Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E VALORES EM ADOLESCENTES DO DISTRITO FEDERAL Autora: Janaina Bahia Oliveira Barrêto Orientadora: Profª. Dra. Marta Helena de Freitas Brasília – DF 2014 JANAINA BAHIA OLIVEIRA BARRÊTO RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E VALORES EM ADOLESCENTES DO DISTRITO FEDERAL Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para obtenção do Título de Mestre em Psicologia. Orientadora: Prof ª. Dra. Marta Helena de Freitas. Brasília – DF 2014 B273r 7,5cm Barrêto, Janaina Bahia Oliveira. Religiosidade/espiritualidade e valores em adolescentes do Distrito Federal. / Janaina Bahia Oliveira Barrêto – 2014. 227 f.; 30 cm Dissertação (Mestrado) – Universidade Católica de Brasília, 2014. Orientação: Profa. Dra. Marta Helena de Freitas. Ficha elaborada pela Biblioteca Pós-Graduação da UCB TERMO DE APROVAÇÃO Dissertação de autoria de Janaina Bahia Oliveira Barrêto intitulada – RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E VALORES EM ADOLESCENTES DO DISTRITO FEDERAL, apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Católica de Brasília, defendida e aprovada em 05 de dezembro de 2014, pela banca examinadora abaixo assinada: ___________________________________________________________________ Profª. Dra. Marta Helena de Freitas – (Orientadora) - Diretora do Programa de PósGraduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília ___________________________________________________________________ Profª. Dra. Luciana Fernandes Marques (Membro externo) Universidade Federal do Rio Grande do Sul ___________________________________________________________________ Profª. Dra. Silvia Renata M. Lordello - (Membro interno) Universidade Católica de Brasília ___________________________________________________________________ Profª. Dra. Maria Alexina Ribeiro - (suplente) Universidade Católica de Brasília Brasília - DF 2014 Ao meu grande amor, com quem compartilho a intimidade da existência: Bruno Barbosa Barrêto. AGRADECIMENTO A Deus, por me capacitar e me fortalecer nesta caminhada. Ao meu esposo, pela motivação e amor. À minha família, pelo apoio e compreensão. Aos amigos, pelo carinho e pela torcida. À maravilhosa equipe do CAPS onde atuo, pelo apoio. À Dra. Marta Helena de Freitas, pelo incentivo e orientações. À Arlene e Rafaela, estagiárias voluntárias, pelo apoio na transcrição das entrevistas. À CAPES/CNPQ, pelo financiamento a esta pesquisa – sem o qual não seria possível. Aos doutores Vicente Alves, Sílvia Lordello, Alexina Ribeiro, Luciana Marques, e Christoph Käppler pelas riquíssimas contribuições. A todos os professores e funcionários da Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Católica de Brasília. RESUMO BARRÊTO, Janaina Bahia Oliveira. Religiosidade/ espiritualidade e valores em adolescentes do Distrito Federal. 2014. 227 páginas. Dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Católica de Brasília. Brasília, 2014. A adolescência é a fase crucial do desenvolvimento da identidade, e a religiosidade costuma ser um dos aspectos geradores de mobilizações importantes e significativas ao longo deste processo, tendo sido objeto de atenção dos pioneiros neste campo. Entretanto, este tema tem sido pouco estudado na contemporaneidade, mesmo em um contexto onde a religiosidade se faz tão presente na cultura e na vida das pessoas, como têm demonstrado os censos demográficos nacionais. Brasília, contexto onde se desenvolve o estudo aqui relatado, é conhecida pela sua forte aura mística, pois abriga uma diversidade de templos e comunidades religiosas – em muitas delas, destaca-se a participação da juventude brasiliense, a despeito do processo de secularização. Considera-se, pois, relevante investigar as relações entre a religiosidade e os valores desses jovens, sendo este o objetivo deste estudo, de cunho qualitativo e exploratório. Foram participantes deste estudo oito jovens com idade entre 15 e 17 anos, sendo uma menina e um menino de cada uma das seguintes religiões/ espiritualidades: católica apostólica romana, espírita kardecista, evangélica neopentecostal e agnóstica. Como metodologia de investigação, empregaram-se entrevistas individuais e em grupo, complementadas com a aplicação do Questionário de religiosidade e valores na adolescência, elaborado por um grupo de pesquisadores da Alemanha e Suíça, e que vem sendo adaptado para o Brasil, sofrendo revisões consecutivas, sendo que a mais recente resulta neste próprio trabalho. Adotou-se postura fenomenológica na condução das entrevistas e organização dos dados. Como base teóricometodológica para esta investigação e análise, empregou-se o esboço da teoria do desenvolvimento religioso de Amatuzzi, a qual inspira-se na fenomenologia e ancora-se sobre outras contribuições clássicas, como Piaget e Fowler. Para a organização e análise dos resultados, cinco eixos temáticos foram avaliados e seus respectivos aspectos convergentes e divergentes, conforme o método clínico fenomenológico, que assim se configuraram: 1. Religiosidade/ espiritualidade e família: todos os adolescentes têm a família como um importante valor, e os mais novos tendem a seguir a mesma religião dos pais; 2. Religiosidade/ espiritualidade e vida pessoal: os agnósticos se mostraram mais racionais e menos disponíveis a ajudar ao próximo; os católicos e os evangélicos se mostraram mais gentis; os evangélicos se apresentaram mais religiosos, obedientes, comportados, certinhos, e tradicionais; a menina católica não era praticante e os espíritas foram os menos hedonistas; 3. Religiosidade/ espiritualidade e círculo social: tendência ao respeito às diferenças religiosas, a despeito da divergência com alguns colegas de outras religiões; valorização da amizade; 4. Religiosidade/ espiritualidade e questões sociais e políticas: preconceito sofrido pelos espíritas e agnósticos; críticas às regras e falta de liberdade que a sociedade impõe; desinteresse por política e tendência a não confiar nos políticos; 5. Vivência pessoal da religiosidade/ espiritualidade: questionamento da fé/ religião pelos adolescentes mais velhos, e também da conversão; participação em atividades na instituição religiosa; crença de que a religião ajuda os jovens, e melhora o bem-estar, embora a crença seja muito menor nos agnósticos. De modo geral, identificaram-se relações entre a religiosidade e a formação de valores, e verificou-se também que muitos valores são compartilhados, tanto por adolescentes religiosos como pelos não religiosos. Brasília, conforme consta na literatura, é um solo fértil para o surgimento de novas religiosidades/ espiritualidades. Surgiram muitas manifestações de jovens agnósticos querendo participar, o que não foi possível devido ao prazo para concluir a pesquisa. A experiência desta investigação permitiu também o aperfeiçoamento do questionário empregado, visando sua aplicação em maior escala. Sugere-se fortemente a realização de mais pesquisas na área, estendendo-a para outras regiões do país, para compreender melhor o papel da religiosidade na constituição dos valores dos jovens, e sua respectiva variabilidade em termos sociais e regionais. Palavras-chave: Religiosidade. Espiritualidade. Valores. Adolescência. Distrito Federal. Psicologia da Religião. ABSTRACT BARRÊTO, Janaina Bahia Oliveira. Teenage religiosity/ spiritualism and values in Distrito Federal. 2014. 227 pages. Master’s degree thesis for Stricto Sensu PostGraduation program in Psychology from Universidade Católica de Brasília, 2014. Teenage years are a crucial time to define identity, and religiosity is one of the agents of important and significant changes during this process; thus, being a matter of study by the pioneers in psychology. Although, adolescence has not been studied enough lately, even in a country where religiosity is widely spread – as the demographic censuses have shown. The research for this thesis was developed in Brasília, due to its “mystic aura”, and because there are several temples and religious communities in the city – in many of them, there are many young people and adolescents involved, despite the secularization process. Investigating the link between the adolescents’ religiosity and values has proven to be a relevant issue, and it is the purpose of this study – a qualitative and exploratory analysis. Eight teenagers from 15 to 17 years old took part on this study. There was a girl and a boy from each of the following religions/ spiritualities: roman catholic church, kardecist spiritism, pentecostal evangelic faith, and agnosticism. The investigation method was based on individual and group interviews, along with a Questionnaire on teenage religiosity and value. The questionnaire was originally brought by a group of researchers from Germany and Switzerland, and it has been adapted and improved for Brazilian teenagers. This study shows the latest version of the questionnaire. This research adopted the phenomenological approach to carry out the interviews and organize data. The investigation and analysis are supported by Amatuzzi’s theory on religious development – which is based on phenomenological approach and other classic contributions, such as Piaget’s and Fowler’s. Five themes of study have been created in order to organize and analyze the results – and whether they converge or diverge, according to the clinical phenomenological method: 1. Religiosity/ spiritualism and family: every teenager values family, and younger teens tend to follow their parents’ religion; 2. Religiosity/ spiritualism and personal life: agnostics seem to be more sensible, and not so willing to help others; Catholic and Protestant teens seem to be more kind; Protestants are more religious, obedient, well-behaved, more “correct” and conservative; the Catholic girl did not actually go to church; kardecists seem to be less hedonistic; 3. Religiosity/ spiritualism and social circle: there is a tendency to respect religious differences, although some teenagers reported they had experienced conflict with friends who chose different religions; they value friendship; 4. Religiosity/ spiritualism and social and political issues: kardecists and agnostics experience more prejudice from people of other religions; criticism over rules and lack of freedom from the society; lack of interest in politics and lack of trust in politicians; 5. Personal experience of religiosity/ spiritualism: older teenagers tend to question faith/ religion, and they question conversion as well; participation on religious institutions; belief that religion may help teenagers and improve their wellbeing – even to agnostics, who have weaker belief in religion. In general, there is relation between religiosity and construction of values, and teenagers have many of those values in common, whether they are religious or agnostic. Literature supports that Brasília is a fertile ground for new religions/ spiritualisms. Many agnostic teenagers volunteered, but it was not possible to include all of them due to the short deadline to close this research. This research made it possible to improve the questionnaire, so that a large-scale research can be achieved. More research on religiosity is strongly encouraged. It can be taken to other parts of the country in order to reach better understanding about the role of religiosity on young people’s values, as well as its social and regional variations. Keywords: Religiosity. Psychology of religion. Spiritualism. Values. Adolescence. Distrito Federal. LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: A R / E e OS EIXOS TEMÁTICOS INVESTIGADOS FIGURA 2: TEMA-EIXO – R / E e FAMÍLIA, E SEUS SENTIDOS APREENDIDOS FIGURA 3: TEMA-EIXO – R / E e VIDA PESSOAL, E SEUS SENTIDOS APREENDIDOS FIGURA 4: TEMA-EIXO – R / E e CÍRCULO SOCIAL, E SEUS SENTIDOS APREENDIDOS FIGURA 5: TEMA-EIXO – R / E e QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS, E SEUS SENTIDOS APREENDIDOS FIGURA 6: TEMA-EIXO – VIVÊNCIA PESSOAL DA R / E, E SEUS SENTIDOS APREENDIDOS LISTA DE QUADROS QUADRO 1: CONTEXTUALIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES QUADRO 2: DADOS DEMOGRÁFICOS DOS ADOLESCENTES QUADRO 3: CONTEXTO FAMILIAR QUADRO 4: RELACIONAMENTO FAMILIAR QUADRO 5: INFLUÊNCIA RELIGIOSA FAMILIAR QUADRO 6: R / E e FAMÍLIA QUADRO 7: CARACTERÍSTICAS E VALORES PESSOAIS QUADRO 8: SOBRE SI MESMO I QUADRO 9: SOBRE SI MESMO II QUADRO 10: SITUAÇÃO NA ESCOLA QUADRO 11: R / E e VIDA PESSOAL QUADRO 12: VALORES EM RELAÇÃO À SUA E ÀS DEMAIS RELIGIÕES QUADRO 13: R / E e CÍRCULO SOCIAL QUADRO 14: INTERESSES E VALORES POLÍTICOS QUADRO 15: AUTOPERCEPÇÃO DA IDENTIDADE SOCIOCULTURAL E EXPECTATIVAS PARA O FUTURO QUADRO 16: R / E e QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS QUADRO 17: CONCEPÇÃO RELIGIOSA PESSOAL QUADRO 18: PAPEL E IMPORTÂNCIA ATRIBUÍDA À RELIGIÃO NA VIDA E NO DIA A DIA. QUADRO 19: SOBRE SI MESMO E A RELIGIOSIDADE QUADRO 20: VIVÊNCIA PESSOAL DA R / E SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 14 2. REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................. 20 2.1. Esclarecimentos conceituais: religião, religiosidade, experiência religiosa e espiritualidade ................................................................................................................................. 20 2.2. Religiosidade em Brasília ...................................................................................................... 25 2.3. Adolescência e religiosidade ................................................................................................ 27 2.3.1. A fase da adolescência .................................................................................................. 27 2.3.2. Religiosidade na adolescência: a perspectiva de Amatuzzi ..................................... 35 2.3.3. A religiosidade como fator de proteção e de bem-estar na adolescência.............. 42 2.4. Valores e moral na adolescência ......................................................................................... 47 3. OBJETIVOS .......................................................................................................... 58 3.1. OBJETIVO GERAL................................................................................................................. 58 3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................................................. 58 4. MÉTODO .............................................................................................................. 59 4.1. PARTICIPANTES ................................................................................................................... 59 4.2. INSTRUMENTOS ................................................................................................................... 59 4.3. PROCEDIMENTOS DE COLETA DOS DADOS ............................................................... 60 4.4. PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DOS DADOS .............................................................. 62 5. R/ E e VALORES EM ADOLESCENTES DO DISTRITO FEDERAL ..................... 63 5.1. Contextualização dos participantes ..................................................................................... 63 5.2. Eixos temáticos investigados referentes à religiosidade/ espiritualidade e os valores 66 5.3. Tema-eixo 1: R / E e família.................................................................................................. 67 5.4. Tema-eixo 2: R / E e vida pessoal ....................................................................................... 81 5.5. Tema-eixo 3: R / E e círculo social .................................................................................... 102 5.6. Tema-eixo 4: R / E e questões sociais e políticas ........................................................... 109 5.7. Tema-eixo 5: vivência pessoal da R / E ............................................................................ 119 6. DISCUSSÃO ....................................................................................................... 136 6.1. Do consultório ao colégio .................................................................................................... 136 6.2. R / E e valores em adolescentes do DF: articulação com a literatura.......................... 137 6.3. Relações entre a R / E e valores em adolescentes do DF e a Teoria do Desenvolvimento Religioso de Amatuzzi.................................................................................. 155 6.4. Reflexões e sugestões a respeito do Questionário e sua aplicação ............................ 158 7. CONSIDERAÇÕES PARCIAIS ........................................................................... 160 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 163 Apêndice A .............................................................................................................. 170 Roteiro de entrevista individual ............................................................................... 170 Apêndice B .............................................................................................................. 171 Roteiro de entrevista em grupo ............................................................................... 171 Anexo 1 ................................................................................................................... 172 Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência – versão feminina utilizada na coleta de dados ..................................................................... 172 Diferença que há na versão masculina (em comparação com a feminina) do Questionário sobre religiosidade e valores na adolescência, aplicado na coleta de dados ...................................................................................................................... 175 Anexo 2 ................................................................................................................... 179 Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência – versão feminina revisada .................................................................................................... 179 Diferença que há na versão masculina (em comparação com a feminina) do Questionário sobre religiosidade e valores na adolescência – Versão revisada ..... 180 Anexo 3 ................................................................................................................... 185 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ......................................................... 185 APRESENTAÇÃO Compreender a complexidade da experiência humana requer sensibilidade para levar em conta todos os seus aspectos. Dentre eles se encontram as vivências da religiosidade/ espiritualidade – vivências estas que são objeto de estudo da Psicologia da Religião. Buscou-se, neste estudo, compreender as vivências da R / E e suas relações com os valores em adolescentes do Distrito Federal, estudo muito relevante por estar localizado no centro do Brasil, país em que a maior parte da população se declara religiosa. Os pioneiros em Psicologia se pesquisaram sobre o tema da religiosidade na adolescência, porém esse tema tem sido pouco explorado atualmente, a despeito da grande participação de jovens em eventos religiosos. Portanto, esta pesquisa visa contribuir para ampliação do conhecimento da religiosidade na adolescência, e de sua relação com a formação de valores, o que contribui para o campo da Psicologia do Desenvolvimento ampliando o conhecimento sobre fenômenos da adolescência; para a Psicologia Social, quanto à compreensão de influências do tema em grupos sociais; para a Psicologia da Religião, que também possui poucas pesquisas nessa temática; e para a Psicologia Clínica, permitindo a abordagem ao adolescente de maneira integral. Participaram desta pesquisa oito adolescentes – com idades entre 15 e 17 anos,– sendo um menino e uma menina de cada uma das seguintes religiões: católica apostólica romana, evangélica neopentecostal, espírita Kardecista, e da espiritualidade agnóstica. Para tanto, utilizou-se de postura fenomenológica na coleta e organização dos dados. Os resultados foram avaliados à luz da Teoria do Desenvolvimento Religioso de Amatuzzi. Inicialmente o trabalho apresenta, no capítulo 2, uma revisão de literatura sobre o tema para realizar esclarecimentos conceituais a respeito de: diferenças e aproximações entre os conceitos de religião, religiosidade, experiência religiosa e espiritualidade; a religiosidade em Brasília; a adolescência e suas principais características; a religiosidade na adolescência sob a perspectiva de Amatuzzi; A religiosidade como fator de proteção e de bem-estar na adolescência e, por fim, valores e moral na adolescência. Em seguida, são apresentados o objetivo geral e os específicos, no capítulo 3, que são investigar as possíveis relações entre R / E e valores em adolescentes do DF, saber especificidades de cada religiosidade/ espiritualidade, perceber como os adolescentes lidam com religiosidades/ espiritualidades diferentes das suas, relações entre a religiosidade e os valores nos contextos familiar e social, e aperfeiçoar o Questionário sobre religiosidade e valores na adolescência. O capítulo 4 é dedicado ao método da pesquisa, apresentando melhor o instrumento utilizado, e as adaptações ocorridas no mesmo, bem como os procedimentos de coleta e análise dos dados. Os resultados são descritos no capítulo 5, onde se contextualiza os participantes da pesquisa, e são apresentados os eixos nos quais o material foi organizado: 1. Religiosidade/ espiritualidade e família; 2. Religiosidade/ espiritualidade e vida pessoal; 3. Religiosidade/ espiritualidade e círculo social; 4. Religiosidade/ espiritualidade e questões sociais e políticas; e 5. Vivência pessoal da religiosidade/ espiritualidade. Posteriormente os resultados foram discutidos, no capítulo 6, onde são articulados com a literatura, com a Teoria do Desenvolvimento Religioso de Amatuzzi, e são realizadas reflexões e sugestões para aperfeiçoamento e aplicação do Questionário. Por fim, foram tecidas considerações parciais a respeito do trabalho, no capítulo 7. 1. INTRODUÇÃO Ao longo de boa parte do século XX, e de certa forma até os dias de hoje, no contexto de certas filosofias e teorias das ciências sociais e biológicas, houve a tendência de se olhar a religião com desconfiança. De certo modo, isso se deveu ao fato de que a linha predominante no meio acadêmico-científico – e mesmo no âmbito da Psicologia – foi positivista ou neopositivista, as quais tomam a racionalidade, lógica ou empírica, como único instrumento de conhecimento. Entretanto, em seu início, a Psicologia levava muito a sério o estudo da religiosidade e seus diversos aspectos subjetivos, sociais e culturais. Todos os seus pioneiros deram atenção ao assunto, como Wundt e William James, e também os pioneiros em psicologia da adolescência, como Stanley Hall e Erik Erickson. Por outro lado, nas últimas décadas, o tema da religião tem sido retomado sob uma nova perspectiva, que revê mais criticamente a postura de suspeita que predominou ao longo do Século XX, e procura investigar também os fatores potencializadores da saúde mental, presentes na religião ou na espiritualidade. Atualmente, após as contribuições de Pargament (1990; 1997), e Paloutizian (1996), dentre outros autores, fala-se muito em religious coping (ou enfrentamento religioso/ espiritual – CRE) – ou em religiosidade e espiritualidade como fatores de resiliência, que estão, portanto, associados à saúde e à qualidade de vida. Apesar desse novo olhar, a religiosidade dos adolescentes no Brasil e suas respectivas implicações psicossociais ainda são pouco exploradas. Em função de sua complexidade, a abordagem ao assunto requer uma perspectiva interdisciplinar, ou seja, deve levar em conta o ser humano de forma integral. Por esse motivo, trata-se de um objeto de interesse da Psicologia do Desenvolvimento, da Psicologia Social, da Psicologia da Religião, e mesmo da Psicologia Clínica – o interesse desta se dá, por exemplo, em função das estreitas relações entre religiosidade e saúde mental. O DSM V também leva em conta as experiências de natureza religiosa enquadrando-as em “Outras condições que podem ser foco de atenção clínica”: Esta categoria pode ser usada quando o foco de atenção clínica é um problema religioso ou espiritual. Exemplos incluem experiências angustiantes que envolvem a perda ou o questionamento da fé, problemas associados com a conversão a uma nova fé, ou o questionamento de valores espirituais que podem não estar, necessariamente, relacionados com uma igreja ou religião institucionalizada (DSM V, p. 725. – tradução da autora). Geralmente, o saber que se baseia única e exclusivamente no modelo clínico psiquiátrico está pautado na busca por sintomas, visando enquadrar os sinais de adoecimento ao discurso médico sistematizado – o qual não é o modelo mais adequado quando se trata de compreender a manifestação religiosa com respeito, qualificando-a em sua legitimidade. Embora algumas vezes a religiosidade/ espiritualidade possa ser vivenciada de forma não saudável, a literatura em Psicologia da Religião mostra que seria um equívoco tomar esta situação como necessariamente anuladora das possibilidades de benefícios e do papel protetor muitas vezes encontrado nas adesões a manifestações religiosas, principalmente no caso da adolescência, como se verá adiante. Como já foi mencionado, desde autores pioneiros em Psicologia da Religião e do Desenvolvimento, como Pratt (1904) e Stanley Hall (1916), a adolescência pode ser considerada a fase mais importante do ponto de vista da evolução religiosa do ser humano – é quando começa o que há de mais fascinante e atraente. Neste processo, existe a necessidade de explorar o mundo além da comunidade familiar e, ao mesmo tempo, manter algo da segurança que vem da família, junto à qual ele internaliza alguns valores básicos. Por outro lado, a adolescência é a fase crucial da formação da identidade, porque é quando ocorre a busca pela autonomia e a liberdade (ERIKSON, 1980). Nessa fase, geralmente ocorrem o distanciamento do grupo familiar pela necessidade de autonomia, e a afiliação a grupos com os quais se identifica (HURLOCK, 1975; BEE, 1997; AMATUZZI, 1999; COLE & COLE, 2003). É importante a compreensão da necessidade de o adolescente se sentir autor das próprias escolhas. No processo de afastamento do adolescente quanto às famílias, percebe-se dificuldade tanto dos adolescentes quanto das famílias, porém, desvela ser um fenômeno necessário para a formação da identidade dos jovens. O adolescente desvela necessitar do distanciamento familiar e ao mesmo tempo da proteção que a família provê. Ao longo deste processo de elaboração da própria identidade, conforme observou o pioneiro Hall (1916), um fenômeno comum da adolescência é a conversão religiosa: a mudança de uma identidade religiosa para outra, ou a adoção de uma nova identidade religiosa – que também acontece nos dias de hoje. A vivência religiosa pode ser uma saída positiva e potencialmente saudável para a emancipação do adolescente. Durante esse período pode haver um abandono provisório ou definitivo da prática religiosa seguida pelos pais (AMATUZZI, 1999). Se, por um lado, a conversão religiosa se revela relacionada ao processo de elaboração de identidade, por outro, pode exercer também a própria função paterna (ou materna). Assim, por exemplo, em pesquisa realizada anteriormente como parte do Trabalho de final de curso na graduação em Psicologia (OLIVEIRA; FREITAS, 2012), percebeu-se a influência positiva da vivência religiosa na vida dos participantes como forma de suprir a falta dos pais, colocando limites e delineando as escolhas dos adolescentes. Ao fazerem parte de um grupo religioso, os jovens entrevistados na referida pesquisa desejavam: relacionar-se melhor com as pessoas, principalmente com os familiares; perdoar as faltas cometidas pela família contra eles; praticar sexo apenas após e dentro do casamento, o que contribui para uma proteção maior quanto às doenças sexualmente transmissíveis e à gravidez precoce. Eles também se mostraram críticos quanto ao uso de bebidas alcoólicas, cigarro e outras drogas. Esses resultados despertaram na pesquisadora o interesse pela relação entre religiosidade e valores em adolescentes, e foram o ponto de partida para sua posterior participação em uma pesquisa oriunda da Alemanha e da Suíça – que, então, se estendia ao Brasil, acolhida no âmbito do Programa de PósGraduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB). Segundo os resultados do Censo Demográfico de 2010, houve um crescimento da diversidade de grupos religiosos no Brasil. Conforme tendência das duas últimas décadas, observou-se uma redução na proporção de católicos apesar de serem ainda a maioria. A população evangélica cresceu. Houve crescimento também dos espíritas, dos que se declararam sem religião (embora em menor número que na década anterior) e do grupo pertencente a outras religiões (IBGE, 2010). Do ponto de vista social e cultural, considera-se importante investigar a religiosidade no Brasil, visto que ela está explicitamente dada: o Cristo Redentor, na cidade do Rio de Janeiro, um dos cartões postais do país; nas cédulas do Real, moeda brasileira, está escrita a frase “Deus seja louvado”; um de seus Estados chama-se Espírito Santo, outro se chama São Paulo, além de tantas pequenas cidades com nomes de mártires religiosos. Não por acaso o país foi escolhido, em 2013, para sediar a Jornada Mundial da Juventude, da Igreja Católica Apostólica Romana, pois ela possui um significativo número de adeptos jovens. Além disso, a Carta Magna, ou seja, a Constituição da República Federativa do Brasil, inicia seu texto com a frase: “... promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL” (CONSTITUIÇÃO, p.11). Por outro lado, podemos ainda destacar alguns movimentos de jovens de diferentes religiões no Brasil, dentre os quais a Pastoral da Juventude e os grupos de jovens da Igreja Católica; os grandes encontros de mocidade de diferentes igrejas evangélicas, em especial a União de Mocidade das Assembleias de Deus e das Igrejas Batistas, e a Mocidade Espírita. Periodicamente são promovidos encontros onde há presença maciça de jovens. Tais manifestações são significativas, porém pouco abordadas pelos meios de comunicação no país – e praticamente nada abordada pelos estudos em psicologia social ou psicologia da adolescência. Considera-se relevante pesquisar a religiosidade de adolescentes brasilienses pelo fato de Brasília ter um histórico que a leva a ser, muitas vezes, caracterizada como uma capital mística (SIQUEIRA, 2003; FREIRE & DANTE JÚNIOR, 2011). Um importante evento a ser considerado a respeito do seu desenvolvimento religioso ocorreu em 1957, com o nome “batismo espiritual”. Um cruzeiro foi armado na parte mais elevada de Brasília e uma missa foi celebrada. O evento ficou marcado com o comentário do presidente Juscelino Kubitschek de que aquela missa era o plantio da “semente espiritual” de Brasília (VASCONCELOS, 2007). Percebe-se que, desde o início, o aspecto religioso esteve muito presente na construção desta cidade. Nos próprios Arquivos relacionados à memória do Distrito Federal há menção à visão de Dom Bosco quanto ao surgimento de uma nova civilização entre os paralelos 15 e 20, sendo entre estes paralelos a localização de Brasília (ARQUIVO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL, 2011). Portanto, pesquisar a vivência religiosa de adolescentes que vivem em Brasília se faz importante para a compreensão de como essa religiosidade se apresenta hoje. Devido a sua diversidade religiosa e a tendência à miscigenação, também neste campo, o Brasil tem atraído muitos pesquisadores interessados no tema, incluindose um grupo de pesquisadores da Alemanha e Suíça, liderados pelo Prof. Christoph Käppler (KÄPPLER et al., s/d) do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de Dortmund. Deste modo, o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da UCB recebeu, em 2012, uma doutoranda alemã, Mirjam Amberge, para realizar coleta de dados para uma pesquisa que faz parte do referido grupo, orientada pelo Prof. Käppler e co-orientada pela Profa. Marta Helena de Freitas. No âmbito de um doutorado sanduíche, Amberge coletou dados na Bahia e no Distrito Federal. Empregou o mesmo instrumento – originalmente empregado nas pesquisas anteriormente realizadas na Alemanha e na Suíça–, previamente traduzido e adaptado para o seu emprego no Brasil (AMBERGE et al., 2012). A partir dos resultados, percebeu-se a necessidade de realizar pesquisas qualitativas que permitissem um melhor refinamento do instrumento de acordo com a realidade brasileira e, a partir disso, ampliar a amostra estendendo-a a outros estados. A pesquisadora desta dissertação participou da coleta de dados do estudo de Amberge sob a orientação da mesma orientadora no Distrito Federal. A participação permitiu uma espécie de estudo piloto para elaboração do projeto de pesquisa apresentado nesta dissertação. Assim, optou-se pelo estudo qualitativo, nos moldes da pesquisa fenomenológica. Trata-se, portanto, de uma pesquisa de natureza, como foi caracterizada por Amatuzzi (2005). Este trabalho pretende sondar a religiosidade e os valores de adolescentes participantes das três religiões com maior proporção de brasileiros e brasilienses adeptos, de acordo com o IBGE (2010). Além disso, incluiu-se na pesquisa adolescentes sem religião, de ambos os sexos, dado o grande índice de brasilienses que se declararam sem religião no referido censo. Por abordar adolescentes sem religião e por compreender que existem aspectos convergentes e divergentes entre as concepções de religiosidade e de espiritualidade, optou-se por mencionar ambos, inclusive no título deste trabalho, o que será melhor explicitado em subitem específico, devido às aproximações entre os termos que alguns autores têm feito atualmente. De acordo com as indagações mencionadas, seja com relação à vivência religiosa / espiritual e sua relação com a formação de valores, seja com relação a como se apresenta a R / E na adolescência, ou até mesmo com relação à R / E em Brasília, nasce o problema principal deste trabalho: como é a R / E dos adolescentes brasilienses e sua relação com os valores no atual contexto social e familiar em que vivem? Soma-se a essa questão a intenção de buscar maior refinamento do instrumento previamente adaptado por Amberge (op.cit.) junto aos adolescentes brasileiros, complementando, também, o trabalho iniciado por Taceli (2014). A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas e pela aplicação do Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência (Vide Anexos 1 e 2) na versão readaptada por Taceli (2014). Como referencial teórico, ancorou-se no esboço de uma Teoria do Desenvolvimento Religioso de Amatuzzi (1999), e nos principais teóricos que o embasaram. Também foi utilizada a Teoria de Kohlberg e o desenvolvimento moral. Compreende-se que este trabalho se dá na confluência da Psicologia Social com a Psicologia do Desenvolvimento e a Psicologia da Religião, sendo, portanto, um tema transversal que não se constitui propriamente em uma área, mas que permeia praticamente todas as outras com implicações tanto para a área comunitária, como para a clínica e a educacional. Desta forma, espera-se contribuir para ampliar a literatura ainda tão escassa sobre religiosidade na adolescência nos dias atuais, como também oferecer subsídios para ações sociais e preventivas junto aos jovens adolescentes, já que as questões religiosas na juventude e suas relações com a formação de valores permeiam todas as esferas de vida dos brasileiros. 2. REVISÃO DA LITERATURA 2.1. Esclarecimentos conceituais: religião, religiosidade, experiência religiosa e espiritualidade Diversas teorias referentes à essência da religião foram elaboradas por diferentes escolas. Umas a viam como essencialmente interior; outras, como essencialmente exterior; e ainda outros adotam uma perspectiva interacionista. Isso decorreu também da grande complexidade deste campo conceitual, no âmbito do qual surgiram variadas interpretações e leituras por diversos autores e épocas. A seguir, algumas delas são apresentadas e discutidas como as que mais se destacaram, ou que apresentam maior consonância com a perspectiva adotada neste trabalho. William James (1842–1910) é um dos pioneiros mais citados nos estudos em Psicologia da Religião e na compreensão fenomenológica da experiência religiosa. Ele afirma que a natureza específica do religioso se situa na ordem dos sentimentos, e define a religião como “os sentimentos, atos e experiências de indivíduos em sua solidão, na medida em que se sintam relacionados com o que quer que possam considerar o divino” (1995, p. 31-32). Chama-nos atenção para uma linha divisória que atravessa o campo da religião: de um lado, a religião institucional e, do outro, a religião pessoal. Em suas conferências, ele preferia se referir à religião pessoal, com atenção ao que se mostra útil e empiricamente construtivo na vivência da religião. Interessou-lhe falar da religião vital, que é estar perto do que as pessoas realmente vivem quando experimentam contato profundo com o divino. O autor se dizia impressionado com a força das convicções de pessoas que chegam a atitudes religiosas personalizadas. Para ele, a experiência religiosa provoca uma identificação da porção melhor e superior do indivíduo em sua solidão com o princípio divino. A pessoa não se isola na comunhão com o divino; ela sabe que sua experiência existe em continuidade com o universo exterior. O autor classifica e descreve pelo menos dois tipos de religiosidade: a doentia e a saudável. A doentia seria resultante de uma fé pessimista, sofredora e introvertida. Porém, ele concentra seus estudos na religiosidade saudável, que seria uma fé otimista, feliz, extrovertida e social, com tendência a ver o lado bom em todas as coisas. Para ele, por mais que a religião possa assumir variedades aberrantes, ela é um fenômeno de valência psicológica e cultural positiva. O outro ponto da abordagem pragmática proposta por James refere-se à emoção individual como base da religiosidade. Para ele, a religião deve ser vista não a partir de seu lado intelectivo e socioinstitucional, mas a partir de seu componente emocional. As emoções podem transformar os rumos da vida de uma pessoa por completo, redimensionando-os por inteiro, de maneira imprevista e rápida e, muitas vezes, duradoura (JAMES, 1995). Discutindo a posição adotada por James, o pesquisador brasileiro Edênio Valle (1998) parte do princípio de que a religião é tomada como uma matriz instituída. Para ele, a religiosidade se refere à experiência subjetiva e, em seu nível mais profundo, levanta a questão de sua dimensão inconsciente. As funções psicológicas e socioculturais das duas se completam. O sucesso e a sobrevivência das religiões se devem à sua função utilitarista e à sua capacidade funcional de dar respostas a perguntas como, por exemplo: “como Deus e a religião servem na busca humana da felicidade?” (p.76). Já para Vergote (1969), a religião é, por um lado, o encontro com o divino e, por outro, uma resposta por meio de uma práxis: “A religião é um conjunto orientado e estruturado de sentimentos e de pensamentos. O ser humano e a sociedade tomam, por meio dela, consciência vital de seu ser íntimo e último e, simultaneamente, nela se torna presente o poder do sagrado” (p. 25 - 26). Além de Edênio Valle, outro autor brasileiro contemporâneo que contribui para o entendimento desses conceitos é Mauro Martins Amatuzzi, do Instituto de Psicologia da Unicamp. Ele tem se debruçado sobre o estudo do desenvolvimento religioso, fundamentando-se na fenomenologia. Ele nos apresenta a ideia de desenvolvimento religioso e desenvolvimento psicológico. Compreende a religião como um campo no qual crescemos ou deixamos de crescer, sendo este o campo das indagações últimas, indagações pelo sentido. O crescimento está relacionado ao abrir-se para experiências novas que levam adiante as referidas indagações: “concepções e experiências se articulam no desenvolvimento religioso” (AMATUZZI, 1999, p. 124). Nesse sentido, no campo das indagações últimas, as religiões se apresentam como sistemas de crenças e ritos sociais de asseguramento, produzidos pelo ser humano. Para Amatuzzi (1999), a experiência religiosa deve ser pesquisada fenomenologicamente, por ser uma proposta de retorno à experiência básica para além de suas sistematizações e, portanto, um esforço de a pureza original dessa experiência e seus desdobramentos serem ditos sempre de novo. No adulto, as reflexões a respeito desse campo de experiência podem estar mais ou menos trabalhadas. Quando se tratam de reflexões infantis, esse adulto toma posição que reflete sua inadequação. Consequentemente, ele se priva de novas experiências que seriam importantes para seu desenvolvimento global como pessoa humana. Amatuzzi (1999) apresenta que a religião praticada ou declarada não está necessariamente ligada à fé. A fé é uma confiança básica, é o que dá sentido à vida do ser humano, é a forma de sua energia de viver. A superação das dicotomias “concepção humana amadurecida e concepção religiosa infantil”, e entre “religião declarada e fé” só é possível por meio de um retorno à experiência e seus desdobramentos no campo humano e religioso. É possível as grandes linhas de um desenvolvimento religioso serem descritas a partir das raízes de uma fé ou confiança básica, de seus pontos de fixação e de bifurcação, de seus desdobramentos, de sua articulação com experiências novas, partindo do início da vida até a maturidade. Por ser uma descrição bastante complexa, o campo religioso e sua energia básica (que é a fé) devem se articular com experiências, descobertas e encontros, onde se desenvolverão incorporando ou rejeitando sistemas religiosos – ou quase religiosos (AMATUZZI, 1999). Conforme proposta de Amatuzzi (2001, p. 32), religião pode, então, ser assim definida: Organização externa, mais ou menos coerente, de crenças, valores, mitos e ritos que giram em torno de um enfoque da questão do último, e que frequentemente corresponde à existência histórica de um corpo social hierarquizado ao qual algumas pessoas dão a sua adesão. Outra referência muito citada no campo da Psicologia da Religião é Gordon Allport, para quem a religiosidade pode ser considerada predominantemente intrínseca ou extrínseca (ALLPORT & ROSS, 1967). A religiosidade intrínseca é caracterizada por uma fé mais internalizada, independente de fatores externos e associada de forma positiva com a saúde física e mental. Já a religiosidade extrínseca é mais voltada para rituais sem ressonância interior, com forma utilitarista da religião, para obter segurança, reconhecimento e sociabilidade, e é menos relacionada à saúde física e mental. Percebe-se uma aproximação entre as propostas dos conceitos de religião e religiosidade. De forma geral, o conceito de religião desvela estar mais relacionado a um conjunto de comportamentos compartilhados e de crenças instituídas, relacionadas ao modo de o ser humano se relacionar com o que considera divino, superior. Já o conceito de religiosidade desvela estar mais relacionado à atitude pessoal, à maneira de ser de cada pessoa frente à religião. Quanto à experiência religiosa, Paiva (1998) – outro pesquisador brasileiro reconhecido neste campo – enumera as cinco modalidades da experiência religiosa a partir das modalidades da estruturação da consciência, tal como proposta por Vergote (1997): “(I) experiência do sagrado, conhecimento intuitivo da realidade sobrenatural, que se percebe ao mesmo tempo inerente ao mundo e mistério manifestado; (2) apreensão súbita, geralmente afetiva, da realidade sobrenatural que surpreende a pessoa e a interpela em sua existência; (3) o conhecimento que é fruto de contato prolongado com Deus; (4) a experiência dos místicos, dom de união imediata, mas preparado por trabalho sistemático; (5) conhecimento perceptivo imediato das visões e revelações pessoais” (VERGOTE, 1997 apud PAIVA, 1998, p.158). Amatuzzi (1997) caminha na mesma direção e afirma que: “A experiência religiosa abre a pessoa para um mundo inteiramente novo e diferente do cotidiano, do qual só é possível dar conta a partir de dentro dele mesmo” (p. 37). Em consonância com o exposto, Valle (2005) cita Mouroux (1952) ao mencionar a experiência religiosa: “a experiência religiosa se apresenta como a experiência estruturada por excelência. Consiste efetivamente em tomar consciência de uma relação pensada, querida, provada e comprometida com a vida; inserida na comunidade humana. Mais exatamente, consiste em captar o relacionamento em que todos esses elementos se integram na simplicidade de um ato que os contém virtualmente a todos eles, que os separa uns dos outros segundo cada ocasião, mas que os unifica e os transcende porque é o ato da pessoa que se entrega inteiramente ao Deus que a chama. A experiência religiosa é a consciência dessa resposta à chamada [...] é a descoberta da presença divina dentro de nós que nos faz entrar nela e, em consequência, a consciência da unificação (ao menos inicial) do ser e da vida sob a ação de Deus” (MOUROUX, 1952 apud VALLE, 2005, p. 98). Tomando essa temática sob a perspectiva fenomenológica, o conceito de experiência religiosa está bastante relacionado ao conceito de religiosidade, pois pressupõe uma experiência pessoal de cada pessoa com o que se entende por religião, sendo esta a perspectiva da qual se parte para esta pesquisa. O conceito de espiritualidade, por sua vez, é um termo de uso muito recente na Psicologia científica, conforme apontam Valle (2005), Paiva (2005) e Aletti (2012). Tais autores alertam de que não se deve reduzi-lo à definição de estados alterados de consciência, pois se trata de algo mais amplo, sendo essencialmente a busca pessoal de sentido para o próprio existir e agir. Está unida à motivação profunda que nos impulsiona a viver, fazendo-nos crer, amar e lutar. A espiritualidade se orienta para o porquê último da vida. Neste sentido, para Boff (2006, p.23), “colocar questões fundamentais e captar a profundidade do mundo, de si mesmo e de cada coisa constitui o que se chamou de espiritualidade”. Assim, a espiritualidade é inerente ao ser humano, não sendo possível se tornar um ser psicologicamente adulto sem que seja espiritual. Desta forma, compreende-se que um ateu pode ser espiritualmente rico (VALLE, 2005), apesar de não ser religioso. Assim, espiritualidade não implica ligação com uma realidade superior ou um ser transcendente; significa deixar-se levar pelos valores e pelos significados (GIOVANETTI, 2005). Na espiritualidade se constrói o sentido por meio da reflexão sem a ligação com um ser superior; já na religiosidade, a construção de sentido se dá por meio da vivência de uma crença (GIOVANETTI, 2005). Paiva (2005) defende que se mantenham em separado os termos psicologia da religião e psicologia da espiritualidade. Ele critica o termo espiritualidade quando compreendido como antagônico da religiosidade e afirma que uma espiritualidade como objeto da psicologia seria aquela que: “no sentido de busca de autonomia, de construção pessoal da relação com a totalidade, de respeito à singularidade do indivíduo, de abertura e de experimentação do novo, de recusa da rigidez, do autoritarismo e da alienação, é um bem desejável e condizente com o aprimoramento humano” (p. 43). Segundo Aletti (2012, p.166): “a religião é uma das respostas possíveis à demanda geral de sentido colocada pelo ser humano. Essa demanda de sentido, por sua vez, pertence à espiritualidade”. Para Farris (2005, p. 165), a confusão entre os termos espiritualidade e religiosidade pode ser explicada, em parte, pelo fato de que segundo as tradições nos contextos religiosos ocidentais, o termo espiritualidade “evoca, quase automaticamente, imagens de devoção, piedade e práticas religiosas relacionadas aos conceitos de espírito e alma”. Porém, o autor menciona outra descrição possível, que compreende a espiritualidade como descoberta de significado por meio de relacionamentos entre a pessoa com o outro e com o mundo, sendo, muitas vezes, um processo inconsciente, ou não intencional, porém, aparentemente universal. Os dois conceitos dizem respeito à obtenção de sentido da vida. Contudo, o termo religiosidade se refere à obtenção de sentido por meio de uma crença religiosa; já o termo espiritualidade não se refere, necessariamente, à obtenção de sentido por meio de uma crença religiosa, mas por meio de uma construção pessoal da relação com a totalidade. Pelo fato de este trabalho abranger também participantes não religiosos, em uma perspectiva qualitativa, compreende-se que pretende conhecer a espiritualidade destes participantes. Será, portanto, adotado aqui o termo religiosidade, partindo-se do princípio de que ele está necessariamente imbuído de aspectos do conceito de espiritualidade (STROPPA; MOREIRAALMEIDA, 2008; MARQUES, 2009). Entretanto, ao se abordar os participantes da pesquisa que alegam não terem religião, poderá ser empregado o termo espiritualidade, sem necessariamente manter conexão com aspectos do conceito de religiosidade. Isto está em consonância com o que propõe Marques, CerqueiraSantos e Dell’Aglio (2011, p.79): “[...] observa-se que vários estudos internacionais tendem a utilizar ambas as terminologias de maneira complementar e intricada, como se a religiosidade envolvesse espiritualidade, sendo o oposto também verdadeiro para alguns casos”. Esclarecidas as questões conceituais, a seguir são apresentados e discutidos alguns aspectos históricos e contemporâneos da realidade brasiliense, a fim de contextualizar socioculturalmente o local em que se situam os participantes desta pesquisa. 