FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DE EMPRESAS MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO EMPRESARIAL MONICA MARIA DA SILVA GIESTA ALVES A INTERNACIONALIZAÇÃO DE UMA EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS DE SAÚDE NA DÉCADA DE 1990 ESTUDO DE CASO SOBRE A AMIL Rio de Janeiro 2014 FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DE EMPRESAS MESTRADO EXECUTIVO EM GESTÃO EMPRESARIAL MONICA MARIA DA SILVA GIESTA ALVES A INTERNACIONALIZAÇÃO DE UMA EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS DE SAÚDE NA DÉCADA DE 1990 ESTUDO DE CASO SOBRE AMIL Dissertação de Mestrado apresentada à Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Gestão Empresarial. Orientador Acadêmico: Prof. Álvaro Bruno Cyrino Rio de Janeiro 2014 Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Mario Henrique Simonsen/FGV Alves, Monica Maria da Silva Giesta A internacionalização de uma empresa brasileira de serviços de saúde na década de 1990: estudo de caso sobre a AMIL / Monica Maria da Silva Giesta Alves. – 2014. 131 f. Dissertação (mestrado) - Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, Centro de Formação Acadêmica e Pesquisa. Orientador: Álvaro Bruno Cyrino. Inclui bibliografia. 1. Seguro-saúde - Brasil. 2. Assistência médica – Brasil. 3. Empresas médicas – Brasil. 4. Globalização – Estudo de casos. I. Cyrino, Álvaro Bruno. II. Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas. Centro de Formação Acadêmica e Pesquisa. III. Título. CDD – 368.382 Ao meu pai, Ayrton que me ensinou a voar, À minha mãe, Maristella que me deu asas, Ao meu marido, Klinger, que me ensinou a pousar. AGRADECIMENTOS Isso significa a possibilidade de abandonar qualquer coisa, levar as coisas a sério, ora... dar um salto! Eu não tenho desejo de dar um salto para voltar ao meu antigo lar e à minha antiga vida, eles não me atraem, eu quase os esqueci. “Mas gostaria, quando chegar a hora e for necessário, desapegar-me também e saltar, não para voltar a um estado inferior, mas para frente e para cima.” Herman Hesse O jogo das Contas de Vidro Agradeço ao meu orientador Álvaro Bruno Cyrino pelas oportunidades que me concedeu e por me inspirar cada vez mais, assim como aos professores da EBAPE por terem me mostrado o valor do conhecimento e as infinitas possibilidades que dele resultam. Aos meus colegas da Turma MEX 2012 pelas demonstrações de união, apoio e solidariedade, em especial à Karen Mattesco e Carla Freitas. Agradeço ao apoio de José Carlos Magalhães, Odete de Freitas e Marcos Pedreira, meus mestres na prática do caminho que decidi percorrer. Especial agradecimento à Dulce Pugliese, uma das fundadoras da Amil, atual Presidente Conselho Amil Life Science e do Comitê Sustentabilidade, cujo apoio junto à empresa para a aprovação do estudo foi fundamental para a sua realização. Aos entrevistados contatados que me receberam de portas abertas e doaram suas lembranças e sabedoria. Sem este auxílio jamais haveria a dissertação. Muito obrigada à Aline Gouvêa, pessoa sem a qual seria impossível cumprir as formalidades e regras acadêmicas na EBAPE. Por fim, agradeço a todas as pessoas que passaram pela minha vida, pois de alguma forma me fizeram chegar até aqui. LISTA DE TABELAS E FIGURAS TABELAS Tabela 1 - Peculiaridades do Setor de Serviços de Saúde...............................................24 Tabela 2- Evolução dos Sistemas de Saúde no Brasil.....................................................30 Tabela 3- Normatização da ANS para as Operadoras de Saúde......................................40 Tabela 4- Diferenças Entre Modalidades de Cobertura na Assistência Privada Americana........................................................................................................................44 Tabela 5- Diferenças entre os Sistemas de Saúde Brasil, EUA e Argentina...................47 Tabela 6 - Tripé AAA de Ghemawat...............................................................................55 Tabela 7 - Estrutura CAGE de Ghemawat.......................................................................61 Tabela 8 – Framework (Estrutura) GAGE- Brasil, Argentina e EUA............................62 FIGURAS Figura 1- Cadeia de Valor dos Sistemas de Saúde Brasileiros........................................26 Figura 2- Estimativa dos Usuários da Saúde Privada nos anos de 1987 a 1989.............34 Figura 3- Incentivos Governamentais à Saúde Privada – 1989.......................................34 Figura 4- Operadoras de Saúde no Brasil de Acordo com a Modalidade.......................37 Figura 5- Comportamento das Operadoras de Saúde antes e depois da criação da ANS.................................................................................................................................40 Figura 6- Modelo de Upsalla...........................................................................................51 Figura 7- Diferenças culturais entre Argentina, Brasil e Estados Unidos segundo Hofestde...........................................................................................................................59 Figura 8- Evolução Amil – 30 anos de História............................................................................................................................69 Figura 9- Cronologia da Internacionalização da Amil...................................................71 RESUMO Este trabalho é um estudo de caso sobre uma empresa brasileira do setor de prestação de saúde, a Amil, que realizou seu processo de internacionalização para mercados distintos dos brasileiros no início da década de 1990. No intuito de explicar este movimento, contextualizamos esta expansão em um cenário econômico, político e cultural peculiar à época tanto no Brasil, quanto nas localidades em que a mesma se implantou. Através de uma pesquisa de cunho qualitativo, pretende-se elucidar a razão da escolha de uma estratégia de internacionalização inédita para a época, tendo em vista o setor específico de negócios, seguindo-se a análise dos resultados obtidos. Os dados coletados em entrevista, documentos e a correspondência com a literatura evidenciam que a internacionalização da Amil na década de 1990 foi resultado da necessidade de crescimento para mercados de moedas estáveis por conta da estagnação dos negócios em nível nacional e que a estratégia foi sedimentada em bases exploratórias, reconhecidas após pesquisas sobre os mercados pretendidos. Entretanto, por uma limitação pertinente tanto à época, quanto pela inexperiência no processo, houve uma barreira inicial ditada pelo despreparo ao expatriamento. Houve ainda falta de diligência nas pesquisas ao não detectarem de maneira precoce as fusões do mercado norte- americano, que consolidou as operadoras em grandes empresas e anulou as pequenas, assim como no mercado argentino, em não prever a manutenção das Obras Sociais, limitante dos negócios em saúde privada. Mesmo tendo sido descontinuado, o processo de internacionalização da Amil trouxe para a empresa a experiência de trabalho em ambiente estável e regulado, assim como a percepção de que diferenças culturais e psíquicas podem ser grandes barreiras aos negócios. Este aprendizado revelou-se útil no crescimento do mercado brasileiro e destacou a Amil como uma empresa de vanguarda nas operações, no oferecimento de novos produtos e na lida com as autoridades. Outra vantagem do processo de internacionalização foi a proximidade com o mercado americano na construção de parcerias hospitalares, fator este que proporcionou o desenrolar do programa de atualização em centros com tecnologia médica de ponta aos seus conveniados. Palavras Chave: Amil, Estratégias de Internacionalização, Setor de Saúde. ABSTRACT This paper is a case study of a Brazilian company in the provision of health sector, Amil, which held its process of internationalization to different markets of Brazil at the beginning of the 1990s. In order to contextualize this movement,we will relate this expansion in economic, political and cultural scenes peculiar to that age in Brazil , as in where it was implemented . Through a qualitative study, we intend to elucidate the reason for choosing an unprecedented internationalization strategy for the time, considering the specific business sector, followed by analysis of the results. The data collected through interviews, documents and correspondence on the literature showed that the internationalization of Amil in the 1990s was a result of the growing need for stable currency markets due to the stagnation of business at the national level and that the strategy was sedimented in exploratory research based recognizing the intended markets . However , by limiting both the relevant time, as the inexperience in the process , there was an initial barrier dictated by unpreparedness to expatriation . There was still a lack of diligence in researchs to not detect at an early stage mergers of the U.S. market, which consolidated the operators in large enterprises and small was annulleted, as well in the Argentine market , not to predict the opening of Social Works , limiting the business in private health. Even having been discontinued, the process of internationalization of Amil brought to the company the work experience in a stable and regulated environment, as well the perception that cultural and psychological differences can be major barriers to business. This learning has proved useful in the growth of the Brazilian market and highlighted the Amil as a vanguard company in operations , offering new products and in dealing with the authorities . Another advantage of the internationalization process was the proximity to the U.S. market in building hospitals partnerships, a factor that provided updates course program in medical centers with cutting-edge technology to insured members . Key Words: Amil, Internationalization Strategies, Health Care·. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO..............................................................................................13 1.1-Justificativa e Relevância do Tema.............................................................14 1.2- Objetivo Geral..............................................................................................15 1.3- Objetivos Específicos...................................................................................16 1.4-Delimitação Do Problema.............................................................................16 2. METODOLOGIA...............................................................................................17 2.1-Método da Pesquisa......................................................................................17 2.2- Coleta de Dados...........................................................................................18 2.3- Entrevistas e Análise dos dados..................................................................18 2.6-Limitações do método...................................................................................21 3. MARCO TEÓRICO............................................................................................22 3.1-Descrição do setor de saúde.........................................................................22 3.2.-O setor da saúde no Brasil...........................................................................27 3.2.1- Histórico dos sistemas de saúde no Brasil....................................27 3.2.2-Sistema suplementar de saúde no Brasil........................................33 3.2.3-Regulamentação da saúde suplementar..........................................38 3.3- O setor de saúde nos EUA..........................................................................41 3.4 - O setor de saúde na Argentina...................................................................44 3.5-Diferenças entre os sistemas de saúde no Brasil, EUA e Argentina..........46 3.6- Internacionalização de empresas.................................................................47 3.6.1-Teorias econômicas de internacionalização...................................47 3.6.2- As teorias comportamentais..........................................................49 3.7- Implementação da estratégias de entrada: O Modelo AAA.......................54 3.8 - Estratégias de Saída dos Mercados Internacionais...................................55 3.9- Conceitos de culturas................................................................................56 3.10- Conceitos de distância psíquica..............................................................57 3.10.1- Distâncias psíquicas e culturais entre Brasil, Estados Unidos e Argentina segundo Hofstede...............................................57 3.11- Ghemawat e a estrutura CAGE............................................................60 3.12- Internacionalização das empresas brasileiras em 1990........................63 3.13 - Internacionalização de empresas de serviços........................................64 3.14 . Internacionalização de serviços em saúde............................................65 4. ESTUDO DO CASO.........................................................................................68 4.1- A Amil e a sua evolução histórica..............................................................68 4.2-Evolução dos produtos e modelo de negócio da Amil.................................70 4.3- O processo de internacionalização..............................................................70 4.3.1- A Amil nos Estados Unidos..................................................74 4.3.2- Amil na Argentina...............................................................78 4.4- Interação entre os mercados da Amil Internacional...................................81 4.5- Relação filial/ matriz..................................................................................81 4.6 - Razões para a descontinuidade da estratégia de internacionalização........82 5- DISCUSSÃO.......................................................................................................85 5.1- A Decisão pela Internacionalização .......................................................85 5.2- Desenvolvimento e sustentação da estratégia..........................................86 5.3- A descontinuidade da internacionalização..................................................89 5.4- Obstáculos à estratégia................................................................................90 5.5-Ganhos com o processo de internacionalização ........................................91 6-CONCLUSÕES..................................................................................................92 7 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................95 13 1. INTRODUÇÃO A pesquisa procura explorar as razões da internacionalização de uma empresa brasileira de medicina de grupo - a Amil- na década de 1990, que expandiu suas atividades para duas localidades distintas no mercado americano: Austin no Texas e Las Vegas em Nevada, além da instalação de um terceiro ponto como escritório em Miami e da expansão para o mercado argentino na cidade de Buenos Aires. Tal manobra ocorreu de maneira quase simultânea com menos de dois anos de intervalo na sua implementação (AMILPAR, 2008). Com base em um referencial teórico sobre os modelos de internacionalização, da análise do contexto socioeconômico e político à época do evento e das características particulares do setor de serviços, em especial o setor da saúde suplementar no Brasil e no mundo, exploraremos os fatores que influenciaram diretamente o processo de internacionalização da Amil, tais como a distância cultural, psíquica e a escolha das localidades. Para tanto, faz-se um histórico da saúde suplementar no Brasil, discorre-se sobre os modelos de saúde adotados no país nativo e naqueles que receberam filiais da empresa, aborda-se a estrutura do mercado para este setor nos anos 1990, tanto no Brasil, quanto nas regiões estrangeiras. Procura-se avaliar a existência das estratégias preparatórias e de inserção nestes mercados, quais objetivos a Amil perseguia e analisar o porquê uma década após a abertura de filiais no exterior, tal estratégia foi descontinuada. Para as respostas pretendemos estudar o processo na sua relação com a maturidade do mercado interno e externo para as operadoras de saúde e as consequências econômicas e sociais desta estratégia para a empresa. O estudo de caso foi a metodologia eleita para a pesquisa. Segundo Yin (1989), esta é uma forma de análise qualitativa que se presta a compreensão de fenômenos sociais na busca de respostas para questões do tipo como e por que, num contexto de inserção contemporânea dos fenômenos e o pesquisador, embora peça fundamental tenha pouco controle sobre os eventos. No campo, foram colhidos depoimentos dos atores que participaram ativamente do processo e todas as entrevistas foram feitas de maneira isoladas, consentidas e 14 analisadas em uma matriz de correspondência, objetivando extrair dos dados informações relevantes sobre as etapas do processo, seus objetivos, dificuldades, recursos empregados, impressões e táticas adotadas. Nesta busca, o trabalho será divido em sete sessões principais, iniciando-se pelos aspectos introdutórios que explicam os objetivos, delimitações e relevâncias da pesquisa, seguindo-se a metodologia usada no estudo, às perguntas feitas na pesquisa e o tratamento dos dados. A terceira parte dispõe do marco teórico com explanações sobre o setor de negócios no qual a empresa estudada se insere e uma revisão bibliográfica sobre os aspectos que interagem com o estudo de caso, tais como as teorias de internacionalização e conceitos de distância psíquica e aproximação cultural. Segue-se a quarta parte discorrendo sobre o histórico da empresa e o processo de internacionalização. Na quinta parte é feita a análise extraída do material de campo e respondem-se as perguntas da pesquisa. Consideram-se as conclusões na sexta parte e finalmente a última parte lista as referências bibliográficas evocadas para a sustentação de todo o trabalho. 1.1- Justificativa e relevância do tema O setor de saúde suplementar no Brasil possui pouquíssimo referencial teórico no período anterior ao ano 2000, talvez em virtude de sua estruturação recente, dada pela regulamentação após a criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS, 2013) em junho de 1999. A formação das empresas prestadoras deste tipo de serviço, a evolução do mercado para a saúde suplementar, estratégias e conceitos de responsabilidade social tal como conhecidos atualmente, assim como as modalidades de cobertura pelos planos de saúde, datas, fatos históricos e campos de atuação, são desafios permanentes até para o pesquisador mais paciente. É possível somente encontrar informações genéricas sobre alguns produtos de poucas operadoras que ainda estão no mercado atualmente, pois a liberdade de cobertura dos eventos mórbidos pelas operadoras na década de 1990 era fato, como era fato a livre exclusão de clientes de forma unilateral, reajustes e coberturas seletivas a critério dos convênios (MONTONE, 2003). Esta grande lacuna somente é preenchida após a criação e implantação da Agência Nacional de Saúde Suplementar- ANS em 2001 quando dados quantitativos, 15 análises de desempenho, indicadores demográficos e dados qualitativos começaram a ser computados. Também são poucos os relatos sobre os fracassos nas estratégias de internacionalização das empresas brasileiras, particularmente as do setor de serviços, entendendo o fracasso como a descontinuidade de tal movimento (HILAL, 2003). Destarte, as informações obtidas neste estudo são úteis para o resgate de fatos pertinentes ao histórico do setor de saúde complementar no país, lança luz sobre a estratégia de internacionalização adotada pela empresa operadora de planos de saúde, podendo contribuir para futuras ações nesta ou em qualquer outra firma do setor. Por fim, a descrição de um caso ímpar, serve de paralelo para a geração de valores nas empresas de saúde, tanto pelo movimento de procura por mercados internacionais, quanto pela decisão de descontinuá-lo. As memórias e os relatos dos participantes, todos ainda executivos ativos no ramo de saúde, merecem ser documentadas para que novos trabalhos possam ser desenvolvidos. A importância deste estudo está também na exploração dos motivos que podem levar ao fracasso um processo de internacionalização, tais como as diferenças entre os contextos culturais, a política do país estrangeiro, a escolha das localidades, o momento da empreitada, a maturidade da própria empresa nesta ação e concilia-los com dados da literatura sobre o tema. Este conjunto de fatores, uma vez depurados, pode contribuir para que empresários e gestores possam analisar criteriosamente o perfil de suas empresas, o alinhamento estratégico para os novos mercados e o tipo de produto a ser oferecido transfronteiras, economizando assim os recursos, otimizando seus processos e evitando que diferenças não computadas previamente tornam-se problemáticas após a entrada em outras praças. A avaliação dos fatos na opinião de quem o vivenciou, resgatados e interpretados duas décadas após e sob a influência de novos aprendizados, podem servir como ensinamento, não só a outras empreitadas pelos fornecedores brasileiros de serviços que querem ganhar o mundo, mas para qualquer empresa nacional que queira faze-lo. 1.2. Objetivo geral Descrever a estratégia de internacionalização da Amil na década de 1990. 16 1.3. Objetivos específicos Propõe-se estudar as razões de internacionalização de uma empresa de serviços em mercados distintos - Amil na Argentina e Estados Unidos, em uma época na qual poucas empresas brasileiras se dispunham a este tipo de ação. Como objetivo final, almeja-se responder o tipo de estratégia usada no processo de internacionalização, as vantagens competitivas que esta ação representou para empresa, para seu crescimento no mercado interno, qual foi a consequência para o mercado de saúde suplementar no Brasil e o motivo da descontinuidade desta estratégia após o empenho de recursos e na contramão da globalização Em suma, o trabalho procura explicar: Por que a Amil decidiu pela internacionalização para os mercados dos Estados Unidos e Argentina na década de 1990? Como foi desenvolvida e sustentada tal estratégia? Por que houve a descontinuação após uma década? Quais os obstáculos encontrados? Que ganhos a empresa obteve com este processo? 1.4.Delimitação do problema Sendo uma pesquisa de caráter qualitativo e assim exigindo um corte temporalespacial de determinado fenômeno, o estudo pretende abordar o processo de internacionalização da Amil de 1994 até 2008. Para tanto, determinar-se-ão as conjunturas políticas, regulamentárias, econômicas e mercadológicas do Brasil à luz daquela época, assim como a cultura da empresa, maturidade do setor para os mercados escolhidos e se estes serviram de barreiras ou incremento ao fluxo internacional. Não serão abordadas outras estratégias da empresa que ocorreram de modo simultâneo como fusões, aquisições e diversificação em negócios, embora estas sejam citadas para a elucidação do contexto, uma vez que o processo de internacionalização e diversificação dos negócios da empresa ocorreram paralelamente. 17 2. METODOLOGIA O capítulo pretende discorrer sobre a metodologia aplicada na pesquisa, assim como a sua condução, detalhando as condições de coleta de dados e o tratamento posterior. 