desenvolvimento diferentes. Descobriu também que nenhum dos sujeitos
havia chegado ao mais alto nível de desenvolvimento moral (KOHLBERG, 1964,
apud DUSKA; WHELAN, 1994).
Para Kohlberg, não interessa o comportamento moral externo, e sim as
razões adotadas para praticar, ou não, uma ação. Da mesma forma, ele não se
interessa pelas “afirmações” dadas pelas pessoas sobre uma ação ser certa ou
errada. O que faz diferença são as razões dadas para que determinado ato seja
considerado certo ou errado. Foram identificados seis estágios que, agrupados de
dois em dois, formam três níveis de julgamento moral, a saber: pré- convencional,
convencional, e pós-convencional (KOHLBERG, 1964, apud DUSKA; WHELAN,
1994).
O nível pré-convencional caracteriza-se pela atenção do jovem às normas
culturais e aos rótulos de bem x mal, de certo x errado, interpretados com base nas
consequências hedonísticas/ físicas da ação, quais sejam: punição, troca de favores,
recompensa – ou com base no poder físico de quem estipula as normas. Esse nível
possui dois estágios: 1- orientação para a punição e obediência – as consequências
físicas do ato em si determinam a bondade ou a malícia do ato; e 2- orientação
relativista instrumental – as relações humanas são vistas de forma parecida com as
relações comerciais, pois a ação justa é aquela que satisfaz às próprias
necessidades e, ocasionalmente, às dos outros (KOHLBERG, 1964, apud DUSKA;
WHELAN, 1994).
No nível convencional, a manutenção das expectativas da família, do grupo,
da nação é vista como válida em si mesma, sem considerar as consequências
óbvias e imediatas. A atitude é de lealdade à ordem constituída, de forma a manter
ativamente, sustentar e justificar a ordem instituída e identificar-se com as pessoas
ou com os grupos envolvidos. Dois estágios constituem esse nível: 3- orientação
interpessoal do “bom menino, boa menina” – segundo a qual seria considerado bom
o comportamento que agrada, ajuda as pessoas, e é por elas aprovado; e 4-
orientação à lei e à ordem constituída – aqui, a orientação é para a ordem social,
para as leis e para a autoridade e regras fixas (KOHLBERG, 1964, apud DUSKA;
WHELAN, 1994).
Em seguida vem o nível pós-convencional, autônomo ou de princípio, em que
há um esforço claro do indivíduo para definir os valores morais e os princípios que
têm validade e aplicação, de forma a prescindir da autoridade dos grupos ou das
pessoas que mantêm esses princípios, com os quais não se identifica. Os estágios
desse nível são: 5- orientação legalista para o contrato social – que geralmente
apresenta características utilitárias. Aquilo que é considerado justo, ou seja, o que é
constitucional e majoritariamente aceito é matéria de valores e opiniões pessoais; 6orientação ao princípio ético e universal – o que define o que é justo é a decisão da
consciência de acordo com os princípios éticos escolhidos e que apelam para a
compreensão lógica, coerência e universalidade. Na verdade, são princípios
universais
de
justiça,
reciprocidade,
igualdade
de
direitos,
dentre
outros
(KOHLBERG, 1964, apud DUSKA; WHELAN, 1994).
As
contribuições
de
Kohlberg
frequentemente
recebem
críticas
por
constituirem uma sequência de estágios do desenvolvimento moral. Porém, ele não
pretendeu destituir o sujeito de sua subjetividade, mas contribuir a respeito da
moralidade, que é um assunto de importância fundamental quando se fala em
convivência social e ética. Seus estudos resultaram na compreensão de que os
estágios constituem uma invariável sequência. Não é possível chegar a um estágio
mais alto sem passar pelo anterior a ele – considerando que existem variáveis
quanto à idade, e a mudança de um estágio para outro depende de pessoa para
pessoa.
De acordo com a história da Psicologia, a noção de valor ficou mais
tradicionalmente ligada à psicologia social. Já a noção de moral ficou
tradicionalmente mais ligada à psicologia do desenvolvimento. O instrumento
utilizado nesta pesquisa, que foi adaptado para o Brasil por Amberge et al. (2012) e
readaptado por Taceli (2014), buscou estabelecer relações entre o desenvolvimento
da religiosidade, da moral e a noção de valores a partir de contribuições vinculadas
à psicologia social e à psicologia do desenvolvimento. Por este trabalho estar na
confluência dos dois campos, considera-se importante considerar conexões e
relações entre ambos com as noções de religiosidade. Assim, apresentam-se alguns
conceitos sobre valor e moral, primeiramente por meio de concepções de autores de
dicionários de Psicologia e Filosofia. Posteriormente, apresentam-se algumas
pesquisas realizadas com adolescentes na Alemanha e Suíça, contexto em que o
questionário foi desenvolvido, e também no Brasil.
Observa-se que, de forma geral, os termos “valor”, “valores” e “moral” são
muitas vezes usados como sinônimos, ao que podemos acrescentar também o
termo “ética”. Deve-se atentar para os contextos nos quais cada termo é utilizado,
pois eles podem apresentar múltiplos sentidos.
Em um dos dicionários de Psicologia consultados, o conceito de valor é
apresentado de duas formas. Em uma delas, apresenta-se como algo desejável em
relação a um grupo social; um produto social que é imposto, mas que se internaliza
lentamente, ou seja, é lentamente aceito como critério pessoal de valor; e os meios
de se alcançar aquilo que é valorizado também são considerados um valor em si.. Já
na segunda forma, apresenta-se como algo que se deseja, algo de valor, que se
valoriza, não intrinsecamente, mas por meio de um processo. As duas maneiras
estão interconectadas, pois dizem de um processo que não está pronto a priori, mas
que é construído considerando aspectos sociais (CABRAL, 1971).
Outro conceito ressalta a importância de se formar bons valores, tanto do
ponto de vista individual, quanto do ponto de vista familiar e social, pois admite que
os valores são internalizados na pessoa e dirigem o seu comportamento
(WURZBURG, 1994).
Nesse sentido, Vandenbos (2010) considera que valor é algo bom, que se
deseja ou que seja importante moral, social ou esteticamente. Valores estão
associados a regras sociais, normas de conduta para se alcançar o que é
coletivamente estabelecido como bom, desejável ou importante. O mesmo autor nos
apresenta também o conceito de valores familiares:
Valores familiares: valores morais e sociais atribuídos à família nuclear
tradicional, tipicamente incluindo disciplina, respeito pela autoridade e
abstinência sexual fora do casamento. O termo hoje está basicamente
associado ao conservadorismo político ou religioso (VANDENBOS, 2010, p.
1009).
A noção de valores se revela como algo que deve ser seguido, desvela uma
noção rígida. Dá a impressão de uma ordem, por estabelecer socialmente o que é o
bem a ser buscado. Talvez uma noção como essa explique bem a questão de os
adolescentes conflitarem com os pais e/ou famílias e, muitas vezes, com instituições
religiosas que lhe são impostas como as adequadas. Eles conflitam por estarem em
busca da construção de valores que lhes sejam próprios. Além disso, podemos
confrontar o conceito por colocar a noção de valores familiares associada ao
conservadorismo político e religioso, pois, pelo menos nos meios políticos e
religiosos mais atuais, abre-se espaço para vivências que não deixam de ser
familiares, mas que nem por isso são retrógradas, ou deixem de permitir uma
vivência autêntica em contato com a experiência. Podemos associar o conceito ao
que Amatuzzi (1999) apresenta quando fala da experiência original – que é a
expeirência autêntica, em contato com a vivência pessoal. Por um lado, a
experiência humana é repleta de incoerências que conflitam com a moral – e às
vezes com a ética–, ou seja, os valores podem ser valores conflitantes com estas
instâncias. Negar as incoerências nega à pessoa a oportunidade de crescer com
elas e superá-las. Por outro lado, a moral ou os valores estabelecidos socialmente
são vistos como algo a se alcançar. De certa forma, eles servem para não alienar o
indivíduo em seu egoísmo.
A maior parte dos adolescentes compartilha valores de seus pais, ao contrário
da hipótese de uma cultura jovem diferente e separada dos adultos, sendo o diálogo
o método principal para a resolução de desacordos entre os adolescentes e seus
pais. Por ser uma fase em que ocorrem muitos questionamentos quanto ao que é
certo e o que é errado e quanto a em que basear o próprio comportamento, a
adolescência é uma fase onde as questões de comportamento moral assumem
importância especial (COLE & COLE, 2003).
Galimbert (2010) diz que “valores”, no campo ético, indicam os significados
ideais que têm a função de orientar a ação e avaliar sua correspondência com as
normas consideradas válidas. No plano psicológico, considera o relativismo cultural,
que não conhece valores absolutos, mas relativos a várias culturas e épocas.
Considera-se “valor” tudo o que constitui meta de uma necessidade, de um desejo
ou de um interesse. Essa concepção, de certa forma, desvela complementar a
concepção de Vandenbos (2010), por apresentar a diferença entre ética, em um
âmbito mais geral, mais social, de valor, em um âmbito mais individual. Assim,
compreende-se que os valores são formados, não dados anteriormente. O que se dá
anteriormente é a moral. Assim, se os valores são formados – e se a adolescência é
a fase onde se forma a identidade–, desvela ser também a fase onde se formam os
valores essenciais. Associar isso ao fato de que a adolescência constitui a fase
propícia a um despertamento religioso é compreender que a formação de valores e
a religiosidade podem ter uma relação muito estreita. Esse conceito complementa o
de Vandenbos (2010) no sentido de que, no plano psicológico, abre-se espaço para
um “relativismo cultural” quanto ao significado de ética.
Japiassú e Marcondes (1996) também associam “valores” a algo bom,
positivo, e que se relaciona à prescrição de ordem quanto à realização. Eles
apresentam a noção de valor relacionada à moral de forma explícita, e também
problematizam a conceitualização de “valores” reconhecendo que existem várias
definições a depender das diferentes posturas filosóficas.
Com relação ao conceito de moral, Cabral (1971) o define como um conjunto
de normas e padrões pessoais de conduta que permite à pessoa distinguir o bem e
o mal. Mais frequentemente, esse padrão faz parte do grupo com o qual a pessoa se
identifica. Moralidade é o caráter abstrato do comportamento orientado por esses
padrões. A ética é a teoria filosófica que trata da natureza e origem dos valores
morais, noções de bom e de dever. A ética possui duas correntes principais: a
hedonista, que afirma como legítimos (morais) os atos que contribuem para a
felicidade ou o prazer da pessoa, e ilegítimos (imorais) os que contribuem para o seu
sofrimento e infelicidade; e a corrente relativista, que diz ser o bem e o mal (atos
morais e imorais) uma função das atitudes das pessoas que julgam os atos. Assim,
moral são normas e padrões pessoais e/ou compartilhados em um grupo. As noções
de valor, moral e ética estão intimamente associadas, tanto que Galimbert (2010)
associa o conceito de moral exclusivamente como sinônimo de ética.
Vandenbos (2010) menciona moral como sendo os valores ou princípios
éticos que as pessoas usam para orientar seu comportamento, ou o estado mental
que afeta o comportamento e o desempenho, e que está relacionado à distinção
entre comportamento certo e errado. Diz que um código moral descreve um
comportamento que é considerado ético ou adequado. Aqui também são
apresentadas as noções de valores, moral e ética de forma inter-relacionada.
Japiassú e Marcondes (1996) mencionam moral em sentido amplo, como
sinônimo de ética, como teoria dos valores que regem a ação ou conduta humana,
possuindo um caráter normativo ou prescritivo. Já em um sentido mais estrito, a
moral tem a ver com costumes, valores e normas de conduta, específicos de uma
sociedade ou cultura. Já a ética considera a ação humana do seu ponto de vista
valorativo e normativo, em um sentido mais genérico e abstrato. Eles distinguem
entre uma moral do bem e uma moral do dever. A primeira visa estabelecer o que é
o bem para o ser humano, sua felicidade, realização, prazer etc., e como se pode
atingir esse bem. A segunda representa a lei moral como um imperativo categórico –
necessária, objetiva e universalmente válida.
Quanto a pesquisas realizadas no Brasil sobre valores na adolescência,
Grinspum et al. (2006) desenvolveram uma pesquisa cujo foco foi a adolescência e a
construção de valores, articulada com o imaginário social, da qual participaram 500
adolescentes, estudantes de colégios da cidade de Volta Redonda – RJ. O estudo
buscou compreender de que modo os alunos configuram seus valores. Os autores
se pautaram em Novikoff (2002), que concebe a seguinte classificação dos valores:
1- valores pessoais: constituídos das representações qualitativas sobre as pessoas,
incluindo as questões éticas. A racionalidade moral-prática é apontada por essa
categoria; 2- valores econômicos: refletem os objetos materiais ligados ao
consumo/utilidade. Eles dizem da racionalidade cognitivo-instrumental; 3- valores
espirituais: apontam os valores estéticos e os religiosos. Estes valores encontram-se
na racionalidade estético-expressiva.
A pesquisa de Grinspum et al. (2006) teve como principais resultados: 96,21%
dos jovens mencionaram acreditar em Deus, e 83,94% deles têm religião; 36,16%
dos meninos disseram que o trabalho representa “realização pessoal”, e 32,9% das
meninas veem o trabalho como “independência financeira”; 65,03% dos meninos
mencionaram que ter felicidade é “ter uma família”, e as meninas disseram que é “ter
saúde” (28,72%) e “ter amigos” (24,28%). Apenas 1,29% dos participantes disseram
que ter felicidade é “ter dinheiro”.
Sampaio
(2007)
escreve
sobre
a
educação
moral,
baseando-se
principalmente em Piaget, Kohlberg e Hoffman. Para ele, o processo de mudança no
âmbito da educação moral no Brasil caminha muito lentamente, a despeito do que
acontece em outros países, pois no Brasil há um imenso distanciamento entre a
prática e a teoria. Ele menciona ser muito importante uma maior aproximação entre
a psicologia e a educação para que possam, conjuntamente, pensar estratégias para
aplicação do conhecimento na elaboração de políticas públicas educacionais, no
sentido de formar a consciência cidadã. As estratégias mencionadas incluem a
criação de ambientes educacionais onde os alunos possam aprender a opinar e a
ser responsáveis por suas decisões. É necessário que o conhecimento sobre o
desenvolvimento sócio-moral e afetivo seja parte da formação dos educadores para
que temas como ética, valores, direitos e justiça sejam discutidos de forma
democrática, com respeito mútuo entre os membros do grupo. Sampaio diz, ainda,
que não se tem notícia de ações que sejam realmente eficazes para promover o
desenvolvimento moral e a formação de uma consciência cidadã, apesar de os
Parâmetros Curriculares Nacionais proporem que ela deve ser estimulada nas
escolas desde as primeiras séries. Ele apresenta como possível solução a
aproximação entre a Psicologia e a Educação, a fim de que sejam elaboradas ações
que transformem a proposta dos PCNs em políticas efetivas e práticas educacionais
mais sofisticadas, que desafiem a hegemonia do paradigma racionalista/
intelectualista e considere os aspectos afetivos, tão importantes quanto os aspectos
cognitivos. Somente assim é possível ensinar moralidade, sem ser nos moldes
clássicos pelos quais o professor ensina e o aluno aprende (SAMPAIO, 2007).
Já no contexto dos países onde surgiu o questionário utilizado nesta
pesquisa, Käppler (s/d) liderou um grupo de pesquisadores da Suíça e Alemanha
que desenvolveram pesquisas sobre religiosidade na adolescência, com 1.500
participantes das áreas rurais e urbanas dos dois países. Na Suíça existe um
importante instituto voltado especificamente para pesquisas sobre religião, o PNR58,
sob a direção de Stols e Koenemann (2011), que fazem parte do contexto onde o
questionário utilizado nesta pesquisa foi originalmente elaborado. O estudo
relacionado à adolescência e religiosidade foi motivado pela significativa mudança
social e religiosa, em decorrência da chegada de imigrantes – e com eles, de novas
religiões. Em especial, foram pesquisados os adolescentes, pois é a população que
mais aderiu à mudança. O número de pessoas sem uma crença cresceu e as igrejas
livres experimentaram novas entradas no país. Os estudiosos do referido grupo
recomendam às lideranças religiosas na Suíça que tenham um maior interesse
sobre a igualdade de todas as religiões.
Sendo a Alemanha um país geograficamente vizinho da Suíça, e que possui
um cenário religioso semelhante também devido à imigração, Käppler (2010),
pesquisador alemão, foi convidado a conduzir a referida pesquisa. O questionário
abrange sete dimensões: religiosidade, orientação de valor, saúde mental,
identidade, personalidade, família, e questões socioeconômicas. Para Käppler et al.
(2010) a adolescência é considerada um período da vida onde as tradições
religiosas, valores convencionais e sistema são cada vez mais questionados. Assim,
entende-se que as mudanças na paisagem religiosa na Suíça e na Alemanha são de
particular importância para o desenvolvimento do adolescente, pois: “a adolescência
é acompanhada por um questionamento e procura das próprias ideias, as crenças
em muitas áreas da vida, incluindo valores e crenças religiosas” (p. 05). Entende-se
que o processo de orientação faz parte do desenvolvimento da identidade do
adolescente e constitui uma das tarefas de seu desenvolvimento. Questiona-se
sobre o papel da religião, dos valores e da orientação quanto às experiências e
desenvolvimento da identidade dos adolescentes. Já que os adolescentes buscam
estabilidade psicológica, a religiosidade ajuda ou acaba por ser uma fonte adicional
de estresse?
Käppler et al. (2010) compreendem que as pessoas religiosas priorizam os
valores que conservam e afirmam o seu sistema de crenças sociais e individuais,
como a conformidade, a tradição e, em menor extensão, a segurança. Enquanto
alguns valores englobam a abertura para a mudança e a autonomia, por exemplo, a
autodeterminação, outros representam relações com a autotranscendência, tal como
a benevolência, e ainda outros podem incluir uma maior valorização da realização,
do poder e do hedonismo. O estudo desenvolvido por esse grupo de pesquisadores
buscou compreender de que forma os valores poderiam ajudar os adolescentes face
às constantes transformações de suas vidas, e associou-os aos fatores que
influenciaram a saúde mental, tendo sua investigação pautada nas seguintes
questões:
a- De que forma os adolescentes em diferentes contextos religiosos diferem
entre si no que diz respeito a orientações de valor, religiosidade e
identidade? Em relação a quais desses fatores os adolescentes com
diferentes origens religiosas mostram semelhanças?
b- As orientações de valor, identidade e religiosidade são consideradas:
estáveis, flutuantes e/ou fazem parte do curso de desenvolvimento na
adolescência?
c- Como são as orientações de valor, religiosidade e formação de identidade,
relacionadas à saúde mental dos adolescentes?
d- - Como o micro, meso e macrocontextos influenciam a forma como as
construções de interesse inter-relacionam umas com as outras?
Os dados obtidos na pesquisa do grupo germano-suíço de pesquisadores
permitiram compreender que o tema relacionado à religiosidade e aos valores na
adolescência é objeto central do sistema de construção religiosa, assim como dos
conteúdos desse sistema, por meio de itens relacionados à oração, serviços,
interesses religiosos, experiências religiosas, ideologia, busca religiosa, e religião na
vida cotidiana.
É interessante notar que, de acordo com Gensicke (2006), as pesquisas
realizadas na Alemanha e Suíça demonstraram que os imigrantes são mais
tradicionalmente orientados do que os não imigrantes e, ao mesmo tempo, mostram
valores mais materialistas e hedonistas. A finalidade da ação, social e moral, é a
maior felicidade possível para o maior número de pessoas. O critério da utilidade é o
que estima o valor moral das ações. Assim, desvela que os imigrantes são mais
rígidos em relação ao apego à própria religião do que os não imigrantes.
Tais informações foram apresentadas para contextualizar como o instrumento
surgiu e suas motivações. O contexto brasileiro, porém, difere do contexto germanosuíço. Por isso, o instrumento passou por um processo de adaptação – e de
posterior readaptação–, conforme mencionado anteriormente. O objetivo do trabalho
de Taceli (2014) com o questionário foi possibilitar um refinamento no que diz
respeito à linguagem do instrumento. Entende-se que, devido à extensão territorial
do Brasil e de suas diferentes regiões, o instrumento ainda merece atenção, no caso
de ser aplicado em diferentes regiões. Na adaptação, as questões referentes à
temática da migração externa foram retiradas, pois a temática da migração no Brasil
é mais relacionada à migração interna. Assim, obteve-se um instrumento mais
adequado à realidade das escolas brasileiras.
Como se pode perceber, a temática da formação de valores na adolescência,
a moralidade e suas relações com a religiosidade possui importância nacional e
internacional. Ao relacionar essas pesquisas com o que Amatuzzi (2001) considera
religião, suas relações com crenças e valores, e seu enfoque quanto ao sentido da
vida, percebe-se a relevância de considerar a questão da ética, para que o
adolescente seja livre para aderir à vivência que lhe faça sentido pessoal, que lhe
proporcione amadurecimento e desenvolvimento de valores genuínos e bons, não só
para ele, mas também para a sociedade.
Podemos concluir que valores, moral, ética e religiosidade têm uma relação
muito
próxima,
apesar
de
serem
elementos
diferenciados.
A
noção
de
desenvolvimento moral tem como foco o indivíduo e sua relação com os outros,
partindo de uma perspectiva cognitiva e emocional. Já a noção de valores tem como
foco as relações do indivíduo na sociedade, partindo de uma perspectiva relacional.
Tomando como foco o conceito de religiosidade apresentado por Amatuzzi (2001),
qual seja a maneira peculiar de cada pessoa vivenciar a religião, há espaço para a
noção de participação ativa do adolescente nesse processo. Compreende-se que o
adolescente tanto possui força em potencial – não apenas para ser transformado
pelas instituições religiosas–, mas também, e principalmente, possui força para
transformar as instituições religiosas, a fim de torná-las um meio de propagação do
bem. De acordo com o exposto, este trabalho se propõe a verificar a relação da
religiosidade e seu papel na formação de valores em adolescentes adeptos das
principais religiões brasileiras e brasilienses.
3. OBJETIVOS
3.1. OBJETIVO GERAL
Investigar a religiosidade/ espiritualidade e suas possíveis relações com os
valores de adolescentes no Distrito Federal.
3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
· Investigar como é a religiosidade/ espiritualidade no contexto da religião
específica de adolescentes residentes no Distrito Federal;
·
Identificar como os adolescentes lidam com religiosidades/ espiritualidades
diferentes da sua própria no grupo de iguais;
·
Sondar as possíveis relações entre a religiosidade/ espiritualidade e os
valores nos contextos familiar e social;
·
Aperfeiçoar o Questionário sobre valores e orientações religiosas na
adolescência, com vistas à sua aplicação em maior escala no contexto
brasileiro.
4. MÉTODO
A fenomenologia é um movimento filosófico que pressupõe o retorno à
experiência básica, para além de suas sistematizações, permitindo, assim, que
apareça a pureza original do fenômeno, ou seja, busca as essências, o retorno às
coisas mesmas (AMATUZZI, 1999; 2005; HUSSERL, 2008). Ela faz deste método
algo especial para a investigação da religiosidade/ espiritualidade pois, com a
suspensão do a priori, ou seja, com a suspensão da experiência anterior, ocorre um
clima fundamental para o surgimento da experiência mesma.
4.1. PARTICIPANTES
Participaram da pesquisa oito adolescentes do Distrito Federal, com
idade entre 15 e 17 anos, sendo um adolescente e uma adolescente de cada
uma das seguintes religiões/ espiritualidades: católica apostólica romana,
evangélica neopentecostal, espírita kardecista e sem religião. A escolha das
religiões ocorreu com base no Censo de 2010 no Brasil e em Brasília (IBGE,
2010).
Os adolescentes, na ocorrência da coleta, cursavam o Ensino Médio
em escola pública, e tiveram seus nomes mantidos em sigilo adotando-se
nomes fictícios para fins de elaboração desta dissertação.
4.2. INSTRUMENTOS
Foram
conforme
o
realizadas
método
entrevistas
clínico
semiestruturadas
fenomenológico
em
temas-eixo,
(AMATUZZI,
2005).
Primeiramente, foi realizada uma entrevista individual conforme o roteiro do
Apêndice A. Em seguida, foi aplicado o Questionário sobre valores e
orientações religiosas na adolescência (TACELI, 2014). Por fim, foi realizada
uma entrevista em grupo conforme o apêndice B, onde foi investigada a
experiência deles em responder o questionário.
O questionário foi aplicado em adolescentes da Suíça e Alemanha. Em
2012 ele foi submetido a juízes em Brasília, no processo de adaptação de seu
uso no Brasil. Reduziram-se o número de questões, pois considerou-se que,
de acordo com o hábito de leitura da maioria de nossos jovens, ficaria muito
cansativo caso fosse aplicado em sua totalidade. Em seguida, ele foi aplicado
na Bahia e em algumas cidades-satélites do Distrito Federal. Em 2013 ele foi
aplicado em adolescentes de Minas Gerais – o que resultou em uma
readaptação cuja versão foi utilizada para esta coleta (TACELI, 2014).
Conforme pode ser constatado nos Anexos 3 e 4, o instrumento é
amplo, contém 35 questões. Possui uma versão para meninos e uma versão
para meninas, sendo diferenciado apenas na questão 31 (trinta e um),
direcionada especificamente a meninos ou a meninas, mas trata do mesmo
assunto em cada item. O questionário abrange questões socioeconômicas,
religiosas, familiares e pessoais e permite uma grande abrangência de dados.
As entrevistas e o questionário são instrumentos complementares. Este
último serviu para obter informações quanto a aspectos sociais, econômicos,
familiares e valores pessoais. As entrevistas, por sua vez, serviram para
aprofundar cada um desses aspectos. A entrevista individual ocorreu antes da
aplicação do questionário, e foi realizada na tentativa de aquecimento e
motivação para responder ao instrumento, como também para favorecer que
os adolescentes pudessem entrar em contato com os temas do questionário
de forma mais estruturada. Buscou-se também entrar em contato com o
jovem de forma mais espontânea, o que ajudou também ao pesquisador na
compreensão de suas respostas ao questionário. A entrevista em grupo foi
livre e buscava investigar as questões do questionário que mais mobilizaram
os adolescentes, para permitir melhor contextualização e um maior
aprofundamento na compreensão de suas respostas. Ela também buscou
perceber como os adolescentes se apresentariam diante de outros que
possuíam religiões ou espiritualidades diferentes das suas próprias.
4.3. PROCEDIMENTOS DE COLETA DOS DADOS
O projeto foi submetido ao Conselho de Ética da Universidade Católica
de Brasília e aprovado sob o número 22664413.0.0000.0029.
Primeiramente, realizou-se contato com alguns líderes religiosos para
apresentar a pesquisa e solicitar indicação de participantes. Esse contato foi
realizado por meio de e-mails e telefonemas. Porém, percebeu-se que seria
difícil conseguir todos os participantes por meio deste procedimento. Portanto,
os dados foram coletados em um colégio de Ensino Médio.
Este colégio tem cerca de 800 alunos, sendo mais ou menos 40 alunos
em cada turma. Primeiramente, foi concedida autorização para realização da
pesquisa no local. Em seguida, passou-se nas salas para apresentar
brevemente a pesquisa e anotar os contatos dos interessados. Os jovens
receberam muito bem a proposta, mas poucos se disponibilizaram a
participar. O maior número de interessados foram cinco voluntários em uma
das turmas, sendo que quatro deles eram sem religião. Nas restantes foram
cerca de dois, e em algumas turmas nenhum adolescente manifestou
interesse em participar da pesquisa. Alguns alunos sem religião questionaram
se haveria tentativa de conversão, já que a instituição a que a pesquisa está
vinculada é uma universidade católica. A dúvida foi imediatamente
esclarecida. Percebeu-se um clima de inibição, timidez e, talvez, desconfiança
por parte dos alunos, como se eles desejassem participar, mas tivessem
receio. Os participantes mais difíceis de serem encontrados foram os da
religião espírita. Quando se perguntava se havia algum adolescente da
religião espírita, os alunos apontaram para um e outro que ficavam imóveis,
ou acenavam com a cabeça em sinal negativo, negando serem espíritas.
Conseguiu-se a menina espírita indo às salas. Já o menino espírita só
consentiu em participar após indicação direta de outro adolescente que já
estava no processo da coleta de dados.
O colégio disponibilizou a sala onde se realizam os atendimentos
psicopedagógicos e o refeitório dos professores para a coleta. Utilizou-se a
sala de atendimentos psicopedagógicos para as entrevistas, e o refeitório,
com mesa grande, para aplicação dos questionários.
Em uma das situações que se pretendia realizar as entrevistas, os
alunos não estavam no colégio por conta de paralisação dos professores.
No dia em que a entrevista individual foi realizada, o questionário foi
aplicado. Na mesma semana, realizou-se a entrevista em grupo. Nessa última
entrevista, os participantes católicos não participaram. A menina católica
faltou à aula naquele dia, e o menino católico “fugiu” ao alcance da
pesquisadora. Disse que tinha aula, mas assim que terminasse, iria até a
sala. Após o término da aula, porém, ele foi embora.
Os adolescentes sem religião foram os que mais se mostraram
interessados em participar. Apenas dois puderam participar, devido à
restrição de tempo para realizar a coleta. Os católicos se mostraram pouco
interessados na experiência, como se estivessem muito resistentes – ou,
quem sabe, na “defensiva”–, e demonstravam pressa para ir embora. A
menina espírita demonstrou grande interesse em participar indo, inclusive, ao
consultório de psicologia. O menino evangélico parecia pouco à vontade,
talvez por desvelar tímido, além de outros aspectos que serão mais bem
descritos nos resultados.
As entrevistas foram conduzidas conforme a postura fenomenológica
(AMATUZZI, 2005), que se caracteriza pela “suspensão do a priori”, ou seja,
um colocar entre parêntesis a experiência anterior e o deixar a conversa fluir
naturalmente, sem obstáculos. Elas foram gravadas e, posteriormente,
transcritas.
4.4. PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DOS DADOS
As questões do questionário que tratavam de um mesmo eixo temático
foram avaliadas em conjunto e foram expostas em quadros. As entrevistas
foram analisadas conforme a proposta de Gomes (1998). O material obtido foi
organizado segundo eixos temáticos, e seus respectivos sentidos foram
apreendidos. A partir de uma leitura fenomenológica, procurou-se identificar
os aspectos convergentes e divergentes, e os aspectos mais significativos –
em consonância com a postura fenomenológica – foram ilustrados com
trechos de falas dos próprios estudantes, como pode ser visto nos quadros
específicos. Os resultados obtidos com os adolescentes nas entrevistas
individuais e em grupo foram analisados, bem como os resultados de cada
questionário, de modo a permitir uma análise qualitativa em profundidade. Os
dados obtidos nos quadros foram ilustrados por meio do emprego de
diagramas, visando a uma compreensão mais dinâmica do processo. É
importante considerar que as cores de todos os diagramas são aleatórias. Ao
final, o conjunto de informações obtidas com os próprios sujeitos foi colocado
em diálogo com a literatura pertinente.
5. R/ E e VALORES EM ADOLESCENTES DO DISTRITO FEDERAL
Os resultados são apresentados de acordo com eixos temáticos. Cada
eixo temático foi organizado em quadros com conteúdos dos questionários e
quadros com sentidos apreendidos nas entrevistas, de acordo com
convergências e divergências. Os sentidos apreendidos nas entrevistas foram
expostos em figuras específicas.
Primeiramente é apresentada uma contextualização dos participantes e
em seguida os eixos temáticos. O eixo temático 1 refere-se à religiosidade/
espiritualidade e a família; O eixo temático 2 refere-se à religiosidade/
espiritualidade e vida pessoal. O assunto do qual se trata o eixo temático 3 é
religiosidade/ espiritualidade e círculo social. Religiosidade/ espiritualidade e
questões sociais e políticas é o assunto do eixo temático 4. O eixo temático 5
se ocupa da vivência pessoal da religiosidade/ espiritualidade.
5.1. Contextualização dos participantes
O Quadro 1 apresenta a contextualização dos participantes. Os nomes
fictícios foram escolhidos da seguinte forma: os participantes católicos
possuem nome com inicial A (Adriana e Adriano); os evangélicos, com inicial
B (Bruna e Bruno); os espíritas, com inicial C (Carla e Carlos) e os sem
religião, com inicial D (Daniela e Daniel).
Em seguida o Quadro 2 complementa a caracterização dos
participantes a partir das respostas dadas às seguintes questões do
Questionário: 1, 2, 24 e 25.
QUADRO 1: CONTEXTUALIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES
CONTEXTUALIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES
NOME
RELIGIÃO /
ESPIRITUALIDADE
IDADE EM
ANOS
PERCEPÇÃO DA PESQUISADORA
Adriana
Católica Apostólica
Romana
16
Participou apenas da entrevista individual. Chorou várias vezes durante a entrevista. Possui conflitos com a mãe. Desvela estar
vivenciando sofrimento intenso relacionado ao falecimento do irmão. Após esse ocorrido, não tem ido mais à igreja. Tentou
frequentar uma igreja evangélica, mas não se adaptou. Diz querer seguir seriamente. Vai a festas, baladas, e considera que isso é
incompatível com frequentar uma igreja. No dia da entrevista em grupo, ela faltou à aula. Iniciou tratamento psicológico após a
primeira entrevista individual, com a psicóloga pesquisadora desta pesquisa.
Adriano
Católica Apostólica
Romana
15
Participou apenas da entrevista individual. Mora com os tios há pouco tempo, mas considera-se adaptado. Parecia desconfortável
durante a entrevista. Suas respostas foram curtas e simples. Ele se esquivou de participar da entrevista em grupo. Foi embora sem
avisar, parecia estar fugindo da situação.
Bruna
Evangélica
Neopentecostal
15
Participou das duas entrevistas. Parecia tranquila durante a entrevista individual. Perguntou um pouco sobre a pesquisa. Na
entrevista em grupo solicitou que pudesse sair, juntamente com mais dois colegas, antes da entrevista acabar, alegando terem que
realizar um trabalho escolar.
Bruno
Evangélica
Neopentecostal
15
Participou das duas entrevistas. Parecia tímido. Colaborou na busca por um participante espírita indicando um colega da sua sala.
Na entrevista em grupo participou quando solicitado; parecia acanhado.
Carla
Espírita Kardecista
16
Participou das duas entrevistas. Foi a única participante a comdesvelar no consultório de psicologia após contato telefônico. Falou
bastante, desvelau muito sincera e desejosa de falar. Foi uma das que teve que sair mais cedo da entrevista em grupo. Desvela ser
um pouco agressiva, como defesa, por sentir-se rejeitada.
Carlos
Espírita Kardecista
16
Participou ativamente das duas entrevistas. Falou bastante, demonstrou muito conhecimento da doutrina espírita. Desvela vivenciar
desde a infância uma situação financeira difícil. Procura trabalho, demonstra desejo de ajudar a mãe. Desvela ocupar o papel de
filho parental para com a mãe.
Daniela
Agnóstica
17
Participou das duas entrevistas. Desvela tímida, porém inteligente. Desvela, de certa forma, influenciada pelo namorado (que é o
participante Daniel), mas eles desvelam ter muita afinidade. A aparência é exótica, com cabelo azul e piercing. Desvela delicada.
Daniel
Agnóstica
17
Participou das duas entrevistas, demonstrou muito interesse em participar. Diz o que pensa, desvela ser questionador e racional.
Demonstra pensamento crítico. É namorado da participante Daniela.
