COLÓQUIO FREUD: FILOSOFIA E PSICANÁLISE (Homenagem aos 100 anos de publicação dos Escritos Metapsicológicos) De 12 a 14 de Maio de 2015 UFSCar, Campus São Carlos AT 2 – Auditório do CECH PROGRAMAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES Terça-feira, 12 de Maio de 2015 Secretaria de Pós-Graduação do Departamento de Filosofia e Metodologia das Ciências (DFMC UFSCar) http://dfmc.ufscar.br/ Tel.: (16) 3351-8368 Email: [email protected] Realização: PPGFil-UFSCar Organização: Prof. Dr. Luiz Roberto Monzani (UNICAMP/UFSCar) Profa. Dra. Ana Carolina Soliva Soria (UFSCar) 10h45 – Sabrina Marioto (PPGFil/UFSCar): “A repetição: o que se coloca além do princípio de prazer” 9h30 –Diego Bertanha Novais (UFJF): “A criação artística sob a ótica da escola psicanalítica kleiniana” 11h15 – André Santana Mattos (UFSCar): “Pulsão, agressividade e tendência à descarga, de Pulsões e seus destinos a Além do princípio do prazer” 10h00 – Alessandra Affortunati Martins Parente (IP/USP): “Distinção metapsicologia dos conceitos de Sublimação e Unheimliche em Freud” 11h45 – Claudia Gigante Ferraz (UFSCar): “Pulsão de morte: uma analise da introdução do conceito em Além do principio do prazer” 10h45 – Lisandre Frazão Brunelli e João José Rodrigues Lima de Almeida (Unicamp): “Interdisciplinaridade entre a Psiquiatria, a Psicanálise e as Ciências Sociais e Humanas: fonte de conhecimento para boas práticas clínicas” 11h15 – Tristan Guillermo Torriani (Unicamp): “Freud, Piaget, e a consolidação da personalidade esquizoide no nível simbólico ou pré-operacional” 11h45 – Weiny César Freitas Pinto (Unicamp): “O ponto de vista energético segundo Ricoeur: uma análise a partir da tese da espiral de Monzani” Quinta-feira, 14 de Maio de 2015 9h00 – Matheus Capovilla Romanetto (Unicamp): “Contribuições da psicanálise de Freud à teoria do conhecimento” 9h30 – Alice Vieira de Albuquerque (UFSCar): “O lugar da especulação na elaboração da metapsicologia freudiana” 10h00 – Flávio Luiz de Castro Freitas (UFSCar): “Possível relação entre quantidade e qualidade na parte I do Projeto para uma Psicologia Científica de Sigmund Freud” 10h30 – Intervalo Quarta-feira, 13 de Maio de 2015 9h00 – Bruna Martins Coelho (Filosofia/USP): “Deleuze, o inconsciente e o tempo, e a psicanálise” 9h30 – Luiz Fernando Botto Garcia (USP): “Do désir, que não se reduz ao Wunsch: duas facetas do desejo em Lacan” APOIO 10h30 – Intervalo 9h00 – Virginia Helena Ferreira da Costa (FFLCH/USP): “A relação pulsional com o objeto – o modelo freudiano de uma antropologia presente em Dialética do Esclarecimento” 10h30 – Intervalo Outras informações: 10h00 – Mariana Teixeira Santos Moura (Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública): “Psicanálise e Ciência” 10h45 – Bruno Batista Rates (DFMC/UFSCar): “Vida e morte em Freud e Bergson” 11h15 – Natália Giosa Fujita (FFLCH/USP): “Merleau-Ponty à escuta de Freud ou o outro eu que despertará a filosofia da consciência de seu etc...” RESUMO DAS COMUNICAÇÕES Nome: Alessandra Affortunati Martins Parente Instituição: Doutora em Psicologia Social pelo IP – USP. (defesa da tese em 20/03/2015, realizada sob orientação do Prof. João Frayze-Pereira). – Bolsa CAPES SANDUÍCHE com estágio em Berlim - Zentrum für Literatur und Kulturforschung. Título do trabalho: Distinção metapsicologia dos conceitos de Sublimação e Unheimliche em Freud Resumo: No ano de 1919 – um ano após o fim da Primeira Grande Guerra – Freud desenterra o velho texto das Unheimliche da gaveta e começa a retrabalha-lo. Durante os terríveis anos de batalha, Freud conseguiu ser altamente produtivo, escrevendo vários trabalhos, dentre os quais seus artigos sobre metapsicologia. Sabemos o conteúdo daqueles que restaram entre os que foram destruídos. Há uma forte suspeita de que um dos textos queimados tratava do conceito de sublimação. Curiosa escolha a de colocar em chamas justamente o artigo que tratava do nebuloso conceito de sublimação e a de desengavetar o trabalho sobre o Unheimliche, logo após os penetráveis acontecimentos da guerra. Esse par de gestos ampara a hipótese de que a experiência vivida por Freud na guerra coloca em xeque os padrões estéticos resultantes do processo de sublimação. Ainda que Freud tenha continuado a dar mais atenção ao conceito de sublimação do que ao