TERCEIRIZAÇÃO: O CAMINHO PARA UMA ORGANIZAÇÃO FLEXÍVEL
Eleine de Oliveira Salustiano1, Alfran Lima Oliveira2, Roberta Manfron de Paula3,
1
Graduanda em Administração de Empresas – Universidade do Vale do Sapucaí – Univás – Pouso
Alegre – MG – Brasil - [email protected]
2
Professor e Coordenador do curso de Administração - Universidade do Vale do Sapucaí – Univás – Av.
Prefeito Tuany Toledo 470 – Fátima I – 37.550-000 Pouso Alegre – MG – Brasil – Mestre em Qualidade –
Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP - SP – Brasil
[email protected]
3
Professora auxiliar da Universidade do Vale do Sapucaí – Univás – Av. Prefeito Tuany Toledo 470 –
Fátima I – 37.550-000 Pouso Alegre – MG – Brasil - Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional –
MGDR – Universidade de Taubaté – Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro - 12020-040 - Taubaté - SP Brasil – [email protected]
Resumo- Este estudo aborda o processo de terceirização como uma ferramenta auxiliadora a qualquer
empresa, independente de seu porte, a se tornar mais flexível. O objetivo desse trabalho é mostrar que ao
transferir uma atividade para uma empresa especializada, a empresa contratante poderá direcionar seus
esforços para o core business (foco do negócio), obtendo vantagem competitiva e intensificando seu
produto/serviço aos seus clientes em potencial. Para isso, a metodologia será baseada num denso
diagnóstico bibliográfico de autores consagrados que tratam do tema em questão. Para adquirir pleno
conhecimento sobre o assunto abordado, este estudo foi estruturado da seguinte forma. Primeiramente será
abordado o conceito de organização, como também, o significado de organização flexível. Logo em seguida
serão analisados os assuntos relevantes sobre o processo de terceirização que ultimamente tem sido a
tônica no ambiente empresarial, como: o conceito, as características da terceirização; os meios utilizados
para terceirizar; as vantagens e as desvantagens; o que terceirizar e de forma bem sucinta será abordado à
questão sobre a quarteirização. Espera-se com isso trazer uma visão breve, mas ampla sobre o assunto,
mostrando que o processo de terceirização está muito longe de representar um caminho momentâneo.
Palavras-chave: Terceirização, Organização Flexível, Quarteirização.
Área do Conhecimento: VI - Ciências Sociais Aplicadas
Introdução
Atualmente as empresas estão tão focadas em
se proteger da concorrência, que acabam
construindo torres altíssimas, dificultando o acesso
até mesmo de seus clientes, porém, esses
mesmos clientes pressionam para que essas
empresas derrubem essas torres e se tornem
competitivas, se adequando as mudanças que
acontecem a todo o momento.
Para se adequar a essas mudanças é
indispensável à integração das empresas com o
mercado em potencial, como também, se faz
necessário mergulhar na modernidade, que
significa neste contexto entender o mercado e
aderir algumas alternativas que intensifiquem seu
produto/serviço aos seus clientes e tentar
modificar para melhor o ambiente empresarial
As mudanças estão acontecendo em várias
áreas, tanto em nível de mercado quanto em nível
em relação de emprego, esta por sua vez cede
lugar a relação de parceria.
Assim, chegou à hora das empresas entrarem
no estimulante jogo do ganha-ganha, que se
constrói através de parcerias, que nada mais é do
que o ato de terceirizar.
Espera-se com esse artigo, conscientizar as
empresas de que a competitividade é saudável
para sua sobrevivência, neste mercado cada vez
mais exigente, e que a parceria é fundamental
para se posicionar no mercado atual.
Metodologia
A metodologia utilizada para a realização deste
artigo foi o método de pesquisa exploratória, com
a finalidade de proporcionar maior familiaridade
com o tema em questão. O levantamento de
dados relevantes à pesquisa se teve através de
bibliografias.
Conceituando organização
As organizações existem desde a pré-história
da humanidade, quando o homem primitivo
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procurou, através de grupos organizados,
atingirem determinados objetivos que sozinhos
seriam incapazes de conseguir, desde então as
organizações fazem partes da vida de cada
indivíduo.