QUADRO 2: DADOS DEMOGRÁFICOS DOS ADOLESCENTES
Nome
Sexo
Idade
(em anos)
Escola
Série
Religião
Pessoal
Religião Familiar
Pai
Mãe
Ligado(a) à
religião
Naturalidade
Adriana
F
16
Pública
1º
Católica
Sem religião
Católica
Pouquíssimo
Taguatinga
Adriano
M
15
Pública
1º
Católica
Católica
Católica
Muito
Samambaia
Bruna
F
15
Pública
1º
Evangélica
Evangélica
Evangélica
Muito
Rio de Janeiro
Bruno
M
15
Pública
1º
Evangélica
Evangélica
Evangélica
Muito
Gama
Carla
F
16
Pública
1º
Espírita
Católica
Católica
Muito
Sobradinho
Carlos
M
16
Pública
1º
Espírita
Católica
Católica
Muito
Taguatinga
Daniela
F
17
Pública
2º
Sem religião
Católica
Evangélica
Pouquíssimo
Ceilândia
Daniel
M
17
Pública
2º
Sem religião
Evangélica
Evangélica
Nada
Ceilândia
Verifica-se, então, que 3 adolescentes têm idade de 15 anos, sendo
eles o Adriano (católico), a Bruna e o Bruno (evangélicos). Participaram 3
adolescentes com idades de 16 anos, que são a Adriana (católica), o Carlos e
a Carla (espíritas). Também participaram 3 adolescentes com a idade de 17
anos, Daniel e Daniela (agnósticos).
Quanto aos pais dos adolescentes, o único pai sem religião é também
ausente, e a filha é católica. A mãe desta participante também é católica. Os
pais do participante católico também são católicos. Tanto o pai quanto a mãe
dos participantes evangélicos também são evangélicos. Por outro lado, tanto
a mãe quanto o pai dos participantes espíritas são católicos, sendo que a mãe
do adolescente espírita o iniciou nas atividades do centro espírita. Ela
também participa das atividades embora não se considere espírita. O pai da
participante agnóstica é católico e a mãe, evangélica. Os pais do participante
agnóstico são evangélicos.
Tanto os espíritas quanto os agnósticos desenvolveram religião ou
espiritualidade diferente da dos pais.
É interessante observar que os participantes mais novos, com idades
de 15 anos, permanecem com a mesma religião dos pais. Já a participante
católica, de 16 anos, entende-se católica, mas não é praticante. Os
participantes espíritas têm idade de 16 anos, tendo se convertido à religião
diferente da dos pais. Os participantes agnósticos possuem 17 anos e
também adotam perspectivas diferentes das dos pais.
Quanto à ligação que eles possuem com a religião, declararam-se
muito ligados à religião Adriano (católico), Bruna e Bruno (evangélicos), e
Carla e Carlos (espíritas). Posteriormente, entretanto, no decorrer das
entrevistas, observaram-se algumas incoerências quanto a algumas destas
respostas, o que será exposto adiante.
5.2. Eixos temáticos investigados referentes à religiosidade/ espiritualidade e
os valores
Os eixos temáticos abordados no contexto das entrevistas, em
conexão com os itens do questionário, estão sistematizados na Figura 1. O
círculo central corresponde ao tema principal do trabalho: a Religiosidade/
Espiritualidade na Adolescência. Os círculos interconectados ao maior
correspondem aos eixos temáticos, cujos sentidos apreendidos serão
expostos em quadros e diagramas complementares, na sequência.
FIGURA 1: A RELIGIOSIDADE/ ESPIRITUALIDADE E OS EIXOS TEMÁTICOS
INVESTIGADOS
Cada eixo temático possui quadros que foram estruturados conforme
questões específicas do Questionário, em consonância com as entrevistas.
5.3. Tema-eixo 1: R / E e família
Este eixo temático possui quatro quadros, apresentados na sequência:
contexto familiar; relacionamento familiar; influência religiosa familiar e
religiosidade/ espiritualidade e família.
Para estruturação do Quadro 3 – Contexto Familiar – foram
consideradas as respostas às questões 3, 4, 5, 6 e 7 do Questionário
respondido pelos adolescentes.
QUADRO 3: CONTEXTO FAMILIAR
Adultos com quem convive
Situação sociocultural
Nome
Livros
Pai
Mãe
Irmãos
Outros
(quem)
Moradia
Situação
Financeira
Grau de
Instrução do
pai
Grau de
instrução da
mãe
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Poucos
Pouquíssimos
Muitos
Muitos
Razoável
X
_
_
X
X
X
X
X
_
_
Padrasto
Padrasto
Padrasto
Alugada
Própria
Alugada
Alugada
Cedida
M. B
Razoável
M.B
M. B.
Razoável
2º
2º
Superior
2º
Superior
1º
2º
Superior
2º
1º
Carlos
Pouquíssimos
_
X
-
-
Própria
Médio
Sabe ler, mas
não foi à
escola
Analfabeta
Daniela
Daniel
Poucos
Médio
_
X
X
X
Dinâmica Familiar
-
Padrasto
-
Própria
Própria
M. B.
M.B
1º
2º incompleto
1º
2º incompleto
Nome
Quantidade de irmãos
Experiências difíceis
Como se sente
afetado
Adriana
0
Sim, falecimento do irmão
Muito.
Adriano
Bruna
2
1
Não
Sim, falecimento da avó
Não se aplica.
Muito.
Bruno
4
Sim, separação dos pais e perda de ente querido
Em nada.
Carla
13
Sim, divórcio dos pais
Pouco.
Carlos
1
Sim, falecimento da prima
Razoável.
Daniela
Daniel
2
1
Não
Não
Não se aplica.
Não se aplica
Verificou-se que todos os adolescentes entrevistados moram com a
mãe, porém apenas dois deles moram também com o pai, a Bruna
(evangélica) e o Daniel (agnóstico) – os dois de três adolescentes que
possuem pai e mãe evangélicos.
Percebeu-se maior presença das mães que dos pais na vida dos
adolescentes. Todos residem com a mãe. Apesar de eles mencionarem
alguns conflitos, todos disseram se sentir bem perto da mãe, exceto o menino
agnóstico, que disse raramente se sentir bem perto da mãe. Somente dois
adolescentes residem com o pai e a mãe, ou seja, os pais não são separados.
Nos dois casos, tanto o pai quanto a mãe são evangélicos.
Dentre as experiências difíceis mencionadas pelos adolescentes, dois
deles (Carla e Bruno) mencionaram o divórcio dos pais, porém um deles disse
se sentir nada afetado com isso atualmente, enquanto o outro disse se sentir
pouco afetado. Nos dois casos, os adolescentes não possuem bom
relacionamento com o pai, nem o pai com os irmãos, e nem o pai com a mãe.
Nesses dois casos, as mães se recasaram e eles convivem atualmente com o
padrasto.
Outras duas adolescentes convivem também com o padrasto (a
menina agnóstica e a menina católica), o que demonstra também terem vivido
o rompimento do relacionamento dos pais. Cinco dos oito casos apresentam
dificuldades de relacionamento entre o pai e a mãe dos adolescentes.
O Quadro 4 nos apresenta questões sobre o relacionamento entre os
membros familiares. Para sua composição, foram consideradas as respostas
às questões 8, 8.1, 9 e 10 do Questionário.
QUADRO 4: RELACIONAMENTO FAMILIAR
Qualidade do relacionamento
Nome
Eu-Mãe
Eu-Pai
Mãe-Pai
Eu-Irmão(os)
Mãe-Irmão(os)
Pai-Irmão(os)
Adriana
Medianamente bem
Nada bem
Raramente bem
_
_
_
Adriano
Medianamente bem Medianamente bem
Raramente bem
Razoavelmente bem
Razoavelmente bem
Razoavelmente bem
Bruna
Bruno
Não respondeu
Muito bem
Não respondeu
Nada bem
Muito bem
Nada bem
Muito bem
Muito bem
Não respondeu
Muito bem
Não respondeu
Nada bem
Carla
Muito bem
Nada bem
Nada bem
Muito bem
Muito bem
Raramente bem
Nada bem
Raramente bem
Muito bem
Muito bem
Carlos
Razoavelmente bem Medianamente bem
Daniela
Muito bem
Razoavelmente bem Razoavelmente bem
Razoavelmente bem
Razoavelmente bem
Razoavelmente bem
Daniel
Raramente bem
Razoavelmente bem Razoavelmente bem
Razoavelmente bem
Medianamente bem
Razoavelmente bem
QUADRO 4: RELACIONAMENTO FAMILIAR (CONTINUAÇÃO)
Nome
Eu
Adriana
Raramente
decide
Adriano
Na maioria
das vezes
decide
Bruna
Mãe
Decide
qualquer
coisa
Poder de decisão na família
Pai
Irmãos(ãs)
Outros(as)
Papel dos pais na família
Mãe
Pai
Raras vezes castiga, apoia
Nunca castiga, nunca
muitas vezes e compreende às
apoia e às vezes
vezes.
compreende.
Não decide nada
_
-
Na maioria
das vezes
decide
Decide qualquer coisa
Mais novo não decide
nada; mais velho
raramente decide algo
_
Raras vezes castiga, nunca
apoia e raras vezes
compreende.
Às vezes castiga, raras
vezes apoia e sempre
compreende.
Na maioria
das vezes
decide
Decide
qualquer
coisa
Decide qualquer coisa
Mais velho decide
qualquer coisa
-
Raras vezes castiga, sempre
apoia e sempre compreende.
Raras vezes castiga,
sempre apoia, sempre
compreende.
Bruno
Na maioria
das vezes
decide
Decide
qualquer
coisa
Não decide nada
Mais velho não decide
nada; mais novo às vezes
sim, outras não.
-
Raras vezes castiga, sempre
apoia e compreende.
Nunca castiga, nunca
apoia e nunca
compreende.
Carla
Às vezes
sim, outras
não.
Decide
qualquer
coisa
Não decide nada
Mais velho não decide
nada; mais novo
raramente decide algo.
_
Raras vezes castiga, sempre
apoia e sempre compreende.
Nunca castiga, nunca
apoia e nunca
compreende.
Carlos
Raramente
decide
Decide
qualquer
coisa
Não decide nada
Mais velho raramente
decide algo.
-
Raras vezes castiga, às vezes
apoia e às vezes compreende.
Nunca castiga, às vezes
apoia e raras vezes
compreende.
Daniela
Não
decide
nada
Decide
qualquer
coisa
Na maioria das vezes
decide
Não decide nada
_
Raras vezes castiga, às vezes
apoia e nunca compreende.
Nunca castiga, raras
vezes apoia e raras
vezes compreende.
Daniel
Raramente
decide
Na maioria
das vezes
decide
Às vezes decide,
outras vezes não.
Raramente decide
-
Nunca castiga, nunca apoia e
raras vezes compreende.
Nunca castiga, às vezes
apoia e às vezes
compreende.
A respeito das mudanças que alguns adolescentes gostariam de
realizar na mãe, a menina católica gostaria que a mãe não fosse complicada;
o menino católico gostaria que a mãe dele fosse menos rígida; os agnósticos
gostariam que as mães não fossem preconceituosas, sendo que o menino
gostaria também que a dele não gritasse.
Todos os adolescentes mencionaram que, quando a mãe e os irmãos
deles estão juntos, sentem-se bem, variando em intensidade – o que mostra
influência positiva da mãe no desenvolvimento desses filhos. Outro fator
interessante foi a respeito do poder de decisão das mães na família: seis dos
adolescentes disseram que a mãe decide qualquer coisa e dois deles
disseram que ela decide na maioria das vezes. Quanto ao papel da mãe, sete
adolescentes disseram que ela raras vezes castiga, e um disse que ela nunca
castiga. Seis adolescentes disseram receber apoio da mãe, ainda que às
vezes, e sete disseram que a mãe os compreende, ainda que não da forma
como gostariam.
O relacionamento dos adolescentes com o pai apresentou significativos
problemas na metade dos casos, estendendo esse relacionamento conflituoso
para os irmãos dos adolescentes. Somando-se a isto, quatro adolescentes
disseram que o pai não decide nada na família – e é exatamente nas famílias
em que os adolescentes possuem conflitos com esse pai –, o que difere muito
dos resultados a respeito das mães. Somente o menino católico e a menina
evangélica disseram que o pai decide qualquer coisa na família. O pai que às
vezes castiga os filhos é o que possui maior poder de decisão na família, em
mais de um caso. Mais da metade dos adolescentes disse ter problema
quanto ao apoio do pai, sendo que três nunca o recebem e dois raramente o
recebem. Seis adolescentes responderam ter problemas com relação à
compreensão do pai. Somente o menino agnóstico mencionou o pai como
companheiro. A menina evangélica disse que tanto o pai quanto a mãe são
legais, dão liberdade, mas com regras.
Três adolescentes (Adriana, Carla e Carlos) mencionaram a ausência
paterna de forma naturalizada, como se eles esperassem que esses pais
realmente fossem ausentes, e não demonstraram esperança de que pudesse
ser diferente.
A figura paterna exerce influência na vida dos adolescentes quanto a
acompanhá-los a celebrações religiosas. Apesar da intensidade dos conflitos
do pai com Carla, este é o único pai que sempre acompanhou a filha a
celebrações
religiosas.
Três
adolescentes
tiveram
ausência
do
acompanhamento do pai a celebrações religiosas. Já a respeito de rezar ou
orar com o adolescente, somente o pai de Adriano e o de Bruna raras vezes o
fizeram com eles. Os outros pais nunca rezaram ou oraram com os filhos,
diferença significativa quando se compara às mães.
Todos os adolescentes responderam se sentir bem na presença dos
irmãos, exceto o menino espírita. A menina católica, apesar de ter duas irmãs
paternas, considera não ter irmãos.
O menino católico e os participantes evangélicos demonstraram ser os
adolescentes que possuem maior autonomia para tomar decisões, de acordo
com suas respostas. Quanto à autonomia religiosa, somente os participantes
evangélicos disseram que os pais lhes conferem autonomia por completo. O
pai do participante católico, o do espírita, e o do agnóstico concedem mais
autonomia religiosa a eles que a mãe. Já a mãe da menina espírita concedelhe mais autonomia que o pai. Tanto o pai quanto a mãe da menina agnóstica
lhe concedem autonomia de forma mediana. No caso da menina católica,
nem a mãe, nem o pai lhe concedem autonomia religiosa.
O quadro 5 apresenta conteúdos sobre a influência religiosa familiar.
Para a composição, foram consideradas as respostas às questões 11, 12 e
13.
QUADRO 5: INFLUÊNCIA RELIGIOSA FAMILIAR
Papel da religião na família
Respeito às datas
comemorativas
Seguimento de
mandamentos
religiosos
Ajuda nos momentos
difíceis
Pais unidos em
questões
religiosas
Apoio ao
próximo
Adriana
Completamente
Nada
Nada
Nada
Nada
Adriano
Completamente
Razoavelmente
Completamente
Nada
Medianamente
Bruna
Bruno
Completamente
Razoavelmente
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Não respondeu
Razoavelmente
Razoavelmente
Nada
Pelo pai, completamente; pela mãe,
razoavelmente.
Completamente
Completamente
Carla
Razoavelmente
Pouquíssimo
Medianamente
Medianamente
Nada
Pelo pai, nada; pela mãe, completamente.
Carlos
Razoavelmente
Pouquíssimo
Medianamente
Completamente
Razoavelmente
Pelo pai, completamente; pela mãe,
razoavelmente.
Daniela
Medianamente
Pouquíssimo
Nada
Pouquíssimo
Nada
Medianamente
Nada
Pelo pai, completamente; pela mãe,
medianamente.
Nome
Daniel
Medianamente
Nome
Principal influência
religiosa
Pessoa que exerce
influência religiosa
Adriana
_
Adriano
Pais, tios e quase toda
a família.
Bruna
_
Bruno
Um amigo
Carla
O pai
Pouquíssimo
Nada
Pouquíssimo
Autonomia em questões religiosas
Natureza da influência
Mãe
Às vezes acompanhou as celebrações e nunca
rezou c/ a adolescente
Sempre acompanhou as celebrações e sempre
rezou c/ o adolescente
Muitas vezes acompanhou as celebrações e às
vezes rezou c/ a adolescente
Sempre acompanhou as celebrações e sempre
rezou c/ o adolescente
Raras vezes acompanhou as celebrações e muitas
vezes rezou c/ a adolescente
Pai
Outros(as)
Nunca acompanhou as celebrações e nunca rezou c/ a adol.
_
Muitas vezes acompanhou as celebrações e raras vezes rezou
c/ o adol.
Muitas vezes acompanhou as celebrações e raras vezes rezou
c/ a adol.
Às vezes acompanhou as celebrações (obs.: não respondeu
quanto à reza)
Sempre acompanhou as celebrações e nunca rezou c/ a adol.
_
_
_
_
QUADRO 5: INFLUÊNCIA RELIGIOSA FAMILIAR (CONTINUAÇÃO)
Carlos
_
Às vezes acompanhou as celebrações e muitas vezes
rezou c/ o adolescente
Raras vezes acompanhou as celebrações e nunca rezou c/ o adol.
_
Daniela
_
Sempre acompanhou as celebrações e raras vezes
rezou c/ a adolescente
Nunca acompanhou as celebrações e nunca rezou c/ a adol.
_
Daniel
_
Às vezes acompanhou celebrações e nunca rezou c/
o adolescente
Às vezes acompanhou as celebrações e nunca rezou c/ o adol.
_
Os participantes agnósticos responderam que a família deles respeita
as datas comemorativas medianamente, sendo os participantes que
apresentam famílias menos comprometidas com estas datas. Já as famílias
dos demais adolescentes respeitam estas datas completa ou razoavelmente.
A respeito do seguimento dos mandamentos religiosos pela família,
somente os participantes evangélicos responderam que a família os respeita
completamente. O menino católico também respondeu que a família dele
respeita estes mandamentos. Os demais adolescentes responderam que a
família não segue esses mandamentos.
O menino católico e os participantes evangélicos foram os que
disseram que a religião ajuda nos momentos difíceis completamente. Os
participantes que não frequentam uma atividade religiosa responderam que
não ajuda nada: os agnósticos e a menina católica.
A menina evangélica e o menino espírita responderam que os pais são
completamente unidos em questões religiosas. Os demais adolescentes
responderam que os pais não são unidos em questões religiosas, ou que são
pouco unidos.
Outra questão importante, que nos permite visualizar sobre os valores
da família, é a que questiona se na família existe o costume de apoiar o
próximo. Quatro adolescentes responderam que nada, sendo os três
adolescentes que não frequentam nenhuma instituição religiosa e a menina
espírita. Os participantes evangélicos responderam que razoavelmente, assim
como
o
menino
espírita.
O
participante
católico
respondeu
que
medianamente.
Uma das questões do questionário pergunta se uma pessoa ou
experiência influenciou em especial a opinião do adolescente sobre questões
religiosas, e pergunta, caso sim, quem ou qual experiência. Somente três
adolescentes responderam que sim. O menino católico respondeu que a
principal influência vem dos pais, dos tios e de toda a família. A menina
espírita respondeu que a principal influência vem do pai – o que é muito
interessante, pois o pai é ausente e eles vivenciam muitos conflitos. O menino
evangélico disse que a principal influência religiosa vem de um amigo. Os
demais adolescentes responderam que na vida deles não houve uma pessoa
em especial, ou uma experiência que os influenciou religiosamente.
Complementando
as
informações
apresentadas
nos
quadros
anteriores, elaborados a partir das respostas ao Questionário relacionadas ao
primeiro tema-eixo, religiosidade/ espiritualidade e família, organizou-se
também o Quadro 6, apresentado a seguir, composto a partir do que se pôde
apreender das entrevistas.
QUADRO 6: R / E e FAMÍLIA
RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E FAMÍLIA
Contextualização
Reside com a mãe. Ausência paterna. O
irmão foi assassinado, e isto atinge a
família intensamente. A mãe a culpa pela
morte do irmão. O relacionamento com a
Adriana mãe é muito conflituoso. Fim de namoro
recentemente. Tentou matar-se dois meses
antes da entrevista. É católica, mas não vai
mais à igreja. Já foi a igrejas evangélicas,
mas a mãe critica isso.
Os pais são divorciados. Reside há três
meses com os tios (a irmã do pai e seu
Adriano
esposo). É católico, vai regularmente à
igreja.
Como percebe a família
Como gostaria que a família fosse
"Eu sou complicada, acho que puxei minha mãe". "Eu e
minha mãe ‘briga’ demais, quase todo dia, porque ela
trabalha um dia sim e um dia não. Quando ela está em
casa, a gente briga. Hoje ela está em casa, e é por isso que
eu nem quis ir para casa logo". "Meu irmão morreu há três
anos. Minha mãe sempre tratou ele bem e eu mal". "Eu não
considero ele (o pai) da minha família". O carinho dele (o
pai) é para as outras filhas, que não são minhas irmãs".
"Primeiro eu gostaria de ter um irmão, ‘né’, porque
eu não tenho. Eu gostaria de voltar a ser criança,
pois quando eu era criança eu não passava por
essas coisas, eu tinha meu irmão, ‘né’? Eu queria
que esses problemas passassem, que eu parasse
de brigar com minha mãe. Eu queria mais carinho
da minha mãe".
"Minha família é normal. Minha mãe está desempregada,
meu pai é motorista, meus irmãos moram com a minha
mãe. Minha mãe está solteira, meu pai também está
solteiro".
"Eu mudaria o jeito da minha mãe só. Eu gostaria
que ela fosse mais liberal, só isso, porque ela
prende muito, não gosto disso".
Bruna
"Minha família é bem unida, todo mundo pensa a mesma
Reside com os pais. É evangélica, da Igreja coisa. Meu pai deixa a gente, eu e minha irmã, fazer
bastante coisa, mas tem regras. Minha mãe é bem legal e
Universal do Reino de Deus.
meu pai também; eles são bem flexíveis".
"Eu mudaria uma tia minha, eu não a mudaria de
família, mas mudaria o jeito dela. Ela é meio
maluca, estressada. Ela mora com a minha avó.
Ninguém pode ir lá, porque ela dá a doida lá. Eu
queria que ela fosse normal, igual a gente, menos
estressada e aceitasse mais os outros".
Bruno
Reside com a mãe, o padrasto e quatro
irmãos. É evangélico, da Igreja Arca da
Aliança.
"Eu não mudaria nada na minha família".
"Ué, minha família é normal: todo mundo divertido, todo
mundo feliz, tem umas brigas, ‘né’, mas igual toda família".
QUADRO 6: R / E e FAMÍLIA (CONTINUAÇÃO)
Carla
Reside com a mãe e o padrasto. Morava
com o pai e foi morar com a mãe devido à
intensidade dos conflitos com o pai. O pai
tem 13 filhos, e ela tem dificuldade de
relacionamento com a família paterna. É
espírita kardecista.
"Minha família, olha, eu posso dizer que a minha família, a
minha mãe, eu, meu irmão e a minha avó, porque eu excluí
o meu pai da minha família, da parte da família dele eu não
tenho mais contato nenhum. Minha família é uma família
boa, bem estruturada, como toda família, tem erros. Minha
mãe está se acostumando a mim, tem oito meses que moro
com ela e ela ainda está com desconfiança de que vou
aprontar. Minha avó, quando me vê, me abraça, me agarra,
aquele mimo de ‘vó’, me mima demais. A primeira vez que
ele (o pai) me bateu, me deixou toda marcada. Meu pai é
preconceituoso, ele disse: 'ai meu Deus, não quero minha
filha namorando um preto'. Ele (o pai) começou a falar que
ia me matar".
"Só mantenho contato com duas sobrinhas minhas
da parte da família do meu pai. Não mantenho
contato com ninguém de lá, pouco me importa
como estão ou não. Eu espero que estejam bem,
mas eles no canto deles, e eu no meu".
Carlos
Reside com a mãe e a irmã. O pai foi preso
quando Carlos tinha 5 anos, e saiu quando
ele tinha 11 anos. Ajudava a mãe a catar
lixo reciclável para vender. Sempre
enfrentou muita dificuldade financeira.
Quando o pai saiu da prisão, voltou para
casa grosseiro com a família, e Carlos
incentivou a mãe a se separar. É espírita
kardecista.
"Quando meu pai saiu da prisão e voltou para casa, a minha
mãe aceitou ele, ‘né’, era bobinha. Aí eu falei que se ela não
queria mais ele como marido, não adiantava ele morar com
a gente. Ele era muito grosso, xingava muito e minha mãe é
muito religiosa, ela não gostava. Eu não tinha o meu pai,
mas eu tinha o meu tio, que faleceu, mas ele ia muito lá em
casa e conversava".
"Eu mudaria só o jeito da minha irmã, que é muito
mandona. Ela gosta de ficar mandando em mim,
‘né’. Se tem uma louça amontoada, ela fala: ‘tem
louça pra tu lavar, pode ir lavar!’ Aí, eu fico
indignado e saio pra rua, porque minha irmã fica o
dia todo em casa; ela estuda à noite".
Reside com a mãe e o padrasto. Tem o
Daniela cabelo azul e alargador na orelha.
Denomina-se agnóstica.
Daniel
Reside com os pais. Ele possui o cabelo
grande, tatuagem, piercings, e alargador na
orelha. É agnóstico.
"Eu não tenho, tipo... Meu irmão por parte de mãe, eu não
tenho muita proximidade com ele. Mas ele todo dia vai lá em
"Minha mãe, ela tem alguns preconceitos, tipo, sei
casa. Ah, mas meus irmãos são todos legais. Eu prefiro
lá, ela diz que queria que eu fosse, sei lá, ela diz
minha irmã, claro! Ela, nossa, ela também é uma das coisas
que queria que eu fosse uma menina normal".
mais importantes para mim (...) eu amo ela demais. Minha
família é feliz".
"Minha família é uma família normal. Eu sou o único
diferente da família, é tudo da igreja evangélica, família
normal, família pacata. Meus pais tinham problema com
álcool, hoje têm, mas é pouco".
"Eu mudaria o preconceito deles (de pessoas da
família) e a forma de agir da minha mãe. Meu pai
conversa, tenta saber o que acontece, minha mãe
grita, então eu nem escuto muito".
O conjunto de percepções dos sentidos que emergem do primeiro
núcleo temático permitiu a elaboração da Figura 2, com base em conteúdos
das entrevistas, que busca ilustrar uma síntese dinâmica das principais
divergências e convergências que caracterizam esse núcleo.
FIGURA 2: TEMA-EIXO – R / E e FAMÍLIA, E SEUS SENTIDOS
APREENDIDOS
O
diagrama
fenomenológica
das
apresenta
os
entrevistas.
sentidos
Quatro
apreendidos
adolescentes
na
leitura
relataram
ter
relacionamento conflituoso com a mãe e manifestaram desejo de mudá-la (a
menina católica, porque a mãe é complicada; o menino católico, pela rigidez;
a menina agnóstica, pelo preconceito; o menino agnóstico, pelo preconceito e
por gritar). Em um desses casos (menina católica), havia sofrimento intenso
por parte da adolescente que perdeu o irmão, assassinado há três anos, e a
mãe a culpa pelo assassinato, pois o irmão havia ido a um lugar para esperar
pela irmã, por insistência desta. Ofereceu-se acompanhamento psicológico à
adolescente, que foi à consulta uma única vez após a coleta de dados. Na
segunda consulta ela faltou sem justificar-se. Tentou-se contato várias vezes
por telefone, sem sucesso.
Percebeu-se, por parte de três adolescentes, uma naturalização da
ausência paterna. Eles não apresentaram de forma sofrida incômodo com
relação à ausência do pai – como se tivessem aceitado o fato de o pai não se
importar muito com eles (menina católica, menina espírita e menino espírita).
Em um dos casos, o adolescente relatou que o pai é companheiro,
gosta de saber o que está acontecendo – diferente da mãe desse
adolescente, que ele disse nem ver direito (menino agnóstico). Esse mesmo
adolescente disse sofrer preconceito por parte da mãe e de outras pessoas
da família, que ele gostaria de mudar.
Um dos adolescentes disse não querer mudar nada na família, por ter
uma família boa (menino evangélico). Ele convive com a mãe e o padrasto. A
menina evangélica disse querer mudar apenas a tia. Um adolescente disse
querer mudar apenas a irmã (menino espírita).
Nas entrevistas percebeu-se que os dois adolescentes evangélicos
pareciam estar satisfeitos com as famílias. O menino disse não querer mudar
nada nela, e a menina disse querer mudar uma tia. Os dois adolescentes
espíritas naturalizaram a ausência paterna, assim como a menina católica.
Apresenta-se a seguir o tema-eixo sobre a religiosidade e a vida
pessoal dos adolescentes.
5.4. Tema-eixo 2: R / E e vida pessoal
Foram estruturados cinco quadros para a composição deste eixo
temático: Características e valores pessoais; Sobre si mesmo I; Sobre si
mesmo II; Situação na escola, e Religiosidade/ espiritualidade e vida pessoal.
O Quadro 7, que trata do primeiro item relacionado acima, foi composto
a partir das respostas à questão 31 do Questionário.
QUADRO 7: CARACTERÍSTICAS E VALORES PESSOAIS
Nome
Criatividade
Ambição material
Senso de igualdade c/as pessoas Desejo de ser admirado Necessidade de segurança
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Pouquíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Razoavelmente
Medianamente
Muitíssimo
Muitíssimo
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Razoavelmente
Medianamente
Medianamente
Razoavelmente
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Razoavelmente
Muitíssimo
Muitíssimo
Medianamente
Medianamente
Muitíssimo
Nada
Nada
Muitíssimo
Nada
Pouquíssimo
Nada
Pouquíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Nada
Nada
Medianamente
Muitíssimo
Nome
Solidariedade e ajuda ao próximo
Desejo de
reconhecimento
Defesa do Estado forte
Aventureiro
Comportado e certinho
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Medianamente
Muitíssimo
Razoavelmente
Muitíssimo
Pouquíssimo
Medianamente
Medianamente
Medianamente
Pouquíssimo
Pouquíssimo
Muitíssimo
Nada
Não respondeu
Razoavelmente
Pouquíssimo
Medianamente
Medianamente
Nada
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Pouquíssimo
Medianamente
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Razoavelmente
Nada
Medianamente
Razoavelmente
Razoavelmente
Pouquíssimo
Nada
Razoavelmente
Muitíssimo
Nada
Pouquíssimo
Nada
Nada
QUADRO 7: CARACTERÍSTICAS E VALORES PESSOAIS (CONTINUAÇÃO)
Nome
Dinamismo e
gostar do novo
Obediência
Aceitação das
diferenças
Humildade e
modéstia
Aproveita prazeres da
vida
Autonomia e liberdade
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Muitíssimo
Razoavelmente
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Pouquíssimo
Razoavelmente
Razoavelmente
Nada
Nada
Muitíssimo
Muitíssimo
Medianamente
Nada
Nada
Nada
Razoavelmente
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Nada
Razoavelmente
Muitíssimo
Razoavelmente
Muitíssimo
Muitíssimo
Razoavelmente
Muitíssimo
Razoavelmente
Medianamente
Muitíssimo
Razoavelmente
Razoavelmente
Medianamente
Razoavelmente
Muitíssimo
Nada
Nada
Razoavelmente
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Razoavelmente
Muitíssimo
Razoavelmente
Razoavelmente
Muitíssimo
Nome
Ser respeitado e
obedecido
Lealdade
Senso ecológico
Tradicional
Diversão e prazer
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Nada
Nada
Razoavelmente
Muitíssimo
Nada
Nada
Pouquíssimo
Pouquíssimo
Razoavelmente
Pouquíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Pouquíssimo
Razoavelmente
Muitíssimo
Razoavelmente
Razoavelmente
Muitíssimo
Razoavelmente
Razoavelmente
Razoavelmente
Medianamente
Razoavelmente
Nada
Medianamente
Razoavelmente
Muitíssimo
Nada
Pouquíssimo
Nada
Nada
Muitíssimo
Medianamente
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Medianamente
Muitíssimo
Muitíssimo
Essa questão é a única do Questionário que se diferencia para
meninos ou meninas. Em sua introdução, diz que apresentará algumas
características de um menino na versão específica para meninos, e
características de uma menina, na versão específica para meninas. Solicita
para responderem o quanto se desvelam ou não com aquele menino/ menina.
A respeito da criatividade, que está associada à saúde mental, a
menina católica e o menino espírita foram os que se descreveram como
menos criativos, sendo que a menina católica se percebe pouquíssimo
criativa, e o menino espírita se percebe medianamente criativo. Cinco deles
se percebem muitíssimo criativos: os evangélicos, os agnósticos e o menino
católico. Assim, todos eles possuem essa característica, diferindo em
intensidade.
Quase todos os adolescentes se percebem com baixa ambição
material, sendo que os católicos, os evangélicos e a menina espírita disseram
não ter nada de ambição material. Os agnósticos disseram ter esta ambição
medianamente, e o menino espírita disse tê-la razoavelmente.
Quanto ao senso de igualdade com as outras pessoas, em geral, os
adolescentes apresentaram alto senso de igualdade.
A respeito do desejo em ser admirado, percebeu-se que a maioria dos
adolescentes mencionou ter pouco desejo em serem admirados. Apenas a
menina evangélica e o menino espírita responderam ter este desejo
muitíssimo. Os católicos responderam ter esse desejo medianamente. Os
demais adolescentes responderam que nada ou pouquíssimo.
Quanto à necessidade de segurança, a metade dos adolescentes
respondeu não ter esta necessidade ou tê-la pouquíssimo. Apenas três
adolescentes responderam ter muitíssimo esta necessidade: os evangélicos e
o menino agnóstico. A menina agnóstica respondeu ter essa necessidade
medianamente.
Os
demais
adolescentes
responderam
ter
nada
ou
pouquíssimo esta necessidade.
Quanto ao dinamismo e o gostar do novo, somente o menino espírita
respondeu gostar “pouquíssimo” disso. Os demais adolescentes, ou seja, sete
dos oito, responderam gostar “muitíssimo” ou “razoavelmente”.
A maioria dos participantes demonstrou não possuir a característica da
obediência. Somente os participantes evangélicos responderam possuírem
esta característica “muitíssimo”, e a menina espírita respondeu possuí-la
“medianamente”. Os demais participantes responderam não possuir em
“nada”.
A respeito da aceitação das diferenças, sete dos oito adolescentes
demonstraram ter boa aceitação delas. Somente a menina espírita respondeu
não ter boa aceitação das diferenças, no grau “nada”.
Quanto à característica de humildade e modéstia, sete dos oito
participantes responderam possuir esta característica “muitíssimo” ou
“razoavelmente”.
Somente
o
menino
espírita
respondeu
possuí-la
“medianamente”.
Quanto ao hedonismo, cinco dos oito adolescentes apresentaram
considerável hedonismo. Os adolescentes espíritas e o menino católico foram
os que apresentaram menos hedonismo, sendo que os espíritas foram os
únicos que responderam que “nada” quando lhes foi perguntado em quanto
conferia a frase “gosto de aproveitar os prazeres da vida”.
Outra questão, que também avaliava conteúdo parecido, perguntou o
quanto era importante para os adolescentes a diversão e o prazer. Seis dos
oito participantes consideraram “muitíssimo” importante. O menino católico e
o espírita foram os que consideraram a diversão e o prazer menos importante.
Assim, considerando-se as duas questões, o menino espírita foi o que
apresentou ser o participante menos hedonista.
Autonomia e liberdade foram tidas como importante para todos os
participantes, visto que eles responderam ser importante para eles
“muitíssimo” ou “razoavelmente”.
A respeito de ser solidário e ajudar ao próximo, os participantes
evangélicos
e
o
menino
católico
disseram
apresentar
mais
essas
características. Os demais participantes mencionaram possuírem estas
características “medianamente”.
A respeito do desejo de reconhecimento, somente a menina evangélica
e o menino espírita apresentaram altos níveis desse desejo. O menino
agnóstico respondeu que “medianamente”, demonstrando relativo desejo de
reconhecimento. Os demais adolescentes responderam ter esse desejo
“nada” ou “pouquíssimo”.
Metade dos participantes respondeu ter “muitíssimo” desejo da defesa
do estado forte. A menina católica e a agnóstica responderam ter este desejo
“medianamente”. Somente o menino católico e o espírita responderam ter
este desejo “nada” ou “pouquíssimo”.
