Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e Educação Curso de Bacharelado em Secretariado Executivo Trilíngue Débora Lúcia de Oliveira Oliveira Soraya Feio Yoshioka Práticas de assédio moral: um estudo em uma Instituição Pública de Ensino Superior da região metropolitana de Belém. Belém 2010. Débora Lúcia de Oliveira Oliveira Soraya Feio Yoshioka Práticas de assédio moral: um estudo em uma Instituição Pública de Ensino Superior da região metropolitana de Belém. Trabalho de Conclusão de Curso a ser apresentado como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Secretariado Executivo Trilíngue da Universidade do Estado do Pará. Orientador: Profª. Msc. Alexandre Jorge Gaia Cardoso. Belém 2010 Dados Internacionais de catalogação na publicação Biblioteca do Centro de Ciências Sociais e Educação da UEPA Oliveira, Débora Lúcia de Oliveira Práticas de assédio moral: um estudo em uma instituição pública de ensino superior da região metropolitana de Belém/ Débora Lúcia de Oliveira Oliveira e Soraya Feio Yoshioka; orientador, Alexandre Jorge Gaia Cardoso. Belém, 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Secretariado Executivo Trilíngüe) – Universidade do Estado do Pará, Belém, 2010. 1. Ensino Superior 2. Assédio 3. Relações Interpessoais I. Yoshioka, Soraya Feio II.Título. CDD: 21 ed. 378 Débora Lúcia de Oliveira Oliveira Soraya Feio Yoshioka Práticas de assédio moral: um estudo em uma Instituição Pública de Ensino Superior da região metropolitana de Belém. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharelado em Secretariado Executivo Trilíngue, pela Universidade do Estado do Pará – UEPA. Data de aprovação: 19 / 01 / 2010 Banca Examinadora: _________________________________________ - Orientador Alexandre Jorge Gaia Cardoso Mestre em Administração Pública – PUC- São Paulo _________________________________________ Marco Antônio Silva Lima Mestre em Planejamento e Desenvolvimento - UFPA Aos nossos pais; aos irmãos de sangue; e aos irmãos de coração, aos quais chamamos amigos. AGRADECIMENTOS “Agradeço a Deus por todas as vitórias concedidas; aos familiares pelo apoio incondicional; aos colegas de classe que durante esses quatro anos de convivência proporcionaram momentos alegres e inesquecíveis; ao professor e orientador Alexandre Gaia pelo suporte, confiança e paciência; a todos os alunos que aceitaram participar da pesquisa; a Gina por ter compartilhado conosco sua história e seus livros; e a todos aqueles que acreditaram em mim e me motivaram a concluir essa etapa da minha vida” Débora Lúcia de O. Oliveira “Agradeço a Deus que me deu sonhos e disposição para seguí-los; à minha família, em especial à minha mãe e irmã, que me deram suporte durante esta caminhada; ao Gaia, nosso orientador por toda a paciência; ao meu chefe que com compreensão me liberou tantas vezes do trabalho para que eu pudesse concluir essa pesquisa; e também a todas as pessoas especiais que iluminaram meus dias durante esses quatro anos de Universidade e me ajudaram a superar as adversidades com um sorriso no rosto e fé no futuro.” Soraya Feio Yoshioka RESUMO OLIVEIRA, Débora. YOSHIOKA, Soraya. Práticas de Assédio Moral: um estudo em uma Instituição Pública de Ensino Superior da região metropolitana de Belém. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Secretariado Executivo Trilíngue) – Universidade do Estado do Pará, Belém, 2010 O presente trabalho discute o fenômeno do Assédio Moral no ambiente acadêmico de uma Instituição Pública de Ensino Superior da região metropolitana de Belém. Conceitua e caracteriza o Assédio Moral visando esclarecer os aspectos principais que compõem o tema. Verifica a existência do Assédio Moral, relatando as mais recorrentes práticas aos quais os alunos são diariamente submetidos e analisa as decorrentes conseqüências. Trata-se de um estudo qualiquatintativo, descritivoexploratório. Utilizaram-se questionários com perguntas fechadas em Likert aplicada em uma amostra de 354 pessoas. Os dados foram analisados utilizando método estatístico e os resultados apresentados em gráficos. Como resultado identificou-se que as principais práticas de Assédio Moral foram: “Zombou de suas características pessoais ou profissionais” e “Fez gestos de desprezo diante de você” e como conseqüências, as mais citadas pelos alunos entrevistados foram desmotivação e desinteresse pela disciplina/curso. Palavras-chave: Assédio moral. Consequências decorrentes. Ambiente acadêmico. Práticas recorrentes. ABSTRACT OLIVEIRA, Débora. YOSHIOKA, Soraya. Práticas de Assédio Moral: um estudo em uma Instituição Pública de Ensino Superior da região metropolitana de Belém. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Secretariado Executivo Trilíngue) – Universidade do Estado do Pará, Belém, 2010 This work points out the phenomenon of Harassment in the academic environment in a Public University in Belém metropolitan area. Appraises and characterizes the Moral harassment aiming to clarify the key aspects that compose the issue. It verifies the existence of Moral Harassment, reporting the most applicants practices to which students are daily subjected and analyzes the resulting consequences. This is a qualitative-quantitative descriptive-exploratory study which was based on open and closed question quiz in a Likert scale applied to a sample of 354 students. The data were analysed using statistical method and the results presented in graphs. As a result, were identified the main Moral Harassment practices: "Mocked at personal or professional characteristics" and "Made gestures of contempt in front of you" and the consequences most claimed by the interviewers were discouragement and uniterest by subject/course. Key-Word: Harassment. Academic Environment. Applicants practices. Resulting consequences. LISTA DE ILUSTRAÇÕES QUADROS Quadro 1 – Lista de Atitudes Hostis .................................................................................................... 25 Quadro 2 – Lista das Conseqüências relatadas pelos entrevistados .................................................. 42 GRÁFICOS Ilustração 1 – Gráfico Declaração geral dos alunos............................................................................. 33 Ilustração 2 – Gráfico quanto ao Gênero dos Entrevistados................................................................ 34 Ilustração 3 – Gráfico quanto a Faixa Etária ....................................................................................... 34 Ilustração 4 – Gráfico quanto ao Estado Civil....................................................................................... 35 Ilustração 5 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Zombou de sua origem ou nacionalidade”................................................................................................................... 35 Ilustração 6 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Zombou de sua vida privada”............................................................................................................................. 36 Ilustração 7 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Zombou de suas características pessoais ou profissionais”..................................................................................................................... 36 Ilustração 8 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Fez gestos de desprezo diante de você” ..... 37 Ilustração 9 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Deu-lhe instruções confusas e imprecisas, induzindo você ao erro” ................................................................................................... 37 Ilustração 10 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Ignorou sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas” .......................................................................................................... 38 Ilustração 11 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Falou com você gritando”............................................................................................................................ 38 Ilustração 12 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Insultou-o com termos obscenos e degradantes”..................................................................................................................... 39 Ilustração 13 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Fez brincadeiras irônicas acerca de alguma deficiência sua”................................................................................................................. 39 Ilustração 14 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Recusou-se a qualquer pedido de esclarecimento de dúvida”................................................................................................ 40 Ilustração 15 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Colocou você separado dos outros colegas”............................................................................................................................ 40 Ilustração 16 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Espalhou boatos a seu respeito” .......................................................................................................................................... 41 Ilustração 17 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Insinuou que você era inferior a ele” .......................................................................................................................................... 41 Ilustração 18 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Criticou ou ridicularizando suas sugestões”............................................................................................................................................ 42 Ilustração 19 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Criticou seu trabalho de forma injusta ou exagerada”........................................................................................................................ 42 Ilustração 20 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Intimidou você expondo-o(a) em público”.............................................................................................................................. 43 Ilustração 21 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Excluiu você de alguma atividade importante para a sua formação” ...................................................................................................... 43 Ilustração 22 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Fez acusações sem provas” ..................... 44 Ilustração 23 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Rebaixou sua capacidade mediante colegas”.............................................................................................................................44 Ilustração 24 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Demonstrou desinteresse por você ao repassar informações ao ministrar conteúdos”................................................................. 45 Ilustração 25– Gráfico quanto à freqüência da variável “Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos de forma a intimidá-lo” ................................................................................ 