AU TO RA L TO UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES DI R EI PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” ID O PE LA LE I DE INSTITUTO A VEZ DO MESTRE EG A CRÍTICA À EDUCAÇÃO SUPERIOR REPRESENTADA PELO HOMEM Por: Gleyvison Nunes dos Santos DO CU M EN TO PR OT RESPONSÁVEL PELA FORMAÇÃO INTELECTUAL Orientador Prof. Vilson Sérgio de Carvalho Goiânia 2010 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE A CRÍTICA À EDUCAÇÃO SUPERIOR REPRESENTADA PELO HOMEM RESPONSÁVEL PELA FORMAÇÃO INTELECTUAL Por: Gleyvison Nunes dos Santos Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Docência do Ensino Superior. Por: . Gleyvison Nunes dos Santos Goiânia 2010 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus e meus pais que ao longo dessa jornada não me deixou desistir de pensar e refletir sobre meus sonhos. DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho a minha linda esposa Deisianne que com carinho sempre esteve ao meu lado dando forças e animo para continuar a trilhar o caminho do pensar. EPÍGRAFE "No fundo, salvo os gatos pingados românticos do "bom selvagem" (Rousseau) RESUMO Após investigarmos a situação atual da educação brasileira, notamos que a mesma enfrenta um período de crise, seja pelas condições de trabalho dos educadores, pela insuficiência dos recursos financeiros destinados, pela ausência da família, pela falta de recursos didáticos ou pela má formação dos professores, entre inúmeros fatores. Por isso queremos tratar desse dando ênfase na definição do conceito de educação para cidadania de Rousseau, bem como no apontamento de princípios que norteiem para a realização efetiva dessa educação que forma o cidadão. A partir dessa preocupação, surgiu o tema da pesquisa, a educação do indivíduo para a cidadania, que pretende apontar, dentro do contexto rousseauniano, o conceito de educação do homem e do cidadão, características da adolescência, princípios norteadores para a formação do indivíduo voltada para a cidadania e contrapontos entre os ideais de Rousseau e a atualidade no que diz respeito à possibilidade de ter nos seus princípios um referencial para se pensar a educação para a cidadania dos educandos de hoje. METODOLOGIA Utilizar-se-á material de cunho teórico pelo viés dos textos do próprio Rousseau, de comentadores clássicos, dissertações, artigos e periódicos, todavia, não há a pretensão de elaborar um trabalho de campo. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPITULO I - Rousseau e a Educação 10 1.1 Descrições dos pressupostos do pensamento rousseauniano 10 acerca da educação. 1.2 O método histórico 12 1.3 A relação entre o político e o pedagógico 14 CAPITULO II - A educação negativa em Rousseau 17 2.1 A natureza como principio negativo 18 2.2 A morte moral do homem 20 2.3 A critica da cultura no processo pedagógico de Rousseau 21 CAPITULO III - Fundamentação da crítica à educação superior 23 3.1 Arcabouços da crítica rousseauniano: a educação 24 3.2 A educação da consciência 25 3.3 A formação superior 26 CONCLUSÃO 29 BIBLIOGRAFIA 31 8 INTRODUÇÃO Este trabalho tem por objetivo apresentar alguns pontos tratados por J.J. Rousseau sobre a educação, uma vez que esses debatidos caminhos traçados por ele podem ser, nos dias atuais, revistos por olhares contemporâneos. Como se sabe, o filosofo preocupava-se com a exaltação do progresso das ciências e das artes e da crença de que a difusão do saber iria por fim não só aos pré-conceitos como também à ignorância, Rousseau vê decadência, luxo e vaidade nesse ideal e torna-se, por este motivo e por muitas vezes, o centro de debates e discussões. Rousseau soube discernir a diferença entre o homem ideal e o homem real e confrontá-los. Em sua obra, Emilio, vemos suas reflexões dirigirem-se para o comportamento por vezes inadequado do responsável pela educação. Para tanto, nosso Capitulo I irá debruçar-se sobre o pensamento rousseauniano, mais especificamente em suas reflexões sobre educação. Para Rousseau, o que deve ser incutido na criança são as idéias justas e claras. O princípio fundamental da boa educação é propiciar a criança o prazer de amar as ciências e seus métodos, sendo nossos mestres a experiência e o sentimento. Rousseau parte do princípio de igualdade natural entre os homens. Para ele, antes deles fazerem uma opção pela carreira profissional devem se preocupar com a sua própria vida, uma auto valorização de seus princípios e valores. No Capitulo II, estaremos nos preocupando com a reflexão da educação negativa em Rousseau e o afastamento da filosofia nas diversas ciências abordadas. O livro II, Emilio, estará oferecendo-nos conceitos e posicionamentos que poderão dar base a nossa proposta de repensar o atual modelo de formação superior que temos e que desejamos, tendo em vista as propostas esboçadas, no capitulo I, refletindo o pensamento de Rousseau que 9 contrapõem esse fetichismo pós-moderno, a crença cega no progresso, cujo resultado é uma espécie de entorpecimento da alma. No Capitulo III, pretendemos fazer uma fundamentação crítica ao atual modelo de formação superior que foge totalmente da realidade proposta por Rousseau no Emilio. Para Rousseau, o que engrandece um profissional não é o seu status social ou o seu poder aquisitivo, mas sim aquilo que o torna útil no meio social. Portanto o que define o gênero humano é o povo, onde as diferenças naturais entre os homens não os colocam em situação de desigualdade ou inferioridade. O que perverte e deprava o homem é a própria sociedade e suas convenções. Segundo Rousseau, quando a formação do homem não é corrompida pelos mecanismos da sociedade, mas sim marcada por valores naturais, ele é capaz de manter sua vida social conduzida por sua própria razão. 