Afirmando esse conceito Dias (2004) esclarece
que,
Na perspectiva mais conhecida e aceita
se entende organização como um ente
social criado intencionalmente para se
conseguir
determinados
objetivos
mediante o trabalho humano e o uso de
recursos materiais. Estes entes sociais
que têm que ser administrados dispõe de
uma determinada estrutura hierárquica,
entre seus componentes estão: poder,
divisão
do
trabalho,
motivação,
comunicação etc. (p. 180).
Para Maximiano (2000) uma organização é um
sistema (combinação de partes ou elementos
organizados para realizar objetivos explícitos), de
recursos que procura deliberadamente realizar os
objetivos ou conjuntos de objetivos.
A organização é composta por quatro
elementos, conceituados: Objetivos: produtos
e/ou serviços; Recursos: pessoas, dinheiro,
tempo, espaço e recursos materiais; Divisão do
trabalho: é o processo que permite superar as
limitações individuais por meio de especializações;
Processo de transformação: por meio de
processos, o sistema transforma os recursos para
produzir os resultados. (MAXIMIANO, 2000)
A organização é a junção de forma organizada
de atividades e recursos, com o interesse de
atingir os objetivos e resultados pré-definidos pela
empresa, independente do seu tamanho, de sua
propriedade ou do tipo de atividade exercida.
Organização Flexível
Quando uma onda de mudanças tão grande se
lança contra a sociedade e a economia, os
executivos tradicionais acostumados a operar em
águas mais seguras, são tipicamente lançados ao
mar. Os hábitos de uma vida inteira – os mesmos
que os ajudaram a alcançar o sucesso - tornam-se
agora contraproducentes. Não é muito diferente
nas
empresas,
os
próprios
produtos,
procedimentos e formas organizacionais que as
levaram ao sucesso no passado muitas vezes se
tornam a sua ruína. Na verdade, a primeira regra
de sobrevivência é bem clara: nada é mais
perigoso do que o sucesso de ontem.
Nesta perspectiva, as organizações que
utilizam práticas de gestão antigas podem se
considerar atualizadas somente por breves
momentos, uma vez que em curto espaço de
tempo o saber estará defasado e as informações
desatualizadas pelas constantes mudanças
sociais, econômicas e tecnológicas. Isso faz com
que as organizações lutem contra o seu passado e
o obsoletismo ainda existente, buscando cada vez
mais a inovação e transformação necessária
(Motta, 1998).
Tachizawa e Scaico (2006) afirmam que, as
mudanças observadas ultimamente nas práticas
administrativas, estão revelando o questionamento
de determinados pressupostos paradigmáticos e
seus correspondentes métodos, que por muitas
décadas tem pautado a gestão das organizações.
Em decorrência a essas mudanças ocorridas
nos últimos anos as organizações viram-se
obrigadas, sob pena de serem deslocadas do
mercado, a ir abrindo mão de práticas tradicionais
que, com o passar do tempo, acabaram tornandose verdadeiros descaminhos em seus anseios de
desenvolvimento, na medida em que sua
utilização
passava
a
produzir
resultados
indesejáveis tanto em desempenho quanto em
qualidade.
Handy (1996) esclarece que,
Organizações centralmente planejadas
estão também descobrindo, um tanto
tarde, que os velhos métodos que
funcionavam muito bem no passado não
têm mais eficácia de custo. Elas terão que
reformular seu futuro e repensar a
maneira de executar seu trabalho se
desejar sobreviver numa época em que a
tecnologia torna quase tudo possível (pág.
69)
Todas as empresas desejam ter sucesso em
seus negócios, mas para isso é preciso possuir
um maior grau de flexibilidade e agilidade para
pode atender as necessidades dos seus clientes
em tempo hábil, com isso a empresa se tornará
competitiva.
As empresas geralmente seguem um ciclo de
vida, nascem, crescem, atingem o seu apogeu e
nesse ponto perdem vigor e tendem a declinar.