Unheimliche até o fim de seus dias, defenderemos a ideia de que outro parâmetro estético – e, portanto, outo modelo de tecer aspectos simbólicos da cultura – passa a vigorar após o terrores da guerra. Tal modelo está enredado em raízes psíquicas que abalam até mesmo o complexo de Édipo, pilar da psicanálise freudiana. Nome: Alice Vieira de Albuquerque Instituição: UFSCar Orientador: Luiz Roberto Monzani e Ana Carolina Soliva Soria Título do trabalho: O lugar da especulação na elaboração da metapsicologia freudiana Resumo: Na tentativa de entender o lugar do método especulativo utilizado por Freud na elaboração dos conceitos metapsicólogicos, o presente projeto de pesquisa adota como estratégia acompanhar a construção das hipóteses metapsicológicas desenvolvidas pelo autor no texto Além do Princípio de Prazer (1920). Pretende-se, ainda, analisar as aproximações e afastamentos existentes entre o referido método e a concepção de ciência que o psicanalista possuía. Sabe-se que, para Freud, existem lacunas entre aquilo que apreendemos através da observação imediata dos fenômenos e a explicação geral de uma teoria, ou seja, a exposição da série completa das determinações causais que envolvem tais fenômenos. A pura descrição dos fatos observados mostra-se, de acordo com o referido autor, insuficiente e, para que se possa obter explicações completas, é necessário lançar mão de conceitos que ultrapassem os fatos empíricos. O material empírico constitutivo da psicanálise provém daquilo que é observado por Freud na clínica, enquanto que o conjunto de conceitos que estão para além desse material constitui a teoria metapsicológica – ou metapsicologia. Trata-se de uma teoria de caráter essencialmente especulativo, composta por conceitos que têm por finalidade sistematizar os fatos empíricos já conhecidos e apreender novos fatos. O resultado é uma exposição teórica geral do material empírico específico. A partir dessas considerações e sem perder de vista as especificidades do objeto de investigação da metapsicologia, a saber, os processos psíquicos inconscientes e, dada a sua natureza, os limites impostos a sua apreensão e interpretação, parece legítima a possibilidade de colocar o seguinte questionamento: é possível que o método especulativo adotado por Freud, do modo como o próprio psicanalista o descreve, indique um afastamento entre a maneira elaborava sua teoria e a concepção de ciência que sustentava? Nome: André Santana Mattos Instituição: UFSCar Orientador: Luiz Roberto Monzani Agência de fomento: CAPES Título do trabalho: Pulsão, agressividade e tendência à descarga, de Pulsões e seus destinos a Além do princípio do prazer Resumo: Com a introdução do conceito de pulsão de morte (Todestrieb) em 1920, em Além do princípio do prazer, são aproximados dois conjuntos temáticos que antes não estavam explicitamente articulados: a agressividade e a tendência à descarga. A partir de 1920, a agressividade será pensada por Freud como uma expressão da pulsão de morte, sendo esta concebida ao mesmo tempo como a origem da tendência à descarga que se expressa nos conceitos de princípio de inércia, princípio de Nirvana e princípio de prazer. Com o fim de examinar uma amostra das transformações teóricas no pensamento de Freud, revisitaremos aqui o artigo metapsicológico Pulsões e seus destinos, de 1915, onde encontramos, por um lado, no que toca à questão da agressividade, os elementos do sadismomasoquismo e do ódio, discutidos no âmbito da pulsão sexual, e, por outro lado, a formulação da função do sistema nervoso de livrar-se de estímulos, sem qualquer articulação explícita com o conceito de pulsão enquanto princípio explicativo. Pretendemos fazer, portanto, um estudo comparativo dos dois textos, a fim de delinear como esses dois conjuntos temáticos serão então amarrados teoricamente pelo conceito de pulsão de morte. Nome: Bruna Martins Coelho Instituição: Mestre em Filosofia pela USP Título do trabalho: Deleuze, o inconsciente e o tempo, e a psicanálise Resumo: O problema do inconsciente é inerente à filosofia de Gilles Deleuze. Esta afirmação, quando referida à dita segunda fase de sua produção intelectual, junto à Felix Guattari a partir de O AntiÉdipo, não coloca maiores problemas: o inconsciente como usina, como máquina, como produção rebelde