TÉCNICAS DE ENTREVISTA
Preparação para a entrevista
Antes de sair para campo, prepare-se:
1) Conheça seu gravador.
•
Verifique se há trava para iniciar a gravação. Em caso negativo, leve
as pilhas separadamente e coloque-as pouco antes de iniciar a
entrevista. Um gravador na bolsa ou na mochila pode ligar sozinho e
as pilhas podem se esgotar.
• Leve pilhas e fitas reservas
• Teste o gravador antes de iniciar a entrevista
• Observe o gravador de tempos em tempos para saber se fita não
chegou ao final.
2) Elabore um roteiro. Levante o máximo de informações sobre o
entrevistado e o tema de que ele vai falar. Com base neste material, elabore
perguntas específicas e objetivas. Perguntas genéricas resultam em
entrevistas tediosas
3) Marque a entrevista com antecedência e chegue PONTUALMENTE.
4) Vista-se de modo condizente com a entrevista. Não utilize roupas
informais num ambiente social e vice-versa. As mulheres devem evitar
cores e decotes extravagantes.
A ENTREVISTA
1) Informe-se sobre o tempo que o entrevistado tem para a entrevista. Se
for pouco tempo, vá direto ao assunto.
2) O entrevistado merece respeito. Não faça atitudes que o inibam, agridam
ou possam constranger. Evite atritos, quem sairá perdendo é sempre o
leitor.
3) Não confie apenas no gravador. Anote num bloco os principais trechos,
declarações curiosas, reveladoras ou bombásticas. Jamais guarde
informações na memória. Fitas e gravações podem facilmente sumir.
Lembre-se de que as declarações precisam ser fiéis.
4) Faça perguntas breves e diretas que não contenham uma resposta
implícita. Não passe a sensação ao entrevistado de que você quer “pegá-lo”
na esquina. Abandone a idéia de que o jornalista é um detetive pronto para
descobrir crimes e tramóias. Esta é tarefa de um grupo reduzido de
profissionais.
5) Não agrida o entrevistado. Seja cordial até mesmo para identificar
contradições e mencionar pontos de vista opostos. Exemplo:
Em uma entrevista com uma deputada acusado de quebra de decoro,
jamais se coloque no papel de juiz. Diante de uma possível negativa,
apresente pontos de vista recolhidos por outras pessoas: o que a senhora
pensa da declaração do Senador Fulano sobre o fato de sua dança
aparentar deboche aos eleitores.
6) Nunca se esqueça de que é a opinião do entrevistado que vale e não a
do repórter.
7) Há entrevistados de todo o tipo. Por mais difícil que seja a entrevista
sempre é possível retirar dela informações e opiniões (do entrevistado)
úteis. Se o entrevistado fala pouco, procure ser direto na pergunta, pois a
contextualização pode inibi-lo ainda mais ou forçá-lo a responder com
monossílabos.
8) Jamais force uma declaração. Não há nada mais antiético do que forçar a
barra de alguém para conseguir a declaração que precisa. O repórter não
tem um objetivo, mas uma hipótese. Se ela não foi comprovada com a
entrevista, troque de entrevistado, se possível. Caso o entrevistado seja a
única fonte, a hipótese está derrubada e a abordagem deve ser refeita.
9) Temas “sensíveis” podem ser tratados, mas sempre com muita
cordialidade e respeito. Insista se for necessário e respeite se o entrevistado
se negar a falar. Registre essa recusa na matéria. Em todo caso, sempre
consulte a Direção de Redação antes de escrever o texto. No caso dos
produtos, converse sempre com o professor orientador. Há certas
personalidades que não dão mais entrevistas por falta de respeito dos
jornalistas.
10) Sempre se identifique como repórter. Nunca use gravadores ou
câmeras escondidas. Essa prática dos meios de comunicação não é regra e
nem empresta à entrevista qualquer valor superior. Novamente, jornalista
não é detetive, não é policial, não é advogado, não é juiz, não é
investigador. Ele é repórter. Deve reportar fatos aos leitores.
11) O entrevistado está coberto de direitos. Ele tem direito de se negar a dar
entrevista. Respeite e registre essa atitude. O entrevistado tem direito de
retificar e acrescentar declarações. Se o entrevistado solicitar que certos
temas não sejam abordados na entrevista, que as perguntas lhe sejam
apresentadas por escrito com antecedência ou que o texto final seja
submetido a ele antes da publicação, consulte seu professor orientador,
sempre.
12) Deixe o entrevistado concluir o raciocínio antes de fazer outra pergunta.
13) Esteja atento para o rumo que a entrevista tomar. Algumas perguntas
podem ter sido esclarecidas em respostas anteriores e algumas perderem o
sentido diante de alguma declaração.
14) Mostre-se preparado para o entrevistado. Utilize termos corretos ao
meio. Leia sobre o assunto antes, faça pesquisas e anotações. Uma palavra
fora de contexto pode derrubar uma entrevista.