Seis dos oito participantes responderam ter a característica de ser
aventureiro “muitíssimo” ou “razoavelmente”, o que indica alto nível dessa
característica. Os participantes espíritas foram os que apresentaram menos
esta característica.
Os evangélicos foram os que responderam ser mais comportados e
certinhos. Os demais participantes apresentaram esta característica em
“nada” ou “pouquíssimo”.
Quanto à importância de serem respeitados e obedecidos, os
adolescentes evangélicos foram os únicos que mencionaram possuir esta
necessidade.
Os
agnósticos
responderam
possuir
esta
necessidade
“pouquíssimo”, e os demais participantes relataram não possuir esta
necessidade.
Seis dos oito adolescentes relataram possuir a característica da
lealdade “muitíssimo” ou “razoavelmente”. Somente dois deles responderam
possuir esta característica “pouquíssimo”, sendo eles o menino católico e o
espírita.
Quanto à importância do senso ecológico, sete dos oito adolescentes
responderam “muitíssimo” ou “razoavelmente”. Somente a menina agnóstica
respondeu “medianamente”, com uma postura mais neutra a respeito do
assunto.
Quanto a ‘ser tradicional’, os adolescentes evangélicos foram os que se
apresentaram como mais tradicionais. Os agnósticos, a católica, e a menina
espírita foram os que se apresentaram como menos tradicionais.
O Quadro 8 apresenta características pessoais dos adolescentes, e foi
composto a partir das respostas à Questão 32 do Questionário, cujos subitens
investigam
se
características.
os
adolescentes
se
percebem
com
determinadas
QUADRO 8: SOBRE SI MESMO I
Nome
Gentileza
Agitado
Sintomas psicossomáticos
Solidariedade
Zangado e impaciente
Solidão
Obediente
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Nada
Em parte
Em parte
Em parte
Nada
Em parte
Em parte
Completamente
Completamente
Completamente
Em parte
Em parte
Em parte
Nada
Nada
Completamente
Nada
Nada
Nada
Em parte
Em parte
Completamente
Completamente
Completamente
Em parte
Completamente
Em parte
Em parte
Nada
Nada
Em parte
Em parte
Em parte
Completamente
Em parte
Nada
Completamente
Nada
Em parte
Em parte
Nada
Completamente
Nada
Em parte
Completamente
Em parte
Em parte
Em parte
Completamente
Em parte
Em parte
Em parte
Nome
Preocupado
Ajuda a quem precisa
Agitação física
Amizade
“Brigão”
Mau humor
Querido por outros
jovens
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Nada
Completamente
Nada
Completamente
Completamente
Em parte
Completamente
Nada
Completamente
Completamente
Em parte
Completamente
Em parte
Completamente
Completamente
Nada
Nada
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Nada
Nada
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Em parte
Completamente
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Completamente
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Em parte
Em parte
Completamente
Em parte
Completamente
Em parte
Em parte
Em parte
Em parte
QUADRO 8: SOBRE SI MESMO I (CONTINUAÇÃO)
Nome
Perda de
concentração
Nervosismo e
insegurança
Legal com crianças
Mentiroso
Incomodado
pelos colegas
Gosta de ajudar
Pensa antes de
fazer as coisas
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Não respondeu
Não respondeu
Nada
Completamente
Completamente
Em parte
Em parte
Em parte
Nada
Em parte
Em parte
Em parte
Em parte
Completamente
Em parte
Nada
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Nada
Não respondeu
Nada
Nada
Completamente
Em parte
Em parte
Nada
Nada
Nada
Em parte
Em parte
Completamente
Nada
Não respondeu
Em parte
Nada
Completamente
Em parte
Completamente
Completamente
Em parte
Nada
Nada
Em parte
Em parte
Em parte
Completamente
Em parte
Em parte
Completamente
Completamente
Nome
Hábito de pegar
coisas alheias
Melhor relação
com adultos que
com pessoas da
mesma idade
Medroso
"Nunca cogitaria
suicidar-me"
Persistente e
atencioso
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Nada
Nada
Nada
Não respondeu
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Em parte
Nada
Em parte
Em parte
Em parte
Em parte
Completamente
Nada
Nada
Nada
Em parte
Nada
Em parte
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Completamente
Completamente
Completamente
Em parte
Em parte
Nada
Em parte
Nada
Em parte
Em parte
Em parte
Em parte
Buscou-se investigar dois tipos de agitação: a interna e a física. A
respeito de serem agitados internamente, observou-se que a maioria deles se
percebem agitados, seja “completamente” ou “em parte”. Somente a menina
católica respondeu não ser agitada em “nada”. Já quanto à agitação física,
cinco dos oito adolescentes se percebem “completamente” agitados. Os
participantes agnósticos e a menina católica disseram não se sentirem nada
agitados fisicamente.
A metade dos adolescentes respondeu se perceber “em parte”
zangado e impaciente. O menino espírita respondeu ser “completamente”
zangado e impaciente. Já os participantes católicos e o menino agnóstico
disseram não serem zangados e impacientes em “nada”.
O menino evangélico foi o
que disse sentir mais sintomas
psicossomáticos. A menina católica e o menino agnóstico disseram sentir
estes sintomas “em parte”. Porém, a maioria dos participantes não sente
estes sintomas em “nada”.
A menina católica e o menino espírita foram os participantes que
disseram mais vivenciar a solidão. Esse menino tem uma irmã com a qual não
se relaciona bem. A menina perdeu o irmão e não se relaciona bem com a
mãe e, além disso, o namorado interrompeu o namoro. A menina e o menino
evangélicos, e o menino agnóstico também disseram vivenciar a solidão,
ainda que “em parte”.
Metade
dos
participantes
se
percebe
como
“completamente”
preocupados. Um se percebe “em parte” preocupado. Somente três não se
percebem “em nada” preocupados.
Seis dos oito adolescentes responderam não terem mau humor. A
menina católica respondeu ter mau humor “completamente”, e o menino
agnóstico respondeu ter mau humor “em parte”.
Quanto a se o adolescente tem pelo menos um amigo ou amiga, sete
dos oito adolescentes responderam “completamente”. Somente a menina
agnóstica respondeu “em parte”. Seis dos oito adolescentes responderam
serem queridos por outros jovens “em parte”.
Os oito adolescentes não possuem características que lhes permitam
ser considerados brigões.
Quanto a nervosismo e insegurança, seis adolescentes apresentaram
esta característica, sendo este um número considerável. O menino espírita foi
o único participante que respondeu “completamente”. A menina católica e o
menino agnóstico responderam “nada”. Os cinco demais adolescentes
responderam “em parte”.
Quanto à perda de concentração, o menino evangélico e a menina
espírita responderam que confere “completamente”. Os participantes católicos
não responderam. Os agnósticos e o menino espírita responderam “em
parte”. A menina evangélica respondeu “nada”.
Quando investigado nos adolescentes a respeito da característica de
ajudar a quem precisa, que foi avaliada perguntando o quanto é característica
deles ter boa vontade para dividir e emprestar suas coisas (comida, jogos,
canetas), uma adolescente respondeu “em parte”, juntamente com a menina
evangélica. O menino agnóstico foi o único que respondeu “nada”. Os demais
adolescentes
responderam
“completamente”.
Isso
revela
que
uma
característica da maioria deles é ter boa vontade em ajudar pessoas que
precisam.
Indagados novamente a respeito de gostar de ajudar, no item que
afirmava: “tento ajudar se alguém desvela magoado, aflito ou sentindo-se
mal”, três adolescentes responderam “completamente”, sendo eles o menino
católico, o evangélico, e a menina espírita. A menina evangélica e o menino
espírita responderam que gostam “em parte”, e os agnósticos e a menina
católica responderam não gostarem “nada”.
Quanto à gentileza, os adolescentes católicos e os evangélicos foram
os que se apresentaram mais gentis. A respeito da solidariedade, todos os
participantes mencionaram ser solidários; porém, os agnósticos, a menina
católica, e a espírita são solidários “em parte”. Já os demais participantes se
percebem completamente solidários.
Unanimemente os adolescentes responderam serem legais com
crianças.
Os católicos e o menino evangélico responderam se relacionar melhor
com pessoas da mesma idade do que com adultos. Os demais adolescentes
responderam se relacionar melhor “em parte” com adultos do que com
pessoas da mesma idade.
Mais da metade dos adolescentes responderam não ser medrosos.
Somente a menina católica respondeu “completamente” para esta questão.
Das meninas, somente a evangélica disse não ser medrosa, as demais são.
Seis dos oito adolescentes responderam ser “em parte” persistentes e
atenciosos. Somente o menino católico e o evangélico responderam não
serem “em nada” persistentes e atenciosos.
Todos os adolescentes que responderam a questão que buscava
investigar se eles têm o hábito de pegar coisas alheias responderam não
possuírem este hábito. O menino evangélico não respondeu a questão.
Metade dos participantes respondeu ter a verdade como um de seus
valores: os evangélicos, a menina católica, e o menino agnóstico. A menina
espírita disse ser mentirosa “completamente”. O menino espírita e a menina
agnóstica são “em parte” mentirosos.
A menina espírita é a que se sente mais incomodada pelos colegas. Os
católicos e o menino espírita são os únicos que não se sentem “em nada”
incomodados pelos colegas. Os demais participantes se sentem incomodados
“em parte”, exceto a menina agnóstica, que não respondeu.
A respeito de pensar antes de fazer as coisas, somente três
adolescentes responderam “completamente”: os agnósticos e o menino
evangélico. Os demais adolescentes responderam pensar “em parte”.
A questão que buscou investigar se os adolescentes cogitariam em
alguma hipótese suicidar-se ficou confusa por ser apresentada na forma
negativa: “nunca cogitaria suicidar-me”. Obtiveram-se dois extremos de
respostas e não se sabe se todos compreenderam de fato o que a questão
buscava investigar. Metade dos adolescentes respondeu que a afirmação não
confere “em nada”, assim, entende-se que eles cogitariam em suicidar-se,
sim; porém, estranha-se que os católicos e os evangélicos tenham respondido
desta forma, já que nas religiões deles a vida é tida como um valor
inestimável.
Os espíritas e a menina agnóstica responderam “completamente”, ou
seja, nunca cogitariam em suicidarem-se. O menino agnóstico foi o único
participante que respondeu que nunca cogitaria se matar “em parte”.
O Quadro 9 foi composto a partir das respostas à questão 33 do
Questionário.
QUADRO 9: SOBRE SI MESMO II
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Compreensão do ambiente/
capacidade de previsão
Nada
Completamente
Razoavelmente
Completamente
Medianamente
Pouquíssimo
Medianamente
Razoavelmente
Nome
Autenticidade entre os pares
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Nada
Completamente
Razoavelmente
Razoavelmente
Completamente
Razoavelmente
Completamente
Completamente
Autonomia e adaptação às
mudanças
Pouquíssimo
Medianamente
Razoavelmente
Razoavelmente
Razoavelmente
Razoavelmente
Medianamente
Razoavelmente
Comportamento em conformidade
com os princípios paternais
Nada
Razoavelmente
Pouquíssimo
Completamente
Nada
Medianamente
Medianamente
Pouquíssimo
Nome
Percepção das diferenças de
orientação de cada contexto
Adaptação às mudanças de
ambiente
Percepção das diferenças entre as
ideias das pessoas com quem convive
Dificuldade de escolha entre
diferentes ideias e orientações
Perspectivas de autonomia para
organização da própria vida
Adriana
Medianamente
Medianamente
Nada
Medianamente
Completamente
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Razoavelmente
Medianamente
Razoavelmente
Pouquíssimo
Completamente
Completamente
Medianamente
Medianamente
Pouquíssimo
Razoavelmente
Medianamente
Razoavelmente
Medianamente
Nada
Razoavelmente
Nada
Nada
Nada
Pouquíssimo
Medianamente
Completamente
Razoavelmente
Medianamente
Medianamente
Nada
Completamente
Nada
Razoavelmente
Pouquíssimo
Razoavelmente
Não respondeu
Completamente
Medianamente
Medianamente
Medianamente
Nome
Obstinado, determinado
Autenticidade na família
Autenticidade na escola
Razoavelmente
Pouquíssimo
Razoavelmente
Completamente
Razoavelmente
Completamente
Completamente
Razoavelmente
Conformidade com as orientações da
escola
Nada
Razoavelmente
Nada
Completamente
Nada
Pouquíssimo
Nada
Pouquíssimo
Pouquíssimo
Pouquíssimo
Razoavelmente
Medianamente
Medianamente
Pouquíssimo
Medianamente
Medianamente
Nada
Pouquíssimo
Razoavelmente
Razoavelmente
Completamente
Nada
Completamente
Nada
Conformidade com os pares
Autenticidade consigo mesmo
Nada
Pouquíssimo
Nada
Pouquíssimo
Completamente
Nada
Nada
Pouquíssimo
Completamente
Medianamente
Completamente
Nada
Nada
Completamente
Completamente
Completamente
A maioria dos adolescentes mencionou ter autonomia e boa adaptação
a mudanças. Somente a menina católica apresentou dificuldades quanto a
isso, mencionando ter “pouquíssima” autonomia e dificuldades de adaptação
a mudanças.
Em geral, os adolescentes mencionaram compreender como funciona
o ambiente deles e ter previsão do que vai acontecer. Somente a menina
católica e o menino espírita disseram ter dificuldades quanto a isso.
A respeito de ‘ser obstinado e determinado’, os adolescentes disseram
ter estas características, apenas o menino católico mencionou possuir estas
características “pouquíssimo”.
A respeito da autenticidade na família, em geral, os adolescentes
disseram ser autênticos. Apenas os participantes católicos e o menino espírita
mencionaram ser autênticos na família “pouquíssimo”. Já a respeito da
autenticidade na escola, os adolescentes demonstraram ser menos autênticos
do que na família, pois quatro deles disseram ser “muito autênticos” e quatro
disseram ser “pouquíssimo” ou “nada” autênticos.
A autenticidade foi avaliada, e entende-se autêntico como ser
verdadeiro. A autenticidade entre os pares foi a que mais se destacou pela
intensidade, sete dos oito adolescentes disseram ser “completamente”
(quatro), ou “razoavelmente” (três) autêntico entre os pares. Somente a
menina católica respondeu não ser “nada” autêntica na presença dos pares.
Porém, quando investigado se os adolescentes estão em conformidade
com os pares, somente a menina espírita respondeu “completamente”, sendo
que os demais adolescentes responderam estar “pouquíssimo” ou “nada” em
conformidade com os pares.
A autenticidade consigo mesmo também foi avaliada, e cinco dos oito
adolescentes responderam ser autênticos consigo mesmos “completamente”.
O menino católico respondeu ser autêntico consigo mesmo “medianamente”.
Já o menino evangélico e a menina espírita responderam não ser “nada”
autênticos consigo mesmos.
Metade dos adolescentes respondeu que seus comportamentos estão
de acordo com os princípios paternais: o menino evangélico, o católico, o
espírita, e a menina agnóstica. A outra metade respondeu que está
“pouquíssimo” de acordo com os princípios paternais ou “nada” de acordo: a
menina evangélica, a católica, a espírita, e o menino agnóstico. Mais meninos
estão de acordo com princípios paternais do que meninas.
Quanto a se o comportamento do adolescente está em conformidade
com as orientações da escola, houve grande diferença entre as respostas dos
meninos e as das meninas, sendo que elas se mostraram mais rebeldes. O
menino evangélico e o católico responderam estar em conformidade com as
orientações da escola. Já o menino espírita e o agnóstico responderam
estarem “pouquíssimo” de acordo com as orientações da escola.
A respeito da percepção das diferenças de orientação de cada
contexto, sete dos oito adolescentes responderam perceber estas diferenças.
Somente a menina espírita respondeu perceber “pouquíssimo” esta diferença.
O Quadro 10 foi composto das respostas às questões 29, 30 e 36 do
questionário, todas elas relacionadas à escola.
QUADRO 10: SITUAÇÃO NA ESCOLA
Como se sente em relação à escola
Religião e escola
Ensino religioso
em sua escola
Possibilidade
de aprender
sobre outras
religiões na
escola
Sim
Não
Raramente
Nunca
Sim
Não
Algumas vezes
Medianamente
importante
Nunca
Nunca
Não
Não
Algumas vezes
Razoavelmente
importante
Sempre
Muitas vezes
Muitas vezes
Sim
Não
Algumas vezes
Muito
importante
Às vezes
Muitas vezes
Nunca
Às vezes
Sim
Não
Algumas vezes
Razoavelmente
importante
Carlos
Raramente
Às vezes
Muitas vezes
Muitas vezes
Sim
Não
Algumas vezes
Muito
importante
Daniela
Às vezes
Nunca
Raramente
Nunca
Sim
Não
Nunca
Daniel
Muitas vezes
Às vezes
Às vezes
Nunca
Sim
Não
Raramente
Gosta de ir à
escola
Solidão em sala
Costuma faltar
Sobre bullying
Reprovação na
escola
Adriana
Às vezes
Muitas vezes
Muitas vezes
Nunca
Adriano
Muitas vezes
Raramente
Nunca
Bruna
Às vezes
Nunca
Bruno
Muitas vezes
Carla
Nome
Importância
atribuída ao
conhecimento
sobre religião
na escola
Muito
importante
Muito
importante
Medianamente
importante
Algumas questões foram realizadas no intuito de investigar vivências
associadas à escola. Uma delas é a respeito de gostar de ir à escola. Houve
diferença entre as respostas das meninas e dos meninos. Elas responderam
gostar menos de ir à escola do que eles. Todas as meninas responderam
gostar de ir à escola “às vezes”. Já o menino católico, o evangélico e o
agnóstico responderam gostar de ir à escola “muitas vezes”. Somente o
menino espírita respondeu gostar “raramente” de ir à escola.
Somente a menina evangélica nunca foi reprovada. Os outros sete
participantes reprovaram pelo menos uma vez.
A respeito de faltar às aulas, três adolescentes responderam “muitas
vezes”, o que é um número considerável. O menino agnóstico respondeu “às
vezes”. Já a menina agnóstica respondeu “raramente”. O menino católico, a
menina evangélica e a menina espírita responderam “nunca” faltarem às
aulas.
A respeito de sentirem solidão em sala de aula, mais adolescentes
responderam não sentir solidão em sala. Somente o menino evangélico
respondeu “sempre” sentir solidão em sala. A menina católica e a espírita
responderam sentir “muitas vezes” solidão em sala. Já o menino espírita e o
agnóstico responderam sentir solidão “às vezes”, e o menino católico
respondeu “raramente” senti-la. A menina evangélica e a agnóstica
responderam “nunca” sentir solidão em sala.
Quanto a se os adolescentes já sofreram ou sofrem bullying na escola,
a maioria deles respondeu que “nunca” sofreu. Porém, o menino evangélico e
o espírita responderam que sofreram “muitas vezes”, e a menina espírita
respondeu “às vezes”.
A respeito do ensino religioso, nenhum dos participantes o tem na
escola. Cinco dos oito participantes disseram que “algumas vezes” eles têm a
possibilidade de aprender sobre outras religiões na escola. A menina católica
e o menino agnóstico disseram que isto “raramente” acontece, e a menina
agnóstica disse que isto “nunca” acontece. Todos os adolescentes
consideram importante adquirir conhecimento sobre religião, variando quanto
ao grau de importância, sendo que quatro deles disseram ser “muito
importante”: a menina católica e a agnóstica, e o menino evangélico e o
espírita. A menina evangélica e a espírita disseram ser “razoavelmente
importante”, e o menino católico e o agnóstico disseram ser “medianamente
importante”.
Buscando complementar as informações apresentadas nos quadros
anteriores,
elaborados
a
partir
de
respostas
ao
Questionário
–
correspondentes ao eixo temático 2, religiosidade/ espiritualidade e vida
pessoal–, foi organizado o Quadro 11, composto de conteúdos das
entrevistas.
QUADRO 11: R / E e VIDA PESSOAL
RELIGIOSIDADE/ ESPIRITUALIDADE E VIDA PESSOAL
Características pessoais
Coisas mais
importantes da
Gosto de fazer
vida
"As coisas mais
importantes são as
coisas que eu não
tenho, que é família. "Eu gostava de fazer balé quando era criança".
Só existe eu, minha
mãe, minha prima e
meu tio".
Adriana
"Eu sou uma menina
complicada, mas eu sou uma
menina bem educada. Eu sou
uma menina que respeita os
outros".
Adriano
"Eu não sei dizer assim com
palavras específicas. Sou
alegre, ansioso (...)".
"Deus, minha
família, meus
amigos".
Bruna
"Alegre, lerda, sou meio
lerdinha, alegre também, fico
rindo de tudo".
"Deus, minha família "Eu gosto de ficar assistindo anime, gosto de sair
e uma amiga
com uma colega minha, só para bater papo
minha".
mesmo".
Bruno
"Eu sou muito curioso em saber
"Deus e minha
das coisas, eu gosto de
família".
aprender".
Carla
"Eu sou estressada. Eu procuro
ser a melhor pessoa do mundo "A minha mãe, o
meu namorado e o
com quem é bom comigo. Eu
sou muito ansiosa, ansiosa
meu Deus".
demais".
Carlos
"Eu sou muito sorridente, eu
gosto de ficar rindo muito. Eu
sou quieto; eu não mexo com
ninguém. Calmo, fico mais
sozinho".
Não gosto de fazer
"Não gosto de estudar".
"Andar de skate, mexer no meu celular, Whatsapp, "Não gosto de estudar, fazer tarefas de
mexer no computador (jogos, Facebook)".
casa (...)"
"Eu gosto de tocar (teclado, violão e guitarra), eu
gosto de cantar, eu gosto de escrever também, eu
gosto de desenhar, dançar (...) Eu gosto de estar
entre família, entre amigos íntimos".
"Eu gosto de assistir anime, escutar música, não
importa qual música, sair com meu namorado,
com meus amigos, assistir TV, jogar conversa fora
com minha mãe, ficar mexendo com meus [objetos
de] cosplay, com a peruca, colocando detalhes
nas roupas".
"Minha mãe e minha
vida. Minha irmã
"Tocar violão, jogar no computador, mas agora
também, mas às
estou sem computador e vídeo-game, passear
vezes ela fala o que com os cachorros lá de casa, fazer composição".
não tem que falar".
"Eu não gosto de sair de casa; só com
essa amiga minha, mas não gosto de ir
para lugares que têm muita gente e tal".
"Eu não gosto de ir para a balada, de sair
com a galera para me divertir, tipo beber,
sei lá (...)”
"Eu não gosto de ficar parada. Eu não
gosto de falar de alguma coisa que eu
não sei, criticar uma coisa que eu nunca
conheci, ver um bocado de livro na
livraria e não poder comprar".
"Não gosto de ouvir rádio, porque o cara
fica falando toda hora. Minha irmã ouve,
mas eu não gosto".
QUADRO 11: R / E e VIDA PESSOAL (CONTINUAÇÃO)
Daniela
"Eu sou meio chatinha. Às vezes
eu fico meio estressada, mas eu "Minha mãe, meus objetivos, meu namorado"
sou calma, não gosto de gritar".
Daniel
[risos] " Piercings, cabelo
grande, meu olho claro,
tatuagem. Sou calmo, eu não
gosto de discutir, eu sou
tranquilo".
"Os estudos, dois amigos meus, minha namorada
e meus avós".
"Eu, meu namorado e
meus amigos, a gente
vai para o parque da
cidade, shopping(...)".
"Eu jogo muito, saio
muito com as meninas
também, ando de skate,
vou para o parque da
cidade brincar naquele
elástico que põe nas
árvores".
"Acho que não tem nada que eu não goste
de fazer".
"Eu não gosto de ir a lugares que tem gente
que fica falando, gritando, gente que quer
chamar a atenção, que fica falando um
bocado de ‘merda’ para chamar a atenção".
RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E VIDA PESSOAL
Lazer / interesses
Relações amorosas
Relação com os estudos
Adriana
"Eu ia para um bocado de festa.
Só deixei de ir a partir do ano
passado, porque eu comecei a
namorar".
"(...) comecei a namorar um menino, ele me incentivou a estudar, aí eu
passei de ano. Ele me incentivou a parar de responder a minha mãe, a
parar de sair. Nesse ano ele terminou comigo porque ele não me
aguentava, porque eu sou complicada, mas eu sou carinhosa também.
Eu gosto dele até hoje(...) Quase morri; tomei veneno de rato".
"Eu queria ter mais vontade de estudar, porque eu
não tenho. Sempre fui uma menina que gostava de
estudar. Depois que meu irmão morreu, eu
reprovei quatro vezes na sétima série".
Adriano
"Clube, cinema, shopping, casa
de parente".
_______
"Não gosto de estudar".
_______
"Eu gosto quando a aula é, tipo, legal, quando é
animada, quando o professor fala de coisa de ficar
boiando, eu não gosto".
_______
"Eu gosto de aprender".
Bruna
Bruno
" Shopping, eu vou com a minha
mãe. Às vezes meu pai me leva
ao cinema".
"Eu sou apaixonado para
aprender a tocar baixo, mas eu
ainda não aprendi". "Faço parte
do louvor da igreja e sou líder do
teatro".
QUADRO 11: R / E e VIDA PESSOAL (CONTINUAÇÃO)
"Ele [Deus] e o meu namorado foram o que me segurou enquanto eu
estava longe da minha mãe. Quando eu saí da casa do meu pai, já
tinha acontecido aqueles negócios normais de adolescente quando
está namorando" [referindo-se a relações sexuais].
"Na escola eu sofro muito preconceito. Na minha
sala a maioria fica longe de mim porque sou
espírita. A ex-mulher do meu pai jogou uma praga
em mim, daí um espírito ruim fica seguindo o meu
caminho. Um dia, na escola, uma coisa muito ruim
pegou em mim e eu saí batendo em todo mundo, e
fui me esconder em um lugar escuro. As tias da
escola vieram com água benta e diziam: 'chama o
pastor, chama o pastor!' ".
Carla
" Shopping, Parque da Cidade,
acampar".
Carlos
"Quando [eu era] criança, a
minha mãe catava materiais
recicláveis para vender. Para nós
era uma diversão, ‘né’? [Ele
compõe músicas que falam de
amor, união etc]
Daniela
"Eu também quero fazer
faculdade de Psicologia, sempre
quis.Eu quero ser professora de
inglês; daí, vou pagar minha
faculdade de Psicologia".
Ela namora o participante Daniel.
"Durante a semana eu estudo, quando quero".
Daniel
"Eu gosto muito de shows, só
que tem vezes que vai um povo
que começa a gritar e a fazer
folia, começa a dar a maior
confusão, eu não gosto disso".
Ele namora a participante Daniela.
"Eu não me esforçava muito antigamente, não.
Agora que eu estou começando a me esforçar nos
estudos".
_______
"Aí, de manhã eu saía com a minha mãe com o
carrinho, ‘né’, para catar material reciclável. À
tarde, eu estudava. Aí, a mulher do Conselho
Tutelar viu e proibiu, ‘né’".
A Figura 3 foi elaborada a partir da percepção dos sentidos
apreendidos do segundo núcleo temático, que busca ilustrar uma síntese
dinâmica das principais divergências e convergências, com base em
conteúdos das entrevistas.
FIGURA 3: TEMA-EIXO – R / E e VIDA PESSOAL, E SEUS SENTIDOS
APREENDIDOS
O
diagrama
fenomenológica
apresenta
os
sentidos
das entrevistas de acordo
apreendidos
com
da
o núcleo
leitura
temático
apresentado. Nele, observamos que a família foi apresentada por todos os
participantes como sendo de fundamental importância. Deus foi apresentado
por quatro participantes como importante: o menino católico, os participantes
evangélicos, e a menina espírita. Os amigos foram mencionados por três
adolescentes como importantes: o menino católico, o agnóstico, e a menina
evangélica.
O(a)
namorado(a)
também
foi
apresentado(a)
por
três
participantes como importante: a menina espírita, a agnóstica, e o menino
agnóstico.
A vivência de namoro foi apresentada como fonte de apoio por quatro
participantes: o menino agnóstico, a menina espírita, a agnóstica, e a católica,
sendo também apresentado como fonte de conflito por esta última.
Somente três participantes apresentaram mais interesse pelos estudos
(menino evangélico, menino agnóstico, e menina agnóstica), cinco deles
demonstraram desinteresse ou indiferença.
Quanto à percepção das características pessoais, foram mencionadas
tanto características positivas quanto negativas, mas todos os participantes
tiveram dificuldade em responder, demonstrando timidez ou falta de
autoconhecimento. Talvez isto esteja relacionado com a questão da formação
da identidade que, por estar em processo, dificulta a percepção.
Em geral, os participantes demonstraram uma diversidade de
interesses, seja quanto a música, arte, dança ou esportes. Dois adolescentes
apresentaram o interesse pela música, relacionado às atividades que
desempenham na igreja (menino evangélico e menino espírita).
Apresenta-se a seguir o eixo temático 3: religiosidade/ espiritualidade e
círculo social dos adolescentes.
5.5. Tema-eixo 3: R / E e círculo social
Na composição deste eixo temático, foram estruturados dois quadros,
apresentados na sequência: valores em relação à sua e às demais religiões; e
religiosidade/ espiritualidade e círculo social.
Para estruturação do Quadro 12 – Valores em relação à sua e às
demais religiões – foram consideradas as respostas às questões 19, 20 e 21
do Questionário, que tratam da posição do jovem quanto à sua própria religião
e às demais.
QUADRO 12: VALORES EM RELAÇÃO À SUA E ÀS DEMAIS RELIGIÕES
Escolha de parceiros/amigos
Nome
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Posição sobre a própria
religião e a dos demais
Todas as religiões
merecem respeito, mas eu
prefiro a minha, porque fui
educado assim.
Todas as religiões
merecem respeito, mas só
a minha é verdadeira.
Todas as religiões têm o
mesmo valor.
Todas as religiões
merecem respeito, mas eu
prefiro a minha, porque fui
educado assim.
Todas as religiões têm o
mesmo valor.
Todas as religiões
merecem respeito, mas só
a minha é verdadeira.
Todas as religiões têm o
mesmo valor.
Todas as religiões têm o
mesmo valor.
Aceita
amigos
de outras
religiões
Contato pessoal com jovens de outras religiões
Casamento com pessoas de
outras religiões
Católica
Evangélica Protestante
Espírita
Afrobrasileiras
Indígenas
Outras
EU
PAIS
Nada
Nada
Nada
Raramente
Às vezes
Nunca
Nunca
Nunca
Raramente
_
Nada
Medianamente
Nada
Sempre
Sempre
Sempre
Raramente
Nunca
Nunca
_
Nada
Medianamente Completamente
Muitas
vezes
Sempre
Às vezes
Às vezes
Às vezes
Nunca
-
Nada
Nada
Nada
Sempre
Sempre
Sempre
Sempre
Sempre
Nunca
-
Nada
Nada
Nada
Muitas
vezes
Muitas
vezes
Às vezes
Sempre
Sempre
Sempre
-
Nada
Nada
Nada
Sempre
Muitas
vezes
Às vezes
Sempre
Raramente
Nunca
-
Nada
Pouquíssimo
Nada
Muitas
vezes
Muitas
vezes
Nunca
Às vezes
Nunca
Nunca
-
Nada
Nada
Nada
Às vezes
Às vezes
Nunca
Raramente
Nunca
Nunca
-
Quanto à posição sobre a própria religião e a dos demais, quatro
adolescentes afirmaram, na questão 19 do Questionário, que “todas as
religiões têm o mesmo valor”: os agnósticos, a menina evangélica e a espírita.
O menino católico e o espírita disseram que “todas as religiões merecem
respeito, mas só a minha é verdadeira”. Já a menina católica e o menino
evangélico disseram que “todas as religiões merecem respeito, mas eu prefiro
a minha porque fui educado assim”.
Cinco dos oito adolescentes responderam que “não confere em nada”
com relação à questão que afirma: “eu nunca me casaria com alguém de
outra religião”. Somente a menina evangélica e o menino católico
responderam “confere medianamente”. A menina agnóstica afirma: “confere
pouquíssimo”.
Somente a adolescente evangélica respondeu que seus pais não
estariam de acordo caso ela se casasse com uma pessoa de outra religião.
Os demais adolescentes responderam que esta afirmação “não confere em
nada”, ou seja, seus pais não se incomodariam caso eles se casassem com
pessoas com religião diferente.
A respeito se os adolescentes possuem amigos católicos, somente a
menina católica respondeu “raramente”, e o menino agnóstico respondeu “às
vezes”. Os demais adolescentes responderam “sempre” ou “muitas vezes”.
Quanto a se os adolescentes convivem com jovens evangélicos em
seu círculo social, somente o menino agnóstico e a menina católica
responderam “às vezes”. Os demais adolescentes responderam “sempre” ou
“muitas vezes”. Já a respeito de eles conviverem com jovens protestantes em
seu círculo social, menos adolescentes responderam afirmativamente do que
a respeito de evangélicos. Apenas dois adolescentes responderam “sempre”:
o menino católico e o evangélico. Os espíritas e a menina evangélica
responderam “às vezes”, e os agnósticos e a menina católica responderam
“nunca”.
Quanto a se eles convivem com jovens espíritas em seu círculo social,
os espíritas e o menino evangélico responderam “sempre”. Os demais
adolescentes responderam “às vezes”, “raramente”, ou “nunca”, revelando ser
uma convivência muito restrita. Cinco dos adolescentes não costumam
conviver com jovens espíritas.
A respeito de os adolescentes manterem contato com jovens de
religiões afro-brasileiras, a metade deles respondeu que “nunca”. O menino
espírita respondeu “raramente”, e a menina evangélica respondeu “às vezes”.
Porém, o menino evangélico e a menina espírita responderam “sempre”.
Quando indagado se os adolescentes convivem com jovens de
religiões indígenas, somente a menina espírita respondeu “sempre”. A menina
católica respondeu “raramente”, e os demais participantes responderam
“nunca”.
O Quadro 13 foi elaborado com base no que se pôde apreender das
entrevistas,
de
forma
complementar
às
respostas
ao
Questionário,
relacionado ao eixo temático 3: religiosidade / espiritualidade e círculo social.
QUADRO 13: R / E e CÍRCULO SOCIAL
RELIGIOSIDADE/ ESPIRITUALIDADE E CÍRCULO SOCIAL
Amigos
Como lida com pessoas com religiões ou espiritualidade diferentes da
sua
Adriana
"Eu estava com vontade de dormir (...), eu tinha tomado
aquele trem horrível, ruim demais. Aí, eu falei para a F,
minha amiga, minha melhor amiga, (...) aí, eu disse: ‘F.
tem como você ‘vim’ aqui? Porque eu estou passando
mal’ ".
"Eu aceito, mas pessoa ateia eu acho que já é demais, acho que é pessoa
que não tem o que falar. Sinceramente! Tem uma menina na minha sala
que fala que é ateia, mas não sei se é, eu fico conversando com ela às
vezes e a gente até discute, porque não tem como uma pessoa (...), a
família dela é católica e tudo, ela só põe na cabeça que é ateia e que não
acredita".
Adriano
Os amigos estão entre as coisas mais importantes da
vida dele.
"Eu respeito a religião de todo mundo, a crença de todo mundo. Eu tento
sempre evangelizar meus amigos, levar eles para a missa comigo. Dentro
do possível, eu tento evangelizar eles".
"Gosto de sair com uma colega minha" (...), eu só gosto
de sair com essa amiga minha". [Essa amiga está entre
as coisas mais importantes da vida dela].
"Eu trato normal, mas tem pessoas que, quando eu falo sobre a minha
religião, vêm discutir. Aí eu não gosto, eu fico quieta. Eu tive uma amiga
católica que queria me converter ao catolicismo; eu não gostava (...). Aí foi
que eu parei de falar com ela. Tive um colega que era da minha igreja e ele
se tornou ateu, ele se afastou. Tenho colegas no Facebook que são ateus e
a gente se respeita. [A melhor amiga dela não tem religião, mas acredita em
Deus].