10 CAPÍTULO I ROUSSEAU E A EDUCAÇÃO O CONCEITO “Diante da constatação de que “o verdadeiro fundador da sociedade foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer ‘isto é meu’ e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo”, Rousseau encontra na desigualdade humana o principal problema da organização política”. (ROUSSEAU, 1980:270) 1.1 – Descrição dos pressupostos rousseauniano acerca da educação. do pensamento Rousseau afirma que a educação dos homens é a única que podemos realmente controlar e, mesmo assim, por suposição. Mas nem por isso Rousseau mostra apreço pela educação escolarizada. “uma verdadeira instituição pública esses estabelecimentos ridículos a quem chamam colégios”. (Emilio, p.14) 11 Para Rousseau, tudo aquilo que não temos ao nascermos e que mais tarde vamos precisar nos é dado por meio da educação seja por meio dos homens ou das coisas. Tal educação começa com o nascimento; antes de falarmos e de compreendermos. Rousseau afirma que formar cidadãos não é tarefa para um dia; e para contar com eles quando homem é preciso instruí-lo ainda crianças, pois não basta dizer aos homens para serem bons e sim ensiná-los a ser. Embora na obra Emilio, Rousseau ter sugerido outro modo de educação, sem ser essa pública, mas privada propondo com isso submeter a vontade particular a vontade geral, tornando o homem um elemento social que se ordena a partir dela. Essa virtude da qual fala Rousseau, só as pessoas honestas sabem obedecer e exigi bons costumes para sair do vicio impregnado na sociedade. Como desde o nascimento as pessoas participam do processo da cidadania, o tempo certo para se iniciar a educação é justamente o momento de seu despertar para vida. É preciso criar condições necessárias no sentido de não se permitir a transformação do tempo em um grande inimigo do cumprimento dos deveres, começando o quanto antes na formação e no exercício das obrigações das crianças. Os educadores não podem perder tempo e é preciso agir rapidamente e tomar aos seus cuidados as crianças ainda novas sem os vícios e os maus hábitos. “É a educação que deve dar as almas à força nacional e dirigir de tal forma suas opiniões e seus gostos, que elas sejam patriotas por inclinação, por paixões, por necessidade”. (Rousseau Tomo III, 1964, p.966). Rousseau acreditava que uma vez a alma pervertida, as paixões naturais não tem mais possibilidades de cura e ficam entregues as enfermidades da humanidade e de seu processo civilizatório. Com isso, a 12 educação deverá ser moldada, sem destruir, a paixão dos homens, devendo ser mais precisa controlar os seus sentimentos intensos e jamais extingui-los por completo, pois sem eles não haverá bons cidadãos. 1.2 – O método histórico A educação ganha nova dimensão com a mudança de ênfase no sujeito do processo educativo proposto por Rousseau que constrói uma nova concepção de educação, não mais baseada no domínio de livros e de fórmulas, mas a partir da construção do conhecimento pela própria criança que adquiri uma nova maneira de pensar, reconhecendo a capacidade de dirigir o seu próprio eu, firmando sua liberdade e sua identidade. Rousseau opõe-se a educação como apenas transmissão de valores, conhecimentos e informação, ou seja, a educação que procura moldar a natureza da criança com os padrões pré-estabelecidos com maneiras de pensar, agir e sentir determinado por forças externas aos seus interesses e expectativas. Segundo Rousseau, o filosofo transforma o processo de desenvolvimento na possibilidade de usufruto de uma vida racional, produtiva, útil e criativa. Com isso, não há um único modelo ou forma da educação. A educação para Rousseau constitui uma expansão das aptidões naturais e só pode acontecer por meio do desenvolvimento interno da criança, pela ação de seus instintos e inclinações; Rousseau se mostra preocupado com a formação do homem como pessoa humana, pois acredita que sua vocação comum é a condição de homem, tendo como processo imanente de formação do homem, como seu ponto de partida, a realidade da natureza humana. Tal educação possui uma orientação essencialmente naturalista por se tratar de uma concepção baseada 13 na natureza da criança e por ela limitada, é um processo educativo cujos fatores e objetivos se restringem ao mundo das coisas materiais. O processo educativo não passa a priori de um trabalho de constante presença em torno da criança, com objetivos de criar um ambiente propicio ao crescimento de sua vitalidade que, por si mesma, não havendo causas perturbadoras, se desenvolveria no sentido de buscar mais qualidade e maior perfeição. Todo o conhecimento que adquirimos no processo de humanização é por meio da educação, que ora encontramos na natureza ou nas coisas com as quais convivemos para aguçar o desenvolvimento interno de nossas faculdades. Mas Rousseau percebe grande dificuldade na educação por meio das limitações impostas ao desenvolvimento