2.1-Método da pesquisa Quanto ao tipo de pesquisa, Vergara (2011) propõe dois critérios: quanto aos fins e meios. Quanto aos fins, a pesquisa pode ser: exploratória, descritiva, explicativa, metodológica, aplicada e intervencionista. Quantos aos meios podem ser: de campo, laboratório, documental, bibliográfica, experimental, ex-post facto, participante, pesquisa-ação e estudo de caso. Segundo esses critérios, esta pesquisa está classificada como: a) Quanto aos fins: exploratória, ao levantar informações sobre o tema e suas referências e descritiva, ao discorrer sobre o objeto de estudo com técnicas padronizadas de fatos os quais não houve interferência do pesquisador. b) Quanto aos meios: bibliográfico por ter sido feito estudo em livros, periódicos, teses e artigos além de investigação documental por meio de registros da empresa na época, ao mesmo tempo em que usará elementos de campo através da entrevista de atores participantes do processo internacionalização da Amil na década de 1990. O método de Estudo de Caso Único (VERGARA, 2011) foi escolhido para explorar o caso de internacionalização da Amil, já que se pretende comparar o padrão estabelecido nas teorias de internacionalização com as estratégias adotadas pela empresa em questão e procurar respostas para os questionamentos de como e por quê. No método de estudo de caso, uma unidade é o objeto de interesse e sua análise deve ser feita dentro de uma vertente qualitativa. A procura por um retrato de uma realidade, a possibilidade de delimitar o objeto, do uso de variáveis fontes de informação e a representação de pontos de vistas particulares, algumas vezes até conflitantes são outros atributos desta metodologia, que se mostra de grande valor quando o objeto está envolto em uma ocorrência única e particular, relacionando-se a um contexto e tendo como finalidade a descoberta. Nesta descrição e para a análise do fenómeno, procura-se percorrer os caminhos adotados pela referida organização relacionando-os com os 18 padrões expostos pelas teorias apresentadas no capítulo sobre o referencial teórico. (YIN, 2009). 2.2- Coletas de dados Na pesquisa qualitativa devemos observar enfaticamente alguns fatores: a fonte direta dos dados, o pesquisador, o caráter descritivo, o significado dado aos fatos e o caráter indutivo. Desta monta, utilizamos informações referentes à empresa, tanto de domínio público quanto privado, através de material interno, além de entrevistas- forma de pesquisa na qual se procura extrair informações de propriedade dos entrevistados com funcionários e ex-funcionários que estiveram diretamente envolvidos com o processo de internacionalização. A escolha dos mesmos por acessibilidade e tipicidade ocorreu por indicação da vice-presidência da empresa, conhecedora dos responsáveis pelo processo em cada local, após autorização formal do departamento jurídico e mediante um termo de consentimento informado e esclarecido, no qual se explicava a razão da pesquisa (ANEXO I). Por questões de impossibilidade de agenda, não foi possível entrevistar o idealizador da estratégia na época, o Dr. Edson de Godoy Bueno. Houve ainda a proibição explícita de comentários sobre as estratégias atuais da empresa. A pesquisa bibliográfica, por sua vez, foi feita em documentos da empresa na época, periódicos, livros e revistas especializadas. 2.3- Entrevistas e Análise dos Dados Os locais e datas das entrevistas foram escolhidos pelos próprios entrevistados que seguiu um roteiro semiestruturado (ANEXO II), com perguntas fechadas cuja possibilidade das respostas encontravam-se previamente determinadas e com questões abertas, cujas respostas eram livres após a explanação de cada tópico por parte dos respondentes. Não houve controle de tempo, objetivando a eclosão de informações e todo material foi gravado, utilizando-se ainda anotações sobre mudanças de entonação, emoções perceptíveis, pausas, repetições, evitamentos, contradições e variações nos discursos dos entrevistados. As gravações foram interrompidas, quando tal desejo foi manifestado pelo respondente, fosse este motivado por informações sigilosas ou por 19 necessidades pessoais. Todos os participantes responderam às mesmas perguntas e na mesma ordem, respeitando-se os espaços para considerações. O total de entrevistas foram oito com a maioria dos participantes ainda trabalhando na empresa. Os locais foram: duas entrevistas via Skype, uma via telefônica, duas nas residências dos entrevistados e três em seus locais de trabalho com salas privadas disponibilizadas, sem quaisquer outros participantes que não os entrevistados e entrevistador. Em nenhuma delas houve interrupção externa. O tempo médio de cada entrevista foi de 53 minutos, configurando um total de 450 minutos. A pedido de três entrevistados foram suprimidos vinte e sete minutos de gravação, material este que não foi translado para texto. O perfil dos entrevistados foi traçado, tendo como base a sua formação acadêmica e laborativa. Incluíam perguntas sobre o curso principal de formação, experiências profissionais anteriores a sua admissão na Amil, tempo de experiência na época da internacionalização e se alguma experiência havia sido no exterior, relacionando a época. O objetivo seria uma análise do tipo de executivo escolhido para realizar o processo, tipo de relacionamento com a empresa, tempo de trabalho na firma e a sua formação adicional para o evento. Apenas um deste grupo não trabalhava na Amil desde os primórdios de sua fundação, sendo este também o único não médico do grupo. A média de tempo de trabalho dentro da empresa foi de 14 anos. Todos possuíam pós-graduações feitas no Brasil em especialidades médicas e diversos cursos em gestão, também no Brasil. Dois entrevistados apenas complementaram sua formação acadêmica no exterior: um cursou a universidade em área distinta da administração ou medicina e outro cursou doutorado no período concomitante ao processo. Três dos entrevistados saíram da empresa após seu retorno nos dois anos subsequentes ao encerramento das atividades no exterior. Todos os demais assumiram em seu retorno cargos de liderança, porém nenhum dos entrevistados retornou a participar de qualquer papel de internacionalização, na mesma ou em outra empresa, à exceção do entrevistado ligado à área jurídica que após dez anos retornou às consultorias e processos de internacionalização em outra firma. 20 A análise de conteúdo foi a metodologia de tratamento para as perguntas abertas. Esta metodologia está sujeita a interpretação do pesquisador, sendo sensível a sua influência pelas limitações e pelo envolvimento com o objeto, uma vez que também atua laboralmente na empresa e que mesmo distante, possuía conhecimentos prévios sobre o objeto de estudo. Passados quase vinte anos do evento, a empresa objeto do estudo passou por um processo de venda para outra multinacional do ramo, a United Health, tendo sido obrigatório o pedido de permissão na elaboração da dissertação e para as entrevistas, que foram fornecidas com a limitação da não abordagem das estratégias atuais. Por este hiato temporal, adianta-se também que muitas provas documentais, análises escritas e provas do fluxo de capital, foram perdidas. Após as transcrições das entrevistas, foi usado o programa Atlas TI 7.0 para ordenar as categorias e subcategorias foi usada a metodologia de análise de conteúdo, como forma de análise dos significados produzidos pelos textos verbais (PINTO e SANTOS, 2012). Para fins de conciliação entre as pergunta as perguntas da pesquisa, as categorias emergentes da análise de discurso após tratamento dos achados no campo sua subcategorização e codificações pertinentes, o ANEXO III situa o leitor na estratificação das categorias e suas correlações, algumas explicadas abaixo. No conhecimento dos expatriados sobre a estratégia de internacionalização da empresa pretendeu-se apurar os motivos para estratégia na visão do envolvidos. Para tanto foram subcategorizadas nas seguintes dimensões: idealizadores da estratégia, cronologia dos fatos, conhecimento da estratégia em todas as filiais, conhecimento sobre a motivação de internacionalização e preparação para expatriação. A categoria Conhecimentos Específicos dos Expatriados Sobre Cada Localidade pretendeu desvelar o conhecimento dos entrevistados sobre o mercado particular no qual atuou, assumindo que tais conhecimentos seriam mais estreitos aonde os executivos seriam alocados do que sobre as outras filiais. A totalidade de nossos entrevistados afirmaram possuir plano de negócio com projeção de lucro, breakeven, payoff e perspectivas de investimento nos negócios locais, assim como autonomia para lidar com os investimentos. Os participantes de cada local sabiam o número de 21 funcionários das suas unidades, a forma de captação de clientes, o aporte necessário para as operações, a estratégia de marketing a ser implantada e o crescimento esperado para os próximos 5 anos. A formação de alianças e parceiros que puderam promover aumento da produtividade, redução de custos, desenvolvimento ou absorção de tecnologias mais novas pode indicar a disposição da empresa no crescimento e permanência nos mercados através da formação de joint-ventures, fusões ou aquisições foi avaliado na categoria Formação de Parcerias e Alianças Estratégicas. 2.4-Limitações do método O método escolhido apresenta possibilidades e limitações, sendo estas últimas representadas pelo instrumento da coleta de dados, sua aplicabilidade e na análise do material. Na entrevista, o entrevistador é usado como instrumento da coleta de dados (GÜNTHER, 2006). O envolvimento do mesmo com a empresa, fato ocorrido neste estudo, certo grau de confiança, conhecimento prévio sobre os fatos e repetidas reflexões sobre os fatos encontrados no trabalho de campo podem provocar alterações nas percepções e análises. Como um estudo de caso único sua generalização não pode ser feita para outras empresas nacionais à época, tampouco para os dias atuais. A amostra estudada não incluiu o presidente da empresa à época, idealizador da estratégia, que por motivos de agenda não conseguiu ser entrevistado. Outra observação a ser feita é o vinculo trabalhista da maioria dos entrevistados com a empresa, fator que pode ter inibido e limitado a profundidade da análise. A grande lacuna temporal pode ainda ter subtraído da memória dos entrevistados, precisão de datas, fatos e correspondências cronológicas. Outra limitação da pesquisa foi imposta pela ausência de dados na literatura sobre o processo de internacionalização da Amil, assim como muitos dos documentos internos da empresa não conseguiram ser resgatados em sua totalidade. 22 3. MARCO TEÓRICO 3.1. Descrição do setor de saúde O setor de saúde é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a atividade cujo principal objetivo é promover, reestruturar e manter a saúde de uma população, através da provisão de serviços efetivos e seguros com acolhimento humanizado. Estes serviços de assistência à saúde têm particularidades em sua estrutura tanto para fins de gestão, quanto na sua organização e demarcação geográfica (WHO, 2000). As desigualdades nas dimensões sociais, psicológicas, físicas e biológicas, promovem uma miríade de demandas no atendimento em diferentes localidades. Estas dimensões variáveis, no tocante ao atendimento de classes sociais diferentes, representações de modelos de saúde e doenças, o significado e arquétipo da morte, fatores demográficos como predominância de uma população mais jovem ou idosa e diferentes tipos de agravos à saúde, fazem de cada entrega de serviço um momento ímpar e efêmero. As diferenças de indivíduo para indivíduo fazem com que cada usuário e o tipo de problema a ser resolvido sejam únicos. Portanto, os prestadores de serviços de saúde necessitam de autonomia e plasticidade na entrega de seus produtos ao mesmo tempo em que seguem protocolos médicos e padrões de qualidade definidos e exigentes (MONTONE, 2001). O princípio de que um serviço mal prestado gera prejuízos físicos, morais e pecuniários, promovem os serviços de saúde como um dos produtos de comercialização mais difíceis em todo mundo (TRAVASSOS e MARTINS, 2004). De acordo com Hendriksen e Van Breda (1999), uma assimetria de informação, se apresenta quando nem todos os fatos são conhecidos pelas partes envolvidas em um negócio, gerando uma informação incompleta para uma delas. Esta característica, associada aos conceitos de risco moral, isto é, um comportamento oportunista e póscontratual de uma das partes e da seleção adversa, decorrente da impossibilidade do principal, no caso o consumidor, identificar acuradamente os tipos ou características dos agentes, sendo estes entendidos como as operadoras, colocam em risco a viabilidade econômica e o financiamento na prestação destes serviços, sendo ineficiente muitas vezes para todos os atores. Estes fatores juntos promovem o negócio saúde como heterogêneo e imperfeito. 23 Outra peculiaridade dos serviços de saúde é ditada pela dificuldade de aferição dos resultados e pela incapacidade de todo sistema na resolução efetiva dos problemas. A ineficácia ocorre pela disponibilidade de técnicas terapêuticas diversas, que mesmo sendo tecnologicamente recentes, não determinam uma cura definitiva e ainda pela possibilidade da existência de casos com complexidade acentuada por comorbidades. Desta monta, a capacidade dos serviços de saúde na resolução de muitos problemas está limitada e a certeza da prestação de um serviço ideal, do ponto de vista de entrega de produtos, estará sempre sendo questionada (TRAVASSOS e MARTINS, 2004). Para os prestadores da saúde privada, o tamanho de uma operadora é uma parte crucial do negócio pela possibilidade de diluição do risco, pois proporciona ganhos de escala, manutenção do custo fixo administrativo e manutenção de sua existência. No mundo inteiro, as operadoras com melhores taxas de desempenho e sustentabilidade financeira são as maiores, assim como o custo individual na contratação de um plano de saúde tende a ser maior do que os custos da contratação de um plano coletivo (BAHIA et al, 2003). A alocação dos recursos disponíveis situa-se em uma esfera de intersecção entre os vários atores: os clientes usuários do sistema, os profissionais prestadores de serviços, firmas fornecedoras de materiais e insumos para a saúde, as operadoras e os estabelecimentos, tais como hospitais, consultórios e clinicas. Cada um destes tem interesses próprios e muitas vezes divergentes, agravando-se ainda mais quando inserimos os governos neste contexto, cientes da importância social, política e econômica do setor saúde (PORTER e TEISBERG, 2007). Não menos importante nesta balança é o advento de novas tecnologias, muitas com custo elevadíssimo e o desejo de consumo por parte dos usuários de novas técnicas, produtos, respostas e soluções para qualquer mal, fato concreto em seus imaginários. A Tabela 1 resume as características gerais dos serviços: 24 Tabela 1 - Peculiaridades do Setor de Serviços de Saúde Fonte: autor, baseado em: Sato (2007, p. 49-62); Andrade e Maia (2009 p. 7-39) Dadas às particularidades do setor e com os custos mundiais cada vez mais altos, a qualidade na assistência a saúde é um desafio contemporâneo e universal, ainda mais quando somamos aos já descritos, fatores como inovações tecnológicas, necessidades de adaptação às legislações e o aumento da expectativa de vida mundial (DUSSAULT, 1992). A implementação de ações necessárias para o gerenciamento da percepção da qualidade pelo consumidor e a geração de valor, se fazem então imperativas e podem 25 ser mais bem observadas quando entendemos a proposta e cadeia de valor para o segmento. Segundo Porter (2010), a criação de valor no setor de saúde ocorre com o equilíbrio entre a percepção do produto final, do ponto de vista do cliente e o custo final para a empresa na entrega do serviço prometido. Sua descrição entre os elos que comporiam esta cadeia compreende principalmente os elos assistenciais. Pedroso e Malik, (2013) por sua vez, baseados em revisão literária recente sobre o tema e distanciando a realidade brasileira daquela encontrada no mercado americano, propõe um desenho de uma cadeia de valor na qual coexistam e interajam os participantes assistenciais, legais, os setores de apoio, as atividades complementares, as formas de entrega da produção, pesquisas e desenvolvimento de produtos na área para que haja harmonia entre o projeto, a produção, a comercialização, entrega e perenidade dos serviços de saúde. Neste modelo, o fluxo de capital permeia os elos da cadeia, desde o seu financiamento até o consumo e assimetrias ou retenções inesperadas deste fluxo podem auxiliar na identificação de ineficiências do sistema. Um esquema representativo desta cadeia está ilustrado na Figura 1. 26 Figura 1- Cadeia de Valor dos Sistemas de Saúde Brasileiros Fonte: Marcelo Caldeira Pedroso, Ana Maria Malik (2013,p. 2764) Os modelos de oferta de serviços de saúde variam de acordo com o país, podendo ter caráter exclusivamente público, misto ou privado. Na cobertura pública existe uma predominância da regulamentação, financiamento e prestação de serviços à 27 saúde por ações do Estado. Na privada, a iniciativa parte de um indivíduo ou grupo mediante pagamento de um agente intermediário privado a estes serviços. Esta tem caráter de extensão substitutiva, quando existe a escolha entre o pagamento da seguridade pública ou adesão a um plano privado, ou ainda complementar, quando há a opção de adesão de um seguro privado para produtos não cobertos pela saúde pública e suplementar, existindo uma superposição e duplicidade dos dois sistemas (ODCE, 2004). 3.2. O setor da saúde no Brasil De acordo com a taxonomia proposta pela Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2013), no Brasil, como na maior parte dos países do mundo, o sistema de saúde é misto. Possui componentes do sistema estatutário e privado interpondo-se, na medida em que permeiam as ofertas do sistema público, de abrangência universal, com coberturas opcionais de serviços junto às operadoras privadas (SANTOS, UGÁ e PORTO, 2008). A evolução, características e quantificações serão revistas nos tópicos seguintes. 3.2.1. Histórico dos sistemas de saúde no Brasil A prestação formal de saúde no Brasil nasce com a vinda dos jesuítas e fundação da Santa Casa de Santos por Braz Cubas em 1543. Somente em 1808, com a vinda da família real para o Brasil, são fundadas na Bahia e no Rio de Janeiro as primeiras escolas de medicina (CALAINHO, 2005). Tanto na época do colonialismo português, quanto no Império, os maiores desafios da saúde estavam no controle de doenças pestilenciais, com enfoque de políticas assistenciais baseadas na vigilância sanitária de portos e comércio, com a administração centrada nos municípios (PAIM et al, 2011). O século XX começa com a assistência à saúde prestada por instituições oficiais, pertencentes, mantidas ou dirigidas pelas Forças Armadas, Polícia, Bombeiros, Saúde Pública, Assistência Pública ou Universidades e as denominadas não oficiais, ou seja, as filantrópicas e os hospitais privados (FINKELMAN, 2002). 28 Nos anos 1920, sob a responsabilidade do Presidente Arthur Bernardes, é instituído o sistema de Caixas de Aposentadorias e Pensões, inicialmente para a classe de ferroviários, marítimos e estivadores, difundindo-se nos próximos dez anos para mais de cem classes trabalhadoras com coberturas previdenciárias, assistência médica e subsídios para medicações. Embora tenha havido esta proliferação das Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs) até os anos 1930, a fragmentação, a falta de uma política de saúde federal e hiatos do sistema de cobertura eram característicos, com uma grande lacuna entre os planos de benefícios, as regras de coberturas e seus aspectos administrativos (MERCADANTE, 2006). No primeiro governo de Getúlio Vargas, estas Caixas foram substituídas pelos Institutos de Aposentadorias e Pensões, organizados e geridos pelo governo federal. Eles atendiam apenas a classes congregadas de trabalhadores (FINKELMAN, 2002). Em 1930 foi criado Departamento Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social que posteriormente, em 1934, transformou-se no Departamento Nacional da Saúde (LIMA e PINTO, 2003). Estes órgãos eram responsáveis pela criação e extensão de postos de atendimento médico no território nacional e combate a doenças endêmicas transmissíveis Nesta década ainda, juntamente com a Fundação Rockfeler, foi criado o Serviço Especial de Saúde Pública (SESP) para combater a malária e a febre amarela na Amazônia, órgão que nos anos 1950 passou a promover também assistência médica, educação sanitária e saneamento naquela região (FINKELMAN, 2002). A grande heterogeneidade deste sistema, entretanto, só é amenizada em 1949 pela criação do Serviço de Assistência Domiciliar de Urgência (SAMDU), pois além de inaugurar o atendimento domiciliar que até o momento não fazia parte da cesta de atendimento público, permitiu o intercâmbio entre os Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAPs) e a universalização do atendimento médico de urgência (MERCADANTE, 2006). Em 1953, o Ministério da Educação e Saúde foi desmembrado, tornando-se um órgão de atenção integral aos assuntos relacionados apenas à saúde. Na década de 1950, em São Paulo, decorrente das necessidades da indústria automobilística e como resposta ao falho sistema de saúde governamental exclusivo aos funcionários públicos, dá-se o aparecimento do setor privado de saúde como sistema assistencial. Tais serviços utilizavam instalações próprias ou procediam ao reembolso 29 das despesas médicas de provedores privados a estes trabalhadores (ANS, 2002). Para Ocké-Reis (2000), a partir daí e impulsionado financeiramente pelo Estado que promoveu gastos públicos com a saúde privada, ocorreu a expansão dos planos de saúde. De acordo com Bahia (2001), na década de 1960, os médicos se organizaram em torno de cooperativas de trabalho - as Unimeds e proprietários ou acionistas de hospitais privados se especializam na comercialização e prestação de serviços de saúde, formando as empresas de medicinas de grupo. Outro fato apontado como responsável pelo incremento dos sistemas de saúde privados no país foi a fusão de vários IAPs formando o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Notou-se um crescimento dos gastos e diminuição das reservas financeiras destinadas à saúde com tais práticas, associadas à incorporação da assistência sanitária a esta pasta e a uniformização dos direitos dos segurados (RONCALLI, 2003). Este manteve a prática de compra de serviços médicos das entidades privadas, uma vez que abarcou os trabalhadores urbanos sem, entretanto, ter promovido um aumento na rede assistencial estatal (OCKÉ-REIS et al, 2006). Nos anos 1970, ocorreu a normatização dos seguros-saúde, com reembolso das despesas assistenciais calculadas com base em valores referenciados das tabelas de serviços do INPS. É importante ressaltar que o seguro de saúde surgiu como plano de custeio, oferecendo aos seus segurados a livre escolha de médicos e hospitais por meio do reembolso das despesas. A criação do Fundo do Trabalhador Rural (FUNRURAL) em 1971 incorporou os trabalhadores rurais ao sistema de saúde e a previdência Nesta mesma década ocorreu a regulamentação dos seguros de saúde e a criação do INAMPS, cuja prestação assistencial era exclusiva aos contribuintes da previdência social e de seus dependentes (MÉDICI, 1992). De 1970 até 1982, o número de internações hospitalares no país aumentou de 2,8 para 13,1 milhões, sendo a rede privada responsável por mais de 95% destes eventos. Os planos de saúde privados proliferaram, sendo responsáveis pela cobertura médica de 22% da população brasileira nesta época (PIETROBON et al, 2008). No início dos anos 80, aproximadamente 15 milhões de brasileiros usufruíam dos planos privados de saúde, consolidando este mercado (BAHIA, 2001). Na década de 1990 a Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080) universaliza em todo território nacional o atendimento a saúde com a criação do Sistema Único de Saúde 30 (SUS), admitindo a participação do sistema privado de forma complementar (MÉDICI, 1992). Nesta mesma época, o Código de Defesa do Consumidor enquadra a relação entre médicos, unidades prestadoras de serviço e pacientes como uma relação caracteristicamente baseada no consumo, aonde o prestador responde a uma falha na prestação de seus serviços, independente da existência de culpa (ALMEIDA, 2011). A literatura sobre o aparecimento da saúde privada no Brasil nos anos 1920 com a criação das entidades de autogestão e nos anos 1950, com a formação da primeira empresa de medicina de grupo, mostra imbricações importantes entre a assistência pública e privada. A industrialização crescente no sudeste do país serviu de estímulo ao aparecimento de organizações privadas prestadoras de serviços de saúde, ofertado de maneira ineficiente pelo Estado, perdurando até a ditadura militar. Esta por sua vez estimulou o fortalecimento destas empresas ao fomentar a atividade privada com recursos públicos (VILARINHO, 2004). A cronologia desta evolução, incluindo o prólogo do assistencialismo privado no Brasil, está exposta na Tabela 2. Tabela 2- Evolução dos Sistemas de Saúde no Brasil Ano 1923 Evento Características Lei Eloy Chaves-Sistema de Caixas Fundos provenientes de empregados de Aposentadorias e Pensão (CAP) e diretores geridos por um colegiado misto com predominância de empregadores 1926 1930 IAPs Institutos de Aposentadoria e O primeiro foi o dos trabalhadores Pensão federais- IPASE Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Publica 1942 SESP- Serviço Especial de Saúde Co-criação com os EUA, Publica objetivando o atendimento médico em áreas produtoras de matéria prima para artefatos da segunda guerra cobertura mundial, de aumentado saúde para a áreas carentes como Amazônia e Goiás 1949 SAMDU Atendimento médico domiciliar, 31 interligação entre todos os IAPs e universalização do atendimento nas urgências médicas. 