2.2. Religiosidade em Brasília Vasconcelos (2007), autor de livros sobre a história da construção de Brasília, apresenta, de modo muito entusiasmado, informações a respeito do processo de interiorização da capital do Brasil. Uma delas é a respeito de Dom Bosco – um ser humano dedicado aos ensinamentos cristãos na cidade italiana de Turim, fundador da Congregação Salesiana – que teve, aos 68 anos de idade, em 1883, um sonho/visão profético, no qual viu o “surgimento de uma nova civilização entre os paralelos 15 e 20, numa enseada bastante extensa, que partia de um ponto, onde se formava um lago” (p. 27). Relata-se que, no sonho, Dom Bosco empreendeu uma viagem pela América Latina e teve a revelação de que entre os graus 15 e 20 estaria a “Terra Prometida”, de onde surgiria uma nova civilização (FREIRE & DANTE JÚNIOR, 2011; ARQUIVO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL, 2011). Curiosamente, Brasília está situada no paralelo 15, em um ponto onde se forma o Lago Paranoá (VASCONCELOS, 2007). Outro fato importante ocorreu no início das obras da construção de Brasília, quando foi realizado o evento conhecido como “batismo espiritual” da cidade na realização de uma missa. Após esse evento seguiram-se: em dezembro de 1956 foi edificada uma ermida a Dom Bosco, no alto de um morro do outro lado do lago; o padre salesiano Osvaldo Sérgio Lobo se fixou no canteiro de obras; houve a fundação da primeira Loja Maçônica, a Estrela de Brasília; o pastor Elias Brito Sobrinho inaugurou a Primeira Igreja Batista; o padre Roque Valiatti Baptista criou a Paróquia de Dom Bosco; pouco depois, chegaram os espíritas e construíram o Centro Espírita Sebastião, o mártir; e Yokanan e seus seguidores, em uma região próxima a Brasília, fundaram a Cidade Eclética (VASCONCELOS, 2007). Também vale mencionar a criação por “tia Neiva”, em 1959, do movimento doutrinário e religioso conhecido como “vale do amanhecer”, hoje localizado no norte do Distrito Federal. Os monumentos mais visitados de Brasília são religiosos: a Catedral, a Igreja Dom Bosco e o Templo da Legião da Boa Vontade. De fato, a identidade mística de Brasília tem sido objeto de vários estudos. Freire e Dante Júnior (2011), por exemplo, realizaram um trabalho com base na fenomenologia da Geografia, utilizando-se de pesquisa bibliográfica e entrevistas. Por meio da retrospectiva realizada sobre o processo de interiorização, identificaram que o místico já estava presente em seus idealizadores por eles acreditarem que, a partir da transferência da capital do Brasil, o país alcançaria o progresso. Além disso, por meio das funções políticas e econômicas de Brasília, esta acaba por ser também centro de concentração do imaginário popular e, por trás da paisagem institucional, existe uma cultural, construída pela subjetividade do ser humano e suas experiências íntimas na relação com o lugar em que vive. Siqueira (2003) também menciona que Brasília fica cada vez mais conhecida nacional e internacionalmente como capital do esoterismo e do misticismo, e considera que a maneira como Brasília surgiu contribui para isto, seja pelo mito da criação de uma cidade utópica, com o planejamento urbano e arquitetura futurista do Plano Piloto, seja pelo mito da “Terra Prometida”, conforme citado anteriormente. Assim, tornou-se terreno fértil para o surgimento de uma religiosidade voltada para um Novo Tempo, conforme se pôde ver no surgimento, por exemplo, da Cidade Eclética, do Vale do Amanhecer e da Cidade da Fraternidade, dentre outras novas que continuam a surgir (SIQUEIRA, 2003). Pelo que esses e outros estudos indicam, tanto por ter sido uma cidade planejada, sonhada, quanto por possibilitar o surgimento de uma “nova civilização” – entenda-se nova civilização por um povo advindo de várias partes do país, com diferentes culturas, costumes, culinárias, sotaques –, Brasília se tornou solo fértil ao surgimento de novas religiosidades / espiritualidades. No Censo de 2010, constatouse que a cidade possuía aproximadamente 2.570.160 habitantes e um território de 5.779.999 Km², e que a população residente de religião católica apostólica romana era de 1.455.134; a evangélica era de 690.982; a sem religião era de 236.528; e a espírita era de 89.836 (IBGE, 2010). A adolescência, como já se disse antes, é uma faixa etária do desenvolvimento que vivencia a religiosidade de maneira peculiar. Considera-se importante conhecer como se manifesta a vivência religiosa / espiritual de adolescentes no contexto da “Terra Prometida”. Na sequência, portanto, abordar-seá o modo com as pesquisas têm revelado a maneira de os adolescentes vivenciarem a R / E para depois apresentar em mais detalhes os objetivos e a metodologia empregada nesta pesquisa. 2.3. Adolescência e religiosidade 2.3.1. A fase da adolescência O fenômeno da adolescência nem sempre existiu; compreende-se que, do ponto de vista biológico, os aspectos pubertários é que sempre existiram. É importante considerar que o fenômeno da adolescência possui aspectos sóciohistórico-culturais, sendo constituído por eles e, ao mesmo tempo, atuando sobre eles em uma relação dialética (OZELLA E AGUIAR, 2008). Somente durante o Século XIX a adolescência se tornou uma categoria reconhecida e difundida, com a introdução da educação em massa nos Estados Unidos. O fenômeno da adolescência passou por mudanças ao longo dos anos, sendo que, ao longo desse histórico, o sobremaneira desenvolvimento industrial na sociedade ocidental contribuiu (COLE & COLE, 2003). Assim, a adolescência foi criada historicamente pelo ser humano, como representação e como fato social e psicológico, sendo constituída com significado cultural. A linguagem permeia as relações, os fatos sociais surgem dessas relações e os homens atribuem significados a estes fatos, criando e definindo conceitos (AGUIAR; BOCK E OZELLA, 2001). No Brasil, um marco dessas mudanças na compreensão da adolescência foi a criação da Lei nº 8.069, de 1990, denominada Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 2005). Desde então esta fase tem recebido mais atenção, o que pode ser observado, por exemplo, com a disponibilização da caderneta de saúde do(a) adolescente, que foi desenvolvida pelo Ministério da Saúde. Ela possui versões femininas e masculinas, e é bastante completa e orientadora quanto a aspectos da saúde física e psicológica dessa fase (CADERNETA DA SAÚDE DA ADOLESCENTE, 2009; CADERNETA DA SAÚDE DO ADOLESCENTE, 2009). De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (2005), considera-se adolescente a pessoa entre doze e dezoito anos de idade – o estatuto pode ser aplicado excepcionalmente nos casos expressos em lei, às pessoas com idade entre dezoito e vinte e um anos. A questão da religiosidade na adolescência é vista como um direito fundamental por este Estatuto, visto que a cita em seu Artigo 16, Parágrafo III, que a criança e o adolescente têm direito à crença e culto religioso. Este direito está citado mais especificamente no Capítulo II, que trata do direito à liberdade, ao respeito e à dignidade (ECA, 2005). O ECA foi um marco na transformação do tratamento dado às crianças e adolescentes. Com ele, passou-se a observar as necessidades, direitos e deveres do ser em desenvolvimento e clarificou o que se espera de seus cuidadores. Alguns criticam a necessidade da criação deste estatuto por entenderem que o Estado passou a interferir na vida familiar; outros compreendem que ele se tornou necessário, tendo em vista que as famílias precisavam desse apoio e orientação. O mais importante é que houve mudança significativa na maneira de compreender a criança e o adolescente, que antes eram compreendidos como um ser formado e pronto, podendo ser tratado da mesma forma que um adulto, e que agora é visto como carente de cuidados por parte de seus cuidadores. Já pela Organização Mundial da Saúde (1995), a adolescência é compreendida como a faixa etária de 10 a 19 anos, sendo este período organizado em duas fases: dos 10 aos 14 anos, e dos 15 aos 19 anos. O período dos 10 aos 14 anos corresponde ao início das mudanças puberais, ou seja, as alterações fisiológicas e corporais associadas ao amadurecimento sexual. O segundo período, dos 15 aos 19 anos, corresponde ao término da fase de crescimento e desenvolvimento morfológicos, e nele as características de mudança na personalidade e relacionamento social podem ser facilmente percebidas (OMS, 1995). Estas classificações são necessárias para padronizar uma linguagem compreensível a todos. Em se tratando de uma organização mundial, facilita a comunicação, principalmente em termos de pesquisas e de políticas públicas. De forma geral, a adolescência é compreendida como a fase do desenvolvimento humano que ocorre no período de transição entre a infância e a idade adulta (ERIKSON, 1980; COLE & COLE, 2003). A palavra “adolescência” se origina do latim adelesco que significa “crescer”. Jean-Jacques Rousseau (1712– 1778), o primeiro grande teórico da adolescência, em seu tratado sobre a natureza humana e a educação, sugeriu três características da adolescência que ainda desempenham um papel predominante nas discussões atuais: 1. A maturação biológica provoca instabilidade e conflito emocional; 2. As mudanças biológicas e sociais que ocorrem mais proeminentemente nessa fase acompanham-se de uma mudança fundamental nos processos psicológicos; 3. O adolescente recapitula os primeiros estágios pelos quais a criança passou (COLE & COLE, 2003). O tema da religiosidade se fez presente no início da Psicologia, tendo sido abordado pelos grandes pioneiros em Psicologia do Desenvolvimento, tais como Stanley Hall (1844–1924), que se destaca por ser um dos primeiros grandes teóricos em estudos da adolescência, no âmbito específico da Psicologia. Ele também acreditava na recapitulação, tendo desenvolvido a Teoria da Recapitulação do Desenvolvimento; porém de forma diferente de Rousseau, pois era baseada no evolucionismo. Para ele, o desenvolvimento normal da mente envolvia uma série de estágios evolucionários, onde o ser humano passa desde a infância por uma repetição da história da raça humana até se tornar um humano racional e civilizado na vida adulta. Hall ampliou o conceito da evolução biológica de Darwin e, desenvolveu sua teoria no campo da Psicologia Biogenética, onde estabeleceu que a história experimental da espécie humana se tornou parte da estrutura genética de cada indivíduo. Em sua perspectiva, ao passar pela recapitulação, a pessoa revive o desenvolvimento da espécie humana desde o seu estado de animal selvagem nas eras primitivas até os estados de vida civilizada mais recente (HALL, 1916). Para Hall, a adolescência é o período denominado “tempestade e tensão”. Na teoria da recapitulação, a adolescência corresponde ao período em que a humanidade passava por turbulência e transição. Hall vê esse período como o momento de renascimento, em que a emotividade e o estresse estão aumentados. O grupo de companheiros tem muita influência sobre o adolescente, e ele nunca mais sofrerá tanta influência quanto nessa fase. Ao mesmo tempo em que o adolescente deseja solidão e reclusão, ele se encontra emaranhado em “paixonites” e amizades. Algumas vezes ele poderá demonstrar insensibilidade e crueldade; em outras, ele se mostrará extremamente sensível e terno. Há uma fome de ídolos e autoridades, mesmo com o radicalismo revolucionário dirigido a qualquer tipo de autoridade. O indivíduo alcança a sua maturidade quando recapitula o estágio do começo da civilização moderna (HALL, 1916). Oliveira (2006) critica esta tendência inaugurada por Hall, que possui raízes em Aristóteles, passando por Rousseau até chegar aos psicólogos da atualidade. Para a autora, essa concepção revestiu a modernidade de um enquadre negativo do que seja adolescência e juventude, com a ideia de que o jovem é arrebatado por emotividade e estresse aumentados. Ela destaca também a contribuição de obras psicanalíticas para a proliferação dessa vertente, tais como as de Freud (1978, 1995) e as de Aberastury (1983) e Aberastury & Knobel (1988), para citar alguns nomes (OLIVEIRA, 2006). Não existe uma teoria sobre a adolescência que seja amplamente aceita. Observa-se que uma das vertentes de compreensão da adolescência concentra-se em aspectos biológicos. Esta vertente também é importante, pois é complementar a outras vertentes que se lançam a compreensões contextuais, psicológicas e existenciais. É necessário conhecer as limitações dessa abordagem, já que tende a universalizar o fenômeno biológico da adolescência, abrindo pouco espaço para diferenças individuais. Por muito tempo a adolescência foi vista apenas sob esse aspecto. Posteriormente, o termo começou a ter uma conotação psicossocial. Em geral, os autores são unânimes em apontar que a adolescência passa por um momento denominado puberdade, que se trata do amadurecimento fisiológico e corporal. O consenso não existe quanto às questões emocionais e psicológicas. Quanto às mudanças que ocorrem na puberdade, pode-se dizer que o adolescente passa de um estágio de imaturidade física para o estágio de maturidade biológica, quando se torna capaz de reproduzir-se sexualmente. Ocorrem mudanças hormonais específicas nos meninos e nas meninas, de acordo com o sexo. Ambos crescem e se desenvolvem fisicamente (HURLOCK, 1975; ROSA, 1996; BEE, 1997; COLE & COLE, 2003). O momento de início da puberdade entre meninos e meninas possui variação, apesar de se observar em várias culturas que esse fenômeno tem se iniciado mais cedo do que há alguns anos (COLE & COLE, 2003). Sabe-se que as transformações biológicas têm implicações sociais, psicológicas e existenciais, como também questões sociais e culturais atribuem diferentes significados às mudanças pubertárias. No aspecto sociológico, ocorre transição da dependência infantil para a autossuficiência adulta. Passa-se de um estado de dependência para uma condição de autonomia, em que se começa a assumir funções e responsabilidades que caracterizam o mundo adulto. Para Erikson (1980), outro importante pioneiro nesse campo, a adolescência é uma espécie de morada entre a infância e a vida adulta; ela molda a base para uma personalidade adulta estável (COLE & COLE, 2003). Existe também um desejo de maior independência em relação aos pais, o que pode gerar conflitos em casa (MUUSS, 1966; ROSA, 1996; COLE & COLE, 2003). Porém, a maior parte dos adolescentes compartilha valores de seus pais – ao contrário da hipótese de uma cultura jovem diferente e separada dos adultos –, sendo o diálogo o método principal para a resolução de desacordos entre os adolescentes e seus pais (COLE & COLE, 2003). Pesquisas têm revelado diferentes maneiras de vivenciar a fase da adolescência, de acordo com diferenças na idade, no sexo, na classe socioeconômica e na etnia. Dependendo desses aspectos, o adolescente pode vivenciar esta fase sem percebê-la como conflituosa e tendo um bom relacionamento com os pais, por perceber que a limitação imposta pelos pais se deve a questões da ordem da proteção ao adolescente. Assim, desmistifica-se a concepção de adolescência problemática (OZELLA; AGUIAR, 2008). Pode-se falar de várias adolescências, sobretudo ao considerar um país cuja extensão territorial é grande como o Brasil. A adolescência deve ser compreendida em seu contexto sócio-histórico. Bock (2004) só considera possível a compreensão do psiquismo humano considerando o seu processo de inserção na cultura e nas relações sociais. Ela critica trabalhos que priorizam a caracterização da adolescência por meio de aspectos biológicos, o que simplificaria a adolescência a uma vertente naturalizante: “Torna-se necessário revisitar e rever o conceito porque, em suas concepções, a psicologia naturalizou a adolescência. Considerando-a uma fase natural do desenvolvimento, universalizou-a e ocultou, com esse processo, todo o processo social constitutivo da adolescência” (BOCK, 2004, p. 33). Quanto à identidade na adolescência, Erikson (1980) ficou conhecido por abordar esse aspecto, ressaltando que o dilema central da adolescência é o da identidade versus confusão de papéis. É necessário forjar uma nova identidade a fim de colocar o jovem entre os papéis da vida adulta – papéis profissionais, sexuais e religiosos. A confusão em face dessas escolhas é inevitável. Com relação à América do Norte, Bee (1997) afirma que o status de obtenção da identidade costuma ocorrer durante os primeiros anos de universidade. No entanto, um terço dos jovens desvela não enfrentar crise alguma, pois encontram-se no status de exclusão, bastante comum em culturas não industrializadas, onde se espera que crianças sigam as escolhas profissionais e sexuais dos pais. No caso dos jovens que vão trabalhar, eles adquirem uma identidade profissional mais cedo, pois frequentar a universidade adia o status adulto total. No final da adolescência ocorre uma espécie de reorganização no conceito de self, com a criação de uma identidade nova, voltada para o futuro – sexual e ideológica. Também para Schoen-Ferreira et al. (2003), assim como para Erikson, a tarefa mais importante da adolescência é a construção da identidade, o passo crucial da transformação do adolescente em adulto produtivo e maduro. A formação da identidade é influenciada por três fatores: intrapessoais (as capacidades inatas do indivíduo e as características adquiridas da personalidade); interpessoais (identificações com outras pessoas) e culturais (valores a que uma pessoa está exposta, tanto globais quanto comunitários). No aspecto psicológico, deve ocorrer a definição da identidade, em que há repercussões com consequências para o adolescente e a sociedade. Nesse sentido, adolescência é uma “situação marginal”, em que novos ajustamentos devem ser feitos para distinguir o comportamento da criança do comportamento do adulto (MUUSS, 1966; ROSA, 1996). Com um corpo maduro sexualmente, porém com impedimentos de ocupar um lugar social adulto, os adolescentes desenvolvem-se mentalmente no sentido de tentar compreender a complexidade das novas circunstâncias em que estão inseridos. Keating (1990) e Moshman (1998) são mencionados por Cole & Cole (2003) quando apresentam as mudanças ocorridas na maneira de pensar do adolescente, pois nesta fase ele adquire a capacidade de raciocinar hipoteticamente, pensar sobre as maneiras de pensar, planejar o futuro e pensar além dos limites convencionais. Quanto a pensar além dos limites convencionais, pode ser a capacidade do uso de suas habilidades cognitivas mais sofisticadas para pensar de uma nova maneira questões fundamentais das relações sociais, da moralidade, da política e da religião. Há uma motivação alta para a descoberta da maneira adequada de agir, já que o adolescente percebe as disparidades entre os ideais da comunidade e o comportamento dos adultos que o cercam. A qualidade do pensamento do adolescente varia segundo o conteúdo e os contextos. Entretanto, consideram-se importantes as contribuições de Piaget quanto ao pensamento operatório formal, desde que consideradas as variações culturais em que ele se apresenta. Inhelder e Piaget (1958) são mencionados por Cole & Cole (2003) por tratarem das mudanças ocorridas na maneira como os adolescentes pensam. Nessa fase ocorrem mudanças sobre como eles pensam a respeito de seus relacionamentos pessoais, sobre a natureza da sociedade e sobre si mesmos, o que se deve ao desenvolvimento de uma nova estrutura lógica chamada de operações formais, segundo a qual o adolescente adquire a capacidade de pensar de forma sistemática sobre todas as relações lógicas dentro de um problema, desenvolvendo interesse em ideias abstratas e no processo de pensamento em si. As operações formais são um tipo de operação mental em que todas as combinações possíveis são consideradas para a resolução de um problema; assim, o raciocínio opera de forma contínua como uma função de um todo estruturado. O pensamento operatório formal permite que os jovens pensem sobre questões políticas e jurídicas como princípios abstratos, permitindo-lhes pensar sobre o lado benéfico das leis e não apenas o punitivo. Podem também observar e interessar-se nos princípios éticos e nas incoerências dos adultos, por estes dizerem uma coisa e realizarem outra. Os escritos de Piaget sugerem que o pensamento operatório formal ocorre de forma consistente em diferentes domínios do pensamento do adolescente, e que esse pensamento é tão universal quanto a puberdade, devendo entender-se que há grande variação em quando e sob que circunstâncias ele se manifesta, considerando-se que cada pessoa atinge esse estágio em diferentes áreas e de acordo com suas aptidões. Logo, a maneira como as estruturas formais são utilizadas não é a mesma em todos os casos. Amparo et al. (2008) realizou pesquisa com 852 adolescentes e jovens estudantes do segundo grau de colégios públicos do Distrito Federal e identificou um caráter positivo sobre as vivências familiares: 86% dos participantes relataram ter incentivo da família para com os estudos; 82,1% dos adolescentes relataram que a família oferece segurança; 71,1% relataram que não há conflitos relevantes na família; 57,9% disseram ter privacidade em casa; 62,3% disseram que em casa há respeito mútuo entre as pessoas; 57,3% disseram que, quando falam em casa, têm a atenção da família; e 53% disseram que na família as pessoas tendem a se ajudar mutuamente. Nessa pesquisa, observa-se que os jovens têm uma percepção predominantemente positiva do ambiente familiar. A rede de amigos também se mostrou como um grupo importante, tanto para a proteção quanto para a constituição da identidade dos adolescentes, pois 96,3% disseram ter amigos que lhes fornecem apoio emocional, espiritual, material, social e também nas tarefas escolares. Outro fator de proteção mencionado por este grupo de pesquisadores se refere ao envolvimento que eles têm com a escola: 90,5% mencionaram a importância dos estudos atualmente, e 84,1% mencionaram a importância dos estudos futuramente; 84,1% mencionaram o desejo de fazer faculdade e o mesmo percentual reconhece a necessidade de muito esforço pessoal para isso. No que concerne a autoestima, que é considerada um fator pessoal de proteção, 80,5% dos jovens desta pesquisa declararam sentir-se pessoas de valor; 72,1% acham que têm boas qualidades e 57,8% se consideram criativos. Porém, 28,6% declararam sentir que não “prestam” para nada; 24,8% declaram ter manifestações ocasionais de inutilidade, e 18,1% declararam ter sentimentos de fracasso. Esses dados, observados em seu conjunto, mostraram a convivência entre aspectos positivos e negativos de forma harmônica e previsível, e permitem a visualização de uma juventude comprometida consigo mesma e consciente de limites e frustrações importantes para o próprio amadurecimento. Em pesquisa sobre a religiosidade em jovens brasileiros, Santos e Koller (2009) disseram que jovens com idade abaixo dos 25 anos tendem a seguir a mesma religião dos pais. Em 1998, 11,4% dos jovens brasileiros entre 16 e 25 anos eram agnósticos. Constatou-se também a diferença de religiosidade entre os gêneros, sendo as mulheres com maior religiosidade que os homens; os evangélicos e protestantes foram os que apresentaram maior religiosidade, explicada pelo fato de ser uma religião baseada na prática, que envolve orações, cultos, escrituras e rituais sagrados; a religiosidade dos católicos ficou na média, e o grupo dos que não tinham religião ou não acreditavam em Deus tiveram os menores escores de religiosidade. No entanto, considerou-se que a escala utilizada na pesquisa não desvela a mais adequada para medir a religiosidade afro-brasileira, pois esta está ancorada no sincretismo religioso. Em síntese, o estudo revelou uma diminuição da adesão à religião institucionalizada; os adolescentes brasileiros continuam a acreditar em Deus embora haja uma tendência à individualização da fé. Segundo Almeida e Montero (2001), jovens de nível socioeconômico baixo são a população que mais muda de religião no Brasil – questionam a religião dos pais e procuram respostas em outras afiliações. Eles disseram que no Brasil, tradicionalmente, o índice de autoafirmação como católicos é maior, ainda que de fato não pratiquem esta religião. Parte disso se explica pela questão cultural, pois a religião faz parte da cultura brasileira e foi introjetada na identidade dos que se afirmam católicos, muitas vezes pelo fato de terem sido criados em famílias católicas – e batizados, como iniciação na religião. Assim, os jovens apresentaram, nesta pesquisa, alto percentual de respostas “sem religião”, o que demonstrou que nessa fase há um maior afastamento das religiões institucionalizadas e um maior trânsito religioso. Pode-se dizer que na adolescência ocorrem transformações biológicas, psicológicas, sociais, e existenciais – dentre as quais, incluem-se mudanças nos valores, que deixam de ser exclusivamente emitidos pela família e passam a ser produto de uma reflexão e experiência pessoal do adolescente. Ele passa a desenvolver seu próprio jeito de visualizar o mundo, incluindo reflexões acerca das instituições religiosas e sua maneira de lidar com elas. Sendo a adolescência a fase de mudanças nos papéis, inclusive religiosos (Erikson, 1980), no próximo tópico aborda-se mais especificamente a adolescência e sua maneira peculiar de vivenciar a religiosidade. 2.3.2. Religiosidade na adolescência: a perspectiva de Amatuzzi Vários teóricos, especialmente os pioneiros da área, abordaram o tema da religiosidade na adolescência, considerando sua importância nos estudos do adolescente de forma integral. Atualmente, entretanto, encontram-se poucos estudiosos que têm se debruçado sobre essa questão específica, principalmente no Brasil. Amatuzzi (1999), fenomenólogo em pesquisas da psicologia da religião, desenvolveu um esboço de teoria do desenvolvimento religioso, com foco também sobre o período da adolescência. Embora o autor busque em outros autores elementos para elaborar o seu próprio esboço teórico, ele toma as noções de experiência e de consciência como conceitos-chave, em consonância com os pressupostos da fenomenologia. Ele buscou elementos nos seguintes autores para a elaboração de sua teoria: Piaget e as etapas da construção de um eu; Maslow e a hierarquia das necessidades; Erik Erikson e sua visão abrangente das oito idades da vida; e James Fowler e sua pesquisa sobre os estágios da fé. Um dos conceitos mais importantes que embasam a hipótese geral do desenvolvimento religioso é o de experiência, o qual implica um grau mínimo de consciência. Não se refere ao pensamento sobre o que aconteceu, mas trata-se de uma experiência vivida, e não apenas de ter passado materialmente pela situação. É um contato com uma realidade da ordem da consciência que pode ser emocionalmente muito forte e até mesmo impactante. É a experiência de outra dimensão da realidade. As interpretações das experiências podem nos distanciar das mesmas, já que podemos utilizar essas interpretações para nos proteger das experiências, de forma a distorcê-las quando as sentimos como ameaçadoras. Essas interpretações, mais próximas ou não do que realmente aconteceu no âmbito da experiência, podem se tornar rígidas e passar a determinar nosso comportamento posterior, o que pode nos impedir de nos dar conta de certos fatos, isto é, experienciar verdadeiramente. Essas interpretações possuem vida própria e corremos o risco de ficarmos presos no mundo dos conceitos. Isso caracteriza uma espécie de dogmatismo. O grau da experiência não se refere a esses pensamentos posteriores às experiências, ele se refere à capacidade de nos darmos conta do que acontece “sem pensar”. Seria um pensar diferente, diretamente ligado ao que acontece, que permite remeter-se inteiramente à realidade. Seria um pensar transparente; o que se revela é a própria realidade. Portanto, o grau de elaboração da experiência relaciona-se com a consciência que se tem da realidade – uma experiência plena, elaborada, é uma experiência plenamente consciente. Plenamente consciente não significa haver pensado bastante sobre a experiência, mas diz respeito à consciência sobre a experiência, uma consciência que se aproxima ao máximo do vivido (AMATUZZI, 1999). Em consonância com a perspectiva piagetiana, o autor estabelece que, quando não se usam os pensamentos secundários como esquema rígido – que faz perder o contato com a experiência original e seu significado primitivo –, eles podem ser úteis em decisões pragmáticas. O interessante é que o desdobramento da experiência só é permitido pelo grau de elaboração da experiência. Quando se tem consciência plena do que está acontecendo, abre-se para novas experiências, para perceber outras coisas, e há compreensão mais profunda das experiências anteriores. O campo religioso, campo das indagações sobre tudo o que acontece, indagações sobre o sentido último, questões do transcendente, o dar-se conta plenamente dessas questões de sentido, experienciando-as verdadeiramente, abre o ser humano para novas experiências. No caso das experiências acumuladas e cristalizadas pela humanidade no decorrer do tempo, religiões ou filosofias se apresentam de forma que não é em conexão com o campo de experiência tal como vivido pelo ser humano. A religião da família, por exemplo, chega com uma resposta pronta que pode ser assimilada ou não. Existe uma separação entre a resposta pronta (a religião da família) e o campo de experiência da pessoa (o que ela sente). Nessa separação, um todo rígido, uma elaboração secundária tornada autônoma, que exclui as questões existenciais que se possa ter, é a forma como a resposta pronta pode ser vista, ou seja, de forma a distanciar as pessoas das próprias questões existenciais que carrega, da própria experiência. Desta forma, cria-se a religião como alienação. Seria esta a religião usada para abafar as questões que a pessoa traz dentro de si, o que não facilita ações no sentido de solucioná-las. O que pode ocorrer nesse caso é a pessoa rejeitar essa religião para então poder retornar à sua experiência original, ou aceitá-la nessa condição e utilizá-la para se proteger de sua experiência original sentida como ameaçadora. A primeira possibilidade é a mais saudável. O que desencadeia isso é a separação entre o sistema religioso e a experiência. Isso faz com que a religião seja vista como algo fora da pessoa, desvirtuando, assim, o sentido humano da religião. Outro problema que pode ocorrer é a pessoa associar as questões de sentido a esse tipo de religião e anestesiar suas questões por rejeitar essa religião. Com isso, a pessoa fica com um conceito infantil, inadequado e rígido de religião. Então, ao rejeitar essa religião, e juntamente com ela as questões de sentido da vida, a religião também serve como anestesia da pessoa (AMATUZZI, 1999). Por outro lado, Amatuzzi (1999) afirma que, se entendemos a religião como o campo das experiências das questões de sentido, encontra-se outro caminho de desenvolvimento que seria, primeiramente, vivenciar essas questões de sentido para, a partir daí, estar aberto às novas experiências que possam ocorrer. Assim, pode-se ou não encontrar com alguma tradição religiosa viva (e não fossilizada). No caso de encontrar, não terá uma função alienante, mas promotora de crescimento. Esse encontro seria uma verdadeira experiência significativa. Essa experiência significativa pode não coincidir com o encontro de alguma tradição religiosa; trata-se de uma experiência mais ou menos independente de outra dimensão da realidade. É uma vivência de encontro pessoal, onde há, por parte da pessoa, algo como uma rendição incondicional e livre a partir de acontecimentos ordinários, vistos sob uma nova luz, possibilitando um salto para outra dimensão. Isso pode, mas não necessariamente, ter relação com uma tradição religiosa viva quando a verdade profunda dessa tradição é experienciada. Esse tipo de relação pode variar. O que mais importa é que esse tipo de experiência terá uma influência grande no desenvolvimento religioso e consequentemente, no desenvolvimento humano de forma geral (AMATUZZI, 1999). Passemos agora pelas principais fases da vida propostas por Amatuzzi (1999) para descrever o desenvolvimento religioso. No primeiro ano de vida, o principal desafio para o bebê consiste na formação de um ‘eu’ consciente, na descoberta de um mundo independente do eu. Para isso, é necessária a experiência de uma confiança fundamental que se estabelece no aconchego da relação com os primeiros cuidadores. Essa experiência de confiar é capaz de tirar a criança de dentro de si mesma. Essa consciência que nasce em um clima de entrega está na base de todas as formas posteriores de fé verdadeira. A criança, em torno de 1 a 6 anos, já tem a confiança fundamental constituída no primeiro ano de vida, e em cima disso ela constrói progressivamente um eu. Na etapa seguinte, do menino ou da menina, aproximadamente dos 7 aos 11-12 anos, o ponto central seria tornar-se capaz de fazer, ou seja, de adquirir habilidades e desenvolver competências, impulsionado pela confiança básica, e pressupõe uma experiência de coragem e ousadia. A religião, quando existe, é a dos pais. Ela é compreendida sob um aspecto mais concreto, a partir de histórias que lhes são contadas, as quais permitem que o menino ou a menina se vejam nessas histórias, para representar uma identidade coletiva da qual ele ou ela participam (AMATUZZI, 1999). Na fase da adolescência ocorre o processo de construção de uma identidade a partir das escolhas que se faz. A confiança básica se revela mais uma vez, fazendo o adolescente partir em busca do que ele é. A criança de antes, que se definia totalmente pela família, vai deixando de existir. Uma escolha muito importante nessa fase é a escolha de um grupo no qual o jovem vai exercitar uma identidade diferente da recebida pela família. A confiança básica se manifesta no contato com o outro, no grupo escolhido, e permite-lhe fazer experiências significativas. Esse grupo será importante nas novas experiências espirituais desse jovem. Ele pode até mesmo vir a adotar a religião do grupo, e assumir a forma de pensar do mesmo. É uma forma primeira, um pouco mais pessoal, de se definir no campo de significado das coisas. Não é ainda tão pessoal porque ele assume esse modo de ser quase sem críticas. O fato de ele confiar nos amigos e no grupo, permite ao jovem assumir seu modo de pensar e agir, alcançando sua nova identidade. Se ele não fizesse isso, permaneceria vinculado à família de forma rígida e não alcançaria sua nova identidade. Nessa fase existe a necessidade de explorar um pouco mais o mundo além da comunidade familiar – mas, ao mesmo tempo, com a segurança que vem justamente da família. Pode haver um abandono provisório ou definitivo da prática religiosa dos pais justamente por ser dos pais e não do seu grupo novo. Em parte, isso dependerá da autenticidade da prática dos pais e do respeito dos mesmos com o filho. Os pais ou cuidadores costumam encarar esse momento como delicado, pois, no caso de existirem elos afetivos fortes, ele pode ser vivido de forma conflituosa. Para o jovem pode não ser assim. O que acontece para ele é um desejo de ampliar o mundo e construir uma identidade mais independente – e ele tem consciência de que precisa da segurança dos pais para isso. O autor ressalta que é fundamental que os pais tenham a coerência com sua religião, ou sua fé, o respeito e a paciência pela necessidade do jovem de explorar o mundo (AMATUZZI, 1999). O desafio a que o jovem chega no final da adolescência e início da juventude adulta, movido pela sua confiança básica, é o de sair de um certo fechamento em sua perspectiva para uma abertura que lhe permita um relacionamento mais profundo, podendo tocar a realidade mais em seu interior. A essa experiência, dá-se o nome de intimidade, e ela pode ser física e espiritual. A intimidade se realiza com pessoas, e também com coisas ou acontecimentos quando se sabe ouvir o que eles têm a dizer. Dessa experiência surge um novo eu. A confiança básica faz o jovem adulto correr o risco da intimidade. Se a energia canalizada por essa confiança estiver debilitada, o jovem poderá se fechar. Uma relação superficial não será mais suficiente para sustentar uma postura religiosa. Se tudo correu bem até aqui, será necessária uma base crítica, de uma fundamentação para o que se faz. O anseio por intimidade faz com que se deseje uma religião ou uma fé ou um modo de ser, seja qual for, fundamentado em uma experiência real da pessoa. É o momento de sentir e discutir. Esse é o momento em que práticas religiosas convencionais, ou baseadas em concepções mais ou menos infantis, não resistem à exigência da pessoa. Pode ser tempo de reencontro, de uma experiência nova e transformadora nesse campo (AMATUZZI, 1999). Na fase adulta, até 35-40 anos, o desafio central apresentado pelo autor é abrir-se para a criatividade, a fecundidade, a generatividade, no sentido de cuidar do fruto produzido. Existe a preocupação de expandir essa experiência no meio em que vive, trazer uma contribuição para a sociedade com seus desafios próprios, ou criar novos modos de relação no grupo religioso ou do grupo para com o mundo. Entre os 35-40 e 50-60 anos, há uma grande virada. O adulto maduro terá por desafio descobrir um novo sentido para tudo, um sentido mais pessoal. A agitação externa não mais satisfaz e não mais sujeita a pessoa a obrigações que para ela não estão muito relacionadas com uma fonte verdadeiramente interior. Mobilizado pela confiança básica, surge um eu nessa fase que é um eu fonte de sentido; a pessoa quer fazer o que realmente faz sentido para ela. É um momento em que mudanças drásticas podem ocorrer. No caso do ser humano maduro, ou idoso, chama-se a alcançar esse tipo de libertação, mas de forma diferente da anterior. Desta vez, o aprofundamento da libertação é por meio dos apegos, por ser uma fase de experimentação da perda – de saúde, de força física, de capacidades, de pessoas queridas, dentre outras. Amatuzzi explicita que, em cada fase da vida, a pessoa se deparará com um desafio central. A superação, ou não, desse desafio refletirá na maneira de a pessoa se comportar religiosamente, ou de relacionar-se com Deus – ou com o que ela considera divino. Se o objeto transcendente não é encontrado pela confiança básica, nem mesmo de forma implícita, é provável que o ser humano viva um desespero mais ou menos abafado, ou em amargura. Percebe-se, pois, que a adolescência constitui o desafio da formação da identidade, e de eleger grupos onde ela possa exercitá-la – podendo até adotar a religião do grupo, de forma autêntica ou não. Podemos dizer que é a fase propícia à experiência religiosa, pois esta lhe serve como resposta a tantas indagações existenciais. Um dos teóricos nos quais Amatuzzi se baseia é Fowler (1998), para quem a fé tem um profundo sentido relacional, que se forma a partir de pessoas, grupos, família com a qual se convive, ama e confia. A partir do contexto relacional, o indivíduo cresce e forma a base de suas crenças e fé. “O estágio da fé que ocorre no início da adolescência/ puberdade é a Fé sintético/ convencional. Nesse estágio a confiança se desloca para ideias abstratas do pensamento lógico-formal, isso leva a criança ao desejo de um relacionamento mais pessoal com Deus. Surge uma perspectiva dialogal por conta de reflexões sobre experiências passadas e preocupações com o futuro, além do estabelecimento de relações mais pessoais. No fim da adolescência e início da idade adulta o estágio vivido é o da Fé individualizada e reflexiva. Ocorre um exame crítico dos valores e crenças e uma mudança do apoio em autoridades externas para um apoio mais interno. Isso possibilita que se escolha compromissos conscientemente”. (FOWLER, 1998, p. 273-274). Percebe-se que Fowler menciona o estágio da fé vivido na adolescência de acordo com as mudanças que ocorrem – mencionadas por Piaget, conforme foi explicitado anteriormente. Nesta fase, devido às mudanças na estrutura do pensamento, a criança passa a buscar e viver uma fé que lhe faça sentido, de forma a lhe permitir um relacionamento mais pessoal com Deus. A partir de como vivencia isso, ela passa a realizar exame crítico dos valores e crenças. É importante ter a noção completa do processo de desenvolvimento proposto, compreendendo que as fases não são fechadas, e que a adolescência constitui uma fase de descobertas de si mesmo, de formação da identidade, de movimento de distanciamento familiar e aproximação do grupo de amigos, e de descoberta de uma religiosidade que lhe faça sentido pessoal. Nessa direção, Starbuck (1899, apud JAMES, 1995) verificou que a conversão religiosa, em suas manifestações comuns, está intimamente paralela ao crescimento em uma vida espiritual mais ampla que ocorre na adolescência, entre os 14 e os 17 anos, quando, muitas vezes, se identifica sentido de imperfeição, depressão, solidão, introspecção, senso do pecado, ansiedade a respeito da vida futura e angústia por conta de dúvidas. Para Starbuck, a conversão é, em sua essência, um fenômeno adolescente normal que pode ocorrer na passagem do pequeno universo da criança para a vida intelectual e espiritual mais ampla da maturidade. Por outro lado, Novaes (2004) apresenta pesquisa realizada com jovens de idades entre 15 e 24 anos, que teve como principal objetivo discutir a mudança relativa ao aumento dos que se declaram “sem religião” a partir do Censo de 2000, e continuou em crescimento segundo o Censo de 2010. A autora constatou que, dentre os que se declararam sem religião no censo de 2000, a maioria era jovem. Além disso, ela mencionou a pesquisa nacional realizada pelo projeto Juventude/ Instituto Cidadania, na qual 10% dos jovens entrevistados se declararam “sem religião” – dentre eles, encontram-se agnósticos e ateus, que são 1%. Dentre os agnósticos e ateus, 69% são homens e 31% são mulheres, sendo que 50% deles estão na faixa intermediária, entre 18 e 20 anos, podendo significar que declarar-se ateu ou agnóstico pode fazer parte do momento da vida em que é importante a afirmação de identidade independente em relação à família. Isto nos reafirma a mobilização interna e os questionamentos relacionados à religiosidade/ espiritualidade que ocorrem nesta fase. Em síntese, nas palavras de Marques, Cerqueira-Santos e Dell’Aglio (2011, p.81): “Algumas características do período da adolescência desvelam favorecer que explorações espirituais aconteçam. Por exemplo, o desenvolvimento da capacidade de pensar abstratamente permite a consideração de hipóteses não familiares acerca de situações e ideias”. No próximo tópico, portanto, serão abordados aspectos mais relacionados à religiosidade como fator de proteção e suas relações com o bem-estar, sendo vivenciada de forma a propiciar saúde psíquica. 