15) Não se mostre prepotente. Pergunte tudo o que lhe parecer duvidoso.
Não tenha vergonha de pedir ao entrevistado que esclareça um significado
de uma sigla, que repita um trecho que não entendeu e que contextualize o
nome de pessoas citadas.
16) Lembre-se sempre de que o leitor não tem, necessariamente, o mesmo
grau de conhecimento do jornalista sobre o assunto. Se for o caso, vale
questionar o entrevistado até sobre algo que lhe pareça muito óbvio.
17) Em entrevistas mais longas, se for o caso, quebre o gelo inicial com
perguntas mais gerais como profissão, idade, histórico.
18) Sempre recolha todos os dados mesmo que nem todos sejam utilizados.
- nome completo – peça para soletrar, se for o caso mostre-lhe se grafou
corretamente.
- idade
- profissão
19) A pauta é uma indicação mínima do que se deve fazer. Algumas
perguntas são obrigatórias e constam da pauta. O restante vai da
competência do repórter.
20) Evite perguntas óbvias como indagar a um desabrigado da enchente “o
que ele está sentindo” ou a uma mãe num enterro do filho “se ela está triste”
ou para alguém que acaba de assinar um contrato milionário “se está feliz
com o contrato”.
21) Em situações constrangedoras, como velórios, antes de colocar o
gravador na boca da pessoa ou tirar o bloco do bolso, pergunte se há
condições de se fazer uma entrevista. Se estiver acompanhado do
fotógrafo, pergunte também se imagens são permitidas.
22) Por mais complicada que tenha sido a entrevista, o texto final deve ser
organizado. A lógica do lead (ordem descrescente de importância dos
temas) deve ser seguida na organização do texto.
23) Os entrevistados devem identificados de acordo com as normas do
manual e não por seus apelidos. Evite usar “o técnico da seleção de
Portugal, mais conhecido por Felipão”.
24)
Entrevista exclusiva
São dadas exclusivamente a um veículo. Não utilize este termo se a
entrevista foi dada individualmente a várias veículos, como as que são feitas
em lançamentos de filmes comerciais.
Entrevista coletiva
Nas coletivas respeite a vez dos colegas, mas nunca se deixe levar.
Procure sempre apontar um novo rumo – oportuno – e fazer perguntas
criativas. Evite voltar a perguntas já respondidas. Pense, sempre, no
público-alvo do seu veículo e faça perguntas relacionadas.
Declarações textuais
Trata-se da reprodução exata de palavras do entrevistado. Deve ser usado
com critério para não tornar o texto monótono e para dar força para sua
matéria. É ela que pode trazer proximidade, novidade ou relevância para os
temas. Assim, mesmo pautas de assuntos “frios” ou distantes da realidade
local podem ser “esquentadas” com entrevistas.
Reproduza apenas as frases mais importantes e expressivas. Não é
necessário reproduzir informações de conhecimento geral como “O verão é
a estação mais chuvosa”, declarou o meteorologista.
O uso da expressão sic (assim mesmo) deve ser muito restrito, apenas em
casos em que a atenção do leitor deva ser chamada para algo de estranho
ou errado da declaração.
Suprima do texto as muletas da língua como né, sabe?, viu?, entende?
Discurso direto
O embaixador da Transilvânia na ONU, René Drácula fez um
pronunciamento durante a abertura da 8ª Conferência das Partes.
”Venceremos a guerra sem derramar o sangue de nossos inimigos”,
declarou o embaixador. “Isso seria um desperdício”, completou.
Discurso indireto
O embaixador da Transilvânia na ONU, René Drácula afirmou que “vencerá
a guerra sem derramar o sangue de seus inimigos” pois isso seria “um
desperdício”.
Tipos de entrevista
Entrevistas geradoras de matéria jornalística – São entrevistados os
envolvidos no fato para dar subsídio e material ao repórter. Sem elas, os
textos ficam pobres.
Entrevistas individuais e coletivas – As individuais são marcadas com
antecedência e têm como objetivo obter informações sobre aquela pessoa,
pela sua história, pelo envolvimento com um fato ou para se fazer um perfil.
As coletivas vão repercutir acontecimentos ou levantar opiniões sobre fatos.
ATENÇÃO: não se limite ao “fala povo” para repercutir determinados
assuntos. Sempre recorra a um ou mais especialistas. Se os assuntos
forem polêmicos, ouça entrevistados de ambos os lados.
Exercícios
1) Entrevista individual - faça uma entrevista individual com seu colega e
depois seja entrevistado. A primeira entrevista deve fazer um perfil do seu
colega sobre os objetivos de fazer curso superior em jornalismo. Redija a
matéria a seguir e mostre-a ao professor.
2) Repercussão - você deve repercutir sobre a viagem do astronauta
brasileiro, Marcos Pontes. Esta deve conter, pelo menos duas, entrevistas
com outros colegas.
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