1 O ADOLESCENTE E OS DESAFIOS DA CONTEMPORANEIDADE RESUMO Atualmente, a adolescência vem sendo caracterizada como período de mudanças físicas e sócio-afetivas, consideradas pela sociedade ora como um momento de “crise”, ora como ideal de existência. O processo de desenvolvimento do adolescente sofre a influencia das condições históricas, sociais e culturais as quais incidem sobre a formação subjetiva dos mesmos. Considerando a complexidade dos processos vivenciados na adolescência em suas diversas formas de estar e atuar no mundo, muitas vezes em consonância com as leis e regras sociais, em outras não, podendo resultar em conflitos que causam prejuízos emocionais, afetivos e relacionais. No presente trabalho buscamos proporcionar um atendimento psicossocial aos adolescentes que estavam sob medida sócio-educativa sendo assistidos por uma associação, visando acolher a complexidade dos conflitos deste período específico do desenvolvimento. Tendo como base conhecer os atravessamentos institucionais, sociais e familiares que recaem sobre a subjetividade dos adolescentes e as conseqüências desses encontros sobre suas vidas. Os atendimentos foram realizados com grupos de adolescentes, sendo permitido a entrada de sujeitos que não estavam cumprindo a medida de Liberdade Assistida (amigos e parentes). Os atendimentos foram realizados por estagiários que estavam no quinto ano (nono e décimo termo) de Psicologia das Faculdades Adamantinenses Integradas, sendo supervisionados semanalmente por uma professora do curso de psicologia. A nós, profissionais, coube uma reflexão para a elaboração de propostas de trabalho de forma a compreender sem confrontar. PALAVRAS-CHAVE: Psicologia Social, Adolescência, Liberdade Assistida. 2 FAI – FACULDADES ADAMANTINENSES INTEGRADAS O ADOLESCENTE E OS DESAFIOS DA CONTEMPORANEIDADE Aluno: BALLISTA, Deuber Alves Professora Orientadora: SANTOS, Ana Lúcia dos 3 1- INTRODUÇÃO Este trabalho foi realizado como atividade de estágio supervisionado em Psicologia Institucional/Social, por alunos que cursavam o quinto ano de Psicologia da FAI e concluíram no mês de dezembro de 2007. As atividades eram supervisionadas uma vez por semana, por uma professora. O Trabalho foi realizado numa instituição civil, filantrópica, sem fins lucrativos que assiste adolescentes de ambos os sexos, em conflito com a lei e que estão sob medida sócio-educativa denominada Liberdade Assistida. Esta instituição é conveniada com secretaria da promoção social do município. Os adolescentes são encaminhados pelo Poder Judiciário. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (1996), no artigo 118: [...] a Liberdade Assistida será adotada sempre que se afigurar a medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente; §1º a autoridade designara a pessoa capacitada para acompanhar o caso, a qual poderá ser recomendada por entidade ou programa de atendimento; §2º a Liberdade Assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra medida, ouvido o orientador, o Ministério publico e o defensor”. Sendo assim, no presente caso quem acompanha, auxilia e orienta os adolescentes em medida sócio-educativa é a referida instituição. Compreendemos neste trabalho a adolescência como um período de desenvolvimento bio-psiquico-social que sofre a influencia das condições históricas, sociais e culturais do meio no qual está inserido. Dada a toda essa complexidade de fenômenos atualmente a adolescência é considerada pela sociedade ora como um momento de “crise”, ora como ideal de existência (BALLONE, 2003). O desabrochar da adolescência traz consigo diversas mudanças tanto na parte fisiológica quanto psicológica. Concomitante com as modificações em seu corpo, o adolescente também tem que lidar com as transformações nas suas percepções em relação a si próprio e aos outros. Ele passa, então, por um período de maior fragilidade egóica. O resultado é uma volta narcísica para o seu mundo interno, com questionamentos sobre os pais, as instituições e a sociedade. Esta volta narcísica provoca uma série de ansiedades naturais do período, como as da identidade pessoal, as depressivas e pela perda da identidade infantil. Surge a formação de novos grupos, mas 4 é também um período de isolamento, em que o jovem busca compreender as mudanças pelas quais está passando (OSORIO, 1992). No entanto, em muitos casos tal conduta é interpretada como comportamentos “incorretos” passíveis de serem compreendidos como problemas cuja solução está nas medidas sócio-educativas. Sobretudo se o adolescente, pertencer às classes populares. Oferecer uma modalidade de atendimentos a grupos de adolescentes assistidos pela referida instituição numa perspectiva de clínica ampliada, considerando os processos psicológicos, históricos, sociais, culturais e os atravessamentos institucionais, e familiares que recaem sobre a subjetividade dos adolescentes e as conseqüências destes sobre suas vidas (ARAGÃO, L. T. et al, 1991). 