45 Ilustração 26– Gráfico quanto à freqüência da variável “Comunicou-se com você somente por escrito”............................................................................................................................... 46 Ilustração 27 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Recusou todo contato com você, mesmo visual”................................................................................................................................ 46 Ilustração 28 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Atribuiu-lhe tarefas desprezíveis ou humilhantes”...................................................................................................................... 47 Ilustração 29 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Atribuiu-lhe propositalmente e sistematicamente tarefas inferiores às suas conseqüências” .......................................... 48 Ilustração 30 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Imitou sua maneira de andar ou de falar para ridicularizar você”.............................................................................................................. 48 Ilustração 31 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Ameaçou-o(a) de reprovação como forma de intimidação” ...................................................................................................................... 49 Ilustração 32 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Examinou seu material na frente de colegas”............................................................................................................................. 49 Ilustração 33 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Passou informações defasadas” .............. ..50 Ilustração 34 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Fez comentários maliciosos, preconceituosos ou depreciativos”................................................................................................................50 Ilustração 35– Gráfico quanto à existência de conseqüências..............................................................51 SUMÁRIO 1.INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 11 1.1 PROBLEMÁTICA ............................................................................................................. 12 1.2 OBJETIVO ........................................................................................................................ 13 1.2.1 Objetivo Geral ............................................................................................................... 13 1.2.2 Objetivo Específicos ..................................................................................................... 13 1.3 JUSTIFICATIVA .............................................................................................................. 13 1.4 METODOLOGIA ............................................................................................................ 14 1.4.1 Tipo de pesquisa ........................................................................................................... 14 1.4.2 Fontes de informação ................................................................................................... 15 1.4.3 Procedimento ................................................................................................................ 16 1.4.4 Ambiente ....................................................................................................................... 16 1.4.5 Materiais e Instrumentos ............................................................................................. 17 1.4.6Análise dos Resultados .................................................................................................. 17 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ......................................................................................... 19 2.1 CONCEITO DE ASSÉDIO MORAL ............................................................................... 19 2.2 CARACTERIZAÇÃO ....................................................................................................... 21 2.1.1 Variáveis que definem o assédio moral ....................................................................... 21 2.3 DESCRIÇÃO DAS PRÁTICAS QUE CARACTERIZAM ASSÉDIO MORAL..............23 2.4 CONSEQUÊNCIAS........................................................................................................... 26 2.5 POR QUE ACONTECE? .................................................................................................. 27 2.6 A VÍTIMA.......................................................................................................................... 28 2.7 OS AGRESSORES ........................................................................................................... 29 2.8 ASSÉDIO NA UNIVERSIDADE ..................................................................................... 30 3. RESULTADOS ................................................................................................................... 33 3.1 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ........................................................................ 33 3.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS ...................................................................................... 53 4. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 59 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 61 APÊNDICE ............................................................................................................................ 64 11 CAPÍTULO I INTRODUÇÃO O presente trabalho científico tratará de conceituar o assédio moral relacionando-o ao ambiente acadêmico, no intuito de revelar quais as principais práticas de assédio existentes no local pesquisado e quais as conseqüências aos assediados. O Assédio Moral é um termo relativamente novo e de conhecimento ainda vago entre a sociedade em geral. O termo faz referência à perseguição que algumas pessoas sofrem em ambiente diverso de forma repetitiva e freqüente, com conseqüências danosas à sua auto-estima, à sua saúde psíquica e moral, e ao desempenho normal de suas funções. A pesquisa foi realizada entre alunos de uma instituição Pública de Ensino Superior da região metropolitana de Belém. O seguinte trabalho dividiu-se em quatro partes: Introdução, Revisão Bibliográfica, Resultados e Conclusão. A Introdução traz a apresentação do tema e a forma como se trabalhou a pesquisa: seus objetivos, justificativa e metodologia. O segundo capítulo dedica-se à revisão bibliográfica e conceitua o termo assédio moral, sua caracterização, possíveis conseqüências, os perfis da vitima e do agressor, e especificamente tratará do assédio moral no ambiente acadêmico. O terceiro capítulo dedica-se a apresentação dos dados obtidos na pesquisa de campo e a discussão dos resultados. O quarto capítulo apresenta as considerações finais, a conclusão da pesquisa e faz a correlação entre os objetivos iniciais da pesquisa e os resultados encontrados em campo. 12 1.1. PROBLEMÁTICA No ambiente acadêmico é natural que relações pessoais e profissionais sejam estabelecidas entre discentes e docentes. Participar de um grupo proporciona satisfação e integração aos envolvidos; e tais relações são fundamentais para manter um bom clima no ambiente. Porém, por diferentes motivos as relações humanas podem sofrer desvios do seu objetivo. Alguns sujeitos, aqui chamados de assediadores ou agressores, aproveitam de seu status superior na hierarquia para intimidar, humilhar, retaliar alguém inferior hierarquicamente, ferindo-o moral e psicologicamente. Especificamente no ambiente acadêmico, será considerado o Professor como o superior e o Aluno como o subordinado. Apesar de não ser tão comum, há casos onde um sujeito inferior hierarquicamente age de má conduta com seu superior, ou então, com sujeitos de mesmo nível hierárquico. Esse tipo de conduta quando abusiva, intencional, freqüente e repetida visando humilhar, constranger, diminuir, degradar o profissional é denominada assédio moral. (HIRIGOYEN, 2008) As pesquisas sobre assédio moral iniciaram-se na década de 80, segundo Barreto (2000 apud BORTOLATO, 2009). O principal autor da década foi o psicólogo de origem alemã Heinz Leymann que utilizou o termo mobbing para relatar casos severos de perseguições a funcionários dentro das organizações (HIRIGOYEN, 2006). Durante esse período, foram poucas as pesquisas que trataram sobre assédio moral e suas conseqüências no ambiente acadêmico, se comparado às pesquisas realizadas focando o assédio moral no ambiente de trabalho. O trabalho a seguir abordará a temática do assédio moral no ambiente acadêmico, e tem como questão norteadora: “Quais as práticas mais freqüentes de assédio moral ocorridas em uma Instituição Pública de Ensino Superior em Belém – PA?” 13 1.2. OBJETIVO Os objetivos desta pesquisa foram divididos em geral e específicos, como explicitados a seguir. 1.2.1. Objetivo Geral O trabalho em questão visa identificar as práticas mais freqüentes de assédio moral ocorridas em uma Instituição Pública de Ensino Superior em Belém – PA 1.2.2. Objetivos Específicos Dentre os objetivos específicos estão: • Conceituar o termo assédio moral e suas formas de ocorrências; • Verificar o grau de incidência das práticas de assédio moral registradas em uma Instituição Pública de Ensino Superior na região metropolitana de Belém; • Revelar as conseqüências das práticas de assédio moral entre os entrevistados. 1.3 JUSTIFICATIVA O assédio moral tem sido comentado cada vez mais na sociedade devido à crescente preocupação com a qualidade de vida das pessoas. O assédio moral mostra que tem efeitos perigosos não só na atuação profissional da vítima, mas também em sua auto-estima e vida pessoal. O ambiente escolar, ao lado da administração pública e do comércio é um dos setores mais afetados pelo assédio moral segundo Hirigoyen (2002 apud KEMMELMEIER, 2008). Estudo realizado no Rio de Janeiro com alunos da 5ª a 8ª série mostrou que 16,9% dos alunos foram vítimas de assédio moral. No meio acadêmico, pesquisas feitas por Caran (2008) revelaram que 40,7% dos entrevistados se declararam vitimas de assédio moral e 18,5% afirmaram que talvez tenham sofrido tais práticas. 14 O estudo sobre o tema assédio moral tem se mostrado importante, pois além de trazer à tona dados estatísticos sobre a realidade das relações morais da sociedade brasileira, permite que surjam discussões sobre o assunto na comunidade e que se busque por políticas de combate a essa prática. É relevante que se faça este estudo, pois as denúncias por parte das vítimas são em geral raras, por diversos motivos que serão explicitados no desenvolvimento deste trabalho. E ademais, tal pesquisa servirá de fonte para que os gestores da instituição pesquisada - e outras que porventura se interessarem nos resultados – possam definir estratégias para coibir tais práticas e quiçá punir os agressores. 