Universidade do Estado do Pará
Centro de Ciências Sociais e Educação
Curso de Bacharelado em Secretariado Executivo
Trilíngue
Débora Lúcia de Oliveira Oliveira
Soraya Feio Yoshioka
Práticas de assédio moral: um estudo em uma
Instituição Pública de Ensino Superior da região
metropolitana de Belém.
Belém
2010.
Débora Lúcia de Oliveira Oliveira
Soraya Feio Yoshioka
Práticas de assédio moral: um estudo em uma Instituição
Pública de Ensino Superior da região metropolitana de Belém.
Trabalho de Conclusão de Curso a ser
apresentado como requisito parcial para a
obtenção do grau de Bacharel em Secretariado
Executivo Trilíngue da Universidade do Estado do
Pará.
Orientador: Profª. Msc. Alexandre Jorge Gaia
Cardoso.
Belém
2010
Dados Internacionais de catalogação na publicação
Biblioteca do Centro de Ciências Sociais e Educação da UEPA
Oliveira, Débora Lúcia de Oliveira
Práticas de assédio moral: um estudo em uma instituição pública de ensino superior da
região metropolitana de Belém/ Débora Lúcia de Oliveira Oliveira e Soraya Feio Yoshioka;
orientador, Alexandre Jorge Gaia Cardoso. Belém, 2010.
Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Secretariado Executivo Trilíngüe) –
Universidade do Estado do Pará, Belém, 2010.
1. Ensino Superior 2. Assédio 3. Relações Interpessoais I. Yoshioka, Soraya Feio
II.Título.
CDD: 21 ed. 378
Débora Lúcia de Oliveira Oliveira
Soraya Feio Yoshioka
Práticas de assédio moral: um estudo em uma Instituição Pública
de Ensino Superior da região metropolitana de Belém.
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
como requisito parcial para obtenção do grau
de Bacharelado em Secretariado Executivo
Trilíngue, pela Universidade do Estado do Pará
– UEPA.
Data de aprovação: 19 / 01 / 2010
Banca Examinadora:
_________________________________________ - Orientador
Alexandre Jorge Gaia Cardoso
Mestre em Administração Pública – PUC- São Paulo
_________________________________________
Marco Antônio Silva Lima
Mestre em Planejamento e Desenvolvimento - UFPA
Aos nossos pais; aos irmãos de sangue;
e aos irmãos de coração, aos quais chamamos amigos.
AGRADECIMENTOS
“Agradeço a Deus por todas as vitórias concedidas; aos familiares pelo apoio
incondicional; aos colegas de classe que durante esses quatro anos de convivência
proporcionaram momentos alegres e inesquecíveis; ao professor e orientador
Alexandre Gaia pelo suporte, confiança e paciência; a todos os alunos que
aceitaram participar da pesquisa; a Gina por ter compartilhado conosco sua história
e seus livros; e a todos aqueles que acreditaram em mim e me motivaram a concluir
essa etapa da minha vida”
Débora Lúcia de O. Oliveira
“Agradeço a Deus que me deu sonhos e disposição para seguí-los; à minha família,
em especial à minha mãe e irmã, que me deram suporte durante esta caminhada; ao
Gaia, nosso orientador por toda a paciência; ao meu chefe que com compreensão
me liberou tantas vezes do trabalho para que eu pudesse concluir essa pesquisa; e
também a todas as pessoas especiais que iluminaram meus dias durante esses
quatro anos de Universidade e me ajudaram a superar as adversidades com um
sorriso no rosto e fé no futuro.”
Soraya Feio Yoshioka
RESUMO
OLIVEIRA, Débora. YOSHIOKA, Soraya. Práticas de Assédio Moral: um estudo
em uma Instituição Pública de Ensino Superior da região metropolitana de
Belém. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Secretariado
Executivo Trilíngue) – Universidade do Estado do Pará, Belém, 2010
O presente trabalho discute o fenômeno do Assédio Moral no ambiente acadêmico
de uma Instituição Pública de Ensino Superior da região metropolitana de Belém.
Conceitua e caracteriza o Assédio Moral visando esclarecer os aspectos principais
que compõem o tema. Verifica a existência do Assédio Moral, relatando as mais
recorrentes práticas aos quais os alunos são diariamente submetidos e analisa as
decorrentes conseqüências. Trata-se de um estudo qualiquatintativo, descritivoexploratório. Utilizaram-se questionários com perguntas fechadas em Likert aplicada
em uma amostra de 354 pessoas. Os dados foram analisados utilizando método
estatístico e os resultados apresentados em gráficos. Como resultado identificou-se
que as principais práticas de Assédio Moral foram: “Zombou de suas características
pessoais ou profissionais” e “Fez gestos de desprezo diante de você” e como
conseqüências, as mais citadas pelos alunos entrevistados foram desmotivação e
desinteresse pela disciplina/curso.
Palavras-chave: Assédio moral.
Consequências decorrentes.
Ambiente
acadêmico.
Práticas
recorrentes.
ABSTRACT
OLIVEIRA, Débora. YOSHIOKA, Soraya. Práticas de Assédio Moral: um estudo
em uma Instituição Pública de Ensino Superior da região metropolitana de
Belém. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Secretariado
Executivo Trilíngue) – Universidade do Estado do Pará, Belém, 2010
This work points out the phenomenon of Harassment in the academic environment in
a Public University in Belém metropolitan area. Appraises and characterizes the
Moral harassment aiming to clarify the key aspects that compose the issue. It verifies
the existence of Moral Harassment, reporting the most applicants practices to which
students are daily subjected and analyzes the resulting consequences. This is a
qualitative-quantitative descriptive-exploratory study which was based on open and
closed question quiz in a Likert scale applied to a sample of 354 students. The data
were analysed using statistical method and the results presented in graphs. As a
result, were identified the main Moral Harassment practices: "Mocked at personal or
professional characteristics" and "Made gestures of contempt in front of you" and the
consequences most claimed by the interviewers were discouragement and uniterest
by subject/course.
Key-Word: Harassment. Academic Environment. Applicants practices. Resulting
consequences.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
QUADROS
Quadro 1 – Lista de Atitudes Hostis .................................................................................................... 25
Quadro 2 – Lista das Conseqüências relatadas pelos entrevistados .................................................. 42
GRÁFICOS
Ilustração 1 – Gráfico Declaração geral dos alunos............................................................................. 33
Ilustração 2 – Gráfico quanto ao Gênero dos Entrevistados................................................................ 34
Ilustração 3 – Gráfico quanto a Faixa Etária ....................................................................................... 34
Ilustração 4 – Gráfico quanto ao Estado Civil....................................................................................... 35
Ilustração 5 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Zombou de sua origem ou
nacionalidade”................................................................................................................... 35
Ilustração 6 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Zombou de sua vida
privada”............................................................................................................................. 36
Ilustração 7 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Zombou de suas características pessoais ou
profissionais”..................................................................................................................... 36
Ilustração 8 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Fez gestos de desprezo diante de você” ..... 37
Ilustração 9 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Deu-lhe instruções confusas e imprecisas,
induzindo você ao erro” ................................................................................................... 37
Ilustração 10 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Ignorou sua presença, dirigindo-se apenas
aos outros colegas” .......................................................................................................... 38
Ilustração 11 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Falou com você
gritando”............................................................................................................................ 38
Ilustração 12 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Insultou-o com termos obscenos e
degradantes”..................................................................................................................... 39
Ilustração 13 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Fez brincadeiras irônicas acerca de alguma
deficiência sua”................................................................................................................. 39
Ilustração 14 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Recusou-se a qualquer pedido de
esclarecimento de dúvida”................................................................................................ 40
Ilustração 15 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Colocou você separado dos outros
colegas”............................................................................................................................ 40
Ilustração 16 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Espalhou boatos a seu respeito”
.......................................................................................................................................... 41
Ilustração 17 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Insinuou que você era inferior a ele”
.......................................................................................................................................... 41
Ilustração 18 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Criticou ou ridicularizando suas
sugestões”............................................................................................................................................ 42
Ilustração 19 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Criticou seu trabalho de forma injusta ou
exagerada”........................................................................................................................ 42
Ilustração 20 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Intimidou você expondo-o(a) em
público”.............................................................................................................................. 43
Ilustração 21 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Excluiu você de alguma atividade importante
para a sua formação” ...................................................................................................... 43
Ilustração 22 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Fez acusações sem provas” ..................... 44
Ilustração 23 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Rebaixou sua capacidade mediante
colegas”.............................................................................................................................44
Ilustração 24 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Demonstrou desinteresse por você ao
repassar informações ao ministrar conteúdos”................................................................. 45
Ilustração 25– Gráfico quanto à freqüência da variável “Aumentou o nível de dificuldade das provas
ou trabalhos de forma a intimidá-lo” ................................................................................ 45
Ilustração 26– Gráfico quanto à freqüência da variável “Comunicou-se com você somente por
escrito”............................................................................................................................... 46
Ilustração 27 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Recusou todo contato com você, mesmo
visual”................................................................................................................................ 46
Ilustração 28 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Atribuiu-lhe tarefas desprezíveis ou
humilhantes”...................................................................................................................... 47
Ilustração 29 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Atribuiu-lhe propositalmente e
sistematicamente tarefas inferiores às suas conseqüências” .......................................... 48
Ilustração 30 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Imitou sua maneira de andar ou de falar para
ridicularizar você”.............................................................................................................. 48
Ilustração 31 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Ameaçou-o(a) de reprovação como forma de
intimidação” ...................................................................................................................... 49
Ilustração 32 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Examinou seu material na frente de
colegas”............................................................................................................................. 49
Ilustração 33 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Passou informações defasadas” .............. ..50
Ilustração 34 – Gráfico quanto à freqüência da variável “Fez comentários maliciosos, preconceituosos
ou depreciativos”................................................................................................................50
Ilustração 35– Gráfico quanto à existência de conseqüências..............................................................51
SUMÁRIO
1.INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 11
1.1 PROBLEMÁTICA ............................................................................................................. 12
1.2 OBJETIVO ........................................................................................................................ 13
1.2.1 Objetivo Geral ............................................................................................................... 13
1.2.2 Objetivo Específicos ..................................................................................................... 13
1.3 JUSTIFICATIVA .............................................................................................................. 13
1.4 METODOLOGIA ............................................................................................................ 14
1.4.1 Tipo de pesquisa ........................................................................................................... 14
1.4.2 Fontes de informação ................................................................................................... 15
1.4.3 Procedimento ................................................................................................................ 16
1.4.4 Ambiente ....................................................................................................................... 16
1.4.5 Materiais e Instrumentos ............................................................................................. 17
1.4.6Análise dos Resultados .................................................................................................. 17
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ......................................................................................... 19
2.1 CONCEITO DE ASSÉDIO MORAL ............................................................................... 19
2.2 CARACTERIZAÇÃO ....................................................................................................... 21
2.1.1 Variáveis que definem o assédio moral ....................................................................... 21
2.3 DESCRIÇÃO DAS PRÁTICAS QUE CARACTERIZAM ASSÉDIO MORAL..............23
2.4 CONSEQUÊNCIAS........................................................................................................... 26
2.5 POR QUE ACONTECE? .................................................................................................. 27
2.6 A VÍTIMA.......................................................................................................................... 28
2.7 OS AGRESSORES ........................................................................................................... 29
2.8 ASSÉDIO NA UNIVERSIDADE ..................................................................................... 30
3. RESULTADOS ................................................................................................................... 33
3.1 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ........................................................................ 33
3.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS ...................................................................................... 53
4. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 59
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 61
APÊNDICE ............................................................................................................................ 64
11
CAPÍTULO I
INTRODUÇÃO
O presente trabalho científico tratará de conceituar o assédio moral
relacionando-o ao ambiente acadêmico, no intuito de revelar quais as principais
práticas de assédio existentes no local pesquisado e quais as conseqüências aos
assediados.