1953 Ministério da Saúde O Ministério da Educação e Saúde foi desmembrado órgão de e tornando-se atenção integral dos assuntos relacionados à saúde 1956 1960 Criação da Policlínica Geral em São Criação da Primeira empresa de Paulo Medicina d Grupo Lei Orgânica da Previdência Social Reorganização Administrativa e dos (LOPS) serviços e uniformização contribuições dos Institutos com 8% do valor das folhas de pagamento 1966 1967 INPS- Instituto Nacional Previdência Congrega as instituições de seguro Social social e IAPAS Unimed Santos Criação da Primeira Empresa de Saúde Privada do País 1967-1975 Unimeds Independentes com um Criação de Diversas Cooperativas total de 50 até 1975 Independentes em Municípios de São Paulo, Minas, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. 1971 FUNRURAL Diretamente subordinado ao Ministro do Trabalho e Previdência Social promove a prestação de benefícios sociais, previdenciários e de assistência à saúde. 1974 o Regulamentação Portaria n 78 da pratica do seguro-saúde privado, articulado ao sistema previdenciário através do credenciamento de instituições de seguro-saúde. 1977-1978 Criação do INAMPS Financiamento de Estados e Municípios através do INAMPS 1977 Regulamentação dos Seguros de Saúde 1982 Plano de Reorientação Assistência da Saúde da Fim das necessidades de contribuição para tratamento através de remuneração de rede conveniada. 32 1987- SUDS Sistema Único e Descentralizado de Faculta a toda população o acesso ao Saúde sistema público independente de de saúde critérios ocupacionais ou contributivos 1990 SUS Efetivação e regulação do SUS (Leis 8080 e 8142) promoção da saúde, participação da comunidade e o repasse de recursos do governo federal para as demais instâncias. 1990 Código de Defesa do Consumidor- Confere proteção aos consumidores CDC (hipossufientes), e responsabiliza civilmente o médico por ações que causam danos aos pacientes. Em relação aos planos de Saúde, os consumidores ganham um mecanismo de proteção em relação à forma e apresentação dos contratos, rescisões unilaterais, abrangência e estipulações de cláusulas e reajustes. 1997 Agência Nacional Autarquia com atuação em setores de Vigilância Sanitária (ANVISA) relacionados a produtos e serviços que possam afetar a saúde da população brasileira 1999- 2000 ANS- Agência Nacional de Saúde Autarquia vinculada ao Ministério Suplementar da Saúde- ampliação homogeneização da cobertura operadoras Fonte: Autor, baseado em: MERCADANTE O C, SCHECHTMAN A, CORTES B, MUNHOZ JR E, MENDES E, WONG-UN J. (2002. p. 236-313) e pelas 33 3.2.2-Sistema suplementar de saúde no Brasil A maior dificuldade na análise do setor suplementar em período anterior a criação da ANS é a ausência de dados sobre número de usuários, modalidades de coberturas praticadas pelas operadoras, tipos de contratos, número de beneficiários e até mesmo o número fidedigno de operadoras, dada a não regulação e pouco conhecimento do setor. Esta problemática é explicitada em palestra do Diretor-Presidente da ANS no ano de 2001 e compilada em texto disponível pela entidade (MONTONE, 2001), como segue abaixo: ¨ havia um número não conhecido de operadoras (então estimado em 700) com as mais diversas características e formatos jurídicos (sociedades civis com e sem fins lucrativos, subdivididas nas chamadas medicina de grupo, nas cooperativas e instituições filantrópicas, além das seguradoras e das entidades e sistemas de autogestão); Um número não conhecido de consumidores (estimado em 40 milhões), pessoas jurídicas e pessoas físicas, comas mais variadas modalidades de contrato e uma enorme incidência de cláusulas leoninas, principalmente em relação a acesso e aumento de preços; Uma infindável variação de modelos de cobertura assistencial, variando da integral (minoritária) à ambulatorial e hospitalar “básica” (amplamente majoritária). Januário Montone ( 2001, p. 12) Uma das poucas referências quantitativas do setor foi descrita por Médici (1991) no artigo que fez referencia uma queda percentual de 61,4% para 29,6% no número de entidades privadas que prestariam serviços para o SUS. Este mesmo artigo explicitou o número de beneficiários dos programas de cogestão em 1989, no caso 7.5 milhões, e teceu a tabela com os números do setor suplementar, reproduzidos nas Figuras 2 e 3 em sequência: 34 Figura 2- Estimativa dos Usuários da Saúde Privada nos anos de 1987 a 1989 Fonte: André Cezar Médici (1989, p. 95). Figura 3- Incentivos Governamentais á Saúde Privada – 1989 Fonte: André Cezar Médici (1989, p. 104). No final da década de 1980 e início da década de 1990 o setor de saúde privada observava um crescimento com bases em renúncias fiscais e através de articulações tais como terceirizações, fundações e cooperativas (LEVCOVITZ et al., 2001). A proliferação destas entidades foi observada por muitos de maneira crítica, por contrariar 35 interesses dos cidadãos em pró de empresas privadas, tal como ilustrado abaixo pelo pesquisador da Fiocruz, Júlio Cesar Franca Lima (2001): ¨Outro movimento que se observou no período é a (re)organização política dos prestadores privados de saúde no país. Em 1994, foi criada a Confederação Nacional de Saúde, uma entidade sindical de terceiro grau que reúne todos os hospitais, clínicas e serviços de diagnóstico, imagem e fisioterapia (lucrativos e filantrópicos), e operadoras de planos de saúde. Embora tardia, se comparada a suas congêneres, sua criação representa a convergência de interesses tecida nesse período entre prestadores privados, empresas médicas e seguradoras contra uma possível “estatização progressiva” da área de saúde e em prol da manutenção da “saúde financeira” das empresas.¨ Júlio Cesar Franca Lima (2001, p. 285) Pela ausência de qualquer ato normativo, exceto pela atuação de associações de classe e autarquias, como os Conselhos de Medicina para os planos e da FENABRAN (Federação Brasileira de Bancos) para as seguradoras, no período de 1977 até 1998 ocorreu um crescimento acelerado de operadoras privadas no Brasil. A medicina de grupo representava 59% do setor e em sua maioria era constituída por empresas de pequeno e médio porte: 62,2% com menos de 10 mil beneficiários e 27.5% acima de até 50 mil associados. Este crescimento, entretanto começou a esmorecer ao final década de 1990, coincidindo com a criação da ANS. Nesta ocasião são revelados os primeiros dados confiáveis, baseados em pesquisas censitárias do IBGE de 1998 e nos dados de cadastro da própria Agência, trazendo um perfil sócio demográfico dos usuários da saúde suplementar. A ANS, desde sua criação, classifica o porte das operadoras de acordo com o número de usuários, considerando: Pequeno Porte: até 9.999 beneficiários; Médio Porte: as operadoras com 10 mil a 99.999 usuários; Grande Porte: 100 mil ou mais beneficiários. Apesar da duplicidade pública e privada na assistência, o sistema de saúde do Brasil goza de um baixo prestígio junto à população brasileira. Uma pesquisa publicada 36 pela revista Bloomberg em agosto de 2013, cujas bases foram arquivos do Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e Organização Mundial de Saúde, o país apareceu como o último entre aqueles ranqueados, distanciando-se do primeiro colocado, Hong Kong, em custo/PIB e também na razão entre gasto e eficiência (BLOOMBERG, 2013). Ainda assim, em junho de 2013 entre todas as modalidades o número das operadoras com registro ativo na ANS somava-se 1.499. Desde o ano 2000, quando houve início esta aferição, o padrão apresenta uma mudança drástica entre os planos coletivos - de um pouco mais de 11 milhões em 2000 para mais de 49 milhões em 2013 (ANS, 2013). O setor de medicina suplementar no Brasil é divido desta maneira, de acordo com a resolução da ANS (2000): • MEDICINA DE GRUPO: empresas ou entidades que operam planos privados de assistência à saúde; • COOPERATIVAS MÉDICAS: sociedade de pessoas sem fins lucrativos que operam planos privados de assistência à saúde; • SEGURADORAS: pessoa jurídica que propõe a contratação de plano coletivo na condição de estipulante ou que presta serviços para pessoas jurídicas contratantes de planos privados de assistência à saúde; • PLANOS DE AUTOGESTÃO: a pessoa jurídica de direito privado que, por intermédio de seu departamento de recursos humanos ou órgão assemelhado, opera plano privado de assistência à saúde exclusivamente aos empregados e ex-empregados da entidade, aposentados que tenham sido vinculados anteriormente, pensionistas e beneficiários dos familiares. Uma característica que emerge no setor é a tendência à verticalização, ou seja, um controle da operadora sobre seus prestadores de serviço de saúde com a finalidade de organização de modelo próprio de gestão assistência (ANAPH, 2013). Entre os benefícios da verticalização estão a mitigação de adversidades entre o plano de saúde e seus prestadores, alinhamento dos recursos, melhor controle dos prestadores, faturamento e orçamento. Por outro lado, esta estratégia inibe uma competição sadia entre os atores, concentra o mercado, induz a um conflito de interesses e confrontos com os usuários finais. 37 Com um lucro de 2,9 bilhões em 2012 (ANS, 2013) o setor de saúde suplementar é responsável por empregar 4,3% da população brasileira, significando mais de 10% da massa salarial do setor formal e aproximadamente 3,9 milhões de postos de trabalho de acordo com o levantamento censitário do IBGE de 2008. Conforme outra amostragem houve um aumento do número de usuários da saúde suplementar: em 1998, 24,5% dos brasileiros tinham cobertura ao passo que em 10 anos o número cresceu para 26,3%, o que representa 49,1 milhões de indivíduos (IBGE, 2010). Em junho de 2013, o setor é representado por 1.499 operadoras de saúde, sendo 208 de autogestão, 323 cooperativas médicas, 84 entidades filantrópicas, 12 seguradoras especializadas em saúde, 366 medicinas de grupo, 118 cooperativas odontológicas 289 odontologias de grupo e 99 administradoras de benefícios, conforme demonstrado na figura 4 que ilustra as respectivas percentagens: Figura 4- Operadoras de Saúde no Brasil de Acordo com a Modalidade Operadoras de Saúde no Brasil 1% 11% 7% Seguradoras 28% 29% Filantropia Autogestão Grupo 33% Cooperativa Medica Cooperativa Odontologia Fonte: ANS (2013) Nos últimos dez anos o setor vem apresentando uma concentração: ao mesmo tempo em que diminuem o número total das operadoras, cresce a receita e o número de beneficiários (ANS, 2013): em 2003 eram 17,3 milhões de beneficiários cobertos pela saúde suplementar, sendo que 2,1 milhões contavam apenas com planos odontológicos. 38 Naquela época a receita gerada era de um pouco mais de R$ 28 bilhões. Em 2013 são 25 milhões de beneficiários, destes 9,6 milhões exclusivamente odontológicos gerando uma receita de R$ 95.336.840.793 bilhões. Cerca de 80% dos usuários estão em planos coletivos, ou seja, quase 33 milhões de vidas. O restante, 25%, possui plano individual ou familiar (CFM, 2013). Desde que se iniciou o acompanhamento pela ANS, a cobertura mensurada subiu de 18% para 25%. Metade dos 347 mil médicos registrados no Conselho Federal de Medicina atendem em média oito diferentes tipos de planos de saúde em seus consultórios, gerando 223 milhões de consultas e 4,8 milhões de internações e empregando 683.425 pessoas (IBGE, 2011). 3.2.3-Regulamentação da Saúde Suplementar Com a criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar- ANS as operadoras de saúde do país saem de um modelo no qual a livre atuação era permitida, para a necessidade de obediência às exigências regulatórias, regras de controle de abertura, reserva de capital e sujeição a intervenções e liquidações. Foram ainda criadas regras contábeis com a obrigatoriedade de publicação (MONTONE, 2003). Prossegue o ainda presidente do órgão Januário Montone: ¨...provisão de risco, capital mínimo e Índice de Giro Operacional. Por ser um mercado com regulamentação recente, para as operadoras de modalidades distintas das seguradoras especializadas em saúde, a ANS definiu metas anuais de garantias financeiras, com horizonte de 6 anos para alcançar-se a totalidade das mesmas.¨ Jauário Montone. ( 2003, p. 25) As informações sobre a regulação e necessidade de adaptações às novas diretrizes estão compiladas na Tabela 3. 39 Tabela 3- Normatização da ANS para as Operadoras de Saúde Condições de Ingresso Garantias e Provisões Técnicas Necessidade de Registro Conjunto de exigências a serem observadas pelas operadoras de planos de saúde para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, minimizando os riscos de insolvência. Regulamentação das Seguradoras Seguros-saúde constituam estatuto social específico, vedando sua Especializadas em Saúde atuação em quaisquer outros ramos de atividade ou modalidades. Transferência de Carteira Permissão de operação voluntária de transferência de carteira entre operadoras, mantendo-se integralmente as condições dos contratos vigentes, inclusive quanto à data de aniversário do reajuste da contraprestação pecuniária e vedado o estabelecimento de carência adicional. Transferência de Controle Acionário ou Propriedade da Necessidade de aprovação prévia pela ANS do controle acionário ou propriedade antes do registro na Junta Comercial Empresa Cancelamento de Registro Obrigatoriedade em demostrar a ausência de comercialização de produtos e a ausência de beneficiários para operadora que deseja cancelar seu registro. Regulação nos Preços Aplicáveis apenas para contratos posteriores a normativa admitese sete faixas etárias distintas com teto de variação em seis vezes. Reajustes de planos individuais ficam sob a égide da ANS. Fiscalização Direta e Indireta Fiscalização direta movida por denuncias e indireta pelo monitoramento das operadoras, baseando-se nas informações obrigatórias periódicas nas esferas assistenciais, econômicofinanceiras e cadastrais. Fonte: Autor baseado em dados da ANS (2003) O gráfico do Instituto de saúde Suplementar (CECHIN 2008), compilado na Figura 5, demonstra o comportamento das operadoras antes e depois da regulamentação. Observamos um crescimento exponencial até o ano de 1999 e a redução drástica após a criação da ANS. Uma análise para este comportamento pode ser feita em decorrência não só das exigências, até então inexistentes e que passaram a ser cobradas, tais como a necessidade de reserva monetária, impedimento ao livre ajuste de preços, mas também 40 pela conjuntura econômica da época, quando o país saia de uma era de hiperinflação para uma estabilidade na sua moeda. Era prática comum na época para as empresas que recebiam antecipadamente, a aplicação do capital e pagamento posterior aos seus fornecedores - muitas vezes só após 60 dias. Com isso, a probabilidade de lucro das operadoras era imensa e baseava-se primordialmente na capacidade em lidar com o mercado financeiro, e não pela boa gestão em sua prestação de serviços. Este mercado particular foi oportuno para a proliferação de entidades que não obedeciam a regras definidas, não possuíam lastro econômico para suas atividades e nem prestavam contas aos consumidores (ANS, 2013). Figura 5- Comportamento das Operadoras de Saúde antes e depois da criação da ANS. Fonte: Cechin, (2008, p. 58) Observamos acima que a maior parcela de clientes, e fator de aparente crescimento do setor entre os anos 1980 e final dos anos 1990, constituía-se de clientes individuais por operadoras de medicina de grupo. Todavia, os custos apresentavam-se crescentes, os consumidores encontravam-se restritos ao sudeste e sul do país e havia grande dificuldade de relacionamento com os prestadores de saúde, causando uma queda na qualidade dos serviços oferecidos (BUSS e LABRA, 1995). 41 3.3 - O setor de saúde nos EUA Da época de sua colonização até os dias atuais, o sistema de saúde dos EUA passou por arranjos em sua evolução, sendo estas transformações quase sempre baseadas na filosofia do individualismo, do liberalismo, neoliberalismo e na diferenciação dos indivíduos, agregando-se valores como eficiência na alocação de recursos e mensuração de riscos. Dos tratamentos domiciliares por boticários na época da colonização, passando pela educação de médicos na Europa, até a inauguração da primeira escola de medicina - o College of Philadelphia no início do século XX, o atendimento médico naquele país era encarado como um problema a ser solucionado pelo cidadão e ao Estado cabia o acolhimento e suporte aos menos favorecidos: pobres, idosos e órfãos. Desde o século XVII, os hospitais foram mantidos por organizações filantrópicas laicas e beneficentes e pelos governos locais com alguma participação do governo federal (STARR, 1982). O aparecimento dos primeiros hospitais privados e os arranjos primários para o custeio da saúde ocorre somente no final do século IXX e mesmo estes, pelo compromisso de prestar serviços a população carente, eram considerados como beneficentes. Este status por sua vez promovia a obtenção de subsídios e facilidades tributárias, características mantidas até os dias atuais. Existe uma clara distinção entre a promoção de saúde a cargo do Estado e da assistência privada. O primeiro é responsável por políticas sanitaristas e pelo controle de infecções, e o último é responsável pela parte curativa (UGÁ e NORONHA, 1995). Com a depressão de 1929, escassearam as doações aos hospitais filantrópicos, mantidos pelas populações locais e começaram a surgir planos de saúde organizados sob a forma de cooperativas na zona rural do estado de Oklahoma e no Texas. Foi criada a modalidade de pré-pagamento que rapidamente difundiu-se pelo país como HMOHealth \ Maintenance Organization cuja tradução mais aproximada seria Instituição Mantenedora de Saúde. As pioneiras Blue Cross e Blue Shield formadas nesta época, contaram com poucos concorrentes até os anos 1970. Em dezembro de 1973 o presidente estadunidense Richard Nixon estabelece a obrigatoriedade de seguro médico para empresas e suas regras de aplicabilidade, estimulando a concorrência e o crescimento através de ato federal, o Federal HMO Act (ALMEIDA, 1999). Este ato normativo teve como objetivo reduzir as despesas médicas e hospitalares, possibilitando novas formas de gerenciamento dos planos de saúde, concedendo e liberando empréstimos para a 42 criação de novas HMOs e para a expansão das já existentes, assim como revogava leis estaduais de restrições para HMOs que obtivessem o certificado federal (ANDRADE e LISBOA, 2000). Este fato, somado a uma necessidade de economia de escala, criações de marcas fortes sob um mesmo nome e sobrevivência em um mercado altamente competitivo, promoveram uma concentração de operadoras nos anos 1990 (AUSTIN e HUNGERFORD, 2009). Atualmente, o sistema de saúde americano conta com 25 grandes operadoras que movimentam anualmente mais de 700 bilhões de dólares e mais de 5 mil hospitais registrados, segundo a American Hospital Association (AHA, 2013). Na sua maioria, o setor é eminentemente privado com a esfera pública atuando somente em caráter compensatório para a assistência aos idosos, veteranos de guerra e aos menos abastados, configurando um caráter assistencial somente compensatório. Essencialmente voltados à prestação privada da saúde, os EUA ostentam o título de país com o maior gasto do setor no mundo, porém não o mais eficaz. Existem dois programas governamentais que não abrangem a totalidade da população: O Medcare e o Medcaid. Ambos são administrados pelo Centers for Medicare e Medicaid Services, pertencentes ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, 2013). As propostas de reforma estão fortemente direcionadas à redução dos custos da atenção, à ampliação da cobertura e para um financiamento público amplo. O Medcare é um programa de seguro federal administrado pela Seguridade Social e estabelecido pelo Congresso Americano em julho de 1966. A população alvo de cobertura são os indivíduos acima de 65 anos de idade, cidadãos americanos legalizados, moradores no país há pelo menos cinco anos e com pelo menos dez anos de contribuição à previdência. Podem ser inscritos também os portadores de deficiência física e doentes terminais. O programa é dividido em parte A- assistência hospitalar e parte B- assistência médica, porém existem lacunas de coberturas, tais como a ausência de assistência odontológica, modalidades alternativas de tratamento como acupuntura, não cobertura em medicamentos, além da restrição ao acesso dos contribuintes da Seguridade Social por aposentadoria precoce. Estas janelas de cobertura podem ser mitigadas pela contratação de seguros suplementares como o Medgap (MEDCARE, 2003). 