1.4. METODOLOGIA Esta pesquisa tem como foco um estudo qualiquantitativo sobre as práticas de assédio moral cometidas em uma instituição pública de ensino superior. Este tipo de abordagem traduz os dados coletados em opiniões e informações. Castro (1977, p. 66) já dizia que a mera pesquisa descritiva como “levantamento” apenas descreve as variáveis isoladamente em contraponto com a pesquisa explicativa que “buscaria estudar o nexo, a associação entre duas ou mais variáveis.para tentar entender, por exemplo o que ocorre com X quando y ocorre ou como x explica y”. Neste trabalho foi realizada a medição das freqüências, porcentagens, médias aritméticas das práticas de Assédio Moral – dados estes obtidos a partir de um trabalho de coleta de dados, por meio da aplicação de questionários com perguntas objetivas e subjetivas aos alunos participantes, além de pesquisas bibliográficas em livros e artigos científicos. Os resultados brutos dessa pesquisa passaram então pela análise das autoras e foram revertidos em novas informações sobre o assunto. 1.4.1. Tipo de pesquisa A pesquisa aplicada neste trabalho é considerada do tipo descritvaexploratória, pois conceitua e caracteriza o Assédio Moral, além de fazer um 15 levantamento e análise das práticas e consequências mais decorrentes deste fenômeno em uma instituição pública de ensino superior. Segundo Marion, Dias e Traldi (2002), a pesquisa descritiva implica primordialmente em observar, registrar e analisar o objeto em estudo, neste caso o Assédio Moral e as práticas e consequências mais recorrentes em uma uma instituição pública de ensino superior. Porém, este trabalho não se resume ao levantamento dos dados, podendo também ser considerado uma pesquisa exploratória. De acordo com Selltiz et al (1967 apud GIL, 2008, p. 41): “ Na maioria dos casos, esssas pesquisas (exploratórias) envolvem: (a) levantamento bibliográfico; (b) entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado, e (c) análise de exemplos que “estimulem a compreensão”” 1.4.2. Fontes de Informações: De acordo com informações obtidas na secretaria do referido centro, há um total de 2.678 alunos devidamente matriculados em cursos de graduação e pósgraduação da área de tecnologia. O cálculo para obtenção da amostra resultou em 348 sujeitos a serem entrevistados. A demonstração do cálculo encontra-se abaixo. Os parâmetros estatísticos utilizados para definir a amostra são: EN = Tamanho da amostra EN = 400 N = População N = 2.678 E = Margem de erro E = 5% 16 Aplicando a fórmula chega-se a seguinte amostra: E = N X EM N + EM EN = 400 X 2678 400 + 2678 EN = 348 pessoas a serem entrevistadas . 1.4.3. Procedimento: Para a aplicação do questionário, foi escolhida uma Universidade pública e para reduzir o universo de alunos, foi escolhido apenas um centro da instituição. Em sala de aula, nos horários de intervalos, era solicitada a participação dos alunos presentes, pedindo que os mesmos respondessem ao questionário. 1.4.4. Ambiente: O ambiente da aplicação do questionário foi a sala de aula. O ambiente estava equipado com carteiras e material escolar. O ambiente era em geral silencioso, bem iluminado e ventilado. 17 1.4.5. Materiais e Instrumentos: Participaram da pesquisa uma amostra de 354 alunos de um universo de 2.678, de ambos os sexos e faixa etária diversa, que cursavam um dos cursos da Instituição Pública de Ensino Superior pesquisada no período compreendido entre os meses de outubro e dezembro de 2009. Para obtenção dos resultados, foi aplicado um questionário (apêndice) composto de trinta e cinco questões objetivas e três questões subjetivas. As questões objetivas que compuseram o questionário foram baseadas no levantamento bibliográfico do tema. O questionário utilizado foi composto por perguntas abertas e fechadas em escala Likert. O escalamento tipo Likert consiste em um conjunto de itens apresentados em forma de afirmações, ou juízos, ante os quais se pede aos sujeitos que externem suas reações escolhendo um dos cinco ou sete pontos de uma escala, a cada ponto é associado um valor numérico. (MARTINS E LINTZ, 2009). O questionário foi elaborado em três seções. A primeira seção é composta por perguntas de múltipla escolha e visava identificar o perfil do entrevistado. A segunda seção visava identificar a freqüência em que as práticas de Assédio Moral ocorriam através de perguntas em escala Likert. A terceira seção composta por duas questões abertas totalmente desestruturadas e por uma questão fechada dicotômica visava identificar as conseqüências do Assédio Moral. 1.4.6. A Análise dos Resultados Depois de feita a tabulação dos dados em planilha eletrônica – Software Excel - partiu-se para a análise univariada das frequências das práticas de Assédio Moral vivenciadas pelos alunos. A fim de analisar as práticas mais recorrentes foram selecionadas as com freqüência acima da média, utilizando-se da análise quantitativa. De posse desses números, foi feita a correlação entre eles e os estudos realizadas anteriormente, os quais são citados na Revisão Bibliográfica. A análise das conseqüências do Assédio Moral considera sempre o universo 18 do total de entrevistados que relataram conseqüências. Portanto, 100% das conseqüências comentadas na análise fazem referência a apenas certa parcela do total de alunos entrevistados. E considerando que os alunos puderam apontar várias conseqüências o total ultrapassa os 100%. 19 CAPÍTULO II REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Este segundo capítulo apresenta um breve histórico sobre os estudos anteriores do Assédio Moral; cita os autores que serviram de base para a pesquisa realizada; além de conceituar os principais termos acerca do tema no intuito de promover a compreensão acerca do contexto em que o assédio ocorre e as conseqüências deste fenômeno para aqueles que sofrem com ele. 2.1. CONCEITO DE ASSÉDIO MORAL Mesmo com todo o discurso de valorização das pessoas dentro das organizações e frases de efeito que as chamam banco de talentos, matéria-prima da produtividade, valiosos recursos, é muito comum vermos em todos os tipos de organização o relacionamento indiferente entre os colaboradores, a pressão excessiva em cima de metas, o acesso privilegiado a informações, o abuso do poder hierárquico e o assédio moral. (FRANÇA e RODRIGUES, 2002). França e Rodrigues (2002) continuam dizendo que as situações acima citadas resultam em impactos de perdas e danos morais que trazem conseqüências negativas às condições saudáveis de vida no trabalho, e podem afetar a auto-estima e autonomia do funcionário. Entre os “delitos de relacionamento” citados pelos autores estão: ameaçar demissão, solicitar algo aos gritos ou tornar deste hábito habitual, xingar com expressões grosseiras, desqualificar de forma preconceituosa por racismo, rejeição à formação profissional ou por mera antipatia. O assédio moral recebe diferentes denominações dependendo do país onde é estudado, na Itália, Alemanha e países escandinavos usa-se o termo Mobbing, na França é chamado Harcèlement moral e na Inglaterra denominado Bullying. De acordo com o dicionário de língua portuguesa, assediar significa fazer cerco a alguém, perseguir e importunar com insistência. Este verbo define muito bem o processo destrutivo a que diz respeito o ataque à dignidade humana a que o termo 20 “assédio moral” faz referência. Segundo Hirigoyen (2006) assédio moral no trabalho é definido como qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude etc.) que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho. A pesquisadora é considerada percussora no estudo do assédio moral na França em 1998, quando do lançamento de seu livro Assédio Moral: a violência perversa no cotidiano, que trouxe grande visibilidade para o tema e culminou em diversos relatos pelo mundo. O assédio moral não se limita ao ambiente de trabalho, e está presente nas mais diversas relações pessoais. Há casos de assédio moral nas relações familiares entre pais e filhos, marido e mulher etc. Segundo Hirigoyen (2008), no mundo do trabalho, universidades e nas instituições, as formas de assédio são muito mais estereotipadas que na esfera privada, mas nem por isso menos destrutivas. Segundo Barreto (2000), médica do trabalho brasileira, responsável por uma pesquisa com 2.072 pessoas sobre o tema, a violência moral ou assédio moral se determina pela exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, de modo repetitivo e prolongado durante a jornada de trabalho e ainda no exercício de suas funções. Mais comumente encontrada em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que condutas negativas, relações desumanas e antiéticas de longa duração são predominantes, oriundas de um ou mais chefes e dirigidas a um ou mais subordinado(s). Como conseqüência, ocorre a desestabilização emocional e profissional da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, e por fim a desistência de seu emprego. O assédio é caracterizado pela má intenção por parte do assediador, não podendo ser confundido por um ato isolado motivado por um pico de irritação do mesmo. Para conseguir desestabilizar a vítima, o agressor a trata de forma desrespeitosa e por vezes bruta (SCANFONE e TEODOSIO 2009). Assim como Scanfone e Teodósio, Trombetta (2005, p. 10) corrobora dizendo que “humilhações eventuais, seguidas de desculpas, não caracterizam o fenômeno (de assédio moral), mas sim a seqüência acumulativa e repetida de forma isolada é que constitui 21 assédio moral”. No Brasil, ainda não existe tipificação específica para este tipo de conduta a nível federal, apenas projetos de lei; porém, os estados de Mato Grosso, Rio de Janeiro e São Paulo já aprovaram leis estaduais que definem o assédio moral e visam coibir tais práticas e punir os assediadores. Paralelamente, há pelo menos cinqüenta leis municipais que proíbem a prática de assédio moral, de acordo com pesquisas em sites especializados sobre o assunto. Para o direito, o assédio moral também é denominado manipulação perversa ou terrorismo psicológico. 2.2. CARACTERIZAÇÃO Mais importante que conhecer a existência do Assédio Moral é poder identificá-lo nas ações do dia-a-dia. Para isso, é necessário verificar a existência de algumas variáveis que em maior ou menor grau podem levar à caracterização desta conduta. 2.2.1. Variáveis que definem o Assédio Moral Neste tópico, far-se-á a descrição das variáveis e das práticas que caracterizam atitudes e ações como atos de assédio moral para que se possa fazer uma correta identificação de um caso de Assédio Moral. a) A Intencionalidade: De acordo com Martiningo Filho (2007), para que seja configurado o assédio moral, deve estar presente a humilhação e a falta de respeito para com a pessoa, além de um interesse mais ou menos consciente por parte do assediador de prejudicar a vítima. Pode-se dizer então que para que exista o assédio moral deve haver intencionalidade por parte do agressor em causar dano à vítima. O assediador tem a intenção de degradar e desqualificar a vítima, afim de fragilizá-la e neutralizá-la em termos de poder. Trata-se de um processo disciplinador em que se procura anular a vontade daquele que, para o agressor, se apresenta como ameaça. (HELOANI, 2004). 