2- APRESENTAÇÃO DO LOCAL E CONDIÇÕES NAS QUAIS A ATIVIDADE DE ESTÁGIO ACONTECEU A Associação funciona nas dependências de uma instituição religiosa, cuja sede tem seu espaço nos fundos do terreno onde está situado o templo. Durante o período em que estivemos estagiando na instituição, houve mudanças no espaço ocupado para os encontros. No primeiro momento, ocupamos uma sala no piso superior, ao lado da secretaria da associação, porém, era um espaço pequeno, impossibilitando uma participação maior nas atividades dirigidas e a circulação dos participantes. Num segundo momento, houve a mudança para um salão no térreo que tinha um espaço mais amplo (era possível fazer atividades que necessitavam de mais espaço e movimentação dos participantes), uma mesa grande, diversas cadeiras, um banco de concreto embutido em uma das paredes, dois ventiladores de teto e um quadro de giz. Ao lado do salão havia um banheiro masculino e outro feminino, no salão havia também uma porta que o ligava a cozinha da instituição. Devido a estas características do salão este lugar efetivou-se como local para os encontros. 3- DESCRIÇÃO DO TRABALHO O objetivo geral do trabalho foi o de oferecer um atendimento psicossocial aos adolescentes que estavam sob medida sócio-educativa, visando acolher a complexidade dos conflitos deste período específico do desenvolvimento e sua relação com a medida sócio-educativa. Tendo como base conhecer os atravessamentos institucionais, sociais e 5 familiares que recaiam sobre a subjetividade dos adolescentes e as conseqüências desses encontros sobre suas vidas. Os objetivos específicos foram de oferecer aos adolescentes a oportunidade de reflexão e um espaço para expressão de suas potencialidades criativas e sociais, através de oficinas temáticas. E também, oferecer aos estagiários a possibilidade de observarem e identificarem nas estruturas da instituição os saberes e as práticas que atravessam todo o trabalho institucional, compreenderem o funcionamento da instituição e sua relação com o Poder Judiciário e as Leis, realizar leituras da dinâmica e dos fenômenos grupais. Nos registros da associação, constavam aproximadamente 17 adolescentes numa faixa etária que variava de 12 a 20 anos, submetidos à medida de Liberdade Assistida. O primeiro contato com os adolescentes ocorreu em um encontro que era realizado mensalmente pelo coordenador da instituição com os assistidos e seus familiares. Nesses encontros eram comemorados os aniversários do mês, e outras atividades tais como: apresentação de filmes e palestras, visando integração entre os componentes e a instituição. Neste dia os estagiários foram apresentados aos adolescentes e seus familiares e assim foi efetivada a proposta do trabalho e o convite para a participação. Uma outra forma utilizada para convidar os participantes foi que o coordenador visitava a casas dos adolescentes e nestas visitas ele os chamava para participar dos encontros com os estagiários. No primeiro semestre os estagiários trabalharam com um grupo de adolescentes coordenado por três estagiários, em cada dia que ocorria o encontro, um estagiário ficava responsável pela coordenação do grupo e os outros dois auxiliavam o coordenador na execução das atividades e na atenção aos adolescentes. Os encontros ocorriam uma vez por semana com a duração de aproximadamente duas horas. O número de participantes era muito variável, porque ocorriam muitas faltas, não eram todos os adolescentes da associação que participavam. O grupo era heterogêneo, os integrantes eram de diversas idades variava entre 12 a 18 anos, de ambos os sexos e com uma média de 3 a 5 participantes. No segundo semestre trabalhamos com dois grupos de adolescentes. Os encontros aconteceram às terças-feiras com um grupo e às quintas-feiras com outro grupo, ambos os encontros aconteciam no período da tarde e duravam aproximadamente duas horas. O número de participantes do grupo da terça-feira variava entre 1 a 5 participantes de ambos os sexos e com idades que variavam entre 12 a 18 anos. O número de participante do grupo da quinta-feira variava entre 2 a 5 participantes de 6 ambos os sexos e com idades que variavam entre 12 a 18 anos. Em ambos os grupos ocorriam muitas faltas, o que nos levava a readaptar as atividades previstas. Os temas trabalhados foram levantados nos encontros a partir dos relatos dos adolescentes. Os instrumentos utilizados para discutir os temas foram: dinâmicas de grupo, oficinas, vivências e jogos (JALOWITZKI, 2001). 