Bruna
Bruno
___________
"Eu trato naturalmente, como qualquer pessoa, como qualquer outra pessoa
da minha religião (...). Eu tenho amigos espíritas, católicos, outros que ‘é’
(...) Como é que é? Uma religião muito estranha".
QUADRO 13: R / E e CÍRCULO SOCIAL (CONTINUAÇÃO)
Carla
"Preconceito, na escola eu sofro muito preconceito, na
minha sala ninguém (...). A maioria fica longe de mim
porque sou espírita. Na outra escola também (...)".
"Eu lido como se fosse uma pessoa normal (...), então não tenho
preconceito com nada, eu procuro não praticar preconceito com outros
porque eu sei o tanto que é ruim, entendeu? Você está querendo seguir
uma religião que você acha que é certo e todo mundo ‘tá’ criticando. Eu sei
que é muito ruim, então não faço com ninguém para ninguém fazer comigo.
(...) Tenho uma amiga que é umbandista. Conheço pessoas que são
satanistas, ateu, eu não tenho problema com nenhuma, contando que
ninguém fale da minha".
Carlos
"Minha irmã gosta de mandar muito. Aí, às vezes eu fico
com raiva e vou para a rua, para casa de colega".
"Eu me relaciono bem, ‘né’. Que nem meu primo, meu primo é evangélico"
(...). Para mim, gente de outra religião é a mesma coisa que qualquer outra
pessoa, dá para conversar igualmente”. [Ele relatou já ter ido à igreja
evangélica, e ter levado o primo evangélico ao Centro Espírita].
Daniela
Ela e os amigos moram meio longe. Às vezes combinam
de ser ver. Ela desvela passar muito tempo livre com o
namorado.
"Ah, eu sou aquele tipo de pessoa que independentemente da religião dela
eu aceito, sabe? E ninguém nunca me criticou por eu ter dúvidas. Enfim, eu
tenho amigos que são ateus, tem até anticristo. Tem vários amigos, e a
gente conversa normalmente (...), é até legal trocar outras ideias".
Daniel
Ele menciona dois amigos dentre as coisas mais
importantes da vida. Ele desvela passar muito tempo
livre com a namorada.
"Eu não tenho nada contra pessoas com religiões diferentes. Tipo, cada um
tem a sua, cada um tem suas regras. Sou tranquilo, mas sou meio chato
quando começa a criticar, porque evangélico gosta de criticar: ‘isso não é
certo, não sei o que’. Eu não tenho nenhum contato com espíritas. Os
católicos são de boa, não criticam, não falam nada, ficam na deles".
O conjunto de percepções dos sentidos que emergem do terceiro
núcleo temático permitiu a elaboração da Figura 4, com base nos conteúdos
das entrevistas.
FIGURA 4: TEMA-EIXO – R / E e CÍRCULO SOCIAL, E SEUS SENTIDOS
APREENDIDOS
PESSOAS COM
RELIGIÕES DIFERENTES
DA SUA:
TRATO NORMAL, EU
ACEITO, EU RESPEITO
(8)
IMPORTÂNCIA DOS
AMIGOS:
RELIGIOSIDADE /
ESPIRITUALIDADE
E CÍRCULO
SOCIAL
JÁ TEVE DIVERGÊNCIAS
DENTRE AS COISAS MAIS
IMPORTANTES DA VIDA
(3), REFÚGIO (1),
SOCORRO (1)
COM COLEGAS DE
RELIGIÕES DIFERENTES
DA SUA
(3)
Na Figura 4, percebe-se que todos os adolescentes demonstraram
tratarem de forma “normal” os jovens com religiões diferentes da sua própria,
disseram aceitar, tolerar e respeitar. Porém, três deles disseram ter tido
divergências com colegas de religiões diferentes: a menina católica, a menina
evangélica, e o menino agnóstico.
Na entrevista em grupo não havia participantes católicos, pois uma
havia faltado à aula e o outro não demonstrou querer participar. Foi
interessante observar que foi a única religião que os adolescentes se
mostraram à vontade para apontar algumas críticas. Eles não criticaram
nenhuma religião ou espiritualidade dos adolescentes presentes.
Outro aspecto interessante foi relacionado ao valor que eles dão às
amizades, sendo que três deles mencionaram os amigos dentre as coisas
mais importantes da vida, e também associaram amizade a refúgio e socorro.
5.6. Tema-eixo 4: R / E e questões sociais e políticas
Foram estruturados três quadros para a composição deste eixo
temático: interesses e valores políticos; autopercepção da identidade
sociocultural e expectativas para o futuro; e religiosidade/ espiritualidade e
questões sociais e políticas.
O Quadro 14 – interesses e valores políticos – foi estruturado a partir
das respostas à questão 18 do Questionário, a qual explora os interesses e
valores político-sociais.
QUADRO 14: INTERESSES E VALORES POLÍTICOS
Nome
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Nome
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Interesse por
política
Homem como chefe
da família
Pouquíssimo
Nada
Medianamente
Medianamente
Razoavelmente
Pouquíssimo
Nada
Pouquíssimo
Nada
Razoavelmente
Completamente
Completamente
Pouquíssimo
Pouquíssimo
Pouquíssimo
Nada
Uso da violência
Participação com
influência
política do
cidadão
Entrada de
estrangeiros
Autocracia
Sacrifício pela
religião
Direitos
humanos
Nada
Pouquíssimo
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Pouquíssimo
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Razoavelmente
Razoavelmente
Completamente
Nada
Nada
Completamente
Nada
Nada
Pouquíssimo
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Medianamente
Nada
Medianamente
Razoavelmente
Completamente
Completamente
Pouquíssimo
Nada
Nada
Nada
Nada
Completamente
Completamente
Medianamente
Completamente
Completamente
Nada
Completamente
Confiança nos
políticos
Confiança na mulher
política
Entrega da vida pela religião
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Medianamente
Nada
Nada
Nada
Pouquíssimo
Pouquíssimo
Nada
Nada
Completamente
Medianamente
Razoavelmente
Pela religião, nada; por Deus, sim.
Pouquíssimo
Nada
Nada
Nada
A respeito do interesse por política, mais adolescentes responderam
não ter interesse do que o contrário. A adolescente que demonstrou ter mais
interesse foi a menina espírita. Em seguida, os participantes evangélicos
responderam ter interesse “medianamente”. Os demais adolescentes
responderam ter “pouquíssimo” ou “nada” de interesse político. Porém,
quando questionados a respeito do que pensam quanto à participação política
dos cidadãos, todos responderam que eles devem participar politicamente,
exceto a menina católica, que respondeu que confere “pouquíssimo” a
afirmação.
A respeito da confiança nos políticos, todos os adolescentes
responderam não confiar “nada” nos políticos homens. O resultado foi um
pouco diferente a respeito da confiança nas mulheres políticas, pois a menina
católica respondeu confiar “medianamente”, e os espíritas responderam
confiar “pouquíssimo”. Já os demais adolescentes responderam não confiar
“nada”.
Somente os evangélicos responderam que confere “completamente”, e
o menino católico disse que confere “razoavelmente” a afirmação de que o
homem é o chefe da família. Os demais adolescentes responderam que
confere “pouquíssimo” ou “nada”.
A respeito de pensar ser correto o uso da violência quando se está com
a razão, somente o menino católico respondeu que confere “pouquíssimo”, os
demais adolescentes não identificaram ser correto o uso da violência, mesmo
quando se está com a razão.
A respeito da entrada de estrangeiros no país, somente a menina
evangélica concordou com a frase que dizia que “no futuro, menos
estrangeiros deveriam entrar em nosso país”. Os demais adolescentes
responderam que a frase confere “pouquíssimo” (um) ou “nada” – (seis).
Sete dos oito adolescentes responderam não concordar com a frase
que afirmava que um homem forte, uma mulher forte, ou um partido forte
deveria governar sozinho o país. Somente a menina agnóstica concordou
“medianamente” com esta afirmação.
Somente os participantes evangélicos responderam que concordam
“completamente” com a frase sobre estarem dispostos a fazerem grandes
sacrifícios pela religião. O menino católico disse concordar “razoavelmente”, e
a menina católica disse concordar “medianamente” com a frase. Os demais
adolescentes responderam concordar “pouquíssimo” ou “nada”, sendo que os
agnósticos estão dentre os que responderam “nada”.
Porém, quando indagados se estariam dispostos a entregar a própria
vida pela religião, a menina católica foi a única a responder “completamente”.
A menina evangélica respondeu “razoavelmente”, e o menino católico
respondeu
“medianamente”.
Os
demais
adolescentes
responderam
“pouquíssimo” ou “nada”. Os agnósticos estão dentre os que responderam
“nada”. O menino evangélico respondeu que não entregaria a vida pela
religião, mas que, por Deus, ele a entregaria.
A maior parte dos adolescentes respondeu estar de acordo com a frase
que afirmava que os direitos humanos devem ser aplicados a todas as
pessoas, independentemente do país e da cultura. O menino evangélico,
porém, respondeu concordar “medianamente”. A menina católica e a
agnóstica responderam não concordarem “nada” com isso.
Para compor o Quadro 15, foram utilizadas as respostas às questões
22 e 26 do Questionário, que exploram a própria percepção do jovem em
relação à sua identidade sociocultural e suas expectativas para o futuro.
QUADRO 15: AUTOPERCEPÇÃO DA IDENTIDADE SOCIOCULTURAL E EXPECTATIVAS PARA O FUTURO
Nome
Raízes no
lugar de
moradia
Ligado (a) ao
estado
Brasileiro (a)
Membro do
país de
origem
No futuro, pretendo...
Latinoamericano(a)
Cidadão (ã) do
mundo
Membro de uma
comunidade religiosa
Casar
Ter filhos
Adriana
Nada
Pouco
Mediano
Razoável
Nada
Nada
Mediano
Muito importante
Muito importante
Adriano
Muito
Nada
Nada
Nada
Nada
Razoável
Muito
Muito importante
Muito importante
Bruna
Muito
Razoável
Muito
Muito
Nada
Muito
Muito
Muito importante
Muito importante
Bruno
Razoável
Muito
Muito
Muito
Nada
Muito
Muito
Muito importante
Muito importante
Carla
Pouco
Mediano
Razoável
Mediano
Mediano
Razoável
Muito
Muito importante
Muito importante
Carlos
Mediano
Muito
Muito
Razoável
Pouco
Muito
Muito
Muito importante
Muito importante
Daniela
Mediano
Mediano
Mediano
Mediano
Pouco
Pouco
Nada
Muito importante
Daniel
Pouco
Pouco
Pouco
Razoável
Pouco
Razoável
Pouco
Razoavelmente
importante
Razoavelmente
importante
Medianamente
importante
Outro aspecto investigado está relacionado a quanto os adolescentes
se sentem ligados ao lugar em que moram, ao estado, ao país, à América
Latina, ao país de origem (que, neste caso, está associado ao lugar de onde
os parentes emigraram) e ao mundo.
Mais adolescentes se sentem ligados ao lugar de moradia. Somente o
menino espírita e o agnóstico responderam que se sentem “pouco” ligados ao
lugar de moradia, e a menina católica não se sente “nada” ligada ao lugar de
moradia. Os que se sentem mais ligados são os evangélicos e o menino
católico.
Sobre o quanto os adolescentes se sentem ligados ao estado, mais
adolescentes se sentem ligados ao estado do que o contrário. Os que se
sentem mais ligados ao estado são os evangélicos e o menino espírita. Os
que se sentem menos ligados ao estado são os católicos e o menino
agnóstico.
Os que se sentem mais brasileiros são os evangélicos e os espíritas.
Os que se sentem menos brasileiros são o menino agnóstico e o católico. A
menina católica e a agnóstica responderam se sentirem brasileiras
“medianamente”. Já como latino-americanos, houve tendência a responderem
negativamente. Somente a menina espírita respondeu “medianamente”. Os
demais participantes responderam “pouco” ou “nada”.
Mais adolescentes se sentem membros do país de origem. Somente o
menino católico disse não se sentir em “nada” como membro do país de
origem.
A
menina
espírita
e
a
agnóstica
responderam
se
sentir
“medianamente” membros do país de origem. Os demais adolescentes
responderam se sentir “muito” ou “razoavelmente”.
A respeito do quanto os adolescentes se sentem cidadãos do mundo,
mais deles responderam afirmativamente do que negativamente. Somente a
menina agnóstica respondeu se sentir “pouco”, e a católica respondeu não se
sentir “nada”. Os demais adolescentes disseram se sentir cidadãos do mundo
“muito” ou “razoavelmente”.
Já a respeito do quanto os adolescentes se sentem membros de uma
comunidade religiosa, os espíritas, os evangélicos e o menino católico
disseram sentir-se “muito” membros de uma comunidade religiosa. A menina
católica, apesar de não frequentar uma instituição religiosa, sente-se
“medianamente” membro. O menino agnóstico disse se sentir “pouco”.
Somente a menina agnóstica respondeu não se sentir “nada” como membro
de uma instituição religiosa.
O casamento se mostrou um valor para esse grupo de adolescentes.
Quando questionados sobre a importância de se casarem, somente o menino
agnóstico
respondeu
que
é
“razoavelmente”
importante,
os
demais
participantes responderam “muito importante”.
Já a respeito de ter filhos, a menina agnóstica disse ser “razoavelmente
importante”, e o menino agnóstico respondeu ser “medianamente importante”.
Os demais adolescentes responderam ser “muito importante”.
Para complementar este eixo temático, foi elaborado o Quadro 16,
estruturado com base nos conteúdos das entrevistas, de forma associada aos
quadros anteriores baseados nas respostas aos questionários.
QUADRO 16: R / E e QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS
RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS
Percepção da religiosidade no Brasil e em Brasília
Percepção da religiosidade dos jovens
Adriana
"Eu sei que em Planaltina é mais puxado, ‘né’? Lá, todo final de
semana tem evento de igreja no morro da capelinha. Lá, em toda
data comemorativa de um santo, tem um teatro grandão, passa
até na TV".
"Tenho uma amiga que diz para a mãe que vai para a igreja e vai só
para ficar com os meninos".
Adriano
"A religiosidade em Brasília é forte. Acho que tem mais católicos e
evangélicos em Brasília".
"Eu acho que a maioria dos jovens é sem religião; sem religião entre
aspas, ‘né’? Porque fala que é de uma religião porque o pai ou a mãe
é, só que religiosos praticantes eu acho que é raro".
Bruna
"É estranho, porque tem pessoas que falam que têm igreja, mas
elas não vão à igreja, não ‘faz’ as coisas que a igreja fala, deixa eu "Quanto aos jovens, é do mesmo jeito".
ver, não só evangélico, mas católico, espírita, tudo (...)".
Bruno
"Acho que a maioria dos religiosos são católicos".
"Acho que os jovens são menos religiosos, acho que tá mais pra
‘zoação’ ".
Carla
"Em Brasília, o espiritismo, ele é bem (...). Ele abrange muitas
cidades: Guará, Brazlândia (...) Muitas cidades têm centros
espíritas, mas poucas pessoas frequentam, entendeu?
Pouquíssimas!"
"Quando é adolescente, tem medo de falar que é de tal religião
porque o grupinho vai excluir; porque a menina que ele tá a fim é de
outra religião, não vai querer nada com ele".
Carlos
"Olha, eu vou citar mais pelas pessoas lá da minha quadra, que
são poucas católicas; a maioria são evangélicas".
Daniela
__________
Daniel
__________
__________
"(...) Uma pessoa com doze anos, ela não tem a mente formada. Ela
quer seguir aquilo, sabe? Mesmo sem conhecer, mesmo sem saber
que um dia vai mudar, sabe? Então é assim, eles vão por meio que
uma modinha, por alguém próximo, amigo e tal. Aí, eles seguem
aquilo, mas não é bem o que eles querem, eu acho (...)".
__________
QUADRO 16: R / E e QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS (CONTINUAÇÃO)
RELIGIOSIDADE/ ESPIRITUALIDADE E QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS
Como o mundo é socialmente?
Como o mundo é politicamente?
Adriana
"Eu acho que cada parte do mundo é de um jeito diferente, mas aqui no Brasil,
não sei se é porque eu não conheço o resto, eu acho aqui uma das partes mais
complicadas".
"Politicamente, não tem uma coisa certa. Pelo menos, às vezes eu
assisto o jornal e não consigo entender certamente as coisas,
porque eu não entendo muito de política, mas eu entendo que o
dinheiro que eles recebem eles não falam o que vão fazer. E eu
também acho que esses políticos não deveriam receber esse
salário todo".
Adriano
"Eu gostaria que a sociedade pudesse aceitar mais a opinião dos outros, os
gostos dos outros".
"Eu gostaria que o povo pudesse optar mais na política"
Bruna
"É estranho, sei lá, eu acho muitas regras, acho muita coisa imposta pra gente
fazer, acho que deveria ter menos; ter também poucas leis para algumas coisas.
Eu acho que tinha que ser mais rigorosa e ter tipo poucas leis pra coisas que não
‘é’ importante".
Bruno
"Cara, ‘véi’, muito difícil de te falar (...). Tem oportunidade que é só uma na vida,
por isso tem que correr atrás dos sonhos. Cada um tem a oportunidade de ser
alguém na vida".
"Não sei te responder isso".
Carla
"Eu queria que ele mudasse em questão de consciência, o brasileiro ou todo
mundo, começar a ter consciência que não é só a religião e não é só o poder
aquisitivo da pessoa que escolhe se ela é boa ou não".
"(...) No Senado, na Câmara dos Deputados, nenhum partido
político você vê um espírita; você só vê católico e evangélico".
Carlos
__________
Daniela
"Sempre eu observo muito a questão do preconceito, mas preconceito é uma
coisa que nunca vai acabar".
Daniel
"Eu sei que vou ter que mudar minha aparência, porque a sociedade não aceita o
jeito que sou, a sociedade não aceita a pessoa ser do jeito que ela é. Tenho
muitos amigos que não conseguem emprego porque têm tatuagem, alargador,
cabelo grande (...). "Eu queria um mundo com mais liberdade, sabe?! Eu queria
que não importasse a aparência e, sim, a mente da pessoa".
____________________________
"Eu só acho que os políticos 'é' muito safado [risos]. Eles falam
uma coisa e ‘promete’, porque, 'ixi', nesse tempo aí aconteceu
tanta coisa. (...) O deputado falou que, se minha mãe votasse
nele, ele ia melhorar a vida dela, ia pagar as contas dela. Ela
votou nele e ele não fez nada".
"Não sou muito ligada a essas coisas, por opção".
"Eu não sou muito de política, eu não converso muito sobre
política, eu não sei exatamente".
A Figura 5 foi elaborada com base no conjunto de percepções dos
conteúdos das entrevistas, buscando elaborar uma síntese dinâmica das
principais convergências e divergências, em consonância com os quadros
anteriores baseados nas respostas ao Questionário.
FIGURA 5: TEMA-EIXO – R / E e QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS, E
SEUS SENTIDOS APREENDIDOS
A SOCIEDADE:
IMPÕE MUITAS REGRAS E
HÁ POUCA LIBERDADE (3),
É PRECONCEITUOSA (2),
É COMPLICADA (1)
RELIGIOSIDADE /
ESPIRITUALIDADE
E QUESTÕES
SOCIAIS E
O ADOLESCENTE DIZ
POLÍTICAS
SOBRE A RELIGIOSIDADE
NA ADOLESCÊNCIA:
SEGUE A DOS PAIS(2), NÃO
LEVA A SÉRIO(3), NÃO
ASSUME POR MEDO DE
SER EXCLUÍDO (1)
QUANTO À POLÍTICA:
OS POLÍTICOS SÃO
DESONESTOS (2), NÃO
ENTENDO DISSO (4)
Esse diagrama ilustra o que alguns adolescentes falaram sobre o
quanto a sociedade impõe regras e cerceia a liberdade, além de ser
preconceituosa e complicada.
Dois adolescentes mencionaram que, na adolescência, segue-se a
religião dos pais; três disseram que os adolescentes não levam a sério a
religião, e uma disse que, às vezes, o adolescente não assume a própria
religião por medo de ser excluído.
Quanto à política, os adolescentes demonstraram pouco interesse.
Alguns assumiram não entender ou não gostar disso, e justificaram que os
políticos são desonestos.
Apresenta-se
a
seguir
o
eixo
temático
5,
que
trata
mais
especificamente sobre a religiosidade/ espiritualidade e a vivência pessoal
dos adolescentes.
5.7. Tema-eixo 5: vivência pessoal da R / E
Para compor o eixo temático 5, foram estruturados quatro quadros:
concepção religiosa pessoal; papel e importância atribuída à religião na vida e
no dia-a-dia; sobre si mesmo e a religiosidade; e vivência pessoal da
religiosidade/ espiritualidade.
Foram consideradas as respostas às questões 14, 15, 16 e 17 do
Questionário para a estruturação do Quadro 17 – concepção religiosa
pessoal.
QUADRO 17: CONCEPÇÃO RELIGIOSA PESSOAL
Influência da religião sobre o jovem
Nome
Concepção de Deus/Divino
Frequência com que faz/ participa...
Melhora o bem-estar
Fortalece conscientização
Ajuda
Resolve
problemas
Energia
Pessoa
Poder
Superior
Não existe
Outro(a)
Orações/ preces
Celeb. religiosas
Adriana
Confere
completamente
Confere completamente
Confere
completamente
Confere
Razoavelmente
Não tenho
opinião
formada a
respeito.
Tendo a
concordar
Concordo
totalmente
Não
concordo
nada
_
Muito raramente
Muito raramente
Adriano
Confere
completamente
Confere completamente
Confere
Razoavelmente
Confere
Pouquíssimo
Nunca pensei
a respeito
Tendo a
concordar
Nunca
pensei a
respeito
Não
concordo
nada
-
Mais de 1 vez por
semana
1 vez por semana
Bruna
Confere
completamente
Confere completamente
Confere
completamente
Confere
completamente
Concordo
totalmente
Concordo
totalmente
Concordo
totalmente
Várias vezes ao
dia
Mais de 1 vez por
semana
Bruno
Confere
completamente
Confere completamente
Confere
completamente
Confere
completamente
Nunca pensei
a respeito
Nunca
pensei a
respeito
Nunca
pensei a
respeito
Não
concordo
nada
_
1 a 3 vezes por
mês
Mais de 1 vez por
semana
Carla
Confere razoavelmente
Confere medianamente
Confere
medianamente
Confere
Razoavelmente
Concordo
totalmente
Tendo a
concordar
Concordo
totalmente
Não
concordo
nada
_
1 a 3 vezes por
mês
1 a 3 vezes por mês
Carlos
Confere
completamente
Confere completamente
Confere
medianamente
Confere
medianamente
Concordo
totalmente
Não tenho
opinião
formada a
respeito.
Tendo a
concordar
Não
concordo
nada
-
Nunca
Mais de 1 vez por
semana
Confere medianamente
Confere
pouquíssimo
Confere
medianamente
Tendo a não
concordar
Tendo a não
concordar
Tendo a não
concordar
Não tenho
opinião
formada a
respeito.
-
Nunca
Nunca vou a
celebrações
religiosas.
Confere pouquíssimo
Confere
pouquíssimo
Confere
pouquíssimo
Não concordo
nada
Não
concordo
nada
Tendo a não
concordar
Não tenho
opinião
formada a
respeito.
-
Nunca
Muito raramente
Daniela
Daniel
Confere medianamente
Confere pouquíssimo
Tendo a não
Algo
concordar Superior
QUADRO 17: CONCEPÇÃO RELIGIOSA PESSOAL (CONTINUAÇÃO)
Nome
Crenças específicas
Anjos
Bons espíritos
Astrologia
Cura por pedras/objetos
Predição do futuro
Satã
Maus espíritos
Outro(a)
Adriana
Mediano
Nada
Razoavelmente
Completamente
Mediano
Mediano
Nada
-
Adriano
Nada
Nada
Quase nada
Completamente
Nada
Completamente
Completamente
_
Bruna
Nada
Nada
Nada
Completamente
Nada
Completamente
Completamente
-
Bruno
Nada
Nada
Nada
Completamente
Nada
Completamente
Completamente
-
Carla
Razoavelmente
Mediano
Razoavelmente
Completamente
Completamente
Nada
Nada
_
Carlos
Razoavelmente
Nada
Nada
Completamente
Completamente
Quase nada
Completamente
-
Daniela
Nada
Nada
Nada
Quase nada
Nada
Quase nada
Quase nada
-
Daniel
Nada
Nada
Nada
Quase nada
Quase nada
Quase nada
Quase nada
-
A maior parte dos adolescentes respondeu afirmativamente à questão
que dizia que a religião melhora o bem-estar. Somente a menina agnóstica
respondeu que essa afirmação “confere medianamente”, e o menino
agnóstico respondeu que “confere pouquíssimo”. Os demais participantes
responderam que “confere completamente” ou “razoavelmente”.
Cinco dos oito adolescentes responderam “confere completamente”
para a questão que afirmava que a religião fortalece a conscientização.
Somente a menina espírita e a agnóstica responderam “medianamente” a
essa questão, e o menino agnóstico respondeu “confere pouquíssimo” –
assumindo, assim, que existe influência, ainda que pouca.
Em uma das questões, afirmou-se que a religião ajuda os
adolescentes, e solicitou-se que eles respondessem o quanto era verdade, ou
não, aquela afirmação. Os evangélicos e os católicos foram mais favoráveis à
afirmação. Os espíritas responderam que “confere medianamente”. Somente
os agnósticos responderam que “confere pouquíssimo” – assumindo, ainda
assim, que a religião ajuda, mesmo que pouquíssimo. No mesmo sentido,
metade dos adolescentes respondeu favoravelmente à frase que afirmava
que a religião ajuda a resolver problemas. O menino espírita e a menina
agnóstica responderam que “confere medianamente”. Já o menino católico e
o agnóstico foram os únicos a responder que “confere pouquíssimo”.
Quanto à importância dada à religião e a coisas semelhantes, somente
o menino agnóstico respondeu dar importância de forma “média”. Os demais
adolescentes responderam dar “muitíssima” ou “razoável” importância –
exceto o menino evangélico, que não respondeu à questão. Assim, todos eles
conferem importância à religião e coisas semelhantes, inclusive os
agnósticos, sendo que a menina confere importância de forma razoável, e o
menino, de forma média.
Para a afirmação de que Deus/ Divino é uma energia, alguns
concordaram, outros discordaram e outros não emitiram opinião. Os espíritas
e a menina evangélica concordaram. Os agnósticos discordaram. Quanto a se
Deus/ Divino é uma pessoa, somente a menina evangélica respondeu que
“concorda totalmente”, e os católicos e a menina espírita responderam que
“tendem a concordar”. A menina agnóstica respondeu que “tende a não
concordar” e o menino agnóstico respondeu “não concordo em nada”.
A respeito de Deus/ Divino ser um Poder Superior, a menina católica, a
evangélica e a espírita disseram “concordo totalmente”. O menino espírita
respondeu “tendo a concordar”. O menino católico e o evangélico
responderam “nunca pensei a respeito” – o que se revela estranho, pois eles
se mostraram muito religiosos em outras questões. Já os agnósticos
responderam “tendo a não concordar”, postura mantida também em questões
anteriores relacionadas à natureza de Deus/ Divino.
Em uma das questões foi afirmado que Deus/ Divino não existe e
solicitou-se que os adolescentes respondessem o quanto concordam ou não.
Os católicos, os espíritas e o menino evangélico responderam “não concordo
nada”. A menina evangélica respondeu “tendo a não concordar”. Somente os
agnósticos responderam “não tenho opinião formada a respeito”. Nenhum dos
adolescentes afirmou que Deus/ Divino não existe. Seis dos oito adolescentes
se posicionaram favoravelmente à existência de Deus/ Divino. Os agnósticos
assumiram a posição de dúvida, que não afirma nem que existe, nem que não
existe.
A respeito de fazer orações ou preces, somente a menina evangélica
respondeu que as faz “várias vezes ao dia”. O menino católico disse que as
realiza “uma vez por semana”. O menino evangélico e a menina espírita
responderam que as faz de “uma a três vezes por mês”. A menina católica
disse que as faz “muito raramente”. Os agnósticos e o menino espírita
responderam que “nunca” as fazem. Já a respeito do quanto eles frequentam
uma instituição religiosa, somente a menina agnóstica respondeu que “nunca”
frequenta. A menina católica e o menino agnóstico responderam frequentar
“muito raramente”. A menina espírita revelou só fazer orações e preces
quando vai ao centro espírita, pois respondeu que vai ao centro de “uma a
três vezes por mês”, a mesma quantidade de vezes que realiza orações ou
preces. O menino católico também respondeu que vai “uma vez por semana”,
a mesma quantidade de vezes que faz preces e orações. Os evangélicos e o
menino espírita vão a celebrações “mais de uma vez por semana”. O menino
agnóstico muito raramente vai a celebrações religiosas, mas nunca faz
orações ou preces.
Perguntados novamente acerca do tema oração – mas, desta vez, para
identificar qual a importância dada à oração pessoal, os católicos e a menina
evangélica
responderam
“muitíssimo”,
e
os
espíritas
responderam
“razoavelmente”. Já a menina agnóstica respondeu “média”, o que se
apresenta de maneira contraditório. O menino agnóstico foi o único
adolescente a responder “nada”. O menino evangélico não respondeu.
A maior parte dos adolescentes respondeu “nada” para o quanto
concordavam com a afirmação quanto à crença em astrologia. Somente os
espíritas responderam acreditar “razoavelmente”, e a menina católica
respondeu acreditar “medianamente”.
Sete dos oito adolescentes disseram não acreditar na cura por
pedras/objetos.
Somente
a
menina
espírita
respondeu
acreditar
“medianamente”. A respeito da predição do futuro, a maior parte deles
também disse não acreditar. Somente a menina católica e a espírita
responderam acreditar “razoavelmente”, e o menino católico respondeu
acreditar “quase nada”. Os demais adolescentes responderam não acreditar
“nada”.
De forma diferente das duas anteriores, a respeito da crença em anjos,
somente os agnósticos responderam acreditar “quase nada”. Já os demais
adolescentes responderam acreditar “completamente”. Assim, percebe-se que
a crença existe em todos eles, sendo que nos agnósticos há apenas uma
pequena crença, uma crença que não acredita totalmente, mas não
desacredita também. Os agnósticos também responderam não acreditar
“quase nada” em Satã, assim como o menino espírita. A menina católica
respondeu acreditar de forma “mediana”, e a menina espírita disse não
acreditar “nada”. Já os evangélicos e o menino católico disseram acreditar
“completamente”.
A respeito da crença em bons espíritos, somente os adolescentes
espíritas disseram acreditar “completamente”. A menina católica disse
acreditar “medianamente”, e o menino agnóstico disse acreditar “quase nada”.
Já os evangélicos, o menino católico, e a menina agnóstica responderam não
acreditar “nada”. A respeito da crença em maus espíritos, os evangélicos, o
menino católico, e o espírita responderam acreditar “completamente”. De
forma parecida com as questões anteriores, os agnósticos responderam
acreditar “quase nada”. A menina católica e a espírita responderam não
acreditar “nada”.
Para estruturar o Quadro 18 – papel e importância atribuída à religião
na vida e no dia a dia –, foram consideradas as respostas às questões 23 e
27 do Questionário.
QUADRO 18: PAPEL E IMPORTÂNCIA ATRIBUÍDA À RELIGIÃO NA VIDA E NO DIA A DIA
Como explica as causas das deficiências e doenças mentais
Nome
Castigo de
Deus
Influência de entidades
do mal
Fatores
biológicos
Pessoas escolhidas por
Deus
Obsessão
espiritual
Lei de causa e
efeito
Adriana
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Medianamente
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Pouquíssimo
Razoavelmente
Medianamente
Nada
Nada
Nada
Nada
Razoavelmente
Completamente
Medianamente
Pouquíssimo
Nada
Razoavelmente
Completamente
Nada
Nada
Medianamente
Nada
Completamente
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada
Medianamente
Pouquíssimo
Nada
Nada
Nada
Razoavelmente
Medianamente
Nada
Completamente
Nada
Nada
Papel da religião no dia a dia
Nome
Adriana
Adriano
Bruna
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Ajuda a manter
a calma nas
horas difíceis
Deus às vezes castiga
Confia sempre
em Deus nas
horas difíceis
Religião influencia as
ações cotidianas
Razoavelmente
Razoavelmente
Completamente
Completamente
Razoavelmente
Razoavelmente
Nada
Nada
Nada
Medianamente
Completamente
Nada
Nada
Nada
Pouquíssimo
Nada
Completamente
Completamente
Completamente
Completamente
Medianamente
Completamente
Nada
Nada
Nada
Razoavelmente
Completamente
Completamente
Nada
Medianamente
Nada
Nada
Outro
São as
consequências da
vida
-
Foram apresentados alguns problemas, e verificou-se qual explicação os
adolescentes davam como possíveis causas desses problemas. Várias explicações
para as causas de deficiências mentais foram propostas. Uma delas é que a
deficiência seria castigo de Deus, para a qual o adolescente católico respondeu
acreditar “medianamente”, e os demais adolescentes responderam não acreditar
“nada”. Quanto à possibilidade das deficiências mentais serem por influência de
entidades do mal, a menina e o menino evangélicos responderam acreditar
“medianamente”. Já o menino católico respondeu acreditar que seja “pouquíssimo”
devido a entidades do mal, e os demais adolescentes responderam não acreditar
“nada”. Quanto à crença de que as causas das doenças mentais sejam devidas a
fatores biológicos, mais adolescentes tenderam a responder afirmativamente à
questão do que negativamente. Os que mais responderam favoravelmente a essa
explicação foram os agnósticos, a menina evangélica e o menino católico. O menino
evangélico respondeu “medianamente”, a menina espírita respondeu “pouquíssimo”,
e a menina católica e o menino espírita responderam “nada”. Quanto à causa das
pessoas com deficiência mental serem pessoas escolhidas por Deus, o menino
espírita respondeu acreditar nesta explicação “completamente”, e o menino
evangélico
respondeu
acreditar
“medianamente”.
Os
demais
adolescentes
responderam não acreditar “nada” nessa explicação. A obsessão espiritual foi uma
das explicações mencionadas como causa das deficiências mentais, e a maior parte
dos adolescentes mencionou não acreditar nessa possibilidade. A menina espírita
mencionou acreditar nessa explicação “medianamente”, e o menino espírita
mencionou acreditar “pouquíssimo”. A respeito de acreditarem que a lei de causa e
efeito é a causa das deficiências mentais, cinco dos oito adolescentes disseram não
acreditar nessa explicação em “nada”: os católicos, os agnósticos, e a menina
espírita. De forma antagônica à menina espírita, o menino espírita disse acreditar
“completamente”. A menina evangélica disse que “razoavelmente”, e o menino
evangélico disse acreditar “medianamente”. Já a menina católica escreveu que é em
decorrência das consequências da vida, o que desvela estar de acordo com a
explicação de causa e efeito.
Três adolescentes responderam afirmativamente à frase que dizia que “a
religião influencia nas ações cotidianas”. O menino espírita disse que influencia
“medianamente”, e os demais adolescentes responderam que não influencia “nada”.
Cinco dos oito adolescentes disseram não concordar com a afirmação de que
Deus às vezes castiga. Somente a menina evangélica disse concordar com a
afirmação “completamente”; o menino católico mencionou que concorda com a
afirmação “medianamente” e a menina agnóstica disse que concorda com a
afirmação “pouquíssimo”.
A respeito da confiança em Deus, cinco adolescentes responderam
afirmativamente à afirmação de que sempre se confia em Deus nas horas difíceis:
os católicos, os evangélicos, e o menino espírita. A menina espírita respondeu
“medianamente”, e somente os agnósticos responderam não concordarem com a
afirmação “em nada”.
Relacionado aos benefícios que se pode ter por meio da vivência religiosa,
uma questão buscou investigar se a religião ajuda a manter a calma nas horas
difíceis – ao que somente os agnósticos responderam que não ajuda “nada”. Os
demais adolescentes disseram que ajuda “completamente” ou “razoavelmente”.