22 Segundo Hirigoyen (2008) é a intencionalidade que torna o ato perverso. Para ela, o perverso tem prazer em causar sofrimento a vitima; ver a fraqueza do outro e desencadear na vítima a violência contra o próprio agressor ou contra outrem. O agressor procura introjetar no outro o que há de mau nele com o objetivo corromper a vítima; vê-la tornar-se um agressor. b) A Freqüência e a Repetição: Segundo Hirigoyen (2002 apud TROMBETTA, 2005), o assédio moral é a submissão da pessoa a pequenos ataques repetidos e que só adquire significado pela insistência desses atos. Nesse ponto, toca-se num segundo comportamento que caracteriza o assédio moral: a freqüência e repetição dos atentados à saúde psicológica do assediado. De acordo com Guedes (2003), o assédio moral só pode ser um processo e não provém de um ato isolado. O objetivo dessa conduta por parte do agressor é desestabilizar emocionalmente a pessoa, causando-lhe humilhação e expondo-a a situações vexatórias perante os colegas de trabalho, fornecedores, clientes e, perante a si mesma. Freitas (2001) chega a afirmar que a perversão pontual integra a natureza de todos os indivíduos, porém através da repetição contínua, esta perversão se torna efetivamente destrutiva para a vítima. Hirigoyen (2008) afirma que o agressor geralmente não destrói a vítima de imediato, apenas o submete pouco a pouco e o mantém a sua disposição. A maioria dos estudiosos do assunto não chega a um consenso sobre a partir de quanto tempo a agressão já pode ser considerada assédio moral. Um dos poucos estudiosos que delimita um tempo para isso é Leymann (2004 apud SOUZA JUNIOR, 2004), para ele, para se configurar assédio, a conduta deve ser praticada com uma freqüência mínima de uma vez por semana, em um período superior a seis meses. A longa e média exposição da vítima a humilhações, situações constrangedoras, repetidamente e por um longo período caracterizará o assédio moral. Essa exposição freqüente pode resultar à vítima dano psíquico-emocional. 23 c) O Dano Psíquico-Emocional Para que seja considerado assédio moral, em organizações, é necessário o reconhecimento de dano psíquico-emocional causado à vitima através de laudo médico que corrobore danos advindos de situações do trabalho (SOUZA JUNIOR, 2004). Segundo Guedes (2003), todo ato ou comportamento que traduzem uma atitude de contínua e ostensiva perseguição que possa acarretar danos relevantes às condições físicas, psíquicas e morais da vítima caracteriza assédio moral. 2.3. DESCRIÇÃO DAS PRÁTICAS QUE CARACTERIZAM ASSÉDIO MORAL Os exemplos abaixo foram adaptados do texto de Lei Municipal nº 3.671, da cidade de Americana - SP - e vale para servidores públicos municipais da Administração Pública Municipal Direta e Indireta, mas é possível visualizar tais situações nas mais diversas organizações, inclusive faculdades e universidades. Elas podem vir a caracterizar, em conjunto com as variáveis supracitadas, casos de assédio moral. Marcar tarefas com prazos impossíveis de serem cumpridos; Passar alguém de uma área de responsabilidade para funções triviais; Tomar crédito da idéia do outro; Ignorar ou excluir a pessoa só se dirigindo a ela através de terceiros; Sonegar informações de forma insistente; Espalhar rumores maliciosos; Criticar com persistência; Subestimar esforços etc. Para explicar estas e outras práticas, serão utilizados os livros Assédio Moral: A violência perversa no cotidiano (2008) e Mal-estar no trabalho: redefinindo o Assédio Moral (2006), nos quais a autora Marie-France Hirigoyen relaciona vários relatos de assédio moral e faz a discussão sobre a caracterização desse fenômeno. 24 Com base nas pesquisas de Marie-France Hirigoyen em seu livro Assédio Moral: A Violência Perversa no Cotidiano (2008), serão listadas abaixo os métodos mais comuns de ataque à integridade psicológica da vítima: Desqualificar o sujeito, desprezando-o através de suspiros seguidos, críticas excessivas, olhares de desprezo, brincadeiras irônicas; etc. Desacreditar o sujeito, humilhando-o, suscitando dúvidas sobre sua capacidade de exercer alguma atividade, ridicularizando-o, fazendo assim com que a vítima perca a confiança em si mesma. Isolar o sujeito, o agressor faz isso com o objetivo de deixar a vítima sem ter a quem recorrer e para frustrá-lo. Isolado, sem ajuda, sem amigos, sem função definida, a vítima se sente inútil e perde a noção do que pode fazer para proteger-se das agressões que sofre. Vexar o sujeito, o agressor confia a vitima tarefas degradantes ou inúteis, ou fixa objetos impossíveis de serem atingidos. Induzir o sujeito ao erro, o agressor induz a vítima ao erro para criticála ou rebaixá-la, ou para que a vítima tenha uma má imagem de si mesma. O Quadro 1 - Métodos de Assédio Moral apresenta uma lista de atitudes hostis adaptada do livro Mal-estar no trabalho: redefinindo o assédio moral de MarieFrance Hirigoyen, e serviu de apoio para a construção da pesquisa deste trabalho. 25 1. • • • • • • Deterioração proposital das condições de trabalho Deu-lhe instrução confusa e imprecisa, induzindo você ao erro. Criticou desprezando ou ridicularizando suas sugestões. Criticou seu trabalho de forma injusta ou exagerada. Excluiu você de alguma atividade importante para sua formação. Demonstrou desinteresse por você ao repassar informações ao ministrar o conteúdo. Atribui-lhe tarefas desprezíveis ou humilhantes. Atribuiu-lhe propositalmente e sistematicamente tarefas inferiores as suas competências Passou informações defasadas. Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos de forma a intimidá-lo (a). Ameaçou reprovação como forma de intimidação. 2. • • • • • Isolamento e recusa de comunicação Recusou todo contato com você, até mesmo visual. Comunicou-se com você só por escrito. Colocou você separado dos outros colegas. Recusou-se de qualquer pedido de esclarecimento de dúvida. Ignorou a sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas. 3. • • • • • Atentado contra a dignidade Zombou de sua origem ou de sua nacionalidade. Zombou de sua vida privada. Examinou seu material na frente de colegas. Zombou de suas características pessoais ou profissionais. Fez gestos de desprezo diante de você (suspiros, olhares desdenhosos, rir, levantar ombros etc.). Fez brincadeiras irônicas à cerca de alguma dificuldade ou deficiência sua. Espalhou boatos a seu respeito. Insultou-o com termos obscenos e degradantes. Insinuou que você era inferior e ele. Rebaixou sua capacidade mediante colegas. Fez acusações sem provas. Intimidou você expondo-o (a) em público. Fez comentários maliciosos, preconceituosos ou depreciativos. Imitou sua maneira de andar ou falar para ridicularizar você. • • • • • • • • • • • • • 4. • Violência verbal, física ou sexual Falou com você gritando. Quadro 1 – Lista de Atitudes Hostis Fonte: HIRIGOYEN (2006, p.108 e 109) 26 2.4. CONSEQUÊNCIAS Para Freitas (2007), a vítima do assédio moral tem seu rendimento diminuído devido a desordens na vida psíquica, social, profissional, familiar e afetiva causados pelo assédio, podendo levar o individuo a depressão e até tentativas de suicídio. O assédio moral “é algo que chega às raias da sordidez, do ponto de vista psicológico, podendo provocar gravíssimas consequências. Para aqueles que vivem momentos especialmente difíceis, diante de inúmeras outras pressões, é capaz até de causar quadros clínicos de depressão extrema.” (SINA, 2007, p. 106). Mas não são apenas os empregados vítimas do assédio que sofrem as conseqüências. O assédio traz conseqüências negativas também para a organização em que ocorrem. Os profissionais que são vítimas do assédio estão mais propensos a faltar o trabalho e a sofrer acidentes devido à falta de concentração, causada pelo medo e estresse decorrente do assédio. Os profissionais sentem-se desmotivados para trabalhar e o rendimento da empresa cai. Além de trazer à empresa uma imagem negativa perante a sociedade. Para Sina (2007), até mesmo os funcionários que não são vítimas do assédio - mas que presenciam tal prática - são afetados negativamente por tentarem se prevenir e não serem os próximos alvos. A autora considera que este tipo de comportamento defensivo prejudica o resultado positivo do trabalho dessas pessoas. Hirigoyen (2008) em seu livro Assédio Moral: A violência perversa no cotidiano, dedica um capítulo as conseqüências a longo prazo. Como conseqüência, ela cita o choque que a vitima recebe ao tomar consciência da agressão pela qual está passando. A vítima se sente lesada, enganada, explorada, perde sua autoestima, sente vergonha por ter sido tão maleável, algumas vezes também deseja vingar-se. Outra conseqüência em longo prazo é a descompensação; neste estágio as vitimas se apresentam em estado ansioso generalizado; estado depressivo; ou perturbações psicossomáticas. Além disso, pode surgir fadiga crônica, insônia, dores múltiplas, condutas de dependência e até idéia de suicídio. Hirigoyen (2006) também diz que, entre as modificações psíquicas que decorrem do Assédio Moral - como a renúncia da própria identidade ou distúrbios 27 psiquiátricos – pode acontecer de que algumas vezes elas ocorram em um sentido positivo, como um aprendizado, onde esta pessoa passa a desconfiar da intenção da outra em uma situação parecida, e já saiba como agir. Ao agressor, as conseqüências - caso a vítima dê queixa do assédio e o mesmo seja provado – encontram-se no meio jurídico. Segundo a Constituição, artigo 482, alínea j, o agressor poderá ser demitido por justa causa da organização em que cometeu o assédio. E caso a agressão tenha pena prevista no código Penal, o agressor poderá responder criminalmente. 2.5. POR QUE ACONTECE? O assédio moral acontece porque há nas organizações brechas para que atitudes como as que caracterizam o assédio moral aconteçam. Os assediadores não encontram resistências organizacionais nem nas regras, nem nas autoridades ou na filosofia da organização. “Ambientes que possuem uma cultura e clima organizacionais permissivos tornam o relacionamento entre os indivíduos desrespeitoso e estimulam a complacência e a conivência com o erro, insulto e abuso”. (FREITAS, 2007 p. 2). Além disso, por muito tempo as organizações acreditavam que manter os funcionários em clima de pressão os obrigava a trabalharem mais. Sina (2007) diz que ainda hoje a agressividade dentro das empresas é considerada um trunfo, e muitos profissionais tem orgulho de seu comportamento agressivo, pois ainda gostam de encaranar o estilo “durão” e eficaz. Quando praticado pelo superior hierárquico, o assédio claramente tem o objetivo de forçar um pedido de demissão, ou incitar o acontecimento de fatos que possam levar a uma demissão por justa causa (GUEDES, 2003). Em relação aos colegas de trabalho, um colega pode vir a assediar outro quando esse outro apresenta alguma diferença em relação aos demais. Segundo Hirigoyen (2008), os grupos tendem a nivelar os indivíduos e tem dificuldades em conviver com a diferença. Começam então a surgir brincadeiras pejorativas focando a diferença do colega (que pode ser diferença racial sexual, religiosa, social, etc.). O 28 assédio também pode surgir derivado de inimizades pessoais ou por sentimento de inveja, quando um colega apresenta atributos que os outros não possuem, como beleza, riqueza, diplomas, etc. (HIRIGOYEN, 2008). Os conflitos entre colegas de trabalho são difíceis de serem resolvidos pelas empresas. Sina (2007) diz que por vezes a intervenção da chefia só chega a ocorrer quando há alguma interferência na cadeia produtivo da organização, quando um empregado passa a faltar seguidamente, por exemplo. Porém, algumas empresas revelam-se incapazes de fazer respeitar os direitos dos indivíduos e muitas vezes o superior acaba apoiando um dos lados, reforçando o assédio (HIRIGOYEN, 2008). 