43 O Medcaid por sua vez é um programa destinado aos cidadãos americanos de baixa renda, porém a cobertura e elegibilidade são variáveis dependendo do Estado. É ele que chancela a qualificação, a cesta de serviços, as coberturas e os custos dos serviços. Sob a tutela federal, cada um dos estados americanos faz a gestão de seus programas, havendo, por conseguinte uma gama de coberturas, variedades nas elegibilidades e distintas modalidades de assistência (Medcaid, 2013 ). No âmbito privado, as organizações de saúde americanas possuem produtos cujas diferenças e similitudes podem ser comparadas na Tabela 4 e estão definidas abaixo: Health Maintenance Organizations (HMOs): modalidade que exige obrigatoriamente o acompanhamento por um médico generalista com encaminhamento recomendado em caso de necessidade de especialista, porém possuem várias formas comerciais, algumas como extensão de cobertura e grau de liberdade em escolha de serviços médicos; Preferred Provider Organizations (PPOs): os usuários recebem descontos substanciais ao utilizarem serviços referenciados das operadoras ou serviços externos; Exclusive Provider Organization (EPO): configura-se um arranjo comercial de prestação de serviços dentro de uma rede exclusiva de médicos e hospitais ligados às operadoras. Não há reembolso na escolha de serviços externos a esta rede; Point of Service Plan (POS): tipo de gerenciamento dos serviços de saúde que combina PPO e HMO. Há a escolha de um médico generalista para o acompanhamento do paciente, porém ele poderá referenciar para especialistas de fora da rede constituída pela operadora. 44 Tabela 4- Diferenças Entre Modalidades de Cobertura na Assistência Privada Americana Fonte: U.S. Department of Health & Human Services (2013). 3.4- O setor de saúde na Argentina Na primeira metade do século XX, a Argentina era a 8a economia do planeta (PÓVOA, 2005; NÓBREGA, 2012). O declínio do país ocorreu após a segunda guerra mundial, mais especificamente com a eleição e chegada ao poder do populista Juan Peron a presidência do país. Sob o ideal de ‘proteção social’ o Estado era o mediador entre o trabalho e o capital, fomentando-se as legislações nacionais protecionistas, as negociações coletivas e a sindicalização das classes trabalhadoras ao mesmo tempo em que se revogaram os direitos de propriedade. (CARDOSO e JULIÁN, 2008). Neste cenário institucional, são criadas as Obras Sociais (MÉDICI, 2002), autarquias responsáveis por prover assistência e ações de saúde aos trabalhadores, sendo seu pagamento compulsório e incidido como desconto na folha do empregado e outra parte no pagamento pelos empregadores. Em seus primórdios, estas instituições eram divididas por classe e categoria trabalhista, as Obras Sociais Sindicais, cujas administrações eram realizadas por escolha dos sindicatos. Posteriormente foram criadas as Obras Sociais de Direção, com alvo em executivos diferenciados das grandes empresas, as Obras Sociais Previdenciais, abrangendo os funcionários públicos das províncias e o Programa de Atenção Médica Integral, destinado à assistência dos 45 aposentados e pensionistas (PAMI, 2013). Este sistema para qual o capital fluía de maneira compulsória, vitalícia e heterogênea era dispendioso, pouco competitivo e permissivo de uma duplicidade de vínculos. Contava com dirigentes despreparados para gestão administrativa e foi ao colapso no início dos anos 1990. Em 1989, Carlos Menem assume a presidência com ideais neoliberais, promovendo a abertura para capitais estrangeiros, privatização de estatais e paridade da moeda argentina com o dólar americano, instituindo uma ação denominada Plano de Conversibilidade ou Plano Cavallo (NEUTZLING, 2008). No setor da saúde surge a proposta de reforma e desregulamentação das Obras Sociais (SILVA, 2006). Normativas sobre as alíquotas de contribuição para estas instituições, o estabelecimento de um pacote básico mínimo obrigatório de serviços (PMO), definido, regulado e garantido aos afiliados e impedimentos às duplicidades de inscrições em Obras Sociais diferentes, perduraram por toda década de 1990, ocasionando uma queda de cobertura de 75% para 58% da população. Houve uma concentração destas entidades, que passaram de mais de trezentos para menos de duzentas até o ano 2000 (BELMARTINO, 1997). Nesta época, coincidindo com o fim do peronismo argentino, cresce o número de empresas de seguro privado de saúde, chegando ao número de 200 (CAVAGNERO et al, 2006). O crescimento deste setor foi apoiado por dois fatores: abertura das Obras Sociais aos planos privados para coberturas e a procura pela população mais abastada por alternativas ao sistema público (NEUTZLING, 2008). Contudo, as forças sindicais atuantes no início dos anos 2000 (SOUZA, 2009) intervieram de maneira ativa contra as medidas de livre escolha entre a afiliação ao sistema de Obras Sociais e a saúde privada, assim como se colocam contrárias à privatização e a internacionalização dos negócios em saúde (MÉDICI, 2002). Para manter a disputa junto aos eleitores da forte base sindical, o governo retrocedeu e a reforma das Obras Sociais argentinas não se concretizou, fato que persiste até o presente momento. Nesta época houve um decréscimo de cobertura das entidades privadas de 13,9% para 4,2% da população (ACUÑA e CHUDNOVSKY, 2002). A assistência privada, conta com forte regulação e baixo rendimento, promovendo uma concentração do mercado em poucas operadoras, que atendem a 10% da população, na sua maioria em contratos coletivos. Pelos altos custos, houve 46 tendência à verticalização da cadeia e menos de 10 das operadoras privadas detém 90% dos clientes, na sua maioria cobrindo apenas as áreas urbanas do país. As operadoras se agrupam em dois grupos empresariais: Câmara de Instituciones Médico-Asistencial de la República argentina e la Asociación de Entidades de Medicina Prépaga, que representam as entidades sem serviços próprios (DIEZ, 2007). Confrontando estes números, a última estatística da Associación de Entidades de Medicina Privada (ADEMP, 2013) evidenciou que no ano de 2010 as Obras Sociais foram responsáveis pela cobertura de 46 milhões de argentinos, um pouco mais da metade da população do país, sendo a maior delas a dos comerciários, com quase 1 milhão de usuários. 3.5. Diferenças entre os sistemas de saúde no Brasil, EUA e Argentina. Embora de caráter misto, os sistemas de saúde diferem entre estes três países na sua estruturação, gastos, abrangência e regulação. A Tabela 5 ilustra estas diferenças: Tabela 5- Diferenças entre os Sistemas de Saúde Brasil, EUA e Argentina. Fonte: Autor 47 3.6. Internacionalização de empresas Negócios internacionais, em termos genéricos, podem ser entendidos como quaisquer relações comerciais e de investimento entre entidades de países diferentes, sejam estas empresas de cunho privado ou estatal. Os atrativos para que uma empresa opte por ter estas relações em outro país, são as oportunidades de um tamanho maior de mercado, economias de escala, aprendizagem, fuga de um mercado doméstico saturado, diversificação dos riscos de um negócio, exploração das competências da empresa na geração de valores para os mercados transfronteiras, redução dos custos de produção e minimização das distâncias geográficas. As barreiras na implementação desta estratégia podem ser tão diversas quanto às vantagens e ocorrem por diferenças políticas, econômicas, sociais e culturais (FERREIRA et al, 2011). O modo de entrada no estrangeiro e a sequência de implementação da estratégia, são elementos de vital importância, assim como a possibilidade na diversificação dos produtos, coordenação entre os mercados e maior ou menor compromisso com os recursos. Em relação aos modelos de entrada, a literatura aponta que podem ser feitos através de exportações, licenciamentos ou investimentos diretos (ROOT, 1994). Retomaremos na análise do caso a interseção entre a diversificação dos negócios e a estratégia de internacionalização, uma vez que a empresa estudada promoveu ambas as ações de maneira subsequente. Vale, entretanto ressaltar aqui a análise pouco estimulante de Porter (2009) quanto a este estratagema: 60% das empresas de seu estudo abandonaram seus negócios diversificados. O objetivo deste capítulo será então, discorrer sobre as diferentes teorias de motivação na internacionalização, baseadas nas escolas econômicas e comportamentais. Enfatizaremos esta última, para fins de análise do caso, assim como abordaremos os constructos nelas inferidos, como as diferenças culturais e psíquicas de acordo com as dimensões de Hofstede e Ghemawat. 3.6.1-Teorias econômicas de internacionalização Stephen Hymer, economista canadense, no início dos anos 1960 escreve sua tese de doutorado The International Operations of National Firms: A Study of Direct 48 Foreign Investment baseado em conceitos teóricos das organizações industriais (DUNNING e RUGMAN, 1985). De acordo com a sua Teoria do Poder de Mercado, a lógica das operações internacionais de uma empresa toma forma pelas vantagens da propriedade e no controle da transposição das imperfeições de mercado, aplicando-se prudência no que tange a utilização dos recursos, fator que só pode ser gerido pelo proprietário da firma ao eliminar os concorrentes exportadores com a instalação dos seus negócios no mercado estrangeiro alvo (HYMER, 1960). Segundo esta teoria, a decisão de quando internacionalizar deriva da percepção da oportunidade no fortalecimento de sua posição no exterior, ao declinar as oportunidades no mercado doméstico. A escolha do local é definida pela possibilidade de arranjos para uma concentração do mercado podendo ser feita através de exportações ou plantas no exterior. Na segunda metade desta década, Richard Vernon (1966) considera elementos até então não abordados nas teorias de internacionalização: a cronologia das inovações, as economias de escala, a ignorância e incerteza decorrentes da informação limitada. Logo, o local e o momento para investimento internacional é influenciado pela evolução das vantagens comparativas de custos ao longo do ciclo de vida do produto e divorciase da premissa de que o conhecimento é propriedade universal. Destarte, a introdução de produtos novos e lucrativos está na dependência direta de mão de obra qualificada e na disposição de capital, com tendência a serem mais intensas em países mais desenvolvidos. Há um paralelismo entre a maturação do produto, a padronização das técnicas para obtê-lo e o barateamento da mão de obra. Neste estágio a produção desloca-se internacionalmente para locais mais vantajosos em termos econômicos (VERNON, 1966). Dez anos depois, o trabalho apresentado pelo inglês Dunning (1977) em Estocolmo, acrescenta à literatura suas observações anteriores sobre o comportamento de empresas americanas que atuavam no mercado interno e suas filiais na Inglaterra. O comportamento poderia vir de três fatores: Ownership, Location and Internalization (OLI), ou seja, Propriedade, Localização e Internalização. A propriedade (componente P) diz respeito a recursos endógenos da empresa e podem ser transferidas de uma localidade para outra. A natureza da propriedade pode ser tanto estrutural, principalmente dos ativos, quanto transacional, como a vantagem da redução nos custos nas transações. A empresa deve observar de maneira atenta qual excelência possui sobre 49 as empresas locais, de tal modo que haja superioridade sobre aquelas já instaladas em determinadas localidades e deste modo compense os custos em operar num mercado estrangeiro. A localidade (componente L) abarca características não transferíveis da empresa para as filiais, como as vantagens de produção, distribuição, incentivos locais e acesso de uma determinada região e só podem ser ganhas com sua instalação neste determinado local. Leva-se em conta vantagens que só podem ser aproveitadas naquela localidade específica, cuja natureza também é dividida entre transacional ou estrutural. Por fim, a internalização (componente I) parte da premissa de imperfeição de mercados e dá a empresa maior vantagens quando opta pelo processo internacionalização, através da diminuição dos custos de câmbio, da propriedade da informação, da assimilação, integração no mercado externo, da redução da incerteza, do maior controle da oferta e da possibilidade mais ampliada na realização de novos negócios e acordos mais vantajosos (DUNNING, 2000). Contemporânea à teoria acima, Casson e Buckley (1998) desenvolveram em 1976 a Teoria da Internalização, baseando-se em publicação de Coarse (1937), na qual mediante mercados imperfeitos as empresas maximizam seus lucros quando os mercados de produtos intermediários são imperfeitos e existe um incentivo para desviálos criando mercados internos, ou seja, realizando uma integração vertical. Para tanto é necessária à criação de uma propriedade comum e o controle das atividades pela empresa. A internalização dos mercados transfronteiras é o fator que faz gerar as empresas multinacionais. 3.6.2- As teorias comportamentais O enfoque dado por esta corrente teórica afasta-se das dimensões puramente econômicas e tece considerações sobre decisões baseadas em modelos comportamentais, distâncias psíquicas entre as localidades, modelos graduais e incrementais de inserção nos mercados internacionais. Ao contrário do se possa imaginar, esta corrente não é uma evolução do pensamento puramente econômico, mas nasce de maneira paralela a ele, ainda na década de 1960 com a publicação A Behavioral Theory of the Firm dos canadenses Richard Cyert e James March (1963). 50 Uma das principais representantes da escola comportamental é a Escola de Upsalla, também conhecida como Escola Nórdica de Negócios, um dos conceitos mais citados em internacionalização de empresas. Foi escrita em 1977 pelos suecos Jan Johanson e Jan-Erik Vahlne (JOHANSON E VAHLNE, 1977) a partir de observações empíricas sobre o modo como as empresas suecas se estabeleciam além de seu país de origem, ressalvando que o modelo de entrada e de expansão, entretanto, não seria exclusivo deste país. Segundo os autores, a organização é uma entidade caracterizada por processos cumulativos de aprendizagem, que apresenta uma complexa estrutura de recursos, competências e influências. Sua ação transfronteira ocorre de maneira gradual. Segundo este modelo, as empresas partem para a internacionalização primeiramente através de exportações por agentes, seguindo-se representação de vendas no país hospedeiro, para finalmente iniciar sua produção estrangeira. Tais mudanças são decorrentes da interação entre o comprometimento de recursos, o conhecimento dos mercados e suas peculiaridades quanto às operações. Baseados na Teoria Comportamental, o conhecimento é peça central e só pode ser obtido pela experiência. Desta maneira, conhecimento retroalimenta o comprometimento de recursos. Outro ponto central desta teoria é uma tendência à internacionalização de acordo com a distância psíquica, ou seja, fatores que possam interferir no fluxo de informação entre os países (HILAL, 2003), que será abordado no tópico 3.10. Para estes autores o gradualismo respeita esta diferença e deste modo, a lacuna de informações sobre os mercados estrangeiros seriam amenizadas. As decisões seriam congruentes e dinâmicas em relação ao aprendizado sobre as transformações. A Figura 6 é uma adaptação do modelo clássico proposto por estes autores. 51 Figura 6 - Modelo de Upsalla Conhecimento do Mercado Comprometimento no Mercado Decisões de Comprometimento Atividades no Mercado Fonte: Adaptado de Johanson Jan, Vahlne Jan-Erik (1977). Não só pelas críticas, quanto pelas mudanças no comportamento das empresas nas últimas três décadas, Johanson e Vahlne revisam sua teoria em 2009, assumindo a existência de um entendimento rudimentar da complexidade dos modelos de internacionalização na época de sua primeira publicação. No modelo revisado de Upsalla, a distância psíquica perde a importância em detrimento da importância das redes de relacionamento (JOHANSON e VAHLNE, 2009), conforme explicam os autores: ¨ When we constructed the model there was only a rudimentary understanding of market complexities that might explain internationalization difficulties, but subsequent research on international marketing and purchasing in business markets provides us with a business network view of the environment faced by an internationalizing firm.¨ Jan Johanson e Jan-Erik Vahlne( 2009, p1417) 52 O aprendizado e o comprometimento são seminais no modelo proposto em 1977 e a construção de uma rede de relacionamento impulsiona a ambos. Entretanto, o enfoque na teoria revisada muda o sujeito de tais atributos, que agora passa a ser o parceiro de negócios, não mais o mercado. A rede de negócios é um conjunto de relacionamentos interconectados, que embora limitados aos parceiros, se ligam a outras empresas, clientes e fornecedores, criando uma dimensão sem fronteira (JOHANSON e VAHLNE, 2009). O aprendizado pode ocorrer entre os agentes, na observância pela maneira com que reagem a mudanças e nas competências relativas de cada parte, que podem ainda ser absorvidas pela firma e usadas em outros relacionamentos. Outro acréscimo importante na revisão da teoria de Upsalla (JOHANSON e VAHLNE, 2009), foi a ênfase no aspecto emocional-afetivo, agora mais explicito e incluído como fator crítico, principalmente pelo sentimento de confiança entre as partes na construção de uma rede de negócios. Diante de mercados internacionais imperfeitos, estas dimensões poderiam ser fonte de conhecimento assumindo inclusive, um papel mais importante do que o desenvolvimento de novos conhecimentos operacionais como explicado: Our original model does not explicitly include any affective or emotional dimensions in relationships, though it can be argued that they are implicitly present in the concept of knowledge.We now think that those dimensions should be explicit. First, much has since been written on social capital, trust, and similar concepts, which of course include both affective and cognitive elements. Second, we realize from empirical observation that affective dimensions are indeed important for understanding the relationships that are a critical component of our model¨ Jan Johanson e Jan-Erik Vahlne ( 2009 p1417) Logo, Modelo de Uppsala descrito em 1977 dispõe tacitamente que a internacionalização de uma empresa ocorre por uma busca de novos mercados, enquanto a sua revisão estabelece que a internacionalização, mais o que a procura por mercados, é uma busca de conexões e o fortalecimento das mesmas. Ser parte ou não 53 das redes de relacionamento (insidership ou outsidership) seria agora a maior barreira para o conhecimento do mercado (JOHANSON e VAHLNE, 2009). Em 1993, o também sueco Anderssen, desenvolve sua teoria de internacionalização a partir de um foco individualista como agente causador do processo. Critica os modelos pregressos, discorrendo sobre comportamentos diferenciados entre empresas da mesma indústria e do mesmo país em suas estratégias de internacionalização, condições nas quais, as teorias econômicas e comportamentais incrementais pregressas não explicariam. A causa do processo de internacionalização de uma empresa nasceria da análise de um indivíduo empreendedor, utilizando os conceitos da racionalidade limitada (ANDERSSEN, 1993). Existem cinco características inerentes a este empreendedor: a habilidade, a vontade da ação, a visão de que agir de acordo com sua visão é mais importante do que os cálculos racionais, o poder de convencimento dos terceiros ao investimento e o reconhecimento do momento adequado. Para o autor, a combinação destes fatores teria preponderância sobre a racionalidade pura e a vontade do indivíduo empreendedor é fator crucial para implementação desta estratégia. Estes indivíduos possuiriam uma natureza voltada para a inovação tecnológica, sempre em busca de novidades no processo e seus desenvolvimentos, porém atendem às demandas e seus mercados alvo são os emergentes ou em crescimento. Haveria um segundo tipo de indivíduo cujas ações se voltam para a expansão internacional também sem usar da pura racionalidade. Ele denomina como empreendedor de marketing e para este tipo, preferências e redes de relacionamentos pessoais podem influenciar a decisão. O terceiro tipo, segundo Anderssen (1993) diz respeito a empreendedores que rearranjam mercados com suas estratégias, acontecendo em atividades maduras. Logo, para o autor, os indivíduos de natureza técnica o modo de entrada nestes mercados seria via fusões e aquisições. 54 3.7. Implementação da Estratégia de Internacionalização - Modelo AAA de Ghemawat De acordo com Ghemawat (2007), a decisão na implementação de uma estratégia de internacionalização deve levar em conta não somente uma busca pela economia de escala ou uma capacidade de resposta às condições locais, mas a gestão das diferenças entre estas fronteiras sejam elas geográficas ou não. O autor discorre então sobre a estratégia de entrada de acordo com o tripé AAA (Adaptação, Agregação e Arbitragem). A utilização recomendada de um A do tripé, ou até mesmo uma combinação deles, desenhará a abordagem nos mercados estrangeiros, com fins de minimização dos impactos econômicos e facilitação nas adaptações locais (GHEMAWAT, 2007). Na Adaptação a empresa deve fazer modificações em alguns dos seus processos, modelos de negócios ou produtos para adequar-se aos novos mercados. A estratégia deverá então observar a seleção ou escopo dos produtos, parcerias, variações, descentralização do controle e enfatizar a diplomacia corporativa. Esta estratégia deve ser observada quando a empresa pretende alcançar uma relevância em uma localidade e explorar economias de escala. Para tanto, os países de escolha seriam aqueles similares ao país nativo da empresa a fim de minimizar os impactos das distâncias culturais, administrativas, geográficas e econômicas (GHEMAWAT, 2007). A Agregação orienta o processo de internacionalização para a economia de escala e escopo dos negócios de uma empresa através da padronização internacional. A coordenação dos negócios deverá ser regional ou por negócios, com foco na economia de escala e os países de escolha também seriam os semelhantes ao da empresa. As alavancas para esta estratégia seriam as plataformas, portfólio, posicionamentos regionais e integrações entre as regiões, possibilitando vantagens maiores do que a adaptação país por país poderia proporcionar (GHEMAWAT, 2007). A Arbitragem traz como vantagem competitiva a especialização na internacionalização. Ao contrário das anteriores a configuração das localidades não respeitaria as diferenças entre as distâncias de quaisquer naturezas e, ao contrário, explorar este fator seria fonte de oportunidades (GHEMAWAT, 2007). A Tabela 6 explica cada um destes tópicos. 55 Tabela 6- Tripé AAA de Ghemawat Fonte: Ghemawat P (2007, p 4) 3.8 - Estratégias de saída dos mercados internacionais Tão importante quanto a decisão de entrada em um mercado é a estratégia para sua descontinuação, embora menos abordada na literatura. Na sua maioria os estudos estão relacionados a relatos de casos sobre falências ou declínio de empresas. Sob a ótica econômica, Krugman (1979) preconiza que a decisão de iniciar um negócio no exterior só deve ser levada em conta quando, os custos de entrada e saída forem computados. Burgelman (1994) aborda o tema do ponto de vista da ecologia organizacional, ressaltando que a capacidade de descontinuar um negócio faz parte de uma série de competências adaptativas, movidas tanto por forças externas quanto por forças internas de uma empresa e é um mecanismo de auxilio em sua sobrevivência. Armadilhas e vieses na decisão de descontinuar poderiam advir de uma miopia por uma competência tecnológica extrema, da discrepância entre as ações da alta e média gerência, do viés da escalada de comprometimento, da ausência de novos negócios para competir com as antigas linhas, da incapacidade em uma estratégica de reconhecimento de suas competências e da produção do conhecimento interno. 