O Assédio Moral é um termo relativamente novo e de conhecimento ainda
vago entre a sociedade em geral. O termo faz referência à perseguição que algumas
pessoas sofrem em ambiente diverso de forma repetitiva e freqüente, com
conseqüências danosas à sua auto-estima, à sua saúde psíquica e moral, e ao
desempenho normal de suas funções.
A pesquisa foi realizada entre alunos de uma instituição Pública de Ensino
Superior da região metropolitana de Belém. O seguinte trabalho dividiu-se em quatro
partes: Introdução, Revisão Bibliográfica, Resultados e Conclusão.
A Introdução traz a apresentação do tema e a forma como se trabalhou a
pesquisa: seus objetivos, justificativa e metodologia.
O segundo capítulo dedica-se à revisão bibliográfica e conceitua o termo
assédio moral, sua caracterização, possíveis conseqüências, os perfis da vitima e do
agressor, e especificamente tratará do assédio moral no ambiente acadêmico.
O terceiro capítulo dedica-se a apresentação dos dados obtidos na pesquisa
de campo e a discussão dos resultados.
O quarto capítulo apresenta as considerações finais, a conclusão da pesquisa
e faz a correlação entre os objetivos iniciais da pesquisa e os resultados
encontrados em campo.
12
1.1.
PROBLEMÁTICA
No ambiente acadêmico é natural que relações pessoais e profissionais sejam
estabelecidas entre discentes e docentes. Participar de um grupo proporciona
satisfação e integração aos envolvidos; e tais relações são fundamentais para
manter um bom clima no ambiente.
Porém, por diferentes motivos as relações humanas podem sofrer desvios do
seu objetivo. Alguns sujeitos, aqui chamados de assediadores ou agressores,
aproveitam de seu status superior na hierarquia para intimidar, humilhar, retaliar
alguém
inferior
hierarquicamente,
ferindo-o
moral
e
psicologicamente.
Especificamente no ambiente acadêmico, será considerado o Professor como o
superior e o Aluno como o subordinado. Apesar de não ser tão comum, há casos
onde um sujeito inferior hierarquicamente age de má conduta com seu superior, ou
então, com sujeitos de mesmo nível hierárquico. Esse tipo de conduta quando
abusiva, intencional, freqüente e repetida visando humilhar, constranger, diminuir,
degradar o profissional é denominada assédio moral. (HIRIGOYEN, 2008)
As pesquisas sobre assédio moral iniciaram-se na década de 80, segundo
Barreto (2000 apud BORTOLATO, 2009). O principal autor da década foi o psicólogo
de origem alemã Heinz Leymann que utilizou o termo mobbing para relatar casos
severos de perseguições a funcionários dentro das organizações (HIRIGOYEN,
2006). Durante esse período, foram poucas as pesquisas que trataram sobre
assédio moral e suas conseqüências no ambiente acadêmico, se comparado às
pesquisas realizadas focando o assédio moral no ambiente de trabalho.
O trabalho a seguir abordará a temática do assédio moral no ambiente
acadêmico, e tem como questão norteadora: “Quais as práticas mais freqüentes de
assédio moral ocorridas em uma Instituição Pública de Ensino Superior em Belém –
PA?”
13
1.2.
OBJETIVO
Os objetivos desta pesquisa foram divididos em geral e específicos, como
explicitados a seguir.
1.2.1. Objetivo Geral
O trabalho em questão visa identificar as práticas mais freqüentes de assédio
moral ocorridas em uma Instituição Pública de Ensino Superior em Belém – PA
1.2.2. Objetivos Específicos
Dentre os objetivos específicos estão:
•
Conceituar o termo assédio moral e suas formas de ocorrências;
•
Verificar o grau de incidência das práticas de assédio moral registradas
em uma Instituição Pública de Ensino Superior na região metropolitana
de Belém;
•
Revelar as conseqüências das práticas de assédio moral entre os
entrevistados.
1.3
JUSTIFICATIVA
O assédio moral tem sido comentado cada vez mais na sociedade devido à
crescente preocupação com a qualidade de vida das pessoas. O assédio moral
mostra que tem efeitos perigosos não só na atuação profissional da vítima, mas
também em sua auto-estima e vida pessoal.
O ambiente escolar, ao lado da administração pública e do comércio é um
dos setores mais afetados pelo assédio moral segundo Hirigoyen (2002 apud
KEMMELMEIER, 2008). Estudo realizado no Rio de Janeiro com alunos da 5ª a 8ª
série mostrou que 16,9% dos alunos foram vítimas de assédio moral. No meio
acadêmico, pesquisas feitas por Caran (2008) revelaram que 40,7% dos
entrevistados se declararam vitimas de assédio moral e 18,5% afirmaram que talvez
tenham sofrido tais práticas.
14
O estudo sobre o tema assédio moral tem se mostrado importante, pois além
de trazer à tona dados estatísticos sobre a realidade das relações morais da
sociedade brasileira, permite que surjam discussões sobre o assunto na comunidade
e que se busque por políticas de combate a essa prática.
É relevante que se faça este estudo, pois as denúncias por parte das vítimas
são em geral raras, por diversos motivos que serão explicitados no desenvolvimento
deste trabalho. E ademais, tal pesquisa servirá de fonte para que os gestores da
instituição pesquisada - e outras que porventura se interessarem nos resultados –
possam definir estratégias para coibir tais práticas e quiçá punir os agressores.
1.4.
METODOLOGIA
Esta pesquisa tem como foco um estudo qualiquantitativo sobre as práticas
de assédio moral cometidas em uma instituição pública de ensino superior. Este tipo
de abordagem traduz os dados coletados em opiniões e informações.
Castro (1977, p. 66) já dizia que a mera pesquisa descritiva como
“levantamento” apenas descreve as variáveis isoladamente em contraponto com a
pesquisa explicativa que “buscaria estudar o nexo, a associação entre duas ou mais
variáveis.para tentar entender, por exemplo o que ocorre com X quando y ocorre ou
como x explica y”.
Neste trabalho foi realizada a medição das freqüências, porcentagens,
médias aritméticas das práticas de Assédio Moral – dados estes obtidos a partir de
um trabalho de coleta de dados, por meio da aplicação de questionários com
perguntas objetivas e subjetivas aos alunos participantes, além de pesquisas
bibliográficas em livros e artigos científicos. Os resultados brutos dessa pesquisa
passaram então pela análise das autoras e foram revertidos em novas informações
sobre o assunto.
1.4.1. Tipo de pesquisa
A pesquisa aplicada neste trabalho é considerada do tipo descritvaexploratória, pois conceitua e caracteriza o Assédio Moral, além de fazer um
15
levantamento e análise das práticas e consequências mais decorrentes deste
fenômeno em uma instituição pública de ensino superior.
Segundo Marion, Dias e Traldi (2002), a pesquisa descritiva implica
primordialmente em observar, registrar e analisar o objeto em estudo, neste caso o
Assédio Moral e as práticas e consequências mais recorrentes em uma uma
instituição pública de ensino superior.
Porém, este trabalho não se resume ao levantamento dos dados, podendo
também ser considerado uma pesquisa exploratória. De acordo com Selltiz et al
(1967 apud GIL, 2008, p. 41): “ Na maioria dos casos, esssas pesquisas
(exploratórias) envolvem: (a) levantamento bibliográfico; (b) entrevistas com pessoas
que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado, e (c) análise de
exemplos que “estimulem a compreensão””
1.4.2. Fontes de Informações:
De acordo com informações obtidas na secretaria do referido centro, há um
total de 2.678 alunos devidamente matriculados em cursos de graduação e pósgraduação da área de tecnologia. O cálculo para obtenção da amostra resultou em
348 sujeitos a serem entrevistados. A demonstração do cálculo encontra-se abaixo.
Os parâmetros estatísticos utilizados para definir a amostra são:
EN = Tamanho da amostra
EN = 400
N = População
N = 2.678
E = Margem de erro
E = 5%
16
Aplicando a fórmula chega-se a seguinte amostra:
E = N X EM
N + EM
EN = 400 X 2678
400 + 2678
EN = 348 pessoas a serem
entrevistadas
.
1.4.3. Procedimento:
Para a aplicação do questionário, foi escolhida uma Universidade pública e
para reduzir o universo de alunos, foi escolhido apenas um centro da instituição. Em
sala de aula, nos horários de intervalos, era solicitada a participação dos alunos
presentes, pedindo que os mesmos respondessem ao questionário.
1.4.4. Ambiente:
O ambiente da aplicação do questionário foi a sala de aula. O ambiente
estava equipado com carteiras e material escolar. O ambiente era em geral
silencioso, bem iluminado e ventilado.