4- APRECIAÇÃO SOBRE O DESNROLAR DAS ATIVIDADES E DOS DESAFIOS ENCONTRADOS Ao ser iniciado o estágio propriamente dito, os estagiários apresentaram a proposta de trabalho, os horários e duração das reuniões, o acordo sobre o cuidado com sigilo sobre o que acontecesse no grupo e iniciaram com atividades de recorte, colagem, desenhos, com objetivo de apresentação dos integrantes do grupo e a participação dos mesmos no decorrer dos encontros, visando uma compreensão mais apurada do funcionamento individual e grupal para pensarmos em estratégias de trabalho com o grupo. Nestes primeiros encontros houve participação de todos, onde foram apresentadas idéias e sentimentos relacionados ao cotidiano dos integrantes e surgiram temas como: abandono, miséria, desemprego, desinformação, uso de drogas e os preconceitos resultantes dessa prática; desigualdade e injustiça social; discriminação e abordagem repressiva e ofensiva por parte da polícia; julgamento da sociedade de forma excludente; idealização de um futuro oposto ao contexto social em que estão inseridos e um discurso desvinculado da imagem de si mesmo. Os adolescentes que compuseram os grupos eram sujeitos de diferentes atos infracionais, porém em todos eles podemos perceber os efeitos que os problemas sociais exercem sobre estes e suas famílias, inseridos em modelos de desenvolvimento econômico concentradores e excludentes (VOLPI, 2002). Percebemos nos adolescentes um acentuado descrédito e falta de perspectivas em relação ao futuro incluindo o profissional, como algo em que sonham, porém sem possibilidades de realização, devido aos fatores segregatórios muito presente no contexto sócio-cultural em que vivem. Assim, muitos não encontram motivação para estudar e buscam outros caminhos para alcançar seus objetivos. Tentamos ao longo da convivência com os adolescentes apontar alternativas num esboço de linhas de fuga para 7 novos engajamentos com a rede social pública que oferece atividades poli esportiva e estudos técnicos profissionalizantes. A falta de perspectivas para a vida foi relatada em diversos momentos como característica presente também, nos seus familiares configurando um cotidiano de miséria, desemprego, alcoolismo, consumo de drogas entre outros problemas diretamente ligados a sobrevivência. Tais, fatos geram desesperança, desinformação sobre direitos e deveres do cidadão e do Estado. É comum a sociedade considerar a família como agência socializadora por excelência. No entanto, nem sempre a família biológica tem condições de transmitir e cuidar dos seus membros restando ao Estado e a sociedade tentar suprir tais necessidades tal questão se configura como um dos grandes desafios da atualidade brasileira. Tal como exposto por Teixeira, (2003 p. 22): A criança depende de adultos e de agências e instituições que a socializem para adquirir os códigos de decifração do mapa do mundo. Essas agências socializadoras têm sido a família, a creche, a escola, e outras, que vão assumindo, rápida e cada vez mais precocemente, essas funções, como a televisão e as novas tecnologias de comunicação. A família sempre foi vista como uma instituição que cumpriria a atribuição social de “preparar” as novas gerações para a participação coletiva, no cotidiano da vida dos indivíduos. No entanto, a realidade do cotidiano desses adolescentes revela um fracasso tanto da família quanto do Estado e seus dispositivos (creches, escolas, instituições abrigos, etc.) em socializar crianças e adolescentes para um futuro cidadão. O grave problema da violência doméstica denúncia essa realidade como exposto por diversos trabalhos (SILVA, 1999 e PORTUGAL, 2000). Poucos adolescentes freqüentam a escola e os que freqüentam demonstram desinteresse, desmotivação e relatam diversos episódios no qual, sofreram preconceitos e segregação. A escola, cuja função é de ensinar, tem também, a função de orientar o educando para a cidadania, transmitir-lhes valores e possibilidades, no entanto, em nosso trabalho ficou claro o quanto não há conexão entre esses adolescentes e as atividades escolares restando-lhes a evasão escolar. A rejeição, o abandono, a negligencia, insatisfação crônica das necessidades básicas faz parte do cotidiano da maioria dos adolescentes atendidos. Para um grande número de adolescentes, a carência afetiva cria condições propícias para o nascimento do ódio e da revolta que desembocam em condutas violentas e em delinqüência. 