Percebeu-se, de forma geral, diferença na maneira como os agnósticos e os
demais adolescentes percebem e vivenciam a religião. Os adolescentes religiosos
demonstraram ter benefícios da vivência religiosa. Os agnósticos, apesar de não se
beneficiarem dessa vivência, percebem que as pessoas demonstram se beneficiar
dela.
O Quadro 19 – sobre si mesmo e a religiosidade – foi estruturado com base
nas respostas às questões 34 e 35 do Questionário, que tratam do modo como o
jovem vive a sua religiosidade.
QUADRO 19: SOBRE SI MESMO E A RELIGIOSIDADE
Frequência com que...
Nome
Reflete sobre
os termos
religiosos
Adriana
Adriano
Bruna
Raramente
Sempre
Muitas vezes
Não
respondeu
Muitas vezes
Muitas vezes
Muitas vezes
Muitas vezes
Bruno
Carla
Carlos
Daniela
Daniel
Sensação de
que Deus quer
lhe mostrar
algo
Sensação de
que Deus
intervém em
sua vida
Sensação de
estar unido com
tudo
Muitas vezes
Às vezes
Sempre
Nada
Sempre
Muitas vezes
Muitas vezes
Nunca
Muitas vezes
Não respondeu
Não respondeu
Não respondeu
Sempre
Sempre
Sempre
Sempre
Às vezes
Às vezes
Raramente
Raramente
Raramente
Nunca
Nunca
Nunca
Importância dada a aspectos religiosos
Seguindo os
mandamentos
religiosos
Procura na
própria religião
Perspectivas de
mudanças nas
convicções
religiosas
Adriana Razoavelmente
Médio
Adriano Razoavelmente
Muitíssimo
Bruna Razoavelmente Razoavelmente
Bruno
Muitíssimo
Muitíssimo
Carla
Muitíssimo
Médio
Carlos
Médio
Pouco
Daniela
Pouco
Nada
Daniel
Médio
Nada
Médio
Razoavelmente
Médio
Muitíssimo
Pouco
Razoavelmente
Nada
Nada
Médio
Nada
Razoavelmente
Razoavelmente
Razoavelmente
Pouco
Nada
Pouco
Nome
Sentido da
vida
Importância dada a aspectos religiosos
Reflete sobre
sofrimentos e
Religião e
Participação
Oração
Existência de
Crença na vida
injustiças
coisas
em cerimônias
Deus
pós-morte
pessoal
sobre o
semelhantes
religiosas
mundo
Muitas vezes Razoavelmente
Muitíssimo
Médio
Pouco
Médio
Sempre
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Médio
Muitíssimo
Muitas vezes
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Nada
Não
Não
Não
Não respondeu Não respondeu
Não respondeu
respondeu
respondeu
respondeu
Sempre
Muitíssimo
Razoavelmente
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Sempre
Muitíssimo
Razoavelmente
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitíssimo
Muitas vezes Razoavelmente
Médio
Médio
Nada
Nada
Muitas vezes
Médio
Nada
Pouco
Nada
Nada
Quando indagados sobre a intensidade em que eles creem que existe
Deus ou algo Divino, os espíritas e a menina evangélica foram os que
mencionaram mais crer na existência de Deus ou algo Divino. A menina
católica, e a menina agnóstica disseram crer de forma “média” na existência
de Deus. O menino agnóstico foi o que disse crer menos nisso. O menino
evangélico não respondeu. Percebe-se que todos os adolescentes disseram
crer na existência de Deus, seja de forma mais intensa ou menos, exceto o
menino agnóstico, que chegou a dizer que crê pouco nisso, o que é diferente
de não crer nada.
Em relação à frequência com que os adolescentes refletem sobre
sofrimentos e injustiças do mundo, todos eles responderam refletir, sendo que
dois deles disseram refletir “sempre”, e cinco deles disseram refletir “muitas
vezes”. O menino evangélico não respondeu.
Somente os agnósticos responderam “nada” sobre a importância dada
à participação em cerimônias religiosas. A menina católica respondeu conferir
“pouca” importância, apesar de ter mencionado na entrevista que percebe
diferença na vida dela hoje em comparação a quando ela participava da
igreja, e disse desejar voltar a fazer parte. O menino católico respondeu
considerar
esta
adolescentes
participação
responderam
“mediamente”
considerar
esta
importante.
Os
demais
participação
“muitíssimo”
importante. O menino evangélico não respondeu.
A respeito da crença após a morte, os espíritas e o menino católico
responderam crer “muitíssimo”. A menina católica respondeu crer de forma
“média”. Já os agnósticos e a menina evangélica responderam não crer
“nada”. O menino evangélico não respondeu.
A respeito da importância dada ao sentido da vida, todos os
adolescentes responderam de forma a conferir importância ao sentido da
vida, diferindo em intensidade. Somente a menina agnóstica respondeu
conferir “pouca” importância ao sentido da vida. Os católicos, os evangélicos
e a menina espírita responderam conferir “muitíssima” ou “razoável”
importância ao sentido da vida. Já o menino espírita e o agnóstico
responderam conferir importância “média” ao sentido da vida.
Quando investigados sobre a frequência com que os adolescentes
refletem sobre termos religiosos, a maioria respondeu afirmativamente. O
menino
católico
respondeu
“sempre”,
a
menina
católica
respondeu
“raramente”, e o menino evangélico não respondeu. Os demais adolescentes
responderam que refletem sobre termos religiosos “muitas vezes”. É
interessante que mesmo os adolescentes agnósticos mencionaram refletir
muitas vezes sobre termos religiosos.
Metade dos adolescentes respondeu afirmativamente à questão que
perguntava a frequência com que eles sentem que Deus quer lhes mostrar
algo, respondendo que “sempre”, ou “muitas vezes”. Somente o menino
católico respondeu “às vezes”, a menina agnóstica respondeu “raramente”, e
o menino agnóstico respondeu “nunca”. O menino evangélico não respondeu.
Somente a menina católica e o menino agnóstico disseram nunca
terem a sensação de que Deus intervém em sua vida. Os demais
adolescentes mencionaram respostas que variaram em termos da frequência
com que sentem esta intervenção. O menino católico e a menina espírita
responderam “sempre” sentir esta sensação, e a menina evangélica
respondeu “muitas vezes” ter esta sensação. O menino espírita disse “às
vezes” ter esta sensação, e a menina agnóstica disse “raramente” ter esta
sensação, o que está em sintonia com o que ela disse na questão anterior. O
menino evangélico não respondeu.
Somente três adolescentes disseram ter a sensação de estar unido
com tudo, sendo que a menina espírita respondeu “sempre”, e a menina
católica e a evangélica disseram “muitas vezes”. O menino evangélico
respondeu “às vezes”, e a menina agnóstica respondeu “raramente”. Já o
menino católico e o agnóstico responderam “nunca” terem tido esta sensação.
Esta sensação indica se referir à total integração, a fazer parte de um todo
organizado, fazer parte de um propósito.
Somente os agnósticos responderam “nada” para mencionar o grau de
importância dada a seguir os mandamentos religiosos. A menina católica e a
espírita responderam conferir importância de forma “média”. Já os
evangélicos e o menino católico responderam conferir “muitíssima” ou
“razoável” importância.
Com relação à procura pela própria religião, somente o menino
evangélico respondeu “muitíssimo”. O menino católico e o espírita
responderam procurar a própria religião “razoavelmente”. A menina católica e
a evangélica responderam procurar de forma “média”. Já a menina espírita
respondeu procurar “pouco”. Por fim, os agnósticos responderam não
procurar “nada”.
Uma interessante pergunta foi realizada aos adolescentes: “com que
intensidade você acredita ser possível que, nos próximos anos, as suas
convicções religiosas mudem?”. O menino católico e a menina agnóstica
responderam “nada”. O menino espírita e o agnóstico responderam “pouco”. A
menina católica respondeu “média”. Os evangélicos e a menina espírita
responderam “razoavelmente”. Assim, os agnósticos, o menino católico e o
espírita são os que menos acreditam que suas convicções religiosas mudem.
Já os evangélicos, a menina católica e a espírita foram os que disseram mais
acreditar que nos próximos anos suas convicções religiosas possam mudar.
O Quadro 20 – vivência pessoal da R / E – foi estruturado para
complementar os quadros anteriores, com base nos conteúdos das
entrevistas a respeito do eixo temático 5.
QUADRO 20: VIVÊNCIA PESSOAL DA R / E
VIVÊNCIA PESSOAL DA RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE
Instituição que
frequenta
Motivação religiosa/ espiritual
Atividades de que participa na instituição
Adriana
Frequentava a
Igreja Católica
Apostólica
Romana
"Eu frequentava desde pequena. Eu ia para a catequese, até crismei,
mas depois do que aconteceu com o meu irmão, eu não fui mais. Esse
ano eu comecei a ir à igreja evangélica, mas não me acostumei (...). Eu
acho certo na igreja evangélica, porque a gente tem que se confessar
com Deus, a gente não tem que ficar diante do padre para ficar falando
várias coisas".
Não tem participado, mas disse: "Eu acredito em Deus, eu
acho que muda, porque quando eu ia para a igreja, eu não
tinha essas coisas. Mas depois que eu crismei, eu parei de ir
à igreja, mas foi por causa dessas coisas, porque perder um
irmão não é fácil, ‘né’? "
Adriano
Igreja Católica
Apostólica
Romana
"Na minha religião a gente adora modelos. A gente também tem como
intercessores os santos (...), Eu tento sempre evangelizar meus amigos,
eu rezo várias vezes por dia antes de sair de casa".
"Vou para a missa todo domingo, participo de eventos, só".
Bruna
"Eu gosto da minha religião porque, tipo (...). Eu acho que todas tem seus
defeitos, mas acho que a que eu me encaixo é a minha, porque tem
Igreja Evangélica umas que são muitas doutrinas, muitas coisas que você tem que usar,
"Eu sou do grupo jovem".
que você não pode usar e tal; na minha já pode, entendeu? Tipo cortar o
Neopentecostal
cabelo, eu posso usar calça e tal. O líder jovem ensina as coisas de
Deus, o caminho certo e que nós temos que ter personalidade".
Bruno
"Eu gosto da minha religião, não tem ninguém para falar, como é que eu
Igreja Evangélica
vou te dizer? Ninguém para te julgar, ninguém para apontar os erros, eu
Neopentecostal
gosto muito". [Às vezes ele lê a Bíblia e ora.]
Carla
"Sempre que eu estou muito estressada, eu sempre peço pro meu guia
me acalmar (...). Eu comecei a puxar isso de ser espírita do meu pai,
porque ele era médium; porque eu dormia, eu escutava voz, eu dormia e
via uma garotinha na minha frente, eu ia para a escola e via uma menina
me chamando, via um senhor de muletas pedindo ajuda (...). Busquei
explicação na igreja católica e igreja evangélica, e não encontrei. No
espiritismo eu encontrei".
Centro Espírita
Kardecista
"Participo do grupo de louvor, do canto de jovens e sou o
líder do teatro".
"Eu sempre participo de reuniões, de desobsessão, de cura,
e a de entrega da alma".
QUADRO 20: VIVÊNCIA PESSOAL DA R / E (CONTINUAÇÃO)
Carlos
Daniela
Daniel
Centro Espírita
Kardecista
O adolescente relatou ter iniciado a participação desde a infância com a
mãe. Pelo que ele disse, eles recebiam alguma ajuda de cesta básica.
Ele continuou frequentando e fala com muita propriedade a respeito da
religião, possui conhecimento histórico a respeito da doutrina espírita.
Agnóstica - não
frequenta
nenhuma
instituição
"Assim, minha família é evangélica. Então eu cresci ouvindo uma coisa,
só que quando a gente cresce a gente abre a mente para outras coisas,
sabe? Eu não creio como a minha mãe. (...) Assim, às vezes eu não
creio, sabe? Acho que eu vou pela lógica às vezes. Aí eu chego à
conclusão que aquilo não existe e que eu estou crendo em algo inútil
para mim, mas depois, sei lá, eu me arrependo e vou repensar naquilo,
(...) tipo, eu creio, mas ao mesmo tempo não creio, é como se eu
estivesse esperando uma verdade maior".
Agnóstico - não
frequenta
nenhuma
instituição
"Comecei a questionar algumas coisas, tipo: ‘tem que ter tal aparência
para ir para o céu’ (...). Meu pai falava que esse alargador não é coisa de
Deus, esses brincos, não é coisa de homem não, viu? Ninguém me
respondeu como que Adão e Eva procriaram. Se a Bíblia diz que eles
tiveram dois filhos homens, de onde vieram o resto? (...) Não tem
resposta para mim isso, então eu não vou ir em negócio que eu acredite
que não seja a verdade, eu não acredito na Bíblia muito. Eu aplico a
Terceira Lei de Newton, cada ação tem sua reação, que a gente vai fazer
influenciar no nosso futuro".
"Eu faço alegria cristã lá no Centro, eu toco lá. Eu participo
das reuniões, do treinamento, tomo passe, que é receber
boas vibrações, bebo da água fortificante, participo das
oficinas de violão e da atividade de diário de bordo".
_______________
"Já fui várias vezes à igreja. Na época, como eu não
pensava, eu estava lá, acreditava no que diziam, mas deixei
de acreditar em muitas coisas que eles falavam. As coisas
não faziam sentido para mim".
A Figura 6 apresenta uma síntese dinâmica das principais divergências
e convergências dos conteúdos apreendidos das entrevistas a respeito do
eixo temático 5.
FIGURA 6: TEMA-EIXO – VIVÊNCIA PESSOAL DA R / E, E SEUS
SENTIDOS APREENDIDOS
INICIAÇÃO
RELIGIOSA POR MEIO
DOS PAIS (8),
PERMANÊNCIA (3)
VIVÊNCIA
PESSOAL DA
RELIGIOSIDADE /
ESPIRITUALIDADE
QUESTIONAMENTO
DA FÉ / RELIGIÃO (5)
PARTICIPAÇÃO NA
INSTITUIÇÃO
RELIGIOSA:
MISSAS / CULTOS /
REUNIÕES (5),
LOUVOR (2), TEATRO
(1)
No diagrama percebe-se, quanto à vivência religiosa dos adolescentes,
que em todos os casos a iniciação religiosa ocorreu por meio dos pais.
Contudo, dos oito adolescentes, cinco não permanecem na mesma religião
dos pais, somente os mais novos permanecem. A respeito disso, os
adolescentes mais velhos são os mais críticos.
Com relação às atividades de que os adolescentes participam na
instituição religiosa, cinco deles frequentam as missas / cultos / reuniões e
dois adolescentes participam do louvor na instituição, sendo que um deles
participa também do teatro.
Apresenta-se a seguir a problematização dos principais aspectos
observados e a análise deles à luz do referencial teórico, bem como o diálogo
com a literatura consultada.
6. DISCUSSÃO
Serão considerados quatro eixos de análise para a discussão dos
dados. O primeiro deles abordará o percurso da coleta de dados, que se
iniciou no consultório de psicologia e se deslocou para o colégio.
O segundo eixo colocará em articulação os dados obtidos com a
literatura consultada, e também com pesquisas recentes sobre adolescência e
religiosidade realizadas no Brasil.
O terceiro eixo de análise dialogará os dados com a Teoria do
Desenvolvimento Religioso, de Amatuzzi (1999).
O quarto eixo cuidará de reflexões sobre o instrumento utilizado, fará
sugestões de aperfeiçoamento e considerações para melhor aplicação.
6.1. Do consultório ao colégio
Um dos aspectos importantes a considerar está relacionado ao local
em que a coleta de dados foi realizada. Os adolescentes que se interessaram
em participar da pesquisa foram convidados a comparecer a um consultório
de psicologia para participarem da entrevista inicial.
Os objetivos de realizar a entrevista no consultório eram: preservar o
horário de aula dos adolescentes; fornecer um ambiente mais acolhedor e
propiciador de vínculo – e, com isso, prepará-los para a entrevista em grupo;
e assegurar que eles se sentissem o mais à vontade possível, o que
provavelmente contribuiria para maior espontaneidade no diálogo e em suas
respostas ao questionário.
As primeiras entrevistas foram marcadas no consultório, porém a
maioria não compareceu, desmarcando de última hora. As razões para tanto
não ficaram muito claras, mas é possível que estejam relacionadas à
distância: os jovens residem em cidade diferente de onde se localiza o
consultório. Outra possível razão pode ser o fato de ter sido marcado em um
sábado. Outra possível explicação, ainda, pode estar associada à questão de
serem adolescentes de famílias com baixo poder aquisitivo e, talvez,
houvesse a ausência de dinheiro para pagar passagem. Todas essas
explicações, porém, não excluem também a hipótese de ter havido alguma
resistência ou desinteresse inicial em tratarem do assunto. O mais provável,
então, é ter havido uma conjugação de vários destes aspectos.
Compreendeu-se
que,
para
conseguir
entrevistar
aqueles
adolescentes, seria necessário realizar a coleta no próprio colégio. Em
pesquisa realizada anteriormente, pela pesquisadora desta dissertação, sobre
conversão religiosa na adolescência (OLIVEIRA; FREITAS, 2012), os
adolescentes se deslocaram até uma clínica onde foi realizada a coleta de
dados. Desvela que o fator que contribuiu de forma mais intensa foi o fato de
a conversão ser recente e eles estarem muito mobilizados. Essa não era a
condição dos adolescentes da atual pesquisa, tendo em vista que se trata de
vivência religiosa e/ ou espiritual com diferentes intensidades.
Apenas Carla (espírita) compareceu à entrevista no consultório, e ficou
evidente que a motivação dela estava relacionada ao desejo de conversar a
respeito do assunto e, principalmente, de ser aceita e compreendida, pois
relatou sofrer preconceito, tanto por parte de colegas, quanto por parte de
adultos. Soma-se a isso a dificuldade em encontrar um menino espírita para
participar desta pesquisa, o que só foi possível após muitas tentativas. O
menino espírita também mencionou a questão do preconceito, dizendo que as
pessoas confundem espiritismo com religiões afro-brasileiras.
Assim, de acordo com a experiência anterior, para que os adolescentes
se deslocassem, a fim de participar da pesquisa, deveria haver maior
mobilização afetiva relacionada ao tema.
6.2. R / E e valores em adolescentes do DF: articulação com a literatura
Percebeu-se, a partir dos dados obtidos, que existem relações entre a
vivência da religiosidade/ espiritualidade e a formação de valores nos
adolescentes, seja no âmbito da família, ou no contexto social mais amplo.
Alguns valores são compartilhados por todos os adolescentes
entrevistados, sendo os adolescentes religiosos ou não. Outros valores estão
mais associados aos adolescentes de determinada religião, ou mesmo aos
mais intensamente religiosos, visto que todas as religiões pesquisadas são
cristãs. Assim, percebeu-se aproximação dos valores dos adolescentes mais
religiosos, o que será mais bem explicitado adiante.
A importância da família ficou evidente como um dos valores em todos
os casos desse grupo de adolescentes, o que remete à reflexão de que não
precisa necessariamente ser religioso para que a família seja um valor, já que
ele foi mencionado também pelos agnósticos. Porém, pelo fato de os
agnósticos terem famílias religiosas, e por terem sido criados em meio a essa
atmosfera, seria incorreto não os considerar sob influências religiosas.
Adriana (católica), Carla (espírita) e Carlos (espírita) mencionaram a
ausência paterna de forma naturalizada, como se eles esperassem que estes
pais realmente fossem ausentes. Esses adolescentes não demonstraram
esperança de que pudesse ser diferente e, foi estranho notar, não parecia
haver revolta explícita, mas conformismo. É possível que adolescentes que
tenham o pai ausente procurem na vivência religiosa, de alguma forma, suprir
a ausência (OLIVEIRA; FREITAS, 2012) – que desvela ser o caso de Carla.
Além disso, Carla e Carlos desvelam estar em melhor condição de saúde
mental, o que desvela estar associado à sua religiosidade, pois sabe-se que a
frequência a uma instituição religiosa propicia suporte social, fornecido pelos
grupos de igreja, conforme constatado por Argyle (2001).
Apesar dos problemas relacionados à figura paterna, em seis dos oito
casos estudados, percebeu-se que ela exerce influência quanto a
acompanhar os adolescentes a celebrações religiosas. No entanto, os pais
desvelam ter dificuldade em executar atividade religiosa particular com os
filhos, como rezar ou orar, diferentemente das mães. De forma muito
interessante, o pai que apresentou mais conflitos com a filha foi o único pai
que sempre acompanhou a filha a celebrações religiosas, que era o pai de
Carla (espírita). A vivência religiosa pode ser uma maneira de superação da
ausência paterna, pois o relacionamento com Deus, às vezes, pode minimizar
a dor da ausência paterna, transferindo o cuidado que se deseja receber do
pai humano para os cuidados que se recebem do Pai (Deus), conforme visto
em pesquisa anterior (OLIVEIRA; FREITAS, 2012). Carla desvela ser um
caso em que isto acontece, diferentemente do caso de Adriana (católica) –
que, por não frequentar uma instituição religiosa, ou por não desenvolver uma
vivência espiritual mais pessoal, fica podada de se beneficiar dessa
possibilidade. Carla chegou a ser agredida, inclusive fisicamente, pelo pai,
que até mesmo ameaçou matá-la, e apresentou também comportamento
preconceituoso em relação ao namorado dela, por este ser negro. Porém,
cabe mencionar que ela, além do suporte religioso, recebe apoio da mãe e do
namorado.
Também foram mencionadas pelos adolescentes as dificuldades de
relacionamento com a mãe, como se pôde ver, principalmente, nos casos de
Adriana (católica) e Daniel (agnóstico). Porém, os conflitos com as mães não
se revelam na mesma intensidade dos conflitos com os pais. Desvela que os
conflitos ocorridos por meio de interações são menos dolorosos do que os
conflitos ocorridos decorrentes da ausência, pois esta denota indiferença.
Esse dado desvela nos comunicar que conflitos interativos não são falta de
amor; mas ausência e indiferença, sim. Diferentemente do estudo realizado
por Amparo et al. (2008) com jovens no DF, os adolescentes desta pesquisa
apresentaram conflitos familiares significativos, embora fosse a menor parte.
Porém, da mesma forma que no estudo de Amparo et al. (2008), aqui também
foram observados aspectos positivos em relação à família, tais como apoio e
segurança. Por exemplo, os evangélicos mencionaram que não mudariam
nada na família nuclear, denotando satisfação com a mesma, o que vai ao
encontro do que é dito por Marques e Dell’Aglio (2009), sobre a maioria dos
adolescentes atravessarem este período apresentando sentimentos positivos
relacionados a si e à família.
Os dois adolescentes que mencionaram a experiência do divórcio dos
pais como experiência difícil não possuem bom relacionamento com o pai. As
mães, nos dois casos, se recasaram e os adolescentes convivem com
padrasto. Infere-se, assim, que a dificuldade de relacionamento com o pai
torna o divórcio uma experiência mais difícil, ou o relacionamento com o pai
se tornou mais difícil em decorrência do divórcio. De qualquer forma, nesses
casos o relacionamento difícil com o pai está associado a uma experiência
mais dolorosa face ao divórcio, já que não são os únicos adolescentes da
pesquisa a terem os pais divorciados.
O casamento e a procriação se mostraram valores importantes para
esse grupo de adolescentes. Todos consideraram importante casar-se e ter
filhos, embora o casamento tenha sido sutilmente mais importante que ter
filhos para os agnósticos. Assim, percebemos que casar não é mais sinônimo
de ter filhos, ainda que para a minoria. Os resultados revelam que, para esse
pequeno grupo de adolescentes, o casamento e a constituição de uma família
com filhos se revela como um importante valor embora a maior parte deles
tenham vivenciado separações conjugais dos pais.
Muitas das características observadas nesse grupo de adolescentes
estão de acordo com a literatura. Autonomia e liberdade foram tidas como
importantes para todos os participantes, e estão relacionadas à busca pela
identidade. Trava-se, muitas vezes, nessa fase, uma batalha com os
familiares em busca de seu próprio espaço, podendo haver conflitos em casa.
A maior parte dos adolescentes disse não ser totalmente obediente, o que
combina com a questão de contrariar para escolher de acordo consigo, e não
mais de acordo com o que dizem ser adequado – o que é natural, segundo
diversos autores (MUUSS, 1966; ERIKSON, 1980; ROSA, 1996; AMATUZZI,
1999; COLE & COLE, 2003).
No caso de Adriana, católica não praticante, nem a mãe e nem o pai
lhe concedem autonomia religiosa. Ela mencionou que havia iniciado a
frequência a uma igreja evangélica, mas interrompeu as idas por conta das
críticas da mãe. O fato de Adriana se identificar como católica, apesar de não
frequentar e de discordar de aspectos da religião, condiz com o dado
encontrado por Almeida e Monteiro (2001), que diz haver no Brasil a tradição
da autoafirmação como católico embora não haja de fato a prática desta
religião. Isso se deve ao fato de que a religião católica faz parte da cultura
brasileira, está introjetada na identidade dos que se afirmam católicos.
Adriana mencionou ter “pouquíssima” autonomia, dificuldades de adaptação a
mudanças e, dentre os adolescentes, é a que se percebe mais mal humorada
e mais medrosa.
Os adolescentes evangélicos foram os que mencionaram receber
maior autonomia religiosa por parte dos pais, o que é bastante interessante,
pois eles também apresentaram os maiores resultados em termos de
obediência aos mandamentos religiosos. A obediência não desvela estar
associada à repressão e ao autoritarismo, mas desvela estar mais associada
à escolha pessoal. Esse dado é compatível com a pesquisa de Santos e
Koller (2009), que constatou maior religiosidade nos jovens evangélicos e
protestantes. Já no caso dos agnósticos, há total oposição dos adolescentes,
cujos pais desvelam mais repressores, e desvelam querer obrigá-los a seguir
a religião – evangélica, neste caso –, inclusive violentando-os verbalmente,
com palavras preconceituosas. No entanto, existe a questão da diferença de
idade entre os dois casos, o que é muito significativo, conforme será
mencionado adiante.
Os evangélicos foram os que responderam ser mais comportados e
certinhos. É interessante somar este dado ao resultado em que consta que os
evangélicos apresentam maior liberdade religiosa por parte da família. O
comportamento mais certinho, de acordo com esse resultado, não tem a ver
com cobrança familiar, desvela estar relacionado à confiança. Eles também
foram os únicos a apresentar necessidade de serem respeitados e
obedecidos. Além disso, os adolescentes evangélicos foram os que se
apresentaram mais tradicionais. Os adolescentes que não frequentam uma
instituição religiosa e Carla (espírita) foram os que se mostraram menos
tradicionais.
Outro dado importante é que somente os participantes evangélicos
responderam possuir “muitíssimo” a característica da obediência, sendo que
Carla (espírita) respondeu possuí-la “medianamente”. Eles contrastam com os
demais participantes que responderam não possuir obediência em “nada”. O
comportamento destes está de acordo com o que nos propõem alguns
autores sobre características da adolescência – sendo algumas delas a
oposição, ou seja, o posicionamento diferente do da família, ou da sociedade
(ERIKSON, 1980; AMATUZZI, 1999; COLE & COLE, 2003).
Observando as características que desvelam contribuir para que o
adolescente siga a mesma religião da família, constatou-se que a família que
segue completamente os mandamentos religiosos e a que mais ajuda o
próximo é a família onde o adolescente tende a seguir a mesma religião.
Somente os participantes evangélicos responderam que a família respeita
completamente os mandamentos religiosos. Adriano (católico) também
mencionou que a família dele respeita, ainda que de forma menos intensa.
Observa-se que os adolescentes desvelam atentos ao comportamento da
família. Não desvela difícil perceber as coerências e as incoerências entre o
que a família diz e faz, e esse é um fator que desvela contribuir para que o
adolescente participe ou não de atividade religiosa de que a família é adepta.
Assim, observa-se consonância com Hurlock (1975), quando diz que, na
adolescência, ocorrem consideráveis mudanças no sistema de valores, de
modo que o adolescente passa a analisar criticamente o sistema de valores
ao qual respondia de modo mais ou menos automático. Com a visão crítica,
observando incoerências, é mais provável que o adolescente forme valores
diferentes daqueles aos quais está exposto. Isso pode ser também observado
na percepção que os adolescentes possuem da sociedade: muitas regras e
pouca liberdade; preconceito quanto a aspectos religiosos e espirituais;
quanto a estilo de vestimenta e de vida.
A conversão religiosa na adolescência foi observada no caso dos dois
adolescentes espíritas e dos agnósticos. Houve tentativa de conversão no
caso
de
Adriana
(católica).
Assim,
observam-se,
nesta
pesquisa,
características mencionadas por autores como Hall (1804), no início da
Psicologia, e Amatuzzi (1999). Percebe-se uma aproximação entre as
religiões católica e espírita, visto que nos dois casos de conversão dos
adolescentes ao espiritismo, o pai de Carla, e a mãe de Carlos os iniciaram
ao espiritismo, porém consideravam-se ainda católicos. Desvela existir
afinidade entre as duas religiões/ filosofias, uma espécie de sincretismo, por
exemplo, na equivalência entre alguns santos da igreja católica e entidades
dos centros espíritas.
Bruna (evangélica) e Carlos (espírita) responderam que os pais são
completamente unidos em questões religiosas. A resposta é coerente com as
outras que a menina evangélica proferiu sobre seus pais; porém, estranha-se
que o menino espírita tenha respondido o mesmo, pois seus pais são
separados, e o pai passou muito tempo preso. Talvez o menino tenha
respondido com base na experiência passada, ou talvez a vivência religiosa
tenha contribuído para que o casal permanecesse junto no momento difícil da
prisão. Somente quando o pai do garoto saiu do presídio, o relacionamento
dele com a esposa não deu certo, e eles acabaram se separando. A resposta
do garoto permite a hipótese de que os pais tenham sido unidos em questões
religiosas em algum momento, ou ainda que, embora separados, tenham
alguma vivência religiosa em comum.
A amizade também foi um valor marcadamente importante relatado
pelos adolescentes, bem como o relacionamento amoroso (namoro) – os dois
tipos de relacionamento são fontes de apoio. Adriana (católica), porém,
mencionou o namoro também como fonte de conflitos e sofrimento. Todos os
adolescentes disseram ter pelo menos um amigo, ou amiga. Isso é compatível
com o que diz Amatuzzi (1999) sobre a escolha do adolescente de um grupo
no qual ele vai exercitar sua nova identidade. As principais influências
religiosas dos adolescentes vêm de familiares – em um dos casos, vem de
um amigo –, que são justamente as pessoas que os adolescentes
mencionaram dentre as coisas mais importantes da vida.
A respeito da aceitação das diferenças, sete dos oito adolescentes
demonstraram ter boa aceitação delas. Somente Carla (espírita) respondeu
não ter boa aceitação das diferenças “em nada”, o que é incoerente com o
que disse na entrevista, que não tinha preconceito de nada e sofria muito
devido à falta de aceitação das pessoas quanto a algumas escolhas dela.
Questionamos se esta adolescente estaria respondendo com agressividade,
visto que foi-lhe dirigida agressividade quando ela não foi agregada em
grupos na sala de aula, ou mesmo na escola. Talvez ela tenha aprendido a se
defender com agressividade, uma vez que esta lhe desvela ser dirigida
constantemente. Carla foi a adolescente mais exótica em termos de amizade
com jovens de religiões diferentes; disse ter amigos de religiões afrobrasileiras, indígenas, e satanistas. Bruno (evangélico) se aproximou dela
nesse aspecto, e foi ele quem indicou Carlos (espírita) para participar da
pesquisa.
Carla (espírita) foi a que disse apresentar menos as características da
solidariedade e ajuda ao próximo, o que desvela incoerente com a filosofia do
espiritismo. Entretanto, a adolescente menciona fortemente a dor de não ser
aceita e acolhida por grupos de adolescentes devido à sua espiritualidade.
Aqui percebemos, mais uma vez, que ela pode estar reagindo à dor
levantando defesas. Carla também é a que se sente mais incomodada pelos
colegas, e a que apresentou maior propensão a mentir. Ela desvela ser a que
tem maior dificuldade de relacionamento com os colegas, pois – segundo ela
– não há respeito deles para com a sua religiosidade.
Os adolescentes que não participam de uma instituição religiosa
apresentaram menos interesse em ajudar a quem precisa. Por outro lado, os
católicos e os evangélicos se apresentaram mais gentis e solidários. Os
agnósticos são os mais racionais, e menos interessados em ajudar o próximo.
Eles também disseram não existir a propensão da família em ajudar ao
próximo.
Quanto ao hedonismo, cinco dos oito adolescentes apresentaram
considerável hedonismo. Os adolescentes espíritas e o menino católico foram
os que apresentaram menos hedonismo, e os espíritas foram os únicos que
responderam “nada” quando lhes foi perguntado em quanto conferia a frase
“gosto de aproveitar os prazeres da vida”. De todos, Carlos foi o menos
hedonista.
Os adolescentes afirmaram ser menos autênticos na escola do que na
família, mas são mais autênticos entre os pares do que em outros contextos.
Somente Adriana disse não ser “nada” autêntica entre os pares. Trata-se de
uma questão da importância dos grupos na adolescência, de estarem sempre
em bandos, conforme visto na literatura (ERIKSON, 1980; AMATUZZI, 1999).
Desvela que eles se sentem muito bem entre os grupos com os quais têm
afinidade. A maior parte dos adolescentes respondeu estar “pouquíssimo” ou
“nada” em conformidade com os pares. Desvela que, apesar de a maior parte
não estar em conformidade, eles recebem dos pares o acolhimento
necessário para que a maioria deles possa ser autêntica.
A respeito da autenticidade consigo mesmo, Bruno (evangélico) e Carla
(espírita) responderam não ser “nada” autênticos consigo mesmos. Esse é um
aspecto muito importante a ser avaliado quando se trata de saúde mental.
Pensa-se na hipótese de eles estarem se forçando a caber em um formato
que não combina com eles. Somente Bruno (evangélico) respondeu estar
“completamente” de acordo com as orientações da escola, e somente ele
respondeu estar “completamente” de acordo com os princípios paternais.
Porém, paradoxalmente, ele respondeu ser “nada” autêntico consigo mesmo.
A maior parte dos adolescentes demonstrou alto grau de preocupação,
um dado relevante. Além disso, também apresentaram alto grau de
insegurança e nervosismo. São dados em consonância com a literatura, pois
mostram que, nessa fase, pode haver desconforto relacionado aos
questionamentos que se fazem quanto ao futuro e a questões profissionais
(MUUSS, 1966; ROSA, 1996; COLE & COLE, 2003).
Todos os adolescentes disseram refletir sobre sofrimentos e injustiças
do mundo – exceto Bruno, que não respondeu à questão. Eles se mostram
sensíveis à questão, o que pode estar associado à classe socioeconômica a
que eles pertencem. Na entrevista, Adriana (católica) disse que a sociedade
tem muitas injustiças: “se alguém roubar um pão para matar a fome, esse
alguém não deveria ser preso”. Essa fala remete às fases do desenvolvimento
moral propostas por Kolberg (1964 apud DUSKA; WHELAN, 1994), pois
denota importância não à ação, mas à razão para praticar a ação.
As reflexões sobre sofrimentos e injustiças do mundo nos permitem
compreender que esses adolescentes têm o pensamento operatório formal
formado (INHELDER E PIAGET, 1958 apud COLE & COLE, 2003), o que é
fundamental para o desenvolvimento do pensamento sobre a moralidade. A
mudança do pensamento nessa fase também pôde ser percebida quando os
adolescentes demonstraram ter pensamento crítico a respeito da vivência da
religião, pois dois deles disseram que, na adolescência, vivencia-se a religião
dos pais por eles não terem a “mente formada”; três disseram que os
adolescentes não levam a vivência religiosa a sério. Carla (espírita) disse que
muitos adolescentes não assumem a própria religião por medo de serem
excluídos.