da individualidade. Contudo Rousseau nos propõe fazer com que aconteça a formação da individualidade moral autônoma, na vida em sociedade. Tal processo educativo apresentado por Rousseau nos leva a perceber os níveis diferenciados no processo educativo. Segundo ele a educação da natureza é responsável pelo processo de maturidade e de evolução do ser humano. Já a educação dos homens acontece no processo de interação social, sendo o homem destinado a viver em sociedade para fazer relações, pois o ser humano necessita da espécie para que possa cumprir com o seu destino. Sem essa relação é impossível extrair de si mesmo os talentos com os quais aprenderá a enfrentar a resistência alheia, e do mesmo modo em que necessita aproveitar todas as formas de experiências que vivenciar, seja na relação com o outro, aumentando sua capacidade de agir. E na sociedade que encontraremos possibilidades de experienciar e para Rousseau o homem deve ser o sujeito de sua própria educação e isso pode acontecer na ação, ao manipular os objetos, percebê-los, bem como explorar suas características e possibilidades. Ao viver a experiência, o homem pode conhecer em suas diversas significações e dimensões percebendo-se como sujeito da história, ou seja, o objeto a ser considerado não é o seu mundo exterior, mas o mundo humano, 14 subjetivo imprimindo-lhes identidades próprias nessa nova forma de relação do sujeito com os objetos. Ao passo que nos tornamos mais esclarecidos, nossas disposições naturais se firmam e se diverge baseado em nossas opiniões. O homem segundo Rousseau pertence ao mundo da natureza e, para educá-lo, é necessário que o educador se reporte a essas disposições primitivas, as quais estamos em contato desde que nascemos, pois somos afetados pelos objetos que nos cercam, devido a nossa sensibilidade que nos coloca em contato direto com o mundo e com as coisas. 1.3 – A Relação entre o político e o pedagógico O pensamento de Rousseau refiro-me a educação, consiste em reflexão e nos leva a refletir a qualidade do ensino e da escola em diferentes círculos sociais brasileiros, mas a luz do pensamento rousseauniano, é necessário pensar em qual espécie de educação escolar, e de país, se tem em vista baseado nos poucos investimentos públicos destinados a educação e o tipo de ensino que viceja na escola brasileira, que tem formado indivíduos passivos e capazes apenas de copiar mecanicamente os saberes transmitidos. Rousseau publicou duas de suas obras mais relevantes intencionalmente em um mesmo ano (1962) – Do Contrato Social, livro que se atém a problemática concernente a organização do estado e da sociedade, e o Emilio ou da Educação, pedagogicamente elaborado, trazendo a tona uma preocupação em não dissociar a educação dos dilemas, exigências e desafios mais amplos da vida coletiva. Buscou politizar o ato educacional, destacando e focando a relação entre a política e a educação. Nesta perspectiva buscamos alguns aspectos da teoria política e pedagógica de Rousseau, com o objetivo de refletir a relação entre educação e democracia, com base em alguns dilemas políticos e educacionais presente na atual sociedade. Percorremos alguns preceitos formativos preconizados por 15 sua perspectiva pedagógica e o papel da educação na instrumentalização cultural e cientifica do cidadão, como um dos requisitos para promover a construção de um terreno favorável à consecução da utopia do controle público sobre o exercício do poder, em suas dimensões política e econômica. Rousseau buscou ao longo de sua trajetória desenvolver uma teoria democrática, na obra Do Contrato Social, apresentou seu descontentamento ao estado das coisas, quanto sua proposta de superar o regime de desigualdade social e servidão impostos pela nobreza, pelo clero e pela monarquia. Rousseau de um modo geral desejou que as pessoas, em um tempo muito remoto da existência humana, vivessem livres e independentes, tendo a sua disposição os recursos fartamente oferecidos pela natureza, e por isso não dependem de ninguém, ou seja, que pudessem caçar, pescar e coletar frutos. Viver livre e soberano de si mesmo, pois tinham livre acesso aos meios da vida. É legitimo dizer que os indivíduos desfrutassem da sua liberdade e tinham em relação ao sofrimento alheio. Com o passar do tempo, a raça humana foi paulatinamente se degradando, abafando a liberdade e a piedade natural fortalecendo ai a propriedade privada. Com efeito, foi à propriedade privada que degenerou a humanidade, estabelecendo relações de exploração e de submissão originando a desigualdade social. A partir dai segundo Rousseau, inicia um verdadeiro estado de guerra entre os indivíduos, os grupos e os povos, em virtude da disputa por bens demandados a sobrevivência e ao desfrute do luxo e da ostentação. Um estado em que prevalecem a desigualdade, o egoísmo e a violência nas interações sociais. Assim sendo, são a desigualdade e a injustiça social que promovem a violência. É no Contrato Social, que Rousseau propõe, embebido na utopia democrática, uma nova forma de organizar a sociedade traçando um pacto entre indivíduos e grupos sociais diferentes, capazes de diminuir as desigualdades através da alteração da estrutura da propriedade, que segundo a proposta rousseauniano, os ricos por mais poder e bens que possuam, não tem a sua disposição