aos aparatos psicanalíticos de interpretação e ao código familiar, nela é explicitamente tematizado. Mas não só: formular um conceito de inconsciente comtra aquele pensado pela psicanálise constituía o projeto de Deleuze já em seus estudos monográficos das décadas de 50 e 60. Ao longo dos “comentários" dedicados aos filósofos, estes lhe fornecem ferramentas teóricas para recolocar e criticar certos pontos – cegos, para Deleuze – inerentes à teorização freudiana do inconsciente. Bergson, é, neste caso, exemplar: sua filosofia lhe permite problematizar a temporalidade de um inconsciente impessoal e ontológico e criticar, em Diferença e Repetição, o "subjetivismo" e o "realismo" presentes na teoria freudiana do après-coup. Nome: Bruno Batista Rates Instituição: Universidade Federal de São Carlos – UFSCar Orientador: Débora Cristina Morato Pinto Agência de Fomento: CNPq Título do trabalho: Vida e morte em Freud e Bergson Nome: Claudia Gigante Ferraz Instituição: Universidade Federal de São Carlos Orientador: Lucia Prado Título do trabalho: Pulsão de morte: uma analise da introdução do conceito em além do principio do prazer. Resumo: Após constatar que a compulsão de repetição é mais "elementar" e "primordial" que o princípio do prazer Freud, em Além do princípio do prazer, enveredará para o caminho da especulação e reorganizará a sua teoria das pulsões, estabelecendo, assim, de forma definitiva a primazia da pulsão de morte. Uma das consequências desta descoberta será a ideia de que "o objetivo de toda vida é a morte" e que "o inanimado existia antes que o vivente". Viver, portanto, segundo o inventor da psicanálise, é conservar um "velho estado inicial que o vivente abandonou certa vez e ao qual ele se esforça por voltar" e não ir em direção a um "estado nunca antes alcançado". Ora, tal caráter conservador da vida parece se contrapor frontalmente à concepção defendida por Bergson, 13 anos antes, em A evolução criadora, onde a vida é caracterizada como "exigência de criação". Nossa comunicação se debruçará, portanto, sobre estas duas concepções aparentemente opostas de vida e morte, examinando também as suas referências científicas (o segundo princípio da termodinâmica e a embriologia de August Weismann) bem como algumas de suas consequências (relação com o pessimismo e a ideia de progresso). Resumo: Este trabalho visa refletir sobre a introdução do conceito de pulsão de morte em Além do Princípio do Prazer. A proposta surge da constatação das dificuldades dos estudiosos em integrar a noção de pulsão de morte ao corpo teórico da psicanálise, especialmente o que Freud entende, em sua última teoria, pelo termo Trieb. Ressaltar os diversos modos de interpretação da teoria psicanalítica, percorre os textos pilares da obra freudiana no que tange ao conceito de pulsão, faz o itinerário de Freud em Além do Princípio do Prazer atentando-se aos argumentos utilizados pelo autor para a construção do conceito e, por fim, articula três perspectivas diferentes a respeito do conceito de pulsão de morte e estabelece uma discussão preliminar resultante dos recortes efetuados para o desenvolvimento do tema. Concebe o conceito de pulsão de morte como aquele que se origina dos desequilíbrios internos da obra e ressalta que sua compreensão só é possível quando se considera a lógica interna do discurso freudiano. Considera que a pulsão de morte pode ser pensada como aquela que se localiza na raiz do inconsciente e tem como função reformular a teoria psicanalítica a fim abarcar as novas descobertas teóricas, bem como resignificar conceitos anteriores numa teoria mais vasta que venha responder a questão primordial de Freud: o que é o homem. Nome: Diego Bertanha Novais Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora Orientador: Fátima Siqueira Caropreso e Erico Bruno Viana Campos Agência de fomento: CAPES Título do trabalho: A criação artística sob a ótica da escola psicanalítica kleiniana Resumo: Este trabalho consiste em uma revisão teórica sobre o tema da criação artística e da experiência estética sob a ótica da escola kleiniana aqui representada pela psicanalista Hanna Segal. A hipótese da autora escolhida é a de que a criação artística e a experiência estética se enraizariam no drama da posição depressiva. A criação artística enquanto tal