17
1.4.5. Materiais e Instrumentos:
Participaram da pesquisa uma amostra de 354 alunos de um universo de
2.678, de ambos os sexos e faixa etária diversa, que cursavam um dos cursos da
Instituição Pública de Ensino Superior pesquisada no período compreendido entre
os meses de outubro e dezembro de 2009.
Para obtenção dos resultados, foi aplicado um questionário (apêndice)
composto de trinta e cinco questões objetivas e três questões subjetivas. As
questões
objetivas
que
compuseram
o
questionário
foram
baseadas
no
levantamento bibliográfico do tema.
O questionário utilizado foi composto por perguntas abertas e fechadas em
escala Likert. O escalamento tipo Likert consiste em um conjunto de itens
apresentados em forma de afirmações, ou juízos, ante os quais se pede aos sujeitos
que externem suas reações escolhendo um dos cinco ou sete pontos de uma
escala, a cada ponto é associado um valor numérico. (MARTINS E LINTZ, 2009).
O questionário foi elaborado em três seções. A primeira seção é composta
por perguntas de múltipla escolha e visava identificar o perfil do entrevistado. A
segunda seção visava identificar a freqüência em que as práticas de Assédio Moral
ocorriam através de perguntas em escala Likert. A terceira seção composta por duas
questões abertas totalmente desestruturadas e por uma questão fechada dicotômica
visava identificar as conseqüências do Assédio Moral.
1.4.6. A Análise dos Resultados
Depois de feita a tabulação dos dados em planilha eletrônica – Software
Excel - partiu-se para a análise univariada das frequências das práticas de Assédio
Moral vivenciadas pelos alunos.
A fim de analisar as práticas mais recorrentes foram selecionadas as com
freqüência acima da média, utilizando-se da análise quantitativa. De posse desses
números, foi feita a correlação entre eles e os estudos realizadas anteriormente, os
quais são citados na Revisão Bibliográfica.
A análise das conseqüências do Assédio Moral considera sempre o universo
18
do total de entrevistados que relataram conseqüências. Portanto, 100% das
conseqüências comentadas na análise fazem referência a apenas certa parcela do
total de alunos entrevistados. E considerando que os alunos puderam apontar várias
conseqüências o total ultrapassa os 100%.
19
CAPÍTULO II
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Este segundo capítulo apresenta um breve histórico sobre os estudos
anteriores do Assédio Moral; cita os autores que serviram de base para a pesquisa
realizada; além de conceituar os principais termos acerca do tema no intuito de
promover a compreensão acerca do contexto em que o assédio ocorre e as
conseqüências deste fenômeno para aqueles que sofrem com ele.
2.1.
CONCEITO DE ASSÉDIO MORAL
Mesmo com todo o discurso de valorização das pessoas dentro das
organizações e frases de efeito que as chamam banco de talentos, matéria-prima da
produtividade, valiosos recursos, é muito comum vermos em todos os tipos de
organização o relacionamento indiferente entre os colaboradores, a pressão
excessiva em cima de metas, o acesso privilegiado a informações, o abuso do poder
hierárquico e o assédio moral. (FRANÇA e RODRIGUES, 2002).
França e Rodrigues (2002) continuam dizendo que as situações acima
citadas resultam em impactos de perdas e danos morais que trazem conseqüências
negativas às condições saudáveis de vida no trabalho, e podem afetar a auto-estima
e autonomia do funcionário. Entre os “delitos de relacionamento” citados pelos
autores estão: ameaçar demissão, solicitar algo aos gritos ou tornar deste hábito
habitual, xingar com expressões grosseiras, desqualificar de forma preconceituosa
por racismo, rejeição à formação profissional ou por mera antipatia.
O assédio moral recebe diferentes denominações dependendo do país onde
é estudado, na Itália, Alemanha e países escandinavos usa-se o termo Mobbing, na
França é chamado Harcèlement moral e na Inglaterra denominado Bullying. De
acordo com o dicionário de língua portuguesa, assediar significa fazer cerco a
alguém, perseguir e importunar com insistência. Este verbo define muito bem o
processo destrutivo a que diz respeito o ataque à dignidade humana a que o termo
20
“assédio moral” faz referência.
Segundo Hirigoyen (2006) assédio moral no trabalho é definido como
qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude etc.) que atente,
por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou integridade psíquica ou
física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho.
A pesquisadora é considerada percussora no estudo do assédio moral na França em
1998, quando do lançamento de seu livro Assédio Moral: a violência perversa no
cotidiano, que trouxe grande visibilidade para o tema e culminou em diversos relatos
pelo mundo.
O assédio moral não se limita ao ambiente de trabalho, e está presente nas
mais diversas relações pessoais. Há casos de assédio moral nas relações familiares
entre pais e filhos, marido e mulher etc. Segundo Hirigoyen (2008), no mundo do
trabalho, universidades e nas instituições, as formas de assédio são muito mais
estereotipadas que na esfera privada, mas nem por isso menos destrutivas.
Segundo Barreto (2000), médica do trabalho brasileira, responsável por uma
pesquisa com 2.072 pessoas sobre o tema, a violência moral ou assédio moral se
determina pela exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações
humilhantes e constrangedoras, de modo repetitivo e prolongado durante a jornada
de trabalho e ainda no exercício de suas funções. Mais comumente encontrada em
relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que condutas negativas,
relações desumanas e antiéticas de longa duração são predominantes, oriundas de
um ou mais chefes e dirigidas a um ou mais subordinado(s). Como conseqüência,
ocorre a desestabilização emocional e profissional da vítima com o ambiente de
trabalho e a organização, e por fim a desistência de seu emprego.
O assédio é caracterizado pela má intenção por parte do assediador, não
podendo ser confundido por um ato isolado motivado por um pico de irritação do
mesmo. Para conseguir desestabilizar a vítima, o agressor a trata de forma
desrespeitosa e por vezes bruta (SCANFONE e TEODOSIO 2009). Assim como
Scanfone e Teodósio, Trombetta (2005, p. 10) corrobora dizendo que “humilhações
eventuais, seguidas de desculpas, não caracterizam o fenômeno (de assédio moral),
mas sim a seqüência acumulativa e repetida de forma isolada é que constitui
21
assédio moral”.
No Brasil, ainda não existe tipificação específica para este tipo de conduta a
nível federal, apenas projetos de lei; porém, os estados de Mato Grosso, Rio de
Janeiro e São Paulo já aprovaram leis estaduais que definem o assédio moral e
visam coibir tais práticas e punir os assediadores. Paralelamente, há pelo menos
cinqüenta leis municipais que proíbem a prática de assédio moral, de acordo com
pesquisas em sites especializados sobre o assunto. Para o direito, o assédio moral
também é denominado manipulação perversa ou terrorismo psicológico.
2.2.
CARACTERIZAÇÃO
Mais importante que conhecer a existência do Assédio Moral é poder
identificá-lo nas ações do dia-a-dia. Para isso, é necessário verificar a existência de
algumas variáveis que em maior ou menor grau podem levar à caracterização desta
conduta.
2.2.1. Variáveis que definem o Assédio Moral
Neste tópico, far-se-á a descrição das variáveis e das práticas que
caracterizam atitudes e ações como atos de assédio moral para que se possa fazer
uma correta identificação de um caso de Assédio Moral.
a)
A Intencionalidade:
De acordo com Martiningo Filho (2007), para que seja configurado o assédio
moral, deve estar presente a humilhação e a falta de respeito para com a pessoa,
além de um interesse mais ou menos consciente por parte do assediador de
prejudicar a vítima. Pode-se dizer então que para que exista o assédio moral deve
haver intencionalidade por parte do agressor em causar dano à vítima.
O assediador tem a intenção de degradar e desqualificar a vítima, afim de
fragilizá-la e neutralizá-la em termos de poder. Trata-se de um processo
disciplinador em que se procura anular a vontade daquele que, para o agressor, se
apresenta como ameaça. (HELOANI, 2004).
22
Segundo Hirigoyen (2008) é a intencionalidade que torna o ato perverso. Para
ela, o perverso tem prazer em causar sofrimento a vitima; ver a fraqueza do outro e
desencadear na vítima a violência contra o próprio agressor ou contra outrem. O
agressor procura introjetar no outro o que há de mau nele com o objetivo corromper
a vítima; vê-la tornar-se um agressor.
b)
A Freqüência e a Repetição:
Segundo Hirigoyen (2002 apud TROMBETTA, 2005), o assédio moral é a
submissão da pessoa a pequenos ataques repetidos e que só adquire significado
pela insistência desses atos. Nesse ponto, toca-se num segundo comportamento
que caracteriza o assédio moral: a freqüência e repetição dos atentados à saúde
psicológica do assediado.
De acordo com Guedes (2003), o assédio moral só pode ser um processo e
não provém de um ato isolado. O objetivo dessa conduta por parte do agressor é
desestabilizar emocionalmente a pessoa, causando-lhe humilhação e expondo-a a
situações vexatórias perante os colegas de trabalho, fornecedores, clientes e,
perante a si mesma.
Freitas (2001) chega a afirmar que a perversão pontual integra a natureza de
todos os indivíduos, porém através da repetição contínua, esta perversão se torna
efetivamente destrutiva para a vítima. Hirigoyen (2008) afirma que o agressor
geralmente não destrói a vítima de imediato, apenas o submete pouco a pouco e o
mantém a sua disposição.
A maioria dos estudiosos do assunto não chega a um consenso sobre a partir
de quanto tempo a agressão já pode ser considerada assédio moral. Um dos poucos
estudiosos que delimita um tempo para isso é Leymann (2004 apud SOUZA
JUNIOR, 2004), para ele, para se configurar assédio, a conduta deve ser praticada
com uma freqüência mínima de uma vez por semana, em um período superior a seis
meses.
A
longa
e
média
exposição
da
vítima
a
humilhações,
situações
constrangedoras, repetidamente e por um longo período caracterizará o assédio
moral. Essa exposição freqüente pode resultar à vítima dano psíquico-emocional.
23
c)
O Dano Psíquico-Emocional
Para que seja considerado assédio moral, em organizações, é necessário o
reconhecimento de dano psíquico-emocional causado à vitima através de laudo
médico que corrobore danos advindos de situações do trabalho (SOUZA JUNIOR,
2004).