Declínio esse provocado por vários fatores, entre
eles a falta de flexibilidade por parte da direção em
compreender e adaptar-se às novas exigências do
mercado (CASTELLI, 2002)
Com base nas experiências dos autores
relatados, observa-se que as organizações que
adotam uma administração tradicional que
conservam uma estrutura rígida e verticalizada
necessitam revisar suas convicções básicas (e se
preparar para abandoná-las, se for esse o caso) e
implantar práticas modernas de gestão para poder
atender as atuais exigências do mercado ou
acontecerá o mesmo que acontece com um ramo
seco: se quebram.
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De acordo com Nogueira (2007) uma
organização flexível se apóia nas noções de
revisão, reorganização das estruturas, em busca
de um modo mais ágil, maleável e produtivo de
administrar as organizações.
Harvey (apud NOGUEIRA, 2007) define a
organização flexível como um procedimento de
superação do modelo fordista encaminhado por
uma maneira de acúmulo de capital.
Toffer (1985) define a organização flexível em
uma organização que se divide numa estrutura
altamente flexível, composta por “arcabouço” e
“módulos”. Sendo que arcabouço consiste na
empresa contratante (mãe ou central) e os
módulos seriam as empresas temporárias
(contratadas
ou
parceiras).
Essa
forma
empresarial consiste de um pequeno arcabouço
permanente, ao qual se prende uma variedade de
módulos (de acordo com a necessidade de cada
organização) pequenos e temporários.
Esses Módulos deslocam-se em reação às
mudanças,
podem
ser
removidos
ou
reorganizados conforme a necessidade da
organização central.
As principais características da organização
flexível são: trabalho em equipe, unidades
descentralizadas e independentes, diferenciação
por objetivos e por área geográfica, comunicação
intensiva baseada na tecnologia da informação e
redundância (NOGUEIRA, 2007).
Com base nas informações acima, verifica-se
que a empresa ao se tornar flexível só obterá
ganhos, pois, se tornará mais ágil, maleável,
conseguindo atender de forma personalizada cada
necessidade
de
seus
clientes
e
conseqüentemente se colocará num posto mais
elevado, referente à competitividade no mercado
que cada vez se torna mais competitivo.
Terceirização
Neste final de século as empresas vêm
passando por intensas reestruturações na área
produtiva, implicando mudanças não só para as
suas estruturas como para os trabalhadores.
Entre as diversas estratégias adotadas nestes
processos de reestruturação está a terceirização,
que vem assumindo há alguns anos um papel
relevante dentro desse processo de reorganização
produtiva. Provavelmente, devido ao fato de que
ao mesmo tempo em que realiza o desmonte das
grandes estruturas verticalizadas, ela possibilita a
criação de alternativas por meio da multiplicação
do número de prestadores de serviço.
Desde os primórdios do capitalismo houve uma
tendência à concentração de atividades que, por
uma questão de economia de escala, de
tecnologia e de disponibilidade de serviços no
mercado, compensava serem realizados pela
própria empresa. Com a terceirização caracterizase uma mudança recente de organização
empresarial em que a desconcentração assume
papel fundamental invertendo um largo processo
histórico (DIAS, 1998).
No âmbito das relações empresariais, o
costume de contratar serviços de terceiros é
antigo, porém, durante certo tempo, algumas
empresas relutaram em adotar o termo
terceirização,
preferindo
palavras
como
subcontratação ou contratação de serviços.
Nova é a palavra terceirização, assim como
nova é a intensidade com que o fenômeno vem se
ampliando, se impondo no mercado não apenas
como palavra, mas, fundamentalmente, como
conceito e filosofia na gestão empresarial.
Queiroz (2004, p. 61) menciona que a
“terceirização originou-se nos EUA, por volta de
1940, quando este país aliou-se aos países
europeus para combater as forças militares da
Alemanha e posteriormente as do Japão, ou seja,
durante o segundo conflito bélico mundial”.
No Brasil temos relatos da utilização desta
técnica por volta da década de 60, utilizada pelas
montadoras de automóveis, onde as mesmas
adquiriam componentes de diversos fornecedores.
Como diz Leiria, Souto e Saratt (1993) a
terceirização,
Foi introduzida no Brasil pelas fábricas de
automóveis que adquiriam as peça de um
sem-números de outras empresas,
guardando
para
si
a
atividade
fundamental de montagem dos veículos.
Ainda hoje – e bem mais que antes – a
indústria automobilística tem como
alicerce a contratação de parceiros (p.