um precioso bem: a paz. Contudo, em seu modo de ver, 16 uns com medo de sombras na esquina e outros sequiosos por meio de vida digna, poderiam engendrar uma aliança em favor da redução das desigualdades em favor do bem estar social superando a violência e o caos social. A proposta de Rousseau põe em evidencia, como instrumento político democrático, a instauração de mecanismos de participação direta e de controle público do processo de decisão, ou seja, certo de que a democracia, a sua época, não poderia ser concebida ao modo dos antigos baseado na participação direta dos cidadãos em torno de toda e qualquer questão afeita a coisa pública devido a preocupação de Rousseau que deixa claro, mesmo que a contragosto, um regime que contemple elementos de representação política com a participação direta dos cidadãos. Se é impraticável a proposta da democracia direta na pós modernidade, que se criem mecanismos de controle sobre os atos dos poderes Legislativo e Executivo. De acordo com o filósofo, os “representantes políticos” – Rousseau (1973 a) os chamava de delegados ou comissários do povo, que no seu modo de ver, deveriam estar submetida à vontade coletiva. Com isso, é preciso refletir qual a relação entre educação e as questões de ordem política, a qual está relacionando consciente de que sua proposta democrática demanda indivíduos preparados para o caminho da construção da liberdade e da igualdade, ou da soberania popular que Rousseau propõe com Emílio, que possui uma formação educacional baseado em sua concepção política. Rousseau fala de formar o cidadão por meio do ensino pela ação prática descrito como um romance educacional, repleto de sugestões pedagógicas e princípios éticos deformação. 17 CAPÍTULO II A EDUCAÇÃO NEGATIVA EM ROUSSEAU ““ se pensa senão em conservar a criança; não basta; deve-selhe ensinar a conservar-se sendo homem, a suportar os golpes da sorte, a enfrentar a opulência e a miséria, a viver, se necessário, nos gelos da Islândia ou no rochedo escaldante do Malta (...) trata-se menos de impedi-la de morrer do que fazê-la viver. Viver não é respirar, é agir; é fazer uso de nossos órgãos, de nossos sentidos, de nossas faculdades, de todas as partes de nós mesmos que nos dão o sentimento de nossa existência. O homem que mais vive não é aquele que conta maior número de anos e sim o que mais sente a vida.” (ROUSSEAU, 1968, p.16) E meio a tantas propostas é difícil exercer essa espécie de educação negativa em meio ao caos social, portanto é mais complicado do que aparenta, e Rousseau não subestima as dificuldades que o aguardavam na criação desse homem da natureza denominado por ele de Emílio, mas ele tampouco se importa demasiadamente com essas questões. As objeções feitas pelos outros filósofos não passam de conjecturas vazias para Jean-Jacques: ele, por ser mais um observador da natureza do que um cientista; por se achar mais em busca de uma verdade do que da fama; por ser antes um homem do que um filósofo; acredita encontrar-se em condições de se abster dos vãos exercícios de retórica sobre sua obra, e se satisfaz em ser honesto consigo mesmo, vislumbrando os resultados hipotéticos de sua educação. É de suma importância perceber que Rousseau contextualiza no decorrer de seus escritos o que de fato valida a real educação, que só pode ser percebida na honradez do conceito ético que viabiliza a mudança do indivíduo. Rousseau nos propõe iniciarmos uma reflexão acerca das singularidades que justifiquem esta educação, que após tomar uma perspectiva ética lança mão de uma possibilidade bem mais eficaz do que a que minimiza a 18 educação a traços reprodutores de adestramento inválidos, ao contrario, Rousseau eleva a educação a fonte irrevogável de tornar o indivíduo o protagonista de sua própria história tendo a educação na ótica rousseauniano uma chamada a aclamação da autonomia do ser, não apenas como repasse mecanicista de conteúdos, mas o conhecimento necessário como exercício critico da ética imprescindível para conduzir o ser humano ao que ele pode ser de melhor. 2.1 – A natureza como princípio negativo. A obra de Rousseau é uma grande proposta pedagógica que nos apresenta de modo geral o que provavelmente deveria ser seguido como objetivo para tornar a criança uma adulto bom, ou quem sabe ainda melhor, evitando ai que se torne um adulto mau, pois a proposta rousseauniana o homem é bom por natureza e no instante que a natureza é por assim dizer pura e completa, sem necessitar de algo para lhe completar. Contudo, a bondade trazida no interior de cada homem, pode ser abalada na medida que não constitua um preparo adequado propicio para a germinação e enraizamento desta fonte, cabendo a nós preparar o caminho para que a natureza se cumpra. Um dos pressupostos desta filosofia é atribuir a sociedade a responsabilidade pela origem do mal. Rousseau pretende nos dá uma perspectiva honrosa de nós mesmos, na medida que sofistica nossa formação com a respeitabilidade que esta merece, haja vista no estado civil limitarmos a natureza do homem a um aparato de condicionamentos sem base que exterminam a autonomia deles. Diante da percepção da natureza, que surge o bom na concepção rousseauniana, o homem possui a bondade da natureza, o que não afasta da necessidade de lapidar-se e conduzir-se para o bem. Esta proposta educacional