Segundo Guedes (2003), todo ato ou comportamento que traduzem uma
atitude de contínua e ostensiva perseguição que possa acarretar danos relevantes
às condições físicas, psíquicas e morais da vítima caracteriza assédio moral.
2.3.
DESCRIÇÃO DAS PRÁTICAS QUE CARACTERIZAM ASSÉDIO MORAL
Os exemplos abaixo foram adaptados do texto de Lei Municipal nº 3.671, da
cidade de Americana - SP - e vale para servidores públicos municipais da
Administração Pública Municipal Direta e Indireta, mas é possível visualizar tais
situações nas mais diversas organizações, inclusive faculdades e universidades.
Elas podem vir a caracterizar, em conjunto com as variáveis supracitadas, casos de
assédio moral.
Marcar tarefas com prazos impossíveis de serem cumpridos;
Passar alguém de uma área de responsabilidade para funções triviais;
Tomar crédito da idéia do outro;
Ignorar ou excluir a pessoa só se dirigindo a ela através de terceiros;
Sonegar informações de forma insistente;
Espalhar rumores maliciosos;
Criticar com persistência;
Subestimar esforços etc.
Para explicar estas e outras práticas, serão utilizados os livros Assédio Moral:
A violência perversa no cotidiano (2008) e Mal-estar no trabalho: redefinindo o
Assédio Moral (2006), nos quais a autora Marie-France Hirigoyen relaciona vários
relatos de assédio moral e faz a discussão sobre a caracterização desse fenômeno.
24
Com base nas pesquisas de Marie-France Hirigoyen em seu livro Assédio
Moral: A Violência Perversa no Cotidiano (2008), serão listadas abaixo os métodos
mais comuns de ataque à integridade psicológica da vítima:
Desqualificar o sujeito, desprezando-o através de suspiros seguidos,
críticas excessivas, olhares de desprezo, brincadeiras irônicas; etc.
Desacreditar o sujeito, humilhando-o, suscitando dúvidas sobre sua
capacidade de exercer alguma atividade, ridicularizando-o, fazendo
assim com que a vítima perca a confiança em si mesma.
Isolar o sujeito, o agressor faz isso com o objetivo de deixar a vítima
sem ter a quem recorrer e para frustrá-lo. Isolado, sem ajuda, sem
amigos, sem função definida, a vítima se sente inútil e perde a noção
do que pode fazer para proteger-se das agressões que sofre.
Vexar o sujeito, o agressor confia a vitima tarefas degradantes ou
inúteis, ou fixa objetos impossíveis de serem atingidos.
Induzir o sujeito ao erro, o agressor induz a vítima ao erro para criticála ou rebaixá-la, ou para que a vítima tenha uma má imagem de si
mesma.
O Quadro 1 - Métodos de Assédio Moral apresenta uma lista de atitudes
hostis adaptada do livro Mal-estar no trabalho: redefinindo o assédio moral de MarieFrance Hirigoyen, e serviu de apoio para a construção da pesquisa deste trabalho.
25
1.
•
•
•
•
•
•
Deterioração proposital das condições de trabalho
Deu-lhe instrução confusa e imprecisa, induzindo você ao erro.
Criticou desprezando ou ridicularizando suas sugestões.
Criticou seu trabalho de forma injusta ou exagerada.
Excluiu você de alguma atividade importante para sua formação.
Demonstrou desinteresse por você ao repassar informações ao ministrar o
conteúdo.
Atribui-lhe tarefas desprezíveis ou humilhantes.
Atribuiu-lhe propositalmente e sistematicamente tarefas inferiores as suas
competências
Passou informações defasadas.
Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos de forma a
intimidá-lo (a).
Ameaçou reprovação como forma de intimidação.
2.
•
•
•
•
•
Isolamento e recusa de comunicação
Recusou todo contato com você, até mesmo visual.
Comunicou-se com você só por escrito.
Colocou você separado dos outros colegas.
Recusou-se de qualquer pedido de esclarecimento de dúvida.
Ignorou a sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas.
3.
•
•
•
•
•
Atentado contra a dignidade
Zombou de sua origem ou de sua nacionalidade.
Zombou de sua vida privada.
Examinou seu material na frente de colegas.
Zombou de suas características pessoais ou profissionais.
Fez gestos de desprezo diante de você (suspiros, olhares desdenhosos, rir,
levantar ombros etc.).
Fez brincadeiras irônicas à cerca de alguma dificuldade ou deficiência sua.
Espalhou boatos a seu respeito.
Insultou-o com termos obscenos e degradantes.
Insinuou que você era inferior e ele.
Rebaixou sua capacidade mediante colegas.
Fez acusações sem provas.
Intimidou você expondo-o (a) em público.
Fez comentários maliciosos, preconceituosos ou depreciativos.
Imitou sua maneira de andar ou falar para ridicularizar você.
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
4.
•
Violência verbal, física ou sexual
Falou com você gritando.
Quadro 1 – Lista de Atitudes Hostis
Fonte: HIRIGOYEN (2006, p.108 e 109)
26
2.4.
CONSEQUÊNCIAS
Para Freitas (2007), a vítima do assédio moral tem seu rendimento diminuído
devido a desordens na vida psíquica, social, profissional, familiar e afetiva causados
pelo assédio, podendo levar o individuo a depressão e até tentativas de suicídio.
O assédio moral “é algo que chega às raias da sordidez, do ponto de vista
psicológico, podendo provocar gravíssimas consequências. Para aqueles que vivem
momentos especialmente difíceis, diante de inúmeras outras pressões, é capaz até
de causar quadros clínicos de depressão extrema.” (SINA, 2007, p. 106).
Mas não são apenas os empregados vítimas do assédio que sofrem as
conseqüências. O assédio traz conseqüências negativas também para a
organização em que ocorrem. Os profissionais que são vítimas do assédio estão
mais propensos a faltar o trabalho e a sofrer acidentes devido à falta de
concentração, causada pelo medo e estresse decorrente do assédio. Os
profissionais sentem-se desmotivados para trabalhar e o rendimento da empresa
cai. Além de trazer à empresa uma imagem negativa perante a sociedade.
Para Sina (2007), até mesmo os funcionários que não são vítimas do assédio
- mas que presenciam tal prática - são afetados negativamente por tentarem se
prevenir e não serem os próximos alvos. A autora considera que este tipo de
comportamento defensivo prejudica o resultado positivo do trabalho dessas pessoas.
Hirigoyen (2008) em seu livro Assédio Moral: A violência perversa no
cotidiano, dedica um capítulo as conseqüências a longo prazo. Como conseqüência,
ela cita o choque que a vitima recebe ao tomar consciência da agressão pela qual
está passando. A vítima se sente lesada, enganada, explorada, perde sua autoestima, sente vergonha por ter sido tão maleável, algumas vezes também deseja
vingar-se. Outra conseqüência em longo prazo é a descompensação; neste estágio
as vitimas se apresentam em estado ansioso generalizado; estado depressivo; ou
perturbações psicossomáticas. Além disso, pode surgir fadiga crônica, insônia, dores
múltiplas, condutas de dependência e até idéia de suicídio.
Hirigoyen (2006) também diz que, entre as modificações psíquicas que
decorrem do Assédio Moral - como a renúncia da própria identidade ou distúrbios
27
psiquiátricos – pode acontecer de que algumas vezes elas ocorram em um sentido
positivo, como um aprendizado, onde esta pessoa passa a desconfiar da intenção
da outra em uma situação parecida, e já saiba como agir.
Ao agressor, as conseqüências - caso a vítima dê queixa do assédio e o
mesmo seja provado – encontram-se no meio jurídico. Segundo a Constituição,
artigo 482, alínea j, o agressor poderá ser demitido por justa causa da organização
em que cometeu o assédio. E caso a agressão tenha pena prevista no código Penal,
o agressor poderá responder criminalmente.
2.5.
POR QUE ACONTECE?
O assédio moral acontece porque há nas organizações brechas para que
atitudes como as que caracterizam o assédio moral aconteçam. Os assediadores
não encontram resistências organizacionais nem nas regras, nem nas autoridades
ou na filosofia da organização. “Ambientes que possuem uma cultura e clima
organizacionais
permissivos
tornam
o
relacionamento
entre
os
indivíduos
desrespeitoso e estimulam a complacência e a conivência com o erro, insulto e
abuso”. (FREITAS, 2007 p. 2).
Além disso, por muito tempo as organizações acreditavam que manter os
funcionários em clima de pressão os obrigava a trabalharem mais. Sina (2007) diz
que ainda hoje a agressividade dentro das empresas é considerada um trunfo, e
muitos profissionais tem orgulho de seu comportamento agressivo, pois ainda
gostam de encaranar o estilo “durão” e eficaz.
Quando praticado pelo superior hierárquico, o assédio claramente tem o
objetivo de forçar um pedido de demissão, ou incitar o acontecimento de fatos que
possam levar a uma demissão por justa causa (GUEDES, 2003).
Em relação aos colegas de trabalho, um colega pode vir a assediar outro
quando esse outro apresenta alguma diferença em relação aos demais. Segundo
Hirigoyen (2008), os grupos tendem a nivelar os indivíduos e tem dificuldades em
conviver com a diferença. Começam então a surgir brincadeiras pejorativas focando
a diferença do colega (que pode ser diferença racial sexual, religiosa, social, etc.). O
28
assédio também pode surgir derivado de inimizades pessoais ou por sentimento de
inveja, quando um colega apresenta atributos que os outros não possuem, como
beleza, riqueza, diplomas, etc. (HIRIGOYEN, 2008).
Os conflitos entre colegas de trabalho são difíceis de serem resolvidos pelas
empresas. Sina (2007) diz que por vezes a intervenção da chefia só chega a ocorrer
quando há alguma interferência na cadeia produtivo da organização, quando um
empregado passa a faltar seguidamente, por exemplo. Porém, algumas empresas
revelam-se incapazes de fazer respeitar os direitos dos indivíduos e muitas vezes o
superior acaba apoiando um dos lados, reforçando o assédio (HIRIGOYEN, 2008).
2.6.
A VÍTIMA
A escolha do alvo o assédio moral não é feita de forma aleatória. A vítima é
geralmente escolhida por alguma particularidade. Em todo assédio há um problema
com relação à diferença que pode ser tanto de gênero, idade, raça, religião, estética,
ou como de competência profissional.