2.3.3. A religiosidade como fator de proteção e de bem-estar na adolescência Cada vivência religiosa carrega consigo valores relacionados ao próprio dogma, aos próprios preceitos. Os adeptos de cada religião, ainda que em diferentes intensidades, desenvolvem um processo de internalização do que se prega como certo e errado. Sabe-se que a vida é tomada de contradições e incoerências; porém, entende-se que, em sua vivência religiosa original e legítima, os jovens que se identificam com determinada religião estruturam valores na direção da crença, ou seja, com base em preceitos religiosos e espirituais desta crença. Em pesquisa sobre religiosidade e identidade positiva na adolescência, Marques, Cerqueira-Santos e Dell’Aglio (2011) observaram influência positiva da religiosidade na identidade, porém não foi possível discriminar se os jovens que possuíam uma identidade positiva eram os que buscavam maior envolvimento religioso, ou se os jovens com maior envolvimento religioso se beneficiam de uma visão mais positiva de si. A religiosidade influencia positivamente a noção que os jovens possuem, ou estão formando, de si. No entanto, destaca-se que o envolvimento religioso não deve ser tomado como fator protetor absoluto, já que em certos contextos, e diante das características psicológicas individuais, pode ter um impacto negativo. Em outra pesquisa, relacionada à religiosidade como fator de proteção, Marques e Dell’Aglio (2009) apontam que na adolescência se passa por momentos em que se pode estar mais vulnerável a inúmeros eventos estressores. Dependendo de como se enfrenta os problemas e adapta-se a eles, pode haver resultados de saúde, equilíbrio e resiliência, ou em comportamentos de risco e maiores dificuldades. Para as autoras, apesar de a adolescência ser geralmente vista como um período de vulnerabilidades, observa-se que a maioria dos adolescentes atravessam esse período apresentando sentimentos positivos em relação a si e à família, e este desenvolvimento positivo está bastante relacionado às características dos contextos em que estão inseridos e aos fatores de risco e de proteção presentes. Os comportamentos de risco desses jovens os expõem a uma maior probabilidade de apresentar problemas físicos, psicológicos e sociais. Entendem como fatores de proteção os que se referem “a influências que modificam, alteram ou melhoram a resposta dos indivíduos a ambientes hostis ou que, em sua ausência, predispõem a consequências mal adaptativas” (p.7). Os fatores de risco são mencionados por Benincasa e Rezende (2006) como elementos com grande probabilidade de provocar ou associar-se ao desencadeamento de um evento indesejado, não sendo necessariamente fator causal. Identificam em sua pesquisa, por exemplo, a associação do álcool e a direção como fator de risco para acidentes de trânsito entre adolescentes. Com relação ao bem-estar psicológico na adolescência, um grupo de pesquisadores constatou no relato deles que aqueles pertencentes a alguma religião, ou que tinham alguma prática religiosa semanal, apresentaram maiores níveis de bem-estar psicológico que os adolescentes que iam a templos religiosos às vezes ou nunca (SILVA et al., 2007). Nessa direção, em uma pesquisa sobre religiosidade e bem-estar com jovens adolescentes estudantes portugueses, moçambicanos, angolanos e brasileiros (FERREIRA; PINTO; NETO, 2012), perceberam-se relações entre vivências religiosas e a satisfação com a vida e o bem-estar. O estudo apontou que a religiosidade está associada às variáveis psicológicas em todos os grupos culturais. Foi verificado nesta amostra que os rapazes têm atitudes mais favoráveis ao cristianismo que as moças. Eles também apresentaram maior bem-estar religioso; já as moças apresentaram maior bem-estar existencial. Os homens sentem mais solidão e as mulheres são mais satisfeitas com a vida do que os homens. Outra questão importante identificada foi quanto à frequência à igreja ou a outro local religioso. Os jovens que frequentam mais os locais religiosos têm uma atitude mais favorável ao cristianismo, maior bem-estar religioso e existencial, sentem menos solidão e são mais satisfeitos com a vida. Nesse estudo, os brasileiros foram os que mais declararam frequentar locais religiosos. Os jovens angolanos e brasileiros são os que mais acreditam em Deus, que declararam que o ato de rezar, orar e ir à igreja os ajuda a ter uma vida melhor e contribui para o seu bem-estar. Os jovens que possuem atitudes mais positivas ao cristianismo sentem maior bem-estar religioso e existencial, frequentam mais a igreja e rezam mais sentem que a sua vida está próxima de seu ideal, que as condições de vida são boas, que têm as coisas importantes que gostariam de ter da vida e que não mudariam nada caso vivessem tudo de novo. Os jovens que demonstraram ter menos solidão revelaram ter maior bem-estar existencial; porém, a pesquisa não percebeu correlação entre as medidas de religiosidade e a solidão. De acordo com Witter et al. (1985) e Inglehart (1990), citados por Ferreira, Pinto e Neto (2012), vários estudos indicam que pessoas com maior frequência à igreja são mais satisfeitas com a vida, o que mostra uma correlação positiva entre a religiosidade e o bem-estar. Em consonância com o supracitado, estudos de Stroppa e Moreira-Almeida (2008) revelam que maiores níveis de envolvimento religioso estão associados de forma positiva a indicadores de bem-estar psicológico, como satisfação com a vida, felicidade, afeto positivo e moral elevado, melhor saúde física e mental. Por outro lado, a depressão, pensamentos e comportamentos suicidas, uso e abuso de álcool e outras drogas tendem a estar inversamente relacionados ao nível de envolvimento religioso. No entanto, o impacto positivo do envolvimento religioso na saúde mental geralmente é mais intenso em pessoas em situações de fragilidade, como idosos, por exemplo, em pessoas sob estresse ou pessoas deficientes ou com doenças clínicas. Marques (2003) também diz que a vivência da espiritualidade pode contribuir de forma importante para a promoção da saúde e prevenção da doença. Outro aspecto importante contemplado pela vivência religiosa é apontado por Argyle (2001), que diz respeito ao fato de que a religião propicia forte suporte social fornecido pelos grupos de igreja, que providenciam várias formas de apoio e ajuda prática e emocional. Aponta também que a importância da religião está associada à atuação com relação à força das crenças, não só em relação à crença na vida após a morte, mas também em relação ao fornecimento de esclarecimentos e propósitos. Tudo isso produz efeitos positivos no bem-estar subjetivo e, mais especificamente no bem-estar existencial, como também na saúde física, mental e na felicidade de forma geral. Observa, ainda, em sua pesquisa, que mais felicidade é proporcionada pela relação com Deus, vivida no rezar e nas experiências religiosas, e atua como suporte das relações sociais. De acordo com os estudos realizados, desvelam ser mais felizes as pessoas que disseram frequentar a igreja uma ou mais vezes por semana. Ferreira e Neto (2008) realizaram um estudo com professores de Portugal e relacionaram a religiosidade e o bem-estar ao longo da vida. Constataram que as atitudes face ao cristianismo, a orientação intrínseca, a identificação, o bem-estar religioso e os comportamentos religiosos tiveram correlações positivas com a satisfação com a vida e com a felicidade, e negativas com a solidão, o que está de acordo com a compreensão de que a vivência religiosa fornece apoio social. Dalgalarrondo et al. (2004) mencionam que estudos nacionais e internacionais demonstram que a religiosidade é um importante modulador no consumo de álcool e drogas em estudantes adolescentes. Constataram, em pesquisa realizada com 2.287 estudantes de escolas públicas e particulares da cidade de Campinas – SP, que o uso pesado de pelo menos uma droga foi maior entre estudantes que tiveram uma educação na infância sem religião. O uso no mês de cocaína e de medicamentos para “dar barato” foi maior nos estudantes que não tinham religião, e o uso no mês de ecstasy e de “medicamentos para dar barato” foi maior nos estudantes que não tiveram uma educação religiosa na infância. Constata-se, assim, que várias dimensões da religiosidade agem com possível efeito inibidor sobre o uso de drogas por adolescentes. Sobretudo, desvela que uma maior educação religiosa na infância mostrou-se importante nessa possível inibição. Neste sentido, Carvalho e Carlini-Contrin (1992) colheram dados em extensa pesquisa, com 16.117 estudantes de Primeiro e Segundo Grau, em quinze cidades brasileiras. Encontraram correlação negativa fraca, mas constante, entre consumo de álcool e drogas e frequência a atividades religiosas. Em importante pesquisa para o contexto desta pesquisa de mestrado, por se tratar do mesmo público, Amparo et al. (2008) pesquisou 852 adolescentes e jovens que cursavam o Segundo Grau em regiões administrativas do Distrito Federal. Referente aos fatores pessoais de proteção, como a vivência religiosa e espiritual, destacaram o modo como esses indivíduos investem na sua espiritualidade e como ela contribui para a sua autoestima e, portanto, para a sua resiliência. Os elementos identificados como fatores de proteção se caracterizam como suporte pessoal para o adolescente diante da exposição aos fatores de risco. Nesta pesquisa, a busca da espiritualidade, ou mesmo da religião, se mostrou como um foco importante de investimento pessoal, pois 62% dos jovens percebem a religião como sendo bastante ou muito importante; 77% deles costumam pedir ajuda a Deus para resolver seus problemas e 68,3% costumam agradecer a Deus. Porém, somente 41,3% frequentam encontros religiosos e 38,6% costumam ler as escrituras sagradas. Assim, a religiosidade e espiritualidade dos adolescentes, nesta pesquisa, apresenta-se como um movimento individual, pois a maioria deles não costuma frequentar instituições religiosas. Com base nesses dados, percebe-se o movimento dos jovens em direção à crença e à estruturação de valores com base em preceitos religiosos e espirituais. Considera-se ser de extrema relevância que os adolescentes tenham as condições necessárias para a formação de valores positivos para si e a sociedade, pois nessa fase ocorrem muitos questionamentos quanto às regras a que até então estavam submetidos, reflexões a respeito do que realmente acreditam e sobre o código de conduta a que pretendem se submeter. O mais adequado é que eles possam vivenciar religiosidades que lhes estimulem o pensamento crítico, de forma a construir valores com os quais se identificam genuinamente. O próximo tópico busca estabelecer relações entre valores, moral e religiosidade, no sentido de compreender a conexão entre esses aspectos e sua relação com a adolescência. 2.4. Valores e moral na adolescência Para Amatuzzi (2001), a religião, por ser uma tradição religiosa viva e compartilhada, é uma organização externa fundamentada nas crenças, valores, mitos e ritos que permitem um maior sentido da vida. Assim, não é possível compreender a religião desvinculada de seus valores e crenças, o que nos leva a abordar, a seguir, tais aspectos relacionados à adolescência. As modificações que acontecem na adolescência em termos psicossociais, biológicos e cognitivos propiciam que se desperte para questões novas, como, por exemplo, sobre condutas adequadas e inadequadas, sobre justiça, regras, questões morais, dentre outras. Para Fowler (1998), as normas do sagrado, as proibições e as normas morais são tornados conscientes já pela criança. Porém, sabe-se que na adolescência essas questões são vivenciadas de forma mais intensa em decorrência das transformações ocorridas. As mudanças que ocorrem no pensamento do adolescente, o desenvolvimento de capacidades para pensar de forma a considerar vários fatores ao mesmo tempo quando pensam em um problema, ou seja, o desenvolvimento do pensamento operatório formal produz impacto também na maneira de refletir a respeito das normas. Assim, o adolescente desenvolve um conhecimento mais profundo dos códigos morais da sociedade (COLE & COLE, 2003). Neste sentido, Keating (1990) e Moshman (1998), mencionados por Cole & Cole (2003), compreendem que pensar além dos limites convencionais diz respeito a ter a capacidade do uso das habilidades cognitivas mais sofisticadas para pensar de uma nova maneira questões fundamentais das relações sociais, da moralidade, da política e da religião. Dessa forma, Hurlock (1975) menciona as consideráveis mudanças no sistema de valores do adolescente, pois ele passa a analisar criticamente o sistema de valores a que foi exposto – e ao qual respondia de modo mais ou menos automático. O adolescente busca algo que lhe seja próprio, sobre o que ele possa assumir responsabilidade pessoal, o que explica um pouco as lutas pelas quais ele passa nessa fase da vida, buscando definir o seu próprio sistema de valores, o seu próprio padrão de comportamento moral. O desenvolvimento moral, com base na Psicologia do Desenvolvimento, foi pesquisado por Kohlberg que, depois do pioneiro Piaget, completou e ampliou sua contribuição especificamente no que diz respeito ao desenvolvimento moral. Kohlberg iniciou seus estudos com um grupo de 50 americanos do sexo masculino, com idade entre 18 e 28 anos, e o entrevistou a cada triênio, por um período de 18 anos. A pesquisa identificou seis orientações que constituem a base dos seis estágios do desenvolvimento moral definidos por ele. Percebeu que todos os sujeitos estudados passavam pela mesma sequência de estágios, embora tivessem ritmos de desenvolvimento diferentes. Descobriu também que nenhum dos sujeitos havia chegado ao mais alto nível de desenvolvimento moral (KOHLBERG, 1964, apud DUSKA; WHELAN, 1994). Para Kohlberg, não interessa o comportamento moral externo, e sim as razões adotadas para praticar, ou não, uma ação. Da mesma forma, ele não se interessa pelas “afirmações” dadas pelas pessoas sobre uma ação ser certa ou errada. O que faz diferença são as razões dadas para que determinado ato seja considerado certo ou errado. Foram identificados seis estágios que, agrupados de dois em dois, formam três níveis de julgamento moral, a saber: pré- convencional, convencional, e pós-convencional (KOHLBERG, 1964, apud DUSKA; WHELAN, 1994). O nível pré-convencional caracteriza-se pela atenção do jovem às normas culturais e aos rótulos de bem x mal, de certo x errado, interpretados com base nas consequências hedonísticas/ físicas da ação, quais sejam: punição, troca de favores, recompensa – ou com base no poder físico de quem estipula as normas. Esse nível possui dois estágios: 1- orientação para a punição e obediência – as consequências físicas do ato em si determinam a bondade ou a malícia do ato; e 2- orientação relativista instrumental – as relações humanas são vistas de forma parecida com as relações comerciais, pois a ação justa é aquela que satisfaz às próprias necessidades e, ocasionalmente, às dos outros (KOHLBERG, 1964, apud DUSKA; WHELAN, 1994). No nível convencional, a manutenção das expectativas da família, do grupo, da nação é vista como válida em si mesma, sem considerar as consequências óbvias e imediatas. A atitude é de lealdade à ordem constituída, de forma a manter ativamente, sustentar e justificar a ordem instituída e identificar-se com as pessoas ou com os grupos envolvidos. Dois estágios constituem esse nível: 3- orientação interpessoal do “bom menino, boa menina” – segundo a qual seria considerado bom o comportamento que agrada, ajuda as pessoas, e é por elas aprovado; e 4- orientação à lei e à ordem constituída – aqui, a orientação é para a ordem social, para as leis e para a autoridade e regras fixas (KOHLBERG, 1964, apud DUSKA; WHELAN, 1994). Em seguida vem o nível pós-convencional, autônomo ou de princípio, em que há um esforço claro do indivíduo para definir os valores morais e os princípios que têm validade e aplicação, de forma a prescindir da autoridade dos grupos ou das pessoas que mantêm esses princípios, com os quais não se identifica. Os estágios desse nível são: 5- orientação legalista para o contrato social – que geralmente apresenta características utilitárias. Aquilo que é considerado justo, ou seja, o que é constitucional e majoritariamente aceito é matéria de valores e opiniões pessoais; 6orientação ao princípio ético e universal – o que define o que é justo é a decisão da consciência de acordo com os princípios éticos escolhidos e que apelam para a compreensão lógica, coerência e universalidade. Na verdade, são princípios universais de justiça, reciprocidade, igualdade de direitos, dentre outros (KOHLBERG, 1964, apud DUSKA; WHELAN, 1994). As contribuições de Kohlberg frequentemente recebem críticas por constituirem uma sequência de estágios do desenvolvimento moral. Porém, ele não pretendeu destituir o sujeito de sua subjetividade, mas contribuir a respeito da moralidade, que é um assunto de importância fundamental quando se fala em convivência social e ética. Seus estudos resultaram na compreensão de que os estágios constituem uma invariável sequência. Não é possível chegar a um estágio mais alto sem passar pelo anterior a ele – considerando que existem variáveis quanto à idade, e a mudança de um estágio para outro depende de pessoa para pessoa. De acordo com a história da Psicologia, a noção de valor ficou mais tradicionalmente ligada à psicologia social. Já a noção de moral ficou tradicionalmente mais ligada à psicologia do desenvolvimento. O instrumento utilizado nesta pesquisa, que foi adaptado para o Brasil por Amberge et al. (2012) e readaptado por Taceli (2014), buscou estabelecer relações entre o desenvolvimento da religiosidade, da moral e a noção de valores a partir de contribuições vinculadas à psicologia social e à psicologia do desenvolvimento. Por este trabalho estar na confluência dos dois campos, considera-se importante considerar conexões e relações entre ambos com as noções de religiosidade. Assim, apresentam-se alguns conceitos sobre valor e moral, primeiramente por meio de concepções de autores de dicionários de Psicologia e Filosofia. Posteriormente, apresentam-se algumas pesquisas realizadas com adolescentes na Alemanha e Suíça, contexto em que o questionário foi desenvolvido, e também no Brasil. Observa-se que, de forma geral, os termos “valor”, “valores” e “moral” são muitas vezes usados como sinônimos, ao que podemos acrescentar também o termo “ética”. Deve-se atentar para os contextos nos quais cada termo é utilizado, pois eles podem apresentar múltiplos sentidos. Em um dos dicionários de Psicologia consultados, o conceito de valor é apresentado de duas formas. Em uma delas, apresenta-se como algo desejável em relação a um grupo social; um produto social que é imposto, mas que se internaliza lentamente, ou seja, é lentamente aceito como critério pessoal de valor; e os meios de se alcançar aquilo que é valorizado também são considerados um valor em si.. Já na segunda forma, apresenta-se como algo que se deseja, algo de valor, que se valoriza, não intrinsecamente, mas por meio de um processo. As duas maneiras estão interconectadas, pois dizem de um processo que não está pronto a priori, mas que é construído considerando aspectos sociais (CABRAL, 1971). Outro conceito ressalta a importância de se formar bons valores, tanto do ponto de vista individual, quanto do ponto de vista familiar e social, pois admite que os valores são internalizados na pessoa e dirigem o seu comportamento (WURZBURG, 1994). Nesse sentido, Vandenbos (2010) considera que valor é algo bom, que se deseja ou que seja importante moral, social ou esteticamente. Valores estão associados a regras sociais, normas de conduta para se alcançar o que é coletivamente estabelecido como bom, desejável ou importante. O mesmo autor nos apresenta também o conceito de valores familiares: Valores familiares: valores morais e sociais atribuídos à família nuclear tradicional, tipicamente incluindo disciplina, respeito pela autoridade e abstinência sexual fora do casamento. O termo hoje está basicamente associado ao conservadorismo político ou religioso (VANDENBOS, 2010, p. 1009). A noção de valores se revela como algo que deve ser seguido, desvela uma noção rígida. Dá a impressão de uma ordem, por estabelecer socialmente o que é o bem a ser buscado. Talvez uma noção como essa explique bem a questão de os adolescentes conflitarem com os pais e/ou famílias e, muitas vezes, com instituições religiosas que lhe são impostas como as adequadas. Eles conflitam por estarem em busca da construção de valores que lhes sejam próprios. Além disso, podemos confrontar o conceito por colocar a noção de valores familiares associada ao conservadorismo político e religioso, pois, pelo menos nos meios políticos e religiosos mais atuais, abre-se espaço para vivências que não deixam de ser familiares, mas que nem por isso são retrógradas, ou deixem de permitir uma vivência autêntica em contato com a experiência. Podemos associar o conceito ao que Amatuzzi (1999) apresenta quando fala da experiência original – que é a expeirência autêntica, em contato com a vivência pessoal. Por um lado, a experiência humana é repleta de incoerências que conflitam com a moral – e às vezes com a ética–, ou seja, os valores podem ser valores conflitantes com estas instâncias. Negar as incoerências nega à pessoa a oportunidade de crescer com elas e superá-las. Por outro lado, a moral ou os valores estabelecidos socialmente são vistos como algo a se alcançar. De certa forma, eles servem para não alienar o indivíduo em seu egoísmo. A maior parte dos adolescentes compartilha valores de seus pais, ao contrário da hipótese de uma cultura jovem diferente e separada dos adultos, sendo o diálogo o método principal para a resolução de desacordos entre os adolescentes e seus pais. Por ser uma fase em que ocorrem muitos questionamentos quanto ao que é certo e o que é errado e quanto a em que basear o próprio comportamento, a adolescência é uma fase onde as questões de comportamento moral assumem importância especial (COLE & COLE, 2003). Galimbert (2010) diz que “valores”, no campo ético, indicam os significados ideais que têm a função de orientar a ação e avaliar sua correspondência com as normas consideradas válidas. No plano psicológico, considera o relativismo cultural, que não conhece valores absolutos, mas relativos a várias culturas e épocas. Considera-se “valor” tudo o que constitui meta de uma necessidade, de um desejo ou de um interesse. Essa concepção, de certa forma, desvela complementar a concepção de Vandenbos (2010), por apresentar a diferença entre ética, em um âmbito mais geral, mais social, de valor, em um âmbito mais individual. Assim, compreende-se que os valores são formados, não dados anteriormente. O que se dá anteriormente é a moral. Assim, se os valores são formados – e se a adolescência é a fase onde se forma a identidade–, desvela ser também a fase onde se formam os valores essenciais. Associar isso ao fato de que a adolescência constitui a fase propícia a um despertamento religioso é compreender que a formação de valores e a religiosidade podem ter uma relação muito estreita. Esse conceito complementa o de Vandenbos (2010) no sentido de que, no plano psicológico, abre-se espaço para um “relativismo cultural” quanto ao significado de ética. Japiassú e Marcondes (1996) também associam “valores” a algo bom, positivo, e que se relaciona à prescrição de ordem quanto à realização. Eles apresentam a noção de valor relacionada à moral de forma explícita, e também problematizam a conceitualização de “valores” reconhecendo que existem várias definições a depender das diferentes posturas filosóficas. Com relação ao conceito de moral, Cabral (1971) o define como um conjunto de normas e padrões pessoais de conduta que permite à pessoa distinguir o bem e o mal. Mais frequentemente, esse padrão faz parte do grupo com o qual a pessoa se identifica. Moralidade é o caráter abstrato do comportamento orientado por esses padrões. A ética é a teoria filosófica que trata da natureza e origem dos valores morais, noções de bom e de dever. A ética possui duas correntes principais: a hedonista, que afirma como legítimos (morais) os atos que contribuem para a felicidade ou o prazer da pessoa, e ilegítimos (imorais) os que contribuem para o seu sofrimento e infelicidade; e a corrente relativista, que diz ser o bem e o mal (atos morais e imorais) uma função das atitudes das pessoas que julgam os atos. Assim, moral são normas e padrões pessoais e/ou compartilhados em um grupo. As noções de valor, moral e ética estão intimamente associadas, tanto que Galimbert (2010) associa o conceito de moral exclusivamente como sinônimo de ética. Vandenbos (2010) menciona moral como sendo os valores ou princípios éticos que as pessoas usam para orientar seu comportamento, ou o estado mental que afeta o comportamento e o desempenho, e que está relacionado à distinção entre comportamento certo e errado. Diz que um código moral descreve um comportamento que é considerado ético ou adequado. Aqui também são apresentadas as noções de valores, moral e ética de forma inter-relacionada. Japiassú e Marcondes (1996) mencionam moral em sentido amplo, como sinônimo de ética, como teoria dos valores que regem a ação ou conduta humana, possuindo um caráter normativo ou prescritivo. Já em um sentido mais estrito, a moral tem a ver com costumes, valores e normas de conduta, específicos de uma sociedade ou cultura. Já a ética considera a ação humana do seu ponto de vista valorativo e normativo, em um sentido mais genérico e abstrato. Eles distinguem entre uma moral do bem e uma moral do dever. A primeira visa estabelecer o que é o bem para o ser humano, sua felicidade, realização, prazer etc., e como se pode atingir esse bem. A segunda representa a lei moral como um imperativo categórico – necessária, objetiva e universalmente válida. Quanto a pesquisas realizadas no Brasil sobre valores na adolescência, Grinspum et al. (2006) desenvolveram uma pesquisa cujo foco foi a adolescência e a construção de valores, articulada com o imaginário social, da qual participaram 500 adolescentes, estudantes de colégios da cidade de Volta Redonda – RJ. O estudo buscou compreender de que modo os alunos configuram seus valores. Os autores se pautaram em Novikoff (2002), que concebe a seguinte classificação dos valores: 1- valores pessoais: constituídos das representações qualitativas sobre as pessoas, incluindo as questões éticas. A racionalidade moral-prática é apontada por essa categoria; 2- valores econômicos: refletem os objetos materiais ligados ao consumo/utilidade. Eles dizem da racionalidade cognitivo-instrumental; 3- valores espirituais: apontam os valores estéticos e os religiosos. Estes valores encontram-se na racionalidade estético-expressiva. A pesquisa de Grinspum et al. (2006) teve como principais resultados: 96,21% dos jovens mencionaram acreditar em Deus, e 83,94% deles têm religião; 36,16% dos meninos disseram que o trabalho representa “realização pessoal”, e 32,9% das meninas veem o trabalho como “independência financeira”; 65,03% dos meninos mencionaram que ter felicidade é “ter uma família”, e as meninas disseram que é “ter saúde” (28,72%) e “ter amigos” (24,28%). Apenas 1,29% dos participantes disseram que ter felicidade é “ter dinheiro”. Sampaio (2007) escreve sobre a educação moral, baseando-se principalmente em Piaget, Kohlberg e Hoffman. Para ele, o processo de mudança no âmbito da educação moral no Brasil caminha muito lentamente, a despeito do que acontece em outros países, pois no Brasil há um imenso distanciamento entre a prática e a teoria. Ele menciona ser muito importante uma maior aproximação entre a psicologia e a educação para que possam, conjuntamente, pensar estratégias para aplicação do conhecimento na elaboração de políticas públicas educacionais, no sentido de formar a consciência cidadã. As estratégias mencionadas incluem a criação de ambientes educacionais onde os alunos possam aprender a opinar e a ser responsáveis por suas decisões. É necessário que o conhecimento sobre o desenvolvimento sócio-moral e afetivo seja parte da formação dos educadores para que temas como ética, valores, direitos e justiça sejam discutidos de forma democrática, com respeito mútuo entre os membros do grupo. Sampaio diz, ainda, que não se tem notícia de ações que sejam realmente eficazes para promover o desenvolvimento moral e a formação de uma consciência cidadã, apesar de os Parâmetros Curriculares Nacionais proporem que ela deve ser estimulada nas escolas desde as primeiras séries. Ele apresenta como possível solução a aproximação entre a Psicologia e a Educação, a fim de que sejam elaboradas ações que transformem a proposta dos PCNs em políticas efetivas e práticas educacionais mais sofisticadas, que desafiem a hegemonia do paradigma racionalista/ intelectualista e considere os aspectos afetivos, tão importantes quanto os aspectos cognitivos. Somente assim é possível ensinar moralidade, sem ser nos moldes clássicos pelos quais o professor ensina e o aluno aprende (SAMPAIO, 2007). Já no contexto dos países onde surgiu o questionário utilizado nesta pesquisa, Käppler (s/d) liderou um grupo de pesquisadores da Suíça e Alemanha que desenvolveram pesquisas sobre religiosidade na adolescência, com 1.500 participantes das áreas rurais e urbanas dos dois países. Na Suíça existe um importante instituto voltado especificamente para pesquisas sobre religião, o PNR58, sob a direção de Stols e Koenemann (2011), que fazem parte do contexto onde o questionário utilizado nesta pesquisa foi originalmente elaborado. O estudo relacionado à adolescência e religiosidade foi motivado pela significativa mudança social e religiosa, em decorrência da chegada de imigrantes – e com eles, de novas religiões. Em especial, foram pesquisados os adolescentes, pois é a população que mais aderiu à mudança. O número de pessoas sem uma crença cresceu e as igrejas livres experimentaram novas entradas no país. Os estudiosos do referido grupo recomendam às lideranças religiosas na Suíça que tenham um maior interesse sobre a igualdade de todas as religiões. Sendo a Alemanha um país geograficamente vizinho da Suíça, e que possui um cenário religioso semelhante também devido à imigração, Käppler (2010), pesquisador alemão, foi convidado a conduzir a referida pesquisa. O questionário abrange sete dimensões: religiosidade, orientação de valor, saúde mental, identidade, personalidade, família, e questões socioeconômicas. Para Käppler et al. (2010) a adolescência é considerada um período da vida onde as tradições religiosas, valores convencionais e sistema são cada vez mais questionados. Assim, entende-se que as mudanças na paisagem religiosa na Suíça e na Alemanha são de particular importância para o desenvolvimento do adolescente, pois: “a adolescência é acompanhada por um questionamento e procura das próprias ideias, as crenças em muitas áreas da vida, incluindo valores e crenças religiosas” (p. 05). Entende-se que o processo de orientação faz parte do desenvolvimento da identidade do adolescente e constitui uma das tarefas de seu desenvolvimento. Questiona-se sobre o papel da religião, dos valores e da orientação quanto às experiências e desenvolvimento da identidade dos adolescentes. Já que os adolescentes buscam estabilidade psicológica, a religiosidade ajuda ou acaba por ser uma fonte adicional de estresse? Käppler et al. (2010) compreendem que as pessoas religiosas priorizam os valores que conservam e afirmam o seu sistema de crenças sociais e individuais, como a conformidade, a tradição e, em menor extensão, a segurança. Enquanto alguns valores englobam a abertura para a mudança e a autonomia, por exemplo, a autodeterminação, outros representam relações com a autotranscendência, tal como a benevolência, e ainda outros podem incluir uma maior valorização da realização, do poder e do hedonismo. O estudo desenvolvido por esse grupo de pesquisadores buscou compreender de que forma os valores poderiam ajudar os adolescentes face às constantes transformações de suas vidas, e associou-os aos fatores que influenciaram a saúde mental, tendo sua investigação pautada nas seguintes questões: a- De que forma os adolescentes em diferentes contextos religiosos diferem entre si no que diz respeito a orientações de valor, religiosidade e identidade? Em relação a quais desses fatores os adolescentes com diferentes origens religiosas mostram semelhanças? b- As orientações de valor, identidade e religiosidade são consideradas: estáveis, flutuantes e/ou fazem parte do curso de desenvolvimento na adolescência? c- Como são as orientações de valor, religiosidade e formação de identidade, relacionadas à saúde mental dos adolescentes? d- - Como o micro, meso e macrocontextos influenciam a forma como as construções de interesse inter-relacionam umas com as outras? Os dados obtidos na pesquisa do grupo germano-suíço de pesquisadores permitiram compreender que o tema relacionado à religiosidade e aos valores na adolescência é objeto central do sistema de construção religiosa, assim como dos conteúdos desse sistema, por meio de itens relacionados à oração, serviços, interesses religiosos, experiências religiosas, ideologia, busca religiosa, e religião na vida cotidiana. É interessante notar que, de acordo com Gensicke (2006), as pesquisas realizadas na Alemanha e Suíça demonstraram que os imigrantes são mais tradicionalmente orientados do que os não imigrantes e, ao mesmo tempo, mostram valores mais materialistas e hedonistas. A finalidade da ação, social e moral, é a maior felicidade possível para o maior número de pessoas. O critério da utilidade é o que estima o valor moral das ações. Assim, desvela que os imigrantes são mais rígidos em relação ao apego à própria religião do que os não imigrantes. Tais informações foram apresentadas para contextualizar como o instrumento surgiu e suas motivações. O contexto brasileiro, porém, difere do contexto germanosuíço. Por isso, o instrumento passou por um processo de adaptação – e de posterior readaptação–, conforme mencionado anteriormente. O objetivo do trabalho de Taceli (2014) com o questionário foi possibilitar um refinamento no que diz respeito à linguagem do instrumento. Entende-se que, devido à extensão territorial do Brasil e de suas diferentes regiões, o instrumento ainda merece atenção, no caso de ser aplicado em diferentes regiões. Na adaptação, as questões referentes à temática da migração externa foram retiradas, pois a temática da migração no Brasil é mais relacionada à migração interna. Assim, obteve-se um instrumento mais adequado à realidade das escolas brasileiras. Como se pode perceber, a temática da formação de valores na adolescência, a moralidade e suas relações com a religiosidade possui importância nacional e internacional. Ao relacionar essas pesquisas com o que Amatuzzi (2001) considera religião, suas relações com crenças e valores, e seu enfoque quanto ao sentido da vida, percebe-se a relevância de considerar a questão da ética, para que o adolescente seja livre para aderir à vivência que lhe faça sentido pessoal, que lhe proporcione amadurecimento e desenvolvimento de valores genuínos e bons, não só para ele, mas também para a sociedade. Podemos concluir que valores, moral, ética e religiosidade têm uma relação muito próxima, apesar de serem elementos diferenciados. A noção de desenvolvimento moral tem como foco o indivíduo e sua relação com os outros, partindo de uma perspectiva cognitiva e emocional. Já a noção de valores tem como foco as relações do indivíduo na sociedade, partindo de uma perspectiva relacional. Tomando como foco o conceito de religiosidade apresentado por Amatuzzi (2001), qual seja a maneira peculiar de cada pessoa vivenciar a religião, há espaço para a noção de participação ativa do adolescente nesse processo. Compreende-se que o adolescente tanto possui força em potencial – não apenas para ser transformado pelas instituições religiosas–, mas também, e principalmente, possui força para transformar as instituições religiosas, a fim de torná-las um meio de propagação do bem. De acordo com o exposto, este trabalho se propõe a verificar a relação da religiosidade e seu papel na formação de valores em adolescentes adeptos das principais religiões brasileiras e brasilienses. 3. OBJETIVOS 3.1. OBJETIVO GERAL Investigar a religiosidade/ espiritualidade e suas possíveis relações com os valores de adolescentes no Distrito Federal. 3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS · Investigar como é a religiosidade/ espiritualidade no contexto da religião específica de adolescentes residentes no Distrito Federal; · Identificar como os adolescentes lidam com religiosidades/ espiritualidades diferentes da sua própria no grupo de iguais; · Sondar as possíveis relações entre a religiosidade/ espiritualidade e os valores nos contextos familiar e social; · Aperfeiçoar o Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência, com vistas à sua aplicação em maior escala no contexto brasileiro. 4. MÉTODO A fenomenologia é um movimento filosófico que pressupõe o retorno à experiência básica, para além de suas sistematizações, permitindo, assim, que apareça a pureza original do fenômeno, ou seja, busca as essências, o retorno às coisas mesmas (AMATUZZI, 1999; 2005; HUSSERL, 2008). Ela faz deste método algo especial para a investigação da religiosidade/ espiritualidade pois, com a suspensão do a priori, ou seja, com a suspensão da experiência anterior, ocorre um clima fundamental para o surgimento da experiência mesma. 4.1. PARTICIPANTES Participaram da pesquisa oito adolescentes do Distrito Federal, com idade entre 15 e 17 anos, sendo um adolescente e uma adolescente de cada uma das seguintes religiões/ espiritualidades: católica apostólica romana, evangélica neopentecostal, espírita kardecista e sem religião. A escolha das religiões ocorreu com base no Censo de 2010 no Brasil e em Brasília (IBGE, 2010). Os adolescentes, na ocorrência da coleta, cursavam o Ensino Médio em escola pública, e tiveram seus nomes mantidos em sigilo adotando-se nomes fictícios para fins de elaboração desta dissertação. 4.2. INSTRUMENTOS Foram conforme o realizadas método entrevistas clínico semiestruturadas fenomenológico em temas-eixo, (AMATUZZI, 2005). Primeiramente, foi realizada uma entrevista individual conforme o roteiro do Apêndice A. Em seguida, foi aplicado o Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência (TACELI, 2014). Por fim, foi realizada uma entrevista em grupo conforme o apêndice B, onde foi investigada a experiência deles em responder o questionário. O questionário foi aplicado em adolescentes da Suíça e Alemanha. Em 2012 ele foi submetido a juízes em Brasília, no processo de adaptação de seu uso no Brasil. Reduziram-se o número de questões, pois considerou-se que, de acordo com o hábito de leitura da maioria de nossos jovens, ficaria muito cansativo caso fosse aplicado em sua totalidade. Em seguida, ele foi aplicado na Bahia e em algumas cidades-satélites do Distrito Federal. Em 2013 ele foi aplicado em adolescentes de Minas Gerais – o que resultou em uma readaptação cuja versão foi utilizada para esta coleta (TACELI, 2014). Conforme pode ser constatado nos Anexos 3 e 4, o instrumento é amplo, contém 35 questões. Possui uma versão para meninos e uma versão para meninas, sendo diferenciado apenas na questão 31 (trinta e um), direcionada especificamente a meninos ou a meninas, mas trata do mesmo assunto em cada item. O questionário abrange questões socioeconômicas, religiosas, familiares e pessoais e permite uma grande abrangência de dados. As entrevistas e o questionário são instrumentos complementares. Este último serviu para obter informações quanto a aspectos sociais, econômicos, familiares e valores pessoais. As entrevistas, por sua vez, serviram para aprofundar cada um desses aspectos. A entrevista individual ocorreu antes da aplicação do questionário, e foi realizada na tentativa de aquecimento e motivação para responder ao instrumento, como também para favorecer que os adolescentes pudessem entrar em contato com os temas do questionário de forma mais estruturada. Buscou-se também entrar em contato com o jovem de forma mais espontânea, o que ajudou também ao pesquisador na compreensão de suas respostas ao questionário. A entrevista em grupo foi livre e buscava investigar as questões do questionário que mais mobilizaram os adolescentes, para permitir melhor contextualização e um maior aprofundamento na compreensão de suas respostas. Ela também buscou perceber como os adolescentes se apresentariam diante de outros que possuíam religiões ou espiritualidades diferentes das suas próprias. 4.3. PROCEDIMENTOS DE COLETA DOS DADOS O projeto foi submetido ao Conselho de Ética da Universidade Católica de Brasília e aprovado sob o número 22664413.0.0000.0029. Primeiramente, realizou-se contato com alguns líderes religiosos para apresentar a pesquisa e solicitar indicação de participantes. Esse contato foi realizado por meio de e-mails e telefonemas. Porém, percebeu-se que seria difícil conseguir todos os participantes por meio deste procedimento. Portanto, os dados foram coletados em um colégio de Ensino Médio. Este colégio tem cerca de 800 alunos, sendo mais ou menos 40 alunos em cada turma. Primeiramente, foi concedida autorização para realização da pesquisa no local. Em seguida, passou-se nas salas para apresentar brevemente a pesquisa e anotar os contatos dos interessados. Os jovens receberam muito bem a proposta, mas poucos se disponibilizaram a participar. O maior número de interessados foram cinco voluntários em uma das turmas, sendo que quatro deles eram sem religião. Nas restantes foram cerca de dois, e em algumas turmas nenhum adolescente manifestou interesse em participar da pesquisa. Alguns alunos sem religião questionaram se haveria tentativa de conversão, já que a instituição a que a pesquisa está vinculada é uma universidade católica. A dúvida foi imediatamente esclarecida. Percebeu-se um clima de inibição, timidez e, talvez, desconfiança por parte dos alunos, como se eles desejassem participar, mas tivessem receio. Os participantes mais difíceis de serem encontrados foram os da religião espírita. Quando se perguntava se havia algum adolescente da religião espírita, os alunos apontaram para um e outro que ficavam imóveis, ou acenavam com a cabeça em sinal negativo, negando serem espíritas. Conseguiu-se a menina espírita indo às salas. Já o menino espírita só consentiu em participar após indicação direta de outro adolescente que já estava no processo da coleta de dados. O colégio disponibilizou a sala onde se realizam os atendimentos psicopedagógicos e o refeitório dos professores para a coleta. Utilizou-se a sala de atendimentos psicopedagógicos para as entrevistas, e o refeitório, com mesa grande, para aplicação dos questionários. Em uma das situações que se pretendia realizar as entrevistas, os alunos não estavam no colégio por conta de paralisação dos professores. No dia em que a entrevista individual foi realizada, o questionário foi aplicado. Na mesma semana, realizou-se a entrevista em grupo. Nessa última entrevista, os participantes católicos não participaram. A menina católica faltou à aula naquele dia, e o menino católico “fugiu” ao alcance da pesquisadora. Disse que tinha aula, mas assim que terminasse, iria até a sala. Após o término da aula, porém, ele foi embora. Os adolescentes sem religião foram os que mais se mostraram interessados em participar. Apenas dois puderam participar, devido à restrição de tempo para realizar a coleta. Os católicos se mostraram pouco interessados na experiência, como se estivessem muito resistentes – ou, quem sabe, na “defensiva”–, e demonstravam pressa para ir embora. A menina espírita demonstrou grande interesse em participar indo, inclusive, ao consultório de psicologia. O menino evangélico parecia pouco à vontade, talvez por desvelar tímido, além de outros aspectos que serão mais bem descritos nos resultados. As entrevistas foram conduzidas conforme a postura fenomenológica (AMATUZZI, 2005), que se caracteriza pela “suspensão do a priori”, ou seja, um colocar entre parêntesis a experiência anterior e o deixar a conversa fluir naturalmente, sem obstáculos. Elas foram gravadas e, posteriormente, transcritas. 4.4. PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DOS DADOS As questões do questionário que tratavam de um mesmo eixo temático foram avaliadas em conjunto e foram expostas em quadros. As entrevistas foram analisadas conforme a proposta de Gomes (1998). O material obtido foi organizado segundo eixos temáticos, e seus respectivos sentidos foram apreendidos. A partir de uma leitura fenomenológica, procurou-se identificar os aspectos convergentes e divergentes, e os aspectos mais significativos – em consonância com a postura fenomenológica – foram ilustrados com trechos de falas dos próprios estudantes, como pode ser visto nos quadros específicos. Os resultados obtidos com os adolescentes nas entrevistas individuais e em grupo foram analisados, bem como os resultados de cada questionário, de modo a permitir uma análise qualitativa em profundidade. Os dados obtidos nos quadros foram ilustrados por meio do emprego de diagramas, visando a uma compreensão mais dinâmica do processo. É importante considerar que as cores de todos os diagramas são aleatórias. Ao final, o conjunto de informações obtidas com os próprios sujeitos foi colocado em diálogo com a literatura pertinente. 5. R/ E e VALORES EM ADOLESCENTES DO DISTRITO FEDERAL Os resultados são apresentados de acordo com eixos temáticos. Cada eixo temático foi organizado em quadros com conteúdos dos questionários e quadros com sentidos apreendidos nas entrevistas, de acordo com convergências e divergências. Os sentidos apreendidos nas entrevistas foram expostos em figuras específicas. Primeiramente é apresentada uma contextualização dos participantes e em seguida os eixos temáticos. O eixo temático 1 refere-se à religiosidade/ espiritualidade e a família; O eixo temático 2 refere-se à religiosidade/ espiritualidade e vida pessoal. O assunto do qual se trata o eixo temático 3 é religiosidade/ espiritualidade e círculo social. Religiosidade/ espiritualidade e questões sociais e políticas é o assunto do eixo temático 4. O eixo temático 5 se ocupa da vivência pessoal da religiosidade/ espiritualidade. 5.1. Contextualização dos participantes O Quadro 1 apresenta a contextualização dos participantes. Os nomes fictícios foram escolhidos da seguinte forma: os participantes católicos possuem nome com inicial A (Adriana e Adriano); os evangélicos, com inicial B (Bruna e Bruno); os espíritas, com inicial C (Carla e Carlos) e os sem religião, com inicial D (Daniela e Daniel). Em seguida o Quadro 2 complementa a caracterização dos participantes a partir das respostas dadas às seguintes questões do Questionário: 1, 2, 24 e 25. QUADRO 1: CONTEXTUALIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES CONTEXTUALIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES NOME RELIGIÃO / ESPIRITUALIDADE IDADE EM ANOS PERCEPÇÃO DA PESQUISADORA Adriana Católica Apostólica Romana 16 Participou apenas da entrevista individual. Chorou várias vezes durante a entrevista. Possui conflitos com a mãe. Desvela estar vivenciando sofrimento intenso relacionado ao falecimento do irmão. Após esse ocorrido, não tem ido mais à igreja. Tentou frequentar uma igreja evangélica, mas não se adaptou. Diz querer seguir seriamente. Vai a festas, baladas, e considera que isso é incompatível com frequentar uma igreja. No dia da entrevista em grupo, ela faltou à aula. Iniciou tratamento psicológico após a primeira entrevista individual, com a psicóloga pesquisadora desta pesquisa. Adriano Católica Apostólica Romana 15 Participou apenas da entrevista individual. Mora com os tios há pouco tempo, mas considera-se adaptado. Parecia desconfortável durante a entrevista. Suas respostas foram curtas e simples. Ele se esquivou de participar da entrevista em grupo. Foi embora sem avisar, parecia estar fugindo da situação. Bruna Evangélica Neopentecostal 15 Participou das duas entrevistas. Parecia tranquila durante a entrevista individual. Perguntou um pouco sobre a pesquisa. Na entrevista em grupo solicitou que pudesse sair, juntamente com mais dois colegas, antes da entrevista acabar, alegando terem que realizar um trabalho escolar. Bruno Evangélica Neopentecostal 15 Participou das duas entrevistas. Parecia tímido. Colaborou na busca por um participante espírita indicando um colega da sua sala. Na entrevista em grupo participou quando solicitado; parecia acanhado. Carla Espírita Kardecista 16 Participou das duas entrevistas. Foi a única participante a comdesvelar no consultório de psicologia após contato telefônico. Falou bastante, desvelau muito sincera e desejosa de falar. Foi uma das que teve que sair mais cedo da entrevista em grupo. Desvela ser um pouco agressiva, como defesa, por sentir-se rejeitada. Carlos Espírita Kardecista 16 Participou ativamente das duas entrevistas. Falou bastante, demonstrou muito conhecimento da doutrina espírita. Desvela vivenciar desde a infância uma situação financeira difícil. Procura trabalho, demonstra desejo de ajudar a mãe. Desvela ocupar o papel de filho parental para com a mãe. Daniela Agnóstica 17 Participou das duas entrevistas. Desvela tímida, porém inteligente. Desvela, de certa forma, influenciada pelo namorado (que é o participante Daniel), mas eles desvelam ter muita afinidade. A aparência é exótica, com cabelo azul e piercing. Desvela delicada. Daniel Agnóstica 17 Participou das duas entrevistas, demonstrou muito interesse em participar. Diz o que pensa, desvela ser questionador e racional. Demonstra pensamento crítico. É namorado da participante Daniela. QUADRO 2: DADOS DEMOGRÁFICOS DOS ADOLESCENTES Nome Sexo Idade (em anos) Escola Série Religião Pessoal Religião Familiar Pai Mãe Ligado(a) à religião Naturalidade Adriana F 16 Pública 1º Católica Sem religião Católica Pouquíssimo Taguatinga Adriano M 15 Pública 1º Católica Católica Católica Muito Samambaia Bruna F 15 Pública 1º Evangélica Evangélica Evangélica Muito Rio de Janeiro Bruno M 15 Pública 1º Evangélica Evangélica Evangélica Muito Gama Carla F 16 Pública 1º Espírita Católica Católica Muito Sobradinho Carlos M 16 Pública 1º Espírita Católica Católica Muito Taguatinga Daniela F 17 Pública 2º Sem religião Católica Evangélica Pouquíssimo Ceilândia Daniel M 17 Pública 2º Sem religião Evangélica Evangélica Nada Ceilândia Verifica-se, então, que 3 adolescentes têm idade de 15 anos, sendo eles o Adriano (católico), a Bruna e o Bruno (evangélicos). Participaram 3 adolescentes com idades de 16 anos, que são a Adriana (católica), o Carlos e a Carla (espíritas). Também participaram 3 adolescentes com a idade de 17 anos, Daniel e Daniela (agnósticos). Quanto aos pais dos adolescentes, o único pai sem religião é também ausente, e a filha é católica. A mãe desta participante também é católica. Os pais do participante católico também são católicos. Tanto o pai quanto a mãe dos participantes evangélicos também são evangélicos. Por outro lado, tanto a mãe quanto o pai dos participantes espíritas são católicos, sendo que a mãe do adolescente espírita o iniciou nas atividades do centro espírita. Ela também participa das atividades embora não se considere espírita. O pai da participante agnóstica é católico e a mãe, evangélica. Os pais do participante agnóstico são evangélicos. Tanto os espíritas quanto os agnósticos desenvolveram religião ou espiritualidade diferente da dos pais. É interessante observar que os participantes mais novos, com idades de 15 anos, permanecem com a mesma religião dos pais. Já a participante católica, de 16 anos, entende-se católica, mas não é praticante. Os participantes espíritas têm idade de 16 anos, tendo se convertido à religião diferente da dos pais. Os participantes agnósticos possuem 17 anos e também adotam perspectivas diferentes das dos pais. Quanto à ligação que eles possuem com a religião, declararam-se muito ligados à religião Adriano (católico), Bruna e Bruno (evangélicos), e Carla e Carlos (espíritas). Posteriormente, entretanto, no decorrer das entrevistas, observaram-se algumas incoerências quanto a algumas destas respostas, o que será exposto adiante. 