se fundamenta nessa perspectiva de preservar esta bondade como sendo o regimento imprescindível para a formação eficaz do individuo mantendo assim nas teorias educacionais duas evidencias indiscutíveis, ou 19 seja, o desenvolvimento das potencialidades naturais do individuo e seu afastamento dos males civis. O que queremos com esse modo de pensar e refletir acerca da educação em Rousseau é que em sua proposta permeia questões morais e éticas que tem como objetivo possibilitar que o individuo tenha julgamentos corretos e justos, que não sejam pervertidos pela passionalidade inconsciente. Neste caso o educador possibilita que este principio inato do bem seja favorecido sempre permeado pela razão; compreendendo os momentos específicos de cada idade, que indica o grau de desenvolvimento mental já adquirido. Contextualizando a educação negativa de Rousseau que tem como proposta deixar o individuo agir, ou seja, agir em seus órgãos, seus sentidos e em suas faculdades, permitindo e fornecendo ao mesmo tempo o sentimento d sua própria existência. O individuo precisa se sentir livre para agir, para usar e experimentar de tais questões. O objetivo é que tudo se converta para promoção do sujeito e tudo aspira para a preservação e alircerçamento do homem em sua natureza. Poderíamos dizer que as perspectivas dinamizam a educação de Rousseau é razão e coração; homem e sociedade; moral e política que são alicerces fundamentais que servi-se da lei natural, da liberdade dos sentimentos e da razão para formação do individuo já apontado por Rousseau na lei natural a predisposição para o bem e a justiça. E que para o filósofo pode ser desvirtuada pelo nosso livre arbítrio, ou ainda, ser corrigida e consolidada pela razão que se irmana com os sentimentos. Contudo, após perceber a proposta de Rousseau, vimos que a educação é ponto determinante para não deixar que esta lei moral inata se perca. Assim, o corpo e a mente serão observados para que possam sempre estar em sintonia. Rousseau por meio da razão promove com o nascimento da criança o desenvolvimento da inteligência que serão aplicados já na infância, baseado na necessidade de uma educação para preservar o coração do individuo dos sentimentos viciosos, onde a bondade e a justiça se fazem inatos. Rousseau 20 acredita com isso, que o individuo ao receber formação passará a ver o mundo com os seus próprios olhos, não permitindo se contaminar pela sociedade imperante que reduz a autonomia do individuo ao adestramento castrador, sendo capaz de agir somente pelos desígnios de sua própria razão. 2.2 – A morte moral do homem. No livro Emílio, percebemos um problema ligado aquele que é considerado o centro do pensamento de Rousseau: o vínculo entre o mal humano, a racionalidade e o desenvolvimento das paixões. É claro que, para isso, outras questões deverão ser abordadas, como aquela que diz respeito a relação entre força e necessidade, e as concepções de liberdade e desigualdade. Apenas para lembrar que este estudo exige uma análise prévia do problema de primado da sensibilidade sobre a razão, que serve aqui apenas de pressupostos, uma vez abordado anteriormente. Queremos aqui é mostrar, a partir dos escritos, como a analise das paixões acerca da natureza humana no momento em que se tratava de elaborar um discurso persuasivo no âmbito da moral e da religião. Não queremos encontrar aqui soluções praticas para o problema da morte moral, da maneira que apresenta Rousseau, e sim uma possibilidade de uma restauração moral, em conformidade com aquela formulada no Contrato Social, que também trata da questão política. Do ponto de vista do desenvolvimento das paixões e da sensibilidade humana, essa restauração moral supõe uma educação segundo os princípios negativos da educação da natureza, proposta na obra Emílio. A queda moral da humanidade é tratada ao longo do caminho por Rousseau. Após fazer criticas ao desenvolvimento das artes e das ciências, era preciso ainda mostrar que a perversão moral é ocasionada pela ausência de princípios ou critérios de ação num contexto em que, não apenas as opções éticas estão em questão, mas também estão às determinações materiais, as condições e os modos de vida, a organização social, econômica e política. 21 Nesse sentido, quando nos referimos a morte moral do homem, tal como encontramos no Livro IV, Emílio, não supomos meramente o abandono dos ideais da natureza ou alguma perda das referencias clássicas quanto ao bem e ao mal, aos vícios e as virtudes. A morte moral é resultado final de uma regressão no sentido da impossibilidade em que se encontram os homens quanto a realização de suas capacidades. É notório destacar essa dedicação a educação do individuo, que perpassa o aspecto físico, intelectual e moral do educando idealizado por Rousseau para mostrar o verdadeiro cidadão que deverá sê-lo sendo justo bondoso e puro. Todo processo deverá ser cuidadosamente considerado a fim de promover um alicerçamento do que há de virtuoso para enrijecer o caráter deste individuo aspirado pela atmosfera rousseauniana, visando a formação de um sujeito independente capaz de fazer o próprio caminho, sendo conduzido por meio da educação moral ao desenvolvimento da razão. 