22).
Terceirização é a empresa contratante passar
para empresas especializadas a realização de
atividades administrativas ou operacionais que
exigem certo investimento com otimização de
custos, enquanto concentra energia em suas
atividades principais, com o intuito de aprimorar a
qualidade de serviços e diminuir a ociosidade.
Dias (1998) declara que a terceirização é uma
filosofia de gestão em que a empresa direciona
toda a atenção e conhecimento para o produto
que constitui a sua atividade principal, tornando-a
cada vez mais consolidada no seu ramo específico
e terceirizando tudo aquilo que não contribua
diretamente com a razão de ser da organização.
A terceirização é uma nova forma de gestão de
negócios, onde as empresas estarão cada vez
mais focadas nos seus produtos e passando para
terceiros, eficientes e eficazes, as suas atividadesmeio, posicionando-se apenas no gerenciamento
e na avaliação de resultados dos seus parceiros,
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somados a sua gestão eficaz, da atividade-fim,
conduzirão
à
manufatura
de
produtos
competitivos.
Características da terceirização
A
terceirização
propagou-se
no
meio
empresarial com o objetivo de aumentar a
competitividade das empresas e melhorar a
qualidade da produção.
De acordo com Nogueira (2007) as principais
características da terceirização são trabalho em
equipe,
unidades
descentralizadas
e
independentes, diferenciação por objetivos e por
área geográfica, comunicação intensiva baseada
na tecnologia da informação e redundância.
Nas literaturas pesquisadas observa-se um
senso comum ao descrever as principais
características da terceirização. Aqui foram
mencionadas de forma sucinta para melhor
entendimento. Entre elas podemos apontar:
aumento da flexibilidade do trabalhador das
empresas terceirizadoras; diminuição dos postos
de trabalho; enxugamento das empresas
corporativas; multiplicação de empresas
Meios para terceirizar
Nogueira (2007) explica que os principais
meios de terceirização, são:
1. Desverticalização: transferência de
funções para o fornecedor externo
especializado que, atuando nas próprias
instalações,
manufatura
partes
e
componentes
especializados
pelo
tomador; 2. Prestação
de
serviço:
intervenção de um terceiro em uma
atividade-meio do tomador, executando
seu trabalho nas instalações deste ou
onde for determinado; 3.
Franquia :
concessão a terceiros do uso da marca do
tomador ou da comercialização desses
produtos ou serviços em condições
preestabelecidas; 4. Compra
de
serviços: a empresa procura parceiros
especializados que complementem sua
capacidade
produtiva
mediante
especificações técnicas; 5. Nomeação
de representantes: contratação de
terceiros para representar a empresa em
suas atividades de venda em geral;
6.Concessão: uma empresa atua em
nome da outra, que cede sua marca sob
condições para comercializar seus
produtos; 7. Alocação de mão-de-obra
ou subcontratação: aquisição ou aluguel
de horas de trabalho por meio de
contratos temporário ou empreitadas; 8.
Permissão: forma típica de terceirização
de serviços públicos (p. 236).
Segundo Queiroz (2004) além dos meios
descritos por Nogueira, a empresa pode utilizar os
seguintes meios de terceirização:
1.
Desintegração: Ainda pouco conhecida,
consiste na desverticalização avançada. Nesta forma de
terceirização, o fornecedor planeja e desenvolve as
especializações técnicas, da atividade que assumiu, ou
vai manufaturar um componente ou produto, que o
tomador apenas idealizou. O fornecedor desenvolve e
industrializa o produto;
2.
Facção: Esta forma é muito utilizada nas
atividades têxteis e calçadistas. O fornecedor
manufatura, nas suas instalações, parte ou o produto
completo do tomador. Este agrega as partes ou apenas
coloca a sua marca;
3.
Corporação virtual: É a união imaterial de
duas empresas especializadas no que ambas têm de
melhor, com produtos próprios, que são partescomponentes de outro produto que ambas decidiram
criar. É a sinergia de recurso com força competitiva;
4.
Descentralização integrada: É a forma de
terceirização
muito
recente
idealizada
experimentalmente e precariamente implantada na área
automobilística. O fornecedor atua nas instalações do
tomador, em módulos integrados e complementares,
que se unem pata compor o produto final;
5.