O colégio deles localiza-se em uma cidade-satélite bem afastada do
Plano Piloto. São jovens que, em sua maioria, têm pouca perspectiva de
cursar faculdade em universidade pública, por se acharem incapazes de
serem aprovados devido a um estudo de má qualidade. Também há pouca
perspectiva de cursar uma faculdade particular, devido à restrita condição
econômica de suas famílias. Sabe-se que alguns têm esperança em
programas governamentais que possibilitam que os jovens estudem. Porém,
desvela que, para eles se sentirem capazes, é necessário que as famílias os
incentivem e que eles tenham uma boa autoestima e autoconfiança. Muitas
das famílias emigraram para o Distrito Federal em busca de melhores
condições de trabalho.
Com relação a aspectos sociais, houve considerável manifestação dos
adolescentes a respeito da defesa do Estado forte, o que é coerente com as
massivas manifestações sociais e políticas lideradas por jovens, que
ocorreram no Brasil em 2013. Esse dado revela que, até mesmo os
adolescentes mais novos, têm consciência do papel do país em termos de
assegurar proteção aos cidadãos.
A respeito de política, os adolescentes demonstraram pouco interesse.
Alguns demonstraram aversão e não gostam de falar de política, afirmando
que todos os políticos são desonestos. Porém, percebeu-se desconhecimento
do assunto, o que pode contribuir para o desenvolvimento de defesas, pois
não querer falar a respeito ou demonizar o assunto pode ser uma defesa. O
fato de não terem interesse por política não combina com as massivas
manifestações contra a corrupção política e as reivindicações para melhorias
em diversas áreas, ocorridas em 2013 – e lideradas por jovens. Soma-se a
isso o fato de que todos os adolescentes responderam não confiar “nada” nos
políticos homens, mas são um pouco mais amenos em relação às mulheres
na política.
A maior parte dos adolescentes possui conscientização a respeito do
senso ecológico – a necessidade de preservação e manutenção de recursos
naturais. A menina agnóstica apresentou menor conscientização.
Todos os participantes responderam serem legais com crianças, a o
que podemos considerar influência do Estatuto da criança e do adolescente,
antes do qual as crianças não eram tidas como seres em formação e com
especiais necessidades. Esses adolescentes fazem parte de uma geração
que viveu e vive os direitos e deveres contidos no Estatuto, o que
provavelmente influencia a maneira de eles compreenderem e tratarem uma
criança.
A respeito de vivências relacionadas à escola, somente Bruna
(evangélica) nunca reprovou de ano. Muitos fatores podem estar envolvidos
na questão de reprovação ou de bom desempenho escolar. Neste caso, Na
procura pelo que poderia contribuir para que Bruna nunca tivesse sido
reprovada, observou-se que ela desvela ter um bom relacionamento familiar –
disse que não mudaria sua família nuclear. Ela convive com o pai e a mãe
que, portanto, não são separados. Ela foi uma das poucas a dizer que os pais
são unidos em questões religiosas. Disse que sempre recebe apoio e
compreensão do pai e da mãe, que se relaciona bem com os pais e os
irmãos. O pai lhe concede liberdade com regras, e seus pais muitas vezes a
acompanharam a celebrações religiosas na infância. Ela possui total
autonomia em questões religiosas. A mãe rezava/ orava com ela, e a família é
muito unida. Ela foi a única adolescente a dizer que ora/ reza várias vezes ao
dia. É muito interessante observar a questão de conceder liberdade e, ao
mesmo tempo, estabelecer regras. Ao contrário do que muitas vezes se
pensa, o limite é extremamente importante para possibilitar ao adolescente
um amadurecimento saudável.
Daniela (agnóstica) respondeu “raramente” faltar às aulas, o que está
em coerência com seus interesses de crescer profissionalmente e nos permite
compreender que, apesar de apenas às vezes ela gostar de ir à escola, ela o
faz frequentemente.
Observaram-se alguns dados interessantes relacionados ao gênero.
Mais meninos estão de acordo com princípios paternais que meninas. Houve
diferença entre as respostas das meninas e dos meninos a respeito de gostar
de ir à escola. Elas responderam gostar menos que eles. As meninas se
mostraram mais rebeldes a respeito do comportamento: todas responderam
não estarem “nada” de acordo com as orientações da escola. As
adolescentes do DF que participaram desta pesquisa desvelam não fazer
parte do perfil antigo de mulher submissa e recatada. Ao contrário, desvelam
ter um perfil de quem sabe o que quer e está em busca de suas realizações,
como foi observado no caso de três das adolescentes. Uma delas (Adriana)
desvela frágil emocionalmente, mas isso não a impede de pensar
criticamente. Esse dado é similar ao encontrado por Taceli (2014) em
pesquisa realizada com adolescentes em Frutal-MG, e reafirma a mudança do
perfil da mulher na sociedade e nos dias atuais.
Quanto a sofrer bullying, o menino evangélico e o espírita responderam
terem sofrido “muitas vezes”, e a menina espírita respondeu tê-lo sofrido “às
vezes”. Chama atenção o fato de os dois participantes espíritas terem sofrido,
ou sofrerem, bullying. Isso reafirma o que eles relataram nas entrevistas,
sobre o bullying estar associado à escolha religiosa. Outro aspecto importante
é que o menino espírita também é negro – o que, ainda nos dias atuais, pode
ser outra causa ao bullying. O menino evangélico é muito tímido. Ele mesmo
percebe isso e reconhece sua dificuldade em se expressar, principalmente em
grupo. Sua participação na entrevista em grupo foi um enfrentamento a suas
limitações.
A maioria dos adolescentes respondeu não sentir solidão em sala de
aula. Adriana (católica) foi uma das que afirmou sentir solidão muitas vezes. A
sala de aula pode ser um campo fértil para relacionamentos entre os
adolescentes. No entanto, nem sempre é impedimento para a vivência da
solidão, visto que alguns relataram sentir solidão em sala pelo menos às
vezes. Em contato com o colégio, seis meses após a coleta de dados, na
tentativa de ter notícias de Adriana, e de solicitar que ela tivesse
acompanhamento psicopedagógico, oferecido pelo colégio, obteve-se a
informação de que, infelizmente, a adolescente desistiu dos estudos.
Sabe-se que, em geral, as mulheres têm conquistado o mercado de
trabalho. A menina agnóstica foi um reflexo disso. Dentre todos os
adolescentes na entrevista, ela demonstrou o maior interesse em crescer
profissionalmente ao falar sobre seus planos profissionais.
A respeito do ensino religioso, nenhum dos participantes o têm na
escola. A maior parte dos adolescentes disse que “algumas vezes” há
possibilidade de aprender sobre outras religiões na escola. Em contrapartida,
todos os adolescentes consideram importante adquirir conhecimento sobre
religião, variando quanto ao grau de importância. Todos os adolescentes
conferem importância à religião e coisas semelhantes, inclusive os
agnósticos.
Outro valor que ficou muito marcado nesse grupo foi a importância de
Deus, pois quatro dos adolescentes afirmaram, na entrevista, ser Deus uma
das coisas mais importantes de suas vidas: Bruno e Bruna (evangélicos),
Adriano (católico) e Carla (espírita). Carla mencionou “o meu Deus”, indicando
claramente sua maneira peculiar de vivenciar a religião. Podemos fazer
diferenciação
quanto
à
religiosidade
e
espiritualidade
de
alguns
adolescentes. Um deles é Bruno (evangélico) que, em uma das questões
sobre o assunto, diferenciou que não morreria pela religião, mas por Deus,
sim. Fica clara a diferenciação que ele faz da religião institucionalizada e da
religiosidade/ espiritualidade que é a vivência dele com Deus – como o
proposto por diversos autores, tais como Vergote (1969), James (1995), Valle
(1998), Paiva (1998), Amatuzzi (1999) e Aletti (2012), para mencionar alguns.
Os evangélicos se mostraram mais dispostos a fazer grandes
sacrifícios pela religião. Porém, quando indagados se estariam dispostos a
entregar a própria vida pela religião, Adriana (católica) foi a única a responder
que “completamente”, mas parecia mais associado ao desejo de morrer que
pela religião em si, visto que ela tentou se matar dois meses antes da
entrevista.
A respeito do quanto os adolescentes se sentem membros de uma
comunidade religiosa, até mesmo os adolescentes que não frequentam uma
instituição religiosa disseram se sentirem membros de uma comunidade
religiosa, ainda que pouco. A menina católica, apesar de não frequentar uma
instituição religiosa, sente-se “medianamente” membro. O menino agnóstico
disse se sentir “pouco”, e isso é surpreendente; o mais natural seria ele não
se sentir “nada”, já que faz tantas críticas às instituições. Somente a menina
agnóstica respondeu não se sentir “nada” membro de uma instituição
religiosa. Sentir-se membro de uma comunidade possui relação com a
identidade, e é muito importante e saudável.
A maior parte dos adolescentes respondeu afirmativamente para a
questão que dizia que a religião melhora o bem-estar. Os agnósticos foram os
que acreditaram menos nesta relação, mas ainda assim percebem relação,
ainda que fraca. Esse dado corresponde aos dados encontrados na literatura,
conforme pesquisa de Silva et al. (2007), Ferreira, Pinto e Neto (2012), e
Stroppa e Moreira-Almeida (2008). Além disso, um estudo realizado em
Portugal revelou que comportamentos religiosos tiveram correlação com o
bem-estar, a satisfação com a vida e a felicidade (FERREIRA E NETO, 2008),
o que desvela combinar com os resultados desta pesquisa.
Os jovens também responderam positivamente a respeito de a religião
fortalecer a conscientização, ainda que essa relação tenha sido vista de forma
menos intensa pelos agnósticos. A religião é, muitas vezes, fator de proteção
na adolescência e inibe, por exemplo, o uso de drogas, conforme pesquisa de
Carvalho e Carlini-Contrin (1992), e Dalgalarrondo et al. (2004).
A maior parte dos adolescentes concorda que a religião ajuda os
adolescentes, o que é coerente com o proposto por Pargament (1990; 1997) e
Paloutizian (1996) quando tratam do enfrentamento religioso ou espiritual,
Observou-se que a maior parte dos adolescentes percebe essa relação. Os
evangélicos e os católicos foram mais favoráveis a essa afirmação. No
mesmo sentido, metade dos adolescentes respondeu favoravelmente à frase
que afirmava que a religião ajuda a resolver problemas. Também, a maior
parte dos adolescentes respondeu que a religião ajuda a manter a calma nas
horas difíceis.
Nenhum dos adolescentes afirmou que Deus/ Divino não existe. Seis
dos oito adolescentes se posicionaram favoravelmente à existência de Deus/
Divino. Os agnósticos assumiram a posição de dúvida, que não afirma que
existe e nem que não existe. Eles esperam que, se Deus/ Divino realmente
existe, que se revele a eles. Todos os adolescentes disseram crer na
existência de Deus, seja de forma mais ou menos intensa, exceto o menino
agnóstico, que disse crer pouco – o que é diferente de não crer nada.
Percebeu-se que a quantidade de vezes que os adolescentes fazem
orações não é sempre a mesma que eles vão às instituições religiosas.
Somente Daniel (agnóstico) muito raramente vai a celebrações religiosas, e
nunca faz orações ou preces. Daniela (agnóstica) nunca vai a instituições
religiosas e nunca realiza orações ou preces. Adriana (católica), após a morte
do irmão, diminuiu consideravelmente as idas à igreja e raramente realiza
orações. Os demais adolescentes costumam, além de realizar orações e
preces, frequentar a instituição religiosa, diferentemente do resultado obtido
na pesquisa de Amparo et al. (2008), realizada com adolescentes do DF,
cujos
resultados apontaram para a
vivência
de
uma
religiosidade/
espiritualidade como um movimento individual, sem frequência a templos
religiosos.
A respeito da crença em anjos, seis dos oito participantes responderam
acreditar “completamente”. Somente os agnósticos responderam acreditar
“quase nada”. Os espíritas e agnósticos tenderam a não acreditar em satã.
Essa descrença dos espíritas desvela estar relacionada à doutrina espírita,
que diz que a maldade é influenciada por espíritos menos desenvolvidos – e
não por satã, em cuja existência os católicos e os evangélicos tendem a
acreditar.
A maior parte dos adolescentes demonstrou não ter crenças
esotéricas; os espíritas e a menina católica foram os únicos que
demonstraram acreditar. A respeito da clarividência, a maior parte também
respondeu não acreditar; somente a menina católica e a espírita responderam
afirmativamente. Na aplicação estrangeira, os hindus apresentam muita
crença nisso; logo, este resultado se diferencia com o resultado do exterior
apenas em relação aos hindus. O fato de poucos terem esse tipo de crença
demonstra resultado parecido com as pesquisas na Alemanha e Suíça, pois
Käppler et al. (s/d) verificaram que a crença em Deus / algo Divino, bem como
a crença em anjos / bons espíritos e satanás / maus espíritos, foram muito
mais significativas e relevantes que as crenças esotéricas. Taceli (2014)
obteve resultado parecido em Frutal – MG.
O respeito a pessoas com religiões diferentes da sua se mostrou um
valor nas respostas de todos os adolescentes. Uma das possibilidades de
resposta era: “só a minha religião merece respeito, pois só a minha religião é
verdadeira”, mas nenhum dos adolescentes a escolheu – que contribui para a
percepção de que uma das características culturais do Brasil é a tolerância.
Existem exceções, mas, em geral se percebe uma tendência à tolerância. Tal
tolerância também pôde ser sentida no resultado à questão 20: “preferiria que
alguém que tenha outra religião não fizesse parte do meu círculo de amigos”,
para a qual todos os adolescentes responderam “não confere em nada”.
Observamos a tolerância em todas as respostas.
Com relação a se os adolescentes se casariam ou não com alguém de
outra religião, percebeu-se abertura deles quanto à convivência com pessoas
de outras religiões. O dado a respeito do posicionamento dos pais dos
adolescentes sobre eles se casarem com pessoa de religião diferente
também sugere tolerância e abertura à convivência com pessoas de religiões
diferentes, e está em consonância com o que foi percebido em questões
anteriores a respeito de se relacionarem com pessoas de diferentes religiões.
Somente Bruna respondeu que seus pais se importariam. O que se deve
questionar é se o discurso reflete a realidade. Mesmo que reflita, desvela
haver um leve destoar, pois o discurso desvela mais forte do que a realidade.
Bruna (evangélica) foi a única adolescente a responder que seus pais
se importariam caso ela se casasse com pessoa de outra religião. Ela
adolescente nasceu no Rio de Janeiro e migrou para o Distrito Federal com
sua família. Apesar de se tratar de migração interna, que é o caso da maior
parte das migrações brasileiras, desvela que esse dado combina com o
resultado obtido da pesquisa na Alemanha e Suíça, pois as pessoas que
emigraram para esses países foram mais tradicionalmente orientadas, ou
seja, mais rígidas em sua própria religião, e tinham também alto grau de
valores materialistas e hedonistas (GENSICKE, 2006). No caso de Bruna,
também observou-se alto grau de hedonismo, mas baixo grau de
materialismo. Esse dado também combina com o resultado de Käppler et al.
(s/d/) quando dizem que pessoas religiosas priorizam os valores que
conservam e afirmam o seu sistema de crenças sociais e individuais.
Perguntados acerca da importância dada à oração pessoal, os
católicos, os espíritas, e Bruna (evangélica) deram significativa importância.
Daniela (agnóstica) respondeu conferir “média” importância, o que é
interessante, pois nos leva a perceber incoerência de Daniela (agnóstica) em
algumas respostas. Um motivo pode ser o fato de ela ser namorada de Daniel
(agnóstico). Na entrevista em grupo, foi necessário intervir na fala dele, já que
muitas vezes a menina começava a responder uma questão e ele terminava
por ela. Percebeu-se grande influência de Daniel sobre a maneira de pensar
de Daniela que, inclusive, não soube dizer o nome que identificava sua
espiritualidade.
A questão do relacionamento dos adolescentes com pessoas e com
jovens de religiões diferentes da sua foi também abordada na entrevista
individual. Observou-se na entrevista em grupo como eles se comportariam
diante de jovens de diferentes religiões. Nas respostas ao questionário e nas
entrevistas individuais, eles tiveram atitude de respeito e tolerância para com
pessoas e jovens de religiões diferentes da sua. Todos os adolescentes
disseram que tratam jovens com religiões diferentes da sua de maneira
“normal”, que aceitam e respeitam. Porém, foi muito importante observar que
três desses adolescentes já tiveram divergências com colegas de religiões
diferentes da sua: Adriana (católica), Bruna (evangélica), e Daniel (agnóstico).
Adriana disse não ser tolerante com ateus, porque ela pensa que “não
acreditar em Deus já é demais”. Bruna disse ter tido problema com uma
colega católica, que a queria converter. Daniel disse ter dificuldades com
pessoas evangélicas, pois gostam de criticá-lo. Assim, pelo que eles
disseram, costumam ter uma atitude de tolerância e respeito, desde que
também tenham uma atitude de respeito e tolerância com eles.
Os adolescentes católicos não participaram da entrevista em grupo. A
menina católica havia faltado à aula, e o menino católico não quis participar
da entrevista; esquivou-se e foi embora mais cedo. A religião católica foi a
única sobre a qual os participantes teceram críticas na entrevista em grupo
não tendo nenhum representante para contra argumentar. Não houve críticas
às religiões representadas. Observa-se, então, que o discurso pode ser
diferente da prática.
O participante que parecia mais ansioso para falar na entrevista em
grupo era o menino espírita, que discorreu sobre vários aspectos de sua
religião demonstrando conhecimento, respondendo questões dos outros
adolescentes e emitindo sua opinião quando algum deles falava sobre a
própria religião. Em geral, a conversa foi amistosa; as maiores críticas foram
proferidas à religião católica, sem representante naquele momento.
Foi interessante observar que os adolescentes mais velhos tenderam a
questionar mais a religião na qual foram iniciados pelos pais – os dois mais
velhos foram o menino e a menina agnósticos (17 anos). Ser agnóstico, para
eles, é posicionar-se em um lugar de dúvida, de questionamento. Os três
participantes de 16 anos, os espíritas e a católica, também questionaram a
religião dos pais. Os espíritas são de religião diferente da dos pais, embora a
mãe de Carlos e o pai de Carla os tenha iniciado no centro espírita. A menina
católica possui mãe católica e questiona alguns aspectos da igreja. Ela tentou
frequentar a igreja evangélica, mas não continuou.
Ela demonstra
questionamentos relacionados à vivência religiosa católica. Os adolescentes
de 15 anos demonstraram pouquíssimos questionamentos relacionados à
vivência religiosa, e eles frequentam a mesma religião dos pais. Esses dados
não conferem com a pesquisa de Santos e Koller (2009) – que afirmam que
jovens com idade abaixo dos 25 anos tendem a seguir a mesma religião dos
pais.
Os dados a respeito das idades e desacordos com a religião dos pais
estão em consonância com o mencionado por Käppler et al. (2010) sobre
questionamento das tradições religiosas, valores convencionais e do sistema,
o que foi também percebido nesta pesquisa.
Comparando os dados da pesquisa realizada em Brasília com os
dados da pesquisa realizada em Frutal por Taceli (2014), os mesmos dados
relacionados aos principais valores encontrados foram obtidos: família,
amizade
e
religiosidade.
Porém,
foi
incluída
nesta
pesquisa
uma
espiritualidade diferente, o agnosticismo, que questiona a vivência religiosa
mais tradicional. Muitos adolescentes agnósticos quiseram participar, o que
não foi possível devido à necessidade de cumprir prazos para fechar esta
pesquisa. Esse é um dado representativo por indicar a existência em maior
quantidade de adolescentes agnósticos no DF do que em Frutal. Além disso,
é um dado coerente com o visto na literatura sobre Brasília ser terreno fértil
para o surgimento de novas espiritualidades, conforme Siqueira (2003) e
Freire e Dante Júnior (2011).
Algo que marca todo este trabalho é o quanto os adolescentes
demonstraram características típicas da idade. Ficou muito claro que eles são
pessoas em formação. Todos os participantes tiveram dificuldade de falar
sobre a percepção das características pessoais. Falar sobre si se constituiu
uma tarefa sobremodo difícil, demonstrando ausência de autoconhecimento,
e/ou timidez. Isso desvela estar associado à questão da formação da
identidade, o que dificulta a percepção das características, pois elas não
estão consolidadas, mas modificam-se.
O tema da religiosidade na adolescência tem sido pouco explorado, o
que dificulta que educadores, familiares, profissionais da saúde, entre outros,
tenham conhecimento do interesse despertado pela religião/ espiritualidade e,
principalmente, do papel fundamental que as vivências religiosas têm na
formação da identidade do adolescente, como ferramenta que auxilia na
superação de conflitos, na proteção contra atividades de risco (com
restrições) e no desenvolvimento do bem-estar. Assim, o conhecimento
adquirido por meio deste trabalho contribui para os seguintes campos: da
Psicologia da Religião, um campo fértil para mais pesquisas sobre a
adolescência; para a Psicologia do Desenvolvimento, por ampliar e “puxar lá
de trás” um tema abordado no início da Psicologia, tamanha a importância;
para o campo da Psicologia Social, para a melhor compreensão dos grupos e
do impacto que essas questões têm na sociedade, como foi o caso da
motivação de elaboração do Questionário para estudo do fenômeno na
Alemanha e Suíça – e agora no Brasil – e da Psicologia clínica, permitindo
espaço para a compreensão do adolescente de forma integral.
6.3. Relações entre a R / E e valores em adolescentes do DF e a Teoria
do Desenvolvimento Religioso de Amatuzzi
Vários aspectos mencionados na Teoria do Desenvolvimento Religioso de
Amatuzzi foram percebidos nesta pesquisa, tais como desenvolvimento da
identidade, distanciamento e relacionamento familiar, aproximação de grupos
de iguais, busca da experiência pessoal autêntica, entre outros.
Percebeu-se que, apesar de todos os adolescentes terem sido
iniciados religiosamente pelos pais, a maior parte não permanece na mesma
religião que eles, sendo os mais velhos mais críticos – somente os mais
novos seguem a religião dos pais. Assim, percebeu-se aproximação com o
que Amatuzzi (1999) diz sobre a religiosidade na adolescência, segundo o
qual pode haver um abandono provisório ou definitivo da prática religiosa dos
pais. Há distanciamento familiar, e inicia-se o contato com o “outro” e os
grupos para a construção de uma identidade própria.
Os adolescentes mais velhos, nesta pesquisa, se apresentam mais
críticos e questionadores. Desvelam estar mais próximos da vivência de
abertura para experimentar algo novo, o que tem relação com o exercício de
um novo eu. Nesse sentido, Amatuzzi (1999) nos aponta a religião da família
como uma resposta pronta, que é diferente da experiência do adolescente. A
resposta pronta não deve conduzir o adolescente ao distanciamento das
próprias questões existenciais. Assim, refletir sobre a religião da família e
questionar condutas pode ser muito saudável, por promover uma experiência
própria, que é fundamental em termos da formação da identidade. Amatuzzi
nos diz que, por meio da confiança fundamental, o jovem se abre para a
experiência permitindo a vivência da intimidade física e espiritual, para surgir
um novo eu. Além disso, ele considera mais saudável rejeitar a resposta
pronta da família do que se submeter a ela de forma alienante.
Chama-nos atenção que os evangélicos e Adriano (católico), que são
os adolescentes mais novos, permanecem na mesma religião dos pais.
Porém, os evangélicos foram os que mencionaram ter mais autonomia
religiosa e são os que mais obedecem aos mandamentos religiosos. Por outro
lado, Bruno (evangélico) mencionou não ser autêntico consigo mesmo, e
disse acreditar que suas convicções religiosas possam mudar no decorrer dos
anos. Já Adriano (católico), não se mostrou à vontade para compartilhar sobre
sua religiosidade em grupo, ao que podemos atribuir desconforto em tratar do
tema, ou talvez insegurança.
Todos os adolescentes atribuíram importância ao sentido da vida, a
maior parte atribuiu muita ou razoável importância. Daniela (agnóstica) foi a
que atribuiu menos importância. Nota-se despertamento na maior parte dos
adolescentes em reflexões sobre o sentido da vida, sendo a religiosidade uma
possibilidade de lidar com essas reflexões. Esse é outro aspecto da Teoria de
Amatuzzi (1999) que foi percebido neste trabalho, pois ele compreende a
religião como o campo das indagações últimas, indagações pelo sentido.
Segundo ele, a fé é uma confiança básica que dá sentido à vida.
A respeito da família, observou-se importante papel das mães na vida
dos adolescentes também no sentido do desenvolvimento da religiosidade,
pois estiveram presentes muitas vezes levando-os a celebrações religiosas e
rezavam/ oravam com eles. Amatuzzi (1999) nos fala da importância do
aconchego proporcionado pelo relacionamento com os primeiros cuidadores.
Ele diz que, por meio dele, desenvolve-se a confiança básica, necessária para
a vivência da fé e da religiosidade posteriormente. Por isso, o fato de a mãe
acompanhar os filhos, compreendê-los e apoiá-los desde o início da vida é de
importância fundamental.
Quanto ao relacionamento com o pai, o único pai sem religião é
também ausente, o pai de Adriana (católica), a qual apresentou muitos
conflitos familiares durante a entrevista individual e, posteriormente, durante o
início do processo psicoterapêutico que a pesquisadora lhe ofereceu. Ela
apresentou
alto
nível
de
sofrimento
psíquico,
e
já
havia
tentado
autoextermínio. Adriana se percebe católica, mas questiona alguns aspectos
de sua religião, não é praticante. Compreende-se que a não adesão dela a
uma instituição religiosa, ou a dificuldade de relacionamento espiritual, pode
estar associada à dificuldade de relacionamento com o pai pois, conforme
Amatuzzi (1999), em sua Teoria, o bebê necessita de uma experiência de
confiança fundamental que ocorre no aconchego da relação com os primeiros
cuidadores. Essa experiência é a base de todas as futuras formas de fé, ou
seja, é necessária também para a vivência da religiosidade saudável na
adolescência. Por outro lado, a não adesão dela a uma instituição religiosa
impede que ela desfrute da possibilidade de utilização da vivência religiosa
como um mecanismo de superação da ausência paterna, conforme os casos
de Carlos (espírita) e Carla (espírita). A adolescente citou como experiência
difícil, e que a afeta muito, a morte do irmão que foi assassinado – e cuja
culpa pela morte a mãe atribui à adolescente–, que culmina em sérios
conflitos com sua mãe. Todavia, deixar de frequentar uma instituição religiosa
também a priva da possibilidade de vivenciar a religião como estratégia de
enfrentamento de dificuldades, conforme nos ilustram Pargament (1990;
1997) e Paloutizian (1996).
Há
possibilidade
de,
às
vezes,
o
adolescente
assumir
uma
religiosidade/ espiritualidade que não é autenticamente sua, mas a de um
grupo. Percebe-se isso na espiritualidade de Daniela, aparentemente muito
influenciada por Daniel, conforme discutido anteriormente. Essa é uma das
interessantes questões apontadas por Amatuzzi (1999) em sua Teoria.
Outro aspecto observado diz respeito ao relacionamento dos
adolescentes com os pais e à autenticidade e coerência dos pais quanto à
sua própria religião ou fé, bem como de seu respeito à necessidade do filho
de explorar o mundo a fim de formar sua identidade. O desrespeito foi
identificado principalmente no caso dos agnósticos, que demonstraram
incômodo e sofrimento decorrentes de atitude preconceituosa de suas
famílias. Ficou mais marcado o caso de Daniel (agnóstico) em relação à sua
mãe, que ele disse quase não ver e que, muitas vezes, quando estão juntos
ela grita e reclama. A atitude de preconceito não combina com a vivência
religiosa que os pais possuem, apesar de compreender-se que, em maior ou
menor grau, a incoerência faz parte do desenvolvimento humano. Às vezes, a
incoerência “grita”, e é nesse ponto que ela deixa de ser propulsora de
mudanças saudáveis e pode tornar-se debilitante. Amatuzzi (1999) nos
apresenta a importância da atitude coerente dos pais quanto à sua própria fé
e o respeito ao movimento do adolescente quanto a experimentar outras
religiosidades como fundamental para o relacionamento familiar saudável.
Assim, percebeu-se quão rica a Teoria do Desenvolvimento Religioso
se apresentou para que se pudesse compreender melhor o relato desses
jovens – e quanto a discussão a respeito da religiosidade na adolescência se
faz necessária para o campo da Psicologia e para melhor formação de
profissionais da educação e da saúde.
6.4. Reflexões e sugestões a respeito do Questionário e sua aplicação
Considera-se que, em geral, as adaptações realizadas no instrumento
até o momento foram bem sucedidas. Os jovens demonstraram poucas
dúvidas no momento da aplicação; mais relacionadas a questões pessoais,
como dificuldade de leitura, do que ao instrumento propriamente dito. No
entanto, percebeu-se a necessidade de modificar a formatação do
instrumento. A formatação utilizada reduzia a agilidade para responder, por
requerer que os adolescentes voltassem frequentemente ao início das
questões para verificar as opções de respostas. Sugere-se, também,
modificação em uma das questões, que gerou conteúdo duvidoso quanto à
compreensão.
A questão que ficou confusa foi a que buscou investigar se os
adolescentes cogitariam em alguma hipótese suicidar-se. Acredita-se que a
confusão se deve à forma como a questão foi apresentada – na forma
negativa: “nunca cogitaria suicidar-me”. Obtiveram-se dois extremos de
respostas e não se sabe se todos compreenderam de fato o que a questão
buscava investigar. Metade dos adolescentes respondeu que a afirmação não
confere “em nada”. Assim, entende-se que eles cogitariam em suicidar-se,
sim, mas estranha-se que os católicos e os evangélicos tenham respondido
dessa forma, já que nas religiões deles a vida é tida como um valor
inestimável. Estariam esses adolescentes em desacordo com suas religiões?
Ou teriam eles compreendido a questão de forma inadequada? Note-se que
Adriana (católica) tentou se matar dois meses antes de ser entrevistada.
Assim, o mais provável é que ela tenha compreendido a questão e respondido
de forma que cogitaria matar-se, sim, a não ser que ela tenha mudado de
opinião a partir da experiência – nesse caso, ela teria compreendido a
questão de forma errada. Os espíritas e a menina agnóstica responderam
“completamente”, ou seja, nunca cogitariam suicidar-se. O menino agnóstico
foi o único participante que respondeu que nunca cogitaria se matar “em
parte”. Desta forma, sugere-se que a frase seja retirada da forma negativa, e
apresentada da seguinte forma: “caso eu estivesse muito mal, cogitaria
suicidar-me”. Na pesquisa realizada por Taceli (2014), essa questão também
apresentou problemas. Contudo, apesar de as respostas desvelarem
estranhas, houve dúvida se os adolescentes realmente tinham tendência
suicida. Com a recente aplicação do instrumento confirmou-se a problemática
apresentada na questão.
Quanto à causa de as pessoas com deficiência mental serem pessoas
escolhidas por Deus, o menino espírita respondeu acreditar nessa explicação
“completamente”,
e
o
menino
evangélico
respondeu
acreditar
“medianamente”. Isso causou espanto nos demais adolescentes, mas desvela
mais associado à maneira de visualizar a vida e seus mecanismos de
funcionamento – o que geralmente está mais associado a questões religiosas
e filosóficas do que em relação à questão. Essa foi a única questão que gerou
incômodo em alguns adolescentes na entrevista em grupo pois, para uns,
soou impossível essa explicação para a causa das doenças mentais; soou
injusto: “se Deus é bom, como Ele faria algo assim?”. No entanto, o
participante espírita se explicou dizendo que isso pode acontecer para que a
pessoa pague por algum ato ruim que cometeu em outra encarnação, para
que ela se torne uma pessoa boa. Bruno (evangélico) explicou que pode ser
por aquela pessoa ser especial, e ela pode ensinar outras pessoas por ser
assim. Ouvindo essa explicação alguns se calaram e outros disseram não
pensar dessa maneira.
Na aplicação do instrumento, o adolescente deve ser orientado que
necessitam-se em torno de 45 minutos para respondê-lo, podendo variar.
Portanto, ele deve estar disponível caso consinta participar. Também deve ser
informado de que uma pessoa ficará por perto, disponível para retirar dúvidas,
caso surjam.
Quanto à formatação do instrumento, dificultou não constarem em
todas as páginas as opções de resposta. Realizou-se modificação na
formatação, para que o adolescente pudesse visualizar todas as opções de
respostas referentes a cada questão, possibilitando que esta versão seja
utilizada para futuras aplicações.
Sugere-se que a versão decorrente deste trabalho seja aplicada na
Região Centro-Oeste. Ainda assim, deve-se contextualizar, caso haja
necessidade, na cultura onde se pretende aplicá-lo. Em relação às outras
regiões brasileiras, o instrumento deve passar por processo de adaptação
para ser aplicado.
7. CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Os adolescentes desta pesquisa apresentaram as características
típicas da adolescência. A maior parte deles apresentou pensamento crítico,
mais intenso nos adolescentes mais velhos. Somente os mais novos
frequentam a religião dos pais. A participação deles nesta pesquisa foi um
exercício reflexivo. Quando surpreendidos em relação a muitas questões, não
demonstraram postura fechada.
Percebeu-se que existe relação entre a formação de valores e a
religiosidade. Porém, essa relação não foi percebida em todos os valores
pesquisados, pois existiram valores compartilhados pelos adolescentes
religiosos e os não religiosos. O valor da família e da amizade foi
compartilhado por todos os adolescentes. Particularmente, a respeito de
valores nas diferentes religiões/ espiritualidades, os agnósticos se mostraram
mais racionais e menos disponíveis a ajudar ao próximo; os católicos e os
evangélicos se mostraram mais gentis; os evangélicos se apresentaram mais
religiosos, comportados, certinhos, e tradicionais; a menina católica não era
praticante, e revelava uma tendência de muitos que se dizem católicos e não
praticam; os espíritas foram os menos hedonistas.
As meninas se apresentaram mais em oposição, responderam gostar
menos de ir à escola que os meninos, e estão menos de acordo com os
princípios paternais do que eles. Elas não apresentaram o perfil de mulher
recatada e submissa, muito comum antes do movimento feminista – o que
também foi encontrado nos resultados da pesquisa de Taceli (2014). Outro
aspecto importante é que Brasília desvela apresentar um campo fértil para
pesquisas sobre religiosidade e gênero, pois não se percebeu maior
religiosidade/ espiritualidade nas meninas. Em outras pesquisas, no Brasil e
exterior, há maior religiosidade em mulheres.
Percebeu-se aproximação entre o catolicismo e o espiritismo. Somente
os espíritas e a menina católica demonstraram acreditar em crenças
esotéricas. Somente a menina católica e a espírita disseram acreditar em
clarividência. Além disso, pais católicos iniciaram seus filhos no espiritismo.
Poucos
adolescentes
apresentaram
crença
em
esoterismo
e
clarividência, o que é parecido com os resultados da pesquisa na Alemanha e
Suíça, pois Käppler et al (s/d/) verificaram que a crença em Deus/ algo Divino,
bem como a crença em anjos/ bons espíritos e em satanás/ maus espíritos,
foram muito mais significativas e relevantes que as crenças esotéricas, o que
também foi encontrado por Taceli (2014) em Frutal – MG.
Brasília, conforme visto na literatura, realmente se revela como solo
fértil para o surgimento de novas religiosidades/ espiritualidades. Surgiram
muitas manifestações de jovens sem religião querendo participar, mas não foi
possível incluí-los devido ao prazo para concluir a pesquisa.
A respeito de como os adolescentes lidam com religiosidades/
espiritualidades diferentes da sua, todos demonstraram respeito e tolerância à
religiosidades/ espiritualidades diferentes da sua. Entretanto, alguns citaram
vivência de divergências com colegas de religiões/ espiritualidades diferentes.
Além disso, a religião católica, única sem representantes na entrevista em
grupo, foi a única que o grupo criticou, o que pode ter sido influenciado pela
ausência dos representantes.