2.6. A VÍTIMA A escolha do alvo o assédio moral não é feita de forma aleatória. A vítima é geralmente escolhida por alguma particularidade. Em todo assédio há um problema com relação à diferença que pode ser tanto de gênero, idade, raça, religião, estética, ou como de competência profissional. Segundo estudos e pesquisas realizadas, as mulheres são as maiores vítimas de assédio. Hirigoyen (2008) afirma que o assédio moral está relacionado com o gênero, em pesquisa comprovou que 70% das mulheres que participaram da pesquisa foram assediadas, contra 30% dos homens. Além disso, outras pesquisas corroboram o resultado da pesquisa de Hirigoyen. Pesquisa feita por Chiaroni revelou que 73% das mulheres são assediadas moralmente. Einarsen e Skogstad registraram assédio moral a 55,6% das mulheres. Leymann registou em suas pesquisas o índice de 55% de mulheres que disseram ter sofrido assédio moral. (TROMBETTA, 2005) Ainda acerca da diferença de ocorrência de assédio moral entre os gêneros, Guedes (2003) explica que tal fato decorre de componentes culturais de ordem sociológicas. Em relação às mulheres o assédio pode ocorrer como forma de intimidação, submissão, piadas de mau-gosto e comentários injustos acerca de sua aparência física ou de seu vestuário. Quanto aos homens, o mais comum é que os métodos de assédio caminhem para o isolamento do indivíduo e que os comentários 29 vexatórios conotem dúvidas sobre sua virilidade, capacidade de trabalho e de manutenção de sua família. As pessoas com nível de escolaridade mais baixo também são alvos de assédio moral no ambiente de trabalho (BARRETO, 2000). O setor terciário, medicina social e ensino também são os setores mais atingidos pelo assédio moral segundo Hirigoyen (2006) É comum também que haja vergonha por parte dos assediados em denunciar a agressão sofrida. Como em geral acontece com as vítimas de certas violências, a pessoa acaba por acreditar que ela é responsável e culpada pelo seu sofrimento. No caso deste tipo de sofrimento psicológico, a vítima não tem a noção exata do porquê é alvo de tantos ataques e perseguição e acaba por se perguntar se não é ela a causadora do conflito. Em estágios mais avançados do processo da manipulação perversa, o assediado chega a duvidar de sua sanidade mental, o que pode agravar em muito os casos de depressão.(HIRIGOYEN, 2008) 2.7. OS AGRESSORES Hirigoyen (2008) define o termo perversão para conceituar os atos relativos ao assédio moral cometido pelos agressores, aos quais, denomina perversos. Esses individuos, não apresentam compaixão ou respeito pelos outros; rebaixando-os, buscando, assim, elevar sua estima. Souza Junior (2004) afirma que o agressor age com o propósito de encobrir sua própria deficiência, sendo assim impelido a denegrir outras pessoas por medo e insegurança. O agressor usa dos pontos fracos da vítima para expô-la e intimidá-la, levando-a a desacreditar em si mesma. Segundo Hirigoyen (2008), o prazer do perverso é confundir e humilhar a vítima e evocar diante dela sua humilhação. Rebaixando a vítima e tornando-a responsável pelos erros, o agressor livra-se de qualquer conflito interior. A vítima, então, passa a sentir-se culpada pelos erros que comete e submete-se a forma em que está sendo tratada pelo agressor. Quando a vítima resolve reagir, o agressor age de forma a tranformar a vítima aos olhos do espectador como louca, através do seu comportamento frio – a vítima geralmente 30 revida impulsivamente aos gritos, choros etc. Hirigoyen (2008) , em seu livro Assédio moral: a violência perversa no cotidiano traça um perfil sobre como o agressor age e como manipula a vítima. Um perverso sabe até onde poder ir, sabe medir sua violência. Se ele sente que se reage em sua presença, ele habilmente dá marcha ré. A agressão é destilada e pequenas doses quando há testemunhas. Se a vítima reage e cai na armadilha da provocação, elevando o tom, é ela que parece agressiva e o agressor posa de vítima. (HIRIGOYEN, 2008, p. 134). No ambiente de trabalho, o objetivo do agressor é transformar a vítima em um inútil, dispensando-a tarefas insignificantes, retirando-lhe responsabilidades etc, com o objetivo de minar sua auto-confiança, e fragilizá-la, segundo Navarro (apud VIEIRA, 2007). Hirigoyen (2008) classifica os perversos como perversos narcisistas, que são aqueles que lançam seus ataques à integridade narcísica do outro, atacando seu amor próprio, sua confiança, sua auto-estima. O perverso narcisista possui senso grandioso da sua própria importância, é absorvido por fantasias de suceso ilimitado de poder, tem excessiva necessidade de ser admirado, pensa que tudo lhe é devido, explora os outros nas relações interpessoais, tem comportamento arrogante, etc. Na verdade, o perverso narcisita sente inveja da vítima; inveja seus bens materiais, morais, a felicidade, o sucesso alheio. 2.8. ASSÉDIO NAS UNIVERSIDADES O assédio nas empresas geralmente ocorre entre pessoas de níveis hierárquicos diferentes e é geralmente o mais comentado. Mas o assédio moral também pode ocorrer nas universidades. Nestas também existem relações de poder entre sujeitos. São comuns comentários de casos de assédio moral entre professor e aluno, onde o aluno em geral é a vítima, mas nada indica que o inverso também não possa ocorrer. Além disso, professores também podem ser vítimas de outros professores e de funcionários da instituição em que atuam. A Educação é um direito garantido pela legislação Art. 205 da Constituição 31 Federal de 1988, p. 83: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” Como se pode observar na constituição, a educação é fundamental para o pleno desenvolvimento do indivíduo, não apenas no aspecto profissional, mas também no aspecto psicológico. Assim, o indivíduo poderá exercer plenamente a sua cidadania. Para garantir que esse direito chegue ao indivíduo, é necessário que os responsáveis pela transmissão dos conteúdos de cada disciplina, os chamados educadores, encontrem-se aptos para desenvolver tal função e estejam alicerçados em princípios éticos e morais. Há alguns anos, os professores assumiam uma postura rígida em sala de aula. Os alunos eram obrigados a obedecê-los, manter-se calados, não discutir com os mestres. Esse tipo de abordagem educacional é conhecida como pedagogia negra (MILLER apud HIRIGOYEN, 2008) e tem por objetivo quebrar a vontade da criança para fazer dela um ser dócil e obediente. Muitos alunos são submetidos ainda a educadores com essa postura e passam por assédio moral. Segundo Hirigoyen (2008), as práticas de assédio moral encontram-se em todos os grupos em que indivíduos podem entrar em rivalidade, particularmente nas escolas e universidades. Nem o ambiente educacional está imune ao assédio, seja o assediador tanto o docente quanto o discente. Heinemann utilizou o termo mobbing para descrever comportamentos cruéis em sala de aula de um grupo de crianças contra outros colegas de classe, sendo muito comum ocorrer entre os colegas de classe brincadeiras envolvendo agressões físicas e verbais, GUEDES (2003 apud SOUZA JUNIOR, 2004). Segundo Souza Junior (2004), as conseqüências do assédio moral em sala de aula são as mais diversas. O aluno pode ser levado a abandonar o curso, deixar de assistir as aulas do professor, solicitar substituição do professor etc. Se o agressor for um colega de turma, a vítima pode vir a revidar a agressão contra o colega de turma ou direcionar sua raiva em colegas menores. Muitas vezes o 32 professor se omite e permite que as agressões entre os alunos ocorram, e assim favorece a formação de indivíduos injustos e cruéis, o contrário da proposta da educação. 33 CAPÍTULO III RESULTADOS Este último capítulo dedica-se a apresentação e análise dos resultados obtidos através da pesquisa de campo realizada pelas autoras. Este é o resultado entre a relação entre as respostas dos entrevistados e a revisão bibilográfica aferida sobre o tema. 3.1. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Nesta seção, serão apresentados os gráficos obtidos por meio das respostas dos 354 alunos entrevistados. Os gráficos B, C e D corespondem à primeira seção do questinário e revelam o perfil dos entrevistados. Os gráficos E a HH revelam as as práticas e frequências do Assédio Moral. Já os gráficos II e JJ fazem referência às questões abertas, onde os entrevistados puderam responder subjetivamente. A) Gráfico sobre a declaração geral dos alunos Do total de alunos entrevistados, 2% afirmaram ter sofrido frequentemente por situações caracteristica de assédio moral em sala de aula. 11% afirmaram sofrer com as práticas citadas algumas vezes; 19% relataram que sofreram raras vezes e 68% declararam nunca passaram por cada tipo de situação. Ilustração 1 – Declaração geral dos alunos 34 B) Quanto ao gênero dos entrevistados: Feminino 29 Masculino 71 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Em percentuais Ilustração 2 – Gênero dos entrevistados C) Quanto à faixa etária dos entrevistados: Mais de 45 anos 0 De 36 à 45 anos 1 De 26 à 35 anos 10 De 15 à 25 anos 89 0 20 40 60 Em percentuais Ilustração 3 – Faixa etária dos entrevistados 80 100 35 D) Quanto ao estado civil Ilustração 4 – Estado civil dos entrevistados E) Zombou de sua origem ou nacionalidade Zombou de sua origem ou nacionalidade 3 Frequentemente 8 Algumas Vezes Raramente 13 75 Nunca 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Em percentuais Ilustração 5 – “Zombou de sua origem ou nacionalidade” Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente; 75% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita; 13% afirmaram ter passado pela situação raramente e 45% algumas vezes. 36 F) Zombou de sua vida privada Zombou de sua vida privada Frequentemente 2 13 Algumas Vezes Raramente 19 Nunca 67 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Em percentuais Ilustração 6 – “Zombou de sua vida privada” Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma freqüente; 67% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita; 66% afirmaram ter passado pela situação raramente e 45% algumas vezes. G) Zombou de suas características pessoais ou profissionais profissionais Frequentemente 5 Algumas Vezes 20 24 Raramente 51 Nunca 0 10 20 30 40 50 Em percentuais Ilustração 7 – “Zombou de suas características pessoais ou profissionais” 60 37 Na variável acima, 5% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 51% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 24% afirmaram ter passado pela situação raramente e 20% algumas vezes. H) Fez gestos de desprezo diante de você 5 Algumas Vezes 29 Raramente 27 Nunca 39 0 10 5 15 20 25 30 35 40 45 Em percentuais Ilustração 8 – “Fez gestos de desprezo diante de você” Na variável acima, 5% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 39% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 27% afirmaram ter passado pela situação raramente e 29% algumas vezes. I) Deu-lhe instruções confusas e imprecisas, induzindo você ao erro. Frequentemente 3 Algumas Vezes 22 25 Raramente 50 Nunca 0 10 20 30 40 50 60 Em percentuais Ilustração 9 – “Deu-lhe instruções confusas e imprecisas, induzindo você ao erro” 38 Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 50% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 25% afirmaram ter passado pela situação raramente e 22% algumas vezes. J) Ignorou sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas colegas