Segundo estudos e pesquisas realizadas, as mulheres são as maiores vítimas
de assédio. Hirigoyen (2008) afirma que o assédio moral está relacionado com o
gênero, em pesquisa comprovou que 70% das mulheres que participaram da
pesquisa foram assediadas, contra 30% dos homens. Além disso, outras pesquisas
corroboram o resultado da pesquisa de Hirigoyen. Pesquisa feita por Chiaroni
revelou que 73% das mulheres são assediadas moralmente. Einarsen e Skogstad
registraram assédio moral a 55,6% das mulheres. Leymann registou em suas
pesquisas o índice de 55% de mulheres que disseram ter sofrido assédio moral.
(TROMBETTA, 2005)
Ainda acerca da diferença de ocorrência de assédio moral entre os gêneros,
Guedes (2003) explica que tal fato decorre de componentes culturais de ordem
sociológicas. Em relação às mulheres o assédio pode ocorrer como forma de
intimidação, submissão, piadas de mau-gosto e comentários injustos acerca de sua
aparência física ou de seu vestuário. Quanto aos homens, o mais comum é que os
métodos de assédio caminhem para o isolamento do indivíduo e que os comentários
29
vexatórios conotem dúvidas sobre sua virilidade, capacidade de trabalho e de
manutenção de sua família.
As pessoas com nível de escolaridade mais baixo também são alvos de
assédio moral no ambiente de trabalho (BARRETO, 2000). O setor terciário,
medicina social e ensino também são os setores mais atingidos pelo assédio moral
segundo Hirigoyen (2006)
É comum também que haja vergonha por parte dos assediados em denunciar
a agressão sofrida. Como em geral acontece com as vítimas de certas violências, a
pessoa acaba por acreditar que ela é responsável e culpada pelo seu sofrimento. No
caso deste tipo de sofrimento psicológico, a vítima não tem a noção exata do porquê
é alvo de tantos ataques e perseguição e acaba por se perguntar se não é ela a
causadora do conflito. Em estágios mais avançados do processo da manipulação
perversa, o assediado chega a duvidar de sua sanidade mental, o que pode agravar
em muito os casos de depressão.(HIRIGOYEN, 2008)
2.7.
OS AGRESSORES
Hirigoyen (2008) define o termo perversão para conceituar os atos relativos
ao assédio moral cometido pelos agressores, aos quais, denomina perversos. Esses
individuos,
não apresentam compaixão ou respeito pelos outros; rebaixando-os,
buscando, assim, elevar sua estima. Souza Junior (2004) afirma que o agressor age
com o propósito de encobrir sua própria deficiência, sendo assim impelido a denegrir
outras pessoas por medo e insegurança.
O agressor usa dos pontos fracos da vítima para expô-la e intimidá-la,
levando-a a desacreditar em si mesma. Segundo Hirigoyen (2008), o prazer do
perverso é confundir e humilhar a vítima e evocar diante dela sua humilhação.
Rebaixando a vítima e tornando-a responsável pelos erros, o agressor livra-se de
qualquer conflito interior. A vítima, então, passa a sentir-se culpada pelos erros que
comete e submete-se a forma em que está sendo tratada pelo agressor. Quando a
vítima resolve reagir, o agressor age de forma a tranformar a vítima aos olhos do
espectador como louca, através do seu comportamento frio – a vítima geralmente
30
revida impulsivamente aos gritos, choros etc. Hirigoyen (2008) , em seu livro Assédio
moral: a violência perversa no cotidiano traça um perfil sobre como o agressor age e
como manipula a vítima.
Um perverso sabe até onde poder ir, sabe medir sua violência.
Se ele sente que se reage em sua presença, ele habilmente dá
marcha ré. A agressão é destilada e pequenas doses quando há
testemunhas. Se a vítima reage e cai na armadilha da
provocação, elevando o tom, é ela que parece agressiva e o
agressor posa de vítima. (HIRIGOYEN, 2008, p. 134).
No ambiente de trabalho, o objetivo do agressor é transformar a vítima em um
inútil, dispensando-a tarefas insignificantes, retirando-lhe responsabilidades etc, com
o objetivo de minar sua auto-confiança, e fragilizá-la, segundo Navarro (apud
VIEIRA, 2007).
Hirigoyen (2008) classifica os perversos como perversos narcisistas, que são
aqueles que lançam seus ataques à integridade narcísica do outro, atacando seu
amor próprio, sua confiança, sua auto-estima. O perverso narcisista possui senso
grandioso da sua própria importância, é absorvido por fantasias de suceso ilimitado
de poder, tem excessiva necessidade de ser admirado, pensa que tudo lhe é devido,
explora os outros nas relações interpessoais, tem comportamento arrogante, etc. Na
verdade, o perverso narcisita sente inveja da vítima; inveja seus bens materiais,
morais, a felicidade, o sucesso alheio.
2.8.
ASSÉDIO NAS UNIVERSIDADES
O assédio nas empresas geralmente ocorre entre pessoas de níveis
hierárquicos diferentes e é geralmente o mais comentado. Mas o assédio moral
também pode ocorrer nas universidades. Nestas também existem relações de poder
entre sujeitos. São comuns comentários de casos de assédio moral entre professor
e aluno, onde o aluno em geral é a vítima, mas nada indica que o inverso também
não possa ocorrer. Além disso, professores também podem ser vítimas de outros
professores e de funcionários da instituição em que atuam.
A Educação é um direito garantido pela legislação Art. 205 da Constituição
31
Federal de 1988, p. 83: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família,
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.”
Como se pode observar na constituição, a educação é fundamental para o
pleno desenvolvimento do indivíduo, não apenas no aspecto profissional, mas
também no aspecto psicológico. Assim, o indivíduo poderá exercer plenamente a
sua cidadania.
Para garantir que esse direito chegue ao indivíduo, é necessário que os
responsáveis pela transmissão dos conteúdos de cada disciplina, os chamados
educadores, encontrem-se aptos para desenvolver tal função e estejam alicerçados
em princípios éticos e morais.
Há alguns anos, os professores assumiam uma postura rígida em sala de
aula. Os alunos eram obrigados a obedecê-los, manter-se calados, não discutir com
os mestres. Esse tipo de abordagem educacional é conhecida como pedagogia
negra (MILLER apud HIRIGOYEN, 2008) e tem por objetivo quebrar a vontade da
criança para fazer dela um ser dócil e obediente. Muitos alunos são submetidos
ainda a educadores com essa postura e passam por assédio moral.
Segundo Hirigoyen (2008), as práticas de assédio moral encontram-se em
todos os grupos em que indivíduos podem entrar em rivalidade, particularmente nas
escolas e universidades. Nem o ambiente educacional está imune ao assédio, seja o
assediador tanto o docente quanto o discente. Heinemann utilizou o termo mobbing
para descrever comportamentos cruéis em sala de aula de um grupo de crianças
contra outros colegas de classe, sendo muito comum ocorrer entre os colegas de
classe brincadeiras envolvendo agressões físicas e verbais, GUEDES (2003 apud
SOUZA JUNIOR, 2004).
Segundo Souza Junior (2004), as conseqüências do assédio moral em sala
de aula são as mais diversas. O aluno pode ser levado a abandonar o curso, deixar
de assistir as aulas do professor, solicitar substituição do professor etc. Se o
agressor for um colega de turma, a vítima pode vir a revidar a agressão contra o
colega de turma ou direcionar sua raiva em colegas menores. Muitas vezes o
32
professor se omite e permite que as agressões entre os alunos ocorram, e assim
favorece a formação de indivíduos injustos e cruéis, o contrário da proposta da
educação.
33
CAPÍTULO III
RESULTADOS
Este último capítulo dedica-se a apresentação e análise dos resultados
obtidos através da pesquisa de campo realizada pelas autoras. Este é o resultado
entre a relação entre as respostas dos entrevistados e a revisão bibilográfica aferida
sobre o tema.
3.1.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Nesta seção, serão apresentados os gráficos obtidos por meio das respostas
dos 354 alunos entrevistados. Os gráficos B, C e D corespondem à primeira seção
do questinário e revelam o perfil dos entrevistados. Os gráficos E a HH revelam as
as práticas e frequências do Assédio Moral. Já os gráficos II e JJ fazem referência
às questões abertas, onde os entrevistados puderam responder subjetivamente.
A)
Gráfico sobre a declaração geral dos alunos
Do total de alunos entrevistados, 2% afirmaram ter sofrido frequentemente por
situações caracteristica de assédio moral em sala de aula. 11% afirmaram sofrer
com as práticas citadas algumas vezes; 19% relataram que sofreram raras vezes e
68% declararam nunca passaram por cada tipo de situação.
Ilustração 1 – Declaração geral dos alunos
34
B)
Quanto ao gênero dos entrevistados:
Feminino
29
Masculino
71
0
10
20
30
40
50
60
70
80
Em percentuais
Ilustração 2 – Gênero dos entrevistados
C)
Quanto à faixa etária dos entrevistados:
Mais de 45 anos 0
De 36 à 45 anos
1
De 26 à 35 anos
10
De 15 à 25 anos
89
0
20
40
60
Em percentuais
Ilustração 3 – Faixa etária dos entrevistados
80
100
35
D)
Quanto ao estado civil
Ilustração 4 – Estado civil dos entrevistados
E)
Zombou de sua origem ou nacionalidade
Zombou de sua origem ou nacionalidade
3
Frequentemente
8
Algumas Vezes
Raramente
13
75
Nunca
0
10
20
30
40
50
60
70
80
Em percentuais
Ilustração 5 – “Zombou de sua origem ou nacionalidade”
Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente; 75% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita; 13%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 45% algumas vezes.
36
F)
Zombou de sua vida privada
Zombou de sua vida privada
Frequentemente
2
13
Algumas Vezes
Raramente
19
Nunca
67
0
10
20
30
40
50
60
70
80
Em percentuais
Ilustração 6 – “Zombou de sua vida privada”
Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma freqüente; 67% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita; 66%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 45% algumas vezes.