O instrumento vem sofrendo aperfeiçoamento – e passou por várias
etapas. Para melhorá-lo, após a aplicação na presente pesquisa, foi
necessário apenas modificar uma frase que apresentou problemas na
compreensão dos adolescentes, e modificar a formatação para que todas as
opções de respostas pudessem ser visualizadas em todas as páginas.
O processo de aperfeiçoamento deve continuar. Com as modificações
realizadas até o momento, o instrumento desvela poder ser empregado em
pesquisas mais abrangentes no Brasil, devendo-se considerar as possíveis
modificações para atender às diferenças de regionalidades. As alterações
realizadas em decorrência deste trabalho desvelam ser adequadas para
aplicação do instrumento na Região Centro-Oeste. Para que seja aplicado em
outras regiões, ele deve passar por adaptações culturais.
Considera-se
importante
que
profissionais
da
saúde
estejam
disponíveis para a escuta sobre R / E dos pacientes no contexto da saúde
mental, pois estas experiências são parte fundamental do ser e podem ser
recursos propiciadores da melhora do paciente.
Diante do exposto, os objetivos da pesquisa foram alcançados. Não foi
possível, porém, aprofundar todos os aspectos, e demonstrar a riqueza e a
necessidade de realização de mais pesquisas neste campo. Abre-se, pois, o
convite a outras pesquisas para aprofundamento e maiores esclarecimentos.
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WURZBURG, W. Arnold. Dicionário de psicologia. Terceiro Volume. São Paulo:
Edições Loyola, 1994.
Apêndice A
Roteiro de entrevista individual
Eixo temático 1: “Quem sou eu?” – valores pessoais
1- Estabelecer rapport.
2- Como você se descreveria? Que características melhor descrevem você?
3- Diga algumas coisas que você gosta de fazer.
4- Diga algumas coisas que você não gosta de fazer.
5- Quais são as coisas mais importantes na sua vida?
6- Como você percebe o mundo socialmente e politicamente? Como você
gostaria que fosse?
Eixo temático 2: “Quem é minha família?”: valores familiares
7- Como é a sua família? Quais características ela possui que você gosta e
quais você não gosta?
8- Como você gostaria que a sua família fosse?
Eixo temático 3: “Como vivencio a minha religião?” ou “como vivencio a
ausência de uma religião?” : valores religiosos ou valores a-religiosos
9- Qual é a sua religião? Ou como é não ter religião?
10- Como você vivencia a sua religião? Ou como você vivencia a ausência de
uma religião?
11- De quais atividades você participa associadas à sua religião? (Somente para
aqueles que têm).
12- Qual é o grau de importância da vivência religiosa na sua vida? É
importante? Não é importante?
13- Como você lida com pessoas com religiões diferentes da sua ou com
pessoas que não têm nenhuma religião?
14- Como você percebe a religião em Brasília? E em jovens em Brasília?
15- Tem algo mais que você gostaria de falar?
Apêndice B
Roteiro de entrevista em grupo
1- Estabelecer rapport.
2- Aquecimento.
3- Dinâmica para se conhecerem.
4- Como foi responder o Questionário sobre valores e orientações religiosas na
adolescência?
5- Existem dúvidas com relação às questões do questionário? Quais?
6- Quais questões mais chamaram a atenção?
7- Como foi para vocês participarem desta pesquisa?
8- Existe algo mais que vocês gostariam de dizer?
Anexo 1
Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência – versão
feminina utilizada na coleta de dados
QUESTIONÁRIO
Nas próximas páginas você encontrará muitas perguntas ou afirmações.
Das possibilidades de resposta apresentadas você deverá escolher aquela
que melhor se aplicar a você. Você não precisa ficar pensando muito. Não
existem respostas certas ou erradas; interessa-nos simplesmente a sua
opinião.
EXEMPLO
nada
Quanto você gosta de sorvete de chocolate? ( )
muito
( )
( )
( )
( )
E aqui vão mais algumas dicas:
Se você fizer uma correção, faça um círculo ao redor da resposta
que é para ser considerada.
Não faça cruzes entre um e outro círculo, pois de nada vão nos
servir.
Em algumas partes, você também terá oportunidades de escrever
uma resposta com as suas próprias palavras.
Por favor, tente responder a maior quantidade de questões
possíveis.
Tudo certo então? Nesse caso, mãos à obra! Divirta-se!
GAROTAS
1
1. Primeiro, temos algumas perguntas sobre idade, sexo, origem etc.
a) Onde você mora? Indique CEP do município em que mora:
__________________________________________________________________
b) Você é menina ou
menino?
Masculino
( )
Feminino
( )
c)
d)
e)
f)
g)
Quando você nasceu? Ano:________________ Mês: ________________________
Em qual cidade você nasceu?________________________
Em qual cidade nasceu sua mãe? _____________________________
Em qual cidade nasceu seu pai? ______________________________
Qual é a profissão que seu pai exerce? (p. ex. montador elétrico, informático, neste
momento desempregado) _____________________________________________
h) Qual é a profissão que a sua mãe exerce? (p.ex. professora, médica, do lar, neste
momento desempregada) ________________________
2. Como você mora?
Em uma família (mesmo que seja de cuidado ou adotiva)
Em um abrigo
Outros
( )
( )
( ) Especifique: _________
_______________________
3. Como vive sua família?
pouquíssimos
poucos
médio
razoável
muitos
( )
( )
( )
( )
( )
a) Quantos livros
seus pais têm em
casa?
b) Como moram seus pais?
mãe
pai
Residência (casa, apartamento,...) própria
( )
( )
Residência (casa, apartamento,...) alugada
( )
( )
Residência (casa, apartamento,...) cedida (emprestada)
( )
( )
Outro:
( )
( )
razoável
muito
bem
muito
mal
2
mal
médio
c) E como a sua família, em geral, se
ajeita com o dinheiro que tem?
4. Qual é o grau de instrução dos seus pais?
( )
( )
( )
pai
( )
( )
Mãe
Analfabeto
Sabe ler, mas não foi à escola
Fundamental incompleto (1º grau)
Fundamental completo (1º grau)
Médio incompleto (2º grau)
Médio completo (2º grau)
Superior incompleto (universitário)
Superior completo (universitário)
“Seguem mais perguntas sobre a sua família.
se você estiver morando em diversos lares,
comente e forneça dados sobre o lar
em que você fica mais tempo
durante a semana”.
5. Que pessoas adultas convivem com você?
Mãe
( )
Madrasta/companheira do pai
( )
Mãe adotiva
( )
Cuidadora
( )
Pai
( )
Padrasto/companheiro de mãe
( )
Pai adotivo
( )
Cuidador
( )
Outras pessoas adultas
( ) Informe com
quem:_________________________________
6. Você tem quantos irmãos/ãs, meio-irmãos/ãs, irmãos/ãs de criação, adotivos/as ou
de cuidados, com os/as quais você agora mora na maior parte do tempo da
semana?
( ) Nenhum
Quantidade de irmãos: ______
Quantidade de irmãs:_______
7. Em sua vida você teve uma experiência que foi especialmente ruim ou grave para
você ou para a sua família, como, p. ex., doença grave na família, separação/divórcio
dos pais, desemprego de um dos pais, perda de um ente querido etc.?
( ) não
( ) sim
Descreva brevemente do que se trata:
_____________________________________________________
O quanto isso
afeta você?
em nada
pouco
médio
razoável
muito
( )
( )
( )
( )
( )
3
Nas perguntas 8 e 9, trata-se dos relacionamentos entre os membros da sua família.
No caso de várias mães: Pense na pessoa mais importante. Da mesma forma, no caso de
vários pais: Pense na pessoa mais importante. É importante que você pense, do começo
ao fim, sempre na mesma pessoa.
Na próxima pergunta, a 8, mencionam-se, em cada linha, duas pessoas da sua família.
Gostaríamos que você informasse até que ponto as duas se sentem bem, quando estão
próximas uma da outra.
8.
Até que ponto as duas pessoas se sentem bem, quando estão próximas entre si?
nada bem
raramente
bem
medianamente
bem
razoavelmente
bem
muito bem
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
a) Eu – mãe
b) Eu – pai
c) Mãe – pai
SE VOCÊ NÃO TIVER IRMÃOS/ÃS, PASSE PARA A PERGUNTA 9
8.1 Até que ponto as duas pessoas se sentem bem, quando estão próximas entre si?
a) Eu – irmãos e
irmãs
b) Mãe – irmãos e
irmãs
c) Pai – irmãos e
irmãs
nada
bem
raramente
bem
medianamente
bem
razoavelmente
bem
muito
bem
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
9. Desta vez, trata-se do quanto as pessoas na sua família podem decidir (que importa
o que elas dizem, qual é a influência que têm nas decisões da família etc.). Informe,
para cada pessoa, que peso tem sua palavra.
não
decide
nada
a) Eu
b) Mãe
c) Pai
d) Meu irmão(ã)
mais velho(a)
e) Meu irmão(ã)
mais novo(a)
(
(
(
(
)
)
)
)
( )
raramente
decide alguma
coisa
(
(
(
(
algumas vezes
sim outras
vezes não
)
)
)
)
(
(
(
(
( )
na maioria das
vezes decide
)
)
)
)
(
(
(
(
( )
pode decidir
qualquer coisa
)
)
)
)
(
(
(
(
( )
)
)
)
)
( )
10. Como você descreveria os seus pais?
a) Quantas vezes a sua mãe lhe
nunca
raras
vezes
às vezes
muitas
vezes
sempre
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
aplica um castigo?
b) Quantas vezes percebe que a
4
c)
d)
e)
f)
sua mãe o/a
apoia?
Quantas vezes percebe que a
sua mãe o/a
compreende?
Quantas vezes o seu pai o/a
castiga?
Quantas vezes percebe que o
seu pai o/a apoia?
Quantas vezes percebe que o
seu pai o/a
compreende?
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
11. Que papel tem a religião na sua família?
a) Feriados santos, como,
por exemplo, Natal, Sexta
–feira Santa, Páscoa (ou
bairam, pessah, etc.) têm
grande importância
religiosa na nossa família.
b) Na minha família, nós
cumprimos os
mandamentos religiosos.
c) Na minha família, a
religião nos ajuda a dar
conta de situações
difíceis, como doenças,
acidentes ou brigas.
d) Os meus pais são unidos
nas questões religiosas.
e) Na minha família,
procuramos apoiar
pessoas necessitadas
(como, por exemplo, por
meio de doações em
dinheiro, atividades
voluntárias, etc).
f) O meu pai permite que,
na religião e na fé, eu
tome as minhas próprias
decisões.
g) A minha mãe permite
que, na religião e na fé, eu
tome as minhas próprias
decisões.
não
confere
em nada
confere
pouquíssimo
confere
medianamente
confere
razoávelmente
confere
completa
mente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
5
12. Em sua vida, uma pessoa ou experiência influenciou em especial a sua opinião sobre
questões religiosas?
( ) não
( ) sim. Informe abaixo quem ou o quê? (p. ex. amiga, amigo, seus pais, seus
avós, com quem você falou sobre religião, um grupo em que você entrou, um livro, filme ou
outra experiência).
___________________________________________________________________
13.
Agora, volte a pensar na época, quando você tinha entre 6 e 12 anos de
idade. Quantas vezes ocorriam, naquela época, os seguintes fatos?
No caso de várias mães: Pense na pessoa mais importante. Da mesma forma, no caso de
vários pais: Pense, de novo, na pessoa mais importante. É importante que você pense, o
tempo todo, na mesma pessoa.
nunca
raras
vezes
às vezes
muitas
vezes
sempre
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
a) Quantas vezes a sua mãe ia
com você a Celebrações
religiosas (culto na igreja,
rituais no tempo, etc.)?
b) Quantas vezes a sua mãe
rezava junto com você?
c) Quantas vezes seu pai ia
com você a celebrações
religiosas (culto na igreja,
rituais no templo, etc...)
d) Quantas vezes o seu pai
rezava junto com você?
A SEGUIR TRATA-SE DAS SUAS IDEIAS RELIGIOSAS BEM PESSOAIS.
14. Pense agora na sua religião. Se você não faz parte de nenhum grupo religioso, pense
em religião em geral. O que você pensa das seguintes afirmações?
A religião...
não
comfere
em
nada
a) ...melhora o
bem estar dos
jovens.
b) ...fortalece a
conscientizaçã
o dos jovens.
c) ...ajuda os
jovens.
d) ...resolve os
problemas dos
jovens.
confere
pouquíssimo
confere
medianamente
confere
razoavelmente
confere
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
6
15. Até que ponto você concorda com as seguintes ideias sobre Deus ou o divino?
Deus ou o divino é como...
não
concordo
nada
tendo a
não
concordar
não
tenho
opinião
formada
a
respeito
tendo a
concordar
concordo
totalmente
nunca
pensei a
respeito
a) ...uma
( )
( )
( )
( )
( )
( )
energia que
flui por
tudo.
b) ...uma
( )
( )
( )
( )
( )
( )
pessoa com
quem se
pode falar.
c) ...um poder
( )
( )
( )
( )
( )
( )
superior.
d) ...apenas
( )
( )
( )
( )
( )
( )
uma ideia de
pessoas, na
realidade
não existe
nada disso.
e) ...algo diferente, ou seja: _________________________________________________
16. Quantas vezes você faz as seguintes coisas?
a) Quannunca
muito
várias
1a3
tas
raramente vezes
vezes
vezes
por
por
você
ano
mês
reza,
faz
( )
( )
( )
( )
orações ou
preces?
b) quantas
vezes
participa de
celebrações
religiosas?
1 vez
por
semana
( )
Mais
que
uma vez
por
semana
( )
1
vez
por
dia
várias
vezes
por
dia
( )
( )
nunca
muito
raramente
várias
vezes por
ano
1a3
vezes
por mês
1 vez
por
semana
mais que uma
vez por
semana
( )
( )
( )
( )
( )
( )
17. Você crê nas seguintes coisas?
a) Astrologia ou
horóscopo
b) Cura por
nada
quase nada
mediano
razoavelmente
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
7
c)
d)
e)
f)
g)
h)
pedras ou
outros objeto
Predição do
( )
( )
( )
( )
(
futuro
Anjos
( )
( )
( )
( )
(
Bons espíritos
( )
( )
( )
( )
(
Satã
( )
( )
( )
( )
(
Maus espíritos
( )
( )
( )
( )
(
Outras coisas, ou seja: _____________________________________________
)
)
)
)
)
18. A seguir, nós gostaríamos de conhecer a sua opinião sobre diversos temas. Com que
intensidade você concorda com as seguintes afirmações?
a) Eu me interesso por
política
b) O homem deveria
ser a cabeça da
família/
o chefe familiar.
c) Está correto usar
violência, quando a
gente
está com a razão.
d) Eu acho bom
quando todos os
cidadãos podem
exercer influência
nos acontecimentos
políticos.
e) No futuro, menos
estrangeiros
deveriam
entrar neste país.
f) Um homem forte,
uma mulher forte
ou um
partido forte deve
governar sozinho o
país.
g) Eu estou disposto(a)
a fazer até grandes
sacrifícios
pela minha religião.
h) Os direitos
humanos deveriam
ser aplicados em
todo o mundo para
todas as pessoas,
não
confere em
nada
confere
pouquíssimo
confere
medianamente
confere
razoavelmente
confere
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
8
independentemente
da cultura/do país.
i) Eu confio nos
políticos.
j) Eu confio nas
mulheres políticas.
k) Eu estaria
disposto(a) a
entregar a minha
vida pela
minha religião.
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
19. Assinale a resposta que mais corresponde ao seu modo de pensar. Escolha uma
única resposta.
Todas as religiões têm o mesmo valor.
( )
Todas as religiões merecem respeito, mas eu ( )
prefiro a minha, porque fui educado assim.
Todas as religiões merecem respeito, mas só ( )
a minha é verdadeira.
Só a minha religião merece respeito, pois só ( )
a minha religião é Verdadeira.
20. O quanto você concorda com as seguintes afirmações?
a) Eu nunca casaria
com alguém quem
tem outra religião.
b) Preferiria que
alguém que tenha
outra religião não
fizesse parte do
meu círculo de
amigos.
c) Os meus pais, com
certeza, não
estariam de
acordo com que
eu quisesse casar
com alguém que
pertença a outra
religião.
não confere
em nada
confere
pouquíssimo
confere
medianamente
confere
razoávelmente
confere
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
9
21. Você mantém contato pessoal com jovens que pertencem aos seguintes grupos
religiosos?
nunca
raramente
às vezes
muitas
vezes
a)
b)
c)
d)
e)
Católicos
( )
( )
( )
( )
Evangélicos
( )
( )
( )
( )
Protestantes
( )
( )
( )
( )
Espíritas
( )
( )
( )
( )
Religiões afro( )
( )
( )
( )
brasileiras
f) Religiões
( )
( )
( )
( )
indígenas
g) Outros, quais:
___________________________________________________________
sempre
(
(
(
(
(
)
)
)
)
)
( )
22. O quanto você se sente...
a) ... com raízes no seu lugar
de moradia?
b) ... ligado ao seu estado?
c) ...brasileiro/brasileira?
d) ... membro do seu país de
origem?
e) ... latino-americano/a?
f) ... cidadão/cidadão do
mundo?
g) ... membro de uma
comunidade religiosa?
nada
pouco
mediano
razoável
muito
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
23. Como é que você explica as causas para as deficiências, doenças mentais, etc.?
a) É castigo de Deus por
um pecado da pessoa ou
algo prejudicial feito
para as outras pessoas.
b) É causada pela influência
de entidades do mal,
Satã ou Demônios.
c) É algo causado por
fatores biológicos.
d) As pessoas afetadas por
doenças e deficiências
são pessoas especiais/
escolhidas por Deus.
e) É uma obsessão de
espíritos menos
desenvolvidos.
não
confere
em nada
confere
pouquíss
imo
confere
medianam
ente
confere
razoavelm
ente
confere
completa
mente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
10
f)
É uma manifestação da
( )
( )
( )
( )
( )
lei de causa e efeito,
ligado às vidas passadas.
g) Outro:___________________________________________________________
24. A que comunidade religiosa pertencem você e os seus pais?
Sem nenhuma
crença religiosa
Católica
Evangélica
Protestante
Espírita
Afro-brasileira
Religião indígena
Eu sou...
Minha mãe é...
Meu pai é...
( )
( )
( )
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
Outra crença religiosa. Informe qual: ______________________________________
Outra filiação religiosa, ou seja: __________________________________________
25. O quanto você se sente ligado à sua igreja ou crença religiosa?
nada
pouquíssimo
medianamente
razoavelmente
muito
( )
( )
( )
( )
( )
26. Ao pensar no futuro, que importância, você acha, tem as seguintes coisas?
nada
importante
pouquíssimo
importante
medianamente
importante
razoavelmente
importante
muito
importante
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
a) Conviver
com um(a)
companheir
o(a) fixo(a)
ou casar
b) Ter filhos
27. Nas questões seguintes trata-se da importância que no dia-a-dia a religião tem na
sua vida. O quanto as seguintes afirmações combinam com você?
nada
a) A religião me
ajuda a não
desesperar nas
situações
difíceis.
b) Se me acontece
algo
desagradável ou
grave, eu me
pouquíssimo
medianamente
razoávelmente
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
11
pergunto se isso
é castigo de
Deus/ de um ser
divino/ de um
poder superior.
c) Se me acontece
algo
desagradável ou
grave, eu confio
que Deus/ um
ser divino/ um
poder superior
vai me ajudar.
d) A minha religião/
a minha
orientação
religiosa
influencia a
minha ação no
dia-a-dia (p.ex.
na comida, na
organização do
tempo livre, nos
relacionamentos
amorosos e na
sexualidade).
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
AGORA SEGUEM PERGUNTAS SOBRE A SUA ESCOLA.
28. Que escola você frequenta?
Escola pública
Escola particular
( )
( )
29. Pense só na escola. O quanto as seguintes afirmações combinam com você?
a) Gosto de ir para a
escola.
b) Eu me sinto solitário/a
na classe.
c) Eu costumo faltar às
aulas.
d) Na escola, no caminho
para a escola, você já
foi, por um tempo mais
longo, atormentado/a,
nunca
raramente
às vezes
muitas
vezes
sempre
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
12
atacado/a, rejeitado/a
ou excluído/a por
alguém?
30. Você já repetiu um ano na escola?
sim
( )
não
( )
mais de uma vez
( )
AGORA SEGUEM MAIS PERGUNTAS SOBRE VOCÊ.
31. Para garotas:
A seguir você encontrará descrições breves de algumas garotas. Assinale o quanto as garotas
descritas são ou não parecidas com você.
não se
parece
nada
comigo
se parece
pouquíssimo
comigo
se parece
medianamente
comigo
se
parece
razoável
-mente
comigo
se
parece
muitíssimo
comigo
a) Pensar em novas ideias e ser
criativa é importante para ela.
Ela gosta de fazer as coisas de
maneira própria e original.
( )
( )
( )
( )
( )
b) Ser rica é importante para ela.
Ela quer ter muito dinheiro e
possuir coisas caras.
c) Ela acredita que é importante
que todas as pessoas do mundo
sejam tratadas igualmente. Ela
acredita que todos deveriam ter
oportunidades iguais na vida.
d) É muito importante para ela
demonstrar suas habilidades.
Ela quer que as pessoas
admirem o que ela faz.
e) É importante para ela viver em
um ambiente seguro. Ela evita
qualquer coisa que possa
colocar sua segurança em
perigo.
f) Ela gosta de surpresas e está
sempre procurando coisas
novas para fazer. Ela acha ser
importante fazer muitas coisas
diferentes na vida.
g) Ela acredita que as pessoas
deveriam fazer o que lhes é
ordenado. Ela acredita que as
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
13
h)
i)
j)
k)
l)
m)
n)
o)
p)
q)
r)
s)
pessoas deveriam sempre
seguir as regras, mesmo
quando ninguém está
observando.
É importante para ela ouvir as
pessoas que são diferentes
dela. Mesmo quando não
concorda com elas, ainda quer
entendê-las.
É importante para ela ser
humilde e modesta.
Ela tenta não chamar atenção
para si.
Aproveitar os prazeres da vida é
importante para ela. Ela gosta
de se mimar.
É importante para ela tomar
suas próprias decisões sobre o
que faz. Ela gosta de ser livre e
não depender dos outros.
É muito importante para ela
ajudar as pessoas ao seu redor.
Ela quer cuidar do bem-estar
delas.
Ser muito bem-sucedida é
importante para ela. Ela espera
que as pessoas reconheçam
suas realizações.
É importante para ela que o
governo garanta sua segurança
contra todas as ameaças. Ela
deseja que o Estado seja forte
para poder defender seus
cidadãos.
Ela procura por aventuras e
gosta de correr riscos. Ela quer
ter uma vida excitante.
É importante para ela sempre
se comportar de modo
adequado. Ela quer evitar fazer
qualquer coisa que as pessoas
possam dizer que é errado.
É importante para ela ter o
respeito dos outros. Ela deseja
que as pessoas façam o que ela
diz.
É importante para ela ser leal a
seus amigos. Ela quer se dedicar
às pessoas próximas a ela.
Ela acredita firmemente que as
pessoas deveriam preservar a
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
14
natureza. Cuidar do meio
ambiente é importante para
ela.
t) Tradição é importante para ela.
Ela procura seguir os costumes
transmitidos por sua religião ou
pela sua família.
u) Ela procura todas as
oportunidades para se divertir.
É importante para ela fazer
coisas que lhe tragam prazer.
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
32. Assinale nas perguntas seguintes quais as afirmações combinam com você.
não confere em
nada
confere em parte
confere
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
a) Eu tento ser legal com as outras
pessoas. Eu me preocupo com os
sentimentos dos outros.
b) Não consigo parar sentado/a
quando tenho que fazer a lição
ou comer, me mexo muito,
esbarrando em coisas,
derrubando coisas.
c) Muitas vezes tenho dor de
cabeça, dor de barriga ou enjôo.
d) Tenho boa vontade para dividir,
emprestar minhas coisas
(comida, jogos, canetas).
e) Eu fico muito bravo/a e
geralmente perco a paciência.
f) Eu estou quase sempre
sozinho/a. Eu geralmente
jogo sozinho/a ou fico na minha.
g) Geralmente sou obediente e
normalmente faço o que os
adultos me pedem.
h) Tenho muitas preocupações,
muitas vezes pareço
preocupado/a com tudo.
i) Tento ajudar se alguém parece
magoado, aflito ou
sentindo-se mal.
j) Estou sempre agitado/a,
balançando as pernas
ou mexendo as mãos.
k) Eu tenho pelo menos um bom
amigo ou amiga.
l) Eu brigo muito. Eu consigo fazer
com que as
pessoas façam o que eu quero.
15
m) Frequentemente estou
chateado/a, desanimado/a
ou choroso/a.
n) Em geral, os outros jovens
gostam de mim.
o) Facilmente perco a
concentração.
p) Fico nervoso/a quando tenho
que fazer alguma coisa
diferente, facilmente perco a
confiança em mim mesmo/a.
q) Sou legal com crianças mais
novas.
r) Geralmente eu sou acusado/a de
mentir ou trapacear.
s) Os outros jovens me perturbam,
‘pegam no meu pé’.
t) Frequentemente me ofereço
para ajudar outras
pessoas (pais, professores,
crianças).
u) Eu penso antes de fazer as
coisas.
v) Eu pego coisas que não são
minhas, de casa, da
escola ou de outros lugares.
w) Eu me dou melhor com adultos
do que com
pessoas da minha idade.
x) Eu sinto muito medo, eu me
assusto facilmente.
y) Independentemente de quão
mal eu vá, nunca
cogitaria em suicidar-me.
z) Eu
consigo
terminar
as
atividades que começo. Eu
consigo prestar atenção.
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
33. Quanto você concorda com as seguintes afirmações?
a) Eu compreendo como
“funciona” o meu ambiente
(p.ex. escola, família, círculo
de amigo) e consigo mais ou
menos, prever o que vai
acontecer a seguir.
b) Eu sei lidar bem com
mudanças na minha vida,
não confere
em nada
confere
pouquíssi
mo
confere
mediana
mente
confere
razoavel
mente
confere
completa
mente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
16
c)
d)
e)
f)
g)
h)
i)
j)
k)
l)
m)
n)
resolvendo, via de regra, os
problemas, ou sozinho ou
com ajuda de outros.
Eu me empenho por atingir
os meus objetivos, pois
estou convicto/a de que o
meu empenho vale a pena.
Na minha família posso ser
bem como sou, mostrando
os meus sentimentos.
Na escola posso ser bem
como sou, mostrando os
meus sentimentos.
No meu círculo de amigos
posso ser bem como sou,
mostrando os meus
sentimentos.
Na maioria das situações, eu
me comporto conforme,
na opinião dos meus pais, eu
deveria comportar-me.
Na maioria das situações, eu
me comporto conforme, na
opinião da escola/pessoal do
ensino, eu deveria
comportar-me.
Na maioria das situações, eu
me comporto conforme, na
opinião do meu círculo de
amigos, eu deveria
comportar-me.
Eu sou com eu mesmo
gostaria que eu fosse.
Eu acho que as expectativas e
regras de como eu devo
comportar-me nos diversos
contextos (p.ex. na escola, na
minha família, no meu círculo
de amigos),
são muito diferentes.
Eu acho difícil mudar de um
ambiente para outro,
fazendo tudo combinar.
As pessoas, com as quais eu
seguidamente convivo (p.ex.
os meus pais, os meus
professores/as, os meus
amigos), têm distintas ideias
doe que eu deveria fazer da
minha vida.
As ideias distintas tornam
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
17
difíceis a minha escolha do
que eu gostaria de fazer da
minha vida.
o) Eu penso que eu vou
conseguir organizar a minha
vida futura do modo como eu
gostaria.
( )
( )
( )
( )
( )
34. Como é isso com você?
a) ...você reflete sobre
temas religiosos?
b) ...você tem experiências
em que tem a sensação
de que Deus ou algo
divino lhe quer dizer ou
mostrar algo?
c) ...você tem experiências
em que tem a sensação
de que Deus ou algo
divino intervém na sua
vida?
d) ...você tem a sensação
de que está unido/a
com tudo?
e) ...você reflete sobre
sofrimento ou injustiças
do mundo?
nunca
Raramen
-te
às vezes
muitas vezes
sempre
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
35. Agora seguem algumas perguntas sobre a importância de diversos aspectos/lados
da religiosidade. Assinale de novo em cada linha a resposta que melhor combina
com você.
a) Questões sobre religião e coisas
semelhantes lhe interessam?
b) Que importância tem para você a
oração pessoal?
c) Com que intensidade você crê que
existe Deus ou algo divino?
d) Que importância tem para você
participar de cerimônias religiosas
(culto na igreja, oração na
comunidade, rituais no templo
etc...)?
e) Com que intensidade você crê que
18
nada
pouco
médio
razoávelmente
muitíssimo
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
existe uma vida após a morte (p.ex.
imortalidade da alma, ressurreição
dos mortos ou reencarnação)?
f) Que importância tem para você a
questão do sentido da vida?
g) Com que intensidade você vive o seu
dia-a-dia conforme os mandamentos
religiosos?
h) Com que intensidade você recorre à
sua religião?
i) Com que intensidade você acredita
ser possível que nos próximos anos
as suas convicções religiosas
mudem?
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
36. Seguem agora questões sobre o tema do ensino religioso.
a) Você frequenta, na escola, o
ensino religioso ou ético,
que é ministrado por um(a)
professor(a) da escola?
não
sim
( )
( )
b) Em caso positivo: o que você acha dessas aulas? Dê uma nota de 1 a 6, sendo que
o 1 corresponde a “nada satisfatória” e o 6 corresponde a “completamente
satisfatória”:___________________________________________________
não
sim
c) Você frequenta, na escola ou
( )
( )
fora dela, aulas de religião,
que são oferecidas pela sua
igreja, centro ou
comunidade religiosa?
d) Em caso positivo: o que você acha dessas aulas? Dê uma nota de 1 a 6, sendo que
o 1 corresponde a “nada satisfatória” e o 6 corresponde a “completamente
satisfatória”:_______________________________________________________
nunca
raramente
algumas vezes
sempre
( )
( )
( )
( )
e) Na sua escola,
existe a
possibilidade de
saber algo sobre
outras religiões,
aprender a
conhecê-las?
f)
Que
importância
nada
importante
pouco
importante
medianamente
importante
razoavelmente
importante
muito
importante
( )
( )
( )
( )
( )
19
você acha
que tem o
fato de todas
as crianças
ou jovens na
escola, se
informarem
melhor sobre
diferentes
religiões?
Muito obrigado pela colaboração!
20
Diferença que há na versão masculina (em comparação com a feminina)
do Questionário sobre religiosidade e valores na adolescência, aplicado
na coleta de dados
QUESTIONÁRIO
Nas próximas páginas você encontrará várias perguntas ou afirmações.
Das possibilidades de resposta apresentadas, você deverá escolher aquela
que melhor se aplicar a você. Você não precisa ficar pensando muito. Não
existem respostas certas ou erradas; interessa-nos simplesmente a sua
opinião.
EXEMPLO
nada
Quanto você gosta de sorvete de chocolate? ( )
muito
( )
( )
( )
( )
E aqui vão mais algumas dicas:
Se você fizer uma correção, faça um círculo ao redor da resposta
que é para ser considerada.
Não faça cruzes entre um e outro círculo, pois de nada vão nos
servir.
Em algumas partes, você também terá oportunidades de escrever
uma resposta com as suas próprias palavras.
Por favor, tente responder a maior quantidade de questões
possíveis.
Tudo certo então? Nesse caso, mãos à obra! Divirta-se!
GAROTOS
31 - Para garotos:
A seguir você encontrará descrições breves de alguns garotos. Assinale o quanto os garotos
descritos são ou não parecidos com você.
não se
desvela
nada
comigo
se desvela
pouquíssimo
comigo
se desvela
medianamente
comigo
se
desvela
razoável
-mente
comigo
se
desvela
muitíssimo
comigo
a) Pensar em novas ideias e ser
criativo é importante para ele.
Ele gosta de fazer as coisas de
maneira própria e original.
b) Ser rico é importante para ele.
Ele quer ter muito dinheiro e
possuir coisas caras.
c) Ele acredita que é importante
que todas as pessoas do mundo
sejam tratadas igualmente. Ele
acredita que todos deveriam ter
oportunidades iguais na vida.
d) É muito importante para ele
demonstrar suas habilidades.
Ele quer que as pessoas
admirem o que ele faz.
e) É importante para ele viver em
um ambiente seguro. Ele evita
qualquer coisa que possa
colocar sua segurança em
perigo.
f) Ele gosta de surpresas e está
sempre procurando coisas
novas para fazer. Ele acha ser
importante fazer muitas coisas
diferentes na vida.
g) Ele acredita que as pessoas
deveriam fazer o que lhes é
ordenado. Ele acredita que as
pessoas deveriam sempre
seguir as regras, mesmo
quando ninguém está
observando.
h) É importante para ele ouvir as
pessoas que são diferentes
dele. Mesmo quando não
concorda com elas, ainda quer
entendê-las.
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
i)
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
j)
É importante para ele ser
humilde e modesto. Ele tenta
não chamar atenção para si.
Aproveitar os prazeres da vida é
k)
l)
m)
n)
o)
p)
q)
r)
s)
t)
u)
importante para ele. Ele gosta
de se mimar.
É importante para ele tomar
suas próprias decisões sobre o
que faz. Ele gosta de ser livre e
não depender dos outros.
É muito importante para ele
ajudar as pessoas ao seu redor.
Ele quer cuidar do bem-estar
delas.
Ser muito bem-sucedido é
importante para ele. Ele espera
que as pessoas reconheçam
suas realizações.
É importante para ele que o
governo garanta sua segurança
contra todas as ameaças. Ele
deseja que o Estado seja forte
para poder defender seus
cidadãos.
Ele procura por aventuras e
gosta de correr riscos. Ele quer
ter uma vida excitante.
É importante para ele sempre
se comportar de modo
adequado. Ele quer evitar fazer
qualquer coisa que as pessoas
possam dizer que é errado.
É importante para ele ter o
respeito dos outros. Ele deseja
que as pessoas façam o que ele
diz.
É importante para ele ser leal a
seus amigos. Ele quer se dedicar
às pessoas próximas a ele.
Ele acredita firmemente que as
pessoas deveriam preservar a
natureza. Cuidar do meio
ambiente é importante para
ele.
Tradição é importante para ele.
Ele procura seguir os costumes
transmitidos por sua religião ou
pela sua família.
Ele procura todas as
oportunidades para se divertir.
É importante para ele fazer
coisas que lhe tragam prazer.
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
Anexo 2
Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência –
versão feminina revisada
QUESTIONÁRIO
Nas próximas páginas você encontrará várias perguntas ou afirmações.
Das possibilidades de resposta apresentadas você deverá escolher aquela
que melhor se aplicar a você. Você não precisa ficar pensando muito. Não
existem respostas certas ou erradas; interessa-nos simplesmente a sua
opinião.
EXEMPLO
nada
Quanto você gosta de sorvete de chocolate? ( )
muito
( )
( )
( )
( )
E aqui vão mais algumas dicas:
Se você fizer uma correção, faça um círculo ao redor da resposta
que é para ser considerada.
Não faça cruzes entre um e outro círculo, pois de nada vão nos
servir.
Em algumas partes, você também terá oportunidades de escrever
uma resposta com as suas próprias palavras.
Por favor, tente responder a maior quantidade de questões
possíveis.
Tudo certo então? Nesse caso, mãos à obra! Divirta-se!
GAROTAS
1
1. Primeiro, temos algumas perguntas sobre idade, sexo, origem etc.
a) Onde você mora? Indique CEP do município em que mora:
__________________________________________________________________
b) Você é menina ou
menino?