Frequentemente 3 Algumas Vezes 18 25 Raramente Nunca 54 0 10 20 30 40 50 60 Em percentuais Ilustração 10 – “Ignorou sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas” Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 54% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 25% afirmaram ter passado pela situação raramente e 18% algumas vezes. K) Falou com você gritando Falou com você gritando Frequentemente 3 Algumas Vezes 13 Raramente 25 Nunca 59 0 10 20 30 40 Em percentuais Ilustração 11 – “Falou com você gritando” 50 60 70 39 Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 59% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 25% afirmaram ter passado pela situação raramente e 13% algumas vezes. L) Insultou-o com termos obscenos e degradantes Insultou-o (a) com termos obscenos e degradantes Frequentemente 1 Algumas Vezes 6 Raramente 18 Nunca 76 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Em percentuais Ilustração 12 – “Insultou-o (a) com termos obscenos ou degradantes” Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 76% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 18% afirmaram ter passado pela situação raramente e 6% algumas vezes. M) Fez brincadeiras irônicas acerca de alguma deficiência sua Fez brincadeiras irônicas a cerca de alguma Frequentemente 2 Algumas Vezes 15 25 Raramente 58 Nunca 0 10 20 30 40 50 60 70 Em percentuais Ilustração 13 – “Fez brincadeiras irônicas acerca de alguma dificuldade ou deficiência sua” 40 Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 58% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 25% afirmaram ter passado pela situação raramente e 15% algumas vezes. N) Recusou-se a qualquer pedido de esclarecimento de dúvida esclarecimento de dúvida Frequentemente 2 Algumas Vezes 14 Raramente 31 Nunca 53 10 0 20 30 40 50 60 Em percentuais Ilustração 14 – “Recusou-se a qualquer pedido de esclarecimento de dúvida” Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 53% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 31% afirmaram ter passado pela situação raramente e 14% algumas vezes. O) Colocou você separado dos outros colegas Colocou você separado dos outros colegas Frequentemente 1 Algumas Vezes 5 Raramente 11 Nunca 83 0 10 20 30 40 50 60 Em percentuais Ilustração 15 – “Colocou você separado dos outros colegas” 70 80 90 41 Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 83% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 11% afirmaram ter passado pela situação raramente e 5% algumas vezes. P) Espalhou boatos a seu respeito Espalhou boatos a seu respeito Frequentemente 3 Algumas Vezes 14 Raramente 12 Nunca 71 10 0 20 30 40 50 60 70 80 Em percentuais Ilustração 16 – “Espalhou boatos a seu respeito” Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 71% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 12% afirmaram ter passado pela situação raramente e 14% algumas vezes. Q) Insinuou que você era inferior a ele Insinuou que você era inferior a ele Frequentemente 3 Algumas Vezes 14 Raramente 26 Nunca 58 0 10 20 30 40 Em percentuais Ilustração 17 – “Insinuou que você era inferior a ele” 50 60 70 42 Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 58% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 26% afirmaram ter passado pela situação raramente e 14% algumas vezes. R) Criticou ou ridicularizando suas sugestões Criticou desprezando ou sugestões Frequentemente 2 Algumas Vezes 14 29 Raramente 55 Nunca 0 10 20 30 40 50 60 Em percentuais Ilustração 18 – “Criticou ou ridicularizando suas sugestões” Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 55% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 29% afirmaram ter passado pela situação raramente e 14% algumas vezes. S) Criticou seu trabalho de forma injusta ou exagerada Criticou seu trabalho de forma injusta ou exagerada Frequentemente 1 Algumas Vezes 11 Raramente 30 Nunca 59 0 10 20 30 40 50 60 Em percentuais Ilustração 19 – “Criticou seu trabalho de forma injusta ou exagerada” 70 43 Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 59% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 30% afirmaram ter passado pela situação raramente e 11% algumas vezes. T) Intimidou você expondo-o(a) em público Intimidou você expondo-o (a) em público 1 Frequentemente Algumas Vezes 13 Raramente 27 Nunca 59 10 0 20 30 40 50 60 70 Em percentuais Ilustração 20 – “Intimidou você expondo-o(a) em público” Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 59% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 27% afirmaram ter passado pela situação raramente e 13% algumas vezes. U) Excluiu você de alguma atividade importante para a sua formação formação Frequentemente 1 Algumas Vezes 6 12 Raramente 81 Nunca 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Em percentuais Ilustração 21 – “Excluiu você de alguma atividade importante para a sua formação” 44 Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 81% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 12% afirmaram ter passado pela situação raramente e 6% algumas vezes. V) Fez acusações sem provas Fez acusações sem provas Frequentemente 1 Algumas Vezes 5 Raramente 14 80 Nunca 10 0 20 30 40 50 60 70 80 90 Em percentuais Ilustração 22 – “Fez acusações sem provas” Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 80% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 14% afirmaram ter passado pela situação raramente e 5% algumas vezes. W) Rebaixou sua capacidade mediante colegas Frequentemente 1 Algumas Vezes 7 Raramente 19 72 Nunca 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Em percentuais Ilustração 23 – “Rebaixou sua capacidade mediante colegas” Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de 45 forma frequente. 72% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 19% afirmaram ter passado pela situação raramente e 7% algumas vezes. X) Demonstrou desinteresse por você ao repassar informações ao ministrar conteúdos ao Frequentemente 2 Algumas Vezes 11 20 Raramente 67 Nunca 10 0 20 30 40 50 60 70 80 Em percentuais Ilustração 24 – “Demonstrou desinteresse por você ao repassar informações ao ministrar conteúdos” Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 67% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 20% afirmaram ter passado pela situação raramente e 11% algumas vezes. Y) Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos de forma a intimidá-lo trabalhos de forma a intimidá-lo (la Frequentemente 3 Algumas Vezes 17 18 Raramente Nunca 62 0 10 20 30 40 50 60 70 Em percentuais Ilustração 25 – “Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos de forma a 46 intimidá-lo” Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 62% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 18% afirmaram ter passado pela situação raramente e 17% algumas vezes. Z) Comunicou-se com você somente por escrito Comunicou-se com você somente por escrito Frequentemente 1 Algumas Vezes 3 Raramente 6 Nunca 90 0 20 40 60 80 100 Em percentuais Ilustração 26 – “Comunicou-se com você somente por escrito” Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 90% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 6% afirmaram ter passado pela situação raramente e 3% algumas vezes. AA) Recusou todo contato com você, mesmo visual Recusou todo contato com você, mesmo visual Frequentemente 0 Algumas Vezes 2 Raramente 6 Nunca 92 0 20 40 60 Em percentuais 80 100 47 Ilustração 27 – “Recusou todo contato com você, mesmo visual” Na variável acima, 0% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 92% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 6% afirmaram ter passado pela situação raramente e 2% algumas vezes. BB) Atribuiu-lhe tarefas desprezíveis ou humilhantes Atribuiu-lhe tarefas desprezíveis ou humilhantes Frequentemente 0 Algumas Vezes 1 Raramente 4 Nunca 95 0 20 40 60 80 100 Em percentuais Ilustração 28 – “Atribuiu-lhe tarefas desprezíveis ou humilhantes” Na variável acima, 0% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 95% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 4% afirmaram ter passado pela situação raramente e 1% algumas vezes. CC) Atribuiu-lhe propositalmente e sistematicamente tarefas inferiores às suas conseqüências. 48 Frequentemente 1 2 Algumas Vezes 6 Raramente 92 Nunca 20 0 40 60 80 100 Em percentuais Ilustração 29 – “Atribuiu-lhe propositalmente e sistematicamente tarefas inferiores às suas conseqüências” Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 92% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 6% afirmaram ter passado pela situação raramente e 2% algumas vezes. DD) Imitou sua maneira de andar ou de falar para ridicularizar você Frequentemente 2 Algumas Vezes 10 16 Raramente 71 Nunca 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Em percentuais Ilustração 30 – “Imitou sua maneira de andar ou de falar para ridicularizar você” Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 71% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 16% afirmaram ter passado pela situação raramente e 10% algumas vezes. 49 EE) Ameaçou-o(a) de reprovação como forma de intimidação Frequentemente 2 Algumas Vezes 10 18 Raramente 70 Nunca 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Em percentuais Ilustração 31 – “Ameaçou-o(a) de reprovação como forma de intimidação” Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 70% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 18% afirmaram ter passado pela situação raramente e 10% algumas vezes. FF) Examinou seu material na frente de colegas Frequentemente 3 Algumas Vezes 7 Raramente 17 Nunca 73 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Em percentuais Ilustração 32 – “Examinou seu material na frente de colega” Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 73% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 17% afirmaram ter passado pela situação raramente e 7% algumas vezes. 50 GG) Passou informações defasadas 3 Frequentemente Algumas Vezes 7 Raramente 24 Nunca 66 0 10 20 30 40 50 60 70 Em percentuais Ilustração 33 – “Passou informações defasadas” Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 66% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 24% afirmaram ter passado pela situação raramente e 7% algumas vezes. HH) Fez comentários maliciosos, preconceituosos ou depreciativos Frequentemente 3 Algumas Vezes 10 Raramente 22 Nunca 65 0 10 20 30 40 50 60 70 Em percentuais Ilustração 34 – “Fez comentários maliciosos, preconceituosos ou depreciativos” Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de forma frequente. 65% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 22% afirmaram ter passado pela situação raramente e 10% algumas vezes. 