seria uma forma de reparação simbólica dos objetos e do mundo interno do artista, sentidos como destruídos pelo próprio sujeito em fantasia, no início da posição depressiva. Tais fantasias de destruição decorreriam do conflito entre as pulsões de vida e de morte que determinaria a forma como o indivíduo perceberia e sentiria os objetos em tal posição. Na forma de uma reparação simbólica, o sujeito reconstruiria os objetos e seu mundo interno, devolvendo-lhes a vida e dando a eles um status de eternizado, de forma que os objetos antes perdidos regressariam em um novo sentido. Nesta perspectiva, o autor da obra tentaria evocar no receptor toda esta gama de sentimentos que o impulsionaria a criar. Portanto, a obra traria em seu bojo este conflito entre o amor e o ódio, marca da posição depressiva, a partir do equilíbrio de elementos feios e belos em sua constituição. Um exemplo é a tragédia grega que possui elementos extremamente agressivos e destrutivos em seu conteúdo mas contidos na beleza da forma poética. Esta gama de sentimentos seria reconhecida por aquele que frui da obra, o qual se sentiria dentro do mesmo drama, visto que a experiência da posição depressiva seria universal. Então, embora feita de angústias particulares, a obra conteria uma faceta universal. A fruição reconheceria na obra a universalidade da condição de luto, culpa e falta, assim como reconheceria na sua feitura uma forma de reconstruir aquilo que foi perdido. Isto é o que permitiria o chamado prazer estético, o qual seria possível devido à capacidade de simbolização. Desta forma, a criação, a obra de arte, poderia ser sentida no inconsciente como recriação. O artista recriaria seu mundo de uma forma original e inovadora, o que faria da obra, portanto, não apenas repetição de conteúdos inconscientes, mas uma criação diferenciada. Conclui-se, portanto, que, segundo esta abordagem, a criação artística e a experiência estética adviriam da elaboração da posição depressiva e do desenvolvimento da capacidade de simbolização. Nome: Flávio Luiz de Castro Freitas Instituição: PPGFIL/UFSCar Orientador: Luiz Roberto Monzani e Ana Carolina Soliva Soria Título do trabalho: Possível relação entre quantidade e qualidade na parte I do Projeto para uma Psicologia Científica de Sigmund Freud Nome: Lisandre Frazão Brunelli e João José Rodrigues Lima de Almeida Instituição: Unicamp Título do trabalho: Interdisciplinaridade entre a Psiquiatria, a Psicanálise e as Ciências Sociais e Humanas: fonte de conhecimento para boas práticas clínicas Resumo: O objetivo da presente exposição consiste em tentar desenvolver o seguinte problema: qual relação é possível estabelecer entre quantidade e qualidade no Projeto para uma Psicologia Científica de Sigmund Freud? Postula-se como hipótese para articular esse problema que Freud estabelece a ligação entre quantidade e qualidade com base nas perguntas a respeito de “como?” e “onde?” são originadas as qualidades. Essa pergunta é elaborada no contexto da apresentação da tese de que os processos psíquicos podem ser quantificáveis em estados de partículas materiais específicas. Semelhante ideia é composta por uma teoria das quantidades internas e externas de estímulos que agem sobre o organismo, bem como pela organização do sistema nervoso numa tipologia diversificada de neurônios, demarcando três subsistemas que integram a totalidade do próprio sistema nervoso. Assim, Freud pensa a ideia de qualidade a partir da noção de consciência, mais especificamente de sensações conscientes. Essas sensações conscientes são propriamente as qualidades. As origens dessas qualidades decorrem do estado de excitação de neurônios do sistema ω e o meio para ligar quantidade e qualidade, permitindo descrever a mudança e a variedade das sensações conscientes, é a ideia de período aplicada à quantidade de estímulos de origem interna e externa que atravessa os subsistemas de neurônios, destacando em particular a função dos órgãos dos sentidos, visto que eles atuam como mecanismos seletivos que permitem a entrada de estímulos oriundos de períodos específicos. Resumo: A Psiquiatria é uma ciência interdisciplinar, mas nos últimos tempos vem sendo praticada em sua vertente biológica, onde neurotransmissores e receptores bioquímicos determinam o comportamento