56 3.9 - Conceitos de culturas Para Hofstede a cultura é sempre um fenômeno coletivo que se manifesta dentro de um grupo social e os distingue dos demais (HOFSTEDE, 1997). A empresa e os atores com os quais ela estabelece relacionamentos em mercados internacionais estão inseridos em redes de negócios compostas por diversos outros participantes de culturas distintas. Estas variáveis determinam influências que estão além das habilidades técnicas de gestores, independentemente de suas experiências (HILAL, 2003). Embora as culturas nacionais não sejam sinônimos de culturas sociais, ressaltamos a influência da cultura de um país em culturas organizacionais, nas práticas de trabalho, na interação com valores e éticas socialmente aceitas (MACHADO, 2007). A literatura contemporânea sustenta que a combinação dessas forças pode criar um ambiente operacional que seja muito diferente, até mesmo em países que aparentemente sejam similares, dificultando a internacionalização e fadando os negócios a finitude (CHILD, 2002). Shenkar (2001), por sua vez, chama atenção para a confusão entre proximidade geográfica e proximidade cultural, confusão esta que pode levar estratégias de internacionalização à derrocadas. No modelo clássico de Hofstede (1991), a adaptação das empresas está inserida em um mosaico multicultural. Características importantes a serem levadas em conta são: o evitamento da incerteza, distanciamento do poder, culturas individualistas ou coletivistas, gêneros e dinamismo confunciano, dimensão relacionada com a persistência em busca dos resultados de forma mais imediata ou mais lenta, na adaptação de tradições para um contexto moderno, na aceitação de relações desiguais e que orienta as ações para futuro ou passado. Estes fatores podem estar presentes em maior ou menor ocorrência, de acordo com nacionalidades distintas, influenciando a programação mental de um povo, assim como processos de gestão e adaptações de empresas estrangeiras. A cultura de outra localidade pode ser uma barreira ao sucesso, tais como as diferenças de idiomas, legislações, economias e políticas. Estas diferenças culturais podem representar um empecilho à formação de vínculos em terras estrangeiras e contribuir para o insucesso de um negócio (VIANNA, 2009). 57 3.10 - Conceitos de distância psíquica Mesmo em um mundo de interseção das atividades e com a barreira da distância geográfica em queda, valores como cultura, dinâmica econômica, instituições e aspectos administrativos permanecem restritos às localidades e o tema vem ganhando destaque no estudo dos negócios internacionais (GHEMAWAT, 2007). Distância cultural e psíquica tem sido utilizada pela literatura ora como sinônimos, ora como complementaridade (SILVA et al, 2007; BREWER, 2007; HÅKANSON e AMBOS , 2010; SOUZA e BLADLEY, 2008). O’Grady and Lane (1996) definem distância psíquica como o grau de incerteza em relação aos mercados internacionais devido a diferenças culturais e outras dificuldades impostas por barreiras ao aprendizado da operacionalização dos negócios em determinada localidade. Para a escola nórdica de internacionalização o conceito de distância psíquica seria: fatores que impedem ou perturbam o fluxo de informações entre firmas e mercado (JOHANSON e WIEDERSHEIM, 1975). 3.10.1- Distâncias psíquicas e culturais entre Brasil, Estados Unidos e Argentina segundo Hofstede De acordo com Hofstede (1991), as características mais marcantes dos brasileiros são a hierarquia e centralização de poder, fato que pode ser explicado pela influência da colonização portuguesa (MOTTA, 2007). Outra forte característica é o coletivismo, ao considerar a família como uma estrutura abrangente, transformando o ambiente de trabalho e todos nele envolvidos em uma extensão de seu parentesco. Neste contexto é comum observamos empregadores e empregados unidos por obrigações mútuas de proteção e lealdade. Na dimensão da tolerância a incerteza, o Brasil, assim como a maioria dos países de origem latina (HOFSTED, 1991), necessita da formalização de regras, leis e estruturas bem definidas. O brasileiro é mais orientado a valores femininos, como o cuidado com o próximo, a igualdade, o bem-estar e a preocupação com a qualidade de vida. A orientação para ação e planejamento organizacional são reduzidos. O tempo é 58 gerido com ineficiência e a orientação predominante é para o curto prazo. Existe ainda um grande desconforto diante de conflitos abertos, fazendo com que exista a tendência de assumir uma postura de expectador (CHU, 2008). A sociedade americana por sua vez, entende relacionamentos íntimos e pessoais apenas com os mais próximos. Por outro lado, um elevado grau de mobilidade geográfica com o qual maioria dos americanos está acostumada, facilita a interação profissional com estranhos. Nas relações e trocas de trabalho, contratação e decisões de promoção são baseadas no mérito ou evidência históricas de sucesso (HOFSTEDE, 1991). Na questão cultural direcionada aos gêneros masculino e feminino, os Estados Unidos se voltam à virilidade. O fato indica que a sociedade tem como mola propulsora a competição, dominação e um forte desejo de sucesso. Os americanos tendem a ser mais tolerantes com ideias ou opiniões de diversos e permitir a liberdade de expressão. As necessidades de regras e normativas são menos expressivas do que na maioria de outras culturas mundiais. No fator orientação de longo prazo, nota-se o foco em tradições e cumprimento das obrigações sociais levando os indivíduos a lutar por resultados rápidos dentro do local de trabalho. Uma das possíveis causas das diferenças culturais entre estes dois países pode ser explicada pela liderança protestante dos americanos que os direcionaram ao desenvolvimento de uma cultura baseada em forte individualismo, vencedora, objetivando o desenvolvimento de sua sociedade em novas terras, ao contrário da cultura exploratória pelos ibéricos na América do Sul, principalmente Brasil (RIBEIRO, 2007). Nas dimensões de Hofestede, a Distância de Poder na Argentina possui o menor valor entre os países sul-americanos, fato que pode ser explicado pela onda maciça de emigrantes no início de século 20. Outros fatores valorizados pelos argentinos são a aparência física, vestuário, estilo de vida e demonstrações de riquezas (HOFESTEDE, 1991). No grau de interdependência que os indivíduos mantém entre si, ou seja, o individualismo, o país também aparece como o mais individualista entre seus vizinhos, embora alguns valores do coletivismo também estejam presentes em assuntos como 59 compromissos familiares e intergrupais. Nas relações de trabalho há uma nítida separação de patrões e empregados, assim como a divisão de suas vidas laborativas e privadas. A orientação para a competição, conquistas e sucessos, aferidos pela dimensão Masculino/Feminino predomina o aspecto virilidade na sociedade argentina, assim como o evitamento da incerteza. Neste ultimo é traduzido na grande quantidade de leis e elaboração das regras judiciárias que mesmo não efetivas, são cobertas por outros dispositivos legais. Hofestede não pontua a dimensão confunciana para Argentina. As diferenças culturais entre Brasil, Argentina e Estados Unidos estão representadas figura 7, onde PDI significa- Distância do Poder (Power Distance), IDVIndividualismo versus Coletivismo (Individualism versus Collectivism), MAS significa Masculinidade/Feminilidade (Masculinity versus Femininity), UAI o Evitamento da Incerteza (Uncertainty Avoidance) e LTO a Orientação a Longo Prazo (Long-Term Orientation). Figura 7 - Diferenças culturais entre Argentina, Brasil e Estados Unidos segundo Hofestde Fonte: The Hofstede Center – Countries (2013) 60 Os críticos de Hofstede, ressaltando que entre seus maiores encontram-se Fang (2003) e McSweeney (2002), pontuam a generalização de sua unidade de pesquisa como parâmetro para a cultura nacional, a interpretação de dinamismo confunciano e a falta da abordagem de variáveis pessoais, assim como a abordagem de influências religiosas estariam ausentes, sendo estes elementos de extrema importância. Para Trompenaars (1996), a cultura empresarial estaria em uma camada distinta da nacional e é definida como a forma pela qual as atitudes são expressas dentro de uma organização específica. O autor propõe dimensões baseadas em orientação ao poder, centralização ou descentralização, orientação a projetos, funções ou realizações. Kluckhohn and Strodtbeck, por sua vez, propõe uma modelagem baseada em valores como relacionamento com a natureza, relacionamento interpessoal, atividades humanas relacionadas com crenças em seus próprios feitos, relacionamento com o coletivo e crença sobre o bem, neutralidade ou mal da natureza humana (NARDON e STEER, 2011). Por estas pontuações e com fins de complementação da pesquisa, descreveremos a seguir a estrutura CAGE. 3.11- Ghemawat e a Estrutura CAGE Ghemawat (2008) considera que o fenômeno de globalização, atualmente, é menos intenso do que preconizado por outros autores e que na verdade estamos em um estágio de semiglobalização, não havendo perfeição nas integrações entre os países. Infere que aspectos diferenciais entre países são cruciais para a realização de negócios internacionais, podendo servir como barreiras e limitando as fronteiras. Pelo modelo, países com maiores proximidades, tenderiam a incrementar o fluxo de negócios, por outro lado, países de maiores distâncias, tenderiam a promover um fracasso das empresas no processo de internacionalização Estes fatores foram considerados em um framework, ou estrutura, denominada CAGE, acrônimo de distâncias: culturais (C), administrativas (A), geográficas (G) e econômicas (E), que estão detalhados na Tabela 7. 61 Tabela 7 - Estrutura CAGE Fonte: Ghemawat P. (2008 p 41) Partindo da premissa que a distância entre os países se manifesta por meio destas dimensões, quanto mais distantes, maiores seriam as dificuldades no processo de internacionalização entre as empresas. A Tabela 8 compara as diferenças que podem causar impacto entre Brasil, Argentina e Estados Unidos, calculados para a indústria farmacêutica e de tecnologia em produtos médicos (GHEMAWAT, 2013). Observamos que no quesito corrupção, a medida é dada pelo Transparency International Corruption Perceptions Index Score, e quanto maior o índice, menor é a corrupção. Elucidamos 62 ainda que a distância CAGE é um índice calculado pelos fatores de impacto entre o país de origem e os demais, cuja métrica se assemelha aos quilômetros da distância geográfica (GHEMAWAT, 2013). O PIB/per capita e a taxa de crescimento são medidos em bilhões de dólares/ano com bases em publicações do Fundo Monetário Internacional (FMI). A taxa de utilização da internet é medida pela sua porcentagem de utilização junto população de um país. Tabela 8 – Framework (Estrutura) GAGE- Brasil, Argentina e EUA Fonte: Ghemawat ,P. (2013). 63 3.12- Internacionalização das empresas brasileiras na década de 90 A estagnação econômica e um processo de acentuada hiperinflação marcaram os anos 1980 até o início dos anos 1990 no Brasil. Enquanto no resto do mundo, por um fenômeno de expansão de capital decorrente das políticas de liberalizações e desregulamentações a internacionalização de empresas crescia, no Brasil este processo ainda estava incipiente e delimitava-se apenas a algumas empresas que procuravam no exterior compensações para a timidez do mercado nacional e/ou circundar as barreiras protecionistas e tributárias de seus negócios. De maneira similar, era também muito reduzida a recepção de investimentos direto estrangeiro (IDE) para o país, ocorrendo basicamente por fusões e aquisições, dando um tom de desnacionalização das empresas brasileiras (HIRATUKA e SARTI, 2011). As mudanças estruturais nos anos 1990, evidenciadas pela abertura de novos mercados, pela privatização e estabilização econômica, redefinem as condições concorrenciais para os brasileiros. A proteção vigente que até então existia, criava um ambiente favorável a condutas pouco agressivas por parte dos empresários, tanto sob a ótica do desenvolvimento tecnológico como na busca de qualidade de produtos e serviços, ou mesmo na gestão de suas empresas. Com a abertura política e econômica eleva-se a potencialidade de expansão para novos mercados, ao mesmo tempo em que, com a retirada do Estado do setor industrial e de importantes áreas de serviços, descortina-se um amplo horizonte de oportunidades para capitais nacionais e estrangeiros. Ocorrem programas de desestatização e privatização, quebra de monopólios e torna-se evidente a necessidade de modernização institucional e tecnológica. Investimentos estrangeiros foram incentivados, bem como a entrada de multinacionais no país (SIFFERT, 1998). Os referenciais e modelos estrangeiros começaram a permear as organizações, misturando-se e fundindo-se com os valores, práticas e ferramentais originariamente brasileiros. A globalização, o limite do poder do Estado, a melhor governança e privatizações de empresa, subvertem alguns destes valores direcionando o país à reestruturação produtiva com alteração expressiva nas práticas de gestão na maioria das organizações (BRESSER, 2007). Conforme Vergara (2001), as mudanças na natureza do trabalho afetam de maneira considerável a gestão de pessoas através da integração 64 com a tecnologia, novas categorias de atividades modificação da abordagem individual para a coletiva na elaboração de tarefas e pelo controle do trabalho pelos consumidores. Entre 1991 e 1992 o investimento estrangeiro foi responsável por uma média de 250 transações com 34% dos processos de fusões/aquisições e aproximadamente 62% em joint ventures (CURADO e CRUZ, 2012). Em um estudo de 2002, Barcellos e colaboradores traçam o perfil das empresas brasileiras que se internacionalizaram seguindo o conceito de distância psíquica, remetendo a preferência destas firmas para a expansão nos mercados latino-americanos. Outro dado interessante do estudo foi a permanência nesta região por um período médio de 5 anos antes de reiniciarem este processo na Europa, Estados Unidos ou África (BARCELLOS, 2010). Em outra análise, Cyrino e colaboradores (2010) sugerem uma relação negativa entre a performance financeira e o grau de internacionalização das empresas brasileiras, sugerindo que as empresas menos internacionalizadas salvaguardam seus ativos por uma falta de compromisso com a estratégia expansionista ( CYRINO et al, 2010). Este mesmo autor em 2003 já havia chamado atenção para as dificuldades das empresas brasileiras quanto ao estímulo para internacionalização, citando principalmente o Risco Brasil, ou seja, a carga de tributos muito alta, carência de linhas de financiamento e o custo envolvido para suportar esta operação. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) desvela o perfil das empresas brasileiras nesta época, remetendo a grande diferença tecnológica em relação aos países hospedeiros e remessas no modo exportação para comodities e produtos com baixo valor agregado (IPEA, 2011) e que a participação brasileira no fluxo mundial de capital era pífia até o ano 2000. 3.13 - Internacionalização de empresas de serviços Desde a década de 1980, com o aumento do fluxo no comércio internacional, cai por terra o paradigma de que serviços, pela sua intangibilidade, não seriam comercializáveis. Nesta década, o setor já correspondia a 61% do PIB nos países desenvolvidos e 45% naqueles em desenvolvimento, havendo ainda um fenômeno de crescimento das empresas multinacionais, principalmente daquelas relacionadas a consultorias, bancos, seguros, telecomunicações e turismo (CONTRACTOR et al, 65 2003). A posição do Brasil, entretanto, era tímida quando comparada a países em desenvolvimento e bastante inferior aos países desenvolvidos. As principais atividades internacionalizadas eram Seguros, Serviços de Turismo e Transportes (KON, 1999). Erramilli (1990) dividiu a modalidade em dois grupos: serviços soft e hard. Serviços hard permitem a separação da produção e do consumo, possibilitando que o fornecedor e o consumidor permaneçam respectivamente em seus países de origem, deslocando-se apenas o serviço. Os serviços classificados como soft por sua vez, necessitam da proximidade física entre a produção e o consumo. Inexiste a possibilidade de exportação como passo incremental, o que faz com que o foco seja deslocado para dois importantes pontos: a determinação da localização e a decisão pelo grau de envolvimento do controle no estrangeiro Por outro lado, nos mercados competitivos ou concentrados, uma maneira de escalonar o grau de risco para as empresas softs seria a construção parcerias como franchisings ou joint-ventures (EKELEDO e SIVAKUMAR, 1998). O controle da subsidiária e a escolha de sua localização devem ter atenção especial, pois são fatores que vão além da capacidade interna da empresa e daqueles admitidos como uma vantagem por Dunning (1977). Os de maior relevância seriam aqueles inerentes ao mercado hospedeiro, tais como: fatores culturais, políticos e sociais e a infraestrutura econômica tanto no país de origem quanto naqueles que recebem filiais. 3.14. Internacionalização de serviços em saúde Os negócios internacionais relacionados às prestações de serviços de saúde apresentaram um crescimento mundial de 1.2% em 1997 para 1.5% dentro do setor de serviços, representando a movimentação de mais de 30 bilhões de dólares anuais em 2010 (AfDB, 2013). São fontes de oportunidades para melhorar o incremento econômico do setor, tanto nos países desenvolvidos, quanto naqueles em desenvolvimento, além de permitirem a adoção de melhoras práticas pelo intercâmbio de informações (WHO, 2013). Algumas modalidades têm sido descritas como modelos deste tipo de negócio, tal como a telemedicina – aonde somente o serviço se desloca, o turismo médico- ou 66 seja, pessoas que se deslocam para o estrangeiro para fins de consumo do serviço em determinado país e ainda a presença comercial no estrangeiro. Esta última envolve a transferência de recursos e o estabelecimento de uma representação comercial no outro país (MORTENSEN, 2008), com investimento direto em hospitais, clínicas, laboratórios e unidades comerciais representativas. A internacionalização das empresas de serviços de saúde teve início nos Estados Unidos e Europa entre os anos 1980 e 1990, como alternativa para rendimentos perante um mercado doméstico que se tornava mais contencioso e menos atrativo e pelos os ideais do wellfare state europeu (STOCKER et al, 1999). A expansão ocorreu principalmente para países da América Latina, tendo como estratégia de penetração principalmente a formação de joint ventures com empresas locais, tal como exemplificado pela Aetna no México, Brasil, Venezuela, Argentina e Colômbia entre 1996 e ano 2000. Vale especificar que a joint venture com a companhia de seguros brasileira Sul América perdurou de 1997 até 2002, quando a empresa optou por um realinhamento estratégico e consolidação de suas forças no seu mercado interno, saindo dos mercados brasileiros e argentinos (JASSO-AGUILAR et al, 2004). Outra empresa americana que se internacionalizou para mercados da América Latina foi a Cigna. Particularmente no Brasil a empresa entrou no mercado brasileiro via aquisição da Amico, uma operadora com cerca de 300 mil clientes, em dezembro de 2000, tendo operado até o ano de 2004, quando saiu deste mercado vendendo a carteira de clientes para uma concorrente local (JASSO-AGUILAR et al, 2004) . As duas empresas, entretanto, mantiveram seus negócios no México. De modo diferente, a americana United Health ampliou seus negócios em saúde para além da venda de planos e seguros, oferecendo soluções em serviços de saúde, gerenciamento, tecnologia de informação para a gestão de pacientes, de custos médicos e práticas clínicas. Desta forma, a expansão para o mercado europeu em 2004 foi apoiado pelo Departamento de Saúde inglês como plano piloto para gestão de pacientes idosos (LETHBRIDGE, 2007). Atualmente a United Health possui negócios relacionados à prestação de serviços em saúde em todos os continentes ( UNITED HEATLH GROUP, 2013). O mercado asiático, por sua vez é altamente competitivo com as empresas privadas e governos competindo pelos clientes. A internacionalização das prestadoras 67 de saúde é feita principalmente por empresas da própria região, como grupo indiano Apollo, a Parkway Holdings- multinacional de Cingapura em joint venture com a europeia Allianz provendo serviços em saúde com uma estrutura verticalizada que inclui operadoras, hospitais e laboratórios e o Columbia Asia Group, joint venture entre a Chemical Company da Malásia e a americana Columbia Pacific Management (LETHBRIDGE, 2007 ). Esta última empresa opera na Índia desde 1996, seguindo-se Indonésia e Vietnam ( COLUMBIA ASIA, 2013). 68 1. ESTUDO DO CASO 4.1- A AMIL e a sua evolução histórica O embrião da Amil foi implantado com a compra pelo seu fundador, o médico cirurgião Edson de Godoy Bueno, da Casa de Saúde São José que na época de sua aquisição, em 1972, era uma pequena maternidade no municipio de Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Conveniada ao Sistema Público o estabeleciento possuia dívidas e havia uma necessidade de caixa para pagamento dos funcionários e investimentos. A solução encontrada foi aumentar a taxa de ocupação dos leitos e para tanto prestava um seviço ímpar: distribuiam aos pacientes sanduíches e refrigerantes, além de busca-los de veículo motorizado, pois a localização era em terreno ingreme. Em 1974, outro médico junta-se a ele - Jorge Ferreira da Rocha e cinco anos depois, a casa de saúde já se transformava na maior maternidade privada no estado do Rio de Janeiro. Em seguida, foram também adquiridas as clínicas Somicol (atual Hospital de Clínicas Mario Lioni) e Santa Rita, também em Duque de Caxias. Para administrá-las, foi criada a Empresa de Serviços Hospitalares (ESHO). Os recursos oriundos da Esho e a percepção de ambos fundadadores em um novo tipo de negócio dão origem a Amil em 1978 com a comercialização de planos de saúde (HERZILINGER, 2011). No primeiro ano a empresa possuia apenas 500 clientes e com fins de aumento de captação, seus fundadores decidem investir em propaganda no início dos anos 1980. Analisando seus concorrentes diretos, cujo principal era a Golden Cross, optou-se por estratégias diferenciadas para o relacionamento com seus clientes, introduzindo os conceitos de carência zero para a utilização do plano e tirando o limite de consultas médicas e períodos de internação (AMIL, 2013). Como resultado, a Amil consolidou-se no Rio, inaugurou sua filial em São Paulo em 1986, já sendo considerada uma das mais importantes empresas de assistência médica do país. Em 1989 começa suas operações em Brasília e no estado do Paraná. Em 1987 os fundadores optaram pela diversificação de seus negócios com a criação do EAT Check e EAT Combustível, a empresa de turismo Hangar, a Sociedade Agropecuária Nossa Senhora da Conceição e a rede de drogaria Farmalife em 1994. Neste ano o presidente da Amil associa-se a uma rede de fast-food na Califórnia, a 69 Crocodile (PINTO, 1998). O processo de internacionalização se inicia no começo dos anos 1990. Em 1993 é inaugurado o Amil Resgate Saúde, segmento especializado em transporte terrestre e aéreo de pacientes (AMIL RESGATE SAÚDE, 2013), como aditivo de seus contratos de planos de saúde. Focando no negócio principal em 2007, a empresa vende sua rede de farmáciasa Farma Life e ao final deste mesmo ano abre seu 40% de seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). O processo de IPO (oferta pública inicial de ações) permitiu a compra de hospitais e expansão da empresa. Após os anos 2000 a empresa inicia um proceso de expansão com compras, fusões e aquisições de hospitais, planos de sáude e laboratórios. Em 2012 detinha a liderança nacional do setor de sáude suplementar, com faturamento de R$ 9,8 bilhões e um lucro 178,8 milhões (AMIL, 2013), empregando diretamente 24.017 pessoas. Embora a sede continuasse no Rio de Janeiro, possuia unidades operacionais instaladas no Distrito Federal, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo, além de escritórios em Belo Horizonte, Campinas, Fortaleza, Goiânia, Salvador e Santos. Em outubro de 2012 consolidou-se a venda da Amil para a americana United Health, que retorna ao capital fechado, entretanto a estrutura, lideranças executivas e programas assistenciais, permanecem mantidos. Seu fundador, Edson de Godoy Bueno torna-se o maior acionista individual e membro do conselho de administração da United Health. A evolução cronológica está ilustarda na Figura 8. Figura 8- Evoluçao Amil – 30 anos de História 1978 1986 1988 Fundação da Amil Amil São Paulo Amil Resgate Saude 1994 2007 2012 AmilArgentina e Estados Unidos Abertura de Capital Venda 90% United Health Fonte: Amil- Nossa História. (2012). Amilpar 70 4.2- Evolução dos produtos e modelo de negócio da AMIL Na década de 1990, os principais produtos eram cobertura médica através de quatro planos, além da possibilidade do aditivo contratual Amil Resgate (Amil, 2012). : Amil Continents: livre escolha de serviços em nível nacional e internacional Amil Opções: cobertura de serviços médicos referenciados e rede credenciada em nível nacional Amil Medicus: cobertura por rede credenciada regionalizada Amil Dental: plano odontológico através de prestadores credenciados Pelos altos custos de operacionalização, a partir do ano 2000 foi consagrado o modelo de gestão vertical na empresa com a compra de hospitais, centros médicos e laboratórios, assim como foram estreitadas parcerias com médicos para a gestão de protocolos clínicos, gerenciamento de pacientes com patologias crônicas, e programas de aperfeiçoamento para os profissionais da saúde. (HERZLINGER e PINHO, 2012) Atualmente a empresa atende a clientes individuais e empresariais, além de promover a gestão da carteira em planos de Administração. Possui mais de duzentas modalidades de planos de saúde entre médicos e odontológicos, incluindo produtos como franquias, coparticipações, coberturas nacionais e regionais em caráter coletivo ou individual, somando 6.8 milhões de beneficiários no país (AMIL, 2013). 