51 II) Resposta quanto à existência de conseqüências Ilustração 35– Existência de conseqüências 52 JJ) Conseqüências relatadas pelos entrevistados Consequências Em porcentagem Desmotivação 35,11 Desinteresse pela disciplina/curso 27,55 Mudança no comportamento 21,33 Sensação de inferioridade 16,44 Mudança de equipe / Dificuldade no 12 relacionamento com colegas Motivação 10,66 Vontade ou ato de abandonar a 7,11 discilplina/curso Tristeza/Frustação/Depressão 6,22 Vergonha 5,77 Revolta/raiva 5,33 Antipatia pelo agressor 4,88 Melhorou relacionamento com 4,44 colegas Solidão e isolamento 4,44 Reprovação 3,11 Medo de represálias 2,66 Sede de vingança 0,88 Violência física com o agressor 0,88 Denúncia 0,88 Quadro 2 –Conseqüências relatadas pelos entrevistados Fonte: Elaboração das autoras, 2010 53 3.2. ANÁLISE DOS RESULTADOS. Nesta seção, serão apresentadas as análises dos resultados. Será usado como base desta análise as referências bibliográficas e os dados obtidos durante a pesquisa. Para facilitar o desenvolvimento da análise, as autoras dividiram as variáveis a serem analisadas e o fizeram individualmente. a) Quanto ao gênero A maioria dos entrevistados pertence ao sexo masculino, o que é explicado pelos cursos em que foram feitas as pesquisas, da área de exatas, que são tradicionalmente cursados majoritariamente por pessoas do sexo masculino. b) As atitudes hostis acima da média As variáveis que apresentaram maior porcentagem de pessoas assediadas foram: “Zombou de suas características pessoais ou profissionais” e “Fez gestos de desprezo diante de você” com 5% cada uma na alternativa “Freqüentemente”, sendo que “Fez gestos de desprezo diante de você” aparece com grande percentual (29%) na alternativa “Algumas vezes”. Essas variáveis se enquadram nas práticas que visam desqualificar e desacreditar o sujeito (HIRIGOYEN, 2008). Segundo Hirigoyen (2008), o agressor através de suspiros seguidos, erguer de ombros, olhares de desprezo, subtendidos, alusões desestabilizantes ou malévolas, observações desabonadoras, etc. levanta na vítima dúvida sobre a competência profissional da mesma. Ele, o agressor, ridiculariza a vítima, humilhando-a e ridicularizando-a, minando sua autoconfiança. Outras variáveis que se revelaram acima da média na pesquisa foram: “Passou informações defasadas”; “Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos de forma a intimidá-lo”; “Deu-lhes instruções confusas e imprecisas, induzindo você ao erro”. Variáveis classificadas por Hirigoyen (2008) como atitudes hostis e com o objetivo de deteriorar propositalmente o local de trabalho, no caso em questão, a sala de aula. “Ignorou sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas”, com o objetivo de causar o isolamento da vítima através da recusa da informação (HIRIGOYEN, 2008) “Examinou seu material na frente de colegas” ; “Insinuou que você era inferior a ele”; “Zombou de sua origem e nacionalidade”; “Fez comentários 54 maliciosos, preconceituosos ou depreciativos”. Tais variáveis atentam contra a dignidade da vítima (Hirigoyen, 2008); e por último, “Falou com você gritando” classificado como agressão verbal. (HIRIGOYEN, 2008). Tais métodos corroboram com a idéia de que o agressor assedia sua vítima atacando não necessariamente suas características profissionais, pois tantas vezes, não há o que se criticar sobre o seu trabalho, restando-lhe apenas atacar aquilo que a pessoa simplesmente é e em pontos especialmente sensíveis de sua personalidade e vida íntima. Ao ter como um dos objetivos principais, por exemplo, atentar contra a dignidade da vítima, o agressor revela que se deixa levar por motivos pessoais para agredir alguém, seja esse motivo a inveja, a inimizade, diferença social etc. c) A frequência das agressões “Fez gestos de desprezo diante de você” se apresenta como a alternativa com maior freqüência na alternativa algumas vezes (29%) e “Deu-lhe instruções confusas e imprecisas, induzindo você ao erro” encontra-se com a 2ª maior porcentagem na alternativa “Algumas vezes” . 22% dos alunos afirmaram ter sofrido desta prática. Segundo Hirigoyen (2008), o agressor induz a vítima ao erro para criticá-la ou rebaixá-la, ou para que a vítima tenha uma má imagem de si mesma. Outras práticas também apresentaram índice relativamente alto na alternativa “Algumas vezes”, como “Zombou de suas características pessoais ou profissionais” (20%); “Ignorou sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas” (18%), e outras ficaram acima da média (11%). Apesar do fato desta ou outras práticas não ser uma das queixas mais freqüentes entre a grande maioria dos alunos, isto não exime os alunos que passaram por essa violência, mesmo que apenas algumas vezes, à condição de vítimas. Pois, a intencionalidade do agressor e o dano psíquico ao qual a vítima pode ser levada são variáveis que caracterizam a prática de assédio. Por fim, as variáveis “Fez gestos de desprezo diante de você” e “Deu-lhe instruções confusas e imprecisas, induzindo você ao erro” foram as variáveis que apresentaram o mais baixo percentual na opção “Nunca” com 39% e 50% respectivamente. O baixo índice provou que a maioria dos alunos foi alvo ao menos uma vez de atitudes que intencionalmente ou não poderiam ter causado 55 conseqüências negativas e que de forma repetitiva e forma isolada, com intenção do agressor em causar dano a vitima, caracterizariam assédio moral. d) As consequências Entre as declarações dos alunos, foram separados alguns relatos, onde se pode perceber algumas razões aparentes dos assédios sofridos. Dos exemplos citados a seguir todos tem em comum a intolerância do agressor em relação a alguma diferença que a vítima apresente dos demais. Um aluno se referiu a “professores que se acham”, indicando claramente que o professor em questão mostrava-se superior aos alunos, provavelmente por estar em uma situação de controle e poder. A diferença na formação universitária também pode influenciar no começo de um assédio, como se pode inferir da declaração abaixo: “Um único professor em minha carreira acadêmica era desmotivador, porém este não fazia parte da equipe acadêmica, pois ministrava uma disciplina originalmente de outro curso”. Aluno do gênero masculino, vivenciou apenas 3 das 30 atitudes hostis. É possível que as atitudes hostis desse professor tenham sido tomadas porque ele não se sentia à vontade em ministrar aulas para estudantes de diferentes áreas de conhecimentos que não a sua. As próprias alunas autoras desta pesquisa tiveram em seu histórico acadêmico um caso semelhante. Um professor de Sociologia, de um departamento alheio ao do curso de Secretariado Executivo, demonstrava-se completamente aborrecido em ministrar o conteúdo da disciplina e em responder às solicitações de esclarecimentos da turma, passava informações defasadas e suas avaliações não apresentavam critérios claros. Além disso, tal professor fazia comentários maliciosos sobre a turma, em geral dizendo que a presença de tal disciplina no curso de Secretariado (assim como a existência do curso como um todo) era desnecessária. Apenas no decorrer deste trabalho é que se pode perceber com clareza a submissão pela qual a turma passou, pois até então a visão geral era de que os alunos eram desinteressados pelo assunto e por isso não haviam absorvido o 56 conteúdo. Outro estudante entrevistado, desta vez de origem do interior do Estado (PA), mencionou que “sente um certo desprezo por parte dos colegas com pessoas oriundas do interior”, justamente por seus colegas pensarem que tais pessoas “não seriam tão capazes de ingressar numa faculdade pública”. As conseqüências do assédio podem não ser sentidas de imediato, e talvez alguns alunos não consideram tais práticas como uma agressão e as vejam apenas como “brincadeiras”; outros alunos podem ter omitido ou amenizado os fatos. Segundo os dados da pesquisa, um alto índice de entrevistados citou conseqüências para sua vida pessoal e acadêmica, tendo a maioria citado conseqüências negativas. Dentre todos os entrevistados 64% relataram consequências acerca das práticas vivenciadas. Dentre esses alunos, apenas 10,66% consideraram suas reações como positivas, e muitos deles responderam que tiveram mais motivação para apresentar melhores resultados a fim de “provar” que o agressor estava errado em suas opiniões negativas ao seu respeito, outros 4,44% também informaram que o relacionamente com seu colegas melhorou, o que pode ter acontecido devido à empatia que outros colegas tiveram em relação à essas pessoas nas situações de assédio. Sobre a reação positiva, cita-se dois entrevistados, ambos do sexo feminino: Algumas dessas situações me fizeram amadurecer e outras serviram para refletir sobre a minha vida; mas em todas elas procurei ver o lado bom para que eu pudesse crescer Tudo isso (situações hostis) me fez ver a vida e tudo em volta de uma forma melhor, amadurecendo mais e crescendo como pessoa. De 30 exemplos de atitudes hostis presentes no questionário, tais entrevistadas relataram já ter passado por 15 e 25 situações cada uma: um número bastante considerável. Porém, nesses casos, além da motivação, ocorreu o aprendizado, de que falou Hirigoyen em seu livro “Mal-estar no Trabalho: Redefinindo o Assédio Moral”. Essas pessoas usaram situações desagradáveis como instrumento de crescimento; não se deixaram abater pelos ataques hostis a que foram submetidas. Deve-se levar em consideração, também, que estas são 57 minoria e que a maior parte das pessoas reagem a situações de perigo a partir do medo ou da ansiedade. Acerca das consequências consideradas negativas, a maior delas, apontada pelos entrevistados, foi a Desmotivação, que atingiu 35% dos alunos. Logo em seguida, o Desinteresse – em 27% dos casos – aparece em segundo lugar, não por acaso, pois está intrinsicamente ligado à desmotivação. Sobre os dois, cita-se alguns alunos entrevistados: “Sofri extrema desmotivação em relação ao curso, além disso me desinteressei por todo e qualquer futuro dentro dessa área” Aluna do gênero feminino, vivenciou 20 das 30 atitudes hostis, com maior frequência nas práticas de isolamento e atentados à dignidade, (assédio misto). “Senti desmotivação em continuar no curso, desinteressei-me pela disciplina, fui reprovada por décimos”. Aluna do gênero feminino, vivenciou 13 das 30 atitudes hostis, com visível distinção de atentados contra a dignidade por parte dos colegas (assédio horizontal) e deterioração proposital das condições de trabalho por parte do professor (assédio vertical). Pode se perceber que além da desmotivação e desinteresse, nessas pessoas também ocorreu uma desilusão quanto à sua perspectiva profissional. O mal-estar de estar nesse ambiente é tão grande que elas chegariam a abdicar de sua formação universitária, desistindo de cursar a discilpina e até abandonar o curso. Esta ânsia recorrente apareceu nas respostas de 7% dos entrevistados. Cita-se também o caso de um aluno, do gênero masculino, que sofreu assédio em seu estágio acadêmico. Ele conta que não lhe davam tarefa alguma durante seu horário de trabalho e sua bolsa foi suspensa. Mesmo assim, ele continuou seu contrato, até que lhe foram atribuídas tarefas inferiores à sua competência; sentiu-se humilhado por terem incubido a ele a aquisição de uma fruta que não estava no período de safra. A partir daí, ele passou a se abster do local de trabalho e a empresa reincidiu o contrato, pois ele havia quebrado as cláusulas de frequência regular. Claramente se vê que este estudante foi impelido a se desligar do estágio por meio das práticas de isolamento e deterioração proposital da condições de trabalho. Mesmo que tivessem lhe cortado a remuneração, ele continou a tentar dar andamento ao seu estágio, porém não resistiu às investidas perversas à sua 58 dignidade e moral e acabou saindo do estágio, por apresentar um sintoma (absenteísmo) decorrente desse assédio. 