Distribuição: O fornecedor atuando na suas
instalações adquire produtos do fabricante, á preços
diferenciados e os revende de acordo com as
especializações do fabricante.
Dadas
às
particularidades
de
cada
organização, deve essa escolher quais dessas
modalidades de terceirização melhor se adéqua às
suas necessidades para obter um resultado
positivo.
As
vantagens
terceirização
e
desvantagens
da
As principais vantagens da terceirização, são:
concentração de esforços da empresa na
atividade principal; agilização da produção;
redução de custos; redução do espaço físico
ocupado e possibilidade de realizar alianças
estratégicas (DIAS, 1998).
Saratt, Silveira e Moraes (2008) acreditam que
os fatores que as empresas mais buscam com a
terceirização são: redução estrutural de custos
não
atrelada
aos
salários
praticados;
redimensionamento do quadro de empregados;
redefinição do negócio e o surgimento de novas
vocacionalidades;
redimensionamento
do
enquadramento
sindical
de
colaboradores
internos; flexibilidade contratual e remuneração
por desempenho; revisão tributária.
As principais vantagens da implantação do
processo de terceirização na empresa são: gera a
desburocratização;
alivia
a
estrutura
organizacional; proporciona melhor qualidade no
fornecimento de serviços, contribuindo para a
melhoria do produto final; traz mais especialização
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no fornecimento de serviços; proporciona mais
eficácia empresarial; aumenta a flexibilidade nas
empresas; proporciona mais agilidade decisória e
administrativa;
simplifica
a
organização;
incrementa a produtividade.
E como complemento a todos os pontos
citados acima; auxilia também a economia de
recursos;
fornecedores
de
serviços
especializados; administração da qualidade nos
serviços fornecidos; estrutura básica, simples e
ágil;
reutilização
produtiva
dos
espaços;
investimentos direcionados para a atividade-fim;
supervisão envolvida no produto e preocupada
com a qualidade como também resultados
competitivos (QUEIROZ, 2004).
Como em todo processo tem seu lado positivo
e seu lado negativo, como já foram relacionados
os pontos positivos da terceirização, é importante
atentar – se para os pontos negativos.
Na visão de Leiria e Saratt (1995), é importante
atentar para as seguintes desvantagens da
terceirização:
aumento
do
risco
a
ser
administrado; dificuldades no aproveitamento dos
empregados já treinados; demissões na fase
inicial; mudanças na estrutura do poder; falta de
parâmetros de preços nas contratações iniciais;
custo das demissões; desgaste na relação com
sindicatos; má administração do processo e
aumento da dependência de terceiros.
Ao optar pelo processo de terceirização, é
necessário
precaver-se
para
possíveis
desvantagens, tais como: o eventual choque
cultural entre o tomador e o prestador de serviços,
os quais nem sempre seguem as mesmas
filosofias empresariais e de relações com seus
empregados; conseguir estabelecer uma perfeita
integração sem perder a identidade e a autonomia;
as ameaças à preservação da independência
(QUEIROZ, 2004).
Além disso, Brasil (1993) considera que a
terceirização traz algumas desvantagens para a
empresa, tais como: a terceirização incentiva a
formação de grandes empresas-destino, com forte
poder de barganha frente às empresas-origem;
aumenta a quantidade de fornecedores a serem
controlados pela empresa-origem; em alguns
casos, pode ser que diminua a quantidade de
condutores que facilitem o processo de
diferenciação (dos produtos, do processo de
produção e da própria organização do trabalho)
das empresas-origem e pode desenvolver “custos
de mudança” com relação às empresas-destino.
Com base nas literaturas pesquisas, chega-se
a conclusão que a implantação do processo de
terceirização implica em algumas conseqüências,
ora positivas ora negativas, cabe ao administrador
estudar e averiguar se cabe a empresa correr o
risco de optar pela terceirização. Essa decisão
deve ser tomada levando em consideração a atual
situação da empresa no mercado em potencial,
quais as atividades, quais ganhos e as perdas que
a empresa poderá sofrer. Pois esse processo
proporcionará mudanças importantes e sensíveis
no desenvolvimento das organizações.