G)
Zombou de suas características pessoais ou profissionais
profissionais
Frequentemente
5
Algumas Vezes
20
24
Raramente
51
Nunca
0
10
20
30
40
50
Em percentuais
Ilustração 7 – “Zombou de suas características pessoais ou profissionais”
60
37
Na variável acima, 5% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 51% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 24%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 20% algumas vezes.
H)
Fez gestos de desprezo diante de você
5
Algumas Vezes
29
Raramente
27
Nunca
39
0
10
5
15
20
25
30
35
40
45
Em percentuais
Ilustração 8 – “Fez gestos de desprezo diante de você”
Na variável acima, 5% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 39% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 27%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 29% algumas vezes.
I)
Deu-lhe instruções confusas e imprecisas, induzindo você ao erro.
Frequentemente
3
Algumas Vezes
22
25
Raramente
50
Nunca
0
10
20
30
40
50
60
Em percentuais
Ilustração 9 – “Deu-lhe instruções confusas e imprecisas, induzindo você ao erro”
38
Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 50% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 25%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 22% algumas vezes.
J)
Ignorou sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas
colegas
Frequentemente
3
Algumas Vezes
18
25
Raramente
Nunca
54
0
10
20
30
40
50
60
Em percentuais
Ilustração 10 – “Ignorou sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas”
Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 54% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 25%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 18% algumas vezes.
K)
Falou com você gritando
Falou com você gritando
Frequentemente
3
Algumas Vezes
13
Raramente
25
Nunca
59
0
10
20
30
40
Em percentuais
Ilustração 11 – “Falou com você gritando”
50
60
70
39
Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 59% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 25%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 13% algumas vezes.
L)
Insultou-o com termos obscenos e degradantes
Insultou-o (a) com termos obscenos e degradantes
Frequentemente
1
Algumas Vezes
6
Raramente
18
Nunca
76
0
10
20
30
40
50
60
70
80
Em percentuais
Ilustração 12 – “Insultou-o (a) com termos obscenos ou degradantes”
Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 76% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 18%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 6% algumas vezes.
M)
Fez brincadeiras irônicas acerca de alguma deficiência sua
Fez brincadeiras irônicas a cerca de alguma
Frequentemente
2
Algumas Vezes
15
25
Raramente
58
Nunca
0
10
20
30
40
50
60
70
Em percentuais
Ilustração 13 – “Fez brincadeiras irônicas acerca de alguma dificuldade ou
deficiência sua”
40
Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 58% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 25%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 15% algumas vezes.
N)
Recusou-se a qualquer pedido de esclarecimento de dúvida
esclarecimento de
dúvida
Frequentemente
2
Algumas Vezes
14
Raramente
31
Nunca
53
10
0
20
30
40
50
60
Em percentuais
Ilustração 14 – “Recusou-se a qualquer pedido de esclarecimento de dúvida”
Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 53% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 31%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 14% algumas vezes.
O)
Colocou você separado dos outros colegas
Colocou você separado dos outros colegas
Frequentemente
1
Algumas Vezes
5
Raramente
11
Nunca
83
0
10
20
30
40
50
60
Em percentuais
Ilustração 15 – “Colocou você separado dos outros colegas”
70
80
90
41
Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 83% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 11%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 5% algumas vezes.
P)
Espalhou boatos a seu respeito
Espalhou boatos a seu respeito
Frequentemente
3
Algumas Vezes
14
Raramente
12
Nunca
71
10
0
20
30
40
50
60
70
80
Em percentuais
Ilustração 16 – “Espalhou boatos a seu respeito”
Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 71% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 12%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 14% algumas vezes.
Q)
Insinuou que você era inferior a ele
Insinuou que você era inferior a ele
Frequentemente
3
Algumas Vezes
14
Raramente
26
Nunca
58
0
10
20
30
40
Em percentuais
Ilustração 17 – “Insinuou que você era inferior a ele”
50
60
70
42
Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 58% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 26%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 14% algumas vezes.
R)
Criticou ou ridicularizando suas sugestões
Criticou desprezando ou
sugestões
Frequentemente
2
Algumas Vezes
14
29
Raramente
55
Nunca
0
10
20
30
40
50
60
Em percentuais
Ilustração 18 – “Criticou ou ridicularizando suas sugestões”
Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 55% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 29%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 14% algumas vezes.
S)
Criticou seu trabalho de forma injusta ou exagerada
Criticou seu trabalho de forma injusta ou exagerada
Frequentemente 1
Algumas Vezes
11
Raramente
30
Nunca
59
0
10
20
30
40
50
60
Em percentuais
Ilustração 19 – “Criticou seu trabalho de forma injusta ou exagerada”
70
43
Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 59% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 30%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 11% algumas vezes.
T)
Intimidou você expondo-o(a) em público
Intimidou você expondo-o (a) em público
1
Frequentemente
Algumas Vezes
13
Raramente
27
Nunca
59
10
0
20
30
40
50
60
70
Em percentuais
Ilustração 20 – “Intimidou você expondo-o(a) em público”
Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 59% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 27%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 13% algumas vezes.
U)
Excluiu você de alguma atividade importante para a sua formação
formação
Frequentemente 1
Algumas Vezes
6
12
Raramente
81
Nunca
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
Em percentuais
Ilustração 21 – “Excluiu você de alguma atividade importante para a sua formação”
44
Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 81% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 12%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 6% algumas vezes.
V)
Fez acusações sem provas
Fez acusações sem provas
Frequentemente 1
Algumas Vezes
5
Raramente
14
80
Nunca
10
0
20
30
40
50
60
70
80
90
Em percentuais
Ilustração 22 – “Fez acusações sem provas”
Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 80% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 14%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 5% algumas vezes.
W)
Rebaixou sua capacidade mediante colegas
Frequentemente
1
Algumas Vezes
7
Raramente
19
72
Nunca
0
10
20
30
40
50
60
70
80
Em percentuais
Ilustração 23 – “Rebaixou sua capacidade mediante colegas”
Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
45
forma frequente. 72% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 19%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 7% algumas vezes.
X)
Demonstrou desinteresse por você ao repassar informações ao
ministrar conteúdos
ao
Frequentemente
2
Algumas Vezes
11
20
Raramente
67
Nunca
10
0
20
30
40
50
60
70
80
Em percentuais
Ilustração 24 – “Demonstrou desinteresse por você ao repassar informações ao
ministrar conteúdos”
Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 67% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 20%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 11% algumas vezes.
Y)
Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos de forma a
intimidá-lo
trabalhos de forma a intimidá-lo (la
Frequentemente
3
Algumas Vezes
17
18
Raramente
Nunca
62
0
10
20
30
40
50
60
70
Em percentuais
Ilustração 25 – “Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos de forma a
46
intimidá-lo”
Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 62% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 18%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 17% algumas vezes.
Z)
Comunicou-se com você somente por escrito
Comunicou-se com você somente por escrito
Frequentemente 1
Algumas Vezes
3
Raramente
6
Nunca
90
0
20
40
60
80
100
Em percentuais
Ilustração 26 – “Comunicou-se com você somente por escrito”
Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 90% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 6%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 3% algumas vezes.
AA)
Recusou todo contato com você, mesmo visual
Recusou todo contato com você, mesmo visual
Frequentemente
0
Algumas Vezes
2
Raramente
6
Nunca
92
0
20
40
60
Em percentuais
80
100
47
Ilustração 27 – “Recusou todo contato com você, mesmo visual”
Na variável acima, 0% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 92% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 6%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 2% algumas vezes.
BB)
Atribuiu-lhe tarefas desprezíveis ou humilhantes
Atribuiu-lhe tarefas desprezíveis ou humilhantes
Frequentemente 0
Algumas Vezes
1
Raramente
4
Nunca
95
0
20
40
60
80
100
Em percentuais
Ilustração 28 – “Atribuiu-lhe tarefas desprezíveis ou humilhantes”
Na variável acima, 0% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 95% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 4%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 1% algumas vezes.
CC)
Atribuiu-lhe propositalmente e sistematicamente tarefas inferiores às
suas conseqüências.
48
Frequentemente 1
2
Algumas Vezes
6
Raramente
92
Nunca
20
0
40
60
80
100
Em percentuais
Ilustração 29 – “Atribuiu-lhe propositalmente e sistematicamente tarefas inferiores às
suas conseqüências”
Na variável acima, 1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 92% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 6%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 2% algumas vezes.
DD)
Imitou sua maneira de andar ou de falar para ridicularizar você
Frequentemente
2
Algumas Vezes
10
16
Raramente
71
Nunca
0
10
20
30
40
50
60
70
80
Em percentuais
Ilustração 30 – “Imitou sua maneira de andar ou de falar para ridicularizar você”
Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 71% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 16%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 10% algumas vezes.
49
EE)
Ameaçou-o(a) de reprovação como forma de intimidação
Frequentemente
2
Algumas Vezes
10
18
Raramente
70
Nunca
0
10
20
30
40
50
60
70
80
Em percentuais
Ilustração 31 – “Ameaçou-o(a) de reprovação como forma de intimidação”
Na variável acima, 2% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 70% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 18%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 10% algumas vezes.
FF)
Examinou seu material na frente de colegas
Frequentemente
3
Algumas Vezes
7
Raramente
17
Nunca
73
0
10
20
30
40
50
60
70
80
Em percentuais
Ilustração 32 – “Examinou seu material na frente de colega”
Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 73% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 17%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 7% algumas vezes.
50
GG)
Passou informações defasadas
3
Frequentemente
Algumas Vezes
7
Raramente
24
Nunca
66
0
10
20
30
40
50
60
70
Em percentuais
Ilustração 33 – “Passou informações defasadas”
Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 66% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 24%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 7% algumas vezes.
HH)
Fez comentários maliciosos, preconceituosos ou depreciativos
Frequentemente
3
Algumas Vezes
10
Raramente
22
Nunca
65
0
10
20
30
40
50
60
70
Em percentuais
Ilustração 34 – “Fez comentários maliciosos, preconceituosos ou depreciativos”
Na variável acima, 3% dos entrevistados afirmaram ter sofrido assédio de
forma frequente. 65% afirmaram nunca ter passado pela situação descrita, 22%
afirmaram ter passado pela situação raramente e 10% algumas vezes.