8 O município não tinha uma política voltada para atividades culturais recreativas e de lazer que contemplassem as necessidades dos adolescentes, sendo assim os adolescentes relataram que realizavam as seguintes atividades em seu cotidiano: jogar futebol, banhar-se em rios junto com colegas, passear pela cidade com os colegas, ir a algumas festas e ouvir rap. Devido a toda essa realidade muitos adolescentes apresentavam muita dificuldade em acreditar e se vincular ao trabalho. A adesão era pequena e fragmentada, no entanto, de um modo geral consideramos que em alguns momentos nossos encontros puderam proporcionar esclarecimento, orientações, espaço para expressão e acolhimento das idéias e sentimentos dos componentes do grupo. Entre a adolescência e o conflito com a lei há muitos problemas sociais que impossibilitam o desenvolvimento das potencialidades juvenis que vão além do ato infracional. O estágio possibilitou um aprendizado prático de como pode ser um trabalho com adolescentes de diversas idades, a aplicação de técnicas diversas de abordagem grupal e um amadurecimento profissional, para perceber quantos obstáculos pode surgir e a necessidade de constantemente criar estratégias de intervenção. 5- CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estágio deixou claro como é complexo o trabalho com adolescentes e quantas defesas podem surgir por parte deles. Mas mesmo assim acredito que conseguimos lidar com tais questões de uma forma que isto não impedisse o andamento do trabalho. A rotatividade de pessoas nos grupos foi um fato que atrapalhou a constituição dos grupos, mas alguns participantes iam com freqüência as atividades o que foi algo muito importante para o desenvolvimento dos encontros. Os assuntos discutidos nos grupos que mais chamaram a minha atenção foram à discriminação e a fala de uma perspectiva de futuro de alguns adolescentes. No assunto discriminação ficou visível o quanto alguns componentes do grupo se afetavam com este ato que muitas vezes podia ser percebido na falta de oportunidades como: A dificuldade de conseguir um emprego por conta da medida que estavam sujeitos. O ocultamento de um participante de estar cumprindo uma medida sócio-educativa, para 9 que isto não comprometesse o seu emprego, entre outras situações citadas pelos componentes do grupo. Para alguns adolescentes existia a falta de perspectiva na vida, para outros existia alguns objetivos a serem alcançados, as duas situações oferecem possibilidades de mudança aos sujeitos, tendo em vista que são adolescentes e podem fazer muitas escolhas para as suas vidas. Os estagiários buscaram oferecer alternativas para estes adolescentes criando atividades que os levassem a pensar sobre estas questões e dandolhes um retorno quanto à prática de algumas profissões que eram de diversos níveis de escolaridade. Considerando o alto grau de complexidade da questão, o conceito sócioeducativo deve ser compreendido com base nos pressupostos da interdisciplinaridade, definida na perspectiva da integração real entre as diferentes áreas do saber. A psicologia é um dos saberes que deve atuar neste contexto, oferecendo a oportunidade de um espaço de escuta, confronto, reflexão, análise e resgate da trajetória de vida, aplicando aos adolescentes o tipo de psicoterapia de acordo com suas características e peculariedades, sendo este o passo seguinte e a continuidade do processo a ser aprofundado e concretizado na prática profissional. Enfim, o trabalho foi complexo, mas proporcionou uma reflexão sobre alguns dispositivos sociais que se fazem presentes em nosso meio e cabe a todos buscar alternativas e soluções para haver uma modificação. 6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAGÃO, L. T. et al. Clínicado social: ensaios. São Paulo: Escuta, 1991. BALLONE, G. J. Depressão na adolescência - in. PsiqWeb, Internet, disponível em: http://sites.uol.com.br/gballone/infantil/adoelesc2.html. revisto em 2003. Acesso em 17 de junho de 2007. BRASIL. Ministério da Justiça. Estatuto da criança e do adolescente. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Brasília: Secretaria de Cidadania e Trabalho, 2001. JALOWITZKI, M. Jogos vivências nas empresas: guia prático de grupo. São Paulo: Madras Editora, 2001. OSORIO, L. C. Adolescente hoje. Porto Alegre: Artemed, 1992. PORTUGAL, S. Globalização e violência doméstica. Revista Crítica de Ciências Sociais. Coimbra-Portugal, 57/58, pp. 231-258, jun/nov, 2000. 10 SILVA, R. B. A atuação profissional do serviço social frente a crianças vitimizadas. Tese de Doutorado. Faculdade de História, Direito e Serviço Social, Franca/SP, 1999. TEIXEIRA, M. L. T. As histórias de Ana e Ivan: boas experiências em liberdade assistida. Edição Eletrônica. São Paulo: Fundação Abrinq, 2003. VOLPI, M. (Org.) O Adolescente e o ato infracional. 4ª ed. São Paulo: Cortez Editora, 2002. 7- RESUMO Este trabalho foi realizado como atividade de estágio supervisionado em Psicologia Institucional/Social, por alunos que estavam cursando o quinto ano de Psicologia da FAI – Faculdades Adamantinenses Integradas no ano de 2007. O Trabalho foi realizado numa instituição civil, filantrópica, sem fins lucrativos que assiste adolescentes de ambos os sexos, em conflito com a lei e que estão sob medida sócio-educativa denominada Liberdade Assistida. Esta instituição é conveniada com a secretaria da promoção social de um município do Estado de São Paulo. Compreendemos neste trabalho a adolescência como um período de desenvolvimento bio-psiquico-social que sofre a influencia das condições históricas, sociais e culturais do meio, no qual, está inserido e que toda essa complexidade recai sobre a sua construção subjetiva. Dada a toda essa complexidade de fenômenos atualmente a adolescência é considerada pela sociedade ora como um momento de “crise”, ora como ideal de existência. A complexidade dos processos vivenciados na adolescência em suas diversas formas de estar e atuar no mundo, muitas vezes, em consonância com as leis e regras sociais, em outras podem resultar em conflitos que causam prejuízos emocionais, afetivos e relacionais aos mesmos. Visamos, neste trabalho oferecer uma modalidade de atendimentos aos adolescentes assistidos pela referida instituição numa perspectiva de clínica ampliada, considerando os processos psicológicos, históricos, sociais, culturais e os atravessamentos institucionais e familiares e as conseqüências destes sobre suas vidas. Buscamos conhecer suas potencialidades para o enfrentamento dos problemas e conexões com a vida ou, pelo contrário, com os movimentos que lhe trazem morbidade e prejuízos. 11 A faixa etária dos adolescentes atendidos variou dos 12 aos 20 anos de idade. Trabalhamos numa modalidade de grupo aberto sendo permitida a entrada no grupo de novos componentes. Os encontros aconteceram uma vez por semana com duração de duas horas cada encontro, na sala da instituição. Os temas trabalhados foram levantados a partir dos relatos dos adolescentes e desenvolvidos por meio de dinâmicas de grupo, oficinas, vivências e jogos. Foram abordados diversos temas tais como; sonhos, perspectivas, desejos, abandono, falta de perspectiva para o futuro, impotência entre outros. Percebemos nos adolescentes um acentuado descrédito e falta de perspectivas em relação ao futuro incluindo o profissional, como algo em que sonham, porém sem possibilidades de realização, devido a diversos fatores presentes no contexto sóciocultural em que vivem. Assim, muitos não encontram motivação para estudar e buscar caminhos para alcançar seus objetivos. A falta de perspectivas para a vida foi relatada em diversos momentos como característica presente também, nos seus familiares configurando um cotidiano de miséria, desemprego, alcoolismo, consumo de drogas entre outros problemas diretamente ligados a sobrevivência. Tais, fatos geram desesperança, desinformação sobre direitos e deveres do cidadão e do Estado. Uma das possibilidades de potencialização da vida desses adolescentes é o trabalho em rede interdisciplinar que os leve a terem contato com uma gama de oportunidades, nas quais, eles possam escolher qual caminho querem e possam seguir, que não somente o conflito com a lei, segregação e violência. PALAVRAS-CHAVE: Psicologia Social, Adolescência, Liberdade Assistida.