humano, prontamente medicado por psicotrópicos cada vez mais modernos, pesquisados enfaticamente pelos laboratórios farmacêuticos com interesses econômicos. Para Freud, a Psiquiatria e a Psicanálise devem caminhar juntas, seguindo um modelo complementar de atuação, mas são os psiquiatras e não a Psiquiatria, que acabam por obstruir este caminho, deixando de valorizar a escuta do sujeito-paciente, como fazem os psicanalistas. O objetivo do presente estudo é lançar luz a esta ideia, iluminando a Psiquiatria como possivelmente a única especialidade médica que tem a possibilidade de construir conhecimento com outras Disciplinas como a Psicanálise, a Filosofia, a História, a Sociologia, dentre muitas outras das Ciências Humanas e Sociais. Este encontro possibilitará ampliação de consciência e produção de conhecimento a ser compartilhado por todos os profissionais envolvidos, transformando práticas clínicas. Nome: Luiz Fernando Botto Garcia Instituição: Universidade de São Paulo Orientador: Vladimir Safatle Agência de fomento: FAPESP Título do trabalho: Do désir, que não se reduz ao Wunsch: duas facetas do desejo em Lacan Nome: Mariana Teixeira Santos Moura Instituição: Especialização em Teoria da Psicanálise de Orientação Lacaniana, Fundação Bahiana para o Desenvolvimento das Ciências, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública Orientador: Paulo César Gabrielli de Azevedo Título do trabalho: Psicanálise e Ciência Resumo: É do seminário sobre as formações do inconsciente a afirmação lacaniana de que o desejo é algo de não-articulável, mas, ao mesmo tempo, articulado. Via fantasia, o desejo, atrelado a um objeto especial, se encadeia através do significante, e se oferece, desse modo, à interpretação – o Wunsch freudiano, enquanto desejo articulado. Porém, há em Lacan uma dimensão mais radical do desejo que escapa das configurações fantasmáticas, e que pode ser pensada antes mesmo da aparição da versão real do objeto a enquanto causa, a partir dos conceitos de ser, no Seminário VI, Coisa no SVII e falo no SVIII. Todos abrem para o que Lacan denomina de “desejo sem mais”, ou “presença real do desejo”. Nesse trabalho, deveremos desdobrar esses quatro conceitos cruciais – fantasia, ser, Coisa e falo –, de modo a desfazer isso que poderia ser interpretado como uma contradição para o conceito de desejo, e apontar para suas duas facetas fundamentais, mostrando onde se articulam e porque se diferenciam, de modo a buscar aquilo que do désir não se reduz ao Wunsch. Resumo: O artigo analisa a relação da psicanálise com a ciência, guiada pela revisão bibliográfica, nomeadamente o artigo sobre “A pulsão e suas vicissitudes” entre os Escritos Metapsicológicos, de 1915, em que Freud justifica o conceito de pulsão e, desde Lacan, o Seminário 11 e o escrito sobre “A ciência e a verdade”. O conceito de pulsão é destacado como elo entre o percurso de elaboração teórica tanto de Freud como de Lacan, para consolidar a psicanálise, sua aproximação seguida do distanciamento da ciência, demarcando-se o contexto em que seus respectivos aportes sobrevieram. A singularidade da psicanálise em relação à ciência é demarcada na construção processual do conceito de pulsão, demonstrando suas nuances e bases para outras formulações, como o objeto a elaborado por Lacan. O histórico da psicanálise a afasta da ciência, mas não sem demarcar seu lugar em relação a esta, destacando, inclusive a relevância do sujeito da ciência, sem o qual não existiria a psicanálise; levando em conta, ainda, as críticas que pesaram desde sua origem e algumas considerações atuais sobre a relação entre psicanálise e ciência. Nome: Matheus Capovilla Romanetto Instituição: DS/IFCH/UNICAMP Orientador: Josué Pereira da Silva Agência de fomento: CNPq Título do trabalho: Contribuições da psicanálise de Freud à teoria do conhecimento Resumo: O trabalho procura deduzir algumas consequências da admissão do conceito freudiano de sujeito para uma teoria do conhecimento. Em primeiro lugar, busca demonstrar que a análise de diferentes sintomas (as proibições da neurose obsessiva; os delírios e a megalomania da paranoia; a autorrecriminação da melancolia) pode fornecer um modelo para explicar o surgimento de crenças equivocadas. Em todos os casos, a produção de representações falsas está vinculada