5.2. Eixos temáticos investigados referentes à religiosidade/ espiritualidade e os valores Os eixos temáticos abordados no contexto das entrevistas, em conexão com os itens do questionário, estão sistematizados na Figura 1. O círculo central corresponde ao tema principal do trabalho: a Religiosidade/ Espiritualidade na Adolescência. Os círculos interconectados ao maior correspondem aos eixos temáticos, cujos sentidos apreendidos serão expostos em quadros e diagramas complementares, na sequência. FIGURA 1: A RELIGIOSIDADE/ ESPIRITUALIDADE E OS EIXOS TEMÁTICOS INVESTIGADOS Cada eixo temático possui quadros que foram estruturados conforme questões específicas do Questionário, em consonância com as entrevistas. 5.3. Tema-eixo 1: R / E e família Este eixo temático possui quatro quadros, apresentados na sequência: contexto familiar; relacionamento familiar; influência religiosa familiar e religiosidade/ espiritualidade e família. Para estruturação do Quadro 3 – Contexto Familiar – foram consideradas as respostas às questões 3, 4, 5, 6 e 7 do Questionário respondido pelos adolescentes. QUADRO 3: CONTEXTO FAMILIAR Adultos com quem convive Situação sociocultural Nome Livros Pai Mãe Irmãos Outros (quem) Moradia Situação Financeira Grau de Instrução do pai Grau de instrução da mãe Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Poucos Pouquíssimos Muitos Muitos Razoável X _ _ X X X X X _ _ Padrasto Padrasto Padrasto Alugada Própria Alugada Alugada Cedida M. B Razoável M.B M. B. Razoável 2º 2º Superior 2º Superior 1º 2º Superior 2º 1º Carlos Pouquíssimos _ X - - Própria Médio Sabe ler, mas não foi à escola Analfabeta Daniela Daniel Poucos Médio _ X X X Dinâmica Familiar - Padrasto - Própria Própria M. B. M.B 1º 2º incompleto 1º 2º incompleto Nome Quantidade de irmãos Experiências difíceis Como se sente afetado Adriana 0 Sim, falecimento do irmão Muito. Adriano Bruna 2 1 Não Sim, falecimento da avó Não se aplica. Muito. Bruno 4 Sim, separação dos pais e perda de ente querido Em nada. Carla 13 Sim, divórcio dos pais Pouco. Carlos 1 Sim, falecimento da prima Razoável. Daniela Daniel 2 1 Não Não Não se aplica. Não se aplica Verificou-se que todos os adolescentes entrevistados moram com a mãe, porém apenas dois deles moram também com o pai, a Bruna (evangélica) e o Daniel (agnóstico) – os dois de três adolescentes que possuem pai e mãe evangélicos. Percebeu-se maior presença das mães que dos pais na vida dos adolescentes. Todos residem com a mãe. Apesar de eles mencionarem alguns conflitos, todos disseram se sentir bem perto da mãe, exceto o menino agnóstico, que disse raramente se sentir bem perto da mãe. Somente dois adolescentes residem com o pai e a mãe, ou seja, os pais não são separados. Nos dois casos, tanto o pai quanto a mãe são evangélicos. Dentre as experiências difíceis mencionadas pelos adolescentes, dois deles (Carla e Bruno) mencionaram o divórcio dos pais, porém um deles disse se sentir nada afetado com isso atualmente, enquanto o outro disse se sentir pouco afetado. Nos dois casos, os adolescentes não possuem bom relacionamento com o pai, nem o pai com os irmãos, e nem o pai com a mãe. Nesses dois casos, as mães se recasaram e eles convivem atualmente com o padrasto. Outras duas adolescentes convivem também com o padrasto (a menina agnóstica e a menina católica), o que demonstra também terem vivido o rompimento do relacionamento dos pais. Cinco dos oito casos apresentam dificuldades de relacionamento entre o pai e a mãe dos adolescentes. O Quadro 4 nos apresenta questões sobre o relacionamento entre os membros familiares. Para sua composição, foram consideradas as respostas às questões 8, 8.1, 9 e 10 do Questionário. QUADRO 4: RELACIONAMENTO FAMILIAR Qualidade do relacionamento Nome Eu-Mãe Eu-Pai Mãe-Pai Eu-Irmão(os) Mãe-Irmão(os) Pai-Irmão(os) Adriana Medianamente bem Nada bem Raramente bem _ _ _ Adriano Medianamente bem Medianamente bem Raramente bem Razoavelmente bem Razoavelmente bem Razoavelmente bem Bruna Bruno Não respondeu Muito bem Não respondeu Nada bem Muito bem Nada bem Muito bem Muito bem Não respondeu Muito bem Não respondeu Nada bem Carla Muito bem Nada bem Nada bem Muito bem Muito bem Raramente bem Nada bem Raramente bem Muito bem Muito bem Carlos Razoavelmente bem Medianamente bem Daniela Muito bem Razoavelmente bem Razoavelmente bem Razoavelmente bem Razoavelmente bem Razoavelmente bem Daniel Raramente bem Razoavelmente bem Razoavelmente bem Razoavelmente bem Medianamente bem Razoavelmente bem QUADRO 4: RELACIONAMENTO FAMILIAR (CONTINUAÇÃO) Nome Eu Adriana Raramente decide Adriano Na maioria das vezes decide Bruna Mãe Decide qualquer coisa Poder de decisão na família Pai Irmãos(ãs) Outros(as) Papel dos pais na família Mãe Pai Raras vezes castiga, apoia Nunca castiga, nunca muitas vezes e compreende às apoia e às vezes vezes. compreende. Não decide nada _ - Na maioria das vezes decide Decide qualquer coisa Mais novo não decide nada; mais velho raramente decide algo _ Raras vezes castiga, nunca apoia e raras vezes compreende. Às vezes castiga, raras vezes apoia e sempre compreende. Na maioria das vezes decide Decide qualquer coisa Decide qualquer coisa Mais velho decide qualquer coisa - Raras vezes castiga, sempre apoia e sempre compreende. Raras vezes castiga, sempre apoia, sempre compreende. Bruno Na maioria das vezes decide Decide qualquer coisa Não decide nada Mais velho não decide nada; mais novo às vezes sim, outras não. - Raras vezes castiga, sempre apoia e compreende. Nunca castiga, nunca apoia e nunca compreende. Carla Às vezes sim, outras não. Decide qualquer coisa Não decide nada Mais velho não decide nada; mais novo raramente decide algo. _ Raras vezes castiga, sempre apoia e sempre compreende. Nunca castiga, nunca apoia e nunca compreende. Carlos Raramente decide Decide qualquer coisa Não decide nada Mais velho raramente decide algo. - Raras vezes castiga, às vezes apoia e às vezes compreende. Nunca castiga, às vezes apoia e raras vezes compreende. Daniela Não decide nada Decide qualquer coisa Na maioria das vezes decide Não decide nada _ Raras vezes castiga, às vezes apoia e nunca compreende. Nunca castiga, raras vezes apoia e raras vezes compreende. Daniel Raramente decide Na maioria das vezes decide Às vezes decide, outras vezes não. Raramente decide - Nunca castiga, nunca apoia e raras vezes compreende. Nunca castiga, às vezes apoia e às vezes compreende. A respeito das mudanças que alguns adolescentes gostariam de realizar na mãe, a menina católica gostaria que a mãe não fosse complicada; o menino católico gostaria que a mãe dele fosse menos rígida; os agnósticos gostariam que as mães não fossem preconceituosas, sendo que o menino gostaria também que a dele não gritasse. Todos os adolescentes mencionaram que, quando a mãe e os irmãos deles estão juntos, sentem-se bem, variando em intensidade – o que mostra influência positiva da mãe no desenvolvimento desses filhos. Outro fator interessante foi a respeito do poder de decisão das mães na família: seis dos adolescentes disseram que a mãe decide qualquer coisa e dois deles disseram que ela decide na maioria das vezes. Quanto ao papel da mãe, sete adolescentes disseram que ela raras vezes castiga, e um disse que ela nunca castiga. Seis adolescentes disseram receber apoio da mãe, ainda que às vezes, e sete disseram que a mãe os compreende, ainda que não da forma como gostariam. O relacionamento dos adolescentes com o pai apresentou significativos problemas na metade dos casos, estendendo esse relacionamento conflituoso para os irmãos dos adolescentes. Somando-se a isto, quatro adolescentes disseram que o pai não decide nada na família – e é exatamente nas famílias em que os adolescentes possuem conflitos com esse pai –, o que difere muito dos resultados a respeito das mães. Somente o menino católico e a menina evangélica disseram que o pai decide qualquer coisa na família. O pai que às vezes castiga os filhos é o que possui maior poder de decisão na família, em mais de um caso. Mais da metade dos adolescentes disse ter problema quanto ao apoio do pai, sendo que três nunca o recebem e dois raramente o recebem. Seis adolescentes responderam ter problemas com relação à compreensão do pai. Somente o menino agnóstico mencionou o pai como companheiro. A menina evangélica disse que tanto o pai quanto a mãe são legais, dão liberdade, mas com regras. Três adolescentes (Adriana, Carla e Carlos) mencionaram a ausência paterna de forma naturalizada, como se eles esperassem que esses pais realmente fossem ausentes, e não demonstraram esperança de que pudesse ser diferente. A figura paterna exerce influência na vida dos adolescentes quanto a acompanhá-los a celebrações religiosas. Apesar da intensidade dos conflitos do pai com Carla, este é o único pai que sempre acompanhou a filha a celebrações religiosas. Três adolescentes tiveram ausência do acompanhamento do pai a celebrações religiosas. Já a respeito de rezar ou orar com o adolescente, somente o pai de Adriano e o de Bruna raras vezes o fizeram com eles. Os outros pais nunca rezaram ou oraram com os filhos, diferença significativa quando se compara às mães. Todos os adolescentes responderam se sentir bem na presença dos irmãos, exceto o menino espírita. A menina católica, apesar de ter duas irmãs paternas, considera não ter irmãos. O menino católico e os participantes evangélicos demonstraram ser os adolescentes que possuem maior autonomia para tomar decisões, de acordo com suas respostas. Quanto à autonomia religiosa, somente os participantes evangélicos disseram que os pais lhes conferem autonomia por completo. O pai do participante católico, o do espírita, e o do agnóstico concedem mais autonomia religiosa a eles que a mãe. Já a mãe da menina espírita concedelhe mais autonomia que o pai. Tanto o pai quanto a mãe da menina agnóstica lhe concedem autonomia de forma mediana. No caso da menina católica, nem a mãe, nem o pai lhe concedem autonomia religiosa. O quadro 5 apresenta conteúdos sobre a influência religiosa familiar. Para a composição, foram consideradas as respostas às questões 11, 12 e 13. QUADRO 5: INFLUÊNCIA RELIGIOSA FAMILIAR Papel da religião na família Respeito às datas comemorativas Seguimento de mandamentos religiosos Ajuda nos momentos difíceis Pais unidos em questões religiosas Apoio ao próximo Adriana Completamente Nada Nada Nada Nada Adriano Completamente Razoavelmente Completamente Nada Medianamente Bruna Bruno Completamente Razoavelmente Completamente Completamente Completamente Completamente Completamente Não respondeu Razoavelmente Razoavelmente Nada Pelo pai, completamente; pela mãe, razoavelmente. Completamente Completamente Carla Razoavelmente Pouquíssimo Medianamente Medianamente Nada Pelo pai, nada; pela mãe, completamente. Carlos Razoavelmente Pouquíssimo Medianamente Completamente Razoavelmente Pelo pai, completamente; pela mãe, razoavelmente. Daniela Medianamente Pouquíssimo Nada Pouquíssimo Nada Medianamente Nada Pelo pai, completamente; pela mãe, medianamente. Nome Daniel Medianamente Nome Principal influência religiosa Pessoa que exerce influência religiosa Adriana _ Adriano Pais, tios e quase toda a família. Bruna _ Bruno Um amigo Carla O pai Pouquíssimo Nada Pouquíssimo Autonomia em questões religiosas Natureza da influência Mãe Às vezes acompanhou as celebrações e nunca rezou c/ a adolescente Sempre acompanhou as celebrações e sempre rezou c/ o adolescente Muitas vezes acompanhou as celebrações e às vezes rezou c/ a adolescente Sempre acompanhou as celebrações e sempre rezou c/ o adolescente Raras vezes acompanhou as celebrações e muitas vezes rezou c/ a adolescente Pai Outros(as) Nunca acompanhou as celebrações e nunca rezou c/ a adol. _ Muitas vezes acompanhou as celebrações e raras vezes rezou c/ o adol. Muitas vezes acompanhou as celebrações e raras vezes rezou c/ a adol. Às vezes acompanhou as celebrações (obs.: não respondeu quanto à reza) Sempre acompanhou as celebrações e nunca rezou c/ a adol. _ _ _ _ QUADRO 5: INFLUÊNCIA RELIGIOSA FAMILIAR (CONTINUAÇÃO) Carlos _ Às vezes acompanhou as celebrações e muitas vezes rezou c/ o adolescente Raras vezes acompanhou as celebrações e nunca rezou c/ o adol. _ Daniela _ Sempre acompanhou as celebrações e raras vezes rezou c/ a adolescente Nunca acompanhou as celebrações e nunca rezou c/ a adol. _ Daniel _ Às vezes acompanhou celebrações e nunca rezou c/ o adolescente Às vezes acompanhou as celebrações e nunca rezou c/ o adol. _ Os participantes agnósticos responderam que a família deles respeita as datas comemorativas medianamente, sendo os participantes que apresentam famílias menos comprometidas com estas datas. Já as famílias dos demais adolescentes respeitam estas datas completa ou razoavelmente. A respeito do seguimento dos mandamentos religiosos pela família, somente os participantes evangélicos responderam que a família os respeita completamente. O menino católico também respondeu que a família dele respeita estes mandamentos. Os demais adolescentes responderam que a família não segue esses mandamentos. O menino católico e os participantes evangélicos foram os que disseram que a religião ajuda nos momentos difíceis completamente. Os participantes que não frequentam uma atividade religiosa responderam que não ajuda nada: os agnósticos e a menina católica. A menina evangélica e o menino espírita responderam que os pais são completamente unidos em questões religiosas. Os demais adolescentes responderam que os pais não são unidos em questões religiosas, ou que são pouco unidos. Outra questão importante, que nos permite visualizar sobre os valores da família, é a que questiona se na família existe o costume de apoiar o próximo. Quatro adolescentes responderam que nada, sendo os três adolescentes que não frequentam nenhuma instituição religiosa e a menina espírita. Os participantes evangélicos responderam que razoavelmente, assim como o menino espírita. O participante católico respondeu que medianamente. Uma das questões do questionário pergunta se uma pessoa ou experiência influenciou em especial a opinião do adolescente sobre questões religiosas, e pergunta, caso sim, quem ou qual experiência. Somente três adolescentes responderam que sim. O menino católico respondeu que a principal influência vem dos pais, dos tios e de toda a família. A menina espírita respondeu que a principal influência vem do pai – o que é muito interessante, pois o pai é ausente e eles vivenciam muitos conflitos. O menino evangélico disse que a principal influência religiosa vem de um amigo. Os demais adolescentes responderam que na vida deles não houve uma pessoa em especial, ou uma experiência que os influenciou religiosamente. Complementando as informações apresentadas nos quadros anteriores, elaborados a partir das respostas ao Questionário relacionadas ao primeiro tema-eixo, religiosidade/ espiritualidade e família, organizou-se também o Quadro 6, apresentado a seguir, composto a partir do que se pôde apreender das entrevistas. QUADRO 6: R / E e FAMÍLIA RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E FAMÍLIA Contextualização Reside com a mãe. Ausência paterna. O irmão foi assassinado, e isto atinge a família intensamente. A mãe a culpa pela morte do irmão. O relacionamento com a Adriana mãe é muito conflituoso. Fim de namoro recentemente. Tentou matar-se dois meses antes da entrevista. É católica, mas não vai mais à igreja. Já foi a igrejas evangélicas, mas a mãe critica isso. Os pais são divorciados. Reside há três meses com os tios (a irmã do pai e seu Adriano esposo). É católico, vai regularmente à igreja. Como percebe a família Como gostaria que a família fosse "Eu sou complicada, acho que puxei minha mãe". "Eu e minha mãe ‘briga’ demais, quase todo dia, porque ela trabalha um dia sim e um dia não. Quando ela está em casa, a gente briga. Hoje ela está em casa, e é por isso que eu nem quis ir para casa logo". "Meu irmão morreu há três anos. Minha mãe sempre tratou ele bem e eu mal". "Eu não considero ele (o pai) da minha família". O carinho dele (o pai) é para as outras filhas, que não são minhas irmãs". "Primeiro eu gostaria de ter um irmão, ‘né’, porque eu não tenho. Eu gostaria de voltar a ser criança, pois quando eu era criança eu não passava por essas coisas, eu tinha meu irmão, ‘né’? Eu queria que esses problemas passassem, que eu parasse de brigar com minha mãe. Eu queria mais carinho da minha mãe". "Minha família é normal. Minha mãe está desempregada, meu pai é motorista, meus irmãos moram com a minha mãe. Minha mãe está solteira, meu pai também está solteiro". "Eu mudaria o jeito da minha mãe só. Eu gostaria que ela fosse mais liberal, só isso, porque ela prende muito, não gosto disso". Bruna "Minha família é bem unida, todo mundo pensa a mesma Reside com os pais. É evangélica, da Igreja coisa. Meu pai deixa a gente, eu e minha irmã, fazer bastante coisa, mas tem regras. Minha mãe é bem legal e Universal do Reino de Deus. meu pai também; eles são bem flexíveis". "Eu mudaria uma tia minha, eu não a mudaria de família, mas mudaria o jeito dela. Ela é meio maluca, estressada. Ela mora com a minha avó. Ninguém pode ir lá, porque ela dá a doida lá. Eu queria que ela fosse normal, igual a gente, menos estressada e aceitasse mais os outros". Bruno Reside com a mãe, o padrasto e quatro irmãos. É evangélico, da Igreja Arca da Aliança. "Eu não mudaria nada na minha família". "Ué, minha família é normal: todo mundo divertido, todo mundo feliz, tem umas brigas, ‘né’, mas igual toda família". QUADRO 6: R / E e FAMÍLIA (CONTINUAÇÃO) Carla Reside com a mãe e o padrasto. Morava com o pai e foi morar com a mãe devido à intensidade dos conflitos com o pai. O pai tem 13 filhos, e ela tem dificuldade de relacionamento com a família paterna. É espírita kardecista. "Minha família, olha, eu posso dizer que a minha família, a minha mãe, eu, meu irmão e a minha avó, porque eu excluí o meu pai da minha família, da parte da família dele eu não tenho mais contato nenhum. Minha família é uma família boa, bem estruturada, como toda família, tem erros. Minha mãe está se acostumando a mim, tem oito meses que moro com ela e ela ainda está com desconfiança de que vou aprontar. Minha avó, quando me vê, me abraça, me agarra, aquele mimo de ‘vó’, me mima demais. A primeira vez que ele (o pai) me bateu, me deixou toda marcada. Meu pai é preconceituoso, ele disse: 'ai meu Deus, não quero minha filha namorando um preto'. Ele (o pai) começou a falar que ia me matar". "Só mantenho contato com duas sobrinhas minhas da parte da família do meu pai. Não mantenho contato com ninguém de lá, pouco me importa como estão ou não. Eu espero que estejam bem, mas eles no canto deles, e eu no meu". Carlos Reside com a mãe e a irmã. O pai foi preso quando Carlos tinha 5 anos, e saiu quando ele tinha 11 anos. Ajudava a mãe a catar lixo reciclável para vender. Sempre enfrentou muita dificuldade financeira. Quando o pai saiu da prisão, voltou para casa grosseiro com a família, e Carlos incentivou a mãe a se separar. É espírita kardecista. "Quando meu pai saiu da prisão e voltou para casa, a minha mãe aceitou ele, ‘né’, era bobinha. Aí eu falei que se ela não queria mais ele como marido, não adiantava ele morar com a gente. Ele era muito grosso, xingava muito e minha mãe é muito religiosa, ela não gostava. Eu não tinha o meu pai, mas eu tinha o meu tio, que faleceu, mas ele ia muito lá em casa e conversava". "Eu mudaria só o jeito da minha irmã, que é muito mandona. Ela gosta de ficar mandando em mim, ‘né’. Se tem uma louça amontoada, ela fala: ‘tem louça pra tu lavar, pode ir lavar!’ Aí, eu fico indignado e saio pra rua, porque minha irmã fica o dia todo em casa; ela estuda à noite". Reside com a mãe e o padrasto. Tem o Daniela cabelo azul e alargador na orelha. Denomina-se agnóstica. Daniel Reside com os pais. Ele possui o cabelo grande, tatuagem, piercings, e alargador na orelha. É agnóstico. "Eu não tenho, tipo... Meu irmão por parte de mãe, eu não tenho muita proximidade com ele. Mas ele todo dia vai lá em "Minha mãe, ela tem alguns preconceitos, tipo, sei casa. Ah, mas meus irmãos são todos legais. Eu prefiro lá, ela diz que queria que eu fosse, sei lá, ela diz minha irmã, claro! Ela, nossa, ela também é uma das coisas que queria que eu fosse uma menina normal". mais importantes para mim (...) eu amo ela demais. Minha família é feliz". "Minha família é uma família normal. Eu sou o único diferente da família, é tudo da igreja evangélica, família normal, família pacata. Meus pais tinham problema com álcool, hoje têm, mas é pouco". "Eu mudaria o preconceito deles (de pessoas da família) e a forma de agir da minha mãe. Meu pai conversa, tenta saber o que acontece, minha mãe grita, então eu nem escuto muito". O conjunto de percepções dos sentidos que emergem do primeiro núcleo temático permitiu a elaboração da Figura 2, com base em conteúdos das entrevistas, que busca ilustrar uma síntese dinâmica das principais divergências e convergências que caracterizam esse núcleo. FIGURA 2: TEMA-EIXO – R / E e FAMÍLIA, E SEUS SENTIDOS APREENDIDOS O diagrama fenomenológica das apresenta os entrevistas. sentidos Quatro apreendidos adolescentes na leitura relataram ter relacionamento conflituoso com a mãe e manifestaram desejo de mudá-la (a menina católica, porque a mãe é complicada; o menino católico, pela rigidez; a menina agnóstica, pelo preconceito; o menino agnóstico, pelo preconceito e por gritar). Em um desses casos (menina católica), havia sofrimento intenso por parte da adolescente que perdeu o irmão, assassinado há três anos, e a mãe a culpa pelo assassinato, pois o irmão havia ido a um lugar para esperar pela irmã, por insistência desta. Ofereceu-se acompanhamento psicológico à adolescente, que foi à consulta uma única vez após a coleta de dados. Na segunda consulta ela faltou sem justificar-se. Tentou-se contato várias vezes por telefone, sem sucesso. Percebeu-se, por parte de três adolescentes, uma naturalização da ausência paterna. Eles não apresentaram de forma sofrida incômodo com relação à ausência do pai – como se tivessem aceitado o fato de o pai não se importar muito com eles (menina católica, menina espírita e menino espírita). Em um dos casos, o adolescente relatou que o pai é companheiro, gosta de saber o que está acontecendo – diferente da mãe desse adolescente, que ele disse nem ver direito (menino agnóstico). Esse mesmo adolescente disse sofrer preconceito por parte da mãe e de outras pessoas da família, que ele gostaria de mudar. Um dos adolescentes disse não querer mudar nada na família, por ter uma família boa (menino evangélico). Ele convive com a mãe e o padrasto. A menina evangélica disse querer mudar apenas a tia. Um adolescente disse querer mudar apenas a irmã (menino espírita). Nas entrevistas percebeu-se que os dois adolescentes evangélicos pareciam estar satisfeitos com as famílias. O menino disse não querer mudar nada nela, e a menina disse querer mudar uma tia. Os dois adolescentes espíritas naturalizaram a ausência paterna, assim como a menina católica. Apresenta-se a seguir o tema-eixo sobre a religiosidade e a vida pessoal dos adolescentes. 5.4. Tema-eixo 2: R / E e vida pessoal Foram estruturados cinco quadros para a composição deste eixo temático: Características e valores pessoais; Sobre si mesmo I; Sobre si mesmo II; Situação na escola, e Religiosidade/ espiritualidade e vida pessoal. O Quadro 7, que trata do primeiro item relacionado acima, foi composto a partir das respostas à questão 31 do Questionário. QUADRO 7: CARACTERÍSTICAS E VALORES PESSOAIS Nome Criatividade Ambição material Senso de igualdade c/as pessoas Desejo de ser admirado Necessidade de segurança Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Pouquíssimo Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Razoavelmente Medianamente Muitíssimo Muitíssimo Nada Nada Nada Nada Nada Razoavelmente Medianamente Medianamente Razoavelmente Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Razoavelmente Muitíssimo Muitíssimo Medianamente Medianamente Muitíssimo Nada Nada Muitíssimo Nada Pouquíssimo Nada Pouquíssimo Muitíssimo Muitíssimo Nada Nada Medianamente Muitíssimo Nome Solidariedade e ajuda ao próximo Desejo de reconhecimento Defesa do Estado forte Aventureiro Comportado e certinho Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Medianamente Muitíssimo Razoavelmente Muitíssimo Pouquíssimo Medianamente Medianamente Medianamente Pouquíssimo Pouquíssimo Muitíssimo Nada Não respondeu Razoavelmente Pouquíssimo Medianamente Medianamente Nada Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Pouquíssimo Medianamente Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Razoavelmente Nada Medianamente Razoavelmente Razoavelmente Pouquíssimo Nada Razoavelmente Muitíssimo Nada Pouquíssimo Nada Nada QUADRO 7: CARACTERÍSTICAS E VALORES PESSOAIS (CONTINUAÇÃO) Nome Dinamismo e gostar do novo Obediência Aceitação das diferenças Humildade e modéstia Aproveita prazeres da vida Autonomia e liberdade Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Muitíssimo Razoavelmente Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Pouquíssimo Razoavelmente Razoavelmente Nada Nada Muitíssimo Muitíssimo Medianamente Nada Nada Nada Razoavelmente Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Nada Razoavelmente Muitíssimo Razoavelmente Muitíssimo Muitíssimo Razoavelmente Muitíssimo Razoavelmente Medianamente Muitíssimo Razoavelmente Razoavelmente Medianamente Razoavelmente Muitíssimo Nada Nada Razoavelmente Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Razoavelmente Muitíssimo Razoavelmente Razoavelmente Muitíssimo Nome Ser respeitado e obedecido Lealdade Senso ecológico Tradicional Diversão e prazer Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Nada Nada Razoavelmente Muitíssimo Nada Nada Pouquíssimo Pouquíssimo Razoavelmente Pouquíssimo Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Pouquíssimo Razoavelmente Muitíssimo Razoavelmente Razoavelmente Muitíssimo Razoavelmente Razoavelmente Razoavelmente Medianamente Razoavelmente Nada Medianamente Razoavelmente Muitíssimo Nada Pouquíssimo Nada Nada Muitíssimo Medianamente Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Medianamente Muitíssimo Muitíssimo Essa questão é a única do Questionário que se diferencia para meninos ou meninas. Em sua introdução, diz que apresentará algumas características de um menino na versão específica para meninos, e características de uma menina, na versão específica para meninas. Solicita para responderem o quanto se desvelam ou não com aquele menino/ menina. A respeito da criatividade, que está associada à saúde mental, a menina católica e o menino espírita foram os que se descreveram como menos criativos, sendo que a menina católica se percebe pouquíssimo criativa, e o menino espírita se percebe medianamente criativo. Cinco deles se percebem muitíssimo criativos: os evangélicos, os agnósticos e o menino católico. Assim, todos eles possuem essa característica, diferindo em intensidade. Quase todos os adolescentes se percebem com baixa ambição material, sendo que os católicos, os evangélicos e a menina espírita disseram não ter nada de ambição material. Os agnósticos disseram ter esta ambição medianamente, e o menino espírita disse tê-la razoavelmente. Quanto ao senso de igualdade com as outras pessoas, em geral, os adolescentes apresentaram alto senso de igualdade. A respeito do desejo em ser admirado, percebeu-se que a maioria dos adolescentes mencionou ter pouco desejo em serem admirados. Apenas a menina evangélica e o menino espírita responderam ter este desejo muitíssimo. Os católicos responderam ter esse desejo medianamente. Os demais adolescentes responderam que nada ou pouquíssimo. Quanto à necessidade de segurança, a metade dos adolescentes respondeu não ter esta necessidade ou tê-la pouquíssimo. Apenas três adolescentes responderam ter muitíssimo esta necessidade: os evangélicos e o menino agnóstico. A menina agnóstica respondeu ter essa necessidade medianamente. Os demais adolescentes responderam ter nada ou pouquíssimo esta necessidade. Quanto ao dinamismo e o gostar do novo, somente o menino espírita respondeu gostar “pouquíssimo” disso. Os demais adolescentes, ou seja, sete dos oito, responderam gostar “muitíssimo” ou “razoavelmente”. A maioria dos participantes demonstrou não possuir a característica da obediência. Somente os participantes evangélicos responderam possuírem esta característica “muitíssimo”, e a menina espírita respondeu possuí-la “medianamente”. Os demais participantes responderam não possuir em “nada”. A respeito da aceitação das diferenças, sete dos oito adolescentes demonstraram ter boa aceitação delas. Somente a menina espírita respondeu não ter boa aceitação das diferenças, no grau “nada”. Quanto à característica de humildade e modéstia, sete dos oito participantes responderam possuir esta característica “muitíssimo” ou “razoavelmente”. Somente o menino espírita respondeu possuí-la “medianamente”. Quanto ao hedonismo, cinco dos oito adolescentes apresentaram considerável hedonismo. Os adolescentes espíritas e o menino católico foram os que apresentaram menos hedonismo, sendo que os espíritas foram os únicos que responderam que “nada” quando lhes foi perguntado em quanto conferia a frase “gosto de aproveitar os prazeres da vida”. Outra questão, que também avaliava conteúdo parecido, perguntou o quanto era importante para os adolescentes a diversão e o prazer. Seis dos oito participantes consideraram “muitíssimo” importante. O menino católico e o espírita foram os que consideraram a diversão e o prazer menos importante. Assim, considerando-se as duas questões, o menino espírita foi o que apresentou ser o participante menos hedonista. Autonomia e liberdade foram tidas como importante para todos os participantes, visto que eles responderam ser importante para eles “muitíssimo” ou “razoavelmente”. A respeito de ser solidário e ajudar ao próximo, os participantes evangélicos e o menino católico disseram apresentar mais essas características. Os demais participantes mencionaram possuírem estas características “medianamente”. A respeito do desejo de reconhecimento, somente a menina evangélica e o menino espírita apresentaram altos níveis desse desejo. O menino agnóstico respondeu que “medianamente”, demonstrando relativo desejo de reconhecimento. Os demais adolescentes responderam ter esse desejo “nada” ou “pouquíssimo”. Metade dos participantes respondeu ter “muitíssimo” desejo da defesa do estado forte. A menina católica e a agnóstica responderam ter este desejo “medianamente”. Somente o menino católico e o espírita responderam ter este desejo “nada” ou “pouquíssimo”. Seis dos oito participantes responderam ter a característica de ser aventureiro “muitíssimo” ou “razoavelmente”, o que indica alto nível dessa característica. Os participantes espíritas foram os que apresentaram menos esta característica. Os evangélicos foram os que responderam ser mais comportados e certinhos. Os demais participantes apresentaram esta característica em “nada” ou “pouquíssimo”. Quanto à importância de serem respeitados e obedecidos, os adolescentes evangélicos foram os únicos que mencionaram possuir esta necessidade. Os agnósticos responderam possuir esta necessidade “pouquíssimo”, e os demais participantes relataram não possuir esta necessidade. Seis dos oito adolescentes relataram possuir a característica da lealdade “muitíssimo” ou “razoavelmente”. Somente dois deles responderam possuir esta característica “pouquíssimo”, sendo eles o menino católico e o espírita. Quanto à importância do senso ecológico, sete dos oito adolescentes responderam “muitíssimo” ou “razoavelmente”. Somente a menina agnóstica respondeu “medianamente”, com uma postura mais neutra a respeito do assunto. Quanto a ‘ser tradicional’, os adolescentes evangélicos foram os que se apresentaram como mais tradicionais. Os agnósticos, a católica, e a menina espírita foram os que se apresentaram como menos tradicionais. O Quadro 8 apresenta características pessoais dos adolescentes, e foi composto a partir das respostas à Questão 32 do Questionário, cujos subitens investigam se características. os adolescentes se percebem com determinadas QUADRO 8: SOBRE SI MESMO I Nome Gentileza Agitado Sintomas psicossomáticos Solidariedade Zangado e impaciente Solidão Obediente Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Completamente Completamente Completamente Completamente Nada Em parte Em parte Em parte Nada Em parte Em parte Completamente Completamente Completamente Em parte Em parte Em parte Nada Nada Completamente Nada Nada Nada Em parte Em parte Completamente Completamente Completamente Em parte Completamente Em parte Em parte Nada Nada Em parte Em parte Em parte Completamente Em parte Nada Completamente Nada Em parte Em parte Nada Completamente Nada Em parte Completamente Em parte Em parte Em parte Completamente Em parte Em parte Em parte Nome Preocupado Ajuda a quem precisa Agitação física Amizade “Brigão” Mau humor Querido por outros jovens Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Nada Completamente Nada Completamente Completamente Em parte Completamente Nada Completamente Completamente Em parte Completamente Em parte Completamente Completamente Nada Nada Completamente Completamente Completamente Completamente Completamente Nada Nada Completamente Completamente Completamente Completamente Completamente Completamente Em parte Completamente Nada Nada Nada Nada Nada Nada Nada Nada Completamente Nada Nada Nada Nada Nada Nada Em parte Em parte Completamente Em parte Completamente Em parte Em parte Em parte Em parte QUADRO 8: SOBRE SI MESMO I (CONTINUAÇÃO) Nome Perda de concentração Nervosismo e insegurança Legal com crianças Mentiroso Incomodado pelos colegas Gosta de ajudar Pensa antes de fazer as coisas Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Não respondeu Não respondeu Nada Completamente Completamente Em parte Em parte Em parte Nada Em parte Em parte Em parte Em parte Completamente Em parte Nada Completamente Completamente Completamente Completamente Completamente Completamente Completamente Completamente Nada Não respondeu Nada Nada Completamente Em parte Em parte Nada Nada Nada Em parte Em parte Completamente Nada Não respondeu Em parte Nada Completamente Em parte Completamente Completamente Em parte Nada Nada Em parte Em parte Em parte Completamente Em parte Em parte Completamente Completamente Nome Hábito de pegar coisas alheias Melhor relação com adultos que com pessoas da mesma idade Medroso "Nunca cogitaria suicidar-me" Persistente e atencioso Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Nada Nada Nada Não respondeu Nada Nada Nada Nada Nada Nada Em parte Nada Em parte Em parte Em parte Em parte Completamente Nada Nada Nada Em parte Nada Em parte Nada Nada Nada Nada Nada Completamente Completamente Completamente Em parte Em parte Nada Em parte Nada Em parte Em parte Em parte Em parte Buscou-se investigar dois tipos de agitação: a interna e a física. A respeito de serem agitados internamente, observou-se que a maioria deles se percebem agitados, seja “completamente” ou “em parte”. Somente a menina católica respondeu não ser agitada em “nada”. Já quanto à agitação física, cinco dos oito adolescentes se percebem “completamente” agitados. Os participantes agnósticos e a menina católica disseram não se sentirem nada agitados fisicamente. A metade dos adolescentes respondeu se perceber “em parte” zangado e impaciente. O menino espírita respondeu ser “completamente” zangado e impaciente. Já os participantes católicos e o menino agnóstico disseram não serem zangados e impacientes em “nada”. O menino evangélico foi o que disse sentir mais sintomas psicossomáticos. A menina católica e o menino agnóstico disseram sentir estes sintomas “em parte”. Porém, a maioria dos participantes não sente estes sintomas em “nada”. A menina católica e o menino espírita foram os participantes que disseram mais vivenciar a solidão. Esse menino tem uma irmã com a qual não se relaciona bem. A menina perdeu o irmão e não se relaciona bem com a mãe e, além disso, o namorado interrompeu o namoro. A menina e o menino evangélicos, e o menino agnóstico também disseram vivenciar a solidão, ainda que “em parte”. Metade dos participantes se percebe como “completamente” preocupados. Um se percebe “em parte” preocupado. Somente três não se percebem “em nada” preocupados. Seis dos oito adolescentes responderam não terem mau humor. A menina católica respondeu ter mau humor “completamente”, e o menino agnóstico respondeu ter mau humor “em parte”. Quanto a se o adolescente tem pelo menos um amigo ou amiga, sete dos oito adolescentes responderam “completamente”. Somente a menina agnóstica respondeu “em parte”. Seis dos oito adolescentes responderam serem queridos por outros jovens “em parte”. Os oito adolescentes não possuem características que lhes permitam ser considerados brigões. Quanto a nervosismo e insegurança, seis adolescentes apresentaram esta característica, sendo este um número considerável. O menino espírita foi o único participante que respondeu “completamente”. A menina católica e o menino agnóstico responderam “nada”. Os cinco demais adolescentes responderam “em parte”. Quanto à perda de concentração, o menino evangélico e a menina espírita responderam que confere “completamente”. Os participantes católicos não responderam. Os agnósticos e o menino espírita responderam “em parte”. A menina evangélica respondeu “nada”. Quando investigado nos adolescentes a respeito da característica de ajudar a quem precisa, que foi avaliada perguntando o quanto é característica deles ter boa vontade para dividir e emprestar suas coisas (comida, jogos, canetas), uma adolescente respondeu “em parte”, juntamente com a menina evangélica. O menino agnóstico foi o único que respondeu “nada”. Os demais adolescentes responderam “completamente”. Isso revela que uma característica da maioria deles é ter boa vontade em ajudar pessoas que precisam. Indagados novamente a respeito de gostar de ajudar, no item que afirmava: “tento ajudar se alguém desvela magoado, aflito ou sentindo-se mal”, três adolescentes responderam “completamente”, sendo eles o menino católico, o evangélico, e a menina espírita. A menina evangélica e o menino espírita responderam que gostam “em parte”, e os agnósticos e a menina católica responderam não gostarem “nada”. Quanto à gentileza, os adolescentes católicos e os evangélicos foram os que se apresentaram mais gentis. A respeito da solidariedade, todos os participantes mencionaram ser solidários; porém, os agnósticos, a menina católica, e a espírita são solidários “em parte”. Já os demais participantes se percebem completamente solidários. Unanimemente os adolescentes responderam serem legais com crianças. Os católicos e o menino evangélico responderam se relacionar melhor com pessoas da mesma idade do que com adultos. Os demais adolescentes responderam se relacionar melhor “em parte” com adultos do que com pessoas da mesma idade. Mais da metade dos adolescentes responderam não ser medrosos. Somente a menina católica respondeu “completamente” para esta questão. Das meninas, somente a evangélica disse não ser medrosa, as demais são. Seis dos oito adolescentes responderam ser “em parte” persistentes e atenciosos. Somente o menino católico e o evangélico responderam não serem “em nada” persistentes e atenciosos. Todos os adolescentes que responderam a questão que buscava investigar se eles têm o hábito de pegar coisas alheias responderam não possuírem este hábito. O menino evangélico não respondeu a questão. Metade dos participantes respondeu ter a verdade como um de seus valores: os evangélicos, a menina católica, e o menino agnóstico. A menina espírita disse ser mentirosa “completamente”. O menino espírita e a menina agnóstica são “em parte” mentirosos. A menina espírita é a que se sente mais incomodada pelos colegas. Os católicos e o menino espírita são os únicos que não se sentem “em nada” incomodados pelos colegas. Os demais participantes se sentem incomodados “em parte”, exceto a menina agnóstica, que não respondeu. A respeito de pensar antes de fazer as coisas, somente três adolescentes responderam “completamente”: os agnósticos e o menino evangélico. Os demais adolescentes responderam pensar “em parte”. A questão que buscou investigar se os adolescentes cogitariam em alguma hipótese suicidar-se ficou confusa por ser apresentada na forma negativa: “nunca cogitaria suicidar-me”. Obtiveram-se dois extremos de respostas e não se sabe se todos compreenderam de fato o que a questão buscava investigar. Metade dos adolescentes respondeu que a afirmação não confere “em nada”, assim, entende-se que eles cogitariam em suicidar-se, sim; porém, estranha-se que os católicos e os evangélicos tenham respondido desta forma, já que nas religiões deles a vida é tida como um valor inestimável. Os espíritas e a menina agnóstica responderam “completamente”, ou seja, nunca cogitariam em suicidarem-se. O menino agnóstico foi o único participante que respondeu que nunca cogitaria se matar “em parte”. O Quadro 9 foi composto a partir das respostas à questão 33 do Questionário. QUADRO 9: SOBRE SI MESMO II Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Compreensão do ambiente/ capacidade de previsão Nada Completamente Razoavelmente Completamente Medianamente Pouquíssimo Medianamente Razoavelmente Nome Autenticidade entre os pares Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Nada Completamente Razoavelmente Razoavelmente Completamente Razoavelmente Completamente Completamente Autonomia e adaptação às mudanças Pouquíssimo Medianamente Razoavelmente Razoavelmente Razoavelmente Razoavelmente Medianamente Razoavelmente Comportamento em conformidade com os princípios paternais Nada Razoavelmente Pouquíssimo Completamente Nada Medianamente Medianamente Pouquíssimo Nome Percepção das diferenças de orientação de cada contexto Adaptação às mudanças de ambiente Percepção das diferenças entre as ideias das pessoas com quem convive Dificuldade de escolha entre diferentes ideias e orientações Perspectivas de autonomia para organização da própria vida Adriana Medianamente Medianamente Nada Medianamente Completamente Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Razoavelmente Medianamente Razoavelmente Pouquíssimo Completamente Completamente Medianamente Medianamente Pouquíssimo Razoavelmente Medianamente Razoavelmente Medianamente Nada Razoavelmente Nada Nada Nada Pouquíssimo Medianamente Completamente Razoavelmente Medianamente Medianamente Nada Completamente Nada Razoavelmente Pouquíssimo Razoavelmente Não respondeu Completamente Medianamente Medianamente Medianamente Nome Obstinado, determinado Autenticidade na família Autenticidade na escola Razoavelmente Pouquíssimo Razoavelmente Completamente Razoavelmente Completamente Completamente Razoavelmente Conformidade com as orientações da escola Nada Razoavelmente Nada Completamente Nada Pouquíssimo Nada Pouquíssimo Pouquíssimo Pouquíssimo Razoavelmente Medianamente Medianamente Pouquíssimo Medianamente Medianamente Nada Pouquíssimo Razoavelmente Razoavelmente Completamente Nada Completamente Nada Conformidade com os pares Autenticidade consigo mesmo Nada Pouquíssimo Nada Pouquíssimo Completamente Nada Nada Pouquíssimo Completamente Medianamente Completamente Nada Nada Completamente Completamente Completamente A maioria dos adolescentes mencionou ter autonomia e boa adaptação a mudanças. Somente a menina católica apresentou dificuldades quanto a isso, mencionando ter “pouquíssima” autonomia e dificuldades de adaptação a mudanças. Em geral, os adolescentes mencionaram compreender como funciona o ambiente deles e ter previsão do que vai acontecer. Somente a menina católica e o menino espírita disseram ter dificuldades quanto a isso. A respeito de ‘ser obstinado e determinado’, os adolescentes disseram ter estas características, apenas o menino católico mencionou possuir estas características “pouquíssimo”. A respeito da autenticidade na família, em geral, os adolescentes disseram ser autênticos. Apenas os participantes católicos e o menino espírita mencionaram ser autênticos na família “pouquíssimo”. Já a respeito da autenticidade na escola, os adolescentes demonstraram ser menos autênticos do que na família, pois quatro deles disseram ser “muito autênticos” e quatro disseram ser “pouquíssimo” ou “nada” autênticos. A autenticidade foi avaliada, e entende-se autêntico como ser verdadeiro. A autenticidade entre os pares foi a que mais se destacou pela intensidade, sete dos oito adolescentes disseram ser “completamente” (quatro), ou “razoavelmente” (três) autêntico entre os pares. Somente a menina católica respondeu não ser “nada” autêntica na presença dos pares. Porém, quando investigado se os adolescentes estão em conformidade com os pares, somente a menina espírita respondeu “completamente”, sendo que os demais adolescentes responderam estar “pouquíssimo” ou “nada” em conformidade com os pares. A autenticidade consigo mesmo também foi avaliada, e cinco dos oito adolescentes responderam ser autênticos consigo mesmos “completamente”. O menino católico respondeu ser autêntico consigo mesmo “medianamente”. Já o menino evangélico e a menina espírita responderam não ser “nada” autênticos consigo mesmos. Metade dos adolescentes respondeu que seus comportamentos estão de acordo com os princípios paternais: o menino evangélico, o católico, o espírita, e a menina agnóstica. A outra metade respondeu que está “pouquíssimo” de acordo com os princípios paternais ou “nada” de acordo: a menina evangélica, a católica, a espírita, e o menino agnóstico. Mais meninos estão de acordo com princípios paternais do que meninas. Quanto a se o comportamento do adolescente está em conformidade com as orientações da escola, houve grande diferença entre as respostas dos meninos e as das meninas, sendo que elas se mostraram mais rebeldes. O menino evangélico e o católico responderam estar em conformidade com as orientações da escola. Já o menino espírita e o agnóstico responderam estarem “pouquíssimo” de acordo com as orientações da escola. A respeito da percepção das diferenças de orientação de cada contexto, sete dos oito adolescentes responderam perceber estas diferenças. Somente a menina espírita respondeu perceber “pouquíssimo” esta diferença. O Quadro 10 foi composto das respostas às questões 29, 30 e 36 do questionário, todas elas relacionadas à escola. QUADRO 10: SITUAÇÃO NA ESCOLA Como se sente em relação à escola Religião e escola Ensino religioso em sua escola Possibilidade de aprender sobre outras religiões na escola Sim Não Raramente Nunca Sim Não Algumas vezes Medianamente importante Nunca Nunca Não Não Algumas vezes Razoavelmente importante Sempre Muitas vezes Muitas vezes Sim Não Algumas vezes Muito importante Às vezes Muitas vezes Nunca Às vezes Sim Não Algumas vezes Razoavelmente importante Carlos Raramente Às vezes Muitas vezes Muitas vezes Sim Não Algumas vezes Muito importante Daniela Às vezes Nunca Raramente