2.3 – A crítica da cultura no processo pedagógico de Rousseau. Rousseau por meio da educação vai contestar a estrutura política, religiosa e pedagógica por meio de um novo olhar sobre o ser humano com sua proposta de educar o individuo para viver bem democraticamente. No Contrato Social fica claro que o objetivo de Rousseau é ir além de uma nova democracia ao propor a vontade geral. “Cada um de nós põe em comum sua pessoa e todo o seu poder sob a suprema direção da vontade geral: e recebemos, coletivamente, cada membro como parte indivisível do todo. Imediatamente, em vez da pessoa particular de cada contratante, esse ato de associação produz um corpo moral e coletivo composto de tantos membros quantos são os votos da assembléia, o qual recebe, por esse mesmo ato, sua unidade, seu eu comum, sua vida e sua vontade”. (o contrato social, 2001 pág. 22). 22 Rousseau propõe em sua proposta pedagógica o conceito de liberdade apresentando um modelo de educação para o individuo com métodos inovadores distintos daquele tempo. A cultura francesa enxergava nas crianças “pequenos adultos”, tendo que assumir tão precocemente o trabalho e responsabilidades da época. Com isso, cada passo que damos ao refletirmos Rousseau, não só nos escritos acerca de educação, mas outrem, percebemos e destacamos a preocupação de Rousseau com o destino social e cultural do homem, com um olhar ético e moral que traduzem em questionamentos, principalmente por um modelo iluminista que a principio era o grande alicerce do momento já com os vícios, em sua origem, o erro e o engano a sociedade. Rousseau faz dura criticas cultural a educação da época por acreditar que educar é prover o homem dele mesmo, prover este de sua natureza, que é boa, a fim de enraízá-lo em seus fundamentos. Para Rousseau educar é mostrar no homem sua autoridade enquanto protagonista e sujeito de si mesmo, proporcionando ao individuo formação capacitando-o no que é capaz de ser, ou seja, bom por natureza. Para tanto, importa destacar um principio ético e formativo que, substancialmente, tem sido desvalorizado nas últimas décadas, no Brasil e no mundo, central e periférico: o trabalho. Rousseau diz que o trabalho é uma atividade necessária para sobrevivência humana em sua luta pela vida, acentuando então sua dimensão útil, e também como uma prática humana que potencializa a capacidade de percepção do educando sobre a trama das relações sociais. Contudo, Rousseau defendia uma sociedade mais justa e igualitária, integrada por indivíduos livre, mas também produtivos e solidários. 23 CAPÍTULO III FUNDAMENTAÇÃO DA CRÍTICA A EDUCAÇÃO SUPERIOR Quando olhamos o século XVII e XVIII em sua grande maioria com pensamentos conservadores e que mesmo assim provoca o sujeito moderno a pensar, por meio da proposta pedagógica de Rousseau de educar e conceber o ser humano, restabelecendo a harmonia natural como processo primeiro para sua formação inicial, queremos ai entender que Rousseau apresenta uma formação de um novo ser humano, um novo sujeito social, mas que deve estar relacionado com a sociedade respeitando o processo de crescimento natural do indivíduo. Rousseau acredita e defende a figura do bom selvagem, que se encontrava em prefeito estado de harmonia com a natureza, ou seja, tudo de que o indivíduo necessitasse para viver retirava da própria natureza e não mais estar preso as necessidades “artificiais” da sociedade, garantindo a sua existência e felicidade. Rousseau desejava uma sociedade em que as pessoas fossem não apenas livres e iguais, mas também soberanos, isto é, que tivessem um papel ativo dentro do contexto geral. Refletindo os dias de hoje, é preciso analisar a razão pela qual o sujeito vem agindo de maneira desorientada em suas relações, tendo em vista o seu contexto e a realidade que o indivíduo esta inserido, a sua maneira de pensar em relação aos fatos e como pode defender-se do que a ele fora imposto. E é por meio do processo educacional, segundo Rousseau, que o indivíduo desperta a sua consciência acerca de sua dignidade e sua capacidade de exercer a cidadania. Assim, deve a educação manter um caráter amplo e complexo, integrando em todas as ações e relações, tendo como objetivo a arte de preparar e formar o sujeito para enfrentar todas as condições de vida no seu convívio social. 24 É momento de questionar e refletir sobre a formação do sujeito em nossa atualidade, seus conceitos e sua maneira de pensar tendo em vista a estrutura capitalista que nos leva a alienação. O processo filosófico no propõe agir sobre a realidade e entender a razão do ser e não a busca do ter, sendo nesse processo a educação como pilar na conscientização dos sujeitos em relação ao seu papel de não aceitar os fatos sem antes ter analisado, investigado os mesmos, sem ignorar a sua capacidade de pensar. 