O que terceirizar
A importância do processo de terceirização na
reorganização produtiva pode ser evidenciada
pela rapidez que esse processo vem sendo
praticado no ambiente empresarial. Por causa da
rapidez com que essa técnica vem se destacando,
muitos empresários se encontram em meio a
muitas dúvidas, principalmente, em quais
atividades é favorável aplicar essa técnica, qual
atividade deve ser transferida pra terceiros.
Para solucionar essa questão, o empresário
deve saber primeiramente o que é atividade-fim e
atividade-meio.
A atividade-fim é a finalidade do negócio, ou
seja, o objetivo econômico, a atividade para a qual
a empresa foi criada e organizada. Estas não
devem e nem podem ser terceirizadas, uma vez
que fazem parte da finalidade empresarial e como
tal precisam e devem ser administradas pela
própria empresa (QUEIROZ, 2004).
Já a atividade-meio de acordo com Saratt,
Silveira e Moraes (2008) define se como:
A atividade-meio é aquela que não agrega
valor à produção ou ao negócio do
tomador de forma direta. Trata-se,
evidentemente, de serviço necessário,
mas facultativo, e não de algo essencial
(p. 78).
No entanto a atividades-meio são aquelas que
têm a finalidade de dar suporte às atividades
principais constantes em seus objetivos sociais.
QUARTEIRIZAÇÃO
Com a crescente demanda da terceirização, a
quarteirização tem se tornado uma importante
aliada da gestão empresarial, pois, algumas
empresas, em especial as de grande porte,
encontram algumas dificuldades na hora de
administrar os terceiros e acabam se perdendo em
meio a tanta burocracia (LEIRIA; SOUTO;
SARATT, p. 1993).
A quarteirização, ou a delegação da gestão de
contratos com terceiros, consiste na contratação
de uma empresa especializada para gerenciar as
parcerias, proporcionando a gestão plena da
terceirização, ou seja, a quarteirização é a espécie
do gênero terceirização que incidir na
transferência a um terceiro especialista da gestão
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da administração das relações com os demais
terceiros (SARATT; SILVEIRA; MORAES, 2008).
Com base nos autores citados, pode concluir
que a quarteirização é quando uma empresa
especializada, que se responsabiliza em gerenciar
não só pelos contratos terceirizados, como
também pelo relacionando entre o tomador e a
tomadora, ou seja, o processo de quarteirização,
nada mais é que a contratação de empresa para
administrar atividades terceirizadas.
De modo claro a quarteirização surgiu para
manter o equilíbrio entre as partes, porque ao
contrário do que muitas empresas pensam
terceirização não é abandonar a atividade
transferida. A quarteirização exerce o papel de
mediadora entre as partes, porque as empresas
que praticam a terceirização como filosofia
necessitam estabelecer claramente as rotinas de
acompanhamento de seus parceiros, em especial
quanto à atuação técnica, à idoneidade patrimonial
e fiscal e ao cumprimento da legislação que rege o
contrato.
Conclusão
Preparar a organização para as mudanças
viabiliza a absorção das mais modernas
ferramentas de administração, considerados como
os mais novos paradigmas de administrar
negócios. A terceirização é uma dessas
ferramentas, como já foi observado no decorrer
deste artigo, quando uma companhia adota a
terceirização, usa os serviços de terceiros para
realizar atividades empresariais que não fazem
parte de suas competências. A contratação de
terceiros permite que a empresa concentre
esforços em suas competências essenciais.
Nota-se que a opção pela terceirização não
deve ser baseada somente em redução dos
custos financeiros. È importante ressaltar que ao
focar seus esforços nas atividades ligadas ao
produto final, a empresa estará obtendo vantagem
competitiva, o que nesse momento é de extrema
importância, para que a mesma mantenha-se ativa
no mercado altamente competitivo.
De um modo geral, o objetivo da terceirização
não é apenas reduzir custos, como também
conferir
maior
agilidade,
flexibilidade
e
competitividade à empresa.
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administração de empresas. v. 33, n. 2. São
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NOGUEIRA, Arnaldo José França Mazzei. Teoria
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QUEIROZ, Carlos Alberto Ramos Soares de.
Manual de terceirização: onde podemos errar no
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Paulo: STS, 2004.
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