Nunca Sim Não Nunca Daniel Muitas vezes Às vezes Às vezes Nunca Sim Não Raramente Gosta de ir à escola Solidão em sala Costuma faltar Sobre bullying Reprovação na escola Adriana Às vezes Muitas vezes Muitas vezes Nunca Adriano Muitas vezes Raramente Nunca Bruna Às vezes Nunca Bruno Muitas vezes Carla Nome Importância atribuída ao conhecimento sobre religião na escola Muito importante Muito importante Medianamente importante Algumas questões foram realizadas no intuito de investigar vivências associadas à escola. Uma delas é a respeito de gostar de ir à escola. Houve diferença entre as respostas das meninas e dos meninos. Elas responderam gostar menos de ir à escola do que eles. Todas as meninas responderam gostar de ir à escola “às vezes”. Já o menino católico, o evangélico e o agnóstico responderam gostar de ir à escola “muitas vezes”. Somente o menino espírita respondeu gostar “raramente” de ir à escola. Somente a menina evangélica nunca foi reprovada. Os outros sete participantes reprovaram pelo menos uma vez. A respeito de faltar às aulas, três adolescentes responderam “muitas vezes”, o que é um número considerável. O menino agnóstico respondeu “às vezes”. Já a menina agnóstica respondeu “raramente”. O menino católico, a menina evangélica e a menina espírita responderam “nunca” faltarem às aulas. A respeito de sentirem solidão em sala de aula, mais adolescentes responderam não sentir solidão em sala. Somente o menino evangélico respondeu “sempre” sentir solidão em sala. A menina católica e a espírita responderam sentir “muitas vezes” solidão em sala. Já o menino espírita e o agnóstico responderam sentir solidão “às vezes”, e o menino católico respondeu “raramente” senti-la. A menina evangélica e a agnóstica responderam “nunca” sentir solidão em sala. Quanto a se os adolescentes já sofreram ou sofrem bullying na escola, a maioria deles respondeu que “nunca” sofreu. Porém, o menino evangélico e o espírita responderam que sofreram “muitas vezes”, e a menina espírita respondeu “às vezes”. A respeito do ensino religioso, nenhum dos participantes o tem na escola. Cinco dos oito participantes disseram que “algumas vezes” eles têm a possibilidade de aprender sobre outras religiões na escola. A menina católica e o menino agnóstico disseram que isto “raramente” acontece, e a menina agnóstica disse que isto “nunca” acontece. Todos os adolescentes consideram importante adquirir conhecimento sobre religião, variando quanto ao grau de importância, sendo que quatro deles disseram ser “muito importante”: a menina católica e a agnóstica, e o menino evangélico e o espírita. A menina evangélica e a espírita disseram ser “razoavelmente importante”, e o menino católico e o agnóstico disseram ser “medianamente importante”. Buscando complementar as informações apresentadas nos quadros anteriores, elaborados a partir de respostas ao Questionário – correspondentes ao eixo temático 2, religiosidade/ espiritualidade e vida pessoal–, foi organizado o Quadro 11, composto de conteúdos das entrevistas. QUADRO 11: R / E e VIDA PESSOAL RELIGIOSIDADE/ ESPIRITUALIDADE E VIDA PESSOAL Características pessoais Coisas mais importantes da Gosto de fazer vida "As coisas mais importantes são as coisas que eu não tenho, que é família. "Eu gostava de fazer balé quando era criança". Só existe eu, minha mãe, minha prima e meu tio". Adriana "Eu sou uma menina complicada, mas eu sou uma menina bem educada. Eu sou uma menina que respeita os outros". Adriano "Eu não sei dizer assim com palavras específicas. Sou alegre, ansioso (...)". "Deus, minha família, meus amigos". Bruna "Alegre, lerda, sou meio lerdinha, alegre também, fico rindo de tudo". "Deus, minha família "Eu gosto de ficar assistindo anime, gosto de sair e uma amiga com uma colega minha, só para bater papo minha". mesmo". Bruno "Eu sou muito curioso em saber "Deus e minha das coisas, eu gosto de família". aprender". Carla "Eu sou estressada. Eu procuro ser a melhor pessoa do mundo "A minha mãe, o meu namorado e o com quem é bom comigo. Eu sou muito ansiosa, ansiosa meu Deus". demais". Carlos "Eu sou muito sorridente, eu gosto de ficar rindo muito. Eu sou quieto; eu não mexo com ninguém. Calmo, fico mais sozinho". Não gosto de fazer "Não gosto de estudar". "Andar de skate, mexer no meu celular, Whatsapp, "Não gosto de estudar, fazer tarefas de mexer no computador (jogos, Facebook)". casa (...)" "Eu gosto de tocar (teclado, violão e guitarra), eu gosto de cantar, eu gosto de escrever também, eu gosto de desenhar, dançar (...) Eu gosto de estar entre família, entre amigos íntimos". "Eu gosto de assistir anime, escutar música, não importa qual música, sair com meu namorado, com meus amigos, assistir TV, jogar conversa fora com minha mãe, ficar mexendo com meus [objetos de] cosplay, com a peruca, colocando detalhes nas roupas". "Minha mãe e minha vida. Minha irmã "Tocar violão, jogar no computador, mas agora também, mas às estou sem computador e vídeo-game, passear vezes ela fala o que com os cachorros lá de casa, fazer composição". não tem que falar". "Eu não gosto de sair de casa; só com essa amiga minha, mas não gosto de ir para lugares que têm muita gente e tal". "Eu não gosto de ir para a balada, de sair com a galera para me divertir, tipo beber, sei lá (...)” "Eu não gosto de ficar parada. Eu não gosto de falar de alguma coisa que eu não sei, criticar uma coisa que eu nunca conheci, ver um bocado de livro na livraria e não poder comprar". "Não gosto de ouvir rádio, porque o cara fica falando toda hora. Minha irmã ouve, mas eu não gosto". QUADRO 11: R / E e VIDA PESSOAL (CONTINUAÇÃO) Daniela "Eu sou meio chatinha. Às vezes eu fico meio estressada, mas eu "Minha mãe, meus objetivos, meu namorado" sou calma, não gosto de gritar". Daniel [risos] " Piercings, cabelo grande, meu olho claro, tatuagem. Sou calmo, eu não gosto de discutir, eu sou tranquilo". "Os estudos, dois amigos meus, minha namorada e meus avós". "Eu, meu namorado e meus amigos, a gente vai para o parque da cidade, shopping(...)". "Eu jogo muito, saio muito com as meninas também, ando de skate, vou para o parque da cidade brincar naquele elástico que põe nas árvores". "Acho que não tem nada que eu não goste de fazer". "Eu não gosto de ir a lugares que tem gente que fica falando, gritando, gente que quer chamar a atenção, que fica falando um bocado de ‘merda’ para chamar a atenção". RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E VIDA PESSOAL Lazer / interesses Relações amorosas Relação com os estudos Adriana "Eu ia para um bocado de festa. Só deixei de ir a partir do ano passado, porque eu comecei a namorar". "(...) comecei a namorar um menino, ele me incentivou a estudar, aí eu passei de ano. Ele me incentivou a parar de responder a minha mãe, a parar de sair. Nesse ano ele terminou comigo porque ele não me aguentava, porque eu sou complicada, mas eu sou carinhosa também. Eu gosto dele até hoje(...) Quase morri; tomei veneno de rato". "Eu queria ter mais vontade de estudar, porque eu não tenho. Sempre fui uma menina que gostava de estudar. Depois que meu irmão morreu, eu reprovei quatro vezes na sétima série". Adriano "Clube, cinema, shopping, casa de parente". _______ "Não gosto de estudar". _______ "Eu gosto quando a aula é, tipo, legal, quando é animada, quando o professor fala de coisa de ficar boiando, eu não gosto". _______ "Eu gosto de aprender". Bruna Bruno " Shopping, eu vou com a minha mãe. Às vezes meu pai me leva ao cinema". "Eu sou apaixonado para aprender a tocar baixo, mas eu ainda não aprendi". "Faço parte do louvor da igreja e sou líder do teatro". QUADRO 11: R / E e VIDA PESSOAL (CONTINUAÇÃO) "Ele [Deus] e o meu namorado foram o que me segurou enquanto eu estava longe da minha mãe. Quando eu saí da casa do meu pai, já tinha acontecido aqueles negócios normais de adolescente quando está namorando" [referindo-se a relações sexuais]. "Na escola eu sofro muito preconceito. Na minha sala a maioria fica longe de mim porque sou espírita. A ex-mulher do meu pai jogou uma praga em mim, daí um espírito ruim fica seguindo o meu caminho. Um dia, na escola, uma coisa muito ruim pegou em mim e eu saí batendo em todo mundo, e fui me esconder em um lugar escuro. As tias da escola vieram com água benta e diziam: 'chama o pastor, chama o pastor!' ". Carla " Shopping, Parque da Cidade, acampar". Carlos "Quando [eu era] criança, a minha mãe catava materiais recicláveis para vender. Para nós era uma diversão, ‘né’? [Ele compõe músicas que falam de amor, união etc] Daniela "Eu também quero fazer faculdade de Psicologia, sempre quis.Eu quero ser professora de inglês; daí, vou pagar minha faculdade de Psicologia". Ela namora o participante Daniel. "Durante a semana eu estudo, quando quero". Daniel "Eu gosto muito de shows, só que tem vezes que vai um povo que começa a gritar e a fazer folia, começa a dar a maior confusão, eu não gosto disso". Ele namora a participante Daniela. "Eu não me esforçava muito antigamente, não. Agora que eu estou começando a me esforçar nos estudos". _______ "Aí, de manhã eu saía com a minha mãe com o carrinho, ‘né’, para catar material reciclável. À tarde, eu estudava. Aí, a mulher do Conselho Tutelar viu e proibiu, ‘né’". A Figura 3 foi elaborada a partir da percepção dos sentidos apreendidos do segundo núcleo temático, que busca ilustrar uma síntese dinâmica das principais divergências e convergências, com base em conteúdos das entrevistas. FIGURA 3: TEMA-EIXO – R / E e VIDA PESSOAL, E SEUS SENTIDOS APREENDIDOS O diagrama fenomenológica apresenta os sentidos das entrevistas de acordo apreendidos com da o núcleo leitura temático apresentado. Nele, observamos que a família foi apresentada por todos os participantes como sendo de fundamental importância. Deus foi apresentado por quatro participantes como importante: o menino católico, os participantes evangélicos, e a menina espírita. Os amigos foram mencionados por três adolescentes como importantes: o menino católico, o agnóstico, e a menina evangélica. O(a) namorado(a) também foi apresentado(a) por três participantes como importante: a menina espírita, a agnóstica, e o menino agnóstico. A vivência de namoro foi apresentada como fonte de apoio por quatro participantes: o menino agnóstico, a menina espírita, a agnóstica, e a católica, sendo também apresentado como fonte de conflito por esta última. Somente três participantes apresentaram mais interesse pelos estudos (menino evangélico, menino agnóstico, e menina agnóstica), cinco deles demonstraram desinteresse ou indiferença. Quanto à percepção das características pessoais, foram mencionadas tanto características positivas quanto negativas, mas todos os participantes tiveram dificuldade em responder, demonstrando timidez ou falta de autoconhecimento. Talvez isto esteja relacionado com a questão da formação da identidade que, por estar em processo, dificulta a percepção. Em geral, os participantes demonstraram uma diversidade de interesses, seja quanto a música, arte, dança ou esportes. Dois adolescentes apresentaram o interesse pela música, relacionado às atividades que desempenham na igreja (menino evangélico e menino espírita). Apresenta-se a seguir o eixo temático 3: religiosidade/ espiritualidade e círculo social dos adolescentes. 5.5. Tema-eixo 3: R / E e círculo social Na composição deste eixo temático, foram estruturados dois quadros, apresentados na sequência: valores em relação à sua e às demais religiões; e religiosidade/ espiritualidade e círculo social. Para estruturação do Quadro 12 – Valores em relação à sua e às demais religiões – foram consideradas as respostas às questões 19, 20 e 21 do Questionário, que tratam da posição do jovem quanto à sua própria religião e às demais. QUADRO 12: VALORES EM RELAÇÃO À SUA E ÀS DEMAIS RELIGIÕES Escolha de parceiros/amigos Nome Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Posição sobre a própria religião e a dos demais Todas as religiões merecem respeito, mas eu prefiro a minha, porque fui educado assim. Todas as religiões merecem respeito, mas só a minha é verdadeira. Todas as religiões têm o mesmo valor. Todas as religiões merecem respeito, mas eu prefiro a minha, porque fui educado assim. Todas as religiões têm o mesmo valor. Todas as religiões merecem respeito, mas só a minha é verdadeira. Todas as religiões têm o mesmo valor. Todas as religiões têm o mesmo valor. Aceita amigos de outras religiões Contato pessoal com jovens de outras religiões Casamento com pessoas de outras religiões Católica Evangélica Protestante Espírita Afrobrasileiras Indígenas Outras EU PAIS Nada Nada Nada Raramente Às vezes Nunca Nunca Nunca Raramente _ Nada Medianamente Nada Sempre Sempre Sempre Raramente Nunca Nunca _ Nada Medianamente Completamente Muitas vezes Sempre Às vezes Às vezes Às vezes Nunca - Nada Nada Nada Sempre Sempre Sempre Sempre Sempre Nunca - Nada Nada Nada Muitas vezes Muitas vezes Às vezes Sempre Sempre Sempre - Nada Nada Nada Sempre Muitas vezes Às vezes Sempre Raramente Nunca - Nada Pouquíssimo Nada Muitas vezes Muitas vezes Nunca Às vezes Nunca Nunca - Nada Nada Nada Às vezes Às vezes Nunca Raramente Nunca Nunca - Quanto à posição sobre a própria religião e a dos demais, quatro adolescentes afirmaram, na questão 19 do Questionário, que “todas as religiões têm o mesmo valor”: os agnósticos, a menina evangélica e a espírita. O menino católico e o espírita disseram que “todas as religiões merecem respeito, mas só a minha é verdadeira”. Já a menina católica e o menino evangélico disseram que “todas as religiões merecem respeito, mas eu prefiro a minha porque fui educado assim”. Cinco dos oito adolescentes responderam que “não confere em nada” com relação à questão que afirma: “eu nunca me casaria com alguém de outra religião”. Somente a menina evangélica e o menino católico responderam “confere medianamente”. A menina agnóstica afirma: “confere pouquíssimo”. Somente a adolescente evangélica respondeu que seus pais não estariam de acordo caso ela se casasse com uma pessoa de outra religião. Os demais adolescentes responderam que esta afirmação “não confere em nada”, ou seja, seus pais não se incomodariam caso eles se casassem com pessoas com religião diferente. A respeito se os adolescentes possuem amigos católicos, somente a menina católica respondeu “raramente”, e o menino agnóstico respondeu “às vezes”. Os demais adolescentes responderam “sempre” ou “muitas vezes”. Quanto a se os adolescentes convivem com jovens evangélicos em seu círculo social, somente o menino agnóstico e a menina católica responderam “às vezes”. Os demais adolescentes responderam “sempre” ou “muitas vezes”. Já a respeito de eles conviverem com jovens protestantes em seu círculo social, menos adolescentes responderam afirmativamente do que a respeito de evangélicos. Apenas dois adolescentes responderam “sempre”: o menino católico e o evangélico. Os espíritas e a menina evangélica responderam “às vezes”, e os agnósticos e a menina católica responderam “nunca”. Quanto a se eles convivem com jovens espíritas em seu círculo social, os espíritas e o menino evangélico responderam “sempre”. Os demais adolescentes responderam “às vezes”, “raramente”, ou “nunca”, revelando ser uma convivência muito restrita. Cinco dos adolescentes não costumam conviver com jovens espíritas. A respeito de os adolescentes manterem contato com jovens de religiões afro-brasileiras, a metade deles respondeu que “nunca”. O menino espírita respondeu “raramente”, e a menina evangélica respondeu “às vezes”. Porém, o menino evangélico e a menina espírita responderam “sempre”. Quando indagado se os adolescentes convivem com jovens de religiões indígenas, somente a menina espírita respondeu “sempre”. A menina católica respondeu “raramente”, e os demais participantes responderam “nunca”. O Quadro 13 foi elaborado com base no que se pôde apreender das entrevistas, de forma complementar às respostas ao Questionário, relacionado ao eixo temático 3: religiosidade / espiritualidade e círculo social. QUADRO 13: R / E e CÍRCULO SOCIAL RELIGIOSIDADE/ ESPIRITUALIDADE E CÍRCULO SOCIAL Amigos Como lida com pessoas com religiões ou espiritualidade diferentes da sua Adriana "Eu estava com vontade de dormir (...), eu tinha tomado aquele trem horrível, ruim demais. Aí, eu falei para a F, minha amiga, minha melhor amiga, (...) aí, eu disse: ‘F. tem como você ‘vim’ aqui? Porque eu estou passando mal’ ". "Eu aceito, mas pessoa ateia eu acho que já é demais, acho que é pessoa que não tem o que falar. Sinceramente! Tem uma menina na minha sala que fala que é ateia, mas não sei se é, eu fico conversando com ela às vezes e a gente até discute, porque não tem como uma pessoa (...), a família dela é católica e tudo, ela só põe na cabeça que é ateia e que não acredita". Adriano Os amigos estão entre as coisas mais importantes da vida dele. "Eu respeito a religião de todo mundo, a crença de todo mundo. Eu tento sempre evangelizar meus amigos, levar eles para a missa comigo. Dentro do possível, eu tento evangelizar eles". "Gosto de sair com uma colega minha" (...), eu só gosto de sair com essa amiga minha". [Essa amiga está entre as coisas mais importantes da vida dela]. "Eu trato normal, mas tem pessoas que, quando eu falo sobre a minha religião, vêm discutir. Aí eu não gosto, eu fico quieta. Eu tive uma amiga católica que queria me converter ao catolicismo; eu não gostava (...). Aí foi que eu parei de falar com ela. Tive um colega que era da minha igreja e ele se tornou ateu, ele se afastou. Tenho colegas no Facebook que são ateus e a gente se respeita. [A melhor amiga dela não tem religião, mas acredita em Deus]. Bruna Bruno ___________ "Eu trato naturalmente, como qualquer pessoa, como qualquer outra pessoa da minha religião (...). Eu tenho amigos espíritas, católicos, outros que ‘é’ (...) Como é que é? Uma religião muito estranha". QUADRO 13: R / E e CÍRCULO SOCIAL (CONTINUAÇÃO) Carla "Preconceito, na escola eu sofro muito preconceito, na minha sala ninguém (...). A maioria fica longe de mim porque sou espírita. Na outra escola também (...)". "Eu lido como se fosse uma pessoa normal (...), então não tenho preconceito com nada, eu procuro não praticar preconceito com outros porque eu sei o tanto que é ruim, entendeu? Você está querendo seguir uma religião que você acha que é certo e todo mundo ‘tá’ criticando. Eu sei que é muito ruim, então não faço com ninguém para ninguém fazer comigo. (...) Tenho uma amiga que é umbandista. Conheço pessoas que são satanistas, ateu, eu não tenho problema com nenhuma, contando que ninguém fale da minha". Carlos "Minha irmã gosta de mandar muito. Aí, às vezes eu fico com raiva e vou para a rua, para casa de colega". "Eu me relaciono bem, ‘né’. Que nem meu primo, meu primo é evangélico" (...). Para mim, gente de outra religião é a mesma coisa que qualquer outra pessoa, dá para conversar igualmente”. [Ele relatou já ter ido à igreja evangélica, e ter levado o primo evangélico ao Centro Espírita]. Daniela Ela e os amigos moram meio longe. Às vezes combinam de ser ver. Ela desvela passar muito tempo livre com o namorado. "Ah, eu sou aquele tipo de pessoa que independentemente da religião dela eu aceito, sabe? E ninguém nunca me criticou por eu ter dúvidas. Enfim, eu tenho amigos que são ateus, tem até anticristo. Tem vários amigos, e a gente conversa normalmente (...), é até legal trocar outras ideias". Daniel Ele menciona dois amigos dentre as coisas mais importantes da vida. Ele desvela passar muito tempo livre com a namorada. "Eu não tenho nada contra pessoas com religiões diferentes. Tipo, cada um tem a sua, cada um tem suas regras. Sou tranquilo, mas sou meio chato quando começa a criticar, porque evangélico gosta de criticar: ‘isso não é certo, não sei o que’. Eu não tenho nenhum contato com espíritas. Os católicos são de boa, não criticam, não falam nada, ficam na deles". O conjunto de percepções dos sentidos que emergem do terceiro núcleo temático permitiu a elaboração da Figura 4, com base nos conteúdos das entrevistas. FIGURA 4: TEMA-EIXO – R / E e CÍRCULO SOCIAL, E SEUS SENTIDOS APREENDIDOS PESSOAS COM RELIGIÕES DIFERENTES DA SUA: TRATO NORMAL, EU ACEITO, EU RESPEITO (8) IMPORTÂNCIA DOS AMIGOS: RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E CÍRCULO SOCIAL JÁ TEVE DIVERGÊNCIAS DENTRE AS COISAS MAIS IMPORTANTES DA VIDA (3), REFÚGIO (1), SOCORRO (1) COM COLEGAS DE RELIGIÕES DIFERENTES DA SUA (3) Na Figura 4, percebe-se que todos os adolescentes demonstraram tratarem de forma “normal” os jovens com religiões diferentes da sua própria, disseram aceitar, tolerar e respeitar. Porém, três deles disseram ter tido divergências com colegas de religiões diferentes: a menina católica, a menina evangélica, e o menino agnóstico. Na entrevista em grupo não havia participantes católicos, pois uma havia faltado à aula e o outro não demonstrou querer participar. Foi interessante observar que foi a única religião que os adolescentes se mostraram à vontade para apontar algumas críticas. Eles não criticaram nenhuma religião ou espiritualidade dos adolescentes presentes. Outro aspecto interessante foi relacionado ao valor que eles dão às amizades, sendo que três deles mencionaram os amigos dentre as coisas mais importantes da vida, e também associaram amizade a refúgio e socorro. 5.6. Tema-eixo 4: R / E e questões sociais e políticas Foram estruturados três quadros para a composição deste eixo temático: interesses e valores políticos; autopercepção da identidade sociocultural e expectativas para o futuro; e religiosidade/ espiritualidade e questões sociais e políticas. O Quadro 14 – interesses e valores políticos – foi estruturado a partir das respostas à questão 18 do Questionário, a qual explora os interesses e valores político-sociais. QUADRO 14: INTERESSES E VALORES POLÍTICOS Nome Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Nome Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Interesse por política Homem como chefe da família Pouquíssimo Nada Medianamente Medianamente Razoavelmente Pouquíssimo Nada Pouquíssimo Nada Razoavelmente Completamente Completamente Pouquíssimo Pouquíssimo Pouquíssimo Nada Uso da violência Participação com influência política do cidadão Entrada de estrangeiros Autocracia Sacrifício pela religião Direitos humanos Nada Pouquíssimo Nada Nada Nada Nada Nada Nada Pouquíssimo Completamente Completamente Completamente Completamente Razoavelmente Razoavelmente Completamente Nada Nada Completamente Nada Nada Pouquíssimo Nada Nada Nada Nada Nada Nada Nada Nada Medianamente Nada Medianamente Razoavelmente Completamente Completamente Pouquíssimo Nada Nada Nada Nada Completamente Completamente Medianamente Completamente Completamente Nada Completamente Confiança nos políticos Confiança na mulher política Entrega da vida pela religião Nada Nada Nada Nada Nada Nada Nada Nada Medianamente Nada Nada Nada Pouquíssimo Pouquíssimo Nada Nada Completamente Medianamente Razoavelmente Pela religião, nada; por Deus, sim. Pouquíssimo Nada Nada Nada A respeito do interesse por política, mais adolescentes responderam não ter interesse do que o contrário. A adolescente que demonstrou ter mais interesse foi a menina espírita. Em seguida, os participantes evangélicos responderam ter interesse “medianamente”. Os demais adolescentes responderam ter “pouquíssimo” ou “nada” de interesse político. Porém, quando questionados a respeito do que pensam quanto à participação política dos cidadãos, todos responderam que eles devem participar politicamente, exceto a menina católica, que respondeu que confere “pouquíssimo” a afirmação. A respeito da confiança nos políticos, todos os adolescentes responderam não confiar “nada” nos políticos homens. O resultado foi um pouco diferente a respeito da confiança nas mulheres políticas, pois a menina católica respondeu confiar “medianamente”, e os espíritas responderam confiar “pouquíssimo”. Já os demais adolescentes responderam não confiar “nada”. Somente os evangélicos responderam que confere “completamente”, e o menino católico disse que confere “razoavelmente” a afirmação de que o homem é o chefe da família. Os demais adolescentes responderam que confere “pouquíssimo” ou “nada”. A respeito de pensar ser correto o uso da violência quando se está com a razão, somente o menino católico respondeu que confere “pouquíssimo”, os demais adolescentes não identificaram ser correto o uso da violência, mesmo quando se está com a razão. A respeito da entrada de estrangeiros no país, somente a menina evangélica concordou com a frase que dizia que “no futuro, menos estrangeiros deveriam entrar em nosso país”. Os demais adolescentes responderam que a frase confere “pouquíssimo” (um) ou “nada” – (seis). Sete dos oito adolescentes responderam não concordar com a frase que afirmava que um homem forte, uma mulher forte, ou um partido forte deveria governar sozinho o país. Somente a menina agnóstica concordou “medianamente” com esta afirmação. Somente os participantes evangélicos responderam que concordam “completamente” com a frase sobre estarem dispostos a fazerem grandes sacrifícios pela religião. O menino católico disse concordar “razoavelmente”, e a menina católica disse concordar “medianamente” com a frase. Os demais adolescentes responderam concordar “pouquíssimo” ou “nada”, sendo que os agnósticos estão dentre os que responderam “nada”. Porém, quando indagados se estariam dispostos a entregar a própria vida pela religião, a menina católica foi a única a responder “completamente”. A menina evangélica respondeu “razoavelmente”, e o menino católico respondeu “medianamente”. Os demais adolescentes responderam “pouquíssimo” ou “nada”. Os agnósticos estão dentre os que responderam “nada”. O menino evangélico respondeu que não entregaria a vida pela religião, mas que, por Deus, ele a entregaria. A maior parte dos adolescentes respondeu estar de acordo com a frase que afirmava que os direitos humanos devem ser aplicados a todas as pessoas, independentemente do país e da cultura. O menino evangélico, porém, respondeu concordar “medianamente”. A menina católica e a agnóstica responderam não concordarem “nada” com isso. Para compor o Quadro 15, foram utilizadas as respostas às questões 22 e 26 do Questionário, que exploram a própria percepção do jovem em relação à sua identidade sociocultural e suas expectativas para o futuro. QUADRO 15: AUTOPERCEPÇÃO DA IDENTIDADE SOCIOCULTURAL E EXPECTATIVAS PARA O FUTURO Nome Raízes no lugar de moradia Ligado (a) ao estado Brasileiro (a) Membro do país de origem No futuro, pretendo... Latinoamericano(a) Cidadão (ã) do mundo Membro de uma comunidade religiosa Casar Ter filhos Adriana Nada Pouco Mediano Razoável Nada Nada Mediano Muito importante Muito importante Adriano Muito Nada Nada Nada Nada Razoável Muito Muito importante Muito importante Bruna Muito Razoável Muito Muito Nada Muito Muito Muito importante Muito importante Bruno Razoável Muito Muito Muito Nada Muito Muito Muito importante Muito importante Carla Pouco Mediano Razoável Mediano Mediano Razoável Muito Muito importante Muito importante Carlos Mediano Muito Muito Razoável Pouco Muito Muito Muito importante Muito importante Daniela Mediano Mediano Mediano Mediano Pouco Pouco Nada Muito importante Daniel Pouco Pouco Pouco Razoável Pouco Razoável Pouco Razoavelmente importante Razoavelmente importante Medianamente importante Outro aspecto investigado está relacionado a quanto os adolescentes se sentem ligados ao lugar em que moram, ao estado, ao país, à América Latina, ao país de origem (que, neste caso, está associado ao lugar de onde os parentes emigraram) e ao mundo. Mais adolescentes se sentem ligados ao lugar de moradia. Somente o menino espírita e o agnóstico responderam que se sentem “pouco” ligados ao lugar de moradia, e a menina católica não se sente “nada” ligada ao lugar de moradia. Os que se sentem mais ligados são os evangélicos e o menino católico. Sobre o quanto os adolescentes se sentem ligados ao estado, mais adolescentes se sentem ligados ao estado do que o contrário. Os que se sentem mais ligados ao estado são os evangélicos e o menino espírita. Os que se sentem menos ligados ao estado são os católicos e o menino agnóstico. Os que se sentem mais brasileiros são os evangélicos e os espíritas. Os que se sentem menos brasileiros são o menino agnóstico e o católico. A menina católica e a agnóstica responderam se sentirem brasileiras “medianamente”. Já como latino-americanos, houve tendência a responderem negativamente. Somente a menina espírita respondeu “medianamente”. Os demais participantes responderam “pouco” ou “nada”. Mais adolescentes se sentem membros do país de origem. Somente o menino católico disse não se sentir em “nada” como membro do país de origem. A menina espírita e a agnóstica responderam se sentir “medianamente” membros do país de origem. Os demais adolescentes responderam se sentir “muito” ou “razoavelmente”. A respeito do quanto os adolescentes se sentem cidadãos do mundo, mais deles responderam afirmativamente do que negativamente. Somente a menina agnóstica respondeu se sentir “pouco”, e a católica respondeu não se sentir “nada”. Os demais adolescentes disseram se sentir cidadãos do mundo “muito” ou “razoavelmente”. Já a respeito do quanto os adolescentes se sentem membros de uma comunidade religiosa, os espíritas, os evangélicos e o menino católico disseram sentir-se “muito” membros de uma comunidade religiosa. A menina católica, apesar de não frequentar uma instituição religiosa, sente-se “medianamente” membro. O menino agnóstico disse se sentir “pouco”. Somente a menina agnóstica respondeu não se sentir “nada” como membro de uma instituição religiosa. O casamento se mostrou um valor para esse grupo de adolescentes. Quando questionados sobre a importância de se casarem, somente o menino agnóstico respondeu que é “razoavelmente” importante, os demais participantes responderam “muito importante”. Já a respeito de ter filhos, a menina agnóstica disse ser “razoavelmente importante”, e o menino agnóstico respondeu ser “medianamente importante”. Os demais adolescentes responderam ser “muito importante”. Para complementar este eixo temático, foi elaborado o Quadro 16, estruturado com base nos conteúdos das entrevistas, de forma associada aos quadros anteriores baseados nas respostas aos questionários. QUADRO 16: R / E e QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS Percepção da religiosidade no Brasil e em Brasília Percepção da religiosidade dos jovens Adriana "Eu sei que em Planaltina é mais puxado, ‘né’? Lá, todo final de semana tem evento de igreja no morro da capelinha. Lá, em toda data comemorativa de um santo, tem um teatro grandão, passa até na TV". "Tenho uma amiga que diz para a mãe que vai para a igreja e vai só para ficar com os meninos". Adriano "A religiosidade em Brasília é forte. Acho que tem mais católicos e evangélicos em Brasília". "Eu acho que a maioria dos jovens é sem religião; sem religião entre aspas, ‘né’? Porque fala que é de uma religião porque o pai ou a mãe é, só que religiosos praticantes eu acho que é raro". Bruna "É estranho, porque tem pessoas que falam que têm igreja, mas elas não vão à igreja, não ‘faz’ as coisas que a igreja fala, deixa eu "Quanto aos jovens, é do mesmo jeito". ver, não só evangélico, mas católico, espírita, tudo (...)". Bruno "Acho que a maioria dos religiosos são católicos". "Acho que os jovens são menos religiosos, acho que tá mais pra ‘zoação’ ". Carla "Em Brasília, o espiritismo, ele é bem (...). Ele abrange muitas cidades: Guará, Brazlândia (...) Muitas cidades têm centros espíritas, mas poucas pessoas frequentam, entendeu? Pouquíssimas!" "Quando é adolescente, tem medo de falar que é de tal religião porque o grupinho vai excluir; porque a menina que ele tá a fim é de outra religião, não vai querer nada com ele". Carlos "Olha, eu vou citar mais pelas pessoas lá da minha quadra, que são poucas católicas; a maioria são evangélicas". Daniela __________ Daniel __________ __________ "(...) Uma pessoa com doze anos, ela não tem a mente formada. Ela quer seguir aquilo, sabe? Mesmo sem conhecer, mesmo sem saber que um dia vai mudar, sabe? Então é assim, eles vão por meio que uma modinha, por alguém próximo, amigo e tal. Aí, eles seguem aquilo, mas não é bem o que eles querem, eu acho (...)". __________ QUADRO 16: R / E e QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS (CONTINUAÇÃO) RELIGIOSIDADE/ ESPIRITUALIDADE E QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS Como o mundo é socialmente? Como o mundo é politicamente? Adriana "Eu acho que cada parte do mundo é de um jeito diferente, mas aqui no Brasil, não sei se é porque eu não conheço o resto, eu acho aqui uma das partes mais complicadas". "Politicamente, não tem uma coisa certa. Pelo menos, às vezes eu assisto o jornal e não consigo entender certamente as coisas, porque eu não entendo muito de política, mas eu entendo que o dinheiro que eles recebem eles não falam o que vão fazer. E eu também acho que esses políticos não deveriam receber esse salário todo". Adriano "Eu gostaria que a sociedade pudesse aceitar mais a opinião dos outros, os gostos dos outros". "Eu gostaria que o povo pudesse optar mais na política" Bruna "É estranho, sei lá, eu acho muitas regras, acho muita coisa imposta pra gente fazer, acho que deveria ter menos; ter também poucas leis para algumas coisas. Eu acho que tinha que ser mais rigorosa e ter tipo poucas leis pra coisas que não ‘é’ importante". Bruno "Cara, ‘véi’, muito difícil de te falar (...). Tem oportunidade que é só uma na vida, por isso tem que correr atrás dos sonhos. Cada um tem a oportunidade de ser alguém na vida". "Não sei te responder isso". Carla "Eu queria que ele mudasse em questão de consciência, o brasileiro ou todo mundo, começar a ter consciência que não é só a religião e não é só o poder aquisitivo da pessoa que escolhe se ela é boa ou não". "(...) No Senado, na Câmara dos Deputados, nenhum partido político você vê um espírita; você só vê católico e evangélico". Carlos __________ Daniela "Sempre eu observo muito a questão do preconceito, mas preconceito é uma coisa que nunca vai acabar". Daniel "Eu sei que vou ter que mudar minha aparência, porque a sociedade não aceita o jeito que sou, a sociedade não aceita a pessoa ser do jeito que ela é. Tenho muitos amigos que não conseguem emprego porque têm tatuagem, alargador, cabelo grande (...). "Eu queria um mundo com mais liberdade, sabe?! Eu queria que não importasse a aparência e, sim, a mente da pessoa". ____________________________ "Eu só acho que os políticos 'é' muito safado [risos]. Eles falam uma coisa e ‘promete’, porque, 'ixi', nesse tempo aí aconteceu tanta coisa. (...) O deputado falou que, se minha mãe votasse nele, ele ia melhorar a vida dela, ia pagar as contas dela. Ela votou nele e ele não fez nada". "Não sou muito ligada a essas coisas, por opção". "Eu não sou muito de política, eu não converso muito sobre política, eu não sei exatamente". A Figura 5 foi elaborada com base no conjunto de percepções dos conteúdos das entrevistas, buscando elaborar uma síntese dinâmica das principais convergências e divergências, em consonância com os quadros anteriores baseados nas respostas ao Questionário. FIGURA 5: TEMA-EIXO – R / E e QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS, E SEUS SENTIDOS APREENDIDOS A SOCIEDADE: IMPÕE MUITAS REGRAS E HÁ POUCA LIBERDADE (3), É PRECONCEITUOSA (2), É COMPLICADA (1) RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE E QUESTÕES SOCIAIS E O ADOLESCENTE DIZ POLÍTICAS SOBRE A RELIGIOSIDADE NA ADOLESCÊNCIA: SEGUE A DOS PAIS(2), NÃO LEVA A SÉRIO(3), NÃO ASSUME POR MEDO DE SER EXCLUÍDO (1) QUANTO À POLÍTICA: OS POLÍTICOS SÃO DESONESTOS (2), NÃO ENTENDO DISSO (4) Esse diagrama ilustra o que alguns adolescentes falaram sobre o quanto a sociedade impõe regras e cerceia a liberdade, além de ser preconceituosa e complicada. Dois adolescentes mencionaram que, na adolescência, segue-se a religião dos pais; três disseram que os adolescentes não levam a sério a religião, e uma disse que, às vezes, o adolescente não assume a própria religião por medo de ser excluído. Quanto à política, os adolescentes demonstraram pouco interesse. Alguns assumiram não entender ou não gostar disso, e justificaram que os políticos são desonestos. Apresenta-se a seguir o eixo temático 5, que trata mais especificamente sobre a religiosidade/ espiritualidade e a vivência pessoal dos adolescentes. 5.7. Tema-eixo 5: vivência pessoal da R / E Para compor o eixo temático 5, foram estruturados quatro quadros: concepção religiosa pessoal; papel e importância atribuída à religião na vida e no dia-a-dia; sobre si mesmo e a religiosidade; e vivência pessoal da religiosidade/ espiritualidade. Foram consideradas as respostas às questões 14, 15, 16 e 17 do Questionário para a estruturação do Quadro 17 – concepção religiosa pessoal. QUADRO 17: CONCEPÇÃO RELIGIOSA PESSOAL Influência da religião sobre o jovem Nome Concepção de Deus/Divino Frequência com que faz/ participa... Melhora o bem-estar Fortalece conscientização Ajuda Resolve problemas Energia Pessoa Poder Superior Não existe Outro(a) Orações/ preces Celeb. religiosas Adriana Confere completamente Confere completamente Confere completamente Confere Razoavelmente Não tenho opinião formada a respeito. Tendo a concordar Concordo totalmente Não concordo nada _ Muito raramente Muito raramente Adriano Confere completamente Confere completamente Confere Razoavelmente Confere Pouquíssimo Nunca pensei a respeito Tendo a concordar Nunca pensei a respeito Não concordo nada - Mais de 1 vez por semana 1 vez por semana Bruna Confere completamente Confere completamente Confere completamente Confere completamente Concordo totalmente Concordo totalmente Concordo totalmente Várias vezes ao dia Mais de 1 vez por semana Bruno Confere completamente Confere completamente Confere completamente Confere completamente Nunca pensei a respeito Nunca pensei a respeito Nunca pensei a respeito Não concordo nada _ 1 a 3 vezes por mês Mais de 1 vez por semana Carla Confere razoavelmente Confere medianamente Confere medianamente Confere Razoavelmente Concordo totalmente Tendo a concordar Concordo totalmente Não concordo nada _ 1 a 3 vezes por mês 1 a 3 vezes por mês Carlos Confere completamente Confere completamente Confere medianamente Confere medianamente Concordo totalmente Não tenho opinião formada a respeito. Tendo a concordar Não concordo nada - Nunca Mais de 1 vez por semana Confere medianamente Confere pouquíssimo Confere medianamente Tendo a não concordar Tendo a não concordar Tendo a não concordar Não tenho opinião formada a respeito. - Nunca Nunca vou a celebrações religiosas. Confere pouquíssimo Confere pouquíssimo Confere pouquíssimo Não concordo nada Não concordo nada Tendo a não concordar Não tenho opinião formada a respeito. - Nunca Muito raramente Daniela Daniel Confere medianamente Confere pouquíssimo Tendo a não Algo concordar Superior QUADRO 17: CONCEPÇÃO RELIGIOSA PESSOAL (CONTINUAÇÃO) Nome Crenças específicas Anjos Bons espíritos Astrologia Cura por pedras/objetos Predição do futuro Satã Maus espíritos Outro(a) Adriana Mediano Nada Razoavelmente Completamente Mediano Mediano Nada - Adriano Nada Nada Quase nada Completamente Nada Completamente Completamente _ Bruna Nada Nada Nada Completamente Nada Completamente Completamente - Bruno Nada Nada Nada Completamente Nada Completamente Completamente - Carla Razoavelmente Mediano Razoavelmente Completamente Completamente Nada Nada _ Carlos Razoavelmente Nada Nada Completamente Completamente Quase nada Completamente - Daniela Nada Nada Nada Quase nada Nada Quase nada Quase nada - Daniel Nada Nada Nada Quase nada Quase nada Quase nada Quase nada - A maior parte dos adolescentes respondeu afirmativamente à questão que dizia que a religião melhora o bem-estar. Somente a menina agnóstica respondeu que essa afirmação “confere medianamente”, e o menino agnóstico respondeu que “confere pouquíssimo”. Os demais participantes responderam que “confere completamente” ou “razoavelmente”. Cinco dos oito adolescentes responderam “confere completamente” para a questão que afirmava que a religião fortalece a conscientização. Somente a menina espírita e a agnóstica responderam “medianamente” a essa questão, e o menino agnóstico respondeu “confere pouquíssimo” – assumindo, assim, que existe influência, ainda que pouca. Em uma das questões, afirmou-se que a religião ajuda os adolescentes, e solicitou-se que eles respondessem o quanto era verdade, ou não, aquela afirmação. Os evangélicos e os católicos foram mais favoráveis à afirmação. Os espíritas responderam que “confere medianamente”. Somente os agnósticos responderam que “confere pouquíssimo” – assumindo, ainda assim, que a religião ajuda, mesmo que pouquíssimo. No mesmo sentido, metade dos adolescentes respondeu favoravelmente à frase que afirmava que a religião ajuda a resolver problemas. O menino espírita e a menina agnóstica responderam que “confere medianamente”. Já o menino católico e o agnóstico foram os únicos a responder que “confere pouquíssimo”. Quanto à importância dada à religião e a coisas semelhantes, somente o menino agnóstico respondeu dar importância de forma “média”. Os demais adolescentes responderam dar “muitíssima” ou “razoável” importância – exceto o menino evangélico, que não respondeu à questão. Assim, todos eles conferem importância à religião e coisas semelhantes, inclusive os agnósticos, sendo que a menina confere importância de forma razoável, e o menino, de forma média. Para a afirmação de que Deus/ Divino é uma energia, alguns concordaram, outros discordaram e outros não emitiram opinião. Os espíritas e a menina evangélica concordaram. Os agnósticos discordaram. Quanto a se Deus/ Divino é uma pessoa, somente a menina evangélica respondeu que “concorda totalmente”, e os católicos e a menina espírita responderam que “tendem a concordar”. A menina agnóstica respondeu que “tende a não concordar” e o menino agnóstico respondeu “não concordo em nada”. A respeito de Deus/ Divino ser um Poder Superior, a menina católica, a evangélica e a espírita disseram “concordo totalmente”. O menino espírita respondeu “tendo a concordar”. O menino católico e o evangélico responderam “nunca pensei a respeito” – o que se revela estranho, pois eles se mostraram muito religiosos em outras questões. Já os agnósticos responderam “tendo a não concordar”, postura mantida também em questões anteriores relacionadas à natureza de Deus/ Divino. Em uma das questões foi afirmado que Deus/ Divino não existe e solicitou-se que os adolescentes respondessem o quanto concordam ou não. Os católicos, os espíritas e o menino evangélico responderam “não concordo nada”. A menina evangélica respondeu “tendo a não concordar”. Somente os agnósticos responderam “não tenho opinião formada a respeito”. Nenhum dos adolescentes afirmou que Deus/ Divino não existe. Seis dos oito adolescentes se posicionaram favoravelmente à existência de Deus/ Divino. Os agnósticos assumiram a posição de dúvida, que não afirma nem que existe, nem que não existe. A respeito de fazer orações ou preces, somente a menina evangélica respondeu que as faz “várias vezes ao dia”. O menino católico disse que as realiza “uma vez por semana”. O menino evangélico e a menina espírita responderam que as faz de “uma a três vezes por mês”. A menina católica disse que as faz “muito raramente”. Os agnósticos e o menino espírita responderam que “nunca” as fazem. Já a respeito do quanto eles frequentam uma instituição religiosa, somente a menina agnóstica respondeu que “nunca” frequenta. A menina católica e o menino agnóstico responderam frequentar “muito raramente”. A menina espírita revelou só fazer orações e preces quando vai ao centro espírita, pois respondeu que vai ao centro de “uma a três vezes por mês”, a mesma quantidade de vezes que realiza orações ou preces. O menino católico também respondeu que vai “uma vez por semana”, a mesma quantidade de vezes que faz preces e orações. Os evangélicos e o menino espírita vão a celebrações “mais de uma vez por semana”. O menino agnóstico muito raramente vai a celebrações religiosas, mas nunca faz orações ou preces. Perguntados novamente acerca do tema oração – mas, desta vez, para identificar qual a importância dada à oração pessoal, os católicos e a menina evangélica responderam “muitíssimo”, e os espíritas responderam “razoavelmente”. Já a menina agnóstica respondeu “média”, o que se apresenta de maneira contraditório. O menino agnóstico foi o único adolescente a responder “nada”. O menino evangélico não respondeu. A maior parte dos adolescentes respondeu “nada” para o quanto concordavam com a afirmação quanto à crença em astrologia. Somente os espíritas responderam acreditar “razoavelmente”, e a menina católica respondeu acreditar “medianamente”. Sete dos oito adolescentes disseram não acreditar na cura por pedras/objetos. Somente a menina espírita respondeu acreditar “medianamente”. A respeito da predição do futuro, a maior parte deles também disse não acreditar. Somente a menina católica e a espírita responderam acreditar “razoavelmente”, e o menino católico respondeu acreditar “quase nada”. Os demais adolescentes responderam não acreditar “nada”. De forma diferente das duas anteriores, a respeito da crença em anjos, somente os agnósticos responderam acreditar “quase nada”. Já os demais adolescentes responderam acreditar “completamente”. Assim, percebe-se que a crença existe em todos eles, sendo que nos agnósticos há apenas uma pequena crença, uma crença que não acredita totalmente, mas não desacredita também. Os agnósticos também responderam não acreditar “quase nada” em Satã, assim como o menino espírita. A menina católica respondeu acreditar de forma “mediana”, e a menina espírita disse não acreditar “nada”. Já os evangélicos e o menino católico disseram acreditar “completamente”. A respeito da crença em bons espíritos, somente os adolescentes espíritas disseram acreditar “completamente”. A menina católica disse acreditar “medianamente”, e o menino agnóstico disse acreditar “quase nada”. Já os evangélicos, o menino católico, e a menina agnóstica responderam não acreditar “nada”. A respeito da crença em maus espíritos, os evangélicos, o menino católico, e o espírita responderam acreditar “completamente”. De forma parecida com as questões anteriores, os agnósticos responderam acreditar “quase nada”. A menina católica e a espírita responderam não acreditar “nada”. Para estruturar o Quadro 18 – papel e importância atribuída à religião na vida e no dia a dia –, foram consideradas as respostas às questões 23 e 27 do Questionário. QUADRO 18: PAPEL E IMPORTÂNCIA ATRIBUÍDA À RELIGIÃO NA VIDA E NO DIA A DIA Como explica as causas das deficiências e doenças mentais Nome Castigo de Deus Influência de entidades do mal Fatores biológicos Pessoas escolhidas por Deus Obsessão espiritual Lei de causa e efeito Adriana Nada Nada Nada Nada Nada Nada Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Medianamente Nada Nada Nada Nada Nada Nada Pouquíssimo Razoavelmente Medianamente Nada Nada Nada Nada Razoavelmente Completamente Medianamente Pouquíssimo Nada Razoavelmente Completamente Nada Nada Medianamente Nada Completamente Nada Nada Nada Nada Nada Medianamente Pouquíssimo Nada Nada Nada Razoavelmente Medianamente Nada Completamente Nada Nada Papel da religião no dia a dia Nome Adriana Adriano Bruna Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Ajuda a manter a calma nas horas difíceis Deus às vezes castiga Confia sempre em Deus nas horas difíceis Religião influencia as ações cotidianas Razoavelmente Razoavelmente Completamente Completamente Razoavelmente Razoavelmente Nada Nada Nada Medianamente Completamente Nada Nada Nada Pouquíssimo Nada Completamente Completamente Completamente Completamente Medianamente Completamente Nada Nada Nada Razoavelmente Completamente Completamente Nada Medianamente Nada Nada Outro São as consequências da vida - Foram apresentados alguns problemas, e verificou-se qual explicação os adolescentes davam como