à tentativa de transformar o conteúdo de pulsões reprimidas. Em segundo lugar, enquadra o surgimento da ciência na história das fases da religião, deduzindo daí que, também em termos sociais, é uma marca de toda falsa crença que seu conteúdo é codeterminado por uma tentativa de negar o desprazer. Finalmente, retorna à psique individual, apontando em que condições se forma a oposição psíquica entre sujeito e objeto, qual é a motivação subjetiva da busca da verdade, e a maneira como algumas etapas da produção do conhecimento – observação, elaboração, conceituação e juízo –, podem ser prejudicadas pelas resistências individuais, quando se pretende obter representações objetivas (afetivamente neutras) do real. Nome: Natália Giosa Fujita Instituição: Doutora em Filosofia (FFLCH/USP) Orientador: Defendeu em 2014 tese sob a orientação de Márcio Suzuki Título do trabalho: Merleau-Ponty à escuta de Freud ou o outro eu que despertará a filosofia da consciência de seu etc... Resumo: Freud, diz Lacan, fez uma descoberta que incide sobre o fundamento último não só da psicologia, mas da filosofia: "... o sujeito está descentrado com relação ao indivíduo" (Seminário 2, p. 16). Merleau-Ponty, partindo essencialmente da mesma fisiologia que lhe fornecera os pressupostos da chamada metapsicologia, havia se deparado n'A estrutura do comportamento com um problema intratável: se as dialéticas materiais e formais do organismo culminam numa passagem de nível para o espírito, por que recorrem estruturas de comportamento estranhas à consciência, que ademais revelam uma resistência ativa do corpo, que cria sentidos que parecem desenhar, mesmo para o próprio sujeito, um eu que é outro? É preciso dar peso igual tanto à distância quanto à relação entre esses dois termos, que se diferenciam à observação atenta do que antes passava por uma única entidade, imediatamente evidente para si, da qual a filosofia havia esperado a transmutação de todo o mundo num único infinito objeto cristalino. Se, afinal, o "resto" se avoluma até que seja preciso reconhecer o fracasso da filosofia da consciência, seu fim não pode ser o começo da filosofia sem sujeito – inferência não sem consequências bem reais, ainda que se trate de uma contradição em termos – mas recomenda a incorporação à filosofia das experiências e entidades acessíveis a um "conceito-limite entre o psíquico e o somático", a pulsão. Nome: Sabrina Marioto Instituição: UFSCar- PPGFil Orientador: Luiz Roberto Monzani e Ana Carolina Soliva Soria Agência de fomento: CAPES Título do trabalho: A repetição: o que se coloca além do princípio de prazer Resumo: Freud, no Projeto para uma Psicologia Científica aborda o funcionamento do aparelho psíquico do ponto de vista neurológico, estabelecendo princípios para tal funcionamento. Partindo do princípio de inércia, conclui que o aparelho psíquico busca livrar-se da excitação nele acumulada, pois seu objetivo é manter-se em repouso. É a vida que obrigará o aparelho a acumular quantidades de energia, trocando a inércia, pela constância. No Além do princípio de prazer, Freud rediscutirá o princípio de inércia, sua relação com o prazer, a vida e a morte. Muito do que foi abordado no Projeto será retomado no Além do princípio de prazer, em que muitos conceitos ganharão dignidade teórica. Freud se questiona: se a tendência do psiquismo é livrar-se do excesso de estimulação e se essa tarefa é executada pelo princípio de prazer, como é possível haver tanto desprazer na vida neurótica? O autor culmina em algo que se coloca para além do princípio de prazer, a repetição. É possível mapear no texto de Freud três tipos de repetição: uma ligada ao princípio de prazer, outra ligada a Bindung e a terceira a algo irrepresentável, a pulsão de morte. Acreditamos que a repetição pode ser entendida como forma de tratar o traumático e o que escapa à representação, sendo, um modo de operação do inconsciente. Essa é a trama que buscaremos abordar. Nome: Tristan Guillermo Torriani Instituição: UNICAMP Título do trabalho: Freud, Piaget, e a consolidação da personalidade esquizoide no nível simbólico ou pré-operacional Resumo: Ao antecipar a possibilidade de cristalização de caracteres, Freud melhorou nossa compreensão diferencial do desenvolvimento. Tomamos como foco a consolidação da personalidade