51
II)
Resposta quanto à existência de conseqüências
Ilustração 35– Existência de conseqüências
52
JJ)
Conseqüências relatadas pelos entrevistados
Consequências
Em porcentagem
Desmotivação
35,11
Desinteresse pela disciplina/curso
27,55
Mudança no comportamento
21,33
Sensação de inferioridade
16,44
Mudança de equipe / Dificuldade no
12
relacionamento com colegas
Motivação
10,66
Vontade ou ato de abandonar a
7,11
discilplina/curso
Tristeza/Frustação/Depressão
6,22
Vergonha
5,77
Revolta/raiva
5,33
Antipatia pelo agressor
4,88
Melhorou relacionamento com
4,44
colegas
Solidão e isolamento
4,44
Reprovação
3,11
Medo de represálias
2,66
Sede de vingança
0,88
Violência física com o agressor
0,88
Denúncia
0,88
Quadro 2 –Conseqüências relatadas pelos entrevistados
Fonte: Elaboração das autoras, 2010
53
3.2.
ANÁLISE DOS RESULTADOS.
Nesta seção, serão apresentadas as análises dos resultados. Será usado
como base desta análise as referências bibliográficas e os dados obtidos durante a
pesquisa. Para facilitar o desenvolvimento da análise, as autoras dividiram as
variáveis a serem analisadas e o fizeram individualmente.
a)
Quanto ao gênero
A maioria dos entrevistados pertence ao sexo masculino, o que é explicado
pelos cursos em que foram feitas as pesquisas, da área de exatas, que são
tradicionalmente cursados majoritariamente por pessoas do sexo masculino.
b)
As atitudes hostis acima da média
As variáveis que apresentaram maior porcentagem de pessoas assediadas
foram: “Zombou de suas características pessoais ou profissionais” e “Fez gestos de
desprezo diante de você” com 5% cada uma na alternativa “Freqüentemente”, sendo
que “Fez gestos de desprezo diante de você” aparece com grande percentual (29%)
na alternativa “Algumas vezes”. Essas variáveis se enquadram nas práticas que
visam desqualificar e desacreditar o sujeito (HIRIGOYEN, 2008). Segundo Hirigoyen
(2008), o agressor através de suspiros seguidos, erguer de ombros, olhares de
desprezo, subtendidos, alusões desestabilizantes ou malévolas, observações
desabonadoras, etc. levanta na vítima dúvida sobre a competência profissional da
mesma. Ele, o agressor, ridiculariza a vítima, humilhando-a e ridicularizando-a,
minando sua autoconfiança.
Outras variáveis que se revelaram acima da média na pesquisa foram: “Passou
informações defasadas”; “Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos
de forma a intimidá-lo”; “Deu-lhes instruções confusas e imprecisas, induzindo você
ao erro”. Variáveis classificadas por Hirigoyen (2008) como atitudes hostis e com o
objetivo de deteriorar propositalmente o local de trabalho, no caso em questão, a
sala de aula. “Ignorou sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas”, com o
objetivo de causar o isolamento da vítima através da recusa da informação
(HIRIGOYEN, 2008) “Examinou seu material na frente de colegas” ; “Insinuou que
você era inferior a ele”; “Zombou de sua origem e nacionalidade”; “Fez comentários
54
maliciosos, preconceituosos ou depreciativos”. Tais variáveis atentam contra a
dignidade da vítima (Hirigoyen, 2008); e por último, “Falou com você gritando”
classificado como agressão verbal. (HIRIGOYEN, 2008).
Tais métodos corroboram com a idéia de que o agressor assedia sua vítima
atacando não necessariamente suas características profissionais, pois tantas vezes,
não há o que se criticar sobre o seu trabalho, restando-lhe apenas atacar aquilo que
a pessoa simplesmente é e em pontos especialmente sensíveis de sua
personalidade e vida íntima. Ao ter como um dos objetivos principais, por exemplo,
atentar contra a dignidade da vítima, o agressor revela que se deixa levar por
motivos pessoais para agredir alguém, seja esse motivo a inveja, a inimizade,
diferença social etc.
c)
A frequência das agressões
“Fez gestos de desprezo diante de você” se apresenta como a alternativa com
maior freqüência na alternativa algumas vezes (29%) e “Deu-lhe instruções confusas
e imprecisas, induzindo você ao erro” encontra-se com a 2ª maior porcentagem na
alternativa “Algumas vezes” . 22% dos alunos afirmaram ter sofrido desta prática.
Segundo Hirigoyen (2008), o agressor induz a vítima ao erro para criticá-la ou
rebaixá-la, ou para que a vítima tenha uma má imagem de si mesma. Outras
práticas também apresentaram índice relativamente alto na alternativa “Algumas
vezes”, como “Zombou de suas características pessoais ou profissionais” (20%);
“Ignorou sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas” (18%), e outras
ficaram acima da média (11%). Apesar do fato desta ou outras práticas não ser uma
das queixas mais freqüentes entre a grande maioria dos alunos, isto não exime os
alunos que passaram por essa violência, mesmo que apenas algumas vezes, à
condição de vítimas. Pois, a intencionalidade do agressor e o dano psíquico ao qual
a vítima pode ser levada são variáveis que caracterizam a prática de assédio.
Por fim, as variáveis “Fez gestos de desprezo diante de você” e “Deu-lhe
instruções confusas e imprecisas, induzindo você ao erro” foram as variáveis que
apresentaram o mais baixo percentual na opção “Nunca” com 39% e 50%
respectivamente. O baixo índice provou que a maioria dos alunos foi alvo ao menos
uma vez de atitudes que intencionalmente ou não poderiam ter causado
55
conseqüências negativas e que de forma repetitiva e forma isolada, com intenção do
agressor em causar dano a vitima, caracterizariam assédio moral.
d)
As consequências
Entre as declarações dos alunos, foram separados alguns relatos, onde se
pode perceber algumas razões aparentes dos assédios sofridos. Dos exemplos
citados a seguir todos tem em comum a intolerância do agressor em relação a
alguma diferença que a vítima apresente dos demais.
Um aluno se referiu a “professores que se acham”, indicando claramente que
o professor em questão mostrava-se superior aos alunos, provavelmente por estar
em uma situação de controle e poder.
A diferença na formação universitária também pode influenciar no começo de
um assédio, como se pode inferir da declaração abaixo:
“Um único professor em minha carreira acadêmica era
desmotivador, porém este não fazia parte da equipe acadêmica,
pois ministrava uma disciplina originalmente de outro curso”.
Aluno do gênero masculino, vivenciou apenas 3 das 30 atitudes
hostis.
É possível que as atitudes hostis desse professor tenham sido tomadas
porque ele não se sentia à vontade em ministrar aulas para estudantes de diferentes
áreas de conhecimentos que não a sua.
As próprias alunas autoras desta pesquisa tiveram em seu histórico
acadêmico um caso semelhante. Um professor de Sociologia, de um departamento
alheio ao do curso de Secretariado Executivo, demonstrava-se completamente
aborrecido em ministrar o conteúdo da disciplina e em responder às solicitações de
esclarecimentos da turma, passava informações defasadas e suas avaliações não
apresentavam critérios claros. Além disso, tal professor fazia comentários maliciosos
sobre a turma, em geral dizendo que a presença de tal disciplina no curso de
Secretariado (assim como a existência do curso como um todo) era desnecessária.
Apenas no decorrer deste trabalho é que se pode perceber com clareza a
submissão pela qual a turma passou, pois até então a visão geral era de que os
alunos eram desinteressados pelo assunto e por isso não haviam absorvido o
56
conteúdo.
Outro estudante entrevistado, desta vez de origem do interior do Estado (PA),
mencionou que “sente um certo desprezo por parte dos colegas com pessoas
oriundas do interior”, justamente por seus colegas pensarem que tais pessoas “não
seriam tão capazes de ingressar numa faculdade pública”.
As conseqüências do assédio podem não ser sentidas de imediato, e talvez
alguns alunos não consideram tais práticas como uma agressão e as vejam apenas
como “brincadeiras”; outros alunos podem ter omitido ou amenizado os fatos.
Segundo os dados da pesquisa, um alto índice de entrevistados citou conseqüências
para sua vida pessoal e acadêmica, tendo a maioria citado conseqüências
negativas.
Dentre todos os entrevistados 64% relataram consequências acerca das
práticas vivenciadas. Dentre esses alunos, apenas 10,66% consideraram suas
reações como positivas, e muitos deles responderam que tiveram mais motivação
para apresentar melhores resultados a fim de “provar” que o agressor estava errado
em suas opiniões negativas ao seu respeito, outros 4,44% também informaram que
o relacionamente com seu colegas melhorou, o que pode ter acontecido devido à
empatia que outros colegas tiveram em relação à essas pessoas nas situações de
assédio.
Sobre a reação positiva, cita-se dois entrevistados, ambos do sexo feminino:
Algumas dessas situações me fizeram amadurecer e outras serviram para
refletir sobre a minha vida; mas em todas elas procurei ver o lado bom para
que eu pudesse crescer
Tudo isso (situações hostis) me fez ver a vida e tudo em volta de uma forma
melhor, amadurecendo mais e crescendo como pessoa.
De 30 exemplos de atitudes hostis presentes no questionário, tais
entrevistadas relataram já ter passado por 15 e 25 situações cada uma: um número
bastante considerável. Porém, nesses casos, além da motivação, ocorreu o
aprendizado, de que falou Hirigoyen em seu livro “Mal-estar no Trabalho:
Redefinindo o Assédio Moral”. Essas pessoas usaram situações desagradáveis
como instrumento de crescimento; não se deixaram abater pelos ataques hostis a
que foram submetidas. Deve-se levar em consideração, também, que estas são
57
minoria e que a maior parte das pessoas reagem a situações de perigo a partir do
medo ou da ansiedade.
Acerca das consequências consideradas negativas, a maior delas, apontada
pelos entrevistados, foi a Desmotivação, que atingiu 35% dos alunos. Logo em
seguida, o Desinteresse – em 27% dos casos – aparece em segundo lugar, não por
acaso, pois está intrinsicamente ligado à desmotivação. Sobre os dois, cita-se
alguns alunos entrevistados:
“Sofri extrema desmotivação em relação ao curso, além disso me
desinteressei por todo e qualquer futuro dentro dessa área” Aluna
do gênero feminino, vivenciou 20 das 30 atitudes hostis, com maior
frequência nas práticas de isolamento e atentados à dignidade,
(assédio misto).