3.1 – Arcabouço da critica rousseauniano: a educação. Ao estudar Rousseau, percebemos que seus ensinamentos estão presentes na história atual em alguns aspectos, pois somos sujeitos com um passado e este é um fator relevante para entendermos o presente, quando lemos e relemos para refletir e entender quem somos e no que acreditamos. O objetivo central de nossa investigação é dedicar um tempo para pensar no que foi lido e aprendido na infância, em um momento histórico diferente, e que contribuições são trazidas para nossa realidade atual. Cabe a nós indagar sobre as mudanças e transformações que realizamos, ou ainda, que avaliações fazemos acerca da proposta pedagógica que Rousseau nos propõe. A escolha para esse novo modelo educacional cabe a cada um de nós pensar e refletir, e julgar que valores são colocados na obra de Rousseau, visto que muitas vezes nos deparamos com algo que sempre soubemos ou acreditávamos saber. É mister analisar os fatos, e neste instante, a base teórica é fundamental para aproximarmos da vida diária a busca de soluções para questionamentos e inquietações que surgem e enriquecem a troca de experiências que fazemos diariamente. É preciso ter claro os objetivos, possuir fundamentos teóricos para alicerçar os resultados já encontrados, visto que os fatos não se revelam ao acaso, são pressupostos já imaginados e que vão construir o conhecimento do fato em questão. 25 Segundo Rousseau, se o desenvolvimento e os estímulos fornecidos ao ser humano foram adequados, ajudam o indivíduo a tornar-se mais reflexivo. Com isso, novos pesquisadores, cientistas estariam sendo formados e buscariam construir novos conceitos de suas próprias idéias e em buscas de soluções. Trazendo um pouco o foco para a realidade brasileira, nos permitimos afirmar que aí se encontra o impasse e a grande razão para frustração prática das premissas assinaladas em nossa escola, normalmente a pública. Com uma vida econômica e política significativamente submetida a dependência do exterior, com uma concentração de renda acintosa e com níveis de desemprego e de subemprego alarmantes, sem duvida, a educação para a cidadania apregoada por Rousseau não encontra um terreno social, político e econômico favorável. 3.2 – A educação da consciência. Segundo Rousseau em seus escritos, uma boa educação implica uma boa consciência, ou seja, é preciso ter educação para ter consciência das coisas ou tenho consciência delas inatamente, mas necessito educá-la para melhor compreender e adquirir um bom termo. Vimos ao lermos o Emílio, especialmente a Profissão de Fé do Vigário Saboiano, Rousseau define consciência de uma forma tão plena de sentimento, que nos deixa quase sem recurso a definições tão completas e exaltantes. Tal consciência é o cume do conhecimento humano. A “voz da alma”, é a voz de mim para mim, é o meu guia espiritual. A consciência é um conhecimento concomitante, um saber que já se sabe. Ela manda e eu obedeço a partir do momento em que o indivíduo começa a ter consciência de si mesmo. Rousseau tem como pressupostos básicos a crença na bondade natural do homem e na imputabilidade do mal a sociedade. Com isso o 26 desenvolvimento das suas potencialidades naturais e um leve despertar da consciência que nos leva a um passivo e natural caminhar para os princípios da virtude. O que nos chama atenção na forma de agir de Rousseau em seu método de educação é a forma como ele retarda o crescimento intelectual do indivíduo com o intuito de uma aprendizagem natural e não forçada. O objetivo é que o indivíduo cresça com o melhor hábito que possa adquirir: o de não possuir hábito algum. Ainda assim, ele afirma que os educadores devem educar o aluno para ser um homem e para isso deverá usar as estruturas naturais do seu desenvolvimento, num ambiente muito bem controlado e, ao mesmo tempo, mantendo em mente O Contrato Social do qual o aluno irá fazer parte. É fundamental que o indivíduo aprenda a pensar por si mesmo, a ter consciência dos conceitos, opinião e não-opinião adquirindo ai noção exata daquilo que pode ser a sua “verdade” para melhor formar os seus juízos. Para Rousseau o indivíduo educado com liberdade de escolha, fará uso dessa liberdade mais consciente de quais serão as possíveis conseqüências da sua própria escolha e que esses resultados poderão até ser negativos, porém, será fruto da sua escolha e não de opiniões alheias. Para tanto, consta que é a razão, que fortalece o amor próprio, mas é refletindo conscientemente que o fortificamos; é a consciência que faz o indivíduo cair em si; é ela que o separa de tudo que o incomoda e aflige; é ela que dá ao indivíduo a possibilidade de conhecer e ajudar a sua própria realidade. Contudo, a de saber escutar atentamente a voz que nos orienta. 3.3 – A formação superior. Considerando que a escola representa, antes de tudo, a força propulsora e ativadora de todo processo educativo formal é notável sua relação com as condições de participação social. As universidades precisam ter consciência de 27 seu papel, a fim de exercer sua aplicação da prática educacional voltada para o desenvolvimento da sociedade. Refletindo o contexto histórico do século XVIII, no qual o iluminismo atribui o papel de investigação, da consciência de limites, de criticar as ciências e as culturas, olhamos agora para atualidade onde o indivíduo clama por limites, por valores, por consciência baseado nas experiências artificiais que somos submetidos por força do capitalismo do TER e não do SER. A reflexão que fazemos hoje e os questionamentos acerca do ensino superior é uma pergunta que não quer calar: que indivíduo nós estamos formando hoje tendo em vista as atitudes que o ser humano vem tendo em relação a si mesmo e aos outros. Rousseau afirma que a formação é um processo humano, contínuo, em prol da liberdade, das virtudes, do respeito e da razão. Ao olharmos hoje para o ensino superior não enxergamos indivíduos capazes de pensar, de