4.3- O processo de internacionalização A filial de Las Vegas, Nevada foi a primeira experiência internacional da empresa. Aberta como Health Visons em 1994, suprimia o nome Amil, situação que foi revertida já no primeiro ano. Em 1995 a empresa abre outra filial no Texas, sob a marca Amil e em Buenos Aires, Argentina. Para promover suporte aos clientes de seu plano internacional- o Amil Continents- abre um escritório em Miami no ano 1997, cidade destino de muitos turistas brasileiros (AMIL, 2012). A cronologia está explicitada na figura 9. 71 Figura 9- Cronologia da Internacionalização da Amil 1992-1994: Fase Preparatória Consultorias Criação da Diretoria de Negócios Internacionais 1994 1995 Abertura FilialNevada: Las Vegas como Health Visions Abertura Filial ArgentinaBuenos Aires 1995 1997 Abertura Filial TexasAustin Abertura Escritório Miami Fonte: autor No preparo deste processo, pesquisas de oportunidades nos mercados foram feitas por consultorias e houve a criação da Diretoria de Negócios Internacionais, independente das operações no Brasil, vinculada apenas à presidência. Estas ações facilitaram o processo de entrada e a legalização dos negócios em todos os mercados do exterior. O empenho no processo de internacionalização da empresa pode ser espelhado ainda na mudança do presidente da Amil para a Califórnia, nos Estados Unidos, objetivando não só a gestão da rede de fast-food Crocodile, mas a proximidade com os novos mercados. Como idealizador da estratégia, Dr. Edson de Godoy Bueno, o presidente à época aparece de forma unânime nas entrevistas. Sua ida para os Estados Unidos foi inclusive observada por três dos interrogados, como a principal razão para acreditar que a empresa iria crescer nos mercados internacionais, conforme o segmento de um dos entrevistados: E1:¨A ideia era fincar os pés e crescer a partir deles¨. Outro decisor 72 apontado nas entrevistas foi Dr. Jorge Ferreira da Rocha, cofundador da empresa, que assumiu a presidência no Brasil apos a saída de Edson Bueno. No questionamento sobre a razão para internacionalização, houve concordância de todos sobre os motivos, sendo a busca de incremento econômico por diferenças na estabilidade das moedas o mais relevante para 7 dos 8 entrevistados. Apenas um descartou com veemência esta hipótese. De importância paralela, a Melhora da Imagem da Empresa no País de Origem e a Busca de Conhecimento sobre Operações da Atividade Fim em Diferentes Mercados aparecem citadas em importância. Todos os entrevistados desprezaram os questionamentos sobre pedidos de autoridades e dos clientes, tanto dos brasileiros como dos estrangeiros. Algumas colocações foram feitas a respeito dos motivos, como: E1-¨Buscaram-se países com estabilidade para que a empresa pudesse crescer. Os Estados Unidos tinham estabilidade importante. Outro respondente afirmou: E3: ¨Amil sair do Brasil e ir para o mundo foi uma ousadia, pois acreditávamos naquela época que a década de 90 seria uma década perdida para nós. O setor não crescia- só ver uma análise do setor neste período do Brasil, a renda estava muito ruim, o Brasil estava com problemas de inflação terríveis, o Brasil só começou a melhorar após 1995 com a estabilização da moeda ¨. E4: ¨ A plataforma do Lula tinha como número 1 a estatização da saúde. Em franco crescimento caso Lula entrasse, a Amil ia ter seu patrimônio dilapidado pela estatização da saúde e seria um caos. Então a alta administração num brilhantismo muito grande resolveu diversificar o capital, abriu uma dezena de empresas e foi para o exterior para salvar seu patrimônio. A totalidade de nossos entrevistados afirmaram possuir plano de negócio com projeção de lucro, breakeven, payoff e perspectivas de investimento nos negócios locais, assim como autonomia para lidar com os investimentos. Em nenhum momento foi cogitada a possibilidade de iniciar as operações com fusões ou aquisições de outras empresas: E2- ¨sempre fomos bons sozinhos no Brasil e achávamos que venceríamos em qualquer lugar assim.¨ Os participantes de cada local sabiam o número de funcionários das suas unidades, a forma de captação de clientes, o aporte necessário 73 para as operações, a estratégia de marketing e o posicionamento da sua filial em relação ao mercado. Segundo os interlocutores, foram realizadas pesquisas quanto aos fatores relacionados ao mercado, porém a ausência de uma expatriação planejada foi observada por todos. O campo revelou ainda que, tanto para a liderança responsável no Brasil pelo suporte das atividades no exterior, quanto para aqueles que lá se estabeleceram, houve um preparo e orientações macro estratégicas, porém este preparo não foi dimensionado para a magnitude das tarefas que executaram. A vivência e convivência no país estrangeiro, as dificuldades, distâncias culturais e psíquicas, sequer haviam sido cogitadas e este fato é apontado como retardatário do sucesso da empresa em todos os locais. Os trechos separados ilustram tal percepção: E1: Não houve treinamento, não sabíamos que existiam empresas que preparam para o expatriamento, não sei nem se havia isto naquela época. Fomos preparados diretamente do produtor ao consumidor.¨ E2: E nós saímos do Brasil de uma forma como quem sai de Caxias, jeito Caxias de ser. Planejamento zero. ¨ E3: ¨Depois que estávamos lá descobrimos. Não era razoável achar que a Argentina tinha uma distância cultural tão grande com o Brasil e que persiste até hoje esta diferença. ¨ E6: ¨O grande insucesso, se é que tivéramos insucesso em Austin e Las Vegas foi que era uma empresa americana que queria impor uma cultura nacional (brasileira) lá dentro. Não funcionou...¨ E8: ¨Não fui preparado. Ninguém foi.¨ A falta de preparação dos executivos para a expatriação e para as diferenças de mercado que encontrariam fica evidenciada nas entrevistas pelas colocações de surpresa nos discursos, existindo um teor de estranheza, principalmente em relação às dificuldades do mercado argentino. Colocações evocando uma grande diferença cultural e comportamental foram feitas por todos, tais como: E4- ¨a Argentina é diferente de tudo que já se viu¨ ou conforme E6: ¨ ninguém poderia imaginar que nossos vizinhos fossem tão diferentes¨. Quando observamos a categoria diferenças culturais, foram feitas 74 colocações como: E1: ¨ A percepção de cultura e diferenças só foi notada após o início das operações. ¨ O apoio proporcionado, da matriz brasileira para as filiais, em termos de dimensionamento de recursos humanos, capital, estratégia de vendas e a autonomia de decisão delegada às lideranças de cada local, é recorrente nas respostas. Em todas as entrevistas, não houve qualquer menção espontânea ou provocada às demandas não atendidas das filiais em relação à matriz, nem qualquer observação da mesma natureza quanto à dificuldade no fluxo de comunicação entre as unidades de negócio. E1:¨ Nos Estados Unidos possuíamos uma estrutura de venda de planos, médica, técnica, processamento de contas, e faturamento.¨ E4: ¨Tínhamos suporte na área de informática, na área contábil tributária, na área financeira e de marketing. Tinham pessoas da matriz que davam suporte a Argentina.¨ E6: ¨Cada operação era independente, mas utilizavam-se os serviços da operadora no Brasil para RH, TI e marketing¨. A estrutura brasileira de suporte as operações internacionais foi eficiente na opinião dos questionados, assim como a infraestrutura montada nas filiais foi adequada. O controle das atividades em cada localidade ocorreu sob a égide de executivos brasileiros expatriados, proveniente da alta administração da empresa, embora no mercado americano o controle inicialmente tenha contado com executivos locais que depois de aproximadamente dois anos foram substituídos por brasileiros. Para as outras atividades, o emprego da mão de obra foi local em todas as filiais. 4.3.1- A AMIL nos Estados Unidos Embora tenham sido citados estudos de mercado, oportunidades de crescimento e em quais localidades estas oportunidades seriam mais efetivas, as entrevistas de forma uníssona apontaram que a escolha dos Estados Unidos teve um viés pessoal do fundador da empresa. As relações com executivos provenientes de Harvard e o desejo de crescer no maior mercado americano, para muitos dos entrevistados suplantaram as pesquisas 75 relacionadas às possibilidades de expansão de empresa, que acenavam para a implantação em outros países sul-americanos como a Venezuela. Entre as oportunidades no mercado americano estariam a insatisfação dos clientes com os altos custos, dificuldades de acesso ao sistema e o modelo dos planos de saúde, altamente hierarquizados pelas PPOs e HMOs. As localidades foram escolhidas pela taxa de crescimento na ocasião: Las Vegas e Austin (PERRY E MACKUN, 2001). Iniciando suas operações em Las Vegas no ano de 1994 sob o nome Health Visions, a empresa inaugurou sua primeira experiência internacional: E8- ¨A Amil chegou a se chamar inicialmente Health Visions depois mudou para Amil logo em 94. ¨ Como gestores responsáveis no início, havia um grupo americano, indicado pelos consultores, que posteriormente foram substituídos por executivos brasileiros, conforme fragmentos de discurso dos entrevistados: E4: ¨teve uns probleminhas lá e foi feito o destrato com eles¨; E8 :¨ os executivos americanos só fizeram besteiras. Os brasileiros eram muito melhores.¨ A escolha de Las Vegas ocorreu pelas pesquisas de crescimento da cidade, pelo incentivo do crescimento demográfico e pela estrutura do mercado de trabalho (CITY oF LAS VEGAS, 2013). A presença de latinos ou brasileiros, não foi um fator de escolha de acordo com a percepção dos executivos: E1-: ¨Procuramos as cidades que mais cresciam e queríamos tirar vantagem disto. A latinidade não era um fator. ¨ A empresa iniciou suas operações abrindo uma filial autônoma, tendo sido montada uma estrutura própria de vendas de planos, divulgação e rede de prestadores para a venda de produtos PPO. O aporte para investimento foi proveniente da matriz brasileira, sendo calculado em 50 milhões de dólares. Uma das características do mercado local era a presença de pequenas operadoras de saúde até meados dos anos 1990 (MURKOFSKY, 2003) e neste contexto a empresa brasileira assemelhava-se às americanas. O produto comercializado era principalmente o PPO para as empresas e no setor público, o Medcaid. As vendas eram feitas por brokers americanos contratados em cada local. Em Las Vegas, a carteira da empresa até meados dos anos 1990 chegou trinta mil clientes. O faturamento, entretanto, como nas demais localidades, jamais suplantou 1% da receita da empresa no Brasil, o que significava necessidade de aporte constante da matriz para a cobertura dos custos. Este processo era controlado e aprovado diretamente pela presidência: E6: ¨o dinheiro da empresa sempre foi sagrado e os investimentos importantes sempre foram controlados diretamente pela presidência. ¨ 76 A concentração e consolidação de operadoras e hospitais do mercado americano (GAYNOR, 2003) na década de 1990, não previstas pelas pesquisas prévias de mercado, assim como a necessidade de aporte constante de capital e a previsão da necessidade de reservas de capital pela regulação do mercado brasileiro com a criação da ANS foram apontadas como causa da descontinuidade das operações em Las Vegas, iniciada no ano de 1998. Em 1999, no Las Vegas Sun (NADLER, 1999) surge na imprensa a primeira notícia sobre a venda da Amil Nevada para a Nevada Care e o presidente desta última coloca como interesse na compra da Amil a sua carteira de 17 mil clientes, em especial a carteira do Medcaid, com 4 mil usuários. Em 1994 a Amil também inaugura sua filial em Austin, no Texas, contando em sua estrutura com a alta administração brasileira e os demais membros de staffs americanos. Os custos dimensionados pelos entrevistados para as operações foram 50 milhões de dólares e de maneira idêntica ao mercado de Las Vegas, o controle do aporte era feito diretamente pela presidência. A empresa comercializava planos nas modalidades PPO e HMO, captando clientes importantes, como a prefeitura de Austin, sendo que esta filial chegou a alcançar um faturamento suficiente para a cobertura de suas despesas operacionais nos primeiros quatro anos de operações. O número de clientes foi dimensionado entre 35 e 40 mil. Tal como em Las Vegas, a estrutura de vendas era realizada por funcionários americanos, com material de propaganda adaptado da matriz brasileira. As entrevistas revelaram que a partir de 1998, por conta da concentração do mercado de assistência a saúde, houve um decréscimo importante no faturamento e da competitividade perante as grandes empresas, como colocado por um dos entrevistados: E1: ¨A escala funciona em qualquer local do mundo e nosso negócio sem escala não existe. Isto é igual. Dai o porquê a gente saiu. Chegou num momento em que todo mundo tinha escala, menos a gente. ¨ No Texas, o fechamento da empresa é anunciado em 2005 pelo jornal The Austin Business Journal (OUTON, 2005) que noticia a compra de sua carteira para a Blue Cross/Blue Shield (TEXAS DEPARTAMENTO OF INSURANCE, 2012). A abertura de uma unidade de Miami como escritório de suporte aos produtos internacionais da AMIL para os planos com extensão internacional- Continents e Quality (ANEXO IV) tinha como missão primária dar suporte para os brasileiros que 77 procuravam atendimento no exterior, realização de parceiras através do pacto com uma rede americana de hospitais e como objetivo adicional promover um estudo do ambiente de negócios em Miami para futuras vendas de planos. Este escritório foi inaugurado em 1997 sob a tutela de um executivo brasileiro que respondia a Diretoria Médica da empresa no Brasil, porém contava também com o suporte da Diretoria de Negócios Internacionais. A colocação feita por um entrevistado alocado nesta célula ilustra tal intento: E3- ¨Tínhamos a ideia de virar uma operadora em Miami. Os clientes ligavam, brasileiros e americanos que haviam morado no Brasil e conheciam a empresa. Captamos dados para começar a vender.¨ O investimento para a implantação do escritório foi calculado, de acordo com os entrevistados, em 100 mil dólares iniciais e em torno de 50 mil dólares mensais. O escritório jamais possuiu receita própria. Em contrapartida, a venda do Plano Continentes no Brasil cresceu de maneira importante logo em seu primeiro ano de lançamento, chegando a uma carteira de 150 mil clientes: E2- ¨A carteira internacional chegou a 150 mil em vendas no Brasil e Argentina com aditivo internacional. Quem fazia adesão era muita pessoa física. O que notamos depois foi que muita gente começou a aderir por que iam para o exterior estudar, trabalhar ou em muitas viagens de negócio. Pessoas que queriam migrar para os EUA. Rio e São Paulo venderam muito Plano Continents.¨ A célula em Miami montou parceria com uma rede de hospitais para suporte de suas operações, não só naquela cidade, mas também em todo o país (ANEXO V). Em destaque, o Miami Medical Center foi citado como uma grande centro médico, cujas relações advindas desde esta época permitiram programas de treinamento e desenvolvimento para médicos brasileiros. Este programa perdura até a atualidade. No final da década de 1990, quando houve a concentração do mercado de saúde suplementar por grandes operadoras , inviabilizando as pequenas operadoras e início dos anos 2000, quando houve a grande disparidade do dólar em relação à moeda brasileira, o suporte ao plano de saúde internacional da Amil foi transferido para a 78 matriz brasileira e a operação do escritório em Miami foi encerrada em 2004. A decisão de descontinuidade partiu da alta direção, fechando o escritório de Miami com repatriação imediata do executivo: E7-¨tínhamos 100 mil clientes com aditivo internacional e o escritório do Rio tomou conta... O investimento era grande e o dólar estava muito caro.¨ 4.3.2-- AMIL Argentina Ao final de 1994 a Amil abre sua filial em Buenos Aires, após as pesquisas prévias de mercado assinalarem uma grande oportunidade de crescimento pela criação do MERCOSUL, pela estabilidade monetária do país com o Plano Cavallo que indexava a moeda Argentina ao dólar americano, pela falta de concorrência com outras empresas de saúde e a possibilidade de abertura das Obras Sociais pelo governo federal, fator este que liberaria os clientes ligados a estas estruturas semelhantes aos planos de autogestão brasileiros, para consumirem planos de saúde privados, tal como exemplificado abaixo: E3: ¨As OS tinham obrigação de prover assistência médica e faziam convênios diretos com a rede privada. Na ocasião havia uma carência muito grande de estrutura privada com qualidade de serviços na Saúde Suplementar da Argentina. O diferencial que a empresa ofereceu lá foram serviços que eram a grande expertise da Amil no Brasil. A Amil no Brasil sempre se diferenciou, não somente pelo oferecimento da comodite assistência médica, mas até mesmo em relação aos melhores os hospitais, médicos, laboratórios e numa obsessão na qualidade de servir o seu cliente em relação ao produto que ele compra. Na Argentina não existia uma cultura de serviços. ¨ Seguem outras citações dos executivos alocados no mercado argentino que ilustram as possibilidades internacionalização: de sucesso na implantação da estratégia de 79 E5: Na Argentina não tinha nem como comprar planos de saúde porque este mercado não existia lá. ¨ E3:¨com esta brecha de mercado havia uma necessidade ímpar de estar num país novo com uma possibilidade gigantesca e moeda estável.¨ Outro fator importante revelado pelas entrevistas foi a possibilidade de expansão da Amil, pela proximidade geográfica da Argentina, para todo o mercado da América do Sul, embora este fato nunca tenha sido concretizado: E5- ¨Tínhamos planos de expansão para a América Latina. Nós pensamos que a partir da Argentina nos íamos para o Chile, Peru, Colômbia e tinha projeto para isto. ¨¨ Como fator de influência na implantação portenha houve ainda a operacionalização bem sucedida de uma das empresas diversificadas do grupo, a EAT Refeições desde o ano de 1993: E6- ¨nós fomos na onda da EAT que era uma empresa de sucesso¨. Em consonância com as experiências norte-americanas, a estrutura no local era gerenciada por executivos brasileiros, financiada pela matriz brasileira com o aporte de capital sob o controle direto da Presidência e apoio operacional da Diretoria de Negócios Internacionais. O material interno da empresa- Amil Internacional Argentina Primeira Versão / Outubro 1993 (ANEXO VI), deixa claro que as prioridades são o aprendizado do mercado através de relacionamentos, obtenção e entendimento de uma nova cultura, ajuste dos produtos brasileiros aos produtos do mercado local, identificação de quaisquer oportunidades, tanto para prosseguir com a internacionalização, quanto para diversificar os produtos. Neste mesmo material existe a estratégia de entrada, o estudo demográfico da população e panorama politico social referente ao mercado Argentino (ANEXO VII). Na Argentina a empresa cresceu lentamente no primeiro ano, apresentando crescimento a partir do segundo e terceiro anos, crescimento este atribuído pelas estratégias de vendas para grupos étnicos distintos, em particular a grande colônia judaica de Buenos Aires, já que a cidade apresentava uma grande concentração populacional deste segmento. Como estratégia de marketing foi feito um esforço para a omissão da nacionalidade da empresa, conforme segue a observação: E6: ¨Amil é um nome apatriado, soando americano. Pegou bem na América e na Argentina, que acha 80 que brasileiro é macaquito mesmo.¨ Exemplificando a elaboração do marketing de vendas, segue o fragmento abaixo : E3- ¨Nós contratamos um dealer judeu para vender Amil para seus clientes judeus, trouxemos médicos judeus pra trabalhar com a gente. Começamos a fazer uma força centrifuga, um núcleo centrífugo de vendas dos planos. Nossos principais dealers, médicos, empresas e clientes eram judeus. Ai a empresa começou a vender e chegou rapidamente a 30 mil clientes. ¨ E6- ¨Os argentinos não gostam de nada que soe sul-americano. Eles gostam dos Estados Unidos e de tudo que soe europeu. Até uma empresa argentina usa o nome Swiss Medical como marketing lá.¨ Para prestar atendimento nas ruas estreitas de Buenos Aires e justificado como apoio operacional auxiliar aos órgãos públicos, em 1996 foi montada uma estrutura de resgate aéreo- Amil Resgate Saúde. A implantação deste serviço serviu não só para consolidação da marca Amil naquele país, como para seu posicionamento através da exposição do helicóptero em eventos públicos e propaganda em imprensa escrita e televisiva, tal como exemplificado no ANEXO VIII e no fragmento a seguir: E3- ¨Trouxemos um helicóptero para uma cidade com o trânsito urbano insustentável, impossível circular pelas vias públicas estreitas e excesso de carros, fizemos o maior sucesso porque não havia isto lá.¨ Ao contrário do esperado, a abertura das Obras Sociais não ocorreu e o mercado argentino jamais apresentou uma escala que permitisse uma operação de retirada do aporte de capital do Brasil. Em 1998 houve a troca dos principais executivos desta filial e a diminuição do fluxo de capital brasileiro, o que promoveu uma retração da carteira de clientes que migraram para as concorrentes. Em meados de 1998 os entrevistados dimensionaram o número de clientes em apenas 7 mil e ao final de 1999 a filial argentina foi vendida para uma empresa local, cessando suas operações. 