59 CAPÍTULO IV CONCLUSÃO Com a pesquisa realizada, foi possível apresentar os conceitos básicos do tema estudado, assim como alcançar os objetivos iniciais pretendidos no trabalho. A pesquisa revelou que a maioria dos entrevistados pertencem ao sexo masculino, estão na faixa etária dos 15 aos 25 anos e são solteiros. Quanto as práticas mais recorrentes de assédio moral na Instituição pesquisada, as que obtiveram maior frequência foram: “Zombou de suas características pessoais ou profissionais” e “Fez gestos de desprezo diante de você” e como conseqüências, as mais citadas pelos alunos entrevistados foram “Desmotivação” e “Desinteresse pela discilpina/curso”. Outras práticas que obtiveram destaque devido a frequência encontrar-se acima da média foram : “Passou informações defasadas” ; “Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos de forma a intimidá-lo” ; “Deu-lhes instruções confusas e imprecisas, induzindo você ao erro”; “Ignorou sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas”; “Examinou seu material na frente de colegas” ; “Insinuou que você era inferior a ele”; “Zombou de sua origem e nacionalidade”; “Fez comentários maliciosos, preconceituosos ou depreciativos” e “Falou com você gritando”. E quanto as conseqüências, também tiveram destaques devido a grande porcentagem as seguintes: “Mudança no comportamento”; “Sensação de inferioridade” e “Mudança de equipe / Dificuldade no relacionamento com colegas” Através dos dados obtidos com a realização da pesquisa, pode-se ratificar a importância do estudo e pesquisa do tema. Os dados provaram que apesar do baixo número de alunos assediados freqüentemente, o ambiente acadêmico não está imune ao assédio moral. A pesquisa também mostrou que as conseqüências podem surgir até mesmo quando a freqüência das atitudes hostis não é constante ou repetitiva, situações mais ou menos recorrentes podem sim gerar na vítima conseqüências negativas. Vale considerar que os sujeitos envolvidos foram jovens, a maioria entre 15 a 25 60 anos, indivíduos que ainda se encontram entre a adolescência e a fase adulta, ainda passando por momentos de mudanças e muitas vezes necessitando serem aceitos no núcleo social em que se encontram, o que muitas vezes implica na sujeição a certos constrangimentos e atitudes violentas. É possível dar continuidade à investigação do tema. A pesquisa realizou-se de forma geral, não estava nos objetivos descobrir se há diferenças entre os gêneros na freqüência e nas conseqüências do assédio ou em descobrir quem pratica mais o assédio, se professores ou colegas de sala de aula. Espera-se que a Instituição possa se beneficiar da pesquisa, buscando políticas que visem coibir esses atos hostis e punir os agressores, para que assim os alunos que se sintam vítimas possam sentir-se seguros em denunciar as atitudes hostis que sofrem. 61 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRETO, Margarida Maria Silveira. Violência, saúde, trabalho: uma jornada de humilhações. São Paulo: EDUC – Editora da Puc-SP, 2000. BORTOLATO, Andrea Carla Marques.Assédio moral:Um estudo do fenômeno dentro de uma organização judiciária federal .Brasilia.Universidade de Brasília,2009. (Série Monografia) CARAN, Vânia Cláudia Spoti. Riscos psicossociais e assédio moral no contexto acadêmico.Dissertação de mestrado.São Paulo, 2008 CASTRO, Cláudio de Moura. 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Assédio moral: a violência perversa no cotidiano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008. _________________. Mal-estar no trabalho: redefinindo o assédio moral. 2 ed. Trad. Rejane Janowitzer. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. JOYCE, Anne (Org.). Vade Mecum acadêmico de direito.7º. Ed – São Paulo: Rideel, 2008 art. 205 da Constituição Federal, pag. 83. KEMMELMEIER, Carolina Spack. O assédio moral na atividade docente em instituições de ensino superior: uma abordagem jurídica Disponível em: <http://www.fae.ufmg.br/estrado/cdrom_seminario_2008/textos/trabajos/O%20ASS% C9DIO%20MORAL%20NA%20ATIVIDADE%20DOCENTE%20EM%20INSTITUI%C 7%D5ES%20DE%20ENSINO%20SUPERIOR%20UMA%20ABORDAGEM%20JUR %CDDICA.pdf > Acesso em 20 nov. 2009 Lei nº 3.671, de 7 de junho de 2002. Prefeitura Municipal de Americana, São Paulo, Br, § 1.º, art. 1, que dispõe sobre aplicação de penalidades à prática de assédio moral nas dependências da Administração Pública Municipal Direta e Indireta por servidores públicos municipais. MARION, José Carlos; DIAS, Reinaldo; TRALDI, Maria Cristina. Monografia para os cursos de administração, contabilidade e economia. São Paulo: Atlas, 2002. MARTININGO FILHO, Antonio. Assédio moral e gestão de pessoas: uma análise do assédio moral no trabalho e o papel da área de gestão de pessoas. Dissertação de mestrado – UNB. Brasília, 2007. MARTINS, Gilberto de Andrade, Lintz, Alexandre. Guia para elaboração de monografias e trabalhos de conclusão de curso. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2009. SCANFONE, Leila, TEODÓSIO, Armindo dos Santos de Sousa. Assédio moral e assédio sexual nas organizações: duas faces do abuso de poder. S/E.S/D SINA, Amália. A outra face do poder. Ed. Saraiva, 3ª Ed: São Paulo. 2007. SOUZA Jr, Edvan Epaminondas de. O assédio moral como violação de direitos. São Paulo. Faculdade de Direito de Presidente Prudente, 2004 (Série Monografia) 63 TROMBETTA, Taisa. Características do assédio moral a alunos trabalhadores nos seus locais de trabalho. Dissertação de mestrado - UFSC. Florianópolis, 2005. VIEIRA, Maria Madalena. As conseqüências do assédio moral para o assediado no ambiente das organizações de trabalho. Santa Catarina. Universidade do Sul de Santa Catarina, 2007 (Série Monografia). 64 APÊNDICE Este questionário é o instrumento de dados para pesquisa de trabalho de conclusão de curso (Graduação em Secretariado Executivo Trilingue) a ser realizado nesta instituição (UEPA). Esta pesquisa tem a finalidade identificar manifestações de assédio moral que consiste na exposição a situações humilhantes e/ou constrangedoras, geralmente repetitivos e prolongadas. O objetivo deste estudo é exclusivamente acadêmico. As respostas serão tratadas de forma confidencial e os dados serão relatados apenas de forma agregada. As informações serão codificadas e as identidades permanecerão anônimas. Agradecemos a sua colaboração. UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ - UEPA Nunca Raramente Algumas vezes Freqüentemente Parte II - Na lista a seguir, assinale (ao lado), se for o caso, as situações de Assédio Moral que você vivenciou na sala de aula (ao longo do curso) em relação a Professor-Aluno e Aluno-Aluno. Zombou de sua origem ou de sua nacionalidade. Zombou de sua vida privada. Zombou de suas características pessoais ou profissionais. Fez gestos de desprezo diante de você (suspiros, olhares desdenhosos, rir, levantar ombros, etc). 1 1 1 2 2 2 3 3 3 4 4 4 1 2 3 4 Deu-lhe instrução confusa e imprecisa, induzindo você ao erro. Ignorou a sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas. Falou com você gritando. Insultou-o com termos obscenos e degradantes. Fez brincadeiras irônicas à cerca de alguma dificuldade ou deficiência sua. Recusou-se de qualquer pedido de esclarecimento de dúvida. Colocou você separado dos outros colegas. Espalhou boatos a seu respeito. Insinuou que você era inferior e ele. Criticou desprezando ou ridicularizando suas sugestões. Criticou seu trabalho de forma injusta ou exagerada. Intimidou você expondo-o(a) em público. Excluiu você de alguma atividade importante para sua formação. Fez acusações sem provas. Rebaixou sua capacidade mediante colegas. Demonstrou desinteresse por você ao repassar informações ao ministrar o conteúdo. 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 1 2 3 4 Marque para (P ) professor (C) colega ou (A ) ambos Parte l – Dados Pessoais Sexo: Masculino ( ) Feminino ( ) Faixa Etária: De 15 à 25 anos ( ) de 25 à 35 anos ( ) de 35 à 45 anos ( ) Mais de 45 anos ( ) Estado Civil: Solteiro ( ) Casado ( ) Divorciado ( ) Viúvo ( ) outros ( ) Escolaridade (curso).......................................................... Semestre:................................. Professor ( ) Aluno ( ) 65 Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos de forma a intimidálo(a). Comunicou-se com você só por escrito. Recusou todo contato com você, até mesmo visual. Atribui-lhe tarefas desprezíveis ou humilhantes. Atribuiu-lhe propositalmente e sistematicamente tarefas inferiores à sua competência. Imitou sua maneira de andar ou falar para ridicularizar você. Ameaçou reprovação como forma de intimidação. Examinou seu material na frente de colegas. Passou informações defasadas. Fez comentários maliciosos, preconceituosos ou depreciativos. 1 2 3 4 1 1 1 2 2 2 3 3 3 4 4 4 1 2 3 4 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 Parte III – Responda as perguntas abaixo. 1) Quais foram às conseqüências dessas situações, descritas anteriormente, na sua vida? (Exemplo: Desmotivação, abandono do curso, sensação de inferioridade, mudança no comportamento, melhorou a relação com os colegas, mudança de faculdade ou de curso, desinteresse pela disciplina, mudou de equipe, etc). ............................................................................................................................................................................... .......... .................................................................................................................................................. ............................................................................................................................................................................... .......... ............................................................................................................................................................................... .......... ............................................................................................................................................................................... .......... 2) Você comentou as situações descritas anteriormente com alguém? Sim ( ) Não ( ) 3) Se sua resposta for sim, indique abaixo, com quem você comentou tais situações? (Exemplo: família - Pai, mãe, irmão - colegas da faculdade, colegas de trabalho, marido ou esposa, próprio agressor, etc). ............................................................................................................................................................................... .......... ............................................................................................................................................................................... .......... ............................................................................................................................................................................... .......... ............................................................................................................................................................................... .......... ............................................................................................................................................................................... .......... 66 Centro de Ciências Sociais e Educação Curso de Bacharelado em Secretariado Executivo Trilíngüe Tv. Djalma Dutra s/n – Telégrafo 66113-010 Belém – PA www.uepa.br