agir e transformar a si mesmo tendo em vista a busca desenfreada para o mercado de trabalho. A formação adquirida hoje nas universidades está longe de levar o indivíduo a uma formação que os leves a avaliar a sua existência frente aos outros, aos objetivos e a tudo que o rodeia, pois o processo de construção do indivíduo deverá estar relacionado ao que posso fazer; ao que devo fazer; ao que poderia fazer, pois cada um tem uma forma pessoal de ver o mundo. Por isso a formação universitária possibilitaria, através da educação, indivíduos mais críticos na busca de novas possibilidades, buscando analisar de maneira consciente, através da racionalidade coletiva e da razão subjetiva, cabendo a cada indivíduo verificar o que está buscando para sua formação intelectual, afetiva, psicológica, pois estamos envolvidos no todo e não em partículas. Aqui não queremos e nem pretendemos trazer soluções exata para o problema da atual sociedade artificial e sem capacidade intelectual de pensar e resolver problemas, e sim queremos apontar caminhos, ou seja, uma educação 28 na busca da formação humana para despertar em cada indivíduo, a consciência de sua própria dignidade e sua capacidade de exercer cidadania. É através da educação que o indivíduo se transforma, tornando-se responsável pelo próprio progresso e pelo bem da sociedade. Para Rousseau educar é fazer uso do raciocínio, do pensar para analisar ações que fazem parte do processo de formação do ser humano. 29 CONCLUSÃO Após refletirmos a grande proposta de Rousseau para educação nos dias de hoje, a substancial da sua abordagem política e pedagógica oferece fecundos elementos teóricos para a reflexão acerca de alguns dilemas e desafios brasileiros, consistindo também em uma oportuna fonte de inspiração para a práxis política e pedagógica. As condições de desenvolvimento do processo ensino aprendizagem estão se perdendo a cada dia, em detrimento da falta de investimentos nas escolas e o caos social que vitimiza os pais e responsáveis pelos indivíduos, tornando o ambiente familiar desestruturado. Baixos salários dos professores, inexistência de laboratórios, precárias bibliotecas e condições de trabalho precário, não podem contribuir para a formação educativa e cidadã, e ainda projetar para o futuro uma sociedade mais justa e dotada de recursos culturais e políticos. Contudo, para Rousseau, a formação do ser humano está relacionada a busca de sentidos, a compreensão e a apreensão do mundo em que vivemos, a partir dos sentimentos, idéias e valores que lhes são singulares e compartilhados em seu cotidiano, constituindo ou conjuntamente, os conduzem também a relacionar a cultura mais próxima com os mais distantes. Após constatarmos a necessidade de mudanças no comportamento humano, continuamos sem percepção de que eles só acontecerão diante de atitudes concretas e embasadas numa formação consciente e criteriosa. O mundo que estamos construindo é muito diferente da proposta que Rousseau nos apresenta, e as novas gerações sofrerão por isso tendo em vista a formação inadequada da nossa geração, que esta voltada mais para o materialismo e para o TER do que para o SER com necessidades e carências 30 afetivas. Na verdade, Rousseau vê no processo educativo e no seu conceito de educação natural um fator decisivo para o desequilíbrio a favor de uma ou outra destas duas tendências. Acredito que Rousseau revela o fato realista e, ao mesmo tempo, desconcertante de nossa condição humana, a saber, que, em última instância, somos nós mesmos, seres humanos e não outras entidades estranhas, responsáveis pela formação de indivíduos egoístas ou solidários. Rousseau põe de forma nua e crua nas mãos dos homens e da sociedade a responsabilidade pelo tipo de educação que produzem. Espero que viajem com os pressupostos de Rousseau, tenha levado você leitor a refletir sua condição humana devido à grandeza das reflexões que tentamos fazer aqui. Através da leitura desta, entre outras obras do autor, principalmente do Emílio, seu Tratado de Educação, buscamos realizar uma análise em torno dos conceitos de educação doméstica, educação pública, educação negativa, formação do homem e do cidadão, para então, traçar o perfil do indivíduo, levantando princípios que podem orientar sua formação para a cidadania. Especialmente com a leitura do Emílio, constatou-se que é possível formar o indivíduo para a cidadania, o que se dá simultaneamente através da educação doméstica e da educação pública, que precisam ser norteadas pelos princípios, entre outros, de utilidade, necessidade e liberdade, propiciando ao educando uma postura crítica e reflexiva em torno da estrutura e do funcionamento da sociedade, e, assim, possibilitando-lhe uma vivência mais humana, participativa e democrática. 31 BIBLIOGRAFIA J.-J. ROUSSEAU.Emílio ou Da Educação, 684 págs., Ed. Martins Fontes ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. São Paulo: Abril Cultural, 1978. ______________________ Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. São Paulo: Abril Cultural, 1978. ______________________ Emílio ou da educação. São Paulo: Martins Fontes, 1995. ROUSSEAU, Jean-Jacques (1990). Emílio. Mem Martins: Publicações EuropaAmérica. ISBN: 972-1-02937-8. Número de páginas: 229 BONAVIDES, Paulo. 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