81 4.4. Interação entre os mercados da AMIL Internacional Os discursos dos entrevistados refletiram a independência das filiais e pouca interação entre elas. Pelas peculiaridades de cada mercado, o aprendizado e as experiências não poderiam ser reproduzidos. Contudo todos citaram a prática de reuniões periódicas, mesmo que de modo irregular: E1: ¨às vezes tinham reuniões conjuntas, mas não era muito frequente. Nem com Nevada eu conseguia falar direito.¨ Ou como a léxica de outro questionado: E8- ¨Tínhamos reuniões de 3 em 3 meses com Edson (Presidente Amil Internacional na época), Jorge (Presidente da Amil Brasil) e brasileiros em Vegas e Austin. Em Miami eu interagí pelos serviços deles.¨ Os motivos da falta de interação que apareceram de maneira constante nos discursos foram as diferenças entre as dinâmicas peculiares de cada mercado: E3:¨ Sim, fazíamos reuniões, mas não que pudéssemos copiar um ao outro, pois Argentina e Brasil eram desregulados e o mercado americano tinha outro nível de maturidade.¨ Nas demais localidades a formação de parcerias, exceto entre os clientes e os prestadores, foram rechaçadas de maneira absoluta. Refletindo na opção pelo modo de entrada, a ausência de joint-ventures, fusões e aquisições, é observada nas seguintes passagens: E2- ¨começamos do zero, só teve aporte do Brasil¨. A ausência de alianças, entretanto não significou para os entrevistados uma ação exploratória da empresa, mas sim uma política de fortalecimento unitário da marca para seu crescimento orgânico: E7: ¨a Amil não queria depender de ninguém, queria crescer sozinha. Somos bons, vencemos sozinhos no Brasil e venceríamos lá fora. Em outra colocação é observado: E8: ¨Nunca pensamos juntar nosso capital com o de ninguém. Saímos para vencer¨. 1.5.Relação filial/ matriz O apoio direto da matriz foi pontuado pelos participantes de todas as localidades. A questão da confiança nas lideranças responsáveis pelas filiais foi lembrada pelos interlocutores: E4- ¨havia muita confiança, só mandavam dinheiro, eu controlava tudo¨. O controle financeiro e controle das operações em cada local eram determinados pelos responsáveis em cada filial, com a anuência da presidência. Foi ressaltado também o comprometimento direto da presidência com as filiais: E5-¨ O aporte daqui era feito de 82 acordo com entendimento direto do Jorge e Edson e nunca faltou nada, mas o controle era local¨. Outra observação emergente nos discursos foi o caráter de facilitação das propagandas, sempre em cada unidade, deixando que as subsidiárias escolhessem a melhor maneira de propagar a marca: E1- ¨Adaptávamos a locução dos comerciais e a opção de jingle para a televisão de lá¨. A Diretoria de Negócios Internacionais foi de maneira unânime relacionada ao apoio das atividades, interação com os mercados, auxilio legal no estrangeiro, movimentação de capital e inclusive na saída dos mercados-E4: ¨foi fundamental e o eixo para nós todos¨. 4.6 - Razões para a descontinuidade da estratégia de internacionalização A falta de perspectiva no mercado argentino pela não desregulamentação das Obras Sociais e a abertura aos planos privados, a consolidação nos mercados americanos com a aquisição de empresas menores por grandes operadoras que trabalhavam em escala, aliados à necessidade de um tempo maior para consolidação da marca Amil no exterior, o aumento do dólar no Brasil e a regulamentação dos planos privados através da criação da ANS governo brasileiro em 2000, fator que exigiu uma reserva de capital interno, foram as razões apontadas para a descontinuidade da estratégia internacional. Outro fator levantado pelas entrevistas foi o despreparo das empresas brasileiras à época em relação à expansão para outros países e no confronto perante economias mais desenvolvidas, agentes mais experientes no processo de internacionalização e políticas de expatriação consistentes. ¨. Na percepção dos entrevistados, houve equívocos também em relação a preparação dos executivos para expatriação: E1: ¨para qualquer outra incursão no exterior é fundamental um trabalho de cultura para as pessoas que forem trabalhar lá fora ¨, assim como foi levantada a possibilidade de ter havido equívocos nas pesquisas para escolha das localidades: E8: ¨deveríamos ter apostado tudo em Miami que é para aonde os brasileiros iam. Se todo mundo tivesse ido para Miami ao invés de Nevada, Las Vegas e Argentina nós teríamos conseguido. Um dos executivos, entretanto, levantou a hipótese de que a ida 10 anos antes para o mercado americano daria tempo para uma consolidação melhor da marca: E1- ¨Se 83 tivéssemos ido 10 anos antes para a América a história seria diferente, teríamos percebido a consolidação do mercado de lá, mas já teríamos feito o nosso nome¨. Quando inquiridos sobre as vantagens e as desvantagens da internacionalização e a sua descontinuidade, trazendo à tona o gasto de capital, o custo do aprendizado e a falta de importância da receita internacional para a empresa houve concordância que os 150 milhões de dólares investidos no mercado externo não impactaram nos recursos para as operações brasileiras, porém com as necessidades internas ditadas pela regulamentação e o retorno do crescimento no mercado brasileiro, tais investimentos voltaram a ser mais atrativos em nível nacional. A filial Argentina foi vendida em 1999 para um concorrente local após a percepção de encolhimento do mercado: E5: ¨....era melhor ir pra Pernambuco do que continuar lá¨. A carteira de clientes encolheu por aproximadamente um ano, seus executivos foram substituídos e posteriormente a empresa foi vendida para uma pequena concorrente local. E3:¨ providenciariam uma transição e eu me mantive. Fiquei fazendo a transição entre a minha gestão e os novos gestores que chegaram... . 6 meses depois em função da ANS e regulamentação era necessária a repatriação de capital para reserva técnica e repatriação de capital intelectual. Tomou-se a decisão de fechar tudo lá fora. A carteira foi vendida para outra empresa menor¨. E6:¨... Falta de mercado. Levaria muito tempo para trabalhar com a possibilidade de um dia romper esta barreira. Não tinha mercado para uma empresa estrangeira para o momento em que nos estávamos, nem nos EUA nem Argentina, principalmente Argentina. Como não tem ate hoje. Nós não fomos substituídos por ninguém que deu certo lá. ¨ O mercado americano ao final dos anos 1990 sofreu um revés, com a compra das pequenas operadoras por grandes grupos e impacto na concorrência direta. As filiais de 84 Las Vegas e Nevada foram vendidas e os executivos repatriados. Colocam os executivos entrevistados: E1- Vegas operou de 1998 até 2005. Texas 1995 até 2005 com a formalização findada em 2012. E3: ¨Foi muito sacrifício e muito dinheiro e americano tem custo medico absurdo. A rentabilidade lá era muito pequena. Se os sinistros chegassem a custo de 70% acabou!¨. Após nove anos atuando no mercado de Austin a empresa vendeu sua carteira para a Blue Cross e venda da carteira de Las Vegas foi negociada a partir de 1999 para a NevadaCare ( Las Vegas Sun, 1999) com encerramento definitivo em 2005. O escritório em Miami foi fechado e seu executivo repatriado. As vendas do plano de saúde internacional foram extintas, com a carteira residual de aproximadamente 7 mil clientes administradas pela matriz brasileira. 85 5- DISCUSSÃO Neste capítulo retomaremos as questões do caso, aprofundando as revelações dos achados das entrevistas e documentação bibliográfica fazendo um paralelo com a literatura apresentada no marco teórico. 5.1- A decisão pela internacionalização Na década de 1990 o Brasil estava imerso em um grande turbilhão politico e insegurança econômica. A possibilidade de uma política estatizante pela eleição do candidato Lula e a ameaça às empresas privadas que dela poderia decorrer completavam o cenário da época, juntamente com a falta de perspectiva de crescimento econômico para as operadoras de saúde progredirem de maneira orgânica. A necessidade de crescimento juntamente a estagnação do mercado brasileiro levou seus dirigentes a opção de internacionalização. No cenário internacional, a criação do MERCOSUL acenava como uma promessa de bom fluxo nos negócios com países vizinhos. Na Argentina, em particular, havia o entendimento de que a abertura do mercado para empresas prestadoras de serviços de saúde aconteceria de maneira iminente, além de o país apresentar uma moeda estável e servir de base para expansão a outras localidades da América Latina. Na percepção dos idealizadores, a presença de outra empresa do grupo - a EAT Check, serviria como facilitador da implementação da Amil Saúde. A estabilidade da moeda americana e a estrutura pulverizada das operadoras de saúde naquela época mostrava um prognóstico promissor para o crescimento das pequenas e médias empresas de saúde nos Estados Unidos. Foram escolhidas as cidades com as maiores taxas de crescimento populacional- Austin e Las Vegas e aberto um escritório em Miami para suporte ao produto ouro da empresa no Brasil, o plano Continents, que serviria também de embrião para uma terceira expansão americana. Na análise de conteúdo das entrevistas, a categoria emergente: escolha da localização apontou ainda como uma decisão pessoal do presidente da empresa a internacionalização para o mercado americano. Esta possibilidade comunga com a teoria de Andersen (1993) sobre a escolha de novos mercados por líderes empreendedores que fazem uso de preferências pessoais e da racionalidade limitada como principal norteador para as estratégias de internacionalização. 86 Secundariamente a pesquisa evidenciou que com este processo a Amil conseguiria uma melhora da imagem e diferenciação no mercado brasileiro, distanciando-se das outras competidoras, além de ter buscado aprendizado sobre as operações da atividade fim em diferentes mercados, principalmente em relação ao modelo americano. A ação, entretanto foi pouco divulgada no mercado brasileiro, que absorvia apenas propagandas do produto Continents, apoiado pelo escritório de Miami. O compromisso dos executivos com os mercados, os recursos dispensados e planejamento sugerem que a ida para Argentina e Estados Unidos não eram ações de marketing para posicionamento da empresa no mercado brasileiro, mas sim, uma verdadeira alternativa para seus negócios. Logo, em consonância com a literatura sobre as razões para internacionalização, a empresa à época percebeu que as oportunidades de crescimento no mercado exterior eram maiores que as internas, vislumbrando ainda a possibilidade de aprendizado em ambientes de negócios distintos e diversificação de seu capital (FERREIRA et al., 2011). Tais motivos, apoiados por pesquisas realizadas por consultores em negócios internacionais contratados, levaram a Amil tanto a diversificar seus negócios, quanto a abrir filiais fora do Brasil. 5.2- Desenvolvimento e sustentação da estratégia: A Amil, quando optou pela internacionalização possuía 16 anos de atividade. Com suas finanças equilibradas, seus executivos bem preparados em relação às operações no Brasil, com uma reserva de capital que permitia o investimento no estrangeiro sem afetar suas operações nativas e principalmente, pela a vontade e comprometimento da alta direção da empresa, o processo de internacionalização foi preparado desde 1992 com a criação da Diretoria de Negócios Internacionais e consultorias especializadas, sendo implantado em 1994 e descontinuado de maneira definitiva em 2005. O modelo de entrada escolhido em todas as localidades foram os investimentos individuais privados para os mercados alvo (ROOT, 1994). Para a implementação da estratégia a empresa possuía disposição de ativos financeiros, deslocados do Brasil, para as operações e investimentos no exterior. A diferenciação de produtos como vantagem competitiva (VERNON, 1966) abordada 87 pelos entrevistados com a criação do resgate aéreo em Buenos Aires e na construção de uma rede de prestadores privados de saúde, grande carência do mercado portenho nos anos 1990 não foi, porém fator de sucesso nem vantagem competitiva para o grupo. O modelo de Upsalla (JOHANSON e VAHLNE, 1977) defende que recursos empregados em determinado local, tanto de natureza financeira, quanto humana podem ser entendidos como Compromisso de Mercado. Conectando a estratégia de internacionalização da Amil com esta escola comportamental de internacionalização, observamos que no início dos anos 1990 houve a percepção da necessidade de expansão para o estrangeiro objetivando crescimento e que o impulso inicial ocorreu por fatores alheiros a sua performance no mercado interno. Os principais drivers foram a instabilidade político-monetária brasileira e a falta de perspectiva de crescimento do mercado para os planos de saúde ( LIMA, 2001). Desta monta, optou-se por aplicar recursos financeiros e humanos, através do envio de um time seleto de executivos – até mesmo do próprio presidente da empresa - para o exterior. A abertura do escritório de Miami pode ser entendida como uma maneira incremental de internacionalização pela sua vocação exploratória para o estabelecimento de uma filial das operações de venda de planos de saúde no futuro. Nas demais localidades, contrariando os princípios do modelo nórdico, a internacionalização ocorreu sem qualquer tipo de gradualismo e para mercados com valores culturais e modelos de negócio distintos, importantes elementos de barreira no desenvolvimento das subsidiárias. Como os referenciais e exemplos estrangeiros de cuidados e gestão de saúde começaram a permear as organizações, misturando-se e fundindo-se com os valores, práticas e ferramentais originariamente brasileiros, o fato pode ter sido ocasionado tanto pela falta de reconhecimento destas diferenças pelos consultores, pela ignorância dos executivos brasileiros quanto a existência de tais distâncias à época, pela mitigação da importância de tais diferenças ou pela magnitude da urgência na busca por economias estáveis a fim de salvaguardar os ativos da empresa das ameaças no Brasil. A materialização deste pensamento pode ser notada nos discursos aonde se coloca que a entrada em mercados mais refinados, como o americano, ao contrário de ter sido visto como uma barreira, foi visto como um estímulo e até mesmo questionado se a ida não teria sido tardia. 88 A construção de uma rede de relacionamentos que possibilitaria a expansão da empresa nas filiais, conforme a proposição do modelo revisado de Upsalla (JOHANSON e VAHLNE, 2009), não apareceu de forma clara na pesquisa. O modelo AAA (GHEMAWATT, 2007) preconiza que na ida para mercados internacionais, as empresas usariam como estratégia de entrada e de diferenciação a Adaptação, Agregação ou a Arbitragem, sendo ainda possível uma combinação destas. A curta experiência e as diferenças dos mercados não permitiram a possibilidade de uma padronização e nem uma especialização nas operações internacionais. Houve, entretanto, certo grau de Adaptação com a descentralização do controle das filiais e a adaptação dos produtos para as localidades. Como exemplo, citamos as modalidades de planos de saúde adotadas nos Estados Unidos- HMO e PPO que não existiam no Brasil nos anos 1990, mas que passaram a ser comercialidades naquele país pela empresa. Outra forma de adaptação pode ser percebida pelos canais de venda e divulgação da marca com contratação de brokers nativos em cada localidade. No caso da Amil, a ida para o mercado americano, cuja distância CAGE era grande (GHEMAWAT, 2007), a abertura de diversas filiais de modo simultâneo, assim como a fragmentação de recursos, pode ter sido fator impeditivo de vantagens, de ganho econômico e da exploração de economia de escala. Na estrutura CAGE, Ghemawatt (2008), chama atenção para as dificuldades e barreiras manifestas pelas distâncias em diversas dimensões entre os países. Na estrutura econômica, cultural e politico administrativa, Brasil e Estados Unidos apresentariam maiores divergências do que as encontradas entre Brasil e Argentina, países que dividem fronteiras e compartilham a mesma região econômica pelo MERCOSUL. Paradoxalmente, o mercado apontado como de penetração, implementação e desenvolvimento mais difícil na implantação de uma filial pela Amil foi o argentino. Apesar da pouca diáspora cultural apresentada por Ghemawatt e com fronteiras adjacentes, foi o mercado de menor captação de clientes, pior adaptação dos executivos e de duração mais curta. Uma possível explicação seria a peculiaridade do serviço vendido, que ao contrário de outros produtos comercializáveis globalmente, mantinham-se referenciados às práticas e aos mercados locais. Este fato está em consonância com as características ímpares dos serviços de saúde revistos na literatura, 89 ao apresentar as demandas no atendimento deste setor como ocorrências distintas e particulares para cada localidade (OMS, 2013; EKELEDO e SIVAKUMAR, 1998). Na classificação proposta por Erramilli (1990), o produto da empresa estaria na categoria soft service, sendo mandatória a proximidade física entre a empresa e o cliente, logo a necessidade e estabelecimento de filiais estrangeiras. Na ausência da exportação como passo incremental os fatores preditivos de sucesso seriam a localidade e o grau de controle da empresa sobre suas operações, que no caso ocorreu de forma integral pela Amil. Contudo, Ekeledo e Sivakumar (1998) observam que mesmo em soft services, a penetração em mercados muito competitivos, como o americano ou concentrado, como no argentino, a construção de parcerias em franchisings ou jointventures poderia ser uma maneira de escalonar o grau de risco para as empresas. De acordo com as entrevistas e o material bibliográfico pesquisado, em nenhum momento foi cogitada a formação destas modalidades, ou nem mesmo aquisições pela compra de carteira de clientes das operadoras locais. 5.3-A descontinuidade da internacionalização: Apontada de forma unânime pelos entrevistados, a decisão de encerrar as atividades transfronteriras ocorreu de maneira rápida pela presidência, sendo os executivos prontamente repatriados e deixando a cargo da Diretoria de Negócios Internacionais a supervisão de legalizar o processo de encerramento das empresas. Os motivos apontados foram principalmente os fatores alheiros as estratégias internas, tanto na Argentina que não desregulamentou as Obras Sociais e manteve o mercado retraído, quanto à consolidação do mercado americano, que absorveu as pequenas operadoras em grandes grupos, tornando a concorrência das pequenas e médias empresas irrelevantes. Tais fatos estão consonantes com a moldura CAGE de Ghemawat (2007) cuja distância entre mercados pode também ser ditada por uma economia de não-de-mercado ou fechada, como o ocorrido no país vizinho. Nas revelações de campo foi ainda levantada a possibilidade de uma escolha equivocada das localidades, já que em nenhuma delas houve um crescimento orgânico verdadeiro. Foi aventada a possibilidade do mercado de Miami não ter sido mais bem explorado como receptáculo primário no processo de internacionalização da empresa pela similitude com a latinidade do Brasil. 90 As entrevistas e a bibliografa estudada apontaram uma convergência da relação entre a Regulamentação da Saúde Suplementar no Brasil e a decisão de descontinuidade das filiais exteriores. A maior dificuldade imposta pela criação da ANS foi a necessidade de uma reserva de capital como premissa para as operadoras de saúde nacionais, porém não como causa única de insucesso. A necessidade de reserva de um capital mais robusto foi apontada também como uma das razões para a descontinuação do escritório de Miami e do plano Continents, já que se despontava um câmbio maior entre o dólar e a moeda brasileira. A empresa não tinha meios de controlar tais variações, nem os custos que poderiam representar um plano internacional com cobertura muito ampla. A pesquisa revelou ainda que não houve perda significante de ativos com o processo e o crescimento da empresa. O custo da internacionalização havia sido calculado e as perdas foram recuperadas brevemente com ações de expansão direcionadas ao mercado brasileiro. Ainda assim, a saída de todas as localidades, em conformidade com Burgelman (1994) foi desvinculada do esforço na implementação e manutenção das filiais, o que poderia ter sido ditado por um viés decisório de uma escalada de comprometimento. 5.4- Obstáculos à estratégia: Com base no material colhido nas entrevistas, verificamos que os obstáculos encontrados foram a dificuldade inicial dos executivos pela falta de um preparo elaborado para a expatriação, dificuldade de crescimento expressivo nas localidades previamente escolhidas pelos dirigentes e consultorias e a falta de previsão quanto as mudanças do mercado americano e permanência de uma estrutura fechada no mercado argentino. A literatura aponta que as empresas de serviços de saúde que optam pela internacionalização, o fazem pela formação de parcerias, como joint ventures e respeitando as distâncias culturais, administrativas e econômico-políticas. A revisão da literatura sobre empresas de saúde com movimentos semelhantes evidencia que os fracassos foram ocasionados por não respeito a estas distâncias entre os mercados, como no caso da Aetna Cigna na América do Sul. A não observância desta relação foi um obstáculo no processo. 