Masculino
( )
Feminino
( )
c)
d)
e)
f)
g)
Quando você nasceu? Ano:________________ Mês: ________________________
Em qual cidade você nasceu?________________________
Em qual cidade nasceu sua mãe? _____________________________
Em qual cidade nasceu seu pai? ______________________________
Qual é a profissão que seu pai exerce? (p. ex. montador elétrico, informático, neste
momento desempregado) _____________________________________________
h) Qual é a profissão que a sua mãe exerce? (p.ex. professora, médica, do lar, neste
momento desempregada) ________________________
2. Como você mora?
Em uma família (mesmo que seja de cuidado ou adotiva)
Em um abrigo
Outros
Continue na próxima folha.
2
( )
( )
( ) Especifique: _________
_______________________
3. Como vive sua família?
pouquíssimos
poucos
médio
razoável
muitos
( )
( )
( )
( )
( )
a) Quantos livros
seus pais têm em
casa?
b) Como moram seus pais?
mãe
pai
Residência (casa, apartamento,...) própria
( )
( )
Residência (casa, apartamento,...) alugada
( )
( )
Residência (casa, apartamento,...) cedida (emprestada)
( )
( )
Outro:
( )
( )
c) E como a sua família, em geral, se
ajeita com o dinheiro que tem?
4. Qual é o grau de instrução dos seus pais?
muito
mal
mal
médio
razoável
muito
bem
( )
( )
( )
( )
( )
pai
Analfabeto
Sabe ler, mas não foi à escola
Fundamental incompleto (1º grau)
Fundamental completo (1º grau)
Médio incompleto (2º grau)
Médio completo (2º grau)
Superior incompleto (universitário)
Superior completo (universitário)
“Seguem mais perguntas sobre a sua família.
se você estiver morando em diversos lares,
comente e forneça dados sobre o lar
em que você fica mais tempo
durante a semana”.
3
Mãe
5. Que pessoas adultas convivem com você?
Mãe
( )
Madrasta/companheira do pai
( )
Mãe adotiva
( )
Cuidadora
( )
Pai
( )
Padrasto/companheiro de mãe
( )
Pai adotivo
( )
Cuidador
( )
Outras pessoas adultas
( ) Informe com
quem:_________________________________
6. Você tem quantos irmãos/ãs, meio-irmãos/ãs, irmãos/ãs de criação, adotivos/as ou
de cuidados, com os/as quais você agora mora na maior parte do tempo da
semana?
( ) Nenhum
Quantidade de irmãos: ______
Quantidade de irmãs:_______
7. Em sua vida você teve uma experiência que foi especialmente ruim ou grave para
você ou para a sua família, como, p. ex., doença grave na família, separação/divórcio
dos pais, desemprego de um dos pais, perda de um ente querido etc.?
( ) não
( ) sim
Descreva brevemente do que se trata:
_____________________________________________________
O quanto isso
afeta você?
em nada
pouco
médio
razoável
muito
( )
( )
( )
( )
( )
Nas perguntas 8 e 9, trata-se dos relacionamentos entre os membros da sua família.
No caso de várias mães: Pense na pessoa mais importante. Da mesma forma, no caso de
vários pais: Pense na pessoa mais importante. É importante que você pense, do começo
ao fim, sempre na mesma pessoa.
Na próxima pergunta, a 8, mencionam-se, em cada linha, duas pessoas da sua família.
Gostaríamos que você informasse até que ponto as duas se sentem bem, quando estão
próximas uma da outra.
8.
Até que ponto as duas pessoas se sentem bem, quando estão próximas entre si?
a) Eu – mãe
b) Eu – pai
c) Mãe – pai
nada bem
raramente
bem
medianamente
bem
razoavelmente
bem
muito bem
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
SE VOCÊ NÃO TIVER IRMÃOS/ÃS, PASSE PARA A PERGUNTA 9
4
8.1 Até que ponto as duas pessoas se sentem bem, quando estão próximas entre si?
a) Eu – irmãos e
irmãs
b) Mãe – irmãos e
irmãs
c) Pai – irmãos e
irmãs
nada
bem
raramente
bem
medianamente
bem
razoavelmente
bem
muito
bem
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
9. Desta vez, trata-se do quanto as pessoas na sua família podem decidir (que importa
o que elas dizem, qual é a influência que têm nas decisões da família etc.). Informe,
para cada pessoa, que peso tem sua palavra.
não
decide
nada
a) Eu
b) Mãe
c) Pai
d) Meu irmão(ã)
mais velho(a)
e) Meu irmão(ã)
mais novo(a)
(
(
(
(
)
)
)
)
( )
raramente
decide alguma
coisa
(
(
(
(
algumas vezes
sim outras
vezes não
)
)
)
)
(
(
(
(
( )
na maioria das
vezes decide
)
)
)
)
(
(
(
(
( )
pode decidir
qualquer coisa
)
)
)
)
(
(
(
(
( )
)
)
)
)
( )
10. Como você descreveria os seus pais?
a) Quantas vezes a sua mãe lhe
nunca
raras
vezes
às vezes
muitas
vezes
sempre
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
aplica um castigo?
b) Quantas vezes percebe que a
c)
d)
e)
f)
sua mãe o/a
apoia?
Quantas vezes percebe que a
sua mãe o/a
compreende?
Quantas vezes o seu pai o/a
castiga?
Quantas vezes percebe que o
seu pai o/a apoia?
Quantas vezes percebe que o
seu pai o/a
compreende?
5
11. Que papel tem a religião na sua família?
a) Feriados santos, como,
por exemplo, Natal, Sexta
–feira Santa, Páscoa (ou
bairam, pessah, etc.) têm
grande importância
religiosa na nossa família.
b) Na minha família, nós
cumprimos os
mandamentos religiosos.
c) Na minha família, a
religião nos ajuda a dar
conta de situações
difíceis, como doenças,
acidentes ou brigas.
d) Os meus pais são unidos
nas questões religiosas.
e) Na minha família,
procuramos apoiar
pessoas necessitadas
(como, por exemplo, por
meio de doações em
dinheiro, atividades
voluntárias, etc).
f) O meu pai permite que,
na religião e na fé, eu
tome as minhas próprias
decisões.
g) A minha mãe permite
que, na religião e na fé, eu
tome as minhas próprias
decisões.
não
confere
em nada
confere
pouquíssimo
confere
medianamente
confere
razoávelmente
confere
completa
mente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
12. Em sua vida, uma pessoa ou experiência influenciou em especial a sua opinião sobre
questões religiosas?
( ) não
( ) sim. Informe abaixo quem ou o quê? (p. ex. amiga, amigo, seus pais, seus
avós, com quem você falou sobre religião, um grupo em que você entrou, um livro, filme ou
outra experiência).
___________________________________________________________________
6
13.
Agora, volte a pensar na época, quando você tinha entre 6 e 12 anos de
idade. Quantas vezes ocorriam, naquela época, os seguintes fatos?
No caso de várias mães: Pense na pessoa mais importante. Da mesma forma, no caso de
vários pais: Pense, de novo, na pessoa mais importante. É importante que você pense, o
tempo todo, na mesma pessoa.
a) Quantas vezes a sua mãe ia
com você a Celebrações
religiosas (culto na igreja,
rituais no tempo, etc.)?
b) Quantas vezes a sua mãe
rezava junto com você?
c) Quantas vezes seu pai ia
com você a celebrações
religiosas (culto na igreja,
rituais no templo, etc...)
d) Quantas vezes o seu pai
rezava junto com você?
nunca
raras
vezes
às vezes
muitas
vezes
sempre
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
A SEGUIR TRATA-SE DAS SUAS IDEIAS RELIGIOSAS BEM PESSOAIS.
14. Pense agora na sua religião. Se você não faz parte de nenhum grupo religioso, pense
em religião em geral. O que você pensa das seguintes afirmações?
A religião...
a) ...melhora o
bem estar
dos jovens.
b) ...fortalece a
conscientiza
ção dos
jovens.
c) ...ajuda os
jovens.
d) ...resolve os
problemas
dos jovens.
não
confere em
nada
confere
pouquíssimo
confere
medianamente
confere
razoavelmente
confere
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
7
15. Até que ponto você concorda com as seguintes ideias sobre Deus ou o divino?
Deus ou o divino é como...
não
concordo
nada
tendo a
não
concordar
não
tenho
opinião
formada
a
respeito
tendo a
concordar
concordo
totalmente
nunca
pensei a
respeito
a) ...uma
( )
( )
( )
( )
( )
( )
energia que
flui por
tudo.
b) ...uma
( )
( )
( )
( )
( )
( )
pessoa com
quem se
pode falar.
c) ...um poder
( )
( )
( )
( )
( )
( )
superior.
d) ...apenas
( )
( )
( )
( )
( )
( )
uma ideia de
pessoas, na
realidade
não existe
nada disso.
e) ...algo diferente, ou seja: _________________________________________________
16. Quantas vezes você faz as seguintes coisas?
a) Quannunca
muito
várias
1a3
tas
raramente vezes
vezes
vezes
por
por
você
ano
mês
reza,
faz
( )
( )
( )
( )
orações ou
preces?
b) quantas
vezes
participa de
celebrações
religiosas?
1 vez
por
semana
( )
Mais
que
uma vez
por
semana
( )
1
vez
por
dia
várias
vezes
por
dia
( )
( )
nunca
muito
raramente
várias
vezes por
ano
1a3
vezes
por mês
1 vez
por
semana
mais que uma
vez por
semana
( )
( )
( )
( )
( )
( )
8
17. Você crê nas seguintes coisas?
nada
quase nada
mediano
razoavelmente
completamente
a) Astrologia ou
( )
( )
( )
( )
(
horóscopo
b) Cura por
( )
( )
( )
( )
(
pedras ou
outros objeto
c) Predição do
( )
( )
( )
( )
(
futuro
d) Anjos
( )
( )
( )
( )
(
e) Bons espíritos
( )
( )
( )
( )
(
f) Satã
( )
( )
( )
( )
(
g) Maus espíritos
( )
( )
( )
( )
(
h) Outras coisas, ou seja: _____________________________________________
)
)
)
)
)
)
)
18. A seguir, nós gostaríamos de conhecer a sua opinião sobre diversos temas. Com que
intensidade você concorda com as seguintes afirmações?
a) Eu me interesso por
política
b) O homem deveria
ser a cabeça da
família/
o chefe familiar.
c) Está correto usar
violência, quando a
gente
está com a razão.
d) Eu acho bom
quando todos os
cidadãos podem
exercer influência
nos acontecimentos
políticos.
e) No futuro, menos
estrangeiros
deveriam
entrar neste país.
f) Um homem forte,
uma mulher forte
ou um
partido forte deve
governar sozinho o
país.
não
confere em
nada
confere
pouquíssimo
confere
medianamente
confere
razoavelmente
confere
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
9
g) Eu estou disposto(a)
a fazer até grandes
sacrifícios
pela minha religião.
h) Os direitos
humanos deveriam
ser aplicados em
todo o mundo para
todas as pessoas,
independentemente
da cultura/do país.
i) Eu confio nos
políticos.
j) Eu confio nas
mulheres políticas.
k) Eu estaria
disposto(a) a
entregar a minha
vida pela
minha religião.
não
confere em
nada
confere
pouquíssimo
confere
medianamente
confere
razoavelmente
confere
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
19. Assinale a resposta que mais corresponde ao seu modo de pensar. Escolha uma
única resposta.
Todas as religiões têm o mesmo valor.
( )
Todas as religiões merecem respeito, mas eu ( )
prefiro a minha, porque fui educado assim.
Todas as religiões merecem respeito, mas só ( )
a minha é verdadeira.
Só a minha religião merece respeito, pois só ( )
a minha religião é Verdadeira.
20. O quanto você concorda com as seguintes afirmações?
a) Eu nunca casaria
com alguém quem
tem outra religião.
b) Preferiria que
alguém que tenha
outra religião não
fizesse parte do
meu círculo de
amigos.
não confere
em nada
confere
pouquíssimo
confere
medianamente
confere
razoávelmente
confere
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
10
c) Os meus pais, com
certeza, não
estariam de
acordo com que
eu quisesse casar
com alguém que
pertença a outra
religião.
não confere
em nada
confere
pouquíssimo
confere
medianamente
confere
razoávelmente
confere
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
21. Você mantém contato pessoal com jovens que pertencem aos seguintes grupos
religiosos?
nunca
raramente
às vezes
muitas
vezes
a)
b)
c)
d)
e)
Católicos
( )
( )
( )
( )
Evangélicos
( )
( )
( )
( )
Protestantes
( )
( )
( )
( )
Espíritas
( )
( )
( )
( )
Religiões afro( )
( )
( )
( )
brasileiras
f) Religiões
( )
( )
( )
( )
indígenas
g) Outros, quais:
___________________________________________________________
sempre
(
(
(
(
(
)
)
)
)
)
( )
22. O quanto você se sente...
a) ... com raízes no seu lugar
de moradia?
b) ... ligado ao seu estado?
c) ...brasileiro/brasileira?
d) ... membro do seu país de
origem?
e) ... latino-americano/a?
f) ... cidadão/cidadão do
mundo?
g) ... membro de uma
comunidade religiosa?
nada
pouco
mediano
razoável
muito
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
11
23. Como é que você explica as causas para as deficiências, doenças mentais, etc.?
não
confere
em nada
confere
pouquíss
imo
confere
medianam
ente
confere
razoavelm
ente
confere
completa
mente
a) É castigo de Deus por
( )
( )
( )
( )
um pecado da pessoa ou
algo prejudicial feito
para as outras pessoas.
b) É causada pela influência
( )
( )
( )
( )
de entidades do mal,
Satã ou Demônios.
c) É algo causado por
( )
( )
( )
( )
fatores biológicos.
d) As pessoas afetadas por
( )
( )
( )
( )
doenças e deficiências
são pessoas especiais/
escolhidas por Deus.
e) É uma obsessão de
( )
( )
( )
( )
espíritos menos
desenvolvidos.
f) É uma manifestação da
( )
( )
( )
( )
lei de causa e efeito,
ligado às vidas passadas.
g) Outro:___________________________________________________________
( )
( )
( )
( )
( )
( )
24. A que comunidade religiosa pertencem você e os seus pais?
Sem nenhuma
crença religiosa
Católica
Evangélica
Protestante
Espírita
Afro-brasileira
Religião indígena
Eu sou...
Minha mãe é...
Meu pai é...
( )
( )
( )
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
Outra crença religiosa. Informe qual: ______________________________________
Outra filiação religiosa, ou seja: __________________________________________
25. O quanto você se sente ligado à sua igreja ou crença religiosa?
nada
pouquíssimo
medianamente
razoavelmente
muito
( )
( )
( )
( )
( )
12
26. Ao pensar no futuro, que importância, você acha, tem as seguintes coisas?
a) Conviver
com um(a)
companheir
o(a) fixo(a)
ou casar
b) Ter filhos
nada
importante
pouquíssimo
importante
medianamente
importante
razoavelmente
importante
muito
importante
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
27. Nas questões seguintes trata-se da importância que no dia-a-dia a religião tem na
sua vida. O quanto as seguintes afirmações combinam com você?
nada
a) A religião me
ajuda a não
desesperar nas
situações
difíceis.
b) Se me acontece
algo
desagradável ou
grave, eu me
pergunto se isso
é castigo de
Deus/ de um ser
divino/ de um
poder superior.
c) Se me acontece
algo
desagradável ou
grave, eu confio
que Deus/ um
ser divino/ um
poder superior
vai me ajudar.
d) A minha religião/
a minha
orientação
religiosa
influencia a
minha ação no
dia-a-dia (p.ex.
na comida, na
organização do
tempo livre, nos
relacionamentos
amorosos e na
sexualidade).
pouquíssimo
medianamente
razoávelmente
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
13
AGORA SEGUEM PERGUNTAS SOBRE A SUA ESCOLA.
28. Que escola você frequenta?
Escola pública
Escola particular
( )
( )
29. Pense só na escola. O quanto as seguintes afirmações combinam com você?
a) Gosto de ir para a
escola.
b) Eu me sinto solitário/a
na classe.
c) Eu costumo faltar às
aulas.
d) Na escola, no caminho
para a escola, você já
foi, por um tempo mais
longo, atormentado/a,
atacado/a, rejeitado/a
ou excluído/a por
alguém?
nunca
raramente
às vezes
muitas
vezes
sempre
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
30. Você já repetiu um ano na escola?
sim
( )
não
( )
AGORA SEGUEM MAIS PERGUNTAS SOBRE VOCÊ.
14
mais de uma vez
( )
31. Para garotas:
A seguir você encontrará descrições breves de algumas garotas. Assinale o quanto as garotas
descritas são ou não parecidas com você.
a) Pensar em novas ideias e ser
criativa é importante para ela.
Ela gosta de fazer as coisas de
maneira própria e original.
b) Ser rica é importante para ela.
Ela quer ter muito dinheiro e
possuir coisas caras.
c) Ela acredita que é importante
que todas as pessoas do mundo
sejam tratadas igualmente. Ela
acredita que todos deveriam ter
oportunidades iguais na vida.
d) É muito importante para ela
demonstrar suas habilidades.
Ela quer que as pessoas
admirem o que ela faz.
e) É importante para ela viver em
um ambiente seguro. Ela evita
qualquer coisa que possa
colocar sua segurança em
perigo.
f) Ela gosta de surpresas e está
sempre procurando coisas
novas para fazer. Ela acha ser
importante fazer muitas coisas
diferentes na vida.
g) Ela acredita que as pessoas
deveriam fazer o que lhes é
ordenado. Ela acredita que as
pessoas deveriam sempre
seguir as regras, mesmo
quando ninguém está
observando.
h) É importante para ela ouvir as
pessoas que são diferentes
dela. Mesmo quando não
concorda com elas, ainda quer
entendê-las.
i) É importante para ela ser
humilde e modesta.
Ela tenta não chamar atenção
para si.
não se
parece
nada
comigo
se parece
pouquíssimo
comigo
se parece
medianamente
comigo
se
parece
razoável
-mente
comigo
se
parece
muitíssimo
comigo
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
15
j)
k)
l)
m)
n)
o)
p)
q)
r)
s)
t)
Aproveitar os prazeres da vida é
importante para ela. Ela gosta
de se mimar.
É importante para ela tomar
suas próprias decisões sobre o
que faz. Ela gosta de ser livre e
não depender dos outros.
É muito importante para ela
ajudar as pessoas ao seu redor.
Ela quer cuidar do bem-estar
delas.
Ser muito bem-sucedida é
importante para ela. Ela espera
que as pessoas reconheçam
suas realizações.
É importante para ela que o
governo garanta sua segurança
contra todas as ameaças. Ela
deseja que o Estado seja forte
para poder defender seus
cidadãos.
Ela procura por aventuras e
gosta de correr riscos. Ela quer
ter uma vida excitante.
É importante para ela sempre
se comportar de modo
adequado. Ela quer evitar fazer
qualquer coisa que as pessoas
possam dizer que é errado.
É importante para ela ter o
respeito dos outros. Ela deseja
que as pessoas façam o que ela
diz.
É importante para ela ser leal a
seus amigos. Ela quer se dedicar
às pessoas próximas a ela.
Ela acredita firmemente que as
pessoas deveriam preservar a
natureza. Cuidar do meio
ambiente é importante para
ela.
Tradição é importante para ela.
Ela procura seguir os costumes
transmitidos por sua religião ou
pela sua família.
não se
parece
nada
comigo
se parece
pouquíssimo
comigo
se parece
medianamente
comigo
se
parece
razoável
-mente
comigo
se
parece
muitíssimo
comigo
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
16
u) Ela procura todas as
oportunidades para se divertir.
É importante para ela fazer
coisas que lhe tragam prazer.
não se
parece
nada
comigo
se parece
pouquíssimo
comigo
se parece
medianamente
comigo
se
parece
razoável
-mente
comigo
se
parece
muitíssimo
comigo
( )
( )
( )
( )
( )
32. Assinale nas perguntas seguintes quais as afirmações combinam com você.
não confere em
nada
confere em parte
confere
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
a) Eu tento ser legal com as outras
pessoas. Eu me preocupo com os
sentimentos dos outros.
b) Não consigo parar sentado/a
quando tenho que fazer a lição
ou comer, me mexo muito,
esbarrando em coisas,
derrubando coisas.
c) Muitas vezes tenho dor de
cabeça, dor de barriga ou enjôo.
d) Tenho boa vontade para dividir,
emprestar minhas coisas
(comida, jogos, canetas).
e) Eu fico muito bravo/a e
geralmente perco a paciência.
f) Eu estou quase sempre
sozinho/a. Eu geralmente
jogo sozinho/a ou fico na minha.
g) Geralmente sou obediente e
normalmente faço o que os
adultos me pedem.
h) Tenho muitas preocupações,
muitas vezes pareço
preocupado/a com tudo.
i) Tento ajudar se alguém parece
magoado, aflito ou
sentindo-se mal.
j) Estou sempre agitado/a,
balançando as pernas
ou mexendo as mãos.
k) Eu tenho pelo menos um bom
amigo ou amiga.
l) Eu brigo muito. Eu consigo fazer
com que as
pessoas façam o que eu quero.
m) Frequentemente estou
chateado/a, desanimado/a
ou choroso/a.
17
não confere em
nada
confere em parte
confere
completamente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
n) Em geral, os outros jovens
gostam de mim.
o) Facilmente perco a
concentração.
p) Fico nervoso/a quando tenho
que fazer alguma coisa
diferente, facilmente perco a
confiança em mim mesmo/a.
q) Sou legal com crianças mais
novas.
r) Geralmente eu sou acusado/a de
mentir ou trapacear.
s) Os outros jovens me perturbam,
‘pegam no meu pé’.
t) Frequentemente me ofereço
para ajudar outras
pessoas (pais, professores,
crianças).
u) Eu penso antes de fazer as
coisas.
v) Eu pego coisas que não são
minhas, de casa, da
escola ou de outros lugares.
w) Eu me dou melhor com adultos
do que com
pessoas da minha idade.
x) Eu sinto muito medo, eu me
assusto facilmente.
y) Caso eu estivesse muito mal,
cogitaria em suicidar-me.
z) Eu
consigo
terminar
as
atividades que começo. Eu
consigo prestar atenção.
33. Quanto você concorda com as seguintes afirmações?
a) Eu compreendo como
“funciona” o meu ambiente
(p.ex. escola, família, círculo
de amigo) e consigo mais ou
menos, prever o que vai
acontecer a seguir.
b) Eu sei lidar bem com
mudanças na minha vida,
resolvendo, via de regra, os
problemas, ou sozinho ou
com ajuda de outros.
não confere
em nada
confere
pouquíssi
mo
confere
mediana
mente
confere
razoavel
mente
confere
completa
mente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
18
c) Eu me empenho por atingir
os meus objetivos, pois
estou convicto/a de que o
meu empenho vale a pena.
d) Na minha família posso ser
bem como sou, mostrando
os meus sentimentos.
e) Na escola posso ser bem
como sou, mostrando os
meus sentimentos.
f) No meu círculo de amigos
posso ser bem como sou,
mostrando os meus
sentimentos.
g) Na maioria das situações, eu
me comporto conforme,
na opinião dos meus pais, eu
deveria comportar-me.
h) Na maioria das situações, eu
me comporto conforme, na
opinião da escola/pessoal do
ensino, eu deveria
comportar-me.
i) Na maioria das situações, eu
me comporto conforme, na
opinião do meu círculo de
amigos, eu deveria
comportar-me.
j) Eu sou com eu mesmo
gostaria que eu fosse.
k) Eu acho que as expectativas e
regras de como eu devo
comportar-me nos diversos
contextos (p.ex. na escola, na
minha família, no meu círculo
de amigos),
são muito diferentes.
l) Eu acho difícil mudar de um
ambiente para outro,
fazendo tudo combinar.
m) As pessoas, com as quais eu
seguidamente convivo (p.ex.
os meus pais, os meus
professores/as, os meus
amigos), têm distintas ideias
doe que eu deveria fazer da
minha vida.
não confere
em nada
confere
pouquíssi
mo
confere
mediana
mente
confere
razoavel
mente
confere
completa
mente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
19
não confere
em nada
confere
pouquíssi
mo
confere
mediana
mente
confere
razoavel
mente
confere
completa
mente
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
n) As ideias distintas tornam
difíceis a minha escolha do
que eu gostaria de fazer da
minha vida.
o) Eu penso que eu vou
conseguir organizar a minha
vida futura do modo como eu
gostaria.
34. Como é isso com você?
a) ...você reflete sobre
temas religiosos?
b) ...você tem experiências
em que tem a sensação
de que Deus ou algo
divino lhe quer dizer ou
mostrar algo?
c) ...você tem experiências
em que tem a sensação
de que Deus ou algo
divino intervém na sua
vida?
d) ...você tem a sensação
de que está unido/a
com tudo?
e) ...você reflete sobre
sofrimento ou injustiças
do mundo?
nunca
Raramen
-te
às vezes
muitas vezes
sempre
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
35. Agora seguem algumas perguntas sobre a importância de diversos aspectos/lados
da religiosidade. Assinale de novo em cada linha a resposta que melhor combina
com você.
a) Questões sobre religião e coisas
semelhantes lhe interessam?
b) Que importância tem para você a
oração pessoal?
c) Com que intensidade você crê que
existe Deus ou algo divino?
20
nada
pouco
médio
razoávelmente
muitíssimo
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
d) Que importância tem para você
participar de cerimônias religiosas
(culto na igreja, oração na
comunidade, rituais no templo
etc...)?
e) Com que intensidade você crê que
existe uma vida após a morte (p.ex.
imortalidade da alma, ressurreição
dos mortos ou reencarnação)?
f) Que importância tem para você a
questão do sentido da vida?
g) Com que intensidade você vive o seu
dia-a-dia conforme os mandamentos
religiosos?
h) Com que intensidade você recorre à
sua religião?
i) Com que intensidade você acredita
ser possível que nos próximos anos
as suas convicções religiosas
mudem?
nada
pouco
médio
razoávelmente
muitíssimo
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
36. Seguem agora questões sobre o tema do ensino religioso.
a) Você frequenta, na escola, o
ensino religioso ou ético,
que é ministrado por um(a)
professor(a) da escola?
não
sim
( )
( )
b) Em caso positivo: o que você acha dessas aulas? Dê uma nota de 1 a 6, sendo que
o 1 corresponde a “nada satisfatória” e o 6 corresponde a “completamente
satisfatória”:___________________________________________________
não
sim
c) Você frequenta, na escola ou
( )
( )
fora dela, aulas de religião,
que são oferecidas pela sua
igreja, centro ou
comunidade religiosa?
d) Em caso positivo: o que você acha dessas aulas? Dê uma nota de 1 a 6, sendo que
o 1 corresponde a “nada satisfatória” e o 6 corresponde a “completamente
satisfatória”:_______________________________________________________
21
nunca
raramente
algumas vezes
sempre
( )
( )
( )
( )
e) Na sua escola,
existe a
possibilidade de
saber algo sobre
outras religiões,
aprender a
conhecê-las?
f)
Que
importância
você acha
que tem o
fato de todas
as crianças
ou jovens na
escola, se
informarem
melhor sobre
diferentes
religiões?
nada
importante
pouco
importante
medianamente
importante
razoavelmente
importante
muito
importante
( )
( )
( )
( )
( )
Muito obrigado pela colaboração!
22
Diferença que há na versão masculina (em comparação com a feminina)
do Questionário sobre religiosidade e valores na adolescência – Versão
revisada
QUESTIONÁRIO
Nas próximas páginas você encontrará várias perguntas ou afirmações.
Das possibilidades de resposta apresentadas você deverá escolher aquela
que melhor se aplicar a você. Você não precisa ficar pensando muito. Não
existem respostas certas ou erradas; interessa-nos simplesmente a sua
opinião.
EXEMPLO
nada
Quanto você gosta de sorvete de chocolate? ( )
muito
( )
( )
( )
( )
E aqui vão mais algumas dicas:
Se você fizer uma correção, faça um círculo ao redor da resposta
que é para ser considerada.
Não faça cruzes entre um e outro círculo, pois de nada vão nos
servir.
Em algumas partes, você também terá oportunidades de escrever
uma resposta com as suas próprias palavras.
Por favor, tente responder a maior quantidade de questões
possíveis.
Tudo certo então? Nesse caso, mãos à obra! Divirta-se!
GAROTOS
31- Para garotos:
A seguir você encontrará descrições breves de alguns garotos. Assinale o quanto os garotos
descritos são ou não parecidos com você.
não se
desvela
nada
comigo
se desvela
pouquíssimo
comigo
se desvela
medianamente
comigo
se
desvela
razoável
-mente
comigo
se
desvela
muitíssimo
comigo
a) Pensar em novas ideias e ser
criativo é importante para ele.
Ele gosta de fazer as coisas de
maneira própria e original.
( )
( )
( )
( )
( )
b) Ser rico é importante para ele.
Ele quer ter muito dinheiro e
possuir coisas caras.
c) Ele acredita que é importante
que todas as pessoas do mundo
sejam tratadas igualmente. Ele
acredita que todos deveriam ter
oportunidades iguais na vida.
d) É muito importante para ele
demonstrar suas habilidades.
Ele quer que as pessoas
admirem o que ele faz.
e) É importante para ele viver em
um ambiente seguro. Ele evita
qualquer coisa que possa
colocar sua segurança em
perigo.
f) Ele gosta de surpresas e está
sempre procurando coisas
novas para fazer. Ele acha ser
importante fazer muitas coisas
diferentes na vida.
g) Ele acredita que as pessoas
deveriam fazer o que lhes é
ordenado. Ele acredita que as
pessoas deveriam sempre
seguir as regras, mesmo
quando ninguém está
observando.
h) É importante para ele ouvir as
pessoas que são diferentes
dele. Mesmo quando não
concorda com elas, ainda quer
entendê-las.
i) É importante para ele ser
humilde e modesto.
Ele tenta não chamar atenção
para si.
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
j)
k)
l)
m)
n)
o)
p)
q)
r)
s)
t)
Aproveitar os prazeres da vida é
importante para ele. Ele gosta
de se mimar.
É importante para ele tomar
suas próprias decisões sobre o
que faz. Ele gosta de ser livre e
não depender dos outros.
É muito importante para ele
ajudar as pessoas ao seu redor.
Ele quer cuidar do bem-estar
delas.
Ser muito bem-sucedido é
importante para ele. Ele espera
que as pessoas reconheçam
suas realizações.
É importante para ele que o
governo garanta sua segurança
contra todas as ameaças. Ele
deseja que o Estado seja forte
para poder defender seus
cidadãos.
Ele procura por aventuras e
gosta de correr riscos. Ele quer
ter uma vida excitante.
É importante para ele sempre
se comportar de modo
adequado. Ele quer evitar fazer
qualquer coisa que as pessoas
possam dizer que é errado.
É importante para ele ter o
respeito dos outros. Ele deseja
que as pessoas façam o que ele
diz.
É importante para ele ser leal a
seus amigos. Ele quer se dedicar
às pessoas próximas a ele.
Ele acredita firmemente que as
pessoas deveriam preservar a
natureza. Cuidar do meio
ambiente é importante para
ele.
Tradição é importante para ele.
Ele procura seguir os costumes
transmitidos por sua religião ou
pela sua família.
não se
desvela
nada
comigo
se desvela
pouquíssimo
comigo
se desvela
medianamente
comigo
se
desvela
razoável
-mente
comigo
se
desvela
muitíssimo
comigo
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
u) Ele procura todas as
oportunidades para se divertir.
É importante para ele fazer
coisas que lhe tragam prazer.
não se
desvela
nada
comigo
se desvela
pouquíssimo
comigo
se desvela
medianamente
comigo
se
desvela
razoável
-mente
comigo
se
desvela
muitíssimo
comigo
( )
( )
( )
( )
( )
Anexo 3
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
O (a) senhor(a) está sendo convidado(a) a participar do projeto Religiosidade e
valores em adolescentes brasilienses, sob responsabilidade da Prof. Dra. Marta
Helena de Freitas e da aluna Janaina Bahia Oliveira Barrêto.
O objetivo desta pesquisa é conhecer a experiência religiosa e os valores de
adolescentes brasilienses das principais religiões com adeptos no Brasil. Esta
pesquisa justifica-se, pois a adolescência é a fase de formação da identidade, e é
considerada uma fase de despertamento religioso desde os seus estudiosos pioneiros
em Psicologia. Brasília é conhecida por sua tradição mística, onde se originaram
várias comunidades religiosas ao longo dos anos. As diferentes culturas regionais do
país concentradas no mesmo lugar propiciaram essa diversidade. Assim, considera-se
relevante investigar como se caracteriza a religiosidade de adolescentes de diferentes
religiões, ou sem religião, em Brasília e se existe relação entre a religiosidade e os
valores.
O(a) senhor(a) receberá todos os esclarecimentos necessários antes e no
decorrer da pesquisa, e asseguramos que seu nome não se revelará, sendo mantido o
mais rigoroso sigilo pela omissão total de quaisquer informações que permitam
identificá-lo(a). O(a) senhor(a) pode se recusar a responder qualquer questão – no
caso da aplicação de um questionário – que lhe traga constrangimento, e pode desistir
de participar da pesquisa a qualquer momento, sem nenhum prejuízo para o(a)
senhor(a).
A sua participação será da seguinte forma: será realizada uma entrevista
individual; após a entrevista, forneceremos um questionário sobre “Valores e
Religiosidade”, com 35 questões, para responder em casa. Por fim, será realizada
uma entrevista em grupo, com oito adolescentes no total, para conversar sobre a
experiência de responder o questionário. O tempo estimado para sua realização: a
primeira entrevista terá em torno de uma hora. Em média, precisa-se de 45 minutos
para responder o questionário. A entrevista em grupo terá em torno de duas horas e
meia de duração.
Os resultados da pesquisa serão divulgados na instituição Universidade
Católica de Brasília, podendo ser publicados posteriormente. Os dados e materiais
utilizados na pesquisa ficarão sob a guarda do pesquisador.
Este projeto possui os seguintes benefícios: a pesquisa propiciará um
conhecimento importante sobre a possível relação entre religiosidade e valores; o
resultado poderá subsidiar projetos que favoreçam o desenvolvimento dos
adolescentes e a formação de valores saudáveis. Apresenta os seguintes riscos:
talvez algum adolescente não se sinta à vontade para conversar em grupo; corre-se
também o risco de que o tema seja abordado pelos adolescentes, em grupo, de modo
proselitista (propagandista). Esses riscos serão minimizados pela realização de um
“aquecimento” (fazer uma preparação) que propicie a conversa dos adolescentes em
grupo. A entrevista individual é também para que se estabeleça uma relação de
confiança entre a pesquisadora e os participantes, a fim de motivar que eles se sintam
à vontade em grupo. A postura da pesquisadora será a de estimular um diálogo
flexível, aberto, espontâneo, deixando claro desde o início que não haverá
julgamentos em torno das religiões em si, mas um diálogo para conhecer como cada
um vive a sua religião e como esta se relaciona com as suas posturas no dia a dia, na
vida pessoal, familiar e social.
Se o(a) senhor(a) tiver qualquer dúvida sobre a pesquisa, por favor, contate a
Prof. Dra. Marta Helena de Freitas, na instituição Universidade Católica de Brasília,
pelo telefone (61) 3448 7153, no turno matutino ou vespertino.
Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UCB, sob
número de protocolo 22664413.0.0000.0029. As dúvidas quanto à assinatura do TCLE
ou aos direitos do sujeito da pesquisa podem ser esclarecidas também pelo telefone:
(61) 3356-9784.
Este documento foi elaborado em duas vias. Uma ficará com o pesquisador
responsável e a outra, com o voluntário da pesquisa.
______________________________________________
______________________________________________
Nome e assinatura
____________________________________________
Janaina Bahia Oliveira Barrêto
Brasília, ___ de __________de _________.
Este TCLE contém mais de uma folha. Por gentileza, rubrique a folha 1 e assine a
folha 2.
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Janaina Bahia Oliveira Barrêto - Universidade Católica de Brasília