“Senti desmotivação em continuar no curso, desinteressei-me pela
disciplina, fui reprovada por décimos”. Aluna do gênero feminino,
vivenciou 13 das 30 atitudes hostis, com visível distinção de
atentados contra a dignidade por parte dos colegas (assédio
horizontal) e deterioração proposital das condições de trabalho por
parte do professor (assédio vertical).
Pode se perceber que além da desmotivação e desinteresse, nessas pessoas
também ocorreu uma desilusão quanto à sua perspectiva profissional. O mal-estar
de estar nesse ambiente é tão grande que elas chegariam a abdicar de sua
formação universitária, desistindo de cursar a discilpina e até abandonar o curso.
Esta ânsia recorrente apareceu nas respostas de 7% dos entrevistados.
Cita-se também o caso de um aluno, do gênero masculino, que sofreu
assédio em seu estágio acadêmico. Ele conta que não lhe davam tarefa alguma
durante seu horário de trabalho e sua bolsa foi suspensa. Mesmo assim, ele
continuou seu contrato, até que lhe foram atribuídas tarefas inferiores à sua
competência; sentiu-se humilhado por terem incubido a ele a aquisição de uma fruta
que não estava no período de safra. A partir daí, ele passou a se abster do local de
trabalho e a empresa reincidiu o contrato, pois ele havia quebrado as cláusulas de
frequência regular.
Claramente se vê que este estudante foi impelido a se desligar do estágio por
meio das práticas de isolamento e deterioração proposital da condições de trabalho.
Mesmo que tivessem lhe cortado a remuneração, ele continou a tentar dar
andamento ao seu estágio, porém não resistiu às investidas perversas à sua
58
dignidade e moral e acabou saindo do estágio, por apresentar um sintoma
(absenteísmo) decorrente desse assédio.
59
CAPÍTULO IV
CONCLUSÃO
Com a pesquisa realizada, foi possível apresentar os conceitos básicos do
tema estudado, assim como alcançar os objetivos iniciais pretendidos no trabalho. A
pesquisa revelou que a maioria dos entrevistados pertencem ao sexo masculino,
estão na faixa etária dos 15 aos 25 anos e são solteiros. Quanto as práticas mais
recorrentes de assédio moral na Instituição pesquisada, as que obtiveram maior
frequência foram: “Zombou de suas características pessoais ou profissionais” e “Fez
gestos de desprezo diante de você” e como conseqüências, as mais citadas pelos
alunos entrevistados foram “Desmotivação” e “Desinteresse pela discilpina/curso”.
Outras práticas que obtiveram destaque devido a frequência encontrar-se
acima da média foram : “Passou informações defasadas” ; “Aumentou o nível de
dificuldade das provas ou trabalhos de forma a intimidá-lo” ; “Deu-lhes instruções
confusas e imprecisas, induzindo você ao erro”; “Ignorou sua presença, dirigindo-se
apenas aos outros colegas”; “Examinou seu material na frente de colegas” ;
“Insinuou que você era inferior a ele”; “Zombou de sua origem e nacionalidade”; “Fez
comentários maliciosos, preconceituosos ou depreciativos” e “Falou com você
gritando”. E quanto as conseqüências, também tiveram destaques devido a grande
porcentagem
as
seguintes:
“Mudança
no
comportamento”;
“Sensação
de
inferioridade” e “Mudança de equipe / Dificuldade no relacionamento com colegas”
Através dos dados obtidos com a realização da pesquisa, pode-se ratificar a
importância do estudo e pesquisa do tema. Os dados provaram que apesar do baixo
número de alunos assediados freqüentemente, o ambiente acadêmico não está
imune ao assédio moral.
A pesquisa também mostrou que as conseqüências podem surgir até mesmo
quando a freqüência das atitudes hostis não é constante ou repetitiva, situações
mais ou menos recorrentes podem sim gerar na vítima conseqüências negativas.
Vale considerar que os sujeitos envolvidos foram jovens, a maioria entre 15 a 25
60
anos, indivíduos que ainda se encontram entre a adolescência e a fase adulta, ainda
passando por momentos de mudanças e muitas vezes necessitando serem aceitos
no núcleo social em que se encontram, o que muitas vezes implica na sujeição a
certos constrangimentos e atitudes violentas.
É possível dar continuidade à investigação do tema. A pesquisa realizou-se
de forma geral, não estava nos objetivos descobrir se há diferenças entre os
gêneros na freqüência e nas conseqüências do assédio ou em descobrir quem
pratica mais o assédio, se professores ou colegas de sala de aula.
Espera-se que a Instituição possa se beneficiar da pesquisa, buscando
políticas que visem coibir esses atos hostis e punir os agressores, para que assim os
alunos que se sintam vítimas possam sentir-se seguros em denunciar as atitudes
hostis que sofrem.
61
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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humilhações. São Paulo: EDUC – Editora da Puc-SP, 2000.
BORTOLATO, Andrea Carla Marques.Assédio moral:Um estudo do fenômeno dentro
de uma organização judiciária federal .Brasilia.Universidade de Brasília,2009. (Série
Monografia)
CARAN, Vânia Cláudia Spoti. Riscos psicossociais e assédio moral no contexto
acadêmico.Dissertação de mestrado.São Paulo, 2008
CASTRO, Cláudio de Moura. A Prática da Pesquisa. São Paulo, McGraw-Hill do
Brasil, 1977.
FILHO, Rodolfo Pamplona. Noções Conceituais Sobre O Assédio Na Relação De
Emprego.
Disponível
em:
<
http://www.calvo.pro.br/artigos/rodolfo_pamplona_filho/rodolfo_nocoes_conceituais.p
df>. Acesso em: 18 jan. 2010
FRANÇA, Ana Cristina Limongi, RODRIGUES, Avelino Luiz. Stress e Trabalho: Uma
abordagem psicossomática. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2002.
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ambiente das organizações de trabalho. Santa Catarina. Universidade do Sul de
Santa Catarina, 2007 (Série Monografia).
64
APÊNDICE
Este questionário é o instrumento de dados para pesquisa de trabalho de
conclusão de curso (Graduação em Secretariado Executivo Trilingue) a ser
realizado nesta instituição (UEPA). Esta pesquisa tem a finalidade
identificar manifestações de assédio moral que consiste na exposição a
situações humilhantes e/ou constrangedoras, geralmente repetitivos e
prolongadas. O objetivo deste estudo é exclusivamente acadêmico. As
respostas serão tratadas de forma confidencial e os dados serão relatados
apenas de forma agregada. As informações serão codificadas e as identidades
permanecerão anônimas. Agradecemos a sua colaboração.
UNIVERSIDADE
DO ESTADO DO
PARÁ - UEPA
Nunca
Raramente
Algumas vezes
Freqüentemente
Parte II - Na lista a seguir, assinale (ao lado), se for o caso, as situações de
Assédio Moral que você vivenciou na sala de aula (ao longo do curso) em
relação a Professor-Aluno e Aluno-Aluno.
Zombou de sua origem ou de sua nacionalidade.
Zombou de sua vida privada.
Zombou de suas características pessoais ou profissionais.
Fez gestos de desprezo diante de você (suspiros, olhares desdenhosos, rir, levantar
ombros, etc).
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Deu-lhe instrução confusa e imprecisa, induzindo você ao erro.
Ignorou a sua presença, dirigindo-se apenas aos outros colegas.
Falou com você gritando.
Insultou-o com termos obscenos e degradantes.
Fez brincadeiras irônicas à cerca de alguma dificuldade ou deficiência sua.
Recusou-se de qualquer pedido de esclarecimento de dúvida.
Colocou você separado dos outros colegas.
Espalhou boatos a seu respeito.
Insinuou que você era inferior e ele.
Criticou desprezando ou ridicularizando suas sugestões.
Criticou seu trabalho de forma injusta ou exagerada.
Intimidou você expondo-o(a) em público.
Excluiu você de alguma atividade importante para sua formação.
Fez acusações sem provas.
Rebaixou sua capacidade mediante colegas.
Demonstrou desinteresse por você ao repassar informações ao ministrar o
conteúdo.
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Marque para (P )
professor (C) colega
ou (A ) ambos
Parte l – Dados Pessoais
Sexo: Masculino ( ) Feminino ( )
Faixa Etária: De 15 à 25 anos ( ) de 25 à 35 anos ( ) de 35 à 45 anos ( ) Mais de 45 anos ( )
Estado Civil: Solteiro ( ) Casado ( ) Divorciado (
) Viúvo (
) outros ( )
Escolaridade (curso).......................................................... Semestre:.................................
Professor ( ) Aluno ( )
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Aumentou o nível de dificuldade das provas ou trabalhos de forma a intimidálo(a).
Comunicou-se com você só por escrito.
Recusou todo contato com você, até mesmo visual.
Atribui-lhe tarefas desprezíveis ou humilhantes.
Atribuiu-lhe propositalmente e sistematicamente tarefas inferiores à sua
competência.
Imitou sua maneira de andar ou falar para ridicularizar você.
Ameaçou reprovação como forma de intimidação.
Examinou seu material na frente de colegas.
Passou informações defasadas.
Fez comentários maliciosos, preconceituosos ou depreciativos.
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Parte III – Responda as perguntas abaixo.
1) Quais foram às conseqüências dessas situações, descritas anteriormente, na sua vida? (Exemplo:
Desmotivação, abandono do curso, sensação de inferioridade, mudança no comportamento, melhorou a
relação com os colegas, mudança de faculdade ou de curso, desinteresse pela disciplina, mudou de equipe,
etc).
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..........
..................................................................................................................................................
...............................................................................................................................................................................
..........
...............................................................................................................................................................................
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...............................................................................................................................................................................
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2) Você comentou as situações descritas anteriormente com alguém? Sim ( ) Não (
)
3) Se sua resposta for sim, indique abaixo, com quem você comentou tais situações? (Exemplo: família - Pai,
mãe, irmão - colegas da faculdade, colegas de trabalho, marido ou esposa, próprio agressor, etc).
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Centro de Ciências Sociais e Educação
Curso de Bacharelado em Secretariado Executivo Trilíngüe
Tv. Djalma Dutra s/n – Telégrafo
66113-010 Belém – PA
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Práticas de Assédio Moral: um estudo em uma Instituição Pública de