91 5.5- Ganhos com o processo de internacionalização: Como subproduto da inserção em países distintos, a empresa obteve aprendizado operacional e tecnológico, no caso de tecnologia de informação como softwares de gestão em saúde, inexistentes no Brasil até então. Até o processo de internacionalização a empresa não possuía um sistema de autuaria ou plataforma de gestão operacional, ambos inspirados em aprendizado nos Estados Unidos e adaptados ao mercado brasileiro. Trouxe ainda novas modalidades de comercialização de planos de saúde, que logo foram implantadas no Brasil, como os planos de coparticipações nos moldes de HMO e PPO, o que aumentou sua participação no mercado de maneira significativa. Através de sua rede de relacionamentos com hospitais conseguiu viabilizar um programa de atualização e aprendizado de médicos brasileiros conveniados da Amil em centros de vanguarda tecnológica nos Estados Unidos, programa este que perdura por 17 anos com o nome de Study Tour Amil (AMIL, 2013). As entrevistas e o histórico da empresa evidenciaram que o achado mais importante, entretanto, foi o conhecimento adquirido nas operações dentro de um mercado estável economicamente, o que permitiu com que a empresa desviasse o foco das operações meramente financeiras - conforme as práticas de aplicação em operações bancárias das operadoras de saúde no ambiente de alta inflação dos anos 1980 e 1990 para a gestão de seu negócio em planos de saúde com crescimento orgânico baseado em controle de custos e expansão vertical. A reputação da empresa no cuidado com as formalidades de entrada e saída no exterior foi encarada pelos entrevistados como parte dos ativos intangíveis. Esta lisura nos negócios foi vista como patrimônio, razão de sua perenidade e um dos pilares de sucesso no mercado nacional até os dias de hoje. 92 6. CONCLUSÕES Porter (1989) preconiza que o objetivo de estratégia é estabelecer para a empresa uma posição de vantagem perante a concorrência, construindo defesas e descobrindo posições no setor cujas forças competitivas a torne menos vulnerável. Segundo Ghemawat (1986), entretanto, as vantagens competitivas decorrentes da inovação de produtos, de processos de produção e de estratégias de marketing advindas de uma firma estão mais difíceis de serem mantidas, porque os concorrentes têm cada vez mais facilidades de as imitarem. Em relação ao objetivo da internacionalização de uma empresa, é primordial o estabelecimento de uma vantagem competitiva que possibilite o retorno no estrangeiro de maneira superior ou pelo menos sustentável aos recursos empregados para a implantação de seu processo (SHARMA e ERRAMILLI, 1997). Consolidando as teorias destes autores, entendemos que uma empresa ao entrar no mercado global deve contabilizar não só os custos de entrada, mas os de saída (KRUGMAN, 1979), além de estar preparada para as transformações, para as renovações constantes de seus produtos e construir redes de relacionamentos para incremento de suas atividades. Nos anos 1990, o país assistia a primeira onda de internacionalização nacional com as empresas expatriando-se em busca de novos mercados, ampliação de suas marcas e capacidade competitiva, pois o mercado interno para o crescimento orgânico da operadoras de saúde estava estagnado (CECHIN 2008). Nesta época, direcionada por uma visão particular da alta administração, a Amil optou pela expansão internacional em locais de estabilidade financeira, criando empresas independentes sob a mesma marca. A força motriz deste movimento foi a procura por investimentos para a salvaguarda do capital, devido as ameaças políticas no cenário brasileiro. As praças foram estudadas através de consultoria que acenaram com possibilidades de expansão para o mercado americano em locais de crescimento populacional exponenciais, pouca oferta de produtos fortes e chances na legalização das operações da empresa estrangeira. A expansão para Argentina por sua vez, nasceu da expectativa de crescimento pelo aceno de um mercado potencial após a desregulamentação das Obras Sociais e pela proximidade geográfica com o Brasil. Houve um forte apoio da matriz, tanto em termos de aporte de capital quanto legal. Os estudos prévios das consultorias, entretanto, não identificaram precocemente os movimentos de concentração das operadoras de saúde no 93 mercado americano e da possibilidade de não se concretizar a abertura das Obras Sociais na Argentina. Tais movimentos já eram prenunciados nos Estados Unidos da América com a expansão do manage care e controle de custos desde o final dos anos 1980 que promoveu fusões e aquisições de vários prestadores de saúde para fins de economia de escala e aumento de competitividade (AUSTIN e HUNGERFORD, 2009), assim como a internacionalização das próprias empresas americanas em busca de novos mercados como alternativa econômica a suas operações (STOCKER et al, 1999) . Na Argentina, por sua vez a possibilidade de fracasso do plano federal na abertura das Obras Sociais por movimentos sindicais não foi levada em conta ( SOUZA, 2009). Na percepção dos executivos que atuaram, houve um distanciamento do plano de negócios teórico em relação à realidade vivenciada e a expatriação de pessoas despreparadas foi fator de atraso na progressão dos negócios, porém não fator definitivo de insucesso. Outro fator de destaque foi o aprendizado do trabalho em economias estáveis, fator de grande dificuldade para as operadoras nacionais formadas no período de grande inflação econômica brasileira, dado o comportamento mais semelhante a empresas financeiras do que propriamente à prestação dos serviços de saúde. Esta importância é atestada pelo sucesso da operadora no mercado brasileiro após a regulamentação, crescendo e solidificando sua marca. O processo de internacionalização da Amil não evidenciou retorno de ativos financeiros em qualquer momento. Entretanto, mesmo após o insucesso na experiência de internacionalização, a empresa cresceu no mercado interno que crescia em poder de consumo, fato possibilitado pelo aprendizado adquirido, principalmente do mercado americano. Elaborou novas formas de gestão de sua carteira de clientes, como a gestão de pacientes de alto risco inspirada em programas americanos adaptados para o mercado brasileiro criando unidades denominadas Total Care, que se prestam ao atendimento exclusivo de doentes crônicos, como diabéticos, asmáticos, hipertensos, cardiopatas e o programa de acompanhamento GPAR - Gestão de Pacientes de Alto Risco ( Amil, 2013). Promoveu ainda novos produtos para o mercado brasileiro, como as franquias e coparticipações nos planos de saúde. Outro fator de destaque foi o aprendizado do trabalho em economias estáveis, fator de grande dificuldade para as operadoras nacionais formadas no período de grande inflação econômica brasileira, dado o 94 comportamento mais semelhante a empresas financeiras do que propriamente à prestação dos serviços de saúde. Esta importância é atestada pelo sucesso da operadora no mercado brasileiro após a regulamentação, crescendo e solidificando sua marca, além de ter conseguido superar as barreiras regulamentárias governamentais e o comportamento financeiro do mercado das décadas passadas. Tendo sido este último provavelmente o maior ganho da experiência, a Amil evidenciou um crescimento orgânico no Brasil, tornando-se líder de mercado, enquanto tantas outras do mesmo segmento se extinguiam. Além disto, conseguiu relacionamentos duradouros com hospitais americanos de altos padrões, para onde até hoje leva médicos para treinamento, desenvolveu plataformas de gestão em tecnologia de informação e passou a integrar verticalmente uma grande parte de sua cadeia produtiva, justamente aquelas para qual o mercado interno se apresenta de maneira mais hostil, como a prestação de serviços hospitalares e laboratoriais (PORTER, 2009; PEDROSO e MALIK, 2013). Desenvolveu competência humanas e processos que aceleraram a vantagem sobre as concorrentes, inovou e principalmente, soube retroceder e avançar ao longo dos anos usando a flexibilidade . A revisão bibliográfica aponta que em nível mundial e no estágio de semiglobalização, as empresas prestadoras de serviços de saúde expandiram as operações para além de suas fronteiras de origem através de parcerias. Aquelas que obtiveram sucesso permaneceram e cresceram nos países estrangeiros, adaptaram as suas práticas às diferenças culturais, politico-administrativas e geográficas, tal como exemplificado pelas empresas asiáticas no mercado competitivo do próprio continente e as americanas que migraram para o México e Europa. O estudo do caso Amil traz e evidências de que a não previsão deste planejamento foi o principal fator responsável pela retirada dos mercados internacionais. Como contribuição para a prática, observamos que a internacionalização de empresas é uma estratégia que deve ser observada cuidadosamente pelo alto custo que envolve. Adicionalmente as empresas de serviços em saúde têm particularidades e regionalizações que muitas vezes tornam sua operacionalidade difícil. Observar as teorias, respeitar as diferenças culturais, administrativas avaliar a possibilidade de parcerias e formação de redes de relacionamentos nos mercados 95 estrangeiros podem ser diferenciais de sucesso perante os concorrentes e vantagem competitiva. Este trabalho pretendeu resgatar um movimento inédito do setor de saúde suplementar brasileiro estudando sua motivação, determinando as forças facilitadoras e as barreiras para a internacionalização em um caso único para o Brasil e cujas ações, mesmo tanto tempo depois, não foram replicadas por nenhuma outra operadora nacional. O estudo, porém foi realizado a partir de um ângulo interno para os mercados exteriores. Desta forma, ficam as propostas de trabalhos complementares futuros tanto sob a avaliação oposta para elucidar as percepções dos mercados em relação à empresa brasileira, quanto explorar a participação dos atores internacionais que fizeram parte deste movimento, em um mergulho maior no tema. 96 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AFRICAN DEVELOPM NT BANK (AfDB). The Growth of International Trade in Health. Economic Brief. Disponível em: http://www.afdb.org/fileadmin/uploads/afdb/Documents/Publications/Economic%20Bri ef%20%20The%20Growth%20of%20International%20Trade%20in%20Health%20Ser vices%20Export%20Prospects%20in%20North%20Africa.pdf. Acesso em: 28/11/2013 ALBUQUERQUE C, PIOVESAN M, SANTOS F, SOARES I, MARTINS A C M, LOURENÇO F A, SASSON D, SIMÕES K A. A Situação Atual Do Mercado da Saúde Suplementar no Brasil e Apontamentos para O Futuro- The Current Situation of the Private Health Plans And Insurance Market In Brazil and Trends For The Future. 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Os riscos decorrentes de sua participação na pesquisa são nulos, entendendo que a mesma não será divulgada em qualquer tipo de mídia ou exposição publica. Se você aceitar participar, estará contribuindo para aferir as ações deste processo da empresa sob a luz acadêmica. Se depois de consentir em sua participação o Sr (a) desistir de continuar participando, tem o direito e a liberdade de retirar seu consentimento em qualquer fase da pesquisa, seja antes ou depois da coleta dos dados, independente do motivo e sem nenhum prejuízo a sua pessoa. O (a) Sr (a) não terá nenhuma despesa e também não receberá nenhuma remuneração. Os resultados da pesquisa serão analisados, mas não publicados e a sua identidade não será divulgada, sendo guardada em sigilo. Para qualquer outra informação, o (a) Sr (a) poderá entrar em contato com o pesquisador pelo telefone (21) (99941729), Consentimento Pós–Informação Eu,___________________________________________________________, fui informado sobre o que o pesquisador quer fazer e porque precisa da minha colaboração, e entendi a explicação. Por isso, eu concordo em participar do projeto, sabendo que não vou ganhar nada e que posso sair quando quiser. Este documento é emitido em duas vias que serão ambas assinadas por mim e pelo pesquisador, ficando uma via com cada um de nós. ______________________ Data: ___/ _____ Anexo II- Roteiro da Entrevista Semiestruturada 1. Dados do Entrevistador Data: Telefone: Empresa: Entrevistador: Endereço: Contatos: 2. Dados do Entrevistado Nome: Tempo de Trabalho na Empresa: Formação Acadêmica: Cargo: Tempo de Função Atual: Curso Principal( Graduação) Pós- Graduação: Experiência Profissional Anterior: Experiência Profissional na Época do Evento: Alguma etapa de sua Formação foi adquirida no Exterior? ( ) não ( ) sim. Qual? Duração País Tipo Data Observações adicionais: 3. Informações Sobre a Empresa: Ano de Fundação: Ramo de Atividade: Principais Produtos Empresa: Número de Funcionários Número de Funcionários no Exterior Nacionalidade dos Funcionários na década de 1990 Número de Funcionários no Brasil que de dedicavam à atividades no exterior Faturamento na década de 1990 Atuais Década de 1990 Atual Década de 1990 Célula Argentina Célula Texas Célula Miami Brasil: Exterior Brasil Exterior 4. Informações sobre Operações no Exterior Ano em que se iniciou a primeira experiência internacional Primeiro país de acolhida da primeira experiência internacional? Qual, no seu entender foi o principal motivo que levou ao início da experiência no exterior neste primeiro país? Marcar com x as opções. (*): definir: Houve entrada simultânea em mais de um mercado? Solicitação de clientes brasileiros Solicitação de clientes daquele país Pedido de órgãos governamentais brasileiros Pedido de órgão governamental daquele país Oportunidade de mercado por pesquisas de mercado(*) Incentivos Governamentais para extensão das atividades para aquele país Conhecimento dos Executivos da Empresa daquele mercado Relações Familiares com aquele país Relações acadêmicas com aquele país Relações de Trabalho Pregresso com aquele País Relações Profissionais Anteriores Proximidade geográfica com país de origem Proximidade Cultural com País de Origem Distancia Cultural com País de Origem Busca de Incremento econômico por diferenças na estabilidade das moedas Busca de Conhecimento sobre Operações da Atividade Fim em Diferentes Mercados Melhora da Imagem da Empresa no País de Origem Qual, no seu entender foi o principal motivo que levou ao início da experiência no exterior no segundo país? Marcar com x as opções Quantos clientes a empresa captou no exterior DE qual maneira a empresa captou estes clientes Qual/s os principais produtos oferecidos no mercado • Solicitação de clientes brasileiros • Solicitação de clientes daquele país • Pedido de órgãos governamentais brasileiros • Pedido de órgão governamental daquele país • Oportunidade de mercado por pesquisas de mercado(*) • Incentivos Governamentais para extensão das atividades para aquele país • Conhecimento dos Executivos da Empresa daquele mercado • Relações Familiares com aquele país • Relações acadêmicas com aquele país • Relações de Trabalho Pregresso com aquele País • Relações Profissionais Anteriores • Proximidade geográfica com país de origem • Proximidade Cultural com País de Origem • Distancia Cultural com País de Origem • Busca de Incremento econômico por diferenças na estabilidade das moedas • Busca de Conhecimento sobre Operações da Atividade Fim em Diferentes Mercados • Melhora da Imagem da Empresa no País de Origem • Mercado 1 Mercado 2 Para Mercado 1 e 2 Propaganda Local Absorção de Carteiras Pré-existentes Clientes brasileiros com domicilio o exterior Mercado 1 Mercado2 5. Sequências e Modo de Entrada Mercado Ano de Entrada Modo de Entrada Investimento Direto Origem do Investimento Direto 6. Distância Psíquica e Aquisição de Conhecimentos Quais as suas percepções antes do processo de internacionalização sobre as diferenças de mercado? Qual a sua percepção sobre as diferenças e semelhanças entre o mercado brasileiro e o que atuou? Após o processo houve mudança na sua percepção? Existia conhecimento prévio do mercado? Houve pesquisa antes da entrada em cada mercado? Houve ganho de conhecimento do mercado externo com o processo Houve ganho de conhecimento do mercado interno com o processo? Qual foi a melhor forma de obtenção de conhecimento? A atitude da empresa no primeiro mercado era vista como definitiva ou exploratória? A atitude da empresa no segundo mercado era vista como definitiva ou exploratória? Como e quando a empresa percebeu que estava pronta para atuar em um novo mercado? Quem foram os responsáveis pelas operações nos mercados externos? Estas percepções modificaram? Durante ou depois do processo? Antes, depois ou durante? Antes, depois ou durante? Antes, depois ou durante? Operações Pesquisas Fatores de decisão Fatores de decisão Fatores de decisão Nome: Cargo: Quanto tempo atuou no mercado? Tempo de Trabalho na Empresa Experiência Internacional Previa Atividade Atual Houve alguma relação entre os mercados externos? Até que ponto os mercados externos se diferenciavam ou coincidiam? Qual o grau de interação entre as pessoas que trabalhavam nos diferentes mercados? Como foi a sequência de entrada nos mercados externos? 7. Alianças e Parcerias A empresa estabeleceu alguma parceria com outas em sua trajetória internacional Tipo de parceria que a empresa trouxe para empresa. Marcar com x as opções. Que tipo de beneficio empresa brasileira levou aquela empresa? Marcar com x as opções. Existia algum relacionamento prévio da empresa com aquele parceiro? Esta parceria foi duradoura? Qual tipo de contrato Esta parceria foi interrompida? Caso parceria tenha sido interrompida: Na linha do tempo esta parceria foi ampliada? Após esta primeira parceria a empresa desenvolveu novas relações no exterior? Caso tenha havido outros parceiros no exterior como se deu este contato? Sim Não Caso sim: quando?( antes, durante, depois) Caso sim: qual e como? Caso sim: brasileiras ou estrangeiras? De que partiu esta aliança? Tecnologia Conhecimento sobre práticas no mercado externo Trouxe clientes potenciais Atenuou barreiras legais para atuação naquele mercado Outras: Conhecimento sobre práticas no mercado externo Trouxe clientes potenciais Atenuou barreiras legais para atuação naquele mercado Outras Não Sim, relacionamento social (amizade, parentesco, coleguismo prévio, Sim, relacionamento profissional (fornecedor, cliente). Tempo de duração Modelo de contratos entre as empresas: modelos formal ou informal Sim Não Motivos: Quando Como: Não Sim: no Brasil, no mesmo país, em outro país Recomendações de parceiros conhecidos Participação em eventos da área Instituições governamentais do Brasil Instituições Governamentais no Exterior 8. Fatores Econômicos Qual a percentagem da receita no Brasil e no exterior Qual a perspectiva de faturamento no exterior Como se dava a aplicação da receita no exterior Qual o investimento no exterior da receita gerada? Como se dava o controle da receita Superior brasil Inferior Brasil Matriz Local ( exterior) Houve Necessidade de Aporte de Capital para as Operações no Exterior? 9. Razões para descontinuidade? Quando houve descontinuidade para o processo de internacionalização? A descontinuidade ocorreu de maneira formal ou informal? Que atividade assumiu no seu retorno ao país de origem? Participou de outra operação internacional? Na sua opinião qual foi a principal razão para a descontinuidade da internacionalização? Mercado 1 Mercado 2 Mercado 1 Mercado 2 10. Informações Gerais e Percepção dos Atores Participantes do Processo Qual a importância dos mercados externos para a empresa? A percepção modificou ao longo do tempo? Que tecnologias a empresa adquiriu após o processo? Que aprendizado a empresa adquiriu após o processo? Na sua opinião que tipo de vantagens a empresa obteve com o processo no mercado nacional? Na sua opinião quais foram as maiores facilidades encontradas no exterior? Na sua opinião que tipo de desvantagens a empesa teve no negocio exterior? Por ocasião da descontinuidade a empresa tinha planos de retornar ao mercado exterior? Anexo III- Tratamentos dos Dados- Atlas TI: Categorias e Estratificação das Perguntas Perguntas da Pesquisa e Categorias Abordadas na Entrevista Perguntas da Pesquisa Categoria Codificação Conhecimento sobre a empresa. Tempo de trabalho na empresa Perfil do Entrevistado Tipo de atividade exercida Preparo para assumir as atividades no exterior Razões da Escolha dos Mercados Específicos Conhecimento dos principais atores em cada local da internacionalização Estrutura da empresa brasileira para Internacionalização Informações sobre a empresa, e atividades no Brasil e Exterior. Estrutura no Exterior para a Internacionalização Responsáveis pela implementação da empresa no exterior Por que a Amil decidiu pela Data da primeira experiência internacional internacionalização para os mercados dos Estados Sequência de entrada nos mercados Unidos e Argentina na década de 1990 Preparação para entrada nos mercados Época internacional da experiência Perguntas da Pesquisa Categoria Codificação Conhecimento sobre a empresa. Tempo de trabalho na empresa Perfil do Entrevistado Tipo de atividade exercida Preparo para assumir as atividades no exterior Razões da Escolha dos Mercados Específicos Conhecimento dos principais atores em cada local da internacionalização Estrutura da empresa brasileira para Internacionalização Informações sobre a empresa, e atividades no Brasil e Exterior. Estrutura no Exterior para a Internacionalização Responsáveis pela implementação da empresa no exterior Por que a Amil decidiu pela Data da primeira experiência internacional internacionalização para os mercados dos Estados Sequência de entrada nos mercados Unidos e Argentina na década de 1990 Preparação para entrada nos mercados Época internacional da experiência Perguntas da Pesquisa Categoria Codificação Diversificação de produtos Contexto Politico Introdução de novos produtos Econômico da Época Crescimento da empresa no Brasil Dificuldades operacionais no Brasil Incentivos Governamentais para extensão das atividades para aquele país Conhecimento dos Executivos da Empresa daquele mercado Decisões inerentes à empresa Percepção de Oportunidade por um Corpo de Gestores Principal motivo da empresa para o exterior ida Percepção de Oportunidades Pedidos externos Solicitação de clientes daquele da país Pedido de órgãos governamentais brasileiros Pedido de órgão governamental daquele país Relações Familiares com aquele país Relações acadêmicas com aquele país Relações de Trabalho Pregresso com aquele País Relações Profissionais Anteriores Distancia Cultural com País de Origem Busca de Incremento econômico por diferenças na estabilidade das moedas Perguntas da Pesquisa Categoria Codificação Sequências Temporais de Entrada Oportunidade de mercado por pesquisas de mercado Pesquisas realizadas nos mercados Como foi desenvolvida e sustentada tal estratégia? Efeitos da Internacionalização no Empresa no País de Origem Mercado Brasileiro Imagem da empresa no mercado brasileiro Proximidade geográfica com país de origem Melhora da Imagem da Proximidade Cultural com País de Origem Solicitação de clientes brasileiros A estratégia de internacionalização foi Propaganda no Brasil sobre a Empresa uma estratégia de Estratégia Fugaz ou Perene marketing? Propaganda nas filiais sobre a empresa Por que houve a descontinuação após Crescimento da Empresa no Período Perspectivas para o mercado nacional uma década? após internacionalização Relação entre ida para exterior e imagem da Amil no Brasil Alianças e Parcerias nos Mercados Externos Tal estratégia ajudou a empresa na consolidação nacional? do mercado Perspectivas de expansão no mercado estrangeiro Alianças e parcerias construídas Comportamento exploratório ou definitivo para os mercados Motivações a Investimentos no exterior da Modelo de gestão no exterior Dificuldade da Adaptação a lei para descontinuidade estratégia 8656 Aporte de Capital durante a permanência no exterior A Regulamentação da Saúde Suplementar no Brasil dificultou a internacionalização da Amil? Dívidas adquiridas por conta Houve perda de valores das operações no exterior Dívidas operacionais no Brasil internacionalização Macula da imagem no exterior Perda de capital Mácula da imagem no Brasil Perda com a de Recursos Humanos Perda da imagem no Brasil e exterior Importância dos Motivos para Saída Formalidade Mercados Externos Por que esta apresentou descontinuidade? ação Planejamento à época ou informalidade no processo para outros mercados Posição Assumida no Retorno Retorno a internacionalização no futuro Que ganhos a empresa obteve com este processo? Houve ganho de valores de com tal estratégia? sobre Benefícios Atividade Tecnológicos conhecimento Operações Fim da em Diferentes Mercados Adquiridos Busca Benefícios Conhecimentos Ganho de conhecimento do de mercado sobre processo Operações adquiridas Forma interno de com o obtenção de Psíquicas e conhecimento Desvantagens desvantagens e para o mercado nacional com a internacionalização Teias de Relacionamentos Construídas Diferenças Culturais ANEXO IV- FOLDER AMIL INTERNATIONAL CORPORATION- PLANOS INTERNACIONAIS Fonte: Folder Propaganda Veiculado em 1996 ANEXO V- HOSPITAIS REFERENCIADOS AMIL NOS ESTADOS UNIDOS Fonte: Folder Propaganda Veiculado em 1996 ANEXO VI – ENTRADA NO MERCADO ARGENTINO Fonte: Documento Interno Amil- Five Year Plan- Amil Internacional Argentina 1ª Versão- Outubro 1996 ANEXO VII- PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARA 5 ANOS AMIL ARGENTINA- 1993 Fonte: Documento Interno Amil- Five Year Plan- Amil Internacional Argentina 1ª Versão- Outubro 1993 ANEXO VIII- PROPAGANDA AMIL RESGATE EM BUENOS AIRES Fonte: Documento Interno Amil- Amil Clipping 1997