esquizoide no nível simbólico ou pré-operacional (2 a 6 anos), em que se formam o que Piaget denomina símbolos (subjetivos) e signos (socializados). O egocentrismo predomina neste nível, fazendo com que se construa um mundo interno que, paradoxalmente, impede tanto o conhecimento objetivo quanto reflexivo. A personalidade esquizoide como discutida por M. Klein, Fairbairn, Guntrip, Winnicott, Laing e Lowen se enquadra melhor cognitivamente neste nível. A distinção entre maturação (biológica), aprendizagem (cultural) e desenvolvimento (escalonado) é decisiva para esclarecer a abordagem teórica a ser usada. A consolidação no nível simbólico não exclui desenvolvimento posterior para os níveis operacionais concreto e formal, mas significa um ancoramento da personalidade nesse nível, o que é constatável pela regressão consistente a ele e a dificuldade em sustentar atividades nos níveis subsequentes. Tanto o determinismo-essencialismo, quanto a liberdade radical na construção da personalidade são implausíveis. Nome: Virginia Helena Ferreira da Costa Instituição: Departamento de Filosofia – FFLCH – USP Orientador: Vladimir Pinheiro Safatle Agência de fomento: Pesquisa de doutorado financiada pela CAPES Título do trabalho: A relação pulsional com o objeto – o modelo freudiano de uma antropologia presente em Dialética do Esclarecimento Resumo: Pensando na operatividade das noções metapsicológicas freudianas cunhadas a partir dos escritos de 1915 por pensadores posteriores, pretendemos aproximar a teoria psicanalítica de Freud da teoria social de Adorno e Horkheimer figurada em Dialética do Esclarecimento. Mais especificamente, visamos demonstrar como a teoria freudiana sobre a relação do sujeito narcísico com seus objetos baseada na plástica pulsional está presente na obra dos frankfurtianos, precisamente no que concerne à noção de uma antropologia e ao desenvolvimento cognitivo subjetivo. Para tanto, em Freud trataremos da movimentação pulsional ligada ao prazer e à defesa em relação aos objetos do ambiente externo, além dos conceitos de projeção, estranho-familiar (unheimlich) e a teoria da angústia. Já em Adorno e Horkheimer, abordaremos as noções de angústia e terror como motivos de desenvolvimento de uma racionalidade dominadora, que visa narcisicamente à conservação da unidade subjetiva. Estas concepções seguir-se-ão até a formação da alteridade como inimigo, movimento propriamente paranoico que está presente em relações preconceituosas. Nome: Weiny César Freitas Pinto Instituição: Unicamp Orientador: Luiz Roberto Monzani Título do trabalho: O ponto de vista energético segundo Ricoeur: uma análise a partir da tese da espiral de Monzani Resumo: “Há um filósofo que descobriu a energética em Freud: vroum! Vroum! Vroum...” . Era o ano de 1965 e a ironia acima teria sido proferida por Jacques Lacan a fim de ridicularizar o então recém publicado livro de Paul Ricœur: De l’interprétation – essai sur Freud. Ironicamente talvez, a ironia lacaniana sirva hoje como uma chave de leitura possível para uma melhor compreensão desta obra de Ricœur. Enquanto de um lado, a suposição de que o filósofo francês teria “descoberto” a energética em Freud confirma eloquentemente o caráter ridicularizante da iniciativa de Lacan, de outro, ela nos conduz a um ponto importante e frequentemente mal compreendido deste livro de Ricoeur: a sua análise do tema da energética na obra de Freud. A presente comunicação visa, então, primeiramente apresentar em linhas gerais a reflexão ricoeuriana sobre o ponto de vista energético na obra de Freud, notadamente, em relação à metapsicologia, concentrando-se em mostrar como essa análise leva à elaboração da tese ricoeuriana do “resíduo dissociativo” como forma de explicação do modo como se desenvolve o pensamento de Freud. A partir daí, em segundo lugar, fazendo o que, talvez, se possa chamar de uma leitura monzaniana da interpretação de Ricoeur, o que se pretende mostrar é o quanto a tese da espiral de Monzani parece apresentar-se como uma alternativa mais promissora para explicar o desenvolvimento do pensamento de Freud, não só porque essa tese é mais radical que aquela de Ricoeur mas, principalmente, porque ela explicita o freudismo como um movimento não se contentando somente em conceber o movimento do freudismo.