Monotrilho de SP não tinha projeto, diz TCU Auditoria apontou que linha 17, prevista para a Copa, não atendia requisitos para licitação DIMMI AMORA DE BRASÍLIA A obra da linha 17-ouro do monotrilho de São Paulo não tinha projeto básico e nem orçamento quando foi licitada, o que contraria a lei. É o que constatou auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União), aprovada nesta quarta (30). Um trecho da obra, de oito quilômetros, deveria ficar pronto para a Copa de 2014, mas foi adiado para 2016 e 2017. O custo total do projeto de 18 km, que era de R$ 3 bilhões, já chega a R$ 5 bilhões. Analisando uma representação do Ministério Público, o TCU apontou que a concorrência para a obra poderia ser realizada num regime especial, em que o projeto final é feito depois da contratação. Mas, segundo o órgão, isso não permitia que a disputa fosse realizada sem um projeto básico e um orçamento, como determina a lei. O Metrô de São Paulo enviou documentos e planilhas ao TCU para tentar comprovar que tinha um projeto básico e orçamento da linha 17. O tribunal, porém, entendeu que as informações disponibilizadas não atendiam às exigências necessárias. O relator do processo, ministro José Múcio, considerou, contudo, que o TCU não pode atuar para identificar e punir possíveis responsáveis pelas irregularidades, tarefas que seriam do Ministério Público e do TCE (Tribunal de Contas do Estado), para onde foram remetidas as conclusões do tribunal. Quando for entregue, a linha 17 vai ligar a estação Morumbi ao aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital. Procurado, o Metrô de São Paulo não respondeu até a conclusão desta edição. MOBILIDADE Em outro processo, também analisado nesta quarta, o TCU encontrou falhas do governo federal na aprovação de projetos financiados com recursos federais no setor de Mobilidade Urbana, entre eles a linha 17-ouro. Segundo o relatório, o governo prevê gastar mais de R$ 100 bilhões no setor nos próximos anos, mas não tem sistemas adequados para verificar a qualidade dos projetos dos Estados e municípios, responsáveis pelas obras. O TCU apontou ainda que as políticas públicas de incentivo à compra de carro não levaram em conta a priorização ao transporte público. Protesto no Paraná Richa e outros cinco viram réus por ação policial que feriu 200 DE CURITIBA - O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e outras cinco pessoas viraram réus numa ação civil pública por improbidade administrativa, em razão da operação policial que deixou quase 200 feridos numa manifestação contra o governo estadual em abril. Para o Ministério Público, Richa deu "respaldo político, institucional e administrativo" à ação e se omitiu ao não impedir que os manifestantes, a maioria professores, saíssem feridos. Na ocasião, bombas de gás e balas de borracha foram disparadas por duas horas contra os manifestantes. Cerca de 1.600 policiais estavam no local. A ação foi admitida na última sexta-feira (25). Richa disse que irá se defender na Justiça. "Só lamento que ninguém tenha abordado de forma responsável a defesa do Estado democrático de Direito, de se garantir o funcionamento de uma instituição como a Assembleia", disse. PMs têm prisão decretada por forjar tiroteio Os cinco policiais foram filmados no Rio colocando arma na mão de jovem de 17 anos que havia sido baleado Ação foi 'abominável', disse o governador Luiz Fernando Pezão; defesa afirma que arma precisava ser destravada MARCO ANTÔNIO MARTINS DO RIO A Justiça do Rio decretou nesta quarta (30) a prisão preventiva dos cinco policiais militares que foram flagrados em vídeo forjando uma troca de tiros no alto do morro da Providência, região central da cidade, na manhã de terça (29). Eles são acusados de alterar a cena do crime, colocando uma arma na mão de Eduardo Felipe Santos Victor, 17, morto após ser baleado. Os soldados Éder Ricardo de Siqueira, Gabriel Florindo, Riquelmo de Paula Geraldo, Paulo Roberto da Silva e Pedro Victor da Silva Pena foram para uma prisão especial. Trocas de tiros forjadas por policiais militares são apontadas como comuns na corporação –uma espécie de "currículo oculto", segundo o promotor Paulo Roberto Cunha, responsável por investigar crimes praticados por PMs. Especialistas dizem que faltam protocolos no Estado de como a polícia deve agir e a Promotoria, apurar. "Importante falar em punir exemplarmente, mas isso ainda é pouco. É preciso se precaver antes de acontecer. Eles [os PMs] agiram conforme determina uma subcultura policial", afirma o promotor. Segundo a PM, os cinco policiais não respondiam a nenhum procedimento administrativo até então. O soldado Éder entrou na corporação em 2011 e os demais, em 2014. A polícia investiga se eles participaram de outros confrontos com morte no morro da Providência. O grupo integra a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) local, principal programa de segurança do governo do Rio. O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) pediu desculpas pela atitude dos policiais: "É abominável. É muito triste saber que um agente do Estado agiu dessa forma". A Polícia Civil já indiciou os PMs sob suspeita de fraude processual. Agora, apura se assassinaram Eduardo, que teve três passagens pela polícia –uma delas por tráfico. O advogado de quatro dos cinco PMs alegou que os militares fizeram os disparos tentando destravar a arma. "Precisava ser feito o disparo para poder fazer o transporte da arma com segurança", disse o advogado Felipe Simão. A defesa do soldado Pedro Pena não foi localizada. Em 2014, 580 pessoas foram mortas no Estado em confrontos com policiais. "A diferença é que, desta vez, o caso foi filmado", afirma Alexandre Ciconello, da Anistia Internacional. Colaboraram BRUNA FANTTI e LUIZA FRANCO, do Rio