possíveis causas desses problemas. Várias explicações para as causas de deficiências mentais foram propostas. Uma delas é que a deficiência seria castigo de Deus, para a qual o adolescente católico respondeu acreditar “medianamente”, e os demais adolescentes responderam não acreditar “nada”. Quanto à possibilidade das deficiências mentais serem por influência de entidades do mal, a menina e o menino evangélicos responderam acreditar “medianamente”. Já o menino católico respondeu acreditar que seja “pouquíssimo” devido a entidades do mal, e os demais adolescentes responderam não acreditar “nada”. Quanto à crença de que as causas das doenças mentais sejam devidas a fatores biológicos, mais adolescentes tenderam a responder afirmativamente à questão do que negativamente. Os que mais responderam favoravelmente a essa explicação foram os agnósticos, a menina evangélica e o menino católico. O menino evangélico respondeu “medianamente”, a menina espírita respondeu “pouquíssimo”, e a menina católica e o menino espírita responderam “nada”. Quanto à causa das pessoas com deficiência mental serem pessoas escolhidas por Deus, o menino espírita respondeu acreditar nesta explicação “completamente”, e o menino evangélico respondeu acreditar “medianamente”. Os demais adolescentes responderam não acreditar “nada” nessa explicação. A obsessão espiritual foi uma das explicações mencionadas como causa das deficiências mentais, e a maior parte dos adolescentes mencionou não acreditar nessa possibilidade. A menina espírita mencionou acreditar nessa explicação “medianamente”, e o menino espírita mencionou acreditar “pouquíssimo”. A respeito de acreditarem que a lei de causa e efeito é a causa das deficiências mentais, cinco dos oito adolescentes disseram não acreditar nessa explicação em “nada”: os católicos, os agnósticos, e a menina espírita. De forma antagônica à menina espírita, o menino espírita disse acreditar “completamente”. A menina evangélica disse que “razoavelmente”, e o menino evangélico disse acreditar “medianamente”. Já a menina católica escreveu que é em decorrência das consequências da vida, o que desvela estar de acordo com a explicação de causa e efeito. Três adolescentes responderam afirmativamente à frase que dizia que “a religião influencia nas ações cotidianas”. O menino espírita disse que influencia “medianamente”, e os demais adolescentes responderam que não influencia “nada”. Cinco dos oito adolescentes disseram não concordar com a afirmação de que Deus às vezes castiga. Somente a menina evangélica disse concordar com a afirmação “completamente”; o menino católico mencionou que concorda com a afirmação “medianamente” e a menina agnóstica disse que concorda com a afirmação “pouquíssimo”. A respeito da confiança em Deus, cinco adolescentes responderam afirmativamente à afirmação de que sempre se confia em Deus nas horas difíceis: os católicos, os evangélicos, e o menino espírita. A menina espírita respondeu “medianamente”, e somente os agnósticos responderam não concordarem com a afirmação “em nada”. Relacionado aos benefícios que se pode ter por meio da vivência religiosa, uma questão buscou investigar se a religião ajuda a manter a calma nas horas difíceis – ao que somente os agnósticos responderam que não ajuda “nada”. Os demais adolescentes disseram que ajuda “completamente” ou “razoavelmente”. Percebeu-se, de forma geral, diferença na maneira como os agnósticos e os demais adolescentes percebem e vivenciam a religião. Os adolescentes religiosos demonstraram ter benefícios da vivência religiosa. Os agnósticos, apesar de não se beneficiarem dessa vivência, percebem que as pessoas demonstram se beneficiar dela. O Quadro 19 – sobre si mesmo e a religiosidade – foi estruturado com base nas respostas às questões 34 e 35 do Questionário, que tratam do modo como o jovem vive a sua religiosidade. QUADRO 19: SOBRE SI MESMO E A RELIGIOSIDADE Frequência com que... Nome Reflete sobre os termos religiosos Adriana Adriano Bruna Raramente Sempre Muitas vezes Não respondeu Muitas vezes Muitas vezes Muitas vezes Muitas vezes Bruno Carla Carlos Daniela Daniel Sensação de que Deus quer lhe mostrar algo Sensação de que Deus intervém em sua vida Sensação de estar unido com tudo Muitas vezes Às vezes Sempre Nada Sempre Muitas vezes Muitas vezes Nunca Muitas vezes Não respondeu Não respondeu Não respondeu Sempre Sempre Sempre Sempre Às vezes Às vezes Raramente Raramente Raramente Nunca Nunca Nunca Importância dada a aspectos religiosos Seguindo os mandamentos religiosos Procura na própria religião Perspectivas de mudanças nas convicções religiosas Adriana Razoavelmente Médio Adriano Razoavelmente Muitíssimo Bruna Razoavelmente Razoavelmente Bruno Muitíssimo Muitíssimo Carla Muitíssimo Médio Carlos Médio Pouco Daniela Pouco Nada Daniel Médio Nada Médio Razoavelmente Médio Muitíssimo Pouco Razoavelmente Nada Nada Médio Nada Razoavelmente Razoavelmente Razoavelmente Pouco Nada Pouco Nome Sentido da vida Importância dada a aspectos religiosos Reflete sobre sofrimentos e Religião e Participação Oração Existência de Crença na vida injustiças coisas em cerimônias Deus pós-morte pessoal sobre o semelhantes religiosas mundo Muitas vezes Razoavelmente Muitíssimo Médio Pouco Médio Sempre Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Médio Muitíssimo Muitas vezes Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Nada Não Não Não Não respondeu Não respondeu Não respondeu respondeu respondeu respondeu Sempre Muitíssimo Razoavelmente Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Sempre Muitíssimo Razoavelmente Muitíssimo Muitíssimo Muitíssimo Muitas vezes Razoavelmente Médio Médio Nada Nada Muitas vezes Médio Nada Pouco Nada Nada Quando indagados sobre a intensidade em que eles creem que existe Deus ou algo Divino, os espíritas e a menina evangélica foram os que mencionaram mais crer na existência de Deus ou algo Divino. A menina católica, e a menina agnóstica disseram crer de forma “média” na existência de Deus. O menino agnóstico foi o que disse crer menos nisso. O menino evangélico não respondeu. Percebe-se que todos os adolescentes disseram crer na existência de Deus, seja de forma mais intensa ou menos, exceto o menino agnóstico, que chegou a dizer que crê pouco nisso, o que é diferente de não crer nada. Em relação à frequência com que os adolescentes refletem sobre sofrimentos e injustiças do mundo, todos eles responderam refletir, sendo que dois deles disseram refletir “sempre”, e cinco deles disseram refletir “muitas vezes”. O menino evangélico não respondeu. Somente os agnósticos responderam “nada” sobre a importância dada à participação em cerimônias religiosas. A menina católica respondeu conferir “pouca” importância, apesar de ter mencionado na entrevista que percebe diferença na vida dela hoje em comparação a quando ela participava da igreja, e disse desejar voltar a fazer parte. O menino católico respondeu considerar esta adolescentes participação responderam “mediamente” considerar esta importante. Os demais participação “muitíssimo” importante. O menino evangélico não respondeu. A respeito da crença após a morte, os espíritas e o menino católico responderam crer “muitíssimo”. A menina católica respondeu crer de forma “média”. Já os agnósticos e a menina evangélica responderam não crer “nada”. O menino evangélico não respondeu. A respeito da importância dada ao sentido da vida, todos os adolescentes responderam de forma a conferir importância ao sentido da vida, diferindo em intensidade. Somente a menina agnóstica respondeu conferir “pouca” importância ao sentido da vida. Os católicos, os evangélicos e a menina espírita responderam conferir “muitíssima” ou “razoável” importância ao sentido da vida. Já o menino espírita e o agnóstico responderam conferir importância “média” ao sentido da vida. Quando investigados sobre a frequência com que os adolescentes refletem sobre termos religiosos, a maioria respondeu afirmativamente. O menino católico respondeu “sempre”, a menina católica respondeu “raramente”, e o menino evangélico não respondeu. Os demais adolescentes responderam que refletem sobre termos religiosos “muitas vezes”. É interessante que mesmo os adolescentes agnósticos mencionaram refletir muitas vezes sobre termos religiosos. Metade dos adolescentes respondeu afirmativamente à questão que perguntava a frequência com que eles sentem que Deus quer lhes mostrar algo, respondendo que “sempre”, ou “muitas vezes”. Somente o menino católico respondeu “às vezes”, a menina agnóstica respondeu “raramente”, e o menino agnóstico respondeu “nunca”. O menino evangélico não respondeu. Somente a menina católica e o menino agnóstico disseram nunca terem a sensação de que Deus intervém em sua vida. Os demais adolescentes mencionaram respostas que variaram em termos da frequência com que sentem esta intervenção. O menino católico e a menina espírita responderam “sempre” sentir esta sensação, e a menina evangélica respondeu “muitas vezes” ter esta sensação. O menino espírita disse “às vezes” ter esta sensação, e a menina agnóstica disse “raramente” ter esta sensação, o que está em sintonia com o que ela disse na questão anterior. O menino evangélico não respondeu. Somente três adolescentes disseram ter a sensação de estar unido com tudo, sendo que a menina espírita respondeu “sempre”, e a menina católica e a evangélica disseram “muitas vezes”. O menino evangélico respondeu “às vezes”, e a menina agnóstica respondeu “raramente”. Já o menino católico e o agnóstico responderam “nunca” terem tido esta sensação. Esta sensação indica se referir à total integração, a fazer parte de um todo organizado, fazer parte de um propósito. Somente os agnósticos responderam “nada” para mencionar o grau de importância dada a seguir os mandamentos religiosos. A menina católica e a espírita responderam conferir importância de forma “média”. Já os evangélicos e o menino católico responderam conferir “muitíssima” ou “razoável” importância. Com relação à procura pela própria religião, somente o menino evangélico respondeu “muitíssimo”. O menino católico e o espírita responderam procurar a própria religião “razoavelmente”. A menina católica e a evangélica responderam procurar de forma “média”. Já a menina espírita respondeu procurar “pouco”. Por fim, os agnósticos responderam não procurar “nada”. Uma interessante pergunta foi realizada aos adolescentes: “com que intensidade você acredita ser possível que, nos próximos anos, as suas convicções religiosas mudem?”. O menino católico e a menina agnóstica responderam “nada”. O menino espírita e o agnóstico responderam “pouco”. A menina católica respondeu “média”. Os evangélicos e a menina espírita responderam “razoavelmente”. Assim, os agnósticos, o menino católico e o espírita são os que menos acreditam que suas convicções religiosas mudem. Já os evangélicos, a menina católica e a espírita foram os que disseram mais acreditar que nos próximos anos suas convicções religiosas possam mudar. O Quadro 20 – vivência pessoal da R / E – foi estruturado para complementar os quadros anteriores, com base nos conteúdos das entrevistas a respeito do eixo temático 5. QUADRO 20: VIVÊNCIA PESSOAL DA R / E VIVÊNCIA PESSOAL DA RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE Instituição que frequenta Motivação religiosa/ espiritual Atividades de que participa na instituição Adriana Frequentava a Igreja Católica Apostólica Romana "Eu frequentava desde pequena. Eu ia para a catequese, até crismei, mas depois do que aconteceu com o meu irmão, eu não fui mais. Esse ano eu comecei a ir à igreja evangélica, mas não me acostumei (...). Eu acho certo na igreja evangélica, porque a gente tem que se confessar com Deus, a gente não tem que ficar diante do padre para ficar falando várias coisas". Não tem participado, mas disse: "Eu acredito em Deus, eu acho que muda, porque quando eu ia para a igreja, eu não tinha essas coisas. Mas depois que eu crismei, eu parei de ir à igreja, mas foi por causa dessas coisas, porque perder um irmão não é fácil, ‘né’? " Adriano Igreja Católica Apostólica Romana "Na minha religião a gente adora modelos. A gente também tem como intercessores os santos (...), Eu tento sempre evangelizar meus amigos, eu rezo várias vezes por dia antes de sair de casa". "Vou para a missa todo domingo, participo de eventos, só". Bruna "Eu gosto da minha religião porque, tipo (...). Eu acho que todas tem seus defeitos, mas acho que a que eu me encaixo é a minha, porque tem Igreja Evangélica umas que são muitas doutrinas, muitas coisas que você tem que usar, "Eu sou do grupo jovem". que você não pode usar e tal; na minha já pode, entendeu? Tipo cortar o Neopentecostal cabelo, eu posso usar calça e tal. O líder jovem ensina as coisas de Deus, o caminho certo e que nós temos que ter personalidade". Bruno "Eu gosto da minha religião, não tem ninguém para falar, como é que eu Igreja Evangélica vou te dizer? Ninguém para te julgar, ninguém para apontar os erros, eu Neopentecostal gosto muito". [Às vezes ele lê a Bíblia e ora.] Carla "Sempre que eu estou muito estressada, eu sempre peço pro meu guia me acalmar (...). Eu comecei a puxar isso de ser espírita do meu pai, porque ele era médium; porque eu dormia, eu escutava voz, eu dormia e via uma garotinha na minha frente, eu ia para a escola e via uma menina me chamando, via um senhor de muletas pedindo ajuda (...). Busquei explicação na igreja católica e igreja evangélica, e não encontrei. No espiritismo eu encontrei". Centro Espírita Kardecista "Participo do grupo de louvor, do canto de jovens e sou o líder do teatro". "Eu sempre participo de reuniões, de desobsessão, de cura, e a de entrega da alma". QUADRO 20: VIVÊNCIA PESSOAL DA R / E (CONTINUAÇÃO) Carlos Daniela Daniel Centro Espírita Kardecista O adolescente relatou ter iniciado a participação desde a infância com a mãe. Pelo que ele disse, eles recebiam alguma ajuda de cesta básica. Ele continuou frequentando e fala com muita propriedade a respeito da religião, possui conhecimento histórico a respeito da doutrina espírita. Agnóstica - não frequenta nenhuma instituição "Assim, minha família é evangélica. Então eu cresci ouvindo uma coisa, só que quando a gente cresce a gente abre a mente para outras coisas, sabe? Eu não creio como a minha mãe. (...) Assim, às vezes eu não creio, sabe? Acho que eu vou pela lógica às vezes. Aí eu chego à conclusão que aquilo não existe e que eu estou crendo em algo inútil para mim, mas depois, sei lá, eu me arrependo e vou repensar naquilo, (...) tipo, eu creio, mas ao mesmo tempo não creio, é como se eu estivesse esperando uma verdade maior". Agnóstico - não frequenta nenhuma instituição "Comecei a questionar algumas coisas, tipo: ‘tem que ter tal aparência para ir para o céu’ (...). Meu pai falava que esse alargador não é coisa de Deus, esses brincos, não é coisa de homem não, viu? Ninguém me respondeu como que Adão e Eva procriaram. Se a Bíblia diz que eles tiveram dois filhos homens, de onde vieram o resto? (...) Não tem resposta para mim isso, então eu não vou ir em negócio que eu acredite que não seja a verdade, eu não acredito na Bíblia muito. Eu aplico a Terceira Lei de Newton, cada ação tem sua reação, que a gente vai fazer influenciar no nosso futuro". "Eu faço alegria cristã lá no Centro, eu toco lá. Eu participo das reuniões, do treinamento, tomo passe, que é receber boas vibrações, bebo da água fortificante, participo das oficinas de violão e da atividade de diário de bordo". _______________ "Já fui várias vezes à igreja. Na época, como eu não pensava, eu estava lá, acreditava no que diziam, mas deixei de acreditar em muitas coisas que eles falavam. As coisas não faziam sentido para mim". A Figura 6 apresenta uma síntese dinâmica das principais divergências e convergências dos conteúdos apreendidos das entrevistas a respeito do eixo temático 5. FIGURA 6: TEMA-EIXO – VIVÊNCIA PESSOAL DA R / E, E SEUS SENTIDOS APREENDIDOS INICIAÇÃO RELIGIOSA POR MEIO DOS PAIS (8), PERMANÊNCIA (3) VIVÊNCIA PESSOAL DA RELIGIOSIDADE / ESPIRITUALIDADE QUESTIONAMENTO DA FÉ / RELIGIÃO (5) PARTICIPAÇÃO NA INSTITUIÇÃO RELIGIOSA: MISSAS / CULTOS / REUNIÕES (5), LOUVOR (2), TEATRO (1) No diagrama percebe-se, quanto à vivência religiosa dos adolescentes, que em todos os casos a iniciação religiosa ocorreu por meio dos pais. Contudo, dos oito adolescentes, cinco não permanecem na mesma religião dos pais, somente os mais novos permanecem. A respeito disso, os adolescentes mais velhos são os mais críticos. Com relação às atividades de que os adolescentes participam na instituição religiosa, cinco deles frequentam as missas / cultos / reuniões e dois adolescentes participam do louvor na instituição, sendo que um deles participa também do teatro. Apresenta-se a seguir a problematização dos principais aspectos observados e a análise deles à luz do referencial teórico, bem como o diálogo com a literatura consultada. 6. DISCUSSÃO Serão considerados quatro eixos de análise para a discussão dos dados. O primeiro deles abordará o percurso da coleta de dados, que se iniciou no consultório de psicologia e se deslocou para o colégio. O segundo eixo colocará em articulação os dados obtidos com a literatura consultada, e também com pesquisas recentes sobre adolescência e religiosidade realizadas no Brasil. O terceiro eixo de análise dialogará os dados com a Teoria do Desenvolvimento Religioso, de Amatuzzi (1999). O quarto eixo cuidará de reflexões sobre o instrumento utilizado, fará sugestões de aperfeiçoamento e considerações para melhor aplicação. 6.1. Do consultório ao colégio Um dos aspectos importantes a considerar está relacionado ao local em que a coleta de dados foi realizada. Os adolescentes que se interessaram em participar da pesquisa foram convidados a comparecer a um consultório de psicologia para participarem da entrevista inicial. Os objetivos de realizar a entrevista no consultório eram: preservar o horário de aula dos adolescentes; fornecer um ambiente mais acolhedor e propiciador de vínculo – e, com isso, prepará-los para a entrevista em grupo; e assegurar que eles se sentissem o mais à vontade possível, o que provavelmente contribuiria para maior espontaneidade no diálogo e em suas respostas ao questionário. As primeiras entrevistas foram marcadas no consultório, porém a maioria não compareceu, desmarcando de última hora. As razões para tanto não ficaram muito claras, mas é possível que estejam relacionadas à distância: os jovens residem em cidade diferente de onde se localiza o consultório. Outra possível razão pode ser o fato de ter sido marcado em um sábado. Outra possível explicação, ainda, pode estar associada à questão de serem adolescentes de famílias com baixo poder aquisitivo e, talvez, houvesse a ausência de dinheiro para pagar passagem. Todas essas explicações, porém, não excluem também a hipótese de ter havido alguma resistência ou desinteresse inicial em tratarem do assunto. O mais provável, então, é ter havido uma conjugação de vários destes aspectos. Compreendeu-se que, para conseguir entrevistar aqueles adolescentes, seria necessário realizar a coleta no próprio colégio. Em pesquisa realizada anteriormente, pela pesquisadora desta dissertação, sobre conversão religiosa na adolescência (OLIVEIRA; FREITAS, 2012), os adolescentes se deslocaram até uma clínica onde foi realizada a coleta de dados. Desvela que o fator que contribuiu de forma mais intensa foi o fato de a conversão ser recente e eles estarem muito mobilizados. Essa não era a condição dos adolescentes da atual pesquisa, tendo em vista que se trata de vivência religiosa e/ ou espiritual com diferentes intensidades. Apenas Carla (espírita) compareceu à entrevista no consultório, e ficou evidente que a motivação dela estava relacionada ao desejo de conversar a respeito do assunto e, principalmente, de ser aceita e compreendida, pois relatou sofrer preconceito, tanto por parte de colegas, quanto por parte de adultos. Soma-se a isso a dificuldade em encontrar um menino espírita para participar desta pesquisa, o que só foi possível após muitas tentativas. O menino espírita também mencionou a questão do preconceito, dizendo que as pessoas confundem espiritismo com religiões afro-brasileiras. Assim, de acordo com a experiência anterior, para que os adolescentes se deslocassem, a fim de participar da pesquisa, deveria haver maior mobilização afetiva relacionada ao tema. 6.2. R / E e valores em adolescentes do DF: articulação com a literatura Percebeu-se, a partir dos dados obtidos, que existem relações entre a vivência da religiosidade/ espiritualidade e a formação de valores nos adolescentes, seja no âmbito da família, ou no contexto social mais amplo. Alguns valores são compartilhados por todos os adolescentes entrevistados, sendo os adolescentes religiosos ou não. Outros valores estão mais associados aos adolescentes de determinada religião, ou mesmo aos mais intensamente religiosos, visto que todas as religiões pesquisadas são cristãs. Assim, percebeu-se aproximação dos valores dos adolescentes mais religiosos, o que será mais bem explicitado adiante. A importância da família ficou evidente como um dos valores em todos os casos desse grupo de adolescentes, o que remete à reflexão de que não precisa necessariamente ser religioso para que a família seja um valor, já que ele foi mencionado também pelos agnósticos. Porém, pelo fato de os agnósticos terem famílias religiosas, e por terem sido criados em meio a essa atmosfera, seria incorreto não os considerar sob influências religiosas. Adriana (católica), Carla (espírita) e Carlos (espírita) mencionaram a ausência paterna de forma naturalizada, como se eles esperassem que estes pais realmente fossem ausentes. Esses adolescentes não demonstraram esperança de que pudesse ser diferente e, foi estranho notar, não parecia haver revolta explícita, mas conformismo. É possível que adolescentes que tenham o pai ausente procurem na vivência religiosa, de alguma forma, suprir a ausência (OLIVEIRA; FREITAS, 2012) – que desvela ser o caso de Carla. Além disso, Carla e Carlos desvelam estar em melhor condição de saúde mental, o que desvela estar associado à sua religiosidade, pois sabe-se que a frequência a uma instituição religiosa propicia suporte social, fornecido pelos grupos de igreja, conforme constatado por Argyle (2001). Apesar dos problemas relacionados à figura paterna, em seis dos oito casos estudados, percebeu-se que ela exerce influência quanto a acompanhar os adolescentes a celebrações religiosas. No entanto, os pais desvelam ter dificuldade em executar atividade religiosa particular com os filhos, como rezar ou orar, diferentemente das mães. De forma muito interessante, o pai que apresentou mais conflitos com a filha foi o único pai que sempre acompanhou a filha a celebrações religiosas, que era o pai de Carla (espírita). A vivência religiosa pode ser uma maneira de superação da ausência paterna, pois o relacionamento com Deus, às vezes, pode minimizar a dor da ausência paterna, transferindo o cuidado que se deseja receber do pai humano para os cuidados que se recebem do Pai (Deus), conforme visto em pesquisa anterior (OLIVEIRA; FREITAS, 2012). Carla desvela ser um caso em que isto acontece, diferentemente do caso de Adriana (católica) – que, por não frequentar uma instituição religiosa, ou por não desenvolver uma vivência espiritual mais pessoal, fica podada de se beneficiar dessa possibilidade. Carla chegou a ser agredida, inclusive fisicamente, pelo pai, que até mesmo ameaçou matá-la, e apresentou também comportamento preconceituoso em relação ao namorado dela, por este ser negro. Porém, cabe mencionar que ela, além do suporte religioso, recebe apoio da mãe e do namorado. Também foram mencionadas pelos adolescentes as dificuldades de relacionamento com a mãe, como se pôde ver, principalmente, nos casos de Adriana (católica) e Daniel (agnóstico). Porém, os conflitos com as mães não se revelam na mesma intensidade dos conflitos com os pais. Desvela que os conflitos ocorridos por meio de interações são menos dolorosos do que os conflitos ocorridos decorrentes da ausência, pois esta denota indiferença. Esse dado desvela nos comunicar que conflitos interativos não são falta de amor; mas ausência e indiferença, sim. Diferentemente do estudo realizado por Amparo et al. (2008) com jovens no DF, os adolescentes desta pesquisa apresentaram conflitos familiares significativos, embora fosse a menor parte. Porém, da mesma forma que no estudo de Amparo et al. (2008), aqui também foram observados aspectos positivos em relação à família, tais como apoio e segurança. Por exemplo, os evangélicos mencionaram que não mudariam nada na família nuclear, denotando satisfação com a mesma, o que vai ao encontro do que é dito por Marques e Dell’Aglio (2009), sobre a maioria dos adolescentes atravessarem este período apresentando sentimentos positivos relacionados a si e à família. Os dois adolescentes que mencionaram a experiência do divórcio dos pais como experiência difícil não possuem bom relacionamento com o pai. As mães, nos dois casos, se recasaram e os adolescentes convivem com padrasto. Infere-se, assim, que a dificuldade de relacionamento com o pai torna o divórcio uma experiência mais difícil, ou o relacionamento com o pai se tornou mais difícil em decorrência do divórcio. De qualquer forma, nesses casos o relacionamento difícil com o pai está associado a uma experiência mais dolorosa face ao divórcio, já que não são os únicos adolescentes da pesquisa a terem os pais divorciados. O casamento e a procriação se mostraram valores importantes para esse grupo de adolescentes. Todos consideraram importante casar-se e ter filhos, embora o casamento tenha sido sutilmente mais importante que ter filhos para os agnósticos. Assim, percebemos que casar não é mais sinônimo de ter filhos, ainda que para a minoria. Os resultados revelam que, para esse pequeno grupo de adolescentes, o casamento e a constituição de uma família com filhos se revela como um importante valor embora a maior parte deles tenham vivenciado separações conjugais dos pais. Muitas das características observadas nesse grupo de adolescentes estão de acordo com a literatura. Autonomia e liberdade foram tidas como importantes para todos os participantes, e estão relacionadas à busca pela identidade. Trava-se, muitas vezes, nessa fase, uma batalha com os familiares em busca de seu próprio espaço, podendo haver conflitos em casa. A maior parte dos adolescentes disse não ser totalmente obediente, o que combina com a questão de contrariar para escolher de acordo consigo, e não mais de acordo com o que dizem ser adequado – o que é natural, segundo diversos autores (MUUSS, 1966; ERIKSON, 1980; ROSA, 1996; AMATUZZI, 1999; COLE & COLE, 2003). No caso de Adriana, católica não praticante, nem a mãe e nem o pai lhe concedem autonomia religiosa. Ela mencionou que havia iniciado a frequência a uma igreja evangélica, mas interrompeu as idas por conta das críticas da mãe. O fato de Adriana se identificar como católica, apesar de não frequentar e de discordar de aspectos da religião, condiz com o dado encontrado por Almeida e Monteiro (2001), que diz haver no Brasil a tradição da autoafirmação como católico embora não haja de fato a prática desta religião. Isso se deve ao fato de que a religião católica faz parte da cultura brasileira, está introjetada na identidade dos que se afirmam católicos. Adriana mencionou ter “pouquíssima” autonomia, dificuldades de adaptação a mudanças e, dentre os adolescentes, é a que se percebe mais mal humorada e mais medrosa. Os adolescentes evangélicos foram os que mencionaram receber maior autonomia religiosa por parte dos pais, o que é bastante interessante, pois eles também apresentaram os maiores resultados em termos de obediência aos mandamentos religiosos. A obediência não desvela estar associada à repressão e ao autoritarismo, mas desvela estar mais associada à escolha pessoal. Esse dado é compatível com a pesquisa de Santos e Koller (2009), que constatou maior religiosidade nos jovens evangélicos e protestantes. Já no caso dos agnósticos, há total oposição dos adolescentes, cujos pais desvelam mais repressores, e desvelam querer obrigá-los a seguir a religião – evangélica, neste caso –, inclusive violentando-os verbalmente, com palavras preconceituosas. No entanto, existe a questão da diferença de idade entre os dois casos, o que é muito significativo, conforme será mencionado adiante. Os evangélicos foram os que responderam ser mais comportados e certinhos. É interessante somar este dado ao resultado em que consta que os evangélicos apresentam maior liberdade religiosa por parte da família. O comportamento mais certinho, de acordo com esse resultado, não tem a ver com cobrança familiar, desvela estar relacionado à confiança. Eles também foram os únicos a apresentar necessidade de serem respeitados e obedecidos. Além disso, os adolescentes evangélicos foram os que se apresentaram mais tradicionais. Os adolescentes que não frequentam uma instituição religiosa e Carla (espírita) foram os que se mostraram menos tradicionais. Outro dado importante é que somente os participantes evangélicos responderam possuir “muitíssimo” a característica da obediência, sendo que Carla (espírita) respondeu possuí-la “medianamente”. Eles contrastam com os demais participantes que responderam não possuir obediência em “nada”. O comportamento destes está de acordo com o que nos propõem alguns autores sobre características da adolescência – sendo algumas delas a oposição, ou seja, o posicionamento diferente do da família, ou da sociedade (ERIKSON, 1980; AMATUZZI, 1999; COLE & COLE, 2003). Observando as características que desvelam contribuir para que o adolescente siga a mesma religião da família, constatou-se que a família que segue completamente os mandamentos religiosos e a que mais ajuda o próximo é a família onde o adolescente tende a seguir a mesma religião. Somente os participantes evangélicos responderam que a família respeita completamente os mandamentos religiosos. Adriano (católico) também mencionou que a família dele respeita, ainda que de forma menos intensa. Observa-se que os adolescentes desvelam atentos ao comportamento da família. Não desvela difícil perceber as coerências e as incoerências entre o que a família diz e faz, e esse é um fator que desvela contribuir para que o adolescente participe ou não de atividade religiosa de que a família é adepta. Assim, observa-se consonância com Hurlock (1975), quando diz que, na adolescência, ocorrem consideráveis mudanças no sistema de valores, de modo que o adolescente passa a analisar criticamente o sistema de valores ao qual respondia de modo mais ou menos automático. Com a visão crítica, observando incoerências, é mais provável que o adolescente forme valores diferentes daqueles aos quais está exposto. Isso pode ser também observado na percepção que os adolescentes possuem da sociedade: muitas regras e pouca liberdade; preconceito quanto a aspectos religiosos e espirituais; quanto a estilo de vestimenta e de vida. A conversão religiosa na adolescência foi observada no caso dos dois adolescentes espíritas e dos agnósticos. Houve tentativa de conversão no caso de Adriana (católica). Assim, observam-se, nesta pesquisa, características mencionadas por autores como Hall (1804), no início da Psicologia, e Amatuzzi (1999). Percebe-se uma aproximação entre as religiões católica e espírita, visto que nos dois casos de conversão dos adolescentes ao espiritismo, o pai de Carla, e a mãe de Carlos os iniciaram ao espiritismo, porém consideravam-se ainda católicos. Desvela existir afinidade entre as duas religiões/ filosofias, uma espécie de sincretismo, por exemplo, na equivalência entre alguns santos da igreja católica e entidades dos centros espíritas. Bruna (evangélica) e Carlos (espírita) responderam que os pais são completamente unidos em questões religiosas. A resposta é coerente com as outras que a menina evangélica proferiu sobre seus pais; porém, estranha-se que o menino espírita tenha respondido o mesmo, pois seus pais são separados, e o pai passou muito tempo preso. Talvez o menino tenha respondido com base na experiência passada, ou talvez a vivência religiosa tenha contribuído para que o casal permanecesse junto no momento difícil da prisão. Somente quando o pai do garoto saiu do presídio, o relacionamento dele com a esposa não deu certo, e eles acabaram se separando. A resposta do garoto permite a hipótese de que os pais tenham sido unidos em questões religiosas em algum momento, ou ainda que, embora separados, tenham alguma vivência religiosa em comum. A amizade também foi um valor marcadamente importante relatado pelos adolescentes, bem como o relacionamento amoroso (namoro) – os dois tipos de relacionamento são fontes de apoio. Adriana (católica), porém, mencionou o namoro também como fonte de conflitos e sofrimento. Todos os adolescentes disseram ter pelo menos um amigo, ou amiga. Isso é compatível com o que diz Amatuzzi (1999) sobre a escolha do adolescente de um grupo no qual ele vai exercitar sua nova identidade. As principais influências religiosas dos adolescentes vêm de familiares – em um dos casos, vem de um amigo –, que são justamente as pessoas que os adolescentes mencionaram dentre as coisas mais importantes da vida. A respeito da aceitação das diferenças, sete dos oito adolescentes demonstraram ter boa aceitação delas. Somente Carla (espírita) respondeu não ter boa aceitação das diferenças “em nada”, o que é incoerente com o que disse na entrevista, que não tinha preconceito de nada e sofria muito devido à falta de aceitação das pessoas quanto a algumas escolhas dela. Questionamos se esta adolescente estaria respondendo com agressividade, visto que foi-lhe dirigida agressividade quando ela não foi agregada em grupos na sala de aula, ou mesmo na escola. Talvez ela tenha aprendido a se defender com agressividade, uma vez que esta lhe desvela ser dirigida constantemente. Carla foi a adolescente mais exótica em termos de amizade com jovens de religiões diferentes; disse ter amigos de religiões afrobrasileiras, indígenas, e satanistas. Bruno (evangélico) se aproximou dela nesse aspecto, e foi ele quem indicou Carlos (espírita) para participar da pesquisa. Carla (espírita) foi a que disse apresentar menos as características da solidariedade e ajuda ao próximo, o que desvela incoerente com a filosofia do espiritismo. Entretanto, a adolescente menciona fortemente a dor de não ser aceita e acolhida por grupos de adolescentes devido à sua espiritualidade. Aqui percebemos, mais uma vez, que ela pode estar reagindo à dor levantando defesas. Carla também é a que se sente mais incomodada pelos colegas, e a que apresentou maior propensão a mentir. Ela desvela ser a que tem maior dificuldade de relacionamento com os colegas, pois – segundo ela – não há respeito deles para com a sua religiosidade. Os adolescentes que não participam de uma instituição religiosa apresentaram menos interesse em ajudar a quem precisa. Por outro lado, os católicos e os evangélicos se apresentaram mais gentis e solidários. Os agnósticos são os mais racionais, e menos interessados em ajudar o próximo. Eles também disseram não existir a propensão da família em ajudar ao próximo. Quanto ao hedonismo, cinco dos oito adolescentes apresentaram considerável hedonismo. Os adolescentes espíritas e o menino católico foram os que apresentaram menos hedonismo, e os espíritas foram os únicos que responderam “nada” quando lhes foi perguntado em quanto conferia a frase “gosto de aproveitar os prazeres da vida”. De todos, Carlos foi o menos hedonista. Os adolescentes afirmaram ser menos autênticos na escola do que na família, mas são mais autênticos entre os pares do que em outros contextos. Somente Adriana disse não ser “nada” autêntica entre os pares. Trata-se de uma questão da importância dos grupos na adolescência, de estarem sempre em bandos, conforme visto na literatura (ERIKSON, 1980; AMATUZZI, 1999). Desvela que eles se sentem muito bem entre os grupos com os quais têm afinidade. A maior parte dos adolescentes respondeu estar “pouquíssimo” ou “nada” em conformidade com os pares. Desvela que, apesar de a maior parte não estar em conformidade, eles recebem dos pares o acolhimento necessário para que a maioria deles possa ser autêntica. A respeito da autenticidade consigo mesmo, Bruno (evangélico) e Carla (espírita) responderam não ser “nada” autênticos consigo mesmos. Esse é um aspecto muito importante a ser avaliado quando se trata de saúde mental. Pensa-se na hipótese de eles estarem se forçando a caber em um formato que não combina com eles. Somente Bruno (evangélico) respondeu estar “completamente” de acordo com as orientações da escola, e somente ele respondeu estar “completamente” de acordo com os princípios paternais. Porém, paradoxalmente, ele respondeu ser “nada” autêntico consigo mesmo. A maior parte dos adolescentes demonstrou alto grau de preocupação, um dado relevante. Além disso, também apresentaram alto grau de insegurança e nervosismo. São dados em consonância com a literatura, pois mostram que, nessa fase, pode haver desconforto relacionado aos questionamentos que se fazem quanto ao futuro e a questões profissionais (MUUSS, 1966; ROSA, 1996; COLE & COLE, 2003). Todos os adolescentes disseram refletir sobre sofrimentos e injustiças do mundo – exceto Bruno, que não respondeu à questão. Eles se mostram sensíveis à questão, o que pode estar associado à classe socioeconômica a que eles pertencem. Na entrevista, Adriana (católica) disse que a sociedade tem muitas injustiças: “se alguém roubar um pão para matar a fome, esse alguém não deveria ser preso”. Essa fala remete às fases do desenvolvimento moral propostas por Kolberg (1964 apud DUSKA; WHELAN, 1994), pois denota importância não à ação, mas à razão para praticar a ação. As reflexões sobre sofrimentos e injustiças do mundo nos permitem compreender que esses adolescentes têm o pensamento operatório formal formado (INHELDER E PIAGET, 1958 apud COLE & COLE, 2003), o que é fundamental para o desenvolvimento do pensamento sobre a moralidade. A mudança do pensamento nessa fase também pôde ser percebida quando os adolescentes demonstraram ter pensamento crítico a respeito da vivência da religião, pois dois deles disseram que, na adolescência, vivencia-se a religião dos pais por eles não terem a “mente formada”; três disseram que os adolescentes não levam a vivência religiosa a sério. Carla (espírita) disse que muitos adolescentes não assumem a própria religião por medo de serem excluídos. O colégio deles localiza-se em uma cidade-satélite bem afastada do Plano Piloto. São jovens que, em sua maioria, têm pouca perspectiva de cursar faculdade em universidade pública, por se acharem incapazes de serem aprovados devido a um estudo de má qualidade. Também há pouca perspectiva de cursar uma faculdade particular, devido à restrita condição econômica de suas famílias. Sabe-se que alguns têm esperança em programas governamentais que possibilitam que os jovens estudem. Porém, desvela que, para eles se sentirem capazes, é necessário que as famílias os incentivem e que eles tenham uma boa autoestima e autoconfiança. Muitas das famílias emigraram para o Distrito Federal em busca de melhores condições de trabalho. Com relação a aspectos sociais, houve considerável manifestação dos adolescentes a respeito da defesa do Estado forte, o que é coerente com as massivas manifestações sociais e políticas lideradas por jovens, que ocorreram no Brasil em 2013. Esse dado revela que, até mesmo os adolescentes mais novos, têm consciência do papel do país em termos de assegurar proteção aos cidadãos. A respeito de política, os adolescentes demonstraram pouco interesse. Alguns demonstraram aversão e não gostam de falar de política, afirmando que todos os políticos são desonestos. Porém, percebeu-se desconhecimento do assunto, o que pode contribuir para o desenvolvimento de defesas, pois não querer falar a respeito ou demonizar o assunto pode ser uma defesa. O fato de não terem interesse por política não combina com as massivas manifestações contra a corrupção política e as reivindicações para melhorias em diversas áreas, ocorridas em 2013 – e lideradas por jovens. Soma-se a isso o fato de que todos os adolescentes responderam não confiar “nada” nos políticos homens, mas são um pouco mais amenos em relação às mulheres na política. A maior parte dos adolescentes possui conscientização a respeito do senso ecológico – a necessidade de preservação e manutenção de recursos naturais. A menina agnóstica apresentou menor conscientização. Todos os participantes responderam serem legais com crianças, a o que podemos considerar influência do Estatuto da criança e do adolescente, antes do qual as crianças não eram tidas como seres em formação e com especiais necessidades. Esses adolescentes fazem parte de uma geração que viveu e vive os direitos e deveres contidos no Estatuto, o que provavelmente influencia a maneira de eles compreenderem e tratarem uma criança. A respeito de vivências relacionadas à escola, somente Bruna (evangélica) nunca reprovou de ano. Muitos fatores podem estar envolvidos na questão de reprovação ou de bom desempenho escolar. Neste caso, Na procura pelo que poderia contribuir para que Bruna nunca tivesse sido reprovada, observou-se que ela desvela ter um bom relacionamento familiar – disse que não mudaria sua família nuclear. Ela convive com o pai e a mãe que, portanto, não são separados. Ela foi uma das poucas a dizer que os pais são unidos em questões religiosas. Disse que sempre recebe apoio e compreensão do pai e da mãe, que se relaciona bem com os pais e os irmãos. O pai lhe concede liberdade com regras, e seus pais muitas vezes a acompanharam a celebrações religiosas na infância. Ela possui total autonomia em questões religiosas. A mãe rezava/ orava com ela, e a família é muito unida. Ela foi a única adolescente a dizer que ora/ reza várias vezes ao dia. É muito interessante observar a questão de conceder liberdade e, ao mesmo tempo, estabelecer regras. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, o limite é extremamente importante para possibilitar ao adolescente um amadurecimento saudável. Daniela (agnóstica) respondeu “raramente” faltar às aulas, o que está em coerência com seus interesses de crescer profissionalmente e nos permite compreender que, apesar de apenas às vezes ela gostar de ir à escola, ela o faz frequentemente. Observaram-se alguns dados interessantes relacionados ao gênero. Mais meninos estão de acordo com princípios paternais que meninas. Houve diferença entre as respostas das meninas e dos meninos a respeito de gostar de ir à escola. Elas responderam gostar menos que eles. As meninas se mostraram mais rebeldes a respeito do comportamento: todas responderam não estarem “nada” de acordo com as orientações da escola. As adolescentes do DF que participaram desta pesquisa desvelam não fazer parte do perfil antigo de mulher submissa e recatada. Ao contrário, desvelam ter um perfil de quem sabe o que quer e está em busca de suas realizações, como foi observado no caso de três das adolescentes. Uma delas (Adriana) desvela frágil emocionalmente, mas isso não a impede de pensar criticamente. Esse dado é similar ao encontrado por Taceli (2014) em pesquisa realizada com adolescentes em Frutal-MG, e reafirma a mudança do perfil da mulher na sociedade e nos dias atuais. Quanto a sofrer bullying, o menino evangélico e o espírita responderam terem sofrido “muitas vezes”, e a menina espírita respondeu tê-lo sofrido “às vezes”. Chama atenção o fato de os dois participantes espíritas terem sofrido, ou sofrerem, bullying. Isso reafirma o que eles relataram nas entrevistas, sobre o bullying estar associado à escolha religiosa. Outro aspecto importante é que o menino espírita também é negro – o que, ainda nos dias atuais, pode ser outra causa ao bullying. O menino evangélico é muito tímido. Ele mesmo percebe isso e reconhece sua dificuldade em se expressar, principalmente em grupo. Sua participação na entrevista em grupo foi um enfrentamento a suas limitações. A maioria dos adolescentes respondeu não sentir solidão em sala de aula. Adriana (católica) foi uma das que afirmou sentir solidão muitas vezes. A sala de aula pode ser um campo fértil para relacionamentos entre os adolescentes. No entanto, nem sempre é impedimento para a vivência da solidão, visto que alguns relataram sentir solidão em sala pelo menos às vezes. Em contato com o colégio, seis meses após a coleta de dados, na tentativa de ter notícias de Adriana, e de solicitar que ela tivesse acompanhamento psicopedagógico, oferecido pelo colégio, obteve-se a informação de que, infelizmente, a adolescente desistiu dos estudos. Sabe-se que, em geral, as mulheres têm conquistado o mercado de trabalho. A menina agnóstica foi um reflexo disso. Dentre todos os adolescentes na entrevista, ela demonstrou o maior interesse em crescer profissionalmente ao falar sobre seus planos profissionais. A respeito do ensino religioso, nenhum dos participantes o têm na escola. A maior parte dos adolescentes disse que “algumas vezes” há possibilidade de aprender sobre outras religiões na escola. Em contrapartida, todos os adolescentes consideram importante adquirir conhecimento sobre religião, variando quanto ao grau de importância. Todos os adolescentes conferem importância à religião e coisas semelhantes, inclusive os agnósticos. Outro valor que ficou muito marcado nesse grupo foi a importância de Deus, pois quatro dos adolescentes afirmaram, na entrevista, ser Deus uma das coisas mais importantes de suas vidas: Bruno e Bruna (evangélicos), Adriano (católico) e Carla (espírita). Carla mencionou “o meu Deus”, indicando claramente sua maneira peculiar de vivenciar a religião. Podemos fazer diferenciação quanto à religiosidade e espiritualidade de alguns adolescentes. Um deles é Bruno (evangélico) que, em uma das questões sobre o assunto, diferenciou que não morreria pela religião, mas por Deus, sim. Fica clara a diferenciação que ele faz da religião institucionalizada e da religiosidade/ espiritualidade que é a vivência dele com Deus – como o proposto por diversos autores, tais como Vergote (1969), James (1995), Valle (1998), Paiva (1998), Amatuzzi (1999) e Aletti (2012), para mencionar alguns. Os evangélicos se mostraram mais dispostos a fazer grandes sacrifícios pela religião. Porém, quando indagados se estariam dispostos a entregar a própria vida pela religião, Adriana (católica) foi a única a responder que “completamente”, mas parecia mais associado ao desejo de morrer que pela religião em si, visto que ela tentou se matar dois meses antes da entrevista. A respeito do quanto os adolescentes se sentem membros de uma comunidade religiosa, até mesmo os adolescentes que não frequentam uma instituição religiosa disseram se sentirem membros de uma comunidade religiosa, ainda que pouco. A menina católica, apesar de não frequentar uma instituição religiosa, sente-se “medianamente” membro. O menino agnóstico disse se sentir “pouco”, e isso é surpreendente; o mais natural seria ele não se sentir “nada”, já que faz tantas críticas às instituições. Somente a menina agnóstica respondeu não se sentir “nada” membro de uma instituição religiosa. Sentir-se membro de uma comunidade possui relação com a identidade, e é muito importante e saudável. A maior parte dos adolescentes respondeu afirmativamente para a questão que dizia que a religião melhora o bem-estar. Os agnósticos foram os que acreditaram menos nesta relação, mas ainda assim percebem relação, ainda que fraca. Esse dado corresponde aos dados encontrados na literatura, conforme pesquisa de Silva et al. (2007), Ferreira, Pinto e Neto (2012), e Stroppa e Moreira-Almeida (2008). Além disso, um estudo realizado em Portugal revelou que comportamentos religiosos tiveram correlação com o bem-estar, a satisfação com a vida e a felicidade (FERREIRA E NETO, 2008), o que desvela combinar com os resultados desta pesquisa. Os jovens também responderam positivamente a respeito de a religião fortalecer a conscientização, ainda que essa relação tenha sido vista de forma menos intensa pelos agnósticos. A religião é, muitas vezes, fator de proteção na adolescência e inibe, por exemplo, o uso de drogas, conforme pesquisa de Carvalho e Carlini-Contrin (1992), e Dalgalarrondo et al. (2004). A maior parte dos adolescentes concorda que a religião ajuda os adolescentes, o que é coerente com o proposto por Pargament (1990; 1997) e Paloutizian (1996) quando tratam do enfrentamento religioso ou espiritual, Observou-se que a maior parte dos adolescentes percebe essa relação. Os evangélicos e os católicos foram mais favoráveis a essa afirmação. No mesmo sentido, metade dos adolescentes respondeu favoravelmente à frase que afirmava que a religião ajuda a resolver problemas. Também, a maior parte dos adolescentes respondeu que a religião ajuda a manter a calma nas horas difíceis. Nenhum dos adolescentes afirmou que Deus/ Divino não existe. Seis dos oito adolescentes se posicionaram favoravelmente à existência de Deus/ Divino. Os agnósticos assumiram a posição de dúvida, que não afirma que existe e nem que não existe. Eles esperam que, se Deus/ Divino realmente existe, que se revele a eles. Todos os adolescentes disseram crer na existência de Deus, seja de forma mais ou menos intensa, exceto o menino agnóstico, que disse crer pouco – o que é diferente de não crer nada. Percebeu-se que a quantidade de vezes que os adolescentes fazem orações não é sempre a mesma que eles vão às instituições religiosas. Somente Daniel (agnóstico) muito raramente vai a celebrações religiosas, e nunca faz orações ou preces. Daniela (agnóstica) nunca vai a instituições religiosas e nunca realiza orações ou preces. Adriana (católica), após a morte do irmão, diminuiu consideravelmente as idas à igreja e raramente realiza orações. Os demais adolescentes costumam, além de realizar orações e preces, frequentar a instituição religiosa, diferentemente do resultado obtido na pesquisa de Amparo et al. (2008), realizada com adolescentes do DF, cujos resultados apontaram para a vivência de uma religiosidade/ espiritualidade como um movimento individual, sem frequência a templos religiosos. A respeito da crença em anjos, seis dos oito participantes responderam acreditar “completamente”. Somente os agnósticos responderam acreditar “quase nada”. Os espíritas e agnósticos tenderam a não acreditar em satã. Essa descrença dos espíritas desvela estar relacionada à doutrina espírita, que diz que a maldade é influenciada por espíritos menos desenvolvidos – e não por satã, em cuja existência os católicos e os evangélicos tendem a acreditar. A maior parte dos adolescentes demonstrou não ter crenças esotéricas; os espíritas e a menina católica foram os únicos que demonstraram acreditar. A respeito da clarividência, a maior parte também respondeu não acreditar; somente a menina católica e a espírita responderam afirmativamente. Na aplicação estrangeira, os hindus apresentam muita crença nisso; logo, este resultado se diferencia com o resultado do exterior apenas em relação aos hindus. O fato de poucos terem esse tipo de crença demonstra resultado parecido com as pesquisas na Alemanha e Suíça, pois Käppler et al. (s/d) verificaram que a crença em Deus / algo Divino, bem como a crença em anjos / bons espíritos e satanás / maus espíritos, foram muito mais significativas e relevantes que as crenças esotéricas. Taceli (2014) obteve resultado parecido em Frutal – MG. O respeito a pessoas com religiões diferentes da sua se mostrou um valor nas respostas de todos os adolescentes. Uma das possibilidades de resposta era: “só a minha religião merece respeito, pois só a minha religião é verdadeira”, mas nenhum dos adolescentes a escolheu – que contribui para a percepção de que uma das características culturais do Brasil é a tolerância. Existem exceções, mas, em geral se percebe uma tendência à tolerância. Tal tolerância também pôde ser sentida no resultado à questão 20: “preferiria que alguém que tenha outra religião não fizesse parte do meu círculo de amigos”, para a qual todos os adolescentes responderam “não confere em nada”. Observamos a tolerância em todas as respostas. Com relação a se os adolescentes se casariam ou não com alguém de outra religião, percebeu-se abertura deles quanto à convivência com pessoas de outras religiões. O dado a respeito do posicionamento dos pais dos adolescentes sobre eles se casarem com pessoa de religião diferente também sugere tolerância e abertura à convivência com pessoas de religiões diferentes, e está em consonância com o que foi percebido em questões anteriores a respeito de se relacionarem com pessoas de diferentes religiões. Somente Bruna respondeu que seus pais se importariam. O que se deve questionar é se o discurso reflete a realidade. Mesmo que reflita, desvela haver um leve destoar, pois o discurso desvela mais forte do que a realidade. Bruna (evangélica) foi a única adolescente a responder que seus pais se importariam caso ela se casasse com pessoa de outra religião. Ela adolescente nasceu no Rio de Janeiro e migrou para o Distrito Federal com sua família. Apesar de se tratar de migração interna, que é o caso da maior parte das migrações brasileiras, desvela que esse dado combina com o resultado obtido da pesquisa na Alemanha e Suíça, pois as pessoas que emigraram para esses países foram mais tradicionalmente orientadas, ou seja, mais rígidas em sua própria religião, e tinham também alto grau de valores materialistas e hedonistas (GENSICKE, 2006). No caso de Bruna, também observou-se alto grau de hedonismo, mas baixo grau de materialismo. Esse dado também combina com o resultado de Käppler et al. (s/d/) quando dizem que pessoas religiosas priorizam os valores que conservam e afirmam o seu sistema de crenças sociais e individuais. Perguntados acerca da importância dada à oração pessoal, os católicos, os espíritas, e Bruna (evangélica) deram significativa importância. Daniela (agnóstica) respondeu conferir “média” importância, o que é interessante, pois nos leva a perceber incoerência de Daniela (agnóstica) em algumas respostas. Um motivo pode ser o fato de ela ser namorada de Daniel (agnóstico). Na entrevista em grupo, foi necessário intervir na fala dele, já que muitas vezes a menina começava a responder uma questão e ele terminava por ela. Percebeu-se grande influência de Daniel sobre a maneira de pensar de Daniela que, inclusive, não soube dizer o nome que identificava sua espiritualidade. A questão do relacionamento dos adolescentes com pessoas e com jovens de religiões diferentes da sua foi também abordada na entrevista individual. Observou-se na entrevista em grupo como eles se comportariam diante de jovens de diferentes religiões. Nas respostas ao questionário e nas entrevistas individuais, eles tiveram atitude de respeito e tolerância para com pessoas e jovens de religiões diferentes da sua. Todos os adolescentes disseram que tratam jovens com religiões diferentes da sua de maneira “normal”, que aceitam e respeitam. Porém, foi muito importante observar que três desses adolescentes já tiveram divergências com colegas de religiões diferentes da sua: Adriana (católica), Bruna (evangélica), e Daniel (agnóstico). Adriana disse não ser tolerante com ateus, porque ela pensa que “não acreditar em Deus já é demais”. Bruna disse ter tido problema com uma colega católica, que a queria converter. Daniel disse ter dificuldades com pessoas evangélicas, pois gostam de criticá-lo. Assim, pelo que eles disseram, costumam ter uma atitude de tolerância e respeito, desde que também tenham uma atitude de respeito e tolerância com eles. Os adolescentes católicos não participaram da entrevista em grupo. A menina católica havia faltado à aula, e o menino católico não quis participar da entrevista; esquivou-se e foi embora mais cedo. A religião católica foi a única sobre a qual os participantes teceram críticas na entrevista em grupo não tendo nenhum representante para contra argumentar. Não houve críticas às religiões representadas. Observa-se, então, que o discurso pode ser diferente da prática. O participante que parecia mais ansioso para falar na entrevista em grupo era o menino espírita, que discorreu sobre vários aspectos de sua religião demonstrando conhecimento, respondendo questões dos outros adolescentes e emitindo sua opinião quando algum deles falava sobre a própria religião. Em geral, a conversa foi amistosa; as maiores críticas foram proferidas à religião católica, sem representante naquele momento. Foi interessante observar que os adolescentes mais velhos tenderam a questionar mais a religião na qual foram iniciados pelos pais – os dois mais velhos foram o menino e a menina agnósticos (17 anos). Ser agnóstico, para eles, é posicionar-se em um lugar de dúvida, de questionamento. Os três participantes de 16 anos, os espíritas e a católica, também questionaram a religião dos pais. Os espíritas são de religião diferente da dos pais, embora a mãe de Carlos e o pai de Carla os tenha iniciado no centro espírita. A menina católica possui mãe católica e questiona alguns aspectos da igreja. Ela tentou frequentar a igreja evangélica, mas não continuou. Ela demonstra questionamentos relacionados à vivência religiosa católica. Os adolescentes de 15 anos demonstraram pouquíssimos questionamentos relacionados à vivência religiosa, e eles frequentam a mesma religião dos pais. Esses dados não conferem com a pesquisa de Santos e Koller (2009) – que afirmam que jovens com idade abaixo dos 25 anos tendem a seguir a mesma religião dos pais. Os dados a respeito das idades e desacordos com a religião dos pais estão em consonância com o mencionado por Käppler et al. (2010) sobre questionamento das tradições religiosas, valores convencionais e do sistema, o que foi também percebido nesta pesquisa. Comparando os dados da pesquisa realizada em Brasília com os dados da pesquisa realizada em Frutal por Taceli (2014), os mesmos dados relacionados aos principais valores encontrados foram obtidos: família, amizade e religiosidade. Porém, foi incluída nesta pesquisa uma espiritualidade diferente, o agnosticismo, que questiona a vivência religiosa mais tradicional. Muitos adolescentes agnósticos quiseram participar, o que não foi possível devido à necessidade de cumprir prazos para fechar esta pesquisa. Esse é um dado representativo por indicar a existência em maior quantidade de adolescentes agnósticos no DF do que em Frutal. Além disso, é um dado coerente com o visto na literatura sobre Brasília ser terreno fértil para o surgimento de novas espiritualidades, conforme Siqueira (2003) e Freire e Dante Júnior (2011). Algo que marca todo este trabalho é o quanto os adolescentes demonstraram características típicas da idade. Ficou muito claro que eles são pessoas em formação. Todos os participantes tiveram dificuldade de falar sobre a percepção das características pessoais. Falar sobre si se constituiu uma tarefa sobremodo difícil, demonstrando ausência de autoconhecimento, e/ou timidez. Isso desvela estar associado à questão da formação da identidade, o que dificulta a percepção das características, pois elas não estão consolidadas, mas modificam-se. O tema da religiosidade na adolescência tem sido pouco explorado, o que dificulta que educadores, familiares, profissionais da saúde, entre outros, tenham conhecimento do interesse despertado pela religião/ espiritualidade e, principalmente, do papel fundamental que as vivências religiosas têm na formação da identidade do adolescente, como ferramenta que auxilia na superação de conflitos, na proteção contra atividades de risco (com restrições) e no desenvolvimento do bem-estar. Assim, o conhecimento adquirido por meio deste trabalho contribui para os seguintes campos: da Psicologia da Religião, um campo fértil para mais pesquisas sobre a adolescência; para a Psicologia do Desenvolvimento, por ampliar e “puxar lá de trás” um tema abordado no início da Psicologia, tamanha a importância; para o campo da Psicologia Social, para a melhor compreensão dos grupos e do impacto que essas questões têm na sociedade, como foi o caso da motivação de elaboração do Questionário para estudo do fenômeno na Alemanha e Suíça – e agora no Brasil – e da Psicologia clínica, permitindo espaço para a compreensão do adolescente de forma integral. 6.3. Relações entre a R / E e valores em adolescentes do DF e a Teoria do Desenvolvimento Religioso de Amatuzzi Vários aspectos mencionados na Teoria do Desenvolvimento Religioso de Amatuzzi foram percebidos nesta pesquisa, tais como desenvolvimento da identidade, distanciamento e relacionamento familiar, aproximação de grupos de iguais, busca da experiência pessoal autêntica, entre outros. Percebeu-se que, apesar de todos os adolescentes terem sido iniciados religiosamente pelos pais, a maior parte não permanece na mesma religião que eles, sendo os mais velhos mais críticos – somente os mais novos seguem a religião dos pais. Assim, percebeu-se aproximação com o que Amatuzzi (1999) diz sobre a religiosidade na adolescência, segundo o qual pode haver um abandono provisório ou definitivo da prática religiosa dos pais. Há distanciamento familiar, e inicia-se o contato com o “outro” e os grupos para a construção de uma identidade própria. Os adolescentes mais velhos, nesta pesquisa, se apresentam mais críticos e questionadores. Desvelam estar mais próximos da vivência de abertura para experimentar algo novo, o que tem relação com o exercício de um novo eu. Nesse sentido, Amatuzzi (1999) nos aponta a religião da família como uma resposta pronta, que é diferente da experiência do adolescente. A resposta pronta não deve conduzir o adolescente ao distanciamento das próprias questões existenciais. Assim, refletir sobre a religião da família e questionar condutas pode ser muito saudável, por promover uma experiência própria, que é fundamental em termos da formação da identidade. Amatuzzi nos diz que, por meio da confiança fundamental, o jovem se abre para a experiência permitindo a vivência da intimidade física e espiritual, para surgir um novo eu. Além disso, ele considera mais saudável rejeitar a resposta pronta da família do que se submeter a ela de forma alienante. Chama-nos atenção que os evangélicos e Adriano (católico), que são os adolescentes mais novos, permanecem na mesma religião dos pais. Porém, os evangélicos foram os que mencionaram ter mais autonomia religiosa e são os que mais obedecem aos mandamentos religiosos. Por outro lado, Bruno (evangélico) mencionou não ser autêntico consigo mesmo, e disse acreditar que suas convicções religiosas possam mudar no decorrer dos anos. Já Adriano (católico), não se mostrou à vontade para compartilhar sobre sua religiosidade em grupo, ao que podemos atribuir desconforto em tratar do tema, ou talvez insegurança. Todos os adolescentes atribuíram importância ao sentido da vida, a maior parte atribuiu muita ou razoável importância. Daniela (agnóstica) foi a que atribuiu menos importância. Nota-se despertamento na maior parte dos adolescentes em reflexões sobre o sentido da vida, sendo a religiosidade uma possibilidade de lidar com essas reflexões. Esse é outro aspecto da Teoria de Amatuzzi (1999) que foi percebido neste trabalho, pois ele compreende a religião como o campo das indagações últimas, indagações pelo sentido. Segundo ele, a fé é uma confiança básica que dá sentido à vida. A respeito da família, observou-se importante papel das mães na vida dos adolescentes também no sentido do desenvolvimento da religiosidade, pois estiveram presentes muitas vezes levando-os a celebrações religiosas e rezavam/ oravam com eles. Amatuzzi (1999) nos fala da importância do aconchego proporcionado pelo relacionamento com os primeiros cuidadores. Ele diz que, por meio dele, desenvolve-se a confiança básica, necessária para a vivência da fé e da religiosidade posteriormente. Por isso, o fato de a mãe acompanhar os filhos, compreendê-los e apoiá-los desde o início da vida é de importância fundamental. Quanto ao relacionamento com o pai, o único pai sem religião é também ausente, o pai de Adriana (católica), a qual apresentou muitos conflitos familiares durante a entrevista individual e, posteriormente, durante o início do processo psicoterapêutico que a pesquisadora lhe ofereceu. Ela apresentou alto nível de sofrimento psíquico, e já havia tentado autoextermínio. Adriana se percebe católica, mas questiona alguns aspectos de sua religião, não é praticante. Compreende-se que a não adesão dela a uma instituição religiosa, ou a dificuldade de relacionamento espiritual, pode estar associada à dificuldade de relacionamento com o pai pois, conforme Amatuzzi (1999), em sua Teoria, o bebê necessita de uma experiência de confiança fundamental que ocorre no aconchego da relação com os primeiros cuidadores. Essa experiência é a base de todas as futuras formas de fé, ou seja, é necessária também para a vivência da religiosidade saudável na adolescência. Por outro lado, a não adesão dela a uma instituição religiosa impede que ela desfrute da possibilidade de utilização da vivência religiosa como um mecanismo de superação da ausência paterna, conforme os casos de Carlos (espírita) e Carla (espírita). A adolescente citou como experiência difícil, e que a afeta muito, a morte do irmão que foi assassinado – e cuja culpa pela morte a mãe atribui à adolescente–, que culmina em sérios conflitos com sua mãe. Todavia, deixar de frequentar uma instituição religiosa também a priva da possibilidade de vivenciar a religião como estratégia de enfrentamento de dificuldades, conforme nos ilustram Pargament (1990; 1997) e Paloutizian (1996). Há possibilidade de, às vezes, o adolescente assumir uma religiosidade/ espiritualidade que não é autenticamente sua, mas a de um grupo. Percebe-se isso na espiritualidade de Daniela, aparentemente muito influenciada por Daniel, conforme discutido anteriormente. Essa é uma das interessantes questões apontadas por Amatuzzi (1999) em sua Teoria. Outro aspecto observado diz respeito ao relacionamento dos adolescentes com os pais e à autenticidade e coerência dos pais quanto à sua própria religião ou fé, bem como de seu respeito à necessidade do filho de explorar o mundo a fim de formar sua identidade. O desrespeito foi identificado principalmente no caso dos agnósticos, que demonstraram incômodo e sofrimento decorrentes de atitude preconceituosa de suas famílias. Ficou mais marcado o caso de Daniel (agnóstico) em relação à sua mãe, que ele disse quase não ver e que, muitas vezes, quando estão juntos ela grita e reclama. A atitude de preconceito não combina com a vivência religiosa que os pais possuem, apesar de compreender-se que, em maior ou menor grau, a incoerência faz parte do desenvolvimento humano. Às vezes, a incoerência “grita”, e é nesse ponto que ela deixa de ser propulsora de mudanças saudáveis e pode tornar-se debilitante. Amatuzzi (1999) nos apresenta a importância da atitude coerente dos pais quanto à sua própria fé e o respeito ao movimento do adolescente quanto a experimentar outras religiosidades como fundamental para o relacionamento familiar saudável. Assim, percebeu-se quão rica a Teoria do Desenvolvimento Religioso se apresentou para que se pudesse compreender melhor o relato desses jovens – e quanto a discussão a respeito da religiosidade na adolescência se faz necessária para o campo da Psicologia e para melhor formação de profissionais da educação e da saúde. 6.4. Reflexões e sugestões a respeito do Questionário e sua aplicação Considera-se que, em geral, as adaptações realizadas no instrumento até o momento foram bem sucedidas. Os jovens demonstraram poucas dúvidas no momento da aplicação; mais relacionadas a questões pessoais, como dificuldade de leitura, do que ao instrumento propriamente dito. No entanto, percebeu-se a necessidade de modificar a formatação do instrumento. A formatação utilizada reduzia a agilidade para responder, por requerer que os adolescentes voltassem frequentemente ao início das questões para verificar as opções de respostas. Sugere-se, também, modificação em uma das questões, que gerou conteúdo duvidoso quanto à compreensão. A questão que ficou confusa foi a que buscou investigar se os adolescentes cogitariam em alguma hipótese suicidar-se. Acredita-se que a confusão se deve à forma como a questão foi apresentada – na forma negativa: “nunca cogitaria suicidar-me”. Obtiveram-se dois extremos de respostas e não se sabe se todos compreenderam de fato o que a questão buscava investigar. Metade dos adolescentes respondeu que a afirmação não confere “em nada”. Assim, entende-se que eles cogitariam em suicidar-se, sim, mas estranha-se que os católicos e os evangélicos tenham respondido dessa forma, já que nas religiões deles a vida é tida como um valor inestimável. Estariam esses adolescentes em desacordo com suas religiões? Ou teriam eles compreendido a questão de forma inadequada? Note-se que Adriana (católica) tentou se matar dois meses antes de ser entrevistada. Assim, o mais provável é que ela tenha compreendido a questão e respondido de forma que cogitaria matar-se, sim, a não ser que ela tenha mudado de opinião a partir da experiência – nesse caso, ela teria compreendido a questão de forma errada. Os espíritas e a menina agnóstica responderam “completamente”, ou seja, nunca cogitariam suicidar-se. O menino agnóstico foi o único participante que respondeu que nunca cogitaria se matar “em parte”. Desta forma, sugere-se que a frase seja retirada da forma negativa, e apresentada da seguinte forma: “caso eu estivesse muito mal, cogitaria suicidar-me”. Na pesquisa realizada por Taceli (2014), essa questão também apresentou problemas. Contudo, apesar de as respostas desvelarem estranhas, houve dúvida se os adolescentes realmente tinham tendência suicida. Com a recente aplicação do instrumento confirmou-se a problemática apresentada na questão. Quanto à causa de as pessoas com deficiência mental serem pessoas escolhidas por Deus, o menino espírita respondeu acreditar nessa explicação “completamente”, e o menino evangélico respondeu acreditar “medianamente”. Isso causou espanto nos demais adolescentes, mas desvela mais associado à maneira de visualizar a vida e seus mecanismos de funcionamento – o que geralmente está mais associado a questões religiosas e filosóficas do que em relação à questão. Essa foi a única questão que gerou incômodo em alguns adolescentes na entrevista em grupo pois, para uns, soou impossível essa explicação para a causa das doenças mentais; soou injusto: “se Deus é bom, como Ele faria algo assim?”. No entanto, o participante espírita se explicou dizendo que isso pode acontecer para que a pessoa pague por algum ato ruim que cometeu em outra encarnação, para que ela se torne uma pessoa boa. Bruno (evangélico) explicou que pode ser por aquela pessoa ser especial, e ela pode ensinar outras pessoas por ser assim. Ouvindo essa explicação alguns se calaram e outros disseram não pensar dessa maneira. Na aplicação do instrumento, o adolescente deve ser orientado que necessitam-se em torno de 45 minutos para respondê-lo, podendo variar. Portanto, ele deve estar disponível caso consinta participar. Também deve ser informado de que uma pessoa ficará por perto, disponível para retirar dúvidas, caso surjam. Quanto à formatação do instrumento, dificultou não constarem em todas as páginas as opções de resposta. Realizou-se modificação na formatação, para que o adolescente pudesse visualizar todas as opções de respostas referentes a cada questão, possibilitando que esta versão seja utilizada para futuras aplicações. Sugere-se que a versão decorrente deste trabalho seja aplicada na Região Centro-Oeste. Ainda assim, deve-se contextualizar, caso haja necessidade, na cultura onde se pretende aplicá-lo. Em relação às outras regiões brasileiras, o instrumento deve passar por processo de adaptação para ser aplicado. 7. CONSIDERAÇÕES PARCIAIS Os adolescentes desta pesquisa apresentaram as características típicas da adolescência. A maior parte deles apresentou pensamento crítico, mais intenso nos adolescentes mais velhos. Somente os mais novos frequentam a religião dos pais. A participação deles nesta pesquisa foi um exercício reflexivo. Quando surpreendidos em relação a muitas questões, não demonstraram postura fechada. Percebeu-se que existe relação entre a formação de valores e a religiosidade. Porém, essa relação não foi percebida em todos os valores pesquisados, pois existiram valores compartilhados pelos adolescentes religiosos e os não religiosos. O valor da família e da amizade foi compartilhado por todos os adolescentes. Particularmente, a respeito de valores nas diferentes religiões/ espiritualidades, os agnósticos se mostraram mais racionais e menos disponíveis a ajudar ao próximo; os católicos e os evangélicos se mostraram mais gentis; os evangélicos se apresentaram mais religiosos, comportados, certinhos, e tradicionais; a menina católica não era praticante, e revelava uma tendência de muitos que se dizem católicos e não praticam; os espíritas foram os menos hedonistas. As meninas se apresentaram mais em oposição, responderam gostar menos de ir à escola que os meninos, e estão menos de acordo com os princípios paternais do que eles. Elas não apresentaram o perfil de mulher recatada e submissa, muito comum antes do movimento feminista – o que também foi encontrado nos resultados da pesquisa de Taceli (2014). Outro aspecto importante é que Brasília desvela apresentar um campo fértil para pesquisas sobre religiosidade e gênero, pois não se percebeu maior religiosidade/ espiritualidade nas meninas. Em outras pesquisas, no Brasil e exterior, há maior religiosidade em mulheres. Percebeu-se aproximação entre o catolicismo e o espiritismo. Somente os espíritas e a menina católica demonstraram acreditar em crenças esotéricas. Somente a menina católica e a espírita disseram acreditar em clarividência. Além disso, pais católicos iniciaram seus filhos no espiritismo. Poucos adolescentes apresentaram crença em esoterismo e clarividência, o que é parecido com os resultados da pesquisa na Alemanha e Suíça, pois Käppler et al (s/d/) verificaram que a crença em Deus/ algo Divino, bem como a crença em anjos/ bons espíritos e em satanás/ maus espíritos, foram muito mais significativas e relevantes que as crenças esotéricas, o que também foi encontrado por Taceli (2014) em Frutal – MG. Brasília, conforme visto na literatura, realmente se revela como solo fértil para o surgimento de novas religiosidades/ espiritualidades. Surgiram muitas manifestações de jovens sem religião querendo participar, mas não foi possível incluí-los devido ao prazo para concluir a pesquisa. A respeito de como os adolescentes lidam com religiosidades/ espiritualidades diferentes da sua, todos demonstraram respeito e tolerância à religiosidades/ espiritualidades diferentes da sua. Entretanto, alguns citaram vivência de divergências com colegas de religiões/ espiritualidades diferentes. Além disso, a religião católica, única sem representantes na entrevista em grupo, foi a única que o grupo criticou, o que pode ter sido influenciado pela ausência dos representantes. O instrumento vem sofrendo aperfeiçoamento – e passou por várias etapas. Para melhorá-lo, após a aplicação na presente pesquisa, foi necessário apenas modificar uma frase que apresentou problemas na compreensão dos adolescentes, e modificar a formatação para que todas as opções de respostas pudessem ser visualizadas em todas as páginas. O processo de aperfeiçoamento deve continuar. Com as modificações realizadas até o momento, o instrumento desvela poder ser empregado em pesquisas mais abrangentes no Brasil, devendo-se considerar as possíveis modificações para atender às diferenças de regionalidades. As alterações realizadas em decorrência deste trabalho desvelam ser adequadas para aplicação do instrumento na Região Centro-Oeste. Para que seja aplicado em outras regiões, ele deve passar por adaptações culturais. Considera-se importante que profissionais da saúde estejam disponíveis para a escuta sobre R / E dos pacientes no contexto da saúde mental, pois estas experiências são parte fundamental do ser e podem ser recursos propiciadores da melhora do paciente. Diante do exposto, os objetivos da pesquisa foram alcançados. Não foi possível, porém, aprofundar todos os aspectos, e demonstrar a riqueza e a necessidade de realização de mais pesquisas neste campo. Abre-se, pois, o convite a outras pesquisas para aprofundamento e maiores esclarecimentos. REFERÊNCIAS Arquivo Público do Distrito Federal (2011). <http://www.arpdf.df.gov.br/>. Acesso em: 26 jun. 2014. Disponível em: ABERASTURY, A. (1983). Adolescência. Porto Alegre: Artes Médicas. ABERASTURY, A. & Knobel, M. Adolescência psicanalítico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988. normal: um enfoque AGUIAR, Wanda Maria Junqueira de; OZELLA, Sérgio. Desmistificando a concepção de adolescência. In: Cadernos de pesquisa, v. 38, n. 133, p. 97 –125, jan./abr. 2008. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/cp/v38n133/a05v38n133>. Acesso em: 15 nov. 2013. AGUIAR, W. M. J.; BOCK, A. M. B.;OZELLA, S. Orientação profissional com adolescentes: um exemplo de prática na abordagem sócio-histórica. In: BOCK, A. M. B.; GONÇALVES, M. G. M.; FURTADO, O. (org.) Psicologia sócio-histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. São Paulo: Cortez, 2001, p. 163 –178. ALETTI, Mario. 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Apêndice A Roteiro de entrevista individual Eixo temático 1: “Quem sou eu?” – valores pessoais 1- Estabelecer rapport. 2- Como você se descreveria? Que características melhor descrevem você? 3- Diga algumas coisas que você gosta de fazer. 4- Diga algumas coisas que você não gosta de fazer. 5- Quais são as coisas mais importantes na sua vida? 6- Como você percebe o mundo socialmente e politicamente? Como você gostaria que fosse? Eixo temático 2: “Quem é minha família?”: valores familiares 7- Como é a sua família? Quais características ela possui que você gosta e quais você não gosta? 8- Como você gostaria que a sua família fosse? Eixo temático 3: “Como vivencio a minha religião?” ou “como vivencio a ausência de uma religião?” : valores religiosos ou valores a-religiosos 9- Qual é a sua religião? Ou como é não ter religião? 10- Como você vivencia a sua religião? Ou como você vivencia a ausência de uma religião? 11- De quais atividades você participa associadas à sua religião? (Somente para aqueles que têm). 12- Qual é o grau de importância da vivência religiosa na sua vida? É importante? Não é importante? 13- Como você lida com pessoas com religiões diferentes da sua ou com pessoas que não têm nenhuma religião? 14- Como você percebe a religião em Brasília? E em jovens em Brasília? 15- Tem algo mais que você gostaria de falar? Apêndice B Roteiro de entrevista em grupo 1- Estabelecer rapport. 2- Aquecimento. 3- Dinâmica para se conhecerem. 4- Como foi responder o Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência? 5- Existem dúvidas com relação às questões do questionário? Quais? 6- Quais questões mais chamaram a atenção? 7- Como foi para vocês participarem desta pesquisa? 8- Existe algo mais que vocês gostariam de dizer? Anexo 1 Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência – versão feminina utilizada na coleta de dados QUESTIONÁRIO Nas próximas páginas você encontrará muitas perguntas ou afirmações. Das possibilidades de resposta apresentadas você deverá escolher aquela que melhor se aplicar a você. Você não precisa ficar pensando muito. Não existem respostas certas ou erradas; interessa-nos simplesmente a sua opinião. EXEMPLO nada Quanto você gosta de sorvete de chocolate? ( ) muito ( ) ( ) ( ) ( ) E aqui vão mais algumas dicas: Se você fizer uma correção, faça um círculo ao redor da resposta que é para ser considerada. Não faça cruzes entre um e outro círculo, pois de nada vão nos servir. Em algumas partes, você também terá oportunidades de escrever uma resposta com as suas próprias palavras. Por favor, tente responder a maior quantidade de questões possíveis. Tudo certo então? Nesse caso, mãos à obra! Divirta-se! GAROTAS 1 1. Primeiro, temos algumas perguntas sobre idade, sexo, origem etc. a) Onde você mora? Indique CEP do município em que mora: __________________________________________________________________ b) Você é menina ou menino? Masculino ( ) Feminino ( ) c) d) e) f) g) Quando você nasceu? Ano:________________ Mês: ________________________ Em qual cidade você nasceu?________________________ Em qual cidade nasceu sua mãe? _____________________________ Em qual cidade nasceu seu pai? ______________________________ Qual é a profissão que seu pai exerce? (p. ex. montador elétrico, informático, neste momento desempregado) _____________________________________________ h) Qual é a profissão que a sua mãe exerce? (p.ex. professora, médica, do lar, neste momento desempregada) ________________________ 2. Como você mora? Em uma família (mesmo que seja de cuidado ou adotiva) Em um abrigo Outros ( ) ( ) ( ) Especifique: _________ _______________________ 3. Como vive sua família? pouquíssimos poucos médio razoável muitos ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) a) Quantos livros seus pais têm em casa? b) Como moram seus pais? mãe pai Residência (casa, apartamento,...) própria ( ) ( ) Residência (casa, apartamento,...) alugada ( ) ( ) Residência (casa, apartamento,...) cedida (emprestada) ( ) ( ) Outro: ( ) ( ) razoável muito bem muito mal 2 mal médio c) E como a sua família, em geral, se ajeita com o dinheiro que tem? 4. Qual é o grau de instrução dos seus pais? ( ) ( ) ( ) pai ( ) ( ) Mãe Analfabeto Sabe ler, mas não foi à escola Fundamental incompleto (1º grau) Fundamental completo (1º grau) Médio incompleto (2º grau) Médio completo (2º grau) Superior incompleto (universitário) Superior completo (universitário) “Seguem mais perguntas sobre a sua família. se você estiver morando em diversos lares, comente e forneça dados sobre o lar em que você fica mais tempo durante a semana”. 5. Que pessoas adultas convivem com você? Mãe ( ) Madrasta/companheira do pai ( ) Mãe adotiva ( ) Cuidadora ( ) Pai ( ) Padrasto/companheiro de mãe ( ) Pai adotivo ( ) Cuidador ( ) Outras pessoas adultas ( ) Informe com quem:_________________________________ 6. Você tem quantos irmãos/ãs, meio-irmãos/ãs, irmãos/ãs de criação, adotivos/as ou de cuidados, com os/as quais você agora mora na maior parte do tempo da semana? ( ) Nenhum Quantidade de irmãos: ______ Quantidade de irmãs:_______ 7. Em sua vida você teve uma experiência que foi especialmente ruim ou grave para você ou para a sua família, como, p. ex., doença grave na família, separação/divórcio dos pais, desemprego de um dos pais, perda de um ente querido etc.? ( ) não ( ) sim Descreva brevemente do que se trata: _____________________________________________________ O quanto isso afeta você? em nada pouco médio razoável muito ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 3 Nas perguntas 8 e 9, trata-se dos relacionamentos entre os membros da sua família. No caso de várias mães: Pense na pessoa mais importante. Da mesma forma, no caso de vários pais: Pense na pessoa mais importante. É importante que você pense, do começo ao fim, sempre na mesma pessoa. Na próxima pergunta, a 8, mencionam-se, em cada linha, duas pessoas da sua família. Gostaríamos que você informasse até que ponto as duas se sentem bem, quando estão próximas uma da outra. 8. Até que ponto as duas pessoas se sentem bem, quando estão próximas entre si? nada bem raramente bem medianamente bem razoavelmente bem muito bem ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) a) Eu – mãe b) Eu – pai c) Mãe – pai SE VOCÊ NÃO TIVER IRMÃOS/ÃS, PASSE PARA A PERGUNTA 9 8.1 Até que ponto as duas pessoas se sentem bem, quando estão próximas entre si? a) Eu – irmãos e irmãs b) Mãe – irmãos e irmãs c) Pai – irmãos e irmãs nada bem raramente bem medianamente bem razoavelmente bem muito bem ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 9. Desta vez, trata-se do quanto as pessoas na sua família podem decidir (que importa o que elas dizem, qual é a influência que têm nas decisões da família etc.). Informe, para cada pessoa, que peso tem sua palavra. não decide nada a) Eu b) Mãe c) Pai d) Meu irmão(ã) mais velho(a) e) Meu irmão(ã) mais novo(a) ( ( ( ( ) ) ) ) ( ) raramente decide alguma coisa ( ( ( ( algumas vezes sim outras vezes não ) ) ) ) ( ( ( ( ( ) na maioria das vezes decide ) ) ) ) ( ( ( ( ( ) pode decidir qualquer coisa ) ) ) ) ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) ( ) 10. Como você descreveria os seus pais? a) Quantas vezes a sua mãe lhe nunca raras vezes às vezes muitas vezes sempre ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) aplica um castigo? b) Quantas vezes percebe que a 4 c) d) e) f) sua mãe o/a apoia? Quantas vezes percebe que a sua mãe o/a compreende? Quantas vezes o seu pai o/a castiga? Quantas vezes percebe que o seu pai o/a apoia? Quantas vezes percebe que o seu pai o/a compreende? ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 11. Que papel tem a religião na sua família? a) Feriados santos, como, por exemplo, Natal, Sexta –feira Santa, Páscoa (ou bairam, pessah, etc.) têm grande importância religiosa na nossa família. b) Na minha família, nós cumprimos os mandamentos religiosos. c) Na minha família, a religião nos ajuda a dar conta de situações difíceis, como doenças, acidentes ou brigas. d) Os meus pais são unidos nas questões religiosas. e) Na minha família, procuramos apoiar pessoas necessitadas (como, por exemplo, por meio de doações em dinheiro, atividades voluntárias, etc). f) O meu pai permite que, na religião e na fé, eu tome as minhas próprias decisões. g) A minha mãe permite que, na religião e na fé, eu tome as minhas próprias decisões. não confere em nada confere pouquíssimo confere medianamente confere razoávelmente confere completa mente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 5 12. Em sua vida, uma pessoa ou experiência influenciou em especial a sua opinião sobre questões religiosas? ( ) não ( ) sim. Informe abaixo quem ou o quê? (p. ex. amiga, amigo, seus pais, seus avós, com quem você falou sobre religião, um grupo em que você entrou, um livro, filme ou outra experiência). ___________________________________________________________________ 13. Agora, volte a pensar na época, quando você tinha entre 6 e 12 anos de idade. Quantas vezes ocorriam, naquela época, os seguintes fatos? No caso de várias mães: Pense na pessoa mais importante. Da mesma forma, no caso de vários pais: Pense, de novo, na pessoa mais importante. É importante que você pense, o tempo todo, na mesma pessoa. nunca raras vezes às vezes muitas vezes sempre ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) a) Quantas vezes a sua mãe ia com você a Celebrações religiosas (culto na igreja, rituais no tempo, etc.)? b) Quantas vezes a sua mãe rezava junto com você? c) Quantas vezes seu pai ia com você a celebrações religiosas (culto na igreja, rituais no templo, etc...) d) Quantas vezes o seu pai rezava junto com você? A SEGUIR TRATA-SE DAS SUAS IDEIAS RELIGIOSAS BEM PESSOAIS. 14. Pense agora na sua religião. Se você não faz parte de nenhum grupo religioso, pense em religião em geral. O que você pensa das seguintes afirmações? A religião... não comfere em nada a) ...melhora o bem estar dos jovens. b) ...fortalece a conscientizaçã o dos jovens. c) ...ajuda os jovens. d) ...resolve os problemas dos jovens. confere pouquíssimo confere medianamente confere razoavelmente confere completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 6 15. Até que ponto você concorda com as seguintes ideias sobre Deus ou o divino? Deus ou o divino é como... não concordo nada tendo a não concordar não tenho opinião formada a respeito tendo a concordar concordo totalmente nunca pensei a respeito a) ...uma ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) energia que flui por tudo. b) ...uma ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) pessoa com quem se pode falar. c) ...um poder ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) superior. d) ...apenas ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) uma ideia de pessoas, na realidade não existe nada disso. e) ...algo diferente, ou seja: _________________________________________________ 16. Quantas vezes você faz as seguintes coisas? a) Quannunca muito várias 1a3 tas raramente vezes vezes vezes por por você ano mês reza, faz ( ) ( ) ( ) ( ) orações ou preces? b) quantas vezes participa de celebrações religiosas? 1 vez por semana ( ) Mais que uma vez por semana ( ) 1 vez por dia várias vezes por dia ( ) ( ) nunca muito raramente várias vezes por ano 1a3 vezes por mês 1 vez por semana mais que uma vez por semana ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 17. Você crê nas seguintes coisas? a) Astrologia ou horóscopo b) Cura por nada quase nada mediano razoavelmente completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 7 c) d) e) f) g) h) pedras ou outros objeto Predição do ( ) ( ) ( ) ( ) ( futuro Anjos ( ) ( ) ( ) ( ) ( Bons espíritos ( ) ( ) ( ) ( ) ( Satã ( ) ( ) ( ) ( ) ( Maus espíritos ( ) ( ) ( ) ( ) ( Outras coisas, ou seja: _____________________________________________ ) ) ) ) ) 18. A seguir, nós gostaríamos de conhecer a sua opinião sobre diversos temas. Com que intensidade você concorda com as seguintes afirmações? a) Eu me interesso por política b) O homem deveria ser a cabeça da família/ o chefe familiar. c) Está correto usar violência, quando a gente está com a razão. d) Eu acho bom quando todos os cidadãos podem exercer influência nos acontecimentos políticos. e) No futuro, menos estrangeiros deveriam entrar neste país. f) Um homem forte, uma mulher forte ou um partido forte deve governar sozinho o país. g) Eu estou disposto(a) a fazer até grandes sacrifícios pela minha religião. h) Os direitos humanos deveriam ser aplicados em todo o mundo para todas as pessoas, não confere em nada confere pouquíssimo confere medianamente confere razoavelmente confere completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 8 independentemente da cultura/do país. i) Eu confio nos políticos. j) Eu confio nas mulheres políticas. k) Eu estaria disposto(a) a entregar a minha vida pela minha religião. ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 19. Assinale a resposta que mais corresponde ao seu modo de pensar. Escolha uma única resposta. Todas as religiões têm o mesmo valor. ( ) Todas as religiões merecem respeito, mas eu ( ) prefiro a minha, porque fui educado assim. Todas as religiões merecem respeito, mas só ( ) a minha é verdadeira. Só a minha religião merece respeito, pois só ( ) a minha religião é Verdadeira. 20. O quanto você concorda com as seguintes afirmações? a) Eu nunca casaria com alguém quem tem outra religião. b) Preferiria que alguém que tenha outra religião não fizesse parte do meu círculo de amigos. c) Os meus pais, com certeza, não estariam de acordo com que eu quisesse casar com alguém que pertença a outra religião. não confere em nada confere pouquíssimo confere medianamente confere razoávelmente confere completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 9 21. Você mantém contato pessoal com jovens que pertencem aos seguintes grupos religiosos? nunca raramente às vezes muitas vezes a) b) c) d) e) Católicos ( ) ( ) ( ) ( ) Evangélicos ( ) ( ) ( ) ( ) Protestantes ( ) ( ) ( ) ( ) Espíritas ( ) ( ) ( ) ( ) Religiões afro( ) ( ) ( ) ( ) brasileiras f) Religiões ( ) ( ) ( ) ( ) indígenas g) Outros, quais: ___________________________________________________________ sempre ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) ( ) 22. O quanto você se sente... a) ... com raízes no seu lugar de moradia? b) ... ligado ao seu estado? c) ...brasileiro/brasileira? d) ... membro do seu país de origem? e) ... latino-americano/a? f) ... cidadão/cidadão do mundo? g) ... membro de uma comunidade religiosa? nada pouco mediano razoável muito ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 23. Como é que você explica as causas para as deficiências, doenças mentais, etc.? a) É castigo de Deus por um pecado da pessoa ou algo prejudicial feito para as outras pessoas. b) É causada pela influência de entidades do mal, Satã ou Demônios. c) É algo causado por fatores biológicos. d) As pessoas afetadas por doenças e deficiências são pessoas especiais/ escolhidas por Deus. e) É uma obsessão de espíritos menos desenvolvidos. não confere em nada confere pouquíss imo confere medianam ente confere razoavelm ente confere completa mente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 10 f) É uma manifestação da ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) lei de causa e efeito, ligado às vidas passadas. g) Outro:___________________________________________________________ 24. A que comunidade religiosa pertencem você e os seus pais? Sem nenhuma crença religiosa Católica Evangélica Protestante Espírita Afro-brasileira Religião indígena Eu sou... Minha mãe é... Meu pai é... ( ) ( ) ( ) ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) Outra crença religiosa. Informe qual: ______________________________________ Outra filiação religiosa, ou seja: __________________________________________ 25. O quanto você se sente ligado à sua igreja ou crença religiosa? nada pouquíssimo medianamente razoavelmente muito ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 26. Ao pensar no futuro, que importância, você acha, tem as seguintes coisas? nada importante pouquíssimo importante medianamente importante razoavelmente importante muito importante ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) a) Conviver com um(a) companheir o(a) fixo(a) ou casar b) Ter filhos 27. Nas questões seguintes trata-se da importância que no dia-a-dia a religião tem na sua vida. O quanto as seguintes afirmações combinam com você? nada a) A religião me ajuda a não desesperar nas situações difíceis. b) Se me acontece algo desagradável ou grave, eu me pouquíssimo medianamente razoávelmente completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 11 pergunto se isso é castigo de Deus/ de um ser divino/ de um poder superior. c) Se me acontece algo desagradável ou grave, eu confio que Deus/ um ser divino/ um poder superior vai me ajudar. d) A minha religião/ a minha orientação religiosa influencia a minha ação no dia-a-dia (p.ex. na comida, na organização do tempo livre, nos relacionamentos amorosos e na sexualidade). ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) AGORA SEGUEM PERGUNTAS SOBRE A SUA ESCOLA. 28. Que escola você frequenta? Escola pública Escola particular ( ) ( ) 29. Pense só na escola. O quanto as seguintes afirmações combinam com você? a) Gosto de ir para a escola. b) Eu me sinto solitário/a na classe. c) Eu costumo faltar às aulas. d) Na escola, no caminho para a escola, você já foi, por um tempo mais longo, atormentado/a, nunca raramente às vezes muitas vezes sempre ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 12 atacado/a, rejeitado/a ou excluído/a por alguém? 30. Você já repetiu um ano na escola? sim ( ) não ( ) mais de uma vez ( ) AGORA SEGUEM MAIS PERGUNTAS SOBRE VOCÊ. 31. Para garotas: A seguir você encontrará descrições breves de algumas garotas. Assinale o quanto as garotas descritas são ou não parecidas com você. não se parece nada comigo se parece pouquíssimo comigo se parece medianamente comigo se parece razoável -mente comigo se parece muitíssimo comigo a) Pensar em novas ideias e ser criativa é importante para ela. Ela gosta de fazer as coisas de maneira própria e original. ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) b) Ser rica é importante para ela. Ela quer ter muito dinheiro e possuir coisas caras. c) Ela acredita que é importante que todas as pessoas do mundo sejam tratadas igualmente. Ela acredita que todos deveriam ter oportunidades iguais na vida. d) É muito importante para ela demonstrar suas habilidades. Ela quer que as pessoas admirem o que ela faz. e) É importante para ela viver em um ambiente seguro. Ela evita qualquer coisa que possa colocar sua segurança em perigo. f) Ela gosta de surpresas e está sempre procurando coisas novas para fazer. Ela acha ser importante fazer muitas coisas diferentes na vida. g) Ela acredita que as pessoas deveriam fazer o que lhes é ordenado. Ela acredita que as ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 13 h) i) j) k) l) m) n) o) p) q) r) s) pessoas deveriam sempre seguir as regras, mesmo quando ninguém está observando. É importante para ela ouvir as pessoas que são diferentes dela. Mesmo quando não concorda com elas, ainda quer entendê-las. É importante para ela ser humilde e modesta. Ela tenta não chamar atenção para si. Aproveitar os prazeres da vida é importante para ela. Ela gosta de se mimar. É importante para ela tomar suas próprias decisões sobre o que faz. Ela gosta de ser livre e não depender dos outros. É muito importante para ela ajudar as pessoas ao seu redor. Ela quer cuidar do bem-estar delas. Ser muito bem-sucedida é importante para ela. Ela espera que as pessoas reconheçam suas realizações. É importante para ela que o governo garanta sua segurança contra todas as ameaças. Ela deseja que o Estado seja forte para poder defender seus cidadãos. Ela procura por aventuras e gosta de correr riscos. Ela quer ter uma vida excitante. É importante para ela sempre se comportar de modo adequado. Ela quer evitar fazer qualquer coisa que as pessoas possam dizer que é errado. É importante para ela ter o respeito dos outros. Ela deseja que as pessoas façam o que ela diz. É importante para ela ser leal a seus amigos. Ela quer se dedicar às pessoas próximas a ela. Ela acredita firmemente que as pessoas deveriam preservar a ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 14 natureza. Cuidar do meio ambiente é importante para ela. t) Tradição é importante para ela. Ela procura seguir os costumes transmitidos por sua religião ou pela sua família. u) Ela procura todas as oportunidades para se divertir. É importante para ela fazer coisas que lhe tragam prazer. ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 32. Assinale nas perguntas seguintes quais as afirmações combinam com você. não confere em nada confere em parte confere completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) a) Eu tento ser legal com as outras pessoas. Eu me preocupo com os sentimentos dos outros. b) Não consigo parar sentado/a quando tenho que fazer a lição ou comer, me mexo muito, esbarrando em coisas, derrubando coisas. c) Muitas vezes tenho dor de cabeça, dor de barriga ou enjôo. d) Tenho boa vontade para dividir, emprestar minhas coisas (comida, jogos, canetas). e) Eu fico muito bravo/a e geralmente perco a paciência. f) Eu estou quase sempre sozinho/a. Eu geralmente jogo sozinho/a ou fico na minha. g) Geralmente sou obediente e normalmente faço o que os adultos me pedem. h) Tenho muitas preocupações, muitas vezes pareço preocupado/a com tudo. i) Tento ajudar se alguém parece magoado, aflito ou sentindo-se mal. j) Estou sempre agitado/a, balançando as pernas ou mexendo as mãos. k) Eu tenho pelo menos um bom amigo ou amiga. l) Eu brigo muito. Eu consigo fazer com que as pessoas façam o que eu quero. 15 m) Frequentemente estou chateado/a, desanimado/a ou choroso/a. n) Em geral, os outros jovens gostam de mim. o) Facilmente perco a concentração. p) Fico nervoso/a quando tenho que fazer alguma coisa diferente, facilmente perco a confiança em mim mesmo/a. q) Sou legal com crianças mais novas. r) Geralmente eu sou acusado/a de mentir ou trapacear. s) Os outros jovens me perturbam, ‘pegam no meu pé’. t) Frequentemente me ofereço para ajudar outras pessoas (pais, professores, crianças). u) Eu penso antes de fazer as coisas. v) Eu pego coisas que não são minhas, de casa, da escola ou de outros lugares. w) Eu me dou melhor com adultos do que com pessoas da minha idade. x) Eu sinto muito medo, eu me assusto facilmente. y) Independentemente de quão mal eu vá, nunca cogitaria em suicidar-me. z) Eu consigo terminar as atividades que começo. Eu consigo prestar atenção. ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 33. Quanto você concorda com as seguintes afirmações? a) Eu compreendo como “funciona” o meu ambiente (p.ex. escola, família, círculo de amigo) e consigo mais ou menos, prever o que vai acontecer a seguir. b) Eu sei lidar bem com mudanças na minha vida, não confere em nada confere pouquíssi mo confere mediana mente confere razoavel mente confere completa mente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 16 c) d) e) f) g) h) i) j) k) l) m) n) resolvendo, via de regra, os problemas, ou sozinho ou com ajuda de outros. Eu me empenho por atingir os meus objetivos, pois estou convicto/a de que o meu empenho vale a pena. Na minha família posso ser bem como sou, mostrando os meus sentimentos. Na escola posso ser bem como sou, mostrando os meus sentimentos. No meu círculo de amigos posso ser bem como sou, mostrando os meus sentimentos. Na maioria das situações, eu me comporto conforme, na opinião dos meus pais, eu deveria comportar-me. Na maioria das situações, eu me comporto conforme, na opinião da escola/pessoal do ensino, eu deveria comportar-me. Na maioria das situações, eu me comporto conforme, na opinião do meu círculo de amigos, eu deveria comportar-me. Eu sou com eu mesmo gostaria que eu fosse. Eu acho que as expectativas e regras de como eu devo comportar-me nos diversos contextos (p.ex. na escola, na minha família, no meu círculo de amigos), são muito diferentes. Eu acho difícil mudar de um ambiente para outro, fazendo tudo combinar. As pessoas, com as quais eu seguidamente convivo (p.ex. os meus pais, os meus professores/as, os meus amigos), têm distintas ideias doe que eu deveria fazer da minha vida. As ideias distintas tornam ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 17 difíceis a minha escolha do que eu gostaria de fazer da minha vida. o) Eu penso que eu vou conseguir organizar a minha vida futura do modo como eu gostaria. ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 34. Como é isso com você? a) ...você reflete sobre temas religiosos? b) ...você tem experiências em que tem a sensação de que Deus ou algo divino lhe quer dizer ou mostrar algo? c) ...você tem experiências em que tem a sensação de que Deus ou algo divino intervém na sua vida? d) ...você tem a sensação de que está unido/a com tudo? e) ...você reflete sobre sofrimento ou injustiças do mundo? nunca Raramen -te às vezes muitas vezes sempre ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 35. Agora seguem algumas perguntas sobre a importância de diversos aspectos/lados da religiosidade. Assinale de novo em cada linha a resposta que melhor combina com você. a) Questões sobre religião e coisas semelhantes lhe interessam? b) Que importância tem para você a oração pessoal? c) Com que intensidade você crê que existe Deus ou algo divino? d) Que importância tem para você participar de cerimônias religiosas (culto na igreja, oração na comunidade, rituais no templo etc...)? e) Com que intensidade você crê que 18 nada pouco médio razoávelmente muitíssimo ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) existe uma vida após a morte (p.ex. imortalidade da alma, ressurreição dos mortos ou reencarnação)? f) Que importância tem para você a questão do sentido da vida? g) Com que intensidade você vive o seu dia-a-dia conforme os mandamentos religiosos? h) Com que intensidade você recorre à sua religião? i) Com que intensidade você acredita ser possível que nos próximos anos as suas convicções religiosas mudem? ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 36. Seguem agora questões sobre o tema do ensino religioso. a) Você frequenta, na escola, o ensino religioso ou ético, que é ministrado por um(a) professor(a) da escola? não sim ( ) ( ) b) Em caso positivo: o que você acha dessas aulas? Dê uma nota de 1 a 6, sendo que o 1 corresponde a “nada satisfatória” e o 6 corresponde a “completamente satisfatória”:___________________________________________________ não sim c) Você frequenta, na escola ou ( ) ( ) fora dela, aulas de religião, que são oferecidas pela sua igreja, centro ou comunidade religiosa? d) Em caso positivo: o que você acha dessas aulas? Dê uma nota de 1 a 6, sendo que o 1 corresponde a “nada satisfatória” e o 6 corresponde a “completamente satisfatória”:_______________________________________________________ nunca raramente algumas vezes sempre ( ) ( ) ( ) ( ) e) Na sua escola, existe a possibilidade de saber algo sobre outras religiões, aprender a conhecê-las? f) Que importância nada importante pouco importante medianamente importante razoavelmente importante muito importante ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 19 você acha que tem o fato de todas as crianças ou jovens na escola, se informarem melhor sobre diferentes religiões? Muito obrigado pela colaboração! 20 Diferença que há na versão masculina (em comparação com a feminina) do Questionário sobre religiosidade e valores na adolescência, aplicado na coleta de dados QUESTIONÁRIO Nas próximas páginas você encontrará várias perguntas ou afirmações. Das possibilidades de resposta apresentadas, você deverá escolher aquela que melhor se aplicar a você. Você não precisa ficar pensando muito. Não existem respostas certas ou erradas; interessa-nos simplesmente a sua opinião. EXEMPLO nada Quanto você gosta de sorvete de chocolate? ( ) muito ( ) ( ) ( ) ( ) E aqui vão mais algumas dicas: Se você fizer uma correção, faça um círculo ao redor da resposta que é para ser considerada. Não faça cruzes entre um e outro círculo, pois de nada vão nos servir. Em algumas partes, você também terá oportunidades de escrever uma resposta com as suas próprias palavras. Por favor, tente responder a maior quantidade de questões possíveis. Tudo certo então? Nesse caso, mãos à obra! Divirta-se! GAROTOS 31 - Para garotos: A seguir você encontrará descrições breves de alguns garotos. Assinale o quanto os garotos descritos são ou não parecidos com você. não se desvela nada comigo se desvela pouquíssimo comigo se desvela medianamente comigo se desvela razoável -mente comigo se desvela muitíssimo comigo a) Pensar em novas ideias e ser criativo é importante para ele. Ele gosta de fazer as coisas de maneira própria e original. b) Ser rico é importante para ele. Ele quer ter muito dinheiro e possuir coisas caras. c) Ele acredita que é importante que todas as pessoas do mundo sejam tratadas igualmente. Ele acredita que todos deveriam ter oportunidades iguais na vida. d) É muito importante para ele demonstrar suas habilidades. Ele quer que as pessoas admirem o que ele faz. e) É importante para ele viver em um ambiente seguro. Ele evita qualquer coisa que possa colocar sua segurança em perigo. f) Ele gosta de surpresas e está sempre procurando coisas novas para fazer. Ele acha ser importante fazer muitas coisas diferentes na vida. g) Ele acredita que as pessoas deveriam fazer o que lhes é ordenado. Ele acredita que as pessoas deveriam sempre seguir as regras, mesmo quando ninguém está observando. h) É importante para ele ouvir as pessoas que são diferentes dele. Mesmo quando não concorda com elas, ainda quer entendê-las. ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) i) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) j) É importante para ele ser humilde e modesto. Ele tenta não chamar atenção para si. Aproveitar os prazeres da vida é k) l) m) n) o) p) q) r) s) t) u) importante para ele. Ele gosta de se mimar. É importante para ele tomar suas próprias decisões sobre o que faz. Ele gosta de ser livre e não depender dos outros. É muito importante para ele ajudar as pessoas ao seu redor. Ele quer cuidar do bem-estar delas. Ser muito bem-sucedido é importante para ele. Ele espera que as pessoas reconheçam suas realizações. É importante para ele que o governo garanta sua segurança contra todas as ameaças. Ele deseja que o Estado seja forte para poder defender seus cidadãos. Ele procura por aventuras e gosta de correr riscos. Ele quer ter uma vida excitante. É importante para ele sempre se comportar de modo adequado. Ele quer evitar fazer qualquer coisa que as pessoas possam dizer que é errado. É importante para ele ter o respeito dos outros. Ele deseja que as pessoas façam o que ele diz. É importante para ele ser leal a seus amigos. Ele quer se dedicar às pessoas próximas a ele. Ele acredita firmemente que as pessoas deveriam preservar a natureza. Cuidar do meio ambiente é importante para ele. Tradição é importante para ele. Ele procura seguir os costumes transmitidos por sua religião ou pela sua família. Ele procura todas as oportunidades para se divertir. É importante para ele fazer coisas que lhe tragam prazer. ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Anexo 2 Questionário sobre valores e orientações religiosas na adolescência – versão feminina revisada QUESTIONÁRIO Nas próximas páginas você encontrará várias perguntas ou afirmações. Das possibilidades de resposta apresentadas você deverá escolher aquela que melhor se aplicar a você. Você não precisa ficar pensando muito. Não existem respostas certas ou erradas; interessa-nos simplesmente a sua opinião. EXEMPLO nada Quanto você gosta de sorvete de chocolate? ( ) muito ( ) ( ) ( ) ( ) E aqui vão mais algumas dicas: Se você fizer uma correção, faça um círculo ao redor da resposta que é para ser considerada. Não faça cruzes entre um e outro círculo, pois de nada vão nos servir. Em algumas partes, você também terá oportunidades de escrever uma resposta com as suas próprias palavras. Por favor, tente responder a maior quantidade de questões possíveis. Tudo certo então? Nesse caso, mãos à obra! Divirta-se! GAROTAS 1 1. Primeiro, temos algumas perguntas sobre idade, sexo, origem etc. a) Onde você mora? Indique CEP do município em que mora: __________________________________________________________________ b) Você é menina ou menino? Masculino ( ) Feminino ( ) c) d) e) f) g) Quando você nasceu? Ano:________________ Mês: ________________________ Em qual cidade você nasceu?________________________ Em qual cidade nasceu sua mãe? _____________________________ Em qual cidade nasceu seu pai? ______________________________ Qual é a profissão que seu pai exerce? (p. ex. montador elétrico, informático, neste momento desempregado) _____________________________________________ h) Qual é a profissão que a sua mãe exerce? (p.ex. professora, médica, do lar, neste momento desempregada) ________________________ 2. Como você mora? Em uma família (mesmo que seja de cuidado ou adotiva) Em um abrigo Outros Continue na próxima folha. 2 ( ) ( ) ( ) Especifique: _________ _______________________ 3. Como vive sua família? pouquíssimos poucos médio razoável muitos ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) a) Quantos livros seus pais têm em casa? b) Como moram seus pais? mãe pai Residência (casa, apartamento,...) própria ( ) ( ) Residência (casa, apartamento,...) alugada ( ) ( ) Residência (casa, apartamento,...) cedida (emprestada) ( ) ( ) Outro: ( ) ( ) c) E como a sua família, em geral, se ajeita com o dinheiro que tem? 4. Qual é o grau de instrução dos seus pais? muito mal mal médio razoável muito bem ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) pai Analfabeto Sabe ler, mas não foi à escola Fundamental incompleto (1º grau) Fundamental completo (1º grau) Médio incompleto (2º grau) Médio completo (2º grau) Superior incompleto (universitário) Superior completo (universitário) “Seguem mais perguntas sobre a sua família. se você estiver morando em diversos lares, comente e forneça dados sobre o lar em que você fica mais tempo durante a semana”. 3 Mãe 5. Que pessoas adultas convivem com você? Mãe ( ) Madrasta/companheira do pai ( ) Mãe adotiva ( ) Cuidadora ( ) Pai ( ) Padrasto/companheiro de mãe ( ) Pai adotivo ( ) Cuidador ( ) Outras pessoas adultas ( ) Informe com quem:_________________________________ 6. Você tem quantos irmãos/ãs, meio-irmãos/ãs, irmãos/ãs de criação, adotivos/as ou de cuidados, com os/as quais você agora mora na maior parte do tempo da semana? ( ) Nenhum Quantidade de irmãos: ______ Quantidade de irmãs:_______ 7. Em sua vida você teve uma experiência que foi especialmente ruim ou grave para você ou para a sua família, como, p. ex., doença grave na família, separação/divórcio dos pais, desemprego de um dos pais, perda de um ente querido etc.? ( ) não ( ) sim Descreva brevemente do que se trata: _____________________________________________________ O quanto isso afeta você? em nada pouco médio razoável muito ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Nas perguntas 8 e 9, trata-se dos relacionamentos entre os membros da sua família. No caso de várias mães: Pense na pessoa mais importante. Da mesma forma, no caso de vários pais: Pense na pessoa mais importante. É importante que você pense, do começo ao fim, sempre na mesma pessoa. Na próxima pergunta, a 8, mencionam-se, em cada linha, duas pessoas da sua família. Gostaríamos que você informasse até que ponto as duas se sentem bem, quando estão próximas uma da outra. 8. Até que ponto as duas pessoas se sentem bem, quando estão próximas entre si? a) Eu – mãe b) Eu – pai c) Mãe – pai nada bem raramente bem medianamente bem razoavelmente bem muito bem ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) SE VOCÊ NÃO TIVER IRMÃOS/ÃS, PASSE PARA A PERGUNTA 9 4 8.1 Até que ponto as duas pessoas se sentem bem, quando estão próximas entre si? a) Eu – irmãos e irmãs b) Mãe – irmãos e irmãs c) Pai – irmãos e irmãs nada bem raramente bem medianamente bem razoavelmente bem muito bem ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 9. Desta vez, trata-se do quanto as pessoas na sua família podem decidir (que importa o que elas dizem, qual é a influência que têm nas decisões da família etc.). Informe, para cada pessoa, que peso tem sua palavra. não decide nada a) Eu b) Mãe c) Pai d) Meu irmão(ã) mais velho(a) e) Meu irmão(ã) mais novo(a) ( ( ( ( ) ) ) ) ( ) raramente decide alguma coisa ( ( ( ( algumas vezes sim outras vezes não ) ) ) ) ( ( ( ( ( ) na maioria das vezes decide ) ) ) ) ( ( ( ( ( ) pode decidir qualquer coisa ) ) ) ) ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) ( ) 10. Como você descreveria os seus pais? a) Quantas vezes a sua mãe lhe nunca raras vezes às vezes muitas vezes sempre ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) aplica um castigo? b) Quantas vezes percebe que a c) d) e) f) sua mãe o/a apoia? Quantas vezes percebe que a sua mãe o/a compreende? Quantas vezes o seu pai o/a castiga? Quantas vezes percebe que o seu pai o/a apoia? Quantas vezes percebe que o seu pai o/a compreende? 5 11. Que papel tem a religião na sua família? a) Feriados santos, como, por exemplo, Natal, Sexta –feira Santa, Páscoa (ou bairam, pessah, etc.) têm grande importância religiosa na nossa família. b) Na minha família, nós cumprimos os mandamentos religiosos. c) Na minha família, a religião nos ajuda a dar conta de situações difíceis, como doenças, acidentes ou brigas. d) Os meus pais são unidos nas questões religiosas. e) Na minha família, procuramos apoiar pessoas necessitadas (como, por exemplo, por meio de doações em dinheiro, atividades voluntárias, etc). f) O meu pai permite que, na religião e na fé, eu tome as minhas próprias decisões. g) A minha mãe permite que, na religião e na fé, eu tome as minhas próprias decisões. não confere em nada confere pouquíssimo confere medianamente confere razoávelmente confere completa mente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 12. Em sua vida, uma pessoa ou experiência influenciou em especial a sua opinião sobre questões religiosas? ( ) não ( ) sim. Informe abaixo quem ou o quê? (p. ex. amiga, amigo, seus pais, seus avós, com quem você falou sobre religião, um grupo em que você entrou, um livro, filme ou outra experiência). ___________________________________________________________________ 6 13. Agora, volte a pensar na época, quando você tinha entre 6 e 12 anos de idade. Quantas vezes ocorriam, naquela época, os seguintes fatos? No caso de várias mães: Pense na pessoa mais importante. Da mesma forma, no caso de vários pais: Pense, de novo, na pessoa mais importante. É importante que você pense, o tempo todo, na mesma pessoa. a) Quantas vezes a sua mãe ia com você a Celebrações religiosas (culto na igreja, rituais no tempo, etc.)? b) Quantas vezes a sua mãe rezava junto com você? c) Quantas vezes seu pai ia com você a celebrações religiosas (culto na igreja, rituais no templo, etc...) d) Quantas vezes o seu pai rezava junto com você? nunca raras vezes às vezes muitas vezes sempre ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) A SEGUIR TRATA-SE DAS SUAS IDEIAS RELIGIOSAS BEM PESSOAIS. 14. Pense agora na sua religião. Se você não faz parte de nenhum grupo religioso, pense em religião em geral. O que você pensa das seguintes afirmações? A religião... a) ...melhora o bem estar dos jovens. b) ...fortalece a conscientiza ção dos jovens. c) ...ajuda os jovens. d) ...resolve os problemas dos jovens. não confere em nada confere pouquíssimo confere medianamente confere razoavelmente confere completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 7 15. Até que ponto você concorda com as seguintes ideias sobre Deus ou o divino? Deus ou o divino é como... não concordo nada tendo a não concordar não tenho opinião formada a respeito tendo a concordar concordo totalmente nunca pensei a respeito a) ...uma ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) energia que flui por tudo. b) ...uma ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) pessoa com quem se pode falar. c) ...um poder ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) superior. d) ...apenas ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) uma ideia de pessoas, na realidade não existe nada disso. e) ...algo diferente, ou seja: _________________________________________________ 16. Quantas vezes você faz as seguintes coisas? a) Quannunca muito várias 1a3 tas raramente vezes vezes vezes por por você ano mês reza, faz ( ) ( ) ( ) ( ) orações ou preces? b) quantas vezes participa de celebrações religiosas? 1 vez por semana ( ) Mais que uma vez por semana ( ) 1 vez por dia várias vezes por dia ( ) ( ) nunca muito raramente várias vezes por ano 1a3 vezes por mês 1 vez por semana mais que uma vez por semana ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 8 17. Você crê nas seguintes coisas? nada quase nada mediano razoavelmente completamente a) Astrologia ou ( ) ( ) ( ) ( ) ( horóscopo b) Cura por ( ) ( ) ( ) ( ) ( pedras ou outros objeto c) Predição do ( ) ( ) ( ) ( ) ( futuro d) Anjos ( ) ( ) ( ) ( ) ( e) Bons espíritos ( ) ( ) ( ) ( ) ( f) Satã ( ) ( ) ( ) ( ) ( g) Maus espíritos ( ) ( ) ( ) ( ) ( h) Outras coisas, ou seja: _____________________________________________ ) ) ) ) ) ) ) 18. A seguir, nós gostaríamos de conhecer a sua opinião sobre diversos temas. Com que intensidade você concorda com as seguintes afirmações? a) Eu me interesso por política b) O homem deveria ser a cabeça da família/ o chefe familiar. c) Está correto usar violência, quando a gente está com a razão. d) Eu acho bom quando todos os cidadãos podem exercer influência nos acontecimentos políticos. e) No futuro, menos estrangeiros deveriam entrar neste país. f) Um homem forte, uma mulher forte ou um partido forte deve governar sozinho o país. não confere em nada confere pouquíssimo confere medianamente confere razoavelmente confere completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 9 g) Eu estou disposto(a) a fazer até grandes sacrifícios pela minha religião. h) Os direitos humanos deveriam ser aplicados em todo o mundo para todas as pessoas, independentemente da cultura/do país. i) Eu confio nos políticos. j) Eu confio nas mulheres políticas. k) Eu estaria disposto(a) a entregar a minha vida pela minha religião. não confere em nada confere pouquíssimo confere medianamente confere razoavelmente confere completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 19. Assinale a resposta que mais corresponde ao seu modo de pensar. Escolha uma única resposta. Todas as religiões têm o mesmo valor. ( ) Todas as religiões merecem respeito, mas eu ( ) prefiro a minha, porque fui educado assim. Todas as religiões merecem respeito, mas só ( ) a minha é verdadeira. Só a minha religião merece respeito, pois só ( ) a minha religião é Verdadeira. 20. O quanto você concorda com as seguintes afirmações? a) Eu nunca casaria com alguém quem tem outra religião. b) Preferiria que alguém que tenha outra religião não fizesse parte do meu círculo de amigos. não confere em nada confere pouquíssimo confere medianamente confere razoávelmente confere completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 10 c) Os meus pais, com certeza, não estariam de acordo com que eu quisesse casar com alguém que pertença a outra religião. não confere em nada confere pouquíssimo confere medianamente confere razoávelmente confere completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 21. Você mantém contato pessoal com jovens que pertencem aos seguintes grupos religiosos? nunca raramente às vezes muitas vezes a) b) c) d) e) Católicos ( ) ( ) ( ) ( ) Evangélicos ( ) ( ) ( ) ( ) Protestantes ( ) ( ) ( ) ( ) Espíritas ( ) ( ) ( ) ( ) Religiões afro( ) ( ) ( ) ( ) brasileiras f) Religiões ( ) ( ) ( ) ( ) indígenas g) Outros, quais: ___________________________________________________________ sempre ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) ( ) 22. O quanto você se sente... a) ... com raízes no seu lugar de moradia? b) ... ligado ao seu estado? c) ...brasileiro/brasileira? d) ... membro do seu país de origem? e) ... latino-americano/a? f) ... cidadão/cidadão do mundo? g) ... membro de uma comunidade religiosa? nada pouco mediano razoável muito ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 11 23. Como é que você explica as causas para as deficiências, doenças mentais, etc.? não confere em nada confere pouquíss imo confere medianam ente confere razoavelm ente confere completa mente a) É castigo de Deus por ( ) ( ) ( ) ( ) um pecado da pessoa ou algo prejudicial feito para as outras pessoas. b) É causada pela influência ( ) ( ) ( ) ( ) de entidades do mal, Satã ou Demônios. c) É algo causado por ( ) ( ) ( ) ( ) fatores biológicos. d) As pessoas afetadas por ( ) ( ) ( ) ( ) doenças e deficiências são pessoas especiais/ escolhidas por Deus. e) É uma obsessão de ( ) ( ) ( ) ( ) espíritos menos desenvolvidos. f) É uma manifestação da ( ) ( ) ( ) ( ) lei de causa e efeito, ligado às vidas passadas. g) Outro:___________________________________________________________ ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 24. A que comunidade religiosa pertencem você e os seus pais? Sem nenhuma crença religiosa Católica Evangélica Protestante Espírita Afro-brasileira Religião indígena Eu sou... Minha mãe é... Meu pai é... ( ) ( ) ( ) ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) Outra crença religiosa. Informe qual: ______________________________________ Outra filiação religiosa, ou seja: __________________________________________ 25. O quanto você se sente ligado à sua igreja ou crença religiosa? nada pouquíssimo medianamente razoavelmente muito ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 12 26. Ao pensar no futuro, que importância, você acha, tem as seguintes coisas? a) Conviver com um(a) companheir o(a) fixo(a) ou casar b) Ter filhos nada importante pouquíssimo importante medianamente importante razoavelmente importante muito importante ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 27. Nas questões seguintes trata-se da importância que no dia-a-dia a religião tem na sua vida. O quanto as seguintes afirmações combinam com você? nada a) A religião me ajuda a não desesperar nas situações difíceis. b) Se me acontece algo desagradável ou grave, eu me pergunto se isso é castigo de Deus/ de um ser divino/ de um poder superior. c) Se me acontece algo desagradável ou grave, eu confio que Deus/ um ser divino/ um poder superior vai me ajudar. d) A minha religião/ a minha orientação religiosa influencia a minha ação no dia-a-dia (p.ex. na comida, na organização do tempo livre, nos relacionamentos amorosos e na sexualidade). pouquíssimo medianamente razoávelmente completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 13 AGORA SEGUEM PERGUNTAS SOBRE A SUA ESCOLA. 28. Que escola você frequenta? Escola pública Escola particular ( ) ( ) 29. Pense só na escola. O quanto as seguintes afirmações combinam com você? a) Gosto de ir para a escola. b) Eu me sinto solitário/a na classe. c) Eu costumo faltar às aulas. d) Na escola, no caminho para a escola, você já foi, por um tempo mais longo, atormentado/a, atacado/a, rejeitado/a ou excluído/a por alguém? nunca raramente às vezes muitas vezes sempre ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 30. Você já repetiu um ano na escola? sim ( ) não ( ) AGORA SEGUEM MAIS PERGUNTAS SOBRE VOCÊ. 14 mais de uma vez ( ) 31. Para garotas: A seguir você encontrará descrições breves de algumas garotas. Assinale o quanto as garotas descritas são ou não parecidas com você. a) Pensar em novas ideias e ser criativa é importante para ela. Ela gosta de fazer as coisas de maneira própria e original. b) Ser rica é importante para ela. Ela quer ter muito dinheiro e possuir coisas caras. c) Ela acredita que é importante que todas as pessoas do mundo sejam tratadas igualmente. Ela acredita que todos deveriam ter oportunidades iguais na vida. d) É muito importante para ela demonstrar suas habilidades. Ela quer que as pessoas admirem o que ela faz. e) É importante para ela viver em um ambiente seguro. Ela evita qualquer coisa que possa colocar sua segurança em perigo. f) Ela gosta de surpresas e está sempre procurando coisas novas para fazer. Ela acha ser importante fazer muitas coisas diferentes na vida. g) Ela acredita que as pessoas deveriam fazer o que lhes é ordenado. Ela acredita que as pessoas deveriam sempre seguir as regras, mesmo quando ninguém está observando. h) É importante para ela ouvir as pessoas que são diferentes dela. Mesmo quando não concorda com elas, ainda quer entendê-las. i) É importante para ela ser humilde e modesta. Ela tenta não chamar atenção para si. não se parece nada comigo se parece pouquíssimo comigo se parece medianamente comigo se parece razoável -mente comigo se parece muitíssimo comigo ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 15 j) k) l) m) n) o) p) q) r) s) t) Aproveitar os prazeres da vida é importante para ela. Ela gosta de se mimar. É importante para ela tomar suas próprias decisões sobre o que faz. Ela gosta de ser livre e não depender dos outros. É muito importante para ela ajudar as pessoas ao seu redor. Ela quer cuidar do bem-estar delas. Ser muito bem-sucedida é importante para ela. Ela espera que as pessoas reconheçam suas realizações. É importante para ela que o governo garanta sua segurança contra todas as ameaças. Ela deseja que o Estado seja forte para poder defender seus cidadãos. Ela procura por aventuras e gosta de correr riscos. Ela quer ter uma vida excitante. É importante para ela sempre se comportar de modo adequado. Ela quer evitar fazer qualquer coisa que as pessoas possam dizer que é errado. É importante para ela ter o respeito dos outros. Ela deseja que as pessoas façam o que ela diz. É importante para ela ser leal a seus amigos. Ela quer se dedicar às pessoas próximas a ela. Ela acredita firmemente que as pessoas deveriam preservar a natureza. Cuidar do meio ambiente é importante para ela. Tradição é importante para ela. Ela procura seguir os costumes transmitidos por sua religião ou pela sua família. não se parece nada comigo se parece pouquíssimo comigo se parece medianamente comigo se parece razoável -mente comigo se parece muitíssimo comigo ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 16 u) Ela procura todas as oportunidades para se divertir. É importante para ela fazer coisas que lhe tragam prazer. não se parece nada comigo se parece pouquíssimo comigo se parece medianamente comigo se parece razoável -mente comigo se parece muitíssimo comigo ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 32. Assinale nas perguntas seguintes quais as afirmações combinam com você. não confere em nada confere em parte confere completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) a) Eu tento ser legal com as outras pessoas. Eu me preocupo com os sentimentos dos outros. b) Não consigo parar sentado/a quando tenho que fazer a lição ou comer, me mexo muito, esbarrando em coisas, derrubando coisas. c) Muitas vezes tenho dor de cabeça, dor de barriga ou enjôo. d) Tenho boa vontade para dividir, emprestar minhas coisas (comida, jogos, canetas). e) Eu fico muito bravo/a e geralmente perco a paciência. f) Eu estou quase sempre sozinho/a. Eu geralmente jogo sozinho/a ou fico na minha. g) Geralmente sou obediente e normalmente faço o que os adultos me pedem. h) Tenho muitas preocupações, muitas vezes pareço preocupado/a com tudo. i) Tento ajudar se alguém parece magoado, aflito ou sentindo-se mal. j) Estou sempre agitado/a, balançando as pernas ou mexendo as mãos. k) Eu tenho pelo menos um bom amigo ou amiga. l) Eu brigo muito. Eu consigo fazer com que as pessoas façam o que eu quero. m) Frequentemente estou chateado/a, desanimado/a ou choroso/a. 17 não confere em nada confere em parte confere completamente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) n) Em geral, os outros jovens gostam de mim. o) Facilmente perco a concentração. p) Fico nervoso/a quando tenho que fazer alguma coisa diferente, facilmente perco a confiança em mim mesmo/a. q) Sou legal com crianças mais novas. r) Geralmente eu sou acusado/a de mentir ou trapacear. s) Os outros jovens me perturbam, ‘pegam no meu pé’. t) Frequentemente me ofereço para ajudar outras pessoas (pais, professores, crianças). u) Eu penso antes de fazer as coisas. v) Eu pego coisas que não são minhas, de casa, da escola ou de outros lugares. w) Eu me dou melhor com adultos do que com pessoas da minha idade. x) Eu sinto muito medo, eu me assusto facilmente. y) Caso eu estivesse muito mal, cogitaria em suicidar-me. z) Eu consigo terminar as atividades que começo. Eu consigo prestar atenção. 33. Quanto você concorda com as seguintes afirmações? a) Eu compreendo como “funciona” o meu ambiente (p.ex. escola, família, círculo de amigo) e consigo mais ou menos, prever o que vai acontecer a seguir. b) Eu sei lidar bem com mudanças na minha vida, resolvendo, via de regra, os problemas, ou sozinho ou com ajuda de outros. não confere em nada confere pouquíssi mo confere mediana mente confere razoavel mente confere completa mente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 18 c) Eu me empenho por atingir os meus objetivos, pois estou convicto/a de que o meu empenho vale a pena. d) Na minha família posso ser bem como sou, mostrando os meus sentimentos. e) Na escola posso ser bem como sou, mostrando os meus sentimentos. f) No meu círculo de amigos posso ser bem como sou, mostrando os meus sentimentos. g) Na maioria das situações, eu me comporto conforme, na opinião dos meus pais, eu deveria comportar-me. h) Na maioria das situações, eu me comporto conforme, na opinião da escola/pessoal do ensino, eu deveria comportar-me. i) Na maioria das situações, eu me comporto conforme, na opinião do meu círculo de amigos, eu deveria comportar-me. j) Eu sou com eu mesmo gostaria que eu fosse. k) Eu acho que as expectativas e regras de como eu devo comportar-me nos diversos contextos (p.ex. na escola, na minha família, no meu círculo de amigos), são muito diferentes. l) Eu acho difícil mudar de um ambiente para outro, fazendo tudo combinar. m) As pessoas, com as quais eu seguidamente convivo (p.ex. os meus pais, os meus professores/as, os meus amigos), têm distintas ideias doe que eu deveria fazer da minha vida. não confere em nada confere pouquíssi mo confere mediana mente confere razoavel mente confere completa mente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 19 não confere em nada confere pouquíssi mo confere mediana mente confere razoavel mente confere completa mente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) n) As ideias distintas tornam difíceis a minha escolha do que eu gostaria de fazer da minha vida. o) Eu penso que eu vou conseguir organizar a minha vida futura do modo como eu gostaria. 34. Como é isso com você? a) ...você reflete sobre temas religiosos? b) ...você tem experiências em que tem a sensação de que Deus ou algo divino lhe quer dizer ou mostrar algo? c) ...você tem experiências em que tem a sensação de que Deus ou algo divino intervém na sua vida? d) ...você tem a sensação de que está unido/a com tudo? e) ...você reflete sobre sofrimento ou injustiças do mundo? nunca Raramen -te às vezes muitas vezes sempre ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 35. Agora seguem algumas perguntas sobre a importância de diversos aspectos/lados da religiosidade. Assinale de novo em cada linha a resposta que melhor combina com você. a) Questões sobre religião e coisas semelhantes lhe interessam? b) Que importância tem para você a oração pessoal? c) Com que intensidade você crê que existe Deus ou algo divino? 20 nada pouco médio razoávelmente muitíssimo ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) d) Que importância tem para você participar de cerimônias religiosas (culto na igreja, oração na comunidade, rituais no templo etc...)? e) Com que intensidade você crê que existe uma vida após a morte (p.ex. imortalidade da alma, ressurreição dos mortos ou reencarnação)? f) Que importância tem para você a questão do sentido da vida? g) Com que intensidade você vive o seu dia-a-dia conforme os mandamentos religiosos? h) Com que intensidade você recorre à sua religião? i) Com que intensidade você acredita ser possível que nos próximos anos as suas convicções religiosas mudem? nada pouco médio razoávelmente muitíssimo ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 36. Seguem agora questões sobre o tema do ensino religioso. a) Você frequenta, na escola, o ensino religioso ou ético, que é ministrado por um(a) professor(a) da escola? não sim ( ) ( ) b) Em caso positivo: o que você acha dessas aulas? Dê uma nota de 1 a 6, sendo que o 1 corresponde a “nada satisfatória” e o 6 corresponde a “completamente satisfatória”:___________________________________________________ não sim c) Você frequenta, na escola ou ( ) ( ) fora dela, aulas de religião, que são oferecidas pela sua igreja, centro ou comunidade religiosa? d) Em caso positivo: o que você acha dessas aulas? Dê uma nota de 1 a 6, sendo que o 1 corresponde a “nada satisfatória” e o 6 corresponde a “completamente satisfatória”:_______________________________________________________ 21 nunca raramente algumas vezes sempre ( ) ( ) ( ) ( ) e) Na sua escola, existe a possibilidade de saber algo sobre outras religiões, aprender a conhecê-las? f) Que importância você acha que tem o fato de todas as crianças ou jovens na escola, se informarem melhor sobre diferentes religiões? nada importante pouco importante medianamente importante razoavelmente importante muito importante ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Muito obrigado pela colaboração! 22 Diferença que há na versão masculina (em comparação com a feminina) do Questionário sobre religiosidade e valores na adolescência – Versão revisada QUESTIONÁRIO Nas próximas páginas você encontrará várias perguntas ou afirmações. Das possibilidades de resposta apresentadas você deverá escolher aquela que melhor se aplicar a você. Você não precisa ficar pensando muito. Não existem respostas certas ou erradas; interessa-nos simplesmente a sua opinião. EXEMPLO nada Quanto você gosta de sorvete de chocolate? ( ) muito ( ) ( ) ( ) ( ) E aqui vão mais algumas dicas: Se você fizer uma correção, faça um círculo ao redor da resposta que é para ser considerada. Não faça cruzes entre um e outro círculo, pois de nada vão nos servir. Em algumas partes, você também terá oportunidades de escrever uma resposta com as suas próprias palavras. Por favor, tente responder a maior quantidade de questões possíveis. Tudo certo então? Nesse caso, mãos à obra! Divirta-se! GAROTOS 31- Para garotos: A seguir você encontrará descrições breves de alguns garotos. Assinale o quanto os garotos descritos são ou não parecidos com você. não se desvela nada comigo se desvela pouquíssimo comigo se desvela medianamente comigo se desvela razoável -mente comigo se desvela muitíssimo comigo a) Pensar em novas ideias e ser criativo é importante para ele. Ele gosta de fazer as coisas de maneira própria e original. ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) b) Ser rico é importante para ele. Ele quer ter muito dinheiro e possuir coisas caras. c) Ele acredita que é importante que todas as pessoas do mundo sejam tratadas igualmente. Ele acredita que todos deveriam ter oportunidades iguais na vida. d) É muito importante para ele demonstrar suas habilidades. Ele quer que as pessoas admirem o que ele faz. e) É importante para ele viver em um ambiente seguro. Ele evita qualquer coisa que possa colocar sua segurança em perigo. f) Ele gosta de surpresas e está sempre procurando coisas novas para fazer. Ele acha ser importante fazer muitas coisas diferentes na vida. g) Ele acredita que as pessoas deveriam fazer o que lhes é ordenado. Ele acredita que as pessoas deveriam sempre seguir as regras, mesmo quando ninguém está observando. h) É importante para ele ouvir as pessoas que são diferentes dele. Mesmo quando não concorda com elas, ainda quer entendê-las. i) É importante para ele ser humilde e modesto. Ele tenta não chamar atenção para si. ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) j) k) l) m) n) o) p) q) r) s) t) Aproveitar os prazeres da vida é importante para ele. Ele gosta de se mimar. É importante para ele tomar suas próprias decisões sobre o que faz. Ele gosta de ser livre e não depender dos outros. É muito importante para ele ajudar as pessoas ao seu redor. Ele quer cuidar do bem-estar delas. Ser muito bem-sucedido é importante para ele. Ele espera que as pessoas reconheçam suas realizações. É importante para ele que o governo garanta sua segurança contra todas as ameaças. Ele deseja que o Estado seja forte para poder defender seus cidadãos. Ele procura por aventuras e gosta de correr riscos. Ele quer ter uma vida excitante. É importante para ele sempre se comportar de modo adequado. Ele quer evitar fazer qualquer coisa que as pessoas possam dizer que é errado. É importante para ele ter o respeito dos outros. Ele deseja que as pessoas façam o que ele diz. É importante para ele ser leal a seus amigos. Ele quer se dedicar às pessoas próximas a ele. Ele acredita firmemente que as pessoas deveriam preservar a natureza. Cuidar do meio ambiente é importante para ele. Tradição é importante para ele. Ele procura seguir os costumes transmitidos por sua religião ou pela sua família. não se desvela nada comigo se desvela pouquíssimo comigo se desvela medianamente comigo se desvela razoável -mente comigo se desvela muitíssimo comigo ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) u) Ele procura todas as oportunidades para se divertir. É importante para ele fazer coisas que lhe tragam prazer. não se desvela nada comigo se desvela pouquíssimo comigo se desvela medianamente comigo se desvela razoável -mente comigo se desvela muitíssimo comigo ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Anexo 3 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido O (a) senhor(a) está sendo convidado(a) a participar do projeto Religiosidade e valores em adolescentes brasilienses, sob responsabilidade da Prof. Dra. Marta Helena de Freitas e da aluna Janaina Bahia Oliveira Barrêto. O objetivo desta pesquisa é conhecer a experiência religiosa e os valores de adolescentes brasilienses das principais religiões com adeptos no Brasil. Esta pesquisa justifica-se, pois a adolescência é a fase de formação da identidade, e é considerada uma fase de despertamento religioso desde os seus estudiosos pioneiros em Psicologia. Brasília é conhecida por sua tradição mística, onde se originaram várias comunidades religiosas ao longo dos anos. As diferentes culturas regionais do país concentradas no mesmo lugar propiciaram essa diversidade. Assim, considera-se relevante investigar como se caracteriza a religiosidade de adolescentes de diferentes religiões, ou sem religião, em Brasília e se existe relação entre a religiosidade e os valores. O(a) senhor(a) receberá todos os esclarecimentos necessários antes e no decorrer da pesquisa, e asseguramos que seu nome não se revelará, sendo mantido o mais rigoroso sigilo pela omissão total de quaisquer informações que permitam identificá-lo(a). O(a) senhor(a) pode se recusar a responder qualquer questão – no caso da aplicação de um questionário – que lhe traga constrangimento, e pode desistir de participar da pesquisa a qualquer momento, sem nenhum prejuízo para o(a) senhor(a). A sua participação será da seguinte forma: será realizada uma entrevista individual; após a entrevista, forneceremos um questionário sobre “Valores e Religiosidade”, com 35 questões, para responder em casa. Por fim, será realizada uma entrevista em grupo, com oito adolescentes no total, para conversar sobre a experiência de responder o questionário. O tempo estimado para sua realização: a primeira entrevista terá em torno de uma hora. Em média, precisa-se de 45 minutos para responder o questionário. A entrevista em grupo terá em torno de duas horas e meia de duração. Os resultados da pesquisa serão divulgados na instituição Universidade Católica de Brasília, podendo ser publicados posteriormente. Os dados e materiais utilizados na pesquisa ficarão sob a guarda do pesquisador. Este projeto possui os seguintes benefícios: a pesquisa propiciará um conhecimento importante sobre a possível relação entre religiosidade e valores; o resultado poderá subsidiar projetos que favoreçam o desenvolvimento dos adolescentes e a formação de valores saudáveis. Apresenta os seguintes riscos: talvez algum adolescente não se sinta à vontade para conversar em grupo; corre-se também o risco de que o tema seja abordado pelos adolescentes, em grupo, de modo proselitista (propagandista). Esses riscos serão minimizados pela realização de um “aquecimento” (fazer uma preparação) que propicie a conversa dos adolescentes em grupo. A entrevista individual é também para que se estabeleça uma relação de confiança entre a pesquisadora e os participantes, a fim de motivar que eles se sintam à vontade em grupo. A postura da pesquisadora será a de estimular um diálogo flexível, aberto, espontâneo, deixando claro desde o início que não haverá julgamentos em torno das religiões em si, mas um diálogo para conhecer como cada um vive a sua religião e como esta se relaciona com as suas posturas no dia a dia, na vida pessoal, familiar e social. Se o(a) senhor(a) tiver qualquer dúvida sobre a pesquisa, por favor, contate a Prof. Dra. Marta Helena de Freitas, na instituição Universidade Católica de Brasília, pelo telefone (61) 3448 7153, no turno matutino ou vespertino. Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UCB, sob número de protocolo 22664413.0.0000.0029. As dúvidas quanto à assinatura do TCLE ou aos direitos do sujeito da pesquisa podem ser esclarecidas também pelo telefone: (61) 3356-9784. Este documento foi elaborado em duas vias. Uma ficará com o pesquisador responsável e a outra, com o voluntário da pesquisa. ______________________________________________ ______________________________________________ Nome e assinatura ____________________________________________ Janaina Bahia Oliveira Barrêto Brasília, ___ de __________de _________. Este TCLE contém mais de uma folha. Por gentileza, rubrique a folha 1 e assine a folha 2.